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Numero do processo: 10805.900742/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2012
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 42 /2 01 3- 58 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.900742/201358 Acórdão n.º 3201003.118 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.981, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.900742/201358 Acórdão n.º 3201003.118 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.900742/201358 Acórdão n.º 3201003.118 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720185/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ARGUMENTOS AUTÔNOMOS.
Ocorre omissão na decisão quando o Colegiado deixa de se manifestar sobre argumentos autonomamente suficientes a infirmar ou confirmar a conclusão do acórdão, nos termos do art. 489, §1º, IV do CPC/2015.
VARIAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS INFERIOR AO IGP-M. PARECER TÉCNICO.
O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.
O parecer técnico juntado aos autos deixa claro que a variação do IGP-M foi inferior ao índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
REAJUSTE. IMPLEMENTAÇÃO.
O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a efetiva implementação, não bastando mera previsão para que haja sua descaracterização.
Embargos Acolhidos para sanar a omissão.
Numero da decisão: 3402-004.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos presentes Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram dos embargos. Sustentou, pela recorrente, o Dr. Ramon Santos, OAB/SP nº 254.199. (assinado digitalmente)
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ARGUMENTOS AUTÔNOMOS. Ocorre omissão na decisão quando o Colegiado deixa de se manifestar sobre argumentos autonomamente suficientes a infirmar ou confirmar a conclusão do acórdão, nos termos do art. 489, §1º, IV do CPC/2015. VARIAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS INFERIOR AO IGP-M. PARECER TÉCNICO. O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. O parecer técnico juntado aos autos deixa claro que a variação do IGP-M foi inferior ao índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REAJUSTE. IMPLEMENTAÇÃO. O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a efetiva implementação, não bastando mera previsão para que haja sua descaracterização. Embargos Acolhidos para sanar a omissão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos presentes Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram dos embargos. Sustentou, pela recorrente, o Dr. Ramon Santos, OAB/SP nº 254.199. (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra.
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OMISSÃO. ARGUMENTOS AUTÔNOMOS. Ocorre omissão na decisão quando o Colegiado deixa de se manifestar sobre argumentos autonomamente suficientes a infirmar ou confirmar a conclusão do acórdão, nos termos do art. 489, §1º, IV do CPC/2015. VARIAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS INFERIOR AO IGPM. PARECER TÉCNICO. O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. O parecer técnico juntado aos autos deixa claro que a variação do IGPM foi inferior ao índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REAJUSTE. IMPLEMENTAÇÃO. O caráter predeterminado do preço subsiste somente até a efetiva implementação, não bastando mera previsão para que haja sua descaracterização. Embargos Acolhidos para sanar a omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos presentes Embargos de Declaração para sanar a omissão apontada, nos termos do relatório e do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 85 /2 01 2- 42 Fl. 2039DF CARF MF 2 voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram dos embargos. Sustentou, pela recorrente, o Dr. Ramon Santos, OAB/SP nº 254.199. (assinado digitalmente) (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratam os presentes autos, em seu atual estado, de Embargos de Declaração opostos pela GUASCOR DO BRASIL LTDA contra o Acórdão CARF nº 3402003.302, sob fundamento de omissão quando da análise dos seguintes pontos: I) O acórdão embargado apontou a inocorrência da implementação do IGPM nos contratos celebrados com a ELETRONORTE e a CELPA, mas deixou de se manifestar acerca da CERON, cujo reajuste do preço teria ocorrido apenas após o período autuado, no aditivo de 18/02/2011. II) Ausência de manifestação acerca da variação dos custos de produção em relação ao IGPM, visto que aventa em seu Recurso Voluntário da possibilidade de ocorrência de ajuste sem que se descaracterize o preço predeterminado, como previsto no art. 3º, §3º da IN SRF 658/2006, verbis: § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Também junta em seus Embargos de Declaração Parecer elaborado pela PriceWaterhouseCoopers que compara o índice que reflete a variação dos custos de produção e a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em relação ao IGPM vigente no período autuado, para apontar que este possuía índice menor que aquele. É o relatório Voto Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 19515.720185/201242 Acórdão n.º 3402004.324 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos por este Colegiado. Quanto ao primeiro ponto embargado, a Embargante aponta que no acórdão afirmouse que a implementação dos reajustes conforme o IGPM não ocorreu em relação às empresas ELETRONORTE e CELPA, como se vê no seguinte trecho: Em primeiro lugar, há que se pontuar que não há, nos autos, qualquer prova ou indício de que tenha sido implementada em relação aos contratos celebrados com a ELETRONORTE e a CELPA, nos termos do art.3º, §2º da IN 658/2006, o que por si só seria elemento fático suficiente para derrocar a autuação quanto a estes contratos, visto tal implementação ser condição de aplicação do referido dispositivo. Mas vamos além. [grifo nosso] Em seguida complementa afirmando que tampouco em relação à CERON tal reajuste ocorreu, dentro do período fiscalizado. A afirmação é apenas parcialmente correta. Compulsando os autos, especialmente o aditivo de fls. 1671 e seguintes, se verifica que o reajuste do preço de acordo com o IGPM somente ocorreu a partir de 29/07/2010, conforme cláusula 04: Portanto, apenas durante os últimos 5 meses do período autuado é que o reajuste foi efetivamente implementado, o que se torna juridicamente relevante em face da dicção da IN 658/2006, utilizada pela Fiscalização para fundamentar a autuação: “Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. §2º Ressalvado o disposto no § 3º, caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: Diante disso, cabenos reconhecer que o reajuste dos preços relativos ao contrato da empresa CERON somente foi realizado efetivamente à partir de 29/07/2010. Fl. 2041DF CARF MF 4 Apesar do provimento do Recurso Voluntário ter se dado por outras razões, cabe a este Colegiado se manifestar sobre este argumento, com fundamento no art. 489, §1º, IV do CPC/2015, verbis: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; É dever do julgador enfrentar todos os argumentos que autonomamente sejam suficientes à determinar o desfecho do processo, isto é, que por si só sejam hábeis a fundamentar a tomada de decisão em um determinado sentido. No caso em tela, em razão do momento da implementação ser relevante para a IN 658/2006, cabe afirmar aqui que, em relação à empresa CERON, ela se deu apenas a partir de 29/07/2010. Quanto ao segundo ponto, relativo à ausência de manifestação acerca da variação dos custos de produção em relação ao IGPM, visto que aventa em seu Recurso Voluntário da possibilidade de ocorrência de ajuste sem que se descaracterize o preço predeterminado, como previsto no art. 3º, §3º da IN SRF 658/2006, a Embargante apresenta laudo técnico. Na análise das razões da autuação, se verifica que o fiscal autuou as receitas oriundas dos contratos com a CERON, ELETRONORTE e CELPA pelo simples motivo de haver previsão do reajustamento, sem sequer analisar a diferença entre o IGPM e a variação de custos, esta também causa autônoma de decidir, visto que o art. 3º, §3º da IN SRF 658/2006, assim preceitua: § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Por se tratarem tais índices de dados públicos e notórios, ainda que setoriais, não vislumbro na apresentação deste "Parecer" (que em rigor figura como mera informação técnica acerca de tais índices, na forma de uma planilha comparativa) qualquer óbice à regra preclusiva acerca da juntada de provas, visto que, nos termos do art. 374, I do Código de Processo Civil, não dependem de prova fatos notórios, vindo tal documento apenas poupar trabalho de pesquisa ao relator dos presentes Embargos. Além disso, em seu Recurso Voluntário a Embargante já fizera referência a este ponto, mas que deixou de ser apreciado em razão do provimento ter sido dado sob outro fundamento. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 19515.720185/201242 Acórdão n.º 3402004.324 S3C4T2 Fl. 4 5 A omissão resta caracterizada em razão de se tratar, novamente, de argumento autônomo, com força suficiente para fundamentar a decisão em determinado sentido, nos termos do já citado art. 489, §1º, IV do CPC/2015. Assim, reconheço que a variação de preço através do IGPM foi inferior à variação dos custos de insumos utilizados, conforme planilhas de fls. 1970 e 19731974. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO aos Embargos de Declaração para sanar as omissões apontadas, sem atribuição de efeitos infringentes. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 2043DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.720682/2015-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE.
A relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo enseja a observância pelo sujeito passivo do valor tributável mínimo previsto no Regulamento do IPI.
COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA.
Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no art. 136, inciso I, do RIPI/2002 e art. 195, inciso, I, do RIPI/2010.
MULTAS CONFISCATÓRIAS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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A relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo enseja a observância pelo sujeito passivo do valor tributável mínimo previsto no Regulamento do IPI. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no art. 136, inciso I, do RIPI/2002 e art. 195, inciso, I, do RIPI/2010. MULTAS CONFISCATÓRIAS. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco manifestou interesse em apresentar declaração de voto. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 06 82 /2 01 5- 94 Fl. 969DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 970 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Participou do julgamento, em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan, o Conselheiro suplente Cleber Magalhães. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls.1 625/629), lavrado em 29/01/2015 e cientificado pessoalmente em 30/01/2015 (TERMO às fls. 648/649), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$3.833.669,98, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, em razão de infração por: (1) saída de produtos sem lançamento do IPI – inobservância do valor tributável mínimo (arts. 136, inc. I; 137 e 520, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/2002), no período de 01/01/2010 a 31/03/2010, segundo Termo de Verificação e de Constatação Fiscal TVCF de fls. 340/341. No TVCF, restou consignado que o lançamento decorreu do fato de possuir a fiscalizada, como firma interdependente, a única empresa atacadista dos produtos por ela importados e fabricados, em 2010, caracterizando situação na qual devese atender ao Valor Tributável Mínimo VTM para os produtos destinados a outro estabelecimento do próprio remetente ou a esta firma interdependente, nos termos dos arts. 136, inc. I, e 137 do Decreto n°4.544/02, correspondente ao preço praticado no mercado atacadista da praça do remetente ou, inexistindo preço corrente no mercado atacadista, ao custo de fabricação acrescido dos demais custos. Cientificada pessoalmente do Auto de Infração, em 30/01/2015, apresentou Impugnação, em 02/03/2015 (fls. 654/706), julgada improcedente, em decisão de primeira instância, proferida em 22/01/2016 (fls. 820/849), nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 OPERAÇÕES COM INTERDEPENDENTE. A relação de interdependência com comerciante atacadista exclusivo enseja a observância pelo sujeito passivo do valor tributável mínimo previsto no Regulamento do IPI. COMPOSIÇÃO DO MERCADO ATACADISTA. Provada a participação do estabelecimento interdependente no mercado atacadista da praça do remetente, seus preços devem servir de parâmetro para a definição do valor tributável mínimo, previsto no art. 136, inciso I, do RIPI/2002 e art. 195, inciso, I, do RIPI/2010. DESCONTOS A teor do disposto no § 3º do art. 131 do RIPI/2002 e art. 190 do RIPI/2010, é expressamente vedada a dedução dos descontos concedidos a qualquer título na base de cálculo do IPI, ainda que incondicionalmente. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 970DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 971 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. As argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de normatização tributária não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 855), em 23/02/2016, apresentou o recurso voluntário de fls. 857/941, em 17/03/2016, alegando, em síntese: (i) Nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa em razão de ter realizado análise parcial da impugnação; (ii) Ilegitimidade passiva da ora recorrente, sob o entendimento de que o estabelecimento interdependente é quem deveria constar no pólo passivo da lide com fundamento na Lei nº 7798/89, em seu artigo 7º, §1º, posto tratarse a distribuidora em questão de empresa equiparada à industrial; (iii) Questiona, ainda, a autuação promovida por amostragem que se valeu de uma parcela pequena de operações realizadas tãosomente no município do Rio de Janeiro, por essa razão, o trabalho fiscal foi desidioso, mal aparado, imprestável, atentatório ao processo administrativo e amparado apenas em indícios; (iv) Aduz que o trabalho fiscal não traz o preço de mercado da praça do remetente, do Rio de Janeiro, mas, em verdade, da praça do vendedor dos produtos; (v) Entende, ainda, que a decisão recorrida trouxe nova tese jurídica ao ampliar o conceito de praça, o que não constou como fundamento do auto de infração; (vi) Discorre sobre o conceito jurídico de praça; faz considerações sobre a análise do julgador a quo; cita jurisprudências deste Conselho e judicial; e questiona a sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pela fiscalização. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. PRELIMINAR NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Alega a recorrente que a decisão recorrida seria nula, em razão de cerceamento do direito de defesa, por ter realizado análise parcial da impugnação, indevidamente excluindo argüições realizadas, bem como desconsiderando parecer juntado e diversas outras citações acadêmicas; por não ter se atentado as particularidades e questões específicas do presente processo, limitandose a copiar um voto vencido em uma decisão anterior e aplicálo para o caso presente, negando o princípio da autonomia dos processos; por basear seu principal argumento em um ato interno da Receita Federal Fl. 971DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 972 4 Quanto a decisão recorrida ser nula por ter realizado análise parcial da impugnação, entendo que, ainda que não tenha abordado todas argüições realizados, teve suficiente fundamentação e apontou de forma clara o motivo do não provimento à impugnação. Concluiu a decisão recorrida pela procedência integral do lançamento de ofício, adotando para o julgamento administrativo o entendimento de declaração de voto, proferida no processo administrativo nº 11080.731081/201128, acórdão nº 3403002.285, de 16/07/13, nas questões relativas ao conceito de praça e a finalidade da norma do art. 15 da lei nº 4.502, de 1964, entendendo suficientes estes e os demais fundamentos expostos, quanto ao Valor Tributável Mínimo e questões conexas, desnecessário ao julgador contrapor todos argumentos postos sobre as mesmas matérias, ainda que sobre outros pontos de vista. Entendo, assim, ao contrário do alegado, que a DRJ não excluiu indevidamente argüições realizadas, bem como desconsiderou parecer juntado e diversas outras citações acadêmicas. Não existe obrigação do julgador em responder ou rebater, um a um, todos os argumentos e fundamentos jurídicos trazidos pela parte, como pretende o Recorrente, quando já tenha encontrado motivo bastante para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ficar adstrito aos fundamentos pelo Recorrente indicados. O que não pode existir é a lacuna na conclusão da lide, vale dizer, quando o julgador deveria ter decidido determinada questão e não o fez; e não quanto à análise dos argumentos fáticos e jurídicos das partes, para contraditálos ou acolhêlos, competindo ao julgador administrativo, apenas, indicar a fundamentação adequada ao deslinde da controvérsia, observadas as peculiaridades de cada caso concreto. Para o Processo Administrativo Fiscal, o art. 31, do PAF, trata da matéria do conteúdo e elementos das decisões: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigência. (grifei/sublinhei) A leitura do artigo acima, deixa claro que a decisão administrativa deve referirse, expressamente, às razões de defesa suscitadas pelo impugnante e a todos os AI e NL objeto do processo; estando associada a expressão 'a todos' com os AI e NL, absolutamente, não com 'às razões de defesa suscitadas', não sendo requisito da decisão administrativa fiscal federal a abordagem expressa 'a todos às razões de defesa suscitadas pelo impugnante'; expressão [a todo(a)s] que não quis o legislador dissesse respeito 'às razões de defesa'. Mesmo no Processo Civil, não existia norma cogente em sentido semelhante e, somente a partir de 18 de março de 2016, passouse a não se considerar fundamentada a decisão judicial que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador, nos termos do inc. IV, do § 1º, do art. 489, do CPC/15, ainda que aplicável subsidiariamente ao PAF (questionável, pois o mesmo possui regramento próprio, no citado art. 31, quanto ao conteúdo/elementos das decisões), não teria o condão de retroagir (tempus regit actum) para alcançar o Acórdão DRJ/JFA nº 0958.802, de 22/01/2016. Quanto a decisão recorrida ser nula por não ter se atentado as particularidades e questões específicas do presente processo, limitandose a copiar um voto Fl. 972DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 973 5 vencido em uma decisão anterior e aplicálo para o caso presente, negando o princípio da autonomia dos processos, retoma a recorrente à questão das "falsas fundamentações". Reconhecendo a importância da efetiva fundamentação dos julgados, o Novo Código de Processo Civil brasileiro não se limitou a definila como elemento essencial da sentença (art. 489, inc. II), à semelhança do CPC/1973. Preocupouse, também, com o seu conteúdo, a fim de garantir a presença da motivação em sua dimensão substancial, e não apenas formal, listando, nos incisos do § 1º, do art. 489, do CPC/2015, em rol exemplificativo, as hipóteses mais freqüentes do que a doutrina chama de fundamentação inútil ou deficiente, equiparandoas à ausência de motivação, que nulificaria a decisão (art. 93, inc. IX, da CF/88). Não entendo estarmos diante de uma fundamentação falsa, inútil ou deficiente. A decisão recorrida, além de trazer toda uma fundamentação própria no corpo do voto condutor, somente ao final, reproduz uma declaração de voto e explica sua relação com a causa e as questões decididas, expressamente afirmando, in verbis: "Por fim, pela total simetria com todo o entendimento exarado acima, vale transcrever a declaração de voto do conselheiro Alexandre Kern quando do julgamento de questão similar objeto do processo administrativo nº 11080.731081/201128, proferido no acórdão nº 3403 002.285, de 16 de julho de 2013: (...)" Além da questão da irretroatividade do CPC/2015, à alcançar o Acórdão DRJ/JFA nº 0958.802, de 22/01/2016, entendo que esta decisão não limitouse à simples reprodução de um voto em uma decisão anterior e aplicou ao caso presente, tendo motivado de forma concreta a razão do não provimento à impugnação, não ficando caracterizado qualquer prejuízo à defesa que pudesse inferir nulidade ao ato. Quanto a decisão recorrida ser nula por basear seu principal argumento em um ato interno da Receita Federal, notase que o ato decisório não limitouse à indicação, à reprodução ou à paráfrase do ato normativo, como fundamento único e sem explicar sua relação com a questão decidida. A decisão aponta a Solução de Consulta Interna (SCI) COSIT n° 08, de 2012, como fonte de direito, mesmo porque, como órgão da Receita Federal, está obrigada à seguíla, em seguida, explicando sua relação com a questão decidida, qual seja, a fixação de valor tributável mínimo quando no mercado atacadista a que essa regra se refere existir um único distribuidor, sendo este interdependente do estabelecimento industrial fabricante do produto cujo valor tributável mínimo se pretenda determinar, ou seja, exatamente o caso ora em discussão, dispensando maiores explicações sobre a subsunção dos fatos ao ato interpretativo. Notar que não foi no ato interno que baseouse a decisão recorrida, na verdade, o ato interno exterioriza interpretação do arcabouço legislativo em que se baseia, estando nele os legítimos fundamentos da decisão administrativa, repitase, vinculada à interpretação feita pelo órgão ao qual está inserida hierarquicamente, não havendo nulidade aparente, também, nesse outro ponto. Além de tudo isso, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/72: Fl. 973DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 974 6 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivou de forma concreta a razão do não provimento à impugnação, não ficando caracterizado qualquer prejuízo à defesa do Recorrente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ILEGITIMIDADE PASSIVA A recorrente asseverou em seus protestos que é parte ilegítima, já que o responsável pelo tributo é a empresa interdependente, pelo §1º, do art. 7°, da Lei 7.798/89, que enquadra o atacadista interdependente como estabelecimento industrial e, portanto, contribuinte do IPI, concluindo que toda e qualquer diferença do IPI, quer por enquadramento ao "preço mínimo tributável", quer por equiparação à industrial, é devida pela distribuidora interdependente (Delly Distribuidora de Cosméticos e Prestação de Serviços Ltda.,), e não pela industrial (Delly Kosmetic Comercio e Industria LTDA). A tese foi afastada pela DRJ sob o argumento de que, com o advento do Decreto nº 1.217, de 11/08/94, a obrigatoriedade de enquadramento da citada lei foi afastada, situação que perdurou até o Decreto nº 8.393, de 28/01/15, produzindo efeitos somente a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao de sua publicação, portanto, posterior ao próprio lançamento e aos fatos geradores; que a própria lei autoriza a discricionariedade via decreto, não cabendo aos órgãos julgadores administrativos declarar eventual ilegalidade ou inconstitucionalidade de decretos e leis federais válidas; por fim, concluindo que, mesmo se o estabelecimento distribuidor atacadista interdependente do fabricante estivesse enquadrado como equiparado a industrial contribuinte do IPI, isso não retiraria do fabricante (estabelecimento industrial) a obrigação de cumprir os preceitos normativos, estabelecidos no art. 136, inc. I, do RIPI/2002, e art. 195, inc., I, do RIPI/2010, para o valor tributável mínimo. Na conclusão final do voto condutor da decisão recorrida, reside a razão principal da manutenção da sujeição passiva do autuado, qual seja, forte na autonomia dos estabelecimentos (CTN, art. 51) e independente das obrigações tributárias subseqüentes dos distribuidores interdependentes, reconhecidas, inclusive, nos julgados administrativos e judiciais apontados (ainda que, sem indicação dos números dos acórdãos ou dos processos, limitando a análise), isso não retira do estabelecimento industrial sua condição de contribuinte (artigos 34 e 35, inciso I, alínea 'a', da Lei nº 4.502/64), que deu saída a produto tributável (artigo 2º, da Lei nº 4.502/64), destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenhe relação de interdependência, devendo respeitar os preceitos normativos para o valor tributável mínimo (artigo 15, inciso I, da Lei nº 4.502/64). No mesmo sentido da decisão recorrida, portanto, não vejo motivos para afastar a sujeição passiva do estabelecimento industrial que deu saída à produto industrializado, em situações nas quais, em tese, deveria respeitar os preceitos normativos para o valor tributável mínimo. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 975 7 NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR AMOSTRAGEM E POR FALSA PREMISSA Inovase alegação, não prequestionada na impugnação, sobre vicio do auto de infração, eis que o trabalho fiscal teria se dado por amostragem, não valendose de consistentes informações e parâmetros para fixação da condição de contribuinte da autuada, da base de cálculo tributável e do fato gerador, utilizandose de metodologia não empírica para a análise de dados, despida de rigor técnico, o que caracterizaria absoluta arbitrariedade, eivando de nulidade o lançamento tributário, efetuado com base em conjecturas, suposições, meras presunções e indícios infundados, desacompanhados de outros elementos ou provas. Não restou evidenciado nos autos que o lançamento está fundamentado em dados incompletos ou em uma fiscalização feita “por amostragem”. A autuação se deu fundamentada em todas as notas fiscais, nos livros contábeis e fiscais, e nos arquivos digitais, apresentados pela empresa com relação ao período, suficientes para a demonstração do ilícito tributário. Entendo que não foi a autuação que foi feita por amostragem e sim a auditoria. A amostragem é a utilização de um processo para obtenção de dados aplicáveis a um conjunto, por meio do exame de uma parte deste conjunto denominada amostra. A auditoria fiscal pode ser feita sobre todo o conjunto de documentos da empresa ou sobre uma amostra representativa destes, a critério da autoridade fiscal, desde que suficientes para a demonstração do ilícito tributário. Corroborando esse entendimento, precedente desta 1ª Turma Ordinária, no Acórdão nº 3401002.341, de 25/07/2013, ementa, abaixo reproduzida, na parte de interesse: Ementa:AMOSTRAGEM. A técnica da amostragem é idônea para verificação das informações prestadas pelo sujeito passivo, cabendo a este, especificar as provas que contrariem aquelas que formaram a convicção da autoridade lançadora. Não há nulidade quando suficientemente demonstrado e fundamentado os motivos pelos quais lavrouse o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas nas peças impugnativa e recursal. Além disso, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/72 (PAF). No caso de auto de infração, ato administrativo formalizado por termo próprio e resultante do conjunto de outros atos e termos fiscais, só há nulidade se for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), falandose em defesa cerceada somente quanto aos despachos e decisões (art. 59, II), não importando em nulidade, as irregularidades, incorreções e omissões sanáveis (art. 60). Como ato administrativo, o auto de infração deve respeitar os requisitos mínimos do artigo 10, do Decreto nº 70.235/72. Estando o auto de infração revestido de suas formalidades mínimas, no que tange ao seu conteúdo necessário e respectivas provas, assim como a discussão acerca da falsa premissa, título no qual a autuada abordou a questão afeta à conceituação de "praça", serão analisados junto com o mérito da tributação, não sendo causa preliminar de nulidade. Portanto, não acolho nenhuma das preliminares de nulidade suscitadas. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 976 8 MÉRITO DECADÊNCIA Durante os debates em plenário, restou superada a prejudicial de mérito, levantada em sede de sustentação oral, por um dos representantes da recorrente, na qual se sustentava a existência de decadência parcial dos lançamentos. Concluiu o Colegiado, inexistentes provas de pagamentos antecipados, à viabilizar a antecipação da contagem do prazo decadencial, nos termos no art. 150, §4º, do CTN, hermenêutica consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/73, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015. CONCEITO DE PRAÇA E VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO Alega a recorrente que o auto de lançamento seria improcedente, pois não traz o preço de mercado da praça do remetente (Delly Kosmetic), do Rio de Janeiro/RJ, mas, em verdade, da praça do vendedor adquirente dos produtos (Delly Distribuidora), de São João de Meriti/RJ; tendo a decisão recorrida trazido nova tese jurídica, ampliando o conceito de praça, que não constou como fundamento do auto de infração. Ainda, discorre sobre o conceito jurídico de praça; faz considerações sobre a análise do julgador a quo; cita jurisprudências deste Conselho e judicial; e questiona a sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pela fiscalização. Quanto à questão do conceito de praça, afirma a recorrente não ser possível usar o preço de venda praticado pela empresa de São João do Menti/RJ (Delly Distribuidora), para se fixar o preço mínimo tributável à ser praticado por empresa (Delly Kosmetic) situada na cidade do Rio de Janeiro/RJ, apontando jurisprudência administrativa e judicial no sentido do conceito de praça limitarse ao município onde está situado o vendedor. Ou seja, os preços de venda da Delly Distribuidora, situada em São João do Meriti/RJ, definiriam exclusivamente os preços da praça do município onde está situada, não servindo para se fixar o VTM à ser praticado pela Delly Kosmetic, situada no município do Rio de Janeiro/RJ. Para a decisão recorrida, "...'praça' é a localidade ou região, circunscrita ou não ao território de um município, onde tem atuação o comerciante nos seus atos negociais em sentido amplo." (fl. 843, início), ressalvando, "Em que pese toda essa discussão em torno do conceito de 'praça', vale relembrar que nenhuma influência exerce no lançamento tributário ora impugnado, uma vez que, no caso, existe um único vendedor atacadista que opera não só no mercado atacadista do remetente/impugnante nas em todo o mercado atacadista nacional – justamente a sua comercial atacadista interdependente." (fl. 843, meio), por fim, transcreve declaração de voto, no Acórdão nº 3403002.285, de 16/07/2013, em julgamento de questões similares, envolvendo o conceito de praça e a finalidade da norma do art. 15 da Lei nº 4.502/64 Pois bem, nos restou, em recurso voluntário, definir: se o conceito de praça exerce influência no lançamento tributário ora contestado; se a 'praça' é a localidade ou região onde tem atuação o comerciante nos seus atos negociais, em sentido amplo, ou está circunscrita exclusivamente ao território de um município; se a decisão recorrida trouxe nova tese jurídica, que não constou como fundamento original do auto de infração, ampliando o conceito de praça; se seria improcedente o auto de lançamento por trazer o preço de venda dos produtos de Fl. 976DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 977 9 empresa adquirente distribuidora, situada em município e, portanto, 'praça' diversa do remetente industrializador, autuado por inobservância do VTM. Indo direto ao ponto, de fato, para o presente lançamento tributário, no caso específico das circunstâncias de mercado em que inseriamse os atores únicos e exclusivos, o conceito de praça não exerce maior influência, pois, entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida e da Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 13 de junho de 2012 (Publicado no sitio da RFB em 15/06/2012) que, na hipótese de existir no mercado atacadista apenas um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto, o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante remetente corresponde aos próprios preços praticados pelo distribuidor único adquirente, nas vendas por atacado do citado produto, até porque, tratandose de distribuidor monopolista, restam esses preços como sendo os preços correntes do mercado atacadista, aplicável às praças do adquirente e do remetente, independente do entendimento restritivo de praça como a circunscrição territorial do município onde situase o adquirente ou o remetente. O art. 15, da Lei nº 4.502/64, estabelece que o valor tributável, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro interdependente, não poderá ser inferior ao 'preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente', restando em situações como a presente, existindo no mercado atacadista apenas o interdependente como único distribuidor, descritas na SCI Cosit nº 8/12, a adoção do único preço praticado no mercado atacadista, pois, monopolizado pelo distribuidor interdependente, ditando o preço corrente do mercado atacadista da praça do remetente. No presente caso, entendo mesmo inócua a interpretação restritiva pretendida, sobre o conceito de 'praça', entre os municípios do Rio de Janeiro/RJ e de São João de Meriti/RJ, pois, o monopólio da distribuição garante à empresa Delly Distribuidora a fixação dos preços, em todo mercado atacadista, não existindo outros distribuidores dos mesmos produtos à formar preços distintos. Como bem acentuado na SCI Cosit nº 8/12, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no art. 136, inc. I, do RIPI/2002, e art. 195, inc., I, do RIPI/2010. Entender de outra forma, nos casos de interdependente adquirente como único distribuidor, seria negar a aplicação da regra de apuração direta da base de cálculo sobre o preço de venda efetivamente