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Numero do processo: 10283.902763/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO.
O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação.
PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.159-70/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR.
As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos.
Numero da decisão: 3301-006.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.159-70/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR. As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.15970/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR. As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 27 63 /2 01 2- 63 Fl. 122DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação – DCOMP , de nº 40359.70331.110310.1.3.046206, onde se declara a compensação de pagamento indevido ou maior de CIDE/REMESSAS – código 8741, no valor de R$ 31.196,30 (referente ao DARF recolhido em 15/10/2009 no valor de R$ 103.987,68), referente ao fato gerador ocorrido em 15/09/2008, com débito da própria CIDE/REMESSAS – código 8741, referente ao período de apuração fevereiro/2010. 2 Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/MANAUS/AM) emitiu o Despacho Decisório nº de rastreamento 030999824 (fls. 12 dos autos digitais), não homologando a compensação, contra o qual a recorrente apresenta suas razões de irresignação, chegando até este CARF.. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/RIO DE JANEIRO 1 : Trata o presente processo da Declaração de Compensação de nº 40359.70331.110310.1.3.046206, a qual utilizou em suas compensações suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE, período de apuração de 30/9/2009, no valor total original de R$ 31.196,30 (fls. 4953). O pagamento em tela foi realizado no montante total de R$ 103.987,68, sendo indicado um crédito de R$ 31.196,30, o qual foi totalmente utilizado na presente DCOMP. Cientificado da decisão em 14/09/2012, o interessado apresentou, em 08/10/2012, manifestação de inconformidade (0208) alegando que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. Prossegue em sua defesa, solicitando a realização de diligência em seus livros fiscais e contábeis para aferição do crédito, alegando que nenhuma diligência foi efetuada, tendo em vista que a decisão se pautou tãosomente nas informações prestadas no PER/DCOMP. Finaliza a peça recursal solicitando que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente com amparo nas informações prestadas à RFB, bem como nos documentos examinados por meio de diligência, e, protesta ainda pela juntada de novos documentos antes da decisão deste Colegiado. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10283.902763/201263 Acórdão n.º 3301006.111 S3C3T1 Fl. 123 3 4. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/RIO DE JANEIRO 1 exarou o Acórdão de nº 12.72.724 – 15ª Turma, aqui combatido, que assim restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROTESTO PELA APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se verificou no caso em análise. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não tem natureza de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado em Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCOMP. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não tendo sido comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido, deixase de homologar da compensação realizada com o referido crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa, os seguintes argumentos : O Relator, em seu voto, afastou a pretensão da Recorrente de realizar perícia e/ou diligência nos seus livros fiscais e contábeis sob o argumento da desnecessidade de produção desse tipo de prova técnica, alegando que esta seria desnecessária, ou, mais ainda, que a Recorrente deveria ter juntado toda a documentação necessária no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. verificase que o acórdão ora recorrido deixou de reconhecer o direito creditório do contribuinte, alegando que não se trata de pagamento Fl. 124DF CARF MF 4 indevido ou a maior, posto o valor de R$ 103.987,68 ter sido totalmente absorvido pelo débito da CIDE, informado pelo contribuinte. Além disso, o julgado em questão também entendeu que o crédito referente à MP 2.15972/2001 no recolhimento de CIDE sobre a remessa de royalties somente pode ser utilizado na dedução das contribuições sobre operações posteriores, e não pode ser pleiteada em Pedido de Compensação. Evidente o erro in judicando do acórdão ora recorrido. Entre as formas de comprovar o direito alegado, a lei elegeu uma delas como sendo a perícia. A Receita Federal do Brasil, em dispositivos legais que regulamentam diversos procedimentos administrativos de fiscalização, adota a denominação de diligência fiscal, eleita inclusive pelo próprio Decreto n° 70.235/67, como também pelas Instruções Normativas n° 900/2008 e pela atual IN SRF 1.300/2012. Negar a realização de perícia para buscar a verdade material discutida no processo administrativo vai de encontro à Constituição Federal, ao mesmo tempo em que cerceia o direito de defesa do contribuinte. As autoridades administrativas a quo somente negam o direito da recorrente à realização de diligência fiscal porque temem que o direito creditório do contribuinte seja evidenciado, o que inapelavelmente ocorrerá, caso sejam analisados os livros fiscais e contábeis da empresa. Para a autoridade fiscal, é muito mais cômodo vulnerar os princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, negando a realização da diligência, posto que assim o direito à compensação não será posto em evidência. Não está se discutindo neste processo a legitimidade do pagamento da CIDE, ou seja, se é legítima ou não a cobrança, mas tão somente a diferença paga a maior que não fora deduzida na forme determinada pela referida medida provisória. O crédito, portanto, é originário de pagamento a maior da CIDE, sendo a utilização do mesmo prevista na Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de Agosto de 2001, em seu artigo 4°. Não há, portanto, como negar a existência do crédito que se encontra comprovado pelos documentos anexos ao processo, inclusive com O DARF comprobatório do pagamento no total de R$ 103.987,68 e dos demonstrativos de apuração da CIDE em fevereiro de 2010, incidente sobre a importância remetida para o exterior a título de róialties, relativos aos contratos de exploração mantidos com a empresa coligada sediada no Japão. Nos autos administrativos constam o valor da remessa para o exterior, a data dessa remessa, o DARF comprovando o pagamento e o fechamento do câmbio. Esses elementos são mais do que suficientes para calcular a CIDE devida e, com conhecimento da MP 2.159 70/2001, calcular o valor da dedução que deixou de ser feita pela Recorrente. Através de uma simples operação matemática e superficial análise da MP, restaria comprovado o crédito reclamado pela ora Recorrente. Em relação ao direito à compensação, uma vez Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10283.902763/201263 Acórdão n.º 3301006.111 S3C3T1 Fl. 124 5 apurado o crédito em beneficio do contribuinte, não poderá haver resistência do fisco federal por estar amparado na legislação tributária, especificamente no artigo 74, da Lei n. 9.430/96 Além de estar amparada pelo artigo 40, da Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de Agosto de 2001, que lhe dá o direito ao crédito, a recorrente tem abrigo ainda no dispositivo legal acima transcrito, autorizador do pleito de compensação. Acrescentese, ademais, que a compensação está sendo pleiteada entre tributos da mesma espécie, ou seja, CIDE com CIDE, na forma determina pela Medida Provisória em referência, contrapondose ao que menciona o acórdão recorrido É justamente isso que a Recorrente esta pretendendo, ou seja, comunicar através da Declaração de Compensação que está aproveitando o crédito para DEDUZIR parte da CIDE calculada, sob fato gerador semelhante, no exercício seguinte. É inegável a existência do pagamento a maior ou indevido, haja vista não ter sido deduzido do valor da CIDE apurado na remessa realizada em fevereiro de 2010, o crédito decorrente do artigo 4o. da Medida Provisória n. 2.15970/2001, perfeitamente demonstrado na manifestação de inconformidade, relativamente à CIDE paga no ano de 2009, no montante de R$ 103.987,68, em 28/09/2009. O fato de a Recorrente ter utilizado o sistema PERD/COMP para pleitear a restituição/compensação não lhe retira o direito ao reconhecimento do crédito, por ser essa a forma determinada pela Receita Federal para o contribuinte fazer o encontro de dívidas com o fisco federal. A interpretação adotada pelo acórdão recorrido em relação ao inciso II, do parágrafo 1o. do artigo 4o. da referida medida provisória, é tacanha e vai de encontro aos princípios da administração tributária. Quando a lei diz "II será utilizada, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo", não está excluindo o direito do contribuinte de pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente. Basta analisar uma situação hipotética de um contribuinte que tenha efetuado o pagamento a maior de CIDE nos moldes da MP 2.159/2001, para um único contrato de róialties. Esse contribuinte, pela análise do julgador, não terá o direito de pleitear a restituição ou compensação do valor pago a maior? Sendo a resposta positiva, haverá o enriquecimento sem causa do Fisco, o que é vedado na legislação pátria. Logo, é evidente o direito à compensação da recorrente, razão pela qual o Isto posto, a Recorrente pede a Vossas Excelências: a) com amparo nos argumentos aduzidos, a reforma total do ACÓRDÃO N° 1272.724 15' Turma da DRJ/RJI, a fim de, se entenderem necessário, determinar diligência nos livros fiscais e contábeis da Recorrente, relativamente ao cálculo da CIDE, incidente sobre royalties calculadas nos anos de 2009/2010, conforme documentos demonstrativos nos autos; Fl. 126DF CARF MF 6 b) a homologação do direito de crédito pleiteado, bem como a extinção do débito, nos moldes requeridos na Manifestação de Inconformidade e neste Recurso Voluntário. 6. Os autos vieram a mim distribuídos para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. 9. A discussão nos presentes autos cingese ao direito a compensar crédito de CIDEREMESSAS, oriundo de alegado pagamento a maior, com débito da própria CIDE/REMESSAS. 10. A solução da questão está na própria legislação do tributo. 11. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE foi instituída pelo artigo 2º da Lei 10.168, DOU 30/12/2000, como forma de atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (art.1º da mesma lei). O referido art.2º, em sua redação atual, estabelece: “Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10283.902763/201263 Acórdão n.º 3301006.111 S3C3T1 Fl. 125 7 domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. “(Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) 12. A própria recorrente detalha os fatos : Para cumprir com o contrato de uso e de licença de marca assinado .com a SHOWA CORPORATION, a Requerente fez remessa do valor de R$1.269.428,97 para o exterior, realizando o fechamento do câmbio no dia 28/09/2009, cujo fato gerador da CIDE efetivamente ocorreu, apurandose o valor de R$ 103.987,68. Esse foi o valor do pagamento efetuado pela SHOWA Ocorre que no mesmo período a empresa tinha crédito de CIDE ,no montante cie R$31.196,34 originário .do beneficio albergado na MEDIDA PROVISÓRIA N° 215970, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. O percentual de crédito aplicada pela Recorrente corresponde à letra "c" do °, do dispositivo legal acima transcrito, o que se percebe por simples operação matemática ao se aplicar o índice multiplicadór. Credito esse que será deduzido das contribuições posteriores relativas a róialties. Dessa forma o crédito de R$32.331,85 diz respeito ao valor atualizado de R$31.196,30, informado para compensação com o valor da CIDE apurada, e paga no MÊS DE FEVEREIRO_DE 2010; conforme PLANILHA DEMONSTRATIVA ANEXA.( DÓC. N° ). Não há como negar, portanto, que o crédito informado no , PER/DCOMP é legítimo e encontrase devidamente contabilizado e registrado nos livros fiscais e contábeis da SHOWA, o. que se comprova com a farta documentação anexada nesta Manifestação de Inconformidade. O valor da CIDE calculado em FEV/2010, no montante de $149.578,02, teve. dedução ( crédito ámparado no artigo 4°, §1°, alínea "c" da MP 2.159/2001) no montante de R$31.196,30 + 1.135,55 = R$32.331,85, resultando no valor final pago de R$117.246,17, gerando crédito sucessivo de R$35.173,85, a ser compensado em pagamento futuro. • Fl. 128DF CARF MF 8 13. A partir da documentação juntada pelo contribuinte, anexa aos autos (planilhas fls. 37/38 autos digitais e DARF fl 16 ), verificase que o contribuinte apurou a CIDE sobre remessas ao exterior no anocalendário de 2009 (de junho a dezembro), recolhendo valor via DARF correspondente á CIDE devida (R$ 103.987,68), o qual gerou um crédito de CIDE no valor de R$ R$ 31.196,34, o qual foi utilizado como redução da CIDE devida no período seguinte (FEVEREIRO/2010) – remessa de R$ 1.495.780,20 – CIDE DEVIDA R$ 149.578,02 – CRÉDITO REDUTOR R$ 31.196,30 – CIDE PAGA R$ 117.246,17. Já este pagamento gerou um crédito de R$ 35.173,85 a ser utilizado como redutor em operações posteriores. Dessa maneira, no período em que houve apuração de CIDE – Remessas, houve o aproveitamento do crédito correspondente ao valor recolhido, não restando configurado o pagamento indevido ou a maior pleiteado. 14. A redução se deu em decorrência do aproveitamento de crédito de parte da CIDE recolhida em período anterior. O §1º , Inciso I, letra b) do artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159 70/2000, com a ressalva contida no Inciso II, assim estabelece : “Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei no 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.” 15. Verificase na legislação transcrita que o artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 2000, concedeu crédito incidente sobre a CIDEREMESSAS, aplicável á importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de patentes e de uso de marcas. O crédito seria determinado com base na CIDEROYALTIES devida pela utilização do percentual de 70% (setenta por cento) relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º/01/2004 a 31/12/2008, e será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da CIDEREMESSAS incidente em operações posteriores, relativas a royalties descritos no caput do mesmo artigo. 16. Percebese, dessa maneira, que a CIDE tem como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. As quantias a serem remetidas são apuradas nos termos de contrato de tecnologia estabelecido entre as partes. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10283.902763/201263 Acórdão n.º 3301006.111 S3C3T1 Fl. 126 9 17. Quanto ao crédito concedido pelo artigo 4º da MP 2.15970/2000, este deve ser utilizado, exclusivamente, para dedução da CIDE incidente em operações posteriores, ou seja, não há previsão legal para utilização deste crédito para compensação, como pretende a recorrente. 18. Como bem destacado pela decisão de piso, a recorrente não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento da CIDE foi indevido, muito menos anexou aos autos o contrato exigido pela legislação para qualificarse como pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. 19. Por derradeiro, quanto ao pedido de realização de diligência, esta deve ser realizada quando existem fatos a serem esclarecidos, diante de documentos apresentados, ou de alegações imprecisas, que necessitam de esclarecimentos, sempre a critério do julgador que decidirá se tais diligências são necessárias ou imprescindíveis para formação de sua convicção. 20. No caso em exame nos presentes autos, diante das provas juntadas pela recorrente nos autos, não há necessidade de diligências para que se esclareça o direito guerreado, por tal motivo, indefiro o pedido de diligência. Conclusão 21. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, não havendo, portanto, crédito disponível para compensação. É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.900909/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/2011-70, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10166.900902/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 09 /2 01 1- 91 Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 915992514 de 01/04/2011 que não homologou o PER/DCOMP nº 41904.67965.290607.1.3.040755. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de estimativa de CSLL, apurado em maio de 2007, no montante de R$ 12.405,60. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, no montante original na data de transmissão de R$ 6.957,71, decorrente de DARF recolhido em 31/10/2002no valor de R$ 35.793,02. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, decidiu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar a compensação declarada. De acordo com a motivação da decisão, o valor recolhido foi integralmente utilizado para liquidar o débito correspondente. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, no montante de R$ 12.405,60, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alega o seguinte: (i) no encerramento do ano a contribuinte apurou resultado inferior ao valor total recolhido por estimativa, e, portanto, haveria um recolhimento a maior de estimativa, passível de ser utilizado em compensação; (ii) houve um erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois a contribuinte fez constar o código de receita 5993, quando deveria ser 2362; e (iii) o único motivo do indeferimento foi o erro material de preenchimento, sendo plenamente retificável. Em sessão de 4 de dezembro de 2015, a 4ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1151.573, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO INTEGRALMENTE ALOCADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. É possível a utilização pagamento de estimativa como crédito em compensações declaradas em Dcomp desde que: (i) tenha havia pagamento a maior da estimativa, ou seja, o valor recolhido seja superior ao apurado/confessado, e (ii) este excedente não tenha sido utilizado no ajuste anual para compor o saldo negativo do Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 4 3 período. Na espécie, não houve excedente no recolhimento, sendo inexistente o crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A DRJ/REC não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) o crédito pleiteado não existe, pois não houve excedente no recolhimento do DARF apontado no PER/DCOMP, visto que o valor recolhido corresponde exatamente ao montante de estimativa apurado pelo contribuinte; e (ii) não houve o alegado erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito foi informado no código 2362, conforme entende o contribuinte ser o correto. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual reitera suas razões de defesa e apresenta os seguintes pontos complementares: (i) o objeto dos presentes autos decorre de mero erro formal, visto que o direito creditório está devidamente comprovado; e (ii) as autoridades administrativas não aplicaram o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.813, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900902/2011 70, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.813): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, cumpre consignar que o despacho da DRF (fl. 149) informa a existência de outro processo administrativo fiscal (nº 10166.900837/200887), que trata do mesmo sujeito passivo e direito creditório em litígio nos presentes autos. Em pesquisa, constatei que o processo foi objeto de julgamento pela 1ª Seção de julgamento deste E. CARF, cujo Acórdão de nº 180100.847 foi publicado em 21/03/2012. No referido julgamento, o direito creditório foi reconhecido e determinouse o retorno dos autos à unidade de jurisdição do sujeito passivo, para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, conforme ementa transcrita abaixo: Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 5 4 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.” A decisão foi mantida após interposição de Recurso Especial de Divergência, pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, conforme Acórdão nº 9101002.904. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Antes de enfrentar as circunstâncias fáticas dos presentes autos, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte trouxe fortes indícios da existência de saldo negativo de IRPJ. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 6 5 a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduz se, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 7 6 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado O direito creditório, pleiteado no presente processo, não foi reconhecido pelas doutas autoridades administrativas em razão do DARF indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para o pagamento da estimativa mensal de IRPJ apurada em junho de 2002, e, portanto, não teria ocorrido nenhum pagamento a maior ou indevido. A Recorrente, por sua vez, afirma que no anocalendário de 2002 apurou saldo negativo de IRPJ, e, consequentemente, teria acumulado crédito passível de compensação. O referido saldo negativo pode ser constatado em sua DIPJ/2003. No mais, foi declarado na DIPJ/2003, o recolhimento de IRPJ por estimativa referente a junho de 2002, no montante de R$ 58.570,75. A DRJ, especificamente, não considerou a alegação de apuração de saldo negativo para o anocalendário de 2002 e se limitou a afirmar que o DARF indicado enquanto origem do crédito foi 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 8 7 totalmente utilizado para o pagamento da estimativa de IRPJ apurada para junho de 2002 no montante de R$ 58.570,75 e que, portanto, não haveria pagamento a maior ou indevido. Em contrapartida, a Recorrente apresenta diversos documentos contábeis e fiscais, em sede de Recurso Voluntário, para comprovar a origem de seu direito creditório. Dentre eles, cito: (i) Balancete e Balanço relativos ao período entre 2002 e 2007; (ii) Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) relativo ao período de 2003 a 2007; (iii) Livro Diário relativo ao período de 2002 a 2007; e (iv) Livro Razão relativo ao período de 2003 a 2007. Cumpre consignar que a controvérsia acerca da possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 2002 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 2002, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante no ano calendário de 2004 e referente a mesma contribuinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 9 8 Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017) Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 13 a 18 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova e dos documentos apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 10 9 processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Em análise dos autos, fica evidente que as doutas autoridades administrativas e julgadoras proferiram decisão baseadas no fato de que o DARF apontado como origem do direito creditório foi utilizado integralmente para o pagamento de estimativa mensal de IRPJ declarada e não analisaram a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ e suas consequências. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. Tal verificação deve considerar a documentação apresentada nos autos e, se entender necessário, intimar a Recorrente para que apresente esclarecimentos complementares. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 10166.900909/201191 Acórdão n.º 1201002.820 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 2553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722508/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Fica sujeito à incidência do IRPF o rendimento recebido por pessoa física em decorrência de relação de trabalho, com ou sem vinculo empregatício.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal.
