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4663897 #
Numero do processo: 10680.003087/93-19
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 1999
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO – DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se projeta no julgamento do processo decorrente, recomendando o mesmo tratamento. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 108-05908
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para ajustar a exigência ao decidido no processo principal, através do acórdão n.º 108-05.860, de 15/09/99.
Nome do relator: Marcia Maria Loria Meira

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Recorrida : DRJ - BELO HORIZONTE/MG Sessão de : 21 de outubro de 1999 Acórdão n° : 108-05.908 FINSOCIAUFATURAMENTO — DECORRÊNCIA - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se projeta no julgamento do processo decorrente, recomendando o mesmo tratamento. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela CONSTRUTORA ATERPA S/A. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para ajustar a exigência ao decidido no processo principal, através do acórdão n° 108- 05.860, de 15/09/99, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE 4)90~ MARCIA MARIA LORIA MEIRA RELATORA FORMALIZADO EM: lj . NOV 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ ANTÔNIO MINATEL, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, NELSON LÓSSO FILHO, TÂNIA KOETZ MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE LONGO e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Processo n°. : 10680.003087/93-19 Acórdão n°. : 108-05.908 Recurso n° : 117.687 Recorrente : CONSTRUTORA ATERPA S/A. RELATÓRIO A CONSTRUTORA ATERPA S/A, com sede na Av. Bias Fortes,431 - Lourdes - Belo Horizonte/MG, após indeferimento de sua petição impugnativa, recorre, tempestivamente, a este Conselho, do ato do Senhor Delegado da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, na pretensão de ver reformada a decisão singular. Trata-se de exigência do FINSOCIAL/Faturamento, relativa aos exercícios de 1988 e 1989, decorrente de fiscalização de IRPJ, na qual foram apuradas diversas irregularidades, lançadas de ofício, constantes do processo n°10.680- 003.089/93-44. Na impugnação, tempestivamente apresentada, o sujeito passivo contestou a exigência com os mesmos argumentos apresentados no processo principal. A decisão singular manteve em parte o crédito tributário lançado, para excluir a TRD, no período compreendido entre 04/02 a 29/07 de 1991. Notificado da Decisão, interpôs recurso a este Conselho (fls.51), onde ratifica os termos da impugnação apresentada ao julgador de 1 8 . Instância. As fis.53/54, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou suas Contra-Razões ao recurso interposto. o relatório. (As, 2 Processo n°. : 10680.003087/93-19 Acórdão n°. : 108-05.908 VOTO Conselheira: MARCIA MARIA LORIA MEIRA - Relatora O recurso voluntário é tempestivo e dele conheço Como se vê no relatório, o presente procedimento fiscal decorre do que foi instaurado contra a recorrida, para cobrança do imposto de renda - pessoa jurídica., também objeto de recurso, que recebeu o n°117.588, nesta Câmara. A exigência foi constituída com base no art.1° do Decreto-lei n°1.940/82 e arts.16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, bem como do art.28 da Lei n°7.738/89. A decisão do processo principal, nesta mesma sessão, foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para excluir: a) do item Despesas/Custos Indedutiveis, as parcelas de Cz$2.522.831,00, Cz$2.883.570,00 e NCz$383.498,00, relativas aos exercícios de 1988 a 1990, respectivamente; b)as parcelas de Cz$100.000.103,00 e Cz$166.528.191,00, referente a Serviços /Custos Não Comprovados do exercício de 1989; bem como o valor de NCz$5.540.135,00, relativo ao exercício de 1990; c)quanto a Correção Monetária - Contratos de Obras, não conhecer em parte do recurso, ao tempo em que cancela a multa de lançamento de ofício sobre as parcelas efetivamente depositadas, bem como os juros de mora sobre estas mesmas parcelas, a partir da efetivação do depósito; C.)-v1.1 3 • Processo n°. : 10680.003087/93-19 Acórdão n°. : 108-05.908 A jurisprudência deste Conselho é no sentido de que a sorte colhida pelo principal comunica-se ao decorrente, a menos que novos fatos ou argumentos sejam aduzidos. Diante do exposto, VOTO no sentido de dar provimento parcial ao recurso para ajustar a exigência ao decidido no processo principal. Sala das Sessões - DF, em 21 de outubro de 1999. MARCIA MARIA LORIA MEIRA 4 Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.004039/91-40
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - DECORRÊNCIA - Aplica-se por igual, aos processos formalizados por decorrência, o que for decidido no julgamento do processo principal, em razão da íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 107-06003
Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL para ajustar ao decidido no processo principal.
Nome do relator: Edwal Gonçalves dos Santos

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4666434 #
Numero do processo: 10708.000150/99-03
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2003
Ementa: PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO OU INCENTIVADO (PDV/PDI) - VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO À ADESÃO - NÃO INCIDÊNCIA - As verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório. Desta forma, os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário ou Incentivado - PDV/PDI, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou Privada. IMPOSTO DE RENDA - RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA - PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL - Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo, permitida, nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido, entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária (IN n.º 165, de 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-19.585
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Nelson Mallmann

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Desta forma, os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário ou Incentivado — PDV/PDI, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou Privada. IMPOSTO DE RENDA — RECONHECIMENTO DE NÃO INCIDÊNCIA - PAGAMENTO INDEVIDO — RESTITUIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL — Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição tem início na data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo, permitida, nesta hipótese, a restituição de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Desta forma, não tendo transcorrido, entre a data do reconhecimento da não incidência pela administração tributária (IN n.° 165, de 1998) e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JUAREZ DE OLIVEIRA. a. , . es..44 - -- MINISTÉRIO DA FAZENDA "á:St PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. JLL LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE FORMALIZADO EM: 0 6 NOV 2093 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, MEIGAN SACK RODRIGUES, VERA CECÍLIA MATTOS VIEIRA DE MORAES, JOÃO LUÍS DE SOUZA PEREIRA e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 ,r. '•-• MINISTÉRIO DA FAZENDA tiP PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 Recurso n°. : 133.134 Recorrente : JUAREZ DE OLIVEIRA RELATÓRIO JUAREZ DE OLIVEIRA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n.° 208.028.387-15, residente e domiciliado no município de Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Aluízio Silva, n.° 132 — Bairro Morro do Carmo, jurisdicionado a DRF em Nova Iguaçu - RJ, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 33/36, prolatada pela Segunda Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 43/46. O requerente apresentou, em 09/03/99, através da retificação da declaração de IRPF/1994, pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, sobre valores pagos por pessoa jurídica, a titulo de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). De acordo com a Portaria SRF n.° 4.980/94, a Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu - RJ, apreciou e concluiu que o presente pedido de restituição é improcedente, com base na argumentação de que o prazo de cinco (cinco) anos para o exercício do pedido de restituição, não foi observado pelo contribuinte, haja vista que o seu termo inicial é contado a partir da data do pagamento ou recolhimento indevido, ou seja, de acordo com o art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição está decaído, já que o pagamento ocorreu em 30/06/1993, e o pedido de restituição se deu em 09/03/1999, data da protocolização do processo. 3 ' 14".•;-z-r. MINISTÉRIO DA FAZENDAwv; .t: • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 Irresignado com a decisão da autoridade administrativa singular, o requerente apresenta, tempestivamente, em 09/05/01, a sua manifestação de inconforrnismo de fls. 23/26, solicitando que seja revisto a decisão para que seja declarado procedente o pedido de restituição, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que o recorrente foi admitido na Estatal Petróleo Brasileiro S/A — PETROBRÁS em 14/03/77, desligando-se em 30/06/93, tendo em vista ter aderido ao Programa de Incentivo a demissão, estatuída através de sua empregadora; - que sendo certo que no ano de sua demissão, ficou retido indevidamente, a título de pagamento de imposto de renda, o valor de CR$ 54.132.533,00, que incidiu sobre sua indenização, que ora pretende ver restituído; - que a parcela que gerou a tributação controversa, é de cunho indenizatório, eis que o recorrente era aposentável e não aposentado. Aposentou-se após o desligamento da empresa, pois, se desejasse, poderia continuar trabalhando. Sua aposentadoria foi ato volitivo, no momento que lhe pareceu mais conveniente, e, repita-se, nada tem a ver com a sua salda incentivada pelo empregador, que visava o "enxugamento" de seus quadros e alcançar maior "competitividade"; - que sendo Importante ressaltar, que a própria Receita Federal, através do art. 1° da Instrução Normativa n° 165, de 1998, reconheceu a isenção de Imposto de Renda sobre verbas indenizatórias, pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária; - que sucede ainda, conforme o Ato Declaratório SRF n° 095, de 26 de novembro de 1999, e o disposto nas Instruções Normativas SRF n° 165, de 1998, e n° 04, de 1999 e o Ato Declaratório n°03, de 1999, declara que as verbas indenizatórias recebidas 4 -4~ Jr:i%• -.;; MINISTÉRIO DA FAZENDA t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 pelo empregado a título de incentivo à adesão a Programa de Demissão Voluntária não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Imposto de Renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou Privada; - que quando a Receita Federal, através da Instrução Normativa 168798, reconheceu a isenção de imposto de renda sobre as verbas indenizatórias, fruto do PDV ou PIDV, admitiu o direito do contr5ibuinte, a ser restituído do valor do imposto retido que incidiu indevidamente nas verbas indenizatórias, havendo assim, a interrupção do prazo previsto no art. 168, do CTN. Após resumir os fatos constantes do pedido de restituição e as razões de inconformismo apresentadas pelo requerente a Segunda Turma da DRJ no Rio de Janeiro - RJ resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra a Decisão da DRF/Nova Iguaçu/RJ, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que inicialmente, há que se esclarecer que o contribuinte equivocou-se ao se referir, em sua manifestação de inconformidade, à prescrição do prazo para se pedir restituição. Não há que se cogitar de prazo prescricional para efetuar-se pedido de restituição, pois a prescrição pressupõe a existência de um direito anterior já consolidado, que se extingue em razão de seu titular ter se mantido inerte ou ter negligenciado a defesa do referido direito. Assim, o direito se perde por falta de ação do titular, - que no presente caso, o direito a restituição ainda não foi obtido. O contribuinte, então, sujeita-se a um prazo decadencial para pleitear tal direito. Assim, deve- se falar em decadência do direito de pedir restituição e não em prescrição, não sendo 5 4.-4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 'orj; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 aplicável à hipótese em tela as regras do Código Civil que disciplinam o instituto da prescrição; - que passados cinco anos da data da extinção do crédito tributário, considera-se extinto o direito de o contribuinte pleitear a restituição do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos recebidos como verbas indenizatórias a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV; - que conforme atesta o documento de fl. 30 o pagamento das verbas rescisórias e a conseqüente retenção do imposto na fonte ocorreram em julho de 1993. Portanto, quando o interessado apresentou seu pedido de restituição, em 09/03/1999 (fl. 4v) já havia mais de cinco anos da data da extinção do crédito, tendo decaído o direito de o contribuinte requerer a restituição do imposto retido; - que cabe salientar que a IN SRF n° 165, de 3111211998, apesar de ter modificado o entendimento da Administração, reconhecendo a não-incidência do imposto sobre as verbas indenizatórias recebidas em função de PDV, não possui o condão de suspender ou interromper o prazo decadencial previsto na legislação. Por outro lado, a referida Instrução Normativa estendeu para a esfera administrativa o entendimento do judiciário, silenciou quanto à questão do prazo decadencial. A ementa que consubstancia os fundamentos da decisão de primeira instância é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1993 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ? 6 vke MINISTÉRIO DA FAZENDA "1/ . 4k: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 O direito de pleitear a restituição de imposto de renda retido indevidamente na fonte extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 31/10/02, conforme Termo constante às fls. 39/40, e, com ela não se conformando, o requerente interpôs, em tempo hábil (11/11/02), o recurso voluntário de fls. 43/46, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na peça de manifestação de inconformidade. É o Relatório. 7 440,, MINISTÉRIO DA FAZENDA, "z‘_,Hr-2(t• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. Discutem-se, nestes, autos, acerca da incidência de imposto de renda na fonte/declaração de ajuste anual sobre as importâncias pagas a titulo de indenizações, nos casos de demissões voluntárias, em razão de incentivo à adesão a programas de redução de quadro de pessoal. Da análise do processo verifica-se que a lide versa sobre pedido de restituição de tributo concemente ao IRPF do exercício de 1994, ano-calendário de 1993, com base em Programa de Desligamento Voluntário — PDV. Observa-se, ainda, que de acordo com a cópia do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho de fls. 05, que a retenção do tributo se deu em 30 de junho de 1993, tendo o interessado pleiteado restituição em 22/03/99 (fls. 01). As teses argumentativas do suplicante de que as verbas recebidas em decorrência da demissão voluntária são isentas da incidência do imposto de renda, sendo 8 „. 1. 4 , ‘” ‘P. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '',--tH>Ptsi) QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 irrelevante o fato motivador de sua adesão, se é para se aposentar ou não, bem como não decorreu o prazo decadencial da repetição do indébito, já que este deve ter como termo à quo a data da publicação do Parecer PFGN/CRJ/n° 1278198, ou a data da publicação da IN SRF n° 165, de 31/12798, os quais reconheceram o direito pleiteado, merecem prosperar, pois já é entendimento pacífico na esfera judicial que as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato de trabalho por dispensa incentivada tem caráter indenizatório, de natureza reparatória, não ensejando acréscimo patrimonial, a qual não pode ser objeto da tributação. Disso decorre a Impossibilidade da incidência do imposto de renda sobre as mesmas. Diante disto, os Ministros Membros do Superior Tribunal de Justiça, vêm decidindo sistematicamente pela não incidência do imposto de renda e condenando a União ao ónus de sucumbência. Esse entendimento consolidado do mais alto órgão do Poder Judiciário, estabelecendo a não incidência do imposto de renda em causas que cuidem de verbas indenizatórias referentes ao programa de incentivo à demissão voluntária, importa em reconhecer que os lançamentos de constituição de créditos tributários decorrentes destas indenizações não poderiam ser exigidos, já que o valor jurídico desse ato é desprovido de qualquer eficácia no pleno de direito. Ora, se várias ações foram propostas por contribuintes contra a Fazenda Nacional, objetivando a não incidência do imposto de renda na fonte sobre as indenizações convencionais no programa de incentivo à demissão voluntária e o Superior Tribunal de Justiça declarou a não procedência dos processos instaurados pela Secretaria da Receita Federal, órgão responsável pela constituição dos créditos tributários, através do lançamento, tal declaração passa imediatamente a ter validade para todos os cidadãos, por se tratar de decisão final, irrecorrivel e imutável, ou seja, estas decisões são insusceptíveis de alteração, 9 e.> -ti' • MINISTÉRIO DA FAZENDA 't PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ';/"rtsiff> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 uma vez que não cabem embargos infringentes, porque não são julgados proferidos em apelação ou em ação rescisória, nem embargos de divergência, já que as Turmas do Superior Tribunal de Justiça não divergem entre si nesta matéria. Assim, não há dúvida que ações que versem sobre o mesmo tema, a decisão do Superior Tribunal de Justiça será a mesma. Já não há mais como se manter tal ônus para o contribuinte, primeiro porque a Corte Máxima já se pronunciou pela não incidência, de outro lado o próprio Conselho de Contribuintes já vem acolhendo a tese esposada pelo STJ, por razões de economia processual, dando provimento aos recursos interpostos pelos contribuintes, declarando a não incidência do imposto de renda sobre as verbas oriundas da demissão voluntária. Do exposto, observa-se que não só na esfera judicial foi acolhida a tese de não incidência, mas também já na própria esfera administrativa, o que, inclusive, redunda em economia processual, pois evita o recurso dos contribuintes ao Judiciário para haver seus direitos. O despacho proferido pelo ilustre Desembargador Federal - Juiz Hemnenito Dourado - Presidente do Egrégio Tribunal Federal da 1° Região, que, em sede de Recurso Especial no Processo n.° 92.01.21817-6, contra os argumentos da Fazenda Pública sobre os efeitos das decisões INTER PARTES ou ERGA OMNES, e mais o disposto no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, publicado no Diário da Justiça da União de 12 de novembro de 1993, dispensa qualquer comentário a respeito da vinculabilidade das decisões terminativas do Colendo Supremo Tribunal Federal "in verbis": "Por outro lado, embora em nosso sistema jurídico a jurisprudência não obrigue além dos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada, sem vincular os Tribunais inferiores aos julgamentos dos Tribunais Superiores, em casos io 4i:r:,1 MINISTÉRIO DA FAZENDA 5:- .4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ";. QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 semelhantes ou análogos, os precedentes desempenham, nos Tribunais ou na Administração, papel de significativo relevo no desenvolvimento do Direito. É usual, apesar de desobrigados, o juiz orientarem suas decisões pelo pronunciamento reiterado e uniforme dos Tribunais Superiores. A própria Administração Federal, através do seu órgão próprio - a antiga Consultoria Geral da República -, tem reafirmado ao longo dos tempos o posicionamento de que a orientação administrativa não há de estar em conflito com a jurisprudência dos Tribunais em questão de direito." Conquanto a decisão do STJ não tenha efeitos "erga omnes", ela é definitiva, porque exprime o entendimento do Guardião Maior da Justiça. Oportuno se faz transcrever o ensinamento lapidar de LEOPOLDO CÉSAR DE MIRANDA LIMA FILHO, Consultor- Geral da República, no período de 20/10/60 a 06/02/61, recomendando não prosseguisse o Poder Executivo "a vogar contra a torrente de decisões judiciais" - Parecer C-15, de 13/12/63: "O precedente não obriga a decisão igual, mas apenas a insinua; não impõe a sua observância em casos análogos ou semelhantes se evidente a sua desconformidade com a lei. Ao aplicador da lei, administrador ou juiz, corre o dever de catar-le respeito, que não às decisões proferidas em hipóteses iguais non exemplis sed legibus judicandum est. Sem dúvida, os precedentes, administrativos ou judiciários, deve-se ter em conta, como subsídio prestimoso, no exame de casos semelhantes, merecendo considerados os argumentos, os raciocínios que deram na conclusão que expressam ou sintetizam. Não se hão de desprezar sem razões sérias, meditadas. Ainda que reiterados, constantes, devem considerar-se, sim, mas não se obedecer cegamente, e menos se ver com força de obrigar, de afastar a variação criteriosa e fundamentada da orientação que espelham. Expressa-se errônea compreensão da lei, forçoso será abandoná-los para lhe restabelecer o império. Não dão, à mente que emprestam à lei, o condão de infalibilidade, o selo de irrecorribilidade. 11 tk-Ztk MINISTÉRIO DA FAZENDA kà P PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 O Poder Judiciário não decide sobre as conseqüências ou efeitos possíveis de uma lei considerada em abstrato, mas exclusivamente em face do caso individual levantado ao seu exame. Declara a lei entre as partes; aplica-se no caso concreto, definido. Daí que os preceitos estabelecidos no julgado se circunscrevem aos litigantes para os quais a sentença lerá força de lei nos limites das questões decididas" (art. 287 do Código de Processo Civil). A decisão judicial em dado pleito, portanto, ainda que do Pretório Máximo, não obriga a Administração além do seu exato cumprimento em relação àquele ou àqueles que o suscitaram. Apesar dela, quando chamada a decidir hipóteses iguais, em que outros os interessados, livre será de permitir na orientação adotada, em que pede a opinião contrária do Poder Judiciário. Ante um ou alguns raros julgados, salvo se convencida do acerto, da excelência dos seus fundamentos, a lhe recomendarem adote a orientação judicial, abandonando a que esposaram até então, razão inexistirá para ceder a Administração no sentido que emprestou à lei, passando a perfilhar, ao decidir casos iguais, o que lhe deu o Poder Judiciário. Muito ao contrário, deve insistir no seu ponto de vista, recorrendo, inclusive, aos meios que lhe propiciam as leis para tentar fazê-lo vitorioso nos tribunais. Se, entanto, através de sucessivos julgamentos, uniformes, sem variação de fundo, tomados à unanimidade ou por significativa maioria, expressam os Tribunais a firmeza de seu entendimento relativamente a determinado ponto de direito, recomendável será não renita a Administração, em hipóteses iguais, em manter a sua posição, adversando a jurisprudência solidamente firmada. Teimar a Administração em aberta oposição a norma jurisprudêncial firmemente estabelecida, consciente de que seus atos sofrerão reforma, no ponto, por parte do Poder Judiciário, não lhe renderá mérito, mas desprestígio, por sem dúvida. Fazê-lo será alimentar ou acrescer litígios, inutilmente, roubando-se, e à Justiça, tempo utilizável nas tarefas ingentes que lhes cabem como instrumento da realização do interesse coletivo." As citadas decisões do Superior Tribunal de Justiça interpretou, em caráter definitivo, a legislação vigente sobre a matéria de que trata da não incidência sobre as verbas indenizatórias referentes ao programa de incentivo à demissão voluntária, de modo 12 k siçi- " t; -'4, MINISTÉRIO DA FAZENDA eihr...1: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 que, adotar a decisão antes referida, não caracteriza a extensão dos efeitos da mesma contrários à orientação estabelecida pela administração a que se refere o art. 1° do Decreto n.° 73.529/74. Adotar a decisão do STJ, significa, apenas, interpretar a lei na conformidade da interpretação dada pelo mais alto tribunal do País. Ademais, a própria Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional firmou entendimento, através do Parecer PGFN/CRJ/N° 1278/98, que pode ser dispensada a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da não incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre as verbas indenizatórias referentes ao Programa de Demissão Voluntária, desde que inexista qualquer outro fundamento relevante, ponto um ponto final na discussão deste assunto. Desta forma, após a análise dos autos, entendo que cabe razão ao requerente já que os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário — PDV, considerados, em reiteradas decisões do Poder Judiciário, como verbas de natureza indenizatória, e assim reconhecidos por meio do Parecer PGFN/CRJ/N.° 1278/98, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 17 de setembro de 1998, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual. Ademais, é entendimento pacifico nesta Câmara, bem como no âmbito da Secretaria da Receita Federal (Ato Declaratório SRF n.° 95, de 26 de novembro de 1999) que as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório. Como também não há dúvidas, que os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados, a título de incentivo à adesão a Programas de Demissão Voluntária — PDV, Programas de Demissão Incentivada — PDI ou Programas de Incentivo à 13 - MINISTÉRIO DA FAZENDA " :Rtr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Yteirk > QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150199-03 Acórdão n°. : 104-19.585 Aposentadoria - PIA, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na Declaração de Ajuste Anual, independente de o mesmo já estar aposentado pela Previdência Oficial, ou possuir o tempo necessário para requerer a aposentadoria pela Previdência Oficial ou Privada, já que os valores decorrentes dos programas que incentivam a aposentadoria têm a mesma natureza daqueles que tratam da demissão voluntária. As verbas objeto dos programas de demissão voluntária têm caráter reparatório pelo fim da relação contratual imotivada enquadrando-se no conceito de indenização. Trata-se de uma compensação ao funcionário pela perda decorrente do fim da relação contratual. Independentemente do nome dado ao programa, verificadas as características de demissão voluntária incentivada, os valores pagos a titulo de reparação pela perda do emprego incluem-se naqueles que não se encontram no campo de incidência do imposto de renda. Consta nos autos, que o desligamento do requerente deu-se através da adesão ao Programa de Incentivo por acordo Rescisório de Contrato de Trabalho. Portanto, não pairam dúvidas que as exigências legais foram cumpridas, ou seja, o requerente atende as normas legais vigentes para a não incidência do imposto de renda sobre as parcelas recebidas a titulo de incentivo adicional. Ora, é de se observar que o plano de demissão voluntária/demissão incentivada, seja qual for sua denominação, centraliza-se em três pontos basilares, quais sejam: (1) o incentivo pecuniário, ofertado para a adesão ao plano; (2) a redução do quadro de pessoal, da ofertante; e (3) a voluntariedade da adesão. Da análise do plano de demissão incentivada implantada pela Petrobrás em processos similares, verificou-se que o mesmo atende todas as características dos planos de demissão voluntária/plano de demissão incentivada, já que prevê a indenização pela adesão voluntária ao programa; a redução de quadro de pessoal; a adesão voluntária; a iniciativa da empresa na formulação do plano e a abrangência do programa incluindo todos. 