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Numero do processo: 11516.003269/2004-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-004.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para afastar a preliminar de decadência e dar-lhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720; e (b) por maioria de votos reconhecer a não incidência do IRPF sobre os valores recebidos a título de reembolso de despesas com veículos, vencida nesta matéria a conselheira Andrea.
Andrea Brose Adolfo - Presidente.
Alexandre Evaristo Pinto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para afastar a preliminar de decadência e darlhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720; e (b) por maioria de votos reconhecer a não incidência do IRPF sobre os valores recebidos a título de reembolso de despesas com veículos, vencida nesta matéria a conselheira Andrea. Andrea Brose Adolfo Presidente. Alexandre Evaristo Pinto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 32 69 /2 00 4- 96 Fl. 85DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0722.350, de 26/11/2010, (fls. 33 a 37). Contra o contribuinte foi lavrada Notificação de Lançamento, alterando o valor apurado na declaração de ajuste do contribuinte de imposto a restituir de R$ 3.271,03 para imposto a pagar de R$ 381,34, relativo ao anocalendário de 2002, uma vez que foram alteradas as importâncias referentes aos rendimentos tributáveis recebidos de Amauri Adm. de Consórcios Ltda., por meio da Ação Trabalhista n. 1.687/02, que tramitou na 3ª Vara do Trabalho de Florianópolis, de R$ 22.134,66 para R$ 30.182,43, além do IRRF relativo às mesmas verbas de R$ 4.747,11 para R$ 3.275,76. Na impugnação, o contribuinte alegou em síntese que: (a) não deve ser incluída na base do IRPF os valores relativos ao reembolso de despesas decorrente do uso de veículo para o trabalho; e (ii) os valores recebidos a título de "devolução de descontos" e "multas convencionais" possuem natureza indenizatória. A DRJ julgou a impugnação improcedente, pois foi entendido que: (a) as verbas com o reembolso de despesas com veículos seriam tributáveis pelo IRPF, uma vez que não há previsão específica de isenção para verbas com tal natureza; e (b) não foi apresentado qualquer outro argumento ou prova de que o os valores recebidos a título de "devolução de descontos" e "multas convencionais" possuem natureza indenizatória. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário alegando em síntese que: (a) decadência das verbas relacionadas com indenizações do período entre os anos de 1996 a 1999; (b) aplicação do regime de competência para os valores recebidos acumuladamente pelo recorrente; (c) natureza indenizatória das verbas recebidas, assim como elas não proporcionaram nenhum acréscimo patrimonial para o recorrente, mas apenas recompuseram o seu patrimônio; e (d) o recorrente não pleiteia a isenção pelo IRPF das verbas recebidas relativas ao reembolso de despesas com veículos, mas entende que tais verbas não constituem renda. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11516.003269/200496 Acórdão n.º 2301004.906 S2C3T1 Fl. 86 3 O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da Decadência das verbas relacionadas com indenizações do período entre os anos de 1996 a 1999 Em que pese parte das verbas sejam relacionadas a períodos entre os anos de 1996 a 1999, não há que se falar em decadência, uma vez que o recebimento acumulados de tais verbas se deu no ano de 2002. Mérito Rendimentos Recebidos Acumuladamente Aplicação do Regime de Competência Com relação à tributação pelo IRPF dos rendimentos conforme os valores mensais das alíquotas da época, cumpre destacar que, tal qual exposto no Acórdão do DRJ, no anocalendário de recebimento de rendimentos pelo recorrente, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, que possuía a seguinte redação: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Todavia, a Lei 12.350, de 2010 introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1988, que definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social: Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) Não há dúvida sobre a aplicação do art. 12A da Lei nº 7.713/88 para os exercícios posteriores a 2010, no entanto, poderia haver dúvida sobre a aplicação do referido artigo para os exercícios anteriores a 2010, tal qual o caso em tela em que os rendimentos foram recebidos em 2009. Ocorre que a questão da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente de períodos até o anocalendário 2009 foi recentemente objeto do Acórdão CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e Fl. 87DF CARF MF 4 alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vale destacar que decidiu o STJ no REsp n1.118.429 sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Também é importante destacar que o STF no RE 614.406 sob rito do artigo 543B do CPC que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos: RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Ademais, conforme o artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ deverão ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Da Não Tributação pelo IRPF das Verbas Recebidas Relativas ao Reembolso de Despesas com Veículos Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11516.003269/200496 Acórdão n.º 2301004.906 S2C3T1 Fl. 87 5 No que tange à não tributação pelo IRPF das verbas recebidas relativas ao reembolso de despesas com veículos, cumpre destacar que a partir da leitura do Termo de Audiência do Processo Trabalhista nº 1687/2001 (fls. 67 a 71), é possível observar que o pagamento do reembolso das despesas com veículos teve caráter de recompor o patrimônio do recorrente, uma vez que tais despesas eram incorridas em função do trabalho. Ademais, fica claro no Termo de Audiência que tais verbas constituem um ressarcimento dos gastos anteriormente suportados pelo recorrente (fl. 69). Nesse sentido, as verbas recebidas pelo recorrente a esse título não devem ser consideradas como renda, pois não produzem acréscimo patrimonial para o recorrente, tendo a função apenas de recompor o seu patrimônio. Por tudo, voto por dar provimento ao recurso voluntário no que tange à não tributação pelo IRPF das verbas recebidas relativas ao reembolso de despesas com veículos. Natureza Indenizatória dos Valores recebidos a título de "Devolução de Descontos" e "Multas Convencionais" No que tange à possível natureza indenizatória dos valores recebidos a título de "devolução de descontos" e "multas convencionais", julgamos pela improcedência do pedido, uma vez que não foram apresentados quaisquer outros argumentos ou provas de que tais valores possuem natureza indenizatória. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar de decadência e darlhe parcial provimento para que (a) não haja incidência do IRPF sobre os valores recebidos a título de reembolso de despesas com veículos, e (b) o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720. Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000080/2004-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.
Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito.
Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9303-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Redator ad hoc (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para considerar dedutível o combustível utilizado em veículos. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora) e Rodrigo Cardozo Miranda, que davam provimento parcial em maior extensão e, ainda, os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Maria Teresa Martínez López e Francisco Maurício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 80 /2 00 4- 91 Fl. 631DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 632 2 Rabelo de Albuquerque Silva, que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Redator ad hoc (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto vencido do presente acórdão, tendo em vista que a relatora originária, Nanci Gama, deixou de integrar o Colegiado antes da sua formalização. Esclareçase, por oportuno, que processos semelhantes do mesmo contribuinte foram julgados na mesma sessão. Assim, reproduzo aqui o relatório e voto referentes a esses processos, com os ajustes pertinentes. Tratase de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 380100.470, proferido pela Primeira Turma Especial da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, a qual, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos de PIS no que se refere a aquisição de óleo combustível TP/ABPF, utilizado “utilizado na evaporação e secagem da água contida na polpa do caulim”. Por outro lado, a Primeira Turma Especial negou provimento ao recurso voluntário para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com serviço de alteamento, serviço de limpeza e passagem; serviço de locação, fornecimento de jantar, serviço de decapeamento, serviço de lavra, serviço de transporte, serviço especializado de vigilância, serviço de melhorias de estradas, gasolina comum e óleo diesel, por não tratarem de matériaprima ou material de embalagem e nem preencherem os requisitos para serem considerados como produtos intermediários. O acórdão recorrido restou assim ementado: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 633 3 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DESCABIMENTO. DO CONCEITO DESPESAS E DE INSUMO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do Pis/Pasep. PIS NÃOCUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS DE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMO. CABIMENTO. A despesa com combustível, desde que utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderá ser usada no cálculo do crédito a ser descontado na apuração do Pis NãoCumulativo. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em face da parte do acórdão que reconheceu o direito creditório sobre a aquisição de óleo tipo ABPF, tendo aduzido que o conceito de insumo para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deve ser o mesmo daquele considerado na legislação do IPI. Para tanto, utilizou, para embasar a divergência de entendimentos, os acórdãos de nºs 20312.448 e 20400.795, a seguir ementados: Acórdão nº 20312.448 “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base de cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem); e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrínseca com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matéria prima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 634 4 O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval, etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntos, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado” Acórdão nº 20400.795 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. INSUMOS NÃO CONSUMIDOS NO PROCESSO PRODUTIVO. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E PRODUTOS USADOS NO TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES. De acordo com o art. 3° da Lei n° 9.363, o alcance dos termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. E a normatização do IPI nos dá conta que somente dará margem ao creditamento de insumos, quando estes integrem o produto final ou, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os combustíveis, lubrificantes, os produtos usados no tratamento de água e efluentes e a energia elétrica não têm ação direta no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal. AQUISIÇÕES DE 1NSUMOS ONDE NÃO HÁ INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Tendo a Lei n° 9.363/96 instituído um benefício fiscal a determinados contribuintes, com conseqüente renúncia fiscal, deve ela ser interpretada restritivamente. Assim, se a Lei dispõe que farão jus ao crédito presumido, com o ressarcimento das contribuições Cofins e PIS, incidentes sobre as aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo, não há que se falar no favor fiscal quando não houver incidência das contribuições na última aquisição, como no caso de aquisições de pessoas físicas ou de cooperativas. Recurso negado. Suscitou a Fazenda Nacional que o Acórdão nº 20312.448 seria aplicado devido ao fato de ter sido entendido, naquela ocasião suscitada como paradigma, que “a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de “insumos” no contexto da expressão “insumos utilizados na fabricação de produtos”. E como é sabido, o conceito de “insumos” já foi consagrado pelo Parecer Normativo nº 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 635 5 ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a preda de propriedades físicas ou químicas”. Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Regularmente intimado, o contribuinte também interpôs recurso especial contra a parte do acórdão recorrido que negou o restante dos seus créditos, suscitando que o conceito de insumos a ser aplicado para fins da não cumulatividade do PIS e da COFINS deveria ser aquele considerado na legislação do IRPJ para custos e despesas. Para tanto, embasou a divergência nos acórdãos utilizados como paradigmas de nºs 20181.139 e 3202 00.226. Abaixo alguns trechos dos acórdãos utilizados como paradigmas que foram selecionados pelo contribuinte, acrescidos de alguns selecionados pela relatora: Acórdão nº 20181.139 “(...) Mas ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo produtivo. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção do bem exportado. No caso sob exame, foram glosados os créditos relativos aos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículos da recorrente e aos dispêndios com a remoção de resíduos industriais, por não estarem vinculados ao processo produtivo. A recorrente alega que tem direito ao crédito dos combustíveis e lubrificantes porque os mesmos são usados em sua frota de veículos, que transporta produtos e insumos entre seus estabelecimentos. Para haver ressarcimento é necessário haver direito ao crédito No caso dos combustíveis e lubrificantes usados na frota de veículo ligados à atividade industrial geram, no meu entender, direito ao crédito, a teor do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. E geram direito ao crédito porque o conceito de insumo (bens e serviços) utilizado pela lei não é igual à soma de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, a que se refere a legislação do IPI. Insumos são todos os “custos, despesas ou encargos” vinculados ao produto ou serviço vendido, como diz o art. 21 da IN SRF nº 460/2004. (...)” Acórdão nº 320200.226 “(...) É de se concluir, portanto, que o termo “insumo” utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os cutos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artugos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas nº 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI). Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 636 6 No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões requerendo fosse negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator ad hoc Os recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte são tempestivos e, por atender aos demais requisitos de admissibilidade, foram conhecidos. Primeiramente, quanto ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, vejase que o mesmo pretende afastar o direito de crédito do contribuinte, oriundo da sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, no que respeita aos gastos com aquisição de óleo combustível tipo ABPF. Quanto ao recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte, veja se que a pretensão recursal é a de se ter reconhecidos os direitos de créditos não cumulativos de PIS e COFINS sobre os dispêndios com serviços de (i) alteamento, (ii) limpeza e passagem; (iii) serviço de locação; (iv) fornecimento de jantar; (v) serviço de decapeamento; (vi) serviço de lavra, (vii) serviço de transporte, (viii), serviço especializado de vigilância; (ix) serviço de melhorias de estradas, (x) gasolina comum e (xi) óleo diesel. Inicialmente, entendese relevante apontar as despesas pleiteadas no processo como insumos para efeitos de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, em razão de sua participação do desenvolvimento do objeto social do contribuinte, conforme por ele identificado ao pleitear o crédito em questão, a saber: 1. SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeites. 2. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 637 7 3. SERVIÇO DE LOCAÇÃO: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado. 4. FORNECIMENTO DE JANTAR: consiste no serviço de refeitório para os funcionários. Em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de minério desenvolvidas pela Recorrente, fazse necessário fornecer alimentação aos responsáveis pela produção da planta industrial, uma vez não existir alternativa que não esta. O fornecimento de uma segunda refeição diária passa a integrar a atividade produtiva, pois, tratarse de condição intrínseca a manutenção do fator mãode obra da atividade. 5. SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério. Tratase do primeiro passo necessário a atividade extrativa mineral. 6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza. 7. SERVIÇO DE TRANSPORTE: consiste no serviço de transporte de funcionários. 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILÂNCIA: consiste no serviço de segurança patrimonial. (...) Dada sua localização geográfica e as características de sua planta produtiva, tornase necessário o serviço de segurança patrimonial, dentre outras razões por tratarse de forma de garantir a integridade e o perfeito funcionamento da referida planta. 9. SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais, tendo em vista que a produção estaria inviabilizada sem rotas de acesso, adequadas ao acesso de homens e máquinas as fontes de minério. 10. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. Todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo é feito por meio de veículos movidos a gasolina. 11. ÓLE0 DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim, bem como para o transporte de matériaprima, produtos intermediários entre os diversos setores da produção ou ainda da produção para a distribuição. 12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP ABPF: utilizado na fase da “evaporação” (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). A decisão recorrida, como informado no relatório, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito aos créditos de PIS no que se refere a aquisição de óleo combustível TP/ABPF, e negou provimento para afastar, do conceito de insumo para fins de créditos não cumulativos de PIS/COFINS, os gastos com serviço de alteamento, serviço de limpeza e passagem; serviço de locação, fornecimento de jantar, serviço de decapeamento, serviço de lavra, serviço de transporte, serviço especializado de vigilância, serviço de melhorias de estradas, gasolina comum e óleo diesel, sob o entendimento de que “se o conceito de ‘insumos’ de que trata o art. 3º , II, da Lei n° 10.637, de 2002, abarcasse todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte com a fabricação de produtos destinados à venda e na prestação de serviços, não faria sentido o legislador listar um conjunto detalhado de despesas e/ou custos passíveis de gerar créditos”. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 638 8 Por conseguinte, entendeu como insumos, somente as despesas com óleo combustível TP ABPF. A Procuradoria da Fazenda Nacional insurgese contra a decisão que reconheceu o direito de creditamento em relação aos gastos com óleo tipo ABPF sob a alegação de que “embora não sejam bens do ativo permanente e tenham sido consumidos ou gastos para que se dê o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, assim não se enquadram na condição de insumo, tampouco podem ser aproveitados como crédito da contribuição” e que “os descontos possíveis estão determinados na Lei n° 10.637/2002, regulamentada pela IN SRF 247/2002, e seus preceitos devem ser observados pelo aplicador do Direito, sob pena de malferimento da norma prevista no art. 111 do CTN”. Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei 10.833, em matéria de COFINS, que, do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI”. (Redação da pela Lei nº 10.865, de 2004). E quais são esses dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS e COFINS ditos não cumulativos? A relatora já se manifestou em outros acórdãos de sua relatoria, entendendo que sejam todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições ao PIS e COFINS. Vejase o texto da Lei: “(...) créditos calculados em relação a ‘bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda’.”. O dispêndio para se consubstanciar em insumo, suscetível de abatimento, deve ser indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela Cofins. E nesta linha de raciocínio, entendeu que a Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03, andou mal ao limitar a extensão do referido termo a interpretação conferida pela legislação do IPI,.como se verifica no artigo 66, parágrafo 5º, segundo o qual: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 639 9 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Segundo a relatora: a) a impropriedade do conceito de insumo adotado pela Instrução Normativa 247/02 se destaca, na medido que o mesmo, inegavelmente, encontrase associado à materialidade do IPI que é o produto industrializado, e não a receita do contribuinte, como se impõe, tratandose de contribuições incidentes sobre esta realidade e não sobre aquela; b) nos termos da referida Instrução são insumos, geradores de créditos, tão somente os bens que venham a sofrer “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”; c) as ponderações sobre a limitação ao termo insumo perpetrado pela Instrução Normativa 247/02 foi afastada pelo acórdão recorrido acertadamente, entendendo, por conseguinte, que não assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional ao sustentar a aplicação de referida Instrução em seu recurso, de modo a ver reformada a decisão recorrida no tocante às despesas com aquisição de óleo combustível tipo ABPF; d) do mesmo modo que dão direito ao abatimento, na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, os dispêndios afetos à produção, geradores de receita tributável pelas referidas contribuições, não é correto adotar, como sustentado pelo contribuinte em seu recurso, o conceito de insumo aplicável ao imposto de renda, cujo pressuposto é daquele distinto à produção; e) por exemplo, os gastos de um contribuinte industrial com material administrativo, papel, canetas, cartuchos de tinta, etc., necessários para o desenvolvimento de seu objeto social, não são dispêndios suscetíveis de abatimento do PIS e da Cofins, eis que não são indispensáveis para a sua produção, strictu senso; f) todavia, apesar de não divergir do critério utilizado pelo acórdão recorrido ao identificar as despesas consideradas insumos nos termos do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, em matéria de PIS, e da Lei nº 10.833, em matéria de COFINS, entendese que, pela características e afetação à produção do contribuinte, compreendem também no conceito de insumos os gastos com serviço de alteamento (consistente no aumento de capacidade da bacia de rejeitos); serviço de limpeza e passagem (desobstrução de vias de acesso); melhoria de estradas; (xi) e combustíveis (gasolina e óleo diesel). Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 640 10 Dessa forma, deixou de reconhecer, como pretende o contribuinte, o serviço de transporte de funcionários, o de vigilância patrimonial e de fornecimento de jantar. E, ao assim se posicionar, não negou a necessidade de a empresa ter que suportar referidas despesas para viabilizar sua produção, em razão, como a mesma justifica, da localização da mina, de sua posição geográfica. Todavia, não reconheceu as mesmas como insumos na produção, aqui considerada a extração e o beneficiamento de caulim. Ainda, segundo a relatora, insumos não são todas as despesas incorridas no processo produtivo, mas aquelas que afetem, participem e sejam indispensáveis à produção, no sentido estrito; e, caso a mina de caulim fosse situada próxima a determinada área urbana, se possível fosse, o fornecimento de refeições, como o transporte de funcionários e a vigilância patrimonial, seriam despesas desnecessárias à extração e o beneficiamento do caulim. E neste sentido, nem toda despesa necessária é indispensável à produção, em si considerada. Ante o exposto, votou a relatora por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para considerar como insumos os gastos afetos aos serviços de alteamento, limpeza e passagem, locação, decapeamento, lavra, melhoria de estradas e gastos com combustíveis (gasolina comum, óleo diesel e óleo combustível TP aBPF). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Já foi corretamente delineado pela i. relatora que a divergência que se estabeleceu em relação a seu brilhante voto se restringiu tão somente ao recurso do contribuinte, para o qual a maioria qualificada pelo voto do Presidente apenas deu provimento quanto ao óleo empregado nos veículos que fazem o transporte, dentro da área de produção, dos insumos aí consumidos. Tal divergência se deve não tanto a questões conceituais, as quais foram, em meu entender, muito bem expostas pela n. relatora. De fato, não prevalece mais no âmbito deste colegiado a interpretação assaz restritiva intentada pela Fazenda Nacional com base nas normas expedidas acerca do IPI, tanto que ao recurso fazendário foi negado provimento por unanimidade. Além das razões já muito bem apontadas pela dra. Teresa, e das quais em nada divirjo, vale sempre o registro de que a legislação específica das contribuições expressamente admitiu o cômputo como insumos dos serviços consumidos no processo produtivo. Ora, sabendose que não contêm eles, de regra, o atributo da materialidade imprescindível à aplicação do critério da legislação do IPI para definir matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, isto é, o contato físico com o produto em elaboração, como se pode reivindicar que a elas se aplique o princípio daquele? Tudo isso não obstante, o que ainda não é pacífico no colegiado é o alcance que se deve dar ao conceito de insumos uma vez afastadas as restrições acima. De que há a Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 641 11 necessidade de que o item físico em questão (ou mesmo o serviço, também previsto na norma legal) seja consumido no processo produtivo não há dúvida. A dúvida se resume a demarcar a abrangência da expressão “consumido no processo”. Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastamse, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. Aplicandose tais balizas aos itens postulados pelo sujeito passivo, apenas o combustível empregado nos caminhões para movimentar os insumos cumpre todos os requisitos: é utilizado no processo produtivo, nem antes nem depois, e consomese em um único ciclo produtivo. De fato, os serviços de alteamento, de remoção de minérios e de manutenção de estradas são gastos que devem ser ativados, uma vez que os seus resultados ocorrem ao longo de vários ciclos produtivos. Já no que tange aos gastos com fornecimento de refeições e de transporte para os funcionários, além da gasolina consumida para transportar o produto final e os serviços de vigilância, eles não ocorrem no processo produtivo, ainda que sejam absolutamente relevantes ao desiderato empresarial. Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Foi com essas considerações que o colegiado restringiu o provimento do recurso do contribuinte ao combustível (gasolina) consumido nos caminhões que movimentam a matériaprima na área de produção, sendo este o acórdão que me coube redigir. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 641DF CARF MF Processo nº 13204.000080/200491 Acórdão n.º 9303002.654 CSRFT3 Fl. 642 12 Fl. 642DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.720677/2012-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
COFINS NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE GÁS PARA EMPILHADEIRA (EMBALAGEM -TAMBORES) PARA TRANSPORTE E ARMAZENAGEM DE ALIMENTOS. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS.
