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Numero do processo: 16024.000430/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - APRECIAÇÃO DE SUA CONSTITUCIONALIDADE PELO CARF.
Considerando que o CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, esta C. Turma não pode apreciar as alegações de inconstitucionalidade da Lei nº 10.174/01, que alterou o § 3º do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, e do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724/01.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA - AUTORIZAÇÃO LEGAL
O artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o artigo 11, § 3º, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/01, autorizam a Administração Tributária a proceder a quebra do sigilo bancário, independentemente de ordem judicial, desde que sejam observados os requisitos previstos em lei, os quais estão presentes in casu.
Reflexos: CSLL, COFINS E PIS
Aplicam-se aos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS a mesma solução que foi dada ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.
Numero da decisão: 1102-001.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO - APRECIAÇÃO DE SUA CONSTITUCIONALIDADE PELO CARF. Considerando que o CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, esta C. Turma não pode apreciar as alegações de inconstitucionalidade da Lei nº 10.174/01, que alterou o § 3º do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, e do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724/01. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA - AUTORIZAÇÃO LEGAL O artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o artigo 11, § 3º, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/01, autorizam a Administração Tributária a proceder a quebra do sigilo bancário, independentemente de ordem judicial, desde que sejam observados os requisitos previstos em lei, os quais estão presentes in casu. Reflexos: CSLL, COFINS E PIS Aplicam-se aos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS a mesma solução que foi dada ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica.
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Considerando que o CARF não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, esta C. Turma não pode apreciar as alegações de inconstitucionalidade da Lei nº 10.174/01, que alterou o § 3º do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, e do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724/01. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AUTORIZAÇÃO LEGAL O artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o artigo 11, § 3º, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/01, autorizam a Administração Tributária a proceder a quebra do sigilo bancário, independentemente de ordem judicial, desde que sejam observados os requisitos previstos em lei, os quais estão presentes in casu. REFLEXOS: CSLL, COFINS E PIS Aplicamse aos lançamentos da CSLL, da COFINS e do PIS a mesma solução que foi dada ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 04 30 /2 00 7- 78 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 3 2 João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 413/426, sem anexo) interposto contra o Acórdão nº 1419.065 (fls. 405/4081), proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), na sessão de 13 de março de 2008, que julgou o auto de infração procedente. Em suma, foi instaurado procedimento de fiscalização do anocalendário de 2003, em 04/10/2005 (fl. 30), com a intimação da Contribuinte para apresentar os Livros i) Diário / Razão e/ou Caixa; ii) Registros de Entradas e de Saídas; iii) Registros de Inventário; iv) Registros de documentos fiscais e termos de ocorrências; v) cópia do Contrato Social e das alterações; e vi) extratos bancários das contas mantidas junto ao Banco do Brasil, Banco Rural e Banco Bradesco (fls. 28/30). Tendo em vista que a Contribuinte não cumpriu com a intimação, nem com a sua reintimação ocorrida em 28/11/2005 (fls. 31/32), em 02/2006, a Representação Fazendária solicitou ao Banco do Brasil (fls. 33/34), ao Banco Rural (fls. 37/38) e ao Banco Bradesco (fls. 41/42) que apresentassem “dados constantes da ficha cadastral [...] e extratos bancários: conta corrente/ poupança/ investimentos” (fls. 33, 37 e 41) da Contribuinte. Em cumprimento à determinação da Representação Fazendária, o Banco do Brasil, o Banco Rural e o Banco Bradesco apresentaram os extratos da movimentação bancária da Contribuinte, os quais foram juntados, respectivamente, às fls. 35/36, 39/40 e 43/173 dos autos. Após análise dos extratos bancários e tabulação dos dados (fls. 174/196), a Contribuinte foi intimada em 17/04/2006 (fl. 197) a: “Comprovar mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores a origem dos recursos depositados e/ou levados a crédito em suas Contas Correntes, 1 O acórdão não foi digitalizado integralmente, já que se encontram faltando as suas folhas pares (2, 4 e 6), que se referem aos versos. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 4 3 durante anocalendário de 2003, nas seguintes instituições financeiras a seguir relacionadas” (fl. 174). Em 03/05/2006 (fl. 198), a Contribuinte solicitou a prorrogação do prazo, mas não constam nos autos petição posterior àquela que requereu a dilação do prazo em 30 (trinta) dias. Em 08/11/2006 (fl. 201), foi expedida nova intimação, a qual fez referência àquela que chegou ao conhecimento da Contribuinte em 17/04/2006 (fl. 197), constando também a seguinte informação “o não atendimento a esta reintimação no prazo previsto, será efetuado lançamento de ofício com as informações de que se dispuser” – fl. 200. Em 29/01/2007, foi expedido o Ato Declaratório Executivo nº 04/2007, excluindo a Contribuinte, de ofício, do SIMPLES, “com fundamento no inciso II do artigo 9º da referida Lei 9.317/96, em razão de haver auferido receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 durante o anocalendário 2001” (fl. 247)2. Em passagem à frente consta também: “Os efeitos desta exclusão ocorrem a partir de 01 de janeiro de 2002, em função do disposto no inciso IV do artigo 15 da Lei 9.317/96” – fl. 247. Destacase que a exclusão e os tributos do anocalendário de 2002 estão sendo discutidos nos autos do Processo Administrativo n° 10855.003609/2006373, enquanto que os tributos do anocalendário de 2001 estão sendo discutidos nos autos do Processo nº 10855.003553/2006114. Em 26/02/2007, a Contribuinte foi intimada do ADE 04/2007, bem como a “apresentar Declarações por sistemática diversa à do SIMPLES e os respectivos pagamentos, a partir do anocalendário de 2002” – fl. 248, no prazo de 30 (trinta) dias. Excluída a Recorrente do SIMPLES, o Fisco, com o objetivo de conhecer a receita bruta da ora Recorrente, em julho e agosto de 2007, intimou algumas das empresas que efetuaram depósitos nas contas da Fiscalizada para: “Justificar e comprovar para qual finalidade os valores constantes da relação em anexo foram depositados por essa 2 “A documentação que embasa o Ato Declaratório Executivo encontrase no processo de protocolo nº 10855.003609/200637, indicando 31/12/2001 como data da ocorrência da situação excludente (Evento 304)” – fl. 247. 3 Em 25/02/2011, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, por meio do Acórdão nº 110100.437, rejeitou a arguição de nulidade da decisão e negou provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a exclusão da empresa do SIMPLES. 4 Tratase da cobrança de R$ 6.524.577,89 a título de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e INSS, acrescido de juros e multa de ofício, em virtude da omissão de receitas e da insuficiência do valor recolhido pelo SIMPLES. Em 18/12/2008, a 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 10197.088, negou provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício, julgando parcialmente procedente o lançamento, apenas para afastar a multa agravada. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 5 4 empresa na conta corrente da pessoa jurídica CLOVIS BENEDITO GOMES ANGATUBA, CNPJ 72.746.654/000170, no anocalendário de 2003” (fls. 206, 219 e 233). Devidamente intimados, a empresa ITABENS – ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA (atual denominação da empresa TOP FRANGO LTDA – CNPJ nº 61.825.097/000166), a empresa RIGOR ALIMENTOS LTDA (CNPJ nº 02.623.325/000187) e o Sr. Oswaldo Daroz (CPF nº 040.876.74800) esclareceram, respectivamente, às fls. 205/217, 218/231 e 232/238, que os depósitos foram efetuados para pagamento dos valores devidos em razão da aquisição de milho e/ou soja, mas não acostaram provas. Em 30/10/2007, a ora Recorrente foi intimada a apresentar, em cinco dias, os livros Diário, Razão e LALUR e os balanços patrimoniais trimestrais, com a advertência de que “a não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro real, no prazo acima estipulado, implicará em arbitramento dos lucros” (fl. 246). Importa relatar que, desde 26/02/2007, em decorrência do ADE 004/2007, a Contribuinte sabia da necessidade de “apresentar declarações por sistemática diversa ao SIMPLES e os respectivos pagamentos, a partir do anocalendário de 2002”, como já dito acima – fl. 248. Alegando não ter sido apresentada a documentação solicitada à Contribuinte (fl. 284), a Representação Fazendária entendeu que “o crédito tributário correspondente a esses depósitos/créditos, cuja origem não foi comprovada, também, deve ser exigido em auto de infração na forma de Depósitos Bancários de Origem não Comprovada” – fl. 287. Nesse sentido, entendendo ter havido omissão de receita no montante de R$ 22,7 milhões (fl. 282), em 29/11/2007, a Fiscalização lavrou 4 (quatro) autos de infração, para a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos ao anocalendário de 2003, acrescido de multa de oficio e qualificada, ambas agravadas (fls. 290/324), nos seguintes valores: Autos de Infração Fls. 290/316 IRPJ CSLL PIS COFINS TOTAL Tributo R$ 575.796,88 R$ 267.742,12 R$ 161.141,04 R$ 743.728,12 R$ 1.748.408,16 Multa R$ 670.630,55 R$ 315.025,09 R$ 189.598,32 R$ 875.069,71 R$ 2.050.323,67 TOTAL R$ 3.798.731,83 Nos Autos de Infração, a Fiscalização submeteu as receitas anteriormente declaradas pelo SIMPLES, na forma de receitas operacionais, as receitas de revenda de mercadorias omitidas e os depósitos bancários não comprovados à tributação pelo lucro arbitrado, “tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação, juntados às fls. 26, 27, 29 e 242 do processo administrativo nº 16024.000430/200778, que trata deste auto de infração, deixou de apresentálos” – 292. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 6 5 Além do auto de infração, foi formalizado, também, Representação Fiscal para Fins Penais “tendo em vista a omissão de receitas de venda” – fl. 289, o qual foi apensado aos presentes autos às fls. 327 (Processo nº 16024.000431/200712). Após ser devidamente cientificada, em 04/12/2007 (fls. 291, 300, 308 e 317), a Contribuinte, em 03/01/2008 (fls. 371 e 399), apresentou quatro impugnações (fls. 329/384), sustentando, apenas, a inconstitucionalidade da Lei nº 10.174/01, que alterou o § 3º do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, e do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724/01, ou seja, a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário pela Administração Tributária, independentemente de ordem judicial. A 1ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente as impugnações da ora Recorrente, por meio do Acórdão de nº 1419.065 (fls. 400/408), proferido na sessão de 13/03/2008, cuja ementa não está ora transcrita, já que se encontram faltando as suas folhas pares (2, 4 e 6), que se referem aos versos. Nada obstante, lendo as folhas presentes nos autos, identificamos que a 1ª Turma da DRJ/RPO entendeu pela manutenção integral do lançamento, sob o fundamento de que (i) o artigo 197, II, do CTN já excepcionava a quebra do sigilo bancário para a Administração Tributária; (ii) a Lei Complementar nº 105/2001 conferiu poderes à Administração para conhecer das informações protegidas pelo sigilo bancário, desde que observadas as condições por ela estabelecidas; (iii) as alegações de inconstitucionalidade não podem ser apreciadas na esfera administrativa; (iv) o entendimento da Súmula nº 182 do TRF é ultrapassado, pois é anterior a presunção introduzida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96; e (v) colacionou uma decisão do Superior Tribunal de Justiça, proferida nos autos do Recurso Especial nº 541.740SC, que admite a quebra de sigilo bancário. A Contribuinte, intimada da decisão em 13/05/2008 (fl. 412), objetivando ver reformado o acórdão nº 1419.065, da 1ª Turma da DRJ/RPO, interpôs, em 10/06/2008 (fl. 413), Recurso Voluntário (fls. 413/426), repetindo os mesmos argumentos das impugnações, ou seja, aduzindo, basicamente, a inconstitucionalidade da Lei nº 10.174/01, que alterou o § 3º do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, e do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724/01. Inicialmente, o processo foi distribuído para 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção. Ao analisar o Recurso Voluntário (fls. 432/436), a citada C. 3ª Turma Ordinária determinou, com base nos então vigentes §1º e §2º do artigo 62A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, a conversão do julgamento em diligência, porque a matéria se encontrava (e ainda se encontra) submetida a apreciação do C. STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 601.314RG/SP, com reconhecimento de repercussão geral. Em 04/04/2014, a Sra. Maria Conceição Rodrigues de Freitas ordenou que o processo fosse incluído em pauta, em decorrência da revogação dos §§ 1º e 2º, do art. 62A do RICARF, acrescentando que nova distribuição deveria ser feita, pois o Conselheiro Relator da resolução que ordenou o sobrestamento “não mais compõe o Colegiado que a aprovou” fl. 438. Feito novo sorteio, o processo foi distribuído a este relator. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto Fl. 443DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto – Relator I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Nos termos do artigo 2º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário interpostos em face de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e de demais tributos reflexos. Em observância a essa regra, o processo foi distribuído para 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, que, ao analisar o Recurso Voluntário, determinou, com base nos então vigentes §1º e §2º do artigo 62A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, a conversão do julgamento em diligência (fls. 432/436), porque a matéria se encontrava (e ainda se encontra) submetida a apreciação do C. STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 601.314RG/SP, com reconhecimento de repercussão geral. Retornados os autos da diligência, em decorrência da revogação dos §§ 1º e 2º, do art. 62A do RICARF, o processo deveria ter sido distribuído ao mesmo relator, nos termos do § 7º do artigo 49 do Regimento Interno do CARF5. No entanto, como no presente caso o Conselheiro Relator “não mais compõe o Colegiado que a aprovou” (fl. 438), o processo foi objeto de sorteio, conforme determina o § 9º do artigo 49 do Regimento Interno do CARF6. 5 Art. 49 § 7º Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. 6 Art. 49 § 9º Na hipótese de não recondução, perda ou renúncia a mandato, os processos deverão ser devolvidos no prazo de até 10 (dez) dias, e serão sorteados na reunião que se seguir à devolução. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 8 7 Considerando que, de acordo com o artigo 47 do Regimento Interno do CARF7, o processo objeto de sorteio será distribuído aleatoriamente às Câmaras, e, que, pelo novo sorteio, o processo foi distribuído a este relator, é patente a competência desta C. Turma para apreciação do presente caso. No que tange à legitimidade, a petição está assinada por advogado habilitado por meio de procuração outorgada às fls. 385/386, por pessoa habilitada para tanto (fls. 389/391). Por fim, quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO em 13/03/2008 (fl. 405) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 13/05/2008, uma terçafeira (fl. 412), e o recurso foi interposto em 10/06/2008 (fl. 413), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/70, afinal o dies ad quem era 12/06/2008. Nesse caminho, recebo o recurso. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos se encontram abaixo devidamente elencados: 1. A falta de digitalização integral das folhas do acórdão acarreta a nulidade do processo? 2. O CARF é competente para apreciar a inconstitucionalidade da Lei nº 10.174/01, que alterou o § 3º do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, e do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724/01? 3. Foi correta a quebra do sigilo bancário, sem ordem judicial? III. DOS ERROS NA DIGITALIZAÇÃO DO PROCESSO Conforme foi devidamente exposto no relatório, o acórdão nº 1419.065, da 1ª Turma da DRJ/RPO, não foi digitalizado integralmente, já que se encontram faltando as suas folhas pares (2, 4 e 6), que se referem aos versos. A despeito disso, não há que se falar na existência de qualquer nulidade, vez que o mencionado erro se refere apenas à digitalização do processo, mas não à falta de acesso e de conhecimento pela Contribuinte do inteiro teor da decisão. É dizer, a Contribuinte foi regularmente intimada em 13/05/2008 do acórdão (fl. 412) e pôde, em face das razões nele aduzidas, interpor Recurso Voluntário, repetindo os mesmos argumentos de suas Impugnações. 7 Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 9 8 Ademais, com a transcrição das folhas ímpares, foi possível este Julgador compreender o aludido acórdão e, por conseguinte, os motivos que acarretaram a manutenção integral do presente lançamento. Assim, pelos motivos expostos acima, não há que se falar na existência de qualquer nulidade no presente processo. IV. DA INCOMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR SOBRE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS A Contribuinte, por meio de seu Recurso Voluntário, sustentou que fosse cancelado o lançamento, em razão da inconstitucionalidade da Lei nº 10.174/01, que alterou o § 3º do artigo 11 da Lei n° 9.311/96, e do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que foi regulamentado pelo Decreto n° 3.724/01. Em que pese os argumentos trazidos pela Contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou, por meio da Súmula nº 2, o seu entendimento no sentido de que a arguição de inconstitucionalidade de lei não deve ser objeto de apreciação pela esfera administrativa, in verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Isto posto, em virtude do disposto na Súmula n° 2 do CARF, não se conhece das alegações de inconstitucionalidade apresentadas pela Contribuinte. V. DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO PRESENTE CASO Superadas as alegações de inconstitucionalidade e, em virtude de ser plenamente vinculada a atividade administrativa, seja quanto à cobrança do tributo, nos termos do artigo 3º do Código Tributário Nacional, seja quanto ao procedimento de lançamento do fato gerador, nos moldes do artigo 142 do Código Tributário Nacional, deve ser aplicada a legislação vigente ao tempo do fato gerador. Ao tempo do fato gerador, já vigorava o artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, in verbis: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 10 9 Da transcrição do aludido dispositivo, extraise que as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios só podem examinar os registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que (i) haja processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e (ii) tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. No presente caso, quando foi determinada a quebra de sigilo bancário pela Administração Tributária (fl. 33), já estavam presentes os dois requisitos dispostos no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, pois já estava em curso procedimento fiscal (fls. 28/30) e, em virtude da falta de apresentação pela Contribuinte dos Livros Diário, Razão, Registros de Entradas, Saídas e Inventário, bem como dos extratos bancários de contas correntes mantidas junto ao Banco do Brasil, Banco Rural e Banco Bradesco (fls. 28/32), já havia se tornado indispensável pela autoridade administrativa competente a apreciação dos extratos bancários, para apuração de eventuais receitas omitidas e do consequente arbitramento do lucro. Para que não restem dúvidas sobre a possibilidade de quebra de sigilo bancário na hipótese prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, o artigo 1º, § 3º, VI, da mencionada Lei destacou que “Art. 1º. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar”. Além disso, também vigorava desde o tempo do fato gerador o artigo 11, § 3º, da Lei n° 9.311/96, já com a redação dada pela Lei nº 10.174/01, o qual prevê que: “Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001)” Referido dispositivo faculta à Secretaria da Receita Federal a utilizar as informações prestadas para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores, o qual trata da omissão de receitas. O presente caso também se enquadra nessa situação, na medida em que a Administração Tributária determinou a quebra de sigilo bancário, no âmbito do procedimento fiscal, para verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições. E foi exatamente o que aconteceu. A partir da análise dos extratos bancários obtidos da Contribuinte, Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000430/200778 Acórdão n.º 1102001.316 S1C1T2 Fl. 11 10 constatouse que ocorreu a omissão de receitas e, como consequência, foi arbitrado o lucro e lavrado o competente Auto de Infração. Desse modo, com base no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e no artigo 11, § 3º, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/01, correto está o procedimento adotado pela Administração Tributária, para quebra do sigilo bancário, independentemente de ordem judicial. VI. CONCLUSÃO Por fim, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011296/2003-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matéria-prima que não são consumidas no processo produtivo.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA.
Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA.
Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa a partir de 1º/02/2004.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Não dão direito a crédito: i) Gastos com embalagens utilizadas no transporte de produtos acabados e acondicionados em embalagens de apresentação; ii) Gastos com caixas de isopor utilizadas repetidas vezes no transporte de matériaprima que não são consumidas no processo produtivo. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. PROVA. Gastos com fretes vinculados a aquisições de insumos somente dão direito a crédito se comprovada pela contribuinte esta vinculação. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES SOBRE VENDAS. DIREITO A CRÉDITO. VIGÊNCIA. Os gastos com fretes sobre vendas somente passaram a dar direito ao desconto de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa a partir de 1º/02/2004. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 12 96 /2 00 3- 71 Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados; II) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral nas demais matérias. Fez sustentação oral pela recorrente o Sr. Sérgio Silveira Melo, Ident. 2.198.236 IFP/RJ. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido, na parte que interessa a este julgamento, por descrever suficientemente a lide: “Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativa – Exportação (art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002), relativo ao 2º. trimestre de 2003, no valor de R$ 159.129,56 (cento e cinqüenta e nove mil e cento e vinte e nove reais e cinqüenta e seis centavos). Vinculada ao pedido foi apresentada a declaração de compensação, no valor de R$ 7.670,43 (sete mil e seiscentos e setenta reais e quarenta e três centavos). O valor do ressarcimento pleiteado é o que resultou líquido após a compensação. Ressalta o fisco que a declaração de compensação encontrase homologada pelo decurso de prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da sua apresentação, de forma que deverá ser reconhecida a sua homologação e a extinção da exigibilidade dos débitos nela compensados. Do valor do ressarcimento pleiteado Remete o fisco aos dispositivos legais , especialmente ao art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002, a qual prevê a desoneração da contribuição para o PIS/Pasep sobre as receitas de exportação. Segundo a informação fiscal, considerando os momentos para efetivar as compensações, de acordo com os dispositivos legais atinentes aos procedimentos de compensação, o valor da declaração de compensação teria sido indevidamente abatido do valor do pedido de ressarcimento: 10. No caso, por ter sido apresentada depois de encerrado o trimestrecalendário de apuração do crédito, a declaração de compensação utilizase do crédito trimestralmente apurado, fundamentandose no art. 5º., §2º., da Lei nº. 10.637, de 2002, c/c o art. 74 da Lei nº 9.730, de 1996. Assim, o valor da declaração de compensação foi indevidamente abatido do valor do pedido de ressarcimento. 11. Portanto, para fins desta auditoria, será considerado como o valor o pedido de ressarcimento o montante de R$ 166.799,99 (cento e sessenta e seis mil, setecentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos), como abaixo demonstrado: (...) 12. Este montante, no entanto, diverge da apuração do crédito demonstrada no Dacon relativo ao 2º. trimestre de 2003 (ND 100200400516713, fls. 11/15), e na DIPJ do Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 5 4 exercício 2004, anocalendário 2003(ND 1193622, fls. 16/45): (...) Consta que, intimada para informar os valores corretos, a contribuinte declarou (fls. 48) que são aqueles informados no pedido de ressarcimento; que esta apresentou as planilhas acompanhadas das cópias de notas fiscais referentes aos custos, despesas e encargos que originaram o direito creditório pleiteado; que não apresentou o Dacon ou DIPJ de natureza retificadora. Assim, segundo o fisco, os valores informados no pedido de ressarcimento foram considerados aqueles declarados em Dacon e DIPJ. O ressarcimento pleiteado se refere a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica e de aluguéis, bem como as despesas financeiras. Consta, ainda, que a auditoria se ateve aos créditos apurados sobre as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, por representarem mais de 90% do ressarcimento pleiteado. Da análise do processo produtivo e seus insumos Conforme a informação fiscal, a contribuinte tem por objetivo a importação e exportação em geral, especialmente de produtos alimentícios, secos e molhados, bem como a indústria e comércio de produtos pesqueiros em geral. Adota a industrialização por encomenda (beneficiamento), não possuindo parque industrial próprio, apenas salas comerciais. A atividade industrial consiste na aquisição de camarão in natura diretamente dos fornecedores, mediante processo de despesca manual. Nesta fase, são adquiridos e fornecidos pela interessada caixas de isopor, gelo e metabissulfito de sódio (conservante), para acondicionamento e conservação do camarão in natura. As caixas de isopor (contendo o camarão, o gelo e o conservante) são transportadas até a empresa terceirizada (frigorífico) responsável pela industrialização (beneficiamento), a qual produz o camarão inteiro congelado (camarão com cabeça) e camarão em partes congeladas (camarão sem cabeça), classificação NCM/TIPI 0306.1391 e 0306.13.99, respectivamente. O produto é acondicionado em embalagem primária e, posteriormente, agrupado em embalagem secundária. Todos os bens utilizados na produção são fornecidos pela interessada. O produto acabado é transportado diretamente da empresa terceirizada para o porto de exportação através de transportadora (pessoa jurídica domiciliada no país), contratada pela interessada. Com base no conceito de insumo contido no inciso I do § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº. 247/2002, a atividade industrial da contribuinte permite enquadrar no conceito de insumo os seguintes bens utilizados e consumidos diretamente na elaboração dos produtos exportados (camarão com cabeça e sem cabeça congelados): gelo, metabissulfito de sódio (conservante), camarão in natura, saco plástico, película, embalagem primária, bem como o serviço de beneficiamento pago aos frigoríficos especializados. Quanto aos serviços de frete (exceto os fretes nas vendas), a ampla maioria das notas fiscais não possibilitaram a vinculação desses serviços à condição de insumos no processo produtivo, ainda que o ônus tenha sido suportado pela interessada. Em relação às caixas de isopor, considerou o fisco que estas não se enquadravam no conceito de insumo (nãocumulatividade) por não serem consumidas no processo produtivo, mas tãosomente utilizadas (e reutilizadas) para fins de acondicionamento provisório da matériaprima para o transporte até o Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 6 5 frigorífico no qual era beneficiada. Remete ao art. 6º. do Decreto nº. 7.212 de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPIRIPI/2010). Nos itens 29/31, o Termo Fiscal detalha as rotinas aplicadas no processo de beneficiamento do camarão, onde conclui que o saco plástico, a película e a embalagem primária (“caixinha”) compõe a embalagem de apresentação do produto; que a embalagem secundária (“Master Box”), a fita adesiva, a fita de arquear, a fivela e a etiqueta compõem a embalagem para transporte do produto; e que esta última, por ser embalagem para transporte, bem como os seus acessórios, afastamse do conceito de insumos, nos termos da legislação afeita à nãocumulatividade. Anexa aos autos as notas fiscais que se referem à aquisição de embalagem secundária emitidas por Paema Embalagens do Ceará, bem como as notas fiscais referentes a embalagens primárias. Das aquisições de insumos realizadas com o fim específico de exportação Da análise das cópias das notas fiscais referentes às aquisições de camarão, verificouse que algumas delas possuíam a notação “mercadoria destinada à exportação” ou ainda “mercadoria destinada com fins específicos de exportação”. Foram desconsideradas pela auditoria as notas fiscais referentes às aquisições de bens com o fim específico de exportação, em face do comando do inciso I do art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002, bem como do §4º. do art. 6º. da Lei nº. 10.833/2003, pelo qual a contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das vendas de mercadoria para o exterior, ou sobre as receitas das vendas efetuadas à empresa exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III do artigo em comento. Das aquisições de insumos junto à pessoa física – crédito presumido Foram consideradas pela auditoria as notas fiscais de aquisição de camarão in natura (mercadorias de origem animal classificadas no capítulo 3 da NCM) obtido diretamente de pessoas físicas domiciliadas no país, emitidas de 01/02/2003 a 31/07/2004. Das despesas de frete na operação de venda Foram desconsideradas na apuração da base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas de fretes referentes às operações de venda realizadas até 31/01/2004, em razão de que esta possibilidade somente passou a vigorar a partir de 01/02/2004, por força do inciso I do art. 93 da Lei nº. 10.833/2003. Das glosas No item 52 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 468/ss), encontramse demonstradas todas as glosas efetuadas na base de cálculo dos créditos: a data da aquisição, a compra, o número da nota fiscal, o valor, o crédito e o motivo para a glosa. Da Decisão O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente no valor de R$ 53.600,89 (cinqüenta e três mil, seiscentos reais e oitenta e nove centavos), sem o acréscimo de juros compensatórios, a título do crédito da contribuição para o PIS/Pasep – Exportação apurado no 2º. trimestre de 2003. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 7 6 Foi reconhecida a homologação da declaração de compensação de fl. 3, pelo decurso de prazo de 5 (cinco) anos a contar da data de sua apresentação, conforme determinação do §5º. do artigo 74 da Lei nº. 9.430/96 e declarado extintos os débitos nela compensados. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em síntese, a contribuinte inicialmente remete aos fatos que remontam ao seu pedido de ressarcimento, à data de 12/11/2003, quando instruiu o pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep do regime não cumulativo, à extrema demora na análise da demanda, ao Mandado de Segurança onde teria obtido a liminar para que fossem apreciados os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins no período e ao despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade pelo qual se insurge, com as alegações que se traz abaixo, em resumo. 1. Das aquisições de Insumos com fim específico de exportação: (...) 2. Aquisições de outros insumos: embalagem secundária;caixa de isopor; fretes no transporte de matériasprimas (camarão); fretes de venda. A contribuinte alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Pasep nãocumulativo é mais amplo do que aquele previsto para o IPI e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionado no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. 3. Da atualização monetária do ressarcimento: Em síntese, a contribuinte entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigandoo a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Alega ser incontestável a atualização monetária do valor do crédito, seja para fins de ressarcimento, seja para fins de compensações permitidas em lei. 4. Da homologação tácita: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 8 7 Remete à declaração de compensação de fl. 03 para alegar que esta foi homologada tacitamente, independentemente da existência ou não do crédito a que foi vinculada. Em suas próprias palavras: Vale ressaltar que, mesmo que no presente PAF o pedido do crédito de PIS/Pasep fosse glosado na sua integralidade, em outras palavras, o crédito reconhecido fosse igual a ZERO, a declaração de compensação constante das fls. 03 seria homologada, haja vista o decurso de prazo para a análise, por parte do Fisco, da referida compensação. Dessa forma, indevida a pretensão do Fisco em utilizar parte do crédito reconhecido no mesmo Despacho Decisório, no caso os R$ 53.600,89, para liquidar os créditos compensados. Pois se fosse utilizar o crédito reconhecido para homologar a compensação em comento, a referida compensação deixaria de ser homologação tácita (como foi assim reconhecida pelo Fisco), passando a ser homologação expressa. 5. Do pedido: Requer, por fim: que seja reconhecido o direito ao crédito do PIS/Pasep nãocumulativo relativamente à aquisição de camarão “in natura”, constantes do Quadro 03 da manifestação; que seja reconhecido o direito aos créditos relativamente às aquisições de “material de embalagem secundária”, “caixa de isopor para acondicionamento provisório de matériaprima”, “fretes na aquisição de matériaprima”, “frete na venda de produto”; que o ressarcimento do crédito seja efetivado com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização, seja em moeda corrente, seja através de compensações deste crédito na liquidação de débitos tributários da Manifestante administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; que o valor de R$ 53.600,89 (cinqüenta três mil, seiscentos reais e oitenta e nove centavos) reconhecido e aprovado no Despacho Decisório seja atualizado monetariamente pelas mesmas razões acima indicadas; que o valor total da declaração de compensação às fls. 03 deste PAF não seja abatido do crédito reconhecido e aprovado no Despacho Decisório.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. A ementa do acórdão é a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 9 8 Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETE NA VENDA. O aproveitamento de créditos das contribuições para o PIS/Pasep sobre as despesas de fretes de mercadorias só foi possível a partir da vigência do inciso IX do art. 3º. da Lei nº. 10.833/2003, referentes às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 10 9 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.” Contra a decisão da DRJ/FNS a contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando que: A) Preliminarmente: i) No acórdão recorrido há contradição entre a ementa e o voto, pois ficou consignado no “Assunto” da ementa “Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins”, quando o processo trata de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep; e, no fechamento do acórdão consta intimação para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, quando o correto seria constar determinação à DRF em Fortaleza para tomar providência para o ressarcimento do valor reconhecido no julgamento realizado. ii) A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB não poderia efetuar glosas em seu pedido, pois este foi apreciado muito tempo após o prazo de 360 dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, após o prazo decadencial para o lançamento de tributos e após o prazo previsto para homologação tácita de declarações de compensação. B) No mérito: i) Ratificou e reforçou seu posicionamento na manifestação de inconformidade em relação às aquisições dos insumos: embalagem secundária, caixa de isopor, fretes no transporte de matériasprimas, fretes de venda. ii) As embalagens de transporte são essenciais a suas atividades, sendo as vendas efetuadas em caixas (máster box) de 20 kg de camarão, logo, estas caixas não podem ser consideradas apenas embalagens de transporte. iii) As caixas de isopor são utilizadas na fase operacional de despesca e de transporte de matériaprima (camarão in natura) entre a fazenda de criação e a indústria (frigorífico), sendo contabilizada como custo de produção e não como imobilizado. iv) Os fretes são contratados para levar gelo, utilizado para conservar o camarão in natura a ser despescado e, uma vez realizada a despesca, para levar o camarão para o frigorífico, que providenciará a industrialização do pescado. Estes serviços são repetidos várias vezes até a conclusão da despesca de um tanque de criação, de modo que o serviço de frete transporta os bens adquiridos com mais de uma nota fiscal de gelo e mais de uma nota fiscal de camarão. Apenas ao final da despesca, o fornecedor do frete emite sua nota fiscal de serviço, baseandose na quantidade de camarão transportado, sem identificar as notas fiscais, de modo que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. v) Quanto às despesas com fretes nas operações de vendas, não é verdade que a possibilidade de estes gastos darem direito ao crédito da contribuição apenas surgiu com a entrada em vigor do art. 93, I, da Lei nº 10.833, de 2003. Esta norma corrobora os Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 11 10 argumentos de que todas as despesas necessárias à sua atividade são passíveis de geração de crédito. vi) O ressarcimento deve ser efetivado com atualização monetária em decorrência da demora injustificável do Fisco em analisar o pedido, não se aplicando ao caso a vedação contida no art. 13, da Lei nº 10.833, de 2003. Ao final, requer que: o pedido de ressarcimento seja deferido tacitamente; ou seja reconhecido o pleito para ressarcimento em sua integralidade e seja atualizado pela taxa Selic entre a data do protocolo do PER/DCOMP e a data do efetivo ressarcimento ou utilização. Em 3/2/2015, a recorrente protocolou requerimento, por meio do qual informou ter interposto ação ordinária contra a União com o objetivo de ter reconhecido seu direito à atualização monetária em vários processos administrativos, entre os quais este se inclui. A ação ordinária transitou em julgado em 11/12/2014 em favor da recorrente, motivo pelo qual solicita seja observado o princípio da coisa julgada e reconhecido o direito à atualização monetária pela taxa Selic. Foram juntadas cópias das decisões judiciais e Cerdidão de Trânsito (2º Grau). É o relatório Fl. 711DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Paulo Sérgio Celani Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento por esta Turma Especial. Preliminares. Erros de escrita no acórdão recorrido. O fato de constar no acórdão da DRJ incorretamente intimação para pagamento e, como assunto, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, quando o correto seria Contribuição para o PIS/Pasep, não é causa de nulidade. Não há previsão legal ou regimental de embargo da decisão de primeira instância administrativa, nem de retificação do acórdão recorrido pelo CARF. A recorrente não alegou nem demonstrou ter sofrido prejuízo com os erros de escrita e não houve cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, o acórdão decorrente do presente julgamento sobreporseá ao acórdão da DRJ/FNS, de modo que não há necessidade de retificar o acórdão recorrido. Sobre a demora na apreciação do pedido. É desejável que os pedidos administrativos demorem pouco para serem analisados e decididos, porém não é razoável que todo pedido administrativo relativo a tributo, direito indisponível do Estado, seja automaticamente deferido se o prazo não for atendido. O art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, ao estabelecer que “é obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta dias) a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte” não diz que a conseqüência do descumprimento deste prazo acarreta o deferimento tácito do pedido. O prazo de cinco anos para homologação de declaração de compensação, sob pena de ser considerada homologada tacitamente, não se aplica a pedidos de ressarcimentos. Assim, por falta de previsão legal, não se pode considerar homologado o pedido de ressarcimento pleiteado neste processo. Acrescentese que, conforme a própria recorrente afirma, ela obteve provimento judicial determinando a atualização monetária dos valores ressarcidos ou que vierem a ser ressarcidos neste processo, o que diminui os efeitos da demora na apreciação do pedido. Mérito. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 13 12 Atualização monetária. Conforme documentos juntados em 3/2/2015, a recorrente impetrou ação ordinária, processada sob o número 080038359.2013.4.05.8100, que transitou em julgado, com decisão favorável a seu pedido. Pelo princípio da unicidade da jurisdição, a decisão judicial prevalece sobre a decisão administrativa, logo, não cabe a este Colegiado pronunciarse sobre esta matéria. Com base neste princípio, foi editada a Súmula CARF nº 1, cujo enunciado é o seguinte: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O que fundamenta esta súmula é o fato de a interessada submeter ao Poder Judicial a mesma matéria discutida em processo administrativo e o fato de as decisões judiciais se sobreporem às administrativas. Logo, seja no caso de concomitância seja no caso de coisa julgada, o CARF só pode apreciar matéria distinta da constante de processo judicial, por força da Súmula CARF nº 1 e do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARFRICARF. Por estas razões, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à matéria atualização monetária dos valores ressarcidos ou a ressarcir, assentando que a decisão judicial deverá ser observada pela Unidade da RFB. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. Com fundamento em doutrina e jurisprudência do CARF, a recorrente argumenta que o conceito de insumo utilizado na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep é mais amplo que o utilizado na legislação do IPI. É verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento do conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada Fl. 713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 14 13 conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 15 14 Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 16 15 Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. (...) 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. (...) 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. (...) 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... (...)” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 17 16 em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 247, de 2/11/2002, com alterações da IN SRF nº 358, de 9/9/2003, que dispôs sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 18 17 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (grifei) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (gn) Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 19 18 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 20 19 exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa. Assentada a abrangência do conceito de insumo, passamos aos gastos glosados pela fiscalização. Gastos com embalagens, caixas de isopor, fretes de camarão in natura e gelo, fretes de vendas. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os seguintes, já tratados na manifestação de inconformidade: embalagem secundária, em especial caixas (máster Box) com capacidade para 20 kg de camarão, caixas de isopor utilizadas na despesca e de transporte de camarão in natura entre a fazenda de criação e o frigorífico, que faz a industrialização do pescado, fretes pagos no transporte de gelo e camarão e fretes de vendas. Para gerarem direito a crédito, as embalagens devem ser utilizadas na produção do bem, caracterizandose como tal aquelas que, ao envolverem o produto, alteram a sua apresentação, conforme se verifica no art. 4º, inc. IV, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Se forem incorporadas após o produto estar pronto, como é o caso das embalagens de transporte, não se caracterizam insumo, não sendo passíveis de gerarem crédito da contribuição não cumulativa. No presente caso, agiu com acerto a fiscalização ao considerar apenas as embalagens de apresentação do produto, aqui chamadas embalagens primárias, como capazes de gerar o direito ao crédito e glosar as aquisições das chamadas embalagens secundárias, embalagens que contêm um conjunto de produtos acondicionadas nas embalagens primárias, pois são embalagens de transporte do produto já acabado e embalado. As caixas de isopor usadas para transportar gelo e camarão in natura não são consumidas no processo produtivo, logo, não se enquadram no conceito de insumo adotado Quanto aos gastos com fretes, tendo em vista que a lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de bens adquiridos para revenda e de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda; e que incluem o custo dos bens adquiridos e dos insumos, os gastos com o transporte destes bens e insumos, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; então, em princípio, poderiam ser admitidos os créditos com estes gastos. Porém, para tal aproveitamento, tendo em vista que o crédito deve ser líquido e certo, conforme artigos 165 e 170 do CTN, e que incumbe àquele que alega um direito o ônus de provar os fatos em que se funda, art. 333 do Código de Processo Civil, a contribuinte deveria comprovar que os gastos com fretes decorreram do transporte de insumos, o que não ocorreu no presente caso. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10380.011296/200371 Acórdão n.º 3801005.361 S3TE01 Fl. 21 20 Destaquese que a própria recorrente, após explicar como é feito o transporte do camarão in natura e do gelo utilizado na despesca e como são emitidas as notas fiscais, conclui que é muito difícil vincular as notas fiscais de insumos com as notas fiscais de fretes realizados. Quanto ao frete das vendas, tratase de gasto com transporte efetuado após o bem ter sido produzido, logo, não pode ser considerado insumo. Por outro lado, conforme assentado na decisão recorrida, os gastos com fretes sobre vendas passaram a dar direito ao crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas a partir de 1º/02/2004, quando entrou em vigor o inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, por força do disposto no art. 93, inciso I, da mesma lei, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. Uma vez que foram glosados os gastos com fretes de vendas suportados pelo vendedor anteriores a 1º/2/2004, não há reparos a serem feitos. Por estas razões, devem ser mantidas as glosas referentes aos gastos com caixas (máster box), caixas de isopor, fretes de vendas referentes a transportes realizados antes de 1º/02/2004 e fretes que não tenham sido comprovados como vinculados a aquisições de insumos segundo o conceito adotado neste voto. Conclusão. Pelas razões expostas, voto por não conhecer o recurso voluntário quanto à atualização monetária dos créditos pleiteados, assentando que a Unidade da RFB deverá cumprir a decisão judicial transitada em julgado. Na parte conhecida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.900938/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 38 /2 00 8- 62 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900938/200862 Acórdão n.º 3801004.980 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.002625/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. DÉBITOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO
INICIAL A PARTIR DATA DO FATO GERADOR. DECORRIDO
PARCIALMENTE PRAZO QÜINQÜENAL.
Ciência do lançamento em 30/11/2006. Decaído o direito de constituir o crédito relativo aos meses de 01/2001 até 10/2001.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3102-001.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. DÉBITOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL A PARTIR DATA DO FATO GERADOR. DECORRIDO PARCIALMENTE PRAZO QÜINQÜENAL. Ciência do lançamento em 30/11/2006. Decaído o direito de constituir o crédito relativo aos meses de 01/2001 até 10/2001. Recurso de Oficio Negado.
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F2 11.2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.002625/2006-38 Recurso n° De Oficio Acórdão n" 3102-001.973 — ia Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria Cofins - Auto de Infração - Decadência Recorrente DRJ SAO PAULO Interessado LOSINOX LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SECURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. DÉBITOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO PARCIAL. TERMO INICIAL A PARTIR DATA DO FATO GERADOR. DECORRIDO PARCIALMENTE PRAZO QÜINQÜENAL. Ciência do lançamento em 30/11/2006. Decaído o direito de constituir o crédito relativo aos meses de 01/2001 até 10/2001. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Õficio. nos termos do relatorio e voto que integrant o presente julgado. 11 C RO ROSA - Presidente em exercício /4),Ai AL-44 ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 24/02/2015 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Nanci Gama (vice-presidente), Andréa Medrado Darzé. Ricardo Paulo Rosa, Alvaro Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Trata-se de recurso de oficio com o objetivo de reformar o acórdão n'. 16- 23.274 da 8" Turma da DRJ/SP1, que manteve parcialmente o crédito tributário, exonerando R$ 1.174.062.28 (um milhão, cento e setenta e quatro mil, sessenta e dois reais e vinte e oito centavos), motivando assim o recurso de oficio. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte eni referência foi apurada, conforme termo de constatação as 17s. 171-172, diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago de Cofias de períodos de apuração ocorridos entre 01/2001 e 12/2001, 1"0-7C70 pela qual foi lavrado o auto de infração de fls. 177-179, integrados pelos termos, demonstrativos e documentos neles mencionados. Conforme se depreende do demonstrativo de base de cálculo elaborado pela fiscaliza cão as fls. 168, o lançamento foi efetuado sobre a diferença de 1% entre ci aliquota de Cofins devida (3%) e a utilizada pela empresa (2%, fls. 166). 0 crédito tributário lançado, composto pela contribuição, multa e juros de mora calculados até 31/10/2006, perfaz o total de 1?8 2.152.040,83. 2. Inconformada C0111 a autuação, da qual foi devidamente cientificacht em 30/11/2006, a empresa apresentou eni 21/12/2006 a impugnação de fls. 182-186, documentos anexos as fls. 187-198, 110 qual deduz, em resumo, as seguintes alegações: 2.1. Discorre sobre a compensação de 1/3 da Colitis com a CSLL prevista na lei 9.718/98, entendendo que foi criada situação desigual entre o contribuinte que aufere lucro no período, e pode compensar a parcela de Cofins com a CSLL,- e o contribuinte que não aufere lucro, em tese com menor capacidade contributiva, que terá cargo tributária maior, ein razão da impossibilidade de conwensação. Assenta que há violação ao principio da igualdade geral e tributária do art. 5°, "cape, e 150, inciso II, sendo esse principio um dos objetivos finidamentais da Repiiblica Federativa do Brasil segundo o art. 3', 1 e IV, e art.150, II, da CF. Afirma que ocorreu tratamento desigual, pois somente o contribuinte que apurar lucro fit: jus dedução/compensação em tela, havendo afronta ao principio da razoabiliclade. Argumenta que foi violado o art.194, V. da CF, pois aqueles que estão ciii situação equivalente clevem contribuir de 1170010 igual para a previdência social, e também o principio da capacidade contributiva do art.145, ssr 3° da CF. Cita a doutrina a respeito, e expõe que a jurisprudência tern decidido 110 sentido da inconstitucionalidade da Ibrnia como foi prevista a dedução da CSLL. 2 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() IV I 95 I 5.002625/2006-38 53-C Ii Ac6nRio n." 3102-001.973 H. 3 2.2. Pelo exposto pede a nulidade do auto de infraçao, eis que 100 apurou e por isso nao apurou CSLL devida,.fitzendo jus ao recolhimento da Colitis ails eaaa por nao ter como compensar 1/3 com a CSLL referida Protesto pelas denials provas permitidas em direita. Após analisar a impugnação da Contribuinte , decidiu a DIU por julgar procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO D.1 SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendario: 2001 NULIDADE. CANCELAMENTO. Satisfeitos os requisilos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e nao lendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto. nao Ii que se Mar cm anulaçao ou ccmcelamento cki autuaçao. INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridocks achninistrativas obrigaclas observancia da legislaçao tribmciria vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciaçao cie arguições c/c inconstilucionalidade e ilegaliclade de normas. DECADÊNCIA. Declarada ci inconstilucionalidade cio artigo 45 cla lei S.212/91 pot. nteio de scintilla vinculante 8. o prazo decadencial pant constituição das contribuições sociais é de cinco altos, con/brine previsto Ito CTN. hnpugnaçao Procedente em Porte. Crédito Tribmario Mantido em Porte Regularmente intimado da decisão acima a Contribuinte não interpôs recurso voluntário, restando apenas analisar o recurso de oficio. o relatório. Voto Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso de oficio por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Analisando a decisão recorrida, vê-se que a parte excluída do crédito tributário decorre da aplicação da decadência ao observar o posicionamento adotado pelo SIF através da súmula vinculante n° 8, portanto, aplicou-se o prazo de 05(cinco) anos para constituição do crédito tributário , contado a partir do fato gerador nos termos do § 4" do art. 150 do CINI, já que houve pagamento parcial. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Antes de analisar o caso em concreto é fundamental explanar uma noção a respeito do instituto da decadência. Neste passo, é bastante a lição do ilustre autor Paulo de Barros Carvalho: "A decadência ou caducidade é ticla como flan jurídico que faz perecer um direito pelo seu não-exercicio chtrculte certo idipso cle tempo. Para que as relações jurídicas não permaneçam indefinidamente, o sistema positivo estipula cello período a fim de que os titulares ck direitas subjetivos realizemos atos necessários à sua preservação, e perante a inércia mcmifestada pelo interessado, deixando fluir o tempo, fulmina a existência cio direito, decretando-lhe a extinção. Só se observa o efeito extintivo da obrigação tributcrria, porém, quando o fato da decadência for reconhecido posteriormente à instalação dct obrigação tribulária." Como regra geral, o prazo de cinco anos, findo o qual se opera a decadência, tern inicio. de acordo corn o inciso I do art. 173 do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Quando a lançamento for considerado nulo, o prazo se inicia na data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, consoante prescreve o inciso II do citado artigo. Entretanto, quando o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e existe pagamento parcia1 2 , como é o caso, o prazo decadencial passa a fluir da data do respectivo fato gerador, de acordo com o que o prescreve o § 4° do art. 150 do CTN, in verhis: ss‘ 4 ° S e a lei não fixar prazo à homologação, serci ele de 5(cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sent que a Faz.encla Publica se lenha pronunciado, conshkra-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito„valvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Apesar claro o prazo de 05(cinco) anos, o art. 45 da Lei 8.212/91, dispositivo o qual tratou disciplinou o prazo decadencial para as contribuições sociais, majorando-o para o lapso de 10 (dez) anos, trouxe novamente a discussão, entretanto ao observar que a natureza das contribuições é tributária o STF votou pela inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da referida lei ordinária por violação ao art. 146, III, "b", da Constituição Federal, ao aprecia o RE 556664 RS. Ressalte-se ainda que o posicionamento acima restou consolidado através da súmula vinculante n° 8, nos seguintes termos: SÚMULA VINCULANTE N" 8 - SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETO-LEI N" 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N°8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Na mencionada decisão o Supremo Tribunal Federal decidiu pela modulação dos efeitos atribuindo eficácia ex nunca "em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa". .------- I CA RVAL110, Paulo de Barros. Curso de direito tributário -18. ed. rev, e atual. - Sao Paulo: Saraiva, 2007. , 2 Recurso Lspecial Representativo de Controvérsia n° 973.733/SC 4 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() n" 19515.002625/2006-38 53-C11 . 2 Acórdão n." 3102-001.973 II . 1 Ora, enfatizando-se que o processo administrativo tributário presente não diz respeito a eventuais repetições de indébitos, ou ainda pelo fato de ter tido inicio no exercício de 2006, não há o que se questionar a respeito da não aplicação de modulação de efeitos para o caso em comento, o que faz com que a decisão do STF opere efeitos "ex tunc - . No caso em tela observando o auto de infração , vê-se que foram encontradas divergências no recolhimento da COFINS, tendo com fato gerador o Ultimo dia de janeiro de 2001 e os demais meses ate 31/12/2001. Assim. como a ciência do lançamento ocorreu em 30/11/2006, resta decaído o direito de constituir o crédito relativo aos meses de 01/2001 ate 10/2001, mantendo-se assim a decisão recorrida. Diante do exposto nego provimento ao recurso de oficio. Sala de sessões 20 de agosto de 2013. Pu■Aff,-.rJ 4./—JJA/ - Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho - Relator Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/06/2015 por EUNICE AUGUSTO MARIANO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002010/2001-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1997
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. PRAZO NONAGESIMAL.
