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Numero do processo: 14120.000140/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.270
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Ana Maria Bandeira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 58 1 57 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000140/200891 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.270 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de setembro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente VALÉRIO AZAMBUJA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 41 20 .0 00 14 0/ 20 08 -9 1 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14120.000140/200891 Resolução nº 2402000.270 S2C4T2 Fl. 59 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 14/16), o contribuinte sob ação fiscal executou obra de construção civil no período de 11/2004 a 05/2007. A auditoria fiscal informa que por se tratar de obra de construção civil de pessoa física, a remuneração foi apurada por aferição indireta tendo como parâmetros a área construída, o padrão de execução da obra e o Custo Unitário Básico — CUB para a construção civil, conforme §4º do artigo 33 da Lei 8.212, de 24/07/1991. A área construída é de 415,72 m2, tendo sido enquadrada no padrão "Normal" e tipo "Alvenaria". Foi aplicado o redutor para as áreas de sacadas e garagens previsto no artigo 449 e ainda aproveitados os recolhimentos efetuados em Guias da Previdência Social — GPS, cujos valores foram convertidos em área regularizada. O autuado teve ciência do lançamento em 27/05/2008 e apresentou defesa (fls. 23/26), onde alega que recebeu intimação no endereço situado à Rua Lucélia n°. 105, apartamento 02, Bairro Monte Líbano. Informa que com o encerramento da construção do imóvel localizado no endereço acima, em meados de abril/2006, o requerente solicitou a Previdência Social INSS, agência 26 de agosto, cálculo referente ao débito da seguridade social referente à construção e posterior pagamento. Afirma que durante a execução da obra foi aberta matricula junto ao INSS e recolhidos os impostos devidos, conforme demonstrado no processo em questão; Com a emissão do "habitese" pela Prefeitura de Campo Grande, alega que ficou aguardando a notificação do INSS para a regularização do débito, o que não ocorreu e gerou o processo fiscal ora discutido. Argumenta que inconformado com os valores lançados nos autos de infração, procurou à sede da Receita Federal do Brasil, Setor de Fiscalização — SAFIS, para esclarecer alguns pontos dos cálculos apresentados; Tais informações foram prestadas pelo auditor fiscal, responsável pelas autuações. Observou que os cálculos apresentados estavam em conformidade com as informações técnicas referente à obra, tais como: metragem coberta, garagem, varanda, tipo de construção etc. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14120.000140/200891 Resolução nº 2402000.270 S2C4T2 Fl. 60 3 Considerando a data do lançamento dos tributos em 31.05.2007 e os valores de juros e multas aplicados sobre a divida, solicitou vistas do processo e verificou no processo sob a nomenclatura Declaração da Informação sobre Obra de Construção Civil — DISO, sob o n° 2007/00006420 a ausência da comunicação (intimação) do contribuinte no referido procedimento. Explica que segundo consta no referido processo, a Previdência Social emitiu um aviso de regularização da obra por meio do Oficio n°. 06.0001.02/620/2007, em 18.04.2007, endereçado a Rua Padre João Crippa n° 319 Monte Líbano; No entanto, o autuado alega que seria residente na Rua Lucélia n°. 105, apartamento 02, Bairro Monte Líbano, deste abri1/2006, conforme cópias de comprovantes em anexo. Considera que se tivesse sido intimado no endereço correto naquela oportunidade, certamente atenderia ao chamado para regularizar as pendências referentes à obra e que tal falha processual resultou em penalização indevida de juros e multa, uma vez que impossibilitado de conhecer do processo deixou de tomar medidas necessárias. Reconhece como corretos os cálculos realizados pelo auditor fiscal, porém, entende que a ausência do comprovante da intimação do contribuinte verificada junto ao processo por si só invalida o ato da aplicação de juros e multas a partir de 31.05.2007. Pelo Acórdão nº 0416.279 (fls. 34/40) a 4ª Turma da DRJ/Campo Grande considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, o autuado apresentou recurso tempestivo (fls. 44/54), onde mantém a argumentação de defesa, no sentido de contestar os juros e multas aplicados uma vez que não teria sido devidamente intimado para regularização da obra. Manifesta seu inconformismo quanto ao argumento da decisão recorrida de que tal intimação seria mera liberalidade da administração. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14120.000140/200891 Resolução nº 2402000.270 S2C4T2 Fl. 61 4 VOTO Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O cerne do recurso apresentado referese ao inconformismo do recorrente quanto ao lançamento dos juros e multa. O recorrente esclarece que não contesta os cálculos efetuados pela auditoria fiscal, porém, não obstante sua intenção de efetuar os pagamentos para regularizar a obra, foi surpreendido com o lançamento do principal acrescidos dos juros e multa. Segundo o recorrente este jamais tomou conhecimento do Aviso para Regularização de Obra – ARO e que o não comparecimento para a devida regularização levou ao lançamento. Por sua vez, a decisão recorrida afirma que a regularização de obra seria ato de iniciativa do contribuinte e que não haveria previsão legal do envio do ARO ao interessado sendo, portanto, procedimento realizado por mera liberalidade do órgão arrecadador. Permitome discordar do entendimento manifestado na decisão recorrida de que o envio do ARO ao contribuinte representaria mera liberalidade. Ora, a própria denominação do documento, qual seja, “Aviso para Regularização de Obra” já encerra sua finalidade precípua que é dar ao contribuinte a oportunidade de regularizar obra de sua responsabilidade, tornando desnecessário o lançamento. A própria Instrução Normativa SRP nº 03/2005 mencionada na decisão de primeira instância traz em seus dispositivos tal obrigatoriedade, conforme se verifica em seu art. 431, abaixo transcrito: Art. 431. A partir das informações prestadas na DISO, após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, será expedido pela SRP o ARO, em duas vias, destinado a informar ao responsável pela obra a área regularizada e, se for o caso, o montante das contribuições devidas, tendo a seguinte destinação: I uma via do ARO deverá ser assinada pelo declarante ou por seu representante legal e anexada à DISO; II uma via será entregue ao declarante. §1° Caso haja contribuições a recolher e caso o declarante ou o seu representante legal se recuse a assinar, o servidor anotará no ARO a observação "compareceu nesta UARP e recusouse a assinar", indicando o dia e a hora em que o sujeito passivo tomou ciência do ARO. (g.n.) A meu ver, o contribuinte deve ser cientificado do ARO por qualquer dos meios previstos na legislação, ainda que este não tenha comparecido espontaneamente para o Fl. 65DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14120.000140/200891 Resolução nº 2402000.270 S2C4T2 Fl. 62 5 preenchimento da DISO, ou seja, que esta tenha sido preenchida de ofício conforme o caso dos autos. Inferese dos autos que a intimação teria se dado por via postal, entretanto, o recorrente alega que jamais recebeu tal intimação. Cumpre lembrar que o contribuinte ainda alega que a intimação teria sido encaminhada ao endereço errado, ou seja, Rua Padre João Crippa n° 319 Monte Líbano quando o recorrente alega que seria residente na Rua Lucélia n°. 105, apartamento 02, Bairro Monte Líbano, deste abri1/2006. Asseverese que a partir da emissão do ARO decorreu quase um ano para que se efetuasse o lançamento o que levou o contribuinte a ser penalizado com encargos correspondentes a todo esse período. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DRF junte aos autos o comprovante de que o recorrente teria sido intimado do ARO, bem como informe a razão deste ARO ter sido encaminhado a endereço diverso daquele que o recorrente alegou ser o correto. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 66DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15165.002816/2006-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ACORDO AUTOMOTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. PEÇAS. PNEUS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. OUTROS PRODUTOS. INCLUSÃO.
