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Numero do processo: 15469.000023/2007-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA.
Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido pelo contribuinte, há que ser aceita a dedução por ele efetuada. Não tendo sido efetuado o recolhimento do tributo, porém, é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido pelo contribuinte, há que ser aceita a dedução por ele efetuada. Não tendo sido efetuado o recolhimento do tributo, porém, é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso provido.
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido pelo contribuinte, há que ser aceita a dedução por ele efetuada. Não tendo sido efetuado o recolhimento do tributo, porém, é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 9. 00 00 23 /2 00 7- 79 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NI SHIOKA Processo nº 15469.000023/200779 Acórdão n.º 2101002.056 S2C1T1 Fl. 44 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 32/36) interposto em 10 de junho de 2011 contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 22/25), do qual o Recorrente teve ciência em 17 de maio de 2011 (fl. 26, verso), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 05/07, lavrado em 21 de novembro de 2006, em virtude de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. Restada não comprovada a retenção do imposto de renda na fonte pleiteado como dedução do imposto devido, a glosa é devida. Lançamento Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” (fl. 22). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 32/36, reiterando a apresentação do comprovante de retenção do imposto, bem como indicando a inexistência de responsabilidade pela ausência de recolhimento do tributo devido, que é da fonte pagadora. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NI SHIOKA Processo nº 15469.000023/200779 Acórdão n.º 2101002.056 S2C1T1 Fl. 45 3 O caso é de simples resolução. A matéria em discussão adstringese à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 1.754,60, referente às verbas recebidas pelo contribuinte da fonte pagadora “Companhia Brasileira Adm. e Participação S/A” no anocalendário de 2002. O contribuinte apresentou, desde a impugnação, o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte de fl. 08, ora reiterado à fl. 40, do qual é possível constatarse que, de fato, os rendimentos por ele percebidos somaram R$ 15.647,42, e o IRRF efetivamente retido, R$ 1.754,60. A decisão a quo não afastou a glosa por afirmar que o comprovante de rendimentos não seria suficiente, tendo em vista que a fonte pagadora não apresentou a DIRF correlata, assim como não apresenta nenhuma declaração desde 1999, motivo pelo qual exigiu que o contribuinte tivesse acostado aos autos as cópias dos contracheques do anocalendário de 2002 e cópia da carteira de trabalho para comprovar o vínculo empregatício. Referida decisão, com a devida vênia, não pode prosperar. Isso porque não pode o julgador criar requisitos não previstos em lei para a aceitação da dedutibilidade de despesas do IRPF. Ora, conforme autoriza a legislação de regência, mais precisamente o art. 12, V, da Lei n.º 9.250/95, são dedutíveis da base de cálculo de apuração do imposto de renda devido “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo”. O contribuinte, portanto, adotou o procedimento correto ao deduzir tal montante da base de cálculo do IRPF devido naquele anocalendário, tendo em vista a comprovação pelo documento de fl. 08. O que parece ter havido, no presente caso, é a efetiva retenção do tributo, mas a ausência de seu recolhimento aos cofres públicos. As hipóteses de responsabilidade tributária vêm previstas nos arts. 128 e seguintes do CTN, e conforme bem assevera o referido art. 128, “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”, o que se amolda à hipótese vertente, porquanto a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte é da fonte pagadora, consoante o Parecer Normativo n.º 01, de 2002, da Receita Federal do Brasil. A partir da leitura do mencionado parecer, depreendese que, em situações como a ora em análise, em que há a retenção do imposto, mas não há o recolhimento, afigura se a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, in verbis: “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.” Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NI SHIOKA Processo nº 15469.000023/200779 Acórdão n.º 2101002.056 S2C1T1 Fl. 46 4 Sendo efetivamente comprovada a retenção dos valores pela fonte pagadora “Companhia Brasileira Adm. e Participação S/A”, bem como considerando que eles constaram da declaração do contribuinte, a responsabilidade pelo recolhimento é exclusiva da fonte. E mais: ainda que a motivação per relationem seja aceita apenas de modo subsidiário no ordenamento jurídico brasileiro, o contribuinte noticia, e acosta, a íntegra de decisão referente a processo administrativo idêntico à matéria de fundo ora debatida, contra ele mesmo instaurado, diferindo apenas quanto ao anocalendário da autuação, em que a autoridade julgadora julgou improcedente o lançamento, diante da comprovação dos rendimentos retidos pela mesma fonte pagadora. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NI SHIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000457/2005-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE.
Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
Numero da decisão: 9101-001.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Albertina Silva Santos de Lima.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Albertina Silva Santos de Lima. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 04 57 /2 00 5- 77 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10746.000457/200577 Acórdão n.º 9101001.468 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 03/11/2008 (fls. 327), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 12/01/2009, seu Recurso Especial (fls. 330/334), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.745, de 16/10/2008 (fls. 330/334) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto, em 29/08/2005, pelo contribuinte Econômico Distribuidora de Produtos Ltda. (fls. 288/293). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), possibilidade excluída pelo atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, exceto para os casos previstos no art. 4º do atual RICARF. Consta dos autos, que contra o contribuinte, Econômico Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda., foi lavrado, em 12/05/2005, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Palmas _ TO, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 194/247), com ciência, através de AR, em 19/05/2005 (fls. 256) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total equivalente a R$ 466.960,29, a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos da multa de lançamento de ofício qualificada agravada de 225% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos, referente aos exercícios de 2001 a 2004, correspondentes aos anoscalendário de 2000 a 2003, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora procedeu ao arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Inicio de Fiscalização e termos de intimações em anexo, e deixou de apresentelos. Infração capitulada no art. 530, inciso III, do RIR/1999. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o conteúdo do Auto de Infração através do Termo de Verificação Fiscal, datado de 29/07/2004 (fls. 19/29). Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 17/06/2005 (fls. 258/263, instruído pelos documentos de fls. 264/269) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF, em 08/07/2005, decide julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 271/276), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 que o imposto devido no decorrer do anocalendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou apresentar escrituração em desacordo com a legislação comercial; que a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal; que considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante; que ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contrapor a ele. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/08/2005, conforme Termo constante às fls. 286, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 29/08/2005, o seu Recurso Voluntário (fls. 288/293), instruído pelos documentos de fls. 294/293, o qual, ao ser apreciado pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.745, de 16/10/2008 (fls. 318/324), proferiu, por maioria de votos, a decisão de dar provimento parcial ao recurso, conforme se verifica de sua ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO EXCLUSÃO DO SIMPLES É legitimo o arbitramento do lucro quando as deficiências da escrituração impossibilitam a apuração do lucro real, bem como quando o contribuinte não apresenta a documentação solicitada por meio dos Termos de Intimação. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE LANÇAMENTO FORMALIZADO TENDO POR BASE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA AO FISCO ESTADUAL No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, em face dos levantamentos (i) realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ECONÔMICO DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10746.000457/200577 Acórdão n.º 9101001.468 CSRFT1 Fl. 4 5 provimento PARCIAL ao recurso para desagravar a penalidade reduzindo ao percentual de 150%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, que negava provimento ao recurso. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 03/01/2009, conforme Termo constante às fls. 327, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (12/01/2009), o seu Recurso Especial de fls. 330/334, com amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), combinado com o art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte cancelar o agravamento da multa qualificada; que acordo com o art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, caberá, privativamente ao Procurador da Fazenda Nacional, recurso especial de "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova"; que restou assentado no r. voto condutor que o sujeito passivo não teria causado embaraço à fiscalização. De acordo com a douta relatora teria o autuado apresentados todos os documentos que possuía; que o posicionamento não foi embasado em nenhum elemento evidenciado nos autos, tendo sido tomado por equidade (ao que me parece— fl. 324). O único sustentáculo invocado foi à declaração do contribuinte à DRF/TO de que não possuía Livros Razão e Diário relativos a 2001 e 2002; que da leitura da norma verificase que a multa é devida independentemente de comprovação por parte de fisco acerca de efetivo embaraço causado à administração tributária em razão da contumácia do sujeito passivo; que não atendida a intimação, presumese o embaraço à fiscalização. A simples falta de atendimento, o desprezo à administração tributária, é fato gerador da multa; que de acordo com a lei, o critério para o agravamento da multa não é subjetivo, mas de ordem objetiva; que no caso dos autos o fiscal demonstrou que o sujeito passivo foi devidamente intimado para se manifestar e não atendeu às intimações, tendo as ignorado. Seria diferente se as tivesse respondido, ainda que somente para informar que não possuía os elementos solicitados ou que não teria condições de explicar as incongruências apontadas pelo fisco; que como se vê em fl. 250, o sujeito passivo ignorou os termos de intimação 1, 2 e 3. A declaração do contribuinte à DRF/TO de que não possuía Livros Razão e Diário Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 relativos a 2001 e 2002 não o eximia de atender às intimações acima referidas com diferente objeto. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 108242009, de 12/02/2009 (fls. 336), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 26/05/2009 (fls. 338/339), o contribuinte apresenta, tempestivamente, em 05/06/2009, as contrarrazões de fls. 351/355, sem instrução de documentos adicionais, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a empresa ora Recorrente, não pode ser condenada injustamente. Em momento algum, se encontra caracterizado nos autos as pseudos irregularidades mencionadas no auto de infração lavrado por pseudos fiscais, que desconhecem o mínimo básico não apenas de tributação e fiscalização, mas de uma simples leitura de documentos; que o Recurso apresentado pela Fazenda Nacional, não observa as provas contidas nos autos, nem mesmo, as razões que motivaram o acórdão; que, desta forma, forçoso se faz ratificar que a Empresa jamais praticou qualquer infração contra a Fazenda Pública Federal, como quer fazer crer o procurador da Fazenda Nacional; que nobres sobre julgadores, necessário se faz mencionar, que a empresa conforme pode ser constatado apresentou justificativa com relação da não apresentação das Declarações de Informação perante o órgão fazendário, o que por si só afasta a aplicação de qualquer penalidade ao presente caso; que condenar por condenar fere os princípios da ampla defesa e do contraditório, princípios estes que mesmo nos procedimentos administrativos devem ser observados e cumpridos, sob pena de praticar gritante injustiça; que necessário se faz Contestar que não foram prestadas as informações de quando solicitadas, mas, conforme poderá facilmente ser detectada junto ao processo de exclusão do SIMPLES, que se encontra em grau de recurso, todas as solicitações foram cumpridas, talvez não sejam de forma satisfatória, mas que sempre foram atendidas. É de se ressaltar, que o Recurso Especial interposto pelo contribuinte (fls. 342/350) teve o seguimento negado de acordo com o despacho nº 12000.291/2009, de 20/08/2009 (fls. 357/360). É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10746.000457/200577 Acórdão n.º 9101001.468 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 03/01/2009 (fls. 327) e tendo protocolizado o presente apelo em 12/01/2009 (fls. 330/334), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase, que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 108242009, de 26/05/2009 (fls. 336), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar, que a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Procurador, já que demonstrou que a decisão foi nãounânime de Câmara, prolatada antes da edição do novo regimento e foi contrária à lei ou à evidência da prova. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto no relatório a Fazenda Nacional insurgese contra o acórdão proferido pela então Oitava Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para desagravar a multa qualificada, reduzindoa ao percentual de 150%. Assim, a presente discussão diz respeito, tãosomente, ao desagravamento de multas de ofício. Inicialmente, cabe esclarecer que foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, agravada em 50% pelo não atendimento a intimação, conforme previsto no art. 44, inciso I, § 2o, da Lei no 9.430, 1996. Da análise dos autos observase, que o agravamento da multa de ofício aplicada nos lançamentos decorreu dos seguintes fatos: I. Os documentos requisitados pelo Termo de Inicio de Fiscalização foram entregues parcialmente para a fiscalização. Nesse sentido, além da resposta extemporânea em 28/10/2004 (o prazo concedido na oportunidade havia expirado em 18/10/2004), não foram apresentados os comprovantes de repasse de cartão de crédito dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 II Não foram apresentados pela fiscalizada quaisquer respostas, esclarecimentos ou documentos referentes aos Termos de Intimação n.° 001 (fls. 20) e n.° 002 (fls. 22). Observase, ainda, a seguinte cronologia nos pedidos da autoridade fiscal lançadora (fls. 248/253): 1 Termo de Inicio de Fiscalização — 20/09/2004 (fls. 4): Solicitação para apresentação, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, documentos contábeis e fiscais do período 20012003, cópias dos seus atos constitutivos e posteriores alterações, bem como esclarecimentos quanto as DIRJs entregues à SRF na situação de INATIVA. Resposta — 24/09/2004 (fls. 6) De acordo com a referida folha, houve apresentação parcial dos documentos, na medida em que não foram apresentados: I Livros de Registro de Entradas, Saídas, ICMS c Inventário do ano calendário 2001 a 2003; II Livros Diário de 2000 e 2003: III Livros Razão de 2000. Resposta — 27/09/2004 (fls. 7 e 8) Pedido de prorrogação de 10 (dez) dias para apresentação dos documentos requisitados e não entregues até a mencionada data. Declaração informando à fiscalização a impossibilidade de apresentação dos Livros Diário e Razão de 2001 e 2002. Resposta — 07/10/2004 (fls. 10) Pedido de prorrogação de mais 10 (dez) dias úteis para a apresentação dos demais documentos constantes do Termo de Inicio de Fiscalização. Apresentação do Livro Razão 2003. Concessão de prorrogação até 18/10/2004. 2 Termo de Constatação nº 001 28/10/2004 (fls. 11) Constatação da ausência de esclarecimentos a respeito da Inatividade da pessoa jurídica. Resposta 28/10/2004 (fls. 13 e 14) Eis o que diz o mencionado § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10746.000457/200577 Acórdão n.º 9101001.468 CSRFT1 Fl. 6 9 inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Firmo a minha posição no sentido de que não houve embaraço à fiscalização. Isto porque, neste aspecto fundamentou o Sr. Auditor Fiscal terem sido apresentados os documentos requisitados de forma parcial, bem como não terem sido apresentadas respostas, esclarecimentos ou documentos referentes aos Termos de Intimação n° 001 e 002. Ora, a jurisprudência deste Colegiado tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo. O não atendimento à intimação, na qual eram solicitados os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do contribuinte, não obstou o procedimento fiscal, já que nestes casos a legislação de regência permite que o lucro seja arbitrado. Tanto é verdade, que foi o próprio autuante que procedeu o arbitramento do lucro da empresa e efetuou o lançamento. Ora, o não fornecimento dos livros e documentos comerciais e fiscais não obsta a atividade fiscal, pelo contrário a facilita, pois tal conduta do contribuinte coloca a presunção legal contra ele, autorizando o lançamento de ofício arbitrando o lucro Assim, inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões tem conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Correta a decisão recorrida, não merecendo nenhum reparo nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nestas condições, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 17460.000993/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 1 e §3.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 92,102, e art. 283, caput
e §3.º, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AUSÊNCIA
DE INFORMAÇÃO DE RETENÇÕES.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, IV da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, caput e §3° do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/03/2007
AUTO DE INFRAÇÃO ART. 173, I DO CTN ARGUMENTAÇÃO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CORREÇÃO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.551
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 1 e §3.º DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 92,102, e art. 283, caput e §3.º, DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO DE RETENÇÕES. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, IV da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, caput e §3° do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/03/2007 AUTO DE INFRAÇÃO ART. 173, I DO CTN ARGUMENTAÇÃO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CORREÇÃO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. Recurso Voluntário Negado.
