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Numero do processo: 10725.002146/2008-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.088
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 5 a 8, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, para glosar deduções indevidas de despesas médicas, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.875,00, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002146/200833 Resolução n.º 2101000.088 S1C1T1 Fl. 37 2 IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 21), que: o lançamento é absolutamente insubsistente, tendo em vista a regularidade formal e material da dedução das despesas médicas constantes de sua DIRPF 2006/2005; a discordância da autoridade fiscal limitase aos aspectos formais dos recibos apresentados os quais sob a ótica desta autoridade não preenchem os requisitos estabelecidos no art. 80, III do RIR/99; não foi realizada qualquer espécie de diligência junto aos emitentes dos recibos para verificar a veracidade das prestações de serviços correspondentes; estando a discussão limitada ao rigor formal dos recibos a irregularidade dos mesmos, caso existente, pode ser suprida pela apresentação de recibo complementar contendo as informações consideradas faltantes nos recibos originários; neste caso pede que sejam feitas diligências e oficializados os profissionais para que apresentem os recibos complementares. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 19 a 26): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Limitamse a pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento ou de seus dependentes, devendo ser devidamente comprovados com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Geral de Contribuintes de quem os recebeu. Mantêmse as glosas das despesas médicas para as quais o contribuinte não apresenta documentos que supram as falhas apontadas pela fiscalização. DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. Considerase não formulado o requerimento genérico de realização de diligência sem o atendimento de requisitos legalmente previstos. A prova pericial destinase ao julgador que, quando considerála imprescindível, poderá determinála de ofício. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002146/200833 Resolução n.º 2101000.088 S1C1T1 Fl. 38 3 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO. A aplicação da multa de ofício e de juros com base na taxa Selic, previstos na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 05/10/2010 (fl. 29), a contribuinte apresentou, em 29/10/2010, o recurso de fls. 30 a 32, onde: a) afirma que apenas o rigor formal dos recibos estão em discussão, não tendo a autoridade fiscal realizado qualquer diligência junto aos seus emitentes para verificar a veracidade das informações; b) defende que as irregularidades formais podem ser supridas com recibos complementares, e solicita que sejam feitas diligências junto aos profissionais para esse propósito; c) solicita que seja revisto o percentual da multa de ofício e se excluam os valores correspondentes à taxa SELIC. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 35, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10725.002146/200833 Resolução n.º 2101000.088 S1C1T1 Fl. 39 4 Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte informou, em sua declaração de ajuste do exercício de 2006 (fl. 11), ter auferido rendimentos tributáveis de R$76.527,95, e deduziu despesas médicas no valor de R$ 26.821,81. A Fiscalização não admitiu a despesa de R$ 17.000,00, relativa ao recibo emitido por Robson Fonseca Menezes Moraes, CPF 079.712.79760, por falta de identificação do beneficiário do serviço prestado, bem como a despesa de R$ 8.000,00, correspondente ao recibo emitido por Viviane da Silva Escocard, CPF 095.557.23710, por falta de informação do endereço do emitente (fl. 6). A glosa foi mantida pelo julgador de 1a instância pelos mesmos argumentos. Tanto em sua impugnação, quanto no voluntário, a contribuinte afirma que os erros formais dos recibos podem ser supridos por informações complementares, e solicita que se realizem diligências junto aos profissionais nesse sentido. Entretanto, não encontrei nos autos cópias dos recibos médicos glosados, sendo impossível verificar se não atendem, de fato, os requisitos mínimos exigidos em lei. Diante do exposto, voto por baixar o processo em diligência para que a unidade de origem anexe aos autos cópias: a) do recibo de R$ 17.000,00, emitido pelo Dr. Robson Fonseca Menezes Moraes, CPF 079.712.79760; b) do recibo de R$ 8.000,00, emitido pela Dra. Viviane da Silva Escocard, CPF 095.557.23710; c) dos termos de intimação lavrados na ação fiscal; d) de quaisquer outros documentos constantes do dossiê da fiscalização que possam ser importantes para a solução da lide. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 08/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005296/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS.
Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR.
PAGAMENTO DE ABONO PECUNIÁRIO - PREVISÃO EM AC/CC - DESVINCULADO DO SALÁRIO - NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DA RUBRICA PRETENDIDA.
A alegação de que os valores descrito em folha de pagamento seriam na verdade abono pecuniário não pode ser acolhida se não comprova o recorrente o equivoco cometido, seja por meio de retificação contábil ou mesmo da própria folha de pagamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - BASE DE CÁLCULO DOS CARRETEIROS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Trazendo aos autos declaração de que encontra-se filiado a associação que ingressou em juízo para questionar a base de cálculo de 20% sobre a contratação de carreteiros, não há como apreciar as questões meritórias, face a concomitância de ação judicial.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS
Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, negar provimento.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - SEGURADOS EMPREGADOS - PAGAMENTOS INDIRETOS - DESCUMPRIMENTO DA LEI - - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS - DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS - ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR. PAGAMENTO DE ABONO PECUNIÁRIO - PREVISÃO EM AC/CC - DESVINCULADO DO SALÁRIO - NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DA RUBRICA PRETENDIDA. A alegação de que os valores descrito em folha de pagamento seriam na verdade abono pecuniário não pode ser acolhida se não comprova o recorrente o equivoco cometido, seja por meio de retificação contábil ou mesmo da própria folha de pagamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - BASE DE CÁLCULO DOS CARRETEIROS - DISCUSSÃO JUDICIAL. - RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Trazendo aos autos declaração de que encontra-se filiado a associação que ingressou em juízo para questionar a base de cálculo de 20% sobre a contratação de carreteiros, não há como apreciar as questões meritórias, face a concomitância de ação judicial. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, negar provimento. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO NO ACORDO OU CONVENÇÃO DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. Não demonstrou o recorrente que os acordos e convenções coletivas estipulavam metas ´para o pagamento de PLR. PAGAMENTO DE ABONO PECUNIÁRIO PREVISÃO EM AC/CC DESVINCULADO DO SALÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DA RUBRICA PRETENDIDA. A alegação de que os valores descrito em folha de pagamento seriam na verdade abono pecuniário não pode ser acolhida se não comprova o recorrente o equivoco cometido, seja por meio de retificação contábil ou mesmo da própria folha de pagamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS BASE DE CÁLCULO DOS CARRETEIROS DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 52 96 /2 01 0- 31 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Trazendo aos autos declaração de que encontrase filiado a associação que ingressou em juízo para questionar a base de cálculo de 20% sobre a contratação de carreteiros, não há como apreciar as questões meritórias, face a concomitância de ação judicial. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, negar provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.260.3726, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, no período de 01/2006 a 12/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 16 a 17, foram apuradas contribuições incidentes sobre remuneração paga aos seus segurados empregados, verificado através de folha de pagamento, registros contábeis e rescisões de contrato de trabalho relativa a pagamento de resultado econômico da empresa, nas competências 03,07,08,09,11 e 12/2006 pagos somente nas filiais 000722 e 001109. Além disso, a empresa recolheu as contribuições previdenciárias sobre os contribuintes individuais a seu serviço (carreteiros) sobre base de cálculo menor, utilizandose de percentual inferior ao estabelecido na legislação da espécie, ou seja, 11,71% ao invés de 20%, conforme demonstram planilhas anexas a este relatório. Logo, foram apuradas diferenças de base de cálculo no percentual de 8,29%, de 01 a 12/2006, valores esses que foram objeto também de lançamento nesse auto de infração. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 31/03/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 30 a 39. O processo foi baixado em diligência, tendo o auditor emitido informação fiscal, acerca dos argumentos trazidos pelo recorrente em sua impugnação, fl. 167: 1) O representante da empresa contesta, entre outros itens, os lançamentos relativos aos valores de participação dos lucros, informando que não cabe incidência de contribuição previdenciária. A empresa fiscalizada não apresentou a fiscalização nenhum documento constante no rol de exigências legais (Lei 10.101/00), ou seja: Comissão paritária e sindicato, metas e critério de distribuição e aplicação das metas para distribuição dos valores de participação nos lucros, entre outros. 2) A DRJ BH nos solicita informação conclusiva quanto ao lançamento referente ao CNPJ 17.245.325/001109 que segundo a defesa se refere a abono pecuniário desvinculado do salário concedido por força de convença coletiva. O representante da empresa contesta os lançamentos efetuados para a filial 001109 Rio de Janeiro, relativo aos meses de 03/2006 e 09/2006, informando que se trata de abono pecuniário e não participação nos lucros PLR. Apenas alega, anexando convenções coletivas, sem documento comprobatório do pagamento, como por exemplo, a folha de pagamento da empresa. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Anexamos a esta informação fiscal o resumo das folhas de pagamento da filial 001109 Rio de Janeiro, nas competências 03 e 09 de 2006, onde se verifica claramente o pagamento da PLR código 053, nos valores respectivos de R$ 9.050,00 e 10.091,60, exatamente os valores lançados, comprovando que se tratam de participação nos lucros PLR e não abono pecuniário como afirma o ilustre representante da empresa,. Anexamos, também, tabela de incidência nos pagamentos feitos pela empresa, que comprova o código utilizado de 053 PLR. Todos os documentos anexados estão devidamente rubricados e carimbados pela empresa Minas Goiás e pelo Auditor Fiscal. Aproveitamos para anexar também os resumos das folhas de pagamento da filial 000722 São Paulo e Frota SP, onde se comprova o pagamento da PLR também nesta filial. Devidamente cientificado, manifestouse o recorrente, fl. 335, no sentido que a verba paga por erro na folha de pagamento com a nomenclatura PLR é na verdade abono pecuniário, não sofrendo incidência de contribuição previdenciária. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 179 a 185. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher, dentro do prazo legal, as contribuições devidas às terceiras entidades, que incidem sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a seu serviço. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CARRETEIROS. Incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais, nos termos da legislação previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS Parcela paga a título de Participação nos Resultados, em desacordo com a legislação pertinente, integra o salário de contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. Na esfera administrativa, não cabe discussão sobre inconstitucionalidade de norma. Os atos normativos que disciplinam a aplicação da penalidade foram regularmente observados e estão em consonância com as disposições constitucionais e legais. A multa foi aplicada nos termos da legislação de regência e respeitada a multa mais benéfica ao contribuinte, em observância ao previsto no art. 106,11, "c" do CTN. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 4 5 PROVA A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 210 a 233, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: Faz um breve relato dos fatos e apresenta suas razões para que seja considerado como verba não incidente de contribuição previdenciária, os valores pagos a título de participação nos resultados econômicos da empresa. Transcreve o art. 7 da CF Constituição da República, inciso XI, o art. 28, §9°, " j " , da Lei 8.212/91, cita jurisprudência do TRF Tribunal Regional Federal da Ia Região e afirma que a participação nos lucros ou resultados creditada, nos termos da Lei 10.101/2000, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa. Diz que, a convenção ou acordo coletivo de trabalho, como determina a Lei, é instrumento legítimo a regulamentar a forma de participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. O ajuste decorrente desse acordo ou convenção, não compõe, via de consequência, a base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados. Assevera que não possui programa próprio de participação nos lucros ou resultados. Em virtude disso, a participação de seus empregados nos lucros ou resultados fica condicionada ao disposto na CCT, conforme previsto no inciso II, do art. 2 o da Lei 10.101/00. Assim, não há que se falar que a impugnante descumpriu as disposições contidas no §2°, da Cláusula 2a da CCT de 2005/2006 e o §1° da Cláusula 2a da CCT de 2006/2007. A recorrente realizou os pagamentos em conformidade com a CCT, que foi fruto de negociação entre os empregadores e empregados. Todas as cláusulas da CCT, que tem caráter normativo, devem ser respeitadas, sob pena de incorrer em multa, a teor do contido nos artigos 611, 616 e 622 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. O pagamento da participação nos resultados econômicos da empresa, de caráter não remuneratório, foi realizado em conformidade com a CCT, com a Constituição Federal e a Lei Ordinária. Por tais razões, a exigência de contribuição previdenciária, parte patronal, sobre os valores pagos não pode subsistir. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 No mesmo contexto, alega o recorrente que não pode ser exigida a contribuição destinada ao SAT sobre os valores pagos a título de participação nos resultados econômicos, uma vez ser tal pagamento desvinculado da remuneração. Entende o recorrente, também, que não incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos a título de abono pecuniário. Em relação à filial 17.245.325/001109, a fiscalização sustentou que houve pagamento aos empregados relativos à participação nos resultados, nas competências 03/2006 e 09/2006, entretanto, tais pagamentos se referem a pagamentos de abono pecuniário. Conforme cláusula 3a da CCT, vigente em 2005/2006 e 2006/2007, o abono pecuniário é desvinculado do salário. Tal parcela não integra o salário de contribuição nos termos do item 7, alínea "e", do §9° do art. 28 da Lei 8.212/91. Cita ementa de entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ a respeito da questão e conclui que o lançamento fiscal deve ser julgado improcedente. Aduz o recorrente que o Auto de Infração deve ser julgado improcedente em relação ao lançamento de supostas diferenças de recolhimento da contribuição previdenciária relativa aos pagamentos realizados a contribuintes individuais carreteiros, estabelecimento CNPJ 17.245.325/0000137, competências 01.2006 a 12/2006. Conforme documentos anexos, a Impugnante recolheu a contribuição utilizando a base de cálculo de 11,71%, sobre a remuneração dos contribuintes individuais carreteiros, por força de decisão judicial. Em que pese a decisão ter sido reformada pelo TRF da 3a Região, existe recurso especial pendente de julgamento que poderá modificar a decisão. Traz artigo doutrinário sobre a inconstitucionalidade da fixação da base de cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos carreteiros por meio de Decreto, dispondo que somente a Lei poderia tratar tal matéria o que torna o lançamento, também, improcedente. Argui que a multa aplicada, no percentual de 75% sobre o valor atualizado do tributo supostamente devido, tem caráter confiscatório, art. 150, IV da Carta Magna e afronta o princípio da proporcionalidade e o direito de propriedade, art. 5o , XXII, da Constituição. Pede a redução da multa em 50%, o que entende ser razoável. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 210. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Em primeiro lugar , cumpre observar que fiscalização da DRFB possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. No mérito, foram atacados os salários indiretos considerados pela auditoria fiscal, como salário de contribuição para efeitos previdenciários. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos fatos geradores isoladamente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 6 9 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios entendeu a autoridade fiscal que assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Contudo, entendo que a questão tenha que ser melhor apreciada, considerando as caraterísticas dos pagamentos e as regras impostas pela lei aos seus pagamentos. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Em relação ao pagamento de PLR entendo que não logrou o recorrente exito em demonstrar o cumprimento da legislação para que as verbas sejam excluídas do conceito de salário de contribuição. Neste caso, não demonstrou o recorrente que os pagamento foi realizado nos moldes determinados pela lei 10.101. Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido integralmente o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, contudo entendo que não é esse o entendimento previsto na legislação. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 7 11 lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 8 13 dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente. Embora tenha alegado o auditor que durante o procedimento fiscal não foram apresentados os documentos pertinentes a comprovação do pagamento de acordo com a lei, trouxe o recorrente em sua impugnação, acordos e convenções coletivas para demonstrar a previsão de pagamento do PLR. Nesse sentido, aduziu o recorrente que a menção de pagamento de PLR no AC/CC, atribui legitimidade ao pagamento, cumprindo o rito descrito na norma, razão porque deve ser afastada a incidência de contribuição. Contdo, não concordo com a tese trazida pelo recorrente. Senão vejamos: DA ESTIPULAÇÃO DE METAS Ao contrário do entendimento externado pelo recorrente, a previsão em AC/CC, é apenas um dos requisitos, sendo que não conseguiu o mesmo demonstrar que houve a estipulação de qualquer meta, quando da realização do referido acordo. Ainda conforme descrito na informação fiscal, outro ponto que justifica o lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 nos lucros é o fato que inexistia estipulação de metas claras e objetivas, destacando os instrumentos o pagamento de uma parcela fixa em meses determinados. Nesse sentido, entendo que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Vejamos o que diz o art. 2º, § 1º da lei 10.101/2000: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Assim, conforme transcrito acima, “dos instrumentos DEVERÃO constar regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (...). Entendo que a expressão “podendo”, descrita no final do dispositivo legal, visou apenas indicar os incisos I e II, como exemplos, mas de forma alguma, afastou o estabelecimento de critérios. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados. Da mesma forma, não consegui vislumbrar o pagamento de abono pecuniário desvinculado do salário como argumentado pelo recorrente. Conforme já afastado pela autoridade julgadora, não basta argumentar, mas compete ao recorrente demonstrar suas alegações. . Trouxe o auditor em sua informação fiscal, que a rubrica paga na FOPAG sob o código 053, diz respeito a PLR. Alegou o recorrente tratarse de erro, posto que a única previsão em AC/CC seria para pagamento de abono, contudo não há como utilizar essa alegação para refutar o lançamento, posto não ter o recorrente comprovado qualquer retificação contábil, ou mesmo da própria folha de pagamento. NO caso, indicou o auditor os fundamento para o lançamento, competindo a empresa o ônus de demonstrar o equivoco cometido e proceder as retificações para que comprovasse ser a verba desvinculada do salário. Assim, entendo correto o julgamento realizado, de que deva a verba ser tida como PLR para fins de incidência de contribuição, uma vez que em relação a essa verba, não houve cumprimento dos requisitos, como já destacado no item acima. DAS DIFERENÇAS EM RELAÇÃO AOS CARRETEIROS. Quanto as diferenças apuradas em relação a base de cálculo dos carretos, também entendo que o procedimento adotado seguiu a legislação pertinente. Embora tenha ingressado em juízo, por meio de mandado de segurança coletivo por parte de sua associação, a Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 9 15 recorrente não obteve qualquer liminar que impedisse a constituição do crédito. Assim, entendo perfeitamente possível a apuração das contribuições devidas, inclusive para que se evite a ocorrência da decadência. Contudo, apenas em relação a apreciação das razões recursais, apresento posicionamento diverso da autoridade julgadora. Naquela oportunidade, entendeu o julgador que não havia o recorrente demonstrado a legitima representação da associação para ingressar em juízo, razão porque procedeu a análise do mérito em relação as diferenças dos pagamentos aos carreteiros. Na esfera recursal, trouxe o recorrente declaração da associação, demonstrando sua filiação em data anterior ao ingresso em juízo, o que no meu entender demonstra a legitimidade da representação em juízo. Isto posto, ao considerar a existência de ação judicial em nome do recorrente, em relação a base de cálculo considerada pelo auditor, no caso 20%, não há como adentrar ao mérito da questão, uma vez que a concomitância de ação judicial importa renúncia, como já pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. QUANTO AO SAT Em considerando legitima a base de cálculo, PLR, por conseguinte legítima a cobrança de contribuição para o SAT, conforme expressa previsão legal. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho – RAT (antigo SAT) é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.005296/201031 Acórdão n.º 2401002.899 S2C4T1 Fl. 10 17 recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, devese afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Assim, ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência estabelecimento de metas prévias nos acordos, assumiu o recorrente o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso para na parte conhecida NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 07/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720016/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CO-PROPRIETÁRIO. Por responsabilidade solidária, é válido o lançamento lavrado contra um dos co- proprietários. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental - ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alíneab´ e ‘c’ da Lei n. 9.393, de 1996). ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. DIVERGÊNCIA ENTRE A MEDIÇÃO E O REGISTRO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO. Na apuração do ITR, deve prevalecer, como área do imóvel, aquela constante do seu Registro. No caso de alegada divergência entre o registro e a área efetiva, o Contribuinte deve providenciar a retificação daquele. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CO-PROPRIETÁRIO. Por responsabilidade solidária, é válido o lançamento lavrado contra um dos co- proprietários. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental - ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alíneab´ e ‘c’ da Lei n. 9.393, de 1996). ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. DIVERGÊNCIA ENTRE A MEDIÇÃO E O REGISTRO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO. Na apuração do ITR, deve prevalecer, como área do imóvel, aquela constante do seu Registro. No caso de alegada divergência entre o registro e a área efetiva, o Contribuinte deve providenciar a retificação daquele. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.720016/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220101.374 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria ITR Recorrente ARMANDO ANGELINI Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COPROPRIETÁRIO. Por responsabilidade solidária, é válido o lançamento lavrado contra um dos co proprietários. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende exclusivamente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, uma vez que a efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, faz prova da existência da área de reserva legal, independentemente da apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. A exclusão da área de interesse ecológico ou imprestável para exploração depende do reconhecimento por ato dos órgãos ambientais do Poder Público Federal ou Estadual (art. 11, parágrafo 1º, inciso II, alíneab´ e ‘c’ da Lei n. 9.393, de 1996). ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. DIVERGÊNCIA ENTRE A MEDIÇÃO E O REGISTRO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DO REGISTRO. Na apuração do ITR, deve prevalecer, como área do imóvel, aquela constante do seu Registro. No caso de alegada divergência entre o registro e a área efetiva, o Contribuinte deve providenciar a retificação daquele. