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4668375 #
Numero do processo: 10768.004225/2002-97
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE -RENDIMENTOS ISENTOS - MOLÉSTIA GRAVE - RECONHECIDA PELO INSS- Em conformidade com a legislação tributária os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito o laudo concedido pelo INSS em 1993, declarando a moléstia grave incapacitante e realizando os pagamentos sem retenção do IRRF, anterior a laudo realizado pelos médicos do Ministério da Fazenda, prevalece. Embargos acolhidos. Recurso provido
Numero da decisão: 102-49.322
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos interpostos para saneamento do feito, implicando em tomar nula a decisão proferida no acórdão 102-48.542, de 24/05/2007, promover novo julgamento e, nesta conformidade,DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira

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I MINISTÉRIO DA FAZENDA E• -St PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 nrgi, SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10768 004225/2002-97 Recurso n° 155.661 Embargos Matéria IRPF Acórdão n° 102-49.322 Sessão de 08 de outubro de 2008 Embargante IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Interessado MÔNICA PEREIRA PINTO BOTAFOGO MUNIZ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE -RENDIMENTOS ISENTOS - MOLÉSTIA GRAVE - RECONHECIDA PELO INSS- Em conformidade com a legislação tributária os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito o laudo concedido pelo INSS em 1993, declarando a moléstia grave incapacitante e realizando os pagamentos sem retenção do 1RRF, anterior a laudo realizado pelos médicos do Ministério da Fazenda, prevalece. Embargos acolhidos. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos interpostos para saneamento do feito, implicando em tomar nula a decisão proferida no acórdão 102-48.542, de 24/05/2007, promover novo julgamento e, nesta conformidade, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. ;kl S PESSOA MONTEIRO Presidente -~lrora FORMALI ADO EM: 2.2 DEZ 2008 • Processo n°10768004225/2002-97 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-49322 Fls. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos, Silvana Mancini Karam, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. fp 2 Processo n° 10768.004225/2002-97 CCO 1 /CO2 Acórdão n.° 10249322 Fls. 3 Relatório Trata-se de embargos de declaração por mim propostos a Câmara quando da análise de admissibilidade do recurso especial interposto pela Contribuinte. O acórdão 102-48.542, proferido na sessão de 24/05/2007, está assim ementado: LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursaL1RPF - COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA RECEBIDA DE ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA - INCIDÊNCIA DO IMPOSTO - Sujeitam-se à incidência do imposto, na fonte e na declaração, os rendimentos recebidos de entidades de previdência privada a titulo de complementação de aposentadoria. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. O lançamento decorreu de omissão de rendimentos recebidos de várias pessoas jurídicas, conforme se vê às fls. 13, os quais a Contribuinte informou em sua DAA como isento, por ser portadora de moléstia grave. E como se vê na ementa acima reproduzida a matéria que veio a julgamento foi outra. Por isto, com base nos princípios de regência do processo administrativo fiscal, por se tratar de erro da própria administração, esta deve rever, de oficio este ato. Voltando as razões da Contribuinte, desde o primeiro momento a mesma alega que os rendimentos que foram tributados decorriam de pensão e aposentadoria decorrente de moléstia grave. Tais argumentos não foram aceitos, desde a consulta respondida às fis.44/48, que rejeitou os laudos apresentados pela Contribuinte, frente aquele produzido pela junta médica do Ministério da Fazenda, provocando o lançamento. E o acórdão embargado decidiu como se estivesse diante de pagamentos de planos de previdência privada, em completo descompasso com a realidade das peças constantes dos autos, por isto retomam-se os autos para julgamento. 3 Processo n° I 0768.004225/2002-97 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-49322 Fls. 4 Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Relatora Trata-se de embargos de declaração interpostos para trazer a julgamento o presente recurso, ante o erro de fato verificado no julgamento do acórdão ocorrido na sessão de 24/05/2007. O lançamento se fez a partir da constatação, da autoridade lançadora, de que a Contribuinte seria devedora do imposto de renda incidente sobre verbas recebidas a titulo de pensionista do Banco do Brasil e aposentada do Banco Central desde 1993. A autoridade de primeiro grau concedeu ao laudo realizado pela junta médica do Ministério da Fazenda a palavra final quanto à ausência de moléstia grave conforme definida em lei, como se depreende da leitura da decisão de primeiro grau. S.m.j. o caso não diz respeito apenas a matéria de direito, mas de fato. O que determina a declaração de isenção do imposto de renda é a doença incapacitante, reconhecida pelo própria fonte pagadora, no caso o INSS, como se vê no laudo de fls. 87, que atestou patologia óssea degenerativa, enquadrada no artigo 40,incisos XXV e XVII do RIR/1980, conforme também atestado pela decisão anexa às fls.42/43. Nesta conformidade encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos interpostos contra o acórdão, concedendo-lhes efeitos infringentes, implicando em dar provimento ao recurso. Sala das essões-DF, em 08 de outubro de 2008. PESSOA MONTEIRO 4 Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1

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4665840 #
Numero do processo: 10680.015460/2003-35
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPJ - GRATIFICAÇÃO A FUNCIONÁRIOS - NECESSIDADE DA DESPESA - A remuneração a todos os funcionários, a título de gratificação ou liberalidade, é considerada como despesa necessária e, portanto, dedutível na apuração do lucro real. IRPJ - COMPENSAÇÃO - RECOLHIMENTO SUFICIENTE - Considerando que foi homologada a compensação de crédito do próprio IRPJ para quitar toda a obrigação desse mesmo tributo, não há saldo que se exigir. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 108-08.469
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar a exigência do item 1 do Auto de Infração (participações não dedutiveis) e reduzir a exigência do item 2 (insuficiência de recolhimentos) no montante de R$ 1.225.175,18, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Henrique Longo

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Recorrida : 4a TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Sessão de :12 DE SETEMBRO DE 2005 Acórdão n°. :108-08.469 IRPJ — GRATIFICAÇÃO A FUNCIONÁRIOS — NECESSIDADE DA DESPESA — A remuneração a todos os funcionários, a titulo de gratificação ou liberalidade, é considerada como despesa necessária e, portanto, dedutivel na apuração do lucro real. IRPJ — COMPENSAÇÃO — RECOLHIMENTO SUFICIENTE — Considerando que foi homologada a compensação de crédito do próprio IRPJ para quitar toda a obrigação desse mesmo tributo, não há saldo que se exigir. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TELEMIG CELULAR S.A. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para cancelar a exigência do item 1 do Auto de Infração (participações não dedutiveis) e reduzir a exigência do item 2 (insuficiência de recolhimentos) no montante de R$ 1.225.175,18, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DORIVfill?ADO/V t NPIAIDE TE ; • 'ti n • / 40S / E '1* E IJNGO • *R- FORMALIZADO EM: h OUT 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LOSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARGIL MOURÃO GIL NUNES e JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA. Ausente, momentaneamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO. _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.015460/2003-35 Acórdão n°. :108-08.469 Recurso n°. : 140.801 Recorrente : TELEMIG CELULAR S.A. RELATÓRIO A empresa TELEMIG CELULAR S.A. apresenta seu apelo, mediante Recurso Voluntário de fls. 321/340, contra a decisão da 4 3 Turma da DRJ em Belo Horizonte que manteve o lançamento de IRPJ do ano-calendário de 1998 em face de: 1. ausência de adição ao lucro líquido das participações nos lucros atribuídas a empregados, quando o resultado do período foi prejuízo contábil; e 2. insuficiência de recolhimento apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e recolhimentos efetuados. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/16), no ano de 1998 a empresa deixou de adicionar R$ 297.338,30, valor esse que se refere á distribuição efetiva de rendimentos a título de participação dos empregados no lucro; nos balancetes apresentados, houve constituição de provisão referente à participação de empregados nos lucros do exercício; a partir da Lei 9249/95, art. 13, I, as provisões deixaram de ser dedutiveis na apuração do lucro real, excetuadas as para pagamento de férias e 13° salário. A empresa vinha adicionando a totalidade das provisões, mas entre outubro e dezembro de 1998 passou a adicionar somente parte da provisão, pois havia distribuído o valor acima mencionado. Nos termos dos arts. 189 e 190 da Lei 6404/64, tendo em vista que a empresa encerrou o período com prejuízo, não poderia haver distribuição de lucro e o pagamento deve ser considerado como liberalidade. 1.7 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ari- OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.015460/2003-35 Acórdão n°. :108-08.469 O outro item do TVF é relativo à insuficiência de recolhimento de IRPJ no ano e 1998, levando em conta o deferimento parcial dos pedidos de restituição e compensação formalizados no processo 10680.002957/2002-11. Nesse • processo, o pedido de compensação para extinção das obrigações tributárias do ano de 1998 envolveu (a) recolhimento do IR de novembro a destempo, mas com denúncia espontânea (art. 138, CTN), e (b) aproveitamento dos valores recolhidos ao FINOR. Como no referido processo, o Despacho Decisório de fls. 169/172 deferiu parcialmente a pretensão da ora recorrente, deixando de reconhecer o direito ao crédito relativo ao montante correspondente à multa de mora que deixou de ser calculada e recolhida em 29/01/99, pois, promovendo-se imputação do total recolhido, haveria ainda parcela do principal não paga; não reconheceu também o direito à restituição referente aos valores recolhidos nos meses de junho a novembro com destinação ao FINOR com código de arrecadação especifico. A 43 Turma da DRJ em Belo Horizonte julgou o lançamento procedente (fls. 301 e segs.), sendo que a ementa da decisão está assim redigida: "PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS — A participação dos empregados no lucro, cujo fato motivador de seu desembolso não se concretizar no período, caracteriza-se liberalidade da empresa. FALTA DE RECOLHIMENTO — Mantém-se a exigência fiscal quando caracterizada nos autos a divergência entre os valores devidos de imposto de renda e os consignados como recolhidos na declaração de rendimentos da pessoa jurídica LANÇAMENTO DE OFÍCIO — O lançamento de ofício deverá abranger a exigência do imposto, acrescido de multa de ofício e juros de mora, contados do vencimento da quota única." )17 411.44 3 (s-- • 7",- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.015460/2003-35 Acórdão n°. : 108-08.469 O Recurso Voluntário (fls. 321/340) apresenta os seguintes argumentos: 1.no entender da autoridade julgadora, as gratificações concedidas pela recorrente teriam decorrido de mera liberalidade e, como tal, seriam indedutíveis na apuração do lucro real; no julgamento pela DRJ, reconhece-se que as gratificações pagas aos funcionários das pessoas jurídicas em geral podem ser deduzidas sem qualquer limite (pg. 306); 2.a sua dedutibilidade, no entanto, está condicionada à observância da regra geral do art. 242 do RIR/94; 3.as gratificações são despesas normais, usuais e necessárias ao desenvolvimento das atividades da companhia, razão pela qual são dedutiveis na apuração do lucro real; 4.o art. 34 da IN 93/97 prevê a dedutibilidade das gratificações pagas aos funcionários, sem qualquer limite; 5.discorre acerca do conceito de despesa dedutível, de renda, com objetivo de identificar a relação entre a despesa necessária e sua característica de ser inerente à atividade da empresa; 6.quanto ao item 2, reconhece-se que o julgamento da compensação discutida no processo 10680.002957/2002-11 indicará se estão corretos os cálculos de imputação efetuados nestes autos, motivo por que reitera os argumentos lá apresentados; 7.ainda que nos autos do processo 10680.002957/2002-11 seja proferida decisão que reconheça ser indevida a compensação realizada, convalidando o procedimento destes autos, mesmo assim não haveria fundamentos 4 frti Ae‘ j;tt.-`142-5,- MINISTÉRIO DA FAZENDA ••• -,;&' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.015460/2003-35 Acórdão n°. : 108-08.469 para justificar a procedência da exigência fiscal porque lavrou-se o auto de infração em questão para exigir suposta diferença relativa à estimativa mensal referente a maio de 1998 após o encerramento daquele ano-base, quando já havia ocorrido o fato gerador do IRPJ; não se pode exigir valores estimados após o encerramento do período-base, pois a fiscalização já possui todos os elementos para efetuar o lançamento do tributo efetivamente devido. O arrolamento de bens está às fls. 341/344. É o Relatório. At •—n 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA .,ír PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.015460/2003-35 Acórdão n°. :108-08.469 VOTO Conselheiro JOSÉ HENRIQUE LONGO, Relator Estão presentes os pressupostos de admissibilidade do Recurso • Voluntário, de modo que ele deve ser conhecido. O primeiro item a ser analisado é o da dedutibilidade da gratificação paga aos funcionários, que inicialmente foi contabilizada como participação nos lucros e resultados. Os agentes fiscais fundamentaram o lançamento com o seu entendimento de que se tratara de mera liberalidade dos dirigentes da empresa, e que não foi cumprido o requisito do art. 242 do RIR/94 para que fosse assegurada a •dedutibilidade. Se o resultado do período foi prejuízo, teria ficado prejudicada a condição para a distribuição empreendida, qual seja, a existência de lucro. Antes de mais nada é importante lembrar que o pagamento foi em favor de todos os funcionários, e não apenas de parte. Assim, não é razoável supor que teria havido tratamento diferenciado para algum empregado, o que poderia gerar dúvida sobre relação entre empresa e corpo de empregados. A regra geral para que uma despesa seja considerada dedutivel é que tenha relação com a geração de receita da mesma pessoa jurídica. Isto é, somente pode ser levado para apuração de renda o custo e/ou a despesa que concorra para o exercício da atividade da empresa, denominada objeto social. A renda, base de cálculo do IRPJ, decorre do confronto entre receitas e despesas. A desconsideração das despesas, sem o correto critério - 6 t))/iv 41144 • 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA - • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA=vis- Processo n°. : 10680.015460/2003-35 Acórdão n°. :108-08.469 estarem relacionadas ao desempenho objeto social, tem como conseqüência a tributação de algo que não é renda. O fundamento dos AFRF, como se disse, foi que, como não havia condição para a distribuição de lucro, então o pagamento a título de participação dos empregados no lucro consistiu em liberalidade. Ora, os funcionários, principalmente em empresas prestadoras de serviços, devem ser considerados como despesa imprescindível para o desenvolvimento do objeto social, de maneira que não há como se questionar a dedutibilidade de pagamentos aos empregados. Ademais, é irrelevante a natureza do pagamento, se salário direto, salário indireto, gratificação, bônus, etc. O importante é que se trata de uma contraprestação do trabalho do funcionário em favor da empresa empregadora para que esta possa desempenhar sua atividade. Chega a ser primária a explicação acerca da necessidade, usualidade e normalidade da despesa de remuneração de funcionários, para que se afaste a pretensão fiscal. Aliás, a IN 93/97 foi suficiente para esclarecer que a despesa com pagamento de gratificação a empregados poderá ser deduzida na apuração do lucro real, independentemente de limitação. Assim, se não foi possível que a remuneração complementar dos funcionários fosse a título de PLR, o que lhes retiraria o direito de exigir tal pagamento em face do acordo coletivo, e o cumprimento da remuneração foi denominada gratificação, em nada altera a sua natureza de despesa dedutível. Portanto, neste item, dou provimento ao recurso. Com relação ao outro item, qual seja, insuficiência de recolhimento apurado pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e ecolhimentos 7 frik • . • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10680.015460/2003-35 •Acórdão n°. : 108-08.469 efetuados, é decorrente do indeferimento parcial da compensação requerida no processo 10680.002957/2002-11. Assim, como a própria requerente se manifesta, a decisão prolatada nesse processo terá influência direta neste. A decisão no processo 10680.002957/2002-11, proferida por esta E. 8a Câmara (maioria de votos), é no sentido de que o Recurso Voluntário deve ser parcialmente provido para o fim de ser reconhecido o direito ao crédito e à conseqüente compensação no montante de R$1.225.175,18, sendo mantido o indeferimento em relação aos valores recolhidos ao FINOR. Assim, deve ser afastada a exigência baseada na insuficiência de recolhimento desse valor. Por fim, no tocante à alegação de que não se poderia exigir imposto - - por estimativa, a mesma não procede porque a exigência é calculada com base no lucro real anual (planilha 2 do TVF e auto de infração — ambos com fato gerador em 31/12/98). Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para cancelar a exigência do item 1 — adições não computadas na apuração do lucro real / participações não dedutiveis, e para reduzir a exigência do item 2 — falta de . recolhimento /insuficiência de recolhimento no montante de R$ 1.225.175,18. Sala d-s Sessões — DF, em 12 de setembro de 2005. I •Jp.k RI" GO 17,, tri 8

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4664705 #
Numero do processo: 10680.007083/00-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPF - ISENÇÃO - MOLÉSTIA GRAVE - Incabível a tributação pelo imposto de renda dos proventos de aposentadoria ou reforma percebido pelo contribuinte, quando comprovado mediante laudos, atestados, pareceres e diagnósticos médicos especializados, amparados em estudos laboratoriais, possuir as doenças - concessivas das isenções - previstas no art. 39, inciso XXXII, do RIR/99. Recurso provido.
Numero da decisão: 102-45325
Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka e Maria Beatriz Andrade de Carvalho.
Nome do relator: Valmir Sandri

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DA SILVA, LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES e MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10680.007083/00-19 Acórdão n° .: 102-45.325 Recurso n° 127 520 Recorrente ANTÔNIO CARLOS SOUZA RELATÓRIO Trata o presente recurso do inconformismo do contribuinte ANTONIO CARLOS SOUZA — CPF n° 011 009 396-87, contra decisão da autoridade julgadora de primeira instância, que indeferiu o pedido de restituição do Imposto de Renda descontado na fonte desde março de 1999, por ser portador de moléstia grave O contribuinte ingressou com o pedido de restituição em 20 de junho de 2000, (fls.. 01/06) para ser ressarcido do Imposto de Renda descontado na fonte a partir de março de 2000 e do DARF pago em 28 de abril de 2000. Posteriormente, (fls. 32), a Junta Médica da Delegacia de Administração do Ministério da Fazenda em Minas Gerais expediu o parecer n° 56, de 20 de outubro de 2000 e, com base no pronunciamento da Junta Médica do NUABE/DAMF/MG, a autoridade administrativa indeferiu seu pleito Intimado da decisão administrativa (fl. 36), tempestivamente, o contribuinte impugna tal decisão, (fis„ 37/38) À vista de sua impugnação, a autoridade julgadora de primeira instância indeferiu seu pleito, sob a alegação de que mesmo sendo portador de moléstia grave, esta seria passível de controle, na acepção do artigo 30, §1 0 da lei n°9.250, de 1995 MINISTÉRIO DA FAZENDA - . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo no 10680 007083/00-19 Acórdão n° 102-45.325 Inconformado com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância, tempestivamente, recorre para esse E Conselho de Contribuintes, aduzindo suas razões as fls. 56/61 onde alega, em síntese que - é portador de moléstia incurável cardiopatia grave e que por tal razão deve ser enquadrado no art 6° da lei 7 713 de 1988; - que tanto no primeiro quanto no segundo parecer das Juntas Médicas do Ministério da Fazenda são assinados por um mesmo participante que estava presente em ambas as Juntas, - que a lei definiu qualquer outra condição, senão o reconhecimento da moléstia, para a isenção do IRPF, - e que também a lei deve ser interpretada no "stricto sensu" já que esta não menciona quais são as moléstias passíveis de controle É o Relatório - 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n .:<- SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10680.007083/00-19 Acórdão n°. : 102-45.325 VOTO Conselheiro VALMIR SAN DRI, Relator O Recurso é tempestivo. Dele, portanto, tomo conhecimento não havendo preliminar a ser analisada. Ao que pese os argumentos despendidos pela autoridade julgadora singular, entendo, com a data vênia, que a mesma merece reparo. Isto porque, o recorrente comprovou com documentos hábeis e idôneos que possuía a cardiopatia grave no período em que solicita a isenção do imposto, ou seja, de março de 1999 a fevereiro de 2000, vindo, inclusive, a sofrer intervenção cirúrgica em razão da referida doença. No presente caso, o recorrente se submeteu a exames da Junta Médica da Delegacia de Administração do Ministério da Fazenda-DAMF, que indeferiu seu pleito, sem no entanto, emitir laudo pericial de modo conclusivo e inequívoco. Por outro lado, foram anexadas ao processo, pelo recorrente, diversas outras manifestações médicas, inclusive de órgãos oficiais da Unidade da Federação, amparados em estudos laboratoriais, atestando que o recorrente estava acometido da doença cardiopatia grave. Assim, à vista de todos os documentos anexados aos autos, não resta nenhuma dúvida que o recorrente possuía a doença por ele descrita naquele período, fazendo, portanto jus ao benefício da isenção capitulada no art. 6°., inciso XV, da Lei n. 7.713/88, e art. 28 da Lei n. 9.250/95. nmei 41111W". 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1 ". SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10680.007083/00-19 Acórdão n°, :102-45.325 Isto posto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 07 de dezembro de 2001. ANDRI 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1

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4665763 #
Numero do processo: 10680.014522/2002-19
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002 MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - DESNECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOI ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - A AUSÊNCIA DA INTIMAÇÃO PRÉVIA IMPLICA EM DEFERIR A REDUÇÃO DA MULTA LANÇADA PREVISTA NO ART. 8º, § 2º, II, “b”, DA LEI Nº 10.426/2002 - Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Transação Imobiliária (DOI), a omissão do cumprimento dessa obrigação acessória sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a um por cento ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o piso mínimo, como definido na Lei nº 10.426/02. A autoridade fiscal não está obrigada a intimar o contribuinte para apresentar as DOI omissas previamente ao lançamento. Entretanto, caso haja a intimação, atendendo-a, o contribuinte fará jus a redução de 25% na multa lançada. No caso vertente, considerando a inexistência da intimação prévia para apresentar as DOI antes do lançamento fiscal, é de se presumir que o contribuinte iria atendê-la, devendo ser deferida a redução no percentual de 25% da multa lançada. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL PARA MUNICÍPIO EM CONTRAPARTIDA A LOTEAMENTO - OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA DA DOI - A operação em destaque, apesar de prevista na da Lei Federal nº 6.766/79, não se enquadra nas exceções de dispensa da entrega de DOI, previstas no art. 7º da IN SRF nº 4/1998. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PRETENSAMENTE OMISSA - Comprovada a entrega da DOI pretensamente omissa, deve-se cancelar a multa lançada. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONFISCO - INOCORRÊNCIA - Na forma da Constituição Federal, apenas os tributos são informados pelo princípio do não confisco. Não há que se falar em princípio do não confisco quando versamos sobre multa pecuniária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONDUTA PRETENSAMENTE ESCUSÁVEL - IMPOSSIBILIDADE - CONGESTIONAMENTO DO SÍTIO DA INTERNET DA RECEITA FEDERAL - MERA ALEGAÇÃO - Quando da autuação em decorrência do descumprimento de uma obrigação acessória, não se leva em conta o elemento volitivo, sendo desnecessário questionar se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, ou mesmo escudado em pretensa causa de inexigibilidade de conduta diversa. Conduta pretensamente escusável não tem o condão de afastar a multa lançada, pois ausente previsão legal para tanto. Ainda, a mera alegação de congestionamento no sítio da internet no último dia do prazo para entrega das DOI da competência março de 2002 não pode elidir a multa lançada,quando, comprovadamente, a Receita Federal recepcionou quase 1,4 milhões de declarações neste dia. Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 106-16.870
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de intimação prévia ao lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso em relação à multa por falta de entrega das DOI para: i) cancelar a multa referente às operações de ifs 1, 3, 5, 7, 8 e 10; e ii) reduzir em vinte e cinco por cento a multa referente às DOI das demais operações, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002 MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - DESNECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOI ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - A AUSÊNCIA DA INTIMAÇÃO PRÉVIA IMPLICA EM DEFERIR A REDUÇÃO DA MULTA LANÇADA PREVISTA NO ART. 8º, § 2º, II, “b”, DA LEI Nº 10.426/2002 - Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Transação Imobiliária (DOI), a omissão do cumprimento dessa obrigação acessória sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a um por cento ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o piso mínimo, como definido na Lei nº 10.426/02. A autoridade fiscal não está obrigada a intimar o contribuinte para apresentar as DOI omissas previamente ao lançamento. Entretanto, caso haja a intimação, atendendo-a, o contribuinte fará jus a redução de 25% na multa lançada. No caso vertente, considerando a inexistência da intimação prévia para apresentar as DOI antes do lançamento fiscal, é de se presumir que o contribuinte iria atendê-la, devendo ser deferida a redução no percentual de 25% da multa lançada. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL PARA MUNICÍPIO EM CONTRAPARTIDA A LOTEAMENTO - OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA DA DOI - A operação em destaque, apesar de prevista na da Lei Federal nº 6.766/79, não se enquadra nas exceções de dispensa da entrega de DOI, previstas no art. 7º da IN SRF nº 4/1998. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PRETENSAMENTE OMISSA - Comprovada a entrega da DOI pretensamente omissa, deve-se cancelar a multa lançada. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONFISCO - INOCORRÊNCIA - Na forma da Constituição Federal, apenas os tributos são informados pelo princípio do não confisco. Não há que se falar em princípio do não confisco quando versamos sobre multa pecuniária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONDUTA PRETENSAMENTE ESCUSÁVEL - IMPOSSIBILIDADE - CONGESTIONAMENTO DO SÍTIO DA INTERNET DA RECEITA FEDERAL - MERA ALEGAÇÃO - Quando da autuação em decorrência do descumprimento de uma obrigação acessória, não se leva em conta o elemento volitivo, sendo desnecessário questionar se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, ou mesmo escudado em pretensa causa de inexigibilidade de conduta diversa. Conduta pretensamente escusável não tem o condão de afastar a multa lançada, pois ausente previsão legal para tanto. Ainda, a mera alegação de congestionamento no sítio da internet no último dia do prazo para entrega das DOI da competência março de 2002 não pode elidir a multa lançada,quando, comprovadamente, a Receita Federal recepcionou quase 1,4 milhões de declarações neste dia. Recurso voluntário provido parcialmente.

