Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.010346/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
Não há divergência entre o aresto recorrido e os paradigmas, seja porque tais decisões apresentam, na verdade, convergência de entendimentos, seja porque elas foram prolatadas em contextos distintos.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.342
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. Não há divergência entre o aresto recorrido e os paradigmas, seja porque tais decisões apresentam, na verdade, convergência de entendimentos, seja porque elas foram prolatadas em contextos distintos. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10580.010346/2007-71
conteudo_id_s : 5216229
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-002.342
nome_arquivo_s : Decisao_10580010346200771.pdf
nome_relator_s : ELIAS SAMPAIO FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10580010346200771_5216229.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4566431
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394882314240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.010346/200771 Recurso nº 166.395 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920202.342 – 2ª Turma Sessão de 24 de setembro de 2012 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO DAS CHAGAS FONTENELE ARAÚJO SOUZA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. Não há divergência entre o aresto recorrido e os paradigmas, seja porque tais decisões apresentam, na verdade, convergência de entendimentos, seja porque elas foram prolatadas em contextos distintos. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 340200.109, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção em 01/06/2009, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão recorrido, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares argüidas pelo recorrente em, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Segue abaixo sua ementa: “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INOCORRÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. PAF CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando a ele foram conferidas todas as oportunidades de manifestação, tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnatória e recursal, sempre com observância aos ditames normativos do Decreto n° 70.235, de 1972. PAF DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de oficio ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a realização de providências considerados necessários para a formação do seu convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14, publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006). Preliminares rejeitadas. Recurso negado.” A recorrente apresentou embargos declaratórios, negados nos termos do Despacho em Embargos n.º 378 (fls. 420/421). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010346/200771 Acórdão n.º 920202.342 CSRFT2 Fl. 2 3 Em seu recurso especial, entende que o aresto recorrido diverge do paradigma que apresenta, os Acórdãos n.º 10708.600 e 10196.738, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: “IRPJ CSLL ERRO NA MENÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL — NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A omissão no enquadramento legal da infração , aliada à imprecisão na descrição dos fatos e à utilização de presunção calçada em indício isolado, com total inversão do ônus da prova, torna nulo o Auto de Infração. IRPJ/CSLL E REFLEXOS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS A PARTIR DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 é uma importante ferramenta colocada à disposição do fisco, mas só pode ser utilizada , quando não restarem dúvidas no tocante ao fato índice , cuja prova, direta , está a seu cargo. É imprescindível que o fisco identifique primeiramente se os créditos bancários foram contabilizados ou não.” (AC 107 08.600) “PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42 da Lei n° 9.43011996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira , de que o titular , regularmente intimado não faça prova de sua origem , por documentação hábil e idônea , serão tributados como receita omitida . Ocorre que, havendo indicação pelo sujeito passivo de elementos suficientes , que permitiriam a identificação da origem dos recursos , cabe ao Fisco sua persecução , com a reinversão do ônus probatório.” (AC 10196.738) Explica que os paradigmas entendem que a presunção legal introduzida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 se relativiza na medida em que haja indicação, pelo sujeito passivo, de elementos suficientes a permitir a identificação da origem dos recursos, como é a hipótese do caso vertente. Considera que o Fisco mantevese absolutamente inerte, e nenhuma incursão fez na contabilidade da pessoa jurídica referenciada, para confirmar se ela, a empresa CPA — Centro de Preparação e Aperfeiçoamento Ltda, era a verdadeira proprietária dos recursos objeto do Auto de Infração lavrado contra o ora Recorrente. Ademais, solicita o acolhimento do seu pedido de juntada de documentação superveniente (cópia dos cheques), por ter demonstrado no decorrer do processo a impossibilidade de sua apresentação em tempo hábil. Afirma que tal documentação comprova que a titularidade dos valores depositados na conta corrente sob exame não pertence ao Autuado, e sim à pessoa jurídica da qual o mesmo é sócio. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Nos termos do Despacho n.º 220000.435, foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Inicialmente, considera que não houve divergência jurisprudencial entre o aresto recorrido e os paradigmas colacionados pelo contribuinte. Explica que o Acórdão 10196.738, aplicando a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430196, entendeu que o contribuinte trouxe aos autos elementos de prova suficientes para comprovar a origem dos depósitos bancários, restando patente a convergência entre os julgados (recorrido e Acórdão 10196.738), já que ambos exigem a comprovação da origem dos depósitos pelo contribuinte. Observa que o Acórdão n° 10708.600, por sua vez, tratou da acusação de não contabilização de depósitos bancários e nulidade do auto de infração por erro em sua capitulação legal, questão distinta da abordada no acórdão recorrido presunção legal do art. 42, Lei n° 9.430196, dispositivo que em nenhum momento foi citado pela fiscalização no r. paradigma. Frisa que a questão se restringe à análise da prova constante dos autos, o que culmina em não conhecimento do presente recurso em face de não apresentação de divergência específica, muito menos sua demonstração no recurso do contribuinte. No mérito, argumenta que a demonstração da origem dos recursos discutidos nos presentes autos deve ser cabal, ante a presunção que favorece a fiscalização tributária. Diz que cabe ao particular o ônus da prova quanto à origem dos valores que circulam, em seu nome, em instituições bancárias. Salienta que, no presente caso, não houve qualquer comprovação que justifique a exclusão dos depósitos bancários. Afirma que já é pacífico no CARF o entendimento de que não basta a mera alegação para comprovar a origem dos depósitos albergados pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, tendo contribuinte que identificar a origem do depósito, com identidade de data e valor, o que não se fez no caso em exame. Ao final, requer que o recurso especial do contribuinte não seja provido. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10580.010346/200771 Acórdão n.º 920202.342 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Quanto à alegação da Fazenda Nacional de que não haveria divergência entre o aresto recorrido e os paradigmas apresentados pelo contribuinte, entendo que está correta a sua análise. De fato, o aresto recorrido manteve o lançamento em comento por ter constatado que o contribuinte não logrou demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta bancária. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho da r. decisão: “Quanto às origens dos depósitos, o Contribuinte afirma que se trata de recursos da empresa CPA — Centro de Preparação e Aperfeiçoamento Ltda. Todavia não apresenta nenhum elemento que vincule os depósitos a essa alegada origem. Notese que não basta a simples indicação genérica de uma provável procedência para os depósitos, é preciso comprovar de forma individualizada de onde vieram os recursos que ingressaram nas contas bancárias do Contribuinte. Se, como afirma o Recorrente, os depósitos tiveram origem em recursos pertencentes à referida empresa, não deveria ter dificuldade em demonstrar esse fato, de apontar a operação, o débito correspondente, o depositante, enfim, vincular o depósito a uma saída de recurso de alguma determinada fonte. . É inaceitável a simples afirmação genérica de que os recursos que transitaram pela conta do contribuinte pertencem a terceiros, sem nenhum lastro em documentos comprobatório desse fato, quando se sabe que tal situação é absolutamente incompatível com os padrões básicos de organização e controle dos negócios. Também não se trata, como afirmado, de punir o Contribuinte pelo fato de confundir suas contas pessoais com as de terceiros. A questão é que essa confusão não foi comprovada. Se o Contribuinte efetivamente demonstrasse que os recursos tiveram a alegada origem, estaria afastada a presunção de omissão de rendimentos, porém, não comprovou esse fato e, portanto, paira incólume a presunção.” O Acórdão n.º 10196.738, em sua ementa, deixa claro que, naquele caso, houve indicação pelo sujeito passivo de elementos suficientes para a identificação da origem dos recursos ali discutidos, motivo pelo qual foi dado provimento ao recurso voluntário interposto. Desse modo, é correto afirmar que tais decisões apresentam, na verdade, convergência de entendimentos. O outro paradigma, o Acórdão n.º 10708.600, trata de situação em que se presumiu omissão de receitas a partir da acusação de não contabilização de depósitos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 bancários, situação distinta da ora em discussão. Ademais, naquele caso o art. 42 da Lei 9430/96 sequer foi citado pela fiscalização. Vejamos o seguinte trecho do paradigma: “Mas aqui temos uma presunção de omissão de receitas a partir da acusação de não contabilização de depósitos bancários. Não há legislação que autorize a aplicação de presunção para esse fato. Há sim presunção legal de omissão de receitas, arbitrada a partir de depósitos bancários cuja origem dos recursos o contribuinte, especificamente e devidamente Intimado, não comprove. É o art. 42 da Lei n° 9 .430/96 , em nenhum momento citado pela fiscalização.” Desse modo, verifico que não há divergência entre o aresto recorrido e os paradigmas descritos acima, seja porque tais decisões apresentam, na verdade, convergência de entendimentos, seja porque elas foram prolatadas em contextos distintos. Isto posto, voto por não conhecer do recurso especial do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 6DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907381/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10675.907381/2009-17
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5206459
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-000.186
nome_arquivo_s : Decisao_10675907381200917.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10675907381200917_5206459.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 4555736
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394885459968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.907381/200917 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.186 – 1ª Turma Especial Data 05 de dezembro de 2012 Assunto Realização de Diligências Recorrente PLASTRO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A empresa recorre do Acórdão nº 0936844/11 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG, fls. 60 a 63, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 07 38 1/ 20 09 -1 7 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907381/200917 Resolução nº 1801000.186 S1TE01 Fl. 3 2 “O interessado transmitiu a Dcomp nº 33004.28171.241008.1.3.049950, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior à CSLL, efetuado em 26/09/2008; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01/02), na qual alega, em síntese, que conforme DCTF retificadora o pagamento foi indevido [...]Pela redação acima, temos que a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que ha de ser liquido e certo para dar suporte à extinção do débito. A apuração de tributos é realizada na contabilidade do contribuinte, sendo seu valor informado à Administração Tributária por meio de DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), declaração que constitui confissão de divida nos termos do artigo 5°, § 1º, do Decretolei n° 2.124/84, que dispõe que "o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito". O sistema não impede que o sujeito passivo retifique sua apuração e declaração via DCTF, no entanto, é pressuposto da mecânica da compensação que haja uma relação lógica e cronológica entre a DCTF (original ou retificadora) e a Declaração de Compensação (Dcomp). Se após a declaração em DCTF e a extinção do débito, normalmente efetuada por meio de pagamento via DARF, o contribuinte efetuar uma nova apuração contábil e por ela constatar que o pagamento efetuado foi indevido ou a maior, ele deve apresentar uma DCTF retificadora com os novos valores do débito apurado. Só assim seu crédito poderá ser considerado liquido e certo. [...] A empresa transmitiu a Dcomp n° 33004.28171.241008.1.3.049950, declarando como crédito pagamento que teria sido efetuado a maior em 26/09/2008, relativo à CSLL do período de apuração 08/2008. Porém, na DCTF referente ao 3o trimestre de 2008 (também na DIPJ respectiva) que deu suporte fático à Dcomp em questão, não existe o crédito pleiteado, tendo em vista que o débito declarado é igual ao valor pago, e por isso, o pagamento efetuado foi corretamente alocado a esse débito, não existindo de fato saldo disponível a ser usado em compensação na data da transmissão da Dcomp ora analisada. Além disso, a manifestação de inconformidade não traz demonstração, comprovada por documentação hábil, da apuração do crédito declarado na Dcomp, para que se possa certificar a sua correção. Nela também não consta elementos que comprovem que esse novo valor fora apurado e declarado à RFB em data anterior à transmissão da Dcomp sob julgamento, contrariando assim, o inciso III do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, que estabelece que "a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir " O crédito objeto da Per/Dcomp é o recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa de CSLL, relativa ao mês de agosto/08. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 07/11/11; Recurso – não consta a data no protocolo) o Recurso de fls., reiterando os termos da defesa exordial, e: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907381/200917 Resolução nº 1801000.186 S1TE01 Fl. 4 3 a) o acórdão recorrido fundamentouse na ausência de documentação hábil da apuração do crédito declarado na Per/Dcomp; b) a recorrente, no entanto, juntou à manifestação de inconformidade cópia da DIPJ/09, onde resta comprovado que não há tributo a recolher no mês de agosto/08, tratandose de um indébito tributário; este documento foi ignorado; c) apesar de entender que basta anexar aos autos a cópia da DIPJ/09, instrui o presente recurso com o balancete de suspensão registrado no Diário relativo ao mês de agosto e cópias de folhas do Lalur; d) argumenta que o acórdão incorreu em erro ao afirmar que a DCTF retificadora foi entregue pela recorrente após a emissão do Despacho Decisório; a retificadora foi entregue em 23/07/09 enquanto o Despacho data de 07/10/09; e) discorda do entendimento esposado no acórdão recorrido que a retificação da DCTF tem que ser simultânea ou anterior à entrega da Per/Dcomp. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia restituição da estimativa de CSLL relativa ao mês de agosto/2008, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que a DCTF foi preenchida com erro e apresenta cópias do balancete de suspensão do mês e do Lalur. A turma julgadora de primeira instância não admitiu o pedido de restituição/compensação com fundamento no fato de que a declaração retificadora DCTF foi entregue após transmissão da Per/Dcomp, não surtindo qualquer efeito portanto. E, ainda, que a recorrente deveria apresentar a escrituração contábil e documentos respectivos juntamente á manifestação de inconformidade para comprovar o alegado erro. Divirjo do acórdão recorrido. Se houver efetivamente erro no cálculo da estimativa de IRPJ, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, ou retificado a confissão após a entrega da Per/Dcomp, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. No presente caso, os documentos trazidos pela recorrente junto à manifestação de inconformidade espelham a entrega da DCTF retificadora e da DIPJ/09 antes da ciência pela recorrente do Despacho Decisório. A DCTFret foi entregue em 23/07/09 (fls. 33), a DIPJ/09 em 12/10/09 e a ciência do Despacho Denegatório ocorreu em 20/10/09 (fls. 09). Daí que parte do raciocínio tecido no acórdão combatido está equivocado. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907381/200917 Resolução nº 1801000.186 S1TE01 Fl. 5 4 DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. Observo que em nenhum momento a autoridade revisora da Per/Dcomp intimou a recorrente à retificar as declarações para que correspondessem à Per/Dcomp (DIPJ e DCTF), ou a apresentar a contabilidade para análise do direito creditório. Tampouco o fez a turma de julgamento de primeira instância. O procedimento acertado da Administração Tributária é, antes de emitir o Despacho Eletrônico intimar o contribuinte a apresentar a contabilidade completa e, após a emissão do Despacho, conceder prazo para o contribuinte proceder a eventuais retificações de declarações, consoante escriturado. Entendo que ao trazer, ainda que em fase recursal, o balancete de suspensão, memória de cálculo demonstrando a apuração do tributo e o Lalur, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa escriturada à época (fichas do Razão analítico, balancetes de suspensão dos meses anteriores registrados no Diário e verificação de possíveis alterações no Lalur no período em comento). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907381/200917 Resolução nº 1801000.186 S1TE01 Fl. 6 5 Voto na conversão do julgamento na realização de diligência para que a autoridade fiscal verifique: a) o valor da base de cálculo da estimativa de IRPJ referente a agosto/2008 junto à contabilidade completa da recorrente escriturada à época dos fatos, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando, em cópia, os registros contábeis pertinentes, a fim de re ratificar os cálculos da recorrente; b) os valores efetivamente recolhidos de estimativas no ano de 2001, destacando se a estimativa objeto deste litígio compôs eventual saldo negativo e/ou se foi objeto de outra Per/Dcomp já processada. A recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência proposta para, desejando, manifestarse em prazo regulamentar. Após, retornem os autos a esta Conselheira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720397/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2010
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCICIO DO CONTRÁDITÓRIO E DA AMPLA DEFESA.
O Processo Administrativo Fiscal constitui-se no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN.
O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assenta-se na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717-1/PR.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, a DA CF/88.
Compreende-se no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2010 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCICIO DO CONTRÁDITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constitui-se no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assenta-se na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.717-1/PR. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, a DA CF/88. Compreende-se no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10540.720397/2010-86
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200373
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.319
nome_arquivo_s : Decisao_10540720397201086.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10540720397201086_5200373.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4538762
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394893848576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2527; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 694 1 693 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720397/201086 Recurso nº 002.319 Voluntário Acórdão nº 2302002.319 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente MUNICÍPIO DE ITAPETINGA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2010 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXERCICIO DO CONTRÁDITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O Processo Administrativo Fiscal constituise no instrumento processual próprio e adequado para que o sujeito passivo exerça, administrativamente, em sua plenitude, o seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa em face da exigência fiscal infligida pela fiscalização, sendo de observância obrigatória o rito processual fixado no Decreto nº 70.235/72. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. COMPENSAÇÃO. MANDATO ELETIVO. PRAZO CINCO ANOS. TERMO A QUO. ART. 168, II DO CTN. O termo a quo para contagem do prazo prescricional do direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos por exercentes de mandato eletivo assentase na data da publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, a qual suspendeu, com eficácia erga omnes, a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 03 97 /2 01 0- 86 Fl. 694DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO AMPLO. ART. 195, I, ‘a’ DA CF/88. Compreendese no conceito legal de Salário de Contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, ressalvadas as rubricas elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, havendo que se lhe emprestar interpretação restritiva em razão de se tratar de norma que dispõe sobre renúncia fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/03/2009 a 31/07/2010 Fl. 695DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 695 3 Data da lavratura do AIOP: 13/10/2010. Data da ciência do AIOP: 20/10/2010. Tratase de Auto de Infração lavrado em face do Município acima identificado, referente à glosa de compensações de contribuições previdenciárias indevidamente realizadas pelo Ente Público, no período de março a julho de 2009, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 11/25 e anexos a fls. 26/42. Informa a Autoridade Lançadora que inexiste qualquer ação judicial em favor do sujeito passivo em relação compensação de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente a título de contribuição previdenciária sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo (Prefeito, Vice Prefeito e vereadores) até 18/09/2000. Aduz a fiscalização, como motivação para a lavratura do vertente Auto de Infração, que o direito de pleitear a restituição/compensação está sujeito ao prazo prescricional de cinco anos (05) contados da data do pagamento indevido, nos termos do artigo 168, I do CTN c.c. artigo 3º da Instrução Normativa SRP nº 15, de 12 de setembro de 2006, e sujeitase ainda, no caso da compensação relativa às contribuições pagas sobre remunerações dos exercentes de mandato eletivo, à retificação das GFIP inicialmente entregues, de forma a excluir destas os detentores de mandato eletivo e suas respectivas remunerações até 18/09/2004. Quanto à prescrição do direito à compensação/restituição, a fiscalização entendeu, com fulcro no art. 168 do CTN, que já estariam prescritos os eventuais créditos decorrentes dos recolhimentos efetuados até o dia 29/02/2004. Assim, o crédito que o contribuinte alega existir estaria restrito apenas aos valores das contribuições relativas às remunerações de Prefeito, de VicePrefeito e vereadores cujos recolhimentos tenham ocorrido a partir de 01/03/2004. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 117/126. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 136/141, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06 de outubro de 2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 143. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 150/166, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a contagem do prazo prescricional deve contar a partir da Resolução 26/2005 do Senado Federal; · Que a retificação da GFIP enseja perda do direito ao tempo de contribuição por parte do Segurado, uma vez que estará excluído do banco de dados da Previdência Social; Fl. 696DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Que sobre os subsídios do Prefeito e Vice Prefeito, de 07/2001 a 12/2003, houve o efetivo pagamento das contribuições previdenciárias, comprovado através dos Extratos de Repasse do FPM, extraídos do site oficial do Banco do Brasil; · Que apurou créditos oriundos de divergências nas informações realizadas no período compreendido entre 12/2004 e 08/2010, em relação aos valores a recolher, segundo consta do CCOR/GFIP; · Que no período de 01/2000 a 06/2001, apesar de não ter havido o regular recolhimento das contribuições, foram gerados débitos cadastrais, através de Lançamento de Débito Confessado, em que foram incluídos os valores em aberto dessas competências. São eles: 35.081.9769, 35.081.9785, 35.339.2235, 35.437.4010 e 35.437.4028. Aduz que os valores que não foram regularmente recolhidos no período de 01 a 09/2004 foram inseridos nos Debcad nº 37.091.1326, 37.091.1334, 37.091.1342 e 37.091.1350”; · Que não deve incidir contribuição previdenciária sobre férias indenizadas, férias vencidas rescisórias, verbas proporcionais rescisórias, 1/3 constitucional de férias, 1/3 de férias indenizadas, abono pecuniário, abono pecuniário indenizado e horas extras. Ao fim, requer a homologação integral dos valores compensados. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 06/10/2011. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência dos Correios no dia 07/11/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O Recorrente alega ter também apurado créditos oriundos de divergências nas informações realizadas no período compreendido entre 12/2004 e 08/2010, em relação aos valores a recolher, segundo consta do CCOR/GFIP a fls. 686/687. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 696 5 Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi levada aventada pelo Impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Fl. 698DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não Fl. 699DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 697 7 podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico, além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário mas não contestadas em sede de impugnação ao lançamento, não poderá ser conhecida por este Colegiado, em virtude da preclusão. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA PRESCRIÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, da relatoria do ministro Carlos Velloso, assentou o entendimento de que a instituição de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos titulares de mandato eletivo, antes da vigência da Emenda Constitucional nº 20/1998, mostravase desarmônica com a Carta Federal, tendo em vista não se enquadrarem os agentes políticos no conceito de trabalhador, previsto na redação originária do inciso II do artigo 195 do Diploma Maior, sendo necessária a edição de lei complementar para a disciplina, conforme dessai da ementa do acórdão adiante transcrita, publicada no Diário da Justiça de 21 de novembro de 2003: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: PARLAMENTAR: EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL. Lei 9.506, de 30.10.97. Lei 8.212, de 24.7.91. C.F., art. 195, II, sem a EC 20/98; art. 195, § 4º; art. 154, I. I. A Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, acrescentou a alínea h ao inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, tornando segurado obrigatório do regime geral de previdência social o exercente de mandato eletivo, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. II. Todavia, não poderia a lei criar figura nova de segurado obrigatório da previdência social, tendo em vista o disposto no art. 195, II, C.F.. Ademais, a Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, ao criar figura nova de segurado obrigatório, instituiu fonte nova Fl. 700DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 de custeio da seguridade social, instituindo contribuição social sobre o subsídio de agente político. A instituição dessa nova contribuição, que não estaria incidindo sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros" (C.F., art. 195, I, sem a EC 20/98), exigiria a técnica da competência residual da União, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º, ambos da C.F. É dizer, somente por lei complementar poderia ser instituída citada contribuição. III. Inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. R.E. conhecido e provido. Com efeito, a Resolução n° 26/2005 do Senado Federal suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL nº 26, de 21 de junho de 2005 O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. De acordo com o previsto no §2º do art. 1º do referido Decreto, os efeitos da suspensão da execução pelo Senado Federal seriam retroativos à data de entrada em vigor da norma declarada inconstitucional. Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. §1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. (grifos nossos) §2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade Fl. 701DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 698 9 proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. O Secretário da Receita Federal do Brasil publicou o Ato Declaratório Executivo RFB n° 60, de 17 de outubro de 2005, dispondo em seu Art. 1º que “A suspensão, pela Resolução nº 26 do Senado Federal, da execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional”. Nesse contexto, até o dia 18 de setembro de 2004, os exercentes de mandato eletivo não poderiam ser considerados segurados obrigatórios do RGPS, por falta de previsão legal. Somente a contar da data de vigência da Lei n° 10.887/2004, digase, 19 de setembro de 2004, é que o exercente de mandato eletivo não vinculado a Regime Próprio de Previdência Social passou a ser caracterizado como segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado empregado. Ocorre que a norma disposta no §2º do art. 1º do Decreto n° 2.346/1997, aplicável nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal, na via incidental, declara inconstitucional lei ou ato normativo, deixa dúvidas quanto o estabelecimento do termo inicial do prazo prescricional para o exercício do direito de repetição de indébito, uma vez que a suspensão da norma pelo Senado Federal não opera efeitos ex tunc, como na hipótese descrita no §1º do mesmo dispositivo legal, mas sim, efeitos ex nunc, de forma que não faz sentido, nestes casos, a decisão retroagir à data de entrada da norma declarada inconstitucional. O Código Tributário Nacional, por seu turno, estatui em seu art. 168, II que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Código Tributário Nacional CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Deflui de uma interpretação teleológica da norma estampada no inciso II do art. 168 acima transcrito que, na hipótese tratada nos autos, o termo a quo para a contagem do prazo tem início com a publicação da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, uma vez que somente a contar de então, os contribuintes estranhos ao Recurso Extraordinário nº 351.7171, passaram a usufruir dos efeitos dimanados da decisão do STF, graças aos efeitos erga omnes em que se opera a Resolução do Senado Federal em foco. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Cumpre registrar que a própria Previdência Social já adotou esse entendimento anteriormente no precedente de inconstitucionalidade das contribuições instituídas por meio da Lei n° 7.789, conforme se depreende do teor da norma inscrita no art. 228 da Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003, em excerto rememorado a seguir para a melhor compreensão de seus fundamentos. Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003 Art. 228. O prazo final para apresentação de pedido de restituição ou de início da efetivação da compensação de contribuições sociais previdenciárias relativas a remuneração paga a autônomos, empresários e avulsos, foi estabelecido de acordo com os seguintes critérios: I os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989, relativos ao período de setembro de 1989 a outubro de 1991, tiveram por início do prazo prescricional o dia 28 de abril de 1995 (data da publicação da Resolução nº 14 do Senado Federal) e, por término, o dia 28 de abril de 2000; II os recolhimentos efetuados com base no inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, relativos ao período de novembro de 1991 a abril de 1996, anterior à vigência da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996, tiveram por início do prazo prescricional o dia 1º de dezembro de 1995 (data da republicação da decisão proferida na Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN nº 1.102/DF) e, por término, o dia 1º de dezembro de 2000. Nessa mesma rota navega a jurisprudência assentada nos Tribunais Superiores, conforme se depreende do julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial n° 506.127 PR (2003/00360043), de relatoria do Ministro Luiz Fux, publicada no DJ em 1º de março de 2004, cuja ementa encontrase assim redigida: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA A AVULSOS, AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. ART. 3º, I, DA LEI 7.787/89 E ART. 22, I, DA LEI 8.212/91. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. 1. O sistema de controle de constitucionalidade das leis adotado no Brasil implica assentar que apenas as decisões proferidas pelo STF no controle concentrado têm efeitos erga omnes. Consectariamente, a declaração de inconstitucionalidade no controle difuso tem eficácia inter partes. Forçoso, assim, concluir que o reconhecimento da inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo pelo STF só pode ser considerado como termo inicial para a prescrição da ação de repetição do indébito quando efetuado no controle concentrado de constitucionalidade, ou, tratandose de controle difuso, somente na hipótese de edição de resolução do Senado Federal, conferindo efeitos erga omnes àquela declaração (CF, art. 52, X). 