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Numero do processo: 10120.006114/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 13/08/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PERÍODO
ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos pertinentes a contribuições previdenciárias, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.354
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Em se tratando de Auto de Infração por não ter a empresa apresentado documentos pertinentes a contribuições previdenciárias, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a decadência do lançamento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.055.6739, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fls. 29, a empresa deixou de apresentar os Livros Diário, solicitados através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 08/06/2007, relativos aos exercícios de 1997 (período de 01/97 a 12/97), 1998 (período de 01/98 a 12/98) e 1999 (período de 01/99 a 12/99), infringindo o disposto no artigo 33, §2o. da Lei 8.212/91. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 13/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 32 a 43. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 58 a 64. Vejamos ementa da referida decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/08/2007 MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 72 a 79. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: 1. Preliminarmente, alega a nulidade do auto de infração por este abranger infrações praticadas entre os anos de 1997 a 2002, estando estas, segundo o seu entendimento, fulminadas pela decadência de 05 (anos) a que se refere o artigo 173 do Código Fl. 105DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Tributário Nacional — Código Tributário Nacional — CTN. Colaciona vasta doutrina e jurisprudência sobre o tema. 2. No que concerne à multa aplicada, a D. Relatora, embora tenha tenha considerado que a empresa é primária e de bons • antecedentes, manteve a multa por considerar que é "não se configura a presença das circunstâncias atenuantes, e, conseqüentemente, a relevagão pretendida". 3. Ora, vem a Recorrente, discordar cabalmente de tal afirmação, pois a aplicação de multas, sejam meramente administrativas ou punitivas, devem levar em conta sempre, o grau de falta, os antecedentes fiscais do contribuinte, o dano sofrido pelo erário público, a existência o não de conluio, fraude fiscal, a máfé, ou o dolo, enfim os elementos subjetivos devem ser analisados e perqueridos pelo aplicador da Lei, afim de que esta seja aplicada em seus principio teleológicos, e não aleatoriamente, punindose a falta mais leve, com pena maior. 4. Requer, ao final, seja julgado insubsistente o débito apurado no AI, por encontraremse prescritos, bem como seja declarada insubsistente a incidência de multa por não ter havido dolo ou culpa. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 80 e 81. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Primeiramente entendo que apear da referência do recorrente de que o AI deve ser anulado pela ocorrência da prescrição, entendo que a nomenclatura por ele adotada encontrase equivocada, tanto que requer a aplicação do art. 150, § 4º, que referese a prazo decadencial do direito do fisco efetivar o lançamento seja em relação a obrigação principal ou acessória. Assim, quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 107DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de Fl. 108DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 4 7 execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 5 9 em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 10120.006114/200735 Acórdão n.º 2401002.354 S2C4T1 Fl. 6 11 a empresa comprovado o efetivo desconto da contribuição dos contribuintes individuais – transportadores autônomos. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 13/08/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/08/2007. A autuação consubstanciouse na falta de apresentação dos Livros Diário, relativos aos exercícios de 1997 (período de 01/97 a 12/97), 1998 (período de 01/98 a 12/98) e 1999 (período de 01/99 a 12/99). Dessa forma, a luz do art. 173, I do CTN encontrarseiam decadentes os fatos geradores até 11/2001, o que engloba todo o período descrito no auto de infração em tela. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO, face o alcance da decadência quinquenal. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 11/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10730.004416/2003-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto
de renda pessoa física, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso.
Numero da decisão: 2201-001.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto de renda pessoa física, e tendo-a feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Redator designado. EDITADO EM: 13/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 3/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 1326.915 6' Turma da DRJ/RJ2 que julgou improcedente a impugnação ao lançamento que exigindo multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, correspondente ao exercício de 2002, anocalendário 2001. Cientificado, o interessado apresentou impugnação alegando que entregou a declaração em atraso por motivo de doença mas não houve máfé, apenas estava impossibilitado de fazêlo. Diz que a cobrança da multa contraria regras do Decreto n° 70.235/72 visto que a notificação carece de assinatura do responsável já que não é um documento produzido eletronicamente (art. 11) e ainda suscita a preclusão do lançamento por estar em desacordo com os prazos estabelecidos nos artigos 3° e 4° da mesma norma. Inconformado o contribuinte recorre reafirmando os termos da impugnação É o relatório Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Inquestionável é o fato da DAA ter sido entregue extemporaneamente, o fato é expressamente confessado pelo contribuinte e o recurso se baseia apenas em formalidade que supostamente teriam sido violadas. Entendo que o prazo de trinta dias para a pratica de atos que o contribuinte invoca não é aplicável ao caso. Isso porque o lançamento efetuado não decorre de “solicitação de outra autoridade preparadora ou julgadora” como dispõe o §3º do artigo 2, sendo inaplicável ao caso. Da mesma forma é inaplicável o disposto no § 4º do mesmo artigo por se tratar de prazo tipicamente impróprio. No que tange a necessidade de assinatura da notificação, apesar de não haver qualquer referência expressa, é de se notar serem os sinais exteriores indicativos de notificação eletrônica, possuindo o mesmo layout e estar em harmonia com os costumes do ato. Desta forma, nego provimento ao recurso. É como voto. Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 3/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10730.004416/200367 Acórdão n.º 220101.616 S2C2T1 Fl. 88 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10730.004416/200367 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.616. Brasília/DF, 1 de junho de 2012 ______________________________________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 3/06/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012312/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. ENCAMINHAMENTO AO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE.
Á luz do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, é válida a ciência via postal encaminhada ao domicilio eleito pelo contribuinte. Na hipótese de impossibilidade de entrega, correta a afixação de edital.
Numero da decisão: 2201-002.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Ricardo Anderle (Suplente convocado), que conheciam do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
(Assinatura digital)
Eduardo Tadeu Farah Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. ENCAMINHAMENTO AO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE. Á luz do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, é válida a ciência via postal encaminhada ao domicilio eleito pelo contribuinte. Na hipótese de impossibilidade de entrega, correta a afixação de edital.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Ricardo Anderle (Suplente convocado), que conheciam do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator (Assinatura digital) Eduardo Tadeu Farah Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012312/200610 Recurso nº 999 Voluntário Acórdão nº 2201002.128 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria IRPF Recorrente MAHMOUD MOHAMAD ISSAM ALAYELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. ENCAMINHAMENTO AO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE. Á luz do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, é válida a ciência via postal encaminhada ao domicilio eleito pelo contribuinte. Na hipótese de impossibilidade de entrega, correta a afixação de edital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator) e Ricardo Anderle (Suplente convocado), que conheciam do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator (Assinatura digital) Eduardo Tadeu Farah – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 23 12 /2 00 6- 10 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, que manteve a autuação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, do anocalendário 2002 sobre omissão de rendimentos apurada por meio do APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Auto de infração (fls.04 a 07 ), com ciência em 08/11/2006 (fls. 04), foi lavrado após a omissão constatada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 08/11. Em decorrência das investigações requeridas pela CPI do BANESTADO Banco do Estado do Paraná, relativas às remessas de divisas feitas por esse banco e outras instituições financeiras ao exterior, a maioria a partir de agências de Foz do Iguaçu, no Paraná, a ^ movimentação das divisas no exterior, em particular através da agência do Banestado em Nova York, nos Estados Unidos da América; e transferências dessas divisas para outras instituições financeiras dos Estados Unidos e de outros países. Restou evidenciado que diversos contribuintes brasileiros enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional, utilizando pessoas físicas e/ou jurídicas brasileiras, ou empresas estrangeiras com a participação de brasileiros, inclusive "doleiros". (Documentos de folhas 34 a 126). Foi constatado que muitas dessas remessas de divisas feitas à revelia do sistema financeiro nacional, e sua movimentação em Nova York, utilizaram contas e subcontas mantidas em bancos americanos, tais como "JP Morgan Chase Bank", pela empresa americana "BEACON HILL SERVICE CORPORATION"(documentos, laudo n° 1258/04 e 1613/04, em anexo às folhas 98 a 114). No curso das investigações, o Departamento da Policia Federal, pela sua representação em Curitiba, PR, requereu e obteve do Juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba a quebra do sigilo bancário no exterior da empresa "Beacon Hill". O Juízo da Suprema Corte do Estado de Nova York, a pedido da promotoria pública distrital da cidade de Nova York, autorizou, em setembro de 2003, o afastamento do sigilo bancário, a revelação e a entrega dos iau. ^ documentos referentes ao caso as autoridades brasileiras. Em abril de 2004 o MM Juiz da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba transferiu os dados da quebra do sigilo bancário para a Secretaria da Receita Federal (documentos de folhas 73 a 95). Os documentos e mídia eletrônica trazida para o Brasil foram periciados em maio e junho de 2004 pelo Instituto Nacional de Criminalística e o resultado repassado à Receita Federal. A Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 4 análise e tratamento dos documentos e dados extraídos da mídia eletrônica foram efetuados por equipe especial de fiscalização da SRF(documento laudo n° 1071/04, em anexo as folhas 38 a 51). Com base nesses documentos e dados, constatouse que o contribuinte supra identificado efetuou movimentação financeira de US$500.000,00 no ano de 2002. As ordens de pagamentos (PYMENT ORDER) de U$300.000,00 em 09/01/2002, e de U$200.000,00 em 05/01/2002, ordenando a transferência / crédito desses valores para a conta de n° 563.468/01, do AUDI BANK, Agência n° 055, ABRA SAÍDA, ABRA SIDON LEBANON onde o beneficiário final é AMIRA ABOUZAREH (JOINT ACCOUNT), com endereço a Rua AL AMLI, EDIFICIO LULUA, 3o ANDAR SIDON BEERUT LEBANON, telefone 724917, detalhes do pagamento AT YR ABRA BRANCH LEBANON AG.055,i utilizando a conta MONTE VISTA n° 530097672, administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation. (Documentos de folhas 35 a 37). Através do Termo de Início de Fiscalização n° 111/2006 (documento de fls.12 a 15), do qual o contribuinte tomou ciência em 21/02/2006, como consta do Aviso de Recebimento (AR) anexado à fl. 131, foi o mesmo intimado a: Com relação à movimentação financeira efetuada no ano calendário de 2002, na instituição financeira JP Morgam Chase Bank, conta Monte Vista número 530097672, administrada pela empresa Beacon Hill Service Corporation: Informar, esclarecer e comprovar, como e quando o contribuinte efetuou a remessa dos valores para alimentar a conta na Beacon Hill, que permitiram a movimentação para o Audi Bank Agency n° 55 Charles Malek Avenue P.O. Box 112560 Beirut Lebanon. Explicar e justificar qual o propósito ou objetivo dessas operações financeiras. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou termo de resposta datado de 10/03/2002 (documento de folhas 17 a 23), por intermédio do qual limitouse a negar a movimentação financeira no valor de US$500.000,00 (Quinhentos mil dólares americanos) no ano de 2002, e desconhecer quaisquer movimentação efetuada como as ordens de pagamentos citadas no Termo de Início de Fiscalização. Termo de resposta complementar anexo às folhas 21/22. Os termos de respostas foram elaborados pelos advogados constituídos pelo contribuinte conforme procuração anexo à folha 16. Como podemos verificar as mídias eletrônicas estão em nome do contribuinte, que não possui homônimos e o beneficiado é a senhora Arnira AbouZareh, mãe do contribuinte. O contribuinte afirma que todas informações necessárias ao atendimento da solicitação nos itens 05 a 07, encontramse constantes de sua Declaração de Renda DIPF exercício de 2003, ano calendário 2002. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 4 5 Afirma ainda que não realizou no ano calendário, qualquer tipo de aplicação financeira e conseqüentemente não realizou qualquer tipo de resgate. E apresenta relação e contratos sociais das empresas das quais fazia parte como quotista no ano calendário de 2002. O contribuinte remeteu a esta fiscalização Termo de Resposta Complementar datado de 10 de março de 2006, (documentos de folhas 20/23), onde anexa correspondência de 15 de março de 2006, do Bank Audi Audi Saradar Group, devidamente traduzida, onde podemos ler que a conta corrente de Arnira AbouZaher foi fechada em 27/10/2004, e que não foi feito nenhuma transferência / crédito bancário durante os anos 2002, 2003 e 2004, datada de 15 de março de 2006. Em nenhum momento comprovou a origem e tributação dos valores remetidos ao exterior. Esta fiscalização, salvo melhor juízo, não pode reconhecer nesta correspondência o valor para contrapor ou anular o que consta da mídia eletrônica transferida a Secretaria da Receita Federal, oficialmente pelo juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba, conseguida da Suprema Corte do estado de New York, pela quebra de sigilo bancário no exterior da Empresa Beacon Hill, documentação devidamente periciada pelo Instituto Nacional de Criminalística conforme consta do Termo de Início de Ação fiscal. Cabe ressaltar que esta fiscalização não pode confirmar junto ao Bank Audi, por estar em terras estrangeiras, os cargos, e se os senhores M. Kalo e M. Skayne podem responder pela Instituição. Dado o acima exposto fizemos o Demonstrativo Mensal de Fluxo de Caixa, anexo à folha 26, para o ano de 2002, lançando os valores constantes de sua Declaração de Imposto de Renda das Pessoas Físicas e os valores das remessas, convertidas em moeda nacional o real; em 07/01/2002 valor de R$ e em 03/01/2002 no valor de R$, sendo a conversão realizada conforme demonstrativo mensal de fluxo de caixa, em anexo à folha 25. As remessas constam como dispêndio/investimento. No demonstrativo fica explicita a "Variação Patrimonial a Descoberto" de R$1.072.393,65 em 01/2002, considerada omissão de rendimentos, conforme a Lei n° 7.713X88, arts. Io, 2o, 3o, §§ Io e 4o, Arts. Io e 2o da Lei n° 8.134/90, e Artigos 55, inciso XIII, 806 e 807 do RIR/99. Impugnação (fls. 134/146). A decisão recorrida (fls. 158/171) com ciência por edital (fls. 210), manteve a autuação pela falta de comprovação de os recursos movimentados na canta bancaria não pertencer a autuado, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 6 NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de diligência/perícia sempre que se mostrar desnecessário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituem rendimentos brutos sujeitos ao imposto de renda as quantias correspondentes a acréscimo patrimonial quando esse não for justificado pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou por rendimentos tributados exclusivamente na fonte, apurados por meio do confronto entre os recursos e os dispêndios realizados pelo contribuinte. MEIOS DE PROVA. RECURSOS AO EXTERIOR. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário (fls. 222 a 231) protocolado em 22.06.2012, sustenta em síntese: a) Preliminar de tempestividade do recurso interposto; b) A assinatura aposta nos “Payment Orders” não é do Recorrente; c) Desconhece e não tem nenhuma ligação com a empresa Monte Vista Corp ou com a Beacon Hill Service Corporation; d) Não tem e nunca teve dinheiro seu ou de terceiros nos Estados Unidos, desconhece também a origem do dinheiro relacionado nas Paymente Orders; e) Reconhece e confirma que sua mãe mora no Líbano e que à época possuía conta bancária no Audi Bank, mas não remeteu qualquer recurso financeiro para sua genitora no Líbano; d) Não pertence ao patrimônio do Recorrente e nunca chegou à conta bancária da genitora a importância objeto da autuação, que deu origem ao APD. É o breve relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes Relator Anoto que há certidão nos autos dando conta da intempestividade do recurso interposto, diante do transcuro do prazo da intimação do autuado Recorrente feita por edital (fls. 215). A notificação por edital foi realizada após retorno da intimação feita pelo correio, com Aviso de Recebimento – AR, constando: não localizado. Nas razões de recurso insiste o Recorrente na tempestividade do seu apelo. Verifico que a notificação pelo correio foi realizada apenas no endereço do domicilio fiscal, na Rua Conselheiro Dantas, 27, Bairro Calafate, Belo Horizonte/MG (fls.210, a 212), informado pelo contribuinte autuado na Declaração de Ajuste Anual. Contudo, vejo que o autuado possui ou chegou a possuir diversos endereços, conforme consta dos autos, na Rua São Paulo, 1.475, Belo Horizonte/MG (fls.01), onde foi localizado para início das diligencias que culminaram com a autuação. Na autuação constou esse endereço (fls. 04); no Termo de Verificação Fiscal, também esse endereço (fls. 8). No termo de intimação de fls. 12, constou esse mesmo endereço. Na procuração juntada fls. 16, o autuado se qualifica e indica o endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG. Em resposta a termo de intimação fiscal (fls. 17) o autuado indica esse mesmo endereço da Rua Santa Maria de Itabera. Na Declaração de Ajuste juntada a fls. 126, qualificase com endereço na Rua São Paulo, 1,475, Belo Horizonte/MG. Foi localizado e intimado nesse endereço (AR, de fls. 131). Na impugnação do lançamento (fls. 134) se qualificou com o endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG, o mesmo informado na procuração antes juntada. Nova procuração juntada a fls. 135, com o mesmo endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG. A fls. 153, o autuado informa nos autos o endereço onde poderia ser localizado: Alameda da Serra, 891, 1° andar, cjs. 912/914m Bairro Vila da Serra – Nova Lima/ MG. As fls. 235 há nova procuração com o endereço da Rua Santa Maria de Itabera, 22, cj. 808, Bairro Sion, Belo Horizonte/MG. Vejo ainda que há indicação de telefone do autuado, sem noticia, cerificada nos autos da tentativa de localizar o autuado. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 8 Há como vimos diversos endereços, telefone e o mais sintático o autuado informou o endereço onde desejava ser intimado, sem que se tentasse sua localização nesse endereço. Em suma, antes da intimação por edital não se tentou localizar o autuado nos endereços constantes dos autos. Essa providencia era e é imprescindível para validade e a eficácia da intimação editalícia. Sem isso a intimação por edital é nula de pleno direito. O autuado não se encontrava, até prova em contrário, em local incerto e não sabido, para intimação por edital, se não houve tentativa de intimação nos endereços constantes dos autos. No Estado Democrático de Direito a acusação e a exigência de qualquer prestação necessita do prévio conhecimento do responsável. Sem esse conhecimento anulamos o direito de defesa e, por conseqüência a garantia do devido processo legal e o contraditório. Por essa razão, é de suma importância da regular notificação do lançamento, e os demais atos processuais daí decorrentes para a validade e a eficácia da constituição do crédito tributário, conforme preconiza o art. 145, do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (Destacamos) O Código ao exigir a regular notificação do lançamento disciplinou o direito substantivo, no plano do direito material, não cuidou, à evidência, da forma e do procedimento da sua realização. Não cuidou por se tratar de regra própria do direito adjetivo, cuja disciplina veio com o Decreto n° 70.235, de 1972, com força de lei (ADI.19229 e 19767) e regulou o processo administrativo fiscal federal no art. 23. Vejamos: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (NR, Lei nº 9.532/97). II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (NR, Lei nº 9.532/97). § 1° Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (NR, Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (AC Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 6 9 II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (AC Lei nº 11.196, de 2005); III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (AC Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (NR Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) ......... § 2° Considerase feita a intimação: ....... II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (NR, Lei nº 9.532/97);” .......... IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (AC Lei nº 11.196, de 2005) § 3° Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (NR Lei nº 11.196, de 2005) § 4° Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (NR Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (AC Lei nº 11.196, de 2005) Pelo procedimento administrativo fiscal federal, duas são espécies básicas de notificação do lançamento: a intimação pessoal (inciso I) e a intimação postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via (inciso II). Temos ainda a intimação por meio eletrônico (inciso III) e por edital (§ 1°). Esta – edital foi a forma da intimação da decisão recorrida, mas sem esgotar a tentativa de localização nos endereços constantes autos, um dos endereços expressamente fornecido pelo autuado. A Súmula CARF n° 9, estabelece “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário” (Destacamos), Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 10 Fixa o Regimento Interno deste Conselho: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” (Destacamos). Na hipótese dos autos o AR retonou sem a localização do autuado. O C. Superior Tribunal de Justiça reconheceu a validade da notificação do lançamento com a entrega da correspondência – AR no endereço do sujeito passivo “... não sendo imprescindível que o Aviso de Recebimento seja assinado por ele” Por consequência, reconheceu a regularidade da notificação com a simples entrega da correspondência, sem a assinatura do sujeito passivo no AR (cf. STJ, 1ª T., AgRg no AREsp 57.707/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, j., 17.04.2012; STJ, 1ª T., REsp. 923.400/CE, Rel. Min. Luiz Fux, j. 18.11.2008; STJ, 6ª T., RHC 20.823/RS, Rel. Min. Celso Limongi (Des. conv., TJ/SP), j., 03.11.2009), na forma da Súmula CARF n° 9, mas não se cuida nesses julgados da intimação por edital. A Lei n° 9.784, de 29.01.1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, com aplicação subsidiária ao procedimento administrativo fiscal, por disposição expressa (art. 69, embora desnecessaria), somente admite a intimação por edital, no caso de interessado indeterminado, desconhecido ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. Confirase: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. ...... § 3° A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4° No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5° As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. Cleide Previtalli Cais, comentado esse dispositivo, leciona: Os arts. 26, 27 e 28 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito federal, deixam evidente que todos e qualquer ato praticado no procedimento em curso, que possa gerar a obrigação ou direito ao contribuinte, deve ser objeto de sua intimação, efetiva, sob pena de causar violação ao devido processo legal, e ao contraditório, assegurados como direitos constitucionais. (Processo Tributário, Ed. RT, 6a ed., 2009, SP, p.252, destacamos). O C. Superior Tribunal de Justiça teve oportunidade de se manifestar em voto da relatoria da eminente Ministra Eliana Calmon: Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 7 11 Notificação do Lançamento. Necessidade. A notificação do sujeito passivo da relação tributária constitui requisito de exigibilidade do crédito, representando, portanto, matéria de ordem pública passível de ser conhecida ex officio. (STJ, 2ª T., REsp 923.805/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, j. 10.06.2008, destacamos). No processo administrativo, tributário ou não, é princípio consagrado na doutrina e na jurisprudência que a Administração Pública pode, a qualquer momento, anular seus próprios atos quando eivado de nulidade. Confiramse as Súmula 346 e 473, do STF: Súmula 346, do STF: A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. (Destacamos). Súmula 473, do STF: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. (Destacamos) O C. Supremo Tribunal Federal também teve oportunidade de se pronunciar em situação similar sobre a validade da intimação por edital de multa ambiental. O Tribunal Pleno proclamou: a ciência ficta do processo administrativo, via Diário Oficial, apenas cabe quando o interessado esta em lugar incerto e não sabido. Confirase: Devido Processo Legal. Infração. Autuação. Multa. Meio Ambiente. Ciência Ficta. Publicação no Jornal Oficial. Insubsistência. A ciência ficta de processo administrativo, via Diário Oficial, apenas cabe quando o interessado está em lugar incerto e não sabido. Inconstitucionalidade do § 4º do art. 32 do Regulamento da Lei nº 997/76 aprovado via Decreto nº 8.468/76 com a redação imprimida pelo Decreto nº 28.313/88, do Estado de São Paulo, no que prevista a ciência do autuado por infração ligada ao meio ambiente por simples publicação no Diário. (STF, Tribunal Pleno, RE, 157.905/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, v.u., j., 06.08.1997). A situação aqui é idêntica, o autuado possui diversos endereços nos autos, um deles com informação expressa onde poderia ou deveria ser intimado, daí porque a notificação editalícia, feita sem as devidas cautelas, padece de total nulidade, no meu modesto modo de entender, com afronta aos princípios da publicidade, do devido processo legal, do contraditório e do sagrado direito de defesa. Voltando ao exame dos pressupostos de admissibilidade, vemos que o Recurso é tempestivo, preenche os requisitos e deve ser conhecido. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 12 Caso vencido nesta prejudicial de tempestividade, deixo de me pronunciar sobre o mérito. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço do recurso para exame do mérito. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Com a devida vênia ao bem articulado voto elaborado pelo ilustre Conselheiro Odmir Fernandes, penso que o caso em apreço reclama o reconhecimento da intempestividade do Recurso Voluntário, consoante ao Termo de Perempção lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG (fl. 215). Como bem disse o Conselheiro Odmir Fernandes, há nos autos inúmeros endereços informados pelo contribuinte, contudo, a administração tributária ao intimar o sujeito passivo deve necessariamente observar o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 1.º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES 14 IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Da análise excerto transcrito verificase que a lei considera válida apenas a intimação enviada ao domicílio tributário fornecido pelo sujeito passivo à administração tributária. Com efeito, foi exatamente esse o procedimento efetuado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, quando remeteu o Acórdão nº 0233.707 da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte/MG à Rua Conselheiro Dantas, 27 Casa Calafate Belo Horizonte – MG (fl. 208). De acordo com os dados cadastrais fornecido pelo próprio contribuinte à administração tributária (Extrato do Processo fl. 205), verificase que o endereço eleito pelo suplicante foi de fato à Rua Conselheiro Dantas, 27 Casa Calafate Belo Horizonte – MG. Assim, como a tentativa de intimação ao contribuinte no endereço postal por ele fornecido não obteve êxito, a autoridade tributaria promoveu a cientificação pela via editalícia. E, transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias, não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão de primeira instância, foi lavrado o Termo de Perempção na forma da legislação vigente (Decreto nº 70.235/1972, art. 33). Assim, em que pese alegue o suplicante que a correspondência foi enviada para o endereço do responsável pela elaboração de sua declaração de imposto de renda e não, para o endereço de seus procuradores, conforme solicitado por meio de Termo de resposta (fl. 17), infelizmente todo o apelo esbarra na ausência de previsão legal, conforme se observa dos inúmeros julgados transcritos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. ENCAMINHAMENTO AO ENDEREÇO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE. Á luz do artigo 23 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pela Lei 11.196/2005, é válida a ciência via postal encaminhada ao domicilio eleito pelo contribuinte, informado à Receita Federal mediante do CNPJ. Na hipótese de impossibilidade de entrega, correta a afixação de edital... (Acórdão nº 140200.272) ... VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de incorreção no endereço fornecido pelo contribuinte, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si. (Acórdão nº 2802002.166) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.012312/200610 Acórdão n.º 2201002.128 S2C2T1 Fl. 9 15 ... RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO A intimação da decisão proferida pela DRJ de origem foi apresentada à interessada por três vezes consecutivas no endereço eleito como domicilio fiscal. Após o insucesso das três tentativas foi feita nova intimação, ora por edital a fixado. Correto o procedimento adotado e, em conseqüência, dada a intempestividade do recurso voluntário apresentado não se pode conhecer de seu mérito. (Acórdão nº 210100.329) Ressaltese que no endereço anterior eleito pelo contribuinte (fl. 126), também funcionava o escritório de contabilidade mencionado pela defesa, conforme consulta a lista telefônica telelista 1. Neste caso, penso que o escritório de contabilidade, quando do recebimento da correspondência, não observou com cuidado o nome do destinatário e, por essa razão, o agente postal consignou no AR a expressão “desconhecido” (fl. 211). Registrese, ainda, que a procuração constante nos autos não outorga aos procuradores poderes para alterar o domicilio fiscal do contribuinte (fl. 16). Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah 1 http://www.telelistas.net/pessoas/mg/belo+horizonte/253984175/bureau+azziz+contabilidade+e+assist+gerencial? q=bureau+azziz+contabilidade+e+assist+gerencial Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 13502.000458/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ementa:
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. PROGRAMA QUE VISA
INSTALAÇÃO DE NOVAS INDÚSTRIAS E EXPANSÃO DAS JÁ
EXISTENTES, CONDICIONADO A INVESTIMENTOS PELO
PARTICULAR, AUMENTO DA PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO
TECNOLÓGICO.
Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei
nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de
estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a
modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em
subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos
visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico,
competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e
de comercialização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.994
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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PROGRAMA QUE VISA INSTALAÇÃO DE NOVAS INDÚSTRIAS E EXPANSÃO DAS JÁ EXISTENTES, CONDICIONADO A INVESTIMENTOS PELO PARTICULAR, AUMENTO DA PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO. Os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, com o objetivo de estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados se constituem em subvenções para investimentos, pois condicionadas, a novos investimentos visando aumento da produção, desenvolvimento tecnológico, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Fl. 442DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório Inal Nordeste S/A, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Pelo que se extrai do recurso, a contribuinte somente recorre da infração que nos itens 7 e 8 da fl. 243 assim está descrita: 7 O Contribuinte é beneficiário de subvenção fiscal concedida pelo governo do Estado da Bahia, instituída pela Lei Estadual no 7.980/2001, e regulada pelo Decreto Estadual n° 8.205/2002, posteriormente alterado pelo Decreto n° 8.435/2003, intitulado de Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE. O programa oferece os seguintes incentivos: 7.1 Dilação do prazo de pagamento do saldo devedor do ICMS por até 72 meses, incidindo encargos financeiros sobre a parcela financiada calculados pela taxa de juros de longo prazo; 7.2 Caso o contribuinte antecipe o pagamento da parcela devedora, terá direito a desconto de até 90% sobre a parcela do ICMS com prazo dilatado e dos encargos financeiros, conforme enquadramento na tabela do regulamento do programa. 8 A empresa fiscalizada foi habilitada no programa DESENVOLVE por meio da Resolução n° 134/2005, fls. 57/58, sendolhe concedidos os seguintes benefícios: 8.1 dilação de prazo de 72 meses para pagamento do saldo devedor do ICMS relativos às operações próprias; 8.2 fixação da parcela do saldo devedor mensal do ICMS passível do incentivo, em o que exceder a R$ 121.662,71, corrigido este valor a cada 12 meses, pela variação do IGPM; 8.3 concessão do prazo de 12 anos para a fruição dos benefícios; 8.4 sobre cada parcela do ICMS com prazo de pagamento dilatado incidirá taxa de juros de 100% da TJLP ao ano. Segundo a autoridade fiscal, a empresa contabilizou os valores correspondentes ao benefício fiscal como subvenção para investimentos, em conta de reserva de capital no grupo patrimônio líquido, em observância do disposto no artigo 443 do Decreto no 3.000/99. Porém, dito procedimento vai de encontro à definição de subvenção para investimento determinada pela Receita Federal do Brasil. Intimada, a contribuinte apresentou impugnação e a DRJ julgou procedente o lançamento por meio do acórdão de fls. que, na parte que diz respeito à matéria impugnada e objeto do recurso contém a seguinte ementa: SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 4 Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não comprovados ao efetivo investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Dos fundamentos do acórdão recorrido O acórdão recorrido está alicerçado nos seguintes fundamentos: (...) “Subvenção é um auxílio financeiro concedido pelo Estado tendo em vista o interesse público. A norma do art. 182, § 1º, “d”, da Lei nº 6.404/1976 utilizou o termo qualificandoo por meio da expressão “para investimento”. A qualificação não foi efetivada em vão. O legislador desejou distinguir, dentre as diversas subvenções, aquelas cujas verbas seriam carreadas diretamente ao Patrimônio Líquido: somente aquelas para investimento. Confirase, a respeito, o entendimento de Modesto Carvalhosa e Nílton Latorraca (“Comentários à Lei de Sociedades Anônimas”, Volume 3, Editora Saraiva, São Paulo, SP, 1998, pág. 603): Subvenções para investimento Considerada como instituto do direito financeiro, as subvenções são ajudas ou auxílios pecuniários, concedidos pelo Estado, nos termos da legislação específica, em favor de instituições que prestam serviços ou realizam obras de interesse público. A subvenção para investimento é a contribuição pecuniária destinada à capitalização em empresas privadas, e se distingue da subvenção corrente, para custeio ou operação. No âmbito do IRPJ, a tributação das subvenções encontrase disciplinada pelos arts. 392, I, e 443 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), in verbis: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); (...) Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): Fl. 445DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 5 I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Conforme se depreende dos dispositivos acima, as subvenções para custeio não se confundem com as subvenções para investimento. As primeiras são normalmente tributadas pelo IRPJ e CSLL, situação prevista no artigo 392 do RIR/1999, que determina a inclusão desses valores no lucro operacional. As segundas, porém, deverão ser excluídas das respectivas bases de cálculo, desde que atendam aos requisitos estipulados nos incisos I e II do artigo 443 do mesmo diploma legal. Dessa forma, somente as subvenções para investimento terão suas verbas registradas diretamente nas contas do Patrimônio Líquido, não afetando o resultado do exercício. Por via de conseqüência, as verbas atinentes às demais subvenções (aquelas que não são para investimento) transitarão pelas contas de resultado, ou seja, serão receitas para fins da legislação societária. Do acórdão acima referido a contribuinte foi intimada em 14/04/10 (fl. 417) e em 05/05/10 (fl. 410), ingressou com recurso de fls. 411 e seguintes transcrevendo as disposições dos artigos 1º e 3º da Lei nº 7.980, de 2001, por meio da qual o Estado da Bahia institui o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica – DESENVOLVE, destacando que o texto legal é claro ao estabelecer que a finalidade do Programa DESENVOLVE é "estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados", sendo certo que a "geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes" representam nada mais do que os efeitos decorrentes da instalação, expansão, reativação ou modernização incentivada do parque industrial do contribuinte. (grifos no original). É o relatório. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Não se questionam os argumentos da recorrente de que, no caso concreto, o projeto habilitado junto ao Estado da Bahia foi o de expansão do parque industrial da INAL Nordeste S/A, que vem se ultimando no decorrer dos anos e que, só no período fiscalizado (2006 e 2007), elevou suas contas ativas de "Terrenos" de R$ 100.000,00 para R$ 1.773.752,00, de “Edifícios e Construções" de R$ 7.036.027,69 para R$ 17.540.934,20, e de "Equipamentos, Máquinas e Instalações Industriais", conforme demonstrado em suas declarações de fls. 130 a 170. Interessa definir, para o presente julgamento, é se o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica – DESENVOLVE, editado pelo Governo do Estado da Bahia, procurou estimular a instalação de novos investimentos e expansão e modernização dos já existentes, situação em que os benefícios concedidos constituiriamse em subvenções para o investimento ou se se constituem em subvenções correntes para o custeio. Neste sentido, necessário que se analise as finalidades e eventuais encargos ou obrigações determinados na Lei nº 7.980, de 2001, do Estado da Bahia, e pelo Decreto nº 8.025, de 2002, que regulamentou a referida lei. Nestes sentido, destacamse os seguintes dispositivos da lei referida: Art. 1º Fica instituído o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado. Art. 2º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder, em função do potencial de contribuição do projeto para o desenvolvimento econômico e social do Estado, os seguintes incentivos: I dilação do prazo de pagamento, de até 90% (noventa por cento) do saldo devedor mensal do ICMS normal, limitada a 72 (setenta e dois) meses; II diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) devido. Parágrafo único Para efeito de cálculo do valor a ser incentivado com a dilação do prazo de pagamento, deverá ser excluída a parcela do imposto resultante da adição de dois pontos percentuais às alíquotas do ICMS, prevista no art. 16A da Lei nº 7.014/96 para constituir o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. (Parágrafo único acrescido ao art. 2º pelo art. 7 da Lei nº 8.967, de 29 de dezembro de 2003). Art. 3º Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de Fl. 447DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 7 empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. § 1º Para os efeitos deste Programa, considerase: I nova indústria, a que não resulte de transferência de ativos de outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiros, oriundos da Região Nordeste; II expansão industrial, o aumento resultante de investimentos permanentes de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) na produção física em relação à produção obtida nos 12 meses anteriores ao pedido; III reativação, a retomada de produção de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais de 12 meses; IV modernização, a incorporação de novos métodos e processos de produção ou inovação tecnológica dos quais resultem aumento significativo da competitividade do produto final e melhoria da relação insumo/produto ou menor impacto ambiental. (grifei) ... Art. 4º O Poder Executivo constituirá o Conselho Deliberativo do DESENVOLVE, vinculado à Secretaria de Indústria Comércio e Mineração, que examinará e aprovará os projetos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios. § 1º O deferimento do pedido de enquadramento ao Programa deverá observar a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim o cumprimento de todas as suas exigências (sublinhei). ... § 3º A Secretaria Executiva do DESENVOLVE acompanhará a execução do cronograma de implantação, expansão, reativação ou dos investimentos em pesquisa e tecnologia, a evolução dos níveis de produção e do seu respectivo nível de emprego, até a completa implantação do projeto base do Programa. Art. 5º O estabelecimento enquadrado no Programa deverá observar os seguintes procedimentos, para fins de apuração e recolhimento do ICMS devido: Art. 8º O Regulamento estabelecerá, observadas as diretrizes do Plano Plurianual, critérios e condições para enquadramento no Programa e fruição de seus benefícios, com base em ponderação dos seguintes indicadores: I geração de empregos; II desconcentração espacial dos adensamentos industriais; III integração de cadeias produtivas e de comercialização; IV vocação regional e subregional; V desenvolvimento tecnológico; VI responsabilidade social; VII impacto ambiental. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 8 Pelo que se extrai da conjugação dos arts. 1º, 3º e 8º, acima transcritos, o benefício concedido pelo Estado da Bahia tem por objetivo fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial do Estado da Bahia, assim compreendido pela instalação de novas indústrias, expansão das já existentes com aumento de investimentos permanentes de, no mínimo, 30% na produção física em relação a produção obtida nos 12 meses anteriores, retomada de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais 12 meses, modernização com incorporação de novas tecnologias que resultem aumento significativo de competitividade, além da geração de empregos, desconcentração espacial dos adensamentos industriais e integração de cadeias produtivas e de comercialização, conforme previsto no artigo 8º, incisos I, II, e III, antes transcritos. Ao se analisar o Decreto nº 8.205, de 2002, que aprovou o regulamento do Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia – DESENVOLVE, instituído pela Lei nº 7.980, de 12 de dezembro de 2001, do Estado da Bahia, verificase que cabe ao Conselho Deliberativo do citado programa aprovar os projetos propostos, estabelecendo condições e acompanhar a execução, implantação, expansão reativação e evolução dos níveis de produção e emprego. Neste sentido, destaco o que consta do artigo 7º, I e II, do referido Regulamento: Art. 7º O Conselho Deliberativo, órgão de orientação e deliberação superior do DESENVOLVE, terá as seguintes atribuições: I examinar e aprovar os projetos propostos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios, observando a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim sua compatibilidade com os objetivos fundamentais do programa e o cumprimento de todas as suas exigências; II acompanhar, por sua Secretaria Executiva, a execução do cronograma de implantação, expansão, reativação ou dos investimentos em pesquisa e tecnologia, a evolução dos níveis de produção e do seu respectivo nível de emprego, até o fim do prazo de fruição dos benefícios concedidos; Verifico, ainda, que nos termos dos artigos 8º e 9º do citado regulamento, a empresa interessada em participar do programa deve apresentar Carta Consulta com informações básicas do projeto e, se acolhido, após esta deverá apresentar projeto completo do empreendimento. Mais, pelo disposto no artigo 16 do Regulamento, a manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física do investimento projetado, comprovado por laudo de inspeção da Secretaria Executiva do Programa. Neste sentido destaco os artigos 16 e 17, da norma antes referida, a seguir transcritos: Art. 16 A manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física da integral realização do investimento projetado, comprovada por laudo de inspeção emitido pela Secretaria Executiva do DESENVOLVE, e, quando necessária, com assistência do DESENBAHIA. Art. 17 A empresa beneficiada com incentivos do DESENVOLVE obrigase, a: I encaminhar à Secretaria Executiva, anualmente, o balanço geral e, até 31 de julho de cada ano, a previsão do recolhimento do ICMS para o ano seguinte; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 13502.000458/200904 Acórdão n.º 1402000.994 S1C4T2 Fl. 0 9 II remeter à Secretaria da Fazenda, trimestralmente, a previsão do ICMS a recolher; III permitir aos técnicos credenciados pela Secretaria Executiva do Conselho, eventual fiscalização na empresa e inspeção em suas instalações físicas, bem como remeter todas as informações e documentos que lhe forem solicitados Por fim, ainda observo que, a teor do artigo 21 do citado regulamento, qualquer alteração no projeto que implique em modificação dos critérios inicialmente estabelecidos deverá ser comunicado à autoridade competente, para avaliação. Da análise que faço do caso concreto, os incentivos concedidos pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o Programa DESENVOLVE, não se tratam de subvenções correntes para custeio e sim subvenções para investimentos, pois condicionadas, de forma expressa, a novos investimentos visando aumento da produção, competitividade, geração de empregos e integração de cadeias produtivas e de comercialização. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 450DF CARF MF Impresso em 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10805.722858/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2008
CSLL. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA.
É inaplicável a multa isolada, quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (súmula CARF nº 47).
CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindo-se o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco.