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento em maior extensão e o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que negava provimento pela ausência do ADA. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa em relação à retificação da área total do imóvel (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Notificação de Lançamento (fls.01/02) para exigir crédito tributário de ITR, exercício 2005, no montante total de R$291.951,67, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora, incidente sobre o imóvel rural, denominado Sítio ItaqueriSerra do Voturuna ou Boturuna (NIRF 4.774.2186), localizado no município de Pirapora do Bom Jesus/SP e cuja área total declarada é 484ha. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.07), que acompanhou o Auto de Infração foi alterado, com base no menor valor da tabela SIPT (fls.17), o VTN do imóvel declarado de R$404.812,50 para R$4.387.275,56 e glosadas integralmente as seguintes áreas: 80,0ha de preservação permanente, 96,8ha de Reserva Legal e 176,2ha de interesse ecológico. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, acostada às fls.55/71, acompanhada dos documentos de fls.72/111. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento para rejeitar as preliminares de nulidade arguidas pelo interessado, indeferir pedido de juntada de documentos e realização de diligencia e, no mérito, considerar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE n°04 17.407, fls.118/131 de 17 de abril de 2009, em decisão assim ementada: “ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Em processo administrativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos Atos Públicos, por tratarse de matéria reservada ao Poder Judiciário. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 220101.374 S2C2T1 Fl. 2 3 CONDOMÍNIO. A responsabilidade do recolhimento do crédito tributário lançado sobre um bem em condomínio, pelo principio da solidariedade, cabe a qualquer um dos condôminos. PRESERVAÇÃO PERMANENTE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. Para que a Área de Preservação Permanente APP seja isenta, além do laudo técnico especificando em quais artigos da legislação se enquadram, é necessário seu reconhecimento mediante o Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. Da mesma forma as Áreas de Utilização Limitada AUL, como a Reserva Legal ARL, necessitam do ADA no prazo legal para sua isenção, além de estarem devidamente averbadas na matricula do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL – APA. As Áreas de interesse ecológico, de preservação permanente ou APA, assim declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, não serão isentas do ITR se estiverem embasadas, somente, nessa declaração genérica, mas, sim, apenas as comprovadas e declaradas, em caráter especifico, para determinadas Áreas da propriedade particular e estarem devidamente regularizadas VALOR DA TERRA NUA VTN LAUDO TÉCNICO. O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Lançamento Procedente.” Cientificado da decisão da DRJ em 16/10/2009 (fls.134), o interessado apresentou na data de 16/11/2009, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 137/153, acompanhado dos documentos de fls.153/184, alegando em síntese, preliminarmente a violação ao princípio legal da verdade material e a inexistência de responsabilidade do recorrente pelo pagamento do ITR do imóvel rural, por ser proprietário de apenas 12,5%, além dos seguintes pontos: a) Equívoco quanto à base de calculo, quando da entrega da Declaração do ITR em 2004, foi informado que o imóvel rural possuía área de 484,0ha. Contudo, em novembro de 2003, foi requerido a uma empresa de consultoria especializada, um parecer técnico sobre as dimensões reais da propriedade, parecer este juntado aos autos, no qual foi constatado que a área real do imóvel é de 314,54 ha, sendo o referido laudo o fundamento da Ação de Retificação de Área e Registro ajuizada pelo Espólio de Thereza Cassettari Angelini, dando origem ao Processo n° Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 290/2004, em trâmite perante a 2a Vara Cível da Comarca de Barueri, cujas cópias foram juntadas aos autos. b) Indevido arbitramento do valor da terra nua, nos termos do artigo 14 da Lei n° 9.393/1996. Apenas em casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas é que a Secretaria da Receita Federal do Brasil poderia arbitrar o Valor da Terra Nua. c) O lançamento desconsiderou as áreas do imóvel que foram tombadas pelo Estado de São Paulo; destinadas à reserva legal e a área de servidão utilizada pela USELPA (Usinas Elétricas do Paranapanema S/A), violando o disposto nos artigos 10 e 11 da Lei no 9.393/96; d) Foi demonstrado, por meio de laudo técnico que o Recorrente juntou nos autos, a existência de uma Faixa de Servidão da linha de transmissão de energia que corta a propriedade em sua porção Norte, com cerca de 1.328,44m de perímetro, perfazendo uma área de 29.435,36 m2, o que é confirmado pela Certidão emitida pelo Oitavo Oficio de Registro de Imóveis também juntada aos autos. Por isso, tal área deveria ter sido excluída da base de cálculo para fins de quantificação do valor do ITR, nos termos da alínea "d", do inciso II, do artigo 10 da Lei 9.393/96. e) O Acórdão recorrido, no entanto, desconsiderou os documentos apresentados, mencionando a necessidade de laudo atestando a localização da servidão de passagem. f) Além da servidão, a Resolução do Estado de São Paulo n° 17, de 04 de agosto de 1983, determinou o tombamento da Serra do Boturuna, onde está localizada a propriedade rural objeto da autuação, o que comprova que parte da mesma é de utilização limitada e de interesse ecológico, nos termos da alínea "h" do inciso II do artigo 10, supracitado e deveria ter sido considerado para fins de quantificação do ITR. Se fosse necessário fazer esta prova, bastaria à Delegacia de Julgamento determinar a realização de diligência. g) Para demonstrar claramente este seu direito, requer a juntada do Relatório de Distribuição das Áreas de Interesse Ecológico e de Preservação Permanente da Propriedade Sitio Itaqueri, que demonstra a área abrangida pelo tombamento da Serra do Botoruna. Conforme a conclusão do laudo, tratase de 216,22 ha, praticamente 70% da área do imóvel, considerado o valor retificado (314,54 ha). h) Por fim, a Escritura Pública Declaratória emitida pelo Cartório de Pirapora também juntada aos autos, comprova que a Área de Reserva Legal do Sitio Itaqueri é de 20% da Área Total do Imóvel, o que também deveria ter sido excluído da base de cálculo do imposto federal, nos termos da alínea "a", do inciso II, do artigo 10 da Lei n° 9.393/96. i) A decisão de primeira instancia desconsiderou as áreas de reserva legal, por entender necessária a protocolização tempestivamente do ADA. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 220101.374 S2C2T1 Fl. 3 5 j) O contribuinte requer a juntada do Ato Declaratório Ambiental — ADA (fls.280), obtido no exercício de 2008, cuja área informada para a Reserva Legal já considera a Área de Interesse Ecológica mencionada no Relatório de Distribuição das Áreas de Interesse Ecológico e de Preservação Permanente da Propriedade Sitio Itaqueri. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.187 (última). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A.1) DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE PELO PAGAMENTO DO ITR DO IMÓVEL RURAL Antes de adentrarmos no mérito, devemos analisar a preliminar de nulidade por ilegitimidade passiva. Em linhas gerais alega o recorrente que o lançamento deveria ter sido feito em nome de cada um dos coproprietários, visto que é proprietário de apenas 12,5% do imóvel. Não obstante, esse entendimento não pode prosperar, devido a solidariedade entre todos os condomínios, enquanto indiviso o imóvel, nos termos do art. 124, I do CTN que dispõe: “SEÇÃO II Solidariedade Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” A solidariedade aplicase a todas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Referente expressamente ao ITR, o art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 prescreve: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. (grifei) Como se depreende da leitura do referido artigo, o fato gerador é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, todavia, a lei não acolheu qualquer forma de benefício de divisão, de tal sorte que o ITR poderá ser exigido de qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural, em uma das modalidades elencadas. Assim, a Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo de qualquer co proprietários, posto que, repise, não há na referida legislação, ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Sob este aspecto, portanto, o lançamento processouse nos limites da legalidade, devendo ser afastada a preliminar A.2) DO EQUÍVOCO QUANTOÀ BASE DE CALCULO O Recorrente, afirma que quando da entrega da Declaração do ITR em 2004, informou que o imóvel rural possuía área de 484,0ha. Contudo, em novembro de 2003, antes de iniciado o procedimento fiscal, conforme a data do Termo de Intimação Fiscal, 05/10/2007 (fls.14/15) foi requerido a uma empresa de consultoria especializada, um parecer técnico sobre as dimensões reais da propriedade (fls.165/175), no qual foi constatado que a área real do imóvel é de 314,54 ha, sendo o referido laudo o fundamento da Ação de Retificação de Área e Registro ajuizada pelo Espólio de Thereza Cassettari Angelini, dando origem ao Processo n° 290/2004, em trâmite perante a 2a Vara Cível da Comarca de Barueri, cujas cópias foram juntadas aos autos. A área do imóvel informada na DITR deve ser a mesma da escritura, sendo constatada que a mesma está incorreta, inclusive havendo ação judicial para retificação do mesmo, entendo que diante da verdade material deve ser esta a área considerada no lançamento. Até mesmo porque a retificação da declaração só poderá ocorrer quando transitado em julgado o processo judicial. Em vários outros julgados nesse Conselho, tenho acompanhado situações em que diante do georeferenciamento, o cartório altera a matrícula do imóvel, sem se fazer necessário qualquer demanda judicial. Essa diferença apurada entre as áreas foi assim explicada no Laudo: "Considerase que a retificação de limites identificados, dentro dos limites da técnica empregada, representa de forma precisa as divisas existentes da propriedade Sitio Itaqueri. "Devese ressaltar porém, o novo valor encontrado para a área da propriedade, significativamente menor em relação aos cerca de 484,08 ha, indicados no registro do imóvel de 1954. Atribui se esta diferença.a eventuais erros de cálculos ou escalas, haja visto que podese observar uma grande semelhança entre na forma do perímetro apresentado e o demarcado na planta de 1938" Ademais, a atual obrigatoriedade do georeferenciamento está prevista em Lei, conforme preceito do art.176, § 4º, da Lei 6.015/75, com redação dada pela Lei 10.267/01. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 220101.374 S2C2T1 Fl. 4 7 Neste tocante, entendo que cabe razão ao recorrente, devendo ser considerada como base de cálculo da área do imóvel passível de tributação, a área constante no Laudo de 314,54 ha. B) DO INDEVIDO ARBITRAMENTO DO VALOR DA TERRA NUA Referente ao valor do VTN, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer Laudo Técnico. É entendimento pacífico desse colegiado que para fazer prova do valor da terra nua é imprescindível laudo de avaliação expedido por profissional qualificado e deve atender aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. A decisão de primeira instância procedeu a um julgamento minucioso neste ponto. Apesar das inúmeras considerações constantes do Acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou no seu recurso voluntário Laudo Técnico ou qualquer documento novo que levasse ao convencimento que sua terra valeria bem menos do que as terras da mesma região. Assim, não há reparos a fazer nesse tocante. C) DA ISENCÃO DAS ÁREAS DE PRESERVACÁO PERMANENTE E DE UTILIZACAO LIMITADA Como é do conhecimento dos Nobres Conselheiros desse Colegiado, discordo do entendimento de que para exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente seja imprescindível a apresentação tempestiva do ADA, sendo esse mais um elemento de prova a pretensão do contribuinte. Analisando a legislação concluo que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o § 1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 8 lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art.2º e 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR, que dispõem, ex legis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 220101.374 S2C2T1 Fl. 5 9 de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). No caso específico, relativa a análise das áreas declaradas de preservação permanente e interesse ecológico, assim se pronunciou a decisão recorrida: “39. Com base nisso, para verificar a correição da declaração, o interessado foi regularmente intimado a apresentar documentos comprobatórios das áreas de florestas, tais como: Laudo Técnico, para comprovar a existência da Preservação Permanente, Matriculas do imóvel para comprovar averbação de AUL e ADA para comprovar a regularização para obtenção da isenção do ITR, bem como Laudo Técnico de Avaliação para demonstrar as fontes de pesquisas e critérios utilizado para obtenção do VTN declarado. 40. Os documentos apresentados pelo interessado são diversos ao solicitados, não sendo trazidos nenhum dos comprovantes necessários sendo, então, glosadas as áreas isentas e alterado o VTN, com a utilização dos valores constantes da tabela do SIPT, o menor de todos.” Sobre cada uma das áreas glosadas foram apresentadas as seguintes provas: Preservação permanente (80,0ha) Relatório de Distribuição das Áreas de Interesse Ecológico e de Preservação Permanente da Propriedade Sítio Itaqueri (fls.157/163), acompanhado da devida ART (fls.164), ADA protocolado em 2008, nos quais consta como área de preservação permanente área de 24,92ha. Reserva Legal (96,8ha) – Averbação de 20% na matricula do imóvel, fls.109/110, consubstanciado no Memorial Descritivo da Área de Reserva Legal, no total de 968.000 m2, ou seja, os 96,8ha e pelo Termo de Responsabilidade de Preservação de Reserva Legal (fls.110). Interesse ecológico (176,2ha) – Na fl. 160 do Laudo consta área de Interesse Ecológico de 216,22ha, compreendida pela Área Tombada e seu entorno imediato de 300 metros (Zona Tampão). Referida área se sobrepõe as áreas anteriormente declarada de Reserva Legal e Preservação Permanente, conforme Mapa CONDEPHAAT — Resolução 17 do Tombamento da Serra do Boturuna ou Voturuna. (fls.180). Servidão de Passagem utilizada pela USELPA (Usinas Elétricas do Paranapanema S/A) Certidão emitida pelo Oitavo Oficial de Registro de Imóveis, cuja área registrada é de 29.435,36 m2 (fls.100/101), a qual indica expressamente: “Consta do titulo, entre outras condições, que a presente servidão foi instituída, sobre o terreno descrito, para a passagem dos cabos de transmissão de energia elétrica, ficando assegurado aos devedores o direito à exploração do subsolo de tal terreno, obrigandose estes a respeitar uma Área circular com um eixo de 40ms, em volta das torres, a fim de não prejudicar a solidez e segurança das mesmas. Averbações: Não há” Passemos a analise de cada uma das áreas acima especificadas. No que se refere a área de Preservação Permanente dos 80,0ha, declarados, apenas 24,92ha foram comprovados através de Laudo. Por sua vez, a integralidade da área Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 10 96,8ha de Reserva Legal está averbada. Desse modo, referidas áreas que estão devidamente comprovadas devem ser afastadas do lançamento. No que se refere a Área de Interesse Ecológico, instituída pela Resolução do Estado de São Paulo n° 17, de 04 de agosto de 1983, que determinou o tombamento da Serra do Boturuna, onde está localizada a propriedade rural objeto da autuação, a mesma não pode ser reconhecida como área de interesse ecológico para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. A área de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas e comprovadamente imprestáveis para atividade rural, são aquelas declaradas mediante ato do órgão competente federal ou estadual, conforme previsão das alíneas “b” e “c do art.10, § 1º, II da lei nº 9.393/96: “b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual;” A legislação do ITR não prevê a exclusão de áreas genericamente inseridas em Áreas de Proteção Ambiental (APA), sem que se examine, em cada caso, o tipo de restrição da propriedade, o que deverá ser estabelecida por meio de ato específico. A norma, acima transcrita, referese explicitamente a ato do poder público reconhecendo a área como sendo de interesse ecológico. O ato que, genericamente, cria uma Área de Proteção Ambiental APA não exclui, automaticamente, a possibilidade de exploração econômica da propriedade, apenas a submete a um regime especial, com certas restrições e limitações, como as impostas Resolução do Estado de São Paulo n° 17, de 04 de agosto de 1983, no art.11 do Decreto 99.278/90 que proibiu instalações industriais e núcleos de carvoaria (art.10), mas permitiu a exploração de projetos turísticos (art. 04), base de pesquisa cientificas, parques industriais (art.05), inclusive permitiu a continuação das mineradoras, que tenham autorização do D.M.P.N e determinando que madeiras retiradas de glebas de sivilcutura, devem ser trabalhada fora da área de tombamento (art.10). A jurisprudência deste E. Colegiado é pacífica no sentido da necessidade de ato do órgão público especifico reconhecendo a área como de interesse ecológico, sob pena de glosa dos valores declarados a esse título, como se verifica das ementas abaixo transcritas: “ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. O sujeito passivo deve comprovar que a área que pretende excluir da base de cálculo do ITR foi reconhecida como de interesse ecológico por ato do Poder Público Federal ou Estadual. Recurso voluntário negado.” (Acórdão n° 220200.540 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , Sessão de 13 de maio de 2010) “ÁREAS DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE RECONHECIMENTO ESPECIFICO. Ainda que o imóvel rural se encontre dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, para fins de isenção do ITR, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou Fl. 222DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 220101.374 S2C2T1 Fl. 6 11 estadual para a área da propriedade particular. Recurso negado.” (Acórdão nº 220200.580 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária , Sessão de 17 de junho de 2010 ) No tocante a Servidão de Passagem utilizada pela USELPA (Usinas Elétricas do Paranapanema S/A), conforme explicitado na Certidão emitida pelo Oitavo Oficial de Registro de Imóveis, (fls.100/101), trata de um compromisso assumido pelo proprietário da terra que transmitiu , via contrato particular, a USELPA o direito da utilização da servidão de passagem. Assim não há que se falar em servidão ambiental, nos termos da alínea "d", do inciso II, do artigo 10 da Lei 9.393/96, mas de servidão contratada entre interesses particulares, inclusive ficou assegurado aos proprietários o direito a exploração do subsolo do terreno, obrigandose estes a respeitar uma área circular com um eixo de 40ms, em volta das torres, a fim de não prejudicar a solidez e segurança das mesmas. Neste ponto também não cabe razão ao recorrente. Quanto ao Valor do VTN arbitrado, não há reparos a fazer a decisão recorrida, pois sequer o contribuinte apresentou Laudo Técnico elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, devidamente registrada no CREA, com a devida observância dos requisitos da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Não cabendo, portanto revisão do arbitramento feito pela fiscalização, com base na tabela SIPT. Diante do exposto, dou provimento PARCIAL ao recurso para considerar como base de cálculo da área do imóvel passível de tributação 314,54 ha e restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Redator designado Fundamentação Divergi do bem articulado voto da i. Relatora apenas quanto à retificação da área total do imóvel. É que tanto o registro do imóvel, quanto o Cadastro do ITR apontam uma área de 484,0ha. Se, de fato, conforme alega o Recorrente, a área efetiva do imóvel é menor do que esta, deveria ter providenciado, primeiramente, a retificação do registro, e, em seguida o Cadastro do ITR. Notese que o Registro do Imóvel é o documento por excelência que define as características, localização e ocorrências relevantes do imóvel, não sendo mera formalidade que possa ser desprezada diante de informações prestadas por terceiros. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 12 Por estas razões, entendendo que deve prevalecer a área constante do Registro, é que não dou provimento ao recurso quanto a este aspecto. Conclusão Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso para restabelecer a integralidade da área de reserva legal de 96,8ha e a área de preservação permanente comprovada através de Laudo Técnico de 24,92ha. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 13896.720016/200811 Acórdão n.º 220101.374 S2C2T1 Fl. 7 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900256/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: DECOMP SALDO NEGATIVO DE CSLL
Periodo Apuração: 2003/2004
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1302-000.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perempto.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por perempto. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Melo Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros : Waldir Veiga Rocha, Diniz Raposo e Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Marcos Rodrigues de Mello. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10510900256/200888 Acórdão n.º 130200.868 S1C3T2 Fl. 55 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA. Observase nos autos que originalmente a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Aracaju. Depreendese pela descrição dos fatos, que o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP é diferente do apurado na DIPJ. O valor do saldo negativo da DIPJ é de R$ 11.380,83 e o da PER/DCOMP é de R$ 16.547,28. Regularmente notificada do indeferimento, a recorrente apresentou impugnação alegando em síntese que: Com relação a PER/DCOMP nº 27408.40316.120504.1.3.024432 esclarece que houve equívoco no preenchimento do valor e do período de apuração. Que o saldo negativo se originou no anocalendário de 2002, conforme DIPJ 2003. O referido crédito foi compensado posteriormente com valores de IRPJ a pagar nos seguintes períodos de apuração: Período de Apuração PER/DECOMP 12/2003 42849.99330.061107.1.3.027609 03/2004 27616.19689.261107.1.3.023175 07/2004 02238.43760.261107.1.3.022134 Para regularizar a situação retificou a DIPJ 2004 em 06/11/2007; DIPJ/2005 em 27/11/2007, DCTF´s referentes ao 4º trimestre/2003 em 07/11/2007, 1º trimestre/2004 em 27/11/2007 e 3º trimestre/2004 em 27/11/2007. A 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA, por unanimidade de votos, julgou improcedente a solicitação, fundamentando para tanto que: O objeto de manifestação de inconformidade é o cancelamento da Dcomp discutida neste processo. O cancelamento de Dcomp só pode ser providenciado por iniciativa do contribuinte, antes de qualquer intimação para a apresentação de documentos comprobatórios da compensação e estando o pedido pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido (Instrução Normativa SRF n° 600, art. 62 e parágrafo único e Instrução Normativa RFB n° 900, artigo 82 e parágrafo único). Destaquese que Empresa foi intimada, mais de um ano antes da emissão do despacho decisório, para sanear o pedido de compensação apresentado e nenhuma providência tomou. Assim, ante a inexistência do crédito apontado, devese prosseguir na cobrança dos débitos confessados. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO Processo nº 10510900256/200888 Acórdão n.º 130200.868 S1C3T2 Fl. 56 3 Voto Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Dispenso o exame do mérito uma vez que o recurso voluntário não pode ser conhecido por este órgão colegiado em vista de ter fluído o prazo legal de sua interposição, restando ocorrida à perempção. A recorrente tomou ciência do acórdão de primeira instância em 22 de julho de 2011 e somente protocolizou o recurso voluntário em 26 de agosto de 2011, portanto, decorridos mais de trinta dias da ciência. Assim dispõe o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal – PAF: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Cumpre registrar que não há no recurso em questão qualquer justificativa do contribuinte sobre a perda do prazo e no despacho de encaminhamento datado de 31/08/2011 o ilustre fiscal registra a intempestividade. Considerase assim definitivo o ato decisório de primeiro grau. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por MARCOS RO DRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 18471.001499/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SUPRIDA.
PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Cancela-se a exigência se há dúvida quanto ao real remetente de recursos ao exterior. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Nos casos em que não há evidências de que a empresa autuada é a real beneficiária de valores creditados em conta bancária no exterior, cancela-se a exigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1101-000.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem lhes dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente Substituta da Turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SUPRIDA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Cancela-se a exigência se há dúvida quanto ao real remetente de recursos ao exterior. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Nos casos em que não há evidências de que a empresa autuada é a real beneficiária de valores creditados em conta bancária no exterior, cancela-se a exigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem lhes dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente Substituta da Turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e João Carlos de Figueiredo Neto.