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, IV da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, caput e §3° do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/03/2007 AUTO DE INFRAÇÃO ART. 173, I DO CTN ARGUMENTAÇÃO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CORREÇÃO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 17460.000993/200780 Acórdão n.º 2401002.551 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente autodeinfração, lavrado sob o n° 37.074.5728, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 1 e §3.º e art. 92 e 102 da lei n.º 8.212/1991 c/c art. 225, IV e art. 283, caput e §3.º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, fl. 13 a empresa não informou corretamente na GFIP no período de 01/00 a 09/2005 (valor do desconto de segurados), 09/2001 a 11/2003 (código de afastamento). Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 09/04/2007. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 85 a 93. O processo foi baixado em diligência para manifestação da autoridade fiscal, tendo o mesmo emitido informação fl. 113, contudo não foi possível identificar os fatos requeridos tendo em vista a empresa não ter apresentado os documentos solicitados. a) embora intimada a impugnante não apresentou a folha de pagamento da competência 08/2005 da filial CNPJ n° 69.491.571/000447, sendo emitido o Auto de Infração debcad n° 37.159.0922; b) baseouse para emissão da informação fiscal nas informações constantes dos Sistemas Informatizados da Receita Federal. Em consulta ao CNIS verificou que consta para o segurado Fred Willian de Oliveira a remuneração de R$ 1.725,48, não sendo possível verificar o valor correto, pois a empresa deixou de apresentar a respectiva folha de pagamento; c) de fato reconhece que a inclusão de ausência de código de afastamento de segurados foi equivocadamente lançado neste Auto de Infração. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 121 a 129. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 28/03/2007 Documento: AI no 37.074.5728, de 28/03/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÃRIA. INFRAÇÃO. GFIP EM DESCONFORMIDADE COM 0 MANUAL DE ORIENTAÇÃO. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Apresentar a empresa GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, constitui infração A legislação previdenciária. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 66 a 69 . Em síntese, a recorrente alega: 1. DO ERRO MATERIAL verificase o completo equivoco proporcionado pelo i. agente de fiscalização no relatório da NFLD, pois esta a cobrar multa de suposta irregularidades constantes nas declarações. 2. Ora, Nobre Julgadores, verificase claramente a ausência de má fé e animus para proceder em erro, motivo pelo qual, a impugnante está a retificar todas as declarações em GFIP e apresentar em termo hábil ao fisco, fato este que por si só demonstra a boafé da impugnante, mas supre a eventual irregularidade noticiada. 3. Nenhum prejuízo ocasionou a autoridade impugnada, motivo pelo qual não há que se falar em aplicação de sanção. 4. Somente a titulo de registro, a recorrente não é reincidente no presente caso, referente aos supostos débitos lavrados nos AI descritos nos autos, até mesmo porque, o período fiscalizado compreende o ano de 1997 a 2006. 5. Juridicamente a .reincidência é a prática, depois de definitivamente condenado, de novo ilícito. 6. Isto significa dizer que, 'somente após o trânsito em julgado de todas as ações que permeiam a matéria é que poderá ocorrer a reincidência. 7. No presente caso, a ausência de causas atenuantes alegada pelo Sr. Auditor Fiscal ocorreu, na medida em que os livros existem, e estão contabilizados adequadamente. Pois bem, se para reincidir em um crime ou infração é necessário que o réu tenha sido definitivamente condenado, com trânsito em julgado da decisão em um processo anterior, é evidente que não houve a reincidência no presente caso, na medida em que, a impugnante nunca foi alvo de fiscalização. 8. A Lei de n.o 9.784/99, com publicação no órgão oficial Diário Oficial da União I de 01.02.99, às páginas 1/2, dispõe a respeito da regulamentação do processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 9. Desse modo, é a presente para requerer de Vossa Senhoria, seja anulado o presente a NFLD em epígrafe, por toda matéria arguida, tendo em 4110 vista a inexistência de causas legais e legitimas que lhes dê embasamento, como foi amplamente demonstrado nos itens precedentes, e no mérito seja julgado totalmente improcedente, pelos fatos e fundamento jurídicos anteriormente alinhavados. O recurso foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 17460.000993/200780 Acórdão n.º 2401002.551 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 84. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar de forma genérica a falta que lhe foi imputada, descrevendo a correção da mesma, porém sem fazer qualquer prova do alegado. Dessa forma, em relação a falta por erro de informação em GFIP, objeto da presente autuação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão, presumese a concordância da recorrente com a mesma. Quanto a aplicação dos preceitos da Lei 9.784/99 entendo que a autoridade julgadora já bem refutou os argumentos trazidos pelo recorrente, razão porque transcrevo parte do voto como razões de decidir: A lei 9784/99, instituto normativo que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, traz em seu artigo 2°, citado pela impugnante em sua defesa, os princípios constitucionais a serem observados pela Administração Pública, princípios estes contidos também na Carta Magna. Art. 2 A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. No entanto, quanto a afirmação que a Administração Pública não poderá agir em desconformidade com as decisões judiciais proferidas (sic) na impugnação apresentada, carece de maiores esclarecimentos em sua análise. O controle de obediência à Constituição é feito pelo Poder Judiciário e se efetiva de dois modos: difuso e concentrado. Pela via concentrada, o controle dáse perante o Supremo Tribunal Federal, através da instauração de um processo (de Ação Declaratória de Constitucionalidade, Ação Direta de Inconstitucionalidade ou, ainda, através de Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental), em que se busca a declaração de constitucionalidade ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo de forma abstratamente considerada, em desacordo com a Constituição Federal. Os efeitos do julgamento de tais Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 ações atingem a todos, são erga omnes, e, em regra, opera se ex tunc (retroativamente). Por sua vez, o controle difuso, também denominado concreto, ocorre no âmbito de um caso concreto posto à análise do Poder Judiciário e se efetiva de forma incidental em qualquer processo posto à apreciação dos magistrados de primeira instância ou dos Tribunais, inclusive superiores, e não integram o objeto da lide. Seus efeitos atingem somente as partes, via de regra, operamse ex nunc (a partir de então). No julgamento de processo administrativo fiscal, o julgador somente poderá afastar a aplicação de dispositivo legal, quando o Supremo Tribunal Federal declare a sua inconstitucionalidade em ação direta, ou pela via incidental, com a publicação de resolução do Senado Federal suspendendo sua execução e, ainda, quando haja decisão judicial, pro caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade. Destarte, em matéria de direito administrativo, presumemse constitucionais todas as normas emanadas dos Poderes Legislativo e Executivo. Por conseguinte, em sede de processo administrativo o julgador pode decidir diferentemente das decisões proferidas pelo Poder Judiciário, na via difusa, não afrontando os princípios constitucionais que devem ser observados pela Administração Pública. Deste modo, as decisões trazidas aos autos proferidas em casos concretos, faz lei somente entre as partes, entre as quais não se inclui a impugnante, observando ainda que também não são relativas a casos de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. DO MÉRITO A Lei n° 8.212, de 24/07/1991, dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui o Plano de Custeio, a saber: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (.) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. O Decreto n° 3.048/99 apenas regulamentou a lei orgânica da Seguridade Social acima citada e aprovou o Regulamento da Previdência Social — RPS, que dispôs: Das Infrações Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 17460.000993/200780 Acórdão n.º 2401002.551 S2C4T1 Fl. 4 7 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: § 3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Quanto aos valores da multa aplicada, onde questiona o recorrente serem indevidos, inclusive referindose a reincidência ressaltese que os argumentos são infundados, pois não foi aplicada qualquer agravante no auto de infração, não havendo o que ser apreciado. Ressaltese que fala o recorrente de atenuantes, e existência de livros, mas em momento algum reportase e comprova o acerto na GFIP, razão porque deve subsistir o lançamento. Face o exposto, a autuação processouse na forma devida, não existindo motivos para sua improcedência, ou mesmo nulidade. Não comprovou o recorrente a inocorrência da falta, ou mesmo comprovou sua correção apesar de argumentar nesse sentido. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. VALOR DA MULTA Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720044/2008-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. POSSIBILIDADE JURÍDICA SUBSIDIÁRIA. Há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB. No caso de resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que considera-se efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-000.931
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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POSSIBILIDADE JURÍDICA SUBSIDIÁRIA. Há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB. No caso de resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, caso em que considerase efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 428DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720044/200870 Acórdão n.º 180100.931 S1TE01 Fl. 424 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 2845, com a exigência do crédito tributário no valor de R$30.721,27, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional referente ao anocalendário de 2003, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), em conformidade com o cotejo entre as informações constantes na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) e aquelas apresentadas pelos fornecedores a títulos de valores recebidos pela venda de mercadorias, fls. 82315. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de compras decorrente de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, em conformidade com os demonstrativos de fls. 7980; Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2003, fls. 1027. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 4653 com a exigência do crédito tributário no valor de R$30.721,27 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 5461 com a exigência do crédito tributário no valor de R$54.097,82 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de Fl. 429DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720044/200870 Acórdão n.º 180100.931 S1TE01 Fl. 425 3 mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 6269 com a exigência do crédito tributário no valor de R$108.195,60 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 7077 com a exigência do crédito tributário no valor de R$199.426,51 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 27.02.2008, fls. 28, 46, 54, 62 e 70, a Recorrente apresenta a impugnação em 01.04.2008, fls. 318357, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que o lançamento é nulo, uma vez que houve cerceamento do direito de defesa decorrente da incorreta apreciação das provas e da ausência da análise do Livro Caixa. Suscita que não há que se falar em omissão de receitas apurada com base em informações genéricas fornecidas pelos fornecedores de mercadorias. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 134. Demonstrado à saciedade a excelência do direito e dos fatos em que está solidamente amparado, vem, a impugnante perante Vossa Senhoria, REQUERER, dignese, receber e acatar em sede PRELIMINAR os termos desta IMPUGNAÇÃO, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, nos moldes do art. 151 do CTN, rechaçando as irregularidades apontadas; 135. Como consectário, requer sejam desconstituídos os débitos lançados que constituíram a formalização dos AUTOS DE INFRAÇÃO em combate, para que no mérito, exima o impugnante do pagamento do pretenso crédito tributário tudo em conformidade com o direito e os critérios de justiça fiscal; 136. Por fim, protesta pela produção de todos os meios de provas admitidas em processo administrativo fiscal, especialmente perícias, diligências e apresentação de novos documentos. Nestes Termos, Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0118.992, de 27.08.2010, fls. 363402: “Impugnação Procedente em Parte”, uma vez que foi acatada a alegação da defesa referente ao fornecedor Belgo Bekaert Nordeste S/A. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720044/200870 Acórdão n.º 180100.931 S1TE01 Fl. 426 4 Restou ementado Assunto: Simples Nacional Exercício: 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a falta de escrituração de pagamentos efetuados. (Art.281, II, Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda). Notificada sem êxito via postal, fls. 404405, houve a afixação do Edital nº 09, de 2011 em 25.04.2011, fl. 406, na Agência da Receita Federal do Brasil em Castanhal/PA para suprirlhe a falta, em face do qual a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.06.2011, fls. 410421, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Conclui Ante o exposto, a Recorrente requer: a) O recebimento do presente Recurso Voluntário, para que seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III do CTN; b) Que o Recurso Voluntário seja provido, acarretando na declaração de total improcedência do Auto de Infração lavrado, dada a clara arbitrariedade, pois a Presunção somente poderá ser arguida em ultimo caso. Nestes termos, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Em preliminar, tem cabimento a análise da tempestividade da interposição do recurso voluntário. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Quando resultar improfícuo este meio, a intimação poderá ser feita por edital publicado na dependência, franqueada ao público, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10280.720044/200870 Acórdão n.º 180100.931 S1TE01 Fl. 427 5 do órgão encarregado da intimação, caso em que considerase efetivada 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. A Recorrente foi notificada, sem êxito, do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0118.992, de 27.08.2010, fls. 363402, por via postal no domicílio fiscal da Recorrente constante nos registros internos da RFB, de acordo com a indicação da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), fls. 403405. Por esta razão, houve afixação do Edital nº 09, de 2011 em 25.04.2011, fl. 406, na Agência da Receita Federal do Brasil em Castanhal/PA para suprirlhe a falta. Considerada a notificação efetivada em 10.05.2011, o prazo para apresentação da correspondente peça de defesa encerrouse em 09.06.2011. Por seu turno, o recurso voluntário foi recebido na RFB em 20.06.2011, fls. 410 421. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10983.908290/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 29 0/ 20 09 -1 5 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908290/200915 Resolução nº 3801000.406 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Por meio de Declaração de Compensação apresentada eletronicamente, a requerente postula a compensação de débito de contribuição com crédito decorrente de pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, nos termos de despacho decisório eletrônico não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação efetuada. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada interpôs manifestação de inconformidade. A DRJ em Florianópolis (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908290/200915 Resolução nº 3801000.406 S3TE01 Fl. 4 3 Voto O recurso é tempestivo, todavia não atende os demais pressupostos recursais, uma vez que seu conhecimento estará condicionado à regularização da representação processual, conforme será demonstrado. Como constatado pela autoridade fiscal que realizou a diligência fiscal, o signatário do recurso voluntário não comprovou ter poderes para representar a pessoa jurídica, todavia não se deve adotar como solução do litígio a preclusão temporal, ou seja, a declaração de revelia. Registrese que este relator, ao propor a conversão do julgamento em diligência, não atentou para o fato de que o recurso voluntário foi subscrito por advogado sem instrumento procuratório válido. O vício na representação processual não deve resultar na cobrança imediata dos débitos. O artigo 13 do Código de Processo Civil, inciso II, dispõe que: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) Assim, ao receber o recurso voluntário, a autoridade preparadora deveria verificar se o representante legal era detentor de poderes para representar a interessada. Constatado o vício, a recorrente deveria ter sido intimada a regularizar a representação processual. Este procedimento não foi adotado e não pode trazer prejuízos à recorrente. Tenhase presente que o não conhecimento do recurso voluntário nos termos propostos pela autoridade fiscal implicaria em um enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois resultaria na cobrança indevida de débito. A administração pública pauta principalmente pelos princípios da legalidade, moralidade e eficiência. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que, no prazo de quinze dias, seja dada à recorrente a possibilidade de regularizar a sua situação processual. Ademais, do exame dos documentos da diligência fiscal, verificase que a diligência não foi cumprida integralmente, pois a recorrente não foi devidamente cientificada de seu teor, em especial dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. A falta de intimação da diligência viola o princípio do devido processo legal e implica ofensa ao amplo direito de defesa administrativa, que é uma garantia individual e reconhecida constitucionalmente. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908290/200915 Resolução nº 3801000.406 S3TE01 Fl. 5 4 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) intime à interessada no prazo de 15 (quinze) a regularizar a representação processual; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo acima. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10508.000056/2011-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 07/02/2006 a 27/12/2006
IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Tratando-se de exigência decorrente do lançamento de diferença do II, uma vez cancelado esse lançamento, impõe-se o cancelamento do auto de infração da Cofins-importação.
Numero da decisão: 3402-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, que dava provimento parcial para não-inclusão dos valores referentes aos custos com desenvolvimento do projeto e ao agenciamento dos fretes, para fins de cálculo do valor aduaneiro, e Mário César Fracalossi Bais (Suplente), que negava provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Ventura, OAB/PE 17900, e Dr. Dorival Padovan, OAB/DF 33782, e, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra.
Gilson Macedo Rosemburg Filho Presidente-substituto.
Sílvia de Brito Oliveira - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mário César Fracalossi Bais (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosemburg Filho.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, que dava provimento parcial para não-inclusão dos valores referentes aos custos com desenvolvimento do projeto e ao agenciamento dos fretes, para fins de cálculo do valor aduaneiro, e Mário César Fracalossi Bais (Suplente), que negava provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Ventura, OAB/PE 17900, e Dr. Dorival Padovan, OAB/DF 33782, e, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra. Gilson Macedo Rosemburg Filho Presidente-substituto. Sílvia de Brito Oliveira - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mário César Fracalossi Bais (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosemburg Filho.