14 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150199-03 Acórdão n°. : 104-19.585 Por outro lado, resta, ainda, analisar o termo inicial para a contagem do prazo para requerer a restituição do imposto que indevidamente incidiu sobre tais valores. Em regra geral o prazo decadencial do direito à restituição do tributo encerra-se após o decurso de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido. Observando-se de forma ampla e geral é liquido é certo que já havia ocorrido a decadência do direito de pleitear a restituição, já que segundo o art. 168, I, c/c o art. 165 I e II, ambos do Código Tributário Nacional, o direito de pleitear a restituição, nos casos de cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, extingue-se com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data de extinção do crédito tributário. Entretanto, no caso dos autos, se faz necessário um exame mais detalhado da matéria. Senão vejamos: Com todo o respeito aos que pensam de forma diversa, entendo, que neste caso especifico, o termo inicial não poderá ser o momento da retenção do imposto, já que a retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário em razão de tal imposto não ser definitivo, consubstanciando-se em mera antecipação do imposto apurado através da declaração de ajuste anual. Como da mesma forma, não poderá ser o marco inicial da contagem a data da entrega da declaração de ajuste anual. Entendo, que a fixação do termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculada ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Até porque, antes deste momento as retenções efetuadas pela fonte pagadora 15 Ar:, MINISTÉRIO DA FAZENDA tir .. -St PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150/99-03 Acórdão n°. : 104-19.585 eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal. O mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo requerente em sua declaração de ajuste anual. Em outras palavras quer dizer que, antes do reconhecimento da improcedência do imposto, tanto a fonte pagadora quanto o beneficiário agiram dentro da presunção de legalidade e constitucionalidade da lei. Isto é, até a decisão judicial ou administrativa em contrário, ao contribuinte cabe dobrar-se à exigência legal tributária. Reconhecida, porém, sua inexigibilidade, quer por decisão judicial transitada em julgado, quer por ato da administração pública, em sombra de dúvidas, somente a partir deste ato estará caracterizado o indébito tributário, gerando o direito a que se reporta o artigo 165 do C.T.N. Porquanto, se por decisão do Estado, polo ativo das relações tributárias, o contribuinte se via obrigado ao pagamento de tributo até então, ou sofrer-lhe as sanções, a reforma dessa decisão condenatória por ato da própria administração, tem o efeito de tomar o termo inicial do pleito à restituição do indébito a data de publicação do mesmo ato. Portanto, na regra geral o prazo decadencial do direito à restituição encerra- se após o decurso de cinco anos, contados da data do pagamento ou recolhimento indevido. Sendo exceção a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da lei em que se fundamentou o gravame ou de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo, momento em que o início da contagem do prazo decadencial desloca-se para a data da Resolução do Senado que suspende a execução da norma legal declarada inconstitucional, ou da data do ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo, sendo que, nestes casos, é permitida a restituição dos valores pagos ou recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. 16 sza:-.)i. MINISTÉRIO DA FAZENDA •39--"4: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10708.000150199-03 Acórdão n°. : 104-19.585 Sem dúvida, se declarada a inconstitucionalidade — com efeito erga omnes — da lei que estabelece a exigência do tributo, ou de ato da administração tributária que reconheça a sua não incidência, este será o termo inicial para o inicio da contagem do prazo decadencial do direito à restituição de tributo ou contribuição, porque até este momento não havia razão para o descunnprimento da norma, conforme jurisprudência desta Câmara. Desta forma, no caso em litígio, não tenho dúvidas em afirmar que somente a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n.° 165, de 31 de dezembro de 1998 (DOU de 06 de janeiro de 1999) surgiu o direito do requerente em pleitear a restituição do imposto retido, porque esta Instrução Normativa estampa o reconhecimento da Autoridade Tributária pela não-incidência do imposto de renda sobre os rendimentos decorrentes de planos ou programas de desligamento voluntário. Assim sendo, entendo que não ocorreu a decadência do direito de pleitear a restituição em discussão. Finalmente, nos termos do artigo 39 § 3, da Lei n.° 9.250/95 e Parecer AGU GQ96, de 11/01/96, o valor da restituição pleiteada, até o limite da retenção do imposto incidente sobre o valor da indenização decorrente da demissão incentivada, deve ser corrigido desde da data do pagamento indevido. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito à restituição do imposto de renda na fonte, relativo ao PDV, cujo valor será apurado na execução do presente acórdão. Sala das Sessões - DF, em 16 de outubro de 2003 71 VOA ‘1 17 Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1 _0029700.PDF Page 1 _0029800.PDF Page 1 _0029900.PDF Page 1 _0030000.PDF Page 1 _0030100.PDF Page 1 _0030200.PDF Page 1 _0030300.PDF Page 1 _0030400.PDF Page 1 _0030500.PDF Page 1 _0030600.PDF Page 1 _0030700.PDF Page 1 _0030800.PDF Page 1 _0030900.PDF Page 1 _0031000.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.004450/2001-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – IRPJ, CSLL e PIS - A regra de incidência de cada tributo define a sistemática de seu lançamento. Por serem tributos cuja lei atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o IRPJ, a CSLL e a contribuição ao PIS amoldam-se à sistemática do lançamento por homologação, no qual, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é aquela prevista no § 4o., artigo 150, do CTN, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial à data da ocorrência do fato gerador. IRPJ - FALÊNCIA - Decretada a falência da empresa e tendo ocorrido a continuação de suas atividades, qualquer ato ou negócios durante o processo falimentar que resultem em hipótese de incidência tributária, assume a massa falida tal obrigação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 101-94.770
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até o período de apuração de maio/1996, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que rejeitavam essa preliminar no tocante à CSL e, no mérito, por unanimidade de votos, quanto aos períodos subseqüentes, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Valmir Sandri

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Recorrida : DRJ — BELO HORIZONTE/MG Sessão de : 11 de novembro de 2004 Acórdão n°. : 101-94.770 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — IRPJ, CSLL e PIS - A regra de incidência de cada tributo define a sistemática de seu lançamento. Por serem tributos cuja lei atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o IRPJ, a CSLL e a contribuição ao PIS amoldam-se à sistemática do lançamento por homologação, no qual, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é aquela prevista no § 4°., artigo 150, do CTN, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial à data da ocorrência do fato gerador. IRPJ - FALÊNCIA - Decretada a falência da empresa e tendo ocorrido a continuação de suas atividades, qualquer ato ou negócios durante o processo falimentar que resultem em hipótese de incidência tributária, assume a massa falida tal obrigação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HORSA HOTÉIS REUNIDOS LTDA. — MASSA FALIDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até o período de apuração de maio/1996, vencidos os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antonio Gadelha Dias que rejeitavam essa preliminar no tocante à CSL e, no Processo n°. : 10680.004450/2001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 mérito, por unanimidade de votos, quanto aos períodos subseqüentes, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE - SANDRI RELATOR FORMALIZADO EM: 3 1 J A N 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, SANDRA MARIA FARONI e ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO. 2 Processo n°. : 10680.00445012001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 Recurso n°. : 137.075 Recorrente : HORSA HOTÉIS REUNIDOS LTDA. — MASSA FALIDA. RELATÓRIO HORSA HOTÉIS REUNIDOS LTDA. — MASSA FALIDA., já qualificado nos autos, recorre a este E. Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou procedente o lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido e Contribuição ao PIS, referente ao ano- calendário de 1996, objetivando a reforma da decisão recorrida. O lançamento decorreu da constatação, apurada por meio de informações obtidas por meio das DIRFs de fontes pagadoras de rendimentos, de que a Contribuinte havia omitido suas receitas financeiras no ano-calendário de 1996, cujo valor do rendimento bruto deveria ter sido oferecido à tributação e o imposto retido compensado, respectivamente, na declaração de rendimentos. As alegações que fundamentaram a impugnação, juntadas às fls. 131/142, estão assim sintetizadas: — em caráter preliminar, assevera a Contribuinte à nulidade do auto de infração, em razão de não se caracterizá-la como pessoa jurídica, nem a ela equiparar para efeitos da legislação do imposto de renda, tendo em vista que a falência é o desapossamento dos bens do falido, e sua conseqüência tributária é a perda de disponibilidade econômica e jurídica do patrimônio; - sustentou a decadência dos créditos referentes aos meses de janeiro a maio de 1996, na forma do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; - no mérito, buscou a Contribuinte afastar o argumento de que havia omitido receitas, utilizando, para isso, de diversos argumentos, devidamente enumerados pela decisão e primeira instância, às fls. 173 e 174; 3 Processo n°. : 10680.004450/2001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 - quanto aos lançamentos reflexos, afirma a Contribuinte que devem ser a eles aplicadas as mesmas razões expendidas para o IRPJ. A vista dos termos das impugnações, a 3a • Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, por unanimidade, julgou procedente o lançamento (fls. 169/186), ficando a decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do Fato Gerador: 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS Empresa que tiver sua falência decretada e der continuação ao negócio, retorna a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, sujeitando-se à incidência do imposto sobre os rendimentos. Lançamentos Decorrentes Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/1996 , 29/02/1996 Ementa: DECORRÊNCIA Mantêm-se as exações apuradas em procedimentos reflexos, nos mesmos moldes da decisão do processo do IRPJ. Assunto:Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. Data do Fato Gerador: 31/01/1996, 29/02/1996, 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996. Ementa: DECORRÊNCIA Mantêm-se as exações apuradas em procedimentos reflexos, nos mesmos moldes da decisão do processo do IRPJ. Lançamento Procedente." Como razões de decidir, foi consignado que a discordância com relação à jurisprudência administrativa se deve ao fato de que tais decisões possuem efeitos apenas aos casos em que foram proferidas, conforme disposto no Parecer Normativo CST n° 390, de 1971. Ao argumento de nulidade do auto de infração, por ser a Contribuinte destituída de personalidade jurídica, contrapôs-se à decisão de primeira 4 Processo n°. : 10680.00445012001-11 Acórdão n°. :101-94.770 instância, entendendo que esses lançamentos foram baseados na forma da lei, mesmo porque, no processo administrativo fiscal, a nulidade só pode ser decretada nos estritos casos enumerados no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, o que não foi o caso. Com relação à decadência do IRPJ, entendeu a autoridade julgadora que, por não ter havido pagamento, o prazo decadencial desloca-se do artigo 150, § 4° do CTN, para amoldar-se à sistemática imposta pelo artigo 173, inciso 1 do CTN, não tendo, por esse motivo, decaído o crédito tributário. Quanto à decadência dos lançamentos reflexos das contribuições sociais, ficou entendido naquela decisão não haver a decadência, tendo em vista que, em respeito ao artigo 45, incisos I e II da Lei n°8.212/91, esse prazo é decenal. No mérito, foi consignado na decisão de primeira instância que, intimada a contribuinte a apresentar esclarecimentos adicionais sobre a Declaração de Ajuste Anual de IRPJ, juntou documento em que demonstrava ter impetrado Mandado de Segurança com a finalidade de se eximir do pagamento do IRPJ e seus reflexos, por estar na condição de massa falida, sendo que, através de consulta, constatou aquela DRJ que esse processo havia transitado em julgado com decisão desfavorável a contribuinte. Além disso, verificou-se às fls. 39/44, 45/57 e 57/68 que em todos os meses do ano calendário de 1996 a empresa contabilizou valores referentes à Receita Líquida de Atividades Operacionais, Custos de Serviços Prestados e Despesas Operacionais, demonstrando, de forma clara, que a mesma deu continuidade aos seus serviços. Ainda com relação a essa matéria, entendeu a Administração que o Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, eximiu a massa falida de apresentar declaração de rendimentos apenas nos casos em que não houvesse continuação de suas atividades. 5 .(C)4S1 Processo n°. : 10680.00445012001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 Por fim, utilizou-se a decisão de primeira instância de todos os argumentos expendidos para o IRPJ, aos lançamentos reflexos, dada a relação de causa e efeito que vinculam esses lançamentos. Em face da aludida decisão, apresentou tempestivamente a Recorrente seu Recurso Voluntário de fls. 205/217, argumentando, inicialmente, que a decretação judicial de sua falência desencadeou, de imediato, a perda do direito de administrar ou alienar o patrimônio comercial, bem como a perda da disponibilidade econômica e jurídica do patrimônio que compõe a massa falida, conservando, apenas, sua capacidade civil, concluindo, portanto, não ser o estado falimentar compatível com o fato gerador do Imposto de Renda, por não gozar o falido de capacidade econômica contributiva. Destarte, ao menos até a edição da Lei n° 9.430/96, jamais lhe foi exigido o cumprimento de obrigações acessórias, recolhimento do IRPJ nem equiparação da massa falida à pessoa jurídica. Como corolário do que foi exposto anteriormente, argumentou que a continuação do negócio não devolve ao falido a posse, a livre disposição de seus bens, nem os frutos advindos de sua atividade. Isso porque, não possui o falido o controle de suas atividades, sendo apenas titular dos lucros e das perdas, mas seus lucros eventuais devem ser destinados à satisfação de seus credores, reiterando que, por esse motivo, o falido não possui capacidade contributiva. Pugnando pela nulidade do presente auto de infração, por não possuir a Recorrente capacidade contributiva, conforme já acima esposado, vindicou, sucessivamente que, nulo ainda deveria ser o auto com relação aos meses de janeiro a maio de 1996 pela decadência desses créditos, uma vez que o IRPJ e seus reflexos são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sujeitando-se, portanto, à sistemática inserta no artigo 150, § 4° do CTN, em que o qüinqüênio é contado a partir da ocorrência do fato gerador. No mérito, argumentou que não merece prosperar o presente auto, vez que somente após a edição da Lei n° 9.430/96 é que a massa falida foi f 6 Processo n°. : 10680.004450/2001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 equiparada à pessoa jurídica para fins de IR, que só começou a fluir a partir de 1° de janeiro de 1997, não atingindo, portanto, as operações ora autuadas. Além disso, argumentou que o artigo 76 da Lei n° 8.981/76, não possui o alcance dado pela decisão de primeira instância, vez que, ainda que os rendimentos de renda fixa advindo de aplicações financeiras estejam submetidos à retenção na fonte, o tratamento tributário dessa retenção deve seguir o regime de tributação do beneficiário. Assim, a Recorrente, como massa falida, não possui personalidade jurídica, de modo que não deve ser tributada, muita menos segundo a regra do lucro real, como pretende o auto de infração. A entrega da Declaração de Ajuste referente ao ano-calendário de 1996 não possui o condão de transformar a Recorrente em contribuinte do imposto, já que sua obrigação é ex lege. A única declaração que estava sujeita a apresentar era aquela correspondente ao período até a decretação de sua falência, nos termos do Parecer Normativo n° 48/87, mesmo porque, as próprias orientações contidas no MAJUR eram sempre no sentido de eximir a massa falida de qualquer tributação. Ademais, sustentou o afastamento da aplicação do artigo 27 da Lei n° 9.249/95, pelo fato de a massa falida não se caracterizar como contribuinte do imposto (art. 43 do CTN), para concluir que não tendo capacidade contributiva e não estando obrigada a efetuar qualquer ajuste relativo aos rendimentos auferidos no mercado de renda fixa, não há o que se falar em omissão de receitas. Pugna, por fim, pela nulidade dos lançamentos reflexos do Programa de Integração Social - PIS/Repique e a CSLL, ante a relação de causa e efeito destes com o IRPJ. É o relatório. .461:~!....a1111111".100_, -~1111~F 7 Processo n°. : 10680.004450/2001-11 Acórdão n°. :101-94.770 VOTO Conselheiro VALMIR SAN DRI, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. De piano, invoca a Recorrente o instituto da decadência ao IRPJ, à contribuição ao PIS/Repique e a CSLL no período compreendido entre janeiro de 1996 a maio deste mesmo ano, ao argumento de que são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, devendo portanto, amoldarem-se à sistemática imposta pelo artigo 150, § 4° do CTN, juntando farta doutrina e jurisprudência a esse respeito. De fato, com o advento da Lei n° 8.383/1991, o lançamento do IRPJ, apurado pelo regime do lucro real, enquadrou-se à sistemática imposta aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, definida no § 4°. do artigo 150 do Código Tributário Nacional, cuja essência consiste no dever do contribuinte de efetuar o pagamento do imposto no vencimento estipulado por lei, independentemente do prévio exame da Autoridade Administrativa, que terá o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para homologar a atividade exercida pelo contribuinte, ou proceder ao lançamento de ofício, conforme abaixo transcrito: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos têrmos dêste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. 2° Não influem sôbre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceirg, visando à extinção total ou parcial do crédito. 8 Processo n°. : 10680.004450/2001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 30 Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será êle de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado êsse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de d-1, fraude ou simulação. Desta forma, sendo a ocorrência do fato gerador o marco inicial para a contagem do prazo decadencial, e por se tratar a presente exação (IRPJ) calculada com base em um fato gerador complexivo, em que as situações operacionais se processam, se intercomunicam e se inter-relacionam num determinado lapso de tempo, para produzir um resultado econômico-financeiro, o momento do fato imponível do tributo é determinado pela opção exercida pelo contribuinte para o pagamento do tributo, in casu, lucro real mensal, conforme sua Declaração de Rendimentos de fls. 38/121. Logo, tendo a Recorrente optado pela apuração do lucro real mensal, e sido cientificada do presente auto de infração apenas em 11.06.2001 (fl. 130), transcorreu o lapso temporal superior ao qüinqüênio previsto em lei, para os fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro a maio de 1996, em decorrência, acolhem-se, em parte, os argumentos despendidos no recurso voluntário de que a exigência apurada neste período, já havia sido fulminada pelo instituto da decadência. No que concerne à contribuição ao PIS e a CSLL, verifica-se que a partir da Constituição Federal de 1988, as contribuições figuram no capitulo em que são estabelecidos os princípios gerais do sistema tributário nacional (art. 149), e estão submetidas às limitações constitucionais impostas aos tributos, que compreendem as normas gerais de direito tributário estabelecidas em lei complementar, especialmente quanto à definição de tributos e de suas espécies, dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo, contribuintes, lançamento, crédito e outros (art. 146, III da CF). 9 Processo n°. : 10680.00445012001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 Isto significa dizer que, sendo as contribuições sociais espécies tributárias, por constituírem receitas derivadas, compulsórias e consubstanciarem princípios peculiares ao regime jurídico dos tributos, sujeitam-se às normas gerais estabelecidas por lei complementar, razão pela qual, por força da remissão do art. 149 da Carta Magna, estão adstritas ao Código Tributário Nacional, não podendo, portanto, lei ordinária fixar prazo decadencial diferente dos estabelecidos nos artigos 150, § 4°. e 173 do CTN, conforme o fez a Lei n. 8.212/92, art. 45. Desta forma, por ser a CSLL e o PIS tributos sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação, em que o sujeito passivo da obrigação tributária apura e antecipa, a seu juízo, o montante da obrigação tributária, a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário rege-se pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, igualmente ocorrido em cada mês do ano- calendário de 1996, ocorrendo assim, a decadência do direito do Fisco de constituir esse crédito no período de janeiro a maio de 1996. Por outro lado, argumenta a Recorrente ser nulo o presente auto de infração, ao argumento de que a massa falida não possui capacidade contributiva, sustentando, posteriormente, não ter havido omissão de receitas por parte da Recorrente; seja porque não possui personalidade jurídica, seja porque não deveria estar submetida à retenção na fonte, decorrente de suas aplicações financeiras em renda fixa. Entretanto, ao que pese os argumentos por ela despendidos, entendo que não merece prosperar tais assertivas, tendo em vista que de acordo com o art. 74 da Lei de Falências, o falido poderá requerer a continuação do seu negócio, e se deferido pelo juiz, continuará a desenvolver plenamente sua atividade empresarial, arcando normalmente com o ônus tributário advindo de suas operações. 10 Processo n°. : 10680.00445012001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 Por outro lado, é de se ressaltar que a continuidade das atividades da empresa sob falência, é uma medida excepcional e que diz respeito aos seus próprios interesses e de seus credores, podendo neste caso, inclusive desenvolver atividade lucrativa, objetivando minimizar os prejuízos. Sendo assim, deferida pelo Juiz a continuidade das atividades da empresa sob falência, permanece ela como contribuinte do tributo e não como sucessora do contribuinte, tendo em vista a continuação de sua atividade objetivando lucros, podendo ai, inclusive, exercitar plenamente o seu direito de defesa, impugnando o crédito tributário e interpondo recurso administrativo conforme o presente caso. Neste diapasão, os artigos 188 e seguintes do Código Tributário Nacional e o artigo 124 da Lei de Falências, qualificam como encargo da massa falida o débito fiscal exigível no decurso do processo de falência. Isto significa dizer que, ocorrendo qualquer ato ou negócios durante o processo falimentar que resultem em hipótese de incidência tributária, assume a massa falida tal obrigação. Também neste sentido Rubens Requião exemplifica como tributos de responsabilidade da massa, surgindo, durante a vigência de sua atividade concursal, "os impostos municipais sobre os bens arrecadados, ou os impostos incidentes sobre a produção (IPI) ou sobre a venda de mercadoria (ICM), durante o período em que houver o prosseguimento do negócio do falido, que for autorizado pelo juiz" (ob. cit., infra, p. 288). Portanto, a despeito do argumento aduzidos pela Recorrente de que foi despojado de seus bens e, sendo assim, não poderia durante o processo de falência figurar como sujeito passivo da obrigação tributária, o fato é que a contribuinte continuou a exercitar plenamente a sua atividade objetivando lucros, não podendo, desta forma, esquivar-se de cumprir com suas obrigações tributárias delas decorrentes. 11 Processo n°. : 10680.00445012001-11 Acórdão n°. : 101-94.770 Por último, carreando os autos verifica-se que a Recorrente ingressou com Mandado de Segurança (fl. 185), objetivando tutela jurisdicional para desobrigá-la da exigência do Imposto de Renda e suas ações reflexivas, tendo sua pretensão sido negada pela 3 a . Turma do TRF da Seção Judiciária de Minas Gerais/MG, tendo o acórdão transitado em julgado com baixa definitiva do processo. Ou seja, também na esfera judicial a Recorrente não obteve êxito em sua pretensão em eximir-se do pagamento de tributo incidente sobre suas operações. Considerando o acima exposto, voto no sentido de ACOLHER a preliminar de decadência para afastar as exigências do IRPJ, CSLL e PIS, relativo aos meses de janeiro a maio de 1996, para no mérito NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 11 de novembro de 2004 iíli~ANDRI 2 12 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.001805/92-69
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 12 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPJ - DECADÊNCIA - Tratando-se de lançamento por declaração, ao fisco decai o direito de constituir o lançamento após decorridos cinco anos a partir do lançamento primitivo, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, o que primeiro ocorrer. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS -“PASSIVO NÃO COMPROVADO - Obrigações já liquidadas mas que constam no passivo circulante da pessoa jurídica geram a presunção de omissão de receita, não servindo de prova de sua inocorrência o fato de o contribuinte apresentar, no mesmo balanço, saldo de caixa suficiente à contabilização dos pagamentos, pois implicaria em se admitir que a disponibilidade retratada naquela peça é igualmente, fictícia. IRPJ - DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO - Não tendo sido demonstrado que dos reparos e substituição de partes resultou aumento da vida útil do bem prevista no ato de sua aquisição, por mais de um ano, é de admitir-se sua contabilização como despesa (Ac. CSRF/01-0.799, de 29 de abril de 1988). IRPJ - CONSERVAÇÃO DE BENS E INSTALAÇÕES - Gastos realizados com serviços de construção civil, pela sua natureza, caracterizam-se como benfeitorias, sendo, portanto, vedado o seu registro em conta de resultado. IRPJ - COMISSÕES - Não são dedutíveis as importâncias pagas ou creditadas a título de comissões, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento. IRPJ - SERVIÇOS DE PINTURA E LANTERNAGEM - Não comprovada a efetiva prestação de serviços, mantém a glosa dos valores registrados em conta de resultado. Por maioria de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente, vencido o Conselheiro Edson Vianna de Brito (Relator), e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação as importâncias de CZ$..; CZ$ ..; CZ$ ..; CZ$ ..; CZ$ ..; e NCZ$ .., nos períodos-base de 1986, 1987, 1987; 1988, 1988 e 1989, respectivamente, vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que negou provimento nesta parte, designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Márcio Machado Caldeira.
Numero da decisão: 103-19368
Decisão: POR MAIORIA DE VOTOS, REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA PELA RECORRENTE. VENCIDO O CONSELHEIRO EDSON VIANNA DE BRITO (RELATOR) E NO MÉRITO, POR MAIORIA DE VOTOS, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO PARA EXCLUIR DA TRIBUTAÇÃO AS IMPORTÂNCIAS DE CZ$ ...; CZ$ ...; CZ$ ...; CZ$ ...; CZ$ ... E NCZ$ ..., NOS PERÍODOS-BASE DE 1986, 1987, 1988, 1988 E 1989, RESPECTIVAMENTE. VENCIDO OS CONSELHEIRO CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER QUE NEGOU PROVIMENTO NESTA PARTE. DESIGNADO PARA REDIGIR O VOTO VENCEDOR O CONSELHEIRO MÁRCIO MACHADO CALDEIRA. A RECORRENTE FOI DEFENDIDA PELO DR. AQUILES NUNES DE CARVALHO. OAB/MG Nº 65.039.