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OMISSÃO SUPRIDA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Cancelase a exigência se há dúvida quanto ao real remetente de recursos ao exterior. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Nos casos em que não há evidências de que a empresa autuada é a real beneficiária de valores creditados em conta bancária no exterior, cancelase a exigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. COFINS. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem lhes dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente Substituta da Turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 99 /2 00 6- 95 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001499/200695 Acórdão n.º 1101000.866 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório Na sessão plenária de 28 de janeiro de 2011 foi julgado o recurso voluntário interposto por CONTEMPORY VIAGENS E TURISMO LTDA contra decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I, que por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento formalizado em 20/12/2006, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 3.441.157,66. A autoridade lançadora, a partir de informações fornecidas pela 2a Vara Criminal Federal de Curitiba e vinculadas à empresa Beacon Hill Service Corporation, identificada como intermediária de diversas ordens de pagamento vinculadas a movimentações financeiras da extinta agência do BANESTADO na cidade de Nova Iorque (EUA), exigiu esclarecimentos da fiscalizada e, na ausência da comprovação exigida, concluiu pela omissão de receitas, dada a movimentação de recursos à margem da contabilidade, fundamentando suas conclusões no art. 281, II do RIR/99 nas operações em que a contribuinte constou como ordenante, e nos artigos 287, §1o, e 849, § 1o, inciso I do RIR/99, naquelas que constou como beneficiário. Além disso, o lançamento também veiculou presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários mantidos em contas no país, cuja origem não teria sido comprovada. Em primeira instância de julgamento foram canceladas apenas as exigências de Contribuição ao PIS e COFINS, pertinentes aos meses de outubro e novembro/2001, em razão da decadência. Apreciando o recurso voluntário da autuada, esta Turma de Julgamento acolheu o voto desta Relatora no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir as exigências correspondentes à presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários mantidos em contas correntes no país, bem como aquelas correspondentes a pagamento não contabilizado de 02/04/2002, no valor de R$ 165.436,14 (US$ 71.885,00) e a depósito bancário mantido em conta corrente no exterior, em 15/02/2002, no valor de R$ 28.310,52 (US$ 11.616,00). A decisão formalizada no Acórdão nº 110100420 (fls. 744/770), foi embargada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que alegou a existência de omissão a ser sanada. Aduziu, em síntese, que a exoneração do crédito tributário pautouse em dispositivo legal que trata apenas de penalidade tributária (art. 112 do CTN). Ademais, o Órgão Julgador teria sido omisso quanto à impossibilidade de se cancelar o lançamento, sem que tenha sido comprovada a origem dos recursos mediante documentação hábil e idônea, tal como prescrito pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Os embargos foram admitidos ante a constatação de que o voto condutor do acórdão embargado, de fato, apresenta obscuridade quanto às razões para afastar a presunção de omissão de receitas que motivou as exonerações na parte embargada. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001499/200695 Acórdão n.º 1101000.866 S1C1T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A obscuridade apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional verificase na seguinte parte do voto condutor do Acórdão nº 110100.420: Como relatado, a prova presente nos autos afirma que em 02/04/2002, na condição de Order Customer, a autuada, designada como B/O CONTEMPORY VIAGENS E TURISMO LTDARUA PROF.GABIZO 278RIO DE JANEIRO/BRAZIL, remeteu US$ 71.885,00 ao INTERNATIONAL BANK OF MIAMI MIAMI FL 33129, em favor de ESTHER CHUEKE 2121 SW 3RD AVENUE MIAMI, FLORIDA. No curso do procedimento fiscal, a contribuinte inicialmente alegou que a movimentação corresponderia a ingresso de valores, em reais, na contacorrente da Empresa, como pagamento de faturas correspondentes a serviços prestados ou a prestar (fl. 118) e, mais à frente, apenas apresentou cópia dos movimentos bancários escriturados em seu Livro Razão, devidamente analisada pela autoridade lançadora, que observou, em datas próximas a 02/04/2002, inexistir qualquer evidência que pudesse ser admitida como contabilização da operação em debate (fls. 124/125). Mas, circunstâncias semelhantes àquela operação se verificam em outra, realizada em 15/02/2002, na qual a autuada figura como beneficiária do valor de US$ 11.616,00, advindo da mesma conta favorecida pela remessa de 02/04/2002: Data: 15/02/2002 N° transf: 1213800046FP Valor US$: 11.616,00 Origem (Debit ID): Destino (Credit ID): MIAMI MIAMI FL 33129 Cliente (Order Customer): B/O ALVARO RODRIGUES — RIO DE JANEIRO X BRAZIL Nome debitado (Debit Name): Nome creditado (Credit Name): INTERNATIONAL BANK OF MIAMI MIAMI FL 33129 Outros dados (ACC Party): /30037244206 ESTHER CHUEKE 2121 SW 3RD AVENUE MIAMI, FLORIDA Beneficiário Final (Ult Bene): ESTHER CHUEKE Detalhes de Pagamento (Detail Payment): REF IN FAVOR OF CONTEWORY VIAGENS E TURISMO LTDA] E, neste caso também, embora não negando taxativamente ter realizado a operação, a contribuinte não identificou o lançamento que representaria a contabilização deste pagamento, bem como não apresentou qualquer documento que pudesse demonstrar a origem deste depósito, constatando a autoridade lançadora que nos registros do Livro Diário nesta data não havia qualquer operação de valor equivalente, em reais. Ocorre que, em recurso voluntário, relativamente a ambas operações, a argumentação da defesa é complementada com destaque ao fato de, naquelas Fl. 782DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001499/200695 Acórdão n.º 1101000.866 S1C1T1 Fl. 5 4 informações, o endereço associado a sua razão social ser o domicílio de seu ex sócio (Álvaro Rodrigues da Silva), o qual não integrava sua gerência, conforme cláusula 6a do Contrato Social que junta. Os elementos de fls. 615/622 evidenciam que Álvaro Rodrigues da Silva permaneceu na sociedade de 25/09/2000 a 01/06/2005, e não exercia a gerência, reservada às sócias Maria Nelly Mendonça Potter, Vera Maria Mendonça Potter e Silla Marie Klukowski. Apenas que a cláusula 12a do Contrato Social antes referido lhe atribuiu, juntamente com as duas últimas sócias, a responsabilidade técnica dos serviços turísticos. Significa dizer que o referido sócio exercia atividades operacionais na empresa fiscalizada, mas sem o poder de exercer qualquer operação financeira, principalmente emissão e requisição de cheques bancários, nos termos da cláusula 6a, antes referida. Relevante notar que o relacionamento de Álvaro Rodrigues da Silva com a empresa autuada não foi abordado pela autoridade lançadora, muito embora a segunda operação referenciada o apontasse como beneficiário, constando a indicação da autuada apenas no campo de informações complementares. É certo que o referido sócio poderia ter determinado tais operações em favor da autuada, valendose de recursos movimentados pelas sóciasgerentes, ou mesmo mantidos à margem da escrituração e das contas bancárias contabilizadas. Mas também é possível que os valores tenham sido movimentados em seu benefício pessoal, constando a indicação da pessoa jurídica apenas como referência de vínculo ao ordenante ou beneficiário das operações. De toda sorte, à míngua de maior aprofundamento nas investigações fiscais acerca destas operações, impõese observar o que dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifouse) Neste sentido são as lições de Luciano Amaro Na verdade, embora o art. 112 do Código Tributário nacional pretenda dispor sobre “interpretação da lei tributária”, ele prevê, nos seus incisos I a III, diversas situações nas quais não se cuida da identificação do sentido e do alcance da lei, mas sim da valorização dos fatos. Nessas situações, a dúvida (que se deve resolver a favor do acusado, segundo determina o dispositivo) não é de interpretação da lei, mas de “interpretação” do fato (ou melhor, de qualificação do fato). Discutir se o fato “x” se enquadra ou não na lei, ou se ele se enquadra na lei “A” ou na lei “B”, ou se a autoria do fato é ou não do indivíduo “Z”, diz respeito ao exame do fato e das circunstâncias em que ele teria ocorrido, e não ao exame da lei. A questão atémse à subsunção, mas a dívida que se põe não é sobre a lei, e sim sobre o fato. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001499/200695 Acórdão n.º 1101000.866 S1C1T1 Fl. 6 5 (...) De qualquer modo, o princípio in dubio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei punitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser a mais favorável ao acusado. 1 Assim, havendo dúvida quanto a quem seria o real ordenante ou beneficiário das operações antes mencionadas, as exigências daí decorrentes devem ser canceladas. (negrejouse) Disse a Procuradoria da Fazenda Nacional nos embargos de declaração opostos contra tal decisão: A omissão consiste em não se ter observado que o caso não trata de penalidade tributária, mas efetivamente da definição do tributo devido, de modo que não tem aplicação à espécie o art. 112 do CTN. Aliás, este entendimento é expresso pelo mesmo doutrinador citado no votocondutor, no parágrafo imediatamente anterior ao transcrito às fls. 732v e 733. Vejase: "Devese atentar para o fato de que a interpretação benigna (art. 112), a exemplo da retroatividade benigna (art. 106, II), é aplicável em matéria de infrações e penalidades. Já no campo da definição do tributo (onde não cabe falarse em retroatividade benigna), devese caminhar, em regra, para uma interpretação mais estrita. É por isso que, na identificação do fato gerador do tributo, não deve o intérprete socorrerse da equidade para o efeito de dispensar tributo (art. 108„2°), nem se valer da analogia para o fim de exigir tributo (§1°)" 1 (grifouse) Percebase que o lançamento tributário teve como base a presunção de omissão de receitas, situação em que a exoneração do crédito deve ter como base prova inequívoca da origem dos depósitos, cujo ônus compete ao contribuinte. Assim agindo, o Órgão Julgador foi omisso, ainda, quanto à impossibilidade de se cancelar o lançamento, sem que tenha sido comprovada a origem dos recursos mediante documentação hábil e idônea, tal como prescrito pelo art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou Jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifouse) Cumpre, portanto, à egrégia Turma suprir as omissões apontadas, esclarecendo a razão pela qual aplicou à hipótese de lançamento do tributo a norma do art. 112 do CTN, que incide apenas em casos de infrações e penalidades tributárias, bem como o motivo pelo qual afastou o lançamento com base em presunção de omissão de receitas, mesmo não tendo o contribuinte comprovado cabalmente que os recursos não lhe pertenciam, o que é atestado pela dúvida expressa no acórdão. Tem razão a representação fazendária quando assevera que o art. 112 do CTN foi inadequadamente invocado para fundamentar a conclusão adotada. De toda sorte, a conclusão acerca da insubsistência do crédito tributário não deve ser alterada, em razão do 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001499/200695 Acórdão n.º 1101000.866 S1C1T1 Fl. 7 6 contexto fático exposto no voto, bastando apenas esclarecer a obscuridade acerca da motivação para tanto. Como dito, os créditos tributários exonerados naquele ponto do voto dizem respeito a omissões de receitas presumidas a partir de pagamentos (remessas ao exterior) e de depósitos (remessas do exterior) nos quais a autuada figuraria como remetente e beneficiária, respectivamente. Constatado que nenhuma das operações havia sido contabilizada, firmouse a presunção de omissão de receitas com fundamento no art. 40 da Lei nº 9.430/96 (art. 281, inciso II do RIR/99) – no caso de pagamento – e no art. 42 da Lei nº 9.430/96 (art. 287 do RIR/99) – no caso de recebimento. Todavia, ante as referências ao endereço e ao nome de um dos sócios da autuada, que não tinha poderes para gerir suas contas bancárias à época dos fatos, e na ausência de qualquer questionamento neste sentido pela Fiscalização, não há como afastar a possibilidade de que os valores em questão tenham sido movimentados em benefício pessoal daquele sócio. O procedimento fiscal, dessa forma, não foi suficiente para a constituição dos indícios necessários para a presunção de omissão de receitas legalmente previstas nos dispositivos que a fundamentam. De fato, a presunção contida no art. 40 da Lei nº 9.430/96 exige a prova de que o pagamento tenha sido efetuado pela pessoa jurídica e por ela não contabilizado, ao passo que a certeza presente no caso referese apenas à falta de contabilização, não sendo possível afirmar que o pagamento tenha sido efetuado pela pessoa jurídica. Da mesma forma, a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige a constatação de que a pessoa jurídica seja beneficiada com um depósito em conta bancária da qual seja titular – de direito ou de fato , mas não logre comprovar a origem deste recebimento, enquanto nestes autos a Fiscalização somente demonstrou que a autuada não conseguiu provar a origem do recebimento, restando a dúvida quanto ao fato de ela ser a beneficiária do recebimento. Em tais condições, o lançamento deve ser desconstituído por não atender ao que dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (negrejouse) A autoridade lançadora não logrou verificar a ocorrência do fato gerador, na medida em que não reuniu os elementos necessários para constituição do indício que autoriza a presunção de omissão de receitas. Em conseqüência, também deixou de atender ao que dispõe o Decreto nº 70.235/72, que em seu art. 10, inciso III, estabelece como requisito do auto de infração a descrição do fato, assim entendida como aquela hábil e suficiente para justificar a exigência formalizada. Por tais razões, é de se ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, mas sem lhes dar efeitos infringentes, e apenas suprir a omissão apontada, para fundamentar no art. 142 do CTN e no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72 o cancelamento das exigências correspondentes à presunção de omissão de receitas decorrentes de pagamento não contabilizado de 02/04/2002, no valor de R$ 165.436,14 (US$ 71.885,00) e de depósito Fl. 785DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 18471.001499/200695 Acórdão n.º 1101000.866 S1C1T1 Fl. 8 7 bancário mantido em conta corrente no exterior, em 15/02/2002, no valor de R$ 28.310,52 (US$ 11.616,00). (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 786DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10825.902505/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO.
O indeferimento da Per/Dcomp por razões diversas daquelas que constaram como fundamento do despacho decisório, sem que a contribuinte seja cientificada e instada a manifestar-se sobre a análise sumária do crédito pleiteado, realizada em sede de julgamento, caracteriza cerceamento de defesa e provoca a nulidade de decisão de primeira instância.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1801-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. O indeferimento da Per/Dcomp por razões diversas daquelas que constaram como fundamento do despacho decisório, sem que a contribuinte seja cientificada e instada a manifestar-se sobre a análise sumária do crédito pleiteado, realizada em sede de julgamento, caracteriza cerceamento de defesa e provoca a nulidade de decisão de primeira instância. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, corrigido na forma da lei, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de restituição de estimativa de tributo. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. O indeferimento da Per/Dcomp por razões diversas daquelas que constaram como fundamento do despacho decisório, sem que a contribuinte seja cientificada e instada a manifestarse sobre a análise sumária do crédito pleiteado, realizada em sede de julgamento, caracteriza cerceamento de defesa e provoca a nulidade de decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância, nos termos do voto da Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 25 05 /2 00 9- 15 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1431.344 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 54 a 60, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de arrecadação 2362, concernente ao mês de dezembro do anocalendário de 2004. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de ter sido constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ devido(a) ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: · que teria incorrido em erro material "uma vez que ao lugar de imputar o crédito decorrente da diferença positiva entre estimativas recolhidas e o valor apurado pelo lucro real como saldo negativo de IRPJ, a ora Impugnante o fez alocando o valor como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido'''; · que elementos colhidos em decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes estariam a amparar seus argumentos; · que a correção do erro de fato representaria prestígio ao princípio da verdade material, norteador do processo administrativo tributário. [...] VOTO [...] Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.902505/200915 Acórdão n.º 1801001.331 S1TE01 Fl. 3 3 Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que “ a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários, com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: [...] No caso em foco, embora o pedido inicial formalizado em PER/DCOMP tenha por objeto suposto crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJestimativa, relativo ao mês de dezembro do anocalendário de 2004, a interessada pleiteia, na manifestação de inconformidade, seja considerado crédito do tipo "saldo negativo", relativo ao mesmo ano calendário (2004). Há que se aferir, portanto, a efetiva apuração, pela contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão, que poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. [...] Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa e as retenções na fonte (IRRF) são considerados pela Lei como antecipações do imposto devido (IRPJ). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. No que se refere ao IRRF, somente poderá ser utilizado para a dedução do IR a pagar e, eventualmente, contribuir para a formação do saldo negativo de IRPJ, se atender ao previsto no art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção, bem como, cumulativamente, atender ao disposto no § 2o do art. 76 da Lei n° 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto, in verbis: [...] Como corolário do exposto, esta 5a Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1a) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do IRPJ a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes,. regularmente transcritos no livro "Diário", principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. [...] E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou os referidos documentos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de declarações prestadas à RFB e de documentos de arrecadação (Darf) juntados aos autos, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória do pedido em exame. [...] Diante de todo o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade.” (grifos não pertencem ao original) Observo que não consta do processo que, antes da emissão do Despacho Decisório, a declarante foi intimada a apresentar a contabilidade completa para analisarse a procedência do pedido. A empresa argumenta que os balancetes de suspensão/redução mensais escriturados à época comprovam haver recolhido as estimativas indevidamente/a maior e que a soma destas superou o resultado apurado ao final do anocalendário, o lucro real, resultando em saldo negativo de IRPJ. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 21/12/2010, fls 63; Recurso – 20/01/2011, fls. 64) o Recurso de fls. 64 a 75, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que faz jus ao crédito pleiteado na Per/Dcomp em questão. Apresenta cópias de partes da DIPJ e de DCTF retificadoras, DARF de recolhimento e de registros contábeis que espelhariam os balancetes de suspensão/redução e o recolhimento realizado a maior em relação ao mês de dezembro de 2004. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.902505/200915 Acórdão n.º 1801001.331 S1TE01 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Trata o presente litígio de não reconhecimento de direito creditório e conseqüente não homologação de compensação entre crédito e débitos, oriundo de estimativa de tributo paga a maior ou indevidamente, pela autoridade a quo, e em face da ausência de apresentação de provas hábeis para comprovar o recolhimento a maior, pela turma julgadora de primeira instância. No que respeita à repetição de estimativas recolhidas a maior, este colegiado já se defrontou com a matéria e firmou posição bem retratada em voto da conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que passo a transcrever1: “A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. [...] Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. [...] Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer 1 Processo nº 19647.010657/200610, Acórdão nº 180100.597, em 28/06/11. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: [...] Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.902505/200915 Acórdão n.º 1801001.331 S1TE01 Fl. 5 7 Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.902505/200915 Acórdão n.º 1801001.331 S1TE01 Fl. 6 9 maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, conclui se que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. [...] Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. [...] Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: “Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 3.328,31 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação.” Superado o ponto da admissibilidade das Per/Dcomp cujo crédito são as estimativas mensais pagas durante o anocalendário, ressaltese que o procedimento da Administração Tributária em emitir os Despachos Decisórios eletronicamente, sem a intimação prévia dos contribuintes para justificarem as Per/Dcomp que o sistema rejeita tem causado vários transtornos. Não há que se falar em nulidade do Despacho Eletrônico, pois, na forma que foi emitido, em nada cerceia o direito de defesa dos contribuintes. Há no texto expresso a motivação da Per/Dcomp não ter sido admitida. E o litígio instaurouse regularmente. Mas, de um lado, indeferese o pedido de restituição e aproveitamento de estimativas porque foram alocadas automaticamente a débitos que constaram da DCTF, sem facultar ao contribuinte oportunidade para esclarecer a sua conduta. Por outro lado, impedese simultaneamente que, ao ser notificado do Despacho Decisório emitido de forma sumária, o contribuinte possa retificar (ou até mesmo cancelar) a Per/Dcomp para adequála de forma devida. E por fim, ainda que a unidade de jurisdição do contribuinte, ou a turma julgadora de primeira instância, verifiquem a sequência de Per/Dcomp emitidas pelos contribuintes solicitando a restituição das estimativas mensais pagas do mesmo anocalendário e tributos, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.902505/200915 Acórdão n.º 1801001.331 S1TE01 Fl. 7 11 não adaptam os pedidos, ex officio, para devolução do saldo negativo de IRPJ/CSLL apurado, retirando do administrado a repetição de possível indébito tributário, pela eventual ocorrência da prescrição. A Administração Tributária consciente destes problemas modificou os Despachos Decisórios emitidos eletronicamente e o seu procedimento. Atualmente, ao verificar a inconsistência das Per/Dcomp com as informações registradas nos sistemas do fisco, antes de emitir o despacho denegatório, o contribuinte é intimado para esclarecimentos. Se o contribuinte não responder à intimação fiscal, o Despacho é emitido, porém faculta ao contribuinte, em determinado prazo após o recebimento, retificar as declarações entregues ao fisco para a compatibilização dos dados – DIPJ, DCTF e a própria Per/Dcomp. Tomou medidas também para reunir todas as Per/Dcomp que veiculam o mesmo crédito em um só processo pela edição da Portaria RFB nº 666/08, sem, no entanto, atentar para as Per/Dcomp que tem como objeto as estimativas do mesmo anocalendário [ainda mais porque à época a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou, equivocadamente, normas infralegais vedando a restituição/compensação de estimativas, erro reconhecido e corrigido com a edição da Portaria RFB nº 900/08]. No caso em concreto, a autoridade a quo indeferiu o Per/Dcomp sumariamente por se tratar de pedido veiculando a restituição de estimativas. A turma julgadora de primeira instância transcendeu esta razão, preliminar, negatória, mas ao invés de determinar a realização de diligências para a apuração do mérito do litígio – existência de eventual direito creditório – adentrou a este e fundamentou a improcedência do pedido na ausência da apresentação de provas contábeis na retificação das declarações apresentadas pela recorrente (DIPJ e DCTF). Todavia, em nenhum momento processual a recorrente foi instada a exibir a contabilidade completa para comprovar o direito que argumenta. E se houve efetivamente erro no cálculo do tributo devido, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Neste sentido, houve cerceamento de defesa da recorrente, pois foi provocada a manifestarse apenas sobre a preliminar ventilada pela autoridade a quo – impossibilidade de pleitear a restituição/compensação de estimativas mensais, razão do indeferimento da Per/Dcomp. Em momento posterior, a Turma Julgadora de Primeira Instância indeferiu a Per/Dcomp por uma outra razão, de mérito, ou seja, a não comprovação do crédito pleiteado, explicitando serem necessárias quatro premissas para concederse o crédito: “...1a) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor do imposto devido e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações.” Todavia, não abriu oportunidade para a recorrente manifestarse a respeito destas razões, de mérito. Dispõe o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF): Art. 59. São nulos: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sem oferecer oportunidade à recorrente para se defender das razões de indeferimento, há cerceamento de defesa, acarretando a nulidade da decisão de primeira instância. Ademais, a norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Ressaltese que a DCTF retificadora substitui em todos os efeitos a DCTF original e não surtirá efeitos nas hipóteses que a norma tributária estabelece. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10825.902505/200915 Acórdão n.º 1801001.331 S1TE01 Fl. 8 13 (grifos não pertencem ao original) Ao trazer, ainda que em fase recursal, parte da contabilidade, a recorrente faz início de prova do direito que alega fazer jus. Todavia, não prescinde o exame da contabilidade completa (balancetes registrados no Diário e verificação da possível existência de outras contas de receitas auferidas no período em comento). Concluindo, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade do pedido de restituição/compensação cujo objeto é o pagamento de estimativas em valor indevido, ou a maior do que o devido, impõe, pois, o retorno dos autos à Turma Julgadora a quo para avocar a manifestação da recorrente e a apresentação da sua contabilidade completa, para somente depois, pronunciarse sobre o mérito, ou seja, à análise da origem e a procedência do crédito pleiteado (em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo ao final do anocalendário etc.) Voto, pelo exposto, em dar provimento parcial ao recurso e determino o retorno dos autos à Turma de Julgamento de Primeira Instância para a reanálise do mérito da Per/Dcomp objeto deste litígio, após cientificar a recorrente das razões de indeferimento que não fundamentaram o despacho denegatório. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/03/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10970.000019/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 Ementa: NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Verificado que o acórdão recorrido deixou de enfrentar questão trazida na impugnação, com prejuízo para o autuado, caracteriza-se a ocorrência de preterição do direito de defesa, devendo ser considerado nulo o ato emitido e ser proferido outro, para suprir a omissão apontada.