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Recorrida DRJ em RECIFEPE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 07/02/2006 a 27/12/2006 VALOR ADUANEIRO. CONTRATO MISTO DE DISTRIBUIÇÃO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os pagamentos efetuados ao exportador como contraprestação por serviços prestados avençados em contrato misto de Distribuição de Produtos e Prestação de Serviços não integram o preço pago ou a pagar pelos produtos, desde que a prestação do serviço não seja condição de venda do produto pelo exportador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 07/02/2006 a 27/12/2006 IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na importação, o IPI incide sobre o valor que serviu de base para o cálculo do II, acrescido dos valores previstos em lei; portanto não subsistindo a exigência de diferença do II, também deve ser cancelado o lançamento de IPI decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 07/02/2006 a 27/12/2006 IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Tratandose de exigência decorrente do lançamento de diferença do II, uma vez cancelado esse lançamento, impõese o cancelamento do auto de infração da contribuição para o PISimportação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 07/02/2006 a 27/12/2006 IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 00 56 /2 01 1- 78 Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 2 Tratandose de exigência decorrente do lançamento de diferença do II, uma vez cancelado esse lançamento, impõese o cancelamento do auto de infração da Cofinsimportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, que dava provimento parcial para nãoinclusão dos valores referentes aos custos com desenvolvimento do projeto e ao agenciamento dos fretes, para fins de cálculo do valor aduaneiro, e Mário César Fracalossi Bais (Suplente), que negava provimento ao recurso. Fizeram sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Ventura, OAB/PE 17900, e Dr. Dorival Padovan, OAB/DF 33782, e, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra. Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidentesubstituto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mário César Fracalossi Bais (suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosemburg Filho. Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contribuição para o Programa de Integração Social – Importação (PIS Importação), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Importação (Cofins Importação), acrescidos da multa aplicável nos lançamentos de ofício. Foi formalizada também a exigência de multa administrativa correspondente a 100% (cem por cento) da diferença entre o valor aduaneiro apurado pela fiscalização e o declarado pela contribuinte. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 671 a 685, o lançamento de ofício decorreu da constatação de que a contribuinte, na apuração do valor aduaneiro para incidência dos tributos de que aqui se cuida, não adicionara pagamentos feitos ao exportador que, conforme manifestação do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial das Aduanas (OMA), no Estudo de caso 1.1, divulgado pela Instrução Normativa (IN) SRF n° 318, de 04 de abril de 2003, efetivamente, integram o preço das mercadorias importadas. O feito fiscal foi impugnado e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de RecifePE (DRJ/REC) julgou procedente o lançamento, o que deu ensejo à interposição de recurso voluntário para se alegar, em síntese, que: Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10508.000056/201178 Acórdão n.º 3402001.978 S3C4T2 Fl. 1.512 3 I – a alteração da base de cálculo do II só pode ocorrer na situação em que o preço apresentado pelo importador não representar o valor real do produto; II – a base de cálculo do II deve atender ao art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), aplicandose seus métodos sucessivos; III – para serem incluídos na base de cálculo do II os serviços devem atender aos critérios jurídicos do Acordo sobre Implementação do art. VII do GATT (AVA/GATT), ou seja, devem relacionarse com o custo do produto ou do seu transporte; IV – a Eletronics e a International não produzem as mercadorias importadas pela recorrente e as adições ao valor aduaneiro prescritas pelo art. VII do GATT são todas concernentes à produção da mercadoria; V – nos contratos firmados pela recorrente com as empresas exportadoras, há dua relações jurídicas; uma compreende a obrigação de dar e outra a obrigação de fazer e a cada uma delas corresponde uma contraprestação; VI – os serviços são realizados a pedido da recorrente, não havendo obrigatoriedade de prestação de qualquer tipo de consultoria; VII – não se aplica ao caso o Estudo de caso 1.1, pois ele trata de hipótese distinta da verificada neste processo; VIII – a multa de 100% sobre a diferença do valor aduaneiro é incabível, pois não foi comprovada, sequer acusada, a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio; e IX – a recorrente não auferiu vantagem econômica com o procedimento que adotou. Ao final, a contribuinte solicitou a nulidade do lançamento, por erro de fato, visto que a prestação de serviços não está relacionada com o preço das mescadorias importadas, ou a improcedência da exigência, por não se tratar de hipótese de adição dos valores remuneratórios da prestação de serviços ao preço das mercadorias; ou a compensação do valor pago de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com o II; ou, ainda, que seja cancelada a exigência da multa de 100% sobre a diferença do valor aduaneiro. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou contrarazões ao recurso voluntário, para, em apertada síntese; alegar que: I – o valor aduaneiro é o valor de transação, que é o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8° do AVA/GATT e há que se considerar a nota interpretativa consignada no Anexo III desse mesmo Acordo, que afirma que o preço efetivamente pago ou a pagar compreende todos os pagamentos efetuados ou a efetuar, como condição da venda das mercadorias importadas pelo comprador ao vendedor, ou pelo comprador a um terceiro para satisfazer uma obrigação do vendedor; II – o valor aduaneiro deve ser apurado com observância dos ajustes previstos na IN SRF n° 323, de 2003, e não se confunde com o valor faturado, nem com o valor declarado para o fim de obtenção do licenciamento das importações; Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 4 III – todo pagamento direto ou indireto que esteja ligado à importação deverá ser incluído no valor aduaneiro e, em se tratando de um contrato, as disposições acessórias ao próprio fornecimento da mercadoria também devem ser consideradas custo, desde que sejam uma condição da venda do próprio produto importado; IV os serviços descritos na rubrica “Desenvolvimento e Projeto de Produto” devem integrar o valor aduaneiro das mercadorias importadas, pois estão diretamente relacionados ao desenvolvimento dos produtos e o valor pago pelo trabalho de criação, aperfeiçoamento e engenharia dos aparelhos compõe o custo de aquisição de tais mercadorias; V o fato de a exportadora não ser a fabricante dos produtos não autoriza a descaracterização daquele documento, posto que seria admissível que ela, como licenciada da Motorola, estivesse direta ou indiretamente envolvida no processo de pesquisa e desenvolvimento daquela, ou que lhe encomendasse o desenvolvimento de produtos que atendessem a necessidades específicas dos distribuidores; VI os serviços de consultoria e marketing não foram contratados por mera liberalidade, ao contrário, eram uma condição da venda e, nessa qualidade, devem compor o preço do produto; VII o valor aduaneiro deve corresponder não só ao preço constante da fatura, mas também aos pagamentos efetuados a título de serviços prestados pelo exportador; e VIII a aplicação da multa em razão do subfaturamento independe da verificação de fraude, sonegação ou conluio, bastando comprovar a diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação. Ao final, a PGFN solicitou que fosse negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e seu julgamento está inserto nas esfera de competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Por estarse tratando aqui de transação comercial que envolve países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) organização criada no final da Rodada Uruguai de negociações para reduções tarifárias no comércio internacional, em 1994 , cujo tratado constitutivo adotou o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (General Agreements on Tarifs and Trade GATT), a questão central destes autos, que, em suma, consiste na apuração do valor aduaneiro para cálculo dos tributos incidentes na importação, está subordinada às regras do art. VII desse Acordo, implementado conforme Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT, também chamado de Código de Valoração Aduaneira (AVA/GATT 94), cuja internação no Brasil se deu por meio da Ata Final que Incorpora os Resultados das Negociações Comerciais Multilaterais da Rodada Uruguai do GATT aprovada pelo Decreto Legislativo n° 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgada, para ser executada e cumprida, pelo Decreto n° 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10508.000056/201178 Acórdão n.º 3402001.978 S3C4T2 Fl. 1.513 5 Nesse contexto, para o exame da questão, há que se considerar que o GATT emergiu de negociações que objetivavam a expansão e a liberalização progressiva do comércio mundial, por meio da remoção de barreiras ao comércio internacional, inclusive as barreiras nãotarifárias e, por isso, tratou do valor aduaneiro das mercadorias, que, nos termos do art. 2° do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo Decretolei n° 2.472, de 1° de setembro de 1988, constitui a base de cálculo do II e deve ser apurado em conformidade com o art. VII do GATT. Destarte, o AVA/GATT 94, ao buscar uma base imponível consetânea com o valor efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria, em uma venda para exportação para o país de importação, traz disposições que, com efeito, configuram limitações à definição da base de cálculo do II pelos países membros da OMC, pois, com a eleição do valor de transação para definir o valor aduaneiro, pretendeuse assegurar às transações comerciais a realidade negocial, com vista à proteção do comércio internacional, tendo como pressuposto economias internas baseadas na livre iniciativa e na liberdade de mercado. Dessa forma, conquanto práticas comerciais protecionistas por parte de alguns países signatários do GATT existam e talvez elas sejam indícios mesmo da falência dos princípios desse Acordo no ordenamento do comércio internacional, não consta que o Brasil tenha denunciado o GATT. Portanto, impõese a apreciação do litígio aqui instaurado à luz do AVA/GATT 94, cujos termos, diante do contexto em que produzidos e considerando a função regulatória de atividades econômicas que possui Imposto de Importação, devem ser lidos com vista à simplificação e à facilitação do comércio internacional. O litígio aqui instaurado pode ser assim resumido: a acusação fiscal é de que os valores pagos pela contribuinte à MDX Eletronics, no período de fevereiro a dezembro de 2006, a título de pagamento pela prestação dos serviços compostos por atividades que a própria exportadora detalhou, em memorial descritivo trazido aos autos, devem compor o valor da transação, pois, de acordo com o Estudo de caso 1.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da OMA, é parte integrante do custo total dos bens importados. De outro lado, a defesa trazida no recurso, em apertadíssima síntese, é de que tais valores referemse a pagamentos pela prestação de serviços contratados com a MDX Eletronics, conforme Contrato de Distribuição de Produtos e Prestação de Serviços de Marketing e Consultoria e Outras Avenças, e com a International, conforme Contrato de Distribuição de Produtos e Prestação de Serviços de Propaganda e Publicidade, pois tais contratos impõem tanto a obrigação de dar (mercadoria importada) quanto a obrigação de fazer (prestação de serviços). Assim, conjugadas as leituras do TVF e dos autos de infração, constatase que não se trata aqui de recusa do primeiro método de valoração aduaneira e aplicação dos sucessivos métodos, tampouco tratase de ausência dos acréscimos ao preço efetivamente pago ou a pagar previstos no artigo 8° do AVA/GATT 94. Com efeito, a acusação fiscal, embasada no Estudo de caso 1.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da OMA, é de que os valores pagos pela recorrente às exportadoras pela prestação de serviços, especialmente à vista da descrição feita pela exportadora dos itens “Desenvolvimento e Projeto de Produto” e “Marketing e Consultoria de Vendas”, fazem parte do preço efetivamente pago dos bens importados. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 6 É oportuno então examinar a alegação recursal relativa à inaplicabilidade do Estudo de caso 1.1 diante da justificativa fiscal para inclusão, no valor de transação, dos itens das atividades descritas no TVF, do qual se reproduz o trecho a seguir: (...) 1 Desenvolvimento e Projeto de Produto Custo Total: US$ 3.000.000,00 (fls. 516 e 517). Este descreve o trabalho de criação, de aperfeiçoamento e de engenharia dos produtos exportados pela MDX ELECTRONICS para a AXT TELECOMUNICAÇÕES (à é p o c a c om razão social d e MDX DO NORDESTE). Se tais produtos não foram patenteados em nome da AXT (e não foi porque esta importa os produtos já fabricados), este custo, por óbvio, é parte integrante do custo total dos produtos resultantes de tais serviços. E se os produtos resultantes desse processo de desenvolvimento e criação foram exportados para a AXT, então o valor pago a título de serviços é, na verdade, parte dos custos dos produtos importados pela AXT TELECOMUNICAÇÕES LTDA, exportados pela MDX ELECTRONICS, LLC. Qualquer pessoa (física ou jurídica) que compra um produto no mercado nâo paga , separadamente, pela criação e pela fabricação. Pagase, a preço único e por inteiro, o produto resultante de todo o esforço empresarial. Quem detém a patente, a marca, é quem arca com os custos de desenvolvimento (e faz parte do custo das unidades fabricadas/vendidas). Não tem amparo legal este arranjo financeiro visível entre as duas empresas, importadora e exportadora. 2. Marketing e Consultoria de Vendas Custo Total: US$ 900.000,00 (fl. 517): Considerando que a Fiscalizada escriturou em seu Balancete de Verificação (com a devida repercução em seu Resultado do Exercício e Demonstração do Resultado do Exercício de 2006), às folhas 149, 150 e 153, os itens PROPAGANDA E PUBLICIDADE (R$ 1.602.808,55), SERVIÇOS DE PESQUISA MERCADOLÓGICA (R$ 127.504,65) e PROPAGANDA COOPERADA VPC (R$ 243.982,83), é ilógico tais serviços terem sido prestados também pela exportadora. Ao final d a descrição do serviço, revelase que tais custos se destinariam a pesquisa de mercado para subsidiar o desenvolvimento de produtos que fossem capazes de competir c om outras marcas existentes no mercado nacional. Concluise que este custo tem a mesma natureza do item anterior e faz parte dos custos d e desenvolvimento dos produtos, uma vez que é preciso conhecer as necessidades da demanda para se ter certeza da viabilidade comercial d o produto ofertado. Portanto, custos do exportador/produtor, não podendo ser atribuídos ao importador. 3. Acordos de Frete e Planejamento de Produção Custo Total: USS 4.000,00 (fls. 517 e 518): Todos os custos referentes ao frete na importação, do país d o exportador até entrada em território nacional, compõem o valor aduaneiro das mercadorias, base de cálculo do Imposto de Importação. 4. Encargos Gerais Custo Total US$ 120.000,00 (fl. 518): Ao ler esta descrição, a impressão que se tem é a de que a AXT possui uma subsidiária nos EUA que utiliza as instalações da Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10508.000056/201178 Acórdão n.º 3402001.978 S3C4T2 Fl. 1.514 7 MDX. Como não existe registro no CNPJ da Fscalizada sobre isso, concluise que este também faz parte dos custos dos produtos exportados pela MDX ELECTRONICS, LLC. (...) (Grifouse) Vistas as justificativas fiscais, concluise que os itens 1 e 2 acima reproduzidos entrariam na formação do preço das mercadorias por ser parte integrante do custo total dos produtos, por analogia ao Estudo de caso 1.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da OMA, doravante referido apenas como Estudo de caso 1.1, que trata de relatório sobre o estudo de um caso com referência especial ao artigo 8°, 1, b, do AVA/GATT 94, que transcrevese: Artigo 8° 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do artigo 1°, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar: (...) b) o valor, devidamente atribuido, dos seguintes bens e serviços, desde que fornecidos direta ou indiretamente pelo comprador, gratuitamente ou a preços reduzidos, para serem utilizados na produção e na venda para exportação das mercadorias importadas, e na medida em que tal valor não tiver sido incluído no preço efetivamente pago ou a pagar: (i) materiais, componentes, partes e elementos semelhantes, incorporados às mercadorias importadas; (ii) ferramentas, matrizes, moldes e elementos semelhantes, empregados na produção das mercadorias importadas; (iii) materiais consumidos na produção das mercadorias importadas; (iv) projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte e de “design”, e planos de esboço, necessários à produção das mercadorias importadas e realizados fora do país de importação. (...) Diante das conclusões da fiscalização, o valor do item “Desenvolvimento e Projeto de Produto” deve integrar o valor aduaneiro não por força das adições previstas no artigo 8°, mas por compor efetivamente o preço da mercadoria e, consequentemente integrar o valor pago ou a pagar da mercadoria. Assim, considerando a analogia feita com o Estudo de caso 1.1, transcrevese a seguir a parte desse estudo pertinente: (...) Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 8 7. O valor de transação é calculado pela adição dos seguintes montantes ao preço de venda da planta industrial, fixado no contrato com a BORG em 2 bilhões de u.m.: a) 500 milhões de u.m., a pagar à BORG, relativos ao projeto de engenharia e à pesquisa e desenvolvimento, necessários à construção da planta industrial (ver parágrafo 1º anterior). Esta adição não constitui um ajuste ao Artigo 8, mas é de fato parte do preço total efetivamente pago ou a pagar de acordo com o contrato. O serviço de engenharia fornecido pelo próprio vendedor das mercadorias é faturado normalmente em separado. Em alguns países esta distinção se deve a diferentes tipos de autorização para pagamentos ao exterior (Departamento do Comércio para mercadorias, Departamento da Indústria para assistência técnica). O preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a ser efetuado pelo comprador ao vendedor pelas mercadorias importadas. (...) (grifouse) Destarte, para se averiguar se algum pagamento feito em virtude de cláusula contratatual compõe o custo e, consequentemente, o preço do bem, há que se interpretar o contrato. Conforme relatório da transação do Estudo de caso 1.1, a importadora (NAVAL) contratou com a exportadora (BORG) a construção e venda pela BORG de uma planta industrial destinada à produção de gás metano líquido. O preço de venda da planta a ser pago pela NAVAL à BORG é de 2 bilhões de unidades monetárias (u.m.) e uma das cláusulas do contrato prevê o pagamento de 500 milhões de u.m. pela NAVAL à BORG, pelos projetos de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, trabalhos de arte etc, necessários à construção da planta industrial. Ocorre que, no caso destes autos, a recorrrente firmou com a MDX Eletronics Contrato de Distribuição de Produtos e Prestação de Serviços de Marketing e Consultoria e Outras Avenças que, com efeito, é um contrato que reúne obrigação de dar e obrigação de fazer e esta última foi detalhada no Aditivo ao contrato como serviços de prospecção e desenvolvimento de negócios, planejamento estratégico, desenvolvimento e ajustre de produtos para atender o mercado brasileiro e assessoria em marketing, propaganda e publicidade. Notese pois que, enquanto no Estudo de caso 1.1 temse contrato semelhante a um contrato de compra e venda com estipulação do preço, no contrato da recorrente com a MDX Eletronics, temse um contrato misto que agrega avenças de um contrato de fornecimento de produtos para comercialização em determinado mercado com avenças de um contrato de prestação de serviço. Nesse contrato, o prazo é indeterminado e as compras e vendas ocorrerão ao longo de todo o período de vigência do contrato de fornecimento e a contraprestação pela entrega dos bens será o preço vigente à época do fornecimento, que será realizado mediante pedido de compra da distribuidora à fornecedora e, pela prestação de serviços, a fornecedora receberá remuneração variável, se e quando os serviços forem solicitados. Não se pode olvidar que, diante da proliferação de modalidades de negócios impulsionada pelos acordos firmados no âmbito da OMC, que, declaradamente, possuem o Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO Processo nº 10508.000056/201178 Acórdão n.º 3402001.978 S3C4T2 Fl. 1.515 9 propósito de expansão e liberalização do comércio, novos interesses e necessidade peculiares surgem e necessitam de ajustes precisos e, ao mesmo tempo, simplificados. Nesse contexto, ajustamse interesses, de um lado, de escoamento da produção e ampliação ou formação de mercado consumidor, sem negligenciar a preservação da marca dos produtos, e, de outro lado, de comercializar produtos cuja marca já constitui, por si só, pressuposto de concretização de vendas em determinado mercado. Cabe ainda registrar que não se vislumbra, no contrato em questão, que a prestação de serviços relacionados a marketing e consultoria de vendas, tampouco os relacionados ao desenvolvimento e projeto de produto, seja condição de venda ou de fornecimento dos produtos, pois a obrigação de promover propaganda ou publicidade com a utilização de material de merchandising apropriado e indicado pela fornecedora não obriga a recorrente a solicitar esses serviços da fornecedora para receber os produtos. Tratase de cláusula contratual comumente encontrada nos contratos de distribuição e que visa ao controle e à preservação da marca. Nesse ponto, é oportuno trazer a lume o item 7 do Estudo de caso 7.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da OMA, que reproduzse: (...) 7. O pagamento relativo ao curso não é uma condição de venda quando é possível comprar a máquina sem pagar pelo curso. O fato da cobrança do curso ter sido feita em separado significa que o comprador freqüentou o curso. Neste caso, o pagamento pelo curso não diz respeito às mercadorias importadas, porque não se trata de uma condição de venda da máquina. De fato, o contrato de venda compreende dois elementos, quais sejam: o fornecimento das mercadorias e o oferecimento do curso. Não obstante isso, como a máquina pode ser adquirida sem o pagamento relativo ao curso, esses dois elementos são dissociáveis. (...) (grifouse) Por fim, registrese que a análise sobre o item “Desenvolvimento e Projeto de Produto” foi aqui feita apenas sob o ponto de vista da acusação fiscal de que efetivamente integraria o preço do produto, não se podendo estendêla para a hipótese de acréscimo ao preço, nos termos do artigo 8°, b. (iv), do AVA/GATT 94. Também deve ser registrado que carece de provas a referência da fiscalização sobre possível arranjo financeiro entre a importadora e exportadora. Quanto ao item “Acordos de Frete e Planejamento de Produção”, as atividades descritas no memorial descritivo da exportadora não constituem propriamente frete, que encontraria abrigo no artigo 8°, 2, a, do GATT 94 c/c art. 77, inc. I, do Decreto 4.543, de 26 de dezembro de 2002. Tratase, com efeito, de prestação de serviço consistente em encontrar transportadora com a melhor relação custo/benefício e de previsão e planejamento de produção, conforme extraise do referido memorial: Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO 10 Estes encargos consistem em encontrar transportadoras com a melhor relação custo benefício, enquanto fornece à MDX do Nordeste previsões e planejamento de produção. Ainda, este encargo inclui consolidações de remessa. Esta atividade inclui basicamente o tempo gasto com transportadoras e organizações de serviços financeiros. Além disso, a MDX Electronics projetará os procedimentos operacionais para a MDX do Nordeste trabalhar em conjunto com os consultores nesta atividade no futuro, o que eliminará custos futuros. Custo total estimado em USS 4.000,00 Relativamente ao item “Encargos Gerais”, de acordo com o art. 8°, 4, do AVA/GATT 94, na determinação do valor aduaneiro, nenhum acréscimo poderá ser feito ao preço efetivamente pago ou a pagar, se não estiver previsto naquele artigo e, sendo assim, há de se afastar com veemência o propósito de se acrescentar esse item ao preço com fulcro apenas em “impressões” da fiscalização. Sobre o lançamento de IPI, uma vez que sua base imposível é o valor que servir de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, acrescido do valor deste e dos ágios e sobretaxas cambiais pagos pelo importador, uma vez cancelada a exigência de diferença relativa ao II, não pode subsistir o auto de infração do IPI. No que diz respeito às autuações da contribuição para o PIS e da Cofins, considerando que a base de cálculo dessas contribuições, de acordo com o art. 7°, inc. I, da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, é o que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, não prosperando o ajuste pretendido pela fiscalização, há de se cancelar também as exigências dessas contribuições feitas nestes autos. Pelas razões expostas, voto pelo provimento do recurso voluntário. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/02/ 2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG F ILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.010362/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. PAGAMENTO.
