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Numero do processo: 16682.901634/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/10/2012
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza-se a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade.
Numero da decisão: 3302-006.855
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracterizase a concomitância quando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição (PER), transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a restituição de PIS. Consta no processo Despacho Decisório Eletrônico proferido pela unidade de origem, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER, sob o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 16 34 /2 01 3- 12 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 16682.901634/201312 Acórdão n.º 3302006.855 S3C3T2 Fl. 3 2 fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 12089.001. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) A ausência de retificação de DCTF ou de qualquer outra obrigação acessória jamais poderia ser impeditivo do reconhecimento do seu direito ao crédito, na medida em que o Fisco possui outros meios de apurar a existência de eventual indébito tributário. Assim, não restam dúvidas de que a falta de retificação da DCTF não deve implicar na perda do direito ao crédito; b) Não há concomitância entre o presente processo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. A lide proposta foi no sentido de que fosse reconhecido o direito líquido e certo da recorrente não se sujeitar à incidência do PIS/Cofins sobre as receitas de interconexão, bem como para reconhecer o crédito referente a eventuais valores pagos indevidamente, relativamente a contribuições apuradas e recolhidas após a impetração do writ. O objeto da ação judicial se destina apenas às contribuições de PIS e Cofins apuradas e recolhidas após a distribuição do referido MS; c) No caso concreto, há uma divisão muito clara. Os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição. Apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Bem verdade que há certa semelhança entre as causas de pedir dos processos administrativos e judicial. Ambos estão fundados na “não incidência do PIS/COFINS sobre receitas de interconexão”. Todavia, os pedidos efetuados para se afastar o PIS e a COFINS sobre as receitas de interconexão, bem como para se reconhecer o crédito sobre pagamentos indevidos realizados envolvem a mesma discussão para períodos de apuração distintos. Frisese: os pedidos administrativos se voltam às contribuições apuradas e pagas antes da impetração do mandado de segurança. Já aquelas apuradas e pagas após o ajuizamento da ação judicial são objeto do mandado de segurança. Diante desse cenário, verificase que não há concomitância entre o mandado de segurança em curso perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, tendo em vista que os períodos de apuração relativos ao crédito referente ao indébito tributário são distintos; d) Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não configuram receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não se trata de “receita” auferida pela Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação; e) A tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica a tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Recorrente pela prestação do serviço de Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16682.901634/201312 Acórdão n.º 3302006.855 S3C3T2 Fl. 4 3 telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada, caracterizando o bis in idem tributário; f) A base de cálculo do PIS/COFINS não deve ser integrada por elementos estranhos à receita auferida, notadamente pelos valores que devem ser repassados a terceiros a título de interconexão de redes. Na prática, isso faz com que todo o valor pago pela Recorrente a título de PIS/COFINS sobre esses valores de interconexão de redes seja qualificado como indébito tributário, que lhe deve ser restituído. Termina o recurso requerendo o provimento para que seja reformado o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o pedido de restituição formulado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.815, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.900008/201490, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.815): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. O cerne da questão está em decidir se há concomitância entre esse processo administrativo e o Mandado de Segurança n° 002418579.2013.4.02.5101. Para tanto, é necessário analisar os objetos dos respectivos processos. Conforme já mencionado na decisão a quo, o indébito pleiteado no Pedido de Restituição decorre, nas palavras do contribuinte, “da indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a ingressos de numerário em razão de contratos de interconexão, os quais não constituem "receita" da Manifestante”. Portanto, defende em processo administrativo a não incidência do PIS/COFINS sobre tarifas de interconexão. Vejamos o objeto do MS nº 002418579.2013.4.02.5101: Pela petição inicial, temos os seguintes pedidos: a) concessão de medida liminar para assegurar o direito liquido e certo da impetrante à suspensão da exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do art. 151, IV, do CTN, das Fl. 398DF CARF MF Processo nº 16682.901634/201312 Acórdão n.º 3302006.855 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuições ao PIS e a Cofins, sobre os meros ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza); b) determinação à Autoridade Coatora sobre o contudo da decisão liminar, bem como acerca do conteúdo do presente mandamus, para que no prazo legal, preste as informações que entender necessárias, com a posterior oitiva do representante do Ministério Público; c) Ciência à União Federal, nos termos do art. 7º, II, da Lei nº 12.016/2009; d) ao final, a concessão da segurança para confirmar a liminar requerida e assegurar o direito liquido e certo de a impetrante não se sujeitar à incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, sobre meros ingressos apurados mensalmente pelo regime da competência pela impetrante decorrentes tão somente das tarifas de interconexão recebidas dos usuários pela coprestação dos serviços de telecomunicações prestados pelas demais operadoras e a elas integralmente repassadas (serviços de transmissão, emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza), sob pena de violação ao art. 2º da Lei nº 9,718/99 e aos arts. 5º, II; 145 § 1º; 150, I e IV e 195, I, "b" da Constituição Republicana de 1988, com a consequente compensação do indébito dessas contribuições, apurados desde a distribuição do presente writ, devidamente atualizado pela Taxa Selic, após o trânsito em julgado, nos termos dos artigos 165, 170 e 170A do CTN. A sentença de primeiro grau do Mandado de Segurança nº 002418579.2013.4.02.5101, assim decidiu: Tratase de mandado de segurança com pedido de liminar impetrado por INTELIG COMUNICAÇÕES LTDA contra ato atribuído ao DELEGADO DA DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE MAIORES CONTRIBUINTES NO RIO DE JANEIRO DEMAC, objetivando a declaração de não incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre os ingressos apurados mensalmente pelo regime de competência pela Impetrante, decorrentes de tarifas de interconexão serviços prestados pelas demais operadoras, que são posteriormente repassados àquelas congêneres, bem como a declaração do direito de compensar o indébito referente a estas contribuições, apurado desde a distribuição do writ. Sustenta, em apertada síntese, que as chamadas "tarifas de interconexão" não constituem receita, e sim meros ingressos econômicos ou financeiros, tendo cm vista que são recebidas, cm um primeiro momento, pela Impetrante, porem repassadas cm seguida às operadoras que efetivamente prestaram os serviços ao cliente usuário da Impetrante. (...) Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16682.901634/201312 Acórdão n.º 3302006.855 S3C3T2 Fl. 6 5 Pelo exposto, com fulcro no art. 269. I, do CPC. JULGO PROCEDENTE O PEDIDO e CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar ao Impetrado que se abstenha de exigir da Impetrante que recolha o PIS e a Cofins, incluindo na base de cálculo o valor recebido pela Impetrante e posteriormente repassado a operadora congênere, que prestou efetivamente o serviço, a título de "tarifa de interconexão", bem como para declarar o direito da Impetrante à compensação do indébito, apurado desde a distribuição do presente, na forma da lei de regência, de acordo com a modalidade escolhida pelas Impetrantes, aplicandose a SELIC como critério de atualização do indébito, vedada a cumulação com qualquer outro índice, nos termos da fundamentação supra. Analisando as razões jurídicas apresentadas na peça recursal, fico convencido da identidade das demandas administrativa e judicial, pois nas duas esferas o que se discute é a inexistência de relação jurídica tributária do PIS e da Cofins em relação as receitas de interconexão. O próprio recorrente reconhece essa congruência entre os processos administrativo e judicial. Sua alegação para afastar a concomitância se ampara no fato de que os pagamentos indevidos de PIS/COFINS sobre receitas de interconexão de redes, apuradas antes de 23.9.2013, foram objeto de pedido administrativo de restituição, e que apenas os pagamentos realizados com base em apurações de PIS/COFINS feitas partir de 23.9.2013, foram objeto do pedido judicial formulado no Mandado de Segurança n° 0024185 79.2013.4.02.5101. Não comungo do entendimento no qual a concomitância é afastada pela falta de identidade entre os períodos de apuração apontados nos processos judicial e administrativo. O diferencial entre os períodos de apuração, aqueles contemplados pelo mandamus e os não contemplados, na minha visão, referese somente à possibilidade de o recorrente utilizálos para pedido de compensação antes do trânsito em julgado, por ordem judicial, conforme sua solicitação na exordial. Os demais períodos de apuração, os que foram apurados antes da distribuições do writ, deverão esperar o trânsito em julgado da ação para poderem se credenciar a objeto de um pedido de restituição, com possíveis compensações. Digo isso, pois a decisão do Poder Judiciário sobre a incidência do PIS e da Cofins nas receitas oriundas das tarifas de interconexão, terá reflexos para todos os períodos de apuração, independentemente se foi contemplado no pedido do MS nº 002418579.2013.4.02.5101 ou não Isso se deve ao fato de que na existência de processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, não é salutar que haja decisões com efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 16682.901634/201312 Acórdão n.º 3302006.855 S3C3T2 Fl. 7 6 Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal, que adota o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Sendo assim, nos casos em que o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na linha do entendimento fixado, não conheço do recurso quanto à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e na parte conhecida, nego provimento ao recurso por enxergar identidade entre os pedidos e as causas de pedir apresentados no MS nº 2007.70.00.0222765 e neste recurso administrativo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 401DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001944/2006-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR.
A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49.
O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
Numero da decisão: 2301-005.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DITR. A entrega Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 49. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). Aplicação da Súmula Carf nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles e João Maurício Vital (Presidente), ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 19 44 /2 00 6- 20 Fl. 28DF CARF MF Processo nº 10925.001944/200620 Acórdão n.º 2301005.954 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de Auto de Infração de Multa Por Atraso na Entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), referente ao exercício de 2005. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação tempestiva, limitandose a impugnante a relatar a situação crítica da arrecadação municipal e a solicitar a relevação da multa aplicada. Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Campo Grande (MS) proferiu o acórdão de 1ª instância, considerando o lançamento procedente e mantendo o crédito tributário. Nessa decisão foi consignado que a apresentação anual da DITR é uma obrigação acessória prevista em lei, cujo prazo foi fixado por norma infralegal, sujeitando o contribuinte à multa pelo descumprimento desse prazo, e que não há hipótese legal para relevação da penalidade. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos da impugnação e acrescentando seu entendimento de que o art. 138 do CTN ampara sua pretensão, na medida em que a situação caracteriza denúncia espontânea, citando jurisprudências. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10925.001941/200696, paradigma deste julgamento. Apresentase, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2301005. 953, de 08 de abril de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na forma descrita a seguir. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Verificase, no Auto de Infração, que a DITR foi apresentada no dia 28/03/2006, caracterizando o atraso, pois o prazo para apresentação da DITR 2005 era o Fl. 29DF CARF MF Processo nº 10925.001944/200620 Acórdão n.º 2301005.954 S2C3T1 Fl. 4 3 previsto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 554/2005, ou seja, de 08/08/2005 a 30/09/2005. Como dito na decisão da DRJ, a obrigatoriedade de apresentação anual da DITR e a exigência da multa por atraso na sua apresentação têm previsão legal nos artigos 7º, 8º e 9º da lei 9.393/1996. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento do tributo é atividade administrativa plenamente vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ou seja, constatado o atraso na apresentação da declaração o lançamento da multa é obrigatório, por determinação legal. Quanto à possibilidade de relevação da multa aplicada, esta somente poderia ser efetuada por meio anistia concedida por lei, nos termos dos artigos 180 a 182 do CTN. A autoridade administrativa não detém essa competência. Portanto, é impossível o atendimento dessa solicitação por absoluta falta de previsão legal. Quanto ao pedido para aplicação do instituto da denúncia espontânea ao presente caso, é forçoso também refutar tal solicitação. Isto por que a penalidade por infração formal, decorrente de obrigação acessória, não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea. Tal entendimento encontrase pacificado no âmbito do STJ, conforme AIRESP 1613696 (Relator Ministro Herman Benjamin; DJE 24/04/2017). Por sua vez, no âmbito do CARF, foi editada Súmula de caráter vinculante no mesmo sentido, conforme abaixo: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em suma, restam afastadas todas as pretensões da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. João Maurício Vital Relator Fl. 30DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.731194/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. RENDIMENTO DE ALUGUEL. BASE DE CÁLCULO.
Incide imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica.