Numero da decisão: 9303-004.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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AQUISIÇÃO DE GÁS PARA EMPILHADEIRA (EMBALAGEM TAMBORES) PARA TRANSPORTE E ARMAZENAGEM DE ALIMENTOS. DIREITO A CRÉDITO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 06 77 /2 01 2- 52 Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.575 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3403002.648, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, que decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas relativas aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, tomados pela Contribuinte sobre aquisições de tambores e gás empregado nas empilhadeiras. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Trata se de autos de infração relativos à COFINS e ao PIS nãocumulativos, lavrados para exigir as diferenças das contribuições que deixaram de ser recolhidas nos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2008, em razão do desconto indevido de créditos do regime nãocumulativo. Segundo o relatório de fiscalização, foi constatado que: a) o contribuinte majorou de forma fictícia os créditos das contribuições informados nos DACON durante todo o ano calendário de 2008. A mesma prática foi adotada pelo contribuinte em anos anteriores, conforme processos administrativos 18088.000828/201091 e 18088.720015/201282. A fiscalização glosou a diferença entre os valores declarados nos DACONS e os apurados na contabilidade e lançou as diferenças das contribuições com a multa de ofício qualificada de 150%; b) o contribuinte calculou créditos indevidos sobre bens que não correspondem ao conceito de insumo. Foram glosados créditos sobre aquisições de tambores utilizados como embalagens de transporte, gás utilizado em empilhadeiras e créditos apurados sobre despesas de comissões e bonificações em mercadorias, que foram concedidas em virtude de acordos comerciais com supermercados; c) foi apurado que o contribuinte apurou crédito sobre a aquisição de produtos in natura de acordo com as alíquotas normais, quando na verdade deveria ter apurado o crédito presumido da agroindústria. A fiscalização glosou a apuração do contribuinte e concedeu o direito ao crédito presumido da agroindústria com as alíquotas específicas nos percentuais de 0,5775% (PIS) e 2,66% (COFINS); d) foram glosados os créditos tomados sobre aquisições de lenha de pessoas físicas; e e) foi constatado que o contribuinte tomou o crédito correspondente ao valor integral do custo de aquisição de bem do ativo imobilizado e também sobre a despesa de depreciação relativa ao mesmo bem. Foi glosado o crédito com base no custo de aquisição e mantido o crédito sobre a Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.576 3 despesa de depreciação. Foi elaborada a representação fiscal para fins penais, em razão da infração mencionada no item "a" acima. O Acórdão recorrido, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. GÁS EMPREGADO EM EMPILHADEIRAS. É legítima a apropriação do crédito das contribuições em relação às aquisições de tambores empregados como embalagem de transporte e sobre o gás empregado em empilhadeiras, por integrarem o custo de produção dos produtos. CRÉDITOS. DESPESAS COM COMISSÕES, DESCONTOS EM DUPLICATAS E BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. Devem ser glosados os créditos tomados sobre gastos com comissões sobre vendas, abatimentos concedidos em desconto de duplicatas e em decorrência de bonificações em mercadorias, por se tratarem de despesas redutoras de vendas e não de custos de produção. COMBUSTÍVEL. LENHA. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. É vedada a apropriação de créditos sobre aquisições de combustível (lenha) efetuadas de pessoas físicas. CRÉDITOS. BENS CLASSIFICADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. É vedada a apropriação de créditos sobre o custo de aquisição em relação a bens classificados no ativo imobilizado. CRÉDITOS FICTÍCIOS. INSERÇÃO NO DACON. SONEGAÇÃO. MULTA DE 150%. A inserção de créditos fictícios no DACON caracteriza a sonegação e rende ensejo ao lançamento de ofício das diferenças com multa de ofício de 150%. ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DO DACON ANTES DO VIGÉSIMO DIA DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.577 4 O art. 47 da Lei nº 9.430/96 não garante ao contribuinte o direito de retificar débitos anteriores, mas apenas e tão somente o direito de recolher, com multa de mora, os débitos que já se encontrem declarados ao tempo do início da ação fiscal. Assim, a retificação do DACON, ainda que efetuada nos vinte dias subsequentes ao início da fiscalização, não elide a exigência da multa de ofício. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O CARF não possui competência legal para dirimir controvérsias sobre processos administrativos de representação fiscal para fins penais. Recurso voluntário provido em parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que a sistemática de conceito de insumos para o PIS e COFINS não cumulativos é a mesma aplicada ao IPI, e que para considerar os bens como insumos, fazse necessário o emprego destes diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, desde que não contabilizados pela Contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 203 12.448, 310100.795 e 3802000.341. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apenas quanto à apropriação de crédito pela aquisição de gás utilizado nas empilhadeiras, considerando que a decisão recorrida toma como mote principal para a admissão de créditos um conceito mais elástico do termo “insumo”, no que tange às contribuições não cumulativas, que aquele definido para o IPI, foi dado seguimento ao Recurso, conforme se extrai do Despacho de Admissibilidade, fls. 1543/1545: "Relativamente à existência de divergência, procedente a controvérsia assinalada pela recorrente. Destarte, no tocante aos tambores utilizados como embalagem de transporte, o aresto divergente (310100.795) fez distinção entre aqueles utilizados durante o processo, que garantiriam o crédito, daqueles destinados ao transporte das mercadorias produzidas/comercializadas, que não gerariam crédito. Já a decisão recorrida, mesmo reconhecendo sua finalidade – destinação ao transporte – admitiu o direito de crédito em relação a tais produtos, sem qualquer ressalva. Respeitante à conceituação de insumo, mormente quanto à apropriação de crédito pela aquisição de gás utilizado nas empilhadeiras, temse que a decisão recorrida toma como mote principal para a admissão de créditos um conceito mais elástico do termo “insumo”, no que tange às contribuições não cumulativas, que aquele definido para o IPI, como se ressalta na seguinte passagem do voto condutor: “A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.578 5 intermediário deve se assemelhar à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pela Lei nº 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo ‘insumo’ no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04, o mesmo conceito de ‘produto intermediário’ vigente no âmbito do IPI.” Em sentido diametralmente oposto decidiu o aresto paradigma 20312.448, verbis: “O termo ‘insumo’ não é próprio da legislação das contribuições sociais. Como é cediço, os conceitos devem ser buscados nos seus campos específicos onde foram originalmente criados, mormente quando não há outro espaço onde procurálos, como é o caso que se cuida. Por outro lado, o termo insumo sempre foi utilizado para definir a amplitude dos denominados créditos básicos na aplicação da regra da nãocumulatividade no âmbito do IPI, que sabidamente tem como materialidade de incidência a realização de operações com produtos industrializados. Assim, a legislação do IPI é a mais adequada para estabelecer o conceito de ‘insumos’ no contexto da expressão ‘insumos utilizados na fabricação de produtos’. E como é sabido, o conceito de ‘insumo’ já foi consagrado pelo Parecer Normativo n° 65/79, nos seguintes termos: geram direito ao crédito, além dos insumos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários strito sensu e material de embalagem), quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pelo contribuinte no seu ativo permanente, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas.” Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.579 6 A mesma linha argumentativa trilhou o Acórdão 3802000.341. Evidenciada, portanto, a discordância interpretativa entre turmas julgadoras deste sodalício, necessária a manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Com estas considerações, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL e, por força do art. 69 do Regimento Interno do CARF, determino o encaminhamento à Unidade Local da RFB para ciência ao contribuinte do acórdão recorrido e deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões e recurso especial, se cabível. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente 4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF". Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, às fls. 1552/1562, requerendo que seja negado provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, sustentando pelo não conhecimento do Recurso, e no mérito, aduz que a concepção restrita de “insumo” não se coaduna com a base econômica e a materialidade do PIS e da COFINS, cujo ciclo de formação não se limita a fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários para a obtenção de receita com o produto ou serviço, ainda mais quando a atividade da Contribuinte envolve também a própria comercialização de seus produtos É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. Com efeito, a decisão recorrida interpretou que o gás empregado nas empilhadeiras inserese no conceito de custo de produção (art.290 do RIR/99), estando apto a integrar a base de cálculo do crédito das contribuições no regime não cumulativo a teor dos arts. 3, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04. Quanto aos tambores, por se tratar de embalagem de transporte de produtos industrializados pela Contribuinte, a decisão recorrida entendeu que o gasto com aquisição desses insumos também se enquadram no art. 290 do RIR, devendo gerar o crédito das contribuições no regime nãocumulativo, a teor dos arts. 3, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04. Por outro lado, a Fazenda Nacional, entende de modo oposto, por meio do acórdão paradigma n° 203.12.448, e respectivos, interpretando a mesma legislação entendeu que, o qual, diversamente do entendimento demonstrado nos autos, decidiu que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito referente ao PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, como exatamente decidiu a decisão de primeira instância modificada pela decisão ora recorrida, adotandose no contexto da não Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.580 7 cumulatividade da COFINS (Lei nº 10.833/2003, art. 3º) a tese da definição de insumos prevista na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Portanto, a controvérsia posta a julgamento a esta E. Câmara Superior envolve a interpretação das leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, referente ao direito de crédito de PIS e da COFINS nãocumulativos em relação a gás empregado nas empilhadeiras e tambores. Passo ao julgamento do Recurso. Em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), todavia, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.581 8 depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Vislumbrase, portanto, que a atividade da Contribuinte é a fabricação de produtos de origem vegetal; fabricação de conservas de vegetais; industrialização e comercialização de produtos de origem vegetal, animal, frutas em geral, suas poupas e derivados, massas alimentícias, conservas mistas e condimentos; comércio atacadista e varejista de produtos alimentícios em geral. No caso em tela, penso que os custos da empresa, referente ao gás empregado nas empilhadeiras e os tambores (embalagens para armazenagem e transporte de alimentos) transporte) são insumos essenciais para atividade da Contribuinte, considerando que sem o gás para empilhadeiras e os tambores (embalagens para armazenagem e transporte de alimentos), não haveria como industrializar e finalizar a produção de seus produtos. Neste sentido, o art. 3º da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito da COFINS não cumulativa, nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei n 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.582 9 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Deste modo, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se aplica no presente caso. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Demes Brito É como penso é como voto. Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 18088.720677/201252 Acórdão n.º 9303004.896 CSRFT3 Fl. 1.583 10 Fl. 1583DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.003239/96-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/06/1991 a 31/01/1994
PIS. LANÇAMENTO. SEMESTRALIDADE. COMPENSAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DLs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, passou a viger a LC 07/70, devendo o PIS ser lançado com base na mesma. Recalculado o lançamento com base na semestralidade do PIS, é de se efetuar a compensação entre créditos recíprocos, liquidando-se o crédito tributário lançado pelo auto de infração.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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LANÇAMENTO. SEMESTRALIDADE. COMPENSAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DLs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, passou a viger a LC 07/70, devendo o PIS ser lançado com base na mesma. Recalculado o lançamento com base na semestralidade do PIS, é de se efetuar a compensação entre créditos recíprocos, liquidandose o crédito tributário lançado pelo auto de infração. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 32 39 /9 6- 18 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 615 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em 18 de janeiro de 2010 (fls 600 a 604), contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 330100.191 (fls. 592 a 593), de 14 de agosto de 2009, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da, 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que conheceu do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte e deu parcial provimento ao mesmo por unanimidade. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório da Resolução nº 20201.082 (fls. 390 a 396), que converteu o julgamento do recurso em diligência: Tratase de auto de infração de PIS, pela insuficiência de recolhimento da contribuição, em decorrência de recolhimentos e valores declarados a menor. A contribuinte apresenta impugnação alegando nulidade pelo fato de o auto ter sido lavrado fora de seu estabelecimento, questionando a desconsideração das devoluções de vendas realizada pela fiscalização; a utilização de juros com base na TRD e acima de 1%, considerando confiscatória a multa de 100%. Alega, também, que até obter decisão judicial assecuratória do direito ao cálculo do PIS, com base na LC nº 07/70, tinha que cumprir as disposições dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, e que, ao retornar a aplicação da LC nº 07/70, deveria se aplicar a chamada semestralidade do PIS. Conclui informando que o recálculo das contribuições recolhidas resultará em indébito fiscal a ser compensado com parcelas vencidas da própria contribuição. A DRJ mantém o lançamento afastando a nulidade, e, no mérito, afirma que: considerando que, como a interessada ingressou em Juízo e obteve decisão favorável para recolher o PIS com base na LC nº 07/70, os valores lançados decorreram da falta de recolhimento, constatada a partir da aplicação da sistemática prevista na referida lei complementar; não há que se falar em semestralidade; as devoluções foram excluídas da base de cálculo da contribuição, e que, quanto às divergências de devoluções de junho de 1995, o lançamento não abrangeu tal período de apuração; para o fato gerador de novembro de 1993, não se trata apenas de acerto na descarga de importação, pois foram emitidas notas fiscais e as empresas efetuaram os pagamentos, conforme fl. 20, e, portanto integram a base de cálculo do PIS; quanto A multa de 100% e os juros, sua aplicação decorreu da lei. Recorre a contribuinte alegando que: a MP nº 1.212/95 estabeleceu retroativamente a incidência a partir de 01/10/1995, sendo a base de cálculo do PIS o próprio mês em que a contribuição era devida, com alíquota de 0,65%; Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 616 3 por tal, dos meses de abril a setembro de 1995 nenhuma contribuição era devida, pois se em setembro de 1995 a contribuição era apurada com base no faturamento de março, e como em outubro a contribuição passou a ser devida com base no faturamento do próprio mês, escapam à incidência os meses de abril a setembro de 1995, já que não alcançados pela LC nº 07/70; que, como a contribuinte discute em juízo a cobrança do PIS e ainda tenta levantar os depósitos efetuados, o correto seria a suspensão da decisão recorrida até o final do processo judicial que a sentença judicial assegura o direito a recolher o PIS pela LC nº 07/70 sem as alterações das leis ordinárias supervenientes; requer, então, a improcedência do lançamento. São os autos remetidos à seção de acompanhamento de ações judiciais para verificação de concomitância de objeto, sendo noticiado o trânsito em julgado da demanda. É o processo então remetido A PFN. É noticiado que houve a autorização para levantamento parcial do depósito, sendo o restante convertido em renda da União. A PFN impetra Mandado de Segurança para evitar o levantamento, alegando insuficiência de depósitos, mas sua pretensão é julgada improcedente pelo Poder Judiciário. Há nos autos informação, às fls. 153/154, de que existem três processos administrativos de PIS, de nºs 10580.003239/9618, 10580.003256/9637 e 10580.001318/9701, nos quais há lançamento em duplicidade. Requerse, então, retificação do auto de infração para a adequação dos valores depositados e utilizados como pagamento. O termo de verificação fiscal de fls. 156/159 conclui que, para o presente processo, deva ser o recurso encaminhado ao Conselho de Contribuintes, e para os demais, seja analisada a superposição de cobrança. Nova informação, às fls. 182/185, conclui pela improcedência da Representação nº 10580.001318/9701, pela revisão de oficio do Processo nº 10580.003239/9618, com a inclusão dos valores do Processo nº 10580.003256/9637 e que sejam revistos os valores da Cofins constantes no Processo nº 10580.003256/9637. Novo termo de verificação fiscal, à fl. 187, reitera o disposto no termo de verificação de fls. 156/159. Informação, às fls. 188/189, informa que: não é necessário cancelar a representação em duplicidade, pois, como a inscrição em divida ativa é feita por período, não há o risco de inscrição em duplicidade; quanto ao auto de infração aqui em discussão, não há como ter revisto de oficio pois inexiste previsão legal para tal e porque já teria se operado a decadência. São então os autos remetidos ao Conselho de Contribuintes. É o relatório. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 617 4 A solicitada diligência foi realizada e o seu Termo de Encerramento foi lavrado em 12 de julho de 2008 (fls. 504 a 510), com a seguinte conclusão: Diante do acima exposto, após os cálculos realizados, constatei o seguinte: Procedimento A: Restaram débitos nos meses de dezembro de 1991 a setembro de 1993, e de novembro de 1993 a janeiro de 1994, constantes no Auto de Infração, e resíduos de débitos nos meses de fevereiro e abril de 1996, constantes nas representações. Ao mesmo tempo restaram saldos remanescentes dos depósitos efetuados nos meses de maio, setembro a dezembro de 1993, janeiro e fevereiro de 1994, e saldos remanescentes dos pagamentos efetuados nos meses de agosto de 1994, janeiro, março, julho, outubro e dezembro de 1995, janeiro a abril de 1996, conforme os demonstrativos em anexo. Procedimento B: Não restou nenhum débito inadimplido e restaram resíduos de pagamentos nos meses de janeiro e fevereiro de 1996, conforme demonstrativos em anexo. Constam no processo os seguintes demonstrativos, produzidos nesta diligência: DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE DÉBITOS — SEMESTRALIDADE (fls. 204 a 208). Apresenta as bases de cálculo e a forma de apuração do PIS, utilizandose o sexto mês anterior ao Fato Gerador, sem correção, até o Fato Gerador ocorrido em fevereiro de 1996, e apuração do PIS com base na MP 1.212/95 a partir do Fato Gerador de março de 1996. Serve para os procedimentos A e B; DEMONSTRATIVO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS (Procedimento A: fls. 209 a 213) (Procedimento B: fls. 229 a 233). Apresenta os valores totais dos depósitos utilizados, os valores originais convertidos em renda' e os seus percentuais (24,83%), e os saldos originais que foram levantados pelo contribuinte; os Períodos de Apuração do PIS aos quais os depósitos foram vinculados e os saldos remanescentes destes, após as vinculações; DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS (Procedimento A: fls. 214 a 215) (Procedimento B: fls. 234 a 236). Apresenta os pagamentos utilizados, os Períodos de Apuração do PIS aos quais os pagamentos foram vinculados, e os saldos remanescentes dos pagamentos; DEMONSTRATIVO RESUMO DAS VINCULAÇÕES AUDITADAS (Procedimento A: fls. 216 a 221) (Procedimento B: fls. 237 a 244). Apresenta os débitos apurados, a moeda ou indexador, os débitos amortizados, os créditos utilizados e os débitos remanescentes, após as vinculações. Débitos que não tem vinculação com algum crédito não aparecem neste demonstrativo. DEMONSTRATIVO DE DÉBITOS — LANÇAMENTO DE OFÍCIO (procedimento A: fls. 222 a 228) (Procedimento B: 245 a 251). Apresenta os débitos remanescentes, discriminados por período de apuração, com ou sem vinculação com créditos. Todos os demonstrativos acima descritos foram encaminhados ao contribuinte, juntamente com este termo, por via postal, com Aviso de Recebimento AR. Tendo em vista a decisão do Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 198, fica o contribuinte cientificado de que tem o prazo de 30 (trinta dias), contados da ciência Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 618 5 deste Termo e Demonstrativos acima mencionados, para manifestarse acerca do resultado desta diligência. Anexei a este processo os documentos de fls. 201 a 255. Após a ciência do contribuinte e o término do prazo de 30 (trinta) dias, encaminhe se ao Segundo Conselho de Contribuintes. Destarte, encerro esta DILIGÊNCIA FISCAL, nos termos do artigo 911 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR199). A respeito dessa diligência realizada o Contribuinte apresentou Manifestação (fls. 550 a 566), em 23 de setembro de 2008, que traz a seguinte conclusão: Por tudo quanto exposto, é o modus operandi denominado PROCEDIMENTO B que deve ser levado a efeito por V. Sas., eminentes Conselheiros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, com vistas à finalização do presente processo, já que houve comprovadamente a extinção do crédito tributário sob litígio, mediante os institutos tributários do pagamento, do depósito judicial e da compensação, sob pena de se assim não proceder, violar a legislação aplicável (arts. 156, 170 e 170A do CTN, as leis e normativas citadas) que autoriza a realização de compensação na espécie, além de implicar enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, vedado no ordenamento jurídico pátrio. O CARF, por meio do Acórdão nº 330100.191 (fls. 592 e 593), de 14 de agosto de 2009, ora embargado, trouxe o seguinte relatório a respeito do presente feito: Retornam os autos ao Colegiado após a realização de diligência destinada recalcular o auto de infração com base na sistemática da semestralidade. O auto foi recalculado, e duas planilhas foram elaboradas; uma, sem compensação alguma, resultando constatação de créditos tanto em favor do Fisco (debitos inadimplidos) como em favor do contribuinte. Na outra planilha foi realizada a compensação entre os créditos recíprocos, não sobrando débito algum em favor do Fisco. Intimado a se manifestar, o contribuinte concorda com a planilha "b", na qual foi realizada a compensação. (grifouse). Já no voto do referido acórdão assim entende o conselheiro relator: Como já dito, assiste razão ao contribuinte quanto à chamada semestralidade do PIS. Assim, foi o julgamento convertido em diligencia á repartição de origem a fim de que o auto de infração fosse recalculado com alíquota de 0.75% e base de calculo igual ao faturamento do sexto mês ao da ocorrência do fato gerador. Após isto, o valor apurado foi comparado com aquele efetivamente recolhido pelo contribuinte e com o valor depositado, no montante não levantado pelo mesmo. A planilha que apresenta a compensação entre créditos e débitos satisfaz a integralidade do lançamento, e com ela o contribuinte concorda. Por tal, dou parcial provimento ao recurso para homologar o resultado da diligência, determinando a compensação tal e qual realizada na planilha "b", o que é suficiente para liquidar os créditos, extinguindo o lançamento por compensação. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 619 6 Por sua vez a Procuradoria da Fazenda Nacional ingressa com Embargos de Declaração (fls. 600 a 604), em 18 de janeiro de 2010, visando sanar alegadas omissões do Acórdão ora embargado. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Os Embargos de Declaração (fls. 600 a 604) interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face ao Acórdão nº 330100.191 (fls. 592 e 593), de 14 de agosto de 2009, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte. Conforme o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, repetidos pelo art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, cabe a interposição de Embargos de Declaração nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. (Grifouse) Por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade em Embargos S/N, de 2 de junho de 2016, da 1ª Turma, da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, deuse admissibilidade aos Embargos de Declaração por omissão. Os embargos ora analisados visam sanar obscuridade e omissão presentes no Acórdão nº 330100.191 (fls. 592 e 593) com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/1991 a 31/01/1994 PIS. LANÇAMENTO. SEMESTRALIDADE. COMPENSAÇÃO. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DLs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, passou a viger a LC 07/70, devendo o PIS ser lançado com base na mesma. Recalculado o lançamento com base na semestralidade do PIS, é de se efetuar a compensação entre créditos recíprocos, liquidandose o crédito tributário lançado pelo auto de infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / lª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 620 7 provimento ao recurso, nos termos da diligência fiscal, conforme explicitado no voto do Relator. Para melhor compreensão dos fatos que ensejaram a interposição dos Embargos de Declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que é importante a sua citação de forma integral. 1. O acórdão embargado deu provimento a recurso voluntário nos seguintes termos do voto condutor: "(...) Como já dito, assiste razão ao contribuinte quanto à chamada semestralidade do PIS. Assim, foi o julgamento convertido em diligencia à repartição de origem a fim de que o auto de infração fosse recalculado com alíquota de 0,75% e base de cálculo igual ao faturamento do sexto mês ao da ocorrência do fato gerador. Após isto, o valor apurado foi comparado com o efetivamente recolhido pelo contribuinte e com o valor depositado, no montante no levantado pelo mesmo. A planilha que apresenta a compensação entre créditos e débitos satisfaz a integralidade do lançamento, e com ela o contribuinte concorda. Por tal, dou provimento ao recurso para homologar o resultado da diligência, determinando a compensação tal qual realizada na planilha “b” o que é suficiente para liquidar os créditos, extinguindo o lançamento por compensação." (fl. 299) 2. Entretanto, de relação à diligência fiscal cujo resultado foi homologado pelo acórdão impugnado, verificase que a decisão embargada incorreu em relevantes omissões. 3. De fato, a decisão de fls. 105/198, ao converter o julgamento em diligência para determinar que "o auto de infração seja recalculado com base na chamada semestralidade do PIS", também declarou que "como a mesma situação vale para as representações em apenso a este Processo, que seja a diligência fiscal realizada para todos os períodos, sendo aplicado seu resultado nos outros dois processos." (fl. 198) 4. Nesse particular, temse que, apensos ao presente processo administrativo, se encontram os autos das Representações de n. 10580.001318/9701 e n. 10580.003256/9637, que tiveram por objeto declarações prestadas pelo contribuinte em DCTF, estas que segundo constatação da fiscalização (fls. 71/72, 74/77, 97 e 98/99), também englobaram períodos lançados na presente autuação, razão pela qual foram reunidos aos presentes autos, visando a adequação do auto de infração em comento. 5. Neste contexto, ao concluir a diligência fiscal aludida com base na aplicação da regra da semestralidade do PIS sem correção monetária da sua base de cálculo, que abrangeu tanto os períodos lançados como os períodos objeto das representações, apontadas, alguns dos quais não compreendidos na autuação, a autoridade fiscal concluiu pela existência de débitos em algumas competências e créditos a favor do contribuinte em outras competências, propondo a Turma Julgadora a opção de 2 (resultados), a saber: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 621 8 "Tendo em vista não ter firmado plena convicção de como os débitos apurados deveriam ser amortizados, no que diz respeito à utilização dos saldos remanescentes dos pagamentos e dos depósitos, executei dois procedimentos, os quais denominei de Procedimento A e Procedimento B, ficando a cargo do Segundo Conselho de Contribuintes a decisão de qual a forma correta a ser adotada. (...) Diante do exposto, após os cálculos realizados, constatei o seguinte: (...) Procedimento A: Restaram débitos nos meses de dezembro de 1991 a setembro de 1993, e de novembro de 1993 a janeiro de 1994, constantes no auto de infração, e resíduos de débitos nos meses de fevereiro a abril de 1996, constantes nas representações. Ao mesmo tempo, restaram saldo remanescentes dos depósitos efetuados nos meses de maio setembro e dezembro de 1993, janeiro e fevereiro de 1994, e saldos remanescentes dos pagamentos efetuados nos meses de agosto de 1994, janeiro, março, julho, outubro e dezembro de 1995, janeiro a abril de 1996, conforme os demonstrativos em anexo. Procedimento B: Não restou nenhum débito inadimplido e restaram resíduos de pagamento nos meses de janeiro e fevereiro de 1996, conforme demonstrativos em anexo." (fls. 253/254) (Grifouse) 6. A decisão embargada, a seu turno, embora tenha homologado o resultado do "Procedimento B", indicado na diligência fiscal, omitiuse em fundamentar porque referido Procedimento teria sido eleito como mais correto em detrimento do "Procedimento A", deixando, nesse sentido, de atender, com precisão, à inquirição constante da própria diligência fiscal. 7. Do mesmo modo, a decisão vergastada também não se pronunciou quanto à possibilidade de extinção de débitos e aproveitamento de créditos que não são objeto da presente autuação, mas se acham compreendidos nas Representações de n. 10580.001318/9701 e n. 10580.003256/9637, a exemplo dos débitos e resíduos de débitos dos meses de fevereiro a abril de 1996 e créditos dos meses de agosto de 1994, janeiro, março, julho, outubro e dezembro de 1995, janeiro a abril de 1996, tal como executado pelo "Procedimento B". Conclusão 8. Ante o exposto, requer a União sejam conhecidos e providos os presentes Embargos para sanar as omissões apontadas, nos termos da fundamentação supra. Portanto, os presentes Embargos de Declaração visam sanar a alegada omissão do Acórdão no que tange a fundamentação do porquê da escolha do referido “Procedimento B”, e ainda, quanto a ausência de manifestação a respeito da possibilidade de extinção de débitos e aproveitamento de créditos que estão compreendidos nas Representações nº 10580.001318/9701 e nº 10580.003256/9637. No que diz respeito a primeira alegação dos Embargos entendo que o voto do referido Acórdão ao optar, por unanimidade, pelo “Procedimento B” o fez com base nos fundamentos já trazidos aos autos pela própria diligência, ou seja, a diligência apresentou duas interpretações fundamentadas possíveis de ser aplicadas ao caso concreto. O Acórdão ora embargado foi sintético ao definir sua opção de interpretação do caso (Procedimento B), Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 622 9 fazendo com que esta decisão seja vinculada aos argumentos e fundamentos trazidos pelo Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, quais sejam os seguintes (fl. 506): Os cálculos necessários para o cumprimento desta diligência fiscal foram realizados utilizandose o sistema CTSJ — Crédito Tributário Sub Judice homologado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Até o Período de Apuração de fevereiro de 1996, base de cálculo de agosto de 1995, o PIS foi calculado nos moldes da Lei Complementar n° 07/70, aplicandose sobre o faturamento a alíquota de 0,75% e base de cálculo igual ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, conforme determinou a Resolução n° 20201.082, do Segundo Conselho de Contribuintes. A partir do mês de março de 1996, o PIS foi apurado com base no faturamento do próprio mês do Fato Gerador, com alíquota de 0,65%, de acordo com a MP 1.212/95, tendo em vista as decisões do STF na ADIN n° 1.4170/DF e no Recurso Especial n° 232.896/PA, bem como o previsto na Instrução Normativa SRF n° 06/2000. Os valores referentes às bases de cálculo, os depósitos e os pagamentos do PIS foram aqueles utilizados pelas Auditoras Fiscais da Receita Federal do Brasil no Auto de Infração e nas representações apensas ao processo. Para os meses de março a setembro de 1996, utilizei as bases de cálculo constantes na DIPJ do exercício de 1997, sobre as quais os débitos foram apurados, os quais corresponderam com os que haviam sido apurados no processo de representação. Tendo em vista não ter firmado plena convicção de como os débitos apurados deveriam ser amortizados, no que diz respeito à utilização dos saldos remanescentes dos pagamentos e dos depósitos, executei dois procedimentos, os quais denominei de Procedimento A e Procedimento B, ficando a cargo do Segundo Conselho de Contribuintes a decisão de qual a forma correta a ser adotada. (...) No procedimento B, após a vinculação dos períodos de apuração dos débitos aos seus respectivos pagamentos e depósitos, utilizei os saldos destes, para amortizar os saldos remanescentes dos débitos. O critério utilizado foi o do art. 163 do CTN: Primeiro foram amortizados os débitos mais antigos. Os créditos utilizados também foram os mais antigos e assim sucessivamente. Neste caso, não remanesceu nenhum débito, restando apenas resíduos de pagamentos em dois períodos de apuração. Além de fundamentar a decisão ora embargada no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal, há que se notar que na decisão proferida na Resolução nº 20201.082 (fls. 390 a 396) ficou claro o teor e os fundamentos da decisão como se pode perceber no trecho seguinte (fls. 396): Tempestivo é o recurso, mas não vem acompanhado da garantia requerida pelo § 22 do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Outrossim, como há noticia de depósitos judiciais, e tendo em vista a solução que darei ao caso, do recurso conheço. Assiste razão à contribuinte quanto à chamada semestralidade do PIS. Assim, antes de qualquer medida, hei por bem converter o presente julgamento em diligência repartição de origem a fim de que o auto de infração seja recalculado com base na chamada semestralidade do PIS, ou seja, alíquota de 0,75% e base de cálculo igual Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10580.003239/9618 Acórdão n.º 3301003.216 S3C3T1 Fl. 623 10 ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Após isto, que seja o valor apurado comparado com aquele efetivamente recolhido pela contribuinte e com o valor depositado, no montante não levantado pela mesma. Que a referida diligência seja realizada com a elaboração de planilhas demonstrativas, e, após sua realização, seja a contribuinte intimada a se manifestar sobre a mesma, devendo, após isto, os autos retornar a este Colegiado para conclusão do julgamento. Como a mesma situação vale para as representações em apenso a este Processo, que seja a diligência realizada para todos os períodos, sendo aplicado seu resultado nos outros dois processos. (grifouse). Resta claro que na decisão ora embargada, Acórdão nº 330100.191 (fls. 592 a 593), de 14 de agosto de 2009, o voto foi sucinto, mas fica mais evidente ainda, que na Resolução nº 20201.082, de 06 de dezembro de 2006 (fls. 390 a 396), foram enfrentadas as questões objeto dos embargos e que no Termo de Encerramento de Verificação Fiscal, de 12 de julho de 2008 (fls. 504 a 510), tratouse de forma minudente, pelas planilhas elaboradas, o objeto em litígio. Portanto, suprese a omissão com a indicação acima dos argumentos exaustivos a respeito do objeto da lide expressos quando do voto na Resolução nº 20201.082 e nas planilhas e suas justificativas no Termo de Encerramento de Verificação Fiscal. Assim, com estas constatações, entendo que devem ser admitidos os Embargos de Declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional sem efeitos infringentes. Valcir Gassen Relator Fl. 625DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.001696/00-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - OPÇÃO PELA TRIBUTAÇÃO ANUAL
No ano-calendário de 1997, nos termos do art. 8º da Lei nº 9.430/96, houve obrigatoriedade de recolhimento de estimativas para os optantes pela tributação trimestral, mas apenas para os meses de janeiro e fevereiro. Como foram recolhidas estimativas até setembro, caracterizou-se a opção anual.
Numero da decisão: 1401-001.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos de declaração da Procuradoria com efeitos infringentes para aditar o primeiro acórdão em embargos nº 1401-00.560 e retificar o acórdão nº 1401-00.352 em recurso voluntário para lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Como foram recolhidas estimativas até setembro, caracterizouse a opção anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos de declaração da Procuradoria com efeitos infringentes para aditar o primeiro acórdão em embargos nº 140100.560 e retificar o acórdão nº 140100.352 em recurso voluntário para lhe negar provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 16 96 /0 0- 47 Fl. 534DF CARF MF 2 ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório O presente julgamento decorre do cumprimento do acórdão nº 140100.560, de 26 de maio de 2011, que abaixo reproduzimos: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para retificar o acórdão nº 140100.352 e atribuir efeitos infringentes, para afastar a decadência e determinar que novo julgamento seja proferido, intimando o contribuinte e a PGFN. A leitura das partes do voto condutor abaixo reproduzidas permite a compreensão do que ora deveremos decidir: O acórdão Embargado decidiu no sentido de ser necessário lançamento para constituição de débitos declarados em DIPJ e não em DCTF, haja vista que aquela não é instrumento hábil a confissão de dívida. O referido entendimento, embora correto, não se aplica ao presente caso, haja vista que, conforme alegado pelo Embargante, os débitos objeto de discussão não foram informados por meio de DIPJ (Declaração de Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica), mas em DIRPJ (Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica). Analisando os argumentos exarados pela Fazenda Nacional, verifico que a DIPJ foi instituída apenas no anocalendário de 1998, por meio da IN SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998: (...) A mesma Instrução Normativa, em seu artigo 6º, extinguiu a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ): (...) Ou seja, pela análise da legislação em comento, verificase que no anocalendário de 1996, objeto dos autos, estava vigente a DIRPJ e não a DIPJ. Ademais, verificase que a DIRPJ (Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica) possuía, à época, efeito de confissão de dívida, razão pela qual não se fazia necessário o lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário, sendo suficiente a notificação do contribuinte quando do indeferimento da compensação, conforme se extrai do disposto no artigo 5º do Decretolei nº 2.124/84: (...) Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10280.001696/0047 Acórdão n.º 1401001.802 S1C4T1 Fl. 535 3 Nesse mesmo sentido, peço vênia para reproduzir as razões e a ementa do acórdão nº 1088.749 (sessão de 24/02/2006), em que resta clara a alteração ocorrida a partir do anocalendário de 1998: Na seqüência do voto, reproduz fundamentos de outro acórdão que conclui acerca da constituição do crédito tributário declarado na antiga DIRPJ e, por conseguinte, na não necessidade da realização de lançamento tributário. Nada obstante, ao revés de dar provimento aos embargos com efeitos infringentes para decidir o mérito da questão, o voto optou por determinar o julgamento noutro momento, após intimados o contribuinte e a Fazenda Pública. Tanto o contribuinte como a Fazenda Pública foram intimados (fls. 495 e 515, respectivamente). Só a D. Procuradoria se manifestou por meio da peça de fl. 522, em que suscitou apenas a realização de novo julgamento em cumprimento do acórdão nº 140100.560. Já o contribuinte não se manifestou. Tecidas essas razões iniciais para nos situar acerca do estágio processual do feito, é necessário retroagirmos e relatar as etapas anteriores neste grau de julgamento. Isso, porque, no acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, não se enfrentou a questão do reconhecimento do crédito tributário, o que, salvo melhor juízo, deveremos agora proceder. Dessa sorte, reproduzo o relatório do acórdão de fls. 478 a 486: Conforme consta as fls. 68, versa o presente processo sobre pedido restituição/compensação de recolhimentos de IRPJ relativos aos períodos de março e abril de 19997, com débitos de PIS, dos períodos de março a novembro de 1996. Por meio da Decisão nº 0790/2000, de fls. 20, foi deferida a compensação pleiteada. Em 13 de outubro de 2003, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Belém manifestouse nos autos propondo a anulação da decisão que anuiu o pleito da Recorrente, bem como o indeferimento do pleito e a cobrança administrativa dos débitos não recolhidos (fls. 68/72). A proposta transformouse em Despacho Decisório, conforme documento de folha 73. Referido Despacho Decisório reportase ao Parecer SEORT/DRF/3722003 (fls. 6871), o qual propõe a nulidade da decisão anterior, sob o fundamento de que a mesma não apreciou o mérito da questão, indeferindo o pedido de compensação/restituição, já que não estaria demonstrado que os pagamentos são indébitos passíveis de repetição. O referido Parecer teve como fundamento o seguinte: Por força dos fundamentos de fato e de direito acima considerados, deduzse, de forma irretorquível: Fl. 536DF CARF MF 4 a) que o contribuinte não faz jus à repetição dos recolhimentos de IRPJ, efetuados no código 2362, referentes aos períodos de apuração 03/1997 e 04/1997, conforme DARFs de fls. 05 e 06; b) que, por conseguinte, os débitos de PIS objeto da compensação pretendida pelo contribuinte (PA: 03/1996 a 11/1996) devem ser cobrados, conforme valores indicados na Tabela 1 acima; c) que o ato exarado à fl 20 encontrase eivado vício quanto à legalidade de seu objeto, devendo, portanto, ter a sua nulidade declarada. 3.2. É importante observar, com relação à alínea "h" do item 3.1 acima, o disposto na Lei n° 8.212, de 24 de Julho de 1991, em seu art. 46, a saber: "Art. 46. O direito de cobrar os créditos da Seguridade Social, constituídos na forma do artigo anterior, prescreve em 10 (dez) anos". 3.3. Dessarte, proponho, com arrimo no art. 126, III, da Portaria MF n2 259, de 24 de Agosto de 2001, que seja declarada a nulidade da DECISÃO n.