Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13819.900231/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.574
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13819.900231/2012-94
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5779917
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.574
nome_arquivo_s : Decisao_13819900231201294.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 13819900231201294_5779917.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6960082
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469058023424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.900231/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.574 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente AMCOR PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de PIS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 31 /2 01 2- 94 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13819.900231/201294 Acórdão n.º 3302004.574 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02051.208. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13819.900231/201294 Acórdão n.º 3302004.574 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13819.900231/201294 Acórdão n.º 3302004.574 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13819.900231/201294 Acórdão n.º 3302004.574 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13819.900231/201294 Acórdão n.º 3302004.574 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13819.900231/201294 Acórdão n.º 3302004.574 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001612/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO.
A multa isolada e os juros isolados decorrem de lançamento de oficio e não se submetem, para fins da contagem do prazo da decadência, às regras do lançamento por homologação. Assim, o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. ABERTA OU FECHADA. CONCEDIDA COMO FORMA DE REMUNERAÇÃO À PARTE DOS TRABALHADORES DA EMPRESA. AUSÊNCIA DO CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA DE IRPF.
Para que as contribuições a planos de previdência privada estejam fora da incidência de tributos, necessária a comprovação do caráter previdenciário dessas contribuições. Os aportes feitos pela empresa a planos destinados à parte de seus trabalhadores, sem regras objetivas de elegibilidade e metodologia de cálculo, e realizados em retribuição ao desempenho profissional se caracterizam como verbas remuneratórias, produto do trabalho, que estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física.
RETENÇÃO NA FONTE NÃO EFETUADA. MULTA E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE.
A fonte pagadora que deixar de reter e recolher dos beneficiários dos rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do valor devido no ajuste anual, responde pela multa de oficio e juros moratórios, exigidos isoladamente.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais."
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-004.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os valores correspondentes às contribuições básicas, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Fernanda Melo Leal, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto. Foi designado redator ad hoc o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto proferiu seu voto na sessão de 15/03/2017, razão pela qual a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que a substitui, não participou do presente julgamento (art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO. A multa isolada e os juros isolados decorrem de lançamento de oficio e não se submetem, para fins da contagem do prazo da decadência, às regras do lançamento por homologação. Assim, o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. ABERTA OU FECHADA. CONCEDIDA COMO FORMA DE REMUNERAÇÃO À PARTE DOS TRABALHADORES DA EMPRESA. AUSÊNCIA DO CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Para que as contribuições a planos de previdência privada estejam fora da incidência de tributos, necessária a comprovação do caráter previdenciário dessas contribuições. Os aportes feitos pela empresa a planos destinados à parte de seus trabalhadores, sem regras objetivas de elegibilidade e metodologia de cálculo, e realizados em retribuição ao desempenho profissional se caracterizam como verbas remuneratórias, produto do trabalho, que estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física. RETENÇÃO NA FONTE NÃO EFETUADA. MULTA E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. A fonte pagadora que deixar de reter e recolher dos beneficiários dos rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do valor devido no ajuste anual, responde pela multa de oficio e juros moratórios, exigidos isoladamente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.001612/2010-57
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756485
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.014
nome_arquivo_s : Decisao_16327001612201057.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001612201057_5756485.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os valores correspondentes às contribuições básicas, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Fernanda Melo Leal, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto. Foi designado redator ad hoc o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto proferiu seu voto na sessão de 15/03/2017, razão pela qual a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que a substitui, não participou do presente julgamento (art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6884658
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469072703488
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2084; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 985 1 984 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001612/201057 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202004.014 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2017 Matéria IRRF multa e juros isolados por falta de retenção Recorrentes BANCO BRADESCO S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO. A multa isolada e os juros isolados decorrem de lançamento de oficio e não se submetem, para fins da contagem do prazo da decadência, às regras do lançamento por homologação. Assim, o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. ABERTA OU FECHADA. CONCEDIDA COMO FORMA DE REMUNERAÇÃO À PARTE DOS TRABALHADORES DA EMPRESA. AUSÊNCIA DO CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA DE IRPF. Para que as contribuições a planos de previdência privada estejam fora da incidência de tributos, necessária a comprovação do caráter previdenciário dessas contribuições. Os aportes feitos pela empresa a planos destinados à parte de seus trabalhadores, sem regras objetivas de elegibilidade e metodologia de cálculo, e realizados em retribuição ao desempenho profissional se caracterizam como verbas remuneratórias, produto do trabalho, que estão sujeitas à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física. RETENÇÃO NA FONTE NÃO EFETUADA. MULTA E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. A fonte pagadora que deixar de reter e recolher dos beneficiários dos rendimentos o imposto de renda suscetível de antecipação do valor devido no ajuste anual, responde pela multa de oficio e juros moratórios, exigidos isoladamente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 12 /2 01 0- 57 Fl. 985DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 986 2 Súmula CARF nº 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao recurso de ofício: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do tributo os valores correspondentes às contribuições básicas, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Fernanda Melo Leal, que deram provimento integral ao recurso. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio informou que apresentará declaração de voto. Foi designado redator ad hoc o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. A Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto proferiu seu voto na sessão de 15/03/2017, razão pela qual a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que a substitui, não participou do presente julgamento (art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF). Relatório Nos termos do regimento Interno do CARF, conforme registrado em Ata de julgamento, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente Acórdão, Fl. 986DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 987 3 em virtude da relatora originária, Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, ter deixado de integrar esta Turma antes da formalização e assinatura deste acórdão. Sendo assim, para o cumprimento da tarefa que me foi atribuída, adoto o texto do relatório que foi elaborado pela relatora originária, na época do início do julgamento, in verbis: Tratase de recurso de ofício e voluntário contra a decisão proferida no Acórdão nº 1237.158 (fls. 748/758), em 12/05/2011 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ (RJO), que julgou parcialmente procedente a impugnação. Contra o sujeito passivo foi lavrado o Auto de Infração de fls. 261/290, para a exigência de créditos tributários de multa isolada, no valor de R$146.526.345,97, e de juros de mora isolados, no valor de R$15.456.607,22, totalizando R$161.982.953,19 (fl. 3), em face da falta de retenção de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 280/290), o interessado remunerou determinadas pessoas físicas com vínculo empregatício (Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos) por meio de contribuições a planos de previdência complementar por ele mantidos, como concluiu a autoridade fiscal: (...) 32. A caracterização dos aportes efetuados na previdência complementar no plano PGBL EMPRESARIAL como rendimento do trabalho assalariado é conseqüência da aplicação simples do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 e da Lei Complementar n° 109/2001. 33. Da conduta adotada pelo contribuinte, depreendese que o mesmo entendeu que: a. O fato de ter um plano de previdência complementar oferecido a todos os seus funcionários (dirigentes e empregados), confere o direito de ter outro plano (PGBL EMPRESARIAL), disponível somente aos dirigentes da empresa; b. O critério de elegibilidade neste plano empresarial não precisa ter requisitos expressos no seu regulamento, podendo ficar a cargo exclusivo da Instituidora; c. O comitê de remuneração pode estipular de forma antecipada e unilateral o valor a ser aportado na previdência complementar dos seus dirigentes e que o regulamento deste "plano alternativo" (PGBL EMPRESARIAL) não precisa ter regras claras quanto às contribuições; d. As contribuições feitas ao plano de previdência complementar não têm a única finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário. 34. Por outro lado, esta fiscalização entende que: a. O artigo 16 da Lei Complementar n° 109/2001 obriga o oferecimento dos planos a todos os empregados e dirigentes, portanto o plano empresarial oferecido apenas a seus dirigentes contraria a legislação; Fl. 987DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 988 4 b. O artigo 10 da Lei Complementar n° 109/2001 obriga que tanto os requisitos de elegibilidade, como a forma de cálculo de benefícios, sejam claros e constem do regulamento do plano de benefícios, portanto o critério unilateral de elegibilidade contraria a legislação; c. O artigo 19 da Lei Complementar n° 109/2001 define objetivamente a finalidade das contribuições para os planos de previdência: prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, portanto não há previsão para outra finalidade; d. O artigo 38 do RIR/99 preconiza que a tributação independe da denominação dos rendimentos, portanto a legislação aplicada ao caso concreto claramente permite a caracterização destes pagamentos como rendimentos do trabalho; e. Apesar do contribuinte declarar que as contribuições efetuadas na previdência privada obedeceram aos critérios estabelecidos em lei e que o plano levou em conta variáveis atuariais, o mesmo não comprovou estas afirmações, visto que não apresentou as memórias de cálculo das contribuições; f. O fato supracitado somado aos aportes serem realizados de forma habitual, mensal, com valores constantes, em valores próximos para cada nível hierárquico e ainda os resgates dos participantes serem realizados em valores próximos ou superiores aos aportes, via de regra no mesmo mês, novamente em valores próximos para cada nível hierárquico e inclusive para participantes em gozo de benefício, dão robustez probatória à caracterização destes pagamentos como verbas remuneratórias; g. Por todo o conjunto de argumentos e provas, os valores pagos a este título devem ser considerados como rendimento do trabalho assalariado. O interessado apresentou a impugnação de fls. 298/374 e documentos de fls. 375/741, alegando em síntese: a nulidade do lançamento por erros na base de cálculo, que também engloba valores relativos às contribuições básicas (no percentual de 4%), e que seriam demonstrados mediante a perícia requerida; a decadência relativa ao período de 01/2005 a 11/2005; que as contribuições à previdência complementar estão de acordo com a legislação e normas que regem a matéria; que em 12/2006 foram incluídos valores em duplicidade na base de cálculo; e que os juros moratórios não poderiam incidir sobre a multa lançada nem serem calculados com base na taxa Selic. Posteriormente, o interessado apresenta petição solicitando a desconsideração dos argumentos referentes à ilegalidade da exigência de juros sobre a multa lançada, uma vez que existe previsão legal expressa para sua incidência (fl. 743). A DRJ/SPO considerou a impugnação parcialmente procedente, para excluir da base de cálculo os valores em duplicidade em relação à 12/2006 e 12/2007 (R$27.258.728,70 e R$3.329.503,45), e manteve os créditos tributários de multa isolada, no valor de R$140.217.523,09, e de juros de mora isolados, no valor de R$15.212.592,45, recorrendo de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A seguir, transcrevese sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 989 5 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de imposto na fonte os aportes através de contribuições a planos de previdência complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Após o prazo para entrega de declaração de ajuste anual da pessoa física, verificada a falta de retenção, devese exigir da fonte pagadora multa de ofício e juros de mora isolados. Excluemse da exação valores lançados em duplicidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado do referido acórdão em 30/05/2011 (AR às fls. 765), o contribuinte interpôs o presente recurso, em 29/06/2011 (fls. 789/857), no qual se insurge contra a decisão recorrida e repisa os argumentos trazidos na impugnação, exceto sobre a questão dos juros sobre a multa e a duplicidade de valores (12/2006 e 12/2007), conforme se expõe na sequência. Diz que a planilha trazida aos autos (doc. 14 fls. 738/741) e os razões contábeis apresentados à fiscalização demonstram que o contribuinte produziu provas de que o lançamento também engloba valores relativos às contribuições básicas (no percentual de 4%); e que a decisão recorrida incorreu em contradição ao afirmar que o recorrente não teria comprovado que o lançamento incluiu contribuições básicas e ao mesmo tempo indeferir a perícia para essa comprovação. Assim, o lançamento é insubsistente, pois não é líquido e certo. E se o auto de infração não for cancelado pela nulidade apontada, deve ser realizada a prova pericial; e se essa for indeferida, requer que seja considerada a prova pericial produzida no processo nº 16327.001557/201003, relativo à contribuição previdenciária sobre o mesmo fato gerador e no mesmo procedimento de fiscalização. Discorda da aplicação do art. 173, I, do CTN, que prevaleceu no acórdão da DRJ, pois, embora não tenha havido "lançamento de IRRF" (mas auto de infração de multa e juros isolados pela não retenção do imposto), frisa que houve pagamento antecipado de tal tributo sobre os valores que integram a folha de salários do recorrente durante todo o período autuado. Diz que a prova maior disso é que a autuação exige apenas a diferença entre o valor recolhido e o supostamente devido. Destaca que a contagem decadencial da multa isolada vinculase à contagem decadencial do tributo a qual se refere e cita jurisprudência do CARF nesse sentido. (Acórdão 2202003.683, fevereiro) Faz exposições e comentários sobre os dispositivos constitucionais, legais e infralegais que regem a previdência privada e alega que todos os fatos invocados pela Fl. 989DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 990 6 fiscalização para justificar a exigência do IRRF estão previstos na legislação, nos contratos e no regulamento do plano de previdência privada que está aprovado pela SUSEP. Diz que, em se tratando de Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), como é o caso dos autos, o resgate é um direito do participante, respeitados os prazos de carência e intermediários entre os períodos de resgate. E que fica prejudicada qualquer comparação entre o PGBL e a previdência oficial e planos de previdência privada de outras modalidades, em face de regras legais distintas. Repisa que mantém um único plano denominado Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade Contribuição Variável, cujas cláusulas e condições estão previstas no Regulamento do Plano II, devidamente aprovado pela SUSEP (Processo 10.003048/0123), e nos respectivos Contratos. Tal plano contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos (5º Termo Aditivo). Nesse sentido, especifica os quatro instrumentos contratuais básicos que versam sobre o Plano de Previdência Privada do Recorrente, a seguir: a) Convênio de Adesão ao Plano I de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes de Empresa, de 20.06.1985 (doc. 03 anexo à impugnação fls. 435/445) do tipo benefício definido, disponível a todos os empregados e diretores, fechado a novos participantes em 30.04.1999, aplicável atualmente apenas aos que a ele haviam aderido no passado (Plano I); b) Contrato Previdenciário de 20.05.1999 (doc. 03 anexo à impugnação fls.446/458) informando que em razão do fechamento do Contrato acima, em 1 º de maio de 1999, decidiuse implementar Plano de Previdência Privada na Modalidade Contribuição Definida FGB e de Benefício Definido PBD para todos os empregados e dirigentes da empresa, também fechado a novos participantes em 30.04.2000, aplicável atualmente apenas aos que a ele haviam aderido no passado (Plano II); c) 5º Termo Aditivo de 30.07.1999 ao Contrato de Previdência Privada de 20.06.1985 (doc. 03 anexo à impugnação fls. 459/463), instituindo Plano de Benefícios Suplementares na modalidade de um