Ementa:
Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificando-se a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme previsto no art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. O Conselheiro João Carlos de Lima Júnior declarou-se impedido.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1997 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. PRAZO NONAGESIMAL. Ementa: Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificando-se a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme previsto no art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. O Conselheiro João Carlos de Lima Júnior declarou-se impedido. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc - Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1997 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. PRAZO NONAGESIMAL. Ementa: Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificandose a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme previsto no art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. O Conselheiro João Carlos de Lima Júnior declarouse impedido. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 10 /2 00 1- 26 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI 2 Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Júnior e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Relatório SANTANDER DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. (ATUAL DENOMINAÇÃO DE SANTANDER NOROESTE DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA.), contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob o nº 94.870.557/000127, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo Estado de São Paulo, à Rua Amador Bueno, nº 474 conjunto 77 – Bairro Santo Amaro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Segunda Instância prolatada pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10809.720, de 18/09/2008 (fls. 172/183), a qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, recorre, tempestivamente, a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial, datado de 29/01/2009 (fls. 196/206). O pleito do contribuinte está fulcrado no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra o contribuinte foi lavrado, em 26/09/2001, o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 01/05), com ciência pessoal, em 03/10/2001 (fls. 01) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.953.348,37, relativo ao exercício de 1997. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização no qual a autoridade fiscal entendeu haver apuração incorreta de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Infração capitulada no art. 2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988 e art. 19, § único, da Lei nº 9.249, de 1995, alterado pelo art. 2º da Emenda Constitucional nº 10/96. Impugnado o lançamento, de forma tempestiva, em 05/11/2001 (fls. 17/43), a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP decidiu, em 26/01/2005, pela procedencia do lançamento, mantendo o crédito tributário (fls. 94/105), amparado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que a opção, na Declaração IRPJ/1997, pela apuração anual do imposto de renda e da contribuição social pressupõe que a base de cálculo e o valor da contribuição devida sejam estabelecidos em 31/12/1996, data em que tanto a legislação tributária quanto a ordem judicial determinam a aplicação da alíquota de 30%; que o julgador administrativo não pode esquivarse de aplicar a lei e carece de competência para apreciar questões suscitadas quanto à inconstitucionalidade da legislação tributária; que decorre do cumprimento à Lei, através da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, a imputação de multa de oficio sobre créditos apurados de oficio, sendo incabível a exclusão da mesma, exceto nos casos legalmente previstos; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI Processo nº 16327.002010/200126 Acórdão n.º 9101001.659 CSRFT1 Fl. 3 3 que a utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 11/02/2006, conforme Termo constante às fls. 106/108, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, tempestivamente, em 10/03/2006, Recurso Voluntário às fls. 109/130, o qual, ao ser apreciado pela então Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 108 09.720, de 18/09/2008, teve seu provimento negado, por unanimidade de votos, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1997 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. CSLL. Como o lançamento tem por objeto a cobrança da CSLL devida ao final do anocalendário, e não das antecipações mensais, considerase ocorrido o fato gerador apenas ao final do ano calendário, de modo que, ocorrido o fato gerador em 31.12.96, dispunha o Fisco, pela regra prevista no artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional, do prazo de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para cientificar o contribuinte do lançamento de oficio levado a cabo. MULTA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. INOCORRÊNCIA. Não cabe afastar a multa em razão de sucessão quando, em verdade, se trata de mera alteração de denominação social. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DA CSLL DE 18% PARA 30%, PARA SOCIEDADES DISTRIBUIDORAS DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, POR MEIO DA EMENDA CONSTITUCIONAL N° 10, DE 04.03.96, PARA O PERÍODO DE 1°.1.96 A 30.06.1996. O fato gerador da CSLL ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário, quando então é realizado o ajuste das eventuais antecipações realizadas frente à contribuição incidente sobre o lucro apurado no último dia do exercício, à alíquota vigente em 31 de dezembro. TAXA SELIC JUROS DE MORA PREVISÃO LEGAL – Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 do 1° Conselho de Contribuintes. Preliminar de Decadência Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SANTANDER DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA. (ANTIGA DEN. SANTANDER NOROESTE DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA.). Fl. 332DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI 4 ACORDAM os Membros da OITAVA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado da decisão de Segunda Instância, em 16/01/2009, conforme Termo constante às fls. 192, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 29/01/2009, o Recurso Especial de fls. 196/206, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que passa a Recorrente a demonstrar os motivos pelos quais se faz necessária a reforma integral do v. acórdão proferido pela C. 8° Câmara do E. Primeiro Conselho de Contribuintes (n. 10809.720), em face da flagrante divergência quanto ao entendimento esposado pela C. 1ª Câmara do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, no tocante à observação dos Princípios Constitucionais da Irretroatividade e da Anterioridade Nonagesimal diante da majoração da alíquota da CSSL introduzida pela EC nº 10/96; que a Recorrente foi autuada em 03/10/2001 por suposta diferença no recolhimento da CSSL, referente ao anocalendário de 1996 (exercício de 1997); que, isto porque, a Recorrente aplicou aos lucros registrados no primeiro semestre daquele ano a alíquota de 18%, prevista na legislação vigente, quando no entender da fiscalização o respectivo período deveria ser tributado à alíquota de 30% à luz da Emenda Constitucional n.10/96; que muito embora a Recorrente tenha demonstrado em sede de Impugnação que, observandose os Princípios da Irretroatividade das Leis e da Anterioridade Nonagesimal, a majoração de alíquota instituída pela Emenda Constitucional n° 10/96 jamais poderia atingir os fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, isto é, 1° de julho de 1996, a r. decisão de primeira instância houve por bem manter integralmente o Auto de Infração; que da simples leitura da ementa do v. acórdão recorrido, depreendese que a decisão da 8ª Câmara do 1° Conselho foi pelo improvimento do Recurso Voluntário, em razão da adoção do entendimento de que o fato gerador da CSLL ocorreria no dia 31 de dezembro, data em que deveria ser aplicada a alíquota vigente de 30%; que, ocorre, todavia, que a solução adotada pelo v. acórdão recorrido, no que se refere à impossibilidade da Emenda Constitucional n° 10/96 atingir os fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência, contrariou decisões proferidas pela 1ª Câmara deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes. É o que se passa a demonstrar; que conforme já antecipado, a I. Conselheira Relatora, no voto que conduziu o julgamento do v. acórdão recorrido, entendeu pela inaplicabilidade da alíquota de 18% no primeiro semestre de 1996, sob o argumento de que o fato gerador da CSLL ocorreu somente em 31 de dezembro do respectivo ano calendário e partindo dessa premissa concluiu que a alíquota de 30% deveria ser aplicada também ao período anterior à vigência da EC n. 10/96; que as alterações introduzidas pela Emenda Constitucional n° 10/96, publicada em 07.03.96, em virtude do aludido princípio da anterioridade específica, deveriam começar a produzir efeitos somente sobre os fatos ocorridos a partir de 1º de julho de 1996; Fl. 333DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI Processo nº 16327.002010/200126 Acórdão n.º 9101001.659 CSRFT1 Fl. 4 5 que, assim, ao pretender que a majoração de alíquotas alcançasse os fatos ocorridos antes de 1° de julho de 1996, a Emenda Constitucional n° 10/96 violou flagrantemente o Princípio da Anterioridade Nonagesimal, insculpido no artigo 195, § 6° da Constituição Federal. O contribuinte indicou como paradigmas os acórdãos abaixo relacionados, cuja ementa se transcreve na parte que interessa (fls. 226/270): Acórdão nº 101.96.089: CSLL PRAZO NONAGESI MAL — EMENDA CONSTITUCIONAL n° 10/96 Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da CSLL, e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificandose a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme o art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. Acórdão nº 101.96.193: CSLL — PRAZO NONAGESIMAL — EMENDA CONSTITUCIONAL n° 10/96 Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da CSLL, e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificandose a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme disposto no art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. Acórdão nº 101.95.206: CSLL — INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS — MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA — PRAZO NONAGESIMAL — Uma vez alterado o art. 72 do ADCT, para majorar a alíquota da CSLL, e especialmente ampliar o aspecto temporal da incidência, verificandose a alteração material do aspecto quantitativo da mesma, é de se observar a determinação de observância do prazo nonagesimal, conforme o art. 195, § 6° da Constituição Federal, na aplicação da nova alíquota em face ao período abrangido pela alteração constitucional promovida pela citada emenda. Em 24/04/2008, às fls. 275/276, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Despacho nº 1200 0.102/2009, admitindo o Especial, considerando que a recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas relativas à alíquota da CSLL em 1996. Encaminhado os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos do art. 70, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI 6 02/07/2009), foram apresentadas, em 03/07/2009, as devidas contrarrazões (fls. 291/297), as quais foram lastreadas nos seguintes argumentos: que o contribuinte alega que a Emenda n° 10/96 estaria contrariando o disposto nos artigos 150, III, a, e 195, c, §6°, da Constituição Federal de 1988, ou seja, que a Emenda n° 10/96 seria inconstitucional; que se note que não há a menor dúvida de que a Emenda n° 10/96 determinou que a CSSL deveria ser exigida com a alíquota de 30% a partir do mês de janeiro de 1996; que, assim, é interessante observar que, ao contrário do que alegado pela empresa contribuinte, os Tribunais já declararam a constitucionalidade da exigência de CSSL, como prevista na Emenda n° 10/96; que a manutenção do julgado, portanto, é medida que se impõe, preservandose o entendimento de que, sendo anual o fato gerador da CSLL, o ajuste deve ser feito considerando o lucro apurado em 31/12, a atrair a incidência da CSLL à alíquota de 30%. É o relatório Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original, quando do julgamento do recurso, bem como o resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em maio de 2013, passo a formalizar o voto em questão: Tendo a Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 16/01/2009 (fls. 192) e protocolizado o seu Recurso Especial de Divergência, em 29/01/2009 (fls. 196/206), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por outro lado, a Contribuinte, cumpriu com os requisitos previstos no RI CARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que acostou aos autos cópia de ementas divergentes de decisões que deram à lei tributária interpretação distinta da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, bem como demonstrou, analiticamente, os pontos divergentes nos acórdãos paradigmas e recorrido. Os acórdãos paradigmas consolidam entendimento de que o imposto pago mensalmente, apurado por estimativa, se refere aos fatos geradores ocorridos em cada mês. Por Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI Processo nº 16327.002010/200126 Acórdão n.º 9101001.659 CSRFT1 Fl. 5 7 conseguinte, qualquer alteração na base de cálculo ou na alíquota não pode alcançar os fatos geradores relativos aos meses anteriores, ainda que para efeito de declaração anual de ajuste. Por sua vez, o acórdão recorrido, ao contrário, defende a tese de que a alíquota é de 30%, pois em 31/12/1996, quando ocorreu o fato gerador anual da CSLL, estava em vigor tal percentual. Assim não poderia a empresa segregar os percentuais em 18 % até maio e 30% de junho em diante. O confronto dos fundamentos expressos nos enunciados (acórdãos: recorrido e paradigmas) evidencia que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, tendo em vista que em situações fáticas idênticas chegouse a conclusões distintas, com diferentes interpretações dadas à legislação tributária. Assim sendo, o Recurso Especial interposto pela Contribuinte preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Conforme relatado, a recorrente alega ser indevida a cobrança da contribuição social na alíquota de 30% e que apurou de forma correta ao considerar a alíquota de 18%, estabelecida pelo artigo 19, parágrafo único, da Lei n° 9.249, de 1995. Citando o artigo 195, § 6°, da Constituição Federal, sugere que a alíquota de 30% seria aplicável depois de decorridos 90 dias da data da publicação da Emenda Constitucional n° 10, de março de 1996. Diante da situação que ora se apresenta, entendo necessário demonstrar a evolução da legislação que trata da matéria, em especial o tratamento diferenciado dispensado pelo legislador quanto à alíquota da CSLL das instituições financeiras. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL foi instituída pela Lei n° 7.689, de 1988, destinada a financiar a seguridade social (art. 1°). A base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado por algumas exclusões e adições, conforme especificado no artigo 2°, § 1°, da referida lei, observandose a redação dada pela Lei n° 8.034, de 1990. São contribuintes da CSLL as pessoas jurídicas domiciliadas no país, assim como as que lhes são equiparadas pela legislação tributária, nos termos do artigo 4°, da Lei n° 7.689, de 1988. Contudo, com relação à alíquota aplicável, este diploma legal estabeleceu tratamento diferenciado para as instituições financeiras elencadas no artigo 1° do Decretolei n° 2.426, de 1988, como é o caso da ora recorrente. Assim, como regra geral, a alíquota da contribuição inicialmente estipulada foi de 8%. Entretanto, já à época da criação da contribuição social sobre o lucro líquido, a legislação estipulou uma alíquota diferenciada de doze por cento (12%) para as instituições financeiras e assemelhadas, aplicável no exercício de 1989 (períodobase 1988). A seguir, a Lei n° 7.856, de 1989, determinou que a partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989, a alíquota passaria a ser de dez por cento (art. 2°, caput). Entretanto, para as instituições financeiras e assemelhadas (referidas no artigo 1°, do Decretolei 2.426, de 1988), no exercício financeiro de 1990, a contribuição seria paga pela alíquota de quatorze por cento (art. 2°, parágrafo único). Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI 8 Novamente houve majoração de alíquota para as instituições financeiras e assemelhadas no ano seguinte, pois a Lei n° 8.114, de 1990 (assim como as Medidas Provisórias 225, de 1990 e 249, de 1990, que lhe precederam), determinou que, a partir do exercício financeiro de 1991, tais instituições financeiras e assemelhadas pagariam a CSLL à alíquota de quinze por cento (artigo 11). Posteriormente, foi editada a Lei n° 8.212, de 1991, com outro aumento na alíquota, desta feita para 15% no caso de instituições financeiras, bem assim de 10% para as demais pessoas jurídicas, conforme o artigo 23, inciso II e § 1°. A Lei Complementar n° 70, de 1991, instituiu a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS e, no seu artigo 11, parágrafo único, excluiu tais instituições financeiras e assemelhadas do pagamento da mesma. Em contrapartida, no caput do mesmo artigo 11, o legislador elevou em oito pontos percentuais a alíquota da contribuição social das instituições financeiras elencadas no §1°, do art. 22, da Lei 8.212/91, resultando, assim, numa nova alíquota de 23%. Referida Lei Complementar determinou, ainda, que a nova alíquota seria exigida a partir do primeiro dia do mês seguinte aos noventa dias posteriores à data de sua publicação (artigo 13). Portanto, diante da publicação da Lei Complementar 70, que ocorreu em 31 de dezembro de 1991, a CSLL foi devida pelas instituições financeiras, à nova alíquota, a partir de 1° de abril de 1992. Por ocasião da promulgação da Emenda Constitucional de Revisão n° 1, de 1° de março de 1994, artigos 71, 72 e 73, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, previam: Art. 71. Fica instituído, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, o Fundo Social de Emergência, com o objetivo de saneamento financeiro da Fazenda Pública Federal e de estabilização econômica, cujos recursos serão aplicados no custeio das ações dos sistemas de saúde e educação, benefícios previdenciários e auxílios assistenciais de prestação continuada, inclusive liquidação de passivo previdenciário, e outros programas de relevante interesse econômico e social. [...] Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: [...] III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, passa a ser de trinta por cento, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; [...] § 1º As alíquotas e a base de cálculo previstas nos incisos III e V, aplicarseão a partir do primeiro dia do mês seguinte aos noventa dias posteriores à promulgação desta emenda. Diante disso, ao instituir o Fundo Social de Emergência, a Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94 determinou que a alíquota da CSLL aplicável a tais instituições financeiras, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, passou a ser de trinta por Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI Processo nº 16327.002010/200126 Acórdão n.º 9101001.659 CSRFT1 Fl. 6 9 cento (artigo 72, inciso III, incluído no ADCT, pelo artigo 1°, da referida Emenda, acima transcrito). Da mesma forma, como o ocorrido no ano de 1991, por ocasião da edição da Lei Complementar n° 70, a Emenda Constitucional de Revisão n° 1 determinou que a nova alíquota de 30% aplicarseia a partir do primeiro dia do mês seguinte aos noventa dias posteriores à sua promulgação (artigo 72, § 1°, incluído no ADCT pelo art. 10 da ECR 1/94, publicada no DOU de 02 de março de 1994). Destaquese que, com a edição da ECR n° 1/94, a alíquota de 23%, até então aplicável para a CSLL das instituições financeiras e assemelhadas, permaneceria até 31 de maio de 1994, passando para 30% no período de 1º de junho de 1994 a 31 de dezembro de 1995. Assim, a perdurar a legislação então vigente, em 10 de janeiro de 1996, a alíquota retomaria aos 23% em vigor antes da Emenda Constitucional n° 1/94. No entanto, a Lei n° 9.249, de 1995, veio alterar as alíquotas aplicáveis a partir de 1° de janeiro de 1996, verbis: Art. 19. A partir de 1° de janeiro de 1996, a alíquota da contribuição social sobre o lucro líquido, de que trata a Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a ser de oito por cento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às instituições a que se refere o § 1º do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para as quais a alíquota da contribuição social será de dezoito por cento. Conforme o artigo 19 acima descrito, para as instituições financeiras e assemelhadas referidas no § 1°, do artigo 22, da Lei nº 8.212, de 1991 (instituições financeiras e assemelhadas), tal alíquota foi fixada em 18%, e para as demais pessoas jurídicas, passa a ser de 8%. Contudo, logo a seguir, foi editada a Emenda Constitucional n° 10, de 4 de março de 1996, e, assim, o Fundo Social de Emergência teve sua existência prorrogada até 30 de junho de 1997, passando a denominarse Fundo de Estabilização Fiscal, sendo que o artigo 72, do ADCT, teve sua redação, em seu inciso III, alterada para: Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: [...] III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1° de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI 10 Finalmente, a partir de 1° de janeiro de 1997, a alíquota da CSLL devida pelas instituições financeiras e assemelhadas, foi reduzida para 18%, por determinação da Medida Provisória 1.516/96 e suas reedições (MP 1.5161 e 1.5162), e da resultante Lei n°9.316, de 22 de novembro de 1996. Conforme consta do relatório, a recorrente reclama, com relação à CSLL exigida, a aplicação da forma preceituada no artigo 19, parágrafo único, da Lei nº 9.249, de 1995, que instituiu uma alíquota de 18% para as instituições financeiras, aplicável a partir de 10 de janeiro de 1996. Tratase de suposto recolhimento a menor de CSLL durante o ano calendário de 1996, em face à interpretação da Emenda Constitucional n°. 