Numero da decisão: 2402-007.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Fica sujeito à incidência do IRPF o rendimento recebido por pessoa física em decorrência de relação de trabalho, com ou sem vinculo empregatício. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal.
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INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Fica sujeito à incidência do IRPF o rendimento recebido por pessoa física em decorrência de relação de trabalho, com ou sem vinculo empregatício. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar fatos extintivos ou modificativos de direito creditório consubstanciado em lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 25 08 /2 00 9- 15 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 259 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 243) pelo qual o recorrente se indispõe contra acórdão que decidiu pela improcedência de impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, referente ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 25.137,50 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre receitas recebidas de pessoa jurídica em decorrência de relação de trabalho sem vínculo empregatício, omitidas da declaração de ajuste anual do exercício de 2005. Colacionase abaixo excerto da decisão recorrida que relata os principais fatos verificados no processo até então: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 260 3 Ao analisar o caso, a autoridade de piso entendeu que o então impugnante não demonstrou o uso dos valores recebidos em favor a pessoa jurídica envolvida, razão pela qual tal valor devia ser considerado rendimento do próprio contribuinte, de forma que ao final decidiu pela improcedência da impugnação. Inconformado, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, reafirmando os mesmos argumentos da impugnação, porém, mediante a apresentação de alguns novos documentos, com o fim de ver cancelado o auto de infração. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 261 4 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do mérito do pedido Tratase de recurso meramente procrastinatório, onde o contribuinte apenas reafirma os argumentos da impugnação, cuja decisão não difere do entendimento a ser adotado no presente voto, razão pela qual, colacionase o seguinte trecho do acórdão recorrido: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 262 5 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 263 6 (...) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10480.722508/200915 Acórdão n.º 2402007.197 S2C4T2 Fl. 264 7 Especificamente quanto à declaração que acompanha o presente recurso voluntário, onde representante da pessoa jurídica envolvida informa que os documentos juntados aos autos foram de fato por ele assinados, tal instrumento não tem o condão de provar que os valores recebidos pelo recorrente foram efetivamente investidos em favor da empresa. Diante disso, entendese que o contribuinte não afastou a presunção decorrente dos recibos de sua emissão, juntados às folhas 14 a 111, nos quais consta declaração de que os valores ali recebidos correspondem à contraprestação por serviço de coordenação prestados à pessoa jurídica envolvida. Conclusão Posto isso, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 264DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.007940/2004-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996
COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos contado do encerramento do ano-calendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado.
Numero da decisão: 1201-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos contado do encerramento do ano-calendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior.
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PRESCRIÇÃO. Em observância à Súmula CARF nº 91 (Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador), se a Declaração de Compensação DCOMP foi apresentada antes de 9 de junho de 2005, e antes do decurso do prazo de 10 (dez) anos contado do encerramento do anocalendário no qual teria sido apurado o saldo negativo utilizado em compensação, a prescrição deve ser afastada para que a autoridade competente prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 79 40 /2 00 4- 22 Fl. 511DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declarações de Compensação (PER/DCOMP efls. 01/08), de 29/06/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamentos indevidos referente a saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 1996, no valor total de R$ 456.158,79. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório DRF/BSA/Diort (e fls. 70/74), que analisou as informações e concluiu que o direito ao credito compensado, na data de apresentação das declarações de compensação, já havia decaído: 5. As declarações de compensação não são tempestivas, pois foram protocoladas em 29/06/2004, portanto após o transcurso do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, previsto no art. 165, incisos I, e art. 168 inciso I da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional, abaixo transcritos: (...) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que defende que não houve decurso de prazo para a petição de restituição e compensação. A decisão de primeira instância (Acórdão n° 0326.972 4ª Turma da DRJ/BSA, de 18/09/2008, efls. 328/343) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, confirmando o entendimento de que na data de apresentação das declarações de compensação o direito de repetição do indébito já havia decaído: (...) Assim, tanto pela interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça, quanto pela posição da Administração tributária, escudada na posição sobre o tema, do Supremo Tribunal Federal, bem como a interpretação dada ao artigo 168, inciso 1, do CTN, pelo artigo 3° da LC 118, de 2005, é certo que na data da protocolização do pedido, em 29/06/2004, em face do transcurso do prazo de cinco anos da data de apuração do saldo negativo de 1RPJ, o direito da manifestante de pleitear a restituição ou compensar o saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/1996, encontravase também extinto. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/11/2008 (efl. 345) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 20/11/2008 (efl. 346), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10166.007940/200422 Acórdão n.º 1201002.927 S1C2T1 Fl. 512 3 As compensações aqui em debate foram formalizadas em 29/06/2004, reportando direito creditório apurado no anocalendário 1996. Logo, a prescrição apontada no despacho decisório deve ser afastada, na medida em que a interpretação dos dispositivos legais que regem a matéria, exposta nas decisões recorridas, não mais prevalece no âmbito administrativo. Como bem demonstrado no despacho decisório, dispõe o Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I na hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...] É a seguinte a redação do art. 165 do CTN in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Nestes termos, o contribuinte dispõe de 5 (cinco) anos para pleitear restituição de eventual crédito, e esse prazo é contado da data da extinção do crédito tributário, que poderia ser interpretada, no caso de indébito correspondente a saldo negativo de IRPJ, como sendo a data de encerramento do período de apuração, na medida em que não se trataria de mero pagamento indevido ou a maior de tributo antes apurado, mas sim de recolhimentos ou retenções antecipados durante o período de apuração, que ao final deste são confrontadas com o tributo incidente sobre o lucro, convertemse em pagamento e se mostram superior ao débito apurado. No regime anual, este encontro de contas se dá no último dia do anocalendário, consoante dispõe a Lei nº 9.430/96. O art. 3° da LC 118/2005 dispôs: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Contudo, interpretação do Supremo Tribunal Federal definiu o termo a quo do prazo estabelecido no inciso I do art. 168 do CTN, que trata do direito de pleitear a restituição, tanto no âmbito administrativo como no judicial. O STF concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinária nº 561.908, e passou a apreciar seu Fl. 513DF CARF MF 4 mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621, sendo publicado em 11/10/2011 o acórdão. Em suma, o Supremo Tribunal Federal adotou como parâmetro para definição do prazo prescricional a data do ajuizamento da ação, aplicandose o prazo de 5 (cinco) ou 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido, dependendo se o protocolo da repetição de indébito é posterior ou anterior à publicação da LC 118/2005. A referida lei foi publicada em 09/02/2005, e seus efeitos se verificaram a partir de 09/06/2005. No presente caso, está em debate a possibilidade de a contribuinte ter utilizado em 26/06/2004 direito creditório apurado em 31/12/1996. Logo, o prazo prescricional aplicável é de 10 (dez) anos a partir do pagamento indevido, e que assim somente expiraria em 31/12/2006. Pertinente, portanto, afastar a prescrição declarada pela autoridade fiscal, para que se prossiga na análise da existência, suficiência e disponibilidade do indébito para as compensações declaradas. Neste sentido é a Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a prescrição do indébito e determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que prossiga na análise da compensação declarada. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732355/2015-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES DECLARADOS EM DIRF. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
Constatado que o valor informado na declaração de ajuste anual está em desacordo com o informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora, cabe o lançamento do imposto de renda pessoa física suplementar com base na omissão de rendimentos apurada.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas por meio de documentos. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado fora do campo de atuação do julgador.
CONTENCIOSO. APRESENTAÇÃO IMPUGNAÇÃO. ACÓRDÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO SE APLICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. APÓS DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RECURSO.
O contencioso se inicia com a apresentação da impugnação e após a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário. Uma vez apresentada a impugnação, sendo devidamente apreciada e proferido o acórdão pela DRJ, não há que se cogitar supressão de instância e nem a ocorrência de cerceamento do direito à defesa.
