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Numero do processo: 12571.720095/2012-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
LUCRO ARBITRADO. NÃO CABIMENTO. Havendo escrita fornecida pelo sujeito passivo compatível com a movimentação bancária, ainda que haja outras deficiências na contabilidade, o regime do lucro real eleito pelo contribuinte deve ser mantido.
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos para sanar a contradição do acórdão, manifestando-se sobre a relação de prejudicialidade entre dois processos fiscais distintos do mesmo contribuinte.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3301-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração formulados pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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NÃO CABIMENTO. Havendo escrita fornecida pelo sujeito passivo compatível com a movimentação bancária, ainda que haja outras deficiências na contabilidade, o regime do lucro real eleito pelo contribuinte deve ser mantido. EMBARGOS. CONTRADIÇÃO. Devem ser acolhidos os embargos para sanar a contradição do acórdão, manifestandose sobre a relação de prejudicialidade entre dois processos fiscais distintos do mesmo contribuinte. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração formulados pela Fazenda Nacional, com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 95 /2 01 2- 38 Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 11 2 Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Paulo Roberto Duarte Moreira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de processo fiscal, cujos autos de infração foram lavrados em abril de 2012 contra o contribuinte em epígrafe, referentes ao PIS/PASEP e à Cofins, ambos relativos aos períodos de apuração de janeiro de 2007 a dezembro de 2008. O de PIS perfaz o valor total de R$ 1.365.098,24, sendo R$ 628.496,05 de valor de contribuição, acrescido das correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais calculados até 30/03/2012, o da COFINS, por sua vez, perfaz o valor total de R$ 6.288.684,45, sendo R$ 2.895.321,75 de valor de contribuição, acrescido, também, das correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais calculados até a citada data. Os embargos de declaração, tempestivos, foram interpostos pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 65, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 3301002.750, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Lei nº 10.637/2002, art. 8º, inciso II, o regime da nãocumulatividade do PIS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. Verificada a necessidade de arbitramento de lucro, nos termos dos arts. 47 da Lei 8.981/1995 e 530 do Decreto nº 3.000/1999, aplicase a sistemática cumulativa ao PIS. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Lei nº 10.833/2003, art. 10, inciso II, o regime da nãocumulatividade da COFINS deve ser aplicado para os contribuintes tributados pelo imposto de renda com base no lucro real. Verificada a necessidade de arbitramento de lucro, nos termos dos arts. 47 da Lei 8.981/1995 e 530 do Decreto nº 3.000/1999, aplicase a sistemática cumulativa à COFINS. Recurso de ofício negado. Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 12 3 A controvérsia dos autos restringese à determinação do regime aplicável para os débitos de PIS e COFINS: cumulatividade ou nãocumulatividade, considerando a escrita deficiente apresentada pelo contribuinte. No auto de infração adotouse o critério da nãocumulatividade para o cálculo das contribuições PIS e COFINS, pois fora o regime eleito pelo sujeito passivo. Assim, a fiscalização aplicou as alíquotas de 1,65% e 7,6% e a sistemática de compensação entre créditos pelas entradas e débitos pelas saídas. Além deste processo, há outro contra o sujeito passivo, referente aos mesmos fatos geradores, no qual a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba, competente para o julgamento de IRPJ e CSLL lançados contra o mesmo contribuinte (nº 12571.720094/2012 93), decidiu em sessão realizada em 20/09/2012, acórdão unânime (nº 0638.049), que a fiscalização deveria ter aplicado, face das circunstâncias e elementos encontrados durante o procedimento fiscal, o regime de tributação do Lucro Arbitrado para o IRPJ e CSLL e, por conseguinte, deveria ter aplicado o regime de cumulatividade às contribuições PIS e COFINS. Indo ao encontro dessa decisão referente ao IRPJ e à CSLL, o acórdão da DRJ/CTA nº 0639.040 proferido no presente processo, também cancelou integralmente as exigências de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade, cabendo o direito do fisco de respeitados os prazos legais e se for o caso, efetuar novos lançamentos. Por sua vez, o acórdão ora embargado, na mesma linha, entendeu ser devido o arbitramento e, por consequência, o regime aplicável às contribuições de PIS e COFINS devidas seria o cumulativo. Com relação ao processo de IRPJ e CSLL (12571.720094/201293), o CARF, em sede de recurso de ofício, reformou a decisão da DRJ/Curitiba. É exatamente neste ponto que reside a contradição apontada pela Fazenda Nacional como pressuposto para os presentes Embargos de Declaração: o Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 foi julgado pelo CARF também em sede de recurso de ofício, oportunidade na qual a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, reformou a decisão de 1ª instância da DRJ/Curitiba, afastando o arbitramento de lucro, por entender haver condições de apuração de infração pontual, com base na escrita fornecida pelo sujeito passivo. Alega a Fazenda Nacional que houve contradição no acórdão embargado, porque a decisão proferida nos autos do IRPJ e CSLL seria questão prejudicial, já que fora tomada como premissa do presente processo. Por isso, requer sejam conhecidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar o vício apontado. É o relatório. Voto A questão central destes Embargos é a relação de prejudicialidade entre o presente processo fiscal (PIS e COFINS) e o de nº 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL). A decisão proferida pelo CARF no Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL) tem o seguinte teor: Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 13 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 LUCRO. ARBITRAMENTO. Havendo condições de apurar infração pontual, baseada na em escrita fornecida pelo sujeito passivo, que mantenha fidelidade com a movimentação bancária, a autoridade fiscal poderá, atendido o interesse da Fazenda Nacional, manter o regime eleito pelo contribuinte, não exsurgindo daí qualquer direito ao sujeito passivo faltoso que entenda ser o arbitramento mais favorável. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento por força do julgamento de recurso de ofício, referente aos lançamentos de IRPJ e CSLL afastou o arbitramento, então se trata de questão prejudicial, assistindo razão à Fazenda Nacional, pois a fundamentação do acórdão embargado foi a adoção da posição dos julgadores do Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 como premissa. Assim, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99, tomo como fundamento de decidir as razões do voto do Relator Eduardo de Andrade, no processo 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL): (...) verificase na conduta da recorrente que objetiva beneficiar se de sua própria torpeza para, de início incinerar seus livros diário e razão, e posteriormente, requerer o cancelamento do auto de infração porque a fiscalização não arbitrou o lucro, com base exatamente na inexistência daqueles mesmos livros. Tal conclusão é reforçada tendose em conta que as glosas efetuadas pela fiscalização baseiamse em documentação inidônea apresentada, conforme afirmou a autoridade fiscal (fl. 1883). (...) De fato, se há algum prejudicado nesta apuração é a Fazenda Nacional, já que o crédito tributário obtido com apuração baseada no lucro arbitrado poderia em tese fornecer montante superior. Assim, o cancelamento do auto de infração nesta hipótese específica dos autos, significaria um prejuízo duplo ao Erário. Retomando a questão inicial sobre a obrigatoriedade ou não do arbitramento, e se os comandos estipulados pelo caput e parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.218/91 como pelo inciso I do art. 47 da Lei nº 8.981/95 hão de ser vistos como faculdade da Administração ou como direito do contribuinte, vejo, como de fato mencionei, que a norma visa a proteger o interesse da Fazenda Nacional. Assim, olhando a questão sob o ângulo da realidade factual, noto que o limite estipulado pela norma é intransponível para o contribuinte, que fica sujeito ao arbitramento se não ostentar os requisitos ali exigidos. Por outro lado, tendo o agente público condições de apurar insuficiência de crédito pontual, baseado em uma escrita fornecida, digital ou não, que confira certa fidelidade dos dados escriturados, especialmente a fidelidade com a movimentação bancária, o lançamento poderá ser efetuado com base no regime de apuração eleito pelo contribuinte, pois do contrário, ao invés de se tutelar a Fazenda Nacional estarseá penalizandoa duplamente. Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 14 5 (...) Vejo, portanto, certa flexibilidade nas regras estabelecidas no caput e parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.218/91 e no inciso I do art. 47 da Lei nº 8.981/95, que devem ser entendidas como faculdades da Administração e não como direitos do contribuinte. Como dito acima, o acórdão embargado, de fato, é contraditório, pois adotou como premissa a necessidade de adoção do lucro arbitrado devido à decisão prévia no Processo Fiscal nº 12571.720094/201293 (IRPJ e CSLL). Portanto, é imperioso reconhecer a contradição e afastar a exigência de aplicação da sistemática do lucro arbitrado em detrimento do lucro real, escolha eleita pelo sujeito passivo. Por isso, devem os presentes Embargos serem acolhidos com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício. Ressaltese que em sua impugnação, a KRM Transporte arguiu o seguinte: Preliminarmente a interessada alega a decadência parcial do crédito tributário contestado. Defende que no presente caso, de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de a fazenda pública proceder ao lançamento extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 899, do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) e do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Conclui que no presente caso a ciência do lançamento ocorreu em 20 de abril de 2012, fulminando pela decadência, portanto, os créditos tributários ocorridos anteriormente a 20 de abril de 2007. No mérito, primeiramente, a contribuinte insurgese contra a aplicação da sistemática da nãocumulatividade para o cálculo das contribuições (PIS e COFINS). Defende que em face dos inúmeros vícios, erros ou deficiências encontrados pela fiscalização na escrituração contábil da contribuinte, conforme os apontamentos contidos no Relatório de Ação Fiscal, a tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, de acordo com os incisos I e II, art. 530, do Decreto nº 3.000/99 (RIR 99), deveria ter sido realizada pelo Lucro Arbitrado e, por consequência, deveria ter sido adotado o critério da cumulatividade para a tributação das contribuições (PIS e COFINS). Argumenta que no período fiscalizado a empresa não possuía os elementos formais obrigatórios para a realização do cálculo do IRPJ pelo critério do Lucro Real, pois, como constatou a fiscalização, o Livro Diário não foi escriturado e não foram elaborados o balanço patrimonial, a demonstração do resultado do exercício (DRE) e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), em conformidade com o que determinam os artigos 258 e 274 do RIR/99. Acrescenta que a empresa apresentou uma Demonstração de Resultado do Exercício (Anexo XII), mas que a autoridade fiscal desconsiderou a por completo, utilizando, para determinação das contribuições devidas, uma outra Demonstração de Resultado de Exercício (Anexo XIII), com valores totalmente diferentes dos apresentados. No tópico seguinte a interessada contesta as glosas de créditos referentes aos: 1) fretes pagos a terceiros; 2) insumos. Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 15 6 1) Quanto ao primeiro item defende que a glosa é contraditória e incorreta Afirma que a fiscalização: “a) glosou despesas com fretes pagos a terceiros – pessoas físicas, por não terem estes afirmado que prestaram serviço ao contribuinte; b) todavia, no Processo nº 12571.720273/201140 a autoridade tributária reconheceu tais serviços prestados e, inclusive, lançou as contribuições previdenciárias que entendeu devidas. Diz que a autoridade fiscal aceitou como verdadeiras unicamente as informações fornecidas pelos prestadores de serviço, e que é óbvio, pelo fato de os serviços serem tributados, o interesse dos mesmos em negar a ocorrência dos serviços. Afirma que existe contradição no procedimento de glosa das despesas de frete, uma vez que contra os subcontratados foram lavrados inúmeros autos de infração, os quais podem ser consultados nos arquivos de dados da Receita Federal. Acrescenta que a glosa é incorreta porquanto a circularização desses serviços foi realizada de forma parcial. Defende que todos os pagamentos relativos aos fretes subcontratados foram efetuados por via bancária e mediante depósito e diz estar juntando à impugnação dezesseis exemplos de pagamentos efetuados a terceiros por fretes subcontratados que comprovam a efetividade das despesas e dos pagamentos efetuados. Argumenta que a subcontratação e os respectivos pagamentos foram realizados “exatamente segundo os USOS e COSTUMES que envolvem essa modalidade de serviço e seu respectivo pagamento.” Por fim, defende “que não está correta a glosa dos créditos referentes a essas despesas, devendo ser observado que estão anexados a esta impugnação, como amostragem, apenas dezesseis casos, ou seja, um caso referente a cada trimestre de 2007 e outros doze casos referentes a cada mês de 2008.” 