Numero da decisão: 1202-000.758
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o Acórdão nº 09-34.661 da DRJ/Juiz de Fora, por preterição do direito de defesa, bem como anular todas as peças processuais emitidas após a sua emissão, retornando o processo ao órgão julgador de primeira instância, para suprir a omissão apontada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. Verificado que o acórdão recorrido deixou de enfrentar questão trazida na impugnação, com prejuízo para o autuado, caracterizase a ocorrência de preterição do direito de defesa, devendo ser considerado nulo o ato emitido e ser proferido outro, para suprir a omissão apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para anular o Acórdão nº 0934.661 da DRJ/Juiz de Fora, por preterição do direito de defesa, bem como anular todas as peças processuais emitidas após a sua emissão, retornando o processo ao órgão julgador de primeira instância, para suprir a omissão apontada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000019/200989 Acórdão n.º 1202000758 S1C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins, relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005, com a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora, com base na taxa Selic. De acordo com o relatado no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 39 a 45, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1 Em relação ao IRPJ e à CSLL: Lançamento de ofício dos valores informados em DIPJ retificadoras, uma vez que os saldos a pagar ali discriminados não foram declarados em DCTF e nem recolhidos; 2 Em relação ao PIS e à Cofins: Não oferecimento à tributação das receitas de prestação de serviços de transporte de mercadorias destinadas à exportação, realizadas entre o produtor até o ponto de embarque ao exterior, ambos situados dentro do território nacional. Ditas receitas foram excluídas pela autuada na apuração da base de cálculo das referidas contribuições. Irresignada com as autuações, a interessada impugnou a totalidade dos lançamentos fiscais, cujas alegações foram assim resumidas no Acórdão nº 0934.661 da DRJ/Juiz de Fora, de fls. 706 a 711, que passo a adotar: “SEÇÃO I DOS PONTOS QUESTIONADOS PELA FISCALIZAÇÃO Os pontos de divergência entre os valores apurados pela contabilidade da Impugnante e a Fiscalização podem ser resumidos em duas contas: 1) Inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, pela Fiscalização, de valores relativos à exportação de serviços de transporte de mercadorias, ignorando a imunidade constitucionalmente estabelecida; 2) Inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, pela Fiscalização, do ICMS, como se tal imposto fizesse parte do faturamento da empresa. SEÇÃO II DA IMUNIDADE DO PIS E DA COFINS SOBRE O SERVIÇO DE EXPORTAÇÃO Para fundamentar seu posicionamento, a Fiscalização juntou inúmeras soluções de consulta da RFB que afirmam não haver isenção em tais casos. [...] o posicionamento [...] fulcrado nas Soluções de Consulta, tem como base uma legislação que não mais vigorava à época dos fatos geradores. Não há dúvidas de que o transporte de mercadorias destinadas à exportação até o porto constitui etapa fundamental do processo de exportação, devendo ser, Fl. 795DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000019/200989 Acórdão n.º 1202000758 S1C2T2 Fl. 3 3 pelos motivos acima expostos, imune a tributação de PIS e COFINS sobre tais atividades [...]. [...] a Impugnante transporta mercadorias destinadas para exportação entre o estabelecimento exportador e o local de saída da mercadoria do Brasil (portos, aeroportos, etc.), conforme é comprovado pelos "espelhos" de alguns CTRCs emitidos na exportação do serviço de transporte de mercadoria juntado em anexo a essa petição. SEÇÃO III DA INDEVIDA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS [...] resta inequívoca a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. PARTE II DOS AUTOS DE INFRAÇÃO RELA TIVOS A OIRPJ E CSLL [...] a cobrança de IRPJ e CSLL originouse da declaração feita pela Impugnante, quando da entrega da DIPJ. Ocorre que, na DIPJ entregue pela Impugnante, e ora considerada como base de cálculo do IRPJ e CSLL, considerase que a Impugnante não deve pagar PIS e COFINS sobre exportação do serviço de transporte de mercadorias até o porto, o que foi objetivo de questionamento e lavratura de autos de infração por parte da Fiscalização. [...] requer anulação dos autos de infração de IRPJ e CSLL, caso haja a manutenção dos untos de infração de PIS e de COFINS. [...] sendo procedente o lançamento de PIS e COFINS, f...J, deverseá considerar essas despesas como dedutíveis do IRPJ e da CSLL [...] ” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 0934.661 da DRJ/Juiz de Fora, de fls. 706 a 711, com o seguinte ementário: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo do poder público,cabendo tal prerrogativa ao Poder Judiciário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. Ante a falta ou insuficiência de recolhimento de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício, em conformidade com as normas legais vigentes às datas dos fatos geradores. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000019/200989 Acórdão n.º 1202000758 S1C2T2 Fl. 4 4 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidades processual, ou dos lançamentos, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, ou no 142 do CTN. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DIPJ E DCTF. DIFERENÇA DE VALORES. Dada a supremacia dos valores declarados em DIPJ em face daqueles informados em DCTF na qual não houve correspondente informação de débitos, nem seus pagamentos, há se manter a exigência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO C S LL Anocalendário: 2004, 2005 DIPJ E DCTF. DIFERENÇA DE VALORES. Dada a supremacia dos valores declarados em DIPJ em face daqueles informados em DCTF na qual não houve correspondente informação de débitos, nem seus pagamentos, há se manter a exigência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO As rubricas contempladas pelo legislador ordinário, que não compõem a respectiva base de cálculo, são verdadeiros niimems clausus, cujo seleto nicho, na espécie, não é integrado pelas receitas de créditos de ICMS transferidos a terceiros, dada a extemporaneidade de sua aplicação em face dos períodos de apuração abrangidos nos lançamentos. SUSPENSÃO DE RECEITAS DE FRETE. INEXISTÊNCIA A suspensão da incidência para as receitas de frete, tal como especificado no § 6o do art. 40 da Lei n° 10.865/2004, foi nela incluída originalmente pelo art. 31 da Lei n° 11.488/2007 (DOU de 15/06/2007) cuja vigência deuse na data de sua publicação, portanto, sem aplicação retroativa para abrigar os fatos geradores objetos dos lançamentos. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000019/200989 Acórdão n.º 1202000758 S1C2T2 Fl. 5 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO As rubricas contempladas pelo legislador ordinário, que não compõem a respectiva base de cálculo, são verdadeiros numeras clausus, cujo seleto nicho, na espécie, não é integrado pelas receitas de créditos de ICMS transferidos a terceiros, dada a extemporaneidade de sua aplicação em face dos períodos de apuração abrangidos nos lançamentos. SUSPENSÃO DE RECEITAS DE FRETE. INEXISTÊNCIA A suspensão da incidência para as receitas de frete, tal como especificado no § 6o do art. 40 da Lei n° 10.865/2004, foi nela incluída originalmente pelo art. 31 da Lei n° 11.488/2007 (DOU de 15/06/2007) cuja vigência deuse na data de sua publicação, portanto, sem aplicação retroativa para abrigar os fatos geradores objetos dos lançamentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. , repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. Adicionalmente, alega a não apreciação pelo acórdão recorrido de matéria referente a possível dedutibilidade, do lucro tributável informado na DIPJ, dos valores ora lançados relativo às contribuições para o PIS e para a Cofins, inclusive os juros moratórios devidos, na hipótese de serem mantidos os lançamentos em definitivo. Caso devidos o PIS e a Cofins, as despesas decorrentes acarretarão a diminuição do “receita líquida das atividades” e, por conseqüência, redução do lucro, ou mesmo sua extinção, o que cessaria a obrigação de pagar, total ou parcialmente, o IRPJ e CSLL devidos, objeto do presente lançamento. Assim se manifestou a recorrente: “Em suma, a decisão ora hostilizada não guarda amparo com as alegações da Recorrente, motivo pelo qual se reitera todos os argumentos já exposto na peça de impugnação”. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000019/200989 Acórdão n.º 1202000758 S1C2T2 Fl. 6 6 Inicialmente, cabe analisar o cumprimento dos pressupostos processuais para o regular andamento do presente julgamento. Dentre os pressupostos, encontrase aquele que se refere ao direito constitucional à ampla defesa aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, inserto no art. 5º, inciso LV da CRFB/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Já o Código de Processo Civil, em seu art. 267, IV, estipula que cessa o andamento do processo quando se verificar a ausência dos pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo: Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) [...] IV quando se verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; No presente caso, se examina os lançamentos fiscais relativos ao IRPJ e à CSLL, por falta de declaração que constitua confissão de dívida (DCTF) e por falta do respectivo pagamento, bem como lançamentos relativos ao PIS e à Cofins, por não ter sido considerado na apuração da base de cálculo, dessas últimas contribuições, de receitas oriundas da fretes de mercadorias destinadas à exportação. Por seu turno, verifico que o acórdão recorrido enfrentou as alegações trazidas pela defesa quanto às infrações fiscais acima mencionadas. Entretanto, deixou de enfrentar, explicitamente, do pedido formulado pelo impugnante em relação à matéria relativa à dedutibilidade das contribuições do PIS e da Cofins na apuração do lucro tributável sujeito à incidência do IRPJ e da CSLL, caso restasse decidido que aquelas contribuições fossem efetivamente devidas nos lançamentos fiscais que ora se examina. Assim se manifestou o contribuinte na sua impugnação, fls. 618: “Prevalecendo os autos de infração relativos ao PIS e a COFINS, o que se espera que não ocorra, pelo acima exposto, a Impugnante terá seu lucro reduzido, pois deverá contabilizar o pagamento do principal e dos juros de mora de PIS e COFINS exigidos nos autos de infração como despesas do período, o que fará com que haja a diminuição ou até extinção do lucro, cessando assim o dever de pagar IRPJ e CSLL.” No entanto, o fundamento utilizado no acórdão recorrido, para manter as exigências do IRPJ e da CSLL, foi muito sucinto, silenciando quanto à possível dedutibilidade Fl. 799DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000019/200989 Acórdão n.º 1202000758 S1C2T2 Fl. 7 7 do PIS e da Cofins aventada na peça impugnatória como se percebe da transcrição do voto condutor sobre a matéria, fls. 710verso: “Relativamente às exigências do IRPJ e da CSLL, melhor sorte não há que ser conferida à contribuinte, vez que restou flagrante a supremacia dos valores declarados nas DIPJs 2005 e 2006 em face daqueles informados em DCTF nas quais não houve correspondente informação de débitos.” Já por ocasião do seu recurso voluntário, a recorrente aborda novamente a questão da não apreciação da matéria referente a dedutibilidade do PIS e da Cofins, assim se expressando: “Em suma, a decisão ora hostilizada não guarda amparo com as alegações da Recorrente, motivo pelo qual se reitera todos os argumentos já exposto na peça de impugnação”. (destaquei). Com efeito, o art. 59 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, estipula as nulidades dos atos administrativos, que ocorrem se lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” O administrado tem o direito de ver apreciadas as questões substanciais levantadas em sua defesa. Como já mencionado, verificase dos autos que uma parte das alegações trazidas na peça impugnatória deixou de ser apreciada, o que caracteriza preterição do direito de defesa do impugnante, passível de tornar nula a decisão proferida. Em que pese a constatação de que o recorrente não formulou, explícitamente, o pedido de nulidade, a meu ver tratase de matéria de interesse público, dela não podendo o julgador se afastar de apreciar. A relação jurídica processual traz a exigência de atividade descrita formalmente pela norma jurídica para que se consiga a devida prestação jurisdicional Ao comentar o art. 59, inciso II acima transcrito, Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martínez López, em sua obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 425, assim se manifestaram: “O inciso II cuida, ainda, da nulidade decorrente do cerceamento do direito de defesa que, no processo administrativo fiscal, é garantido pela Constituição Federal. Daí, as decisões administrativas devem ser emitidas sempre em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa sob pena de serem consideradas nulas pela falta de elemento essencial à sua formação.” Com efeito, a matéria relativa a dedutibilidade das contribuições do PIS e da Cofins lançadas no presente processo, para fins de redução do lucro e, por conseqüência, das exigências do IRPJ e da CSLL aqui examinados, é considerada matéria relevante para a solução do litígio e a sua não apreciação trouxe evidente prejuízo para a defesa, que não pôde se defender dos fundamentos que deixaram de ser expostos no acórdão recorrido. Além disso, o não enfrentamento da matéria também trouxe prejuízo ao recorrente no sentido de que houve supressão de instância, impedindo o exame da questão pela Fl. 800DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000019/200989 Acórdão n.º 1202000758 S1C2T2 Fl. 8 8 autoridade julgadora de segunda instância, motivo suficiente para se considerar nulo o Acórdão emitido pelo órgão julgador de primeira instância. Esse também é o entendimento consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se percebe na transcrição da ementa do Acórdão nº 180100228, sessão de17/05/2010, dentre outros, abaixo transcrito, para melhor clareza: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ANO CALENDÁRIO: 2003 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento de defesa o não enfrentamento das razões de contestação trazidas pela impugnante, devendo os autos retornar à primeira instância para prolatarse nova decisão suprindo a omissão, observandose o disposto no artigo 59 do decreto n° 70.235/72 e em prestígio ao princípio do duplo grau de jurisdição. Em face do exposto, voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso voluntário, para que seja anulado o Acórdão nº 0934.661 da DRJ/Juiz de Fora, de fls. 706 a 711, por preterição do direito de defesa, bem como que sejam anuladas todas a peças processuais emitidas após a sua emissão, retornando o processo ao órgão julgador de primeira instância para suprir a omissão apontada. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 801DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 24/05/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15954.000101/2007-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Não é competência do CARF a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade de diplomas legais. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO APLICAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração simplificada. NÃO RECEPÇÃO DA DECLARAÇÃO PELO SISTEMA RECEITANET. A simples alegação de não recepção da declaração pelo Receitanet não permite descaracterizar a mora no cumprimento da obrigação acessória. Não havendo registro da adoção de qualquer providência para a entrega da Declaração no prazo legal, ainda que por um meio alternativo (diligência junto à Receita Federal, envio pelo correio, petição em papel, etc.), não há como descaracterizar a mora da Contribuinte.