DESPESAS MÉDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE.
As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar.
Numero da decisão: 2402-007.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação às despesas médicas.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. RENDIMENTO DE ALUGUEL. BASE DE CÁLCULO. Incide imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica. DESPESAS MÉDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE. As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar.
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RENDIMENTO DE ALUGUEL. BASE DE CÁLCULO. Incide imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica. DESPESAS MÉDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE. As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação às despesas médicas. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 11 94 /2 01 2- 61 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 392 2 Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 348 a 353) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente impugnação apresentada contra lançamento de IRPF no valor de R$ 20.174,89 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica e glosa de dedução indevida de despesas médicas, nos termos da DIRPF do exercício 2011. Em 30.03.2011 o contribuinte apresentou impugnação (fls 02 a 04), tendo a autoridade de piso relatado da seguinte forma os fatos verificados até então: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 393 3 Em 10.02.2015, após analisar os argumentos do impugnante, entendeu a autoridade de piso que, de fato, houve omissão de rendimentos de aluguel e dedução indevida das despesas médicas apontadas pela fiscalização, decidindo pela improcedência da impugnação. Irresignado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário, trazendo em síntese as seguintes alegações da impugnação: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 394 4 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 395 5 Ao final de sua peça recursal, o contribuinte confundese e apresenta pedido totalmente desconexo com o restante da defesa, razão entendese que o recorrente requereu a improcedência geral do lançamento discutido. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Dos Rendimentos recebidos da empresa Quiosque Pertaqui LtdaEPP Quanto ao argumento do contribuinte de que não recebeu rendimento de aluguel da empresa Quiosque Pertaqui LtdaEPP, ao ser inquerida sobre tal matéria em procedimento de diligencia realizado por ordem da autoridade de piso, a empresa ratificou a informação de que os indigitados pagamentos foram de fato pagos à pessoa física do recorrente (inclusive consta dos autos cópia de DIRF, onde consta o referido pagamento (fls 91 e seguintes)), motivo pelo qual entendese que não há razão na alegação do contribuinte. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 396 6 Dos Rendimentos recebidos da empresa Damásio Educacional S/A Em relação ao pedido do contribuinte para que seja excluída da base do tributo lançado o valor de R$ 28.312,74, tal pleito não deve ser atendido, pois restou demonstrado nos autos que houve apenas uma empresa locadora do imóvel envolvido, tendo havido apenas alterações sucessivas no nome dessa pessoa jurídica (ABEC Ltda., ABECE S/A ou DAMÁSIO Educacional S/A), restando provado nos autos que o contribuinte recebeu de fato o apontado valor e omitiu tal rendimento do ajuste anual do exercício de 2011. Das despesas médicas Quando à possibilidade de dedução das despesas previstas no art. 8º, inc. II, alínea ‘a’, da Lei 9.250/95, envolvendo a área de saúde (médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, e as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias), cabe destacar que para o gozo desse direito, nos termos do Inc. III, do §1º, do art. 73, do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 9580/2018, o contribuinte deve provar a efetiva ocorrência desse tipo de despesa: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 397 7 § 1º Para fins do disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) III limitase aos pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, do endereço e do número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu, e, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Sobre essa matéria, vale ressaltar, inclusive, que o manual de perguntas e respostas sobre IRPF da RFB, referente ao exercício envolvido e versões posteriores, ao tratar da matéria, esclarece que as despesas com internação hospitalar efetuada em residência somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar. Esse também é o entendimento desta Turma do CARF, conforme bem destacou a autoridade de piso ao tratar da matéria: No caso concreto, ao analisar os comprovantes de despesa juntados pelo recorrente, verificase que a empresa contrata (ILZE DO CARMO MATOS (CNPJ 06.968.567/000132 fls 12 a 84) é uma pessoa jurídica individual, não classificável como instituição hospitalar, circunstância que desatende o art. 73 do RIR (Decreto 9580/2018), bem como orientações da Administração Tributária, além de entendimento anterior tomada por esta mesma Turma (Acórdão 2402005.342, de 14.06.2016), não cabendo, portanto, razão ao contribuinte. Sendo assim, quanto às despesas de serviços de enfermagem domiciliar, não há fundamento para aceitar o pedido do recorrente. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 398 8 Especificamente em relação às despesas com fisioterapia, em razão de o contribuinte não haver apresentado documentos ou fatos capazes de alterar a decisão de piso, deve ser mantido o entendimento exposto no acórdão recorrido: Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722374/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO.
Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
Numero da decisão: 1302-003.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.722205/2014-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.722205/2014-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.722374/201405 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.547 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente WEIDMANN TECNOLOGIA ELÉTRICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.722205/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 23 74 /2 01 4- 05 Fl. 875DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da 4ª Turma da DRJRecife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL pago por estimativa em 29/06/2007, conforme sintetizado na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em síntese: a) que o Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o crédito pleiteado, respaldado em pagamento indevido, não foi comprovado pela contribuinte; b) que apresentou manifestação de inconformidade esclarecendo que é optante do regime de recolhimento de IRPJ/CSLL por estimativa mensal, e que no período de apuração de maio de 2007, por um equívoco em sua apuração, recolheu valor acima do efetivamente devido, gerando um pagamento a maior de R$ 17.189,86; e, que os lançamentos estão em consonância com os seus documentos fiscais e que o artigo 165 do Código Tributário Nacional concede ao sujeito passivo o direito à restituição total ou parcial do tributo no caso de pagamento espontâneo indevido. d) que em atendimento à diligência determinada pela DRJ, a Autoridade Fiscal apresentou “Informação Fiscal”, aduzindo que, segundo seu entendimento, não seria possível reconhecer o direito creditório, pois haveria divergência entre o Lucro Líquido informado no LALUR e no Livro Diário, bem como que a contribuinte teria informado o crédito em duplicidade, vez que todo o recolhimento do valor pleiteado foi informado na estimativa que compôs o Saldo Negativo de CSLL, compensado em outro PERD/DCOMP n°, discutido em outro processo administrativo. e) que manifestouse, esclarecendo que a divergência apontada pela Autoridade Fiscal não pode impedir o reconhecimento do direito creditório, visto que a apuração se deu com base no valor do Lucro Líquido e, também, demonstrou que os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade no processo de Saldo Negativo. f) que, contudo, a DRJ não acatou os argumentos apresentados e a manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ, com base na informação fiscal de diligência; g) que não pode ter seu direito creditório obstado por meros equívocos no preenchimento do PER/DCOMP ou em outros documentos, devendo a Autoridade Fiscal possibilitar a retificação das informações, com o escopo de convalidar eventuais erros no preenchimento do documento informativo do crédito, conforme a jurisprudência do CARF; Fl. 876DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 4 3 h) os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade; i) que em diversos meses a Recorrente recolheu o CSLL em valor superior ao das estimativas apuradas, como no mês em referência; j) que os valores lançados a título de CSLL para o período sempre foram aqueles constantes da DIPJ, uma vez que esta nunca foi retificada, concluindose, assim, que o imposto devido nunca restou incontroverso; k) que todos os lançamentos efetuados estão em consonância entre Livro Diário, Balancetes e LALUR, juntados ao autos e evidenciam que as estimativas apuradas em DIPJ pela Recorrente estão corretas e decorrem de cálculo baseado no lucro de cada período; l) que apesar disso, o crédito pleiteado não foi homologado, sob a premissa equivocada de que o valor integrou o Saldo Negativo do ano calendário de 2007, o qual foi reconhecido e utilizado para compensação dos débitos informados em outro PER/DCOMP; m) que não houve compensação em duplicidade, pois consta do Despacho Decisório que o montante total do crédito pleiteado no outro PER/DCOMP em que se compensou o Saldo Negativo, não inclui o valor dos recolhimentos feitos à maior no período de apuração ora em discussão; n) que, do total recolhido no ano calendário de 2007, apenas uma parte se refere ao pagamento efetivamente alocado de acordo com as estimativas mensais devidas e, portanto, passíveis de compensação de Saldo Negativo. Logo, todo o excedente de efetivamente não compôs a formação do Saldo Negativo de CSLL de 2007, sendo relativa tão somente aos pagamentos indevidos ou a maior feito durante o ano e, portanto, os pagamentos a maior, não integrantes do Saldo Negativo, foram compensados mensalmente pela contribuinte, como no caso em questão; o) que a Recorrente faz jus ao crédito pleiteado neste processo administrativo, visto que restou comprovado que houve recolhimento indevido ou a maior do CSLL, não havendo que se falar que o crédito foi compensado em duplicidade, devendo ser integralmente reformado o acórdão recorrido, em respeito ao princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, mesmo havendo erros formais no preenchimento do PER/DCOMP; e p) que o acórdão recorrido não deve prevalecer, vez resta demonstrado que o direito de compensação não se encontra extinto, uma vez que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF. É o relatório. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.540, de 17/04/2019 proferido no julgamento do Processo nº13888.722205/201467, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.540): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. O acórdão recorrido indeferiu a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o crédito pleiteado como pagamento indevido ou a maior no recolhimento da estimativa mensal foi integralmente utilizado na apuração do Saldo Negativo do tributo, pleiteado por meio da PER/DCOMP nº 30498.58765.111209.1.3.029897, cujo crédito restou integralmente reconhecido, homologandose as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. Ou seja, nas parcelas indicadas na referida PER/DCOMP, a interessada incluiu na composição do crédito apurado como saldo negativo, o valor integral da estimativa mensal recolhida no mês de apuração, ora em discussão, de sorte que, o valor indicado como recolhido à maior já foi integralmente utilizado naquela DCOMP. A recorrente alega que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF e que o pagamento indevido ou a maior restou efetivamente demonstrado. De fato, ao se analisar individualmente os valores informados mensalmente na DIPJ e na DCTF (retificadora), resta evidenciado que no período de apuração em discussão a interessada recolheu à maior exatamente o valor pleiteado na PER/DCOMP. O valor informado no LALUR como resultado acumulado do período também está em consonância com os dados da DIPJ. A única divergência que se observa na apuração do período é o montante do lucro líquido informado no balancete mensal apresentado que registra um valor menor que o informado no Lalur (o que, aparentemente, é desfavorável ao contribuinte que, inexplicavelmente, partiu de um valor maior para apurar o lucro real). Ocorre que, conforme observou a decisão de primeiro grau, ao indicar as parcelas que compunham o saldo negativo anual apurado, a recorrente informou o pagamento integral do período de apuração objeto da DCOMP ora discutida e este restou integralmente homologado. Desta feita, não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual, a despeito da possibilidade de, eventualmente, ter deixado de aproveitar Fl. 878DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 6 5 parcelas quitadas em outro períodos de apuração mensais e não utilizadas em outras compensações Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 879DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.906607/2008-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE CANCELAMENTO DE DCOMP. COMPETÊNCIA REGIMENTAL DAS DRF.
Por força de dispositivos regimentais, a apreciação primária de DCOMP, pedido de restituição e de cancelamento de declarações não compete à DRJ ou ao CARF, mas às Delegacias da Receita Federal de jurisdição fiscal do contribuinte.
