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Numero do processo: 10384.720196/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O indeferimento fundamentado do pedido de realização de diligência e de perícia não acarreta a nulidade da decisão, pois tais procedimentos somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo não contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE
IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
VTN. REVISÃO DO ARBITRADO. LAUDO TÉCNICO ACEITO.
Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando apresentado “Laudo Técnico de Avaliação”, emitido por profissional habilitado, com ART, devidamente anotada no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado.
Numero da decisão: 2201-001.573
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar um VTN de R$ 122.002,85.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O indeferimento fundamentado do pedido de realização de diligência e de perícia não acarreta a nulidade da decisão, pois tais procedimentos somente devem ser autorizados quando forem imprescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo não contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. VTN. REVISÃO DO ARBITRADO. LAUDO TÉCNICO ACEITO. Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando apresentado “Laudo Técnico de Avaliação”, emitido por profissional habilitado, com ART, devidamente anotada no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para considerar um VTN de R$ 122.002,85. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 157.591,16, calculados até 31/10/2007, relativo ao imóvel rural denominado “São Domingos”, localizado no município de São Miguel do Tapuio PI. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 500,00 para R$ 364.361,98, com base no SIPT. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: I – o valor da terra nua utilizado pela RFB não representa o valor de mercado (sic) do imóvel; II – determinou uma pesquisa de preço de mercado (sic) do valor da terra nua, referente ao município de São José do TapuioPI, mediante a contratação de profissional da área de engenharia agrônoma, para elaboração de Laudo Técnico de Avaliação do Imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II. O Valor da Terra Nua é de R$ 122.002,84; III – as informações constantes do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, para o município de São Miguel do TapuioPI, são genéricas, não levando em consideração as particularidades do imóvel e peculiaridades da região onde o mesmo de localiza; IV – transcreve ementas do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; V – transcreve ementa de decisões judiciais; VI – modifica a distribuição das áreas do imóvel alegando que a correta é a que consta do Laudo Técnico de Avaliação; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10384.720196/200723 Acórdão n.º 220101.573 S2C2T1 Fl. 2 3 VII – o valor do imposto devido é de R$ 10.516,15. A 1ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: VALOR DA TERRA NUA. O Valor da Terra Nua VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir a DITR. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de que informou na DITR valores errados, somente pode ser aceita se comprovada, mediante documentação hábil e idônea, o erro de fato cometido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 14/06/2010 (fl. 107), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 06/07/2010 (fls. 116 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: ... que o valor do imposto lançamento pela RFB está acima do preço de mercado, não sendo justo que o contribuinte, mesmo contratando profissional competente para avaliar o imóvel, e vindo este a demonstrar o real e efetivo valor de mercado, seja compelido a pagar um imposto a maior, referente a seu imóvel, que não corresponde com a realidade, totalmente desassociada da situação mercadológica da região. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou o VTN declarado pelo contribuinte de R$ 500,00 (R$ 0,06/ha) para R$ 364.361,98 (R$ 46,47/ha), relativo ao imóvel rural denominado “São Domingos”, localizado no município de São Miguel do Tapuio PI. Em sua peça recursal alega a recorrente, preliminarmente, nulidade do auto de infração, pois, segundo seu ponto de vista, a não aceitação do laudo técnico, bem como o indeferimento do seu pedido de diligência/perícia causou cerceamento de seu direito de defesa. Quanto ao mérito argumenta a suplicante que o Laudo de Vistoria e Avaliação carreado aos autos, fls. 37/57, apontou para o exercício de 2003 o Valor da Terra Nua de R$ 122.002,85. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Além do mais, conforme consta do próprio Laudo a área de reserva legal é de 1.568,16 ha, a ocupada com benfeitorias totaliza 32,0 ha, a relativa a produtos vegetais e de descanso 1.054,0 ha, a referente à pastagem nativa 1.982,0 ha e a ocupada com cultura do cajueiro 5 ha. Inicialmente cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Em verdade, os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do Fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pelo interessado. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. Assim, pelo exposto, não merece ser acolhida a suscitada preliminar. Em relação ao mérito pugna, essencialmente, a recorrente para que sejam aceitas as informações apuradas conforme Laudo de Vistoria e Avaliação carreado aos autos às fls. 37/57. Pois bem, analisando detidamente o laudo técnico de avaliação carreado às fls. 37/57, constatase que o mesmo, para fins de revisão do valor fundiário da propriedade rural, fornece elementos consistentes que devem ser considerados. Em verdade, o referido laudo classifica e quantifica as áreas do imóvel, além de demonstrar os valores atribuídos a cada tipo de terra, inclusive mencionando os métodos, critérios, bem como nível de precisão. No processo avaliatório empregado foram adotados 5 amostras, tendo apurado para o imóvel um VTN de R$ 122.002,85, valor este que, embora inferior ao arbitrado, é bem superior ao declarado originariamente, o que demonstra que a própria recorrente reconhece que o VTN constante da DITR/2003 estava, de fato, subavaliado. Assim sendo, entendo que deve ser adotado para o imóvel denominado “São Domingos” o VTN de R$ 122.002,85, em substituição ao arbitrado pela fiscalização. Quanto à área de 1.568,16 ha identificada pelo Parecer Técnico como sendo relativa à área de utilização limitada/reserva legal, entendo, pois que o parágrafo 8° do art. 16 da Lei n° 4.771/65 (com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) determina expressamente a averbação da área no cartório de registro de imóvel. Portanto, ante a ausência da averbação não é possível à exclusão da referida área. Em relação à área 1.054,0 ha informada no Recurso Voluntário como sendo de produtos vegetais e de descanso, por ausência de comprovação da utilização da referida área não é possível considerála. Da mesma forma, por falta de prova não há como aceitar a área utilizada na cultura do cajueiro e tampouco o acréscimo da área ocupada por benfeitorias. Finalmente, em função da ausência de comprovação do índice de rendimento mínimo para Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10384.720196/200723 Acórdão n.º 220101.573 S2C2T1 Fl. 3 5 pecuária, não há como considerar o montante de 1.982,0 ha como sendo relativa à área de pastagem nativa. Ressaltese, por oportuno, que o Laudo de Vistoria e Avaliação de fls. 37/57 se limitou apenas a informar a nova distribuição do uso do solo na propriedade, sem, contudo, carrear qualquer documento de prova aos autos. Por fim, conforme bem pontuado pela autoridade recorrida à alegação de erro de fato na elaboração da DITR somente pode ser aceita se comprovada mediante documentação hábil e idônea. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para considerar o VTN de R$ 122.002,85 apurado conforme laudo técnico de avaliação. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10384.720196/200723 Recurso nº: 885.566 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.573. Brasília/DF, 18 de abril de 2012 ______________________________________ Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente em Exercício Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003123/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. Constatada a omissão do acórdão embargado, que deixou de se pronunciar sobre matéria argüida no recurso voluntário, acolhem-se os embargos declaratórios que a apontaram a falha, para saná-la.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução. Devem ser acolhidas as deduções em relação às quais o Contribuinte apresentou outros elementos que corroborem os recibos.
Embargos acolhidos
Acórdão rerratificado
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-001.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada, rerratificar o Acórdão 2201-00.874, de 21/10/2010, mantendo a decisão anterior.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM:
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. Constatada a omissão do acórdão embargado, que deixou de se pronunciar sobre matéria argüida no recurso voluntário, acolhem-se os embargos declaratórios que a apontaram a falha, para saná-la. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução. Devem ser acolhidas as deduções em relação às quais o Contribuinte apresentou outros elementos que corroborem os recibos. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Recurso parcialmente provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada, rerratificar o Acórdão 2201-00.874, de 21/10/2010, mantendo a decisão anterior. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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OMISSÃO. Constatada a omissão do acórdão embargado, que deixou de se pronunciar sobre matéria argüida no recurso voluntário, acolhemse os embargos declaratórios que a apontaram a falha, para sanála. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução. Devem ser acolhidas as deduções em relação às quais o Contribuinte apresentou outros elementos que corroborem os recibos. Embargos acolhidos Acórdão rerratificado Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada, rerratificar o Acórdão 2201 00.874, de 21/10/2010, mantendo a decisão anterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 31 23 /2 00 6- 17 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Ausente momentaneamente o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Cuidase de embargos declaratórios interposto pelo contribuinte acima identificado, em 22/03/2011, em face do acórdão nº 220100.874, de 21 de outubro de 2010, da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção do CARF. O Embargante aponta omissão e obscuridade no acórdão embargado e, em exame preliminar de admissibilidade, a Senhora Presidente da Câmara acolheu parcialmente os embargos quando à alegada omissão, determinando a reinclusão do processo em pauta para exame da matéria pelo Colegiado. Segundo o Embargante o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre a exclusão ou redução da multa de ofício sob a alegação de que não houve dolo do Contribuinte, matéria que foi expressamente questionada no recurso. Sobre este ponto, o despacho de admissibilidade assim se pronunciou: Assiste razão ao Embargante, todavia, quanto à omissão do acórdão que não apreciou a alegação quanto à multa de ofício. De fato, o Recorrente pediu no recurso que fosse reduzido o percentual da multa para 20%, sob a alegação de que não agiu com dolo, e o acórdão foi silente quanto a este ponto. Reproduzo a seguir, para maior clareza, o relatório e o voto condutor do acórdão embargado: Relatório: LUCIANO MARTINS NETO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJJUIZ DE FORA/MG (fls. 126) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 02/07, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF – suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 6.895,01, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 16.022,51. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10675.003123/200617 Acórdão n.º 2201001.887 S2C2T1 Fl. 3 3 A infração que ensejou o lançamento está assim descrita no auto de infração: DESPESAS MÉDICAS Dedução Indevida a titulo de despesas médicas. O contribuinte não logrou comprovar a efetividade da realização das despesas médicas seja mediante comprovação do pagamento ou apresentação de exames/radiografias com as profissionais Kely Pereira Borges Dias, Marilia Rodrigues Moreira e Ainda Lúcia Cardoso Os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a realização dos serviços. Despesas realizadas com Maria Irene não podem ser aceitas, pois ela não e dependente. Valor comprovado com a Unimed Uberlândia (R$ 2.217,60) menor do que o valor declarado. O valor comprovado com chegues nominativos relativos ao profissional José C. Rissato foi de R$ 4.000,00. Contribuinte não apresentou os cheques n"s 850998 e 851205. O Cheque nº 851025 está nominativo a pessoa jurídica. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou que o recibo é a forma documental de se comprovar um certo pagamento e que apresentou todos os comprovantes das despesas médicas; que mesmo assim procurou apresentar alguns documentos, como radiografias, fichas odontológicas, laudos, etc; contudo, não possui os comprovantes de pagamento demandados (cópias de cheques, ordem bancária, recibos de depósitos, etc), com exceção de alguns cheques; que não foram emitidos cheques nominais, todavia alguns se tornaram nominais, por força de norma expressa do Banco Central, argumentando que nem sempre a pessoa que recebe o cheque o consigna em seu nome, quando do depósito, já que pode repassálo a terceiros; que os pagamentos destinados aos dentistas e ao fisioterapeuta foram realizados parte em cheque ao portador, parte em dinheiro e que para demonstrar apresenta extratos bancários do período. A DRJJUIZ DE FORA/MG julgou procedente o lançamento. Consignou que parte do lançamento referente a glosas no valor de R$1.472,74 não foi impugnada e, quanto à parte restante das glosas, após examinar os documentos carreados aos autos, concluiu que não há vinculação entre os débitos nos extratos bancários e os supostos pagamentos, entendendo assim não comprovada a efetividade dos pagamentos. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/08/2009 (fls. 134) e, em 09/09/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 135/147 no qual sustenta que os recibos são documentos hábeis para comprovar as despesas médicas e que a inidoneidade desses documentos deveria ser comprovada pelo Fisco. Menciona jurisprudência. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O Recorrente também se insurge contra a multa de 75% , aduzindo que agiu de boafé, procurando esclarecer o Fisco e pede, alternativamente, que, caso prevaleça a exigência do imposto, que a multa seja de 20%. É o relatório. Voto: Como se colhe do relatório, cuidase lançamento de IRPF decorrente de glosas de despesas médicas e de contribuição à previdência privada. Conforme explicitado na decisão de primeira instância, o Contribuinte não se insurgiu contra a glosa da contribuição à previdência privada e contra parte da glosa das despesas médicas, referentes aos pagamentos de despesas realizadas com Maria Irene, por não se esta dependente. Resta em discussão em sede recursal, portanto, apenas as glosas de despesas médicas, que foram motivadas pela falta de comprovação da efetividade dos pagamentos e da realização dos procedimentos. O Contribuinte, intimado, apresentou cópias de cheques e de extratos bancários com os quais pretendeu demonstrar as origens imediatas dos recursos destinados aos pagamentos das despesas deduzidas. A autoridade administrativa acatou apenas parte destas comprovações. Rejeitou as demais sob o fundamento de que, ou os cheques eram nominais a terceiras pessoas, ou não eram compatíveis, quanto ás datas, com os pagamentos das despesas. Eu tenho me posicionado em diversos julgados deste Colegiado no sentido de que, sob condições normais os recibos são documentos suficientes para comprovar a despesa mé3dica e que diante de indícios de possíveis irregularidades o Fisco pode solicitar a apresentação de provas da efetividade dos serviços e dos pagamentos. Também tenho adotado como critério de decidir, nos casos concretos, no sentido de que o Contribuinte, ainda que não logre comprovar a origem imediata de todos os pagamentos, o que é razoável, deve fazêlo pelo menos em relação a parte deles; que se não consegue apontar de forma individualizada a efetividade de todos os pagamentos, que o faça com relação a alguns; o que não tenho admitido é a mera afirmação genérica da impossibilidade de comprovar as origens dos pagamentos. Pois bem, neste caso, o Contribuinte não só demonstrou, mediante apresentação de cópias de cheques, alguns pagamentos, como apontou, mediante extratos, vários saques que poderiam justificar os pagamentos em espécie. A autoridade lançadora e a turma julgadora de primeira instância rejeitaram essas provas por não identificarem proximidade de datas entre uma operação e outra. Compulsando os autos, todavia, penso que neste caso, se o Contribuinte não conseguiu demonstrar de forma inequívoca, as origens dos recursos que realizaram os pagamentos, apresentou elementos suficientes para se admitir a possibilidade de que os pagamentos tiveram as origens apontadas. Há diversos saques em datas relativamente próximas aos pagamentos e cheques que mesmo estando nominais a outros são de valores iguais aos dos recibos. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10675.003123/200617 Acórdão n.º 2201001.887 S2C2T1 Fl. 4 5 Nessas condições penso que deve se reconhecida a comprovação das despesas. Notese que a comprovação da origem nestes casos é um elemento adicional de prova, a se somar aos recibos; elementos que corroboram os recibos e, portanto, devem ser considerado apenas como elemento adicional de convicção a respeito da efetividade ou não dos pagamentos. Sendo assim, acolho as deduções referentes às despesas médicas realizadas com Kely Pereira Borges Dias (R$ 3.000,00), Marília Rodrigues Moreira (R$6.000,00) e Alice Lúcia Cardoso (R$ 9.000,00) e José C.Rissato (R$ 5.600,00). Quanto aos demais itens glosados, o Contribuinte não apresenta prova das despesas. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer da dedução de despesa médica no valor de R$ 23.600,00. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade. Deles conheço. Como se colhe do relatório, o Embargante aponta omissão do acórdão embargado que deixou de se pronunciar sobre matéria arguida no recurso, especificamente sobre a multa de ofício que diz ser indevida e pede a sua substituição pela multa de mora. De fato, conforme, inclusive, foi relatado, o Contribuinte se insurgiu no recurso contra a multa de ofício, aduzindo que agiu de boafé e que, a prevalecer a exigência do imposto, deveria ser aplicada multa de mora e não multa de ofício, e a questão realmente não foi apreciada no voto condutor do acórdão embargado. Penso, assim, que resta caracterizada a omissão, razão pela qual devem ser acolhidos os embargos para que o Colegiado se pronuncie sobre a matéria esquecida. Cumpre, pois, apreciar a questão da multa. Pois bem, neste caso a multa aplicada, no percentual de 75%, tem por fundamento, explicitado no Auto de Infração, o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento Fl. 562DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;". Como se vê, a lei se refere apenas ao lançamento de ofício, nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata, sem fazer distinção quanto à intenção ou anão do sujeito passivo em cometer o ilícito. E quanto aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo durante a ação fiscal, esta é uma obrigação de todos os contribuinte, sujeita ao agravamento da multa no caso de descumprimento. Tratase, portanto, de matéria versada expressamente em lei legitimamente introduzida no ordenamento jurídico brasileiro, à qual não se pode negar validade. Assim, é devida a multa de ofício, de 75%. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para rerratificar o acórdão nº 220100.874, de 21 de outubro de 2010 dando provimento parcial ao recurso para restabelecer da dedução de despesa médica no valor de R$ 23.600,00. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 563DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10675.003123/200617 Acórdão n.º 2201001.887 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10675.003123/200617 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201001.887. Brasília/DF, 20 de dezembro de 2012. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 564DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 04/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 15586.000672/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. RECURSO DE OFÍCIO. Correta a exoneração de crédito tributário com fundamento em decisão judicial transitada em julgado a favor do contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FALTA DE INTERESSE DE AGIR Não se conhece de recurso voluntário contra decisão favorável ao contribuinte por falta de interesse de agir. RO NEGADO E RV NÃO CONHECIDO
Numero da decisão: 3301-001.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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RECURSO DE OFÍCIO. Correta a exoneração de crédito tributário com fundamento em decisão judicial transitada em julgado a favor do contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO. DECISÃO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. FALTA DE INTERESSE DE AGIR Não se conhece de recurso voluntário contra decisão favorável ao contribuinte por falta de interesse de agir. RO NEGADO E RV NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer o recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celnai, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente, pela DRJ Rio de Janeiro II e pelo sujeito passivo contra decisão que julgou improcedente o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com incidência cumulativa, referente aos fatos geradores dos meses de competência de dezembro de 2002 a janeiro de 2004. O lançamento decorreu da falta de declaração nas respectivas DCTFs e, conseqüentemente, de pagamento da Cofins sobre receitas financeiras e receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS para terceiros, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls.307/309 e termo de encerramento de ação fiscal às fls. 293/305. Em face da decisão judicial favorável à recorrente, proferida pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, no mando de segurança nº 99.00020359, em que discute essa mesma matéria, o crédito tributário foi constituído com exigibilidade suspensa. Cientificada do lançamento, inconformada, a recorrente impugnouo (fls. 317/339, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; b) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2º, inciso I da CF); c) A disposição constitucional referese à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportações e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; d) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; e) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo. A autuação é indevida, por exorbitar os termos da imunidade tributária prescrita no § 2º do art. 149 da CF; f) As variações monetárias ativas decorrentes do fechamento dos contratos de câmbio se subsumem ao conceito de ‘receita decorrente de operação de exportação’; g) O crédito que goza a requerente com a variação cambial no fechamento do câmbio é direito creditório decorrente das operações de exportação imunes de tributação pela Cofins; h) Na ocasião do julgamento dos Recursos Extraordinários pelo STF, restou decidida a inconstitucionalidade da cobrança da Cofins sobre as receitas financeiras. Assim, a cobrança da Cofins sobre as receitas financeiras que no presente caso foram consideradas como receita bruta, é inconstitucional; i) Com base no artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito ICMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo anteriormente suportado na aquisição de insumos; Fl. 994DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15586.000672/200733 Acórdão n.º 330101.449 S3C3T1 Fl. 994 3 j) Somente pode ser enquadrado no conceito de receita o ingresso de divisas proveniente de contraprestação decorrente de fornecimento de bens ou serviços; k) Tanto o STJ como o STF tem entendimento pacificado no sentido de que a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP deve ser pautada pelos limites das Leis Complementares 07/70 e 70/91, ou seja, o resultado decorrente do fornecimento de bens e serviços; l) O STJ entendeu que o crédito presumido de IPI não pode figurar na base de cálculo do PIS/PASEP; m) Admitir a incidência do PIS e da Cofins sobre o crédito de ICMS equivaleria a nulificar a sistemática adotada pelo legislador, pois se restauraria a incidência em cascata daquele imposto sobre os insumos consumidos no processo produtivo voltado à exportação; n) Ainda que se entenda que o crédito presumido é receita, seria incabível a sua inclusão na base de cálculo da Cofins, uma vez que as receitas de exportação são isentas dessa contribuição.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente e determinou o cancelamento do lançamento, conforme Acórdão nº 1334.244, datado de 14/04/2011, às fls. 617/622, sob a seguinte ementa: “CRÉDITO TRIBUTÁRIO – EXTINÇÃO – AÇÃO JUDICIAL A decisão judicial passada em julgado, favorável ao contribuinte, extingue o crédito tributário exonerado, devendo a autoridade administrativa obedecer a seus termos” Por ter exonerado crédito tributário (contribuição) em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 629/633), alegando que a matéria em discussão foi discutida na esfera judicial, com decisão transitada em julgado a seu favor o que a torna definitiva. Assim, a decisão da DRJ não merece reparos, devendo ser mantido o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento do crédito tributário pela autoridade julgadora de primeira instância teve como fundamento a decisão judicial transitada em julgado, no mandado de segurança nº 99.00020359, proferida pelo TRF da 2ª Região, favorável à contribuinte, reconhecendo que não incide Cofins nas receitas financeiras e nas receitas decorrentes de cessão de ICMS para terceiros. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Dessa forma, correta a exoneração do crédito tributário, decidida em primeira instância, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado. O recurso voluntário não atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele não conheço. Conforme demonstrado, a decisão recorrida foi favorável ao contribuinte, exonerandoo da totalidade do crédito tributário lançado e exigido. Assim, o recurso voluntário interposto pela recorrente ficou prejudicado por falta de interesse de ação. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso de ofício e não conheço do recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 996DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11831.006793/2002-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL: A desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial, é necessária, em se tratando de créditos destinados compensação administrativa, de modo a impedir a dupla restituição. Quando os valores objeto de título judicial em fase de execução se referem a outros períodos de apuração, diferentes daqueles requeridos administra1ivamente, inexistindo, portanto, a possibilidade de duplo recebimento, não há que se cogitar de referida desistência, sobretudo porque, no caso, a ação de execução persegue apenas uma parcela do indébito reconhecido pelo Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Nos termos dos arts. 165 e 168, c/c art. 170-A, do Código Tributário Nacional, o prazo para a restituição ou compensação de indébito tributário, decorrente de decisão judicial, é de 5 (cinco) anos, contado do devido trânsito em julgado, que no caso, ocorreu em 24/11/1997, não afetando os pleitos da Recorrente, tendo em vista que desde a primeira declaração de compensação protocolizada em 13/11/2002, já constava a totalidade do indébito a ser compensado. Recurso Provido.