Nome do relator: Edson Vianna de Brito

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Recorrida : DRJ EM BELO HORIZONTE - MG Sessão de :12 de maio de 1998 Acórdão n°. :103-19.368 , IRPJ - DECADÊNCIA - Tratando-se de lançamento por declaração, ao fisco decai o direito de constituir o lançamento após decorridos cinco anos a partir do lançamento primitivo, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, o que primeiro ocorrer. IRPJ - OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO NÃO COMPROVADO - Obrigações já liquidadas mas que constam no passivo circulante da pessoa jurídica geram a presunção de omissão de receita, não servindo de prova de sua inocorrência o fato de o contribuinte apresentar, no mesmo balanço, saldo de caixa suficiente à contabilização dos pagamentos, pois implicaria em se admitir que a disponibilidade retratada naquela peça é igualmente, fictícia. IRPJ - DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO - Não tendo sido demonstrado que dos reparos e substituição de partes resultou aumento da vida útil do bem prevista no ato de sua aquisição, por mais de um ano, é de admitir-se sua contabilização como despesa (Ac. CSRF/01-0.799, de 29 de abril de 1988). IRPJ - CONSERVAÇÃO DE BENS E INSTALAÇÕES - Gastos realizados com serviços de construção civil, pela sua natureza, caracterizam-se como benfeitorias, sendo, portanto, vedado o seu registro em conta de resultado. IRPJ - COMISSÕES - Não são dedutíveis as importâncias pagas ou creditadas a título de comissões, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento., IRPJ - SERVIÇOS DE PINTURA E LANTERNAGEM - Não comprovada a efetiva prestação de serviços, mantém a glosa dos valores registrados em conta de resultado. , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMPRESA GONTIJO DE TRANSPORTES LTDA. I MSR*18/03/93 • . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. :10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pela recorrente, vencido o Conselheiro Edson Vianna de Brito (Relator), e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação as importâncias de CZ$ 593.049,75; CZ$ 5.306.755,72; CZ$ 861.710,00; CZ$ 59.199.476,70; CZ$ 8.513.902,54; e NCZ$ 457.087,97, nos períodos-base de 1986, 1987, 1987; 1988, 1988 e 1989, respectivamente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que negou provimento nesta parte. Designado para redigir voto vencedor o Conselheiro Márcio Machado Caldeira, -,..00"7"Irear -RODRI -11-r3E–YR PRESIDENTE - 7ARCIO M—ACHADO CALDEIRA RELATOR DESIGNADO FORMALIZADO EM: 28 AGO 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ANTENOR DE BARROS LEITE FILHO, SILVIO GOMES CARDOZO, NEICYR DE ALMEIDA E VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. Ausente, justificadamente, a Conselheira SANDRA MARIA DIAS NUNE MSR*18.03/98 2 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 Recurso n°. : 115.289 Recorrente : EMPRESA GONTIJO DE TRANSPORTES LTDA. RELATÓRIO EMPRESA GONTIJO DE TRANSPORTES LTDA., empresa já qualificada na peça vestibular destes autos, recorre a este Conselho da decisão proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte-MG (fls.446/465), que manteve, em parte, o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração de fls. 1/12. 2. A exigência fiscal decorre da constatação das seguintes irregularidades: a) passivo fictício, caracterizado pela manutenção no passivo, conta "Fornecedores" de duplicatas pagas dentro do período-base e não baixadas e duplicatas constantes da relação de «Fornecedores" e não apresentadas; b) imobilizáções consideradas indevidamente como custos, relativas a serviços de retifica de motores e peças e conservação de bens e instalações; c) despesas indedutíveis correspondentes às importâncias declaradas como pagas, a título de comissões, que não foram comprovadas com documentação hábil e idónea, o efetivo pagamento, indicação da operação que deu origem, bem como a individualização do beneficiário; d) custos de serviços indedutiveis, correspondentes a valores an = • em custos de serviços, na conta "serviços de lantema1qç e pintura", 'nsiderados • j/11.5 - 15/05/98 1 3 ‘./.R MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 e) dedutíveis por falta de comprovação da efetiva contraprestação de serviços, após devidamente intimada. 3. O enquadramento legal que sustenta o lançamento está mencionado às fls. 13/19. 4. A contribuinte foi cientificada da exigência em 12 de março de 1992, conforme assinatura aposta à fl. 01, tendo apresentado, em 24 de abril de 1992, após a dilação de prazo (fls.398), impugnação de fls. 402/436, alegando: - preliminarmente, a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, relativamente ao ano-calendário de 1986, exercício financeiro de 1987; - em relação ao mérito, a contribuinte tenta demonstrar a inexistência de passivo fictício, relacionando diversas duplicatas, cujos pagamentos teriam sido efetuados nas datas ali mencionadas (fls.4051407), segundo correspondência de fornecedores e documentos anexados aos autos; - no que se refere às imobilizações consideradas indevidamente como custos, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: • De se observar que a base da autuação se assenta no artigo 193 do Regulamento do Imposto de Renda, que tem a seguinte redação: "art. 193 - O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a Cr$ 9.0000,00 (nove mil cruzeiros), ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano. : (---) A expressão "bens do ativo permanente "deve ser interpretada tend como perspectiva a utilidade funcion AUTONOMA de a bem, ou jms- 15/05/98 4 . . , • 1.:44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .0* Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 seja, a capacidade individual que cada bem ou coisa possui para satisfazer necessidades. Sob esta ótica, não pode ser considerado bem do ativo permanente e, como tal, imobilizável para futuras depreciações a aquisição, para substituição imediata de qualquer peça ou serviço necessário a manter os veículos em funcionamento, independentemente do seu valor, pelo fato de que se tomadas estas peças ou serviços, individualmente, nenhuma utilização proporcionariam. As peças e serviços adquiridos objetivaram a integrar um todo chamado veículo, este sim, bem do ativo permanente, que não teve sua vida útil aumentada em mais de um ano mas, tão-somente, obteve condições de uso e funcionamento após a aplicação daquelas peças e serviços. - Portanto, não é a hipótese prevista no artigo 193 a que se amolda ao caso em tela, mas aquela estampada no artigo 227 que assim está redigido: 'tad. 227 - Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantê-los em condições eficientes de operação? Como o próprio fiscal autuante pode constatar, que a impugnante mantém uma frota de centena de veículos que, por determinações das autoridades que fiscalizam o setor visando dar segurança ao público usuário, são constantemente revisados ocasionando substituição de peças e partes, mormente tendo-se em vista a precariedade das estradas pelas quais trafegam, sendo este último fato o de maior influência na ocorrência sistemática do desgaste dos veículos sem que uma devida e constante manutenção os impossibilite das mínimas condições de uso. Por tudo isto é a perfeita materialização da hipótese prevista no art. 227 os gastos com serviços de retifica de motores e peças o que toma ditos gastos dedutíveis como custo ou despesa operacional. Alerte-se, todavia, que, destes re• - , •- ais resultou aumento da vida útil_ dos veículos mas • e tão s• ente ftes proporcionou condições eficientes de op , ação. • jms - 15105198 5 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '- Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 Embora a prova do aumento da vida útil seja de competência do Senhor Fiscal ( que não a produziu, diga-se de passagem, é de saltar aos olhos de qualquer pessoa de bom senso que um veículo (ônibus lotado de passageiros) trafegando diutumamente num itinerário, digamos de Belo Horizonte - Natal, durante cinco anos, deve sofrer, durante este período, uma série de revisões, ajustes e retificas de motores e peças, sem os quais ele não trafegaria a metade de sua vida útil. G.) ... não procede a pretensão do Senhor Fiscal autuante em considerar como bens ativáveis gastos com serviços de retificas de motores e peças porque: - não se enquadram no conceito de "bens do ativo permanente( art. 193) os gastos com serviços de retifica de motores e peças e - referidos gastos se enquadram na hipótese do art. 227 do RIR/80 que admite como operacionais as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantê-los em condições eficientes de operação.' - de forma a corroborar suas argumentações a contribuinte faz menção à diversos acórdãos deste Conselho de Contribuintes; - No que respeita à glosa de despesas com comissões, a contribuinte aduz que referidos valores foram pagos aos bilheteiros como estímulo à venda das passagens, sendo praticamente impossível identificar nominalmente todos os beneficiários, embora legítima seja a despesa. Afirma ainda estar presentes os requisitos do art. 197 do RIR/80, quais sejam: a) operação ou a causa que deu origem aos rendimentos - venda de passagens, b) identificação do beneficiário - os bilheteiros. - por fim, no que se na, = • • sa de s de serviços de lanternagem e pintura, a contribuinte afirma: jms -15/05/98 ? t' L,44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .;:5;":1•1;:vi Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 " Aqui nesta fase, o Senhor Fiscal autuante age com extremo rigor, porque como pode se ver das intimações de folhas foi solicitado: as notas fiscais referentes às prestações dos serviços; o pagamento efetuado pelos mesmos; e a efetividade dos serviços prestados pelas empresas, ou seja a contraprestação dos serviços à que se reporta o Auto de Infração. Foi ao Senhor Fiscal autuante apresentadas as notas referentes aos serviços com perfeita identificação da natureza dos serviços prestados, a identificação do prestador dos serviços, documentos estes que obedeceram a todas as disposições comerciais e fiscais concernentes à sua emissão. • Os pagamentos foram comprovados, a este título não contesta o Senhor Agente a legitimidade das despesas. Senhor Fiscal goza de poderes para investigar junto aos prestadores se as notas foram emitidas com falsidade ideológica, portanto fraudulentas ou mesmo graciosamente. Acreditamos que diligências foram realizadas e não constatou-se a fraude pelo singelo fato de sua inexistência (da fraude). Como comprovar a efetividade de uma prestação de serviços de lanternagem e pintura que se incorporam definitivamente aos veículos dado à própria natureza destes serviços, passados anos após a sua prestação? (...) os serviços se revestem de todos os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, portanto, admitidos como custo ou despesa. E mais, os trabalhos de lanternagem e pintura guardam intimo nexo causal com a atividade principal da impugnante justificando com a máxima amplitude sua contrata*? 5. Em Informação Fis0--às f----I438/440, o autu te opinou pela manutenção integral do Auto ctinti•ação. • jms - 15/05/98 n-•..11.2 -"& MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 6. A decisão prolatada pela autoridade de primeira instância está assim ementada: "IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS - PESSOA JURÍDICA DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS - É exigência da Lei que as despesas sejam registradas na escrituração contábil, devendo ser devidamente identificadas, quer sob os aspectos formais (notas fiscais, recibos, etc.), quer sob os aspectos intrínsecos (identificação da operação, efetividade da prestação do serviço e do respectivo pagamento). As despesas operacionais são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506/64, art. 47, § 2°). • custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior ao previsto na legislação de regência, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 15). A comprovação da despesa, qualquer que seja sua natureza, há de ser feita com os documentos de praxe, isto é, recibos, notas fiscais, canhotos de passagem etc., desde que a lei não imponha forma especial. OMISSÃO DE RECEITA - A manutenção no passivo de obrigações já pagas autoriza a presunção de omissão do registro de receita. AÇÃO FISCAL PARCIALMENTE PROCEDENTE.' 7. Em suas razões de decidir, a digna autoridade julgadora de primeira instância, após afastar a preliminar de decadência, com fundamento no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, acatou parte das provas apresentadas pela contribuinte, relativamente à omissão de receitas, caracterizada pela existência de passivo fictício, e à glosa de despesas com lanternagem e pintura. Foi afastada também a cobrança da TRD, no período de feve:ro a julh de 1991, com funda .n I. nas disposições contidas na IN SRF n° v97 jms - 15/05/98 8 i .'. . - -.....: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 1 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 8. Cientificada do teor da Decisão em 04/07/97 (AR às fls.468), a contribuinte apresentou o recurso de fls. 470/537, •rotocolado em 23/07/97, no qual reitera os argumentos contidos na peça imp •• natória. __....,— É o Relatór &i , _ , , _ • _hm_ 15/05/98 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • +4;4, Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 VOTO VENCIDO Conselheiro EDSON VIANNA DE BRITO, Relator O recurso foi interposto com fundamento no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 5 de março de 1972, observado o prazo ali previsto. Assim, presentes os requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINAR A contribuinte em seu recurso argüiu a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao período-base encerrado em 31/12/86. O Auto de Infração foi lavrado em 12/03/92. No âmbito deste Conselho de Contribuintes a questão relativa ao prazo máximo para se proceder ao lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica tem sido objeto de intensas discussões, havendo posições divergentes a respeito. Em julgados anteriores, manifestei o entendimento de que o imposto de renda é um daqueles tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação. Em assim sendo, o prazo decadencial seria aquele previsto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa linha de entendimento encontramos o Acórdão n° 101-91.373, de 17 de setembro de 1997, que está assim ementado: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - Estabelecendo a lei o pagamento do tributo sem o prévio exame da autoridade administrativa e considerando que a entrega da declaração de rendimentos, por si só, não configura lançamento - ato administrativo obrigatório e vinculado que deve ser praticado pela autoridade administrativa, o lançamento Ido imposto de renda das pessoas jurídicas é do tipo e uído no artigo - jms - 15/05/98 10 : . • dr, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •• Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 150 do Código Tributário Nacional, tendo o prazo decadencial fixado no parágrafo quarto do referido dispositivo legal." Em face do exposto, acolho a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte, relativamente à exigência do período-base encerrado em 1986. Vencido, na preliminar, passo ao exame do mérito, em sua totalidade. OMISSÃO DE RECEITAS - PASSIVO FICTÍCIO Em relação a este item, restou sem comprovação, nesta fase recursal, o montante de Cz$ 86.560,31, conforme mencionado pela autoridade julgadora às fls. 456. A contribuinte alegou em seu recurso que os pagamentos dos títulos correspondentes foram registrados indevidamente no ano de 1987, e que o saldo da conta caixa, no final do ano de 1986, era suficiente para suportar o pagamento de tais duplicatas. Em se tratando de presunção legal - art. 180 do RIR/80 -, cabe ao contribuinte o ônus de provar a improcedência da exigência tributária, em não o fazendo, deve ser mantido lançamento. Pela leitura da decisão singular, verifica-se que a autoridade julgadora de primeira instância examinou minuciosamente as provas apresentadas pela contribuinte, tendo demonstrado de forma clara e inequívoca que as duplicatas haviam sido pagas no ano de 1986. Não há dúvidas, pois, da caracterização da hipótese contida no art. 180 do RIR/80, razão pela qual deve ser mantida a exigência neste particular. Ressalte-se que o argumento apresentado pela contribuinte de que o saldo de caixa no ano de 1986 era suficiente para-supo - • pagamento dos títulos não pode ser aceito, uma vez qu plicaria - se admitir que jins - 15/05198 11 • , -1.244 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 aquele saldo também era fictício. Este o entendimento manifestado no Acórdão n° 101- 78.215/88, que está assim ementado: "PASSIVO NÃO COMPROVADO - Obrigações' já liquidadas mas que constam no passivo circulante da pessoa jurídica geram a presunção de omissão de receita, não servindo de prova de sua inocontncia o fato de o contribuinte apresentar, no mesmo balanço, saldo de caixa suficiente à contabilização dos pagamentos, pois implicaria em se admitir que a disponibilidade retratada naquela peça é igualmente fictícia? IMOBILIZAÇÕES CONSIDERADAS INDEVIDAMENTE COMO CUSTOS A infração está assim caracterizada no Auto de Infração (As. 14) "Pelo lançamento indevido como custos do exercício de valores que deveriam ser imobilizados, nas rubricas Serviços de Retifica de Motores e Peças e Conservação de Bens e Instalações, conforme Quadros Demonstrativos anexos (...) Enquadramento Legal: art. 157, 193, 387, 1, do RIR/80, aprovado pelo Dec.85450/80 • Retifica de Motores Em relação aos gastos efetuados com retificas de motores, entendo que a norma legal aplicável é aquela contida no art. 227 do RIR/80, que está assim redigido: "Art. 227 - Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantê-los em condições eficientes de operação ( Lei n° 4.506/64, art. 48). Parágrafo único - Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspon ntes, qu à aquele jms - 15/05/98 12 , , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras ( Lei n° 4.506/64, art. 48, § único)? A autoridade julgadora assim também entendeu ao combinar a norma contida no art. 193 com aquela prevista no art. 227 do RIR/80, objetivando manter o lançamento do tributo. A utilização de bens e instalações requer a realização periódica de gastos objetivando mantê-los em condições eficientes de uso. Em razão desse fato, e dada as dificuldades que o intérprete poderia ter para classificar tais gastos - despesas ou aplicação de capital -, o legislador estabeleceu um critério - parágrafo único do art. 227 do RIRMO -, pelo qual havendo aumento de vida útil do bem prevista no ato de sua aquisição, em período superior a um ano, tais gastos deveriam ser ativados, para posterior depreciação. Do dispositivo acima transcrito verifica-se - caput do art. 227 do RIRMO -que a regra a ser observada é aquela relativa ao registro como custo ou despesa dos gastos realizados com reparos e conservação, o que implica dizer que a sua glosa pela fiscalização está condicionada a que esta demonstre de forma clara e objetiva o aumento da vida útil do bem prevista no ato da aquisição, objeto do reparo ou conservação, em período superior a um ano. Nos autos não há qualquer informação ou demonstração a respeito, que permitam afirmar a ocorrência da condição estabelecida no citado dispositivo legal, razão pela qual entendo que deva ser afastada a exigência fiscal, relativa a este item. Nesse sentido, aliás, é a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante se vê da ementa do Acórdão n° CSRF/01-0.799,- 29 de abril de 1988. jms - 15/05/98 13 10), 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 "IRPJ - REPAROS E SUBSTITUIÇÃO DE PARTES - ART. 227 DO RIR/80 - Não tendo sido demonstrado que dos reparos e substituição de partes resultou aumento da vida útil do bem prevista no ato de sua aquisição, por mais de um ano, é de admitir-se sua contabilização como despesa? Conservação de Bens e Instalações No que respeita a este item, verifica-se, pelo exames das diversas notas fiscais anexadas aos autos, que os gastos realizados referem-se a serviços de construção civil, tendo sido utilizados materiais diversos de construção civil como por exemplo, tijolos, telhas, areia, pedra, materiais elétricos e hidraúlicos, divisórias, etc, Tais gastos, pela sua natureza, caracterizam-se como benfeitorias, necessárias ao desenvolvimento da atividade da empresa, e não como simples gastos com conservação de bens e instalações como referido pela contribuinte. O mesmo se diga em relação a gastos realizados com reforma de carroceria. Entendo, pois, que deva ser mantida a exigência relativa a este item. Despesas Indedutíveis A exigência fiscal decorre da glosa de despesas com comissões, tendo em vista a falta de comprovação do efetivo pagamento, da indicação da operação que deu origem a tais pagamentos, bem como a individualização do beneficiário. A autuação está fundamentada nos arts. 191 e 197 do RI RISO. Os comprovantes apresentados pela contribuinte, em decorrência da Intimação de fls. 52, de forma a demonstrar a efetividade daqueles valores estão anexados às fls. 53/57 - cópias do razão analítico nos quais encontram-se discriminados, data a data, o valor da comissão paga e a ag cia correspon ente. jms - 15/05/98 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA "Y,P -1 4C PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,• • Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 O art. 197 do RIR/80 está assim redigido: "Art. 197 - Não são dedutíveis as importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento ( Lei n° 3.470/58, art. 2°)." Para efeito de determinação do lucro real - base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas - a dedutibilidade de uma despesa está condicionada a que a mesma seja necessária, usual e normal no tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica ( art. 191 do RIR/80). A verificação de tais requisitos só é possível mediante o exame dos documentos que lastrearam a operação. Ademais, segundo o art. 174, § 1°, do RIR/80, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O que implica dizer que o registro contábil sem qualquer documento emitido por terceiros não é meio de prova. Se considerarmos a atividade exercida pela contribuinte - "Transporte Rodoviário de Passageiros" - poder-se-ia admitir que as comissões atribuídas às diversas agências eram decorrentes da venda de bilhetes de passagens. A alegação da contribuinte é nesse sentido. A fiscalização do INSS também entendeu desse modo (fl. 513). Todavia, nos autos, não há qualquer documento que demonstre de forma inequívoca os fatos que motivaram o pagamento daquelas importâncias_a_título de comissões. Também não há a individualização do ber ;ficiário d rendimento. jms - 15/05/98 15 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 Assim, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, tais gastos por não atenderem aos requisitos estabelecidos em lei - art. 197- não são passíveis de dedutibilidade. Em suma, deve ser mantida a exigência neste particular. Custos de Serviços Indedutíveis Este item diz respeito a glosa de valores lançados em Custos de Serviços, na conta 'Serviços de Lanternagem e Pintura", considerados indedutíveis por falta de comprovação da efetiva contraprestação de serviços. Pelo Termo de fls. 25/29 a contribuinte foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços contidos nas notas fiscais ali relacionadas. A autoridade de primeira instância, após examinar os documentos apresentados pela contribuinte, entendeu por comprovado diversos valores - relacionados às fls. 461, tendo assim se manifestado a respeito do assunto: "Conforme anteriormente já expusemos no item anterior, ex vi do art. 191 do RIR/80, interpretado pelo Parecer CST n° 32/81, "o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Por outro lado, as despesas devem ser identificadas, quer sob os aspectos formais (notas fiscais, recibos, etc), quer sob os aspectos intrínsecos (identificação da operação, efetividade da prestação do serviço e do respectivo pagamento). É evidente que os gastos efetuados a título de lanternagem e pintura dos veículos componentes da frota do contribuinte perfazem os requisitos estipulados no Parecer CaST n° 32/81. Lo , havendo • jms - 15/05/98 16 . . • L.44 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,4t P2- •n.,g PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 comprovação dos mesmos através de documentos idôneos, como, por exemplo, notas fiscais, devem as glosas serem consideradas como improcedentes." Não obstante algumas notas fiscais terem sido emitidas por empresa estabelecida em Petrolina-Pernambuco - Piepo Pintura e Polimentos Ltda., ou terem sua numeração seqüencial, como se tais empresas não prestassem serviços a outras empresas, ou ainda, não haver sido comprovado o pagamento dos serviços através de cheques e extratos bancários, e, mais, intimada a contribuinte não ter comprovado a efetividade da prestação de serviços - pedidos, orçamentos, fichas de controle do imobilizado, boletim de ocorrência, no caso de batidas ou acidentes com veículos, etc. -, verifica-se que a autoridade singular entendeu que a apresentação mera e simples das notas fiscais afastaria a glosa das despesa, tendo por consegüinte excluído da base tributável os valores indicados na referida decisão. Observe-se, por pertinente, que a matéria litigiosa nesta fase recursal refere-se ao saldo remanescente do crédito tributário calculado sobre os valores glosados relativos aos serviços de pintura e lanternagem. Assim, a este Colegiado compete apreciar os elementos de prova contidos nos autos, elementos esses apresentados pela fiscalização e pelo contribuinte, para, daí, extrair a sua conclusão a respeito dos fatos. A recorrente, em seu recurso, anexou as notas fiscais de fls. 484/495, anteriormente não apresentadas, bem como fez menção a um equívoco cometido pela autoridade julgadora, ao proceder a soma de diversas notas fiscais, cujos valores foram excluídos da base de_c.ál • • do tributo. Não foram resentados quaisquer outros elementos de stb-:/: jms - 15/05/98 17 t: 1.. 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 Não tenho dúvidas de que serviços de pintura, lanternagem e polimento de veículos são necessários, usuais e normais na atividade de uma empresa de transporte de passageiros. Causa espécie, no entanto, a existência de diversos fatos, sem qualquer justificativa lógica, como por exemplo: numeração seqüencial de notas fiscais (v. fls. 26/27) ou a emissão de notas fiscais no último dia no ano- calendário em valores elevados, quando comparados com as notas fiscais anteriores (v. fls. 482). Em situações desta espécie, tendo sido a empresa intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços, e não tendo feito, não vejo como acatar a sua pretensão. Em relação aos juros de mora foi aplicada a legislação pertinente a cada período, estando, portanto, correta a sua exigência. Entendo, pois, em face dos elementos de prova contidos nos autos, que a exigência remanescente - ressalte-se: relativa a matéria litigiosa nesta esfera recursal - deve ser mantida. Em face do exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário interposto, para excluir da matéria submetida a incidência do imposto de renda da pessoa jurídica as importâncias de Cz$ 593 ; 049,75 ( PB: 1986), Cz$ 5.306.755,72 ( PB: 1987), Cz$ 861.710,00 (PB: 1987), Cz$ 59.199.476,70 (PB: 1988), Cz$ 8.513.902,54 (PB: 1988) e Ncz$ 457.087,97 (PB: 1989). Sala das Sessões - DF, em 12 de m io de 1998 D SO IANNA D ' 13RITio • jms - 15/05/98 8 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '5; Processo n°. :10680.001805/92-69 Acórdão n°. :103-19.368 VOTO VENCEDOR Conselheiro MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, Relator Designado O recurso é tempestivo e foi conhecido na sessão de julgamento, conforme explicitado pelo ilustre relator Dr. Edson Vianna de Brito. Das matérias objeto de exame por esta Câmara, discordei do relator apenas na preliminar de decadência, acompanhando a conclusão das demais controvérsias, muito bem examinadas em seu voto. Dentre as posições divergentes neste Colegiada, sempre me manifestei no sentido de que o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica é um lançamento por declaração. Em assim sendo, o prazo decadencial, de cinco anos, é contado a partir do lançamento primitivo ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o mesmo poderia ter sido efetuado, se aquele ocorrer após esta data. Este entendimento foi pacificado na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que por unanimidade de votos dos seus membros, considerou este tipo de lançamento como por declaração, no Acórdão n° CSRF/01-1.945. Esta decisão restou com a seguinte ementa: "DECADÊNCIA - IRPJ - O direito do fisco constituir o crédito tributário, decai após cinco anos contados da notificação de lançamento primitivo. Portanto, não há que se falar em decadência, quando a entrega da declaração correspondente ao exercício financeiro mais antigo, deu-se em 28/02/85, e o auto de infração foi lavrado em 15/02/90." , Desta forma, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, voto pelo provimento parcial do recurso p a excluir da tributação do IRPJ 7 MSR•18n08/E6 19 • . K. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ne1 Processo n°. :10680.001805/92-69 Acórdão n°. : 103-19.368 as importâncias de Cz$ 593.049,75 (período-base de 1986), Cz$ 5.306.755,72 (período-base de 1987), Cz$ 861.710,00 (período-base de 1987), Cz$ 59.199.476,70 (período-base de 1988) e NCz$ 457.087.97 (período-base de 1989). Sala das Sessões - DF, em 12 de maio de 1998 CIO MACHADO CALDEIRA4 v4 MSR*18A803 20 Page 1 _0018700.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.000957/2001-97
Turma: Primeira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Nov 29 00:00:00 UTC 2004
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – COFINS DECADÊNCIA - A contribuição social sobre o lucro líquido e COFINS, “ex vi” do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n 146, III, “b” da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar específica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/01-05.131
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, José Ribamar Barros Penha, Marcos Vinicius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: José Clóvis Alves