Numero da decisão: 1002-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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COMPETÊNCIA REGIMENTAL DAS DRF. Por força de dispositivos regimentais, a apreciação primária de DCOMP, pedido de restituição e de cancelamento de declarações não compete à DRJ ou ao CARF, mas às Delegacias da Receita Federal de jurisdição fiscal do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 66 07 /2 00 8- 41 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 126 2 Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/FOR: "Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada na DCOMP nº 38628.91523.020704.1.3.046092 (42/46). 2. O contribuinte requereu a compensação de seu(s) débito(s) com alegado crédito de pagamento indevido de CSLL (cód. 6012), referente ao período de apuração 08/08/1980, realizado em 02/07/2004, no valor de R$4.126,00, dos quais R$3.361,43 são utilizados para extinguir o(s) débito(s) compensado(s). Por sua vez, o despacho decisório não homologou a compensação, já que o referido pagamento não fora localizado nos sistemas. 3. Cientificado do decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 30/10/2008 (fls. 02/06), na qual alegou o cometimento de erro de fato na informação da data de pagamento do DARF objeto do crédito, já que a data correta é 30/08/2002. 4. Posteriormente, em 28/12/2009, o administrado ingressou com a petição de fls. 74/75, na qual requereu a 'desistência da compensação declarada nos autos do presente processo administrativo'. Também assinalou que 'a presente desistência referese tão somente à Declaração de Compensação já mencionada, não importando renúncia ao direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição de pagamento indevido'." A Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/FOR, conforme acórdão n. 0828.086 (efl. 82), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. MERO INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DO DÉBITO. COMPETÊNCIA. DRF. O pedido de cancelamento da declaração de compensação transformaa em simples instrumento de confissão de dívida, que tem por único objeto o débito confessado, de modo que a apreciação do referido pleito de cancelamento compete, regimentalmente, à Delegacia da Receita Federal do Brasil. INOVAÇÃO DO PEDIDO. DCOMP. PER. Importa em inovação do objeto litigioso a pretensão de convolar declaração de compensação em pedido de restituição. O pedido de restituição de tributos deve observar a forma legalmente prevista do PER, sob pena de se tornar sem efeito. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 127 3 Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 96), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (grifos do original). Como preliminar, o Recorrente alega nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, consignando que "a DRJ/FOR entendeu ser incompetente para apreciação do pedido de desistência da declaração de compensação apresentada, com fulcro no art. 224, XXII, da Portaria MF n° 203/12", entendendo o Recorrente que "Respeitado tal dispositivo legal, uma vez apresentada manifestação de inconformidade e assim instaurado este processo administrativo fiscal, concluise pela legítima competência da DRJ/FOR para apreciação das matérias alegadas pela Recorrente. Quanto ao mérito, diz ser "...necessário frisar a inexistência de mudança de pedido, uma vez já sabido que a declaração de compensação corresponde à modalidade de utilização de um crédito existente perante o Fisco", afirmando que "o direito creditório da Recorrente a ser analisado neste processo administrativo fiscal não é matéria nova, mas um fundamento inequívoco da pretensão da Recorrente, inclusive corretamente efetuado pelo programa PER/DCOMP". Aduz que "não renunciou o direito creditório referido, mas tão apenas quitou sua obrigação tributária, demandando ainda a análise de seu direito creditório" e que "... apresentou petição de desistência da compensação declarada, em cumprimento ao art. 13, §§ 3o e 4° da Portaria Conjunta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal do Brasil PFN/RFB n° 6 de 2009, que determina a desistência parcial do processo administrativo nos casos de pagamento nos termos da Lei n° 11.941/09". Salienta que "Uma vez coerente perante a condição elencada no §4°[da Portaria Conjunta PFN/RFB n° 6 de 2009], restase claro o caráter parcial da desistência peticionada" e que "... a DRJ/FOR, no v. acórdão, optou por não analisa o crédito existente neste processo, sob o frágil argumento de que não está determinado o direito creditório exigível pela Recorrente, uma vez não apresentado o Pedido de Restituição". Ao final requer o acolhimento do presente recurso para o fim de análise e reconhecimento do direito creditório que entende fazer jus. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 128 4 Demais disso, observo que o recurso é tempestivo porém, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não se conhece. Como dito no preâmbulo, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/FOR, sob o argumento de que a competência regimental para análise da matéria era da Delegacia da Receita Federal do Brasil. De fato, por força do artigo 224 caput e de seu inciso XXII elencados na Portaria MF nº 2031, de 14/05/2012, a competência regimental para apreciação de pedidos de compensação, de restituição e de cancelamento de declarações é da Delegacia da Receita Federal de jurisdição fiscal do contribuinte, falecendo às DRJ competência para apreciação de convolação da declaração de compensação em pedido de restituição, conforme artigo 233 da mesma Portaria (grifos nossos): Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. 1 Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) XXII proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 129 5 Ademais, como bem pontuado no acórdão recorrido, a desistência do pedido de compensação foi extemporânea, eis que ocorreu em data posterior à de emissão do Despacho Decisório Eletrônico de indeferimento, em clara violação ao art. 62 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro lado, não ocorre o suposto cerceamento do direito de defesa do Recorrente fundado no entendimento de que a DRJ/FOR seria competente para análise do pleito por força do artigo 224, XXII, da Portaria MF n° 203/12. Isto porque, como visto alhures, este artigo dispõe sobre as competências das DRF e não das DRJ, configurando argumento de natureza sofismática, sendo despiciendas maiores digressões. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e por não conhecer do recurso voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720085/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ERRO DE FATO. IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. POSTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO.
A revisão de oficio de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato.
In casu, observada a legislação aplicada à matéria, não estando comprovado que toda a sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Varedes, impossível considerar a área do imóvel como de preservação/interesse ecológico.
Numero da decisão: 2401-006.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ERRO DE FATO. IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. POSTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO. A revisão de oficio de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato. In casu, observada a legislação aplicada à matéria, não estando comprovado que toda a sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Varedes, impossível considerar a área do imóvel como de preservação/interesse ecológico.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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ERRO DE FATO. IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. POSTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO. A revisão de oficio de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato. In casu, observada a legislação aplicada à matéria, não estando comprovado que toda a sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Varedes, impossível considerar a área do imóvel como de preservação/interesse ecológico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 85 /2 00 8- 58 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10540.720085/200858 Acórdão n.º 2401006.533 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório FABRICIO COELHO RESSTEL, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do arbitramento do valor da terra nua VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, explicitando que, em que pese o fato dos documentos já acostados pelo Recorrente aos presentes autos demonstrem de modo inequívoco que o imóvel se encontra na área do Parque Nacional Grande Senão Veredas, e está sob processo de desapropriação, o documento oficial da União Federal acostado ao presente recurso, põe, em caráter definitivo, fim à discussão, não havendo mais que se perquirir acerca de tal fato, citando doutrina e jurisprudência para defender sua tese. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10540.720085/200858 Acórdão n.º 2401006.533 S2C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Na análise das peças do presente processo, verificase que não obstante as áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas, respectivamente, de 156,0 ha e l.025,0 ha, para efeito de apuração do ITR/2003, não terem sido objeto de glosa, o recorrente, invocando a hipótese de erro de fato, pretende que toda a área do imóvel seja considerada como de preservação permanente/interesse ecológico, por estar localizada dentro dos limites ampliados do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em conformidade com o Decreto s/n° de 21/05/2004, nos termos do Decreto n° 97.658, de 12/04/1989. Assim, cabe analisar a hipótese de erro de fato, observandose aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado através de provas documentais hábeis e idôneas. De fato, nos termos da Lei n° 9.985, de 18.07.2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, os Parques Nacionais constituem Unidades de Proteção Integral, em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos seus limites (artigos 7°, § 1°, 8° e ll, da citada Lei). Para maior entendimento do significado quanto a natureza da intervenção na propriedade decorrente da criação do Parque Nacional, transcrevemos o disposto do §1º e do caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000. Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. Pois bem, o presente caso é de fácil deslinde, uma vez que o próprio contribuinte alega que, com a ampliação dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Veredas de uma área estimada de 84.000,0 ha para 231.668,0 ha , em conformidade com o Decreto s/n° de 21/05/2004, nos termos do Decreto n° 97.658, de 12/04/1989, todo a área do seu imóvel passou a integrar a nova área delimitada do referido Parque Nacional e, conseqüentemente, considerada como de preservação permanente/interesse ecológico para proteção do referido ecossistema. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10540.720085/200858 Acórdão n.º 2401006.533 S2C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que, mesmo entendendo não haver necessidade da desapropriação para fazer jus a isenção, é preciso admitir que essa ampliação de limites somente ocorreu em 21/05/2004, portanto, após a data do fato gerador do ITR em questão, sendo incabível falarse em direito a isenção. No que diz respeito à data do fato gerador do imposto, cabe levar em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto o art. 1°, caput, da Lei n°. 9.393/1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1° de janeiro de cada ano, no caso, 1°/01/2003. Neste diapasão, só faria jus o contribuinte só faria jus a isenção pleiteada para os fatos geradores após 21/05/2004, data do Decreto de ampliação do Parque Nacional. Diante da análise da documentação acostado aos autos, especialmente da afirmação do contribuinte e da data do processo de desapropriação, não merece guarida a pretensão do recorrente. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.902669/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas.
Numero da decisão: 1302-003.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 90 26 69 /2 01 1- 42 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 55 2 Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 1139.146 – 4ª Turma da DRJ/REC, complementandoo ao final: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação –PER/DCOMPs, por meio das quais compensou crédito de oriundo de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 165.696,42, apurado em 31/03/2007, com débitos de sua responsabilidade. 2. Através do Despacho Decisório de fl. 14, homologouse parcialmente o PER/DCOMP nº 25030.45727.080507.1.3.020354 e não se homologou o PER/DCOMP nº 32480.62373.131207.1.3.025586, ao fundamento de que o crédito apurado foi insuficiente para comprovar a quitação do imposto devido e apuração do saldo negativo. Os valores de imposto retido na fonte foram bem inferiores aos informados na DIPJ e no PER/DCOMP. 3. No prazo legal, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls.2/6 do processo administrativo nº 10435.720114/201265, apenso ao principal), por meio d aqual sustenta: 3.1. A decisão merece ser reformada, porque o crédito foi efetivamente retido na fonte, como comprovam notas fiscais, relatório de faturamento e DIPJ do período; 3.2. A fiscalização lançou multa de 50% sobre os valores compensados, com fundamento nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pelo art. 62 da Lei nº12.249, de 2010. Tal penalidade revelase verdadeiro obstáculo ao direito de petição insculpido no art. 5º, XXXIV, da Constituição Federal. Da análise do caso apresentado, foi proferido o seguinte acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 56 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2007 PROVAS DOCUMENTAIS. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Conforme preconiza o § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, é na impugnação que as provas documentais devem ser apresentadas, precluindo o direito de fazêlo posteriormente, salvo se ocorrentes as hipóteses excepcionais previstas nas alíneas do mesmo parágrafo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual foi alegado, em síntese, a mesma tese oposta quando da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A recorrente apresentou Declarações de Compensação – PER/DCOMPs, por meio das quais compensou crédito oriundo de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 165.696,42, apurado em 31/03/2007, com débitos de sua responsabilidade. Através do Despacho Decisório de fl. 14, homologouse parcialmente o PER/DCOMP n.