Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.913605/2009-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 08/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10166.913605/2009-70
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5201219
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.650
nome_arquivo_s : Decisao_10166913605200970.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10166913605200970_5201219.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 08/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
id : 4548725
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394263654400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 345 1 344 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.913605/200970 Recurso nº 4 Voluntário Acórdão nº 3801001.650 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria COFINS Recorrente HOSPITAL SANTA LUZIA S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 08/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, , Paulo Antonio Caliendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 36 05 /2 00 9- 70 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.913605/200970 Acórdão n.º 3801001.650 S3TE01 Fl. 346 3 Relatório Adoto, por entender suficiente, o relatório da DRJ de Brasília, assim expresso: Consoante Despacho Decisório reproduzido à fl. 05, emitido eletronicamente em 23/10/2009, a autoridade competente homologou parcialmente a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº. 17744.74204.151008.1.3.042353, transmitido em 15/10/2008, tendo em vista que não foi totalmente confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 16.849,98, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 30/04/2005, efetuado através de DARF no importe de R$ 126.981,53, recolhido em 13/05/2005, sob o código de receita 2172 (Cofins), do qual o valor de R$ 119.914,99 foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF, restando disponível o valor original de R$ 7.066,54. Cientificada do despacho denegatório por via postal em 06/11/2009 (fl. 31), a interessada apresentou em 02/12/2009 a manifestação de inconformidade acostada às fls. 01/04, alegando, em síntese, que, de acordo com a legislação que rege a compensação tributária, tratada no art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº. 10.637, de 2002, cujos dispositivos reproduz, tem o direito de aproveitar o pagamento efetuado indevidamente a maior, bastando apenas proceder a retificação da DCTF. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2005 PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo sido trazida na manifestação de inconformidade nenhuma prova documental que dê suporte à alegada ocorrência de pagamento a maior, não há reparos a fazer no despacho decisório recorrido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a Recorrente o presente recurso voluntário alegando em síntese que a DRJ deveria aceitar a DCTF retificadora “uma vez que o programa ao período mencionado no DARF de origem do crédito não permitiu a transmissão via internet, e por Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 conseqüência glosar inadvertidamente a Declaração de Compensação – PER/DCOMP apurada pela recorrente...”. Junta com a sua defesa cópia de segurança da DCTF retificadora, DIPJ equivalente e outros documentos. Requer, por fim, seja aceita a retificação da DCTF e homologada a compensação apresentada. É o relatório, Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10166.913605/200970 Acórdão n.º 3801001.650 S3TE01 Fl. 347 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Conforme relatado a Recorrente apresentou PER/DCOMP cujo crédito não foi reconhecido pelo sistema da Receita em decorrência de já ter sido alocado com outro débito em DCTF. A recorrente alega que tal fato decorreu de erro no preenchimento da DCTF e que não pode corrigila tendo em vista que não lhe foi permitida a transmissão pela internet. Na realidade a Recorrente não pode retificar a DCTF porque já havia se esgotado o qüinqüênio relativo ao período informado. Mesmo assim não o fosse, do exame desse litígio administrativo verificase que a Recorrente não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não pode prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos. Não sendo apresentadas provas das alegações, nem sequer a origem do crédito pleiteado, há que se negar o pedido realizado. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000160/2007-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002
PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005
O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos do PIS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002 PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005 O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos do PIS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13974.000160/2007-78
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5198181
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.657
nome_arquivo_s : Decisao_13974000160200778.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 13974000160200778_5198181.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
id : 4523390
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394308743168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 75 1 74 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13974.000160/200778 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.657 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente MOINHO MAFRENSE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002 PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA LC 118/2005 O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamentos do PIS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, conforme interpretação dada pelo art 3o da Lei Complementar n°. 118 ao inciso I do art 168 do CTN. Pedido de restituição realizado após a entrada em vigor da LC 118/2005. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 01 60 /2 00 7- 78 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), fl. 01, protocolizado em 02/08/2007, o qual, consoante planilhas de fls. 19/20, corresponde a pagamentos que teriam sido efetuados no período de 13/02/1998 a 15/07/2002, no montante atualizado de R$ 4.659,73. A fl. 01, consta como motivo do pedido (campo 02): "Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS — Vide detalhamento anexo". As fls. 02/06, a contribuinte esclarece, em síntese, que o pedido referese ao PIS recolhido a maior em virtude da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. Insiste no direito ã restituição. Instruem o pedido, ainda: procuração (11. 07), cópia de documentos pessoais do mandatário (fl. 08) e cópia de documentos societários (fls. 09/18). Em 16/08/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC, despacho decisório às fls. 22/23, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Adicionalmente, a DRF esclarece que contribuição incide sobre o faturamento, que corresponde ã totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada cm 28/08/2007 (fl. 25), a interessada interpôs, em 13/09/2007, manifestação de inconformidade a esta Delegacia de Julgamento, fls. 26/43, cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, alega que sendo o PIS sujeito ao lançamento por homologação o prazo para a recuperação dos valores indevidamente recolhidos é de 10 (dez) anos". Transcreve jurisprudência e insiste no direito. Diz, ainda, que não subsiste o argumento de que o art. 4° da Lei Complementar no 118, de 2005 alcança fatos pretéritos. Menciona a existência de jurisprudência favorável e insiste na validade da chamada 'tese dos '5 mais 5'. Quanto ao direito creditório buscado, discorre extensamente sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS. Ao discorrer sobre os juros, fala sobre a necessidade de atualização de seus créditos pela taxa Selic, desde a data do pagamento indevido. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13974.000160/200778 Acórdão n.º 3801001.657 S3TE01 Fl. 76 3 Ao final, requer a procedência da manifestação e o deferimento do pedido.” A Delegacia de Julgamento em Curitiba (PR) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 58 a 68, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Preliminarmente, no que tange à decadência, devemos analisar os artigos 165 e 168 do CTN e os artigos 3o e 4o da Lei Complementar 118/05, que seguem abaixo: "Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I — nas hipóteses dos incisos I e II do art.165, da data da extinção do crédito tributário; (...)" "Art 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106. inciso I. da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional " A posição adotada pelo STJ, tese dos 5 + 5, conforme colacionado pelo contribuinte, a meu ver, além de não se alinhar ao conceito de actio nata e aos princípios que regem a decadência e a prescrição, teve sua aplicação prejudicada em face das disposições dos art. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/05 O art. 3° da LC 118/05 tratase de disposição expressamente interpretativa. Para evitar qualquer dúvida existente, a LC n° 118/05, em seu art. 4°, textualmente afirma que, quanto a regra do art. 3°, deve ser observado o art. 106, I, do CTN, que determina justamente a aplicação retroativa das leis expressamente interpretativas. No tocante à sua aplicação, o Superior Tribunal de Justiça adotou o entendimento de que a disposição somente teria aplicação em relação aos pedidos de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13974.000160/200778 Acórdão n.º 3801001.657 S3TE01 Fl. 77 5 restituição apresentados após sua publicação, como ocorreu no REsp n° 791.370 MT, de 24 de outubro de 2008. Ressaltese que o STJ não é órgão competente para exercer o controle abstrato de constitucionalidade, devendo ser observado a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4° dessa lei complementar, conforme expresso no acórdão do STF exarado no RE 482.0901 SP, cuja ementa transcrevemos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3° E 4°. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. Não obstante, o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para as ações ajuizadas após entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. Segue a ementa, in verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES 6 ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) No caso em tela, o pedido de restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) foi protocolizado em 02/08/2007, correspondendo a pagamentos alegadamente efetuados no período de 13/02/1998 a 15/07/2002. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu após o início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos alegadamente indevidos já havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo. Decretada a decadência resta prejudicada a análise das demais alegações. Por fim, pelas razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado, mantendose a decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13974.000160/200778 Acórdão n.º 3801001.657 S3TE01 Fl. 78 7 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723591/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
Multa por falta de entrega da Dirf
A falta de entrega da Dirf, ou sua entrega após o prazo fixado, sujeita o contribuinte à multa de ofício prevista na legislação tributária.
Numero da decisão: 2202-002.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator .
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 Multa por falta de entrega da Dirf A falta de entrega da Dirf, ou sua entrega após o prazo fixado, sujeita o contribuinte à multa de ofício prevista na legislação tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.723591/2008-02
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200835
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.168
nome_arquivo_s : Decisao_10680723591200802.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ODMIR FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10680723591200802_5200835.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator . (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4539086
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394330763264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.723591/200802 Recurso nº 999 Voluntário Acórdão nº 2202002.168 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria IRRF Recorrente CONTABILIDADE COLUMBIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 Multa por falta de entrega da Dirf A falta de entrega da Dirf, ou sua entrega após o prazo fixado, sujeita o contribuinte à multa de ofício prevista na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator . (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 91 /2 00 8- 02 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, que manteve a autuação da multa por falta de entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, do anocalendário de 2002. O auto de infração (fls. 6), ciência por via postal em 14.11.2008 (fls.10), exige multa, no valor de R$ 500,00, por falta de entrega da Declaração de imposto de renda retido na fonte Dirf do anocalendário de 2002. A Decisão decorrida (fls. 21/24), com ciência em 28/11/2011 (AR fls. 66), manteve a exigência da multa pela falta da entrega da Dirf em razão de a retificação do Darf, por si só não comprova a inexistência da retenção na fonte. O Acórdão da decisão recorrida esta assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2002 Multa por falta de entrega da Dirf A falta de entrega da Dirf, ou sua entrega após o prazo fixado, sujeita o contribuinte à multa de ofício prevista na legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário (fls. 68) protocolado em 20.12.2011 sustenta que efetuou a correção da Dirf pelo REDARF, não existindo a retenção na fonte declarada de forma a obrigála a entrega da DIRF. Acrescenta que devido a equívoco no preenchimento do Darf de IRRF do código 1708, no valor de R$12,00, mais multa de R$0,55, com vencimento em 17.07.2002, a empresa ficou omissa da entrega da Dirf relativa ao anocalendário de 2002. No Darf correto, a pessoa jurídica arrecadadora é outra: P&P Distribuidora de Bebidas Ltda. Com a correção do equívoco, mediante Redarf, entende estar desobrigado da entrega da Dirf no período. É o breve relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.723591/200802 Acórdão n.º 2202002.168 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de autuação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória falta da entrega da Dirf Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. A obrigatoriedade da entrega da Dirf decorre do art. 7o, II, da Lei n° 10.426, de 2002, que comina a multa pela falta de cumprimento dessa obrigação acessória. No anocalendário de 2002, a entrega da Dirf estava disciplinada pela Instrução Normativa SRF n° 269, de 2002, exigia o cumprimento dessa obrigação, assim: Art. 1º Devem apresentar a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) as seguintes pessoas jurídicas e físicas, que tenham pago ou creditado rendimentos que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ainda que em um único mês do ano calendário a que se referir a declaração, por si ou como representantes de terceiros: I estabelecimentos matrizes de pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no Brasil, inclusive as imunes ou isentas; II pessoas jurídicas de direito público; III filiais, sucursais ou representações de pessoas jurídicas com sede no exterior; IV empresas individuais; V caixas, associações e organizações sindicais de empregados e empregadores; VI titulares de serviços notariais e de registro; VII condomínios; VIII pessoas físicas; IX instituições administradoras de fundos ou clubes de investimentos; e X órgãos gestores de mãodeobra do trabalho portuário. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 4 A autuada, na condição de fonte pagadora ao efetuar pagamento com incidência do imposto de renda retido na fonte (IRRF), ou, a partir do anocalendário de 2003, da contribuição social retida na fonte, estava obrigada a entrega a Dirf. No banco de dados da Receita Federal do anocalendário da autuação 2002 (fls. 18 a 20), foi apurado registro de um pagamento de IRRF, no valor de R$12,00, com multa de R$0,55, surgindo daí a obrigação da entregada da DIRF. A Recorrente sustenta que o recolhimento foi feito por equívoco, deveria ter sido feito em nome de outra empresa. Contudo, não há comprovação dol equivoco. Junta apenas a fls.7 cópia do pedido de retificação do Darf. O pedido de retificação, por si só, sem a anuência da fiscalização não comprova se a retificação foi admitida para fins de dispensar a entrega da DIRF. O recolhimento do IR fonte continuou em nome da autuada, mesmo a após decorrido dois anos da impugnação, e a retificação não foi admitida, permanecendo assim a exigência da obrigação da entrega do Dirf. Para corroborar a correção do Darf, é necessário comprovar que a obrigação do recolhimento do IRFonte era da outra pessoa, coisa que não ocorreu. Em suma, havendo retenção e recolhimento de IRRF é dever do contribuinte a entrega da Dirf, e a omissão sujeita o devedor à multa pelo descumprimento da obrigação. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10680.723591/200802 Acórdão n.º 2202002.168 S2C2T2 Fl. 4 5 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003373/2010-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DESCONTOS REALIZADOS E NÃO DECLARADOS EM GFIP.