2. Ressalva do ponto de vista do Relator, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade somente tem o condão de iniciar o prazo prescricional quando, pelas regras gerais do Fl. 703DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 699 11 CTN, a prescrição ainda não se tenha consumado. Considerando a tese sustentada de que a ação direta de inconstitucionalidade é imprescritível, e em face da discricionariedade do Senado Federal em editar a resolução prevista no art. 52, X, da Carta Magna, as ações de repetição do indébito tributário ficariam sujeitas à reabertura do prazo prescricional por tempo indefinido, violando o primado da segurança jurídica, e a fortiori, todos os direitos seriam imprescritíveis, como bem assentado em sede doutrinária: "Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. (...) Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminarseia a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarse iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." (Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo, Editora Max Limonad, 2000, p. 271/277) 3. Submissão ao entendimento predominante da Primeira Seção, no julgamento do ERESP nº 423.994/MG, com a ressalva do relator de que essa tese não pode reabrir prazos prescricionais superados à luz do CTN. Destarte, naquele julgamento restaram assentados os seguintes termos iniciais da ação de repetição: a) quando no controle concentrado houver declaração de inconstitucionalidade, iniciase a prescrição quinquenal da ação, do trânsito em julgado da declaração pelo STF; b) quando o controle for difuso, o termo inicial é a data da Fl. 704DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 publicação da resolução do Senado Federal (art. 52, X, da CF); c) inocorrendo declaração de inconstitucionalidade, prevalece a tese dos 5 (cinco) mais 5 (cinco), vale dizer, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional é de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, computados desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificar o quantum devido a título do tributo. 4. A declaração da inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores", contida no inciso I do art. 3 da Lei 7.787/89, se deu no julgamento do Recurso Extraordinário 177.2964/RJ (controle difuso), publicada no DJ de 09/12/1994. Entretanto, a Resolução nº 14 do Senado Federal, consectária ao referido julgamento, e que suspendeu a execução dos referidos Decretosleis, foi publicada no Diário Oficial da União apenas em 28/04/1995, pelo que este é o termo inicial da prescrição da ação de repetição do indébito, perfazendo o lapso de 5 (cinco) anos para efetivarse a prescrição, em 28/04/2000. 5. Por outro lado, a declaração de inconstitucionalidade da expressão "avulsos, autônomos e administradores" contida no inciso I do art. 3º da Lei 8.212/91, se deu no julgamento da ADIN 1.102/DF, cujo acórdão foi publicado no DJ de 17/11/1995, tendo transitado em julgado em 13/12/1995, perfazendo o lapso de 5 (cinco) anos para efetivarse a prescrição, em 13/12/2000. 6. Agravo regimental provido, para dar parcial provimento ao recurso especial do INSS, reconhecendo prescrita a pretensão de repetição dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga a autônomos, avulsos e administradores sob a vigência da Lei 7.787/89. Estampado nesse matiz o quadro Jurídico aplicável à espécie, avulta como certo que, somente a contar da publicação da Resolução do Senado Federal n° 26/2005 o sujeito passivo passou a ter a seu dispor o Direito de Ação para pleitear a restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos à Seguridade Social. Nesse contexto, o termo inicial do prazo prescricional ora debatido assentase então em 22 de junho de 2005, encerrandose destarte em 21 de junho de 2010. Ora, sendo o período de apuração do crédito tributário de março de 2009 a julho de 2010, e considerandose que a compensação constituise modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, II do CTN, e que o batimento entre créditos e débitos do sujeito passivo, para fins de compensação, ocorre na data de vencimento da exação, temos que a compensação das contribuições previdenciárias referentes à competência junho/2010 com os créditos de titularidade do sujeito passivo somente veio a ocorrer no dia 20/07/2010, quando já estavam prescritos os créditos do Município recorrente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Fl. 705DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 700 13 b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). Nesse contexto, não demanda áurea mestria concluir que a prescrição dos créditos decorrentes das contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios de agentes políticos indevidamente recolhidas até o dia 18 de setembro de 2004 somente ocorre a contar da competência junho/2010, inclusive esta. Nesse contexto, não se encontram vitimadas pela prescrição a competência maio/2010 e as demais competências anteriores a essa. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. O município alega haver constituído em seu favor créditos tributários de duas naturezas distintas, a saber: crédito tributário decorrente do recolhimento indevido de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de agentes políticos, declaradas inconstitucionais por decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, e crédito tributário decorrente do recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre rubricas que, no seu exclusivo entender, não integrariam o salário de contribuição. Analisemolos. 3.1. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE OS SUBSIDIOS DOS EXERCENTES DE MANDATO EFETIVO DECLARADAS INCONSTITUCIONAIS. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Cumpre de plano encarecer que não se encontra em discussão nos presentes autos a legalidade do direito creditório do sujeito passivo, eis que tal direito decorre diretamente da Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, que suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida incidenter tantum pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. Cabe iluminar, igualmente, que no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que Fl. 707DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 701 15 a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Atendendo ao comando do CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei nº 8.383/91, cujo Art. 66 dispôs que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderia efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. Ao mesmo tempo, o parágrafo único do referido dispositivo legal impôs uma restrição à compensação tributária ao dispor que a compensação, no âmbito tributário, só poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subsequente. (com Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.199) §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, a regulamentação jurídica do instituto da compensação tributária foi confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 89 assim estatui: LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) Fl. 708DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do caput do Art. 89 da Lei nº 8.212/91 é de clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 702 17 III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; As disposições inscritas no parágrafo segundo do aludido art. 89 combinadas com as do parágrafo único do art. 11, ambos da Lei nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. O exercício do direito à compensação, entretanto, não se revela incondicionado, haja vista encontrarse circunscrito ao preenchimento de determinados requisitos legais, a ônus do interessado, consistentes, dentre outros, na efetiva demonstração e comprovação da existência e titularidade do crédito tributário que se almeja compensar. De outro eito, o Interessado dispõe de prazo peremptório para o exercício do seu direito creditório, sob pena de prescrição. A Resolução n° 26/2005 do Senado Federal, ao suspender a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida incidenter tantum pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, alastrou efeitos erga omnes à decisão judicial acima assinalada. Nesse diapasão, a Secretaria da Receita Previdenciária fez publicar no Diário Oficial da União de 18/09/2006 a Instrução Normativa SRP nº 15/2006 dispondo sobre a devolução de valores arrecadados pela Previdência Social com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506/97, nela estatuindo a obrigatoriedade de o ente federativo preceder eventual compensação com a indispensável retificação das GFIP correspondentes, para destas excluir todos os exercentes de mandato eletivo informados, sendo certo que tal retificação deve ser levada a efeito mesmo que o sujeito passivo não opte pela compensação. Instrução Normativa SRP nº 15, de 12/09/2006 Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004, relativa aos referidos exercentes; (grifos nossos) II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) Fl. 710DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; (Redação dada pela IN RFB nº 909/2009) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; §1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. §2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no §1º, os valores compensados serão glosados. §3º Os documentos referidos no §1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. §4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. (grifos nossos) §5º O descumprimento do disposto no §4º sujeitará o infrator à multa prevista no §6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Colhemos do texto dos dispositivos legais acima revisitados que para o exercício regular do direito de compensação de contribuições previdenciárias figura como condição sine qua non o adimplemento cumulativo dos requisitos abaixo elencados: Fl. 711DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 703 19 a) Que os subsídios dos agentes políticos, no período de 01/02/1998 a 18/09/2004, tenham sido oferecidos à tributação. Assim, os agentes políticos do Ente municipal requerente (Prefeito, VicePrefeito e Vereadores) devem ter registrados, durante o período em foco, como segurados obrigatórios do Município vinculados ao RGPS; b) Que o crédito tributário incidente sobre os subsídios dos agentes políticos em tela tenha efetivamente se materializado, seja através do registro nos livros fiscais próprios, seja mediante confissão espontânea, seja por declaração em GFIP, ou ainda tenha sido constituído por meio de lançamento de ofício, através de autuação fiscal; c) Que, uma vez constituído o crédito tributário, este tenha sido comprovadamente extinto pelo pagamento. Não basta o mero oferecimento à tributação. É indispensável a comprovação do efetivo recolhimento ao Erário; d) Que, a partir de janeiro/1999, o nome dos agentes políticos em relevo tenham sido declarados nas GFIP correspondentes na condição de segurados empregados; e) Que inexistam débitos constituídos em face do Interessado em favor da fazenda pública correspondente, na data da entrega de GFIP em que esteja sendo empreendida a compensação; f) Que o ente federativo esteja em situação regular perante a Fazenda Pública, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; g) Que o ente federativo esteja em dia com parcelas relativas a eventuais acordos de parcelamento de contribuições previdenciárias, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; h) Que a compensação pretendida seja efetivamente realizada dentro do prazo não vitimado pelo instituto da prescrição tributária; i) Que as GFIP originárias em que figuravam os nomes dos agentes políticos em apreço tenham sido efetivamente retificadas, de molde a se excluir os exercentes de mandato eletivo, cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais. Dessarte, demonstrada a natureza jurídica previdenciária da obrigação tributária principal indevida da qual decorre o crédito alegado pelo sujeito passivo, imperativa se mostra a comprovação da constituição do crédito tributário dela decorrente, a qual pode ser levada a efeito nas formas que se vos seguem: I. A partir de janeiro de 1999, pela declaração em GFIP da remuneração e das contribuições dela decorrentes; II. Pela confissão das contribuições devidas, mediante Lançamento de Débito Confessado; Fl. 712DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 III. Pela constituição de ofício do crédito tributário, mediante Auto de Infração ou Notificação Fiscal de Lançamento. Na sequência, demonstrada a constituição do crédito tributário, há que ser comprovada a sua extinção pelo correspondente pagamento, pois só assim irá se configurar o recolhimento indevido ou a maior, elemento essencial e condição indispensável para o exercício do direito ora pleiteado. Por fim, há que se comprovar, se for o caso, a retificação das GFIP mediante a exclusão dos exercentes de cargo eletivo cujas contribuições previdenciárias houveramse por declaradas inconstitucionais pelo STF, e nas quais se fundamenta o direito creditório do sujeito passivo. Tal exclusão decorre da mais perfunctória lógica do pedido de restituição/compensação. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, proferiu decisão definitiva declarando a inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital e municipal, ao fundamento de que tais trabalhadores não se configuravam como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social . Por tal motivo, não se enquadrando os agentes políticos em foco como segurados do RGPS, indevida era, por consequência inafastável, a contribuição previdenciária para o FPAS, instituída por mera lei ordinária, Lei nº 9.506/97, sendo demandado para tanto, um instrumento legislativo do status de Lei Complementar. Dessarte, constando o nome tais exercentes de mandato eletivo nas GFIP em que foram oferecidas suas respectivas remunerações à tributação, referentes ao período de 01/02/1998 a 18/09/2004, tornase necessário que esses agentes políticos sejam excluídos da base de dados da Seguridade Social, nesse período, mediante a entrega de GFIP retificadora (promovendo tal exclusão). Caso tal exclusão não seja efetuada, os agentes políticos acima referidos continuarão figurando na base de dados da seguridade social, no período ora em destaque, como segurados empregados, qualificação essa que o STF declarou inconstitucional. Compulsando os autos, não logramos encontrar qualquer indício de prova material da entrega de GFIP retificadoras promovendo a exclusão dos agentes políticos em relevo. Corrobora de maneira indiciária a inexistência de tal exclusão a alegação desfiada pelo Recorrente, a fl. 496, de que a retificação somente poderia ocorrer com a prévia autorização do respectivo exercente de mandato eletivo para esta finalidade. Compete esclarecer ao Recorrente os seguintes tópicos: A Retificação da GFIP é obrigatória, havendo ou não compensação, e não facultativa, conforme dispõe o §4º do art. 6º da IN MPS/SRP nº 15/2006. O disposto no §1º do art. 6º da IN MPS/SRP nº 15/2006 referese, tão somente, à compensação dos valores descontados dos agentes políticos e recolhidos ao Erário, mas, não, às contribuições patronais. Atentese que o titular desse crédito é o agente político de quem foi descontada a contribuição a que se refere o art. 20 da Lei nº 8.212/91. Para que o município possa fazer, em seu nome, uma compensação de tributos, cujo titular do crédito é o Fl. 713DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 704 21 agente político, deve comprovar o adimplemento cumulativo das duas condições fixadas nos incisos I e II do aludido §1º. Instrução Normativa MPS/SRP nº 15, de 12/09/2006 Art. 6º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º,compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º,observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; (redação dada pela IN RFB Nº 909, DE 14/01/2009) III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991,e das contribuições instituídas a título de substituição; (redação dada pela IN RFB Nº 909, DE 14/01/2009) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991,acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; e § 1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 § 2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no § 1º, os valores compensados serão glosados. § 3º Os documentos referidos no § 1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. (grifos nossos) § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991,e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Notese que, de qualquer maneira, o período de 01/02/1998 a 18/09/2004 jamais poderá ser computado como tempo de contribuição em favor dos agentes políticos em foco, nessa condição, para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social, uma vez que, nesse período, por decisão do STF, os exercentes de mandato eletivo não figuravam como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. Não procede, portanto, a alegação recursal de que a IN MPS/SRP nº 15/2006 seria omissa quanto aos casos em que o segurado não abriu mão do seu tempo de contribuição e a de que, nesses casos, o Ente Federativo deve se manter inerte quanto às retificações de GFIP. A retificação da GFIP é obrigatória para o Município. O que depende de autorização não é a retificação, mas, sim, a compensação, pelo município de créditos de titularidade dos agentes políticos. Ora, o Recorrente efetuou compensação ao fundamento de que os exercentes de mandato eletivo não eram segurados obrigatórios do RGPS e, por tal razão, indevidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre seus respectivos subsídios. Contudo, se nega a efetuar a correção das GFIP ao argumento de que, se assim o fizer, os referidos agentes políticos serão excluídos do banco de dados da Previdência Social e irão perder o direito ao tempo de contribuição. Ora bolas! Senão este Relator, alguém está precisando conversar com o Dr. Eiras! Ou os agentes políticos, no período em debate, são segurados obrigatórios do RGPS ou não são. Se são, devidas se revelam as contribuições recolhidas, indevida será a compensação, procedente será a glosa. Se não são, indevidas serão as contribuições previdenciárias, mas os agentes políticos têm que ser excluídos dos bancos de dados da Seguridade Social e haverá a perda do direito a contagem do tempo de contribuição. O STF já bateu o Martelo de forma definitiva: Os agentes políticos, no período em relevo, NÃO SÃO segurados obrigatórios do RGPS. Logo, a retificação das GFIP é mandatória e não facultativa, conforme assim estatui o §4º do art. 6º da IN MPS/SRP nº 15/2006. Assim, enquanto não for promovida a exclusão dos agentes políticos em ribalta da base de dados da Seguridade Social, mediante a entrega das respectivas GFIP retificadoras, obstada se manterá a constituição do respectivo crédito em favor do Recorrente. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 705 23 Em consequência, inexistindo crédito líquido e certo em sua carteira, indevida será a compensação levada a efeito pelo Recorrente. Procedente a glosa. De outro canto, produção de outro lote, porém, o Relatório da ação fiscal a fls. 17/48 assevera que a Câmara Municipal de Itapetinga não informou os seus vereadores nas GFIP referentes aos anos calendário de 1998 a 2004. Além disso, as GFIP apresentadas pela Prefeitura Municipal para os anos calendários 1998 a 2004, originais e retificadoras, apenas nas competências julho/2001, de janeiro a junho, agosto, outubro e novembro/2002; de janeiro a abril e agosto/2003 e de janeiro a setembro/2004 houveramse por declarados os prefeitos e viceprefeitos indicados pelo Autuado, conforme planilha D, a fl. 47. Extraímos dos resumos gerais das folhas de pagamento a fls. 142/347 e das contribuições previdenciárias recolhidas pela Prefeitura Municipal de Itapetinga, a fls. 44/45, que os valores recolhidos pelo Recorrente não foram suficientes, sequer, para cobrir o débito relativo ao salário base dos demais servidores municipais, que não os exercentes de mandato eletivo, inexistindo qualquer evidência de recolhimentos indevidos em relação aos agentes políticos em apreço, a justificar a compensação levada a efeito pelo Recorrente. O município, em sede de recurso voluntário, alega que “Em relação aos recolhimentos sobre os subsídios do Prefeito e VicePrefeito, podemos verificar que, de 07/2001 a 12/2003, houve o efetivo pagamento das contribuições previdenciárias, através dos Extratos de Repasse do FPM, extraídos do site oficial do Banco do Brasil (doc.05)”. Ocorre, todavia, que, compulsando os extratos dos Demonstrativos de Distribuição e Arrecadação do FPM referentes às competências 07/2001 a 12/2003, verificase que este, apenas, informa o montante global retido do FPM destinado a parcelamento do INSS, sendo impossível se apurar se nos parcelamentos a que se refere encontramse contemplados os recolhimentos relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo. Não há referência, sequer, ao número do parcelamento, tampouco ao período a que se refere. Assim, restam sem comprovação os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios do Prefeito e VicePrefeito. Na sequência, o Recorrente alega que: “No período de 01/2000 a 06/2001, apesar de não ter havido o regular recolhimento das contribuições, foram gerados débitos cadastrais, através de Lançamento de Débito Confessado, em que foram incluídos os valores em aberto dessas competências. São eles: 35.081.9769, 35.081.9785, 35.339.2235, 35.437.4010 e 35.437.4028”. Para provar o alegado, o Recorrente fez acostar aos autos hard copy das telas do sistema informatizado “CONSULTAS ÀS INFORMAÇÕES DO CRÉDITO” a fls. 665/667, as quais, absolutamente, nada acrescentam de probatório, uma vez que não ostentam registro da composição das rubricas integrantes dos parcelamentos alegados. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Mais uma vez, restaram sem comprovação os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos em tela, no período acima assinalado. O Recorrente prossegue, sustentando que “É necessário observar também que os valores que não foram regularmente recolhidos no período de 01 a 09/2004 foram inseridos nos Debcads nos 37.091.1326, 37.091.1334, 37.091.1342 e 37.091.1350”. Cometendo o mesmo pecado anterior, o Recorrente resumiuse em tentar comprovar o alegado mediante a mera colecionação aos autos de hard copy das telas do sistema informatizado “CONSULTAS ÀS INFORMAÇÕES DO CRÉDITO” a fls. 670/671, as quais, repisese, não possuem conteúdo probatório algum para o caso presente, eis que nelas não constam consignadas as rubricas integrantes dos parcelamentos alegados. Assim, uma vez mais, restaram sem comprovação os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos em tela, no período assinalado no parágrafo precedente. Por outro viés, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 somente admite a compensação de contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido, ou a maior que o devido, desde que atendidas as condições e os termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art.89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (grifos nossos) Atendendo ao comando legal assentado no art. 89, caput, in fine, da Lei nº 8.212/91, a Secretaria da Receita Federal do Brasil fez publicar no Diário Oficial da União de 31/12/2008 a Instrução Normativa nº 900/2008 disciplinando a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispondo em seu art. 34 que não pode ser objeto de compensação o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB, assim como o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964/2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684/2003 e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303/2006. Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a Fl. 717DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 706 25 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) §3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1º: (...) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela RFB; (...) XII o crédito apurado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) de que trata a Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, do Parcelamento Especial (Paes) de que trata o art. 1º da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e do Parcelamento Excepcional (Paex) de que trata o art. 1º da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006, decorrente de pagamento indevido ou a maior; (...) Diante de tal panorama, avulta não se contentar a legislação tributária com a mera inclusão de contribuições previdenciárias, supostamente indevidas, em parcelamento administrativo não integralmente quitado, para fins de compensação tributária. Dessarte, embora não comprovado nestes autos, se de fato houve a inclusão de contribuições previdenciárias incidentes sobre os subsídios dos agentes políticos nos parcelamentos do Município, este deverá ingressar com pedido de exclusão de tais parcelas na Unidade da RFB, especificando os parcelamentos nos quais estas estariam incluídas. Assim, fulgura mais promissora a revisão administrativa do parcelamento realizado, visando ao expurgo das contribuições tidas como indevidas, e nova consolidação de débitos e créditos do sujeito passivo com o fito de se apurar se houve efetivamente recolhimentos indevidos e, havendo, promoverse a revisão do parcelamento realizado. Assim, diante da não comprovação do efetivo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os exercentes de mandato eletivo, da não inclusão dos vereadores nas GFIP originarias, e, também, em virtude da recusa da exclusão dos prefeitos e subprefeitos da base de dados da Previdência Social, mediante retificação das GFIP em que tais agentes políticos houveramse por declarados, não há como este Colegiado atender ao pedido formulado pelo Recorrente. 3.2. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE RUBRICAS QUE NÃO INTEGRARIAM O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O Recorrente alega que não deve incidir contribuição previdenciária sobre férias indenizadas, férias vencidas rescisórias, verbas proporcionais rescisórias, 1/3 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 constitucional de férias, 1/3 de férias indenizadas, abono pecuniário, abono pecuniário indenizado e horas extras. A razão, todavia, não lhe assiste. Com relação a férias indenizadas e seus complementos, e os abonos pecuniários indenizados e demais parcelas de natureza indenizatória, de acordo com o Relatório da Ação Fiscal a fl. 37, o Município já não os vinha oferecendo à tributação: Relatório da Ação Fiscal “Constatase, assim, que o Município não já não vinha oferecendo à tributação os valores pagos a títulos de férias indenizadas e seus complementos, e os abonos pecuniários e abonos pecuniários indenizados, agindo em conformidade com o art. 28, parágrafo 9º, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, abaixo transcrito: (...) A Planilha de Créditos Verbas de Natureza Indenizatórias informa valores de contribuições previdenciárias sobre férias indenizadas e adicional, 10 dias de férias indenizadas, abono pecuniário e abono pecuniário indenizado a partir de setembro de 2001. A modificação da Lei 8.212/91 excluindo do campo de incidência tais verbas foi feita em 1997 e 1998, consoante descrição do texto legal acima. Este fato demonstra, mais uma vez, que tais rubricas não foram oferecidas à tributação”. Ora, se tais parcelas não foram incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo Recorrente, não há que se falar em recolhimento indevido, tampouco em repetição de indébito a justificar sua restituição/compensação. De outro eito, o Município recorrente considerou ainda como integrantes do seu suposto crédito valores de contribuições previdenciárias correspondentes a verbas que ele entende, ao seu inteiro talante, que não compõem a base de incidência da exação em relevo, tais como 1/3 de férias e hora extra. Tais rubricas, todavia, malgrado a discordância do Recorrente, encontramse abraçadas pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição encapsulado no art. 28 da Lei nº 8.212/91. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 719DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 707 27 §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já Fl. 720DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. O que dizer, também, do salário do jogador de futebol não titular, que passa a temporada inteira sem ser, sequer, escalado para o banco de reserva? Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas. Assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada começou a perceber que o conceito de remuneração não mais se circunscrevia meramente à contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, tinha a sua abrangência elastecida a todas as verbas e vantagens auferidas pelo obreiro em decorrência do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o trabalhador estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora possam não representar contrapartida direta pelo trabalho realizado. Em magnífico trabalho doutrinário, Amauri Mascaro Nascimento compra essa briga, desenvolvendo uma releitura do conceito de remuneração, realçando as notas características da prestação pecuniária ora em debate: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Fl. 721DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 708 29 Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Fl. 722DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação", mas, sim, de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 709 31 trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo segurado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 Da matriz jurídica e filosófica dos aludidos dispositivos, podese extrair, por decorrência lógica, que se encontram compreendidos no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer vantagem concedida e/ou verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 710 33 e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 711 35 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas pagas a título de horas extras e 1/3 constitucional de férias não se houveram por incluídas no rol numerus clausus de excepcionalidades exposto no já transcrito §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, o §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, expressamente inclui a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal no conceito de saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. No que pertine às horas extras, a sua natureza salarial é inconteste tanto na doutrina como na jurisprudência, estando sua disciplina jurídica regulamentada pelos artigos 59 a 61 da CLT. Consolidação das Leis do Trabalho Art. 59 A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho. 1º Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior à da hora normal. §2o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um Fl. 728DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16441, de 2001) §3º Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, na forma do parágrafo anterior, fará o trabalhador jus ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão. (Incluído pela Lei nº 9.601, de 21.1.1998) §4o Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão prestar horas extras. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164 41, de 2001) Art. 60 Nas atividades insalubres, assim consideradas as constantes dos quadros mencionados no capítulo "Da Segurança e da Medicina do Trabalho", ou que neles venham a ser incluídas por ato do Ministro do Trabalho, Industria e Comercio, quaisquer prorrogações só poderão ser acordadas mediante licença prévia das autoridades competentes em matéria de higiene do trabalho, as quais, para esse efeito, procederão aos necessários exames locais e à verificação dos métodos e processos de trabalho, quer diretamente, quer por intermédio de autoridades sanitárias federais, estaduais e municipais, com quem entrarão em entendimento para tal fim. Art. 61 Ocorrendo necessidade imperiosa, poderá a duração do trabalho exceder do limite legal ou convencionado, seja para fazer face a motivo de força maior, seja para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis ou cuja inexecução possa acarretar prejuízo manifesto. §1º O excesso, nos casos deste artigo, poderá ser exigido independentemente de acordo ou contrato coletivo e deverá ser comunicado, dentro de 10 (dez) dias, à autoridade competente em matéria de trabalho, ou, antes desse prazo, justificado no momento da fiscalização sem prejuízo dessa comunicação. §2º Nos casos de excesso de horário por motivo de força maior, a remuneração da hora excedente não será inferior à da hora normal. Nos demais casos de excesso previstos neste artigo, a remuneração será, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) superior à da hora normal, e o trabalho não poderá exceder de 12 (doze) horas, desde que a lei não fixe expressamente outro limite. §3º Sempre que ocorrer interrupção do trabalho, resultante de causas acidentais, ou de força maior, que determinem a impossibilidade de sua realização, a duração do trabalho poderá ser prorrogada pelo tempo necessário até o máximo de 2 (duas) horas, durante o número de dias indispensáveis à recuperação do tempo perdido, desde que não exceda de 10 (dez) horas diárias, em período não superior a 45 (quarenta e cinco) dias por ano, sujeita essa recuperação à prévia autorização da autoridade competente. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10540.720397/201086 Acórdão n.º 2302002.319 S2C3T2 Fl. 712 37 Diante dos aludidos dispositivos, estando as referidas verbas congregadas no conceito jurídico de Salário de Contribuição, devidas são as contribuições previdenciárias sobre elas incidentes, do que resulta a necedade da inclusão de tais exações no montante de crédito que o Recorrente alega ser titular. Correta, portanto, a glosa da compensação efetuada a este título. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. DECISÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 730DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722849/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE.
Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da Dcomp em data em que o débito já estava vencido.