º 25030.45727.080507.1.3.020354 e não se homologou o PER/DCOMP n.º 32480.62373.131207.1.3.025586, ao fundamento de que o crédito apurado foi insuficiente para comprovar a quitação do imposto devido e apuração do saldo negativo. Os valores de imposto retido na fonte foram bem inferiores aos informados na DIPJ e no PER/DCOMP. A glosa parcial do crédito vindicado – o saldo negativo do IRPJ apurado no 1º trimestre de 2007 – deveuse unicamente ao fato de que os valores declarados de Imposto de Renda na Fonte – IRRF não foram confirmados na totalidade, o que contesta a recorrente, sob o fundamento de que, além de provado por notas fiscais, relatório de faturamento e DIPJ do períodobase, a multa aplicada é incompatível com o Texto Magno. Contudo, no caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na PERDCOMP, aparentemente comprovado por notas fiscais, relatório de faturamento e DIPJ do períodobase, sem no entanto ter apresentado nenhum documento que demonstrasse a correção do IRRF informado na DIPJ e nos PERCOMPs. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 57 4 Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não confirmação da parcela referente ao IRRF noticiada pelo contribuinte em sua DIPJ. Correta a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos passagem do decisium: 5. A primeira das alegações carece de comprovação, pois nada se trouxe aos autos que demonstrasse a correção do IRRF informado na DIPJ e nos PER/DCOMPs, apesar de ser na impugnação (leiase aqui manifestação de inconformidade) o momento adequado para que as provas sejam apresentadas pela defesa, em conformidade com o que dispõe o § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972. 6. Ademais, o só fato de compor a DIPJ – que, como se sabe, tem hoje caráter meramente informativo – não confere a certeza quanto direito pleiteado, requisito essencial para autorizar a compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Os documentos carreados aos autos não são hábeis e idôneos à comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Ademais, forçoso esclarecer que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Destaquese, uma vez mais, que cabe ao contribuinte demonstrar de forma cabal e plena seu direito à compensação, não tendo, no caso concreto, se desincumbido de tal ônus. Logo, improcedente o pedido do contribuinte. Por sua vez, com relação à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da multa de 50% nos casos de indeferimento de pedidos de ressarcimento e compensação, não pode ser apreciada por este Conselho porque não é objeto da presente lide. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 58 5 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.720384/2017-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento torna-se definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 3301-006.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento torna-se definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 03 84 /2 01 7- 01 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 395 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "DO LANÇAMENTO Cuida o presente feito de Auto de Infração – AI, às fls. 0217, lavrado em 03/04/2017, pela IRF BELO HORIZONTE, referente à exigência do adicional de 1% (um por cento) da COFINSImportação, previsto no § 21 do art.8º da Lei nº 10.865/2004, e juros de mora correspondentes, com base no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996, decorrente de 09 (nove) Declarações de Importação registradas, no período de 07/2015 a 12/2015 (referentes a aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM e de suas peças), no montante total de R$ 10.191.126,47, sendo R$ 8.533.116,48 a título de adicional de alíquota de 1% da Cofins Importação e R$ 1.658.009,99 a título de juros de mora, em face do sujeito passivo AZUL LINHAS AÉREAS BRASILEIRAS S.A., CNPJ: 09.296.295/001301, doravante, apenas AZUL LINHAS AÉREAS, conforme excertos do relato da autoridade tributária e aduaneira autuante, constantes do Relatório de Fiscalização (às fls. 1417), a seguir reproduzidos: (...) 2. Entre 09/07/2015 e 29/12/2015, a contribuinte desembaraçou as mercadorias documentadas pelas DIs infra, para consumo, sem recolher o adicional de 1% referente à COFINSImportação, previsto no § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/04, por força de medida judicial : Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 396 3 3. Em 03/04/2017 instaurouse o presente procedimento fiscal para prevenir a decadência dos créditos tributários, cuja hipótese de incidência está prevista no § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/04, adicional de 1% da COFINS importação e cujos fatos geradores foram as importações de mercadorias documentadas pelas DI's supra listadas. 4. Esses são os fatos. 2. FUNDAMENTAÇÃO 5. Os Art. 5º, II e Art. 37 da Constituição Federal obrigam a administração pública e o particular à observância da estrita legalidade em todos os seus atos e negócios jurídicos. Para o servidor público essa disciplina está esculpida no Art. 116, II da Lei 8.112. Forçoso concluir que a administração pública, seus servidores e Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 397 4 o particular devem agir nos estritos limites da Lei. Ou, em outras palavras, devem obediência ao Estado Democrático de Direito. 6. O Art. 149, § 2º, II da CRFB autoriza a União a instituir contribuições sociais cujo fato gerador seja a importação de bens ou serviços estrangeiros. Para tanto, publicou a Lei 10.865/04, cujo Art. 1º institui as contribuições sociais PISImportação e COFINSImportação e cujo Art. 8º, VI e VII fixa, para as aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM e suas peças, a alíquota de 0 (zero) por cento, a qual deve, conforme § 21 dessa norma, ser acrescida de 1 (um) por cento. Por essa razão, para as importações de mercadorias classificadas na posição 88.02 e registradas 90 dias após a publicação da lei que instituiu o adicional, Lei 12.844 de 19/07/2013, deve ser constituído e exigido o crédito tributário correspondente à COFINSImportação. 7. Embora a medida judicial determine a inexigibilidade desses créditos tributários, a sua constituição é obrigatória por expressa determinação do Art. 142, § único do CTN, com o objetivo de prevenir a sua decadência. Os valores estão infra informados: 8. Incidem ainda sobre o valor original proporcional juros moratórios, conforme Art. 61, § 3º da Lei 9.430 e do Art. 56, § 2º IN 1600/15. E, nos termos do Art. 63 da Lei 9.430/96, não cabe lançamento da multa de ofício na hipótese de tributos suspensos por força de medida judicial. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 398 5 (...) DA CIÊNCIA A ciência da autuação à AZUL LINHAS AÉREAS se deu em 04/04/2017, por via eletrônica, pela abertura de mensagem em sua Caixa Postal (conforme Termo de Ciência, à fl. 22). DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo AZUL LINHAS AÉREAS, irresignado com a autuação, apresentou Peça Impugnativa (às fls. 2655), e anexos (às fls. 56310) em 04/05/2017 (ver Termo de Análise de Solicitação de Juntada, às fls.2324), conforme síntese a seguir: I — DA TEMPESTIVIDADE • Que, tomou ciência da lavratura do Auto de Infração no dia 04/04/2017, terçafeira. E, considerando o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de Impugnação, previsto pelo art. 15 do Decreto no 70.235/1972, afigurase plenamente tempestiva sua defesa; II — DOS FATOS • Que, no regular exercício de suas atividades, nos anos de 2014 a 2016, importou aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM e motores para aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM, por meio de regime especial aduaneiro de admissão temporária para utilização econômica com suspensão parcial dos tributos, previsto pelo art. 75 do DecretoLei no 37/1966, art. 79 da Lei nº 9.430/1996, artigos 353 e seguintes do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009), regulada pela Instrução Normativa IN nº 1361/2013 e, atualmente, pela IN nº 1600/2015; • Que, não obstante a Impugnante importe as aeronaves e os motores com base no regime de admissão temporária com suspensão parcial dos tributos incidentes na importação, em relação à COFINSImportação, entende que não existem valores a serem recolhidos, uma vez que a alíquota é zero. Isso porque, de acordo com o art. 8º, §12, incs. VI e VII da Lei nº 10.865/2004, a alíquota da COFINS na importação de aeronaves, classificadas na posição 88.02, e de partes e peças de aeronaves, é zero; • Que, no mês de outubro do ano de 2014, alguns despachos aduaneiros das aeronaves e partes e peças de aeronaves por ela importadas foram interrompidos pelos Agentes da Receita Federal do Brasil RFB, ao fundamento de que a importação estaria sujeita à incidência do adicional da alíquota de 1% da COFINSImportação, nos termos do § 21, art. 8º da Lei nº 10.865/2004 com a redação dada pela Lei nº 12.844/2013; • Que, diante desse cenário, impetrou Mandados de Segurança questionando a ilegalidade do pagamento do adicional de 1% da COFINSImportação, bem como questionando a ilegalidade do procedimento de interrupção do despacho aduaneiro para cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação, nos termos da Súmula no 323 do STF; • Que, seu entendimento interpretativo encontrava respaldo nas normas complementares emitidas pela RFB, em especial, no Decreto nº 5.171/2004, que, ao regulamentar a aplicação da alíquota zero para aeronaves, partes e peças, não prevê, Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 399 6 até hoje, a aplicação do adicional de 1% da COFINSImportação, bem como no documento "DIPJ 2014 – Perguntas e Respostas", divulgado pela RFB no seu sítio eletrônico, que, na ficha "Contribuição para o PISPasepImportação e a Cofins Importação", até novembro de 2014, fazia constar a orientação aos contribuintes de que a alíquota seria zero em relação aos produtos relacionados no §12, art. 8º da Lei nº 10.865/2004; • Que contudo, posteriormente, foi editado pela RFB o Parecer Normativo nº 10 de 20/11/2014 que afirma que o adicional de 1% da COFINSImportação deve ser recolhido mesmo nas hipóteses de importações sujeitas à alíquota zero da COFINSImportação. Assim, considerando o entendimento formalizado no Parecer Normativo nº 10 de 20/11/2014, impetrou Mandados de Segurança preventivos com o objetivo de afastar o recolhimento do adicional de 1% da COFINS nas operações de importação das aeronaves e motores para que seja reconhecida a aplicação da alíquota zero de COFINS em tais operações, conforme as disposições do art. 8º, §12, inciso VI da Lei no 10.865/04, alegando, em breve síntese, que: (i) o §12, inc. VI e VII do artigo 8º da Lei 10.865/04 que previu a aplicação da alíquota zero da COFINS para a importação de aeronaves e partes e peças é lei específica, isto é, apenas aplicável às aeronaves e suas partes e peças; (ii) já a norma que criou a incidência de adicional de 1% a título de COFINS importação tem caráter geral, uma vez que tratou da majoração de alíquota para todas as operações de importação de bens e serviços, alterando a norma do caput e incs. I e III do art. 8º da Lei nº 10.865/04 no tocante às alíquotas aplicáveis a todas as operações de importação de bens e serviços realizadas do exterior; (iii) assim, como aduz o art. 2º, §2º da LINDB, a norma especial não é revogada por norma geral, ainda que posterior, salvo menção expressa; (iv) tanto é verdade que não houve revogação da alíquota zero que o Decreto nº 5.171/2004, que regulamentou a aplicação da alíquota zero para aeronaves, partes e peças, permanece com a mesma redação até os dias atuais, indicando a manutenção da desoneração tributária para as aeronaves; e, (v) violação ao acordo GATT que prevê a impossibilidade de tratamento fiscal diferenciado entre produtos importados e similares nacionais. • Que, a título subsidiário, nos Mandados de Segurança, questiona (i) a ilegalidade do procedimento de interrupção do despacho aduaneiro para cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação, nos termos da Súmula no 323 do A. STF, bem como, (ii) a inconstitucionalidade do §1ºA do art. 15 da Lei no 10.865/04, incluído pela MP nº 668/15, convertida na Lei no 13.137/2015 que vedou a apropriação do crédito em relação ao adicional de 1% da COFINSImportação; • Que, foram impetrados os seguintes Mandados de Segurança preventivos vinculados às DIs que compõem o auto de infração ora impugnado: Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 400 7 • Que, no entendimento do Fisco, com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.844/2013, as mercadorias compreendidas nas posições NCM 8411 e 8802 atenderiam às disposições previstas pelo §21 da Lei nº 10.865/2004 e, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do adicional de 1% da COFINS Importação; • Porém, demonstrará que o presente auto de infração não deve prosperar, uma vez que houve a revogação da incidência do adicional de 1% da COFINS Importação pela MP 774/2017 e, as importações das aeronaves e dos motores objeto da presente autuação não estão sujeitas à incidência do mesmo, nos termos do art. 112 do CTN; • Caso se supere o acima exposto, também será demonstrada a ilegalidade que reveste a cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação na importação das aeronaves classificadas na posição NCM 88.02 e dos motores para aeronaves; • Que, por fim, será demonstrado que, no mínimo, devese reconhecer a nulidade parcial da presente autuação em relação às aeronaves e motores que têm depósito judicial para suspender a exigibilidade do adicional de 1% da COFINS Importação; III — DO DIREITO III.1 — DA ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DO ADICIONAL DE 1% DA COFINSIMPORTAÇÃO A — Contexto Normativo — breve histórico da legislação aplicável • Que, todas as alterações promovidas na legislação desde o início da incidência das contribuições ao PIS e COFINS foram sempre no sentido de ampliar o benefício de desoneração do setor de transporte aéreo, de sorte que a alíquota zero alcançasse o maior número de operações realizadas pelos agentes do setor; • Que, no contexto normativo vigente, estão reduzidas a zero as alíquotas de PIS e COFINS incidentes tanto na importação de aeronaves (classificação NCM 88.02) e suas partes e peças, como na receita de venda no mercado interno dos mesmos bens e equipamentos; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 401 8 • Que assim, importava regularmente as aeronaves