Provado que os produtos classificados no código NCM 4011.61.00 estão entre aqueles beneficiados no acordo a que se refere o Decreto nº 4.510/02, não há que prevalecer o lançamento tributário que exige o Imposto de Importação (complemento). Para os outros produtos objeto da lide, procede o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ACORDO AUTOMOTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. PEÇAS. PNEUS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. OUTROS PRODUTOS. INCLUSÃO. Provado que os produtos classificados no código NCM 4011.61.00 estão entre aqueles beneficiados no acordo a que se refere o Decreto nº 4.510/02, não há que prevalecer o lançamento tributário que exige o Imposto de Importação (complemento). Para os outros produtos objeto da lide, procede o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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BENEFÍCIO FISCAL. PEÇAS. PNEUS PARA MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS AGRÍCOLAS. OUTROS PRODUTOS. INCLUSÃO. Provado que os produtos classificados no código NCM 4011.61.00 estão entre aqueles beneficiados no acordo a que se refere o Decreto nº 4.510/02, não há que prevalecer o lançamento tributário que exige o Imposto de Importação (complemento). Para os outros produtos objeto da lide, procede o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 28 16 /2 00 6- 66 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.002816/200666 Acórdão n.º 3302001.864 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a empresa CNH LATIN AMÉRICA LTDA. foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Imposto de Importação, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos de 2005 e 2006, tendo em vista que a Fiscalização constatou a fruição indevida do benefício fiscal a que se refere o Decreto nº 4.510/02 (PA 31 ao ACE 14). Inconformada com a autuação, a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido às fls. 307/309. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis SC julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0726.150, de 26/09/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL NCM. CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR CAMEX. COMPETÊNCIA. A Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Conselho de Governo, detém a competência de estabelecer atos necessários à consecução dos objetivos da política de comércio exterior nacional, dentre eles a alteração da Nomenclatura Comum do Mercosul. ACORDOS INTERNACIONAIS. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS DE IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL NCM. ALTERAÇÕES. EFEITO. Acordos internacionais para redução de alíquotas de imposto de importação que disponham a quais mercadorias são aplicáveis, não são alterados quando de eventual modificação na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, instrumento utilizado para classificação fiscal de mercadorias. PROVAS. APRESENTAÇÃO. A impugnante deve apresentar as provas de suas alegações quando da impugnação. Ciente desta decisão em 29/12/2011 (AR de fl. 319), a interessada ingressou, no dia 26/01/2012, com o recurso voluntário de fls. 321/332, no qual alega, em síntese, que: 1 os pneus novos utilizados em veículos e máquinas agrícolas, código NCM 4011.61.00 consta da lista, elaborada pelo Departamento de Negociações Internacionais Deint/Secex, de NCM abrangidos pelos benefícios fiscais previstos no Decreto nº 4.510/02. A Administração Aduaneira não pode desconhecer tal lista ou deixar de aplicála, pelas razões que cita; 2 o acordo automotivo com a Argentina contempla os produtos descritos no Apêndice I. Alterações na NCM não incluiu e nem exclui produtos do referido regime. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.002816/200666 Acórdão n.º 3302001.864 S3C3T2 Fl. 4 3 3 os produtos dos códigos 8415.81.90 e 3917.31.00 encontram correspondentes na lista do referido Decreto, haja vista que eles pertencem às posições 8415 e 3917, contempladas no citado Apêndice I; Ao final, requer que as intimações sejam encaminhadas em nome e para o endereço dos advogados da Recorrente. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Contra a Recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Imposto de Importação por ter usufruído indevidamente de benefício fiscal no âmbito do acordo automotivo com a Argentina (Decreto nº 4.510/02 PA 31 ao ACE 14). Impugnado, restou provado que diversos produtos (peças para máquinas e equipamentos agrícolas) estavam contemplado no referido acordo e que o fato da Camex ter alterado o NCM não afeta o benefício fiscal, bastando o produto (peça) está descrito no referido acordo. Em razão disto, a decisão de primeira instância exonerou a recorrente do pagamento de parte do crédito lançado. No foi exonerado o crédito relativo aos produtos classificados nos códigos NCM nº 4011.61.00, 8415.81.90 e 3917.31.00. Em relação ao código 4011.61.00, a decisão de primeira instância não acatou os argumentos da Recorrente de que este produto (pneu) consta expressamente do acordo automotivo, tanto é que o Deint/Secex/MDIC inclui este código dentre aqueles abrangidos pelo benefício. Em sede de recurso voluntário, a recorrente juntou a lista de produtos abrangido pelo acordo automotivo preparado pelo Deint/Secex/MDIC, como prova do alegado. A autenticidade da informação foi comprovada em consulta feita no endereço eletrônico http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivos/dwnl_1202329411.xls. Comprovado que o referido código está contemplado no referido acordo automotivo, há que se exonerar a Recorrente do Imposto de Importação lançado e relativo a este código NCM. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.002816/200666 Acórdão n.º 3302001.864 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos produtos classificados nos códigos NCM nº 8415.81.90 e 3917.31.00, não pode prosperar o argumento da Recorrente de que encontram correspondentes na lista do referido Decreto, haja vista que eles pertencem às posições 8415 e 3917, contempladas no citado Apêndice I. E não pode porque no referido Apêndice I os produtos (peças) da posição 3917 estão descritos, no mínimo, até o nível de item e os da posição 8415 estão descritos, no mínimo, a nível de subposição. Mais ainda, na referida lista publicada pelo Deint/Secex/MDIC não inclui estes códigos dentre aqueles abrangidos pelo benefício. Com relação ao pedido para que as intimações sejam encaminhadas em nome e para o advogado da Recorrente, tratase de matéria de competência da autoridade local com jurisdição sobre o estabelecimento da Recorrente. Ressaltese, entretanto, que o Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/66) e o Decreto nº 70.235/72, estabelecem como a autoridade fiscal deve tratar a matéria, especificamente no que diz respeito às intimações, não havendo previsão para seu envio a terceiro, mesmo sendo ele o procurador do contribuinte. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar improcedente o lançamento em relação à mercadoria classificada no código NCM 4011.61.00 (pneu). (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009319/2002-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
VALOR DECLARADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA.
Conforme se depreende do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a imposição de multa de oficio, na constituição de crédito tributário informado em DCTF, ficou limitada à eventual apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida de débitos, nos casos em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1961.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOSÉ LUIZ BORDIGNON - Redator designado ad hoc.
EDITADO EM: 23/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MAGDA COTTA CARDOZO, ARNO JERKE JÚNIOR, RENATA AUXILIADORA MARCHETI e ANDRÉIA DANTAS LACERDA MONETA.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. VALOR DECLARADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Conforme se depreende do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a imposição de multa de oficio, na constituição de crédito tributário informado em DCTF, ficou limitada à eventual apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida de débitos, nos casos em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1961. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES - Presidente. (assinado digitalmente) JOSÉ LUIZ BORDIGNON - Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 23/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MAGDA COTTA CARDOZO, ARNO JERKE JÚNIOR, RENATA AUXILIADORA MARCHETI e ANDRÉIA DANTAS LACERDA MONETA.
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FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado nos autos o recolhimento a menor da contribuição, deve ser mantido o auto de infração que exige o complemento do valor devido. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. VALOR DECLARADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. Conforme se depreende do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a imposição de multa de oficio, na constituição de crédito tributário informado em DCTF, ficou limitada à eventual apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida de débitos, nos casos em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1961. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 93 19 /2 00 2- 44 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente. (assinado digitalmente) JOSÉ LUIZ BORDIGNON Redator designado ad hoc. EDITADO EM: 23/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MAGDA COTTA CARDOZO, ARNO JERKE JÚNIOR, RENATA AUXILIADORA MARCHETI e ANDRÉIA DANTAS LACERDA MONETA. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.009319/200244 Acórdão n.º 3801000.353 S3TE01 Fl. 385 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: O presente lançamento tem origem em procedimento de auditoria interna implementado na DCTF do quarto trimestre do ano de 1997, tendo sido constatada falta/insuficiência de pagamento relativo ao PIS no período de apuração outubro dc 1997. O crédito tributário em comento perfaz o montante de R$ 56.828,69. 2. A autuada insurgese, tempestivamente, contra o lançamento, alegando que a insuficiência de pagamento detectada devese a compensação efetuada de parte do débito declarado em DCTF, com base no processo judicial n° 97.00017508. Entende que a ausência de referida informação na DCTF não teria o condão de invalidar a compensação efetuada. Na ação judicial em comento, a autuada discutiu a constitucionalidade das alterações introduzidas pelos DecretosLeis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, e pleiteou o direito de efetuar a compensação dos alegados indébitos. Obteve sucesso na demanda, conforme cópia da sentença e do Acórdão transitado em julgado anexados às fls.19/28. Juntou ainda a sua impugnação, cópia dos pagamentos efetuados a titulo de PIS e demonstrativo de apuração dos créditos compensados (fls.29/57). A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1997 a 31/10/1997 Ementa: PAGAMENTO E COMPENSAÇÃO – HIPÓTESES DISTINTAS DE EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Necessário que haja comprovação de que a compensação foi efetuada antes do início do procedimento de oficio, do contrário, para que ocorra o encontro de contas pretendido, havendo a comprovação da liquidez e certeza dos indébitos, o debito deverá ser acrescido dos acréscimos legais devidos. Lançamento Procedente em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 73 a 83, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Redator Designado Ad Hoc. Deixo consignado, de plano, que fui designado redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, conforme despacho abaixo colacionado, fls. 383. Tendo sido constatado pela Secretaria da Câmara que o acórdão referente ao processo acima especificado está pendente de formalização e com base na atribuição deferida pela art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 RICARF, designo o Conselheiro José Luiz Bordignon redator ad hoc para formalizar o Acórdão nº 380100.374, de 03/2010, tendo em vista que a relatora, Conselheiro Andréia Dantas Lacerda Moneta, não mais compõe o colegiado. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autoridade fiscal constatou falta/insuficiência de pagamento relativo ao PIS no período de apuração outubro de 1997. Por seu turno, a recorrente defende que a insuficiência de pagamento reflete a compensação efetuada, pois parte da contribuição do mês de outubro de 1997, que foi declarada na DCTF do quarto trimestre de 1997, foi compensada com o crédito reconhecido no processo judicial n° 97.00017508. Importante se faz registrar que a recorrente não contesta a exigência consubstanciada no presente auto de infração, limitandose a reclamar um crédito frente a Fazenda Nacional, cuja origem seria o processo judicial n° 97.00017508. Quanto a esse aspecto, entendendo a recorrente ter efetuado recolhimentos indevidos, portanto credora da Fazenda Nacional, inclusive se originário de decisão judicial com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, a compensação teria que ser feita em processo próprio, seguindo as regras da Lei n° 9.430/96 e Instrução Normativa SRF nº 21/1997, vigente à época do suposto pagamento indevido, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede que, em possuindo créditos compensáveis, a recorrente exercite tal direito, mas em processo desvinculado do presente. É de se dizer, por fim, que o presente processo, cuja origem foi a exigência de Pis, não é sede para discutir a restituição de valores por ventura pagos indevidamente, nem se é cabível a compensação com os débitos aqui exigidos. Também, que nessa instância administrativa não cabe apreciar pedido de restituição, mas tão somente o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, sendo competente para tal a unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.009319/200244 Acórdão n.º 3801000.353 S3TE01 Fl. 386 5 Entretanto, com relação à multa de ofício que acompanhou o lançamento, na decisão de primeira instância foi mantido o percentual de 20%. Assim, necessário se faz verificar o cabimento da mesma, considerando que o art. 90 da MP nº 2.15835/2001 teve sua aplicação estreitada pelo advento da MP nº 135, de 30 de outubro de 2003, art. 18, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, cuja redação foi dada pela Lei nº 11.051, de 2004, assim dispondo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o at. 90 da Medida Provisória nº .2 15835. de 24 de agosto de 2001, limitarseá a imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1961. Conforme se depreende do dispositivo legal acima transcrito, a imposição de multa de oficio ficou limitada à eventual apuração de diferenças decorrentes de compensação indevida de débitos, nos casos em que ficar caracterizada a prática de infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1961. Assim, considerando o disposto no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, uma vez que as circunstâncias ensejadoras à aplicação da referida multa não se encontram presentes, devese exonerar a contribuinte da multa de ofício. Nessa direção foi a resposta dada pela CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT, por meio da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004: “EMENTA. (...) No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no tal. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do art.18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que as penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no” caput” desse artigo”. Desse modo, diante de todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindose a multa de ofício da exigência consubstanciada no presente auto de infração. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003025/99-31
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 30/04/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 30/04/1989.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 30/04/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 30/04/1989. Recurso extraordinário negado.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 30/04/1999, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 30/04/1989. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 30 25 /9 9- 31 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0305.732. da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 209 a 217) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 30/04/1999, repetição de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 28/02/1992. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 221 a 233), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.003025/9931 Acórdão n.º 9900000.808 CSRFPL Fl. 6 3 extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 239 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 30/04/1999. Fatos Geradores: 01/09/1989 a 28/02/1992. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 30/04/1999, estava apto a pleitear a restituição de tributos com fatos geradores ocorridos após 30/04/1989. Dessa forma, como o pleito se refere a fatos geradores ocorridos de 01/09/1989 a 28/02/1992, o direito não estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10830.003025/9931 Acórdão n.º 9900000.808 CSRFPL Fl. 7 5 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.000120/2008-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de
renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito
tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não
tenha procedido à respectiva retenção.
PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Súmula CARF nº 33. Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator .
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(Assinado Digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
EDITADO EM: 21/11/2012
Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Súmula CARF nº 33. Recurso Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator . (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (Assinado Digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora EDITADO EM: 21/11/2012 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, Sidney Ferro Barros
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SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Súmula CARF nº 33. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator . (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado Digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora EDITADO EM: 21/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 01 20 /2 00 8- 33 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, Sidney Ferro Barros Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do Exercício 2005, Anocalendário 2004, em virtude omissão de rendimentos no valor de R$45.367,02 CNPJ: 00.309.542/000140 – Instituto Candango de Solidariedade. Em sua impugnação o contribuinte alegou, consoante o relatório da decisão de primeira instância que: “Entende que os valores que deram origem à Notificação de Lançamento estão explícitos e que não anexou cópia do informe de rendimentos, porque não lhe foi fornecida pelo Instituto Candango de Solidariedade – ICS. Acredita que foi pelo fato de ter sido extinto pelo GDF. Procurou vários setores pela Declaração de Rendimentos, mas não obteve resposta. Apresentou DIRPF retificadora, com base nos valores constantes da Notificação de Lançamento, excluindo os valores de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física, anteriormente declarados de forma errônea, para que então apurasse o real imposto devido. Na SRL apresentada, procurou deixar bem claro o ocorrido. Estranha o analista dessa Secretaria não achar comprovados os valores que deram origem à autuação. Requer a retificação da DIRPF 2004/2005 para que se apure o real imposto devido. Anexa cópia da documentação, devidamente autenticada. Pede, por fim, a improcedência do lançamento.” É o relatório. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Brasília (DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão nº. 0342.783, de 27 de abril de 2011, que se encontra às fls. 37a 42, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.000120/200833 Acórdão n.º 2802001.939 S2TE02 Fl. 126 3 tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão de primeira instância em 01/06/2011 (fls. 46), o recorrente apresentou recurso voluntário em 11/07/2011 (fls. 47), no qual apenas reproduz os argumentos apresentados em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. É de se observar que o contribuinte incorreu nos parâmetros da Malha Fiscal Pessoa Física, e, iniciado o procedimento fiscal, 18/12/2007 (fl. 31), restou materializado a exclusão da espontaneidade do contribuinte, § 1º, Art. 147. Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25/10/1966, , descabendo, portanto a retificação da declaração como pleiteia o recorrente. Ademais, as alegações do recorrente relativas a retificação da declaração assim também ilegitimidade passiva, desnecessárias maiores elucubrações, tendo em vista que a jurisprudência consolidada neste egrégio Conselho supera o entendimento sustentado pelo contribuinte, consoante as súmulas CARF nºs 12 e 33, abaixo transcritas, as quais segundo o artigo 72 § 4 º do Regimento Interno do CARF, é resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, e de aplicação obrigatória por este Conselho: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Súmula CARF nº 33: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10480.908700/2009-99
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 87 00 /2 00 9- 99 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908700/200999 Acórdão n.º 3801001.680 S3TE01 Fl. 115 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em 01/07/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls. 01/05 , a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 17.257,52, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de abril de 2000, efetuado aos 15/05/2000. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 06, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de abril de 2000 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 02/06/2009 (vide aviso de recebimento de fl.63), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5ª Região (fls. 24/39 e de certidão de trânsito em julgado (fl.40 ). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.64/75 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.76/79 ). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 90 a 95, aduzindo, em síntese. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908700/200999 Acórdão n.º 3801001.680 S3TE01 Fl. 116 5 A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de Cofins e, consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908700/200999 Acórdão n.º 3801001.680 S3TE01 Fl. 117 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls. 64 a 79, conforme informação de fls. 80, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.64/75); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 76/79). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.908700/200999 Acórdão n.º 3801001.680 S3TE01 Fl. 118 9 a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. 64 a 79, juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.001951/2006-75
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
FATO NÃO PUNÍVEL. MULTA APLICADA. INCABÍVEL
O fato não conhecer da declaração de compensação - pedido considerado não formulado - por ter sido apresentado em formulário papel, consoante despacho decisório, é diverso do fato descrito no auto de infração, não se subsumindo, por conseguinte, ao art. 18 da Lei nº 10.883/2002 que trata de penalidade por compensação indevida pela utilização de crédito de terceiros e não administrado pela RFB.
Numero da decisão: 1802-001.271
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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MULTA APLICADA. INCABÍVEL O fato “não conhecer da declaração de compensação” pedido considerado não formulado por ter sido apresentado em formulário papel, consoante despacho decisório, é diverso do fato descrito no auto de infração, não se subsumindo, por conseguinte, ao art. 18 da Lei nº 10.883/2002 que trata de penalidade por “compensação indevida” pela utilização de crédito de terceiros e não administrado pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 19 51 /2 00 6- 75 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 170 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 171 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 143/162 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Campinas (fls. 118/125) que julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento fiscal. Quanto aos fatos, infração imputada e razões da impugnação apresentada na primeira instância de julgamento, transcrevo o relatório constante da decisão a quo, que aborda e resume, adequadamente, os principais aspectos do litígio até então (fls. 119verso a 120 verso), in verbis: (...) Tratase do lançamento de Multa Isolada em razão de a compensação declarada pelo interessado ter sido considerada indevida por impossibilidade de utilização do crédito pleiteado. O auto de infração foi lavrado em 24/10/2006 no valor total de R$ 128.254,53, (...): “001 – MULTA ISOLADA – COMPENSAÇÃO INDEVIDA COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O contribuinte efetuou compensação indevida de valores, tendo em vista que: Aos 04 de abril de 2004, através do processo de número 10882.000443/200416 pleiteou restituição de “EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO – RESGATE DE OBRIGAÇÕES DA TELEBRÁS”. Nessa mesma data, protocolizou através do processo de número 10882.000444/200452 o pedido de compensação de débitos no montante de R$ 171.006,05 tendo como origem do crédito a restituição pleiteada no processo 10882.000443/200416. O pedido de restituição foi indeferido por se tratar de crédito de natureza não tributária, conseqüentemente a compensação também o foi. Deste modo, conforme estabelecido no artigo 18 da Lei 10.833/2003, de 29 de dezembro de 2003, o contribuinte está sujeito à multa isolada de setenta e cinco por cento do valor da compensação indevida, sendo a data considerada para efeito do lançamento e o seu valor os seguintes: Data Valor Multa Regulamentar 30/04/2004 R$ 128.254,53 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 172 4 Enquadramento Legal: Art. 18 da Lei nº 10.833/03.” Tendo sido cientificado da exigência fiscal em 08/11/2006 o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, com instrumento de procuração incluso nos autos, interpôs em 07/12/2006 impugnação expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: De início, resume os fatos. A seguir, preliminarmente, alega afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, porquanto o contribuinte não teria sido comunicado do início da ação fiscal. Acrescenta que a autoridade fiscal não cumpriu o que estabelece o artigo 19, da Lei nº 3.470, de 1958, ao não intimar o interessado a prestar esclarecimentos sobre a falha detectada. Argumenta, ainda, que houve cerceamento ao direito de defesa por violação aos incisos LIV e LV do artigo 5º, da Constituição Federal. Cita doutrina. Assevera, também, que por ser ato administrativo, o lançamento tributário sujeitase aos princípios da legalidade e da publicidade, nos termos do artigo 37, “caput”, da Constituição Federal. Nesse compasso, defende a tese de que padecem, por vício formal, os atos praticados pela autoridade fiscal que não sejam cientificados, por escrito, ao contribuinte ou a seu preposto. Ou por outra, dada a ausência da ciência, por escrito, são tais atos passíveis de nulidade. Quanto ao mérito, sob o título: “1) da impetração do “pedido de restituição” e da “declaração de compensação” por terceiros, sem a devida autorização/procuração da empresa”, transcrevendo o artigo 3º, parágrafo 2º, da IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, aduz que: “...., de posse das cópias do processo administrativo nº 10882.001951/200675, pôde verificar que, pelas fls. 05, 06 e 11, tanto o “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO” e “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO” como a “SOLICITAÇÃO DE PROTOCOLIZAÇÃO DE PROCESSO”, embora constasse o nome e CPF de MARIA DO CARMO SCALET, que é a sócia responsável da contribuinte TRIÂNGULO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA – CNPJ nº 01.561.464/000130, esta não assinou tais documentos e, também, não autorizou ou concedeu procuração a terceiros para representála. Nesse contexto, argumenta que, por não conter o processo o instrumento de procuração, deveria a autoridade julgadora