Plano Gerador de Benefício Livre PGBL, aplicável ao Presidente do Conselho, aos Conselheiros, aos Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e aos investidos em cargos de assessor da Diretoria, participantes dos Planos I e II mantidos pela empresa. d) Contrato Previdenciário de 20.05.2000 (doc. 03 anexo à impugnação fls. 464/479) informando que em razão de os Contratos descritos nas letras 'a' e 'b' estarem fechados desde 30.04.1999 e 30.04.2000, respectivamente, decidiuse mediante "Programa de Migração do Plano" fazer a migração do Plano II para Plano de Previdência na modalidade Plano Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benefício Definido PBD Contribuições Básicas, aplicável a todos os empregados e dirigentes da empresa, também denominado Plano II, conforme Regulamento do Plano Gerador de Benefício Livre PGBL, com Benefício por Morte e Invalidez, aprovado pela SUSEP. Argumenta que a própria Lei Complementar nº 109 reconhece no art. 26, § 3º, a possibilidade de celebração de plano previdenciário coletivo na modalidade aberta, que Fl. 990DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 991 7 não necessariamente contemple todos os empregados; e que o art. 16 da referida Lei Complementar se aplica apenas aos planos de previdência privada fechados. Aduz que para a categoria dos dirigentes são previstas contribuições suplementares, porque sendo a remuneração desses profissionais mais elevada, apenas as contribuições normais não permitiriam atingir os objetivos da previdência privada que é proporcionar na inatividade padrão de vida semelhante ao que o beneficiado tinha em atividade. E que a exigência de que o plano de aposentadoria complementar se estenda de forma idêntica a todos os empregados e dirigentes da empresa é incompatível com a natureza do benefício e não está prevista na legislação. Cita acórdão do CARF nesse sentido. Alega que, tratandose de Plano de Previdência na modalidade de Contribuição Variável é inerente a ele a possibilidade de as contribuições serem feitas em qualquer valor e a qualquer tempo; e não podem ser invocados para desqualificar tais contribuições o fato de seus valores serem substanciais em relação aos salários dos dirigentes porque a legislação não estabelece limites de valor para as contribuições patronais. Afirma que os resgates não podem ser considerados remuneração, pois as contribuições são transformadas em quotas de fundo de investimento e sofrem acréscimos decorrente da valorização desse fundo. E que o beneficiário dos aportes da empresa, mesmo em gozo de benefício, podem manter o vínculo com a empresa. Diz também que não é correta a afirmação feita pelo fiscal autuante de que o Regulamento do Plano determina que o beneficiário em gozo de benefício, ainda com vínculo com a Instituidora, deva se relacionar diretamente com a empresa de previdência privada, pois essa regra só tem aplicação em caso de rescisão do contrato previdenciário entre a Instituidora e a empresa de previdência, conforme Cláusula Décima Da Rescisão Contratual, do 5º Termo Aditivo. Diz que a decisão recorrida não teceu nenhuma consideração sobre esses aspectos e pouco acrescentou ao que já constava no termo de verificação fiscal. Rebate, ainda, a decisão da DRJ no sentido de que seria ônus do interessado a demonstração do caráter previdenciário complementar dos aportes e que isso não foi feito, pois não apresentou as memórias de cálculo das contribuições. Nesse aspecto, alega que a constatação de que os pagamentos foram feitos à entidade de previdência privada aberta, em razão de planos de previdência privada aprovados pela SUSEP, e com atendimento a todas as exigências regulamentares, comprova inequivocamente a natureza jurídica de tais pagamentos, sendo irrelevante, em se tratando de PGBL, qual o critério adotado pela recorrente para apurar o valor pago ao plano de previdência em favor dos dirigentes Frisa que as contribuições pagas pelo recorrente jamais poderiam ter sido consideradas pelo Fisco como remuneração dos dirigentes para fins de incidência de IRRF, por violar frontalmente o artigo 202, § 2º, da CF/88, segundo o qual basta que tais contribuições sejam pagas a entidades regularmente constituídas e em decorrência de planos devidamente aprovados para que os direitos não integrem o contrato de trabalho, nem os valores pagos integrem a remuneração dos participantes. Isso decorre da natureza jurídica das contribuições que não é remuneratória, mas assistencial ou previdenciária. Reitera sua pretensão de afastar a incidência da taxa Selic. Fl. 991DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 992 8 O processo foi enviado à Fazenda Nacional em 20/10/2011 (despacho de encaminhamento às fls. 870), que apresentou em 18/11/2011 (despacho de encaminhamento às fls. 894), tempestivamente, as contrarrazões de fls. 871/893, nas quais alega em síntese: não há nulidade da autuação, pois todos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72 e comandos do CTN foram observados; a realização de prova pericial deve ser refutada, pois a apuração se fez segundo a documentação fornecida pelo contribuinte; não há decadência, uma vez que o lançamento de multa por infração será sempre de ofício, aplicandose o art. 173, I, do CTN; via de regra, os valores aportados pelo empregador a plano de previdência privada não integram a remuneração dos empregados, mas essa isenção fiscal não tem caráter absoluto, dependo de observância de regras previstas na legislação; enumera os elementos probatórios levantados pelo fisco que apontam a inexistência de plano de previdência na forma prevista na legislação; o plano de previdência deve ser oferecido a todos os empregados, como apontou a auditoria, pois sua concessão a um grupo restrito faz com que o benefício assuma o caráter de gratificação, vinculada aos atributos profissionais dos trabalhadores, servindo de complemento de salário; e que as gratificações também compõem o salário nos termos §1º do art. 457 da Consolidação das Leis Trabalhistas; o art. 10 da LC 109/01, que trata das disposições comuns dos planos de previdência privada estipula que os requisitos de elegibilidade e forma de cálculo dos aportes pela instituidora devem estar claramente definidos; os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela instituidora, o que demonstra que nem mesmo dentro da própria categoria o plano estava acessível a todos, revelando que os critérios eram definidos de forma casuística (desempenho, tempo de casa, etc), conforme conveniência da empresa; e que esse fato aliado à ausência de regra geral para os aportes reforça a natureza de gratificação dos pagamentos; é significativo que os valores substanciais anualmente aportados tenham sido quase na totalidade resgatados no ano seguinte e sempre na mesma época e com coincidência de valores; os elementos associados conduzem à conclusão de que esses aportes tinham por fim mascarar a natureza de rendimento do trabalho, devendo sofrer os efeitos da tributação; quanto à taxa Selic, se reporta ao teor da súmula nº 4 do CARF; requer que seja negado provimento ao recurso voluntário. Em 22/12/2016, o contribuinte trouxe aos autos a petição de fls. 898/900, juntada pela Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção, em 19/01/2017, na qual explica que posteriormente à interposição do presente recurso voluntário, ocorrida em 29/06/2011, saiu o resultado da diligência, datado de 05/09/2011, no processo 16327.001557/201003, relativo à Fl. 992DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 993 9 autuação de contribuição previdenciária sobre os mesmos fatos geradores deste lançamento e constituídos na mesma ação fiscal. Diz que essa perícia feita pela fiscalização confirmou os fatos expostos pela recorrente quanto à inclusão de contribuições básicas (4% da remuneração) no lançamento efetuado; e também foi integralmente acolhida na decisão da DRJ de 06/03/2012. Ressalta ainda que tal decisão se tornou definitiva nesse ponto, em face do não provimento do recurso de ofício. Assim, reitera o pedido de que o resultado dessa perícia produza os mesmos efeitos neste processo. Os documentos comprobatórios foram apresentados às fls. 902/977. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Redator ad hoc. Conforme esclarecido no início do relatório, nos termos do Regimento Interno do CARF, conforme registrado em Ata de julgamento, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o presente Acórdão, em virtude da relatora originária, Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, ter deixado de integrar esta Turma antes da formalização e assinatura deste acórdão. Destaco que acompanhei em meu voto, durante a Sessão de julgamento e os debates travados, a posição da redatora originária e, assim sendo, reproduzo a seguir, na íntegra, o voto por ela proferido. Recurso de Ofício A decisão de primeira instância retificou o lançamento para excluir da base de cálculo valores em duplicidade, conforme trecho do voto a seguir colacionado: O interessado alegou, ainda, que, no período 12/2006, foi incluído em duplicidade o valor de R$27.258.728,70; nos períodos 12/2006 e 12/2007, foi incluído na base de cálculo do IRRF o valor de R$3.329.503,45, quando esse valor na verdade é a soma de R$2.089.442,16 de 12/2006 e de R$1.240.061,28 de 12/2007. Do confronto das planilhas anexadas ao Termo de Verificação Fiscal (fls. 291/296) com as planilhas fornecidas pelo interessado (fls. 74/77, 186/194 e 200/205), verificase que a fiscalização, ao efetuar a consolidação, de fato, considerou em duplicidade os valores de R$27.258.728,70 e R$3.329.503,45, informados pelo interessado nas planilhas de fl. 189 e 193 (rateio individual do aporte residual). Assim, cabe a exclusão da exação indevida, em razão dos valores lançados em duplicidade, conforme cálculo a seguir. Em relação aos demais valores, o lançamento deve ser mantido. Competência Valor pagamento no auto de infração (R$) Valor excluído (R$) Valor mantido (R$) Dez/2006 13.003.950,71 0,00 13.003.950,71 Fl. 993DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 994 10 Dez/2006 27.258.728,70 0,00 27.258.728,70 Dez/2006 27.258.728,70 27.258.728,70 0,00 Dez/2006 982.472,30 0,00 982.472,30 Dez/2006 3.329.503,45 1.240.061,28 2.089.442,17 Total 71.833.383,86 28.498.789,98 43.334.593,88 Dez/2006 Valor lançado (R$) Valor exonerado (R$) Valor mantido (R$) Multa isolada 14.815.635,42 5.877.875,43 8.937.759,99 Juros isolados 576.822,07 228.845,42 347.976,65 Competência Valor pagamento no auto de infração (R$) Valor excluído (R$) Valor mantido (R$) Dez/2007 14.962.609,29 0,00 14.962.609,29 Dez/2007 25.265.267,61 0,00 25.265.267,61 Dez/2007 926.255,22 0,00 926.255,22 Dez/2007 3.329.503,45 2.089.442,17 1.240.061,28 Total 44.483.635,57 2.089.442,17 42.394.193,40 Dez/2007 Valor lançado (R$) Valor exonerado (R$) Valor mantido (R$) Multa isolada 9.174.749,84 430.947,45 8.743.802,39 Juros isolados 322.951,19 15.169,35 307.781,84 Total Valor lançado (R$) Valor exonerado (R$) Valor mantido (R$) Multa isolada 146.526.345,97 6.308.822,88 140.217.523,09 Juros isolados 15.456.607,22 244.014,77 15.212.592,45 (Grifos no original) De fato, na comparação entre a planilha de fls. 189, apresentada pelo contribuinte ao fisco, e a planilha com as bases de cálculo da autuação, às fls. 293, confirmase a duplicidade do valor de R$ 27.258.728,70, referente à competência 12/2006. Observase também que a planilha de fls. 193, trazida pelo interessado em resposta à intimação, mostra o rateio individual de aporte residual da verba de 2006, destinada aos superintendentes executivos, que foi depositada em 28/12/2006 e em 13/12/2007, no valor total de R$ 3.329.503,45. Porém, a autoridade fiscal havia computado para cada uma dessas competências (12/2006 e 12/2007) o valor total, que ficou, assim, em duplicidade, conforme planilha da fiscalização às fls. 293 e 295. Fl. 994DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 995 11 Portanto, correta a retificação efetuada pela autoridade julgadora de primeira instância; e, por essa razão, se nega provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar de nulidade do auto de infração O recorrente alega, preliminarmente, a nulidade do auto de infração, sob o argumento de que o crédito não é liquido e certo, como exige o art. 142 do CTN, uma vez que a fiscalização ao apurar a base de cálculo das exações computou também as contribuições básicas (4%) efetuadas pelo recorrente aos seus dirigentes no âmbito do Plano II para Plano de Previdência, na modalidade de Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL e Benefício Definido – PBD – Contribuições Básicas, conforme Contrato Previdenciário de 20/05/2000, enquanto a autuação se refere apenas às contribuições suplementares (PGBL Empresarial), objeto do 5º Termo Aditivo de 30/06/1999. No entanto, não se verifica afronta aos requisitos do art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), por vícios na identificação da base de cálculo do tributo, como arguiu o interessado. Nesse aspecto, notese que o contribuinte foi intimado a apresentar os aportes individuais feitos pela empresa aos superintendentes e diretores, bem como a detalhar a metodologia utilizada nesses aportes por escrito (fls. 195), conforme abaixo: A lavratura fiscal se deu com base nas demonstrações feitas pelo próprio sujeito passivo quanto aos aportes realizados aos seus dirigentes no plano de previdência, sendo que não houve informação do interessado quanto à metodologia utilizada no cálculo desses aportes, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 282/283 e 289, a seguir: 11. O contribuinte foi intimado a apresentar os aportes feitos no plano PGBL Plano de Benefícios Suplementares de forma individualizada e por competência, informando a metodologia de cálculo dos mesmos. (...) 15. O contribuinte não localizou até o encerramento dos procedimentos de fiscalização as correspondentes memórias de cálculo. Fl. 995DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 996 12 (...) 39. Os valores tributáveis são aqueles pagos pelo Banco Bradesco S/A aos seus diretores e empregados, nas datas dos efetivos pagamentos, ainda que através de aportes nas contas de previdência privada. 40. Os valores recebidos na forma do item anterior estão relacionados individualmente e mensalmente em planilhas fornecidas pelo contribuinte e anexadas ao presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. 41. Todos os valores estão mensalmente discriminados na planilha intitulada "BASES DE CÁLCULO MULTAS ISOLADAS E JUROS ISOLADOS", anexa ao presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. (...) (Grifos nossos) Assim, como o sujeito passivo, embora intimado, não especificou a metodologia de cálculo dos aportes realizados aos seus diretores e superintendentes no plano de previdência, indicados em suas planilhas, e sequer mencionou se naquelas planilhas estariam inseridos valores correspondentes ao percentual de 4% (contribuição básica), não é possível afirmar que houve falha da autoridade fiscal ao considerar todo o valor apontado pelo próprio sujeito passivo. E mesmo na hipótese da ocorrência de equívoco da fiscalização nesse aspecto, também não se vislumbraria a nulidade da lavratura fiscal, pois o contribuinte dispõe da impugnação para questionar os valores exigidos, o que possibilita a retificação do lançamento, quando comprovada a eventual ocorrência de erro. Frisase que, nos termos do art. 145, do CTN, o lançamento pode ser alterado em virtude de: "I impugnação do sujeito; II recurso de ofício; iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149". E sobre essas possibilidades de alteração, assim dispôs o Prof. Luciano Amaro: (...) A primeira diz respeito à impugnação do sujeito passivo, vale dizer, se este discordar do lançamento, e impugnálo, a autoridade competente para apreciar a impugnação apresentada pode alterar o lançamento se concordar, total ou parcialmente, com as razões apresentadas pelo impugnante. (...) Embora não expressamente previsto, é óbvio que o recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo (cuja impugnação não tenha sido acolhida pela autoridade administrativa) também pode propiciar a alteração do lançamento. Por fim, o lançamento é alterável nas situações previstas no art. 149. (...) (Direito Tributário Brasileiro, Luciano Amaro, 13ª ed. rev., 2007, p. 349 e 350) (Grifos nossos) Fl. 996DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 997 13 Enfim, como a auditoria fiscal, com fulcro nas planilhas apresentadas pelo contribuinte, especificou mensalmente a base de cálculo do lançamento nas planilhas de fls. 291/296, entendese que a matéria tributável foi determinada pela fiscalização nos termos do art. 142 do CTN, o que possibilitou ao sujeito passivo conhecer os valores lançados e apresentar suas insurgências na impugnação e no recurso, inclusive quanto à matéria de fato. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do lançamento que foi lavrado por autoridade competente, de acordo com os requisitos legais e que não ocasionou o cerceamento do direito de defesa do interessado. Cabe, portanto, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração. Decadência O Recorrente alega a decadência quanto ao direito de constituir o auto de infração sobre os fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2005, com fulcro no art. 150, § 4º, do CTN, tendo em vista que a autuação foi lavrada em 10/12/2010. Discorda da aplicação do art. 173, I, do CTN, que prevaleceu no acórdão da DRJ, pois, embora não tenha havido "lançamento de IRRF" (mas auto de infração de multa e juros isolados pela não retenção do imposto), frisa que houve pagamento antecipado de tal tributo sobre os valores que integram a folha de salários do recorrente durante todo o período autuado. Diz que a prova maior disso é que a autuação exige apenas a diferença entre o valor recolhido e o supostamente devido. Destaca que a contagem decadencial da multa isolada vinculase à contagem decadencial do tributo a qual se refere e cita jurisprudência do CARF nesse sentido. Para tratar dessa questão, cumpre mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) está vinculado às decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) quando submetidas ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), por força do art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF) em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, conforme abaixo: Art. 62. (...) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, no que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância do citado dispositivo do RICARF, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado pelo STJ em 12 de agosto de 2009, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, cujo acórdão transitou em julgado em 22/10/2009, contendo a seguinte ementa: Fl. 997DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 998 14 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 998DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 999 15 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifos no original.) Como se vê, a regra do art. 150, § 4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação; e, nos demais casos, prevalece os ditames do art. 173, I, do CTN. Transcrevese a seguir esses dispositivos legais: Art. 150. (...) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Observase que o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, é restrito ao lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, a multa e os juros lançados isoladamente por falta de retenção do imposto de renda na fonte, não se coadunam com a modalidade de lançamento por homologação, uma vez que sempre decorrem de um lançamento de ofício. Conforme dispõe o art. 149, VI, do CTN, o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária. Assim, devese aplicar à multa e aos juros isolados a regra do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN, de que o direito de constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Corroboram esse entendimento os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: (...) DECADÊNCIA. MULTA E JUROS ISOLADOS. TERMO DE INÍCIO. As multas e os juros lançados isoladamente Fl. 999DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1000 16 decorrem de lançamento de oficio e, por decorrência, não se submetem, para fins da contagem do prazo da decadência do poderdever em constituir o crédito tributário, às regras do lançamento por homologação. Assim o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. (Acórdão nº 2301 004.531, de 08/03/2016) (...) MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. As multas lançadas isoladamente decorrem de lançamento de oficio e por coerência não se submetem, para fins da contagem de prazos de decadência, às regras do lançamento por homologação. Assim o prazo decadencial começa a fluir a partir do primeiro dia seguinte àquele que o lançamento do crédito tributário poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. (Acórdão 9202003.562, de 29/01/2015) JUROS ISOLADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. Não se trata de lançamento de tributo sujeito à homologação, mas sim de penalidades impostas para punir a falta de retenção do imposto de renda no momento do recebimento dos rendimentos (juros isolados), e, portanto, a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN. O prazo para a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário decorrente da exigência de juros isolados decorrentes de valores não retidos e não recolhidos pela fonte pagadora é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, todos valores não retidos e não recolhidos objeto do presente lançamento deramse os entre 31.01.1999 e 31.12.1999. Ou seja, para os fatos geradores mais remotos, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2000 e o termo final no dia 31/12/2004. Considerando que o sujeito passivo foi cientificado do auto de infração, em 29/09/2004, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Recurso especial provido (Acórdão 9202003.248, de 29/07/2014) Acrescentase, ainda, que na autuação não se está cobrando diferença do tributo que deixou de ser retido e recolhido, mas apenas a multa e os juros exigidos isoladamente pela ausência da retenção oportuna do imposto, conforme previsto no art. 9º da Lei nº 10.426/02 e no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Assim, como o lançamento exige multas e juros isolados pela não retenção de IRRF nos períodos de 01/2005 a 12/2009, e sua ciência ao contribuinte foi efetivada em 10/12/2010 (fls. 290), constatase que não ocorreu a decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN. Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1001 17 Portanto, negase provimento ao recurso voluntário nessa matéria. Mérito Pagamento de previdência privada A Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, contempla a possibilidade da instituição de regime de previdência privada complementar, conforme seu art. 202, a seguir transcrito: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. § 1° A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (...) (Grifouse) Nesses dispositivos constitucionais, vêse que o regime de previdência privada tem como base a constituição de reservas que garantam o benefício contratado e que as contribuições do empregador não integram o contrato de trabalho e a remuneração dos participantes, nos termos da lei. A regulamentação dessa matéria ocorreu por meio da Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, cujos dispositivos relacionados à situação em análise a seguir se transcreve: (...) Art. 2º O regime de previdência complementar é operado por entidades de previdência complementar que têm por objetivo principal instituir e executar planos de benefícios de caráter previdenciário, na forma desta Lei Complementar. (...) Art. 4º As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. (...) Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1002 18 Art. 7º Os planos de benefícios atenderão a padrões mínimos fixados pelo órgão regulador e fiscalizador, com o objetivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio econômicofinanceiro e atuarial. Parágrafo único. O órgão regulador e fiscalizador normatizará planos de benefícios nas modalidades de benefício definido, contribuição definida e contribuição variável, bem como outras formas de planos de benefícios que reflitam a evolução técnica e possibilitem flexibilidade ao regime de previdência complementar. (...) Disposições Comuns (...) Art. 10. Deverão constar dos regulamentos dos planos de benefícios, das propostas de inscrição e dos certificados de participantes condições mínimas a serem fixadas pelo órgão regulador e fiscalizador. § 1º A todo pretendente será disponibilizado e a todo participante entregue, quando de sua inscrição no plano de benefícios: I certificado onde estarão indicados os requisitos que regulam a admissão e a manutenção da qualidade de participante, bem como os requisitos de elegibilidade e forma de cálculo dos benefícios; (...) Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas (...) Art. 14. Os planos de benefícios deverão prever os seguintes institutos, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador e fiscalizador: (...) III resgate da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante, descontadas as parcelas do custeio administrativo, na forma regulamentada; e (...) Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1003 19 (...) Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar. (...) Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. (...) § 2º O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3º Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. § 5º A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador. (...) DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1004 20 Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...) (Grifos nossos) Diante dos dispositivos constitucionais e legais acima transcritos, verificase que a previdência privada complementar, quer seja ela instituída por entidades fechadas ou abertas, possui caráter eminentemente previdenciário, visto que o seu objetivo precípuo é constituir reservas destinadas a custear os planos de benefícios previdenciários no futuro. Tal essência previdenciária permeia o texto legal tanto nos aspectos gerais quanto nos específicos; e, assim, prevalece inclusive em relação aos planos instituídos por entidades abertas, como o Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), e também na modalidade de Contribuição Variável (CV), que está contemplada pela norma regulamentar. Portanto, para que as contribuições feitas pelo empregador ao plano de previdência privada não sejam consideradas remuneração e sobre elas não haja incidência de tributos, é imprescindível a comprovação da natureza previdenciária desses aportes. Ocorre que, no caso dos autos, a auditoria fiscal demonstrou que os aportes realizados pela empresa ao Plano de Benefícios Suplementares, denominado de PGBL Empresarial, instituído por meio do 5º Termo Aditivo, de 20/06/1999 (fls. 459463) e disponibilizado apenas aos seus diretores estatutários e superintendentes executivos, não têm caráter previdenciário, mas sim remuneratório. Dos elementos identificados pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal de fls. 280/290, que demonstram a natureza remuneratória desses aportes, destacamse os seguintes: A definição dos valores a pagar aos diretores estatutários por meio de previdência privada era feita pelo Comitê de Remuneração da Organização Bradesco, cujo objetivo era "propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes de remuneração dos Administradores Estatutários da Organização, tendo por base as metas de desempenho estabelecidas pelo Conselho", conforme art. 1º de seu regimento. O mesmo regimento prevê no art. 3º, alíneas 'a' e 'c', que o "Comitê deverá submeter ao Conselho de Administração a política e diretriz de remuneração dos Administradores Estatutários, com base nas metas, objetivos e performance da Sociedade e retorno aos acionistas (...)"; e fazer "recomendação de formas alternativas de remuneração para os executivos, assegurando estímulo ao desempenho, motivação e melhoria contínua corporativa". O fisco chegou a essa conclusão ao verificar em atas que a reunião do Comitê de Remuneração, definindo os valores da previdência complementar dos diretores, eram feitas sempre antes das Assembléias Gerais, ou seja, os valores eram definidos pela direção da Organização Bradesco e apenas ratificados nas Assembléias. Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1005 21 Houve a constatação em atas de assembléias de que os montantes destinados à remuneração global anual e a custear planos de previdência complementar dos administradores do Banco Bradesco S/A, são equivalentes, conforme abaixo: Ano Calendário Remuneração anual global Planos de Previdência Complementar 2005 R$ 150.000.000,00 R$ 150.000.000,00 2006 R$ 170.000.000,00 R$ 170.000.000,00 2007 R$ 170.000.000,00 RS 200.000.000,00 2008 R$ 170.000.000,00 R$ 100.000.000,00 Quando intimado a apresentar os aportes feitos no plano PGBL — Plano de Benefícios Suplementares de forma individualizada e por competência, bem como a informar a metodologia de cálculo, o contribuinte apresentou resposta que revela o atrelamento dos aportes a condições de resultados, desempenho profissional, fidelidade, competência, dedicação, tempo de casa, conforme trecho a seguir reproduzido: "a metodologia de cálculo das contribuições relativas aos administradores e superintendentes executivos leva em conta os resultados consistentes apurados em todos os segmentos de negócio. Outro ponto considerado é relativo ao quadro de administradores, que é constituído por profissionais que iniciaram a carreira nesta organização nos níveis iniciais há longos anos e percorreram toda a escala hierárquica de cargos para se habilitarem a ocupar posição de direção e, portanto de comprovada fidelidade, competência e dedicação, sendo que as contribuições efetuadas pela Instituidora (BANCO BRADESCO S/A) obedeceram aos critérios estabelecidos em lei e o plano leva em conta variáveis atuariais." (Grifos nossos) Os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, sendo, portanto, de sua total responsabilidade (vide item 11.2 do 5º Termo Aditivo). Também não há regra geral para as contribuições da instituidora; e não foram apresentadas ao fisco as memórias de cálculo das contribuições. Tais circunstâncias mostram que o plano não era acessível a todos nem mesmo dentro da mesma categoria (dirigentes) e que os critérios para definição dos aportes eram subjetivos e relacionados a metas de desempenho, dedicação, tempo no Banco, etc., de acordo com a conveniência da empresa. Os valores aportados pela empresa na previdência complementar e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários como rendimento do trabalho informados na DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) do Banco Bradesco S/A, nos mesmos períodos, mostraram que os montantes direcionados à previdência complementar são substanciais, chegando, em muitos casos, a superar o próprio rendimento do trabalho anual, conforme exemplo a seguir: Ademir Cossiello Aurélio Conrado Boni Arnaldo Alves Vieira Exercício P.C./DIRF 0561 P.C./DIRF 0561 P.C./DIRF 0561 2005 139% 158% 149% 2006 174% 175% 167% 2007 198% 195% 192% Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1006 22 Foi verificado nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal da Brasil a ocorrência de resgates de previdência privada em valores substanciais realizados pelos participantes do PGBL Empresarial, via de regra, em janeiro de cada ano, com coincidência de valores resgatados entre os participantes. Os valores resgatados são próximos aos dos aportes do ano anterior, conforme comparado na planilha feita pela fiscalização e que a seguir se reproduz: Ano 2005 2006 2007 Valores Aportados 126.674.819,71 202.887.179,58 198.762.715,55 Ano 2006 2007 2008 Valores Resgatados no Ano seguinte 123.226.578,95 169.673.145,65 201.963.011,65 Relação entre valores resgatados e aportes 0,972778799 0,836293087 1,016101089 Relação % entre valores resgatados e aportes 97,27% 83,62% 101,61% Neste aspecto, cumpre mencionar que, embora os resgates não sejam proibidos, e mesmo na hipótese, trazida pelo contribuinte, de que os resgates seriam referentes a dois anos anteriores e estariam acrescidos dos rendimentos do fundo de investimento, ainda assim, a proporção entre os valores resgatados e aportados permanece bastante alta e expressiva, o que reforça a posição de que a finalidade desses aportes é aumentar a remuneração aos seus dirigentes. Da análise desse conjunto de situações, entre outras, apontadas pela autoridade fiscal, fica evidenciado que o sujeito passivo se utilizou do plano de previdência privada complementar Plano de Benefícios Suplementares (PGBL Empresarial), destinado apenas aos seus dirigentes, com o objetivo claro de lhes propiciar uma melhor remuneração em face dos resultados, do desempenho, da dedicação e do tempo de serviço no Banco. Constatase assim que, embora esses aportes estejam direcionados ao plano de previdência complementar, na realidade, não se revestem da natureza previdenciária que é inerente aos comandos constitucionais e legais que regem a matéria, mas possuem caráter remuneratório. Tratase, portanto, de retribuição econômica em decorrência do contrato de trabalho. De se frisar, que a aquisição econômica ou jurídica de renda oriunda do trabalho é fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), não importando a denominação do rendimento e a forma de sua percepção, conforme preceitua o art. 43, do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, conforme abaixo: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; (...) § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Dessa forma, como restou demonstrado pelo fisco que os aportes em análise são substancialmente remuneratórios, ou seja, produto do trabalho, o título dado à operação e a Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1007 23 forma como as quantias envolvidas foram disponibilizadas aos dirigentes, não afastam a incidência do imposto sobre essas verbas. Quanto aos argumentos do sujeito passivo, esses não refutam a constatação de que os aportes ao plano de benefício suplementar tinham como objetivo remunerar seus dirigentes. Observase que o contribuinte alegou que o art. 16, da LC nº 109/01 (apontado pela fiscalização como descumprido e que trata da obrigatoriedade do plano ser oferecido a todos os empregados) não se aplica ao plano em questão por estar no tópico relativo às entidades fechadas. Diz que o plano em questão é regido pelo art. 26, § 3º, inserido na parte das entidades abertas e que possibilita o seu oferecimento a uma ou mais categorias específicas de empregados. Ad argumentandum, há posicionamento no âmbito do CARF de que o citado art. 16, é aplicável tanto para as planos de entidades abertas quanto fechadas, uma vez que o requisito de ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes está de acordo com a desvinculação da natureza salarial, conforme exemplos de acórdãos a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 13/12/2001 SALÁRIO INDIRETO. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. BENEFÍCIO NÃO EXTENSIVO À TOTALIDADE DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA. O requisito ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes é compatível com a desvinculação do salário. O fato de poder selecionar os beneficiários do programa de previdência complementar caracteriza gratificação e, portanto, a parcela integra a remuneração do empregado. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 20500.762, de 03/07/2008) (Grifouse) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 (...) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PAGO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não comprovadamente disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, se subsume no conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias (...) (Acórdão nº 2401004.194, de 08/03/2016) Também há outro entendimento no CARF de que, após a LC 109/01, os planos de previdência em regime aberto podem ser oferecidos a grupos de determinadas categorias, desde que não se caracterize como instrumento de incentivo ao trabalho nem como gratificação, prêmio ou complementação de salário, isto é, desde que não tenham fins Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1008 24 remuneratórios. Nesse sentido, citase o acórdão a seguir, proferido em relação ao próprio Banco Bradesco S/A, em outro processo administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Após o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, senão comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. (...) Recurso Voluntário Negado. (Acórdão nº 2402004.108, de 14/05/2014, processo 16327.720218/201364) (Grifos nossos) Embora tais decisões se refiram à contribuição devida à previdência social, o conceito de que os aportes aos planos privados devem se revestir de natureza previdenciária e não remuneratória também se aplica ao imposto sobre a renda da pessoa física, pois, como se tratou acima, os rendimentos do trabalho se constituem em fato gerador desse imposto. Dessa forma, mesmo que se considere a possibilidade de oferecer, no regime aberto, um plano diferenciado para determinada categoria, ainda assim, seria necessário que os aportes feitos em relação aos integrantes dessa categoria estivessem desvinculados do desempenho profissional, sob pena de restar caracterizada a ocorrência de pagamento em retribuição individual pelo trabalho, quer seja como incentivo, prêmio, gratificação ou complementação do salário. Porém, no caso em pauta, verificouse que os critérios de elegibilidade dos participantes ao plano suplementar e dos valores dos aportes eram definidos unilateralmente pela instituidora, sem uma regra geral, o que demonstra que o plano não estava acessível a todos e em iguais condições (nem mesmo dentro da mesma categoria) e que a forma de definição dos aportes era subjetiva e relacionada ao desempenho profissional dos participantes. Tampouco foram trazidas as memórias de cálculos que pudessem, talvez, comprovar se os critérios adotados se coadunariam com a natureza previdenciária que deve ter o plano coletivo, ainda que no regime aberto, conforme também consta no art. 26, da LC nº 109/01, aventado pelo próprio contribuinte como aplicável ao seu caso: Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1009 25 (...) II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. (...) (Grifos nossos) Notese ainda que os requisitos de elegibilidade e a forma de cálculo dos benefícios são condições exigidas no art. 10, apontado no Termo de Verificação Fiscal e situado nas Disposições Comuns da LC nº 109/01, como se repete a seguir: Art. 10. Deverão constar dos regulamentos dos planos de benefícios, das propostas de inscrição e dos certificados de participantes condições mínimas a serem fixadas pelo órgão regulador e fiscalizador. § 1º A todo pretendente será disponibilizado e a todo participante entregue, quando de sua inscrição no plano de benefícios: I certificado onde estarão indicados os requisitos que regulam a admissão e a manutenção da qualidade de participante, bem como os requisitos de elegibilidade e forma de cálculo dos benefícios; (...) (Grifos nossos) Quanto aos padrões mínimos a serem fixados pelo órgão regulador, cabe mencionar o que dispõe o art. 7º da referida Lei Complementar: Art. 7º Os planos de benefícios atenderão a padrões mínimos fixados pelo órgão regulador e fiscalizador, com o objetivo de assegurar transparência, solvência, liquidez e equilíbrio econômicofinanceiro e atuarial. (...) (Grifouse) Sobre essas questões, destacase ainda os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal, com os quais também se concorda neste voto: (...) 10. Da análise dos planos e seus aditivos concluise que: (...) ii. Os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, sendo, portanto, de sua total responsabilidade, podendo inclusive recusar a proposta de inscrição do participante (vide itens 2.2 e 11.2 do 5o Termo Aditivo); iii. Não foi verificada regra geral para as contribuições da Instituidora; (....) Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1010 26 12. (...) Portanto, a Lei Complementar n° 109/2001 regulou o assunto de maneira inequívoca, ou seja, a finalidade dos planos empresariais de previdência complementar é o pagamento de benefícios previdenciários e naturalmente as contribuições ao plano devem ser baseadas em cálculos matemáticos e atuariais, levandose em conta, por exemplo, o valor dos benefícios, a tábua biométrica da população beneficiária, déficits financeiros do plano, o valor total das contribuições, etc., (...) 34. (....) (....) e. Apesar do contribuinte declarar que as contribuições efetuadas na previdência privada obedeceram aos critérios estabelecidos em lei e que o plano levou em conta variáveis atuariais, o mesmo não comprovou estas afirmações, visto que não apresentou as memórias de cálculo das contribuições; f. O fato supracitado somado aos aportes serem realizados de forma habitual, mensal, com valores constantes, em valores próximos para cada nível hierárquico e ainda os resgates dos participantes serem realizados em valores próximos ou superiores aos aportes, via de regra no mesmo mês, novamente em valores próximos para cada nível hierárquico (...), dão robustez probatória à caracterização destes pagamentos como verbas remuneratórias; g. Por todo o conjunto de argumentos e provas, os valores pagos a este título devem ser considerados como rendimento do trabalho assalariado. (...) O recorrente ainda alegou que, por estar inserido na parte referente às entidades fechadas, não se aplica ao caso o art. 19 da LC nº 109/01, que diz: "As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário". Ocorre que essa finalidade de cunho previdenciário, como se tratou anteriormente, está pulverizada por vários dispositivos da LC nº 109/01, que são comuns a qualquer regime, como por exemplo nos artigos 2º, 7º, 10, 69, e inclusive no art. 26, reconhecido pelo contribuinte como sendo aplicável ao seu plano de benefício: "Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: (...) II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários". No que diz respeito à alegação de que o plano complementar está aprovado pela SUSEP, esse fato não pode ser oposto ao fisco quando identificadas circunstâncias que demonstram que as contribuições não têm natureza previdenciária, mas sim remuneratória, como ocorreu neste caso. Já o argumento de que as contribuições ao plano complementar visam manter o padrão de vida de seus altos funcionários na aposentadoria, este não se sustenta mediante os resgates realizados, que, apesar de não serem proibidos pelo plano, a forma como foram feitos, rotineiramente e em valores próximos aos dos aportes, frustrou as finalidades previdenciárias, como aposentadoria, pensão ou benefícios acidentários, revelando ainda o descumprimento da, Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1011 27 regra geral do art. 102, da Constituição Federal, que diz que o regime de previdência complementar deve ser baseado na constituição de reservas que garantam o beneficio contratado. Em relação ao argumento de que a aposentadoria não rompe o vínculo empregatício e não impede a manutenção do empregado na previdência oficial ou complementar, mesmo que assim se considere, esse fato em nada altera a constatação de que os aportes têm caráter remuneratório, em face dos demais elementos já tratados acima. Quanto ao argumento do contribuinte de que a decisão recorrida não teceu considerações a determinados aspectos, cumpre enfatizar que o julgador não estava obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, se encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. As demais alegações e documentos trazidos pelo contribuinte também não são suficientes para comprovar o caráter previdenciário das contribuições e macular o conjunto de elementos probatórios trazidos pela fiscalização, que demonstraram a finalidade remuneratória dos aportes da empresa ao plano de benefícios suplementares, PGBL Empresarial. Assim, por se consubstanciarem, os referidos aportes, em retribuição econômica pelo trabalho, sobre eles incide o imposto de renda nos termos do art. 43, I, § 1º, do CTN, citado anteriormente. Por conseguinte, permanece a obrigação a cargo da fonte pagadora de reter o tributo devido por ocasião do pagamento, prevista no art. 7º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a seguir: Art. 7º Ficam sujeito à incidência do imposto de renda na fonte, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei: I os rendimentos do trabalho assalariado, pagos ou creditados por pessoas físicas ou jurídicas; (...) § 1º O imposto a que se refere este artigo será retido por ocasião de cada pagamento ou crédito e, se houver mais de um pagamento ou crédito, pela mesma fonte pagadora, aplicarseá a alíquota correspondente à soma dos rendimentos pagos ou creditados à pessoa física no mês, a qualquer título. (...) E a falta dessa retenção oportuna, como ocorreu neste caso, sujeita a empresa pagadora à multa e aos juros, aplicados isoladamente, conforme no art. 9º da Lei 10.426, de 24 de abril de 2002, e art. 61, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcritos: Lei nº 10.426/02: Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1012 28 recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Diante do exposto, necessário negar provimento ao recurso do contribuinte no que diz respeito a esta matéria. Juros de mora Taxa Selic Os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na taxa Selic, conforme estabelecido em Súmula nº 4 do CARF, a seguir reproduzida, que é de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF/2015): Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, também não se pode acolher o recurso voluntário neste aspecto. Conhecimento de provas supervenientes Em 22/12/2016, o contribuinte trouxe aos autos a petição de fls. 898/900, juntada pela Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção, em 19/01/2017, na qual explica que posteriormente à interposição do presente recurso voluntário, ocorrida em 29/06/2011, saiu o resultado da diligência, datado de 05/09/2011, no processo 16327.001557/201003, relativo à autuação de contribuição previdenciária sobre os mesmos fatos geradores deste lançamento e constituídos na mesma ação fiscal. Diz que essa perícia feita pela fiscalização confirmou os Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1013 29 fatos expostos pela recorrente quanto à inclusão de contribuições básicas (4% da remuneração) no lançamento efetuado; e também foi integralmente acolhida na decisão da DRJ de 06/03/2012. Ressalta ainda que tal decisão se tornou definitiva nesse ponto, em face do não provimento do recurso de ofício. Assim, reitera o pedido de que o resultado dessa perícia produza os mesmos efeitos neste processo. Os documentos comprobatórios foram apresentados às fls. 902/977. Observase nos documentos apresentados que o processo 16327.001557/201003, relativo à contribuição previdenciária, tratou de autuação sobre os mesmos fatos geradores deste lançamento; e que o resultado da diligência naquele processo foi proferido em data posterior ao recurso (recurso em 29/06/2011 fls. 789; e resultado da diligência no outro processo em 05/09/2011 fls. 917). O Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, possibilita a apresentação de provas quando ocorre fato ou direito superveniente, conforme art. 16, § 4º, "b", a seguir: 16. (...) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (...) Assim, tendo em vista a ocorrência de fato superveniente que pode, a depender da análise mais detalhada, vir a ter influência no lançamento em questão, cabe o conhecimento dessas provas apresentadas após recurso voluntário. Pedido de diligência e de aproveitamento de prova pericial produzida no processo 16327.001557/201003 O recorrente se insurge contra a negativa de diligência na decisão recorrida. Diz que na base de cálculo utilizada pela fiscalização estavam inseridas as contribuições básicas (4%) feitas em relação aos dirigentes no âmbito do plano de previdência, o que seria comprovado com a perícia requerida. Também noticiou que no processo 16327.001557/201003, relativo ao lançamento da contribuição previdenciária sobre o mesmo fato gerador e efetuado no mesmo procedimento fiscal que ocasionou esta lavratura, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu pela necessidade da realização de perícia, com a finalidade de averiguar se houve a inclusão das contribuições básicas na base de cálculo da autuação, conforme Termo de Início de Diligência e Intimação Fiscal (fls. 861/862). Assim, pede ainda que seja considerada a prova pericial a ser produzida naquele processo. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1014 30 Em petição trazida aos autos em 22/12/2016 (fls. 898/900), explica que posteriormente à interposição do recurso voluntário, ocorrida em 29/06/2011, o resultado da diligência, datado de 05/09/2011, confirmou os fatos expostos pela recorrente e foi integralmente acolhida na decisão da DRJ de 06/03/2012. Ressalta ainda que tal decisão se tornou definitiva nesse ponto, em face do não provimento do recurso de ofício. Assim, reitera o pedido de que o resultado desse perícia produza os mesmos efeitos neste processo. Os documentos mencionados foram apresentados às fls. 902/977. De fato, observase que o Termo de Verificação Fiscal relativo ao presente lançamento, assim dispõe às fls. 280: (...) 1. O presente lançamento fiscal teve origem na ação fiscal referente às contribuições previdenciárias cujo início deuse em 22/04/2009 conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal, referente ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0816600.2008.00119, cabendo ressaltar que o presente Auto de Infração foi lavrado objetivando os lançamentos de fatos geradores para o período de 01/2005 a 12/2008. (...) Confirmouse ainda que as bases de cálculo desta autuação são as mesmas do lançamento previdenciário mediante a comparação das planilhas de fls. 291/296 deste processo e as planilhas de fls. 913/914 a que remete o Relatório Fiscal Complementar de fls. 915/916 (correspondentes às fls. 831/832 e 846/848 do processo de contribuição previdenciária nº 16327.001557/201003 documentos trazidos pelo contribuinte), no qual, o fisco também constatou a necessidade de se excluir os valores destinados à contribuição básica nos moldes dessas planilhas. E o Acórdão nº 1636.467, da DRJ/SP1, de 06/03/2012, proferido no processo referente à contribuição previdenciária (trazido às fls. 918/973), efetivou a exclusão da base de cálculo das quantias referentes à contribuição básica de 4% e demais valores duplicados, conforme abaixo: (...) Cabe, aqui, observar que, de fato, como apontou a empresa, em sua defesa, houve o lançamento indevido de alguns valores neste AI – inclusão, por equívoco, na base de cálculo das exações, das contribuições básicas de 4%, feitas no âmbito de plano de previdência privada disponível a todos, em competências de 01/2005 a 12/2008, e de montantes em duplicidade, nas competências de 12/2006 e 12/2007 – no que tange aos levantamentos relativos à previdência privada, devendo haver a retificação dos valores lançados neste AI conforme quadros demonstrativos a seguir, tendo em vista o Relatório Fiscal Complementar de fls. 846 a 848, que remete aos Anexos I e II, de fls. 831 e 832. (...) Confirmouse no sítio do CARF na Internet que o Acórdão nº 2301003.494, proferido em 14/05/2013 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ao negar provimento ao recurso de ofício, concordou com a retificação da base de cálculo efetuada pela decisão de primeira instância no processo previdenciário, conforme ementa e trechos do relatório, abaixo colacionados: Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1015 31 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/2005, 31/12/2008 Quando as peças dos autos demonstram a existência de lançamento indevido de alguns valores, conforme muito bem pormenorizado na decisão singular, não elementos suficientes para determinar a alteração da decisão de piso. No caso em tela houve o Recurso de Ofício para cumprir determinação legal, mas não há reforma a ser realizada, dada a perfeição da decisão singular, eis que de fato houve lançamentos imperfeitos no Auto de Infração, corrigido por ela. (...) Relatório (...) A Recorrente tempestivamente impugnou, sendo que a DRJ reformou em parte o Auto de Infração, reconhecendo que houve o lançamento indevido de alguns valores no AI – inclusão, por equívoco, na base de cálculo das exações, das contribuições básicas de 4%, feitas no âmbito de plano de previdência privada disponível a todos, em competências de 01/2005 a 12/2008, e de montantes em duplicidade, nas competências de 12/2006 e 12/2007 – no que tange aos levantamentos relativos à previdência privada, devendo haver a retificação dos valores lançados. Devidamente certificada da decisão não aviou Recurso Voluntário. (...) No sítio do CARF na Internet não consta recurso contra esse julgado. Portanto, essa matéria, no referido processo, está definida no âmbito administrativo. Cumpre mencionar que, embora não se discorde dos fundamentos da decisão de primeira instância que negou o pedido de diligência/perícia do contribuinte, a situação superveniente trazida aos autos pelo interessado há que ser considerada. Restou confirmado que a presente autuação (relativa à multa e aos juros isolados por não retenção de IRRF) e o referido lançamento da contribuição previdenciária foram lavrados sobre a mesma base imponível e competências. Houve o reconhecimento das autoridades lançadoras e julgadoras (no processo que exige a contribuição previdenciária) de que a base de cálculo original também continha as contribuições básicas no percentual de 4% da remuneração (feitas ao plano de previdência privada disponível a todos os empregados e dirigentes), que não eram objeto do lançamento. Assim, como a fiscalização analisou os documentos apresentados pela empresa e reconheceu a necessidade de se excluir das bases de cálculo os montantes relativos Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1016 32 às contribuições básicas naquele processo, entendese que tal providência também se aplica ao presente auto de infração que foi lavrado sobre a mesma situação fática e base de cálculo. Portanto, cabível a retificação desta autuação, excluindose da coluna "Valor do Pagamento" contida na planilha da fiscalização de fls. 291/296, os valores informados na coluna " CONTRIB.BÁSICAS ", das planilhas de fls. fls. 913/914 (correspondentes às planilhas de fls. 831/832 do processo relativo à contribuição previdenciária nº 16327.001557/201003). Conclusão Por fim, em face do que se expôs, voto por: conhecer do recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO; conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e decadência; no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir da base de cálculo do tributo os valores correspondentes às contribuições básicas. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Redator ad hoc. Declaração de Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Em que pese o bem fundamentado voto da ilustre Conselheira Relatora Rosemary Figueiroa Augusto (reproduzido pelo Conselheiro Redator ad hoc Marcio Henrique Sales Parada), peço vênia para divergir pelos argumentos que serão expostos a seguir. 1) RESUMO DA LIDE Tratase de lançamento de multa isolada e juros em razão da falta de retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os valores pagos pelo Recorrente à título de contribuições para Plano de Previdência Privada no período de 01/2005 a 12/2008. De acordo com o relatório fiscal foram identificados os seguintes problemas no plano de previdência do Recorrente: a) O plano de Benefícios Suplementares previsto no 5º Termo Aditivo é disponível apenas aos diretores estatutários e superintendentes executivos, o que representaria afronta ao artigo 16 da Lei Complementar 109/01. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1017 33 b) os requisitos de elegibilidade e a forma de cálculo dos benefícios não são claros e não constariam do regulamento, sendo definidos por meio de critério unilateral, sem terem sido apresentados cálculos atuariais, o que ofenderia o artigo 10 da Lei Complementar nº 109/2001; c) os aportes seriam realizados de forma habitual, mensalmente, com valores constantes e, ainda, os resgates dos participantes seriam realizados no mesmo mês, em valores próximos ou superiores aos aportes, frustrando o objetivo dos planos de previdência que é a complementação de aposentadorias. Diante de todo o exposto no Relatório Fiscal, no Recurso Voluntário do Contribuinte e do voto da Conselheira Relatora, verificase que a lide centrase em duas discussões básicas. A primeira delas, de cunho jurídico, consiste em analisar se o artigo 16 da Lei Complementar nº 109/01 (utilizado como fundamento presente lançamento) aplicase também às entidades abertas de previdência social. A segunda, de natureza fática, consiste em verificar se os planos efetivamente implantados pelo Recorrente poderiam ser caracterizados como remuneração, diante das objeções expostas no trabalho fiscal. Antes de abordarmos individualmente as mencionadas discussões, entendo fundamental analisarmos os instrumentos contratuais básicos que versam sobre o Plano de Previdência Privada do Recorrente. 2) DOS INSTRUMENTOS CONTRATUAIS QUE VERSAM SOBRE O PLANO DE PREVIDÊNCIA DA RECORRENTE. Conforme exposto pelo Recorrente, seu Plano de Previdência Complementar foi, originalmente, previsto em dois instrumentos contratuais: A) CONVÊNIO DE ADESÃO PLANO I a.1) Abrangência todos os empregados e dirigentes da empresa; a.2) Data: 20/06/1985; a.3) Modalidade: Benefício definido e fechado a novos participantes a partir de 30/04/1994; B) CONTRATO PREVIDENCIÁRIO PLANO II b.1) Abrangência todos os empregados e dirigentes da empresa; b.2) Data: 20/05/1999; b.3) Modalidade: Contribuição (FGB) e benefício definidos (PBD) e fechado a novos participantes; C) TERMO ADITIVO AO PLANO I Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1018 34 C.1) Abrangência: Presidente do Conselho, Conselheiros, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e aos investidos em cargos de assessor da Diretoria desde que participantes dos Planos I e II; c.2) Data: 30/07/1999 c.3) Modalidade: Plano Gerador de Benefício Livre PGBL (benefícios suplementares) D) CONTRATO PREVIDENCIÁRIO PROGRAMA DE MIGRAÇÃO DE PLANO d.1) Abrangência: Todos os empregados e dirigentes da empresa d.2) Data: 20/05/2000 d.3) Modalidade: Programa Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benefício Definido PBL contribuições básicas, com benefício por morte e invalidez. Pela análise da seqüência de instrumentos acima descrita, verificase que, atualmente, o Recorrente possui um único plano o qual, em razão do Termo Aditivo nº 5, possui contribuições diferenciadas para as pessoas nele mencionadas (Presidentes, Diretores, Conselheiros, etc). Tratase de Plano de Previdência Privada Aberto, aprovado pela SUSEP nos termos do Processo 10.003048/0123: Um plano de previdência privada extensivo a todos os funcionários e dirigentes (inclusive diretores e superintendentes executivos) denominado Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regulamento e Contrato Contribuições Básicas, com previsão de benefícios diferenciados para os diretores estatutários e superintendentes executivos conforme 5º Termo Aditivio Plano de Benefícios Suplementares (Contrato Contribuições Suplementares) (grifamos) A descrição do Plano é importante para a análise da discussão jurídica dos autos, uma vez que, conforme demonstrado, tratase de Plano de Previdência Privada Aberta. 3) DA ABRANGÊNCIA DOS PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA Como já exposto, uma das ilegalidades apontadas pelo trabalho fiscal foi o fato do plano de previdência do Recorrente não ser disponível a todos os empregados, nos termos do artigo 16 da Lei Complementar nº 109/01. É importante observar que o mencionado artigo aplicase às entidades fechadas de previdência complementar. Além disso, não é correto dizer que o Plano da Recorrente não foi oferecido à totalidade dos empregados, uma vez que tratase de um único plano. Tal plano, todavia, contempla contribuições suplementares e diferenciadas para os Presidentes, diretores e conselheiros. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1019 35 Dessa forma, a discussão jurídica trazida aos autos consiste em saber se é possível, nos planos abertos de previdência privada, instituir contribuições diferenciadas para seus participantes. A Lei Complementar nº 109/2001, ao regulamentar de previdência complementar, fez clara separação entre as norma aplicáveis aos regimes de previdência aberto e fechados. Isso porque, em seu Capítulo II, ao tratar dos Planos de Benefícios, reserva a Seção I para as Disposições Comuns, previstas nos artigos 6º ao 11º. A Seção II, que compreende os artigos 12º ao 25º, trata dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas e, por fim, a Seção III (arts. 26 ao 30), cuida dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas. Dessa forma, cumpre verificar se, ao tratar dos Planos de Benefícios das Entidades Abertas, a mencionada lei, utilizada como fundamento do trabalho fiscal, contempla a possibilidade de benefícios diferenciados para determinada categoria de empregados. A resposta dada pelo artigo 26, §3º, abaixo transcrito, é afirmativa: Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. § 5o A implantação de um plano coletivo será celebrada mediante contrato, na forma, nos critérios, nas condições e nos requisitos mínimos a serem estabelecidos pelo órgão regulador. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1020 36 § 6o É vedada à entidade aberta a contratação de plano coletivo com pessoa jurídica cujo objetivo principal seja estipular, em nome de terceiros, planos de benefícios coletivos.(grifamos) Pela leitura na norma acima transcrita, fica clara a possibilidade de celebração de plano previdenciário coletivo na modalidade aberta que não abranja todos os empregados e diretores da Pessoa Jurídica, uma vez que pode ser contratado para "grupos de pessoas" que poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador". Além disso, o artigo 16. da LC 109/2001, que estabelece a obrigatoriedade de oferecimento do plano a todos os empregados, trata dos Planos de Benefícios de Entidade Fechadas de Previdência Social. De acordo com o voto da Relatora, "há posicionamento do CARF de que o citado art. 16, é aplicável tanto para os planos de entidades abertas quanto fechadas, uma vez que o requisito de ser disponível à totalidade dos empregados e dirigentes está de acordo com a desvinculação da natureza salarial." Logo em seguida, a Relatora transcreve a ementa dos Acórdãos nºs 20500.762, de 03/07/2008 e 24.01004.194 de 08/03/2016). Entendo, data vênia, que tais decisões não podem servir como fundamentação de que o artigo 16 da LC 109/01 é extensível às entidades abertas de previdência complementar. Isso porque, ao analisar o inteiro teor dos votos, verificase que o fundamento utilizado nos lançamentos foi o artigo, 28, §9º, alínea "p" da Lei nº 8.212/91. Todavia, tal norma não foi sequer mencionada no Auto de Infração ou no Termo de Verificação Fiscal. No entanto, mesmo que o artigo 28, §9º, alínea "p" da Lei nº 8.212/91 tivesse sido utilizado como fundamento da autuação (o que, como já dito, não ocorreu) entendo improcedente sua aplicação. Isso porque, o que temos aqui são duas normas aparentemente antinômicas. A norma do 28, §9º, alínea "p" da Lei nº 8.212/91 que determina que os o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, não integra o salário de contribuição, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes e a norma do artigo 26, da Lei Complementar 109/01 que prevê a possibilidade do plano de previdência complementar aberta contemplar, de forma diferenciada, grupo de pessoas. Os critérios fundamentais de solução de antinomias, são cronológico, hierárquico e da especialidade. No caso em questão, se adotados os critérios cronológico e hierárquico, não restam dúvidas de que a norma a prevalecer deveria ser o artigo 26, §3º da Lei Complementar nº 109/01, uma vez que esta é posterior a Lei nº 8.212/91 e, além disso, hierarquicamente superior, tendo em vista que a Lei nº 8.212/91 é lei ordinária. Resta analisar, assim, se a Lei nº 8.212/91 poderia ser considerada norma especial em relação à Lei Complementar nº 8.212/91. Embora as decisões não explicitem tal fundamento parece ser ele a razão de decidir. Em outras palavras, a Lei nº 8.212/91, como norma de custeio de Seguridade Social, seria específica em relação à Lei Complementar nº 109/01. Tal raciocínio, a meu ver, não procede. Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1021 37 Se a Lei Complementar nº 109/01 não contivesse norma sobre a tributação dos Planos de Previdência entendo prevaleceria a condição estabelecida pela Lei nº 8.212/91. Todavia, a referida Lei Complementar tem normas expressas sobre a tributação dos planos nela mencionados, conforme se verifica pelos artigos 68 e 69, §1º abaixo transcritos: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes (grifamos) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (grifamos) Nesse mesmo sentido já se manifestou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela decisão proferida no Acórdão nº 9202003.193, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n. 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. (grifamos) É importante registrar que a Câmara Superior de Recursos fiscais, em sua nova composição, ratificou, por unanimidade de votos, o posicionamento acima mencionado, no julgamento do Processo nº 1404.001392/200737, relatado pela Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. A referida decisão ainda não foi publicada. Em face do exposto, entendo que, a isenção da tributação dos planos de previdência complementar deve obedecer os critérios estabelecidos na Lei Complementar n 109/01, dentre os quais, como visto, não está prevista a exigência dos planos serem igualmente aplicável a todos os empregados e diretores. 4) OS DEMAIS ELEMENTOS MENCIONADOS PELA FISCALIZAÇÃO PARA DEMONSTRAR O CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PLANO DA RECORRENTE Antes de analisarmos as objeções apontadas pelo trabalho fiscal quanto os requisitos de elegibilidade, a forma de cálculo dos benefícios, habitualidade dos aportes e a Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1022 38 periodicidade dos resgates, é importante analisar a competência da autoridade fiscal descaracterizar a natureza previdenciária de plano de previdência aprovado pela SUSEP. Isso porque, compete a SUSEP verificar se os contratos firmados estão de acordo com o que determina à Lei Complementar nº 109/01. Nesse sentido, já se manifestou a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento nos autos do Processo nº 16327.720335/201328, nos seguinte termos: Pelas disposições gerais da Lei Complementar nº 109/01, especificamente em seu artigo 74, as funções de regular e fiscalizar os planos de previdência privada complementar enquanto não publicada lei definindo órgão competente foram exercidas pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, por intermédio, respectivamente, do Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC) e da Secretaria de Previdência Complementar (SPC), relativamente às entidades fechadas, e pelo Ministério da Fazenda por meio do Conselho Nacional de Seguros Privados (SUSEP) respectivamente, à regulação e fiscalização das entidades abertas. Cabe, portanto, aos órgãos citados, dentro do âmbito de suas competências, apreciarem se os contratos firmados pela autuada estão em conformidade com o que determina a Lei Complementar nº 109/2001 e a legislação legal que rege a previdência complementar. Para o exercício da atividade de previdência complementar previamente há a necessidade de obtenção de autorização do órgão regulador/fiscalizador sob pena de o responsável incorrer em penalidades (artigos 65 e 67 da LC nº 109/2001) No 5º Termo Aditivo ao contrato de previdência privada firmado em 20/06/1985 (fls. 70/74) consta na cláusula primeira que o plano (PGBL) se regerá pelas condições estabelecidas no Regulamento do Plano Gerador de Benefício Livre PGBL Empresarial, aprovado pela SUSEP. O Chefe do departamento técnico atuarial da SUSEP comunica a aprovação de um Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo PGBL II (PGBL com Benefício por morte ou invalidez)(fls. 207) (...) Mas seja qual for entidade de previdência complementar ela somente poderá instituir e operar planos de benefícios para os quais tenha autorização específica de acordo as normas aprovadas pelo órgão fiscalizador e regulador (art. 6º). O Fisco Fazendário Federal ao se deparar com possíveis irregularidades tem competência para notificar o órgão regulador, no caso a SUSEP, e solicitar sua manifestação a respeito conforme autoriza o artigo 936 do RIR/99. Também, se há convicção do Auditor Fiscal da Receita Federal da prática de irregularidades em entidade de previdência complementar ou indícios de crime pode noticiar o Ministério Público (art. 64 LC Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1023 39 109/2001). Mas tanto o regulamento do Plano como a Nota Técnica Atuarial foram aprovados pela SUSEP. À fiscalização fazendária carece competencia dada legalmente para descaracterizar a natureza previdenciária dos aportes feitos pela instituidora a título de contribuição previdenciária dos aportes feitos pela instituidora a título de contribuição previdenciária complementar, tendo por base cláusulas ou disposições de um plano e regulamento aprovados pelo órgão regulador. (grifamos) Dessa forma, antes mesmo de analisar os problemas apontados pela autoridade lançadora, entendo que esta carece de competência para negar a natureza previdenciária do plano de previdência complementar, devidamente autorizado pelos órgãos competentes. De todo modo, como será demonstrado a seguir, as mencionadas objeções não merecem prosperar. De acordo com o voto da Conselheira Relatora "para que as contribuições feitas pelo empregador ao plano de previdência privada não sejam consideradas remuneração e sobre elas não haja incidência de tributos, é imprescindível a comprovação da natureza previdenciária desses aportes." Para identificar a natureza previdenciária dos aportes a Relatora começa por mencionar o art. 202 da Constituição Federal o qual dispõe que "o regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar." Diante da premissa de que tais planos visam constituir reservas para garantir um benefício futuro, a Relatora corroborou as conclusões do trabalho fiscal de que os aportes realizados pelo Recorrente teriam o caráter remuneratório, uma vez que: a) não foram apresentadas memórias de cárlculo das contribuições; b) os aportes eram realizados de forma habitual; c) os valores dos aportes eram constantes; d) os resgates dos participantes eram realizados em valores próximos ou superiores aos aportes; Antes de mais nada, é importante observar que a norma constitucional do art. 202, como determina o próprio artigo, ganha efetividade por meio da Lei Complementar. Sendo assim, os requisitos para se determinar se um plano possui ou não a natureza previdenciária dependem do cumprimento das determinações da Lei Complementar reguladora da matéria. Ao analisar a Lei Complementar 109/01 verificase que o plano instituído pelo Recorrente não encontra qualquer vedação. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1024 40 Em relação a habitualidade e o valor dos aportes, como bem ressalta a recorrente, não desnaturam a natureza dos planos. Isso porque os planos de previdência privada, visam proporcionar aos beneficiários valores próximos aos que da época em que estavam na ativa, o que faz com que, quanto maior for a remuneração, mais próximos dessas devem ser os aportes relativos à previdência complementar; Quanto ao fato dos resgates dos participantes serem realizados em valores próximos ou superiores aos aportes, verificase que esses (os resgates) são permitidos pelo artigo 27 da Lei Complementar n 109/01, que assim dispõe: "Art. 27 Observados os conceitos, a forma, as condições e os critérios fixados pelo órgão regulador, é assegurado aos participantes o direito à portabilidade, inclusive para o plano de previdência privada fechada, e ao resgate de recursos das reservas técnicas, provisões, fundos, total ou parcialmente" O direito ao resgate é regulamentado pela Circular SUSEP nº 338/07 nos seguintes termos: "Art. 19 O participante poderá solicitar, independentemente do número de contribuições pagas, resgate, parcial ou total, de recursos do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento de período de carência, que deverá estar compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, a contar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC. (grifamos) Verificase, assim, que o resgate é um direito do participante, que poderá ser por ele exercido durante o prazo de diferimento após prazo de carência de um ano civil, o que foi obedecido. Ao assim estabelecer, a Lei Complementar 109/01 permitiu que os Planos Geradores de Benefícios Livres se assemelhassem a uma aplicação financeira, uma vez que é da essência do plano o direito de resgate. Da mesma forma, por se tratar a previdência privada aberta na modalidade PGBL, essencialmente, de uma aplicação em fundos de investimento, não faz sentido a exigência dos mesmos cálculos atuariais exigidos da previdência social ou mesmo da previdência privada fechada cujos benefícios são previamente definidos. Isso porque, como o próprio nome indica, eles não geram um benefício previamente definido. Sendo assim, a ausência da apresentação de memórias de cálculo por parte da Recorrente não invalida seu plano. Não faz sentido questionar se tais fatos desvirtuariam a natureza previdenciária do plano, partindo da premissa de que esta se caracteriza pela garantia de benefícios futuros. Adotar essa interpretação equivale a estabelecer condicionantes que o legislador não se preocupou em estabelecer. O questionamento se o legislador extrapolou e, ao estabelecer as mencionadas normas, retirou a natureza previdenciária dos mencionados planos, deveria ser feito perante o poder judiciário, por meio de uma ação direta de inconstitucionalidade. Não Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 16327.001612/201057 Acórdão n.º 2202004.014 S2C2T2 Fl. 1025 41 cabe à fiscalização ou a este Conselho estabelecer restrições que o legislador não se preocupou em estabelecer. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1025DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.018192/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural
Área de Preservação Permanente e Área de Proteção Ambiental.
Isenção. Conjunto probatório. Comprovação.