2) Quanto ao segundo item defende que a totalidade dos insumos e de aquisições para o imobilizado, relacionados no anexo V, geram direito ao crédito no cálculo das contribuições. Alega que a Constituição Federal (§ 12, art. 195) “adotou o critério de créditos por contribuição incidente em todas as operações anteriores contra débito por operações posteriores, ou seja, TRIBUTO PAGO ‘versus’ TRIBUTO DEVIDO (método ‘Imposto sobre imposto’)”. Argumenta que a legislação relativa ao PIS e à COFINS autoriza o crédito de todos os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e que, portanto, a apropriação de créditos deve ser ampla e alargada, sem a imposição de limites de qualquer espécie. No último tópico a contribuinte insurgese contra a cobrança das contribuições sobre as receitas de exportação. Defende que a fiscalização aplicou indevidamente a regra de suspensão das contribuições, prevista no art. 40, da Lei nº 10.865/2004, ao invés da imunidade tributária prevista no inciso I, § 2º, art. 149, da Constituição Federal. Diz que referido dispositivo constitucional prevê a imunidade das contribuições (PIS e COFINS) sobre as receitas decorrentes das operações de exportação, realizadas diretas ou indiretamente, e independentemente de quaisquer formalidades. Afirma que, de acordo com a legislação (Lei nº 10.637/2002 e n º 10.833/2003), as contribuições “não deverão incidir sobre as receitas decorrentes das operações de exportação, de modo a abranger também as receitas decorrentes de fretes necessários às operações de exportação: não é Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 12571.720095/201238 Acórdão n.º 3301003.014 S3C3T1 Fl. 16 7 considerado nessas regras legais de não incidência a necessidade de existir preponderância na atividade exportadora.” Assim, sobre as demais alegações do sujeito passivo, a DRJ deverá agora se manifestar, já que afastado o arbitramento do lucro por meio destes Embargos, acolhidos com efeitos infringentes. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso de ofício, restaurandose a exigência fiscal lançada, devendo o processo retornar à DRJ para apreciação das demais matérias alegadas pela recorrente na impugnação. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 28/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 22/0 7/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 25/07/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10715.002405/2010-60
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração:01/11/2006 a 30/11/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.571
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 24 05 /2 01 0- 60 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 262 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.788, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 263 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 264 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 265 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 266 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 267 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 268 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.002405/201060 Acórdão n.º 9303003.571 CSRF‐T3 Fl. 269 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10283.007235/2001-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio.
Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo..
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.. Por se tratar de processo com retorno de diligência, adoto como relatório aquele apresentado na Resolução de fls. 326 e seguintes: O processo em referência tem por origem o lançamento fiscal em matéria de imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados, que deram origem a dois autos de infração para cada um dos impostos antes mencionados, lavrados em face da recorrente em 27/08/01, em razão do entendimento da fiscalização que o bem importado declarado pelo contribuinte, 1080 bobinas de reflexão RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 07 23 5/ 20 01 -4 6 Fl. 648DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10283.007235/200146 Resolução nº 3201000.678 S3C2T1 Fl. 649 2 IOKE, não correspondia ao bem efetivamente importado, eis que quando da conferência física realizada no momento do desembaraço, verificouse que as bobinas declaradas estavam montadas com o anel de convergência. Conforme consta na descrição do fato infrator " para dirimir dúvidas foi feita consulta na lista padrão de insumos onde não foi encontrado bobina de deflexão montada com anel de convergência, mas sim os dois itens em posições separadas". Aduz a fiscalização que o benefício da suspensão (DL 288/67) esta vinculado à prévia licença de importação para a mercadoria devidamente descrita, o que não ocorreu para o caso acima descrito. Em decorrência do fato acima foi lançado contra o contribuinte o imposto de importação mais multa de 75% sobre a mercadoria cujo pagamento do imposto estaria suspensa, bem assim exigido o IPI, sem acréscimo de multa. A recorrente se defendeu alegando em síntese o seguinte: i) o auto de infração é nulo, nos termos do artigo 10 do Decreto 70235/72, eis que é omisso acerca dos fatos ensejadores de sua lavratura, (só o do IPI) e ainda por indicar DI que não se relaciona com a importação sob fiscalização, ii) a mercadoria constante na DI é a mesma fiscalizada e importada pela defendente, descrita na posição 85409110 da NCM e da NBM, nãohavendo divergência entre a que está mencionada no documento de importação e a que efetivamente foi despachada, iii) aduz que incabível a exigência fiscal em razão do preceituado no Ato Declaratório Normativo n° 10/97, do Coordenador Geral do Sistema de Tributação, iv) a mercadoria importada está amparada pela resolução n° 079/93, do Conselho de Administração da SUFRAMA, que autoriza a contribuinte a importar insumos à produção de televisor a cores e demais produtos componentes de seu processo produtivo, Em 23/05/02,foi decidido pela 3a Turma da DRJ de Fortaleza, mediante a Resolução n° 093/2002, devolver o processo a autoridade lançadora para que fosse emitido auto de infração complementar, na forma como previsto no artigo 18, § 3o , do Decreto 70235/72, para corrigir as irregularidades apontadas pela contribuinte em sua defesa. Em 04 de novembro de 2003, antes da retificação dos autos de infração conforme determinado pelo Resolução antes mencionada, foi anexado aos