praticado, ainda que inequívoco, pois, monopolizado por um único vendedor, entendendo inexistente o preço corrente no mercado atacadista do remetente, quando estes estiverem situados em 'praças' ou municípios distintos, aplicandose, como regra, as subsidiárias bases de cálculo indiretas, calculadas na forma das normas do parágrafo único, do art. 137 ou arbitradas nos termos do art. 138, do RIPI/2002, repisadas no parágrafo único, do art. 196 e no art. 197, do RIPI/2010, não resultando esta na interpretação mais adequada ou em consonância com a finalidade antielisiva das normas: garantir que as saídas dos produtos entre empresa fabricante e comercial interdependente sejam tributados, no mínimo, pelo valor efetivamente praticado no mercado atacadista. Assumir a posição proposta, seria negar a finalidade da norma e o valor do preço efetivamente praticado no mercado atacadista, em detrimento de arbitramentos de ofício, Fl. 977DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 978 10 seja por meio do cálculo de ofício, portanto, arbitramento em relação ao cálculo feito pelo contribuinte, proposto pelo parágrafo único, dos arts. 137 e 196; seja pelo arbitramento, propriamente dito, dos arts. 138 e 197. Assim sendo, diante dos preços únicos, praticados por distribuidor único, nas vendas por atacado do citado produto, resta analisar a sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pela fiscalização. Alega a recorrente, que a autuação padece da total imprecisão quanto ao cálculo em si da base tributável mínima do IPI, afirmando que não foi feita a apuração do preço mínimo tributável conforme regramento vigente, criandose uma base não prevista em lei. Segue a argüição, retomando os argumentos sobre o conceito de 'praça' e ter sido o trabalho fiscal feito por amostragem, aduzindo existir: (a) fragilidade dos argumentos para sustentar o critério de cálculo, (a.1) conhecimento e escolha do preço mínimo tributável; (a.2) não inclusão dos preços de vendas para exportação; (b) preço mínimo tributável obrigatoriedade de uso de regra empírica, não cabendo o uso de qualquer tipo de presunção; (c) conhecimento do preço mínimo tributável limitação do universo de atacadista a ser pesquisado; (d) conhecimento do preço mínimo tributável impossibilidade de se utilizar apenas os preços praticados pelo adquirente interdependente; (e) conhecimento do preço mínimo tributável não consideração da totalidade das operações de vendas realizadas pela Impugnante; (f) conhecimento do preço mínimo tributável média ponderada; (g) preço médio, necessidade de ponderação da condição de venda; (h) preço mínimo tributável exclusão dos descontos condicionais concedidos; (i) preço mínimo tributável não exclusão do IPI. Quanto à escolha do preço mínimo tributável, o argumento do recurso é no sentido da obrigatoriedade de uso de regra empírica, não cabendo o uso de qualquer tipo de presunção, tanto do universo de atacadistas existentes na praça da recorrente, quanto as peculiaridades de preço, quantidade e condições de pagamento das operações de venda dos produtos comercializados; sustentando, ainda, a não inclusão dos preços de vendas para exportação; a exclusão dos descontos condicionais concedidos; e não exclusão do IPI. Propõe a tese do recurso voluntário, a obrigatoriedade de uso de regra empírica, no sentido da impossibilidade de utilizarse presunções na apuração da base tributável mínima do IPI, para fins de tributação entre empresas interdependentes, "...em especial quanto ao fato de considerar, por conta própria, que o mercada atacadista da praça do remetente estava limitada às vendas realizadas pela Distribuidora Interdependente situada em outra praça." (fl. 909). Não entendo assistir razão à recorrente, de um lado, por retomar a discussão sobre o conceito de 'praça' e município, superado, se chegamos até aqui; de outro, por reconhecer que a desconsideração dos preços efetivamente praticados por atacadistas não interdependentes se deve ao fato de que essas empresas não compravam diretamente da recorrente, até porque, os fatos nos autos apontam para relação de exclusividade de aquisições dos produtos pela distribuidora interdependente, situação de mercado que possibilitou o distribuidor único ser parâmetro de preço do mercado atacadista, discussão também superada, se chegamos até aqui. Quanto às questões da (i) não inclusão dos preços de vendas para exportação; da (ii) exclusão dos descontos condicionais concedidos; e da (iii) não exclusão do IPI, a recorrente limitouse a reiterar os argumentos da impugnação, os quais foram rejeitados pelo Fl. 978DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 979 11 órgão julgador recorrido, por entender pela (i) impossibilidade de o preço praticado em exportação compor o "preço corrente no mercado atacadista", em razão de envolver agentes, condições e parâmetros negociais completamente diversos daqueles ínsitos às transações correntes realizadas no âmbito interno do mercado atacadista nacional; (ii) vedação normativa expressa no § 3º, do art. 131, do RIPI/2002, correspondente ao § 3º, do art. 190, do RIPI/2010, à dedução dos descontos concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente, na base de cálculo do IPI; (iii) inadmissível excluirse do preço considerado na fixação da base de cálculo do VTM o montante do IPI que integra este preço, nos termos do item 10, do Parecer Normativo CST nº 36, de 1976. Nada novo relevante argüido e/ou provado, resta manter o decidido pelo órgão julgador recorrido, pelas suas próprias razões de fato e de direito, aduzindo, ainda, ausência de provas das alegações, todas genéricas e desacompanhadas de demonstração dos montantes e da relevância de tais parcelas na base de cálculo do VTM adotada, suficientes a infirmar o trabalho fiscal. Quanto ao conhecimento do preço mínimo tributável, alegase, limitação do universo de atacadista a ser pesquisado; impossibilidade de se utilizar apenas os preços praticados pelo adquirente interdependente; não consideração da totalidade das operações de vendas realizadas; utilização da média ponderada; e preço médio, necessidade de ponderação da condição de venda; todas, questões envolvendo a sistemática de apuração do preço mínimo tributável, realizado pela fiscalização. Ainda quanto ao mérito da sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pela fiscalização, mais argumentos, no sentido: Do Correto preço mínimo tributável uso do custo da mercadoria, acrescido de encargos defendendo a sistemáticas de cálculo previstas nos incisos I e II do parágrafo único dos arts. 137 do RIPI/2002 e 196 do RIPI/2010; Da interpretação fiscal mais benéfica alegando necessário o uso da regra fiscal menos agressiva, conforme regra do artigo 112 do CTN; e Da efetividade da operação entre a impugnante e a distribuidora interdependente argüindo que a fiscalização colocou em dúvidas a efetividade da operação de venda entre a recorrente e a distribuidora interdependente. Dentre os fundamentos da decisão recorrida sobre a matéria, extraise os excertos, abaixo transcritos, os quais adoto como fundamento, em relação à questão sobre a sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pela fiscalização, aduzindo inaplicável a regra do art. 112, do CTN, inexistindo dúvidas de interpretação quanto à regra fiscal aplicável; e sendo indiscutível a efetividade da operação entre a impugnante e a distribuidora interdependente, discutese que não fora respeitado o VTM nas operações. "Evidentemente, conforme repetidamente informado neste voto, os comandos normativos do art. 195, inciso I, do RIPI/2010 e do art. 136, inciso I, do RIPI/2002 são correspondentes. Portanto, entender que os preços dos produtos da impugnante no mercado atacadista consistem nos mesmos preços praticados pela sua comercial atacadista interdependente exclusiva encontra respaldo no ADN CST nº 05, de 1982, no PN CST nº 44, de 1981, na SCI COSIT nº 08, de 2012, e na interpretação do art. 136, inciso I, do RIPI/2002 (art. 195, inciso I, do RIPI/2010), apontado no lançamento tributário. Além disso, importa ressaltar que, para a identificação, nos termos do inciso I do art. 136 do RIPI/2002 (inciso I do art. 195 do RIPI/2010), do preço no Fl. 979DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 980 12 mercado atacadista na praça do remetente/impugnante, há de se levar em consideração os preços praticados pelo estabelecimento comercial atacadista interdependente, distribuidor exclusivo da impugnante, porquanto este atua naquela praça, conforme os atos acima citados. Desta forma, como se tratam de produtos perfeitamente caracterizados e identificados por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, são os preços da comercial atacadista interdependente, única representante/distribuidora de tais produtos no atacado, que podem ser utilizados para se determinar o preço atacadista na praça da impugnante/remetente. Estes preços, portanto, é o que devem ser tomados para o levantamento do valor tributável mínimo estabelecida pelo inciso I do art. 136 do RIPI/2002 (inciso I do art. 195 do RIPI/2010). Porém, a impugnante, embora conhecendo os preços no mercado atacadista praticados pelo seu distribuidor comercial atacadista exclusivo e interdependente, não cumpriu os referidos comandos normativos, tendo recolhido valor de imposto muito abaixo do valor tributável mínimo que deveria observar. Partindo, então, a Fiscalização, dos preços praticados pela comercial atacadista interdependente, segundo cada produto perfeitamente caracterizado e identificado, apurou, acertadamente, o valor tributável mínimo por meio da sistemática de cálculo prevista no art. 137, caput, do RIPI/2002 (correspondente ao art. 196, caput, do RIPI/2010), conforme indicado na planilha fiscal de fls. 098/1151. Vale aqui esclarecer que as sistemáticas de cálculo previstas nos incisos I e II do parágrafo único dos arts. 137 do RIPI/2002 e 196 do RIPI/2010, defendidas a certa altura na impugnação, só podem ser aplicadas quando não existir preço corrente no mercado atacadista, o que não é o caso dos autos." (grifei) Novamente, nada novo relevante argüido e/ou provado, resta manter o decidido pelo órgão julgador recorrido, pelas suas próprias razões, não havendo, até o momento, argumentos suficientes a infirmar o trabalho fiscal ora combatido. No presente caso, como já ressaltado, decidido em outras oportunidades2 e bem acentuado na SCI Cosit nº 8/12, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no art. 136, I, do RIPI/2002, e art. 195, I, do RIPI/2010, em detrimento de arbitramentos de ofício, seja por meio do cálculo de ofício, portanto, arbitramento em relação ao cálculo feito pelo contribuinte, proposto pelo parágrafo único, dos arts. 137 e 196; seja pelo arbitramento propriamente dito, dos arts. 138 e 197. Reitero que, entender de outra forma, nos casos de interdependente adquirente como único distribuidor, seria negar a aplicação da regra de apuração direta da base de cálculo sobre o preço de venda efetivamente praticado, ainda que inequívoco, pois, monopolizado por um único vendedor, entendendo inexistente o preço corrente no mercado 2 Acórdãos nº 20204.484, de 18/09/1991; 3201001.204, de 25/02/2013; 3301001.847, 22/05/2013. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 981 13 atacadista do remetente, aplicandose, como regra, as subsidiárias bases de cálculo indiretas, arbitradas na forma das normas supracitadas, não resultando esta na interpretação mais adequada ou em consonância com a finalidade antielisiva das normas: garantir que as saídas dos produtos entre empresa fabricante e comercial interdependente sejam tributados, no mínimo, pelo valor efetivamente praticado no mercado atacadista. MULTAS APLICADAS Recorre a contribuinte contra a multa aplicada, reiterando os argumentos de que o percentual de multa de ofício (75%) seria inconstitucional, ofendendo o inciso IV, do artigo 150, da CF/88, diante do seu caráter confiscatório. Não merece acolhida tais argumentos, pois, além das previsões legais expressas, fixadas nos percentuais exigidos (75%), no artigo 80, da Lei nº 4.502/64, como de conhecimento : "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." (Súmula CARF nº 2). Logo, devem ser mantidas as multas de ofício (75%), lançadas no percentual previsto no art. 80, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 45, da Lei n° 9.430/96, e pelo art. 13, da MP n ° 351/07, convertida na da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15). PERÍCIA Renova a recorrente (fl. 3839) o requerimento de perícia técnica, contábil e fiscal, elaborado na peça impugnatória (fl. 3458), na qual, requereu (fl. 3477), seja realizada perícia técnica, com a nomeação de perito e oportunizada a indicação de um perito assistente para a empresa autuada. No caso em exame, inicialmente, notase que não foram atendidos os requisitos da legislação de regência (inc. IV e §1º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 PAF), não tendo sido elaborados os quesitos a serem respondidos, nem indicado assistente técnico. Além do não atendimento aos requisitos formais da legislação, as questões controversas nos autos não demandam conhecimento técnico específico para solução, seja porque, em grande parte, contesta a própria lavratura da autuação fiscal, não dizendo respeito aos aspectos técnicos conceituais dos produtos tributados, seja por que, referese a matéria envolvendo prova documental, cuja solução demanda simples juntada ao processo. Ainda assim, analisado adequadamente o conjunto probatório existente e concluindo pela improcedência das alegações, é prerrogativa do julgador demandar por novas provas, e se este entende que constam dos autos as informações suficientes para prolatar a decisão, diligências e perícias não são necessárias, ao teor do livre convencimento motivado, do art. 29, do Decreto nº 70.235/72 PAF. Deste modo, no mesmo sentido da decisão recorrida, em conformidade com os arts. 18, caput, e 29, do PAF, mantêmse o indeferimento do pedido de perícia, por considerála prescindível para a solução do litígio administrativo. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 982 14 Por tudo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 982DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 983 15 Declaração de Voto 1. Em que pese o bem fundado voto do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, dele passo a dissentir nos seguintes termos, com as vênias de estilo. 2. No presente caso, as preliminares alegadas pela contribuinte recorrente se confundem com a vexata quaestio, que se volta a discutir se a contribuinte autuada (DELLY KOSMETIC COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., doravante DELLY INDÚSTRIA, com sede na cidade do Rio de Janeiro/RJ) deve observar, na qualidade de remetente, o valor tributável mínimo nas saídas de seus produtos industrializados ou importados com destino a estabelecimento comercial atacadista com o qual mantém relação de interdependência (DELLY DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA., doravante simplesmente DELLYDISTRIBUIDORA, com sede na cidade do São João de Meriti/RJ no período de apuração em análise, tendo alterado posteriormente a sua sede para a cidade de Queimados/RJ). 3. Como se sabe, em conformidade com o art. 46 do Código Tributário Nacional,3 o imposto sobre produtos industrializados, previsto no inciso IV do art. 153 da Constituição de 1988, 4 tem, como fato gerador: (i) o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; (ii) a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51 da norma;5 e (iii) a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. O art. 51 do diploma em referência, por sua vez, determina que a contribuinte do imposto é o industrial (ou equiparado) e o comerciante de produtos sujeitos ao IPI que os forneça a industriais ou equiparados. Da simples leitura de tais dispositivos, é possível se concluir, e.g., que a venda de distribuidora para consumidor final não se convola como fato gerador do imposto. 4. Uma vez definida a sua materialidade, depreendese da leitura do art. 476 a base de cálculo do IPI correspondente em uma operação de saída do produto interno: (i) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria, ou (ii) na falta dele, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente. Nos termos do 3 Código Tributário Nacional Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. 4 Constituição da República de 1988 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV. Produtos industrializados. 5 Código Tributário Nacional Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. 6 Código Tributário Nacional Art. 47. A base de cálculo do imposto é: I no caso do inciso I do artigo anterior, o preço normal, como definido no inciso II do artigo 20, acrescido do montante: a) do imposto sobre a importação; b) das taxas exigidas para entrada do produto no País; c) dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; III no caso do inciso III do artigo anterior, o preço da arrematação. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 984 16 quanto preceituado pelo art. 190 do Decreto nº 7212/2010 (Regulamento do IPI),7 constitui "valor tributável" dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, assim entendido como o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. 5. O art. 195 do RIPI/2010, por seu turno, de forma a ecoar o preceptivo normativo do alínea b do inciso II do art. 47 do Código Tributário Nacional, dispõe a respeito da necessidade de um valor mínimo tributável no caso de produto destinado a outro estabelecimento do próprio remetente: o preço corrente no mercado atacadista da praça do próprio remetente, cf. inciso I do art. 15 da Lei nº 4.502/1964 e art. 2º do DecretoLei no 34/1966, conforme abaixo se transcreve: Decreto nº 7212/2010 (Regulamento do IPI) Valor Tributável Mínimo Art. 195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. 6. Para a caracterização da relação de interdependência, por sua vez, necessária a configuração de ao menos uma das hipóteses previstas no art. 612 do RIPI/2010: (i) participação, direta ou indireta, de mais de 15% no capital social; (ii) comungarem de ao menos um diretor ou sócio com funções de gerência; (iii) quando uma tiver vendido/consignado à outra no ano anterior mais de 20% de seus produtos com exclusividade territorial ou mais de 50% em qualquer hipótese; (iv) quando uma delas for a única adquirente de um ou mais produtos da outra; (v) quando uma vender à outra produto que tenha fabricado ou importado por meio de contrato de participação ou semelhante, conforme disposição a seguir trasladada: Decreto nº 7212/2010 (Regulamento do IPI) Firmas Interdependentes Art. 612. Considerarseão interdependentes duas firmas: I. quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem como por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física; II. quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de gerência, ainda que exercidas sob outra denominação; III. quando uma tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de vinte por cento no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, 7 Decreto nº 7212/2010 (Regulamento do IPI) Art. 190. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: (...) II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1o O valor da operação referido na alínea “b” do inciso I e no inciso II compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2o Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no § 1o, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma controladora ou controlada do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja subcontratado. § 3o Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. § 4o Nas saídas de produtos a título de consignação mercantil, o valor da operação referido na alínea “b” do inciso I e no inciso II do caput, será o preço de venda do consignatário, estabelecido pelo consignante Fl. 984DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 985 17 e mais de cinquenta por cento, nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados, de sua fabricação ou importação; IV. quando uma delas, por qualquer forma ou título, for a única adquirente, de um ou de mais de um dos produtos industrializados ou importados pela outra, ainda quando a exclusividade se refira à padronagem, marca ou tipo do produto; ou V. quando uma vender à outra, mediante contrato de participação ou ajuste semelhante, produto tributado que tenha fabricado ou importado. Parágrafo único. Não caracteriza a interdependência referida nos incisos III e IV a venda de matériasprimas e produtos intermediários, destinados exclusivamente à industrialização de produtos do comprador. 7. Uma vez configurada a situação de interdependência, deve o aplicador se voltar, necessariamente, ao preço corrente da praça do remetente, por expresso desígnio da alínea b do inciso II do art. 47 do Código Tributário Nacional conjugada com o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Duas são as questões que merecem, a partir de então, maior reflexão: em primeiro lugar, o sentido de "preço corrente" e, em segundo lugar, o sentido de "praça". Diante da dúvida sobre se o preço corrente da localidade seria aquele praticado pelo remetente, considerado de maneira individual e apartado do restante da praça, ou se, para o cálculo, deveria a autoridade fiscal considerar todo o mercado local, a Coordenação do Sistema de Tributação editou o Parecer Normativo CST nº 44/1981, que entendeu pela necessidade de consideração do universo das vendas realizadas na localidade, de modo a utilizar, como sinônimo de "praça", a "cidade".8 Assim, para se encontrar o "preço corrente", necessário se levar em consideração a média ponderada do preço praticado pelos estabelecimentos da cidade do remetente: Parecer Normativo CST nº 44/1981 Imposto Sobre Produtos Industrializados 4.16.04.02 Valor Tributável Mínimo Remessas Para Interdependentes "1. Indagase, para encontro do limite mínimo do valor tributável do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na hipótese prevista no artigo 46, inciso I, letra a , do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 09 de março de 1979 (RIPI), qual a extensão do entendimento da expressão "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente". (...). 3. A base da norma que se examina, originariamente, foi o disposto no inciso I do artigo 15 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, verbis: Artigo 15. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço normal de venda por atacado a outros compradores ou destinatários, ou, na sua falta, ao preço corrente no mercado atacadista do domicílio do remetente, quando o produto for remetido, para revenda, a estabelecimento de terceiro, com o qual o contribuinte tenha relações de interdependência (art. 42). 8 Sentido utilizado também no Recurso Extraordinário nº 71.253/PR, proferido pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal em 21/05/1973, de relatoria do Ministro Xavier de Albuquerque. Ementa: "ICM. REMESSA PARA OUTRO ESTADO. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA MERCADORIA NA PRAÇA DO REMETENTE. DESNECESSIDADE, EM CERTOS CASOS, DE PROCESSO REGULAR PARA O ARBITRAMENTO DESSE PREÇO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO CONHECIDO". Fl. 985DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 986 18 4. No texto transcrito observase que a regra de apuração do valor tributável destacava a hipótese de venda por atacado a outros compradores ou destinatários, podendo ser entendida como o preço praticado pelo próprio remetente. 4.1 A alteração 5ª do artigo 2º do DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, deu nova redação ao inciso transcrito, e excluiu a possibilidade daquele entendimento, definindo que: Artigo 15. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro, incluído no artigo 42 e seu parágrafo único. 5. A norma superveniente determina, pois, ser "o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente..." a base mínima para o valor tributável nas hipóteses que menciona. 6. Registram os Dicionários da Língua Portuguesa que mercado, convencionalmente, significa a referência feita em relação à compra e venda de determinados produtos. 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente no mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o § 5º do artigo 46 do RIPI/79. 8. Quando não puder ser conhecido, por inexistente, o preço corrente no mercado atacadista relativo a qualquer produto, o comando legal a ser seguido encontrase no artigo 46, § 6º (parte final), combinado com o disposto no parágrafo único do artigo 44 do já mencionado Regulamento aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 09 de março de 1979" (seleção e grifos nossos). 8. No ano seguinte à edição do Parecer Normativo CST nº 44/1981, com o objetivo de elucidar o vocábulo "produto" (item 6.1), bem como no sentido de esclarecer o cálculo da média ponderada, foi editado o Ato Declaratório Normativo CST nº 5/1982. Em perfeita consonância com o repertório normativo analisado até o presente momento, o ato dispôs que, para fins de determinação do valor tributável mínimo, devem ser consideradas "as vendas efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente, no atacado, na mesma localidade, excluídos os valores de frete e IPI". Assim, deve a autoridade autuante fazer com que participe do cálculo da média ponderada não apenas os valores praticados pelos Fl. 986DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 987 19 remetentes da praça, como também pelos seus interdependentes (que estejam também na mesma praça e caso existam , evidentemente, sob pena de contradição com o texto do art. 195 do RIPI/2010 e do Parecer Normativo CST nº 44/1981), conforme abaixo se reproduz: Ato Declaratório Normativo CST nº 5, de 04/05/1982 O Coordenador do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa SRF nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o Parecer CST/DET nº 892/82: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e demais interessados, que o termo produto, constante do subitem 6.1 do Parecer Normativo CST nº 44, de 23 de novembro de 1981, indica uma mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, se houver, na forma indicada no inciso VIII do art. 205 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI). Declara, igualmente, que, do produto assim caracterizado, para efeito de cálculo da média ponderada de que trata o § 5º do art. 46 do RIPI/79, que determinará o valor tributável mínimo a que alude o art. 46, inciso I, do mesmo Regulamento, deverão ser consideradas as vendas efetuadas pelo remetentes e pelos interdependentes do remetente, no atacado, na mesma localidade, excluídos os valores de frete e IPI. 9. Aventouse, a partir de então, para fins de apuração do "preço corrente", hipótese em que, no mercado atacadista a que essa regra se refere, existir um único distribuidor, sendo este interdependente do estabelecimento industrial fabricante do produto cujo valor tributável mínimo se pretenda determinar. A Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 10ª Região Fiscal (SRRF10/Disit), por meio da Consulta Interna nº 4, de 02/08/2011,9 solicitou à CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) orientação relativa à possibilidade da aplicação da regra de fixação de valor tributável mínimo determinada pelo inciso I do art. 195 do RIPI/2010 neste caso específico, o que conduziu à edição da Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 13/06/2012, no sentido de que, em tais casos, o preço corrente "(...) corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do produto", em conformidade com o trecho abaixo transcrito: Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 13/06/2012 "(...) 9. (...) existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Devese levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. 9 Consulta Interna nº 4, de 02/08/2011 realizada pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 10ª Região Fiscal (SRRF10/Disit): "(...) quando uma distribuidora é a única vendedora no mercado atacadista do país ou da região do fabricante, os preços por ela praticados devem ser utilizados para determinação do valor tributável mínimo referido no artigo 195, inciso I, do RIPI/2010? Ou, em função do que consta no trecho acima transcrito do Parecer Normativo CST nº 44/81, deve se entender que a regra do artigo 195, inciso I, do RIPI/2010 só pode ser aplicada nos casos em que o mercado atacadista seja composto por mais de um vendedor?". Fl. 987DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 988 20 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto" (seleção e grifos nossos). 10. Assim, para fins de determinação do preço mínimo, deve a autoridade autuante: (i) verificar a existência de relação de interdependência entre os estabelecimentos da contribuinte fiscalizada, nos termos do art. 612 do RIPI/2010; (ii) caso configurada tal relação, deverá verificar se a contribuinte obedeceu, por sua vez, à regra do valor tributável mínimo, assim entendido como o "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", em conformidade com o art. 195 do RIPI/2010 obtido por meio da média ponderada dos preços das "vendas efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente, no atacado, na mesma localidade, excluídos os valores de frete e IPI".10 Para tal finalidade, deverá, ainda: (ii.a) considerar como "produto" aquela mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número, e (ii.b) considerar o termo "praça" como município, cidade, local ou freguesia do estabelecimento do remetente, preceptivos do Parecer Normativo CST nº 44/1981 e do Ato Declaratório Normativo CST nº 5/1982. Por fim, caso constate que (iii) a parte interdependente é o único fornecedor/distribuidor da praça do remetente ("mercado monopolista local"), o valor tributável mínimo aplicável será a média ponderada dos preços praticados por este distribuidor único para aquele produto. 10 Em outras palavras, o "mercado atacadista" da praça do remetente (art. 195 RIPI/2010) é composto pelas vendas do mesmo produto "efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente [estes, caso existam], no atacado, na mesma localidade" (Ato Declaratório Normativo CST nº 5/1982). Fl. 988DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 989 21 11. Divergência passaria a existir, observese a latere, diante da completa ausência de mercado atacadista onde está localizado o estabelecimento remetente, situação enfrentada pelo Acórdão CARF nº 3403002.285, proferido em sessão de 26/06/2013, sob a relatoria do Conselheiro Antônio Carlos Atulim,11 no qual o colegiado entendeu, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Alexandre Kern, pela necessidade de se considerar, como valor mínimo tributável, apenas os custos de fabricação e demais despesas incorridas com os produtos. Em sentido oposto, é possível se apontar a situação específica verificada no Acórdão CARF nº 3201001.204, proferido em sessão de 25/02/2013, de Relatoria do Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, referenciado nas contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, em que, diante da inexistência de outros atacadistas na praça do remetente, foram utilizados os preços das notas de saída das distribuidoras registrase, no entanto, que tal precedente, além de isolado, foi decidido, no mérito, por voto de qualidade e de maneira contrária à regra geral determinada pela legislação do IPI. 12. Contudo, cabe observar que, com o advento do Decreto nº 8.393, de 28/01/2015, que entrou em vigor na data da sua publicação, restou revogado o Decreto nº 1.217/1994,12 de modo a incluir, com supedâneo no art. 8º da Lei nº 7.798/1989, produtos correspondentes ao códigos TIPI 3303 a 3307 (3303.00.10, 3305.30.00, 3304.10.00, 3305.90.00, 3304.20, 3307.10.00, 3304.30.00, 3307.30.00, 3304.9, 3307.4, 3305.20.00, e 3307.90.00) no Anexo III da lei em referência, que dispõe da seguinte forma: Lei nº 7.798/1989 Art. 7º. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III [entre os quais, cosméticos], de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: (...) III. estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuadas, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. (...) § 1º. O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que adquirente e remetente sejam empresas interdependentes, controladoras, controladas ou coligadas (Lei nº 6.404, art. 243, §§ 1º e 2º) ou interligadas. (...) Art. 8º. Para fins do disposto no artigo anterior, fica o Poder Executivo autorizado a excluir produto ou grupo de produtos cuja permanência se torne irrelevante para arrecadação do imposto, ou a incluir outros cuja alíquota seja igual ou superior a quinze por cento" (seleção, grifos e colchetes nossos). 13. Assim, ao se equiparar o atacadista a estabelecimento industrial (quando vier a adquirir produtos cosméticos de indústria ou equiparado que fizer parte do mesmo grupo empresarial), na qualidade de novel contribuinte do IPI, promovese 11 Acórdão CARF nº 3403002.285 Ementa: "VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. EMPRESAS INTERDEPENDENTES. Inexistindo mercado atacadista na cidade em que está localizado o estabelecimento remetente, o valor tributável mínimo do IPI a ser observado nas vendas para empresa interdependente deve ser apurado com base na regra do art. 196, parágrafo único, II, do RIPI/2010, considerandose apenas e tãosomente os custos de fabricação e demais despesas incorridas pelo remetente dos produtos". 12 Decreto nº 1.217/1994 Art. 1º Ficam excluídos do Anexo III à Lei nº 7.798, de 10 de julho de 1989, os produtos classificados nos códigos 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306 e 3307, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto nº 97.410, de 23 de dezembro de 1988. Fl. 989DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 990 22 substanciosa alteração da lógica tributária da operação, no sentido de se criar regra específica antielisiva por meio de alteração na TIPI que tem como efeito a expansão do aspecto pessoal do imposto para pessoas que antes não se sujeitavam a tal materialidade. Aquela contribuinte que organizar os seus negócios de modo a dividilos entre industrial e atacadista, poderá continuar a fazêlo sem se sujeitar a uma tributação maior, pois o distribuidor passará a se creditar do valor de IPI sobre os produtos entrados em seu estabelecimento por meio de compensação em conta gráfica. 