O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter descontado as contribuições dos segurados, sem o devido recolhimento do tributo aos cofres da Previdência Social, bem como por ter deixado de declarar tais fatos nas GFIP`s correspondentes ao período de apuração de 01/2006 a 04/2010.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DESCONTOS REALIZADOS E NÃO DECLARADOS EM GFIP. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter descontado as contribuições dos segurados, sem o devido recolhimento do tributo aos cofres da Previdência Social, bem como por ter deixado de declarar tais fatos nas GFIP`s correspondentes ao período de apuração de 01/2006 a 04/2010. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11065.003373/2010-84
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5198182
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-001.995
nome_arquivo_s : Decisao_11065003373201084.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11065003373201084_5198182.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4523391
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394359074816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.003373/201084 Recurso nº 11.065.003373201084 Voluntário Acórdão nº 2803001.995 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente GRÊMIO ESPORTIVO SAPUCAIENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DESCONTOS REALIZADOS E NÃO DECLARADOS EM GFIP. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter descontado as contribuições dos segurados, sem o devido recolhimento do tributo aos cofres da Previdência Social, bem como por ter deixado de declarar tais fatos nas GFIP`s correspondentes ao período de apuração de 01/2006 a 04/2010. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 33 73 /2 01 0- 84 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.003373/201084 Acórdão n.º 2803001.995 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.003373/201084 Acórdão n.º 2803001.995 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições dos segurados empregados da entidade, contribuições essas não recolhidas à Previdência Social. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 16 de agosto de 2011e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2010 CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS São devidas as contribuições descontadas dos segurados, não recolhidas à Previdência Social e não declaradas nas GFIP. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL A comunicação processual será feita na forma pessoal, ou por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTO Não comprovadas quaisquer das hipóteses para concessão de novo prazo para apresentação de documentos, descabe fazêla em momento diferente da impugnação. INTERRUPÇÃO DA FLUÊNCIA DOS JUROS Não cabe ao órgão de julgamento autorizar descumprimento de norma legal que prevê a incidência de acréscimos legais sobre contribuições não recolhidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A autuação fiscal versa sobre contribuições previdenciárias a segurados e terceiros no período entre os anos de 2006 a 2010. Dentro deste período a direção da entidade foi exercida pelo Sr. José Luís Reche Crhistianetti até a data de 11.07.2009. A partir de 11.07.2009 passamos a responder pela diretoria do Clube e razão da renúncia do presidente anterior, o que se comprovou pelos documentos já anexados ao processo. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.003373/201084 Acórdão n.º 2803001.995 S2TE03 Fl. 5 4 Não houve prestação de contas por parte da diretoria renunciante quando da transmissão do cargo. O período objeto da fiscalização foi muito longo e a nova direção assumiu suas funções em situação precária, com deficiência de documentação. Não foi autorizado o elastecimento de prazo para juntada de documentos. A decisão do ilustre auditor deve ser reformada para permitir ao impugnante a complementação da documentação. A oportunidade para apresentação de documentos não precluiu por ocasião da impugnação, tendo sido demonstradas as razões da impossibilidade de produção de documentos essenciais naquele momento do processo administrativo, e as provas a serem produzidas através de perícia contábil. Tendo em vista que houve especificação das provas, sustentase que a tese tem respaldo na jurisprudência aplicável à espécie. À vista de todo o exposto, demonstrada a admissibilidade de complementação da documentação posteriormente à impugnação, assim como a razoabilidade do pedido, requer a entidade recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, concedendo a reabertura de prazo para complementação de documentação. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.003373/201084 Acórdão n.º 2803001.995 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento foi realizado em virtude de o contribuinte ter descontado as contribuições dos segurados, sem o devido recolhimento do tributo aos cofres da Previdência Social, bem como por ter deixado de declarar tais fatos nas GFIP`s correspondentes ao período de apuração de 01/2006 a 04/2010. Inconformado com o resultado do julgamento da primeira instância administrativa, ao invés de atacar o mérito da questão, o contribuinte se contentou em tecer comentários a respeito das mazelas administrativas da empresa, como a renúncia de diretor, falta de prestação de contas em face da transmissão do cargo, entre outros assuntos. Em razão das dificuldades encontradas pela nova administração, o contribuinte também alega que o período objeto da fiscalização foi muito longo e a nova direção assumiu suas funções em situação precária, com deficiência de documentação, situação ainda agravada pelo fato de não ter sido permitido o elastecimento de prazo para juntada de documento. Sustenta, ademais, que a oportunidade para apresentação de documentos não precluiu por ocasião da impugnação, tendo sido demonstradas as razões da impossibilidade de produção de documentos essenciais naquele momento do processo administrativo, e as provas que deverão ser produzidas através de perícia contábil, anexando farta jurisprudência para ampara seu pleito. Como se pode observar, os argumentos apresentados pelo contribuinte não têm o condão de alterar nada do que já foi decidido anteriormente. Ao cuidar apenas do assunto juntada de documentos posteriormente à impugnação, o contribuinte foi alcançado pela regra disposta no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que estabelece o seguinte: “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Diante das evidências, não há nenhum elemento nos autos capaz de alterar o lançamento, bem como a decisão recorrida. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.003373/201084 Acórdão n.º 2803001.995 S2TE03 Fl. 7 6 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000547/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/05/2005
AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui
falta passível de multa, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço.
MULTA PORTARIA MPS 142/2007 A Portaria MPS 142/07 não trata de
majoração de valor da multa, mas tão somente da atualização da multa prevista no Decreto 3048/99.
APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º
CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/05/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. MULTA PORTARIA MPS 142/2007 A Portaria MPS 142/07 não trata de majoração de valor da multa, mas tão somente da atualização da multa prevista no Decreto 3048/99. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 16004.000547/2007-90
conteudo_id_s : 5218916
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.414
nome_arquivo_s : Decisao_16004000547200790.pdf
nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 16004000547200790_5218916.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4573469
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394376900608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 169 1 168 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000547/200790 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.414 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente FACULDADE COMDPEDRO II Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/05/2005 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui falta passível de multa, deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. MULTA PORTARIA MPS 142/2007 A Portaria MPS 142/07 não trata de majoração de valor da multa, mas tão somente da atualização da multa prevista no Decreto 3048/99. APRECIAÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000547/200790 Acórdão n.º 2401002.414 S2C4T1 Fl. 170 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 30, inciso I, “a”. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 15, a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, no período de 04/2003 a 12/2006. Tendo em vista a constatação de grupo econômico, a autuação foi lavrada em nome das empresas responsáveis Sociedade Riopretense de Ensino e Faculdade de Comércio D. Pedro II Ltda. Inconformadas com a Decisão Notificação de fls. 134/139, as empresas apresentam recurso a este conselho alegando em síntese: Questiona a multa aplicada com fundamento na Portaria n° 142/07, aduzindo ser a mesma mais gravosa ao contribuinte, em detrimento da multa prevista no Decreto n° 3.048/99 e na lei n° 8.212/91. Que a espécie normativa portaria é ato administrativo interno da Administração Pública e visa disciplinar seu funcionamento, não podendo exorbitar sua carga normativa. Querendo, a administração, regulamentar pena pecuniária prevista em lei, deveria fazêlo por intermédio de Decreto. Sustenta ter havido afronta ao princípio da legalidade, já que a multa aplicada no valor estabelecido pela Portaria ° 142/07 infringe o disposto no artigo 92 da lei n° 8.212/91. Afirma ter ocorrido violação ao princípio da ampla defesa em virtude da negativa de análise de questão constitucional (principiológica) qual seja a aplicação do princípio da legalidade; Ao fim requer: Seja acolhido o presente recurso voluntário, e no mérito, seja dado total provimento para anular a decisão da 8ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, consubstanciado no Acórdão n. 1422.626, de 17 de março de 2009, e por via de conseqüência, declarada a inconstitucionalidade da norma individual e concreta de lançamento. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que o recurso não traz em suas alegações, contestações sobre a matéria principal da presente autuação, qual seja, que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Desta forma, ao não impugnar o objeto da autuação propriamente dita, entende como tacitamente aceita a imputação feita pela fiscalização. Já com relação ao recurso propriamente dito, a empresa questiona a multa aplicada com fundamento na Portaria MPS n° 142/07. Sem razão à recorrente. A multa aplicada no presente caso obedeceu ao contido no artigo 283, I, "g" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A portaria MPS n° 142/07, apenas procedeu a atualização dos valores contidos no referido Decreto. Logo não há que se falar em penalidade mais gravosa ao contribuinte. Co relação a inconstitucionalidade da atualização dos valores através de portaria ministerial e que a decisão de primeira instância teria que enfrentar as questões trazidas sobre constitucionalidade e ilegalidade, também desprovida de fundamentos as alegações da recorrente. Em primeiro lugar cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade e legalidade de normas legais. Sobre este aspecto, além das razões já expostas na decisão de primeira instância, temos que vários dispositivos legais vedam a análise do julgador administrativo para se manifestar acerca do assunto. Dentre eles temos o art. 62 da Portaria MF 256/2009, a Súmula 02 do então Segundo Conselhos de Contribuintes, o art. 72 § 4º do Regimento Interno do CARF e o art. 102, I da Constituição Federal: Portaria 256/2009 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.000547/200790 Acórdão n.º 2401002.414 S2C4T1 Fl. 171 5 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Sumula nº 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Constituição Federal “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Sendo assim, as alegações acerca de inconstitucionalidades e ilegalidades não serão objeto de apreciação por esta turma de julgamento. Logo, tendo a fiscalização agido dentro das normas legais que regem a matéria, não há que se falar em cerceamento de defesa e tampouco nulidade do lançamento. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso, rejeitar as preliminares e no mérito Negarlhe Provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 30/09/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001382/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA.
O preenchimento equivocado da DIRPF - da qual conste rendimento recebido de pessoa física no campo destinado à informação sobre rendimentos de pessoa jurídica - não implica em qualquer omissão por parte do contribuinte que assim se equivocou. Não havendo omissão, incorreta a manutenção do lançamento.
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para cancelar a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 05/12/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. O preenchimento equivocado da DIRPF - da qual conste rendimento recebido de pessoa física no campo destinado à informação sobre rendimentos de pessoa jurídica - não implica em qualquer omissão por parte do contribuinte que assim se equivocou. Não havendo omissão, incorreta a manutenção do lançamento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13886.001382/2008-88
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199995
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2102-002.387
nome_arquivo_s : Decisao_13886001382200888.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
nome_arquivo_pdf_s : 13886001382200888_5199995.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para cancelar a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4538384