autos cópia do mandado de segurança impetrado pela contribuinte, processo n° 2001.32.00.0093686, às fls. 115/ 132, impetrado exclusivamente para liberação das mercadorias então apreendidas pela fiscalização e cópia da sentença proferida pelo MM. Juízo da 3 o Vara Federal do Amazonas, concedendo parcialmente a segurança pleiteada pelo contribuinte, tão somente, para determinar a liberação das mercadorias, e denegando a ordem no que concerne a Fl. 649DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10283.007235/200146 Resolução nº 3201000.678 S3C2T1 Fl. 650 3 insubsistência dos autos de infração objeto do presente processo administrativo. Em 30 de janeiro de 2004, a DRJ, mediante o acórdão 3986/04, decide, por unanimidade de votos, em não conhecer da impugnação em razão da renuncia do contribuinte pela via administrativa, eis que ajuizou ação como o mesmo objeto de sua defesa. Intimado o contribuinte de referida decisão em 29/03/05, em 27/04/05, o contribuinte peticiona esclarecendo que a ação judicial, ou seja, o mandado de segurança não discute a mesma matéria objeto de impugnação, mas, em razão da sentença judicial, e de modo a suspender a exigibilidade do crédito fiscal em causo, depositou a totalidade dos valores objeto dos autos de infração em causa, apontando que caso a Fazenda Nacional seja vitoriosa, o valor depositado será convertido em renda da Fazenda Nacional e, em caso contrário, o contribuinte levantará a respectiva quantia. Na mesma data, em ato contínuo, por petição independente, interpôs recursos voluntários, alegando preliminarmente a inexistência de concomitância entre o processo judicial e a matéria debatida no presente processo, e que inclusive recorreu de apelação demonstrando que a sentença no mandado de segurança é nula por extra petita. Quanto aos autos de infração reitera aos razões de sua impugnação. Apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte, os autos foram remetidos a este CARF, que por Resolução, converteu o feito em diligência, nos seguintes termos: O Recurso é tempestivo e o crédito está suspenso pelo depósito judicial, reconhecido por despacho às fls. pela alfândega no porto de Manaus. Portanto, conheço do recurso, por tratar de matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. E inegável, a meu ver, que não há concomitância da matéria debatida nos autos do mandado de segurança impetrado pela Recorrente com a matéria objeto do presente processo administrativo, eis que a ação judicial foi ajuizada exclusivamente para obter a liberação das mercadorias e não questionar o crédito tributário em causa. No entanto, é inegável também que o MM. Juízo da 3 o Vara Federal do Amazonas pronunciouse sobre a subsistência dos autos de infração em causa. Assim, entendo necessário para a conclusão do presente recurso, que se aguarde o pronunciamento do Tribunal Regional Federal acerca da apelação apresentada pelo contribuinte, especialmente quanto à nulidade da sentença de primeiro grau, quanto à apreciação dos autos de infração em causa. Proponho, portanto, que se converta o julgamento em diligência, para que o_presente processo seja devolvido à repartição fiscal de origem até a prolação de decisão final, não mais sujeita a recurso, a ser, prolatada pelo Poder Judiciário, determinando, por conseguinte, o seu acompanhamento, tão logo seja noticiada a decisão final acima referida, seja imediatamente Fl. 650DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10283.007235/200146 Resolução nº 3201000.678 S3C2T1 Fl. 651 4 encaminhado o presente processo, com cópia da respectiva decisão judicial, a esse Egrégio Conselho de Contribuintes. Não obstante ao relatado, verifico a seguinte inconsistência nos autos. · À fl. 629 consta despacho do então presidente desta Câmara informando: O sujeito passivo, para usufruir dos benefícios previstos na Lei no 11.941/2009, por meio da petição de fl. 8 , apresentou desistência total de Recurso e renunciou a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam a referida impugnação ou recurso, na parte objeto da desistência. Em vista da desistência e da renúncia acima aludida, devem os autos retornar ao órgão de origem =ALF PORTO DE MANAUS as pertinentes providências. · Uma vez recebido o processo, a unidade de origem informou à fl. 641: O retorno deste processo à Alfândega do Porto de Manaus foi motivado pelo Despacho de Desistência, à folha 629, que faz referência à opção do contribuinte pelos benefícios da Lei 11.941/2009. No entanto, examinando os autos, não encontrei a petição ali mencionada. Sendo assim, proponho o retorno deste ao CARF, para prosseguimento, conforme despachado anteriormente às folhas 624/625 e 628. Informo que excluí este processo do sistema Sief, refiz o histórico no sistema Profisc e, por último, fiz a migração para o Sief, conforme folhas 632/640. Diante da situação narrada, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade de origem intime o Contribuinte para que esclareça se houve o não a apresentação de pedido de desistência dos autos. Sem prejuízo da intimação do contribuinte, que a Autoridade Preparadora verifique a efetiva inclusão dos débitos ora em debate na consolidação do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Após, retornem os autos para prosseguimento de julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 651DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 14041.000688/2005-79
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2006
Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagps pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários
internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por
tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a
responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - Incabível a
aplicação da multa isolada (art. 44, 1°, inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso li do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 104-22.099