Numero da decisão: 1402-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que negavam provimento integralmente ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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INOCORRÊNCIA. São considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Não há nulidade quando observados os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2008 COISA JULGADA. SENTENÇA RESCISÓRIA. EFEITOS. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. Rescindida a sentença que desobrigava a contribuinte do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por força dos juízos ali expressos: o "rescidens", de natureza constitutiva; e o "rescisorium", de natureza declaratória; os seus efeitos são "ex tunc", sendo restabelecido o vínculo jurídico obrigacional "ex lege” que tinha sido cortado pela sentença rescindida (juízo rescisório). CSLL COISA JULGADA MATERIAL EM MATÉRIA FISCAL A decisão transitada em julgado em ação judicial relativa a matéria fiscal não faz coisa julgada para exercícios posteriores, quando inovada a ordem jurídica por decisão do STF, dizendo constitucional o que os demais Tribunais, antes, afirmavam inconstitucional. Cabível portanto o lançamento tributário que constitui crédito tributário relativo a períodos não acobertados pela coisa julgada material. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 28 58 /2 01 1- 88 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 541 2 Anocalendário: 2006, 2008 CSLL. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a multa isolada, quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico (súmula CARF nº 47). CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindose o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que negavam provimento integralmente ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 542 3 Relatório Paranapanema S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase dos Autos de Infração relativos à Contribuição Social Sobre o Lucro (CSLL), além de multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, lavrados em 14/12/2011, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 0811400.2011.00215, tendo em vista as infrações apuradas relativamente aos anoscalendário 2006 e 2008, além de janeiro de 2007. Conforme DEMONSTRATIVOS CONSOLIDADOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO foi formalizada a exigência no total de R$ 138.252.616,98 , já incluídos o principal, a multa Isolada e de ofício e os juros de mora calculados até dezembro de 2011, como abaixo demonstrado: TRIBUTOS VALOR CSLL 124.320.309,97 MULTA ISOLADA 13.932.307,01 CRÉDITO APURADO 138.252.616,98 As constatações que ensejaram a autuação foram contextualizadas no Termo de Verificação, abaixo parcialmente reproduzido: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal supra, determinado pelo(a) Sr(a). Delegado(a) da Receita Federal do Brasil, no que se refere, exclusivamente, à verificação da regularidade da apuração e recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, tenho a relatar o que segue: 1 ORIGEM DA AÇÃO FISCAL O contribuinte fiscalizado é empresa de capital aberto, constituída na forma de sociedade anônima, e tem como objeto social atividades industriais na área de metalurgia, em especial quanto a minerais não ferrosos a exemplo do cobre. Possui situação cadastral ativa e sempre apurou o imposto de renda pela tributação com base no Lucro Real, conforme consta nos sistemas da Receita Federal. A fiscalizada incorporou a empresa CARAÍBA METAIS S/A, inscrita no CNPJ sob n° 15.224.488/000108, conforme consta em Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 13/11/2009 a este juntada, bem como nos sistemas da Receita Federal. Ainda de acordo com o citado instrumento em seu item 4.7 "em razão da aprovação da incorporação, a CARAÍBA será extinta e sucedida pela PARANAPANEMA em todos os seus bens, direitos e obrigações, na forma da lei", o que confere com o disposto no Código Tributário Nacional CTN quando este trata da responsabilidade de sucessores em seu artigo 132. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 543 4 (...) O procedimento fiscal foi instaurado para, entre outros, verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias relativas à apuração e recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por parte da empresa incorporada CARAÍBA, no período compreendido pelos anos de 2006 a 2008. Uma vez a incorporada sob a fiscalização desta Delegacia da Receita Federal verificouse a ausência de apuração, declaração e recolhimento da aludida contribuição, bem como a lavratura, pela anterior Delegacia responsável, de diversos autos de infração para sua cobrança no período de 1994 a 2004. Também pela análise das notas explicativas das demonstrações financeiras de 31/12/2010, publicadas pelo site da empresa incorporadora, constatase que a fiscalizada estima cerca de mais de R$ 93 milhões de valores envolvidos, não provisionados e sem auto de infração, e justifica a não apuração e recolhimento da CSLL sob as seguintes alegações: 16.3) Riscos não provisionados Além dos processos acima mencionados, existem outros em andamento para os quais, baseado na opinião dos assessores jurídicos da Companhia e em consonância com as práticas contábeis adotadas pela Companhia, não foram registradas provisões para contingências. Os principais processos cujo risco é avaliado como possível estão sumariados a seguir, exceto os itens "a" e "b": (...) a) Contribuição social sobre o lucro Por decisão judicial transitada em julgado, em 1992, a empresa Caraíba Metais S.A., incorporada pela Paranapanema S.A., em 13 de novembro de 2009, obteve, o direito de não recolher a Contribuição Social sobre o Lucro instituída pela Lei n° 7.689/88. A decisão favorável à Caraíba Metais S.A., empresa que deixou de existir, foi questionada pela Fazenda Nacional, através de ação rescisória proposta em 1994, cujo objeto é o conseqüente restabelecimento da sujeição da Companhia, Caraíba Metais S. A., ao recolhimento da contribuição. Referida ação foi julgada procedente com o acolhimento do pedido e transitou em julgado em 2010. A Companhia, baseada na opinião de seus assessores jurídicos, acredita que a decisão que desconstituiu o direito da empresa em não recolher a CSLL não pode retroagir seus efeitos desde o ano do surgimento da Lei, motivo pelo qual a empresa incorporada não registra provisão para esta contribuição a partir do anobase de 1992. Nos períodos anteriores a esta data, a Companhia não apurou base de cálculo positiva de Contribuição Social sobre o Lucro CSLL. Sobre o assunto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou quatro autos de infração, sendo que três deles já são alvo de Execuções Fiscais, devidamente garantidas, relativas aos anoscalendários de 1994 a 2004. Em 31 de dezembro de 2010, a Companhia estima os valores envolvidos, não provisionados, em R$ 217.304 (R$ 212.324 em 31/12/2009), com auto de infração e R$ 93.845 (R$ 87.642 em 31/12/2009), sem auto de infração. Foram juntadas as notas explicativas das demonstrações financeiras desde 31/12/2005, nas quais se verificam as mesmas alegações, diferentes apenas nos valores que iam sendo atualizados e aumentados, nos vários recursos judiciais que Fl. 546DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 544 5 iam sendo julgados contrariamente à empresa e na consequente avaliação de aumento da possibilidade de risco, conforme transcrito acima. A infração cometida pelo contribuinte, que originou o presente Auto de Infração, do qual este relatório é parte integrante, é a de falta de declaração e recolhimento, por parte da empresa incorporada pela fiscalizada, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL nos anos de 2006 a 2008, instituída pela Lei n° 7.689/1988 e declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF, com exceção apenas de seu art 8o, que a exigia já para o resultado do ano de 1988. 2 PROCEDIMENTOS ADOTADOS Iniciada a ação fiscal com a entrega pessoal do Termo de Inicio de Fiscalização em 12/05/2011 ao contador e procurador da empresa, a fiscalizada foi intimada a prestar os devidos esclarecimentos e apresentar cópia dos atos constitutivos e documentos pessoais dos representantes legais da empresa, bem como identificar a ação judicial em que a incorporada obteve o direito de não recolher a CSLL e a respectiva ação rescisória em que foi acolhido o pedido da Fazenda Nacional para desconstituição da referida decisão. Foi também intimada a informar os respectivos autos de infração, lavrados pela anterior Delegacia da Receita Federal responsável pela incorporada, apresentando, por processo, os valores e períodos correspondentes. Ainda foi intimada para detalhar, por ano, o montante de cerca de R$ 93 milhões não provisionados e sem auto de infração mencionados em suas notas explicativas financeiras, além de informar se foram recolhidos eventuais valores referentes à CSLL. Em resposta, por meio de seu procurador, a fiscalizada entregou cópia do Estatuto Social contendo última alteração, cópia das Atas de Incorporação da empresa CARAÍBA METAIS S/A, além dos documentos do responsável legal da PARANAPANEMA S/A. Da mesma forma, apresentou cópia da sentença da Ação Judicial n° 90.00.018765 de 10/10/90, em que a justiça Federal do Estado da Bahia julgou procedente a ação para declarar a inexistência de relação jurídica que obrigasse a autora ao pagamento da CSLL criada pela Lei 7.689/88. A esta, foi juntado pela fiscalizada o andamento integral do respectivo processo obtido no site da Justiça Federal da Bahia, e, pela fiscalização, o andamento da apelação n° 91.01.009079 no TRF da 1a Região e do Recurso Extraordinário n° 148090 no STF, em que consta o trânsito em julgado em 24/03/1994. A fiscalizada apresentou também cópia da decisão, acompanhada de certidão de objeto e pé, da Ação Rescisória n° 94.01.294054/DF, proposta pela Fazenda Nacional em 23/09/1994, em que o Tribunal Regional Federal da 1a Região, em 02/05/95, por unanimidade, desconstituiu o acórdão obtido pela incorporada, julgando procedente a citada Ação Rescisória. Foram ainda juntadas planilha com os números dos 4 (quatro) autos de infração lavrados pela Receita Federal para cobrança da CSLL que deixou de ser recolhida, informando os valores e períodos por processo, dos quais três deles já são alvo de Execuções Fiscais, devidamente garantidas, segundo as próprias notas explicativas da empresa e ainda planilha detalhando por período os valores ainda não provisionados e sem auto de infração que alcançam um montante de cerca de R$ 93 milhões. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 545 6 Para confirmar os valores contidos nesta última planilha citada, a fiscalizada foi intimada, por meio do Termo de Intimação de 21/10/2011, a apresentar documentos fiscais em que estivesse demonstrada a composição analítica da base de cálculo da CSLL nos anos 2006 a 2008. Para demonstrar a base de cálculo da contribuição e em resposta à referida intimação, o contribuinte apresentou arquivos magnéticos em PDF, contendo o LALUR da empresa CARAÍBA METAIS S/A dos anos calendários solicitados. O Termo de Intimação de 30/11/2011 consolidou os valores dos ajustes dos Lucros Líquidos dos Exercícios contidos nos LALUR, os quais estão de acordo com a planilha de valores não provisionados e sem auto de infração apresentada pela fiscalizada, e ainda solicitou que o contribuinte confirmasse os dados e informações descritas, apresentando eventuais elementos que pudessem alterar os valores. Em resposta a fiscalizada confirmou os valores descritos no Termo de Intimação, alterando apenas a base de cálculo do ano 2006 com uma pequena diminuição do valor da CSLL neste ano. No mais, apesar de não promover outras alterações nos valores apresentados, declarou que estes não são devidos por entender que a Ação Rescisória que anulou o provimento jurisdicional anteriormente obtido só transitou em julgado no ano de 2010, impedindo que a Fazenda cobre valores anteriores. 3 DECISÕES JUDICIAIS De fato o contribuinte não está protegido por qualquer medida judicial que impeça o lançamento de ofício, acompanhado de seus acréscimos legais, dos valores não declarados, nem recolhidos, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7.689/88. Na verdade, antes mesmo da propositura da Ação Rescisória por parte da União no ano de 1994, o próprio Supremo Tribunal Federal já havia declarado a constitucionalidade dos artigos 1o, 2o e 3o daquela lei, excetuando apenas o seu artigo 8o para impedir a cobrança da CSLL já para o exercício de 1988, em processo de controle difuso, no julgamento de 29/06/1992 do RE 146733. Também ao julgar ação direta de inconstitucionalidade (ADI 15), o STF reafirmou o mesmo entendimento adotado em processo de controle difuso, manifestandose pela adequação da Lei 7.689/88, à exceção dos artigos 8o e 9o. Recentemente, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, ao emitir o Parecer PGFN/CRJ/N0 492/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda, firmou entendimento que estes precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica apta para a cessão automática da eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. O citado Parecer tratou dos reflexos gerados pela alteração da jurisprudência do STF em relação à coisa julgada em matéria tributária e ao defender a cessação automática das decisões contrárias aos precedentes do STF, está evitando "ofensa aos princípios da isonomia e da livre concorrência que seria infligida caso prevalecesse o entendimento de que a decisão tributária transitada em julgado (voltada à disciplina de relação jurídica tributária de trato sucessivo), proferida em descompasso com posterior posição assumida definitivamente pelo STF, possui o condão de continuar irradiando a sua eficácia vinculante eternamente, inclusive em relação a fatos geradores praticados pela empresa autora após a definição do tema pela Suprema Corte" (grifo nosso) Fl. 548DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 546 7 Em decisão contida no acórdão n° 10196.760, proferida pelo Conselho de Contribuintes dentro do processo n° 13502.000775/200670, em que foi negado o recurso interposto pela própria empresa CARAÍBA METAIS S/A, ora sucedida pela fiscalizada, o relator trouxe alguns excertos de parecer produzido pelo eminente tributarista José de Souto Maior Borges, versando sobre os limites constitucionais e infraconstitucionais da coisa julgada tributária (contribuição social sobre o lucro), e do qual transcrevo alguns. Portanto, o citado Parecer PGFN/CRJ/N0 492/2011, o qual foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, declara que, mesmo nos casos em que não exista Ação Rescisória, os precedentes objetivos e definitivos do STF fazem cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. Apesar desta conclusão, o próprio Parecer declara a importância do ajuizamento da Ação Rescisória: (...)95. Após todo o exposto, cabe, aqui, fazer algumas considerações de ordem prática, voltadas, num primeiro momento, para aquele Procurador da Fazenda Nacional que, eventualmente, depararse com uma coisa julgada tributária desfavorável à Fazenda Nacional, na qual se reconheceu, por exemplo, a inexistência de uma dada relação jurídica tributária de trato continuado face à inconstitucionalidade da respectiva lei tributária de incidência. Nessas hipóteses, caso constate que tal lei tributária já foi reconhecida como constitucional por precedente objetivo e definitivo da Suprema Corte (que são aqueles assim definidos no parágrafo 51 deste Parecer), o Procurador da Fazenda Nacional deverá adotar as seguintes providências: 1a analisar o cabimento, no caso, de ação rescisória. Sendo cabível, ação rescisória deverá ser ajuizada, requerendose: i a desconstituição da coisa julgada tributária contrária ao posterior precedente do STF, com fulcro no art. 485, inc. V do CPC, o que, segundo o entendimento da Suprema Corte, não encontra óbice na sua Súmula n. 343; ii o posterior rejulgamento da causa originária, o que deverá ser feito à luz do entendimento do STF sobre a questão jurídica nela discutida. 2a concomitantemente ao ajuizamento da ação rescisória, o Procurador da Fazenda Nacional deverá encaminhar cópia dos respectivos autos judiciais à Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do contribuinteautor, para que possam ser, desde logo, iniciados os procedimentos necessários à cobrança administrativa do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos após o advento do precedente do STF, ou após a publicação deste Parecer, conforme o caso. 3a não sendo cabível, no caso. o ajuizamento de ação rescisória, especialmente em razão do escoamento do respectivo prazo decadencial. o Procurador da Fazenda Nacional deverá, apenas, encaminhar cópia dos respectivos autos judiciais à Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio fiscal do contribuinteautor, para que possam ser ali iniciados os procedimentos necessários à cobrança administrativa do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos após o advento do Fl. 549DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 547 8 .precedente do STF, ou após a publicação deste Parecer, conforme o caso. 96. Registrese, no que tange à primeira providência acima elencada, que sempre que ainda for cabível o ajuizamento de ação rescisória a fim de desconstituir decisão tributária transitada em julgado desfavorável à Fazenda Nacional, tal ação deverá ser ajuizada, ainda que se trate de decisão cuja eficácia vinculante, nos termos deste Parecer, já se encontra cessada. E isso por que, apenas por meio da ação , rescisória é que será possível à Fazenda Nacional, com a desconstituição da coisa julgada e o rejulgamento da causa originária, realizar a cobrança do tributo que deixou de ser pago no passado, durante o período em que a decisão tributária transitada em julgado ainda produzia efeitos, observados, sempre, os parâmetros fixados no Parecer PGFN/CRJ n. 2740/2008. (grifei) 97.No que tange à segunda providência acima referida, vale salientar, apenas, que como a cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado já ocorreu, e de forma automática, a cobrança administrativa (lançamento) do tributo relativo aos fatos geradores ocorridos após a cessação da eficácia, ou após a publicação deste Parecer, não precisa aguardar o desfecho da ação rescisória para que, só então, seja efetivada. Não precisa e não deve: é que, como a cobrança administrativa em relação aos novos fatos geradores não encontra óbice na coisa julgada anterior, a sua realização se impõe, até porque o prazo de decadência para tanto já estará em curso. (grifei) No caso em tela não há o que discutir a respeito dos precedentes do STF, bem como do conteúdo do citado Parecer, isto porque a Ação Rescisória n° 94.01.29405 4/DF, em decisão unânime proferida em 02/05/1995, publicada em 29/05/1995, desconstituiu o acórdão que permitia que a autora, ora incorporada pela fiscalizada, deixasse de recolher a CSLL e cuja ementa trazemos aqui. PROCESSUAL CIVIL AÇÃO RESCISÓRIA. ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA E INÉPCIA DA INICIAL. INOCORRÊNCIA. ADMISSIBILIDADE DA AÇÃO. SÚMULA 343/STF. QUESTÃO CONSTITUCIONAL CONTROVÉRSIA INSTALADA APÓS A PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LEI N° 7 689/88. INCONSTITUCIONALIDADE APENAS DO ARTIGO 8°. (...) 3. Admitese a ação rescisória se o acórdão violou a Constituição e a Lei 7.689/88, ao considerar esta última como inconstitucional. (...) 5. A instituição da Contribuição Social sobre o Lucro das pessoas jurídicas, mediante a Lei n° 7.689/88, nada tem de inconstitucional. Apenas o seu artigo 8°, que determinou a sua cobrança já a partir do resultado obtido em 31/10/88. não se compadece com o disposto no artigo 150, III, "a", combinado com ao artigo 150, § 6o, da carta política em vigor. 6 Ação Rescisória julgada procedente para, rescindindo o acórdão, dar provimento parcial aos recursos Fl. 550DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 548 9 O Exmo. Sr. Juiz Eustáquio Silveira, ao proferir seu voto de mérito para reformar a decisão rescindenda, na condição de relator da Ação Rescisória, julgoua procedente deixando claro que aquela decisão violou texto literal da própria Constituição da República Ou seja, além dos pronunciamentos do STF, a partir da decisão proferida na Ação Rescisória não restou qualquer dúvida de que a empresa incorporada estava obrigada à apuração, declaração e recolhimento da CSLL. O próprio artigo 489 do CPC, muitas vezes utilizado como defesa do contribuinte, e que já dizia que a Ação Rescisória não suspende a execução da sentença rescindenda, em uma clara menção aos efeitos da propositura da Ação Rescisória, foi alterado pela Lei n° 11.280/2006 para dirimir quaisquer insistentes dúvidas ao dispor: (...) Ora, é certo que o ajuizamento de uma ação rescisória, por si só, não tem ainda o condão de rescindir uma decisão, mas é evidente que a prolação da sentença rescisória já pode desconstituir a sentença rescindenda e produzir seus efeitos, como é o caso. Em momento algum o contribuinte obteve medida de natureza cautelar ou antecipatória de tutela, ao contrário, teve indeferida pelo STJ a cautelar proposta no MC 6774/DF, Registro 2003/01388390. Da análise da certidão de objeto e pé da Ação Rescisória n° 94.01.294054, emitida pelo TRF da 1a Região e juntada pela fiscalizada, constatase que após a publicação, em 29/05/95, do acórdão que desconstituiu a decisão em questão, a empresa incorporada CARAÍBA METAIS interpôs uma série de recursos judiciais, todos os quais foram ao longo do tempo rejeitados ou negados seus provimentos ou seguimentos, não obtendo sequer efeitos suspensivos, quanto menos procedência em algum deles, a exemplo, principalmente do Recurso Especial n° 130.404STJ e Extraordinário, este último negado seu seguimento, conforme decisões obtidas nos respectivos sites dos tribunais. Como é sabido, nem mesmo os Recursos Especiais e Extraordinários podem impedir a execução de uma sentença (art. 497 CPC), lembrando que este último sequer teve seguimento, quanto mais os vários outros recursos interpostos pela empresa, os quais foram todos negados. Tanto é que todos os autos de infração lavrados pela Receita Federal foram mantidos pelos seus órgãos de julgamento administrativo, uma vez que o acórdão da Ação Rescisória, desde sua publicação, já teve o efeito de impedir o cumprimento da ação rescindenda, como será visto a seguir. Ora, se a Ação Rescisória já produziu seus efeitos quando de seu julgamento, quanto mais agora quando não cabe mais qualquer recurso, como o próprio contribuinte declara. 4 DECISÕES ADMINISTRATIVAS Como visto anteriormente, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração pela anterior Delegacia da Receita Federal responsável pela empresa ora incorporada, sendo que três deles, segundo a própria fiscalizada, "já são alvo de Execuções Fiscais, devidamente garantidas, relativas aos anoscalendários de 1994 a 2004". O auto de infração existente no processo n° 10580.003980/9803, relativo ao período do ano de 1994, encontrase na Procuradoria da Fazenda Nacional BA Fl. 551DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 549 10 desde 08/06/2001 e foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA e confirmado pelo Acórdão n° 10193 130 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em sessão ocorrida em 15/08/2000, cuja ementa e conclusão são transcritas abaixo: (...) Já para o processo n° 10580.003579/9838, relativo ao período de 1996/1997, não constam recursos administrativos, estando este processo no Serviço da Dívida Ativa da União, existente na PFNBA, desde 01/07/1999. O auto do processo n° 13502.000549/200184 referese ao período de 1997 a 2001 e também se encontra no Serviço da Dívida Ativa da União, existente na PFN BA, desde 17/07/2002, tendo sido julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA pelo Acórdão DRJ/SDR n° 694/2002 de 04/01/2002 de maneira definitiva, uma vez que não consta recurso ao Conselho de Contribuintes. Seguem ementa e trecho do referido acórdão; (...) Por fim, o auto de infração do processo administrativo de n° 13502.000775/200670, referente ao período de 2001 a 2004 foi também julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA e confirmado pelo Acórdão n° 10196 760 da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em sessão ocorrida em 29/05/2008, cuja ementa e demais trechos são transcritos Concluise que esta pacificada a cobrança da CSLL da fiscalizada pela Receita Federal na via administrativa nos casos expostos bem como no caso em tela, em razão do restabelecimento da relação jurídica obrigacional. 5 FALTA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO DA CSLL Em atendimento ao Termo de Intimação de 21/10/2011, que solicitou a composição analítica da base de cálculo da CSLL e suas respectivas exclusões, nos anos 2006 a 2008, foram apresentados, em meio magnético, os respectivos LALUR da empresa CARAlBA METAIS S/A, em que constam os registros dos ajustes do Lucro Líquido de Exercício Parte A. Uma vez obtidos, esta fiscalização comparou os valores apresentados com a planilha de valores da CSLL não provisionados e sem auto de infração solicitada no item 6 do Termo de Inicio de Fiscalização e apresentada pela empresa em 31/05/2011, tendoos achado compatíveis com pequenas diferenças. Foi com a emissão do Termo de Intimação de 30/11/2011, em que consta a consolidação da base de cálculo e valor devido da própria CSLL, que o contribuinte foi intimado a confirmar os dados e informações descritas ou apresentar eventuais elementos que pudessem alterar os valores. Conforme dito anteriormente, apesar de não concordar com a cobrança dos valores, a fiscalizada confirmou os descritos no Termo de Intimação, com uma pequena diminuição da CSLL do ano 2006. Desta forma, conforme demonstrado abaixo, foram então apuradas as diferenças devidas pela falta de declaração e recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nos anos 2006 e 2008. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 550 11 Também foram apurados os valores da falta do recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada nos anos 2007 e 2008. Ressaltese que para o período do anocalendário de 2007 só foi aplicada a multa isolada sobre os valores estimados no mês 01/2007, conforme art. 44, II, alínea b da Lei 9.430/96, uma vez que neste ano a incorporada apurou prejuízo fiscal. 6 ENCERRAMENTO Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, (grifo nosso) É o que dispõe o artigo transcrito do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172/66, deixando claro que toda a atividade administrativa de lançamento é vinculada à lei e obrigatória. No caso em tela, ficou demonstrado que a relação jurídica, que obriga a empresa incorporada pela fiscalizada a recolher a CSLL, foi restabelecida pelo Acórdão proferido em Ação Rescisória que desconstituiu decisão anterior favorável àquele contribuinte. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 551 12 Não cabe à autoridade administrativa interpretar além do que foi determinado pelas normas legais e demais julgados judiciais e administrativos, muito menos, ir contra àquilo que foi disposto, em razão de ter sua atividade vinculada à lei, como visto. Isto posto, encerramos nesta data os trabalhos relativos ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 08114002011002155, com a lavratura do presente termo, em que fica consignado que as verificações realizaramse tomandose por base os procedimentos acima descritos. Deste modo, ulteriores verificações poderão ser efetuadas, em função de fatos ou circunstâncias não conhecidas nesta oportunidade, com a respectiva cobrança do crédito tributário, porventura existente. Este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante do citado Auto de Infração, lavrado nesta oportunidade, onde constam as bases de cálculos e os respectivos enquadramentos legais. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavro o presente termo, em 02 (duas) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal abaixo identificado e pelo contribuinte, que neste ato recebe uma das vias. A contribuinte fora notificada em 14/12/2011. Em oposição ao lançamento, apresentou impugnação, em 13/01/2012, por meio de seu representante legal, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Após breve resumo dos fatos, argui a defesa a ocorrência de nulidade do Auto de Infração ora atacado, tendo em vista que o "Termo de Constatação Fiscal" é farto em menções contraditórias, ora se referindo à pessoa jurídica "CARAÍBA METAIS S/A", ora à RECORRENTE como sendo esta a responsável pelos supostos ilícitos cometidos à época. Entende a contribuinte que, não sendo possível a perfeita identificação quanto aos fatos apurados pela fiscalização e o sujeito passivo responsável pela prática dos atos em análise, restaria inviabilizada sua defesa, acarretando a nulidade suscitada. Questiona, ainda, o fato de a auditoria mencionar, em seu termo de Verificação, o Parecer 492/2011, alegando que ele trataria em síntese apertada da questão atinente à exigibilidade de tributos onde não tenha ocorrido a propositura de Ação Rescisória contra decisão definitiva que tenha reconhecido a inexigibilidade de tributo posteriormente declarado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. E prossegue: ... se a autuação se dirige à empresa "CARAÍBA METAIS S/A", a alusão ao Parecer "PGFN" é estranha à pretensão consubstanciada no Auto de Infração. A empresa "CARAÍBA METAIS S/A" teve contra si Ação Rescisória julgada procedente. Consequentemente os efeitos, especialmente temporais para se aferir, entre outros, a retroatividade e o prazo decadencial não são aqueles que decorreriam da aplicação do Parecer "PGFN". [...] Por outro lado, a autuação poderia estar se referindo então à empresa PARANAPANEMA, o que ademais faria sentido seja Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 552 13 pela remissão a esta empresa no Mandado de Procedimento Fiscal, na autuação e a alusão ao Parecer "PGFN", na medida em que a empresa PARANAPANEMA teve decisão judicial favorável definitiva contra a cobrança da "CSLL", porém esta não foi questionada em Ação Rescisória. Mas se a autuação se dirige à PARANAPANEMA, o lançamento deveria ser nulo, pois os valores e a informações solicitadas no processo de fiscalização se referem à empresa "CARAÍBA METAIS S/A". E neste aspecto a IMPUGNANTE deveria questionar apenas os valores autuados, relativos à "CARAÍBA METAIS S/A", e não à PARANAPANEMA. [...] ... a "CARAÍBA METAIS S/A" e PARANAPANEMA, ora fundidas em uma única pessoa jurídica, à época dos fatos geradores possuíam personalidades jurídicas distintas, e, principalmente, status jurídicos diferenciados. A "CARAÍBA METAIS S/A" possuía uma Ação Rescisória movida contra si junto ao Egrégio Tribunal Regional Federal de 1a Região (Ação Rescisória n° 94.01.294054). Por óbvio, a decisão final confere a ela um status jurídico diferenciado em relação ao da PARANAPANEMA, ou seja, inexistia relação jurídica apta a obrigála (PARANAPANEMA) ao pagamento da Contribuição Social instituída pela Lei n° 7.689/88, em razão de sentença passada em julgado, fazendo lei inter partes, enquanto a "CARAÍBA METAIS S/A" teve contra si lavrados anteriormente Autos de Infração. Traz à colação acórdão do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que ratificariam seu entendimento. No mérito, aduz a interessada violar o Auto de Infração o princípio da Segurança Jurídica, ao emprestar à Ação Rescisória efeitos retroativos. Defende, então, o respeito à coisa julgada. Esclarece que a ação rescisória, por sua natureza de ação autônoma, somente geraria efeitos frente à decisão anteriormente prolatada quando de seu trânsito em julgado. Entende que somente a partir da nova sentença, é que as relações jurídicas daí decorrentes podem ser afetadas por aquela nova conjuntura jurídica. E segue: A IMPUGNANTE que desfrutava de situação jurídica certa e estabilizada, por decisão transitada em julgado, que lhe garantia o não recolhimento de determinado tributo, está sendo compelida agora a suportar, de uma hora para outra, a cobrança de montante extremamente significativo. E, tal situação adquire contornos kafkanianos, na medida em que a IMPUGNANTE está sendo penalizada, não apenas com a cobrança do valor do imposto, mas, pasme, D. Autoridade Julgadora, com a aposição de DUAS penalidades, as quais agravam ainda mais a sua situação, e tudo isso por ter adotado Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 553 14 conduta não apenas respaldada, mas sim determinada pelo próprio Estado, através do seu Poder Judiciário. Passa, então, a discorrer acerca da Responsabilidade tributária, afirmando que restaria impossibilitada a sucessão das multas lançadas, posto que, segundo previsão contida no art. 132 do Código Tributário Nacional (CTN), somente haveria sucessão em relação aos tributos, e não quanto às multas impostas. Questiona, subsidiariamente, a aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada, trazendo acórdão que embasariam sua defesa. Por fim, questiona a ocorrência da retroatividade da Lei 11.488/07 relativamente à multa isolada incidente sobre a estimativa não recolhida de janeiro de 2007.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 37.318 (fls. 427472) de 26/03/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA.São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006, 2008 COISA JULGADA. SENTENÇA RESCISÓRIA. EFEITOS. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. Rescindida a sentença que desobrigava a contribuinte do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por força dos juízos ali expressos: o "rescidens", de natureza constitutiva; e o "rescisorium", de natureza declaratória; os seus efeitos são "ex tunc", sendo restabelecido o vínculo jurídico obrigacional "ex lege”que tinha sido cortado pela sentença rescindida (juízo rescisório). Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006, 2008 MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A multa de ofício exigida por falta de pagamento da CSLL devida na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo Fl. 556DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 554 15 estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. A sucessora é responsável pelo crédito tributário da sucedida, respondendo tanto pelos tributos e contribuições devidos pela sucedida até a data da sucessão, como por eventual multa de ofício e demais encargos legais formalizados após a sucessão em decorrência de infração cometida pela empresa sucedida. CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindose o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/04/2012 (termo de fl. 476) a interessada interpôs recurso voluntário em 15/05/2012 (fls. 480518) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação, requerendo, ao final, o que se segue. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 555 16 É o relatório. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 556 17 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a autoridade fiscal lavrou auto de infração relativo aos débitos de CSLL apurados pela empresa Caraíba Metais S/A, CNPJ nº 15.224.488/000108 (Caraíba), incorporada pela Recorrente (Paranapanema) em 13/11/2009, e não declarados e/ou recolhidos no anocalendário 2006 e 2008, além de multa isolada pela falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada nos anos de 2007 e 2008. Em sua defesa, argui a Recorrente a ocorrência de nulidade dos autos porque não devidamente identificado o sujeito passivo das infrações apuradas. Questiona também a formalização do auto em seu nome, caso considerese que as infrações foram apuradas em relação à empresa incorporada, Caraíba Metais S/A. Defende, ainda, que estaria desobrigada do pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, visto que protegida pelo instituto da coisa julgada, oriunda de sentença prolatada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em 1994 a favor da empresa Caraíba, que reconheceu a inconstitucionalidade da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei nº 7.689/88. Alega que posterior ação rescisória somente poderia operar efeitos após o respectivo transito em julgado (efeito ex nunc), o qual somente ocorreu em 2010. Argumenta, por fim, não ser cabível a cobrança concomitante das multas de ofício proporcional e isolada. Passo à análise da lide. Das preliminares suscitadas quanto à nulidade do auto de infração Quanto às nulidades aventadas, ressalto, de plano, que nada há que se reparar no auto formalizado. Vejase, nesse sentido, excerto do Termo de Verificação que faz parte do auto de infração questionado: O procedimento fiscal foi instaurado para, entre outros, verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias relativas à apuração e recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por parte da empresa incorporada CARAÍBA, no período compreendido pelos anos de 2006 a 2008. (...) Fl. 559DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 557 18 A infração cometida pelo contribuinte, que originou o presente Auto de Infração, do qual este relatório é parte integrante, é a de falta de declaração e recolhimento, por parte da empresa incorporada pela fiscalizada, da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL nos anos de 2006 a 2008, instituída pela Lei n° 7.689/1988 e declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF, com exceção apenas de seu art 8o, que a exigia já para o resultado do ano de 1988. Observese que fora devidamente discriminado o objeto da fiscalização levada a efeito, bem como o sujeito passivo da autuação combatida. Como bem mencionou a autoridade fiscal, a Caraíba fora extinta em 13/11/2009, vez que incorporada pela Paranapanema. Sendo a Paranapanema incorporadora da contribuinte fiscalizada, caberia a ela a responsabilidade pelas obrigações tributárias oriundas da empresa incorporada, conforme previsão do art. 132 do Código Tributário Nacional. Há que se considerar, portanto, que a lavratura do auto em nome da incorporadora observou os ditames legais expostos. Constatase, ademais, que no caso concreto não houve qualquer cerceamento ao direito de defesa, na medida em que fora a incorporadora regularmente cientificada da decisão e da cobrança dela decorrente, tendo tido a oportunidade, na Impugnação e no Recurso, de contrapor à cobrança dos débitos lançados as mais diversas razões de fato e de direito, como o fez a contento. Observese, ainda, que os autos contêm todos os elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a imposição da penalidade cabível, além da correta identificação do sujeito passivo, como antes verificado. Nesse sentido, o ato praticado pela fiscalização revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se identificando qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 1972, uma vez que formalizado por pessoa competente e que foi assegurado à autuada o direito de defesa. De fato, a contribuinte teve acesso a todos os elementos constantes da peça de autuação, bem como das constatações elaboradas durante o procedimento fiscal, os quais permitiram identificar o fundamento da exigência fiscal, possibilitando à autuada apresentar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência da exigência tributária, conforme preceitua o artigo 15 do já mencionado Decreto nº 70.235, de 1972. Ressaltese que somente a inobservância dos elementos citados nesses dispositivos é que poderia ensejar a declaração de nulidade do procedimento. No caso, o que se observa é que a oportunidade de defesa foi regularmente oferecida e plenamente exercida pela autuada, que apresentou impugnação e recurso contra a autuação, na qual demonstra amplo conhecimento da matéria tratada e dos fundamentos da exigência, viabilizando a instauração da fase litigiosa do processo e dando causa à presente análise no contencioso administrativo. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 558 19 Não há, portanto, que se falar em nulidade do auto de infração em análise. Rejeito, pois, as preliminares de nulidade suscitadas pela defesa. Do mérito Do alcance temporal da coisa julgada De se ressaltar, inicialmente, que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador apreciou os litígios instaurados nos autos dos processos nº 10580.003980/9803, 13502.000549/200184 e 13502.000775/200670, citados no relatório, relativos às exigência fiscais nos respectivos anoscalendário de 1994; 1997 a 2001 e 2001 a 2004, sendo os créditos tributários formalizados de ofício mantidos integralmente, inclusive após análise pelo então Conselhos de Contribuintes, como é o caso do PAF 13502.000775/200670, Acórdão 10196.760, da Primeira Câmara do Primeiro CC, de 29/05/2008. Nos termos do Acórdão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Salvador nº 694, proferido em 04/01/2002 nos autos do processo de nº 13502.000549/200184, constatase da leitura do voto elaborado pelo i. Relator que na solução daqueles litígios foram apreciados idênticos procedimentos da empresa Caraíba. Isto é, ao não efetuar a declaração/recolhimento da CSLL devida nos períodos então em análise nos referidos autos (anoscalendário 1997 a 2001), tendo em conta decisão transitada em julgado em 1994, posteriormente desconstituída através da Ação Rescisória nº 94.01.294054/DF, deuse origem a exigências fiscais sob as mesmas fundamentações legais, cuja impugnação apresenta o mesmo argumento trazido pela ora Recorrente, ou seja, que a ação rescisória somente poderia gerar efeitos após seu trânsito em julgado, não alcançando, portanto, os fatos geradores a ela anteriores. Dessa forma, passo a adotar aqui as mesmas razões de decidir já expressas por aquela Delegacia de Julgamento na análise concluída acerca da alegação da contribuinte quanto ao trabalho da fiscalização, coincidentes com o litígio ora em análise: A Impugnante argumenta, inicialmente, que não caberia a lavratura do auto de infração, pois o fato da Procuradoria da Fazenda Nacional ter ingressado com a Ação Rescisória nº 94.01.294054/DF, visando desconstituir a sentença transitada em julgado que declarou inconstitucional a Contribuição Social no processo nº 91.0l.009079/BA, não respalda a lavratura do referido auto, sendo “irrelevante se o recurso interposto na rescisória tem ou não efeito suspensivo”, informando que “esta rescisória encontrase hoje aguardando julgamento dos Embargos Infringentes, no eg. Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sob o n° 95013666820”, citando, inclusive, o disposto no artigo 489, do CPC, o qual determina que “a ação rescisória não suspende a execução da sentença rescindenda”, entendendo que só seria cabível o lançamento quando ocorresse o trânsito em julgado do acórdão rescisório. De acordo com a documentação que consta nos autos (docs. de fls. nºs. 393 a 411), observase que na data da lavratura do Auto de Infração — 02/08/2001 —, os Embargos Infringentes já tinham sido apreciados e rejeitados, desde 12/03/1996, pelo Tribunal Regional com a seguinte ementa e acórdão (doc. de folha n° 397): “EMENTA Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 559 20 PROCESSO CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. SÚMULA 343 DO STF. APLICAÇÃO. De acordo com a 2ª Seção do Tribunal Regional a súmula 343 do Supremo Tribunal Federal não é aplicável quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto constitucional de interpretação controvertida nos tribunais. ACÓRDÃO. Decide a 2ª Seção, por unanimidade, negar provimento aos embargos infringentes. Brasília – DF, 12 de março de 1996 (data do julgamento).” Por seu turno, a Primeira Turma, do egrégio Superior Tribunal de Justiça, em 12/11/1996, ao apreciar os Recursos Especiais de n° 130.404/DF (97.00308359), interpostos pela Recorrente e seu litisconsorte, METANOR S.A., por unanimidade, considerouos improvidos com a seguinte ementa e acórdão, “verbis” (doc. de fls. 414 a 423): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA. INÍCIO DA FLUÊNCIA DO PRAZO (CPC, ART. 4950. INÉPCIA DA INICIAL. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 343/STF. INAPLICAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. IMPROVIMENTO DOS RECURSOS. De acordo com a lei de ritos (art. 495), o direito de propor ação rescisória se extingue em dois (2) anos e este prazo só começa a correr da data de trânsito em julgado da decisão rescidenda. A interposição de recurso previsto na legislação, ainda que despido de efeito suspensivo, afasta o dies a quo da decadência, salvante a hipótese de ser utilizado extemporaneamente. A Súmula 343 do STF, impeditiva da procedência da ação rescisória, só tem aplicação quando a causa de pedir (na rescisória) é a ofensa literal a texto legal de interpretação controvertida nos Tribunais, não alcançando, todavia, preceito constitucional. É desinfluente no julgamento da rescisória a juntada, com a Inicial do acórdão que decidiu o incidente de inconstitucionalidade de lei, documento só exigível na apreciação do extraordinário. No âmbito do especial, só se examina questões jurídicas discutidas e decididas nas instâncias ordinárias. Até mesmo os defeitos intrínsecos do julgado carecem de pronunciamento do Tribunal a quo, pela via dos embargos declaratórios, sob pena de supressão de instância (e não conhecimento do especial). Recursos improvidos. Decisão unânime. ACÓRDÃO Vistos e relatados os autos em que são partes as acima indicadas, decide a Primeira Turma do Superior Tribunal Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 560 21 de Justiça, por unanimidade, negar provimento a ambos os recursos, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Votaram com o Relator os Srs. Ministros HUMBERTO GOMES DE BARROS e GARCIA VIEIRA. Ausentes, justificadamente, os Srs. Ministros MILTON LUIZ PEREIRA E JOSÉ DELGADO. Custas, como de lei. Brasília(DF), 12 de novembro de 1996 (data do julgamento).” Isto posto, observase que na data da lavratura do Auto de Infração, além dos Recursos Especiais já terem sido julgados e rejeitados pelo Superior Tribunal de Justiça, o Recurso Extraordinário tinha sido rejeitado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que, em despacho publicado em 04/12/96, lhe negou seguimento (docs. de fls. nºs. 393 e 394). Ainda de acordo com os autos, notase que o transcrito acórdão foi objeto de Embargos de Divergência sob o n° ERESP 130404, rejeitado pelo relator, Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, em despacho publicado em 25/04/2000, o qual, foi objeto de Agravo Regimental que, atualmente, encontrase pendente de apreciação pelo referido Ministro (doc. de folhas n°s. 424 e 425). Assim, no que diz respeito à necessidade do trânsito em julgado do acórdão rescisório para a lavratura do Auto de Infração, é de se observar o disposto no artigo 497 do Código de Processo Civil, o qual determina, “verbis”: “Art. 497. O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da sentença; a interposição do agravo de instrumento não obsta o andamento do processo, ressalvado o disposto no art. 558 desta lei.” Obs.: grifei. Por outro lado, o artigo 587 do CPC, ao tratar da execução da sentença, determina que: “A execução é definitiva, quando fundada em sentença transitada em julgado ou em título extrajudicial; é provisória, quando a sentença for impugnada mediante recurso, recebido só no efeito devolutivo”(grifei). Por oportuno, cabe trazer a lume lição de Moacyr Amaral dos Santos, na sua conhecidíssima obra, “Primeiras Linhas de Direito Processual Civil”, 3° volume, página 181, quando, tratando do efeito do Recurso Especial, assim se manifesta: “O recurso especial tem apenas efeito devolutivo (Cód. Proc. Civil, art. 542, § 2º). Por conseqüência, o recurso especial não suspende a execução da sentença Cód. Proc. Civil, art. 497, com a redação da Lei n° 8.038/90. Ver n° 775). O recorrido poderá requerer carta de sentença para a execução do acórdão hostilizado, vez que permanece vigente o art. 587, segunda parte, do Código de Processo Civil, que preceitua: (a execução) ‘é provisória, quando a sentença for impugnada mediante recurso, recebido só no efeito devolutivo’. Nesse sentido é a redação do art. 306 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, ao dispor: ‘será extraída carta de sentença, a requerimento do interessado, para execução de decisões: I – ... pender de julgamento do Tribunal recurso sem suspensivo’.” Obs.: destaquei. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 561 22 Isto posto e a teor dos citados dispositivos legais, ao contrário do que afirma a Recorrente, tem relevância sim o Acórdão Rescisório, em razão dos recursos por ela interpostos, além de não terem efeito suspensivo, já tinham sido julgados, podendo, por isso, ser executada a sentença, ainda que de forma provisória. Afastada fica, também, a aplicação, à espécie, do artigo 489 do Código de Processo Civil, em face deste artigo tratar dos efeitos ocorridos quando da propositura da Ação Rescisória e não dos efeitos da sentença – resultado da ação. No que diz respeito à argumentação da Interessada relativamente ao cabimento da ação rescisória, ela é aqui totalmente despiciente, seja porque não é este o foro competente, seja em razão da matéria já ter sido submetida ao judiciário, o qual, via 2ª Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, tendo como relator o Juiz Eustáquio Silveira (Ação Rescisória nº 94.01.294054/DF, Diário da Justiça de 29/05/1995, página 32544), se pronunciou sobre o seu cabimento, não tendo a autoridade administrativa competência para tal mister, cabendolhe, tãosomente, adequarse aos efeitos da sentença, que, no presente caso, teve a seguinte ementa e acórdão (docs. de folha nºs. 370 a 390 ): EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. ARGÜIÇÃO DE DECADÊNCIA E INÉPCIA DA INICIAL. INOCORRÊNCIA. ADMISSIBILIDADE DA AÇÃO. SÚMULA 343/STF. QUESTÃO CONSTITUCIONAL. CONTROVÉRSIA INSTALADA APÓS A PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. LEI 7.689/88. INCONSTITUCIONALIDADE APENAS DO ART. 8º. 1. O direito de propor ação rescissória se extingue em 2 (dois) anos contados do trânsito em julgado da decisão que se pretende rescindir. A interposição do recurso cabível, a menos que intempestivo ou manifestamente por parte ilegítima, suspende o início da contagem do prazo decadencial. 2. A autora pediu a rescisão do julgado e novo julgamento da causa, o que afasta a argüição de inépcia da inicial. 3. Admitese a ação rescisória se o acórdão violou a Constituição e a Lei nº 7.689/88, ao considerar esta última como inconstitucional. 4. Afastase a aplicação da Súmula 343/STF quando a questão controvertida for de natureza constitucional. Ademais, no caso, a controvérsia entre tribunais só se instalou após a prolação do acórdão rescidendo. 5. A instituição da Contribuição Social sobre o Lucro das pessoas jurídicas, mediante a Lei 7.689/88, nada tem de inconstitucional. Apenas o seu art. 8º, que determinou a sua cobrança já a partir do resultado obtido em 31/10/88, não se compadece com o disposto no art. 150, III, ‘a’, combinado com o art. 195, § 6º, da carta política em vigor. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 562 23 6. Ação Rescisória julgada procedente para, rescidindo o acórdão, dar provimento parcial aos recursos. ACÓRDÃO Decide a Seção rejeitar as argüições de decadência e inépcia da petição inicial, por maioria, admitir a rescisória e, a unanimidade, desconstituir o acórdão, para julgar procedente a rescisória e dar provimento parcial aos recursos.” Obs: o negrito não consta no original. Por pertinente à matéria, convém transcrever os seguintes dispositivos do Decretolei n° 1.737, de 20 de dezembro de 1979 e da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, como se segue: – Do Decretolei n° 1.737, de 1979: “Art. 1° Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: I ... II em garantia de execução fiscal proposta pela Fazenda Nacional; III em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade de débito; IV ... § 1° O depósito a que se refere o inciso III, do artigo 1°, suspende a exigibilidade do crédito da Fazenda Nacional e elide a respectiva inscrição de Dívida Ativa. § 2° A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." Obs.: Grifei. – Da Lei n° 6.830, de 1980: "Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 563 24 Obs.: grifei. Assim, observase que não cabe a Recorrente ressuscitar na esfera administrativa questões já decididas em nível judicial, em razão da via judicial ser uma instância autônoma e superior a administrativa fiscal, podendo, inclusive, implicar em renúncia às instâncias administrativas. A par da referida sentença e como já aqui visto, mantida em grau recursal, não havia e como não há, qualquer óbice que impedisse a Autoridade Lançadora de no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 142 do CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), realizar os lançamentos cabíveis (o que foi feito), uma vez que, de conformidade com a sentença prolatada na citada Ação Rescisória nº 94.01.294054/DF, tendo no pólo ativo a Fazenda Nacional e no pólo passivo a Recorrente e outros, estão ali expressos dois juízos (artigo 494 do CPC): a) o “judicium rescidens”, cujo efeito foi o de rescindir a sentença que permitia a Interessada (Caraíba Metais S/A) subtrairse da exigência da Contribuição Social s/o Lucro imposta pela Lei nº 7.689, de 1988, apagandoa do mundo jurídico, a partir de 29/05/1995, data da publicação da sentença rescisória; e b) o “judicium rescissorium”, onde a matéria foi reapreciada, tendo a referida Contribuição sido julgada constitucional, a exceção do artigo 8º da Lei nº 7.689, de 1988, o qual determinava que aquele tributo seria devido “a partir do resultado apurado no períodobase a ser encerrado em 31 de dezembro de 1988.” Logo, ao contrário do que afirma a Recorrente, concluise que no momento da lavratura do Auto de Infração a ação rescisória já havia sido julgada procedente, estando, por isso, restabelecido o vínculo jurídico de natureza obrigacional, “ex lege”, uma vez que a sentença que garantia o não recolhimento da Contribuição Social tinha sido rescindida e a matéria reapreciada, cujo resultado foi uma nova sentença de mérito restabelecendo o vínculo jurídico que tinha sido cortado pela sentença rescindida (juízo rescisório), não sendo necessário, portanto, se esperar pelo trânsito em julgado da sentença rescisória para a lavratura do Auto de Infração ora em comento, conforme alegado pela Recorrente. No que diz respeito aos efeitos da sentença rescisória no tempo, a Recorrente, citando doutrina, entende que “até o trânsito em julgado da decisão proferida na rescisória, o julgamento original é inteiramente válido e eficaz e as relações jurídicas que se originarem neste intervalo continuam inalteradas e regidas pela referida decisão original. E a decisão da rescisória apenas tem aplicação às relações jurídicas que vierem a ocorrem posteriormente ao seu trânsito em julgado”, ou seja, a referida sentença rescisória só produziria efeitos “ex nunc”. Entretanto, como já aqui visto, a sentença rescisória criou 2 (dois) juízos, o primeiro, o “JUDICIUM RESCIDENS”, resultou no acolhimento do pedido e, com isso, criou (constituiu) uma situação jurídica nova ao desfazer a autoridade da coisa julgada, produzindo o efeito constitutivo com eficácia “ex nunc”, ou seja, só produz efeitos para o futuro, a partir do seu nascimento. Já no segundo juízo, o “JUDICIUM RESCISORIUM”, o tribunal reapreciou a matéria e, à medida em que substitui a sentença primitiva, ela terá, também, a mesma natureza daquela a que esteja substituindo, que, no presente caso, é DE NATUREZA DECLARATÓRIA, uma vez que restabeleceu a obrigação tributária, cujos efeitos, conforme ensinamento tradicional e muito difundido entre nós, é “ex tunc”, consoante leciona Moacyr Amaral Santos, na sua obra “Primeiras Linhas de Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 564 25 Direito Processual Civil”, 16 ª edição, Ed. Forense, 1997, quando trata dos efeitos das sentenças meramente declaratórias, “verbis” (obra cit. págs. 30 e 31): “Ação meramente declaratória é a que tende a simples declaração da existência ou inexistência de uma relação jurídica, ou, excepcionalmente, da autenticidade ou falsidade de documento. Fundase no art. 4º do Código de Processo Civil: ‘O interesse do autor pode limitarse à declaração.’ ......................................................................................................... .......... A sentença, que julgar procedente a ação, acolhendo o pedido do autor, declarará a certeza da existência ou inexistência da relação jurídica, ou a autenticidade ou falsidade documento. Nada mais. Com a simples declaração de certeza se esgota a função do juiz, a quem só isso foi pedido. Daí a sua denominação – sentença meramente declaratória. ......................................................................................................... a) O efeito de tais sentenças é meramente declaratório porque outra coisa não fazem senão declarar a certeza da existência ou inexistência de relação jurídica, ou da autenticidade ou falsidade de documento. Nada mais. Com a declaração de certeza se satisfaz a pretensão do autor. ......................................................................................................... b) O efeito meramente declaratório retroage à época em que se formou a relação jurídica, ou em que se verificou a situação jurídica declarada. É, pois, efeito ex tunc. Declarada a existência de um crédito, este se tem por certo desde a data de sua formação; declarada a falsidade de um documento, o efeito da sentença retroage à data em que se verificou a falsificação; declarado nulo o casamento, o efeito da sentença retroage à data em que este se celebrou.” Obs.: o negrito e o grifo não constam no original. Logo, equivocase a Recorrente ao procurar atribuir à sentença da ação rescisória efeitos somente constitutivos, quando, em realidade, ela tem os dois efeitos, o constitutivo e o declaratório. Portanto, equivocase mais uma vez quando afirma que a “a decisão atacada via rescisória continua a constituir ‘coisa julgada’ para todos os fins...”, isto porque, como já aqui visto, a referida sentença transitada em julgado foi desconstituída pela sentença rescisória, não existindo coisa julgada que a desobrigue da obrigação tributária formalizada via Auto de Infração, pois, a adotarse tal entendimento, estarseia a negar a eficácia da sentença rescisória, fazendo letra morta do provimento judicial. Por pertinente, cabe aqui transcrever parte do Parecer nº 1.277 de 17 de novembro de 1994, publicado no DOU de 28/12/1994, página 20738, expedido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, tratando dos efeitos de decisão judicial transitada em julgado, em ação ordinária, relativamente a Contribuição Social sobre o Lucro, como se segue: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 565 26 “... 4. De início, noticiese que, em tema de ação declaratória, a 1ª Turma do Augusto Pretório, no Julgamento do RE nº 99.4351, Relator Ministro RAFAEL MAYER, decidiu que ‘a declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros’. (in ‘R.T.J.’ 106/1.189) 5. Esse entendimento foi ratificado pelo Plenário, no julgamento da Ação Rescisória nº 1.2399MG, cujo Relator, o Ministro CARLOS MADEIRA, acolheu o Parecer do então ProcuradorGeral da República, o hoje Ministro SEPULVEDA PERTENCE, pela improcedência da ação. No referido julgado, o Emérito Ministro MOREIRA ALVES esclareceu que ‘não cabe ação declaratória para efeito de que a declaração transite em julgado para os fatos geradores futuros, pois a ação dessa natureza se destina a declaração da existência, ou não da relação jurídica que se pretende já existente. A declaração da impossibilidade do surgimento de relação jurídica no futuro porque não é esta admitida pela Lei, ou pela Constituição, se possível de ser obtida pela ação declaratória, transformaria tal ação em representação de interpretação ou de inconstitucionalidade em abstrato, o que não é admissível em nosso ordenamento jurídico.’ (in ‘Revista Jurídica’ nº 159 – jan/91, p. 39) 6. Mesmo se admitíssemos a tese da restrição da Súmula nº 239 do S.T.F., no sentido de que se de uma decisão transitada em julgado, numa ação declaratória, que se coloca no plano da relação de direito tributário material, para dizer da inconstitucionalidade da pretensão do Fisco, decorre coisa julgada a impossibilitar a renovação, em cada exercício, de novos lançamentos e cobranças do tributo, impende ponderar, por outro lado, que tal efeito não prevalece na hipótese de advir mudanças das relações jurídicotributárias, pelo advento de novas normas jurídicas e de alterações nos fatos, com os seus novos condicionantes. 7. Assim, a res judicata proveniente de decisão transitada em julgado em uma ação declaratória, em que se cuidou de questões situadas no plano do direito fiscal material, não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência, tratandose de relação jurídica continuativa, como preceitua o inciso I, do art. 471, do C.P.C. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 566 27 8. Adaptase como uma luva ao que acabamos de dizer a Segunda parte da Ementa do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 83.225SP, ipsis verbis: ‘2) A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Embargos rejeitados’ (in ‘R.T.J.’ 92/707). 9. Cumpre também, noticiar o entendimento do ProcuradorRegional da Fazenda Nacional em Pernambuco Dr. ANTÔNIO GALVÃO CAVALCANTI FILHO, exposto no Ofício PRFN/PE nº 406/92, no sentido de que, tornandose mansa e pacífica a jurisprudência que reconhece a constitucionalidade da legislação da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, verificarseia mudança no estado de fato em relação jurídica de trato sucessivo, hospedada no art. 471, I, do Código de Processo Civil, não havendo de antepor, na matéria, a couraça impermeável da coisa julgada, passando a ter, pois, fomento jurídico a cobrança da exação, independentemente de ação rescisória, ressalvados os efeitos jurídicos dos fatos efetivamente consumados. 10. Reforça esta posição, a transcrição de trecho do voto do Ministro COSTA LEITE, no Julgamento da 1ª Turma do sempre Egrégio Tribunal Federal de Recursos da AC nº 81.915RJ (in RTFR 160/59/61), verbis: ‘A coisa julgada, como ensina Frederico Marques, é suscetível de um processo de integração, decorrente de situação superveniente, a que deve o juiz atender, tendo em conta a natureza continuativa da relação jurídica decidida.’ 11. Aliás, a primeira parte da Ementa da AC supracitada traz o seguinte entendimento: ‘Tratandose de relação jurídica de caráter continuativo, não prospera a exceção de coisa julgada, nos termos do art. 471, do CPC’. 12. Neste ponto, vale ressaltar que a Lei nº 7.689, de 15.12.88, foi alterada por preceptivos jurídicos novos de vários Diplomas Legais, cabendo citar, apenas a título ilustrativo, os arts. 41, § 3º e 44 da Lei º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; e o art. 11 da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, c/c os arts. 22, § 1º e 23, § 1º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 13. Ressaltese, outrossim, que a Lei Complementar nº 70/91, no seu art. 11, manteve as demais normas da Lei Fl. 569DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 567 28 nº 7.689/88 com as alterações posteriormente introduzidas. 14. Ademais, desde a Decisão do Excelso Pretório no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 1382848CE, a jurisprudência pátria passou a reconhecer mansa e pacificamente a Constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, com a exceção do seu art. 8º. 15. Impende transcrever recente Decisão do Pretório Excelso, confirmando o entendimento dos efeitos da coisa julgada em ação declaratória: ‘Coisa julgada – âmbito – Mesmo havendo decisão em que se conclui pela inexistência de relação jurídica entre o Fisco e o contribuinte, não se pode estender seus efeitos a exercícios fiscais seguintes.’ (Plenário do STF – E. Decl. Em. Diver. Em Re. nº 109.0731SP, Rel. Min. ILMAR GALVÃO – Jul. 11.2.93) .............................................................................................. .................... 20. Diante do exposto, concluise que, tendo havido alterações das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes, não seria cabível, no caso, a alegação da exceção da coisa julgada em relação a fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas, sendo do interesse público o lançamento e a cobrança administrativa ou judicial dos créditos decorrentes.” Obs.: o negrito não consta no original. Acompanhando o transcrito entendimento, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região e o Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestaram nos seguintes recursos: – no Tribunal Regional Federal da 5ª Região (extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n° 36, páginas n°s. 200 e 201): “Apelação Cível n° 127233 – PE (97.05.403686) Apelante: Fazenda Nacional ... Ementa Embargos à Execução Fundamentados em Coisa Julgada. Sentença Mandamental em Matéria Tributária Transita em Julgado. Relação Continuativa. A sentença que entende indevida a cobrança de determinado tributo, sem especificar o exercício, produz efeitos para o futuro, mas sem o caráter de perpetuidade. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 568 29 A coisa julgada faz lei entre as partes, sendo o ‘mesmo estado de fato e de direito’. Modificações legislativas. Novo fato gerador. Aplicação da lei nova. Afastamento dos efeitos da coisa julgada. Acórdão Vistos etc. Decide a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, dar provimento à apelação e à remessa, nos termos do relatório e voto anexos que passam a integrar o presente julgamento. Recife, 14 de maio de 1998 (data do julgamento). (DJU 2 de 29/05/1998, p. 443)”. – no Superior Tribunal de Justiça (extraídos da Revista Dialética de Direito Tributário de n°. 20 – páginas n°s. 190, 191; e n° 73, páginas 214 e 215): “Recurso Especial n° 88.531 – São Paulo (96.00102155) Relator: O Senhor Ministro Milton Luiz Pereira Recorrente: Algodoeira Donega Ltda. Recorrida: Fazenda do Estado de São Paulo Advogados:... Ementa Tributário. ICMS. Diferimento. Princípio da Não Cumulatividade. Coisa Julgada em Relação à Cobrança de Imposto. Decretolei 406/68 (art. 3° § 1°). Súmula 239/STF. 1.O julgado limitase à lide. Tratandose da cobrança de dívida fiscal os efeitos do provimento judicial irradiamse a determinado exercício, ainda porque a coisa julgada não impede que lei nova discipline diferentemente os fatos debatidos. Enfim, o julgado não tem caráter de imutabilidade para os eventos fiscais futuros. 2. O diferimento da incidência do ICMS não ofende o princípio da não –cumulatividade do tributo. Descabimento do creditamento do valor do ICMS na operação seguinte. Inexistência do direito de crédito. 3. A dívida pode ser corrigida monetariamente com índices oficiais, contandose os juros conseqüentes à mora. Legalidade da multa. 4. Procedentes jurisprudenciais. 5. Recurso improvido. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 569 30 Acórdão Vistos e relatados estes autos, em que são partes as acima indicadas: Decide a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes dos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Participaram do julgamento os Senhores Ministros José Delgado, José de Jesus Filho, Demócrito Reinaldo e Humberto Gomes de Barros. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Humberto Gomes de Barros. Custas, como de lei. Brasília–DF, 16 de dezembro de 1996 (data do julgamento). (DJU 1 de 24/02/1997, p. 3295) Recurso Especial n° 281.209 – GO (2000/01018469) Relator: Ministro José Delgado Recorrente: Fazenda Nacional Procurador:... Recorrida: Distribuidora de Motores Cummins Centro Oeste Ltda. Advogado:... Ementa Tributário. Coisa Julgada. Efeitos. Relação Jurídica Continuativa. Contribuição Social sobre o Lucro. 1. A Lei n° 7.689, de 15.12.88, foi declarada constitucional, com exceção do art. 8°, pelo STF (RE n° 1382848CE). 2. Efeitos da coisa julgada que reconheceu, sem exame pelo STF, ser inconstitucional toda a Lei nº 7.689, de 15. 12.88. 3. Superveniência da Lei n° 8.212, de 24.07.91, e da LC n° 70, de 30.12.1991. Reafirmação, nestas leis, da instituição da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas. 4. Superveniência de situações jurídicas que afetam a imutabilidade da coisa julgada quando se trata de declaração de inconstitucionalidade não examinada, na Fl. 572DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 570 31 situação debatida, pelo STF e proclamada na apreciação de relação jurídicotributária de natureza continuativa. 5. Recurso provido que resulta em denegação da segurança impetrada pela empresa, obrigandoa a pagar a contribuição em questão devida, a partir da vigência da Lei n° 8.212/91, por respeito aos efeitos da coisa julgada nos exercícios de 1989 e 1990. Inexistência de ação rescisória. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Garcia Vieira, Humberto Gomes de Barros e Milton Luiz Pereira votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 07 de junho de 2001 (Data do Julgamento)” (DJU 1E de 27/08/2001, p. 227). Obs.: os destaques não constam nos originais. Ainda sobre o tema, o 1º Conselho de Contribuintes, via 1ª e 7ª Câmaras, tem assim se pronunciado (Revista Dialética de Direito Tributário n° 65 — pág. 211, e de n° 69, pág. 222): “Processo n°: 10580.006664/9731 Recurso n°: 119273 Matéria: Contribuição Social Sobre o Lucro Anos Calendário 1995 e 1996 Recorrente: Copene – Petroquímica do Nordeste S/A Recorrida: DRJ – Salvador/Ba. Sessão de:10 de novembro de 2000 Acórdão n°: 10193.287 Cerceamento ao Direito de Defesa – Depósito Recursal – Opção Pela Via Judicial — a impetração, pelo contribuinte, de mandado de segurança contra a exigência do depósito recursal inibe o pronunciamento da autoridade administrativa, visto a submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, que concedeu a segurança em grau de sentença. Coisa Julgada Material em Matéria Fiscal — o alcance dos efeitos da coisa julgada material, quando se trata de fatos geradores de natureza continuativa, não se projeta Fl. 573DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 571 32 para fatos futuros, a menos que assim expressamente determine, em cada caso, o Poder Judiciário. Isenção – Inexistindo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão (CTN, art. 177, II). Contribuição Social – Base de Cálculo – Diferença IPC/BTNF Ano de 1990 – Validados os resultados da escrituração, que no períodobase de 1990 adotou a variação do IPC como fator de correção monetária, nenhuma ressalva cabe fazer ao valor da Contribuição Social Sobe o Lucro, cuja base de cálculo é, por expressa disposição legal, o resultado do exercício apurado de acordo com a legislação comercial, ajustado pelas adições e exclusões previstas no art. 2º da Lei 7.689/88. Recurso Parcialmente provido. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo decorrente da diferença o IPC/BTNF – 1990. Vencido o Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, na matéria submetida ao Poder Judiciário. Edison Pereira Rodrigues Presidente e Relator José Antonio da Silva – Chefe da Secretaria (DOU de 1E de 29/11/2000, p. 16)” Processo n°: 10283.008183/9940 Recurso n°: 123249 Matéria: Contribuição Social Sobre o Lucro – Ex(s): 1990, 1991, 1993, 1995 e 1996 Recorrente: Sharp do Brasil S/A Indústria de Equipamentos Eletrônicos. Recorrida: DRJ – Manaus/AM Sessão de: 05 de dezembro de 2000 Acórdão n°: 10706138 CSLL – ‘Coisa Julgada’ em Matéria Tributária – Alcance – Em matéria tributária a chamada ‘coisa julgada’ tem limites: 1) Tratandose de Mandado de Segurança, a eficácia da coisa julgada deve ficar restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional, não se aplicando, portanto, às relações futuras, relações continuativas; 2) Tratandose de Ação Declaratória de Inexistência da Relação Jurídica pesam conta a perenidade da decisão: a) a alteração superveniente da legislação (art. 471, I, do Código de Fl. 574DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 572 33 Processo Civil); e b) a superveniência da Declaração de Constitucionalidade, exarada pela Suprema Corte. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer tãosó o indébito em relação ao ano de 1989. Maria Beatriz Andrade de Carvalho – Presidente Luiz Martins Valero – Relator (DOU 1E de 17/04/2001, p. 19)” Obs.: os destaques não constam nos originais. Em sessão realizada em 14/07/1998, com a seguinte ementa, assim se manifestou a 8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, no Recurso nº 14.339, Acórdão nº 10805.225, tendo como recorrente a Honda Componentes da Amazônia Ltda. e recorrida a DRJ de Manaus (AM), “verbis”: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – INEXIGIBILIDADE MANIFESTADA EM DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO – EFEITOS DA COISA JULGADA – IMUTABILIDADE – A sentença judicial proferida em mandado de segurança, transitada em julgado e não atacada através de ação rescisória, só é imutável em relação aos fatos concretos declinados no pedido (direito líquido e certo). Sua eficácia deve ficar restrita ao período de incidência que fundamentou a busca da tutela jurisdicional. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA – PERENIDADE – LIMITE TEMPORAL – Não são eternos os efeitos da decisão judicial transitada em julgado, proferida por Tribunal Regional Federal, que afasta a incidência da Lei nº 7.689/88, sob o fundamento de sua inconstitucionalidade. Ainda que se admitisse a tese da extensão dos efeitos dos julgados nas relações jurídicas continuadas, esses efeitos sucumbem ante pronunciamento definitivo e posterior do STF em sentido contrário, como também sobrevindo alteração legislativa na norma impugnada.” Obs.: o negrito não consta no original. No mesmo sentido, a Terceira Câmara, do 1° Conselho de Contribuintes, na sessão realizada em 12 de abril de 2000, no Recurso n° 119348, acórdão n° 103 20.267, tendo como recorrente a Pronor Petroquímica S/A, e recorrida esta Delegacia de Julgamento, prolatou a seguinte ementa: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO – DIREITO ADQUIRIDO – INSUBSISTENTE CONFIGURAÇÃO EM FACE DE LEI ULTERIOR – RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA – LEI NOVA E FATOS DE NATUREZA DIVERSA – PRECEDENTES Fl. 575DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 573 34 DOS TRIBUNAIS SUPERIORES – INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO ACOLHIDA PELO STF – O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico é feito de modo absoluto pelo Colendo supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa, incidindo, na espécie, o art. 471, I, do CPC. A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros (STF). A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia (STJ – RESP 96213/MG). A Lei n° 8.034, de 13.04.1990, ao resgatar edições legais pretéritas, erigiu, ao mesmo tempo, exacerbadas inovações na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, distanciandoa, dramaticamente, da prescrita pela Lei n° 7.689/88. Desta forma e manifestamente atendeuse ao dualismo que se aponta indispensável.” Obs.: o negrito não consta no original. Assim, verificase que a jurisprudência pátria (tanto a judicial quanto a administrativa) tem entendido que nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte, não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores ocorridos após as alterações legislativas, que é o caso ora aqui tratado, uma vez que os fatos geradores objeto do Auto de Infração ocorrem no decorrer dos anoscalendário de 1997 a 2000, enquanto as alterações legislativas são dos anos de 1991, 1992, 1995 e 1996 (Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992; Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; e Lei n° 9.430, de 1996), anteriores, portanto, à data da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária ora aqui exigida. Portanto, além da sentença rescisória ter limitado os efeitos da sentença transitada em julgado aos resultados encerrados em 31/12/1998 com o rejulgamento da causa — juízo rescisorium —, e conforme bem colocado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no transcrito Parecer de n° 1.277, em se tratando de relação jurídica tributária de natureza continuativa, o artigo 11, da Lei Complementar n° 70, de 1991, ao reafirmar, expressamente, a validade das normas da Lei n° 7.689, de 1988 e de suas alterações posteriores, traçou uma linha divisória no tocante aos efeitos da referida sentença transitada em julgado que só produziria efeitos até o início da vigência do referido diploma legal, porquanto o principal motivo que levou o juízo “a quo” a declarar a inconstitucionalidade da CSLL seria a ausência de Lei Complementar (doc. de folha n° 315) — matéria superada em face da rescisória e da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal —, “defeito” este corrigido com a edição do referido diploma legal, “verbis”: “Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1º do art. 23, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1º do art. 22 da mesma Lei, Fl. 576DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 574 35 mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas.” Obs.: o negrito não consta no original. Logo, no presente caso, independentemente do resultado da ação rescisória, se conclui que a sentença transitada em julgado apresentada pela Recorrente não constitui óbice à incidência tributária da Contribuição Social, e, conseqüentemente, à lavratura do Auto de Infração, conforme esta Delegacia já teve oportunidade de se manifestar no Processo n° 10580.003980/9803, quando prolatou, em 18/01/1999, a “DECISÃO DRJ/SDF N° 41” (doc. de folhas n°s. 245 a 255), com igual entendimento, também, adotado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no acórdão n° 10193.130 (docs. de folhas n°s. 258 a 270). Dessa forma, VOTO para considerar PROCEDENTE o lançamento de que trata o Auto de Infração às fls. n°s. 03 a 10 e 22 a 26, mantendo a exigência da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, no valor de R$ 5.424.097,98 (cinco milhões, quatrocentos e vinte e quatro mil, noventa e sete reais e noventa e oito centavos), e da MULTA ISOLADA, no valor de R$ 4.834.582,83 (quatro milhões, oitocentos e trinta e quatro mil, quinhentos e oitenta e dois reais e oitenta e três centavos), conforme demonstrativo a seguir, juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Como exaustivamente analisado no voto transcrito, a ação rescisória nº 94.01.294054/DF fora julgada procedente em 29/05/1995, desconstituindo o acórdão que permitia à Recorrente exonerarse do pagamento da CSLL. Tal decisão transitou em julgado em 2010. Como bem observa a DRJ Salvador, já em 1995 fora restabelecido definitivamente o vínculo jurídico de natureza obrigacional, “ex lege”, uma vez que a sentença que garantia o não recolhimento da Contribuição Social tinha sido rescindida e a matéria reapreciada, cujo resultado foi uma nova sentença de mérito restabelecendo o vínculo jurídico que tinha sido cortado pela sentença rescindida (juízo rescisório). E, como destaca a autoridade fiscal em seu termo de Verificação, em nenhum momento a contribuinte obteve medida de natureza cautelar ou antecipatória de tutela, ao contrário, teve indeferida pelo STJ a cautelar proposta no MC 6774/DF, Registro 2003/01388390, mantendose intocada a decisão exarada em 29/05/1995. De qualquer forma, ainda que se desconsiderasse o efeito rescisório da ação nº 94.01.294054/DF, posterior mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal quanto à inconstitucionalidade da Lei que estabelece o tributo em litígio, faz com que a decisão favorável ao contribuinte, que o desobriga ao pagamento das contribuições, tenha seus efeitos limitados aos fatos até então ocorridos. Isso porque, desde a decisão do STF, no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 1382848CE, a jurisprudência pátria passou a reconhecer a constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, com a exceção do seu art. 8º. É que o Supremo Tribunal Federal, como é de geral conhecimento, declarou a constitucionalidade da contribuição instituída pela Lei nº 7.689/88, afastando apenas sua exigência no ano de 1988. Portanto, a coisa julgada em questão não tem o poder de gerar quaisquer efeitos relativamente a fatos futuros, inviabilizando prospecção ad eternum. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 575 36 Nesse sentido, fora prolatada, por meio do Acórdão nº 10196.760, a decisão do então Conselho de Contribuintes, quando da análise do recurso Voluntário interposto relativamente ao acórdão da DRJ Salvador nº 1512.073, PAF 13502.000775/200670, já mencionado. Por sua relevância, reproduzemse aqui excertos do referido acórdão: A matéria trazida aos autos é exclusivamente de direito e já pacificada no âmbito do julgamento administrativo. A recorrente é detentora de decisão judicial transitada em julgado que a desobrigava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com base na declaração de inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/1988 (Apelação Cível n° 910100907/BA). Em face de tal decisão a Fazenda Nacional ingressou com Ação Rescisória n° 94.01.294054/DF, julgada procedente pelo Tribunal Regional Federal da 1 Região, por sentença publicada no Diário da Justiça de 29 de maio de 1995. O lançamento objeto dos presentes autos são relativos a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2001 a 2004. Afirma a recorrente que antes do trânsito em julgado da Ação Rescisória não poderia o Fisco proceder ao lançamento de oficio da CSLL não recolhida por força da decisão judicial que se intenta com aquela desconstituir. No entanto, tal discussão perde razão ao se analisar o entendimento pacificado no âmbito deste Conselho no sentido de que a coisa julgada material decorrente de sentença judicial transitada em julgado abriga o contribuinte contra a exigência contestada até o momento em que seja alterado o estado de direito (Sumula 239 do STF). A questão da inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/1988 já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido de que somente o disposto no artigo 8° da referida lei estaria ferindo a Carta Magna, nos autos do RE 138.2848/CE, relator da matéria o Ministro CARLOS VELLOSO: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 576 37 No tocante à matéria processual relativa à coisa julgada material no trato de matéria fiscal, reproduzo voto da Conselheira Sandra Maria Faroni no recurso n° 015.818, que resultou no acórdão n° 10192.593, que trata exaustivamente do tema: O posicionamento do STF acerca da constitucionalidade da Contribuição Social Sobre o Lucro produziu, assim, autêntica "modificação do estado de direito". Não se pode olvidar o papel reservado ao Supremo Tribunal Federal , de "guarda da Constituição", Corte Constitucional cujas decisões, dado esse papel que lhe é atribuído pela própria Constituição, infirmam ou validam o pronunciamento de tribunais inferiores. Falando sobre a criatividade do intérprete, que na experiência judicial encontra soluções para conflitos de interesses muito mais rápidas do que as respostas formuladas pelo legislador, assim se pronunciou Inocência Mártires Coelho (in "Interpretação Constitucional", Sérgio Antonio Fabris Editor, Porto Alegre, 1997): São modelos jurisdicionais por excelência ou modelos autônomos — como denomina Miguel Reale porque o aplicador do direito tem competência para criálos... No âmbito da jurisdição constitucional, o exercício dessa criatividade, a rigor, não tem limites, não só porque as Cortes Constitucionais estão situadas "....fora e acima da tradicional tripartição dos poderes estatais", como também porque a sua atividade interpretativa se desenvolve, quase que exclusivamente, em torno de enunciados abertos, indeterminados e polissêmicos, como são as normas constitucionais. Intérpretes finais da Constituição e juizes últimos de sua própria autoridade, esses tribunais com ampla aceitação nas sociedades democráticas acabaram se convertendo numa simples variante do poder legislativo, como atestam as obras de caráter nacional e os estudos de direito constitucional comparado." ( O negrito não é do original). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 577 38 Oportuno, ainda, transcrever alguns acertos e votos na Ação Rescisória n 1.2399 MG, por meio da qual se tentava desconstituir decisão dada em Recurso Extraordinário em Ação de Execução, em que saiu vencedor o Estado de Minas Gerais. A Cooperativa de Consumo dos Servidores do DER/MG, executada como devedora, sustentava a tese de ser a dívida inexigível, eis que decisão anterior transitada em julgado tornou expressa a declaração de que não se sujeitava ela ao 1CM enquanto cooperativa e vendendo produtos a seus associados. Vencedora a Fazenda exeqüente, foi a sentença reformada por acórdão que entendeu que a sentença proferida anteriormente, considerando intributáveis as operações, tornouse imutável e eficaz em relação a todos os fatos futuros. O Estado de Minas Gerais interpôs Recurso Extraordinário, cujo relator foi o Ministro Rafael Mayer, decidido conforme acórdão que tem a seguinte ementa : (...) Com efeito, a Súmula 239 consagra a orientação restritiva da coisa julgada, a qual, segundo LIEBMAN, em ensaio sobre limites da Coisa Julgada em Matéria de Imposto, "é uma limitação à procura da decisão justa da controvérsia, e deve, por isso, se bem que socialmente necessária, ficar contida em sua esfera legítima e não se expandir fora dela". Entre as regras gerais que limitam o alcance da coisa julgada, aponta o prestigioso processualista aquela que exclui da coisa julgada os motivos ou fundamentos da sentença, os quais poderão, portanto, ser apreciados livremente em outro processo, relativo a outro objeto. (Conforme Estudos sobre Processo Civil Brasileiro, 1976, pág. 172 e 174). Eis o teor do voto do Ministro Moreira Alves no julgamento da rescisória: “A meu ver, não cabe ação declaratória para efeito de que a declaração transite em julgado para os fatos geradores futuros, pois ação dessa natureza se destina à declaração da existência, ou não, de relação jurídica que se pretende já existente. A declaração da impossibilidade de surgimento de relação jurídica no futuro porque não é esta admitida pela Lei ou pela Constituição, se possível de ser obtida por ação declaratória, transformaria tal ação em representação de interpretação ou de inconstitucionalidade em abstrato, o que não é admissível em nosso ordenamento jurídico. Assim, e considerando que não há coisa julgada nesses casos que alcance relações que possam vir a surgir no futuro, acompanho o voto do eminente relator, e julgo improcedente a ação". A mudança de orientação jurisprudencial não afeta, por si só, a eficácia de sentença e a respectiva autoridade de "coisa julgada". Mas, partindo da premissa de que a sentença resolve questão prática de aplicação de regra jurídica a fatos concretos já verificados, declara a inexistência de relação jurídica que se pretende já Fl. 580DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 578 39 existente, não alcança, aquela, exercícios futuros. Portanto, a mudança jurisprudencial em função de decisão do STF não afeta a eficácia da sentença quanto a fatos anteriormente ocorridos. Não se questiona, pois, a autoridade da coisa julgada, que não é atingida por decisão posterior do Supremo Tribunal Federal. Apenas se delimitam seus efeitos, que não se projetam para fatos futuros, ainda não acontecidos. Finalmente, tomei conhecimento do brilhante parecer produzido, em junho do ano último, pelo eminente tributarista José de Souto Maior Borges , versando sobre os limites constitucionais e infraconstitucionais da coisa julgada tributária (contribuição social sobre o lucro) , e do qual transcrevo alguns excertos. 3.1 A isonomia não corresponde a um princípio constitucional qualquer... A isonomia, mais precisamente, a legalidade isonômica, é o proto princípio, o mais originário e condicionante dos princípios constitucionais, enquanto dele dependem todos os demais para sua eficácia. E que sem ele decerto a perderiam. 3.2 ...poderse á concluir sinteticamente : a isonomia não está apenas na CF, ela é a própria CF, com a qual chega a confundirse. A CF de 1988 é uma condensação da isonomia. (..). 3.3 Chega a ser chocante, portanto, venha a ser esse principio pretensamente reduzido a uma quinquilharia da qual é possível sem mais descartarse o intérprete e aplicador da CF, com o invocarse sem pertinência voto antigo do Min. CASTRO NUNES, como se ele tivesse o condão de afastar qualquer controvérsia relativa à quebra de isonomia na hipótese de ficarem as empresas partes no julgado à margem do dever de contribuir para a seguridade social. 3.4 E sobre mais é impertinente a invocação daquele voto porque ele não enfrentou a questão constitucional e processual que agora se interpõe : a antinomia não é entre decisões de tribunais de igual hierarquia, mas entre decisões do STF e as de TRF. É questão a ser enfrentada e resolvida à luz de outros critérios e não de uma decisão isolada qualquer e do efeito típico desse julgado. Porque a questão é no fundamental de sintaxe normativa : relações entre decisões do STF e decisões dos TRF. 3.6 Agora, fazer prevalecer decisões hierarquicamente inferiores, excludentes do gravame, contra decisões do STF, é subversão da hierarquia, problema inconfundível com a questão de simples alteração jurisprudencial ( p.ex., da jurisprudência de um mesmo tribunal). E fazer prevalecer ad futurum a decisão judicial pela inconstitucionalidade da contribuição restrita às partes (controle d(fuso) é estabelecer um regime jurídico privilegiado, que não encontra, esse sim, guarida na CF, antes é constitucionalmente repudiado. Efeito de um julgado não deve, nunca, importar ruptura da CF, sobretudo do mais eminente dos seus princípios : a isonomia. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 579 40 4.1 (.) A persistir o entendimento de que, por força do julgado, certas empresas estariam exoneradas para sempre da contribuição social, terseia por portas transversas uma isenção atípica, ao arrepio do princípio da legalidade tributária (CF, arts. 50, II e 150, 1, CTN, arts. 97, VI e 175, I), Lê., por via diretamente jurisdicionaL.. 4.7 E, na medida em que somente algumas empresas seriam detentoras do estranho privilégio, terseia a subversão da ordem constitucional A ordem econômica .observará, dentre outros princípios, o princípio (e não simples norma) da livre concorrência entre empresas. (.) Como poderá ser "livre" uma concorrência entre empresas se umas pagam e outras não a contribuição social? Estranha invocação da coisa julgada: o processual se contrapondo e anulando o constitucional. (.) 6.3 A "guarda da Constituição" é uma cláusulasíntese. Seu campo material de validade abarca, na sua universalidade de significação, a competência toda do STF. (...) 6.4 Não há como se afastar a posição de proeminência das decisões do STF no contraste com as de quaisquer outros tribunais do País, mesmo sob a invocação da proteção da coisa julgada. Esse efeito a coisa julgada não tem, porque ele equivaleria a uma derrogação parcial da cláusulasíntese, na medida em que prevalecessem as decisões jurisdicionais em contrário, sob a invocação da coisa julgada que desconsiderasse esses limites constitucionais... 6.5 A CF protege a coisa julgada, sem no entanto determinarlhe os limites objetivos e subjetivos. Como estão no campo da indeterminação constitucional, esses limites são infra ordenados com relação aos limites constitucionais quaisquer deles. Logo, a cláusula síntese da competência do STF é, sob esse aspecto, sobre ordenada. O que lhe revela a eminência, antes uma proeminência : a coisa julgada não pode ter o efeito de derrogar (= revogar parcialmente ), a cláusula síntese : o STF é o guardião da CF. É este um limite constitucional à eficácia da coisa julgada.. .A invocação da coisa julgada na hipótese de débitos posteriores ao julgado é simplesmente impertinente. Viola regra da dialética processual : a da pertinência. Violação oculta pela caracterização exclusiva da coisa julgada como instituto de direito processuaL E estudada, como se não tivesse nenhuma implicação com a ordem constitucionaL Estando os seus limites fixados na ordem infraconstitucional, a coisa julgada, não pode prevalecer contra a CF. 9.4 Todavia essas questões podem ser desconsideradas, para economia de argumentação, em decorrência das decisões do SW Fl. 582DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 580 41 que proclamam a constitucionalidade da contribuição social sobre o lucro. O STF não é órgão consultivo ou opinativo. É órgão de produção do direito : a sua decisão introduz norma individual, se de controle difuso se trata, como na hipótese. Houve, portanto, no plano dessas normas individuais, nítida alteração no antecedente estado de direito. É o quanto é necessário para consistentemente invocar o CPC, art. 471 (.). Todas essas razões me levam a votar pela confirmação da decisão recorrida. Em resumo, ainda que não viesse a ser rescindida a decisão transitada em julgado em 1994, o fato de o STF considerar, posteriormente, a constitucionalidade da cobrança da CSLL, limitaria os efeitos da coisa julgada, a qual não alcançaria, portanto, fatos posteriores à decisão do Egrégio tribunal. Observese, ainda, que, ao contrário do defendido pela Recorrente, o parecer PGFN 492 de 2011 aplicase à hipótese em comento, no mesmo sentido do acórdão acima transcrito. Vejase: (a eficácia da coisa julgada inicial) não mais se distende para o tempo futuro e sem fim, devendo cessar imediatamente, independentemente de rescisão ou anulação, se lhe sobrevém pronunciamento da Corte Suprema que com ela posteriormente colide; nessa hipótese, nem se haverá de cogitar de conflito entre valores ou entre princípios, porquanto a supremacia da Constituição, com os conteúdos que lhe define a Corte Suprema seu intérprete final e autorizado tem de sobreporse a quaisquer outras decisões judiciais” (Resp nº 841.818/DF Dje 16/11/2011). Dessa forma, inaceitável a alegação da Recorrente de que estava desobrigada ao recolhimento da CSLL, porque amparada por decisão transitada em julgado. Da responsabilidade da incorporadora/sucessora Quanto à alegação da contribuinte de que somente seria responsável pelos tributos devidos anteriormente à incorporação, entendendo de forma diversa. O simples fato de não terem sido as contribuições lançadas anteriormente à incorporação da empresa Caraíba não desqualifica a ocorrência do fato gerador, momento em que passam a ser devidas as contribuições em análise. É o que se extrai do artigo 113 do Código Tributário Nacional (CTN), abaixo transcrito: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 581 42 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Ora, tendo ocorrido os fatos geradores anteriormente à sucessão, figura a incorporadora como responsável pelos tributos devidos. Até porque, caso os fatos geradores ocorressem após a incorporação, a empresa Paranapanema figuraria como a própria contribuinte, nos termos do disposto nos artigos 121 e 132 do CTN. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Nada há, portanto, que se questionar quanto à responsabilidade da incorporadora Paranapanema em relação aos créditos tributários em litígio. No que se refere à contestação relativa à multa, a Recorrente cita os artigos 3º e 132 do CTN para fundamentar a inaplicabilidade da multa na sucessora, argumentando que sua responsabilidade limitarseia aos tributos não pagos pela sucedida, não estando incluídas nos dispositivos as multas fiscais. Não tem razão a interessada. O entendimento da Manifestante tem por fundamento o artigo 132, que dispõe que a responsabilidade é por tributos, cujo conceito, conforme o art. 3º do CTN, não abrange sanção de ato ilícito (multa). Vejase o dispositivo: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 582 43 “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único – O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual.” Entretanto, a interpretação de um artigo não deve ser feita de forma isolada. O artigo 132 acima transcrito está inserido na Seção II – Responsabilidade dos sucessores, do Capítulo V – Responsabilidade Tributária, do Título II – Obrigação Tributária, do Livro Segundo do CTN – Normas Gerais de Direito Tributário. Na abertura da mesma seção do artigo antes mencionado (Seção II), encontrase inserido o artigo 129, reproduzido a seguir: “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” Assim, a interpretação sistemática do Código Tributário Nacional conduz ao entendimento de que a responsabilidade dos sucessores, nos casos do art. 132 e art.133, é pelo crédito tributário, com inclusão de multas e demais acréscimos legais. Deveras, o preceito do artigo 129 do CTN constitui regra geral, aplicável a todas as disposições sobre a “Responsabilidade dos Sucessores” título da Seção II. Esse mandamento legal determina que sejam observadas as prescrições contidas nos artigos 130 a 133 aos créditos tributários constituídos antes, durante, ou após a data dos atos neles referidos. Tal artigo enuncia regra geral aplicável a todas as disposições sobre a responsabilidade dos sucessores, logo, não se pode interpretar o referido artigo 133 de modo a exonerar o sucessor da responsabilidade pelas multas. Observese que, quando o legislador teve a intenção de afastar a responsabilidade pela multa, empregou disposição expressa, a teor do art. 134, parágrafo único, do CTN. A par disso, o art. 227, caput, da Lei n° 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas) ratifica o entendimento esposado: “Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações” (destaques da transcrição). Além do mais, o STJ firmou importante entendimento no sentido de que a pessoa incorporadora é responsável não só pelo tributo devido pela incorporada, como também, pela multa moratória e outros encargos. É o que se pode confirmar, pela seguinte decisão da Primeira Turma, quando do julgamento do Recurso Especial RESP 544265 / CE ; RECURSO ESPECIAL 2003/00865071, em 16/11/2004 : Fl. 585DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 583 44 TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. ART. 133 CTN . TRANSFERÊNCIA DE MULTA. 1. A responsabilidade tributária dos sucessores de pessoa natural ou jurídica (CTN, art. 133) estendese às multas devidas pelo sucedido,sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Precedentes. 2. Recurso especial provido. No mesmo sentido: Superior Tribunal de Justiça: “RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DOS AUTOS. (...) 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1º do art. 113 do CTN).” (STJ, 2ª Turma, rel. Min. Castro Meira, REsp 1017186/SC, DJ 27/03/2008, p. 1) “TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. ART. 133 CTN. TRANSFERÊNCIA DE MULTA. 1. A responsabilidade tributária dos sucessores de pessoa natural ou jurídica (CTN, art. 133) estendese às multas devidas pelo sucedido, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Precedentes.” (STJ, 1ª Turma, rel. Min. Teori Albino Zavascki, REsp 544265/CE, DJ 21/02/2005, p. 110) A jurisprudência administrativa, em inúmeros acórdãos, também adota o posicionamento de que no âmbito do direito tributário o sucessor se reveste na qualidade de responsável perante a Fazenda Pública, manifestandose favorável ao lançamento da multa na sucessora. A título de exemplo, transcrevemse as seguintes ementas: Fl. 586DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 584 45 “MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada.” (CSRF, 2ª Turma, acórdão CSRF/0202630, sessão de 23/04/2007) “MULTA – SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO – É devida a multa de ofício ainda que se tenha a responsabilidade por sucessão mediante incorporação anterior ao auto de infração.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, acórdão 10806754, sessão de 08/11/2001). “COFINS. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA SUCESSORA. A exegese do art. 132 do CTN deve ser alcançada por meio da interpretação sistemática com o art. 129 deste diploma legal, de tal sorte que o disciplinamento constante na Seção II Responsabilidade dos Sucessores diz respeito a “créditos tributários”, incluindose as multas, sejam elas moratórias ou punitivas, e, ainda, aplicandose por igual aos créditos tributários já constituídos, bem assim àqueles constituídos após o evento da sucessão.” (2º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 20177517, sessão de 16/03/2004) “MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA OU INCORPORADORA. A exegese do art. 132 do CTN deve ser alcançada pela combinação com o art. 129 do CTN, de forma que se aplica igual tratamento aos créditos tributários constituídos antes ou posterior ao evento sucessório. A multa do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, tem natureza objetiva, aplicandose inclusive nas hipóteses de sucessão tributária, cobrandose da sucessora, sobre a falta ou insuficiência de recolhimento de tributos ou contribuições relativos a fatos geradores ocorridos antes da sucessão.” (2º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 20177737, sessão de 07/07/2004) Registrese, também, que ao lado da interpretação sistemática, há que se utilizar a interpretação lógica. Seria incompreensível, e um estímulo à sonegação, se o legislador permitisse que, por ato particular (a incorporação), o contribuinte se esquivasse do pagamento das penalidades integrantes da obrigação tributária principal, fraudando o direito do fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei, mormente aqueles decorrentes do simples decurso do tempo, como é o caso da multa de mora e juros de mora. A respeito da questão, há que se citar o entendimento do jurista José Eduardo Soares de Melo, em sua obra “Curso de Direito Tributário” (Editora Dialética, São Paulo, 1997, pags. 185 e 186 – destaques acrescidos): “Os negócios societários, implicadores de modificações básicas nas estruturas das pessoas jurídicas, também podem ocasionar a figura do responsável tributário pelos valores devidos pelos contribuintes originários, em face da impossibilidade físico/jurídica de seu cumprimento por parte destes. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 585 46 Esta situação encontrase prevista no CTN (art. 132): a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra, ou em outra, é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (…) Estas modalidades de negócios societários são plenamente legítimas; decorrem de decisões particulares das pessoas jurídicas em razão de suas exclusivas conveniências pessoais. Todavia, na medida em que sejam realizadas e registradas nos órgãos competentes, ocorre o fenômeno da responsabilidade tributária, por parte das novas pessoas jurídicas, ou das remanescentes, relativamente aos débitos das antigas pessoas (contribuintes). (…) Todos os débitos tributários existentes, bem como aqueles que possam vir a ser apurados pelas Fazendas, no prazo decadencial, poderão ser exigidos das empresas resultantes dos referidos atos societários. As dívidas compreendem todos e quaisquer acréscimos (juros, atualizações, multas), a fim de não se burlarem manifestos interesses fazendários (de superior interesse público), sob a falsa assertiva de que a pena não deveria passar da pessoa do infrator. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), pois seria muito simples efetuar tais negócios, com o objetivo de acarretar o desaparecimento dos devedores originários, de quem nada mais se poderia exigir.” Ainda em reforço ao exposto, transcrevese lição do sempre citado Carlos Maximiliano, que dispôs assim, ao tratar especificamente do modo pelo qual as leis fiscais devem ser interpretadas: “... não se interpreta a lei tendo em vista só a defesa do contribuinte, nem tampouco a do tesouro apenas. O cuidado do exegeta não pode ser unilateral; deve mostrarse equânime o hermeneuta e conciliar os interesses em momentâneo, ocasional, contraste”. (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. (Rio de Janeiro, 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p.333). A propósito da matéria, em julgamento do Recurso Especial n° 83.613, o STF decidiu no sentido de que a incorporadora responde não só pelos tributos devidos pela incorporada mas também pelas multas, tendo o ministro relator citado o seguinte ensinamento do ministro Aliomar Baleeiro: Se admitirmos a interpretação literal, o alienante de estabelecimento ou fundo onerado por multas, que podem exceder de 100% em caso de dolo, fugiria ao pagamento da dívida fiscal, transmitindo todo seu cabedal a terceiro, que suportaria apenas o peso dos tributos. O CTN garante os direitos do contribuinte, mas resguarda com o mesmo rigor os privilégios do Fisco, inclusive pela solidariedade e responsabilidade de sucessores, e terceiros, que adquirem o patrimônio do sujeito passivo. (Direito Tributário Brasileiro, 4ª edição). Assim continua o ministro relator em seu voto: Fl. 588DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 586 47 A esse voto dei minha anuência, repelindo a interpretação literal do art. 133 do CTN propugnada pelo recorrente, com base no art. 129 do mesmo código que estabelece a responsabilidade dos sucessores pelos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos fatos nela referidos. Na expressão créditos tributários a meu ver, se incluem as multas sob pena de fraudarse o direito do fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei. Por esses motivos, conheço do recurso e lhe dou provimento. Assim, as operações de aquisição, por qualquer título, de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, de fusão, transformação ou incorporação não têm o condão de elidir a aplicação da multa. Logo, a interpretação da Interessada e do CARF (no acórdão apresentado) não encerra a melhor conclusão, visto analisar um artigo isoladamente, sem levar em consideração os demais dispositivos da seção em que se insere. Como visto, a análise conjunta dos artigos 132, 133 e 129 da Seção II – Responsabilidade dos Sucessores, evidencia a responsabilização da incorporadora pela multa de ofício que compõe o crédito tributário devido pela incorporada. Com efeito, entender como sempre presente a irresponsabilidade da sucessora pelas penalidades perpetradas pela sucedida é incentivar que empresas se fundam, se transformem ou se incorporem, tendo como único objetivo afastar a aplicação da multa pelo Fisco, mormente quando vultosos forem os valores envolvidos. De fato, a empresa sucessora fica responsável pela obrigação tributária (que surge, conforme dispõe o artigo 113 do CTN, com a ocorrência do fato gerador) da empresa sucedida. Constatando a existência de pendências tributárias devidas pela sucedida, a sucessora deve providenciar a sua quitação, beneficiandose, inclusive do instituto da denúncia espontânea (artigo 138 do CTN). Não o fazendo, tornase responsável, não só pelo tributo devido, mas também pelas conseqüências do seu inadimplemento (multas, de mora ou de ofício, além dos juros moratórios, sempre devidos). Por fim, atentese para o fato de que sucedida e sucessora pertenciam ao mesmo grupo econômico. Nessa situação, a jurisprudência administrativa deste Colegiado é cristalizada na Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Logo, injustificada a oposição da Manifestante à cobrança dos acréscimos legais incidentes sobre os débitos da incorporada. Da aplicação concomitante das multas de ofício proporcional e isolada. Conforme relatado, há concomitância das multas de oficio isoladas e proporcionais, fato ocorrido nos períodos de apuração relativos ao ano de 2008. Quanto a essa matéria, este Colegiado possui entendimento sedimentado, apesar de não unânime, no sentido de sua inaplicabilidade. Cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: Fl. 589DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 587 48 MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: “ (...) No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; Fl. 590DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 588 49 b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. (...)” Reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas, mesmo após a vigência das alterações da Lei 11.488/2007. Isso porque, é sabido que um dos fatores que levou a mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que à época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: “(...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis; (...)” Grifei. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal Fl. 591DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10805.722858/201188 Acórdão n.º 1402001.366 S1C4T2 Fl. 589 50 no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir no parágrafo §1o, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos art. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que, aliás, é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões plausíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Portanto, as multas de oficio isoladas, lançadas juntamente às multas proporcionais, fato ocorrido nos períodos de apuração relativos ao ano de 2008, devem ser exoneradas. Conclusão Diante do exposto, Voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para exonerar as multas isoladas relativas aos períodos de apuração do ano de 2008, por serem concomitantes com as multas proporcionais. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 592DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10384.004543/2009-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
Determina a lavratura de auto-de-infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, §§3° e 5o , da Lei n.° 8.212/91.
RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO
SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS.
Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo Auditor-Fiscal da RFB.
DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA
A lei n 11.457/2007 dispõe sobre a Administração Tributária Federal. Na exegese do art. 69 da Lei 9.784/99 os processos administrativos específicos regem-se por lei própria. Neste sentido, a legislação de regência que dispõe sobre o processo administrativo fiscal e dá outras providências é o Decreto 70.235/72 e nele não se vislumbram prazos para apreciações e conclusões de primeira instância.
A Recorrente sendo órgão do judiciário não desconhece que em razão de volumosa demanda a solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivam constante necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. É público e notório que morosidade muito maior ocorre em todas as esferas do judiciário e seguramente as mesmas razões também assoberbam e comprometem a tempestiva realização das tarefas no âmbito da sua jurisdição.
No caso em comento, a fase litigiosa foi instalada e o processo teve curso normal sem que a demora tenha acarretado prejuízo à parte. Assim, não se
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de auto-de-infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, §§3° e 5o , da Lei n.° 8.212/91. RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo Auditor-Fiscal da RFB. DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA A lei n 11.457/2007 dispõe sobre a Administração Tributária Federal. Na exegese do art. 69 da Lei 9.784/99 os processos administrativos específicos regem-se por lei própria. Neste sentido, a legislação de regência que dispõe sobre o processo administrativo fiscal e dá outras providências é o Decreto 70.235/72 e nele não se vislumbram prazos para apreciações e conclusões de primeira instância. A Recorrente sendo órgão do judiciário não desconhece que em razão de volumosa demanda a solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivam constante necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. É público e notório que morosidade muito maior ocorre em todas as esferas do judiciário e seguramente as mesmas razões também assoberbam e comprometem a tempestiva realização das tarefas no âmbito da sua jurisdição. No caso em comento, a fase litigiosa foi instalada e o processo teve curso normal sem que a demora tenha acarretado prejuízo à parte. Assim, não se PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de autodeinfração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, §§3° e 5o , da Lei n.° 8.212/91. RELATÓRIOS PRODUZIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. ENTREGA AO SUJEITO PASSIVO EM ARQUIVOS DIGITAIS. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo Auditor Fiscal da RFB. DILAÇÃO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA A lei n 11.457/2007 dispõe sobre a Administração Tributária Federal. Na exegese do art. 69 da Lei 9.784/99 os processos administrativos específicos regemse por lei própria. Neste sentido, a legislação de regência que dispõe sobre o processo administrativo fiscal e dá outras providências é o Decreto 70.235/72 e nele não se vislumbram prazos para apreciações e conclusões de primeira instância. A Recorrente sendo órgão do judiciário não desconhece que em razão de volumosa demanda a solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivam constante necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. É público e notório que morosidade muito maior ocorre em todas as esferas do judiciário e seguramente as mesmas razões também assoberbam e comprometem a tempestiva realização das tarefas no âmbito da sua jurisdição. No caso em comento, a fase litigiosa foi instalada e o processo teve curso normal sem que a demora tenha acarretado prejuízo à parte. Assim, não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 45 43 /2 00 9- 39 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando que o recálculo da multa ocorra sob o comando do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n 11.941/2009, quando da ocasião do pagamento Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10384.004543/200939 Acórdão n.º 2403001.697 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto lavrado para infração ocorrida no período 02/2007 a 12/2007 conforme relatório fiscal e Relatório Fiscal de aplicação da multa (fls. 07 e 08). Na forma da descrição sumária de fls. 01, a empresa apresentou o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3°, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições providenciarias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5°, também acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. A infração cometida motivou penalidade prevista na ocasião na forma da Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso I I (com a redação dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. cujo valor restou estabelecido em R$ 159.501,60 ( cento e cinqüenta e nove mil e quinhentos e um reais e sessenta c e n t a v os). No Relatório Fiscal de fls.7/8, a Autoridade autuante assevera que : “ Os fatos geradores foram apurados nos registros contábeis do órgão público sob auditoria fiscal, através de informações fornecidas em meio digital (folha de pagamento analítica e relação de empenhos emitidos/pagos), validadas através dos Códigos de Identificação Geral dos Arquivos n° eb4933fb b61f47cc25d79fb40697b4e5, n° b2646709b298148e ad9cf9d3c3e00d5e e de n° f6158c5a210ae6e87cad3101 24feb676, de 01/07/200.9, conforme Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, cópias anexadas à I a via do auto de infração, às fls. 82 a 88 do processo, e mediante verificação física realizada nos documentos comprobatórios da despesa pública realizada (nota de empenho, recibo de pagamento efetuado a prestador de serviço, em caráter eventual. nota fiscal de serviço avulso, conforme cópias, por amostragem, anexadas à I a via do auto de infração, às fls. 89 a 100do processo. Os dados levantados foram consolidados em demonstrativos de fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme anexos I a IV deste relatório fiscal, fls. fls. 9 a 79 do processo.” DA IMPUGNAÇÃO Notificada na pessoa do Procurador Geral – Adjunto para Assuntos Jurídicos, Inconformada a Recorrente apresentou impugnação registrando que referiase aos autos de infração abaixo numerados, de modo individuado para cada qual, conquanto sejam coincidentes, para todos, os argumentos de defesa. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 37.243.8687,37.243.8695, 37.243.8709, 37.243.8717, 37.243.8725, 37.243.8733,37.243.8741, 37.243.8750, 37.248.9621, 37.248.9630, 37.243.8660 e 37.243.8679. Alegou nulidade em face de vícios ocorridos quando da realização das respectivas notificações, que foram feitas em desacordo com os princípios do contraditório e da ampla defesa. Justificando afirmou que : “ todos os autos de infração em comento fazem menção a fólios que não se fizeram acompanhar da documentação referente dos fatos especificados nos respectivos "RELATÓRIOS FISCAIS". Tais relatórios, sem exceção, trazem em seu teor expressa alusão a "cópia anexada ao auto de infração, às fls do processo", ou a "cópias, por amostragem, anexadas à Ia via do auto de infração, às fls do processo". Ocorre que as notificações simplesmente não se fizeram acompanhar de quaisquer desses documentos.” Não negou que tivesse recebido um CD para fins de notificação mas alegou que entretanto este não significa cópia anexada não e portanto prejudicou a ampla defesa e o contraditório: “ Em sua totalidade, aos autos de infração acima numerados foram anexos, apenas de tão.somente, (a) IPC Instruções Para o Contribuinte, (b) Relatório, de Vínculos e (c) o próprio Relatório Fiscal da Infração acima referido, nada mais. Não há qualquer outra cópia anexada, ainda que por amostragem, ao processo. O arquivo eletrônico encaminhado juntamente com as notificações, à evidência, não é cópia anexada ao processo. Como quer que seja, ainda que se o pudesse considerar como tal, é fato que somente um CD foi entregue para fins de notificação, juntamente com todos os doze autos de infração acima referidos. Ainda que o INSS queira e isso é louvável informatizar os procedimentos administrativos, não poderá fazê lo em prejuízo do direito constitucional, que assiste ao contribuinte, à ampla defesa e ao contraditório. ” Na seqüência aludindo hipotética distribuição dos autos para doze Procuradores distintos afirmou que : “ O INSS, portanto, na medida em que oferece apenas um CD, no qual estão todas as informações referentes aos doze autos de infração, força o Estado à extração de cópias para cada Procurador, sem as quais a defesa seria uma aventura no vazio, totalmente despossuída de qualquer concretude.” Alegou, ainda, que : “ Impende considerarse que a formalização do ato de notificação fezse mediante a aposição da assinatura do ProcuradorGeral do Estado em somente um dos autos de infração (AI 37.243.8667) e, também, no recibo de entrega do arquivo eletrônico a que se fez referência acima. Em que pese a menção, no "relatório fiscal" do aludido AI, aos demais que com ele foram lavrados, não consta de nenhum dos outros o recibo do ProcuradorGeral. Conforme se sabe, todos os processos, individualmente, devem merecer específica notificação que Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10384.004543/200939 Acórdão n.º 2403001.697 S2C4T3 Fl. 4 5 deflagre, para cada qual, a abertura do prazo para elaboração de defesa.” De plano, para efeito de registro, cumpre destacar inverídica a sobredita alegação na medida em que o presente auto numerado com o DEBCAD n 37.248.9630, diverso pois do sobredito, faz prova autêntica e inequívoca do contrário ao alegado, registrando contradição que contamina de incerteza toda a exordial posto que conforme consta às fls. 01 o auto acompanhado dos demais relatórios ( IPC, VÍNCULOS E RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO ) fora recebido e assinado pelo Procurador Geral Adjunto para Assuntos Jurídicos , Dr. Paulo Ivan da Silva Santos conforme atesta seu autógrafo aposto sobre o espaço determinado por seu carimbo identificador. Continuando, afirmou que : “ Dos mesmos vícios se ressentem todos os autos de infração acima numerados.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.114, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília DF DRJ/BSB, em 09 de junho de 2011, exarou o Acórdão n° 0343.535, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Em grau de recurso, não reiterou as alegações que fizera em sede de impugnação. Inovou argüindo extemporaneidade da decisão exortando o art. 24 da Lei 11.457/2007 que fixa prazo para julgamento de recursos administrativos em 360 dias a contar do protocolo das petições. Requereu a nulidade da decisão tendo em vista que a impugnação fora protocolada em 12/11/2009 e a Acórdão foi exarado em 27/05/2011. Na verdade fora em 09/06/2011 na forma do registro de fls.118. Neste sentido, colacionou jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Analisando os autos concluise o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Exortando o art. 24 da Lei 11.457/2007 que fixa prazo para julgamento de recursos administrativos em 360 dias a contar do protocolo das petições, o contribuinte requereu a nulidade da decisão argüindo extemporaneidade da decisão. A Recorrente sendo órgão do judiciário não desconhece que em razão de volumosa demanda a solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivam a constante necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. É público e notório que morosidade muito maior ocorre em todas as esferas do judiciário e seguramente as mesmas razões também assoberbam e comprometem a tempestiva realização das tarefas no âmbito da sua jurisdição. A lei n 11.457/2007 dispõe sobre a Administração Tributária Federal. Na exegese do art. 69 da Lei 9.784/99 os processos administrativos específicos regemse por lei própria. Neste sentido, a legislação de regência que dispõe sobre o processo administrativo fiscal e dá outras providências é o Decreto 70.235/72 e nele não se vislumbram prazos específicos para conclusão de primeira instância : “ Art. 1° Este Decreto rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal.” Na forma do comando do § 1º do inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/72, a nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência: “ § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência ” No caso em comento, a fase litigiosa foi instalada e o processo teve curso normal sem que a demora tenha acarretado prejuízo à parte. Portanto, não é lícito remir injustificada inadimplência de obrigação tributária, que sequer fora guerreada, em razão de mera dilação de prazo para apreciação da, como adiante se demonstrara, deficiente impugnação. Assim, não dou provimento. AS FORMALIDADES EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO Referindose a documentos apresentados em arquivo digital, a recorrente , entre outras alegações afirmou que : “ Ocorre que as notificações simplesmente não se fizeram acompanhar de quaisquer desses documentos.” Do expresso é lícito inferir que recebera as notificações. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10384.004543/200939 Acórdão n.º 2403001.697 S2C4T3 Fl. 5 7 À época do encerramento da ação fiscal no que concerne a entrega dos relatórios e os documentos emitidos em arquivos digitais vigiam as regras amparadas no art. 663 da IN SRP 3/05 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SRP nº 3 de 14.07.2005, com a redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008) : “ Art. 663. Os relatórios e os documentos emitidos em procedimento fiscal podem ser entregues ao sujeito passivo em arquivos digitais autenticados pelo AFRFB por meio de sistema informatizado próprio da RFB, devendo ser entregues também em meio impresso os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos. (Nova redação dada pela IN RFB nº 851, de 28/05/2008)” Aduz que instruindo os autos constam colacionados em meio impresso os documentos obrigados a este comando qual sejam os termos, intimações, folhas de rosto dos documentos de lançamento, bem como o Relatório Fiscal e Fundamentos Legais desses lançamentos. Às fls. 101 a 103, com assinatura de recebimento do supracitado Procurador Adjunto, se registra colacionada a entrega em meio digital dos reclamados relatórios. A instância “ ad quod ” na condução de seu voto afirma que todos os autos de infração lavrados na ação fiscal foram cientificados ao contribuinte conforme se verifica ao analisar as folhas de numero 01 de, cada auto de infração. A recorrente alegou que os processos (autos de infração) na procuradoria Geral do Estado são distribuídos de maneira individualizada a Procuradores distintos, para que os mesmos formulem suas respectivas defesas, entretanto no processo em comento, a impugnação registrou que referiase a todos os autos de infração, de modo individuado para cada qual, conquanto sejam coincidentes, para todos, os argumentos de defesa dando azo legítimo a inferir que foram interposto por um mesmo Procurador sob pena de apresentar incongruências se realizado por vários. Neste sentido reiterese a observação feita na condução do voto “ ad quod ” onde o I. Julgador confirma que todas as impugnações apresentadas pelo autuado foram assinadas pelo mesmo procurador, sendo portanto a alegação improcedente. DA NÃO IMPUGNAÇÃO. Na forma do comando do inciso III do art. 16 do Decreto 70.235/72 a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e provas que possuir. Aduz que o art. 17 do sobredito diploma considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, verbis: “ Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ” Como ressaltado alhures, a Recorrente tanto em sede de impugnação quanto em grau de recurso, jamais impugnou expressamente as infrações lhes imputadas. Aduz que Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 preferindo guerrear aspectos formais e procedimentais, tal procedimento infere, de modo transverso, a confissão das irregularidades. Desse modo, não dou provimento às alegações da Recorrente. DA GRADAÇÃO DAS MULTAS A descrição sumaria de fls. 01 aduz que a empresa incorreu na previsão do preceituado no art. 225, IV e parágrafo 4°, verbis : “ Art. 225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Vinculando a infração nos termos do sobredito artigo o art. 284 determina o cálculo da infração na forma abaixo, verbis : Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10384.004543/200939 Acórdão n.º 2403001.697 S2C4T3 Fl. 6 9 dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; “ DA MULTA MAIS BENÉFICA Ressaltando que o período da infração tenha registro de 02/2007 a 12/2007, destaco que a instância “ad quod”, premida por priorizar as instruções normativas, ao abordar esta questão manifestouse na forma abaixo transcrito: “ Em razão das alterações trazidas pela da Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, em observância ao disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e em cumprimento ao disposto na Portaria Conjunta RFB/PGFN n° 14, de 4 de dezembro de 2009, foi aplicada a penalidade mais benéfica. Considerando o disposto na Portaria Conjunta RFB/PGFN n° 14, de 4 de dezembro de 2009, a multa aplicada em conformidade com a legislação anterior e a multa aplicada em conformidade com a legislação atual deverão ser comparadas, por ocasião do pagamento, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte, dando cumprimento ao disposto no artigo 106, inciso II , alínea "c", do CTN. A comparação da multa mais benéfica deverá ser realizada de acordo com o disposto no art. 476A da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n" 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n" 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei n" 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4", 5" e 6°do art. 32 da Lei n" 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei n° 11.941, de 2009;e b) multa aplicada de oficio nos termos do art. 35A da Lei n" 8.212, de 1991, acrescido pela Lei n° 11.941, de 2009. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 II a partir de 1" de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas o art. 44 da Lei n"9.430, de 1996. § 1" Caso as multas previstas nos §§ 4", 5" e 6" do art. 32 da Lei n" 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei n" 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n" 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009. § 2° A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. " Na forma do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos, sem desapreço, a sobredita Portaria Conjunta RFB/PGFN não vincula as decisões do Colegiado, desse modo, observando o artigo de regência da lei específica reparo que o auto de infração em comento, foi lavrado por ofensa à legislação vigente preceituada no § 5° ,artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ Lei 8.212, inciso IV, § 5° (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10384.004543/200939 Acórdão n.º 2403001.697 S2C4T3 Fl. 7 11 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” O artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, sem outra determinação que não seja emanada da lei, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. CONCLUSÃO Tudo isto exposto, conheço do Recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912957/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198.