Numero da decisão: 2201-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 31/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2010 Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural Área de Preservação Permanente e Área de Proteção Ambiental. Isenção. Conjunto probatório. Comprovação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.018192/2008-33
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5755297
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.777
nome_arquivo_s : Decisao_10980018192200833.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 10980018192200833_5755297.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6883799
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469110452224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2.391 1 2.390 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.018192/200833 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2201003.777 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2017 Matéria ITR Recorrentes SECOMIL AGROPECUARIA LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural Área de Preservação Permanente e Área de Proteção Ambiental. Isenção. Conjunto probatório. Comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 81 92 /2 00 8- 33 Fl. 2391DF CARF MF 2 1 Tratamse de Recurso de Ofício (fls. 1417) e Voluntário (fls.1.433/1.474) interposto pela DRJ e contribuinte em face da decisão da DRJ/CGE que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ao lançamento do ITR dos exercícios de 2004, 2005 e 2006, no valor de 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 1.406/) por sua precisão e complementado posteriormente por mim: Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.392 3 Fl. 2393DF CARF MF 4 Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.393 5 Fl. 2395DF CARF MF 6 3 A decisão da DRJ/CGE (fls. 1.406/1.417) julgou procedente em parte a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: 4 – O valor do crédito do imposto lançado às fls. 1180/1261 foi de R$ 46.070.332,32 dos exercícios de 2004 a 2006 ante o valor de R$ 19.224.290,91 exonerado pela DRJ/CGE, por isso o recurso de ofício. 5 Cientificado da decisão de piso (fls. 1.428), o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls.1.433/1474 replicando as mesmas razões anteriores e às fls. 1.480/1.502 contrarrazões e razões do recurso de ofício da PGFN. 6 – Em sessão de 28/07/2011 às fls. 1.503/1511 essa Turma em sua antiga composição em Relatoria da Conselheira Rayana França converteu o julgamento em diligência e houve a determinação em parte ao contribuinte e para a unidade preparadora para: Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.394 7 Fl. 2397DF CARF MF 8 8 – Cito as fls. dos principais documentos solicitados na diligência: Fls. 1.515/1.526 – Sentença e Acórdão do Processo 353/89 em que a contribuinte propõe ação em face do Governo do Estado de São Paulo pela desapropriação indireta da parte Paulista do imóvel; Fls. 1.527/1.537 – Inicial da contribuinte da Ação 353/89; Fls. 1.538/1.589 Defesa da Fazenda de São Paulo; Fls. 1.614/1.749 laudo do perito judicial José Narciso na ação 353/89 de Abril de 1992; Fls. 1.750/1.797 Laudo do assistente técnico da Fazenda Paulista datado de Agosto de 1993; Fls. 1.904/1982 Laudo do novo perito judicial datado de Março de 2008; Fls. 1.983/2.127 Laudo do assistente técnico da Fazenda de SP Anselmo Gomiero; Fls. 2.128/2.169 Laudo do assistente técnico da contribuinte Sr. Roberto Baratieri datado de Setembro de 2009; Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.395 9 Fls. 2.170/2.182 – Laudo do assistente técnico da Fazenda de SP Paulo Shwenck complementar ao laudo do perito judicial; Fls. 2.212/2.213 – ofício resposta da Fundação Instituto de Terras de SP; Fls. 2.217 – ofício resposta do IAB – Instituto Ambiental do Paraná; Fls. 2.273/2.276 – ofício resposta do IBAMA; Fls. 2.280/2.287 – ofício resposta da Secretaria do Meio Ambiente de SP; Fls. 2.308/2.366 – laudo técnico sobre a área e plantas da região com a localização do imóvel da contribuinte e documentos; Fls. 2.367/2.375 – Manifestação fiscal reiterando os termos do lançamento; Fls. 2.384/2.387 – Manifestação da contribuinte sobre a diligência, reiterando os termos recursais. 9 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso RECURSO VOLUNTÁRIO 10 – Vou apreciar o recurso de ofício posteriormente ao final da análise do recurso voluntário, contudo ambos os recursos são aptos a seu conhecimento e julgamento. 11 – A questão principal nos autos a ser dirimida é quanto a glosa da área de preservação permanente do lado Paulista do imóvel e da área de proteção ambiental no lado Paranaense do imóvel, declarada nos Exercícios do ITR de 2004 a 2006 e da alteração do VTN Fl. 2399DF CARF MF 10 tributado, com base na tabela SIPT mantida pela Receita Federal, por ter a autoridade lançadora concluído que não foram devidamente comprovados os dados declarados. 12 – Em relação a entrega do ADA é ponto incontroverso nos autos sendo que a autoridade lançadora deixa claro esse fato no relatório fiscal e lançamento de fls. 1.180/1.261 dos autos. 13 – A meu ver o recurso voluntário do contribuinte deve ser provido senão vejamos. 14 – Toda a farta documentação da ação de desapropriação de nº 353/89 em que a própria fiscalização se fundou para lançar o auto, após a diligência determinada deixa mais claro os fatos. 15 – Veja que desde o início o contribuinte vem questionando o fato de que a totalidade do imóvel na área paulista está dentro de área de preservação permanente há anos, sendo que houve discussão acerca da real localização do imóvel, sendo que na minha opinião seria verificável de forma simples pela só análise dos elementos que constam da ação de desapropriação indireta em que a contribuinte contende com o Estado de São Paulo. 16 – Podemos ver que em várias passagens da vasta documentação juntada e até mesmo na decisão judicial de fls. 1.515/1.520 em que nenhum momento a Fazenda do Estado de São Paulo, peritos e assistentes técnicos de ambas as partes, questionam o fato da existência da área de preservação permanente no imóvel, o que se discute muito é o valor da indenização em decorrência do volume de mata nativa existente no local. 17 – Tanto que a contribuinte sagrouse vencedora da ação, apesar da reforma pelo Tribunal de Justiça reconhecendo a prescrição da ação. 18 – A fiscalização em sua diligência durante a fiscalização de fls. 943/1.165 para obter a documentação, apenas instruiu os autos com fragmentos de diversos laudos da ação proposta pela contribuinte, ficando até mesmo difícil de entender o contexto em que os Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.396 11 mesmos se inseriam, contudo, após, juntada às fls. 1.515/2.182 ficou mais fácil a análise completa de todo o conjunto probatório. 19 – Vale mencionar que o ofício de fls. 2.212/2.213 do Instituto de Terras do Estado de São Paulo deixa claro que: 20 – Esses fatos, aliados ao laudo técnico de fls. 2.308/2.313 e seus anexos especialmente às fls. 2.356 deixam claro a localização do imóvel da contribuinte em área de preservação permanente e portanto isento do ITR de acordo com art. 10, § 1º, II, “a” da Lei 9.393/96, portanto dou provimento ao recurso nesse ponto. 21 – Diz a decisão da DRJ nesse ponto: Fl. 2401DF CARF MF 12 22 – Da mesma forma quanto a parte do imóvel localizado no Estado do Paraná ficou claro também pelo laudo e documentos de fls. 2.273/2.287 do IBAMA que grande parte do imóvel está inserida em área de proteção ambiental verbis: Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.397 13 23 – De acordo com a informação acima do IBAMA essa área não poderia ser enquadrada na alínea “a” do artigo 10, § 1º, II, da Lei 9.393/96, contudo pela análise da legislação entendo que podem ser enquadradas tanto nas alíneas “b” e “c”: b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; Fl. 2403DF CARF MF 14 24 – A meu ver, essa área estaria melhor definida pela alínea “c” acima, uma vez que após análise da legislação federal e estadual colacionada pela contribuinte às fls. 814/826 entendo que não há ampliação das restrições da área de preservação permanente, contudo, pela alínea “c” que exige comprovação e na minha ótica pelo conjunto probatório há, que a parte paranaense do imóvel é uma área de interesse ecológico de acordo com a legislação indicada acima e resposta do IBAMA e os diversos laudos da região que demonstram que o imóvel não comporta a exploração econômica de diversas atividades identificadas no inciso “c”. 25 – Portanto, dou provimento ao recurso nesse sentido para considerar isentas do ITR a parte do imóvel no Paraná de acordo com os fundamentos acima. RECURSO DE OFÍCIO 26 – Quanto ao recurso de ofício apesar de atender os requisitos de admissibilidade, contudo, pelo fato da existência de matéria prejudicial quanto a comprovação da isenção do ITR tratada no Recurso Voluntário entendo que resta prejudicado a análise do mesmo diante da reforma integral da decisão de piso e portanto nego provimento. Conclusão 27 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e no mérito darlhe provimento e julgar prejudicado sendo negado provimento ao recurso de ofício. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 10980.018192/200833 Acórdão n.º 2201003.777 S2C2T1 Fl. 2.398 15 Fl. 2405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912053/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.768
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.912053/2012-06
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758014
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.768
nome_arquivo_s : Decisao_10830912053201206.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830912053201206_5758014.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6894015
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469113597952
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T19:23:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T19:23:52Z; Last-Modified: 2017-08-11T19:23:52Z; dcterms:modified: 2017-08-11T19:23:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T19:23:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T19:23:52Z; meta:save-date: 2017-08-11T19:23:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T19:23:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T19:23:52Z; created: 2017-08-11T19:23:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T19:23:52Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T19:23:52Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912053/201206 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.768 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 53 /2 01 2- 06 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.794, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912053/201206 Acórdão n.º 3301003.768 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13001.720083/2014-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS. ACORDO DE CONCILIAÇÃO.
A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deve obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada.
Numero da decisão: 2402-005.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS. ACORDO DE CONCILIAÇÃO. A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deve obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13001.720083/2014-01
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5757978
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.884
nome_arquivo_s : Decisao_13001720083201401.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 13001720083201401_5757978.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
id : 6893496
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469118840832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 970; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 251 1 250 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13001.720083/201401 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.884 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ADÃO CARDOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS. ACORDO DE CONCILIAÇÃO. A discriminação de verbas em acordo, para ser válida e eficaz, deve obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e 3º do artigo 276 do Decreto 3048/99, não havendo manifestação do juízo na sentença homologatória, a totalidade dos rendimentos deve ser tributada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 1. 72 00 83 /2 01 4- 01 Fl. 251DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13001.720083/201401 Acórdão n.º 2402005.884 S2C4T2 Fl. 252 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 129 a 137) interposto contra decisão proferida no Acórdão 1537.767 3ª Turma da DRJ/SDR (Fls. 121 a 123) onde, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação (fls. 02 a 05) improcedente, mantendose a integralidade do crédito tributário relativo a apuração de IRPF sobre rendimentos que teriam sido omitidos pelo Recorrente. Adotaremos o relatório da decisão recorrida por representar bem o ocorrido no processo: "O interessado impugna lançamento do anocalendário 2010, onde foram incluídos rendimentos omitidos recebidos acumuladamente em ação judicial movida contra a Pires Material para Construção Ltda., no valor de R$ 203.071,28, resultando em imposto suplementar de R$ 15.909,36. O autuante excluiu dos rendimentos brutos resultante de acordo de conciliação a parcela isenta de 5,44%, correspondente ao FGTS. Foram excluídos também os honorários advocatícios. Como resultado, o contribuinte deveria ter declarado rendimentos tributáveis de R$ 244.938,29, mas declarara apenas R$ 41.867,01. O impugnante argumenta, em síntese, que recebera outras parcelas isentas, não descontadas pelo autuante: indenização por dano material, juros de mora, multa fixada nos autos e férias indenizadas. Afirma ainda que houve erro nos cálculos, pois com a exclusão das parcelas mencionadas pelo autuante, os rendimentos a declarar deveriam ser R$ 243.312,56, e não R$ 244.938,29. Apresenta peças dos autos judiciais e planilhas." Dada a declaração de improcedência de sua pretensão impugnatória, o Recorrente interpôs recurso voluntário com os seguintes termos: Preliminar Que o lançamento foi equivocado ao tomar o valor total creditado ao recorrente tais como verbas indenizatórias por danos materiais, multas por litigância de má fé, ferias indenizadas, juros de mora, honorários e recolhimentos ao FGTS conforme homologados pelo juízo; No mérito, em síntese , apresentou os seguintes argumentos complementares aos apresentados na impugnação: Que os valores pagos a titulo de honorários multas por litigância de má fé apresentam pequenas diferenças entre o valor homologado e pago em razão de atualização monetária. Fl. 253DF CARF MF 4 Que o valor de imposto de renda retido na fonte tem como base de calculo o acordo homologado; Que o acordo foi realizado após sentença de segunda instância e, por conseqüência, tem suas verbas definidas de maneira clara, sendo inviável a homologação de acordo que se afaste a sentença prolatada. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13001.720083/201401 Acórdão n.º 2402005.884 S2C4T2 Fl. 253 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Intimado da decisão da DRJ em 20/02/15, sextafeira (fls. 127), o Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário em 23/03/15 (Fls 129), deste modo, nos termos do Parágrafo Único do Art. 5º do Decreto 70.235/72 o recurso é tempestivo e como atende aos demais requisitos de admissibilidade voto por dele conhecer. Preliminares A temática alegada como preliminar é, em realidade, integrante das questões de mérito, eis que demandam análise da natureza das dos valores integrantes das verbas recebidas. Por tal motivo, voto por não conhecer da matéria alegada e discutila durante as discussões de mérito dada sua maior pertinência. Mérito A demanda gira em torno de lançamento realizado sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de acordo judicial firmado entre o Recorrente e a empresa Pires Material para Construções Limitada ME. Segundo o relatório fiscal o contribuinte teria omitido o valor de R$ 203.071,28, tendo em vista que somente declarou como rendimentos tributáveis o valor de R$ 41.867,01 do total de 244.938,29 recebidos no citado acordo. Analisando o lançamento verificamos que o calculo foi efetuado seguindo a sistemática de calculo de RRA com retenção exclusiva na fonte, portanto, neste quesito é irretocável tanto o lançamento quanto a decisão. Outrossim, cabe realizar, no presente caso, análise da pertinência de exclusão da verbas pagas a titulo de honorários advocatícios, indenização por férias, indenização por danos materiais e multas judiciais tidas pelo recorrente como redutoras da base de calculo, por serem indenizatórias, isentas ou não tributáveis. As alegações do recorrente quanto a existência de sentença transitada em julgado com definição da natureza de tais verbas, fazendo referência a calculo de liquidação pericial, em nosso sentir, não são suficientes para afastar a incidência do tributo sobre a totalidade das verbas recebidas em razão de acordo. Apesar de haver indícios da composição dos valores na linha defendida pelo Recorrente, ao firmar o aludido acordo, em prol do fim da demanda lide, ocorre uma transação para por fim a lide, abrindose mão das discussões de mérito, por conseqüência, da discussão do quanto devido em cada rubrica. A única hipótese prevista em lei para manutenção da natureza individualizada das verbas inseridas em acordo, decorre da manifestação expressa do juízo quanto a tal. A discriminação, para ser válida e eficaz, deveria obedecer aos dispositivos legais aplicáveis: art. 832, §3º da CLT, art. 43, parágrafo 1º da Lei nº 8.212/91 e parágrafos 2º e3º do artigo 276 do Decreto 3048/99. Fl. 255DF CARF MF 6 O artigo 832, §3º da CLT, desde o advento da Lei nº 10.035/2000, informa que a discriminação das verbas deve constar da decisão judicial. Portando, o dever de discriminar as verbas é da autoridade judiciária, e não das partes litigantes. "§3º As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso." Se há forma definida em lei para se promover tal discriminação, em sede de acrdo, não é possível aceitar a discriminação feita pelas partes ou a indicação dos peritos como suficientes para sustentar a pretensão do Recorrente. Ocorre que, no presente caso, o juízo emitiu decisão em que não discriminou as verbas, apenas homologou o resultado final do acordo (fl. 233). Nesta via, não merece prosperar o entendimento do Recorrente quanto a validade da discriminação realizada na sentença de primeira instância, no calculo pericial ou mesmo no acordo homologado pelo juízo, eis que caberia ao juízo promover tal discriminação para pudesse ser oponível a terceiros para todos os fins de direito, inclusive tributários. Conclusão Com fundamento no exposto, voto por negar provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900707/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, conforme consta do art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17.