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão, exigida concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA' Processo nO. Recurso n°. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 151.320 IRPF - Ex(s): 2003 JULlANA MONTEIRO DA CRUZ 3a TURMAlDRJ-BRASíLlAlDF 06 de dezembro de 2006 104-22.099 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - UNESCO - ISENÇÃO - ALCANCE - A isenção de imposto sobre rendimentos pagps pela UNESCO, Agência Especializada da ONU, é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário _ com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - No caso de rendimentos recebidos do exterior, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é do beneficiário, inclusive em relação à antecipação mensal. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFíCIO - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, ~ 1°, inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso li do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JULlANA MONTEIRO DA CRUZ. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão, exigida concomitantemente com a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. f •. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104..:22.099 ~ELENA COTTA CARDO ~ PRESIDENTE E RELATORA FORMALIZADO EM: 2 O DE Z 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, PAULO ROBERTO DE CASTRO (Suplente convocado), PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, HELOíSA GUARITA SOUZA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO L1AN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. Ausente justificadamente o Conselheiro OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR. 2 " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente 14041.000688/2005-79 104-22.099 151.320 JULlANA MONTEIRO DA CRUZ RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado, em 02/09/2005, pela Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF, o Auto de Infração de fls. 35 a 49, no valor de R$ 32.885,97, correspondente a Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício, juros de mora e multa isolada do carnê-Ieão, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de fonte no exterior (Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO/ONU), relativos ao exercício de 2003, ano-calendário de 2002. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento em 25/10/2005 (fls. 50), a contribuinte apresentou, em 11/11/2005, tempestivamente, a impugnação de fls. 52 a 63, cujos argumentos foram assim resumidos no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 87 a 89): "Inicialmente, relata que trabalhava para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU, sob o regime de dedicação exclusiva, sem solução de continuidade no vínculo empregatício, com carga horária de oito horas diárias, salário mensal e período de férias anuais remuneradas pelo empregador. Além disso, suas tarefas habituais incluíam a participação em treinamentos e viagens a serviço. Então, de acordo com o previsto na Lei nO.4.506, de 1964 e em tratados e convenções internacionais promulgados pelo Brasil, deveria gozar de.f 3 " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 isenção de Imposto de Renda em virtude de ser funcionária de Organismo Internacional. A base legal para a isenção pleiteada é o art. 5°, " da Lei nO.4.506, de 1964, repetido no art. 22, " do RIR/1999, que isenta de Imposto de Renda os rendimentos auferidos por servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parie e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção. Discorda da interpretação dada ao parágrafo único do artigo supracitado que limita a isenção aos residentes no exterior e esclarece que o art. 30 da Lei nO.7.713, de 1988 reconheceu a isenção do art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964. Logo, é inócua a obrigação de recolhimento mensal do Imposto prevista nos arts. 1° a 3° e 8° da Lei nO. 7.713, de 1988, em face da isenção a que faz jus. Defende que a lei concessiva da isenção seja interpretada e aplicada nos moldes previstos nos artigos 98, 111 e 112 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei nO.5.172, de 1966). Quanto aos tratados e convenções internacionais, esclarece que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nO.27.784, de 1950, dispõe na Seção 18 do artigo V, que os funcionários da ONU serão isentos de todo o imposto sobre os vencimentos e emolumentos pagos pela Organização das Nações Unidas. Idêntica linha de raciocínio é adotada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto nO. 52.288, de 1963, ao declarar que os funcionários gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Os privilégios e imunidades foram, por força da Resolução nO.76, de 1946, da Assembléia Geral das Nações Unidas, outorgados a todo o pessoal das Nações Unidas, excluindo somente os funcionários recrutados no local e remunerados por hora. Novamente volta ao tema da relação de trabalho havida entre ela e o Organismo Internacional, para concluir que o termo funcionário da ONU deve ser entendido como empregado da ONU a luz da ordem jurídica pátria. A interpretação adotada segue o disposto no art. 16 da Lei de Introdução ao Código Civil - LICC. Seu entendimento é corroborado por orientações emanadas pela Receita Federal, contidas no Parecer Normativo CST nO.717, de 06/04/1979 e na pergunta 172 do Manual Perguntas e Respostas de 1995, transcritos. cp-- 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Transcreve, também, jurisprudência do Primeiro Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, favoráveis à sua tese. Acredita encontrar-se em situação idêntica aos contribuintes que obtiveram a isenção/imunidade reconhecida pelo Conselho de Contribuintes nos julgados transcritos na defesa, logo, de acordo com o art. 5°, 11, ~ 2° c/c 150, II da Constituição Federal, a Receita Federal não poderia fazer distinção entre os contribuintes e exigir dela Imposto de Renda sobre os rendimentos auferidos do Organismo Internacional. Em relação à multa isolada, sustenta ser incabível a cobrança em virtude da não incidência de imposto sobre os rendimentos auferidos do Organismo Internacional e, se cabível, defende a aplicação somente da multa de ofício. Para ela, a cobrança cumulativa da multa isolada e da multa de ofício constitui bis in idem. Por fim, solicita a declaração de insubsistência do lançamento e a conseqüente inexigibilidade das multas (multa isolada e de ofício) aplicadas cumulativamente ou, alternativamente, seja aplicado o art. 112, I e 11 do CTN, para que o ônus do Imposto recaia sobre o empregador." DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Em 31/01/2006, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF exarou o Acórdão DRJ/BSA nO.16.382 (fls. 86 a 97), considerando procedente o lançamento, conforme os seguintes argumentos, em síntese: - a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - UNESCO/ONU corresponde a uma Agência Especializada da ONU, segundo esclarece o Artigo 1° do Decreto nO.52.288, de 1963; - a contribuinte não se enquadra na categoria de funcionários da UNESCO que gozam da isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos do Organismo, pela simples razão de não ser funcionária e sim uma técnica contratada, de acordo com as normas legais vigentes eas provas qos autos; <f-- 5 ~MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 - a isenção prevista no art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, aplica-se exclusivamente aos servidores de Organismos Internacionais domiciliados no exterior, caso contrário o parágrafo único do artigo estabeleceria a tributação de outros rendimentos auferidos por pessoas domiciliadas no Brasil como