14. Em que pese a medida ser em tudo elogiável, portanto, do ponto de vista de buscar uma forma de equalização de mercado, cabe se registrar, em sede de excursus, até mesmo em proveito da cronologia normativa que ora se estabelece, que a forma contramajoritária eleita para instituíla tem sido posta sob vergasta: (i) primeiro, porque, por meio de decreto presidencial, terseia criado tributo onde antes não havia para todo o setor de cosméticos. De fato, o art. 97 do Código Tributário Nacional explicita em minúcias o conteúdo e a expressão da legalidade: "(...) o consequente normativo, isto é o an e o quantum debeatur, representados pela definição do sujeito passivo, da base de cálculo e da alíquota, todos devem ser previstos na própria lei",13 ponto sobre o qual já escrevemos, e.g., no Acórdão CARF nº 3401003.216, de minha relatoria, proferido em sessão de 23/08/2016: a autorização franqueada pela lei, no caso, o art. 8º da Lei nº 7.798/1989, acima transcrito, para que determinados produtos sejam acrescentados à TIPI, tratase de permissivo de mitigação excessivamente pretensioso, pois encontra obstáculo na norma de estatura complementar. Possível seria a redução ou a dispensa do tributo por meio de norma executiva, como, aliás, fizera o Decreto nº 1.217/1994, mas jamais o aumento ou criação de tributo novo, uma vez que "(...) o princípio da legalidade não tolera um aumento de tributo sem lei que o estabeleça".14 Em (ii) segundo lugar, a iniciativa do Poder Executivo contrariou o texto expresso do art. 4º da Lei nº 7.798/1989, ao determinar que o IPI incidente sobre produtos nacionais, salvo no caso de industrialização por encomenda, deve ser recolhido uma única vez: ou (ii.a) na saída do estabelecimento industrial, ou (ii.b) na saída do estabelecimento a ele equiparado: Lei nº 7.798/1989 Art. 4º Os produtos sujeitos aos regimes de que trata esta Lei pagarão o imposto uma única vez (...) a) os nacionais, na saída do estabelecimento industrial ou do estabelecimento equiparado a industrial; b) os estrangeiros, por ocasião do desembaraço aduaneiro. 15. No caso em apreço, uma vez traçado o histórico de base da discussão, cabe analisar, em primeiro lugar, a alegação preliminar de vício de constituição do auto de infração, por decorrência daquilo que a contribuinte reputa como uma equivocada apuração do preço corrente de seu produto na praça. Ponderamos, no entanto, que o eventual reconhecimento de tal argumento não terá como efeito a nulidade, como defende a recorrente, mas, imiscuindose com o cerne da questão de fundo, produzirá pronunciamento sobre o mérito. Neste sentido, correta a decisão recorrida ao deslocar a discussão ao momento oportuno, ou seja, quando do enfrentamento do próprio direito substantivo em debate, o que igualmente se propõe fazer no corrente voto. 16. Cabe, em segundo lugar, a análise da preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a contribuinte, em suas razões recursais, que, forte no § 1º do art. 7º da Lei nº 13 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 7ª edição, 2017, p. 314. 14 Idem, p. 316: "Isso inclui a proibição de se restabelecer uma tributação, mesmo que a redução se tenha dado por ato do próprio Executivo, por delegação legal. Uma coisa é a lei autorizar o Executivo a reduzir a tributação. Não implicará, entretanto, a possibilidade de aumentar a carga tributária sem decisão específica do legislador". Fl. 990DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 991 23 7.798/1989,15 seu estabelecimento (distribuidor comercial atacadista) estaria equiparado a industrial, devendo as diferenças de IPI serem cobradas do distribuidor. Argumentou, ainda, a ilegalidade do Decreto nº 1.217/1994 por contrariar texto legal. De fato, como bem identificou a decisão a quo, o argumento da contribuinte não faz sentido, pois, como se explicou acima, o decreto em referência veio a afastar a contribuinte das hipóteses de equiparação, expungindo da do Anexo III da lei os produtos por ela comercializados, o que somente seria revisto com o advento do Decreto nº 8.393/2015. Observese que equiparado a industrial seria, na condição de estabelecimento comercial atacadista, caso adquirisse os produtos de procedência estrangeira classificados nas Posições 33.03 a 33.07 da TIPI de estabelecimento importador, com fundamento no inciso VIII do art. 9º do Decreto nº 7212/2010,16 o que não se vislumbra no caso ora apreciado. Fosse este o caso, seria de se cogitar a reprovação do quanto asseverado pelo julgador de primeiro piso, no sentido de que, mesmo se "(...) enquadrado como equiparado a industrial contribuinte do IPI, isso não retiraria do fabricante (estabelecimento industrial) a obrigação de cumprir o (...) valor tributável mínimo", caso reunidas as específicas características descritas pela jurisprudência deste Conselho,17 o que, de todo modo, não se aplica ao caso em análise. 17. Tampouco, em terceiro lugar, a alegação preliminar de autuação por amostragem inquina o auto de infração de nulidade. Isto porque o recurso voluntário apresenta arrazoado genérico, em que se afirma que o procedimento fiscal foi realizado "por amostragem", tendo considerado apenas e tão somente as notas fiscais de vendas "para os estabelecimentos situados no município do Rio de Janeiro", limitandose a concluir que "(...) o trabalho fiscal foi desidioso, mal aparado, imprestável e atentatório ao processo administrativo" (fl. 1593). Situação completamente diversa seria se a defesa tivesse tido o cuidado de descer à espécie, de modo a afirmar que a autoridade fiscal se equivocou, v.g., no cálculo para a obtenção da média ponderada dos preços das "vendas efetuadas pelos remetentes e pelos interdependentes do remetente, no atacado, na mesma localidade, excluídos os valores de frete e IPI", o que permitiria uma discussão prévia à matéria de fundo, como se explicou anteriormente. Por fim, a discussão sobre o método utilizado pela unidade para aferir o valor mínimo tributável deve ser transportada para o mérito, sob o pálio do conceito de "praça", como se passa a fazer. 15 Lei nº 7.798/1989 Art. 7º. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: (...). § 1º. O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que adquirente e remetente sejam empresas interdependentes, controladoras, controladas ou coligadas (Lei nº 6.404, art. 243, §§ 1º e 2º) ou interligadas (DecretoLei nº. 1.950, art. 10, § 2º). 16 Decreto nº 7212/2010 Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: (...) VIII os estabelecimentos comerciais atacadistas que adquirirem de estabelecimentos importadores produtos de procedência estrangeira, classificados nas Posições 33.03 a 33.07 da TIPI (Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 39). 17 Acórdão CARF nº 3402002.540, proferido em sessão de 12/11/2014, com voto vencedor de lavra do Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Fenelon Moscoso de Almeida, com a seguinte ementa: "IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. REMESSAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS OU EQUIPARADOS. INAPLICABILIDADE. Nas transferências de partes, peças, componentes, insumos ou produtos semielaborados entre estabelecimentos industriais ou entre estabelecimentos equiparados a industrial”, dentro da linha de produção entre unidades sob um mesmo controle ou com relação de interdependência, não se submetem ao método do valor mínimo tributável, pois que o ilícito que se objetiva atingir com referido mecanismo (“quebra da cadeia do IPI”), não se mostra presente nessa operação. Aplicabilidade da Instrução Normativa SRF n° 87, de 21 de agosto de 1989, para cancelar a exigência fiscal". Em igual sentido, os Acórdãos CARF nº 3201001.540, nº 20166.775, e nº 20175.615. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 992 24 18. Conforme se depreende do termo de verificação fiscal, a DELLY DISTRIBUIDORA figurou como a única atacadista da DELLYINDÚSTRIA (remetente autuada), ora recorrente, no período de apuração fiscalizado, o que, per se, já basta para se caracterizar a interdependência entre os estabelecimentos para fins do inciso III do art. Art. 612 do Decreto nº 7212/2010. Uma vez verificado tal vínculo, deve a autoridade fiscal, recordese, buscar o valor mínimo tributável por meio do preço corrente (i.e., a média ponderada dos preços praticados por remetentes e interdependentes do remetente na mesma localidade, excluídos os valores de frete e IPI) do produto (i.e., a mercadoria perfeitamente caracterizada e individualizada por marca, tipo, modelo, espécie, qualidade e número) no mercado atacadista (universo de vendas no atacado em contexto de mercancia) da praça do remetente (i.e., a cidade, localidade ou freguesia do remetente, no caso dos autos, a cidade do Rio de Janeiro). Destacase, do termo de verificação, o seguinte trecho, recortado da fl. 97 dos presentes autos: 19. Em outras palavras, a autoridade fiscal realizou o levantamento dos valores das notas fiscais de saída de mercadorias da empresa interdependente DELLY DISTRIBUIDORA, com sede na cidade do São João de Meriti/RJ, vendidas para estabelecimentos situados na cidade do Rio de Janeiro/RJ (sede do remetente, DELLY INDÚSTRIA). Com base em tais valores, levantados ora por meio de apresentação de planilha relacionando as notas fiscais, ora por meio de dados baixados do Sistema Receitanet BX, a partir de março de 2010, quando a empresa distribuidora passou a emitir nota fiscal eletrônica, alcançouse a média ponderada dos preços de cada produto em vigor no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente. A partir da fixação do valor mínimo, realizouse o cotejo com os valores efetivamente recolhidos, tendo sido lançada de ofício a diferença apurada no auto de infração em disputa. Assim, cabe a análise da correção do método utilizado para aferição do valor mínimo: o auditorfiscal iniciou procedimento de fiscalização contra a empresa DELLYINDÚSTRIA, na cidade (praça) do Rio de Janeiro, remetente de produtos para a DELLYDISTRIBUIDORA, na cidade de São João de Meriti. Utilizou, para alcançar a média ponderada, os preços das notas fiscais de saída da DELLYDISTRIBUIDORA, ou seja, o preço da praça de São João de Meriti, ainda que o remetente tenha sede na praça do Rio de Janeiro. Antes, todavia, de se realizar qualquer afirmação a respeito do método em referência, cabe repassar, rápida e sinteticamente o traçado normativo que tratou da matéria. 20. O art. 47 do Código Tributário Nacional é expresso ao se referir ao preço "o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente". Em igual sentido, de maneira igualmente expressa, o inciso I do art. 195 do Decreto nº 7212/2010 (RIPI), ao tratar do valor tributável mínimo, referese ao "ao preço Fl. 992DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 993 25 corrente no mercado atacadista da praça do remetente". Uníssonos e uniconcordes, como não poderiam deixar de ser, o Parecer Normativo CST nº 44/1981 e o Ato Declaratório Normativo CST nº 5/1982, cujo trecho a seguir se transcreve: "deverão ser consideradas as vendas efetuadas pelo remetente e pelos interdependentes do remetente". Harmoniosa com tal determinação legal também a Solução de Consulta Interna Cosit nº 8, de 13/06/2012: "o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único". A fixação da "regra do remetente" encontrou ressonância, ainda, na jurisprudência deste Conselho.18 21. Flagrante, portanto, a improcedência do auto de infração lavrado, em completo desalinho com a determinação expressa e literal da legislação tributária aplicável. 22. A decisão administrativa de primeira instância se apercebeu da irregularidade da determinação do valor mínimo, como se lê a seguir, mas, devido a cultivar a crença de que, no "mundo real" (sic) o preço do mercado dos produtos seria o mesmo praticado pela parte interdependente (DELLYDISTRIBUIDORA), cogitou poder agir, e de fato agiu, de maneira diversa daquela determinada pela legislação, como se vinculada não fosse a atividade do lançamento, e a despeito de todas as normas e de toda a construção, levada a cabo pela Administração Pública por meio da edição de pareceres e atos normativos, regedoras da matéria: "No mundo real, a lógica comercial nos revela que o preço do mercado atacadista da praça do remetente, no caso concreto em análise, é o mesmo praticado pelo estabelecimento comercial atacadista interdependente (...). No levantamento do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente há de se recrutar um número tal de atacadistas que atuem nessa praça, colhendo os preços dos produtos similares e que possibilitem tal comparação e utilidade. Contudo, como os produtos da impugnante são perfeitamente caracterizados e identificados por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, o mercado atacadista da praça do remetente/impugnante é composto por um único vendedor, que atua nesse mercado, qual seja, a sua comercial atacadista interdependente, pois esta é a única e exclusiva distribuidora dos produtos da impugnante, inclusive para a sua praça (seja ela o município ou não)" (seleção e grifos nossos). 23. A contribuinte recorrente faz menção, ainda, a parecer de lavra de Fábio Ulhoa Coelho sobre o sentido de "praça" para a questão tratada nos autos, sendo de todo pertinente a transcrição dos seguintes trechos: "Praça é uma localidade equivalente ao Município ou a divisão dele, como bairro ou zona. Diversos elementos do direito comercial, extraídos tanto da lei como da doutrina, autorizam essa conclusão (...). O segundo elemento 18 Acórdão CARF nº 20216475, proferido em sessão de 09/08/2005, sob a relatoria da Conselheira Maria Cristina Roza da Costa. Ementa: "IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. INTERDEPENDÊNCIA. Aplicase o disposto no inciso I, letra “a”, c/c § 5º do art. 68 do RIPI/82, com a interpretação dada pelo ADN CST nº 5/82, quando ocorrer interdependência entre fabricante e adquirente nos termos do art. 394, inciso IV, do RIPI/82. Recurso provido". Fl. 993DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 994 26 que demonstra referirse a praça, no sentido de localidade, a recorte geográfico nunca superior ao Município está na distinção que se estabelece entre dois auxiliares dependentes externos dos comerciantes: o vendedor viajante e o pracista. Elucida Rubens Requião: 'Empresas existem que necessitam de auxiliares que se dediquem á procura de clientela fora do estabelecimento comercial. Mantêm, por conseguinte, um corpo de auxiliares dependentes, geralmente especializados na promoção de vendas, que as efetuam, através de colheita de propostas de extração de pedidos. Essas propostas ou pedidos são executados pelo empresário comerciante. [...] O direito francês por lei de 1937, regulamentou as atividades dos viajantes e pracistas, englobando na relaçáo também os representantes comerciais (VRP) como assalariados dependentes. Os autores Coudy e Despierres formularam uma diferença lógica e prática de cada um deles, escrevendo que as denominações de viajantes e pracistas exprimem variações de uma atividade cujo fundo permanece idêntico: o pracista visita a clientela da cidade onde se encontra a casa que o emprega e dela recebe cada dia as ordens, o viajante se desloca numa região às vezes extensa para visitar a clientela'. (...) Noto, a propósito, que a duplicidade de significados da expressão "praça" foi reproduzida na lei. O art. 32 do Código Comercial do Império, outorgado por D. Pedro II, e que vigorou até 2003, dispunha: Art. 32. Praça do comércio é não só o local, mas também a reunião doa comerciantes, capitães e mestres de navios, corretores é mais pessoas empregadas no comércio. A respeito da ambiguidade do conceito jurídico, averbou DARCY ARRUDA MIRANDA JÚNIOR: 'Podemos tomar a expressão Praça de Comércio em dois sentidos, um amplo e outro restrito. No primeiro sentido, é um centro onde as operações comerciais assumem grande vulto e enorme desenvolvimento e é assim que se fala em Praça de São Paulo, Praça do Rio, Praça de Belém etc.; no segundo, é o lugar onde os comerciantes se retinem para tratar de seus negócios, [...] A origem de tais institutos [praças e bolsas] perdese na névoa dos tempos, pois desde que existe o comércio, reuniões em determinados locais, das pessoas envolvidas no tráfego mercantil, para tratar de seus recíprocos interesses, nâ'o são, não foram e não serão incomuns. Foram conhecidas por emporium na Grécia, collegium mercatoum em Roma, Praça de Comércio ou Bolsa, em Portugal'. Mas, como antecipado, a duplicidade de significados da expressão "praça" deixou de existir. Ela não pode ser entendida hoje senão como uma Fl. 994DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 995 27 referência a lugar , já que o sentido de reunido ou associação de comerciantes esvaiuse com o tempo. (...). As praças entendidas, como dito, no único sentido que ainda resta na atualidade, de Município onde se realizam negócios mercantis têm assim a vocação de fornecerem parâmetros para a precificação de mercadorias. E é exatamente em razão desta vocação que a lei tributária a elas se refere quando trata de um dos critérios para mensuração da base de cálculo do IPI. Para entendêlo, porém, é necessário examinarse também o conceito de mercado. (...). "Praça" não é sinônimo de "mercado". Em nenhuma doutrina ou decisão judicial, afeta ao direito comercial, encontrase qualquer noção ou assertiva que pudesse levar a tal sinonímia. Mercado não se confunde com praça. Mercado é o conjunto de relações econômicos associado a algum elemento de relevância, que pode ser determinado produto ("mercado de cosméticos"), um segmento econômico (' 'mercado varejista"), certa base territorial ("mercado nacional") ou outros. Praça, por sua vez, não é um conjunto de operações econômicas. Enquanto "mercado" é conceito que reporta algo dinâmico (relações econômicas), o de "praça" reporta algo estático (lugar ou organização). Não existe nada que se pudesse denominar por praça de cosméticos, mas existe claramente um conjunto de operações econômicos a que se liga a noção, de mercado de cosméticos, Não há nada a que se pudesse referir pela expressão praça varejista, mas visualizase, sem dificuldade, um conjunto de operações econômicas identificável pela locução mercado varejista. Inexiste algo passível de se chamar de praça nacional, mas o conjunto de operações econômicas realizadas internamente num certo país chamase, correntemente, de mercado nacional. São, portanto, conceitos muito distintos os de "praça" e "mercado". Em razão desta distinção, "praça" é conceito que não pode ser referenciado a noções como as de "campo de atuação do comerciante", Estas não podem ser entendidas senão como referência ao que tecnicamente se denomina de "mercado", ou seja, conjunto de operações econômicas. Afinal, existem dimensões econômicos de atuação de empresários como o mercado global, mercado da América Latina, mercado brasileiro, etc; mas ninguém nunca se refere a tais dimensões pelas expressões praça global, praça da América Latina ou mesmo praça brasileira. Se praça fosse o "campo de atuação do comerciante", estas expressões (praça global, da América Latina, brasileira etc) seriam correntes. Não suo, exatamente por descaber tomarse "praça" por "campo de atuação do comerciante". Pretender adotar o critério de "campo de atuação do comerciante" para estender o conceito de "praça" para além dos limites do Município em que se encontra este comerciante equivale a desnaturálo, em razão da indevida equiparação do conceito ao de "mercado". Fl. 995DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 996 28 (...) O art. 195, I, do RIPI2010, contempla o conceito de "mercado atacadista da praça do remetente" como uma das hipóteses de Valor Tributável Mínimo do IPI, em caso de estabelecimentos interdependentes. Para entender esse conceito da lei tributária, é necessário considerar, em primeiro lugar, que ele diz respeito apenas ao mercado atacadista. Quer dizer, o preço do produto industrializado no mercado varejista deve ser desprezado, levandose em conta unicamente o praticado entre industriais e comerciantes, ou entre estes. Assim, o preço normalmente praticado (corrente) na comercialização do produto industrializado em negócios envolvendo exclusivamente empresários é o parâmetro legal adotado na mensuração do valor Tributável Mínimo do IPI. Não há dificuldade na compreensão dessa parte do conceito legal. Outro elemento a considerar é a referência à praça do remetente. Quando a lei se vale do modo subjetivo de identificação da praça referese ao domicilio (civil ou tributário) ou ao estabelecimento de alguém a praça de um empresário, conseqüentemente, é o Município relacionado pela lei de algum modo a esse empresário. Determina a lei tributária em foco, portanto, que o valor tributável mínimo do IPI, no caso do parâmetro abrigado no inciso I do art. 195 do RIPI 2010, tome em consideração os preços praticados no Município em que está o estabelecimento remetente. Essa é a praça do remetente. Mas, ressalto, não são quaisquer preços praticados no Município em que se encontra o estabelecimento remetente que devem ser levados em consideração. São apenas os preços do mercado atacadista. Os pagos pelos consumidores residentes no mesmo Município não interferem com a base de cálculo referida no preceito legal aqui interpretado. Até aqui, também não há nenhum dificuldade na intelecção do dispositivo em exame. Para finalizar sua compreensão, resta apenas definir o que seja mercado da praça. Como se pode deduzir, também sem dificuldade das considerações tecidas anteriormente sobre mercado e praça, o legislador não pode ter dito outra coisa com a expressão mercado da praça senão a consideração para o fim colimado na norma apenas das operações mercantis ocorrido num Município. Com ênfase, viuse que o mercado é conceito que envolve a articulação de dois níveis de consideração: o material e o geográfico. O primeiro circunscreve o tipo de produtos negociados no mercado. Por esse critério, falase em mercado de petróleo, de utilidades domésticas brancas, de automóveis etc. O segundo delimita a base territorial em que se encontram os adquirentes do produto e as empresas que concorrem pela preferência deles. Integram o mesmo mercado, por esse ângulo, os agentes econômicos que operam na mesma localidade, cidade, região, país, continente ou mesmo no plano global. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 997 29 No conceito de mercado da praça, o critério material não está presente. Em outros termos, remanesce questão em aberto definir quais são os limites materiais do mercado em foco, uma vez que, falando a lei em mercado da praça, ela apenas adota o critério geográfico. Como praça, no cínico sentido hoje emprestável à expressão, indica um lugar, o legislador, ao cogitar do mercado da praça, quis ele mesmo já definir o critério geográfico na delimitação do mercado. Enquanto a delimitação material do mercado é questão em aberto na aplicação do art. 195, I, do RIPI2010, a geográfica está definitivamente estabelecida pelo legislador: é o da praça. Que praça? O do estabelecimento remetente; que significa, como visto, a do Município em que se encontra esse estabelecimento. Concluindo, mercado da praça é aquele em que a base geográfica é um Município. Mercado atacadista da praça compreende, por sua vez, todas as operações entre empresários de comercialização de certo produto industrializado ocorridas nesse Município. Mercado atacadista da praça do remetente, enfim, referese às operações entre os empresários (excluídas, portanto, as envolvem consumidores, em sua acepção legal, e, em decorrência, caracterizamse como pertinentes ao mercado atacadista) na comercialização de certo produto industrializado ocorridas no município em que se acha o estabelecimento remetente. Por vezes, a administração tributária pretende rever o conceito de "praça" circunscrito a recorte territorial nunca superior aos limites do Município, a pretexto de que seria ultrapassado, anacrônico, incompatível com a realidade econômica do nossos tempos. Esta alegação não se sustenta. O conceito de praça circunscrito aos limites do Município é plenamente operacional, cumprindo sua função de localizar, de modo adequado, o empresário no "espaço". Não se consegue encontrar o empresário, apenas indicando que seu domicilio (pessoa natural) ou sede (pessoa jurídica) está numa determinada região do país ou num certo Estado. Apenas a indicação do Município ou de frações deste pode levar à localização do empresário, para fins de imputarlhe as conseqüências jurídicas previstas em lei, inclusive aquelas de ordem tributária. Mas, argumentado, se um dia, o conceito de "praça" adstrito à área de Município ou fração se tornar eventualmente obsoleto, somente uma mudança no ordenamento jurídico, que desse à expressão definição diversa, poderia tornar ultrapassadas as decisões administrativas e judiciais e as lições da doutrina que o adotam e autorizar a pretendida revisão de entendimento. Enfatizo que, apenas após mudanças na constituição ou na lei poderia ocorrer a revisão do entendimento administrativo, judicial e doutrinário que, hoje, sem dissenso, consideram "praça" uma referência aos limites do Município, ou fração deste. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 998 30 Aliás, os diversos regulamentos do IPI têm estabelecido que a base de cálculo para imposto, nas operações entre partes interdependentes, não pode ser inferior ao "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", em consonância com o art. 15, I, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964 (com a redação dada pelo art. 2° do Dec. Lei n° 34/66) Deste modo, se, desde a edição da primeira norma regulamentar (acerca do valor mínimo tributável na base de cálculo do IPI, em relações entre partes interdependentes), nada mudou no direito positivo aplicável à hipótese (e isto é inconteste), simplesmente não pode a administração tributária rever Os critérios que tem adotado deste então, sob a injustificada alegação de que teriam se tornado ultrapassados. E se o legislador tributário queria se referir ao mercado ou ao campo de atuação do empresário, na definição dos critérios de mensuração da base de cálculo do IPI, por que razão teria se valido de outro conceito, o de praça? Na época da edição da lei objeto dos regulamentos do IPI acima indicados (1964), o conceito de "mercado" já era suficientemente corrente para ser adotado, caso fosse este o objetivo do legislador. Além disto, os muitos Chefes do Poder Executivo que o Brasil teve desde então (mais de uma dezena) nunca deram início a qualquer processo legislativo visando alterar o texto legal. Ao contrário, ao regulamentarem a lei, invariavelmente continuaram a se utilizar do conceito de praça, demonstrando, com isto, que nenhuma alteração se mostra justificável, no entendimento da autoridade investida da competência regulamentar (CF, art. 84, IV) e do poder de iniciativa para alteração da lei (CF, art. 61, 1°, b). Adotar "praça" como sinônimo de Município ou fração é, ademais, a única interpretação conciliável com o princípio constitucional da legalidade tributária, onde se alberga o importante valor da segurança jurídica. O princípio da legalidade tributária (ou legalidade estrita), todos sabem, é conquista histórica do Estado de Direito (29). Desdobro do princípio constitucional da legalidade (CF, art. 50, II), o da legalidade tributária determina que o contribuinte só está obrigado ao pagamento de tributo instituído pela lei (CF, art. 150, I)(30). Também em razão do princípio constitucional da legalidade tributária, o contribuinte só está obrigado a mensurar o montante devido do tributo segundo os critérios estabelecidos em lei para a base de cálculo. Quando a lei tributária, ao estabelecer o critério de quantificação de certo tributo, valese, na identificação da base de cálculo, da expresso "praça" (e não de outras, como "mercado", "campo de atuação do comerciante", etc (33), ela está definindo o Município, ou sua fração, como elemento territorial na mensuração a ser feita pelo contribuinte e pela Administração Tributária. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 999 31 (...) Pelo que se demonstrou ao longo do Parecer, quem pesquisa a lei referente à matéria (Lei n° 4.502/64), bem como todos os seus sucessivos regulamentos, a jurisprudência e a maioria das decisões administrativas, não chega a outra conclusão sendo a de que o secular conceito de praça, adotado pelo direito comercial, como referência a Município, ou fração, é o critério para a construção do sentido da expressão contida no quesito. Quando o art. 195 do RIPI20I0 menciona, na definição do Valor Mínimo Tributável era operações entre partes interdependentes, a locução 'preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", cabe unicamente a interpretação de que se refere ao preço normalmente praticado entre os empresários que comercializam o produto entre si (excluindo, portanto, os das vendas aos consumidores) no Município em que o estabelecimento remetente encontrase situado. Qualquer outra interpretação representa uma reinvenção do conceito de praça, tal como secularmente empregado pelo direito comercial." (seleção e grifos nossos). 24. Em igual sentido, a posição deste Conselho, conforme se denota da leitura do Acórdão CARF nº 20218.215, proferido em 14/08/2007, de relatoria da Conselheira Maria Teresa Martinez López, que negou provimento a recurso de ofício por unanimidade de votos, redigido com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/02/1999 a 31/12/1999 Ementa: BASE DE CÁLCULO. FIRMAS INTERDEPENDENTES. Caracterizada a interdependência entre os estabelecimentos remetente e adquirente, o valor mínimo tributável é o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, conforme preceitua o art. 123, I, “a”, do RIPI/98, que equivale ao preço médio praticado na localidade, e não o praticado pelo adquirente. Recurso de ofício negado. 25. Transcrevese, ainda, por pertinente, trecho do voto do caso, em tudo semelhante ao presente: "O que se verifica dos autos é que, ignorando a determinação legal acima exposta, a fiscalização arbitrou a base de cálculo do IPI tomando o valor de revenda do adquirente interdependente. O art. 123 do RIP1/98 é claro ao estabelecer que quando ficar caracterizada a interdependência entre os estabelecimentos do remetente e do adquirente, o valor mínimo tributável é o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, que equivale ao preço médio praticado na localidade, não podendo ser considerado como o praticado pelo adquirente" (seleção e grifos nossos). Fl. 999DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 1000 32 26. Necessária menção deve ser feita, ainda, ao Acórdão CARF nº 204 02706 (Processo Administrativo nº 16175.000298/200517), proferido em sessão de 15/08/2007, de relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta, por unanimidade de votos, que tratou especificamente da determinação da base de cálculo mínima do IPI: "(...) limitouse, a fiscalização, a tomar como valor tributável mínimo o valor de revenda do adquirente interdependente como base de cálculo do remetente. Tal procedimento não encontra qualquer respaldo legal" (seleção e grifos nossos), tendo sido lavrada a seguinte ementa: IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. No caso de saídas para empresas interdependentes o valor tributável mínimo a ser considerado como base de cálculo do imposto é o preço corrente no mercado atacadista da praça comercial do remetente, ou, caso não seja possível assim se proceder por inexistir vendas do produto na mesma praça da remetente, o valor mínimo tributável deve ser calculado considerando o custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. As vendas realizadas pela empresa adquirente do produto, localizada em outra praça, não se prestam para cálculo do valor mínimo tributável, se consideradas isoladamente. 27. Por fim, em igual sentido, o Acórdão CARF nº 340100.768, proferido em sessão de 25/05/2010, de relatoria do Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda, proferido por unanimidade de votos: IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. No caso de saídas para empresas interdependentes o valor tributável mínimo a ser considerado como base de cálculo do imposto é o preço corrente no mercado atacadista da praça comercial do remetente, ou, caso não seja possível assim proceder, o valor mínimo tributável deve ser calculado considerando as especificidades e características (marca, tipo, modelo, espécie, volume, qualidade) dos produtos distintos empregados para sua formação de preços. 28. Por derradeiro, durante as pesquisas realizadas para a elaboração do presente voto, deparouse este Relator com a informação de que tramita, no Congresso Nacional, o Projeto de Lei nº 1.559/2015, com o seguinte teor: "Art. 1º Esta Lei tem por objetivo, para os fins previstos na Lei nº 502 de 30 de novembro de 1.964, definir “praça” como a cidade onde está situado o remetente das mercadorias. Art. 2º O artigo 15 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1.964, passa a vigorar acrescida do seguinte parágrafo único: Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 1001 33 “Art. 15.......................................................................................... Parágrafo único. O termo praça, tratado neste artigo, se refere à cidade onde está situada a remetente.” (NR) Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação" (seleção e grifos nossos). 