10/96. Diante do que dispõe o artigo 195, § 6º, combinado com o §1°, do artigo 72, do ADCT da Constituição Federal, a exigência da CSLL deveria ser exigível somente após decorridos o prazo de noventa dias da publicação da referida emenda, uma vez demonstrada a modificação substancial, ou nova instituição da exigência tributária. Nesse sentido, embora no caso julgado pelo Supremo Tribunal Federal, cujo voto vencedor se reproduz parcialmente em seguida, tenha prevalecido o entendimento que não ocorreu ferimento ao princípio nonagesimal, restou evidenciada na situação em comento a necessidade de se modificar ou instituir nova contribuição para se invocar a observância ao principio sobredito, conforme a discussão jurídica examinada pelo E. STF, quando da Emenda Constitucional n° 37, de 2002, que, pela ADIN n° 2.666DF julgou a CPMF, na alteração da vigência da Lei n°. 9.311, de 1996. Nesse particular aspecto, a Ministra ELLEN GRACIE, em seu voto, na ADIN em comento, assevera: Muito embora, portanto, a Emenda Constitucional n° 21 não tenha prorrogado efetivamente a cobrança da CPMF à luz da alteração promovida na Lei n° 9.311/96 referidas leis, o Plenário, nesse precedente, considerouas repristinadas, tendo a CPMF, então, sido instituída de maneira inaugural na data de promulgação dessa Emenda, observandose efetivamente a partir daí, em conseqüência, o princípio da anterioridade nonagesimal, nos termos do § 1° do art. 75 do ADCT, incluído por tal Emenda no corpo transitório da Carta. Uma vez observada a noventena e estandose diante de mera prorrogação, sem solução de continuidade temporal, eventual manutenção, no texto promulgado da Emenda Constitucional n° 37, da alusão à observância do disposto no § 6° do art. 195 da Constituição não teria efeito nenhum, pois inaplicável ao caso. Sua supressão, portanto, não importou em qualquer alteração substancial, tornando desnecessário o retorno da Proposta de Emenda Constitucional à Câmara dos Deputados para apreciação e votação do novo texto. Eventual retorno a essa Casa Legislativa e eventual reinserção da vinculação da cobrança ao §6° do art. 195 da Constituição não teria nenhum efeito porque, tendo havido simples prorrogação, sem qualquer alteração, não se estaria diante de nenhuma das hipóteses previstas no referido dispositivo constitucional para aplicação da noventena: instituição ou modificação da contribuição social. Assim, a EC n° 10/96 veio ampliar o período em que se passou a alíquota de dezoito para trinta por cento, como se pode ver na sua redação, tratando exclusivamente do mesmo art. 72 do ADCT e, inegavelmente, trouxe alteração efetiva, sobre a materialidade Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI Processo nº 16327.002010/200126 Acórdão n.º 9101001.659 CSRFT1 Fl. 7 11 quantitativa (alíquota) da exação sob exame, vez que majorou a alíquota para os casos de contribuintes como a Recorrente. Ocorre que a Recorrente, desde janeiro de 1996 recolhera a CSLL calculada à alíquota de 18%, passando a recolher sob a nova alíquota de 30% apenas a partir de julho de 1997, exatamente por que a EC 10/96, foi publicada em 07 de março de 1996, no curso do exercício de 1996, provocando a elevação da incidência tributária analisada e não apenas uma simples alteração temporal sobre o período de vigência do art. 72 do ADCT. Em consonância com o exposto acima, podese aduzir os ensinamentos de Roque Antonio Carrazza in "Curso de Direito Constitucionais Tributário", Ed. Malheiros, 1993, pág. 233: [...] todo o Capítulo I, do Título II, da Constituição brasileira, delimita o exercício das competências tributárias das pessoas políticas, impedindoas de ingressarem nas áreas reservadas aos "direitos à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade" dos contribuintes. Os direitos consagrados no artigo 5°, do Diploma Magno, são tão ou mais relevantes do que os recebidos pela União, pelos Estados, pelos Municípios e pelo Distrito Federal, para instituir impostos, taxas e contribuições de melhoria. Daí serem inconstitucionais as normas jurídicas que, a pretexto de exercitarem competências tributárias, impedirem ou tolherem o pleno desfrute dos direitos públicos subjetivos dos contribuintes. Da análise do que foi consignado, depreendese que a majoração da alíquota da CSLL se sujeita ao princípio da anterioridade específica, pertinente às contribuições sociais, podendo ser exigida somente após transcorridos noventa dias da data da publicação da lei que a houve instituído ou modificado. Nesse sentido, cabe novamente citar o Professor Roque Antônio Carrazza (op. cit. – fls. 244): Quando o Poder Legislativo baixa leis retroativas, altera as condições básicas do Estado de Direito, quebrando irremediavelmente, a confiança que as pessoas devem ter no Poder Público. Com efeito, elas já não têm segurança, pois ficam à mercê não só o Direito vigente (o que é normal), mas, também, de futuras e imprevisíveis decisões políticas, que se podem traduzir em regras retroativas. Se, isto acontece, o Estado de Direito soçobra. A segurança jurídica, um dos pilares do nosso Direito, exige, pois, que as leis tributárias tenham o timbre da irretroatividade. Afinal, a necessidade de assegurarse às pessoas a intangibilidade dos atos e fatos lícitos já praticados impõe sejam as leis tributárias irretroativas. Segundo Hugo de Brito Machado in "Curso de Direito Tributário": pelo princípio da anterioridade, nenhum tributo será cobrado, em cada exercício financeiro, sem que a lei que os instituiu ou aumentou tenha sido publicada antes de seu início. A Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI 12 Constituição veda expressamente a cobrança de tributos no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou (art. 150, inc. 11, letra 'b'). A lei fiscal há de ser anterior ao exercício financeiro em que o Estado arrecada o tributo. Com isto se possibilita o planejamento anual das atividades econômicas, sem o inconveniente da insegurança, pela incerteza quanto ao ônus tributário a ser considerado. Diante disso, entendo que não é cabível a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com a alíquota majorada para 30% no período sob análise, face a afronta ao princípio da anterioridade nonagesimal. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, conheço do Recurso Especial do Contribuinte, por preencher os requisitos de admissibilidade e, no mérito, voto por darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 1 1/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARR OS OTTONI
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Numero do processo: 13053.000183/2008-55
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA.
Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO.
Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinatura digital)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 01 83 /2 00 8- 55 Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinatura digital) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13053.000183/200855, contra acórdão da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), de 25 de outubro de 2012, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/POA, que assim relatou: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativa referente ao primeiro trimestre de 2008, no valor de R$ 162.208,67. O pedido eletrônico (PER), transmitido de acordo com as orientações normativas, consta às fls. 05 a 09 dos autos. Com referência neste crédito, a empresa transmitiu declarações de compensação (Dcomp s), fls. 468 a 494. O pedido de ressarcimento foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS) através do Despacho Decisório DRF/SCS n 051/2012 (fl. 280), com base no Parecer DRF/SCS/Safis n 011/2012 (fls. 272 a 279). Foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 57.489,53. Foram glosados valores em dois itens da apuração dos créditos do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições) entregue pela empresa. Da Linha 3 ( serviços utilizados como insumos ) foram excluídos os valores pagos para Tergrasa Terminal Graneleiro S/A, referentes a armazenagem e demais serviços prestados no porto de Rio Grande até o embarque no navio para a remessa ao exterior, por encontraremse em desacordo com a previsão do art. 3o da Lei 10.833/03. O auditorfiscal responsável registra ainda que os gastos também não se referem a armazenagem prevista no inciso IX do mesmo artigo, pois os produtos são vendidos após a prestação do serviço, além dos pagamentos não contemplarem apenas gastos de armazenagem. Também foram glosados valores da Linha 7 do Dacon ( despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda ) referentes aos pagamentos para Navegação Aliança que transporta os cavacos de madeira de Taquari até Rio Grande, pois, neste, a carga é formada por produtos acabados e é depositada em nome de Mita LTDA, sendo vendidos posteriormente de acordo com as notas fiscais. A empresa foi cientificada em 05/03/2012 (fl. 284), tendo apresentado manifestação de inconformidade em 03/04/2012 (fls. 287 a 467), cujos argumentos serão relatados logo abaixo. Com referência no deferimento parcial do crédito, foram homologadas parcialmente as compensações e indeferido o pedido de ressarcimento, através do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 167/2012 (fls. 495 a 496), abrindose o prazo para o contraditório. A ciência se deu em 06/06/2012 (fl. 502). A empresa apresenta nova manifestação de inconformidade em 05/07/2012 (fls. 503 a 685). Na primeira manifestação, contesta integralmente a glosa do crédito. Preliminarmente, alega a tempestividade. Descreve a sua atividade, destacando que a empresa Mita foi formada a partir de acordo de joint venture entre Mitsubishi Corporation (sediada no Japão) e Setapar, com objetivo de exportar cavacos de madeira (acácia negra) para o Japão. Informa que o contrato era válido por 10 (dez) anos, com cláusula de exclusividade. No mérito, em resumo, aponta que a mercadoria, por força do contrato, encontrase vendida ao único comprador desde a sua saída na empresa e que deve ser entregue em condições para embarcação no porto de Rio Grande. Em função do volume e condições, é necessário o transporte com a contratada Navegação Aliança até o porto, a armazenagem e a utilização de Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 5 4 outros serviços portuários para deixar a mercadoria em condições de embarque, sendo todas as despesas suportadas pela vendedora. A emissão da nota fiscal é posterior por obrigação contratual, questões legais e pela natureza da carga. Em apoio ao argumento, cita a IN SRF 28/94, arts. 27 e 49, que exigem que a pesagem ou arqueação dos navios, nos casos de mercadorias a granel, deve preceder a emissão dos documentos de embarque. Sendo todos os custos decorrentes da operação de venda, entende plenamente enquadrada no art. 3 , IX, da Lei 10.833/03. Cita autores e solução de consulta da 9a Região Fiscal da RFB que forneceriam suporte à tese. Adicionalmente, entende que as operações também poderiam ser abarcadas no conceito de insumo do art. 3 da referida Lei. Alega que as INs da RFB restringem o conceito legal de insumo. Indica que a Lei não aplica o conceito do IPI e que a diferente materialidade da Cofins, incidente quando se aufere receitas, implica em utilizar o conceito de custos necessários. Cita doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Argumenta que o entendimento adotado pela DRF implica em resultados opostos ao esperado pela política de fomento às exportações. Requer a reforma do despacho decisório para reconhecimento integral do crédito. Na segunda manifestação de inconformidade entregue, a empresa, basicamente, argumenta no mesmo sentido da primeira. Acrescenta alegação de nulidade do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 167, que homologou parcialmente as compensações e procedeu a cobrança dos valores indevidamente compensados, uma vez que lastreado em decisão não definitiva. Indica que a manifestação anterior referente ao crédito encontrase pendente de apreciação, devendo o processamento das compensações aguardar o julgamento. Requer a suspensão da cobrança decorrente da não homologação das compensações até julgado o recurso no processo de crédito, e, alternativamente, o reconhecimento da existência integral do crédito e da homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação desta DRJ.” A DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Colaciono a ementa abaixo transcrita: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que a decisão administrativa foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Cofins não cumulativa incidente em suas aquisições. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins não cumulativa sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 6 5 clientes. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem de mercadoria na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, só geram direito ao desconto de créditos na apuração não cumulativa da Cofins quando comprovadas de forma individualizada. Entende se por armazenagem estritamente a guarda de mercadoria, não se incluindo nesse conceito operações portuárias diversas.” Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 A recorrente não vende apenas cavados de madeira. Ela também é responsável por agregarlhe todo o aparato logístico necessário para que os mesmos sejam exportados para o Japão; 2 As operações analisadas na decisão recorrida não podem ser tidas como isoladas, mas compreendidas dentro de uma mega estrutura montada para uma finalidade específica: produzir cavacos de madeira para serem exportados para o Japão; 3 As despesas glosadas devem ser enquadradas como insumos ou como inerentes à operação de venda; 4 O conceito de insumo trazido como premissa para interpretar a legislação invocada e discorrer sobre a origem da nãocumulatividade das contribuições para PIS/COFINS; 5 Entendese que o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade do PIS/COFINS. Deve, sim, aterse ao que determina a Constituição Federal, que apenas estabeleceu a definição de setores econômicos a que seria aplicável, não fazendo qualquer referência a uma possível restrição de insumos; 6 A sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS difere daquela aplicável ao IPI e ao ICMS, eis que não se limita ao valor das contribuições recolhidas na operação anterior, mas sim permite a tomada de créditos calculados mediante aplicação das suas respectivas alíquotas sobre os custos com bens e serviços utilizados como insumos na atividade principal da empresa. É o sucinto relatório. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Da existência de direito de crédito a ser pleiteado O pedido de compensação formulado pelo Contribuinte se funda em matéria polêmica na jurisprudência do CARF. No presente caso requer o aproveitamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. O CARF tem adotado diversos entendimentos sobre a matéria, dentre os quais três posicionamentos se destacam: o insumo como todo bem fisicamente integrado ao produto ou serviço; como necessários à atividade ou como necessários à fabricação ou produção de bens e serviços. Esse primeiro entendimento compreende que geram créditos de PIS e Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Utilizase, nesse caso, utilazase o IPI como modelo no aproveitamento de créditos. O segundo entendimento adotase uma perspectiva diversa. Podemos citar como exemplo de decisão nesse sentido o Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, que decidiu que o aproveitamento de insumos abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção da atividade produtiva. Aproximase este modelo daquele utilizado pelo Imposto de Renda. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque a base de cálculo do PIS não abrange somente atividades de industrialização, nem se dirige apenas a comercialização. Esta envolve outras atividades de produção, além da industrialização. De outro lado, não se identifica ao modelo de tributação pelo Imposto sobre a Renda porque esta não procura verificar disponibilidade econômica ou jurídica do contribuinte, o seu acréscimo patrimonial e nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 8 7 ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”. O conceito de insumo utiliza critério de aferição diverso da mera verificação dos i) gastos necessários à industrialização (IPI); ii) dos bens consumidos ou integrados à mercadoria ou iii) daqueles necessários à atividade (IR). Este conceito deve estar vinculado à essência do tributo em questão, ou seja, abranger todos os bens e serviços necessários à industrialização ou produção. Os gastos de materiais de escritório, por exemplo, não são usualmente necessários à produção e, portanto, não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. Nesse sentido entende a 3a Turma da CSRF que são insumos todos os dispêndios “relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social.”. Vejase a ementa do presente acórdão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3o LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado.” (grifouse) (Acórdão no 930301.741, P.A. 13053.000211/200672, 3a Turma da CSRF, Rel. Com. Nanci Gama, julgado em 09.11.2011) A confusão sobre o conceito de insumo surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03. Estas limitaram a extensão do referido termo à interpretação conferida pela legislação do IPI. Cabe observar que não podem normas infralegais limitar o alcance da aplicação das leis, sob pena de ofensa à legalidade. De outro lado, deve prevalecer o entendimento de que inexistindo limitação por parte da legislação, não se cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 9 8 do princípio da nãocumulatividade. Cabe por fim afirmarse que interpretar restritivamente este conceito implicaria em diversas violações normativas, tais como: i) ofensa à proibição do uso de interpretação analógica (analogia com o IPI); ii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto (ao não se ler a expressão “produção”); iii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto pelo recurso a mens legislatoris (“intenção do legislador em restringir o uso do aproveitamento de créditos”) e iv) proibição de interpretação restritiva com base em interpretação finalística, quando dentre as diversas interpretações possíveis escolhese a mais restritiva utilizando uma análise econômica não autorizada expressamente pelo texto. O presente caso versa sobre a apropriação de créditos de fretes e armazenagem. Entendemos que o princípio da nãocumulatividade permite a tomada de créditos sobre despesas com fretes e armazenagem, quando pagos a pessoas jurídicas compondo valor de aquisição de tal bem. Estes passam a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem. Poderseá admitir igualmente o aproveitamento desses créditos, de frete e armazenagem, por serem insumos necessários no contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Demonstra o contribuinte que as despesas de frete e armazenagem decorrem da localização geográfica da planta industrial, bem como da logística necessária à exportação. Assim devese admitir o aproveitamento desses créditos, tanto pela ótica do conceito de insumo, quanto por serem considerados como despesas de venda. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, ou no inciso IX deste artigo. Em primeiro lugar, a recorrente defende um conceito de insumo bem abrangente, que seja mais amplo do que o utilizado na legislação do IPI ou do ICMS, pois, segundo ela, todos os gastos essenciais ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep. Subsidiariamente, alega que os gastos glosados podem enquadrarse no inciso IX acima. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 11 10 Sobre a abrangência do termo “insumo”, é verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento para o conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 12 11 Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 13 12 ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 14 13 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma tem decidido no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 15 14 sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Gastos com fretes e armazenagem. Os gastos com fretes e armazenagem em discussão, relativos a produtos acabados, não se enquadram no conceito de insumo, conforme entendimento aqui adotado, pois Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000183/200855 Acórdão n.º 3801005.280 S3TE01 Fl. 16 15 não se referem a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos. Os argumentos subsidiários expostos no recurso voluntário também não são suficientes para afastar as razões que conduziram à decisão de primeira instância administrativa, com as quais estou de acordo. Conforme assentado na decisão recorrida, não foi comprovado que os gastos que a contribuinte afirma serem relativos a serviços de armazenagem se referem apenas a estes serviços. Há evidências de que se referem também a despesas com serviços portuários de movimentação e expedição de mercadorias, as quais não podem gerar direito ao crédito pleiteado. Por falta de individualização e comprovação dos gastos com armazenagem propriamente dita, devese manter a decisão recorrida. Despesas com fretes de bens enquadrados como insumos integram o custo destes insumos e não necessitam do inciso IX para gerarem direito ao crédito. Os fretes referentes a transporte de produtos acabados só dão direito a crédito se vinculados a operações de vendas, ou seja, apenas os gastos com transportes de produtos contratados para a entrega ao comprador geram o crédito Estabelecer um alcance maior para o enunciado do citado inciso IX implicaria estender um direito além do previsto em lei, o que é vedado aos membro do CARF. As diversas Soluções de Consulta citadas no acórdão recorrido amparam a conclusão assentada pela turma da DRJ/POA de que “somente os valores da despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos cliente adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela vendedora e o pagamento feito para pessoa jurídica no país, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida”. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.904857/2013-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/02/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 57 /2 01 3- 05 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904857/201305 Acórdão n.º 3801005.051 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001182/92-11
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jul 14 00:00:00 UTC 1994
Ementa: CORREÇÃO DE INSTÂNCIA - Deverá ser apreciada como impugnação a petição dirigida contra decisão monocrática que julgou intempestiva
contestação do contribuinte, provado nos autos que a mesma não foi interposta a destempo.