residente no exterior, o que seria um contra-senso; - nenhum dos requisitos foi atendido pela contribuinte, vez que não é servidor das Agências Especializadas da ONU e tampouco reside no exterior; - todavia, a legislação brasileira reconhece que a fonte da obrigação de conceder a isenção é o tratado ou convênio internacional de que o Brasil seja signatário; - assim, mesmo a contribuinte não sendo beneficiada pela isenção prevista no art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, impõe-se a análise dos tratados e convenções internacionais vigentes a fim de saber se a contemplam, de outro modo, com a isenção de Imposto de Renda; - no caso em questão, os rendimentos foram recebidos da UNESCO, disciplinada pelo Acordo Básico de Assistência T$cnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto nO.59.308, de 1966; - conforme dito acordo, a UNESCO corresponde a uma Agência Especializada da ONU e, com relação aos seus funcionários, aplica-se a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agencias Especializadas das Nações Unidas, adotada em 21/11/1946, por ocasião da Assembléia Geral das Nações Unidas, e recepcionada pelo direito pátrio por meio do Decreto nO.52.288, de 24/07/1963, que a promulgou; - a Convenção que rege o tema nada estabelece sobre qual deva ser o domicílio da pessoa beneficiária da isenção, mas exige que seja ela funcionária das f- 6 " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Agências Especializadas e que conste na lista elaborada pela Agência, sujeita à comunicação ao Secretário Geral da ONU e, periodicamente, aos Governos dos Estados Membros; - o nome contido na lista e a sua comunicação ao Governo são requisitos para o gozo da isenção, já que nem todos os funcionários das Agências Especializadas fazem jus ao privilégio, mas tão somente os funcionários internacionais mais graduados, que necessitam de privilégios semelhantes aos agentes diplomáticos, para o bom desempenho de suas funções; - a determinação da categoria de funcionários beneficiados com os privilégios cabe às Agências Especializadas, que gozam de autonomia, inclusive para renunciar a qualquer imunidade concedida aos seus funcionários (22a Seção do Artigo 6° da Convenção); - já para os técnicos que prestam serviços às Agências Especializadas, sem vínculo empregatício, nada foi disposto na Convenção a respeito de isenção de impostos; - a IN SRF nO. 73, de 1998, reiterada pelas seguintes, confirma a interpretação feita da Convenção, isto é, os rendimentos auferidos de Organismos Internacionais pelos residentes no Brasil estão sujeitos à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório, exceto os recebidos por pessoas físicas aqui residentes relacionadas nas listas enviadas à Receita Federal pelos Organismos; - por fim, cite-se a publicação denominada "Imposto de Renda Pessoa Física - Perguntas e Respostas - 2005", editada pela Receita Federal, que esclarece acerca do tratamento tributário dos rendimentos auferidos pelos servidores do PNUD e das Agências Especializadas da ONU (perguntas nOs.137 e 138); r- 7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 - conclui-se assim que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos recebidos de Organismos Internacionais é privilégio concedido exclusivamente aos funcionários, desde que atendidas certas condições, quais sejam: devem ser funcionários do Organismo Internacional, in casu, enquadrar-se como funcionário da UNESCO; e seus nomes devem ser relacionados e informados à Receita Federal por tais Organismos, como integrantes das categorias por eles especificadas; - a contribuinte firmou o Contrato de Serviço com a UNESCO nO. ED07916/2001, às fls. 29 a 34, que não deixa dúvida no sentido de que ela não pertencia ao quadro efetivo da UNESCO, ou seja, não era funcionária do Organismo, tal como exigido pela legislação que concede a isenção; - destarte, sua relação era apenas contratual e, portanto, sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio Internacional, cabendo agora perquirir de quem é a responsabilidade pelo pagamento do tributo; - as Agências Especializadas, segundo o disposto no Artigo 2° do Decreto nO.52.288, de 1963, têm personalidade jurídica própria e, no que se refere a tributos, são exoneradas de todo imposto direto (93 Seção do Artigo 3° do citado diploma legal); - conjugando os dispositivos mencionados, vê-se que a personalidade jurídica das Agências Especializadas é diversa da de seus agentes, funcionários e prestadores de serviço e que a exoneração de tributos a elas concedida não se estende às pessoas físicas que delas participam; - por conseguinte, as Agências Especializadas não são responsáveis pelo recolhimento de tributos incidentes sobre os salários e emolumentos pagos, dado que lhes é reconhecida, por convenção internacional, a imunidade (Decreto nO.52.288, de 1963);r 8 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 - em sendo devidos os tributos sobre os salários e emolumentos pagos, exonera-se a obrigação pela retenção e recolhimento pela fonte pagadora e transfere-se tal responsabilidade para o contribuinte, sujeito passivo direto da obrigação tributária, a ser feito sob a forma de recolhimento mensal obrigatório; - no que concerne à jurisprudência invocada, há que ser esclarecido que as decisões judiciais e administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, portanto não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam-se sobre a questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios; - de qualquer forma, recentemente o Conselho de Contribuintes adotou entendimento diverso sobre o terna, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. nO.CSRF/04.00.004 - Recurso nO.106-131.853); - assim, os rendimentos recebidos pelo contribuinte da UNESCO/ONU, decorrentes da prestação de serviços contratuais,' não gozam de isenção do Imposto de Renda, por falta de previsão legal, estando sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-Ieão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual; - a contribuinte reclama, ainda, da aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício, porém se trata de duas multas distintas, aplicadas por força do art. 44 da Lei nO.9.430, de 1996, e que não são excludentes uma da outra; - o art. 8°, da Lei nO. 7.713, de 1988, estabelece que fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei (recolhimento mensal obrigatório - carnê-Ieão), a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País; r 9 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 - o imposto é calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês, conforme dispõe o inciso I do art. 4° da Lei nO.8.134, de 1990; - os rendimentos de que trata o art. 8° da Lei nO.7.713, de 1988, além de estarem sujeitos ao recolhimento mensal, compõem, também, a base de cálculo do