Numero da decisão: 1202-000.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da certeza e liquidez do crédito apontado na PerDcomp.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da Dcomp em data em que o débito já estava vencido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10280.722849/2009-39
conteudo_id_s : 5217743
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1202-000.847
nome_arquivo_s : Decisao_10280722849200939.pdf
nome_relator_s : VIVIANE VIDAL WAGNER
nome_arquivo_pdf_s : 10280722849200939_5217743.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da certeza e liquidez do crédito apontado na PerDcomp.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4567473
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394909577216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1638; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 135 1 134 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.722849/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.847 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2012 Matéria DCOMP Recorrente BANCO DO ESTADO DO PARÁ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da Dcomp em data em que o débito já estava vencido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da certeza e liquidez do crédito apontado na PerDcomp. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.722849/200939 Acórdão n.º 1202000.847 S1C2T2 Fl. 136 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra a não homologação de PER/DCOMP, cujo relatório reproduzo abaixo, por bem descrever os elementos constantes dos autos. Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/01/2007 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 289,07 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2319, do período de apuração de 30/11/2004, no valor originário de R$ 174.735,46. A Delegacia de origem, em análise datada de 19/04/2010 (fl. 10), asseverou que: “De acordo com o mencionado PER/DCOMP, a demonstração do direito creditório está contemplada em outro PER/DCOMP, qual seja, o de nº 31681.34744.110107.1.7.045403, no âmbito do processo 10280.905560/200953. Ocorre, no entanto, que o referido crédito foi integralmente deferido (rectius: indeferido), nos termos do Despacho Decisório com nº de rastreamento 848565839 (cópia à fl. 09). Por conseqüência, não há que se proceder à homologação das compensação ora pretendida”. Cientificada em 30/04/2010, a interessada apresentou, em 28/05/2010, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 14/21): “Em 30.12.2004 o Banco efetuou recolhimento indevido no valor de R$174.735,46, relativo ao IRPJ base Nov/2004 com base em balanço/balancete de suspensão ou redução. Em 05.01.2007 o Banco procedeu a compensação utilizando o referido crédito através da PER/DCOMP nº 23656.12006.050107.1.3.047100, que foi retificada em 11.01.2007, através da PER/DCOMP nº 31681.34744.110107.1.7.045403, onde o crédito atualizado a taxa SELIC acumulada de 32,69%, passou a ser de R$231.856,48, que serviu para compensar os débitos abaixo, todos apurados com base em balanço/balancete de suspensão e redução, remanescendo um saldo de crédito atualizado de R$ 383,57 (saldo original remanescente R$289,07) para ser compensado posteriormente, conforme detalhado no histórico a seguir: IRPJ base Nov/2006 no valor de R$116.168,76, mais juros/multa, totalizando R$118.480,52 IRPJ base Ago/2006 no Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.722849/200939 Acórdão n.º 1202000.847 S1C2T2 Fl. 137 3 valor de R$3.521,06, mais juros/multa, totalizando R$4.369,63 IRPJ base Jan/2006 no valor de R$66.255,60, mais juros/multa, totalizando R$87.821,79 IRPJ base Fev/2006 no valor de R$15.862,88, mais juros/multa, totalizando R$20.800,98 Importa destacar, aqui, que o ora contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade relativo ao processo nº 10280.905.560/200953 de 07/10/2009, em que se discute, na esfera administrativa, a validade do crédito tributário originário, não se podendo falar, assim, em desconsideração definitiva do mesmo como ressaltado no despacho decisório ora combatido. Assim, considerando o saldo de crédito original remanescente (...) foi utilizado para compensar o débito de IRPJ base dez/2006 (...) no valor de R$383,57,através do PER/DCOMP nº 09290.39090.310107.1.3.047310 de 31/01/2007, aproveitando assim, todo o crédito em questão. (...) O art. 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, estabelece que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Portanto, desde que configurado o crédito tributário, o direito à compensação decorre do mandamento legal contido no art. 74 da Lei 9.430/96. (...) O artigo 35 da Lei 8981/95,então, prevê que a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, no período em curso. Entretanto, quando da análise da matéria o órgão Julgador levou em consideração apenas a literalidade do disposto no art. 10 da IN 600/2005... Ocorre que o contribuinte, conforme permitido pelo art. 35 da Lei 8.981/95, emitiu balancete acumulado na apuração do lucro real por estimativa mensal e, assim, poderia realizar a compensação naquele período, na medida em que procedeu regularmente ao determinado pelo artigo 10 da IN 600/05, uma vez que a compensação ocorreu “ao final do período de apuração”. (...) Aliás, a matéria foi devidamente elucidada pelo IN 900/08, conforme disposto no inciso IX, do § 3°, do art. 34, ao não proibir a compensação em comento... Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.722849/200939 Acórdão n.º 1202000.847 S1C2T2 Fl. 138 4 ...em conformidade com o disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 15/06/2007 e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, I da Lei 9.430/96,com base no Parecer PGFN/CDA n° 777/2008, de 30/04/2008, referente às penalidades aplicáveis,impõese o necessário afastamento da multa de mora respectiva. (...) Diante do exposto requerse: 1 A declaração de homologação da compensação realizada pelo recorrente, tendo em conta a inexistência de vedação legal apta a afastar a legalidade do procedimento utilizado pelo contribuinte, e, o conseqüente afastamento da cobrança ilegítima dos valores cobrados no despacho decisório ora impugnado; 2 Ou, ainda, na remota possibilidade de manutenção da decisão administrativa de não homologação da compensação, requerse, subsidiariamente, o afastamento da imposição da multa de mora no caso em questão, tendo em conta o disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 15/06/2007 e a Medida Provisória n° 303/2006, alterando o art. 44, 1 da Lei 9.430/96,com base no Parecer PGFN/CDA nº 777/2008, de 30/04/2008.” É o relatório. A 3ª Turma da DRJ/Belém julgou procedente improcedente a manifestação de inconformidade, editando a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. COMPENSAÇÃO. DCOMP. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. Descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso, no caso caracterizado pela entrega da Dcomp em data em que o débito já estava vencido. Cientificado dessa decisão em 18/01/2011 (conforme AR, fl.102, verso), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 02/02/2011 (fl.103 112), nos mesmos moldes da manifestação de inconformidade, acrescentando a que a 1ª Turma da 1 ª Câmara da 1ª Seção do CARF, decidiu através do acórdão 10100303, de 20.05. 2010 que Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.722849/200939 Acórdão n.º 1202000.847 S1C2T2 Fl. 139 5 os valores recolhidos indevidamente ou a maior a título de imposto de renda mensal para as empresas optantes pelo lucro real anual podem compensar desde o momento do recolhimento, não seguindo a regra de compensação com o devido na apuração anual. Cita decisão judicial no mesmo sentido. O processo nº 10280.905560/200953, referente ao crédito alegado na PER/DCOMP em análise, foi distribuído, a pedido, a esta relatora, para fins de apreciação preliminar a est’e na mesma sessão de julgamento. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.722849/200939 Acórdão n.º 1202000.847 S1C2T2 Fl. 140 6 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. O crédito referente a este pedido de compensação foi analisado no processo nº 10280.905560/200953, com o qual este mantém relação de dependência. Tratase aquele crédito de indébito gerado por recolhimento a maior a título de estimativa, que vem sendo reconhecido pela jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se depreende do julgado citado: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. (Acórdão nº 910100406, de 02/10/2009) Nesse sentido, naquele processo, em julgamento nesta mesma sessão, assim como nos processos semelhantes do mesmo sujeito passivo julgados anteriormente, a turma reconheceu o direito creditório em tese, determinando sua devolução à unidade de origem para a apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP respectiva, bem assim a suficiência para quitar os débitos compensados. Diante disso, deve ser afastado o entendimento restritivo quanto à possibilidade de aproveitamento das estimativas recolhidas a maior, no presente processo, dado pela DRF e confirmado pela DRJ, o que não implica na automática homologação da compensação pretendida. O reconhecimento de direito creditório exige prova de sua liquidez e certeza, cumprindo ao contribuinte fazer prova inequívoca da base de cálculo correta do tributo que teria gerado o crédito. Todavia, no presente caso, em razão da negativa de homologação da compensação por motivo de direito, deixou de ser analisado o aspecto fático do crédito, como a sua existência, suficiência e disponibilidade para fins de homologação da compensação pretendida. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.722849/200939 Acórdão n.º 1202000.847 S1C2T2 Fl. 141 7 No processo nº 10280.905560/200953 foi pedida a compensação integral do montante do crédito apurado em 30/12/2004, nada restando de saldo do crédito original, como se vê do extrato da respectiva PER/DCOMP (fl.02 daqueles autos): Grupo de Tributo: IRPJ Data de Arrecadação: 30/12/2004 Valor Original do Crédito Inicial: 174.735,46 Crédito Original na Data da Transmissão: 174.735,46 Selic Acumulada: 32,69% Crédito Atualizado: 231.856,48 Total dos débitos desta DCOMP: 231.472,92 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 174.446,39 Saldo do Crédito Original: 289,07 No presente caso, a recorrente pede o deferimento de um crédito de R$ 289,07, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2319, do período de apuração de 30/11/2004, no valor originário de R$ 174.735,46. Na PER/DCOMP (fl.02), é apontada a seguinte compensação: Grupo de Tributo: Data de Arrecadação: Valor Original do Crédito Inicial: 174.735,46 Crédito Original na Data da Transmissão: 289,07 Selic Acumulada: 32,69% Total dos débitos desta DCOMP: Crédito Atualizado: 383,57 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 289,07 Saldo do Crédito Original: 0,00 Ocorre que a unidade de origem, responsável pela análise da compensação e, a priori, pela sua homologação, após verificar que se tratava de crédito decorrente de recolhimento efetuado a título de estimativa, estancou a análise nesse ponto. Concluindo não haver fundamentação jurídica para o pleito, consequentemente, deixouse de verificar a fundamentação fática no caso. Assim, resta verificar, no caso concreto, a suficiência do crédito alegado para fins de homologação da compensação pretendida. Considerando a inexistência de prévia manifestação da autoridade competente sobre a liquidez e certeza do crédito, é de rigor que seja observada a competência original para a análise do crédito, não competindo a este órgão de julgamento em segunda instância manifestarse pela primeira vez sobre os elementos fáticos do processo. Como foi reconhecido que o direito pleiteado no processo nº 10280.905560/200953 é bom, o saldo do crédito reconhecido e apurado naqueles autos poderá ser utilizado nas compensações pretendidas no presente processo, desde que comprovada a liquidez, certeza e suficiência do crédito. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.722849/200939 Acórdão n.º 1202000.847 S1C2T2 Fl. 142 8 Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, determinando o retorno do processo à unidade de origem para apuração da liquidez e certeza do crédito apontado na PER/DCOMP, bem assim a sua suficiência para quitar os débitos compensados, homologando ou não a compensação pretendida. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722474/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.179
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11080.722474/2010-60
conteudo_id_s : 6401188
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 14 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2302-000.179
nome_arquivo_s : 230200179_11080722474201060_201208.pdf
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11080722474201060_6401188.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4567014
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394911674368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 423 1 422 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722474/201060 Recurso nº 000.179 Resolução nº 2302000.179 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 15 de agosto de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BANCO DO BRASIL S/A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta (na data da formalização do Acordão). Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Adriano Gonzáles Silvério e Arlindo da Costa e Silva. 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1999 Data de lavratura do AIOP: 20/08/2010. Data da Ciência do AIOP: 23/08/2010. O presente processo tem por objeto o restabelecimento da exigência fiscal constituída pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 e Fl. 423DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 35.067.6690, declaradas nulas por vício formal pela 4ª CAJ – Câmara de Julgamento do CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Tratase de lançamento fiscal para constituição de crédito tributário correspondente a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição, calculada por aferição indireta mediante a aplicação da alíquota de 8% sobre o montante de mão de obra contida nas notas fiscais /faturas, na forma da legislação previdenciária, devidas pelo Autuado em referência em razão da responsabilidade solidária da empresa contratante com o executor de obra/serviço de construção civil, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 14/26. Compete destacar que as NFLD nº 35.067.6682, referente aos fatos geradores ocorridos antes de janeiro de 1999, e nº 35.067.6690, referente aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999, foram substituídas por 134 Autos de Infração, sendo 67 Autos de Infração relativos a Contribuição Previdenciária – Parte patronal , sendo um Auto de Infração para cada empresa com a qual o Banco do Brasil é solidário, e outros 67 Autos de Infração relativos a Contribuição Previdenciária – Parte segurados , sendo, igualmente, um Auto de Infração para cada empresa com a qual o Banco do Brasil é solidário. Deve ser enaltecido igualmente que, após a aplicação da regra estabelecida para o prazo decadencial na forma do art. 173, II do CTN, em combinação com os efeitos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, e pela adoção do mecanismo inscrito no art. 150, §4º do CTN, foram alcançados pelos Autos de Infração substitutos, tão somente, as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores ocorridos a contar da competência novembro/96 até fevereiro/2001. Por outro lado, informa a Autoridade Lançadora que foram excluídas do lançamento original as empresas que vieram a sofrer procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento), sendo mantidas as competências não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária. Foram excluídas, também, as empresas do levantamento original cujo CNPJ ou Razão Social não foram identificados. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o responsável solidário apresentou impugnação a fls. 83/97. Devidamente intimada a respeito do lançamento, nos termos assinalados no Aviso de Recebimento a fl. 81, o devedor principal apresentou defesa administrativa a fls. 151/171. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 356/371, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Resolução n.º 2302000.179 S2C3T2 Fl. 424 3 O Sujeito Passivo – devedor solidário foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 03/05/2012, conforme Avisos de Recebimento a fl. 373. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o responsável solidário interpôs recurso voluntário, a fls. 375/391, requerendo, ao fim, a declaração de nulidade da autuação e insubsistência do lançamento. Não consta nos autos prova material de que o devedor principal, a construtora, tenha sido intimado da decisão de primeira instância. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 2.1. DA TEMPESTIVIDADE O devedor solidário foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 03/05/2012. Havendo sido o seu recurso voluntário protocolado no dia 08 do mesmo mês e ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2.2. DO SANEAMENTO DO PROCESSO Antes de adentrar o mérito da causa, urge sanar uma irregularidade processual verificada na formalização do processo em relação ao devedor principal, digase, a CONSTRUTORA JOÃO CARLOS MACHADO LTDA, CNPJ: 89.003.016/000161. Não foge ao conhecimento que o presente lançamento houvese por formalizado em face do Banco do Brasil S/A e da Construtora João Carlos Machado Ltda, CNPJ 89.003.016/000161, por responsabilidade solidária pelo adimplemento de obrigação principal referente a contribuições previdenciárias decorrentes de execução de obra/serviço de construção civil, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 14/26. Na formalização do processo, a Construtora João Carlos Machado Ltda foi devidamente intimada a respeito do lançamento, consoante Aviso de Recebimento a fl. 81, oferecendo impugnação administrativa a fls. 151/171, comparecendo de forma ostensiva e voluntária ao polo passivo da relação jurídica processual em debate. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, após apreciar as razões de defesa oferecidas pelo Banco do Brasil S/A e pela Construtora João Carlos Machado Ltda, lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 356/371, julgando improcedente a impugnação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Ocorre que, do resultado do Julgamento Administrativo referido no parágrafo precedente, somente o devedor solidário houvese por intimado, inexistindo nos autos qualquer indício de prova material de que a Construtora João Carlos Machado Ltda tenha sido cientificada da decisão de 1ª Instância. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Tal irregularidade vicia o Processo Administrativo Fiscal em foco, uma vez que se exclui do devedor principal o direito de submeter ao crivo do julgador de 2ª Instância as razões por ele deduzidas em face do lançamento que ora se opera. Havendo o devedor principal oferecido tempestivamente defesa administrativa, não se pode contra ele operar os efeitos da revelia previsto no art. 322 do Código de Processo Civil, eis que revel ele não é. Código de Processo Civil Art. 322. Contra o revel que não tenha patrono nos autos, correrão os prazos independentemente de intimação, a partir da publicação de cada ato decisório. (Redação dada pela Lei nº 11.280/2006) Parágrafo único O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendoo no estado em que se encontrar. (Incluído pela Lei nº 11.280, de 2006) Nessa perspectiva, em atenção aos imperativos do devido processo legal, deve o devedor principal ser intimado de todas as decisões proferidas no curso do Processo Administrativo Fiscal, para que possa exercer, em sua plenitude, o seu legítimo direito ao contraditório e à ampla defesa. Cumpre frisar que tal irregularidade processual não implica nulidade do processo, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a sua sanatória depende, tão somente, da devida intimação da Construtora em apreço, cortejada pela abertura de prazo para o oferecimento de recurso voluntário em face da decisão de 1ª instância, se assim desejar. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em diligência, para que seja intimada a Construtora João Carlos Machado Ltda, CNPJ 89.003.016/000161, da decisão de 1ª Instância, e a abertura do prazo previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72 para o oferecimento de recurso voluntário, se assim desejar. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11080.722474/201060 Resolução n.º 2302000.179 S2C3T2 Fl. 425 5 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos do parágrafo que a este antecede. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013298/2005-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003. Ementa: RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. AUSÊNCIA DE PROVA. A simples alegação de que a posição fiscal adotada pelo contribuinte está correta não elide a controvérsia estabelecida com a reclassificação fiscal de mercadorias motivadora do lançamento, impõe demonstração consubstanciada em conformidade com as normas e a legislação pertinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Ementa: MULTA. SANÇÃO FISCAL. A multa de ofício se revela sanção tributária. Sanção, como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o cumprimento das obrigações acessórias e do pagamento da obrigação principal.
Numero da decisão: 3403-001.726
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI. Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003. Ementa: RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. AUSÊNCIA DE PROVA. A simples alegação de que a posição fiscal adotada pelo contribuinte está correta não elide a controvérsia estabelecida com a reclassificação fiscal de mercadorias motivadora do lançamento, impõe demonstração consubstanciada em conformidade com as normas e a legislação pertinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Ementa: MULTA. SANÇÃO FISCAL. A multa de ofício se revela sanção tributária. Sanção, como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o cumprimento das obrigações acessórias e do pagamento da obrigação principal.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10980.013298/2005-06
conteudo_id_s : 5216594
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.726
nome_arquivo_s : Decisao_10980013298200506.pdf
nome_relator_s : DOMINGOS DE SA FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10980013298200506_5216594.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4566868
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394913771520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.013298/200506 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.726 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2012 Matéria IPI Recorrente HIGIE BRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2003. Ementa: RECLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. AUSÊNCIA DE PROVA. A simples alegação de que a posição fiscal adotada pelo contribuinte está correta não elide a controvérsia estabelecida com a reclassificação fiscal de mercadorias motivadora do lançamento, impõe demonstração consubstanciada em conformidade com as normas e a legislação pertinente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Ementa: MULTA. SANÇÃO FISCAL. A multa de ofício se revela sanção tributária. Sanção, como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o cumprimento das obrigações acessórias e do pagamento da obrigação principal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Fl. 919DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário no intuito de ver reformado o r. Acórdão cujo relatório da decisão de piso se adota, que julgou procedente o auto de infração relativo à exigência de IPI do período de apuração de 01/05/2002 a 31/12/2003. “Relatório”. “O estabelecimento acima identificado foi autuado por ter promovido, em períodos dos anos de 2002 e 2003, saídas de produtos de limpeza que fabrica com a utilização de alíquota reduzida. Assim relata a fiscalização em seu Termo de Verificação de fls.123/129”: “2.4 Durante todo o período fiscalizado os produtos classificados no código 3402.20.00 estiveram sujeitos à alíquota de IPI de 10%. Entretanto, entre maio/02 e dezembro/03 o contribuinte, equivocadamente,aplicou a alíquota de 5%, o que resultou em lançamento e recolhimento do imposto em valores inferiores aos efetivamente devidos. 2.5 Através do nosso Termo de Intimação n° 06, intimamos o contribuinte a apresentar relação das vendas, de todos os produtos relacionados, no período que o IPI sobre os mesmos foi lançado à alíquota de 5%, a partir dasNotas Fiscais. 2.6 Em sua resposta o contribuinte informou que procedeu a redução da alíquota de 10% para 5% em decorrência de seu departamento comercial ter constatado que empresas concorrentes estavam recolhendo o IPI com a alíquota de 5%, como se os produtos tivessem classificados no código 3402.9031, e apresentou relação dos valores das vendas dos produtos no período que foi constatada a infração. 2.7 Os produtos se classificam na posição 3402.20.00 porque se enquadram no conceito de PREPARAÇÕES TENSOATIVAS, PREPARAÇÕES PARA LAVAGEM E PREPARAÇÕES PARA LIMPEZA, conforme definido na posição 3402, e são acondicionadas para venda a varejo. 2.8 Por todo o exposto, concluise que o código em que os produtos se enquadram é 3402.20.00, estando sujeitos portanto, a alíquotade10%,em todo o período fiscalizado. 2.9 Observamos que enquanto a alíquota dos códigos 3402.90.31 e 3402.20.00 era a mesma (10%), o contribuinte classificava os produtos neste segundo código, sendo que quando a alíquota do código 3402.9031 foi reduzida para 5%, o contribuinte passou a classificar os seus produtos neste segundo código, porque estava sujeito a uma alíquota menor. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.013298/200506 Acórdão n.º 3403001.726 S3C4T3 Fl. 2 3 2. Cientificada em 01.12.2005 (fl. 153), a interessada apresentou, tempestivamente, em 26.12.2005, impugnação (fls.160/162) na qual alega: “A Higie Brás praticou a alíquota de 10% nos seus produtos até maio de 2002. A Ilustríssima Fiscal classificou os produtos industrializados pela Autuada no código3402. Ocorre que o código 34.02 possui várias divisões e, tanto a classificação 34.02.20.00 (alíquota de 10%) quanto à classificação 34.02.90.31 (alíquota de 5%) estão submetidas ao mesmo conceito, qual seja: PREPARAÇÕES TENSOATIVAS, PREPARAÇÕES PARA LAVAGEM E PREPARAÇÕES PARA LIMPEZA. A única diferença entre um código e o utro é que a classificação 34.02.90.31 pode ser aplicada à venda em retalho e, é esta venda que a Higiebrás efetua. Um dos alicerces do Direito Tributário é o principio da contributividade e,uma das formas de efetivação deste primado é a aplicação de alíquotas diferenciadas para os bens e serviços levando em conta sua essencialidade. Como os produtos de higiene e limpeza são utilizados por toda a população, sendo vários deles comodities e outros já incluídos na cesta básica, podemos concluir que adiminuição de alíquota de 10% para 5% deveuse essencialidade do produto de limpeza vendido para o uso doméstico, qual seja, a venda em retalho (em recipientes pequenos de uso doméstico e não assistencial aqueles utilizados para a limpeza em grande escala). Diante do exposto e mais que consta dos autos requerse seja a presente Impugnação conhecida e provida para que o Auto de Infração seja reformado, mantendo a escrituração contábil da empresa cuja apuração do IPI fundamentase na TIPI,código 34.02.90.39 e 34.02.9031,mantendose a alíquota de 5% para o período autuado”. Ocorre que, em abril de 2002, passou apraticar a alíquotade 5%, a qual, na Tabela do IPI, amoldase ao Item Detergente, conforme transcrito abaixo. (transcreve trecho da Tipi onde consta classificação3402.90.31– fl.161”. Insurgese a recorrente contra a multa de ofício como se depreende do pedido de reforma do julgamento de piso: “Diante do exposto, requerse, preliminarmente, seja conhecido o presente Recurso Voluntário para que seja desconsiderada a pesada multa imposta, eis que se demonstrou o seu caráter confiscatório”. É o relatório. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Voto Satisfeitos os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Inexiste questão preliminar a ser apreciadas, está o feito em condições de apreciar o mérito. Consiste a controvérsia basicamente quanto à reclassificação da alíquota, em que pese não existir pedido relativamente à matéria de fundo, restringindo o pleito, a meu ver, centrando o inconformismo tãosó quanto à multa de ofício. Simplifica a recorrente a sua irresignação contida em razões recursais a sustentação de que: “na manifestação de inconformidade na qual salientou que os produtos por ela industrializados estavam corretamente classificados na tabela TIPI, no código 34.02.90.39 e 34.02.9031, para os quais incide a alíquota de 5%, sendo injustificável a multa aplica de 75 %”. Entretanto, entendo que o administrado basta expor os fatos conforme a verdade, examino a matéria de fundo a respeito da classificação de mercadorias nas subposições reclassificadas pela fiscalização que motivou a lavratura do auto de infração. A abreviada, lacônica, insurgência demonstrada é incapaz de modificar as sólidas razões aduzidas pelo julgador de piso. O inconformismo por si só não se reveste de razão, para ver reformada a decisão hostilizada, fazia necessária demonstrar o desacerto, principalmente, no que tange o contorno jurídico. O argumento de que as mercadorias estavam corretamente classificadas aduzidas como razão de recorrer, não é o bastante para imputar pretexto do equivoco da autoridade Fiscal quando alterou a classificação dos produtos fabricados e comercializados pela Interessada. Como se sabe, a reclassificação fiscal de mercadorias obedece a critérios, os quais estão regulados pelas Regras Gerais de Interpretação (RGI) e Regras Gerais Complementares, pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias – NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira (DL nº 1.154/71 c/c arts. 16 e 17 do RIPI). Portanto, o corretamente classificado deveria ter sido demonstrado com arrimo nesse conjunto de normas especificas, capaz de abalar o fundamento da decisão de chão. Quando o contribuinte se queda inerte, não contrariando a imputação do ilícito fiscal lhe atribuído, impõe em manter o lançamento. Multa de Ofício. A multa de ofício se revela sanção tributária. Como se sabe a sanção, como qualquer sanção jurídica, tem por finalidade dissuadir o possível devedor de eventual descumprimento da obrigação a que estiver sujeito e, assim estimular o cumprimento das obrigações acessórias e do pagamento da obrigação principal. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.013298/200506 Acórdão n.º 3403001.726 S3C4T3 Fl. 3 5 O descumprimento da entrega de declarações no prazo e forma estabelecida abre as portas para aplicação da penalidade. No caso concreto a reclamação assenta quanto ao reconhecimento por parte da fiscalização de que o contribuinte declarou apenas parte do quantum devido e omitindo o verdadeiro valor do débito, em sendo assim, justifica aplicação da penalidade materializada pela multa de ofício no patamar de 75% (setenta e cinco) porcento. Assim como, é vedado o exame de inconstitucionalidade por força da Súmula CARF nº 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 923DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000141/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO ESCRITURADAS.
Uma vez comprovado que os depósitos bancários têm origem em operações comerciais não escrituradas é cabível o enquadramento da infração como omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
A apuração da diferença na base de cálculo ou a insuficiência de
recolhimento do imposto devido, decorrente do confronto entre valores da movimentação bancária da contribuinte e os valores escriturados nos livros contábeis/fiscais, motiva o lançamento para exigência do respectivo crédito tributário resultante das diferenças nas alíquotas a maior a que a empresa ficou sujeita depois de adicionadas as omissões.
DEMAIS TRIBUTOS PIS, CSLL, COFINS E INSS. MESMOS EVENTOS.
DECORRÊNCIA.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada quando for comprovada a ocorrência de dolo, prova esta consubstanciada na ausência de emissão de notas fiscais para as operações comerciais, na ausência de trânsito dos valores decorrentes dessas operações por conta de resultado na escrituração, na magnitude das receitas omitidas, quando comparadas às receitas declaradas e, finalmente, na reiteração da conduta.
PERÍCIA. REQUISITOS.
O pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, sem efeito o pedido de perícia da empresa, mesmo porque não há matéria contestada nos presentes autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida.