turma_s : Sexta Câmara

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secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de intimação prévia ao lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso em relação à multa por falta de entrega das DOI para: i) cancelar a multa referente às operações de ifs 1, 3, 5, 7, 8 e 10; e ii) reduzir em vinte e cinco por cento a multa referente às DOI das demais operações, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-10T20:03:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-10T20:03:09Z; Last-Modified: 2009-07-10T20:03:10Z; dcterms:modified: 2009-07-10T20:03:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-10T20:03:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-10T20:03:10Z; meta:save-date: 2009-07-10T20:03:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-10T20:03:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-10T20:03:09Z; created: 2009-07-10T20:03:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-07-10T20:03:09Z; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-10T20:03:09Z | Conteúdo => It1/4 s. . .. . • . • CCOI/C06 Fls. 358 MINISTÉRIO DA FAZENDA ''.'t g' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ";;4%.Vsre>--;'=•• SEXTA CÂMARA Processo n° 10680.014522/2002-19 Recurso n° 151.486 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 1999 a 2004 Acórdão n° 106-16.870 Sessão de 24 de abril de 2008 Recorrente CARLOS ALBERTO FAGUNDES AMARAL Recorrida 2 TURMA/DRJ em BELO HORIZONTE - MG ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1998, 2000, 2001, 2002 MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - DESNECESSIDADE DE PRÉVIA INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOI ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - A AUSÊNCIA DA INTIMAÇÃO PRÉVIA IMPLICA EM DEFERIR A REDUÇÃO DA MULTA LANÇADA PREVISTA NO ART. 8°, § 2°, II, "b", DA LEI N° • 10.426/2002 - Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Transação Imobiliária (DOI), a omissão do cumprimento dessa obrigação acessória sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a um por cento ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o piso mínimo, como definido na Lei n° 10.426/02. A autoridade fiscal não está obrigada a intimar o contribuinte para apresentar as DOI omissas previamente ao lançamento. Entretanto, caso haja a intimação, atendendo-a, o contribuinte fará jus a redução de 25% na multa lançada. No caso vertente, considerando a inexistência da intimação prévia para apresentar as DOI antes do lançamento fiscal, é de se presumir que o contribuinte iria atendê-la, devendo ser deferida a redução no percentual de 25% da multa lançada. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL PARA MUNICÍPIO EM CONTRAPARTIDA A LOTEAMENTO - OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA DA DOI - A operação em destaque, apesar de prevista na da Lei Federal n° 6.766/79, não se enquadra nas exceções de dispensa da entrega de DOI, previstas no art. 7° da IN SRF n°4/1998. )MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - - - . • Processo n° 10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-18.870 Fls. 359 COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PRETENSAMENTE OMISSA - Comprovada a entrega da DOI pretensamente omissa, deve-se cancelar a multa lançada. MULTA POR OMISSÃO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONFISCO - INOCORRÊNCIA - Na forma da Constituição Federal, apenas os tributos são informados pelo principio do não confisco. Não há que se falar em principio do não confisco quando versamos sobre multa pecuniária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS - DOI - CONDUTA PRETENSAMENTE ESCUSÁVEL - IMPOSSIBILIDADE - CONGESTIONAMENTO DO SITIO DA INTERNET DA RECEITA FEDERAL - MERA ALEGAÇÃO - Quando da autuação em decorrência do descumprimento de uma obrigação acessória, não se leva em conta o elemento volitivo, sendo desnecessário questionar se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, ou mesmo escudado em pretensa causa de inexigibilidade de conduta diversa. Conduta pretensamente escusável não tem o condão de afastar a multa lançada, pois ausente previsão legal para tanto. Ainda, a mera alegação de congestionamento no sitio da internet no último dia do prazo para entrega das DOI da competência março de 2002 não pode elidir a multa lançada, quando, comprovadamente, a Receita Federal recepcionou quase 1,4 milhões de declarações neste dia. Recurso voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CARLOS ALBERTO FAGUNDES AMARAL. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de intimação prévia ao lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso em relação à multa por falta de entrega das DOI para: i) cancelar a multa referente às operações de ifs 1, 3, 5, 7, 8 e 10; e ii) reduzir em vinte e cinco por cento a multa referente às DOI das demais operações, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANatdIB- .if0 DOS REIS Presidente GI ANNI C ft. ' • " NUNES CA 4 'IS R,ator p ORMAL .D3 03 JUN 2008 2 Processo n°10680.014522/2002-19 CC01/036 Acórdão n.° 108-16.870 pi, FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Antonio de Paula, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Ana Neyle Olímpio Holanda, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em face do contribuinte CARLOS ALBERTO FAGUNDES AMARAL, CPF/MF n° 175.870.006-82, já qualificado nestes autos, foi lavrado, em 11/10/2002, Auto de Infração (fls. 04 a 16 e 117 a 127), com ciência pessoal em 11/10/2002 (fls. 117). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 139 a 245. Para explicitar os motivos da impugnação, bem como delimitar o objeto da autuação, transcrevemos o relatório da decisão a quo, que teve como relatora a AFRFB Tâmara Cristina Ribeiro Marchiori, verbis: Contra o Contribuinte Carlos Alberto Fagundes Amaral, CPF 175.870.006-82, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/16 (ciência em 11/10/2002, Il. 04), no qual formalizou-se a exigência de multa regulamentar prevista no Decreto-lei n° 1.510, de 17 de dezembro de 1976 (art. 15, §§ 1° e 2°), nos arts. 976 e 1.010 do Regulamento de Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto n°. 1.041, de 11 de janeiro de 1994- RIR/1994, nos arts. 71 e 72 da Lei n°9.532. de 10 de dezembro de 1997, nos arts. 940 e 976 do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 — R1R11999, no art. 8° da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n°10.426, de 24 de abril de 2002 (art. 8°), no valor de R$ 215.235,53, pela falta/atraso de apresentação da Declaração sobre Operação Imobiliária DOI), conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) de folhas 17/25, parte integrante do auto de infração, do Cartório do 5° Oficio de Notas de Belo Horizonte/MG, CNPJ 16.740.367/0001-04, do qual o autuado é o titular. Foram lavrados Termo de Revelia e Carta Cobrança, conforme documentos de folhas 130/137. Uma vez constatado o protocolo da impugnação em processo à parte foi proposto o cancelamento do Termo de Revelia (ff 138). Inconformado com a presente exigência fiscal, o impugnante apresentou, em 12/11/2002, a peça impugnatária de fls. 139/158, documentação de folhas 159/245, com as argumentações a seguir sintetizadas. O impugnante aponta o que chama de 'equívocos grotescos' no levantamento fiscal, o que compromete a credibilidade dos trabalhos fiscais, nesse sentido, diz que foi multado duas vezes pela não entrega, duas vezes pela entrega em atraso em relação a uma mesma DOI. .4 • 3 Processo n° 10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-18.870 Fls. 361 Da multa por não entrega da DOI Em relação ao item 01 do auto de infração (falta de entrega de 23 DOI: multa de R$46. 769,66) alega que a multa aplicada referentes aos n as de ordem 01, 03, 05, 07, 08 e 10 (da 1° Planilha do TVF —fls. 17/18) deve ser declarada nula, pois as DOI foram devidamente entregues, conforme doc. n° 02, 03, 04, 05, 06, e 07 — fls. 162/168, respectivamente. Para a multa aplicada em relação à DOI de n° de ordem 09 da 1" Planilha do TVF — fls. 17/18 afirma tratar-se de transação não imobiliária, por tratar-se de área urbana da Fayal S / A transferida para o domínio do Município de Belo Horizonte, a titulo gratuito. Para comprovar anexou doc. n°08 —fls. 169/171). Sob a alegaç ao de que os procedimentos previstos na Norma de Execução da SRF n° 02, de 15 de janeiro de 1986 (1is. 172/191), mantidos pela NE CIEFICSF n° 027, de 1990, não foram cumpridos reclama pela declaração de nulidade de todas as multas lançadas pela não entrega das DOI. Diz que a necessidade de intimação prévia também encontra-se prevista no art. 7°, §2°, inciso II da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n°10.462, de 24 de abril de 2002. Cita Ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes destacando parte do voto. Com relação à DOI de n° de ordem 22 da 1° Planilha do TYF — fls. 17/18 afirma tratar-se de duplo lançamento, pois também fora lançada a multa por atraso na entrega da declaração - n° de ordem 69 da ?Planilha do TVFfls. 18/24. Para a multa de R$3 7.000,00 lançada — n° de ordem 18 da 1° Planilha do TVF —fls. 17/18 assevera que neste caso especifico a multa deixou de ser acessória para torna-se principal e única, além de ser superior aos emolumentos do ato o que lhe confere incontestável caráter de confisco, proibido pelo art. 150 inciso IV da Constituição Federal. Da multa por entrega com atraso das DOI A seguir o impugnante pontua os equívocos relacionados a 2" Planilha do TVF (fls. 18/24): - em relação ao n° de ordem 01 diz tratar-se de declaração retificadora anexando o docs. n° 1311s. 211/213. - para as DOI correspondentes aos n° de ordem 02 a 22, e de n° 198 a 225 o atraso ocorreu em razão de fato escusável As DOI de n° de ordem 02 a 22 não foram recebidas pela SRF, sob a alegação de repetição na numeração de controle. O serventuário por erro material (e por informação pouco precisa da SRF) numerou equivocadamente as DOI entregues em janeiro de 2000, referentes as operações ocorridas em dezembro de 1999, sob os n° de 001/2000 a ki 019/2000 e não na seqüência das DOI de novembro de 1999. Contudo,'d 4 Processo n°10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-18.870 Fls. 362 a SRF não acusou erros na entrega dessa DOI veio afazê-lo quando da entrega das DOI de janeiro também com a numeração de 001/2000 a 019/2000 e seguintes, não recepcionadas e entregues no 1° dia útil seguinte, fora do prazo, o que resultou na imposição de multa de 1% sobre o valor de cada operação. O atraso na entrega das DOI de n" de ordem 198 a 225 ocorreu em virtude de congestionamento do sistema e absoluta inviabilidade técnica de acesso ao programa de transmissão via internet, sendo justificável o atraso. - a de n° de ordem 69 também foi alvo de multa por falta de entrega (n° de ordem 22 do 1" Planilha TVF —fls. 17/18. - a de n° de ordem 75 refere-se a escritura lavrada em 19 de outubro de 2001 e cancelada por falta de assinatura (doc. anexo n° 15 — fls. 221/225). Destaca que autoridade fiscal não aplicou a redução prevista nos termos da legislação aplicável e das orientações da própria SRF. Reclama pela aplicaçã o de penalidade mais benéfica. Dessa forma, as multas aplicadas em relação as DOI de n° de ordem 01 a 126 devem ser recalculadas, para aplicar-se a Lei n°10.426, de 2001. Da multa por entrega com atraso das DOI (item 3 do auto de infração) Com relação a DOI n°32201 (n° de ordem 1 da 3° Planilha do 71/F) afirma que houve multa por falta de entrega (n" de ordem 22 da l a Planilha do TI'?) e multa pela entrega com atraso (n° 68 da 2" Planilha do TVF), motivo pelo qual a penalidade deve ser anulada. Requer seja reconhecida e provida a impugnação, julgando-se improcedente o auto de infração, cancelando-se as multas aplicadas ou, sucessivamente, o recalculo das penalidades com aplicação de legislação mais benéfica. A 2' Turma de Julgamento da DRI-Belo Horizonte (MG), por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão de fls. 256 a 279. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 9.179, de 16 de agosto de 2005, que foi assim ementado: Multa por falta / atraso na entrega da Declaração sobre Transação Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Transação Imobiliária (DOI), a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a um por cento ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a I% observado o limite mínimo. Atraso na entrega da Declaração sobre Transação Imobiliária - Congestionamento na Internet 5 Processo n°10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n.°108-18.870 Eis. 363 O congestionamento na internet não constitui motivo justificador do atraso na entrega da Declaração sobre Transação Imobiliária (DOI), não sendo, portanto, argumento hábil a exonerar a multa aplicada. Redução da Multa. A multa será reduzida à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de oficio e a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação. Retroatividade Benigna. Em matéria de infrações e penalidades, a lei nova retroage para alcançar fatos ainda não definitivamente julgados. Após o julgamento do 1° grau, quando se apreciou as razões da impugnação e aplicou-se a novel legislação mais benéfica (Lei n" 10.426/02), a exação foi mantida nos seguintes termos: Mantido no Auto de Infração voto item 1 46.769,66 44.385,84 item 2 166.032,05 44.731,81 item 3 - a 2.383,82 0,00 item 3 - b 50,00 50,00 Total 215.235,53 89.167,65 Rem 1- multa pela falta de entrega das DOI Item 2— multa pela entrega fora do prazo das DOI Rem 3-b — incorreção no preenchimento de 04 DOI O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 08/02/2006 (fls. 286). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 04/03/2006 (fls. 287). No voluntário, o recorrente deduz os seguintes argumentos: 1. Infração — item 1 — Termo de Verificação Fiscal - multa pela falta de entrega das DOI a. pugna pelo cancelamento deste item da autuação, pois a autoridade administrativa tinha o dever de intimar previamente, antes da abertura da ação fiscal, o titular do cartório para apresentar as DOI, como expressamente previsto na Norma de Execução SRF n° 02/1986 e NE CIEF/CSF n° 027/90. Traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes em abono dessa tese. Por fim, enfatiza que a necessidade de intimação encontra- se igualmente prevista na Lei n° 10.426/2002, que, adicionalmente, prevê a redução a 75% da multa, no caso de atendimento da intimação; b. da correta entrega das DOI relativas às operações n"s 01, 03, 05, 07, 08 e 10 — o recorrente traz, aos autos, cópia dos recibod • , Processo n° 10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-18.870 Fls. 364 entrega das DOI dessas operações, as quais foram entregues tempestivamente; c. da inexistência de operação imobiliária relativamente à DOI da operação de n° 09 — tratava-se de área urbana transferida coercitivamente e a titulo gratuito para a municipalidade de Belo Horizonte, a teor da Lei Federal n° 6.766/79, como contrapartida da aprovação de loteamento habitacional, para permitir a instalação equipamentos urbanos. Não se tratava de operação imobiliária. Ademais, não se amoldaria ao estatuído no art. 2°, § 1°, do Decreto-Lei n° 1.381/74, que foi a legislação citada pelo julgador a quo; d. a multa referente à DOI de n° 18 seria confiscatória, pois montou R$ 37.000,00, e os emolumentos cobrados na operação imobiliária atingiram apenas R$ 3.683,50, na forma da tabela oficial publicada pela Corregedoria de Justiça e Nota Fiscal respectiva; 2. Infração — item 2— Termo de Verificação Fiscal — multa por entrega com atraso das DOI a. DOI de nc's 02 a 22 — estas declarações referiam-se às operações imobiliárias concretizadas em janeiro de 2000, com DOI entregues em fevereiro de 2000. Quando da entrega da DOI das operações concretizadas em dezembro de 1999, efetuada em janeiro de 2000, utilizara-se, indevidamente, a seqüência inicial do ano 2000. Esta mesma seqüência inicial de 2000 foi utilizada corretamente nas DOI das operações concretizadas em janeiro de 2000. Considerando a duplicidade das numerações, o sistema da Receita Federal rejeitou a DOI das operações de janeiro de 2000. O programa gerador de declaração da Receita Federal era impreciso, o que levou o serventuário do cartório a incorrer em erro, sendo plenamente escusável o erro cometido; b. DOI de ri% 198 a 225 — trata-se de operações imobiliárias do mês de março de 2002, cujo prazo fatal de entrega das DOI ocorreu em 30/04/2002, que coincidiu com o último dia da entrega da declaração de ajuste anual da pessoa fisica. A coincidência do vencimento das obrigações acessórias levou a um congestionamento no web site da Receita Federal, impossibilitando a transmissão, a qual foi efetuada no primeiro dia útil subseqüente. Distribuído o processo a este Conselheiro, veio numerado até às folhas 354 (última). É o relatório. 7 . . . . • Processo n° 10680.01452212002-19 CC01/036 Acórdão n.° 108-16.870 Fls. 365 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Primeiramente, declara-se a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 08/02/2006 (fls. 286) e interpôs o recurso voluntário em 04/03/2006 (fls. 287), dentro do trinticlio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, dele tomo conhecimento. Relacionamos a exação mantida na decisão recorrida: Mantido no Auto de Infração voto item 1 46.769,66 44.385,84 item 2 166.032,05 44.731,81 item 3 - a 2.383,82 0,00 item 3 - b 50,00 50,00 Total 215.235,53 89.167,65 Item 1- multa pela falta de entrega das DOI (n° de ordem 1 a 21 e 23) Item 2 — multa pela entrega fora do prazo das DOI (n° de ordem de 2 a 308) Item 3-b — incorreção no preenchimento de 04 DOI No recurso voluntário, em relação ao item 1 acima, o recorrente levanta uma preliminar para fulminar a multa lançada (ausência de intimação prévia para regularização, o que teria violado o rito do procedimento do lançamento), bem como adentra no mérito em relação às operações de n° de ordem 01, 03, 05, 07, 08 e 10, alegando que as DOI foram entregues no prazo; à de n° de ordem 09 não representou operação imobiliária; e, por fim, pugna pelo reconhecimento do caráter confiscatório em relação à operação de n° de ordem 18. Em relação ao item 2, insurge-se contra as multas das operações de n° de ordem 2 a 22, argüindo que o erro cometido era escusável; e de n° de ordem 198 a 225, afirmando que descumpriu o prazo da obrigação acessória devido ao congestionamento no web site da Receita Federal. Não há insurgência contra a multa do item 3-b. Inicialmente, vamos apreciar a preliminar de nulidade em relação ao item 1 (operações omissas de DOI). O recorrente pugna pela declaração de nulidade de todas as multas lançadas pela não entrega das DOI (item 1), alegando que não foram cumpridos os procedimentos previstos na NE SRF n°02/1986, mantidos pela NE CIEF/CSF n°027/1990. Traz em socorro de sua tese o aresto da Segunda Câmara de n° 102-45.502. Adicionalmente, afirma que o art. 7°, § 2°, II, da MP 16/2001, convertida na Lei n° 10.426/2002, "prevê a redução a 75% da multa caso a DOI seja apresentada no "prazo fixado em intimação". Assim, ad argumentandum, a fatal da intimação, no mínimo, impediri - ..18 Processo n° 10680.014522/2002-19 CC01/C06• Acórdão n.° 108-18.870 Fls. 366 ao serventuário o gozo do direito à redução da multa, em franca contrariedade ao disposto na Lei 10.462/02 (que tem aplicação retroativa, por ser mais benéfica)". Inicialmente, o aresto citado acima foi reformado pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 13 de dezembro de 2005, Acórdão n° CSRF/04- 00.130, relatora a conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, restando assim ementado: MULTA - DECLARAÇÃO SOBRE OPERAÇÃO IMOBILIÁRIA (DOI) - APRESENTAÇÃO EXTEMPORÂNEA - Cabível a exigência da multa por atraso na apresentação da DOI, nos termos da legislação tributária, ainda que espontaneamente. Nilo há de prevalecer o procedimento administrativo previsto na NE CIEF/CSF n°027, de 1990, vez que derrogada pela NE SRF/COTEC/COFIS n°05, de 1996. Vigente, à época do evento, a IN-SRF n° 163, de 1999. Como evidenciado no Acórdão acima, a NE CIEF/CSF n° 027/1990 foi revogada pela NE SRF/COTEC/COFIS n° 05/1996. Esta revogou o procedimento de intimação prévia prevista na antiga NE CIEF/CSF n° 027/1990. A vetusta base legal da multa da DOI, vigente, inclusive, na época das omissões das DOI dos anos de 1998 a 2001, era o art. 15 do Decreto-Lei n°1.510/77, assim vazado: Art 15. Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartório de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação à Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizam aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definidos no art. 2° § I° do Decreto-lei n°1.381, de 23 de dezembro de 1974. (Vide Lei n°9.532, de 1997) § 1° A comunicação deve ser efetuada em meio magnético aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) § 20 O não cumprimento do disposto neste artigo sujeitará o infrator a multa correspondente a I% (um por cento) do valor do ato. Observe que o Decreto-Lei em destaque não fazia qualquer menção à intimação prévia ao contribuinte, para cumprimento da obrigação acessória, estando tal rito, apenas, descrito nas NE SRF n° 02/1986 e NE CIEF/CSF n° 027/1990, porém revogado, como já dito, pela NE SRF/COTEC/COFIS n°05/1996. Nas Instruções Normativas SRF n° 04, de 12 de janeiro de 1998, n° 163, de 23 de dezembro de 1999 e SRF n°56, de 31 de Maio de 2001, vigentes nas épocas das omissões aqui referidas, apenas se registravam a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração, sem menção a qualquer procedimento, como igualmente definido no Decreto-Lei n° 1.510/77. Transcrevemos as normas em destaque: Instrução Normativa SRF n° 04, de 12 de janeiro de 1998 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA Art. 9° O atraso na entrega da declaração ou a não comunicação de operaçã o imobiliária no prazo previsto no artigo 4°, sujeitará o • . . Processo n° 10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão 106-16.870 Fls. 367 serventuário da justiça à multa correspondente a I% (um por cento) do valor da operação (Decreto-lei n°1.510/76, art. 15, § 2°). Instrução Normativa SRF n°163, de 23 de dezembro de 1999 MULTA POR ATRASO NA E1VTREGA Art. 72 A falta de comunicação de operação imobiliária ou o atraso na entrega da DOI no prazo previsto no artigo 42, sujeitará o serventuário da justiça à multa prevista no art. 15, § 2'2, do Decreto-lei n2 1.510, de 27 de dezembro de 1976. Instrução Normativa SRF n° 56, de 31 de Maio de 2001 Multa por Atraso na Entrega Art. 7°A falta de comunicação de operação imobiliária, ou o atraso na entrega da DOI, sujeitará o serventuário da justiça à multa prevista no art. 15, § 2°, do Decreto-lei n°1.510, de 1976. Como se vê, não havia qualquer procedimento prévio a ser tomado pela autoridade autuante no ano da autuação (2002). Quanto à menção ao procedimento do art. 7°, § 2°, II, da Lei n° 10.426/2002, equivoca-se o recorrente, pois esse artigo versa sobre a omissão ou entrega a destempo da DIPJ, DCTF, declaração simplificada da pessoa jurídica, DIRF e DACON. Não versa sobre a DOI. Entretanto, a questão aventada no recurso tem sede legal no art. 8° da Lei n° 10.426/2002, assim vazado: Art.820s serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. §12.4 cada operação imobiliária corresponderá uma DOI, que deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, sujeitando-se o responsável, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, à multa de 0,1% ao mês-calendário ou fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o disposto no inciso III do § g 2A multa de que trata o § 12: 1-terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração,. II-será reduzida: )2dioj • Processo n°10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n.° 106-16.870 Fls. 368 a)à metade, caso a declaração seja apresentada antes de qualquer procedimento de oficio; b)a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; 111-será de, no mínimo, R$ 500,00 (quinhentos reais). 111 — será de, no mínimo, R$ 20,00 (vinte reais). (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) §320 responsável que apresentar DOI com incorreções ou omissões será intimado a apresentar declaração retificadora, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á à multa de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por informação inexata, incompleta ou omitida, que será reduzida em cinqüenta por cento, caso a retificadora seja apresentada no prazo fixado. (grifei) Observe, mais uma vez, que não há obrigatoriedade de que contribuinte seja previamente intimado, antes do lançamento Entretanto, prevê que caso haja a intimação, atendendo-a, a multa será reduzida em 25% (art. 8°, § 2°, II, "b"). No auto de infração, pelo Termo de Intimação Fiscal de fls. 27, o contribuinte foi intimado, apenas, a retificar 05 DOI, sendo que apenas a de n° de ordem 01 tratava de omissão da entrega de DOI (inclusive, teve sua multa cancelada pela decisão de 1° grau). Mesmo entendendo que o Auditor-Fiscal não estava obrigado a intimar o contribuinte para entregar as DOI omissas pela novel legislação, reconheço que caso houvesse a intimação, o recorrente poderia utilizar-se da redução prevista em lei (os já referidos 25% da multa lançada). Quando o Auditor-Fiscal não fez a intimação, suprimiu essa benesse legal. Aqui, um breve parêntese. No tocante ao item 2 da autuação, que se referem às DOI entregues fora do prazo, a decisão de 1° grau reduziu as multas pela metade, na estrita dicção do art. 8°, § 2°, II, "a", pois a legislação mais benéfica deve retroagir. Na linha acima, entendo que multa cheia, no percentual de 100%, somente poderia ser aplicada se o contribuinte não tivesse apresentado as DOI omissas no prazo fixado na intimação. Atendida a intimação, o contribuinte faria jus à redução de 25% da multa lançada. Como nos autos não há registro da intimação para apresentação das DOI omissas, é de se perceber que o Auditor-Fiscal suprimiu esta etapa. Assim, plausível presumir que o contribuinte cumpriria a intimação do Auditor-Fiscal, sendo de justiça à redução da multa por omissão das DOI em 25%. Dessa forma, afasto a preliminar de nulidade aventada, porém, já adentrando no mérito, reconheço o direito do recorrente à redução em 25% do total da multa lançada no item 1 (DOI omissas). Agora, vamos apreciar as demais questões de mérito em relação ao item 1. O recorrente afirma que as DOI omissas das operações de n° de ordem 01, 03 k. 05, 07, 08 e 10 (item 1) foram entregues no prazo. • Processo n°10680.01452212002-I9 CCOI/C06 Acórdão n.° 108-16.870 Fls. 369 Na impugnação, o contribuinte havia juntado uma recomposição do recibo das DOI do mês de janeiro de 1998 (fls. 162), com indicação do número do disquete, comprovando a operação de n° de ordem 01, e cópias dos espelhos das próprias DOI das operações de n° de ordem 03, 05, 07, 08 e 10 (fls. 164 a 168). Em todos os recibos havia carimbos indicando a recepção na DRF-Belo Horizonte (MG), com datas contemporâneas à entrega das DOI. A autoridade julgadora a quo afastou o recibo do mês de janeiro de 1998, pois o serventuário do Cartório havia assinado e aposto manualmente a data de 05/06/1998, em desconformidade com a data da recepção na DRF, 16/02/1998. Quanto aos espelhos das DOI das demais operações, apesar de carimbados tempestivamente pela DRF, entendeu que se tratava de apenas formulários de DOI preenchidas, não representando o recibo de entrega. Ainda, a autoridade julgadora informou que nenhuma das DOI das operações aqui em debate constavam nos sistemas da Receita Federal. No voluntário, em relação às operações de n° de ordem 01 e 03, o recorrente voltou ajuntar o mesmo recibo outrora apresentado (fls. 307); e em relação às operações de n° de ordem 05, 07, 08 e 10, agora, apresentou cópias dos recibos de entrega do disquete de cada mês, com os competentes carimbos de recepção da DRF-Belo Horizonte (MG). Todos os recibos estão assinados pelo mesmo serventuário do cartório e, em cada um dos meses, constam as operações imobiliárias em debate. Os recibos apresentados gozam de presunção de veracidade. Estão com registro de recepção pela DRF-Belo Horizonte, descrevendo as pretensas operações omissas (além de outras). Quanto ao recibo das DOI de janeiro de 1998, a colocação manual da data pelo serventuário, meses após o carimbo de recepção, não tem o condão de invalidar esse documento. Simplesmente, o recibo pode ter sido somente assinado pelo serventuário, que colocou a data posteriormente. É relevante notar que nos demais recibos, há a mesma assinatura do serventuário, só que com a data manual de confecção do recibo das DOI em data anterior ou igual à data de entrega na DRF, o que reforça a presunção de veracidade e legitimidade dos recibos. Quanto à inexistência do registro das operações imobiliárias nos sistemas da Receita Federal, isso seria um mero indicio da não entrega da declaração, agora infirmado pelos competentes recibos. Deve-se evidenciar que, na época da entrega das DOI (1998), no começo da utilização dos disquetes de 3,5 polegadas, era comum a recepção dos PGD (programas geradores de declaração) com rejeição posterior de registros dos arquivos ou dos arquivos magnéticos integralmente. Por tudo, considero comprovada a entrega das DOI referentes às operações imobiliárias de n° de ordem 01, 03, 05, 07,08 e 10 (item 1), devendo ser cancelada a multa em relação a essas operações. Ainda em relação ao item 1 (DOI omissas), o recorrente alega que a de n° de ordem 09 não representou operação imobiliária, pois se tratara de transferência de imóvel para a municipalidade de Belo Horizonte, a titulo gratuito, em contrapartida a loteamento aprovado pelo município, nos termos do art. 22 da Lei n° 6.766/79 1 . Ainda, afirma que tal transferência Lei no 6.766, de 19 de dezembro de 1979 Art. 22 - Desde a data de registro do loteamento, passam a integrar o domínio do Município as vias e praças, os espaços, livres e as áreas destinadas a edificios públicos e outros equipamentos urbanos, constantes do projeto e do memorial descritivo. 2 • Processo re 10680.014522/2002-19 CC01/C06 Acórdão n.° 106-16.570 tis 370 não pode se subsumir aos limites normativos do Decreto-Lei n° 1.381/74, este definidor das operações imobiliárias sujeitas à DOI. No Decreto-Lei acima, relacionam-se as operações sujeitas à DOI. Discriminamo-las: 1. aquisição e alienação por atos de compra e venda; 2. permuta; 3. transferência do domínio útil de imóveis foreiros; 4. cessão de direitos e de promessas das operações de 1 a 3, acima; 5. adjudicação ou arrematação em hasta pública; 6. por outros contratos afins em que haja transmissão de imóveis ou de direitos sobre imóveis. O recorrente argumenta que, na espécie, sequer há negócio jurídico. No caso aqui em debate, a escritura pública de transferência de domínio que fez a Fayal S/A ao município de Belo Horizonte representa um negócio jurídico, estando seus elementos essenciais genéricos presentes, que são a capacidade e legitimação das partes, manifestação de vontade isenta de vícios e objeto lícito, possível e determinado. Tal escritura é a concretização do negócio jurídico exigido pela Lei n° 6.766/77. Caso não houvesse a necessidade dessa formalidade, bastaria solicitar a inscrição das áreas diretamente no Cartório de Registro Imobiliário. Dessa forma, entendo que a exigência da DOI para a operação aqui discutida encontra-se albergada na fórmula geral do item 6 acima, quando se fala em outros contratos afins em que haja transmissão de imóveis ou de direitos sobre imóveis. Ademais, devem-se respeitar as condições de dispensa de entrega da DOI, previstas no art. 70 da IN SRF n°4/1998, abaixo, entre as quais não se encontra a operação aqui debatida: Dispensa de Apresentação da Declaração Art. 7° Ficam os Cartórios dispensados de preencher a declaração, somente quando: 1- o alienante figurar como pessoa jurídica de direito público; II - se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, conforme disposto no § ?do art. 184. da Constituição Federal; III - a compra e venda se der em cumprimento de promessa de venda, cessão de direitos ou promessa de cessão, desde que estes atos tenham sido: /3 • Processo n°10680.014522/2002-19 CCO I/C06 Acórdão n.° 106-16.870 Fls. 371 a) registrados há mais de cinco anos, contados do registro em cartórios de imóveis ou de títulos e documentos; b) comunicado à Si?? através da 'Declaração Sobre Operações Imobiliárias" quando de sua lavratura ou registro. IV - a compra e venda se der por escrituração, sem emissão de "Declaração Sobre Operações Imobiliárias", há mais de cinco anos e levados a registro em Cartórios de Imóveis. Dessa forma, mantenho a multa da DOI da operação de n° de ordem 09 do item 01. Por fim, em relação ao item 1 (DOI omissas), pugnou pelo reconhecimento do caráter confiscatório em relação à operação de n° de ordem 18. Aquele que infringe a norma legal deve ser sancionado, desde que haja a sanção na norma em questão. Assim, a sanção é o conseqüente da infração. Na lição de Sacha Calmon Navarro Coêlho2 : "Com a realização da infração in concretu incide o mandamento da norma sancionante. Vale dizer: realizado o "suposto" advém a "conseqüência", no caso a sanção, conforme prevista e nos exatos termos dessa mesma previsão". Ainda na lição de Sacha Calmon3 : "Multa é prestação pecuniária compulsória instituída em lei ou contrato em favor do particular ou do Estado, tendo por causa a prática de um ilícito (descumprimento de dever legal ou contratual)". A multa é uma sanção do ato ilícito. Assim, o contribuinte que infringiu a legislação tributária, quer pelo descumprimento de uma obrigação principal (não pagamento do imposto ou contribuição devida, no vencimento legal), quer de uma obrigação acessória (um fazer ou um não fazer), será apenado, com aplicação da multa de oficio, que será concretizada com a lavratura de um auto de infração. Cabe enfatizar que essa multa pode ser pecuniária. Entretanto, a sanção não se materializa somente em multas pecuniárias. Quando há uma apreensão de mercadorias ou a aplicação de uma pena de perdimento, isto é a sanção do ato ilícito. O descumprimento da norma tributária enseja a aplicação de multas, em regra, pecuniárias, porém, além das multas, pode ensejar a aplicação de norma penal em sentido estrito, como no caso dos tipos penais da Lei n° 8.137/90. Na lição de Ruy Barbosa Nogueira'', há 05 tipos de sanções fiscais administrativas: penas pecuniárias, apreensões, perda de mercadoria, sujeição a sistema especial de fiscalização e interdições. As penalidades pecuniárias são regidas por diversos princípios informadores de sua exigência, estando alguns positivados no Código Tributário Nacional. Devem observar o princípio da legalidade, da interpretação mais favorável e da retroatividade benigna. Entretanto, não há registro do princípio do não confisco. 2 COELHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e Prática das Multas Tributárias (Infrações Tributárias e Sanções Tributárias). 2. ed. Rio de Janeiro. forense, 2001. p. 39. 3 Op.cit., p.41. 4 NOGUEIRA, Ruy Barbosa..Curso de Direito Tributário. 15. ed., São Paulo, Saraiva, 1999. p. 202. 14 - . Processo n°10680.01452212002-19 CCOIC06 Acórdão n.° 106-16.870 Eis. 372 Entretanto, para melhor explicitar a controvérsia, transcrevemos a norma constitucional que positivou o princípio do não confisco em nosso ordenamento tributário: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, á vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 1- omissis; II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; III - cobrar tributos: a) omissis; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) omissis. IV - utilizar tributo com efeito de confisco; (.) (grifei) Vê-se que o princípio do não-confisco (art. 150, IV) aplica-se a tributos.. Como estampado no art. 30 do Código Tributário Nacional, tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito, como já enfatizado anteriormente, tem na multa pecuniária urna de suas espécies. Assim, tratando-se de multa pecuniária, não há que se falar em princípio da do não-confisco, aplicável, apenas a tributo. Afasta-se, então, qualquer violação do principio do não confisco, pois inaplicável na hipótese vertente. Concluindo o julgamento da irresignação em relação ao item 1, assim restou a exação mantida: Multa Multa Mantida - N° de Data da Vr. da Multa Mantida - Conselho de Ordem Alienação Alienação Lançada 1° grau Contribuintes 1 07/01/1998 38.000,00 380,00 380,00 0,00 2 09/01/1998 20.811,33 208,11 208,11 156,08 3 23/01/1998 27.500,00 275,00 275,00 0,00 4 23/01/1998 20.516,00 205,16 205,16 153,87 5 28/05/1998 30.000,00 300,00 300,00 0,00 6 03/06/1998 20.905,00 209,05 209,05 156,78 7 10/06/1998 35.000,00 350,00 350,00 0,00 8 27/07/1998 90.000,00 900,00 900,00 0,00 \11.. 9 28/07/1998 38.000,00 380,00 380,00 285,00 10 11/09/1998 68.800,00 688,00 688,00 0,00 5 , Processo n°10680.014522/2002-19 CCOI/C06 Acórdão n.• 106-16.870 Fls. 373 11 23/12/1998 56.722,00 567,22 567,22 425,41 12 30/12/1999 44.000,00 440,00 440,00 330,00 13 14/01/2000 34.000,00 340,00 340,00 255,00 14 26/05/2000 56.000,00 560,00 560,00 420,00 15 25/02/2000 38.000,00 380,00 380,00 285,00 16 01/03/2000 12.000,00 120,00 120,00 90,00 17 26/05/2000 27.000,00 270,00 270,00 202,50 18 17/10/2000 3.700.000,00 37.000,00 37.000,00 27.750,00 19 28/09/2000 20.000,00 200,00 200,00 150,00 20 13/12/2000 16.000,00 160,00 160,00 120,00 21 11/10/2001 38.130,32 381,30 381,30 285,97 22 17/10/2001 238.382,21 2.383,82 0,00 0,00 23 10/04/2002 18.000,00 72,00 72,00 54,00 Total: 46.769,66 44.385,84 31.119,61 Em relação ao item 2, insurge-se contra as multas das operações de n° de ordem 2 a 22, argüindo que o erro cometido seria escusável, e no caso das operações de n° de ordem 198 a 225, que descumpriu o prazo da obrigação acessória devido ao congestionamento no web site da Receita Federal. Como já dito, a multa pecuniária é aplicada quando o contribuinte infringiu a legislação tributária, quer pelo descumprimento de uma obrigação principal (não pagamento do imposto ou contribuição devida, no vencimento legal), quer de uma obrigação acessória (um fazer, um não fazer ou um suportar), não se perquirindo se o contribuinte agiu com dolo ou culpa, salvo disposição de lei em contrários. A escusabilidade do erro não é suficiente para afastar a multa lançada, pois não há essa previsão na legislação de regência da obrigação acessória em foco. Quanto ao pretenso congestionamento no web site da Receita Federal no dia 30/04/2002, trata-se de mera alegação do recorrente, sem qualquer prova. Para se ter uma idéia, o web site a SRF recebeu um total de 1.394.637 declarações6 no dia 30/04/2002. Por tudo, rejeito integralmente a irresignacão do recorrente no tocante ao item 2. Dessa forma, resumimos a exação mantida nesta instância: Mantida no Mantida no Auto de Infração voto da DRJ Conselho item 1 46.769,66 44.385,84 31.119,61 item 2 166.032,05 44.731,81 44.731,81 item 3 - a 2.383,82 0,00 0,00 item 3 - b 50,00 50,00 50,00 Total 215.235,53 89.167,65 75.901,42 3 Art. 136 do CTN - Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 6 Fonte: http://vnvw.estatisticas.sunat.serpro/estatisticassrU2002/Receitanet/PesquisanotalNoIntervalo.asp. Acesso em 20 de abril de 2008. 6 .., . e . . Processo n° 10680.014522/2002-19 CCOIA:06 Acórdão n.° 106-16.870 Fls. 374 Item I- multa pela falta de entrega das DOI (n° de ordem 1 a 21 e 23) Item 2 — multa pela entrega fora do prazo das DOI (n° de ordem de 2 a 308) Item 3-b — incorreção no preenchimento de 04 DOI Por tudo, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento por falta de intimação prévia ao lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso em relação à multa por falta de entrega das DOI para: i) cancelar a multa referente às operações de re's 1, 3, 5, 7, 8 e 10; e ii) reduzir em vinte e cinco por cento a multa referente às DOI das demais operações Sala d. : essões, em 24 de abril de 20084. i iovanni C " p -an N • es i • posII fl, • 17 Page 1 _0036200.PDF Page 1 _0036300.PDF Page 1 _0036400.PDF Page 1 _0036500.PDF Page 1 _0036600.PDF Page 1 _0036700.PDF Page 1 _0036800.PDF Page 1 _0036900.PDF Page 1 _0037000.PDF Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1

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4664901 #
Numero do processo: 10680.008423/92-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE – ANOS DE 1990 E 1991 – Nos termos do Ato Declaratório (Normativo) nr. 06, de 26.03.96, o Imposto de Renda na Fonte tributado de acordo com o artigo 8º, do Decreto-lei nr. 2.065/83, não se aplica aos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.89, revogado que foi pelos artigos 35 e 36 da Lei nr. 7.713/88. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 101-93247
Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Raul Pimentel

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-06T21:10:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-06T21:10:04Z; Last-Modified: 2009-07-06T21:10:05Z; dcterms:modified: 2009-07-06T21:10:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-06T21:10:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-06T21:10:05Z; meta:save-date: 2009-07-06T21:10:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-06T21:10:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-06T21:10:04Z; created: 2009-07-06T21:10:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-06T21:10:04Z; pdf:charsPerPage: 1086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-06T21:10:04Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n.°. : 10680.008423192-11 Recurso n.°. : 15.673 - EX OFFICIO Matéria: IRPF EXS: DE 1988 a 1991 Recorrente : DRJ EM BELO HORIZONTE — MG. Interessada : MINERAÇÃO SOCOIMEX LTDA. Sessão de : 20 de outubro de 2000 Acórdão n.°. : 101-93.247 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE — ANOS DE 1990 E 1991 — Nos termos do Ato Declaratório (Normativo) nr. 06, de 26.03.96, o Imposto de Renda na Fonte tributado de acordo com o artigo 8°, do Decreto-lei nr. 2.065/83, não se aplica aos fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.89, revogado que foi pelos artigos 35 e 36 da Lei nr. 7.713/88. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de ofício interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE — MG. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. - 7 EWSON PEREIlkikRODRIGUES PRESIDENTE -------- RAUL PIMENTEL RELATOR Processo n. : 10680.008423/92-11 2 Acórdão n.°. : 101-93.247 FORMALIZADO EM: 1 3 NOV 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, KAZUKI SHIOBARA, SANDRA MARIA FARONI, CELSO ALVES FEITOSA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. MINISIÉRIO DA FAZENDA 3 PRIMEIRO U.',I11 .-IW:E1.110 DE CONIRI9OINTES f-:' i"... c..) c: E.-..,:r; •:::5 c..) .. '.......: .1 (...3 6 ',:::3 ',.) --- ...-5 (...Yc'.. 3 .... 1 2 ..::: ..." ''..:) .',:-..' RELATOR 3: n O DE.....EGADO DA RECEJTA FEOERJ'.'N; nE 3H1 GAMENUO EM 9E1....0 HORIZONlE-MG. recorre de oficio de decisão orulatada pelo artigo 12 da Lei n2 9.749/93, através da qual foi desconstituído crédito tributário proveniente do de 1.andamento f.,".....f.. ntidj.0 do j MpostO MO Renda Retido na Fonte nos anos de 1990 e 1991, com base no artigo 82 do Dec„lei n2 2-,065/8, ce ....:1-vrorme Auto de Flifraçáo do decovr gincia de lançamento e .i .. ofício do Imposto de Renda. conira a pessoa luridica MINERAÇMO SOCOIME.X LTDA. GOVVIU dO Tun gamento a gerisán liberadora p Ato Declaratárío (1,1c....A-mativo) n2 06, de 26 .-03 .-96, gue determinava a inablica pilida ge do disposto no ãrtid0 82 dO Dev::.lei 11'2 2.065/93 a fatos geradores ocorridos a oarl...iY de 01-01-89, revogado due fora pelas ciovas. regras de lriliutação introduzidas pelos al-Ligo 35 J:. 36 da l...ei n2 7.717/99. 5'.:' O Rel.atório 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PR1MEIRD Cl11"-J£J.V10 DE i.....lUNTRIBUINTES Prueeso n g 10à80-0o8.423/9'.2.-11 Acórdão n g 101-.93.247 VOTO Conselheiro RAUL PIME.NTEL, Relator Recurso de O'fiLlO manlfestado de acordo com o disposto nu ai'Lido :...A. inciso f..„ do Decreto n g 7(..).2.....5/7'.::?.. modificado pelo artigo 1 0 da J.i n o 8.748/93, dele conheço. EotCMA COM a w....i.toridade Julgadora de primeiro grau pue bem e .;;aminou a questão e decidiu Julgar improceden1e a eid -èneia fiscal, Com efeito. trata--se do imposto de Renda na Fonte e..;.igido em lançamento decorrente de lançamento do Imposto de Renda de Pessoa. juridica. COM base no 0rtlqd d..,.: do Dee.lei ng 2.065/83, relativamente aos anos de LOMO OPM frlsou aquela autoridade. na TOi'-MR detE rminada pelo Ato Deciara1orio INormativo) n',..: ,...ib, M2 2b-- 03 --96. o Jmposto oe Nenda nã I- pnte, ti—limltado de EtCOr'dO COM o arLiço Sg do Decreto --..... 1e1 n g 2. 0:7i/85 nao se ap9.ica aos fatos geradores ocorridos a par-Lir- de 01-01 .-89, em face de Çrn......\ Processo n9 10 ,680.008423/92-11 5 AcOrdão n9 40193.247 Ante ;:.:.,:.WDStUs:, nego DY . c....vimenUo an Rf.,.et:15.!'-'50 de oficio. 9i., 20 el -20 t..") / ) 'r M E. NI . E1 .< R e 1. , Processo n° • 10680.008423/92-11 6 Acórdão n a : 101-93.247 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria Ministerial n°55, de 16 de março de 1998 ( D.O.U. de 17.03.98). Brasília-DF, em 1 3 NOV 2000 EDIfSON PEREIRA,RODRIGUES PRESIDÉNTE Ciente em J 7 NOV 2000 ,//// / 177/RODRIGI R`.;- ELLO PROCURADe- DA F -NDA NACIONAL Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10768.002986/2003-95
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPJ - RESULTADOS LÍQUIDOS DE OPERAÇÕESS DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR - Aplica-se às operações de hedge, que se caracterizam como atividades operacionais, normais e usuais da empresa, realizadas nos termos da Resolução CMN 2.012/1993, inclusive quando realizadas no exterior mediante operações de swap, o tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei 2.397/1987 (e respectivo § 1°) c/c o disposto no art. 63 da Lei 8.383/91, sendo ineficaz a restrição prevista no art. 1° da Circular Bacen 2.348/1993 que não consta da Resolução CMN 2.012/1993, bem como, no caso, ineficaz a norma prevista no art. 3° da Resolução CMN 2.138/1994, à medida que se converte em condição inexeqüível em relação às operações de swap realizadas no exterior. CSLL - RESULTADOS POSITIVOS OU NEGATIVOS DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR - A legislação da CSLL, aplicável anteriormente à data de 1° de outubro de 1999, a partir da qual passou a ter eficácia o art. 19 da MP 1.858-6/1999, não prevê ajustes ao valor do “resultado líquido do exercício”, a que se refere o art. 2° da Lei 7.689/1988, em que se encontram embutidos os resultados de operações de hedge, conformes à Resolução CMN 2.012/1993, mediante adição ou exclusão de tais resultados, positivos ou negativos, mormente quando se observa a ineficácia da restrição prevista no art. 1° da Circular Bacen 2.348/1993 que não consta da Resolução CMN 2.012/1993, bem como, no caso, a ineficácia da norma prevista no art. 3° da Resolução CMN 2.138/1994, à medida que se converte em condição inexeqüível em relação às operações de swap, que foram realizadas no exterior.
Numero da decisão: 105-15.503
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero, Cláudia Lúcia Pimentel Martins da Silva. (Suplente Convocada) e Luís Alberto Bacelar Vidal A Conselheira Nadja Rodrigues Romero fará declaração de voto.
Nome do relator: Irineu Bianchi