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394403115008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 69 1 68 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.001382/200888 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2102002.387 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria IRPF, Omissão, Glosa de Despesas Médicas Recorrente SONIA MARIA NARDINI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa: PRELIMINAR AFASTADA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente são consideradas nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa da parte, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. O preenchimento equivocado da DIRPF da qual conste rendimento recebido de pessoa física no campo destinado à informação sobre rendimentos de pessoa jurídica não implica em qualquer omissão por parte do contribuinte que assim se equivocou. Não havendo omissão, incorreta a manutenção do lançamento. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 13 82 /2 00 8- 88 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito, em DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para cancelar a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/12/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NÚBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANÁRIO DA SILVA. Relatório Em face da contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento fls. 26/28 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (aluguéis – no valor de R$ 11.472,92), e ainda em razão da glosa das despesas médicas deduzidas por ela (estas no total de R$ 49.320,00), no Exercício 2005. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/15, por meio da qual requereu o seu cancelamento, alegando: a) nulidade do lançamento por falta de motivação; b) nulidade por ausência de suporte legal que o justificasse; c) no mérito, trouxe cópias dos recibos relacionados aos serviços cuja dedução pleiteou, e afirmou que declarou corretamente os valores recebidos a título de aluguel; e d) pugnou pela exclusão da aplicação da taxa Selic ao crédito tributário exigido. Na análise de suas alegações, os integrantes da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção parcial do lançamento. Foram rejeitadas as preliminares e, no mérito, foi revisto o valor das glosas de despesas médicas, tendo sido reputada como comprovada a despesa de R$ 500,00 com a Clínica Cardiológica Prof. B. Tranchesi.. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 49/57, por meio do qual reiterou os pedidos contidos em sua impugnação no que diz respeito às preliminares de nulidade e também ao mérito (quanto à possibilidade de dedução das despesas e quanto à inexistência de omissão de rendimentos). Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001382/200888 Acórdão n.º 2102002.387 S2C1T2 Fl. 70 3 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 16.04.2010 – sextafeira, como atesta o AR de fls. 48v.. O Recurso Voluntário foi interposto em 17.05.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas (aluguéis) e também em razão da glosa de despesas médicas declaradas pela Recorrente. Como preliminares de seu recurso, a Recorrente reitera duas questões suscitadas em sede de Impugnação, ambas relacionadas a nulidades no lançamento. A primeira delas diz respeito a uma nulidade no lançamento por não ter o mesmo sido motivado, e a segunda diz respeito à ausência de suporte legal para o mesmo. A decisão recorrida afastou ambas as preliminares, pelos seguintes motivos: 0 contribuinte alega nulidade do lançamento por inobservância dos princípios da legalidade, finalidade, motivação, com ausência de descrição dos fatos geradores e fundamento jurídico de forma clara impossibilitando sua identificação e o exercício da ampla defesa, bem como por ausência de suporte legal. (...) Ao contribuinte foi dada a oportunidade de ampla defesa e do contraditório tanto que a utilizou ao impugnar o lançamento, discorrendo e apresentando cópias de documentos que demonstram seu pleno conhecimento dos fatos apurados pela fiscalização. Pelo exposto, temse, portanto, que a Autoridade Tributária Autuante agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria, não tendo como prosperar as alegações de nulidade do lançamento. Tal entendimento deve ser mantido. Isto porque o fundamento legal para o lançamento está devidamente elencado na Notificação, tanto é assim que a Recorrente teve chance de se defender, e menciona a norma que fundamenta o lançamento em sua Impugnação, de forma que não houve qualquer violação ao seu direito de ampla defesa. Da mesma forma, o lançamento não carece de motivação, pois esta motivação está contida no Código Tributário Nacional, que assim determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim é que toda vez que a autoridade fiscal apurar uma infração à lei tributário (no caso, o art. 8º da Lei nº 9.250/95) deverá ela efetuar o lançamento de ofício, exatamente como ocorreu no caso vertente. Por estes motivos, as preliminares suscitadas pela Recorrente não merecem acolhida. No que diz respeito ao mérito do lançamento aqui em discussão, a Recorrente afirma que não houve qualquer omissão de rendimentos e que os valores gastos com profissionais médicos devem ser por ela deduzidos por se enquadrarem na hipótese legal de dedução. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, consta da Notificação que a Recorrente teria omitido o valor total de R$ 11.472,92, extraído de DIMOB apresentada por W.PA. Imóveis Ltda.. A decisão recorrida manteve esta parcela do lançamento, baseada nos seguintes argumentos: 0 contribuinte alega que declarou os aluguéis consignados em DIMOB e apresenta a relação de fls. 23/25 onde constam rendimentos de aluguéis recebidos tanto de pessoa fisica quanto de pessoa jurídica. 0 presente lançamento a titulo de omissão de rendimentos de aluguel referese aos rendimentos recebidos de pessoa física e não declarados pelo contribuinte, conforme Declaração de Ajuste Anual — AC 2004, As fis. 30/33. 0 contribuinte declarou somente os valores referentes ao rendimentos de aluguéis recebidos dE pessoa jurídica e, deixando de declarar os valores recebidos de pessoa física incorreu em omissão de rendimentos estando correto o lançamento, inclusive corn ratificação pelo próprio documento apresentado pelo contribuinte, As fls. 23/25, quando informa os valores de aluguéis recebidos de pessoas físicas. De fato, consta da DIRPF apresentada pela Recorrente para o Exercício 2005 que a mesma declarou ter recebido rendimentos tributáveis naquele ano no valor total de R$ 75.552,76. Tais valores lhe teriam sido pagos por pessoas físicas e jurídicas, como se constata às fls. 31 dos autos – mas foram todos declarados dentro do quadro da DIRPF destinado à informação sobre rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como demonstra o seguinte quadro, extraído da referida DIRPF: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001382/200888 Acórdão n.º 2102002.387 S2C1T2 Fl. 71 5 Da leitura do referido quadro é possível verificar que a Recorrente declarou, equivocadamente no campo destinado à informação sobre rendimentos recebidos de pessoa jurídica – ter recebido o valor de R$ 11.499,42 de pessoas físicas, cujos CPF podem ser verificados no quadro acima. Este valor é ligeiramente superior ao valor da omissão imputada à Recorrente através do lançamento que aqui se analisa. Por este motivo, está correta a alegação da Recorrente de que declarou corretamente o valor em questão, não havendo que se falar em qualquer omissão de tais rendimentos. O simples fatos de ter declarado o rendimento em campo não apropriado não implica em qualquer omissão de sua parte. Assim, deve ser cancelado o lançamento no que diz respeito à alegada omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. A outra parcela do lançamento, como se viu, diz respeito à glosa de despesas médicas no valor de R$ 49.320,00. O fundamento para a glosa das despesas declaradas pela Recorrente fora a falta de comprovação das mesmas. Consta da Notificação que a Recorrente fora intimada a comprovar tais despesas, mas quedarase inerte, deixando de apresentar quaisquer documentos que as suportassem, o que implicou na referida glosa. Por ocasião da Impugnação, a Recorrente anexou aos autos os recibos que comprovariam tais despesas, no valor total de R$ 49.320,00, composto pelos seguintes pagamentos: Prestador Valor Recibo Vascular Spec S/C Ltda. R$ 100,00 Fls. 22 Clinica Dentaria do Povo S/C Ltda. R$ 49.000,00 Fls. 17/20 Instituto Otorrinolaringologia de Americana R$ 120,00 Fls. 21 Walter A. Rosim R$ 100,00 Fls. 21 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Deste montante, a decisão recorrida reputou como comprovada a despesa de R$ 100,00 com a Vascular SPEC S/C Ltda., já que o recibo apresentado preenchia os requisitos legais para tanto. O argumento utilizado para justificar a não aceitação de todos os demais recibos apresentados foi: Em principio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado e preenchidos com todos os requisitos legais exigidos. No entanto, é de se ter em conta, ao examinar esta questão, que a comprovação das despesas havidas por meio de recibos é muito frágil. A apresentação destes documentos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não podendo a autoridade fiscal se satisfazer apenas com eles. Os pagamentos efetuados devem ser especificados e comprovados e os recibos devem conter a informação precisa dos serviços prestados e identificação do beneficiário dos mesmos. A simples apresentação dos recibos de despesas médicas não comprova a efetividade do pagamento ou dos serviços prestados pelos profissionais. A prova definitiva e incontestável das despesas é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e dos documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras). A apresentação de recibos, por si só, como já dito acima, não tem a capacidade de provar a prestação de serviços e o pagamento dos mesmos. Quanto aos documentos apresentados, temos que: a) Os recibos emitidos pela Americana Sistema Odontológico de Saúde Ltda, As fls. 17/20, não especificam o tratamento e não identificam o beneficiário de tais tratamentos. b) 0 recibo emitido por Instituto de otorrinolaringologista de Americana e o recibo emitido por Walter A Rosim, As fls. 21, não especifica o tratamento, não identifica o beneficiário do tratamento e não consta o endereço do profissional. c) Quanto a Nota Fiscal emitida por Vascular SPEC S/C Ltda, As fls. 22, por preencher todos os requisitos legais em seu original, pode ser acolhido para efeito de dedução de despesa pleitcada, no valor total de R$ 100,00. Tal decisão merece ser mantida. De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. Sem que tais provas sejam feitas, está correta a glosa das despesas médicas não comprovadas. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13886.001382/200888 Acórdão n.º 2102002.387 S2C1T2 Fl. 72 7 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, o Recorrente trouxe aos autos os recibos emitidos pelos profissionais em comento (cf. demonstrado acima), dos quais realmente não consta o endereço do profissional emitente (caso dos recibos emitidos por Walter A Rosim e Instituto de Otorrinolaringologia). Já em relação aos recibos de despesas com a Clínica Odontológica, realmente os mesmos deixam de demonstrar quais os serviços prestados, o que inviabiliza a sua aceitação como hábeis e suficientes a demonstrar a efetividade das mencionadas despesas. Vale ressaltar ainda que especificamente no caso da clínica odontológica, diante da expressividade do valor dispendido, caberia à Recorrente ter trazido outros documentos que demonstrassem e justificassem a despesa em questão, mormente quando a decisão recorrida foi bastante enfática e explícita quanto às razões para que os recibos apresentados não fossem aceitos. Caberia à Recorrente ter trazido argumentos e documentos suficientes a rechaçar os argumentos lá expendidos, de forma a demonstrar a efetividade de tais serviços, que não foram sequer descritos – ainda que de maneira simples e leiga. Por isso, entendo que devem ser mantidas as glosas efetuadas através do lançamento em exame. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Diante do exposto, VOTO no sentido de REJEITAR as preliminares suscitadas para, no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para cancelar a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720181/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. COMPROVAÇÃO.
O registro público faz prova da área do imóvel.
Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar, de forma inequívoca, a área total pretendida.
VALOR DA TERRA NUA -VTN. ARBITRAMENTO.
Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua pretendido, mantém-se o VTN arbitrado pela autoridade fiscal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, não ficou comprovado que a área de reserva legal é superior a 20% da área do imóvel.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILAÇÃO PROBATÓRIA.
Não tendo ficado demonstrada a ocorrência de uma das situações de excepcionalidade previstas na legislação reguladora do processo administrativo fiscal, não há que se deferir a apresentação de provas após a impugnação.
Numero da decisão: 2101-002.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em parte ao recurso, para aceitar o VTN constante do laudo apresentado.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. COMPROVAÇÃO. O registro público faz prova da área do imóvel. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar, de forma inequívoca, a área total pretendida. VALOR DA TERRA NUA -VTN. ARBITRAMENTO. Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua pretendido, mantém-se o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não ficou comprovado que a área de reserva legal é superior a 20% da área do imóvel. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Não tendo ficado demonstrada a ocorrência de uma das situações de excepcionalidade previstas na legislação reguladora do processo administrativo fiscal, não há que se deferir a apresentação de provas após a impugnação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13161.720181/2008-59
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200106
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-002.085
nome_arquivo_s : Decisao_13161720181200859.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
nome_arquivo_pdf_s : 13161720181200859_5200106.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em parte ao recurso, para aceitar o VTN constante do laudo apresentado. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
id : 4538495
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394412552192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2094; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.720181/200859 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.085 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria ITR Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural Recorrente Celso Benjamim Melo Corrêa da Costa Espólio Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. COMPROVAÇÃO. O registro público faz prova da área do imóvel. Na hipótese, o contribuinte não logrou comprovar, de forma inequívoca, a área total pretendida. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Não se desincumbindo o recorrente de comprovar o Valor da Terra Nua pretendido, mantémse o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admitese, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Reserva Legal averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não ficou comprovado que a área de reserva legal é superior a 20% da área do imóvel. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Não tendo ficado demonstrada a ocorrência de uma das situações de excepcionalidade previstas na legislação reguladora do processo administrativo fiscal, não há que se deferir a apresentação de provas após a impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 81 /2 00 8- 59 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Allage, que votaram por dar provimento em parte ao recurso, para aceitar o VTN constante do laudo apresentado. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar em decorrência da falta de comprovação do Valor da Terra Nua – VTN declarado. A Fiscalização arbitrou o Valor da Terra Nua em R$ 2.640,31, com base no valor estimado no laudo de avaliação apresentado, mas rejeitou o índice de redução a ele aplicado, de 35%, por falta de previsão de tal índice na NBR 14.6533. Em 27.11.2008, a inventariante, Vânia Maria Azuaga Corrêa da Costa, por seu procurador, impugnou o lançamento (fls. 89 a 94), alegando, em síntese, que: a) os valores utilizados para a definição do VTN no Laudo de Avaliação são impróprios, eis que o laudo aponta valor de terras em Dourados, mas a propriedade está localizada na divisa dos municípios de Maracaju e Nioaque e tem solo irregular. Também o valor do Decreto n.º 10.050 considerou em seu referencial a UFERMS, e não a UFIR. Sendo assim, o valor da terra nua a ser considerado deve ser R$ 1.314,14, já aplicado o redutor de 10%, em função da irregularidade do solo; b) a área total do imóvel, conforme constatado em levantamento para efeito de recadastramento no INCRA e georrefenciamento é de 4.015,2046 ha, não 4.188,1000 ha conforme consta nas matrículas juntadas ao laudo; c) a área de reserva legal existente é de 1.813,0850 ha, e deve ser retificada. Em resumo, entende que a justa tributação da área seria de: VTN R$ 1.314,14 x 2.091,0396 = 2.747.918,78 x 0,30% = R$ 8.243,76. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Dourados, MS, entendeu tratar se de impugnação parcial, visto que a defesa reconhecia devido imposto no valor de R$ Fl. 165DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720181/200859 Acórdão n.º 2101002.085 S2C1T1 Fl. 3 3 8.243,76. Como já havia sido pago o montante de R$ 4.152,51, restava um saldo devedor de R$ 4.091,25, acrescido multa e juros de mora. A então impugnante, intimada, esclareceu que pretendia o cancelamento da notificação primitiva para emissão de outra com os valores expressos no requerimento, e não tenha deixado de impugnar o valor lançado. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0425.007, de 17 de junho de 2011, mediante a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 NIRF: 2.657.2796 Fazenda Monte Negro DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção apenas das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua apurado pela fiscalização em procedimento de ofício não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. ÁREA DO IMÓVEL. GEOREFERENCIAMENTO. O registro faz prova da área do imóvel. A eficácia da prova da área obtida por meio de procedimento de georeferenciamento depende de registro na matrícula do imóvel. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. A exclusão das áreas de reserva legal, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à sua averbação à margem da matrícula do imóvel, em data anterior a I o de janeiro do exercício considerado, e também à declaração dessa área em Ato Declaratório Ambiental ADA protocolizado tempestivamente perante o IBAMA ou órgão conveniado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 121 e seguintes), no qual pede a apresentação de provas, eis que pretende provar a tentativa de expropriação da propriedade para fins de reforma agrária, que não foi realizada porque os técnicos do Incra concluíram que a área não tinha aptidão para tal fim, em função de seu solo fraco e pedregoso. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 No entanto, complementa, não foi possível trazer o documento aos autos tempestivamente, porquanto este não fora localizado pelos funcionários daquele órgão. No mais, reitera os seus argumentos de impugnação e requer, ao final, sejam processadas as seguintes alterações: a) VTN para o valor de R$. 1.102,10 por hectare; b) área total da propriedade para 4.015,2046 hectares; c) a área de reserva legal para 1.813,0650 hectares; d) a área tributável para 2.091,0396 hectares e valor a recolher R$ 2.786,32 com seus consectários. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Área total do imóvel A área total do imóvel declarada pelo contribuinte, de 4.188,10 hectares, foi mantida pela Fiscalização, tal como consta da Complementação da Descrição dos Fatos, integrante da Notificação de Lançamento (fls. 84). Desta área total foram então excluídas a área de preservação permanente de 111,0 hectares e de reserva legal de 837,6 hectares, considerandose tributável a área de 3.239,2 hectares (vide Demonstrativo de Apuração do Imposto, às fls. 86). O contribuinte alegou, já na impugnação, que a área total do imóvel é de 4.015,2046 hectares, conforme constatado em levantamento para efeito de recadastramento no Incra e georrefenciamento, e não 4.188,1000 hectares, como consta nas matrículas juntadas ao laudo. Seus argumentos, contudo, não foram acolhidos pelo órgão julgador a quo, que, sobre o alegado, entendeu que o georreferenciamento previsto na Lei n.º 6.015, de 1973, com as alterações da Lei nº 10.267, de 2001, somente poderá resultar em alteração na tributação quando ocorrer a correção do registro do imóvel, eis que este tem presunção de veracidade, nos termos do artigo 252 da Lei n.° 6.015, de 1973. No recurso voluntário, o contribuinte insiste no argumento. Verificase que a área rural sobre a qual temse a controvérsia originouse do imóvel cuja matrícula é 5.881, junto ao 1.º Cartório de Registro de Imóveis de Maracaju (MS), com área total de 4.188,1112 hectares (fls. 25 e seguintes). Em 28.5.2003, foi feita, nessa matrícula, a averbação AV165881 (vide fls. 28verso), segundo a qual parte do imóvel foi desmembrado em oito áreas autônomas e distintas, que deram origem às matrículas 9.870, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720181/200859 Acórdão n.º 2101002.085 S2C1T1 Fl. 4 5 9,871, 9,872, 9.873, 9.874, 9.875, 9.876 e 9.877, remanescendo na matrícula original a área de 2.977,9204 hectares. Constatase, nas matrículas dos imóveis, anexadas às fls. 15 a 30verso, que, a partir da AV165881, a configuração das áreas integrantes do imóvel passou a ser a seguinte: Imóvel Área (hectares) Gleba A (matrícula 9.870) 267,8483 Gleba B (matrícula 9.871) 83,9240 Gleba C (matrícula 9.872) 82,9855 Gleba D (matrícula 9.873) 200,8035 Gleba E (matrícula 9.874) 100,2169 Gleba F (matrícula 9.875) 100,1016 Gleba G (matrícula 9.876) 174,2174 Gleba H (matrícula 9.877) 200,0936 Área remanescente na matrícula 5.881 2.977,9204 Total 4.188,1136 Todas essas áreas compõem a Fazenda Monte Negro e integram o Cadastro do Imóvel Rural cujo Certificado encontrase anexo às fls. 31 dos autos. No Certificado, consta que o imóvel tem área registrada de 4.187,80 hectares. As matrículas dos imóveis componentes da Fazenda Monte Negro, ao reproduzir os dados do imóvel no Incra, refletem área registrada de 4.188,1 hectares. No caso sob análise, o contribuinte informou inicialmente que a área total do imóvel é de 4.188,1 hectares (vide fls. 86); a Fiscalização considerou área total do imóvel conforme declarado (fls. 85 e 86). No recurso, argumentando que o georreferenciamento é uma imposição legal para efeito de se regularizar a ocupação fundiária representada pelas propriedades rurais brasileiras, que não pode ser desnaturado pelo Fisco, a recorrente defende que a tributação deve incidir sobre 4.015,2046 hectares, por ser esta a área existente. Analisando as provas dos autos, verifiquei que a planta do imóvel georreferenciado ao sistema geodésico brasileiro, às fls. 47, é ambígua, declarando como área total do imóvel tanto 4.188,1000 hectares quanto 4.015,2046 hectares. Não obstante, verificase que o somatório das áreas consignadas nas matrículas dos imóveis que compõem a Fazenda Monte Negro é de 4.188,1136 hectares. Em situações tais como a que aqui se apresenta, em que o proprietário do imóvel rural alega que a área total é inferior à que, de fato, consta no registro público, entendo Fl. 168DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 que, para que seja possível promover a correção, para fins tributários, se cabível, deve ser providenciada primeiramente a retificação da área no registro público, com base na planta georreferenciada. É que o registro público, até que seja desconstituído, produz todos os efeitos legais, ainda que, por outra maneira, se prove que o título está desfeito, anulado, extinto ou rescindido, a teor do artigo 252 da Lei n.º 6.015, de 1973 (Lei dos Registros Públicos), tal como apontado pelo órgão julgador a quo. Tendo em vista que a Fiscalização considerou que a área total do imóvel é de 4.188,1 hectares, tal como declarado pela interessada, e que corresponde à do somatório das áreas registradas dos imóveis integrantes da Fazenda Monte Negro, esta deve ser mantida, tal como o foi pelo órgão julgador de primeiro grau. 2. Área de Reserva Legal A Lei n.° 9.393, de 1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, ao tratar da sua apuração e pagamento, no artigo 10, exclui da incidência do tributo as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] (g.n.) A Lei n.º 4.771, de 1965, Código Florestal vigente na época dos fatos, prescrevia ser área de reserva legal aquela localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Seu artigo 16, ao regular a supressão de florestas ou outras formas de vegetação nativa, estipula a manutenção de um percentual da propriedade rural a título de reserva legal, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720181/200859 Acórdão n.º 2101002.085 S2C1T1 Fl. 5 7 Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. [...] .§4° A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. [...] §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou Fl. 170DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] (g.n.). A partir de 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA tornouse obrigatória, a teor do disposto no artigo 17O da Lei n.° 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n.º10.165, de 2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] (g.n.) De acordo com a Lei n.° 4.771, de 1965, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. O condicionamento da isenção do ITR à prévia averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, nos moldes previstos, assegura o cumprimento dos objetivos do artigo 16, § 2º, do Código Florestal e do artigo 10, inciso II, alínea "a", da Lei n.º 9.393, de 1996. É que a averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel pressupõe o seu prévio reconhecimento pelo órgão ambiental, feita a partir de Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta. Sendo assim, a comprovação da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel rural não só cumpre a exigência legal para a fruição da isenção como é até mesmo mais rigorosa do que a mera protocolização do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao órgão ambiental. Por essa razão, tenho entendido que a comprovação da averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel rural deve ser aceita para a correspondente exclusão da área total do imóvel no cômputo do ITR. No caso em análise, o recorrente pretende seja considerada de reserva legal a área de 1.813,0850 hectares. No entanto, essa área não se encontra averbada junto às matrículas dos imóveis rurais que compõem a Fazenda Monte Negro. Com efeito, constatase que a área de reserva legal discriminada na matrícula do imóvel original (matrícula 5.881, AV25881, em 23.2.1995, fls. 26verso) é de 20% da sua área total. Também os imóveis nos quais se desmembrou parcialmente a área original possuem área de reserva legal de 20% de sua área total, tal como consta de suas certidões de matrícula (vide fls. 15 a 24verso). Considerando a área total adotada pela Fiscalização, de 4.187,8 hectares, a área de reserva legal deve corresponder a 837,56 hectares. Tendo em vista que a área de reserva legal admitida pela autoridade autuante e mantida pela DRJ corresponde a 837,60, não há reparos a fazer na decisão recorrida neste ponto. 3. Valor da Terra Nua VTN Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720181/200859 Acórdão n.º 2101002.085 S2C1T1 Fl. 6 9 O contribuinte foi intimado pela Fiscalização (fls. 1 a 3 e 7) a apresentar Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica –ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, poderia valerse de avaliação efetuada pela Fazenda Pública Estadual (exatoria) ou Municipal, ou pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, de modo a comprovar o VTN em 1.º de janeiro de 2006, a preço de mercado. Foi ainda cientificado que a falta da comprovação solicitada ensejaria o arbitramento do Valor da Terra Nua com base nas informações do SIPT – Sistema de Preço de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do artigo 14 da Lei n.º 9.393, de 1996, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1.1.2006, de R$ 3.749,75. Em atendimento, apresentou o laudo constante às fls. 34 e seguintes, acompanhado de ART – Anotação de Responsabilidade Técnica, planta do imóvel georreferenciado ao sistema geodésico brasileiro (fls. 47) e das certidões das matrículas dos imóveis que integram a Fazenda Monte Negro e fotografias da propriedade. No laudo técnico apresentado (item 4, fls. 41) foram utilizados os seguintes parâmetros para apurar o Valor da Terra Nua: (1) anúncios de jornal; (2) dados de um técnico (o próprio engenheiro agrônomo responsável pelo laudo) e de um corretor; (3) preço das terras devolutas do Estado de Mato Grosso do Sul (Decreto Estadual n° 10.050, de 2000); (4) valor do ITBI da Prefeitura de Maracaju; (5) valor da terra pela FNP Consultoria & Agro Informativo; e (6) Valor da Terra Nua apurada pelo Incra. Tais fatores, segundo o laudo, resultaram nos valores a seguir discriminados: Fonte Valor da Terra Nua por hectare (R$) Média dos anúncios de jornal 2.341,93 Corretores e técnicos 1.800,00 Terras Devolutas (Decreto Estadual n.º 10.050/2000) 2.558,32 ITBI da Prefeitura de Maracaju 4.256,00 FNP Consultoria & Agro Informativo 1.422,00 Tabela do Incra 3.463,27 Média (VTNm) 2.640,31 A partir do VTN médio de R$ 2.640,31, o profissional responsável pela emissão do laudo de avaliação do imóvel rural promoveu um “ajuste técnico”, por meio da aplicação de um redutor de 35% sobre o preço da terra inicialmente estimado, assim justificando a medida: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 “Diante do tamanho do imóvel, normalmente há um menor mercado de compradores ocasionado pelo valor total do imóvel, também existe o caso da grande restrição ao uso da área, como o caso dos 20% de Reserva legal, as Preservações Permanentes áreas estas protegidas pelas leis vigentes inibindo o uso das mesmas, e principalmente as áreas com afloramento rochosos em grande parte da propriedade não possibilitando a agricultura e nem a formação com pastagem de boa qualidade para propiciar um aumento da unidade animal por ha. Considerando as dificuldades de se obter negócios realizados na região em moldes similares ao porte da propriedade em questão a qual possui uma área de 4.188,1 ha., porem com pastagens degradadas, relevo acentuadamente ondulado, área agricultável em pequenas manchas, devido ao afloramento de rochas e a pouca profundidade do solo, as quais desvalorizam muito o imóvel. Considerando que o valor obtido pelo VTNm o qual este balizado para propriedades de menor área na região, e considerando ainda que estes valores obtidos estejam balizados para áreas agricultáveis e não para áreas de pecuária como o caso da grande parte da propriedade fazse necessário um "ajuste técnico" a esse valor. Desta forma, ajustamos o VTN apurado, pelos dados acima, que ficaram distorcidos por um valor discrepante à realidade da época por certos órgãos avaliadores, como os valores praticados principalmente pelo INCRA O QUAL MEDIANTE VISTORIA CONCIDEROU (sic) A PROPRIEDADE IMPRÓPRIA PARA REFORMA AGRARIA, E VALORES PRATICADOS PELA PREFEITURA DE MARACAJU PARA RECOLHIMENTO DE ITBI O QUAL CONSIDERA BENFEITORIAS E TERRA NUA COMO UM TODO. Considerando os valores médios das fontes pesquisadas, torna se necessário um ajuste técnico de 35% para menor. Dada a "discrepância dos valores apurados". A dificuldade de se apurar junto aos cartórios da região negócios realizados no período e a falta de informação especificas do valor da Terra Nua por certos órgãos pesquisados, sendo a propriedade uma área de "altos custos de manutenção e gerenciamento" devido seu tamanho, agravado ainda mais por possuir esta Fazenda uma grande área de "restrição perpétua" como a grande área de Reserva Legal e Preservação Permanente, e áreas de difícil mecanização, razões estas que me convencem a considerar o índice de ajuste técnico a menor conforme já citado, como necessário para adequar os valores apurados com a realidade do valor da Terra Nua da Fazenda Monte Negro.” (grifos originais) A Fiscalização acolheu em parte o laudo apresentado e promoveu o lançamento com base nele. Arbitrou o Valor da Terra Nua em R$ 2.640,31 (fls. 85), tal como estimado antes da redução de 35%. Não adotou, no lançamento, o Valor da Terra Nua do SIPT – Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal do Brasil para o exercício 2006, de R$ 3.749,75 (vide fls. 3). Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720181/200859 Acórdão n.