]
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo F. Minatel OAB 210198. ] JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 95 7/ 20 09 -2 8 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912957/200928 Resolução nº 3401000.668 S3C4T1 Fl. 95 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação referente à COFINS no valor de R$ 2.892,94,00, relativo ao período de apuração set/2002. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório de não homologação da compensação, sob o seguinte fundamento: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada da decisão, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese: Não foi realizada a devida alteração e retificação da DCTF no momento em que foram recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, por um mero equívoco administrativo; A resolução do problema se dá com a simples retificação da DCTF alterando o valor do débito e excluindo o referido DARF como fonte de pagamento de débito. A 3ª Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho eletrônico, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação da DCTF. A contribuinte protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexou aos autos cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão nº 20309.788 e a Solução de Consulta da 3ª Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Por fim, a contribuinte requer que seja reformada integralmente a decisão proferida pela DRJ Campinas, a fim de que seja reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de Cofins e, conseqüentemente, que seja homologada a compensação por ela realizada. É o Relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912957/200928 Resolução nº 3401000.668 S3C4T1 Fl. 96 3 Voto Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os requisitos admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de COFINS relativo ao mês de setembro de 2002. Não obtendo êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, alegando que a retificação da DCTF decorre da tributação de “outras receitas”, destacando que a simples realização de diligência comprovará o direito creditório da recorrente. Apesar de a contribuinte ter retificado sua DCTF somente após o despacho eletrônico proferido pela DRJ de origem e de não ter trazido à primeira instância as provas que juntou aos autos à época da apresentação do Recurso Voluntário, se efetivamente tiver recolhido a Contribuição sobre “outras receitas”, nos termos do alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, este Colegiado poderá decidir ao seu favor. A DRJ, ao manter o indeferimento considerando a ausência de provas do recolhimento a maior e a retificação tardia da DCTF, decidiu conforme o estado do processo até então. Certamente poderia ter cogitado de diligência, se na manifestação de inconformidade a contribuinte tivesse esclarecido o indébito, como faz na peça recursal. Assim, descabe cogitar de anulação do acórdão recorrido, sendo certo que inexistiu qualquer cerceamento do direito de defesa. A diligência ora proposta surgiu com os esclarecimentos prestados no recurso voluntário, desta feita acompanhados de documentos (cópias dos Livros Diário e Razão) que precisam ser analisados pela fiscalização. Quanto à circunstância de a DCTF ter sido retificada extemporaneamente, há de ser relevada se o resultado da diligência comprovar ter havido pagamento a maior, por terem sido computadas na base de cálculo receitas que somente seriam tributadas à luz do alargamento estabelecido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, cuja inconstitucionalidade, em caráter definitivo, é posterior ao fato gerador deste processo. Por sinal, a decisão de Superintendência da RFB confirmando a desnecessidade de retificação de DCTF, na hipótese que se afigura como a situação destes autos. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO:Obrigações Acessórias EMENTA:COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e a fiscal e outros documentos que considerar pertinentes. Ao final da diligência deve ser elaborado Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10830.912957/200928 Resolução nº 3401000.668 S3C4T1 Fl. 97 4 relatório discriminando os montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido. Deve ser demonstrado, ainda, se houve recolhimento a maior, levandose em conta os dois valores devidos levantados (um tomandose como base de cálculo a receita bruta alargada, outro apenas o faturamento estrito anterior à Lei nº 9.718/98). Cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse em relação ao resultado da diligência. É como voto! Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 4/05/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003389/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS REGIMENTAIS. COMPETÊNCIA. A competência para
julgamento de recursos versando compensação de direito creditório relativo
ao IRRF é da Segunda Seção do CARF.
Numero da decisão: 3401-001.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do
recurso em razão de a competência ser da Segunda Seção do CARF
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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Numero do processo: 10660.721839/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2010
Ementa:
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho.
GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI n° 8.212/91 RETROATIVADADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o Art. 32-A a Lei n° 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, eis que a norma posterior comina ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2010 Ementa: COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI n° 8.212/91 RETROATIVADADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o Art. 32-A a Lei n° 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, eis que a norma posterior comina ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI n° 8.212/91 RETROATIVADADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória n° 449/2008, a qual fez acrescentar o Art. 32A a Lei n° 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, 'c' do CTN, eis que a norma posterior comina ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 18 39 /2 01 1- 26 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 2302002.415 S2C3T2 Fl. 276 3 Relatório O presente processo referese ao Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde, nas competências de 05/2006 a 12/2010 e, também do Auto de Infração de Obrigação Acessória, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado tais valores nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s, nas competências citadas. Às fls. 30/37, no Anexo I, consta a relação das faturas que serviram de base para o levantamento e no Anexo II, fls 38/39, o quadro comparativo das multas que foram aplicadas no Auto de Infração de Obrigação Acessória. Os Autos de Infração foram lavrados em 25/04/2011 e cientificados ao sujeito passivo através de registro postal em 06/05/2011. Após a apresentação da defesa, Acórdão de primeira instância administrativa fls. 231/239, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário onde alega: a) a inconstitucionalidade da contribuição insculpida no inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, introduzido pela Lei n.º 9.876/99; b) que a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória não consta da Fundamentação Legal que o acompanha, o que o torna nulo e de acordo com o Anexo II, no Demonstrativo de Aplicação da Multa, temse o total de R$ 79.225,64, enquanto a multa aplicada foi de R$ 15.235,70; c) que a falta de fundamentação legal da multa aplicada viola o princípio do contraditório e da ampla defesa. Requer a nulidade total da autuação frente à inconstitucionalidade apontada e a ilegalidade. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente em suas razões caracteriza a cooperativa de trabalho e pauta seus argumentos apenas quanto à inconstitucionalidade da exação lançada com base no inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.876/99. Quanto às contribuições relativas aos valores pagos à cooperativa de trabalho, tenho a dizer que a mesma está determinada em Lei, estando correto o procedimento fiscal de autuar a empresa pelo não recolhimento da exação, frente ao exercício de atividade vinculada: Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A atividade fiscal possui caráter vinculatório não existindo a possibilidade da escolha entre o cumprimento de determinada lei ou não, e a Administração Pública, em decorrência do art. 37 da Constituição Federal, deve obediência ao princípio da legalidade. O professor Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais,1991, 16ª ed. atual. pela constituição de 1988, 2ª tiragem, p.78), nos diz: “A legalidade como princípio de administração (Const.Rep., art. 37,caput), significa que o administrador está, em toda sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, e às exigências do bem comum, e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal, conforme o caso. “A eficácia de toda atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.” “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa ‘pode fazer assim’, para o administrador público significa ‘deve fazer assim.” Quanto à alegação de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22 da Lei n.º 8.212/91, ressalto que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Fl. 279DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 2302002.415 S2C3T2 Fl. 277 5 Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, não confiro razão à recorrente quanto a alegada falta de fundamentação legal, porque o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, fls. 02, evidencia a existência de um só processo, sob o número 10660721839/201126, onde consta o Auto de Infração de Obrigação Principal e o Auto de Infração de Obrigação Acessória. Por isso, foi elaborado um único relatório fiscal que faz referência à fundamentação legal da multa aplicada no AIOA e ao quadro comparativo de multas, fls. 38/39, onde segundo a metodologia aplicada na autuação, Fl. 280DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 foi considerada a multa mais benéfica por competência, conforme preceitua o artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora a recorrente se mostre inconformada quanto a lhe ter sido aplicada uma multa de valor inferior ao previsto no artigo 32, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, não houve violação do princípio do contraditório e da ampla defesa, pois a fundamentação legal consta do processo principal, fls.15, item 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO, DECLARAÇÃO INEXATA, onde consta expressamente os dispositivos legais da multa aplicada, como se vê: Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redacao da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% falta de pagamento, de declaração e nos de declaração inexata Lei 9430/96, art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Destarte, quanto a aplicação de multa nos autos de infração de omissão de fatos geradores em GFIP, entendo, que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 281DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10660.721839/201126 Acórdão n.º 2302002.415 S2C3T2 Fl. 278 7 Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para que a multa a ser aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória, referente ao Código de Fundamneto Legal 68, seja calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 282DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13884.904534/2010-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 168 1 167 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.904534/201031 Recurso nº 8 Voluntário Acórdão nº 3403002.223 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2013 Matéria PIS PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PARKER HANNIFIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos créditos alegados. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 45 34 /2 01 0- 31 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório PARKER HANNIFIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp nº 14430.74639.060207.1.3.040887, visando à extinção de débito de PIS e Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 5.108,69. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 887166419, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, deferiuo parcialmente e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, abaixo transcrita na íntegra, para maior clareza: I. DOS FATOS 1) 0 presente processo administrativo versa sobre a Declaração de Compensação ("DCOMP") n. 14430.74639.060207.1.3.04 0887, apresentada pela Defendente para a compensação de pagamento indevido ou a maior originado do PIS competência 03/2003. 2) Após a análise da Declaração de Compensação acima, as dd. autoridades fiscais emitiram o Despacho Decisório ora questionado para reconhecer, parcialmente, o direito creditório da Defendente e, assim, homologar a DCOMP 14430.74639.060207.1.3.040887 até o limite do crédito reconhecido e não homologar a importância de R$1.089,08. 3) De acordo com as dd. autoridades fiscais, o motivo do reconhecimento, parcial foi de que restou saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PERD/CQMP. 4) A Defendente não pode concordar com o parcial indeferimento do seu crédito do PIS, na medida em que os valores credi6dos estão corretos, pois a diferença foi objeto de compensações em PERD/COMPS posteriores, e a Defendente não identificou em seus controles qualquer diferença. 5) Resta claro que os valores considerados irregulares pelas dd. autoridades fiscais estão corretos, conforme documentos apresentados, motivo pelo qual se faz necessário o reconhecimento da validade desses valores. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.904534/201031 Acórdão n.º 3403002.223 S3C4T3 Fl. 169 3 6) Se existe alguma diferença, esta respeitável Receita Federal do Brasil precisa esclarecer o que está divergente, porque em nenhum momento foi questionado a Defendente sobre a diferença que agora está sendo apontada neste Despacho Decisório. Portanto, não há que se falar em saldo inferior de ressarcimento/compensação, e a Defendente tem legitimidade quanto ao crédito utilizado. II. DO PEDIDO Em vista do exposto acima, a Defendente requer que, com base nos documentos e informações anexos seja acatado as justificativas apresentadas, e que ao final seja processado novamente a Perdcomp, objeto deste Despacho Decisório, e conseqüentemente seja feita uma nova análise da declaração de compensação. Outrossim, a Defendente requer a reforma do Despacho Decisório ora questionado, de forma que seja reconhecida a existência dos créditos que compuseram o pagamento indevido ou a maior apurado no mês de 03/2005, e consequentemente, que sejam homologadas as compensações pleiteadas. Termos em que Pede deferimento. A 7ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. A decisão recorrida deu conta de que a DCTF ativa na data da entrega da DComp foi transmitida em 21/10/2005 e indicava um débito de R$ 263.955,69, sendo R$ 253.828,21 pagos em DARF de igual valor. A DCTF entregue em 22/05/2009, ativa quando da emissão do despacho decisório, informava que o mesmo DARF foi utilizado para pagamento do débito total de R$ 249.444,54, o que resultou na liberação de R$ 4.383,67 para futuras compensações. Ilustra sua constatação com cópia de extrato dos sistemas informatizados da RFB: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 A decisão explica ainda que o suposto pagamento a maior foi informado em duas DComp. Na primeira, transmitida em 26/12/2006 e retificada em 27/12/2006, o crédito utilizado (em valores originais) foi de R$ 15.385,39. Na segunda, tratada no presente processo, o crédito aproveitado, também em valores originais, foi de R$ 5.108,69. Considerando que o despacho decisório foi claro ao informar qual o saldo original disponível para compensação e que as declarações apresentadas pelo contribuinte não permitiram outra conclusão que não fosse a homologação parcial da compensação, o voto condutor da decisão de primeira instância manteve o deferimento apenas parcial da restituição e a homologação da compensação até o limite de R$ 4.383,67. O Acórdão nº 05038.242, de 21 de junho de 2012, fls. 71 a 75, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/CPS7ª Turma. O arrazoado de fls. 82 a 92, após resumo dos fatos relacionados com a lide, repete a explicação sobre a origem do crédito oposto na compensação ora sub judice, e, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida por transgressão do princípio da verdade material, sobre o qual disserta. Entende que, em nome do princípio, a autoridade julgadora de primeira instância estava constrangida a conhecer e valorar as informações contidas nas declarações retificadora, transmitidas antes do Despacho Decisório. No mérito, lembra que a DCTF retificadora possui o mesmo valor probante da DCTF original e as informações nela constantes, que porventura tenham alterado informações originalmente prestadas, devem necessariamente ser analisadas para fins da determinação dos débitos e créditos dos contribuintes. Refere o § 1º do art. 11 da Instrução Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.904534/201031 Acórdão n.º 3403002.223 S3C4T3 Fl. 170 5 Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008. Apresenta planilha com o demonstrativo dos valores para o período abrangido pelo Despacho. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para detalhada análise e a consequente confirmação da composição dos valores efetivamente devidos a título de PIS. Conclui, requerendo “...sob o enfoque da verdade material, requer seja reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, tendo em vista que as dd. autoridades julgadoras concluíram pela não homologação da Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente sem ter analisado qualquer documento relativo a composição da base de cálculo e apuração da contribuição em tela. Alternativa e sucessivamente, a Recorrente requer que o julgamento do presente caso seja convertido em diligência para que seja comprovado o direito creditório da.” O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 82 a 92 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ27ª Turma nº 05038.242, de 21 de junho de 2012. Preliminar de nulidade Matéria incontroversa, consta do processo que o contribuinte apurou débito de PIS relativo ao mês de março de 2003, em montante de RS 253.828,21, informou tal débito em sua DCTF original e, mais tarde, revisar de seus procedimentos fiscais, identificou que, na realidade, o valor devido para o mês de março de 2003 era de apenas R$ 249.444,54, retificando a DCTF original e o Dacon em 22/05/2009. O recorrente agora acusa a decisão recorrida e, implicitamente, o próprio despacho decisório, emitido em 14/10/2010, de infração ao princípio da verdade material, ao não considerarem as informações contidas na DCTF retificado. Arguição rejeitada. O DDE nº 887166419 reconhece o pagamento de R$ 253.828,21 e informa que o esmo foi alocado a débito de PIS montante a R$ 249.444,54, valor confessado na DCTF retificadora. Não se diga portanto que a DCTF retificadora não foi considerada. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 A eventual desconsideração do Dacon, se é que ocorreu, não implica nulidade porquanto se trata de demonstrativo de caráter informativo, que jamais se sobrepõe às informações prestadas na DCTF, haja vista o caráter confissional desta declaração. Mérito Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.904534/201031 Acórdão n.º 3403002.223 S3C4T3 Fl. 171 7 formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 8 nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Para infirmar o DDE e a decisão recorrida, o recorrente limitouse a apresentar planilha (fl. 98) que vai de encontro à tese recursal, ao demonstrar que o valor do débito de PIS do PA 03/2003 é exatamente aquele considerado pela Administração. Assim sendo, se é certo que o DARF e a DCTF considerados na apuração do indébito comprovam um recolhimento a maior de R$ 4.383,67, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido maior do que esse valor. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reporto me à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II I) Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.904534/201031 Acórdão n.º 3403002.223 S3C4T3 Fl. 172 9 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova de suas alegações, capaz de infirmar o despacho decisório e a decisão recorrida, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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