Numero da decisão: 1301-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, conforme consta do art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10384.900707/2009-51
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5768390
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.588
nome_arquivo_s : Decisao_10384900707200951.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10384900707200951_5768390.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6931492
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469120937984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 176 1 175 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.900707/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.588 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2017 Matéria PER/DCOMP Recorrente TRILHA VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO. O pedido cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, conforme consta do art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 07 07 /2 00 9- 51 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 177 2 Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP nº 35990.27327.201005.1.3.048006 (fls. 02/06), o qual objetiva compensar pagamento a maior de estimava de IRPJ, referente ao mês de outubro de 2004, com débito de IRPJ relativo a dezembro de 2004, no valor de R$ 8.378,39. A DRF, por meio de Despacho Decisório à fl 7 ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP considerou improcedente o crédito, conforme fundamentação abaixo: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Enquadramento legal: os arts. 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005 e art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Inconformado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12/20), alegando que a compensação pleiteada foi efetuada de forma indevida, reconhecendo que inexiste o crédito tributário pleiteado. Verificase que o suposto crédito tem origem em recolhimentos por estimativa relativo ao mês 11/2005, deduzidos do valor apurado no mês 12/2005, sendo, portanto, desnecessária a utilização do procedimento de declaração de compensação. Vejamos o excerto que sintetiza tal narrativa: " (...) os valores pagos ou parcelado por estimativa até o mês 11/2005 são utilizado para deduzir o valor devido no mês de 12/2005, o que não foi efetuado, tendo sido utilizado de forma incorreta a declaração de compensação, a qual deve ser desconsiderada,uma vez que o encontro de contas deve ser processado sem necessidade da Declaração de Compensação." Requer ao final, o cancelamento da DCOMP em comento. Confirase: “não existe o débito a ser compensado, devendo ser desconsiderada a compensação efetuada. Assim, requer o seu cancelamento”. A 4° Turma da DRJ/FOR prolatou o Acórdão n° 0826.010, o qual não conheceu da manifestação de inconformidade, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Não se conhece da manifestação de inconformidade quando o contribuinte não contradita as razões da não homologação da compensação, restringindo sua alegação à inexistência do débito. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 178 3 Direito Creditório Não Reconhecido" Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 57/68), reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Este colegiado, por meio do acórdão 1803002.450 proferiu decisão, no sentido de não conhecer do recurso face à perempção, nos termos da ementa a seguir. "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos." O contribuinte apresentou Recurso Especial, diante do erro de citação sobre a decisão da DRJ que havia sido encaminhada ao endereço errado do contribuinte em sua primeira tentativa, a nova tentativa ocorreu em data posterior, o que faz com que o Recurso Voluntário interposto seja tempestiva. Dessa forma, foi requerido a retificação do acórdão proferido para que este tenha o seu mérito analisado. Assim, a DRF/TERESINAPI opôs embargos inominados suscitando o quanto segue: Sr. Chefe Substituto, Tendo em vista que o Contribuinte, apresentou Recurso Especial, com Pedido de Retificação do Acórdão proferido nestes autos, com fulcro no art. 66 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256), relativo ao Recurso Voluntário objeto de reanálise, haja vista este erro grave de endereçamento ocorrido. Desta forma, sugiro o envio deste processo à Colenda 3ª Turma Especial do CARF/BSB. Em despacho às fls. 174/175 os referidos embargos foram admitidos com amparo nas disposições do artigo 66, do Anexo II, do Regimento Interno para que o recurso voluntário seja reexaminado, já que é tempestivo. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação não homologado por se tratar de pagamento de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 179 4 Como visto, a DRJ/FOR não conheceu da manifestação de inconformidade. A decisão destacou que os argumentos apresentados pelo contribuinte concentraramse na inexistência do débito. A Recorrente reconhece que a declaração de compensação foi utilizada de forma indevida no presente caso, vez que o crédito nela informado corresponde a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada no lucro real. Desse modo, ao constar seu equívoco, a Recorrente requer seja cancelada a DCOMP transmitida ante a inexistência do débito, objeto da compensação pleiteada. Nesse ponto, a decisão recorrida ressalta que sua competência cingese ao exame do pedido de compensação, de tal modo que o pedido de cancelamento deve ser apreciado pela DRF, nos termos do art. 302, XI, do Regimento Interno da RFB, in verbis: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; (...) Destacando que o pedido de cancelamento da declaração de compensação não se submete ao PAF (Decreto nº 70.235, de 1972), mas ao processo administrativo em geral (Lei nº 9.784, de 1999). Pois bem, resta evidente o equívoco cometido pelo contribuinte, uma vez que não é necessária a utilização da DCOMP para se processar o encontro de contas de estimativa de IRPJ com o intuito de apurar o IRPJ devido ou o saldo negativo ao final do período, sendo ponto incontroverso nos autos. Com efeito, o que se pleiteia é o cancelamento da declaração de compensação em virtude da inexistência do crédito ali informado. Ocorre que, o pedido cancelamento da DCOMP é regulado pelo art. 113 e ss da IN RFB n° 1.717/17, nos seguintes termos: Art. 113. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser cancelados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. Parágrafo único. O cancelamento não será admitido quando formalizado depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 114. A retificação ou o cancelamento da declaração de compensação também não serão admitidos quando formalizados depois do prazo de homologação tácita da compensação. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 180 5 Art. 115. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto neste Capítulo, a declaração de compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso, em relação ao qual o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado do despacho decisório proferido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. Como se vê, a presente regra é clara no sentido de que o cancelamento somente poderá ser admitido caso pleiteado enquanto pendente de julgamento, o que não se verifica no presente caso. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGARlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10384.900707/200951 Acórdão n.º 1301002.588 S1C3T1 Fl. 181 6 Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928477/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.378
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.928477/2009-71
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766664
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.378
nome_arquivo_s : Decisao_11080928477200971.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 11080928477200971_5766664.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
id : 6923802
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469123035136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1874; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.928477/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.378 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de agosto de 2017 Matéria COFINS Recorrente CERAN COMPANHIA ENERGÉTICA RIO DAS ANTAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 77 /2 00 9- 71 Fl. 693DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.276 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 112 3 A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.276), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 695DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 563 a 575, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas de R$ 4.043.553,56, auferida na execução dos contratos CERPA/2002 2091, CERPI/2002 2101 e CERCEEED, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime nãocumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 17%, 18% e 38%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Além disso, na referida Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, não foram reconhecidas as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa, auferidas no mês de janeiro de 2007, na execução dos contratos CERCO/2002 2111 e CERCO/2002 2121, no total de R$ 1.281.817,72, CER PA/2002 2091, CERPI/2002 2101 e CERCO/2002 2111, cujos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, sofreram Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 113 5 reajustes nos percentuais de 17% e 18%, respectivamente, mediante o cômputo das variações do índice IGPM. Consequentemente, o faturamento de R$ 5.325.371,28, das Notas Fiscais nº 300, nº 301, nº 302, nº 310 e nº 311, auferido na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foi incorretamente reconhecido como Receita da Venda no Mercado Interno pelo REGIME CUMULATIVO, no mês de fevereiro de 2007, na Dacon original do 1º semestre de 2007, de nº 0000100200700057176, apresentada em 06/03/2007. Da mesma forma, a receita parcial de R$ 4.043.553,56, auferida na execução dos contratos CERPA/ 2002 2091, CERPI/2002 2101 e CERCEEED, também foi incorretamente reconhecida como Receita da Venda no Mercado Interno pelo REGIME CUMULATIVO, no mês de janeiro de 2007, na Dacon retificadora de nº 0000100200703768794, apresentada em 11/08/2008. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 577 a 599, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) a Fiscalização não considerou o balancete analítico de janeiro de 2007 (doc 08 do RV), uma vez que o valor de R$ 4.043.553,56 apontado no DACON retificador de janeiro de 2007 é exatamente o mesmo daquele posto no referido balancete analítico. iii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iv) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. v) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de Fl. 697DF CARF MF 6 determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; vi) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vii) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 630 a 638, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 114 7 b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Fl. 699DF CARF MF 8 Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 115 9 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” Ementa: CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 563 a 575). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 577 a 599), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Fl. 701DF CARF MF 10 Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 563 a 575) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 577 a 599), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 11080.928477/200971 Acórdão n.º 3402004.378 S3C4T2 Fl. 116 11 Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 703DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912784/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2003
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários.
TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizá-lo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.912784/2009-17
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5755298
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.606
nome_arquivo_s : Decisao_10680912784200917.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10680912784200917_5755298.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6883943
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469142958080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 481 1 480 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912784/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.606 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. INOCORRÊNCIA DE DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. A sociedade cooperativa que não utilizar quaisquer das exclusões/deduções previstas nos incisos I a VI do art. 32 do Decreto 4.524/2002, por falta de previsão legal, não está sujeita à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. TRIBUTO INDEVIDO. INDÉBITO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Se comprovada a existência de pagamento de tributo indevido passível restituição, por expressa previsão legal, é assegurado ao contribuinte o direito de utilizálo na compensação de débitos próprios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 27 84 /2 00 9- 17 Fl. 481DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação de crédito pagamento indevido da Contribuição para o PIS/Pasep Folha de Salários com débitos débito(s) discriminado(s) no PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão recorrido, a seguir transcrito: DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 07), referente ao PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$1.832,80, representado por Darf recolhido em 15/10/2003 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 48, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 482 3 discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e não reconhecido o direito creditório pleiteado, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 9/4/2012, a contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou o recurso voluntário de fls. 61/93 em 9/5/2012, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade, em aditamento, acrescentou as seguintes razões defesa: a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do Fl. 483DF CARF MF 4 pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002. Ademais, o mencionado Decreto extrapolava previsão legal atinente aos limites de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha; c) a decisão de 1ª instância contrariava o entendimento da Receita Federal, apresentado na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, entendendo pela incidência exclusiva da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, II, do CTN; d) o Decreto nº 4.524, de 2002, e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, eram ilegais na parte que previa a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não estava prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep Folha, especialmente, as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002, que dizem respeito à cooperativas de produção e não à cooperativas de trabalho; f) a Recorrente não deduzira da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição, na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998; e g) ao final, afirmou que, sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não podia prevalecer o entendimento de 1ª instância. Na Sessão de 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.445, a composição pretérita deste Colegiado, converteu o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 483 5 b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/ 2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/ 2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv). Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. Por meio do Relatório de Diligência Fiscal colacionado aos autos, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações: a) a contribuinte apresentara algumas considerações sobre o processo de Mandado de Segurança (fls. 197/199) e as peças do citado processo encontravamse às fls. 200/400; b) com base nas informações da memória de cálculo apresentada pela contribuinte e nos valores confirmados no balancete, elaborou o demonstrativo de “DIPJ 2004 Exclusões da Base de Cálculo do PIS – setembro de 2003 = R$ 9.035.994,61”, em demonstrada divergência de R$ 10.736,66 entre a memória de cálculo e os valores informados no balancete, concentrados em uma única conta, o que majorou a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Embora fossem razoáveis as alegações da recorrente acerca da natureza das deduções efetuadas, não fora possível confirmar a composição da exclusão da base de cálculo, devido à divergência apontada; c) a consulta que originou a Solução de Consulta nº 412, de 2004 fora formalizada por meio do processo nº 10680.013505/200418, protocolizado em 10/11/2004. Os textos da consulta e da Solução de Consulta foram colacionados aos autos; e d) a autoridade fiscal da Disit/SRRF 6ª RF manifestouse sobre as questões elencadas na resolução do CARF por meio do documento juntado aos autos. Por sua vez, a Disit/SRRF 6ª RF prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: 5. A Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, foi protocolizada em 10/11/2004, gerando o Processo Administrativo nº 10680.013505/200418, o qual foi “convertido em processo digital” por esta Divisão e encontrase disponível para consulta no Sistema eProcesso; 6. A análise da consulta formulada, que deu origem à SC Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, conforme expressamente Fl. 485DF CARF MF 6 informado no seu item “7”, limitouse a examinar “se as receitas que nomeia como taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sua sobrevivência e atuação constituem receitas de suas atividades próprias, sendo, portanto, isentos dessa contribuição.” (grifo não consta do original); 7. Pelo simples exame da petição inicial da consulta não seria possível se constatar que a contribuinte teria, ou não, impetrado anteriormente Mandado de Segurança sobre o mesmo objeto, sendo que, a então consulente prestou as declarações de praxe, previstas no art. 3º , inciso II e alíneas a, b e c, da Instrução Normativa SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002, vigente à época em que apresentou a consulta, no sentido de que o fato exposto não foi objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte; 8. Dessa forma, a SC Disit06 nº 412/2004, tão somente examinou a questão posta pela contribuinte, onde, à vista dos elementos do processo, se concluiu que a consulente não preencheria, à época da análise, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade; 9. Oportuno pontuar que, antes de adentrar ao mérito da questão formulada na consulta, foi inicialmente esclarecido à solicitante que o processo de consulta visa a esclarecer dúvida sobre a interpretação da legislação tributária e não se presta a examinar eventual condição de isenção da consulente, hipótese que envolveria análise de situação de fato, qual seja, o atendimento aos requisitos fixados em lei; 10. Evidente assim o fato de que, não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta; 11. Em relação aos efeitos da consulta, tendo em vista o disposto no inciso IV do artigo 15, da então vigente IN SRF nº 230, de 24 de outubro de 2002 (atual inciso IV da IN RFB nº 1.396/2013), visa tal dispositivo prevenir situação em que a demanda venha a ser objeto de mais de um processo administrativo ou judicial, de forma a se evitar decisões distintas em situações em que haja coincidência de objeto, partes e causa de pedir; 12. Conforme descrito acima, nos itens 8 a 10, a solução de consulta se ateve a analisar a questão relativa ao enquadramento das receitas descritas pela consulente na hipótese isentiva prevista na norma, concluindose que tais receitas estariam sujeitas ao recolhimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com base na receita bruta; 13. Consta na ementa da SC Disit06 nº 412/2004, relativamente à contribuição para o PIS/Pasep, a seguinte expressão: “A associação que remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, recolhe a contribuição com base na Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 484 7 receita bruta.”. Não há uma efetiva concomitância entre o objeto da solução de consulta e a sentença judicial, vez que tratam de situações distintas; embora atinentes à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, possuem objeto e fundamentos distintos; 14. Entretanto, há que se destacar que ambas as decisões (administrativa e judicial) convergem no sentido de que, a interessada está sujeita ao recolhimento de contribuição para o PIS/Pasep com base no faturamento; 15. Também é fato que, no processo de consulta administrativa não houve qualquer manifestação ou decisão da SRRF06 no sentido de que a consulente estaria sujeita exclusivamente ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu Faturamento, vez que tal situação não foi objeto de análise no referido processo, por não se fundamentar, e tampouco ter sido objeto de questionamento, a aplicação do art. 15 da MP 2.15835/2001, motivo pelo qual há que se concluir que, não há necessidade de reforma da SC Disit06 nº 412/2004, visto que eventual ato dessa natureza não implicaria em qualquer alteração na situação jurídica da consulente no que se refere às conclusões quanto à sua sujeição passiva relativamente à contribuição para o PIS/Pasep. (grifos do original) Cientificada do resultado da diligência, a recorrente prestou os seguintes esclarecimentos/argumentos de defesa: a) ainda que o artigo 15 da MP n.° 2.15835 não tenha sido objeto de análise, a Solução de Consulta n.° 412/2004 era expressa no sentido de que a Recorrente “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários”, inclusive, esse fora o entendimento manifestado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 3a Seção de Julgamento, por meio do acórdão 3403002.500, em que apreciada a mesma situação, com diferença apenas quanto ao período do crédito e do débito compensado; b) a divergência apontada no relatório fiscal decorrera de equívoco cometido ao somar à base de cálculo o total da conta de natureza credora n.° 4121 (Recup/Ressar. de Eventos Indenizáveis), R$ 10.736,66 (fl. 110) e a conta de natureza devedora n.° 41 (Eventos Indenizáveis Líquidos), R$ 952.399,88 (fl. 114). Assim, demonstrado que o equívoco cometido era de natureza meramente contábil, aliado às demais confirmações do fiscal, verificavase que a Recorrente não se valeu de nenhuma das deduções previstas no artigo 32 do Decreto n.° 4.524/2002, em especial, as sobras, conforme contas utilizadas na apuração das exclusões, que englobam apenas as deduções permitidas às operadoras de planos de saúde; c) antes da análise das informações colhidas em diligência e explicações acima, imprescindível que esta Turma de Julgamento se pronunciasse sobre a ilegalidade do Decreto n.