º 2101002.085 S2C1T1 Fl. 7 11 No entanto, inconformado com o lançamento, o contribuinte alegou, na impugnação, que o laudo de avaliação, que ele mesmo providenciara, padecia de impropriedades que depõem contra a verdade material. Sustentou que o Valor da Terra Nua estimado foi composto por valores utilizados na cobrança do ITBI, que se refere à propriedade com todos os seus agregados, benfeitorias, matas, invernadas etc, e também segundo tabela do Incra, que, igualmente, incorpora tais valores. Além disso, argumentou que os valores correspondem a terras em Dourados, não a terras situadas na divisa entre os municípios de Maracaju e Nioaque, como é o caso da propriedade sob análise. Também discordou do valor apurado no laudo em função do disposto no Decreto Estadual n.º 10.050, de 2000, visto que este considerou em seu referencial a UFERMS, quando o regulamento citado fala em UFIR. Na impugnação, também argumentou que a propriedade foi vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Incra e foi considerada imprópria para reforma agrária por apresentar muita pedra, relevo acentuado, difícil mecanização para agricultura, solo com altos custos de correção etc. Com base em alguns dados selecionados do laudo técnico por ele apresentado, concluiu que, diferentemente do VTN arbitrado pela Fiscalização e do valor apurado no próprio laudo, o Valor da Terra Nua a ser considerado deve ser R$ 1.460,15 por hectare, com redução de 10%: R$. 1.460,15 – (1.460,15 x 0,10) = R$ 1.314,14. O órgão julgador de primeiro grau não acolheu os argumentos suscitados e manteve integralmente o lançamento. Sobre o laudo apresentado, o relator do voto condutor da decisão a quo fez as seguintes considerações: “O laudo técnico de avaliação apresentado pelo impugnante realmente não atende o número mínimo de dados de mercado e não apresenta informações relativas a todos os dados amostrais e variáveis utilizados na modelagem, senão veja: a) o valor das terras devolutas não é parâmetro de mercado, uma vez que as terras devolutas são bens públicos de natureza especial, por isso, não se sujeitam às regras próprias de transação de mercado, sendo que o uso deste bem está atrelado aos institutos de direito administrativo. Além disso, os preços estabelecidos em Ufir/Uferms não servem como critério de valor de mercado porque este não guarda relação com os índices inflacionários e financeiros. Os valores dos preços de imóveis possuem características peculiares e sua variação depende de fatores como localização, oferta e procura, dentre outros. Ocorre de o preço de mercado subir mais, ocasionalmente menos e, ainda, por vezes, caminhar em direção oposta aos demais indexadores da economia; b) não ficaram demonstrados os critérios de avaliação da pesquisa de preços realizada pela FNP Consultoria e Agro Informativo; c) quanto à avaliação do INCRA, não ficou demonstrado que a propriedade recebeu nota mínima para efeito de enquadramento na tabela de preços expedida por aquele órgão. Além disso, o laudo técnico de avaliação apresentado adotou fator de homogeneização com intervalo de ajuste superior ao permitido.” Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 Em sede de recurso, a interessada repisa que o Valor da Terra Nua deve ser recalculado. Requer seja aplicado o VTN de R$ 1.102,10, que não encontra qualquer fundamento nos autos. No tocante ao VTN arbitrado, salientamos que a Fiscalização adotou o Valor da Terra Nua fornecido pela própria interessada no laudo técnico, excluída uma redução de 35% promovida a partir do valor da terra nua inicialmente estimado no referido documento. Nesse ponto, cumpre ressaltar que a NBR 14.6533 prevê a utilização de fatores de homogeneização, assim definidos: “3.5 fator de classe de capacidade de uso das terras: Fator de homogeneização que expressa simultaneamente a influência sobre o valor do imóvel rural de sua capacidade de uso e taxonomia, ou seja, das características intrínsecas e extrínsecas das terras, como fertilidade, topografia, drenagem, permeabilidade, risco de erosão ou inundação, profundidade, pedregosidade, entre outras. 3.6 fator de situação: Fator de homogeneização que expressa simultaneamente a influência sobre o valor do imóvel rural decorrente de sua localização e condições das vias de acesso.” No tratamento dos dados por fatores, a NBR 14.6533 admite a utilização de fatores de homogeneização por fatores e critérios, fundamentados por estudos conforme seu item 7.7.2.1, e posterior análise estatística dos resultados homogeneizados. O item 7.7.2.1 da Norma estipula que os fatores a serem utilizados neste tratamento devem ser indicados periodicamente pelas entidades técnicas regionais reconhecidas, revisados periodicamente e devem especificar claramente a região para a qual são aplicáveis. Alternativamente, podem ser adotados fatores de homogeneização medidos no mercado, desde que o estudo de mercado específico que lhes deu origem seja anexado ao laudo de avaliação. Além disso, no caso de utilização de fatores de homogeneização, a Norma recomenda que a determinação destes tenha origem em estudos fundamentados estatisticamente e envolva variáveis, como, por exemplo, escalas de fatores de classes de capacidade de uso, fatores de situação e recursos hídricos, devendo os dados básicos ser obtidos na mesma região geoeconômica onde está localizado o imóvel avaliando e tratados conforme anexo B (item 10.1.3). Conforme se depreende da justificativa deduzida pelo engenheiro agrônomo responsável, no laudo técnico, nenhuma dessas exigências normativas foi satisfeita. A redução pretendida, em 35%, além de ser superior à admitida na NBR 14.6533 como fator de homogeneização, não foi devidamente justificada nem fundamentada tecnicamente, conforme exigido pela referida Norma. A fim de justificar o VTN pretendido, a interessada argumentou, em sede de recurso, que a propriedade está encravada nos limites dos municípios de Maracaju e Nioaque, que o valor de avaliação constante do laudo técnico é de Dourados (MS), e os valores das terras de Dourados são incompatíveis com a realidade da propriedade, cujo solo é pedregoso, portanto, de valor muito inferior às terras cultiváveis de Maracaju. Entretanto, os argumentos deduzidos carecem de suporte nas provas dos autos, eis que não foi acostado qualquer documento que venha darlhes fundamento. Conforme visto anteriormente, o contribuinte foi intimado pela Fiscalização a apresentar Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, emitido por engenheiro Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720181/200859 Acórdão n.º 2101002.085 S2C1T1 Fl. 8 13 agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica –ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, poderia valerse de avaliação efetuada pela Fazenda Pública Estadual (exatoria) ou Municipal, ou pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, de modo a comprovar o VTN em 1.º de janeiro de 2006, a preço de mercado. Tal documento, nos moldes exigidos, é prova suficiente do Valor da Terra Nua, que deve ser adotado no cômputo do ITR, em contraposição ao VTN constante do Sistema de Preços de Terra –SIPT, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou qualquer outro, caso seja mais benéfico ao contribuinte. No entanto, no presente caso, conforme se constatou no transcorrer deste voto, o laudo técnico apresentado não cumpriu os requisitos necessários para que obtivesse grau mínimo de fundamentação e precisão II. Sendo assim, não é suficiente para comprovar o VTN nele apurado. Todavia, mesmo assim, apesar da sua baixa precisão e fundamentação, o laudo foi parcialmente aceito pela Fiscalização, que aplicou, no cômputo do tributo lançado, o Valor da Terra Nua nele estimado, de R$ 2.640,31, valor este ratificado na decisão a quo. A autoridade autuante somente deixou de acolher a redução de 35% sobre o valor estimado no laudo com base nos preços de terras que, como visto, não se respalda em qualquer argumento técnico. No entanto, mesmo assim, o VTN arbitrado é menor do que o constante do SIPT para 2006, de R$ 3.749,75 (vide fls. 3). Por outro lado, como visto, o Valor da Terra Nua proposto pela recorrente não tem suporte em provas. Não pode, por isso, ser aceito para desconstituir o Valor da Terra Nua aplicado pela Fiscalização. Complementamos, por fim, que, mesmo conhecendo a posição manifestada pelo órgão julgador, de manter o lançamento com base no VTN de R$ 2.640,31, a recorrente não carreou aos autos outro laudo técnico, com maior grau de precisão que o que foi a estes autos anexado, de modo a desconstituir o Valor da Terra Nua utilizado pela Fiscalização. O Valor da Terra Nua utilizado pela autoridade autuante no lançamento do ITR está de acordo com o laudo técnico de avaliação apresentado pela própria parte interessada, sem considerar a redução de 35% aplicada pelo responsável, que, como visto, foge às regras da NBR 14.6533. Sendo assim, tendo em vista que: (a) o fator de redução de 35% não tem amparo nas regras da NBR 14.6533; (b) a Fiscalização aplicou o VTN apurado no laudo de avaliação sem a redução de 35%; (c) o VTN proposto pelo recorrente não tem qualquer embasamento técnico ou documental; (d) o VTN aplicado pela Fiscalização é mais benéfico do que o do SIPT, devese manter o VTN aplicado pela Fiscalização e ratificado pela DRJ. 4. Da produção de provas Com fulcro no artigo 16, § 4.º, do Decreto n.º 70.235, de 1972, o contribuinte requer a produção de provas. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 No Processo Administrativo Fiscal, o fiscalizado pode apresentar provas documentais a qualquer momento durante a ação fiscal e também quando da apresentação da impugnação, tal como prescreve o parágrafo 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Excepcionalmente, o próprio Decreto n.º 70.235, de 1972, admite a apresentação de provas em momento posterior ao da impugnação, desde que ocorridas determinadas circunstâncias, que são aquelas previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo 4.º do artigo 16 do referido diploma legal, na forma estipulada em seu parágrafo 5.º. Isto significa dizer que é possível a juntada de provas após a impugnação, mas somente em situações excepcionais, nele previstas, e desde que requerida à autoridade julgadora mediante petição na qual se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo 4.º. A parte interessada, em sede de Recurso Voluntário, requer a apresentação de um certo documento expedido pelo Incra, o qual comprovaria que houve a tentativa de expropriação da propriedade para fins de reforma agrária, mas os técnicos daquele Instituto concluíram que a área não tinha aptidão para tal fim, em função de seu solo ser fraco e pedregoso na maior parte da área. Alega, todavia que esteve impossibilitada de trazer o documento aos autos tempestivamente, haja vista não ter ele não sido encontrado pelos funcionários daquele órgão. Esclarece que dirigiuse ao Incra para cobrar a liberação de citado papel, mas os funcionários ainda não haviam conseguido localizálo. Como visto, a apresentação extemporânea de provas é admitida no processo administrativo fiscal, desde que justificada e fundamentada, nas situações previstas nas alíneas “a” a “c” do § 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972. Na presente hipótese, a interessada alega que esteve impossibilitada de apresentar determinado documento que faz prova em seu favor porque o Incra não o teria localizado. No entanto, não demonstra têlo solicitado junto àquele Instituto; sendo assim, não comprovou o motivo de força maior. Sua situação também não se coaduna com as demais hipóteses de apresentação de provas em momento posterior à impugnação previstas na lei Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13161.720181/200859 Acórdão n.º 2101002.085 S2C1T1 Fl. 9 15 reguladora do processo administrativo fiscal, eis que os fatos que pretende provar com o alegado documento não decorreram de fato superveniente e nem mencionado documento destinase a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Sendo assim, não há como deferir seu pedido de dilação probatória, por falta de previsão legal. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 178DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 02/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10140.722271/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Jan 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SOCIEDADE SIMPLES. A sociedade simples possui como característica intrínseca natureza não empresarial e o exercício de função intelectual decorrente da especialização ou função exercida por seus sócios. É de sua própria natureza que os sócios de empresa constituída sob a forma de sociedade simples exerçam pessoalmente o seu objeto social e seus honorários sejam vertidos para a sociedade, sem que o mesmo esteja a agir em nome próprio e distante dos interesses da empresa, a perceber proventos decorrentes do trabalho e não do capital social.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. OPÇÃO PELO NÃO PAGAMENTO DE PRÓ-LABORE. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DEVIDAMENTE APURADA NOS REGISTROS CONTÁBEIS. DISCRIMINAÇÃO. As remunerações de pró-labore e participação nos resultados devem estar discriminadas na contabilidade, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5° do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falar a em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SOCIEDADE SIMPLES. A sociedade simples possui como característica intrínseca natureza não empresarial e o exercício de função intelectual decorrente da especialização ou função exercida por seus sócios. É de sua própria natureza que os sócios de empresa constituída sob a forma de sociedade simples exerçam pessoalmente o seu objeto social e seus honorários sejam vertidos para a sociedade, sem que o mesmo esteja a agir em nome próprio e distante dos interesses da empresa, a perceber proventos decorrentes do trabalho e não do capital social. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. OPÇÃO PELO NÃO PAGAMENTO DE PRÓ-LABORE. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DEVIDAMENTE APURADA NOS REGISTROS CONTÁBEIS. DISCRIMINAÇÃO. As remunerações de pró-labore e participação nos resultados devem estar discriminadas na contabilidade, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5° do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falar a em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10140.722271/2011-30
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5206372
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-002.910
nome_arquivo_s : Decisao_10140722271201130.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 10140722271201130_5206372.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Sun Jan 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4555649