29. Transcrevese, abaixo, trecho da justificativa do projeto de lei em comento: "A lei do IPI fala em preço tributável mínimo, quando da venda de produtos para empresas interdependentes. Ocorre que o Fisco Federal vem distorcendo o conceito da praça, vindo a expandilo de forma totalmente arbitrário e sem critério. Dessa forma, vários contribuintes são autuados sob a alegação de que não seguiram o preço mínimo tributável, pois, na visão fiscal, o preço de venda deveria considerar os preços praticados em outras cidades. Ou seja, os contribuintes estão vivendo um clima de total insegurança jurídica, já que o fisco federal não acolhe o conceito de praça hoje consagrado, o qual diz ser a cidade onde está o remetente. Dessa forma, e para evitar a insegurança jurídica trazida pela interpretação da lei fiscal, necessário deixar pacificado o entendimento corrente, que diz que praça corresponde à cidade onde está situado o remetente das mercadorias. Isto posto, acreditado estar aperfeiçoando o regime jurídico pátrio que trata da matéria, conto com o apoio dos pares na rápida aprovação da presente proposição. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2015" (seleção e grifos nossos). 30. O projeto de lei, com regime ordinário de tramitação, foi aprovado por unanimidade, em 11/11/2015, pela Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados e aguarda, desde 29/12/2016, designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Casa Legislativa. Recortase, abaixo, trecho do relatório de aprovação do projeto pela Comissão de Finanças e Tributação: "A proposição em epígrafe (...) pretende modificar o art. 15 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, que dispõe sobre o Imposto sobre Produtos Industrializados, no que se refere à fixação do menor valor tributário aceito pela administração fiscal, no caso de remessas a outro estabelecimento da empresa ou de terceiro (3º) ou ainda que opere exclusivamente em venda a varejo, para determinar que o termo “praça” seja definido como a cidade onde está situado o estabelecimento remetente. Alega o autor que o fisco federal tem expandido o conceito “praça”, de forma arbitrária e sem critério, promovendo insegurança jurídica e lavrando autuações indevidas, com base em preços praticados em outras cidades. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 1002 34 Sujeita à apreciação conclusiva das Comissões em regime de tramitação ordinária, e ao exame de mérito, previstos no artigo 54, inciso II, e no artigo. 24, inciso II, do Regimento Interno desta Casa. O projeto de lei em tela não recebeu emendas no prazo regimental junto à Comissão de Finanças e Tributação. Quando a determinação do valor tributável para efeito de cálculo dos preços praticados no mercado atacadista da praça do remetente, será considerado o universo das vendas realizadas naquela localidade (...). Demais normas tributárias citadas como o ADN nº 5, de 1982, ao determinar o cálculo da média ponderada para a apuração do valor tributário mínimo, bem como o Parecer CST nº 3313, de 1982, também voltado para o cálculo da média ponderada, fixam que deverão ser consideradas as vendas do produto, efetuadas pelo remetente e pelos interdependentes do remetente, no atacado, sob determinadas condições, na mesma localidade. Não obstante a matéria já se achar plenamente esclarecida não está definida em lei de forma explícita. Isto posto, com vistas a permitir a correta adoção da lei, prevenindo excessos interpretativos, consideramos oportuna a inclusão do dispositivo proposto" (seleção e grifos nossos). 31. Em que pese se tratar de dispositivo de lege ferenda, o que inviabiliza em absoluto o seu uso como fonte formal, não há de se ignorar o trâmite da matéria como vetor argumentativo de interesse e, por outro lado, a medida, consentânea com a jurisprudência deste Conselho, como se demonstrou, de fato possibilitaria maior grau de segurança jurídica à atividade do lançamento, tendo como efeito a desejável redução da matéria contenciosa, a redução do estoque de processos judiciais e administrativos e, logo, a maior celeridade na prestação jurisdicional. Cabe destacar, ademais, que o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.190.037/SP, de relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão, ao tratar do prazo prescricional do cheque, definiu "praça" como "município",19 no sentido do entendimento firmado no parecer de Fábio Ulhoa Coelho, anteriormente mencionado, de que " a praça de um empresário, conseqüentemente, é o Município relacionado pela lei de algum modo a esse empresário". E não poderia ser de outra forma, pois a alínea 'a' do inciso I e 'b' do inciso II do art. 11 da Lei Complementar nº 95/1998, que trata da elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, determina que o legislador, com o objetivo de obter clareza, deve usar as palavras e expressões em seu sentido comum, e expressar as mesmas idéias de preferência sempre pelas mesmas palavras. Por este motivo é que o sentido de praça como algo distinto de "município" somente poderia ser alterado por meio de preceptivo normativo editado especificamente com esta finalidade. 19 Recurso Especial nº 1.190.037/SP Trecho da ementa: "4. O cheque é ordem de pagamento à vista, sendo de 6 (seis) meses o lapso prescricional para a execução após o prazo de apresentação, que é de 30 (trinta) dias a contar da emissão, se da mesma praça, ou de 60 (sessenta) dias, também a contar da emissão, se consta no título como sacado em praça diversa, isto é, em município distinto daquele em que se situa a agência pagadora". Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 1003 35 32. Feitas tais considerações, observase que a opção da contribuinte pela "(...) criação da fábrica como uma empresa inscrita em CNPJ diferente",20 implica, como recordam Carlos Eduardo Toro, Fernando Aurelio Zilveti e Bianca Britto, a observância de "(...) um valor mínimo determinado pela legislação do IPI", mas desde que observados os requisitos de sua aferição, sendo de todo modo inapropriados e mesmo inaceitáveis, no atual estágio do debate jurídico, afirmação como a seguinte, que se recorta da decisão recorrida (fl. 1561): "Não há como negar que a conveniente decisão empresarial do grupo econômico, alterável por sua própria vontade a qualquer momento, de que o estabelecimento da impugnante não efetue venda a outros revendedores, mas tão somente a estabelecimento comercial atacadista interdependente localizado em outro município, perpassa claramente por uma circunstância criada com o objetivo, mesmo que não só, de evasão ao pagamento do IPI" (seleção e grifos nossos). 33. Ainda que a decisão empresarial da contribuinte constitua vera imoralidade ao aplicador, a eventual ausência de propósito negocial de uma determinada estrutura societária é indiferente ao direito na esfera federal, e não pode ser utilizada como fundamento para a desconsideração de negócios jurídicos21 acusação, ademais, que sequer consta do auto de infração. Desta forma, fosse a acusação de subfaturamento, e.g., tocaria à autoridade fiscal a demonstração da prática dos preços diferenciados para, em seguida, proceder à aplicação do art. 148 do Código Tributário Nacional, de forma a arbitrar o valor ou preço dos bens. O presente caso é em tudo diverso, e a coleção de provas promovida no curso do procedimento fiscal buscou comprovar o valor de venda praticado pela interligada destinatária para a descoberta do valor mínimo tributável da praça da remetente. Assim, a figura da "evasão" (sic), referenciada de maneira inaugural pela decisão recorrida, ademais de inexistente no auto lavrado, deve ser de plano rechaçada, pois a "(...) suposta intenção da reestruturação societária feita pela autuada, segregando a empresa em industrial e comercial, exclusivamente, para reduzir o recolhimento de tributos IPI, PIS e COFINS"22 não passa de uma simples alegação feita por autoridade não investida de competência, uma vez que a matéria não seria cognoscível de ofício, fundada em elementos indiciários, inadequada e inoportuna para lastrear a cobrança fiscal em apreço. Este, ademais, foi o sentido de decisão proferida por esta turma por unanimidade de votos no Acórdão CARF nº 3401003.266, proferido em sessão de 28/09/2016, de relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 20 ZILVETI, Fernando Aurelio, TORO, Carlos Eduardo, e BRITTO, Bianca. "Operações do setor industrial aspectos tributários", In: SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Curso de direito tributário e finanças públicas do fato à norma, da realidade ao conceito jurídico. São Paulo: Editora Saraiva Selo Direito GV, 2009, pp. 969 a 978. 21 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Argumentação tributária de lógica substancial. Dissertação de mestrado apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, 2016, p. 176: "A disposição da presença de propósito negocial no elemento de refutação permite a sua consideração como um elemento protetivo que, uma vez comprovado, elide a hipótese de simulação ou abuso (...) como tal instituto é indiferente ao direito positivo (...) não é capaz o intérprete autêntico, no campo do direito, de colocar a sua vontade sobre o ordenamento, sob o risco de malferir a legalidade e, consequentemente, a validade da decisão". 22 Trecho do Acórdão CARF nº 3401003.266, proferido em sessão de 28/09/2016, de relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 1004 36 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial. 34. Recortase, ainda, trecho do substancioso e bem fundado voto do Conselheiro Relator: "Tema recorrente, onde algumas pessoas jurídicas que produzem ou fabricam produtos sujeitos à incidência concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS vendem sua produção para comerciais atacadistas, controladas ou coligadas, com preços subfaturados, erodindo a base de cálculo das contribuições, nos termos das exposições de motivos sobre o artigo 22, da MP nº 497, de 27 de julho de 2010, afirmando, ainda, que o dispositivo proposto, ao equiparar as pessoas jurídicas comerciais atacadistas aos produtores, elimina a possibilidade desse planejamento elisivo. As novas regras aplicáveis à sistemática monofásica de incidência de PIS/PASEP e COFINS, inicialmente, produziriam efeitos a partir de novembro de 2010, postergado para março de 2011, pelo art. 2º, da MP n° 510, de 28 de outubro de 2010, que alterou o art. 31, da MP nº 497, de 27 de julho de 2010. Porém, com a conversão na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, o artigo 22, da MP nº 497/2010, foi excluído, antes mesmo de produzir efeitos, sob o argumento da perda de urgência, uma vez que foi postergado o prazo de início de vigência. O insucesso da medida específica para produtos sujeitos à incidência concentrada, aponta pra outras medidas de regramento desta questão, v.g., à regulamentação da cláusula geral antielisiva, do parágrafo único, do artigo 116, do CTN, no que diz respeito à definição de operações de (dis)simulação, elisão e evasão fiscal, para que se adotem limites aos planejamentos tributários abusivos" (seleção e grifos nossos). 35. Não se ignora, portanto, que as empresas do ramo adotem tal estrutura também devido a outros aspectos não pertinentes à legislação do IPI, seja por razões tributárias ou extratributárias, como, para permanecer apenas na análise da tributação federal, a arquitetura fiscal desenhada pelo próprio governo federal para a cobrança do PIS e da Cofins.23 23 ANDRADE, José Maria Arruda de. "É fundamental repensar política econômica que se vale de tributos". In: Revista Consultor Jurídico (Conjur) Coluna "Estado da Economia", 17/04/2016, disponível em: <http://www.conjur.com.br/2016abr17/estadoeconomiapoliticaeconomicavaletributos repensada?imprimir=1>, último acesso em 04/06/2017. Em recente artigo sobre o tema, o autor se volta ao momento posterior à instituição do regime nãocumulativo do PIS e da Cofins: "(...) mais do que a não cumulatividade, o resultado foi arrecadatório, com a criação de categorias econômicas com distintas e variadas cargas (isso sem contar a concomitância com regimes distintos: o cumulativo e o concentrado e monofásico, por exemplo). A progressão de anos e governos só tornou mais agudo o afastamento aos ideais de uma praticabilidade nos termos expostos no início. Logo foram criados inúmeros regimes especiais para determinadas cadeias produtivas, isenções (gastos tributários indiretos) para determinados produtos, acúmulo (ou “empoçamento”) de créditos em algumas operações; regimes de monetização de créditos para alguns e até Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 18470.720682/201594 Acórdão n.º 3401003.954 S3C4T1 Fl. 1005 37 A concentração da incidência traduzida pela cobrança monofásica sobre a saída do importador ou do industrial, conforme previsto, e.g., na Lei nº 10.147/2000, ao onerar o produtor com a carga de toda a cadeia de consumo, tem por efeito deslocar a agregação de valor ao momento seguinte, da distribuição, o que é plenamente aceitável, como restou sedimentado no Acórdão CARF nº 3403002519, proferido em sessão de 22/10/2013, sob a relatoria do Conselheiro Ivan Alegretti.24 Necessário se aceitar, nas palavras de Gerson Augusto da Silva, que "(...) a política fiscal constitui, pois, uma das políticas econômicas de tipo instrumental. Sua racionalidade se define no plano da eficácia operacional".25 Assim, não há de aceitar reprovação, como aquela em destaque, realizada pela decisão recorrida, sobre opção de estrutura negocial do jurisdicionado que adveio, em grande parte, como se percebe, das intervenções tributárias promovidas pelo próprio Estado na condução de sua política fiscal. O risco de fazêlo é se incorrer em situação como a presente, em que se censura com rigor um comportamento não defeso em lei, mas se absolve com clemência o cometimento da ilegalidade. Assim, voto por conhecer e, no mérito, dar integral provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco mesmo “fast track" para os setores que conseguiam convencer o governo de sua importância. Em pouco tempo, encontramos setores que não só não contribuem com essas duas contribuições sociais, como, de fato, acabam por receber recursos do governo para saldar outros tributos com aquilo que não pagaram diretamente" (seleção e grifos nossos). 24 Acórdão CARF nº 3403002.519, proferido em sessão de 22/10/2013, sob a relatoria do Conselheiro Ivan Alegretti, que assevera, com correção, que a criação da empresa industrial, separada da empresa distribuidora, foi "(...) induzida pelos efeitos econômicos da política fiscal, que, sobreonerando o setor produtivo, compeliu os produtores a atuarem também na atividade de revenda/distribuição". 25 SILVA, Gerson Augusto. Estudos de Política Fiscal. Brasília/DF: Ministério da Fazenda Escola de Administração Fazendária (ESAF), Coleção Gerson Augusto da Silva, 1983, p. 59. Fl. 1005DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908210/2013-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/07/2012 a 18/09/2012
REINTEGRA. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. Para usufruir do benefício fiscal é necessário que todas as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal estejam de acordo com a documentação comprobatória da operação de exportação. Eventuais inconsistências apontadas pela fiscalização deverão ser sanadas para fazer jus ao ressarcimento pleiteado.
JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
Numero da decisão: 3302-004.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas às notas fiscais nºs 1.333, 1.351, 1.352, 1.370, 1.415, 1.416, 1.417, 1.419, 534, 535, 566, 1.253, 1.275, 1.276, 1.277, 1.303, 1.304, 1.356 e 1.357, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que davam provimento integral.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
José Renato Pereira de Deus - Relator
EDITADO EM: 29/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/07/2012 a 18/09/2012 REINTEGRA. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS. Para usufruir do benefício fiscal é necessário que todas as informações prestadas pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal estejam de acordo com a documentação comprobatória da operação de exportação. Eventuais inconsistências apontadas pela fiscalização deverão ser sanadas para fazer jus ao ressarcimento pleiteado. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas às notas fiscais nºs 1.333, 1.351, 1.352, 1.370, 1.415, 1.416, 1.417, 1.419, 534, 535, 566, 1.253, 1.275, 1.276, 1.277, 1.303, 1.304, 1.356 e 1.357, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Lenisa Rodrigues Prado e Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que davam provimento integral. Paulo Guilherme Déroulède Presidente José Renato Pereira de Deus Relator EDITADO EM: 29/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 82 10 /2 01 3- 66 Fl. 345DF CARF MF 2 Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: " O presente processo tem por objeto pedido de restituição/ressarcimento – programa REINTEGRA –, apresentado no PER/DCOMP nº 35881.13004.160113.1.5.17 4058 – 3º trimestre de 2001 – no valor de R$ 4.996.095,13. Analisada a petição, a autoridade administrativa fiscal houve por bem reconhecer, do crédito tributário pleiteado, o valor equivalente a R$ 1.267.480,55, consoante despacho decisório às fls. 123/127, haja vista inconsistências então apuradas e ali mencionadas. Inconformada com a decisão exarada, a interessada, tempestivamente, às fls. 73/78 apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que efetua as seguintes alegações quanto às inconsistências apuradas: 1. O crédito tributário no valor de R$ 3.724.545,16, não reconhecido por ocasião da análise da petição, decorre da glosa sobre as notas fiscais de exportação de suco de laranja concentrado e congelado, classificação fiscal código NCM/TEC 2009.11.00, diverso daquele declarado nos Registros de Exportação, qual seja o código NCM 2009.19.00; 2. Entretanto, não se sustenta a glosa efetuada, uma vez que a divergência entre os códigos NCM foi superada mediante a emissão de cartas de correção para cada uma das notas fiscais, haja vista que o sistema eletrônico para emissão de documentos fiscais administrado pelas respectivas Secretarias de Fazenda dos Estados não permite a correção mencionada; 3. Ainda, no âmbito do sistema PER/DCOM, o documento nº 27675.79606.311012.1.1.176426 foi retificado por intermédio do documento nº 35881.13004.160113.1.5.14058, visando equalizar o código NCM das notas fiscais o dos Registros de Exportação; é de ressaltar, ainda, que tanto o produto classificado no código NCM 2009.11.00, quanto aquele classificado no código NCM 2009.19.00 encontravamse beneficiados pelo programa REINTEGRA, configurando, pois, a classificação fiscal diversa em mero erro formal, não podendo, pois, tal erro fundamentar o não reconhecimento das operações de exportação, cuja materialidade restou comprovada a partir da documentação apresentada por ocasião do pedido de ressarcimento; 4. De outra feita, as notas fiscais 1.337 e 1.397 foram desconsideradas em razão de estarem mencionadas em campos específicos da Declaração de Exportação nº 2120928385/9; todavia, a interessada inseriu aquelas notas fiscais na mencionada declaração de exportação, consoante correção Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 3302004.652 S3C3T2 Fl. 3 3 realizada no campo Outros Documentos Apresentados na Recepção e/ou Número, por meio de procedimento administrativo no âmbito do SISCOMEX, fato que demonstra a materialidade da operação de exportação, superando as inconsistências apontadas no Despacho Decisório; Levando em conta as alegações apresentadas pela interessada, juntamente com os documentos anexadas às fls. 80/121, esta 11ª Turma houve por bem baixar o processo em diligência à unidade de origem, nos termos da Resolução nº 16.00573 às fls. 197/198. Em atendimento aos termos da resolução, a unidade de origem ratificou o seu despacho, consoante relatório às fls. 199/202, fato que motivou a interessada a apresentar nova manifestação (fls. 207/210), acrescentado aos argumentos anteriormente mencionados que, em relação às glosas das notas fiscais n. 1.333, 1.351, 1.352, 1.370, 1.415, 1.416, 1.417, 1.419, 534, 535, 566, 1.253, 1.275, 1.276, 1.277, 1.303, 1.304, 1.356 e, 1.357, a interessada efetuou as devidas correções nos mencionados documentos fiscais, não somente por intermédio de cartas de correção em papel, como também por meio de cartas de correção eletrônicas." O Acórdão 1670.048, da 11ª Turma da DRJ/SPO, Sessão de 30 de setembro de 2015, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado de R$ 4.996.095,13. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Ordinário, acostando ao mesmo os documentos já encartados nos autos, quando de suas manifestações. Em 29 de março do corrente ano, foi recebido nesse Conselho um mandado de notificação e intimação expedido pela MM Juíza da 3ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, noticiando decisão liminar deferida em Mandado de Segurança, impetrado em face do Sr. Dr. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vazada nos seguintes termos: " (...) Com essas considerações, DEFIRO o pedido liminar, inaudita altera pars, para que a Autoridade Coatora promova, no prazo de 30 (trinta dias), o julgamento dos recursos referentes aos processos nº 12585.720155/201263, nº 10880.945394/201345, nº 10880.657986/201221 e nº 10880.9082010/201366. (...)" O mandado judicial acima referido foi, equivocadamente, encaminhado à 1ª TO2ª CÂMARA 1ª SEÇÃO, desse Tribunal (fl. 459), a qual declinando da competência em razão da matéria, encaminhou o presente processo ao Secam, para posterior envio à 3ª Seção de Julgamento, conforme estabelece o RICARF. Fl. 347DF CARF MF 4 Promovida a redistribuição o processo foi encaminhado para nova relatoria no último dia 30 de junho de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. I Do Mérito Programa REINTEGRA O presente processo trata de pedido de ressarcimento de valores, utilizando como base as permissões trazidas pelo Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras REINTEGRA, instituído pela MP 540/2011, convertida na Lei nº 12.546/2011. O objetivo do regime especial é reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais existentes na cadeia de produção, permitindo que a pessoa jurídica produtora que efetua exportação de bens manufaturado no país, apure valores para fins de ressarcimento parcial ou total dos resíduos mencionados. A época do pedido de ressarcimento manejado pela contribuinte, regulamentava o REINTEGRA o Decreto nº 7.633, de 1ª de dezembro de 2011, que traz os requisitos necessários para o enquadramento no regime, além do modo pelo qual se promoveria o cálculo dos valores a ressarcir, nos seguintes termos: "Art. 1o Este Decreto regulamenta o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras REINTEGRA, instituído pela Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, e que tem por objetivo reintegrar valores referentes a custos tributários residuais existentes nas suas cadeias de produção. Art. 2o No âmbito do REINTEGRA, a pessoa jurídica produtora que efetue exportação dos bens manufaturados classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI constantes do Anexo a este Decreto poderá apurar valor para fins de ressarcir parcial ou integralmente o resíduo tributário existente na sua cadeia de produção. § 1o O valor será calculado mediante a aplicação do percentual de três por cento sobre a receita decorrente da exportação de bens produzidos pela pessoa jurídica referida no caput. § 2o Para fins do § 1o, entendese como receita decorrente da exportação: Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 3302004.652 S3C3T2 Fl. 4 5 I o valor da mercadoria no local de embarque, no caso de exportação direta; ou II o valor da nota fiscal de venda para empresa comercial exportadora ECE, no caso de exportação via ECE. § 3o O disposto neste artigo aplicase somente a bem manufaturado no País cujo custo total de insumos importados não ultrapasse o limite percentual do preço de exportação definido no Anexo Único a este Decreto. § 4o Para efeitos do § 3o, os insumos originários dos demais países integrantes do Mercado Comum do Sul MERCOSUL que cumprirem os requisitos do Regime de Origem do MERCOSUL, serão considerados nacionais. § 5o Para efeitos do cálculo do custo de insumos importados referidos no § 3o deverá ser considerado o seu valor aduaneiro, atribuído conforme os arts. 76 a 83 do Decreto no 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, adicionado dos montantes pagos do Imposto de Importação e do Adicional sobre Frete para Renovação da Marinha Mercante, se houver. § 6o No caso de insumo importado adquirido de empresa importadora, será tomado como custo do insumo o custo final de aquisição do produto colocado no armazém do fabricante exportador. § 7o O preço de exportação, para efeito do § 3o, será o preço da mercadoria no local de embarque. § 8o Ao requerer a compensação ou o ressarcimento do valor apurado no REINTEGRA, a pessoa jurídica deverá declarar que o percentual de insumos importados não ultrapassou o limite de que trata o § 3o. § 9º As pessoas jurídicas de que tratam os arts. 11A e 11B da Lei nº 9.440, de 14 de março de 1997, e o art. 1º da Lei nº 9.826, de 23 de agosto de 1999, poderão requerer o REINTEGRA. (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013) § 10. Do valor apurado referido no caput: (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013) I 17,84% (dezessete inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento) corresponderão a crédito da Contribuição para o PIS/PASEP; e (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013) II 82,16% (oitenta e dois inteiros e dezesseis centésimos por cento) corresponderão a crédito da COFINS. (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013) Art. 3o A pessoa jurídica somente poderá utilizar o valor apurado no REINTEGRA para, a seu critério: Fl. 349DF CARF MF 6 I solicitar seu ressarcimento em espécie, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou II efetuar compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. Art. 4o Para fins deste Decreto, considerase exportação a venda direta ao exterior ou a ECE, com o fim específico de exportação para o exterior. Parágrafo único. Quando a exportação realizarse por meio de ECE, o REINTEGRA fica condicionado à informação da empresa produtora no Registro de Exportação. Art. 5o O REINTEGRA não se aplica a: I ECE; e II bens que tenham sido importados e posteriormente exportados sem atender ao disposto no § 3odo art. 2o. Art. 6o A ECE fica obrigada ao recolhimento do valor atribuído à empresa produtora vendedora se: I revender, no mercado interno, os produtos adquiridos para exportação; ou II no prazo de cento e oitenta dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior. § 1º O recolhimento do valor referido no caput deverá ser efetuado até o décimo dia subsequente: (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013) I ao da revenda no mercado interno; ou (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013) II ao do vencimento do prazo estabelecido para a efetivação da exportação. (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013) § 2º O recolhimento do valor referido no caput deverá ser efetuado acrescido de multa de mora ou de ofício e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao mês da emissão da nota fiscal de venda dos produtos para a empresa comercial exportadora até o último dia do mês anterior ao mês do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. (Incluído pelo Decreto nº 8.073, de 2013)" Em seu art. 7º, o Decreto 7.633/2011, ao tratar do pedido de ressarcimento ou da declaração de compensação, estabeleceu que: "Art. 7o O pedido de ressarcimento ou a declaração de compensação somente poderão ser transmitidos após: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 3302004.652 S3C3T2 Fl. 5 7 I o encerramento do trimestrecalendário em que ocorreu a exportação; e II a averbação do embarque. " Analisando os documentos trazidos aos autos do presente processo, podemos verificar, a princípio, que a contribuinte preenche os requisitos necessários para usufruir dos benefícios estabelecidos pelo regime especial. Passamos então a cotejar as razões de fato e de direito relacionadas a cada um dos pontos trazidos pela Decisão da DRJ, com aqueles trazidos pelo Recurso Voluntário manejado pela contribuinte. I.1 Nota Fiscal não relacionada à DE Exportação Direta Segundo as informações trazidas pela fiscalização e outras mais apresentadas na decisão da DRJ, foram glosadas as notas fiscais nº 1.397 e a de nº1.337, tendo em vista não estarem relacionadas à DE. De fato, pelo que podemos verificar dos documentos e informações constantes do processo, não houve a efetiva retificação da DE que pudesse restabelecer a possibilidade de ressarcimento dos créditos que teriam por base os dados lançados nos referidos documentos fiscais. As informações trazidas pela DRJ e os documentos juntados pela contribuinte, convergem para um mesmo ponto, qual seja, em que pese a informação de indicação equivocada de documento fiscal, as notas fiscais vinculadas às exportações permanecem inalteradas, devendo permanecer a glosas dos créditos indicadas na decisão de 1ª instância. Vale ressaltar que em seu recurso voluntário a contribuinte fez juntar documentos que são idênticos àqueles colacionados na decisão recorrida, portanto, sem o efeito pretendido de desqualificar a decisão da DRJ. Dessa forma, decidese pela manutenção da glosa dos créditos pretendidos pela contribuinte relacionados as NF nº 1.397 e a de nº1.337. I.2 Produto do Registro de Exportação não consta na Nota Fiscal Conforme podemos observar dos autos a fiscalização glosou as Notas Fiscais nºs 1.333, 1.351, 1.352, 1.370, 1.415, 1.416, 1.417, 1.419, 534, 535, 566, 1.253, 1.275, 1.276, 1.277, 1.303, 1.304, 1.356 e, 1.357 pelo fato dos documentos indicarem NCM 2009.11.00, diferente daquele que constou nos RE, NCM 2009.19.00. Segundo a fiscalização e posteriormente a DRJ, mesmo ciente da inconsistência apontada nos documentos fiscais e declaração de exportação, a contribuinte não logrou êxito em demonstrar seu direito ao crédito, uma vez não ter apresentado documentos idôneos para tanto (retificação de nota fiscal em papel), nem ser possível o atendimento da alegação de que para fruição do Reintegra, seria irrelevante a indicação do código NCM, por serem ambos são beneficiários do regime. Fl. 351DF CARF MF 8 Em seu recurso voluntário a contribuinte entendendo ser válido seu direito ao crédito, novamente alegou que já teria realizado a retificação dos documentos (NFs), com a conseqüente troca dos NCMs, no entanto, para que não houvesse mais dúvidas sobre a retificação das informações, carreou aos autos prova de que as teria feito na forma eletrônica (fls. 302 a 322). Ainda no recurso voluntário a contribuinte trouxe a tese sobre a observância do principio da verdade material que deve permear o processo administrativo, colacionando diversos julgados sobre o tema que corroborariam a possibilidade de fruição de seu direito ao crédito. Pois bem. Por mais que tenhamos no presente processo a juntada, digamos, tardia de documentos pela contribuinte que teriam o condão de demonstrar seu direito ao crédito, trouxe a contribuinte com sua manifestação do inconformidade, a princípio, documentos que demonstram sua intenção em retificar o equívoco cometido, qual seja, a troca dos códigos de NCM. Dessa forma os documentos dispostos nas páginas 302 a 322 do processo, demonstram a efetiva alteração dos códigos, dentro do que lhe é permitido pela legislação vigente e, ao meu sentir, permitindo a fruição do benefício fiscal. Para dar sustentação ao descrito acima, peço vênia, para utilizar como fundamento a decisão em voto vencedor proferido pela Conselheira Cristiane Silva Costa, no processo n. 14098.000308/200974, Acórdão n. 9101002.781, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 06 de abril de 2017, vejamos: "Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 3302004.652 S3C3T2 Fl. 6 9 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 353DF CARF MF 10 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de:... A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.908210/201366 Acórdão n.º 3302004.652 S3C3T2 Fl. 7 11 Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.)" Assim, considerando que as retificações apresentadas pela contribuinte das notas fiscais quanto à troca dos códigos de NCMs, e os ensinamentos trazidos pela transcrição do voto acima, entendo por bem considerar como válidos os créditos representados pelas NFs nºs 1.333, 1.351, 1.352, 1.370, 1.415, 1.416, 1.417, 1.419, 534, 535, 566, 1.253, 1.275, 1.276, 1.277, 1.303, 1.304, 1.356 e, 1.357, garantindo a contribuinte a fruição dos benefícios do REINTEGRA. II Conclusão Diante do exposto, voto por acolher o recurso voluntário, para no mérito dar lhe parcial provimento nos seguinte termos: a) indeferir o ressarcimento indicado nas notas fiscais nºs 1.397 e 1.337, tendo em vista não estarem relacionadas à DE; b) deferir o ressarcimento que tem por base as notas fiscais nºs 1.333, 1.351, 1.352, 1.370, 1.415, 1.416, 1.417, 1.419, 534, 535, 566, 1.253, 1.275, 1.276, 1.277, 1.303, 1.304, 1.356 e, 1.357, por entender sanadas as irregularidades apontadas pela fiscalização. José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 355DF CARF MF 12 Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.906582/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/10/2002 Ementa: IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO COMPUTADO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. O IRPJ pago por estimativa pago indevidamente não constitui crédito tributário do contribuinte passível de compensação, autonomamente, quando computado no saldo negativo da apuração anual. PERDCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e finda com a ciência da decisão proferida pela autoridade administrativa. Antes desse prazo não há falar em homologação tácita.