Numero da decisão: 1802-001.298
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão e os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. SÚMULA CARF Nº 2. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Não é competência do CARF a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade de diplomas legais. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO APLICAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração simplificada. NÃO RECEPÇÃO DA DECLARAÇÃO PELO SISTEMA RECEITANET. A simples alegação de não recepção da declaração pelo Receitanet não permite descaracterizar a mora no cumprimento da obrigação acessória. Não havendo registro da adoção de qualquer providência para a entrega da Declaração no prazo legal, ainda que por um meio alternativo (diligência junto à Receita Federal, envio pelo correio, petição em papel, etc.), não há como descaracterizar a mora da Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão e os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 128 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 129 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Versa o presente processo sobre auto de infração (fl.17), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada, relativa ao anocalendário de 2003, exercício de 2004, no valor de R$ 4.744,84. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 1/14) na qual alegou que a referida declaração não foi entregue, pois, apesar de possuir decisão judicial (processo nº 2002.61.02.0070121) mantendoa na sistemática do Simples, os sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a impediam de apresentála dentro do prazo fixado na legislação. Acrescenta que, até a data do protocolo da impugnação (abril de 2008), ainda constava no sistema que a empresa estava excluída do Simples. Alegou que apresentou espontaneamente a citada Declaração Simplificada, devendo ser aplicado o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse diapasão, argumentou que se o citado artigo emprega o termo infração não cabe ao intérprete distinguir aquilo que o legislador não o fez. Defendeu ainda que a multa imposta ofende os princípios constitucionais da legalidade, razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco. Juntou cópia das seguintes peças processuais: a) Ação de Rito Ordinário (processo n° 2002.61.02.0070121) interposta na 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Ribeirão Preto (SP) em julho/2002 – fls. 22 a 35 – solicitando dentre outras coisas o direito de permanecer no Simples; b) Sentença fls. 37 a 46 – que julgou improcedente o pedido formulado pela ora Recorrente; c) Recurso de apelação à sentença interposto em outubro/2004 – fls. 47 a 54 – requerendo a reforma da sentença; d) Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região – fls. 55 a 61 mantendo reformando a decisão de 1ª instância para incluir a Recorrente no Simples, retroagindo ainda os efeitos do art. 1º da Lei nº 10.034/2000, o que possibilitou a inclusão da Recorrente, mesmo sob a égide da Lei nº 9.317/96; e) Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional interposto em janeiro/2005 – fls. 62 a 68 – solicitando a reforma do acórdão favorável a contribuinte; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 130 4 f) Contrarazões ao recurso especial – fls. 69 a 76, protocolado pela ora Recorrente em 20/10/2005. Conta ainda do processo que em setembro/2007 o STJ negou provimento ao agravo de instrumento oposto para reformar a decisão que não admitiu o recurso interposto pela Fazenda Nacional para reformar a decisão que não admitiu o recurso especial (fls. 86/87), tendo a decisão transitado em julgado. A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. A entrega da Declaração Simplificada fora do prazo legal sujeita a contribuinte à multa estabelecida pela legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 18/09/2009 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 96 a 123) em 20/10/2009, onde faz diversas argumentações que serão analisadas individualmente no voto e ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. Este é o Relatório. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 131 5 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo visa a manutenção pela Receita Federal e a desconstituição pela Recorrente, de multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do anocalendário de 2003. Sustenta a Recorrente que embora estivesse na sistemática do Simples, por força de decisão judicial de 2ª instância, o sistema (Receitanet) não permitiu que a mesma pudesse enviar suas declarações. Informa que pelo menos até o protocolo da Impugnação o cadastro da Receita Federal acusava a contribuinte como estando excluída dessa sistemática de apuração. Aduz que enviou a declaração antes que as autoridades fazendárias tivessem iniciado qualquer procedimento administrativo de cobrança, o que por si só caracterizaria a denúncia espontânea. Por fim alega que a multa imposta pela entrega da declaração em atraso tem caráter confiscatório. O ponto nodal da discussão do presente processo diz respeito a um auto de infração que visa o lançamento de multa por atraso na entrega de Declaração Simplificada por contribuinte que foi excluído do Simples, mas que a época do cumprimento dessa obrigação acessória, mesmo amparado por decisão judicial de 2ª instância que permitia a permanência na sistemática de apuração por ele eleita, teve seu direito cerceado pelo sistema Receitanet que impediu a transmissão da declaração pelo método convencional. Sendo assim, passamos à análise do caso e ao voto propriamente dito. I – Multa Confiscatória Alega a Recorrente que a multa imposta tem caráter confiscatório. De acordo com a tipificação constante do auto de infração às fls. 17, a multa que foi imposta pela autoridade fiscal tem perfeito amparo legal, a saber: “Fundamentação: Art. 106, II, "c", da Lei nº 5.172/1968 (CTN), Art. 88 da Lei nº 8.981/95. Art. 27 da Lei nº 9.532/97. art. 7º da Lei 10.426, de 24/04/2002 e IN SRF nº 166/99”. Sendo assim, nesse ponto cabe a este colegiado apenas elucidar à Recorrente que não é de nossa competência o julgamento da constitucionalidade ou não da legislação tributária. Este assunto é pacífico, inclusive encontrase sumulado por este Conselho: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 132 6 II – Denúncia Espontânea A alegação de que a declaração foi protocolada antes da manifestação da autoridade administrativa também não pode prosperar, pois o instituto da denúncia espontânea previsto no CTN, art. 138 não inclui a prática de atos puramente formais. Conforme observase abaixo, tanto o STJ, quanto este Conselho já se manifestaram a esse respeito: a) Egrégia lª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n.° 195161/GO (98/00849050), por decisão unânime em que foi relator o Ministro José Delgado (DJ de 26 de abril de 1999): "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA. ART. 88 DA LEI 8.981/95. 1 A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3 Há de se acolher a incidência do art. 88 da Lei n.° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 Recurso provido." b) Já na Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão nº 020.829: “DCTF — DENÚNCIA ESPONTÂNEA É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Precedentes do STJ. Recurso a que se dá provimento.” Embora o julgamento do STJ tenha se dado no caso de Declaração de Imposto de Renda e a Câmara Superior tenha se dado no caso da DCTF, resta claro para este Conselheiro que é perfeitamente aplicável a toda e qualquer obrigação acessória de mesma natureza, a exemplo da Declaração Simplificada. Além disso, também se trata de matéria pacificada neste Conselho através da Súmula nº 49, abaixo transcrita: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 133 7 “Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” A sanção foi quantificada e aplicada nos moldes preceituados pela legislação tributária vigente, não havendo o que reformar. III – Demais alegações Em que pese não ser o caso da aplicação da denúncia espontânea, nem tampouco a multa aplicada ter efeitos confiscatórios, entendo que assiste mérito a Recorrente. Na data em que a Recorrente deveria ter protocolado sua Declaração Simplificada, a Receita Federal colocou um obstáculo no cadastro da contribuinte que implicou na impossibilidade do cumprimento da obrigação pelo método convencional (transmissão via Receitanet). Vale salientar que no prazo legal a contribuinte discutia judicialmente a sua permanência no Simples o qual posteriormente foi lhe dada razão, eis que havia um processo judicial onde a decisão de segunda instância foi favorável a manutenção naquela sistemática de apuração. Não custa mencionar também que essa decisão posteriormente também foi confirmada pelo STJ, vez que impediu a admissibilidade do recurso protocolado pela Fazenda Nacional. Assim, dois fatores devem ser considerados: a) embora não se enquadrando como denúncia espontânea, eis que não se trata do benefício contido no CTN, art. 138, a admissão que a Recorrente protocolou sua declaração antes de qualquer medida administrativa, mesmo com restrição cadastral imposta pelo Fisco, a mesma não se eximiu de prestar as informações necessárias a apuração; b) a consideração que esse fato também se deu por culpa da Receita Federal, eis que a mesma desrespeitou uma ordem judicial que mantinha a Recorrente no Simples. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 134 8 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente Relator, peço vênia para dele divergir quanto às considerações sobre a particularidade deste processo, que o levaram a dar provimento ao recurso. Primeiramente, é importante esclarecer que o bloqueio implantado no sistema Receitanet, relativamente ao envio de Declaração Simplificada por contribuinte que consta no cadastro das Pessoas Jurídicas como “não optante” ou como “excluído” do Simples, decorreu de recorrente argumentação crítica apresentada pelos próprios contribuintes. Sabese que pela sistemática legal do Simples, a exclusão opera seus efeitos, em algumas situações, desde a data do fato impeditivo. Nesse contexto, muitos contribuintes passaram a questionar a Receita Federal quando, após ter recebido por seguidos anos a Declaração Simplificada, vinha suscitar algum fato pretérito impeditivo ao enquadramento no sistema simplificado, o que sempre gerava controvérsias. O sistema Receitanet passou então a não mais receber as declarações simplificadas enviadas por contribuintes que não constavam como optante do regime simplificado, ou que dele haviam sido excluídos. Registro também que este colegiado, ao examinar caso semelhante, já afastou a multa pelo atraso no cumprimento da obrigação acessória em razão de circunstâncias específicas daquele outro processo: Processo nº 13052.000236/200767 Acórdão nº 180200.988 Sessão de 04 de outubro de 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ EXCLUSÃO DO SIMPLES REVERTIDA POR DECISÃO JUDICIAL ANTES DO FINAL DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET ENTREGA COMPROVADA POR PETIÇÃO DIRIGIDA EM TEMPO HÁBIL Á UNIDADE DA RECEITA FEDERAL Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a Contribuinte buscou o Judiciário. Antes do término do prazo para a entrega da declaração, conseguiu obter decisão favorável ao seu reenquadramento, e ingressou com petição à Receita Federal para comprovar a entrega da DSPJ no prazo legal, encaminhandoa em mídia eletrônica, já que o sistema RECEITANET não permitia a transmissão da declaração. Não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, eis que Fl. 137DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 15954.000101/200763 Acórdão n.º 180201.298 S1TE02 Fl. 135 9 a Contribuinte, ainda que por meio alternativo, entregou tempestivamente sua Declaração à Receita Federal. A decisão do referido acórdão foi pautada no entendimento de que, em decorrência do próprio direito de petição previsto no art. 5º, XXXIV, da CF/88, há de ser sempre resguardado o direito de o contribuinte se desincumbir da obrigação acessória, mediante a entrega em tempo hábil da declaração que julgar correta (Declaração Simplificada), ainda que por meios alternativos – petição em papel, remessa postal, etc. Mas essa busca do contribuinte por um meio alternativo ao Receitanet deve ser formalizada de alguma forma, para que fique registrada ao menos a tentativa de cumprimento da obrigação acessória em tempo hábil, porque, do contrário, não há como descaracterizar a mora na entrega da declaração. No caso concreto, vêse que a data final para a entrega da declaração simplificada do anocalendário de 2003 era o dia 31/05/2004 e que a DSPJ foi apresentada somente em 26/05/2006. A decisão judicial autorizando o ingresso da empresa no Simples foi proferida em 20/10/2004 pelo TRF da 3ª Região (fls. 55 a 61). O único registro formal de que a Contribuinte procurou resolver o óbice cadastral e cumprir com sua obrigação acessória é a própria entrega da declaração, realizada em 26/05/2006, embora ela tenha desde 2004 obtido decisão judicial favorável ao seu ingresso no Simples. Realmente não há registro da adoção de qualquer providência para a entrega da Declaração no prazo legal (diligência junto à Receita Federal, envio pelo correio, petição em papel, etc.). Não vejo, portanto, como descaracterizar a mora da Contribuinte em relação à entrega da Declaração Simplificada referente ao anocalendário de 2003. Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 138DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000248/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo
recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo.
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 1102-000.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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TEMPESTIVIDADE. É intempestivo recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo. Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16403.000248/200914 Acórdão n.º 120100.726 S1C2T1 Fl. 2 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Regularmente intimada do acórdão em 09.05.2011, a Contribuinte interpõe recurso voluntário em 10.06.2011, após decorrido, portanto, o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 para o exercício dessa prerrogativa processual. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16403.000248/200914 Acórdão n.º 120100.726 S1C2T1 Fl. 3 3 Conforme se depreende dos documentos acostados aos autos, o recurso voluntário não pode ser conhecido por este Colegiado pelo fato de ter sido interposto após o prazo de 30 dias contados da intimação do acórdão proferido pela instância a quo, a teor do art. 33 do Decreto n. 70.235/72. De fato, como bem anotado pela Delegacia da Receita Federal de origem, a intimação da Contribuinte relativa ao acórdão recorrido ocorreu em 10.05.2011 e o recurso voluntário contra tal decisão foi interposto apenas em 10.06.2011. Nos termos regimentais, o prazo recursal encerrouse em 09.06.2011. Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte por intempestividade. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723281/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA. Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação. OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS - DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS Inclui-se como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. Arguição de decadência acolhida.
Recurso Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2202-001.924
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de ofício acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente e declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano- calendário de 2004 e, no mérito, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do ano-calendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA. Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação. OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS - DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS Inclui-se como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. Arguição de decadência acolhida. Recurso Parcialmente Provido
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IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita ao ajuste na declaração anual, em 31 de dezembro do anocalendário, e independente de exame prévio da autoridade administrativa o lançamento é por homologação. Havendo pagamento antecipado o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado, entretanto, na inexistência de pagamento antecipado a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, exceto nos casos de constatação do evidente intuito de fraude. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL: INEXISTÊNCIA. Eventual equívoco ou deficiência no enquadramento legal da infração não acarreta a nulidade do auto de infração, exceto se demonstrado ocasionar cerceamento ao direito de defesa, o que não ocorreu no caso dos autos, tendo o contribuinte se defendido plenamente e demonstrado saber exatamente as razões de autuação. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS Incluise como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. Arguição de decadência acolhida. Recurso Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, desqualificando a multa de ofício acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente e declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 2004 e, no mérito, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JOSÉ MARCELO MATOS DE FREITAS , devidamente identificado nos autos, foi lavrado Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 02/09, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, apurado no valor de R$ 980.956,57. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 04/06, e o Termo de Verificação Fiscal, fls. 10/29, foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 935.872,41, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004, e, também, foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 45.084,16, relativamente à Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2006, anocalendário 2005. O Imposto de Renda Pessoa Física do exercício financeiro de 2005, ano calendário 2004, e o Imposto de Renda Pessoa Física do exercício financeiro de 2006, ano calendário 2005, sujeitaramse a Multa de Ofício, no percentual de 150%, qualificada, por cometimento de infração de Omissão de Rendimentos com Fraude. Segundo ao Termo de Verificação Fiscal, tal como descrito pela autoridade recorrida: Verificouse recurso financeiro advindo de pessoa jurídica pertencente a grupo empresarial controlado pelo contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, grupo empresarial Marcelo Freitas, que transitou na conta corrente do contribuinte, integrando o seu patrimônio. Verificouse que o contribuinte mantinha relações comerciais, do tipo contrato de mútuo, com a pessoa jurídica emitente do recurso, e que, controlava um grupo de pessoas jurídicas, formado por pessoas jurídicas cujos sócios se relacionavam com o contribuinte, com vínculo familiar, do tipo: esposa e filhos. Intimado a comprovar a natureza do recurso, advindo da pessoa jurídica, creditado na sua conta corrente, o contribuinte utilizou se de atos comerciais, do tipo contrato de mútuo, para justificar o recebimento do recurso. No exame da operação comercial, a fiscalização descobriu simulação, lavrando Termo de Constatação e de Intimação, para que o contribuinte tomasse conhecimento e comprovasse a natureza do recurso. Não tem o contribuinte comprovado a natureza do recurso, a fiscalização considerou o recurso advindo da pessoa jurídica como rendimento tributável e imputou infração de omissão de rendimentos pelo fato do rendimento não ter sido informado na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A fiscalização examinou, também, recurso financeiro advindo de pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial Marcelo Freitas que foi creditado na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda, pessoa jurídica não pertencente ao grupo empresarial Marcelo Freitas. Nesse exame, a fiscalização constatou que o crédito estava vinculado a contrato de mútuo entre o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, e a Construtora Montenegro Ltda, e que o empréstimo destinavase a financiamento de construção de imóveis (condomínio Village Del Leste, condomínio Village Del Maré e condomínio Village Costa Marina) A fiscalização considerou, também, nessa situação, o recurso creditado na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda como rendimento tributável do contribuinte, uma vez que o contribuinte era o credor dos empréstimos e o adquirente de imóveis. Tendo o contribuinte se utilizado de ato simulado, com evidente intuito de esconder a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, a fiscalização imputou ao contribuinte o cometimento de fraude, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, crime contra a ordem tributária, lançando Multa de Ofício no percentual de 150% . Tendo em vista o cometimento de crime contra a ordem tributária, foi feita representação fiscal para fins penais. O crédito tributário totalizou, em 30/11/2009, o valor de R$ 3.013.538,74, compreendendo, Imposto de Renda, Multa de Ofício Qualificada e Juros de Mora, apurado com base na taxa selic, conforme demonstrativo abaixo: EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2005 ANOCALENDÁRIO 2004 Imposto de Renda Pessoa Jurídica 935.319,40 Multa de Ofício Qualificada 150% 1.402.979,09 Juros de Mora Taxa Selic até 30/11/2009 58% 542.391,72 TOTAL 2.880.690,21 EXERCÍCIO FINANCEIRO DE 2006 ANOCALENDÁRIO 2005 Imposto de Renda Pessoa Física 45.084,11 Multa de Ofício 150% 150,00% 67.626,16 Juros de Mora Taxa Selic até 30/11/2009 40,89% 18.434,89 TOTAL 131.145,16 O Auto de Infração decorreu de infração de omissão de rendimentos, caracterizada por presunção por falta de comprovação da natureza de recurso recebido de pessoa jurídica com a qual o contribuinte mantinha relações comerciais, tipificadas em contratos de empréstimos, figurando o contribuinte como mutuante, supridor financeiro, participante indireto, fazendo da pessoa jurídica parte integrante de um grupo econômico, grupo empresarial Marcelo Freitas, controlado pelo contribuinte. Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 3 5 Ainda no Termo de Verificação Fiscal: Na caracterização da infração, a fiscalização vem esclarecendo que os recursos financeiros, imputados como rendimentos omitidos, não se identificam com os rendimentos tributáveis e com os rendimentos isentos e não tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual, apresentada pelo contribuinte. Na Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte informa rendimentos tributáveis relacionados a aposentadoria, INSS, e a prólabore recebido da pessoa jurídica, FB Locadora e Serviços Ltda, pertencente ao grupo empresarial. O contribuinte informa, também, rendimentos isentos e não tributáveis relacionados a dividendos percebidos da pessoa jurídica, MF Marcelo Freitas Autopeças Ltda, pertencente ao grupo empresarial. Os recursos, materializados em cheques emitidos pela pessoa jurídica, em transferências bancárias, remetidas pela pessoa jurídica e em comprovantes de depósitos bancários, foram considerados como rendimentos tributáveis do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, percebidos de pessoas jurídicas, por não comprovação da natureza, envolvendo as seguintes pessoas jurídicas: Cobrex Cobranças Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíeis Ltda, Venopell Fomento Comercial Ltda e SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e de Cosméticos Ltda. A fiscalização na descrição dos fatos, no Termo de Verificação Fiscal, faz um preâmbulo esclarecendo a relação do contribuinte com as pessoas jurídicas para as quais se vem imputando recebimento de rendimento tributável. Nesse preâmbulo, a fiscalização esclarece que o contribuinte não é identificado como sócio formal da pessoa jurídica, nos termos do contrato social. Entretanto o contribuinte é identificado como credor de recursos financeiros, através de contratos de empréstimos, onde o contribuinte figura como mutuante, e de investimentos financeiros, onde o contribuinte figura como investidor (debêntures da Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A). Os recursos financeiros objeto de exame no procedimento de fiscalização foram extraídos de documentos disponibilizados pelo Departamento de Polícia Federal que os obteve através de Mandado de Busca e Apreensão, MBA, originado em processo judicial de apuração de crime de remessa ilegal de recurso para o exterior e retorno de recursos do exterior (processos judiciais nº 2006.81.00.0188850 e 2006.81.00.0171072). Nessas operações, foram utilizadas interpostas pessoas jurídicas no país de origem da remessa, Uruguai, quais sejam: Venopell Sociedad Anomina e Ticemill Sociedad Anomina. No Brasil, as operações envolveram diversas pessoas jurídicas pertencentes ao grupo empresarial Marcelo Freitas, tais como: MF Marcelo Freitas Autopeças, Freitas Empreendimentos Ltda, Scala Factoring Fomento Comercial Ltda, Ticemill do Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Brasil Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e Venopell Fomento Comercial Ltda. Os documentos do Mandado de Busca e Apreensão também se relacionam com os exsócios da pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, sucessora das pessoas jurídicas, Scala Factoring Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Ticemill do Brasil Ltda e Vonopell Fomento Comercial Ltda, que são: Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas, Felipe Teixeira de Freitas e Pedro Roberto Sampaio. Do exame dos documentos obtidos pelo Mandado de Busca e Apreensão, a fiscalização verificou que o contribuinte, nos anos calendário de 2004 e 2005, não figurava como sócios das pessoas jurídicas, Freitas Empreendimentos Ltda, Cobrex Cobranças Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíveis Ltda, Venopell Fomento Comercial Ltda, SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Cosméticos Ltda, Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, Fortbrasil Digitalização de Serviços Ltda, FB Locadora e Serviços Ltda, Aaron Indústria de Etiquetas e Cartuchos Ltda, Fortbrasil Administradora de Cartões de Crédito Ltda e Halley Representação e Administração de Serviços Ltda. A fiscalização verificou, entretanto, que os documentos demonstravam a interferência do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, nessas pessoas jurídicas, como supridor de recursos financeiros, através de: 1) contrato de mútuo, feito entre o contribuinte e a pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial; 2) aquisição de quotas de capital, utilizando interposta pessoa; 