saneálo, em conformidade com o que dispõe o artigo 13 do Código de Processo Civil, intimando a interessada a apresentar procuração para ser juntada ao processo e, na sua falta, terse ía por nula e sem efeito, a decisão proferida, por ferir ao princípio do devido processo legal. Cita jurisprudência administrativa. E conclui este tópico da seguinte forma: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 173 5 “Assim sendo, a contribuinte TRIANGULO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, jamais poderia ser penalizada com o AUTO DE INFRAÇÃO de MULTA REGULAMENTAR, por ato praticado por terceiros que, agiram, indevida e ilegalmente, em seu nome, sendo nulo o processo administrativo.” No ponto seguinte, intitulado: 2) DO PARCELAMENTO ESPECIAL – PAES, INSTITUÍDO PELA LEI Nº 10.684/2003, assegura que a impugnante optou pelo parcelamento –PAES – no anocalendário de 2004, muito antes da autuação e, ainda, anteriormente à edição da Lei nº 10.833, de 2003, a qual embasou a aplicação da multa regulamentar guerreada, acrescentando, também, que, por isso, estaria sujeita à “confissão irrevogável e irretratável dos débitos constantes na Declaração de Compensação, juntamente com outros débitos, os quais se encontram devidamente consolidados no processo administrativo nº 10882.452780/200487, mostrando assim a boafé no caso presente.” Complementando seu raciocínio, alega que, por ter aderido ao Parcelamento Especial, caso ocorresse crime tributário, a pretensão punitiva do Estado haveria de ficar suspensa, tendo em vista o disposto no artigo 9º da lei nº 10.684, de 2003. Sustenta que a multa regulamentar, aplicada com fulcro no artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003, só seria possível caso se caracterizasse a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. E arremata: “Neste entendimento, por não ficar caracterizada a “sonegação”, “fraude” e “conluio”, não se poderia se aplicar o disposto no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, mesmo porque, os débitos existentes já haviam sido parcelados no regime especial do PAES, inexistindo naquela ocasião débitos abertos em nome da contribuinte. Além de que, embora tivesse os débitos confessados e parcelados no PAES, o digno AuditorFiscal, aplicou, indevidamente, a multa não agravada de 75% (setenta e cinco por cento), digase sem base legal para tanto.” Prosseguindo, aborda a questão (...) 3) DA CUMULATIVIDADE DAS MULTAS (MULTA DE MORA E MULTA REGULAMENTAR), para defender a tese de que nos débitos parcelados já se incluem os acréscimos legais, dentre os quais há a previsão para a incidência da multa de mora, estando, pois, acumuladas, indevidamente, a multa regulamentar lançada nos presentes autos e a multa de mora, presente no parcelamento, o que contraria o disposto no artigo 44, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. Cita jurisprudência administrativa. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração por julgálo injusto e indevido, dada absoluta falta de base legal. (...) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 174 6 A DRJ/Campinas, analisando os fatos e as razões suscitadas pela contribuinte, julgou improcendente a impugnação, mantendo o crédito tributário objeto do lançamento fiscal, cuja ementa do acórdão transcrevo (fl. 118), in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA NO PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no art.142 do CTN e nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), não se cogita de nulidade, mormente considerando que o contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração, sendolhe concedido o prazo legal para impugnação, direito que exerceu mediante apresentação de suas razões de defesa, demonstrando que teve conhecimento da infração que lhe foi imputada e dos fatos que a suscitaram. Ademais, não há que se falar em ofensa ao princípio constitucional do direito de defesa enquanto não instaurado o litígio, que, na espécie, inaugurase com a impugnação. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.. ALEGAÇÃO DE QUE NÃO TERIA AUTORIZADO A APRESENTAÇÃO DE DCOMP. Configurada está a conduta punida se o contribuinte, embora alegue não ter autorizado a apresentação de declaração de compensação, nada esclarece acerca do conhecimento, por terceiro, de informações detalhadas dos débitos compensados e não demonstra qual seria o interesse de terceiro em extinguir, por compensação, débito da pessoa jurídica sem anuência desta, sobretudo diante da existência de procuração outorgada pela empresa beneficiada pela compensação ao subscritor da declaração de compensação, que, embora com data posterior à compensação, demonstra o vínculo entre as partes envolvidas. PARCELAMENTO DE DÉBITOS COMPENSADOS. A posterior inclusão dos débitos indevidamente compensados em programa de parcelamento não afasta a multa isolada por compensação indevida, na medida que ela decorre do efeito extintivo das DCOMP, e visa coibir seu uso em hipóteses distintas daquelas autorizadas na lei, mormente se vinculada a créditos de natureza não tributária. Nestas circunstâncias, inexistindo notícia de providência espontânea de cancelamento de tal declaração, sujeitase o contribuinte à multa aplicável aos lançamentos de ofício, na sua forma isolada, prevista na legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 175 7 A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, é aplicável aos casos de compensação não conhecida em que utilizado crédito de natureza não tributária, e incide no percentual de 75% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. COEXISTÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA E MULTA MORA. A multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, é penalidade aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado, nos casos, entre outros, de crédito não autorizado. Assim, não se caracteriza como acréscimo do principal não recolhido e coexiste com exigência deste, acrescido de multa de mora em programa de parcelamento ao qual aderiu o contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 14/10/2011 –comprovante de ciência eletrônica – caixa postal do interessado (fl. 142), a interessada apresentou Recurso Voluntário em 09/11/2011 (fls. 143/162), juntatando, ainda, os documentos de fls.163/168, reiterando, em síntese, as razões já apresentadas na instância a quo, ou seja: 1) preliminarmente, suscitou: a) nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa e do contraditóiro na fase anterior à lavratura do auto de infração: que o fisco não comunicou o início do procedimento de fiscalização e não possibilitou o contraditório na fase anterior à lavratura do auto de infração quanto aos fatos apurados e infração imputada, implicando, por conseguinte, violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório na fase préprocessual (CF, art. 5º, LIV e LV); que, antes da lavratura do auto de infração quanto aos fatos apurados, não houve intimação fiscal de que trata o art. 19 da Lei nº 3.470/58; que o lançamento fiscal – por constituir ato administrativo – está sujeito à observância dos princípios da legalidade e da publicidade (CF, art. 37, “caput” e Lei nº 9.784/99, art. 2º). b) nulidade dos Despachos Decisório (fls. 07/10 e 12/14) e da decisão recorrida: que o pedido de restituição de Empréstimo Compulsório Eletrobrás – efetuado em formulário em papel e a declaração de compensação, também, formulada mediante formulário em papel, protocolizados simultaneamente em 04/03/2004 e que geraram, respectivamente, os processos nºs 10882.000443/200416 e 10882.000444/200452, foram protocolizados, em nome da recorrente, por pessoa não habilitada; Fl. 181DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 176 8 que, embora o pedido de restituição do direito creditório pleitado e da declaração de compensação tenham consignado como solicitante responsável a sócia Sra. Maria do Carmo Scalet, na verdade tais documentos foram assinados por terceiro, Sr. Danilo Ferraz Martins Veiga, não autorizado, sem poderes, sem procuração naqueles processos (fls. 04/11); que, por ocasião da impugnação na 1ª instância de julgamento nestes autos, foi argumentada essa deficiência de formação dos autos daqueles processos, em face da falta de instrumento de procuração para subscrever o pedido de restituição e de declaração de compensação, conforme exige o art. 3º, I, § 2º, da IN SRF 210/2002; que a ausência do instrumento de procuração implica que os atos praticados por pessoa não legitimada são inexistentes; que nos referidos processos não houve intimação da ora recorrente para saneamento dos autos (para juntada de procuração); que, em face disso, foi solicitada diligência fiscal pela DRJ/Campinas quanto à legitimidade do signatário do pedido de restituição e declaração de compensação, ou seja, apuração de vinculação (fls. 92/96); que o Relatório de Diligência Fiscal só trouxe insegurança jurídica, pois consigna informação de outro processo de nº 10882.000210/200596, no qual o Sr. Danilo Ferraz Martins Veiga tem procuração outorgada pela autuada; que vincular documento de outro processo, aos citados processos, é um absurdo e que deve ser repudiado em nome da segurança jurídica (CF, art. 5º, XXXVI); que a falta de procuração invalida os processos de pedido de restituição e de compensação tributária, pela falta de legitimidade do postulante; que a decisão da 4ª Turma da DRJ/Campinas deve ser anulada, pois não poderia convalidar (retroativamente) atos processuais, ao considerar suprida a autorização ou legitimidade em face da existência de procuração outorgada pela empresa em nome do Sr. Danilo Ferraz Martins Veiga no processo nº 10882.000210/200596; que tal procuração foi outorgada, nesse processo, com data posterior ao pedido de restituição e da declaração de compensação. 2) Impossibilidade de cumulação de penalidades: parcelamento dos débitos – PAES (Lei nº 10.684/2003); que em face do parcelamento dos débitos dos tributos informados na declaração de compensação com multa moratória no processo de parcelamento e, agora, ainda a exigência de multa regulamentar isolada nos presentes autos sobre os mesmos tributos, há cumulação indevida de penalidades ( multa de mora e multa isolada) sobre os mesmos débitos de tributos. Por fim, a recorrente, com base nessas razões, pediu provimento ao recurso para que seja cancelada a multa isolada e arquivados os autos do processo. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 177 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca do auto de infração de imposição e exigência de multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o valor total dos tributos federais compensados indevidamente em declaração de compensação tributária, em face da utilização de crédito (direito creditório) de natureza não tributária e não administrado pela RFB. A recorrente, nas razões do recurso, pediu a reforma da decisão recorrida, argumentando a existência de vícios que maculam o auto de infração de nulidade. Deixo de enfrentar as preliminares suscitadas, pois, no mérito, o lançamento tributário não merece prosperar. Compulsando os autos, constato, de plano, que o fato narrado na infração imputada está em dissonância, completa, com os fatos constantes da parte dispositiva do Despacho Decisório. Vale dizer, no auto de infração foi imputada a infração “Compensação Indevida”; porém, tanto no Parecer quanto no Despacho Decisório não houve conhecimento da compensação, pois fora formulada em papel. Vamos aos fatos. Em 04/03/2004, a recorrente protocolizou, em formulário papel, o pedido de restituição de Empréstimo Compulsório – Resgate de Obrigação da Telebrás – direito creditório de natureza não tributária, no valor de R$ 274.530,98 – cópia (fl. 05) e Declaração de Compensação tributária de débitos tributários no valor de R$ 171.006,05 – cópia (fl. 11), gerando, respectivamente, os processos nºs 10882.000443/200416 e 10882.000444/200452. Nessa época, já estava vigente a legislação tributária de regência que exigia a apresentação da compensação tributária no programa PER/DCOMP (IN SRF nº 320, de 11 de abril de 2003), por meio eletrônico, via internet. Entretanto, a recorrente, de forma insistente, solicitou a protocolização de processo – em papel junto à Repartição Fiscal em 04/03/2004, nos seguintes termos (fl. 06), in verbis: (...) TRIÂNGULO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA, com endereço à Avenida Prof. José Azevedo Minhoto, 70/72 – 3º Andar Vila Quitauna Osasco São Paulo S/P, inscrito no Fl. 183DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 178 10 CNPJ sob n° 01.561.464/000130, CIENTE DE QUE ESTE PEDIDO NÃO SE ENCONTRA FORMALIZADO DE ACORDO COM O QUE DETERMINA A IN/SRF/210, de 30/09/2002, através da presente, INSISTE para que este pedido seja PROTOCOLIZADO mesmo CIENTE DE QUE O MESMO SE ENCONTRA EM DESACORDO COM A REFERIDA INSTRUÇÃO NORMATIVA. (...) Em 11/08/2004, a DRF/Osasco/SP, por Despacho Decisório, NÃO CONHECEU da declaração de compensação nos autos do processo nº 10882.000444/200452, pois fora formulada em desacordo com a legislação de regência, não entrando no mérito quanto ao direito creditório pleiteado (origem e características). O pedido de compensação, por conseguinte, foi considerado não formulado, por vício de formalização. Ou seja, a declaração foi apresentada em formulário papel, quando deveria ter sido transmitida pela internet, utilizandose o programa PER/DCOMP. A propósito, consta do Parecer que fundamentou o Despacho Decisório, de 10/08/2004 (fl. 12), in verbis: (...) PARECER SEORT/DRF/OSA nº: 250/2004 PER/DCOMP EM FORMULÁRIO Não deve ser conhecido o pedido de restituição/compensação em formulário, quando se deve fazêlo por meio eletrônico. SOLICITAÇÃO NÃO CONHECIDA (...) Proponho O NÃO CONHECIMENTO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, à fl. 01, no valor de R$ 171.006,05 e não formulado o pedido, tendo em vista a entrega desta Declaração de Compensação, através de formulário papel, posteriormente a 29/09/2003, quando deveria ter sido feita em meio eletrônico, conforme expressamente determina a IN SRF 432/2004. (...) No mesmo sentido, consta do Despacho Decisório (fl. 14), in verbis: Despacho Decisório SEORT/DRF/OSA Com base no Parecer n° 250/2004 que aprovo, DECIDO NÃO CONHECER A DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, à fl. 01, no valor de R$171,006,05 e CONSIDERO não formulado o pedido, tendo em vista a entrega da Declaração de Compensação, através de formulário em papel após 29/09/2003, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 179 11 quando deveria tersido feita por meio eletrônico, conforme determina a IN SRF 432/2004. (...) Ora, a situação fática Declaração de Compensação NÃO CONHECIDA (pedido considerado não formulado, por vício de formalidade), por ter sido apresentada em formulário papel e não mediante utilização do programa gerador PER/DCOMP – é diversa do fato imputado no auto de infração “Declaração de Compensação Indevida” por utilização de crédito de natureza não tributária e não administrado pela RFB. Nesse sentido, consta do auto de infração (fls. 21/24): (...) 001 MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA EFETUADA EM DECLARAÇÃO PRESTADA PELO SUJEITO PASSIVO O contribuinte efetuou compensação indevida de valores, tendo em vista que: Aos 04 de abril de 2004, através do processo de número 10882.000443/200416 pleiteou restituição de "EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO RESGATE DE OBRIGAÇÕES DA TELEBRAS". Nessa mesma data, protocolizou através do processo de número 10882.000444/200452 o pedido de compensação de débitos no montante de R$ 171.006,05 tendo como origem do crédito a restituição pleiteada no processo 10882.000443/200416. O pedido de restituição foi indeferido por se tratar de crédito de natureza não tributária, consequentemente, a compensação também o foi. Deste modo, conforme estabelecido no artigo 18 da Lei 10.833/2003, de 29 de dezembro de 2003, o contribuinte está sujeito à multa isolada de setenta e cinco por cento do valor da compensação indevida,(...) O art. 18 da Lei nº 10.833/2002, redação vigente na data de entrega ou protocolização da declaração de compensação (data 04/03/2004), estabelecia, in verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10882.001951/200675 Acórdão n.º 1802001.271 S1TE02 Fl. 180 12 Logo, o Parecer e o Despacho Decisório não tratam de compensação indevida por utilização de crédito de terceiros e não administrados pela RFB (natureza não tributpária), mas sim de compensação não conhecida (pedido não formulado), pois formulada em formulário papel, quando deveria ter sido apresentada via utilização do programa gerador PER/DCOMP. Portanto, o fato “NÃO CONHECER DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (pedido não formulado)” por ter sido apresentado em formulário papel, é diverso do descrito no auto de infração, não se subsumindo ao art. 18 da Lei nº 10.883/2002 que trata de penalidade por “compensação indevida” pela utilização de crédito de terceiros e não administrados pela RFB. Por conseguinte, é inaplicável, no caso, a multa isolada. Por tudo que foi exposto, voto em DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10935.000585/2008-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
EDITADO EM: 08/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 05 85 /2 00 8- 36 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Curitiba (fls. 141/144), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, relativamente a pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame inicial do pleito. De acordo com o relatório objeto da decisão recorrida, a lide decorre de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS Mercado Externo, no valor de 16.475,49, apurado segundo o regime de incidência nãocumulativa, correspondente ao terceiro trimestre de 2005. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório de fls. 118/122, deferiu apenas parcialmente o pedido formulado, tendo reconhecido o direito creditório no montante de R$ 6.822,49. Nos termos do relatório objeto da decisão recorrida, dentre as glosas efetuadas pela autoridade administrativa não foi consentido, para fins de compensação ou de ressarcimento, o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo, por entender referida autoridade que o aproveitamento do crédito presumido em tela é legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos, todavia, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO EXTERNO. O ressarcimento em dinheiro somente poderá ser solicitado pela pessoa jurídica, após a dedução da contribuição devida e da compensação com débitos próprios, em relação às receitas decorrentes de operações para o exterior e utilizandose tão somente dos créditos básicos apurados na forma do art. 3º da Lei nºs 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000585/200836 Acórdão n.º 3802001.260 S3TE02 Fl. 158 3 É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 24/06/2011 (fls. 146). Inconformada, a interessada apresentou, em 25/07/2011 (fls. 147), o recurso voluntário de fls. 147/155, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, ou seja, alegando resumidamente o seguinte: a) que o artigo 8o da Lei no 10.925/04 reconheceu o direito ao crédito presumido em relação a algumas pessoas jurídicas ou cooperativas que produzissem produtos de origem vegetal ou animal para alimentação humana; b) que a suspensão de que trata a IN SRF no 660/2006 abarcou apenas as receitas brutas de vendas de produtos in natura, dentre eles a soja (NCM 12.01), realizadas no mercado interno por cerealistas para agroindústrias tributadas pelo lucro real; c) que, como efeito prático, a recorrente: i) com respeito à comercialização dos produtos in natura, está desobrigada de recolher as contribuições sociais sobre as vendas no mercado interno; ii) em relação à industrialização de produtos de origem vegetal, essencialmente a soja, teria direito ao crédito presumido previsto no artigo 8o da Lei 10.925/04, c/c artigo 5o, inciso I, alínea “d”, da IN 660/06, crédito este calculado sobre os insumos da industrialização e comercialização da soja; d) assim, a interessada teria direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS sobre a receita bruta da atividade agroindustrial, no mercado interno e externo, podendo inclusive, em relação às suas exportações, utilizar os créditos para fins de compensação ou ressarcimento; nesse sentido, os créditos, embora reconhecidos, foram equivocadamente glosados pela autoridade fiscal, que autorizou sua utilização unicamente para desconto da correspondente contribuição apurada; e) ressalta que a vedação de que trata o § 2o do artigo 5o da IN 660/06, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, se restringe unicamente às vendas de soja realizadas com suspensão, ou seja, apenas às vendas realizadas no mercado interno; assim, tal vedação não alcançaria as exportações de produtos industrializados de origem vegetal (soja), porquanto não se está falando de vendas com suspensão, mas sim de nãoincidência; f) se contrapõe à exegese oficial que, alicerçada no artigo 8o da Lei no 10.925/04, entendeu que o crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo não pode ser objeto de compensação ou ressarcimento; neste comenos, ressalta que não há incidência de contribuições sociais sobre Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 as receitas decorrentes de exportação, a teor do disposto no artigo 149, § 2o, I, da Constituição Federal; g) quanto ao direito ao aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou compensação, assevera que tal direito lhe é assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04 (que autorizou a manutenção dos créditos presumidos de PIS e COFINS decorrentes da não incidência dessas exações), bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05 (que autorizou expressamente o ressarcimento ou a compensação, com quaisquer tributos e contribuições, do saldo credor da contribuição para o PIS e para a COFINS depois da dedução com as correspondentes exações); h) questiona o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, que, ao vedar a compensação do crédito presumido do PIS e da COFINS com os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, estaria indo de encontro ao disposto na Lei no 11.116/05; i) ressalta que o legislador objetivou desonerar o contribuinte, vedando a incidência, em cascata, do PIS e da COFINS; no caso da recorrente, considerando que suas vendas se limitam à exportação de produtos industrializados, jamais poderia usufruir de tais créditos diante da não incidência destas contribuições sociais, por vedação de um ato interpretativo que não tem o condão de contrariar dispositivo legal expresso. Com base nos argumentos em tela, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito ao crédito presumido do PIS e da COFINS decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, devidamente corrigido pela taxa SELIC, desde a protocolização do pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme argumentos aduzidos em seu recurso voluntário, vêse que a lide se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do crédito presumido da contribuição para a COFINS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas para o exterior. O problema inerente à forma de utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de julgamento por esta Turma quando do exame do processo no 10945.004981/200732, julgado em 05/05/2011 (acórdão no 380200.457), da relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo entendimento, abaixo transcrito, também adoto como razões para decidir a presente contenda: Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da evolução do tratamento legal que foi conferido a forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000585/200836 Acórdão n.