Numero da decisão: 1802-001.187
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. COMPENSAÇÃO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO COMPUTADO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. O IRPJ pago por estimativa pago indevidamente não constitui crédito tributário do contribuinte passível de compensação, autonomamente, quando computado no saldo negativo da apuração anual. PERDCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação e finda com a ciência da decisão proferida pela autoridade administrativa. Antes desse prazo não há falar em homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906582/200615 Acórdão n.º 1802001.187 S1TE02 Fl. 353 3 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.192/194) que a seguir transcrevo: 1. No dia 16.09.2003, a interessada, incorporadora da Telecomunicações do Piaui S/A, transmitiu para a Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio eletrônico, o "Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação" (PER/DCOMP) de fls. 19/23 no qual informou que havia compensado um débito de R$ 708.235,02, relativo à COFINS de maio de 2003, com parte de um crédito decorrente de pagamento a maior da estimativa do IRPJ de outubro de 1998. 2. Na DIPJ do ano calendário de 1998 (fls. 72/78), consta que a incorporada apurou, em outubro, IRPJ estimado de R$ 382.342,53, mas pagou R$ 792.447,70 por meio de DARF (fls. 21 e 88). 3. No Parecer Conclusivo n° 187/2008 (fls. 96/100), propôsse a nãohomologação da compensação efetuada porque, em síntese, chegouse conclusão que o valor pago por conta do imposto estimado de outubro de 1998 foi computado na apuração do imposto de renda anual. Assim, a interessada já teria se beneficiado do valor pago a maior, na medida em que ele inflou o saldo negativo do IRPJ a pagar indicado na ficha 13 da DIPJ (R$ 851.424,48). 4. 0 titular da DERAT/RJ acolheu a proposta e, por conseguinte, decidiu não homologar a compensação efetuada (fls. 101). 5. Cientificada do despacho decisório em 12.09.2008, a interessada manifestou sua inconformidade com ele no dia onze do mês seguinte. Depois de dissertar sobre a desestatização do setor de telefonia no Brasil, da qual se originou, alegou, em síntese: 5.1. que verificou que algumas das empresas por ela incorporadas, entre as quais a Telecomunicações do Piaui S/A, realizou pagamento a maior de tributos, o qual configurou crédito tributário passível de ser utilizado no pagamento de débitos em aberto de tributos federais; 5.2. que, por isso, houve por bem refazer as bases de cálculo de anos anteriores das empresas incorporadas, com o fito de identificar valores passíveis de restituição e compensação; 5.3. que, especificamente no caso da Telecomunicações do Piauí, verificou que houve pagamento a maior do IRPJ de outubro de 1998, o qual foi integralmente utilizado nos PER/DCOMP juntados aos autos; Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 5.4. que, no entanto, o Fisco tratou manualmente a declaração de compensação e, depois de fazer uma nova apuração das bases tributáveis do ano calendário de 1998, decidiu não homologar a compensação efetuada; 5.5. que a DCTF retificadora (fls. 182/185), recebida pelo Fisco em 28.11.2003, demonstra a certeza e liquidez do crédito alegado; 5.6. que o DARF que lastreia o direito creditório foi devidamente identificado pela autoridade fiscal; 5.7. que o pagamento a maior foi efetuado em 30.11.1998 e a compensação, em 15.09.2003; respeitouse, assim, o prazo decadencial de dez anos, reduzido para cinco pela Lei Complementar n° 118, de 2005; 5.8. que o imposto estimado de outubro de 1998 foi de R$ 391.045,64; foram pagos, porém, R$ 801.592,92, dos quais R$ 792.889,80 mediante DARF e R$ 8.703,12 por meio de compensação; a diferença, de R$ 410.547,28, representava crédito disponível para a compensação de seus débitos tributários; 5.9. que, além disso, como o crédito se refere a 1998, já se encontravam homologados, à época do despacho decisório, os procedimentos por ela adotados para a apuração de suas obrigações tributárias, razão pela qual não poderia o Fisco subordinar, como fez, a homologação da compensação à necessidade de qualquer averiguação; e 5.10. que, assim, afigurase inócua qualquer tentativa fiscal de fazer nova apuração do valor do tributo cujo recolhimento a maior gerou o seu crédito. 6. Por fim, a interessada protestou pela realização de perícia, formulou os quesitos que pretende ver respondidos e indicou o seu assistente técnico A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJOI/Rio de Janeiro /RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1222.874, de 12 de fevereiro de 2009 (fls.190/195), cientificado ao interessado em 04/09/2009. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.190): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO SOBRE A RENDA. ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO COMPUTADO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. 0 tributo estimado pago indevidamente deixa de traduzir crédito tributário do contribuinte quando é computado na sua apuração anual. Compensação não Homologada Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906582/200615 Acórdão n.º 1802001.187 S1TE02 Fl. 354 5 Consta do voto condutor do mencionado Acórdão de primeira instância, à fl.195, a seguinte conclusão: (...) Para ser absolutamente conciso, observo que o montante recolhido do imposto estimado do ano de 1998 foi de R$ 4.657.734,90 (fls. 88). Contudo, a incorporada declarou na ficha 13 da DIPJ que esse montante teria sido de R$ 4.879.501,44. È obvio, portanto, que todo o imposto de renda estimado, até mesmo a parcela do de outubro de 1998 cujo pagamento foi indevido, encontrase refletido no respectivo saldo negativo indicado na referida ficha 13. Aliás, até mesmo a diferença de R$ 221.766,54 (4.879.501,44 — 4.657.734,90), para a qual não se encontra explicação nos autos, está refletida no saldo negativo do imposto de renda de 1998. A afirmação contida no parecer conclusivo de que o pagamento de R$ 792.889,80 já foi aproveitado na apuração do saldo negativo do imposto e que, portanto, não pode mais ser aproveitado como pagamento maior que o devido no PERD/COMP aqui examinado não merece censura. (...) A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 05/10/2009, alegando, que, tanto a DERAT quanto a DRJ consideraram, para a composição do saldo negativo, pagamentos no montante de R$ 4.657.734,90, porém, afirma que traz aos autos documentos que comprovam pagamentos na ordem de R$ 5.258.024,55 para o mesmo período. E que, considerando todos os pagamentos com base nessa nova documentação, é inequívoca a existência do crédito utilizado. A recorrente alega que, após a entrega da DIPJ retificadora em 22.06.2001, apresentou DCTF retificadora para o 3° e 4° trimestres do ano de 1998, em 28.11.2003. A Recorrente diz que traz aos autos o extrato do sistema SINAL da Receita Federal no qual constam os DARFs informados na DCTF retificadora. E diz, que há equivoco da DERAT e do Acórdão recorrido ao apreciar os fatos que geraram a não homologação das compensações em tela, uma vez que foram considerados apenas os pagamentos que constavam na DIPJ. A recorrente afirma que para comprovar o alegado traz aos autos a tabela (fls.213/214), com os mesmos lançamentos informados na DIPJ (e considerados como válidos) e os pagamentos informados em DCTF. Argumenta que, levando em consideração todos os pagamentos comprovadamente realizados no ano de 1998, e retirandose o pagamento a maior em outubro, encontra o saldo negativo muito próximo do informado na DIPJ (R$ 851.424,48). A recorrente reitera que decaiu o direito do fisco de refazer as bases de cálculo do ano calendário de 1998, alegando que o crédito em questão referese a período em que o Fisco já homologou tacitamente os recolhimentos geradores do crédito, reconhecendose a extinção da obrigação, o que pressupõe, por óbvio, o reconhecimento também do quantum debeatur, sem o que não se poderia atestar o cumprimento da obrigação principal. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Argúi que, se afigura inócua, qualquer tentativa fiscal de fazer nova apuração do saldo negativo apurado, cuja existência gerou o crédito do presente processo, em face da homologação daquele lançamento pelo próprio Fisco, pois, sujeitase o IRPJ ao lançamento por homologação, regime em que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador, segundo o art. 150, § 40 do CTN. Sobre assunto discorre às fls.213/218. Finalmente, requer seja dado provimento a este Recurso Voluntário, para, reformando se o Acórdão em questão, seja reconhecido o direito creditório, homologandose a respectiva compensação declarada nos autos. Alternativamente, requer sejam homologadas as compensações até o limite do crédito não consumido pelo saldo negativo de IRPJ da Recorrente no ano de 1998. É o relatório. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906582/200615 Acórdão n.º 1802001.187 S1TE02 Fl. 355 7 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 31889.01999.160903.1.7.049406 (fls.19/23), transmitido em 16/09/2003, retificador do PERDCOMP nº 12613.54318.130603.1.3.042775, em que a contribuinte pretende compensar débito de R$ 708.235,02, relativo à COFINS de maio de 2003, com a utilização de crédito no valor original de R$ 381.242,95, decorrente de pagamento a maior da estimativa do IRPJ de outubro de 1998 (DARF: código – 2362; Período de Apuração: Outubro/1998; Vencimento: 30/11/1998, Valor: R$ 792.889,80). Conforme relatado, o Per/Dcomp foi analisado com a emissão do Despacho Decisório de fl.101, que não homologou a compensação pleiteada porque, baseado no Parecer Conclusivo n° 187/2008 (fls. 96/100), chegouse conclusão que o valor pago por conta do imposto estimado de outubro de 1998 foi computado na apuração do imposto de renda anual. Assim, a interessada já teria se beneficiado do valor pago a maior, na medida em que “inflou” o saldo negativo do IRPJ indicado na ficha 13 da DIPJ (R$ 851.424,48). Vale repetir a conclusão da decisão de primeira à fl.195 que também adoto como razão de decidir, verbis: (...) Para ser absolutamente conciso, observo que o montante recolhido do imposto estimado do ano de 1998 foi de R$ 4.657.734,90 (fls. 88). Contudo, a incorporada declarou na ficha 13 da DIPJ que esse montante teria sido de R$ 4.879.501,44. È obvio, portanto, que todo o imposto de renda estimado, até mesmo a parcela do de outubro de 1998 cujo pagamento foi indevido, encontrase refletido no respectivo saldo negativo indicado na referida ficha 13. Aliás, até mesmo a diferença de R$ 221.766,54 (4.879.501,44 — 4.657.734,90), para a qual não se encontra explicação nos autos, está refletida no saldo negativo do imposto de renda de 1998. A afirmação contida no parecer conclusivo de que o pagamento de R$ 792.889,80 já foi aproveitado na apuração do saldo negativo do imposto e que, portanto, não pode mais ser aproveitado como pagamento maior que o devido no PERD/COMP aqui examinado não merece censura. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 (...) A Recorrente diz que traz aos autos o extrato do sistema SINAL da Receita Federal no qual constam os DARFs informados na DCTF retificadora. E diz, que há equivoco da DERAT e do Acórdão recorrido ao apreciar os fatos que geraram a não homologação da compensação em tela, uma vez que foram considerados apenas os pagamentos que constavam na DIPJ. A recorrente diz que, tanto a DERAT quanto a DRJ consideraram, para a composição do saldo negativo, pagamentos no montante de R$ 4.657.734,90, porém, afirma que traz aos autos documentos que comprovam pagamentos na ordem de R$ 5.258.024,55 para o mesmo período. Não procede a argumentação da recorrente, pois, o valor de R$ 4.657.734,90 é exatamente o montante do extrato do sistema SINAL (fls. 88), não há razão para se aceitar o valor pretendido pela interessada, pois, incoerente, com seus próprios argumentos. Portanto, á luz da DIPJ/99 (fls.72/78) e do extrato de pagamento do sistema “SINAL”, fl.88, e, ainda da DCTF (fl.86) não merece reparo à conclusão acima constante da decisão recorrida. A recorrente alega que, após a entrega da DIPJ retificadora em 22.06.2001, apresentou DCTF retificadora para o 3° e 4° trimestres do ano de 1998, em 28/11/2003. Vale lembrar que desde a edição da MP nº 66, 22/08/2002 com efeito a partir de 01/10/2002 convertida na Lei nº 10.637/2002, a compensação de tributo em DCTF torna imprescindível a apresentação de DCOMP a que se vinculam os créditos e débitos. Ora, possíveis DCTFs retificadoras apresentadas em 2003 com o intuito de declarar compensações não vinculadas a DCOMPs e desse modo sobreporse aos pagamentos de R$ 4.657.734,90 para daí chegar a ordem de R$ 5.258.024,55 não tem qualquer amparo legal. Para se comprovar fato constitutivo do direito creditório demandado, atinente a pagamento a maior ou indevido do IRPJ (pagamento antecipado a maior), devese observar, além de tudo, a legislação de apuração tributo, com respectivos documentos de suporte da escrituração, registrados nos livros contábeis e fiscais pertinentes, e a legislação de regência da compensação tributária. Observada a legislação tributária, e, em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. Apesar de incontroverso o pagamento a maior da estimativa do IRPJ relativo ao período de apuração de outubro/1998 na ordem de R$ 410.547,28 (DCTF (fl.86) x DARF x Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, fl.76), ou seja: (Pagamento: R$ 792.889,80 + compensação sem darf: R$ 8.703,12 ) – (IRPJ por estimativa: R$ 382.342,53), fato é que, além de restar consignado na Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa/Dezembro/98 (fl.77) como dedução do IRPJ devido, o montante: ()Imposto de Renda Devido em Meses Anteriores = R$ 4.817.178,43, consta na Ficha 13 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real(fl.78) como dedução do IRPJ devido, o total de ()Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa = Fl. 359DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906582/200615 Acórdão n.º 1802001.187 S1TE02 Fl. 356 9 R$ 4.879.501,44 e finalmente Imposto de Renda (saldo negativo) na ordem de (–R$ 851.424,48). Confrontandose as mencionadas Fichas, constatase que, sem qualquer justificativa o contribuinte transportou da Ficha 12 para a Ficha 13, uma dedução superior no valor de R$ 62.323,01 de Imposto de Renda Mensal por Estimativa de meses anteriores, ou seja, (R$ 4.879.501,44 R$ 4.817.178,43). Ademais, confrontando o extrato de pagamento do sistema “SINAL”, fl.88, em que relaciona todos os recolhimentos efetuados pela empresa no ano calendário de 1998, sendo o último exatamente o relativo a outubro de 1998: R$ 792.889,80 (inexistindo pagamento para novembro e dezembro de 1998), resulta no total de R$ 4.657.434,90, portanto não há documentação nos autos que justifique o montante declarado pelo contribuinte, na mencionada Ficha 13, ou seja, o valor de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa = R$ 4.879.501,44. Eis, a razão pela qual se conclui que no saldo negativo (–) R$ 851.424,48 do ano calendário de 1998, declarado na (DIPJ/99), está incluso todo o pagamento do IRPJ por estimativa relativo ao período de apuração de outubro/1998. Verificado que o pagamento efetuado do IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/10/2002, vencimento: 30/11/2002, Data de Arrecadação: 29/11/2002, DARF: R$ 792.889,80, foi utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração e para compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002, não há falar de indébito a ser compensado na ordem de R$ 410.547,28, a que alude a interessada. Na fase recursal, a recorrente reitera que decaiu o direito do fisco de refazer as bases de cálculo do anocalendário de 1998, alegando que o crédito em questão referese a período em que o Fisco já homologou tacitamente os recolhimentos geradores do crédito, reconhecendose a extinção da obrigação, o que pressupõe, por óbvio, o reconhecimento também do quantum debeatur, sem o que não se poderia atestar o cumprimento da obrigação principal. Argúi que, se afigura inócua, qualquer tentativa fiscal de fazer nova apuração do saldo negativo apurado, cuja existência gerou o crédito do presente processo, em face da homologação daquele lançamento pelo próprio Fisco, pois, sujeitase o IRPJ ao lançamento por homologação, regime em que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador, segundo o art. 150, § 4º do CTN. No presente processo em que se discute o PERDCOMP, o Fisco não procedeu qualquer revisão da base de cálculo mensal das estimativas mensais, nem tampouco, revisão do Lucro Real apurado em 31/12/1998. Sequer alterado o saldo negativo do IRPJ declarado. Desse modo, não houve crédito constituído por procedimento fiscal na modalidade de lançamento tributário sujeito ao prazo decadencial nos moldes do artigo do artigo 150 do CTN, portanto, improcedente a alegação da interessada de haver o Fisco realizado “nova apuração das bases tributáveis do ano calendário de 1998”. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e Fl. 360DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil (conta do ativo a recuperar em que se demonstre sua evolução até a data da compensação e a contrapartida do tributo a recolher registrado em conta do passivo, bem como balanços ou balancetes mensais de suspensão até 31/12/1998, transcritos no Diário ou LALUR), tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende elevar o saldo negativo na ordem de R$ 410.547,28, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de estimativa (outubro/1998) já deduzido na apuração do IRPJ e integrado na composição do saldo negativo do mesmo ano calendário de 1998. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe, verbis: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação sem que isto signifique desobediência ao prazo decadencial do lançamento tributário por homologação. Pois, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Conforme relatado, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 16/09/2003, e, a mesma tomou ciência do despacho decisório em 12/09/2008, antes do prazo de 05 anos. Assim, não há que se falar em homologação tácita como restrição ao direito creditório pleiteado. Desse modo, cai por terra a “decadência” cogitada pela Reclamante Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.906582/200615 Acórdão n.º 1802001.187 S1TE02 Fl. 357 11 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 23/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720336/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 24/09/2009, 15/01/2010
MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO. CONCEITO LEGAL. DIVERGÊNCIA ENTRE OPERAÇÃO DECLARADA E PRATICADA. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO.
Na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação. Na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente.
Existe um conceito legal para cada modalidade de importação, o que resulta em considerar a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro como uma importação por conta e ordem deste, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, e a manter a caracterização de uma importação para a revenda a encomendante predeterminado, na hipótese de haver participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior, por força do artigo 11, parágrafo 3º, da Lei nº 11.281/2006.
Na hipótese de divergência entre a operação de importação declarada e a operação de importação efetivamente realizada, havendo ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, configura-se o dano ao erário, punido com pena de perdimento das mercadorias, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. (artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76).
INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1455/76. CARACTERIZAÇÃO.
O tipo infracional previsto no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de modo que, para a caracterização da infração, deve ser identificado o dolo e a infração deve ser grave em substância e não uma infração meramente formal.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA.
A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização.
INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23, INCISO V, DO DECRETO LEI Nº 1455/76. DEMONSTRAÇÃO. PROVA.
Na hipótese de "interposição fraudulenta comprovada", o ônus probatório da ocorrência de "ocultação mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é do Fisco, que deve levantar um conjunto de elementos de prova que demonstrem que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadram no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/1976.