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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EL te:r• QUINTA CÂMARA Processo n° : 10768.002986/2003-95 Recurso n°. : 140.421 Matéria : IRPJ e OUTRO - EX.: 2000 Recorrente : BANCO BRASCAN S/A Recorrida : 88 TURMA/DRJ no RIO DE JANEIRO/RJ I Sessão de : 26 DE JANEIRO DE 2006 Acórdão n°. : 105-15.503 IRPJ - RESULTADOS LÍQUIDOS DE OPERAÇÕESS DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR - Aplica-se às operações de hedge, que se caracterizam como atividades operacionais, normais e usuais da empresa, realizadas nos termos da Resolução CMN 2.012/1993, inclusive quando realizadas no exterior mediante operações de swap, o tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei 2.397/1987 (e respectivo § 1 0) c/c o disposto no art. 63 da Lei 8.383/91, sendo ineficaz a restrição prevista no art. 1° da Circular Bacen 2.348/1993 que não consta da Resolução CMN 2.012/1993, bem como, no caso, ineficaz a norma prevista no art. 3° da Resolução CMN 2.138/1994, à medida que se converte em condição inexeqüível em relação às operações de swap realizadas no exterior. CSLL - RESULTADOS POSITIVOS OU NEGATIVOS DE OPERAÇÕES DE HEDGE REALIZADAS NO EXTERIOR - A legislação da CSLL, aplicável anteriormente à data de 1° de outubro de 1999, a partir da qual passou a ter eficácia o art. 19 da MP 1.858-6/1999, não prevê ajustes ao valor do "resultado liquido do exercício”, a que se refere o art. 2° da Lei 7.689/1988, em que se encontram embutidos os resultados de operações de hedge, conformes à Resolução CMN 2.012/1993, mediante adição ou exclusão de tais resultados, positivos ou negativos, mormente quando se observa a ineficácia da restrição prevista no art. 1° da Circular Bacen 2.348/1993 que não consta da Resolução CMN i 2.012/1993, bem como, no caso, a ineficácia da norma prevista no art. 3° ! da Resolução CMN 2.138/1994, à medida que se converte em condição inexeqüível em relação às operações de swap, que foram realizadas no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO BRASCAN S/A ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero, Cláudia Lúcia Pimentel Martins da Silv. uplente Convocada) e Luís Alberto Bacelar Vidal. A Conselheira Nadja Rodrigue- Rom- o fará declaração de voto. ai> MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 C51441ÉR i ityIE SIDENT S ALV 4 i ih- IRINEU BIANCHI RELATOR FORMALIZADO EM: 10 NOV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: DANIEL SAHAGOFF, EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. : 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. :»Pjá; QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 Recurso n°. : 140.421 Recorrente : BANCO BRASCAN S/A RELATÓRIO 1. BANCO BRASCAN S/A, qualificado nos autos, recorre a este colegiado da decisão proferida pela 8 8 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, no Acórdão DRJ/RJOI n° 4.460/2003, de 31 de outubro de 2003, que julgou procedentes os autos de infração lavrados para formalizar exigências fiscais referentes ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 2. Conforme os autos de infração, lavrados em 02.04.2003, o auditor fiscal glosou resultados negativos de operações de hedge (denominando-os "despesas indedutíveis") apropriados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, referentes ao ano-calendário de 1999, nos montantes de R$ 92.526.776,48 (sujeito à multa de 75%) e de R$ 32.791.062,87 (sujeito à multa de 150%), por considerá-los indedutíveis pelas razões apresentadas no Termo de Verificação Fiscal (TVF), citando como base de seu procedimento os seguintes fundamentos legais: a) Em relação ao IRPJ: - arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299 do RIR199; - art. 17 da Lei 9.430/96, c/c art. 25, § 5°, da Lei 9.249/95; - art. 63 da Lei 8.383/91, c/c art. 1° da Resolução CMN 2.012/93, c/c art. 1° da Circular Bacen n° 2.348/93; - art. 74, § 3°, da lei n°8.981/95, c/c art. 3° da Resolução CMN 2.138/94. Em relação à CSLL: - art. 2° e §§ da Lei 7.689/88; - art. 10 da Lei 9.316/96 e art. 28 da Lei 9.430/96; - art. 7° da Medida Provisória 1.807/99 e reedições; - art. 6° da Medida Provisória 1.858/99 e reedições. Obs.: no item 7.2.1 do TVF, consta, ainda, como enquadra - nto -I: 1117/2 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 • Acórdão n°. : 105-15.503 - MP n°2.158, art. 21 (antes, MP 1.858, art. 19, e MP 1.991, art. 21) 3. Trata-se de resultados negativos decorrentes de operações de "swap OTC" realizadas no exterior, em mercado de balcão, que foram utilizadas como instrumentos financeiros de operações de hedge destinadas a cobrir riscos de variação cambial de direitos adquiridos pelo sujeito passivo em operações de swap realizadas na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF) do Brasil. As operações de swap realizadas no exterior (e respectivos resultados) vão discriminadas no quadro a seguir (extraído da página 30 do TVF), tendo por contra-partes as instituições Mellon Bank N.A. e Banco Surinvest S.A.: Contrato Contra- Data Data da Valor Valor Resultado de câmbio Partes Base Liquid. Inicial (R$) 1nic.(US$) (R$) 99/000023 Mellon 13/07/98 15/01/99 12.192.600 10.500.000, 895.174,78 9/000044 Surinvest 12/01/99 29/01/99 60.545.000 50.000.000, 32.791.062,87 99/000051 Mellon 02/06/98 29/01/99 11.520.000 10.000.000, 6.258.350,10 99/000073 Mellon 14/01/99 02/02/99 13.193.000. 10.000.000, 5.936.587,36 99/000089 Mellon 04/08/98 08/02/99 5.821.500. 5.000.000, 2.944.115,3C 99/000137 Mel lon 31/08/98 02/03/99 5.881.500, 5.000.000. 3.894.936,78 99/000138 Mellon 12/01/99 02/03/99 12.109.000, 10.000.000, 8.300.818,61 99/000139 Mel lon 01/09/98 03/03/99 23.538.000, 20.000.000, 15.387.059,08 99/000166 Mellon 03/09/98 08/03/99 11.774.000. 10.000.000, 7.400.385,58 99/000251 Mellon 21/12198 23/03/99 6.034.000, 5.000.000, 2.905.527,72 99/000591 Mellon 22/05/98 26/05/99 22.994.000, 20.000.000. 7.707.741,21 99/000676 Mellon 29/04/99 02/06/99 5.088.900, 3.000.000. 66.970,86 99/000677 Mellon 05/05/99 02/06/99 3.346.800. 2.000.000, 16.089, I C 99/000831 Mellon 15/12/98 17/06/99 6.024.000. 5.000.000, 2.224.171,25 99/000989 Mel lon 11/05/99 02/07/95 8.259.000. 5.000.000, 408.807,01 99/000990 Mellon 10/05/99 02/07/99 5.013.600 3.000.000, 210.415,37 99/001094 Mellon 13/07/98, 15/07/99 12.773.200. 11.000.000. 5.540.356,48 99/001105 Mellon 14/07/98 16/07/99 12.780.900, 11.000.000, 5.315.483,85 99/001145 Mellon 16/07/98 20/07/99 13.357.250. 11.500.000 1 5.598.433,51 99/001196 Mellon 23/07/98 27/07/99 6.391.000 5.500.000. 2.764.651,72 99/001243 Mellon 11/05/99 03/08/99 8.259.000, 5.000.000. 378.838,03 99/001244 Mellon 30/07/98 03/08/99 5.816.000, 5.000.000 2.451.729,39 99/001528 Mellon 21/08/98 25/08/99 11.738.000, 10.000.000, 4.681.000,66 99/001647 Mellon 07/06/99 02/09/99 12.155.500. 7.000.000, 755.598,1C 99/001648 Mellon 08/06/99 02/09/99 8.706.000. 5.000.000, 483.534,63 TOTAL 1 125.317.839 OC 4. As razões pelas quais o auditor fiscal co sidere os resultados 4 41 4.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. ,71-Si> QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 negativos dessas operações indedutíveis podem ser resumidas na forma descrita a seguir. 5. Em relação ao IRPJ, como se extrai dos itens 5.1.1 e 5.2 do TVF, foram apresentadas Oduas razões (A despeito de o item 7.1 do TVF mencionar que as razões estão explicadas nos itens 5.1.1, 5.2, 6.4 e 6.5 do TVF, nota-se que os itens 6.4 e 6.5 limitam-se a apresentar fatos circunstanciais das explicações dadas, respectivamente, nos itens 5.1.1 e 5.2.): A primeira razão é descrita, em resumo, como segue: a) as operações de hedge (também chamadas de operações de cobertura), realizadas no exterior, foram realizadas em mercado de balcão, com base no art. 63 da Lei 8.383/91; b) nesse caso, segundo o art. 63 da Lei 8.383/91, para que referidas operações de cobertura pudessem ser contempladas com o tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei n° 2.397/87 (que admite a apropriação dos respectivos resultados líquidos na apuração da base de cálculo do IRPJ), seria necessário que, além de admitidas pelo CMN, observassem as normas e condições por ele (CMN) estabelecidas; c) ocorre que as operações de cobertura, admitidas pelo CMN na Resolução CMN 2.012/93, só poderiam ser, segundo a Circular Bacen n° 2.348/93, aquelas destinadas à cobertura de [objetos sujeitos a] "pagamentos ou recebimentos em moedas estrangeiras"; d) como os objetos da cobertura, vinculados às operações de hedge realizadas no exterior em mercado de balcão, eram ativos financeiros decorrentes de operações de swap realizadas na BMF, liquidáveis, portanto, em me - a nacional, tais objetos não atenderiam ao requisito estabelecido na Circular Bace ;8/93; 9 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ir QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 e)não atendido o requisito previsto na Circular Bacen 2.348/93, não teria sido, em conseqüência, atendida norma ou condição estabelecida pelo CMN, já que, na edição da Circular Bacen n° 2.348/93, foi invocada a competência delegada pelo art. 40 da Resolução CMN n° 2.012/93; f) por conseguinte, não atendida norma ou condição estabelecida pelo CMN, as operações de cobertura realizadas com suporte no art. 63 da Lei 8.383/91, não poderiam receber o tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei 2.397/87, ou seja, não poderiam ter seus resultados negativos apropriados na determinação da base de cálculo do IRPJ. Observação: sem prejuízo da compreensão dos fatos, o auditor fiscal menciona o art. 17 da Lei 9.430/96, em vez do art. 6° do Decreto-lei 2.397/87. A segunda razão é descrita, em resumo, como segue: a) as operações de hedge, realizadas no exterior, valeram-se, como instrumentos financeiros, de operações de swap realizadas em mercado de balcão; b) nesse caso, como os resultados negativos das operações de hedge confundem-se com os resultados negativos das operações de swap, para que pudessem ser computados na apuração da base de cálculo do IRPJ, deve ser obedecida ainda a exigência que decorre do art. 74, § 3°, da Lei 8.981/95, que só admite "o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas nos termos da legislação vigente"; c)a legislação vigente que prevê registro de operações de swap é o art. 3° da Resolução CMN 2.138/94, que estabeleceu a obrigatoriedade do registro das operações na CETIP ou em outro sistema de registro autoriza. pe • Banco Central do Brasil (Bacen) ou pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM 6 Á ve, ,_411 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES F. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 d) assim, o cômputo dos resultados negativos das operações de swap utilizadas como instrumentos financeiros das operações de hedge, além de depender da obediência das normas relativas ao hedge, dependia também da obediência da norma consignada no art. 3° da Resolução 2.138/94 (quanto ao registro das operações de swap); e) como as operações de swap não foram registradas na CETIP ou em outro sistema de registro autorizado pelo Bacen ou pela CVM, os resultados negativos não podiam ser computados na apuração da base de cálculo do IRPJ. 6) Em relação à CSLL, embora o item 7.2 do TVF mencione que as considerações quanto aos motivos do lançamento encontram-se nos itens 5.1.2, 6.4 e 6.5 do TVF, na verdade, o item 6.4 tece considerações sobre a exigência constante da Circular Bacen 2.348/93 (pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira) e o item 6.5 tece considerações sobre a exigência constante da Resolução CMN 2.138/94 (registro das operações de swap); apenas o item 5.1.2 apresenta a razão, excludente das demais, pela qual os resultados negativos das operações de hedge não foram computados na determinação da base de cálculo da CSLL, a saber: a) o art. 19 da MP 1.858-6, de 29 de junho de 1999, reproduzido pelo atual art. 21 da MP 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, estendeu à determinação da base de cálculo da CSLL as normas de tributação em bases universais, que dispõem sobre os efeitos da tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior b) segundo referidas normas de tributação em bases universais, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior são computados na apuração do lucro real, enquanto que os prejuízos, sofridos no exterior, não podem ser compensados com os lucros auferidos no Brasil (art. 25 da Lei 9.249/95); c) nesse contexto, o Ato Declaratório SRF 75/99 d - erminou que essa nova regra, intro t7c1 'ri pela MP 1.858-6/99, seria aplicável à err,i relação aos 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. " J:‘t QUINTA CÂMARA 4-fni Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 lucros, rendimentos e ganhos de capital disponibilizados a partir de 01/10/1999; d) segundo o auditor fiscal, a partir da MP n° 2.158, passa também a valer para a CSLL o disposto no art. 17 da Lei 9.430/96, que trata das operações de cobertura (hedge) realizadas no exterior, a saber "os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos nas operações de hedge no exterior, são computados na determinação da base de cálculo da CSLL, desde que tais operações tenham sido realizadas em bolsas no exterior"; e) anteriormente à MP 2.158 (vale dizer MP 1.858-6/99), os resultados obtidos no exterior (lucros, rendimentos, ganhos de capital e prejuízos) não podiam ser computados na apuração da base de cálculo da CSLL, pois a tributação dos resultados da pessoa jurídica estava baseada no princípio da territorialidade; f) assim, os prejuízos decorrentes das operações de swap realizadas no exterior em mercado de balcão (swap OTC), durante o ano de 1999, não podem ser computados na base de cálculo da CSLL, já que: (i) antes da aplicabilidade das normas da MP 1.858-6/99 (01.10.99), não era possível computar esses prejuízos na determinação da base de cálculo da CSLL; e (ii) depois de 01.10.99, os prejuízos só poderiam ser computados somente se as operações tivessem sido efetuadas com objetivo de hedge em bolsas no exterior, o que na realidade não ocorreu, uma vez que as operações foram feitas em mercado de balcão. 7. O TVF dá tratamento especifico à operação de hedge realizada com o Banco Surinvest S.A. Alega que a operação foi simulada com o objetivo de gerar perdas dedutíveis, às quais corresponderia ganho de residente no exterior suscetível de ser a ele remetido sem incidência de imposto de renda na fonte. A simulação consistiu na falsidade da data da operação, em razão de o anexo ao contrato firmado com o Banco Surinvest ter recebido data diversa da indicada no próprio contrato. Alega, ainda, que a simulação foi facilitada pela prática do sujeito passivo de contabil r suas operações ao final do mês e de não registrar na CETIP as operações realizad .s no .TC. 8 á r 49 h. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 A IMPUGNAÇÃO 8. O sujeito passivo, conforme petição de fls. 1559/1602, instruída com os documentos de fls. 1603/1729, impugnou regularmente as exigências fiscais, exceto as parcelas relativas ao crédito tributário decorrente da operação realizada com o Banco Surinvest, iniciada em 12.01.99 e concluída em 29.01.99, que foi liquidada na ocasião. 9. As razões de fato e de direito apresentadas pelo impugnante podem ser assim resumidas: CONSIDERAÇÕES SOBRE AS OPERAÇÕES REALIZADAS 10. Em 1998 e 1999, muitos consideravam ser significativo o risco cambial e, por isso, havia forte especulação e demanda por hedge, por parte de quem achava provável uma 'maxidesvalorização' ou mesmo uma mudança radical da política cambial então vigente, possibilidade que o governo brasileiro negava veementemente. 11.Dentro desse quadro de extrema liquidez de mercado, o impugnante realizou quarenta operações no mercado de balcão no exterior (on the market - OTC) para 'hedgear posições que assumira na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMF). Quinze dessas operações geraram ganho cambial e ingresso de divisas. Mas, com a mudança da politica cambial, em janeiro de 1999, o quadro se inverteu e outras 25 operações geraram perda cambial e remessa de divisas para o exterior. A recorrente computou os ganhos e as perdas das quarenta operações na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como aplicou a alíquota zero do IRF nas remessas de divisas. 12.O impugnante estruturou as operações dentro de um modelo, que lhe propiciariam resultados positivos, segundo a ilustração que segue. 13.Segundo o modelo, o Banco contrata na BMF oper. ão de swap, na qual troca com o mercado taxa de juros pré-fixada Ouros BMF), em nado período, > 9 4roi MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 por uma taxa igual à variação cambial no mesmo período, ambas as taxas aplicadas sobre montantes equivalentes. 14. Ao final do período, havendo igualdade entre a taxa de juros pré- fixada e a taxa de variação cambial, o Banco teria que pagar o resultado produzido pela taxa de juros e receber o resultado produzido pela taxa de variação cambial. Assim: a) Considerando que as taxas seriam idênticas, o resultado das operações seria nulo para o Banco. b)Considerando que a variação da taxa cambial fosse superior à taxa de juros, o Banco pagaria o valor correspondente aos juros e receberia o valor correspondente à variação da taxa cambial. Ao final, o Banco lucraria com a operação a diferença entre o valor pago e o valor recebido. c) Considerando que a variação da taxa cambial fosse inferior à taxa de juros, o Banco pagaria o valor correspondente aos juros e receberia o valor correspondente à variação cambial. Ao final, o Banco perderia a diferença entre o valor pago e o valor recebido. 15. Assim, as operações de swap cursadas na BMF assumiam posições de risco: podia-se ganhar ou perder. Como o banco opera de maneira prudente, procurou evitar as perdas contratando operação de hedge internacional, na forma da Resolução 2.012/93. 16. As contratações de hedge internacional, neste caso, são operações derivadas das operações realizadas na BMF. Em conformidade com as regras estipuladas pela Resolução 2.012/93, o Banco contrata com outro banco, no exterior, operações em que se compromete a pagar taxa igual à variação cambial contra o direito de receber taxa de juros pré-fixada, sempre superior à taxa de ju • p '-fixada da BMF. io Á .-4.„ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 4 ,-;:kLz, QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 17. Ao final de um período considerado, independente da flutuação da taxa de variação cambial no período, o Banco sempre ganha a diferença entre a taxa de juros a ser paga à BMF e a taxa de juros que recebe do banco no exterior. Isso porque, após a liquidação da operação de swap na BMF, o Banco teria as seguintes possíveis movimentações financeiras: a) Se a variação da taxa cambial for igual à taxa de juros da BMF, o Banco nada pagará ou receberá pela liquidação da operação cursada na BMF. Mas, na liquidação da operação de hedge, o Banco receberá a diferença entre taxa de juros e a vadação cambial; b)Se a variação da taxa cambial for superior à taxa de juros da BMF, o banco receberá a diferença relativamente à operação cursada na BMF, mas pagará a diferença relativamente à operação de hedge. Todavia, como a diferença resultante da operação de hedge será menor que a diferença resultante da operação cursada na BMF, o banco terá lucro; c)Se a variação da taxa cambial for menor que a taxa da BMF, o banco pagará a diferença resultante da operação cursada na BMF, mas receberá a diferença resultante da operação de hedge. Como esta segunda diferença é maior que a primeira, o banco terá lucro. 18. Em suma, ao realizar a operação de swap na BMF o banco pode ganhar ou perder, mas, fazendo o hedge como forma de travar a operação, o banco sempre ganhará, independentemente da variação da taxa cambial. 19. O lucro do impugnante não adviria do que ocorresse com a política cambial. O que quer que ocorresse quanto a ela, seria indiferente para o impugnante, que estava protegido (hedgiado). O lucro do impugnante adviria, pura e simplesmente, do diferencial entre a taxa de juros pré-fixada nos contratos de h • •e (realizados "on the markt" - OTC) e a taxa de juros pré-fixada das operações curs.L BMF. 11 P'.' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 20. As operações realizadas pelo impugnante no OTC eram usuais e normais no mercado financeiro, feitas todos os dias aos milhares, sendo do pleno conhecimento dos monitores do Bacen, que visitam as instituições e examinam essas operações. A política cambial teve de ser mudada, em janeiro de 1999. Veio a livre flutuação de taxas e mudou o Presidente do Bacen. Os fluxos cambiais decorrentes das operações no OTC do impugnante (e outros) se inverteram. As reservas cambiais do país passaram a 'perder' com essas operações. Eis então que o Bacen (sob nova direção) passa a entender que essas operações seriam irregulares e move processos administrativos contra o impugnante (e outros) que antes desse novo entendimento as tinham praticado. CONSIDERAÇÕES QUANTO AO MÉRITO PAGAMENTO OU RECEBIMENTO EM MOEDA ESTRANGEIRA 21.Como visto, o ceme da autuação, no que se refere ao IRPJ, está no fato de as operações realizadas pelo impugnante no OTC não terem observado a Circular Bacen 2.348/93 (baixada com base em suposta competência que lhe foi delegada pelo CMN por meio da Resolução 2.012/93), que restringe o hedge internacional a pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras. 22. No caso concreto, a delegação dada pelo CMN ao Bacen é clara: para baixar meras normas de execução. Veja-se o comando do CMN na Resolução 2.012/93: "Art. 4°. Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução. Só isso. Mais nada. 23.O Bacen ultrapassou os limites da delegação. Basta cotejar o art. 1° da Resolução 2.012/93 com o art. 1° da Circular 2.348/93. Enquanto a primeira refere-se a 'operações destinadas a proteção (hedge) contra o risco de va • :es de taxas de juros, de paridades entre moedas', o segundo diz que podem 's - r obj:to de proteção 12 4 . MINISTÉRIO DA FAZENDA ,7 St 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. '01 , ,rtet ,.> QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras'. 24. A jurisprudência é pacifica no sentido de rejeitar a imposição de regras ou condições, pelo Bacen, não previstas em resoluções do CMN que venham a regulamentar. Veja-se o caso do Mandado de Segurança (MS) decidido a favor do impetrante, em 1 a e r instâncias, conforme ementa transcrita na Impugnação (Proc. 95030921880-SP, TRF da 33 Região, 43 Turma, Diário de Justiça de 05.11.1996, pág. 84.309): 25. No mesmo sentido, os acórdãos, também unânimes e do mesmo TRF-33 Região, íta Turma, proferidos na Apelação em MS (AMS) 95030259282-SP (DJ de 31.03.1998, pág. 341) e na Remessa Oficial em MS 95030232821 (DJ de 26.11.1996, pág. 91005), bem como o acórdão na AMS 199901000235148-BA (DJ de 05.05.2000, pág. 648), também unânime, mas de outro TRF (o da 1 a Região, 43 Turma). 26. Ou seja, como o Bacen não poderia restringir o alcance de uma deliberação do CMN, concluiu o impugnante que a Circular contemplaria qualquer ativo ou passivo atrelado à variação da taxa cambial, pouco importando se a moeda estrangeira estivesse sendo utilizada como moeda de pagamento (caso em que o pagamento teria de ocorrer no exterior, pois não se admitem obrigações de pagamento no país em moeda outra que não a nacional) ou meramente como moeda de conta (e então o pagamento ocorreria no país, em Reais, apenas com o valor respectivo indexado à moeda estrangeira). Essa seria a única interpretação que legitimaria a Circular 2.348/93, pois qualquer outra importaria em que ela extrapolasse a delegação feita pela Resolução 2.012/93. A Circular 2.348/93 teria falado em 'pagamentos em moedas estrangeiras' tão somente porque não havia possibilidade, à época, de alguém assumir riscos cambiais no país liquidáveis em Reais (possibi •• ce que depois se abriu com as operações na BMF). 13 s' ‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl.••• • ..-. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES wt -',fr QUINTA CÂMARA',f1-1;•;>. Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 27. O Bacen sempre soube das operações no OTC para 'hedgear' posições na BMF. Nunca se opôs a elas enquanto geravam fluxo positivo de divisas para o Pais. Eram tidas como regulares, até ai. Só passaram a ser tidas por irregulares quando, mudada a política cambial, o fluxo se tomou negativo. Ou seja, o Bacen, após a mudança da política cambial, mudou de entendimento e passou a querer aplicar seu novo entender retroativamente. 28.Mais um fato a denotar que o Bacen não considerava irregulares as operações em causa é o que se lê nos itens 47 e 48 da defesa apresentada no Proc. Bacen: (47).Ademais, o Departamento de Câmbio do D. Banco Central do Brasil tinha pleno conhecimento que outras instituições financeiras estavam praticando operações semelhantes àquelas do Intimado e, nesse sentido, em cumprimento a sua atuação, que prevê também o aperfeiçoamento das normas aplicáveis ao mercado de câmbio e revisão permanente de suas matérias já regulamentadas, com vistas a atender às necessidades de modernização dos instrumentos e das práticas adotadas pelas instituições intervenientes no mercado, até sinalizou internamente à Diretoria de Assuntos Internacionais, do D. Banco Central Brasil, cuja parte transcrevemos da defesa administrativa dos demais intimados nesses autos: Ofício DECAM/GABIN-99/197, de 23.11.1999 5. Considerando que a proliferação de casos da espécie pode resultar em expressivas e imprevisíveis remessas ao exterior e que a não manifestação pronta deste Banco Central ... pode redundar na cristalização de "praxe de mercado" ..., propõe-se a edição de Carta-Circular cuja minuta anexamos. (48).Diante dessa manifestação: (i) era patente que as instituições financeiras tinham um mesmo entendimento sobre a Resolução n° 2.012/93 e praticavam com toda a transparência possível as operações de hedge nela permitidas; e (ii) se o D. Banco Central Brasil estivesse convicto de que a Resolução n° 2.012/93 não se prestava aos propósitos daquelas operações de hedge no Mercado Internacional (O TC), certamente teria tomado as providências sugeridas para suspender tais práticas, se tivessem [sido] julgadas cabíveis pela Diretoria da D. Autarquia, ou mesmo teria levado à frente a publicação da mencionada Carta-Cir • - de forma a i estiar cer o mercado a respeito do tema, o qu:- não o, orreu! . 14 1 __ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA -_. •• Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 29. O § 1° do art. 1° da Resolução 2.012/93, o mesmo artigo que autorizava o hedge no exterior, capacitava o Bacen a tomar providências acautelatórias, se e quando houvesse 'dissonância' entre as operações praticadas a esse título e o 'objetivo' da Resolução. Ou seja, se e quando o Bacen, conhecendo-as perfeitamente ("usuais e normais no mercado financeiro", "feitas todos os dias aos milhares" - como depôs quem o presidia à época), avaliasse estar ocorrendo "dissonância", estava autorizado a tomar providências para zelar pelo bom funcionamento do mercado e pelas reservas cambiais brasileiras (mais do que meramente "estar autorizado": tinha de fazê- lo, no desempenho das suas atribuições legais). 30. Mas o Bacen nunca fez isso, nem mesmo após a mudança da política cambial e a conseqüente inversão dos fluxos de divisas, dela derivada, oriundos das operações no OTC (do impugnante e de outros bancos). Se o Bacen não se opunha às referidas operações, embora delas tivesse conhecimento, só pode ser porque não considerava irregular a realização de hedge no OTC para cobrir risco de obrigações das quais não resultassem pagamentos em moeda estrangeira. Com efeito, não fosse assim, teríamos que concluir que o Bacen daria à Circular em causa a interpretação que conviesse ao fluxo de divisas e não a que decorresse de seu texto e dos precedentes então existentes. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA CETIP 31.Afirma o TVF que o hedge no exterior foi realizado usando o swap como instrumento e que, por isso, ter-se-ia de obedecer também às normas sobre swap. Citando o art. 74, § 3°, da Lei 8.981/95, alega que o registro, no caso, teria que ser feito na CETIP, e não foi. Ou seja, mesmo tendo admitido serem de hedge as operações realizadas pelo impugnante no OTC, materializadas através de swaps, ainda assim o TVF conclui que as perdas não seriam dedutíveis, porque teria falt• .0 o egistro nayCETI P.l , e r 15 41 I. 4é. MINISTÉRIO DA FAZENDA, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EL QUINTA CÂMARA '" :7‘ Ct." Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 32. A suposta necessidade de registro das operações na CETIP chegou a ser levantada pelo Bacen, em 1999. Na oportunidade, o impugnante respondeu que o registro só cabia quanto a swaps domésticos, não internacionais. O impugnante supôs que essa questão estava superada, pois a intimação que originou o Proc. Bacen não toca nesse ponto. A defesa aborda o assunto, no Proc. Bacen, apenas em histórico: (111).A primeira manifestação formal do D. Banco Central do Brasil com relação às operações de hedge cursadas pelo intimado verificou-se, em 30.9.1999, por meio do expediente DEFIS/GTRJA- 99/084, que indica, na súmula de irregularidades, o seguinte: Irregularidade n° 12 Ocorrência: Contratos de swap sem registro na CETIP ou em sistema autorizado pelo Bacen ou CVM. Capitulação: Resolução n° 2138 Art. 3° (112). Sem prejuízo da posição adotada anteriormente pelo intimado de não mais realizar operações dessa natureza, o intimando teve a oportunidade de esclarecer prontamente, por meio do expediente BCAN-ADM-007/99, de 29.10.1999, que a falta de registro em sistema autorizado pelo D. Banco Central do Brasil decorre do entendimento que as operações não estavam sujeitas às regras da Resolução n°2.138/94, que trata, especificamente, de operações de swap contratadas em mercado de balcão no País. (113).De outra forma, as operações cursadas pelo intimado foram baseadas na Resolução n° 2.012/93, relativas, exclusivamente, à possibilidade de contrafação de operações de hedge no mercado internacional, que não exige registro das operações no CETIP . 33. Na verdade, não é que a contratação de hedge internacional não exige registro. Mais do que isso: ele é impossível. A CETIP pura e simplesmente não registra. É o que se vê nas duas cartas transcritas na Impugnação e anexadas como documentos 05 e 06. Na primeira, de 10.04.2003, o impugnante consulta a CETIP sobre a necessidade de registro das operações com o Mellon Bank realizadas nos termos descritos em "Confirmation Agreements" (como o anexo). Na segunda, a CETIP responde que só é pos "vel o registro de ativos padronizados, reali ado no mercado 16 • is MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 brasileiro. 34.Não procede, portanto, a afirmação do TVF (segundo parágrafo da folha 20 do TVF) de que as operações do impugnante no OTC deveriam ter sido registradas na CETIP. Lá não eram registráveis. 35.O TVF faz a afirmação de que seria necessário o registro com base em resposta que recebeu da CETIP, quando a intimou a respeito (primeiro parágrafo da folha 20 do TVF). Isto, numa primeira análise, pareceria significar que as duas respostas (a recebida pelo impugnante e a recebida pela Fiscalização) se contradizem. Entretanto, não é isso que ocorre. 36.A Intimação que a Fiscalização fez à CETIP (folha 1.275 dos autos) era para "Informar se a CETIP estava autorizada, pelo Banco Central do Brasil ou pela CVM, a registrar um contrato do tipo apresentado em anexo, no período de janeiro a fevereiro de 1999". A resposta (folha 1.281) foi: "Esclarecemos que na CETIP são registrados os ativos padronizados, previstos no Regulamento Operacional. Desta forma, poderiam ter sido registrados, no período solicitado, contratos de Swap Dl x Dólar, PRE x Dólar ou outro contrato qualquer, desde que permitido pela legislação do Banco Central do Brasil". 37.O TVF concluiu, então: "Uma vez que o contrato de swap OTC é do tipo PRE x Dólar, não resta dúvida de que ele poderia ter sido registrado naquela instituição" (são os termos exatos do TVF, que foram adaptados no item 34 acima). 38.Acontece que, na CETIP, só são registrados - sempre foi assim e continua sendo - ativos (ou contratos que os gerem) domésticos, como salientado na resposta transcrita no item 5.2.3 da Impugnação. Na Intimação do Fisco, perguntava-se se a CETIP estava autorizada a registrar um contrato "do tipo" do que anexava. Quem a respondeu há de ter entendido que a pergunta queria referir-se a um contrato daquele "tipo", mas celebrado no Brasil e aqui liquidável. Acredita o impugnante que nem sequer há de ter passado pela cabeça de quem respondeu à Intimar- o sue o Fisco 17 •rd' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. "PP j QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 pudesse estar querendo referir-se a um contrato liquidável no exterior. Ou seja, quem respondeu, no passado, deve ter entendido que o Fisco queria saber se, caso o mercado brasileiro "importasse" esse tipo de "produto" para "comercializá-lo" aqui, os contratos seriam registráveis na CETIP. 39.Na carta do impugnante, a pergunta foi bem clara e especifica: disse que celebrou contratos com o Mellon Bank N.A., nos termos de 'Confirmation Agreements', dos quais anexava um, como exemplo. Ou seja, a pergunta não dava margem a nenhum mal-entendido. Queria-se saber (na verdade, já se sabia, o que se queria era apenas uma confirmação por escrito, para fazer prova nos autos) se aqueles contratos seriam registráveis; aqueles - e não outros, parecidos com aquele, daquele tipo. 40.Já no caso da Intimação fiscal, os termos da pergunta ensejavam ao destinatário subentender que estava querendo referir-se a contratos daquele tipo, mas liquidáveis aqui, entre partes locais; o destinatário sequer poderia imaginar que não fosse esse o sentido da pergunta, de tão inusitada que ela seria, se o sentido fosse outro. Afinal, a CETIP, como o seu próprio nome indica, é uma central de liquidação e custódia, não um organismo semelhante a um cartório de títulos e documentos, a que qualquer contrato pudesse ser levado para simples registro. 41. A CETIP não poderia desempenhar o seu papel, no caso de operação no exterior liquidável no exterior, pois isso não se amado - ia, de forma alguma, aos seus mecanismos operacionais. •PRINCIPIO DA TERRITORIALIDADE — CSLL ger 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 42.No que se refere especificamente à CSLL, alega a fiscalização que, até 01.10.99, data a partir da qual o art. 19 da MP 1.858-6, de 29.06.99, estendeu à CSLL a aplicação das normas previstas na Lei 9.249/95 para o IRPJ, prevaleceu o princípio da territorialidade em que, por oposição ao sistema de tributação em bases universais, só se levavam em conta os resultados derivados de fontes situadas no território nacional. 43.Segundo se observa no item 2 do TVF, as remessas para o exterior relativas às perdas verificadas nas operações de hedge ocorreram no período compreendido entre janeiro e setembro de 1999. Assim, as perdas não poderiam ser deduzidas porque ocorreram antes da aplicabilidade das normas da MP n° 1.858-6/99. 44. Diz o TVF que, enquanto prevaleceu o principio da territorialidade, não se computavam nos resultados das pessoas jurídicas, para efeito de tributação, os ganhos e as perdas auferidos no exterior. Esse princípio teria sido aplicável à CSLL até setembro de 1999. A partir de então, os ganhos obtidos no exterior passaram a ser tributados, mas as perdas continuaram a ser desconsideradas para efeitos fiscais, por força do art. 25, § 50, da Lei 9.249/95. 45. O art. 25 da Lei 9.249/95 (incluído o § 5 0) contempla lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior e, por contraposição, perdas incorridas no exterior, vale dizer, resultados provenientes do exterior que até então eram ignorados no Brasil, para efeito de tributação. 46. Ocorre que, no caso, os resultados das operações realizadas pelo impugnante no OTC, quer sejam positivos ou negativos, jamais se classificariam como auferidos no exterior, a despeito de se localizar no exterior o pagador do ganho do impugnante (se favorável o resultado da operação) ou o beneficiário de sua perda (se desfavorável o resultado da operação). 47. Renda é o produto do capital, do trabalho ou d. o binação de ei0P if 19 • (5" is 14,4 MINISTÉRIO DA FAZENDA " • r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. •;;Itt.'i QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 ambos, de sorte que, para que haja renda produzida no exterior, pelo menos um desses elementos (capital ou trabalho) deve situar-se fora do Brasil. No caso concreto, as operações realizadas pelo impugnante no OTC derivam de capital aplicado no Brasil (no ativo coberto pelo hedge) e de operações concebidas exclusivamente no Brasil. Não houve qualquer tipo de aplicação de recursos no exterior (ao se contratar a operação citada no OTC, não se faz qualquer remessa de divisas para o exterior, que fossem então configurar o "capital" a produzir resultados, lá); o negócio realizado no OTC representou apenas uma perna de operação estruturada no Brasil e vinculada a ativos aqui existentes. 48. Aparentemente, o TVF parte da premissa equivocada de que o resultado teria sido produzido no exterior pelo simples fato de o responsável pelo pagamento do ganho ou beneficiário da perda situar-se fora do Brasil. Há, no TVF, uma incompreensão do alcance dos princípios da territorialidade e da tributação em bases universais. 49. A distinção entre resultados produzidos no Brasil e no exterior sempre foi essencial: (a) até o advento da Lei 9249/95, porque apenas os primeiros eram tributados; e (b) após a referida lei, porque há regras de tributação especificas aplicáveis apenas a esses últimos, dentre elas a que veda a utilização de perdas verificadas no exterior para absorver ganhos auferidos no Brasil. Esse problema é antigo, e a doutrina e a jurisprudência sobre a matéria são uniformes no sentido de vincular o resultado ao pais em que se situam as fontes de sua produção. 50. No Parecer Normativo CST 140/73, analisou-se a tributação, na fonte, de juros de empréstimos tomados no exterior por empresas sediadas no Brasil, e afastou-se a aplicação do "princípio da territorialidade" sob o argumento de que o juro é produzido no país em que aplicado o capital mutuado (no caso, o Brasil). 51.José Luiz Bulhões Pedreira faz as seguintes ob m. ões sobre o principio da territorialidade: Á ( ir Ir" Á 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 O imposto brasileiro sobre o lucro das pessoas jurídicas incide apenas sobre os resultados das atividades exercidas no País, ou, como dizia o DL n° 5.844/43 (art. 35), "resultados derivados de fontes nacionais". Se a pessoa jurídica aufere resultados de atividade exercida no exterior, esse lucro está sujeito ao imposto do país onde a atividade é exercida, ou foi produzido, e a lei brasileira não o sujeita a segunda tributação, ainda que a empresa (nacional ou estrangeira) tenha domicilio no Brasil e seja contribuinte do imposto brasileiro (Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas, Justec Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1979, vol. 1, n° 121, p. 206). 52.Alberto Xavier, por sua vez, ao analisar a aplicação do principio da fonte para delimitação da competência tributária, conclui que o poder de tributar a renda cabe ao Estado em cujo território os rendimentos foram produzidos, o que, segundo o referido autor, dá-se "no lugar em que é exercida a atividade, em que são utilizados os fatores de produção ou em que se situam os bens ou direitos de que provém", conforme se verifica nos trechos de sua obra "Direito Tributário Internacional", Ed. Forense, 58 edição, páginas 269 a 271, transcritos na Impugnação. 53.Ressalte-se, ainda, que, conforme o entendimento da 'Organization for Economic Cooperation and Development (OECD)' e da grande maioria dos países desenvolvidos, os Estados devem considerar, para fins de formulação das normas de localização de rendimentos, o lugar onde o capital se encontra situado ou onde a atividade produtiva da renda foi posta em prática (cf. Heleno Tôrres, Pluritributação Internacional sobre as Rendas de Empresas, Ed. Revista dos Tribunais, r edição, 2000, p. 120, nota 4). 54.A 30 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes manifestou-se nesse mesmo sentido, no Acórdão n° 103-08.112, conforme se observa no voto do relator, Conselheiro Dicler de Assunção, excertos do qual foram transcritos na impugnação. 55.Em suma, o art. 25 da Lei 9.249/95 contempla apenas os resultados que, até seu advento, escapavam à tributação, em razão do principio da territorialidade. Tais resultados, para que se verifiquem, é essencial que a empresa brasileira tenha estabelecimento ou capital no exterior. Essa conclusão se impõe pela I , do art. 25, - 21 ,.4' h• MINISTÉRIO DA FAZENDA •-:- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 que contempla lucros, rendimentos e ganhos de capital; para que ocorra a percepção de lucros, é essencial que a empresa brasileira tenha estabelecida no exterior filial, controlada ou coligada; para que aufira ganho ou rendimento de capital, é necessário que a empresa brasileira tenha capital aplicado no exterior. 56.Ganhos de natureza diversa não se excluíam de tributação, antes da Lei 9.249/95, nem se sujeitam às suas regras, após sua promulgação, ainda que a fonte responsável pelo pagamento do ganho se situe no exterior. Não fosse assim, as receitas de serviços a residentes no exterior, realizada por empresa brasileira através de prepostos que se deslocassem para o exterior, escapariam à tributação antes da referida lei e submeter-se-iam às suas regras após o seu advento; mas, não é isso que ocorre e as próprias autoridades fiscais reconhecem esse fato. 57.Com efeito, por força do art. 27 da Lei 9.249/95, as empresas que auferem receitas do exterior são obrigadas a pagar IRPJ com base no lucro real (norma repetida no inciso III do art. 14 da Lei 9.718/98). Não obstante, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 5, de 31.10.2001, esclarece que essa hipótese não se aplica à pessoa jurídica que auferir receita da exportação de mercadorias e da prestação direta de serviços no exterior. E esclarece, ainda, que "Não se considera prestação direta de serviços aquela realizada no exterior por intermédio de filiais, sucursais, agências, representações, coligadas, controladas e outras unidades descentralizadas da pessoa jurídica que lhes sejam assemelhadas." 58.Afirma o TVF que antes da Lei 9.249/95 prevalecia o principio da territorialidade, no que está correto, e conclui, em seguida, que as operações de hedge sempre mereceram um tratamento especial (art. 6° do DL 2.397/87), deixando transparecer que, sem esse tratamento específico, os resultados delas decorrentes - positivos ou negativos - não poderiam ser computados no lucro real, por derivarem do exterior. Essa afirmativa não é necessariamente verdadeira. 59.Antes do referido DL 2.397/87 a matéria já era tratada pelo DL 1.418, de 03.09.1975, cujo art. 5 0, em sua redação original, dispunha: "Art. 5° Serão excluídos da apuração do lucro tributável pelo Imposto sobre a Renda os pro is líquidos 22 Á e b, MINISTÉRIO DA FAZENDA ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 auferidos por empresas exportadoras nacionais, em bolsas de mercadorias no exterior, obedecidas as condições estabelecidas pelo Ministro da Fazenda." 60. Esses resultados líquidos em bolsa de mercadorias são precisamente os de hedge, como se esclarece na Portaria n° 18, de 12.01.1979, que dispôs sobre o referido art. 5° do DL 1.418/75. Ora, se, no caso, os ganhos de hedge realizados no exterior correspondessem necessariamente a resultado de atividade exercida no exterior, os mesmos escapariam à tributação por força do principio da territorialidade, não fazendo qualquer sentido a expedição de norma que a autorizasse e, mesmo assim, sob condições estabelecidas pelo Ministério da Fazenda. 61. Portanto, os resultados das operações de hedge praticadas pelo impugnante foram produzidos no Brasil, não havendo razão para excluí-los da base de cálculo da CSLL antes de outubro de 1999. Esse era o único procedimento cabível e o impugnante destaca que, no período-base de 1998, quando todas as operações realizadas na OTC geraram receitas, foram elas computadas na base de cálculo da CSLL a despeito de, naquele ano, ainda prevalecer o princípio da territorialidade no âmbito da CSLL. Essa assertiva é comprovada pelo fato de o lucro liquido do impugnante não ter sido ajustado, para efeitos de determinação da base de cálculo da CSLL, pela exclusão de ganhos identificados como provenientes do exterior (Doc. 07). 62. Assim, pelo mesmo motivo, pelo qual o impugnante oferaceu à tributação os ganhos decorrentes das operações realizadas no OTC no ano de 1998, computou na base de cálculo da CSLL as perdas verificadas no mesmo mercado, ocorridas em 1999. A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA 63. O Acórdão DRF/RJOI n° 4460/2003, de Primeira Instancia, (fls. 1735/1773) mantém as exigências fiscais. Refuta ou desconsidera as argüições do impugnante; invoca as mesmas razões apresentadas pelo auditor scal no TVF; e acrescenta apenas alguns pontos novos que são destacados a seguir. 23 Á MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 64. Quanto às alegações do impugnante de que o Bacen, ao expedir a Circular Bacen 2.348/93, extrapolou da competência que lhe foi delegada pelo art. 4° da Resolução CMN 2.012/93, o Acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa: A via administrativa não é apropriada para se argüir a legalidade de ato normativo formalmente editado por outro órgão, no caso o Banco Central do Brasil. Sendo a atividade administrativa adstrita ao princípio da legalidade e, gozando as normas administrativas regularmente editadas de presunção de validade, até que o Judiciário venha a declarar a sua ilegalidade, tal questionamento deve ser dirigido a este Poder, que detém a competência legal para apreciá-lo.; 65. E o relator do voto justifica-se da seguinte forma: a) Do que observamos, a própria lei é que determina que as operações de hedge em outros mercados de futuros, no exterior, além de bolsas, devem respeitar as normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. Além disso, o próprio Conselho Monetário Nacional delegou competência ao Banco Central para regulamentar a Resolução 2.012/93, o que se depreende da leitura do artigo 4° da referida Resolução (que vai transcrito no voto). b) Ora, conforme já ressaltado, se o Conselho Monetário Nacional baixa norma autorizando o Banco Central a regulamentar as operações de hedge e este a regulamenta, e estando a norma em vigor, não há porque a Receita Federal desconsiderar o comando da norma legal. 66. Quanto à contestação do impugnante contra a condição restritiva criada pela Circular Bacen 2.348/93 (recebimentos ou pagamentos em moedas estrangeiras), a Autoridade julgadora, para sustentar a aplicação da Circular Bacen 2.348/93, invoca o fato de a circular anterior, a Circular Bacen 2.170, de 30.04.1992, já ter-se referido a "pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras", como se vê à pág. 26 do Acórdão 4460/2003: Da análise do dispositivo legal [Circ. 2.170], remane . - claro que o Banco Central do Brasil, anteriormente à conte - ada Circular n° 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 2.348193, vinculava as operações de hedge aos pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira e aos empréstimos, financiamentos e dívidas contraídas pelas empresas em moeda estrangeira. Essa proteção através das operações de hedge visava minimizar os riscos da empresa decorrentes de operações sujeitas a variação cambiaL Como vemos, fazendo-se análise temporal da legislação aplicável ao assunto, concluímos que o Banco Central manteve o seu entendimento de que as operações de hedge são aquelas relativas a obrigações assumidas em moeda estrangeira, não se tratando este o caso das operações realizadas pelo contribuinte que foram liquidadas em moeda nacional e também não se referem a empréstimos, financiamentos ou dividas contraídas em moeda estrangeira.; 67.Quanto às ponderações do impugnante sobre a ausência de registro na CETIP das operações de swap realizadas no exterior, a Autoridade julgadora argüi pela existência de outros sistemas de registro, como se vê no terceiro parágrafo da pág. 32 do Acórdão 4460/2003: Devemos lembrar também, abordando a impossibilidade de registro na CETIP, que o mesmo artigo referido no parágrafo anterior (art. 3° da Res. CMN 2.138/94] estabelece a obrigatoriedade do registro das operações de que trata a Resolução CMN n° 2.138/94 em sistema administrado pela Central de Custodia e de Liquidação Financeira de Títulos - CETIP, ou em outros sistemas de registro, de custódia e de liquidação, devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários e que atendam as necessidades de fiscalização e controle por parte do Banco Central do Brasil. Concluo assim, que haviam outras alternativas de registro das operações realizadas, além daquela questionada pelo impugnante como impossível, não podendo, desta forma, ser acatada esta alegação do impugnante.; (grifos do original) 68.Quanto à argumentação do impugnante, em relação ao lançamento da CSLL, de que os resultados das operações de hedge realizadas no exterior não se qualificam como resultados auferidos no exterior, a Autoridade julgadora apóia-se nos seguintes argumentos do Relator para manter a exigência fiscal, c• o s, vê às págs. 36 e 37 do Acórdão 4460/2003: •• 25 ar- 4f. MINISTÉRIO DA FAZENDA - • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 20•1 'ti,- QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 a) Em que pesem os argumentos expendidos tanto pelo contribuinte como pelo autuante, para fins deste voto, entendo que a manutenção ou não do lançamento relativo à CSLL será melhor discutida transcrevendo-se o relato simples e objetivo contido às fls. 1485 do processo, mais precisamente no próprio auto de infração que constituiu o lançamento da contribuição: Lançamento decorrente da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, na qual foram apuradas as infrações abaixo descritas, ocasionando, por conseguinte, insuficiência na determinação da base de cálculo desta contribuição. (grifos do original) b) De início, devemos abordar o princípio da territorialidade invocado pelo impugnante, no qual enfatiza a importância do local onde se exerce a atividade ou o local da fonte de produção do rendimento, para ao final asseverar que os resultados das operações realizadas pelo impugnante no OTC, quer sejam positivos ou negativos, jamais se classificariam como resultados auferidos no exterior. Contradiz-se o impugnante, senão vejamos o que diz às fls. 1.569: Ao final de um período considerado, independentemente da flutuação que a taxa de variação cambial tiver naquele período, o Banco sempre ganha a diferença entre a taxa de juros a ser paga à BMF e a taxa de juros que recebe do banco ou da bolsa no exterior. c) Ora, no próprio exemplo utilizado, o impugnante afirma que a fonte de rendimento é o banco ou a bolsa no exterior. O artigo 25 da Lei 9.249 é claro: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano". Quanto ao significado de auferir, o Dicionário Aurélio nos informa que auferir significa colher, obter, ter ou tirar. Cabe então perguntar: De onde o impugnante colheu ou obteve os rendimentos? Justamente do banco ou bolsa no exterior. Neste sentido auferir pode ser entendido como sinônimo de receber. d) Quanto à sua tese de que, em razão do princípio da territorialidade e para que se verifiquem os resultad. • - que trata o artigo 25 Lei 9.430, seja essencial que a empres- brasi - ira tenha • 26 Á .1- k n>, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA..,-..„ Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 um estabelecimento ou capital no exterior, confunde os conceitos de lucros, rendimentos e ganhos de capital. e) Relativamente aos lucros auferidos no exterior, estamos de acordo com a necessidade de que seja ele proveniente de uma filial, sucursal, coligada ou controlada relacionada à empresa, todavia, o auto não é relativo a lucros auferidos no exterior, mas sim a perdas havidas em operações de swap, cuja dedutibilidade da base de cálculo não encontra amparo legal, o que iremos ver ao longo deste voto. O Assim, a despeito dos argumentos do contribuinte, não estamos falando de lucros, mas sim daquelas perdas, as quais para serem suportadas, não implicam na existência de um estabelecimento da empresa no exterior, basta que tenha um contrato de swap, como os inúmeros juntados ao processo às fls. 126 a 531, para que a empresa receba do banco ou da bolsa no exterior o resultado da operação contratada quando positivo, ou tenha que arcar com a perda relativa às operações realizadas, situação em comento. g) Definido que se trata de perdas decorrentes de operações de swap realizadas no exterior, releva notar que remanesce claro no processo serem as mesmas havidas no período de janeiro a setembro de 1999. h) Mesmo com a excelente explanação do impugnante, os elementos do processo evidenciam a existência de perdas com as operações de swap realizadas no exterior, perfeitamente demonstradas na autuação, havidas no período janeiro a setembro de 1999, assim, por força da vincula ção da atividade administrativa, em virtude do Ato Declaratório acima referenciado IAD SRF 75, de 17.08.991 tais perdas não eram possíveis de se deduzir da determinação da base de cálculo da CSLL, devendo assim serem a ela adicionadas. O RECURSO VOLUNTÁRIO 69. O Recurso Voluntário, de fls. 1.780/1799, ratifica, de forma concisa, os argumentos apresentados na Impugnação e acrescenta algumas nov.s po ,derações, que vão resumidas a seguir. , Ir ellif Á i 27 h; 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA J.* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. A: ,.). QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 70. Quanto à premissa do Acórdão recorrido, de que, gozando as normas administrativas regularmente editadas de presunção de validade, tal questionamento deve ser dirigido ao Poder Judiciário, que detém a competência legal para apreciá-lo, o recorrente argumenta em síntese que: a) Não é aceitável que a presunção de licitude das normas administrativas seja absoluta e inquestionável perante a Administração e que somente ao Judiciário caiba pronunciar-se sobre a validade de atos administrativos. A premissa do acórdão recorrido levaria ao esvaziamento do processo administrativo fiscal, que ficaria restrito a verificação de fatos e contas e aplicação literal de normas jurídicas. b) A Constituição também determina que "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Excluir do âmbito do processo administrativo a apreciação do questionamento da validade de qualquer norma jurídica é restringir a ampla defesa do litigante assegurada pela Constituição. c) Por esses fundamentos, há muito, os tribunais administrativos fazendários, Conselhos de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais, em casos concretos têm afastado a aplicação de normas legais e de atos administrativos inválidos por ofensa a normas jurídicas de hierarquia superior, inclusive da Constituição. d) Exemplos recentes são a não aplicação do prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais, previsto na Lei 8.212/91, por ofensa ao art. 146, III, da Constituição, e aos arts. 150, § 4°, e 173 do CTN (Ac. 103-20766), e a não aplicação do disposto no art. 41, § 2°, do Decreto n° 332/91, por ofensa à Lei n° 8.200/91 (Ac. 107-06881). e) Esse entendimento está ora consagrado de forma expressa no Acórdão CSRF/01-03.620, formalizado em 30.06.2003, de que foi relator onselheiro -Carlos Alberto Gonçalves Nunes, cuja ementa tem o seguinte trecho: 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA41, •-.- 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 4,74P -ST; QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DA PARTE - MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes, como os órgãos judicantes superiores do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal baseada em dispositivo inconstitucional. f) Esse é, pois, o primeiro vicio do Acórdão recorrido: acatar, sem questionamento, a validade da Circular 2.348/93 do Bacen, em que se funda o auto, recusando-se a sequer discutir a sua ilegalidade por inobservância da Lei 8.383/91 e da Resolução 2.012/93 do CMN, ato normativo de hierarquia superior a que se deveria ater, argüida pelo ora recorrente na sua Impugnação. 71.Quanto à invocação, pelo Acórdão recorrido, do critério constante da Circular Bacen 2.170/92, anterior à Circular Bacen 2.438/93, de que os objetos das operações de cobertura fossem sujeitos a "pagamentos ou recebimentos em moedas estrangeiras", para justificar idêntico critério constante da Circular Bacen 2.438/93, o recorrente diz o seguinte: Esse fato é de todo irrelevante porque: (i) essa restrição da Circular de 1992 não está consagrada na Resolução n° 2.012/93, que lhe é posterior e hierarquicamente superior, e, pois, teria sido por esta revogada; (ii) sob o art. 63 da Lei n° 8.383/91, cabe ao CMN, e não ao Bacen, baixar normas e estabelecer as condições sobre o tratamento tributário do hedge e, nesse aspecto, a Circular n° 2.170/92, se pertinente fosse ao caso, seria tão ilegal quanto a de n° 2.348193, como acima demonstrado, porque nela o Bacen regula o que não lhe cabe regular por força de lei. 72.Quanto à "conclusão" do Acórdão recorrido (pela qual se rejeitou a tese da inexistência, no País, de entidade que faça o registro de swaps cursados no exterior), de que havia alternativas de registro, além da CETIP, porque a Resolução CMN 2.138/94 refere-se a "outros sistemas de registro", o recorrente seguintes 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 11.? QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 ponderações: a)O ofício da CETIP, já juntado aos autos, é corroborado pelo da BMF, ora anexo, que confirma que as operações do tipo objeto deste litígio, contratadas no mercado internacional, também não eram nem são passíveis de registro na BMF. b)Como atestam o ofício da CETIP e o da BMF, o pressuposto evidente da Resolução CMN 2.138/94 é de que as operações que regula sejam feitas no Brasil, tenham por objeto títulos aqui transacionados e aqui sejam liquidadas. c) Os "outros sistemas de registro" a que se refere a Resolução CMN 2.138/94 somente podem ser aqueles que porventura viessem a ser implantados no Brasil e fossem autorizados pelo Bacen e a CVM, a exemplo da CETIP. d) A partir dessa alternativa da norma, "CETIP ou outros sistemas", o Acórdão conclui que havia outros sistemas e que o recorrente não se teria valido de qualquer deles. e) Não se trata de "conclusão": tal afirmativa do Acórdão é inferência errônea ou presunção equivocada, pois a natureza e o âmbito de um sistema como o da CETIP são estritamente locais. Nesse ponto, para validar lançamento de tributo, o Acórdão afirma um fato sem prová-lo e presume-o de forma absoluta, o que é injuridico. f) Não se discute que o registro das operações de swap "dá transparência à operação". Mas, por causa disso não se pode exigir do contribuinte um registro impossível num sistema inexistente, nem se presumir que todas as operações por ele efetuadas sem esse registro impossível sejam simuladas. g) Diversas operações do recorrente, que também não foram objeto de tal registro impossível, geraram-lhe resultado cambial positivo integralmente oferecido à tributação e que nem a validade dessas operações nem a das que são objeto deste litígio foi questionada pelo fiscal autuante. h) Portanto, não procede a fundamentação do Auto - Acórdão quanto à exigência de IRPJ, que deve ser cancelada. 30 bs MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -5 5 • 5. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 73.Sobre a tributação da CSLL com base no princípio da territorialidade, o recorrente chama a atenção no recurso voluntário para o fato de que o "Acórdão recorrido não analisa nem refuta os argumentos da Impugnação e apenas afirma que as perdas da recorrente foram incorridas no exterior pelo simples fato de a outra parte contratante do hedge ser domiciliada no exterior." 74.Pondera, então, o recorrente que na vigência da legislação anterior à eficácia do art. 19 da MP 1.858-6/99, prevalecia o principio da territorialidade, como reconhece o TVF (p. 12), e sob tal principio o mero fato de um ganho ou perda decorrer de relação com parte residente no exterior não era suficiente, por si, para qualificá-lo como de origem ou fonte estrangeira. 75. Às fls. 1857, a DRF do Rio de Janeiro lavrou despacho de encaminhamento do recurso voluntário, reconhecendo que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade e seguimento. 76.Na seqüência, a recorrente acostou aos autos not.trta tendente a corroborar a lisura no seu procedimento. É o Relatório. e, 31 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 VOTO Conselheiro IRINEU BIANCHI, Relator 77. Estando presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso voluntário merece ser conhecido. 78. Em razão de ter sido liquidada, por ocasião da impugnação, a parcela do crédito tributário decorrente da operação realizada com o Banco Surinvest, iniciada em 12.01.99 e concluída em 29.01.99, e em razão de o Acórdão recorrido ter mantido a exigência fiscal impugnada, remanesce litígio sobre o crédito tributário decorrente das 24 operações realizadas com o Mellon Bank N.A., especificadas na relação constante da folha 2 do TVF, todas elas liquidadas no período que vai de 15.01.99 a 02.09.99. 79.Com isso extingue-se, também, o efeito da acusação fiscal registrada no item 6.3 do TVF (folha 16 do Termo), com relação à imputada "infração" de natureza contábil. O auditor fiscal refere-se a possível falha contábil que afetaria as operações que se iniciam e terminam dentro do mesmo mês. Ocorre que, a despeito de o auditor fiscal referir-se a "operações", no plural, iniciadas e terminadas dentro do mesmo mês, o recorrente realizou apenas uma operação com essa característica. Foi justamente a operação realizada com o Banco Surinvest, que teve o crédito tributário dela decorrente extinto por ocasião da impugnação. Nenhuma das demais operações, cujo crédito tributário mantém-se na lide, foi afetada pela aventada falha contábil. 80.Examinei e reexaminei os autos, por diversas vezes. Concluí que a razão pende em favor do recorrente. Explico a seguir. A explanação haverá de ser mais longa do que a usual em razão da complexidade incomum da matéria. 81.Como se vê pelo relatório, o recorrente realizou ope a •-s de 'swap' na BMF da seguinte forma: trocava com o mercado taxas de j ros as, obre 32 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA :;...‘eg PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES );;;Iffr t jt QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 montantes determinados de reais, por variação cambial (reais/dólares), sobre montantes equivalentes de recursos. Em outras palavras, o banco vendia juros e comprava variação cambial; pagava os juros incorridos no período de cada operação e, em troca, recebia a variação cambial ocorrida no mesmo período. 82.Na realização dessas operações junto à BMF, o recorrente adquiria ativos financeiros que consistiam no direito de receber variação cambial sobre montantes de dólares equivalentes (na data de início da operação) aos montantes de reais sobre os quais incidiam os juros vendidos. Como se vê pelo último parágrafo do item 4.1 do TVF, as operações realizadas na BMF foram devidamente examinadas pela Fiscalização, que as arrolou em planilha acostada aos autos (fls. 612/617). Não há dúvida, portanto, de que as operações foram realizadas. 83. O próprio auditor fiscal reconhece expressamente, no quarto parágrafo do item 6.4 do TVF, que as operações realizadas na BMF "estão relacionas às atividades operacionais do Banco Brascan". Está evidente, pois, que referidas operações compunham o elenco de atividades operacionais, usuais e normais, do recorrente. 84.Com efeito, tais operações, cujo objeto consiste na negociação de ativos financeiros, são operações normais e usuais das instituições financeiras, que as realizam diariamente aos milhares. Essas operações atendem aos propósitos das referidas instituições: concorrem para gerar lucros e fortalecer seu patrimônio, além de fortalecer o sistema financeiro como um todo. A diferença em relação às operações da economia real diz respeito ao objeto das transações. Enquanto na economia real as transações envolvem mercadorias ou, em especial, "commodities", nas transações bancárias envolvem ativos financeiros. Em ambos os casos, entretanto, as transações constituem operações de compra ou venda de bens ou direitos, por intermédio de contratos específicos. 85.Na aquisição, junto à BMF, dos ativos financeiros representados pelo direito de auferir variação cambial, no exercício regular de suas ativi, ade - operacionais, 337 MINISTÉRIO DA FAZENDA ts PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. . ,7-Pfl,fiti) QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 o recorrente expunha-se a riscos de prejuízos operacionais. Bastaria que a variação cambial fosse inferior à taxa de juros para que o recorrente sofresse prejuízos. Cabia- lhe, portanto, como ocorre com qualquer outra empresa, a prerrogativa de proteger os ativos adquiridos mediante a realização de 'hedge', inclusive no exterior. 86.Cabe ressalvar, neste ponto, que, no contexto empresarial moderno, bem como no contexto da legislação fiscal (vide art. 396 do RIR199), as próprias operações de hedge, destinadas à cobertura de operações ou de ativos ou obrigações resultantes de atividades operacionais, constituem também atividade operacional normal e usual. 87.Assim, o recorrente realizou, no exterior, operações de proteção ou de cobertura ('hedge') da seguinte forma: trocava variação cambial (dólares/reais) por juros fixos, sobre montantes equivalentes aos envolvidos nas operações realizadas na BMF. Em outras palavras, pagava variação cambial e recebia juros. 88. Os autos não deixam dúvidas de que as operações realizadas no exterior pelo recorrente, tendo como contra-parte a Mellon Bank N.A., sobre as quais a autoridade fiscal constituiu as exigências fiscais que ainda se encontram em litígio, eram operações de hedge. Nota-se que o próprio auditor fiscal admite, em vários tópicos do TFV, que referidas operações, realizadas com o objetivo de proteger direitos adquiridos na BMF contra riscos da variação cambial, são genuínas operações de hedge, como se vê, por exemplo: a)no primeiro parágrafo do item 5.2 do TVF: "Como o hedge no exterior foi realizado usando o swap como instrumento financeiro, o Banco Brascan, além de ter que respeitar a legislação referente a hedge, também está obrigado à legislação relativa à operação financeira do tipo swap"; b)no quarto parágrafo do item 6.4 do TVF: "À luz da definição de hedge dada pela legislação tributária (item 3.2, deste termo), considerando que as operações realizadas na BMF estão relacionas às atividades operacionais do : anco Brascan (alínea 'a', § 1°, da Lei n° 8.981/95), não há como negar que as opera.oes -alizadas na 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA- . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. )A QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 BMF poderiam ser objeto de hedge" (observação: o auditor utiliza a forma condicional, 'poderiam ser...", apenas por ressalvar, no parágrafo seguinte, que as operações de hedge feitas no exterior estão sujeitas a determinadas condições para fins tributários); c) no sétimo parágrafo do item 6.5 do TVF: "Como o instrumento utilizado pelo Banco Brascan com o objetivo de hedge foi o swap, os requisitos formais próprios às operações de swap devem ser respeitados, inclusive o registro exigido pela Resolução CMN n° 2.138/94". d) no último parágrafo do subitem 5.1.1 do TVF: "O hedge feito no exterior, pelo Banco Brascan, segundo ele mesmo informa (fls. 108), foi feito em mercado de balcão e tinha como objeto seus ativos na BMF que envolvem pagamentos ou recebimentos em moeda nacional." 89. Com a realização dessas operações de cobertura, o recorrente eliminava os riscos da exposição cambial sobre os ativos que adquiria na BMF, pois as operações eram estruturadas de tal forma que as despesas de variação cambial pagas no exterior correspondessem às receitas de variação cambial auferidas no País. 90.Em conseqüência, o resultado conjunto das operações realizadas na BMF e das operações realizadas no exterior se resumia, praticamente, na diferença entre os juros recebidos no exterior e os juros pagos no País, visto que os resultados específicos das operações relativas à variação cambial tendiam a se anular (o montante de variação cambial pago no exterior tendia a ser equivalente ao montante de variação cambial auferido no País). 91.A compensação dos resultados das operações de cobertura com os resultados das operações cobertas (ou dos respectivos ativos ou obrigações), com tendência à anulação do resultado conjunto, é uma característica intrínseca das operações de hedge. 92. E é justamente por causa dessa caracterb • a do hedge (compensação dos resultados das operações de cobertura com os r:sultados das 35 Á MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n. "A-stS; QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 operações cobertas) que a legislação fiscal aplicável à matéria prevê a apropriação, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos resultados, positivos ou negativos, das operações de cobertura, mesmo quando realizadas no exterior. 93. Com efeito, o empresário brasileiro estaria sujeito a ônus fiscal extraordinário se, com o objetivo de dar proteção a ativo vinculado ao dólar, ao realizar no exterior operação de hedge mediante, por exemplo, alienação de variação cambial, a legislação fiscal não admitisse a apropriação, na apuração das bases de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro, dos resultados negativos produzidos pela operação. 94.Pois, no caso desse exemplo, ocorrendo elevação da taxa cambial (reais/dólar), o empresário teria lucro sobre o ativo vinculado ao dólar e, ao mesmo tempo, prejuízo na operação de hedge. Todavia, com a restrição legal aventada, seria obrigado a apropriar o resultado positivo da operação coberta (ou do ativo coberto), mas não poderia computar o prejuízo havido no exterior decorrente da operação de cobertura. 95.Caso o tratamento fiscal do hedge, compreendidas as operações de cobertura e as operações cobertas, não incorporasse o critério da neutralidade (no sentido de admitir o cômputo em conjunto dos resultados produzidos pelas duas operações, independentemente do país em que sejam realizadas as operações de cobertura), estaria, na verdade, comprometendo a utilidade de um dos mais importantes instrumentos da modema administração empresarial, mormente das empresas que atuam no mercado internacional, onde se vêem compelidas a pautar sua atuação nos limites da prudência. 96.Essas empresas estimulam-se a praticar operação de seu interesse na BMF, por exemplo, na expectativa de que possam realizar a operação de cobertura necessária para proteger os direitos e obrigações decorrentes da primeira (realizada na BMF) contra os riscos de variação cambial (v.g.). Realizam as duas oper- -;es de forma casada; obtêm lucro numa ponta e prejuízo na outra ponta, de acordo . regras.41 36 , O A IS ,.e MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 2.P QUINTA CÂMARA • ; ç-L.-!: • Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 97.Assim, há que predominar no ambiente de atuação dessas empresas a segurança jurídica de que os resultados de ambas as operações serão computados em conjunto, na apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Não podem as empresas, ao final, se surpreender com a obrigação de tributar o lucro obtido numa ponta e a proibição de computar o prejuízo obtido na outra, a não ser que razões muito sólidas, claras e objetivas, fundadas em dispositivos legais insofismáveis, autorizem a exação fiscal. 98.No entanto, a neutralidade da legislação fiscal não estaria completa se ela se restringisse a dispor sobre a apropriação em conjunto dos resultados produzidos pelas operações de cobertura e pelas operações cobertas, sem dispensar o ônus tributário incidente nas remessas de divisas. Pois, mantida a tributação do Imposto de Renda Devido na Fonte (IRF) sobre as remessas (quando necessárias para o pagamento de resultados negativos), a realização de hedges no exterior continuaria impraticável, vez que, nas transações internacionais, o ônus do IRF sobre as remessas recai, de praxe, sobre o remetente. 99. Dois fatos justificam a exclusão do ônus tributário sobre as remessas: (i) as empresas sediadas no Brasil, com freqüência, somente encontram nos centros financeiros intemacionais os instrumentos financeiros de que necessitam para cobrir inúmeras de suas operações; (ii) as transferências de divisas para o exterior ou do exterior resultam das contingências em que são realizadas as operações de cobertura e as operações cobertas, mas não têm qualquer repercussão nos resultados alcançados pelas operações. 100.De fato, num tipo de hedge como o praticado pelo recorrente, caso a variação cambial superasse a taxa de juros praticada no exterior, o banco estaria sujeito à remessa de divisas para pagamento da diferença. Caso a taxa de juros praticada no exterior superasse a variação cambial, caberia ao banco transferir as divisas correspondentes para o País. Num e noutro caso, todavia, considerando-se que a taxa de juros externa superava a taxa de juros interna, o resultado !ob. I obtido pelo e. 37 Á 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 4S'r• QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 banco mantinha-se o mesmo, e positivo. 101. É nesse contexto que foram editados os atos legais e normativos, vigentes à época da ocorrência dos fatos ora discutidos, que dispunham sobre a apropriação, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tanto dos resultados positivos como dos resultados negativos decorrentes das operações de cobertura, bem como os atos que dispunham sobre a redução a zero da aliquota do IRF sobre as remessas de divisas, a saber a) o art. 5° do Decreto-lei 1.418, de 03.09.1975, regulamentado pela Portaria MF 18, de 12.01.1979, publicada no DOU de 17.01.1979, pág. 839; b) o art. 6° do Decreto-lei 2.397/87, que deu suporte à edição do art. 63 da Lei 8.383/91; c) o art. 63 da Lei 8.383/91; d) o § 1° do art. 396 do RIR/99, que confirma a vigência do art. 63 da Lei 8.383/91; e) o art. 77, V, e §§ 1° e 2°, da Lei 8.981/95; f) os arts. 17 e 28 da Lei 9.430/96; g) o art. 1° da Lei 9.481/97, alterada pelo art. 20 da Lei 9.532/97; h) o art. 1° e inciso III da Portaria MF 70, de 31.03.1997, que dispõe sobre a redução a zero da aliquota do IRF sobre remessas de divisas; i) a Resolução CMN 2.012, de 30.07.1993, que autoriza a realização de hedges no exterior e define os respectivos objetos de cobertura; j) a Resolução CMN 2.138, de 29.12.1994, que auto ealização de swaps no exterior, inclusive em mercado de balcão; ( 38 11 - , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 k) a Circular BACEN 2.348, de 30.07.1993, que dispõe sobre a execução da Resolução CMN 2.012/93. 102. Depois da ocorrência dos fatos, sobreveio, ainda, mais um dispositivo legal que precisa ser mencionado, em razão de ter sido lançado na contenda travada nos autos. Trata-se do art. 19 da MP 1.858-6, de 29.06.199, reproduzido no vigente art. 21 da MP 2.158-35, de 24/08/2001, que determina a aplicação à CSLL dos arts. 25 a 27 da Lei 9.249/95, dos arts. 15 a 17 da Lei 9.430/96, e do art. 1° da Lei 9.532/97. 103.Cabe assinalar neste ponto que a legislação fiscal acima referida observa o critério da neutralidade: prevê a apropriação dos resultados conjuntos das operações de cobertura e das operações cobertas e prevê a redução a zero da aliquota do Imposto de Renda na Fonte nas remessas para o exterior. 104.Todavia, na aplicação dessa legislação às operações examinadas, a fiscalização entendeu que deixaram de ser observadas normas que deveriam ser observadas sob pena de prejudicar o direito de apropriar os resultados negativos das operações de cobertura realizadas no exterior, bem como o direito de aplicar a aliquota zero do IRF sobre as remessas necessárias para cobrir referidos resultados negativos. 105.Em conseqüência, a inobservância dessas normas, em razão de suas implicações com as demais normas que regulam a matéria, resultaria na impossibilidade de apropriação dos resultados negativos das operações de cobertura na apuração das bases de cálculo do IRPJ (o lançamento da CSLL baseia-se exclusivamente na questão da territorialidade), bem como na impossibilidade de aplicação da aliquota zero do IRF sobre as remessas necessárias para cobri-los. Entendeu o auditor fiscal, e o Acórdão recorrido endossa-o, que não foram observadas as seguintes normas: a) a norma constante da Circular Bacen 2.438/93, expedi.. com base na Resolução CMN 2.012/93, segundo a qual os objetos cobertos pelo h -dge eoderiam 39 _ , MINISTÉRIO DA FAZENDA. , ry PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES R QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 ser constituídos de pagamentos ou recebimentos em moedas estrangeiras (conforme explanei nas alíneas 'a' a 'f do item 05 do relatório); b)a norma constante da Resolução CMN 2.138/94, segundo a qual as operações de swap realizadas no exterior em mercado de balcão, que foram utilizadas como instrumentos financeiros das operações de hedge, deveriam ser registradas na CETIP ou em outro sistema de registro habilitado pelo Bacen ou pela CVM (conforme explanei nas alíneas 'g' a 'k' do item 05 do relatório); c) e, especificamente em relação à CSLL, as normas decorrentes do princípio da territorialidade (aplicáveis à CSLL até a data em que passou a ter eficácia o art. 19 da MP 1.858-6, de 29.06.99), segundo as quais, diz o penúltimo parágrafo da folha 12 do TVF, "os resultados obtidos no exterior - lucros, rendimentos, ganhos de capital e prejuízos decorrentes das operações - não podiam ser computados na apuração da base de cálculo da CSLL, pois, a tributação dos resultados da pessoa jurídica estava baseado no princípio da territorialidade" (conforme explanei nas alíneas 'a' a 'f' do item 06 do relatório). PAGAMENTOS OU RECEBIMENTOS EM MOEDA ESTRANGEIRA 106.Examino em primeiro lugar a questão relativa à condição de que os objetos das operações de hedge realizadas no exterior sejam "pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira". A partir do exame cuidadoso das circunstâncias que envolvem tal debate, recolhi os elementos relevantes na formação de minha decisão. 107.O art. 63 da Lei 8.383/91 dispõe que se aplica, às operações de hedge realizadas no exterior em mercado de balcão, o tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei 2.397/87, desde que sejam observadas as normas e condições estabelecidas pelo CMN. 108.Na época da ocorrência dos fatos, estava em vi! • a Resolução CMN 2.012/93 (revogada recentemente pela Resolução CMN n°3,3 , de 11.08.2005). 40 ger MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. .2W> QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 A Resolução CMN 2.012/93 dispunha: Art. 1° Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção rhedge 19 contra o risco de variações de taxas de furos, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. § /° As operações de que se trata pautar-se-ão pelos parâmetros vigentes no mercado internacional, podendo o Banco Central do Brasil, a seu exclusivo critério, exigir compensação cambial suficiente para elidir os efeitos das operações que se mostrarem dissonantes do objetivo previsto ou celebradas fora daqueles parâmetros, sem prejuízo da aplicação das sanções porventura cabíveis. Art. 4° Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução. 109.Como se vê, a Resolução 2.012/93, ao autorizar a realização das operações de hedge, estabelecia que essas operações fossem destinadas à proteção "contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional". 110.É assim que foram definidas, no caput do art. 1°, as operações cobertas, sem a exigência de que as variações de paridades entre "moedas" fossem restritas a "moedas estrangeiras". 111.Quanto às correspondentes operações de cobertura, embora o TVF mencione em três tópicos distintos do item 6.5, na folha 19, que a Resolução 2.012/93 não se destina a definir instrumento especifico de hedge, constata-se que o § 1° do art. 1° da referida Resolução dispõe especificamente sobre as operações de cobertura. Se não bastasse a essa conclusão o conteúdo do próprio dispositivo, aduz-se que a expressão "as operações de que se trata", com que se inicia o parágr. vincula-se à expressão "operações destinadas a proteção" constante do caput do a igo. 41 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. Ais;:;,;„ QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 112.Assim, as condições básicas para a realização das operações de cobertura é que se pautassem pelos parâmetros vigentes no mercado internacional. 113.Segundo o § 1° do art. 1°, caberia ao Bacen, caso as operações de cobertura não se tivessem pautado pelos referidos parâmetros, exigir compensação cambial suficiente para elidir os efeitos das operações dissonantes. Não consta que o Bacen o tenha feito. Pelo contrário, consta dos autos cópia do depoimento, anexado como documento 04 da Impugnação (fls. 1711/1716), do presidente do Bacen à época dos fatos, o Dr. Gustavo H. B. Franco, no sentido de que as operações eram regulares. 114.O próprio reconhecimento do auditor fiscal de que as operações realizadas pelo recorrente constituíam efetivamente operações de hedge, como já disse nas alíneas 'a' a 'd' do item 88 deste voto, desautoriza qualquer desconfiança de que tais operações não teriam observado os ditos parâmetros vigentes no mercado internacional. Os contratos realizados entre o Banco Brascan e as instituições estrangeiras, juntamente com as suas traduções, encontram-se às fls. 125 a 531, conforme último parágrafo do item 4.2 do TVF. 115.Quanto às operações cobertas, atendem, também, aos requisitos estabelecidos no caput do art. 1° da Resolução CMN 2.012/93. O recorrente demonstra na planilha de fls. 612 a 617, que a cada operação ou conjunto de operações realizadas na BMF corresponde uma operação realizada no mercado internacional, conforme primeiro parágrafo do item 4.3 do TVF. Eram operações sujeitas a risco de variações de paridade entre moedas (reais e dólares). É o quanto se exigia na Resolução do CMN. 116.Nem poderia ser diferente, pois, para que exista o risco de variação cambial, basta que a operação seja atrelada a uma moeda estrangeira, não importando a moeda em que seja liquidada. Com efeito, é suficiente para integrar-se numa operação de hedge a operação coberta, realizada no País, que se lastreia em moeda estrangeira como moeda de conta, mesmo que venha a ser liquidada em moeda nacional. Por exemplo, pode-se fazer no exterior operação de hedge destinad a d. r proteção a 42 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 operação realizada no País, em que alguém assuma a obrigação de pagar quantia equivalente a mil dólares, em prazo futuro, não importando que o pagamento venha a ser feito em reais, desde que o valor pago em reais equivalha, na data do pagamento, a mil dólares. 117.As operações realizadas na BMF, examinadas pelo auditor fiscal e arroladas em planilha acostada aos autos (fls. 612/617), como se vê pelo último parágrafo do item 4.1 do TVF, foram consideradas como sujeitas a risco, passíveis, portanto, da proteção realizada. Tanto que constituíram elemento integrante das operações de hedge praticadas pelo recorrente e reconhecidas como tais pelo próprio auditor fiscal, como já disse nas alíneas 'a' a 'd' do item 88 deste voto. 118.Consta dos autos que o Bacen tinha conhecimento das operações praticadas, tanto as de cobertura, como as cobertas, ao tempo em que eram realizadas, sem que a elas tivesse se oposto. As operações eram praticadas normalmente. A situação levou o Departamento de Câmbio do Bacen a sugerir, por meio do Oficio DECAM/GABIN-99/197, de 23/11/99 (fls. 1582/1583) que o Bacen expedisse Carta Circular dispondo que tais operações não estariam contidas no âmbito da autorização dada pela Resolução CMN 2.012/93 c/c a Circular Bacen 2.348/93, antes que se cristalizassem como "praxe de mercado", com a possibilidade de gerarem expressivas remessas de recursos ao exterior. 119.A sugestão do Departamento de Câmbio do Bacen, todavia, não foi acolhida pela Instituição Banco Central do Brasil. Isso demonstra que, não obstante os reflexos sobre as movimentações de divisas, a Resolução CMN 2.012/93 combinada com a Circular Bacen 2.348/93, então vigentes, autorizavam tais operações. A instituição Bacen não viu razões para vedá-las. 120.O depoimento do presidente do Bacen à época dos fatos, anexado à Impugnação como documento 04 (fls. 1711/1716), constitui testemunho de que na época em que realizadas, as operações eram consideradas regulares. A autenticidade e o conteúdo do documento trazido aos autos não foram contest- os. s autoridade Á • 43 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 julgadora limitou-se, quanto a ele, a dizer que tal entendimento "trazido ao processo não vincula esta autoridade julgadora, que possui entendimento diverso", ratificando no parágrafo seguinte que o "citado depoimento não constitui ato normativo expedido por autoridade administrativa", como se vê nos dois últimos parágrafos da folha 27 do Acórdão recorrido. 121.Em suma, há nos autos elementos bastantes a demonstrar que, na época da ocorrência dos fatos, as operações eram tidas como regulares pelo próprio Bacen. 122.Nem poderiam as operações cobertas praticadas pelo recorrente ser tidas como irregulares, visto que eram realizadas nos moldes de outras milhares que se realizavam diariamente na BMF, com base na mesma Resolução CMN 2.012/93, em relação à negociação de commodities, sem que se tenha noticia de qualquer questionamento delas por parte do Bacen ou de qualquer outra autoridade. Mesmo porque, qualquer empecilho à realização de tais operações que envolvem commodities repercutiria no desenvolvimento econômico nacional que tanto depende do comércio internacional das commodities. 123.Concluo, pois, que as operações praticadas pelo recorrente, tanto as de cobertura (documentadas às folhas 126 a 531 conforme o segundo parágrafo da fl. 37 do acórdão recorrido), bem como as operações cobertas (documentas às fls. 612/617, como se vê pelo último parágrafo do item 4.1 do TVF), atendem às normas da Resolução CMN 2.012/93 e, portanto, atendem aos requisitos do art. 63 da Lei 8.383/91. 124.Mas, ai vem o auditor fiscal e diz que as operações cobertas não atendem a requisito da Circular Bacen 2.348/93, segundo o qual os respectivos pagamentos ou recebimentos devem ser feitos em moeda estrangeira. Assim, pelo fato de a Circular referir-se à Resolução CMN 2.012/93 (mesmo sem ter invocado a competência delegada no art. 4°), a falta de atendimento do requisito estabelecido pela Circular constituiria infração da própria Resolução. E dai, infringida a Resolução, não teria sido atendida a condição prevista na parte final do art. 63 da L..; 83/91. Não 44 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 atendida tal condição, os resultados negativos não poderiam ser apropriados na apuração da base de cálculo do IRPJ. 125.A Circular Bacen 2.348/93 dispõe: Art. 1° Podem ser objeto de proteção (hedge) contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momentos futuros, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira. Parágrafo único. Incluem-se, também, neste artigo os pagamentos e recebimentos: I — em moeda nacional, decorrentes de repasses de obrigações contraídas em moeda estrangeira e admitidas na legislação vigente; — relativos a importação, exportação e negociação, no mercado interno, de mercadorias cujo preço seja estabelecido consoante suas cotações em bolsas no exterior. 126.Ao editar a Circular 2.348/93, o Bacen adicionou uma condição ao art. 10 da Resolução CMN 2.012/93 que diminui o alcance das operações de hedge, porque restringe os objetos das operações a "pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras". 127.O art. 63 da Lei 8.383/91, em consonância com o art. 4°, inciso XXXI, da Lei 4.595/64, determinou que o CMN, e não o Bacen, estabelecesse as normas e condições que habilitassem as operações realizadas em mercados de balcão a desfrutarem do tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei 2.397/87. 128. O CMN, no art. 40 da Resolução CMN 2.012/93, delegou competência ao Bacen para "adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto" na própria Resolução 2.012. 129.Mas o Bacen pretendeu, na verdade, restringir 'Rude das 45 P` I. 4) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 operações de hegde. Com efeito, pela Resolução CMN 2.012193, tanto as operações cursadas em moeda estrangeira como as cursadas em moeda nacional podiam ser objeto de hedge; pela Circular Bacen 2.348/93, só as operações cursadas em moeda estrangeira poderiam sê-lo. 130.Tanto é certa a restrição que o Bacen, na presunção de sua eficácia, ao atentar para o fato de que tal restrição inviabilizaria as operações de hedge destinadas a proteger os milhares de operações diárias realizadas com a negociação de commodities, cursadas exclusivamente no mercado interno, situação que produziria efeitos devastadores no comércio brasileiro das commodities, tratou logo de fazer uma ressalva no parágrafo único do art. 1° da referida Circular Bacen 2.348/93 no sentido de que, nesses casos, poder-se-ia fazer o hedge a despeito de as operações cobertas serem liquidáveis em moeda nacional. 131.Essa ressalva do § 1° do art. 1°, no entanto, dispensável ante os termos da própria Resolução CMN 2.012/93, simplesmente caracteriza mais uma vez a intromissão do Bacen em seara privativa do CMN, na medida em que o dispositivo pretende restaurar a admissibilidade de hedges para operações que deles teriam sido privadas em razão da restrição inserida no caput do art. 1°. 132.Ao editar a Circular Bacen 2.348/93, invocando como 'motivação' a Resolução CMN 2.012/93, o Bacen foi além dos limites da delegação que lhe foi atribuída pelo CMN. Pretendeu fazer mais do que adotar medidas e baixar normas necessárias à execução da Resolução CMN 2.012/93. 133.Mas as disposições que excedem os limites da atribuição delegada pelo CMN não podem ter eficácia jurídica. Por esse motivo, os autos apresentam evidências bastantes de que a Circular Bacen 2.348/98 passou a receber, tanto do Bacen como do mercado, interpretação sistêmica que lhe conferia a necessária compatibilidade com a correspondente norma superior. Aceitava-se q - - referência a "pagamentos ou recebimentos em moeda estrangeira", na verdade, xplici ava tratar-se 46 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 de pagamentos ou recebimentos referenciados a moeda estrangeira, como assinalei nos itens 116 e 117 deste voto. 134.A aceitação dessa interpretação sistêmica era tranqüila. No entanto, como se depreende dos autos, especialmente do depoimento do ex-presidente do Bacen, com a mudança da política cambial em janeiro de 1999, a partir da qual se reverteu o fluxo de divisas decorrentes das operações de OTC que eram realizadas, mudou-se o Presidente do Bacen e mudou-se a forma de interpretar a Circular Bacen 2.348/93. Como conseqüência, sobreveio o lançamento fiscal que está sob exame. 135.Todavia, como as operações eram, até então, acolhidas como regulares pelo Bacen, que as monitorava e auditava regulamente (no desempenho de suas funções rotineiras), sem contestá-las, como se confirma pelo depoimento do ex- presidente do Bacen, o procedimento do Bacen consubstanciava-se, na ocasião, como prática reiterada da administração. Nesse caso, a despeito do que diz a autoridade julgadora no último parágrafo da folha 27 do acórdão recorrido, passava a constituir norma tributária complementar, à mercê do art. 100, inciso III, do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; 136. A mudança, pois, de entendimento não poderia atingir fatos passados, se é que estivessem irregulares à vista do disposto estritamente na Resolução CMN 2.012/93, hipótese que não ocorreu como já foi visto. 137.Agora, admitindo-se a rejeição da interpretação sistêmica que se fazia da Circular Bacen 2.348/93 (ou a mudança da referida "prática reiterada da administração"), não há como ignorar que a Circular, no que tange restrição da amplitude do hedge, contraria as disposições dos arts. 63 da Lei 8.33/91 e 9°, inciso 47 117.1 0$ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. -tfr -1 :1/4 t QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 XXXI, da Lei 4.595/64. 138. Nesse caso mantenho-me ao lado da sólida e vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes, incluída a CSRF, que sistematicamente repudia a inversão da hierarquia de leis e normas que não respeitam disposições de leis ou normas superiores, como se vê pelos inúmeros acórdãos disponibilizados no 'site' do Conselho, dos quais são identificados alguns poucos que ilustram os seguintes casos (dentre outros): a) o não agravamento dos percentuais do lucro arbitrado determinado pelas Portarias MF 22/79 e 524/93, por ofensa ao art. 8° do Decreto- lei 1.648/78, bem como ao art. 21, § único, da Lei 8.541/92, conforme acórdãos: - Ac. 101-93.365, de 21/02/2001, referente ao Recurso 122277; - Ac. 103-21.049, de 16/10/2002, referente ao Recurso 127074; - Ac. CSRF/01-05.014, de 09/08/2004, referente ao Recurso 101-116097; b) a não aplicação do prazo decadencial de 10 anos para as contribuições sociais, previsto no art. 45 da Lei 8.212/91, por ofensa ao art. 146, III, b, da Constituição, e aos arts. 150, § 4°, e 173 do CTN, conforme acórdãos: - Ac. CSRF/01-04.508, de 15.04.2003, referente ao Recurso 107-124500; - Ac. CSRF/02-01.172, de 16.09.2002, referente Recurso 202-111096; - Ac. 101-94.890, de 17.03.2005, referente Recurso 138931; c) a não aplicação do disposto nas IN SRF 23/97 e 103/97, que impede o aproveitamento do crédito presumido do IPI relativo a compras, respectivamente, de pessoas físicas e de cooperativas, por ofensa ao art. 1° da Lei n° 9.363 de 13.12.96, conforme acórdãos: - Ac. 201-75304, de 22/08/2001, referente Recurso 117909; - Ac. 202-15388, de 28/01/2004, referente Recurso 118294; - Ac. CSRF/02-01.252, de 27.01.2003, referente Recurso 201-10991 ji-7),\e- 48 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA •.1- "a PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA,.;:9.....ri: .. Processo n° : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 - Ac. CSRF/02-01.388, de 08/09/2003, referente Recurso 201-114966; d) a não cobrança de "multa isolada", lançada por falta de pagamento de "multa de mora" de que trata o art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, por ofensa ao art. 138 do CTN; conforme acórdãos: - Ac. 107-07919, de 26.01.2005, referente Recurso 140125; - Ac. CSRF/01-04.674, de 13.10.2003, referente Recurso 108-129320; - Ac. CSRF/03-03.942, de 15/03/2004, referente Recurso 303-124728. 139.Assim, não vejo óbice algum em analisar o ato emanado do BACEN, afastando os seus efeitos, se for o caso. Para tanto, é necessária a seguinte digressão legislativa: 140.A Lei n°4595/64, que tem eficácia de lei complementar, dispõe: Art. 4° Compete ao Conselho Monetário Nacional, segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da República: (Redação dada pela Lei n° 6.045, de 15/05/74) (..) XXXI - Baixar normas que regulem as operações de câmbio, inclusive swaps, fixando limites, taxas, prazos e outras condições. 141.E, segundo o art. 9°, da mesma lei: Art. 9° Compete ao Banco Central da República do Brasil cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional. 142.Portanto, a Lei n° 4595/64 estabeleceu diferentes competências para o CMN e o BACEN e também notória hierarquia entre tais ór iigãos - •rmas por 49 Y A i lir MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 eles expedidas. O CMN tem funções político-normativas e o BACEN tem funções executivo-regulatórias. O CMN se sobrepõe ao BACEN e não pode o BACEN alterar as normas baixadas pelo CMN: compete-lhe cumpri-Ias, e não inová-las, ampliá-las, restringi-las nem condicioná-las. 143.O art. 6° do Decreto-lei n° 2327/87 passou a determinar que, nas operações de cobertura realizadas nos mercados de futuros em Bolsas no exterior, computam-se no lucro real os resultados positivos ou negativos. Nas operações que não se caracterizem como de cobertura, os lucros são computados e os prejuízos não são dedutíveis. A Instrução Normativa n° 173/88, definiu, para fins fiscais, os tipos de operações que se caracterizam como cobertura de riscos e disciplinou a forma de apuração dos resultados líquidos. 144.O art. 63 da Lei n° 8383/91, estendeu o tratamento previsto no art. 6° do Decreto-lei n° 2397/87 às operações de cobertura de riscos (hedge) realizadas em outros mercados futuros, no exterior, além de bolsas, como segue: Art. 63. O tratamento tributário previsto no art. 6° do Decreto-lei n° 2397, de 21 de dezembro de 1987, aplica-se, também, às operações de cobertura realizadas em outros mercados futuros, no exterior, além de bolsas, desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional e desde que observadas as normas e condições por ele estabelecidas. 145. Como já demonstrado, o Auto de Infração reconhece que as operações da Recorrente no exterior foram de cobertura (hedge), por meio de swap (TVF, p. 14, item 5.2), e que foram feitas com instituição estrangeira no OTC, ou seja, "em outros mercados futuros, no exterior", nos termos do art. 63, acima transcrito. 146. Em cumprimento ao art. 63 da Lei n° 8383/91, o CMN, pela Resolução n° 2012/93, baixou as seguintes normas e estabeleceu as seguintes condições: Art. 1°. Permitir que as entidades do setor prive, realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em coisa operações 50 4_ e_ MINISTÉRIO DA FAZENDA jr :-;* 11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 3 i,,,:,Ir QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 destinadas a proteção r hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades de moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. (..-) Art. 4°. Fica delegada competência ao Banco Central do Brasil para adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução. 147.Ao regular a "execução" dessa Resolução do CMN, como a ele delegado, dispôs o BACEN, na Circular n° 2348/93: Art. 1°. Podem ser objeto de proteção ('hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos para ocorrerem em momento futuro, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial e financeira. 148.Ou seja, a pretexto de regular a execução da Resolução CMN n° 2012/93, o BACEN extravasou-lhe os limites para exigir que as operações de hedge no exterior dessem cobertura a "pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras", requisito que não consta na Resolução CMN n° 2012/93 e que as operações da recorrente não satisfazem, pois as suas operações de hedge no exterior tinham como contrapartida operações na BMF a serem liquidadas em reais. 149.Como visto anteriormente, a lei previu um tratamento tributário para o hedge e delegou competência ao CMN para estabelecer as normas e condições para a aplicação desse tratamento. O CMN delegou poder ao BACEN apenas para regular a execução do que ele, CMN, normatizou com observância da lei. O BACEN, no entanto, criou uma condição adicional à lei (que não lhe delegou competência para tal) e à Resolução do CMN (que não a previu, não delegou competência ao B s EN para que a i aprevisse e nem poderia faze-lo, pois a delegação da lei é apenas par- li a MN). 51 .r .„... , b. 4. MINISTÉRIO DA FAZENDA ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 150.O CMN é órgão normativo, de hierarquia superior à do BACEN, que é mero executor das normas do CMN (e tem, ainda, poderes de monitorannento da obediência àquelas normas por parte dos que lhe devem obedecer — os bancos, por exemplo). 151.Já a Circular é norma complementar, de hierarquia menor do que uma Resolução. Uma Circular não pode restringir, limitar ou ampliar matéria tratada em uma Resolução. A esse respeito vale notar que só quando houver delegação de poderes ao Banco Central do Brasil e esse delegação é feita de forma expressa e com a clara indicação dos poderes que são delegados, como demonstram os exemplos abaixo, pode a Circular regular, mas nos estritos termos da delegação que lhe foi outorgada. Cumpre esclarecer, não é o caso da delegação contida na Resolução n°2012/93, que se limita a permitir que sejam baixadas normas exclusivamente para executar o que vai nela estabelecido. 152.A ilegalidade, portanto, afere-se no caso ante o confronto das normas do art. 63 da Lei n° 8383/91, da Resolução n° 2012 do CMN e da Circular n° 2348/93 do Bacen; a Resolução do CMN se subordina à lei e a Circular do Bacen subordina-se à Lei e à Resolução do CMN, e não poderia delas desviar-se, como o fez. 153.A jurisprudência dos tribunais superiores é no sentido de rejeitar a imposição de regras ou condições, pelo BACEN, não previstas em resoluções do CMN que venham regularmentar. Veja-se o caso do Mandado de Segurança decidido a favor do impetrante em — Proc. N° 95030921880-SP, TRF 3 8 Região, 48 Turma, Rel. Juiza LÚCIA FIGUEIREDO, in DJ de 05.11.96, p. 84.309): CONSTITUCIONAL — TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE A REMESSA DE JUROS, COMISSÕES E DESPESAS DECORRENTES DA COLOCAÇÃO DE TÍTULOS DE CRÉDITO NO EXTERIOR — ART. 777 DO RIR, ART. 9 DO DECRETO-LEI 1351/74 E ART. 1 DO DECRETO-LEI 1725/79 — RESOLUÇÕES DO C.M.N. 644/80 E 1853/91. RESTRIÇÕES IMPOSTAS PELO COMUNICADO 2747/92 E S CARTAS CIRCULARES 2269/92 E 2372/93 DO BACEN 52 e MINISTÉRIO DA FAZENDA ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ji.:At a; QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 O comunicado 2747/92 e as Cartas-Circulares 2269/92 e 2372/93, todos do Banco Central do Brasil, extrapolam os limites estabelecidos pelo Conselho impondo restrições aqui não contidas. Remessa oficial desprovida. 154. Trago à colação o seguinte trecho do voto proferido pela eminente relatora: Caber verificar a possibilidade da delegação legislativa ao Executivo e, constatada essa, a viabilidade de trespassá-la ao Banco Central do Brasil. Já afirmamos, em voto anterior, relativo às contribuições do IBC que, mesmo em face da Constituição pretérita, proibiam-se quaisquer delegações ao Executivo, salvo as expressamente constantes do parágrafo 29, do artigo 153, do Texto Básico anterior Porém, jamais permitiu a Constituição anterior delegação do Legislativo ao Executivo, no que tange aos elementos essenciais do tributo, tais sejam: critério material, espacial, temporal e pessoal. Permitida a delegação feita ao Conselho Monetário Nacional (art. 9° do DL n° 1351/74, com a redação dada pelo art. 1° do DL n° 1.411/75), cumpre verificar se seria possível trepassar-se a competência para o Banco Central do Brasil. Dispõe o artigo 9° do Decreto-Lei n° 1.351114, com a redação dada pelo artigo 1° do Decreto-Lei n° 1.411/75: Art. 9° - Atendendo ao interesse da política financeira e cambial, o Conselho Monetário Nacional poderá reduzir o Imposto de Renda incidente sobre juros, comissões, despesas e descontos remetidos, creditados, pagos ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior ou, alternativamente, conceder benefícios pecuniários em favor de tomadores de financiamentos externos para importação e de empréstimos em moeda estrangeira, estabelecidos no País. Parágrafo 1° - Competirá ao Conselho Monetário Nacional determinar o percentual da redução do imposto ou do beneficio pecuniário, os prazos em que se aplicam, bem como quais as modalidades de financiamentos e empréstimos,a k- • ectivos prazos e categorias de tomadores alcançados. 53 e r- k MINISTÉRIO DA FAZENDA fr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 4 :11-P V1/4r,>. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 Parágrafo 2° - O benefício a que se refere este artigo será concedido apenas quando efetivamente pago o Imposto sobre a Renda incidente sobre os juros, comissões, despesas, descontos às aliquotas estabelecidas na legislação tributária aplicável, e nunca em importância superior ao imposto recolhido. Parágrafo 3° - A Secretaria de Planejamento da Presidência da República e o Ministério da Fazenda proporão as providências que se fizerem necessárias para cobertura orçamentária dos encargos decorrentes da aplicação do disposto neste artigo. Caio Tácito tem, a respeito, frase feliz: "competente não é quem quer, porém quem a lei - e somente ela - assim o fez". Lafayette Pondé, em memorável artigo, inserido na Revista de Direito Público, v. 49/50, p. 15, afirma que a delegação supõe autorização legal, fundada em norma de igual categoria da norma de competência. Claro está que o Executivo, a quem teria sido delegada a competência, caso isso se entenda possível, por meio do Conselho Monetário Nacional, não poderia trespassar tal competência para o Banco Central do Brasil, outra pessoa jurídica, autarquia que era. As competências são indelegáveis. Apenas, seu exercício pode ser desconcentrado, se não for privativo, porém não transferido a outra pessoa jurídica. Ocorre, no entanto, que não obstante não tenha havido delegação expressa, os atos administrativos baixados pelo Banco Central do Brasil por meio do Sr. Chefe do Departamento de Capitais Estrangeiros, extrapolaram os limites fixados nas Resoluções de n°s 644/80 e 1853/91, ambas do Conselho Monetário Nacional, como aliás muito bem salientou o MM. Juiz "a quo" (...) 155.Mudando o que deve ser mudado, a situação se afigura em tudo idêntica à hipótese tratada nestes autos. 156.Contudo, para reforçar o entendimento quanto à higidez do auto de infração, neste particular, a decisão recorrida ainda deixou assentado que: A razão básica da impugnação do contribuinte relativamente ao crédito constituído, deve-se ao seu entendimento de que 'A Circular n° 2348/93 foi além do que podia. A pretexto de normatizar a execução da Resolução no 2012/9 a só isso que 54 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 tinha poderes para fazer, delegados pelo art. 4°, transcrito em 1.2), limitou o seu alcance: disse que só se poderiam hedgear pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras, restrição que a norma superior (do CMN) não fazia." Como sabemos, a Circular 2.348/93, ora questionada, foi expedida em 30.07.1993. Para melhor elucidarmos a questão, investigamos se havia norma anterior tratando do assunto para cotejarmos se houve uma mudança de entendimento do Banco Central quanto às moedas utilizáveis nas operações de swap. Encontramos a Circular 2.170, de 30 de abril de 1.992, portanto anterior à norma contestada. Vejamos, de início o caput da Circular e o seu artigo 1°: Circular 2.170 Programa federal de desregulamentação - Decreto n. 99.179, de 15.03.90 - Define os pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira passiveis de proteção contra o risco de variação de taxas de juros e as modalidades das operações destinadas a essa proteção - Comunicamos que a Diretoria do Banco Central do Brasil, tendo em vista o disposto na Resolução n. 1.921, de 30.04.92, do Conselho Monetário Nacional, decidiu: Art. 1° Podem ser objeto de proteção ("hedge") contra risco de variações de taxas de juros no mercado internacional os pagamentos e recebimentos, em moedas estrangeiras, programados ou previstos para ocorrer em momento futuro, decorrentes de: 1- empréstimos e financiamentos registrados no Banco Central; II - empréstimos e/ou financiamentos de longo prazo a exportação brasileira, independentemente da fonte ou da origem dos recursos; III - dividas de curto prazo, de natureza comercial ou financeira, não sujeitas a registro no Banco CentraL Da análise do dispositivo legal, remanesce claro que o Banco Central do Brasil, anteriormente à contestada Circular n° 2.348/93, vinculava as operações de hedge aos pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira e aos empréstimos, financiamentos e dividas contraídas pelas empresas em moeda estrangeira. Essa proteção através das operações de hedge visava minimizar os riscos da empresa decorrentes de operações sujeitas a variação cambial. Como vemos, fazendo-se análise temporal da legislação aplicável ao assunto, concluímos que o Banco Central manteve o seu entendimento de que as operações de he. - ão aquelas relativas a obrigações assumidas em moeda e - rang - ia, não se 55 e MINISTÉRIO DA FAZENDA ,;":" 1. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. snCes». > QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 tratando este o caso das operações realizadas pelo contribuinte que foram liquidadas em moeda nacional e também não se referem a empréstimos, financiamentos ou dividas contraídas em moeda estrangeira. Da mesma Circular 2.170, também é elucidativo transcrevermos os seus artigos 3° e 4°: Art. 3° Os pagamentos e recebimentos resultantes dos mecanismos referidos no artigo anterior serão efetuados em moeda estrangeira, mediante celebração de operação de cambio para liquidação pronta. Art. 4° As operações de proteção ("hedge") de que trata esta circular terão como limite, a qualquer tempo, o valor remanescente em moeda estrangeira dos direitos e obrigações de natureza comercial ou financeira que lhes sejam subjacentes. Parágrafo único. As operações de cambio relativas a esses direitos e obrigações subjacentes serão celebradas e liquidadas na forma, prazos e condições originalmente contratados, observada a regulamentação cambial em vigor. Mais uma vez, como vemos, fica patente que os pagamentos e os recebimentos decorrentes de direitos ou obrigações de natureza comerciai ou financeira assumidos pelo contratante, decorrentes das operações de hedge devem ser efetuados em moeda estrangeira. Observamos ainda, sob a ótica da temporalidade, que tanto o artigo 1° da Circular n° 2.348/93, como o artigo 4° da Circular 2.170, relacionavam o hedge a direitos e obrigação de natureza comercial ou financeira, o que vem, mais uma vez, reforçar as razões que já apontam no sentido da manutenção do lançamento. 157. Como visto, a decisão invoca que a Circular n° 2170, de 30.04.1992, do BACEN, anterior à Resolução n° 2012/93 do CMN e à Circular n° 2348/93 do Bacen — que são as únicas ora em causa — referia-se a "pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras" ao dispor sobre hedge. 158.Esse fato é de todo irrelevante, porque: (i) essa restrição da Circular de 1992 não está consagrada na Resolução n° 2012/93, que lhe é posterior e hierarquicamente superior; (ii) sob o art. 63 da Lei n° 8383/91, cabe ai, N, e não ao 56 • 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ti PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 BACEN, baixar normas e estabelecer as condições sobre o tratamento tributário do hedge e, nesse aspecto, a Circular n° 2170/92, se pertinente fosse ao caso, seria tão ilegal quanto a de n° 2348/93, como acima demonstrado, porque nela o BACEN regula o que não lhe cabe regular por força de lei. 159.Mas, mesmo que se pudesse considerar válida a restrição imposta pela Circular Bacen 2.348/94, a despeito de tudo o que já foi dito, não teria ela o condão de vedar a apropriação dos resultados negativos das operações de hedge no exterior, pelo fato de que o § 1° do artigo 6° do DL 2.397/87 integra o conjunto do chamado "tratamento tributário" previsto no DL 2.397/87, a que se refere o art. 63 da Lei 8.383/91. E referido § 1° do art. 6° do Decreto-lei 2.397/87 diz o seguinte: 1° No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis." 160.Mesmo que se pudesse considerar válida a restrição imposta pela Circular Bacen 2.348/94, a despeito de tudo o que já foi dito, não teria o condão de vedar a apropriação dos resultados negativos das operações de hedge no exterior, pelo fato de que o § 1 0 do artigo 6° do DL 2.397/87 integra o conjunto do chamado "tratamento tributário" previsto no DL 2.397/87, a que se refere o art. 63 da Lei n° 8.383/91. O referido § 1 0 do artigo 6° do Decreto-Lei n° 2.397/87, diz: § 1°. No caso de operações que não se caracterizem como de cobertura, para efeito de apuração do lucro real os lucros obtidos serão computados e os prejuízos não serão dedutíveis. 161.Nesse contexto, fica evidente que os prejuízos só não seriam dedutiveis na hipótese de as operações não se caracterizarem como de cobertura. Não é o caso dos autos. Pois, como já disse nas alíneas 'a' a 'd' do item 88 deste voto, as operações foram consideradas pelo auditor fiscal como operações de cobertura (hedge). 162.Concluo, finalmente, que a inovação inserta no c - put 'o art. 1° da 57 e MINISTÉRIO DA FAZENDA ei PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 Circular Bacen 2.348/94 não reúne condições de merecer a interpretação restritiva que lhe atribuiram o auditor fiscal e a autoridade julgadora. Não tem ela condições de inculcar nas operações realizadas pelo recorrente, ao amparo da Resolução CMN 2.012/93, a pecha de irregulares. REGISTRO DAS OPERAÇÕES DE SWAP CURSADAS NO EXTERIOR 163. Examino em segundo lugar a questão relativa ao registro, na CETIP ou em outro sistema habilitado pelo Bacen ou pela CVM, das operações de swap realizadas em mercado de balcão no exterior, utilizadas como instrumento financeiro das operações de hedge, como condição para cômputo dos resultados negativos na apuração da base de cálculo do IRPJ. 164.O debate sobre a questão, bem documentado nos autos, está condensado nos itens 04, 05, alíneas 'g' a 'k', 31 a 41, 67 e 72, do Relatório. A partir do exame cuidadoso das circunstâncias que envolvem tal debate, recolhi os elementos relevantes na formação de minha decisão. 165. Em primeiro lugar, o Bacen, ao receber a informação do contribuinte de que as operações de swap realizadas no exterior não eram registráveis na CETIP, isto já em 1999, não a contestou nem se dispôs a indicar qualquer outro sistema habilitado a registrar ditas operações, a despeito de o próprio Bacen ser um dos órgãos incumbidos de fazer tal habilitação. 166. É o primeiro indício de que não haveria instituição no Brasil habilitada a fazer tal registro. 167.O auditor fiscal, ao ser informado pelo contribuinte, no curso da ação fiscal, de que não registrou as operações porque a CETIP não as registrava (transcrição que vai do final da página 19 ao início da página 20 do TVF), tomou a iniciativa de intimar a CETIP a prestar informações sobre o assunto, como se vê à folha 20 do TVF, numa atitude que revela desconhecimento ou, pelo -nos, insegurança , 58 07, e 44. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ;;Ite> QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 sobre o fato de a CETIP fazer ou não tal registro. 168.Não se dignou, o auditor fiscal, ao ser informado pelo contribuinte de que a CETIP não fazia o registro, a indicar-lhe outro sistema habilitado a fazê-lo, como seria recomendável que fizesse para consignar o fato no TVF e, assim, conferir solidez ao seu procedimento. 169.A situação é indicio de que o próprio auditor fiscal, não só ignorava se a CETIP fazia ou não tal registro, como desconhecia que houvesse outro sistema habilitado a fazê-lo. 170.Mais ainda, é indício de que a própria Fiscalização (para não dizer a Secretaria da Receita Federal) não tinha conhecimento da existência de instituição ou sistema habilitado a registrar as operações de swap realizadas no exterior. 171.Generalizo, pois sabe-se que os auditores fiscais dedicados à chamada "atividade externa" contam com o apoio técnico de supervisores e equipes especializadas que, operando em "ambiente interno", tranqüilo e propício, se incumbem da tarefa de realizar pesquisas e estudos para solucionar dúvidas e dificuldades práticas encontradas pelos primeiros no exercício de suas "atividades externas". 172.Ninguém demonstrou conhecer qualquer sistema ou instituição que estivesse habilitada a fazer o registro, seja para contestar as informações do contribuinte de que as operações não eram registráveis, seja para consignar objetivamente o fato no TVF. 173.Somente após receber a resposta da CETIP, o auditor fiscal, apoiado nos termos dessa resposta, ousou fazer a acusação formal ao contribuinte, ora recorrente, de que poderia ter feito o registro na CETIP e não o fez. Por isso, estaria sujeito ao lançamento fiscal. 174.Mas o impugnante demonstrou, e comprovou no: • (fls. 1718 a • 59 , 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 11/ rte;n:j QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 1725), que os termos utilizados na intimação expedida pelo auditor fiscal à CETIP, para que informasse se fazia ou não o registro, levaram-na a uma resposta positiva mas incoerente com a realidade dos fatos, como se vê adiante. 175.O contribuinte foi preciso na forma de fazer a indagação à CETIP, como se vê pelo documento 05 anexado à impugnação (fls. 1718). Encaminhou cópia de um dos contratos das operações que realizava no exterior e, descrevendo as circunstâncias envolvidas, perguntou se aquela operação, específica, era registrada. A resposta da CETIP foi negativa, como demonstra o documento 06 anexado à impugnação (fls. 1725). 176.O auditor fiscal, como se vê pelo documento de fls. 1275, perguntou à CETIP se estava autorizada a registrar um contrato do tipo do que se anexava. A resposta da CETIP foi positiva, no sentido de que poderiam ser registrados contratos daquele tipo, como se vê pelo documento de fls. 1281. 177.O impugnante argüiu, então, que nada impede que um tipo de operação que se realiza no exterior possa ser realizado no País, ou possa vir a ser realizado no país. Nesse caso, ao se perguntar a uma entidade incumbida de registro se registra ou não tal tipo de operação, sem a informação precisa de que seria realizada no país ou no exterior, como ocorreu com a indagação feita pelo auditor fiscal, a expectativa é de que a resposta da entidade seria positiva, como foi: é possível registrar operação desse tipo. 178.Levantada a celeuma perante a autoridade julgadora de primeira instância, caberia a esta, caso restasse dúvida sobre possível contradição entre as duas respostas, determinar de ofício a realização de diligência junto à CETIP, conforme art. 18 do Decreto 70.235/72, para confirmar se a entidade registra ou não, especificamente, as operações de swap realizadas no exterior e, assim, remover a possível dúvida. 179.Mas a autoridade julgadora não só dispensou a providência, numa evidência de que não teria dúvidas, como deixa transparecer que acr: dita na resposta 60 _• MINISTÉRIO DA FAZENDA ••• • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 24/t5;0,:, QUINTA CÂMARA- Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 dada ao recorrente (de que a CETIP não faz o registro das operações realizadas no exterior), segundo o teor da justificativa proferida no voto que instrui a decisão (fls. 1766): Devemos lembrar também, abordando a impossibilidade de registro na CETIP, que o mesmo artigo referido no parágrafo anterior estabelece a obrigatoriedade do registro das operações de que trata a Resolução CMN n° 2.138/94 em sistema administrado pela Central de Custodia e de Liquidação Financeira de Títulos - CETIP, ou em outros sistemas de registro, de custódia e de liquidação. devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários e que atendam as necessidades de fiscalização e controle _por parte do Banco Central do Brasil. Concluo assim, que haviam (sic!) outras alternativas de registro das operações realizadas, além daquela questionada pelo impugnante como impossível, não podendo, desta forma, ser acatada esta alegação do impugnante; (o grifo em negrito não é do original) 180.A autoridade julgadora, desconhecendo também qualquer outro sistema habilitado a fazer o registro, saiu-se com o argumento (acima transcrito) que se resume no seguinte: se a norma prevê a possibilidade de registro em outros sistemas, ipso facto existem outros sistemas que fazem o registro. Não se dignou, porém, a exemplificar seu argumento com a indicação de qualquer sistema habilitado a fazer o registro. 181.À vista dessa "equivocada conclusão" da autoridade julgadora, o contribuinte oferece à colação, na fase recursal, cópia do ofício da BMF (documento 2 do recurso - fls. 1808), em que a BMF também esclarece que as operações realizadas no exterior não eram nem são passíveis de registro na BMF. 182.Salta aos olhos de quem analisa com atenção os ofícios da CETIP e da BMF oferecidos à colação pelo contribuinte, que as duas conhecidas entidades que se dedicam, no Brasil, a registro, custódia e liquidação de títulos e valores mobiliários esclarecem com ênfase que as operações de swap realizadas no exterior, objeto das indagações, não eram (nem são) registráveis pelo fato de sAir, operações realizadas no exterior. 61 ir MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES'11 •1/4fr g-fere; QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 183.Uma coisa é certa: o contribuinte vem afirmando e reafirmando, desde 1999, que as operações não são registráveis porque não há sistema ou instituição que as registra. E ninguém, nem Bacen nem auditor fiscal nem autoridade julgadora, foi capaz, desde então, de desacreditar a informação do contribuinte com a indicação de, sequer, um sistema habilitado a fazer o registro das operações de swap realizadas no exterior. 184.Além de tudo isso, para que as operações de swap cursadas no exterior pudessem ser registráveis no pais, seria necessário que, preliminarmente, fossem regulamentados os procedimentos operacionais que deveriam ser observados pelos inúmeros mercados de balcão existentes no mundo (cada qual com suas peculiaridades), com instruções detalhadas sobre a geração e transmissão dos arquivos eletrônicos relativos aos dados das operações cursadas nesses mercados, bem como sobre as formas possíveis de liquidação das operações (envolvidas as transações cambiais), segundo os modelos de operação adotados pelas entidades brasileiras incumbidas do registro. Ou, inversamente, seria preciso que as entidades brasileiras se amoldassem a cada um dos inúmeros mecanismos de swap existentes no mundo. 185.Essa utopia constitui mais um indício de que as operações de que trata o presente processo não eram nem são registráveis no pais. 186. Todo esse conjunto de fatos indiciários, demonstrados e documentados no processo, é suficiente para convencer-me de que as operações de swap cursadas em mercado de balcão no exterior não eram e não são registráveis no Brasil. 187. Ora, no caso presente, o auditor fiscal, manifestando o entendimento (no último parágrafo da folha 10 e nos três primeiros parágrafos da folha 11 do TVF) de que o art. 6° do Decreto-lei 2.397/87 teria sido substituído pelo art. 17 da Lei 9.430196 e de que o art. 63 da Lei 8.383/91 está vigente pelo fato de ter sido reproduzido no § 1° do art. 396 do RIR/99, o auditor fiscal reconhece que as operações foram realizadas com base no art. 63 da Lei 8.383/91 combinad om o art. 6° do Decreto-lei n° 2.397/87. 62 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fi. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 188.Observo que o art. 63 da Lei 8.383/91 estava vigente na época dos fatos. Com relação ao art. 6° do Decreto-lei 2.397/87, nota-se que o exato teor de seu caput foi reproduzido no caput do art. 396 do RIR/99, que cita como fonte legal o art. 17 da Lei 9.430/96. Mas é preciso salientar que o § 1 0 do referido art. 6° do Decreto-lei 2.397/87 também está em pleno vigor, pois seus termos foram transcritos, "ipsis litteris", no § 2° do art. 396 do RIR/99, a despeito de o regulamento não citar a fonte legal correspondente. 189.Seja como for, essa legislação básica que autoriza a realização de hedge no exterior, que se vale de instrumentos que atendem aos parâmetros internacionais (de que fala o § 1° do art. 1° da Resolução CMN 2.012/93), um dos quais são as operações de swap realizadas em mercado de balcão, não pode ver usurpada sua eficácia pela inserção no seu contexto de condição inexeqüível. 190.A lei tem o atributo intrínseco da eficácia, que se remove apenas com a revogação da própria lei, ou se suspende temporariamente com a edição de outra lei, ou se submete ao implemento de determinada condição, mas desde que exeqüível a condição. O que não se pode admitir é que a eficácia de uma lei seja aniquilada pela criação de condição inexeqüível, como se pretendeu fazer no presente caso. 191.Caso se pretenda retirar em definitivo a eficácia de uma lei, que se revogue a lei, como ocorreu com o indigitado art. 63 da Lei 8.383/91, que foi finalmente revogado pelo art. 24 da Lei 11.033/2004, mas somente a partir de 1° de janeiro de 2005. CSLL 192.Examino, finalmente, a questão relativa à alegação fiscal de que, anteriormente à eficácia do art. 19 da MP 1.858-6/99, os resultados obtidos no exterior (lucros, rendimentos, ganhos de capital e prejuízos) não podiam ser computados na apuração da base de cálculo da CSLL, pois que, em relação à CSLL, a tributação dos iiiiresultados da pessoa jurídica estava baseada no princípio da territo i. e :de. n . 63 f A tr" ., MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 193.A controvérsia está apresentada nos itens 04, 06, alíneas 'a' a T, 42 a 62, 68, alíneas 'a' a 'h', 73 e 74, do Relatório. 194. Para se conhecer a forma correta de tributar a CSLL, é mais importante examinar objetivamente a legislação aplicável à matéria, do que se nortear pelos chamados princípios da territorialidade ou da tributação em bases universais, que podem ajudar, mas são imprecisos quanto à conceituação. 195.Pelo enquadramento legal do lançamento, indicado no próprio auto de infração (excluídos o art. 7° da MP 1.807/99 e o art. 6° da MP 1.585/99, que tratam das alíquotas aplicáveis), a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (art. 2° da Lei 7.689/88) e antes, também, da provisão para a própria contribuição social (art. 1° da Lei 9.316/96), com os ajustamentos (adições e exclusões) especificados na legislação (§§ do art. 2° da Lei 7.689/88 e legislação posterior que não foi indicada no auto de infração). 196.Ora, resultado do exercício é o valor, apurado em determinado período (definido segundo os arts. 1° a 3° da Lei 9.430/96), que decorre da gestão de todos os bens e direitos integrantes do patrimônio da empresa, incluídos os investimentos em coligadas ou controladas, existentes no país ou no exterior, bem como os eventuais capitais aplicados no exterior que não estejam abrigados em conta de investimento, valor aquele apurado mediante escrituração contábil que observe especialmente os critérios estabelecidos nos art. 177 e 187 da Lei 6.404/76. 197.Em suma, o valor do resultado líquido do exercício decorre de todas as operações realizadas pela empresa, com a movimentação dos bens, direitos e obrigações integrantes de seu património, quer sejam essas operações realizadas no Pais ou no exterior, mediante atuação direta (por intermédio de representações) ou mediante atuação indireta (por intermédio de coligadas ou controladas). 198. Esse chamado resultado líquido do ex- ou resultado 64 MINISTÉRIO DA FAZENDA ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. -wp tr QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 liquido do período segundo a linguagem da Lei 9.430/96, consiste num conceito eminentemente contábil, cujo teor pode ser aferido, dentre outras obras de renome, pela magistral obra editada sob responsabilidade da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras - FEA/USP), denominada "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (Aplicável às Demais Sociedades)", 6° Edição, Editora Atlas, São Paulo, 2003, páginas 326 a 330. Nas páginas seguintes, 331 a 367, encontra-se o detalhamento aplicável às contas básicas que compõem o resultado líquido do exercício. 199.Nesse contexto contábil, todos os resultados obtidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, coligadas ou controladas, já sintetizados em lucros ou prejuízos, bem como todos os resultados (receitas, custos e despesas) decorrentes da aplicação no exterior de capital que não integre contas de investimento (atividades realizadas por intermédio de representantes), resultados esses sintetizados pela Lei 9.249 na expressão "rendimentos ou ganhos de capital", devem ser contabilizados, pela empresa controladora ou titular do capital aplicado por conta própria, como resultados positivos ou negativos, de tal forma que sejam computados, juntamente com os resultados obtidos no país, na determinação global do resultado liquido do exercício, em consonância com as orientações da Lei 6.404/76, arts. 177 e 187. 200.Ressalte-se que o próprio auditor fiscal adota o entendimento de que na expressão "rendimentos e ganhos de capital" subsumem-se os "prejuízos" decorrentes das operações (poderia ter dito, com mais propriedade, os "custos e despesas"), como se vê, por exemplo, no penúltimo parágrafo da folha 12 do TVF. 201. Para se entender com mais clareza o critério de tributação da CSLL, em relação aos "rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior, no período anterior ao período em que passou a ter eficácia o disposto no art. 19 da MP 1.858-6, de 29.06.99, atual art. 21 da MP 2.158-35/2001, convém olhar para o tratamento que se deu ao IRPJ com a introdução do chamado critério de tributação oases universais" (art. 25 da Lei 9.249/95). 65 'ar" \I IA • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 202. O critério de ajuste aplicável aos 'rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior, na determinação da base de cálculo do IRPJ difere do critério de ajuste aplicável aos lucros" obtidos no exterior. Quanto aos últimos, a lei prevê que sejam computados mediante adição ao resultado líquido do período; quanto aos primeiros, não há determinação legal de que sejam adicionados. 203. Examine-se o art. 25 da Lei 9.249/95. Enquanto estabelece regras sobre o cômputo dos lucros" mediante procedimentos de adição ao "resultado líquido do exercício", ao tratar dos "rendimentos e ganhos de capital", limita-se a disciplinar a forma de conversão desses rendimentos e ganhos de capital em reais, apenas para fins contábeis, nada mencionando sobre adição dos mesmos ao resultado líquido. 204. Esse tratamento diferenciado não decorre do fato de haver diferenças significativas entre os critérios de apropriação contábil dos "lucros" e de apropriação contábil dos "rendimentos e ganhos de capital". Os "lucros" são contabilizados em contas de "resultados de investimentos", enquanto os "rendimentos e ganhos de capital" são contabilizados em contas analíticas de "receitas, custos ou despesas", de tal forma que tanto os "primeiros" como os "segundos" são levados à conta de "resultado líquido do exercício" pelos próprios procedimentos contábeis subseqüentes. 205. A diferença de tratamento tributário decorre do fato de os lucros" gerados por coligada ou controlada serem levados às contas de "resultado líquido do exercício", tanto da empresa coligada ou controlada (que gera diretamente tais lucros), como da empresa titular do investimento (que registra o "resultado do investimento"), enquanto que os 'rendimentos e ganhos de capital" são levados apenas à conta de "resultado líquido do exercício" da empresa titular do capital aplicado (que gera tais "rendimentos e ganhos"). 206. Nesse caso, considerando-se que a determinação da base de cálculo do IRPJ (bem como a da CSLL) tem como ponto de partida o valo o 'resultado líquido do exercício", se não houvesse mecanismos de ajuste, o valor .os "I ros" seria • 66 Á MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. " • QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 tributado duas vezes: a primeira vez na empresa que os gera, a segunda vez na empresa titular do investimento. Isso não aconteceria com os 'rendimentos e ganhos de capital", que seriam tributados apenas na empresa que os gera. 207. Para evitar essa dupla tributação, a legislação prevê que, na determinação das bases de cálculo dos tributos incidentes sobre o lucro, de responsabilidade da empresa investidora, os resultados dos investimentos sejam excluídos do "resultado líquido do exercício" (no caso de lucros), ou adicionados ao "resultado líquido do exercício" (no caso de prejuízos), de tal forma que os lucros sejam efetivamente tributados ou os prejuízos sejam efetivamente compensados somente na empresa que os gere. 208.No entanto, no caso de coligada ou controlada situada no exterior, o tributo que incidiria sobre o lucro excluído pela empresa investidora é pago no exterior, de forma que não haveria, no País, a dupla tributação. Por essa razão, certamente, entenderam os mentores do projeto de lei que se converteu no art. 25 da Lei 9.249/95 que, em compensação, seria adequado que os lucros gerados por coligadas ou controlas situadas no exterior viessem a ser adicionados ao "resultado líquido do exercício" da empresa investidora. 209.Pois bem, em relação à CSLL, à semelhança do que ocorre com o IRPJ, o ponto de partida para apuração da base de cálculo da CSLL é exatamente o "resultado líquido do exercício" (ou do período, na linguagem da Lei 9.430/96), na sua genuína expressão contábil, antes de computada a provisão para pagamento do imposto de renda (Lei 6.404/76, art. 187, inciso V) e antes de computada a provisão para pagamento da própria CSLL (Lei 9.316/96, art. 1°). Desse ponto de partida, a apuração da base de cálculo da CSLL se completa com os ajustamentos previstos na legislação, ou seja, com as adições e exclusões previstas em lei. 210.Cabe salientar que os ajustamentos previstos em lei •; - apuração da base de cálculo da CSLL diferem dos ajustamentos previstos par: a ap ração da 67 Á • MINISTÉRIO DA FAZENDA r„ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA,t4; n Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 base de cálculo do IRPJ, conhecida como lucro real". 211. É comum aos dois tributos, por exemplo, a exclusão dos resultados (lucros) de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Mas há diversos casos em relação aos quais o tratamento legal dado a um tributo difere do tratamento dado a outro, como por exemplo: a)os juros sobre capital próprio sempre foram dedutíveis para efeito do IRPJ; mas, para efeito da CSLL, ora foram dedutíveis ora não; b)os lucros de coligadas e controladas no exterior, em relação ao IRPJ, são adicionados desde janeiro de 1997; em relação à CSLL, são adicionados só a partir de 01.10.99; c)algumas despesas operacionais (pró-labore, por exemplo), em relação ao IRPJ eram dedutíveis só até certo limite; em relação à CSLL eram integralmente dedutíveis; d)a compensação fiscal pela veiculação de propaganda eleitoral gratuita aplica-se apenas para efeitos do IRPJ, mas não para efeitos da CSLL; e)em relação à compensação de prejuízos, as regras previstas nos arts. 32 e 33 do Decreto-lei 2.341/87, só foram estendidas à CSLL pela MP 2.158-35/2001; 212. Então, considerando-se que a definição da base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o valor do "resultado líquido do exercício", em que já estão embutidos os saldos das contas analíticas de "receitas, custos ou despesas" que formam os "rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior, para se saber se esses resultados devem ou não ser objeto de exclusão ou adição, na determinação da base de cálculo da referida contribuição, deve-se examinar tão somente a legislação da própria CSLL. Nesse exame, há que se concentrar a atenção especialmente sobre a legislação que regia a CSLL até o momento em que foi submetida à eficácia do art. 19 da MP 1.858-6/99, ou seja, até o momento em que passou a ser tdbuta• pe o critério de "bases universais". 68 MINISTÉRIO DA FAZENDA j" s. ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fi. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 213. E o resultado desse exame é que, até 30.09.1999, não havia dispositivo algum que determinasse tratamento de adição ou de exclusão dos referidos "rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Pelo contrário, os arts. 28 e 87 da Lei 9.430/96 já determinavam que fossem aplicadas à CSLL, a partir de janeiro de 1997, as disposições dos arts. 17 e 71 da mesma Lei 9.430, que cobrem todo o elenco de operações praticadas pelo recorrente. 214. Nesse contexto, observo que as alegações apresentadas pelo contribuinte, na impugnação e no recurso voluntário, que não foram contestadas pela autoridade julgadora de primeira instância, estão em consonância com a explanação apresentada neste voto, especialmente as argüições que têm por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°05, de 31.10.2001, e a Portaria MF n° 18, de 12.01.79 (que complementa o disposto no art. 5° do Decreto-lei n° 1.418, de 03.09.75). 215.Por essas razões, entendo que o contribuinte agiu de forma correta, ao ter oferecido à tributação da CSLL os resultados positivos obtidos no ano de 1998 e ao ter apropriado nas contas de resultado as perdas ocorridas no ano de 1999. 216. Superada a confusão feita pela autoridade lançadora e pela autoridade julgadora de primeira instância sobre a tributação da CSLL pelo chamado critério da territorialidade, impõe-se ressalvar que as restrições aventadas pelo auditor fiscal, em relação ao IRPJ, com base na Circular Bacen 2.348/93 e na Resolução CMN 2.138/94, não se transmitem à CSLL, seja porque o auditor fiscal não as invocou na formalização da exigência da CSLL, seja porque aquelas restrições foram elididas nos dois primeiros tópicos deste voto. 217.Além disso, cabem também em relação à CSLL as considerações já feitas nos itens 162 e 163 deste voto. 218.E finalmente, para encerrar o voto, relembro as ressalvas que fiz nos itens 92 a 97, mas especialmente a do item 97, que peço licenç. par. transcrever novamente: 69 ' h . #4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. )• QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 97. Assim, há que predominar no ambiente de atuação dessas empresas a segurança jurídica de que os resultados de ambas as operações serão computados em conjunto, na apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Não podem as empresas, ao final, se surpreender com a obrigação de tributar o lucro obtido numa ponta e a proibição de computar o prejuízo obtido na outra, a não ser que razões muito sólidas, claras e objetivas, fundadas em dispositivos legais insofismáveis, autorizem a exação fiscal. 219.Não é o caso dos autos. A pretendida exação fiscal monta-se em três equívocos: (i) na inépcia de uma Circular do Bacen, que só poderia modificar as condições do hedge se fosse possível admitir-se a legalidade da invasão de competência do CMN por parte do Bacen; (ii) numa exigência de registro inexeqüível e, finalmente, (iii) numa errônea suposição de que a legislação aplicável à CSLL, na época dos fatos, impediria a apropriação na conta de "resultado liquido do exercício" dos "rendimentos e ganhos de capital" obtidos no exterior. 220.Por essas razões, dou provimento ao recurso. jt_c5ilial das Sessões - DF, em 26 de janeiro de 2006. RINEU BIANCHI 70 e MINISTÉRIO DA FAZENDA tt: ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "ot > QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira NADJA RODRIGUES ROMERO, Relatora Na sessão de 26 de janeiro de 2006 da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, discordei do voto do ilustre relator do Acórdão n° 105-15.503, por esta razão decidi apresentar declaração de voto no sentido de que ficasse registrada a minha manifestação divergente. A recorrente, no que tange ao lançamento de IRPJ, ataca os dois fundamentos legais utilizados pela autoridade lançadora, para justificar a não dedutibilidade, no cálculo do lucro real, das perdas incorridas nas operações de hedge, realizadas por ela no exterior. Trata-se, portanto, de questão de direito, relacionadas à interpretação de norma jurídica. O primeiro fundamento legal, utilizado para o lançamento do IRPJ, atacado pela recorrente é o seguinte: O art. 63 da Lei n° 8.383/91, assegura a dedutibilidade de perdas em operações de cobertura de risco em mercados estrangeiros desde que admitidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e observadas as normas e condições por ele estabelecidas. Estas normas e condições foram estabelecidas pela Resolução do CMN n° 2012 e pela Circular do Banco Central do Brasil (Bacen) n° 2.348, ambas de 30/07/1993. O lançamento foi realizado porque, segundo a autoridade lançadora, a recorrente não respeitou as normas estabelecidas pelo CMN. A norma, cuja validade foi questionada pela recorrente e que serviu como um dos fundamentos para o lançamento do IRPJ, é a Circular Bacen n° 2.348/93. Para a recorrente, o Bacen, ao baixar a Circular n° 2.348/93, teria ido além da competência dada pelo CMN na Resolução n°2.012/93. 71 \ J*4 MINISTÉRIO DA FAZENDA e ,T+.• ,4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 O art. 4° da Resolução CMN n° 2.012/93 delega competência ao Bacen para: "adotar as medidas e baixar as normas necessárias à execução do disposto nesta Resolução". Segundo a recorrente, o Bacen, ao exigir, no caput do art. 10 da Circular n° 2.348/93, que o objeto de proteção contra o risco de variações de juros, de paridade entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, fossem pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras, teria estabelecido uma condição adicional não prevista pelo Conselho Monetário Nacional na Resolução n°2.012/93. Esta condição, que segundo a recorrente teria sido estabelecida pelo Bacen, não caberia em uma norma cuja atribuição seria somente tratar da execução do disposto na Resolução, conforme estabelecido no seu art. 4 0, já comentado. Em resumo, o argumento da recorrente para refutar o primeiro fundamento do lançamento de ofício do IRPJ é o seguinte: "A lei [Lei n° 8.383/91] previu um tratamento tributário para o hedge e delegou competência ao CMN para estabelecer as normas e condições para aplicação desse tratamento. O CMN delegou poder ao Bacen apenas para regular a execução do que ele, CMN, normatizou com observância da lei. O Bacen, no entanto, criou uma condição adicional contrariamente à lei (que não lhe delegou competência para tal) e à Resolução do CMN (que não a previu, não delegou competência ao Bacen para que a previsse nem poderia fazê-lo, pois a delegação da lei é apenas para ele, CMN). A recorrente afirma que o acórdão recorrido teria lhe restringido o direito constitucional à ampla defesa por ter excluído do âmbito do processo administrativo a apreciação do questionamento da validade de norma jurídica, no caso, a Circular Bacen n° 2.348/93. Passo, então, à interpretação do art. 10 da Circular Bacen n° 2.348/93, dispositivo dito inválido pela recorrente. Art. 1° Podem ser objeto de proteção ( whedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional, os pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras programados ou previstos 72 V I tv ci c.-- MINISTÉRIO DA FAZENDA..... ,i, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. s ie -4.1ç QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 para ocorrerem em momento futuro, relacionados com obrigações e direitos de natureza comercial ou financeira. Parágrafo único. Incluem-se também neste artigo os pagamentos e recebimentos: I - em moeda nacional, decorrentes de repasses de obrigações ' contraídas em moeda estrangeira admitidas na legislação vigente; II - relativos a importação, exportação e negociação, no mercado interno, de mercadorias cujo preço seja estabelecido consoante suas cotações em bolsa no exterior. O caput deste artigo define o objeto do hedge a ser realizado no exterior - pagamentos ou recebimentos em moedas estrangeiras — e os riscos relacionados a este objeto — variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. Quanto aos riscos, o dispositivo faz mera repetição do disposto no art. 1° da Resolução CMN n°2.012/93, como pode ser visto a seguir. Art. 1° Permitir que as entidades do setor privado realizem, no exterior, com instituições financeiras ou em bolsas, operações destinadas a proteção ("hedge") contra o risco de variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. A discussão surge quanto ao objeto, já que a Resolução não menciona pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras. No entanto, antes de tratar desse ponto controverso levantado pela recorrente, vamos examinar o parágrafo único do art. 1° da Circular. Nos seus incisos, estão previstas duas exceções à regra definida no caput de que o objeto do hedge devem ser pagamentos ou recebimentos em moedas estrangeiras. O inciso I permite o hedge no exterior de pagamentos e recebimentos em moeda nacional decorrentes de repasses de obrigações, admitidas na legislação, contraídas em moeda estrangeira. Caso, por exemplo, de repasses de empréstimos externos tomados por bancos a empresas situadas no Pais, admitidos pela Resolução CMN n° 63/67. i 1- .44 73 MINISTÉRIO DA FAZENDA . roi PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 O inciso II prevê que os pagamentos e recebimentos relativos à negociação, no mercado interno, de mercadorias cujo preço seja estabelecido consoante suas cotações em bolsa no exterior (caso da soja, por exemplo) sejam objeto de hedge no exterior. Vale notar que, como a negociação se dá no mercado interno, trata-se de mais um caso em que foi admitido o hedge no exterior de pagamentos ou recebimentos em moeda nacional. São essas as duas únicas exceções admitidas pela Circular Bacen n° 2.348/93. não estando permitido, portanto, o hedge no exterior de pagamentos e recebimentos em moeda nacional decorrentes de operações em bolsas de mercadorias e futuros no Pais, como os realizados pela recorrente. Para julgarmos se o Bacen extrapolou a sua competência ao exigir que o objeto do hedge no exterior fossem somente pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira, ressalvadas as exceções já vistas, temos que analisar cada um dos riscos relacionados ao objeto do hedge previstos igualmente na Resolução e na Circular. Tais riscos são: variações de taxas de juros, de paridades entre moedas e de preços de mercadorias, no mercado internacional. O risco de preços de mercadorias no mercado internacional decorre de importação, exportação ou negociação de mercadorias no exterior, casos que, naturalmente, envolvem pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira. Quanto ao risco de preços de mercadorias que têm preço estabelecido em bolsa no exterior e que são negociadas no mercado interno, implicando pagamentos e recebimentos em moeda nacional, já vimos que tal risco pode ser protegido no exterior devido à excepcionalidade prevista no inciso II, do art. 1° da Circular Bacen n° 2.348/93. Portanto, no que diz respeito ao risco de preços de mercadorias no mercado internacional, o fato de a Circular Bacen n° 2.348/93 prever como objeto de hedge no exterior apenas pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira, não implica em estabelecer condição não prevista na Resolução CMN n° 2.012/93. 74 ‘I\ e, e o MINISTÉRIO DA FAZENDA:,;,... -..., PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 Passo então à análise do risco de taxas de juros no mercado internacional. É incontroverso que taxas de juros no mercado internacional somente podem vincular-se a pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras. Seria inconcebível um hedge no exterior de operações de crédito cursadas exclusivamente em moeda nacional, sem qualquer vinculo com o mercado externo. O que é permitido, como já visto, é o hedge no exterior de pagamentos e recebimentos em moeda nacional, decorrentes de repasses' de empréstimos contraídos em moeda estrangeira (art.1°, 1, da Circular Bacen n°2.348/93). Uma vez mais, chega-se a conclusão, agora quanto ao risco de taxas de juros no mercado internacional, que a Circular não impôs condição não prevista na Resolução ao fixar como objeto de hedge no exterior apenas pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira. Por último, vamos analisar o risco de paridade de moedas no mercado internacional. Mas antes, é preciso salientar que o termo "paridade", utilizado nas normas do CMN e do Bacen, tem um significado bastante preciso. O sítio do Bacen (www.bcb.gov.br) se refere a paridade como: "a relação de preço que se verifica entre duas moedas estrangeiras". Quando o CMN e o Bacen querem se referir à relação de preço entre uma moeda estrangeira e a moeda nacional o termo usado é "taxa de câmbio", que é tratada da seguinte forma no sitio do Bacen: "taxa de câmbio é o preço de uma moeda estrangeira medido em unidades ou frações (centavos) da moeda nacional". Para fixar bem a diferença entre os termos "paridade" e "taxa de câmbio", vale transcrever o que diz Emílio Garofalo Filho, ex-Diretor da Área Externa do Bacen2: I Definição de repasse dada pelo art. 60 da Resolução CMN n°2.770, de 30/0812000. Entende-se por operação de repasse a concessão de crédito vinculada à captação externa original na qual a instituição repassadora transfere à repassatária, pessoa fisica ou jurídica no Pais, idênticas condições de custo da dívida originalmente contratada em moeda estrangeira (principal, juros e encargos acessórios), assim como a tributação aplicável, não podendo ser cobrado, pelos serviços de intermediação financeira, qualquer outro ônus, a qualquer titulo, q? além de comissão de repasse. i 75 ;Lir- 44. MINISTÉRIO DA FAZENDA t4S% PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 4taltf QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 "qualquer moeda contra o real tem uma taxa de câmbio; uma moeda estrangeira contra outra moeda estrangeira tem a relação expressa em paridade". Assim, está sujeito ao risco de paridade entre moedas quem, por exemplo, tem um direito em iene e uma obrigação em Dólar Americano Em vista do exposto, pode-se concluir que o risco de paridade de moedas no mercado internacional envolve, necessariamente, pagamentos e recebimentos em moedas estrangeiras. Conclui-se assim que a Circular Bacen n° 2.348/93 ao definir como objeto do hedge no exterior pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira não impôs condição adicional, não prevista pelo CMN na Resolução n° 2.012/93, já que todos os riscos passíveis de proteção no exterior previstos na Resolução envolvem, necessariamente, pagamentos e recebimentos em moeda estrangeira. Indo ainda mais longe, pode-se afirmar que a Resolução CMN n° 2.012/93 não prevê a possibilidade de hedge no exterior contra o risco de taxa de câmbio que é, como já visto, essencialmente diferente de risco de paridade entre moedas. As operações realizadas pela recorrente na BM&F e que foram objeto de hedge no exterior estavam sujeitas ao risco de taxa de câmbio, não de paridade entre moedas. Portanto tais operações de hedge não eram permitidas nem mesmo pela Resolução CMN n°2.012/93. Vale ainda uma última observação. Somente em agosto de 2005, com a Resolução CMN n°3.312, de 31/08/2005, que revogou a Resolução CMN n°2.012/93, o CMN permitiu o hedge no exterior de pagamentos e recebimentos em moeda nacional 2 GAROFALO FILHO, Emilio. Câmbios: Princípios Básicos do Mercado Cambial. São Paulo: Saraiva. 2005. p 84. 3 Art. 2° Incluem-se entre os direitos e obrigações a que se refere o artigo anterior os pagamentos e os recebimentos em moeda nacional decorrentes de repasses de obrigações contraídas em moeda estrangeira, bem como aqueles relativos a: C-) II - operações em bolsas de mercadoria e de futuros no País; C-) 76 ••\ ,t- MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.00298612003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 relativos à operações em bolsa de mercadorias e de futuros no País. Se um hedge no exterior desta natureza já fosse permitido à época em que a recorrente efetuou as operações, a norma não o teria incluído expressamente, uma vez que, em normas, não há palavras inúteis. Assim, não prospera a alegação da recorrente de que o Bacen estabeleceu, na Circular n° 2.348/93, uma condição adicional não prevista pelo CMN. O segundo fundamento legal, utilizado para o lançamento do IRPJ, atacado pela recorrente é a necessidade de registro das operações de swap, nos termos da legislação vigente, para permitir o reconhecimento de perdas delas decorrentes no cálculo do lucro real, conforme previsto no art. 74, § 3° da Lei n° 8.981/95, combinado com o art. 3° da Resolução CMN n°2.138, de 29/12/1994. Argumenta a recorrente que tanto a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP) quanto a Bolsa de Mercadoria & Futuros (BM&F) não registram operações de swap contratadas no mercado internacional e que, como conseqüência, o pressuposto da Resolução CMN n° 2.138/94 é que as operações que regula sejam feitas no Brasil. O Acórdão recorrido conclui que, diante da impossibilidade de registro na Cetip, haveriam outras alternativas de registro das operações. No entanto, não aponta que alternativas seriam estas. O § 3°, do art. 74, da Lei n° 8.981/95 é claro ao exigir o registro das operações de swap para o reconhecimento das perdas no cálculo do lucro real. Art. 74 (...) § 3° Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas nos termos da legislação vigente. A mesma clareza se denota no art. 3° da Resolução CMN n° 2.138/94, norma que regulamenta o dispositivo citado da Lei n°8.981/95 C77 "1- ----- MINISTÉRIO DA FAZENDA Fi.r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 Art. 3° Estabelecer a obrigatoriedade do registro das operações de que trata esta Resolução em sistema administrado pela Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos - CETIP ou em outros sistemas de registro, de custódia e de liquidação, devidamente autorizados pelo Banco Central do Brasil ou pela Comissão de Valores Mobiliários e que atendam às necessidades de fiscalização e controle por parte do Banco Central do Brasil. No entanto, não foi apontada, nem pela autoridade lançadora, nem pelo Acórdão recorrido, uma central de custódia que fizesse o registro de um swap contratado no mercado intemacional. Estamos, assim, diante de uma condição de cumprimento impossível, ao menos à época em que as operações foram realizadas. Dessa forma, tem razão a recorrente ao afirmar a improcedência da fundamentação da falta de registro das operações de swap. Saliente-se, porém, que o lançamento de IRPJ fica totalmente mantido em virtude da primeira fundamentação: descumprimento da Resolução CMN n° 2.012/93 e da Circular Bacen n° 2.348/93. CSLL No período em que as operações de hedge no exterior foram realizadas, ainda prevalecia, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, o princípio da territorialidade, ou seja, os resultados auferidos no exterior não eram computados na determinação da base de cálculo da CSLL. Neste sentido, destaca-se, do livro 'Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e Prática", o seguinte trecho: "Até a vigência da MP n° 1.858-8, de 27-08-99, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil estavam sujeitos exclusivamente ao Imposto de renda. O art. 21 daquela MP (atual n° 2.158-35/01) estendeu a tributação também para a incidência da CSLL". (grifes) HIGUCHI, Hiromi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de Renda da Empresas — Interpretação e Prática.São Paulo. IR Publicações Ltda. 30* Ed., 2005, p.103. 78 ,vvri MINISTÉRIO DA FAZENDA :4-kfl.n PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES R .trt k: QUINTA CÂMARA•,‘ Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 No entanto, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, já dava tratamento especial para os resultados de operações de cobertura (hedge) realizadas no exterior para efeito da determinação da base de cálculo da CSLL. Assim é que o art. 28 da citada lei dispõe que se aplique, na determinação da base de cálculo da CSLL, as normas do seu art. 17, abaixo transcrito. Art. 17. Serão computados na determinação do lucro real os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior. Ou seja, deverão ser computadas na determinação da base de cálculo da CSLL os resultados líquidos, positivos ou negativos, obtidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em mercados de liquidação futura, diretamente pela empresa brasileira, em bolsas no exterior. A contrário senso, os resultados líquidos positivos ou negativos, obtidos em operações de hedge realizadas no exterior fora de bolsa (mercado de balcão) não poderão ser computados na determinação da base de cálculo da CSLL. É importante salientar, portanto, que a condição, prevista na lei, para que os resultados líquidos, positivos ou negativos, oriundos de operações de hedge realizadas no exterior, sejam computados na base de cálculo da CSLL é de que tais operações sejam realizadas em bolsas no exterior. Esta condição não foi respeitada, já que as operações de hedge realizadas no exterior pelo recorrente não foram feitas em bolsa, mas no mercado de balcão. Destaque-se que o art. 28 da Lei 9430/96 é dispositivo próprio da legislação da CSLL que se encontrava em pleno vigor à época em que as operações foram realizadas. Cai por terra, portanto, toda a argumentação construída, no voto vencedor, de que não havia, à época em que as operações foram realizadas, previsão na legislação que regia a CSLL, de adição ou exclusão dos resultados provenientes de operações de hedge realizadas no exterior, da base de cálculo da CSLL. g 79 Nv.st ,A- MINISTÉRIO DA FAZENDA 4. k.' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n°. : 10768.002986/2003-95 Acórdão n°. : 105-15.503 Ou seja, ainda que, conforme defende o voto vencedor, os resultados negativos das operações de hedge realizadas em mercado de balcão no exterior estivessem computados no "resultado líquido do exercício" — ponto de partida da determinação da base de cálculo da CSLL — tais resultados devem ser adicionados para a determinação da base de cálculo da CSLL. Caso contrário, a norma disposta no art. 28 da Lei 9.430/96 estaria flagrantemente sendo descumprida, uma vez que as operações de hedge foram realizadas no mercado de balcão e não em bolsa no exterior. Estas são, portanto, as minhas razões para proferir o voto divergente. NADÁ RODRIGUES ROMERO 80 Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1 _0005700.PDF Page 1 _0005800.PDF Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006000.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1 _0006200.PDF Page 1 _0006300.PDF Page 1 _0006400.PDF Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.003683/99-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: IRPJ. OPÇÃO POR VIA JUDICIAL. EXPURGO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DE JANEIRO DE 1989. DESPESAS OPERACIONAIS. ARTS. 7º E 8º DA LEI NR. 8.541/92. - A propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional< por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. IRPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO. O pagamento de imposto com os juros de mora, antse do início do procedimento fiscal, constitui denúncia espontânea na forma do artigo 138 do Código Tributário Nacional, dispensando-se a multa de mora. A imputação de pagamento mediante inclusão de multa de mora, não é aplicável ao caso dos autos que trata de postergação de pagamento de imposto por inobservância do regime de competência e, eventuais diferenças de imposto, se houver, deve ser apurado na forma do Parecer Normativo COSIT nr. 02/96. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/REPIQUE. A contribuição para o PIS/REPIQUE. A contribuição para o PIS/REPIQUE incide sobre o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica devido, com a alíquota de 5% (cinco por cento). JUROS DE MORA. Os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (art. 5o. do DL nr. 1.736/79). Recuso provido parcialmente.
Numero da decisão: 101-93495
Decisão: Por maioria de votos, não conhecer da matéria submetida a via judicial, vencido o Conselheiro Cabral. E dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Kazuki Shiobara