Numero da decisão: 2202-005.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES DECLARADOS EM DIRF. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Constatado que o valor informado na declaração de ajuste anual está em desacordo com o informado na DIRF apresentada pela fonte pagadora, cabe o lançamento do imposto de renda pessoa física suplementar com base na omissão de rendimentos apurada. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas por meio de documentos. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado fora do campo de atuação do julgador. CONTENCIOSO. APRESENTAÇÃO IMPUGNAÇÃO. ACÓRDÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO SE APLICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. APÓS DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. RECURSO. O contencioso se inicia com a apresentação da impugnação e após a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário. Uma vez apresentada a impugnação, sendo devidamente apreciada e proferido o acórdão pela DRJ, não há que se cogitar supressão de instância e nem a ocorrência de cerceamento do direito à defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 23 55 /2 01 5- 20 Fl. 266DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0654.246 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA, a qual julgou o lançamento procedente (fls. 102/107 e 113/128). Do Lançamento Tributário De acordo com o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CTA (fl.101/103), o lançamento tributário foi em face da omissão parcial de rendimentos: Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2011, ano calendário 2010, para a exigência de imposto suplementar de R$ 4.698,90, além de multa de ofício de 75% e acréscimos legais, em face da constatação de omissão parcial de rendimentos, no valor de R$ 25.483,01, recebidos de Indústria de Electro Aços Plangg S/A, com compensação de imposto de renda retido na fonte – IRRF de R$ 1.937,16, Regularmente intimado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 04/17) e demais documentos (fls. 18/78), na qual em síntese, alegou que não recebeu todos os valores informados pela fonte pagadora Indústria de Electro Aços Plangg S/A e que esta deveria ser intimada a comprovar os valores efetivamente pagos. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ/CTA apreciou o lançamento e proferiu o acórdão negando provimento à impugnação sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou suas alegações (fls. 101/107). Do Recurso Voluntário Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 267 3 O contribuinte Gunther Wolfgang Plangg, devidamente intimado da decisão da DRJ/CTA, em 20/04/2016 (fls. 135), apresentou, em 05/05/2016, recurso voluntário se insurgindo contra a decisão da DRJ/CTA (fls. 112/133), alegando que: Houve supressão de instância administrativa, pois foi intimado apenas para prestar esclarecimentos e assim o fez, apresentado em 09 e 12 de novembro de 2015 os documentos que estavam ao seu alcance. Diz que caberia ao fisco se pronunciar sobre os esclarecimentos oferecidos para confirmar (ou não) o lançamento que havia chegado primordialmente e que gerou o pedido de esclarecimento. Entende que somente agora, com o acórdão da primeira instância, é que se confirmou o lançamento e, assim, essa seria a oportunidade para apresentar a impugnação e não o recurso. Requer também a produção de prova, com a colheita de depoimentos do representante legal e da contadora do empregador, de modo a comprovar que o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte em questão tratouse de uma fraude perpetrada em todos os exercícios, há muitos anos, pelo empregador. E que não há que se falar em preclusão na produção de provas, como sustentou o julgador de primeira instância. Diz também que o julgador da DRJ teria asseverado que o contribuinte "perdeu" o prazo para impugnar o lançamento. A peça judicial juntada aos autos, que não foi aceita pela DRJ por se referir a anocalendário anterior, é uma fonte de prova paradigma, que mostra que em anos pretéritos o empregador não entregava ao contribuinte as declarações de rendimentos nem envelopes de pagamento de salários. Somente apresentou a declaração de rendimentos da empresa que lhe foi entregue pela empresa para demonstrar que ela é falsa, pois não foram pagos os valores ali apontados, e que o empregador se negou a fazer a retificação pertinente. Da mesma forma os e mails do contador e a outra DIRF que lhe foi entregue, com valores diferentes, foram juntados aos autos como elemento de prova, para mostrar a dicotomia entre os documentos em contraponto aos extratos bancários do recorrente que diz espelhar os valores efetivamente recebidos, que não foram no montante de RS 38.747,64 nem RS 39.793,90, mas somente RS R$ 18.145,55. Insurgese contra a negativa de oitiva do empregador e seu contabilista, pois o pedido nesse sentido não pode ser considerado como inversão de ônus da prova ou transferência à administração, como fez a DRJ. Frisa que, conforme jurisprudência judicial, a prova do pagamento dos salários compete ao empregador e, se necessário, devese fazer perícia contábil na empresa, sob pena de cerceamento de defesa do recorrente. O julgamento anterior deve ser anulado, seja por supressão de instância; seja por cerceamento de defesa ao aplicar equivocadamente o princípio da inversão do ônus da prova; seja porque as provas simplesmente foram negadas. Que tal julgamento se contrapõe aos princípios morais, éticos e sociais que devem nortear a Administração Pública. Da Diligência Resolução n° 2202.000.754 Após analisar os autos, o recurso voluntário e os demais documentos apresentados, os Membros do Colegiado, por maioria de votos, acolheram a preliminar e converteram o julgamento em diligência, conforme resolução (fls. 138/142), para: Fl. 268DF CARF MF 4 I) Intimar a fonte pagadora Indústria de Electro Aços Plang S/A para informar os valores totais pagos ao contribuinte e o imposto de renda retido na fonte, no ano calendário 2010, acompanhado dos comprovantes de pagamento; II) Intimar o recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. Em atendimento a Resolução, a DRF intimou a fonte pagadora para apresentar a documentação solicitada, todavia, conforme AR (fls. 148/151), os Correios não encontraram a empresa no endereço informando, registrando que houve mudança de endereço. Por isso, a DRF realizou intimação por Edital (fl. 152) e em 31/07/2017 emitiu intimação para o contribuinte (fl. 153) informando que a empresa havia sido intimada mas que não se manifestou. Tendo recebido a intimação em 08/08/2017 (fl. 156), o contribuinte protocolou sua manifestação em 23/08/2017 (fls. 159/163 acompanhada de documentos, fls. 164/177) afirmando que: Anexou aos autos comprovante de restituição do imposto de renda do ano calendário 2016 no qual ocorreu situação de fato idêntica àquela observada no anocalendário 2010: a empresa declarou a integralidade do salário acordado; mas que pagou apenas parte do valor a que tem direito o Recorrente; Declarou em sua DAA, tão somente os valores efetivamente recebidos, e não aqueles declarados pela empregadora; A empresa não havia sido localizada, a intimação deveria ser feita na pessoa do seu representante legal, fornecendo ao fisco o endereço dessa pessoa; e A intimação da empresa contadora poderia ser feita na pessoa da sua representante legal, fornecendo telefone e endereço eletrônico. Da Diligência Resolução n° 2202.000.815 Após analisar o resultado da Diligência determinada pela Resolução n° 2202.000.754, o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto observou que a situação não se alterou, uma vez que a DRF tentou intimar a empresa empregadora no endereço fiscal constante nos dados da receita, mas empresa havia se mudado. Então a DRF efetuou intimação por edital e não foi atendida. O Contribuinte foi intimado e em sua manifestação insistiu sobre a necessidade de intimar a empresa, trazendo aos autos informações quanto a locais onde os seus responsáveis legais e contador poderiam ser encontrados, além de números de telefone e contatos de correio eletrônico. Por essas razões, os membros do colegiado, por maioria de votos, converteram o julgamento do recurso em nova diligência, conforme Resolução n° 2202.000.815 (fls. 181/186) para: I) Intimar a fonte pagadora Indústria Electro Aços Plang S/A, no seu endereço fiscal próprio, ou por meio de circularização para seus responsáveis legais ou ainda para o seu escritório de contabilidade, para informar os valores totais pagos ao Contribuinte e o imposto de renda retido na fonte, no ano calendário 2010, acompanhado dos comprovantes de pagamento hábeis e idôneos a comprovar os valores declarados na DIRF; Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 268 5 II) Intimar o Recorrente, no prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar e; III) Devolver os autos para continuidade do julgamento. Em resposta à citada resolução n° 2202.000.815, o Serviço de Controle de Acompanhamento Tributário (SECAT) da DRF/POA/RS apresentou o Termo (fl. 263) informando: O item 01 foi cumprido, pelo SECAT/DRF/POARS, com a intimação via correios e Editais, mantendose em silêncio a pessoa jurídica Indústria ElectroAços Plangg S/A , assim como seus representes legais Edemir Schereiber e Gilberto José Da Silva, manifestandose apenas a contadora da empresa E.DAL Castel (Dal Castel Serviços Contábeis), fls. 214/230. Por último o contribuinte foi cientificado, em 15/10/2018, sobre os termos da diligência proposta, manifestandose às fls. 256/262. Em atendimento a intimação da DRF/POA/RS, a contadora Eliane Dal Castel assim se pronunciou (fl. 222): Eu, Eliane Dal Castel Responsável pela empresa E. Dal Castel ME CNPJ: 11.142.986/000150, em cumprimento a Intimação n° 2.421/2018/SECAT/COB, Processo n° 11080.732355/201520, assim comunico a SRF que as informações lá prestadas na D1RF/2011, foram de acordo com os documentos repassados pela empresa Industria de Electro Aços Plangg S/A , e de seu responsável legal Gilberto Jose Da Silva CPF: n° 306.039.140 53. O interessado tomou conhecimento sobre os termos da diligência e assim se manifestou (fls. 256/260): Que a contadora, Eliane Castel, nada esclareceu para elucidação das verdades dos fatos, limitandose a sustentar que as informações prestadas na DIRF/2011 foram efetivadas de acordo com os documentos repassados pela Industria de Electro Aços Plangg S/A , e de seu responsável legal Gilberto Jose Da Silva. Informações estas que são de pleno conhecimento do CARF e que não juntou aos autos os comprovantes de pagamento de salário do contribuinte por ele firmados. Que a Sra. Contadora é coresponsável nas esferas civil, tributária e penal pelas informações prestadas ao fisco e que lhe compete verificar a idoneidade dos documentos recebidos para comprovação de que os dados noticiados pelo seu cliente são verdadeiros e completos. Frisa ainda que : "8 Deveras, em argumento paradigma, a falsificação ou alteração de documentos , incluindo aí os livros mercantis, constitui crime previsto na legislação penal, modo que uma declaração falsa constante em documento contábil com obrigação da empresa perante a Previdência Social, assim como quando envolve folha de pagamento ou carteira de trabalho, são exemplos de prática de crime." (fl. 258) Fl. 270DF CARF MF 6 Por fim, requer que: 9 nesta realidade, à inteligência da coresponsabilidade da contadora pelos dados indicados/informados por seu cliente (empregadora indústria de ElectroAcos Plangg s/a) , e na busca da verdade real, requerse seja procedida nova intimação da referida , modo a que junte aos autos ( diligenciando pessoalmente perante a indústria de ElectroAcos Plangg S/A e/ou perante o representante legal da mesma , senhor Gilberto José da Silva , se necessário), os comprovantes de pagamento salarial devidamente firmados por Günther Wolfgang Plangg ou, do contrário, diante da inexistência dos mesmos , em corroboração de que Günther efetivamente não recebeu os salários , refaça o documento fiscal, espelhando a verdadeira realidade, aos moldes sustentados pelo contribuinte Günther. 10Por outro lado, diante do silêncio intolerável dos responsáveis pela empresa empregadora ( Gilberto Jose da Silva e Edemir Schereiber), requerse sejam os mesmos convocados à prestar os esclarecimentos invocados por Vossa Excelência, mediante intimação por meio de Oficial de Justiça (ao fundamento analógico e subsidiário do artigo 15, combinado com artigos 246, inciso II e 275, todos do Código de Processo Civil ) ou por meio de servidor designado (ao fundamento analógico e subsidiário do artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.443/1992 (Lei Orgânica do Tribunal de Contas da União), combinado com artigo 179, inciso I, do Regulamento Interno do Tribunal de Contas da União. É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator Preliminarmente, o Recorrente afirmou que, após ser intimado a prestar esclarecimentos e apresentar documentos, caberia ao fisco se pronunciar sobre os elementos apresentados para confirmar ou não o lançamento. Afirmou ainda que, somente após o acórdão de primeira instância, no qual se confirmou o lançamento, seria a oportunidade para apresentar a impugnação e não o recurso, por esse motivo, alegou que houve supressão de instância. Do Cerceamento do Direito à Defesa, Da Impugnação e da Supressão de Instância Diante de tais alegações, percebese que o recorrente, ao invocar possível supressão de instância, confunde o lançamento tributário efetuado, com a finalidade de constituir o crédito, com uma etapa do contencioso. Dessa forma, fazse necessário esclarecer a diferença existente entre a constituição do crédito por meio da Notificação de lançamento e o contencioso que se inicia a partir da contestação, que neste caso, foi a apresentação da impugnação. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 269 7 No tocante ao crédito tributário, cabe registrar que foi efetivamente constituído por meio da Notificação de lançamento e definitivamente constituído com a ciência do contribuinte nos termos do art. 142 do CTN. Portanto, após a ciência do contribuinte, o crédito se tornou definitivo e está revestido das prerrogativas que a lei lhe confere, podendo ser alterado apenas pelos motivos elencados no artigo 145 do CTN. Já em relação ao contencioso, observase que se inicia a partir do momento em que o contribuinte apresenta a sua impugnação contestando o crédito tributário exigido, utilizando a prerrogativa legal prevista no art. 145, I, do CTN, com o intuito de alterar o lançamento. À vista do exposto, cabe esclarecer que o processo administrativo fiscal se constitui, em regra, de duas fases: Uma fase se caracteriza pelo procedimento de auditoria fiscal, com a finalidade de identificar a existência da obrigação tributária, para logo depois constituir o crédito, mediante a emissão da Notificação de lançamento acompanhada do anexos correspondentes à descrição dos fatos e enquadramento legal e os respectivos demonstrativos (fls. 18/21), para fornecer as informações detalhadas sobre o resultado da ação fiscal realizada, conceder oportunidade ao contribuinte para analisar o lançamento bem como permitir ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e ampla defesa. A outra fase se define pela contestação do lançamento, momento em que se instaura o contencioso, e, por consequência, impõese também a aplicação dos princípios constitucionais inerentes ao devido processo legal, entre eles o da ampla defesa e do contraditório. Assim sendo, o contencioso se inicia com a apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, conforme dispõe o artigo 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, “ A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, e somente a partir de então se instala o litígio entre o fisco e o contribuinte, dando origem ao processo administrativo fiscal, que deve desenvolver sob o comando dos princípios constitucionais inerentes ao devido processo legal. Em virtude do exposto, entendo que não há que se falar em supressão de instância, pois o contencioso somente se instalou com a apresentação da impugnação, que foi devidamente apreciada pela primeira instância, nos termos do art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Caso o contribuinte discordasse da decisão, como de fato discordou, caberia a apresentação de recurso, como de fato apresentou, conforme dispõe o art. 33 do citado decreto. Desse modo, notase que o contencioso se instalou e segue o rito normal, como estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72. Em suma, rejeitase os questionamentos do recorrente, alegando supressão de instância, cerceamento do direito à defesa e o desejo de apresentar impugnação após a decisão proferida no acórdão. Da Petição Judicial Apresentada No que diz respeito ao argumento de que a peça judicial juntada aos autos (fls. 65/68), não foi aceita pela DRJ por se referir a anocalendário anterior, não prospera, pois se trata de uma petição na qual o recorrente ajuizou uma ação, mas não faz prova para o pleito que aqui requer. Fl. 272DF CARF MF 8 Da Perícia No caso da prova pericial requerida, cabe esclarecer que, além do caráter excepcional, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. Neste sentido, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela juntada de documentos carreados ao processo pelo contribuinte, que tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pelo Recorrente, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Intimação do Empregador e da Contadora No tocante ao pedido do Recorrente para intimar o empregador e a contabilista, para prestar esclarecimentos sobre os valores recebidos e a retenção de imposto de renda na fonte, notase que foi atendido, pois o Colegiado, por meio de resolução, determinou a realização de duas diligências para tal fim (fls. 138/142 e 181/186). Do resultado das diligências, verificase que apenas a contadora Eliane Dal Castel se pronunciou, nos seguintes termos (fl. 222): Eu, Eliane Dal Castel Responsável pela empresa E. Dal Castel ME CNPJ: 11.142.986/000150, em cumprimento a Intimação n° 2.421/2018/SECAT/COB, Processo n° 11080.732355/201520, assim comunico a SRF que as informações lá prestadas na D1RF/2011, foram de acordo com os documentos repassados pela empresa Industria de Electro Aços Plangg S/A , e de seu responsável legal Gilberto Jose Da Silva CPF: n° 306.039.140 53. Após analisar o resultado das diligências em conjunto com os documentos apresentados no autos, verificase que os argumentos apresentados pelo Recorrente não foram confirmados, pois na declaração prestada pela contadora Eliane Dal Castel, pode ser observado que ela afirmou que as informações prestadas na DIRF estão de acordo com os documentos repassados pela empresa, confirmando a regularidade do lançamento que utilizou as informações declaradas na referida DIRF. Da Regularidade da Notificação de Lançamento No caso em tela, pode se observar ainda que, além da não ter confirmado os argumentos do Recorrente, quando da realização da diligência, o lançamento se encontra em conformidade com documentos trazidos aos autos pelo próprio contribuinte, como o comprovante de rendimentos (fl. 52) e os dados da DIRF apresentada pela fonte pagadora (fl. 53), que apontam rendimentos tributáveis no valor de RS 38.747,64. Assim, estes fatos demonstram que o contribuinte não realizou sua declaração de ajuste exercício 2011 com base no comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, razão pela qual ensejou o lançamento suplementar em face da constatação da omissão parcial de rendimentos. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11080.732355/201520 Acórdão n.º 2202005.179 S2C2T2 Fl. 270 9 Por fim, entendo como correto o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF pela autoridade fiscal e a decisão proferida pela DRJ que manteve o lançamento em decorrência da omissão parcial de rendimentos com base nas informações obtidas na DIRF, as quais foram confirmados pela contadora Eliane Dal Castel, bem como rejeitar o pedido para anular a decisão de primeira instância e o argumento de que houve cerceamento de defesa. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 274DF CARF MF 10 . Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906184/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.976
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa parcialmente transcrita abaixo: (...) CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 06 18 4/ 20 13 -1 0 Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 3 2 CRÉDITO. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA OU EM OPERAÇÕES NÃO VENDAS. Inexiste previsão legal para apuração de crédito sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, ou de transferências de produtos que não se enquadram em operações de venda CRÉDITO. LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM. Paletes e contentores correspondem a embalagem de transporte caracterizando dispêndio com acessórios utilizados em etapas posteriores à fabricação dos produtos destinados à venda, não se enquadrando como insumo e, portanto, não conferindo direito a crédito a título de armazenagem, nem como locação de máquinas e equipamentos. CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE BENS À ALÍQUOTA ZERO E SUJEITOS A CRÉDITO PRESUMIDO. É incabível desconto de crédito em relação aos dispêndios com frete suportados pelo adquirente na compra de bens, pois tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens. E a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos. CRÉDITO NA DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. NÃO CABIMENTO. É passível a utilização do crédito sobre devoluções de venda apenas no desconto de débitos, desde que a receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior e tributada conforme a Lei. RATEIO PROPORCIONAL. Feita a opção pelo rateio proporcional, aplicamse aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O rateio deve ser aplicado quando a pessoa jurídica auferir receitas tributadas concomitantemente com receitas não tributadas no mercado interno e/ou com exportação, para se determinar quais são os créditos passíveis de ressarcimento ou compensados com outros tributos. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: Da Preliminar i Do erro material do Acórdão pela inclusão de glosas estranhas ao processo ii Do erro material do Despacho Decisório por ausência de fundamentação iii Da nulidade da decisão face à contradição envolvendo o rateio proporcional Do Direito I Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos II Combustíveis e Lubrificantes Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 4 3 III Materiais auxiliares de consumo IV Produtos de Limpeza V Das despesas de locação de paletes e contentores (despesas de armazenagem e embalagem de mercadoria) VI Despesas com fretes na compra de insumos tributados com alíquota zero e de insumos com crédito presumido VII Despesas com fretes de transferência de matériaprima e de embalagens VIII Despesas com fretes de devoluções IX Do crédito das devoluções de mercadorias tributadas X Do rateio proporcional dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins XI Da correção monetária pela taxa Selic aos créditos não reconhecidos pelo despacho decisório É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.975, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.906181/201386. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.975): "1. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 2. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 5 4 caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 3. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 6 5 Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 4. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 5. Assim, retornando aos autos e acompanhado por maioria expressiva do Colegiado, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. 6. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 7. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 8. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 7 6 9. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 10. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 11. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 12. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. Ato contínuo, deverá a fiscalização 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 8 7 (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 11080.906184/201310 Resolução nº 3402001.976 S3C4T2 Fl. 9 8 (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001494/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO.