Numero da decisão: 3301-001.451
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação pela recorrente o advogado Natanael Martins, OAB/SP 60.723.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL: A desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial, é necessária, em se tratando de créditos destinados compensação administrativa, de modo a impedir a dupla restituição. Quando os valores objeto de título judicial em fase de execução se referem a outros períodos de apuração, diferentes daqueles requeridos administra1ivamente, inexistindo, portanto, a possibilidade de duplo recebimento, não há que se cogitar de referida desistência, sobretudo porque, no caso, a ação de execução persegue apenas uma parcela do indébito reconhecido pelo Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. Nos termos dos arts. 165 e 168, c/c art. 170A, do Código Tributário Nacional, o prazo para a restituição ou compensação de indébito tributário, decorrente de decisão judicial, é de 5 (cinco) anos, contado do devido trânsito em julgado, que no caso, ocorreu em 24/11/1997, não afetando os pleitos da Recorrente, tendo em vista que desde a primeira declaração de compensação protocolizada em 13/11/2002, já constava a totalidade do indébito a ser compensado. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação pela recorrente o advogado Natanael Martins, OAB/SP 60.723. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Amauri Amora Câmara Júnior, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de São Paulo (I), que julgou improcedente os pedidos de restituição de PIS/Pasep dos exercícios de 1988 a 1995, e não homologou as compensações declaradas, conforme sintetiza a ementa a seguir descrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 AÇÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO DA DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. OBRIGATORIEDADE. INOCORRÊNCIA. Vez que o sujeito passivo optou por apresentar declaração de compensação à Administração Pública, deve comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios (ex vi IN SRF n.° 21/97, n.° 210/2002, n.° 460/2004 e n.°600/2005). AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. PEDIDO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. As dividas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem (ex vi art. 10 do Decreto n.° 20.910/1932). DECISÕES DOS ÓRGÃOS SINGULARES OU COLETIVOS DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. As decisões administrativas, mesmo quando proferidas por órgãos colegiados, ausente lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares da legislação tributária, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos que não aquele objeto de sua apreciação; vinculando, dessa forma, apenas as partes envolvidas no respectivo litígio (ex vi art. 96 e art 100, II do CTN) Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11831.006793/200284 Acórdão n.º 330101.451 S3C3T1 Fl. 466 3 Solicitação Indeferida. Conforme bem descreve a parte inicial do acórdão recorrido, bem como em conformidade com os autos, “as declarações de compensação foram protocolizadas em 13/11/2002, no valor de R$154.077,36 (fls. 1 e 2); bem como em 28/11/2002, no valor de R$30.425,07 (fls. 130 e 131). Há, ainda, declarações de compensação protocolizadas em 30/4/2003, no valor de R$128.616,64, relativamente ao processo MF n.° 11831.002976/2003 10 (fls. 305 e 306); em 12/12/2002, no valor de R$151.248,01, relativamente ao processo MF\n.° 11831.007769/200262 (fls. 322 e 323); em 27/12/2003, no valor de R$1.173.803,59 relativamente ao processo MF n.° 11831.007686/200273 (fls. 327 e 328), todos juntados por anexação ao presente processo. Finalmente, há declarações de compensação encaminhadas por meio eletrônico, para fins de tratamento manual no que toca ao processo de representação MF n.° 10880.720917/200613; eilas: de 23/5/2003, no valor de R$217.417,93, e de 28/5/2003, no valor de R$78.423,38 (fls. 294 a 301). Os créditos em tela, por sua vez, são oriundos de sentença transitada em julgado em 24/11/1997, relativamente à ação judicial n.° 89.00393545 (fls. 348)”.(grifos acrescidos). Desta forma, a declaração de compensação mais antiga data de 12/11/2002 e a mais recente de 27/12/2003, sendo que o trânsito em julgado da v. sentença judicial ocorreu em 24/11/1997. Cientificada em 03/02/2009 (AR – fl. 386), a Recorrente interpôs em 02/03/2009, o recurso voluntário de fls. 387 e seguintes, aduzindo, em síntese, o seguinte: 1) Em 1989, a Recorrente ajuizou Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito a fim de que (i) fosse declarada a inexistência de relação jurídica que a obrigasse ao pagamento da Contribuição ao PIS nos termos dos DecretosLei n° 2.445/88 e n° 2.449/88 e, além disso, (ii) de que a União fosse condenada à restituição dos valores então já recolhidos no período de julho de 1988 a dezembro de 1988, cujos comprovantes de pagamento (DARFs) foram devidamente juntados à inicial da ação. 2) ao apreciar a Apelação interposta pela ora Requerente, o Egrégio Tribunal competente reconheceu o seu direito, determinando o recolhimento da Contribuição ao PIS com base na Lei Complementar n° 7/70 e a devolução dos valores indevidamente pagos. Vejase o comando do voto condutor: "Ante o exposto, dou provimento à apelação, para que o autor recolha o PIS com base na Lei Complementar n° 7/70, e que a União devolva ao autor os valores pagos a título de PIS com base nos DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88." 3) A decisão transitou em julgado no dia 21 de novembro de 1997. 4) Além da execução judicial iniciada, a Recorrente, valendose da carga declaratória da sentença transitada em julgado — que reconheceu a inconstitucionalidade dos DecretosLei e o direito do contribuinte de recolher a Contribuição ao PIS com base na LC n° 7/70 — utilizou o crédito relativo aos recolhimentos indevidos realizados no período de Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 janeiro de 1989 a setembro de 1995 (posterior ao objeto da Execução Judicial de sentença) para compensação com débitos próprios vincendos, pela via da DCOMP, relativos a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. 5) Sustenta que no Acórdão n° 20181.640 (DOC. 04), foi devidamente reconhecido o direito à compensação de créditos de PIS relativos à contribuição paga indevidamente, não sendo necessária a homologação da desistência da execução do título judicial, “...a desistência, perante o Poder Judiciário,, da execução do titulo judicial, no termos do art. 17; § 12, da IN n2 21/97, com a redação que lhe deu a IN n 2 73/97, e art. 37 da IN SRF nº 210/2002, necessária em se tratando de créditos destinados à compensação administrativa, de modo a impedir a dupla_ restituição.. Quando os valores objeto de titulo judicial em fase de execução se referem a outros períodos de apuração, diferentes daqueles requeridos administrativamente, inexistindo, portanto, a . possibilidade de duplo recebimento, não há que se cogitar da referida desistência”. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo o recurso ser conhecido. Conforme relatado, tratase solicitação de compensação de indébito decorrente da aplicação da semestralidade da base de cálculo dos inconstitucionais Decretos leis nº 2.445/88 e 2.449/88, relativamente ao PIS/Pasep apurado nos exercícios de 1988 a 1995, reconhecido por decisão judicial, com trânsito em julgado em 24/11/1997, sendo que a declaração de compensação mais antiga data de 12/11/2002 e a mais recente de 27/12/2003. Contraditoriamente, a decisão recorrida, ao mesmo tempo em que requer a comprovação da homologação da desistência da execução do título judicial, indeferiu o pleito também pelo fato de entender estarem prescritos os indébitos reclamados pela Recorrente. Inicialmente entendo que deve ser afastada a condição estabelecida pela IN nº 21/97 e 73/97, quanto à homologação da desistência da ação de execução do título judicial, pois, isso não impede a homologação das compensações, que pode ocorrer até mesmo sob condição resolutória, o que não pode é o contribuinte ser penalizado por algo que não deu culpa, pois, se ele espera, a homologação da desistência, correrá o risco de ver seus créditos prescritos. No presente processo, inclusive, a própria decisão recorrida alega que os créditos da contribuinte se encontram prescrito, desta forma como pode ser exigido do mesmo que aguardasse a homologação da desistência para só então protocolizar as compensações? Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11831.006793/200284 Acórdão n.º 330101.451 S3C3T1 Fl. 467 5 Aliás, a única condição imposta pelo art. 170A do CTN, com a modificação introduzida pela LC 104/2001, é quanto ao trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, in verbis: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." (grifo nosso). Este colegiado teve ocasião de decidir em 26/05/2010, em face da exigência imposta pela SRFB, que o prazo prescricional para a compensação de indébito reconhecido através de título judicial, só fluiria após a efetiva homologação da desistência, o que confirma relatividade da exigência, senão vejamos o teor da ementa, parcialmente transcrita, in verbis: PIS/PASEP. PEDIDO COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRAZO PARA A COMPENSAÇÃO. De acordo com as IN SRF nº 517/2005 e 600/2005, e art. 75, § 4º, IV, da IN RFB nº 900/2008, que dispõem sobre a “Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado”, o prazo para a compensação dos referidos créditos, contase da data do trânsito em julgado da decisão ou, da homologação da desistência da execução do título judicial. (Ac. 330100.533, rel. Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, julgado na sessão de 26/05/2010). Ainda em relação a esse ponto, peço vênia para transcrever a ementa do acórdão nº 20181.640, prolatado na sessão de 03/12/2008, de relatoria do ilustre conselheiro Maurício Taveira e Silva, que por longos anos abrilhantou este Conselho, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 30/0911995 COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO DO TÍTULO JUDICIAL: A desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo judicial, nos termos do art. 17, § V, da IN nº 21/97, com a redação que lhe deu a IN nº 73/97 e o art. 37 da IN SRF: nº 210/2002, é necessária, em se tratando de créditos destinados compensação administrativa, de modo a impedir a dupla restituição. Quando os valores objeto de título judicial em fase de execução se referem a outros períodos de apuração, diferentes daqueles requeridos administra1ivamente, inexistindo, portanto, a possibilidade de duplo recebimento, não há que se cogitar de referida desistência. Recurso voluntário provido. Realmente, faz todo sentido esse entendimento, caso na via administrava também esteja tratando de compensação, concomitantemente pleiteado na via administrativa, nada mais correto que se aguarde a homologação da desistência da execução do título judicial, para só então pleitear o mesmo pedido na via administrativa, o que não corresponde com a realidade do presente processo. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Ademais, após o trânsito em julgado da v. sentença, que ocorreu em 21/11/2997, a Contribuinte, ora Recorrente, deu início à Ação de Execução somente quanto à repetição do indébito relativo ao período de julho de 1988 a dezembro de 1988, no valor de R$ 384.913,27, pelo que importa dizer que na data dos pedidos de compensação, a mesma possuía créditos que não eram objeto da ação de execução. Passo então à analisar o segundo tópico do recurso, quanto á prescrição ou não de alguma parte do crédito reclamado. Dispõe o art. 156, X, do Código Tributário Nacional, ser causa extintiva do crédito tributário, a decisão judicial transitada em julgado. Conjugando os arts. 165, 168, e o art. 170A, do mesmo diploma legal, o prazo para a restituição/compensação para o sujeito passivo proceder ao pleito de restituição ou compensação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos do devido trânsito em julgado da decisão judicial. No caso em questão, as declarações de compensação foram protocolizadas em 13/11/2002, em 28/11/2002, em 30/4/2003, em 12/12/2002, em 27/12/2003, em 23/5/2003, e em 28/5/2003, “Os créditos em tela, por sua vez, são oriundos de sentença transitada em julgado em 24/11/1997, relativamente à ação judicial n.° 89.00393545 (fls. 348)”. Argumenta, porém, a Recorrente, que quando do recebimento da primeira Declaração de Compensação, que ocorreu em 13/11/2002 (ver. DECOMP fl. 6), feita em conformidade com as normas relativas aos procedimentos de restituição/compensação então vigentes, revela ato inequívoco que importa em reconhecimento do indébito pela Fazenda Pública, o que leva à conclusão de que a prescrição teria sido interrompida, nos termos do art. 174 do CTN. De fato, logo na primeira DECOMP (fl. 6/8), a Recorrente informou a totalidade dos créditos decorrentes de ação judicial (R$1.415.198,83), as demais DECOMP, posteriormente protocolizadas, foram apenas um desdobramento da primeira. Portanto, quando da protocolização da primeira DECOMP o crédito da recorrente ainda não havia decaído, contandose da data do transito em julgado da decisão judicial, que ocorreu em 24/11/1997. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar as declarações de compensação transmitida/protocolizadas, até o limite do crédito reconhecido pelo Poder Judiciário. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 11831.006793/200284 Acórdão n.º 330101.451 S3C3T1 Fl. 468 7 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.004819/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
EXCLUSÃO DO SIMPLES - COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF - Cabe à Primeira Seção do CARF analisar recurso contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre ato de exclusão de empresa do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, bem como a data de início de seus efeitos
LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.332
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. EXCLUSÃO DO SIMPLES - COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF - Cabe à Primeira Seção do CARF analisar recurso contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre ato de exclusão de empresa do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, bem como a data de início de seus efeitos LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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EXCLUSÃO DO SIMPLES COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Cabe à Primeira Seção do CARF analisar recurso contra decisão de primeira instância que tenha decidido sobre ato de exclusão de empresa do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL, bem como a data de início de seus efeitos LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 48 19 /2 00 8- 76 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.004819/200876 Acórdão n.º 2402003.332 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 39), o contribuinte informou em GFIP, nos períodos de 01/2004 a 12/2005 e de 10/2007 a 07/2008, o código 2 no campo destinado à informação quanto à condição de optante do SIMPLES, como se fosse optante por este sistema, ao invés do código 1, destinados às empresas não optantes. De acordo com a auditoria fiscal, foi realizada ação fiscal nas empresas relacionadas ao grupo econômicos Wester, o que determinou a exclusão da HS do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, pelo Ato Declaratório Executivo nº 50/2008, processo 13971.004392/200814, por constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas. A autuada teve ciência do lançamento em 21/11/2008 e apresentou defesa (fls. 44/63), onde solicita a aplicação do principio da retroatividade benigna, haja vista a alteração do dispositivo legal que define a multa aplicada, a qual passou a ser mais favorável ao sujeito passivo. Considera indevida a exclusão da empresa o SIMPLES e apresenta argumentação a respeito. Pelo Acórdão nº 0727.288 (fls. 87/93), a 6ª Turma da DRJ/Florianópolis julgou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo, onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente foi autuada por informar em GFIP o código correspondente às empresas optantes pelo SIMPLES indevidamente, haja vista ter ocorrido a exclusão do referido sistema de tributação por meio do Ato Declaratório Executivo nº 50/2008. A recorrente contesta sua exclusão do SIMPLES que teria se dado sob o argumento de que a HS e a Wester Indústria e Comércio Ltda constituem um grupo econômico e de que as pessoas físicas sócias da HS não têm poder de gerência na sociedade, sendo, laranjas. Traz vários argumentos para demonstrar a inexistência do grupo econômico. No entanto, tais argumentos não são pertinentes ao presente caso, uma vez que o lançamento aqui contestado não ocorreu com base no instituto da responsabilidade solidária entre as empresas envolvidas, situação em que a caracterização do grupo econômico deveria ser analisada. Vale salientar que o processo 13971.004392/200814 que trata do recurso contra o Ato Declaratório Executivo nº 50/2008, que excluiu a empresa do SIMPLES não foi distribuído a essa conselheira em razão de se tratar de matéria cuja competência para apreciação pertence à 1ª Seção do CARF, onde já se encontra à espera de distribuição. O presente processo, por sua vez, trata das contribuições destinadas aos terceiros, cujo lançamento ocorreu em virtude da exclusão da empresa do SIMPLES, a qual passou a ter o mesmo tratamento das demais empresas não optantes pelo referido sistema. Entendo que não cabe apreciar no julgamento do recurso apresentado contra o lançamento em tela as questões relativas à correção ou não do ato administrativo que excluiu a empresa do SIMPLES, uma vez que essas questões foram apresentadas no recurso contra o próprio ato de exclusão. Portanto, abstenhome de tratar tais matérias pela razão apresentada e também porque a competência para o julgamento da questão é da Primeira Seção do CARF. No que tange à multa aplicada, a recorrente alega que deveria ser aplicado o princípio da retroatividade benigna da lei, haja vista a multa prevista na legislação atual ser mais benéfica ao sujeito passivo. Observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.004819/200876 Acórdão n.º 2402003.332 S2C4T2 Fl. 4 5 “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13609.720049/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta.
ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS
Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF.