° 0790/2000, à fl 20 destes autos processuais, por ilegalidade de seu objeto; que seja indeferido o pedido de restituição/compensação dos recolhimentos de IRPJ, código 2362, períodos de apuração 03/1997 e 04/1997, fls 05 e 06; e que sejam cobrados os débitos de PIS, objeto do pedido de compensação deduzido nesse processo, referentes aos PA: 03/1996 a 11/1996, conforme Tabela 1 supra. Em face do referido despacho, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém. Em 06/07/05, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual informou que (i) retificou as DIRPJ dos anos de 1996 e 1997, através de processo específico e as mesmas foram expressamente acatadas pela SEORT da DRF Belém; (ii) realizou pagamentos indevidos para o IRPJ; (iii) utilizandose desses créditos, através do PAT 10280.0011696/0047, ingressou com pedido de compensação do PIS referente aos meses de março a outubro de 1996, conforme demonstrou na tabela de fls. 96, informando que consignara multa moratória de 30%; (iv) pediu a retificação dos DARF recolhidos sob código 2362, em 30/04/1997 — R$ 14.644,80 e 30/05/1997, no valor de R$ 15.092,46, concluindo que lhe restaria, ainda, um crédito de R$ 3.223,18. Este pedido foi deferido através do Parecer SEORT 0790/2000, nesses exatos valores; (v) apresentou seus livros Diário e Razão ao SEORT e, como base na verdade material foi deferido seu pedido de compensação; (vi) esclareceu que a dúvida estaria no fato de que preenchera as DCTF com erro, sendo que a correção estaria nos valores apostos na DIRPJ; (vii) esclareceu que não optou por lucro estimado e sim real trimestral, opção que sempre exerceu, e só realizou os pagamentos das estimativas nos meses de janeiro e fevereiro de 1997, por força da exigência do artigo 8° da Lei 9430/1996; (viii) alegou, ainda, que suas DCTF no período foram apresentadas com erro de fato, invocou o princípio da segurança jurídica dizendo que se seu pleito fora deferido não poderia a administração, 3 anos após, sem qualquer fundamento legal rever aquele ato; (ix) disse que como na época do Parecer tramitavam outros processos de sua autoria, foi mencionado na Decisão 0790/2000 outro número embora as informações se reportassem a este. Informou que apurou nos quatro trimestres de 1997 IRPJ nos seguintes valores: R$ 11.931,88; 8.836,67; 7.639,96; 7.812,72. Para liquidar esses Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10280.001696/0047 Acórdão n.º 1401001.802 S1C4T1 Fl. 536 5 valores utilizou os DARF que disse anexar, nos valores de R$ 13.725,86; 11.763,05; 11.208,85 (fevereiro, março e julho de 1997). Tais informações, segundo o contribuinte, provariam o acerto em seu procedimento e que não se utilizou em duplicidade da compensação de um mesmo DARF como fez supor a decisão combatida. Esclareceu que realizou os recolhimentos com taxa SELIC e multa moratória, não trazendo qualquer prejuízo ao Erário; reconheceu seu equívoco nas informações prestadas, mas este se deveu à mudança na legislação que só foi esclarecida com a edição da INSRF 93/97. Contudo, nenhum prejuízo trouxera ao fisco. Ademais, alega o Recorrente que sua retificação e pedido de compensação se realizaram fora de qualquer procedimento fiscal, configurando a denúncia espontânea do artigo 138 do CTN. Em 13 de dezembro de 2006, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu por bem converter o julgamento em diligência para que fossem verificados os seguintes pontos: a) se a DIRPJ retificadora foi aceita e, em caso positivo, sua juntada; b) quais os fundamentos para a decisão 0305/2001 frente à retificadora; c) respondido, frente aos assentamentos contábeis e fiscais da recorrente, qual a verdade material da opção do lucro realizada naquele exercício: c.1) anual (com estimativas e/ou balancete se suspensão); c.2) mensal; c) confirmase o erro no código do DARF conforme afirmou a recorrente? d) demais esclarecimentos que a autoridade diligenciante entenda necessários ao esclarecimento do litígio. Em cumprimento à diligência solicitada, o SEORT da DRF em Belém apresentou as seguintes conclusões: Quanto ao quesito indicado no letra "a" do item 9, o que se constata, consultando os sistemas informatizados da RFB (fl 154), é a existência de uma única declaração de IRPJ recepcionada para o AC 1997, exercício 1998, cujo número é 3295039. Referida declaração, extraída do sistema IRPJ, foi juntada aos autos, em parte (fls 48/52). Os elementos para responder o quesito indicado na letra "h" do item 9 estavam e estão à disposição da autoridade que requisitou a diligência tratada na Resolução n.° 10800.389, do mesmo modo que estão à disposição desta autoridade, que profere o presente ato. Não se compreende, dessarte, as razões para tal questionamento. Cabível apenas interpretálo, premissa vênia, como a solicitação de uma opinião acerca de algo sobre o qual não se pode robustecer mais a instrução processual. Fl. 538DF CARF MF 6 É que a DIRPJ considerada pela autoridade que emitiu a decisão 0790/2000 faz parte de seus elementos de convicção. Sendo assim, não se pode buscar, senão nos documentos que já compõem o procedimento até a citada decisão, a resposta para esse quesito. Contrario sensu, uma diligência deve destinarse a coletar informações ou outros elementos de interesse da Administração Tributária, inclusive para atender exigência da instrução processual. Não obstante tais considerações, visando a atender, da melhor forma possível, ao que nos fora solicitado, cumpre dizer: em nosso modesto parecer, a decisão 0790/2000 não traz qualquer motivação (ao menos explicitamente) que permita inferir qual fora a DIRPJ que . serviu de base para a confecção do referido ato. Mencionado óbice inferencial se ratifica, quando se constata que os recolhimentos de IRPJ, código 2362, arrecadados em 30.04.1997 e em 30.05.1997, assumidos como indébitos pela citada decisão, não foram confrontados com os débitos de IRPJ correspondentes, a fim de que exsurgisse clara a sua condição de pagamentos indevidos. Tivesse tal procedimento ocorrido, não restariam dúvidas acerca de qual seria a DIRPJ tida como fundamento da decisão sob comento. Quanto ao questionamento da letra "c" do item 9, vêse que o contribuinte apresentou cópia do Livro Registro de Apuração do Lucro Real (fls 162/165), com levantamento de lucro real por trimestre. No mesmo sentido, as demonstrações do resultado do exercício de fls.166/169 são discriminadas por trimestre. Registrese, contudo, que as demonstrações do resultado do exercício não apresentam indicação de haverem sido transcritas no Diário ou no LALUR, nos termos do art. 274 do RIR/1999. Por outro lado, o Livro Registro de Prestação de Serviços, fls 176/202, relaciona faturamentos que estão de acordo com o que fora considerado nos demonstrativos de resultado do exercício. Em nosso entender, a "verdade real" (assim considerada, tendo se como parâmetro o nível de auditoria adotado neste trabalho) exurge disso, conforme livre convicção do julgador. Quanto à solicitação da letra "d" do item 9, colhese das telas às fls 13 e 149/153, que o contribuinte, no âmbito da SRF, não quitou os débitos de IRPJ, lucro real trimestral, haja vista que todos os recolhimentos que efetuou são de lucro real anual, código 2362. Do mesmo modo, todos os débitos que confessou são, também, de lucro real anual, estimativa mensal, conforme DCTFs do AC 1997. Tais débitos, aliás, alimentaram o SIEF (fl 153) A tela à fl 251 revela que o interessado não efetivou qualquer recolhimento relativo a lucro real trimestral, no que tange ao AC 1997. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10280.001696/0047 Acórdão n.º 1401001.802 S1C4T1 Fl. 537 7 Contudo, o demonstrativo de fls 248/249 (que não preenche as formalidades de registro contábil, haja vista não haver indicativo de que foi extraído de livro contábil/fiscal), indica que esses débitos de IRPJ, lucro real trimestral, teriam sido compensados com os recolhimentos de IRPJ, código 2362, relacionados à fl 13. Restaria ao contribuinte comprovar essas compensações mediante a apresentação dos registros correspondentes, levados a efeito nos Livros Razão e Diário 16. Era o que se tinha a informar. Intimado, o Recorrente se manifestou , reiterando as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Não compreendi a razão de a decisão em embargos ter decidido em determinar novo julgamento, ao revés de ter decidido a lide por completo já naquela oportunidade processual. De toda sorte, cumprinos agora prosseguir daquele ponto. A decisão original em recurso voluntário não analisou o direito creditório do interessado, ao considerar que seria desnecessário, uma vez que a cobrança do crédito não poderia prosperar. Desse modo, o pleito de compensação seria atendido por, assim dizer, meios transversos. Não concordo com o posicionamento adotado naquela oportunidade, mas não há qualquer resultado prático em discutila. O fato é que, uma vez reconhecida a constituição do crédito tributário por meio da DIPJ. É necessário enfrentar o reconhecimento do crédito. Pois bem, nesse sentido, podemos verificar que, no recurso voluntário (fls. 106 a 110), o recorrente insiste na afirmação de que os recolhimentos de estimativa efetuados nos meses de janeiro e fevereiro de 1997 eram obrigatórios não só para os optantes pelo lucro real anual, mas também pelo lucro real trimestral e 'deu de ombros", por assim dizer, à razão posta pela Delegacia de Julgamento de que não houve recolhimentos apenas nos meses de janeiro e fevereiro daquele ano, mas sim de janeiro a setembro. A decisão da DRJ consta das fls. 100 a 103 e o argumento em seu parágrafo 8. De fato, nos termos do art. 8 da Lei nº 9.430/96, havia obrigatoriedade do recolhimento de estimativa para a tributação trimestral, mas apenas para os meses de janeiro de fevereiro de 1997. Nada obstante, como podemos verificar na página apontada pela DRJ, Fl. 540DF CARF MF 8 houve recolhimento de estimativas para além daqueles meses (foram até setembro, conforme fl. 15 do eprocesso), o que inequivocamente caracterizou a opção anual, a qual é irretratável nos termos do artigo 3º da mesma lei (Lei nº 9.430/96). Abaixo, reproduzo os três artigos da referida lei com a redação em vigor na época e os destaques necessários: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observado o disposto no art. 21 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. § 2° Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento. Pagamento por Estimativa Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10280.001696/0047 Acórdão n.º 1401001.802 S1C4T1 Fl. 538 9 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Seção II Pagamento do Imposto Escolha da Forma de Pagamento Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (...) Art. 8º As pessoas jurídicas, mesmo as que não tenham optado pela forma de pagamento do art. 2º, deverão calcular e pagar o imposto de renda relativo aos meses de janeiro e fevereiro de 1997 de conformidade com o referido dispositivo. A opção, assim como afirmado pela DRJ em face dos recolhimentos de estimativa, se deu para o lucro real anual. Assim, as declarações apresentadas com apuração trimestral foram irregulares e não refletiam a apuração do imposto de renda. Logo, os valores não eram indevidos como estimativas, uma vez que seu cálculo não foi contestado pelo interessado, nem podem ser considerados para fins de aferição de saldo negativo, uma vez que o contribuinte não fez tal apuração a despeito de sua opção por meio do próprio recolhimento de estimativas. Por todo o exposto, voto para dar provimento aos embargos de declaração da Procuradoria com efeitos infringentes para aditar o primeiro acórdão em embargos nº 140100.560 e retificar o acórdão nº 140100.352 em recurso voluntário para lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Fl. 542DF CARF MF 10 Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.003423/2007-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 34 23 /2 00 7- 21 Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10530.003423/200721 Acórdão n.º 9202004.820 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 822DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001773/2009-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/07/2004, 15/07/2004, 01/09/2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ELEMENTOS DE PROVA. VALIDADE. ÔNUS DA PROVA.
Demonstrado com elementos de prova suficientes a prática da infração, cabe ao sujeito passivo o ônus de demonstrar que as suas operações de comércio exterior foram realizadas regularmente. Não trazendo qualquer elemento de prova a infirmar a acusação, o lançamento de ofício deve ser mantido.
Numero da decisão: 9303-004.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ELEMENTOS DE PROVA. VALIDADE. ÔNUS DA PROVA. Demonstrado com elementos de prova suficientes a prática da infração, cabe ao sujeito passivo o ônus de demonstrar que as suas operações de comércio exterior foram realizadas regularmente. Não trazendo qualquer elemento de prova a infirmar a acusação, o lançamento de ofício deve ser mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 17 73 /2 00 9- 15 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3401002.307, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso de ofício, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/07/2004, 15/07/2004, 01/09/2004 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DOCUMENTOS PÚBLICOS. UTILIZAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. POSSIBILIDADE. Os documentos produzidos por outros órgãos da administração pública gozam de presunção de veracidade, razão porque são elementos suficientes a embasar o lançamento destinado a formalizar/constituir o crédito tributário, não sendo possível, no âmbito do CARF, discutir supostos vícios existentes nos procedimentos administrativos que desencadearam a formação daqueles documentos públicos. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/07/2004, 15/07/2004, 01/09/2004 CERTIFICADOS DO PROCESSO KIMBERLEY. IRREGULARIDADE DETECTADA PELO ÓRGÃO COMPETENTE. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. OCORRÊNCIA. Constatada a irregularidade dos Certificados do Processo Kimberley que ampararam as operações de exportação de diamantes brutos configurase a infração à legislação tributária, devidamente tipificada no art. 10, I da Lei nº 10.743/2003, porquanto aludida irregularidade equivale à ausência de certificado. Recurso de ofício provido.” Com tal decisão, foi restabelecida por aquele Colegiado a multa prevista no art. 10 da Lei 10.743/03 enquadrada pela autoridade fazendária: “Art. 10. Aplicase a multa de cem por cento do valor da mercadoria: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 5 4 I – ao comércio internacional de diamantes brutos, sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley verificado em procedimento de ação fiscal aduaneira de zona secundária, com base em registros assentados em livros fiscais ou comerciais; e II – à prática de artifício para a obtenção do Certificado do Processo de Kimberley.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial de Divergência contra o Acórdão 3401002.307, alegando, entre outros, que: · A motivação para o lançamento em discussão nesse processo é inexistente, de modo que o lançamento correspondente deve ser cancelado, tal como decidiu a DRJ ao trazer que a falta de demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, por meio da averiguação e análise dos fatos levada a efeito em procedimento fiscal próprio desenvolvido no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aliada a ausência nos autos de elementos de prova suficientes para a comprovação do ilícito apontado impele a decretação da nulidade do lançamento; · O Fisco lavrou o Auto de Infração embasado em meras suposições, tanto que a DRJ na apreciação resolveu converter o julgamento em diligência com o intuito de instruir o processo com as provas do ilícito apontado pela autoridade fazendária, mas sem sucesso. O que, por conseguinte, gerou acórdão consignando a exoneração do crédito tributário lançado. O apelo do sujeito passivo foi admitido em sua integralidade, nos termos do Despacho às fls. 230 e 231. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, em síntese, que: · Não procede o argumento de que o lançamento se baseou em presunções ou indícios; · A autoridade administrativa demonstrou claramente a vinculação entre o contribuinte e o certificado tido como irregular pelo DNPM; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 6 5 · A motivação deste lançamento não foi a prática de artifício para obtenção do Certificado do Processo Kimberley, mas a operação de comércio internacional de diamantes brutos ao desamparo da devida certificação. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso deva ser conhecido, o que concordo com os termos do Despacho de Análise de Admissibilidade às fls. 230 e 231. Eis que a matéria controvertida foi objeto de debate na instância a quo, de modo que restou atendido o requisito do prequestionamento. E, quanto ao dissídio interpretativo, do cotejo entre as decisões envolvidas, é patente sua ocorrência, vez que, em caso similar, originário da mesma operação fiscal, o acórdão apontado como paradigma concluiu pela improcedência do lançamento. Ventiladas tais considerações, passo a analisar os autos do processo. Não obstante, para tanto, visando melhor clarificar o meu entendimento, trago o histórico do ocorrido – o que, peço licença para transcrever parte do relatório muito bem desenvolvido no acórdão da DRJ: · O presente processo trata da cobrança da multa prevista no art. 10 da Lei 10.743/03, in verbis: “Art. 10. Aplicase a multa de cem por cento do valor da mercadoria: I ao comércio internacional de diamantes brutos, sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley verificado em procedimento de ação fiscal aduaneira de zona secundária, com base em registros assentados em livros fiscais ou comerciais; e II à prática de artifício para a obtenção do Certificado do Processo de Kimberley.” · A autoridade fazendária havia argumentado, em síntese, que: ü O procedimento fiscal teve por motivação demanda externa requisitória da Justiça Federal de 1º Grau em Minas Gerais, Oficio 2226/06; ü A multa aplicada decorre de Auditoria Especial do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em que restou comprovada a utilização de Certificados do Processo Kimberley emitidos de forma irregular, na exportação de diamantes extraídos de forma ilegal; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 8 7 ü A conclusão do Relatório de Auditoria do DNPM e do Ministério das Minas e Energia concluiu pela irregularidade dos certificados Kimberley obtidos e utilizados pelo contribuinte; ü A RFB formalizou a exigência da multa de 100% do valor do diamante bruto que for comercializado no mercado internacional sem amparo do Certificado do Processo Kimberley. Tal processo foi apreciado pela DRJ que, por sua vez, formulou pedido de diligência, ao considerar: · A afirmação da fiscalização de que a base para a autuação tinha sido a comunicação dos fatos que recebera e "as conclusões da auditoria de quais certificados emitidos para a Primeira Gema foram considerados irregulares", sem, no entanto, esclarecer as circunstâncias dessa comunicação ou anexar o documento que teria formalizado tal comunicado; · Que o sujeito passivo alegava que não foi instaurado processo administrativo por parte do DNPM a fim de apurar a existência de irregularidades junto ao processo minério. Sendo assim, foi exarado, assim, Despacho 1.909/10 às fls. 82 a 84, consignando, entre outros, que: · As manifestações constantes da parte IX do Relatório "GT Auditoria Especial — Certificação do Processo Kimberley — Brasil", intitulada "Recomendações" (fl. 55) demonstravam que havia se recomendado a instauração de procedimento administrativo com vistas a apurar as irregularidades constatadas na auditoria; · O relatório não indicava se e quais os Certificados Kimberley relacionados aos processos de mineração n° 831.972/2002 e 833.476/2003 haviam sido invalidados; · Não restava esclarecido qual o desenrolar e resultado(s) do(s) procedimento(s) administrativo(s) adotado(s) no âmbito do DNPM, autarquia vinculada ao Ministério das Minas e Energia, após as Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 9 8 recomendações exaradas pelo "UT Auditoria Especial — Certificação do Processo Kimberley — Brasil". É de se atentar que o “Relatório Especial”, de per si, não trouxe elementos de prova contundentes e convergentes no sentido de se poder afirmar, categoricamente, que os certificados Kimberley tivessem sido emitidos de modo irregular. Apenas foi enviado pelo Ministério Púbico Federal para a Secretaria da Receita Federal contendo indícios, a partir dos quais se deveriam aprofundar substancialmente as fiscalizações, no sentido de coletar as provas que pudessem confirmar ou não a ocorrência dos fatos que pudessem amparar a imposição da multa referida no art. 10, II, da Lei nº 10.743/2003. O que, por conseguinte, em respeito às alegações do sujeito passivo sobre "a inexistência do devido e essencial processo administrativo junto ao DNPM", a DRJ, muito zelosa, retornou os autos à unidade de origem para adoção das seguintes providências: “a) anexar o(s) documento(s) por meio do(s) qual (is) os fatos relacionados a lide foram comunicados a Secretaria da Receita Federal do Brasil; b) diligenciar junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) no sentido de: b.1) obter informações sobre a instauração e o desfecho do(s) processo(s) administrativo(s) que apurou (apuraram) as irregularidades apontadas pelo grupo de auditoria especial, relacionados aos processos de titularidade mineral n° 831.972/2002 e 833.476/2003 e os respectivos processos administrativos de emissão dos CPK n° 48, 50, 54, 55, 56, 57 e 64; b.2) anexar cópia das principais peças daquele(s) processo(s) do DNPM de apuração de irregularidades, notadamente o relatório conclusivo e o despacho decisório, de modo que seja esclarecido objetivamente se aqueles Certificados Kimberley foram invalidados (total ou parcialmente) ou se o(s) procedimento(s) administrativo(s) levado(s) à cabo no âmbito daquela autarquia foi (foram) conclusivo(s) no sentido de ter havido a prática de artificio para a obtenção desses certificados por parte da empresa Primeira Gema Comércio Importação e Exportação Ltda.” No retorno da diligência pedida pela DRJ, foram anexados os documentos às fls. 87 a 97 e a Informação Fiscal às fls. 98 a 99, que trouxe que nas datas de 22.7.09, 16.11.09, 6.4.10 e 28.7.10 foram enviadas correspondências ao DNPM, solicitando reiteradamente as informações requeridas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 10 9 Continuando, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte registrou o que segue: “Até a presente data não obtivemos resposta ao Oficio n° 1229/2010/IRFBHE/Gabin/Sefia. [...] Não anexamos os demais documentos solicitados pela autoridade julgadora tendo em vista a omissão por parte do DNPM no atendimento à demanda dessa Inspetoria.” Após o resultado da diligência, o sujeito passivo apresentou manifestação às fls. 102 a 106, asseverando que: · A Lei 10.743/03, em seu art. 6°, prevê expressamente a competência do DNPM para a emissão dos Certificados do Processo Kimberley, o que, por conseguinte, caberia também àquele órgão manifestarse acerca de qualquer irregularidade na emissão desses documentos, mediante apuração em processo administrativo em que seja concedido ao contribuinte o seu amplo direito de defesa, amparado constitucionalmente; · A Informação Fiscal emitida pela autoridade fazendária quando da realização da diligência confirma as alegações da impugnante: não houve qualquer procedimento destinado à apuração de irregularidades por parte do Órgão competente para a sua execução. Ou seja, a multa aplicada pelo fisco não tem qualquer substrato fático e tem origem unicamente em solicitações tanto da Policia Federal quanto da Justiça Federal de Minas Gerais para execução de "análise de documentos" (Informação Fiscal); · A Lei 10.743/03 prevê a aplicação da multa exigida da contribuinte nas hipóteses especificas dos itens I e II do seu art. 10. Não há no processo qualquer comprovação acerca do cometimento de quaisquer das irregularidades apontadas mesmo porque elas não ocorreram de modo que, a multa aplicada não tem amparo na legislação vigente; · No documento emitido pelo "GT Auditoria Especial Certificação do Processo Kimberley Brasil", não consta o nome da empresa Primeira Gema entre as que deveriam figurar no oficio a ser encaminhado à RFB. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 11 10 Ou seja, o órgão encarregado de emissão dos certificados sequer mencionou a impugnante no oficio enviado à RFB demonstrando, de forma cabal, a arbitrariedade do fisco na emissão do Auto de Infração em questão; · A autoridade fazendária lavrou o Auto de Infração combatido embasado em meras suposições, sem qualquer amparo documental. Ainda que desconsiderada a inexistência do procedimento administrativo pelo DNPM, o art. 112 do CTN é favorável ao contribuinte na existência de dúvidas quanto à autoria do ilícito. Após trazer os fatos singelamente, para melhor elucidar meu posicionamento e por ser esclarecedor, transcrevo o voto constante do Acórdão da DRJ (Grifos meus): “Voto PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade A impugnação é tempestiva e foi apresentada por parte legitima, comporta, portanto, este julgamento de primeira instância administrativa. Antecedentes do lançamento Antes de adentrar no caso concreto fazse mister trazer algumas informações que, embora obtidas extra processualmente, são pertinentes para situar a autuação em todo o contexto fálico que a antecedeu. Do Sistema de Certificação do Processo de Kimberley (SCPK) e legislação correlata Para esclarecer neste voto, como surgiu e a que se refere o SCPK, valhome de interessante resumo que pode ser encontrado no sitio do Ministério das Minas e Energia na internet Denominamse Diamantes de Conflito os diamantes brutos provenientes de regiões controladas por movimentos rebeldes, notadamente da África. A sua venda tem contribuído para financiar a compra de armamentos e, consequentemente, para alimentar conflitos civis. 0 Conselho de Segurança das Nações Unidas tem dispensado uma grande importância ao comércio de diamantes brutos, envidando esforços para colocar um ponto final nas guerras civis de alguns países africanos Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 12 11 alimentadas pela comercialização ilegal desses diamantes também denominados DIAMANTES DE SANGUE (BLOOD DIAMONDS) OU DIAMANTES DE GUERRA (WAR DIAMONDS). Apesar das ações levadas a efeito pela ONU, os movimentos rebeldes continuaram, eis vezes com sucesso, introduzindo os seus diamantes no mercado legal. Motivo pelo qual a comunidade internacional entendeu que medidas adicionais deveriam ser tomadas para conter o comércio dos diamantes de conflitos. Em consequência, os principais países produtores e aqueles que comercializam esses diamantes se reuniram, visando a colocar em prática um sistema mundial de certificação para os diamantes brutos extraídos e comercializados legalmente. Esse processo de negociação informal foi iniciado em maio de 2.000 e é conhecido pelo nome de "Sistema de Certificação do Processo de Kimberley PK". As discussões foram lideradas pela África do Sul que imediatamente conseguiu reunir 30 países participantes, cujo número cresce constantemente. Representantes de várias ONG's e da indústria diamantífera estão também se associando aos esforços empreendido pelos integrantes do PK. Tratase de uma ação na qual se encontram envolvidos governos, sociedade civil, ONG's, empresas estatais e privadas. Desde então esta iniciativa cresceu e evoluiu para contar atualmente com 75 países, incluindo os países da Comunidade Européia envolvidos na produção, exportação e importação, como também no comércio de diamantes brutos. 0 sistema visualizado pelo grupo de Kimberley preconiza que nenhum comércio de diamante venha a ser implementado sem um certificado de origem adequado. Todos os lotes de diamantes brutos importados e exportados deverão ser acompanhados do certificado de Kimberley legitimo. Os países que não forem membros do grupo de Kimberley serão excluídos do comércio de diamantes brutos, além de serem vistos como simpatizantes e/ou apoiadores de movimentos rebeldes civis. Em resumo, o PK foi criado, para: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 13 12 >> interromper o fluxo de diamantes brutos, usados por rebeldes para financiar conflitos armados com o objetivo de subverter os governos legítimos, contribuindo assim significativamente para a paz e a segurança internacional; e >> proteger a indústria legal de diamantes, da qual muitos países são dependentes para implementar o seu desenvolvimento econômico e social. 0 Brasil, desde o início, participou da maioria das reuniões do PK; entretanto, somente em novembro de 2002, na reunião de Interlaken, Suíça, declarou oficialmente a sua adesão ao Processo como Participante, comprometendo se a cumprir todas as exigências necessárias para se tornar um membro efetivo. No âmbito nacional, ficou estabelecido, por consenso, que todas as atividades atinentes seriam coordenadas pelo Ministério de Minas e Energia, com a participação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC, Ministério da Fazenda — MF e o Ministério das Relações Exteriores — MRE. Graças ao esforço conjunto desses Ministérios, aliado a colaboração da Casa Civil da Presidência da República, o Brasil conseguiu atender a todas as exigências do PK, para se tornar participante efetivo do Sistema de Certificação do Processo de Kimberley, em 30 de outubro de 2003. Atualmente, o Processo de Kimberley Brasileiro está sendo conduzido pelos referidos ministérios aos quais foi também integrado o Ministério da Justiça, cujas atividades conjuntas são desenvolvidas de acordo com as seguintes atribuições: [...] A adesão do Brasil às propostas da "iniciativa de Kimberley de instituição de um sistema internacional de certificação para regular a importação e a exportação de diamantes brutos" foi formalizada inicialmente por meio da Medida Provisória n° 125, de 30/07/03 (DOU 31/07/03), posteriormente convertida na Lei n° 10.743, de 09/10/03 (DOU 10/10/03). No próprio texto da Lei n° 10.743/03, podem ser encontrados a definição, os objetivos e os órgãos responsáveis no Brasil pelo Processo de Kimberley, sendo conveniente destacar os dispositivos abaixo, por mais diretamente relacionados ao caso concreto: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 14 13 Art.1° [...]. [...] §2° Na exportação, o Processo de Kimberley visa impedir a remessa de diamantes brutos extraídos de áreas de conflito ou de qualquer área não legalizada perante o Departamento Nacional de Produção MineralDNPM. [...] Art. 2º A importação e a exportação de diamantes brutos no território nacional exige o atendimento dos requisitos desta Lei. [...] Art. 4º O SCPK tem por objetivos: I assegurar o acesso da produção brasileira de diamantes brutos ao mercado internacional; III impedir a saída do território nacional de diamantes brutos desacompanhados do Certificado do Processo de Kimberley. Art. 5° A implementação e a execução do SCPK são de responsabilidade dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de Minas e Energia e da Fazenda, no que tange às suas competências especificas. Art. 6° As exportações de diamantes brutos produzidos no País somente poderão ser realizadas se acompanhadas do Certificado do Processo de Kimberley. §1° Compete ao DNPM, entidade anuente no processo exportador, a emissão do Certificado do Processo de Kimberley. §2° No caso de ser necessária a abertura de invólucro contendo diamantes brutos a serem exportados, em decorrência de ação fiscal aduaneira realizada no curso do despacho, o Ministério da Fazenda, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, emitirá o Certificado do Processo de Kimberley em substituição ao certificado original, transcrevendo os mesmos dados do certificado substituído. Art.8° Compete ao Ministério da Fazenda, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, examinar e manusear os lotes de diamantes brutos submetidos a despacho aduaneiro, com vistas a verificar sua conformidade com o conteúdo do Certificado do Processo de Kimberley que Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 15 14 os acompanha, expedindo, na hipótese prevista no § 2º do art. 6, o correspondente certificado. [...] Art. 12. 0 DNPM, a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em conjunto, serão responsáveis pela implantação do SCPK, devendo desenvolver e implementar sistema de monitoramento e controle estatístico do comércio e produção de diamantes no País, em consonância com o que for definido no âmbito do Processo de Kimberley. Conforme se verifica na lei, o SCPK no Brasil foi instituído e deve ser executado por vários órgãos, integrantes de três ministérios distintos, conforme está explicitamente exarado nos arts. 5 0 e 12, acima transcritos. Além dos Ministérios das Minas e Energia, da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, também os Ministérios da Justiça, por meio da Secretaria Executiva da Policia Federal e das Relações Exteriores, por meio da Divisão de Acesso a Mercados, têm atribuições vinculadas ao sistema em comento, conforme se viu antes. Pois bem, nesse controle conjunto, coube ao DNPM a emissão do Certificado do Processo de Kimberley e à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o acompanhamento dos despachos aduaneiros de importação e de exportação de diamantes brutos, classificados nas subposições 7102.10, 7102.21 e 7102.31 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) e a aplicação das penalidades previstas nos arts. 9° e 10°, da Lei n° 10.743/03, nos termos previsto no art. 11 do mesmo diploma legal: Art.11.Compete ao Ministério da Fazenda, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, a aplicação das penalidades previstas nos arts. 9º e 10, observandose o disposto nos arts. 27 a 30 do DecretoLei n° 1.455, de 7 de abril de 1976. O art. 9º trata da pena de perdimento que deve ser aplicada a mercadoria: I submetida a procedimento de despacho aduaneiro, sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley; e II na posse de qualquer pessoa, em zona primária de portos, aeroportos e pontos de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 16 15 fronteira alfandegados, sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley. O art. 10 se refere à multa lançada no presente auto de infração e será comentado mais adiante. Da Operação Carbono Em 10/02/06 foi deflagrada ação realizada em conjunto pela então Secretaria da Receita Federal, Policia Federal e Ministério Público Federal, resultante das investigações sobre o esquema de contrabando e descaminho de diamantes, que veio a ser denominada de Operação Carbono e foi desencadeada nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Rondônia. No site oficial desta RFB 3 a referida operação foi tornada pública nos seguintes termos: Brasília, 10 de fevereiro de 2006 Operação Carbono — Receita detalha esquema de contrabando de diamantes Na manhã de hoje a superintendente da Receita Federal em MG, Leda Domingos Alves, detalhou as investigações sobre o esquema de contrabando e descaminho de diamantes que culminaram na operacão Carbono, desencadeada hoje pela manhã nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Rondônia. 0 trabalho foi realizado em conjunto pela Secretaria da Receita Federal, Policia Federal e Ministério Público Federal. Em Belo Horizonte estão sendo cumpridos 40 Mandados de Busca e Apreensão em sedes de empresas e residências. Seis pessoas já foram presas em MG e no Rio de Janeiro. Foram apreendidos dólares, mais de R$500 mil em pedras preciosas e grande quantidade de documentos. Os pontos de saída dos diamantes eram o Aeroporto Internacional de Seio Paulo (Guarulhos/SP), passando pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins/MG). Além dessas irregularidades, foram verificados fortes indícios de ocorrência de diversos outros crimes: sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, corrupção, falsificação de documentos públicos, ambiental. Os trabalhos de investigação iniciados após fatos apurados no Aeroporto de Guarulhos, foram desenvolvidos pela CoordenaçãoGeral de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 17 16 Pesquisa e Investiga cão (Copei) da SRF com apoio do MPF e PF e apontaram para a existência de um esquema fraudulento de remessa de diamantes, principalmente, para empresas de lapidação na Bélgica. As pedras são provavelmente extraídas de garimpos ilegais (localizados em áreas de proteção indígena/ambiental) em MG, RO e MT, bem como de áreas de conflito armado na África. A comercialização desses diamantes se dá de forma irregular, pois a legislação nacional proíbe a lavra naquelas áreas, e resolução da ONU proíbe a negociação de diamantes provenientes de determinadas zonas do continente africano. A licitude na origem das pedras comercializadas no pais é comprovada pelo Certificado de Kimberley, cuja emissão no Brasil é de competência do Departamento Nacional de Produção Mineral. Na investigação realizada foram constatados indícios de emissão de certificados ideologicamente e/ou materialmente falsos, utilizados pela quadrilha para conferir aspecto de legalidade a origem das gemas e viabilizar a venda aos centros de lapidação. Também com o intuito de acobertar a verdadeira origem das lavras, os envolvidos se utilizaram largamente de testas de ferro, empresas de fachada, e mineradoras que extraem apenas areia e cascalho, para a emissão de documentos fiscais como supostos fornecedores dos diamantes. Seis das empresas que estão sendo objetos dos Mandados de Busca e Apreensão exportaram oficialmente durante os últimos 2 anos cerca de US$ 62 milhões, dos quais grande parte supõese sejam diamantes de origem irregular. Assessoria de Imprensa da SRF Da auditoria especial levada a efeito no âmbito do Ministério das Minas e Energia Em 15/02/06, cinco dias após a deflagração da Operação Carbono, foi publicada no Diário Oficial da Unido (DOU) a Portaria Conjunta n° 25, de 14/02/06, do Secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM), e do DiretorGeral do DNPM por meio da qual foi constituído "o Grupo de Trabalho para realizar auditoria especial, objetivando aferir a regularidade dos procedimentos desenvolvidos pelo DNPM para emissão de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 18 17 Certificados de Kimberley, nos autos administrativos relativos à pesquisa, extração e exportação de diamantes brutos" (art. 1°). Nos termos daquela portaria o grupo de trabalho composto por servidores do DNPM e do Ministério de Minas e Energia MME deveria, durante a realização dos trabalhos, propor às autoridades competentes a prática de atos que se apresentassem necessários e para os quais não possuíssem competência legal (art. 3°) e, no prazo de 30 dias da data de publicação da norma, apresentar relatório e sugerir procedimentos visando o aperfeiçoamento do Sistema do Processo Kimberley do Brasil (art. 4°): 0 prazo para conclusão dos objetivos previstos naquela portaria foi prorrogado em duas ocasiões, inicialmente por mais 15 dias pela Portaria Conjunta SGM/DNPM no 65, de 16/03/06 (DOU 17/03/06), e depois por mais outros 15 dias, contados a partir do dia 02/04/06, por meio da Portaria Conjunta SGM/DNPM no 81, de 03/04/06 (DOU 05/04/06). Em 17/04/06, cerca de dois meses após a sua constituição, o grupo de trabalho emitiu o Relatório "GT AUDITORIA ESPECIAL — CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL", documento que instruiu o auto de infração em tela e que se encontra anexado nas fls. 10/59 deste processo administrativo. Referido relatório, em linhas gerais, apresentou o resultado da auditoria realizada em todos os Certificados de Processo Kimberley (CPK) emitidos pelo DNPM desde o de if 001, emitido em 05/11/03 até o de n° 184, este suspenso em fevereiro de 2006. Sendo que dentre o total, 150 instruíram exportações e 34 foram objeto de cancelamento. E importante salientar que na logística de exportação de diamantes brutos podem estar envolvidos até 3 (três) agentes distintos: o titular do direito minerário, a empresa compradora dos diamantes no mercado interno e a empresa exportadora. Quando o exportador não é o próprio titular do direito minerário, para a obtenção do CPK, ele deve instruir o pleito de certificação com notas fiscais que cabalmente demonstrem a origem dos diamantes. Assim, no seu relatório a equipe definiu o escopo do seu trabalho que abrangeu todos os elos da cadeia: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 19 18 [...] O trabalho consistiu na análise dos processos minerários informados como de origem dos diamantes, na realização de vistorias de campo nas áreas dos processos minerários em referência, bem como de análise dos documentos constantes nos processos administrativos destes requerimentos que foram indeferidos. [fl. 12] No decorrer da análise documental, a coordenação operacional preocupouse: em averiguar se foram adotados os procedimentos administrativos criados pela Autarquia para a emissão dos certificados com fins a assegurar a origem dos diamantes brutos; em aferir a regularidade dos processos administrativos de mineração citados na análise dos processos de certificação, aferir a regularidade dos procedimentos técnico administrativos adotados no âmbito dos processos de mineração assim como verificar in loco a veracidade das informações sabre a origem dos diamantes. [fl. 17] As tabelas 2 e 3 daquele relatório (fls. 38/39 e 41) demonstram quem foram os intermediários e os exportadores vinculados aos CPK considerados total ou parcialmente irregulares pela auditoria. 0 trecho do relatório que mais diretamente interessa para a análise do caso concreto é o item V intitulado "Análise dos processos de Certificação do Processo de Kimberley que culminaram na emissão de certificados", e dentro deste, mais especificamente os subitens 2 — Certificados de diamantes de origem irregular e 3 — Certificados de diamantes de origem mistas. No subitem 2 a equipe de auditoria identificou 49 certificados emitidos pelo 3° Distrito/DNPM que teriam sido baseados em informações falsas quanto às áreas de origem dos diamantes. Quanto a 45 deles que tiveram como origem declarada o município de Diamantina/MG os auditores afirmaram que "os processos de mineração indicados pelos exportadores encerram grande número de condutas potencialmente ilegais que estão a cobrar a responsabilização dos responsáveis na esfera administrativa, cível e criminal". Os CPK apontados nessa condição que foram emitidos a favor da empresa Primeira Gema Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 20 19 Comércio Importação e Exportação Ltda são os de n°05, 10, 14, 15, 16, 18, 27, 35, 36, 41, 43, 44, 48, 49, 50, 54, 55, 56, 57, 64, 65, 66, 76, 77, 78. Quanto aos outros 4 que tiveram a origem dos diamantes informada como sendo o Município de Doverlândia/G0 foi dito que " Da vistoria realizada em fevereiro de 004 e da análise dos relatórios de vistoria constantes nos processos se observa que é bastante improvável, quase impossível, que os diamantes certificados pelos certificados nº 025, 026. 