3) aumento de capital, utilizando venda fictícia de imóvel de sua propriedade com doação para os efetivos sócios da pessoa jurídica, esposa e filhos; 4) aquisição de debêntures da pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial (Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A – Fortbrasil Administradora de Cartões de Crédito S/A). Os documentos demonstravam, também, que o contribuinte financiava empreendimentos imobiliários, através da Construtora Montenegro Ltda, com recursos das pessoas jurídicas, SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Cosméticos Ltda, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e Fortbrasil Securitização de Recebíveis Ltda, através de contratos de mútuos feitos em seu nome com a Construtora Montenegro Ltda. A fiscalização, consciente da situação do contribuinte dentro do grupo empresarial, intimouo a esclarecer a origem e a natureza dos recursos ingressados na conta corrente bancária, mantida em seu nome, ingressos feitos através de cheques emitidos por pessoa jurídica pertencente ao grupo empresarial. Os argumentos apresentados pelo contribuinte não foram aceitos Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 4 7 pela fiscalização pelo fato de não estarem condizentes com a realidade, tratandose de negócio jurídico confeccionado entre o contribuinte e os sócios das pessoas jurídicas, constituídos por esposa e filhos, com a finalidade de esconder o fato real de remuneração da pessoa jurídica para contribuinte, vislumbrandose ato simulado. A fiscalização considerou, também, como remuneração do contribuinte, os repasses de pessoas jurídicas, pertencentes ao grupo empresarial, para a Construtora Montenegro Ltda, como mútuo utilizado diretamente na construção de imóveis, uma vez que o contribuinte figurava como mutuante. Os recursos que foram objeto de intimação para comprovação da origem e da natureza do rendimento foram os seguintes: ANOCALENDÁRIO DE 2004 Fonte Remetente CNPJ Data Valor Venopell Fomento Comercial Ltda 06.216.712/000129 10/05/04 R$1.000.000,00 Venopell Fomento Comercial Ltda 06.216.712/000129 11/05/04 R$1.000.000,00 Cobrex Cobranças Ltda 05.670.301/000146 27/07/04 R$295.849,82 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 02/12/04 R$246.255,88 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 02/12/04 R$ 253.744,12 SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e de Cosméticos Ltda 03.003.848/0001 62 25/06/04 R$234.500,00 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 02/12/04 R$253.744,12 Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 15/12/04 R$104.000,00 Fortbrasil Sec. de Recebíveis S/A 07.035.086/000137 24/12/04 R$29.392,64 TOTAL R$3.417.486,58 ANOCALENDÁRIO DE 2005 Fonte Pagadora CNPJ Fato Gerador Rendimento Fortbrasil Fomento Comercial Ltda 00.324.591/000152 31/01/05 R$85.000,00 Fortbrasil Sec. de Reversíveis S/A 07.035.086/000137 23/02/05 R$98.398,12 TOTAL R$183.398,12 Conforme o Termo de Verificação Fiscal, o valor, comprovadamente,advindo da pessoa jurídica correlacionada, conforme tabela acima, foi considerado como rendimento tributável pago ao contribuinte, pelo fato de o contribuinte se relacionar com a pessoa jurídica, fato que se demonstra pelo suprimento financeiro advindo do contribuinte para a pessoa jurídica, fazendo com que a pessoa jurídica pertencesse a um grupo econômico, controlado pelo contribuinte, e, não ter o contribuinte comprovado a natureza do rendimento. A fiscalização ressalta, ainda, que os sócios da pessoa jurídica remetente do recurso são pessoas do ciclo familiar do Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 contribuinte: cônjuge e filhos. Ademais, todas as pessoas jurídicas estão localizadas em um único prédio, localizado na Avenida Bezerra de Meneses, nº100, e são todas representadas por uma única pessoa: Luciano Faria Bezerra. A vinculação do contribuinte com a pessoa jurídica e a infração de omissão de rendimentos pela não comprovação da natureza do recurso, relativamente a cada pessoa jurídica, pode ser resumida, conforme a seguir se relata: Depósito no valor de R$ 1.000.000,00, feito em 10/05/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, Banco Bradesco, aplicado no Panamericano DTVM S/A. Depósito no valor de R$ 1.000.000,00, feito em 11/05/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, Banco Bradesco, aplicado no Panamericano DTVM S/A. Depósito feito em cheque do Banco do Brasil emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, nominal a Venopell Fomento Comercial Ltda. Segundo o contribuinte, em resposta à intimação da fiscalização, esse cheque foi recebido em pagamento de mútuo feito com a pessoa jurídica Freitas Empreendimentos Ltda. O cheque foi, posteriormente, objeto de depósito e aplicação financeira no Panamericano DTVM S/A, tudo conforme a Declaração de Ajuste Anual, rendimentos de aplicação financeira. A fiscalização considerou esse depósito com remuneração da pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 06.216.712/000129. A pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda, tinha como sócia, no anocalendário de 2004, a pessoa jurídica Venopell Sociedad Anomina, situada no Uruguai, e o senhor Luciano Faria Bezerra. Relativamente a esses dois depósitos bancários, conforme o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários. Na resposta à intimação, o contribuinte vem esclarecendo que os dois cheques foram recebidos da pessoa jurídica, Freitas Empreendimento Ltda, em pagamento de mútuo, apresentando o contrato de mútuo, recibos e folhas do Livro Diário da pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda. Dado esse esclarecimento, a fiscalização fez diligência na pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, com a finalidade de averiguar as afirmações do contribuinte. Do exame de todos os documentos, apresentados pelo contribuinte e colhidos na diligência, a fiscalização vem explicando que os recibos emitidos pelo contribuinte e os contratos de mútuos não se relacionam com os dois cheques depositados na conta corrente do Banco Bradesco, apesar de o contribuinte ter informado na Declaração de Ajuste Anual crédito para com pessoa jurídica Freitas Empreendimentos Ltda, nos anoscalendário de 2003 e 2004. Os depósitos bancários foram feitos com cheques emitidos pela pessoa jurídica, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, nominal à Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 5 9 pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda. O contribuinte queria fazer crer que os dois cheques foram entregues à pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, e, posteriormente, repassados para o contribuinte, como pagamento de empréstimos. A fiscalização vem ressaltando que os documentos comprovam a existência de contrato de mútuo entre o contribuinte e a pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda, mas não demonstram que os depósitos bancários estivessemvinculados a liquidação de contrato de mútuo por parte da pessoa jurídica, Freitas Empreendimentos Ltda. Ademais, a fiscalização vem demonstrando que as pessoas jurídicas envolvidas pertencem ao grupo empresarial Marcelo Freitas e que os documentos apresentados foram confeccionados com interferência do contribuinte e dos sócios das pessoas jurídicas do grupo empresarial, tidos como esposa e filhos e empregados da pessoa jurídica, com a finalidade de promover vinculação entre as operações de mútuo e a emissão dos dois cheques. No entendimento da fiscalização, o contribuinte usou a operação de contrato de mútuo, confeccionando recibos para justificar o recebimento dos dois cheques. A fiscalização não vislumbrou vínculo entre os recibos, os contratos de mútuos e os depósitos bancários, ressaltando o fato do cheque ser nominal à pessoa jurídica Venopell Fomento Comercial Ltda e ter sido emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda. A fiscalização concluiu pela simulação, feita com a finalidade de esconde o fato real que consistiu no recebimento de remuneração da pessoa jurídica, Venopell Fomento Comercial Ltda, por parte do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas. Crédito no valor de R$ 295.849,82, feito em 27/07/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, mantida no BICBANCO. Tratase de uma transferência eletrônica disponível, TED, para a conta corrente do contribuinte, tendo por remetente a Cobrex Cobranças Ltda. Material objeto do Mandado de Busca e Apreensão. A fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a origem do crédito. O contribuinte, em reposta à intimação da fiscalização, respondeu que o referido crédito representa um recebimento de empréstimo feito com a senhora Maria Del Carmen de Amorim Tamurejo, sócia da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda. O contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, teria contraído um empréstimo, no valor de R$ 295.849,82, com a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, na situação de mutuário. O contribuinte, também, informou que o recurso no valor de R$ 295.849,82 originouse de distribuição de lucro da Cobrex Cobranças Ltda, relativamente ao lucro do primeiro Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 semestre do anocalendário de 2004, recebida pela sócia Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo. Em decorrência dessas informações, a fiscalização realizou diligência contra a Cobrex Cobranças Ltda, pessoa jurídica, e contra a Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, pessoa física, sócia da Cobrex Cobranças Ltda. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização ao examinar os documentos apresentados pelo contribuinte e os documentos colhidos da diligência (recibos, contrato de mútuo, contrato social da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, autorização da senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo para a pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda, transferindo o valor de R$ 295.849,82 para o senhor José Marcelo Matos de Freitas, e Declaração de Ajuste Anual da senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo) concluiu que o crédito não poderia corresponder a recebimento de empréstimo feito à senhora, Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo. A conclusão da fiscalização foi baseada nos seguintes motivos: 1) a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo era, no anocalendário de 2004, funcionária assalariada da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, com rendimento anual no valor de R$ 4.500,00; 2) a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo participava do capital social da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, com quota no valor de R$ 2.500,00, correspondente a 50% do capital social; 3) a pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, foi constituída em 20/05/2003, com capital social no valor de R$ 5.000,00, tendo dois sócios:a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo e o senhor Luciano Faria Bezerra. Cada sócio integralizou 50% do capital social; 4) existe autorização, assinada por Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, para que a Cobrex Cobranças Ltda transferir recurso, no valor de R$ 295.849,82, para a conta corrente do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas. A data da autorização é anterior à apuração do lucro relativo ao primeiro semestre do ano de 2004; 5) o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, é supridor de recursos financeiros para as pessoas jurídicas do grupo empresarial, sempre aparecendo como mutuante. Na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004, o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, informou crédito para com a Cobrex Cobranças Ltda, no valor de R$ 40.000,00; 6) na Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004, a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo informou, além dos rendimentos de trabalho assalariado pagos pela pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda, no valor de R$ 4.500,00, ter recebido lucros Cobrex Cobranças Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 6 11 Ltda, no valor de R$ 295.849,82, relativamente ao ano calendário de 2003 e ao primeiro semestre do anocalendário de 2004. Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo informou, também, possuir dinheiro em cofre, em 31/12/2004, no valor de R$ 275.000,00; 7) o contrato de mútuo entre o senhor José Marcelo Matos de Freitas e a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo foi pelo prazo de 30 dias, utilizandose taxa equivalente a TJPL, para efeito de pagamento dos juros; 8) houve repasse direto da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, através de Transferência Eletrônica Disponível, TED, para a conta corrente do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, no valor de R$ 295.849,82, mantida no BICBANCO; 9) no anocalendário de 2005, a pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, teve seu capital social aumentado em R$ 200.000,00, através de integralização por parte da senhora, Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, que adquiriu quotas no valor de R$ 210.000,00, utilizandose do dinheiro em cofre; 10) no anocalendário de 2006, a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo cedeu suas quotas de capital, registradas no valor de R$ 210.000,00, pelo valor de R$ 10.000,00, para a senhora Neiva Lúcia Machado Diniz, que é empregada assalariada da pessoa jurídica, FBLocadora e Serviços Ltda, pertencente ao grupo empresarial Marcelo Freitas; 11) a senhora Neiva Lúcia Machado Diniz, para justificar a aquisição das quotas de capital pelo valor de R$ 10.000,00, recebeu empréstimo do senhor José Marcelo Matos de Freitas, no valor de R$ 12.000,00; 12) no entendimento da fiscalização, esses fatos demonstram que a senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo foi interposta pessoa no quadro social da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda, e, que, a distribuição de lucro foi fabricada como condição para a saída do numerário da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda para a pessoa física do senhor Marcelo Matos de Freitas, sócio de fato da pessoa jurídica Cobrex Cobranças Ltda; 13) os contratos de mútuos e os recibos foram confeccionados, dentro das empresas do grupo empresarial, com a finalidade de justificar a saída de numerário da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, para a pessoa física do contribuinte, através da senhora Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, escondendo o fato real que o recurso no valor de R$ 295.849,82 pertencia ao contribuinte e que se encontrava na Cobrex Cobranças Ltda. A fiscalização consciente desses fatos considerou o valor de R$ 295.849,82, creditado na conta corrente do contribuinte, mantida no BICBANCO, como rendimento tributável percebido da pessoa jurídica, Cobrex Cobranças Ltda, por não comprovação da natureza do rendimento, afastando os fatos Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 relacionados à distribuição de lucro e os fatos relacionados ao contrato de mútuo com a senhora, Maria Del Carmem de Amorim Tamurejo, por considerar fatos simulados. Depósito bancário no valor de R$ 246.255,88 e depósito bancário no valor de R$ 253.744,12, totalizando o valor de R$ 500.000,00, feitos em 02/12/2004, na conta corrente em nome do contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, mantida no BICBANCO. Os dois depósitos foram feitos em cheque. Cada um dos cheques foi emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e nominal ao emitente. Material objeto do Mandado de Busca e Apreensão. A fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a origem do depósito bancário. O contribuinte, em reposta à intimação da fiscalização, respondeu que o referido depósito representa um recebimento da alienação do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí, nº 505, aldeota, Fortaleza, Ceará, que ocorreu em 30/11/2004. O referido imóvel foi alienado a Francisco Barrozo Neto, pelo valor de R$ 500.000,00, conforme Escritura de Compra e Venda, lavrada no cartório da comarca da cidade de Itaiçaba, Ceará. O valor da alienação foi recebido em dois cheques, um no valor de R$ 246.255,88 e outro no valor de R$ 253.744,12, em 02/12/2004. O contribuinte esclareceu, ainda, que apurou o correspondente ganho de capital e recolheu o Imposto de Renda apurado sobre o ganho de capital, conforme o anexo de apuração de ganho de capital da Declaração de Ajuste Anual do exercício financeiro de 2005, anocalendário 2004. O contribuinte informou, ainda, que o produto da alienação do referido apartamento foi doado a Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas, sócios da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda. Os donatários recolheram o ITCD (imposto de transmissão “causa mortis” e doação) correspondente ao valor da doação, conforme Documento de Arrecadação Estadual DAE. Os sócios da referida pessoa jurídica eram: Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas, Felipe Teixeira de Freitas e Pedro Roberto Sampaio. A doação objetivava aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda. O contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, esclareceu que esse fato pode ser confirmado pela documentação do Banco Central do Brasil relacionada ao aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, objeto do Mandado de Busca e Apreensão em poder da Polícia Federal do Brasil. A fiscalização examinando a documentação relacionada ao aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, relacionado ao Banco Central do Brasil, verificou que o aumento de capital não Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 7 13 ocorreu e que a não ocorrência se deu em virtude de desistência por parte dos sócios da pessoa jurídica. A desistência dos sócios da pessoa jurídica deuse pelo fato de o Banco Central do Brasil ter exigido a comprovação da origem dos recursos que serviriam para aumento de capital. Essa comprovação exigiria a apresentação do cheque emitido pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, nominal ao emitente. Tendo em vista esses fatos, a fiscalização iniciou diligência na pessoa física do adquirente do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí, nº 505, aldeota, Fortaleza, Ceará, o senhor Francisco Barrozo Neto, que teria pago pelo apartamento o valor de R$ 500.000,00. Os fatos e documentos colhidos na diligência levaram à fiscalização o conhecimento dos seguintes fatos: 1) o senhor Francisco Barrozo Neto era sócio da pessoa jurídica Motocentro Ltda, situada cidade de Canindé, Ceará; 2) em 19/11/2004, o senhor Francisco Barrozo Neto transfere sua quota de capital na pessoa jurídica Motocentro Ltda, avaliada no valor de R$ 150.000,00, para a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, pelo valor de R$ 700.000,00, recebendo o valor de R$ 500.000,00, na data da assinatura do Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas de Capital Social, e o restante quando da aprovação da Honda Motos do Brasil; 3) o senhor Francisco Barrozo Neto recebeu em 02/12/2004 o valor de R$ 500.000,00, em dois cheques emitidos pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda e nominais ao emitente, nos valores de R$ 253.744,12 e R$ 246.255,88; 4) os cheques foram entregues ao contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, em pagamento pela compra do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza; 5) os sócios da pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda são os sócios da Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, que são: Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas, Felipe Teixeira de Freitas e Pedro Roberto Sampaio; 6) houve desistência de aumento de capital da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda, por parte dos sócios, apesar de a pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor Ltda ter recebido recursos dos sócios no valor total de R$ 504.000,00, através de depósito bancário na conta corrente da pessoa jurídica, feito em 07/12/2004, no BICBANCO; 7) em virtude da desistência do pretendido aumento de capital na pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Microempreendedor, houve o distrato do Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas de Capital Social da pessoa jurídica Motocentro Ltda, tendo o senhor Francisco Barrozo Neto devolvido à pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda o valor de R$ 500.000,00, conforme Termo de Distrato ao Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas em Capital Social da Motocentro Ltda e Recibo, datados de 27/12/2004; 8) na mesma data do distrato, 27/12/2004, a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda compra do senhor Francisco Barrozo Neto o apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza, pelo valor de R$ 500.000,00, pagando em espécie; 9) o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, recompra, em 03/02/2005, o apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza, da pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, pelo valor de R$ 500.000,00, com pagamento em espécie, conforme Recibo. A fiscalização realizou, além da diligência contra o senhor Francisco Barrozo Neto, suposto adquirente do apartamento, diligência contra o Cartório Único de Ofício de Notas e de Registro das Pessoas Naturais, na cidade de Itaiçaba, Ceará, onde teria sido lavrada a Escritura de Compra e Venda do apartamento. Nessa diligência, a fiscalização buscou localizar o registro da Escritura de Compra e Venda. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização não localizou o registro da escritura no livro indicado na escritura. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização ressaltou, no final da descrição dessa infração, que, no dia 02/12/2004, a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, emitiu dois cheques, nominais ao emitente, no valor de R$ 253.744,12. Um deles, do BICBANCO, foi objeto de depósito na conta corrente do contribuinte, no BICBANCO, e serviu para compor o valor de R$ 500.000,00, que foi doado à esposa, irmão filhos, para um pretendido aumento de capital na pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito ao Microempreendedor, e o outro, do Banco do Brasil, foi objeto de depósito na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda e que serviu de financiamento de unidade imobiliária, através de contrato de mútuo com o senhor contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, na situação de mutuante (empreendimentos imobiliários – Village Del Leste, Village Del Maré e Village Costa Marina, todos a cargo da Construtora Montenegro Ltda). Ainda, na finalização da descrição deste fato, a fiscalização ressaltou que o recurso, no valor de R$ 500.000,00, que ingressou na conta corrente do contribuinte, que foi repassado, a título de doação, para a conta corrente de Juliana Matos de Freitas, Eveline Teixeira de Freitas, Renato Matos de Freitas, Raquel Matos de Freitas e Felipe Teixeira de Freitas, e que ingressou na conta corrente da pessoa jurídica Fortbrasil Sociedade de Crédito a Microempreendedor S/A, não retornou Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 8 15 para a origem, ou seja, para a pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, apesar dos atos formais de distrato e de recibos emitidos pela Fortbrasil Comercial Ltda. Por todos esses fatos, devidamente demonstrados por documentos, a fiscalização considerou que os depósitos, feitos em 02/12/2004, na conta corrente do contribuinte mantida no BICBANCO, através do cheque no valor de R$ 246.255,88 e do cheque no valor de R$ 253.744,12, correspondem a rendimentos tributáveis do contribuinte percebidos da pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda (factoring). O contribuinte não logrou comprovar a natureza do rendimento, exigência imposta pelo fato de o contribuinte participar da citada pessoa jurídica como financiador de recursos através de contratos de mútuos. Os fatos relacionados à alienação do apartamento nº 702, no Edifício Victor III, situado na Rua Silva Jataí nº 505, em Fortaleza, e à alienação de quotas de capital da pessoa jurídica Motocentro Ltda foram considerados como não ocorridos, tendo havido simulação de atos de compra e venda, com a finalidade de esconder o real fato de recebimento de rendimento tributável. 