A apuração do ganho de capital de imóvel rural deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas.
Numero da decisão: 9202-007.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO. A apuração do ganho de capital de imóvel rural deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 14 94 /2 01 0- 31 Fl. 239DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402005.934 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 08 de agosto de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 178: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. LEI 9393/96. CUSTO DE AQUISIÇÃO E VALOR DE ALIENAÇÃO. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. VTN. FALTA DO DIAC OU DO DIAT. APLICAÇÃO DO ART. 14. ANTINOMIA COM A IN SRF 84/2001. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Quanto aos imóveis rurais, a Lei 9393/96, que dispõe sobre o ITR, também regulamenta a apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se considera custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos de sua aquisição e de sua alienação. 2. A falta de declaração dos VTNs implicará o seu arbitramento de conformidade com o sistema de preço de terras. 3. O § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibiliza com as normas legais retro mencionadas. 4. O critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora está equivocado, de forma que o lançamento deve ser cancelado. Interposto o Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 204 a 227, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 185 a 192, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural efetuada de acordo com a IN SRF n.º 84/2001. Em seu recurso, aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) autuação se deu em razão da ausência dos DIATs relativos aos anos de aquisição (2000) e alienação (2006), tendo o agente fiscal considerado como custos de aquisição e valores de alienação aqueles constantes dos documentos de aquisição e alienação de cada imóvel; b) v. acórdão ora recorrido entendeu que na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado a DIAT relativamente ao ano de alienação, NÃO HÁ COMO SE CONSIDERAR como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e alienação do imóvel; Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 3 3 c) com o advento da Lei nº 9.393, de 1996, passam a ser considerados como custo de aquisição e valor de alienação do imóvel rural, o valor da terra nua (VTN), declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), respectivamente nos anos da ocorrência de aquisição e de sua alienação, para efeito de determinação do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997; d) caso não tenha sido apresentado o DIAT relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação; e) o imóvel alienado pelo contribuinte, objeto do lançamento, ou seja, a área de 169 hectares, foi adquirida em 29/11/2000 e alienada em 28/08/2006; f) o próprio contribuinte diz expressamente (fl.103) que não houve apresentação do DIAT nem no ano de aquisição e nem no de alienação (2006); g) quando houve a entrega do DIAT do exercício 2006 (ano de alienação), em 25/09/2006 o impugnante não era mais o proprietário do referido imóvel, não sendo mais contribuinte do ITR em relação a este imóvel rural. h) deve ser considerado como custo de aquisição e como valor de alienação, para fins de apuração do ganho de capital, o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação; i) está correta a apuração do imposto de renda sobre o ganho de capital procedida pela autoridade fiscal, no lançamento; j) a instância administrativa não é foro adequado para apreciações relacionadas a alegações de ilegalidade levantada. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 214 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, com as seguintes considerações: a) a administração pública está incontestavelmente sujeita ao princípio da legalidade, de modo que sua atuação normativa é totalmente vinculada aos ditames da lei, afora as exceções constitucionalmente previstas; b) a instrução normativa é ato de competência ministerial que atende a uma necessidade sistemática clamada pela estrutura política administrativa adotada pela constituição, restringindo seus efeitos à coordenação dos instrumentos do Poder Executivo com vistas a dar exeqüibilidade às leis, decretos e regulamentos, conforme preconizado pelo art. 87 da CF; c) destarte, a IN não pode revestir figura autônoma, criando, modificando ou extinguindo direitos e obrigações, sob pena de o Fl. 241DF CARF MF 4 fazendo invadir seara alheia e malferir a ordem constitucional no que atine às competências e atribuições de cada Poder; d) a Secretaria da Receita Federal não pode baixar instrução normativa inovando no ordenamento jurídico, ou seja, implicando criação, modificação ou extinção de direitos ou deveres não estabelecidos em lei prévia; e) a Lei 9.393/96 estipulou que os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos, porque representativo do preço das terras; f) no caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, a lei especifica os critérios que deverão sr levados em conta pela Receita para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras, cuja viabilização encarrega o próprio fisco; g) o valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior e acatado pelo fiscal, somente persiste quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, o que não e a hipótese dos presentes autos; h) a sistemática utilizada pelo fisco está equivocada, ao passo que o cálculo da exação deveria ser efetuado utilizando o Valor da Terra Nua; i) o VTN atualizado é de R$ 3.200,00 o hectare, conforme DIAT anexa, referente ao ano de alienação, e o valor de alienação foi de R$ 3.200,00o hectare, de forma que não houve ganho de capital. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. A autuação sob análise se deu em razão da ausência de apresentação dos DIATs relativas aos anos de aquisição do imóvel rural (2000) e alienação (2006), tendo o agente fiscal, para fins de apuração do ganho de capital, considerado como custo de aquisição e valores de alienação aqueles constantes dos documentos de aquisição e alienação de cada imóvel. Considerando o provimento do Recurso Voluntário, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso com o fito de rediscutir a possibilidade de aplicação da IN SRF n.º 84/2001 na apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural. Ocorre que a referida Instrução Normativa estabelece como custo de aquisição e valores de alienação aqueles constantes dos documentos de aquisição e alienação Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 4 5 de cada imóvel, quando não apresentadas os DIATs pelo contribuinte para a averiguação do Valor da Terra Nua. Por outro lado, a Lei 9.393/1996, que dispõe sobre o ITR, também trata da apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se deve considerar como custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, a partir de 1º de janeiro de 1997. No se que refere à imóvel rural adquirido em período anterior a essa data, será considerado como custo de aquisição o valor constante da escritura pública, nos termos abaixo: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Assim, a controvérsia limitase à apreciação da legalidade da IN 84, de 2001, considerando o disposto na Lei 9.393/96. Sobre o tema, assim restou consignado no acórdão recorrido: A incidência do IRPF sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos está fundamentada nos arts. 117 e seguintes do RIR/1999, com a redação da Lei 7713/88. Basicamente, o ganho de capital será determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 138) e estará sujeito ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento (art. 142). O art. 40 da Lei 11196/05 ainda estabelece fatores de redução do ganho de capital por ocasião da alienação, a qualquer título, de bens imóveis realizada por pessoa física residente no País (FR1 e FR2), ao passo que, em relação aos imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1988, o Regulamento, em seu art. 139, estabelece um percentual fixo de redução sobre o ganho de capital, segundo o ano de aquisição ou incorporação do bem. A IN SRF 84/2001 regulamenta, no plano infralegal, a apuração e a tributação dos ganhos auferidos por pessoas físicas. Quanto aos imóveis rurais, a Lei 9393/96, que dispõe sobre o ITR, também regulamenta a apuração do ganho de capital a partir de 1º de janeiro de 1997, estipulando que se considera custo de aquisição e valor de venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos de sua aquisição e de sua alienação. Para que não pairem dúvidas, eis a redação do dispositivo: Fl. 243DF CARF MF 6 Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Com clareza cristalina, vêse que a regra legal acima expressamente determina que deve ser observado o disposto no art. 14. Tal artigo, por sua vez, cuida dos procedimentos de ofício aplicáveis nas hipóteses de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, casos em que a Receita Federal deverá proceder à determinação do VTN com base nas informações sobre preços de terras, constantes de sistema por ela instituído. Vejase: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Logo, é indubitável que o art. 19 tem um regime especial para a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais a partir de 1º de janeiro de 1997, devendo serem considerados os VTNs declarados nos anos de sua aquisição e de sua alienação, e que, por força do próprio art. 19, é aplicável o art. 14, segundo o qual a falta de declaração dos VTNs implicará o seu arbitramento de conformidade com o sistema de preço de terras. Seguese, pois, que o § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibiliza com as normas legais retro mencionadas, pois se apresenta em verdadeira situação de antinomia. Por força do princípio da legalidade, expresso no art. 37, caput, da CF, e considerandose que a Instrução Normativa, neste ponto, extrapolou seu mero caráter regulamentar, deveria o lançamento ter sido efetuado de acordo com a lei, que tem um regime próprio de apuração do ganho de capital na hipótese de não terem sido declarados os VTNs nos anos de aquisição e/ou alienação. Não se pode conceber que o art. 19 da Lei tenha determinado a aplicação do seu art. 14 sem qualquer razão para tanto, senão Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 5 7 para viabilizar que a autoridade fazendária possa proceder ao lançamento de ofício na hipótese sob comento, sob pena de se admitir que a lei possa conter palavras ou expressões inúteis. É iniludível que a determinação de observância do art. 14 foi justamente para propiciar o lançamento de ofício, não podendo ser aplicado o regime infralegal estatuído na Instrução encimada, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Vejase, aliás, que não se está declarando a inconstitucionalidade do § 2º do art. 10 da IN SRF 84/2001, mas sim, diante do conflito de normas, utilizandose a norma legal em detrimento da norma infralegal, por aplicação do próprio princípio da legalidade. O inc. I do art. 100 do CTN preleciona que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, de forma que não podem inovar em matéria sob reserva legal absoluta, inclusive no elemento valorizador (ou quantitativo) do fato gerador da obrigação tributária (que também pode ser denominado de critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária). No âmbito do órgão do Judiciário, deve ser destacado o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. LEI N.º 9.393/96. CUSTO DE AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO. ART. 10, § 2.º, DA IN SRF N.º 84/01. ILEGALIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MINORAÇÃO. 1. O parágrafo segundo, do art. 10 da Instrução Normativa n.º 84/2001, segundo a qual, na falta do DIAT, os custos de aquisição e alienação do imóvel rural devem ser equiparados ao valor constante dos respectivos instrumentos negociais, está em nítido descompasso com a legislação que lhe serve de sustentáculo. 2. Os custos de aquisição e de alienação de imóvel rural, estimados para fins de apuração de ganho de capital, deverão se pautar por aqueles valores da terra nua declarados pelo contribuinte, no DIAT apresentado nos respectivos anos. 3. No caso de não terem sido entregues tais documentos informativos, o art. 14 da Lei n.º 9.393/96 especifica os critérios que deverão ser levados em conta pela Receita Federal para apurar o imposto, entre eles o sistema de preço de terras. No caso dos autos, o antigo proprietário que efetivou a entrega da Declaração, não obstando a apuração do ganho de capital. 4. O valor da escritura pública considerado como custo de aquisição, conforme previsto na lei anterior, somente persiste quanto aos imóveis adquiridos antes de 1997, o que não é a hipótese dos autos. 5. Honorários advocatícios fixados no valor de R$ 1.000,00, nos termos do art. 20, §§ 3° e 4°, do CPC. (TRF4, APELREEX 2007.71.16.0005140, SEGUNDA TURMA, Relatora VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 20/01/2010) Fl. 245DF CARF MF 8 Ante tudo o que foi exposto, concluise que o critério jurídico utilizado pela autoridade lançadora está equivocado, de forma que o lançamento deve ser cancelado. Vale lembrar, nesse contexto, que a modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, seja de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, impede a revisão de um lançamento já efetuado, ex vi do art. 146 do CTN. Nesse ponto, a propósito, não há qualquer divergência nem mesmo no âmbito doutrinário, conforme ensina o prof. Luís Eduardo Schoueri1, subsistindo diferentes posicionamentos apenas quanto aos fatos ocorridos posteriormente e ainda não albergados por outra fiscalização. Nesse contexto, entendo que não merece reparos a decisão recorrida, motivo pelo qual adoto os fundamentos mencionados como razões de decidir. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto da Ilustre Relatora, no que tange ao mérito do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O presente processo trata da exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a omissão de ganhos de capital na alienação de 169 hectares de um imóvel rural localizado no Município de Cachoeira do Sul/RS A Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial, visando rever o decidido mo Acórdão nº 2402005.934, por meio do qual deuse provimento ao Recurso Voluntário, ao argumento de que o § 2º, do art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, ao prever como custo e valor de alienação os constantes nos respectivos documentos de aquisição e alienação, não se compatibilizaria com o disposto na Lei nº 9.393, de 1996. Não obstante, inexiste qualquer incompatibilidade entre a lei e a instrução normativa, conforme será demonstrado. A Lei nº 9.393, de 1996, que dispôs sobre o Imposto Territorial Rural (ITR), assim estabeleceu, em seu art. 19, como regra de apuração do Imposto de Renda sobre ganho de capital na alienação de imóvel rural: Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 6 9 venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Assim, com o advento da Lei nº 9.393, de 1996, passaram a ser considerados como custo de aquisição e valor de alienação de imóvel rural, o Valor da Terra Nua (VTN), declarado no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), nos anos da aquisição e de sua alienação, respectivamente, para efeito de determinação do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º/01/1997. Por outro lado, quanto aos imóveis rurais adquiridos anteriormente a esta data e portanto antes da própria instituição do DIAT, por meio do qual o VTN seria declarado foi estabelecido como custo o valor constante da escritura pública, observado o art. 17, da Lei nº 9.249, de 1995. Entretanto, mesmo para os eventos ocorridos a partir de 1º/01/1997, há casos em que o DIAT, embora obrigatório, não foi apresentado pelo Contribuinte. Há situações, ainda, em que o Contribuinte está dispensado da entrega do DIAT, apresentando apenas o DIAC. Estas são hipóteses que se equiparam aos eventos ocorridos à época em que inexistia tal obrigação, ou seja, não há um DIAT do qual se possa extrair um VTN declarado pelo Contribuinte. E para esses casos a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, suprindo a lacuna da lei e utilizando o mesmo critério, esclareceu que o custo e o valor de alienação seriam também aqueles constantes dos respectivos documentos de aquisição e de alienação, tal como a lei fixara para os eventos a ela anteriores. Confirase o art. 10, da citada Instrução Normativa: Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8o e 14 da