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394421989376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 437 1 436 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.722271/201130 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.910 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2013 Matéria PRÓLABORE Recorrente PAULO TADEU HAEDCHEN ADVOGADOS ASSOCIADOS SC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SOCIEDADE SIMPLES. A sociedade simples possui como característica intrínseca natureza não empresarial e o exercício de função intelectual decorrente da especialização ou função exercida por seus sócios. É de sua própria natureza que os sócios de empresa constituída sob a forma de sociedade simples exerçam pessoalmente o seu objeto social e seus honorários sejam vertidos para a sociedade, sem que o mesmo esteja a agir em nome próprio e distante dos interesses da empresa, a perceber proventos decorrentes do trabalho e não do capital social. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. OPÇÃO PELO NÃO PAGAMENTO DE PRÓLABORE. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS DEVIDAMENTE APURADA NOS REGISTROS CONTÁBEIS. DISCRIMINAÇÃO. As remunerações de prólabore e participação nos resultados devem estar discriminadas na contabilidade, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5° do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falar a em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 22 71 /2 01 1- 30 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araujo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.722271/201130 Acórdão n.º 2401002.910 S2C4T1 Fl. 438 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por PAULO TADEU HAEDCHEN ADVOGADOS ASSOCIADOS SC, em face do acórdão de fls. 258, que manteve os Autos de Infração nº 51.008.9135 e 51.008.9143, lavrados, respectivamente, para a cobrança de contribuições parte da empresa e segurados, incidentes sobre a remuneração creditada a contribuintes individuais. O relatório fiscal aponta que o autuado é escritório de advocacia constituído na forma de sociedade simples, sendo que as receitas provenientes dos trabalhos efetuados pela pessoa jurídica são oriundos do trabalho de seus sócios e não de advogados contratados, conforme apurou da contabilidade e declarações de renda, motivo este, pelo qual a fiscalização que os valores distribuídos como lucro, em verdade, eram produto da prestação de serviços dos mesmos, vindo a tributálos. O fiscal apontou, ainda não haverem advogados contratados pela pessoa jurídica, nem mesmo pagamentos a outras pessoas jurídicas como contratadas, mas apenas os sócios da recorrente. Ademais, o relatório fiscal aponta que: A empresa remunerou seus sócios pelos serviços a ela prestados, da seguinte forma: a) O sócio administrador, Sr. Paulo Tadeu Haendchen, não recebeu nada a título de prólabore , conforme verificado na declaração na GFIP (anexo I) e pela contabilidade (arquivos digitais). b) A todos os sócios, inclusive ao administrador, a empresa efetuou vários pagamentos a título de distribuição de lucro, conforme demonstrado na planilha do anexo II. Esses pagamentos foram partilhados entre os sócios de acordo com a produção de cada um, apesar da cláusula 7ª do contrato social, que foi consolidado na 4ª alteração contratual dizer que “ Os lucros apurados poderão ser distribuídos, mensal ou anualmente, aos sócios, segundo critérios adotados de comum acordo pelos mesmos em cada distribuição, devendo ser obedecido o critério de proporcionaldiade na particiapão do capitlal social.”, mas entra em contradição quando diz na cláusula Décimasegunda, caput e §§ 1º e 2º do contrato quando da saída de algum sócio é bem claro que o valor é relativo ao trabalho. No § 2º diz “O valor do honorários recebidos serão pagos proporcionalmente ao tempo de trabalho efetivamente prestado...” O período apurado compreende a competência 01/2009 a 12/2009, tendo sido o contribuinte cientificado de ambos os Autos de Infração em 30/09/2011 (fls. 601 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Em seu recurso, defende a remuneração de seus sócios é feita através de distribuição de lucros, de acordo com a proporcionalidade de cada um na participação do capital social e devidamente registrada nos Livros Contábeis da sociedade. Acrescenta que que a agente fiscal efetuou lançamentos fiscais sem a efetiva ocorrência do fato gerador, não podendo, assim, gerar obrigação tributária para a ora recorrente, pois, para que seja devida a contribuição previdenciária, é necessário que exista relação laboral entre a sociedade e seus sócios, com a devida remuneração salarial, o que não ocorre na espécie versada. Defende que tendo em vista que os termos salário e lucro têm conceitos bem distintos, não pode a fiscalização assemelhálos para efeito de tributação, sob o argumento de que não havendo discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, incidirá a contribuição previdenciária sobre os lucros distribuídos aos sócios, como se lucros e salários fossem a mesma coisa (item 1.11 do relatório fiscal). Cita, ainda, que os lucros distribuídos aos sócios constituemse remunerações do capital e não remunerações salariais. Sustenta que a cláusula Décima Segunda do contrato social utilizada pelo v. acórdão para justificar a manutenção dos Autos de Infração, não se presta a ratificar o entendimento da decisão recorrida, porquanto se refere a apuração e pagamento de haveres, proporcionalmente ao capital social, em casos de retirada de sócios da sociedade. Ofensa ao princípio da legalidade, tendo em vista que o art. 201 do Decreto 3.048/99, extrapola previsão sobre o assunto constante em Lei, no caso as disposições do art. 28, § 9o, alínea “j” da Lei 8.212/91. Finaliza sob o argumento de que está sendo bitributada, uma vez que a parcela do lucro já foi onerada com o pagamento da CSLL e que este Eg. Conselho já analisou outros recursos interpostos pelo recorrente, versando sobre a mesma matéria, aos quais foi dado integral provimento para o cancelamento da imposição fiscal neles constante. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.722271/201130 Acórdão n.º 2401002.910 S2C4T1 Fl. 439 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme já relatado, na presente assentada estão sendo julgados dois processos, o relativo ao DEBCAD 51.008.9135 e DEBCAD 51.008.9143. Pois bem, em ambos os casos a autuação se deu, pois no entender da fiscalização, a recorrente, ao efetuar distribuição de lucros aos seus sócios, advogados de uma sociedade simples, deixou de discriminar, nos termos do art. 201 qual a remuneração decorrente do trabalho e qual a remuneração decorrente do capital social investido. Todavia, ao bem analisar o relatório fiscal da infração, percebo que a fiscalização assim justificou a questão da distribuição de lucros entre os sócios(fls. 18): a) O sócio administrador, Sr. Paulo Tadeu Haendchen, não recebeu nada a título de prólabore , conforme verificado na declaração na GFIP (anexo I) e pela contabilidade (arquivos digitais). b) A todos os sócios, inclusive ao administrador, a empresa efetuou vários pagamentos a título de distribuição de lucro, conforme demonstrado na planilha do anexo II. Esses pagamentos foram partilhados entre os sócios de acordo com a produção de cada um, apesar da cláusula 7ª do contrato social, que foi consolidado na 4ª alteração contratual dizer que “ Os lucros apurados poderão ser distribuídos, mensal ou anualmente, aos sócios, segundo critérios adotados de comum acordo pelos mesmos em cada distribuição, devendo ser obedecido o critério de proporcionaldiade na particiapão do capitlal social.”, mas entra em contradição quando diz na cláusula Décimasegunda, caput e §§ 1º e 2º do contrato quando da saída de algum sócio é bem claro que o valor é relativo ao trabalho. No § 2º diz “O valor do honorários recebidos serão pagos proporcionalmente ao tempo de trabalho efetivamente prestado...” Esclareço que foi diante da CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA do contrato social que o fiscal entendeu, que os valores de distribuição dos lucros eram repassados aos sócios de acordo com sua produção. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Tenho que considerar que o contrato social juntado aos autos, em referida cláusula, prevê que além da distribuição de lucros poder ser levada a efeito de acordo com os critérios adotados pelos sócios em cada uma das distribuições, conforme ponderou o fiscal, todavia, não compartilho do entendimento apontado acerca da contradição com os seus parágrafos. É que a CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA ao dispor, mesmo em seus parágrafos, que o valor dos honorários recebidos serão pagos proporcionalmente ao tempo de trabalho, se refere exclusivamente ao caso de liquidação dos haveres dos sócios para sua retirada da empresa, não podendo ser interpretado o seu teor da forma como pretendeu o auditor, já que sua aplicabilidade se refere a situação fática totalmente diferente daquela relativa ao exercício das funções dos sócios em face da sociedade. Acresço que os esclarecimentos supra, foram os que geraram a conclusão adotada pelo ilustre auditor para então, entendesse que no presente caso não fora observado pela recorrente o disposto no inciso II do § 5º do art. 201 do Decreto 3.048/99, a seguir: §5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa;. II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Ressalto que o relatório fiscal aponta que toda a escrituração contábil da recorrente demonstrava claramente que os valores creditados aos sócios, de fato, o eram a título de distribuição de lucros. No presente caso não ocorreu situação da verificação de pagamentos efetuados aos sócios, os quais, posteriormente vieram a ser justificados como distribuições de lucros. Também não há qualquer imputação de que os valores creditados também não poderiam ser considerados como lucro pela ausência de resultado positivo no final do exercício.Logo, entendo que por absoluta falta de qualquer imputação em sentido contrário, de fato, houve a devida apuração do lucro. Entretanto, não haviam pagamentos de valores de prólabore, por não haver disposição neste sentido no contrato social, situação plenamente cabível no caso de sociedades simples, que giram em torno do capital intelectual de seus sócios, se tratando de uma sociedade de pessoas, já que a legislação não fixa valor mínimo de prólabore a ser pago. Entendo que a sociedade simples é diferenciada da sociedade empresária. É forma de organização afeta a categorias de profissionais liberais, unidos pela força de seu trabalho e conhecimentos, que exercerão o objeto social da pessoa jurídica por eles formada. Portanto, outra não pode ser a conclusão, senão pela possibilidade de seus sócios exercerem pessoalmente o seu objeto social, pois não há como concebermos que uma sociedade de advogados poderá prestar serviços advocatícios sem que algum advogado o exerça. Seja ele o próprio sócio (sociedade simples), sem que esteja a agir em nome próprio, auferindo rendimentos do trabalho, mas em prol da sociedade constituída. É exatamente por isso, que nas sociedades simples, normalmente, o objeto social está intimamente ligado com a prestação de serviço em si. Melhor dizendo, o trabalho Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.722271/201130 Acórdão n.º 2401002.910 S2C4T1 Fl. 440 7 realizado pelos sócios da sociedade simples é o que dá vazão ao objeto da empresa, posto que é traduzido em trabalho intelectual, gerando, conseqüentemente, o produto da sociedade e seus possíveis lucros. Ademais, conforme o próprio recorrente sustenta em seu recurso tal questão foi analisada por este Conselho, em caso absolutamente idêntico, nos autos do processo 10140.720739/201071, julgado pela 1a Turma da 3a Câmara de Julgamentos desta Seção, em 21 de junho de 2012. Na oportunidade se analisava lançamento idêntico ao presente, todavia, relativos a outro período, quando então se entendeu pelo provimento total do recurso da contribuinte.Vejamos a sua ementa: Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5° do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. No caso, a discriminação ocorreu, não havendo que se falara em incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente a lucros. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei n° 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei n° 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei n° 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei n° 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c" do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei n° 8.212/1991. Recurso Voluntário Provido. Transcrevo importante trecho do voto condutor do acórdão, os quais, com a licença do Em. Relator, também adoto como razões de decidir: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ora, se a legislação considerou empresa, para fins previdenciários, a organização que assume o risco da atividade econômica, o sócio, como representante dessa sociedade, também corre o risco dessa atividade, com seus lucros ou com seus prejuízos. Pode o sócio, também, receber pró labore, a critérios das empresas, na hipótese em que este "optar" por exercer atividade profissional na administração da empresa. Portanto, pagar ou não pró labore, quando o sócio presta serviço à empresa, é uma opção da sociedade, até porque, por exemplo, pagamentos de certa quantia como um salário mínimo não alteraria a natureza jurídica da distribuição de lucros, que deve ser demonstrada na contabilidade. Não seria correto e não há previsão na legislação de considerar que o pagamento de um pequeno valor pode vir a alterar a natureza jurídica de montante dezenas, centenas, milhares de vezes do valor distribuído e pago como remuneração. Assim, é a contabilidade regular, formalizada seguindo as determinações legais que demonstra se a distribuição de lucro foi correta ou não, pois caso não haja, por exemplo, resultado positivo (lucro), não haverá, conseqüentemente, o que distribuir, e todo valor retirado pelos sócios deve ser considerado pró labore. No presente caso, tratase de sociedade de profissão regulamentada, advogados e a legislação possui regramento específico. Decreto 3.048/1999: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: §5" No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso Vdo art. 9o, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. Destacase, pois necessário que a condição determinada pela legislação para a incidência de contribuição, ou não, é a "DISCRIMINAÇÃO", demonstração, entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Esse fato, ausência de discriminação, não ocorre no presente caso, não havendo que se falar em tributação, portanto. Muitos advogam que o pagamento de "pelo menos" um salário mínimo seria suficiente para que a determinação contida no Decreto, acima, fosse respeitada. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.722271/201130 Acórdão n.º 2401002.910 S2C4T1 Fl. 441 9 Com todo respeito aos que assim pensam, não concordamos com essa posição, pois: 1. Conforme a CF/1988 e a Lei 8212/1991, as contribuições sociais incidentes sobre os rendimentos pagos ou creditados a qualquer título a pessoa física somente poderão incidir sobre os RENDIMENTOS DO TRABALHO; 2. O que demonstra a existência de Lucro, sua possibilidade de distribuição e sua correta distribuição é a escrituração contábil regular; 3. A distribuição de Lucros não é rendimento do trabalho; 4. Não há determinação legal para o pagamento de um "mínimo" de pro labore; 5. O pagamento de "pelo menos" um salário mínimo não alteraria a natureza jurídica do lucro e da sua correta distribuição. Destarte, a legislação não criou distinção na tributação das sociedades de profissões regulamentadas. Existindo escrituração contábil regular que demonstre a existência de lucro e de somente sua distribuição, não há que se falar em tributação para a previdência sobre esses valores discriminados contabilmente, pelos motivos expostos. Conseqüentemente, como sobre os valores referentes a distribuição de lucros não incide contribuição, também não há que se informar em GFIP, desconstituindose, assim, a presente autuação por descumprimento de obrigação acessória. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 445DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 09/04/2013 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000541/2007-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 SERVIÇOS GRÁFICOS. NOTAS FISCAIS PERSONALIZADAS. PRODUTO QUE NÃO É OBJETO DE REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. MEDIDA JUDICIA. CONCOMITÂNCIA. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Suspende-se a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, quando então esta poderá ser restabelecida ou o lançamento integralmente cancelado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 IPI. MULTA DE OFÍCIO. VALOR NÃO DESTACADO EM NOTA FISCAL OU VALOR DO IMPOSTO CONSTITUÍDO. No caso de falta de lançamento do imposto na nota fiscal, a multa de ofício é aplicada em duas parcelas: a primeira, proporcionalmente ao imposto que deixou de ser apurado ou recolhido, e a segunda, relativamente à parte do imposto não lançado acobertado por créditos escriturais. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 SERVIÇOS GRÁFICOS. NOTAS FISCAIS PERSONALIZADAS. PRODUTO QUE NÃO É OBJETO DE REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. MEDIDA JUDICIA. CONCOMITÂNCIA. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Suspende-se a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, quando então esta poderá ser restabelecida ou o lançamento integralmente cancelado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 IPI. MULTA DE OFÍCIO. VALOR NÃO DESTACADO EM NOTA FISCAL OU VALOR DO IMPOSTO CONSTITUÍDO. No caso de falta de lançamento do imposto na nota fiscal, a multa de ofício é aplicada em duas parcelas: a primeira, proporcionalmente ao imposto que deixou de ser apurado ou recolhido, e a segunda, relativamente à parte do imposto não lançado acobertado por créditos escriturais. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 15889.000541/2007-41