PRODUTOS IMPORTADOS
Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
Numero da decisão: 3803-003.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 305 1 304 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.720049/200921 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803003.704 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria PER/DCOM IPI Recorrente COMPANHIA MINEIRA DE METAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 49 /2 00 9- 21 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de compensação de crédito presumido de IPI relativo ao 4º trimestre/2002 para ressarcimento do PIS e da COFINS, nos termos da Lei n° 9.363/1996 e Lei n° 10.637/2002, por meio de DCOMP transmitida em 18.11.2004, conforme se evidencia das fls. 01/18, com a finalidade de quitar débito de IRPJ referente ao período de apuração de outubro/2004, pertencente a filial de CNPJ n.º 17.177.999/000222. A empresa possui como objeto social a exploração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais. Às fls. 210 foi exarado Despacho Decisório pela Delegacia de Sete Lagoas, por meio do qual o pedido de compensação foi indeferido com fundamento no fato de que a empresa já teria se apropriado de crédito em montante superior ao indicado na DCOMP em questão, seguindo as conclusões da Divisão de Fiscalização da repartição local, principalmente o Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI às fl. 194 e o Termo de Verificação Fiscal anexo às fls. 195.204. Depois às fls. 215/243 a Recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade contra a glosa dos créditos e apresentou defesa em relação aos seguintes pontos: a) discorreu a respeito do equívoco da Fazenda no que se refere a negativa do direito aos créditos presumidos em razão dos produtos estarem fora do campo de incidência do IPI, por se tratar simplesmente de NT; b) reclamou que os custos com energia elétrica e combustíveis geram créditos presumidos de IPI; e por fim contestou as conclusões de que os produtos importados não se enquadram no conceito de insumo e ainda requereu perícia. Todavia, importante mencionar, que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte nada reclamou a respeito das glosas que recaíram sobre os valores a aquisição de cimento. A DRF compreendeu que as aquisições de cimento efetuadas no mercado interno, não se enquadram no conceito de insumo, mas configuram material de reposição ou de partes do ativo imobilizado, com fundamento no Parecer Normativo CTS n.º 65/1979 e no art. 164, inciso I do Regulamento do IPI. Sobreveio a Decisão da DRJ às fls. 387/404, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI . PRODUTO NT As saídas de produtos classificados na TIPI com a notação NT não estão abrangidas no campo de incidência do imposto, não podendo ser consideradas no cálculo do crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. 2. CUSTO DE PRODUÇÃO Fl. 435DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720049/200921 Acórdão n.º 3803003.704 S3TE03 Fl. 306 3 As aquisições de energia elétrica, combustíveis, cimento não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário, a teor do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º, parágrafo único, da Lei 9.363/96, em consonância com o art. 164, inciso I, do RIPI/2002 e o Parecer Normativo CST 65/79. As aquisições de insumos importados também não integram a base de cálculo do crédito presumido por determinação expressa do art. 1º da Lei 9.363/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Tornase definitiva a exclusão de produto da base de cálculo do IPI efetuada pelo Fisco que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima indeferiu integralmente o pleito, indeferiu a preliminar de nulidade e depois compreendeu que as saídas de produtos NT não geram direito a crédito, com fulcro no art. 17 da Instrução Normativa da SRF n.º 419/2004. Manifestou ainda entendimento de que não são insumos os custos incorridos com o consumo de energia elétrica e combustível, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/1979 e do art. 164, inciso I, do RIPI/2002, além do fato de a empresa ter adotado a sistemática de apuração do crédito presumido a partir do que reza a Lei nº 9.363/96 e não o regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001. E por fim, negou ainda o direito aos créditos em relação aos produtos importados, sob o argumento de que o art. 1º da Lei n.º 9.363/96, apregoa que somente dará direito a crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS, quando incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a partir do seguintes argumentos: a) pleiteia nulidade da decisão de primeiro grau em razão do cerceamento de defesa, por não ter acolhido o pedido de diligência, pois segundo seu entendimento a realização de perícia seria necessária para comprovar que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo, bem como que são tributáveis pelo IPI; b) discorda que não teria atacado a glosa do crédito presumido referente as aquisições de cimento, na medida em que na Manifestação de Inconformidade requereu a nulidade do Despacho Decisório e neste sentido se insurgiu contra “todas” as conclusões do Fisco, inclusive em relação ao equívoco de excluir as aquisições de cimento da base de cálculo do crédito presumido; c) nulidade da decisão da DRJ em virtude da sua fundamentação legal equivocada, pois se baseou na IN n.º 419/2004, quando a apuração dos créditos ocorreu em período anterior. Assim, não pode o fisco indeferir o crédito presumido utilizando legislação posterior ao período de apuração; d) a glosa do crédito presumido foi indevida, pois a empresa realizada a industrialização dos produtos e estes são tributáveis, mas não estão sendo tributados “NT”, por liberalidade da Fazenda Nacional, logo não se tratam de produtos fora do campo da incidência do IPI; e) que não foi apresentado o fundamento legal para indeferir a inclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de produtos importados; f) a empresa possui o direito aos créditos presumidos por força da imunidade do art. 149, § 2º, inciso I da Constituição Federal, o qual determina que não incidirão as contribuições sobre as receitas decorrentes de exportação. g) Além do que, a Lei n.º 9.363/96 não fez qualquer menção de que as receias de exportação se refiram unicamente a produtos tributados pelo IPI, razão pela qual é ilegal o § 1º do art. 17 da IN n.º 419/2004, por ter restringido à Lei. h) o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Além do que o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo; Fl. 437DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720049/200921 Acórdão n.º 3803003.704 S3TE03 Fl. 307 5 Assim, uma vez apontados todos os argumentos de defesa o Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeiro grau para que seja realizada perícia com o propósito de que seja comprovado que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo e que se sujeitam à tributação do IPI; Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Conselheiro Juliano Lirani Inicialmente é preciso dizer que se trata de Recurso Voluntário tempestivo e por isso merece ser analisado. 1) DAS PRELIMINARES O contribuinte apresenta preliminar de nulidade da decisão prolatada pela DRJ em razão do “suposto” cerceamento de defesa. Alegou que não foi acolhido seu pedido de realização de perícia com a finalidade de demonstrar que os produtos sofrem industrialização e alegou ainda preliminar em relação ao reconhecimento do equívoco da decisão quanto a conclusão de não ter sido impugnada a glosa referente as aquisições de cimento. “Data vênia”, entendimento contrário, a preliminar suscitada em relação ao indeferimento do pedido de perícia não merece prosperar, tendo em vista que a DRJ sustentou adequadamente o motivo pelo qual deixou de acolher tal pleito, pois demonstrou que tal providência é realmente desnecessária para a solução do caso, principalmente por se tratar de produtos não tributados. Assim, pouco importa se ocorre processo de industrialização, quando na realidade a legislação do IPI determina que inexiste a obrigação de recolher o imposto em favor do Erário. Sendo assim, cabe tão somente rejeitar esta preliminar. Quanto a segunda preliminar, ou seja, aquela pertinente ao equívoco da decisão quanto a ausência de reclamação em relação a glosa dos valores de aquisição de cimento, observo que assiste razão do contribuinte, na medida em que compreendo que esta matéria foi controvertida pelo contribuinte, ainda que de maneira genérica, quando solicitou a reforma da decisão da DRJ. Deste modo, acolho esta preliminar para reconhecer a controversa quanto o creditamento das aquisições de cimento, restando a análise no mérito em relação a possibilidade do crédito presumido. 2) DO MÉRITO Em relação ao mérito, analisando as razões de recurso, percebese que o Recorrente formulou três pedidos: a) afastar o art. 17 da IN da SRF n.º 419/2004, que veda a obtenção de crédito presumido do IPI em face das aquisições de produtos não tributados por esse tributo; Fl. 438DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 b) buscar a não aplicação do Parecer Normativo CST n.º 65/1979 e do art. 164, inciso I do RIPI/2002 que impede o creditamento dos valores despendidos com energia elétrica e combustíveis; c) ver reconhecido seu direito aos créditos em relação a aquisição de cimento. 2.1) DA IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO Em relação a esta matéria pertinente ao creditamento do IPI relacionado a produtos com alíquota zero, não tributados e isentos, cumpre mencionar que o STF no RE 590.809 – RG/RS, julgado em 13.11.2008, conferiu repercussão geral ao tema. Assim, até dezembro/2012 havia determinação no art. 62A do RICARF para sobrestar o julgamento desta matéria neste colegiado. Entretanto, por força da Portaria n.º 001/2012 do CARF, agora o sobrestamento é aplicável tão somente em relação a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais (RE 574706), razão pela qual cabe o enfrentamento da questão neste tribunal administrativo. Assim, quanto a discussão pertinente as saídas dos produtos fabricados pela reclamante sob a notação “não tributados”, salvo melhor juízo, estes não devem integrar as receitas de exportação e a receita operacional bruta utilizadas no cálculo do crédito presumido do IPI, justamente em razão da inexistência de obrigação tributária em relação a este imposto nas saídas dos produtos beneficiados. O STF por meio do Recurso Extraordinário n.º 592.917 AgR/RJ, julgado em 31.05.2011, manifestou posicionamento no sentido de que inexiste direito a crédito presumido do IPI em relação as aquisições de insumos isentos, sujeito à alíquota zero ou não tributados. A premissa básica que fundamenta a impossibilidade do creditamento decorre do princípio da nãocumulatividade, pois a essência dela sistemática é a de que o direito à compensação nasce quando o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, já que neste caso se pressupõe a ocorrência da dupla incidência tributária, Entretanto, se não foi pago nada na entrada do produto, nada deverá ser compensado. EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da não cumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720049/200921 Acórdão n.º 3803003.704 S3TE03 Fl. 308 7 Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se dá sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) ou de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento. 2.2) DA INEXISTÊNCIA DOS CRÉDITO EM RELAÇÃO AS AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Quanto ao pedido de credito relacionado as aquisições de energia elétrica, o contribuinte afirma que o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Já o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo. Estes dispositivos apresentam a seguinte redação. Lei n.º 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (grifo) A Lei n.º 10.276/2001 em seu art. 1º confere direito a crédito em relação as aquisições de insumos, bem como energia elétrica e combustíveis utilizados no processo produtivo. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Lei n.º 10.276/2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (grifo) Refletindo a respeito do processo produtivo da empresa, ainda que seja considerando que a mesma possui como objeto social a extração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais, por certo que o combustível e a energia elétrica realmente não são indispensáveis para a obtenção do produto final, qual seja, o minério beneficiado, ainda que ajudem a integrar o custo do produto final. Além do que, é preciso observa que a jurisprudência aponta no sentido de que a energia elétrica e o combustível não se enquadram no conceito de insumo à Luz da Lei n.º 9363/96, ainda que reste demonstrado tratarse de despesas relacionada ao processo produtivo, razão pela qual não que se falar em reconhecimento de crédito no caso de energia elétrica e combustíveis. Além do que, cumpre citar a Súmula nº 19 do CARF. Citase no STJ o AgRg no REsp 913.433 / ES, julgado em 04/06/2009, cujo Relator foi o Ministro: Humberto Martins: AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL – TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – ART 1º DA LEI N.9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 23/97 –ILEGALIDADE. É pacífico no STJ que a IN/SRF 23/1997, por se tratar de norma hierarquicamente inferior, extrapolou os limites do art. 1º, da Lei n. 9.363/1996 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS.Agravo regimental da FAZENDA NACIONAL improvido.AGRAVO REGIMENTAL DO CONTRIBUINTE – PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – TRIBUTÁRIO – ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS – INSUMOS PARA EFEITO DE CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE.1. A aquisição e utilização de energia elétrica e combustíveis no processo produtivo não se caracteriza como insumo para fins de creditamento do IPI, porquanto não se incorporam no processo Fl. 441DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720049/200921 Acórdão n.º 3803003.704 S3TE03 Fl. 309 9 de transformação do qual resulta a mercadoria industrializada. 2. Precedentes: REsp 797.926/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 8.10.2007; AgRg no REsp 971.147/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19.12.2008; AgRg no REsp 675.613/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 5.11.2008; AgRg no REsp 1025758/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 23.10.2008.Agravo regimental do CONTRIBUINTE improvido. (grifo) Assim, ainda que a Lei n.º 10.276/2001 apregoe que geram direito de crédito presumido do IPI as aquisições de energia elétrica e combustíveis, prevalece a orientação de que não estas despensas não compõe o conceito de insumo. Além do que, é importante lembrar que a partir do Demonstrativo de Crédito Presumido anexo às fls. 123/128 o contribuinte de fato optou pelo ressarcimento a partir da regra disposta na Lei n.º 9.363/96 e não da Lei nº 10.276/2001. 2.3) DAS AQUISIÇÕES DE CIMENTO E PRODUTOS IMPORTADOS Uma vez superada a preliminar que visava demonstrar que o contribuinte havia controvertido a discussão relacionada as aquisições de cimento e que este insumo deve integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI, agora resta analisar se este produto integra o conceito de insumo. No Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente à fls. 201 dos autos, a repartição de origem conclui que as notas fiscais acostadas às fls. 173/175 referentes a aquisição de cimento, não geram direito a crédito presumido por se referir a material de reposição ou partes do ativo imobilizado. Com o objetivo de demonstrar o seu processo produtivo, a Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, mais precisamente às fls. 225/232, discorre detalhadamente a respeito das reações químicas e produtos resultantes. Entretanto, em momento algum faz referencia a respeito da utilização do cimento no processo produtivo, seja em sua Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, razão pela qual deixo de reconhecer o direito de crédito presumido às aquisições referente a este produto, conforme dispõe a Lei n.º 9.363/96. Por fim, em relação aos produtos importados também não há que se falar em direito a crédito premido do IPI, por força da vedação do art. 1º da Lei n.º 9.363/96, já que este dispositivo prevê que são passíveis de creditamento somente as aquisições de insumos adquiridos no mercado interno e desde que utilizados no processo produtivo. Ante o exposto, conheço do recurso, mas nego provimento. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 442DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10932.000653/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO INICIAL. NOTIFICAÇÃO ORIGINÁRIA ANULADA POR VÍCIO FORMAL. APLICABILIDADE ARTIGO 173, INCISO II, CTN.
Tratando-se de lançamento substitutivo de notificação fiscal anulada por vício formal, o prazo decadencial para constituição do crédito previdenciário desloca-se para a contagem inscrita no artigo 173, inciso II, do Códex Tributário, o qual estabelece como termo inicial a data da definitividade da decisão que decretar a nulidade da autuação por vício formal.
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado
na legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO.
Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº
8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório.
Recursos de Ofício Provido e Voluntario Negado.