INCOMPATIBILIDADE COM O INTERESSE DE RECORRER.
MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
A recorrente informa que, mesmo contrariada, recolheu integralmente a majoração tributária, com acréscimos legais, mantendo, entretanto, o desejo de recorrer. Ocorre que esta Turma de Julgamento entende que qualquer modalidade de extinção do crédito tributário, inclusive o pagamento, bem como o parcelamento, atos que importam o reconhecimento do débito pelo
devedor, são incompatíveis com o interesse de recorrer (precedente: Acórdão nº 2102002.074, sessão de 17 de maio de 2012). Paga a exação lançada, por exemplo, forçoso reconhecer que o recurso voluntário perdeu o objeto.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.163
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pois a recorrente pagou integralmente o crédito lançado, como dito no recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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PAGAMENTO. INCOMPATIBILIDADE COM O INTERESSE DE RECORRER. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. A recorrente informa que, mesmo contrariada, recolheu integralmente a majoração tributária, com acréscimos legais, mantendo, entretanto, o desejo de recorrer. Ocorre que esta Turma de Julgamento entende que qualquer modalidade de extinção do crédito tributário, inclusive o pagamento, bem como o parcelamento, atos que importam o reconhecimento do débito pelo devedor, são incompatíveis com o interesse de recorrer (precedente: Acórdão nº 2102002.074, sessão de 17 de maio de 2012). Paga a exação lançada, por exemplo, forçoso reconhecer que o recurso voluntário perdeu o objeto. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, pois a recorrente pagou integralmente o crédito lançado, como dito no recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/07/2012 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Abaixo se transcreve o breve relatório da decisão recorrida, que bem espelha o objeto da autuação e as razões deduzidas na impugnação (fl. 26): Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrada, em 07/07/2008, a Notificação de Lançamento de fls. 2 1 a 24, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, exercício 2006 que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 2.494,21, sendo R$ 1.237,15 referentes a imposto suplementar, R$ 927,86 referentes a multa de ofício e R$ 329,20 a título de juros de mora calculados até 31/07/2008. Conforme a Notificação de Lançamento foi constatada omissão de rendimentos do trabalho com e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 16.001,76, recebidos pelo titular e/ou seus dependentes na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte sobre os valores omitidos no valor de R$ 480,05. De acordo com a informação de fl. 18, a impugnação é tempestiva. A contribuinte, nessa impugnação (fl. 01), alegou, em síntese, que o valor declarado em questão tem como origem indenização oriunda de processo judicial e que a notificação seria, assim, injustificada, pois o valor teria sido declarado na declaração de rendimentos e o imposto retido, como comprovam as guias de fl. 05. A 6ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1738.759, de 03 de março de 2010 (fls. 25 e seguintes), assim fundamentado (fl. 26): (...) Os valores majorados constam das guias à folha 05, bem como da fl. 22, parte integrante da Notificação de Lançamento. Esses valores, considerados sujeitos à tabela progressiva, foram somados aos declarados pela interessada. A interessada havia, equivocadamente, declarado esses valores recebidos em virtude de ação judicial entre os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva (fl. 10). Porém, os rendimentos recebidos do INSS são sujeitos à tabela progressiva e, por isso, foram reclassificados no lançamento. As guias anexadas pela interessada comprovam esse fato, tanto que o imposto retido na fonte está discriminado (fl. 05). Com base nessas informações, em tudo o mais que dos autos consta, a impugnação é considerada improcedente e o crédito tributário é mantido integralmente. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11610.010362/200811 Acórdão n.º 210202.163 S2C1T2 Fl. 2 3 A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 20/08/2010. Irresignada, interpôs recurso voluntário em 16/09/2010. No voluntário, a recorrente alegou, em síntese, que a Previdência Social não lhe pagou o valor que lhe seria devido no tempo oportuno, obrigandoa a buscar o Poder Judiciário, tendo os valores recebidos caráter indenizatório. A seguir, arrematou: (...) 7. E mais, a desconstituição da natureza indenizatória do título, para assim considerálo sujeito à tabela progressiva do Imposto de Renda é impor uma sanção à beneficiária, que já foi sujeita ao inadimplemento obrigacional do órgão previdenciário, causa subjacente a indenização correspondente, uma vez que, se houvesse o regular implemento da obrigação, como o deveria pelo órgão previdenciário, a ora recorrente teria o direito de utilizarse da tabela progressiva mensal, fruindo dos descontos mensais, diverso da forma que é ora imposta: e agora sujeita a Recorrente ao dano, com majoração imotivada do imposto, que injustamente é imputado. 8. Não só fazemse mister as considerações supra, que fundamentam inconformismo declinado, como a procedência integral ao presente Recurso, mas também com amparo no repertório jurisprudencial, onde já firmado a convicção que o título auferido detém natureza indenizatória. 9. E por fim, é bastante consignar, que por cautela, quando da interposição da impugnação, a ora Recorrente, mesmo contrariada, recolheu integralmente a majoração tributária, com os acréscimos legais, assim inexigível a “cobrança” imposta na intimação do r. Acórdão combatido. (grifouse) Por fim, pediu o cancelamento da notificação de lançamento acostada nestes autos. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 20/08/2010, sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 16/09/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 21/09/2010, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 A recorrente informa que, mesmo contrariada, recolheu integralmente a majoração tributária, com acréscimos legais, mantendo, entretanto, o desejo de recorrer. Ocorre que esta Turma de Julgamento entende que qualquer modalidade de extinção do crédito tributário, inclusive o pagamento, bem como o parcelamento, atos que importam o reconhecimento do débito pelo devedor, são incompatíveis com o interesse de recorrer (precedente: Acórdão nº 2102002.074, sessão de 17 de maio de 2012). Paga a exação lançada, por exemplo, forçoso reconhecer que o recurso voluntário perdeu o objeto. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, pois a recorrente pagou integralmente o crédito lançado, como dito na peça recursal. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 47DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000176/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Anos calendários: 2004
OITIVA DE TESTEMUNHAS E PERÍCIA – NA FALTA DE PREVISÃO
LEGAL, NÃO CARACTERIZAM CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA
A oitiva de testemunhas e a realização de perícia, notadamente quando consideradas desnecessárias, não caracterizam cerceamento ao direito de defesa, uma vez não previstas para o processo administrativo tributário.
DESPESAS MÉDICAS – COMPROVAÇÃO APENAS ATRAVÉS DE RECIBOS, DESPROVIDOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Quando instado pela fiscalização, com fundamento no art. 73 do RIR/99, deve o contribuinte comprovar o efetivo pagamento das despesas deduzidas, com a transferência dos valores correspondentes.
Numero da decisão: 2102-001.447
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Anos calendários: 2004 OITIVA DE TESTEMUNHAS E PERÍCIA – NA FALTA DE PREVISÃO LEGAL, NÃO CARACTERIZAM CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA A oitiva de testemunhas e a realização de perícia, notadamente quando consideradas desnecessárias, não caracterizam cerceamento ao direito de defesa, uma vez não previstas para o processo administrativo tributário. DESPESAS MÉDICAS – COMPROVAÇÃO APENAS ATRAVÉS DE RECIBOS, DESPROVIDOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Quando instado pela fiscalização, com fundamento no art. 73 do RIR/99, deve o contribuinte comprovar o efetivo pagamento das despesas deduzidas, com a transferência dos valores correspondentes.
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DESPESAS MÉDICAS – COMPROVAÇÃO APENAS ATRAVÉS DE RECIBOS, DESPROVIDOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Quando instado pela fiscalização, com fundamento no art. 73 do RIR/99, deve o contribuinte comprovar o efetivo pagamento das despesas deduzidas, com a transferência dos valores correspondentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Assinado digitalmente Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13982.000176/200781 Acórdão n.º 2102001.447 S2C1T2 Fl. 105 2 GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 6a. Turma da DRJ/FNS, de 20 de agosto de 2.010 (fls. 71/74), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação, mantendo assim, a exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 07/03/2007. De acordo com o Auto de Infração (fls. 08/09), a exigência do crédito tributário no valor total de R$ 4.939,68, sendo R$ 2.420,23 a título de imposto, R$ 1.815,17 de multa, R$ 704,28 de juros de mora decorrem da glosa de despesas com tratamento psicológico no valor de R$ 15.000,00, cujos pagamentos não foram comprovados através da transferência de valores, estando assim descrito: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 15.000,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8.", inciso II, alinea 'a', e §§ 2." e 3., da Lei n." 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n." 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto n." 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS 0 valor declarado como pago ao Sr. Rogério Henrique Nunes Janelli, CPF 242.545.68053, de R$ 15.000,00, equivalente a 100 sessões de tratamento psicoterápico, foi glosado por falta de comprovação de pagamento. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13982.000176/200781 Acórdão n.º 2102001.447 S2C1T2 Fl. 106 3 Além disso: 1. o profissional não possui alvará de funcionamento de clinica e afirma ter prestado os atendimentos psicológicos em sua própria residência; 2.os honorários ditos como cobrados no anocalendário de 2004, de R$ 150,00 por consulta, são superiores aos valores tabelados pelo Conselho Regional de Psicologia (valor máximo de R$ 128,50 em março de 2007); 3. os recibos emitidos pelo profissional e que a contribuinte pretende que comprovem os efetivos pagamentos, foram emitidos em datas em que se alega que ocorreram os atendimentos. Porém, as datas coincidem inclusive com feriados no ano de 2004; 4. a declarante reside em Chapecó, possuindo vinculo empregaticio com empresa do setor privado e, conforme os recibos emitidos pelo profissional, que reside em Pelotas, a contribuinte esteve presente todas as segundasfeiras do ano de 2004, de fevereiro a outubro, para atendimento psicológico, a cerca de 600 km do local onde reside e trabalha; 5. a contribuinte, cujo cônjuge reside em Pelotas, alega haver tido atendimentos psicológicos semanais para o casal (50 consultas, no ano de 2004). Porém, alega também que, quinzenalmente, o cônjuge se deslocava de Pelotas a Chapecó para frequentar aulas de um curso de pósgraduação. Na impugnação alegou que tomou conhecimento da glosa quando procurou a repartição federal no sentido de se questionar sobre o não recebimento da restituição do imposto a que tinha direito, quando foi informada da necessidade de apresentar documentos comprobatórios dos pagamentos do tratamento que teria feito com o Sr. Rogério Janelli da Silva, no valor total de R$ 15.000,00. Apresentou os recibos e depois lhe solicitaram comprovantes das transferências de numerários via instituições financeiras, o que alegou ser impossível, pois os pagamentos foram feitos em papel moeda.. Considerou como documento idôneo, sem saber ao certo o que isto significaria, recibos onde constassem a qualificação profissional do Sr. Rogério Janelli da Silva, declaração por ele entregue à Receita Federal, encontrando depois, notificação para comparecer à repartição, quando tomou ciência do Termo de Notificação que gerou este processo. Expressa sua indignação com a lavratura do auto de infração, alegando reiteradamente que os recibos foram apresentados e neles identifica o profissional que recebeu os valores nele expressos, tal como estabelece o art. 46 da IN 15/2001, assim como declaração do profissional neste sentido. Que o fato do profissional não ter clinica com alvará é irrelevante, uma vez que foi recomendado por pessoa de seu relacionamento. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13982.000176/200781 Acórdão n.º 2102001.447 S2C1T2 Fl. 107 4 No tocante ao fato do valor ser superior ao sugerido pela tabela do Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina, este não pode prosperar, pois o Sr. Rogério Janelli está vinculado ao Conselho do Rio Grande do Sul, cujo valor é superior. Quanto à distancia entre Pelotas e Chapecó, não foi empecilho, pois conciliou assistência ao pai que estava enfermo com doença grave e a companhia ao marido com problemas depressivos, ficando em Pelotas três dias por semana, dentre eles, segundafeira, dia da semana que não ministrava aulas e quando passava pelo tratamento psicológico, fossem dias úteis ou não, bem como, viabilizou o curso de pósgraduação do marido, que era quinzenal. Arrolou ainda, testemunhas que poderiam confirmar as alegações apresentadas. A decisão recorrida, que manteve integralmente a exigência fiscal, após transcrever dispositivos dos diplomas que compõe a legislação fiscal, todos mencionando a necessidade de se comprovar o efetivo pagamento das despesas utilizadas como dedutíveis do imposto, menciona ainda, divergência entre as declarações da Recorrente no sentido de que os mesmos eram feitos após cada sessão, e do profissional, que declarou que os mesmos eram feitos mensalmente (fl. 73), havendo também, inconsistências na referencia ao paciente que recebeu o tratamento, não figurando ter sido prestado ao marido ou mesmo ao casal, como alegado. Também menciona a decisão de primeira instancia o fato do psicólogo beneficiário do pagamento ter declarado à receita federal, sobre aquele ano, valor abaixo do limite de tributação, em que pese ter recebido apenas da impugnante a soma de R$ 15.000,00. Em grau de Recurso a este colegiado a Recorrente reitera os termo da impugnação, destacando mais uma vez que não vislumbra outra forma de comprovar os pagamentos efetuados, além da apresentação dos recibos, declarações e documentos já apresentados, pois não possui cheques ou comprovantes de transferência de numerário, e que esta exigência é ilegal e infundada e que agiu nos moldes da IN 15/2001. Mostrase indignada com a afirmação do relator de primeira instância de que a contribuinte “apresenta pouca credibilidade”, transferindo à Receita Federal esta condição e destaca também a sua liberdade de escolher o profissional que bem entender, independentemente de ter ou não plano de saúde, que lhe facultasse o acesso a outros profissionais. Considerou ainda cerceamento ao direito de defesa o fato de não ouvirem as testemunhas arroladas na impugnação. Reproduz os termos da impugnação, para ao final, requerer o recebimento e provimento do recurso, cancelando a exigência fiscal. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13982.000176/200781 Acórdão n.º 2102001.447 S2C1T2 Fl. 108 5 Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Dele conheço. Inicialmente, cabe mencionar que não vislumbro qualquer cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, que venha a comprometer a validade da decisão recorrida, uma vez que a ela foram concedidas todas as oportunidades necessárias para exercer seu direito ao contraditório,. No tocante à oitiva de testemunhas e perícia, não há previsão legal e tão pouco para a devida apreciação da questão colocada mostramse necessárias. Com efeito, as despesas com psicólogos são dedutíveis na DIRPF, encontrando respaldo no art. 8o , inciso II, alínea “a” da lei n.o 9.250/95. que assim dispõe: Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2° O disposto na alínea a do inciso II: II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Grifos Nossos). Por sua vez, o artigo 73 e § 1° do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) e o artigo 46 da IN SRF n° 15/2001 estabelecem: Regulamento do Imposto de Renda RIR199 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13982.000176/200781 Acórdão n.º 2102001.447 S2C1T2 Fl. 109 6 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Par. 1o se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 4°) Muitos são os precedentes deste colegiado, obviamente, no sentido do que estabelece a legislação, que exemplificativamente, constam das seguintes ementas: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em t despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto idoneidade do documento (Ac. 1° CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 01 1.458). IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovados os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legitima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1° CC 10416647/1998). IRPF DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DOCUMENTOS INIDÕNEOS Ent condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante das evidências de que o profissional praticava fraude na emissão de recibos, tendo sido formalmente declarada a inidone idade dos documentos por ele emitidos, é licito o Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e do pagamento realizado (Ac. 10421838, sessão de 17/8/2006). IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS Se o contribuinte não logra comprovar por outros meios as despesas médicas relacionadas em recibos declarados inic ôneos, apresentase correta a glosa de despesas, conforme preceitua o art. 73 do Decreto n° 3.000/99 (Ac.10615484, sessão de 26/4/2006). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13982.000176/200781 Acórdão n.º 2102001.447 S2C1T2 Fl. 110 7 No caso em questão, a Recorrente apresentou apenas recibos, declaração e documentos profissionais do prestador do serviço, embora mostrando sua indignação desde o início deste processo, e advertida expressamente para a necessidade de comprovar a transferência dos valores, nada apresentou neste sentido. Em momento algum apresentou cheques ou extratos bancários de onde teria sacado o numerário para fazer frente às despesas, ou qualquer outro meio que comprovasse que efetivamente as pagou. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 18471.001287/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: JUROS. CARACTERIZAÇÃO. OPERAÇÃO DE VENDA COM ENTREGA IMEDIATA E PAGAMENTO FUTURO. REMUNERAÇÃO. Caracteriza pagamento de juros o valor entregue pelo adquirente de mercadoria ao fornecedor como contrapartida pelo alargamento do prazo de pagamento da mercadoria, previamente acertado em contrato firmado entre as partes. IRF. JUROS. PAGAMENTO A CONTRIBUINTE RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Sendo o beneficiário residente em país que não tributa a renda ou que a tributa à alíquota máxima inferior a 20%, a alíquota aplicável é de 25%. Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.589