Numero da decisão: 1202-000.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. Uma vez comprovado que os depósitos bancários têm origem em operações comerciais não escrituradas é cabível o enquadramento da infração como omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A apuração da diferença na base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento do imposto devido, decorrente do confronto entre valores da movimentação bancária da contribuinte e os valores escriturados nos livros contábeis/fiscais, motiva o lançamento para exigência do respectivo crédito tributário resultante das diferenças nas alíquotas a maior a que a empresa ficou sujeita depois de adicionadas as omissões. DEMAIS TRIBUTOS PIS, CSLL, COFINS E INSS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando for comprovada a ocorrência de dolo, prova esta consubstanciada na ausência de emissão de notas fiscais para as operações comerciais, na ausência de trânsito dos valores decorrentes dessas operações por conta de resultado na escrituração, na magnitude das receitas omitidas, quando comparadas às receitas declaradas e, finalmente, na reiteração da conduta. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, sem efeito o pedido de perícia da empresa, mesmo porque não há matéria contestada nos presentes autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15956.000141/2010-91
conteudo_id_s : 5202480
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1202-000.936
nome_arquivo_s : Decisao_15956000141201091.pdf
nome_relator_s : GERALDO VALENTIM NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15956000141201091_5202480.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
id : 4554504
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394919014400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2096; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 20 1 19 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000141/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.936 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2013 Matéria Simples Recorrente LABORDIESEL COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. Uma vez comprovado que os depósitos bancários têm origem em operações comerciais não escrituradas é cabível o enquadramento da infração como omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A apuração da diferença na base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento do imposto devido, decorrente do confronto entre valores da movimentação bancária da contribuinte e os valores escriturados nos livros contábeis/fiscais, motiva o lançamento para exigência do respectivo crédito tributário resultante das diferenças nas alíquotas a maior a que a empresa ficou sujeita depois de adicionadas as omissões. DEMAIS TRIBUTOS PIS, CSLL, COFINS E INSS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 2 É cabível a aplicação da multa qualificada quando for comprovada a ocorrência de dolo, prova esta consubstanciada na ausência de emissão de notas fiscais para as operações comerciais, na ausência de trânsito dos valores decorrentes dessas operações por conta de resultado na escrituração, na magnitude das receitas omitidas, quando comparadas às receitas declaradas e, finalmente, na reiteração da conduta. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, sem efeito o pedido de perícia da empresa, mesmo porque não há matéria contestada nos presentes autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Luis Tadeu Matosinho Machado, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 1275/1325) em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto – SP (DRJ/POR), que julgou improcedente Impugnação da ora Recorrente e manteve os Autos de Infração (fls. 920/984) de IRPJSimples, CSLLSimples, COFINSSimples e Contribuição ao INSSSimples, relativos ao ano calendário de 2006, no montante de R$ 2.269.211,43, nos quais a fiscalização constituiu as seguintes irregularidades: • Omissão de receitas – receitas não escrituradas; • Omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados; e, reflexamente, • Insuficiência de recolhimento. Verificase nos autos que em 01/09/2009 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 90 (fls. 03), que intimou a Recorrente a apresentar os seguintes documentos: ü Atos constitutivos e alterações até aquela data; Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 21 3 ü Plano de Contas referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Livro Caixa referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Livro Diário e Razão referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Registro de Inventário relativamente às informações de estoques em 31/12/2005 e 31/12/2006; ü Registros de entradas de mercadorias referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Registros de saídas de mercadorias referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Registro de apuração de ICMS referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Livro de utilização de Documentos Fiscais e Termo de Ocorrência referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias emitidas no período de 01/01/2006 a 31/12/2006; ü Notas Fiscais de Saída de Mercadorias no período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Da análise da documentação apresentada pela Recorrente e das informações constantes no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), constatouse (Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 118/126) que: a) Embora tenha declarado à RFB, através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES 2007 (fls. 54 a 71), receita bruta de R$ 1.681.205,73, segundo a DCPMF – ano movimentação 2006, a Recorrente movimentou um total de R$ 10.282.979,49, nos seguintes bancos: Banco do Brasil S/A R$ 7.127.507,85 Banco Nossa Caixa S/A R$ 708.255,96 Banco Itau S/A R$ 939.873,74 Banco Bradesco S/A R$ 1.507.341,94 b) O Livro Caixa nº 12 (fls. 104/117) apresentado pela fiscalizada não contém a escrituração da movimentação financeira acima citada, conforme determina o art. 7º, §1º, da Lei nº 9.317/96, vigente à época dos fatos; c) O Livro Caixa também apresenta inconsistências graves, tais como: (i) as entradas referentes às vendas efetuadas não são lançadas de forma individualizada e diariamente, sendo apenas feito um lançamento no último dia do mês na conta “clientes” com o histórico “recebimento de duplicatas”; (ii) as vendas efetuadas à vista não estão contabilizadas; e (iii) não há lançamento de despesas próprias e inerentes à atividade empresarial, apesar de constar 09 veículos em nome da fiscalizada. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 4 Intimada a Recorrente (fl. 119) para reescriturar seu Livro Caixa do ano calendário de 2006 e apresentar os extratos bancários das suas contas correntes, após examinados os documentos por ela apresentados, constatouse (Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 185/2009 de fls. 558/562) as seguintes inconsistências: a) Os lançamentos do Livro Diário são efetuados em partidas mensais apenas no último dia de cada mês, impedindo apurar e visualizar as reais operações do contribuinte; b) As receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços lançadas nas contas 9000002 e 9010002 perfazem o total de R$ 1.685.401,73, cujos lançamentos foram efetuados da seguinte forma: (i) duplicatas a receber/clientes, conta 1100000; e (ii) vendas a prazo, conta 9000002; c) No entanto, há lançamentos mensais sob o histórico “Depósitos/outros” na conta 1010000 BANCO C/ MOVIMENTO, que perfazem um montante de R$ 8.872.319, incompatível com a receita declarada e oferecida à tributação; d) Os lançamentos destes depósitos foram efetuados a crédito da conta CAIXA 1000000 e a débito da conta BANCOS C/ MOVIMENTO 1010000 – Itens 1010001 – Banco Itaú S/A, 1010002 – Banco Nossa Caixa S/A, 1010003 – Banco Bradesco S/A e 1010004 – Banco do Brasil, o que indica que houve saída de recursos da conta CAIXA, entrada na conta BANCOS C/ MOVIMENTO, ou seja, a empresa depositou efetivamente em suas contas correntes um valor de R$ 8.872.319,74. Irregularidades da escrita foram constatadas porque os recursos transitam apenas pelas contas patrimoniais do Ativo, deixando de ser registradas nas contas de Resultado; e) Além destes valores creditados nas contas correntes e contabilizados sob o histórico de “Depósitos/outros”, há ainda créditos provenientes de empréstimos contraídos junto às instituições financeiras no valor de R$ 484.343,04 e crédito de capital de giro no valor de R$ 109.880,00, totalizando crédito de R$ 549.223,04; f) Constam também lançamentos mensais sob o histórico “cheques/outros” no valor de R$ 9.199.605,55, que indicam que houve saques efetuados nas contas correntes neste valor; g) Incompatibilidade pelo fato de a empresa ter auferido receita de R$ 1.685.401.73 e recebido créditos decorrentes de empréstimos/capital de giro no valor de R$ 549.223,04 e, não tendo auferido nenhum outro tipo de receita, constar escriturado como depositado em suas contas correntes o montante de R$ 8.872.319,74, levando a fiscalização a inferir que referidos depósitos provêm da atividade empresarial do contribuinte e não foram reconhecidos como receita. Com o escopo de comprovar a origem de tais depósitos, sob pena de serem tributados como omissão de receita, a fiscalização intimou novamente a Recorrente (fl. 560) para apresentar documentação hábil e idônea de forma que descaracterizasse operação comercial. Em resposta à intimação, declarou a Recorrente (fls. 563) que “toda a documentação foi espontaneamente apresentada e os esclarecimentos sobre a movimentação (depósitos/créditos) é oriunda de vários tipos de operações, tais como financiamentos, empréstimos, contas garantidas, recebimento de créditos anteriores, transferência de contas etc., não caracterizando tal movimentação omissão de receita”. Em seguida, ao analisar os extratos bancários anteriormente apresentados pela Recorrente, a Fiscalização excluiu, do total dos créditos, operações referentes a transferências Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 22 5 entre contas de mesma titularidade, estornos de cheques, devoluções e demais créditos que não se enquadram como receita proveniente de sua atividade comercial, chegando ao montante de R$ 7.359.451,75 considerados créditos decorrentes de sua atividade ou de operações não identificadas, sendo que deste valor R$ 5.003.768,32 referemse a descontos de duplicata e cobranças bancárias (planilhas Anexo do Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 225/2009 de fls. 564/672 e Anexo do Termo de Intimação Fiscal nº 016/2010 de fls. 673/675). Diante disso, intimouse novamente a Recorrente (fls. 564/567) para que comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem de valores creditados/depositados em suas contas, bem como apresentasse os documentos que deram origem aos créditos relacionados, decorrentes de operações de desconto de títulos/duplicatas e cobranças. Em resposta à TIF nº 016/2010 (fl. 693), a Recorrente informou que “reiteramos todos os esclarecimentos e documentos já fornecidos a esta fiscalização através das Intimações anteriores e ratificamos as dificuldades encontradas junto à instituição bancária para a obtenção dos documentos referentes aos meses solicitados, sem qualquer intenção premeditada de dificultar a fiscalização, pois a maioria absoluta dos documentos e livros solicitados já foram apresentados”. Por meio do Termo de Constatação e Reintimição Fiscal SEFIS nº 032/2010 (fl. 694/815), em que a fiscalização compilou os créditos não comprovados relacionados nas planilhas anexas às intimações fiscais nºs 225/2009 e 016/2010, e por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 036/2010 (fls. 852/853), cujo anexo com planilha relaciona créditos de 2006 não colacionados na intimação anterior (Bradesco em ago/06 e Nossa Caixa em abr/06 e nov/06), a Recorrente foi novamente intimada a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes e apresentar documentos que deram origens aos créditos oriundos de operações de desconto de títulos/duplicatas e cobranças bancárias. Em atenção aos referidos termos fiscais (fls. 846 e 863), a Recorrente reiterou as informações e esclarecimentos prestados anteriormente através de intimações anteriores, oportunidade em que anexou a documentação solicitada. Constatado que alguns créditos, no valor de R$ 62.985,82, relativos ao Banco do Brasil, não foram relacionados nas planilhas anexas ao Termo de Constatação e Reintimação Fiscal nº 032/2010, lavrouse novo Termo de nº 070/2010 (fl. 867), em cuja resposta (fl. 900), a Recorrente informou que os valores depositados/creditados correspondem às seguintes operações: recebimento de títulos protestados; desconto de duplicatas (R$47.654,66) e empréstimo pessoal (R$11.000,00), sem, contudo, apresentar documentação comprobatória. No mais, por meio do TIF nº 069/10 (fls. 864/866), a fiscalização intimou a empresa, na pessoa física de seu contador, Sr. José Cesar Ricci, para responder a questionamentos ali formulados, o qual prestou os seguintes esclarecimentos (itens 31 a 39 de fls. 1092/1093 – Termo de Encerramento Fiscal): a empresa se recusava a enviar extratos de suas contas bancárias; não poderia afirmar com certeza a origem e natureza dos créditos sob o histórico “depósitos/outros”, pois não acompanhava o diadia da empresa, mas que provavelmente são vendas efetuadas sem emissão de notas fiscais; escriturou o livro diário da empresa, com receitas transitando apenas por contas patrimoniais, já que não tinha documento que embasasse os lançamentos; e não tem o que dizer sobre as operações de desconto de títulos/cobranças bancárias. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 6 Por fim, examinados borderôs de desconto de títulos apresentados pelo contribuinte (fls. 871 a 898), as notas fiscais emitidas no valor de R$ 1.643.140,29, o livro de registro de saídas e, ainda, considerando o valor declarado à RFB a título de receita bruta, a fiscalização concluiu, após todo o procedimento fiscal, que os créditos efetuados nas contas correntes da fiscalizada são decorrentes de vendas efetuadas sem a emissão de notas fiscais. Extraemse as seguintes conclusões do Termo de Encerramento Fiscal (fls. 1083/ 1103, a partir do item 27): I. Os créditos decorrentes de operações de desconto de cheques, de títulos e cobranças bancárias, no montante de R$ 5.546.608,56, discriminados na planilha “Demonstrativo das receitas não escrituradas” (fls. 1025/1046), são decorrentes das operações comerciais desenvolvidas pelo contribuinte; II. Os valores depositados/creditados em suas contas correntes no montante de R$ 2.486.641,75, cuja origem a Recorrente não conseguiu comprovar, serão objeto de lançamento de omissão de receita por presunção legal na infração “depósitos bancários não escriturados” créditos relacionados na planilha “Demonstrativo dos depósitos bancários não escriturados” (fls. 1047/1077); III. Aplicação de multa qualificada de 150%, referente às infrações “receitas não escrituradas”, pois “a linha de sonegação adotada pela fiscalizada foi efetuar vendas sem emissão de notas fiscais sendo afastada a possibilidade de que a omissão praticada tenha ocorrido por erro, pois a conduta de omissão de receitas, que implicou a apuração e o recolhimento a menor da contribuição para o SIMPLES foi reiterada, pois observada para todos os meses do ano de 2006 e confirmada pela apresentação da DIPJ/SIMPLES de 2007”; IV. A fiscalização representará ao Delegado da RFB em Ribeirão Preto a fim de que a Recorrente seja excluída de ofício do SIMPLES, surtindo efeitos para o ano calendário seguinte, de 2007; V. Lavratura dos Termos de Sujeição Passiva contra os sócios da Recorrente, Sr. Marcos Antonio Silveira de Andrade (fls. 10799/1080) e Sra. Neide Ficher de Andrade (fls. 1081/1082), pois, diante dos fatos apurados, são solidariamente obrigados e pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei e por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN; VI. Foram apuradas omissões de receitas não escrituradas, depósitos bancários de origem não comprovada e, reflexamente, insuficiência de recolhimento, cujos respectivos enquadramentos legais e memórias de cálculo encontramse nos autos de infrações lavrados, apurandose crédito tributário, acrescido de juros e multa, na seguinte conformidade: Tributo Valor (R$) Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 160.116,29 Programa de Integração Social PIS 117.191,78 Contribuição Social s/ o lucro líquido CSLL 160.116,29 Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 23 7 Contribuição p/ financiamento seguridade social COFINS 470.259,84 Contribuição para a Seguridade Social Simples 1.1361.527,24 Intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente apresentou, em 07/05/2010, Impugnação (fls. 1123/1160), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 1182/1210): Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS NÃO ESCRITURADAS. Uma vez comprovado que os depósitos bancários têm origem em operações comerciais, prova esta consubstanciada em borderôs com indicação dos títulos descontados e cobrados pela instituição financeira, acompanhada de confronto com as notas fiscais emitidas e com indícios colhidos junto à escrituração e ao depoimento do contador da empresa, é cabível o enquadramento da infração como omissão de receitas decorrentes de vendas não escrituradas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.460/96. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A apuração da diferença na base de cálculo ou a insuficiência de recolhimento do imposto devido, decorrente do confronto entre valores da Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 8 movimentação bancária da contribuinte e os valores escriturados nos livros contábeis/fiscais, motiva o lançamento para exigência do respectivo crédito tributário resultante das diferenças nas alíquotas a maior a que a empresa ficou sujeita depois de adicionadas as omissões. DEMAIS TRIBUTOS PIS, CSLL, COFINS E SC/INSS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006. SANÇÃO TRIBUTÁRIA. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando for comprovada a ocorrência de dolo, prova esta consubstanciada na ausência de emissão de notas fiscais para as operações comerciais, na ausência de trânsito dos valores decorrentes dessas operações por conta de resultado na escrituração, na magnitude das receitas omitidas, quando comparadas às receitas declaradas e, finalmente, na reiteração da conduta. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, sem efeito o pedido de perícia da empresa, mesmo porque não há matéria contestada nos presentes autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida. PRODUÇÃO DE PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de produção e apresentação de provas suplementares pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. INTIMAÇÕES POR VIA POSTAL. ENDEREÇO PARA RECEBIMENTO. As intimações e notificações, efetuadas via postal, devem ser enviadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido. Tendo sido intimada em 30/09/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1275/1325) em 19/10/2011, merecendo destaque as seguintes alegações: a) Absurda se mostra fiscalização lastreada em questão já pacificada em nossos Tribunais (Súmula 182 do TFR), como a ilegalidade de lançamento fiscal referente ao imposto de renda, baseado exclusivamente em extratos ou depósitos bancários, contrariando também o art. 9º, VII, do DecretoLei 2.471, de 01/09/88; Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 24 9 b) Observância do direito ao silêncio, estatuído no art. 5º, LXIII, da CF/88, segundo o qual ninguém será obrigado a fazer prova contra si mesmo, recaindo sobre o Estado o ônus da prova de desfazer a presunção de inocência em favor do acusado; c) Daí porque não ser lícito à fiscalização afirmar que a não apresentação de determinado documento, em determinado prazo, irá caracterizar a operação comercial, bem como, ensejará lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou rendimentos; d) O Fisco é quem deve fazer prova contrária aos interesses do contribuinte. Não há inversão do ônus da prova; e) Não se pode olvidar que tais extratos foram fornecidos pelo contribuinte a pedido da fiscalização, o que, certamente, impede sua utilização em seu desfavor; f) A afirmação de que “68% dos créditos efetuados nas contas bancárias do contribuinte, decorrentes de operações de desconto de duplicatas e de cobranças bancárias, reforça que tais créditos decorrem de operações comerciais do contribuinte e que não foram declaradas e oferecidas à tributação” não está fundada em provas ou elementos concretos de convicção; g) A simples falta de pagamento de tributo não configura, por si só, circunstância que acarrete a responsabilidade tributária do administrador, restando impossibilitada essa responsabilização quando não ficar comprovado que agiu com dolo, excesso de poderes, infração à lei ou estatuto; h) A presunção dos atos administrativos não exime a administração do dever de comprovar a ocorrência do fato jurídico. Sendo os atos de lançamento e de aplicação de penalidade vinculados e regidos, dentre outros, pelos princípios da estrita legalidade e da tipicidade, tais expedientes dependem, necessariamente, da cabal demonstração da ocorrência dos motivos que os ensejaram. A motivação deve ser, portanto, respaldada em provas; i) Não pode subsistir inscrição em CDA exarada sem que tenha havido atuação fiscal contra o sócio administrador, com a prova da prática dos ilícitos referidos no art. 135, III, do CTN; j) A Súmula nº 25 do CARF determina que os fiscais não podem aplicar a multa de 150% por presumir a omissão de receita ou de rendimentos. Não houve prova alguma de dolo, fraude, simulação ou conluio; k) A multa é ilegal e nula de pleno direito por ter infringido o princípio da proporcionalidade, seja em razão do caráter confiscatório da multa, seja porque baseada em dispositivos regulamentares (sequer legais); l) Não há que falar em aplicação, mediante tributação reflexa, de idêntica solução ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito entre a omissão de receitas e os demais tributos (PIS, COFINS, CS/INSS), considerados de forma equivocada como tendo os mesmo eventos; m) Quando do julgamento do processo, ao negarse a produção de prova pericial, retirou a possibilidade de o contribuinte provar o quanto alegado no decorrer do processo e, com Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 10 isso, evidenciado o cerceamento de defesa. Não há que falar em preclusão temporal já que não há fixação de um prazo para serem produzidas. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões preliminares e de mérito suscitadas. PRELIMINARES I. A ausência de cerceamento à defesa em função do indeferimento da produção de prova pericial Alega a Recorrente cerceamento de defesa ao negarse a produção de prova pericial quando do julgamento em 1ª instância administrativa. De início, há de ressaltar que, em todo o decorrer do procedimento fiscal, foram conferidas à Recorrente diversas oportunidades para regularizar sua escrita contábil e comprovar a origem dos depósitos bancários realizados em sua conta corrente, sob pena de caracterizar a movimentação financeira constatada, e não informada na DSPJSIMPLES 2007, como oriunda de sua atividade empresarial, o que fazem prova os vários termos fiscais abaixo relacionados: ü Termo de Intimação Fiscal nº 90 de fl. 03; ü Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 118/120; ü Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 185/2009 de fls. 558/562 ü Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 225/2009 de fls. 564/567; ü Termo de Intimação Fiscal SEFIS nº 016/2010 de fls. 673/675; ü Termo de Constatação e Reintimação Fiscal SEFIS nº 032/2010 de fls. 694/697; ü Termo de Intimação Fiscal nº 036/2010 de fls. 852/854; ü Termo de Intimação Fiscal nº 069/2010 de fls. 864/566; ü Termo de Intimação Fiscal nº 070/2010 de fl. 867. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 25 11 Basicamente, em resposta aos termos supra relacionados (fls. 72; 103; 126; 563; 693; 816; 863; 899 e 900), a Recorrente limitouse a apresentar parte dos documentos solicitados e a reiterar os esclarecimentos inicialmente prestados sobre a movimentação financeira, no sentido de que esta decorre de vários tipos de operações, tais como financiamentos, empréstimos, contas garantidas, recebimento de créditos anteriores, transferências de contas etc., sem, contudo, apresentar correlata documentação comprobatória. Ademais, quando da apresentação da Impugnação, a Recorrente formulou pedido de prova pericial sem a observância das normas do processo administrativo fiscal, especificamente o disposto no art. 16, IV, §1º, do Decreto nº 70.235/72, que trata dos requisitos para a realização de diligências e perícia pleiteada pelo contribuinte, a saber: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que a justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim, como no caso da perícia, o nome, endereço e a qualificação profissional do seu perito. §1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Nesse sentido, segue precedente deste E. Conselho: [...] CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O devido processo legal tributário, disciplinado pelo decreto 70.235/72, disciplina o momento de produção de provas e requerimento de perícia. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV, §1º, do Decreto nº 70.235/72. (CARF, 3ª Turma Especial / 2ª Seção. Acordão nº 280300.016 de 24/03/2010) Deveras, a Recorrente, em sua Impugnação, formulou pedido genérico de perícia e produção de provas, em desacordo com a norma acima citada, senão vejamos: Requerse, ainda, provar o alegado por todas as formas em direito admitidas, notadamente pela juntada de documentos, expedição de ofício, realização de perícias, vistorias, enfim, tudo que possa elucidar a presente. Por fim, a título complementar e conforme será demonstrado nos tópicos subsequentes, há elementos suficientes nos autos que permitam avaliar o ocorrido e que propiciam condições ao julgador para formar a sua convicção, restando prescindível a produção de prova pericial (nesse sentido, confiramse Acórdãos nºs 340100.147, de 10/07/09; 230201.060, de 12/05/11 e 180200.873, de 23/05/2011). Correta, pois, a decisão da 1ª Turma da DRJ/POR. II. A alegação quanto ao direito ao silêncio: inadmissibilidade na seara tributária Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 12 Não há que ser acolhido o argumento da Recorrente de que, com base no direito ao silêncio estatuído no art. 5º, LXIII, da CF/88, está desobrigada de fazer prova contra si mesmo. Não obstante não possua este Conselho a competência para pronunciarse sobre matéria constitucional, nos moldes da Súmula CARF nº 02, é preciso ter em mente que incumbe à Administração Fazendária a função fiscalizatória de apurar a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, sendo que, para dar efetivo cumprimento a esta função, o Código Tributário Nacional, em seu art. 195, estabelece que, para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Assim, a atividade fiscalizatória sustentase no poderdever do Fisco de exercer seu direito de fiscalizar e no dever dos particulares de colaborar com o poder de polícia, instituído em prol do interesse público, cumprindo com suas obrigações acessórias e apresentando documentos contábeis fiscais quando assim solicitados, especialmente porque o próprio texto constitucional prescreve que é facultado à administração tributária identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas dos contribuintes (art. 145, §1º). O MÉRITO III. As infrações relativas à omissão de receitas De acordo com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 118/120, constatouse que a Recorrente, embora tenha declarado à RFB em sua DIPJSIMPLES 2007 receita bruta de R$ 1.681.205,73, segundo a DCPMF – ano movimentação 2006, teria movimentado o total de R$ 10.282.979,49. Diante da divergência apurada e, após as investigações no decorrer do procedimento fiscalizatório instaurado, lavrouse o presente Auto de Infração relativo à omissão de receitas, qualificando a autoridade fiscal parte das receitas omitidas como receitas não escrituradas e parte como receitas cujos depósitos não tiveram sua origem comprovada. Examino agora a procedência de cada um dos créditos apurados: III.a. Receitas não escrituradas Em suas razões recursais, alega a Recorrente não estar fundada em provas ou elementos concretos de convicção a afirmação da fiscalização de que “68% dos créditos efetuados nas contas bancárias do contribuinte, decorrentes de operações de desconto de duplicatas e de cobranças bancárias, reforça que tais créditos decorrem de operações comerciais do contribuinte e que não foram declaradas e oferecidas à tributação”. Com a devida vênia, há nos autos elementos probatórios suficientes no sentido de que o contribuinte deixou de escriturar operações mercantis e de oferecêlas à tributação, consoante passase a demonstrar: Em face dos Termos de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 118/120 e 558/562, apresentado o Livro Caixa nº 12 (fl. 104/117) pela Recorrente, verificouse que: i. A movimentação financeira acima descrita não foi escriturada; Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 26 13 ii. A Recorrente contabiliza as operações relativas às vendas em partidas mensais na conta “clientes” com o histórico “recebimento de duplicatas”, impossibilitando identificar, de forma individualizada, operações realizadas, apesar de intimada a proceder à reescrituração contábil (fl. 119); iii. Não há lançamentos de despesas inerentes à atividade empresarial; iv. Porém, há lançamentos mensais, sob o histórico “Depósitos/outros” na conta BANCO C/ MOVIMENTO que perfazem um montante de R$ 8.872.319, incompatível com a receita declarada e oferecida à tributação; v. Os lançamentos destes depósitos foram efetuados a crédito da conta CAIXA 1000000 e a débito da conta BANCOS C/ MOVIMENTO 1010000 – Itens 1010001 – Banco Itaú S/A, 1010002 – Banco Nossa Caixa S/A, 1010003 – Banco Bradesco S/A e 1010004 – Banco do Brasil, o que indica que houve saída de recursos da conta CAIXA, entrada na conta BANCOS C/ MOVIMENTO, ou seja, a empresa depositou efetivamente em suas contas correntes um valor de R$ 8.872.319,74. vi. Irregularidades da escrita constatadas uma vez que os recursos transitam apenas pelas contas patrimoniais do Ativo, deixando de ser registradas nas contas de Resultado; vii. Além destes valores creditados nas contas correntes e contabilizados sob o histórico de “Depósitos/outros”, há ainda créditos provenientes de empréstimos contraídos junto às instituições financeiras no valor de R$ 484.343,04 e crédito de capital de giro no valor de R$ 109.880,00, totalizando crédito de R$ 549.223,04; viii. Constam também lançamentos mensais sob o histórico “cheques/outros” no valor de R$ 9.199.605,55, indicando que foram efetuados saques nas contas correntes neste valor; ix. Enfim, há incompatibilidade no fato de a empresa ter auferido receita de R$ 1.685.401.73 e recebido créditos decorrentes de empréstimos/capital de giro no valor de R$ 549.223,04 e, não tendo auferido nenhum outro tipo de receita, constar escriturado como depositado em suas contas correntes o montante de R$ 8.872.319,74. Cumpre salientar que, embora intimada, a Recorrente não apresentou documentos comprobatórios da origem desses créditos depositados em sua conta corrente. Ato contínuo, examinando os extratos bancários apresentados pela Recorrente, a fiscalização verificou que 68% destes créditos decorrem de operações de desconto de cheques, de títulos/duplicatas e cobranças bancárias, no total de R$ 5.546.608,56 (Valores discriminados na planilha “Demonstrativo das receitas não escrituradas” de fls. 1025/1026). Diante desses fatos, foi intimada e reintimada a Recorrente para que apresentasse documentos que deram origem aos créditos decorrentes de operações de desconto de títulos e cobranças (fls. 564/567 e 694/815), mas deixou de apresentar a correlata documentação em todas as oportunidades (fls. 693 e 816/863). Importante acrescentar a estas constatações que, por meio do TIF nº 069/10 (fls. 864/866), o contador da empresa Recorrente, Sr. José Cesar Ricci informou que a empresa se recusava a enviar extratos de suas contas bancárias; desconhece a origem dos créditos sob Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 14 o histórico “depósitos/outros”, mas que provavelmente são vendas efetuadas sem emissão de notas fiscais; escriturou o livro diário da empresa, com receitas transitando apenas por contas patrimoniais, já que não tinha documento que embasasse os lançamentos; e não tem o que dizer sobre as operações de desconto de títulos/cobranças bancárias (itens 31 a 39 de fls. 1092/1093 – Termo de Encerramento Fiscal). Se não bastasse tais fatos, após as diversas intimações efetuadas, a Recorrente apresentou borderôs de descontos de títulos (fls. 871/898) referentes aos meses de janeiro, março, junho, setembro e outubro de 2006 do Banco do Brasil, dos meses de janeiro, fevereiro, junho, outubro e novembro de 2006 do Bradesco, dos meses de julho e setembro de 2006 do Banco Itaú e dos meses de janeiro, março e abril de 2006 da Nossa Caixa. Tal documentação traz elementos suficientes que indicam operações mercantis praticadas, conforme firmado pelo próprio acórdão recorrido, cujo trecho passo a transcrever: “Nos borderôs apresentados pelo contribuinte, há elementos suficientes para identificar com precisão a operação mercantil praticada. Vejase, por exemplo, os documentos de fls. 871875. Neles, há indicação de que a LABORDIESEL COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA celebrou com o Banco do Brasil, em 28/04/2003, o contrato nº 289000423, por meio do qual o descontante (LABORDIESEL) procede ao desconto de títulos junto à instituição financeira. Há, no referido documento, a descrição precisa dos documentos descontados. Como exemplo, citese a duplicata mercantil (DM) nº 32549, tendo como sacado A ANGÉLICO BOMBAS ME (CNPJ 07.431.291/000111, título com vencimento em 03/04/2006, no valor de R$ 364,72. Ao final, há indicação de que foi descontado um total de 147 títulos, em 14/03/2006, perfazendo o montante de R$ 40.033,31. À fl. 795, consta da relação de créditos constatados na conta bancária mantida pelo contribuinte junto ao Banco do Brasil um crédito, datado de 14/03/2006, no valor de R$ 39.159,33. Evidentemente, tratase do crédito relativo aos títulos descontados, indicados no referido borderô, abatidas as tarifas bancárias respectivas. Conforme já referido, a autoridade constatou, ainda, que vários dos clientes constantes dos mencionados borderôs constam também das notas fiscais escrituradas pelo contribuinte, fato que revela tratarse de clientes fiéis. Diante de todas essas evidências, está devidamente demonstrado que os créditos constantes dos extratos bancários, cujos históricos se referem a operações de desconto de títulos/duplicatas e cobranças, são provenientes de receitas de venda, de modo que agiu com acerto a autoridade autuante ao enquadrálas como “receitas não escrituradas” (não grifado no original). Em suma, considerando as irregularidades na escrituração fiscal da Recorrente relativamente aos seus Livros Caixa e Diário; a realização de lançamentos contábeis sob o histórico de “Depósitos/outros” em quantia muito superior à receita declarada e oferecida à tributação; os próprios extratos bancários contendo lançamentos a título de “cobrança”, “desconto de duplicatas” etc.; os esclarecimentos prestados pelo contador da empresa; bem como os títulos descontados, indicados nos borderôs; podese afirmar que a conclusão da fiscalização pela omissão de receitas, caracterizandoas como oriundas de operações comerciais, está, sim, devidamente embasada em provas. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 27 15 Assim, tendo em conta o conjunto de fatos e provas apurados pela fiscalização e demonstrada a inércia da Recorrente em apresentar documentação hábil e idônea com o fim de infirmar que os créditos constatados não decorrem de operações de vendas, concluise que as operações de desconto de título e cobranças bancárias correspondem à saída de mercadorias sem emissão de notas fiscais, procedente, portanto, o enquadramento dos fatos à infração de omissão de receitas resultantes de vendas não escrituradas. III.b. A não comprovação da origem dos depósitos – afastamento da Súmula 182 do TFR Nesta hipótese, a autuação pautouse em depósitos bancários no valor de R$ 2.486.641,75, cuja origem não foi comprovada pela Recorrente, resultando também em omissão de receitas. A Recorrente alega a ilegalidade deste lançamento fiscal, pois baseado exclusivamente em extratos ou depósitos bancários. Colaciona, ainda, o entendimento sumular do extinto Tribunal Federal de Recursos (Súmula 182), como também aduz que a presunção dos atos administrativos não exime a administração do dever de comprovar a ocorrência do fato jurídico à luz dos princípios da estrita legalidade e da tipicidade. Já é pacífico o entendimento deste E. Conselho de caracterizar como omissão de receitas os valores encontrados a título de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte. Vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA DEPÓSITOS DE PEQUENO VALOR Nos lançamentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, devem ser excluídos da base de cálculo os depósitos de pequeno valor, assim considerados os inferiores a R$ 12.000,00, cuja soma, no ano, não ultrapasse R$ 80.000,00. Recurso parcialmente provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10423367 do Processo 10380000241200689, Data: 06/08/2008).” (não grifado no original). “(...) Omissão de receitas da atividade da empresa. Depósitos bancários sem comprovação da origem. Por expressa disposição legal, consideramse receitas omitidas os valores creditados em conta mantida junto à instituição financeira cuja origem não seja comprovada, mediante documentação hábil e idônea. Multa de ofício. No percentual de 75% (...)” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 120200546 do Processo 11634000100200861, Data: 28/06/2011). (não grifado no original) “(...) Depósito Bancário. Comprovação da origem. Ausência. A existência de depósitos efetuados em conta bancária, não escriturados e cuja origem não tenha sido comprovada pelo contribuinte, Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 16 autorizam a presunção de omissão de receita. Lançamentos reflexos (...).” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 140100491 do Processo 15956000101200662, Data: 30/03/2011).