º 3802001.260 S3TE02 Fl. 159 5 valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. A instituição do referido benefício fiscal foi feita pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi expressamente definida no § 10 do citado preceito legal, ao passo que [a] forma de apuração do seu valor foi estabelecida no § 11. Tais preceitos legais tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (...). Em seguida, as formas de utilização e de cálculo do citado crédito presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). Compulsando os preceitos legais transcritos, observase que, desde a sua instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia ser utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos dispositivos legais, nem em qualquer outro diploma legal, referência a alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que não seja, exclusivamente, mediante a dedução da contribuição devida, apurada no respectivo período. Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ao ressaltar que, “sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma” do regime não cumulativo, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito presumido, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. [...] Na verdade, [...] tanto os preceitos legais revogados como os revogadores dispuseram sobre as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme dispõem, respectivamente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Tratase, evidentemente, de disciplinamento legal expresso que, em face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer incongruência, omissão ou ambiguidade que, ao meu ver, pudesse ensejar qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000585/200836 Acórdão n.º 3802001.260 S3TE02 Fl. 160 7 Não se pode olvidar que, em se tratando de benefício fiscal, o texto veiculado no referido preceito legal deve ser interpretado de forma literal ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN. Além disso, por força do disposto no inciso II do art. 97 do CTN, a concessão de qualquer benefício fiscal que implique redução de tributo somente pode ser concedida por lei. Neste sentido, o legislador ordinário goza de plenas prerrogativas para delimitar a extensão e a forma de utilização do benefício concedido. [...] Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem cabimento a pretensão da Recorrente no sentido de atribuir interpretação extensiva ao disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 [...]. Principalmente, tendo em conta que a interpretação sistemática dos comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito presumido [...] conduz a conclusão inarredável de que o entendimento exarado no Acórdão recorrido, com suporte no ADI SRF nº 15, de 2005, está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em apreço, conforme se demonstrará a seguir. Também não procede a alegação da Recorrente de que o novel disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Na verdade, contrariando tal afirmação, verificase que os preceitos legais revogados, assim como os revogadores, disciplinaram e continuam disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput e §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Alegou ainda a Recorrente que o direito a compensação/ ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep, acumulados em face da imunidade e da nãocumulatividade, continuaria em pleno vigor. A alegação da Recorrente é verdadeira apenas em relação aos créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que, apesar se referir à Cofins, também se aplica à Contribuição para o 1 "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003. Em face da importância que representa para o esclarecimento da presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido art. 6º: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (...). (grifos não originais). É oportuno esclarecer ainda que, somente dão direito ao crédito ordinário ou normal (i) os bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Da mesma forma, também não dão direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da citada Contribuição. Neste sentido dispõem o inciso II do § 2º e os incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à 2 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)". Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000585/200836 Acórdão n.º 3802001.260 S3TE02 Fl. 161 9 alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) (grifos não originais) A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da respectiva Contribuição, inclusive no caso isenção. Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que trata da matéria, resta indubitável que as formas de compensação e de ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002, aplicamse exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à receita de exportação, apurados segundo o regime da nãocumulativida da Contribuição para o PIS/Pasep. Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, é forçoso concluir que os crédito presumidos em apreço não podem ser utilizados para fim de compensação ou de ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente. Dessa forma, fica devidamente esclarecido que a única forma de utilização do valor do crédito presumido em apreço é apenas aquela autorizada no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração. (os destaques em sublinhado não constam do original) Vale lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual, juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. 3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade de utilização de compensação e ressarcimento mas unicamente em relação aos créditos “apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução da correspondente contribuição devida. Quanto ao disposto no § 2o do artigo 5o da IN 660/064, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, entendo que a impossibilidade de utilização dos créditos presumidos da recorrente para fins de ressarcimento ou de compensação com outros tributos ocorre não exclusivamente por força do referenciado dispositivo, mas sim em vista de a norma não prever tal possibilidade, posto que restringe o emprego dos referenciados créditos para dedução da contribuição correspondente, conforme caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Em outras palavras, a vedação contida na IN encontrase em conformidade com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. A interessada aduziu também que o direito a aproveitamento dos créditos presumidos do PIS e da COFINS para fins de ressarcimento ou de compensação seria assegurado pelo artigo 17 da Lei n° 11.033/04, bem como pelo artigo 16 da Lei n° 11.116/05. Transcrevo os correspondentes dispositivos: Lei no 11.033/04 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei 11.116/05 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei n o 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n o 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou 4 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (redação original) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto o código 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 977, de 14/12/2009) d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1; (redação dada pela IN RFB nº 1.223, de 23/12/2011) [...] § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10935.000585/200836 Acórdão n.º 3802001.260 S3TE02 Fl. 162 11 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Da leitura dos dispositivos referenciados pela suplicante vêse que os mesmos não tratam de crédito presumido, mas unicamente do desconto de créditos segundo o regime da não cumulatividade, previstos no artigo 3o da Leis no 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), bem como no artigo 15 da Lei no 10.865/04 (PIS e COFINS incidentes na importação). Portanto, os enunciados em evidência não garantem o direito reclamado pela recorrente. No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o qual veda expressamente a utilização do crédito presumido para fins de compensação ou ressarcimento, tal dispositivo infralegal veio somente esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu bojo. Assim, tal norma complementar de direito tributário não desbordou de seu cunho meramente interpretativo, posto que restringiuse unicamente à sua função complementar de esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso. Para terminar, importa ressaltar que o entendimento acima está em perfeita sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso Especial no 200900758996, assim se manifestou: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200900758996. Relator: Min Benedito Gonçalves. Data da decisão: 24/08/2010. Publicado em 31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos) Da conclusão Diante das considerações acima expostas, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 25 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 16/ 10/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10480.005877/97-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/1992 a 31/05/1993, 31/01/1994 a 31/08/1994, 01/02/1995 a 28/02/1995, 30/06/1995 a 30/09/1995, 31/01/1996 a 31/12/1996
CERCEAMENTO DE DEFESA. CARACTERIZAÇÃO.
A alegação de cerceamento do direito de defesa deve se fundar em situações concretas havidas no bojo do processo administrativo, de modo que se possa avaliar objetivamente sua ocorrência, não a configurando sua referência genérica como argumento de defesa ou a remissão a fatos comprovadamente inocorrentes.
PRESCRIÇÃO. DIES A QUO. CONTAGEM. INTERCORRÊNCIA.