° 4.524/2002 ao incluir as sobras como dedução que motivaria a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha sem respaldo legal, especialmente, tendo em conta que esta seria a única dedução passível de aproveitamento pela Recorrente (cooperativa de trabalho médico), dentre as hipóteses de dedução ensejadoras da cobrança concomitante da Fl. 487DF CARF MF 8 Contribuição para o PIS/Pasep Folha e da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento. As demais deduções previstas no artigo 32 são todas aplicáveis a cooperativas de produção; d) a dedução das sobras não se encontrava dentre as deduções do artigo 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 (aplicáveis somente a cooperativas de produção e não de trabalho), bem como não se podia fundamentar tal hipótese na Lei 10.676/2003 que, apesar de prever a dedução das sobras, não mencionava, em momento algum, que, ao deduzir as sobras da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento, estarseia diante do nascimento do fato gerador da Contribuição para o PIS/Pasep Folha. Assim, somente era possível a exigência da Contribuição para o PIS/Pasep Folha cumulativamente com a Contribuição para o PIS/Pasep Faturamento apenas das cooperativas de produção, caso realizada alguma das exclusões do referido art. 15; e e) este Conselho tinha competência para se pronunciar sobre a ilegalidade de atos do Poder Executivo, conforme já decidira a 2a Turma Ordinária da 2a Câmara desta 3a Seção, por meio do acórdão n° 3202000.378 e 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio do acórdão nº 3401001.805. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia envolve questões de direito e de fato. A questão jurídica diz respeito à legalidade do § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que determina que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas no referido artigo contribuirá, cumulativamente, para a Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. As questões de fato cingemse em saber (i) se a Solução de Consulta (SC) Disit06 nº 412, de 15 de dezembro de 2004, reconhecera que a consulente, ora recorrente, estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o seu faturamento e (ii) se há provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, das deduções previstas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º da Lei 10.676/2003, e regulamentadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. Em relação à primeira questão, a recorrente alegou que, como a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício não constava da redação do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001, era ilegal § 4º do art. 32 do Decreto 4.524/2002, que previa a inclusão da referida dedução, dentre as condições necessárias para enquadrar a recorrente como contribuinte da Contribuição para o PIS/Pasep incidente, cumulativamente, sobre a folha de salários e sobre o faturamento. A redação do referido preceito regulamentar tem o seguinte teor, in verbis: Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 485 9 I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. [...] § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. [...] (grifos não originais) A simples leitura revela que a redação dos incisos do caput do art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 não prevê a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício. A previsão dessa dedução somente ocorreu a partir da vigência da Medida Provisória 1.85810/1999, conforme estabelecido no art. 2º da Lei 10.676/2003, que, no seu art. 1º deu redação definitiva à referida dedução. Assim, como a redação do caput do art. 151 da Medida Provisória 2.158 35/2001 não contempla a dedução das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do 1 "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; IIas receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; Fl. 489DF CARF MF 10 Exercício, inequivocamente, o questionado preceito regulamentar excedeu ao que determinava o comando legal regulamentado, o que é suficiente para inquinálo de ilegal. Entretanto, por força do disposto no caput do art. 26A do Decreto 70.235/1972, fora das situações excepcionadas no seu § 6º, é expressamente vedado a esta instância administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A mesma vedação consta do art. 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF/2015) e a sua inobservância implica perda do mandato do Conselheiro, nos termos do art. 45, VI, do RICARF/2015. Não se pode olvidar, ademais, que, embora os referidos preceitos legal e regimental refirase a fundamento de inconstitucionalidade, obviamente, ele alcança a hipótese de ilegalidade, sob pena de completa subversão ao princípio da hierarquia das normas, que põe a normal constitucional no ápice. Em outras palavras, se há vedação para o afastamento sob fundamento de inconstitucionalidade com mais razão tal proibição também se estende para os casos de ilegalidade. Superada a questão jurídica, passase a analisar as questões de fato. A primeira a ser analisada diz respeito ao que ficou determinado na SC Disit06 nº 412/2004. Para a recorrente, a referida SC havia determinado que a recorrente estava sujeita, exclusivamente, ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente somente sobre o faturamento. Para justificar o seu entendimento, a recorrente transcreveu o excerto, extraído da citada SC, em que afirmado que ela “não preencheria, à época, as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da MP n.° 2.15835/2001, que, além de tratar das hipóteses de isenção ou imunidade prevêem, justamente, entidades sujeitas à tributação do PIS incidente sobre a folha de salários.” De outra parte, a autoridade fiscal da Disit06 alegou que a citada solução de consulta limitouse a afirmar que se as receitas descritas pela consulente na petição inicial (taxa de manutenção e demais ingressos destinados a garantir sobrevivência e atuação da recorrente) não se enquadravam nas hipóteses dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001. Ainda esclareceu a citada autoridade que “não foi objeto de questionamento, e tampouco de análise no processo de consulta, o art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzido no art. 32 do Decreto 4.524, de 17 de dezembro de 2002, pois este, conforme se verifica do item 8 deste Parecer, não foi sequer citado, tanto na peça vestibular, assim como na solução da consulta.” A razão está com a autoridade fiscal. No caso em tela, a condição que sujeita a recorrente à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento e sobre a folha de salários não são os arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835/2001, mas o inciso I do § 2º do art. 15 da citada MP. E esse preceito legal não foi objeto da consulta, por conseguinte, sobre ele não houve qualquer análise e orientação no âmbito da referida SC. Dirimida a primeira questão de fato, passase à análise da segunda, que diz respeito à existência de provas de que a recorrente não utilizou, no período de apuração, quaisquer das deduções discriminadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art. 1º2 da Lei 10.676/2003, e consolidadas no art. 32 do Decreto 4.524/2002. II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas." 2 " Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10680.912784/200917 Acórdão n.º 3302004.606 S3C3T2 Fl. 486 11 De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade fiscal concluiu que, embora fossem razoáveis as alegações da recorrente, acerca da natureza das deduções efetuadas, não era possível confirmar a composição da exclusão da base de cálculo devido à divergência de R$ 10.736,66, encontrada na conta “Eventos Indenizáveis Líquidos”, entre a memória de cálculo apresentada pela recorrente e os valores informados no balancete colacionados aos autos, o que majorara a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Na citada manifestação, a recorrente esclareceu o motivo da divergência. Para ela a divergência foi motivada por equívoco na operação algébrica, ou seja, o saldo da conta de natureza credora de nº 4121 (“Recup/Ressar. de Eventos Indenizáveis”), no valor de R$ 10.736,66 (fl. 110) e foi indevidamente adicionado à conta de natureza devedora de nº 41 (“Eventos Indenizáveis Líquidos”), no valor de R$ 952.399,88 (fl. 114). A análise dos dados apresentados nos referidos balancetes em cotejo com os informados na referida memória de cálculo, confirma o equívoco de natureza meramente algébrico cometido pela recorrente. Deveras, o saldo da conta “Eventos Indenizáveis Líquidos” do balancete, inequivocamente, já incorporava o valor do saldo devedor da “Recup/Ressar. de Eventos Indenizáveis”, portanto, a adição do referido valor foi feita de forma indevida, conforme alegado pela recorrente. Dessa forma, uma vez cabalmente demonstrado, nos autos, que o motivo apresentado pela autoridade fiscal, para não reconhecer a alegação da recorrente, fora respaldado em mero equívoco cometido pela recorrente no preenchimento da citada memória de cálculo, induvidosamente, resta comprovado que, no período em referência, a recorrente não utilizou quaisquer das referidas deduções, especialmente, a dedução das sobras apuradas na DRE do período. Além disso, independentemente, da demonstração do referido equívoco, uma leitura atenta dos referidos balancetes revela que a recorrente, no período, não deduziu nenhum dos valores dos itens discriminados no artigo 32 do Decreto 4.524/2002, incluindo as sobras apuradas na DRE. Dessa forma, uma vez demonstrado que a recorrente não estava sujeita a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a folha de salários, obviamente, o valor da contribuição recolhido a esse título, com o código 8301, era indevido. E o fato de a recorrente não ter procedido, previamente a apresentação da DComp, a retificação da DCTF, obviamente, não tem o condão de transformar em devido o valor do recolhimento indevido. Entender de modo diverso implicaria valoração excessiva da forma em menoscabo ao conteúdo, com evidente afronta ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal. do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999." Fl. 491DF CARF MF 12 Por todas essas razões, chegase a inexorável conclusão que o valor recolhido indevidamente a título da “Contribuição para o PIS/PASEP sobre Folha de Salários”, código 8301, com os devidos acréscimos legais, é passível de compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso, para reconhecer o direito de a recorrente realizar a compensação até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 492DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903149/2012-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.422
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13830.903149/2012-63
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5788505
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.422
nome_arquivo_s : Decisao_13830903149201263.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 13830903149201263_5788505.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6984857
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469270884352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.903149/201263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.422 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente QUEIJARIA BUFALO D'OESTE LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 49 /2 01 2- 63 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de PIS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.685, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903149/201263 Acórdão n.º 3402004.422 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000508/2002-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS.
A industrialização efetuada por terceiros aplicada sobre insumo (a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem )adquirido pelo exportador, visando seu aperfeiçoamento, para posterior emprego nos produtos finais exportados pelo encomendante, compõe o custo de produção da matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, devendo compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS e da COFINS previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. A industrialização efetuada por terceiros aplicada sobre insumo (a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem )adquirido pelo exportador, visando seu aperfeiçoamento, para posterior emprego nos produtos finais exportados pelo encomendante, compõe o custo de produção da matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, devendo compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS e da COFINS previsto na Lei nº 9.363/96.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.000508/2002-40
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756988
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.260
nome_arquivo_s : Decisao_11065000508200240.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 11065000508200240_5756988.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas
dt_sessao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6887151
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049469285564416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 242 1 241 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.000508/200240 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.260 – 3ª Turma Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARUA CALCADOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. A industrialização efetuada por terceiros aplicada sobre insumo (a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem )adquirido pelo exportador, visando seu aperfeiçoamento, para posterior emprego nos produtos finais exportados pelo encomendante, compõe o custo de produção da matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, devendo compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI como ressarcimento do PIS e da COFINS previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 05 08 /2 00 2- 40 Fl. 242DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3202001.072, de 30 de janeiro de 2014, (fls. 214 a 220 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito de creditamento dos valores da industrialização por encomenda. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo a PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, correspondente ao 4º trimestre de 2001. O Despacho Decisório excluiu do cálculo do crédito presumido pleiteado, a ser utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, as parcelas referentes ao valor da prestação de serviços relativos às industrializações por encomenda e os acréscimos calculados pela taxa Selic. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese, que são ilegais as restrições feitas através de Instruções Normativas, relativas às aquisições e gastos em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados. Encerrou requerendo a concessão do que foi originalmente pedido, acrescido da taxa SELIC, conforme princípios constitucionais e julgados citados em sua manifestação. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 243 3 A DRJ em Ribeirão Preto/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer o direito ao creditamento dos valores da industrialização por encomenda, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante se agrega ao seu custo de aquisição para fins de gozo e fruição do crédito presumido do IPI. Recurso voluntário provido A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 222 a 231) em face do acórdão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada da Fazenda Nacional diz respeito ao direito a crédito presumido de IPI nas operações de industrialização por encomenda. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 0202.814 e 9303001.933. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 233 a 237 sob o argumento que comparando os fundamentos do acórdão recorrido e do acórdão paradigma, entendeuse que restou caracterizado o dissídio jurisprudencial, sendo inequívoca a divergência manifestada, pois o acórdão recorrido manifestase pelo cabimento da inclusão, no cálculo do crédito presumido de IPI, pelo produtor exportador, do valor referente à Fl. 244DF CARF MF 4 prestação de serviços relativos à industrialização por encomenda, no caso em que os produtos industrializados por terceiros são utilizados como matériaprima pela encomendante, no seu processo de produção; já os acórdãos paradigmas, em sentido diametralmente oposto, entendem que tais valores não podem ser incluídos no cálculo do crédito presumido de IPI. O Contribuinte foi cientificado por edital para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 239 e 240 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O processo se refere à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, dos valores referentes à industrialização por encomenda. Analisando os autos, verificase que a diligência realizada pela fiscalização concluiu que produtos industrializados por terceiros são utilizados como matériaprima pela Contribuinte no seu processo de produção. As conclusões da diligência foram as seguintes (fls. 195): MARUÁ CALCADOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ (MF) sob n° 72.107.1211000148, com sede e foro na Rua KraemerEck, n° 1293, bairro centenário, na cidade de Sapiranga/RS, neste ato representada por seu Diretor, Sr. Gilberto Morbach, em resposta ao Termo de Diligência n° 1, de 03106110, respondemos às perguntas na ordem que seque: 1. os produtos industrializados por terceiros são cabedais para costura e préfabricados de calçados; 2. os mencionados produtos são utilizados como matériaprima; Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 244 5 3. os mencionados produtos são utilizados no processo de produção do contribuinte/peticionário/impugnante; 4. o valor das aquisições para o 4° Trimestre de 2001 foi de R$918.977,97. Importante frisar que o beneficiamento de matériaprima por terceiros não tem a natureza de prestação de serviços, e sim, de industrialização por encomenda. Assim, tratandose de industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso a matéria prima, que integra o custo do produto industrializado e posteriormente exportado, o valor cobrado por esta industrialização por encomenda integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI. De fato, na maior parte das vezes em que um industrial recorre à industrialização por encomenda o faz por não reunir condições técnicas de realizar internamente tais operações, seja por falta de pessoal capacitado, seja por não possuir o equipamento adequado. Esta opção está ligada, à uma racionalidade econômica, pois ela decorre de uma decisão econômica de não verticalizar o processo produtivo, criando internamente uma linha ou divisão para realizar a operação em tela, seja porque infrequente, seja porque é mais barato realizála fora. Verificase que os cabedais para costura e préfabricados de calçados em discussão só assume a condição de matéria prima para o postulante do benefício (fabricante de calçados) após ter sido submetida a essa industrialização parcial. Antes disso, matériaprima não é utilizada no processo produtivo e nem é integral e imediatamente consumido ou incorporada fisicamente ao item fabricado pelo exportado. Ora, se no estado em que inicialmente adquirido o item não pode ainda participar do processo fabril do postulante, como pode ser, desde logo, considerado matéria prima? Só o é, a meu sentir, após submetido àquele tratamento adicional. Fl. 246DF CARF MF 6 E, como diz o texto normativo nos arts. 1º e 2º da Lei 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador A meu ver, pois, o “valor total” a que se refere a lei tem de corresponder àquele que a empresa desembolsou para contar em seu estabelecimento com um item que empregará efetivamente na produção do produto a exportar. Vale repetir que esse acréscimo de valor – correspondente à aqui discutida “industrialização adicional” – inclui, no mais das vezes, não apenas despesas com mão de obra, mas também, e com destaque, depreciação de ativo fixo não existente no estabelecimento do encomendante, e, no mínimo, o lucro daquele que realiza a operação. A presença dessa última parcela é, por si só, suficiente para não fazer sentido pressupor – ao menos como regra – que um dado estabelecimento capaz de realizála internamente “opte” por contratála a terceiros e pagar mais por isso. No presente o Contribuinte pagou a outra empresa para transformar beneficiar cabedais para costura e préfabricados de calçados, para depois a própria empresa transformalo em calçado e, o que requer o emprego de equipamentos específicos e pessoal especializado, Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 245 7 para realizar essa transformação. Não vejo motivos então para que se exclua a parcela do beneficiamento realizado. Despiciendo dizer, sobre o valor pago incidiram integralmente as contribuições que se quer ressarcir. A lei fala em matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não haveria tal possibilidade de inclusão se os materiais recebidos fossem exportados no mesmo estado. Caracterizado, pois, que a industrialização se deu sobre insumo que vem a ser, depois, efetivamente empregado no processo produtivo do bem exportado, cabe, em meu entender, incluir o valor pago no cálculo do incentivo. Por fim, exponho que filiome ao entendimento retratado pela Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais (abaixo reproduzido), no sentido de que os dispêndios decorrentes da industrialização por encomenda que venham a ser aplicados sobre ou na obtenção de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, por sua vez aplicados no processo produtivo do produto exportado, seu valor integra o custo deste insumo, e, consequentemente, deve integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI. Recentemente essa matéria foi tratada nessa Câmara Superior, os motivos encontramse bem delineados no voto condutor do Acórdão 9303004.694, de 12 de março de 2017, da lavra do il. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, razão pela qual passamos a adotálo como razão de decidir: Imaginemse as seguintes situações: uma primeira, em que a matériaprima sai do estabelecimento vendedor já definitivamente acabado e pronto para aplicação no processo produtivo do adquirente, ou seja, quando nela já se encontra aplicado aquele serviço que, se assim não fosse, o adquirente teria de encomendar a um terceiro a sua realização para o posterior emprego no seu processo produtivo. Neste caso, não se questiona que todo o valor do custo de aquisição da matériaprima gera o direito ao crédito pleiteado. Fl. 248DF CARF MF 8 Agora, uma segunda situação, na qual a matériaprima é adquirida do estabelecimento vendedor sem que nele tenha sido aplicado o serviço que se afigura necessário à sua utilização no processo produtivo do adquirente, que, por isso mesmo, o encomenda a um terceiro. Embora o gasto assim dispendido seja incorporado ao custo da matériaprima, a tese vencida o exclui da determinação do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996. Todavia, a Lei nº 9.363, de 1996, autoriza o direito ao crédito sobre todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Não havendo óbice legal, todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que devem ser considerados na determinação do crédito presumido pelo encomedante. Adotando o nosso entendimento, confiramse os seguintes acórdãos desta mesma Turma e do Superior Tribunal de Justiça STJ: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (Acórdão nº 9303001.721, de 07/11/2011). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 9303005.260 CSRFT3 Fl. 246 9 incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtor¬exportador. (...) (Acórdão nº 930301.623, de 29/09/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento o insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. Fl. 250DF CARF MF 10 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011) Assim, considerando que o Contribuinte em seu processo produtivo comprovou que remete cabedais para costura e préfabricados de calçados para serem objeto de beneficiamento em terceiros, que após lhe retornam devidamente aperfeiçoadas para que sejam utilizadas como matériaprima de seus produtos finais (calçados), que por sua vez são exportados ao exterior, tenho que, efetivamente, deve essa etapa de industrialização por encomenda ser agregada ao custo da matéria prima por ela adquirida, para fins de cômputo do crédito presumido de IPI veiculado pela Lei nº 9.363/96. Assim sendo, na esteira das considerações constantes dos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digiltamente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