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GUSTAVO LIAN HADDAD, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA que deram provimento integral ao recurso. Fará declaração de Voto o Conselheiro RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Marcos Vinícius Neder de Lima, OAB 09.611.746/SP. Pela Fazenda Nacional fez sustentação oral o Dr. Paulo Riscado Junior.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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CARACTERIZAÇÃO. OPERAÇÃO DE VENDA COM ENTREGA IMEDIATA E PAGAMENTO FUTURO. REMUNERAÇÃO. Caracteriza pagamento de juros o valor entregue pelo adquirente de mercadoria ao fornecedor como contrapartida pelo alargamento do prazo de pagamento da mercadoria, previamente acertado em contrato firmado entre as partes. IRF. JUROS. PAGAMENTO A CONTRIBUINTE RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. PAÍS COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Sendo o beneficiário residente em país que não tributa a renda ou que a tributa à alíquota máxima inferior a 20%, a alíquota aplicável é de 25%. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros GUSTAVO LIAN HADDAD, RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA que deram provimento integral ao recurso. Fará declaração de Voto o Conselheiro RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Marcos Vinícius Neder de Lima, OAB 09.611.746/SP. Pela Fazenda Nacional fez sustentação oral o Dr. Paulo Riscado Junior. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 2 Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório PETRÓLEO BRASILEIRO S/A – PETROBRAS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ I (fls. 1099) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 758/768 e Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 745/757, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aoa anoscalendário de 2004 e 2005, no valor de R$ 52.541.381,66, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 113.728.583,66. A infração que ensejou o lançamento está assim descrita no auto de infração: RENDIMENTOS DE RESIDENTES E DOMICILIADOS NO EXTERIOR. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR – Falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos de residentes ou domiciliados no exterior, conforme Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. Segundo o relato fiscal, a autuação decorre da exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre valores pagos à empresa Petrobras International Finance Company (PIFCO), subsidiária da ora Recorrente, sediada nas Ilhas Cayman, pagamentos esses considerados pela autuação como sendo referentes a juros. O seguinte trecho do Termo de Verificação e Constatação Fiscal resume os fundamentos da autuação: Parcela dos pagamentos realizados à subsidiária nas Ilhas Cayman devem ser classificados como juros, uma vez que constatamos, no caso concreto, a seguinte configuração: 1. A PIFCO, empresa sediada no exterior, compra petróleo no mercado internacional, para pagar no prazo de 30 dias, e o revende à PETROBRAS pelo mesmo preço de compra, porém concede um prazo de pagamento superior, em média, de 270 dias. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 2 3 2. O contrato firmado entre as duas empresas prevê uma indenização (compensation) proporcional à prorrogação do prazo para pagamento. 3. Essa compensação é registrada contabilmente nas contas 2108.198, onde se escritura a parcela de despesa financeira a apropriar relativa aos encargos financeiros a transcorrer nas operações de compra de petróleo e derivados através de empresa do sistema PETROBRAS no exterior e 2101.300015, cujo texto breve é ‘ENC FINANC APRO E SIS’, em separado da conta que registra a compra de petróleo. Resta, portanto, evidente que esses pagamentos realizados e contabilizados nas contas relativas a encargos financeiros são, em verdade, JUROS devidos e calculados em função do prazo que a PIFCO concede à Petrobrás para pagamento das importações de petróleo. Foi aplicada a alíquota de 25% sob o fundamento de que a beneficiária é empresa situada em país com tributação favorecida, aplicandose o disposto no art. 1º, XIII, da IN SRF nº 188/2002. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que a sua subsidiária, Petrobrás International Finance Company (PIFCO), atuava como sua intermediária na negociação e aquisição de Petróleo no exterior e que, por razões estratégicas, estava sediada em país com menor carga tributária; que a remuneração dos seus contratos de compra e venda de petróleo no mercado de futuros ou de opções é feita exclusivamente pela PIFCO e que nas vendas para a Petrobrás a PIFCO deveria adicionar ao preço do petróleo o custo que arcou com tais operações; que como ao tempo da transação ainda não dispunha dos valores correspondentes a tais custos não era possível contabilizar “com preço cheio” esses valores; que, daí, a utilização da "libor + 3 ou 5%" como compensação de custos; que esta compensação não significa pagamento de juros ou remuneração de capital; que as operações financeiras ou típicas de mercado realizaramse inteiramente no domicílio da PIFCO, no exterior, com outras entidades internacionais; que como isso representa uma parcela de custo, cumpriria à Petrobras fazer o reembolso desse custo, mas sempre como preço a pagar pela mercadoria adquirida, e nunca como remuneração de capital, porquanto não haveria entre tais empresas nenhuma relação jurídica de mútuo ou similar. Sustenta ainda a impugnante que a Petrobrás utiliza as regras de preços de transferência previstas na Lei nº.9.430, de 1996 e IN/SRF nº.243 de 2002; que o preço do petróleo no mercado internacional sofre constante oscilação, sendo o processo de refino de petróleo longo e complexo, de modo que entre a compra do petróleo e o recebimento do numerário relativo à venda do produto refinado (combustível), o ciclo pode ser demorado; que o mercado de petróleo tem regras particulares, sobretudo no que concerne aos prazos de pagamento das compras, sendo praxe o prazo de 30 dias, que não se harmoniza com o tempo de maturação da cadeia produtiva; que, no caso, a PIFCO comprou petróleo no mercado internacional, com prazo de pagamento de 30 dias, e revendeu para a Petrobrás com prazo de pagamento de até 360 dias; que a Petrobras comprou petróleo da PIFCO para entrega da mercadoria nos portos brasileiros em até 30 dias, sendo que no ato da compra a Petrobras se comprometia a pagar o preço em até 360 dias, preço este calculado através de uma fórmula que previa o preço futuro dessa carga de custos adicionais; que no período da autuação, o preço final de venda do produto foi igual ao preço de compra da PIFCO mais 3%, (receita Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 4 operacional da PIFCO para cobrir seus custos de alongamento do prazo de pagamento); que, portanto, não se trata de parcela de juros, mas sim de pagamento de compensação que a Petrobrás efetuava à PIFCO para ressarcir os custos decorrentes do alongamento do prazo de pagamento. Sustenta que, independentemente de a PIFCO pagar juros ou não no mercado internacional, a Petrobrás não paga juros à PIFCO, mas sim preço; que a PIFCO é uma empresa cujo objeto social é a compra e venda de petróleo, não sendo uma empresa financeira, a qual empresta recursos a juros no mercado; que, portanto, no caso, houve violação do principio da autonomia privada, uma vez que inexistiu operação de financiamento, como quer o Fisco, mas sim de compra e venda a termo; que ocorreu ilegalidade com a desconsideração do negócio jurídico; que os documentos acostados aos autos comprovam que ocorreu contrato de compra e venda a termo; que ao comprar o petróleo, o preço a pagar é composto por dois fatores bem determinados: o preço alcançado no mercado e uma compensação a titulo de custo acrescido, cuja adição quedase prejudicada no momento da entrega do produto pela impossibilidade de se determinar previamente qual será a taxa "libor" da data do efetivo pagamento do preço pactuado entre ela e a PIFCO; que neste caso o que existe entre ambas as empresas é o contrato de compra e venda a termo, com parte do preço determinado e parte do preço determinável; que isto se deve pelo fato de que quando se vende a prazo, seja a prestações sucessivas, seja a prazo certo, o vendedor expõese a que, no intervalo, o valor do bem cresça inesperadamente, ou por escassez, ou por inflação da moeda, ou por outra causa; que resulta dai a necessidade de se acobertar das mudanças o negócio, mediante cláusulas de venda, de entrega, de pagamento, sendo que tal circunstância é que gera a parte determinável do preço, e nem por isto perde esta qualificação; que tal conduta tem sustentação nos artigos 486, 487 e 488, do Código Civil; que na legislação cambial esta prática encontra base na Circular nº.3.280, de 09/03/2005, do BACEN; que não houve entre ela e a PIFCO contrato futuro, derivativo ou de mútuo; que a parcela determinável para pela Petrobras à PIFCO não representa compensação ou indenização pela temporária privação, ou pelo uso de uma quantidade de coisas fungíveis, (principal), ou pelo risco do seu reembolso; que juros não se confundem com reembolso de custos; que não se aplicam os artigos 702 e 703, do RIR de 1999, porque, os mesmos aplicamse no caso de compra e venda a prazo financiada. O Contribuinte diz ter acostado, às fls. 850/899, parecer emitido pelo professor Luis Eduardo Schoueri, o qual está resumido às fls.839/846, o qual conclui: Diante do exposto, entendemos que os encargos embutidos no preço cobrado pela PIFCO não estão sujeitos ao IRRF; este incide sobre os pagamentos de juros, devidos a não residentes, em virtude de financiamento a devedores locais. O financiamento implica o robustecimento da capacidade financeira do devedor, ainda que os recursos financeiros sejam por eles empregados numa operação de compra internacional. Deste modo, há um fenômeno (fortalecimento financeiro do devedor) imputável ao território nacional, a remuneração do financiamento, portanto, terá por fonte um fato imputável ao território nacional. Inferese dai que o pagamento de juros é imputado a fenômeno localizado no território nacional. Diverso é o caso da remuneração da venda a prazo, a qual reflete um fato ocorrido no exterior. Tratase de preço, pago por uma importação, refletindo transação alémfronteiras, não alcançada pelo IRRF. Embora o primeiro fenômeno esteja sujeito ao imposto de renda brasileiro, a remuneração da venda a prazo não é alcançada por este tributo. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 3 5 Em relação ao registro na contabilidade, é importante ressaltar que não importa por quantas "rubricas" esteja espalhada a operação na contabilidade, em quantas contas e subcontas estejam lançados os valores e como, contabilmente, resolveu a empresa classificar a operação. Importa, para fins fiscais, qual é a natureza da relação existente entre o residente nacional e o exportador estrangeiro. No presente caso, a relação é apenas e tão somente de compra e venda de mercadorias. O lançamento contábil não constitui, por si mesmo, fato gerador do imposto de renda. Para que este incida, importa examinar se a transação reflete hipótese de incidência tributária. In casu, a transação venda a termo não é fato gerador da retenção do Imposto de Renda pela fonte pagadora". Afirma a Impugnante que a escrituração foi feita em consonância com o Código Civil, artigos 1.179, 1.187 e 1.188, e com as regras determinadas pelo órgão de contabilidade, devendo, assim, prevalecer o principio da verdade real; que todos os contratos de importação foram fechados no tipo 2 (importação), não no tipo 4 (prestação de serviços), pago o imposto de importação sobre os valores integrais, sem qualquer dedução de juros, demonstrando que houve compra e venda, não prestação de serviços (financiamento); que o preço praticado na transação está dentro das regras do preço de transferência. O julgamento foi convertido em diligência, que trouxe aos autos os documentos de fls.942/1.087, dos quais a Autuada foi devidamente cientificada. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Destacou, inicialmente, que a Impugnante registrou na sua contabilidade os valores em litígio como sendo despesas financeiras a apropriar relativas a encargos financeiros oriundos das operações de compra de petróleo e derivados através da PIFCO (conta 2108.198, fls.013) e anota que, segundo o artigo 378 do Código de Processo Civil (CPC), os livros comerciais provam contra o seu autor, sendo certo também que é licito ao comerciante demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não corresponderam à verdade dos fatos; que, portanto, é ônus da Interessada comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos, que os valores registrados na sua contabilidade a título de encargos financeiros, na realidade, eram custos de outra natureza. Analisando o que consta nos autos sobre a Petrobrás International Finance Company (PIFC0), sediada nas Ilhas Cayman, a DRJ concluiu que esta repassava à Interessada a mercadoria pelo mesmo valor de aquisição, não participando efetivamente da operação para compra do petróleo, que se dá entre a fonte produtora sediada em países do Oriente Médio ou da própria América Latina, (fls.40/42, 63/64, 81/83, 102/104, 125/126, 249/250 dentre outras), e a Impugnante; que o petróleo vem do produtor diretamente para o Brasil, sem a necessidade da passagem física pelas Ilhas Cayman, onde está localizada a PIFCO. Daí, pergunta: que outros custos, além dos de natureza financeira, estariam presentes entre a Interessada e a PIFCO? E conclui: Claro está que a participação da PIFCO não é a de propriamente ser revendedora do petróleo, já que a Impugnante poderia comprar este produto diretamente daqueles produtores, sem se ver obrigada a pagar um valor maior pela participação de um intermediário localizado nas ilhas Cayman. E observa que fatores externos e incidentais que Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 6 poderiam afetar o custo, tais como variações de preço, escassez, ou inflação de moeda, ou qualquer outra causa de mesmas características, necessariamente deveriam ter a sua efetiva ocorrência documentalmente comprovadas, não só para o Fisco, como também para a própria devedora; que a participação da subsidiária PIFCO, nas ilhas Cayman, estava e está em propiciar à Interessada o alargamento do prazo para pagamento da mercadoria comprada, afirmação com a qual a própria Interessada concorda. E arremata: “a participação da Petrobras International Finance Company (PIFCO), na condição de subsidiária da Interessada localizada nas ilhas Cayman, foi unicamente a de atenuar os custos financeiros que a Interessada não poderia suportar diretamente, por meio da dilação do prazo para pagamento para, em média, 270 ou 360 dias.” Sobre a alegação de que as operações realizadas entre Petrobras e a PIFCO teriam a natureza de venda a termo, e por isso não se poderia falar em acréscimo de juros, ponderou a DRJ que o contrato de compra e venda é do tipo consensual, produzido exclusivamente pelo acordo de vontades, e, portanto, o pagamento integra a eficácia do contrato de compra e venda e, no caso, não só o pagamento foi postergado para data futura, a venda a prazo ou crédito. Sobre este ponto, observou a decisão de primeira instância que o conceito de preço determinável referido pela Impugnante não abarca o caso tratado; que o conceito tratado nos artigos 486 a 488 do Código Civil referese aos casos em que o preço está ligado diretamente ao objeto do contrato, quando não se tem plena certeza dos elementos inerentes ao bem objeto da compra e venda, tais como medida, peso, quantidade, etc. Ressalta a DRJ que, no caso concreto, a parcela determinável do preço tinha natureza eminentemente financeira, e sendo os juros os frutos acessórios pela utilização do capital alheio e a este se agregam, e que os elementos constitutivos dos juros são o valor da prestação e o tempo em que permanece a dívida, restou caracterizado que os acréscimos remetidos pela Interessada tiveram a natureza de remuneração pelo suporte financeiro que a esta teve que assumir para viabilizar a aquisição do petróleo no mercado internacional, com a PIFCO captando recursos no mercado internacional para manter os custos de operação da sua controladora; que a caracterização de juros independe de o credor ser ou não instituição financeira, uma vez que a incidência de juros pode ocorrer nos casos de postergação a qualquer titulo do pagamento de dívidas. E sobre a incidência tributária, ressalta que esta independe da denominação da receita ou do rendimento, e a definição legal do fato gerador deve ser interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ressalta ainda a decisão de primeira instância que não há que se falar no caso em desconsideração do negócio jurídico, e que o que se fez foi a correta qualificação jurídica dos atos praticados pela Interessada; que ocorreu venda a prazo, espécie de venda a termo, e o acréscimo do valor adicionado ao preço da mercadoria deve ser caracterizado como juros enviados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, devendo incidir IRRF, conforme impõem os artigos 702 e 703 do RIR de 1999. Também estaria correta a aplicação do artigo 1º, inciso XIII, da IN/SRF n°.188/2002, que prevê alíquota de 25%, uma vez que o beneficiário tem domicílio em país ou dependência com tributação favorecida. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/04/2010 (fls. 1111) e, em 28/04/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 1113/1177 no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 4 7 A Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário na qual pede a manutenção da decisão recorrida com base nas razões a seguir resumida. Após resumir a operação realizada entre a Recorrente e a sua subsidiária nas Ilhas Cayman, observa que a participação desta tem por finalidade, “além do financiamento das operações mediante capital externo, o alargamento do prazo para pagamento da mercadoria comprada”, que se justificaria devido às regras específicas do mercado de petróleo, que exige prazo exíguo de pagamento. Sobre a alegação da Recorrente de que realizou venda a termo com preço determinável, a PFN observa que não é isto que consta do Contrato, o qual previa que a mercadoria (petróleo) seria vendida à Petrobras pelo mesmo valor da compra, acrescido de uma indenização pela postergação do pagamento e, conclui que, nestes temos, a tal indenização caracteriza juros; que a leitura que a Recorrente faz do negócio é incompatível com as próprias cláusulas do contrato; que a Petrobras, ao comprar o petróleo, sabe exatamente o quanto está pagamento por ele, e a taxa utilizada para calcular a “indenização” não tem o condão de estimar preço futuro, sendo a Libor uma taxa que reflete taxas de juros praticadas entre instituições financeiras, sendo frequentemente utilizada como indexador em operações financeiras, e é utilizada, inclusive, pelo Banco Central do Brasil, em operações de empréstimo em moeda estrangeira, por orientação do Conselho Monetário Nacional (Resolução nº 3.672/2008). Sobre a referência feita pela Recorrente aos preços de transferência, que utilizaria a taxa libor, a PFN observa que, segundo a IN/SRF nº 243/2002, a libor, no caso nela tratado, é utilizada como taxa de juros. E sobre a afirmação de que a PIFCO não é instituição financeira e, portanto, não cobraria juros, rebate o argumento citando exemplo de outras situações em que há contrato entre partes que não são instituições financeiras. Ademais, ressalta que a hipótese de incidência tratada nos autos referese a “juros remetidos para o exterior, devidos em razão da compra de bens a prazo (...), sem em nenhum momento especificar que se trata apenas de venda financiada. Anota a PFN que, ademais, a própria Recorrente registrou em sua contabilidade os encargos em questão como despesas financeiras. A Fazenda Nacional menciona precedente da Sexta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuinte que, julgando processo que tratava da mesma matéria, tendo como autuada a mesma Petrobras, e que deu provimento parcial a recurso de ofício, mantendo a exigência quanto a período não abrangido pela decadência (acórdão nº 10616648 – processo nº 18471.000525/200404) É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 8 Fundamentação Como se colhe do relatório, o cerne da questão a ser aqui examinada diz respeito à natureza dos acréscimos, em relação ao preço original do petróleo adquirido pela Petrobras Internacional Finance Company (PFICO), pago pela Recorrente. O fundamento legal da exigência são os artigos 702 e 703 do RIR/99, a seguir reproduzidos: RIR/1999: Art. 702. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, à alíquota de 15%, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas (DecretoLei nº 5.844, de 1.943, art. º100, nº 3.470, de 1.958, art. 77, e Lei n 9.249, de 1.995, art. 28). Art. 703. Está sujeito à incidência do imposto de que trata o artigo anterior o valor dos juros remetidos para o exterior, devidos em razão da compra de bens a prazo, ainda quando o beneficiário do rendimento for o próprio vendedor (DecretoLei nº 401, de 1.968, art. 11). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, consideramse fato gerador do imposto a remessa para o exterior e contribuinte, o remetente, não se aplicando o reajustamento de que trata o art. 725 (DecretoLei nº 401, de 1.968, art. 11, parágrafo único). Notese que o art. 703 cuida de uma situação específica: o pagamento de juros decorrentes de compra de mercadorias a prazo, mesmo quando o beneficiário dos rendimentos seja o próprio vendedor. A lei, inclusive, dispensou um tratamento diferenciado a esse tipo de operação, ao não exigir o reajustamento da base de cálculo, como em outras situações. Portanto, desde logo, fica claro que o fato de a PIFCO não ser uma instituição financeira e de a PIFCO e a PETROBRAS não terem contratado uma operação de mútuo, conforme alegado pela Recorrente, em nada afeta a validade do lançamento. Ao contrário, o que se deve esperar é que operações de venda de mercadorias a prazo (o que, por enquanto, se assume aqui apenas como hipótese) sejam realizadas por empresas não financeiras, empresas que tenham por objeto a venda ou a intermediação na venda de mercadorias. Ademais, ao prevê a incidência do imposto no caso de venda a prazo, mesmo quando o beneficiário dos juros seja o próprio vendedor, a lei não deixa dúvidas quando à desnecessidade da participação de uma instituição financeira na operação para que haja a incidência do imposto. O que deve ser apurado neste caso é se as operações em questão se caracterizam como venda a prazo e os acréscimos pagos pela Recorrente como juros, como afirma a autoridade lançadora, ou se, como quer a Recorrente, os acréscimos por ela pagos integram o preço do produto. Pois bem, as operações entre a Recorrente e sua subsidiária foram formalizadas e orientadas por meio de um contrato. Para maior clareza, reproduzo trecho do mesmo, extraído da tradução às fls. 740/744 CONSIDERANDO QUE a PETROBRAS deseja comprar petróleo bruto, produtos de petróleo etanol, metanol e Éter Metil Terbulítico (MTBE) da PIFCO e a PIFCO concorda que o pagamento referente a tal compra de petróleo bruto, produtos de petróleo etanol, metanol e Éter Metil Terbulítico (MTBE) pela Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 5 9 PETROBRAS seja efetuado até 360 dias após a data de vencimento da compra da PIFCO junto a seu fornecedor. AGORA, PORTANTO, em contraprestação das premissas firmadas no presente e de boafé e a título oneroso, em valor justo, acordase o seguinte: 1) A PIFCO pode prorrogar para a PETROBRAS, mediante solicitação por escrito, a data de pagamento de qualquer contrato de compra e venda de petróleo bruto, produtos de petróleo etanol, metanol e Éter Metil Terbulítico (MTBE) em até 360 dias após a data de vencimento da compra da PIFCO junto a seu Fornecedor. 2) Para cada carregamento de petróleo bruto, produtos de petróleo etanol, metanol e Éter Metil Terbulítico (MTBE), a PETROBRAS pagará uma indenização para a PIFCO proporcional à prorrogação do pagamento conferido pela PIFCO à PETROBRAS. 3) Todos os outros termos e condições do contrato celebrado entre a PIFCO e os seus fornecedores serão integralmente cedidos para a PETROBRAS. Ora, o que este contrato reza, de maneira inequívoca, é que a PIFCO deveria adquirir o petróleo no mercado internacional pelo prazo normalmente praticado neste mercado que, segundo a própria recorrente, é de 30 dias, e repassálo para a PETROBRAS, transferindo lhe também todos os termos e condições dos contratos de compra entre ela, a PIFCO, e os seus fornecedores, exceto o prazo de pagamento que seria estendido por até 360 dias. Como compensação pela prorrogação do prazo de pagamento e na proporção do tempo dessa prorrogação, a PETROBRAS pagaria um acréscimo, que veio a ser fixada no percentual equivalente à taxa Libor mais 3% ou 5%. Embora a Recorrente insista em afirmar que este acréscimo destinavase ao reembolso de custos, o fato é que o pagamento do acréscimo em questão se dá como contrapartida pelo alargamento do prazo de pagamento, vale dizer, por se privar a PIFCO de receber de imediato a restituição do capital por ela empregado na compra da mercadoria. E esta é a própria definição de juros compensatórios. Embora a Recorrente afirme que o acréscimo pago pela PETROBRAS está incorporado ao preço da mercadoria, o próprio contrato, no trecho acima reproduzido, a desmente: a PIFCO não atua como empresa comercial, que adquire um produto para posterior venda, adicionando ao preço de aquisição uma margem bruta de lucros. A PIFCO atua a serviço da PETROBRAS, como mera intermediária, adquirindo, para ela, os produtos especificados no contrato. Vale repetir, pelas condições do contrato, as mercadorias deveriam ser repassadas para a PETROBRAS pelo mesmo preço de aquisição pela PIFCO (cláusula 3ª do contrato) acrescido apenas da compensação financeira pela prorrogação do prazo de pagamento (cláusula 2ª do contrato). Isto, aliás, é a própria Recorrente que o diz, conforme o seguinte trecho do recurso: Na espécie, Petrobras International Finance Corporation PIFCO, na condição de subsidiária, desempenha a função de intermediária da PETROBRAS, com a finalidade de cumprir todas as tarefas de negociação e aquisição de petróleo no Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 10 exterior, usando de todos os modelos de contratos e operações existentes para esse fim. É evidente, por outro lado, que, se a PIFCO adquire mercadorias em valores vultosos como os que se tem neste caso, para pagamento no prazo de 30 dias, e repassa essas mercadorias para a PETROBRAS, para dela receber com prazo bem mais longo, isto somente seria possível mediante uma das duas condições seguintes: ou a PIFCO dispõe de capital próprio suficiente para ela própria financiar a PETROBRAS, o que não faria nenhum sentido, por se tratar de uma subsidiária da própria PETROBRAS; ou, o que é certo, a PIFCO se financia no mercado internacional, assumindo, consequentemente, o encargo de juros decorrentes dessas operações de crédito. Isto, aliás, é admitido pela própria Recorrente no seguinte trecho do Recurso: Assim sendo , o que a Receita Federal está achando ser parcela de juros, e consequentemente tributável pelo IR, é na verdade um pagamento de compensação que a Petrobras efetua à PIFCO para ressarcir os custos decorrentes do alongamento do prazo de pagamento. A PIFCO pode até estar se financiando no mercado internacional, pagando juros no mercado em virtude da necessidade de contratação de empréstimos para venda à Petrobras nos termos acima mencionados, mas a Petrobras não paga juros à PIFCO . A Petrobras paga preço. Cabe relembrar que a PIFCO é uma empresa cujo objeto social é a compra e venda de petróleo, não sendo uma empresa financeira, a qual empresta recursos a juros no mercado . Nesta hipótese, os encargos pagos pela PETROBRAS, se como afirma a Recorrente, destinavamse a cobrir custos da PIFCO, tais custos seriam correspondentes, totalmente ou predominantemente, a tais encargos financeiros. Esta afirmação, contudo, não compromete a higidez da autuação, antes a reforça. É que a definição de juros não exclui que o beneficiário desses juros incorra em custos. As instituições financeiras, por exemplo, que emprestam dinheiro e cobram juros por esses empréstimos, também pagam juros quanto captam estes recursos no mercado, e não se cogita, em tais hipóteses, de se descaracterizar parte das compensações por ela recebidas como juros por se destinarem a cobrir custos de captação e custos operacionais. A situação, neste caso, é exatamente a mesma: se a PIFCO paga juros por recursos que capta no mercado internacional, para pagar pela compra das mercadorias adquiridas para pagamentos em 30 dias e repassálas para a PETROBRAS, recebendo o valor correspondente em prazo superior a 180 dias, a compensação que recebe pelo alargamento do prazo para recebimento não deixa de se caracterizar como juros porque se destina a cobrir os custos de captação dos recursos necessário para a aquisição dos produtos. Os custos de captação, tanto no exemplo do Banco quanto neste caso, certamente são importantes, mas para a apuração do lucro da operação, mas não é disso que aqui se trata. Mas a Recorrente insurgese especificamente contra a interpretação esposada pela autoridade lançadora e pela decisão de primeira instância de que a PIFCO realiza venda a prazo e, consequentemente, insurgese contra a aplicação, na espécie, do art. 703 do RIR/99. Convém, pois, examinar especificamente os argumentos da defesa quanto a este ponto, os quais reproduzo a seguir, para maior clareza. Para que a disposição do art. 703, do RIR/99 possa incidir, na tributação dos rendimentos de financiamentos, não basta a Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 6 11 presença de compra e venda a termo, isoladamente; fazse mister, ademais, individualizarmos situação própria de compra e venda a prazo "financiada", quer dizer, acompanhada da remuneração acessória "a titulo de juros" (art. 702), mesmo quando estes compareçam sob a forma de comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Essas modalidades correspondem a tentativas de evitar dissimulações de juros, como as cláusulas propostas a titulo de prestações várias ao credor, sob a forma de serviço prestado ou outro, que em nada aplicase ao caso sob análise. Não é que toda venda a termo desencadeie necessariamente incidência de imposto sobre a renda, como se comportasse necessariamente acúmulo de juros. Urge, pois, cotejar as disposições do art. 703 com aquelas do seu precedente, com o propósito de uma interpretação segura sobre seus efeitos na determinação do fato jurídico tributário, sem que se possa adequadamente justificar medidas de equiparação que não demonstrem a presença dos juros, segundo seu fato jurídico típico. Com precisão indiscutível, assinala Pontes de Miranda, ao tratar dos fatos jurídicos geradores dos créditos de juros: "Pelo fato de existir débito nao se criam, necessariamente, dividas de juros. Nem toda dívida produz juros. É preciso que haja, por alguma outra razão, eficácia geradora de dividas de juros. Cientificamente, é de mister que algum fato entre no mundo jurídico e, fazendose fato jurídico, dele se irradie a divida de juros. Tal fato pode ser o fato mesmo da divida, que se torne elemento do suporte fáctico de alguma regra jurídica sobre juros (e. g.,divida e mora no pagamento), ou algum ato jurídico. Supõese divida, portanto principal (sors, caput); economicamente, o capital produz os juros; juridicamente, há outro fato jurídico,freqüentemente negócio jurídico, pacto, que versa sobre os juros. Os juros entram, numa ou noutra espécie, na classe dos frutos, em sentido lato" 22 . Grifamos. Como pode ser visto, o único sentido apropriado para o termo sob análise, considerando as condições em que se encontra a empresa PIFCO ante aos seus compromissos no mercado internacional de petróleo, pelo próprio modelo adotado de atuação nesse mercado, que não é uma opção para suas modalidades negociais,mas uma verdadeira imposição que advém do meio, não pode ser outro senão o de reconhecêlo como sinônimo de "reembolso", compensandoo pelos "custos" suportados pela venda a termo, como ocorre com qualquer negócio a prazo. "Custo" é sacrifício, privação ou perda de valor financeiro sofrido pela pessoa como meio para alcançar um objetivo. Segundo Bulhões Pedreira , dentre os tipos classificados de custos, temos o custo de aquisição do bem, que representa o sacrifício financeiro suportado como meio ou requisito para adquirir novo bem ou modificar bem já existente no patrimônio.O processo de aquisição do bem pode compreender diversos atos jurídicos e desenvolverse em etapas duradouras num determinado período, e, neste caso, o custo de aquisição Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 12 será a soma de todos os sacrifícios suportados pela sociedade empresária para completar a aquisição do bem até que este encontre sob seu poder e em condições de ser utilizado na sua destinação. Essa é a finalidade do preço a determinar que encontramos na "compensação" exigida no contrato, prestarse a título de cobertura dos custos a serem suportados com as diversas operações que tem a efetuar na compra de petróleo, com prazo inferior ou igual a 30 dias e posterior venda à PETROBRAS com período superior a este, de até 330 dias. Não está presente outra "causa" jurídica , como a do juro remuneratório, por exemplo, baseado na remuneração pelo uso da quantia bem conferido pelo credor ou ainda de cobertura de eventual risco que sofre o credor nas operag6es efetuadas com o devedor. Pois bem, sobre a diferença conceitual entre venda a prazo e venda a termo, peço vênia para me apoiar no voto condutor do acórdão nº 0616.648, de 05/12/2007, da antiga Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, de relatoria da Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, no processo nº 18471.000525/200404, e que cuidava de situação idêntica à tratada neste processo, inclusive quanto às partes envolvidas nas operações. A compra ou venda a termo é caracterizada quando se dá a operação de comercialização de uma determinada mercadoria, a um preço fixado, para pagamento em prazo determinado, a contar da data da operação, resultando em um contrato entre as partes. O preço a termo resulta da adição, ao valor a vista, de uma parcela correspondente aos juros— que são fixados livremente, em função do prazo do contrato. Assim, a venda a termo se caracteriza por uma operação comercial em que a sua execução é diferida para momento posterior certo, ou seja, se relega para etapa ulterior a entrega do bem e a satisfação do preço (venda a termo propriamente dita) ou se deixa para outra data apenas o pagamento (venda a crédito), ou apenas a entrega da coisa (venda sob pagamento antecipado). A venda a termo, conforme lição de Waldirio Bugarelli (Contratos Mercantis, Editora Atlas: 2000, p. 267), pode ser assim definida: Venda a Termo. Tratase de uma modalidade de compra e venda que diz respeito à execução do contrato, a exemplo do que ocorre com as vendas complexas. Nas vendas a termo, após a conclusão do contrato, comprador e vendedor acordam que a execução se fará dentro de certo tempo, o qual se desenvolverá dentro de termos. inicial (suspensivo ou primordial) e extintivo (final). A venda a termo pode decomporse em dois