A prescrição da pretensão de exigir o crédito tributário somente se inicia com a definitividade de sua formalização/constituição, e esta, por seu turno, se efetiva apenas com o encerramento do contencioso administrativo, através da prolação de decisão irreformável na esfera administrativa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/1992 a 31/05/1993, 31/01/1994 a 31/08/1994, 01/02/1995 a 28/02/1995, 30/06/1995 a 30/09/1995, 31/01/1996 a 31/12/1996 CERCEAMENTO DE DEFESA. CARACTERIZAÇÃO. A alegação de cerceamento do direito de defesa deve se fundar em situações concretas havidas no bojo do processo administrativo, de modo que se possa avaliar objetivamente sua ocorrência, não a configurando sua referência genérica como argumento de defesa ou a remissão a fatos comprovadamente inocorrentes. PRESCRIÇÃO. DIES A QUO. CONTAGEM. INTERCORRÊNCIA. A prescrição da pretensão de exigir o crédito tributário somente se inicia com a definitividade de sua formalização/constituição, e esta, por seu turno, se efetiva apenas com o encerramento do contencioso administrativo, através da prolação de decisão irreformável na esfera administrativa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 58 77 /9 7- 46 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase de auto de infração de Cofins abrangendo a quase totalidade do período entre 31/07/1992 a 31/12/1996, alicerçado na falta de recolhimento da exação em decorrência de omissão de receita, em procedimento de IRPJ; por confronto dos recolhimentos com os valores informados em declaração IRPJ, ano base 1992; por informações compartilhadas pela Secretaria Estadual de Fazenda, em relação ao ICMS; e, pelos livros de registros de saídas e notas fiscais. Destaca a fiscalização que, no exercício 1993, os valores lançados foram obtidos em parte pelas informações prestadas pela Administração Tributária Estadual e parte pela apuração de receitas de vendas não escrituradas, originárias de omissão de compras, sendo que, para os meses junho a dezembro/93, os fatos geradores foram autuados como reflexo da apuração do IRPJ, no processo administrativo 10480.005878/9717. Ciente do lançamento o contribuinte o impugnou alegando cerceamento do direito de defesa, pois a fiscalização lhe assinalara prazo ínfimo (72 horas) para se manifestar acerca da suposta falta de registro de notas fiscais de entradas; que seu pedido de prorrogação foi ignorado; que a documentação contábil e fiscal se encontrava com as autoridades lançadoras, o que lhe impedia de prestar os esclarecimentos solicitados; e, por fim, que o ato seria nulo por inobservar o art. 5º, LV da CF/88 e art. 59 do Decreto nº 70.235/72. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE julgou o lançamento procedente, afastando o alegado cerceamento do direito de defesa e a existência de nulidades outras na autuação, em decisão assim ementada: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE Rejeitase a preliminar de nulidade quando as alegações não condizem com a realidade dos fatos e não estão presentes outras hipóteses de nulidade. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO. A falta de pagamento de tributo ou contribuição, quando detectada por procedimento de ofício, enseja a aplicação da multa de ofício.” A Unidade preparadora providenciou a intimação do contribuinte para cientificarlhe da decisão, porém, devolvido o aviso de recebimento sem comprovação de seu cumprimento, fora lavrado, em 15/10/1999, termo de perempção e encaminhado o valor para inscrição em Dívida Ativa da União DAU. Em 15/12/2006, após conhecimento da inscrição em DAU, o contribuinte pugnou pela devolução dos autos à Secretaria da Receita Federal, em razão de não ter tomado ciência da decisão administrativa de primeira instância. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.005877/9746 Acórdão n.º 3403001.803 S3C4T3 Fl. 7 3 Em 25/06/2007, o processo foi despachado, com o reconhecimento do equívoco, em virtude do qual concluiuse pela prescrição da exigibilidade do crédito envolvido, nos termos do art. 174 do Código Tributário Nacional. Em 03/07/2007, foi lançado novo despacho, desta feita, de cunho decisório, onde o Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife/PE revisou o anteriormente lavrado, tornandoo sem efeito, ao fundamento que não teria ocorrido indigitada prescrição, em razão de o crédito encontrarse com sua exigibilidade suspensa, justamente em função do defeito na ciência da intimação. Em 25/07/2007, foi o contribuinte intimado validamente da decisão proferida pelo órgão julgador de primeiro grau. Em recurso voluntário renovou o argumento de cerceamento do direito de defesa, insinuando que não recebera todos os elementos e documentos que embasaram a autuação; que não houve obediência ao art. 8º do Decreto nº 70.235/72, que exige a entrega de todos os termos lavrados; que, em processo análogo (10480.005878/9717), o próprio órgão julgador de primeira instância reputara nulo o auto de infração, por falta de prova das alegadas infrações; que foram desrespeitados os arts. 5º, LV da CF/88 e 59 do Decreto nº 70.235/72; que o transcurso de cerca de 09 (nove) anos entre a prolação da decisão recorrida e sua ciência configuraria prescrição; que o processo deveria ser devolvido à DRJ Recife/PE para que fosse baixado em diligência e providenciada a ciência dos documentos que embasaram a autuação; e, por fim, pleiteou a nulidade do auto de infração. Na sessão de março/2010 o recurso voluntário foi parcialmente provido, através do acórdão 340300.268, assim ementado: “CERCEAMENTO DE DEFESA. CARACTERIZAÇÃO. A alegação de cerceamento do direito de defesa deve se fundar em situações concretas havidas no bojo do processo administrativo, de modo que se possa avaliar objetivamente sua ocorrência, não a configurando sua referência genérica como argumento de defesa ou a remissão a fatos comprovadamente inocorrentes. PRESCRIÇÃO. DIES A QUO. CONTAGEM. INTERCORRÊNCIA. A prescrição da pretensão de exigir o crédito tributário somente se inicia com a chamada definitividade do crédito tributário, e esta, por sua vez, se efetiva apenas com o encerramento do contencioso administrativo, através da prolação de decisão irreformável na esfera administrativa. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS PRESUMIDAS DA OMISSÃO DE COMPRAS. PROVA DO RECEBIMENTO. NECESSIDADE. Em conformidade com a legislação do imposto de renda vigente à época dos fatos geradores, a presunção de receitas a partir da comprovação de omissão de compras exige a prova do recebimento das supostas vendas, o que, não ocorrendo, impõe a insubsistência do lançamento. COFINS. BASE DE CÁLCULO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES PERTENCENTES À SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O fato gerador do ICMS não é sequer assemelhado ao da Cofins, de tal maneira que a utilização de informações constantes dos sistemas da Administração Tributária Estadual, tocante àquele tributo, deve ser cuidadosa, não se prestando como elemento de prova da ocorrência de faturamento, quando não houver discriminação das operações escrituradas no livro Registro de Apuração do ICMS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DECLARAÇÕES DE IPRJ. REGISTROS E DOCUMENTOS CONTÁBEIS. SUFICIÊNCIA. As receitas de vendas apuradas em declarações prestadas pelo próprio sujeito passivo e, também, a partir da escrituração dos livros fiscais e documentos contábeis consubstanciam suporte fático para incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, independentemente da demonstração do recebimento por tais operações mercantis. Recurso Provido em Parte” A Fazenda Nacional interpôs recurso especial pugnando a manutenção integral do lançamento, sustentando a sua higidez, mesmo quando fundado em presunções simples e indícios da ocorrência do fato gerador. Em 08/03/2012 a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por intermédio do acórdão 930301.907, anulou o acórdão exarado pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara, por entender que houve julgamento ultra petita, como se extrai de sua ementa: “JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA SOBRE A QUAL O LITÍGIO NÃO FOI INSTAURADO PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante. Viola as normas procedimentais do processo administrativo fiscal a apreciação por julgador ad quem de matéria sobre a qual o sujeito passivo não instaurou o litígio. Atos processuais anulados a partir do acórdão recorrido, inclusive.” É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Retornam estes autos para reexame do recurso voluntário, tendo a Câmara Alta asseverado que o acórdão anteriormente exarado havia julgado matéria não claramente deduzida no apelo aviado. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.005877/9746 Acórdão n.º 3403001.803 S3C4T3 Fl. 8 5 Naquela assentada, entendeu este colegiado, de forma subjacente, que a imbricação entre estes autos e o processo 10480.005878/9717 exigiria a prolação de decisões alinhadas, mormente se levado em consideração que o contribuinte interessado não recorreu da decisão de piso lá proferida, que julgou o lançamento de IRPJ e reflexos procedente em parte. No entanto, o aresto prolatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais vincula a decisão a ser proferida e delimita a matéria objeto de manifestação nesta instância, por aplicação do princípio tantum devolutum quantum appellatum. Na oportunidade, portanto, restringirseá a celeuma à nulidade do lançamento e a pretensa ocorrência de prescrição intercorrente, afastadas as questões de mérito por ausência de impugnação específica. Com estas considerações, faço remissão aos fundamentos estampados no acórdão 340300.268, respeitantes aos assuntos especificados. Nesta vereda, a tempestividade e observância dos demais requisitos de admissibilidade do recurso já foram, a seu tempo, reconhecidas. Inicialmente, cumpre verificar a alegação de cerceamento do direito de defesa, que, a meu sentir, se revela infundado, afigurando seu reprise mero argumento retórico sem nenhum fato objetivo que o demonstre. É certo que, à época do procedimento fiscal, tal situação poderia até ser vislumbrada, quando as autoridades exigiram esclarecimentos no exíguo prazo de 72 (setenta e duas) horas; todavia, não se pode olvidar que este procedimento preparatório da lavratura do auto de infração não constitui o procedimento a que se refere o art. 142 do CTN, mas mera rotina de trabalho realizada como etapa anterior à existência de processo administrativo de lançamento, propriamente dito. Assim, tendo em conta que não há cerceamento do direito de defesa fora do âmbito do processo, sua caracterização exigiria posturas limitativas do contraditório e ampla defesa, por parte da Administração Tributária e seus agentes, ocorridas a partir da ciência da autuação, quando se inaugura o contencioso administrativo – claro, desde que haja manifestação de inconformismo pela apresentação de recurso. Neste passo, poderia indicála a aventada não entrega dos documentos e elementos que lastrearam o lançamento; no entanto, compulsando os autos, verifico que houve ciência de todos os termos e demonstrativos lavrados e apensados ao processo, inclusive, no próprio auto de infração e termo de encerramento, onde o contribuinte apõe assinatura confirmando que tomou ciência de sua lavratura e de todos os seus anexos, bem assim, recebeu, em devolução, todos os livros e documentos de sua titularidade utilizados no trabalho fiscal, pelo que se refuta tal argumento. Concernente à prescrição ventilada, tenhona como inocorrente, ainda que transcorridos mais de 08 (oito) anos entre a decisão recorrida e sua ciência válida. Com efeito, o início da contagem do prazo prescricional tem como pressuposto a definitividade da constituição do crédito tributário, o que, em havendo discussão administrativa, se corporifica na prolação de decisão administrativa irreformável. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 No caso dos autos, o litígio administrativo ainda não se findou, de tal sorte que sequer iniciou o prazo extintivo do art. 174 do Código Tributário Nacional. De outra banda, este conselho administrativo não admite a figura da prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo tributário, conforme verbete da súmula CARF nº 11: “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. No que tange à defendida necessidade de anulação da decisão recorrida, com a devolução dos autos para diligência, também não a vejo procedente, eis que não houve qualquer error in procedendo a justificar sua anulação. As autoridades julgadoras de primeira instância não verificaram qualquer cerceamento ao direito de defesa do contribuinte a legitimar a realização de diligência, conclusão esta devidamente fundamentada. Consoante dicção do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligências ou perícias, é determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias, devendo, em caso de indeferimento daquelas requeridas pelo contribuinte, apresentar as justificativas para tal, nos termos do art. 28, in fine, do mesmo diploma. Como se verifica dos dispositivos citados, as diligências e/ou perícias tem por móvel esclarecer dúvidas surgidas no íntimo do julgador, de sorte que se este as entende prescindíveis ou inaplicáveis não está obrigado a determinálas, ainda que disso divirja o requerente. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 348DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 31/10/2012 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 01/11/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13709.002949/94-08
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 1997
Numero da decisão: 202-01915
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Recorrid a DRF EM UBERLÂNDIA-MG PIS/PIS-FATURAMENTO - Comerciantes varejistas de pra dutos derivados de petrõleio e álcool etílico hidra= tado para fins carburantes participam ., do PIS-Fatura- mento. Lei Complementar n9 7/70 sobrepõe-se ã lei or dinãria, por isso que a regra do art. 74, § 29 .'d6 CTN não veda a exigenciá, nem tem aplicação á hip6te se. Penalidades aplicadas segundo as normas de reger] cia, exceto a do período anterior a agosto de 19837 Da-se provimento, em parte, ao recurso, para .. ex- cluir a multa de 50%, referente ao periodo , ; de 20.03.83 a 20.07.83. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re curso interposto por POSTO PRATÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo 1,Conse- lho de Contribtlintes , por unanimidade de votos, em dar provimento par cial ao rectirso, para excluir da exigência ,a multa de 50%, referente' ao periodo de 20.03..83 a 20.07.83. Sala das Sessões, em 05 e julho de 1988 JOSE ALVES O s - FONSECA - PRESIDENTE - RELATOR / ,SEtAler-fà I, 1,./ T in i 41 t / ,. OLEG RIS L R * V. / DO. ANJOS -PROCURADOR-REPRESENTANTE DA FAZENDA NACIONAL VIST EM SESSÃO; DE 5 SET 1988 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros OSVAL- DO • TANCREDO DE OLIVEIRA,MAgIA HELENA JAIME, ELIO ROTHE, ALDE DA COS TA SANTOS JUNIOR, CARLOS MARIO DA SILVA VELLOSO FILHO e JOSE. LOPES FERNANDES.H4 - • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.. 10.675-000.498/87-19 Recurso ma: 79.550 Acordeio n.°: 202-01.915 Recorrente: POSTO PRATA() LTDA. RELATORIO Precedendo o auto de infração (fls. 40), veio o termo de verificação fiscal de fls. 34134v9, no qual se tem o levantamen to do crédito tributário, apurado durante o período fiscalizado (a gosto de 1982 a dezembro de 1986),e estas observações: "1 - No período compreendido entre agosto de 1982 a dezembro de 1984, foram considerados como base de cál culo para a contribuição, os valores componentes da ri ceita bruta total, ou seja o somatório das receitas pr-6 provenientes da revenda de produtos derivados de pi tróleo e álcool etílico hidratado para fins carburaW tes e das receitas decorrentes da revenda de outrospr dutos. A partir de janeiro de 1985, foi excluída da b -a- se de cálculo a receita da revenda de derivados de trõleo e do álcool etílico hidratado para fins carbil rantes, para fins previstos na Portaria ME n9 238/84.— 2 - Os demonstrativos de fls. 29/33, 36/39, cita dos acima e este termo passam a fazer parte integrante do competente auto de infração, de fls. 40. 3 - Resumo das contribuições apuradas e não reco lhidas, referentes aos fatos geradores ocorridos nosife riodos citados: 1982 valor em Cz$ 724,58 1983 valor em Cz$ 4.208,26 1984 valor em CZ$ 15.105,77 1985 valor em Cz$ 17,09 1986 valor eiti Cz$ 1,80 20.057,50 4 - Sobre os valores das contribuições apuradas e segue- 95 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 02- Acórdão n9 202-01.915 não recolhidas serão adicionados os acréscimos legais previstos na legislação de regência." No dia 15 de julho de 1987, foi lavrado o auto de in fração de fls. 40, pela falta de recolhimento do PIS-Faturamento, apurados nos termos de verificação fiscal de fls. 34/5 demonstra tivos de fls. 36/9, no importe de Cz$ 20.057,50, propondo-se, nes sa peça bísica, as multas de 50%, para as parcelas de 20.03.83 a 20.07.83 (Resolução n9 174/71 do BACEN c/c o art. 21 do Decreto- lei n9 401/68); de 20%, para as parcelas do periodo de 20.08.83 a 20.06.86 (art. 19, inciso III do Decreto-Lei rt9 2.052/83; art. 19, parágrafo Unico do Decreto-lei n9 1.736/79, com a redação dada pe lo art. 39 do Decreto-lei n9 2.287/86 c/c o art. 112 do CTN) e de 50%, sobre as parcelas do periodo de 20.03.86 a 20.06.86 (art. 86, § 19 da Lei n9 7.450/86). ( Defendendo-se, a autuada apresentou a impugnação de fls. 43/49, sustentando a improcedência do auto de infração, aos argumentos de que é empresa com atividade na revenda de produtos derivados de petrOleo e ãlcool etilico p ara fins carburantes, mer cadorias essas sujeitas, apenas, à tributação pelo imposto sobre operaçães, na conformidade do artigo 74 do CTN. Replicando, veio a informação fiscal de fls. 51/55 sus tentando a procedencia do auto de infração, aos argumentos de que asexigencias ali feitas estão amparadas pela Portaria n9 238-MF/84, pela Lei Complementar n9 07/70 e Lei Complementar n9 17/73, bem como pelas demais normas legais mencionadas na peça bísica. A decisão singular (fls. 56/59) julgou procedente a ação fiscal e manteve a exigência, tal como lançada na peça bísi ca, aos fundamenttos expendidos às fls. 58, in verbis: "A alegação de ilegalidade da exigência não pode prosperar porquanto a Lei Complementar n9 07/70 ,trou xe no seu bojo os elementos descritotes defato juridi co e os dados prescritores da relação obrigacional, tendendo ao principio constitucional tributãrio da e -s- segue - /1°0 SERVIÇO PUBLICO FEOERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 03- Acórdão n9 202-01.915 trita legalidade acolhida no mandamento do artigo 153 § 29 da Constituição. No entanto, se a pretensão da autuada g arguir a insconstitucionalidade da lei acima citada, tal maté ria não pode ser discutida na esfera , adMinistrativ -a- por estravazar os limites de sua competgncia. A base de cálculo para a contribuição para o PIS, ex vi do artigo 39, letra b da Lei Complementar n9 07, 137 de setembro de 1970[ó a receita bruta tal como definida no caput do artigo 12 do Decreto-lei n9 1.598/77, com a exclusão do IPI, ficando afastada qual quer outra exclusão, seja qual for a sua natureza a qualquer titulo (Norma de Serviço CEF n9 451/78). Ressalte-se a propósito, que mediante a Portaria n9 238/84, o Ministro de Estado da Fazenda atribuiu ao fornecedor de derivados de petróleo e álcool etili co hidratado para fins carburantes o recolhimento do PIS-Faturamento devido pelos comerciantes varejiStas desses produtos. Conclui-se, ante o exposto, que, somente a par tir do recolhimento cuja base de cãlculo foi o faturi mento de janeiro de 1985 (item III da PMF n9 232784) e- que o impugnante deveria excluir da sua receita bruta o total das vendas dos produtos acima citados, sendo, portanto, subsistente o lançamento objeto do litígio." Com guarda do prazo legal (fls. 61 e 63), veio o re curso voluntário de fls. 63/67 renovando suas razões expendidas na impugnação, enfatizando a Recorrente que a contribuição PIS-Fa turamento é esp g cie de tributo, embora seja uma contribuição para fiscal. "r espécie de tributo. Toda espécie é oriunda de um gane ro. O género é o tributo." Destaca a Recorrente (fls. 65). Acrescenta ela que a Portaria—MF n9 238/84, ao atri buir aos fornecedores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, não reveste de legalidade o cré dito tributãrio impugnada, muito menos estende essa legalidade a parente a fatos pretéritos, ou seja, para alcançar fatos gerado res até dezembro de 1984. Para a Recorrente, a Lei Complementar n9 07/70 só se aplica áquelas situações não previstas no artigo 74 e seus parg grafos do CTN, os quais ficaram violados pela decisão recorrida, segue - tP) SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 04- Acórdão n9 202-01.915 bem como violada também ficou a Constituição Federal, em seu art. 153, § 29, ou seja: "Ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fa zer alguma coisa, senão em virtude de lei." — E o relatório. VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR, SEBASTIAO BORGES TAQUARY O auto de infração e decisão singular não foram ataca dos pela peça recursal, no que concerne a valores e formas de apu ração do crédito tributário. A Recorrente não se conforma com a exigência, porque entende que sobre a revenda que faz, de produ tos derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins car burantes, não está sujeita incidência de PIS-Faturamento, por força do artigo 74 e seu 29 do CTN. Mas, esse entendimento não ó correto. A Lei Complemen tar n9 07/70, sobrepõe-se ã lei ordinária. Aliás, nem quis o le gislador, ao redigir aquele dispositivo do CTN, inibir o Estado de instituir novos tributos. Para mim e para os doutos, subsistem essa Lei Complementar e esse dispositivo do CTN, sem quaisquer conflitos entre eles. A exigéncia não dissente da lei. Ao contrário, com ela se harmoniza. Aliás, as penalidades propostas e mantidas estão, também, de acordo, em parte, com as normas de regências indicadas na peça básica, tanto que não foram impugnadas pela defesa ou pe lo recurso. Há, porém, de ser excluída a multa de 50% sobre as parcelas do período de 20.03.83 a 20.07.83, ã mingua de base le gal, para sua exigência, que adveio a partir de agosto de 1983, por força do Decreto-lei n9 2.052/83. Considero, pois, incensurável a decisão recorrida,que segue - SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.675-000.498/87-19 05- Ac6rdio n9 202-01.915 merece ser confirmada, em parte, por seus judiciosos fundamentos, os quais adoto como também minhas razões de decidir, para excluir da exifencia a multa de 50% sobre as parcelas- de20.03.83 a 20.07.83. Dou provimento, em parte, ao recurso. Sala das Sessões, em 05 de julho de 1988 ‘,3 •ÁgfrA0 *frsT;i4eA UAy
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