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Numero do processo: 10840.000545/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Quando comprovada, é de se deduzir da base de cálculo do imposto de renda os dispêndios havidos com pensões judiciais.
CARNÊ-LEÃO - FALTA DE PAGAMENTO - RETROATIVIDADE BENIGNA - Aplica-se ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de defini-lo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 23/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Naoki Nishioka
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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Quando comprovada, é de se deduzir da base de cálculo do imposto de renda os dispêndios havidos com pensões judiciais. CARNÊLEÃO FALTA DE PAGAMENTO RETROATIVIDADE BENIGNA Aplicase ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 23/05/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 05 45 /2 00 4- 10 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage e Alexandre Naoki Nishioka Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 02, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2000, que lhe exige imposto suplementar (R$ 3.182,50), multa de oficio (R$ 2.386,87) e multa exigida isoladamente (R$ 48.072,79), na forma dos dispositivos legais descritos na peça básica. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 30/31), que: a) Não contesta a omissão de rendimentos por tratarse de equivoco, mas requer a revisão da multa isolada alegando que, no preenchimento de sua declaração, deixou de lançar na coluna "deduções" o valor da pensão alimentícia paga a Cecilia de Britto Costa Spinelli no valor anual de R$ 60.000,00. b) Com relação à multa exigida isoladamente (passível de redução), oriunda do não pagamento mensal do imposto (carnêleão), o requerente não considerou na coluna "deduções" o valor da pensão alimentícia no valor anual de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) embora tenha declarado no item 6 relação de pagamentos e doações efetuados. c) Ao final, requer determine a retificação da Declaração de IRPF ano calendário 2000 para a inclusão no item 2 rendimentos tributáveis recebidos de pessoas fisicas e do exterior na coluna "deduções" o valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) pagos a titulo de pensão alimentícia à sua exmulher Cecilia de Britto Costa Spinelli. Intimado pelo julgador de primeira instância a apresentar os comprovantes mensais do pagamento da pensão alimentícia, assim como cópia da sentença judicial, o contribuinte não atendeu. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 30 a 31): Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10840.000545/200410 Acórdão n.º 2101001.467 S2C1T1 Fl. 102 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. MULTA ISOLADA. CARNÉLEÃO. Mantémse o lançamento por falta de comprovação do pagamento de pensão alimentícia judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira: O contribuinte não contesta a inclusão de rendimentos omitidos. Nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, "considerar seá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Assim, considerase consolidado administrativamente o crédito tributário a elas correspondente. Quanto à pensão alimentícia judicial, cuja comprovação dependia dos elementos solicitados, restaram infrutíferas as tentativas de localizar o contribuinte, conforme se verifica as fls. 22/27. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 14/09/2010 (fl. 33v), o contribuinte apresentou, em 14/10/2010, o recurso de fls. 48 a 65, onde alegou, em síntese, que: 1. Muito embora tenha sido deferido prazo para que o Recorrente comprovasse tais alegações, o mesmo jamais fora devidamente intimado para tanto, uma vez que tal ato de comunicação não foi realizado pessoalmente. Assim, ao ser procedida à intimação por edital, o Recorrente teve tolhido seu direito de ampla defesa, uma vez que não conseguiu comprovar em tempo hábil o dispêndio do valor de R$ 60.000,00. 2. O recorrente não poderá ser prejudicado com a aplicação da multa isoladamente exigida, na forma como imposta, tendo em vista que ao se considerar os valores despendidos pelo mesmo a titulo de pensão alimentícia, haverá certamente uma redução nos valores a serem recolhidos, os quais, ressaltase, devem levar em consideração as Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 deduções na base de cálculo, para auferir o montante de imposto a pagar, bem como o valor da multa imposta. 3. Comprovase o pagamento da referida pensão alimentícia, além da inclusa Declaração de Ajuste Anual, a qual prevê na coluna "deduções" o valor pago a titulo de pensão, que goza de presunção relativa de veracidade, por meio da Carta de Sentença anexada aos autos, demonstrando que o Recorrente estava obrigado ao pagamento de pensão alimentícia a sua exmulher, Sra. Cecilia de Britto Costa Spinelli, em decorrência da separação amigável realizada entre as partes. Cita decisões jurisprudenciais e, ao final, propugna o contribuinte a reforma da decisão proferida pela DRJ, reconhecendose a improcedência da multa exigida isoladamente, O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 100, que também trata do envio dos autos a este colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A matéria ora em litígio limitase ao questionamento da viabilidade da aplicação da multa isolada pelo não recolhimento do imposto de renda devido em bases mensais, concomitantemente com a cobrança da multa de oficio incidente em razão da apuração de imposto de renda suplementar em sede de auto de infração. No presente caso, ambas as multas aplicadas têm como base de cálculo o valor do imposto de renda suplementar apurado em sede de lançamento, em razão da omissão de rendimentos recebidos. Reza o artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10840.000545/200410 Acórdão n.º 2101001.467 S2C1T1 Fl. 103 5 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Partindose da premissa de que a uma mesma conduta ilícita não pode ser atribuída mais de uma penalidade sob pena de bis in idem, forçoso concluir que as multas previstas nos incisos 1 a111, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9.430/96 não poderiam ser aplicadas concomitantemente. Desta feita, não seria permitido à Autoridade, em um mesmo exercício, exigir a multa aplicável pela ausência de recolhimento do imposto de renda mensal, concomitantemente com a multa de oficio pela redução indevida, total ou parcial, do imposto de renda devido ao final do anocalendário, apurado em sede de Declaração de Ajuste Anual. Assim, somente mostrase possível a cobrança da multa de oficio pelo não recolhimento da antecipação mensal, prevista no inciso III, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9430/96, nas hipóteses em que tal penalidade venha a ser exigida isoladamente, sem qualquer relação com a infração decorrente da falta de pagamento do imposto devido pela pessoa física ao final do anocalendário. Contrariamente, o inciso I, do parágrafo 1, do artigo 44, da Lei n. 9.430/96, trata da aplicação da multa a ser exigida juntamente com o imposto de renda devido para o anocalendário, quando tal montante não houver sido recolhido no prazo estabelecido pela legislação, o qual, no caso das pessoas fisicas, coincide com o termo final para a apresentação da Declaração de Rendimentos. Contendo o inciso I, do parágrafo 1 , do artigo 44, da Lei n 9.430/96, penalidade que busca coibir a ausência de recolhimento do imposto devido pela pessoa fisica para determinado exercício, sua aplicação inibe a eficácia simultânea da penalidade prevista no parágrafo 1 inciso III, do mesmo artigo. Tendo em vista que na hipótese dos autos foi apurado o pagamento a menor pelo Recorrente do valor de imposto de renda devido ao final do anocalendário em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, forçoso concluirse pela exclusiva aplicabilidade da multa de oficio de 75%, a ser exigida juntamente com o principal. Sobre a aplicação do dispositivo legal referenciado acima, nos casos de multas alusivas ao IRPF Carnê Leão, assim tem julgado esse Conselho: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004Ementa: MULTA ISOLADA DE OFÍCIO. CARNÊ LEÃO. INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo, implicando em uma dupla penalidade em decorrência da omissão de um mesmo rendimento, conduta vedada em nosso ordenamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.(Acórdão 2102001.226 Segunda Turma/Primeira Câmara/Segunda Seção de Julgamento) Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF.Exercício:2003 MULTA ISOLADA MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA. Descabida a exigência de multa isolada concomitantemente com a multa de oficio, tendo ambas a mesma base de cálculo e/ou fato gerador do lançamento do tributo. Recurso provido em parte.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.(Acórdão nº 2802000.460 Segunda Turma Especial/Segunda Seção de Julgamento). Em relação a pensão alimentícia judicial de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) anuais pagos a exconjuge, o recorrente apresenta cópia da sentença judicial que homologou o divórcio (fl. 93), estando comprovado inequivocamente a obrigação do pagamento de tal pensão. Pelo exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a autoridade preparadora recalcule o valor da multa sobre carnêleão não recolhido, nos seguintes termos: (a) excluindo dos rendimentos sujeitos ao carnêleão o valor da pensão alimentícia, de R$ 5.000,00 mensais; e (b) reduzindo o percentual da multa isolada para 50% por retroatividade benigna. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 27/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002632/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004,30/09/2004, 31/12/2004
DESPESAS E CUSTOS INCOMPROVADOS. ÔNUS DA PROVA.
Deve ser mantida a glosa de custos e despesas não comprovados por
documentos hábeis e idôneos. Ônus este do Contribuinte.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
O decidido quanto à infração principal também se aplica à sua decorrência.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. APRESENTAÇÃO DE
EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE.
Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do atendimento parcial das intimações
Numero da decisão: 1302-001.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial
provimento ao recurso voluntário, para desagravar as multas aplicadas no percentual de 112,50%, reduzindo-as para o percentual de 75%.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004,30/09/2004, 31/12/2004 DESPESAS E CUSTOS INCOMPROVADOS. ÔNUS DA PROVA. Deve ser mantida a glosa de custos e despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Ônus este do Contribuinte. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração principal também se aplica à sua decorrência. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do atendimento parcial das intimações
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ÔNUS DA PROVA. Deve ser mantida a glosa de custos e despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Ônus este do Contribuinte. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração principal também se aplica à sua decorrência. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do atendimento parcial das intimações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para desagravar as multas aplicadas no percentual de 112,50%, reduzindoas para o percentual de 75%. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório Fl. 859DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 1302001.121 S1C3T2 Fl. 63 3 Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte foi autuada em 27/07/09 para recolher crédito tributário de IRPJ (R$ 11.195.029,30) e CSLL (R$ 4.067.313,18), multa e juros de mora calculados até 30/06/2009, referentes a fatos geradores ocorridos em 31/03/04, 30/06/04, 30/09/04, 31/12/04, 31/03/05, 30/06/05, 30/09/05, 31/12/05. Em virtude da não apresentação de parte da documentação comprobatória das despesas declaradas e esclarecimentos sobre a sua movimentação bancária, apesar de intimado e reintimado, a fiscalização majorou a multa de ofício de 75% para 112,5% e tendo em vista a comprovação de notas inidôneas foi ainda aplicada multa de 150%. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte apurou o IRPJ pelo lucro real trimestral, nos anoscalendário 2004 e 2005 e deduziu despesas indevidamente na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O Termo de Verificação Fiscal afirma basicamente o seguinte: a fiscalização foi solicitada pelo Ministério Público Federal, em virtude de existir contra a Contribuinte Procedimento Investigatório Criminal com Representação Fiscal para Fins Penais (Proc Previdenciária nº 36222.000443/200718), por terem sido encontrados indícios de utilização de notas fiscais inidôneas. a contribuinte foi intimada, a apresentar, dentre outros documentos: a) Relação das contas contábeis que compõem os valores indicados na Ficha 04 A, Linha 29 da DIPJ, (Serviços Prestados por Pessoa Juridica) anocalendário 2004, relativos aos 1º trimestre (R$ 263.271,05), 2º trimestre (R$ 1.992.087,67), 3º trimestre (R$ 1.076.426,20) e 4º trimestre (R$ 1.812.754,60); b) Relação das contas contábeis que compõem os valores indicados na Ficha 04 A, Linha 28 (Serviços Prestados por Pessoa Física sem Vínculo Empregatício) da DIPJ, anocalendário 2005, relativos aos 1º trimestre (R$ 2.289.354,81) e 2º trimestre (R$ 3.137.216,85); c) Relação das contas contábeis que compõem os valores indicados na Ficha 04A Linha 29 (Serviços Prestados por Pessoa Jurídica) da mesma DIPJ, relativos aos 3º trimestre (R$ 3.718.623,67) e 4º trimestre (R$ 5.518.691,30), bem como as folhas dos Livros Razão das contas correspondentes. o valor total consignado na Ficha 04A Linha 29 (anocalendário 2004) soma R$ 5.144.989,52. a empresa afirma que os valores de R$ 2.289.354,81 e RS$ 3.137.216,85 foram digitados indevidamente nessas linhas, pois na realidade deveriam ter sido lançados nas linhas 29 desses mesmos trimestres ("Serviços Prestados Por Pessoa Jurídica"). a Referida correspondência foi acompanhada por cópias da Ficha 04A, Termos de Abertura e de Encerramento, Livro Diário do anocalendário 2004 e 2005, Razão Analítico da conta 401704201170000 – Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica – período de 14/01/05 a 31/12/05, Razão Analítico da conta 401704201170000 – Serviços de Terceiros – Fl. 860DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 Pessoa Jurídica – período de 02/01/04 a 31/12/04 e Relação de fornecedores e prestadores de serviços para o período de 01/05 a 12/05. apresentou ainda as folhas do Livro Razão do anocalendário 2005 (Razão Analítico da conta 401704201170000 – Serviços de Terceiros – Pessoa Jurídica – período de 14/01/05 a 31/12/05) com indicação da totalização mensal dos valores pagos a prestadores de serviços, razão pela qual forneceu planilhas com o desmembramento dos valores, assinadas pelo contador, Sr. José Adelino Turbiani, e pelo sócio José de Oliveira Brito. Irresignada com a autuação a empresa apresentou impugnação acompanhada dos documentos de fls. 430 a 796, na qual alega, em síntese, o seguinte: argui a prescrição, com fulcro no art. 174 do CTN. que o Livro Razão está eivado de erros contábeis, como: Notas Fiscais com a mesma numeração e com valores e datas idênticas; contabilização em duplicidade e em desacordo coma Legislação vigente. que a obrigação tributária submetese ao principio da legalidade. que o ocorrido não decorreu de máfé, mas sim de falta de atenção. que o valor total de multas ultrapassa o valor devido. que a Constituição Federal veda a utilização de tributos com fim de confisco. Os membros da 1ª Turma da DRJ/SP, por maioria de votos, consideraram a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido, vencido o julgador Eduardo Shimabukuro que votava pela improcedência do agravamento da multa de 75% para 112%, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, Data do fato gerador: 31/032004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 DESPESAS E CUSTOS INCOMPROVADOS. Mantémse a glosa de custos e despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Fl. 861DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 1302001.121 S1C3T2 Fl. 64 5 Líquido (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE. NATUREZA OBJETIVA Em regra, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado em 06/08/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese o seguinte: que ocorreu a prescrição quanto ao anocalendário de 2004 tendo em vista o decurso do prazo de 5 anos. são descabidas as multas majoradas por infringirem diversos preceitos constitucionais. que colacionou diversas notas fiscais que deverão ser aceitas. que ocorreu o bis in idem, se consideradas as multas somadas aos juros. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 O recurso voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Da analise dos autos, verificase que a contribuinte não logrou comprovar, por meio do necessário lastro documental hábil e idôneo, a origem despesas glosadas. Quanto as nulidades levantadas, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa a princípios constitucionais, entendo que o procedimento fiscal foi efetuado com observância ao Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. No âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determinam: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como visto, a nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente, ou cerceamento de direito de defesa. Quanto as alegações de afronta à princípios constitucionais, é preciso ressaltar que a competência deste colegiado administrativo é limitada tendo em vista o seu caráter vinculado, onde o julgador é um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou inconstitucionalidade de comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Tanto é que a matéria foi Sumulada através da Súmula CARF nº 2 que determina: LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. No entendimento da recorrente a decisão da Turma Julgadora teria deixado de se manifestar sobre pontos questionados na peça impugnatória, em razão disso, a entende ser nula a decisão, eis que atenta contra a garantia do devido processo legal e o direito de ampla defesa da contribuinte. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Fl. 863DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 1302001.121 S1C3T2 Fl. 65 7 No voto recorrido consta a manifestação sobre as questões mais importantes do litígio, oferecendo o entendimento da Turma Julgadora, bem como a sua fundamentação. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pela suplicante, na fase impugnatória, cuja aceitação implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa, como também o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança na decisão é que constituiria nulidade da decisão de Primeira Instância. Não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em supostas teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, quando não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, baseado no entendimento que a mesma foi proferida dentro dos parâmetros legais, abrangendo os fatos importantes do processo. Mediante análise da contabilidade da fiscalizada, constatouse que nenhum dos pagamentos relativos aos fornecedores transitaram pela conta Bancos, só pela conta Caixa, não sendo possível obter a comprovação da realização das despesas. Como também se extrai dos autos, intimada a apresentar comprovantes de pagamentos referentes às Notas Fiscais a contribuinte não atendeu a fiscalização. Além do mais, da análise da contabilização das despesas no Livro Razão foram encontradas diversas Notas Fiscais com a mesma numeração, mas com divergência nas datas de emissão ou nos valores. Algumas empresas, que emitiram Notas Fiscais sequenciais para a fiscalizada, estavam inativas e omissas na entrega de declarações de acordo com a consulta feita aos sistemas da RFB. Pela não apresentação da documentação comprobatória das despesas declaradas pela empresa, houve o agravamento da multa de ofício para 112,50%, pelo não atendimento as intimações e pela comprovação de notas inidôneas, coube a multa qualificada de 150%. Não me parece justa a majoração da multa para 112,50%, simplesmente por não ter o contribuinte apresentado à documentação comprobatória das despesas declaradas. A fiscalização, quando agrava a multa de 75% para 112,50%, deve provar o embaraço a fiscalização, o que não se vislumbra nos autos, já que basta uma análise do Termo de Verificação Fiscal que se constata que a empresa apresentou uma série de documentos contábeis, prestou esclarecimentos, não se esquivou das intimações e de cumprir os prazos, com se pode observar nos trechos seguintes do termo, “in verbis”: “3. A empresa apresentou as folhas do Livro Razão. Apresentou, ainda, declaração admitindo ter informado erroneamente os valores da linha 29 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 8 na linha 28 no primeiro e segundo trimestres de 2005, e comprometendo se a efetuar esta regularização. O razão de 2005 só possuía totalizações mensais dos valores pagos a prestadores de serviços, razão pela qual o contribuinte forneceu planilhas de desmembramento de tais valores, assinadas pelo seu contador, José Adelino Turbiani,e pelo sócio José de Oliveira Brito. 4. Foram solicitadas, então, por amostragem, as Notas Fiscais correspondentes aos valores lançados no razão. A empresa apresentou apenas 11 (onze) Notas que totalizaram R$ 113.916,55 de um montante de quase dezessete milhões de reais lançados como despesa com prestadores de serviço nas declarações de 2004 e 2005. Entregou documento alegando que todas as demais foram extraviadas da sua sede.” Sabemos que o contribuinte deve escriturar todas as suas operações observando as leis comercias e as leis fiscais e que o ônus de provar a realização de despesas é dele, já que a dedução de custos e despesas é em seu benefício. Porém para esta não apresentação já existe a multa regulamentar é de 75% que é a que deve prevalecer em caso que tais. Não restando configurada a evidência da situação de embaraço prevista na legislação, deve a multa regulamentar de 75% prevalescer. No que se refere à prescrição, esclareçase que a matéria discutida nos autos relacionase a lançamento de tributos, ao passo que a prescrição envolve questão distinta, relativa à cobrança do crédito tributário, tendo havido um equivoco da recorrente. Em se tratando de lançamento por homologação, o que se deve apurar é a decadência e o termo inicial para sua contagem é a data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). A alegada presença de boafé por parte da recorrente, neste caso, não é hábil a para desconsiderar o agravamento da multa, uma vez que a emissão de notas inidôneas por si só já tipifica o crime de sonegação fiscal e o crime contra a ordem tributária previstos nos arts. 71, 72 e 73 das Leis nº 9.430/94. Constatada a fraude o prazo decadencial passa para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I do CTN). Portanto, está plenamente caracterizado o evidente intuito de fraude, que justifica a imposição do agravamento da multa para 150%, não havendo que se falar em decadência. Por tais razões, voto para rejeitar as preliminares de nulidades e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir a majoração da multa de 112,50% para 75% conforme relatório e voto proferido. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 865DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002632/200982 Acórdão n.º 1302001.121 S1C3T2 Fl. 66 9 Fl. 866DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10680.915830/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA.