tipos: 1— () a) venda com pagamento adiantado: Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 7 13 b) venda a prazo ou a crédito — a entrega da mercadoria é feita na data da conclusão do contrato, ficando diferido o pagamento. II— em que o termo atua bilateralmente, para as obrigações de ambas as partes: entrega da mercadoria e pagamento do preço. (destaques da transcrição) Por outro lado, fundamentase o auto de infração no entendimento de que se teria, na espécie, uma venda a prazo, acrescida de encargos financeiros, a título de juros. No dizer de Maria Helena Diniz (Tratado Teórico e Prático dos Contratos, vol. I Ed. Saraiva: 2006, p. 468), "Se a entrega da coisa for feita no dia da conclusão do contrato, ficando diferido o pagamento do preço, cuidase de venda a prazo ou a crédito". Juros são os frutos acessórios da utilização do capital alheio e a este se agregam, conforme artigo 59 e 60 do Código Civil, artigo 293 do Código de Processo Civil e Súmula 254 do Supremo Tribunal Federal. Pontes de Miranda ao abordar os juros, afirmou: "Dois elementos conceituais dos juros sobre o valor da prestação, feita ou a ser recebida, e o tempo em que permanece a dívida. Daí o cálculo percentual ou outro cálculo adequado sobre o valor da dívida, para certo trato de tempo. É o fruto civil do crédito. No plano econômico, renda do capital" [...] Outro aspecto relevante a ser destacado é o de que a própria Recorrente, ao contabilizar as operações, classifica os acréscimos em questão como juros. Os lançamentos dos encargos foram feitos a débito da conta 4720005 — (Outros Encargos Financeiros — juros s/ Empréstimos Controladora, Subsidiária Controladoras) e a crédito da conta 2108112 (Fornecedores Controladora Subsidiárias Controladas — Fornecimento Petróleo e Derivados Exterior c/ Variação). Este aspecto foi destacado pela autuação, que, todavia, diferentemente do que afirma a Recorrente, não se baseou apenas neste fato. E, realmente, a contabilização das operações não é um aspecto que possa ser desprezado, salvo se demonstrado um evidente erro. Mas nada indica que se trate disso. A contabilização das operações e a classificação adotada pela Contribuinte não é um aspecto meramente formal, tem efeitos práticos relevantes, seja para os acionistas, seja para os diversos órgãos de controle. E notese que não se trata aqui de uma empresa qualquer, mas de uma das maiores empresas do mundo, controlada pela União, com milhares de outros acionistas e que atua numa área especialmente sensível, de modo que é uma empresa sujeita a permanente acompanhamento de suas atividades e de seus resultados, o que se faz, preferencialmente, através de seus registros contábeis. Além disso, há uma questão legal relacionada ao papel e aos efeitos da contabilidade das empresas. Esta questão já está pacificada no âmbito deste Conselho. Como exemplo dessa jurisprudência, cito o ACÓRDÃO 10807816, de 13/05/2004: Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 14 PAF APURAÇÃO CONTÁBIL A ciência contábil é formada por uma estrutura única composta de postulados e orientada por princípios. Sua produção deve ser a correta apresentação do patrimônio, com apuração de suas mutações e análise das causas de suas variações. A apuração contábil observará as três dimensões na qual está inserida e as quais deve servir: comercial a Lei 6404/1976; contábil – Resolução 750/1992 e fiscal, que implica em chegar ao cálculo da renda, obedecendo a critérios constitucionais com fins tributários. A regência da norma jurídica originária de registro contábil tem a sua natureza dupla: descrever um fato econômico em linguagem contábil sob forma legal e um fato Jurídico imposto legal e prescritivamente. Feito o registro contábil, como determina a lei, tornase norma jurídica individual e concreta observada por todos, inclusive a administração, fazendo prova a favor do sujeito passivo. Caso contrário, faz prova contra Recurso negado. Por fim, ressalto, como já referido anteriormente, que esta mesma matéria, envolvendo as mesmas partes, já foi apreciada pela antigo Primeiro Conselho de Contribuinte, 6ª Câmara, que deu provimento ao Recurso de Ofício. Eis a ementa desse julgado: Acórdão nº .10616.648, de 05 de dezembro de 2007: DECADÊNCIA No caso de IRF incidente sobre juros remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, em que a tributação é exclusiva de fonte, o fato gerador ocorre na data da disponibilidade econômica ou jurídica do valor, sendo que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldandose à sistemática de lançamento denominado por homologação, onde a contagem do prazo decadencial deslocase da regra geral do artigo 173 do CTN, para encontrar respaldo no §4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar ocorre em contados cinco anos da data da ocorrência do fato gerador. JUROS REMETIDOS A PESSOA JURÍDICA DOMICILIADA NO EXTERIOR A compra ou venda a termo é caracterizada quando se dá a operação de comercialização de uma determinada mercadoria, a um preço fixado, para pagamento em prazo determinado, a contar da data da operação, resultando em um contato entre as partes. O preço a termo resulta da adição, ao valor a vista, de uma parcela correspondente aos juros que são fixados livremente, em função do prazo do contrato. A venda a termo se caracteriza por uma operação comercial em que a sua execução é diferida para momento posterior certo, ou seja, se relega para etapa ulterior a entrega do bem e a satisfação do preço (venda a termo propriamente dita) ou se deixa para outra data apenas o pagamento (venda a crédito), ou apenas a entrega da coisa (venda sob pagamento antecipado). A venda a prazo está caracterizada, como uma modalidade da venda a termo, e o acréscimo de valor adicionado ao preço da mercadoria tem natureza de juros, e, tratandose de juros remetidos a pessoa jurídica domiciliada no exterior estão sujeitos à incidência do IRF. Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 8 15 Recurso de oficio parcialmente provido Assim, em conclusão, penso que os valores remetidos pela Recorrente para sua subsidiária, em acréscimo ao valor do petróleo adquirido por sua subsidiária, caracterizam se como juros, e, portanto, sujeitos à incidência do imposto, conforme auto de infração. E como se trata de remessas a pessoa residente em país com tributação favorecida, incide o imposto à alíquota de 25%, nos termos do art. 685, II, “b” do RIR/99. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Declaração de Voto Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe Pedi vistas dos autos para melhor analisar a questão. Como bem salientou o Ilustre Relator a questão posta para nossa análise é saber se o valor acrescido ao preço, calculado com base na taxa libor + 3% ou 5% conforme o prazo de pagamento, tem natureza jurídica de juros ou se é simplesmente preço. Conseqüentemente, se entendermos que esse plus tem uma ou outra natureza jurídica decidiremos se há ou não incidência do IRRF. Inicialmente devo salientar que conforme consta nos autos, como por exemplo às fls. 47, o exportador é a “PFICO”, em que pese o fato de ser o produtor “SAUDI ARABIAN COMPANY”. Isso significa que a propriedade do bem, no caso o petróleo, pertence à subsidiária da Petrobrás. Assim, a relação jurídica entre a Contribuinte e sua subsidiária integral é de compra e venda e não de financiamento, ao menos formalmente. Contudo se considerarmos Esta afirmação é importante para se afastar definitivamente a hipótese de venda financiada, que exige a existência de duas relações jurídicas distintas, a principal de compra e venda entre comprador e vendedor e uma segunda relação jurídica subjacente entre o comprador e o agente financeiro. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 16 Neste sentido é a jurisprudência do A. Superior Tribunal de Justiça ao analisar a incidência do ICMS sobre os custos financeiros da venda a prazo, sendo tal decisão pela sistemática de recursos repetitivos, in verbis: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. ICMS. ENCARGOS DECORRENTES DE FINANCIAMENTO. SÚMULA 237 DO STJ. ENCARGOS DECORRENTES DE "VENDA A PRAZO" PROPRIAMENTE DITA. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. VALOR TOTAL DA VENDA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO C. STF. 1. A "venda financiada" e a "venda a prazo" são figuras distintas para o fim de encerrar a base de cálculo de incidência do ICMS, sendo certo que, sobre a venda a prazo, que ocorre sem a intermediação de instituição financeira, incide ICMS. 2. A "venda a prazo" revela modalidade de negócio jurídico único, cognominado compra e venda, no qual o vendedor oferece ao comprador o pagamento parcelado do produto, acrescendo lhe um plus ao preço final, razão pela qual o valor desta operação integra a base de cálculo do ICMS, na qual se incorpora, assim, o preço "normal" da mercadoria (preço de venda à vista) e o acréscimo decorrente do parcelamento. (Precedentes desta Corte e do Eg. STF: AgR no RE n.º 228.242/SP, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 22/10/2004; REsp 1087230/RS , Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/06/2009, Dje 20/08/2009; AgRg no REsp 480.275/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/04/2008, Dje 04/03/2009; AgRg no REsp 743.717/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, Dje 18/03/2008; EREsp 215.849/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/06/2008, DJe 12/08/2008; AgRg no REsp 848.723/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/10/2008, DJe 10/11/2008; Resp n.º 677.870/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 28/02/05). 3. A venda financiada, ao revés, depende de duas operações distintas para a efetiva "saída da mercadoria" do estabelecimento (art. 2º do DL 406/68), quais sejam, uma compra e venda e outra de financiamento, em que há a intermediação de instituição financeira, aplicandoselhe o enunciado da Súmula 237 do STJ: "Nas operações com cartão de crédito, os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS." 4. In casu, dessumese do voto condutor do aresto recorrido hipótese de venda a prazo, em que o financiamento foi feito pelo próprio vendedor, razão pela qual a base de cálculo do ICMS é o valor total da venda. 5. A questão relativa à inaplicabilidade do art. 166 do CTN ao caso sub judice resta prejudicada, em face da incidência do ICMS sobre as vendas a prazo. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 9 17 6. O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. (Precedentes: AgRg no Ag 1085297/RR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 19/03/2009, DJe 06/04/2009; REsp 1036656/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/03/2009, DJe 06/04/2009; REsp 771.105/PE, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/03/2006, DJ 08/05/2006; AgRg nos EREsp 471.107/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2004, DJ 25/10/2004) 7. In casu, o art. 97, I e IV, do CTN não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, não se manifestando o Tribunal a quo sequer em sede de embargos declaratórios, razão pela qual impõese óbice intransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo. 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Proposição de verbete sumular. Como bem salientou o Ilustre Professor Luís Eduardo Schoueri em seu parecer acostado aos autos, “a questão não é irrelevante, já que se o acréscimo for considerado pagamento de juros, então sua remessa estará sujeita a tratamento tributário distinto daquele dado ao preço. Afinal, enquanto o preço da mercadoria serve de base de cálculo para os tributos que incidem na importação (imposto de importação, IPI e ICMS), a remessa de juros a residente no exterior motiva a incidência do imposto de renda”. Desta forma, penso que a questão encontrase resolvida, havendo um único negócio jurídico celebrado pela Recorrente, qual seja de compra e venda a termo ou a prazo, não há que se falar em financiamento e muito menos em juros. Resta saber se nos termos do artigo 62A do RICARF o referido julgado deve ser reproduzido na sua parte aplicável, ou em outras palavras, os fundamentos determinantes de uma decisão submetida ao regime do artigo 543C, sobre um tributo devem ser reproduzidas nos julgamentos de tributos diversos naquilo em que forem convergentes? Penso que a resposta deve ser sim, com apoio na lição do Professor Luís Roberto Barroso, ao afirmar que, "por essa linha de entendimento, tem sido reconhecida eficácia vinculante não apenas à parte dispositiva do julgado, mas também aos próprios fundamentos que embasaram a decisão. Em outras palavras: juízes e tribunais devem acatamento não apenas à conclusão do acórdão, mas igualmente às razões de decidir" (in O Controle de Constitucionalidade no Direito Brasileiro. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 184). Só pelo argumentos assim mereceria provimento o presente feito. Contudo há outros argumentos que reforçam o meu entendimento. Isso porque a presente lide administrativa envolve partes relacionadas em uma operação internacional e por tanto sujeita às regras do preço de transferência. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 18 Como bem salientou o Professor Luis Eduardo Schboueri em seu parecer, o ajuste de preço praticado pela Recorrente está amparado pela legislação de preço de transferência, mas especificamente pelo artigo 9º da IN 243/02 quando aplica a taxa libor + 3%. E mesmo quando aplica a taxa libor + 5% o resultado final estaria dentro do limite de 5% de divergência admitido pela legislação. Vale a transcrição de parte do referido parecer: No Brasil, o legislador ordinário não estabeleceu as condições especificas que deveriam ter seus reflexos ajustados no prep da transação. Assumese, portanto, que qualquer ajuste razoável, efetuado pelo contribuinte, justificase na busca de condições para a aplicação da Lei n° 9.430/96, na medida em que permite a comparabilidade entre transações. As autoridades tributárias, todavia, definem, de forma taxativa, quais as circunstâncias que podem gerar ajustes de preço limitandoas a: • prazo para pagamento; • quantidades negociadas; • obrigação por garantia; • obrigação pela promoção, propaganda e publicidade; • obrigação pelos custos de fiscalização de qualidade, padrão e higiene; • obrigação pelos custos de intermediação; • acondicionamento; • frete e seguro. Em que pese a limitação de ajustes possíveis, ilegal em minha opinião, a Instrução Normativa n° 243/02 define, de forma acertada, que as diferenças decorrentes de prazos de pagamento diversos devem ser ajustadas com base na taxa de juros praticada pela própria empresa fornecedora, conforme o parágrafo 2° do artigo 9°: " 2° As diferenças nos prazos de pagamento serão ajustadas pelo valor dos juros correspondentes ao intervalo entre os prazos concedidos para o pagamento das obrigações sob análise, com base na taxa praticada pela própria empresa fornecedora, quando comprovada a sua aplicação, consistentemente, em relação a todas as vendas aprazo." Nesse quesito, o principio "arm's length" parece ter inspirado o entendimento das autoridades fiscais. No entanto, a referida IN exige que o contribuinte comprove a aplicação consistente da taxa de juros praticada durante todo o anocalendário. Nos casos em que essa comprovação não seja possível, de forma supletiva e se afastando da flexibilidade que refletiria o principio "arm's length", a IN 243/02 estabelece critérios fixos: Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 18471.001287/200870 Acórdão n.º 220101.589 S2C2T1 Fl. 10 19 "§ 3° Na hipótese do § 2°, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior." Ao fixar parâmetros rígidos,, quais sejam, a taxa referencial do SELIC, para casos domésticos, e a Libor, para casos em que uma das partes seja residente no exterior, a Instrução Normativa, mais uma vez, extrapola os limites pretendidos pelo legislador e afastase do principio "arm's length". Com efeito, um terceiro independente que tenha de repassar o custo financeiro de um empréstimo a um cliente que efetua uma compra para pagamento futuro não se limitará a repassar a taxa referencial do SELIC ou a taxa Libor mais 3%. O terceiro independente repassará seu encargo (no mínimo), mesmo que esse encargo seja maior que esses valores. Ora, age tal qual um terceiro independente aquela empresa que repassa a partes ligadas todos os custos da tomada de recursós:po mercado necessária a efetivação da operação. Caso repasse apenas uma parte é que estará descumprindo, na outra ponta, o principio "arm's length" e não o contrário. Vale destacar, ainda, que muitas vezes a empresa estrangeira toma esses recursos justamente porque o financiamento no Brasil sairia muito mais custoso. Portanto, na presença de elementos suficientes para comprovar que o encargo financeiro integrante do preço a prazo apenas reflete custos de captação incorridos pela própria empresa vendedora, deve tal prática ser acatada na comparação de preços, sob pena de se afastar do principio "arm's length". Neste sentido, inaplicável a restrição da IN n° 243, quando exige como limite de encargos embutidos no preço a taxa de juros referente à Libor acrescida de 3%. É de se notar que a Recorrente fez quase tudo que a legislação determinava, uma vez que não proporcionalizou a libor + 3% e ainda em alguns casos aplicou a libor+5%. Contudo, ainda assim, a divergência de preços ficou dentro da margem legal de 5%, conforme estipula o artigo 38 da IN 243/02. A denominada “margem de divergência” considerada satisfatória uma variação de até 5% entre o preço ajustado e aquele efetivamente praticado. Vejamos: "Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 20 por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Diante do exposto dou provimento ao recurso. É como voto. (Assinatura digital) Rodrigo Santos Masset Lacombe Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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Numero do processo: 10920.002898/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 30/12/2005 Ementa: DECADÊNCIA PARCIAL– O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso, aplica-se a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. DESISTÊNCIA PARCIAL A renúncia à utilização da via administrativa para discussão da pretensão ou por desistência é razão para não conhecimento do recurso interposto.