e partes e peças de aeronaves para desenvolvimento de suas atividades sem a incidência de qualquer contribuição. Entretanto, como visto, os agentes da RFB passaram a exigir o adicional de 1% de COFINS na importação das aeronaves, partes e peças, justificando a exigência na suposta aplicação do art. 8º, §21 da Lei nº 10.865/2004, com redação dada pela MP nº 612/2013, convertida posteriormente na Lei nº 12.844/2013; • Destaca o fato de que, apesar da legislação referente ao adicional estar vigente desde julho de 2013, apenas em outubro de 2014, os agentes da RFB iniciaram a cobrança do adicional na importação das aeronaves e parte e peças de aeronaves pela Impugnante. Diante desse cenário, quer parecer que, em razão das divergências existentes na própria RFB acerca da incidência do adicional da COFINSImportação na importação de aeronaves, foi editado o Parecer Normativo nº 10 de 20/11/2014 com o objetivo de firmar este novo entendimento, no sentido de que o adicional de 1% da COFINSImportação deve ser recolhido mesmo nas hipóteses de importações sujeitas à alíquota zero da COFINS Importação; • Que, com a edição da MP 774 de 30 de março de 2017, foi expressamente revogado o adicional de 1% da COFINSImportação; • Assim, o entendimento originalmente adotado pelas autoridades fiscais de que as importações de aeronaves e partes e peças não estão sujeitas à incidência do adicional de 1% da COFINSImportação é o que deve prevalecer. B – Da inexistência de simetria com a CPRB e da revogação do adicional de 1% da COFINSImportação pela MP 774/2017 • Que, a RFB, por seus agentes, sustenta que o adicional de 1% da COFINS Importação teria sido instituído com o objetivo de manter a isonomia tributária em relação à importação de determinados produtos com a incidência da contribuição substitutiva da folha de salários CPRB instituída pela Lei nº 12.546/2011, resultante da conversão da MP nº 540/2011, para os mesmos produtos, conforme se observa das exposições de motivos da MP nº 540/2011; • Ocorre que não há que se falar em simetria no tratamento entre as empresas optantes pela CPRB e àquelas sujeitas à incidência do adicional de 1% da COFINS Importação; • Como sabido, a CPRB foi instituída pela Lei nº 12.546/2011 em substituição às contribuições patronais previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no 8.212/1991. O que se observa é que a CPRB é uma contribuição substitutiva, isto é, o contribuinte passou a recolher a CPRB ao invés de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários e que houve a substituição de uma contribuição por outra contribuição. Ou seja, não houve a criação de uma contribuição adicional incidente sobre a receita bruta — CPRB. Assim, os contribuintes deixaram de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários e passaram a recolher a CPRB; • Desse modo, não há que se falar que o adicional de 1% da COFINS Importação foi criado com o intuito de manter a simetria entre o produto nacional e o importado, pelo simples motivo de que quando os contribuintes recolhiam a contribuição incidente sobre a folha de salários não havia a incidência do adicional de 1% da COFINSImportação; • Que, assim, quando da substituição da contribuição incidente sobre a folha de salários pela CPRB não se mostra coerente e simétrico exigir o adicional de 1% Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 402 9 da COFINSImportação. Se a CPRB fosse uma contribuição adicional daí sim estaria presente a necessidade de criação de um adicional de 1% para os produtos importados para manutenção da simetria, o que apenas demonstra a ilegitimidade da cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação; • Assim, considerando a revogação da CPRB e, consequentemente, do adicional de 1% da COFINSImportação, devese reconhecer a ilegitimidade da sua incidência nas importações das aeronaves e dos motores objeto da presente autuação; C — Da aplicação do art. 112 do CTN • Que, com a revogação do adicional de 1% da COFINS Importação pela MP 774/2017, devese reconhecer que as importações das aeronaves e dos motores objeto da presente autuação não estão sujeitas à incidência do mesmo, nos termos do art. 112 do CTN; • Que, sempre existiu uma dúvida objetiva acerca da aplicação do adicional de 1% para essa situação; • Que mesmo com a instituição do adicional de 1% da COFINSImportação, ainda assim permaneceu vigente os incs. VI e VII do art. 8º da Lei nº 10.865/2004 com a mesma redação determinando a redução a zero a alíquota da COFINS na importação de aeronaves e parte e peças de aeronaves. Inclusive, o Decreto nº 5.171/2004, que regulamentou a aplicação da alíquota zero para aeronaves, partes e peças, também permaneceu com a mesma redação, comprovando de maneira inequívoca a manutenção da desoneração tributária para os produtos. Ou seja, não houve a alteração do Decreto em referência para que fosse prevista a incidência do adicional de 1% da COFINImportação; • Que, como visto, foi necessária a edição do Parecer Normativo nº 10 em outubro de 2014 pelos agentes da RFB para que fosse reconhecida a aplicação do adicional de 1% da COFINSImportação; • Ocorre que, considerando a existência de dúvida quanto à aplicação do adicional de 1% da COFINSImportação para as hipóteses das importações sujeitas à alíquota zero, o correto é que a interpretação da norma tivesse sido feita de forma favorável à Impugnante. Ou seja, o correto seria reconhecer que o adicional de 1% da COFINSImportação não se aplica para as importações sujeitas à alíquota zero que permaneceram com a alíquota zero. É isso o que prevê o artigo 112 do CTN, sendo certo que, na dúvida, devese aplicar a norma mais favorável ao contribuinte. Principalmente, nos casos em que o contribuinte agiu de boa fé, como no presente caso; • Que assim, a presente autuação deve ser cancelada, em razão da aplicação do artigo 112 do CTN que resulta na aplicação da norma tributária favorável ao contribuinte; D Da inexistência de norma válida que obrigue ao recolhimento do adicional de 1% da COFINS lei geral posterior não revoga lei especial anterior • Que, em nosso ordenamento jurídico, editada disposição geral, não ficam prejudicadas as disposições especiais editadas anteriormente. É isso que determina o §2º do artigo 2º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB, que dispõe acerca da manutenção das disposições especiais, mesmo depois da promulgação de leis gerais posteriores; • Que, não se pretende defender aqui a impossibilidade de lei especial anterior ser revogada por lei geral posterior. A revogação pode sim ter lugar, mas não pode ser presumida e depende de expressa disposição e evidência da intenção do Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 403 10 legislador de, com a nova norma geral, afastar também as disposições anteriores de caráter especial; • Que, a interpretação da autoridade administrativa e do próprio Parecer Normativo nº 10/2014 viola, assim, não só a lei, mas o próprio Decreto nº 5.171/2004 que permanece válido até a presente data em relação à aplicação da alíquota zero para as aeronaves e partes e peças. Tivesse sido a intenção do legislador alterar a carga tributária nas operações de importação de aeronaves, partes e peças, o Decreto teria sido revogado ou mesmo alterado, expressando a determinação quanto à aplicação do adicional de 1% a título de COFINSImportação para os bens em questão; • Que, não se pode deixar de mencionar que o art. 111 do CTN prevê a interpretação literal da legislação que trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário; • Desta feita, a interpretação que se apresenta como a única juridicamente possível é a de que permanece em vigor a regra específica estabelecida para o setor aeronáutico, a qual não foi alterada pela inclusão do § 21 àquele artigo (e nem pela alteração da redação do dispositivo) e que prevê a aplicação da alíquota zero da COFINS Importação, devendo, pois, ser cancelada a presente autuação; E – Da violação ao acordo GATT • Que, para as empresas aéreas, tais como a Impugnante, a incidência do adicional de 1% da COFINSImportação viola o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio da Organização Mundial do Comércio (Acordo GATT), uma vez que a receita de venda de aeronaves e partes e peças no mercado interno está sujeita à alíquota zero da COFINS; • Que, o próprio Ministério do Desenvolvimento, em relação às operações de comércio exterior, já se manifestou sobre o princípio do tratamento nacional previsto no Acordo GATT, caracterizandoo como o princípio que impede o tratamento diferenciado de produtos nacionais e importados, quando o objetivo for discriminar produto importado para desfavorecer a competição com o produto nacional; • Que, podese afirmar que o princípio do Tratamento Nacional veda a utilização de tributos, como, por exemplo, a COFINS, em alíquotas superiores àquelas incidentes nas operações internas com produtos iguais ou similares de origem nacional; • Que, quando se analisa o mesmo tributo, constatase que a indústria aeronáutica brasileira, fabricante de aeronaves e demais produtos aeronáuticos, está sujeita à incidência da alíquota zero da COFINS sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção nacional. Que o artigo 28 da Lei no 10.865/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.727/2008, estabelece a incidência da COFINS à alíquota zero sobre as receitas das pessoas jurídicas decorrentes da venda, no mercado interno, de aeronaves e produtos aeronáuticos. Já os produtos similares importados pela Impugnante da Irlanda, segundo a interpretação combatida, estariam sujeitos à incidência do adicional de 1% da alíquota da COFINS quando da importação; • Que, essa pretensão de tratamento não equânime viola o Acordo GATT e, consequentemente, o art. 5º, §2º da CF/1988, além do art. 98 do CTN, que determina que a legislação tributária deve observar os tratados e as convenções internacionais, tendo prevalência sobre elas; Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 404 11 • Por mais esse motivo, a presente autuação deve ser integralmente cancelada; III.2 — DA NECESSIDADE DE SER DECLARADA A NULIDADE DO PRESENTE LANÇAMENTO PARA A DI Nº 15/22163354 DEVIDO A EXISTÊNCIA DE LANCAMENTO ANTERIOR — DEPÓSITO JUDICIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA • Que, caso se supere os fundamentos acima expostos, o que se admite apenas a título eventual, deve ser reconhecida a nulidade da presente autuação para a aeronave objeto da DI nº 15/22163354, em razão da existência de depósito judicial para suspender a exigibilidade do adicional de 1% da COFINSImportação; • Que, em 17/12/2015, a Impugnante impetrou Mandado de Segurança distribuído sob o nº 6584280.2015.4.01.3800 com o objetivo de, liminarmente, assegurar o seu direito líquido e certo ao não recolhimento do adicional de 1% de COFINS nas operações de importação da aeronave EMBRAER ERJ 190200 IGW, número de série do fabricante 19000699, prefixo brasileiro PRAUQ, objeto da DI no 15/22163354, reconhecendose a aplicação da alíquota zero de COFINS em tal operação; • Que, subsidiariamente, requereu fosse determinado o prosseguimento do desembaraço aduaneiro das referidas mercadorias independentemente do pagamento do adicional de 1% da COFINS, sem prejuízo de ulterior constituição do crédito tributário através do lançamento; • Contudo, a liminar pleiteada no Mandado de Segurança em referência foi indeferida e, assim, a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a Impugnante realizou o depósito judicial referente aos valores do adicional de 1% da COFINSImportação incidentes na importação da aeronave objeto da DI 15/22163354 no importe de R$ 1.421.650,73; • Assim, considerando que (i) os valores depositados no Mandado de Segurança nº 6584280.2015.4.01.3800, correspondem, exatamente, a parte dos valores que estão sendo exigidos no presente Auto de Infração e, (ii) esses valores já foram constituídos pela Impugnante por meio do depósito integral, não há dúvidas quanto à nulidade do lançamento em relação à aeronave objeto da DI 15/22163354; • Que assim foi acolhida a tese que era defendida pela própria Fazenda, no sentido de que ela não estaria obrigada a efetuar o lançamento para constituir os créditos tributários, uma vez que esses créditos já haviam sido constituídos pelo depósito judicial do montante integral, sendo totalmente contraditória e desprovida de fundamento legal a atitude do Fisco em lavrar o presente Auto de Infração em relação à aeronave objeto da DI 15/22163354 quando já restou sedimentado no Superior Tribunal de Justiça que o depósito do montante integral constitui o crédito tributário; • É inconteste que, caso a União Federal saia vitoriosa no Mandado de Segurança, ocorrerá a conversão em renda dos depósitos efetuados, nos termos do artigo 156, inciso VI do CTN. Do contrário, caso a Impugnante logre êxito no Mandado de Segurança em questão, da mesma forma, nos termos do artigo 156, inciso X do CTN, estarão extintos os créditos tributários, e os valores objeto dos depósitos judiciais serão por ela levantados; • Por fim, é importante ressaltar que sequer haveria a possibilidade da Impugnante, durante o processo judicial e, portanto, antes da decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário, de proceder ao levantamento das quantias controversas, o que poderia justificar, em tese, o presente lançamento para se prevenir a decadência; Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 405 12 • Diante do exposto, considerando que já houve o lançamento dos créditos tributários ora exigidos por meio dos depósitos judiciais realizados pela Impugnante, deve ser reconhecida a nulidade do presente Auto de Infração em relação à DI 15/22163354, com o seu consequente cancelamento dessa parte por essa D. Delegacia; VI — DO PEDIDO • Diante de todo o acima exposto, a Impugnante requer o reconhecimento da ilegitimidade dos créditos tributários ora exigidos por meio do integral cancelamento do Auto de Infração, por quaisquer um dos fundamentos expostos ao longo desta peça; • Por fim, em caráter sucessivo e em homenagem ao princípio da eventualidade, a Impugnante requer seja ao menos reconhecida a nulidade do Auto de Infração em relação à DI 15/22163354. É o relatório. Passo ao voto." Em 28/08/17, a DRJ não conheceu parcialmente da impugnação e, em relação à parte conhecida, julgou improcedente. O Acórdão n° 08040.186 foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Diante de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário o lançamento deve ser realizado com a finalidade de prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública. Sendo que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, porém, não importa nulidade do correspondente Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 406 13 lançamento de ofício realizado pela autoridade tributária e aduaneira, ficando assegurado ao sujeito passivo não ser iniciado qualquer procedimento executório enquanto subsistir o depósito. DO ARTIGO 112 DO CTN. NÃO APLICABILIDADE. Diante da inexistência de dúvidas quanto: à capitulação legal dos fatos; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; nem à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, não há falar da aplicação do art. 112 e incisos do CTN. DA APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. DESCABIMENTO. A Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, incumbindo ao Poder Judiciário tal mister, seja no controle difuso, diante de um caso concreto, seja no controle concentrado, exercido pelo Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 COFINSIMPORTAÇÃO. AERONAVES E PEÇAS (POSIÇÃO 88.02 DA NCM). ADICIONAL DE ALÍQUOTA. CABIMENTO É devido o recolhimento do adicional de 1% da COFINS Importação mesmo nas hipóteses de importações sujeitas à alíquota zero da COFINSImportação, conforme se extrai do Parecer Normativo COSIT nº 10, de 20/11/2014. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de auto de infração para cobrança do Adicional de 1% da COFINS Importação, referente a importações de aeronaves realizadas no período de 09/07/15 a 29/12/15 e amparadas por nove Declarações de Importação, como segue: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 407 14 As mercadorias foram desembaraçadas sem o pagamento do tributo, sob o amparo de medidas judiciais. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência e, por conseguinte, compreendeu apenas principal e juros de mora. Concomitância O colegiado de primeira instância identificou a ocorrência de concomitância parcial entre o presente processo e as medidas judiciais que ampararam o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Abaixo, apresento sumário das alegações e destaco que a contida na letra "c" não foi apreciada pela DRJ, pelo motivo apontado no parágrafo anterior: Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 408 15 a) "Impossibilidade de se falar em simetria com a CPRB e revogação do adicional de 1% da COFINS importação pela MP n° 774": Na Exposição de Motivos da MP n° 540/11 (convertida na Lei n° 12.546/11), que instituiu o Adicional de 1%, consta que o objetivo era o de manter uma isonomia tributária em relação a determinados produtos cuja venda estava sujeita à CPRB. Contudo, a CPRB não era uma contribuição adicional sobre a receita bruta, mas substitutiva da contribuição previdenciária sobre a folha. Dada esta falta de simetria entre o Adicional de 1% e a CPRB, a cobrança do primeiro deve ser afastada. A MP n° 774/17 revogou o Adicional de 1% da COFINS Importação. Foi revogada pela MP 794/17, a qual, todavia, não teve o condão de reintroduzir o Adicional de 1% da COFINS Importação, pois o fenômeno jurídico da repristinação não é admitido em nosso ordenamento jurídico (§ 3° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro "LINB"). Destaquese que a MP n° 774/17 foi publicada em 30/03/17 e produziu efeitos a partir de julho de 2017. E o período autuado é de 09/07/15 a 29/12/15. b) "Da aplicação do art. 112 do CTN": diante da dúvida acerca de qual dispositivo legal seria o correto § 21 do art. 8° da Lei n° 10.865/04, que prevê a incidência do Adicional de 1%, ou, isoladamente, o § 12, que reduz a zero a alíquota, em importações de aeronaves deve ser adotado o mais favorável ao contribuinte, isto é, o que dispõe sobre a alíquota zero. c) "DA ILEGITIMIDADE DO RECOLHIMENTO DO ADICIONAL DE 1% DA COFINSIMPORTACÃO" / "D Da inexistência de norma válida que obrigue ao recolhimento do adicional de 1% da COFINS" / "D.1 Lei geral posterior não revoga lei especial anterior": em síntese, invoca o § 2° do art. 2° da LINDB, que dispõe que a lei geral nova não revoga ou modifica lei especial anterior, para sustentar que estava reduzida a zero a alíquota da COFINS Importação sobre aquisições de aeronaves no mercado externo realizadas no período de 09/07/15 a 29/12/15 (inciso VI do § 12 do art. 8° da Lei n° 10.865/04). d) "Violação do GATT": é ilegal e inconstitucional a cobrança do Adicional de 1%, porque o GATT, que prevalece sobre a legislação interna, veda que seja conferido a produtos nacionais tratamento tributário mais benéfico do que aos importados. e) "Da necessidade de ser declarada a nulidade do presente lançamento para a DI n° 1522163354, devido a existência de lançamento anterior depósito judicial em mandado de segurança": Deve ser reconhecida a nulidade da auto, no que tange à parcela do crédito tributário que havia sido previamente depositada nos autos do MS n° 6584280.2015.4.01.380, referente à DI n° 15/22163354, posto que o depósito já é suficiente para a constituição de crédito tributário. O entendimento foi pacificado por meio do REsp n° 1.140.956/SP, sob o rito dos recursos repetitivos, e confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CARF n° 9101003.061. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 409 16 Passo ao exame da possível ocorrência de concomitância e sua abrangência, A Lei n° 10.865/04 criou o PIS/COFINS Importação. No art. 8°, definiu as alíquotas, mas, em situações específicas, tais como as das mercadorias em tela, reduziuas a zero, por meio do inciso VI do § 12: "Art. 3° O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. (. . .) Art. 8° As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: I na hipótese do inciso I do caput do art. 3o, de: (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) a) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento), para a Contribuição para o PIS/PasepImportação; e b) 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), para a CofinsImportação; e II na hipótese do inciso II do caput do art. 3o, de: a) 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para a Contribuição para o PIS/PasepImportação; e b) 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a Cofins Importação. (. . .) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (. . .) VI aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; (. . .) § 21. As alíquotas da CofinsImportação de que trata este artigo ficam acrescidas de um ponto percentual na hipótese de importação dos bens classificados na Tipi, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, relacionados no Anexo I da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013, em vigor desde agosto de 2013) (Vigência)" Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 410 17 Concordo com a DRJ, em cujo voto trouxe excertos das decisões proferidas em de cada um dos processos judiciais. Não há dúvida de que há concomitância em relação à alegação mencionada na letra "c" retro, pois o objeto das ações judiciais é exatamente o mesmo: afastar a incidência do Adicional de 1% da COFINS Importação, previsto no § 21 do art. 8° da Lei n° 10.865/04, em razão de entender que o mesmo não revoga ou modifica a alíquota zero fixada pelo inciso VI do art. § 12 do art. 8°. Por conseguinte, não podemos nos pronunciar sobre tal questão, então já entregue ao Poder Judiciário. Por outro lado, a DRJ concluiu que os demais argumentos de defesa não integram os objetos das ações judiciais e, por conseguinte, não abrangidos pela concomitância. E, então, apreciouos. Concordo com a DRJ, quanto à necessidade apreciarmos o argumento concernente à suposta nulidade da parte do auto de infração cujo crédito tributário encontrava se depositado em juízo. Tratase de prejudicial de mérito, cuja procedência ocasionaria o cancelamento de parte do ato administrativo original, isto é, o auto de infração, por meio do qual foi efetuado o lançamento de ofício. Contudo, divirjo, com relação às alegações restantes. A concomitância fundamentase no "Princípio Constitucional da Jurisdição Única (art. 5º, XXXV, da CF)", segundo o qual é o judiciário o órgão competente para julgar a controvérsia em caráter definitivo. E foi positivada, por meio dos artigos 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/79, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, e objeto da Súmula CARF n° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Ora, se caberá ao Judiciário a palavra final acerca da exigibilidade ou não do tributo, não cabe à via administrativa apreciar argumentos, ainda que inéditos, que eventualmente possam vir a contradizer a decisão judicial. Isto posto, voto por não conhecer dos argumentos defesa sumariados nas letras "a" a "d", em face da ocorrência de concomitância entre o objeto do processo administrativo em comento e os das medidas judiciais propostas. Passo, então ao exame do único argumento de defesa que reputo não estar contidos nos objetos das referidas ações judiciais, o qual, destaco, preencher os demais requisitos legais de admissibilidade. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 411 18 "Da necessidade de ser declarada a nulidade do presente lançamento para a DI n° 1522163354, devido a existência de lançamento anterior depósito judicial em mandado de segurança" Nos termos da síntese anteriormente apresentada, aduz a recorrente que o depósito judicial supre a necessidade de o Fisco lançar o crédito e, por conseguinte, seria nula a autuação, no que concerne à DI n° 15/22163354, cujo desembaraço ocorreu sem o pagamento do tributo em questão, escudado pelo MS n° 6584280.2015.4.01.380. Cita o REsp n° 1.140.956/SP, julgado no rito dos recursos repetitivos, e o Acórdão CARF n° 9101003.061, de 13/09/17. O cabimento ou não do lançamento de ofício para prevenir decadência, sem o lançamento da multa de ofício, nos casos em que o crédito tributário foi integral e tempestivamente depositado em juízo, é matéria ainda controversa no CARF, Em pesquisa ao sítio virtual do CARF, encontrei os seguintes acórdãos favoráveis à aplicação do REsp n° 1.140.956/SP e, portanto, ao cancelamento do auto de infração: i) 3201001.032 ( 28/06/12); 1302002.294 (22/06/17); 9101003.061 (13/09/17); e 2201004.562 (06/06/18). Por outro lado, no sentido de que o REsp n° 1.140.956/SP não trata da situação em que é lavrado auto de infração exclusivamente para prevenir a decadência: 9101 003.474 (07/03/18); 1101001.135 (05/06/14); e 9202004.303 (20/07/16). Com a devida vênia, filiome à corrente que entende que o REsp n° 1.140.956/SP não tratou dos lançamentos de ofício para prevenir decadência e, portanto, não se aplica à lide em debate. Por conseguinte, nego provimento ao argumento, adotando como minha razão de decidir o voto condutor do Acórdão n° 9101003.474, de 07/03/18, do i. Conselheiro Rafael Vidal do Araújo: "Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator (. . .) Assim, passo a expor meu voto a respeito do mérito da questão questionada no recurso especial da PGFN. De plano, julgo prudente esclarecer que não entendo aplicável ao presente caso o mandamento insculpido no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 412 19 nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é frequente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado. A 2ª Turma da CSRF teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: 'A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: 'A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 413 20 crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: 'Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206).' Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 414 21 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: 'A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora.' 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: " O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: 'Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 415 22 conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte refere se à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original)' Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa, deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Acompanho as razões expostas no julgado transcrito para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135, conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entender se, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como a encontrada nos presentes autos, em que a Fiscalização reconhece no auto de infração Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 416 23 a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma, com o propósito de prevenção da decadência. Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante de tais fatos, considero que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. Em decorrência, não se subsume o presente caso ao inciso II do parágrafo 12 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, abaixo transcrito: § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 329, de 04 de junho de 2017) (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 329, de 04 de junho de 2017) Desse modo, voto no sentido de CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 417 24 obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 418 25 lavrado por autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Quando um sujeito passivo suspende a exigibilidade de crédito tributário mediante a realização de depósito judicial integral, nenhuma exigência lhe é feita até o trânsito em julgado da demanda judicial. Somente com o trânsito em julgado da ação é que o sujeito passivo é autorizado a levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observa a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Diante do exposto, quanto ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, voto por DARLHE PROVIMENTO para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. (. . .) Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 419 26 Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos e determinar o retorno dos autos à Turma a quo para apreciação da tese contida no recurso voluntário que teve seu julgamento prejudicado, após ser dada ciência às partes desta decisão. Em síntese, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial." Conclusão Conheço parcialmente do recurso voluntário e, com relação à parte conhecida, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015533/2007-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa, entre o Fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa e recurso
administrativos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO PELA DRJ COM VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2).