É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-001.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 4 1 3 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.915830/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.460 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. É ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 58 30 /2 00 9- 21 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte GEMAPE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA., se insurge no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0231.677, proferido em primeira instância pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE – DRJ/BHE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, negando o direito creditório pleiteado e indeferindo a compensação efetuada, conforme consignado na ementa abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de outras provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” De acordo com o órgão julgador a quo “a mera apresentação da declaração retificadora, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante da DCTF retificadora.” Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTE/BHE, tomase de empréstimo o relatório proferido pela D. Autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu em 31/07/2006 Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s) com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/04/2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG emitiu DespachoDecisório eletrônico (fl. 02) no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 29/04/2009 (fl. 10), o contribuinte apresentou, em 27/05/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 01, com Fl. 38DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10680.915830/200921 Acórdão n.º 3802001.460 S3TE02 Fl. 5 3 os argumentos a seguir sintetizados, fazendo anexar os documentos de fls. 02/09. Alega possuir créditos referentes ao PIS e à Cofins recolhidos a maior no período de 11/2002 a 09/2005 e que, após a constatação da existência de tais créditos, procedeu a sua compensação com impostos federais, por meio de PER/Dcomp, conforme legislação em vigor. Ressalta que na época, por lapso, não retificou a DCTF original, mas em 21/05/2009 apresentou DCTF retificadora com os valores corretos de PIS e Cofins a serem recolhidos. Por fim, requer o reconhecimento do crédito a que faz jus e a conseqüente homologação da compensação realizada. É o relatório.” Cientificada da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs o Recurso Voluntário alegando como razões para homologação do pedido de compensação objeto do presente processo o cumprimento de todas as obrigações, quais sejam, a principal de pagar o tributo e a acessória de informar, e a comprovação cabal de ter recolhido a maior o valor do tributo compensado. Acosta aos autos, com o intuito de corroborar suas afirmações: i) relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 30 de abril de 2005; e ii) relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero por cento. É o relatório. Voto Tempestivamente interposto e atendidos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base em precária e insubsistente argumentação, bem como através da juntada intempestiva de pretensos documentos comprobatórios, motivos pelos quais, como se demonstrará, não merece provimento o presente Recurso Voluntário. Consoante defendido pela interessada, a transmissão de DCTF retificadora, para correção do montante devido a título de COFINS em função da equivocada inclusão na apuração do tributo de peças tributadas pela contribuição à alíquota zero, seria conduta suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, a simples transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil para legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor de COFINS efetivamente devido é aquele consignado na retificadora. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Ademais, cumpre observar que a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, procedendo à retificação da DCTF apenas em 21/05/2009, sendo ineficaz a DCTF retificadora para efeitos de determinação da pertinência do direito creditório declarado, sobretudo, quando a alteração promovida pelo sujeito passivo reduza o débito originalmente confessado sem o acompanhamento de prova hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. Com efeito, a contribuinte já em sede recursal acostou aos autos relatório sintético do valor total de peças sob alíquota zero faturadas diariamente no período entre 01 a 30 de abril de 2005; e relatório analítico por dia com descrição detalhada de todas as peças faturadas sob alíquota zero; pretendendo, assim, demonstrar através de documentos internos a exatidão do débito indicado na declaração retificadora e, via de consequência, a legitimidade do direito creditório. Todavia, relatórios sintéticos internos não são oponíveis ao fisco, por si só, como elementos comprobatórios da materialidade do crédito do sujeito passivo, sendo sim um arrazoado destinado a permitir a compreensão e a visualização da prova a ser juntada – documentos fiscais e/ou contábeis que permitam a verificação do direito de crédito pleiteado. Assim sendo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. Conclusão Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000218/2010-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.170
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Albeerto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Albeerto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
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score : 1.0
Numero do processo: 10980.914308/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 43 08 /2 00 9- 48 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 113 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 114 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 67/73 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (fls. 59/64) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 30/03/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 14600.99383.300306.1.3.046002 (fls.06/10), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA setembro/2005, data de vencimento 31/10/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 7.465,49; multa moratória: R$ 1.493,10; juros de mora: R$ 480,03; Total: R$ 9.438,62. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 8.164,90 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2005, DARF no valor de R$ 195.998,14 (valor original), data do recolhimento 29/04/2005. O valor recolhido a maior ou indevidamente seria de R$ 45.013,38 (valor original) e o crédito original, saldo na data da transmissão da DCOMP seria R$ 8.164,89. O despacho decisório da DRF/Curitiba, de 11/05/2009, não reconheceu o direito creditório peiteado/utilizado na DCOMP, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.164.89. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 115 4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido {CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 18/05/2009 (fl. 05), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 11/21 em 17/06/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: Preliminar de nulidade por ausência da devida fundamentação legal: a) que da leitura do despacho decisório não se extrai, objetivamente, qual dispositivo normativo seria o impedimento ou vedação à compensação tributária pleiteada, fato que causa ofensa aos princípios constitucionais da legalidade — seja na sua acepção genérica (art. 5°, II), administrativa (art. 37, caput) ou estrita em matéria tributária (art. 150, I) — e do devido processo legal, contraditório e ampla defesa (art. 5°, LV e LIV); b) que a devida fundamentação é exigida a partir da própria Constituição Federal em seu art. 93, IX, aplicável inclusive nos procedimentos administrativos; c) que, sem tomar conhecimento do fundamento legal de não homologação, não tem condições suficientes para promover a mais ampla e plena defesa de seus direitos; d) que, de acordo com o art. 50, I, da Lei n° 9.784, de 1999, os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; que no despacho decisório, apesar da existência de descrição fática, nada consta a respeito do fundamento legal que teria impedido a compensação declarada; que o art. 59, II, do Decreto n° 70.235, de 1972, dispõe que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa; e) que o despacho decisório não traz qualquer fundamento legal que se contraponha ao direito subjetivo prescrito pelo art. 170 do CTN c/c o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996; No mérito: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior por erro na base estimada; que tem direito à restituição e compensação do que pagará a maior ou indevidamente. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 116 5 Por fim, ainda na instância a quo a contribuinte pediu o recebimento e processamento da manifestação de inconformidade e seu total provimento, mediante homologação integral e incondicional dos créditos e débitos compensados por meio do PER/DCOMP originário. Diversamente do entendimento da contribuinte, a DRJ/Curitiba, à luz dos fatos e elementos de prova constantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 22/06/2011 (fls. 59/64), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. Incabível falar em nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa quando se verifica que nele consta a devida fundamentação legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO A UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 117 6 Ciente desse decisum em 22/07/2011 (fl. 66), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2011 (fls.67/73) e juntou documentos (fls. 74/102), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a decisão recorrida não merece prosperar, uma vez que o despacho decisório tem vício de nulidade, devendo ser homologada a compensação tributária pelos seguintes motivos de fato e direito: a) o despacho decisório, que não homologou a compensação, não possibilitou plena defesa dos seus direitos, pois não consignou a fundamentação legal para o indeferimento do direito creditório; b) inequivocamente tem direito creditório a ser restituído, e tem direito líquido e certo à compensação; c) a não aplicação retroativa do art. 11 da IN SRF nº 900/2008 configura manifesta violação ao princípio da legalidade; d) é ilegal a criação de empecilhos, por ato normativo infralegal, à compensação tributária; e) não deve prevalecer a forma sobre a essência; f) a decisão recorrida deve ser reformada. Por fim, a recorrente pediu provimento integral ao recurso para que seu crédito seja reconhecido e a compensação tributária seja homologada. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 118 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 30/03/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 14600.99383.300306.1.3.046002 (fls.06/10), informando que compensara débito do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA setembro/2005, data de vencimento 31/10/2005, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA março/2005, data do recolhimento 29/04/2005 (fl. 02). A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de IRPJ estimativa mensal, mas sim apenas saldo negativo do anocalendário. A propósito, nessa parte transcrevo a fundamentação da decissão recorrida (fls.62/63), in verbis: (...) Direito creditório indicado na declaração de compensação 11. Considerando que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme disposto no art. 74, §§ 1° e 2°, da Lei e 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para homologação da compensação declarada nos autos é imprescindível a confirmação do direito creditório informado. 