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Sessão de : 29 de dezembro de 2.004 Acórdão n° : CS RF/01-05.131 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — COFINS DECADÊNCIA - A contribuição social sobre o lucro líquido e COFINS, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, ambos da C.F., e, ainda, em face de reiterados pronunciamentos da Suprema Corte, tem caráter tributário. Assim, em face do disposto nos arts. n° 146, III, "h" , da Carta Magna de 1988, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar específica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio de Freitas Dutra, José Ribamar Barros Penha, Marcos Vinicius Neder de Lima, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE L•V AL S ELATOR rcs Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 FORMALIZADO EM: 31 JAN 2005 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA (Suplente convocado), CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA (Suplente convocado), LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN e JOSÉ HENRIQUE LONGO. Ausentes justificadamente os Conselheiros MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. d_.;,2,-, i( í Of 1, 2 i Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Recurso n.° :103-129.013 1 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : BAVE LTDA. RELATÓRIO Trata o presente de recurso especial de divergência apresentado pelo Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão 103-20.988 de 11 de julho de 2.002. A câmara recorrida, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência da CSL, nos períodos de apuração encerrados de 31/12/1992 a 30/09/1.994, cuja ciência do lançamento se deu em 24 de janeiro de 2.001. Inconformado com o provimento o PFN com fulcro no artigo 5° inciso II do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF 58/98, interpôs recurso especial de divergência, argumentando, em epítome, o seguinte. Não cabe ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar o art. 45 da Lei n° 8.212/91 eis que estaria decretando sua inconstitucionalidade. O acórdão recorrido fundamentou a alegada nulidade do lançamento por suposto conflito entre o art. 45 da Lei 8.212/91 e o art. 146 da CF, e o art. 150 § 4° do CTN. Cita jurisprudência e traz como paradigma o Acórdão n° 105-13.111 de 14 de março de 2.000. Diz que o artigo 22 "A", do Regimento Interno da CSRF com redação dada pela Portaria 103/2022, veda a apreciação de constitucionalidade de norma legal. Tal mandamento tem supedâneo no artigo 77 da Lei 9.430/96. Concorda que é dever da administração pública guardar e preservar a Constituição Federal de 1988, inclusive dispensando tributo cuja lei que o fundamente seja inconstitucional. Porém, tal dever somente pode ser exercido nos limites do artigo 77 da Lei n° 9.430/96, pois essa Lei somente será inconstitucional se o C. Supremo Tribunal Federal assim decidir que o é. Diz que os Tribunais vêm declarando a constitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91. Diz que afastar a aplicabilidade de lei significa declarar sua n inconstitucionalidade. , _.---r 3 . ‘ - Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Diz que o artigo 45 da Lei 8.212/91 é constitucional por ser norma especial frente ao art. 150 § 40 do CTN, e como este mesmo diploma admite a edição de normas específicas sobre o prazo decadencial, inexiste qualquer conflito entre essas disposições. Conclui que a norma específica se sobrepõe à norma geral, nos termos do art. 2°, § 2° da Lei de Introdução ao Código Civil. Cita doutrina de Roque Antônio Carrazza, sobre contribuições previdenciárias. O prazo decadencial refere-se ao lançamento das contribuições destinadas à seguridade social, destinação essa que independe da natureza do sujeito ativo da obrigação, assim não pode prosperar o argumento de que a lei 8.212 é destinada apenas às contribuições administradas pelo INSSS. Argumenta finalmente o procurador que o prazo para a Fazenda Pública realizar o lançamento é de 10 anos conforme artigo 45 da Lei n°8.212/91, visto não se aplicar o artigo 150 § 4° do CTN. Pede o provimento do recurso para que se declare nulo o acórdão recorrido, que extrapolou a competência reservada ao colegiado administrativo ao julgar inconstitucional o artigo 45 da Lei 8.212/91, e caso seja superada a preliminar que seja afastada a decadência apontada uma vez que o prazo de lançamento é de n dez anos. ,,, Através do despacho 103-102/04, fls. 449/452, o presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso especial da PFN tanto em relação à preliminar quanto ao mérito. Os autos foram remetidos à repartição de origem, cientificada a empresa apresentou contra-razões ao apelo especial apresentado pelo PFN, onde rebate os argumentos apresentados pelo recorrente e pede a manutenção do aresto vergastado. É o relatório. O . , , _ 4 Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 VOTO Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Relator. O recurso é tempestivo e teve seu seguimento deferido. Analisando os autos verifico que o PFN cumpriu o dispositivo regimental previsto o artigo 5° inciso I. Antes de adentrarmos ao mérito necessário se faz enfrentar as preliminares apresentadas, tanto pelo PFN como pelo contribuinte, QUANTO À PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO O PFN em seu recurso pede inicialmente que se declare nula a decisão da 3a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes fundado no argumento de que não poderia examinar a constitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, conforme vedação contida nos regimentos da CSRF e dos CC. Vejamos o que diz a legislação processual em relação às nulidades. Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59 - São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1 0 - A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 5 Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 § 2° - Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° - Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Pela simples leitura da legislação processual artigo 59 inciso II do Decreto 70.235/72, podemos perceber que as únicas causas de nulidade são: a incompetência da autoridade julgadora ou a preterição do direito de defesa. Conforme examinaremos no mérito, não houve a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, pois não se discute a incompetência de qualquer Poder que não o Judiciário para declarar, "em tese", a inconstitucionalidade de norma legal. A questão da nulidade argüida não encontra respaldo na legislação processual, pelo que rejeito a preliminar apresentada. MÉRITO Entendo não haver razão ao recorrente, é que sendo a decadência, por força do artigo 146 inciso III letra "h" da Constituição Federal de 1988, matéria de reservada à Lei Complementar, somente lei de igual hierarquia poderia alterar os conceitos existentes na Lei n° 5.172/66, CTN. O acórdão simplesmente aplicou a Lei Complementar em detrimento de uma norma legal inferior que com ela se conflitou. Entendo também que o § 4° do artigo 150 do CTN quando diz "se a lei não dispuser de forma diversa", está se referindo a outra lei complementar, pois se assim não for entendido estaríamos diante da situação na qual o legislador complementar contrariaria o constitucional, pois quis esse último reservar determinadas matérias à Lei Complementar que tem quorum privilegiado. 6 Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Sobre a matéria vale transcrever voto do iminente conselheiro Natanael Martins no Acórdão n° 107-06.455 de 08 de novembro de 2.001, o qual adoto como razão de decidir a matéria de decadência da CSL. "A questão ora sob exame resulta de lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Inicialmente, deve ser apreciada a preliminar de decadência argüida pela contribuinte, a qual tem relevância fundamental no julgamento deste processo, sendo certo que a natureza jurídica do lançamento da contribuição social sobre o lucro, pelas suas próprias características é, em tudo e por tudo, idêntica à do IRPJ, pelo que tomo a liberdade de me reportar ao que sobre o assunto já tive a oportunidade de escrever: . "A questão da natureza jurídica do lançamento do imposto de renda das pessoas jurídicas no âmbito do 1° Conselho de Contribuintes ainda é acirrada, podendo no entanto afirmar-se que a corrente pelo menos até hoje majoritária entende tratar-se de um lançamento por declaração. Não é o que pensamos e o que passaremos a demonstrar, obviamente deixando de lado as críticas que a doutrina faz relativamente aos tipos de lançamentos descritos no CTN, dado não ser este o escopo de nosso trabalho. Com efeito, o Código Tributário Nacional, instituído pela Lei 5172/66, recepcionado com eficácia de lei complementar, como é cediço, disciplina as normas gerais em matéria tributária, inclusive no concernente aos tipos de lançamento e aos prazos em matéria de decadência e prescrição. No que se refere à decadência, genericamente, estabelece o art. 173 do CTN: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I. do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II. da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. 7 Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento". Por outro lado, de forma totalmente assistemática, na disciplina do denominado lançamento por homologação, estabeleceu-se no art. 150, § 4°, do CTN: "Art 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4' Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação" Ou seja, enquanto que, regra geral, o prazo decadencial de cinco anos começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado (CNT, art. 173, I), sendo lícito, portanto, afirmar-se que o prazo, contado da ocorrência do fato gerador, não é propriamente de cinco anos, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador sendo o prazo, neste caso, propriamente de cinco anos. Lançamento por homologação, na definição do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operando-se pelo ato em que referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Pois bem, relativamente ao imposto de renda das pessoas jurídicas, muito se discutiu e ainda hoje se discute, sobre a natureza jurídica do lançamento que o corporifica, havendo aqueles que o julgam como um tributo sujeito a lançamento por declaração ou misto, outros, mais 8 Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CS RF/01-05.131 recentemente, defendendo que a sua natureza, hoje, seria a de lançamento por homologação. Alberto Xavier, em sua clássica obra Do lançamento, Editora Resenha Tributária, 1977, ferindo a questão, naquela oportunidade, defendeu a idéia de que o lançamento do imposto de renda não se traduz num caso de auto lançamento (ou lançamento por homologação), pela circunstância específica de que a fiscalização, no ato da entrega da declaração, examina o seu conteúdo, procedendo em face deste ao lançamento e, no próprio momento, notifica o contribuinte do imposto que lhe foi lançado. Daí conclui Alberto Xavier: "Ora, na hipótese em apreço não se verifica um pagamento prévio ou antecipação do imposto, mas sim um verdadeiro lançamento com base na declaração, regido pelos arts. 147 e 149 do Código Tributário Nacional, com a única particularidade de o ato administrativo de lançamento ser praticado no próprio ato da entrega da declaração e não no momento posterior do procedimento tributário". (pg. 80). Entretanto, se naquela ocasião podíamos compartilhar da opinião de Alberto Xavier, após o advento do Decreto-lei 1967/82 (e, com maior razão, ainda, a vista das Leis 8383/91, 8541/92, 8981/93 e 9249/95), passamos a pensar de forma diversa. Com efeito, com a edição do Decreto-lei 1967/82, desvinculou-se o prazo do pagamento do imposto com a entrega da declaração de rendimentos não havendo mais, pois, o prévio exame da autoridade administrativa. Se mais não bastasse, com a descentralização da entrega da declaração de rendimento, não se pode alegar, em absoluto, estar havendo exame do lançamento pela autoridade administrativa, pois o simples carimbo aposto pelo estabelecimento receptor da declaração (que, aliás, pode ser uma instituição financeira), à evidência, não pode ser considerado notificação de lançamento nos termos preconizados no art. 142 do CTN. Logo, o contribuinte recolhe (está obrigado) as parcelas do imposto devido sem que tenha ocorrido qualquer manifestação da autoridade administrativa. Ademais, grande parte do imposto já deve ser recolhido antes da própria entrega da declaração de rendimentos sob a forma de antecipações, duodécimos ou recolhimentos estimados (calculável com base em lucro presumido) na linguagem atual. Não há dúvida, pois, ser o IRPJ um tributo sujeito a lançamento por homologação. A declaração do imposto de renda, hoje, representa o cumprimento de um dever meramente instrumental do contribuinte perante a Fazenda 9 Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Pública, constituindo-se, além disso, por força das normas que a disciplina, do ponto de visto jurídico, confissão de dívida quanto ao crédito tributário porventura indicado ou, quanto ao resultado negativo nela quantificado, o direito de crédito (abatimento) do contribuinte. Nessa linha de raciocínio, a Fazenda Nacional deve verificar a atividade do contribuinte, homologando-a dentro do prazo de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, findo o qual considera-se-ã, de forma tácita, homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito a ele correspondente, decaindo, portanto, o direito de a Fazenda corrigir ou lançar "ex officio" (via auto de infração) o tributo anteriormente não pago, sendo inaplicável à espécie a regra do art. 173, I, do CTN ou a disciplinada no § 2° do art. 711 do RIR/80, aliás não reproduzida no atual RIR/94. Paulo de Barros Carvalho, a esse propósito, é claro: "Prevê o Código o prazo de cinco anos para que se dê a caducidade do direito da Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nada obstante, fixa termos iniciais que dilatam por período maior o aludido prazo, uma vez que são posteriores ao acontecimento do fato jurídico tributário. O exposto já nos permite uma inferência: é incorreto mencionar prazo qüinqüenal de decadência, a não ser nos casos em que o lançamento não é da essência do tributo - hipóteses de lançamento por homologação - em que o marco inicial de contagem é a data do fato jurídico tributário" (Curso do Direito Tributário, Ed. Saraiva, 4a. Ed., pg. 311). Nem se diga que a regra de contagem, em eventuais casos de prejuízos fiscais não poderia ser a estabelecida no art. 150, § 4°, do CTN, mas sim a do art. 173, 1, ao argumento de que não teria havido nenhum pagamento (apurou-se prejuízo fiscal no período), não havendo, pois, o que homologar. A primeira vista esse argumento impressiona, "máxime" em face de decisões do Conselho de Contribuintes relativas a 1RF, que se consubstanciaria em hipótese de lançamento de ofício e não por homologação, regrado pelo art. 173, 1, do CTN, justamente porque, dizem, não havendo pagamento, nada há a ser homologado. (confira- se, v.g., Acórdão do 1° C.C. n° 101-83.005/92 - DOU de 07.01.94) Entretanto, o entendimento acima exposto, sufragado pelo Conselho de Contribuintes, em nada se assemelha ao tema que ora se debate, já que naquelas hipóteses (lançamento de oficio de 1RF) o contribuinte de fato não praticou nenhuma ação (atividade) tendente à quantificação do "quantum debeatur" sujeito a pagamento antecipado. f°9 io Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 É que em matéria de imposto de renda determinado em função do lucro (real ou presumido), os contribuintes, sempre e necessariamente, levam ao conhecimento da autoridade administrativa toda a atividade que exercem (procedimentos), tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido. Ora, o que se homologa não é propriamente o pagamento, mas sim toda a atividade procedimental desenvolvida pelo contribuinte. Souto Maior Borges, em sua magnífica obra sobre o Lançamento Tributário (volume 4 do Tratado de Direito Tributário Brasileiro, Forense, 1981), em diversas passagens, fere profundamente essa questão não deixando dúvidas sobre a matéria, valendo a pena transcrevê-las: "... o que se homologa não é um prévio ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo adentrada no procedimento de lançamento por homologação, não é ato de lançamento, mas pura e simplesmente a "atividade" do sujeito, tendente à satisfação do crédito tributário"... (fls. 432). "...Compete à autoridade administrativa, "ex vi" do art. 150, caput, homologar a atividade previamente exercida pelo sujeito passivo, atividade que em princípio implica, embora não necessariamente, em pagamento. E, o ato administrativo de homologação, na disciplina do C. T.N., identifica-se precisamente com o lançamento (art. 150, caput)". (fls. 440/441), Mais adiante, dando fecho a sua conclusão, assevera o Mestre Pernambucano: "...Consequentemente, a tecnologia contemplada no C. T. N. é, sob esse aspecto, feliz: homologa-se a "atividade" do sujeito passivo, não necessariamente o pagamento do tributo. O objeto da homologação não será então necessariamente o pagamento". (fls. 445) Aliás, a interpretação de que o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento realizado é a única possível, sob pena de nulificar todas as regras insertas no art. 150 e §§ do CTN, especialmente a do § 40. Com efeito, dizer-se que o que se homologa seria o pagamento (interpretação puramente literal do caput do art. 150 do CTN), com a devida vênia, significa nada dizer-se já que o pagamento, caso efetuado, sempre e necessariamente, seria 11 ,É;Í" Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 homologável. Noutras palavras, o legislador, à evidência, não quis dizer (e não disse) que homologável seria o pagamento do tributo (R$ 100,00, p.ex.), posto que o valor recolhido, qualquer que seja a sua grandeza, considerado em si mesmo, não diverge (R$ 100,00 são , sempre e necessariamente, R$ 100,00) sendo, pois, inexoravelmente homologável. Nesse diapasão, admitindo-se a tese de que homologável seria apenas o valor pago (atividade de pagamento), a regra inserta no § 4° do art. 150 do CTN, porque então não haveria sobre o que divergir, seria estúpida e absolutamente desnecessária, posto que não abrangeria as situações em que não tenha havido pagamento ou que, em tendo havido, o teria sido feito com insuficiência, não obstante toda a atividade procedimental exercida pelo contribuinte. Certamente que esta conclusão, por conduzir ao absurdo, não pode e não deve prevalecer. O intérprete e aplicador do direito, sobretudo o investido em funções judicantes, deve buscar, para além das palavras, o exato conteúdo normatizado. Ou nos afastamos do sentido puramente literal posto na lei ou, com a devida vênia, sem demérito aos ilustres filólogos e lexicográficos, se interpretar o direito significasse simplesmente colocar a norma jurídica à vista de conceitos postos em dicionários, parodiando Paulo de Barros Carvalho, "... seríamos forçados a admitir que os meramente alfabetizados, quem sabe com o auxilio de um dicionário de tecnologia jurídica, estariam credenciados a descobrir as substâncias das ordens legisladas, explicitando as proporções do significado da lei. O reconhecimento de tal possibilidade roubaria à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário, ministrado nas Faculdades, a um esforço estéril, sem expressão a sentido prático de existência. Daí por que o texto escrito, na singela conjugação de seus símbolos, não pode ser mais que a porta de entrada para o processo de apreensão da vontade da lei; jamais confundida com a intenção do legislador. O jurista, que nada mais é do que o lógico, o semântico e o pragmático da linguagem do direito, há de debruçar-se sobre os textos, quantas vezes obscuros, contraditórios, penetrados de erros e imperfeições terminológicas, para captar a essência dos institutos, surpreendendo, com nitidez, a função da regra, no implexo quadro normativo. E, à luz dos princípios capitais, que no campo tributário se situam no nível da Constituição, passa a receber a plenitude do comando expedido pelo legislador, livre de seus defeitos e apto para produzir as conseqüências que lhe são peculiares. (Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva,4a. edição, pgs. 81/82). ir) cr; 12 Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Carlos Maximiliano, mestre dos mestres na arte da hermenêutica e interpretação do direito, a propósito da matéria preleciona: "... nunca será demais insistir sobre a crescente desvalia do processo filológico, incomparavelmente inferior ao sistemático e ao que invoca os fatores sociais, ou do Direito comparado. Sobre o pórtico dos Tribunais conviria inscrever o aforismo de Celso ...: "saber as leis é conhecer-lhes, não as palavras, mas a força e o poder", isto é, o sentido e o alcance respectivo. (Hermenêutica e Aplicação do Direito, Ed. Forense, 9a edição, pg. 122). Mais adiante, já tratando do processo sistemático de interpretação, Carlos Maximiliano dá a pedra de toque à sua lição: "Consiste o Processo sistemático em comparar o dispositivo sujeito a exegese, com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto. Não se encontra um princípio isolado, em ciência alguma, acha-se cada um em conexão íntima com outros... Cada preceito, portanto, é membro de um grande todo; por isso do exame em conjunto resulta bastante luz para o caso em apreço. Confronta-se a prescrição positiva com outra de que proveio, ou que da mesma emanaram; verifica-se o nexo entre a regra e a exceção, entre o geral e o particular, e deste modo se obtem esclarecimentos preciosos. O preceito, assim submetido a exame, longe de perder a própria individualidade, adquire realce maior, talvez inesperado. Com esse trabalho de síntese é melhor compreendido. O hermeneuta eleva o olhar, dos casos especiais para os princípios dirigentes a que eles se acham submetidos; indaga se, obedecendo a uma, não viola outra; inquire das conseqüências possíveis de cada exegese isolada. Assim contempladas do alto os fenômenos jurídicos, melhor se verifica o sentido de cada vocábulo, bem como se um dispositivo deve ser tomado na acepção ampla, ou na estrita, como preceito comum, ou especial. (ob. cit., pgs. 128/129) Ou seja, concluir se o pagamento ou não do tributo teria o condão de definir a natureza do lançamento do tributo e, consequentemente, o prazo de decadência a ele aplicável, impõe-se empreender não a busca de significado literal que os vocábulos postos nos textos legais possam ter, mas sim analizã -los à luz de todo o ordenamento jurídico- tributário par. omente após, chegar-se à correta conclusão. 13 /10 Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Ora, tendo-se presente consistir o lançamento um procedimento administrativo (atividade) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, etc (CTN, art. 142); tendo-se presente que nos tributos sujeitos ao pagamento sem o prévio exame da administração não existe, propriamente, o lançamento; tendo-se presente, por fim, que a administração pública, tomando por empréstimo toda a atividade exercida pelo contribuinte (não apenas o pagamento, que é eventual), tacitamente a homologa, evidentemente que o pagamento do tributo não é fator fundamental, senão para a simples conferência se o "quantum" apurado "casa" com o "quantum" recolhido. Fundamental, isto sim, é toda atividade exercida pelo contribuinte levada a conhecimento da autoridade administrativa, este sim objeto da homologação. O pagamento, assim, por si só, não tem o condão de definir a modalidade de lançamento a que o tributo se sujeita, sob pena de se ter de assumir que esta poderia ser dupla, conforme houvesse ou não o pagamento. Enfim, por essas razões, entendemos que o lançamento de IRPJ é por homologação, devendo a contagem de prazo decadencial, portanto, ser feita em conformidade com a regra prescrita no artigo 150, § 4 0, do CTN" (Revista Dialética de Direito Tributário n° 26 — p. 61/66). Com efeito, a contribuição social sobre o lucro, "ex vi" do disposto no art. 149, c.c. art. 195, todos da Constituição Federal e, ainda, em face das reiteradas decisões da Suprema Corte, indiscutivelmente, tem caráter tributário e, assim, deve seguir as regras inerentes aos tributos, no que não colidir com as constitucionais que lhe forem específicas. Nesse contexto, em vista do disposto no art. n° 146, III, "b", da Constituição Federal, a decadência do direito de lançar as contribuições sociais deve ser disciplinada em lei complementar. À falta de lei complementar específica dispondo sobre a matéria, ou de lei anterior recebida pela Constituição, a Fazenda Pública deve seguir as regras de caducidade previstas no Código Tributário Nacional. A E. Oitava Câmara deste Conselho de Contribuintes, em sessão de 16/07/98, ao apreciar matéria idêntica, no mesmo sentido, decidiu pelo acolhimento da preliminar de decadência, nos termos do Acórdão n° 108-05.255, assim ementado: {- 7 14 Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 "IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social Sobre o Lucro (CSSL) são tributos cujas legislações atribuem ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se, portanto, à sistemática de lançamento impropriamente denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173 do CTN) para encontrar respaldo no § 4° do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador."" Sobre a possibilidade de que a câmara recorrida estaria declarando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91. Aos julgadores administrativos cabe apreciar fatos concretos, diante de provas trazidas aos autos pelas partes, interpretar a legislação aplicada aos fatos, e decidir conforme sua livre convicção. Ora, a análise da legislação, quando pareça ao julgador estar diante da aplicação de duas legislações ao mesmo fato concreto, deve iniciar-se pela lei maior, ou seja, a Constituição e aplicar aquela que esteja em consonância com a Carta Magna. Impedir que o julgador analise a legislação partindo da lei maior, implicaria em não haver julgamento quanto à correta aplicação da lei no lançamento tributário, ficaria o julgador somente com a apreciação das provas trazidas aos autos. Ora nenhuma a câmara decidiu pela inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/95, mas simplesmente aplicou a lei maior, por entender inaplicável tal dispositivo ao caso concreto. Na realidade o artigo 45 da Lei 8.212/91 entrou em conflito com os artigos 150 § 4° e 173 do CTN, e de forma reflexa ou indireta com o artigo 146 da Constituição Federal de 1.988. Dar validade à norma contida no artigo 45 da lei 8.212 64, 15 Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 seria negar validade às normas contidas nos citados artigos do CTN. Ou seja o julgador se sente obrigado a fazer uma escolha e no caso a opção necessariamente deve ser pela norma geral, pois se aceitar o prazo de 10 anos contido em lei ordinária também terá que aceitar se o mesmo fosse fixado em 30, 50 ou 200 anos. Embora seja relativamente nova a lei 8.212/91, o Judiciário já teve oportunidade de apreciar a constitucionalidade do seu artigo 45, através do Tribunal Regional Federal da 4a Região que na AI n° 2000.04.01.092228-3/PR, assim pronunciou o Juiz Relator: "O art. 46, III, b, da Constituição Federal dispõe que 'Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários'. O prazo decadencial das contribuições sociais destinadas à seguridade social, considerando sua natureza tributária, também se submete a essa norma constitucional, o que equivale a dizer que a decadência do direito relativo à contribuições previdenciárias deve obedecer o prazo estabelecido no art. 173, por ser este lei complementar, assim recepcionados pela CF/88. Nesse sentido o entendimento do Supremo Tribunal Federal, in verbis: 'A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146,1I1,b). Quer dizer os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art. 146, III, b, art. 149). (STF, Plenário, RE 148754-2/RJ, excerto do voto Min. Carlos Velloso, jun. 93). Se assim é, então o art. 45 da Lei n° 8.212/91 — que prevê o prazo de 10 anos para que a Seguridade Social apure a e Constitua seus créditos — padece de inegável vício de constitucionalidade formal, pois 'cabe à lei complementar (e não à lei ordinária, insisto), estabelecer normas gerais, em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (CF, art. 146, III, b). E a regra contida no artigo 173 do CTN, que trata de decadência tributária, pois derrogada pelo mencionado art. 45 da Lei n° 8.212/91 é incontestavelmente norma geral em matéria tributária, conforme assinala Sacha Calmon Navarro Coelho, em seus Comentários à Constituição de 1988 — Sistema Tributário, `in verbis: Realmente, vale observar, o Livro II do CTN, que inicia com o art. 96 e termina com o art. 218, passando naturalmente, pelo discutido art. 173, tem expressivo titulo "Normas erais de Direito Tributário'. 16 gr) Processo n° : 10680.000095712001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 Em suma, francamente não vejo como prestigiar a relativa presunção de constitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.218/91, nem mesmo a pretexto de interpretá-lo conforme a Constituição, pois invadiu área reservada à lei complementar, vulnerando dessa forma, o art. 146, III, b, da Constituição Federal. Por fim, oportuno assinalar que a exigência de lei complementar para determinadas matéria, dentre as quais a decadência tributária, não é obra do acaso feita pelo poder constituinte originário. Sua razão de ser está na relevância dessas matérias e, exatamente por isso sua aprovação está condicionada necessariamente a 'quorum' especial (art. 69 da CF); ao contrário da lei ordinária (art. 47 da CF). Nessas condições, declaro a inconstitucionalidade da expressão do caput do art. 45 da Lei n° 8.212/91, com efeito ex 'tune' e eficácia inter partes. É o voto. " O Ministro Carlos Velloso do STF, ao apreciar o RE n° 138.284, deixou claro em trecho do seu voto que a decadência é matéria reservada à lei complementar, verbis: "Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao CTN (art. 146, III ex vi do disposto no art. 149). A questão de prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios de lei complementar de normas gerais (art. 146, III b). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa disposição constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art. 146, III, b; art. 149)." JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO em sua obra intitulada Curso de Direito Tributário 3' Edição, Dialética, fl. 266, ao discorrer sobre a formas de extinção do crédito tributário na parte relativa à decadência leciona: "A ressalva contida no § 4° do art. 150 do CTN — "se a lei não fixar prazo à homologação" — não pode significar uma porta aberta ao legislador ordinário para ampliar o prazo decadencial para a homologação, uma vez que compete exclusivamente à lei complementar (no caso o CTN), estabelecer normas fgerais em 17 0‘ I Processo n° : 10680.0000957/2001-97 Acórdão n.° : CSRF/01-05.131 matéria de legislação tributária, especialmente sobre decadência tributária (art. 146, III, a, da Constituição Federal). Tendo o CTN fixado o prazo de 5 (cinco) anos, não há embasamento jurídico para cogitar-se de prazo superior." Saliente-se que podem os julgadores, tanto na esfera administrativa como judicial, deixar de aplicar determinado dispositivo legal contido em lei ordinária, por conflitar com: 1) outra norma da mesma hierarquia mas específica sobre a matéria em lide; 2) norma superior tal como lei complementar sobre a matéria. Analisando os autos verifico que o lançamento diz respeito a fatos geradores ocorridos de 31/12/1.992 a 30.09.1994. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação (art. 150 § 40 do CTN), a autoridade tributária teria até 30 de setembro de 1.999 para rever o lançamento relativo ao último período. A ciência do Auto de Infração se deu em 24 de janeiro de 2.001, depois de esgotado o prazo para se rever os lançamentos, sendo portanto caduco e correta decisão que acolheu a tese da decadência. , No Acórdão CSRF/01-04.512 de minha relatoria a Primeira Turma da CSRF entendeu por larga maioria que o prazo decadência de 10 anos previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212//91 não se aplica às contribuições sociais administradas pela SRF, pelas mesmas razões expostas nesta decisão. i Assim, conheço o recurso especial apresentado pelo PFN e, no mérito, voto no sentido de NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões - DF, em 29 de dezembro de 2004. , / / CLÓVIS AL rS/» Âd 18 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.002576/98-02
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 05 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Mar 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1992, 1993 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos da escrituração contábil-fiscal, em momento posterior ao lançamento, não produz efeito para fins de exclusão de arbitramento ex officio, cujo fundamento foi a falta de apresentação, pelo contribuinte, dessa documentação. Inexiste arbitramento condicional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 IRPJ. LUCRO ARBITRADO. AGRAVAMENTO DE PERCENTUAIS. Os atos administrativos que estabeleceram agravamento dos percentuais de arbitramento estão viciados de ilegalidade, em razão da inexistência de delegação de poderes para tanto, mas, tão-somente, para determinação do percentual de arbitramento por atividade, no mínimo de 15%.