Imposto de Renda no ajuste anual, a ser feito por ocasião da apresentação da declaração de rendimentos; - portanto, em relação aos rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, verifica-se que a contribuinte deverá observar duas condutas: calcular e efetuar o recolhimento do Imposto de Renda mês a mês e incluir os rendimentos na declaração, apurando, se for, o caso, o saldo do Imposto a pagar; - a inobservância das obrigações legais acima constitui infração à legislação tributária e sujeita a contribuinte à aplicação de multas distintas, por meio de lançamento de ofício feito pela Autoridade Fiscal, já que duas são as infrações cometidas, quais sejam, declaração inexata e falta de pagamento do carnê-Ieão; - em face do art. 44, inciso I e 9 1°, "inciso 111, da Lei nO.9.430, de 1996, e da Instrução Normativa SRF nO.46, de 1997, depreende-se que duas são as multas de ofício aplicáveis ao lançamento, uma sobre o imposto mensal devido e não recolhido (multa isolada), e outra sobre o imposto suplementar apurado na declaração de rendimentos, se for o caso. - logo, como a contribuinte deixou de incluir na declaração de rendimentos os valores recebidos de fontes situadas no exterior, bem como deixou de. recolher, tempestivamente, o imposto devido a título de carnê-Ieão sobre os valores por ela recebidos, é cabível a aplicação das duas multas de 75%, a isolada, que deve incidir sobre o valor do imposto que deixou de ser pago em cada mês do ano-calendário, e a incidente sobre o imposto apurado no ajuste anual; r- 10 ~MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 - por último, esclareça-se que o Termo de Conciliação homologado no Processo nO.1.044/2001, da 15a Vara do Trabalho de Brasília, juntado aos autos, não obriga a fonte pagadora (Organismo Internacional) a recolher o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos. DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada do acórdão de primeira instância em 14/03/2006 (fls. 100), a contribuinte apresentou, em 30/03/2006, tempestivamente, o recurso de fls. 101 a 121, reiterando as razões contidas na impugnação. Às fls. 124, a Autoridade Preparadora informa que foi prestada a garantia recursal (arrolamento de bens). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 124 (última), que trata também do envio dos autos a este Colegiado. É o Relatório. r 11 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 VOTO Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo, de lançamento por meio do qual se exige Imposto de Renda Pessoa Física, acrescido de multa de ofício, juros de mora e multa isolada do carnê-Ieão, tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos da Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO/ONU, relativos ao exercício de 2003, ano-calendário de 2002. No entender da contribuinte, tais rendimentos gozariam de isenção. De plano, esclareça-se que a autuação versa sobre rendimentos recebidos de Organismo Internacional, portanto se trata de fonte no exterior, situação esta que enseja tributação específica, diversa do tratamento conferido pela legislação aos rendimentos recebidos de fonte no País. Nesse passo, a tributação dos rendimentos das pessoas físicas, sujeitos ao pagamento de Imposto de Renda à guisa de antecipação durante o ano- calendário, sem prejuízo do ajuste anual, encontra-se dividida em dois grandes grupos (arts. 7° e 8° da Lei nO.7.713, de 1988): a) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, cuja tributação antecipada é levada a cabo mediante retenção pela fonte pagadora, sem prejuízo do ajuste anual por parte do beneficiário; f- 12 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 b) rendimentos recebidos de pessoas físicas e do exterior, cuja tributação antecipada é levada a cabo mediante pagamento .do carnê-Ieão pelo próprio beneficiário, também sem prejuízo do ajuste anual. No caso em tela, a autuação em momento algum se refere a "rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício", como alega a contribuinte, mas sim a "rendimentos recebidos de fontes no exterior", portanto enquadrados na sistemática do item "b", acima. A contribuinte critica o acórdão de primeira instância, por não haver adotado jurisprudência do Conselho de Contribuintes aplicada a outras pessoas físicas, o que a seu ver estaria ferindo o princípio da isonomia. Em face de tal alegação, convém esclarecer que os julgados dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não possuem efeito vinculante. Ademais, dita jurisprudência não mais prestigia a tese da contribuinte, conforme será analisado no decorrer do presente voto. Tratando-se especificamente da isenção invocada, a solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a seleção de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da ultima ratio que norteia a concessão da isenção em foco. O artigo 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, reproduzido no artigo 22 do Regulamento do Imposto de Renda/1999, aprovado pelo Decreto nO.3.000, de 1999, assim determina: "Art. 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I - Servidores diplomáticos de governos estrangeiros;0 13 .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 11 - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; 111 - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens 11e 111deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país." (grifei) Quanto aos incisos I e 111, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países. No que tange ao inciso li, este menciona genericamente os "servidores de organismos internacionais", nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em foco faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso 11 são contribuintes como residentes no estrangeiro. Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso li, ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Fica assim demonstrado que o art. 5° da Lei nO. 4.506, de 1964, acima transcrito, não contempla a situação da contribuinte - brasileira residente no Brasil -, conforme endereço por ela mesma fornecido no recurso (fls. 101). Ainda que o dispositivo legal ora analisado pudesse ser aplicado a um nacional residente no País - o que se admite apenas para argumentar - ele é claro ao remeter a isenção concedida a servidores de organismos internacionais ao respectivo 14 .