Numero da decisão: 2401-002.645
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. PRAZO. TERMO INICIAL. NOTIFICAÇÃO ORIGINÁRIA ANULADA POR VÍCIO FORMAL. APLICABILIDADE ARTIGO 173, INCISO II, CTN. Tratandose de lançamento substitutivo de notificação fiscal anulada por vício formal, o prazo decadencial para constituição do crédito previdenciário deslocase para a contagem inscrita no artigo 173, inciso II, do Códex Tributário, o qual estabelece como termo inicial a data da definitividade da decisão que decretar a nulidade da autuação por vício formal. CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. REQUISITOS. NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos na legislação de regência vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, especialmente o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, devendo, igualmente, requerer aludido benefício mediante emissão de Ato Declaratório. Recursos de Ofício Provido e Voluntario Negado Fl. 273DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Igor Araújo Soares – Redator Designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000653/200897 Acórdão n.º 2401002.645 S2C4T1 Fl. 238 3 Relatório INSTITUTO METODISTA DE ENSINO SUPERIOR, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.184.8768, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte destinada a Terceiros (Salário Educação, SESC, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, em relação ao período de 01/2002 a 13/2003, conforme Relatório Fiscal, às fls. 79/81. Tratase de Auto de Infração (obrigações principais) lavrado em 18/12/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 10.904.964,40 (Dez milhões, novecentos e quatro mil, novecentos e sessenta e quatro reais e quarenta centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, a presente autuação fora lavrada em substituição da NFLD nº 35.685.2121, declarada nula pela Decisão Notificação nº 21.434.4/0147/2004, em razão da constatação de vício insanável. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 9a Turma da DRJ em Campinas/SP, achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, acolhendo parcialmente a decadência do crédito tributário, com base no artigo 150, § 4o, do CTN, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0526.147/2009, às fls. 165/170, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DESCUMPRIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo devidas aos Terceiros diversos, conforme determina a lei. ISENÇÃO. NÃO CUMPRIMENTO DE TODOS OS REQUISITOS. As entidades filantrópicas somente estarão isentas da contribuição relativa a Terceiros, se cumprirem cumulativamente todas as exigências contidas no artigo 55 da Lei 8.212/91. DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo que a Receita Federal do Brasil tem para constituir seus créditos. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Só se justifica atendimento a pedido de perícia, quando o fato não puder ser demonstrado pela juntada de documentos e se constatarem pontos duvidosos a serem elucidados. Lançamento Procedente em Parte.” Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 366 do Decreto nº 3.048/1999, e artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Instada a se manifestar a propósito da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 177/187, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela manutenção da decisão recorrida, na parte em que acolheu a decadência parcial da exigência fiscal, sobretudo em razão da edição da Súmula Vinculante nº 08 pelo Supremo Tribunal Federal. Após breve relato das fases processuais, das atividades desenvolvidas pela recorrente, além dos conceitos e evolução da legislação que contempla a imunidade e/ou isenção, assevera que, na condição de Entidade de Assistência Social, nos termos do artigo 6º da CF, é isenta das contribuições previdenciárias para a seguridade social, conforme preceitos contidos no artigo 195, § 7º, da Carta Magna. Insurgese contra a pretensão fiscal, trazendo à colação vasta argumentação a propósito da pretensa isenção da contribuinte, elencando o histórico de suas atividades, sustentando que a entidade cumpre todos os requisitos exigidos no artigo 14 do CTN e, bem assim, no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente sendo detentora do CEBAS desde 1972, ininterruptamente, em virtude dos pedidos de renovação efetivados, sendo totalmente improcedente o lançamento em epígrafe. Argumenta que a adesão da contribuinte ao PROUNI, nos termos da legislação de regência, lhe confere o direito de usufruir da isenção inscrita no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, inclusive abrangendo os dois últimos triênios. Defende que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Arremata pleiteando sejam aplicadas à hipótese vertente as disposições contidas na Lei nº 11.941/2009, a qual trouxe regras mais benéficas ao contribuinte, devendo retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto e Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000653/200897 Acórdão n.º 2401002.645 S2C4T1 Fl. 239 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a analise matéria posta nos autos. Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura da autuação deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte ao INSS, correspondentes à parte destinada a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados. Após apresentação da impugnação da notificada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0526.147/2009, às fls. 165/170, da lavra da 9a Turma da DRJ em Campinas/SP, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 366 do Decreto nº 3.048/1999, e artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. A DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem retificar o lançamento, excluindo as contribuições previdenciárias alcançadas pelo instituto da decadência, mais precisamente o período de 01/2002 a 11/2003, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, em face da existência de antecipação de pagamentos, consoante se extrai do excerto do Acórdão recorrido abaixo transcrito: “[...] Consta claramente no relatório fiscal que os recolhimentos que a empresa possuía não foram utilizados uma vez que se referiam exclusivamente à parte retidas dos segurados empregados. Assim, podemos entender que houve recolhimento parcial das contribuições em questão, relativas ao mesmo fato gerador, devendo portanto ser aplicado o § 4º do artigo 150 do CTN, já transcrito. [...]” Da análise dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito a seguir desenvolvidas. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 6 I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000653/200897 Acórdão n.º 2401002.645 S2C4T1 Fl. 240 7 Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 8 Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000653/200897 Acórdão n.º 2401002.645 S2C4T1 Fl. 241 9 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, conforme restou devidamente evidenciado no Acórdão guerreado, a partir da informação constante do Relatório Fiscal reconhecendo a existência de recolhimentos em relação à parte dos segurados, informada em GFIP, retida dos empregados e devidamente recolhida, como acima delineado. Assim, ocorrendo à comprovação de recolhimentos, em virtude dos fatos encimados, é de se manter a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 18/12/2008, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2003, inclusive, os quais se encontram fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Neste sentido, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, eis que agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, promovendo a retificação do crédito previdenciário nos termos acima delineados. Em vista do exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte da exigência fiscal em comento, suscitando deter imunidade/isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 195, § 7o, da Constituição Federal, c/c artigo 14 do Código Tributário Nacional e 55 da Lei nº 8.212/91, notadamente quando sempre cumpriu os requisitos para concessão e manutenção de referido benefício, a começar pelo CEBAS, detentora desde 1972, ininterruptamente, estando o procedimento fiscal apoiado em arbitrariedade sem qualquer fundamento legal. A corroborar esse entendimento, argumenta que a adesão da contribuinte ao PROUNI, nos termos da legislação de regência, lhe confere o direito de usufruir da isenção inscrita no artigo 55 da Lei nº 8.212/1991, inclusive abrangendo os dois últimos triênios. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000653/200897 Acórdão n.º 2401002.645 S2C4T1 Fl. 242 11 Acrescenta que a Medida Provisória nº 446/2008 assegurou a todas as entidades beneficentes a isenção dos tributos em referência, independentemente de decisão exarada pelo CNAS, sobretudo por ter contemplado que os pedidos de renovação do CEBAS foram automaticamente deferidos. Em que pesem as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida encontrase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui imunidade da cota patronal. Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 12 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Decisão recorrida, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido. Ao contrário, como se extrai do bojo da decisão de primeira instância, a contribuinte não obteve êxito em sua empreitada no sentido de demonstrar que requereu o reconhecimento da isenção em epígrafe, na forma que exige a legislação previdenciária, especialmente o artigo 208 do Decreto n° 3.048/99, então vigente, não havendo que se falar na pretensa isenção argüida pela notificada. Observese, ainda, que os pressupostos do benefício fiscal sob análise estabelecidos na norma legal supratranscrita, devem ser observados cumulativamente, razão pela qual o fato de a contribuinte deter o CEBAS, na forma que sustenta, seja por conta dos eventuais pedidos e/ou renovações ou mesmo em face da adesão ao PROUNI, não tem o condão de rechaçar a pretensão fiscal, uma vez não comprovado o cumprimento dos demais requisitos. Aliás, com a finalidade de afastar qualquer dúvida quanto à matéria, impende registrar que a autoridade previdenciária competente emitiu em 06 de Setembro de 1999, o Ato Cancelatório nº 001/1999, de fl. 133, cancelando a partir de 01/01/1994, a isenção da contribuinte, diante da inobservância dos incisos III, IV e V, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, o que veio a ser corroborado pela 4a Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, consoante se infere do Acórdão nº 04/00299/2003, às fls. 136/138. Dessa forma, não há se falar em irregularidade e/ou ilegalidade no procedimento adotado pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância aos dispositivos legais que regulamentam a matéria. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, porquanto incapazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000653/200897 Acórdão n.º 2401002.645 S2C4T1 Fl. 243 13 Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES 14 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pesem os fundamentos apontados pelo nobre e eminente relator utilizados para negar provimento ao recurso de ofício, ouso dele divergir no que toca ao termo inicial para fins de contagem do prazo decadencial reconhecido pelo v. acórdão de primeira instância. Naquela oportunidade a anulação do lançamento foi fundamentada no simples erro do cálculo da multa imposta, por ter sido indevidamente aplicada a redução de 50%, já que equivocadamente entendeu a fiscalização que as contribuições lançadas estavam declaradas em GFIP. Todavia, não o foram. Vejamos os fundamentos adotados pela r. Decisão Notificação ao anular o lançamento originário: 4.3 Assim, as contribuições levantadas nesta NFLD não encontravamse declaradas nas respectivas GFIP, não possuindo a empresa o direito a redução da multa de mora em cinqüenta por cento; 4.4 Diante da impossibilidade de saneamento da referida falta, pelas limitações impostas pelo sistema informatizado desta Secretaria, temos um vicio insanável, nos termos do Parágrafo único, do art. 31, da Portaria MPS no 520, de 19/05/2004: O julgamento, naquela oportunidade, restou assim ementado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA DE MORA. VÍCIO INSANÁVEL. Constituise em vicio insanável a multa de mora aplicada a menor, devido a impossibilidade técnica de agravamento da'exigência inicial. NULIDADE DO LANÇAMENTO Tal situação, a meu ver, se caracteriza como mero erro formal, que gerou efeitos apenas com relação ao aspecto da exteriorização do fato gerador do lançamento, na medida em que se trata de mero erro na aplicação da multa e que não se enquadra nas situações descritas no art. 142 do CTN, de modo a macular a própria substância do fato gerador. A correção levada a efeito, como se verifica na presente oportunidade, simplesmente corrigiu o erro no cálculo da multa, de modo que os demais fundamentos adotados pela fiscalização para justificar o lançamento em momento algum deixaram de atender aquilo o que disposto no art. 142 do CTN e repetiram até o que constava no lançamento originário. Dessa forma, não vejo outra conclusão possível de ser adotada, senão pela aplicação ao presente caso do art. 173, II, do CTN, afastado no entendimento do v. acórdão de primeira instância. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10932.000653/200897 Acórdão n.º 2401002.645 S2C4T1 Fl. 244 15 Logo, tendo em vista se tratar de um erro de caráter meramente formal, o disposto no supramencionado artigo do CTN, tem o condão de deslocar o termo inicial da contagem do prazo decadencial como sendo, a partir de então, a data do trânsito em julgado da decisão que anulou o lançamento. Uma vez que o trânsito se deu em 13/12/2004, data de sua homologação (fls. 85) e considerando que a ciência do presente lançamento se deu em 18/04/2008, tenho que não subsistem períodos decadentes a serem reconhecidos na presente assentada. DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, acompanhando o relator quanto aos demais fundamentos lançados em seu voto. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/12/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10970.720028/2011-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDENCIA. SERVIDOR NÃO EFETIVO. DETENTOR DE FUNÇÃO PÚBLICA. RGPS. EC 20/98. RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADOR.
O lançamento deve ser devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011.
Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo
Os servidores não efetivos, detentores de função pública, devem contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Votação: Por Qualidade
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros- Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDENCIA. SERVIDOR NÃO EFETIVO. DETENTOR DE FUNÇÃO PÚBLICA. RGPS. EC 20/98. RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADOR. O lançamento deve ser devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo Os servidores não efetivos, detentores de função pública, devem contribuir para o Regime Geral de Previdência Social - RGPS. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Votação: Por Qualidade (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros- Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes
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CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPROCEDENCIA. SERVIDOR NÃO EFETIVO. DETENTOR DE FUNÇÃO PÚBLICA. RGPS. EC 20/98. RESPONSABILIDADE. ADMINISTRADOR. O lançamento deve ser devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo Os servidores não efetivos, detentores de função pública, devem contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 28 /2 01 1- 12 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. Votação: Por Qualidade (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 533DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.720028/201112 Acórdão n.º 2301003.049 S2C3T1 Fl. 533 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela prefeitura municipal do Município de Rio Parnaíba em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário previdenciário referente ao período de 03/2006 a 12/2008, inclusive o décimo terceiro salário da competência de 2008. 2. Conforme descrito no relatório fiscal de ff. 37/41, o auto de infração lavrado referese a contribuições sociais previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre a remuneração paga a servidores contratados, comissionadas, agentes políticos e membros do conselho tutelar do município que não foram informados em Guias de Recolhimento do FGTS (GFIP). 1. Este relatório é parte integrante dos autos de infração – AI, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte de segurados da empresa e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), conforme descrito abaixo: (...) 3. O município manteve vinculado em seu Regime Próprio de Previdência Social – RPPS categorias de servidores, cuja vinculação tornouse obrigatória ao RGPS – Regime Geral de Previdência Social, a partir de 16.12.1998, por força do artigo 40, “caput” e § 13 da Constituição Federal, com redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15.12.1998. 3.1. As categorias de servidores indevidamente vinculadas ao Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Rio Paranaíba – IPSEM são os contratados, comissionados, agentes políticos e membros do conselho tutelar, conforme relacionado no ANEXO I do presente relatório. 3.2. O município elaborou Folhas de Pagamento de Salários para essas categorias com destaque de contribuições ao IPSEM. Anexamos parte das Folhas de Pagamento de Salários de servidores contratados das competências 07/2006 e 07/2008 a título de exemplificação. 4. O município não informou em GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, os segurados relacionados no ANEXO II, onde menciona mensalmente os NOMES DOS SERVIDORES, VALORES BASE e ABONOS. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Neste anexo foram destacados dois cálculos das contribuições de segurados para o RGPS, um cálculo foi efetuado sobre a mesma base considerada pelo município para cálculo para contribuição do IPSEM e outro sobre os ABONOS concedidos em decorrência de Leis Municipais, tais como nºs 1.129/2006, 1.162/2006, 1.189/2007 e 1.230/2008 em anexo. 3. Além disso a fiscalização aplicou penalidades por descumprimento de obrigações acessórias, tendo em vista que considerou que o município apresentou dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciária e apresentou GFIPs com incorreções e omissões (f 40). 4. Na sequência, a empresa foi devidamente intimada em 18/03/2011 conforme Aviso de Recebimento juntado à f. 307 e apresentou impugnação tempestiva às ff. 310/328. 5. No entanto, ao analisar as alegações trazidas pelo município, a primeira instância administrativa julgou improcedentes seus pedidos, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. 6. A decisão restou ementada às ff. 491/507, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 37.314.7899 Ementa REGIME PRÓPRIO MUNICIPAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. A filiação de segurados ao Regime Próprio de Previdência Social deve guardar consonância com as diretrizes e preceitos da legislação constitucional e infraconstitucional Federal, abrangendo apenas os servidores de cargos efetivos. FILIAÇÃO DE SERVIDORES NÃO EFETIVOS AO RGPS. Os segurados contratados, comissionados e agentes políticos filiase ao Regime Geral da Previdência Social. DECLARAÇÃO EM GFIP Os fatos geradores e as contribuições não recolhidas ou não declaradas em GFIP oriundos de segurados não de cargos efetivos são objeto de lançamento fiscal pela Receita Federal do Brasil. 37.314.7902 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deve reter e recolher, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço. 37.314.7872 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.720028/201112 Acórdão n.º 2301003.049 S2C3T1 Fl. 534 5 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com os dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. 37.314.7880 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. INCORREÇÃO OU OMISSÃO DE INFORMAÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com incorreções ou omissões. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 7. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivo, às ff. 511/529, no qual aduz o seguinte: Preliminarmente, pugna pela nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa com base nos seguintes argumentos: a) não houve, tanto nos autos de infração de obrigação principal, quanto nos autos de obrigação acessória a descrição clara da conduta no relatório fiscal que motivou o lançamento e aplicação das multas. b) não foi possível identificar a legislação que deu origem à aplicação das multas por obrigação acessórias; c) a fiscalização não juntou aos autos as GFIP’s relativas aos meses que alega existir informação equivocada; d) não é verificável no AI DEBCAD 37.314.7902, sobre contribuição dos segurados qual foi a base de cálculo utilizada para calcular as contribuições dos segurados, pois há apenas a informação de valores apurados, sem fazer menção de onde tais valores foram encontrados. e) Por fim, sustenta que o auditor fiscal não apontou qual o valor da alíquota aplicada na contribuição; No mérito, por sua vez, argui: f) que o contribuinte estava dispensado de fazer a apresentação dos supostos dados na GFIP, uma vez que o regime de previdência do recorrente é próprio; Fl. 536DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 g) insiste que a inclusão dos servidores não efetivos foi feita em cumprimento ao previsto na lei municipal, apesar de reconhecer que a legislação municipal que criou o Regime Próprio de Previdência Social contém falhas, em especial o fato de incluir em seu regime os contratados e comissionados, em contradição ao disposto na Constituição Federal; h) reconhece que a administração procedeu a regularização dos servidores não efetivos somente em 01/2009, mas por sempre informar ao IPSEM a existência dos servidores contratados e comissionado, cumprindo, portanto, com a legislação, ainda que de forma errônea não deve ser penalizado; i) sustenta que não se pode penalizar o município em razão de uma interpretação equivocada da lei municipal, que até o presente momento não foi declarada inconstitucional, ou sequer foi revogada; j) aduz que as informações sobre os segurados eram prestadas na forma da lei, porém para a autoridade incompetente; h) alega que a Emenda Constitucional nº 20 não é autoaplicável, sendo, portanto necessário que cada ente regulamente o seu RPPS, pois somente no momento que a lei orgânica e a legislação infraconstitucional for modificada será possível proceder à exclusão dos servidores contratados e comissionados; i) ainda que exista preceito Constitucional, é imperioso que a lei municipal preveja a não inclusão dos contratados e comissionado no seu RPPS; j) requer a exclusão do nome do Sr. João Gutemberg de Castro, uma vez que o período de apuração das supostas irregularidades ocorreu durante o mandato do Sr. Jaime Silva. 6. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados a este Conselho para análise. É o relatório. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.720028/201112 Acórdão n.º 2301003.049 S2C3T1 Fl. 535 7 Voto Vencido Conselheiro Damião ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. A recorrente pleiteia a nulidade do auto de infração por entender que houve cerceamento de defesa. Ocorre que compulsando os documentos que deram origem ao auto de infração em questão, verificase que houve descrição de maneira clara e precisa da conduta que culminou na lavratura do auto, sem maiores esforços, isso pode ser constatado na redação do item 3 do relatório fiscal (ff. 37/49), onde está estampada a conduta praticada pela recorrente e nos itens que seguem a delimitação do lançamento, bem como os devidos esclarecimentos quanto a aplicação da multa, ao contrário do que sustenta a recorrente. 3. Quanto a alegação de que não foi possível identificar a legislação que deu origem à aplicação das multas por obrigações acessórias, mais uma vez equivocase o município, uma vez que às ff. 16/17 e 31/32 constam os fundamentos legais do débito. 4. O próprio relatório fiscal descreve que foram objeto de exame da fiscalização folhas de pagamentos de salários, GFIPS , notas de empenho, arquivos digitais das folhas de pagamentos, assim carece de razão a alegação de ausência de documentos para a identificação da base de cálculo, tendo em vista que todos os documentos mencionados foram fornecidos pela própria recorrente; 5. Da mesma forma, verificase devidamente indicada a alíquota aplicada no presente caso, conforme f. 31 dos autos, onde consta a fundamentação legal desta. 6. Assim, compulsando os autos, não se verifica qualquer vício quanto a lavratura do auto de infração que tenha cerceado a defesa do contribuinte de alguma maneira, tendo em vista que todos os preceitos exigidos pela legislação para a validade do ato administrativo foram atendidos. 7. Portanto, rejeito a preliminar suscitada pelo contribuinte tendo em vista que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. DO REGIME DA PREVIDÊNCIA SOCIAL 8. A recorrente argumenta que por uma interpretação equivocada da legislação municipal acabou incluindo em seu regime próprio, servidores que não possuíam cargo efetivo. No entanto sustenta que o administrador não agiu de máfé, pois sempre Fl. 538DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 informou ao IPSEM a existência dos servidores contratados e comissionados, cumprindo, com a legislação, “ainda que de forma errônea”. 9. Sustenta ainda que a Emenda Constitucional nº 20 não é autoaplicável, pois ainda que a Constituição Federal determine que somente os servidores efetivos farão parte do regime próprio do estado, é imprescindível que a lei orgânica e a legislação infraconstitucional do município faça a referida previsão legal. 10. Entende que somente a partir do momento que tais normas forem adequadas à Constituição Federal é que poderá ser retirado do sistema de previdência próprio do município os servidores contratados e comissionados. 11. Muito embora o arrazoado trazido pelo contribuinte, entendo que não merece guarida os argumentos levantados pela recorrente. 12. O argumento da recorrente no sentido de o texto constitucional não ser autoaplicável não prospera, uma vez que não seria razoável, tampouco atende às normas jurisdicionais, submeter ao crivo da legislação municipal a eficácia de uma norma constitucional, sendo que essa está hierarquicamente superior às normas municipais. 13. Ademais, segundo consta do relatório fiscal as contribuições previdenciárias incidem sobre valores pagos a servidores não efetivos ocupantes de cargo em comissão, contratados, agentes políticos e membros do conselho tutelar, todos de recrutamento amplo. Ressaltese que em nenhum momento a recorrente contesta tal fato, ao contrário, reconhece de pronto a falha na inclusão desses servidores em seu regime próprio e limitase a dizer que não houve máfé do administrador ao interpretar erroneamente a legislação. 14. Ocorre que não assiste razão no argumento da recorrente , tendo em vista que após o advento da Emenda Constitucional nº 20/1998, ficou definido que apenas os servidores efetivos poderiam integrar o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) segundo dispositivo constitucional 40, caput, da Carta Magna: “Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98)” 15. Nessa esteira, o disposto no artigo 1º, inciso V, da Lei 9.717/98 que regulamentou o artigo 40, caput, da CF/88 e dispôs sobre as regras gerais para a organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, corroborou o disposto no artigo supra citado, in verbis: “Art. 1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: V cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente Fl. 539DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.720028/201112 Acórdão n.º 2301003.049 S2C3T1 Fl. 536 9 estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios;” 16. Na mesma linha de entendimento o artigo 13, da Lei 8.212/91 se manifestou, com a redação da Lei 9.876/99: “Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social.” 17. Dito isso, podese afirmar que tão somente os servidores efetivos estão submetidos ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). 18. Assim, tomando por base essas considerações, verificase que o lançamento fiscal abarca período posterior a Emenda Constitucional nº 20, de 01/03/2006 a 31/12/2008 que houve inclusão de servidores que estão vinculados obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Desta forma, corretamente aplicado o dispositivo constitucional. 19. Ademais, cumpre salientar ainda que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) possui sua jurisprudência pacificada no sentido de aplicar a Emenda Constitucional nº 20 e assim, incluir no Regime Geral da Previdência Social os servidores não investidos em cargo efetivo, conforme transcrevo ementas de julgamentos recentes dessa Câmara: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/05/2006 SERVIDORES PÚBLICOS NÃO EFETIVOS Servidores públicos não efetivos compulsoriamente estão vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. DIÁRIAS O total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal, integram o salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 2302001.868; Recurso 503932; data do julgamento 21/06/2012, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi; Segunda Seção de Julgamento / Terceira Câmara / Segunda Turma Ordinária) Fl. 540DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS ENTES PÚBLICOS SERVIDORES EFETIVOS EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO SERVIDORES IRREGULARES CONTRATO NULO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991 A partir da publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, que alterou o art. 40 da Constituição Federal, os servidores ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, ou contratados temporários, como os descritos na NFLD em questão não poderiam mais estar amparados por Regime Próprio de Previdência, aplicandose o RGPS, nos termos do § 13 do referido dispositivo. A fiscalização previdenciária é competente para caracterizar segurado empregado para efeitos previdenciários, sempre que presentes os requisitos descritos no art. 12, I da Lei 8212/91. A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições previdenciárias. (...) (Acórdão 2401002.283; Recurso 877872; data do julgamento 07/02/2012, Conselheira Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva; Segunda Seção de Julgamento / Quarta Câmara / Primeira Turma Ordinária) 20. Sendo assim, diante da inclusão de servidores não efetivos em regime diverso daquele a que estão necessariamente vinculados, mantenho o lançamento efetuado. CORESP 21. A recorrente requer que seja excluído o nome do Sr. João Gutemberg de Castro do rol dos responsáveis tributários, tendo em vista que o período de apuração das supostos irregularidade ocorreu durante o mandato do Sr. Jaime Silva. 22. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). 23. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” 24. De maneira que, sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do administrador. Nesse sentido leciona o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). Fl. 541DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.720028/201112 Acórdão n.º 2301003.049 S2C3T1 Fl. 537 11 25. In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. Nesse sentido, uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” 26. Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária do administrador da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), ante a ausência de provas no sentido da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos, devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas, no que dou provimento ao recurso voluntário nesta parte. CONCLUSÃO 25. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente; (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Relator em relação à co responsabilidade, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por dar provimento parcial ao recurso, para sejam excluídos, da relação de vínculos, as pessoas nela relacionadas, a fim de afastar a coresponsabilidade dos Fl. 542DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 administradores da recorrente pelos créditos lançados, tendo em vista a ausência de provas no sentido da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, a fim de afastar a coresponsabilidade dos representantes legais. No entanto, mantenho a lista nominal apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos de imediato em dívida ativa, somente com base na indicação trazida pelo fisco. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional É como voto. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10970.720028/201112 Acórdão n.º 2301003.049 S2C3T1 Fl. 538 13 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 14041.000211/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.325
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedida a conselheira Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarouse impedida a conselheira Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ronaldo de Lima Macedo– Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 21 1/ 20 09 -1 7 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000211/200917 Resolução nº 2402000.325 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa à parcela desses segurados não descontada e não recolhida em época própria, referente ao período de 03/1996 a 11/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 23/31), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 37/66) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0335.289 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 70/81) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, entendendo que: (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 83/92) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 94/95). É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000211/200917 Resolução nº 2402000.325 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isto porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à possível decadência do crédito tributário, levando em consideração o prazo previsto no art. 173, II, do CTN. Para que a contagem do prazo decadencial possa ser devidamente realizada, é mister que se tenha devidamente definido no processo qual a data em que o contribuinte foi notificado da decisão que anulou o lançamento anterior. No entanto, até o presente momento, tal data não foi devidamente comprovada. De acordo com o item 2 do Relatório Fiscal, a data da ciência da decisão que anulou o lançamento anterior teria ocorrido a partir de 18/02/2004, posto que esta data se refere à data da carta encaminhada pelo INSS à empresa, e não à efetiva data que esta obteve a ciência. “2. Cumpre observar que a ciência à Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004 (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” – destacouse Assim, é mister que o processo baixe em diligência para que a autoridade competente junte no processo cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Requerse também que a carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 do Relatório Fiscal, seja anexada ao processo. Caso a preliminar de decadência seja superada após a análise dos documentos apresentados pela fiscalização, poderá ser necessário analisar também o teor das notificações anuladas, bem como as decisões que as anularam. Assim, fazse oportuno requerer a juntada de cópia integral das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em síntese, requerse: (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Por fim, após as providências solicitadas, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e da sua manifestação, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720428/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa:
IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERTIDOS EM RENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se cogitar de repetição de indébito dos valores retidos pelas fontes pagadoras, depositados em juízo por ordem judicial e, finalmente, convertidos em renda em favor da União em face de decisão judicial transitada em julgado. Tendo sido desfavorável o resultado da demanda judicial, consolidou-se em favor da União o crédito tributário depositado em juízo e tendo em vista o princípio da unicidade de jurisdição estabelecido pela Constituição Federal não existe a possibilidade de rediscussão da questão na esfera administrativa.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO NO TEMPO DA LEI COMPLEMENTAR 118/2001.