Numero da decisão: 102-29.209
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do primeiro conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para considerar tempestiva a impugnação e determinar a apreciação do mérito pela autoridade monocrática.
Nome do relator: Carlos Emanuel Dos Santos Paiva
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CORREÇÃO DE INSTÂNCIA - Deverá ser apreciada como impugnação a petição dirigida contra de cisão monocrática que julgou intempestiva contestação do contribuinte, provado nos au- tos que a mesma não foi interposta a destem- po. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VALDECIR ACCO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do primei- ro conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para considerar tempestiva a impugnação e determinar a apreciação do mérito pela autoridade monocrãtica. Sala das , cuia. julho de 1994. dal lirO ARL O S FAUT0i4411117__ -:PRESIDENTE E RELATOR ,ar f Jrn 4 RANCISCe TARGINO DA ROCHA-PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL VISTO EM SESSÃO DE: 1 6 SE T i.ig94 Participaram, ainda, do presentecjulgamento os seguintes Con- selheiros: Waldevan Alves de Oliveira, Francisco de Paula Cor rea Carneiro Giffoni, Ursula Hansen, José Carlos Passuello e Júlio César Gomes da Silva. Ausente a Conselheira Maria Clelia de Andrade Figueiredo, por motivo justificado. E 4.8 . -aniliM~- -SaCall J11 .0.64./Aw SERVICO PUBLICO FEDERAL Processo N9 10935/001.182/92-11 .2. RECURSO N9: 77.466 ACÓRDÃO N9:102-29.209 RECORRENTE: VALDECIR ACCO RELATÓRI O_ _ _ _ O contribuinte supra apela a este Conselho protestan do contra a decisão do Delegado da Receita Federal em Cascavel que julgou ser intempestiva a impugnação de fls. 32/35. Segundo o julgador monocrâticoa impugnação apresen tada em 03/12/92, teria sido feita a destempo, uma vez que tendo o Aviso de Recebimento-AR, de fls. 358 omitido a data do recebimen to, nos termos do art. 23, 29, inciso II do Decreto N9 70.235/72, deve ser considerada feita a intimação 15 dias após a entrega da mesma na agência postal. Considerando a data da postagem (12/09/92), o prazo para impugnação expirar-se-ia em 28/10/92, assim, sua apresentação em 03/12/92 seria intempestiva no entendimento da instância a quo. Ãs fls. 371/375, o contribuinte insurge-se contra es se entendimento, alegando ter sido intimado da exigência por vol- ta dos dias 5 ou 6 de novembro de 1992 e que o AR de fls. 358 foi assinado junto a Agência.da Receita Federal em Toledo-PR em bran- coo atendendo pedido da Chefe da Agência, sob a alegação de que necessitaria do AR para processar o recebimento da impugnação. 3 OTO CONSELHEIRO: CARLOS EMANUEL DOS SANTOS PAIVA-RELATOR O recurso foi interposto em 19/03/93 e a ciência da decisão recorrida foi em 17/02/93, recebo-o, portanto, como tem- pestivo. No mérito, cuida-se de saber se a impugnação teria sido feita tempestivamente ou não. Verificando o AR de fls. 358, considerado pela auto ridade recorrida como o instrumento atraves do qual teria sido o •ibuinte citado do lançamento, vg-se que o mesmo inaugura uma Addly A —sa quanto ao verdadeiro prazo da citação.00) 4 II imprensa Nacional ,.RVICO PUBLICO FEDERAL Processo N9 10935/001.182/92-11 .3. RECURSO N9:77.466 ACÓRDÃO N9: 102-29.209 RECORRENTE: VALDECIR ACCO , A autoridade monocrática tomou para o termo inicial da contagem do prazo a data da pastagem (12/09/92), mas no mes- mo AR-consta a data de 24/09/92, no campo reservado a data em que a correspondência teria sido recebida no destino. Afora esse fato, é bastante relevante o despacho final às fls. 31 da Agente da Receita Federal em Toledo, dando con_.. ta de que em razão do AR não ter retornado àquela Agência foi da- da ciência ao interessado no verso da mesma folha. No verso, consta que o contribuinte em 18/11/92, recebeu copia do contido as fls. 29 e 30 dos autos que e -a pró- pria notificaçao de lançamento e o termo de encerramento da ação fiscal. A data em que o contribuinte foi efetivamente ci- tado é da maior relevância processual, pois é a partir da citação válida e inequívoca que o mesmo poderá exercer o seu inarredável direito de defesa. Não pode pairar a menor dúvida sobre esse fato e, em presença de dúvida, o beneficio sempre será o do contribuinte. •No caso, além de 'o AR de fls. 358, por si só, não ser suficiente para se tirar uma conclusão a respeito do que efe- tivamente teria ocorrido, tem-se o despacho de fls. 31 da repre- sentante do Fisco em Toledo-PR., que mostra-, sem margem a dúvida, quando efetivamente o contribuinte foi intimado, ou seja, em 18/11/92. . Á vista do exposto, voto no sentido de dar provi mento ao recurso, com vistas a que se façam presentes os autos a autoridade recorrida, a fim de que a petição de fls. 371/375, seja apreciada como impugnação, incorporada a'ela todos os - argumentos e provas oferecidas na contestação. de 1994. 40-------40-1/ - 441:51~11111.CAR.s ..,... ffill: SA TOS PAIVA-RELATOR I ,mprense Nacional ' I Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.001230/97-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 17/05/1993 a 19/01/1994
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO.
Para efeitos aduaneiros o valor da mercadoria submetida a despacho de importação deve ser obtido em conformidade com o que dispõe o Acordo de Valoração Aduaneira.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE DO PREÇO PRATICADO.
Os valores que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de direitos de licença, como condição de venda dessas mercadorias, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-001.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 17/05/1993 a 19/01/1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Para efeitos aduaneiros o valor da mercadoria submetida a despacho de importação deve ser obtido em conformidade com o que dispõe o Acordo de Valoração Aduaneira. VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE DO PREÇO PRATICADO. Os valores que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de direitos de licença, como condição de venda dessas mercadorias, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Recurso especial do contribuinte negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Nanci Gama - Relatora Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.119 1 1.118 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12466.001230/9786 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303001.277 – 3ª Turma Sessão de 07 de dezembro de 2010 Matéria II/IPI Recorrente SET TRADING S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/05/1993 a 19/01/1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Para efeitos aduaneiros o valor da mercadoria submetida a despacho de importação deve ser obtido em conformidade com o que dispõe o Acordo de Valoração Aduaneira. VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE DO PREÇO PRATICADO. Os valores que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de “direitos de licença”, como condição de venda dessas mercadorias, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Gileno Gurjão Barreto, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 12 30 /9 7- 86 Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 2 Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte com fulcro no artigo 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 147/2007, em face ao acórdão de n.º 30238.517, proferido pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, para incorporar, ao valor aduaneiro dos veículos “ASIA” importados, os valores relativos à prestação de serviços e assistência técnica que a detentora da marca “ASIA” no Brasil – ASIA MOTORS DO BRASIL – presta às concessionárias, conforme ementa a seguir: “Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – Para efeitos aduaneiros o valor da mercadoria submetida a despacho de importação é obtido em conformidade com o que dispõe o Acordo de Valoração Aduaneira. VALORAÇÃO ADUANEIRA. AJUSTE DO PREÇO PRATICADO – Os valores que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, a título de “direitos de licença”, como condição de venda dessas mercadorias, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. SOLIDARIEDADE – São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal – artigo 124 do Código Tributário Nacional. RECURSOS DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO NEGADO.” Assim, o acórdão recorrido entendeu por aplicar o item 1, alínea c, do artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, por entender que referidos serviços de assistência técnica seriam revertidos em benefício indireto à exportadora ASIA CO. INC. eis que teriam como finalidade o fortalecimento da marca “ASIA” no Brasil. Inconformada com a decisão de aludido acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência, fundamentandose em acórdãos paradigmas, os quais aduzem, em síntese, que o ajuste preconizado no item 1, alínea c, do artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneira é incabível, eis que os serviços prestados após a importação em nada se reportam à importação, não havendo o que se falar na inclusão desses ao valor aduaneiro. Além disso, o Recorrente alega que em decisões proferidas pela própria Coordenação do Sistema de Tributação – COSIT, quais sejam, as de n.os 14 e 15, ambas de 1997, restou entendido que não cabe a incidência do II e do IPI nas operações de importação de veículos, nas quais as concessionárias pagam às detentoras do uso da marca no país, valor Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.120 3 relativo à prestação de serviços mercadológicos e assistência técnica, e que, por abordar questão similar a dos presentes autos, as mesmas deveriam ser aplicadas in casu. O recurso especial do contribuinte foi admitido em despacho exarado às fls. 1107 pela ilustre Presidente da Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões, nas quais requereu o desprovimento do recurso especial interposto pelo contribuinte para que fosse mantida in totum a decisão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte, eis que tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidas todas as condições de admissibilidade previstas no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno desta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Conforme se infere do relatório, a controvérsia cingese em determinar se é possível aplicar, nos presentes autos, as decisões de consulta da COSIT de n.os 14 e 15, bem como se os valores pagos pelas concessionárias à detentora do uso da marca no país – ASIA MOTORS DO BRASIL , à título de “serviços”, devem ser adicionados ao valor aduaneiro do produto importado, levandose em consideração o disposto no item 1, alínea c, do artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneira. No que se refere ao alcance das decisões de n.os 14 e 15, ambas de 1997, exaradas pela própria Coordenação do Sistema de Tributação COSIT, nos processos de n.os 10168.003850/9716 e 10168.003949/9737, entendo que os seus efeitos devam ser produzidos a partir das datas de suas publicações, conforme determinam os artigos 481 e 502 do Decreto n.º 70.235/72. Com efeito, considerando que o presente processo administrativo ainda encontrase em curso, sendo o presente julgamento posterior à data da publicação de aludidas decisões de consulta, entendo que independentemente do fato de a data da lavratura do auto de infração ser anterior à data da publicação de aludidas decisões de consulta, as mesmas devam ser aplicadas in casu. 1“Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância.” 2“Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no artigo 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão.” Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 4 No que tange o mérito de referidas decisões de consulta, entendo que suas aplicações sejam cabíveis nos presentes autos, eis que, a partir do memento que os processos de consulta tratam sobre a análise acerca da incidência ou não dos II e IPI em operações de importação de veículos, nas quais as concessionárias pagam às detentoras do uso da marca no país, valor relativo à prestação de serviços mercadológicos, assistência técnica e outros, resta se evidente a similitude entre os seus objetos e o presente caso. Dessa forma, referidas decisões são aplicáveis à presente lide e, por suas vezes, afastam a incidência dos II e IPI em situações semelhantes à ocorrida nos presentes autos. Além disso, entendo que também merece prosperar a alegação do contribuinte no que se refere ao afastamento da aplicação do artigo 8º, do Acordo de Valoração Aduaneira, eis que, de fato, não há que se falar em benefício indireto à exportadora ASIA CO. INC., já que os serviços prestados pela detentora da marca no Brasil – ASIA MOTORS DO BRASIL – às concessionárias, são atos posteriores à importação e em nada se remetem à esta. Por esse motivo, entendo que apenas devem ser acrescentados, ao valor aduaneiro, aqueles valores que causem impacto no custo de importação e não os valores que são operados posteriormente a esta e que não guardam qualquer vínculo com esta. Inclusive já se manifestou nesse sentido o ilustre Conselheiro Sérgio de Castro Neves que, no voto exarado no acórdão de n.º 30331578, sumariza o entendimento desta Relatora: “No exame da matéria, em vários processos e em várias instâncias alguma discussão foi inutilmente despendida com relação à existência ou não de vinculação entre importador e exportador, bem como se essa eventual vinculação poderia haver afetado o preço de venda dos veículos. Tal discussão, repito, pareceme inútil, tendo em vista que o fundamento da autuação formalizada na peça vestibular não é a desqualificação do primeiro método de avaliação preconizado no Art. VII do GATT, mas sim a exigência do Fisco de que ajustes fossem aportados ao valor de transação, na forma do art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira. Tais ajustes seriam tendentes a incluir no valor de transação parcelas cobradas aos adquirentesrevendedores (ou seja, as denominadas “concessionárias) dos veículos pela recorrente, com o fito específico de remunerar a (...) detentora da marca. Dita parcela de preço é cobrada por uma empresa instalada no Brasil a outra empresa instalada no Brasil, em moeda corrente no País, e dela nenhuma fração é remetida ao exportador no exterior, nem posta à sua disposição aqui. Ela reverterá à [detentora da marca] que, embora evidentemente associada à fabricante e exportadora dos veículos, está constituída em território brasileiro, onde gera emprego e riqueza com a sua atividade, que compreende publicidade, assistência técnica e a administração da marca (...) Em que possível sentido pode ser dito que a prefalada parcela reverta “direta ou indiretamente ao vendedor”, como exigido pelo texto do art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira? (...) Ora, o que se poderia esperar de um contrato em que a empresa detentora de uma marca mundialmente prestigiosa Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.121 5 nomeia outra empresa para representar e explorar a marca em certo território, senão a exigência de que a representante zele pela manutenção do prestígio e pela divulgação da marca da representada? Este, na verdade, é o negócio da representante. Ela vive disso, e a representante se beneficia de sua boa atuação na medida em que vende mais produtos naquele mercado consumidor específico. As relações comerciais envolvidas no caso sob análise não são essencialmente diferentes das que pautam a importação e distribuição em território brasileiro de marcar prestigiosas de relógios, ou de uísque, ou de roupas e acessórios. No entanto, a ninguém ocorre pretender ajustar o valor aduaneiro destas importações agregandolhe a parcela de remuneração dos detentores e representantes das marcas, paga pelos varejistas. Por razões que têm um componente psicológico possivelmente mais forte do que econômico, a comercialização de veículos importados no Brasil sempre mereceu tratamento diferenciado, quase preconceituoso, quando comparado àquele dado a outros tipos de produtos. Entendo, em suma, que as relações comerciais reveladas no processo em causa não evidenciam a ocorrência de valores ocultos revertendo direta ou indiretamente ao exportador, que justificassem os ajustes no valor de transação preconizados pelo art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira para a apuração da base de cálculo do Imposto de Importação.” Para consagrar este entendimento, é de se mencionar o artigo 18, inciso I, do Decreto n.º 2.498/983 , o qual deve ser aplicado in casu, eis que benéfico ao contribuinte (artigo 106 do CTN) e, por sua vez, dispõe que não serão considerados, na apuração do valor aduaneiro, “os encargos relativos à construção, instalação, manutenção ou assistência técnica, executados após a importação, relacionados com a mercadoria importada”, não havendo o que se falar na inclusão destes ao valor aduaneiro, como pretende a Fazenda Nacional e entendeu o acórdão recorrido. 3 “Art. 18. Na apuração do valor aduaneiro segundo o método do valor de transação não serão considerados os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória: I encargos relativos à construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica, executados após a importação, relacionados com a mercadoria importada; e II o custo de transporte após a importação.” (Grifouse) Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 6 Ora, é evidente que os serviços realizados posteriormente à importação não guardam qualquer vínculo com esta e, por esse motivo, não devem ser incluídos no valor aduaneiro, cabendo a outros institutos e a outra competência a tributação dessas atividades. Face ao exposto, conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, doulhe provimento para afastar a inclusão, ao valor aduaneiro, de valores pagos pelas concessionárias à detentora da marca no país, à título de serviços e, portanto, restar totalmente improcedente a autuação. É como voto. Nanci Gama Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, redator ad hoc. Nos termos do art. 17, III, do RICARF4, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão 9303001.277, em virtude da aposentadoria da redatora designada, Conselheira Nayra Bastos Manatta, ter sido publicada antes da formalização e assinatura deste acórdão. Considerando que o contribuinte sucumbiu no recurso especial julgado pela CSRF, prevaleceu a tese da Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, que sustentou o Acórdão nº 30238.517, que reproduzo a seguir, in verbis: "(...) A disputa é em torno do método de valoração aplicado pela fiscalização, o qual é o que está disposto no Art. 1° c/c com os ajustes do art. 8° do AVAGATT, internalizado pelo Decreto n° 1.355, de 1994, que promulgou a Ata Final que incorporou os resultados da Rodada Uruguay de Negociações Comerciais Multilaterias do GATT, e da solidariedade entre o importador de fato e a trading que promoveu a entrada das mercadorias no País. A exigência apoiouse no fato de que há notas que refletem valores cobrados dos revendedores pela detentora do direito da Marca ASIA MOTORS, que se destinaram ao robustecimento dos negócios com veículos, promoção e incremento das vendas. (é meu entendimento que a assistência técnica padronizada e assistida pela exportadora ou sua representante constitui fator de segurança quanto à manutenção do padrão de qualidade da marca). Em estrita observância do que dispõe o Acordo de Valoração Aduaneira, tais valores foram incorporados ao valor aduaneiro das mercadorias — veículos — importados segundo os procedimentos da operação comercial descrita recorrentemente neste processo. 