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CSLL EXS DE 1994A 1997 RECORRENTE FINANCEIRA BEMGE SIA — CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO RECORRIDA : DRJ EM BELO HORIZONTE(MG) SESSÃO DE . 20 DE JUNHO DE 2001 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 IRPJ. OPÇÃO POR VIA JUDICIAL EXPURGO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DE JANEIRO DE 1989. DESPESAS OPERACIONAIS. ARTS. 7° E 8° DA LEI N° 8.541192_ — A propositura de ação judicial pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto importa renúncia às instâncias administrativas ou- desistência de eventual recurso interposto IRPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA_ MULTA DE MORA. IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de contribuição com os juros de mora, antes do inicio do procedimento fiscal, constitui denúncia espontânea na forma do artigo 138 do Código Tributário Nacional, dispensando-se a multa de mora. A imputação de pagamento mediante inclusão de multa de mora, não é aplicável ao caso dos autos que trata de postergação de pagamento de tributos por inobservância do regime de competência e, eventuais diferenças de tributos ou contribuições, se houver, deve ser apurada na forma do Parecer Normativo COSIT n° 02/96. IRPJ. CONVERSÃO DE TRIBUTOS EM UR, Erros de conversão de tributos em quantidades de UFIR devem ser corrigidos, aplicando-se o disposto nos artigos 48 a 50, da Medida Provisória n° 635/94 convertida na Lei n° 6.069/95. JUROS DE MORA. Os juros de mora são devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial (art. 50 do DL n° 1.736/79). Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Fl NCEIRA BEMGE SIA — CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO. PROCESSO N°: 10680.003683199-21 ACÓRDÃO N°: 1-01-93.495 RECURSO N° 124,079 RECORRENTE: FINANCEIRA BEMGE S/A— CRÉDETO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, não conhecer do litígio submetido ao Poder Judiciário, vencido o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, e, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente ao litígio não submetido à apreciação judicial, nos termos do relatório e vota que passam a integrar o presente julgado ON ODRIGUES PR §IDENTE di KAZUK1 = A RA RELATOR FORMALIZADO EM: 0, Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, SANDRA MARIA FARONI, RAUL PIMENTEL, LINA MARIA VIEIRA e CELSO ALVES FE-TOSA 2 PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 10-1-93.495 RECURSO N° : 124.079 RECORRENTE: FINANCEIRA BEMGE S/A— CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO. RELATÓRIO A empresa FINANCEIRA BEMGE SIA — CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO, inscrita no Cadastra Geral de Contribuintes sob n° 01.548.981/0001-79, inconformada com a decisão de 10 grau proferida pelo Delegado da Receita Federai de Julgamento em Belo Horizonte(MG), apresenta recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuintes objetivando a reforma da decisão recorrida. A exigência contida nestes autos diz respeita à_ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e acréscimos legais, demonstrado no Auto de Infração de fls 02/17 e de seus anexos, enumerados aseguir. 1 1 — EXCLUSÕES ENDEVEDAS — EXPURGO DA CORREÇÃO MONETÁRIA DE JANEERO DE 1989 O sujeito passivo elegeu a via judicial (processo n° 94 11949-6 — 13a Vara Federal da Seção Judiciária da Minas Gerais) para dedução da correção monetária integral pelo IPC no mês de janeiro de 1989, obteve a liminar em Mandado de Segurança, excluiu da base de cálculo da Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e, também, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido a parcela de CR$ 9.998.644.989,04, correspondente a 13.500.189,01_44 UFER, em abril de 1994; a liminar foi cassada e denegada a segurança e o sujeito passivo constatou que o montante a ser excluído não era de CR$ 14.564.413.645,00 mas sim de CR$ 565.768,656,00. COM esta alteração e tendo em vista que no mês de abril de 1994,o _ sujeito passivo apresentava base negativa na sua DIRPJ 95/94, foi reconstituída a/ 3 - ) PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93495 planilha DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL, no QUADRO I (fl. 17) e constatou que houve insuficiência de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no mês de abril de 1994, de CR$ 39 789 645,65 1.2 — FALTA DE RECOLHIMENTO DECORRENTE DE GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE Por entender que a parcela de R$ 9.998.644 989,00 correspondente a 13 500.189,0144 UFIR, foi excluída indevidamente no mês da abril_ de 1994, a fiscalização reduziu a montante a excluir na DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO daquele mês de R$ 10.564.413.645,00 para R$ 565.768.655,26, expurgando a exclusão indevida de R$ 9.998.644.989,00 Em função desta alteração, a fiscalização considerou indevida a compensação da base negativa no mês de maio de 1995 e apurou-se insuficiência de recolhimento de CSLL, de CR$ 22.641.719,90. Esta insuficiência de recolhimento decorre, pois, da redução do montante a excluir do lucro liquido na determinação do lucro real no mês de abril de 1994, da parcela de R$ 9998.644.989,00. 1.3 — FALTA DE RECOLHIMENTO DECORRENTE DE GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE E RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA Este tópico versa sobre falta de_ pagamento de multa de_ mora no recolhimento de tributos por denúncia espontânea como decorrência dos fatos enumerados nos tópicos ti e 1.2 Como se vê, a insuficiência de recolhimento decorre, única e exclusivamente, da falta de pagamento de multa de mora no pagamento espontâneo das contribuições incidentes sobre a diferença no EXPURGO DE CORREÇÃ z , , 4 ., PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 MONETÁRIA DE JANEIRO DE 1989, de 12 995.172,8374 UFIR já que os tributos devidos foram pagos com os respectivos juros moratórias A fiscalização entendeu que além da insuficiência de pagamento de tributos e contribuições em decorrência de indevida compensação de base negativa, havia insuficiência de pagamento tendo em vista que o sujeito passivo não calculou a multa de mora no pagamento espontâneo das contribuições. A insuficiência de recolhimento de CSLL foi apurada com a inclusão da multa de mora e mediante imputação de pagamento, calculou-se as seguintes parcelas de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica a recolher: FATO GERADOR INSUFICIÊNCIA DE CSLL — CR$ e R$ 31105/1994 26- 779.452,44 30/0611994 45 931 211,70 31107/1994 12.589,51 31/08/1994 15.157,03 30/09/1994 32 596,27 31110/1994 41 605,94 30/-11/1994 64.885,72 31/12/1994 11.627,91 1.4 — INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DECORRENTE DE ADIÇÃO A MENOR DE PARCELA INDEDUTÍVEL DA PDD E RECOLHI-MENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA Em 31/08/1998, o sujeito passivo comunicou a autoridade fiscal, em processo n° 10680.010191/98-65 (fls. 124/128) que efetuou o recolhimento de R$ 368.001,20 de CSLL— Contribuição Social sobre o Lucra Liquido incidente_ sobre R$ 1.594 671,77 correspondente a insuficiência de rev São de PDD — Provisão para Devedores Duvidosos, na declaração de rendime,pts do exercício de 1996, período- base de 1995, anexando os respectivos DARFs .„ 5 PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 A fiscalização entendeu que no recolhimento fora de prazo, ainda que espontâneo, não foi imputada a multa de mora e calculou a diferença de tributos devidos, como espelhado no Demonstrativo de Imputação — Trabalho, Quadro "E", de fl. 21, apurando uma diferença de imposto de renda de pessoa jurídica, de R$ 42 223,80, correspondente ao fato gerador de 3111211995 1.5 — FALTA DE RECOLHIMENTO DECORRENTE DE EXCLUSÃO A MAIOR DE PERDAS EFETIVAS E RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA Em 31/08/1998, o sujeito passivo comunicou a autoridade fiscal, no mesmo processo n° 10680.011783/98-40 (fls. 137/139) que efetuou o depósito judicial na Caixa Econômica Federal de R$_ 2911525,80 de CSLL — Contribuição Social sobre o Lucro Líquido incidente sobre R$ 943 524,86 correspondente a insuficiência de reversão para receita ou adição ao lucro líquido de perdas efetivas de créditos objeto de PDD — Provisão para Devedores Duvidosos, na declaração de rendimentos do exercício de 1996, período-base de 1995, anexando a respectiva Guia de Depósito. A fiscalização entendeu que no depósito judicial fora de prazo, ainda que espontâneo, não foi imputada a multa de mora e calculou a diferença de tributos devidos, como espelhado no Demonstrativo de Imputação — Trabalho, Quadro "F", de fl.. 22, apurando uma diferença de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de R$ 28.382,52, correspondente ao fato gerador de 31/1211995. 1.6 —FALTA DE RECOLHIMENTO DECORRENTE DE EXCLUSÃO INDEVIDA — DESPESA DE IMPOSTO DE RENDA r/Face às divergências encontradas entre os valores informados na Demonstração da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e os valores deduzidos, a título da referida contribuição, na apuração do lucro líquido d i , 6 , PROCESSO N°: 10680.003683199-21 ACÓRDÃO N° : 10143.495 cada período, a fiscalização aprofundou a análise do tema e constatou-se que existiam seguintes ações judiciais pendentes. a) Ação da Mandão de Segurança n° 92,20965-3, na 5 a Vara da Justiça Federal, - Assunto Despesa de IR na base da ContribuiçAo Social, - Pedido- pagar a CSLL após a dedução dos prejuízos apurados em 1989, 1990 e 1991; considerar dedutiva( na determinação das respectivas bases de cálculo, a provisão para o imposto de renda, - Liminar deferida, condicionada ao prévio depósito judicial em 17/12/1991, - Segurança denegadaem 1710211994, cassando, expressamente, os efeitos a liminar concedida; - Em 25/03/1994 foi recebida Recurso_ de Apelação b) Ação de Mandado de Segurança n° 9411949-6, da 13 a Vara da Justiça Federal - Assunto_ Expurgo da correção monetária de janeiro da 1989; - Pedido garantir o direito de deduzir fiscalmente a correção monetária do balanço de 1989 computando-se a variação do [PC de janeiro de 1989, de 70,28%, na base de cálculo do IRPJ da CSLL; - Liminar deferid em parte, somente para dedução na base de ; 4/ cálculo do IRPJ, em 07/06/199 z" ._ 7 PROCESSO N°: 10680.003683199-21 ACÓRDÃO NI' : 101-93.495 - Sentença denegando a segurança e tomando sem efeito a liminar deferida, em 18/06/1995, - Despacho rejeitando os embargos de declaração em 17/08/1995; - Decisão negado provimento a Apelação em Mandado de Segurança em 18/12/1996, - Julgamento negando provimento ao Recurso em 14/04/1998, - Decisão negando seguimento aos embargos em 23/06/1998; - Posição atual do processo. protelados os embargos dedaratórios em 26/10/1998 c) Ação Ordinária Declaratória n° 9515282-7, da 'iT Vara da Justiça Federal. - Assunto: Expurgo da Correção Monetária julho/agosto de-1994, - Pedido: Requerimento de Tutela Antecipada e Declaração de Inconstitucionalidade reconhecendo-se o direito de utilização do IGP-ML como indexador, ou outro índice que entenda aplicável, - Sentença julgando procedente a pedido de antecipação de tutela jurisdicional em 2510411996; , - Desistência expressa da a a proposta e renriácia ao direito sobre1áf o qual a mesma se funda, em 07/03/1997),/ tt ,_ _. 8 , PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N°: 101-93.495 - O contribuinte recolheu o IRPJ e CSLL devidos, nos termos do acordo firmado em 21/01/1998 com a Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme cópias anexadas ao processo fiscal A exclusão da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativa ao processo judicial n° 94.11949-6 (expurgo da correção monetária de janeiro de 1989) foi tratado nos itens 1 1 a 1.3 do auto de infração ora examinado e a exclusão correspondente ao processo judicial n° 92.20965-2 (despesa de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido) foi objeto de reconstituição dos efeitos no QUADRO II, de fl 18, onde foi apurada diferença, ou melhor, insuficiência de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, como segue. FATO CSLL A RECOLHER FATO CSLL A RECOLHER GERADOR GERADOR 31/01/1994 16 569.767,96 30/09/1994 11&421,08 28/02/1994 14.851 724,54 31/10/1994 134.412,49 30/0411994 37 310.660,07 30111/1994 203.008,97 31/05/1994 124.556.357,11 31112/1994 226.504,19 30/06/1994 157.454.343,82 31/12/1995 2,032.166,97 31/07/1994 55.477,67 31/12/1996 696.651,01 31/08/1994 69.479,06 31/12/1997 1.376.033,11 A fiscalização capitulou as infrações acima descritas nos seguintes dispositivos legais; artigo 2° e §§ da Lei h° 7.689/88; artigo 59 da Lei n° 8.383/91; artigos 38 e 40 da Lei n° 8.541/92; artigos 57 e 58 da Lei n° 8.981/95 com a redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 9.065195; artigo 19, § único, da Lei n° 9.249195, altrado pelo artigo 2° inciso III, da Emenda Constitucional n° 10/96 Na decisão de 1° grau, de fls._ 365/380, foi declarado definitivo o plançamento, encerrando na esfera administrativa a discussão das matérias lançadas, com o mesmo objeto dos Mandados de Segurança de n°&92 0020965-3 e / 94.0011949-6, advertindo-se para uma possível aplicação do item 'd", do At) e- ... 9 ‹ PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 Declaratório (Normativo) COSIT n° 03/1996, citado nos fundamentos da decisão e julgar procedente os lançamento, quanto aos juros de mora e aos valores da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido,_ com indexação pela UFIR, impugnados e não objeto de discussão nas aludidas ações judiciais, inclusive a multa de ofício e acréscimos legais aplicáveis à espécie. No recurso voluntário, encaminhado a este Primeiro Conselho de Contribuintes face à garantia oferecida mediante arrolamento de bens (processo administrativo n° 10680..007629/00-32, fls._ 391/393), fls. 391/404, a recorrente solicita seja reformada a decisão de 1° grau. Posteriormente foi concedida a liminar concedida pela 22a Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte (fis_446/448). A recorrente apresenta as suas razões do inconformismo em cinco tópicos, a seguir enumerados: 1 — não emprego de valor correto da UFIR; 2 — não cabimento de multa em denúncia espontânea; 3— não cabimento dos juros demora; 4 — não cabimento da exigência de juros de mora sobre a multa de oficio. A seguir sintetiza os argumentos expedidos pela recorrente em cada um dos tópicos acima identificados:: DO EMPREGO DO VALOR INCORRETO DE UFIR Sustenta a recorrente que de acordo com o artigo 55 da Medida Provisória n° 596/9/, espondente aos atuais artigos 46 a 50_ da Lei n° 9.069/95, a recorrente converteu as bases de cálculo da CSLL pela UFIR do mês subseqüente ao das apurações. 5 .._, 10 PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 Entretanto, a fiscalização' _ empregou_ a URR_ da própria mês da autuação fiscal nos meses de setembro a novembro de 1994 e embora a decisão recorrida, a fl. 15, tenha afirmado que foi aplicada a URR_ correta e diz mais: "Todavia, diversamente ao que ficou dito na v decisão, a fiscalização não empregou a UFIR correta na conversão da CSLL, devida das exclusões indevidas Embora o Quadro II ostente o emprego de UFIR adequada, esta não foi utilizada efetivamente na elaboração do valor apurado no auto de infração, conforme deflui do Demonstrativo de Apuração constante na folha 14 do auto de infração A parcela referente ao item 1.3 - Falta de Recolhimento Decorrente de Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa de Período Anterior Associada à_Ausência da Multa de Mora é consectário do tratamento conferido pela fiscalização à denúncia espontânea_ Como se vê no Demonstrativo de Apuração da CSLL, a fiscalização, efetivamente utilizou a UFIR correta quanto a tais falta de recolhimento apontados no item 1 3 (vj. a filha 8 do auto), totalizando, para citar um exemplo, no mês de setembro de 94, o equivalente a 51_674,40 UFIR. Empregou-se, aqui, corretamente, a UFIR de outubro de 94 que foi de 0,6308 Todavia, na conversão da CSLL decorrente de exclusões indevidas - aproveitando-se o mesmo mês de setembro - empregou-se a UFIR de setembro de 94 (0,6207), totalizando, pois, equivocadamente, o equivalente a 190.786,33 UFIR. Fica evidenciado, portanto, que a conclusão sufragada no r decisório não se afina com a premissa maior nele veiculada (esta reconhece que a UFIR a ser empregada é a da mês subseqüente ao da apuração) Portanto, não há como prevalecer tal conclusão, que se encontra desajustada com a premissa maior (a premissa jurídica) " O NÃO CABIMENTO- DE MULTA NA DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorren manifesta sua inconformidade sobre a incidência de multa de mora no pag ento espontâneo dos tributos e que foi objeto de autuação nos seguintes tópicos.' 11 PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 1.3 — falta de recolhimento decorrente de compensação indevida de base de cálculo negativa de período anterior associada a ausência da multa de mora; 2.3 — falta de recolhimento decorrente de adição insuficiente de parcela indedutivel da PDD, associada à ausência de multa de mora; e, 2.4 — falta de recolhimento decorrente de exclusão a maior de perdas efetivas, associada à ausência da multa de mora A recorrente tece longas considerações sobre a doutrina e jurisprudência judicial (Superior Tribunal de Justiça) e administrativa (Primeiro Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais) sobre a tema, afirmando que não paira qualquer sombra de dúvida quanto à impropriedade da exigência DO NÃO CABIMENTO DOS JUROS DE MORA Sustenta a recorrente que o lançamento contido nestes autos deveria ter sido efetivado com suspensão da exigibilidade do crédito_ tributária já que a matéria objeto da exigência está em litígio no âmbito do Poder Judiciário. Entende a mesma que a exemplo da hipótese de pendência de consulta formulada pelo devedor enquanto não solucionado o litígio submetida Justiça Federal., não há mora já que o artigo 160 do Código Tributário Nacional baliza um prazo de trinta dias contados da data em que o sujeito passivo é notificado da decisão transitado em julgado DO NÃO CABI NTO DA EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 12 , PROCESSO N°: 10680.003683199-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 Diz a recorrente que nos documentos de pagamento de tributos federais (DARF) emitidos e encaminhados a recorrente estão sendo cobrados juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no auto de infração A recorrente entende que de acordo com o artigo 61, § 3 0 , da Lei n° 9.430/96, a incidência de juros de mora se dá a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento do prazo Por outro lado, o artigo 42 do Decreto n° 70235/72, são definitivas as decisões de segunda instância, de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição e, ainda, de acordo corri a artigo 43 do mesmo decreto, a decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para a cobrança amigável fixado no artigo 21, ou seja, trinta dias após a intimação da decisão Desta forma, em havendo impedimento para a contagem da prazo para o início da cobrança, não se há de falar em mora do contribuinte e não havendo mora, porquanto, sequer a contagem do prazo para o início da exigibilidade tenha começado, não cabe falar em incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício / Com estas considerações, requer a reforma da decisão recorrida./ É o relatórií. i 13 PROCESSO N°: 10680.003683199-21 ACÓRDÃO N° : 101-98.495 VOTO Conselheiro: KAZUKI SHIOBARA - Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e inexistindo qualquer comunicação sobre a cassação da liminar que dispensou o depósito recursal de 30% do valor do litígio e, também, face ao_ arrolamento de bens, deve ser conhecido o recurso. A decisão recorrida declarou que os lançamentos relacionados com os litígios contidos nos processos judiciais n° 92.0020965-3 e 94..0011949-6 estão constituídos em caráter definitivo e não cabe a reapreciação do mérito na esfera administrativa A autoridade julgadora de 1° grau observou o disposto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 03/1996 e face à faculdade estabelecida na letra "b", do mesmo ato, considerou_ procedente o lançamento relativamente à matéria não abrangida pelos processos judiciais. No tocante a obediência da autoridade julgadora ao Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 03/1996, não vejo como contestá-la face à interpretação contida no Parecer PGFNICRF N° 439/96, onde a Senhor Procurador da Fazenda Nacional orientou "verbis": "Os AFTN não dispõem de autonomia absoluta no exercício de suas funções devendo submeter-se à orientação emanada de suas chefias, na estrutura hierárquica da Secretaria da Receita Federal Assim, à toda evidência, não é lícito exigir-lhes que passem por cima de seu dever funcional de obediência e neguem ' aplicação a lei ou ato normativo cujo cumprimento a Secretaria da Receita Federal lhes imponha O mesmo raciocínio vale par / ,. 14 . , PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, vinculadas àquela Secretaria." Entretanto, além do disposto na letra "b", do Ata Declaratório (Normativo) COSIT n° 03/1996, ou seja, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, eventual erro de fato ou de cálculo podem e devem ser corrigidos, em qualquer instância, inclusive pelas autoridades lançadora ou julgadora O primeira tópico objeta do recurso voluntário refere-se a erro de cálculo, ou seja, emprego de valor incorreto da UFIR nos meses de setembro a novembro de 1994, na conversão de valores tributáveis e da contribuição devida A recorrente não tem razão sobre a conversão da base de cálculo da Contribuição Social_ sobre o Lucra Líquido em quantidade de UF1R porquanto os cálculos demonstrados nos QUADROS 1 e 11 (fls. 17 e 18) estão corretos mas tem razão quanta à conversão do valor da contribuição_ em quantidade de URR, apurada no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO da Contribuição Social, de fl. 13, nos meses de setembro a novembro de 1994 De fato, a partir de 10 de setembro de 1994, de acordo com os artigos 48 a 50 da Medida Provisória n° 635, de 27 de setembro de 1994, e repubticações posteriores, convertida na Lei n° 9_069195, as bases de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido passou a ser convertida em quantidade de URR, pelo valor da URR do mês subseqüente ao do encerramento do período de sua apuração. A fiscalização aplicou_ valores diferentes de URR para conversão da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido em quantidade de UF1R nos meses de setembro a novembro de 1994, porquanto parias contribuições relativas ao item 13 do Auto de Infração adotou-se o valor d , UF1R do mês enquanto que para as contribuições relativas ao item 1.6 do mhmo auto, aplicou-se o valor da URR do mês subseqüente que é o valor correto t5 PROCESSO N°: 10680.003683199-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 Os valores de UFIR vigentes naqueles meses eram os seguintes AD/SRF N° DATA MÊS VALOR 120 27/0911994 O UT/94 0,6308 122 24/10/1994 N0V/94 0,6428 124 23/1111994 DEZ/94 0,6618 O cálculo efetuado pela fiscalização foi o seguinte FATO UF1R ITEM 1.6 DO CONVERSÃO UFIR DE CONVERSÃO GERADOR AUTO — R$ PARA UF1R 30/03/1999 P/ R$-30/03/99 30/09/1994 0,6207 11_8.421,08 190.786,33 R$ 0,9108 173.786,33 31/10/1994 0,6308 134 412,49 213 082,57 R$09108 194.075,60 30/11/1994 0,6428 203.008,97 315.819,80 R$ 0,9108 287.648,67 TOTAIS 455.842,54 719 688,70- 655.510,60 Aplicando-se o valor da UFIR correto do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador, como segue FATO UFIR ITEM 1.6 DO CONVERSÃO UFIR DE CONVERSÃO GERADOR AUTO — R$ PARA UFIR 30/03/1999 P/ R$-30/03/99 30/09/1994 0,6308 118.421,08 187.731,58 R$0,9108 17G 985,82 31/10/1994 0,6428 134.412,49 209.104,68 R$0,9108 190 452,54 30/11/1994 0,6618 203.008,97 306.752,75 R$ 0,9108 279-.390,40 TOTAIS 455.842,54 703.589,01 640.828,76 O erro de cálculo apontado pela_ recorrente realmente existe e, portanto, deve ser corrigido, embora não possa discutir o mérito do lançamento já que o litígio está submetido ao crivo da Poder Judiciário. As parcelas correspondentes à ins 'ciência de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorre de exclusão indevida e_ objeto ,do item 1.6 do auto de Infração são as seguintes.5 16 ‘• ' PROCESSO N°: 10680.003683199-21 ACÓRDÃO N°: 10143.495 FATO GERADOR CSLL CALCULADO CÁLCULO DA DIFERENÇA CSLL P/ FISCALIZAÇA0 CSLL CORRETO A CANCELAR 30/09/1994 173 786,33 170 985,82 2 800,51 31/10/1994 194 075,60 190 452,54 3.623,06 30/11/1994 287.648,67 279 390,40 8.258,27 TOTAIS 655 51-0,60 640.828,76 14 681,84 Desta forma, opina pelo_ provimento parcial para reduzir os valores da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de R$ 173.786,33, R$ 194.075,60 e R$ 287 648,67 para R$ 170.985,82, R$_ 190.452,54 e R$ 279.390,40, respectivamente nos meses de setembro, outubro e novembro de 1994, em virtude de correção de erro de cálculo Em decorrência desta correção de erro de cálculo, ficam canceladas as exigências de R$ 2.800,51, R$ 3623,06 e R$ 8.258,27, respectivamente, nos meses de setembro, outubro e novembro de 1994, relativamente ao item t6 do auto de infração DO NÃO CABIMENTO DA MULTA NA DENÜNCEA ESPONTÂNEA Os argumentos expendidos pela recorrente relativamente a este tópica refere-se a impertinência de incidência de multa de mora na postergação de pagamento de imposto porquanto a falta de recolhimento de imposto de renda de pessoa jurídica foi calculada por imputação de pagamento O sujeito passivo pagou espontaneamente os tributos devidos e incidentes sobre a diferença de exclusão indevida de expurgo de correção monetária de janeiro de 1989, a insuficiência de reversão de PDD — Provisão para Devedores Duvidosos e exclusão a maior de perdas efetivas nos créditos objeto de provisão para créditos de liquidação duvidosa (///Não ha dúvida e tanto a autoridade lançadora como a autoridade julgadora de 1° grau concorda que os recolhimentos foram espontâneos e que s 17 - s PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 tratam de postergação de pagamento de imposto, ou sejam, foram providenciados antes de qualquer procedimento fiscal.. A discordância diz respeita apenas quanto à incidência de multa de mora.. A autoridade fiscal entende que mesmo no caso de recolhimento espontâneo é devida a multa de mora enquanto que_ a recorrente sustenta que_ na pagamento espontâneo não cabe a cobrança de multa de mora. O artigo 138 do Código Tributário Nacional expressa.: "Art 138 — A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados_ com a infração " O dispositivo legal transcrito determina a exclusão. da responsabilidade no caso de denúncia espontânea acompanhada de pagamento do tributa devido e dos juros de_ mora. Não há qualquer menção a multa de mora ou multa de lançamento de oficio. Este artigo do Código Tributária Nacional já foi objeto de exame pelo Conselho de Contribuintes conforme ementas abaixo transcritas: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA — Se o débito é denunciado espontaneamente ao- Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros mor, 'írios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que • artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa / "Uva e multa moratória. Recurso provido parcialmente ( • . 101-91 309 e 101-91.329, de 21/08/97 — DOU de 19/11/97) " ç 18 PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 'MULTA DE MORA ESPONTANEIDADE — O recolhimento espontâneo de imposto exclui a incidência da multa de mora, que é de natureza punitiva, nos precisos termos do disposto no artigo 161 do C1N, e em consonância com a jurisprudência deste Colegiada e dos tribunais superiores (Ac 107-04 565, de 12/11/97)" O Superior Tribunal_ de Justiça que representa a última instância em matéria infra-constitucional, pelas duas Turmas, por unanimidade de votos, firmou jurisprudência sobre_ o tema de forma a não pairar qualquer dúvida sobre a impertinência da aplicação da multa de mora na denúncia espontânea, Entre outros acórdãos, podem ser citadas as seguintes ementas: "TRIBUTÁRIO PIS. IRPJ E CLS DIVIDA DECLARADA ESPONTANEAMENTE MULTA DE MORA INEX1GILIDADE Na hipótese de denúncia espontânea, realizada formalmente, com o devido recolhimento de tributo, é inexigível a multa de mora incidente sobre o montante da dívida parcelada, por força do disposto no artigo 138 do CIN Precedentes Recurso provido Decisão unânime. (Acórdão unânime da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, no RESP 207377/BA — 1999/002 1658-0) " "TRIBUTÁRIO. ICM DENÜNCL4 ESPONTÂNEA INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORÁ. O Código Tributária Nacional não distinguiu entre multa punitiva e_multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por fbrça do artigo 138, mesma em_ se tratando de imposto sujeito a lançamento por homologação Recurso especial conhecido e provido (Acórdão unânime da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, no RESP 169877/SP — 1998/0023956-1]),," Além disso, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça que reúne as duas Turmas já uniformizou a jurisprudência, e2i decisão recente quando examinou os Embargos de Divergência no Recu5I Especial.. n° 2279571RS (2000/0076725-5) e, por unanimidade de votos fo m acolhidos os embargos de divergência, consubstanciada na seguinte ementa:: 19 PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 "TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INEXIGIBILIDADE 1 Procedendo o contribuinte à denúncia espontânea de débito tributário em atraso, com o devido recolhimento do tributo, ainda que de forma parcelada, é afastada a imposição da multa moratória. Precedentes majoritários 2. Da mesma forma, se existe comprovação nos autos de que inocorreu qualquer ato de fiscalização que antecedesse a realização da confissão espontânea, deve-se excluir o pagamento da multa moratória 3 Embargos de divergência acolhidos " Desta forma e, em consonância com a orientação emanada pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/CRF n° 439/96, opino pelo cancelamento da lançamento do crédito tributário — falta ou insuficiência de recolhimento - advindo da imputação de pagamento com a incidência de multa de mora no pagamento espontâneo. FATO ITEM 1.3 DO ITEM 1.4 DO ITEM 1.5 DO TOTAIS GERADOR AUTO — CR$/R$ AUTO — R$ AUTO — R$ CR$/R$ 31/05/1994 26.779.452,44 a O 26.77a 452,44 30106/1994 45.931..211,70 O O 45.931„211,70 31/07/1994 12.589,51 o O 12.589,51 31/08/1994 15.157,03 o O 15.157,03 30/09/1994 32..596,27 o a 32.596,27 31/10/1994 41.605,94 o o 41.605,94 30/11/1994 64.885,72 O o 64-.885,72 30/12/1994 11.627,91 o a 11.627,91 31/12/1995 O 42223,80 O 42.223,80 31/12/1996 o o 28.382,52 28.382,52 Por outro lado, inexistindo qualquer dúvida quanto à espontan7idade do pagamento e postergação da pagamento de imposto, o lançamento de/léria ter /risido efetuado com observância do disposto no Parecer Normativo COSIT ° 02/96 e, por isso, também, por este motivo, o lançamento não poderia prosperar ' e — 20 e PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 DOS JUROS DE MORA Relativamente aos juros de_ mora os argumentos apresentados pela recorrente não podem ser aceitos tendo em vista que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, desde a sua criação peia Lei n° 7..689/88 (artigo 5°), tem um vencimento fixado em lei, independentemente de apresentação da declaração de rendimentos ou da notificação de lançamento. Além disso, o artigo 161 do Código Tributário Nacional não deixa qualquer margem a dúvida quando expressa que,: "Art. 161 — O crédito_ não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição da,s_ penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária " No caso dos autos, o sujeito passivo não providenciou o depósito judicial no montante integral do crédito_ tributário questionado_ e_ nem esta amparado por liminar mas mesmo que a exigibilidade do mesmo crédito esteja suspensa, o artigo 50 , do Decreto-lei n° 1..736/79 não dispensa a cobrança de juros_ da mora, quando diz textualmente: 'Art. 50 - A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial." Quanta à alegação de não_ incidência de juros da mora sobre a multa de ofício, a recorrente deve estar equivocada po quanto nos DEMONSTRATIVOS DE MULTA E JUROS DE MORA, de fls.. 3(1 a 4 , a autoridade lançadora calculou os juros de mora sobre o valor dos tributos e tribuições e não se incluindo na base de cálculo a multa de lançamento de ofíci é 21 PROCESSO N°: 10680.003683/99-21 ACÓRDÃO N° : 101-93.495 De todo o exposto e tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de não conhecer do litígio submetido ao crivo do Poder Judiciário e, relativamente a parte não integrante do litígio judicial, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigências relativas a falta ou insuficiência de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de CR$ 26779.452,44, CR$ 45.931 211,70, R$ 12 589,51, R$ 15.157,03, R$ 35 396,78, R$ 45 229,00, R$ 73 143,99, R$ 11,627,91, R$ 42223,80 e R$ 28.382,52, respectivamente, nos meses de maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 1994, dezembro de 1995 e dezembro de 1996. Sala das Sessões - DF, - 20 de junho de 2001 KAZUKI SHIOBARA RELATOR 22 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10730.003536/00-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2002
Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARACÃO DE RENDIMENTOS - IRPF - Cancela-se a cobrança da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual do exercício de 2000, quando o sujeito passivo comprova que não estava obrigado a sua apresentação. Recurso provido.
Numero da decisão: 106-12630
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto

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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n°. : 10730.003536/00-04 Recurso n°. : 128.364 Matéria: : IRPF - Ex(s): 2000 Recorrente : CARLOS EDUARDO CÕRTES DE ALMEIDA Recorrida : DRJ em FORTALEZA - CE Sessão de : 21 DE MARÇO DE 2002 Acórdão n°. : 106-12.630 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARACÃO DE RENDIMENTOS - IRPF- Cancela-se a cobrança da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual do exercício de 2000, quando o sujeito passivo comprova que não estava obrigado a sua apresentação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CARLOS EDUARDO CÔRTES DE ALMEIDA ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. IACY ri)GVARTINS MORAIS PRESIDENTE f1h7&"‘RITTO ÉLATORAY FORMALIZADO EM: 0 3 MAL 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ROMEU BUENO DE CAMARGO, THAISA JANSEN PEREIRA, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, LUIZ ANTONIO DE PAULA, EDISON CARLOS FERNANDES e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10730.003536/00-04 Acórdão n°. : 106-12.630 Recurso n°. : 128.364 Recorrente : CARLOS EDUARDO CÔRTES DE ALMEIDA RELATÓRIO CARLOS EDUARDO CÔRTES DE ALMEIDA, já qualificado nos autos, apresenta recurso objetivando a reforma da decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza. Nos termos do Auto de Infração de fls. 3, exige-se da contribuinte multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000, no valor de R$ 165.74. Inconformado, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls.1. A autoridade julgadora "a quo" manteve o lançamento em decisão de fls.29131, que contém a seguinte ementa: Multa por Atraso na Entrega da Declaração — No caso de falta da entrega da declaração de rendimentos ou sua apresentação fora do prazo fixado, aplicar-se-á a multa de 1% ao mês ou fração sobre o imposto devido, ainda que integralmente pago, até o limite de 20% ou o valor mínimo específico estabelecido pela legislação vigente, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Cientificado (AR de fls.36), dentro do prazo legal, protocolou o recurso anexado às fls. 37/40, instruído pelos documentos de fls.41/45 e comprovante do depósito administrativo de fls. 48. Suas razões podem assim serem resumidas: ‘Iii \ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10730.003536/00-04 Acórdão n°. : 106-12.630 - Desde 15/10/97, conforme cópia de alteração do contrato social, não era mais sócio da Empresa Vídeo Bumm Ltda; - Que foi impedido de se recadastrar no cadastro do C.P.F até que retirasse o nome da indicada pessoa jurídica; - A multa deve ser excluída porque a entrega da declaração foi espontânea (art. 138 do C.T.N). Conclui, transcrevendo matéria publicada no Jornal Síntese n° 8 de outubro de 1997 sob o titulo "A multa tributária na denúncia espontânea". É o Relatório. artiip 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10730.003536/00-04 Acórdão n°. : 106-12.630 VOTO Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A matéria discutida nos autos é por demais conhecida pelos membros desta Câmara. Trata-se da aplicação da multa pelo atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual exercício 2000, ano calendário 1999. Apresentar a declaração de rendimentos é uma obrigação para aqueles que se enquadram nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. A autoridade julgadora de primeira instância esclareceu às fls. 30 que o recorrente, embora não tivesse rendimentos tributáveis acima do limite de isenção, estava obrigado a apresentar a declaração porque era sócio - gerente da empresa VIDEO BUMM LTDA. O recorrente anexou em seu recurso cópia da 3° Alteração Contratual, da citada pessoa jurídica, devidamente registrada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro em 17/12/97, comprovando que deixou de fazer parte da sociedade em outubro de 1997. Dessa forma, no exercício de 2000 estava desobrigado a apresentação da declaração de ajuste anual, portanto, a multa que aqui se discute deve ser cancelada. Explicado isso, voto por dar provimento ao recurso. Sala d-s Sessões - DF, em 21 de março de 2002 ..1, • ;%;rri: BRITTO L 4 t"\ Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1