Numero da decisão: 101-96.582
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores até março de 1993 (inclusive), vencido o Conselheiro Antonio Praga, que rejeitava a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, DAR. provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo das receitas não operacionais aos valores discriminados no quadro demonstrativo às fls. 552 e afastar o agravamento dos percentuais de arbitramento, aplicando-se o mesmo percentual (15%) em todos os períodos abrangidos pelo lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva

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DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 IRPJ. ARBITRAMENTO DO LUCRO. EXTRAVIO DE DOCUMENTOS. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. A adoção dos procedimentos previstos no art. 264, § 1°, do RIR199, para comunicação de extravio de documentos relativos à escrituração da pessoa jurídica, deve ser seguida de reconstituição do acervo da contabilidade comercial e fiscal. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em DIPJ. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos da escrituração contábil-fiscal, em momento posterior ao lançamento, não produz efeito para fins de exclusão de arbitramento ex officio, cujo fundamento foi a falta de _ _ • ! i Processo n° 10680.002576/98-02 CC01/C01 Aárclâo rt, 101-96.582 Fls 2 apresentação, pelo contribuinte, dessa documentação. Inexisto- arbitramento condicional. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993 IRPJ. LUCRO ARBITRADO. AGRAVAMENTO DE PERCENTUAIS. Os atos administrativos que estabeleceram agravamento dos percentuais de arbitramento estão viciados de y ilegalidade, em razão da inexistência de delegação de poderes para tanto, mas, tão-somente, para determinação do percentual de arbitramento por atividade, no mínimo de 15%. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GANESH AGROPECUÁRIA LTDA ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores até março de 1993 (inclusive) , vencido o Conselheiro Antonio Praga, que rejeitava a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, DAR. / provimento PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo das receitas não operacionais aos valores discriminados no quadro demonstrativo às fls. 552 e afastar o agravamento dos percentuais de arbitramento, aplicando-se o mesmo percentual (15%) em todos os períodos abrangidos pelo lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. le(5 O PRA . PRESIDENTE À ALOYSIO .1 a • : '• " l' :h 5 • : L'VA RELATOR FORMALIZADO EM: 3 ,0 ABA 2118 1/ 2 . • Processo n° 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acácia° n.° 101-96.582 Fls. 3 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros VALMIR SANDRI, SANDRA MARIA FARONI, JOSÉ RICARDO DA SILVA, CAIO MARCOS CÂNDIDO, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. , AZ' 3 2 Processo n° 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -96.582 Els 4 Relatório GANESH AGROPECUÁRIA LTDA opôs recurso voluntário contra a decisão DR.J/13HE n° 1.037/2000, proferida pela titular da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DE BELO HORIZONTE-MG (fls. 310). Levando em conta a clareza do relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeira instância, resolvo adotá-lo, reproduzindo-o parcialmente no que apresenta de essencial ao presente julgamento: "Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 02/25, lavrado contra a contribuinte em epígrafe, para exigência do crédito tributário no valor de RS 4.464.441,23, a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, juros de mora e multa proporcional, referente aos exercícios de 1993 e de 1994, períodos-base do 1° e 2° semestres do ano-calendário de 1992 e meses de janeiro a dezembro do ano- calendário de 1993, além de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 1993. Em decorrência, exigiram-se também os créditos tributários nos valores de RS 1.798.976,50 (Auto de Infração de fls. 26/34) e R$ 120.643,06 (Auto de Infração de fls. .- 35/42), correspondentes, respectivamente, ao IRRF e à CSLL, juros de mora e multa proporcional. Consoante se depreende da "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fl. 03, o lançamento decorreu de ação fiscal levada a efeito junto à contribuinte, que culminou no arbitramento do lucro, tomando por base a "Receita Operacional Apurada", a "Receita Não Operacional Apurada" e o valor omitido de "Ganhos Líquidos auferidos no Mercado de Renda Variável". Como fundamentação legal do lançamento do IRPJ foram citados os arts. 157 e § l'; 253; 317; 399, incisos Te III; e 400 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado , pelo Decreto n°85.450 de 1980, c/c mis. 41 e 62 da Lei n°8.383 de 1991; arts. 21,22 e 29 da Lei n°8.541 de 1992 e art. 55 da Lei n°7.799 de 1989. O lançamento do IRRF e da CSLL, tiveram por fundamento as infrações enunciadas nos itens 1, 2 e 3 do auto de infração do IRPJ. Em relação ao 1RRF a fiscalização citou o parágrafo único do art. 403, do RIR de 1980 e o art. 22 da Lei n° '- 8.541 de 1992. Por seu turno, o lançamento da CSLL teve por enquadramento legal o art. 2° e seus §§ da Lei n°7.689 de 1988 e os arts. 38 e 39 da Lei n°8.541 de 1992. A multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do ano-calendário de 1992, exercício de 1993, decorreu da constatação de sua entrega a destempo, em , 11/10/1993 (fl. 134), tendo por enquadramento o art. 17 do Decreto-lei n° 1.967 de 1982. Por sua relevância transcreve-se acertos do circunstanciado "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 43/53, que minudencia: a) esta Fiscalização teve conhecimento da ocorrência de operações no mercado de valores mobiliários, em nome da empresa em epígrafe, que geraram ganhos vultosos, v sobre os quais é devido o imposto de renda correspondente; 4 Processo ri° 10680.002576/98-02 CC01/C01 Acórdão n, 101-96.582 F1s. 5 b) a empresa não apresentou a esta fiscalização os livros e documentos de sua escrituração, apesar de reiteradas intimações para tanto; c) há evidências de grandes discrepâncias entre os valores informados pelo contribuinte em suas Declarações do RN e o volume de recursos aplicados em seu / nome nas operações mencionadas, o mesmo acontecendo no que se refere aos ganhos nelas auferidos. Quanto ao fato descrito no item "c" acima, deve ser ainda acrescentado que, da análise mais minuciosa das citadas Declarações, emergem outras sérias dúvidas quanto z à regularidade das mesmas, o que impõe a verificação da escrituração contábil da empresa e dos documentos que a suportam. Tanto as discrepâncias verificadas nas receitas declaradas ou não pelo contribuinte, bem como as discrepâncias verificadas nos pagamentos efetuados pelo mesmo apontam para a necessidade de se efetuar auditoria contábil e fiscal em sua escrita, procedimento que esta Fiscalização se viu IMPEDIDA de realizar, diante do alegado extravio de TODOS os livros e documentos contábeis. Em conformidade com o art. 7° do Decreto-lei n° 1.648/78, o art. 539 do RIR/94 (art. 399 do RIR/80) estabelece que: " A autoridade tributária arbitrarão lucro da pessoa jurídica, inclusive da empresa - individual equiparada, que servirá de base de cálculo do imposto, quando : 1 - O contribuinte sujeito à tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras de que trata o art. 172 do RIR/80; III - o contribuinte recusar-se a apresentar os livros ou documentos da escrituração à autoridade tributária." Não resta a esta Fiscalização a adoção de outra medida, para o presente caso, que não seja o arbitramento dos lucros da Ganesh Agropecuária Ltda., tendo em vista ter ficado evidenciada a ocorrência de significativas irregularidades fiscais nas declarações do imposto de renda da pessoa jurídica, nos anos-base de 1992 e 1993, sem ter o referido contribuinte apresentado qualquer elemento de prova contrária, ou seja, na medida em que não foram apresentados quaisquer livros e documentos contábeis, a fiscalização ficou impedida de verificar as já citadas irregularidades e apurar as diferenças de imposto com base nas normas previstas para o lucro real. Diante disso, esta fiscalização ficou impelida a trabalhar com os elementos disponíveis, ou seja, as declarações IRPJ arquivadas nesta SRF e os extratos de "- movimentação da referida empresa junto à Milbanco CCV S/A. Portanto, a base de apuração do lucro arbitrado serão os dados constantes das declarações do imposto de renda da pessoa jurídica apresentadas pelo contribuinte e, z também, aqueles constantes dos extratos de contas-correntes da empresa junto à Milbanco Corretora de Câmbio e Valores S/A. Com relação aos referidos extratos de contas-correntes, a citada Corretora, intimada, recusou-se a entregar a esta fiscalização as cópias reprográficas dos mesmos, documentos aqueles necessários para a fundamentação da constituição do crédito tributário devido, conforme Termo de Intimação e documento de resposta, anexados ao processo fiscal, sob o pretexto de impedimento legal, vez que tais informações estariam protegidas pelo sigilo bancário. (2( • 5 Processo n° 10680.002576/98-02 CCOUCOI Acórdão n.° 101 -96.582 Fls 6 Em vista disso, foi encaminhada, por esta DRF/BH, à Procuradoria da República em Minas Gerais, Representação Fiscal para fins de quebra de sigilo de informações e sobre as operações realizadas no mercado de renda variável, pela Ramona Agropecuária Ltda., junto à Milbanco Corretora de Câmbio e Valores S/A. Tendo sido a mesma acatada pela Douta Procuradoria e julgada procedente pelo Juiz da 4a. Vara Criminal de Belo Horizonte, foram as cópias dos extratos de contas- correntes entregues a esta fiscalização pelo Ministério Público Federal, nos autos n° 1997.38.00057088-7, conforme documentação anexada ao processo fiscal. Com base nestes extratos, foram elaboradas planilhas de apuração de ganho nas , aplicações efetuadas no mercado de valores mobiliários, conforme cópias em anexo. Procedimentos de Arbitramento Face ao impedimento de se examinar a escrita contábil do contribuinte, a fim de dirimir as dúvidas sobre as evidentes irregularidades e discrepâncias já mencionadas, não resta outra alternativa a esta fiscalização senão o arbitramento dos lucros, com base nos dados disponíveis. Considerando que a legislação relativa a arbitramento dos lucros da pessoa , jurídica, relativamente aos dois exercícios em exame, sofreu alterações, analisaremos cada um em separado. Ano-calendário1992: Base legal: Arts. 399 a 404 do RIR/80, Arts. 41 e 62 da Lei 8.383/91, e Portarias - MF 22/79, 76/79, 264/81 e 217/83. Conforme estabelece o art. 400 do RI:FUSO (base legal, art. 8° do Decreto-lei n° 1.648/78), o lucro arbitrado será determinado com base em percentual da receita bruta , conhecida. No caso em questão, a receita bruta considerada foi aquela declarada pelo contribuinte em sua declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica relativa ao ano- calendáriode 1992. Deve ser adicionado ao lucro arbitrado assim determinado, o resultado não operacional apurado conforme previsto na Portaria MF n° 22/79, sendo consideradas não operacionais as receitas de quaisquer outras fontes que não sejam da atividade declarada pelo contribuinte, a bovinocultura. No entanto, em decorrência da não apresentação de qualquer documento da contabilidade da empresa a esta fiscalização, , não foi possível comprovar os custos correspondentes às receitas não operacionais, tomando-se, assim, impossível a apuração do referido resultado. (grifos não são do original) Em obediência à mesma Portaria MF n° 22/79, nesta circunstância, o valor da receita bruta não operacional foi somado integralmente à receita bruta operacional para fins do arbitramento. O resultado apurado por esta fiscalização, relativo às operações realizadas no mercado de valores mobiliários, através da Milbanco CCV S/A, durante o ano- calendáriode 1992, consta das Planilhas denominadas "Demonstrativo de Ganho no Mercado de Renda Variável" e "Demonstrativo da Movimentação em UFIR", em anexo. Os referidos ganhos também foram adicionados à base de cálculo do lucro e arbitrado, uma vez que, não tendo tido acesso à escrituração do contribuinte, não nos foi possível verificar se tais ganhos estavam ou não incluídos no valor informado na (tçi\\Õr - Processo n° 10680.002576/98-02 CC01/C01 Acórdão n.° 101-96.582 Fls. 7 declaração 1RPJ do ano-calendáriode 1992, a título de receitas financeiras. (grifos não são do original) Tendo em vista que foram consideradas todas as receitas declaradas, esta Fiscalização considerou também todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte, tanto na condição de contribuinte como na condição de beneficiário, no caso de imposto - retido na fonte, conforme telas dos sistemas deste órgão e Relação de pagamentos anexado ao processo - Planilha "D". Ano-calendário1993: Base legal: Arts. 399 a 404 do RIR/80, Arts. 21 e 22 da Lei 8.541/92, e Portaria . MF 524/93 e Instrução Normativa 79/93. Os ganhos auferidos no ano de 1993, apurados conforme as planilhas denominadas "Demonstrativo de Ganho no Mercado de Renda Variável" e "Demonstrativo da Movimentação em UFIR", em anexo, relativos às operações realizadas no mercado de valores mobiliários, através da Milbanco CCV S/A, foram tributados na forma do art. 29 da Lei n° 8.541/92 ( art. 17 da IN 89/93 ),ou seja, apurado mensalmente e tributado em separado, à aliquota de 25%. Cumpre observar que, na declaração IRPJ relativa ao ano-calendário de 1993, a empresa informou, mensalmente, valores a título de Receitas não Operacionais, os , quais poderiam incluir ganhos auferidos nas aplicações efetuadas no mercado de valores mobiliários. Ressalte-se que tais receitas não operacionais declaradas pelo contribuinte não foram oferecidas à tributação na declaração IRPJ, visto que foram integralmente -- excluídas na apuração do lucro real. Entretanto, no Anexo 5 da citada declaração, foram informados ganhos líquidos auferidos exclusivamente em operações realizndns nos Mercados a Termo. Portanto, ainda que aquelas receitas não operacionais declaradas se referissem a rendimentos auferidos no mercado de renda variável, depreende-se que se tratava de outras operações, distintas das que foram detectadas por esta fiscalização. Fica patente que os ganhos apurados por esta fiscalização, auferidos pela empresa nas operações realizadas com a interveniéncia da Milbanco CCV S/A, não foram declarados pela empresa e, consequentemente, não oferecidos à tributação do imposto- de renda, uma vez que nenhum dos ganhos apurados por esta fiscalização se refere a operação realizada no Mercado a Termo. Na determinação do lucro arbitrado, foi considerada como receita bruta conhecida aquela declarada pelo contribuinte em sua declaração do IftPJ do ano— calendário 93. Os valores declarados pela empresa no título Receitas não Operacionais foram adicionados integralmente ao lucro arbitrado, conforme determina o parágrafo único do art. 6° da Portaria 1VIF 524/93, no caso da não comprovação de custos. Ademais, ficou, claro que tais valores declarados referem-se a resultados líquidos, visto não haver sido informado qualquer valor a título de Despesa não Operacional. Em obediência ao art. 80 da IN-SRF 79 de 24/09/93, foram agravados os percentuais de arbitramento durante o ano de 1993, até atingir o limite máximo de 30%. -/ Aitt/7 111 7 Processo n° 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.582 Fls. s Tendo em vista que foram consideradas todas as receitas declaradas, esta Fiscalização considerou, também no ano-calendário de 1993, todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte, tanto na condição de contribuinte como na condição de -- beneficiário, no caso de imposto retido na fonte, conforme telas dos sistemas deste • órgão e Relação de pagamentos anexados ao processo - Planilha "D". Concluindo, deve ser informado que os valores que serviram de base para o arbitramento e para o cálculo do imposto devido encontram-se consolidados na Planilha "I", que se constituem anexo deste Termo. Deve ser, ainda, mais uma vez ressaltado que esta fiscalização restringiu o presente trabalho à apuração do crédito tributário devido pelo contribuinte, relativo ao período de 01/01/92 a 31/12/93. "- Impugnação às fls. 285. A autoridade julgadora considerou o lançamento parcialmente procedente, afastando a multa por atraso na entrega da declaraçao de rendimentos, em decisão assim resumida: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/1992 a 30/06/1992, 01/07/1992 a 31/12(1992, 01/01/1993 a31/12/1993 Ementa: Arbitramento do lucro. Para efeitos da legislação tributária, é imprescindível demonstrar, de forma inequívoca, a observância estrita dos requisitos e das formalidades preconizadas no art. 165 do RIR de 1980, para que a - alegação de extravio dos livros e documentos contábeis revista-se da eficácia de elidir o procedimento fiscal. Multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos: Não é de se cobrar a multa pela falta e/ou atraso na entrega de declaração de rendimentos quando, nos autos, já se está cobrando a - multa de oficio. -- Decorrência. Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF e Contribuição Social "- sobre o Lucro Líquido - CSLL. A solução dada ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica estende-se ao litígio relacionado com o lançamento das exações '- decorrentes. Decadência: Do lançamento do IRPJ. Em relação aos períodos-base do 1° e 2° semestres de 1992, na hipótese da pessoa jurídica ter optado pela consolidação de resultados semestrais, o termo inicial do prazo decadencial do IRPJ é a data da '- efetiva entrega da declaração semestral de rendimentos. Do lançamento do IRRF. - PC/ 111 4 Processo n° 10680.002576/98-02 CC01/C01 Acórdão a° 101-96.582 Fls. 9 Quanto ao IRRF relativo a distribuição de lucro arbitrado aos sócios, o teimo inicial do prazo decadencial de tributos e contribuições sociais, enquadrados na modalidade de lançamento por homologação, sempre que inexistir a antecipação do pagamento, é o previsto no art. 173, inciso I do CTN, relativo ao lançamento de oficio. Do lançamento da CSLL. Quanto à CSLL, o direito de a Fazenda Nacional constituir o lançamento da CSLL extingue-se após 10 (dez) anos contados do - primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído." No recurso voluntário (fls. 353), encaminhado via postal em 12/07/2000 (fls. y 351), a autuada apresentou, em síntese, os seguintes argumentos (conforme relatório da Res. 103-01.835/2006 às fls. 458): "1) preliminarmente, assevera que os julgados dos Conselhos de Contribuintes - têm força de norma complementar, nos termos do artigo 100 do CTN. Sendo assim, sua.„. eficácia ultrapassa as pessoas relacionadas aos casos concretos para os quais foram proferidas as decisões ementadas, trazidas à colação, em sua peça de defesa; 2) o Fisco lhe cerceou o direito de defesa, ao deixar de formular, com precisão, a capitulação da suposta infração praticada. A indicação genérica ao caput de artigos, ou a menção a atos normativos inteiros, não possibilita à autuada o exato conhecimento da r acusação; 3) os lançamentos são inválidos em razão da aplicação, pelos autuantes, da norma extraída do artigo 21 da Lei n° 8.541, de 1992, já revogada quando dos lançamentos, o que violaria o disposto no artigo 106 do CTN; 4) na data da lavratura dos autos de infração, o direito estatal ao lançamento de ofício já estava fulminado pela decadência, quanto aos fatos ocorridos em 1992 e em janeiro e fevereiro de 1993, de acordo com a regra inscrita no artigo 150, § 4°, do CTN 5) a irregularidade da notificação expedida para ciência da autuação viciou o ato estatal em exame, porque o Fisco, falhando na escolha do local de ciência, preferiu enviar os autos lavrados para endereço que não é o de seu domicílio. Não obstante a afirmação dos agentes fiscais de que se frustraram as tentativas anteriores de cientificar a autuada, porque a interessada não procurou a agência dos Correios de Sete Lagoas para receber as correspondências, nada há, nos autos, que ateste qualquer comunicação efetuada pela repartição postal; 6) a autoridade julgadora de primeira instância limitou-se a tecer conclusões inteiramente subjetivas, na apreciação dos argumentos de defesa referentes ao extravio da documentação contábil e fiscal, fato que ensejou o arbitramento do lucro. Ou seja, o raciocínio do julgador não teria ido além de meras ilações carentes de provas que possam infirmá-las. Clamando pelo beneficio da dúvida, a autuada adverte que não deve ser responsabilizada pelo desaparecimento de livros, fichas e documentos de suporte da escrituração e pelo descumprimento ao artigo 165, § 1°, do RITU80. Em outras palavras, a interessada assegura que só percebeu o alegado extravio y posteriormente ao início da fiscalização, no momento em que desejou reunir as peças para atender às requisições dos agentes fiscais. Firme na manifestação de que não houve recusa de sua parte, a recorrente esclarece que o Fisco lhe determinou a prestação de obrigação cujo cumprimento era impossível. Or....4 Processo n° 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.582 Fls. to Assinala, entretanto, que providenciara a entrega à Fiscalização do documentário contábil e fiscal imediatamente após a localização, motivo por que não pode prosperar a sistemática de apuração de resultado tributável utilizada pela autoridade fiscal, calculada com base no lucro arbitrado; 7) no mérito, relata a fiscalizada que a autoridade a quo desconsiderou completamente os documentos e os livros apresentados na impugnação, o que só é admissivel em face de provas cabais que retratem erros ou omissões produtoras de máculas insanáveis na escrita. Ao contrário, não há base fática que dê suporte à rejeição às prova que coligiu. Nesse sentido, considerando a anexação das notas de corretagem emitidas por Milbanco e as planilhas que elaborou em sua defesa, contendo os valores relativos aos custos e às despesas incorridas, a autuada repudia a tese da autoridade da DRJ, segundo a qual tais custos não se comprovam somente com as notas que anexara, se inexistente a comprovação do pagamento e da apropriação na contabilidade, afinal, diz a recorrente, são documentos hábeis e idôneos aos fins a que se destinam; 8) a autuada ainda se insurge contra a idéia central da autoridade julgadora, que se cingira à fixação de um termo derradeiro à apresentação de livros e documentos sobre os quais se assenta a escrituração, restringindo-o à fase investigatória, porquanto a exibição dos referidos elementos, antes da prolação da decisão, possibilitaria a inclusa,. pelo Fisco, dos valores relacionados pela recorrente, tendo-se em conta que, perante as instâncias recursais, é facultado ao sujeito passivo a juntada das provas que lhe convenha; 9) no que se refere à alíquota do arbitramento da atividade rural, a recorrente reage à atitude do Fisco, que estipulou percentual de arbitramento não previsto nas Portarias MF n° 22/79, 76/79, 264/81 e 217/83. Diante disso, segundo o seu ..-- entendimento, a falta de previsão, na legislação de regência, de coeficiente de arbitramento, o agente fiscal não poderia estabelecê-lo, por seu livre arbítrio: 10) no que toca à CSSL e ao IRRF, a recorrente pleiteia que lhes sejam estendidos os argumentos referidos para atacar a exigência do IRPJ, ainda aproveitando, antes de expor o pedido de anulação de todos os lançamentos de oficio, que se anote o disposto no artigo 549 do RIR/94, preceito que regula o cômputo do rendimento pago aos sócios e acionistas, determinando a dedução, para fins de caliculo, do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro da pessoa jurídica, afora o devido respeito, nos termos da norma aludida, à proporcionalidade da participação de cada sócio no capital." Por intermédio da Resolução n° 103-01.765/2002 (fls. 413), o processo foi devolvido à unidade de origem para realização de arrolamento de bens. Atendida a exigência, conforme informação do órgão preparador às fls. 453/454. Retomado o processo a este Conselho, nova Resolução foi expedida, n° 103- 01.835/2006, acolhendo voto do eminente Conselheiro Flávio Franco Corrêa, nos seguintes termos: "De plano, no que afeta aos documentos que supostamente comprovariam os custos, divirjo da linha de pensamento que inspirou a decisão recorrida. Creio que o princípio da verdade material reclama ajusta apuração da base imponivel, afinal há que se ter em conta que a exigência além do limite fixado em lei constitui ilegítimo avanço sobre o patrimônio individual. Se o contribuinte não entregou os documentos na fase investigatória, nada obsta que o faça quando inaugurado o contraditório, segundo o artigo 16, § 40, do Decreto n° 70.235, de 1972. Diante disso, sou da opinião de que se • 10,ri . . Processo o' 10680.002576/98-02 CCOUCO1 Acórdão n.° 101.98.582 Fts 11 deve converter o julgamento em diligência, retomando o feito à autoridade preparadora"- para: a) determinar os ganhos em operações de renda variável, na forma da lei, relativos aos anos-calendário de 1992 e 1993, à vista da documentação acostada quando' da entrega da impugnação; b) informar se os ganhos em operações de renda variável supramencionados, devidamente apurados em razão do disposto na alínea anterior, estão incluídos, integral ., ou parcialmente, nas declarações de rendimentos dos anos-calendário de 1992 e 1993, indicando, se for o caso, os quadros e as linhas correspondentes; c) informar se, no cômputo das importâncias relacionadas nos itens 1 e 2 do auto de infração de 1RPJ, estão, ou não, incluídos os ganhos em operações de renda variável -' relacionados nos itens 3 e 4 do referido auto; d) elaborar relatório conclusivo sobre a diligência ora requerida, juntando, para a perfeita compreensão da exposição, os documentos que julgar necessários à solução da..., controvérsia, estabelecendo as referências que considerar imprescindíveis, com a indicação das folhas dos autos, das linhas e quadros das declarações de rendimentos, além de outras informações de relevo: e) cumpridas as etapas precedentes, reabrir prazo para conhecimento e .., manifestação da recorrente, acerca das diligências empreendidas e conclusões relatadas, facultando-lhe a ampla defesa." Realizada a verificação, a autoridade fiscal juntou aos autos o relatório de / diligência (fls. 474) e as planilhas de recomposição de valores (fls. 482/554). Na sua manifestação sobre as conclusões da diligência (fls. 570), a recorrente assegura que a autoridade fiscal desconsiderou os custos das operações e não deduziu os _ prejuízos. Também reclamou pela dedução do custo financeiro dos empréstimos bancários que contraiu para a realização das operações, uma vez que não dispunha de recursos próprios. Também alega que demonstrou na impugnação ter incluído na contabilidade, em subconta de receita financeira, os rendimentos de "títulos de valores mobiliários" de 1992. Em relação a 1993, afirma ter juntado os livros diário, razão e lalur, "demonstrando que cumpriu regularmente as normas vigentes com relação às operações de mercado de capitais". É o relatório. i-tf( nK4 I. Processo n° 10680.002576198-02 CC01/C01 Acórdão 6.