12. Assim, verificase que a interessada declarou na Ficha 11 Cálculo do IR Mensal por Estimativa (com base na receita bruta e acréscimos) tanto da DIPJ 2006 original (ND 0635335) como na DIPJ 2006 retificadora (ND 1252211, às fls. 4450), apresentadas em 26/06/2006 e 30/06/2006, respectivamente, que apurou R$ 150.984,76 de estimativa de IRPJ a pagar para o mês de competência março/2005. 13. Contudo, na DCTF original do mês de março/2005 (ND 1000.000.2005.1840003230), apresentada em 06/05/2005, havia confessado um débito de R$ 195.998,14 de estimativa de IRPJ Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 119 8 para esse mês (fls. 5153), cujo valor foi reduzido para R$ 150.984,76 na DCTF retificadora apresentada em 18/04/2006 (ND 1000.000.2006.1820273108, às fls. 51 e 5455), igualando o ao valor declarado em DIPJ. 14. Tendo efetuado o recolhimento de R$ 195.998,14 em 29/04/2005 (fl. 56), indica esse pagamento como origem do direito credit6rio de R$ 45.013,38 na declaração de compensação em análise, como pagamento indevido ou a maior. 15. No entanto, não há como se reconhecer esse direito creditório porquanto o recolhimento efetuado em 29/04/2005 somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ devido em 31/12/2005 ou para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, conforme previsto no artigo 10 da IN SRF ri° 600, de 2005, in verbis: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período" (Grifou se) 16. Tal dispositivo legal reproduz integralmente a regra originalmente prevista no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004. 17. Ressaltese que a IN RFB ri° 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu artigo 11, revogou a IN SRF n° 600, de 2005, e disciplinou a matéria de forma diversa, excluindo a vedação para compensar pagamento indevido ou a maior a título de estimativas de IRPJ e CSLL: "Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Art. 99. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de I° de janeiro de 2009. Art.100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF n° 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB n° 831, de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 120 9 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005". (Grifouse) 18. Contudo, esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, conforme disposto no seu artigo 99, e não cabe aplicar o artigo 106 do CTN para fazêlo retroagir a data da transmissão da declaração de compensação em análise, haja vista não se tratar de norma expressamente interpretativa e nem de norma que comine penalidade. (...) Entretanto, nas razões do recurso a recorrente rebelase contra essa decisão a quo, argumentando: que, em face do despacho decisório não conter a fundamentação legal para a denegação do direito creditório, a decisão recorrida deve ser reformada, para que se declare a nulidade do despacho decisório e procedase à homologação da compensação tributária, pois o seu direito creditório seria líquido e certo; que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente ou a maior, em face de erro na base estimada; que é ilegal a não aplicação retroativa do art. 11 da IN SRF nº 900/2008. Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que: a) o despacho decisório, diversamente do alegado pela recorrente, está devidamente fundamentado com indicação dos fundamentos legais; b) nos anoscalendário 2005 e 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. Pela fundamentação da decisão recorrida, observase que, em tese, houve erro na base de cálculo estimada mensal do IRPJ por parte da contribuinte, que culminou na retificação da DIPJ e da DCTF. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. Não obstante, no caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 121 10 b) não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais (pagamentos por antecipação) como indevidos dessas exações fiscais quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução mensal); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; d) entretanto, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta mensal ou com balancete de suspensão ou redução mensal) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo, diversamente do disposto no seu art. 99, tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção de que trata a Súmula CARF nº 84, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o ajuste ou para o saldo negativo. Ainda, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA março/2005: a) sequer há cópia completa nos autos da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (DIPJ original e retificadora); b) não foi juntada aos autos cópia da escrituração contábil, e a contribuinte não foi intimada a comprovar o seu direito creditório, pois as instâncias anteriores não apreciaram o mérito da lide; que embora a recorrente alegue, em face da DIPJ retificadora e DCTF retificadora, erro de base de cálculo estimada do imposto (pagamento em excesso, pagamento indevido ou a maior), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2005 que comprove, de forma cabal, o erro de base estimada do imposto de março/2005 e que pudesse justificar a apresentação da DIPJ e DCTF retiticadoras e formação do direito creditório pleiteado; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 122 11 c) não consta dos autos cópias completas da DCTF original e retificadora; d) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de base de cálculo estimada de março/2005, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material; e) entretanto, como já dito, não há cópia da escrituração contábil e fiscal (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta mensal e acréscimos ou se com base em balancetes de suspensão/redução mensais. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição de saldo negativo, pois é possível sim a devolução de direito creditório pago em excesso ou indevido por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste, conforme Súmula CARF nº 84. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRJ/Curitiba para análise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, com os seguintes cuidados: a) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, erro de base de cálculo estimada do PA março/2005; b) apurar se houve o alegado excesso de recolhimento do referido PA (pagamento indevido ou a maior); c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de imposto do mencionado PA (pagamento indevido), verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo do anocalendário 2005; d) ainda, se caracterizado o excesso de recolhimento do imposto por antecipação do citado PA, além de apurar o respectivo valor, informar, demonstrar, à luz da escrituração contábil, se decorreu de antecipação de pagamento sem relação com a receita bruta mensal, sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução (erro de base de cálculo), ou se decorreu de mera antecipação de pagamento nos termos da legislação de regência. Vale dizer, apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de base de cálculo ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência. Diante do exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice suscitado, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões, devendo, então, a unidade de origem da RFB enfrentar o mérito do direito creditório pleiteado. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.914308/200948 Acórdão n.º 1802001.803 S1TE02 Fl. 123 12 Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DRF/Curitiba para que prossiga no julgamento, enfrentando o mérito do direito creditório pleiteado e da compensação tributária efetuada pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 13709.001612/2001-83
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1988 a 30/04/1990
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO. CESSÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
A cessão de créditos homologada judicialmente é válida, passando ao cessionário todos os direitos sobre os valores cedidos, como se dele fossem, viabilizando, então, a compensação de valores, nos moldes do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não cabendo discutir na via administrativa decisão proferida na esfera judicial.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres irá apresentar declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres irá apresentar declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1988 a 30/04/1990 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO. CESSÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. A cessão de créditos homologada judicialmente é válida, passando ao cessionário todos os direitos sobre os valores cedidos, como se dele fossem, viabilizando, então, a compensação de valores, nos moldes do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não cabendo discutir na via administrativa decisão proferida na esfera judicial. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres irá apresentar declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 16 12 /2 00 1- 83 Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1283 a 1313) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 1270 a 1278) que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. No presente caso, o contribuinte Mc Kinlay S.A. obteve decisão judicial transitada em julgado em seu favor, reconhecendo o seu direito creditório quanto aos valores indevidamente recolhidos no período de junho a agosto de 1988 a título de quotas de contribuição ao IBC. Posteriormente, no bojo do processo de execução, houve a cessão dos referidos créditos ao contribuinte que é parte do presente processo administrativo, homologada por decisão judicial (fls. 491). Referida homologação foi precedida de manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, que, ciente da referida exceção, apenas resguardou seu direito de opor à cessionária, oportunamente, as exceções cabíveis, nos termos do artigo 1.072 do antigo Código Civil. O pedido de compensação formulado pela RDC, todavia, foi inicialmente indeferido ao fundamento de que tratarseia de compensação com créditos de terceiros. Esse entendimento foi mantido no v. acórdão da DRJ de Florianópolis – SC (fls. 1207 a 1217). A Colenda Turma a quo, no entanto, considerou que a cessão dos créditos foi homologada pelo Poder Judiciário, e, assim, a RDC passou a ser detentora dos referidos valores. Com isso, os créditos passaram a ser próprios, e não mais de “terceiros”. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração : 01/09/1988 a 30/04/1990 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIRO. CESSÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. A cessão de créditos homologada judicialmente é válida, passando ao cessionário todos os direitos sobre os valores cedidos, como se dele fossem, viabilizando, então, a compensação de valores, nos moldes do art. 74 da Lei n.° 9.430/96, não cabendo discutir na via administrativa decisão proferida na esfera judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, verbis, que a decisão nega a aplicação do art. 74, caput e §12, II, "a", da Lei nº 9.430/96 ao permitir a compensação tributária com créditos de terceiros. Ferese, ainda, por absoluta incompreensão da legitimidade superveniente do cessionário, os arts 42, § Fl. 1920DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13709.001612/200183 Acórdão n.