conteudo_id_s : 5216890
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.606
nome_arquivo_s : Decisao_15889000541200741.pdf
nome_relator_s : FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
nome_arquivo_pdf_s : 15889000541200741_5216890.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4567002
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394456592384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000541/200741 Recurso nº 898.289 Voluntário Acórdão nº 330201.606 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria IPI Indústria Gráfica Recorrente MJA INDÚSTRIA DE PAPÉIS E ADESIVOS ESPECIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 SERVIÇOS GRÁFICOS. NOTAS FISCAIS PERSONALIZADAS. PRODUTO QUE NÃO É OBJETO DE REVENDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA DO IPI. MEDIDA JUDICIA. CONCOMITÂNCIA. Havendo concomitância entre a matéria objeto do processo administrativo e ação judicial ajuizada pelo contribuinte, deve ser reconhecida a renúncia à discussão na esfera administrativa. Suspendese a exigibilidade dos valores lançados até decisão final no processo judicial, quando então esta poderá ser restabelecida ou o lançamento integralmente cancelado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 IPI. MULTA DE OFÍCIO. VALOR NÃO DESTACADO EM NOTA FISCAL OU VALOR DO IMPOSTO CONSTITUÍDO. No caso de falta de lançamento do imposto na nota fiscal, a multa de ofício é aplicada em duas parcelas: a primeira, proporcionalmente ao imposto que deixou de ser apurado ou recolhido, e a segunda, relativamente à parte do imposto não lançado acobertado por créditos escriturais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Redator Designado. EDITADO EM: 07/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de três autos de infração, lavrados contra a Recorrente, constituindo créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) – apurados em relação ao período de Dezembro/02 a Dezembro/03 (fls.05/31), Janeiro/04 a Setembro/04 (fls. 71/83) e Outubro/04 a Dezembro/06 (fls. 115/139). Os valores foram constituídos com base em vendas de bobinas personalizadas (utilizadas para a impressão de cupons fiscais, pelos clientes da Recorrente), que no entender do contribuinte são resultado de sua prestação de serviços gráficos – não sujeitas ao IPI, mas ao ISS – mas que, no entender da autoridade fiscal, configuramse industrialização e, assim, seriam passíveis de incidência do IPI. Além do tributo foram lançadas multas punitivas (i) de 75% sobre o valor do IPI que, após a reconstituição da escrita, a fiscalização entendeu ser devido e (ii) 75% sobre o valor do IPI não lançado, neste caso entendese todo o valor que deveria ter sido lançado, mesmo aquele que não gerou valor a recolher nos presentes autos de infração em virtude da compensação dos créditos tributários apurados. Intimada sobre a lavratura dos autos de infração a Recorrente apresentou as respectivas Impugnações (fls. 307/327; 364/384 e 423/442), nas quais alegou em síntese que: suas atividades consistem em prestação de serviços gráficos, personalizados, cujo resultado (as bobinas) não é utilizado em nenhum processo de industrialização, tampouco se destinam à revenda, razão pela qual não se sujeita à incidência do IPI sobre a venda das bobinas personalizadas; Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 2 3 a multa aplicada é abusiva e confiscatória, além de ter sido lançada em duplicidade: (i) sobre o IPI supostamente devido (diferença entre saldo credor e devedor) e (ii) sobre o IPI não lançado/destacado nas notas fiscais. Às fls. 487 há um comunicado interno da Receita Federal – DRF de Bauru – através do qual foram juntadas aos autos cópias de documentos que constam do Processo Administrativo nº 15372.000056/200879, em que também é parte a Recorrente. Estas cópias (fls. 488/508) comprovam a existência de uma ação judicial ajuizada pela Recorrente, visando o reconhecimento da inexistência de relação jurídica entre ela e União, que a obrigue ao recolhimento do IPI sobre suas atividades gráficas. Na inicial do processo judicial a Recorrente menciona a existência dos 03 autos de infração, objeto deste processo administrativo, para cobrança justamente do IPI em discussão naqueles autos. Foram juntados a estes autos, também, por petição apresentada pela Recorrente (fls. 510/525), cópias de decisões judiciais e resposta à consulta exarada pela Receita Federal, que corroboram os argumentos apresentados em suas Impugnações. Após analisar as impugnações apresentadas a DRJ expediu acórdão (fls. 526/533) através do qual manteve a totalidade do lançamento por entender que a atividade da recorrente está sim sujeita à incidência do IPI. A questão da existência de uma medida judicial não foi objeto de análise pela DRJ. Irresignada com a decisão a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 542/572), no qual reitera os argumentos trazidos em suas impugnações, além de alegar a nulidade da decisão, por demora de mais de 360 dias em analisar as impugnações apresentadas. Esclarece, ainda, que o fato de possuir saldo credor de IPI, não implica em seu reconhecimento da legalidade da exigência do imposto sobre seus serviços gráficos, pois a existência do referido saldo se dá em virtude de desenvolver outras atividades (produção de etiquetas não personalizadas), estas sim reconhecidamente sujeitas ao IPI. Na seqüência, vieram os autos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo, e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente de se destacar que o mérito deste processo administrativo é o mesmo discutido nos autos da ação judicial ajuizada pela Recorrente, para reconhecimento da inexigibilidade do IPI sobre seus serviços gráficos de confecção de bobinas. Referida medida judicial (Ação Ordinária Declaratória Processo nº Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 2008.61.08.0008203) ainda não tem decisão final transitada em julgado (embora já tenha sido proferida sentença, favorável ao contribuinte). De toda forma, em razão da concomitância dos fundamentos da referida ação judicial, e do fundamento dos autos de infração discutidos neste processo administrativo, bem como em razão da prevalência das decisões judiciais sobre aquelas proferidas na instancia administrativa, entendo que fica prejudicada a análise do mérito. Neste sentido, destaco Súmula deste Tribunal: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A única matéria, objeto destes autos, que não foi levada à apreciação do judiciário é a questão do lançamento das multas de 75%. Embora a DRJ tenha entendido que não houve duplicidade no lançamento da multa, mas fatos geradores distintos – uma lançada de ofício, apenas sobre o valor do IPI constituído pelos autos de infração e outra sobre a obrigatoriedade da Recorrente de declarar corretamente a escrita do IPI – a Recorrente insiste em alegar que houve duplicidade no lançamento da penalidade: (i) uma sobre o IPI constituído, isto é, entendido como devido e (ii) outra sobre o IPI que não foi lançado nas notas fiscais emitidas, o que incluiu, novamente, aquele valor que foi entendido como devido. Da análise dos autos de infração que são objeto deste processo administrativo constatase que, de fato, ambas as multas de 75% estão fundamentadas no artigo 80 da Lei nº 4.502/64. Importante registrar que estas duas multas foram aplicadas apenas em dois dos autos de infração, o constante às fls. 05/31, referente aos fatos geradores incorridos de Dezembro/02 a Dezembro/03 e aquele acostado às fls. 115/139, relacionado aos fatos incorridos de Outubro/04 a Dezembro/06. Da análise das fls. 04, constatase que para estes dois períodos foram lançadas as multas (i) multa proporcional e (ii) multa IPI não lançado com cobertura de crédito. Em relação a estes autos a multa de 75% foi lançada tanto em relação ao IPI a ser cobrado – após o ajuste de saldo devedor x saldo credor – como foi lançada, também em percentual de 75%, sobre o valor total do IPI que deixou de ser lançado. O auto de infração de fls. 71/83, trata apenas de lançamento de uma multa isolada de 75%, em virtude da não realização da declaração do valor devido a título de IPI. Neste aspecto, não há que se falar, in casu, em duplicidade. Conforme atestam os autos, a lavratura data de 12/02/2007. À esta época, vigorava,para o inciso I, artigo 80, da Lei nº 4.502/64, a redação conferida pelo artigo 45 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 3 5 moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (...)”– destaquei. Está claro que a fiscalização entendeu, talvez por causa da interpretação conjugada com o inciso I, que o caput do mencionado artigo 80 previu a possibilidade de três infrações diversas e autônomas. Todavia, ao meu sentir, a correta interpretação do dispositivo legal é que a administração fazendária poderá punir o contribuinte por incorrer em uma infração OU outra, não cumulativamente nas duas. A questão, inclusive, pareceme mais evidente agora, na nova redação do citado dispositivo 80, com a alteração trazida pela Lei nº 11.488/07, que revogou parte do dispositivo legal, a saber: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I revogado pela Lei nº 11.488, de 2007. (...)” – destaquei. É de clareza solar que o legislador, ao escolher a conjunção coordenativa alternativa (ou disjuntiva) pretendeu expressar uma relação de alternância, seja por incompatibilidade dos termos ligados ou por equivalência dos mesmos. Caso houvesse a intenção de mencionar mais de uma infração, o legislador, obrigatoriamente, por ser regra de gramática, deveria utilizar uma conjunção coordenativa aditiva, que indica, por conclusão óbvia, uma adição, neste caso “a falta de lançamento E a falta de recolhimento”. Desta forma e, assim como assevera a própria DRJ em seu acórdão, a multa prevista no art. 80 da citada Lei nº 4.502/64 somente pode ser aplicada sobre o valor do IPI que deixou de ser destacado (lançado na nota fiscal) OU sobre o valor do IPI que deixou de ser recolhido (e que é cobrado via auto de infração). E se esta interpretação estava dúbia na época do lançamento, está clara no novo dispositivo legal, e deve ser aplicada ainda que por força dos artigos 1061 e 1122 do Código Tributário Nacional – CTN. 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 Sendo assim, o lançamento da multa de 75% sobre o valor que deixou de ser lançado e que está constituído nos autos de infração (“Multa IPI não lançado com cobertura de crédito”) – para cobrança, após ajuste de saldos credor e devedor – não pode prosperar. Logo, deve ser cancelado o lançamento da multa de oficio sobre os valores de IPI, constituídos nos autos de infração de fls. 05 e de fls. 115, mantendose apenas as multas sobre os valores de IPI que, supostamente, deveriam ser lançados (caso se confirme a exigibilidade do imposto, na medida judicial). Assim, considerando, por fim, que a exigibilidade da multa está atrelada à exigibilidade do principal, ou seja, ao resultado final da ação judicial que analisa a legalidade da cobrança do IPI, sobre os fatos que são objeto deste processo administrativo, nem a cobrança da multa (na parcela mantida) nem a cobrança do IPI podem ser efetuadas antes de decisão final nos autos do processo judicial nº 2008.61.08.0008203, ajuizado pela Recorrente. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL para (i) não conhecer a matéria atinente à incidência de IPI na atividade da Recorrente, em virtude da concomitância com a discussão judicial e (ii) cancelar a multa em duplicidade, aplicada sobre o IPI cobrado nos autos de infração, lembrando que os valores mantidos nos autos em análise estão com a exigibilidade suspensa até decisão final a ser proferida nos autos da medida judicial ajuizada pela Recorrente, quando então, a depender do teor da decisão transitada em julgado, definirse á se o imposto é ou não devido. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 2 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 4 7 Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Apenas discordo do entendimento da Ilustre Relatora em relação à multa de ofício. A referida multa era inicialmente prevista no art. 80 da Lei n. 4.502, de 1964. Posteriormente, foi transportada para o art. 45 da Lei n. 9.430, de 1996. Com a Lei n. 11.488, de 2007, novamente voltou a compor a Lei n. 4.502, de 1964. Entretanto, as hipóteses de aplicação da multa não mudaram: “A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido”. A multa incide ou na falta de lançamento do imposto na nota fiscal (falta de destaque) ou na falta de recolhimento do imposto. Obviamente, a primeira hipótese pode implicar, também, a falta de recolhimento do imposto, uma vez que o não lançamento na nota implica o não lançamento no livro e a não inclusão do débito na apuração do imposto devido no período de apuração. Portanto, a segunda hipótese representa a falta de recolhimento quando não tenha havido falta de lançamento do imposto na nota fiscal. Assim, há duas possibilidades de incidência da multa: a falta de lançamento do imposto na nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto. A base de cálculo da multa é especificada depois: no primeiro caso (falta de lançamento) a base é o valor do imposto que deixou de ser lançado e, no segundo, é o valor do imposto que deixou de ser recolhido. Obviamente, no caso de imposto não lançado, a base de cálculo da multa pode ser maior, como se verá posteriormente, do que o valor do imposto lançado, uma vez que os créditos reduzem a última. No caso dos autos, como se trata da primeira hipótese, a multa deve incidir sobre o total do imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais e, sua base de cálculo será maior do que o valor do imposto lançado, uma vez que a Interessada tinha créditos que reduziram o valor do imposto devido. Esclareçase que a Fiscalização dividiu o auto de infração em três períodos distintos, porque, no período central, os créditos da Interessada acobertaram todo o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais (saldo credor). Nos primeiro e terceiro períodos, os créditos não foram suficientes para acobertar todos os débitos apurados e, assim, resultaram valores de imposto devido em vários períodos de apuração (saldo devedor), tendo, nesses casos, a multa sido parcialmente cobrada Fl. 213DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 proporcionalmente ao imposto apurado. Somente em relação ao imposto não lançado nas notas fiscais que teve acobertamento de créditos é que a multa foi lançada separadamente. Para demonstrar o afirmado, basta somar o total do imposto não lançado nas notas fiscais (infração efetivamente apurado nos presentes autos) e calcular o valor total das mulas aplicadas, que deverá ser igual a 75% daquele valor. O total da base de cálculo do IPI não lançado relativamente ao primeiro período (primeiro auto de infração) foi de R$ 1.381.788,82 (fls. 15 a 17); ao segundo, R$ 966.607,91; e ao terceiro, R$ 3.190.179,95 A tabela abaixo demonstra a comparação dos valores: AI Multa Proporc. Multa isolada Multa total Base de cálculo IPI não lançado (15%) Multa (75%) 1 20.801,56 134.649,40 155.450,96 1381788,82 207.268,32 155.451,24 2 0,00 108.743,22 108.743,22 966.607,91 144.991,19 108.743,39 3 181.998,10 176.896,90 358.895,00 3.190.179,95 478.526,99 358.895,24 Os valores da coluna “Multa total” (valores lançados) equivalem, a não ser por erros de arredondamento, aos valores da multa apurada de 75% (última coluna). Portanto, o valor da multa aplicada está correto e não houve, de forma alguma, aplicação de multa sobre a mesma base de cálculo. Há que se notar, ademais, que, sistematicamente, nos primeiro e terceiros autos de infração, a Fiscalização subtraiu da multa aplicada sobre o imposto não lançado sem cobertura de crédito os valores do IPI apurados nos períodos de apuração. Por fim, esclareçase que se trata de interpretação da Receita Federal do disposto no art. 80, § 8º, da Lei n. 4.502, de 1964 (ou da respectiva redação anteriormente contida no art. 45 da Lei n. 9.430, de 1996): § 8° A multa de que trata este artigo será exigida: (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido; (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II isoladamente nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Como o inciso I diz que a multa deve ser lançada junto com o imposto, quando não recolhido (que é exatamente o caso eu ocorre na apuração de saldos devedores), então ela é calculada proporcionalmente a ele, calculandose de forma isolada quando há apuração de saldo credor. Notese que nunca o referido dispositivo acima citado reduz a base de cálculo da multa prevista no caput do artigo. Quanto ao princípio da vedação ao confisco, aplicase a Súmula Carf n. 2 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF n. 2 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 15889.000541/200741 Acórdão n.