(não grifado no original) Conforme se observa dos julgados acima transcritos, é legal a presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Assim, restam insubsistentes os argumentos da Recorrente no sentido de que o lançamento tributário não pode se pautar em presunções. Isso porque, no caso de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não comprovados, a própria legislação tributária autoriza expressamente a omissão de receitas pautada em presunção. Nesse sentido, prescreve o artigo 42 da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê a partir do dispositivo acima transcrito, o legislador reputa o depósito bancário como um fato gerador do Imposto sobre a Renda, cabendo à parte, sempre que intimada regularmente, a fazer prova em contrário, comprovando a origem dos recursos mediante documentação hábil e idônea. Especificamente no caso concreto, embora tenha a fiscalização intimado a empresa diversas vezes (fls. 558/562; 564/567; 673/675; 694/697; 852/854 e 867) para esclarecer a origem destes créditos em suas contas correntes, incompatíveis com as receitas declaradas, a mesma optou por não fazêlo. Pelo contrário, limitouse a Recorrente a alegações genéricas, afirmando que, entre os valores glosados pelo Fisco, os mesmos referemse a financiamentos, empréstimos, transferência entre contas de sua titularidade, valores considerados em duplicidade pela fiscalização e cheques devolvidos (fls. 563). Além de não identificar e relacionar, individualmente, os valores que entende indevidos, não trouxe aos autos documentação comprobatória de suas alegações. Como bem transcrito no acórdão recorrido, à fl. 1192, “relativamente aos empréstimos, deveria a contribuinte ter juntado documentos bancários (como por exemplo: contrato de abertura de crédito, cópias dos avisos de créditos emitidos pelo banco etc.) que evidenciassem que os mesmos foram considerados em duplicidade pela fiscalização; quanto aos cheques devolvidos, deveria comprovar que os mesmos foram reapresentados e não recebidos no caixa como é praxe nessas situações. Estas provas – de acordo com a legislação que rege a matéria – competem à contribuinte”. Dessa forma, os lançamentos pautados em omissão de receitas que ora se analisam estão em total observância à legislação tributária e à jurisprudência deste E. Conselho. Portanto, não assiste razão à Recorrente quanto a esse tópico. IV. A aplicação de multa qualificada quando comprovada conduta dolosa: inexistência de confisco e desproporcionalidade De uma breve leitura dos Autos de Infração lavrados contra a Recorrente (fls. 920/984), comprovase que a imputação de multa qualificada restringiuse à infração de Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 28 17 omissão de receitas – receitas não escrituradas, com fundamento no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96. O intuito doloso da Recorrente de impedir ou retardar o conhecimento, pelo Fisco, da ocorrência dos fatos geradores, resta comprovado diante de todos os fatos acima denunciados, acolhendo aqui, ipsis literis, as razões formuladas no acórdão recorrido, com o escopo de manter a aplicação da multa qualificada de 150%: Dos fatos acima relatados, inferese, ainda, que o contribuinte agiu dolosamente relativamente às receitas omitidas consubstanciadas nos créditos decorrentes de operações de desconto de títulos/duplicatas e cobranças bancárias. Com efeito, não houve emissão de notas fiscais para estas operações, estes valores não transitaram por conta de resultado na escrituração, os valores são vultosos quando comparados às receitas declaradas e o fato repetiuse em todos os doze meses do ano de 2006, caracterizando reiteração da conduta. Por estas razões, é correta a aplicação de multa qualificada (150%) sobre os créditos tributários lançados na infração “receitas não escrituradas”. Ficou caracterizada a ocorrência de omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (art. 71, I, da Lei nº 4.502/1964). Ora, no próprio Termo de Encerramento Fiscal, preocupouse a D. Fiscalização em descrever os fatos que impliquem conduta dolosa por parte da Recorrente, conforme se depreende do trecho extraído de fl. 1096: “48 – Demonstrou ao longo dos autos e pelos recortes legais, acima em destaque, que a fiscalizada cometeu crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal, ao omitir das apurações mensais da tributação para o SIMPLES grande parte das receitas auferidas em cada um dos doze meses do ano calendário de 2006 com a intenção dolosa de se manter enquadrada neste regime simplificado e favorecido de tributação. A linha de sonegação adotada pela fiscalizada foi efetuar vendas sem emissão de notas fiscais sendo afastada a possibilidade de que a omissão praticada tenha ocorrido por erro, pois a conduta de omissão de receitas, que implicou a apuração e o recolhimento a menor da contribuição para o SIMPLES foi reiterada, pois foi observada para todos os meses do ano de 2006 e confirmada pela apresentação da DIPJ/SIMPLES de 2007, ano calendário 2006” (grifos no original). Destarte, resta clara a prática reiterada de atos dolosos por parte da Recorrente que ensejam a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. A jurisprudência deste E. Conselho é vasta no que consiste à aplicação da multa qualificada nos casos em que há comprovação do intuito doloso e fraudulento do contribuinte ao não contabilizar os valores referentes aos depósitos bancários. Vejamos: (...) OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizase como renda presumida a soma, mensal, dos Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO 18 depósitos e créditos bancários, de origem não comprovada pelo contribuinte, na forma do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996. PROVA Compete ao contribuinte comprovar de forma inequívoca a natureza dos rendimentos percebidos. MULTA QUALIFICADA Comprovado o intuito de fraude e dolo, é pertinente a aplicação da multa qualificada, no caso. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10420563 do Processo 10850002995200347, Data: 17/03/2005). (não grifado no original) (...) EXIGÊNCIA DO IRPF COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o responsável, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA Estando comprovado nos autos o intuito de reduzir ou suprimir o montante do imposto devido, aplicável a multa de ofício qualificada. Preliminar rejeitada. Recursos negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10247267 do Processo 13925000074200317, Data: 08/12/2005). (não grifado no original) Ademais, relativamente às extensas alegações de violação à proporcionalidade e vedação ao confisco da multa aplicada, esta está respaldada na legislação vigente, não cabendo à autoridade administrativa apreciar sua valoração, tampouco pronunciarse sobre sua inconstitucionalidade nos termos da Súmula CARF nº 02. A esse propósito, seguem precedentes administrativos: [...] multa confiscatória. Inexistência. A multa aplicada tem seu valor determinada pela legislação em vigor. Não cabe à autoridade administrativa transigir quanto a aplicabilidade da penalidade prevista. [...]. (CARF, 3ª Turma Especial/2ª Seção/ Acórdão nº 280300.016, de 24/03/2010) [...] RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E CONFISCO As leis são cogentes, isto é, impõemse pela lógica, devendo ser cumpridas e respeitadas por todos, sobretudo pelas autoridades administrativas, até que venham a ser revogadas ou tenham a sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, em Ação Direta de Inconstitucionalidade ou suspensa a sua execução por meio de Resolução do Senado Federal. [...]. (CARF. 1º Conselho de Contribuintes / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 10515.270 em 12.09.2005 “NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. A multa de ofício tem natureza punitiva, motivo pelo qual não lhe aplica o art. 150, VI, da Constituição, que contempla o princípio do não confisco em relação a tributos. A aplicação de percentual de multa determinado em lei não afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 15956.000141/201091 Acórdão n.º 1202000.936 S1C2T2 Fl. 29 19 COMPETÊNCIA. Súmula nº 02 CARF. O órgão julgador administrativo não pode afastar a aplicação de dispositivo de lei por entendêlo inconstitucional, pois apenas o Poder Judiciário recebeu competência constitucional para declarar a inconstitucionalidade de lei. [...] (CARF. 2º CC. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº 20218712 de 12/02/2008) (não grifados no original) Portanto, de acordo com todo o relatado no Termo de Encerramento Fiscal e da comprovação do dolo por parte da Recorrente em burlar o fisco, deve ser mantida a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. V. Demais alegações: tributação reflexa e sujeição passiva indireta Relativamente à alegação da Recorrente quanto à impossibilidade de aplicar, mediante tributação reflexa, idêntica solução do lançamento de IRPJ aos lançamentos dos demais tributos (CSLL, PIS, COFINS, CS/INSS), é pacífico nesse E. Conselho que o entendimento adotado para a exigência principal de IRPJ se aplica aos lançamentos reflexos em questão, diante da estreita relação de causa e efeito entre eles (vide Acórdão nº 1301 000.469 de 16/12/2010 e Acórdão nº 180100.480 de 21/02/2011). Aduz, ainda, a Recorrente que a simples falta de pagamento de tributo não configura, por si só, circunstância que acarrete a responsabilidade tributária do administrador, restando impossibilitada essa responsabilização quando não ficar comprovado que se agiu com dolo, excesso de poderes, infração à lei ou estatuto, com fulcro nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN. Quanto ao argumento da inaplicabilidade da responsabilidade tributária pessoal e solidária pelos créditos tributários constituídos nesta autuação, não cabe neste momento discutir sua (im)procedência na medida em que, apesar de lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 1079/1082 e 1120), cientificando os sócios da Recorrente acerca da autuação, o Sr. Marco Antonio de Andrade e a Sra. Neide Ficher não exerceram seu direito de defesa. Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o teor da decisão da DRJ/RPO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 3 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por GERALDO VALENTIM NETO
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002225/00-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2000 NORMAS PROCESSUAIS. CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O parágrafo quarto do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 , introduzido pela Lei n° 10.637/2002, transformou os pedidos de compensação em declarações de compensação, desde o protocolo do respectivo pedido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 05 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerar-se-á homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.298
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani que não reconheciam as homologações tácitas. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Mendes Plutarco - OAB/DF 25.090.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2000 NORMAS PROCESSUAIS. CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O parágrafo quarto do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 , introduzido pela Lei n° 10.637/2002, transformou os pedidos de compensação em declarações de compensação, desde o protocolo do respectivo pedido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 05 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerar-se-á homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11618.002225/00-79
conteudo_id_s : 5204832
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-001.298
nome_arquivo_s : Decisao_116180022250079.pdf
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 116180022250079_5204832.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani que não reconheciam as homologações tácitas. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Mendes Plutarco - OAB/DF 25.090.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4555584
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394948374528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 568 1 567 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.002225/0079 Recurso nº 340.764 Voluntário Acórdão nº 3801001.298 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de junho de 2012 Matéria IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente POLIMASSA ARGAMASSA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2000 NORMAS PROCESSUAIS. CONVERSÃO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O parágrafo quarto do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 , introduzido pela Lei n° 10.637/2002, transformou os pedidos de compensação em declarações de compensação, desde o protocolo do respectivo pedido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O Prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 05 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo sem que a autoridade administrativa se pronuncie, considerarseá homologada (homologação tácita) a compensação declarada pelo sujeito passivo e, definitivamente, extinto o crédito tributário nela declarado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani que não reconheciam as homologações tácitas. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Hugo Mendes Plutarco OAB/DF 25.090. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 31/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Sidney Eduardo Stahl, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Fábia Regina Freitas (Suplente). Ausente justificadamente a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 569 3 Relatório A interessada formalizou pedidos de ressarcimento de IPI, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, referente aos períodos janeiro a março de 2000, valor de R$ 9.766,31, fls. 206, e abril a junho/2000, valor de R$ 10.489,13, fls. 207, combinados com pedidos de compensação, fls. 208/211. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, a partir do item 2, que transcrevo a seguir: 2. No Termo de Informação Fiscal de fls. 268/278, a autoridade diligenciadora, depois de elencar os processos de ressarcimento formulados pela contribuinte e os fundamentos jurídicos dos pedidos, consignou, em apertada síntese, as seguintes informações: 2.1. A contribuinte fabrica argamassas colante, para rejuntamento e para revestimentos, que classifica com alíquota de 0% (zero por cento); 2.2. As notas fiscais que embasaram o pedido referemse a insumos destinados industrialização; 2.3. Glosouse o valor de R$ 1.193,98, que se refere a transferências de cimento da filial para a matriz, nas quais a contribuinte creditouse do IPI à alíquota de 4%. A filial é não contribuinte de IPI, pois se dedica à revenda de mercadorias e não fez a opção pela equiparação. Como a filial é estabelecimento comercial que exerce o comércio atacadista, a matriz só terá direito a se creditar do IPI calculado mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre 50% (cinqüenta por cento) do valor que consta da nota fiscal (art. 148 do Regulamento do IPI de 1998 — RIPI198); 2.4. Classificando os produtos fabricados pela contribuinte com base na Tabela do IPI — T1PI e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), editadas pela Instrução Normativa — IN SRF n.° 157/2002, contatouse que a argamassa colante tem classificação na posição 3214.90.00, "Ex" 01, com alíquota de 0% (zero por cento); a argamassa para rejuntamento classificase na posição 3214.10.10, com alíquota de 10% (dez por cento); e a argamassa para revestimento classificase na posição 3824.50.00, com alíquota de 10% (dez por cento); 2.5. Elaborada planilha de apuração de saldo do IPI, constatouse que houve saldo devedor, nos 3° e 4° trimestres de 2000. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 3. Tendo em vista as informações consignadas, a autoridade a quo indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou os pedidos de compensação apresentados (fl. 279). 4. Inconformada, a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, acostada as fls. 287/304, na qual aduz, em apertada síntese: Preliminarmente 4.1. Requer a juntada deste processo ao de nº 11618.001024/200567, para que sejam decididos conjuntamente. Transferências entre a filial e a matriz 4.2. Não há que se falar em comércio entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. No aspecto fiscal, os estabelecimentos matriz e filial são autônomos entre si; no aspecto econômico e tributário, um é extensão do outro; 4.3. As transferências de bens de produção (cimento) da filial para a matriz foram feitas com destaque de 4% de IPI, imposto que deve ser creditado integralmente por ocasião da entrada. 0 estabelecimento filial é contribuinte do IPI, porque se dedica à comercialização de produtos fabricados pela matriz, na forma do art. 9°, III, do RIPI198. 4.4. O art. 40, XI, do mesmo Regulamento contempla hipótese de suspensão do IPI; seu §3° prevê os casos em que a referida suspensão não se aplica. Só se pode suspender o que existe. O imposto destacado nas notas das filiais foi feito com acerto e correção, porque sendo o aludido estabelecimento equiparado a industrial, outro não poderia ser o seu comportamento, ao promover a saída do produto tributado. Cabe salientar que o valor do IPI incidente sobre a compra de cimento portland, destacado nas notas fiscais do fornecedor, cujo produto, embora destinado à fabrica, fora endereçado e entregue no estabelecimento filial, foi registrado em seu Registro de Entradas e, sem seguida, esta promoveu a transferência para o efetivo destinatário; Reclassificação fiscal dos produtos 4.5. Entre 1° de julho a 30 de dezembro de 2000, encontravase vigente a Tabela de IPI (TIPI), aprovada pelo Decreto n.° 2.092, de 10/12/1996. Nesta tabela, consta o "Ex" 01 na posição 3214.90.00; 4.6. A autoridade autuante, baseandose em Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), editadas pela IN SRF n.° 157/2002, e da Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, datada de 08/06/2004, cuidou de censurar o procedimento da empresa para aplicar aos casos pretéritos legislação que somente veio a ser editada depois dos fatos geradores; Fl. 584DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 570 5 4.7. A solução de consulta referida data de 08/06/2004 e se embasa em TIPI aprovada pelo Decreto n.° 4.542, de 2002, que só entrou em vigor em 01/01/2003; 4.8. As Notas Explicativas para interpretação da TIPI, nos períodos de que cuida o processo, reportamse ao Decreto n.° 435, de 28/01/1992, que aprovou as NESH, "alterado pela IN SRF 111/94; IN 25/95; IN 123/98; IN 05/99; IN 54/99" (sic). Na auditoria, não se percebeu que, até a publicação do Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, existia na TIPI o "Ex" 01 na posição 3214.90.00, que só foi revogado a partir de 1°/11/2002. A Solução de Consulta SRRF/4a/RF/Diana n.° 8, de 2004, não se presta para situação ocorrida no ano de 1999, porque não se encontrava mais em vigor o "Ex" 01 da posição 3214.90.00; 4.9. Os produtos fabricados pela empresa são classificados no "Ex" 01 da posição 3214.90.00, porque todos eles foram tipificados dentro da especificação estabelecida, por se tratar de mistura de cimento e/ou cal, com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada, pó de pedra e semelhantes, adicionada ou não de água, corante ou impermeabilizante. Argamassas de Rejuntamento 4.10. Esses produtos são comercializados com a denominação de "Rejunto sem Resina" e "Rejunte com Resina". Compõese, como descrito, de uma mistura de cimento, pedra britada e moída (carbonato de cálcio), retentor de água, corante (pigmento), impermeabilizante (hidrofugante) e polímero, sendo que, em alguns casos, é utilizado areia no lugar de pedra britada. De acordo com a TIPI, o "Ex" 01 da posição 3214.90.00 é a mais especifica para classificar este produto; 4.11. O induto diferenciase de mástique por possuir elevado teor de matérias de carga, sendo este teor muito superior ao dos aglutinantes. No caso da argamassa de rejuntamento, o teor de material de carga é de 73,15% (pedra britada e corante) e de aglutinantes é de 26,85% (cimento, retentor de água, impermeabilizante e polímero). Logo, fácil concluir que a argamassa de rejuntamento é um induto, não um mástique, pois na mistura dos aglutinantes o cimento corresponde a 25%, ou seja, é um produto rígido, deixando esta argamassa com grande quantidade de material de carga e não elástica ou borracha, que são características do mástique; 4.12. A classificação adequada para a argamassa de rejuntamento é na posição 3214, no "Ex" 01, por se tratar de induto não refratário do tipo dos utilizados em alvenaria e por comporse de cimento e pedra britada; Argamassa de revestimento 4.13. Outro equivoco foi enquadrar a argamassa de revestimento, com nome de fantasia "Assentamento Pronto", "Reboco Pronto", "Massa Única", "Chapisco Pronto", e Fl. 585DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 "Contrapiso Pronto", na posição 3824.50.00, quando a própria disposição do capitulo encontrase claramente ressalvada que a tipificação somente se daria ali caso não estivesse compreendida em outra posição. Existe um "Ex" 01, na posição 3214.90.00, que se constitui "em exceção à regra por mais especifica que seja, destaque prevalente em qualquer situação como já descrito, fato esse que já dispensaria por si só a necessidade de ressalva acima mencionada"; 4.14. Além disso, a Regra Geral 3a. para interpretação do Sistema Harmonizado estabelece que a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica; 4.15. A interpretação da fiscalização, baseada na Solução de Consulta realizada para outra empresa em 8/06/2004, cuida de TIPI que não se aplica ao período examinado. O "Ex" 01 da posição 3214.90.00 já havia sido extinto pelo Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, ou seja, a TIPI utilizada para a resposta era diferente daquela do período fiscalizado; 4.16. A referida Solução de Consulta não deve ser estendida a terceiros e por esses utilizada; 4.17. Consta no Capitulo 32, posição 14, "INDUTOS NÃO REFRATÁRIOS DO TIPO DOS UTILIZADOS EM ALVENARIA", "e nas subposições e itens da tabela dessa posição não aparecer especificamente, levando a concluir, logicamente, que se insere no subitem 3214.90.00 e, em especial, dentro do Destaque 'Ex 01' desse subitem"; 4.18. Nas Notas Explicativas previstas na IN SRF n.° 157, de 2002, que tratam de indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria, diz que se aplicam nas fachadas, paredes interiores, pavimentos e tetos de prédios, nas paredes e fundos de piscinas etc., de modo a tornálos impermeáveis à umidade e a darlhes boa aparência. Este grupo compreende, entre outros, os indutos pulverizados à base de quartzo em pó e cimento, adicionados de uma pequena quantidade de plastificantes e utilizados, por exemplo, depois de se lhes acrescentar água, para assentamento de ladrilhos de azulejos; 5. Ao final, requer o crédito fiscal indevidamente glosado, que seja desconsiderada a reclassificação feita pela fiscalização, homologada as compensações do imposto acostadas, tornada sem efeito o refazimento da escrita e nulos os atos decorrentes do procedimento equivocado da autoridade autuante. 6. Através do Acórdão DRJ/REC n.° 13.615, de 27/10/2005 (fls. 341/361), anulouse a decisão proferida nos autos, pois entendida em desconformidade com a legislação. Na oportunidade, o relator do voto vencedor reputou conveniente averiguar se os créditos constantes no RAIPI, na rubrica reservada a "transferências para industrialização", já teriam sido escriturados a titulo de "compras para industrialização", além do que, diante da circunstância de que algumas Fl. 586DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 571 7 mercadorias transitaram inicialmente pela filial, verificar quais insumos chegaram ao estabelecimento industrial e, conseqüentemente, foram empregados no processo produtivo. 7. A autoridade a quo prolatou nova decisão, por meio da qual indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação (vide fls. 386). Na Informação Fiscal de fls. 374/385, a autoridade diligenciadora consignou, quanto à primeira das indagações apresentadas pela DRJ, que não houve duplicidade de escrituração; quanto A seguinte, que as aquisições de cimento pela filial foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas e, quando da transferência para a matriz, no Livro de Registro de Saídas; no estabelecimento matriz, foram escrituradas no Livro de Registro de Entradas e de Apuração de IN, respectivamente, com valores equivalentes. Diz, ainda, que as transferências de cimento (sacos) da filial para a matriz, suscitadas no Acórdão DRJ/REC n.° 13.615, de 27/10/2005, como nãopassíveis de direito ao crédito do IPI em sua totalidade, estão sendo glosados integralmente (aplicação da alíquota de 4% sobre 50% do valor das notas fiscais). A contribuinte apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade contra a nova decisão (fls. 388/415), na qual aduz, em síntese: A filial é equiparada a industrial 8.1. A filial foi constituída como varejista, mas opera no atacado (80%), com venda de bens de produção, e no varejo (20%), com venda de bens de consumo, predominando a venda de produtos de fabricação própria (90%); 8.2. O Decreto n.° 2.637, de 1998 (RIPI198), consagra, em seu art. 14, inciso II, que estabelecimento comercial varejista é aquele que efetuar vendas diretas para consumidor, ainda que realize vendas por atacado esporadicamente, considerandose esporádicas as vendas por atacado quando, no mesmo semestre civil, o seu valor não exceder a vinte por cento do total das vendas realizadas. A fiscalização teve acesso a tais dados; a empresa não poderia ser considerada varejista, pois excedeu o limite várias vezes; 8.3. A filial é estabelecimento equiparado a industrial. Quando de sua implantação, imaginouse que a sua atividade preponderante seria a de comércio varejista, sendo que a sua realidade é outra, tendo sido promovida a correspondente alteração cadastral; Transferências entre matriz e filial 8.4. Para cada nota fiscal emitida pelo fornecedor em nome da filial, sem que o insumo fosse sequer recebido, a empresa emitia uma nota fiscal (de / transferência), na mesma quantidade, para "capear" a primeira nota, fazendo o insumo chegar A fabrica acompanhado por ambas os documentos fiscais. O art. 171, III, Fl. 587DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 do RIPI/98 prescreve que os créditos serão escriturados pelo beneficiário "nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produtos intermediários ou material de embalagem na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação". Tal dispositivo consagra o direito da empresa em consonância com o principio da nãocumulatividade e com o disposto no art. 163 do RIPI12002. Ilegítimo glosar os créditos de tais notas fiscais, emitidas para acompanhar o trânsito entre o estabelecimento filial e a matriz, para neste Ultimo ser empregado na produção industrial; Reclassificação fiscal dos produtos 8.5. No 2° semestre de 2002, encontravase vigente a Tabela de IPI (TIPI), aprovada pelo Decreto n.° 4.070, de 30/12/2001. Nessa tabela, consta o "Ex" 01 na posição 3214.90.00. A empresa aplicou o "ex" tarifário na comercialização dos produtos: argamassa colante, argamassa para rejuntamento e argamassa para revestimento, cujas saídas se deram com alíquota zero. Tais produtos se tratam de mistura de cimento, com pelo menos um dos seguintes elementos: saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada e pó de pedra e semelhantes, adicionado, ou não, água, corante ou impermeabilizante. Para que o produto pudesse ser tarifado no "ex" 01 da posição 3214.90.00, bastava se tratar de uma mistura de cimento (e/ou cal), com saibro, areia, quartzo, pedrisco, pedra britada ou pó de pedra. Irrelevante que fosse adicionada, ou não, água, corante ou impermeabilizante; 8.6. A fiscalização considerou a Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, datada de 08/06/2004, que somente veio a ser editada depois dos fatos geradores. A nova apuração do IPI, decorrente da decisão prolatada DRJ/REC, visou corrigir o procedimento antes homologado, permanecendo o entendimento da fiscalização em procurar demonstrar à exaustão que os produtos deveriam ter sido classificados diferentemente; 8.7. A empresa se socorreu de entendimento técnico abalizado, no caso, o CENTRO PROFISSIONAL DE COMÉRCIO EXTERIOR — CENPEC, o qual tem como titular um ex Auditor Fiscal e professor de Comércio Exterior, para que fosse aceito ou tivesse valia para Fazenda Pública. Além de discordar da interpretação da fiscalização, consignou, dentre outras informações, que o “Ex”Tarifário se refere a uma mercadoria muito bem especificada e não simplesmente vinculada a uma determinado código, muitas vezes mal classificado pela administração pública” (ipsis litteris; sublinho do original); 8.8. Não resta dúvida que, existindo um "ex" tarifário, o produto que se tipifique com a especificação nele trazida, esteja onde estiver classificado na TIPI, terá que se deslocar, para fins de tributação, para esse "ex" tarifário. Não muda a classificação fiscal do produto, o que muda é a tributação incidente (cita Fl. 588DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 572 9 decisões do Conselho de Contribuintes para embasar seu raciocínio); 8.9. Utilizandose das características do produto argamassa de revestimento, da Regra Geral do Sistema Harmonizado RGI/SH n.° 1 (valor legal do produto determinado pelo texto da posição) e das notas explicativas da posição, a sua classificação é 3214.90.00, "Ex" 01, conforme atesta o Parecer Técnico n.° 016.454 do Instituto Tecnológico de Pernambuco ITEP (cita as Soluções de Consulta para embasar o seu entendimento); 8.10. A ressalva contida no texto da posição 3824 somente deve ser considerada se não existirem outras posições cuidando das mesmas coisas (a posição 3214 é mais específica). A opinião de AuditorFiscal aposentado corrobora o entendimento da empresa; 8.11. No caso de argamassa para rejuntamento, a mesma é um induto, não um mástique; 8.12. As notas fiscais de do Sistema Harmonizado são pobres em definir e distinguir induto de mástique. Segundo tais notas, os mastigues se destinam a obturar fendas. As argamassas de rejuntamento produzidas pela empresa destinamse a preencher juntas de assentamento. Não se pode confundir fenda com junta de assentamento (reproduz trecho de norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, na qual se define junta de assentamento); 8.13. O rejunte da empresa não é utilizado para obturar fenda em alvenaria, mas, sim, para ser aplicado em superfícies mais importantes, isto, 6, no acabamento das juntas de assentamento de revestimentos cerâmicos e azulejos. As notas explicativas da posição 3214 explicam que mástique e induto se caracterizam, essencialmente, pela sua utilização. A argamassa de rejuntamento é um induto, e a sua classificação correta é na posição 3214.90.00, "Ex" 01; 8.14. Juntase correspondência do SINAPROCIM enviada "ao então Sr. Secretário da Receita Federal, em face do Decreto n.° 4.441, de 25/10/2002, que extinguiu o ex 01, da posição 3214.90.00 para as argamassas (Doc. 08), cuja resposta enviada pelo Coordenador Geral de Tributação, datada de 22/05/2003 (Doc. 09), procurou justificar o porquê da alteração de sua tributação para 10%, a partir de 1° de novembro de 2002, sem qualquer divergência, com o entendimento esposado na correspondência do Sindicato, quanto classificação das argamassas de revestimento e de rejuntamento no "ex" 01 da posição 3214.90.00” (ipsis litteris; negritos do original); 8.15. Foram, anexadas notas fiscais emitidas por empresas de grande porte, que tiveram o mesmo entendimento; 8.16. A Solução de Consulta SRRF/4a RF/Diana n.° 8, de 08/06/2004, está embasada na TIPI aprovada pelo Decreto n.° Fl. 589DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 4.542, de 26/12/2002, que entrou em vigor em 01/01/2003, embora o presente processo somente se refira aos 1º e 2° trimestre de 2000. 9. Ao final, requer a restauração do crédito indevidamente glosado, a desconsideração da classificação fiscal pretendida pela fiscalização, a homologação da compensação, bem como seja tornado sem efeito o refazimento da escrita fiscal. A Delegacia de Julgamento em Recife proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA COLANTE. TIPI 3214.90.00. A argamassa colante, induto nãorefratário, resultante da mistura de cimento, areia, retentor de água, resina polímero aderente e resina polímero flexível, que, adicionada de água, é utilizada para assentar cerâmicas, pastilhas, e porcelanatos, classificase na posição 3214.90.00 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA PARA REJUNTAMENTO. TIPI. 3214.10.10. A argamassa para rejuntamento (mástique), resultante da mistura de cimento, carbonato de cálcio, retentor de Água, hidrofugante, bactericida, resina polímero flexibilizante e pigmentos, que, adicionada de água, é utilizada para rejuntar peças cerâmicas, classificase na posição 3214.10.10 da TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ARGAMASSA PARA REVESTIMENTO. TIPI. 3824.50.00. A argamassa para revestimento nãorefratária, resultante da mistura de cimento, cal, carbonato de cálcio, retentor de água, hidrofugante, bactericida, resina polímero flexibilizante e pigmentos, que, adicionada de água, é utilizada para assentar blocos de concreto ou cerâmicos ou de cimento e revestir paredes e tetos, de Áreas internas e externas, para ponte de aderência entre base e revestimento, para regularização de pisos e lajes de revestimento, classificase na posição 3824.50.00 da TIPI. Solicitação Indeferida Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 467 a 483 reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: • Independente do rumo que tomou a demanda, a matéria discutida se prende a glosa de parte do crédito fiscal do IPI, focado em dois Fl. 590DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 573 11 núcleos principais que deram origem aos pedidos de compensação, a saber: • a) aproveitamento (ou não) de crédito fiscal do IPI pela matriz, em relação matériaprima que tendo sido adquirida pela filial, foi transferida para o processo industrial da RecorrenteMatriz; • b) possibilidade (ou não) de enquadramento dos produtos fabricados pela Recorrente no "Ex" tarifário 3214.90.00 sujeito a alíquota "0" (zero) de IPI. • No que tange ao item "b" é importante destacar que a matéria não se prende à classificação fiscal do produto em si, mas, ao ressarcimento de IPI decorrente do efetivo emprego de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens tributados, aplicados na fabricação de produtos industrializados pela Recorrente, cuja tributação desses últimos, nas saídas ocorridas entre Janeiro de 1999 e setembro de 2002, deuse para efeito do IPI, no "Ex" 01, da Posição 3214.90.00, sujeitas à alíquota 0 (zero) . • O julgamento da primeira manifestação de inconformidade da ora Recorrente contra despacho anterior que indeferiu parte do seu pedido de ressarcimento, a Recorrida por maioria de votos julgou NULO o Despacho Decisório. A última manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente não poderia levar em conta o primeiro Despacho nulo, tampouco sua manifestação anterior, considerando que procedimento nulo, ser procedimento inexistente. Todavia, o julgamento ora recorrido além de reportarse, insistentemente, ao procedimento nulo, embasou os seus fundamentos quase que exclusivamente na apreciação anterior, ressalvandose, apenas, as novas questões trazidas quando ao aproveitamento do crédito fiscal (item "b" acima), de modo que não fez um "mínimo" comentário aos argumentos trazidos com a última manifestação de inconformidade, tampouco, quanto as provas produzidas, limitandose, tão somente, a relatar o que constou da impugnação, em evidente cerceamento ao direito de defesa da recorrente, porque não apreciou adequadamente seus argumentos. • O Despacho recorrido não apreciou adequadamente todos os fundamentos da manifestação de inconformidade, não trouxe argumentação lógica, coerente, consistente, com justificativas e detalhamentos relevantes e, ademais, desprezou as informações prestadas e ignorou os pareceres técnicos e demais documentos comprobatórios do direito da ora Recorrente. Em 29 de outubro de 2007 o processo foi encaminhado para julgamento e em 01 de fevereiro de 2010, pela Resolução nº 380100.045, da Primeira Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o julgamento foi convertido em diligência, conforme relatório e voto abaixo colacionado: Fl. 591DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 12 RELATÓRIO E VOTO Conselheiro Arno Jerke Junior, Relator. Cuidase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, referente aos períodos informados nos autos, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. A discussão do processo se resume a dois pontos cardeais: a classificação dos produtos fabricados e seu enquadramento como produto de saída isenta de IPI, bem como a tributação sobre transferência de mercadoria entre filial e matriz. Contudo, entendo que o julgamento da matéria dependa do conhecimento da composição e da classificação exata da mercadoria objeto dos pedidos, razão pelo qual voto em baixar os autos em diligencias para realização de perícia técnica nos produtos, Argamassa Colante (Colaforte Polimassa), Argamassa para rejuntamento (Rejuntes Polimassa), Argamassas para Revestimento, objeto dos pedidos de ressarcimento O objetivo da diligência será definir objetivamente a composição, natureza e o conseqüente enquadramento dos produtos supra referidos, respondendo, inclusive, os questionamentos abaixo: a) se os produtos se configuram mástice ou indultos ou uma terceira opção de enquadramento. b) Se na composição do produtos, estão incluídos os materiais incluídos no ex tarifário, vigente à época do pedido. c) Se carbonato de cálcio é o mesmo que pedra britada; d) Classificação fiscal de cada um deles. É como voto. Arno Jerke Júnior Em atendimento, foi requerida pela autoridade fiscal perícia técnica à Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado da Paraíba – FUNAPE, que apresentou o Laudo Técnico de fls. 521/537. Também, foi juntada aos autos a Informação Fiscal de fls. 538/548. É o relatório. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 574 13 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, requer a interessada que seja declarada a homologação tácita dos Pedidos de Compensação. Sabese que a compensação de tributos é regulada pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de1996, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, passando por diversas alterações legislativas ao longo do tempo. Para melhor compreensão, transcrevo, a seguir, a redação atual do referido artigo: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Fl. 593DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 14 para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 575 15 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 595DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 16 § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010)” Por seu turno, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, objetivando regular a matéria a que se refere os parágrafos 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, editou a Instrução Normativa SRF nº 460, de 18/10/2004, dos quais transcrevo os seguintes: “Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de não homologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...] § 2º. prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. [...] Art. 64. Serão considerados Declaração de Compensação, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação determinada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, os pedidos de compensação que, em 1º de outubro de 2002, encontravamse pendentes de decisão pela autoridade administrativa da SRF. [...] Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º. do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização o do pedido na SRF”. Importante ressaltar que os pedidos de compensação de que trata o presente processo são anteriores ao surgimento das Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, as quais modificaram substancialmente o artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Ou seja, na data do pedido de ressarcimento de fls. 01 e nas datas dos pedidos de compensação de fls. 02/03, a regulação da matéria estava na IN SRF n° 21/97, com as alterações da IN SRF n° 73/97, não existindo as figuras da “Declaração de Compensação” e “Homologação Tácita Prazo para Homologação”. Assim, em conformidade com a legislação acima transcrita e nos termos dos §§ 4º e 5º, do artigo 74, da Lei nº. 9.430/96, os pedidos de compensação pendentes de análise por parte da SRF em 01/10/2002 foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação desde o seu protocolo, sujeitos, portanto, à homologação tácita quando não analisados dentro do prazo de 05 (cinco) anos a contar do seu protocolo. Isto é, a homologação tácita somente ocorre em relação aos pedidos de compensação que foram automaticamente Fl. 596DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11618.002225/0079 Acórdão n.º 3801001.298 S3TE01 Fl. 576 17 convertidos em Declaração de Compensação, não guardando nenhuma relação com a procedência do crédito, nem tampouco a cumprimento de requisitos que porventura devessem ser cumpridos com relação ao mesmo. O prazo a que se refere o §5º do art. 74 da Lei 9.430/96 ocorre com a intimação da decisão (Despacho Decisório) ao sujeito passivo, conforme dispõe o art. 73, da IN SRF nº 460, de 2004, in verbis: “Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 56, 61 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento”. No caso em análise, a ciência do Despacho Decisório que não homologou as compensações requeridas se deu em 17/07/2006, fls. 387, e a apresentação dos Pedidos de Compensação ocorreu no dia 14/09/2000, após cinco anos da data dos respectivos pedidos. Assim, considerando o acima exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, declarando tacitamente homologadas as compensações de que tratam os Pedidos de Compensação protocolados em 14/09/2000. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 597DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 03/09/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001752/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 Ementa: FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. TRIBUTAÇÃO. EXCEPCIONALIDADE. Constatado que o empreendimento imobiliário é integralmente explorado (100% do negócio) por quotista único (100% das quotas) do Fundo de Investimento Imobiliário, revelam-se presentes as circunstâncias autorizadoras da aplicação do disposto no art. 2º da Lei nº 9.779/99, ou seja, o referido Fundo sujeita-se à tributação aplicável às pessoas jurídicas. DESPESAS COM TRIBUTOS (PIS E COFINS) DEDUÇÃO Tendo, no mesmo procedimento, formalizado exigências de PIS e COFINS, tributos cuja dedutibilidade não é vedada pela lei tributária, a autoridade lançadora, por dever de ofício, deve deduzir o respectivo valor para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. CUMPRIMENTO RESPONSABILIDADE. Nos termos do art. 4 oda Lei nº 9.779/99, ressalvada a responsabilidade das fontes pagadoras pelas retenções do imposto sobre os rendimentos submetidos à incidência tributária nas hipóteses previstas na legislação de regência, a responsabilidade tributária pelo cumprimento das demais obrigações tributárias (principais e acessórias), inclusive as decorrentes do disposto no art. 2º do referido diploma legal, é da instituição administradora do Fundo de Investimento Imobiliário.