º 9303001.524 CSRFT3 Fl. 1.373 3 1º e 567, II, do CPC, confundindoa com "reconhecimento judicial de titularidade". Além disso, o art. 123, do CTN, restou ferido, pois, de fato, uma convenção entre particulares modificando o sujeito passivo da relação tributária foi considerada válida em face do Fisco. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 1314 a 1316. Contrarazões às fls. 1323 a 1356 em que se apontou, em síntese, que não se cuida no presente processo de compensação com créditos de terceiros, mas sim de créditos próprios, cuja cessão foi homologada judicialmente. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, o v. acórdão recorrido não merece qualquer reparo. Com efeito, a procedência do recurso especial depende da premissa de que os créditos apontados na compensação formulada nos presentes autos são de terceiros. Todavia, pelo que se depreende dos autos, notadamente da r. decisão judicial colacionada às fls. 491 e da manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional constante das fls. 490, não há como se alegar que os créditos apresentados são de terceiros. A Procuradoria da Fazenda Nacional manifestouse previamente à homologação judicial nos seguintes termos (fls. 490): A UNIÃO, pelo Procurador da Fazenda Nacional adiante assinado, nos autos do processo acima referenciado, ciente da cessão de crédito entabulada entre MC Kinlay S/A e RDC Supermercados Ltda., vem expressamente resguardar seu direito de opor à cessionária, em sendo o caso e oportunamente, todas as exceções — formais e materiais — cabíveis contra a cedente, nos exatos termos do art. 1.072 do Código Civil. A r. decisão judicial (fls. 491), ao seu turno, tem o seguinte teor: Processo Nº 9800026150 Homologo a cessão de créditos (fls. 380/382), porque formalmente válida, tendo observado as devidas cautelas. Ademais, a União não se opôs. Corrijase a autuação, para que passe a constar como parte ativa a cessionária. Fl. 1921DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 Após, citese, conforme determinado à fl. 379. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a cessão dos créditos cristalizouse no âmbito do Poder Judiciário, não podendo a autoridade administrativa, ao dar cumprimento à decisão judicial, modificar situação creditória que já ficou definida e contra a qual o devedor nada opôs no momento oportuno. Deve ser prestigiado, assim, o v. acórdão recorrido, nos exatos termos do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, cujos excertos pedese vênia para transcrever, verbis: (...) Como se verifica dos autos, a empresa Mc Kinlay S.A. ingressou judicialmente discutindo a constitucionalidade da chamada contribuição ao Instituto Brasileiro do Café, tendo ganho de causa, sendo reconhecido, ainda, o direito a compensar tais valores. Iniciado o processo executório, fls. 402/406, foi realizada a cessão dos créditos para a recorrente (sucessora de RDC Supermercados Ltda.), fls. 438, homologada judicialmente, fls. 491. A recorrente, através de cessão judicial, passou a ser detentora de tais créditos, motivo pelo qual ingressou com pedido de compensação com débitos próprios. A recorrida, sem adentrar no mérito, negou a referida compensação, sob alegação de que, forte no art. 74 da lei n.° 9.430/96, os créditos seriam de terceiros. Entendo que a decisão recorrida está equivocada, já que, tendo ocorrido a cessão dos créditos judiciais através de homologação pelo Poder Judiciário, passou a recorrente a ser detentora dos referidos valores, já que transferiuse o pólo ativo daquela demanda executiva. Neste sentido, a própria sentença judicial nos autos do mandado de segurança n.° 2003.51.010184581, onde foi discutido o cadastro no CADIN dos débitos que a recorrente procura compensar e que estão ora sendo negados, reconhece esta situação, fls. 1264: Nada a reparar nas alegações da impetrada salvo o fato de que não se tem, na hipótese, créditos de terceiros. Com efeito, é natural ao contrato de cessão que, realizado, o cessionário se torne dono da coisa cedida. Tal instituto, nesse ponto, é similar ao contrato de compra e venda e à doação, dentre outros. O cessionário vira dono, portanto a ele pertencem os créditos fiscais a serem compensados. Na medida em que a recorrente passou à qualidade de pólo ativo da demanda que discutiu a constitucionalidade da chamada contribuição ao Instituto Brasileiro do Café nos autos do processo n.° 98.00026150, os créditos lá discutidos passaram a Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 13709.001612/200183 Acórdão n.º 9303001.524 CSRFT3 Fl. 1.374 5 ser créditos próprios daquela, não sendo mais considerados como "de terceiros". (grifos e destaques nossos) Correta, assim, a r. decisão recorrida ao entender que não se cuida, na presente hipótese, de compensação com créditos de terceiros. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.019436/99-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
O recurso especial por contrariedade à lei previsto no art. 33, I do Regimento do Conselho de Contribuintes baixado pela Portaria MF 55/98, requer, além de que a decisão tenha sido não-unânime, que a Fazenda Nacional demonstre fundamentadamente a tal contrariedade. Para que se entenda minimamente atendido esse requisito, imprescindível a menção no recurso à legislação contrariada com os respectivos motivos para essa interpretação, sem o que dele não se conhece.
NORMAS TRIBUTÁRIAS. COMPENSAÇÃO. APLICABILIDADE DE JUROS. OFENSA À COISA JULGADA
Não configura ofensa à coisa julgada a substituição do índice de juros de mora a ser aplicado ao indébito reconhecido judicialmente quando postulada administrativamente sua compensação em época posterior à da prolação da sentença e em que vige legislação mais benéfica ao contribuinte do que aquela originalmente considerada na sentença.
Numero da decisão: 9303-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso da Fazenda e em dar provimento ao recurso do contribuinte nos termos do voto do relator.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 30/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti (em substituição ao Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, ausente justificadamente), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. O recurso especial por contrariedade à lei previsto no art. 33, I do Regimento do Conselho de Contribuintes baixado pela Portaria MF 55/98, requer, além de que a decisão tenha sido não-unânime, que a Fazenda Nacional demonstre fundamentadamente a tal contrariedade. Para que se entenda minimamente atendido esse requisito, imprescindível a menção no recurso à legislação contrariada com os respectivos motivos para essa interpretação, sem o que dele não se conhece. NORMAS TRIBUTÁRIAS. COMPENSAÇÃO. APLICABILIDADE DE JUROS. OFENSA À COISA JULGADA Não configura ofensa à coisa julgada a substituição do índice de juros de mora a ser aplicado ao indébito reconhecido judicialmente quando postulada administrativamente sua compensação em época posterior à da prolação da sentença e em que vige legislação mais benéfica ao contribuinte do que aquela originalmente considerada na sentença.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso da Fazenda e em dar provimento ao recurso do contribuinte nos termos do voto do relator. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 30/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti (em substituição ao Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, ausente justificadamente), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2151; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 7 1 6 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.019436/9909 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303002.378 – 3ª Turma Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrentes BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A e FAZENDA NACIONAL BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A e FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. O recurso especial por “contrariedade à lei” previsto no art. 33, I do Regimento do Conselho de Contribuintes baixado pela Portaria MF 55/98, requer, além de que a decisão tenha sido nãounânime, que a Fazenda Nacional demonstre fundamentadamente a tal contrariedade. Para que se entenda minimamente atendido esse requisito, imprescindível a menção no recurso à legislação contrariada com os respectivos motivos para essa interpretação, sem o que dele não se conhece. NORMAS TRIBUTÁRIAS. COMPENSAÇÃO. APLICABILIDADE DE JUROS. OFENSA À COISA JULGADA Não configura ofensa à coisa julgada a substituição do índice de juros de mora a ser aplicado ao indébito reconhecido judicialmente quando postulada administrativamente sua compensação em época posterior à da prolação da sentença e em que vige legislação mais benéfica ao contribuinte do que aquela originalmente considerada na sentença. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso da Fazenda e em dar provimento ao recurso do contribuinte nos termos do voto do relator. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 94 36 /9 9- 09 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 30/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ivan Allegretti (em substituição ao Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, ausente justificadamente), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama, Maria Teresa Martinez Lopez e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Subiram à consideração deste colegiado recursos interpostos por ambas as partes contra a decisão consubstanciada no acórdão nº 30238.029, decorrente da decisão tomada pela Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuinte em 21 de setembro de 2006 ao analisar pleito de compensação de indébito reconhecido judicialmente. Estão ambos voltados contra a aplicação, determinada na decisão recorrida, do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução n° 242, de 03/07/2001, do Conselho de Justiça Federal. Com isso, por um lado, reconheceuse a correção monetária plena do indébito pela aplicação dos índices inflacionários objetos de expurgos, mas, por outro lado, (assim se entendeu) determinouse a incidência de juros de mora no percentual de 1% desde o trânsito em julgado, como determinado na sentença transitada em julgado em 1999, sem aplicação, portanto, da taxa selic a partir de 1º de janeiro de 1996. O recurso da Fazenda Nacional insurgese contra o deferimento dos expurgos inflacionários. A recorrente aponta ter ocorrido contrariedade à lei e busca enquadrálo na disposição do regimento de então que o previa nesse caso. O recurso, porém, não aponta qualquer dispositivo legal que teria sido ofendido pela decisão, até porque, reconhece, não o há prevendoa. Ainda assim, foi ele admitido segundo despacho de fls. 625/627 “haja vista que a decisão foi prolatada por maioria de votos”. Contrarazões tempestivas pugnam pela manutenção do julgado. Já o recurso do contribuinte rebelase contra a não inclusão da variação acumulada da taxa selic a partir de 1º de janeiro de 1996, já que o entendimento foi o de que a decisão recorrida manteve aquela expressamente determinada na decisão judicial transitada em julgado, isto é, 1% a partir daquele trânsito. Também presentes contrarazões tempestivas. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 772DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.019436/9909 Acórdão n.º 9303002.378 CSRFT3 Fl. 8 3 Inicio o exame dos recursos, como de praxe, pela sua admissibilidade. Primeiramente, o da Fazenda Nacional. Como já de certo modo entrevisto no relatório, entendo que ele não deve ser admitido. É que, mais uma vez, não se desincumbiu a Fazenda Nacional, a meu ver, da obrigação regimental de demonstrar a contrariedade à lei ou à prova dos autos que o faria admissível nos termos do art. 33, inciso I, do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes baixado pela Portaria MF 55/98, que transcrevo: Art. 33. O recurso especial deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser apresentado por Procurador da Fazenda Nacional, no prazo de quinze dias, contado da vista oficial do acórdão, ou pelo sujeito passivo, em igual prazo, contado da data da ciência da decisão. § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 32 deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. (Redação dada pelo art. 2º da Portaria MF nº 1.132, de 30/09/2002). Deveras, assim se pronunciou o representante da Fazenda Nacional em sua peça de recurso: II. DAS RAZÕES PELAS QUAIS MERECE SER REFORMADO O VENERANDO ACÓRDÃO ORA RECORRIDO Ab initio, cabe a transcrição do quanto ficou definido na decisão judicial transitada em julgado. Vejamos: Isto posto, julgo procedente o pedido, para condenar a União Federal a restituir ao autor os valores excedentes, recolhidos a titulo de FINSOCIAL, decorrentes de majorações de alíquotas estabelecidas pelos referidos dispositivos legais, a serem extraídos pelos documentos constantes de fls. 17/54 dos autos, respeitada a prescrição qüinqüenal, valores esses acrescidos de correção monetária desde a data do recolhimento (Súmula 46 do TFR) e juros moratórios de 1% (um por cento) ao mês, a partir do trânsito em julgado desta decisão, incidindo os juros de mora sobre o capital corrigido monetariamente (EAC n° 106.660MG, Rol Min Washington Bolívar, 1ª Região, TFR, unânime, ai de 01.10.87, p. 20.946), tudo conforme se apurar em liquidação de sentença. Como se verifica, o MM. Juizo, prolator da decisão transitada em julgado não determinou a incidência dos expurgos inflacionados, tendo, inclusive, postergado para a fase de liquidação de sentença a averiguação do exato valor do crédito_do contribuinte: Diante da ausência de condenação da União em aplicar os denominados expurgos inflacionários, limitandose o título a estabelecer a incidência de correção Fl. 773DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 monetária, cabe à administração aplicar, na forma como estabelecido na decisão judicial, os mesmos índices de correção monetária aplicados pela Receita Federal na atualização dos créditos tributários. Fica, assim, respeitado o princípio da isonomia. Além do mais, não foi concluída a fase da liquidação de sentença, perante o poder judiciário, de forma que, posteriormente ao trânsito em julgado, não houve qualquer provimento jurisdicional determinando a incidência dos ditos expurgos inflacionários, Não obstante, o julgador administrativo está adstrito ao Principio da Legalidade Estrita, somente estando autorizado a atuar naqueles casos autorizados expressamente por lei. Neste sentido, inexiste qualquer norma legal que preveja a incidência dos expurgos inflacionários, sendo sua criação mera construção jurisprudencial dos tribunais, sendo que há, inclusive, divergências acerca de qual0s) seria(m) o(s) índice(s) aplicável(is). Destarte, não havendo lei especifica, não há como ser deferidos os expurgos inflacionários pretendidos. Ora, não havia como ser diferente, considerando que os índices de correção monetária aplicáveis são os mesmos utilizados pela SRF na cobrança dos créditos tributários. Incabível, administrativamente, o pleito de expurgos inflacionários, anteriores ou posteriores à data dos créditos pleiteados. Nesse sentido já decidiu este Conselho de Contribuintes, senão veja se: "EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Os índices da correção monetária aplicáveis são os mesmos utilizados pela SRF na cobrança dos créditos tributários. Incabível, administrativamente, o pleito de expurgos inflacionários, anteriores ou posteriores à data dos créditos pleiteados. Recurso negado." (Acórdão n. 20174528, 1, Câmara do 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, DOC. 1) Ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial apresentado, a fim de cassar o v. acórdão ora recorrido, restaurandose o inteiro teor da r. decisão de 1ª instância. Pede deferimento. Brasília, quartafeira, 18 de abril de 2007. PAULO GERMANO MOREIRA NEVES DA ROCHA Procurador da Fazenda-Nacional- Como se vê, nenhuma linha acerca da “legislação contrariada”. Assim, parece forçoso concluir que a representação fazendária entende suficiente que a decisão seja tomada por maioria para que seja possível recolocar à apreciação do Conselho a sua interpretação da legislação. Mas não é. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.019436/9909 Acórdão n.º 9303002.378 CSRFT3 Fl. 9 5 O regimento então vigente é claro em exigir que a decisão nãounânime seja contrária à lei, contrariedade essa que deve ser demonstrada fundamentadamente. Com isso, o mínimo que se pode exigir é a referência aos dispositivos legais contrariados e os motivos pelos quais a Fazenda entende ter havido a contrariedade. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso fazendário. Passando ao recurso do contribuinte, busca ele cabimento na divergência com o acórdão nº 30332.379, da Terceira Câmara do mesmo Terceiro Conselho de Contribuintes, que examinou situação em tudo semelhante à destes autos e concluiu que a partir de 1º de janeiro de 1996 deve incidir a taxa Selic em substituição aos juros de mora de 1% previstos na sentença. Devese conhecer do recurso, pois. Passo ao exame e é forçoso reconhecer, de início que, a já natural dificuldade da matéria em si vêse, neste caso, enormemente aumentada pela redação da decisão recorrida, que parece que se encaminhava na direção de negar, apenas, a cumulação da selic com os juros de mora de 1%. A essa conclusão se chega ao constatar que a n. relatora até mesmo cita a Nota Cosit que autoriza interpretar que não constitui ofensa à coisa julgada a aplicação da legislação superveniente mais benéfica. Acontece que, após encaminhar assim o seu voto, conclui a nobre relatora: Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Interessada conforme os termos constantes do presente arrazoado. Quais são esses termos, eis a questão. E essa dúvida não se dissipa nem pela leitura da ementa nem do resultado consignado na folha de rosto do acórdão. Como, porém, não foi ele submetido a embargos e as partes parecem ter chegado à mesma conclusão – de que ele concedeu apenas os expurgos e negou a adição da selic, mantendo como juros a taxa de 1% – assim examino o recurso especial. E aqui a complicação prossegue porque também não fica claro qual é o pleito do contribuinte: quer ele que se substitua a taxa de 1%, a partir de 1º de janeiro de 1996, pela Selic, ou quer que esta se some àquela? Uma vez que ele traz como paradigma um recurso que deferiu a substituição e explicitamente negou a cumulação, parto da premissa de que seja esse o seu pedido e assim o examino. E nesses termos, entendo que o seu provimento passa necessariamente pela compreensão de quando a decisão judicial que veio a se tornar definitiva foi inicialmente proferida. Deveras, sendo ela anterior à Lei 9.250/95, publicada em 26 de dezembro de 1995, pode ser cogitada a aplicação do entendimento expresso na Nota Cosit já mencionada, pois aí sim temse um caso de legislação superveniente. Do contrário, não. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Pelas cópias constantes às fls. 196 e 197 destes autos verificase que a sentença, embora publicada em janeiro de 1996, fora proferida pela exma. Juíza em 12 de dezembro de 1995, catorze dias, pois, antes da publicação da mencionada lei. Desde a reunião ocorrida em maio do corrente ano, este Colegiado passou a adotar o entendimento de que a superveniência de legislação que amplia o direito do contribuinte objeto de exame na sentença que vem a transitar em julgado deve ser considerada ao investigar postulação administrativa de compensação. Naquela ocasião, discutiuse a possibilidade de utilizar direito creditório decorrente de recolhimentos indevidos de um dado tributo para compensar débito de outro tributo quando já vigente a legislação que o autorizava (e que fora cumprida no demais pelo postulante), mesmo tendo ele decisão judicial transitada em julgado que restringia essa compensação a débitos do próprio tributo originador do indébito, em estrita observância da legislação levada a discussão no Judiciário (art. 66 da Lei 8.383/91). A conclusão a que se chegou então, na linha do quanto preconizado na Nota Cosit nº 141/2003, foi de que isso não constitui ofensa à coisa julgada, até porque não poderia o magistrado se pronunciar sobre uma legislação inexistente quando do ingresso do pedido, ainda que tal ato legal já existisse quando do exame por ele feito. No presente caso, embora o que se discuta seja a forma de valoração do indébito, entendo que a discussão é, no fundo, a mesma. Realmente, o contribuinte teve deferido um indébito cuja valoração foi determinada pela i. magistrada na forma da então (dezembro de 1995) consolidada jurisprudência: corrigido monetariamente até o trânsito em julgado e acrescido de juros a partir daí, mas calculados estes à taxa de 1% ao mês. Depois de proferida a decisão (alguns dias depois, é verdade) sobrevém a Lei 9.250, que expressamente autoriza o cômputo dos juros calculados pela variação da taxa selic a partir de 1º de janeiro de 1996 embora não se preveja mais, a partir daí, a adoção de qualquer índice de “correção monetária”, extinta que fora sua causa, a inflação, “por lei”. Assim, me parece, se o contribuinte desiste da execução da sentença e vem administrativamente postular a compensação do indébito lá reconhecido, deve ser aplicada a este indébito a forma de cálculo aí vigente, ainda que isso constitua uma alteração do teor da sentença proferida, na mesma linha defendida na nota cosit já mencionada, sob pena de reconhecerlhe menos até do que aquele que nada postulou, e por isso mesmo nada ganhou, em juízo. Do exposto, concluo deva ser reformado o acórdão recorrido, na linha preconizada na Nota Cosit nº 141/2003, de modo a aplicar a legislação vigente na data da propositura da compensação administrativa e não considerada quando da prolação da sentença porquanto inexistente. Nesses termos, deve ser aplicada a taxa selic como juros de mora a partir de 1º de janeiro de 1996, como determinado na Lei 9.250/95, sobre o valor do indébito apurado em 31 de dezembro de 1995. Este último é o valor original do indébito corrigido monetariamente pelos índices já deferidos na decisão recorrida e sobre ele NÃO INCIDEM JUROS DE 1% AO MÊS, SUBSTITUÍDA QUE FOI ESSA TAXA PELA SELIC. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 776DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10680.019436/9909 Acórdão n.º 9303002.378 CSRFT3 Fl. 10 7 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13971.000173/2006-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
INSUMOS. CREDITAMENTO FICTO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO-CUMULATIVIDADE. NÃO TRIBUTADOS. ISENTOS. ALÍQUOTA ZERO.