° 101-96.582 Fls. 12 Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÉNIO DA SILVA, Relator O recurso voluntário foi interposto no prazo legal e reúne os demais requisitos - de admissibilidade. Preliminar de nulidade do auto de infração - Conforme relatado, a recorrente alega nulidade do lançamento em razão de falhas na ciência do termo de intimação inicial e do auto de infração, no endereço do sócio e ._- não no da empresa, e na capitulação legal. Também sustenta não ter se recusado a apresentar a documentação contábil-fiscal. Esta última alegação, relativa à recusa, trata-se de matéria vinculada à fundamentação do arbitramento, devendo ser enfrentada mais adiante quando do exame de mérito do arbitramento. A intimação no endereço do seu sócio responsável foi necessária em função de a fiscalização não ter logrado êxito na primeira intimação, enviada por via postal ao endereço da empresa, conforme detalhadamente descrito no termo de verificação fiscal. O fato em nada 7 prejudicou o direito de defesa da interessada (empresa), como se comprova pela impugnação apresentada, não se configurando quaisquer das hipóteses prevista no art. 59 do Decreto 70.235/72. Descabida a alegação de nulidade. Quanto à questão referente à capitulação legal, a julgadora a quo analisou / detalhadamente o tema, como se observa abaixo: "2. Cercamento de direito de defesa, em face de falha na capitulação legal: ." Não obstante o fato de que, na hipótese em que na "Descrição dos Fatos "ou no "Termo de Verificação Fiscal" a fiscalização tenha circunstanciado, minuciosamente a infração, ser irrelevante a circunstância de ter ocorrido suposta falha de capitulação legal, cumpre, liminarmente, rechaçar alegação de cerceamento do direito de defesa, em - face de suposta capitulação incompleta dos dispositivos legais que ensejaram a autuação. Com efeito, basta compulsar o "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 43/53), anexo ao "Auto de Infração", e parte integrante dele, para se verificar que além da judiciosa descrição dos fatos, a fiscalização minudencia, à fl. 49, que as infrações cominadas são „, as hipóteses tipiticad2s nos incs. I e III do art. 399 do RIR de 1980, aprovado pelo Decreto n° 85.450 de 1980, bem como nos incs. I e III do art. 21 da lei n° 8.541 de 1992. Em relação aos arts. 400 do RIR de 1980; 41 da Lei n°8383 de 1991; 22 e 29 da Lei n° 8.541 de 1992, é evidente, pelos próprios conteúdos que defluem das normas, -- que suas citações abarcam o "capta" e §§, sem distinção, razão pela qual ocioso seria discriminar. O art. 62 da Lei n°8.383 de 1991, dá nova redação ao § 2°, do art. 11 e os arts. 13 e 14 da Lei n° 8.218, de 1991, não importando prejuízo à autuada, pois bastava a ela 12 Processo rr 10680.002576/98-02 CCO i/C01 Acórdão n.° 101-96.582 Fls 13 reportar-se aos dispositivos legais alterados. No que pertine ao art. 55, da Lei n° 7.799 de 1989, a argumentação da defendente é destituída de substância, pois sequer há, incisos ou alíneas no aludido dispositivo legal. A Instrução Normativa SRF n°79 de 1993 e as Portarias MF n's 22 e 76 de 1979, são normas complementares à legislação tributária e a fiscalização citou-as com vistas, tão-somente, a orientar a contribuinte acerca do ato legal em que a autoridade administrativa, no uso de suas atribuições e competência e em obediência às disposições de determinado dispositivo legal, expediu instruções relativas ao seu cumprimento. Confinados, pois, nestes limites, referidos dispositivos legais sequer precisariam ser citados, pois a infração decorre da inobservância de disposição material de lei. Portanto, releva considerar que iterativo é o entendimento administrativo de que a eventual hipótese de haver erro na indicação do enquadramento legal não representa mudança no critério jurídico do lançamento se a deficiência estiver suprida por farta e clara descrição dos fatos, permitindo à contribuinte exercer seu direito de defesa, não havendo, portanto, sequer de se cogitar da anulabilidade do lançamento assim efetuado. 3. Capitulação de artigo revogado por diploma legal subsequente: Não obstante a defendente inquinar o feito, em face de ter sido citado o art. 21 da Lei n°8.541 de 1992, que teria sido revogado pela Lei n°8.981 de 1995, art. 117, inc. I, cumpre considerar que, de acordo com o art. 144 da Lei n° 5.172 de 1966, "o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modifkada ou revogada"." O entendimento da autoridade julgadora de primeiro grau está em harmonia com a jurisprudência deste Conselho. Adoto os seus fundamentos para rejeitar a preliminar. Preliminar de decadência Sobre o tema, decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais submetidas ao regime de lançamento por homologação, como no caso destes autos, este Conselho acolhe o entendimento, apoiado em ampla e conhecida jurisprudência, pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de que tal direito do Fisco é regulado pelo comando do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra do art. 173, I, do Código. Os seguintes acórdãos resumem esse entendimento: "DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, COFINS E FINSOCIAL. Até o ano- base 1991, o IRPJ e a CSLL se enquadravam na modalidade de lançamento por declaração, sendo regidos pela norma de decadência do art. 173, I, do CTN. Com o advento da Lei 8383/91, passaram a ser classificados na modalidade de lançamento por homologação, sujeitando-se à norma de decadência do art. 150, § 40, do Código. Finsocial/faturamento e Cotins são igualmente submetidas à disciplina do lançamento por homologação. (Ac. n° 103-22.631/2006) LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por Processo tf 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acórdão a.° 101-98.582 Fls. 14 homologação. Inexistência de pagamento, ou descumprimento do dever de apresentar declarações, não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. (Ac. n° 103-22.666/2006)" CSLL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. 1) A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), que tem a natureza de tributo, antes do advento da Lei n° 8.383, de 30/12/91, a exemplo do Imposto de Renda, estava sujeita a lançamento por declaração, operando-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. Cm., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. A partir do ano-calendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto e a contribuição, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendo-lhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por firo, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado poderia ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150). 2) CSLL — As contribuições de seguridade social, dada sua natureza tributária, estão sujeitas ao prazo decadencial estabelecido no Código Tributário Nacional, lei complementar competente para, nos termos do artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, dispor sobre a decadência tributária. 3) Tendo sido o lançamento de oficio efetuado, em 05/04/2001, após a fluência do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador referente ao ano-calendário de 1995, ocorrido em 31/12/1995, operou-se a caducidade do direito de a Fazenda Nacional lançar a contribuição. (Ac. CSRF/01 -05.137/2004) CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4 0, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, '13', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que amolda-se à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4 0, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data-' da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, 'b', da Constituição Federal. (Ac. CSRF/01-04.98812004) CSLL. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICABILIDADE. Por força do Art. 146, HI, b, da Constituição tè 14 .• Processo n° 10680.002576198-02 CCOUCOI Acórdão n.° 101-96.582 Fls. 15 Federal e considerando a natureza tributária das contribuições, a decadência para lançamento de CSL deve ser apurada conforme cy estabelecido no Art. 150, § 4 0, do CTN, com a contagem do prazo de 5 (cinco) anos a partir do fato gerador. (Ac. CSRF/01-05.479/2006)" Assim, considerando que a ciência do lançamento ao sujeito passivo se deu em 08/04/1998 (AR às fls. 282), conforme relatado, deve-se reconhecer a decadência do direito de-- constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até março de 1993. Méritd No tocante à justificativa de extravio da documentação contábil-fiscal, assim se 'e pronunciou o julgador de primeira instância: "A defendente afirma que o "Edital" publicado no jornal "Boca do Povo", sobre o extravio da sua documentação contábil e fiscal, atende às formalidades do § 1°, do art. 165 do RIR de 1980, pois foi feito em jornal de grande circulação do local de seu e,.. estabelecimento. Objeta, ainda que "a minuciosa informação requerida", não diz respeito à comunicação a ser efetuada à Receita Federal e sim ao órgão do Registro do Comércio, bem como, sustenta que a legislação não obriga fazer ocorrência policial sobre extravio de documentos. Compulsando-se os autos, verifica-se que, em atendimento ao "Termo de Intimação" de 21/05/1997 (fl. 185), a fiscalizada, por meio do expediente datado de 10/06/1997, respondeu: "... em atendimento ao Termo de Intimação FM 96.01350-8 de 21/05/1997, recebido em 06 de junho do corrente ido, vem informar-lhes da impossibilidade do cumprimento das solicitações de documentos contidos naquele ,/ termo, eis que, por motivos alheios à nossa vontade, toda a documentação contábil e fiscal de nossa empresa foi extraviada conforme comunicação publicada no periódico local denominado "A Boca do Povo" edição de 27 de dezembro dos idos de 1996, devidamente protocolada na Junta Comercial para os devidos fins, consoante se vê da inclusa cópia xerográfica anexa."(fl. 187). Em anexo, ela encaminhou cópia da página 12 do jornal "Boca do Povo", edição 7 de 21/12/1996 a 27/12/1996, onde consta a seguinte publicação: "GENESH AGROPECUÁRIA LTDA., empresa sediada na cidade de Sete Lagoas, Km 12 da Estrada Sete Lagoas-Araçai, inscrita no CGC (MF) sob o n° 41217.925/00001-07, comunica o extravio de seus livros . n diário ns's 01/02/03/04, livros razão do mesmo período, bem como de toda documentação contábil e fiscal do período de 1992/1995, ocorrido , em Novembro/96, em suas dependências." Advirta-se que o extravio a que alude a defendente teria ocorrido no mês de novembro de 1996. Portanto, aplica-se a regra instrumental emanada do vigente Regulamento do Imposto de Renda, a saber o RIR de 1994, aprovado pelo Decreto n° ,/ 1.041 de 11/01/1994. O art. 165 e § 1° do RIR de 1980, aprovado pelo Decreto n° 85.450 de 04/12/1980, com a redação dada pelo art. 210 e § 1° do RIR de 1994, dispondo acerca da conservação de livros e comprovantes, assim preceituam: "Art. 165. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os .., livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atros ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar suaXsituação patrimonial. Mr5 • Processo rf 10680.002576/98-02 CC01/C01 Acórdão o.° 101 -96.582 Fls. 16 § 1°. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdicão." Como se vê, a norma cogente aplicável é enumerativa, indicando as providências, uma a uma, e estabelecendo a forma e o tempo que deve pautar o procedimento, sob pena dele não atender os objetivos. Portanto, em ledo engano incorre a defendente, pois que a minuciosa descrição do fato é requisito essencial e não diz respeito tão-somente à informação ao órgão do Registro do Comércio, mas também, à informação, a ser efetuada por cópia, à Repartição da Receita Federal da jurisdição do seu domicílio fiscal. Além do fato de que, em tendo o extravio ocorrido em novembro de 1996, a publicação no jornal semanal local de 21/12/1996 a 27/12/1996 afigura-se intempestiva, atine-se que o procedimento da contribuinte não condiz com a formalidade legal preceituada, de vez que, em que pese a lei dispor que deve ser dada minuciosa informação ao órgão do Registro do Comércio, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, a comunicação à Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, consoante se depreende do " documento de fl. 188, somente ocorreu em 05/06/1997, ou seja, cerca de 06 (seis) meses após o aludido extravio, que segundo noticiado teria ocorrido em novembro de 1996. Ademais, referida comunicação à Junta Comercial consistiu apenas na lacônica publicidade efetuada no jornal local, sem minudenciar as circunstâncias do fato, r tampouco foi encaminhada cópia dela à Repartição da Receita Federal de jurisdição de seu domicilio, tal como exigido em lei. Em outro giro, cumpre considerar que a fiscalizada, em sua resposta datada de 10/06/1997, à O. 187 dos autos, asseverava, expressamente, que deixava de atender à **-- intimação tendo em vista que: "... por motivos alheios à nossa vontade toda a documentação contábil e fiscal de nossa empresa foi extraviada...". De acordo com De Plácido e Silva, in "Vocabulário Jurídico", vol. IV, 12' ed., Forense, RJ, 1993, o vocábulo "todo do latim totus (todo, inteiro), substantivamente considerado, é tido na linguagem jurídica no mesmo conceito de inteiro, ou totalidade. Por essa forma, o "todo" compreende o conjunto, a soma de todos os elementos, a reunião de todas as partes. Mesmo adjetivamente, "todo" traz essa significação: exprime o que é total, compreende o que se mostra integrado em suas partes, ou em seus elementos". Segundo o Dicionário Aurélio, 2' ed., Nova Fronteira, RJ, o vocábulo "todo tem a acepção de completo, inteiro, o que não deixa nada de fora, que não falta parte alguma" Ora, à evidência, o extravio em novembro de 1996 e a sua não localização até o dia 10 de junho de 1997 de toda a documentação contábil e fiscal da empresa (obviamente aí compreendidos os livros legais e fiscais, bem como os documentos comprobatórios das transações), colide frontalmente com a circunstância de que no dia 28/04/1997, a contribuinte entregou sua declaração de rendimentos do ano-calendário de 1996, exercício de 1997, arquivada sob o n° 8072239, conforme atesta a "tela" do sistema "IRPJCONS - CONSULTA" da SRF, à O. 306 dos autos. Isso porque, como é notório, é imprescindível ter à mão os livros e documentos contábeis para o preenchimento da declaração de rendimentos da pessoa jurídica. 144( 16 Processo n° 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.582 fis 17 — Outra evidência em desfavor da despropositada tese da defendente é o documento por ela juntado à impugnação, à fl. 95 do Mexo denominado "Volume n° 06", consubstanciado na "listagem do plano de Contas" de 31/12/1992. Depreende-se de análise de referido documento, que se trata da página de n° 04 da listagem planificada das contas de resultados, emitida por computador. Ora, porque se lhe aproveita no escopo da razão de impugnação expendida, tão somente esta página, não teria sido extraviada junto com toda a documentação contábil e fiscal de 1992. Portanto, por não ter comprovado de forma eficaz e de acordo com os requisitos da legislação de regência, o alegado extravio dos livros e documentos que embasavam a escrituração, bem como, pela evidência supra descrita que labora em desfavor de sua - alegação, sem nenhuma razão a defendente, pois que sua tese de impossibilidade de apresentar a escrituração não sobrevive. A afirmação de que a localização, agora na fase impugnatária, dos livros Diário, dos Balancetes Analíticos, do Razort de Correção Monetária e do LALLTR, todos eles de 1993, demonstraria seu empenho em localizá-los e que, assim sendo, teria fenecido o motivo e as circunstâncias que ensejaram o arbitramento, voltando a prevalecer o lucro real, também não pode prosperar. Isso porque, como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência ou recusa foi a causa do arbitramento. E se não bastasse, cumpre verificar que a defendente deixou de encaminhar o livro Razão, cuja não manutenção, consoante art. 62 da Lei n° 8.383 de 1991 e .-' parágrafo único, do art. 14 da Lei n°8.218 de 1991, implica o arbitramento do lucro da pessoa jurídica." (destaques do original) Correta a percepção da julgadora. / A legislação tributária impõe às pessoas jurídicas o dever de guarda da sua documentação e, igualmente, da sua reconstituição na ocorrência de extravio, é o que se depreende da interpretação do art. 165, caput e § 2°, do RIR/80. Por outro lado, a determinação do lucro real pressupõe escrituração contábil regular, observadas as disposições da lei comercial, é o que prescrevem os art 156 e 157 do referido regulamento. Inexistência de documentação comprobatória dos lançamentos contábeis e fiscais é fator impeditivo para o fisco verificar a precisão da apuração realizada pelo contribuinte e caracteriza situação de determinação da base tributável sob as normas do regime de lucro arbitrado. Eventual perda de documentação não exclui o contribuinte do seu dever acessório de reunir, guardar em boa ordem e manter à disposição do fisco os documentos que dão respaldo à apuração do imposto devido, nem tampouco pressupõe homologação dos valores informados em declarações de rendimentos (D1RPJ), transferindo ao fisco o dever de provar a inexatidão da declaração apresentada. Destaque-se, ainda, que a autoridade fiscal analisou analisou as DIRPJ e indicou diversos indícios de irregularidades, relacionadas na pagina 6 do termo de verificação fiscal (fls. 48). A reclamada prova da recusa de apresentação da documentação é irrelevante nesse caso. O que se constata é que a fiscalização não teve à disposição os elementos para verificação do tributo declarado pelo contribuinte. Ademais, percebe-se que a recorrente não foi zelosa na guarda da sua / documentação, conforme detalhadamente relatado pela autoridade fiscal, além de não envidar Ajó i1/47)7 Processo n° 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.582 Fls. 18 esforços para recompor a sua escrita contábil e fiscal, descumprimento assim o seu dever tributário acessório. E houve tempo para tal, observe-se que o procedimento fiscal teve inicio em 28/07/1997, enquanto o auto de infração só foi lavrado no dia 07/04/1998. Por outro lado, nem mesmo o extravio da documentação restou comprovado, como bem destacou a autoridade fiscal no termo de verificação (fls. 46): "Em suma, os fatos aqui narrados demonstram a total falta de elementos de convicção quanto à efetividade da ocorrência do extravio dos livros e documentos alegado pelo contribuinte em epígrafe e, ainda, na hipótese do seu efetivo acontecimento, o descaso que a citada pessoa jurídica tem com a conservação em ordem dos mesmos, ou com o cumprimento das formalidades legais sobre a matéria." Houve-se a decisão ao rejeitar a hipótese de arbitramento condicional. Esse é o "- endendimento pacifico deste Conselho, como se observa nos julgados abaixo: "ARBITRAMENTO DO LUCRO - LIVRO DIÁRIO ESCRITURADO POR PARTIDAS MENSAIS - APRESENTAÇÃO TARDIA DO LIVRO RAZÃO E DO LALUR - A escrituração do Livro Diário de forma global e em partidas mensais, sem apoio em livros auxiliares, impossibilitando a verificação da exatidão do lucro real declarado: autoriza o seu arbitramento, que não pode ser elidido pela apresentação serôdia do Livro Razão e do LALUR, vez que não existe arbitramento condicional. (Acórdão n° 103-22.533/2006) ARBITRAMENTO CONDICIONAL — INEXISTÊNCIA — não produzem efeitos probatório, com vistas à exclusão do arbitramento, a apresentação de livros e documentos que deram causa ao mesmo, em momento processual posterior à ciência do lançamento. (Acórdão n° 101-96.039/2007)" O percentual de arbitramento foi corretamente aplicado no auto de infração, de vez que inexiste na legislação pertinente previsão de percentual especifico para atividade rural. Ademais, a autoridade fiscal noticiou a pouca significância dessa atividade nas receitas da recorrente: "Os números demonstram que a receita bruta mensal de suas atividades operacionais rurais sempre foi inferior a I% (um por cento) das receitas auferidas com aplicações fmanceiras, nunca superando o mesmo percentual, também, a relação Lucro e" Bruto/Resultado da Atividade Financeira (tais cálculos constam do precitado quadro comparativo, Planilha "B")" (destaques do original) O requerimento da recorrente para consideração dos custos na apuração dos ganhos com renda variável foi atendido no novo cálculo elaborado pela fiscalização, em cumprimento à determinação contida na Resolução n° 103-01.835/2006. A nova planilha juntada às fls. 552 contempla deduções de prejuízo, corretegem, emolumentos, registro de opções e transferência. A autoridade fiscal deixou registrado que a coluna "valor lançado" foi apurada na forma como deveria ser lançada no auto de infração (fls. 476). Também restou demonstrado na verificação que os ganhos em operações de renda variável não foram incluídos nas declarações de rendimentos, conforme detalhado no -- relatório de diligência. 18 . • Processo o° 10680.002576198-02 CC01/C01 Acórdão n.° 101-96.582 Fls. 19 As despesas com financiamentos bancários obtidos são classificáveis como despesas financeiras e integram o lucro líquido, e conseqüentemente o lucro real, não o lucro arbitrado, que se trata de regime de tributação com normas próprias, distintas daquelas ./ aplicáveis à apuração do lucro real. Convém observar que na tributação pelo lucro arbitrado, parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada na apuração do lucro mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica. O requerimento para compensação de tributos recolhidos no período-base foi adequadamente examinado na decisão contestada: "A defendente pleitea que seja efetuada, além da compensação dos tributos relativos às operações de mercado, também a dos demais tributos recolhidos durante o período-base, não relativos às precitadas operações. Compulsando-se os autos, verifica- se no auto de infração, às fls. 07 e 08 dos autos, no "Demonstrativo de Apuração do IRPJ", que em relação ao 1° semestre do ano-calendário de 1992, a fiscalização compensou o imposto líquido declarado, no valor correspondente a 6.696,77 UFIR, conforme consta da declaração de rendimentos à fl. 134; bem como o imposto retido na fonte recolhido no código 2103, no valor correspondente a 88,10 UFIR, conforme consta da Planilha "D", à fl. 100. Assim sendo, o pleito da impugnante, além de improcedente, afigura-se destituído de objeto, haja vista que ela sequer identifica quais "outros recolhimentos de tributos fritos durante o período-base" almejava compensar." A argumentação da recorrente quanto à inexistência de saldo credor de caixa não é relevante nestes autos. A autuação não contemplou tal infração, assim como também não incluiu a correção monetária da conta de lucros acumulados. Não obstante o acerto da decisão recorrida quanto ao mérito, um aspecto do lançamento não refutado pela interessada deve ser abordado no presente julgamento, em razão de contrariar a reiterada jurisprudência deste colegiado. Trata-se do agravamento do percentual de arbitramento até o limite de 30%, aplicado pela autoridade fiscal. Nesse particular, este Conselho tem se posicionado no sentido de considerar ilegais os percentuais progressivos, por entender que o Decreto-Lei 1.648/78 e o parágrafo único do artigo 21, da Lei 8.541/92, somente delegaram poderes ao Ministro da Fazenda para fixar percentuais de arbitramento de lucro, em função das diferentes atividades das pessoas - jurídicas, enquanto as Portarias 22/79 e 524/93 exorbitaram dessa competência ao estabelecerem agravamento dos percentuais, na hipótese de arbitramento do lucro em períodos sucessivos, o que configura penalidade, não tolerável no conceito de tributo previsto no artigo 3°, do CTN. A ementa abaixo transcrita reflete claramente esse entendimento: "IRPJ - IRF - PERCENTUAIS DE AGRAVAMENTO - Os atos normativos que estabeleceram agravamento dos percentuais de arbitramento estão viciados de ilegalidade, haja vista jamais existir delegação de poderes para tanto, mas, tão-somente, para determinação do percentual de arbitramento por atividade, com o mínimo de 15%." (Acórdão 108-06.127/2000) Dessa forma, deve ser aplicado o mesmo percentual de arbitramento (15%) em todos os períodos abrangidos pelo lançamento. Sobre a dedução do IRPJ e da CSLL para fins de cálculo do IRRF, constata-se que as bases de cálculo consideradas no demonstrativo de apuração (fls. 28/31) já estão f( 19 - e .4 Processo n° 10680.002576/98-02 CCOI/C01 Acórdão a° 101-96.582 Fls. 20 deduzidas do IRPJ e da CSLL exigidos nos respectivos autos de infração, conforme bem lembrado pela autoridade julgadora a quo. Por outro lado, a disposição legal de presunção de pagamento do lucro arbitrado aos sócios, na proporção da participação no capital social, v prevista no art. 549 do RIR194, diz respeito à tributação do imposto de renda pessoa física (1RPF), e não do 1RRF exigido da pessoa jurídica. No mais, de acordo com a consolidada jurisprudência deste colegiado, o decidido quanto ao auto de infração principal deve ser a estendido à tributação reflexa, uma vez / que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos fatos e elementos de convicção. .., CONCLUSÃO Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento, acolho a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores até março de 1993 (inclusive) e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo das receitas não operacionais aos valores i discriminados no quadro demonstrativo às fls. 552 e afastar o agravamento dos percentuais de arbitramento, aplicadando-se o mesmo percentual (15%) em todos os períodos abrangidos pelo lançamento. Sala das Sess es, em 05 de março de 2008 ALOYSIOskri • R 0, 1 10 .; • 'SILVA tv 20 Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1

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Numero do processo: 10711.006244/97-30
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2000
Ementa: A interpretação literal da lei pode ferir princípio constitucional da Não-Discriminação tributária, em razão da origem e destino da mercadoria. Provido recurso voluntário.