Numero da decisão: 1301-000.994
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir das bases tributáveis do IRPJ e CSSL os valores lançados de PIS e Cofins oriundos do mesmo procedimento fiscal. Vencidos os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas que negavam a dedutibilidade do PIS e COFINS, e o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, que dava provimento integral ao recurso. Designado o conselheiro Valmir Sandri para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 Ementa: FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. TRIBUTAÇÃO. EXCEPCIONALIDADE. Constatado que o empreendimento imobiliário é integralmente explorado (100% do negócio) por quotista único (100% das quotas) do Fundo de Investimento Imobiliário, revelam-se presentes as circunstâncias autorizadoras da aplicação do disposto no art. 2º da Lei nº 9.779/99, ou seja, o referido Fundo sujeita-se à tributação aplicável às pessoas jurídicas. DESPESAS COM TRIBUTOS (PIS E COFINS) DEDUÇÃO Tendo, no mesmo procedimento, formalizado exigências de PIS e COFINS, tributos cuja dedutibilidade não é vedada pela lei tributária, a autoridade lançadora, por dever de ofício, deve deduzir o respectivo valor para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. CUMPRIMENTO RESPONSABILIDADE. Nos termos do art. 4 oda Lei nº 9.779/99, ressalvada a responsabilidade das fontes pagadoras pelas retenções do imposto sobre os rendimentos submetidos à incidência tributária nas hipóteses previstas na legislação de regência, a responsabilidade tributária pelo cumprimento das demais obrigações tributárias (principais e acessórias), inclusive as decorrentes do disposto no art. 2º do referido diploma legal, é da instituição administradora do Fundo de Investimento Imobiliário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.001752/2010-25
conteudo_id_s : 5204272
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-000.994
nome_arquivo_s : Decisao_16327001752201025.pdf
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 16327001752201025_5204272.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir das bases tributáveis do IRPJ e CSSL os valores lançados de PIS e Cofins oriundos do mesmo procedimento fiscal. Vencidos os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas que negavam a dedutibilidade do PIS e COFINS, e o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, que dava provimento integral ao recurso. Designado o conselheiro Valmir Sandri para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4555547
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394966200320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 526 1 525 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001752/201025 Recurso nº 929.445 Voluntário Acórdão nº 130100.994 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2012 Matéria IRPJ TRIBUTAÇÃO POR EQUIPARAÇÃO Recorrente FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO PENÍNSULA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Ementa: FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. TRIBUTAÇÃO. EXCEPCIONALIDADE. Constatado que o empreendimento imobiliário é integralmente explorado (100% do negócio) por quotista único (100% das quotas) do Fundo de Investimento Imobiliário, revelamse presentes as circunstâncias autorizadoras da aplicação do disposto no art. 2º da Lei nº 9.779/99, ou seja, o referido Fundo sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas. DESPESAS COM TRIBUTOS (PIS E COFINS) DEDUÇÃO Tendo, no mesmo procedimento, formalizado exigências de PIS e COFINS, tributos cuja dedutibilidade não é vedada pela lei tributária, a autoridade lançadora, por dever de ofício, deve deduzir o respectivo valor para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. CUMPRIMENTO RESPONSABILIDADE. Nos termos do art. 4oda Lei nº 9.779/99, ressalvada a responsabilidade das fontes pagadoras pelas retenções do imposto sobre os rendimentos submetidos à incidência tributária nas hipóteses previstas na legislação de regência, a responsabilidade tributária pelo cumprimento das demais obrigações tributárias (principais e acessórias), inclusive as decorrentes do disposto no art. 2º do referido diploma legal, é da instituição administradora do Fundo de Investimento Imobiliário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 527 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir das bases tributáveis do IRPJ e CSSL os valores lançados de PIS e Cofins oriundos do mesmo procedimento fiscal. Vencidos os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas que negavam a dedutibilidade do PIS e COFINS, e o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, que dava provimento integral ao recurso. Designado o conselheiro Valmir Sandri para redigir o voto vencedor. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator “documento assinado digitalmente” Valmir Sandri, Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 528 3 Relatório FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO PENÍNSULA, já devidamente qualificado nestes autos, inconformado com a decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Por bem sintetizar os fatos apurados pela Fiscalização e as defesas apresentadas pelos apontados no pólo passivo das obrigações tributárias constituídas, reproduzo, a seguir, excertos do relato feito em primeira instância. DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.161/170, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa ao anocalendário de 2005, o AuditorFiscal autuante verificou em síntese que: 1. O objetivo da contribuinte, fundo de investimento imobiliário administrado pelo BANCO OURINVEST S/A, é adquirir imóveis comerciais de propriedade da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), com a finalidade de locar tais imóveis à própria CBD ou a empresas do mesmo grupo econômico. 2. O Fisco verificou se a contribuinte estaria sujeita à tributação das pessoas jurídicas, nos termos do art.2º, da Lei nº 9.779/99, abaixo transcrito, em virtude de ter um único quotista com investimento numa empresa controlada pelo próprio quotista. Art. 2º Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o Fundo de Investimento Imobiliário de que trata a Lei nº 8.668, de 1993, que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do Fundo. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, considera se pessoa ligada ao quotista: I pessoa física: a) os seus parentes até o segundo grau; b) a empresa sob seu controle ou de qualquer de seus parentes até o segundo grau; II pessoa jurídica, a pessoa que seja sua controladora, controlada ou coligada, conforme definido nos §§ 1° e 2° do art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976. 3. A contribuinte adquiriu da CBD, em 2005, 60 imóveis para pagamento em 20 anos, sendo que a fonte principal de receita da contribuinte são os aluguéis recebidos da própria CBD. A empresa também aufere rendimentos de aplicações financeiras e suas despesas principais estão vinculadas ao pagamento dos imóveis adquiridos, incluídos os encargos de juros. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 529 4 4. Cabe destacar que os fundos imobiliários têm uma estrutura tributária incentivada, de tal forma a serem isentos de impostos e contribuições, como PIS, COFINS e imposto de renda. Ademais, desde a entrada em vigor da Lei nº 11.196/2005, além da isenção de impostos para as atividades do fundo, os quotistas pessoas físicas de fundos imobiliários com mais de 50 participantes, em que nenhum detenha mais de 10% das quotas, estão isentos do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os rendimentos distribuídos. 5. O art.2º, da Lei nº 9.779/99, não diferencia o tratamento para os empreendimentos em curso e imóveis prontos. Por sua vez, na regulamentação expedida pela CVM, por meio do art.2º, da Instrução nº 205/94, foi definido que o conceito de empreendimento imobiliário abrange a aquisição de imóveis prontos. 6. No caso em tela, a cumulação da posição jurídica é clara. A contribuinte foi inicialmente constituída tendo um único quotista, sendo que, em 2006, empresa controlada pelo mesmo quotista ingressou no fundo com a maior parte das cotas. A última posição dos controladores da contribuinte aponta a empresa em questão como única participante. Além disso, o citado quotista é um dos controladores do grupo CBD. 7. O instrumento utilizado para a transferência dos 60 imóveis da CBD para a contribuinte foi o “Compromisso Irrevogável e Irretratável de Compra e Venda de Bem Imóvel” em caráter fiduciário (fls.92/102), por intermédio do qual os imóveis continuam vinculados à CBD. 8. O sujeito passivo da relação individual e concreta é a contribuinte, uma vez que o fundo de investimento foi equiparado às pessoas jurídicas, por força do art.2º, da Lei nº 9.779/99. 9. Efetuouse a apuração dos valores devidos de IRPJ e CSLL com base no lucro real trimestral, tendo em vista ser a tributação mais benéfica para a contribuinte, conforme o art.112, do CTN, e o art.1º, da Lei nº 9.430/96. Tais valores foram calculados a partir de demonstrações financeiras mensais do anocalendário de 2005, apresentadas em meio digital pela contribuinte. Em decorrência das constatações feitas, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls.171/176) e CSLL (fls.177/181), dos quais a contribuinte tomou ciência em 28/12/2010 (fls.174 e 178), com os valores a seguir discriminados: ... DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Em 28/12/2010, a fiscalização lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária contra o BANCO OURINVEST S/A (fls.183/184). Sustenta a fiscalização que restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos do art.124, do CTN, e do art.4º, da Lei nº 9.779/99. DA IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE A contribuinte apresentou a impugnação de fls.253/274, protocolizada em 27/01/2011 e acompanhada dos documentos de fls.275/346, expondo, em síntese, que: 1. Apesar de lavrados contra o mesmo sujeito passivo e serem baseados nos mesmos fundamentos de fato e de direito, a fiscalização lavrou autos de infração em Fl. 529DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 530 5 dois processos distintos: o processo nº 16327.001752/201025, com relação a autos de infração de IRPJ e CSLL, e o presente processo, nº 16327.001753/201070, relativamente aos autos de PIS e de COFINS. 1.1. Os referidos processos devem ser reunidos num único processo administrativo (ou apensados) para que sejam conjuntamente analisados e julgados, conforme prevê o §1º, do art.9º, do Decreto nº 70.235/72. 2. A divergência entre o auto de infração e o entendimento da impugnante está na inaplicabilidade à contribuinte da norma equiparadora do art.2º, da Lei nº 9.779/99, uma vez que no presente caso não se vislumbram nem a figura do incorporador, nem a figura do construtor, nem tampouco a de sócio. 2.1. Uma sociedade só existe se a aplicação de recursos foi efetuada por mais de uma pessoa ligadas por contrato de sociedade, isto é, uma pluralidade de adquirentes ligados por contrato de sociedade. Só nesta hipótese pode ocorrer a cumulação a que se refere o art.2º, da Lei nº 9.779/99, ou seja, a concomitante posição de quotista relevante da contribuinte e de sócio do empreendimento em que se investe. 2.2. Para que a alegada cumulação pudesse ter ocorrido seria necessário que a contribuinte tivesse realizado a aquisição do imóvel conjuntamente com, no mínimo, outro investidor com o qual contribuísse com bens ou serviços e partilhasse os resultados do empreendimento, o que não ocorreu no caso concreto. 2.3. O BANCO OURINVEST S/A, na qualidade de administrador da contribuinte, é o adquirente único dos imóveis, não existindo, pois, nenhum sócio nesse empreendimento. 2.4. A contribuinte não investiu em qualquer empresa ou deteve qualquer participação societária. 3. O caráter fiduciário da propriedade do administrador da contribuinte (BANCO OURINVEST S/A) quanto aos imóveis é uma consequência do regime legal de qualquer fundo de investimento imobiliário, expressamente prevista nos artigos 6º, 7º e 8º, da Lei nº 8.668/93, e, ao contrário do afirmado no auto, nada tem a ver com o instituto da propriedade fiduciária de bem móvel, com escopo de garantia, de que tratam o art.1361 e seguintes do Código Civil. A propriedade fiduciária de bem imóvel, com escopo de garantia, ou seja, decorrente de alienação fiduciária, é regulada no art.22 e seguintes da Lei nº 9.514/97, não no Código Civil. 3.1. A alienação dos imóveis em causa foi realizada a título definitivo, e não resolúvel, como sucederia caso se tratasse de alienação fiduciária em garantia. Após a celebração dos contratos, os imóveis perderam qualquer vínculo com a CBD, ao contrário do que afirma o auto de infração. A relação fiduciária existe entre o administrador e a contribuinte e não entre a contribuinte e a CBD. 4. A fiscalização desconsiderou, na apuração do PIS e da COFINS, os créditos decorrentes das despesas mensais de depreciação dos imóveis, os quais utilizou para efeitos de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 5. O Fisco desconsiderou, na apuração do IRPJ e da CSLL, as despesas relativas às exigências de PIS e de COFINS. 6. A fiscalização não compensou, na apuração do IRPJ, o valor retido e recolhido pela contribuinte a título de IRRF no ano de 2005. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 531 6 6.1. Com efeito, a contribuinte distribuiu rendimentos no ano de 2005, razão pela qual realizou, em 29/12/2005, a retenção e o recolhimento de imposto de renda, à alíquota de 20% sobre o total de rendimento, no valor de R$5.094.036,83 (fls.346). 7. A impugnante foi notificada do auto de infração em 28/12/2010, logo houve a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 28/12/2005, nos termos do art.150, § 4º, do CTN. 7.1. Logo, os créditos tributários de PIS e COFINS relativos ao período de agosto a novembro de 2005, cujos fatos geradores teriam ocorrido em 31/08/2005, 30/09/2005, 31/10/2005 e 30/11/2005, foram atingidos pela decadência. 8. A impugnante protesta pela apresentação posterior de novos documentos, alegações e quaisquer outras provas necessárias. DA IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Em 27/01/2011, o responsável solidário BANCO OURINVEST S/A apresentou a impugnação de fls. 224/236, acompanhada dos documentos de fls.237/252, alegando em síntese que: 1. O art.124 do CTN não é aplicável ao presente caso, pois o BANCO OURINVEST S/A não é, juntamente com a empresa autuada, contribuinte das obrigações tributárias constantes do auto de infração. O único contribuinte das obrigações tributárias é a autuada, que foi quem obteve as receitas. 1.1. O BANCO OURINVEST S/A não é contribuinte dos tributos, é um simples terceiro na relação tributária, ao qual, tendo em vista a sua condição de administrador da contribuinte, a lei atribuiu responsabilidade solidária. É o responsável pelo cumprimento das obrigações da contribuinte, como resulta do art.4º, da Lei nº 9.779/99. 1.2. Tratase da responsabilidade de terceiro, prevista no art.134, do CTN, que difere da figura da solidariedade, já que naquela há sempre subsidiariedade da obrigação do responsável face à obrigação do devedor principal, subsidiariedade essa consistente no benefício de ordem. 1.3. A solidariedade prevista no art.124, do CTN, só pode existir entre contribuintes e não depende do benefício de ordem, pelo que jamais poderá existir nas relações entre contribuinte e terceiro responsável. 1.4. O BANCO OURINVEST S/A não é devedor solidário das obrigações tributárias da contribuinte, sendo, nos termos do art. 4º, da Lei nº 9.779/99, um terceiro responsável pelas obrigações tributárias da contribuinte, responsabilidade essa que é sempre subsidiária. 1.5. Não sendo o BANCO OURINVEST S/A devedor solidário, mas responsável, não cabe imputarlhe sujeição passiva. A já citada 10a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, analisando o feito fiscal e as peças de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 16 32.414, de 04 de julho de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: BASE TRIBUTÁVEL DO IRPJ. DEDUÇÃO DO PIS E DA COFINS. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 532 7 Segundo a legislação de regência, tributos cuja exigibilidade esteja suspensa não podem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ. IRRF. APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM FUNDOS DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. ANTECIPAÇÃO DO IRPJ DEVIDO. Não cabe a dedução do IRRF da base tributável do IRPJ por parte da fonte pagadora do rendimento tributável, que é quem efetivou a retenção do imposto de renda e não quem sofreu a retenção do imposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL A procedência do lançamento de IRPJ, relativo a receitas que deixaram de ser oferecidas à tributação, implica a manutenção da exigência fiscal de CSLL decorrente dos mesmos fatos. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Todavia, tratandose de processos relativos aos mesmos fatos, eles devem ser distribuídos preferencialmente para a mesma Turma de Julgamento, em atendimento ao princípio da eficiência no serviço público e evitandose a prolação de decisões conflitantes sobre os mesmos fatos. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. SÓCIO DE EMPREENDIMENTO IMOBILIÁRIO. NEGÓCIO JURÍDICO INTRAGRUPO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS. ART.2º, DA LEI 9.779/99. Verificandose que os quotistas de um fundo de investimento imobiliário são também sócios do empreendimento imobiliário, na figura dos empresários responsáveis pela gestão comum do grupo econômico, consequentemente o fundo sujeitase ao controle determinado pelo “caput” do art.2º, da Lei nº 9.779/99. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 376/402, por meio do qual sustenta: que o auto de infração não conseguiu, nem remotamente, demonstrar a existência de cumulação exigida pela lei, partindo, inclusive, de um erro de direito de Fl. 532DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 533 8 considerar que a operação realizada consistiu numa alienação fiduciária em garantia de imóveis, os quais, assim, continuariam a pertencer à CBD; que é inequívoco que o FUNDO jamais investiu em qualquer empresa ou deteve qualquer participação societária; que o investimento foi realizado diretamente em imóveis, de acordo com o objeto do FUNDO, tendo o auto de infração se pautado em premissa equivocada (investimento em empresa controlada); que o acórdão recorrido “tentou salvar o trabalho fiscal”, modificando o seu fundamento e trazendo, agora, um conceito inovador de “sócio do empreendimento imobiliário, na figura dos empresários responsáveis por gerir o grupo econômico”, conceito esse que não encontra amparo nem no art. 2º da Lei nº 9.779/99, nem em qualquer outra norma de direito privado; que em momento algum defendeu a inaplicabilidade do instituto da alienação fiduciária ao presente caso, tendo, apenas, demonstrado que a operação em causa não pode ser caracterizada como alienação fiduciária em garantia na medida em que é uma mera compra e venda simples; que tanto é absurda a qualificação da operação como alienação fiduciária que a própria Fiscalização, ao lavrar o auto de infração relativo aos exercícios seguintes, reconheceu o erro cometido e abandonou o argumento de pretensa caracterização da alienação fiduciária; que não é permitido aos órgãos de julgamento manter uma autuação fiscal com base num fundamento distinto do utilizado na autuação; que a Lei nº 8.668/93 criou um regime especial em que se atribui ao administrador a PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA dos bens imóveis, à semelhança do que sucede nos trusts do direito anglosaxônico (o administrador é titular dos direitos em NOME PRÓPRIO, mas exerce os direitos POR CONTA E NO INTERESSE dos quotistas dos fundos de investimentos imobiliários); que o caráter fiduciário da propriedade do administrador do FUNDO (OURINVEST) quanto aos imóveis é uma conseqüência do regime legal de todo e qualquer fundo de investimento imobiliário, expressamente previsto nos artigos 6º, 7º e 8º da Lei 8.668/93, e, ao contrário do afirmado no acórdão recorrido, nada tem a ver com o instituto da propriedade fiduciária de que trata o art. 1361 e seguintes do Código Civil ou o art. 22 e seguintes da Lei 9.514/97; que não há nos COMPROMISSOS IRREVOGÁVEIS DE COMPRA E VENDA DE BENS IMÓVEIS, celebrados entre o OURINVEST, na qualidade de administrador do FUNDO, e a CBD, qualquer previsão de alienação fiduciária em garantia; que a alienação dos imóveis em causa foi realizada a título definitivo, e não resolúvel, como sucederia caso se tratasse de alienação fiduciária em garantia; que, após a celebração desses contratos, os imóveis perderam qualquer vínculo com a CBD, ao contrário do que se afirmou; Fl. 533DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 534 9 que o acórdão recorrido, para concluir que a CBD era “sócia do empreendimento imobiliário”, fixa a premissa de que a referida empresa pertence ao mesmo grupo econômico da quotista do FUNDO (empresa RECO), porém, tratase de manifesto erro de fato, eis que a CBD não é empresa do mesmo grupo econômico da RECO, já que não estão submetidas ao mesmo controle, nem tampouco à mesma estrutura administrativa; que ainda que se admitisse que a CBD pertence ao mesmo grupo econômico da RECO, o art. 2º da Lei nº 9.779/99 não estabelece que o fato de uma sociedade pertencer ao mesmo grupo (econômico) da sociedade quotista do FUNDO torna aquela sociedade, de pronto, “sócia do empreendimento imobiliário”; que, para que exista a cumulação prevista no art. 2º da Lei nº 9.779/99, é necessário que o FUNDO aplique recursos num empreendimento imobiliário do qual também participe, como sócio, construtor ou empreendedor, o cotista relevante do FUNDO; que só as aquisições de imóveis prontos “para posterior alienação, locação ou arrendamento” podem ser caracterizadas como empreendimento imobiliário, pois só elas (ao contrário das aquisições de imóveis prontos para uso próprio) configuram uma atividade duradoura, um verdadeiro “empreendimento”; que, para que existisse a cumulação de posições no empreendimento imobiliário, seria necessário que o FUNDO tivesse realizado a aquisição dos sessenta imóveis conjuntamente com, no mínimo, outro investidor, com o qual contribuísse com bens e serviços e partilhasse os resultados do empreendimento; que o FUNDO (por meio do seu administrador, OURINVEST) é o adquirente único dos imóveis, sendo o único a receber os frutos do empreendimento (aluguéis dos imóveis), não existindo, pois, nenhum “sócio” nesse empreendimento; que, admitindose a tese de sujeição do FUNDO à tributação das pessoas jurídicas, o acórdão recorrido deveria ser parcialmente reformado por não ter determinado a dedução, da base de tributação do IRPJ e da CSLL, dos valores de PIS e de COFINS; que dúvidas não restam de que no momento da lavratura do auto de infração os créditos tributários de PIS e de COFINS não estavam com sua exigibilidade suspensa, pelo que inexistia qualquer impedimento à realização de sua dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Ao final, o autuado requer que o presente recurso seja julgado em conjunto com o recurso voluntário apresentado no processo nº 16327.001753/201073, relativo aos autos de PIS e de COFINS. Às fls. 477/493, BANCO OURINVEST S/A, apontado como sujeito passivo solidário pela autoridade autuante, traz os seguintes argumentos de defesa: nos termos do art. 4º da Lei nº 9.779/99, o administrador do Fundo é responsável pelo cumprimento das obrigações do Fundo, e não devedor solidário das suas eventuais obrigações, donde resulta que tal dispositivo não autoriza a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN); Fl. 534DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 535 10 no caso, tratase da figura da responsabilidade de terceiro, a qual é sempre subsidiária; o instituto da solidariedade previsto no art. 124 do CTN se aplica apenas entre sujeitos que podem qualificarse como contribuintes, o que efetivamente não ocorre entre o Fundo e ele; no caso, o único contribuinte das supostas obrigações tributárias é o Fundo, que foi quem obteve a renda que, no caso de ser passível a sua sujeição à tributação das pessoas jurídicas pretendida no auto de infração, seria tributável pelo IRPJ e pela CSLL; relativamente ao argumento da decisão recorrida de que o art. 135, inciso III, do CTN, também seria aplicável, tal entendimento não pode prevalecer, seja porque é vedado à autoridade julgadora pautar sua decisão em fundamento distinto do utilizado na autuação, seja porque não houve qualquer atuação irregular por parte dele (administrador do Fundo); não há qualquer irregularidade ou vedação legal para a constituição de fundos de investimento imobiliário com um único quotista, haja vista que a unipessoalidade de fundos de investimento é prevista no art. 111A da Instrução CVM nº 409, de 18 de agosto de 2004; também não há vedação legal para que um Fundo invista recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, um quotista relevante do Fundo (com mais de 25% das quotas). É o Relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 536 11 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos apelos. Afasto, de pronto, a possibilidade de julgamento conjunto do presente processo com o de número 16327.001753/201073, vez que, apesar do fato propulsor das incidências tributárias ser o mesmo em ambos os feitos (tributação aplicável às pessoas jurídicas por força do disposto no art. 2º da Lei nº 9.779/99), as exigências de PIS e COFINS em si, objeto do referido processo administrativo, revelamse de natureza autônoma, competindo à Terceira Seção deste Colegiado o processamento e julgamento do recurso voluntário interposto. Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 144/153), extraio os seguintes excertos: 2 Dos Fatos e da Legislação Aplicável . A primeira emissão de cotas do fundo ocorreu em 22 de junho de 2005 por meio da transferência do imóvel, de propriedade do Sr. Abílio dos Santos Diniz, CPF 001.454.91820, para o fundo. O valor da operação foi de R$ 612.000,00, que representaram 612 quotas. Em 13/09/2006, ocorreu a segunda emissão de quotas. A subscrição foi feita pela empresa Reco Máster Participações, CNPJ 07.283.074/000121, controlada pelo Sr. Abílio dos Santos Diniz. A integralização foi feita à vista, em moeda corrente nacional, no valor de R$ 6.861.900,00, que representaram 68.619 quotas. Não ocorreram novas emissões de cotas, sendo que a empresa Reco Máster possui hoje 100% das cotas do Fundo Imobiliário Península (69.231 quotas). O Fundo adquiriu em 2005 da CBD 60 imóveis para pagamento em 20 anos. A fonte principal de receita do fundo são os aluguéis recebidos da própria CBD. Aufere também rendimentos de aplicações financeiras. Suas despesas principais estão vinculadas ao pagamento dos imóveis adquiridos, incluídos os encargos de juros. No primeiro regulamento do fundo, datado de 23/06/2005, consta que o objetivo era o de adquirir e/ou promover a construção de imóveis industriais ou comerciais com a finalidade de venda, locação ou arrendamento. Em 09 de setembro de 2005, foi feita a alteração do objetivo que passou a ser a compra dos imóveis da CBD e locação dos mesmos à própria CBD. Consta na contabilidade do contribuinte, entregue em meio magnético em resposta à intimação fiscal recebida em 22/10/2010, para o anocalendário de 2005, receita de taxa de adesão no valor de R$ 25.517.073,84. Foi intimado em 10/11/2010 a apresentar a documentação de suporte referente a esta receita. Ofereceu resposta em 12/11/2010 juntando cartaproposta, de 16/09/2005, cujo objeto é o compromisso irrevogável e irretratável do Fundo de Investimento Imobiliário Península de celebrar "Contratos de Locação" com a CBD, com previsão de pagamento de uma "taxa de adesão" pela CBD ao Fundo. Juntou também o "Compromisso de Adesão a Contratos de Locação", datado de 03/10/2010, celebrado entre o Banco Ouroinvest, administradora do fundo, com a CBD, em que a referida operação foi concretizada. Não obstante a peculiaridade do compromisso de adesão, uma vez que o regulamento, anterior ao compromisso, já esclarecia que o objetivo do fundo era comprar imóveis da CBD e locálos à própria CBD, em Fl. 536DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 537 12 novembro de 2005, ou seja, um mês depois, o fundo distribuiu ao Sr. Abílio dos Santos Diniz a quantia de R$ 25.517.073,84. No que tange à questão fulcral, ou seja, se a situação fática do fundo se subsume ao comando legal contido no artigo 2º da Lei n° 9.779/99, que o obrigaria a pagar tributos como pessoa jurídica, o contribuinte foi intimado em 18/11/2010 a apresentar parecer ou documento de suporte jurídico que embasou a constituição do fundo, notadamente no tocante à tributação prevista no citado diploma legal. Ofereceu resposta em 23/11/2010, juntando o Parecer Jurídico que embasou a constituição do fundo emitido pelo escritório Xavier, Bernardes, Bragança, Sociedade de Advogados, datado de 14/06/2005. O Parecer é da lavra do jurista Alberto Xavier. O ilustre hermeneuta trata a questão de forma direta no item B do citado parecer: ... O renomado exegeta entende que a equiparação dos fundos imobiliários a pessoas jurídicas, em que um cotista detenha mais de 25% do controle do fundo, não alcança a situação de aquisições de imóveis prontos ou já construídos. Entende que a aplicação do artigo 2º da Lei n° 9779/99 ocorre só nas situações de empreendimentos imobiliários em curso de execução, tais como a construção, incorporação ou investimentos em projetos habitacionais. Conclui em seu Parecer: "o empreendimento imobiliário objeto do FII aquisição de imóvel pronto para locação não contempla as figuras de incorporador, construtor ou sócio (exclusivas de empreendimentos imobiliários em curso de execução), pelo que ao mesmo não é aplicável a regra de equiparação a pessoa jurídica para fins tributários constante do art. 2º da Lei n° 9.779/99; Não há como concordar com tal posicionamento. Os Fundos Imobiliários brasileiros, bem como na maioria dos países em que este instrumento é utilizado, tem uma estrutura tributária incentivada, dada a importância do setor imobiliário para a economia destes países. O ambiente do Fundo Imobiliário é isento de impostos, tais como PIS, COFINS e Imposto de Renda, este último só incidindo sobre as receitas financeiras obtidas com as aplicações em renda fixa do saldo de caixa do fundo (compensáveis quando da distribuição de resultados aos cotistas). Os Fundos Imobiliários são instrumentos do mercado de capitais para captação da poupança popular. Todo o conteúdo normativo, desde a entrada em vigor da Lei n° 8668/93, caminha no sentido de incentivar a presença do maior número de investidores, principalmente pessoas físicas. Desta forma, desde 2005, com a entrada em vigor da Lei n° 11.196, além da isenção de impostos para as atividades do fundo, os cotistas pessoas físicas de fundos imobiliários com mais de 50 participantes, em que nenhum detenha mais de 10% das quotas, estão isentos do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os rendimentos distribuídos. A interpretação construída por Alberto Xavier cria uma exceção que o artigo 2º da Lei n° 9779/93 não contempla. Não há no comando normativo citado qualquer diferenciação de tratamento para os empreendimentos em curso e imóveis prontos. Não há nem menção a estas situações. Na regulamentação expedida pela CVM por meio da Instrução 205/94, mais especificamente no artigo 2º, está definido o conceito de empreendimento imobiliário: Fl. 537DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 538 13 Art. 2º O Fundo de Investimento Imobiliário destinarseá ao desenvolvimento de empreendimentos imobiliários, tais como construção de imóveis, aquisição de imóveis prontos, ou investimentos em projetos visando viabilizar o acesso à habitação e serviços urbanos, inclusive em áreas rurais, para posterior alienação, locação ou arrendamento. Assim, a aquisição de imóveis prontos também se constitui num empreendimento imobiliário. O próprio jurista afirma: O espírito da lei consiste em impedir a cumulação da posição jurídica de quotista relevante de um Fundo de Investimento Imobiliário (definido como aquele que possui, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de 25% das quotas do Fundo) com a posição jurídica de incorporador, construtor ou sócio de empreendimento imobiliário. No caso em tela, a cumulação da posição jurídica é mais do que clara. O Fundo foi inicialmente constituído tendo como único cotista, o Sr. Abílio Diniz. Em 2006, empresa por ele controlada, Reco Máster Participações, ingressa no fundo com a maior parte das cotas. A última posição dos controladores do Fundo aponta a Reco Máster como única participante, em conformidade com os documentos juntados pelo contribuinte. Na CBD, o Sr. Abílio Diniz é um dos controladores do grupo. O instrumento jurídico utilizado para o aperfeiçoamento da transferência dos 60 imóveis da CBD para o fundo foi o do "Compromisso Irrevogável e Irretratável de Compra e Venda de Bem Imóvel" em caráter fiduciário. A propriedade fiduciária é tratada pelo atual Código Civil, nos artigos 1.361 e seguintes. Desdobrase a posse em direta (devedorfiduciante) e indireta (credorfiduciário). O primeiro pode, portanto, usar e fruir do bem. O segundo mantém o direito de haver a posse plena, no caso de inadimplemento. Com o pagamento, extinguese a propriedade resolúvel. Portanto, os imóveis continuam vinculados à CBD. O comando legal previsto no artigo 111 do Código Tributário Nacional ordena que a interpretação sobre a legislação tributária que disponha sobre isenção seja feita de forma literal. Embora faça críticas a esta forma de interpretação, Paulo de Barros Carvalho, em sua obra Curso de Direito Tributário, 14ª edição, página 104, ensina que na análise literal prepondera a investigação sintática, ficando impedido o intérprete de aprofundarse nos planos semânticos e pragmáticos. Em suma, na situação do Fundo Península, não há como concordar com a construção elaborada no Parecer Jurídico que buscou excluir a situação de imóveis prontos do universo descrito como empreendimento imobiliário. Existe a cumulação de posições jurídicas, estando o fundo península sujeito à tributação das pessoas jurídicas. Ao equiparar os fundos de investimentos imobiliários às pessoas jurídicas nas situações previstas no artigo 2º, a Lei n° 9779/99 não excluiu a situação do Fundo Imobiliário Península, não cabendo ao intérprete criar tal exclusão. Com base nos elementos apurados e informações prestadas pelo fiscalizado, a autoridade fiscal lavrou, em 28 de dezembro de 2010, autos de infração para formalização de exigências relativas a Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 154/164), com base, como dito, nas disposições do art. 2º da Lei nº 9.779/99. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 539 14 Tomando por base as disposições do art. 124 do Código Tributário Nacional e do art. 4º da Lei nº 9.779/99, a autoridade fiscal formalizou também TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA em nome de BANCO OURINVEST S/A. Os fundamentos utilizados pela Turma Julgadora de primeira instância para manter os lançamentos tributários podem assim ser resumidos: 1. não é digno de reparos o comentário feito pela Fiscalização (fls. 166) no sentido de que “A propriedade fiduciária é tratada pelo atual Código Civil, nos artigos 1.361 e seguintes”; 2. considerados os artigos do seu Regulamento, resta claro o vínculo existente entre o Fundo e a empresa CBD, uma vez que o objeto do Fundo é adquirir somente imóveis da CBD e locar tais imóveis, exclusivamente, à CBD ou a empresa integrante do seu grupo econômico; 3. os quotistas do Fundo são empresas e acionistas do mesmo Grupo Econômico ao qual pertence a empresa CBD; 4. o parágrafo 3º do art. 13 do Regulamento do Fundo revela que a propriedade dos imóveis jamais saiu do Grupo Econômico, pois, no caso de rescisão dos contratos de locação, os imóveis adquiridos pelo Fundo reverteriam para o próprio Grupo; 5. a atuação da administração do Fundo foi claramente restrita e condicionada à vontade dos gestores do Grupo Econômico; 6. não cabe deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL as contribuições para o PIS e COFINS cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; 7. o Fundo de Investimento foi a fonte pagadora de rendimentos tributáveis a um beneficiário pessoa física, assim, quem teve o imposto de renda retido na fonte foi o beneficiário pessoa física e não o Fundo de Investimento Imobiliário (o Fundo foi quem efetivou a retenção do imposto e não quem sofreu a retenção), motivo pelo qual não cabe a dedução do imposto retido da base de cálculo do IRPJ; 8. de acordo com o inciso III e o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o momento para apresentação de alegações e de documentos comprobatórios é o da apresentação da impugnação; 9. o lançamento de CSLL decorrente da autuação do IRPJ deve seguir o decidido no lançamento principal (IRPJ), considerando as peculiaridades do tributo, corretamente expressas em sua respectiva base de cálculo; 10. a instituição administradora do Fundo Imobiliário é o BANCO OURINVEST S/A, razão pela qual, conforme o disposto no art. 4º, da Lei nº 9.779/99, com exceção da responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto sobre os rendimentos de que trata o art. 16A da Lei nº 8.668/93, a instituição financeira fica responsável pelo cumprimento das demais obrigações tributárias, inclusive acessórias, do Fundo; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 540 15 11. o BANCO OURINVEST S/A é a pessoa expressamente prevista em Lei como responsável pelo cumprimento das obrigações tributárias do Fundo, motivo pelo qual é aplicável ao caso o inciso II, do art.124, do CTN; 12. a atuação irregular do administrador do Fundo daria causa para aplicação do art.135, III, do CTN, que prevê serem pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Analiso, em primeiro lugar, os argumentos trazidos pelo FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO PENÍNSULA. Alega o Recorrente que o auto de infração não conseguiu demonstrar a existência de cumulação exigida pela lei, partindo, inclusive, de um erro de direito de considerar que a operação realizada consistiu numa alienação fiduciária em garantia de imóveis, os quais, assim, continuariam a pertencer à CBD. Creio que, de fato, a interpretação feita pela Fiscalização e acompanhada pela decisão recorrida acerca da denominada “propriedade fiduciária” seja digna de reparo. Penso que o instituto em questão, no âmbito em que foi empregado, diz respeito à propriedade constituída visando o fim específico da administração dos bens e direitos integrantes do patrimônio do Fundo de Investimento Imobiliário por parte do Banco Ourinvest (administrador do Fundo), sendo, portanto, objeto de restrições e limitações, nos exatos termos do Regulamento do referido Fundo. Equivocada, a meu ver, a comparação, no caso, com a “propriedade fiduciária” a que faz menção o art. 1.361 e seguintes do Código Civil brasileiro. Não obstante, relativamente à cumulação sócio do empreendimentoquotista a que faz referência o art. 2º da Lei nº 9.779/99, tenho que os fatos retratados nos autos revelam conclusão oposta a defendida pelo Recorrente. A constituição e o regime tributário dos Fundos de Investimento Imobiliário são regidos pela Lei nº 8.668, de 1993. Do referido diploma legal, importa destacar os seguintes elementos: i) ausência de personalidade jurídica dos Fundos de Investimento Imobiliário ; ii) suas quotas constituem valores mobiliários sujeitos ao regime da Lei nº 6.385, de 1976; iii) são geridos por instituição administradora autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM); e iv) têm seu patrimônio constituído por bens e direitos adquiridos, em caráter fiduciário, pela referida instituição administradora. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.779, de 1999, o Fundo de Investimento Imobiliário que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do Fundo, sujeitarseá à tributação aplicável às pessoas jurídicas. O art. 4º da referida Lei nº 9.779 estabeleceu que a instituição administradora do Fundo de Investimento Imobiliário é responsável pelas obrigações tributárias do Fundo, ressalvada a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto sobre os rendimentos de que trata o art. 16 da Lei nº 8.668, de 1993. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 541 16 No caso vertente, em conformidade com o documento de fls. 27/29 (ATA DE REUNIÃO DA DIRETORIA), em 23 de junho de 2005, o BANCO OURINVEST S/A deliberou sobre proposta de constituição de Fundo Imobiliário mediante a emissão de quotas por subscrição pública. Na ocasião, foi aprovada a constituição do FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO PENÍNSULA. Do documento em questão (o de fls. 27/29), extraio ainda as seguintes informações: a) o BANCO OURINVEST é a instituição administradora do Fundo; b) o objetivo do Fundo é “adquirir e/ou promover a construção de imóveis industriais e comerciais com a finalidade de venda, locação ou arrendamento das futuras unidades, podendo, ainda, ceder a terceiros os direitos decorrentes da venda, locação ou arrendamento; c) na primeira emissão de quotas, o Fundo deveria adquirir prédio comercial pertencente ao Sr. ABÍLIO DOS SANTOS DINIZ, para fins de locação de todas as unidades do empreendimento que passassem a ser detidas pelo Fundo, podendo, inclusive, vendêlas; e d) o Sr. ABÍLIO DOS SANTOS DINIZ comprometeuse a subscrever todas as quotas da primeira emissão mediante integralização com o imóvel objeto do Fundo. Destaco que os lançamentos tributários submetidos a exame dizem respeito ao anocalendário de 2005. Não obstante o deliberado na reunião da diretoria do Banco Ourinvest S/A, colho dos autos, relativamente ao ano de 2005, os seguintes fatos: i) tomando por base informações trazidas pelo Parecer de fls. 122/130, apresentado pelo Recorrente no curso da ação fiscal, no âmbito de uma reestruturação do seu controle societário, a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) decidiu transferir sessenta imóveis para o Sr. Abílio dos Santos Diniz, que, de forma concomitante, foram locados para a própria CBD; ii) o citado Parecer afirma que a informação referenciada em “i” foi descrita como FATO RELEVANTE em 04 de maio de 2005; iii) de acordo ainda com o Parecer, a “componente imobiliária da operação como um todo” envolveu as seguintes etapas: constituição de um Fundo de Investimento Imobiliário, ao abrigo da Lei nº 8.668/93; celebração, por este Fundo, de promessa de compra e venda a prazo dos sessenta imóveis da CBD; e concomitante celebração de contratos de locação dos referidos imóveis, tendo como locador o Fundo e como locatária a CBD; iv) a primeira emissão de cotas do Fundo ocorreu em 22 de junho de 2005, por meio de transferência de imóvel de propriedade do Sr. Abílio dos Santos Diniz, no montante de R$ 612.000,00, correspondente a seiscentas e doze cotas; Fl. 541DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 542 17 v) no primeiro Regulamento do Fundo, datado de 23 de junho de 2005, o seu objeto era adquirir e ou promover a construção de imóveis industriais e comerciais com a finalidade de venda, locação ou arrendamento; vi) o Fundo de Investimento Península (Fundo) foi aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários em 13 de julho de 2005; vii) em 09 de setembro de 2005, o Regulamento do Fundo foi alterado, passando o seu objeto a ser a compra dos imóveis da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e locação desses mesmos imóveis para a própria CBD; viii) em 03 de outubro de 2005, foi firmado COMPROMISSO DE ADESÃO A CONTRATOS DE LOCAÇÃO (fls. 114/118), em que Banco Ourinvest (Fundo Península) apresentase como promitente locador e Companhia Brasileira de Distribuição como promitente locatária; ix) no documento referenciado no item precedente consta: [...] 1. Pelo presente Contrato, o Promitente Locador comprometese de forma irrevogável e irretratável a celebrar os Contratos de Locação de forma a locar os Imóveis para a Promitente Locatária, por um prazo de 20 (vinte) anos automaticamente renováveis por 2 (dois) períodos sucessivos de 10 (dez) anos, ao exclusivo critério da Promitente Locatária. O Promitente Locador outorga à Promitente Locatária o direito exclusivo de locação dos Imóveis, após a imissão dele, Promitente Locador, na posse destes Imóveis ("Adesão"). x) o Sr. Abílio dos Santos Diniz é indicado no compromisso de adesão em referência como destinatário de todos os avisos, notificações e demais comunicações, transmitidos ou efetuados na forma do contrato para a promitente locatária (Companhia Brasileira de Distribuição). Em que pese o fato de a descrição feita no Termo de Verificação Fiscal estenderse além do ano objeto de lançamento (2005), fazendo referência, assim, a episódios que não interessam diretamente à solução da lide posta no presente processo, os elementos reunidos aos autos conduzem à convicção de que, ao menos no que diz respeito ao ano de 2005, o quotista único do Fundo (Sr. Abílio dos Santos Diniz) era, ao mesmo tempo, sócio do empreendimento imobiliário objetivado pelo referido Fundo, qual seja, a aquisição de imóveis para locação. O Parecer de fls. 122/130, que foi apresentado à Fiscalização como suporte jurídico para a constituição do Fundo de Investimento Imobiliário, descreve, com clareza, o pretendido pelo ali denominado Grupo DINIZ ao criar o Fundo de Investimento Imobiliário. Ali, restou assinalado: I DESCRIÇÃO DA OPERAÇÃO [...] Tratase de operação inserida no contexto mais amplo de reestruturação do controle societário da Companhia Brasileira de Distribuição ("CBD") que, tal como Fl. 542DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 543 18 descrito em Fato Relevante publicado em 4 de maio de 2005, envolverá a constituição de uma sociedade de propósito específico ("Empresa Holding"), mediante aporte de ações dos sócios Abílio dos Santos Diniz ("Abílio Diniz") e Casino Guichard Perrachon S.A. ("Casino") que passarão a deter, na proporção de 50% (cinqüenta por cento) cada um, o capital votante da Empresa Holding. No que concerne especificamente à aquisição dos imóveis, o Fato Relevante esclarece que "como parte da transação com o Casino, e com o objetivo de reduzir seu endividamento de curto e longo prazo, prevêse que a CBD irá transferir para Abílio Diniz 60 (sessenta) imóveis. Esclarece ainda o Fato Relevante que "como condição especial para a operação, tais imóveis serão concomitantemente locados pela CBD por um prazo de 40 anos, nos termos de contratos de locação que seguem as práticas de mercado (2% da receita bruta de vendas de cada loja) e estabelecem outros mecanismos de proteção para a CBD". A transferência dos 60 (sessenta) imóveis será realizada pelo valor contábil, que se prevê superar o valor de mercado e econômico dos mesmos. A operação sobre que versa o parecer respeita precisamente à componente imobiliária da operação como um todo e envolve as seguintes etapas: (i) constituição de um Fundo de Investimento Imobiliário ("FII ") , ao abrigo da Lei nº 8.668, de 25 de junho de 1993; (ii) celebração, pelo FII, de promessa de compra e venda a prazo dos 60 (sessenta) imóveis da CBD, pelo preço já atrás referido; (iii) concomitante celebração de contratos de locação dos referidos imóveis, tendo como locador o FII e como locatária CBD; Uma vez implementada a operação, o FII passará a ser titular das receitas de locação dos imóveis e terá como obrigação principal o pagamento das prestações do preço de aquisição dos 60 (sessenta) imóveis. [...] No caso concreto, o empreendimento em causa incluise na categoria da aquisição de imóveis prontos para posterior locação (os 60 imóveis de propriedade de CBD adquiridos pelo FII e destinados à locação por CBD). O espírito da lei consiste em impedir a cumulação da posição jurídica de quotista relevante de um Fundo de Investimento Imobiliário (definido como aquele que possui, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de 25% das quotas do Fundo) com a pessoa jurídica de incorporador, construtor ou sócio de empreendimento imobiliário. [...] Sucede, porém, que no caso concreto, muito embora Abílio Diniz seja indiscutivelmente quotista relevante do Fundo de Investimento Imobiliário, não se verifica no empreendimento em causa a aquisição de imóveis prontos para locação a figura do incorporador, construtor ou sócio, pelo que inexiste a cumulação de posições jurídicas a que atrás se aludiu. (GRIFEI) Fl. 543DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 544 19 Na mesma linha, a peça recursal consigna: [...] 2. Até maio de 2005, a CBD era controlada pelo Grupo DINIZ, assim entendido o grupo de empresas controladas diretamente pelo Sr. ABÍLIO DINIZ e Família. 3. No referido mês, a CBD passou por reestruturação societária que culminou na divisão do seu controle entre o Grupo DINIZ e o Grupo francês CASINO, por meio da constituição de uma holding (atualmente denominada Wilkes Participações Ltda.), detida em 50% pelo DINIZ e em 50% pelo CASINO. 4. No contexto dessa reestruturação, e como parte fundamental do acordo pactuado com o Casino, foi acordada a desmobilização da CBD, com vistas à redução do seu endividamento de curto e longo prazo, desmobilização essa realizada por meio da transferência de 60 imóveis de propriedade da CBD para o Grupo DINIZ, estabelecendose, como condição da operação, que tais imóveis seriam concomitantemente locados pela CBD. 5. Considerando que se tratava de uma atividade imobiliária (aquisição de imóveis para locação), o Grupo DINIZ entendeu que a melhor forma de explorar essa atividade consistiria na criação de um fundo de investimento imobiliário que tivesse por objetivo empreender referida atividade. 6. Assim, em 23 de junho de 2005, foi constituído o Fundo de Investimento Imobiliário Península (“FUNDO”), constituído sob a forma de condomínio fechado, com prazo de duração indeterminado, tendo sido as 612 quotas iniciais adquiridas pelo Sr. ABÍLIO DINIZ. 7. [...] 8. Devese desde já ressaltar que não há qualquer vedação legal para constituição de fundos de investimento imobiliário com um único cotista. A unipessoalidade de fundos de investimento é prevista no artigo 111A da Instrução CVM nº 409, de 18 de agosto de 2004 que, inclusive, aplicase aos fundos de investimento imobiliário, por força do art. 119A. [...] A rigor, o Parecer apresentado pela Recorrente no curso da Fiscalização, não obstante ter tratado de outros temas (regime tributário dos Fundos de Investimento Imobiliário; distribuição de lucros; momento de recolhimento do imposto de renda), manifestou, em brevíssima análise, o entendimento de que, tratandose de empreendimento imobiliário representado por aquisição de imóveis prontos para locação, inexiste a figura do incorporador, construtor ou sócio, motivo pelo qual são inaplicáveis as normas do art. 2º da Lei nº 9.779/99. Penso que a afirmação de que “não se verifica, no empreendimento em causa – a aquisição de imóveis prontos para locação a figura do incorporador, construtor ou sócio” é digna de reparo. Podese, à evidência, afastar a “figura” do incorporador e do construtor, mas, não, a do sócio. Como explicado em contexto preambular pelo próprio Parecer, no âmbito de uma reestruturação do seu controle societário, a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) decidiu transferir sessenta imóveis para o Sr. Abílio Diniz, que, de forma concomitante, foram locados para a própria CBD. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 545 20 O empreendimento imobiliário, portanto, está representado por imóveis pertencentes ao Sr. Abílio Diniz, que são “adquiridos” pelo Fundo de Investimento Imobiliário, que tem como único quotista, ao menos no anocalendário de que trata o presente processo (2005), o próprio Sr. Abílio Diniz. Notese que é o próprio Recorrente quem afirma que a aquisição de imóveis para locação representou a atividade imobiliária e que a melhor forma para empreender essa atividade seria por meio da constituição do Fundo de Investimento Imobiliário, isto é, o Grupo DINIZ (leiase: Sr. Abílio Diniz), objetivando empreender a atividade de aquisição de imóveis para locação, entendeu que a melhor forma para tanto seria por meio da criação de um Fundo de Investimento Imobiliário, sendo que, na constituição do referido Fundo (exclusivo) o Grupo Diniz (Sr. Abílio Diniz) seria o único quotista. Se os imóveis foram transferidos para o Sr. Abílio Diniz, como afirmado pelo Parecer e pelo recurso, e ele pretendeu, na forma acordada na reestruturação do controle societário da CBD, alugálos para a própria CBD, resta claro, pois, que o referido senhor atuou tanto como empreendedor do negócio declarado (“aquisição de imóveis prontos para locação), como beneficiário desse mesmo empreendimento imobiliário, eis que quotista único do Fundo de Investimento Imobiliário constituído. No caso do FUNDO EXCLUSIVO1 em questão, assim denominado pelo normativo indicado pelo Recorrente na sua peça de defesa (Instrução CVM nº 409, art. 111A), e tomandose por base, exclusivamente, o anocalendário de 2005, a caracterização do Sr. Abílio Diniz como sócio do empreendimento imobiliário é cristalina, vez que os imóveis para locação que constituíram o objeto do empreendimento imobiliário pertenciam a ele e com ele permaneceram no Fundo de Investimento Imobiliário constituído, vez que, neste (no Fundo de Investimento Imobiliário), ele era o único cotista. O REGULAMENTO do Fundo datado de 09 de setembro de 2005 (fls. 52/74) reafirma tal conclusão, pois: a) a quota do Sr. Abílio Diniz correspondia exatamente à totalidade do patrimônio do Fundo; e b) a Assembléia Geral dos quotistas (no caso, o Sr. Abílio Diniz) detinha competência privativa para deliberar sobre a alienação de qualquer imóvel integrante do patrimônio do Fundo e sobre a dissolução e liquidação do Fundo. Como ressaltado pela decisão recorrida, nos termos do parágrafo 3º do art. 13 do Regulamento em referência, “na hipótese de rescisão de qualquer contrato de locação celebrado com a CBD ou com empresa integrante do seu grupo econômico, o FUNDO deverá amortizar parcialmente suas quotas, com versão aos quotistas do patrimônio representado pelo imóvel objeto do respectivo contrato de locação rescindido”. Tal disposição evidencia a estreita relação entre o específico empreendimento imobiliário (aquisição de imóveis da CBD para locação pela própria CBD) e o seu quotista único (Sr. Abílio dos Santos Diniz). Não obstante a sua irrelevância para as conclusões aqui expendidas, cabe notar que o art. 111A, que trata dos denominados FUNDOS EXCLUSIVOS, foi introduzido na Instrução CVM nº 409, de 18 de agosto de 2004, pela Instrução CVM nº 450, de 30 de março de 2007, ou seja, posteriormente à ocorrência dos fatos apreciados no presente processo. A tentativa do Recorrente de vincular o conceito de “sócio do empreendimento imobiliário”, a que faz referência a lei, a existência de participação societária, 1 Fundo de Investimento Imobiliário com um único cotista. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 546 21 revelase, no caso dos autos, absolutamente inadequada, vez que, na circunstância sob exame, o que salta aos olhos é, como já dito, o fato de Sr. Abílio Santos Diniz figurar, sozinho (como descrito no Parecer de fls. 122/130) ou por meio de Grupo sob o seu controle (na forma disposta na peça recursal), figurar ao mesmo tempo como empreendedor da atividade imobiliária e como quotista único do Fundo de Investimento Imobiliário. Estamos diante, assim, de situação extrema, em que a atividade imobiliária é integralmente empreendida (100% do negócio) pelo quotista único (100% das quotas), o que, à evidência, retrata a circunstância que o art. 2º da Lei nº 9.779/99 pretendeu evitar, pois, como reconhecido pelo próprio Recorrente, “o espírito da lei consiste em impedir a cumulação da posição jurídica de quotista relevante de um Fundo de Investimento Imobiliário (definido como aquele que possui, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de 25% das quotas do Fundo) com a pessoa jurídica de incorporador, construtor ou sócio de empreendimento imobiliário”. Não me parece que a referência a “sócio do empreendimento imobiliário” feita pela decisão recorrida possa de alguma forma inovar ou trazer mácula ao trabalho fiscal. A meu ver, o fato de a Fiscalização descrever os fatos apurados no Termo de Verificação Fiscal levando em conta a continuidade das verificações além do anocalendário de 2005, fez que com que fossem reunidos aos presentes autos fatos e documentos que pouca ou nenhuma relevância têm em relação ao ano objeto de lançamento tributário. Ainda que se possa vislumbrar eventual “inovação de fundamento” por parte da decisão recorrida, alinhome ao entendimento de que tal fato só se revela importante na situação em que o lançamento tributário só subsiste se considerada tal inovação. No caso vertente, entretanto, não é isso que se verifica, pois, os elementos aportados ao processo e a descrição feita pela autoridade fiscal autorizam a aplicação das disposições do art. 2º da Lei nº 9.779/99, permitindo, assim, o pleno exercício do direito de defesa por parte do autuado. Por tudo o que aqui foi esposado, em especial o fato de o procedimento sob exame referirse ao ano de 2005, não é pertinente discutir, nos presentes autos, vínculos societários entre a empresa RECO e a CBD. Não obstante, a decisão recorrida, por não atentar para a composição do Fundo no ano de 2005, traz considerações acerca de vínculos existentes entre empresas do mesmo Grupo Econômico que, efetivamente, não são relevantes para a solução da controvérsia. Correta a afirmação do Recorrente de que, para que exista a cumulação prevista no art. 2º da Lei nº 9.779/99, é necessário que o FUNDO aplique recursos num empreendimento imobiliário do qual também participe, como sócio, construtor ou empreendedor, o cotista relevante do FUNDO. No presente caso, penso que resta indubitável que empreendedor e cotista estão representados pela mesma pessoa, qual seja, o Sr. Abílio dos Santos Diniz, ou, no dizer do Recorrente, do mesmo Grupo (GRUPO DINIZ). No que diz respeito à dedução dos valores de PIS e de COFINS das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ressalto, primeiramente, que não existe controvérsia quanto ao entendimento de que, uma vez ocorrido os respectivos fatos geradores, os tributos e Fl. 546DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 547 22 contribuições são dedutíveis, observado, no caso de pessoas jurídicas submetidas ao lucro real, o regime de competência. Resta indubitável, portanto, que, ainda que contabilmente possam revelar constituição de provisão, os tributos e contribuições representam, nas condições aqui explicitadas, despesas efetivamente incorridas. Em outra vertente, quando tratamos de tributos ou contribuições cuja exigibilidade encontrase suspensa, diante do fato de que, nesta situação, a obrigação passa a ser incerta, visto que dependente do crivo da autoridade julgadora competente, já não cabe mais falar em despesa incorrida, pois estará ela sujeita a uma manifestação futura acerca da sua própria existência, descabendo, assim, falarse em dedução. Quanto ao argumento de que por ocasião da lavratura dos autos de infração os créditos tributários de PIS e de COFINS não se encontravam com suas exigibilidades suspensas, alinhome ao entendimento esposado pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa no acórdão nº 1101.00659, cujo excerto reproduzo a seguir. [...] 