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO.
A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.558
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e (b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Eivanice Canário da Silva e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que davam provimento ao recurso. Foi requisitada preferência no julgamento do recurso. Foi realizada sustentação oral pelo patrono do contribuinte, Dr. Schübert de Farias Machado - OAB-CE 5213. Redator designado: Conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa, entre o Fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa e recurso administrativos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO PELA DRJ COM VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaurase a fase litigiosa, entre o Fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa e recurso administrativos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO PELA DRJ COM VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 244 2 ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e (b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Eivanice Canário da Silva e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que davam provimento ao recurso. Foi requisitada preferência no julgamento do recurso. Foi realizada sustentação oral pelo patrono do contribuinte, Dr. Schübert de Farias Machado OABCE 5213. Redator designado: Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Redator designado (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator vencido Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 224/230) interposto em 12 de setembro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Fortaleza (CE) (fls. 207/217), do qual o Recorrente teve ciência em 28 de agosto de 2008 (fl. 223), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/10, lavrado em 13 de dezembro de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 245 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO – MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não restando configurados os alegados vícios no procedimento fiscal, descabe a nulidade do lançamento pleiteada pelo sujeito passivo. Na fase procedimental do processo administrativo fiscal predomina o princípio da inquisitoriedade; o princípio do contraditório e da ampla defesa somente pode ser invocado na fase processual seguinte, depois de formalizada a acusação fiscal. Caracteriza rendimento tributável, o pagamento de investimentos imobiliários realizados pelo contribuinte no anobase, com a utilização de recursos oriundos de contas bancárias tituladas por pessoa jurídica para a qual o interessado prestou serviços de gerência nos correspondentes períodos de apuração. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente ” (fl. 207). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 224/230, repetindo, basicamente, quanto à parte da exigência mantida, os argumentos contidos na impugnação, mais precisamente os atinentes à nulidade do procedimento fiscal, à ausência de provas, à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e à manutenção da qualificação da multa no anocalendário de 2002. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, alega o Recorrente que: “1. Conforme alegou em sua impugnação, o auto de infração de que deu origem à presente ação fiscal é nulo de pleno direito, porque lavrado sem obediência às regras do procedimento administrativo fiscal e sem que fosse assegurada ao autuado, ora impugnante, a mais mínima chance de defesa. Tudo se deu no âmbito de um procedimento de fiscalização instaurado contra uma pessoa jurídica pertencente a uma parenta do impugnante, como se este fizesse parte daquela pessoa jurídica. Aliás, ainda que realmente essa participação existisse, ainda assim não seria válido um auto de infração contra a pessoa física sem obediência dos procedimentos legais próprios, inclusive com o competente termo de início de fiscalização, e com as intimações necessárias a assegurar ao fiscalizado o direito de defenderse. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 246 4 2. Nulo, também, foi o julgamento contra o qual ora se interpõe o presente recurso, porque não foi assegurado ao recorrente o direito de assistilo. Em outras palavras, o julgamento se deu em sessão secreta, sem que o recorrente tivesse ao menos ciência de sua realização. Com indiscutível lesão ao princípio da publicidade, expressamente assegurado pelo art. 37, da Constituição Federal.” Entendo, todavia, que as preliminares devem ser afastadas, pois o contribuinte teve acesso a todos os documentos que embasaram a lavratura do auto de infração, tanto por ocasião da apresentação da impugnação, como da interposição do recurso voluntário, não tendo havido, no presente caso, qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. A despeito da alegação de cerceamento de defesa, fato é que quando o contribuinte teve ciência da autuação, apresentou sua impugnação, que foi conhecida pela DRJ, tendo sido analisadas as razões e documentos nela apresentados. Outrossim, a própria interposição do recurso voluntário, ora em análise, consubstanciou nova oportunidade para apresentação de todas as provas que entendesse cabíveis, em prol da busca pela verdade material. Nesse sentido, ainda que nulidade houvesse, o que se admite apenas para fins de argumentação, não haveria qualquer prejuízo para a defesa do Recorrente nos presentes autos, eis que, como se disse, teve acesso a todos os documentos dos autos, sem dizer que todos os documentos por ele acostados estão sendo objeto de análise. Além disso, da análise dos presentes autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo à sua defesa, vez que, pela defesa e recurso apresentados, verifica se que o contribuinte entendeu corretamente os fatos imputados e as infrações a ele atribuídas, aplicandose, pois, ao presente caso, o brocardo pas de nullité sans grief, ou, em vernáculo, não há nulidade sem prejuízo. No que se refere à violação ao princípio da publicidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal, tratase de questão que este CARF não pode analisar, seja em virtude do disposto no artigo 26A do Decreto 70.235/72, seja em decorrência do enunciado contido na Súmula CARF n. 2. No que tange ao mérito, propriamente dito, do recurso voluntário, entendo que a matéria cingese à aferição da efetiva titularidade dos recursos provenientes das contas bancárias mantidas junto ao Banco Industrial e Comercial S/A e Banco Panamericano S/A, utilizados para o pagamento de obrigações do Recorrente, notadamente no que tange aos investimentos feitos junto à empresa Fiduccia Incorporadora Ltda. (em proveito do contribuinte, como se logrou demonstrar com as respostas à fiscalização por parte desta última e do “Instrumento Particular de Rescisão de Negócio, Acerto Financeiro e Outorga de Quitação”, firmado entre o contribuinte e a Fiduccia Incorporadora Ltda.) e, bem assim, à compra de imóvel entabulada com o Sr. Paulo Roberto Uchoa do Amaral. Conforme alega a fiscalização, nesse sentido, o contribuinte teria se apropriado de recursos pertencentes à CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., transferidos de contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica para o adimplemento de obrigações do próprio contribuinte, o que consistiria em omissão de rendimentos deste último recebidos da citada pessoa jurídica, durante o anocalendário de 2002. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 247 5 Em que pese à concentração de esforços, por parte da fiscalização, exclusivamente nos negócios jurídicos citados (compra do imóvel e investimento junto à Fiduccia Incorporadora Ltda.), pareceme que a valoração dos fatos, refletida na atuação in casu, não corresponde ao ocorrido na espécie. De fato, conforme se extrai dos documentos acostados, o presente auto de infração tem origem na fiscalização realizada na pessoa jurídica CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., consubstanciada no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n.º 03.1.01.002007.002242. Nesse esteio, analisandose o Termo de Verificação Fiscal anexo ao referido MPF (fls. 82/100), observase que, a par da efetiva demonstração de que os recursos utilizados pelo contribuinte nas operações jurídicas questionadas no presente feito foram provenientes de contas bancárias de titularidade da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., o auditor fiscal demonstrou que as operações realizadas com referidos recursos eram, de fato, para proveito do Sr. Antônio Jatay Pedrosa. Com efeito, conforme se infere do TVF anexo ao MPF nº 03.1.01.00 2007.002242, as provas produzidas pela fiscalização não permitiriam a mera dedução de que o Sr. Antônio Jatay Pedrosa teria se apropriado de recursos pertencentes à CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., utilizados no pagamento de operações realizadas pelo Recorrente, mas, de outra sorte, que os próprios recursos movimentados nas referidas contas bancárias seriam, efetivamente, de sua titularidade. Em outras palavras, a CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., conforme demonstrou a própria fiscalização, figuraria como interposta pessoa em diversas relações jurídicas envolvendo o contribuinte, que se mantiveram à margem de suas declarações de imposto de renda (DIRPF), nas quais, por meio da citada simulação relativa, ocultavam o efetivo contratante, que vem a ser o próprio Recorrente. Com efeito, consoante se extrai do Termo de Verificação fiscal anexo ao MPF originário, a fiscalização logrou demonstrar, em profunda análise da relação existente entre as partes (Sr. Antonio Jatay Pedrosa e CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda.), além da utilização dos recursos da sociedade para o investimento realizado na “Fiduccia”, e daquele relativo à compra de bem imóvel em proveito do Recorrente, os seguintes indícios de interposição fictícia: a) a sede da CRAL – Comércio e Representações Ltda. situase em propriedade do Sr. Antônio Jatay Pedrosa; b) os sócios da pessoa jurídica, Sr. Manoel José de Sousa, e Sra. Arnaldina Jataí Pinheiro, não possuíam, à época da fiscalização, rendimentos compatíveis com os recursos movimentos nas contas bancárias das pessoas jurídicas, sendo certo que o primeiro, até o ano de 2002 (primeiro exercício após a constituição da “CRAL”), se apresentava como isento do imposto de renda logo após a criação da pessoa jurídica, e a segunda como possuidora de parcos bens em seu nome; c) a Sra. Arnaldina Jataí Pinheiro, irmã do Recorrente, além do patrimônio declarado não condizente com a movimentação financeira, era funcionária do contribuinte em uma de suas empresas (JaysaJatay Pedrosa Automóveis Ltda.); Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 248 6 d) a pessoa jurídica possui, apenas, dois funcionários contratados, sendo sua sede enxuta para o volume de operações realizado; e) as receitas declaradas pela pessoa jurídica em DIPJ (R$ 114.135,25), no anocalendário 2002, são absolutamente incompatíveis com o volume de recursos movimentado em suas contascorrentes (R$ 15.198.830,76); f) a pessoa jurídica deixou de apresentar os pertinentes livros e registros, contábeis e fiscais, relativos ao exercício em referência; g) diversas compras de açúcar de fornecedores assinada e autorizada pelo Sr. Antonio Jatay Pedrosa, com a movimentação de recursos mantidos à margem da escrituração da sociedade em contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica. A este respeito, aliás, como se observa do próprio Termo de Verificação Fiscal acostado ao MPF n.º 03.1.01.002007.002242, que acabou por originar a cobrança realizada no auto de infração, ora objeto de análise, a própria fiscalização, com fundamento no robusto conjunto probatório produzido, afirmou que “os rastreamentos das operações bancárias em apreço, também nos trouxeram informações valiosas acerca do mentor dessas atividades “paralelas”, praticadas em nome da fiscalizada, na medida em que nos apontou o verdadeiro beneficiário econômico desses negócios, na pessoa do Sr. Antonio Jatay Pedrosa (...)”. Por força dos citados indícios de interposição fictícia, demonstrados pela própria fiscalização, entendo que as contas bancárias de titularidade da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., na realidade, eram utilizadas para movimentar recursos próprios do Sr. Antonio Jatay Pedrosa, mantidos à margem de sua declaração de imposto de renda. De fato, ao contrário do que restou consignado no auto de infração, parece me que a utilização de recursos provenientes das citadas contas bancárias, no bojo das provas realizadas pela fiscalização, não é capaz de induzir ao entendimento de que teria havido, na espécie, omissão de rendimentos, por parte do contribuinte, recebidos de pessoa jurídica (CRAL Comércio e Representações de Alimentos Ltda.), mas, de outra sorte, que os próprios valores movimentados nas contas bancárias, cuja titularidade aparente seria da pessoa jurídica, eram de titularidade do Recorrente. Ora, se referidos recursos, na realidade, eram pertencentes ao próprio Recorrente e, destarte, não à pessoa jurídica, a sua utilização para investimento em empreendimento firmado pelo contribuinte em conjunto com a Fiduccia, e, igualmente, a sua movimentação para a aquisição de bem imóvel, tal como narrado no auto de infração objeto de análise, não constituem fato gerador do imposto de renda do Recorrente, mas, de outra sorte, dispêndios de recursos próprios. Nesse esteio, pois, ainda que se entenda ter restado comprovada a ampla disposição de recursos nas citadas contas bancárias por parte do contribuinte, especificamente para a utilização em empreendimento conjunto com a Fiduccia e para a aquisição de imóvel, não se afigura cabível a incidência de imposto de renda sobre pagamentos efetuados com recursos do contribuinte. Por outro giro, a comprovação da mera utilização de recursos por Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 249 7 parte do contribuinte, isto é, pagamentos ou creditamentos, não importa em qualquer acréscimo patrimonial para quem deles dispõe, mas, sim decréscimo patrimonial. Na esteira deste entendimento, como se sabe, a simples remessa de valores, pois, à exceção das hipóteses em que feita a não residente (art. 685 do RIR/99), não é fato gerador do imposto de renda, a menos que a fiscalização comprove, adequadamente e por meio de demonstrativo de variação patrimonial mensal, a ocorrência de gastos superiores aos recursos declarados. Notese bem: o acréscimo patrimonial a descoberto, previsto pelo art. 3º, §1º da Lei n.