4 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.122 7 A obtenção desses documentos foi legitima e legal, resultada de intimações aos importadores. A legitimidade do sujeito passivo solidário também está comprovada uma vez que a vinculação entre o comprador e o vendedor é evidente e sua constatação está apoiada nos documentos relativos aos contratos de concessão. É importante salientar , que o Acordo de Valoração Aduaneira objetiva estabelecer bases iguais para a valoração de mercadorias comercializadas internacionalmente. Tal base eqüitativa é uma das formas de implementar a livre e leal competição no mercado internacional e é um direito dos intervenientes nesse mercado sua aplicação e um dever das Aduanas. O que o recorrente pretende com a não aplicação do AVA é o reconhecimento e aceitação pela Aduana de uma situação comercial desajustada dos padrões internacionais recomendados, montada caprichosamente para se valer de todos os benefícios tributários legais (financiamento do ICMS, por exemplo, mediante a interposição de empresa fundapiana como trading) e mais as vantagens comerciais decorrentes da aplicação de tributos sobre uma base imponível aviltada. O Acordo de Valoração Aduaneira ao prever o ajuste de preço, nos termos de seu art. 8º, determina que os custos ali relacionados, desde que suportados pelo comprador e não inclusos no preço pago ou a pagar pela mercadoria, sejam acrescentados nesse preço, sem qualquer restrição quanto à modalidade operacional da importação, independentemente de convenções particulares, não oponíveis à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Transcrevo parte do Acórdão DRJ/FNS N° 3.324, de 5 de dezembro de 2003, que muito bem explicita a situação a que me refiro: "Finalmente, há que se examinar a invocação da nulidade do Auto de Infração em comento, sustentada por ambas as notificadas, por violação ao devido processo legal em face do cerceamento do direito de defesa e da subversão do processo legal, com a atribuição à fiscalizada de responsabilidade pela produção de provas negativas quanto à alegação de vinculação e de sua influência nos valores declarados. Analisemos a alegação à luz do Acordo de Valoração Aduaneira, da IN/SRF nº 39, de 1994 e dos atos expedidas pelo Comitê Técnico de Valoração Aduaneira. Primeiramente, há que se registrar que tanto a empresa Setco quanto a Ásia Motors do Brasil Lida, na qualidade, respectivamente, de importadora e de responsável solidária, foram notificadas da abertura de Ação Fiscal de Revisão Aduaneira das Declarações de Importação registradas pela Setco, relativamente às importações de veículos da marca Ásia Motors. A mesma conduta orientou a continuidade da referida ação fiscal, através de Intimações várias, mediante as quais ambas Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 8 empresas foram exaustivamente convidadas a prestar informações que, no contexto do procedimento fiscal, as autoridades aduaneiras entenderam relevantes a comprovação e elucidação da veracidade dos elementos constantes das DI's em questão. Ambas as empresas tiveram, desde o início dos procedimentos, pleno conhecimento da ação fiscal em curso, tendo sidolhes dada ampla oportunidade para a apresentação das provas materiais que, a juízo delas, sustentariam a correção das informações prestadas ao Fisco por ocasião de cada despacho aduaneiro. No que tange, especificamente, à alegação de subversão do rito especifico da investigação relativa ao valor aduaneiro, caberiam as seguintes considerações extraídas da leitura do art. 12 §2, inc. "a" e "b" do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 92.930, de 16/07/1986: a) o Acordo de Valoração Aduaneira estabelece que o fato de haver vinculação entre o comprador e o importador não constitui, por si só, motivo suficiente para se considerar o valor da transação inaceitável. Tal valor poderá ser aceito sempre que, examinadas às circunstâncias da venda, a administração aduaneira verificar que a vinculação existente não influenciou apreço (art. 1º, § 2º, letra "a"); b) para a efetivação de tal exame, ainda de acordo com o mesmo dispositivo, a administração poderá embasarse em informações prestadas pelo próprio importador, ou obtidas por meios diversos, devendo o valor da transação ser aceito, de acordo com o art. 1º, § 2º, letra "b", sempre que o importador demonstrar/comprovar que o referido valor se aproxima muito de um dos quatro critérios nele citados. Do exposto, é de se inferir que: I cabe à administração aduaneira, sempre que assim julgar conveniente, examinar as circunstâncias da venda entre pessoas vinculadas, com vista à verificação da aceitabilidade do valor de transação declarado; e 2 para o citado exame, a autoridade aduaneira está autorizada a solicitar informações ao importador, a quem caberá comprovar que o valor de transação declarado é compatível com os valorescritério estabelecidos pelo presente Acordo, não se confundindo essa comprovação com a produção de prova negativa, como afirmaram as notificadas. Assim sendo, resta evidente que, ao contrário do sustentado pelas impugnantes, cabe ao importador, no contexto do referido Acordo, sempre que requerido pela autoridade aduaneira, produzir as provas que consubstancie o valor de transação declarado. Tal entendimento encontrase evidente em disposições complementares ao Acordo: I NOTA 1NTERPRETATTVA AO ARTIGO 1°, PARÁGRAFO2º "a": Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.123 9 "I. Os parágrafos 2º "a" e 2 "b" do artigo 1° estabelecem diferentes maneiras de se determinar a aceitabilidade de um valor de transação. 2. O parágrafo 2 "a" estabelece que, quando o comprador e o vendedor forem vinculados, as circunstâncias que envolvem a venda serão examinadas e o valor de transação será aceito como o valor aduaneiro, desde que a vinculação não tenha influenciado o preço. Com isso não se pretende que seja feito um exame de tais circunstâncias em todos os casos em que o comprador e o vendedor forem vinculados. Tal exame só será erigido quando houver dúvidas quanto à aceitabilidade do preço [...]. 3. Se a administração aduaneira não puder aceitar o valor de transação sem investigações complementares, deverá dar ao importador uma oportunidade de fornecer informações mais detalhadas, necessárias para capacitála a examinar as circunstâncias da venda [...] 2 ARTIGO 6º DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 39/94: "Incumbe ao importador, além de conhecer todas as circunstâncias da operação de importação e prestar declarações corretas relativas à apuração do valor aduaneiro, conforme disposições da legislação de regência, apresentar espontaneamente à autoridade atuante no despacho aduaneiro todas as informações e documentos comprobatórios necessários à verificação do valor declarado. § 1° Em qualquer ato pertinente ao controle do valor aduaneiro, o importador é responsável pela: a) veracidade, exatidão e integridade dos elementos de fato informados; b) autenticidade dos documentos apresentados; e c) prestação de informações ou apresentação de documentos adicionais necessários à comprovação do valor declarado". 3 COMENTÁRIOS DO COMITÊ TÉCNICO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA SOBRE A APLICAÇÃO DO ARTIGO 1°, PARÁGRAFO 2º: "A existência de vinculação não constitui, em si, um motivo para rejeitar o valor da transação. O parágrafo 2º," a ", do artigo 1º e claro a esse respeito. Entretanto, a existência de vinculação deve alertar a Aduana para o fato de que pode haver necessidade de investigar sobre as circunstâncias da venda". A Aduana não precisa ter motivos para investigar as circunstâncias que envolvem a venda. Em conformidade com o § 2º, do art.1°, as circunstâncias de uma venda entre partes vinculadas devem ser examinadas. Entretanto, § 2º das notas interpretativas ao art. § 2º dispõe que esse exame não deve ser Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 10 realizado em todos os casos, mas apenas quando a Aduana tem dúvidas sobre a aceitabilidade do preço. [...] A própria estrutura do Acordo é tal que a existência de uma vinculação, por si mesma, levanta a questão de se o preço entre o vendedor e o comprador está ou não influenciado pela vinculação, pois o preço só pode ser utilizado como base do valor de transação quando o vinculo não o tenha influenciado. Ademais, o Artigo 17 prevê que nada no Acordo pode impedir a Aduana de se assegurar da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração [...]. Nada no Acordo obriga a Aduana a justificar as razões pelas quais solicita as informações de um importador com relação a uma operação de importação. De fato, o § 7º do Protocolo e o art. 17 reconhecem que a Aduana pode precisar fazer pesquisas para se assegurar da veracidade ou exatidão de qualquer afirmação, documento ou declaração apresentado para fins de valoração aduaneira e tem o direito de contar com a plena cooperação dos importadores nessas pesquisas. A Aduana não é obrigada a expor suas razões para pesquisar sobre uma transação. Entretanto, nada impede que a Aduana informe ao importador os motivos de suas dúvidas. Isso é desejável se ela for capaz de fazêlo." Há que se reconhecer, à luz dos dispositivos e comentários acima transcritos, que a investigação do VALOR ADUANEIRO foi conduzida dentro dos limites estabelecidos na legislação de regência, sem quebra dos ritos processuais e com ampla garantia de direito de defesa às partes envolvidas. Neste sentido, em perfeita consonância com o disposto no § 2º, "a", do art. 1º do AVA, a autoridade fiscal, durante o processo investigatório, manteve os intimados cientes dos motivos que conduziram à suspeição do valor aduaneiro praticado, entre os quais a constatação da ocorrência de controle sobre as operações por parte de uma das empresas envolvidas. Ainda assim, não apresentaram as intimadas, até a data da ciência da autuação, qualquer contrarazão aos argumentos da autoridade aduaneira carecendo, portanto, de substância, a alegação de que não lhe teria sido concedido prazo para defesa no curso da investigação, previamente à lavratura do Auto, pois transcorreram exatamente (2) dois anos sem que fosse adotado pelo importador o procedimento a ele franqueado. Finalmente, há de se ressaltar, que o lançamento foi consubstanciado através de ajuste do valor declarado, realizado nos termos do art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira. De se frisar que não houve descaracterização do valor da transação, em decorrência de eventual vinculação entre importador e exportador, nos termos do § 2º, do art. 1º, do mesmo diploma. Desse modo, pelos motivos expostos, tenho igualmente por improcedente essa preliminar de nulidade, bem como da que alega ilegitimidade passiva, haja vista ter a impugnante se Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.124 11 abstido de manifestarse a respeito do resultado da diligência realizada, do qual foi devidamente cientificada. No mérito, nos vemos diante da propositura de ação fiscal que visa ajustar o valor aduaneiro declarado pelo importador por ocasião dos registros de importação, mediante adição ao valor de transação das receitas auferidas pelo detentor da marca Ásia Motors no Brasil, a titulo de comissão sobre as importações faturada contra os revendedores autorizados. A caracterização da infração apontada decorreu de fatos relativos à estratégia comercial adotada pelas empresas envolvidas, direta ou indiretamente, nas importações de que se trata, expostos dispersamente nos autos. Desse modo, sempre atendidas os cláusulas contratuais estabelecidas entre a empresa comercial importadora e as revendedoras, a empresa detentora dos direitos sobre a marca triangulou as operações no mercado interno, autorizando suas concessionárias a negociar as importações correlatas diretamente com a companhia comercial de importação e exportação — Setco, reservandose o direito de remuneração decorrente do faturamento da comissão antes referida. Como resultante, a distribuidora da marca não só delegou o ônus operacional relativo à operação de comércio exterior como também teve garantido seu anonimato nas operações de importação realizadas. O interesse e envolvimento da distribuidora Ásia Motors na operação somente vêm à luz nos contratos firmados entre ela, suas concessionárias e a Setco, conforme revelam os exemplares do Contrato de Compra e Venda de Produtos Importados e do Contrato de Concessão. Vale dizer que o chamado Contrato de Concessão referese de fato à concessão de uso da marca. As notas fiscais de serviços que integram os autos revelam que os revendedores autorizados da marca são onerados pela cobrança de importância intitulada comissão, correspondente à aplicação de um percentual sobre o valor das importações, cujo montante é transferido à empresa Ásia Motors, que os fatura inominadamente. A empresa Ásia Motors se auto declara vinculada ao exportador, pois que pertencente ao mesmo grupo econômico. Dai a Inferência de que as ditas comissões são pagas ao próprio exportador, por intermédio da empresa sediada no Brasil, por conta da cessão do direito de importar e comercializar seus produtos. Na verdade a empresa Ásia Motors do Brasil opera na condição de um agente de venda, adequandose ao caso o disposto no item 8 da Nota Explicativa 2.1, exarado pelo Comitê Técnico de Valoração aduaneira: "comissões e corretagens no contato do artigo 8 do acordo Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 12 (...) 8. Os fornecedores estrangeiros que remetem suas mercadorias em cumprimento de pedidos feitos por intermédio de um agente de venda retribuem eles mesmos os serviços deste intermediário, apresentando aos clientes um preço global. Nesses casos, não é necessário ajustar o preço de fatura para levar em conta esses serviços. Se, nos termos das condições de venda, um comprador tem que pagar, além do preço faturado, uma comissão de venda cujo pagamento se efetua, em regra, diretamente ao intermediário, para determinar o valor de transação segundo o Artigo I do Acordo, deve ser acrescido ao preço de fatura o montante desta comissão." Em síntese, da estruturação empresarial descrita resultou a atomização das responsabilidades decorrentes da importação. Contudo, intactas permanecem as disposições legais vigentes, sobretudo no que concerne à impossibilidade de se opor à Fazenda Pública por meio de associações particulares em negócio, a pretensão de imobilidade do Estado diante de franca evasão de tributos, aos quais estamos todos obrigados. Tendo em vista ditas condições negociais foi proposto o ajuste do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, segundo critérios acordados no âmbito do GATT, estando contidos no artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira, que assim dispõe: "Artigo 8 Na determinação do valor aduaneiro segundo as disposições do Art. 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (a) os seguintes elementos, na medida em que sejam suportados pelo comprador, mas não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias: I)comissões e corretagens, excetuadas as comissões de compra; (c) royalties e direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, que o comprador deva pagar, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias, na medida em que tais royalties e direitos de licença não estejam incluídos no preço efetivamente pago ou apagar; (d) o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor."(destaquei) Conforme tais disposições, estão sujeitas a ajuste de preço somente as mercadorias cujo valor aduaneiro tenha por base o valor de transação, que, por sua vez, tem sua adoção condicionada às regras estabelecidas no art. 1 do referido acordo, que determina: Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.125 13 "Art. 1° O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias, em tona venda para exportação para o pais de importação, ajustado de acordo com as disposições do artigo 8, desde que: ............................................................................. (c) nenhuma parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias pelo comprador beneficie direta ou indiretamente o vendedor, a menos que um ajuste adequado possa ser feito, de conformidade com as disposições do Artigo 8; e (d) e que não haja vinculação entre o comprador e o vendedor ou se houver, que o valor de transação seja aceitável para fins aduaneiros, conforme as disposições do parágrafo 2 deste Artigo."'