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4667287 #
Numero do processo: 10730.001423/2003-15
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - SIGILO BANCÁRIO - O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. nº 105, de 2001, e o art. 197, II do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art. 5º da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei nº 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro de 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não tendo havido a homologação expressa, o crédito tributário tornou-se definitivamente extinto após cinco anos da ocorrência do fato gerador (Art. 150, § 4o do CTN). Precedentes da CSRF-MF. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - O procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, a, e III, b, da C.F. PROVAS - PRODUÇÃO - A produção de provas que objetivem desfazer a imputação irrogada é atribuição de quem as alega, no caso, a recorrente. ACATAMENTO PELO JULGADOR - A permissão para apresentação de provas em favor do contribuinte não obriga o julgador ao seu acatamento. 2) À autoridade julgadora é concedido o poder de formar livremente a sua convicção quanto à verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos fatos e formará a sua convicção livremente quanto à verdade dos mesmos(art. 29, do Dec. no 70.235, de 1972 ). JUROS DE MORA - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária (art. 161, CTN). TAXA SELIC - Legítima a aplicação da taxa SELIC, para a cobrança dos juros de mora, a partir de partir de 1º/04/1995 (art. 13, Lei no 9.065, de 1995). MULTA DE OFÍCIO - PERCENTUAL - A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. Incabível a redução do percentual da multa de ofício, sem previsão legal para tal, vez que o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 106-14.732
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, relativa à impossibilidade de utilização de informações da CPMF, vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta Rivitti,Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Wilfrido Augusto Marques e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Wilfrido Augusto Marques que dava provimento integral e Sueli Efigênia Mendes de Britto que considerava a decadência nos meses de janeiro a março de 1999.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Ana Neyle Olímpio Holanda