029, e 039 tenham efetivamente sido extraídos nas áreas vistoriadas". Estes CPK foram emitidos a favor de outra empresa também autuada, nos termos do processo administrativo n° 10611.000313/200970. O subitem 3 Certificados de diamantes de origem mistas se refere a nove documentos que foram emitidos para um volume de pedras exportadas originário tanto de áreas regulares como de áreas irregulares. Sobre esses o GT registrou que "Tendo em vista informação do próprio interessado [se refere ao titular do processo minerário] em conjunto com as de natureza técnica colhidas pelo grupo operacional desta auditoria, concluise que a extração realizada pelo interessado Antonio Geraldo Sanguinete é ilegal, pois em subsolo alheio àquele delimitado por sua permissão de lavra garimpeira. Assim, os 312 (trezentos e doze) quilates de diamantes bruto objeto da compra venda representada pela nota fiscal 109 constante dos autos n° 930.771/2004 provavelmente foram extraídos ilegalmente". Os CPK apontados nessa condição que foram emitidos a favor da empresa Primeira Gema Comércio Importação e Exportação Ltda são os de n° 28, 34, 52, 74 e 75. Da denúncia do Ministério Público Federal Outro desdobramento da Operação Carbono foi a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal em 30/08/07 à. Justiça Federal em Belo Horizonte, fato que foi noticiado pela Procuradoria da República em Minas Gerais 4 em seu site na internet nos seguintes termos: Operação Carbono: MPF denuncia 15 pessoas por comércio de diamantes ilegais 31/08/2007 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 21 20 Em denúncia de quase trezentas páginas, enviada nesta quintafeira, 30/08, a Justiça Federal em Belo Horizonte, o Ministério Público Federal acusa quinze pessoas por envolvimento em inúmeros crimes, que vão desde a comercialização de diamantes extraídos ilegalmente do Brasil, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, até operação irregular de instituição financeira. Entre os denunciados, estão empresários, doleiros e comerciantes (Viviane Albertino Santos, Hassan Ahmad, Patricia Santos Pompeu de Saboya Magalhães, Daniel Carneiro Pires, Leandro Márcio dos Santos, Georg Fidel Rizk, Gaby Amine Toufic Madi, Luiz Carlos França Campelo, Paulo Cavalcante Traven, Ireni Geraldo Dornelas, Valmir Claudio da Cruz ), contadores (Mateus Ribeiro da Silva) e servidores públicos (Luiz Eduardo Machado de Castro, Emilio Garibaldi e Luciano Erasminio de Oliveira, policial militar aposentado). Os fatos que motivaram a denúncia vieram a ser conhecidos nacionalmente por ocasião da chamada Operação Carbono, deflagrada no dia 10 de fevereiro de 2006, quando uma forçatarefa formada por procuradores da República, Policia e Receita Federal deram cumprimento a mandados de busca e apreensão, sequestro de bens e mandados de prisão temporária expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal. Organizados em dois grupos distintos, mas visceralmente interligados na execução de suas práticas criminosas, os acusados realizaram grande volume de operações no mercado negro de diamantes, exportando as pedras para o exterior, seja pela via oficial, por meio de documentação emitida pelo Departamento Nacional de Produção MineralDNPM, seja por contrabando, quando as retirava, oculta e ilegalmente, do território brasileiro. 0 primeiro núcleo criminoso, chefiado por Viviane Albertino Santos, era formado por Patricia Santos Pompeu de Saboya Magalhães, Daniel Carneiro Pires, Leandro Márcio dos Santos, Mateus Ribeiro da Silva e Ireni Geraldo Dornelas. 0 segundo grupo, chefiado por Hassan Ahmad, era formado por Mateus Ribeiro da Silva, Luciano Erasminio de Oliveira, Gaby Amine Toufic Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 22 21 Madi, Luiz Carlos França Campello, Paulo Cavalcante Traven, Ireni Geraldo Dornelas, Valmir Cláudio da Cruz e Georg Fidez Rizk. Como se vê, o contador Mateus Ribeiro da Silva prestava serviço para as duas empresas, assim como Ireni Geraldo Dornelas, comerciante de pedras de Diamantina, que comercializava as pedras ilegais com os dois grupos. Viviane Albertino Santos também esteve envolvida no grupo de Hassan, eis que, durante algum tempo, emprestou seu nome para a Primeira Gema, constando falsamente do contrato social como cotista e administradora da empresa. 0 modo de agir das quadrilhas era idêntico: nas operações de exportação de diamantes pela via oficial, ficou comprovado que os acusados produziam e apresentavam, perante o 3° Distrito do DNPM, sediado em Minas Gerais, documentos fiscais falsos, para fazer crer que as pedras tinham sido extraídas de lavras regularmente inscritas na autarquia, quando, na verdade, tinham origem ilegal. 0 objetivo dos criminosos era a obtenção do Certificado Kimberley. Foram identificados 37 Certificados emitidos irregularmente a partir de novembro de 2003. Na maioria das vezes, as notas eram emitidas em nome de empresas que nunca se dedicaram a extração dessas pedras; mas duas das lavras declaradas como origem de diamantes exportados estavam, a primeira, em nome de um exmorador de rua de Curitiba/PR e, a segunda, em nome de uma pessoa que tinha falecido antes mesmo do requerimento de extração de minério ser protocolado no DNPM Nesta autarquia, as empresas contaram com a conivência e até mesmo a participação de Luiz Eduardo Machado de Castro e Emilio Garibaldi, respectivamente Chefe e Chefe Substituto do 3' Distrito a época dos fatos investigados. Embora tivessem conhecimento, em alguns casos especificados na denúncia, da falsidade das declarações de origem dos diamantes, emitiram, assim mesmo, os Certificados e, até, tentaram encobrir as ilegalidades das lavras, de modo a acobertar os atos i lícitos que se desenrolavam ei sua frente. Os dois servidores também foram denunciados pelo MPF. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 23 22 Para lavar o dinheiro obtido ilicitamente na compra e venda dos diamantes, os grupos criminosos utilizavamse também de outras empresas a S&C Factoring (braço financeiro da Viviane Santos Classificação de Pedras), a Solid Assessoria Mercantil Financeira (braço da Primeira Gema) e a Stone Sociedade Comercial e de Fomento Mercantil (brag) da Stone Comércio de Diamantes). Utilizadas como braço operacional do comércio ilegal de pedras preciosas e branqueamento de recursos, permitiam aos acusados a movimentação, no Brasil e no exterior, dos valores relacionados com o contrabando de diamantes. Além disso, operavam também como verdadeiras "casas de câmbio" ilegais, comprando e vendendo moedas estrangeiras, e remetendo divisas para o exterior, através das chamadas ordens de pagamento internacionais (dólarcabo). A S&C Factoring, comandada por Viviane Santos, era gerida por sua filha, Patricia Saboya, e por seu genro, Daniel Carneiro Pires. Já a Solid Assessoria Mercantil e Financeira tinha a frente os denunciados Gaby Amine Toufich e Luiz Carlos França Campello. No curso das investigações, vieram a tona as atividades ilícitas de duas outras empresas, a Traven & Rodrigues Ltda e a SL Mineradora Ltda, ambas sediadas no Estado de Mato Grosso e de propriedade e geridas pelo acusado Paulo Cavalcante Traven, que adquiria e revendia diamantes extraídos ilegalmente, principalmente para a Primeira Gema. Durante todo o período dos fatos, Paulo Traven adquiriu diamantes extraídos de áreas irregulares no centrooeste e norte do pais, revendendoos a empresa de Hassan Ahmad Também houve notícia nos autos do envolvimento de Viviane Albertino dos Santos com a tentativa de contrabando de diamantes feita pelo israelita Alon Akiva Segev (preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos com mais de um milhão de dólares em diamantes adquiridos de Viviane Albertino), mas tal fato e suas condutas estão sendo apuradas em procedimento instaurado em São Paulo, já que o local da apreensão é que determina a competência para julgamento. Segundo o MPF, a extensa denúncia cita apenas alguns dos crimes cometidos, "a título exemplificativo", porque os atos praticados são tantos e tão variados que tornouse impossível enumerálos. E isso se torna ainda Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 24 23 mais relevante quando se percebe que muitos dos fatos descritos na denúncia dizem respeito apenas ao período de junho de 2005 a janeiro de 2006, quando foi realizado monitoramento telefônico dos envolvidos. Os crimes imputados aos acusados são, entre outros, contrabando, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, operação nãoautorizada de instituição financeira, falsificação de documento público, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Saiba mais: as investigações apuraram que, apenas no período de novembro de 2003 a outubro de 2004, os diamantes extraídos e exportados ilegalmente pelas quadrilhas somaram mais de 50 milhões de reais. o primeiro relatório apresentado pela Policia Federal, em junho de 2006, foi considerado incompleto pelo MPF, que requereu novas diligências à Policia Federal, parte delas só concluídas recentemente, em maio de 2007. até o momento, nenhum HD dos computadores apreendidos foi periciado pela PF. Poucas pedras do total apreendido foram avaliadas. Quando isso acontecer, essas novas provas serão somadas as já existentes. Ascom MPF/MG Do lançamento Inicialmente é pertinente registrar que no campo enquadramento legal do autuantes assim consignaram: Da Lei n° 10.743 de 09 de outubro de 2003, que Instituiu no Brasil o Sistema de Certificação do Processo de Kimberley SCPK, relativo à exportação e importação de diamantes brutos, temos em seu artigo 10 abaixo transcrito: Art. 10. Aplica se a multa de cem por cento do valor da mercadoria: I ao comércio internacional de diamantes brutos, sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley verificado em procedimento de ação fiscal aduaneira de zona secundaria, com base em registros assentados em livros fiscais ou comerciais; e II à pratica de artificio para a obtenção do Certificado do Processo de Kimberley. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 25 24 Vêse que a fiscalização não indicou naquele campo, explicitamente, em qual dos dois incisos do dispositivo legal o caso concreto se enquadraria. No entanto, embora no final da descrição dos fatos o autuante chegue a usar a expressão "(..) diamante bruto que for comercializado no mercado internacional sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley. (..)", parecendo remeter ao inc. I, o restante do conteúdo daquele campo, conforme os trechos abaixo extraídos, denotam que aqui se está diante da aplicação do inciso II: EXPORTAÇÃO DE DIAMANTES AMPARADAS EM CERTIFICADOS KIMBERLEY IRREGULARES [...] A multa aplicada decorre de Auditoria Especial do Departamento Nacional de Produção Mineral, DNPM, em que restou comprovada a utilização de Certificados do Processo Kimberley emitidos de forma irregular, na exportação de diamantes extraídos de formal ilegal. Conforme o RELATÓRIO GT AUDITORIA ESPECIAL CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL, de 17 de abril de 2006 (..) vários certificados Kimberley foram obtidos e utilizados de forma irregular pela empresa PRIMEIRA GEMA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Neste sentido, a conclusão do relatório da auditoria, (..) é cristalina no sentido de que o contribuinte PRIMEIRA GEMA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA valeuse de certificados Kimberley obtidos mediante falsas informações, e que foram usados para acobertar a exportação de diamantes. Assim, assumese que os fatos aqui tratados se subsumem ao inciso II, devendose, então, ressaltar que o seu texto se refere "it prática de artificio para a obtenção do Certificado do Processo de Kimberley". Ora, tendo em vista que, se por um lado, todos os procedimentos para a obtenção do CPK se processavam e se processam de forma ordinária no âmbito do DNPM, conforme determinação legal contida no art. 6°, § 1°, da Lei n° 10.743/03 5 e, por outro lado, a aplicação da multa é de responsabilidade desta RFB, conforme art. 11 da mesma lei, nitidamente se Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 26 25 percebe que a exequibilidade do inc. II, do art. 10, em comento, depende da atuação harmônica deste órgão com aquela autarquia, de modo que, em procedimento fiscal especifico, se demonstre a conduta gizada pela lei. 5 De acordo com as regras estabelecidas na época das exportações em baila pelas Portaria DNPM n° 398, de i/10/03 e 209, de 05/08/05 e atualmente pela Portaria DNPM n° 192, de 25/05/07. No entanto, a análise dos autos permite afirmar que, no caso concreto, não houve uma ação coordenada entre os órgãos para a correta aplicação da multa, resultado, em parte, da falta de regulamentação para aplicação do dispositivo legal em comento. As principais normas infralegais publicadas após a entrada em vigor da Lei n° 10.743/03 foram a Portaria Conjunta DNPM/SRF N° 397, de 13/10/03 e a IN SRF n° 371, de 19/12/03. A primeira, publicada no DOU em 14/10/03, tendo em vista, em especial, o art. 5° da lei em referência, veio para, entre outras disposições, indicar o DNPM como órgão anuente na exportação e importação de diamantes brutos, e rotinas para a solicitação da anuência prévia e do Certificado do Processo de Kimberley pelos interessados. A segunda, publicada no DOU em 22/12/03, tendo em vista o disposto no art. 12 daquela mesma lei, definiu os procedimentos sob os quais os despachos aduaneiros de importação e de exportação de diamantes brutos, classificados nas subposições 7102.10, 7102.21 e 7102.31 da NCM deveriam ser efetivados e também normatizou a aplicação do art. 6°, § 2° e art. 8° da lei em destaque. No entanto, nem a Portaria Conjunta, nem a IN SRF abordaram a questão dos procedimentos a serem adotados para a aplicação da multa prevista no art. 10, inc. II, do mesmo diploma legal. Os documentos trazidos aos autos, como resultado da diligência solicitada por esta DRJ/FOR, demonstram que, após a deflagração da ação conjunta, a Superintendência Regional em Minas Gerais da Policia Federal emitiu, em 18/04/06, o oficio n° 234/2006NIP/SR/DPF/MG (fl. 97) por meio do qual encaminhava à. Superintendente da SRF na 6ª Região Fiscal (RF) documentação de natureza fiscal, apreendida no decorrer daquela operação Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 27 26 na sede da Primeira Gema Comércio Importação e Exportação Ltda e outras duas empresas, para análise e produção de peça informativa por parte da SRF e, em 17/07/06, o Juiz Federal Substituto da 4a Vara/MG, por meio do Oficio n° 2226/4V/06 (fl. 96), requisitou à Chefe do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte: A fim de instruir os autos do Processo n° 2004.234870, requisito de V. S. informar a este Juízo Federal da 4ª Vara, situada na Av. Álvares Cabral. 1805/905, Belo Horizonte/MG, acerca da conclusão da análise pericial feita nos documentos fiscais repassados pela autoridade policial, bem como sobre as providências tomadas com relação ao Relatório da Auditoria Especial, particularmente sobre a aplicação das penalidades no âmbito administrativo da Secretaria da Receita Federal (aplicação da multa de 100% prevista no art. 10 da Lei n° 10.743/03). Em 20/04/07, a Chefe daquele Serviço de Fiscalização emitiu o Memorando DRF/BHE/Sefis n° 338, destinado à Inspetora da Receita Federal em Belo Horizonte, onde consignou (fls. 07/08): Tendo em vista demanda da Justiça Federal/MG, por meio do Oficio n° 2226/4V/06, de 17/07/2006, repasso a V S" o Relatório de Auditoria Especial do Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM e demais expedientes de encaminhamento do mesmo, para que seja providenciada por essa unidade a aplicação da multa prevista no art. 10 da Lei n° 10.743/03. Na oportunidade, anexo mensagens veiculadas por notes, que indicaram ser essa Inspetoria a unidade da SRF competente para aplicação de tal penalidade. [...] Percebase, pelo teor do memorando, parcialmente acima transcrito, que até abril de 2007, pairavam dúvidas acerca de qual unidade da então SRF seria competente para a aplicação da multa em comento. Neste ponto, notese que o art. 7° do Decreto n° 70.235, de 06/03/72 (PAF), assim estabelece: Art. 700 procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 28 27 II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° 0 início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. [Sublinhei] Assim, entendese que, no caso que se analisa, o primeiro procedimento fiscal levado a efeito em face do interessado teve seu início em 10/02/06, com a deflagração da operação carbono, que resultou na apreensão de mercadorias, documentos e livros em posse daquela empresa. No entanto, apesar da ostensiva participação da então SRF naquela operação, o procedimento fiscal ali instaurado, pelo que se fez constar neste processo e conforme o acima exposto, sofreu solução de continuidade. Os documentos apreendidos pela Operação Carbono foram enviados para a SRF pela Policia Federal em abril de 2006, permanecendo na DRF/BHE até abril de 2007, não restando claro quais dentre aqueles foram encaminhados A. IRF na mesma cidade. Com efeito, a descrição dos fatos constante deste auto de infração, que foi emitido em 15/06/09, denota que a sua fundamentação está completamente lastreada no teor do relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta SGM/DNPM no 25, de 14/02/06 e não em verificações efetuadas internamente nesta RFB. Os autuantes formalizaram a multa acatando por completo as conclusões expostas pelos coordenadores gerais do grupo constituído por servidores vinculados ao Ministério das Minas e Energia. Acontece que, sem ignorar a consistência das graves constatações nele contidas, o fato é que o Relatório "GT AUDITORIA ESPECIAL — CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL", concluído após dois meses da constituição do grupo, tinha quando da sua elaboração, um caráter de documento preambular, que demandava aprofundamento de Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 29 28 investigações com vistas à averiguação dos fatos ali narrados e apuração de responsabilidades, conforme denotam, exemplificada mente, os seus trechos abaixo transcritos: Os diamantes clandestinos supostamente extraídos destas Permissões de Lavra Garimpeira foram adquiridos por empresas que emitiram Notas Fiscais de entrada de mercadorias, onde consta o volume e os preços pelos quais eles foram adquiridos, bem como as notas de venda aos exportadores. Esta cadeia de intermediações está exposta nas tabelas 2 e 3 e pode ajudar os órgãos competentes a apurar o grau de participação e de responsabilidades de cada um dos envolvidos. [fl. 37] Análise do contexto fático narrado acima está a evidenciar não só que os diamantes certificados pelos 45 CPK's emitidos pelo 3° Distrito/DNPM constantes da tabela inicial não foram extraídos das áreas indicadas como de origem, mas que os processos de mineração indicados pelos exportadores encerra grande número de condutas potencialmente ilegais que estão a cobrar a responsabilização dos responsáveis na esfera administrativa, civil e criminal. [fl. 37] A apuração completa de todos os responsáveis por estes atos delituosos foge competência desta auditoria, todavia procurouse através do cruzamento das notas fiscais representativas da compra dos diamantes e sua venda ao exportador, mostrar a cadeia de relações neste negócio, o que deverá contribuir para que órgãos públicos como o Ministério Público Federal e o Departamento de Policia Federal possam melhor elucidar os fatos. [fl. 52] Constatada a utilização dos processos de mineração de autos n° 860.122/2003, 860.123/2003, 833.477/2003, 833.478/2003 e 831.972/2002 supostamente para prática irregulares e ilegais, entende a comissão de auditoria que deverá o DNPM adotar as medidas administrativas necessárias a invalidação dos títulos Minerários. A sustentar as medidas indicadas está o poderdever autotutela da Administração Pública expressamente previsto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que prevê: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 30 29 ''Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos." Ressaltese que o exercício do poderdever de autotutela há de observar os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. [fl. 55] Naquele relatório, os auditores apontaram nomes de titulares de direito minerário, intermediários na venda e exportadores de diamantes que estariam envolvidos em processos minerários conduzidos com alguma espécie de irregularidade, mas não indicaram de forma definitiva os responsáveis e o grau de participação nas ilicitudes verificadas, mesmo porque isso fugia ao escopo de sua competência, estabelecida pela portaria constituidora do grupo, conforme destacado pelos próprios coordenadores gerais do trabalho. Temse, assim, que o teor daquele documento, por si só, não permite que se conclua se e em que grau a exportadora Primeira Gema teria concorrido para a prática das irregularidades aventadas. De modo que, entendendo que o relatório não constituía elemento de prova suficiente para a comprovação do ilícito, mas por outro lado apresentava graves denúncias sobre irregularidades cometidas na emissão dos CPK, objeto do auto de infração, esta DRJ/FOR, conforme relatado, decidiu retornar os autos em diligência, pois naquela ocasião já poderia ter se ultimado no âmbito do DNPM, processo administrativo conclusivo quanto a utilização e responsáveis pela prática de artificio para a obtenção do Certificado do Processo de Kimberley. Conforme visto, a diligência não logrou êxito em obter resposta daquela autarquia e cerca de um ano após a sua emissão, a unidade retornou o processo para esta DRJ/FOR para prosseguimento sem qualquer manifestação daquele órgão sobre as informações demandadas e sem a anexação de outros documentos que viessem a fazer prova sobre a prática do ilícito. Com efeito, somente se tem ideia da séria implicação da empresa Primeira Gema no esquema denunciado pelo Ministério Público Federal, Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 31 30 quando se buscam informações extraprocessuais referentes ao caso, embora a documentação apreendida na Operação Carbono tenha sido disponibilizada à RFB pela Policia Federal, conforme visto. Acontece que o art. 9° do PAF estabelece que o auto de infração deve estar instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. 0 dispositivo tinha a seguinte redação na época desta lavratura: Art. 9° A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infra cão ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória n°449, de 2008) Assim, apesar das graves acusações que recaem sobre a pessoa física do sócio administrador e responsável pela empresa Primeira Gema, apresentadas pelo Ministério Público perante a Justiça Federal após a Operação Carbono, temse que, pelo que se fez constar neste processo, não restou demonstrado em procedimento levado a efeito no âmbito administrativo a responsabilidade da pessoa jurídica na prática das irregularidades apontadas pelo grupo de auditoria, não servindo para tal o Relatório "GT AUDITORIA ESPECIAL — CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY — BRASIL", único documento apresentado como base para lavratura deste auto de infração. Ressaltese, ainda, que a inteligência do art. 142, da Lei n° 5.172, de 25/10/66, Código Tributário Nacional (CTN) c/c o art. 6°, inc. I, da Lei n° 10.593, de 06/12/02, que dispõe sobre a Carreira Auditoria da Receita Federal — ARF, dispositivos abaixo transcritos permite que se afirme que compete privativamente ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) executar os procedimentos de fiscalização que irão redundar na constituição do crédito tributário pelo lançamento, sem prejuízo de que para a consecução desse mister a autoridade administrativa se valha de assistência técnica e informações obtidas de fontes externas, com o uso das formalidades previstas na legislação de regência: Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 32 31 CTN Art, 142. Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lei n°10.593/02 Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: (Redação dada pela Lei no 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições;(Redação dada pela Lei n°11.45? de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensa cão de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei n°11.457, de 2007) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação especifica, inclusive os relacionados corn o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (Redação dada pela Lei n° 11.457, de 2007) d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei n°11.457, de 2007) [...] Assim, mesmo sem ignorar as possíveis dificuldades para a aplicação do art. 10, inc. II, da Lei n° 10.743/03, decorrentes da falta de sua regulamentação, não se pode deixar de registrar que o lançamento da multa Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 33 32 ali prevista não pode se afastar do que é estabelecido nos dispositivos do CTN e da Lei n° 10.593/02, acima citados, sob pena de invalidar o procedimento. Ou seja, compete privativamente ao AFRB, constituir o crédito tributário pelo lançamento, entendido este não apenas como a simples formalização burocrática da multa, mas o procedimento administrativo completo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, instruindo o auto de infração com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis a comprovação do ilícito, sem prejuízo de que, para a consecução desse mister, haja a participação do DNPM, participação essa que, inclusive, se reveste de caráter fundamental, tendo em vista que cabe Aquele departamento a competência legal para a emissão do CPK. Da nulidade 0 art. 59, do Decreto n° 70.235/72, lei instrumental no processo administrativo fiscal (PAF) determina: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Por seu turno, o art. 142, do CTN, estabelece os requisitos essenciais ao lançamento: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Já o art. 10 do mesmo PAF elenca os requisitos específicos que o auto de infração deve, obrigatoriamente, conter: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 34 33 Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Os dispositivos legais acima transcritos, impõem a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de exigência do crédito tributário. Essa forma solene visa resguardar a observância ao princípio da legalidade tributária, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa que, por sua vez, alberga o da tipicidade, de modo que, ao final do procedimento administrativo, não restem dúvidas da estreita e plena correspondência entre o fato jurídico e a hipótese de incidência, prevista na lei. Atualmente se sobressai na esfera administrativa a ideia de que além das hipóteses listadas nos incisos I e II do artigo 59 do PAF, também falhas na observância aos requisitos estabelecidos no art. 142, do CTN, ou no art. 10, do PAF, podem redundar na nulidade do lançamento, sempre que tais vícios coloquem em dúvida a correição da constituição do crédito tributário. No presente caso concreto, entendese que o autuante ao acatar simplesmente as constatações do grupo de auditoria constituído no âmbito do MME, lastreando o auto de infração apenas com o relatório daquela equipe, não cumpriu a formalidade prevista na parte inicial do art. 142, do CTN antes transcrito, de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, com a averiguado e análise dos fatos levada a efeito em procedimento fiscal próprio desenvolvido no âmbito desta RFB, o que, por seu turno, resultou na ausência de anexação de elementos de prova suficientes para a comprovação do ilícito apontado, falha esta que se Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 35 34 constitui num vicio formal que impele a decretação da nulidade do lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por, preliminarmente, julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, de modo a declarar a NULIDADE do lançamento, por vicio formal, exonerando o crédito tributário exigido no valor de R$ 13.694.415,68, sem prejuízo da constituição de novo lançamento escorreito, observado o disposto no art. 173, inc. II, do CTN. Cumpre esclarecer que se considera a impugnação procedente em parte, porque não são todas as alegações apresentadas pela defesa, quanto à nulidade, que são acatadas. Além disso, não há como se pronunciar acerca da procedência ou não das razões de mérito apresentadas, que sequer foram apreciadas no julgamento. [...]” Sendo assim, depreendendose da análise dos autos, considerando o excelente voto constante do acórdão da DRJ, entendo pela nulidade do lançamento, visto que a autoridade fazendária não poderia exigir a multa em referência, utilizando como premissa apenas constatações do grupo de auditoria constituído no âmbito do MME, não cumprindo o disposto no art. 142, do CTN para se verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Ademais, impossível ignorar o retorno de diligência pedido pela DRJ que resultou na ausência de elementos de prova suficientes para a comprovação do ilícito apontado. Não obstante, destaco, assim como a nobre exconselheira Angela Sartori, que “a falta de prova do fato constitutivo do direito ao crédito tributário, ou da ocorrência do fato gerador, tem relação direta com o nascimento da própria relação jurídica tributária, e, consequentemente, sua ausência importa em ausência de um de seus elementos essenciais, equivalente a um vício material que inquina o ato de improcedência.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, afastando a referida multa. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 36 35 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da relatora, porém minha conclusão da análise dos autos é diferente. O sujeito passivo foi autuado com a multa prevista no art. 10 da Lei nº 10.743/2003 que assim dispõe: Art. 10. Aplicase a multa de cem por cento do valor da mercadoria: I ao comércio internacional de diamantes brutos, sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley verificado em procedimento de ação fiscal aduaneira de zona secundária, com base em registros assentados em livros fiscais ou comerciais; e II à prática de artifício para a obtenção do Certificado do Processo de Kimberley. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração, o contribuinte efetuou a exportação de diamantes com a utilização de Certificados do Processo Kimberley irregulares o que corresponderia a uma operação de exportação desamparada dos correspondentes certificados. Transcrevo abaixo excertos da descrição dos fatos: (...) A multa aplicada decorre de Auditoria Especial do Departamento Nacional de Produção Mineral, DNPM, em que restou comprovada a utilização de Certificados do Processo Kimberley emitidos de forma irregular, na exportação de diamantes extraídos de formal ilegal. Conforme o RELATÓRIO GT AUDITORIA ESPECIAL CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY BRASIL de 17 de abril de 2006, fruto dos trabalhos de comissão de técnicos criada para aferir a regularidade dos procedimentos desenvolvidos pelo DNPM na emissão de Certificados do Processo Kimberley nos autos administrativos relativos à pesquisa, extração e exportação de diamantes brutos, vários certificados Kimberley foram obtidos e utilizados de forma irregular pela empresa PRIMEIRA GEMA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (...) Desta forma, comunicada dos fatos, restou A Receita Federal do Brasil formalizar a exigência da multa prevista na Lei n° 10.743/2003, de 100% do valor do diamante bruto que for comercializado no mercado internacional sem amparo do Certificado do Processo de Kimberley. Segundo o mesmo dispositivo legal a aplicação da multa será efetuada através de ação fiscal aduaneira de zona secundária. (...) Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 37 36 A fiscalização comunicada oficialmente, por meio do RELATÓRIO GT AUDITORIA ESPECIALCERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY BRASIL de 17 de abril de 2006, efls. 10/61, elaborado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral, órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, competente para a verificação da regularidade na emissão dos Certificados Kimberley, de que o sujeito passivo efetuou a exportação de diamantes com a utilização irregular de referidos certificados. Com base nessa informação oficial do órgão competente lavrou o auto de infração com base no dispositivo legal acima transcrito. Concordo plenamente que o elemento de prova é suficiente a demonstrar que o sujeito passivo exportou diamantes desacobertados de Certificados Kimberley válidos o que configura a infração apontada corretamente pela fiscalização. Com base no § 1º do art. 50 da Lei 9.784/99, transcrevo abaixo o voto do Conselheiro Róbson José Bayerl proferido no Acórdão recorrido, o qual utilizo também como razões de decidir, por concordar sem reparos com as suas conclusões: (...) A acusação fiscal imputa ao contribuinte a prática da infração descrita no art. 10, I da Lei nº 10.743/03, consistente na exportação de diamantes brutos sem o amparo do Certificado do Processo de Kimberley, ao passo que o Departamento Nacional de Produção Mineral considerou os documentos emitidos irregulares. No contexto fático da autuação a autoridade administrativa demonstra claramente a vinculação entre o contribuinte e o certificado tido como irregular pelo DNPM, em procedimento próprio, cujo conhecimento à RFB se deu pelos canais regulares. Ora, o elemento probatório, no caso vertente, é justamente o relatório denominado “GT AUDITORIA ESPECIAL – CERTIFICAÇÃO DO PROCESSO KIMBERLEY – BRASIL”, juntado às fls. 10/59, onde está dito expressamente que os certificados referidos no auto de infração são irregulares, conforme descrição de fls. 32/39 (fls. 23/30 do aludido relatório “GT ...”). Não entendo, na linha da opinião divergente, que o lançamento tenha se baseado em presunções ou indícios. Pelo contrário, como adrede afirmado, a autuação se pauta em afirmações feitas pelo grupo de auditoria formado pelo DNPM, cujo trabalho exaustivo e conclusivo alcançou a (re)análise de todos os certificados emitidos pelo órgão e enumerados em tabela específica, do período 2003 a 2006, dentre os quais figuram aqueles arrolados nesta autuação, valendo a transcrição das seguintes passagens do texto: “Portanto, o presente relatório, relacionado apenas à Portaria Conjunta SGMMME/DNPM, apresenta os resultados dos trabalhos da AUDITORIA realizada em todos os certificados do Processo de Kimberley emitidos, cancelados e suspensos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral — DNPM, desde o de n° 001, emitido em 05 de novembro de 2003, até o de n° 184 suspenso em fevereiro de 2006. 0 trabalho consistiu na análise dos processos administrativos de certificação, dirigidos ao DNPM por exportadores em seus distritos e sede, na análise dos processos minerários informados como de origem dos diamantes, na realização de vistorias de campo nas áreas dos processos minerários em referência, bem Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 38 37 como de análise dos documentos constantes nos processos administrativos destes requerimentos que foram indeferidos. (fl. 12) (...) A auditoria analisou todos os processos relacionados aos 184 (cento e oitenta e quatro) certificados de kimberley emitidos pelo Departamento Nacional de Produção Mineral DNPM, enumerados na Tabela 1 seguinte, sendo que 150 (cento e cinqüenta) deles alcançaram exportação e 34 (trinta e quatro) foram objeto de cancelamento. (fl. 17) (...)Dentre a totalidade dos certificados emitidos 184 (cento e oitenta e quatro), 150 (cento e cinqüenta) culminaram na operação de exportação dos diamantes e foram analisadas por esta auditoria com base nos resultados das vistorias realizadas pela equipe operacional nas áreas indicadas como de origem. A análise restou dividida da seguinte forma: certificados de diamantes de origem regular; certificados de diamantes de origem irregular e certificados de diamantes originados de mais de uma área, sendo ao menos uma delas irregular. Verificase que os certificados emitidos o foram em favor de pessoas jurídicas exportadoras que: ora são titulares do direito minerário; ora adquiriram os diamantes dos titulares do direito minerário ou, ainda, são exportadores que se utilizam de empresas de mineração para intermediar a compra junto aos titulares do direito minerário nos termos expostos a seguir. (fl. 23) (...) 2— CERTIFICADOS DE DIAMANTES DE ORIGEM IRREGULAR No âmbito do objeto desta auditoria, 49 (quarenta e nove) certificados do Processo de Kimberley tem como objeto diamantes extraídos de áreas que apresentam alguma forma de irregularidade e encontramse divididos nas unidades descentralizadas do DNPM da seguinte forma: 45 (quarenta e cinco) áreas na região de Diamantina — MG e 04 (quatro) originários em Doverlândia, estado de Goias. (...)” Outrossim, não é possível, no âmbito do processo administrativo fiscal, discutir as possíveis vicissitudes do procedimento que tachou de irregulares os certificados em referência, uma vez que tal atribuição não se encontra elencada como pertencente a este Conselho Administrativo, ou, ainda, tomálo como um documento de caráter precário, sem aptidão para deflagrar os efeitos que lhe seriam próprios. O fato é que existe um documento lavrado por servidores competentes, designados por atos administrativos específicos, lotados em órgão que detêm a atribuição para realizar as tarefas que lhes foram incumbidas, que chegou ao conhecimento das autoridades fiscais pelos meios legais, e que, como todo ato administrativo, goza de presunção de veracidade, descrevendo fatos que configuram infração à legislação tributária. Os supostos defeitos deste documento que embasa o lançamento devem ser reclamados na seara própria, seja diretamente no DNPM ou no Poder Judiciário, não, porém, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10611.001773/200915 Acórdão n.º 9303004.428 CSRFT3 Fl. 39 38 Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos, o que, nestes autos, se verificou pela apresentação por parte da Administração Tributária de prova suficiente e válida para embasar sua pretensão, cabendo ao sujeito passivo, em contrapartida, demonstrar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito invocado, o que não ocorreu, limitandose o recorrente – na impugnação – a questionar o procedimento do DNPM, sem, no entanto, provar que possuía Certificados do Processo Kimberley válidos a acobertar as operações realizadas. De outra banda, reforço, a motivação deste lançamento (diversamente do que ocorreu no processo 10680.723656/200810) não foi a prática de artifício para obtenção do Certificado do Processo Kimberley, adotada como premissa tanto do voto vencido como da decisão submetida a recurso de ofício, mas sim que houve operação de comércio internacional de diamantes brutos ao desampara da devida certificação, pois, considerando a regularidade dos preditos certificados como algo inerente à sua existência, uma vez demonstrada a sua irregularidade temse, por conseqüência, a sua inexistência. Por outras palavras, a operação, para ser considerada regular, deve estar alicerçada em certificado válido, de modo que, a presença de algum vício no documento acarreta inequivocamente a sua inexistência, eis que quem possui um documento irregular, nestes casos, não possui documento algum. Em síntese, não vislumbro as máculas apontadas no voto vencido e na decisão sob revista, mas sim que o lançamento está em perfeita consonância com os fatos apurados e a legislação infringida, não havendo que se falar em ausência de prova da infração. Por oportuno, como não houve recurso voluntário, as razões deduzidas apenas na impugnação não serão reexaminadas específica e pontualmente nesta oportunidade, mas sim de forma reflexa, ao se externar as razões que levaram à revisão da decisão de primeiro grau. (...) Vejam bem que, mesmo após a clareza do voto transcrito, a defesa do contribuinte resumese em negar os fatos, sem no entanto apresentar qualquer prova de que efetuou a exportação dos diamantes com Certificados Kimberley válidos. De fato, na minha avaliação, o detalhado relatório elaborado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral constitui prova suficiente a confirmar a infração praticada, sendo que a defesa não conseguiu trazer sequer um indício de que tais fatos não teriam ocorridos. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902817/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Inexistindo a obscuridade alegada, os Embargos Declaratórios interpostos devem ser rejeitados, preservando-se integralmente o Acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-003.233
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos interpostos pela PGFN, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexistindo a obscuridade alegada, os Embargos Declaratórios interpostos devem ser rejeitados, preservandose integralmente o Acórdão embargado. Embargos Rejeitados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 17 /2 00 9- 95 Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10283.902817/200995 Acórdão n.º 3301003.233 S3C3T1 Fl. 16 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos interpostos pela PGFN, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10283.902817/200995 Acórdão n.º 3301003.233 S3C3T1 Fl. 17 3 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fls. 544/546, contra Acórdão nº 3403003.569, de 25 de fevereiro de 2015, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção. Segundo a embargante, há obscuridade no fato do relator ter consignado que os valores apurados em diligência confirmariam os dados declarados no DACON, certificando a correção da apuração do indébito pelo contribuinte. Entretanto, a análise do resumo elaborado pela fiscalização (fl. 520) revela que a contabilidade não confirma dos dados do DACON e que da contribuição recolhida, no valor de R$ 433.845,99, deve ser subtraída a contribuição apurada na contabilidade, no valor de R$ 171.801,01, resultando na diferença de R$ 262.044,98. Esta diferença seria o valor a restituir e não os R$ 433.845,99 reconhecidos pelo acórdão. Foime distribuído, por sorteio, o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Os Embargos foram admitidos por Despacho do Presidente da 4ª Câmara à fl. 551. O Acórdão nº 3403003.569, ora embargado, foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2005 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendose reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso Provido. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10283.902817/200995 Acórdão n.º 3301003.233 S3C3T1 Fl. 18 4 O cerne da questão está em se aclarar o resultado da Diligência, cumprida em face de conversão do Julgamento original, constante As fls. 517/520, i.é., se a Diligência concluiu pela comprovação do indébito em sua totalidade de R$ 433.845,99, como consta no Acórdão embargado, ou no valor parcial de R$ 262.044,98, como sustenta a Embargante. Vejamos os termos em que fora formalizada a Diligência: "Voto, por isso, pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem verifique se a contabilidade do contribuinte confirma as informações declaradas na DACON, confirmando o montante da contribuição apurada nesta Declaração ou, se o caso, indicando qual o valor efetivamente devido e o valor da diferença eventualmente recolhida a maior." Por sua vez, assim manifestou o Auditor Fiscal, ao concluir a Diligência: "De posse dessas informações foi elaborada Planilha com o demonstrativo denominado “SONOPRESS – RESUMO DE APURAÇÃO” onde procuramos explicitar de forma cabal os valores de Tributos devidos e indevidos e que são o objetivo da presente Diligencia Fiscal. Tudo anexado de forma inseparável ao presente eProcesso." [...] Reproduzo a seguir a planilha elaborada pelo Auditor Fiscal diligenciante, fls. 520: SONOPRESS RESUMO DE APURAÇÃO Julho05 PIS/Pasep Cofins 10283.902809/200949 10283.902817/200995 Valor a ser recolhido de acordo com a Contabilidade: (37.502,00) (171.801,01) Valor a ser recolhido pela DACON: Valor a ser recolhido pela DCTF: Valor do Recolhimento DARF e SINAL02: 94.000,13 433.845,99 Diferença: DACON x DCTF x RECOLHIMENTO: 94.000,13 433.845,99 De fato, da singular e suscinta leitura da planilha elaborada pelo Auditor Fiscal paira dúvidas quanto ao seu conteúdo, mormente em sua informação fiscal não houve detalhamento dos dados planilhados. Todavia, em análise mais acurada constatase que o valor de crédito de Cofins requerido pela recorrente (R$ 433.845,99) fora integralmente reconhecido Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10283.902817/200995 Acórdão n.º 3301003.233 S3C3T1 Fl. 19 5 na diligência, restando ainda que, sob a ótica da contabilidade, há saldo a recolher "negativo", i. é., haveria ainda o montante de 171.801,01 de pagamento excedente, não sendo matéria dos autos. Dessa feita, não assiste resta razão à embargante porquanto a contabilidade confirma os dados da DACON, com sobra de crédito em favor do contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, voto por Rejeitar os Embargos interpostos pela PGFN, mantendose íntegro o Acórdão nº 3403003.569. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10283.902817/200995 Acórdão n.º 3301003.233 S3C3T1 Fl. 20 6 Fl. 559DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.000807/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA.
Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agrega-se ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins da extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA. Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agrega-se ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins da extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante. Embargos Acolhidos em Parte.