Lei No 9.393, de 1996. § 1º No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3º O disposto no § 2o aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). (grifei) Fl. 247DF CARF MF 10 Assim, a toda evidência, a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, visou tão somente explicitar o critério da lei para os casos de inexistência do DIAT, que não se restringe ao período em que ainda não fora instituída tal obrigação, mas também inclui a omissão e a dispensa de apresentação desse documento, a partir da data de sua instituição. Com estas considerações, com todas as vênias, não procede a interpretação de que o art. 19 que trata da alienação de imóvel rural, para fins de apuração de Imposto de Renda ao fazer referência ao art. 14 que trata do arbitramento do VTN pela Fiscalização, para fins de apuração do ITR estaria a determinar que, na falta de entrega do DIAT, seria adotado VTN arbitrado, e não a regra estipulada pela própria lei, na ausência de DIAT. Confirase o art. 14, da Lei nº 9.393, de 1996, que trata da tributação do ITR e é referenciado no art. 19: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Como se pode constatar, o art. 14 diz respeito ao próprio lançamento do ITR, cuja base de cálculo é o VTN, por isso mesmo nesse dispositivo é fixada uma regra para quando não é apresentado o DIAT, ou quando ele é apresentado com o VTN subavaliado, com informações incorretas, inexatas ou fraudulentas. E nesse caso a norma do art. 14 estabelece o arbitramento por parte da Fiscalização e não um valor a ser utilizado pelo Contribuinte quando da alienação do imóvel, à falta do DIAT. Destarte, no entender desta Conselheira, corroborado pela jurisprudência do CARF, abaixo colacionada, a referência ao art. 14, feita no art. 19, visa apenas esclarecer que o VTN porventura extraído do DIAT para fins de apuração de ganho de capital também estará sujeito a eventual arbitramento pela Fiscalização, no caso de subavaliação, informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Com efeito, a norma específica de ganho de capital para fins de Imposto de Renda (art. 19) não pode ser associada com a norma que fixa a base de cálculo do ITR (art. 14), senão para deixar expresso que o VTN a ser aplicado no ganho de capital também pode ser revisto pela Fiscalização. Destarte, a alegada incompatibilidade da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, com a Lei nº 9.393, de 1996, não se sustenta. Nesse sentido é o voto condutor do Acórdão nº 2402006.206, de 05/06/2018, da lavra do Ilustre Conselheiro Maurício Nogueira Righetti: "A controvérsia aqui posta, consoante delimitada pelo relator, reside quanto à utilização do valor de alienação constante em instrumento negocial, em função da inexistência de DIAT no ano da alienação do imóvel (2004). (...) Não obstante, o voto condutor acabou por afastar a aplicação do normativo encimado, verdadeira norma complementar da lei, consoante estabelece o artigo 100 do CTN, ao fundamento de Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 7 11 que haveria uma antinomia entre elas IN SRF nº 84/2001 e a lei que se pretende complementar (Lei 9.393/96). Não compartilho desse posicionamento. Por mais de uma vez, tive a oportunidade de expor meu entendimento neste colegiado, acerca da perfeita compatibilidade entre aqueles normativos. (...) A Lei 9.393/96, de 19.12.1996 dispõe sobre o ITR e, para fins de sua apuração, estabeleceu o IMÓVEL RURAL como o IMÓVEL POR NATUREZA. Apenas solo, matas e florestas nativas. É o que se costuma chamar de Terra Nua. Em um único artigo que trata do GCAP, definiu que o ganho de capital, para os IMÓVEIS RURAIS, deveria considerar o Valor daquela Terra Nua como custo de aquisição e valor da venda. (...) Consoante se extrai da exposição de motivos da Medida Provisória 1.528/96, convertida na Lei 9.393/96, pretendeu o legislador que, quando da alienação da terra nua, fosse adotado o valor declarado pelo contribuinte como base de cálculo do ITR. (...) A novidade foi que, com relação aos imóveis adquiridos após 01.01.1997, esse VTN seria extraído do DIAT apresentado pelo próprio contribuinte, quando da apuração do seu ITR, sendo certo que referido VTN decorreria de autoavaliação a preço de mercado no primeiro dia do ano. (...) Nesse rumo, mais do que uma obrigação a que o fisco utilizasse daquele documento (DIAT), foi uma autorização para que a fiscalização se sentisse legalmente segura ao se valer de uma informação prestada pelo próprio sujeito passivo, sem que houvesse, a rigor, a necessidade de contraditála. (...) Perceba que a intenção do legislador, ao mencionar a utilização do sistema de informação sobre preços de terras, foi a de que ele servisse de norte para a Fiscalização, não a de impor, a qualquer custo, sua utilização. Voltemos ao texto da lei, desta feita o do artigo 14: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 249DF CARF MF 12 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Não é difícil notar que o dispositivo tem sua redação voltada, primordialmente, para a apuração do ITR, quando estabelece que o lançamento de ofício considerará a informações sobre preços de terras constantes dos sistemas da RFB. Em outras palavras, o lançamento de ofício lá previsto é aquele por meio do qual se constituirá o ITR. (...) Pois bem, esse é o cenário: Se há o DIAT, a Fiscalização PODE dele se utilizar; por outro lado, caso não haja ou se identifique patente subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a fiscalização PODE se valer das informações do SIPT; Contudo, caso tenha disponível os documentos negociais, que retratem, concretamente, a operação, deles DEVEM se valer. Destarte, observados os critérios acima e após a análise sistêmica dos artigos 14 e 19 da Lei 9.393/96, 3º da Lei 7.713/88 e do que dispõe a Lei 8.023/90, não vislumbro qualquer impropriedade na utilização dos valores que constaram dos instrumentos negociais." Quanto à jurisprudência que corrobora o entendimento esposado no presente voto, além do julgado já colacionado, citase: Acórdão 2201003.817, de 09/08/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. DIAT. INAPLICABILIDADE. Na apuração do ganho de capital decorrente da alienação de imóvel rural, caso o alienante não tenha apresentado o Diat relativamente ao ano de alienação, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. Acórdão 2402005.981, de 12/09/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 GANHO DE CAPITAL. VALOR DE ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. VTN SUBAVALIADO. ALIENAÇÃO APÓS 01.01.1997. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11060.001494/201031 Acórdão n.º 9202007.714 CSRFT2 Fl. 8 13 Em não havendo apuração do resultado da atividade rural ou em não se exercendo referida atividade, pode o Fisco, ao identificar a subavaliação do VTN que constou do DIAT, em cotejo com os documentos que retrataram o negócio jurídico, valerse do valor total da operação que constou naqueles documentos. Acórdão 2301005.258, de 08/05/2018 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 01/10/2008, 07/08/2009, 17/08/2009 (...) GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. VALOR DE ALIENAÇÃO. ENTREGA DO DIAT. APURAÇÃO. A apuração do ganho de capital de imóveis rurais deve ser feita com base nos valores constantes dos respectivos documentos de aquisição e alienação, nos casos de falta de entrega do Diac ou do Diat, subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000698/2001-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/06/1995
DIREITOS ANTIDUMPING. DECRETO N° 70.235/72.
Como a Receita Federal é competente para cobrança dos direitos
antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bem como, se for o caso, para sua restituição, afigura-se legitimo que referida cobrança se dê nos termos do Decreto n° 70.235/72, até mesmo porque esse procedimento garante a observância dos princípios do
devido processo legal e da ampla defesa, não havendo prejuízo ao sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para anular a decisão recorrida, retornando os autos ao Colegiado u quo para análise das demais questões do recurso voluntário.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/06/1995 DIREITOS ANTIDUMPING. DECRETO N° 70.235/72. Como a Receita Federal é competente para cobrança dos direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bem como, se for o caso, para sua restituição, afigura-se legitimo que referida cobrança se dê nos termos do Decreto n° 70.235/72. até mesmo porque esse procedimento garante a observância dos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, não havendo prejuízo ao sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. em dar provimento parcial ao recurso especial para anular a decisão recorrida, retornando os autos ao Colegiado u quo para análise das demais questões do recurso voluntário. Caio Marcos Cândido - Presidentc'Substituto Rod igo CardozwMiránda - Relator Cl/ Participaram do (Presente julgamento os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann, Judith /0 Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, enrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas. Nanci Gama, Mâria Teresa Martinez López e Caio Marcos Cândido. Relatório Cuida-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 198 a 206), com arrimo no inciso I do artigo 7° do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 180 a 187) que, por maioria de votos, anulou o processo a partir do auto de infração, nos termos do voto do ilustre relator, Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, restando vencida a Conselheira Mércia 1 lelena Traj ano D "Amorim. Consoante exposto no relatório do v. acórdão recorrido, e com base na r. decisão de primeira instância, a autuação se deu para exigir do importador direito am idiimping no valor de R$ 167.194,80, acrescido de multa de mora de R$ 33.438,96 e de R$ 227.853,06, totalizando crédito tributário de R$ 428.486,82. Referido direito antidumping é relativo às mercadorias importadas (Ferro Cromo de Baixo Carbono) através das Declarações de Importação no 15581 e 15582, ambas registradas em 20/06/1995. A Colenda Segunda Camara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, ao julgar o recurso voluntário, acolheu preliminar levantada pelo ilustre Conselheiro relator quanto á própria legalidade da autuação. Entendeu-se, em síntese, que o auto de infração e o próprio Decreto n° 70.235/72 não são instrumentos legais para se exigir os direitos antidumping antes do advento da Medida Provisória n° 135/2003, posteriormente convertida na Lei IV 10.833/2003. Mister destacar os seguintes excertos do voto condutor, que serviram de fundament() para a r. decisão ora recorrida, verbis: (..) Deve-se esclarecer que a verba lançada no AI não tern natureza tributária. Ademais, /00 existe no direito positivo brasileiro nenhum dispositivo que faça menção ou institua o "Impost° de Intportação Adicional". Com efeno, o fundamento da autuação é a Portaria MF 233/94, que estabeleceu direito antidumping nestas importações originárias da Rfissia, Ucrânia e Cafaquistão, sobre produto que menciona, Ferro Cromo de Baixo Carbono. Citada Portaria (sic) decorre dos termos da Lei 9.019, de 30/03/1995, que dispõe sobre a aplicação dos direitos previstos no Acordo "Antidumping". Diz o art. 1" desta Lei que "Os direitos w7tichunping... serão aplicados mediante a cobrança de importância, em moeda corrente do pais, que corresponderá a lvreenlual da margem de dumping.., apurados em processo administrativo.. , suficientes para sanar dano ou ameaça de dano indfistria doméstica". Seu parágrafo fink() esclarece que "Os direitos antidumping... serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de 2 Processo n" 13603.000698/2001-13 CSRF-T3 Acórdilo n." 9303-01.350 H. 223 nature:a tributária relativas à importação dos prod mos aletctdos. Portanto, verifica-se, assim, que, quando da constatação do existência de "dumping" em regular investigação, o que se cobra é um "direito" e não um "tributo ... Esse direito é exigido para sonar dano OU ameaça de dano. Assim, ele lein caráter incienLatório. Se for visto COMO 1141)11i0 ele contraria aquela disposição constante do art. 3° do CTN que diz que "Tributo toda prestação pecuniária... que não constitua scuição de clio Assim, o ccuninho tornado pela Proces.vo Administrativo Fisccil pura a cobrcuka da obriga cão legal 100 é o adequado, visto que a mencionada Lei 9.019/95 estabelece procedimentos próprios para a cobrança do direito antidumping em caso de inadimplemento do importador. Tal circunstáncia invalida integra/incute o Auto de Infração que inaugura este procedimento. que fifi lavrado em 17/05/2001 posteriormente a essa Lei, pois ele é o instrumento legal para a determinação e exigência dos créditos "tributários" du União. Tanto isso é verdacie que o Poder Executivo, através da Medicia Provisória 75/02, que foi rejeitada pelo Congresso Nacional em 19/12/2002, pretendendo sanar essa lacuna juridica, dispunha em seu art 23, o seguinte: Art. 23. Os direitos antidumping e os direi/os compensatórios de que trata a Lei n°9.019, de 30 de março cie 1995„00 devidos 110 duta cio registro da declaração de importação. ssç 4° Em relação à exigência de ofício cie direitos cmlichtmping ou cie direitos compensatórios, aplicam-se, 110 que couber, as disposições do Decreto 110 70.235, de 1972. Diante da rejeição, posteriormente, a mesilla matéria, para preencher ci lactma acima referida, foi inserida na Afeclida Provisória 135, de 30/10/2003, que foi convertida no Lei 10.833, cie 29/12/2003,1105 termos seguimes: Art. 79. Os arts. 7°c 8' da Lei n° 9.019, de 30 c/c 111(11V0 cie 1995, possum a vigorar com ct seguinte reciação: "Art. 7" ,sç 2° Os direitos antidumping e os direitos compensatórios são devidos na data do registro da decktração de importação. 5°A exigência cie oficio de &wiles antidumping ou tie direitos compensatórios e decorrentes cwrésc moratórios e pencdiciades serci . f01711alialda e/11 auto cie infração lavrado por 3 Auditor-Fiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de registro da declaração de importação. 6 0 Verificado o inadimplemento da obrigação, a Secretaria da Receita Federal encaminhará o débito a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União e respectiva cobrança, observado o prazo de prescrição de 5 (cinco) CHUM Conclui-se, portanto, que o próprio legislador verificou a falta tie regulamentação para a apuração e cobrança, em via achninistrativa, dos direitos em questão. Dessa maneira, considerando que na data da autuação 100 existia autorização legal para a autoridade autuante lançar direitos antidumping pro meio de AI e pelo rito do Decreto 70.235/72, não há C01710 prosperar a autuação, sendo esta, portanto, insubsistente. Face ao exposto, voto pela nulidade do Processo a partir do Auto de Infração inclusive. A ementa do referido julgado, que bem resumiu os termos do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro relator, é a seguinte: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/06/1995 Ementa: DIREITOS ANTIDUMPING. DECRETO 70.235/72 O caminho tornado pela fiscalização, Processo Achnhtistrativo Fiscal para a cobrança da obrigação legal não é o adequado, visto que a Lei 9.019/95 estabelece procedimentos próprios para a cobrança do direito "antidumping" em caso c/c inadimplemento do importador. Tal circunstância invalida integral/nettle o Auto de Infração, pois ele é o instrumento legal para a determinação e exigência dos créditos "tributários" da União. Essa possibilidade somente veio a ser permitida coin o advento da Lei 10.833/03. PROCESSO ANULADO. Foram, então, opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional (fls. 189 a 191), em que se apontou, em resumo, contrariedade e obscuridade em razão do disposto no § 1 0 do artigo 7° da Lei n° 9.019/95, que de acordo com a recorrente já fazia previsão legal de cobrança de direitos antidumping pela Receita Federal. Tais embargos foram declarados improcedentes, nos termos da informação técnica e do r. despacho de fls. 193 a 197. lrresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese, violação aos arts. 1°, 3°, 7°, § 1° e 12, todos da Lei n° 9.019/95, ao art. 48 do Decreto n° 1.602/95, e ao art. 5°, inciso LXX VIII, da Constituição Federal. O recurso especial foi admitido pelo r. despacho de fls. 207 a 209. Processo n" 13603.000698/2001-13 CSRF-T3 Acórdão 11. 