Para os pedidos de restituição de indébito tributário, de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuízados ou apresentados administrativamente após de 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN, nos termos previstos no art. 3º da LC. 118/2005.
Numero da decisão: 1302-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Diniz Raposo e Silva.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Diniz Raposo e Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERTIDOS EM RENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se cogitar de repetição de indébito dos valores retidos pelas fontes pagadoras, depositados em juízo por ordem judicial e, finalmente, convertidos em renda em favor da União em face de decisão judicial transitada em julgado. Tendo sido desfavorável o resultado da demanda judicial, consolidou-se em favor da União o crédito tributário depositado em juízo e tendo em vista o princípio da unicidade de jurisdição estabelecido pela Constituição Federal não existe a possibilidade de rediscussão da questão na esfera administrativa. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO NO TEMPO DA LEI COMPLEMENTAR 118/2001. Para os pedidos de restituição de indébito tributário, de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuízados ou apresentados administrativamente após de 9 de junho de 2005, aplica-se o prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN, nos termos previstos no art. 3º da LC. 118/2005.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2196; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 376 1 375 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.720428/200891 Recurso nº 879.802 Voluntário Acórdão nº 1302000.955 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2012 Matéria RestituiçãoIRRF Recorrente CNH LATIN AMÉRICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DEPÓSITOS JUDICIAIS CONVERTIDOS EM RENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se cogitar de repetição de indébito dos valores retidos pelas fontes pagadoras, depositados em juízo por ordem judicial e, finalmente, convertidos em renda em favor da União em face de decisão judicial transitada em julgado. Tendo sido desfavorável o resultado da demanda judicial, consolidouse em favor da União o crédito tributário depositado em juízo e tendo em vista o princípio da unicidade de jurisdição estabelecido pela Constituição Federal não existe a possibilidade de rediscussão da questão na esfera administrativa. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. APLICAÇÃO NO TEMPO DA LEI COMPLEMENTAR 118/2001. Para os pedidos de restituição de indébito tributário, de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ajuízados ou apresentados administrativamente após de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN, nos termos previstos no art. 3º da LC. 118/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Diniz Raposo e Silva. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 04 28 /2 00 8- 91 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 377 2 Waldir Veiga Rocha – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Diniz Raposo e Silva. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 378 3 Relatório CNH LATIN AMÉRICA LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG., que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Contagem/MG.. Trata a lide de pedido de restituição de IRRF incidente sobre Operações de Hedge, no anocalendário de 1.999, cujos valores foram objeto de depósito judicial vinculado à ação nº 9900046277 que transitou em julgado em 06/06/2008. O pedido (fls. 01) foi protocolizado em 20/11/2008. Posteriormente, em 30/12/2008 e 20/11/2008, o contribuinte apresentou a DCOMP em formulário anexada às fls. 25 e a DCOMP eletrônica anexada às fls. 172/173, utilizando o crédito pleiteado no pedido de restituição sob análise. Antes da análise do pedido, o contribuinte prestou informações adicionais acerca do crédito pleiteado e apresentou cópias de livros Diário, Razão e Lalur e de fichas de DIPJ. Em sua resposta a interessada informou que “as receitas auferidas nas operações de hedge foram tributadas para fins de apuração do Lucro Real do anocalendário de 1999, pelo regime de competência. Dessa forma, tais receitas foram registradas contabilmente no ano calendário de 1999 e não foram excluídas da apuração do Lucro Real, tendo sido oferecidas à tributação no referido período”. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Contagem/MG.) os indeferiu, após concluir que o tendo transitado em julgado a ação em desfavor da interessada e convertido os depósitos em renda em favor da União, relativo ao IRRF, não há que se falar em indébito desses pagamentos. Entendeu a autoridade administrativa que analisou o pedido que o IRRF tem caráter de antecipação do IRPJ devido ao final do anocalendário, de modo que tais valores deveriam compor o saldo de ajuste do IRPJ ao final do exercício e então, se verificado saldo negativo de IRPJ, poderiam ser objeto de pedido de restituição. Na esteira de tal entendimento entendeu que o prazo para pleitear a restituição esgotouse em julho de 2005, considerando que o prazo final de entrega da DIPJ do exercício 2000 ocorreu no último dia do mês de junho de 2000. Assim, não haveria que se falar em restituição nem a título de Saldo Negativo de IRPJ nem de IRRF. Ao final considerou como não formulado o pedido, nos termos do artigo 57 da IN.RFB. nº 600/2008, dando o mesmo tratamento às Dcomp apresentadas, vinculadas ao pedido, cientificando o sujeito passivo da inaplicabilidade do rito processual do Decreto nº 70.235/1972 e da possibilidade de apresentação de recurso hierárquico, nos termos do art. 59 da Lei nº 9.784/1999. Cientificado do Despacho Decisório exarado pela DRF, o contribuinte apresentou, em 12/02/2010, o Recurso Hierárquico anexado às fls. 187 a 207, na qual questiona o mérito do entendimento dado pela autoridade administrativa que analisou o pleito e que fosse concedida a suspensão da exigibilidade dos débitos envolvidos, pela aplicação do art. 61 da Lei nº 9.784, de 1999. Ao final requereu a recepção do documento procotolizado como Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 379 4 manifestação de inconformidade e a sua remessa à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento; a reconsideração da decisão prolatada pela DRF nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999 e a concessão do efeito suspensivo ao recurso, conforme art. 61 da Lei nº 9.784, de 1999 e, ainda, a reforma da decisão recorrida na parte que declarou a prescrição da pretensão de utilização do crédito pleiteado. A Superintendência da Receita Federal da 6ª Região Fiscal – SRRF/6ª com base no art. 56 da Lei nº 9.784/1999 entendeu que “em se tratando de recurso aceito nos termos desse dispositivo legal, deve a autoridade recorrida, preliminarmente, pronunciarse sobre ele, reconsiderando ou não a decisão contestada, antes de o examinar a instância hierarquicamente superior”, determinando o retorno do processo à DRF/ContagemMG para as providências devidas. Em 30/03/2010, a interessada apresentou pedido de revisão de ofício do despacho decisório exarado (234/260), na qual reitera as razões apresentadas no recurso hierárquico. Paralelamente, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança (Processo Judicial nº 2010.38.00.0067549) visando obter tutela jurisdicional para que a DRF/Contagem MG processasse os recursos administrativos interpostos pela impetrante nos processos administrativos 13603.720428/200891 e 13.720010/201006 pelo rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, e o reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários controlados nos processos administrativos nºs 13603.720679/200956 e 13603.72011/201042, vinculados aos primeiros, enquanto perdurar o processo administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN. A justiça federal negou a liminar em relação ao presente processo, nestes termos: Assim, não há como acolher o pedido da impetrante, no que concerne à atribuição de efeito suspensivo ao recurso interposto contra o despacho decisório proferido nos autos do PTA de n. 13603.720428/200891, com base nas alegações que serviram de base para o deferimento de tal pleito quanto ao outro PTA em questão, eis que inaplicáveis as regras que tratam da compensação tributária à espécie, por se tratar de anterior pedido de restituição, este sim indeferido em face da prescrição operada, sob a ótica da Receita Federal, de maneira a tornar prejudicada pretensa e posterior compensação que seria correlata ao primeiro pedido, o de restituição, cujo acolhimento, então, seria seu pressuposto necessário. Não questionada a higidez do crédito tributário em si, senão a existência de indébito tributário (crédito do contribuinte), inaplicável o efeito suspensivo próprio às hipóteses em que se questiona aquele, plasmado no art. 151, III do CTN. Não obstante, em 08 de abril de 2010 a DRF/ContagemMG emitiu o Despacho Decisório nº 517, anexado às fls. 303 a 307, mediante o qual, cancela e substitui o despacho decisório nº 1.749, de 25 de novembro de 2009, fundamentado nos arts. 53 e 54 da Lei nº 9.784, de 1999 e as súmulas 346 e 473 do STF. ressaltando que “tal fato se dá porque o despacho anterior considerou indevidamente como não formulado o pedido de restituição de fl. 01”. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 380 5 A decisão recorrida sintetizou os principais argumentos e as conclusões contidas no novo Despacho decisório exarado, conforme abaixo transcrito: 15.2 Ressalta que o foco principal da lide tratada neste processo diz respeito ao “Pedido de Restituição” do IRRF depositado judicialmente, convertido em renda da União e com decisão transitada em julgado em 06/06/2008. 15.2.1 Esclarece que o contribuinte requer a restituição do IRRF como se decorrente de pagamento indevido. Assegura que tal pleito não pode ser atendido “porque seria concederlhe administrativamente o direito a um crédito pleiteado junto ao Poder Judiciário para o qual não logrou êxito.” 15.2.2 Cita os artigos 2º e 6º da Lei nº 9.430, de 1996 para esclarecer que “os recolhimentos de IRRF decorrentes dos depósitos judiciais convertidos em renda da União, por incidirem sobre receitas computadas na determinação do Lucro Real somente poderiam ter composto o saldo negativo do IRPJ apurado no final do exercício em que foram auferidas tais receitas, no caso em tela o anocalendário de 1999, exercício de 2000.” 15.3 Acerca do Saldo Negativo de IRPJ tece diversas considerações acerca da contagem do prazo decadencial, concluindo que “transcorrido o prazo de cinco anos, está extinto o direito de o contribuinte pleitear a restituição relativa ao saldo negativo de IRPJ apurado no final do exercício e, consequentemente, não há que se falar em restituição nem a título de Saldo Negativo de IRPJ nem de IRRF.” 15.4 Acerca das DCOMP’s que utilizaram o direito de crédito pleiteado no pedido de restituição, assevera que o art. 34 da IN RFB nº 900, de 2008 veda a tentativa de compensar débitos do sujeito passivo com crédito não passível de restituição, de modo que estas devem ser consideradas “não declaradas”, não se submetendo ao rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 1972. 15.5 Concluindo, decide: “não reconheço o direito creditório e indefiro o pedido de restituição de IRRF de fl. 01 e considero não declaradas as compensações aqui tratadas.” 15.6 Isto Posto, informa ao contribuinte da sua faculdade de apresentação de recurso adminsitrativo (sic) quanto à decisão de considerar não declaradas as compensações, sem a suspensão da exigibilidade dos débitos não compensados, nos termos do art. 59 da Lei nº 9.784, de 1999, e da apresentação da manifestação de inconformidade quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado no pedido de restituição. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. (fls. 311/336), trazendo, os seguintes argumentos, resumidos na decisão recorrida: 17. Apesar de reconsiderar o Despacho Decisório quanto ao pedido de restituição, que passou a “indeferido”, “a posição da Autoridade Fiscal continua equivocada, seja por sustentar no indeferimento do pedido as mesmas razões que levaram a consideralo (sic) anteriormente como não formulado, seja por manter o entendimento de que as compensações dos débitos vinculados ao crédito pleiteado devem ser consideradas como não declaradas.” 17.1 Assevera que “os efeitos dessa intimação dúplice reforçam a impossibilidade das compensações sem (sic) consideradas como não declaradas e, até mesmo, da tramitação segregada e com efeitos diversos dos dois recursos.” Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 381 6 17.2 Esclarece que foi intimada a apresentar dois recursos, um com efeito suspensivo para o indeferimento do pedido de restituição, endereçado à DRJ e, se for o caso, ao CARF; outro, destinado à Superintendência da SRRF, a princípio sem atribuição de efeito suspensivo. Menciona que “tratase de situação inusitada e até teratológica, uma vez que segrega procedimentos que se encontram desde o início diretamente vinculados”. 17.3 Tece novamente as mesmas considerações acerca da inexistência de vedação para utilização dos créditos pleiteados em DCOMP, e da inconveniência da tramitação em separado dos dois procedimentos – restituição e compensação. Invoca em seu auxílio os §§ 5º e 10 do art. 34 e art. 66 da IN RFB nº 900, de 2008. 17.3.1 Neste contexto, propugna pela análise conjunta dos dois procedimentos: pedido de restituição e DCOMP’s vinculadas, com os efeitos suspensivos previstos no art. 61 da Lei nº 9.784, de 1999. Pedido de Restituição 18. O manifestante descreve a origem do IRF, a motivação para o seu depósito judicial e a desistência da demanda, resultando na conversão do depósito em renda da União. Assevera que é inconteste a não dedução do IRF na apuração do Imposto de Renda AC 1999, apesar do oferecimento das receitas correspondentes à tributação neste período. 18.1 Argumenta que “o motivo para o indeferimento não está centrado na inexistência do direito de crédito ou na discussão de sua natureza jurídica ( crédito de IRRF ou Saldo Negativo de IRPJ), mas única e exclusivamente no entendimento pela prescrição do direito à sua utilização.” 