Numero da decisão: 3401-003.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários apresentados.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 24/09/2009, 15/01/2010 MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO. CONCEITO LEGAL. DIVERGÊNCIA ENTRE OPERAÇÃO DECLARADA E PRATICADA. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação. Na importação para a revenda a encomendante predeterminado, o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente. Existe um conceito legal para cada modalidade de importação, o que resulta em considerar a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro como uma importação por conta e ordem deste, nos termos do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, e a manter a caracterização de uma importação para a revenda a encomendante predeterminado, na hipótese de haver participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior, por força do artigo 11, parágrafo 3º, da Lei nº 11.281/2006. Na hipótese de divergência entre a operação de importação declarada e a operação de importação efetivamente realizada, havendo ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 03 36 /2 01 1- 65 Fl. 7389DF CARF MF 2 mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, configurase o dano ao erário, punido com pena de perdimento das mercadorias, penalidade convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. (artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76). INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23 DO DECRETO LEI Nº 1455/76. CARACTERIZAÇÃO. O tipo infracional previsto no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de modo que, para a caracterização da infração, deve ser identificado o dolo e a infração deve ser grave em substância e não uma infração meramente formal. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. A interposição fraudulenta pode ser presumida, na hipótese de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, ou comprovada, na existência de um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. INFRAÇÃO DE OCULTAÇÃO MEDIANTE FRAUDE OU SIMULAÇÃO, INCLUSIVE A INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. ARTIGO 23, INCISO V, DO DECRETO LEI Nº 1455/76. DEMONSTRAÇÃO. PROVA. Na hipótese de "interposição fraudulenta comprovada", o ônus probatório da ocorrência de "ocultação mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é do Fisco, que deve levantar um conjunto de elementos de prova que demonstrem que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadram no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, do Decreto nº 1.455/1976. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos recursos voluntários apresentados. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator. Fl. 7390DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.390 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração para lançamento, no valor de R$ 549.458,77, de "pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida", com base no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976, e artigo 105, inciso VI, do Decreto nº 37/1966, por (i) ocultação dos verdadeiros encomendantes das mercadorias e (ii) uso de documento falso no despacho aduaneiro, em operações de importação, declaradas como realizadas na modalidade "importação por encomenda", tendo como importador a Target Trading S.A ("Target") e como encomendante a Neo Importação e Exportação e Distribuição Ltda. ("Neo"). Na "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração, a Fiscalização narra que instaurou procedimento em face da Neo e, analisando um conjunto de operações de importação registradas sob 23 (vinte e três) Declarações de Importação, no qual se as operações de importação que deram origem ao presente lançamento se incluem, identificou infrações de interposição fraudulenta de terceiros mediante cessão de nome e uso de documento falso no despacho aduaneiro de importação, que ensejam a aplicação tanto da penalidade de pena de perdimento de mercadorias quanto da multa por cessão de nome. Dessa maneira, a Fiscalização informa que lavrou vários Autos de Infração, segregados de acordo com as infrações e os responsáveis solidários identificados, sendo que o Auto de Infração que deu origem ao presente processo é relativo às Declarações de Importação listadas na tabela abaixo, tem como sujeito passivo a Target, e aponta como responsáveis solidários a Neo, o Sr. Marcelo Gonçalves Araújo ("Sr. Marcelo Araújo") e a Condefer Comércio e Indústria de Ferros Ltda. ("Condefer"), indicando o Termo de Sujeição Passiva e a "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração como fundamento legal o artigo 124, do CTN, e o artigo 95, inciso I e VI, do Decreto nº 37/1966. Número das Declarações de Importação Data de Registro 0912994058 24/09/2009 1000825576 15/01/2010 A conclusão a que a Fiscalização chegou é que "restou comprovado que a NEO figurou como encomendante nas Declarações de Importação investigadas, porém as mercadorias eram predestinadas a outros interessados, os verdadeiros encomendantes das mercadorias, inclusive mediante contratos previamente firmados e prestação de garantias". Para tanto, a Fiscalização levantou os seguintes elementos: Fl. 7391DF CARF MF 4 (i) capacidade econômica e financeira da Neo: no curso de despacho aduaneiro de determinadas Declarações de Importação, a Auditora Fiscal identificou que a encomendante Neo, apesar de ter sido habilitada na modalidade simplificada, que não exige verificação de capacidade econômica e financeira, já havia atuado como encomendante em importações no valor total de USD 14.000.000,00, no período de apenas 6 (seis) meses, o que motivou a instauração de procedimento especial de combate à interposição fraudulenta previsto na Instrução Normativa nº 228/2002; nesse procedimento, verificouse que o capital social original da Neo, de R$100.000,00, foi aumentado para R$5.858.044,00, mediante a integralização de um ativo de propriedade da sócia majoritária da sociedade, TIMELOG LOGISTICA S.A. ("TIMELOG"), representado pelo imóvel onde estão estabelecidas tanto a TIMELOG quanto a NEO, que são empresas do mesmo grupo econômico; porém, a Neo não teria conseguido demonstrar a efetiva transferência da propriedade do bem imóvel à sociedade, pelo registro do instrumento que lhe conferiu o domínio no competente cartório de registro de imóveis, conforme artigo 1.227, do Novo Código Civil; além disso, afirmou a Fiscalização que "há de se considerar ainda que tal aumento de capital social, além de não ter sido ainda comprovada a efetiva transferência, não aumentou a capacidade financeira da NEO, por tratarse de ativo imobilizado que encontra limitações em sua liquidez, alienação e dação em garantia"; a Fiscalização ainda teria constatado que não haveria registro na contabilidade da empresa de quaisquer empréstimos e financiamentos com os quais a Neo poderia dispor para realizar as operações de importação; nesse tópico, afirma a Fiscalização que "em termos de transferência de recursos financeiros dos sócios para a empresa, o valor corresponderia a R$ 105.450,88, que a NEO comprovou apenas após reintimação (...) Foram registradas, apenas de julho de 2009 até março de 2010 (8 meses), declarações de importações onde a NEO figurou como encomendante no total de R$ 31.653.286,95"; (ii) pedido de habilitação ordinária pela Neo, desistência e prestação de informações erradas: a Fiscalização expõe que a Neo protocolou em 28/01/2009 pedido de Habilitação Ordinária na Alfândega do Porto de Vitória, pelo processo administrativo nº 12466.000254/201010, instruindo tal pedido com o o Anexo IB do ADE Coana Nº 3/2006, devidamente preenchido e assinado pelos representantes legais e pelo contador da empresa, e Balanço Patrimonial, que atestavam que o Patrimônio Líquido da sociedade era de R$12.201.650,36; no curso desse processo de habilitação, a Neo foi intimada a apresentar arquivos digitais da contabilidade, bem como outros documentos e atualizar seus dados cadastrais perante o CNPJ, pedindo dilação do prazo, que foi deferido, porém, apesar da dilação de prazo, não atendeu à intimação, nem prestou nem buscou informação em relação ao processo; independentemente do não atendimento à intimação, o pedido de habilitação foi indeferido, pois a Fiscalização, com base na escrituração contábil digital da empresa, verificou que o patrimônio líquida sociedade era, na realidade, de R$ 5.624.003,53; diante disso, concluiu a Fiscalização que "resta claramente evidenciada a prática da NEO de prestar para a Administração Aduaneira informações incorretas, visando ostentar uma capacidade econômica e financeira superior a real, esquivandose do adequado controle aduaneiro e dissimulando os indícios que seu real objetivo é atuar de forma irregular para terceiros interessados, ocultos nas operações"; (iii) incentivos fiscais estaduais: a Fiscalização expõe os benefícios fiscais previstos nas legislações dos Estados do Espírito Santo e Santa Catarina e afirma que "a TARGET tem seu custo incidente no desembaraço aduaneiro reduzido, sendo esse seu maior atrativo para empresas que desejam nacionalizar mercadorias, pois se beneficiam dessa redução de custos"; (iv) riscos e custos das operações: A Fiscalização conclui que "os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (...) referente ao crédito usualmente Fl. 7392DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.391 5 obtido perante instituições bancárias. Quanto à comercialização no mercado interno os riscos foram suportados pelos clientes da NEO, através de adiantamentos, fianças bancárias e notas promissórias, tudo no bojo de contratos firmados objetivando fornecimento contínuo de mercadorias de procedência estrangeira"; entende que há um vazio na posição que a Neo alega ocupar na cadeia comercial, de distribuidora, pois seria difícil de acreditar que os clientes da Neo, grandes distribuidores de aço no país, com grande capacidade econômica e que adquirem grandes quantidades diretamente das siderúrgicas, buscariam um "concorrente" de capacidade econômica inferior que nem a Neo, para comprar aço no mercado interno, entendendo que deveriam buscar a Target para promover a nacionalização do aço estrangeiro; a Fiscalização afirma que a Neo não possui quadro societário diferenciado e autonomia gerencial, mas os gestores de outras empresas do grupo detêm poderes de administração sobre ela, destacando a existência de um instrumento público de mandato concedendo poderes aos diretores da Target para administrar a Neo; pela análise dos contratos realizada pela Fiscalização, "a NEO praticamente não tinha responsabilidade quanto a prazo de entrega, situação totalmente incomum para uma venda no mercado interno, e que indica na verdade uma prestação de serviço, por parte do grupo da TARGET, para nacionalização de mercadorias onde as condições que determinam o prazo de entrega estão de fato sob controle do cliente final"; e (v) adiantamento de clientes da Neo: no curso do trabalho fiscal, a Neo apresentou um relatório detalhando o fluxo de caixa da empresa, elaborado por empresa de auditoria independente; esse trabalhou chegou a algumas conclusões, dentre elas, que "nas operações comerciais apresentadas no demonstrativo anexo, a Sociedade apresentou fluxo de caixa positivo em decorrência dos pagamentos efetuados aos fornecedores ocorrer posteriormente ao recebimento das vendas aos seus clientes"; a Fiscalização afirma que "a NEO recebeu enorme montante em adiantamentos de seus clientes" e apresenta tabela que mostra que a data de recebimento dos valores ocorria, em geral, meses antes, da data de emissão da primeira nota fiscal relativa ao recebimento; assim, a Fiscalização entende que a Neo teria sido constituída com desvio de finalidade, apontando que "a TARGET não pode receber adiantamentos de seus clientes, sob pena de configurar operação por conta e ordem, segundo a presunção legal do art. 27 da Lei 10.637/2002. Sendo assim, a NEO recebe os adiantamentos em seu lugar como garantia para as operações na modalidade por encomenda, porém é uma empresa do mesmo grupo, sem autonomia ou segregação de propósitos, portanto tratase de uma simulação para ocultar os verdadeiros encomendantes das mercadorias"; além disso, assevera que "não há razão para que ocorra pagamento (de sinal) por uma mercadoria que não é sua, que ainda não comprou e sequer foi emitida a nota fiscal, salvo se a operação se tratar de uma encomenda para entrega futura". No que se refere especificamente às declarações de importação deste processo, a Fiscalização ainda acrescenta os elementos a seguir, conforme item 7 da "descrição dos fatos e enquadramento legal" que acompanha o Auto de Infração. Declaração de Importação nº 0912994058 (registrada em 24/09/2009): (i) as mercadorias importadas foram BOBINAS DE AÇO LAMINADO A QUENTE, produzidas por SIDOR C.A., da Venezuela, e exportadas pela STEELCOM S.A.M., de Mônaco; (ii) "As mercadorias foram destinadas diretamente do Porto de Vitória para a CONFEDER e a EMBU TUBOS, pois se trata de carga na ordem de muitas toneladas, as Fl. 7393DF CARF MF 6 notas fiscais da TARGET e da NEO foram emitidas no mesmo dia, e constou no campo transportador o mesmo veículo (PLACA DO VEÍCULO)"; (iii) "As importações foram realizadas mediante adiantamentos de recursos efetuados pela CONDEFER (fls 5079 a 5080) no valor de R$ 265.380,00 e pela EMBU TUBOS (fls 5082 a 5083) no valor de R$ 76.200,00 e recebidos pela NEO, respectivamente para os pedidos CON 01 (fls 5081) e EMB 01 (fls 5084). Os dois pedidos em conjunto condizem com as especificações das mercadorias, e os valores depositados coincidem com as datas dos pedidos e os valores adiantados (30 %). Importante destacar que a NEO exigia nota promissória como garantia da EMBU TUBOS e da CONDEFER, conforme comprovam os protocolos às folhas 1298 e 1323"; (iv) "Havia contratos e pedidos anteriores às importações, que estipulavam condições que caracterizam a contratação de uma importação por encomenda da EMBU TUBOS e da CONDEFER". Declaração de Importação nº 1000825576 (registrada em 15/01/2010): (i) as mercadorias importadas foram BOBINAS DE AÇO LAMINADO A QUENTE, produzidas por SIDOR C.A, da Venezuela, e exportadas por STEELCOM S.A.M, de Mônaco; (ii) "Havia contratos, pedidos e garantias anteriores às importações, que estipulavam condições que caracterizam a contratação de uma importação por encomenda da CONDEFER,TETRAFERRO e SAMPAIO FERRO E AÇO". Após a ciência do lançamento, tanto o sujeito passivo como responsáveis solidários apresentaram Impugnações, que foram julgadas procedentes em parte pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, Ceará ("DRJ"), na sessão de julgamento do dia 13/05/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/09/2009, 15/01/2010 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. A não comprovação da origem, transferência e disponibilidade de recursos para arcar com os compromissos resultantes das operações de comércio exterior em uma importação formalmente declarada como para revenda a encomendante predeterminado caracteriza a interposição fraudulenta e resulta na infração de dano ao erário prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2009, 15/01/2010 AUSÊNCIA DE MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA A competência para o lançamento tributário, que detém o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele Fl. 7394DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.392 7 instaurado e possibilitarlhe confirmar a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. PRINCÍPIO DA LIVRE INICIATIVA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. As empresas são livres para criarem e se organizarem da forma que melhor lhes convier. Por sua vez, a administração pública e seus agentes estão obrigados a agirem nos estritos limites do que dispõe a Lei. Não pode a fiscalização desconsiderar as próprias evidências coletadas no procedimento fiscal e deixar de aplicar a penalidade quando há dispositivos legais que lhe dêem suporte, independente da forma como se organizam as empresas. PROVAS INDICIÁRIAS. CONJUNTO DE ELEMENTOS/INDÍCIOS. OCORRÊNCIA. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/09/2009, 15/01/2010 SOLIDARIEDADE PASSIVA. INFRAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE VINCULAÇÃO COM A INFRAÇÃO. Para caracterizar a responsabilidade tributária nos termos do art. 95 do Decretolei 37/66 é necessário comprovar a vinculação entre o apontado como responsável tributário e a infração ocorrida". A decisão recorrida exonerou o Sr. Marcelo Araújo da responsabilidade solidária a ele atribuída, considerando improcedentes as demais impugnações, para manter o crédito tributário exigido. Considerando que o valor da multa exonerada, de R$ 549.458,77, era inferior ao previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, vigente à época da decisão, não foi interposto Recurso de Ofício, para revisão da matéria relativa à responsabilidade do Sr. Marcelo Araújo, na forma do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972. Dessa decisão, a Target foi cientificada no dia 20/06/2014, conforme documento de fls. 7122 e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 18/07/2014, conforme documento de fls. 7162, pelo qual pede o cancelamento do Auto de Infração, pelos seguintes motivos: (i) a Neo não é uma empresa de fachada e possui capacidade econômica para atuar como encomendante das mercadorias importadas; (ii) "o Fisco conhecia as referidas operações quando respondeu à consulta formulada pela Neo acerca da forma como ela iria atuar nessas operações de importação por encomenda e não se opôs a elas"; (iii) não houve repasse de benefícios fiscais de ICMS da Target à Neo nem da Neo a seus clientes; (iv) o Fisco Fl. 7395DF CARF MF 8 aplicou de maneira equivocada as cláusulas dos contratos celebrados entre Target e Neo e Neo e seus clientes; (v) não cabe ao Fisco interferir na liberdade de exercício da atividade econômica da Neo, pois haveria violação ao princípio da livre iniciativa; (vi) não houve simulação ou fraude; (vii) o fundamento adotado pelo acórdão recorrido implicaria alteração do critério jurídico, vedado pelo artigo 146, do CTN; e (viii) não seria aplicável a pena de perdimento, por não ter ocorrido interposição fraudulenta e porque falso ideológico, segundo a Target, a acusação fiscal, não resultar em tal penalidade. Já a Neo foi cientificada no dia 20/06/2014, conforme documento de fls. 7123, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 18/07/2014, conforme documento de fls. 7255, no qual requer o cancelamento do lançamento, com base nos mesmos motivos defendidos pela Target mais a alegação de que não seria admissível a cumulação da multa de conversão da pena de perdimento com a multa por cessão de nome em relação a ela, por já estar respondendo por essa última penalidade em outro processo. Por sua vez, a Condefer foi cientificada no dia 23/06/2014, conforme documento de fls. 7124, e apresentou tempestivo Recurso Voluntário no dia 15/07/2014, conforme documento de fls. 7127, na qual pede que seja excluída do polo passivo da autuação, cancelandose o Termo de Sujeição Passiva Solidária, pelos seguintes motivos: (i) nulidade do auto de infração, por ausência de intimação da Condefer no procedimento de fiscalização que deu ensejo ao Auto de Infração; (ii) nulidade do Auto de Infração por o procedimento previsto na Instrução Normativa nº 228 ter extrapolado o tempo permitido e previsto na legislação e não ter sua conclusão identificado a infração cometida; (iii) impossibilidade de imposição da solidariedade tributária, em razão da necessidade de comprovação da existência do interesse comum quanto ao fato gerador; (iv) a Condefer não seria a encomendante das mercadorias, de modo que não poderia se sujeitar à imposição de solidariedade tributária; (v) a pena de perdimento da mercadoria convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria não poderia ser aplicada, em razão da boafé do adquirente; (vi) com relação a parte das bobinas importadas pela Declaração de Importação 10/00825575, o pagamento teria sido feito à vista 6 meses depois da importação, o que demonstraria a capacidade financeira da Neo; (vii) ausência de prejuízo aos cofres públicos, em razão do recolhimento de todos os tributos e inexistência de subfaturamento; (viii) inexistência de simulação e não ocorrência de interposição fraudulenta; e (ix) descabimento da penalidade por violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade, do não confisco e da propriedade, e da individualização da pena. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Os Recursos Voluntários interpostos são tempestivos e preenchem os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Interposição Fraudulenta de Terceiros A questão que é colocada ao Colegiado diz respeito à aplicação de multa por conversão da pena de perdimento, sob a acusação de que as intervenientes em operações de Fl. 7396DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.393 9 importação praticaram infração aduaneira que é considerada dano ao Erário, com fundamento legal no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76, in verbis: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) “§ 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972”. (grifos nossos) A partir da leitura desses dispositivos, percebese que a infração de dano ao erário decorrente da prática de ocultação do sujeito passivo ou real adquirente pode ser aferida de duas maneiras, de forma presumida ou comprovada. Na hipótese de nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados para a realização da importação, presumese que tenha havido uma interposição fraudulenta de terceiros, pois, a ausência de recursos por parte do importador para a realização da operação é um elemento eleito pela Lei como suficiente para considerar que os recursos utilizados tiveram origem em terceiro, que não apareceu perante os controles aduaneiros, a caracterizar a interposição ilegal. Não sendo esse o caso, poderão as autoridades aduaneiras, com base em outros elementos, formar um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com o intuito de interpor determinada pessoa entre o real adquirente e as autoridades fiscais, para que a primeira permaneça oculta aos olhos da fiscalização. Nesse ponto, importante observar que o tipo infracional não é a mera ocultação do sujeito passivo nas operações de comércio exterior, mas a ocultação realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Dessa maneira, para que reste caracterizada a interposição fraudulenta ensejadora da pena de perdimento ou de sua multa substitutiva, é essencial que esteja presente na operação de comércio exterior os elementos de fraude ou simulação. Em decorrência, também é essencial que seja fixada a compreensão a ser dada a tais conceitos, antes de se avançar na análise da matéria. Para contextualizar, é de se observar que, na legislação tributária, há referência ao termo "dolo, fraude ou simulação" em diversos dispositivos (como, por exemplo, Fl. 7397DF CARF MF 10 artigo 149, inciso VII, artigo 150, parágrafo 4º, artigo 154, parágrafo único, artigo 180, inciso I, artigo 208, caput, todos do CTN). Quanto ao "dolo", é enumerado pelo Código Civil, em conjunto com o erro ou ignorância, coação, estado de perigo, lesão e fraude contra credores, como um dos defeitos do negócio jurídico, vícios que geram a anulabilidade do negócio jurídico, nos termos do artigo 171, inciso II, do Código Civil. Já o Código Penal, em seu artigo 18, define o crime doloso, como aquele praticado "quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo". Na doutrina de Maria Rita Ferragut, "conceituase por dolo a vontade consciente de praticar uma conduta típica, ou seja, de realizar os elementos constantes do tipo legal. É a prática de ilícito por agente que possuía o animus de realizálo, não obstante soubesse que o ordenamento jurídico rechaçava tal comportamento. Diferenciase da culpa em função da previsibilidade do resultado"1. Por sua vez, a "fraude" possui definição específica no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: "Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento"(grifos nossos). Contudo, por se tratar a ocultação prevista no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 de uma infração de natureza aduaneira e não tributária, o Conselheiro Rosaldo Trevisan afirma: "(...) na interposição fraudulenta a “fraude” não se confunde, necessariamente, com aquela definida na legislação tributária (artigo 72 da Lei no 4.502/1964), embora seja freqüente que a interposição tenha também impactos tributários. A interposição fraudulenta trata da fraude como gênero (como qualquer norma infracional não tributária), e não somente da fraude definida na legislação tributária – espécie, e pode ser caracterizada por fraude ou também por simulação (instituto sequer definido especificamente na Lei nº 4.502/1964)". (Acórdão nº 3401003.892, de 26/07/2017) Por outro lado, há aqueles que defendem a aplicabilidade do conceito previsto no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, tendo em vista que inclui também ação ou omissão tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, no caso, o aspecto pessoal referente ao sujeito passivo das obrigações relativas à operação de comércio exterior. Nesse sentido, transcrevo trecho de sentença proferida pela Juíza Federal Vera Lúcia Feil Ponciano, citada e mantida no julgamento da Apelação Cível nº 5036257 19.2012.4.04.7000/PR2: "Verificase que a caracterização de tais condutas, desde que praticadas mediante fraude ou simulação, como hipótese de aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada, decorre de disposição legal. Assim, a conduta reprimida, por meio da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, 'inclusive a interposição fraudulenta de terceiros'. Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal.(...) A ação ou omissão na ocultação do sujeito passivo atinge, excluindo ou modificando, a obrigação tributária em uma dos aspectos essenciais da hipótese de incidência, qual seja, o aspecto pessoal. Ocorre, nessa situação, simulação tributária por transferência subjetiva, afetandose o critério pessoal da regra matriz de incidência, que permite identificar o sujeito passivo"(grifos nossos). Por último, a simulação é prevista no Código Civil (Lei nº 10.406/2002) como causa de invalidade do negócio jurídico, elencando o artigo 167, parágrafo 1º, as 1 "Responsabilidade tributária e o Código Civil de 2002". Editora Noeses. São Paulo. 2005. p. 108109. 2 Relatora: Maria de Fátima Freitas Labarrère; 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Data: 03/08/2016 Fl. 7398DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.394 11 hipóteses em que se verifica. A maior parte da doutrina define a simulação como a divergência entre a vontade real das partes envolvidas e a vontade declarada. Conforme afirmado por Alberto Xavier3: “Tratase de um caso de divergência entre a vontade e a declaração, procedente do acordo entre o declarante e declaratário e determinada pelo intuito de enganar terceiros. Os seus elementos essenciais são pois: (i) a intencionalidade da divergência entre a vontade e a declaração (ii) o acordo simulatório (pactum simulationis) (iii) o intuito de enganar terceiros.” Diante de tais conceitos, quando o artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76 traz a infração de dano ao erário, resultante de ocultação do sujeito passivo em operação de comércio exterior, exigindo que seja aquela realizada "mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", podese afirmar que um primeiro elemento a ser identificado é o dolo, pois sem ele, não haveria fraude ação ou omissão dolosa nem simulação que tem entre os seus elementos essenciais o intuito de enganar a Fazenda Pública. Logo, para a caracterização da infração, deve se verificar a vontade, o animus, dos agentes em enganar a Fazenda Pública e ocultar o sujeito passivo mesmo sabendo que tal conduta é contrária a Lei, com o objetivo de conseguir uma vantagem indevida em detrimento do controle aduaneiro. Além disso, essa infração deve ser uma infração grave em substância e não uma infração meramente formal. Ao analisar todo o histórico da legislação que trata dessa infração, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, no Acórdão nº 3401003.253, de 27/09/2016, expôs seu entendimento no sentido de que as normas que tratam dessa infração "se alinham a uma busca de combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação. A Aduana, antes desse período, já tinha, na sua missão institucional mundial, o combate à prática desleal e à fraude, mas houve um substancial impulso nesses últimos anos". E continua, "desse conjunto de iniciativas, no âmbito do comércio exterior, resultaram a valorização do controle aduaneiro em geral e, especificamente, a eleição do conhecimento da origem, disponibilidade e destinação dos recursos usados nas importações e exportações como elemento tático de investigação". (grifos nossos) Assim, a partir dessa perspectiva na interpretação e aplicação das normas que tratam da infração de interposição fraudulenta, o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira observou que: "Não constitui elemento essencial do tipo a ocultação do real interessado na operação. A ocultação deve ter sido perpetrada mediante fraude ou simulação, ou interposição fraudulenta. Não constitui elemento essencial do tipo a falta de informação do real interessado na operação nas declarações prestadas à autoridade aduaneira. É necessário que essa falta de informação se caracterize como falsa declaração, no propósito de ocultar, usando de fraude ou simulação. A Lei criou as figuras da 'importação por conta e ordem' e da 'importação por encomenda', o que concorre para balancear as necessidades dos atores na operações de importação com as do controle aduaneiro. Essas figuras 3 Direito Tributário e Empresarial: pareceres. Rio de Janeiro. Forense. 1982. p. 25. Fl. 7399DF CARF MF 12 receberam normas que as disciplinam. A observação dessas normas pelos importadores atende o controle aduaneiro. Mas a desobediência dessas normas não constitui elemento essencial do tipo, embora o descumprimento das normas seja característica da infração". (grifos nossos) Logo, em linha com o acima exposto, não compartilho do entendimento daqueles que defendem que a mera falta de informação dos reais adquirentes nos documentos prestados às autoridades aduaneiras seria, por si só, a própria simulação ou a fraude, em prejuízo ao controle aduaneiro, a caracterizar a infração. Em tais casos, não basta à Fiscalização apenas afirmar que a simulação é a indicação errada do sujeito passivo nos documentos de controle aduaneiro, devendo levantar um conjunto de elementos que façam prova do dolo dos agentes envolvidos e do intuito de enganar a Fazenda Pública, para obtenção de uma vantagem e imposição de um prejuízo ao controle aduaneiro. Por oportuno, pelo afastamento da aplicação da pena de perdimento em razão de aspectos formais, destaco manifestação do Desembargador Antônio Albino Ramos de Oliveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: "O que se reprime, através da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, "inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal. No caso concreto, porém, a despeito do esforço desenvolvido pela autoridade autuante, não vejo no procedimento da agravante qualquer objetivo fraudulento ou malicioso. Não atino onde esteja o dano ao erário, a justificar o confisco do equipamento importado"4. Modalidades de Importação Antes de passar ao exame do caso concreto, impende ainda tecer algumas observações sobre as modalidades de importação, pois, a depender das características da operação declarada e da operação efetivamente ocorrida, em conjunto com os requisitos já expostos, poderá ficar configurado o dano ao erário, sujeitando os infratores às penalidades daí decorrentes. A legislação aduaneira prevê três modalidades de importação: (i) na importação direta, o importador é o próprio adquirente dos bens importados, realizando a importação com recursos próprios e por seu próprio risco; (ii) na importação por conta e ordem de terceiros, o importador presta apenas serviços (de logística, aduaneiros, cotação de preços, intermediação) para o adquirente, que é a pessoa de onde provém os recursos para a realização da importação; e (iii) na importação para revenda a encomendante predeterminado ("importação por encomenda"), o importador estabelece uma relação de comissão com adquirente, disciplinada pelo artigo 696 e seguintes do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), pela qual o importador é comissário e o adquirente é o comitente, entrando o importador na operação de importação com recursos próprios e se comprometendo a revender os bens importados ao adquirente5. Essas características de cada modalidade são obtidas a partir dos preceitos legais sobre a matéria. Logo, o que há é um conceito legal para cada modalidade de importação. Além disso, devese ressaltar que as leis que tratam da "importação por conta e ordem" e da "importação para revenda a encomendante predeterminado" outorgaram à Receita Federal a competência para estabelecer os requisitos e condições para a qualificação de determinada operação em uma dessas modalidades, para fins de reconhecimento do tratamento 4 Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.0462051 / 046205157.2005.4.04.0000; publicado em 11/01/2006. 5 Acórdão nº 3401003.174, de 17/05/2016. Fl. 7400DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.395 13 tributário próprio a tais operações, além de definição de atribuição de responsabilidade tributária. É ler os artigos abaixo: Medida Provisória nº 2.15835/2001: "Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014)" (grifos nossos) ***** Lei nº 11.281/2006: “Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo"; (grifos nossos) Nesse contexto, com relação à modalidade de importação por conta e ordem, destaquese o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, que prevê que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste" e a Instrução Normativa nº 225/2002, que traz os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica em operações por conta e ordem de terceiros. Já no que diz respeito à "importação para revenda a encomendante predeterminado", merece destaque uma alteração legislativa ocorrida logo após a edição dos seus dispositivos de regência, trazida pelo artigo 18 da Lei nº 11.452/2007, que acrescentou o parágrafo 3º ao artigo 11 da Lei nº 11.281/2006, conforme abaixo: "Art. 18. O art. 11 da Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3º: “Art. 11. (...) § 3º Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior.” (NR) A respeito desse dispositivo, o Conselheiro Rosaldo Trevisan, em recente acórdão, afirmou: "O referido artigo 11 da Lei recebeu um § 3o, em 2007, acrescentado pela Lei no 11.452, de modo a “pacificar a interpretação dada pela administração Fl. 7401DF CARF MF 14 tributária federal às operações de importação de que trata o art. 11” (conforme parecer do relator, Deputado Neucimar Fraga/PLES, na conversão da MP no 328/2006 na Lei no 11.452, disponível em (...): [segue transcrição do dispositivo] Por certo que tal dispositivo foi inserido pelo parlamentar capixaba em prol das empresas daquela região que atuam com os benefícios do FUNDAP, para aclarar que as importações por encomenda não se descaracterizam pelo simples fato de haver participação do encomendante nas operações comerciais, mitigando autuações frequentes da RFB, à época, com entendimento diverso. Assim, é irrelevante, por si, a ligação entre a exportadora e a encomendante, ou a participação desta ou daquela na fixação de preços. Aliás, o artigo 14 da Lei no 11.281/2011, em sua redação original, afirma que são aplicáveis ao importador e ao encomendante as regras sobre preços de transferência, já prevendo eventual vinculação entre partes, e que esta não descaracterizaria, por si, a modalidade de importação por encomenda". (Acórdão nº 3401003.908, de 27/07/2017) Dessa maneira, não se exige para a caracterização de uma "importação para revenda a encomendante predeterminado" que o importador seja o responsável exclusivo pelas tratativas e ajustes com o exportador e, de outro lado, a participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior não afasta a caracterização da operação nessa modalidade, o que, inclusive, acabou por rechaçar alguns conceitos de "importação para revenda a encomendante predeterminado" antes defendidos na doutrina e por parte dos operadores de direito. Com isso, como já afirmado, o conceito de "importação para revenda a encomendante predeterminado" deve ser buscado e é aquele definido pela Lei. Nesse sentido, uma vez que a Lei deixou claro o papel do importador por encomenda na operação de aquisição do produto do exterior e outorgou à Receita Federal a competência para estabelecer os requisitos e condições para a atuação da pessoa jurídica importadora nessa modalidade de importação, verificase que o que é importante para a qualificação nessa modalidade é que o importador utilize recursos próprios, pois, como determina a Instrução Normativa nº 634/2006: "Artigo 1º (...) Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente". Assim, na hipótese em que a importadora não utiliza recursos próprios, a operação passaria ser considerada como operação por conta e ordem de terceiros, por força do disposto no artigo 11, parágrafo 2º, da Lei nº 11.281/2006, in verbis: "Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. (...) § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001". Como se vê, apesar de existir um conjunto de elementos para se verificar a ocorrência de interposição fraudulenta, pela leitura da legislação que instituiu a infração e considerando o histórico na qual está inserida, de medidas que visam combater a lavagem de dinheiro, através do combate à fraude e à simulação, o ponto sensível e que merece atenção é a Fl. 7402DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.396 15 origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior, o que, a meu ver, até conduz a uma preponderância desse elemento frente a outros, que se traduz em uma importante baliza para a qualificação de determinada operação em uma ou outra modalidade. Do exame do caso concreto Operação Declarada e Acusação Fiscal Nos lançamentos de multa por conversão da pena de perdimento que decorrem da imputação da prática de "interposição fraudulenta", é necessário que se tenha claro qual a operação declarada pelos partícipes da infração e a operação que as autoridades aduaneiras entendem ter efetivamente ocorrido. Isso porque, os elementos trazidos da Fiscalização para qualificar uma operação em uma modalidade diversa da que foi declarada às autoridades dependerá, por óbvio, do conhecimento de que modalidade diversa foi essa. Assim, determinados elementos que seriam importantes para demonstrar a ocorrência de uma ocultação mediante fraude ou simulação em uma operação entendida pela Fiscalização como uma operação por conta e ordem podem não ser importantes para demonstração da infração em uma operação entendida como uma operação de importação por encomenda. E o inverso também é verdadeiro. Para ilustrar, se a Fiscalização entende que determinada operação declarada como importação por conta própria por A seguida de uma revenda no mercado interno para B, na realidade, se tratava de uma operação por conta e ordem, poderá levantar provas que demonstrem que foi B e não A que participou dos entendimentos comerciais relativos à aquisição dos produtos no exterior. Agora, se a acusação é de que houve, na realidade, uma operação de importação por encomenda, essa mesma prova não tem qualquer pertinência, pois não desqualificaria a operação nessa modalidade, tendo em vista o disposto no parágrafo 3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Esta, portanto, a importância de se conhecer exatamente a operação declarada e a operação entendida como ocorrida pela Fiscalização. Nesse ponto, é certo que a Fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração e o respectivo Relatório Fiscal, deve individualizar a conduta das partes envolvidas e apontar, de maneira clara, explícita/precisa e congruente a acusação que dá origem à cominação da penalidade (artigo 10, incisos II, III e IV, do Decreto nº 70.235/1972; artigo 50, parágrafo 1º, da Lei nº 9.784/1999). Quanto mais gravosa a penalidade imputada, mais cuidado deve ter a autoridade fiscaladuaneira ao apresentar as razões de fato e de direito que a fundamentam. Não podem ser admitidas acusações abertas, genéricas, sob pena de violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório (artigo 5º, LV, da Carta da República), com as nulidades daí decorrentes (artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972), além disso, a acusação deve ser clara, explícita/precisa e congruente, para evidenciar o critério jurídico adotado pela autoridade no exercício do lançamento, que não poderá ser modificado ao longo do processo administrativo, como prevê o artigo 146, do CTN. Seguindo a autoridade lançadora tais requisitos legais, a lide estará delimitada, o que permitirá às partes o exercício de seu direito de defesa de forma adequada e aos julgadores a correta apreciação da controvérsia, com a aplicação da legislação ao caso concreto que lhes é submetido. No presente caso, de acordo com o que foi declarado nas informações prestadas às autoridades aduaneiras, e como defendem as Recorrentes ao longo do processo, as Fl. 7403DF CARF MF 16 operações de importação teriam ocorrido na modalidade de "importação por encomenda", na qual a trading company Target teria atuado como importadora e a Neo como encomendante predeterminado e, em seguida, a Neo teria realizado outra revenda no mercado interno aos seus clientes. Assim, teriam ocorrido, na realidade, três operações distintas: (i) operação de importação entre Target e o exportador localizado no exterior; (ii) após a nacionalização das mercadorias, uma revenda no mercado interno entre Target ao encomendante predeterminado Neo; e (iii) por último, outra revenda no mercado interno entre a Neo e um dos seus clientes. Nesse caso, como visto acima, para a caracterização da operação na modalidade declarada, os recursos para a realização das operações de importação deveriam necessariamente ser da Target, sendo ela a responsável pelo risco da operação. Todavia, as autoridades lançadoras entendem que a operação declarada às autoridades aduaneiras não corresponde a que efetivamente ocorreu. Pela análise do Relatório Fiscal, percebese certa incongruência na exposição dos elementos que caracterizariam a infração aduaneira, que deixam até uma dúvida inicial para o caminho que irá seguir a acusação do lançamento, ora apontando para uma acusação de que, na realidade e em contrariedade ao que fora informado às autoridades fiscais, teria ocorrido uma importação por conta e ordem quando menciona, por exemplo, que Target e Neo seriam meras prestadoras de serviços de nacionalização , ora apontando para uma acusação de prática de importação por encomenda, em que o encomendante predeterminado não seria a Neo, como informado às autoridades aduaneiras, mas sim os clientes da Neo. De qualquer maneira, uma leitura mais acurada do Relatório permite que sejam afastadas eventuais dúvidas e que se conclua que a acusação fiscal é de que a operação praticada se deu na modalidade "importação por encomenda", mas tendo como encomendante os clientes da Neo. No Relatório Fiscal, há algumas referências no sentido de que o entendimento da Fiscalização é de que teria ocorrido, de fato, uma "importação por encomenda", como se verifica nos trechos a seguir, em que, inclusive, a Fiscalização reconhece que os recursos para pagamento das operações de importação, ou seja, o risco da operação de importação, era da Target, em linha com o que se espera de uma "importação por encomenda": "Na presente ação fiscal, como será demonstrado no decorrer deste relatório, restou comprovado que a NEO figurou como encomendante nas Declarações de Importação investigadas, porém as mercadorias eram predestinadas a outros interessados, os verdadeiros encomendantes das mercadorias, inclusive mediante contratos previamente firmados e prestação de garantias". (Item 2 do Relatório Fiscal) ***** "Os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (fls 2555 a 2598) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) Essa conclusão ganha mais força pela afirmação da Fiscalização, no sentido de que os elementos por ela colhidos revelariam uma "prestação de serviços de desembaraço aduaneiro, nos moldes do que há alguns anos se consideraria uma importação por conta e Fl. 7404DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.397 17 ordem, e que só não é possível nos dias atuais por força da presunção legal do § 3º, Art. 11, da Lei nº 11.281/2006, incluído pela Lei nº 11.452/2007". Além disso, a corroborar nosso entendimento quanto ao conteúdo da acusação fiscal, cabe destacar a seguinte afirmação da Fiscalização, na qual deixa claro a operação efetivamente praticada, aos seus olhos, pelos Recorrentes, e o principal motivo para a prática de tal operação: "Diante do exposto, resta claro que, nas importações investigadas na presente ação fiscal, o Sr. Marcelo Araújo e os clientes da STEELCOM, estes últimos os verdadeiros encomendantes das mercadorias, valeramse da TARGET e da NEO para providenciar a nacionalização, portanto, não buscaram a TARGET/NEO para comprar no mercado interno, mas para promover importações por encomenda. Dessa forma puderam, mediante simulação, tirar proveito da redução de custos proporcionada por benefícios fiscais do ICMS". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) Mas o que afasta de vez a trilha, por vezes, titubeante seguida pelo Relatório Fiscal é o enquadramento legal apresentado para dar fundamento à sujeição passiva, que é descrito nos itens 7 e 9 do Relatório Fiscal, e aponta os artigos 106 e 603 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), que tratam de responsabilidade solidária em relação a tributos e responsabilidade por infração, de forma expressa, para os casos de "importação por encomenda", com se verifica a seguir: "Art. 106. É responsável solidário: (...) IV o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37, de 1966, art. 32, parágrafo único, alínea “d”, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12); (...) Art. 603. Respondem pela infração (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95): (...) VI conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37, de 1966, art. 95, inciso VI, com a redação dada pela Lei no 11.281, de 2006, art. 12)". Com essas considerações, podese concluir que a acusação fiscal é de que as Recorrentes praticaram, na realidade, uma "importação por encomenda", que teve como encomendante predeterminado não a Neo, mas sim os seus clientes. Segundo a Fiscalização, haveria um vazio na posição ocupada pela Neo na cadeia comercial, a Neo não teria autonomia ou segregação de propósitos em relação a Target, portanto, tais empresas, do mesmo, grupo, agiriam em conjunto, sendo o papel efetivo da Neo apenas o de ceder o seu nome nos documentos de importação, para que aparecesse no lugar da reais encomendantes, a saber, as clientes da Neo. O objetivo principal apontado pela Fiscalização: a obtenção de benefícios fiscais de ICMS. Nesse contexto, seguindo a linha adotada pela Fiscalização, a relação comercial existente, de revenda de mercadorias no mercado interno, após a realização de importação por encomenda, não seria entre a Neo e seus clientes, mas sim uma relação direta entre os clientes da Neo e a Target, sendo necessário, portanto, o levantamento de provas nesse sentido. Fl. 7405DF CARF MF 18 Análise dos elementos levantados pela Fiscalização Como relatado, a Fiscalização levantou os seguintes elementos para dar subsídio à acusação que consta no Auto de Infração para lançamento da multa por conversão da pena de perdimento: (i) capacidade econômica e financeira da Neo; (ii) pedido de habilitação ordinária pela Neo, desistência e prestação de informações erradas; (iii) incentivos fiscais estaduais; (iv) riscos e custos das operações; e (v) adiantamento de clientes da Neo. No cotejo entre os elementos levantados e a acusação realizada, de que teria ocorrido uma "importação por encomenda" em que o encomendante predeterminado eram os clientes da Neo e não a Neo, como informado às autoridades aduaneiras, existem elementos que, de plano, não se prestam a tal finalidade, enquanto que outros merecem maior exame, para que se verifique a demonstração ou não do enquadramento na infração descrita no lançamento. Quanto à tentativa da Neo de, possuindo uma habilitação simplificada para operações de comércio exterior, almejar uma habilitação ordinária, a Fiscalização expõe que a prestação de informações erradas seguida da desistência e do indeferimento do pedido evidenciaria “a prática da NEO de prestar para a Administração Aduaneira informações incorretas, visando ostentar uma capacidade econômica e financeira superior a real, esquivandose do adequado controle aduaneiro e dissimulando os indícios que seu real objetivo é atuar de forma irregular para terceiros interessados, ocultos nas operações". Contudo, a Neo não pode ser acusada de se esquivar do adequado controle aduaneiro, em razão de ter apresentado um pedido de habilitação em uma modalidade que permite a realização de operações de maior vulto no comércio exterior. A prestação de informações erradas e a desistência do pedido no curso do procedimento devem ter como efeito justamente o efeito que tiveram, qual seja, o indeferimento do pedido, não podendo a Fiscalização tentar atribuir um nexo de causalidade entre eventos nos quais tal nexo inexiste, pois da desistência de um pedido de habilitação ordinária não se chega à conclusão de que a Neo presta deliberadamente informações equivocadas em operações de importação por ela realizadas, para prejudicar o controle aduaneiro. De igual modo, não prospera o elemento levantado que diz respeito aos incentivos fiscais estaduais, que, inclusive, são apontados pela Fiscalização como o maior objetivo de toda a estrutura comercial performada pela Neo, Target e os clientes da Neo. Segundo a Fiscalização, em razão dos benefícios fiscais previstos nas legislações dos Estados do Espírito Santo e Santa Catarina, "a TARGET tem seu custo incidente no desembaraço aduaneiro reduzido, sendo esse seu maior atrativo para empresas que desejam nacionalizar mercadorias, pois se beneficiam dessa redução de custos". Esse elemento trazido pela Fiscalização faria todo o sentido se a acusação fosse de que os Recorrentes realizaram uma operação por conta e ordem de terceiros, tendo em vista a interpretação do artigo 155, parágrafo 2º, inciso IX, alínea “a”, da Carta da República, para fixação do sujeito ativo do ICMS incidente na operação de importação, no sentido de que: “O sujeito ativo da relação jurídicotributária do ICMS é o Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário jurídico da mercadoria (alínea "a" do inciso IX do § 2o do art. 155 da Carta de Outubro); pouco importando se o desembaraço aduaneiro ocorreu por meio de ente federativo diverso” 6. Isso porque, nos casos em que é declarada uma operação de importação por conta própria, realizada a partir de um Estado com benefício fiscal, mas, na realidade há uma operação de importação por conta e ordem, em favor de um real adquirente localizado em 6 RE 299079, Relator(a): Min. CARLOS BRITTO, Primeira Turma, julgado em 30/06/2004. Fl. 7406DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.398 19 Estado sem benefício fiscal, a ocultação do real adquirente permite, de forma ilegal, a fixação do sujeito ativo e do sujeito passivo do ICMS no Estado que outorga benefícios de carga tributária de ICMS reduzida nas operações de importação. E esse benefício pode acabar sendo transferido para o real adquirente na operação subseqüente, de “venda no mercado interno”. Todavia, no presente caso, não se vislumbra essa vantagem, pois as diferenças entre a operação declarada ao Fisco e aquela que é exposta como efetivamente ocorrida na acusação fiscal não implicam qualquer modificação nem no sujeito passivo nem no sujeito ativo do ICMS. Percebam que na operação declarada, de importação sob encomenda, a Target é a importadora e a Neo a encomendante predeterminada, sendo devido, portanto, o ICMS, com os benefícios porventura aplicáveis, aos Estados em que localizados o estabelecimento importador da Target, Espírito Santo ou Santa Catarina. Já a operação apontada pela Fiscalização como ocorrida continua sendo uma importação sob encomenda, com a diferença apenas no encomendante predeterminado que, segundo a Fiscalização não seria a Neo, mas sim os clientes da Neo. Nesse cenário, não há qualquer modificação quanto aos sujeitos passivo e ativo do ICMS na operação de importação, que continuariam a ser a Target e os Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina, respectivamente. Logo, é desprovida de qualquer fundamento a constatação de que o objetivo central da utilização da Neo como interposta pessoa teria como objetivo a busca por incentivos fiscais de ICMS. Essa constatação só se sustentaria, caso a acusação estivesse lastreada em provas de que a operação efetiva, realizada entre os atores da importação, fosse de importação por conta e ordem. Contudo, é a própria Fiscalização quem afirma que a operação efetivamente realizada foi de importação por encomenda e que a Target é quem arcou com os recursos para o pagamento das operações de importação, o que denotaria a sua conformidade com o que determina a Lei para a utilização dessa modalidade. Portanto, também esse elemento não condiz com a acusação desenvolvida no lançamento. Com relação à capacidade econômica e financeira da Neo, a Instrução Normativa SRF nº 634/2006 prevê em seu artigo 5º, parágrafo único, que: “Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada”. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 228/2002 determina que, durante o procedimento de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar informações relativas (i) ao seu efetivo funcionamento e condição de real adquirente ou vendedor de mercadorias, e (ii) “a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações” (artigo 4º, incisos I e II, da IN SRF nº 228/2002). E, para efeitos de prova do item (ii), nos termos do artigo 6º da referida Instrução Normativa, podem ser apresentados registros e demonstrações contábeis, documentos referentes a integralização do capital social, transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do Fl. 7407DF CARF MF 20 recebimento do correspondente preço e financiamento de terceiros, dentre outros documentos que se prestem a comprovar a capacidade econômica e financeira. Nesse contexto, a Fiscalização entendeu que a Neo não disporia de capacidade para realizar as operações na condição de encomendante predeterminado, pois não haveria registro na contabilidade da empresa de quaisquer empréstimos e financiamentos e o capital social da empresa seria de valor reduzido, tendo em conta a constatação, pela Fiscalização, de que a integralização de capital por transferência de direitos sobre bem imóvel à titularidade da Neo não havia sido devidamente registrada no Registro de Imóveis competente. Contra essa acusação, as Recorrentes Neo e Target defendem que a capacidade econômica e financeira da Neo decorre de suas disponibilidades de caixa, que têm origem em fluxo de caixa positivo da Neo, em razão de sua estrutura comercial, pela qual a empresa paga seus fornecedores a prazo, em média 120 dias, e recebe de seus clientes à vista, acostando para fins de demonstração um laudo elaborado por auditoria independente, antes do encerramento da ação fiscal e, portanto, antes da lavratura do Auto de Infração. No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora expõe as conclusões do laudo elaborado pela auditoria independente, que efetivamente em sua conclusão 5 atesta que “nas operações comerciais apresentadas no demonstrativo anexo, a Sociedade apresentou fluxo de caixa positivo em decorrência dos pagamentos efetuados aos fornecedores ocorrer posteriormente ao recebimento das vendas aos seus clientes”. Porém, a Fiscalização despreza a validade de tal laudo para comprovar o que se propõe, ao afirmar que “de início, já se pode concluir que tal relatório não é capaz de comprovar capacidade econômica e financeira, por não considerar as demais despesas e receitas, operacionais ou nãooperacionais”. (grifos nossos) Na realidade, o que prejudicaria a capacidade econômica e financeira da Neo seria a ausência de consideração de despesas, não de receitas, que só viriam a agregar tal capacidade. E, ao se levar em conta a estrutura da Neo, tal como informado em documentos apresentados à Receita, possuindo a Neo apenas 7 (sete) funcionários espalhados por pequenos escritórios em três cidades distintas, comparada com o volume de sua operação comercial, na casa dos milhões de reais, constatase que tais despesas operacionais e não operacionais não são, em tese, potenciais centros de drenagem de capacidade econômica e financeira da empresa. De qualquer modo, em se tratando de lançamento, caberia a Fiscalização, após o recebimento de relevante prova em contrário às suas conclusões, a partir dos registros e demonstrações contábeis da Neo, aprofundar a análise até então realizada para provar a ausência de capacidade, o que não feito, limitandose a Fiscalização a apontar o reduzido capital social e a ausência de empréstimos. O primeiro, como se sabe, é mera rubrica contábil, parada no tempo, que indica o montante de capital aportado pelos sócios ou acionistas na sociedade naquele momento específico, não servindo para demonstrar a capacidade econômica e financeira da sociedade ao longo do tempo, em razão da dinâmica de entradas e saídas de capital no desenvolvimento do objetivo social. Assim, uma sociedade com capital social baixo pode aplicálo em produto inovador, gerar receitas e possuir um caixa muitas vezes o valor de seu capital social, o que denotará uma alta capacidade econômica e financeira. Por outro lado, pode uma sociedade ter um capital de milhões de reais, subscrito ao longo de décadas, mas se encontrar em um setor no qual a concorrência é acirrada e auferir resultados negativos ao longo dos anos, culminado em um caixa sem qualquer liquidez e dívidas com terceiros altíssimas, o Fl. 7408DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.399 21 que denotará uma baixíssima capacidade econômica e financeira. No primeiro exemplo, há capital social baixo e alta capacidade econômica e financeira. No segundo, há capital social elevado e baixa capacidade econômica e financeira. Logo, a indicação, por si só, de capital social reduzido não conduz à conclusão pretendida pela Fiscalização. Já a indicação de que a Neo não possuiria empréstimos não é forte para justificar sua ausência de capacidade, pois tal capacidade pode ser evidenciada de outras formas que não só o capital de sócios e de terceiros, não tendo a Fiscalização aprofundado o exame desse ponto, mesmo após apresentação de laudo pela Neo, o que me permite concluir que não restou comprovada a alegada incapacidade econômica e financeira. Outro elemento que sustenta a tese acusatória é que haveria adiantamentos de recursos de clientes em favor da Neo, adiantamentos estes que correspondiam ao valor de sinal exigido pelo Neo, que variava entre 20% (vinte por cento) e 30% (trinta por cento), mas que sequer foram imputados em relação a todas as operações de importação, como as arroladas e discutidas nos processos administrativos nº 12466.720324/201131, 12466.720345/201156, 12466.720326/201120 e 12466.720340/201123. De acordo com a Fiscalização, "a TARGET não pode receber adiantamentos de seus clientes, sob pena de configurar operação por conta e ordem, segundo a presunção legal do art. 27 da Lei 10.637/2002. Sendo assim, a NEO recebe os adiantamentos em seu lugar como garantia para as operações na modalidade por encomenda, porém é uma empresa do mesmo grupo, sem autonomia ou segregação de propósitos, portanto tratase de uma simulação para ocultar os verdadeiros encomendantes das mercadorias"; além disso, assevera que "não há razão para que ocorra pagamento (de sinal) por uma mercadoria que não é sua, que ainda não comprou e sequer foi emitida a nota fiscal, salvo se a operação se tratar de uma encomenda para entrega futura". Como exposto acima, a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior é elemento importantíssimo a ser examinado para a verificação da modalidade efetivamente adotada pelos intervenientes das operações de comércio exterior e para fins de enquadramento de determinada operação como uma interposição fraudulenta, considerando todo o histórico da legislação e o aperfeiçoamento do controle aduaneiro, com vistas ao combate à lavagem de dinheiro, fraude e simulação. Assim, o adiantamento de recursos para o importador na modalidade por conta própria ou por encomenda é elemento suficiente para descaracterizar a natureza dessas operações, com as conseqüências daí derivadas. Desse modo, o que se combate e deseja evitar é a transferência de recursos para o importador. No presente caso, o elemento consistente no adiantamento de recursos é apresentado sob um viés diferente, pois não se está diante de um adiantamento de recursos para o importador, a ser aplicado na operação de importação, mas sim de um adiantamento de recursos em uma operação interna, de revenda de mercadorias de um encomendante predeterminado ao seu cliente no país, o que, a priori, seria admitido, dentro de uma política comercial de exigência de sinal, com vistas a obter uma garantia, ainda que parcial, do pagamento do preço e a mitigar os riscos de inadimplência. Portanto, o adiantamento de recursos tem conotações diversas, se verificado em operações de importação ou no mercado interno. De qualquer maneira, nesse contexto, o adiantamento de recursos poderia ser alegado para, em conjunto com outros elementos, corroborar uma acusação de que a Neo, informada como encomendante predeterminado, não disporia de recursos próprios e estaria Fl. 7409DF CARF MF 22 apenas se interpondo entre o importador por conta e ordem e o cliente no país, que, assim, deveria constar perante as autoridades aduaneiras como encomendante predeterminado. Porém, a Fiscalização utiliza esse elemento para dar mais uma justificativa para a acusação realizada: a Neo teria sido interposta entre a Target e os reais encomendantes predeterminados, que seriam os clientes da Neo, justamente para possibilitar um adiantamento de recursos para a operação de importação. Sem a interposição da Neo, essa operação seria qualificada como uma importação por conta e ordem. Daí a interposição da Neo entre a Target e os clientes da Neo. Contudo, esse raciocínio não se sustenta. Primeiro, porque essa afirmação deveria ser provada não apenas com a transferência de recursos entre os clientes da Neo para a Neo, mas também com a comprovação da segunda perna dessa operação, de uma suposta transferência de recursos da Neo para a Target, o que não ocorre na ação fiscal. Segundo, porque é contrária às próprias constatações da Fiscalização. Apesar da colocação de tal acusação, é a própria Fiscalização que dá subsídios para a sua contestação, ao defender no lançamento que a operação efetivamente ocorrida foi uma importação por encomenda tendo como encomendante predeterminado os clientes da Neo e não a acusação de que seria uma importação por conta e ordem , deixando claro, de forma expressa, que as despesas relativas às operações de importação foram arcadas pela Target, quando afirma: "Os custos referentes ao desembaraço aduaneiro e tributos sobre o comércio exterior teriam sido suportados pela TARGET, que apresentou documentação (fls 2555 a 2598) referente ao crédito usualmente obtido perante instituições bancárias". (Item 6 do Relatório Fiscal) (grifos nossos) A Fiscalização ainda apresenta um último elemento para qualificar os clientes da Neo como os reais encomendantes, no lugar da própria Neo, ao expor que os riscos e custos das operações seriam assumidos pelos clientes da Neo, havendo um vazio na posição que a Neo alega ocupar na cadeia comercial, de distribuidora, pois seria difícil de acreditar que os clientes da Neo, grandes distribuidores de aço no país, com grande capacidade econômica e que adquirem grandes quantidades diretamente das siderúrgicas, buscariam um "concorrente" de capacidade econômica inferior que nem a Neo, para comprar aço no mercado interno, entendendo que deveriam buscar a Target para promover a nacionalização do aço estrangeiro. Para tanto, narra o resultado de diligência no representante do exportador estrangeiro de aço, que atuava no país na função de intermediador de negócios (artigos 722 e seguintes do Código Civil) e celebrou contratos de corretagem nãoexclusiva para obtenção de clientes tanto para a Target quanto para a Neo. A conclusão a que chegou a Fiscalização é que “tentase fazer crer que nas operações com a NEO a comissão seria por uma mera venda, e não pela obtenção de um adquirente/encomendante”, a partir da constatação de que não faria sentido a empresa corretora “(1) atuar como corretora para a NEO na venda de aço anteriormente importado pela TARGET; (2) ter atuado nessas mesmas importações como representante STEELCOM; (3) atuar como representante STEELCOM também para os “clientes” da NEO”. Quanto a esse ponto, as Recorrentes defendem a segregação de atividades entre a Neo e a Target, expondo que a segunda é uma empresa sólida, fundada em 1997 e que conta com 57 funcionários, possuidora de clientes de grande porte dos mais variados segmentos da economia e que teria recolhido aos cofres públicos em torno de R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais) nos 10 anos anteriores à autuação, enquanto que a Fl. 7410DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.400 23 primeira foi constituída no ano de 2009, com o objetivo de captar uma oportunidade de mercado, para atuar como distribuidora de mercadorias no mercado interno, principalmente aço e seus produtos, em razão da diferença entre o preço praticado àquela época no mercado interno pelas siderúrgicas nacionais, muito mais elevado que o praticado e que podia ser obtido no mercado internacional. Além disso, as Recorrentes expõem que as operações foram realizadas com a prática de margem de lucro, compatíveis com as observadas em seu mercado de atuação. A meu ver, esse é principal ponto levantado pela Fiscalização para a fundamentar a acusação de que os clientes da Neo e não a Neo seriam os encomendantes predeterminados. Se o exportador já tinha seus contatos comerciais para a venda de aço no país, em princípio, parece ser mais vantajoso realizar esse fornecimento diretamente e não buscar um distribuidor para realizar a venda internacional e depois aproximar esse mesmo distribuidor de contatos comerciais compradores do aço. Nesse caso, realmente, o encomendante predeterminado seria o cliente da Neo, não sobrando lugar para a Neo na cadeia comercial. Por outro lado, é possível que os compradores de aço no país, acostumados a obter esse fornecimento ao longo de anos das principais siderúrgicas nacionais, por meio de operações de compra e venda no mercado interno, não desejassem se aventurar no terreno complexo e, para aqueles que não o conhecem, perigoso, das operações de comércio exterior, mesmo que pudessem obter preços mais vantajosos do insumo no mercado internacional. Assim, nenhum fornecimento se concretizaria e de nada adiantaria ter aço mais barato no mercado internacional e potenciais compradores desse produto, salvo se alguma empresa estivesse disposta a assumir o risco de comprar o insumo no mercado internacional e, com a mercadoria já nacionalizada, ofertar no mercado interno, em concorrência com os grandes grupos siderúrgicos nacionais. Nesse caso, o papel de distribuidora da Neo faria sentido na cadeia comercial, não podendo ser considerada uma mera interposta. De qualquer modo, não há no lançamento qualquer informação a respeito das margens praticadas entre a Target e a Neo e entre a Neo e seus clientes, a fim de corroborar o efetivo papel da Neo, no contexto das operações realizadas. Em operações de interposição fraudulenta, normalmente, o que se encontra é a pessoa interposta como mera repassadora das mercadorias importadas ao real adquirente, sem apurar qualquer margem de lucro ou com margens de lucro baixíssimas. No presente caso, a Fiscalização não faz qualquer prova nesse sentido, existindo ainda laudo apresentado pelas Recorrentes, segundo o qual tais operações teriam se dado com margem de lucro condizente com o mercado de atuação. Em lançamentos para cominação de multa por conversão de pena de perdimento, em razão da prática de infração de interposição fraudulenta, o ônus da prova é do Fisco, que deve provar de maneira cabal as suas acusações. Nesse sentido, é o entendimento da Terceira Seção do CARF, conforme julgado a seguir transcrito: “Não pode o fisco, diante de casos que classifica como “interposição fraudulenta”, olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo. (...) Fl. 7411DF CARF MF 24 Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no §2º do art. 23 DecretoLei nº 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei”. (Acórdão nº 3403.002.842; Sessão do dia 25/03/2014; Relator: Rosaldo Trevisan) Além dessa deficiência probatória, ainda nesse tópico que trata da estrutura comercial em que inserida a Neo, importante destacar a informação trazida pelas Recorrentes e omitida do Relatório Fiscal, de que a Neo apresentou Consulta à Administração, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 740/2007, para obter o entendimento formal da Receita Federal sobre a legitimidade das operações que pretendia realizar, na qual a Neo expôs os motivos para sua constituição, a relação comercial entre ela e a Target, a sua posição na cadeia comercial, juntando, inclusive, modelos dos contratos entre a Neo e a Target e a entre a Neo e seus clientes. Todavia, essa consulta foi declarada ineficaz, sob o entendimento de que a Neo não teria apontada dúvida objetiva a respeito da legislação federal, tendo demonstrado perfeita compreensão da sistemática da importação por encomenda. Apesar de se reconhecer que a consulta declarada ineficaz não produz quaisquer efeitos vinculativos entre contribuinte e a Administração, a sua propositura indica o desejo da Neo de revelar e não esconder as operações que pretendia praticar, na busca de uma chancela da Administração Pública quanto à sua conformidade em relação à legislação vigente. Por todo o exposto, já caminhando para a conclusão, nesse quadro fático, considerando que o principal motivo apontado pela Fiscalização para a realização da alegada fraude não se mostrou procedente, por ser indiferente a influência de benefícios fiscais de ICMS na operação declarada e na operação entendida pela Fiscalização como realizada, e levando em conta ainda a existência de processo de consulta com a exposição de uma estrutura comercial revelada pela Neo e que posteriormente veio a ser atacada pelo Fisco, acredito que não tenha restado demonstrado pela Fiscalização a ocorrência de uma ocultação realizada mediante fraude ou simulação. Não foi comprovado, de maneira cabal, que os envolvidos na operação (clientes da Neo, Neo e Target) tenham agido de forma dolosa para prestar informação incorreta quanto ao real encomendante, na busca de uma vantagem indevida, em prejuízo ao controle aduaneiro. Na realidade, a principal vantagem apontada pela Fiscalização, utilização de benefícios fiscais de ICMS, simplesmente não subsiste frente à operação acobertada, segundo a acusação fiscal. Por último, impendese registrar e ressaltar que a análise aqui realizada e as conclusões alcançadas não estão, de forma alguma, a chancelar, a concordar ou a reconhecer como em conformidade com o ordenamento jurídico o modelo de negócios, assim como as estrutura contratual e comercial adotadas pela Target, Neo e clientes da Neo nas operações de importação que deram origem ao presente lançamento, mas está a se afirmar e a concluir que o lançamento é improcedente, por carência probatória por parte da Fiscalização, tendo em vista que a Fiscalização não foi capaz de demonstrar a contento, pelo levantamento de um conjunto de elementos de prova satisfatórios, que as condutas imputadas aos intervenientes das operações de comércio exterior se enquadravam no tipo infracional previsto no artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decreto nº 1.455/1976. Fl. 7412DF CARF MF Processo nº 12466.720336/201165 Acórdão n.º 3401003.984 S3C4T1 Fl. 7.401 25 Diante da não demonstração da acusação de "ocultação (...) mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", de igual modo, deve ser julgada improcedente a segunda acusação da Fiscalização, de uso de documento falso no despacho aduaneiro, com fundamento no artigo 105, inciso VI, do Decreto nº 37/1966, pois, se não há comprovação de que houve ocultação, em decorrência, também não há comprovação de que os documentos utilizados no despacho aduaneiro tenham sido falsificados ou adulterados. Conclusão Por essas razões, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento aos Recursos Voluntários interpostos, para determinar o cancelamento do lançamento. É como voto. AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator Fl. 7413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.720264/2016-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB.