9.a) Dedutibilidade de PIS, COFINS, IRRF: Pretendeu a recorrente que as exigências de IRPJ e CSLL fossem recalculadas, para admitirse a dedução de valores a título de PIS, COFINS e IRRF que fossem mantidos no presente julgamento, bem como dos juros de mora, na medida em que a apuração do IRPJ e da CSLL pressupõe a existência de acréscimo patrimonial. Como bem ressalta a autoridade julgadora de 1ª instância, embora o regime de competência seja a regra para determinação dos valores que integram a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, há exceções previstas em lei, e uma delas é a estipulada no art. 41 da Lei nº 8.981/95, que alcança os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. Deflui daí que os valores lançados de ofício, sujeitos a recurso administrativo e efetivamente questionados administrativamente, não são dedutíveis enquanto sua exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. A recorrente discorda deste entendimento, na medida em que a alegada suspensão da exigibilidade não estava presente à época da lavratura do Auto de Infração, momento em que deveria ter sido corretamente realizada a recomposição da base de cálculo. Todavia, o lançamento à época em que formalizado não era exigível, em razão do prazo concedido para sua discussão administrativa. De fato, a doutrina processual civil é forte no sentido de que a suspensão dos efeitos da sentença se dá com a mera recorribilidade do ato judicial: prolatada e publicada a sentença, seus efeitos já se encontram suspensos, independentemente da interposição da apelação. A efetiva interposição do recurso recebido no efeito suspensivo altera o título da suspensão dos efeitos da sentença . Enquanto cabível o recurso, durante o prazo estipulado pela legislação, a regra é que se produza o também o efeito suspensivo . Neste sentido são as lições de Nelson Nery Jr. e Rosa Maria Andrade Nery (in Código de Processo Civil Comentado, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1997, p. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 548 23 716), bem como de Vicente Greco Filho (in Direito Processual Civil Brasileiro, São Paulo, Saraiva, 2000, v. 2, p. 296). Demais disto, não tem razão a recorrente quando cogita que, se não impugnasse a exigência, poderia deduzir estes valores na apuração do IRPJ e da CSLL lançados. Na linha do que até aqui exposto, expirado o prazo de impugnação, sem que esta fosse interposta, a contribuinte poderia, sim, deduzir os valores exigidos na apuração do IRPJ e da CSLL, mas no período em que tais tributos tiverem a sua exigibilidade restaurada, e não retroativamente, no período de apuração ao qual se refere a exigência. Passo, adiante, a apreciar as alegações trazidas pelo BANCO OURINVEST S/A, apontado em Termo de Sujeição Passiva como responsável tributário pelos créditos tributários constituídos. Afirma o Recorrente que, nos termos do art. 4º da Lei nº 9.779/99, o administrador do Fundo é responsável pelo cumprimento das obrigações do Fundo, e não devedor solidário das suas eventuais obrigações, donde resulta que tal dispositivo não autoriza a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Para ele, estamos diante da figura da responsabilidade de terceiro, a qual é sempre subsidiária. Argumenta que o instituto da solidariedade previsto no art. 124 do CTN se aplica apenas entre sujeitos que podem qualificarse como contribuintes, o que efetivamente não ocorre entre o Fundo e ele. Diz que, no caso, o único contribuinte das supostas obrigações tributárias é o Fundo, que foi quem obteve a renda. Penso que, ao menos em parte, as alegações trazidas pelo Recorrente devam ser recepcionadas. Por ocasião da edição do ato legal que disciplinou a sua constituição e o seu regime tributário (25 de junho de 1993 – Lei nº 8.668/93), os Fundos de Investimento Imobiliário, relativamente aos ganhos de capital e rendimentos auferidos, eram isentos de imposto de renda. Em que pese a revogação da referida isenção pela Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994, não identifico edição de norma disciplinadora da incidência em decorrência de citada isenção. Não obstante, em 10 de dezembro de 1997, com a edição da Lei nº 9.532, a tributação dos Fundos de Investimento Imobiliário, no que importa destacar, restou assim disciplinada: a isenção do imposto de renda prevista no art. 16 da Lei nº 8.668/93 somente se aplicaria ao Fundo de Investimento Imobiliário que, além das previstas na referida Lei, atendessem, cumulativamente, às seguintes condições: I fosse composto por, no mínimo, vinte e cinco quotistas; II nenhum de seus quotistas tivesse participação que representasse mais de cinco por cento do valor do patrimônio do fundo; III não aplicasse seus recursos em empreendimento imobiliário de que participasse, como proprietário, incorporador, construtor ou sócio, qualquer de seus quotistas, a instituição que o administrasse ou pessoa ligada a quotista ou à administradora; Fl. 548DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 549 24 o fundo de investimento imobiliário que não se enquadrasse em tais condições ficava equiparado a pessoa jurídica, para efeito da incidência dos tributos e contribuições de competência da União; na hipótese do item anterior, o responsável pelo cumprimento das obrigações tributárias do fundo era a entidade que o administrava. Vêse, pois, que em conformidade com a Lei nº 9.532, de 1997, o administrador do Fundo, em razão de disposição expressa, era responsável pelo cumprimento das obrigações tributárias do Fundo de Investimento Imobiliário na hipótese de equiparação deste à pessoa jurídica. As disposições da Lei nº 9.532, de 1997, entretanto, foram revogadas pelo art. 22 da Lei nº 9.779/99. A referida Lei nº 9.779/99, relativamente à matéria sob apreciação, estabeleceu: Art. 1o Os arts. 10 e 16 a 19 da Lei no 8.668, de 25 de junho de 1993, a seguir enumerados, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] Art. 16A. Os rendimentos e ganhos líquidos auferidos pelos Fundos de Investimento Imobiliário, em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, observadas as mesmas normas aplicáveis às pessoas jurídicas submetidas a esta forma de tributação. Parágrafo único2. O imposto de que trata este artigo poderá ser compensado com o retido na fonte, pelo Fundo de Investimento Imobiliário, quando da distribuição de rendimentos e ganhos de capital." Art. 2o Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas, o fundo de investimento imobiliário de que trata a Lei nº 8.668, de 1993, que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do fundo. [...] Art. 4o Ressalvada a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto sobre os rendimentos de que trata o art. 16 da Lei no 8.668, de 1993, com a redação dada por esta Lei, fica a instituição administradora do fundo de investimento imobiliário responsável pelo cumprimento das demais obrigações tributárias, inclusive acessórias, do fundo. Não obstante o fato de a Receita Federal, por meio de diversas normas complementares3, estabelecer que os Fundos de Investimento Imobiliário enquadrados na 2 A Lei nº 12.024, de 2009, incluindo os parágrafos 1º, 2º, 3º e 4º ao artigo 16 da Lei nº 8.668/93, trouxe a não incidência do imposto na fonte para determinadas aplicações dos Fundos de Investimento Imobiliário. 3 O art. 146 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999, que define os contribuintes do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, estabelece (parágrafo 6º): "Sujeitase à tributação aplicável às pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário nas condições previstas no parágrafo 2º do art. 752. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 550 25 situação descrita pelo art. 2º da Lei nº 9.779/99 sujeitamse às obrigações tributárias acessórias previstas para as demais pessoas jurídicas, o que pode ter levado à autoridade autuante entender que o cumprimento de referidas obrigações caberia ao próprio Fundo, penso que tais normas não tem o condão de afastar a disposição contida no art. 4º do referido diploma legal no sentido de que, ressalvada a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do imposto sobre os rendimentos sujeitos à incidência, a INSTITUIÇÃO ADMINISTRADORA do Fundo de Investimento Imobiliário é responsável pelo cumprimento das demais obrigações tributárias do Fundo, inclusive acessórias. Diante de tais considerações, tenho que a responsabilidade prevista pelo art. 4º da Lei nº 9.779/99 está em consonância com o disposto no art. 128 do CTN, que autoriza a lei a atribuir, de modo expresso, a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindoa daquele que tem relação direta com o referido fato. Nessa linha, creio que, no caso vertente, descabe falar em responsabilidade solidária nos termos do art. 124 do CTN. A meu ver, a disposição contida no art. 4º da Lei nº 9.779/99 revela aquilo que a doutrina denomina responsabilidade por substituição, isto é, a lei, atribuindo a responsabilidade tributária a uma terceira pessoa (a instituição administradora do Fundo de Investimento Imobiliário), exclui a do envolvido diretamente com o fato gerador da obrigação tributária correspondente (o Fundo de Investimento Imobiliário). Se a ilação antes explicitada, qual seja, a de que as normas editadas pela Receita Federal induziram a autoridade autuante a concluir que o Fundo de Investimento Imobiliário, na situação retratada pelo art. 2º da Lei nº 9.779/99, é quem deveria cumprir com as obrigações tributárias correspondentes, a imputação de responsabilidade solidária com base no inciso II do art. 124 do CTN revelase, da mesma forma, equivocada, pois, a meu ver, a aplicação do referido dispositivo implica, nos exatos termos da sua redação, a designação, pela lei e de forma expressa, da pessoa solidariamente obrigada. Diante do até aqui expendido, concordo com o Recorrente no sentido de que, no presente caso, não há que se falar em responsabilidade solidária. Não obstante, o pronunciamento “paradigmático”, no dizer do Recorrente, do Superior Tribunal de Justiça (REsp nº 884.845SC), acerca do entendimento de que os sujeitos envolvidos na relação de solidariedade são apenas os que podem qualificarse como contribuintes, merece ressalva, vez que, nele, a Corte debruçouse, apenas, sobre a expressão “interesse comum”, contida no inciso I do art. 124 do CTN, isto é, nada falou a respeito da circunstância em que a solidariedade surge em decorrência de disposição expressa da lei nesse sentido (inciso II do art. 124 do CTN). Por outro lado, discordo do Recorrente de que, ao presente caso, estariam presentes circunstâncias autorizadoras da aplicação das disposições do art. 134 do CTN, eis O ATO DECLARATÓRIO SRF nº 2/2000 estabelece que, quando submetidos à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, os Fundos de Investimento Imobiliário devem ter inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). A Instrução Normativa nº 540, de 2005, ao indicarquem não está obrigado à entrega do DACON, excetua o Fundo de Investimento Imobiliáriode que trata o art. 2º da Lei nº 9.779/99. A Solução de Consulta nº 141, de 2002, emitida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, esclarece que os Fundos de Investimento Imobiliário de que trata o art. 2º da Lei nº 9.779/99 devem apresentar DIPJ, DCTF e DIRF. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 551 26 que, como já dito, não encontro na legislação de regência comando atribuindo ao Fundo de Investimento Imobiliário a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações tributárias decorrentes dos atos praticados em seu nome. Descabe, assim, falarse em responsabilidade subsidiária. Conforme já repisado, a lei impõe tributação como se pessoa jurídica fosse na hipótese por ela prevista, contudo, estabelece de forma expressa que o cumprimento das obrigações daí decorrentes é do administrador do Fundo. Relativamente ao argumento da decisão recorrida de que o art. 135, inciso III, do CTN, também seria aplicável, concordo, na linha do expendido na peça recursal, que tal entendimento não merece acolhimento, vez que inexiste nos autos indicação de conduta que se amolde às hipóteses ali descritas. A argumentação acerca de uma eventual irregularidade ou vedação legal para a constituição de fundos de investimento imobiliário com um único quotista, como já dito, em que pese a sua irrelevância para a solução da controvérsia, deve ser repisado que o art. 111A, que trata dos denominados FUNDOS EXCLUSIVOS, foi introduzido Instrução CVM nº 409, de 18 de agosto de 2004, pela Instrução CVM nº 450, de 30 de março de 2007, ou seja, posteriormente à ocorrência dos fatos apreciados no presente processo. Conclusivamente, tenho que os argumentos aqui expendidos acerca da natureza da responsabilidade imputada ao BANCO OURINVEST S/A, qual seja, a de caráter exclusivo, e não solidário como apontado pela Fiscalização, não constitui reformatio in pejus e muito menos aperfeiçoamento do lançamento, mas, sim, legítima adequação à legislação de regência da imputação de responsabilidade promovida pela autoridade fiscal. Não se trata de reformatio in pejus vez que a atribuição de responsabilidade em caráter exclusivo não implica, em termos práticos, circunstância mais onerosa para o Recorrente, pois, se mantida a responsabilidade solidária, as exigências necessariamente deveriam ser cumpridas pelo BANCO OURINVEST S/A, uma vez que, como é cediço, tratandose de solidariedade passiva, o crédito total poderia ser exigido somente dele. Não se trata de aperfeiçoamento do lançamento, eis que a autoridade fiscal cuidou de colocar o BANCO OURINVEST no pólo passivo da obrigação tributária e indicar o fundamento legal para tal (art. 4º da Lei nº 9.779/99). Na verdade, as razões aqui esposadas refletem, apenas, o entendimento acerca da natureza da responsabilidade imputada ao BANCO OURINVEST S/A. Ausentes normas complementares clarificadoras, não identifico óbice ao modelo de formalização adotado pela Fiscalização, qual seja, lavratura das peças acusatórias em nome do Fundo de Investimento Imobiliário Península, com lavratura de Termo de Sujeição Passiva em nome de Banco Ourinvest S/A. Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 551DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 552 27 Voto Vencedor Conselheiro VALMIR SANDRI, Com a devida vênia ao entendimento esposado pelo Nobre Relator em seu bem fundamentado voto, ouso discordar tão somente no que se refere à dedutibilidade dos valores lançados a título de PIS e COFINS, para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, eis que, com relação a matéria relativa a tributação do Fundo de Investimento Imobiliário, lhe acompanho na integralidade, tendo em vista que no anocalendário de 2005, objeto da exigência, o Sr. Abílio dos Santos Diniz e o Grupo CBD são acionista e empresas do mesmo Grupo Econômico, subsumindose, portanto, a hipótese prevista no art. 2º da Lei nº 9.779, de 1999, que prescreve que o Fundo de Investimento Imobiliário que aplicar recursos em empreendimento imobiliário que tenha como incorporador, construtor ou sócio, quotista que possua, isoladamente ou em conjunto com pessoa a ele ligada, mais de vinte e cinco por cento das quotas do Fundo, sujeitarseá à tributação aplicável às pessoas jurídica. Por ser assim, minha única discordância diz respeito ao não acolhimento pelo Nobre Relator, dos argumentos despendidos pela Recorrente em relação a dedutibilidade do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Como é sabido, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL têm como ponto de partida o lucro líquido do exercício, o qual é afetado pelas despesas incorridas. Dedução de despesas não é favor fiscal, mas conformação da base de cálculo. As exceções à consideração das despesas que decorram da legislação fiscal constituem etapa posterior à apuração do lucro líquido do exercício. Portanto, ao apurar a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, a autoridade fiscal deve, obrigatoriamente, computar as despesas com tributos que influenciam o resultado do exercício, e desconsiderar sua dedutibilidade apenas se houver previsão expressa na legislação tributária. Antes da entrada em vigor do Decretolei nº 1.598/77, a dedutibilidade das despesas com tributos estava condicionada ao seu pagamento no exercício financeiro a que correspondessem, conforme mandamento do art. 50 da Lei nº 4.506, de 1964. A partir do períodobase de 1978, com a edição do art. 16 do DL 1.598/77, os tributos passaram a ser dedutíveis no período base de incidência do respectivo fato gerador da obrigação tributária, não havendo vinculação ao efetivo pagamento. A legislação foi alterada pelo § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, que excluiu da dedução segundo o regime de competência os tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos dos incisos I a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966. Assim, tendo formalizado exigências de PIS e COFINS, tributos cuja dedutibilidade não é vedada pela lei tributária, a autoridade lançadora, por dever de ofício, deve deduzir o respectivo valor para fins de determinação do resultado do exercício, ponto de partida para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Nesse momento, não há que se falar em exigibilidade suspensa nos termos do inciso III do art. 151 (reclamações e recursos). E o fato de o lançamento não ser exigível à época em que formalizado, em razão do Fl. 552DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 16327.001752/201025 Acórdão n.º 130100.994 S1C3T1 Fl. 553 28 prazo concedido para sua discussão administrativa, não se caracteriza como qualquer das hipóteses de suspensão da exigibilidade previstas no art. 151 do CTN. A doutrina processual civil relativa à suspensão dos efeitos da sentença também não é aplicável, pois pressupõe a existência de uma sentença (recorrível), que é ato de “jurisdição” (judicial ou administrativa), qualidade que não tem o ato administrativo de lançamento. Por essas razões, dou provimento parcial ao recurso para determinar que sejam deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores de PIS e COFINS lançados neste mesmo procedimento. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Redator Designado. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 08/12/2012 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assina do digitalmente em 29/11/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000178/2006-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 31/08/2004 a 30/09/2005 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO- TRIBUTADOS. As operações de saída de produtos classificados na TIPI como NT não geram débitos de IPI ao alienante. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DECRETO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado a este Colegiado, a teor do artigo 26-A, do Decreto n° 70.235/72, recusar a aplicação de lei com fundamento em sua suposta inconstitucionalidade. IPI. PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS. CRÉDITOS. GLOSA. A aquisição de produtos não-tributados (NT) não gera crédito de IPI para o adquirente. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-001.760
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do crédito tributário constituído o valor do IPI calculado sobre as operações de saída de mercadorias classificadas na posição 2401.30.00 da TIPI/02, que constem de notas fiscais juntadas aos autos.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 31/08/2004 a 30/09/2005 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO- TRIBUTADOS. As operações de saída de produtos classificados na TIPI como NT não geram débitos de IPI ao alienante. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DECRETO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado a este Colegiado, a teor do artigo 26-A, do Decreto n° 70.235/72, recusar a aplicação de lei com fundamento em sua suposta inconstitucionalidade. IPI. PRODUTOS NÃO-TRIBUTADOS. CRÉDITOS. GLOSA. A aquisição de produtos não-tributados (NT) não gera crédito de IPI para o adquirente. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13005.000178/2006-56
conteudo_id_s : 5217094
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.760
nome_arquivo_s : Decisao_13005000178200656.pdf
nome_relator_s : MARCOS TRANCHESI ORTIZ
nome_arquivo_pdf_s : 13005000178200656_5217094.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do crédito tributário constituído o valor do IPI calculado sobre as operações de saída de mercadorias classificadas na posição 2401.30.00 da TIPI/02, que constem de notas fiscais juntadas aos autos.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4567147
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394995560448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1834; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000178/200656 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.760 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012 Matéria IPI.AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SUL AMERICA TABACOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/08/2004 a 30/09/2005 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. As operações de saída de produtos classificados na TIPI como NT não geram débitos de IPI ao alienante. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DECRETO. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado a este Colegiado, a teor do artigo 26A, do Decreto n° 70.235/72, recusar a aplicação de lei com fundamento em sua suposta inconstitucionalidade. IPI. PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS. CRÉDITOS. GLOSA. A aquisição de produtos nãotributados (NT) não gera crédito de IPI para o adquirente. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do crédito tributário constituído o valor do IPI calculado sobre as operações de saída de mercadorias classificadas na posição 2401.30.00 da TIPI/02, que constem de notas fiscais juntadas aos autos. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 04/17), lavrado em 20.03.2006, para lançamento de IPI pertinente ao período compreendido entre 08/2004 e 09/2005. A recorrente autuada é indústria dedicada ao beneficiamento de fumo por conta própria ou sob encomenda de terceiros. O relatório de fiscalização (fls. 18/24) esclarece que a recorrente: (a) não apurou (08/2004 a 01/2005) ou apurou parcialmente (02/2005 a 09/2005) o IPI devido em função da saída de fumo classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30 e 2401.10.40 da TIPI (fls. 25/32); (b) recolheu a menor o IPI regularmente escriturado no LRAIPI (fls. 33); e (c) aproveitou indevidamente crédito de IPI nas entradas de fumo adquirido de pessoas jurídicas encomendantes, registradas com os códigos CFOPs 1.901 (entrada para industrialização por encomenda) e CFOP 2.924 (entrada para industrialização por conta e ordem). A recorrente impugnou a autuação (fls. 350/362). Relativamente ao item (a), sua irresignação veio lastreada nos seguintes fundamentos: (i) dentre as saídas de fumo sobre as quais a fiscalização constituiu crédito de IPI se incluíam operações relativas a produtos classificados na posição 2401.30.00 da TIPI, denominados “scraps/quebra”, aos quais corresponde a notação “NT”; (ii) a fiscalização indevidamente incluiu o PIS e a COFINS na base de cálculo do IPI, em afronta aos princípios da nãocumulatividade e do nãoconfisco; (iii) a fiscalização apurou indevidamente o IPI sobre operações de simples revenda, sendo inconstitucionais os arts. 9º e 11 do RIPI que lhe equiparam a industrial em tais operações. Relativamente ao item (c), sustentou ser legítimo o creditamento do IPI em entradas isentas, citando jurisprudência do Plenário do STF nesse sentido. Por fim, relativamente ao item (b), ressaltou apenas que enfrentava dificuldades financeiras à época do vencimento das respectivas obrigações tributárias, assim pretendendo justificar o pagamento apenas parcial do tributo. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13005.000178/200656 Acórdão n.º 3403001.760 S3C4T3 Fl. 2 3 A DRJ de Porto Alegre/RS manteve integralmente o lançamento (fls. 461/463). Quanto aos itens (a) e (c) detalhados acima, limitouse a reproduzir os fundamentos do próprio auto de infração e, no que se refere ao item (b), deu a matéria por não impugnada, entendendo que a só alegação de dificuldade financeira importa reconhecimento do débito pelo contribuinte. Cientificada do v. acórdão de Primeira Instância em 17.12.2009 (fls. 468), a recorrente apresentou voluntário (fls. 475/478), reforçando os argumentos da impugnação relativamente aos itens (a) e (c). Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso voluntário é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. A infração relatada no item (b) acima não foi objeto de considerações no recurso voluntário, razão pela qual a matéria encontrase definitivamente decidida em sede administrativa, nos termos do art. 17, caput, do Decreto n° 70.235/72. Resta enfrentar os itens (a) e (c), que serão respectivamente tratados nos capítulos a seguir. 1 Ausência de Apuração ou Apuração a Menor do IPI. 1.1 SAÍDA DE FUMO “NT”. Com a vigência do art. 41 da Lei nº 10.865/04, quase todas as formas de apresentação do fumo passaram a ser consideradas como decorrentes de industrialização, e tributadas à alíquota de 30%. Remanesceram como “NT” apenas os seguintes códigos: 2401.10.10 – Tabaco não destalado, em folhas, sem secar nem fermentar 2401.30.00 – Desperdícios de tabaco Há, nos autos, de fato, cópias de algumas notas fiscais de saída emitidas pela recorrente nas quais se documenta operações com produtos classificados na posição 2401.30.00 da TIPI, sendo certo que a auditoria fiscal em momento algum questionou a codificação adotada pela interessada, de forma que a presumo corretas. Nesse sentido, a outra conclusão não se poderia chegar a não ser ratificar que as mercadorias 2401.30.00 estão fora do campo de incidência do IPI, assistindo razão à recorrente nesse particular. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 1.2 INCLUSÃO DE PIS E COFINS. Inexiste previsão legal para exclusão do PIS e da COFINS da base de cálculo do IPI. Ao contrário, o art. 131, II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI) estabelece que a base de cálculo do imposto é o valor total da operação: "Art. 131. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: II – dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial." Por valor total da operação, entendese o preço do produto, adicionado do frete, do seguro e das demais despesas, inclusive dos tributos incidentes sobre a receita, tais como o PIS e a COFINS, razão pela qual há de se manter o lançamento nesses particular. 1.3 INCONSTITUCIONALIDADE DO CONCEITO DE CONTRIBUINTE “EQUIPARADO A INDUSTRIAL”. Quanto à inconstitucionalidade dos artigos 9º, §4º e 11 do RIPI/02, que equiparam a recorrente a industrial na revenda de matériasprimas, cabe ressaltar que a este Colegiado não é permitido declarála, vez que inocorrentes aqui quaisquer das hipóteses excepcionais previstas no parágrafo único, do artigo 62, do Regimento Interno do CARF. 2 Glosa de Créditos do IPI. De acordo com o item 2.4 do relatório de fiscalização (fls. 18/24), a recorrente apropriou indevidamente créditos básicos de IPI, decorrentes das aquisições de fumo cru destinado a operações de industrialização sob encomenda em seu estabelecimento. A DRJ afirma que tais aquisições foram realizadas junto a produtores rurais pessoas físicas, operação insuscetível de propiciar créditos ao adquirente por situarse fora do âmbito de incidência do IPI, por disposição expressa do art. 12 da Lei nº 11.051/04. O Termo de Verificação Fiscal (fl. 22), contudo, esclarece que os remetentes em tais operações não eram produtores pessoas físicas, mas pessoas jurídicas que já haviam previamente adquirido o fumo dos produtores, e que então remetiamno à recorrente para beneficiamento sob encomenda. Essas remessas, portanto, já não se subsumem à hipótese do art. 12 da Lei nº 11.051/04. As pessoas jurídicas encomendantes são, aliás, contribuintes equiparados a industriais, nos termos do art. 9°, IV, do RIPI/02, in verbis: "Art. 9°. Equiparamse a estabelecimento industrial: IV – os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos;" Tampouco se vislumbra, na legislação do IPI, qualquer previsão de suspensão obrigatória do IPI na remessa da matériaprima do encomendante ao industrial. Há, apenas, hipótese de suspensão facultativa (art. 42, VI, do RIPI/02), a qual não foi exercida pelos remetentes, que preferiram destacar o IPI, como noticia a SRF (fl. 22). Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13005.000178/200656 Acórdão n.º 3403001.760 S3C4T3 Fl. 3 5 Assim, em princípio, essas remessas configuram operações tributadas, e o IPI destacado pode ser apropriado pelo adquirente. Segundo bem atesta o Termo de Verificação Fiscal, contudo, a mercadoria objeto desta operação era justamente o fumo em seu estado mais natural (destalado e sem secar), catalogado no código 2401.10.10 da TIPI, isto é, um produto NT. E nem poderia ser diferente, pois o produto beneficiado pela recorrente e devolvido às encomendantes era aquele das posições 2401.10.20, 2401.10.30 e 2401.10.40, isto é, fumo destalado e em folhas secas, portanto necessariamente o produto que chegou ao estabelecimento da recorrente só poderia estar no estado anterior a esse, que é o da posição NT. Se o fumo remetido à recorrente já fosse o das posições 2401.10.20, 2401.10.30 e 2401.10.40, simplesmente não haveria industrialização por encomenda pela recorrente, pois a mercadoria teria retornado ao encomendante no mesmo estado em que foi remetido. Reforça essa constatação o fato, informado no Termo de Verificação, de que as encomendantes não têm parque industrial, razão pela qual o fumo que remeteram à recorrente só poderia ser o da posição 2410.10.10. A própria recorrente parece admitir que os insumos remetidos pela encomendante são NT, à medida em que seu argumento é o de que a “isenção” na entrada não impede o crédito pelo adquirente. É dizer, a recorrente reconhece que suas entradas foram desoneradas do IPI, mesmo identificando erradamente o fenômeno desonerativo. O fato é que o STF há muito já assentou sua jurisprudência a respeito, definindo, com irrecusável acerto, que a aquisição de produtos NT não propiciam créditos ao adquirente. Confirase: "EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido." (RE 370.682/SC, Pleno, Dje 19.12.2007) Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para excluir do crédito tributário constituído o valor do IPI calculado sobre as operações de saída de mercadorias classificadas na posição 2401.30.00 da TIPI/02, que constem de notas fiscais juntadas aos autos. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