0 9303-01.350 11 224 64/ Contra-razões as fls. 212 a 219, onde se alega, em suma, que o recurso especial da Fazenda Nacional não merece ser provido porquanto. verbis. o acórdão recorrido não contrariou a disposição legal constante do artigo 7" da Lei n° 9.019/95, .jó que não negou a competência da SRF para exigir o cumprimento das obrigações relacionctda.s. ao direito antidumping, mas apenas reconheceu a nulidade do processo de cobrança destes direitos por estar sendo a exigência veiculada através do procedimento relativo it cobrança de crêditos de natureza tributária, especificamente aquele previsto no Decreto n" 70.235/72, inaplicável espécie. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial da Fazenda Nacional merece ser conhecido. Consoante exposto no relatório, a questão ora controvertida reside na utilização ou não do PAF, Procedimento Administrativo Fiscal, nos termos do Decreto n" 70.235/72, para aplicação de direitos antidumping, especificamente antes do advento da Medida Provisória n° 75/2002, que foi rejeitada, e da Medida Provisória n° 135/2003. posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003. Enquanto a r. decisão recorrida, na esteira do voto condutor, entendeu que o PAF não se aplicaria à espécie, a Fazenda Nacional apontou que a Lei n° 9.019/95, desde a sua entrada em vigor, já previa no seu artigo 7°, § 1°, a competência da Secretaria da Receita Federal para cobrança dos direitos antidumping. Isso autorizaria a cobrança através do procedimento previsto no Decreto n° 70.235/72, sendo que a legislação posterior teria vindo lume apenas para espancar quaisquer dúvidas porventura existentes quanto a. adoção do rito ali previsto. No tocante ao cerne da questão, mister destacar o artigo 7° e §§ da Lei n° 9.019/95: Art. 7 0 0 cunwrimenio das obrigações resultantes da aplicação dos direitos antidumping e dos direitos compensatórios„svjam definitivos ou provisário.s., será condição para dl introdução 110 COIllérd0 cio Pais de produtos °Nero de dumping ou subsidio. § I" Soy; competente para a cobrança dos direitos antidumpinz e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bent como, se for o caso, para sua restituiçtio, a SRF do Ministério da Fazenda. § 2 0 Verificado o inadimplemento da obrigaçrio, a SRF encaminhard a documentavdo pertinente a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscriaio do débito em Divida Ativa da Unido e respectiva cobrança. 5 Muito embora no sejam explícitos, os dispositivos acima destacados deixam claro que a competência para cobrança dos direito antidumping é da Receita Federal, e que, caso não haja adimplemento, a Receita encaminhará a documentação à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição do débito em Divida Ativa da Unido e respectiva cobrança. Esse procedimento em tudo se equipara àquele previsto no Decreto n° 70.235/72, que se inicia com a lavratura de auto de infração ou envio de notificação de lançamento, e culmina com o seu encerramento e posterior remessa para inscrição na Divida Ativa, pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, caso o débito não seja satisfeito. Aliás, os instrumentos de cobrança por excelência, no âmbito da Receita Federal. são exatamente o auto de infração e a notificação de lançamento, nos exatos termos previstos no Decreto n° 70.235/72. Por outro lado, o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, bem como o atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, prevêem a competência para julgamento de direito antidumping. Me parece, assim, que não há porque se afastar o Decreto n° 70.235/72 como procedimento a ser adotado, visto que ele 6, que rege as cobranças a cargo da Receita Federal, atendendo plenamente aos princípios do devido processo legal e da ampla defesa, não causando qualquer prejuízo ao sujeito passivo. A legislação superveniente, neste caso especifico, veio apenas para espancar qualquer dúvida quanto ao procedimento a ser seguido. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, afastando a nulidade apontada na r. decisão recorrida e determinando que a instancia a quo dê continuidade ao julgamento do recurso voluntário. R•drigo Cardo 6
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901956/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO.
Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
Numero da decisão: 1201-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/2014-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2012 DCOMP. DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação.
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DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. Reconhecido o direito creditório pleiteado, é possível superar o erro do contribuinte cometido nas suas declarações para homologar a declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Jose Roberto Adelino da Silva (Suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 19 56 /2 01 4- 55 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Acórdão n.º 1201002.752 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório MARCIO MARIA MACEDO ADVOGADOS ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 1278.035, pela DRJ Rio de Janeiro, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 160,46 a título de pagamento indevido ou a maior. A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2012 Ementa: RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVAÇÃO. Descabe a restituição de pagamento supostamente indevido quando o sujeito passivo não logra demonstrar a irregularidade do recolhimento. Cientificado dessa última decisão em 06/08/2015, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, em 03/09/2015, por meio do qual tece as seguintes considerações: No presente caso, a recorrente demonstrou que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG, inscrita no CNPJ n° 17.194.853/0001 04, emitindo nota fiscal (doc. 1); Que ao realizar o pagamento referente a nota emitida, a fonte pagadora, promoveu a retenção dos impostos devidos, conforme comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de impostos devidamente identificados em anexo (doc. 2); Ocorre, que a recorrente, equivocadamente, também recolheu tal imposto do referido período, ocasionando com isso, pagamento em duplicidade do mesmo imposto, conforme comprovante de recolhimento/pagamento em anexo (doc. 3). Vale ressaltar, que o valor do tributo recolhido referente a nota fiscal emitida pela recorrente acima citada, está embutido no DARF devidamente pago em anexo (doc. 3). Conforme os fatos relatados e documentos acostados, a recorrente produziu provas que comprovam o pagamento realizado em duplicidade de imposto. Em razão disso, deve ser o referido valor ser restituído ou compensado com imposto vincendo, conforme determinação legal. Com isso, requereu a reforma de decisão recorrida, para que seja deferida a restituição declarada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Acórdão n.º 1201002.752 S1C2T1 Fl. 4 3 Na primeira vez em que foi apreciado o recurso voluntário, o julgamento foi convertido em diligência, para que a RFB adotasse as seguintes medidas: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). A diligência requerida foi cumprida e reduzida a termo por meio de relatório. É o relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº1201002.734, de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/2014 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.734): O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente afirma que prestou serviço profissional de advocacia a pessoa jurídica denominada FEDERAÇÃO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA DE MINAS GERAIS FAEMG que, ao realizar o pagamento do serviço, promoveu a retenção do IRRF. Afirma, ainda, que realizou o pagamento do IRPJ do correspondente período, em que "está embutido" o tributo referente ao supracitado serviço, o que caracterizaria a duplicidade de pagamento. A decisão recorrida entendeu que não havia pagamento em duplicidade em razão do fato de o contribuinte ter recolhido IRPJ pelo lucro presumido, apurado conforme sua própria declaração. Na primeira vez em que o colegiado se reuniu para decidir o feito, o processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 1201000.457. A diligência foi cumprida e reduzida a termo por meio da informação fiscal de fls. 78, em que a autoridade fiscal manifestouse no sentido de que o contribuinte cometeu um erro formal e que há pagamento a maior de tributo, nos seguintes termos: Concluindo, constatase que estamos diante de um erro formal caracterizado pela ausência de informação quanto à dedução do valor do IRRF, o que prejudicou a Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10675.901956/201455 Acórdão n.º 1201002.752 S1C2T1 Fl. 5 4 correta apuração do valor do imposto de renda a pagar, o que poderia ter sido solucionado com a retificação da DIPJ e da DCTF, o que não ocorreu. Todavia, adotandose o princípio da verdade material em detrimento do aspecto meramente formal entendo que assiste razão à interessada quanto à existência de fato do direito creditório, uma vez comprovado a ocorrência de erro de fato e que realmente o pagamento foi feito a maior, no valor pleiteado de R$ 199,39, por falta de dedução do IRRF. Assim entendo que a contribuinte faz jus à restituição do imposto de renda pessoa jurídica, pleiteado no PER nº 06655.10092.131213.1.2.049517, em analise no presente processo. Acato a conclusão da autoridade fiscal e reconheço o direito creditório pleiteado. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento no sentido de deferir o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721810/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa.
ISENÇÃO. CONDIÇÕES.
Para gozo da isenção de imposto e contribuição social, as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis devem atender a todos os requisitos legais exigidos para tanto. É vedada a remuneração, a qualquer título, dos seus dirigentes.
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO.
Os procedimentos para suspensão de benefício fiscal, em virtude da falta de observância de requisitos legais, estão especificados em lei. É legítima a suspensão da isenção, quando não observados os requisitos mínimos fixados na legislação tributária para o seu gozo.
Não há nenhuma ilegalidade no ato declaratório de suspensão quando o Fisco obedece a todos esses requisitos legais.
A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração.
Numero da decisão: 1301-003.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para gozo da isenção de imposto e contribuição social, as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis devem atender a todos os requisitos legais exigidos para tanto. É vedada a remuneração, a qualquer título, dos seus dirigentes. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Os procedimentos para suspensão de benefício fiscal, em virtude da falta de observância de requisitos legais, estão especificados em lei. É legítima a suspensão da isenção, quando não observados os requisitos mínimos fixados na legislação tributária para o seu gozo. Não há nenhuma ilegalidade no ato declaratório de suspensão quando o Fisco obedece a todos esses requisitos legais. A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
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NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária e não restar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para gozo da isenção de imposto e contribuição social, as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis devem atender a todos os requisitos legais exigidos para tanto. É vedada a remuneração, a qualquer título, dos seus dirigentes. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Os procedimentos para suspensão de benefício fiscal, em virtude da falta de observância de requisitos legais, estão especificados em lei. É legítima a suspensão da isenção, quando não observados os requisitos mínimos fixados na legislação tributária para o seu gozo. Não há nenhuma ilegalidade no ato declaratório de suspensão quando o Fisco obedece a todos esses requisitos legais. A suspensão da isenção terá como termo inicial a data da prática da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 10 /2 01 2- 73 Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.480 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.481 3 Relatório CTC CENTRO DE TECNOLOGIA CANAVIEIRA S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 1051.311) que julgou improcedente as impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: A partir da constatação de elementos que, em tese, configuram a suspensão do benefício fiscal, a Delegacia Especial da RFB de Fiscalização em São Paulo declarou suspensa a isenção tributária da Entidade interessada nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, por inobservância ao disposto no artigo 15, caput e § 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, suspensão efetivada mediante o Ato Declaratório Executivo nº 212, de 28 de agosto de 2013, fls. 2291. Este ADE foi efetivado com base no Parecer de 27 de agosto de 2013 e Despacho Decisório de 28 de agosto de 2013 (fls. 2276/2290), os quais em síntese, confirmaram as constatações contidas na Notificação Fiscal emitida em 06/06/2013 (fls. 2.170/2.175, retificadora da Notificação de fls. 2.187/2.197), na qual a Fiscalização havia relatado os seguintes fatos: a) foram constatadas reiteradas despesas com participação nos resultados (conta 3.2.1.03.0013), no total de R$ 4.016.645,03, em junho de 2008; de R$ 4.468.275,88, em junho de 2009 e R$ 5.056.167,58, em maio de 2010, conforme escrituração contábil, informações em DIRF e arquivos de folhas de pagamento; b) as folhas de pagamento demonstram que a participação nos resultados foi efetuada no âmbito de toda a empresa (empregados e diretores); c) houve transformação da associação civil em sociedade anônima, conforme deliberações em ata da reunião de 12/01/2011 e, em conseqüência, o capital social passou a ser de R$ 33.271.288,15, valor correspondente ao superávit acumulado no balanço social levantado em 31/12/2010, com a divisão em 27.583 ações ordinárias, todas nominativas e sem valor nominal; d) a Entidade fez uso de sua isenção de impostos e contribuições como associação civil sem fins lucrativos, para acumular o que seriam receitas próprias de uma associação civil (contribuições associativas) em sucessivos superávits acumulados, fazendo o aporte deste na integralização do capital de uma Sociedade Anônima, contrariando o artigo 12, § 2º, alínea “b” e § 3º e 15 da Lei nº 9.532/97. A Entidade havia sido cientificada da Notificação Fiscal na data de 08/06/2013, tendo apresentado sua contestação a fls. 2.224/2.240. O Despacho Decisório subsequente, ao apreciar aquele recurso, reiterou tais constatações e fundamentandose na Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.482 4 interpretação adotada pela Delegacia Especial da RFB em São Paulo quanto ao artigo 12 da 9.532/1997 (assim como os artigos 13, 14 e 15 do mesmo dispositivo), notadamente nas condições para gozo da isenção. Ressaltou ainda a questão da impossibilidade de participação nos resultados nas entidades sem fins lucrativos ante a inexistência de regulamentação para norma constitucional de eficácia limitada. Observou também que a transformação da associação em sociedade empresária (sob a forma de sociedade anônima), através da destinação dos sucessivos superávits atentou contra o art. 61 do Código Civil, demonstrando que a Entidade não cumpria com seus objetivos sociais, colocando uma pá de cal nas suas pretensões de considerarse isenta de tributação na forma do referido artigo 15 da Lei nº 9.532, de 1997. II – DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, em 27 de setembro de 2013, a interessada apresenta a impugnação de fls. 2295/2310 argumentando basicamente os seguintes aspectos: Sobre o pagamento de participação nos resultados: a) sobre as despesas de participação nos resultados, esclarece que as entidades sem fins lucrativos não estão impedidas da adoção de regime de participação em resultados, mas sim faculdade de fazêlo; b) cita o art. 7º, XI da Constituição Federal, que prevê o direito à participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração e, excepcionalmente, participação em gestão conforme definido em lei; c) a matéria foi tratada na Lei nº 10.101, de 2000, após inúmeras Medidas Provisórias, que estabeleceu os procedimentos a serem observados na adoção dos Planos de Participação nos Lucros ou Resultados, cujo objetivo é de proteger a natureza jurídica dos ganhos do trabalhador, a fim de que não se pudesse atribuir denominação de participação em lucros ou resultados a quaisquer valores distribuídos aos empregados; d) no texto da aludida Lei, as entidades sem fins lucrativos não foram equiparadas à empresa no sentido trabalhista do termo, exceção para aquelas que não