Numero da decisão: 2301-002.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer da parte que houve pedido de desistência, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) dar provimento ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 01/2002, anteriores a 02/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram pelo provimento parcial, pela aplicação do I, Art. 173 do CTN. Redator Designado: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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No presente caso, aplicase a regra do artigo 150, §4º, do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. DESISTÊNCIA PARCIAL A renúncia à utilização da via administrativa para discussão da pretensão ou por desistência é razão para não conhecimento do recurso interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer da parte que houve pedido de desistência, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) dar provimento ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 01/2002, anteriores a 02/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram pelo provimento parcial, pela aplicação do I, Art. 173 do CTN. Redator Designado: Damião Cordeiro de Moraes. MARCELO OLIVEIRA Presidente. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Damião Cordeiro De Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.002898/200715 Acórdão n.º 2301002.618 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros, bem como a devida pelo produtor rural, pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural. Conforme Relatório Fiscal (fls. 694, vol. III), as bases de cálculo das contribuições lançadas foram distribuídas em planilhas, da seguinte forma: Segurado Empregado — SE (fls. 815/881), contemplando pagamentos extrafolha efetuados a trabalhadores registrados como empregados da Notificada e pagamentos efetuados a trabalhadores que foram enquadrados como segurados empregados pela autoridade lançadora; Autônomo/Contrib. Individual (fls. 882/919), Frete Terrestre (fls. 920/927) e Frete Aquático (fls. 928/930), onde constam pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais; e Produtor Rural Pessoa Física (fls. 931/936) discriminando valores pagos a Produtores Rurais Pessoas Físicas na aquisição de sua produção. A autoridade fiscal expõe, a seguir, os fatos, dados e informações que serviram de embasamento para o levantamento do Débito. Informa que, apesar de intimada por meio de TIADs, a empresa deixou de apresentar vários documentos de caixa solicitados, ensejando a lavratura do AI competente. Da análise dos documentos apresentados, a autoridade notificante observou que, nos três estabelecimentos localizados no Estado da Bahia, a Empresa utilizouse de artifícios para reduzir o valor da Mão de Obra referente aos serviços a ela prestados, ou seja, registrou custos/despesas com insumos relacionados a material de construção, reforma e manutenção, supostamente fornecidos por Segurados Empregados e Contribuintes Individuais CIs na execução dos serviços contratados pela Notificada. O agente lançador relata, ainda, que a empresa não apresentou as Notas Fiscais de Compra de Mercadoria e Notas Fiscais de Entrada de Mercadoria relacionadas aos insumos discriminados nos Recibos de Pagamento dos referidos segurados, e expõe, a seguir, os motivos pelos quais entende que, na realidade, tais insumos eram remuneração de segurados que prestaram serviços à notificada. Enumera, a seguir, os fatos constatados que, em tese, demonstram que a notificada utilizase de meios ilícitos para encobrir Despesas/Custos com Mão de Obra através de suposta aquisição de Insumos/Materiais, principalmente os relacionados à aquisição de material de construção, reforma e manutenção. Informa que, nos Históricos dos Lançamentos Contábeis, em nenhum momento estão mencionados os insumos discriminados nos Recibos de Pagamento Comuns Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 apresentados, e que foi constatado, também, a existência de pagamento de valores mensais a determinado segurado, valores esses superiores à remuneração auferida após sua contratação como segurado empregado. A autoridade fiscal continua seu relato esclarecendo que foram apurados, nos Livros Diários/Razão apresentados pela Empresa, em Contas do Ativo e em Contas de Resultado, diversos lançamentos referentes a remunerações efetivadas a prestadores de serviço pessoas físicas que prestaram serviços à recorrente, cujos documentos de caixa, apesar de solicitados por meio de TIAD, não foram apresentados pela empresa em sua totalidade. Discorre sobre a caracterização de segurados empregados efetuada, apontado os elementos caracterizadores da relação de emprego encontrados e informando que muitos dos serviços prestados por pessoas físicas estão relacionados diretamente com a atividade fim da notificada, sendo que os nomes dos segurados foram extraídos dos documentos de caixa, e muitos deles estavam ou estão registrados na Notificada como Funcionários. Discrimina diversos recibos de pagamento e dados extraídos de fichas que registram serviços prestados por pessoas físicas, e informa que foram apurados, nos Livros Diários/Razão, em Contas do Ativo e em Contas de Resultado, diversos lançamentos referentes à compra de Produto Rural fornecidos por Produtores Rurais Pessoas Físicas, sendo que a empresa apresentou apenas parcialmente a documentação de caixa relativo a tais lançamentos. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão0710.985, da 5a Turma da DRJ/FNS, (fls. 1.687, vol. 6), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 1.702, vol. 7), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, assevera que, se determina a lei que se tome por base o valor atinente à remuneração do serviço prestado para que sobre este incida a alíquota de 20%, não deverá o contribuinte ou a autoridade fiscal efetuar o cálculo pertinente a este tributo de maneira diversa, sob pena de incorrer em flagrante ilegalidade, e destaca que,a utilização de insumos de forma concomitante à prestação de serviços constitui flagrante irregularidade, devendo ser de todo afastada da presente Notificação de Lançamento de Débito. Observa que não há prova concreta no sentido de que os insumos indicados serviram para burlar a legislação tributária, sendo a equivocada a tributação destes insumos em sede da Notificação Fiscal em tela. Ressalta que a suposta maneira de reduzir valor de uma hipotética remuneração, conforme argumento levantado pela autoridade fiscal, seria apenas útil se a empresa recolhesse suas contribuições de acordo com a folha de pagamento, e não sobre a receita proveniente da comercialização de sua produção rural, sendo a acusação levantada contra a Recorrente infundada, não merecendo, portanto, prosperar. Esclarece que, por tratarse de ambiente rural, fortemente marcado por atividades laborais que dispensam maiores formalidades para a sua concretização, os serviços prestados não demandam contratos para a sua realização, bem como independem do fornecimento de notas fiscais para comprovação dos gastos atinentes aos materiais empregados nos serviços prestados Informa que muitos dos habitantes do local são analfabetos e não possuem sequer documentos básicos que permitam a sua identificação, e por mais que exista o comércio Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.002898/200715 Acórdão n.º 2301002.618 S2C3T1 Fl. 3 5 de materiais de construção na região, inexiste qualquer obrigação da empresa recorrente com relação ao recebimento e arquivamento de notas fiscais por parte de seus prestadores de serviços. Destaca o que discorre a legislação no que tange ao percentual de mãode obra existente na prestação de serviços a pessoa jurídica para argumentar que a alegação do Auditor Fiscal de que os valores discriminados nos recibos de prestação de serviço dizem respeito apenas a mãodeobra, não existindo nos mesmos qualquer valor correspondente aos insumos, e por esse motivo devendo ser considerada como base de cálculo da contribuição previdenciária o valor total do recibo, não pode prosperar. Requer a revisão do débito, para que o Fisco reconheça como insumo os valores apresentados pela Recorrente, ou, não sendo acatado o presente pedido, que seja determinado um percentual de 50 % concernente à mãode obra, por analogia. Alega que o fato de a empresa possuir, em seus arquivos, notas fiscais indicadoras de materiais utilizados em serviços, tais como os prestados nos termos desta notificação, não afasta, por si só, a ocorrência do fornecimento de insumos também por parte dos prestadores de serviços contratados. Com relação à inexistência de menção, nos registros contábeis e no histórico de lançamentos, da compra de insumos, mencionando apenas retribuição de serviço prestado, esclarece que o erro cometido pela contabilidade da empresa em sua omissão não pode culminar na criação de fato gerador e, consequentemente, na exigência de tributos. Defende que é imprescindível à autoridade julgadora deterse aos fatos, e não em meras suposições levantadas pelo Auditor Fiscal para validar a NFLD e, se a contabilidade não registrou estas informações, o fez mediante equívoco, o que em nada corrobora para que sejam desconsiderados os insumos, reconhecidamente fornecidos pelos prestadores de serviços, como base de cálculo a contribuição previdenciária Justifica a ausência de assinaturas informando que o alto índice de analfabetos no local, ainda mais no que se refere aos trabalhadores braçais ali presentes, impede a Recorrente de exigilas em quaisquer documentos, pois tais prestadores não poderiam entender o que quer dizer recibo, e muitos nem poderiam ler o que estavam assinando. Insurgese contra a contribuição ao INCRA, alegando ilegalidade e inconstitucionalidade, e salienta que alguns dos valores lançados nesta NFLD estão sendo também cobrados por meio de NFLD nº 37.060.6043. Sustenta que os repasses financeiros realizados pela recorrente para a empresa Cisabrasile Ltda não podem ser legalmente classificados como matéria tributável pelo Fisco Federal, de forma que não se configura como remuneração de qualquer espécie e, sim, operação de mútuo efetuada entre duas pessoas jurídicas, em operação intercompany, em razão do Sr. Fábio Perini, sócio da Recorrente, ser, à época, sócio também da empresa Cisabrasile. Frisa que operações de mútuo pactuadas entre duas pessoas jurídicas, independentemente dos fins a que se destinam, escapam por completo das regras de tributação instituídas pelo art. 22 da Lei 8.212/91, bem como de qualquer outro dispositivo legal que trate da tributação relacionada à Previdência Social. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Discorre sobre as diferenças existentes entre empregados e trabalhadores autônomos, para reforçar o entendimento de que tornase incabível tributar os autônomos como se empregados fossem, sem que existam elementos que indiquem esta interpretação como adequada ao caso concreto, asseverando que, pelo breve período que estes trabalhadores atuaram e dadas as atividades executadas, notase nitidamente que nenhuma relação de trabalho ocorreu, sendo ilegal exigir da empresa Recorrente que efetue recolhimentos tais como se segurados empregados fossem. Informa que, para evitar quaisquer outras interpretações equivocadas a respeito do assunto, a Recorrente apresenta, em anexo, planilha auxiliar ao material já apresentado em sede de impugnação, apontando os nomes referenciados na planilha anteriormente apresentada, e requerendo que seja afastada a tributação errônea ora indicada perante os trabalhadores indicados com a letra "c" na planilha formadora do anexo I da impugnação apresentada, sob pena de cometimento de flagrante ilegalidade contra a empresa ora Recorrente. Quanto ao pagamento feito ao escritório de advocacia de nome "Kohler Advogados e Consultores", reitera que tratase de pagamento a pessoa jurídica, que em nada se compatibiliza com o objeto desta NFLD, e informa que anexa, ao recurso, o contrato de prestação de serviços firmado entre a Recorrente e o mencionado escritório de advocacia, para comprovar a correção da interpretação dada pela empresa. Lembra que a Recorrente, como produtora rural pessoa jurídica, cumpriu com a sua obrigação principal de recolher a contribuição previdenciária sobre o seu faturamento, uma vez que a atividade desenvolvida nos estabelecimentos 0002/59, 0003/30 e 0004/10 é a extração de piaçava, dendê e coco, sendo que, somente a partir do ano de 2006, iniciou a industrialização da sua produção própria, enquadrandose como agroindústria. Afirma que as atividades desenvolvidas pela Recorrente nos Estabelecimentos/Fazendas Ilha de Tinharé, Boipeba e Guarapua , todas localizadas no Estado Bahia, as enquadram, indiscutivelmente, como produtores rurais pessoa jurídica, onde a tributação da alíquota previdenciária, inegavelmente, é incidente sobre a comercialização da produção rural, merecendo reforma, portanto, a decisão proferida em primeira instância, a qual considera ainda como produtores rurais pessoas jurídicas as empresas que exploram esta atividade de forma exclusiva. Defende que esta interpretação é equivocada, pois nem mesmo as leis mencionadas no acórdão ora atacado definem a exclusividade como regra, e o Decreto 3.048 mencionado, que por sua vez estabelece a exclusividade ora atacada, não observa os limites impostos pela lei que regulamenta, de nº 8.212/91. Traz conceitos de Produtores Rurais Pessoas Jurídicas e Agroindústria para defender a igualdade de tributações entre elas e conclui que de maneira nenhuma pode prosperar o entendimento do Sr. Auditor Fiscal, no que tange a tributação da alíquota previdenciária sobre a folha de salários, ao invés de incidir sobre a comercialização da produção rural, uma vez que constitui uma verdadeira ilegalidade a distinção da forma de tributação entre produtores rurais que industrializam sua produção (agroindústrias) e os que não industrializam. Faz um breve histórico da legislação previdenciária desde a Ordem de Serviço nº 159/1997, salientando que é totalmente descabido o entendimento de que o produtor rural pessoa jurídica que exerça alguma outra atividade autônoma, tenha que tributar a sua alíquota previdenciária sobre a folhadesalários ao invés da comercialização da produção rural Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.002898/200715 Acórdão n.º 2301002.618 S2C3T1 Fl. 4 7 Qualifica de absurdo e ilegal o entendimento trazido nas INs 68/2002 100/2003 e 03/2005, que determinaram a substituição da forma de tributação da comercialização da produção rural para a folhadesalários para as empresas produtoras rurais que, além da atividade rural, explorar também outra atividade econômica autônoma, reafirmando que a empresa contribuinte sempre cumpriu com sua obrigação principal e acessória como produtora rural pessoa jurídica que é, nos Estabelecimentos/Fazendas Ilha de Tinharé (/000259), Boipeba (/000330) e Guarapua (/000410) Aduz que, mesmo sendo totalmente descabido o §5o, do artigo 16,da IN 68/2002, jamais poderia o Sr. Auditor Fiscal apontar como debito, na lavratura da NFLD, períodos anteriores à sua vigência, ou seja, 05/2002. Entende que ocorreu bis in idem na aplicação da multa moratória calculada na presente notificação, considerando que foi lavrado Auto de Infração n° 37.060.6019, pela não apresentação de GFIP, e tanto a NFLD quanto o AI mencionados tomam em consideração um elemento comum para definição do patamar da multa e sua aplicação, qual seja, a declaração de informações. Finaliza requerendo o acolhimento do Recurso em seu efeito suspensivo, pugnando pela desconstituição de todos os valores considerados devidos ao Fisco Federal na NFLD em questão. Às fls 1.866, a recorrente apresenta requerimento de desistência parcial de recurso, relativo aos débitos cujo lançamento ocorreu posteriormente a 30 de janeiro de 2002, eis que, ao contrário dos demais, não foram alcançados pela decadência É o relatório. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Em relação à decadência, verificase que a recorrente ingressou com ação judicial ordinária contra o INSS cujo objeto é o reconhecimento da decadência do crédito, cujos fatos geradores ocorreram em período anterior aos cinco anos que antecedem a data da notificação, mencionando que os créditos tributários anteriores à data de 31/12/2001 tiveram sua exigibilidade suspensa. É fato que as instâncias administrativas não podem analisar matéria objeto de ação judicial, pois o que for decidido no âmbito do Judiciário deverá prevalecer sobre as decisões do CARF, uma vez que as decisões judiciais sobrepõemse às decisões administrativas e, estando uma matéria submetida à apreciação judicial, não poderia ser analisada na esfera administrativa, pois o que vai valer é o que for decidido na ação judicial proposta. No entanto, no caso da decadência, já houve uma decisão judicial definitiva, já que o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.002898/200715 Acórdão n.º 2301002.618 S2C3T1 Fl. 5 9 Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Assim, não há como ignorar a decisão do STF no presente processo administrativo fiscal e, sendo a decadência matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Entretanto, no caso em tela o fato gerador é o pagamento de remuneração não incluídas em folha de pagamento, bem como de segurados caracterizados como empregados pela fiscalização, cujo vínculo empregatício não fora reconhecido pela empresa, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo, caso em que, no entendimento desta Relatora, se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Verificase, da análise dos autos, que a ciência da NFLD pelo contribuinte se deu em 16/02/2007, conforme folha 01, do processo, e o débito se refere às competências compreendidas no período de 08/1997 a 07/2006. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências compreendidas entre 08/1997 a 11/2001, inclusive. Cumpre esclarecer que, para a competência 12/2001, o crédito tributário poderia ter sido lançado em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal citado acima (art. 173, I, CTN). Portanto, reconheço a decadência de parte do débito. Com relação às competências não atingidas pela decadência, verificase que a recorrente apresentou petição, protocolada em 26/02/2010, desistindo parcialmente do recurso, ficando o objeto do presente processo restrito aos débitos relativos aos fatos geradores ocorridos anteriores a 30/01/2002. Dessa forma, não conheço do recurso em relação ao débito lançado a partir de 02/2002, inclusive, tendo em vista a perda de objeto por desistência. Em relação às competência 12/2001 e 01/2002, não atingidas pela decadência prevista no art. 173, I, transcrito acima, e não objeto do pedido de desistência formulado pela recorrente, cumpre esclarecer que é entendimento da maioria dos membros desta Turma de Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.002898/200715 Acórdão n.º 2301002.618 S2C3T1 Fl. 6 11 Julgamento que, havendo qualquer recolhimento antecipado sobre a folha de pagamento, independente de rubrica ou segurados que não constavam da folha, aplicase a regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Nesse sentido, para a maioria dos membros dessa turma, todas as competências não objeto de desistência foram alcançadas pela decadência, uma vez que, conforme RDA, houve pagamento antecipado para todas as competências do débito. Assim, sendo esta Relatora vencida nessa questão, não serão apreciadas as matérias relativas aos fatos geradores lançados em competências que, no entendimento desta Turma, foram atingidas pela decadência. Nesse sentido, CONSIDERANDO que a recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO,. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Redator designado Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PERVILLE CONSTRUÇÃO E EMPREENDIMENTOS em face da decisão julgou parcialmente procedente o lançamento referente ao período de 08/1997 a 07/2006. In casu, com a devida vênia ao posicionamento da ilustre Conselheira Relatora no sentido de que “no caso em tela o fato gerador é o pagamento de remuneração não incluídas em folha de pagamento, bem como de segurados caracterizados como empregados pela fiscalização, cujo vínculo empregatício não fora reconhecido pela empresa, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, para o qual não houve adiantamento do tributo, caso em que, no entendimento da Relatora, se aplica o disposto no art. 173, do CTN”, esse não é o entendimento que deve prevalecer. Isso porque, sobre a decadência, cumpre ressaltar que, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.002898/200715 Acórdão n.º 2301002.618 S2C3T1 Fl. 7 13 Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). Compulsando os autos, depreendese do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, que foram analisadas folhas de pagamento, GFIP e GRPS (ff. 524 a 551). Além disso, consta do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, ff. 63 a 631, que a fiscalização examinou livro diário nº 22; livro de registro de empregados; folha de pagamento, GFIP, comprovante de recolhimento e outros. Assim, verificase que houve o recolhimento parcial das contribuições previdenciárias, considerando a totalidade das contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamentos da empresa. Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. O CARF, por intermédio de uma de suas Câmaras Superiores, corroborou tal entendimento ao aplicar a regra do art. 150, “eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratarse de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal)”. (Processo nº 36918.002963/200575; Recurso nº 243.707 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.418) Dessa forma, tenho como certo que deva ser aplicada ao lançamento fiscal a regra constante do artigo 150, §4º, do CTN. E com base nas informações expostas acima, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 16/02/2007, referente às contribuições do período de 01/08/1997 a 31/07/2006 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 08/1997 a 01/2002, restando mantidas as competências 02/2002 a 07/2006. CONCLUSÃO Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.002898/200715 Acórdão n.º 2301002.618 S2C3T1 Fl. 8 15 Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para DARLHE PROVIMENTO com relação à aplicação da decadência quinquenal prevista no artigo 150, § 4º, do CTN e decotar do lançamento as competências 08/1997 a 01/2002. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 23/08/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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