Numero da decisão: 301-29240
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em aprovar a anulação do Acórdão n° 301-28.798, proferindo-se um outro, dando provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Sérgio Fonseca Soares e Márcia Regina Machado Melaré. O Conselheiro Paulo Lucena de Menezes declarou-se impedido.
Nome do relator: Leda Ruiz Damasceno

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PROVIDO RECURSO VOLUNTÁRIO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em aprovar a anulação do Acórdão n° 301-28.798, proferindo-se um outro, dando provimento ao recurso voluntário, por maioria de votos, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Sérgio Fonseca Soares e Márcia Regina Machado Melaré. O Conselheiro Paulo Lucena de Menezes declarou-se impedido. Brasília-DF, em 12 de abril de 2000 ' ca.LL-- MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente /itt I LEDA RUIZ I• NO Relatora ti JUL 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO e FRANCISCO JOSÉ PINTO DE BARROS. Ausente o Conselheiro CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO. Snm . . • MINISTÉRIO DA FAZENDA - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.100 ACÓRDÃO N° : 301-29.240 RECORRENTE : VIAÇÃO AÉREA SÃO PAULO S/A - VASP S/A RECORRIDA : DRJ/RIO DE JANEIRO/RJ RELATOR(A) : LEDA RUIZ DAMASCENO RELATÓRIO Em sessão dos dias 22/07/98 e 16/03/99, a P Câmara do 3° Conselho do Contribuinte, apreciou respectivamente os Recursos 119.100 e G 119.072, provendo, por maioria, o recurso voluntário e negando, porunanimidade, o recurso de oficio. Devolvidos os processos à origem, verificou-se que houve um engano, pois o acórdão referente ao Recurso 119.100 (recurso de oficio) estava como recurso voluntário e vice-versa. Encaminhados os autos ao Conselho para nova apreciação, os respectivos acórdãos foram anulados, proferindo-se nova decisão e transferindo-se o relatório e voto, antes proferido no recurso voluntário para o recurso de oficio e, da mesma forma, o relatório e voto, antes proferido no recurso de oficio para o voluntário, da seguinte forma: Neste processo discute-se, tão somente o recurso voluntário, uma vez que o recurso "DE OFICIO" deve ser julgado no 0 Recurso n° 119.072, conforme Portaria SRF 4.980/94. Trata o processo de importação de dois rebocadores, modelo f396, auto propulsor, com motor a diesel com 400 HP, utilizado exclusivamente em aeroportos, para apoio a aeronave, com isenção de tributos previsto na Lei 8.032/90, Art. 6°, Lei 8.402/92, Decreto 86.228/81 (que ratificou a reciprocidade), Decreto 21.713/46 (Convenção sobre Aviação Civil Internacional), Decreto 54.173/64 e MP 1.508-15/97 (isenção de IPI). Adoto, em parte, o relatório da Decisão de Primeira Instância, que leio em sessão. 11) 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA G TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO R' : 119.100 ACÓRDÃO N° : 301-29.240 A autoridade monocrática julgou procedente em parte a ação fiscal para manter o IPI e o II e exonerar das multas de oficio pelo que recorre de oficio. A empresa, inconformada com a decisão recorre a este Conselho para reiterar os termos da impugnação e argüir que a decisão afronta cláusulas dos tratados internacionais, em plena vigência e cujo teor leio em sessão. É o relatório. • • 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA• TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.100 ACÓRDÃO N° : 301-29.240 VOTO Trata a presente ação fiscal de importação de equipamentos de solo sem similar nacional, que, segundo a decisão "a quo" não podem usufruir a isenção, vez que encontram-se fora do elenco constante o artigo 2° inciso II, alínea "j" da Lei 8.032/90. Ao aplicador da lei cabe atender aos fins sociais a que se dirige e às exigências do bem comum, é o que reza do artigo 5° da lei de Introdução ao Código Civil. E, ainda, a exegese da lei não pode levar em conta somente o elemento léxico, deve investigar os motivos por que a lei foi elaborada e seus antecedentes históricos. Não se pode estender mas não se pode restringir. Há na Constituição Federal o Principio de Igualdade tributária que compreende a igualdade de tratamento tributário entre iguais. "In casu", o equipamento é isento para as companhias estrangeiras e tributado no caso das Cias aéreas nacionais. Frente a esses conceitos jurídicos, passo a analisar os fatos que envolvem a questão ora discutida: O- há um acordo internacional de reciprocidade, isto é, quando os nossos equipamentos de solo vão para o exterior não há impostos e o mesmo ocorre aqui com os equipamentos das empresas estrangeiras; - não há similar nacional desses equipamentos; - esse equipamento é imprescindível para o funcionamento das aeronaves; O princípio da não discriminação tributária, em razão da procedência ou destino dos bens, CF art. 152, tem como objeto evitar que se dêem tratamentos fiscais diferenciados em razão da procedência ou do destino desses bens, da mesma natureza, é o princípio basilar que consagra a uniformidade tributária, o que no meu entender, "latu sensu", não ocorreu na Decisão recorrida fato é que, o bem importado é imprescindível para o 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.100 ACÓRDÃO N° : 301-29.240 funcionamento das aeronaves e, que, as Cias estrangeiras o trazem com isenção, não havendo relevância o fato de haver um acordo internacional no que tange ao absurdo do tratamento desigual. A interpretação literal, não é exatamente uma leitura léxica, até por que "a letra mata, o espírito dela é que deve vivificar", e cabe ao aplicador da lei, interpretá-la literalmente e justamente, até por que há implícito nesse comportamento o ultraje do Princípio da não-discriminação tributária. Não podemos acatar tratamento diferenciado de tal monta, prejudicando tão claramente a empresa nacional. Isto posto, proponho a anulação do Acórdão 301-28.798 e DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTARIO. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2000 / , LED • RUIZ DAM bt O - Relatora o MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.100 ACÓRDÃO N° : 301-29.240 DECLARAÇÃO DE VOTO A Lei n° 8.032, de 12/04/90, revogou as isenções e reduções do IPI e do Imposto sobre Importações, de caráter geral ou especial, que beneficiavam bens de procedência estrangeira, ressalvadas as exceções dispostas no corpo do próprio diploma legal citado. Dentre as exceções listadas, constata-se, no Art. 2°, I, , a concessão de isenções às "partes, peças e componentes destinados ao reparo, revisão e manutenção de aeronaves e embarcações." No caso em debate, a recorrente importou um carregador de contêineres e pallets a diesel, que é um "equipamento de uso no solo", não abrangido, portanto, pela norma isencional disposta na lei interna nacional. A questão deve ser analisada, portanto, sob a ótica da eficácia das convenções internacionais, tal como fundamenta o recorrente em suas razões recursais. Porém, também sob este prisma, entendo correta a decisão recorrida. O Decreto n° 86.228, de 28 de julho de 1981 determinou a Oobservância das Normas e Recomendações da Oitava Edição do Anexo 9 à Convenção de Aviação Civil Internacional, relativas à facilitação do transporte aéreo. Nessas Normas consta, no item 4.42, a seguinte Recomendação, de caráter facultativo: "O equipamento de terra e o equipamento de segurança, importado no território de um Estado Contratante, por uma empresa de transporte aérea de outro Estado Contratante, para uso dentro dos limites de um aeroporto internacional, relacionado com o estabelecimento ou manutenção de serviço internacional operado por essa empresa, deve ser admitido isento de pagamento de direitos aduaneiros e, na medida do possível, de taxas e outros gravames, sujeitos aos cumprimentos dos regulamentos do Estado Contratante em causa. Tais regulamentos não imporão restrições excessivas para uso, pela empresa, do equipamento de terra e equipamento de segurança". 6 ii MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES‘ PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 119.100 ACÓRDÃO N° : 301-29.240 Atentando-se à literalidade do texto, constata-se que a decisão recorrida está de acordo com a norma citada, não havendo como conceder à importação em questão a isenção de tributos. Meu voto é, assim, no sentido de ser mantida integralmente a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 12 de abril de 2000 r lb _________ MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ - Conselheira Cr 7 • , .. MINISTÉRIO DA FAZENDA P. TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5' PRIMEIRA CÂMARA Processo n°:10711.006244/ 97-30 Recurso n° :119.100 TERMO DE INTIMAÇÃO *Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento terno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n°301.29.240 Brasília-DF, esi-Iti" .A— tEdLe Ch 02C00. . Atenciosamente, .._-"5"-------- . __---------c-----)-- 11 Moacyr Eloy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara Ciente em ,fr • POGG il aikA.-C,9 .c.Sfioh, dose c?, ruurasur da FazeadarniNates Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1 _0009300.PDF Page 1 _0009400.PDF Page 1 _0009500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10680.014760/2004-88
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPJ – REMESSAS AO EXTERIOR NÃO CONTABILIZADAS – PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - Nos preciso termos do art. 40 da Lei nº 9.430/96, presume-se omissão de receita a utilização de recursos à margem da escrituração em remessas para o exterior não contabilizadas. Consoante Súmula 14 deste Colegiado, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude tributária. IRF – PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO – Nos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, o imposto na fonte, quando não recolhido, deve ser exigido com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e reajuste da base de cálculo. O que se está punindo é o não recolhimento do imposto de renda na fonte e não a omissão do beneficiário ou da causa. IRPJ/PIS/IRF – DECADÊNCIA – É de 5 (cinco) anos o prazo decadencial para lançamento de crédito tributário relativo ao IRPJ, PIS e IRF. CSLL, e COFINS - DECADÊNCIA – As contribuições para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e para a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial dessas contribuições se faz de acordo com o Código Tributário Nacional, mais precisamente no art. 150, § 4º, dessa lei nacional, ou, em havendo ocorrência de fraude, dolo ou simulação, como ocorreu na espécie, no artigo 173, inciso I, dessa lei nacional. Os autos de infração referentes à CSLL e à COFINS foram cientificados ao sujeito passivo em 01/12/2004, quando já atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos em 30/11/99.
Numero da decisão: 107-09.190
Decisão: ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/11/99.Vencidos os Conselheiros Luiz Martins Valero (relator) e Albertina Silva Santos de Lima que não acolhiam a decadência pra CSLL e COFINS e o Conselheiro Jayme Juarez Grotto que não acolhia para a CSLL, COFINS e PIS. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício a 75%, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Marcos Vinicius Neder de Lima.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carlos Alberto Gonçalves Nunes

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SÉTIMA CÂMARA '•; Processo n° :10680.014760/2004-88 Recurso n° : 150.738 Matéria : IRPJ E OUTROS — Ex.: 2000 Recorrente : BR GEMS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida : 3° TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Sessão de :17 DE OUTUBRO DE 2007 Acórdão n° :107-09.190 IRPJ — REMESSAS AO EXTERIOR NÃO CONTABILIZADAS — PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS - Nos preciso termos do art. 40 da Lei n° 9.430/96, presume-se omissão de receita a utilização de recursos à margem da escrituração em remessas para o exterior não contabilizadas. Consoante Súmula 14 deste Colegiado, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por Si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude tributária. IRF — PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO — Nos pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, o imposto na fonte, quando não recolhido, deve ser exigido com a multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e reajuste da base de cálculo. O ' que se está punindo é o não recolhimento do imposto de renda na fonte e não a omissão do beneficiário ou da causa. IRPJ/PIS/IRF — DECADÊNCIA — É de 5 (cinco) anos o prazo decadencial para lançamento de crédito tributário relativo ao IRPJ, PIS e IRF. CSLL, e COFINS - DECADÊNCIA — As contribuições para a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), e para a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em conformidade com os arts. 149 e 195, § 40, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial dessas contribuições se faz de acordo com o Código Tributário Nacional, mais precisamente no art. 150, § 40, dessa lei nacional, ou, em havendo ocorrência de fraude, dolo ou simulação, como ocorreu na espécie, no artigo 173, inciso I, dessa lei nacional. Os autos de infração referentes à CSLL e à COFINS foram cientificados ao sujeito passivo em 01/12/2004, quando já atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos em 30/11/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BR GEMS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. aa • te 1.'' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA4 .; ,,S.:.,a'e> Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/11/99, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Luiz Martins Valero (relator) e Albertina Silva Santos de Lima que não acolhiam a decadência para CSLL e COFINS e o Conselheiro Jayme Juarez Grotto que não acolhia para a CSLL, COFINS e PIS. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiros Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso para reduzir a multa de oficio a 75%, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Silvana Rescigno Guerra Barretto (Suplente Convocada) e Marcos Vinic' • :der de Lima. 10 MARCO I f IUS NEDER DE LIMA#11P PRESID: E Skni-~C. CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES REDATOR-DESIGNADO FORMALIZADO EM: 1 z NOV 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: HUGO CORREIA SOTERO e LISA MARINI FERREIRA DOS SANTOS. e 2 n • 41 C-44 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES wp; SÉTIMA CÂMARA 4;f4,-n-s: Processo n° : 10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 Recurso n° :150738 Recorrente : BR GEMS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. RELATÓRIO Contra a contribuinte nos autos identificada foram lavrados Autos de Infração de As. 03/27, para formalização e cobrança de créditos tributários relativos diretamente ao Iritosto de Renda da . Pessoa Jurídica — IRPJ e reflexamente ao Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, totalizando à época R$ 353.528,69, inclusos juros de mora e multa de oficio no percentual de 150%. Tais Autos de Infràção tiveram como base fática a constatação de omissão de receitas por falta de escrituração de pagamento. Segundo a fiscalização a contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos empregados em operações nas quais figurou como remetente de numerários para o exterior. Ainda segundo a fiscalização, tais operações não foram registradas na contabilidade do sujeito passivo, sujeitando a contribuinte à tributação por omissão de receita. Importante ressaltar que o procedimento fiscal em comento se originou em operação policial que visava à apuração da conduta da empresa Beacon Hill Service Corporation, sendo a autuada apontada como beneficiária do valor de US$ 299.998,96 e remetente do valor de US$ 275.370,40. Em Fls. 28/34 encontra-se o Termo de Verificação Fiscal onde a autoridade autuante relata o procedimento adotado na lavratura dos referidos Autos de Infração, em especial no tocante ao histórico das apurações efetuadas pela Policia e Receita Federal, além do teor das intimações direcionadas à fiscalizada. 3 ti/ • '54 MINISTÉRIO DA FAZENDA• *.• 2" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 A título de enquadramento legal foram apontados os seguintes dispositivos: IRPJ — artigo 841, I a IV, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/94, artigos 15 e 24 da Lei n°9.249/95 e artigos 1°, 25 e 40 da Lei n°9.430/96; PIS — artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70, artigo 24, § 2° da Lei n° 9.249/95, artigos 2°, I, 8°, I e 9° da Lei n° 9.715/98 e artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/98; COFINS — artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 7/70, artigo 24, § 2° da Lei n°9.249/95 e artigos 2°, 3° e 8° da Lei n°9.718/98: ' CSLL — artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689/88, artigos 19, 20 e 24 da Lei n° 9.249/95, artigo 29 da Lei n° 9.430/96, artigo 6° da Medida Provisória n° 1.807/99 e artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858/99; • IRRF — artigo 61 e §§ da Lei n° 8.981/95. Inconformada com as exigências das quais tomara conhecimento em 01/12/2004, Fl. 157, a contribuinte oferecera em 30/12/2004, tempestiva impugnação de Fls. 170/186; onde em sua defesa alega o seguinte: • - Inicialmente, após tecer comentários sobre as circunstâncias em que se deu a autuação, arguiu, em sede preliminar, a extinção do crédito fazendário em virtude do decurso do prazo decadencial. Alegou que, sendo o Termo de Início de Fiscalização datado de . 09/09/2004, todos os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 09/09/1999 estariam extintos pela decadência; - Asseverou que, sob pena de nulidade do lançamento, o princípio da ampla defesa e do contraditório obriga que a irregularidade apontada pela fiscalização seja cabalmente demonstrada; 4 1-5 • • *."*49,. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA .4Lr? Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 - Sustentou que a validade do lançamento está adstrita à demonstração do alegado vínculo entre a autuada e a Beacon Hill. Neste sentido, aduziu que a documentação acostada pelo autuante em Fls. 46/49, além se não se prestar a respaldar a acusação fiscal, não se enquadra no conceito jurídico de prova; - Tendo como principal argumento a propalada deficiência do conjunto probatório, reiterado em vários trechos da peça defensiva a contribuinte insistiu no fato de que a fiscalização não conseguira comprovar sua relação com a Beacon Hill. Incisiva neste ponto, sustentou quer inexistem documentos ou informações que indiquem que a Beacon Hill estivesse autorizada a praticar atos em seu nome; - Argumentou que o procedimento levado a cabo pela fiscalização está calcado tão somente na presunção da ocorrência do fato imponivel, o que é inadmissível na atividade de lançamento. Nesta senda, alegou que tanto a deficiência do aparato probante quanto a impossibilidade de lançamento com base em presunção são falhas que impõem a declaração de improcedência de todo o procedimento. Procurou reforçar sua tese transcrevendo julgados proferidos no âmbito administrativo; - Com fundamento no que aduziu, pleiteou a decretação da nulidade dos Autos de Infração, ou, no mérito, sua improcedência. Remetidos os autos à 3° Turma de Julgamento da DRJ/BHE, aquele Colegiado, por considerar duvidosa a natureza da multa aplicada (se qualificada ou agravada), mediante despacho de Fls. 202/208, determinou a baixa à repartição de origem, para que o autuante esclarecesse tal questão. Em Relatório de Diligência Fiscal de Fls. 211/214, a autoridade diligenciante aduziu tratar-se de multa qualificada, haja vista o evidente intuito de fraude presente na conduta da contribuinte. An 7 15 e'eal" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 7 SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 De volta à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte—MG, a impugnação acima sumarizada restou infrutífera, uma vez que a referida Turma ao acompanhar o voto do Relator, optou por manter as exigências inicialmente impostas. Formalizado no Acórdão DRJ/BHE n° 9.871, de 23 de novembro de 2005, Fls. 263/274, o entendimento da 10 instância restou assim explicitado: - Iniciaram afastando a preliminar de decadência sob o argumento de que esta não se define pela data do termo de início de fiscalização. Embora reconheçam que os tributos/contribuições discutidos nestes autos são sujeitos ao lançamento por homologação, asseveraram que a regra do § 4°, do artigo 150 não se aplica ao caso, uma vez que a autoridade fiscal constatou evidente intuito de fraude. Assim, existindo indícios de fraude, dolo ou simulação, a regra aplicável é a estabelecida no artigo 173, I, do CTN. Destarte, considerando que a autuada optava, no período fiscalizado, pela apuração com base no lucro presumido, o prazo decadencial começaria a fluir em 02/01/2000 e teria como termo final 02/01/2005. Como a contribuinte tomou ciência do lançamento em 01/12/2004, não há que se falar em decadência; - No tocante aos créditos referentes às contribuições sociais — PIS, Cofins e CSLL — ressalvaram que o prazo decadencial de contribuições desta natureza rege-se pelo disposto no artigo 45, da Lei n° 8.212/91. Desta feita, embora com fundamentos diferentes para os tributos e para as contribuições, a preliminar de decadência restou rejeitada pelo Colegiado; - No mérito, afastaram o argumento da defesa de que jamais realizara atividade de remessa de divisas ao exterior que não estivesse devidamente contabilizada. Acrescentaram que os elementos que dão suporte ao lançamento fora obtidos junto ao Departamento de Polícia Federal e à Promotoria do Distrito de Noval" 6 )‘-e , it MINISTÉRIO DA FAZENDA 4":;*::....2; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 WP"'i SÉTIMA CÂMARA 4-°:1-t5 Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 Iorque (EUA), através de decisão judicial de Fls. 85/96 e 107. Ademais, os dados obtidos resultaram na elaboração, pelo Instituto Nacional de Crirninalística — INC, dos laudos de Fls. 50/59 e 100/106, nos quais são consolidadas as movimentações financeiras constantes na subconta Lonton Trading, administrada pela Beacon Hill; - Aduziram que os laudos confeccionados pelo INC, cujo teor servira de base para a apuração das operações em que a fiscalizada aparece como ordenante ou remetente de divisas (ver Representação Fiscal de Fls. 40/45), não são meros indícios, mas prova direta da ocorrência do ilícito. Reforçaram tal entendimento transcrevendo excertos da doutrina; - Descreveram sucintamente o trabalho da Polícia Científica, destacando que em sua conclusão os peritos consolidaram as movimentações financeiras bem' como apresentaram as ordens eletrônicas de pagamento emitidas e recebidas; - Forte no até aqui exposto, rechaçaram as alegações defensivas de fragilidade de provas e de lançamento com base em presunção; - Acrescentaram que ainda que se tratasse de presunção simples, nada obstaria seu emprego em matéria tributária. Contudo, esclareceram que o fator que motivou o lançamento foi a falta de comprovação da origem de recursos empregados em remessas ao exterior, enquadrado corretamente na hipótese do artigo 40, da Lei n° 9.430/96, que traz ao ordenamento uma presunção legal de omissão de receitas, onde a prova em contrário cabe ao sujeito • passivo; 41 7 JIB • is+.4A4k...44 MINISTÉRIO DA FAZENDA e. ;4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 74L; SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 - Entenderam que não existe a alegada necessidade de se comprovar o vinculo entre a autuada e a Beacon Hill, uma vez que as remessas em nome da autuada estão comprovadas. Ademais, existe prova nos autos de que a defendente registrou operações, em concurso com a Beacon Hill, nas quais figura como beneficiária; - Salientaram que os lançamentos em questão tiveram por objeto apenas as operações de remessa efetuadas de forma irregular, razão pela qual não procede o argumento de que a autuada estaria • sendo acusada de atos ilegais pelo simples fato de ter se utilizado de serviços da Beacon Hill; - Mantiveram a multa em seu percentual qualificado, pois entenderam 1. que o fato da contribuinte não ter escriturado as remessas apuradas configura o evidente intuito de fraude apto a exasperar a multa para o percentual de 150%, nos precisos termos do inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96; .