se enquadrem nas alíneas “a” a “d” do parágrafo excludente da Lei nº 10.101, de 2000; e) a razão do tratamento privilegiado decorre da própria natureza jurídica diferenciada quanto aos objetivos sociais perseguidos e, ao contrário que possa induzir o texto legal, não há proibição de adoção de regime de participação em resultados, mas sim faculdade de fazêlo; f) o aspecto jurídico a ser enfocado e que permite a tais entidades a implantação de sistema de participação em resultados é de ordem constitucional, cujo princípio é aplicável a todos os empregados, sem exceção, combinado com o citado § 1º do art. 2º da CLT, podendo a interessada adotar o citado programa, com a proteção constitucional; g) a participação em resultados não se confunde com os lucros obtidos da atividade empresarial nem podem significar a mesma coisa, porquanto elevada a expressão ao nível da Constituição Federal; h) quando o constituinte empregou a palavra “resultado”, deu acolhida a entidades que não buscam o lucro, como o caso da interessada até a sua transformação; Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.483 5 i) caso contrário, as organizações sem fins lucrativos estariam alijadas da proteção garantida pela Carta Magna; j) o resultado deve ser compreendido como fruto de um conjunto de atividades não caracterizáveis como lucro contábil, em razão da organização não possuir natureza econômica e que, no entanto, geram resultados administrativo e operacional positivos; Quanto à ausência de remuneração de dirigentes: l) a interessada nunca realizou despesas desta rubrica atrelada ao seu resultado financeiro e nunca distribuiu qualquer parcela de suas receitas a dirigentes estatutários, conforme pode ser verificado dos arquivos de folhas de pagamento já entregues à fiscalização; m) acerca da remuneração a dirigentes, cabe fazer a distinção entre função estatutária e função profissional e afirma que não há escrituração fiscal digital de qualquer destinação de recursos aos seus dirigentes estatutários; n) ainda que houvesse pagamento aos dirigentes estatutários membros da sua então Diretoria Executiva, sua isenção estaria preservada, eis que era qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP desde 2005 e sempre apresentou sua prestação de contas, conforme exigido pelo Ministério da Justiça, conforme documentos de fls. 2.271/2.272; o) ou seja, mesmo que nos anos de 2008 a 2010, a interessada tivesse remunerado seus dirigentes estatutários, membros da Diretoria Executiva, o que, de fato, não ocorreu, sua isenção não pode ser questionada; p) a alegada remuneração de dirigentes foi realizada apenas para dirigentes não estatutários, o que não justifica a suspensão da isenção da entidade e, conseqüentemente, tal argumento deve ser afastado; Quanto à transformação societária: q) relata sobre as circunstâncias do processo de transformação da interessada em sociedade por ações, que se justifica pela imprescindibilidade à garantia da continuidade das pesquisas e a não interrupção das suas atividades, adaptando sua existência às exigências da livre concorrência e dos interesses de seus partícipes; r) cita o art. 2.033 do Código Civil que não excluiu as associações de fazerem transformação, incorporação, cisão ou fusão; s) não se pode dizer que o CTC deixou de aplicar os seus recursos na sua finalidade social ou realizou qualquer planejamento tributário, posto que o seu patrimônio foi construído ao longo de sua existência legal, com recursos dos associados, por meio de contribuições associativas pagas nos termos do estatuto social; t) a participação acionária de cada associado foi definida com base no número de votos atribuídos conforme as contribuições individuais realizadas nos termos do art. 20, § 1º do seu então vigente estatuto social; u) ainda que a transformação ensejasse infração à legislação tributária, o que se admite apenas para argumentar, como a deliberação ocorreu apenas em 12/01/2011, o ato declaratório de cassação somente pode ser aplicável para o ano de 2011, ano no qual já apresentou sua DIPJ como sociedade anônima; Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.484 6 v) traz jurisprudência administrativa e entendimentos firmados em processos de solução de consulta. Por sua vez, na impugnação tempestivamente apresentada nos autos do processo 19515.722334/201399, que trata de lançamentos de Pis e Cofins não cumulativos, a Entidade apresentou vários aspectos/argumentos contrários à suspensão da isenção pelo ADE 212/2013, abaixo resumidos, e que serão examinado no presente processo, próprio para esta discussão e que se encontra apensado àquele. Observo que vários argumentos contidos na impugnação oposta no processo de lançamento são redundantes em relação ao processo onde é discutida a suspensão da isenção, conforme resumo que abaixo reproduzo: Observa que sempre cumpriu os requisitos para a constituição da Impugnante como OSCIP pelo órgão responsável pela fiscalização destas entidades, qual seja a Secretaria Nacional de Justiça, à qual submetia os documentos societários, plano de contas, prestação de contas anuais de suas atividades, nos termos da lei 9.790/99 e do Decreto 3.100/99, sem que esta autoridade administrativa responsável tivesse apontado o pagamento de salário e PPR aos empregados como infração às normas que regem as entidades sem fins lucrativos. Esclarece que inexiste qualquer vedação à distribuição de resultados a empregados de entidades imunes e isentas no direito outorgado a todo trabalhador, urbano ou rural, conforme previsto no art. 7o, inciso XI da Constituição Federal. Outro argumento aduzido é de que a o dispositivo acima referido é explícito quanto à possibilidade de participação de lucros ou resultados, sendo que, na sua situação particular de OSCIP , caso prevalecesse o entendimento da SRF, estaria havendo ofensa ao dispositivo constitucional pela desigualdade de tratamento entre trabalhadores de empresas e entidades imunes/isentas. Faz digressões a respeito dos conceitos de lucro e resultado Enfatiza que o pagamento pela participação no resultado da Entidade nada mais é do que verter os recursos da entidade ao seu objeto social, uma vez que a concessão do prêmio pelo alcance dos resultados estimula seus empregados a cumprirem com as metas de qualidade, produtividade e absenteísmo. Também argumenta que se o valor pago a título de participação nos lucros ou resultados é considerado como despesa operacional, necessária à consecução dos resultados e, portanto, dedutível do IRPJ, conforme disposto no art. 3o, § 1o da Lei 10.101/2000, deduzse logicamente que a sua distribuição não é hipótese de infração à norma isentiva. Aduz também que o acordo coletivo de participação dos empregados nos resultados, firmado com o Sindicato atesta a ausência de qualquer discricionariedade quanto ao pagamento pelos resultados atingidos, o que denota a não utilização da Entidade para fins de benefício exclusivo de seus dirigentes empregados. Defende a possibilidade de remuneração dos dirigentesempregados, argumentando que a vedação contida no § 2o do art. 12 da Lei 9.532/97 não é aplicável aos dirigentes empregados, caso da Impugnante, mas aos dirigentes estatutários, pela necessidade lógica dos empregados serem remunerados pelo seu trabalho. Aduz jurisprudência do STJ neste sentido, bem como Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.485 7 entendimento da própria SRF, expresso no § 2o do art. 4o da IN 113/98 quanto ao conceito de dirigente em instituições imunes. Subsidiariamente, entende que mesmo na hipótese de existência de infração aos requisitos para fruição do benefício da isenção, ainda assim o Ato Declaratório Executivo 212/2013 não poderia gerar efeitos ex tunc. Entende que o art. 32 da Lei 9.430/1996 não pode ser interpretado de maneira literalrestritiva, mas sim de maneira sistemática, gerando efeitos somente a partir dia 4 de setembro de 2013, quando teve ciência do ato administrativo. Ainda neste aspecto, requer o cancelamento dos juros e das multas impostas em atenção ao § único do art. 100 do CTN, haja vista as reiteradas manifestações da Secretaria Nacional de Justiça quanto à correção das contas da Impugnante. Analisando a impugnação apresentada, a decisão recorrida julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão em 24/11/2014 (fl. 2331) e apresentou recurso voluntário de fls. 23332359 em 23/12/2014. Argui, preliminarmente, como que a decisão recorrida seria nula por ausência de fundamentos, e, no mérito, reafirma os argumentos já apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.486 8 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e dotado dos demais pressupostos legais para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. 2 PRELIMINAR A primeira alegação da Recorrente referese à suposta ausência de fundamentos da decisão de primeira instância. Argumenta que embora a decisão afirme que a suspensão da isenção se deu em razão de remuneração de dirigentes, o voto condutor do aresto busca a comprovação de que a entidade teria distribuído seus resultados, sendo que remuneração e distribuição de resultados não poderiam ser tratados como institutos idênticos. Aduz ainda que a conclusão do julgado a respeito da distribuição de resultados estaria baseada em mera inferência, sem qualquer comprovação material. Quanto à transformação em Sociedade Anônima pela qual se submeteu a Recorrente, aduz que a decisão recorrida teria se equivocado ao afirmar que o contribuinte teria angariado recursos pela fruição da isenção tributária. Afirma ainda que a decisão seria arbitrária (uma “aberração jurídica”) ao afirmar que a entidade apresentava superávits sucessivos. Pois bem, embora a Recorrente não tenha requerido a nulidade da decisão recorrida, entendo que do argumento de que a decisão não apresentaria fundamentos podese extrair que o que se pretendia era a declaração de sua nulidade, e assim analisarei o tema. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.487 9 § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. [grifo nosso] Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. No caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Os pontos abordados pela Recorrente quanto aos conceitos de remuneração e distribuição de resultados foram detalhadamente analisados na decisão recorrida, assim como os elementos de prova em que funda, e, se corretas ou não essas análises, são matérias a serem analisadas como mérito da exigência. De igual forma, as conclusões da autoridade quanto à transformação pela qual se submeteu a Recorrente, e a existência e importância de ter havido apurado de superávits sucessivos não podem ser encaradas como questões preliminares. Também não procede o argumento da Recorrente de que haveria ausência de fundamentação na decisão recorrida: tanto do ponto de vista retórico, quanto dos fundamentos legais da exigência, não pode a decisão recorrida ser tachada de não fundamentada, ou de uma “aberração jurídica” por um recurso que, além de buscar denegrir os fundamentos da decisão de primeira instância, nada apontou objetivamente em relação à sua nulidade. Isso posto, preenchidos também todos os requisitos elencados pelo art. 142 do CTN e art. 9º do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Desse modo, voto por rejeitar a preliminar suscitada. 3 MÉRITO O presente abarca tão somente a suspensão de isenção IRPJ e de CSLL levada a cabo pela unidade de origem, não abordando, pois, os lançamentos de IRPJ e de CSLL (processo 19515.722335/201333) e de PIS e de Cofins (processo 19515.722334/201399) realizados em decorrência desse procedimento. Trata os presentes autos de suspensão de isenção tributária prevista no art. 15, da Lei nº 9.532/97, nos termos do Ato Declaratório Executivo 212/2013. Antes de ser exarado tal ato declaratório, o contribuinte foi intimado de notificação fiscal prévia, manifestandose sobre as irregularidades apontadas pela autoridade fiscal responsável pelo procedimento. Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.488 10 Ato contínuo, com base no disposto no art. 32, § 4º, da Lei nº 9.430/96, o Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo, expediu o Ato Declaratório Executivo nº 212/2013, suspendendo, em relação ao IRPJ e à CSLL, a isenção prevista no art. 15, da Lei nº 9.532/97. Por oportuno, reproduzo os dispositivos da Lei nº 9.532/97 que disciplinam a isenção de IRPJ e de CSLL: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2º, alíneas "a" a "e" e § 3º e dos arts. 13 e 14. [grifo nosso] Conforme se observa, instituições de caráter recreativo, como se enquadrava o contribuinte à época dos fatos geradores, fazem jus à isenção de IRPJ e de CSLL desde que atendam o disposto no art. 15 da Lei nº 9.532/97, o qual, por sua vez, remete aos requisitos elencados no § 2º, do art. 12, do mesmo diploma legal, verbis: § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; [grifo nosso] b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.489 11 relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. O do § 3º, do art. 15, da Lei nº 9.532/97, determina que se aplique o disposto em seu art. 14 para fins de suspensão da isenção, o qual, por sua vez, remete ao procedimento previsto no art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir reproduzido: Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção I Suspensão da Imunidade e da Isenção Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.490 12 objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. § 11. Somente se inicia o procedimento que visa à suspensão da imunidade tributária dos partidos políticos após trânsito em julgado de decisão do Tribunal Superior Eleitoral que julgar irregulares ou não prestadas, nos termos da Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 12. A entidade interessada disporá de todos os meios legais para impugnar os fatos que determinam a suspensão do benefício. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem, tratandose de legislação tributária que dispõe sobre isenção, a teor do que dispõe o inciso II do art. 111 do CTN, essa deve ser interpretada literalmente. A notificação fiscal, o Parecer em que se baseia o ato declaratório de suspensão de isenção e a decisão recorrida citam os seguintes fatos e documentos que comprovariam que a Recorrente remunerou seus dirigentes por meio de participação nos resultados: documentos de fls. 1126/1127, 1131/11133, 1248/1250, 1255/1257, 1373, 1394, 1496, 1519, 1528, 1620 comprovariam de forma inequívoca que a Entidade distribuiu, nos anos de 2008 a 2010, seus resultados aos funcionários e aos diretores, Srs. Nilson Zaramella Boeta, Osmar Figueiredo Filho e Tadeu Luiz Colucci de Andrade; diretores esses que inclusive permaneceram na diretoria quando da sua transformação em sociedade por ações, conforme Ata da Reunião do Conselho de Administração de fls. 848/849. tais documentos também indicariam desproporcionalidade entre os valores pagos e o que poderseia considerar como participação nos resultados. Nos três anos auditados foram pagos aos referidos diretores somas expressivas de dinheiro a título de participação nos resultados, situação que permite a inferência de que a Entidade estaria dando aos seus recursos destinação diversa daquela prevista em lei – manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais sob a o disfarce de participação nos resultados. Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.491 13 Pois bem, compulsando tais documentos, resta evidente que a Recorrente destinou parcela de seus resultados a seus funcionários e também remunerou seus dirigentes. A citada desproporção citada em tais documentos indica não só os pagamentos realizados se deram em montante distinto para funcionários e dirigentes, mas também de forma variável, indicando não se tratar, por exemplo, de pagamentos de salários a funcionários e dirigentes (sendo ou não estatutários). Os argumentos de ordem constitucional da Recorrente no sentido de que a participação nos resultados seria um direito constitucional do trabalhador e de que a edição da Lei nº 10.101/2000 teria deixado claro que a participação também se daria com base nos resultados (art. 1º) e não somente lucro, em realidade, depõem contra ela própria. Como já bem apontado no Parecer exarado pela unidade de origem, a previsão de direito aos trabalhadores de participação nos lucros, ou resultados, é uma norma constitucional de eficácia limitada, necessitando de lei para que pudesse surtir efeitos, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos autos dos Mandados de Injunção 102, 288 e 426, e nos Recursos Extraordinários 477.595 e 380.636. Com o advento da Lei nº 10.101/2000, os trabalhadores passaram a fazer jus à participação nos lucros, contudo, convém destacar alguns de seus aspectos: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: [...] § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. Conforme se observa, em que pese o art. 1º dessa norma possibilitar que haja participação dos trabalhos nos resultados da empresa, o § 3 º do art. 2º dessa mesma norma consigna que não será equiparada a empresa, para fins dessa lei, a entidade sem fins lucrativos que, entre outros aspectos, não distribuir resultados a qualquer título, ainda que indiretamente, Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.492 14 a dirigentes e administradores e que aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional. Vejase que a própria Lei 10.101/01 não equipara à empresa a entidade sem fins lucrativos que não distribui resultados a dirigentes e que aplique integralmente seus recursos em sua atividade institucional a fim de não colidir com o regramento trazido pelos arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532/97 que determinam a suspensão de isenção de IRPJ e de CSLL às entidades que remunerarem seus dirigentes, por qualquer forma, ou não aplicarem integralmente seus recursos em suas atividades institucionais. Ou seja, os trabalhadores de entidades nessas condições não poderiam reivindicar o direito à participação nos resultados da entidade, justamente para que essas não descumprissem as normais tributárias que condicionavam o direito à isenção de IRPJ e de CSLL a não remuneração de dirigentes e a aplicação integral de seus recursos em suas atividades institucionais. Nessa mesma linha de raciocínio, decidiu o Tribunal Superior do Trabalho no Recurso Ordinário em dissídio Coletivo RO 201210059.2009.5.02.0000, (publicado em 23/11/2012) que as entidades sem fins lucrativos estão excluídas da medida que trata da participação nos lucros e resultados. Vejase: CLÁUSULA 47 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: AS EMPRESAS CONCEDERÃO ANUALMENTE AO PROFISSIONAL, RESSALVADOS AS SITUAÇÕES MAIS FAVORÁVEIS, PARTICIPAÇÃO NOS SEUS LUCROS E RESULTADOS, OU PRÊMIO NUNCA INFERIOR AO VALOR DA REMUNERAÇÃO TOTAL MENSAL RECEBIDA PELO EMPREGADO. [...] Fica registrado que a alegação dos Sindicatos das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos das diversas regiões do Estado de São Paulo, no sentido de que esta cláusula não lhes é aplicável, não merece prosperar, na medida em que estes suscitados não comprovaram que se tratam de entidades sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribuem resultados, ainda que indiretamente e a qualquer titulo, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) apliquem integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no país; c) destinem o seu patrimônio a entidade e congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades e d) mantenham a escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos requisitos anteriores e das normais fiscais, comerciais e de direito econômico que lhes sejam aplicáveis (artigo 2º, § 3º, inciso II, letras "a" a "d", da Lei 10.101/2000). [grifos nossos] A respeito da distinção entre remuneração e participação nos resultados, embora se reconheça que, do ponto de vista societário, trabalhista e tributário em relação aos beneficiários dos beneficiários possuam conceitos distintos e tratamentos diversos, para os fins do disposto no art. 12 da Lei nº 9.532/97 são tratados como sinônimos, uma vez que a alínea “a” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97 é clara a incluir como condição para o gozo da suspensão (conforme § 3º do seu art. 15) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. A utilização da expressão “por qualquer forma” pelo legislador, deixa claro que a suspensão do gozo da isenção se dará constatandose qualquer forma de entrega de Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.493 15 recursos a seus dirigentes, não importando a que título o dirigente venha a perceber da entidade, não se referindo à remuneração como mero sinônimo de salário ou retribuição direta do trabalho. Em suma, relativamente à expressão “remuneração, por qualquer forma” contida na alínea “a” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, vale o velho brocardo de que onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir. A respeito do novo regramento trazido pela Lei nº 12.868/2013, que introduziu dispositivos no art. 12 da Lei 9.532/1997, possibilitando a remuneração a dirigentes não estatutários e a possibilidade de remuneração a dirigentes estatutários, desde que recebam remuneração inferior, em seu valor bruto, a 70% (setenta por cento) do limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo Federal (§ 4º), além de não ter efeitos retroativos, pois a vigência dessa norma lei se deu a partir de sua publicação, ainda que assim não fosse não beneficiária a Recorrente. Explico: os seus diretores, entre eles o Diretor Superintendente, recebeu, ao longo do ano de 2008, por exemplo, rendimentos variáveis mensais entre pouco mais de R$ 26.000,00 a mais de R$ 40.000,00, chegando a receber, no mês de junho, valores entre R$ 177.000,00 a R$ 279.000,00, conforme documentos de fls. 11241127 (padrão de rendimentos que foram ainda mais elevados nos anos de 2009 e 2010, chegando o Diretor Superintendente a perceber anualmente nesses períodos, respectivamente, R$ 760.310,95 e R$ 822.870,73 – fls. 1131 e 1133). Conforme se observa, esses rendimentos, de longe superam, e muito, o teto de remuneração dos servidores Públicos do Poder Executivo Federal naquele período1. Ademais, os argumentos do contribuinte de que não possuía dirigentes não estatutários, embora irrelevante porque à época dos fatos geradores a lei vedada a remuneração, por qualquer forma, dos dirigentes, sem diferenciar entre estatutários ou não estatutários – carece de comprovação, ou seja, tratase de meros argumentos. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe os art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (CPC/2015, em consonância com o art. 333 do CPC 1973): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: 1 Conforme consulta ao sítio do então Ministério do Planejamento, em agosto de 2008 a maior remuneração paga a servidor do Poder Executivo Federal era de pouco mais de R$ 19.000,00. Disponível em: <http://www.planejamento.gov.br/assuntos/gestaopublica/arquivosepublicacoes/tabeladeremuneracao1>. Acesso em: 23 de abril de 2019. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.494 16 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.495 17 do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ademais, o argumento do contribuinte de que o § 2º do art. 4 º da Instrução Normativa SRF nº 113/98 (que trata das obrigações de natureza tributária das instituições de educação, o que não é o caso da Recorrente) de que “não se considera dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de gerência ou de chefia interna na pessoa jurídica” também não lhe socorre uma vez que restou comprovado que todos os beneficiários identificados pela Fiscalização tratavase de dirigentes que exerciam cargos de gerência ou de chefia interna. Nesse sentido, como bem argumentou a decisão recorrida: Dirigente é aquele que tem poder de decisão e, ao que no processo consta, esse poder pertencia às pessoas elencadas a fls. 1126/1127, 1131/11133, 1248/1250, 1255/1257, 1373, 1394, 1496, 1519, 1528, 1620, beneficiárias das distribuições de resultados. É importante ressaltar que, conforme já demonstrado alhures, é inconteste que o Diretor Superintendente da entidade, que jamais poderia ser taxado de mero dirigente interno, recebeu vultosa remuneração durante todo o período. Por fim, não se desconhece que a alínea “a” do § 2º do art. 12 da Lei nº 9.532/97 recebeu nova redação dada pelas Leis nº 13.151/2015 e nº 13.204/2015, assim vazada: § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, exceto no caso de associações, fundações ou organizações da sociedade civil, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva e desde que cumpridos os requisitos previstos nos arts. 3o e 16 da Lei Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.496 18 no 9.790, de 23 de março de 1999, respeitados como limites máximos os valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao Ministério Público, no caso das fundações; (Redação dada pela Lei nº 13.204, de 2015) Contudo, a alteração na redação desse dispositivo possui apenas efeito prospectivo, uma vez que não seria possível, de modo retroativo, o cumprimento desses requisitos, sem contar que ao menos a remuneração paga ao Diretor Superintendente chegou a superar R$ 800.000,00 anuais, o que indica embora não se possa precisar a média dos valores pagos pelo mercado naquela área de atuação (prova que, nessa fase processual e por se tratar de matéria superveniente, caberia ao contribuinte) que nem nessa hipótese os argumentos da Recorrente a socorreriam. Correlaciona a essa nova redação do art. 12 da Lei nº 9.532/97, a Recorrente arguiu que teria cumprido os requisitos exigidos pela legislação por ser uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Sobre esse tema, perfeitas as considerações da decisão recorrida, as quais adoto como razões de decidir, transcrevendoas a seguir: Quanto à alegada possibilidade de remuneração de dirigentes, por ser uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), cumpre informar que a questão fática reside em distribuição de resultados e não em remuneração, em decorrência de vínculo empregatício; mormente quando se verifica a distribuição de resultados em valores exorbitantes e desproporcionais, como acima relatado. De qualquer forma, mesmo como OSCIP, também haveria de ser questionada a observância à legislação específica dessas organizações, merecendo transcrever os seguintes excerto da Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999: Art. 1º Podem qualificarse como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos requisitos instituídos por esta Lei. § 1º Para os efeitos desta Lei, considerase sem fins lucrativos a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores, empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais, brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício de suas atividades, e que os aplica integralmente na consecução do respectivo objeto social. Em relação à transformação da sociedade, embora concorde com a decisão de primeira instância quanto à caracterização de descumprimento dos requisitos para fruição isenção, como a transformação somente foi realizada em 12/01/2011, somente em relação ao Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.497 19 anocalendário respectivo poderia ser analisada sob o ponto de vista de eventual suspensão de isenção. Não se trata aqui de analisar, ainda, os efeitos retroativos do ato declaratório de suspensão de isenção, mas sim de analisar, em cada anocalendário sobre procedimento fiscal, se o contribuinte houvera ou não preenchidos os requisitos para fruição do benefício fiscal. É importante frisar que, em tese, poderia que poderia ter sido aplicado ao caso o disposto no art. 17 da Lei nº 9.532/97, tal qual nos casos de “desmutualização”, o qual assim determina que: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. Por outro lado, tal equívoco cometido pela unidade de origem e também pela turma julgadora de primeira instância não influencia o julgamento, uma vez que, conforme já salientado, o contribuinte remunerou seus dirigentes por meio de participação nos lucros. Por fim, no que diz respeito aos efeitos retroativos do ato declaratório e do pedido de aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN, novamente me valho dos fundamentos da decisão de primeira instância por concordar integralmente com seus argumentos: Quanto aos efeitos retroativos do ADE: O Impugnante contestou, ainda, a retroatividade do Ato Declaratório Executivo nº 212, de 2013, alegando que esse somente poderia produzir efeitos a partir da data de cientificação. Entende que o art. 32 da lei 9.430/1996 não pode ser interpretado de maneira literalrestritiva, mas sim de maneira sistemática, gerando efeitos somente a partir dia 4 de setembro de 2013, quando teve ciência do ato administrativo. Ainda neste aspecto, requer o cancelamento dos juros e das multas impostos em atenção ao § único do art. 100 do CTN, haja vista as reiteradas manifestações da Secretaria Nacional de Justiça quanto à correção das contas da Impugnante. Todavia, não prosperam tais alegações, pois o ato formal da autoridade administrativa competente que suspendeu a isenção do Contribuinte é, juridicamente, como o próprio nome diz, declaratório de direito, e não constitutivo. A noção de ato constitutivo se avizinha ao conceito de ato jurídico, qual seja, “todo ato lícito que tem por fim imediato adquirir, modificar ou extinguir direito”. Ou seja, tal ato tem força de constituir, desconstituir ou alterar direitos. Portanto, o direito em questão só nasce ou morre a partir da existência do ato constitutivo. Por sua vez, o ato declaratório não cria, não extingue nem altera direito. Mas o reconhece, afirma ou nega a sua existência. Desse modo, o direito é préexistente ao ato que tem apenas o condão de declarálo. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.498 20 Nesse sentido, preceitua o § 5º, do art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, que “a suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração”. O contribuinte cita, na defesa, acórdãos do Conselho de Contribuinte e excertos de jurisprudência. No entanto, os acórdãos do Conselho de Contribuintes não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. (Parecer Normativo CST nº. 390, publicado no DOU de 04 de agosto de 1971). Quanto às decisões judiciais, essas são vinculantes para a Administração Tributária Federal somente nas hipóteses especificadas pelo Decreto nº. 2.346, de 10 de outubro de 1997. O que não é o caso das jurisprudências citadas nos autos, as quais, dessa forma, também não possuem força no sentido de vincular a autoridade julgadora administrativa. Por oportuno, vale mais uma vez lembrar, no que se refere à doutrina e à jurisprudência mencionadas na peça de defesa, que a Administração Pública somente pode fazer o que a lei autoriza. Os agentes públicos, portanto, não podem aplicar entendimentos doutrinários contrários às orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria, uma vez que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Acrescese ainda o fato de que as conclusões eventualmente formalizadas em processos submetidos a exame das citadas autoridades julgadoras não podem ser transpostas diretamente para o caso vertente, ante a multiplicidade de situações retratadas em relação a diferentes contribuintes, que nem sempre guardam consonância com as infrações ora em exame. Não socorre a Impugnante a invocação feita ao § único do art. 100 do CTN uma vez que existe disposição literal em lei com relação aos efeitos temporários da suspensão da isenção, sendo que a multa de ofício imposta pela Fiscalização nos lançamentos tributários é mera decorrência do dever legal, não podendo aqui ser oposta a questão da boa fé e da observância às normas para fins de eximirse de multa e juros, até mesmo porque, conforme verificouse, foi justamente em função da desobediência à norma isentiva que se deu a expedição do ADE combatido. Além do mais, o fato de que tenha havido manifestações da Secretaria Nacional de Justiça quanto à correção das contas da Entidade diz respeito apenas ao controle legal exercido por aquele órgão governamental, não interferindo em nada no exame e na suspensão da condição isentiva por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que é o órgão competente em matéria de tributos federais para verificar as condições da isenção. Destaco ainda que, justamente em função da competência estanque de cada órgão governamental, não Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 19515.721810/201273 Acórdão n.º 1301003.899 S1C3T1 Fl. 2.499 21 podendo ser alegada a mudança de critério jurídico por parte da Administração Pública. Portanto, as infrações praticadas é que constituem o direito de o Fisco suspender a isenção do sujeito passivo. Assim, no caso vertente, considerando o período auditado, o Ato Declaratório Executivo, formalmente prolatado em 28/08/2013, com obediência ao rito legal previsto para tanto, pode sim suspender a isenção do Impugnante para os períodos anteriores, quais sejam, compreendidos entre 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2010. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2499DF CARF MF
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