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ementa_s : IRPF - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - SIGILO BANCÁRIO - O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. nº 105, de 2001, e o art. 197, II do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art. 5º da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei nº 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro de 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não tendo havido a homologação expressa, o crédito tributário tornou-se definitivamente extinto após cinco anos da ocorrência do fato gerador (Art. 150, § 4o do CTN). Precedentes da CSRF-MF. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - O procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, a, e III, b, da C.F. PROVAS - PRODUÇÃO - A produção de provas que objetivem desfazer a imputação irrogada é atribuição de quem as alega, no caso, a recorrente. ACATAMENTO PELO JULGADOR - A permissão para apresentação de provas em favor do contribuinte não obriga o julgador ao seu acatamento. 2) À autoridade julgadora é concedido o poder de formar livremente a sua convicção quanto à verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos fatos e formará a sua convicção livremente quanto à verdade dos mesmos(art. 29, do Dec. no 70.235, de 1972 ). JUROS DE MORA - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária (art. 161, CTN). TAXA SELIC - Legítima a aplicação da taxa SELIC, para a cobrança dos juros de mora, a partir de partir de 1º/04/1995 (art. 13, Lei no 9.065, de 1995). MULTA DE OFÍCIO - PERCENTUAL - A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. Incabível a redução do percentual da multa de ofício, sem previsão legal para tal, vez que o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.