(os destaques não pertencem ao original)". Depreendese desse disciplinamento que o ajuste do valor aduaneiro declarado pelo importador não está condicionado aos mesmos critérios a serem obedecidos para a desqualificação do valor de transação. Pelo contrário. Representando tal ajuste um aperfeiçoamento desse valor, sua prática somente está autorizada quando for esse passível de aceitação. Despiciendo, portanto, comprovar a existência de vinculo entre o vendedor e o comprador. O ajuste, conforme previsto e definido no já mencionado artigo 8, revelase, de acordo com as condições negociais, um instrumento de uso obrigatório nas valorações decorrentes da aplicação do método do valor de transação, aplicável nas mais comuns das operações de importação: aquelas contratadas entre pessoas cuja relação não possa ser identificada com as circunstâncias enumeradas nos parágrafos 4 e 5 do artigo 15 do Acordo de Valoração Aduaneira. Somadas tais razões à inexistência nos autos de acusação da ocorrência de subfaturamento, haja vista ter sido acolhido para todos os fins, inclusive para fins do ajuste proposto, o valor de transação constante da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, temse por insubsistentes os argumentos insistentemente trazidos pela impugnante, no sentido de demonstrar a inexistência de vínculo entre ela e as demais empresas envolvidas com a operação de importação em causa. Muito embora irrelevante para a sustentação da presente ação fiscal o vínculo legal entre o exportador e o importador, é de se notar que a empresa Asia Motors , detentora do direito de comercialização no território nacional dos veículos importados e da marca que os distingue, é quem autoriza, sob condições por ela estabelecidas, a contratação direta das importações, firmadas entre os concessionários da marca e a autuada. A respeito do que representa a marca para o ativo das empresas, é vasta a doutrina. Constituindo parte de seus ativos intangíveis, Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 14 reunidos sob a denominação de fundo de comércio, à marca vem sendo, a cada dia, atribuído maior valia, a ponto de nos depararmos com as ditas empresas virtuais, que sequer encontramse estabelecidas, cujo faturamento obtido apenas com a concessão de uso da marca atinge cifras inimagináveis. Indiscutível tratarse esse de bem cuja concessão de uso, ainda que não prevista legalmente no acordo para fins de vinculação entre cedente e cessionário, bem traduz o fático interesse negocial comum que se estabelece entre as diversas empresas responsáveis por sua inserção no mercado consumidor. Representando um dos mais valiosos bens do ativo das empresas, é igualmente indiscutível que os investimentos dos quais decorre a valorização da marca revertemse, necessariamente, em beneficio direto para seu proprietário, no caso o fabricante exportador. É assim, ainda que a retribuição pelo seu uso não se dê pela via direta do pagamento, porém em decorrência de cláusula contratual onerosa que condiciona sua utilização à realização, por conta e ordem do revendedor de qualquer investimento no produto negociado, conforme sucede no já referido contrato de concessão. Ditos encargos, sabidamente onerosos, são transferidos pelo Distribuidor da marca no Brasil aos seus concessionários autorizados, mediante a emissão de notas fiscais de serviço em que são faturados valores a titulo de comissão sobre as importações, na verdade correspondente ao valor pela cessão do direito de uso da marca, conforme previsão contratual estabelecida entre o Distribuidor, o Importador e o Revendedor. Evidente, pois, o interesse negocial em comum nas importações realizadas, ratificados por contratos suficientes para satisfazer os requisitos estabelecidos no art. 15, §§ 4 e 5, do Acordo de Valoração Aduaneira, ao comprovar o liame entre a comercial operadora da importação, a distribuidora e as concessionárias. De se notar que o Acordo de Valoração Aduaneira ao prever o ajuste de preço, nos termos de seu art. 8°, além de instituílo como procedimento obrigatório, determina que os custos ali relacionados, desde que suportados pelo comprador e não inclusos no preço pago ou a pagar pela mercadoria, sejam acrescentados nesse preço, sem qualquer restrição quanto à modalidade operacional da importação, independentemente de convenções particulares não oponíveis à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Tal determinação bem se justifica, tendo em vista serem os bens importados o objeto que se valora. Esses bens não se modificam em função da estrutura empresarial construída para sua introdução no país e, por permanecerem os mesmos a despeito desse aspecto, o Acordo de Valoração não se ateve a tal particularidade subjetiva para obrigar o referido ajuste. Tratou o objetivamente, simplesmente vinculando ao seu preço ulteriores dispêndios. Relembrando, diz o artigo 8 do referido Acordo que: "ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.126 15 deverá ser acrescentado o valor de qualquer parcela do resultado de qualquer revenda, cessão ou utilização subseqüente das mercadorias importadas, que reverta direta ou indiretamente ao vendedor." Da peça acusatória não consta como sujeito passivo a empresa Ásia Motors do Brasil Ltda, porém, na descrição dos fatos foi consignada sua solidariedade com a autuada, em face de seu interesse na situação que constitui o fato gerador dos tributos em questão, denunciado por sua condição de exclusiva distribuidora dos produtos importados e de exclusiva detentora de direitos sobre a marca a ser comercializada no mercado interno, confirmada pelos já referidos contratos A solidariedade que então se estabelece encontra previsão em instituto há muito contemplado no Código Tributário Nacional, no inciso 1 de seu art. 124. No entanto, apesar de sua previsão legal, freqüente tem sido a prática de evasão tributária decorrente da interpretação restritiva desse instituto, condescendente com as angulações e com o esquartejamento das operações comerciais, tendentes a ocultar, ou pelo menos, afastar da tipificação legal, as infrações relacionadas à valoração aduaneira. O enfrentamento de tais expedientes requer que a delimitação do sujeito passivo passe por uma interpretação extensiva que leva em conta os efeitos das operações comerciais realizadas, para eleger entre os envolvidos, também aquele que deu causa ao fato gerador de que decorre a obrigação tributária imponível Ao encontro desse entendimento veio a edição da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo teor dos arts. 77 a 81,reproduzido mais adiante, reitera a solidariedade já firmada no CTN: "Art. 77 O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação": "Art. 32..................... Parágrafo único. É responsável solidário: 1 o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora" Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA 16 Art. 79 Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80 A Secretaria da Receita Federal poderá: 1 estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81 Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o P1S/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador."". Assim, tendo por já caracterizada, anteriormente à edição da mencionada Medida Provisória, a solidariedade entre o representante da marca no país e aquele que, por conta e ordem desse representante, importa mercadoria, tenho por extensivo seus efeitos sobre todas as decorrências tributárias da importação que, indo além do Imposto de Importação, alcançam, inclusive, possíveis lançamentos do Imposto sobre Produtos Industrializados, por força de sua incidência nas operações de introdução de mercadorias estrangeiras no mercado nacional. Pelo exposto, e considerando que sem a realização do ajuste proposto pela fiscalização, em atendimento ao que dispõe o art. 1°, do Código de Valoração Aduaneira, combinado com seu art. 8°, restariam subvaloradas as mercadorias em questão, voto pela procedência parcial da autuação. Mantido o crédito tributário no valor de R$ 3.949.316,87. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso quanto ao recurso de ofício." Relativamente à aplicabilidade das Soluções de Consulta COSIT, invocadas pela recorrente, cabe esclarecer que as mesmas não se subsumem à hipótese versada nos presentes autos, porquanto as referidas decisões se referem à matéria relativa aos valores de comissão de compra pagos pelas concessionárias às detentoras do uso da marca no país, quando estas atuem como agentes de compra das importadoras. No caso destes autos, restou cabalmente demonstrado que a Ásia Motors não corresponde a um agente de compras que atua no interesse das concessionárias, mas sim a de um agente de vendas, atuando em beneficio do exportador estrangeiro. Por fim a ilustre relatora originária, invoca o art. 106 do CTN para aplicar retroativamente ao caso concreto o art. 18, I, do Decreto nº 2.948/98. Entendo que esse dispositivo legal não pode ser aplicado retroativamente aos fatos geradores albergados por este processo, pois ele não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do CTN, ou seja, o art. 18 do Decreto nº 2.948/98 não é expressamente interpretativo; não deixou de considerar determinada conduta como punível e não revogou e nem reduziu nenhuma penalidade. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA Processo nº 12466.001230/9786 Acórdão n.º 9303001.277 CSRFT3 Fl. 1.127 17 Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Antonio Carlos Atulim Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 14090.000419/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, a definição de estabelecimento produtor, para efeito de aplicação do incentivo fiscal ali definido, deve ser buscada na legislação do IPI, sendo de rigor a observância das prescrições da Tabela de Incidência do imposto, que vincula de toda a Administração. Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.117
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Paulo Sergio Celani
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RESSARCIMENTO. PRODUTOS QUE NÃO SE SUBMETERAM A OPERAÇÃO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, a definição de estabelecimento produtor, para efeito de aplicação do incentivo fiscal ali definido, deve ser buscada na legislação do IPI, sendo de rigor a observância das prescrições da Tabela de Incidência do imposto, que vincula de toda a Administração. Não sendo industrializado o produto exportado, descabe o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Álvaro Almeida Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Paulo Sergio Celani. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Relatório Para historiar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: “Cingese a presente lide ao indeferimento do ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 13/12/1996, referente ao 1º trimestre do anocalendário de 2001, cujo pedido no montante de R$47.375,95 foi formalizado, em 02/12/2003, por intermédio de transmissão da PER/DCOMP nº 34983.37873.021203.1.1.010417. Instruída pela Informação Fiscal de fls. 30/31, de 06/12/2007, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, MT, exarou, às fls. 57/59, Despacho Decisório indeferindo o crédito presumido pleiteado, sob o argumento de que as exportações da contribuinte, todas realizadas por intermédio da Amaggi Importação e Exportação, referiamse à soja em grãos, produto que é nãotributado (NT) pelo IPI. Regularmente notificada, a requerente apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 62/67, para alegara que: 9. Não há na legislação qualquer restrição ao direito do crédito ser ou não ser o produto nacional industrializado e exportado, tributado no final da cadeia pelo Imposto sobre Produtos Industrializados, Aliás, todos os produtos exportados são desonerados do IPI, por previsão constitucional. 10. O benefício instituído pela Lei n° 9.363/96 é claro sim em referir que faz jus ao crédito presumido do IPI tão somente os produtores e exportadores de produtos nacionais, como preceitua o artigo 10 desse dispositivo legal, e em nenhum momento fazse qualquer alusão a restrições, vejamos: [...] 11. A Recorrente é produtora e exportadora de produtos nacionais e por essa razão faz jus ao direito supradescrito, e o fato do produto final por ela produzido não se sujeitar à incidência do IPI, não lhe tira o direito ao crédito presumido, aliás a própria legislação que o instituiu indicou como seria tratado aquele contribuinte que tivesse um produto final não tributado pelo IPI. [...] 12. Ora, a previsão do artigo 4° da Lei n° 9.363/96 só comprova que o legislador ao instituir o crédito presumido do IPI tinha como objetivo a recuperação das contribuições do PIS e da COFINS que tivessem onerado as matérias primas, produtos intermediários e ou material de embalagem adquiridos no mercado interno, para utilização no processo produtivo de produtos exportados, sem lhe interessar ser ou não ser o produtor exportador contribuinte do IPI. 13. Assim, a empresa que não possui débitos de IPI, em conseqüência da não incidência desse imposto sobre o seu produto final tem a possibilidade, conforme estabelece o artigo 4º da Lei na 9.363/96, de requerer por trimestrecalendário o seu ressarcimento em moeda corrente, por fazer jus ao credito presumido do IPI. 14. Dessa forma, temse que a Recorrente tem direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, uma vez que não há qualquer vedação legal para utilização desta espécie de crédito. Esse é, inclusive o entendimento da Câmara Superior de Recursos [...]. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000419/200799 Acórdão n.º 3102000.117 S3C1T2 Fl. 128 3 Por fim, a contribuinte requereu a procedência do pedido formulado relativamente ao crédito presumido de IPI.” A unidade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento do crédito presumido pleiteado, conforme decisão anterior da unidade da RFB. A ementa do acórdão recorrido está assim redigida: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. O direito ao crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício os produtos nãotributados (NT). Solicitação indeferida” Contra esta decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário, repetindo o que contido na manifestação de inconformidade. Acrescenta pedido de correção do crédito pleiteado, vez que não o aproveitou, compensandoo com obrigação tributária, e a Administração Tributária, por sua vez, ao indeferir o pleito, teria causado postergação ilegítima no ressarcimento de valores já recolhidos aos cofres públicos. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade,e matéria é da competência da 3a. Seção de Julgamento, devendo ser conhecido. Quanto a acréscimos aos valores que pretende ressarcir, esta matéria somente foi trazida aos autos nesta fase recursal. Não consta do pedido inicial, nem da manifestação de inconformidade. Vale dizer, não foi submetida à análise da unidade da RFB competente para o reconhecimento e deferimento do pleito, nem ao julgamento da Delegacia da RFB. Assim, considerando que ao CARF compete o julgamento em segunda instância de contraditórios relativos à determinação e exigência de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,conforme art. 25, II, do Decreto n.º 70235/72, e que Fl. 152DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 esta questão não esteve presente em nenhum momento anterior deste processo, logo, não se instaurou o contencioso administrativo a seu respeito, ela não deve ser conhecida. Também, em nenhum momento, a contribuinte questionou a classificação fiscal indicada pelo Fisco para o produto exportado, nem tampouco sua caracterização como não tributado (NT) na TIPI. A controvérsia restringese à possibilidade de serem considerados no cálculo do créditoprêmio de que trata a Lei n.º 9.363/96 as aquisições de insumos utilizados na obtenção de produtos classificados na TIPI como NT. A esse respeito, com fundamento em voto muito bem lançado pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, no Acórdão 20403.428, de 04/09/2008, a 4a. Câmara do 2o.Conselho de Contribuintes, em decisão por voto de qualidade, ao julgar processo que tratava de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96, formulado por uma cooperativa exportadora de café cru não descafeinado, classificado na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI – como não tributado (NT), decidiu que, não sendo industrializado o produto exportado, não caberia o direito ao benefício. Por concordar com este entendimento e considerálo aplicável no presente caso, em que o produto exportado, soja em grão, também consta na TIPI como NT, transcrevo, nas linhas que seguem, trechos daquele voto, cujas razões de decidir adoto. “Entendo não assistir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000419/200799 Acórdão n.º 3102000.117 S3C1T2 Fl. 129 5 Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhoa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º. ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 154DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total daquela receita que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI.” Após tecer tais considerações e transcrever doutrina de Hely Lopes Meirelles e Celso Antônio Bandeira de Mello, extraídas de suas reconhecidas obras, respectivamente, Direito Administrativo Brasileiro e Curso de Direito Administrativo, com vistas a realçar a força normativa dos decretos e regulamentos, por conseguinte, a força normativa da TIPI, vez que veiculada por meio de decreto, o ilustre Conselheiro conclui que dúvidas sobre o que seria industrialização se resolveriam pela utilização da TIPI, não sendo permitido ao agente administrativo considerar industrializado produto que nesta tabela conste como não tributado. Prossegue o voto com as seguinte palavras: “Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto Fl. 155DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 14090.000419/200799 Acórdão n.º 3102000.117 S3C1T2 Fl. 130 7 na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer maquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Por isso, não sendo o recorrente estabelecimento produtor nos termos exigidos pela legislação concessiva do favor fiscal, não tem direito a ele. Correta a decisão que o denegou, ao recurso do contribuinte deve ser negado provimento. No caso deste processo, em que o produto exportado também não foi submetido a processo de industrialização, nos termos da legislação do IPI, especialmente, porque consta na TIPI como não tributado, a recorrente não tem direito ao crédito presumido de que trata a lei n.º 9.363/96, logo, não há que se falar em atualização monetária ou acréscimos de juros. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Sergio Celani. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 Fl. 157DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/09/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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