24 Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED), no valor total de R$ 234.500,00, feitas em 25/06/2004, originadas da pessoa jurídica Sem Distribuidora de Produtos Far, CNPJ nº 03.003.848/000162, destinadas à conta corrente da Construtora Montenegro Ltda. Cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 253.744,12, emitido em 02/12/2004, pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 00.324.591/000152, nominal ao emitente, depositado na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda. Cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 104.000,00, emitido em 15/12/2004, pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 00.324.591/000152, nominal à Construtora Montenegro Ltda. Cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 29.392,64, emitido em 24/12/2004, pela pessoa jurídica Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A, CNPJ nº 07.035.086/000137, nominal à Construtora Montenegro Ltda. Cheque do BICBANCO no valor de R$ 85.000,00, emitido em 31/01/2005, pela pessoa jurídica Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, CNPJ nº 00.324.591/000152, depositados na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda. Comprovante de depósito bancário na conta corrente da Construtora Montenegro Ltda, no valor de R$ 98.398,12, feito em 23/02/2005, pela pessoa jurídica Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A, CNPJ nº 07.035.086/000137. A fiscalização, considerando as transferências, os cheques e os depósitos, todos destinados à Construtora Montenegro Ltda, iniciou procedimento de diligência nessa pessoa jurídica Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 beneficiária dos recursos financeiros. A Construtora Montenegro Ltda, intimada a demonstrar a operação que motivou os recebimentos de recursos financeiros das pessoas jurídicas, Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A e SRM Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e de Cosméticos Ltda, informou que os recebimentos foram por conta de Contrato de Empréstimo com o senhor José Marcelo Matos de Freitas, e que os empréstimos destinavamse à construção de imóveis urbanos, tais como os projetos Village Del Leste, Village Del Mare e Village Costa Marina. A fiscalização constatou, então, que os cheques, acima, mencionados, foram repassados para a Construtora Montenegro Ltda, respaldando Contrato de Empréstimo, onde o contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, figurava como mutuante, e a Construtora Montenegro, como mutuaria. Os cheques, acima, mencionados, foram considerados como rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte pela pessoa jurídica emitente do cheque, pela mesma fundamentação legal dos outros valores, que foi a falta de comprovação da natureza do rendimento, uma vez que o contribuinte mantinha relações comerciais com as pessoas jurídicas Fortbrasil Fomento Comercial Ltda, Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/A e SEMDistribuidora de Produtos Farmacêuticos Ltda, figurando com supridor de recursos financeiros. Nessa situação, obrigavase o contribuinte a demonstrar a natureza de qualquer recurso percebido da pessoa jurídica, sob pena, do recurso recebido ser considerado rendimento tributável, mormente se utilizado na aquisição de bens, aumentando o patrimônio. Do crime de sonegação fiscal A fiscalização considerou todos esses recursos como rendimentos tributáveis percebidos de pessoas jurídicas e caracterizou infração de omissão de rendimentos pelo fato desses recursos não terem sido informados na Declaração de Ajuste Anual. Ademais a infração foi cometida com evidente intuito de fraude, tendo havido dolo, e que, restou configurado o crime de sonegação fiscal, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A fiscalização rejeitou os fatos apresentados pelo contribuinte por considerar não condizentes com a realidade, tendo havido atos simulados, com o intuito de esconder o fato gerador do imposto de renda. No entendimento da fiscalização, todos esses recursos faziam parte do patrimônio do contribuinte, se encontravam em poder da pessoa jurídica e o contribuinte estava recebendo remuneração. Para esconder o fato real à fiscalização, o contribuinte utilizava os contratos de mútuos, confeccionados dentro do grupo empresarial, com participação dos sócios e dos funcionários da pessoa jurídica. Esses são os fatos que fundamentam o Auto de Infração lavrado contra a contribuinte, José Marcelo Matos de Freitas, sócio da pessoa jurídica, MF – Marcelo Freitas Autopeças e controlador do grupo empresarial Marcelo Freitas. Há de se ressaltar que a Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 9 17 fiscalização, antes da lavratura do Auto de Infração, lavrou Termo de Constatação Fiscal e de Intimação Fiscal, comentando os argumentos e os documentos apresentados pelo contribuinte, expondo o entendimento dela sobre os argumentos e documentos, e, sempre intimando o contribuinte a comprar a natureza do rendimento. Em 22/12/2009, lavrouse o Termo de Encerramento Fiscal. Nessa mesma data, para efeito de intimação, o Auto de Infração foi encaminhado ao contribuinte no seu domicilio fiscal, conforme cadastro CPF, por via postal, com Aviso de Recebimento. Conforme Termo de Constatação Fiscal, lavrado em 28/12/2009, fls. 1787/1788, houve recusa em receber a correspondência por parte do porteiro do condomínio residencial EDIFÍCIO VITOR III, situado na Rua Silva Jataí, nº 505, aldeota, Fortaleza, Ceará, onde se localiza o apartamento nº 702, residência do contribuinte e domicilio fiscal, conforme cadastro CPF. A recusa do porteiro do condomínio em receber o envelope contendo o Auto de Infração deuse em 28/12/2009, conforme Aviso de Recebimento, fls. 1796, assinado pelo agente dos correios. Nessa, mesma data, 28/12/2009, a fiscalização lavrou Termo de Recusa, fls. 1789/1790, circunstanciando o fato, que foi assinado pelo Agente de Correios, como testemunha, e pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, autor do procedimento de fiscalização. Conforme o Termo de Constatação Fiscal, fls. 1787/1788, em virtude da recusa, o envelope contendo o Auto de Infração foi deixado na Portaria do Condomínio, na mesma data, 28/12/2009, sem o recebimento espontâneo do porteiro do condomínio. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, autora do Auto de Infração, fez constar no seu Termo de Constatação Fiscal que, após o episódio da tentativa de entrega do envelope contendo o Auto de Infração, no mesmo dia 28/12/2009, recebeu uma ligação, em seu celular particular, originada de telefone celular, ocasião em que o interlocutor indagou que o envelope contendo o Auto de Infração poderia ser encaminhado no dia 05/01/2010, pelo fato de o contribuinte encontrarse viajando, e que o envelope, deixado na portaria, seria devolvido para a Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Fortaleza. Houve um diálogo entre a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil e o interlocutor sobre o episódio da recusa do porteiro do condomínio e a entrega do envelope na portaria do condomínio. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou, em 27/01/2010, impugnação, documentos anexados às fls. 1808/1849, através de procuração, instrumento anexado às fls. 1850/1851. Em síntese, o contribuinte argumentou: 1) a ciência do Auto de Infração deuse em 05/01/2010, quando o porteiro do condomínio entregou o envelope da Secretaria de Receita Federal do Brasil, SEDEX, contendo o Auto de Infração, à esposa do contribuinte, senhora Eveline Teixeira de Freitas, fato devidamente registrado no protocolo da portaria do condomínio; Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 2) no Processo Administrativo Fiscal não há previsão para se fazer intimação pelo forma adotada pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil quando deixou o envelope contendo o Auto de Infração na portaria do condomínio sem consentimento do porteiro. Encomenda SEDEX, tendo a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil acompanhado a entrega do SEDEX com o agente dos correios; 3) o contribuinte encontravase ausente, em 28/12/2009, e somente, em 05/01/2010, poderia tomar ciência do Auto de Infração; 4) nulidade do Auto de Infração. A fundamentação legal exposta no Auto de Infração é genérica, de amplo espetro, e não respalda os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal. Cerceamento do direito de defesa. A fundamentação legal disposta no Auto de Infração é relativa a todos os dispositivos legais relacionados ao Imposto de Renda Pessoa Física dispostos no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Há dificuldade em se saber contra qual o contribuinte cometeu infração. 5) o fundamento da infração de omissão de rendimentos adotado pela fiscalização é entendimento próprio, subjetivo, não encontrando guarida na legislação fiscal e nem na legislação fiscal genérica descrita no Auto de Infração. Ao tipificar a infração, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil usou das expressões “não entendemos”, “não aceitamos.” A tipificação foi determinada por exclusão, tendose usado a expressão: “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração” ; 6) decadência quando a todos os meses fato gerador do ano calendário de 2004, ou quanto aos meses de maio, junho e julho do anocalendário de 2004; 7) os recursos financeiros, materializados nos cheques, objeto do Mandado de Busca e Apreensão, que foram objeto do Termo de Início de Fiscalização, não podem ser tomados como rendimento tributável do contribuinte, sem que haja prova inequívoca de que o recurso corresponde a uma remuneração paga pela pessoa jurídica ao contribuinte por um serviço prestado. A Auditora Fiscal se utiliza de um entendimento próprio, presunção formada sem respaldo na legislação fiscal, não tendo determinado a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do CTN. A seguir transcrevemse trechos da impugnação. DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO O lançamento fiscal afirma que o impugnante auferiu rendimentos, nos anos de 2004 e 2005, não declarados à Receita Federal e sobre os quais não teria pago o Imposto de Renda respectivo. Notase, porém, que o Termo de Verificação Fiscal que, segundo o auto de infração, justificaria a cobrança, é concluído em toda a sua extensão com explícitos: “não entendemos” “não aceitamos”, e não na explicitação da efetiva subsunção de um fato concreto a alguma hipótese de incidência do fato gerador do imposto de renda. Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 10 19 Ora, evidente que o lançamento tributário não pode darse ao sabor da dúvida e da imprecisão. Porque, afinal de contas, o art. 112 do Código Tributário Nacional determina que, se dúvida houver, seja ela aplicada em favor do contribuinte. O sistema tributário nacional, a partir da CF (fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei, art. 5º, inc. II da CF e art. 142 do CTN) não permite lançamento fiscal fundado em conjecturas do tipo “não entendemos”, “não aceitamos”. Assim dispõe o CTN: (transcreveu o artigo 142 do CTN). O fecho (ou desfecho) do Termo de Verificação Fiscal não determina o fato gerador tributável, assim o vejamos, no inicio da fl. 29: “Diante do exposto, e descartadas, (sic) as duas únicas possibilidades dos (sic) recursos não serem tributados por essa fiscalização, que seriam, (sic) estarem enquadrados em hipóteses de não tributação por serem isentos e/ou não tributáveis ou já terem sido tributados nas declarações (D1RPF/2005 e D1RPF/2006), correspondentes, restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração e, devido, (sic) a existência, no nosso entendimento, de simulação, efetuamos o lançamento da Multa de Ofício Qualificada. (Grifo do impugnante)” (criticou a descrição e comentou o tempo do procedimento de fiscalização, dezoito meses de fiscalização, iniciandose em 04/07/2008 e terminandose em 22/12/2009. Comentou sobre tempo em auditoria fiscal) No entanto, o mais grave não foi apenas a fundamentação do lançamento “por exclusão” «restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração», inicio de fl. 29 mas o ENQUADRAMENTO LEGAL, em “tipificação genérica”, de amplo espetro, dos procedimentos que a autoridade do lançamento dissera não ter entendido. Nestas condições, o lançamento efetuado é nulo por cercear a defesa do contribuinte. Ora, é impossível defenderse de generalidades. Assim será demonstrado a seguir. Mas antes, será comprovada a decadência do lançamento em relação aos supostos fatos geradores ocorridos no ano de 2004. (transcreveu os dispositivos do PAF) DA DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AOS FATOS GERADORES SUPOSTAMENTE OCORRIDOS EM 2004. Já se demonstrou o esbanjamento de tempo 18 meses para um trabalho, inconcluso, que, normalmente duraria umas poucas semanas. O tempo, inexorável, correndo. Prorrogação por sobre prorrogação. Somente em 22 de dezembro, todas as repartições federais em "recesso", a autoridade do lançamento dáse conta de que estava a perder mais um ano para lançar. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 A fiscalização, iniciada em 4.7.2008, abrangia o ano de 2003, evidente, com os mesmos fatos continuados em 2004. A autoridade do lançamento deixouos decair. Não lhes faz referência no Termo de Encerramento de Fiscalização, quando deveria têlos referido, de modo que o contribuinte ficou sem saber se a autoridade “entendera” aqueles mesmo fatos de 2003 ou, tãosó para não revelar o ano em branco. Vejamos, em símile, o Termo de Inicio, com referencia a 2003. Silêncio total no Termo de Verificação Fiscal sobre 2003. (mostrou a fotografia do Termo de Início do Procedimento Fiscal, com a finalidade de demonstrar que a ação fiscal abrangia os anoscalendários de 2003, 2004 e 2005, e os fatos ocorridos nos anoscalendários de 2004 e 2005 são decorrentes dos fatos ocorridos no anocalendário de 2003) Diz a autoridade do lançamento, Termo de Constatação Fiscal, fls. 1.787: “8Para confirmação da entrega do Auto de Infração, pelos Correios, acompanhamos o procedimento de entrega, no endereço do contribuinte, onde presenciamos, em duas ocasiões, a recusa de recebimento da correspondência, por determinação do contribuinte fiscalizado, pelo porteiro do prédio Sr. David Guilherme da Silva, conforme Termo de Recusa anexo”. Entretanto, o documento dos Correios não diz isto. Pelo contrário, declara expressamente que objeto postal foi pedido de volta pela Receita Federal e lhe foi entregue, assim o vejamos: (mostrou a fotografia do extrato dos correios SEDEX). Vêse, acima documento oficial dos Correios, disponível para consulta no site da WWW, que em 28.12.2009, foi postado o objeto SJ112203581BR. O segundo registro: 09:59 “saiu para entrega”, naturalmente, pelo senhor carteiro. E, finalmente, às 12:22 o “Distribuído ao Remetente”. Em suma, o senhor Carteiro não entregou documento algum, porque já o havia devolvido à autoridade do lançamento. Esta, sim, pessoalmente, por suas próprias mãos, é que o colocou dentro da guarita do prédio, sob recusa ao porteiro, depois de ameaçálo de prisão. Muito razoável que os moradores, sobretudo em vésperas de se ausentarem, Natal e Ano Novo, dêem ordem a seus porteiros para não receberem notificações de AR, por envolverem matéria de prazo, impossível de cumprir durante a ausência. Foi o que aconteceu. A autoridade do lançamento literalmente jogou o envelope na guarita. Independentemente da violência ou da delicadeza, vejamos a validade desse tipo de notificação. Documentalmente, nos autos, a comprovação cabal de que o senhor porteiro somente fez chegas às mãos do impugnante o tal envelope no dia 5.1.2010. Vejamos: (mostrou fotografia do texto de protocolo do condomínio). Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 11 21 Em suma, nas anotações, ainda que toscas do Protocolo do Condomínio, a comprovação de que o envelope jogado na Portaria só chegou às mãos do impugnante no dia 5.1.2010. Nem poderia ter sido diferente: estava ausente de seu domicilio. No dia 28, em Cumbuco, praia vizinha. Nos dias seguintes, em viagem (mostrou fotografia de reserva de bilhete de viagem de hospedagem – Cruzeiro Marítimo). É certo que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sumulou: Súmula CARF n° 9 “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Chamase a atenção para o detalhe: notificação via postal. Não há, nos autos, consoante documentos dos Correios, notificação via postal, justo porque a encomenda postal fora devolvida à autoridade do lançamento. Ela é que a colocou usemos o eufemismo na guarita do prédio. Resta, mais que comprovado nos autos que o impugnante, ausente de seu domicilio, a prevalecer a notificação “nãopostal” não poderá usufruir do prazo legal de 30 dias. (transcreveu julgado do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul que determina intimação pessoal nos casos de autuação fiscal). Assim dispõe o PAF: “Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)” Já vimos que não se deu a notificação postal. A suposta notificação, pessoal, por conta do “autor do procedimento”, consistiu em jogar na portaria do prédio o envelope que retirara dos Correios. Evidente que um papel entregue nessas condições, sobretudo em não sendo o porteiro nenhum mandatário ou preposto do contribuinte, não pode produzir os efeitos válidos contra o patrimônio e a liberdade do impugnante. (Não se pode esquecer que a acusação, nos autos, é de sonegação, fraude ou conluio, com penalidade agravada a representação criminal; dai a ameaça ao direito fundamental). O fato é que as operações do ano de 2004, estão todas decaídas em face de a notificação fiscal terse dado tãosó quando do Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 22 comprovado recebimento pelo contribuinte, 5.1.2010. Tanto pela regra do art. 150, § 4°, como pela regra do inc. I do art. 173, ambos do CTN, deuse a decadência. Ainda que se entenda que a notificação do lançamento tenhase dado em 28.12.2009, os mesesgeradores de janeiro a novembro de 2004 estão decaídos. São estes, maio/94, jun/94 e jul/94, em símile: (mostrou fotografia de parte do Auto de Infração que discrimina o mês de ocorrência do fato gerador). Atentese que a expressão “fato gerador” não está sendo criada aqui, nesta impugnação; pelo contrário, expressão literal vide símile dos autos acima – da autoridade lançadora. Afinal de contas, o fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física é mensal ou anual? Já foi, em passado distante, anual. Era também por “declaração”, isto é, o contribuinte apresentava a sua declaração de rendimentos e ficava aguardando em casa, via correios, o respectivo lançamento. Aplicavaselhe, à época, perfeitamente a regra do art. 173 do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” Quem efetuava o lançamento era o Fisco, a partir dos dados apresentados na declaração de rendimentos pelo contribuinte. Digamos, o anobase de 1970 e havia, corrente, a expressão anobase, depois suprimida em prol de períodobase, pois bem, as operações do anobase de 1970 haviam de ser declaradas em abril de 1971. Em seguida, o Fisco fazia o lançamento, com mais tempo ou menos tempo, tendo assim todo o ano de 1971 para fazêlo. Razoável, pois que a lei garantisse ao Fisco um período maior, até o fim do ano, para lançar, iniciandose assim a decadência somente no primeiro dia de 1972. Contudo, mudança radical no Imposto de Renda, física e jurídica, adveio com a adoção do sistema de bases correntes. Na pessoa física, o imposto passou a ser mensal, assim o vejamos: “Art. 2° O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (Lei 7.713/88, grifo do impugnante).” E, evidente que, imposto “devido mensalmente” não o seria se o fato gerador respectivo, a cada mês, não se houvesse completado. A lei 7.713 não alterou a obrigação de declarar anualmente, mas a declaração não é, nunca foi, nem jamais será fato gerador do imposto de renda, aliás, de nenhum tributo. A declaração – obrigação acessória mais tem a ver com o lançamento do que com o fato gerador. Quando o Fisco percebeu que, com o sistema de bases correntes (renda do mês, fato gerador do mês) encurtara o prazo Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 12 23 decadencial que, anterior, davase no primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado; bom, encontraram os burocratas do Fisco a engenhosa idéia de passar a perna no contribuinte, em amplo sentido. A primeira “pernada”, no contribuinte que sofre antecipação (Constituição Federal, art. 150, § 7º) a maior do tributo. A sua restituição, em vez de ser corrigida aos índices dos meses respectivos, sêloá tãosó com os índices de abril do outro ano, um retardo entre 16 a 4 meses de prejuízo financeiro. O pior a segunda “pernada” em cima do contribuinte é que se este constatar que deixou de recolher o tributo num mês qualquer, haverá de fazer o recolhimento com as multas e juros do atraso, justamente porque o tributo é mensal e não anual, muito menos com vencimento em abril do outro ano. O problema materializouse com os autos de infração considerando o fato gerador em cada mês e cobrando o juro de mora no respectivo vencimento. Digamos, janeiro de 2004, lançado em dezembro de 2004, e terseá uma contagem de 71 meses de atraso, o que ultrapassa de pronto o prazo de cinco anos. Mais uma vez, os homens do Fisco deram um jeito: através de normas internas, “deliberam” que os juros de mora haveriam de contar da data fixada para a entrega da declaração 30.4.2005. Ora, a declaração não é fato gerador; tem a ver com o lançamento; com o fato gerador, não que há muito se completara. A lei da decadência é explicita: contagem a partir do fato gerador e não do lançamento. “Art. 150. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Fraude? Sequer o fato gerador, nos autos, está descrito! Não dá para presumir fraude. Quanto mais quando a lei exige a comprovação do “evidente intuito de fraude”, vide art. 44 da Lei 9.430/1996. Em síntese, é de se reconhecer a decadência do direito de lançar do Fisco no que pertine as supostas rendas adquiridas pelo impugnante no ano de 2004 seja pela aplicação do art. 150, parágrafo 4º, ou art. 173, parágrafo I do CTN, vez que a notificação válida do mesmo se deu somente em 05/01/2010, quando este recebeu a autuação assinou o protocolo do condominio, ora acima colacionado. Não há como se entender pela notificação ocorrida em 28/12/2009, primeiro, porque Auditora fiscal responsável se reporta em seu relatório somente à esposa do contribuinte, e não ao impugnante, VERDADEIRO CONTRIBUINTE e DESTINATÁRIO da autuação, segundo, porque, não é caso de se aplicar a Súmula CARF n° 9, vez que a notificação supostamente ocorrida no dia 28/12/2009 não se efetuou pela via postal e, terceiro, conforme se demonstrou Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 24 acima e, inclusive afirmado pela própria fiscal, o impugnante estava viajando e só teve conhecimento da autuação em 05/01/2010. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.2002 de 24/08/2001 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO – ENQUADRAMENTO GENÉRICO DE SUPOSTO FATO GERADOR – CERCEAMENTO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. O Auto de infração, como qualquer ato administrativo, há de submeterse ao princípio da fundamentação e, evidente, o “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício” não fundamenta coisa alguma. O lançamento não é um “resto’, um restolho, um resíduo; muito pelo contrário, é o “principal”, cifrado que há de ser na estrita correspondência entre a hipótese fática (prevista em lei, o fato gerador) e o acontecimento determinado que há de ser temporal, físico, material, específico, “a” menos ‘b”, com os seus descritores de modo a garantir a liquidez e a certeza do montante do crédito fazendário, vide art. 142 do CTN, a se resumir nesta expressão: determinar a matéria tributável, de todo incompatível com o “restounos, com única opção o Lançamento de Ofício”. Por conta da expressão acima, grifada, “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício” à autoridade do lançamento enquadrar o contribuinte em todo o Regulamento de “a” a “z”, como se o lançamento tributário fosse escopeta de cano grosso, multifocal, a esmo. Vejamos no Auto de Infração o Enquadramento Legal: (mostrou foto da transcrição do enquadramento legal no Auto de Infração). Convertendo a imagem em texto: Enquadramento legal: Arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/90; arts. 1º a 3º, e §§ da Lei nº 7.713/88; Arts 37, 38, 43, 55, incisos, I a V, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/99; Art. 1º da Lei nº 10.451/2002; Art. 1º da Lei nº 11.119/2005. Eis transcrição de cada um dos dispositivos Enquadramento Legal: Lei 8.134/90: (transcreveu o dispositivo legal). Lei 7.713/88 (transcreveu o dispositivo legal). Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 13 25 Art. 37 (transcreveu o dispositivo legal). Art. 38 (transcreveu o dispositivo legal). Art. 43. São Tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: (transcreveu todos os incisos e os comentou) Impõese aqui a indagação fundamental: o lançamento acusa o contribuinte de quê? Acusao da omissão de salários (Inciso I)? Ou seria de suposta licença prêmio, do Inciso III, como se servidor público? Acaso teria ele omitido pensões civis e militares, do Inciso XI?! Paciência! Acusamno do impossível. A tipificação fiscal “a granel” coadunase perfeitamente com a indeterminação da matéria tributável, o oposto do caput do art. 142 do CTN. Os absurdos não pararam aí. Vejamolos (art. 55 do Regulamento do Imposto de Renda) Art. 55. São também tributáveis (transcreveu o dispositivo legal, comentou os incisos, inclusive os incisos ausentes no Auto de Infração). Concluise, pois que: 1) se o auto de infração, em seu Termo de Verificação Fiscal, exclui expressamente a hipótese de aquisição de patrimônio a descoberto; 2) se não há, nos descritores dos procedimentos do autuado, nenhuma operação que traduza ganho de salários ou de capital; 3) indagase: destinouse a quê o lançamento? Por certo, a justificar o princípio da “nãoeficiência”: um ano e seis meses para uma fiscalização de três ou quatro semanas. Vimos que o lançamento impugnado fundamentouse na “exclusão” “restounos, como única opção o Lançamento de Ofício, através do presente Auto de Infração”. Não pode ser assim: A capitulação não foi apenas prejudicada pela generalidade; faltoulhe, isto sim, a coerência entre o “tipo fiscal” (fato gerador, em sua previsão legal) e os fatos supostamente ocorridos (quais?) (transcreveu vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF sobre a nulidade do Auto de Infração envolvendo a descrição dos fatos e o enquadramento legal) A nulidade do lançamento tributário é manifesta, pois impediu, ou no mínimo, limita os argumentos de defesa do contribuinte. É Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 26 que o termo de verificação fiscal não aponta qual o tipo de renda tributável adquirido pelo impugnante e o motivo por que é tributável. A tributação assim como o foi transfere ao impugnante a tarefa de se defender de fato gerador indeterminado, verdadeira “prova diabólica” denominada pela doutrina processualista como prova impossível ou excessivamente difícil de ser produzida, como a prova de fato negativo indeterminado, o que é o caso. DAS RAZÕES DE MÉRITO QUE SE CONFUDEM COM A IMPOSSIBILIDADE DE DEFENDERSE Por fim, alguns destaques do Termo de Verificação Fiscal: Vejase as disparidade entre os valores citados e o valor do capital inicial da empresa (R$ 5.000,00) que nem integralizado totalmente foi. (fl. 11, 3° parágrafo). Não há regra no direito fiscal brasileiro para o limite de capital, integralizado ou não. Ao largo, pois, de qualquer fato gerador do IR. Observamos, ainda, que em alguns dos documentos ditos como “Recibo de Transferência de Debênture”, citados, apresentados pelas empresas Freitas Empreendimentos LTDA e Fortbrasil Fomento Comercial LTDA (através de sua incorporadora Freitas Empreendimentos LTDA), que o mesmo Sr. Pedro Roberto Sampaio assina o mesmo documento duas vezes, uma pela empresa Fortbrasil Fomento Comercial LTDA, confirmando o recebimento do valor, e outra pela empresa Fortbrasil Securitização de Recebíveis S/ A, dando o “De acordo”. Inexiste norma legal impedindo que uma mesma pessoa represente duas ou mais empresas num mesmo contrato. Também não configura fato gerador do IR. Esse fato, que, no nosso entendimento, chega a ser exagerado (já que o documento acaba por demonstrar que uma pessoa fez um acordo consigo própria), juntamente com inúmeros outros documentos apresentados, tanto pelo contribuinte fiscalizado como pelos diligenciados que fazem parte do Grupo Econômico, demonstram a quantidade enorme de documentos elaborados internamente pelo grupo, para justificar as transações entre os mesmos, sem a existência de intervenção de agentes externos, como os bancos, por exemplo, que poderiam comprovar as operações examinadas. «Exagerado»? «Quantidade enorme de documentos»? Decididamente um linguajar estranho ao que se entender por lançamento fiscal. Tudo isso se torna ainda mais gritante, quando observamos as cifras dos valores envolvidos nas operações. Uma “valoração” absolutamente impertinente. Afinal, o lançamento não cuida de um possível tributo sobre grandes fortunas... Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 14 27 Nas DIRPF/2005 e DIRPF/2006 o Sr. José Marcelo Matos de Freitas não declarou nenhum mútuo em que ele constasse como MUTUÁRIO. Não há como declarar operações patrimoniais (mútuo) que se iniciam e encerramse dentro do anobase. Obrigação, pois, impossível de exigir. Esses poucos exemplos também dão uma mostra da complexidade e infinidade de transações que ocorrem entre os diversos membros do grupo. Complexidade? Infinidade? Razão maior em prol da objetividade, da não adjetivação, do tom profissional, nãopassional que se há de esperar de um Termo de Verificação Fiscal. Fundamental, por certo, a indicação do dispositivo de lei (princípio da reserva legal) que obrigasse o contribuinte a um mínimo (quantas?) de transações. Fazêlas, muitas ou poucas, não constitui, por si mesmo, fato gerador de tributo algum. Não! Não há imposto de renda “por cabeça”. Informamos ainda que conforme PROCESSO N° 2007.81.00.0071847, de Ação Ordinária (Matéria Fiscal), que tem como autor a empresa Freitas Empreendimentos Ltda e como Réu a União (FAZENDA NACIONAL), que tramita sobre Segredo de Justiça, a Empresa Freitas Empreendimentos LTDA foi incluída como coresponsável, nas inscrições de Dívida Ativa pertinentes à empresa Marcelo Freitas Autopeças, onde a Fazenda Nacional justifica a coresponsabilidade em decorrência de informações, prestadas pela Receita Federal, resultantes de investigações feitas pelo órgão, onde se apurou a existência de irregularidades envolvendo as duas empresas e outras do grupo FORTBRASIL. A informação acima, gratuita, de pura peçonha, não caracteriza qualquer fato gerador do Imposto de Renda. O fato de haver processo, ainda que de Matéria Fiscal, não autoriza, sem fundamentação, nem vinculação, nenhuma outra ilação ou cobrança. Há, no Brasil, o principio da autonomia processual. Para finalizar essa contextualização, informamos que várias das empresas do grupo encontramse localizadas no mesmo prédio (Avenida Bezerra de Meneses, número 100). No direito tributário brasileiro, empresas no mesmo endereço não produzem, só por isto mesmo, nenhum fato gerador do imposto de renda. Produzem, sim, mera facilidade aos senhores carteiros e cobradores a centralizar a entregar da correspondência. Aquele velho e batido princípio da reserva legal: «fazer ou deixar de fazer, senão por força da lei», CF, 5º, II. No nosso entendimento, ainda, consideramos muito confuso o fato de empresas trabalharem com repasses de cheques, de mão Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 28 em mão, principalmente de valores elevados, pois os valores transacionados teriam que ser exatamente iguais, pois, caso contrário, os envolvidos teriam que, ou passar "troco" dos cheques, ou complementar os mesmos. Não entendemos também a defesa do cheque nominal a si próprio. No nosso entendimento, estamos, novamente, diante de fatos graves, por serem estes, também, fatos impossíveis de acontecer, em situações normais, o que mais uma vez, caracteriza, em tese, a existência de fraude, por afigurarse na espécie, o evidente intuito de fraude. E, com todo o destaque: No decorrer dessa fiscalização, não foi possível, mesmo com toda documentação de que se dispõe, identificar a verdadeira natureza dos recursos... Se não foi possível identificar, como ousou lançar? Emérito Julgador, a autoridade do lançamento dispôs de quase dois anos para fiscalizar. Confessa que não entendeu. O art. 142 do CTN impõe: determinar a matéria tributável, que, evidente, nada tem a ver com o “não entendemos”, acima. Como se observa, no extrato bancário apresentado não consta informação sobre quem teria sido o beneficiário do cheque, informação essa que o contribuinte poderia ter conseguido no próprio banco. A autoridade do lançamento cria, acima, a obrigação de o contribuinte, ele mesmo autofiscalizarse. Dispôs, a autoridade, de todo o tempo, mais que o tempo, e ainda coloca a “culpa” no contribuinte. Não há, na assertiva da autoridade, qualquer fato gerador do Imposto de Renda. Não entendemos de que modo essas informações relacionadas poderiam ser úteis para comprovação da informação dada pelo contribuinte de que “Os dois cheques referidos na diligencia foram recebidos pelo diligenciado da empresa Freitas Empreendimentos Ltda, a título de pagamento de empréstimos.”. A autoridade repete à enésima vez o “não entendemos”. Em vez de encerrar a fiscalização sem resultados, justo porque resultados não apurou nenhum, preferiu o «restounos, como única opção o Lançamento de Ofício». No nosso entendimento a documentação relacionada aos valores examinados, foi constituída dentro do grupo, sem intervenção de agentes externos, com o evidente intuito de dissimular o verdadeiro fato, que seria o recebimento de recursos tributáveis, por parte do Sr. José Marcelo Matos de Freitas, das empresas pertencentes ao Grupo que ele comanda. Recursos tributáveis? Quais? Por quê? Admitase, apenas em prol do direito de argumentar, fosse verdadeira a afirmação de que teria havido o repasse de recursos das empresas do impugnante para si. Cumpria, em primeiro, comprovar fossem eles tributáveis. Salários? Isto não foi comprovado! Lucros? Se fossem lucros, em qualquer hipótese, “lucro real”, “presumido” ou Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 15 29 “arbitrado” não seriam tributados, eis que lucros deixaram de ser tributados a partir da Lei 9.249/95. Admitase, ainda ao sabor do argumento, que o suposto recebimento não tenha sido de lucros, mas de capital mesmo. Ainda assim, a possível retirada de capital, parcial ou total, não é fato gerador do Imposto de Renda. Realmente, depois que o Presidente Fernando Collor acabou com os títulos ao portador, o capital das empresas passou a ser registrado nome de seu titular. Retirálo, de volta, não constitui fato gerador do Imposto de Renda porque afinal de contas ninguém paga imposto sobre aquisição patrimonial de um patrimônio que já é seu, onde a empresa é mera extensão de seu patrimônio. Em suma, como retirada empresarial, os supostos recebimentos (não comprovados nos autos) jamais constituiriam fato gerador do Imposto de Renda, fosse como lucro, empréstimo ou retirada de capital. Além de ser totalmente estranho que uma pessoa, com a magnitude de patrimônio pessoal que tem o Sr. José Marcelo Matos de Freitas, contraia mútuos, Estranho? Seria fundamental a indicação do artigo de lei que impusesses, digamos, o “de joelhos” para as atitudes da vida. Mais uma vez o velho e batido princípio da reserva legal. O desfazimento das operações que envolveram o Sr. Francisco Barrozo Neto, o Sr. José Marcelo Matos de Freitas e a empresa Fortbrasil Fomento Comercial LTDA, qual seja, alienação de participação societária e aquisição de unidade imobiliária, era providência esperada, mesmo porque nunca existiram de fato e de direito as operações “de ida”. Os documentos que as representam são meros instrumentos do procedimento simulatório que pretendeu tirar recursos da Fortabrasil Fomento Comercial Ltda para os bolsos do Sr. José Marcelo Matos de Freitas. O fato gerador, no direito brasileiro, é um acontecimento “ao passado”, isto é, ocorrido. A pretensão de fato gerador ao futuro não constitui fonte da obrigação tributária porque não autoriza qualquer lançamento. Não existe o fato gerador intentado. Vejamos o que a autoridade do lançamento disse, acima, com todo o respeito, autêntica heresia fiscal: Os documentos que as representam são meros instrumentos do procedimento simulatório que pretendeu tirar recursos da Fortabrasil Fomento Comercial Ltda para os bolsos do Sr. José Marcelo Matos de Freitas. Lembramos, novamente, que somente após retificação efetuada em suas declarações, DIRPF/2005 e DIRPF/2006, o contribuinte fiscalizado declarou o contrato de mútuo com a Construtora Montenegro Ltda, na relação de Bens e Direitos, o que confirma que havia intenção de que a operação não aparecesse para o fisco. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 30 A autoridade do lançamento ataca o instituto de retificação de declaração. Contudo, não é este o tratamento dado pela SRFB à Declaração Retificadora: Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; (Instrução Normativa n° 15, de 6 de fevereiro de 2001, DOU de 8.2.2001) DO PEDIDO Ante o exposto: a) requerse o reconhecimento da decadência do lançamento efetuado em relação aos fatos geradores supostamente ocorridos em 2003 e 2004, vez que o a notificação do impugnante deuse somente em 05/01/2010, portanto, ultrapassado o prazo qüinqüenal previsto pelo art. 150, parágrafo 4º do CTN (ou art. 173, inciso I, no caso de se entender pela sua aplicação). Caso se entenda, em remota hipótese, que a notificação do impugnante tenha se dado em 28/12/2009, que se reconheça a decadência do lançamento referente aos meses de janeiro a julho de 2004, conforme já acima explicitado; b) que se declare a nulidade do lançamento efetuado ante a impossibilidade de o contribuinte defenderse de acusações a esmo e do enquadramento legal de todo o Regulamento do Imposto de Renda, como se isto fosse possível, isto é, “sonegá lo” por inteiro; c) que se descaracterize qualquer incidente gravoso, posto que a fraude não se presume, quanto mais o “evidente intuito de fraude”. E, finalmente quanto ao mérito, se declare a inexistência nos autos de qualquer fato gerador (rendimento tributado não declarado ou aumento patrimonial a descoberto). Na impugnação, o contribuinte utilizou como elemento de prova o próprio Termo de Verificação Fiscal, destacando trechos, que, no seu entender, levam à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e a inexistência de fato gerador do imposto de renda e, também, inexistência de fraude que caracterizasse crime contra a ordem tributária. A DRJ – Fortaleza ao apreciar as razões do contribuinte, julgou a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 16 31 RECURSO FINANCEIRO DE PESSOA JURÍDICA CREDITADO/DEPOSITADO NA CONTA CORRENTE BANCÁRIA.BENEFICIÁRIO DO RECURSO MANTÉM RELAÇÃO COMERCIAL COM A PESSOA JURÍDICA REMETENTE DO RECURSO FINANCEIRO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NATUREZA DO RECURSO FINANCEIRO. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Verificandose que o depósito bancário ou o crédito é originário de pessoa jurídica com a qual o contribuinte mantém relações comerciais e possui vínculo familiar com os sócios, do tipo cônjuge e filhos, o recurso financeiro se sujeita à comprovação da natureza, sob pena do recurso ser considerado rendimento tributável, submetendose ao confronto com os rendimentos informados na Declaração de Ajuste Anual e à infração de omissão de rendimentos. SIMULAÇÃO RELATIVA. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente, realização formal, e o ato que se quer realizar, oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Caracteriza simulação relativa o fato de contribuinte confeccionar documentos (contratos de mútuos, recibos de contrato de mútuo, contrato de compra e venda), não condizentes com a realidade dos fatos, para justificar, perante o fisco, recebimento de recurso financeiro de pessoa jurídica, escondendo o fato gerador do Imposto de Renda. O ato simulado é nulo nos termos do atual Código Civil. Para os efeitos tributários é ato típico de evasão fiscal e de lançamento de ofício. No âmbito do direito tributário, o negócio jurídico formal (simulado) não pode prevalecer se não representar o fato real ocorrido, mormente se esse fato real é tipificado como fato gerador do imposto de renda, devidamente comprovado pela inconsistência dos atos comerciais, confeccionados entre pessoas com interesse comum dentro de um grupo empresarial. SIMULAÇÃO. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada, conforme o art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 INTIMAÇÃO VIA POSTAL. RECUSA DO PORTEIRO EM RECEBER A ENCOMENDA. Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 32 A recusa do porteiro do condomínio em receber a encomenda do agente da ECT não descaracteriza a intimação por via postal. A ciência dáse na data do Termo de Recusa, assinado pelo autor do procedimento de fiscalização e testemunhado por agente da ECT. Essa intimação é legal, nos termos do Processo Administrativo Fiscal, dado que o Auto de Infração foi enviado para o domicilio tributário do contribuinte, onde todas as intimações foram recebidas. A recusa do porteiro caracteriza a vontade do contribuinte em não receber a intimação, haja vista que o porteiro é um preposto do condomínio perante a ECT, não podendo recusar o recebimento de correspondência de condômino morador, sob pena de falta funcional. NULIDADE. ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O enquadramento legal genérico não é causa de nulidade por cerceamento do direito de defesa, quando a descrição dos fatos é bastante elucidativa quanto à infração cometida pelo contribuinte. No procedimento de fiscalização, houve lavratura de Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, esclarecendose o motivo da rejeição dos argumentos e intimandose para apresentação de novos argumentos, sob pena de ser considerado o recurso financeiro, disponibilizado na conta corrente bancária, como rendimento tributável e possível imputação de infração de omissão de rendimentos à luz da Declaração de Ajuste Anual. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Aplicase a súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, com efeito vinculante conforme Portaria do Ministro da Fazenda nº 383, de 2010. A presente defesa de nulidade do auto de infração não é amparada por nenhuma das súmulas com efeito vinculante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR ANUAL. DECADÊNCIA. Nos tributos que comportam lançamento por homologação, ocorre a decadência do direito de lançar quando transcorridos cinco anos a contar do fato gerador, ainda que não tenha havido a homologação expressa. Nos termos da legislação do Imposto de Renda Pessoa Física, o fato gerador é anual, considerandose ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário, em que ocorram a percepção do rendimento e o pagamento do Imposto de Renda, sob a forma de IRRF ou Carnêleão. Nos casos de dolo, fraude ou simulação não ocorre homologação tácita, caracterizada depois de decorridos os cinco anos do fato gerador, sem pronunciamento da autoridade administrativa sobre os Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 17 33 pagamentos efetuados pelo contribuinte. Nessa situação, a decadência do direito de lançar ocorre depois de transcorridos cincos anos, contados a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido lançado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito o interessado apresenta recurso reiterando as razões da impugnação. Enfatiza os seguintes pontos: que seja reconhecida a decadência do lançamento efetuado em relação aos fatos geradores supostamente ocorridos no período de 01.01.2004 a 31.12.2004, uma vez que a notificação do recorrente deuse somente em 05/01/2010 previsto pelo art. 150 do CTN (ou art. 173, inciso I, no caso de entender pela sua aplicação); que se declare a nulidade do lançamento efetuado ante a impossibilidade do o contribuinte defenderse das acusações a esmo e do enquadramento legal de toda a legislação do imposto de renda; que se descaracterize qualquer incidente gravoso , posto que a fraude não se presume, quanto mais o evidente intuito de fraude; que ao mérito se declare a existência nos autos de qualquer fato gerador, bem como se reconheça que todo os esclarecimentos solicitados foram a tempo atendidos, tanto isto é verdade que não houve agravamento da penalidade; que se mande baixar o processo em diligência para que a autoridade lançadora identifique com precisão o tipo tributário. É o relatório. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 34 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. A discussão, nesta fase recursal, engloba as preliminares de decadência e a de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa arguida pelo recorrente, tendo em vista não ter entendido do lançamento. No mérito a discussão está centrada na omissão de rendimentos provenientes de valores recebidos, através de depósitos nominais ou creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituições financeiras, dos quais o suplicante alegando serem decorrentes de contratos de mútuos, foram pela fiscalização desconsiderados, e lançados como omissão de rendimento, bem como a discussão sobre a aplicação da multa qualificada. Antes de apreciar a preliminar de decadência, cabe enfrentar a qualificação da multa. Da Qualificação da Multa Quanto à aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada tenho a seguinte posição: Verificase na peça defensória que o suplicante entende ser improcedente a aplicação da multa qualificada, amparado na convicção de que é incabível o agravamento da multa, quando não comprovado nos autos, que a ação ou omissão do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude. No caso concreto em análise, a multa qualificada baseouse no fato de ter a autoridade lançadora verificado à omissão de rendimentos provenientes de mútuos não comprovados, que no entendimento da fiscalização tratavamse de atos simulados. A autuante fundamentou a aplicação da multa de 150% sob a consideração de que ficou evidenciado o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte não declarou a totalidade de seus rendimentos omitindo total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito privado interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos devidos por lei, utilizandose para isso a simulação e pessoas interpostas. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 18 35 Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, no caso em questão, o fato de o contribuinte não ter logrado comprovar a efetividade dos contratos de mútuos realizados, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Em suma, qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. A falta de inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores recebidos de pessoa jurídica contabilizados como se mútuos fossem, dos quais o contribuinte não logrou a comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea, da sua efetividade, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso II do art. 992, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° . 1.041, de 1994. Deste modo entendo injustificada a manutenção da multa qualificada de 150%. Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 36 Da Preliminar de Decadência Para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, seria o de verificar quando ocorreu a ciência do auto de infração, se ocorreu em 28/12/2009, quando da recusa do porteiro em receber a mesma, ou apenas no ano subsequente no dia 05/01/2010, quando o recorrente teve acesso ao auto de infração e apresentou sua impugnação em 27/01/2010. Assim sendo, resta necessário se determinar qual seria a data da ciência do lançamento, já que o agente fiscal não procedeu de acordo com que usualmente preceitua o artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF). Ora, a legislação que rege a forma de promover as intimações é cristalina, conforme podemos constatar no Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que quando trata de intimação, especificamente no art. 23, com nova redação editada por leis posteriores. Como se depreende do dispositivo legal, a intimação deve ser feita por uma das seguintes formas: pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, provada com a assinatura do sujeito passivo; por via postal telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; por meio eletrônico; ou por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos anteriormente. Assim, o simples ato de disponibilizar a intimação, pelo autor do procedimento, na guarita do prédio de correspondência do endereço do domicílio fiscal do sujeito passivo, não valida a intimação, já que não existe a prova de recebimento no domicilio eleito pelo sujeito passivo. É claro nos autos, de que o agente fiscal não tomou as devidas precauções para cientificar o contribuinte do lançamento. Desta forma, é de se considerar como ciência da intimação do lançamento à data em que o suplicante veio se manifestar nos autos, qual seja: a data da protocolização da peça impugnatória (27/01/2010). Neste aspecto, nada mais há para se discutir e, por via conseqüência, só posso considerar que o contribuinte tomou ciência do lançamento já no anocalendário de 2010, quando veio a se manifestar no processo. Nestes termos e tendo em vista a falta da prova de recebimento da intimação no domicilio eleito pelo sujeito passivo, posicionome no sentido de aceitar como data da ciência do Auto de Infração a data da interposição da peça recursal que ocorreu durante o ano calendário de 2010 Ante ao exposto, na apreciação da decadência, no caso concreto, como não cabe a qualificação da multa aplicarseá para apreciar a decadência do lançamento, o art. 150 do CTN e dentro desse contexto, é de se considerar o lançamento decadente, tal como explicado anteriormente, quando da apreciação da preliminar. Acolhese, portanto a preliminar de decadência suscitada pelo contribuinte no que toca ao ano calendário de 2004. Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os, deduções indevidas e infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2004, Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 19 37 considerando a existência de pagamento, está previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2005, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2009, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2004. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte e este teve ciência do auto de infração apenas em 27/01/2010, entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário no que toca ao ano calendário 2004. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que o recorrente apresentou declaração de ajuste anual, tendo imposto retido na fonte no ano de 2004, no valor de R$ 359,70, tal como se nota as fls. 31. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 38 Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: Fl. 2000DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 20 39 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 2001DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 40 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento Fl. 2002DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 21 41 de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 2003DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 42 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Uma vez que ao presente caso houve o pagamento de imposto antecipado, tal como se depreende de sua declaração, entendo ser irrelevante continuar a discussão. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2004 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2009, estaria afastada essa hipótese. Da Preliminar de Nulidade pela Imprecisa Capitulação Legal – Cerceamento do Direito de Defesa A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, a sua declaração de nulidade , se a acusação fiscal estiver detalhadamente descrita e propiciar ao contribuinte dela se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Entendo, que no caso concreto, não resta caracterizada presunção ou ofensa à segurança jurídica, a suscitar a nulidade do lançamento, quando o auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, identifica a MATÉRIA tributada e demonstra a base de cálculo adotada. Deste modo não se aceita a nulidade por capitulação legal imprecisa, não se identificando o cerceamento do direito de defesa. Do Mérito Com a decadência do ano calendário de 2004, nos restam a apreciar dois rendimentos descrito no Termo de Verificação Fiscal Fl. 2004DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10380.723281/200945 Acórdão n.º 220201.924 S2C2T2 Fl. 22 43 Em 31/05/2005. Valor R$. 85.000,00, referente a Cheque BIC 007211, repassado pele empresa FORTBRASIL FOMENTOS COMERCIAL LTDA. Em 23/02/2005, Valor R$ 98.398,12, referente a Comprovante de Depósito em C/C, repassado pela empresa FORTBRASIL FOMENTOS COMERCIAL LTDA. Cabe ao suplicante o ônus da prova de que resgatou os mútuos efetuados, não se trata de prova negativa, se trata de apresentar os documentos hábeis da efetiva transferência dos recursos para o resgate dos mútuos efetuados. A simples negação de que nada compreendeu o entendeu, não socorre o recorrente. Os argumentos apresentados, por si só, não tem o condão de comprovar a efetividade da operação. Deveria estar lastreada por prova cabal que o mesmo corresponda a verdade dos fatos, a exemplo de comprovar a efetiva transferência dos recursos para o credor nas datas e valores alegados. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes é clara a respeito do ônus da prova. Pretender a inversão do ônus da prova, como formalizado na peça recursal, agride não só a legislação, como a própria racionalidade. Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Ora, não é lícito obrigarse a Fazenda Nacional a substituir o particular no fornecimento da prova que a este competia. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores recebidos caracterizam presunção, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observese que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. Teve o suplicante, seja na fase fiscalizatória, seja na fase impugnatória ou na fase recursal, oportunidade de exibir documentos que comprovem as alegações apresentadas. Ao se recusar ou se omitir à produção dessa prova, em qualquer fase do processo, a presunção "júris tantum" acima referida, necessariamente, transmudase em presunção "jure et de jure", suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Não há qualquer possibilidade de dispensa da tributação em razão do silêncio ou omissão do contribuinte em indicar a efetiva transferência dos recursos. O fisco adotou essa forma de cobrança do tributo por ser a que melhor se adapta ao sistema de tributação do imposto de renda vigente nesse período. Caberia, sim, ao suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, apresentar meia dúzia de argumentos, num universo de contradições, para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos Fl. 2005DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 44 contratos, juntamente com a informação dos valores pagos/recebidos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. Deveria, no mínimo, apresentar cópias dos cheques utilizados para resgatar os mútuos efetuados, que são razoáveis para se acatar os argumentos do suplicante. Ante ao exposto, desqualificando a multa de ofício, voto por acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2004, rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 2006DF CARF MF Impresso em 28/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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