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Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. n° 105, de 2001, e o art. 197, II do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art. 5° da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - A Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 30 do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro de 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não tendo havido a homologação expressa, o crédito tributário tornou-se definitivamente extinto após cinco anos da ocorrência do fato gerador (Art. 150, § 40 do CTN). Precedentes da CSRF-MF. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - O procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física Ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. d2 MUSA , • , , • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,&P,•• 4,tz-fJ, SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI - À autoridade administrativa não compete rejeitar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade da mesma, por se tratar de matéria de competência do Poder Judiciário, com atribuição determinada pelo artigo 102, I, a, e III, b, da C.F. PROVAS - PRODUÇÃO - A produção de provas que objetivem desfazer a imputação irrogada é atribuição de quem as alega, no caso, a recorrente. ACATAMENTO PELO JULGADOR - A permissão para apresentação de provas em favor do contribuinte não obriga o julgador ao seu acatamento. 2) À autoridade julgadora é concedido o poder de formar livremente a sua convicção quanto à verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos fatos e formará a sua convicção livremente quanto à verdade dos mesmos(art. 29, do Dec. n° 70.235, de 1972). JUROS DE MORA - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária (art. 161, CTN). TAXA SELIC - Legítima a aplicação da taxa SELIC, para a cobrança dos juros de mora, a partir de partir de 1°/04/1995 (art. 13, Lei n°9.065, de 1995). MULTA DE OFÍCIO - PERCENTUAL - A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. Incabível a redução do percentual da multa de ofício, sem previsão legal para tal, vez que o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração • Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RICARDO SÉRGIO CEZÁRIO CORRÊA. 2 , , • 4,‘..k'.••ti,; MINISTÉRIO DA FAZENDA 310. --r:it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA - ...- Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, relativa à impossibilidade de utilização de informações da CPMF, vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta Rivitti, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Wilfrido Augusto Marques e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Wilfrido Augusto Marques que dava provimento integral e Sueli Efigênia Mendes de Britto que considerava a decadência nos meses de janeiro a março de 1999. JOSÉ-\3R (//AWRÇ/fi e/RFIS PENHA PRESIDENTE tooLx.gl •-)Rubt NEYJLE OLÍMPIO HOLANDA RELATORA FORMALIZADO EM: r 2 8 ABR 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO e LUIZ ANTONIO DE PAULA. 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA• th Z.4.1)- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 Recurso n° : 144.572 Recorrente : RICARDO SÉRGIO CEZÁRIO CORRÊA RELATÓRIO O auto de infração de fls. 05 a 10 exige dó contribuinte acima identificado o montante de R$ 2.115.697,25, resultado da soma do imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF), no valor de R$ 809.031,51, acrescido de multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face de haverem sido constatadas as seguintes omissões: I — rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, enquadramento legal: artigos 1°, 2° e 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigos 1° ao 3° da Lei n°8.134, de 27/12/1990, artigos 1°,3° e 11 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, e artigo 21 da Lei n°9.532, de 10/12/1997; II — acréscimo patrimonial a descoberto verificado por excesso "de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, enquadramento legal: artigos 1°, 2° e 3°, e §§, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, artigos 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 27/12/1990, artigos 1°, 3° e 11 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, e artigo 21 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997; III — rendimentos caracterizados por depósitos bancários com origem não comprovada, enquadramento legal: artigos 3° e 11 da Lei n°9.250, de 26/12/1995, artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 4° da Lei n° 9.481, de 14/08/1997, artigo 21 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997; 2. A ciência do auto de infração ocorreu em 23/04/2003, e, em contraposição, foi apresentada a impugnação de fls. 185 a 205, acompanhada dos documentos de fls. 206 a 281, onde o interessado faz um breve escorço da ação fiscal levada a .efeito, para, em seguida, apresentar sua inconformação com a imposição tributária, de onde resumidamente se extraem os seguintes argumentos: I - em preliminar 4 , • • le-?-.!12,.; MINISTÉRIO DA FAZENDA W-t' .7r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES z 5;T•'<", •al,•:»45> SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 a) alega equivoco do procedimento fiscal quando não observou as determinações do § 30 , do artigo 11 dac Lei n° 9.311, de 24/10/1996, e que a autoridade autuante procurou descaracterizar que utilizou os informes fornecidos pelo Banco Central, porém, como é de conhecimento geral, os procedimentos foram iniciados com base nestas informações, esteados nos depósitos bancários onde foi cobrada a CPMF; b) a autoridade autuante não assegurou, durante o procedimento de fiscalização, o princípio fundamental constitucional da ampla defesa; c)a decadência do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento; d)a inobservância dos requisitos determinados no artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, pois que, as cópias do auto de infração e do Termo de Constatação Fiscal que lhe foram entregues não estão numeradas, não têm assinatura da autuante, e, as folhas onde constam planilhas que servem de base para aplicação do auto de infração não estão numeradas ou assinadas pela autuante, tornando, assim, impossível a credibilidade que deve ter o procedimento fiscal; II — no mérito: a) no tocante à tributação com base em depósitos bancários, a autoridade fiscal deixou de observar que o autuado tem como atividade principal um escritório de contabilidade, pelo que diversos clientes depositam os pagamentos de seus tributos em sua conta bancária, para assim facilitar seus pagamentos, e não aceitou e não examinou os documentos apresentados, que comprovam tais depósitos e nem a relação de todos os valores pagos em nome de seus clientes, mensalmente, e anexou relação dos documentos; b) comparando-se os quadros demonstrativos do Termo de Constatação e aqueles por ele elaborado, onde os valores são comprovados pelos documentos de pagamentos efetuados em nome de seus clientes, verifica-se, de pronto, que os depósitos objeto da autuação estão devidamente comprovados; c) também que os depósitos bancários não são base para a lavratura de auto de infração, conforme manifestação do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda; j" 5 • • 4454' :,(3.- MINISTÉRIO DA FAZENDA 'Fir0. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4íze>, SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 d) a inocorrência do fato gerador caracterizador do IRPF, pois não houve acréscimo patrimonial e tão pouco disponibilidade de recursos; e) quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, não se pode compreender como a autuante somente considerou os ingressos dos valores em Reais/Origens somente no mês de janeiro de cada ano averiguado, porém as Aplicações foram consideradas de janeiro a dezembro de cada ano, restando claro que a autuante entendeu que o autuado viveu nos meses de fevereiro a dezembro de 1997 e 1998 sem receber nenhum valor, apenas teve gastos; O não apresentou considerações de defesa no tocante à parte da exação concernente à omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. 3. Os membros da 28 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ II não acataram as preliminares de nulidade do auto de infração e de decadência, e, no mérito, acordaram por dar o lançamento como parcialmente procedente, para acatar como origem para os depósitos bancários os rendimentos omitidos apurados no auto de infração combatido. 4. Intimado em 17/05/2004, o sujeito passivo, irresignado, interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, para cujo seguimento apresentou o arrolamento de bens de fls. 352 a 355. 5. Na petição o recorrente apresenta considerações de defesa que podem, em apertada síntese, ser resumidas como a seguir: I — em preliminar: a) nulidade do auto de infração, vez que, para efetuar o lançamento, a autoridade valeu-se de informações relativas a sua movimentação bancária, obtidas a partir dos dados da CPMF, quebrando o seu sigilo bancário, a despeito de autorização judicial; b) irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, pois que, ao tempo da autuação, estava em vigor a redação original do § 3°, do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996; c) a decadência de constituir o crédito tributário em relação ao ano- calendário de 1997; 6 ••• a; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA'Yr Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 II — no mérito: a) os extratos bancários não podem servir de fundamento para lançamento tributário, vez que, por si só, não representam disponibilidade econômica ou jurídica de renda; b)ainda que se aceite a validade da norma inserida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e se considere que veicula uma presunção tributária, o alcance que lhe poderia ser dado é de que a existência de depósitos em conta bancária é uma prova apenas indiciária de que teria ocorrido o fato imponível da tributação sobre a renda; c) a utilização da presunção deve seguir os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade; d) ainda que não estivesse obrigado por lei, à época, a manter uma escrituração, desde que sofreu a ação fiscal, tentou de todas as formas efetuar o levantamento dos documentos dos anos-calendário 1997 e 1998, com vistas a comprovar que todos os valores recebidos eram, na realidade, quantias entregues por seus clientes para serem utilizadas para pagamentos de tributos &duplicatas em nome destes, pois que é contador, que atua como prestador de serviço autônomo a pequenas empresas; e)com o objetivo de elidir a presunção fiscal, procurou reunir todos os documentos de arrecadação e comprovantes de pagamentos que tivesse feito nos meses de 1997 e 1998, como forma de comprovar o motivo do ingresso dos valores em sua conta bancária, e apresentou-os à autoridade fiscal, conforme fl. 175, que se recusbu a analisar os documentos, obrigando-o a aditar sua manifestação, de próprio punho, no sentido de que não estaria apresentando aqueles documentos; f) diante da recusa da autoridade autuante em analisar os documentos por ele apresentados, juntou-os quando da apresentação da impugnação (fls. 105 a 205), pois, como pode ser observado no Termo de fl. 283, foram juntadas com a peça impugnatória um total de 24 pastas contendo um relatório de todos os pagamentos feitos, bem como as cópias dos respectivos documentos, separando -os mês a mês, estando assim distribuídos: 12 7 f ' -11.4 - MINISTÉRIO DA FAZENDA• t..?irrtAtt, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA . Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 ANEXO IV — MESE DE JANEIRO A JUNHO DE 1997. ANEXO V— MESES DE JULHO A DEZEMBRO DE 1997. ANEXO VI — MESES DE JANEIRO A JUNHO DE 1998. ANEXO VII — MESES DE JULHO A DEZEMBRO DE 1998. g) os julgadores de primeira instância, assim como a autoridade autuante, recusaram-se a analisar os documentos sob a frágil alegação de que não teria restado demonstrado o nexo causal entre os valores constantes dos documentos e os depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados na conta bancária de sua titularidade; h) os julgadores recusaram as provas apresentadas sem explicitar o motivo, o que contraria o artigo 50 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, sendo que tal ausência de motivação conduz à nulidade do acórdão de primeira instância; i) por derradeiro, argumenta a ilegalidade da taxa SELIC e o caráter confiscatório da multa de ofício. É o Relatórii • 8 • , • MINISTÉRIO DA FAZENDA Oz:'-'.2.11-0.- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ros.i • •:,,t• '%i• SEXTA CÂMARAN,ze. • —o. Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 VOTO Conselheira ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, Relatora • O recurso obedece aos requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. A controvérsia que chega a este Colegiado cinge-se à parte do auto de infração lavrado contra o recorrente que versa sobre os depósitos bancários efetuados em conta-corrente da qual é titular, cuja origem dos recursos não foi esclarecida pelo autuado. A base legal que deu suporte à exação foram os artigos 3° e 11 da Lei n° 9.250, de 26/12/1995, artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, artigo 40 da Lei n° 9.481, de 14/08/1997, artigo 21 da Lei n°9.532, de 10/12/1997. Inconformado com o lançamento, o recorrente alega terem ocorrido os seguintes fatores que determinariam a sua nulidade: I - para efetuar o lançamento, a autoridade valeu-se de informações relativas a sua movimentação bancária, obtidas a partir dos dados da CPMF, quebrando o seu sigilo bancário, a despeito de autorização judicial; II - irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, pois que, ao tempo da autuação, estava em vigor a redação original do § 3°, do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996. Como preliminar ao mérito, argüi a decadência de constituir o crédito tributário em relação ao ano-calendário de 1997. Quanto ao mérito, afirma ser improcedente o lançamento de imposto sobre a renda com base apenas em depósitos bancários, pelos seguintes fundamentos: 9 • , • MINISTÉRIO DA FAZENDA (•tis PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA44...trsie Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 I - os extratos bancários não podem servir de fundamento para lançamento tributário, vez que, por si só, não representam disponibilidade econômica ou jurídica de renda; II - ainda que se aceite a validade da norma inserida no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e se considere que veicula uma presunção tributária, o alcance que lhe poderia ser dado é de que a existência de depósitos em conta bancária é uma prova apenas indiciária de que teria ocorrido o fato imponível da tributação sobre a renda; III - a utilização da presunção deve seguir os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade; IV - ainda que não estivesse obrigado por lei, à época, a manter uma escrituração, traz aos autos documentos dos anos-calendário de 1997 e 1998, com vistas a comprovar que todos os valores recebidos eram, na realidade, quantias entregues por seus clientes para serem utilizadas para pagamentos de tributos e duplicatas em nome destes, pois que é contador, que atua como prestador de serviço autônomo a pequenas empresas. Por se tratarem de questões que podem deitar por terra o lançamento guerreado, passamos, preliminarmente à análise das nulidades argüidas. Primeiramente, alega o recorrente da impossibilidade obtidas a partir dos dados da CPMF, quebrando o seu sigilo bancário, a despeito de autorização judicial Cabe, nesse ponto, trazer à baila o artigo 6° a Lei Complementar n° 105, de 10/01/2001, que dispõe: Art. 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, Quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames selam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (destaques da transcrição) Por outro lado, consoante o artigo 1°, § 3°, III, da retrocitada Lei Complementar n° 105, de 2001, o acesso da Secretaria da Receita Federal às to /2 • . --44'45.- MINISTÉRIO DA FAZENDA 0-'7-•-•\14. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES eals • SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 informações bancárias necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações referentes à contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira — CPMF não constitui quebra de sigilo. Isto porque as informações deste modo obtidas permanecem protegidas. A Lei n° 5.172, de 25/10/1966, (Código Tributário Nacional), em seu artigo 198, veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública Nacional, ou de seu funcionários, sem prejuízo do disposto na legislação criminal. Por oportuno, cita-se o artigo 197, II, do Código Tributário Nacional, que determina que, mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos' solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a Lei Complementar n° 105, de 2001, e o artigo 197, II do Código Tributário Nacional, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do artigo 198 e do artigo 199, ambos do Código Tributário Nacional, como, aliás, prevê o inciso XXXIII do artigo 5° da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime (§ 7° do artigo 38 da Lei n° 4.595, 31/12/1964; artigo 198 do CTN; artigo 325 do Código Penal). Frise, pois, que as informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal, a par de amparada legalmente, não implicam quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais, de sorte que inocorre ilicitude na obtenção de provas. -"Y 11 ' • .04:04. MINISTÉRIO DA FAZENDA j ;-: .. "#- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .,íztte, SEXTA CÂMARA - Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 Ademais, está inscrito no § 40 , do mesmo artigo 1°, da Lei Complementar n° 105, de 2001, que, recebidas as informações referentes à CPMF, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Desta forma, não podem prosperar as alegações feitas pelo recorrente em sua defesa, no que tange à quebra do sigilo bancário. Outro argumento para levantar a nulidade do auto de infração trazido pelo recorrente é o da irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, pois que, ao tempo da autuação, estava em vigor a redação original do § 3°, do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 24/10/1996. O citado § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.331, de 1996, que institui a contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão de valores e de reditos e direitos de natureza financeira — CPMF, vedava a utilização de informações para constituir crédito tributário de outras contribuições ou de impostos: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades tributação, fiscalização e arrecadação. (.-) § 3°. A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. Contudo, com a edição da Lei n° 10.174, de 2001, em seu artigo 1°, foi dada nova redação ao § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, facultando a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo e efetuar lançamento de outros tributos: § 3°. A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 12 •-É;?;i4(4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA ••••£:, triz' Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. Tem se firmado neste colegiado o entendimento de que a Lei n° 10.174, de 2001, que deu nova redação ao § 30 do artigo 11 da Lei n°9.311, de 1996, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro de 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. Isto porque o direito tributário contém normas materiais ou substantivas e normas procedimentais ou adjetivas. Sendo que o direito tributário material diz respeito à relação jurídica tributária, onde se delineiam os contornos da obrigação tributária e seus elementos: a lei e o fato gerador, enquanto as normas procedimentais se referem ao lançamento. Enquanto o direito tributário formal trata da organização administrativa tributária, do lançamento como procedimento administrativo, sua natureza jurídica, função e modalidades. Destarte, na atividade do lançamento distingue-se a lei material, que descreve o fato típico tributário e contém a respectiva implicação consistente no• pagamento do tributo, das leis de natureza apenas adjetiva, que dizem respeito ao modo pelo qual é realizada a atividade de lançamento. A lei material é aquela aplicada na atividade do lançamento, determinando e quantificando a obrigação tributária principal e ,o correlativo crédito tributário. Integra o próprio objeto do lançamento, na medida em que é dele a fonte formal e, por isso, há de ser aquela vigente na data em que surgiram a obrigação e o respectivo crédito. Já as leis meramente adjetivas não integram o objeto do lançamento, pois que são aplicadas à atividade de lançamento. Por se tratarem de normas de caráter processual, devem ser observadas aquelas vigentes na data em que é exercida a atividade de lançamento, sendo irrelevante que sejam posteriores ao surgimento do direito que é objeto do lançamento. ."(± 13 dt • . " 37t:4,4ib„ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..r.- SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 Tal distinção fica bem demarcada nas linhas do artigo 144 e seu § 1° do Código Tributário Nacional, in litteris: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § /° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiro. Da leitura do dispositivo legal, depreende-se que o caput do artigo 144 do CTN estabelece que quanto aos aspectos materiais do tributo (contribuinte, hipótese de incidência, base de cálculo, etc), aplica-se ao lançamento a lei vigente no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação, ainda que posteriormente modificada ou revogada. No entanto, o § 1° do mesmo artigo 144 do CTN manda aplicar a lei posterior ao fato gerador se ela instituiu novos critérios de apuração, processos de fiscalização e investigação com poderes mais eficazes da autoridade ou outorgou maiores garantias ou privilégios ao crédito tributário. Ou seja, quanto aos aspectos meramente formais ou procedimentos atinentes ao lançamento, aplica-se a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Com efeito, segundo este dispositivo, o lançamento se rege pelas leis vigentes á época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regem-se pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, as leis que instituam novos critérios de apuração ou novos processos de fiscalização, ou, ainda, que ampliem os poderes de investigação das autoridades" administrativas, são todas, por assim dizer, externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram nenhum dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando, apenas, a atividade do lançamento, e não o crédito tributário. 14 ' • • 4(1:;::k- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .0.0.,3). SEXTA CÂMARA - -• Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 A Lei n° 10.174, de 2001, faculta a utilização das informações relativas à CPMF para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativa, exatamente como prevê o § 1° do artigo 144 do CTN, e vige, desse modo, no que concerne aos aspectos formais e procedimentais do lançamento. Assim, entrando em vigor a Lei n° 10.174, de 2001, a fiscalização passa a ser autorizada a utilizar as prerrogativas concedidas pela lei a partir daquela data, contudo tendo a possibilidade de investigar fatos e atos anteriores à sua vigência, desde que obedecidos os prazos decadenciais e prescricionais, ou seja, passa a dispor de um instrumento de fiscalização que anteriormente não possuía, podendo utiliza-lo conforme o interesse público que o ato administrativo pressupõe. Por tais motivos há de se entender que aquela norma não inovou a tributação do imposto de renda, dado que a partir de sua edição não passou a estar descrita em lei nova hipótese de incidência. Partindo-se do entendimento de que a norma que . autoriza a utilização dos dados da CPMF tem natureza procedimental, não há como defender o seu afastamento com base na irretroatividade, pois a legislação vigente à época do fato gerador, para efeito de determinar o tributo devido, estaria sendo respeitada. A norma em questão respeita a lei tributária no tempo da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação, permitindo a aplicação da legislação posterior que não afeta os elementos legais tomados para o lançamento tributário. Portanto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração pela utilização das prerrogativas inscritas no artigo 1° da Lei n° 10.174, de 2001, aludindo desrespeito ao princípio da irretroatividade das leis. Afastadas as preliminares, passamos à análise da argüição de decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento quanto ao ano- calendário de 1997 por ser questão ensejadora da extinção do crédito tributário respectivo. 15 • i '• 43.4,- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •-,gni.'4- SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 Todo direito tem prazo definido para o seu exercício, o tempo atua atingindo-o e exigindo a ação de seu titular. Nesse passo, o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional - CTN, determina que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para que se determine o termo inicial do prazo deliberado pela norma supracitada, invocamos o mandamento do artigo 142, do CTN, que determina que a constituição do crédito tributário se dá pelo lançamento, após ocorrido o fato gerador e instalada a obrigação tributária, ou seja, a Fazenda Pública poderá agir para constituir o crédito tributário pelo lançamento com a ocorrência do fato gerador. Por outro lado, impende observar que a atividade desenvolvida pelo contribuinte não se constitui lançamento, mas procedimento a ele vinculado, pois alberga verificações como aquela atinente à aplicação da legislação adequada, à subsunção do fato à incidência tributária, da quantificação da base de cálculo, da alíquota a ser utilizada, o cálculo do tributo e o pagamento. É pacífico neste Colegiado o entendimento da subsunção do imposto sobre a renda de pessoas físicas (IRPF) à modalidade de lançamento por homologação, pois, a teor do que prevê o artigo 150, do CTN, é atribuído ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. E, opera-se o lançamento pelo ato em que a -referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Nos termos do § 4° do referido artigo 150 do CTN, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, para lançar expressamente o tributo. E, por se tratar de constituição de direito do fisco, o prazo do artigo 150, § 4° do CTN é de decadência. Portanto, não havendo lançamento expresso do IRPF no prazo de cinco anos contados da data do fato gerador, terá ocorrido a decadência do direito de constituir a exação. Em complemento, o artigo 156, V do mesmo CTN determina que o crédito tributário da Fazenda Nacional extingue-se com a decadência. Em assim sendo, uma vez operada a decadência, não pode o fisco discutir eventuais valores não 16 • • -434-1.;:k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 recolhidos pelo contribuinte, haja vista que o seu direito já foi extinto, e não se revê o que não mais existe. Destarte, fixada a data do fato gerador, no termos da lei, conta-se cinco anos para marcar a caducidade do direito à constituição do crédito fiscal. Assim, necessário é que se determine a data da ocorrência do fato gerador do IRPF, que, segundo entende este Colegiado, perfaz-se em 31 de dezembro de cada ano. Aplicando-se este entendimento ao caso em tela, tem-se que o fato gerador do IRPF referente ao ano-calendário de 1997 perfez-se em 31 de dezembro daquele ano. Dessarte, esse é o dies a quo para a contagem do prazo de decadência, a partir do qual deve-se considerar o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, que foi o dia 31 de dezembro de 2002. Como o auto de infração foi lavrado aos 23 de abril de 2003, tem-se por ocorrido a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar a parte da exação referente ao ano-calendário de 1997, exercício 1998. Passando-se à análise do mérito, cabe analisar a afirmativa de que o lançamento não pode prosseguir, pois que os extratos bancários não podem servir de fundamento para lançamento tributário, vez que, por si só, não representam' disponibilidade econômica ou jurídica de renda. A argumentação de que uma autuação fundamentada apenas em depósitos bancários não pode prosperar porque depósitos não são fatos geradores de imposto de renda carece de sustentação, já que atinente a lançamento realizado sob a égide do artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996, c/c artigo 4° da Lei n°9.481, de 1997. As contas-correntes bancárias objeto da ação fiscal eram de titularidade do recorrente e o citado artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, em seu caput, estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, litteris. TY 1- 17 • . " -. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES &P•i7 ,ct-e'!›. SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão; razão por que não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita e nem de se comprovar a ocorrência de acréscimo patrimonial. Das disposições exaradas pelo artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e pelo o artigo 4° da Lei n° 9.481, de 1997, que embasaram a exação, pode-se extrair que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto às instituições financeiras, ou seja: primeiro, os crécNos deverão ser analisados um a um; segundo, não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais; terceiro, excluindo-se as transferências entre contas do mesmo titular. No caso em contenda, verifica-se que esses limites, quando da lavratura do auto de infração, foram devidamente observados nos termos da legislação vigente. Assim, resta demarcado que o procedimento fiscal está lastreado nas condições impostas pela legislação pertinente. • Também afirma o recorrente que a existência de depósitos em conta bancária é uma prova apenas indiciária de que teria ocorrido o fato imponível da tributação sobre a renda. Como reportado anteriormente, as determinações do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, são taxativas no sentido de que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não apenas fontes indiciárias de omissão. Daí, não haver a obrigatoriedade de que reste 18 • , -.4s,MINISTÉRIO DA FAZENDA t4t::-nt- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ?atiPit.41), SEXTA CÂMARA - Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 demarcado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita e nem de se comprovar a ocorrência de acréscimo patrimonial. Cabe ao sujeito passivo a comprovação da origem dos recursos que geraram os depósitos bancários, como também a demonstração - de que já foram os mesmos submetidos à tributação ou não tributáveis. Isto delimita a hipótese em que fica demarcada a inversão do ônus da prova no direito tributário, que se opera quando, por transferência, compete ao sujeito passivo o ônus de provar que não houve o fato infringente, sendo que esta inversão sempre se origina da existência em lei. A presunção representa uma prova indireta, partindo-se de ocorrências de fatos secundários, fatos indiciários, que apontam para o fato principal, necessariamente desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido. Nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, as chamadas presunções legais, a produção de tais provas é dispensada. Assim dispõe o Código de Processo Civil nos artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: IV — em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Verifica-se no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva de presunção de renda legalmente estabelecida. Trata-se, por outro lado, de presunção /uris tantum, ou seja, uma presunção relativa que pode a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção. No caso vertente, a autoridade autuante agiu com acerto: diante do indicio de omissão de rendimentos detectado através da operação financeira objeto da autuação em tela, operou a inversão do ônus da prova, cabendo à interessada, a partir de então, provar a inocorrência do fato ou justificar sua existência. 19 • • . " MINISTÉRIO DA FAZENDA t tr:--- • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES s'Pf-; SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 Portanto, para elidir a presunção legal de que depósitos em conta corrente sem origem justificada são rendimentos omitidos, deveria o interessado ter comprovado a sua origem, apresentando documentos que denotem, inequivocamente, possuírem os depósitos em questionamento origem já submetida à tributação ou isenta, do contrário, materializa-se a presunção legal formulada de omissão de receitas, por não ter sido elidida. Argumenta ainda o recorrente que a utilização da presunção deve seguir os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Como já afirmado, a tributação presumida do imposto sobre a renda incidente sobre os depósitos bancários de origem não comprovada encontra amparo legal, e, enquanto a norma legal não for retirada do mundo jurídico, por inconstitucional, cabe aos agentes administrativos a sua aplicação, falecendo-lhe competência ao agente administrativo para enfrentar questões que reclamem o exame da conformação constitucional das normas. As instâncias administrativas, mesmo as julgadoras não possuem competência legal para se manifestarem sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme disposto nos incisos I, a, e III, b, ambos do artigo 102 da Constituição Federal, onde estão configuradas as duas formas de controle de constitucionalidade das leis: o controle por via de ação ou concentrado, e o controle por via de exceção ou difuso. A depender da via utilizada para o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo, os efeitos produzidos pela declaração serão diversos. No controle de constitucionalidade por via de ação direta, o Supremo Tribunal Federal é provocado para se manifestar, pelas pessoas determinadas no artigo 103 da Constituição Federal, em uma ação cuja finalidade é o exame da validade da lei em si. O que se visa é expurgar do sistema jurídico a lei ou o ato considerado inconstitucional. A aplicação da lei declarada inconstitucional pela via de ação é negada para todas as hipóteses que se acham disciplinadas por ela, com efeito erga omnes. Quando a inconstitucionalidade é decidida na via de exceção, ou seja, por via de Recurso Extraordinário, a decisão proferida limita-se ao caso em litígio, 20 11 • • . " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 fazendo, pois, coisa julgada apenas in casa et inter partes, não vinculando outras decisões, nem mesmo judiciais. Não faz ela coisa julgada em relação à lei declarada inconstitucional, não anula nem revoga a lei, que permanece em vigor e eficaz até a suspensão de sua executoriedade pelo Senado Federal, de conformidade com o que dispõe o artigo 52, X, da Constituição Federal. À Administração Pública cumpre não praticar qualquer ato baseado em lei declarada inconstitucional pela via de ação, uma vez que a declaração de inconstitucionalidade proferida no controle abstrato acarreta a nulidade ipso jure da norma. Quando a declaração se dá pela via de exceção, apenas sujeita a Administração Pública ao caso examinado, salvo após suspensão da executoriedade pelo Senado Federal. A propósito da controvérsia empreendida pelo contribuinte, citemos excerto do professor Hugo de Brito Machado (Temas de Direito Tributário, Vol. I, Editora Revista dos Tribunais: São Paulo, 1994, p. 134): (...) Não pode a autoridade administrativa deixar de aplicar uma lei ante o argumento de ser ela inconstitucional. Se não cumpri-la sujeita-se à pena de responsabilidade, artigo 142, parágrafo único, do CTN. Há o inconformado de provocar o Judiciário, ou pedir a repetição do indébito, tratando-se de inconstitucionalidade já declarada. A apreciação de matéria versando sobre constitucionalidade de leis ou ilegalidade de decretos, por órgão administrativo, é totalmente estéril e descabida, já que tal competência é privativa do Poder Judiciário. À instância administrativa compete, apenas, o controle da legalidade dos atos praticados por seus agentes, isto é, apreciar se tais atos observaram e deram cumprimento às determinações legais vigentes. Argumenta ainda o recorrente trazer aos autos doCumentos com vistas a comprovar que todos os valores depositados em sua conta-corrente bancária eram, na realidade, quantias entregues por seus clientes para serem utilizadas para pagamentos de tributos e duplicatas em nome destes, pois que é contador, que atua como prestador de serviço autônomo a pequenas empresas. E os valores depositados em sua conta bancária se prestariam a cobrir as despesas incorridas com o pagamento de tais valores. 21 I • 4 4 •44;M:k MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •.*-- 4:44,05:, SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 Observa-se que os documentos aduzidos pelo redorrente se tratam de guias de recolhimento de tributos e duplicatas emitidas em nomes de pessoas jurídicas diversas. Ademais, há que se ressaltar, que nada há nos autos que confirme terem os valores utilizados para tais pagamentos sido egressos da conta-corrente objeto da exação, pois não há nenhum liame fático entre tais possíveis eventos. Por outro lado, fazendo-se uma análise minuciosa de comparação entre os valores dos depósitos bancários e aqueles pagos por cada dia, mesmo se agruparmos por empresa, não há similitude, mesmo em se tratando de depósitos ocorridos em dias anteriores e próximos aos pagamentos, vez que, não se pode aferir com que antecedência ocorreriam os pretensos creditamentos na conta bancária do recorrente para que os valores pudessem estar disponíveis para os pagamentos alegados. Destarte, os documentos apresentados pelo recorrente não se revestem das características exigidas, para que se preste como prova em seu favor, principalmente por não serem capazes de comprovar de forma clara e precisa o liame entre os valores utilizados para seus pagamentos e os créditos efetuados na conta- corrente bancária examinada. A permissão para apresentação de provas em favor do contribuinte não obriga o julgador ao seu acatamento. À autoridade julgadora é concedido o poder de formar livremente a sua convicção quanto à verdade emergente dos fatos constantes dos autos, ou seja, o julgador apreciará e avaliará a prova dos fatos e formará a sua convicção livremente quanto à verdade dos mesmos; entendimento que se extrai da inscrição do artigo 29, do Decreto n°70.235, de 06/03/1972, litteris: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção podendo determinar as diligências que entender necessárias. O mandamento do dispositivo supra referido tem total consonância com o que reza o artigo 131, do Código de Processo Civil: " O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não 22 • • 4 W .a4 .-tán- MINISTÉRIO DA FAZENDA 4z PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •,544-rt:n. SEXTA CÂMARA Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento". Nesse passo, tem-se que resta ao julgador a livre formação do seu convencimento, desde que sua convicção seja expressada motivadamente, e sem prejuízo das normas legais, não lhe sendo defeso rejeitar, ou deixar de considerar, qualquer prova que lhe seja apresentada. Caso se admitisse o contrário, o perito, em última análise, se revestiria das funções do julgador. Insurge-se ainda o recorrente contra a aplicação dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, e que encontra respaldo na Lei n°9.065, de 20/06/1995, cujo artigo 13 delibera: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do ART. 14 da Lei número 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo ART. 6 da Lei número 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo ART. 90 da Lei número 8.981, de 1995, o ART. 84, inciso I, e o ART. 91, parágrafo único, alínea "a.2", da Lei número 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Ademais, o Código Tributário Nacional, no § 1° do seu artigo 61, determina que somente se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora deverão ser calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Na espécie, a incidência dos juros se deu com base em lei cuja constitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, donde se presume ela tem seus efeitos garantidos e, em obediência ao princípio constitucional da legalidade, as autoridades administrativas estão obrigadas a aplicá-la e zelar pelo seu cumprimento, não cabendo às instâncias julgadoras administrativas a manifestação acerca de argumentações sobre a sua inconstitucionalidade. Por outro lado, o crédito tributário não integralmente pago no' vencimento sofre o acréscimo de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei. E, como se reveste o crédito tributário de matéria de ordem pública, em sua constituição não se privilegia a vontade das partes, mas o 23 • • • • - •-E.S., MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES•*. SEXTA CÂMARA • Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 interesse público, de modo que os juros de mora não são convencionados, mas fixados por lei. Por derradeiro, reclama a recorrente da multa de ofício aplicada ao lançamento, dizendo-a excessiva. Consoante com o artigo 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível." O não cumprimento do dever jurídico cometido ao sujeito passivo da obrigação de pagar o tributo devido enseja que a Fazenda Pública, desde que legalmente autorizada, ao cobrar o valor não pago, imponha sanções ao devedor, vez que a inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, não tem outra natureza que não a de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. A multa pelo não pagamento do tributo devido é imposição de caráter punitivo, constituindo-se em sanção pela prática de ato ilícito, pelas infrações a disposições tributárias. Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 9' edição, Editora Saraiva: São Paulo, 1997, pp. 336/337) discorre sobre as características das sanções pecuniárias aplicadas quando da não observância das normas tributárias: a) As penalidades pecuniárias são as mais expressivas formas do desígnio punitivo que a ordem jurídica manifesta, diante do comportamento lesivo dos deveres que estipula. Ao lado do indiscutível efeito psicológico que operam, evitando, muitas vezes, que a infração venha a ser consumada, é o modo por excelência de punir o autor da infração cometida. Agravam sensivelmente o débito fiscal e quase sempre são fixadas em níveis percentuais sobre o valor da dívida tributária. (..) O permissivo legal que esteia a aplicação das multas punitivas encontra-se no artigo 161 do Código Tributário Nacional, já antes citado, quando afirma --ir24 - 7 • • I/ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA - Processo n° : 10730.001423/2003-15 Acórdão n° : 106-14.732 que a falta do pagamento devido enseja a aplicação de juros moratórios "sem preiuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária", extraindo-se daí o entendimento de que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora e multa — de mora ou de ofício -, dependendo se o débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização ou não. In casu, a multa de ofício aplicada no lançamento teve esteio no artigo 45, I, da Lei n°9.430, de 27/12/1996, e a redução do seu percentual, como pleiteado pelo recorrente, não encontra guarida, vez que não há previsão legal para tal, e o lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingir-se às determinações da lei para efetuá-lo ou alterá-lo. Por todo o exposto, somos pelo provimento parcial do recurso voluntário apresentado, para acatar a decadência do direito de lançar os valores relativos ao ano-calendário 1997, exercício 1998. Sala das Sessões - DF, em 16 de junho de 2005. --21n132A-ÍÀE 02'11:ÍMPIO- HOLANDA 25 Page 1 _0010900.PDF Page 1 _0011000.PDF Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1 _0011800.PDF Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.016960/00-15
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2003
Ementa: COFINS. VENDAS DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. SELIC E MULTA MORATÓRIA. PREVISÃO LEGISLATIVA. OBSERVÂNCIA. INADEQUAÇÃO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. A Cofins incide sobre receitas provenientes de vendas de imóveis. A Selic e a multa devem ser aplicadas pelo Fisco, por estarem previstas em legislação. A inconstitucionalidade de tais rubricas somente pode ser aferida pelo Judiciário. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-09372
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: César Piantavigna

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Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG COFINS. VENDAS DE IMÓVEIS. INCIDÊNCIA. SELIC E MULTA MORATÓRIA. PREVISÃO LEGISLATIVA. OBSERVÂNCIA. INADEQUAÇÃO DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. A Cofins incide sobre receitas provenientes de vendas de imóveis. A Selic e a multa devem ser aplicadas pelo Fisco, por estarem previstas em legislação. A inconstitucionalidade de tais rubricas somente pode ser aferida pelo Judiciário. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CSD ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2003 et\ Otacilio as artaxo Presidente Cés Piantavigna Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Maria Teresa Martinez López, Valmar Fonsêca de Menezes, Mauro Wasilewski, Luciana Pato Peçanha Martins e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva. Eaal/cf/ovrs 1 22 CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 10680.016960/00-15 Recursos n° : 122.822 Acórdão O : 203-09.372 Recorrente : CSD ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. RELATÓRIO Auto de infração (fls. 04/06), lavrado em 22/12/00, imputou débito de Cofins à Recorrente, referente aos meses de 01/97 a 05/97, 09/97 e 10/97, no montante de R$14.291,73, que, acrescido de juros e multa, alcançou a cifra de R$35.034,84. A pendência retratada no auto de infração decorreria da circunstância de a Recorrente não ter incluído receitas obtidas com a venda de imóveis na base de cálculo da Cofins. Impugnação (fls. 43/53) inicialmente registra que os valores levantados na ação fiscal não seriam devidos, por refletirem a cobrança de Cofins sobre materialidade (receita de vendas de imóveis) não encampadas pelo fato gerador de tal tributo. Desferiu, outrossim, ataques contra a aplicação da SELIC. Decisão (fls. 62/78) do Colegiado de piso rejeitou a pretensão impugnativa, salientando a impertinência da realização de perícia sobre a matéria eriçada pela então impugnante. Recurso voluntário (fls. 84/95) retoma os argumentos aduzidos em impugnação, acrescendo alegação que pugna pela observância do regime de caixa pelo Fisco especificamente em decorrência das peculiaridades da atividade desenvolvida pela Recorrente, bem como argumento que sustenta a ilegitimidade da multa aplicada no auto de infração constante desses autos. É o relatório. 2 '4 . 1; •:*y CC-MF ••• Mnusténo da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 10680.016960/00-15 Recursos n° : 122.822 Acórdão n° : 203-09.372 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR CÉSAR PIANTAVIGNA O faturamento apto à incidência da Cofins, segundo então disciplinado pela Lei Complementar n° 70/91, consistia naquele obtido com a venda de mercadorias e/ou prestação de serviços (artigo 2° da Lei Complementar n° 70/91). O Superior Tribunal de Justiça fixou entendimento no sentido de que a regra citada abrange valores auferidos pelas empresas com vendas e locações de imóveis, na medida em que tais transações seriam equiparáveis às vendas de mercadorias. Consulte-se arestos a respeito: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE QUALQUER DOS VÍCIOS PREVISTOS NO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE FATURAMENTO DECORRENTE DE OPERAÇÕES DE LOCAÇÃO E VENDA DE IMÓVEIS. 1. Os embargos de declaração têm como requisito de admissibilidade a indicação de algum dos vícios previstos no art. 535 do CPC, constantes do decisum embargado, não podendo ser conhecidos quando o embargante visa, unicamente, ao "reexame em substância da matéria julgada". 2. As atividades de construir, alienar, comprar, alugar e vender imóveis e intermediar negócios imobiliários, estão sujeitas a COFINS, posto caracterizarem compra e venda de mercadorias, em sentido amplo. Precedentes jurisprudenciais desta Corte. 3. Embargos de declaração rejeitados." (EAREsp. n° 504078/SP. P Turma. Rel. Min. Luiz Fux. Julgado em D.J.U. 17/11/03. 28/10/03) "TRIBUTÁRIO. COF1NS. VENDA DE IMÓVEIS. LC N° 70/91. ALTERAÇÃO DO TEXTO CONSTITUCIONAL PELA EC N° 20/98. NÃO INCIDÊNCIA. REDEFINIÇÃO DA MATÉRIA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Em vários julgamentos emiti pronunciamento no sentido de que a COFINS incide sobre o faturamento de empresas que, habitualmente, negociam com imóveis, em face de: a) o imóvel ser um bem suscetível de transação comercial, pelo que se insere no conceito de mercadoria; b) as empresas construtoras de imóveis efetuam negócios jurídicos com tais bens, de modo habitual, os quais constituem mercadorias que são oferecidas aos clientes compradores, c) a Lei n° 4.068, de 09.06.62, determina que as empresas de construção de imóveis possuem natureza comercial, sendo-lhes facultada a emissão de duplicatas; d) a Lei n°4.591, de 16.12.64, define como comerciais as atividades negociais praticadas pelo "incorporador, pessoa física ou jurídica, proprietário ou não, promotor ou não da construção, que aliene total ou parcialmente imóvel ainda em construção, e do vendedor, proprietário ou não, que habitualmente aliene o 3 22 CC-MF_ Ministério da Fazenda Fl. t Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10680.016960/00-15 Recursos n° : 122.822 Acórdão n° : 203-09.372 prédio, decorrente de obra já concluída, ou terreno fora do regime condominial, sendo que o que caracteriza esses atos como mercantis, em ambos os casos, e o que diferencia dos atos de natureza simplesmente civil, é a atividade empresarial com o intuito de lucro" (Oswaldo Othon de Pontes Saraiva Filho, ob. já citada). e) o art. 195, I, da CF, não restringe o conceito de faturamento, para excluir do seu âmbito o decorrente da comercialização de imóveis; O faturamento é o produto resultante da soma de todas as vendas efetuadas pela empresa, quer com bens móveis, quer com imóveis; g) o art. 2°, da LC n° 70/91, prevê, de modo bem claro, que a COFINS tem como base de cálculo não só a receita bruta das vendas de mercadorias objeto das negociações das empresas, mas, também, dos serviços prestados de qualquer natureza; h) mesmo que o imóvel não seja considerado mercadoria, no contexto assinalado, a sua venda ou locação pela empresa seria a prestação de um serviço de qualquer natureza, portanto, um negócio jurídico sujeito à COFINS. 2. A EC n° 20/98, de 15/12/98 (DOU 16/12/98), modificou a mensagem contida no art. 195, inciso I, da CF/88, para determinar que a seguridade social será financiada, também, pelas contribuições sociais. Explicitou-se, de modo definitivo que a COFINS como contribuição social que é incidiria sobre a receita ou o faturamento. 3. Reformulando posicionamento anterior, em face da mudança operada na Constituição Federal, entendo não incidir a COFINS sobre imóveis enquanto a legislação infraconstitucional não explicitar que o seu fato gerador será o faturamento, isto é, a receita bruta oriunda das vendas das mercadorias. 4. Competência da Primeira Seção desta Corte para dirimir a controvérsia, uniformizando o entendimento de que é devida a COFINS sobre a venda de imóveis, nos termos do art. 1°, da Lei Complementar n° 70/91. Ressalva do ponto de vista do relator. Homenagem à função estabilizadora de lei federal exercida pelo Superior Tribunal de Justiça. 5. Recurso não provido." (REsp. n° 439417/SC. P Turma. Rel. MM. José Delgado. Julgado em 15/08/02. D.J.U. 23/09/02) Fixado o entendimento jurisdicional da matéria, nele baseio-me para repelir as alegações da Recorrente centradas em posição diametralmente oposta. Afigura-me imprópria, de sua vez, a invocação do artigo 7° da Lei n° 9.718/98 para subsidiar o argumento da Recorrente de que deveria a mesma sujeitar as receitas obtidas com vendas de imóveis à carga da Cotins tão-somente na ocasião de seus efetivos recebimentos, e não da celebração de transações que teriam por objeto a transferência dos bens citados. Com efeito, a regra do artigo 144, caput, do CTN, é categórica no sentido de preceituar que ao fato gerador aplica-se a legislação vigente à oportunidade de sua ocorrência, pelo que seria impossível promover-se a incidência de diploma editado em fins de dezembro de 1998 a eventos sucedidos anteriormente à produção de seus efeitos. 4 4 ., • it. A.-0, 22 CC-MF to' c-cc. 1/4 Ministério da Fazenda E. :Àt Segundo Conselho de Contribuintes 1 , .. Processo n° 10680.016960/00-15 Recursos n° : 122.822 Acórdão n° : 203-09.372 Sobremais, a regra do artigo 7° da Lei n° 9.718/98 não teria, em qualquer hipótese, aplicação à Recorrente, na medida em que trata da situação de empreiteiras de obras públicas. A SELIC, na conformidade do que assentado nesse Conselho, e a multa moratória devem ser aplicadas pela Administração na medida em que se encontram previstas na legislação (artigo 37, caput, da Constituição brasileira). Até que sejam inquinadas formalmente de inconstitucionalidade, portanto, tais rubricas merecem observância por parte do Fisco, descabendo exame de tal natureza na esfera administrativa: "COFINS. EMPRESAS IMOBILIÁRIAS. As empresas dedicadas à incorporação, à venda e à locação de bens imóveis são contribuintes da COFINS, nos termos do artigo 1° da Lei Complementar n° 70/91. Precedentes Primeira Seção STJ (REsp. 112.529-PR). TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legitima e legal a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios. MULTA. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INOCORRÊNCIA. A multa aplicada pelo Fisco decorre de previsão legal e eficaz (Lei n° 8.218, 4°, I), descabendo ao agente fiscal perquirir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não. Para que se afira a natureza confiscatória da multa é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que não têm os órgãos administrativos julgadores. Recurso negado." (Recurso Voluntário n° 118.835, 1' Câmara, Processo n° 10166.022482/99-97, Sessão de 11/06/03, Acórdão n°201-76977, unânime) Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário, deixando de acolher o pleito nele deduzido. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2003 aCÉ ANTAVIGNA , 5

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