Demonstrada a propriedade conjunta do bens que resultou nos rendimentos de aluguéis considerados omitidos e que os valores foram devidamente oferecidos à tributação, deve-se reconhecer a improcedência do lançamento.
Numero da decisão: 2201-003.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
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DIMOB. Demonstrada a propriedade conjunta do bens que resultou nos rendimentos de aluguéis considerados omitidos e que os valores foram devidamente oferecidos à tributação, devese reconhecer a improcedência do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 24/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 02 64 /2 01 6- 68 Fl. 107DF CARF MF 2 Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativa aos ano calendário de 2011, fl. 04 a 08, pelo qual a Autoridade Administrativa reduziu o valor a restituir declarado de R$ 9.468,31 para R$ 4.275,97. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 06 é possível identificar os motivos em que se baseou a Autoridade Fiscal para promover o lançamento, a saber: omissão de rendimentos no valor de R$ 18.881,26, relativo aos valores informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) pela GP RIO IMÓVEIS, INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Ciente do lançamento em 22 de janeiro de 2016, inconformado com a imputação fiscal, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 2, onde alega inexistir a omissão apontada pela fiscalização, por ter declarado os rendimentos em tela na proporção da propriedade conjunta mantida com Norma Suely Fonseca Quintes, CPF 425702.20787. No julgamento de 1ª Instância, fl. 46 a 49, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou procedente em parte a impugnação, por entender que 60% valores informados em DIMOB foram declarados pelo recorrente, equivocadamente, como rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. Já a omissão dos demais 40%, percentual que o contribuinte alega pertencer à Sra. Norma Suely, foi mantida por não terem sido juntados aos autos documentos que comprovem a propriedade conjunta do imóvel. Após tais conclusões, o valor a restituir apurado pela Fiscalização foi alterado conforme Demonstrativo de fl. 49, passando de R$ 4.275,97 para R$ 7.391,37. Ciente do Acórdão da DRJ em 03 de maio de 2016, fl. 51, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 54 a 56, no qual apresenta suas razões para entender a necessidade de reforma do Acórdão recorrido, as quais serão tratadas no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Na peça recursal, o contribuinte apenas reafirma a propriedade conjunta, com a Sra. Norma Suely Fonseca Quites, do imóvel que teria gerado os rendimentos objeto da informação na DIMOB, sustentando a mera necessidade de se cotejar suas alegações com as informações prestadas em DIRPF pela coproprietária, tanto nas no quadro de rendimentos recebidos quanto nas informações sobre seus bens e direitos. Sustenta que, da mesma forma, a Sra. Norma teria declarado a parcela que lhe cabia dos rendimentos como tendo origem em pessoa jurídica. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10730.720264/201668 Acórdão n.º 2201003.924 S2C2T1 Fl. 108 3 Embora o Recurso não tenha informado a juntada de provas da propriedade do bem, o que é absolutamente fundamental neste caso, já que uma mera convenção particular não poderia ser oposta à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo e das obrigações tributárias correspondentes, nos termos do art. 123 da Lei 5.172/66, é certo que tais informações constam de fl. 87 e seguintes. Cotejando as informações contidas em fl 87 e 91, constatase que figuram o Sr. Manoel Aberto Rebelo dos Santos e Norma Suely Fonseca Quites como Outorgados da Promessa de Compra e Venda do apto 505 do Bloco 13, do Edifício Place de Montparnasse, do empreendimento Le Parc Residential Resort. E mais, que ao fixar preço e condições de pagamento, as Outorgantes prometeram vender o citado imóvel na proporção de 60% para o Sr. Manoel e 40% para a Sra. Suely. Embora as Declarações de Rendimentos a Sra. Suely juntadas ao presente processo não sejam compatíveis com o período de apuração em discussão, é certo que, pelas informações contidas nos sistemas da RFB, para o anocalendário de 2011, a mesma declarou rendimentos recebidos da GP RIO IMÓVEIS no montante de R$ 7.552,40, bem assim relacionou entre seus bens e direitos a propriedade da fração de 40% do imóvel acima citado. A decisão recorrida pontuou: Através da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) transmitida pela imobiliária GP RIO IMÓVEIS, EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, verifiquei que o montante de rendimentos de aluguel auferidos foi de R$ 18.881,26 (valor líquido), para o imóvel urbano situado na Av. Jorn. Tim Lopes, 255, Apto 505, Bloco 13, Rio de Janeiro/RJ, rendimentos compostos por: R$ 7.277,94 com a comissão de R$ 436,68 (valor líquido recebido de R$ 6.841,26) do locatário CHRISTIAN DE ALMEIDA VARIZO, e; R$ 16.000,00 com a comissão de R$ 3.960,00 (valor líquido recebido de R$ 12.040,00) do locatário ALFEU SILVEIRA DE ALCÂNTARA. Portanto, temos que o valor considerado omitido, de fato, foi integralmente declarado pelos coproprietários do imóvel em tela, na proporção das respectivas propriedades, as quais estão corretamente informadas em suas Declarações no campo destinado aos bens e direitos (R$ 11.328,76 pelo recorrente e R$ 7.552,40 pela Sra. Norma Suely). Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para declarar insubsistente o lançamento fiscal, devendose restabelecer o montante a restituir declarado de R$ 9.468,31, o qual, após deduzidos os valores já recebidos, deverá ser atualizado nos termos da legislação de regência. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 109DF CARF MF 4 Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979262/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979262/200931 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.705 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria Compensação Recorrente TRANSPORTADORA GATÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 62 /2 00 9- 31 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10880.979262/200931 Acórdão n.º 1201001.705 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.979262/200931 Acórdão n.º 1201001.705 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979262/200931 Acórdão n.º 1201001.705 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979262/200931 Acórdão n.º 1201001.705 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.003910/2003-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 25/08/2003
DESPACHO DECISÓRIO. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LEGALIDADE.
Se o Despacho Decisório contém o nome e cargo do servidor que o assinou, com a indicação da correspondente portaria de delegação de competência para a elaboração de decisórios desta natureza, não há que se cogitar de sua nulidade.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal.
Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Numero da decisão: 3302-004.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LEGALIDADE. Se o Despacho Decisório contém o nome e cargo do servidor que o assinou, com a indicação da correspondente portaria de delegação de competência para a elaboração de decisórios desta natureza, não há que se cogitar de sua nulidade. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 08 40 .0 03 91 0/ 20 03 -6 7 Fl. 1.359Fl. 1.359 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária agosto de 2017 agosto de 2017 Normas da Administração Tributária Normas da Administração Tributária COINBRA- FRUTESP IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA COINBRA- FRUTESP IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 1359DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Por muito bem retratar os fatos pertinentes ao recurso sob julgamento, adoto o relatório apresentado na oportunidade de julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte: " A interessada transmitiu, em 25/08/2003, pedido eletrônico de restituição ou ressarcimento e declaração de compensação (PER/DCOMP), no valor de R$ 16.950.167,58, referente ao primeiro trimestre-calendário de 2003. A partir de 13/02/2004 foram transmitidas várias declarações com as compensações vinculadas ao direito creditório e discriminadas na planilha às fls. 773/774. Conforme o que consta do processo em meio físico, protocolizado em 31/10/2003, o pleito abarca o crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado segundo o regime alternativo de que trata a Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001, no que concerne ao sobredito trimestre. No Despacho Decisório proferido em 24/07/2009 e cientificado em 29/07/2010 (AR de fl. 783), de fls. 775/781, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São Paulo, SP, indeferiu a solicitação, com supedâneo na informação fiscal às fls. 765/771 resultante de diligência realizada, porque os demonstrativos de entradas de insumos não apresentam correlação com os elementos contábeis, houve a apresentação de apenas algumas notas fiscais de entradas e saídas, os arquivos magnéticos não foram consolidados na matriz e não houve a apresentação de comprovantes de embarque dos produtos exportados, sendo prejudicada a determinação do montante do crédito pleiteado, tendo em conta o que preconiza a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, art. 6°; a Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997, art. 3°, §§ 5°, 9° e 14; a Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 65; a Lei n° 8.429, de 2 de junho de 1992, art. 10; a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, arts. 2°, § único, IV, e 4°, I e IV; e, ademais, o ônus da prova, previsto no CPC, art. 333, I, que incumbe ao titular de direito creditório. Insubmissa à decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 29/07/2009, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte ofereceu, em 28/08/2009, manifestação de inconformidade de fls. 791/811, instruída com a documentação de fls. 818/1.220 e subscrita pelo patrono da pessoa jurídica qualificado na procuração de fl. 813, em que sustenta que: Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10840.003910/2003-67 Acórdão n.º 3302-004.700 S3-C3T2 Fl. 1.360 3 a) houve, em 24/08/2008, a teor da Lei n° 9.430, de 1996, art. 74, § 5°, homologação tácita do pedido de ressarcimento/declaração de compensação efetuado em 25/08/2003, tendo ocorrido a ciência do despacho decisório somente em 29/07/2009, conforme decisões das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil e do Conselho de Contribuintes; mas, de qualquer modo, os pedidos de compensação enviados até 30/07/2004, no valor total de R$ 10.474.909,52, estariam tacitamente homologados a partir da data da ciência da decisão (29/07/2009); b) todos os elementos solicitados referentes à composição do crédito presumido pelo regime alternativo (documentação anexada) foram fornecidos à fiscalização, estando a empresa à disposição para os esclarecimentos necessários, sendo que a Administração deve se pautar pelo princípio da verdade material, conforme jurisprudência; há a nulidade do despacho decisório em virtude da ausência de motivação e de incompetência do agente que proferiu a decisão (deveria ter sido o Delegado da unidade e não o chefe da DIORT da DERAT, conforme o Regimento Interno da RFB, Anexo da Portaria MF n° 125, de 4 de março de 2009, art. 285); c) por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja acolhida com o reconhecimento do direito creditório decorrente da homologação tácita do pedido de ressarcimento, sendo homologada a compensação efetuada na totalidade e extinto o crédito tributário (CTN, art. 156, II, e Lei n° 9.430/96, art. 74, § 5°); d) que seja recebida a documentação anexa e as informações comprobatórias, como meio de prova, em respeito ao princípio da verdade material (Lei n° 9.430/96, art. 74, § 11, c/c Decreto n° 70.235/72, art. 16, § 4°), e que seja, ademais, deferida a apresentação posterior de documentos necessários à comprovação das alegações. Em 12/05/2010, foi prolatado o Acórdão n° 14-28.920 pela 2a Turma da DRJ/RPO (fls. 1.242/1.247) reputando como procedente em parte a manifestação de inconformidade (homologação tácita de parcela das compensações declaradas, mas sem o reconhecimento do direito creditório em virtude da falta de apresentação da documentação comprobatória). Em 01/09/2010, foi interposto o recurso voluntário pela requerente às fls. 1.251/1.278. Em 22/05/2013, foi proferido o Acórdão n° 3101-001.407 pela 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), às fls. 1.297/1.301. Nos termos da parte dispositiva do julgado, o recurso voluntário teve provimento parcial e a decisão de 1ª instância foi anulada: Fl. 1361DF CARF MF 4 'ACORDAM os membros da 1a Câmara / 1 a Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e que outra seja feita com observância do direito de defesa do sujeito passivo'. (g.m.) Voto da Conselheira Relatora, na íntegra: "Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A decisão recorrida, andou muito bem no reconhecimento da homologação tácita do ressarcimento/compensação enviados até 30/07/2004, porém,da análise das compensações enviadas após essa última data ; observo o seguinte: I - Em fls. 1.228 dos autos, o autor do voto condutor da decisão recorrida menciona: 'A interessada trouxe aos autos mais de 400 folhas de documentos, juntamente com a manifestação de inconformidade, seis meses depois da ciência da última intimação.' Efetivamente, conclui-se que pelo fato da Recorrente ter trazido mais de 400 documentos só na manifestação de inconformidade, os mesmos não deveriam ser apreciados, como não foram. Nenhum outro argumento apresentado pela Recorrente, como pedidos de prorrogação de prazo, diligências não foram atendidos, logo no meu entendimento está correta a Recorrente quando alega que a fundamentação da decisão recorrida foi genérica quando a impossibilidade de homologação dos seus pedidos de ressarcimento/compensação apresentados após 30/07/2004, conforme a ementa do acórdão recorrido de n° 1428.920. Assim, por entender que o maior mérito do processo administrativo tributário é a busca da verdade material é que entendo que a decisão recorrida deixou de buscar essa verdade nesse caso não analisando ou determinando que se analisasse os documentos apresentados na manifestação de inconformidade com relação as compensações não homologadas. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para anular a decisão de primeira instância e determinar que outra seja feita com observância do direito de defesa do sujeito passivo. E como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro" Não existe nulidade parcial; portanto, o Acórdão n° 14-28.920 da 2a Turma da DRJ/RPO foi anulado em sua totalidade, com a prolação de nova decisão colegiada, ora redigida, com a reiteração de todos os tópicos existentes no aresto anterior". Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10840.003910/2003-67 Acórdão n.º 3302-004.700 S3-C3T2 Fl. 1.361 5 A Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Ribeirão Preto (SP) realizou o segundo julgamento sobre a manifestação de inconformidade apresentado pela contribuinte. A decisão colegiada resultou na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Inexiste nulidade se a decisão administrativa for exarada por autoridade competente. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. PRAZO. O prazo qüinqüenal para homologação de compensação é contado a partir da data em que a declaração de compensação, se for eletrônica, tenha sido transmitida. Há homologação dessa natureza se a decisão administrativa de apreciação do pleito for exarada em prazo superior. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, a falta de atendimento no prazo estipulado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que ensejou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado Fl. 1363DF CARF MF 6 A contribuinte foi considerada intimada sobre o teor do acórdão proferido no julgamento da manifestação de inconformidade em 16/09/20151 e apresentou, tempestivamente, seu recurso voluntário em 06/10/20152. Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do apelo, dele tomo conhecimento. I. SOBRE A POSSIBILIDADE DE ANÁLISE POR AMOSTRAGEM. DA NECESSIDADE DE REMESSA À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL PARA EVENTUAL DILIGÊNCIA EM OBSERVÂNCIA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. A contribuinte registra que, apesar da decisão proferida por este Conselho ter determinado que se devolvessem os autos do processo para a instância de origem, para que nova decisão fosse proferida (sendo impositivo o comando para que se analisassem os documentos acostados à manifestação de inconformidade), tal apreciação não foi feita. Diante da extensa documentação que deveria ter sido avaliada pelos julgadores da Delegacia de Julgamentos, a contribuinte considera que: "o processo deveria ter sido baixado em diligência, para que os auditores fiscais efetuassem a análise documental do crédito do contribuinte e, no caso de dúvida, solicitassem esclarecimentos ao mesmo em observância ao primado da verdade material". A ora recorrente também questiona a conclusão a que chegou aquele Colegiado, pela impossibilidade de se efetuar a análise do crédito por amostragem. São as palavras do contribuinte: "8. Ora, a análise por amostragem, é indício de que algo está sendo efetuado de forma correta ou não pelo contribuinte. A falta de análise dessa documentação pela simples assertiva que a mesma não pode ser feita por amostragem é totalmente descabida". Ao que tudo indica, não merece reparos a última decisão proferida sobre a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Isso porque a análise dos documentos foi, efetivamente, realizada pelos julgadores da instância a quo. A bem da verdade os documentos foram considerados imprestáveis, conforme se verifica dos trechos extraídos do acórdão recorrido: " A documentação (notas fiscais e documentos de exportação) apresentada é apenas parcial e não abarca todas as ocorrências (entradas de insumos e as saídas para exportação), apesar das reiteradas intimações. As planilhas de cálculo elaboradas pela requerente e trazidas à colação não são suficientes para a comprovação da legitimidade do benefício fiscal pleiteado". " Ora, trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido apurado pelo regime alternativo para aquisições de insumos e exportações ocorridas no 1° trimestre-calendário de 2003. A documentação de exportação referente ao 1° trimestre- calendário de 2003 é ínfima no cotejo com o total de exportações do período registrado na planilha analítica das receitas de exportação, por filial e por nota fiscal - 1° trimestre de 2003 (fls. 937 e 938). 1 Informação registrada no Termo de Abertura de Documento, acostado aos autos às folhas 1325 dos autos eletrônicos. 2 Conforme atesta o Termo de Solicitação de Juntada à folha 1356.. Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10840.003910/2003-67 Acórdão n.º 3302-004.700 S3-C3T2 Fl. 1.362 7 Por outro lado, duas notas fiscais se referem a exportação de mercadorias adquiridas de terceiros e, além do mais, se referem a 2002: nota fiscal de exportação/faturamento (merc. adq. 3°) n° 1.036, de 22/11/2002 (fl. 978); nota fiscal de exportação/faturamento (merc. adq. 3°) n° 1.075, de 25/11/2002 (fl. 984). Somente fazem jus ao benefício fiscal em escrutínio os produtores-exportadores; não podem ser incluídos na respectiva apuração exportações de produtos/mercadorias adquiridos de terceiros. Por fim, toda a documentação de aquisição de insumos juntada pela requerente é concernente ao 4° trimestre-calendário de 2002. É preciso assinalar: que confusão! A interessada, inclusive, não efetuou a complementação indispensável da documentação comprobatória do pleito por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Não há condições de efetuar a cabal verificação do pleito em virtude da ausência de toda a documentação fiscal imprescindível. Grande parte da documentação não corresponde ao trimestre de competência e, mesmo que correspondesse, sendo insuficiente, é impossível, e até temerária, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, a averiguação de direito creditório apenas por amostragem da documentação de suporte". (grifos adicionados) Considerando que foram analisados os documentos apresentados pela contribuinte em sede de manifestação de inconformidade e que os mesmos não se prestaram a subsidiar as alegações aqui defendidas, entendo que não merece reparos a decisão recorrida. II. SOBRE A NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. SOBRE A AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL. A contribuinte contesta o fato que a decisão que indeferiu o pedido de compensação e das declarações de compensação foi proferida pelo Auditor Chefe da DIORT/DERAT, fato que viola a competência atribuída unicamente ao Delegado da Receita Federal do Brasil, conforme dispõe o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (art. 285 do Anexo da Portaria MF n. 125/20093). Não reconheço a nulidade suscitada pela ora recorrente. Aproveito os fundamentos que adotei no julgamento do recurso voluntário interposto pela mesma contribuinte - Coinbra-Frutesp-, nos autos do Processo Administrativo n. 10840.003909/2003- 32: "O Parecer Cosit n° 56, 06/09/1999, da Coordenação-Geral de Tributação, com supedâneo nos arts. 11 a 13 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, conclui pela possibilidade do titular da unidade administrativa delegar aos seus subordinados hierárquicos 3 Art. 285. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil das DRF e DEINF, no âmbito da respectiva jurisdição, incumbe ainda: II - decidir sobre a concessão de pedidos de parcelamento, sobre restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, suspensão e redução de tributos, excetuando-se os relativos ao comércio exterior. Fl. 1365DF CARF MF 8 competência que originariamente lhes foi conferida para proferir decisões em processo administrativo fiscal: 'Art. 11 - A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Art. 12 - Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes. Art. 13 - Não podem ser objeto de delegação: I- a edição de atos de caráter normativo; II- a decisão de recursos administrativos; III- as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. Conclusão 11.Diante do exposto, conclui-se que não está vedado aos titulares das unidades administrativas da SRF delegar aos seus subordinados hierárquicos competência que originariamente lhes foi conferida para proferir decisões em processo administrativo fiscal. " (destaques incluídos). No caso específico, a Portaria DERAT/SP n° 54/2001 delegou ao chefe da DIORT/DERAT/SPO a atribuição de decidir acerca de ressarcimento, restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal". Por esses motivos, rejeito a alegação de nulidade do despacho decisório. III. DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO O contribuinte defende que o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, combinado com o texto do art. 29 da Instrução Normativa SRF 600/2005 impõe ao fisco o prazo de cinco anos para homologar o pedido de ressarcimento ou de compensação, "sob pena de caducidade de seu direito de fazê-lo, em face da homologação tácita". E que este prazo é medida apta a garantir o mínimo de segurança jurídica aos contribuintes. Acresce, ilustrativamente, ao seu rol de argumentos, trecho da Solução de Consulta Interna n. 001/20064: "O prazo para a homologação da compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado 4 In Compensação Tributária, Karem Jureidini Dias, Marcelo Magalhães Peixoto, Editora MP, 1ª Edição, 2008, p. 109. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10840.003910/2003-67 Acórdão n.º 3302-004.700 S3-C3T2 Fl. 1.363 9 da data de protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito" (grifos no original) Dessa forma, esclarece o recorrente; "sendo efetuado pedido de ressarcimento na data de 25/08/2003, a homologação do pedido de ressarcimento se deu tacitamente após cinco anos, na data de 24/08/2008, muito antes da ciência do despacho decisório que não reconheceu o direito creditório, ocorrida em 29/07/2009". (grifos no original). Informa que os pedidos de ressarcimento foram feitos nos moldes previstos pelo § 14 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 e que tal dispositivo, interpretado sob o prisma dos artigos 1º, 49 e 69 da Lei n. 9.784/1999 resultam na única conclusão que a Secretaria da Receita Federal deveria solucionar os processos administrativos dentro do prazo de 30 (trinta) dias5. E que, portanto, a posição adotada pelos julgadores da instância de origem que "a análise de pedido de ressarcimento não dispõe de prazo fatal afronta o Princípio da Eficiência, da segurança jurídica e da celeridade processual estampadas na Constituição Federal". Acrescenta ao seu arrazoado que em 16/03/2007 foi editada a Lei n. 11.457/2007, que em seu artigo 24 determinou que o prazo para análise dos pedidos efetuados pelos contribuintes não poderiam exceder o período de 360 dias. E, de acordo com as palavras da ora recorrente, essa inovação legal ocorreu para tentar compatibilizar a rotina da SRF com os ditames constitucionais vinculados aos Princípios da Eficiência Administrativa Tributária, da Moralidade, da Razoabilidade e do Interesse Público. Conclui que "afirmar que o pedido de ressarcimento não tem prazo para ser homologado é desobedecer de forma escandalosa os Princípios Norteadores da Administração Pública e da Constituição Federal". Em primeiro lugar, é de rigor registrar que a novel legislação apontada pelo contribuinte não deve ser utilizada para o julgamento do recurso voluntário em tela, já que foi publicada em 2007, muito após a apresentação dos pedidos de ressarcimento/ compensação pelo contribuinte (que ocorreu em 25/08/2003). Passo aos fatos da contenda sob julgamento. A questão submetida ao crivo deste colegiado tem origem no Pedido de Ressarcimento, apresentado eletronicamente em 25/08/2003, por meio do PER/DCOMP n° 38508.49038.250803.1.1.01-0941 (fl. 3 dos autos eletrônicos), onde consta indicado um crédito presumido do IPI referente ao 1° trimestre de 2003, no valor de R$ 19.908.975,56. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. 5 Colaciona os precedentes lavrados pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Mandado de Segurança n. 12.487/DF e no Recurso Especial n. 690.811/RS como outros fundamentos para sua pretensão. Fl. 1367DF CARF MF 10 No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso de prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996, o qual transcrevo: Lei n. 9.430/1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo (Redação dada pela Lei n. 10.647/2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Da leitura do dispositivo acima transcrito, conclui-se que o prazo de cinco anos para a homologação tácita não se refere aos pedidos de ressarcimento ou restituição, como é a hipótese dos autos. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PERD/COMP) não autoriza - nem mesmo por analogia, diante do óbice do art. 160 do CTN - a observância do prazo pela Fiscalização, como defende a contribuinte. Isso porque, nos pedidos de ressarcimento/ restituição não existe uma extinção de dívidas tributárias, mas sim o reconhecimento de um direito ao contribuinte. Importante registrar que os pedidos de ressarcimento/restituição na seara tributária dependem da comprovação da existência de direito pelo contribuinte, e não da mera homologação pela Administração Tributária. Por demandar pró-atividade do contribuinte, não existe prazo legal para que o fisco reconheça (ou não) a existência de créditos a serem restituídos/ressarcidos. A propósito, segue julgado deste Conselho: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10840.003910/2003-67 Acórdão n.º 3302-004.700 S3-C3T2 Fl. 1.364 11 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte assevera que a autoridade fiscal deveria que obedecer o prazo previsto no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do indigitado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 - que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários-, conclui-se que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Diante do exposto, não reconheço que na hipótese dos autos ocorreu a homologação tácita do pedido de ressarcimento apresentado pelo ora recorrente, e voto por negar provimento integral ao recurso voluntário. (assinatura digital) Relatora Lenisa Prado - Relatora Fl. 1369DF CARF MF 12 Fl. 1370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934352/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.593
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 43 52 /2 00 9- 74 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.934352/200974 Acórdão n.º 3302004.593 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação em que se objetivava quitar débitos tributários utilizandose de créditos de COFINS. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em decorrência da não homologação, as autoridades competentes formalizaram a cobrança dos valores indicados na DCOMP, acrescidos ainda de multa e juros. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que a decretação de inexistência do crédito se deu porque não foram apresentadas as retificadoras das DCTFs, DIPJs e DACONs, que se prestariam a notificar as autoridades sobre o recolhimento à maior realizado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte informa que ao solicitar a Certidão Negativa de Débitos foi surpreendida com a informação sobre a existência de um novo processo administrativo fiscal, onde foi lavrada a exigência do exato valor que constava no despacho decisório, e que teria como documento de origem a mesma DCOMP motivadora do processo cuja cobrança acreditava que tivesse sido baixada. A contribuinte esclareceu, ainda, que apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos, requerendo que os processos fossem unificados, posto que tratam sobre os mesmos fatos, e que fossem apreciadas as razões que fundamentam a existência de seu direito ao crédito, que é, essencialmente, a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da COFINS. Noticia, também, que procedeu à retificação dos DCTF, DACON e DIPJ relativamente ao período de apuração em debate, indicando o valor do ICMS que deveria ser destacado da base de cálculo da COFINS, o que geraria o saldo credor a seu favor a ser utilizado na compensação declarada. A instância de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade acima descrita, nos termos do Acórdão 06037.281. O fundamento adotado, em síntese, foi a intempestividade da impugnação/manifestação de inconformidade apresentada. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.934352/200974 Acórdão n.º 3302004.593 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.583, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.932718/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.583) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Com efeito, a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade por considerar: i) intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19722 c/c §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20113; e ii) que a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida, seja na revisão de ofício, seja em ulterior recurso voluntário eventualmente interposto pela impetrante. Neste contexto, entendo inexistir omissão no julgamento de primeira instância e desrespeito aos princípios do contraditório e ampla da defesa, posto que diante da apresentação de defesa fora do prazo previsto nas normas 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 3 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.934352/200974 Acórdão n.º 3302004.593 S3C3T2 Fl. 5 4 anteriormente citada, não houve instauração de fase litigiosa, afastando, assim, o dever/obrigação da autoridade julgadora analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Não bastasse isso, e ao contrário do que restou defendido neste processo, a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida. Portanto, entendo não ser o caso de nulidade do julgamento de primeira instância, considerando que o julgadores aplicaram ao presente caso as determinações contidas no Decreto 70.235/72 e na Lei nº 7.574/2011. Diante do exposto, considerando que não houve instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, por intempestividade da manifestação de inconformidade, voto por não conhecer do recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, em razão de sua intempestividade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 118DF CARF MF
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