• lrresignada com o teor desfavorável do Acórdão acima resumido, do . . qual fora cientificada em 21/12/2005, Fl. 278, a contribuinte recorre a este Primeiro Conselho através do Recurso Voluntário de Fls. 279/294, interposto em 20/01/2006 e garantido com o arrolamento de Fl. 295. Em sua peça recursal pretende reformar a decisão de V instância sustentando as seguintes razões: - De plano, reitera a arguição de decadência, sustentando que o crédito exigido encontra-se extinto pelo decurso de prazo para seu • lançamento. No tocante ao fundamento oferecido pela DRJ para afastar a decadência em relação às contribuições sociais, alega que não se pode aplicar o disposto na Lei n° 8.212/91(ordinária), haja vista que o artigo 146, III, "b", da Constituição Federal, estabelece que o instituto da decadência deve ser regulado por Lei 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 Complementar. Na esteira de seu raciocínio, transcreve julgados que entende corroborar sua tese; - Insiste, a exemplo da defesa apresentada em 1° instância, na tese de fragilidade de provas, na inexistência de comprovação de qualquer vinculo com a Beacon Hill e na impossibilidade de se efetuar lançamento com base em mera presunção. Sobre o tema "presunção", colacionou decisões administrativas com as quais pretende reforçar seu argumento; - Insurge-se contra a aplicação da multa qualificada, reputando-a ilegal e inconstitucional por assumir caráter confiscatório. Ainda em relação à aplicação da multa qualificada, assevera que esta não pode incidir sobre pagamentos a beneficiários não identificados nos casos em que a contribuinte seja optante pelo lucro presumido, posto que em tal sistemática existe o pressuposto legal de que as empresas operam com uma margem líquida determinada pela aplicação de um percentual sobre sua receita bruta, sendo o restante considerado como dispêndios; - Requer que o presente recurso seja recebido e no mérito provido, com a reforma da sentença e o consequente cancelamento do crédito tributário pretendido pelo Fisco. É o Relatório. 46) 7 9 • 4ft L''.:1+; - MINISTÉRIO DA FAZENDA 'de? frit PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES " 4% SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 VOTO Conselheiro - LUIZ MARTINS VALERO, Relator. Recurso tempestivo e que atende os demais requisitos legais. Dele conheço. Rejeito as preliminares argüidas, pois considero que os elementos carreados aos autos, notadamente o Laudo Pericial elaborado pela Polícia Federal são incisivos no sentido de apontar a recorrente como remetente dos recursos ao exterior, logo, houve saídas de recursos não contabilizados. A acusação que motivou a presunção legal de omissão de receitas é a existência de pagamentos não contabilizados. O fato de os pagamentos considerados para fins de aplicação da presunção legal do art. 40 da Lei n° 9.430/96 estarem representados pelas remessas ao exterior não influiu na motivação para a tributação que, repita-se, está centrada no fato presumido de que "dispor de recursos à margem da dontabilidade i denota a e5dstência de anterior receita omitida". Ora, sem dúvida a presunção foi bem aplicada. Com efeito, o fato índice que permite ao fisco lançar mão da presunção legal é a existência de pagamentos não contabilizados, não importando aqui o destino de tais pagamentos — se a beneficiário no Brasil ou no Exterior - ou a sua causa. Agora, a aplicação de uma presunção legal de omissão de receitas não pode levar automaticamente à qualificação da penalidade, pois a exasperação do percentual da multa de ofício requer prova do fisco de que presente o evidente intuito de fraude, nos precisos termos do art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. Nos autos, só consta a afirmação da fiscalização de que a multa fora qualificada, mas não há nada a respeito do tipo penal previsto no art. 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. Nesse sentido a Súmula n° 14 deste Colegiado: 10 • kt MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.01476012004-88 Acórdão n° :107-09.190 Súmula 1°CC n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Claro que outras circunstâncias poderiam tomar patente a conduta dolosa, como ultimamente tem decidido esta Câmara, como, por exemplo, os valores envolvidos a conduta sistemática e reiterada e outras artimanhas significativas. Mas no caso em exame, os pagamentos não contabilizados no ano de 1999 representaram menos de 5% (cinco por cento) da receita declarada. Incabível, portanto, a majoração da penalidade no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) para as exigências relativas ao imposto de renda das pessoas jurídicas, contribuição social sobre o lucro e contribuições ao PIS/Pasep e COFINS. Ressalte-se que esse entendimento aplica-se somente no âmbito tributário e em relação aos fatos e circunstâncias que transparecem dos autos em exame, sem interferência na apuração de eventual crime cambial ou de evasão de divisas, ou até tributário, a cargo das autoridades competentes. Não restando provado o evidente intuito de fraude tributária, para o imposto de renda das pessoas jurídicas e para a contribuição ao PIS/Pasep o prazo decadencial é o previsto no art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, como os Autos de Infração foram notificados ao contribuinte em 01.12.2004, para os fatos geradores ocorridos até 30.11.99, operou-se a decadência do direito do fisco de formalizar exigências tributárias. O mesmo entendimento não aplico no tocante à Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), pois, nos preciso termos do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial é de 10 (dez) anos contados do fato gerador, não cabendo a este Colegiado afastar a aplicação de lei legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. /‘ 11& • £ t MINISTÉRIO DA FAZENDA• **;;--::•.4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° : 107-09.190 No tocante à exigência de Imposto de Renda na Fonte (IRF), previsto no art. 61 da Lei n° 8.981/95, trata-se, como relatado, de acusação de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Dispõe o referido artigo, consolidado no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99: °Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, ã alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2°, do art. 74. da Lei n°8.383, de 1991. • (•••). Desnecessário adentrar na natureza jurídica dessa exigência, objeto de acalorados debates no âmbito deste Colegiado e da doutrina especializada. Para os fins do voto que vou proferir neste ponto basta meu entendimento de que a aplicação do dispositivo não é uma conseqüência automática da constatação de omissão de receitas. Deveras, tributada a receita omitida, valida-se um resultado que se encontrava à margem da tributação pelo imposto de renda e contribuição social, logo a reserva advinda da tributação desse resultado, em tese, poderia ser distribuída aos sócios sem tributação na fonte, por conta da isenção trazida pelo art. 10 da Lei n° 9.249/95. Se na retirada e destinação de recursos de contas do disponível, ainda que não contabilizados, não se identifica o beneficiário ou a causa do dispêndio, perde o fisco a chance de avaliar o tratamento tributário a ser dado ao rendimento. Mas isso não significa que a fiscalização possa aplicar de plano essa tributação sem que esgote as possibilidades de identificar, ela, a causa e o beneficiário do rendimento, pois o tratamento tributário normal há sempre que prevalecer sobre a regra de exceção que representa a incidência em análise. Pois bem, deixando de lado o fato de que nas remessas ao exterior, ainda que não se conheça o beneficiário ou a causa, há previsão legal de tributação 12 }.0 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,..+ 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES z ' P -,L”.-4 SÉTIMA CÂMARA , - Processo n° : 10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 especifica, admitindo-se como correta a aplicação pela fiscalização da tributação exclusiva do art. 61 da Lei n° 8.981/95, as saídas de recurso eqüivalem a um pagamento a terceiro, cujo ônus do imposto a lei autoriza a fonte pagadora a assumir, por isso o reajuste da base de cálculo prevista na legislação. Referido imposto na Fonte, quando não recolhido, deve ser exigido com a multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento). O que se está punindo aqui é o não recolhimento do imposto de renda na fonte e não a omissão do beneficiário ou da causa, sob pena de aceitarmos a absurda utilização de tributo como forma de punição pelo pagamento "anônimo". Não há que se falar, portanto em dolo, fraude ou simulação no âmbito tributário, logo a multa incidente sobre a exigência de Imposto de Renda na Fonte é de 75% (setenta e cinco por cento). Em conseqüência, o prazo decadencial para exigência de IRF é de cinco anos contados de cada fato gerador. Ressalte-se, novamente, que esse entendimento não tem relação comj eventual apuração de crime cambial ou de evasão de divisas, cuja competência de apuração não é da autoridade tributária. Por isso, também estão atingidas pela decadência as exigências relativas a imposto de renda na fonte, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 30.11.99. Nessa ordem de juizo, voto por se dar provimento parcial ao recurso para, afastando, as preliminares de nulidade, excluir as exigência relativas ao IRPJ, PIS/Pasep e IRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 30.11.99, aplicando-se a multa de 75°/. (setenta e cinco por cento) às exigências remanescentes. Sala das Sessões - DF, em 17 de outubro de 2007. iAe. UIZ M • RTIN•VALER° 13 $ MINISTÉRIO DA FAZENDA •4 • ,f PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES <ia SÉTIMA CÂMARA Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 VOTO VENCEDOR Conselheiro — CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES — Redator Designado: Acompanho o voto do ilustre relator, à exceção do que se refere à decadência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A jurisprudência desse Colegiado que, em diversos arestos, tem-se manifestado no sentido de que o prazo de decadência das contribuições é de 5(cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, em conformidade com o disposto no § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN), salvo na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não se verificou na espécie. No mesmo sentido tem decidido a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como fazem certo os Acórdãos n° CSRF/01-05.470, de 19/06/2006, CSRF/01-05-246, de 14/06/2006, CSRF/01-05-523, de 18/09/2006, CSRF/01-05-501, de 18/09/2006, dentre inúmeros outros. As contribuições para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e para a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), em conformidade com os arts. 149 e 195,j 4°, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial dessas contribuições se faz de acordo com o Código Tributário Nacional, mais precisamente no art. 150, § 4°. 14 1 1. MINISTÉRIO DA FAZENDA '• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES cet rigV,:. SÉTIMA CÂMARA "J: 1 Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 Este entendimento tem sido aplicado em decisões monocráticas pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal, como jurisprudência da Suprema Corte, adotada por unanimidade de votos, Plenário. Registre-se alguns desses despachos: No RE 552757-RS, Ministro Carlos Britto, Julgamento em 28/06/2007 (DJ 07/08/2007); RE 548785/RS, Ministro Eros Grau, Julgamento em 26/06/2007 (DJ 15/08/2007); RE 540704,/RS, Ministro Marco Aurélio, Julgamento em 206/06/2007 (DJ 08/08/2007) Como se vê, é o próprio Supremo Tribunal Federal a manifestar-se no sentido de que o prazo decadencial das contribuições em tela é de 5 (cinco) anos, e a seguir-lhe os passos não está a Câmara Superior de Recursos Fiscais decretando inconstitucionalidade de lei alguma, o que, aliás, reclamaria manifestação expressa, o que seria um absurdo. Afinal, somente a Egrégia Corte tem competência para tanto. É, antes de tudo, uma questão escolar. O STJ já se manifestou no sentido de que o prazo decadencial, mesmo para as contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195.é de 5 (cinco) anos, como se verifica do AgRg no RECURSO ESPECIAL N°616.348 - MG (2003,0229004-0), de 14/12/2004: "1. " omissis" 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social. 3. Instauração do incidente de inconstitucionalidade perante a Corte Especial (CF, art. 97; CPC, arts. 480-482; RISTJ, art. 200). A CSLL e a COFINS são suscetíveis de pagamento pelo contribuinte, independentemente de qualquer providência do fisco, cumprindo-lhe, então verificar a/h 15 1( • '4+.4 MINISTÉRIO DA FAZENDA (# PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Wi SÉTIMA CÂMARA 4:f >- Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houver tributo a ser pago. Amolda-se, portanto, à hipótese do art. 150, § 4 0 , do CTN. O referido dispositivo está assim redigido: § 4° - Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (negritei) Pretender o prazo mais alongado de que trata o art. 173, "data venia", não tem sentido, salvo na ocorrência de fraude, simulação ou conluio. O legislador ordinário pode fixar outro prazo para a homologação desde que menor do que o estabelecido no retrotranscrito § 40• É o que ensina a Doutrina, nas lições de Aliomar Baleeiro, "in" Direito Tributário Brasileiro, Forense, 9a edição, pág. 478; Fábio Fanucchi, em sua obra Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Resenha Tributária, 3a edição, Vol. I, pág. 297; Luciano Amaro, em Direito Tributário Brasileiro, Saraiva, 6° edição, pág.387; Alberto Xavier, "in" Do Lançamento- Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Forense, ed. 1997, pág. 94; Sacha Calmon Navarro Coelho, em Curso de Direito Tributário Brasileiro, Forense, 1999, pág. 672; e Leandro Paulsen, em Código Tributário Nacional, Livraria do Advogado, editora/ESMAFE-RS, Porto Alegre, 2000, pág.502, dentre outros. Não pode fixar prazo maior por uma simples razão. A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. (D.O.U. de 27.10.66, ret. no DOU de 31/1066, foi promulgada para regular, com fundamento na Emenda Constitucional n° 18, de 1° de dezembro de 1965, o sistema tributário nacional e 16 " 41,41»44 a • MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES patk SÉTIMA CÂMARA,,,r•tar• Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° :107-09.190 estabelecer, com fundamento no artigo 5°, inciso XV, alínea b, da Constituição Federal, as normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, sem prejuízo da respectiva legislação complementar, supletiva ou regulamentar. Por disposição do artigo 7° do Ato Complementar da Presidência da República n° 36, de 13 de março de 1.967, esta Lei, incluídas as alterações posteriores, foi elevada à categoria de Lei Complementar, passando a denominar-se CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Assim, todas as alterações nela introduzidas por leis ordinárias, foram elevadas à categoria de lei complementar. A partir daí, somente lei complementar poderá dispor sobre normas gerais de direito tributário, como é o caso das normas sobre decadência. É uma garantia do contribuinte nacional e de segurança jurídica que não pode ser alongada pelo legislador ordinário. E é por isso que somente se admite o encurtamento do prazo. O contribuinte fez a parte que lhe competia; o fisco é que não fez a dele, isto é, lançar as contribuições, na forma e no tempo previsto no ar/. 150, § 4°, do CTN. A necessidade de lançar o crédito tributário e a conseqüência de sua inobservância foram objeto do Resp n° 332.693 (2001-0096668), relatora Ministra Eliana Calmon, da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, unânime, cuja ementa está assim redigida: "TRIBUTÁRIO — CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — DECADÊNCIA. 1) O fato gerador faz nascer a obrigação tributária, que se aperfeiçoa com o lançamento, ato pelo qual se constitui o crédito correspondente à obrigação (arts. 113 e 142 do CTN). 17 fÉ9 t . . -, MINISTÉRIO DA FAZENDA-. ..,t1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Ir Processo n° :10680.014760/2004-88 Acórdão n° : 107-09.190 2. Dispõe a FAZENDA do prazo de cinco anos para exercer o direito de lançar, ou seja, constituir o seu crédito tributário. 3. O prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, nem por ordem judicial nem por depósito do devido. (grifei) 4) Com depósito ou sem depósito, após cinco anos do fato gerador, sem lançamento, ocorre a decadência. 5. Recurso especial provido". Merece especial atenção os seguintes excertos do voto da ilustre relatora: "Quero aqui destacar que não houve pagamento antecipado ou não antecipado, como pode sugerir o disposto no art. 150 do CTN. A empresa apenas se antecipou, com a cautelar, para barrar a execução, se assim fosse procedido pelo Fisco que, antecedentemente, ainda teria de constituir o crédito tributário, o qual deixou escapar pelo decurso do tempo. Sabendo-se que é decadencial o prazo para a constituição do crédito tributário e que o prazo decadencial não sofre suspensões ou interrupções, pois, como a história, tem marcha irreversível, surge a obrigação pela ocorrência do fato gerador e, a partir daí, nada pode barrar a fluição da decadência, senão o lançamento, que é da alçada única do Fisco, que terminou por não fazê-lo, na hipótese dos autos. Dentro deste contexto, acolho a tese contida no recurso para reformar o acórdão e dar provimento ao especial, declarando a inexistência da relação jurídica, por força da decadência. " (negritei) Os autos de infração referentes à CSLL e à COFINS foram cientificados ao sujeito passivo em 01/12/2004, quando já atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos em 30/11/99. Nesta ordem de juízos, acolho ainda a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos até 30/11/99 para a CSLL e a COFINS. Sala das Sessões - DF, em 17 de outubro de 2007. ‘4,71 CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES 18 Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025200.PDF Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025400.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025600.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10725.000313/2001-35
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não há previsão legal para exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA como condição para exclusão dessa área de tributação pelo ITR. O reconhecimento comprova-se por meio de laudo técnico e outras provas documentais. A obrigatoriedade de apresentação do ADA teve vigência partir do exercício de 2001, inteligência do art. 17-O da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1o da Lei no 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 302-37.926
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Corintho Oliveira Machado e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Mercia Helena Trajano Damorim

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Recorrida DRJ-RECIFE/P E • ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não há previsão legal para exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA como condição para exclusão dessa área de tributação pelo ITR. O reconhecimento comprova-se por meio de laudo técnico e outras provas documentais. A obrigatoriedade de apresentação do ADA teve vigência partir do exercício de 2001, inteligência do art. 17-0 da Lei n' 6.938/81, na redação do art. 1' da Lei tf 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. III Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Corintho Oliveira Machado e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. a.A._ citilr. JUDITH D4tA L MARCONDES ARMANDO - residente.-ft- MtCIA 1-ijelLENAtd---#TRArNO D'APM41191)0RIM -rRelatora i Processo n° 10725.000313/2001-35 • CCO3/002 Acórdão n.° 302-37.926 Fls. S I Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luciano Lopes de Almeida Moraes, Luis Antonio Flora e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente). Ausente o Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior. Esteve presente a Proc radora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. G • 2 Processo n° 10725.000313/2001-35 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-37.926 Fls. 82 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório da decisão recorrida, à f1.45, que transcrevo, a seguir: "Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/08, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício 1997, relativo ao imóvel denominado "Fazenda São Pedro de Alcântara", localizado no município de São Francisco de Itabapoana - RJ, com área total de 1.277,2 ha, cadastrado na • SRF sob o n° 177661-4, no valor de R$ 31.659,91, acrescido de multa de lançamento de oficio no valor de R$ 23.744,93, e de juros de mora, calculados até 21/03/2001, perfazendo um crédito tributário total de R$ 76.642,30. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/1997 e dos documentos coletados quando do lançamento do exercício 1997 do mesmo imóvel, a fiscalização apurou as infrações relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 03. Solicitada a anexação de AR, foi anexado cópia de AR datado de 24/05/2001, fl. 23. Não havendo sido comprovada a data da ciência do auto de infração, há de se considerar a data de recepção da impugnação como a data da ciência. O auto de infração é datado de 21/03/2001. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 03/05/2001, a impugnação de fl. 18, Ata de Assembléia Geral, fl. 31, Procuração à fl. 41, alegando, em síntese: Ocorre que o prazo para a entrega do Ato declaratório Ambiental — ADA foi prorrogado pelo IBAMA, conforme Portaria 152, de 10/11/98, no seu art. I°, cópia em anexo, inclusive já deixada uma cópia com a Auditora autuante, para instrução de processos do mesmo teor. Não havendo sido transgredida norma alguma, nem havendo prejuízo para o fisco, solicita o arquivamento do auto de infração, para que se restaure a justiça fiscal." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RCE n 8.482, de 18/06/2004 (fls. 43/53), proferida pelos membros da P Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, ver is: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 Ementa: FATO GERADOR DO ITR. 3 Processo n°10725.000313/2001-35 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-37.926 Fls. 83 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em I" de janeiro de cada ano. ÁREA DE PRESERVAÇA-0 PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo lbama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Assunto: Processo Administrativo Fiscal • Exercício: 1997 Ementa: INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATORIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997 Ementa: ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente." Inconformado, o interessado apresenta recurso, tempestivamente, às fls. 56/63 e • documentos às fls. 64/73, repisando praticamente os mesmos argumentos anteriores. Ressaltando que não pode prevalecer a formalidade, ao invés da, materialidade dos fatos, confrontando o art. 113 do CTN. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 79, que trata do trâmite dos autos no âmbito deste Conselho. É o relatório. 4 Processo n° 10725.000313/2001-35 CCO3/CO2 Acórdão n.° 302-37.926 Fls. 84 Voto Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA tomou-se obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do 1TR, por força da Lei n° 10.165, de 28112/2000. Dispõe o art. 17-0 daquela Lei, "in verbis": • "Art. 17-° Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria. § I° - A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (4" Não obstante a DRJ mencionar o comando do art. 10 da Instrução Normativa SRF n°43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n°67, de 01/09/1997, no tocante aos prazos de apresentação do respectivo ADA. Observa-se, no entanto, que o contribuinte, declarou, nos autos, que o prazo para a entrega do Ato declaratório Ambiental — ADA tinha sido prorrogado pelo IBAMA, conforme Portaria 152, de 10/11/98, no seu art. 1°, à fl. 20, onde dispõe: " Todos os formulários "Ato Declarató rio Ambiental-ADA" referentes ao ITR 1997, apresentados às unidades descentralizadas do IBAMA após a data de 21 de setembro de 1998, deverão ser aceitos e recebidos, destacando-se o canhoto comprovante de recebimento, etiquetando-se com a numeração de controle do IBAMA tanto o formulário quanto o canhoto comprovante e, entregando e Destarte, em homenagem ao princípio da verdade material, o ADA existe comprovando uma área de preservação permanente, apesar de protocolizado em 28/10/98, quando o prazo tinha sido expirado em 21/09/98, porém, há uma ressalva em portaria citada e expedida pelo próprio IBAMA em seu art. 1°. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 2006 06~5,, ER IA HELEN,k TRAJANO D'AMORIM - Relatora Page 1 _0009800.PDF Page 1 _0009900.PDF Page 1 _0010000.PDF Page 1 _0010100.PDF Page 1

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