Inexistência de direito a crédito de IPI na entrada de insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados e não tributados em conformidade com jurisprudência pátria que assevera quanto à impossibilidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 INSUMOS. CREDITAMENTO FICTO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CUMULATIVIDADE. NÃO TRIBUTADOS. ISENTOS. ALÍQUOTA ZERO. Inexistência de direito a crédito de IPI na entrada de insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados e não tributados em conformidade com jurisprudência pátria que assevera quanto à impossibilidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 01 73 /2 00 6- 96 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interpostos visando modificar a decisão de piso que negou ao contribuinte o direito ao crédito básico de IPI relativo a insumos não tributados, isento e tributados a alíquota zero, período de 01.01.2002 a 31.12.2005. A decisão atacada rechaçou o pedido sustentando que somente os créditos relativos a insumos onerados pelo imposto são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento mediante pedido de ressarcimento ao fim do trimestrecalendário. O Contribuinte apresentou “Pedido de Ressarcimento de Crédito de IPI”, juntou planilhas demonstrando os valores a recuperar, cópias dos Livros de Apuração de IPI, Livros de Entradas e Saídas de Mercadorias. Defende o seu direito de aproveitamento de créditos de insumos isentos, imunes ou tributados com alíquota zero ou não tributados no princípio da não cumulatividade em conformidade com o que dispõe o art. 153, § 3º, II da Carta Política de 1988. É o relatório Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual impõe o seu conhecimento. A matéria incontroversa colocada a exame se refere ao direito de creditamento decorrente de aquisição de insumos (matéria prima, produtos intermediários e material de embalagens) destinados à industrialização não tributados, tributados pela alíquota zero ou isento. Os Tribunais Superiores, STJ e STF, já formaram jurisprudência sobre o assunto, concluíram da impossibilidade, precedentes: RE 370.682, Rel. Min. Ilmar Galvão, e, RE 353.657, Relator Min. Marco Aurélio. Com advento da Lei 9.779/1999, o art. 11 da referida lei, que entrou em vigor em 20 de janeiro de 1999, autoriza que o saldo credor de IPI acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produtos isentos ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, pode ser utilizado em conformidade os dispositivos nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. O que resta assegurado é o crédito decorrente dos ingressos dos insumos tributados na origem, em obediência ao princípio constitucional da não cumulatividade. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13971.000173/200696 Acórdão n.º 3403002.562 S3C4T3 Fl. 4 3 A não cumulatividade adotada pela Carta Maior encontra lastreada no sistema de créditos e débitos, cuja sistemática é de compensarse o crédito referente à entrada do insumo com o débito correspondente à saída, aritmeticamente, sendo o débito superior ao crédito importa em imposto a ser recolhido. No entanto, se os créditos superarem os débitos, implica em manter o saldo em conta gráfica para aproveitamento no mês seguinte. Dispõe o Código Tributário Nacional, art. 49, que apuração será periódica, e, o saldo credor em cada período de apuração será mantido para compensação com o débito de IPI futuro. Portanto, o entendimento é de que o contribuinte deve creditar do montante desembolsado na fase anterior, inexistindo o destaque do Imposto sobre Produtos Industrializados, não há de se falar em aproveitamento de algo que não existe. Inexistindo exação na etapa anterior, é vedado o creditamento por meio de artifício, essa vedação não ofende o princípio da não cumulatividade consagrado na Carta Política de 1988. Os insumos que deseja a Recorrente creditar encontram situados fora do campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. Em relação aos produtos classificados na TIPI como não tributados, incide Súmula CARF nº 20 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009) que veda expressamente o creditamento. Súmula CARF Nº 20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Com essas considerações, e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999, conheço do recurso e nego provimento. Domingos de Sá Filho Fl. 669DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720011/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o processo em diligência. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. http://decisoesw.receita.fazenda/pesquisa.asp Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que na homologou a compensação dos débitos declarados no presente processo, em razão do saldo credor pleiteado ter sido completamente absorvido pelo crédito tributário lançado de ofício, por falta de lançamento do imposto em virtude da saída de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .7 20 01 1/ 20 07 -6 3 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13830.720011/200763 Resolução nº 3201000.404 S3C2T1 Fl. 292 2 produtos com classificação fiscal e alíquota incorretas, e, também, por glosa de créditos indevidos referentes a aquisições de insumos de fornecedores optantes pelo SIMPLES, de acordo com a reconstituição da escrita fiscal elaborada no âmbito do auto de infração lavrado (processo nº 11444.000553/200825, cuja cópia consta nos autos). Tempestivamente o contribuinte manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que: o julgamento da manifestação de inconformidade deve ocorrer conjuntamente com o da impugnação ao lançamento de ofício referente ao processo nº 11444.000553/200825; tendo dado saída a construções préfabricadas enquadradas na posição 94.06.00.92 da TIPI, com alíquota zero, e não no código 73.08.90.90, equivocadamente pretendido pela fiscalização, com alíquota de 5%, a interessada acumulava créditos na escrita fiscal e que foram utilizados para compensação de débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos termos da Lei nº 9.430/96, art. 74, c/c a Lei nº 9.779/99, art. 11, mediante a transmissão eletrônica das DCOMP em questão; a classificação utilizada pela interessada, 9406.00.92, já fora objeto de análise pela RFB em outros processos relativos a pedidos de ressarcimento c/c pedidos de compensação e atestada; a atividade exercida pela empresa se amolda perfeitamente à referida classificação fiscal, já que os contratos têm por objeto o fornecimento de toda a estrutura metálica que compõe a obra, sendo todas as peças elaboradas no estabelecimento industrial para serem simplesmente parafusadas ou pinadas no canteiro de obras; requer o processamento da manifestação de inconformidade para apreciação pela DRJ em Ribeirão Preto/SP com respectivo provimento e reforma da decisão, com o reconhecimento do crédito pleiteado e a homologação total da compensação efetuada. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/RPO nº 30.953, de 22/09/2010: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REDUÇÃO DO SALDO CREDOR. Reconstituída a escrita fiscal do sujeito passivo em virtude de lançamento de ofício, indeferese integralmente o pedido de ressarcimento/compensação em virtude da conseqüente redução a zero do saldo credor no período de apuração respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Intimado da decisão, a recorrente interpõe recurso voluntário. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13830.720011/200763 Resolução nº 3201000.404 S3C2T1 Fl. 293 3 É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como podemos observar do processo, o recorrente discute a compensação de valores em face do crédito debatido nos autos do processo n.º 11444.000553/200825. Isso porque o crédito pretendido foi glosado em razão de ter sido “completamente absorvido pelo crédito tributário lançado de ofício, por falta de lançamento do imposto em virtude da saída de produtos com classificação fiscal e alíquota incorretas, e, também, por glosa de créditos indevidos referentes a aquisições de insumos de fornecedores optantes pelo SIMPLES”. Ocorre que o referido processo do crédito, apesar de já estar no CARF, sequer foi ainda distribuído: Processo Principal : 11444.000553/200825 Data Entrada : 16/07/2008 Contribuinte Principal : ESTRUTURAS METALICAS BRASIL LTDA Tributo : Não informado Recursos Data de Entrada Tipo do Recurso 04/05/2010 Recurso Voluntário RECURSO VOLUNTARIO Andamentos do Processo Data Ocorrência Anexos 11/12/2012 DISTRIBUIR/SORTEAR Unidade: Terceira Seção De Julgamento 14/11/2011 EM TRAMITAÇÃO Unidade: CARF Órgão Julgador: SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF 19/10/2010 RECEBER PROCESSO TRIAGEM E COMPLEMENTAÇÃO CADASTRAL Órgão: SECOJ SERVIÇO DE CONTROLE DE JULGAMENTO Assim, este autos devem retornar à primeira instancia para aguardar o julgamento do processo do crédito. Realizado aquele julgamento, devem ser juntados aos autos a cópia da decisão proferida, para que seja possível realizar este julgamento. Assim, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade preparadora junte aos autos a decisão proferida nos autos do processo 11444.000553/200825. Realizada a diligência, deve ser intimado o contribuinte para, no prazo de 15 dias, se manifestar, querendo. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 13830.720011/200763 Resolução nº 3201000.404 S3C2T1 Fl. 294 4 Após, com ou sem resposta, deve ser intimada a PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 20 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 344DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 11080.723294/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 32 94 /2 01 0- 03 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723294/201003 Acórdão n.º 2402003.751 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, combinados com o art. 216, inciso I e alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, para as competências 01/2005 a 12/2007. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), o sujeito passivo deixou de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados – incidente sobre os valores pagos indiretamente por meio de Cartão Super Bônus, Cartão convênio ou Cartão super Premiação, intermediados através da empresa Sonae Distribuição Brasil S/A , conforme planilha 04 –, e contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas, lançados na contabilidade, conta – 119946 – Adiantamento de Terceiros, conforme planilha 05. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 07) informa que foi aplicada a multa no valor de R$1.431,79 (um mil, quatrocentos e trinta e um reais e setenta e nove centavos), em conformidade com os artigos 92 e 102, da Lei 8.212/1991; art. 283, inciso I e alínea “g”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Os valores foram atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF nO 333, de 29 de junho de 2010, publicada no D.O.U. de 30/06/2010. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/08/2010 (fl. 01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 160/167) – acompanhada de anexos –, alegando, em síntese, que: 1. a empresa atua na prestação de serviços, veículos de comunicação e mídia externa, tendo sido constituída em 24 de fevereiro de 2003 e sempre esteve enquadrada no SIMPLES, e, sucessivamente no SIMPLES NACIONAL. O lançamento não foi praticado segundo as formas prescritas em lei, tendo em vista que não há a assinatura do chefe do órgão expedidor e tampouco foi comprovado que o auditor fiscal, Sr. Cláudio Geraldo Tedesco, tenha poderes para assinar o auto de infração, não sendo respeitado o inciso IV, do artigo 11 do Decreto 70.235/72. Transcreve os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72. É nulo o Mandado de Procedimento Fiscal nº 010100200900270, pois a numeração do MPF não é composta de dezessete dígitos, conforme determina o artigo 7º, inciso I, da portaria da RFB nº 3.007/01. Assim como, a natureza do procedimento fiscal não foi corretamente esclarecida, não tendo sido expostos os motivos que ensejaram o MPF. Além disso, não foi fornecido à empresa o código de acesso à Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 internet para consulta às informações, o que caracteriza cerceamento de defesa; 2. os valores pagos pela empresa através do Cartão Super Bônus, Cartão Convênio ou Cartão Super Premiação foram todos intermediados pela empresa SONAE Distribuição Brasil S/A, ou seja, empresa que atua no ramo alimentício. Desta forma é possível comprovar que os valores foram pagos a título de auxílio alimentação. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação, pois tal parcela não tem natureza salarial. O ticket alimentação pago durante o contrato de trabalho é parcela indenizatória e não contraria o parágrafo 9º, c, do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 e artigo 3º da lei nº 6.321/76. Tais valores não devem ser considerados como base de cálculo para o cálculo da contribuição previdenciária; 3. a multa aplicada configura indubitável caso de confisco, o que é proibido pela Constituição Federal, uma vez que a empresa agiu de forma legal e recolheu tributos de acordo com o determinado pelo sistema integrado de recolhimento de tributos. Não pode subsistir a multa de mora aplicada no percentual de 24% ainda mais quando a empresa atuou sem qualquer máfé, mas sim amparada por previsões legais e constitucionais; 4. requer a anulação do auto de infração nº 37.273.4863 e, em caso de entendimento diverso, o que se admite apenas para argumentar, requer a anulação parcial do auto de infração com exclusão dos valores referente à multa, conforme fundamentação supra, ou que a mesma seja minorada. Requer, ainda, que as intimações e notificações sejam enviadas em nome dos procuradores da impugnante, no endereço referido na procuração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão 1038.217 da 6a Turma da DRJ/POA (fls. 190/198) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723294/201003 Acórdão n.º 2402003.751 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), nos seguintes termos: “[...] 1Na ação fiscal objeto do Mandado de Procedimento nº 010100200900270 verificouse que o sujeito passivo não arrecadou, mediante desconto, a contribuição devida pelos segurados empregados incidente sobre os valores pagos indiretamente por meio de Cartão SUPER BÔNUS, CARTÂO CONVÊNIO ou CARTÃO SUPER PREMIAÇÃO, intermediados através da empresa SONAE DISTRIBUIÇÂO BRASIL S.A – WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL S.A CNPJ 93.209.765/000117, conforme planilha 04.REM INCLUIDA EM NF BONUS e a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas discriminado pela empresa, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 06, lançados na contabilidade, conta: 119946 – Adiantamento de Terceiros, conforme Planilha 05.PAGTO A PESSOA FISICA, sem identificar a natureza dos serviços prestados. [...]” Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 233DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória, bem como a identificação do sujeito passivo, e a informação de que a Recorrente recebeu toda a documentação utilizada para configuração dos valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 06/07. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada e a identificação correta do sujeito passivo, fazendo constar nos relatórios que o compõem os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. E passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente, para as competências 01/2005 a 12/2007, deixou de arrecadar as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes Fl. 234DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723294/201003 Acórdão n.º 2402003.751 S2C4T2 Fl. 5 7 individuais, mediante desconto de suas remunerações, devidamente delineadas nas planilhas 04 E 05. Essas remunerações correspondem às seguintes verbas pagas: 1. aos segurados empregados, incidente sobre os valores pagos indiretamente por meio de Cartão Super Bônus, Cartão convênio ou Cartão super Premiação, intermediados através da empresa Sonae Distribuição Brasil S/A , conforme planilha 04; 2. aos contribuintes individuais a seu serviço, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas, lançados na contabilidade, conta – 119946 – Adiantamento de Terceiros, conforme planilha 05. Com essa conduta a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, transcritos abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; ......................................................................................................... Lei 10.666/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009) Esse art. 30, inciso I e alínea “a”, da Lei 8.212/1991, assim como o art. 4° da Lei 10.666/2003, são claros quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 216, inciso I e alínea “a”: DA ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 I a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente – ao deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme delineamento dos valores constantes nas planilhas 04 e 05 – incorreu na infração disposta no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, combinados com o art. 216, inciso I e alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723294/201003 Acórdão n.º 2402003.751 S2C4T2 Fl. 6 9 Assim, constatase que as demais alegações expostas na peça recursal reproduzem os mesmos fundamentos esposados na defesa relativa ao lançamento da obrigação previdenciária principal, constituída nos Autos dos processos: 11080.72338685 (AIOP 37.273.4880) e 11080.723297/201039 (AIOP 37.273.4898). Após essas considerações, informo que as conclusões acerca dos argumentos da peça recursal – concernente ao descumprimento da obrigação acessória, no que forem coincidentes, especificamente com relação às verbas pagas a título de cartão de premiação –, foram devidamente enfrentadas, quando da análise dos processos da obrigação principal. Assim, passarei a utilizar o conteúdo assentado na decisão dos processos da obrigação principal para explicitar que os seus elementos fáticos e jurídicos serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) A Recorrente argumenta que os valores decorrentes das parcelas pagas a título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória. Tal alegação não deve prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência judicial e deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Considerando o Relatório Fiscal (item 6, processo 11080.723297/201039) e Contrato firmado entre a empresa SONAE DISTRIBUIÇÃO BRASIL S/A – WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL S/A (CNPJ 93.209.765/000117) e a Recorrente, constata se que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente à eventual superação das metas ou expectativas de desempenho prédeterminadas pela mesma. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tanto ficou configurada a habitualidade que a Recorrente disponibilizou os cartões de incentivos, no período de 01/2005 a 12/2007, aos segurados empregados e contribuintes individuais. Portanto, a habitualidade, no presente caso, resta caracterizada em decorrência da própria política de premiação realizada pela Recorrente. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartão de premiação. Nesse sentido, registramos que há vários precedentes desta natureza prolatados por esta Corte Administrativa, então denominada 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: Ac. 20600236, Ac. 20600286, Ac. 20600333, Ac. 20600949. Ainda registro o teor das ementas nos julgados abaixo: ACÓRDÃO 20600949 – Recurso 147059 Ementa: PREVIDENCIÁRIO – REMUNERAÇÃO INDIRETA – UTILIDADES – PAGAMENTO DE PRÊMIO – PRODUTIVIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO – DECADÊNCIA Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas. (...) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723294/201003 Acórdão n.º 2402003.751 S2C4T2 Fl. 7 11 ......................................................................................................... ACÓRDÃO 20600286 – Recurso 141822 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Dentro desse contexto, peço vênia à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira para transcrever trecho de seu voto, condutor do Ac. 20601657, que enfrenta a questão ora posta em julgamento: [...] Conforme discutido nos autos o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) (...) Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.” Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. (...) Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula n° 209, nestes termos: “Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade.” Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. (...) Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.723294/201003 Acórdão n.º 2402003.751 S2C4T2 Fl. 8 13 Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: (...) Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Além disso, o texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. [...]” Dessa forma, não acato as alegações da Recorrente, eis que valores pagos por meio de cartão de premiação possuem natureza remuneratória e devem integrar o salário de contribuição. A Recorrente alega que a multa aplicada é confiscatória e inconstitucional, pois atenta contra os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da proporcionalidade, tendo com isso um caráter exorbitante. Cumpre esclarecer que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Por oportuno, cabe destacar que não se trata de multa moratória. A penalidade aplicada decorre da constatação de infração à legislação, em decorrência de descumprimento de obrigação acessória, que restou confirmado no feito. Logo, não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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