º 7.713/88, não se traduz em um fato gerador sobre pagamentos, mas em uma presunção de omissão de rendimentos, na medida em que o contribuinte deve suportar os gastos efetuados, via de regra, com rendimentos auferidos. Por esta razão precípua, verificandose que o auto de infração em referência não possui qualquer demonstrativo de variação patrimonial, apto a comprovar dispêndios feitos em dissonância com os recursos declarados pelo contribuinte, afigurase absolutamente nulo, eis que sem fundamento legal a base de cálculo apurada in casu. A respeito da necessidade de demonstrativo de variação patrimonial mensal para a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, cumpre conferir os seguintes precedentes, in verbis: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 143.035, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 05/07/2007) “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90.” (1º Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 139.288, relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, sessão de 17/03/2005) Com fulcro no exposto, portanto, restando comprovado, como admite a própria fiscalização no TVF anexo ao MPF n.º 03.1.01.002007.002242, que os recursos movimentados nas contas bancárias da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda. eram, de fato, de titularidade do contribuinte, e, igualmente, que a citada pessoa jurídica participou dos negócios jurídicos questionados, mantidos à margem de sua contabilidade, como interposta pessoa, entendo que a verificação de imposto de renda, na hipótese, cingirseia à aferição da origem dos recursos depositados nas citadas contas bancárias, na forma do art. 42, da Lei n.º 9.430/96, matéria esta objeto de outro auto de infração, oriundo do mesmo MPF. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 250 8 Nesse sentido, pois, tratandose de recursos, comprovadamente, movimentados pelo próprio Recorrente, a despeito da titularidade formal das contas bancárias, entendo não haver pressuposto legal para a tributação do mero dispêndio dos recursos, na medida em que, como se verificou, não restou apurado qualquer acréscimo patrimonial por parte da fiscalização. Por esta razão, entendendo restar demonstrada a interposição fictícia da pessoa jurídica em negócios realizados pelo próprio contribuinte, inclusive com a movimentação de recursos do Recorrente por meio de contas bancárias da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., entendo descabida a exigência de imposto de renda a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, na medida em que, como se verificou, as operações contestadas se referem à aplicação de recursos por parte do Recorrente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Em que pese o brilhantismo e a coerência do entendimento manifestado pela i. Conselheiro Relator, peço vênia para divergir em relação à análise do mérito. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal constante do Processo n° 10380.015532/200752 (acostado por cópia aos presentes autos fls. 82/100), elaborado com base em conjunto probatório formado durante o procedimento de investigação, em que a fiscalização realizou diversas diligências junto a terceiros (fls. 17/75), constatouse que recursos depositados nas contas bancárias da pessoa jurídica CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda. foram utilizados em investimentos imobiliários realizados por Antonio Jatay Pedrosa. Constatadas as situações que relacionavam o autuado com a movimentação financeira da empresa CRAL, a fiscalização o intimou a explicar as correspondentes operações descritas no Termo de fls. 11/12. Em sua resposta, às fls. 15/16, o autuado informa não ser titular das contas bancárias (em nome da CRAL), não ter movimentado nem ser proprietário dos respectivos recursos mantidos pela empresa, que não realizou as operações de compra de açúcar, que não lembra da transação imobiliária perquirida na Intimação, e que não tem qualquer responsabilidade com os negócios realizados pela CRAL. Entretanto, os documentos de fls. 17/75 comprovam, indubitavelmente, o fato apontado pela Fiscalização – o pagamento pela CRAL de investimentos imobiliários realizados pelo autuado – através de cheques e documentos de crédito (DOC E), sem que fossem Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 251 9 declarados os correspondentes rendimentos pelo beneficiário, consoante DIRPF/2003, às fls. 76/80. Diferentemente do entendimento manifestado pela defesa, penso que não se pode conceber que tais recursos foram auferidos a título de distribuição de lucro, pois inexistente qualquer escrituração fiscalcontábil a esse respeito e principalmente porque o autuado não integra o quadro societário da empresa CRAL. A tese da distribuição de “lucro de fato”, discutida durante a sessão de julgamento, poderia se coadunar para uma empresa sem atos constitutivos registrados, com existência apenas de fato, circunstância que não ocorre no presente caso, pois a CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda. encontrase regularmente constituída. Da mesma forma, inexiste contrato de mútuo, informação na DIRPF do autuado ou lançamento fiscalcontábil na escrituração da CRAL a dar suporte à tese subsidiária de que a utilização de recursos da referida empresa poderia decorrer de empréstimos, nem há qualquer elemento de prova em relação a pagamentos efetuados pelo autuado à mutuante, a título de devolução de mútuo. Por outro lado, o lançamento em exame não trata de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Aplicase este método indireto de apuração da renda omitida quando não se conhece a origem, datas e valores da renda omitida. No presente caso, resta sobejamente comprovado os recursos auferidos pelo autuado da empresa CRAL, não informados em sua DIRPF do exercício de 2003, razão pela qual a infração indicada no lançamento é de omissão de rendimentos auferidos de pessoa jurídica. Incumbe ao autor do feito (à fiscalização) comprovar o benefício auferido pelo contribuinte, indicando precisamente a origem, valor e data, possibilitando ao acusado o regular exercício do seu direito de defesa. Confirase a esse respeito a descrição dos fatos no Auto de Infração (fls. 04/05), efetuada com suporte no Termo de Compromisso às fls. 58/62 (e respectivos comprovantes de pagamento às fls. 19/20, 22, 28, 32, 36, 53/54), relacionados aos investimentos realizados pelo autuado na Fidúcia Incorporadora Ltda, e nos documentos às fls. 73/74, relacionados à transação imobiliária entre o autuado e Paulo Roberto Uchoa do Amaral: “001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA (...) 1) Investimentos feitos junto à empresa Fidúcia Incorporadora Ltda (exFiduccia Empreendimentos e Participações Ltda.), com recursos sacados das contas bancárias mantidas em nome da CRAL junto ao Banco Industrial e Comercial S/A BIC e Banco Panamericano S/A, através das ordens de crédito a seguir relacionadas, destinados à compra de terreno e construção do empreendimento imobiliário denominado "Catamarã Condominium", conforme Termo de Compromisso celebrado em 15/03/2002, fornecido a esta fiscalização pela empresa tomadora dos recursos, como segue: Meio de Pagamento Conta/Banco Sacado Data ValorR$ DOC n° 340199 140524205Ag.006BIC 02/04/2002 1.293.000,00 DOC n° 340200 140524205Ag.006BIC 02/04/2002 1.471.135,00 DOC n° 316066 140524205Ag.006BIC 25/04/2002 246.572,45 DOC n° 702337 22201Ag.2Panamericano 27/05/2002 630.000,00 CH. n° 245865 140524205Ag. 006BIC 25/06/2002 152.737,97 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 252 10 2) Compra de imóvel feita ao Sr. Paulo Roberto Uchoa do Amaral, com cláusula de retrovenda, cujo pagamento se deu, em parte, através de recurso sacado da conta bancária mantida pela CRAL junto ao BIC, através do , DOCBIC BANCO de n° 318578, de 08/04/2002, no valor de R$ 32.162,44, conforme informação prestada a esta fiscalização pelo vendedor, acompanhada do respectivo registro imobiliário, passado nesta mesma data, no Cartório da 1ª Zona desta capital. Conforme se infere pelo conteúdo do Termo de Compromisso firmado com a Fiduccia e pela documentação trazida pelo Sr. Paulo Roberto Uchoa do Amaral, resta indubitável a utilização, em proveito pessoal do Sr. Antonio Jatay Pedrosa, dos recursos acima discriminados, oriundos das contas bancárias mantidas em nome da CRAL Comércio e Representações de Alimentos Ltda. (...)” O contribuinte, por sua vez, deve apresentar os elementos de prova relacionados a fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. De fato, o autuado não conseguiu descaracterizar a infração imputada no lançamento, ou seja, não conseguiu comprovar que os recursos auferidos têm origem em fatos jurídicos isentos ou não tributáveis pelo imposto de renda. Importa ressaltar que não descaracteriza a natureza tributável dos valores recebidos da CRAL, se estes são investidos em outra pessoa jurídica e posteriormente geram prejuízos. A autuação em exame não trata dos rendimentos produzidos pelo investimento, nem dos bens recebidos em decorrência da rescisão do negócio no ano de 2006, conforme descrito à fl. 67/68, mas do recebimento de recursos pelo autuado, provenientes da empresa CRAL, no anocalendário de 2002. Nos termos do artigo 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Em relação à autorização para reexame de período já fiscalizado, pacífico o entendimento deste Colegiado de que a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF torna desnecessária a autorização para segundo exame prevista no artigo 906 do RIR, aprovado pelo Decreto 3000, de 1999. De fato, mostrarseia redundante a dupla exigência, na medida em que as autoridades competentes para a emissão do MPF também o são para a autorização do segundo exame. No que tange ao pedido do recorrente para exclusão da penalidade, sob o argumento de que o Poder Executivo Federal não cumpriu o dever que lhe impõe o artigo 212 do Código Tributário Nacional, entendo que referida norma não comina a conseqüência almejada pela defesa. Ademais, tratandose de matéria sob reserva legal, nos termos do artigo 97, inciso V, do CTN, a imposição da penalidade está condicionada, tãosomente, às circunstâncias estabelecidas em lei. Em face ao exposto, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 253 11 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10855.911802/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.080
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP), transmitida eletronicamente, com base em créditos relativos à Contribuição. Conforme consta do relatório que subsidiou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, na referida DCOMP a contribuinte declarou a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando as características do DARF correspondente. Por sua vez, o processamento eletrônico do pedido teria apontado que, a partir das características do DARF, foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 11 80 2/ 20 09 -9 6 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 3 2 integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Cientificado eletronicamente do Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, sintetizada, no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Em suma, esclarece que teria declarado indevidamente o valor da contribuição do período e que teria retificado a DCTF no intuito de demonstrar a existência do crédito pleiteado. Ao final, solicita a homologação da compensação. A 4ª Turma da DRJ Brasília (DF) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa parcialmente reproduzida a seguir: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) O despacho decisório eletrônico foi proferido sem a prévia intimação do recorrente para prestar os esclarecimentos necessários, cerceando o direito de defesa; b) Houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, o qual foi devidamente sanado por meio da apresentação de DCTF retificadora. Com base na retificadora pode ser verificado que o real valor apurado é zero, diferentemente do alegado; Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 4 3 c) É totalmente lícito e legítima a retificação de DCTF nos casos de erro de fato, em virtude da observância ao princípio da verdade material; e d) É imprescindível a realização de diligência para averiguação de seu direito creditório. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.076, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10855.911798/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.076): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 5 4 competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório. Ocorre que cerca de um ano e oito meses depois da interposição do recurso voluntário,em 02/06/16, o recorrente apresentou petição requisitando a análise de diversos documentos, entre eles: planilha com a apuração do PIS e da Cofins, planilha com comparativo do SINTEGRA e os livros fiscais, os lançamentos no sintegra, os lançamentos nos livros fiscais, a listagem das notas fiscais, a composição das receitas de exportação, a composição das receitas de projetos de longo prazo, a composição das devoluções de vendas, o balancete mensal de setembro de 2005 e o balancete analítico. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Acontece que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos acostados às efls. 140/728, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos citados/trazidos na petição, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 582DF CARF MF
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