º 330201.606 S3C3T2 Fl. 5 9 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, no que se refere às demais matérias, voto por negar provimento ao recurso, relativamente à matéria não objeto da ação judicial. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 215DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 03/07/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 07/06/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.723613/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2006
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INEXISTÊNCIA. FATO PERMUTATIVO. A apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo confronto entre as origens e as aplicações de recursos, é um método indireto de quantificação da renda omitida, pois não será possível identificar a natureza do rendimento omitido. Se for possível identificá-los, estes submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2101-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral o patrono do recorrido Dr. Decio Lima Jardim - CRC MG-105020/0.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INEXISTÊNCIA. FATO PERMUTATIVO. A apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo confronto entre as origens e as aplicações de recursos, é um método indireto de quantificação da renda omitida, pois não será possível identificar a natureza do rendimento omitido. Se for possível identificá-los, estes submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos. Recurso de Ofício Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13603.723613/2010-51
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5203982
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2101-002.102
nome_arquivo_s : Decisao_13603723613201051.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13603723613201051_5203982.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral o patrono do recorrido Dr. Decio Lima Jardim - CRC MG-105020/0. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
id : 4555129
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394466029568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 715 1 714 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.723613/201051 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2101002.102 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria Acréscimo Patrimonial a Descoberto Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DOMINGOS COSTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INEXISTÊNCIA. FATO PERMUTATIVO. A apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo confronto entre as origens e as aplicações de recursos, é um método indireto de quantificação da renda omitida, pois não será possível identificar a natureza do rendimento omitido. Se for possível identificálos, estes submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Realizou sustentação oral o patrono do recorrido Dr. Decio Lima Jardim CRC MG105020/0. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 36 13 /2 01 0- 51 Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório A 5ª Turma da DRJ Belo Horizonte recorre de ofício de sua decisão às fls. 987/995 (Acórdão nº 0233.922, de 12 de agosto de 2011), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação e cancelou o crédito tributário constituído através do Auto de Infração às fls. 02/09. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (10/21), o fato tributável originouse do aumento de R$ 59.135.328,00 na participação social do Sr. Domingos Costa na Empresa Interpar Participações Ltda, sem o devido respaldo, tendo em vista a descaracterização da reserva e ágio através do auto de infração constante do processo nº 10976.000713/200946. Referido Termo dispõe que: “O contrato social da Interpar e sua 1ª alteração contratual são provas suficientes e válidas dos fatos neles registrados”. “Houve aumento do patrimônio, portanto um ganho para o contribuinte, e a prova apresentada pelo autuado para comprovação dos recursos utilizados para isto foi glosada, inclusive o contribuinte aderiu ao parcelamento dos débitos na Pessoa Jurídica sobre o assunto. Caracterizada está a situação de acréscimo patrimonial a descoberto presumindose a ocorrência de omissão de rendimentos.” A defesa apresentada pelo contribuinte em sua impugnação ao lançamento foi resumida pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Reunião de Processos O presente auto de infração guarda correlação com os lançamentos efetuados contras as empresas Interpar Participações (13603.723217/201024) e Inter Participações e Empreendimentos S/A (13603.723111/201021). Requer sejam reunidos os processos citados, de acordo com o art. 29 da Lei nº 9.784/99 e Portaria RFB nº 666/2008. Caso seja negada a juntada, requer seja sobrestado o presente processo, retornando seu curso apenas quando da prolação de decisão definitiva nos autos dos processos já citados. Do Desfazimento dos Atos de Reorganização Societária. Afirma que foram desfeitos, pela fiscalização os atos que culminaram na constituição da Reserva Especial de Ágio, invalidando a própria reserva. Entretanto, o feito fiscal exige IRPF em virtude de acréscimo patrimonial decorrente exatamente dos efeitos jurídicos da capitalização da reserva tida como inexistente. Se a reserva é inválida também não possui eficácia a capitalização dos lucros acumulados que deram origem à tributação na pessoa física. No próprio auto de infração relativo à empresa Domingos Costa Indústria Alimentícia a fiscalização intima o contribuinte a ajustar os valores de seu capital social aos fatos ali constatados. O próprio autuante reitera a correlação entre as fiscalizações. Ou a operação é válida para todos os fins ou não é válida para nenhum. A desconsideração vale para todos os efeitos. A reorganização praticada não permite o registro da Reserva Especial de Ágio e consequentemente, não pode haver ganho em aumento de participação societária pela pessoa física fundamentado em tal reserva. Como não é cabível o registro do ágio, não houve aumento patrimonial na participação societária. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13603.723613/201051 Acórdão n.º 2101002.102 S2C1T1 Fl. 716 3 O fisco negou enfaticamente, em diversas oportunidades, a existência legal do valor da Reserva de Ágio que foi transferida para lucros acumulados, depois capitalizado, dando origem à suposta variação patrimonial a descoberto na pessoa física. Momento da Tributação da Reserva Constituída de Forma Ilegal Para o Fisco a Reserva Especial de Ágio no valor de R$ 59.135.328,00, que deu origem ao registro do aumento patrimonial registrado na DIRPF, foi constituída de forma ilegal. Perante a legislação do IR, o valor correspondente à Reserva efetuada ilegalmente ou irregular, deve ser adicionado ao lucro líquido do período de sua constituição. Portanto, de acordo com a lei o valor de R$ 59.135.328,00 passa a integrar o patrimônio líquido da Inter Participações e Empreendimentos S/A em 31/12/2004 como lucros acumulados. Esse fato valida o saldo da conta Lucros Acumulados, acrescido do valor da reserva, não havendo, aumento patrimonial não justificado da pessoa física. Por outro lado, se a Reserva não é válida legalmente, não há lucros acumulados e, conseqüentemente, não há aumento de capital ou distribuição de novas ações da Inter Participações à pessoa física autuada. Convalidação da Reserva pela sua Tributação Ao tributar a realização da reserva no auto de infração lavrado contra a empresa Inter Participações (processo nº 13603.723111/201021) o próprio Fisco convalidou a disponibilização dela como lucros livres para distribuição aos sócios. Distribuição de Lucros e Dividendos São isentos para a pessoa física os dividendos calculados com base no resultado de 2004, no qual estava incluído o valor da reserva constituída irregularmente, mesmo que o tributo correspondente não seja pago pela pessoa jurídica. O imposto devido pela pessoa jurídica não altera a natureza de não tributável do lucro ou dividendo distribuído. Não Ocorrência de Prejuízo ao Fisco Como a participação societária aumentada não foi alienada, o registro da elevação na Declaração de Bens e Direitos da pessoa física não trouxe prejuízo ao Fisco. Somente haveria relevância fiscal se tivesse ocorrido a alienação das quotas. Como não houve fluxo financeiro na operação não pode haver tributação. A tributação das pessoas físicas ocorre pelo regime de caixa, ocorrendo o fato gerador somente no momento em que o contribuinte efetivamente os receber em dinheiro, o que não ocorreu no presente caso. O que ocorreu foi um suposto aumento do valor de suas quotas em virtude de capitalização da Reserva Especial de Ágio. Decadência O crédito fiscal encontrase extinto pela decadência. Os valores supostamente omitidos devem ser tributados mensalmente. O prazo decadencial é de cinco anos contados do fato gerador. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração, protestando pelo direito de produzir provas que se fizerem necessárias, conforme art. 38 da Lei nº 9.784/99. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau, em votação unânime, julgou procedente a impugnação, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No lançamento de ofício do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, em se tratando de rendimentos sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário e, tendo havido antecipação do pagamento do imposto, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro do respectivo anocalendário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO. Não se tributam, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, quando não verificado o excesso das aplicações sobre as origens de recursos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face do montante exonerado ultrapassar R$1.000.000,00, de acordo com o art. 34 do Decreto 70.235/72, com as alterações introduzidas pela lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3/2008, foi interposto recurso de ofício pelo Órgão julgador de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o valor exonerado na decisão de primeiro grau ultrapassa o limite de alçada indicado na Portaria MF nº 3/2008. Inicialmente, cumpre observar que subscrevo integralmente os fundamentos da decisão recorrida no que tange às questões suscitadas em sede de impugnação, relacionadas à decadência e à reunião para julgamento em conjunto deste processo com os processos de números 13603.723217/201024 e 13603.723111/201021, ou ao sobrestamento do julgamento deste processo. Tais matérias foram decididas em sentido contrário às teses defendidas pelo sujeito passivo. Do exame das peças processuais, verificase que a matéria submetida a recurso de ofício foi corretamente analisada pela 5ª Turma da DRJ Belo Horizonte, estando os fundamentos indicados no voto condutor do Acórdão nº Acórdão nº 0233.922 (fls. 987/995), em consonância com reiterados pronunciamentos deste CARF, no que tange à necessidade de Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13603.723613/201051 Acórdão n.º 2101002.102 S2C1T1 Fl. 717 5 se comprovar, na acusação de acréscimo patrimonial a descoberto, o efetivo desembolso de numerário que deu causa ao incremento patrimonial. No presente caso, o aporte de recursos na empresa Interpar Participações Ltda foi meramente escritural. Foi lançado acréscimo patrimonial a descoberto decorrente do aumento de R$ 59.135.328,00 na participação do autuado no capital social da referida empresa. Em 12/04/2004 houve a transferência na empresa Interparticipações e Empreendimentos do valor de R$ 59.135.328,00 da conta Domingos Costa Industria Alimentícia (DOCIASA) para a conta Reserva Especial de Ágio pela integralização de capital na DOCIASA. Em janeiro de 2005 houve a transferência do mesmo valor da conta Reserva Especial de Ágio para a conta de Lucros Acumulados; Em 19 de julho do mesmo ano ocorreu a transferência do valor de R$ 67.910.812,00 da conta de Lucros Acumulados para o capital social da Interparticipações e Empreendimentos. Em 22/07/2005, foi criada a empresa Interpar Participações através do contrato social de folhas 152/156, tendo como sócios o Sr. Domingos Costa e a Sra. Patrícia Macedo Costa. Em sua primeira alteração contratual (fls. 157/164), os sócios deliberam pelo aumento do capital social da Interpar de R$ 10.000,00 para R$ 72.131.549,00. Deste valor, o sócio Sr. Domingos Costa subscreveu e integralizou R$ 72.111.550 quotas de R$ 1,00 com 99.998 ações da empresa Interparticipações e Empreendimentos S/A. Este fato patrimonial, de natureza permutativa – aumento na participação no capital social do Sr. Domingos Costa na empresa Interpar Participações com ações da empresa Interparticipações e Empreendimentos S/A – é que motivou a exigência tributária em exame. Contudo, não houve aumento do patrimônio do autuado nesta operação. Podese até questionar a reserva especial de ágio, a conta lucros acumulados e a posterior distribuição do lucro (momento em que houve aumento patrimonial), como aliás o fez a fiscalização através dos lançamentos discutidos nos processos de nºs 13603.723217/201024 e 13603.723111/201021. De fato, a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, pelo confronto entre as origens e as aplicações de recursos, é um método indireto de quantificação da renda omitida, pois não será possível identificar a natureza do rendimento omitido. Se for possível identificálos, estes submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos. Portanto, na integralização de capital com ações de outra empresa não há acréscimo patrimonial a descoberto, pois tratase de mera troca de ativos, sem qualquer contabilização de dinheiro novo. Tal fato era do conhecimento da fiscalização e foi expressamente relatado no Termo de Verificação Fiscal que integra o Auto de Infração. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