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IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA. Acolhemse os embargos declaratórios, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agregase ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins da extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 07 /2 00 7- 37 Fl. 3815DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.816 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 3816DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.817 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 3.736/3.744, contra o Acórdão nº 2401003.869, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 3.710/3.722. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.065.6288, concernente ao período de 09/2000 a 09/2003, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e às destinadas ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho (GILRAT), além das contribuições devidas a terceiros. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 3/52). 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) em relação às competências lançadas até 11/2001, consideradas extintas devido ao reconhecimento da decadência, o acordão recorrido deixou de pronunciarse sobre a existência de pagamento parcial para cada competência excluída do lançamento; (ii) houve falta de exame e pronunciamento do julgado acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, emitido em virtude do não cumprimento dos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; e (iii) ausência de exame do disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o qual, segundo a recorrente, prevê que o Certificado de Entidade de Assistência Social (Ceas) concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com base na legislação do Programa Universidade para Todos (Prouni), apenas possibilita a requisição pela pessoa jurídica de um novo pedido de isenção/imunidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, caso deferido o pleito, o benefício fiscal passaria a produzir efeitos a contar da data da entrada em vigor da novel legislação, isto é, 10/9/2004. 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 1º/6/2015, que interpôs os embargos de declaração em 3/7/2015 (fls. 3.724 e 3.745). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016, para análise da admissibilidade dos embargos. Fl. 3817DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.818 4 6. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 3.804/3.805). 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 3.770/3.784). É o relatório. Fl. 3818DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.819 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 240103.869, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Para melhor explanação das razões de decidir, analisemos em separado os vícios apontados pela Fazenda Nacional: a) falta de análise por competência com relação aos pagamentos antecipados do período decadente; b) ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007; e c) omissão do colegiado no exame do conteúdo do art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005. a) Decadência 11. No que tange ao reconhecimento da decadência, até a competência 11/2001, a Fazenda Nacional alega omissão no acórdão recorrido, dada a inexistência nos autos de qualquer comprovação acerca das competências em que os recolhimentos antecipados ocorreram. 11.1 Em outras palavras, tornase insuficiente apenas a indicação de forma genérica pelo acórdão embargado que a fiscalização, conforme o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF), examinou os comprovantes de recolhimentos, na medida em que o documento de encerramento não lista as competências em que teria havido a antecipação parcial do pagamento. 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 3819DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.820 6 12. Por ocasião da decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão nº 16 25.862, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, conforme fls. 3.530/3.549, foi reconhecida a decadência parcial do lançamento fiscal, excluindose definitivamente os valores referentes às competências 09 a 11/2000, com base no inciso I do art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 13. Por sua vez, em face do pedido no recurso voluntário, o acórdão recorrido ampliou o período do lançamento alcançado pela decadência, considerando extintas as competências lançadas até 11/2001, agora com aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN (fls. 3.716/3.718). 14. Tanto o Relatório Fiscal da NFLD nº 37.065.6288, às fls. 81/84, quanto o TEAF, acostado às fls. 79/80, revelam que a autoridade lançadora, no curso da mesma ação fiscal, identificou a ocorrência de diversos fatos geradores, cujas contribuições não foram recolhidas à época própria, o que resultou na lavratura de autos de infração e formalização de processos administrativos em separado. 15. Os processos administrativos relacionados aos créditos tributários foram distribuídos em conjunto, por sorteio, ao Conselheiro Igor Araújo Soares, de maneira que as autuações fiscais foram apreciadas simultaneamente pelo colegiado, em grau recursal ordinário, quando das sessões de janeiro e fevereiro de 2015. 16. Quer dizer que o relator originário do processo, Conselheiro Igor Araújo Soares, na época do julgamento possuía uma visão integral da ação fiscal efetuada no contribuinte, inclusive quanto aos documentos instrutórios que acompanhavam os demais processos administrativos. 17. A título exemplificativo, faço alusão ao Processo nº 36624.000802/200712, relativo à NFLD nº 37.065.6270, cujo acórdão proferido em segunda instância, por sinal, é também alvo de embargos declaratórios pela Fazenda Nacional. 17.1 É possível identificar, naquele processo, a anexação por parte da fiscalização do Relatório de Documentos Apresentados na Ação Fiscal, denominado de RDA, em que aparece a relação individual de Guias da Previdência Social (GPS) pagas pelo contribuinte antes do início do procedimento de auditoria fiscal, inclusive os pagamentos vinculados ao período considerado decadente, no julgamento do recurso voluntário, de 12/2000 a 11/2001. 17.2 Nesse sentido, copio abaixo uma parte do RDA, especificamente os dados disponíveis às fls. 83 do supracitado Processo nº 36624.000802/200712: Fl. 3820DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.821 7 18. Como se observa, é patente a existência de recolhimentos de contribuições em GPS, sob o código 2100, utilizado para o pagamento de valores relacionados a folha de pagamento de salários, vinculados às competências consideradas decadentes no acórdão recorrido. 19. A despeito do relator originário fundamentar, inicialmente, suas conclusões a partir do que foi assinalado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, não significa que deixou de avaliar a existência dos recolhimentos antecipados por competência, dado o conjunto probatório carreado pela fiscalização aos vários processos originados da mesma ação fiscal levado a cabo no contribuinte. 20. Nesse passo, é de se reconhecer a existência de omissão do ato decisório, devido à sua incompletude no tocante à explicitação da análise por competência do período considerado decadente, caracterizando vício de forma, de maneira que se agrega novos fundamentos à decisão embargada consoante razões acima expostas, mantidas, todavia, as conclusões do julgado na parte dispositiva. Fl. 3821DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.822 8 21. Ressalto, por sua vez, que o votocondutor destacou que, para fins de aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, o exame do pagamento parcial antecipado das contribuições previdenciárias deve ser considerado com um todo, em que o pagamento da parcela dos segurados implica aceitar a existência de recolhimento antecipado parcial também relativamente à parte da empresa. 21.1 Para melhor compreensão do decidido pelo Acórdão nº 240103.869, reproduzo excerto do voto do conselheiro Igor Araújo Soares (fls. 3.717/3.718): (...) Não obstante, já tenho trazido a esta Turma o meu entendimento no sentido de que o recolhimento das contribuições previdenciárias devem ser considerados como um todo, pois entendo que em havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, como é também o caso dos autos, tal fato deve ser considerado também como parte do pagamento das contribuições parte da empresa, motivo pelo qual, entendo pela aplicação do art. 150, 4º do CTN ao presente caso, diferentemente daquilo o que apontado pelo v. acórdão de primeira instância. Logo, por tais motivos, verifico a presença de pagamentos parciais no presente caso, aptos a serem considerados como antecipação de pagamento, na forma da fundamentação supra, de sorte que devem ser consideradas extintas do presente lançamento em razão da decadência, pela regra do artigo 150 §4o do CTN, as competências lançadas até 11/2001. (destaques do original) 22. Dessa feita, uma vez constatada omissão no acórdão recorrido, cumpre o acolhimento dos declaratórios para correção do vício apontado pela Fazenda Nacional, na forma alhures explicitada, porém sem atribuirlhes efeito modificativo, mantendose, por conseguinte, a extinção do crédito tributário até a competência 11/2001, em virtude da decadência. b) Ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007 23. Prossegue a Fazenda Nacional alegando que o acórdão embargado foi omisso acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, retroativos a 1º de janeiro de 1998. 23.1 Para o órgão da União, o supracitado Ato Cancelatório havia deixado bastante claro que a entidade não cumprira todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, independentemente da discussão se a entidade era possuidora ou não do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 23.2 Segundo ainda a embargante, a motivação do lançamento, conforme bem registrou a decisão de primeira instância, não se encontrava atrelada a determinado e específico Ato Cancelatório. Vale dizer, há necessidade de análise da isenção não só sob o prisma do requisito do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (Ato Cancelatório nº 01/2005), mas Fl. 3822DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.823 9 também quanto ao atendimento das exigências enumeradas nos incisos III e V do citado artigo (Ato Cancelatório nº 02/2007). 24. Pois bem. Como se sabe, a oposição dos declaratórios tem cabimento limitado, somente para atacar vícios formais previamente tipificados na legislação. 25. A petição de embargos tem como pretensão um novo pronunciamento sobre matéria já analisada, com nítido propósito de rediscutir a questão de fundo decidida, por unanimidade, pelo colegiado. A toda a evidência, o inconformismo com os fundamentos adotados no julgamento no concernente à delimitação da acusação fiscal não significa a existência de omissão no acórdão. 26. O acórdão embargado é incisivo e unívoco quanto à matéria suscitada pela Fazenda Nacional, não havendo que se falar em omissão de pronúncia sobre questões que deveriam ser apreciadas pelo julgado. 26.1 Com efeito, o votocondutor do julgado manifestase de forma ostensiva que o lançamento fiscal decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório nº 01/2005, tendo descumprido o contribuinte exclusivamente o disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. 26.2 Nesse sentido, reproduzo o correspondente trecho do Acórdão nº 240103.869, ora combatido (fls. 3.718/3.719): MÉRITO Da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). Fl. 3823DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.824 10 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Dessa forma, passo a analisar os demais fundamentos de recurso. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. (...) 27. Como consequência, descabe acolher o vício de omissão apontado pela Fazenda Nacional. c) Falta de exame da norma jurídica contida no art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005 28. Nesse ponto, a Fazenda Nacional sustenta que o acórdão embargado centralizou a sua atenção no § 2º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, deixando de apreciar, por outro lado, o disposto no § 3º do mesmo artigo, preceptivo essencial ao deslinde da controvérsia trazida a debate nos autos. 28.1 Para compreensão da legislação questionada, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7º desta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: I oferecer 20% (vinte por cento), em gratuidade, de sua receita anual efetivamente recebida nos termos da Lei nº 9.870, de 23 de Fl. 3824DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.825 11 novembro de 1999, ficando dispensadas do cumprimento da exigência do § 1º do art. 10 desta Lei, desde que sejam respeitadas, quando couber, as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II para cumprimento do disposto no inciso I do caput deste artigo, a instituição: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) a) deverá oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral a estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de curso de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente instalados, observado o disposto nos §§ 3º, 4º e 5º do art. 10 desta Lei; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) b) poderá contabilizar os valores gastos em bolsas integrais e parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), destinadas a estudantes enquadrados no § 2º do art. 1º desta Lei, e o montante direcionado para a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III gozar do benefício previsto no § 3º do art. 7o desta Lei. § 1º Compete ao Ministério da Educação verificar e informar aos demais órgãos interessados a situação da entidade em relação ao cumprimento das exigências do Prouni, sem prejuízo das competências da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Previdência Social. § 2º As entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3º O Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. Fl. 3825DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.826 12 § 4º Na hipótese de o CNAS não decidir sobre o pedido até o dia 31 de março de 2005, a entidade poderá formular ao Ministério da Previdência Social o pedido de isenção, independentemente do pronunciamento do CNAS, mediante apresentação de cópia do requerimento encaminhando a este e do respectivo protocolo de recebimento. § 5º Aplicase, no que couber, ao pedido de isenção de que trata este artigo o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (GRIFEI) 29. Prossegue a embargante que a falta de pronunciamento sobre o § 3º acarretou omissão no julgado, na medida em que, conquanto tenha havido o deferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, referente ao período de 09/2000 a 09/2003, pela Resolução nº 49/2005 do CNAS, a concessão do documento com base no art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, apenas tinha o condão de viabilizar um novo pedido de isenção junto ao INSS, a qual, se deferida, produziria efeitos a partir de 10/9/2004. 30. Outra vez pretende a Fazenda Nacional a rediscussão de questão devidamente examinada e decidida no acórdão embargado. O eventual equívoco na interpretação da legislação pelo julgador que pode levar ao erro de julgamento, ao qual faço alusão tão somente para possibilitar o desenvolvimento do meu ponto de vista, não configura hipótese capaz de ser corrigida por meio dos embargos de declaração. 31. Como já afirmado alhures, na visão do relator originário a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 31.1 Logo, tendo sido deferida a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003, em face da Resolução CNAS nº 49/2005, não haveria, consoante entendimento acatado pela unanimidade dos conselheiros, como manter o lançamento relativamente a tal período. 32. Trago excertos do Acórdão nº 240103.869 sobre o ponto questionado pela embargante (fls. 3.720/3.721): (...) Defende [a recorrente], sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). (...) Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a Fl. 3826DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.827 13 partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: (...) Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: (...) Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. (...) 33. Tendo em conta o raciocínio esquadrinhado pelo relator originário, entendo não haver vazio na fundamentação utilizada no acórdão recorrido, dispensandose, à vista disso, a necessidade de complementação da decisão pelo exame da aplicação ao caso concreto da norma jurídica contida no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, conforme defende a Fazenda Nacional. 34. Sublinho que o julgador "ad quem" não está obrigado a enfrentar e/ou refutar todos os fundamentos do acórdão de primeira instância que deram esteio à manutenção da autuação fiscal. O decisório recorrido apreciou, de modo fundamentado, as questões relevantes trazidas ao debate pelas partes, com base nos fatos e no direito que entendeu aplicável à questão controvertida. 35. Mais uma vez, portanto, cabe rejeitar a alegação de omissão no acórdão suscitada pela embargante. Fl. 3827DF CARF MF Processo nº 36624.000807/200737 Acórdão n.º 2401004.600 S2C4T1 Fl. 3.828 14 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão existente no Acórdão nº 240103.869. Acolhemse os aclaratórios, sem efeitos modificativos, tão somente para explicitar que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias foi realizada por competência, para fins da extinção do lançamento devido à decadência até 11/2001. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 3828DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.904315/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 22/03/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 22/03/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS.
O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como pára-brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classifica-se na posição 7007 da TIPI.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/03/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA
Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.182
Decisão:
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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COMPENSAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Recorrente VITROTEC VIDROS DE SEGURANÇA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 22/03/2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. O produto denominado vidros de segurança não emoldurados utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificase na posição 7007 da TIPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/03/2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA Não padece de nulidade o despacho decisório, proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 43 15 /2 00 9- 63 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13839.904315/200963 Acórdão n.º 3301003.182 S3C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1429.674, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO em face de Despacho Decisório que denegou restituição pleiteada e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. A recorrente formalizou PER/DComp objetivando a compensação de pretensa diferença recolhida a maior relativa ao IPI. A fiscalização, a partir das características do DARF discriminado no PER/DComp, constatou que o crédito alegado como indevidamente pago foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, onde alegou, em sede preliminar, que a fundamentação legal genérica do Despacho Decisório implicou cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, sustentou que o direito à restituição decorre de recolhimento a maior de IPI face a erro de classificação de seus produtos (vidros não emoldurados destinados exclusivamente para serem utilizados no párabrisas e nas janelas dos veículos automotores das posições 8701 a 8705). Os mesmos foram classificados na posição 7007 (Vidros de Segurança), com alíquota de 15% de IPI, quando o correto, segundo motivos, julgados e princípio da seletividade, deveria ser na posição 8708 da TIPI (partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705), com alíquota de 5%. Ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a DRJ/RPO julgoua IMPROCEDENTE, nos termos do Acórdão 1429.674, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 22/03/2002 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. Somente são nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com comprovada preterição do direito de defesa. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13839.904315/200963 Acórdão n.º 3301003.182 S3C3T1 Fl. 4 3 RESTITUIÇÃO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. VIDROS DE SEGURANÇA APLICADOS EM VEÍCULOS AUTOMÓVEIS. Inexiste erro de classificação fiscal se contribuinte lançou nos documentos fiscais e recolheu com a respectiva alíquota os vidros, utilizados como pára brisas e nas janelas dos veículos automóveis, classificados na posição 7007 da TIPI. Conseqüentemente, inexiste recolhimento indevido ou maior que o devido que se enquadre como crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário replicando as alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, em sua essência. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.171, de 20 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 13839.904308/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.171): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. 1 Da Preliminar de Nulidade A recorrente alega que houve preterição do direito de defesa, ensejando a nulidade do despacho Decisório, por indicação inespecífica de dispositivo legal, nos seguintes termos: No despacho decisório que não homologou a compensação em tela constam como enquadramento legal: "Artigo 165 e 170, da Lei n°5.172 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. " Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13839.904315/200963 Acórdão n.º 3301003.182 S3C3T1 Fl. 5 4 Ocorre que os artigos contém parágrafos e incisos QUE NÃO FORAM DEVIDAMENTE ESPECIFICADOS, o que resultou na impossibilidade de a recorrente identificar qual deles fundamenta a decisão não homologatória da compensação, ou seja, EVIDENCIASE INDICAÇÃO INESPECÍFICA QUE CARACTERIZA FORMALIZAÇÃO INCORRETA, em flagrante contrariedade ao que dispõe a legislação que rege a matéria e que prevê a indicação clara e precisa dos dispositivos legais supostamente infringidos , o que não ocorreu no caso. Tal fato resulta em flagrante prejuízo à defesa do contribuinte, resultando em vício insanável que enseja a nulidade do despacho decisório". Não vislumbro nos autos qualquer preterição do direito de defesa. O Acórdão recorrido não merece reparos, nesse pormenor. O despacho Decisório encontrase suficientemente fundamentado e o enquadramento legal está adequado aos fatos apurados. Não há, na espécie, motivo para que a autoridade fiscal indicasse os incisos ou alíneas em que se subdividiam os artigos elencados. Andou bem o julgador de primeira instância, vejamos parte dos fundamentos de seu voto que: [...] "Contudo, o que constato é que, para um pedido genérico lastreado num DARF, regularmente utilizado, para a integral quitação de débitos, mormente por inexistir qualquer retificação do DARF e da DCTF, nenhuma outra capitulação legal seria possível, aliás, creio que foi até exaustiva no caso, pois, bastaria citar o artigo 171 do CTN, ou seja, que a compensação só se faz com créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional." [...] O excerto acima transcrito é suficientemente didático. Não há coerência lógica nos argumentos trazidos pela recorrente, senão o intuito de dar sobrevida ao litígio. Com o exposto, não se verifica qualquer cerceamento do direito de defesa, tampouco algum ato ou fato que ampare, ainda que de longe, a nulidade do Despacho Decisório. 2 Do Mérito O cerne do litígio está centrado da [in]existência do crédito disponível para restituição, submetido à PER/DComp, i.é., [in]existência de pagamento a maior de IPI por parte do contribuinte. A fiscalização, em procedimento de análise de PER/DComp, detectou que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. O recorrente, por sua vez, alega que efetuou recolhimento de IPI a maior em face de equívoco na classificação fiscal de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores das posições 8701 a 8705 da Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.904315/200963 Acórdão n.º 3301003.182 S3C3T1 Fl. 6 5 TIPI. Originariamente efetuou os recolhimento do IPI com base na posição da TIPI 7007, alíquota de 15%, conquanto, no seu entender, deveria ter recolhido com base na posição 8708, alíquota de 5%. Sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. Em resumo temos que o recorrente sustenta que cometeu erro na classificação de vidros não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores, de sua fabricação e, como conseqüência, recolheu IPI a maior. É nessa matéria, classificação fiscal, que se limita a peça recursal. Outrossim, a exigência fiscal emerge da constatação por parte da fiscalização de que o crédito alegado como indevidamente pago fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Essa é a matéria posta originariamente pela fiscalização. Sobre ela nada falou o recorrente. Apressome a afirmar: ainda que o recorrente tenha êxito quanto a classificação por ele pretendida, fazse necessária a comprovação de que eventual pagamento a maior do IPI fora devidamente escriturado, bem assim que as obrigações acessórias tenham sido alteradas para contemplar os valores efetivamente devido do tributo, tornadoo liquido e certo. Portanto temos dois pontos a serem apreciados: (i) a liquidez e certeza do crédito alegadamente pago a maior e (ii) a correta classificação do produto. 2.1 A LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ALEGADAMENTE PAGO A MAIOR É notoriamente sabido que, nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. Essa é a dicção do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Disso não se desincumbiu o contribuinte. Do compulsar dos autos não se vislumbra nenhum elemento apresentado pela recorrente que tenha o condão de afastar as alegações da fiscalização que alicerçaram a negativa relativa ao pedido de restituição. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.904315/200963 Acórdão n.º 3301003.182 S3C3T1 Fl. 7 6 Noutra esteira, a fiscalização demonstrou que, relativamente ao crédito que se pretende ser indevido, há débitos a ele originariamente vinculados, portanto não disponíveis para restituição e, conseqüentemente, não servindo para custear compensação. Dessarte, depreendese que os valores de IPI que o recorrente pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez. 2.2 A CORRETA CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO Passo a apreciar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte para o produto vidro não emoldurados destinados para uso nos párabrisas e janelas de veículos automotores. Ressaltese que a classificação fiscal, no caso concreto, não influenciará diretamente na decisão quanto ao direito à restituição, posto que, isoladamente, eventual erro na classificação não é suficiente para dotar de liquidez e certeza o crédito pago a maior,. O recorrente sustenta que tem o direito de classificar os vidros não emoldurados nas subposições 8708.29.19 ou 8708.29.99 da TIPI. Tece comentários sobre a metodologia do sistema de classificação fiscal e procura demonstrar a correção da classificação utilizada. Adentra em comentários acerca do princípio da seletividade do IPI sustentando que os princípios constitucionais devem ser considerados prioritariamente para fim de classificar um produto na TIPI, em detrimento às regras do Sistema harmonizado. O Julgador a quo, em seu voto, constante do Acórdão recorrido, fundamenta exaustivamente as razões para descaracterizar a pretensa classificação dos vidros na posição 8708 e a necessária e correta classificação na posição 7007. vejamos excerto do voto: [...] Quanto ao mérito, nenhuma razão assiste ao interessado, sendo que a classificação fiscal do produto em questão já é pacificada na Receita Federal do Brasil desde 1998, quando, mediante o DEC SRRF 8ª RF nº 155/98, publicado no DOU em 06/08/98, classificou na posição 7007 da TIPI os vidros a serem utilizados como párabrisas e nas janelas dos veículos automóveis. [...] Não vislumbro razão para o aprofundamento da análise da presente matéria, a uma, pelo brilhante voto constante do Acórdão recorrido, não merecendo reparos, a duas, em face da publicação da Solução de Consulta do Centro de Classificação de Mercadorias da RFB, SC 56/2014, 1ª Turma, com a qual concordo e a utilizo como fundamento de minha decisão. Sua ementa é suficientemente esclarecedora: 7007.21.00 Vidro de segurança não emoldurado, formado por folhas contracoladas (vidro laminado), de espessuras que variam de 1 mm até mais de 6,5 mm, acompanhado de guarnição de borracha para vedação, destinado a uso como parabrisa de automóveis SC 296/2015 1ª Turma Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.904315/200963 Acórdão n.º 3301003.182 S3C3T1 Fl. 8 7 Como se vê o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis tem definida e consolidada sua classificação fiscal na posição 7007. Dispositivo Ante o exposto, considerando que (i) os créditos de IPI que se pretende considerar indevidamente recolhidos para fins de fruição de restituição, não se encontram devidamente comprovados, portanto não revestidos de certeza e liquidez e que (ii) o produto denominado vidro de segurança não emoldurado, destinado a uso como parabrisa de automóveis deve ser classificado fiscal na posição 7007, da TIPI, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 63DF CARF MF
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