18.2 Acerca da contagem do prazo decadencial, argumenta: “a contagem do prazo a partir da entrega da DIPJ seria correto se tivesse sido possível à recorrente ter, naquele momento, junto com o oferecimento da receita à tributação, deduzido os valores de IRRF”. 18.2.1 “Estando os valores de IRRF com a sua exigibilidade suspensa, não era possível a sua dedução na apuração do lucro real anual, já que não se tratavam de valores recolhidos antecipadamente a título de IRRF. Tanto que, se a recorrente obtivesse êxito na ação, levantaria os valores depositados”. “A existência do crédito passou a ser verificada somente após a conversão em renda dos depósitos judiciais”. 18.2.2 Defende ainda que “também não são as datas em que ocorreram as conversões em renda dos depósitos que devem ser consideradas como termo inicial do prazo prescricional. (...) Apenas com o encerramento da demanda judicial, ocorrido em 06/06/2008, tornouse definitiva e imutável a extinção do crédito de IRRF que fora objeto de conversão em renda.” 18.2.3 “Como ao final do exercício de 2000 não foi apurada base tributada de IRPJ, tais valores não constituiriam créditos de IRPJ devidos à União. Se não houvessem sido depositados, logicamente entrariam na composição do saldo negativo do período. Mas como foram depositados, ficaram de fora da apuração deste saldo.” Conclui que “no presente caso, não se trata de recuperação de saldo de IRPJ e sim de valores de IRRF antecipados e recolhidos posteriormente e que não se consolidaram como valores de Imposto de Renda legalmente devidos à União Federal.” Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 382 7 18.2.4 Aduz que, “o direito de crédito da recorrente possui natureza de indébito tributário, sendo o seu valor correspondente ao montante total da conversão dos depósitos judiciais (...) e sobre tal valor de principal do crédito deve incidir a SELIC, na data de sua constituição até a data da operacionalização da compensação, sob pena de locupletamento por parte da União Federal.” 18.3 Em outra linha argumentativa, defende que “devese adequar a forma de contagem do prazo prescricional ao entendimento pacificado do STJ acerca da restituição do indébito dos tributos sujeitos por homologação”, em que “a extinção definitiva do crédito tributário ocorre somente após a homologação expressa ou tácita do pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte”. Neste contexto, afirma que “o prazo de cinco anos somente se inicia após a extinção definitiva do crédito tributário, que se opera mediante a homologação tácita ou expressa.”. Ilustra com jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes. 18.3.1 Acrescenta ainda que a alteração promovida pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005 é inaplicável retroativamente e somente se aplica aos recolhimentos anteriores à sua vigência. 19. Por fim, requer, sem prejuízo dos pedidos preliminares já apresentados, a reforma da decisão recorrida na parte que declarou a prescrição da pretensão de utilização pela recorrente do crédito pleiteado neste processo. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0227.281, de 23/06/2010 (fls. 340/352), indeferiu a solicitação, conforme ementa, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Os procedimentos específicos do Decreto nº 70.235, de 1972 somente se aplicam aos casos expressamente previstos em lei. RESTITUIÇÃO IRRF A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade improcedente Ciente da decisão de primeira instância em 15/07/2010, conforme documento de fl. 355, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 16/08/2010 (registro de recepção à fl. 356, razões de recurso às fls. 356/373), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 383 8 1. Que a decisão recorrida está equivocada, pois não há que se falar em prescrição ao direito à restituição no presente caso; 2. Que o raciocínio feito pela autoridade tributária estaria correto caso se tratasse de valores de IRRF efetivamente retidos e recolhidos pela fonte e não de valores que foram depositados judicialmente; 3. Que a contagem do prazo a partir da entrega da DIPJ seria correta se tivesse sido possível a Recorrente ter, naquele momento; junto com o oferecimento da receita a tributação (o que no presente caso é incontroverso que ocorreu), deduzido os valores de IRRF, 4. Ocorre que devido à discussão judicial da legalidade da incidência do IRRF sobre os rendimentos de operação de hedge recebidos pela Recorrente e, principalmente, ao seu depósito judicial, não era possível a dedução de tais valores no momento da entrega de sua DIPJ; 5. Que estando os valores de IRRF com a sua exigibilidade suspensa, não era possível a sua dedução na apuração do lucro real anual, já que não se tratavam de valores recolhidos antecipadamente a titulo de IRRF. Tanto que, se a Recorrente obtivesse êxito na ação, levantaria os valores depositados; 6. Que a existência do crédito passou a ser verificada somente após a conversão em renda dos depósitos judiciais, o que se verificou em 26.12.2001 (valores referentes às retenções do Bank Boston S/A) e em 22.07.2005 (retenções do Citibank S/A). Nesse momento se verificou a extinção do crédito tributário de IRRF discutido no Mandado de Segurança n° 99.00.046277, nos termos do art. 156, VI do CTN.; 7. Que o art. 168, I do CTN dispõe que o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário; 8. Que, entretanto, também não são as datas em que ocorreram as conversões em renda dos depósitos que devem ser consideradas como termo inicial do prazo prescricional, pois, embora o crédito tenha passado a existir com as conversões dos depósitos em renda, ele não poderia, ser pleiteado pela Recorrente enquanto tramitava a ação judicial; 9. Que apenas com o encerramento da demanda Judicial, ocorrido em 06.06.2068, tornouse definitiva e imutável Fl. 449DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 384 9 a extinção do crédito de IRRF que fora objeto de conversão em renda; 10. Que, dessa forma, o direito de crédito da Recorrente possui natureza de indébito tributário, sendo o seu valor correspondente ao montante total da conversão dos depósitos judiciais (incluindo a remuneração incidente neste tipo de depósito, nos termos da legislação de regência) e que, sobre tal valor de principal do crédito, deve incidir a SELIC, da data de sua constituição (data da conversão) até a data da operacionalização da compensação, sob pena de locupletamento por parte da União Federal; 11. Que, na hipótese de não se reconhecer que o termo inicial do prazo prescricional no presente caso foi o dia em que se verificou o trânsito em julgado da ação judicial correlata, verificase igualmente a não ocorrência da prescrição, haja vista que a decisão recorrida reduz equivocadamente o prazo decenal previsto a época do recolhimento indevido para cinco anos; 12. Que se deve adequar a forma de contagem do prazo prescricional ao entendimento pacificado do STJ acerca da restituição do indébito dos tributos sujeitos por homologação, que consolidou o entendimento de que, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN, a extinção definitiva do crédito. tributário ocorre somente após a homologação expressa ou tácita do pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte; 13. Que o STJ afastou a aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que deu nova interpretação ao prazo prescricional, fixandoo em cinco anos; e, 14. Que, considerando que o pedido de restituição foi formulado ao final de 2008, antes de findado o prazo de 10 (dez) anos contado a partir da entrega da DIPJ/2000, deve ser afastada a prescrição e confirmado o direito creditório pleiteado pela Recorrente. É o Relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 385 10 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, portanto, dele conheço. A questão central do presente processo administrativo passa necessariamente pela correta identificação do indébito alegado pela interessada. No pedido de restituição formulado às fls. 01 o crédito alegado está identificado da seguinte forma: A recorrente alega, portanto, que possui direito à restituição de indébito referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre operações de Hedge no anocalendário de 1.999, cujos valores foram objeto de depósitos judiciais. Relata ainda que os referidos depósitos, vinculados à ação nº 9900046277 que transitou em julgado em 06/06/2008, foram convertidos em renda da União, a seu pedido, em 26.12.2001 (valores referentes às retenções do Bank Boston S/A) e em 22.07.2005 (retenções do Citibank S/A). A referida ação judicial, portanto, teve decisão final desfavorável à interessada, tendo transitado em julgado em junho de 2008. O mérito da discussão na esfera judicial referiase exatamente à exigibilidade do Imposto de Renda na Fonte sobre operações de Hedge, o que veio a ser confirmado pela decisão final do Poder Judiciário. Sendo assim, não há que se cogitar de repetição de indébito dos valores retidos pelas fontes pagadoras, depositados em juízo por ordem judicial e, finalmente, convertidos em renda em favor da União em face de decisão judicial transitada em julgado. Como bem afirma a recorrente, se ao final da discussão judicial tivesse o seu pleito acolhido, simplesmente faria o levantamento dos depósitos judiciais, sem discussão de qualquer ordem na esfera administrativa. Todavia, tendo sido desfavorável o resultado da demanda judicial, consolidouse em favor da União o crédito tributário depositado em juízo e tendo em vista o princípio da unicidade de jurisdição estabelecido pela Constituição Federal não existe a possibilidade de rediscussão da questão na esfera administrativa. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 386 11 Desta forma, revelase inviável o pleito da interessada, sendo irrelevante a alegação de que teria oferecido os rendimentos à tributação no anocalendário 1999. Tal fato somente teria relevo se a discussão estivesse centrada em pedido de restituição de saldo negativo do IRPJ, o que a própria interessada busca afastar com veemência em seu recurso. A recorrente alega que não poderia ter apurado saldo negativo do IRPJ, incluindo o montante dos valores depositados em juízo, pois sua exigibilidade estaria suspensa. Tal assertiva está correta, mas decorre unicamente de sua opção em recorrer ao Poder Judiciário visando a se eximir da retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre os seus rendimentos de Hedge. O exercício de seu direito de ação, porém, teve seus efeitos restritos à pretensão e ao respectivo provimento judicial. Em outras palavras; a discussão judicial no que concerne ao Imposto de Renda na Fonte em nada afetou as demais relações jurídicotributárias perante o Fisco Federal, seja no que concerne à apuração do quantum devido de IRPJ no ano calendário 1999, seja quanto ao exercício do direito a eventuais pedidos de restituição de indébito. Quaisquer interferências da discussão judicial relativa ao IRRF devido sobre os rendimentos de Hedge nas demais relações obrigacionais da recorrente, como sujeito passivo do IRPJ, deveriam estar necessariamente contidas no provimento judicial deferido, o que não é o caso deste litígio. Assim, como a pretensão da recorrente só se revelaria viável na perspectiva de repetição de indébito de saldo negativo de IRPJ apurado mediante a incorporação dos valores de IRRF depositados em juízo, para o seu reconhecimento haveria que ser ultrapassada a questão envolvendo a prescrição do direito à repetição de indébito. Como corolário, entendo que efetivamente o direito a eventual repetição de indébito relativo ao saldo de IRPJ do anocalendário 1999, tem início após a entrega da DIPJ do exercício 2000, o que ocorreu em 30/06/2000 (fls. 110/114). O direito de ação e aos recursos inerentes, exercidos pela interessada, à míngua de provimento judicial em contrário, não tem o condão de obstaculizar ou suspender o transcurso do prazo prescricional para o exercício do direito a repetição de indébito relativo ao saldo negativo de IRPJ. Assim, deve ser observado no presente caso o prazo de cinco anos estabelecido no art. 168, inc. I do CTN, com a interpretação dada pelo artigo 3º da Lei complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005. Com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, ficou definido pelo seu art. 3º, para efeito de interpretação do inciso I, do art. 168, do CTN, que a extinção do crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação ocorreria no momento do pagamento antecipado. Assim, nos termos dos dispositivos legais mencionados, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo qüinqüenal contado a partir do pagamento indevido. Ocorre que, de fato, como alega a recorrente foi questionada no Poder Judiciário a aplicabilidade da Lei Complementar aos fatos ocorridos anteriormente a sua vigência, tendo em vista o caráter interpretativo que lhe foi dado pelo art. 4º, o que implicaria a retroatividade da norma. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 387 12 Essa questão foi decidida recentemente pelo pleno do STF no julgamento do RE 566621/RS (sessão plenária de 04/08/2011, DJ 11/10/2011 – Relator Min. Ellen Gracie), com reconhecimento de sua repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, cuja ementa foi exarada nestes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do Fl. 453DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A Processo nº 13603.720428/200891 Acórdão n.º 1302000.955 S1C3T2 Fl. 388 13 novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tendo em vista a aplicação do o art. 543B, § 3º, do CPC ao referido julgado, impõese a observância daquela decisão por este colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. No caso dos autos, o pedido de restituição foi protocolizado em 20/11/2008. Assim, tendo sido feito o pedido após a entrada em vigor do art. 3º da LC 118/2001, deve ser observado o prazo prescricional de 05 anos contados do fato gerador que, neste caso, exauriu se em 30/06/2005. Nesse diapasão, ainda que o pedido de restituição fosse recebido como sendo saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, teria que ser indeferido em face da prescrição consumada. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 09 de agosto de 2012 Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCH A
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