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005,.79 104-22.099 tratado ou convênio. E nem poderia ser diferente, já que, conforme o art. 98 do Código Tributário Nacional, "os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha", portanto as Convenções que regulam a matéria poderiam efetivamente dispor de modo diverso da legislação pátria. Nesse passo, torna-se imprescindível o exame das avenças que regulam a matéria, a começar pelo "Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas é a Agência Internacional de Energia Atômica", promulgado pelo Decreto nO.59.308, de 23/09/1966, que assim prevê: "ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas'; c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'." No caso em apreço, tratando-se de rendimentos pagos pela Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura - UNESCO, que constitui uma Agência Especializada da Organização das Nações Unidas - ONU, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades, conforme comando do artigo V.1.b, acima, devem seguir os r 15 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 ditames da "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas". Esta, por sua vez, foi promulgada pelo Decreto nO.52.288, de 24/07/1963, e assim prevê: "ARTIGO 1° Definições e Extensão 1a Seção Nesta Convenção (...) 11 - As palavras 'agências especializadas' significam: (...) c) a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura; (...) ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 18a Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-Ias aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados. 19a Seção Os funcionários das agências especializadas: a) Serão imunes a processo legal quanto às palavras falada ou escritas e a todos os atos por eles executados na sua qualidade oficial; f 16 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 b) gozarão de. isenções de impostos, quanto aos salários e vencinientos, a eles pagos p~las agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas; c) serão imunes, assim como seus conJuges e parentes dependentes, restrições de imigração e de registro de estrangeiros; d) terão quanto às facilidades de câmbio, privilégios idênticos aos concedidos aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas; e) terão, bem como seus cônjuges e parentes dependentes, em época de crises internacionais, facilidades de repatriação idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas; f) terão direito de importar, com isenção de direitos, seus móveis e objetos, quando assumirem pela primeira vez o seu posto no país em apreço." (grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários das Agências Especializadasda ONUe encontra- se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família; privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de categoria comparável de missões diplomáticas; facilidades de repatriação idênticas às dos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticos, em tempo de crise internacional; e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção em tela utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o termo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigratórias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriação e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no País.t 17 .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 Assim, fica claro que as vantagens e isenções - inclusive do imposto sobre salários e emolumentos - relacionadas no artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades. A resposta se encontra no próprio artigo 6°, 183 Seção, que a seguir se recorda: "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS 183 Seção Cada agência especializada especificará as categorias dos funcionários nos quais se aplicarão os dispositivos deste artigo e do artigo 8°. Comunicá-Ias aos Governos de todos os países partes nesta Convenção, quanto a essa agência, e ao Secretário Geral das Nações Unidas. Dos nomes dos funcionários incluídos nessas categorias periodicamente se dará conhecimento aos Governos acima mencionados." A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de benefícios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU - e que no inciso 11, do art. 5°, da Lei nO.4.506, de 1964, é chamado de servidor - é o funcionário internacional, integrante dos quadros da Agência Especializada da ONU com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo 6° da Convenção das Agências Especializadas da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. No que tange à isenção de impostos, especificamente, recorde-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU assim estatui: t- 18 .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 "ARTIGO 6° FUNCIONÁRIOS (...) 19a Seção Os funcionários das agências especializadas: (...) b) gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos, a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas às de que gozam os funcionários das Nações Unidas;" (grifei) Nesse passo, observa-se que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, firmada em Londres em 13/02/1946 e promulgada pelo Decreto nO. 27.784, de 16/02/1950, é orientada pelas mesmas diretrizes, a saber: a isenção de impostos encontra-se inserida em um conjunto de benefícios e privilégios reservados apenas às categorias de funcionários determinadas pelo Secretário Geral, aprovadas em Assembléia Geral e cujos nomes dos respectivos integrantes serão comunicados aos Governos dos Membros. Confira-se: "ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Gov~rnos dos Membros. I- 19 .MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos); b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de. equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado; f) gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos." (grifei) . Assim, conclui-se que o artigo 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, bem como o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, embora não abordem expressamente a questão da residência, harmonizam-se perfeitamente com o inciso 11, do art. 5°, da Lei nO.4.506, de 1964 (transcrito no início deste voto), já que ambas as Convenções inserem a isenção do imposto de renda em um conjunto de vantagens que somente se compatibiliza com beneficiários não residentes no Brasil. Com efeito, conjugando-se 20 "MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 esses três comandos legais (o dispositivo da Lei nO.4.506, de 1964, e os artigos das duas Convenções), conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriação e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil. Afinal, esses funcionários integram categorias de staff dentro do Organismo Internacional, que tem a sua sede no exterior, daí a justificativa para esse tratamento diferenciado. Nesse mesmo sentido registraram G. E. do Nascimento e Silva e Hildebrando Accioly, no seu Manual de Direito Internacional Público (15a Edição, São Paulo: Saraiva, 2002, pp.216/217): "O Secretariado é (...) o órgão administrativo, por excelência, da Organização das Nações Unidas. Tem uma sede permanente, que se acha estabelecida em Nova Iorque. Compreende um Secretário-Geral, que o dirige e é auxiliado por pessoal numeroso, o qual deve ser escolhido dentro do mais amplo critério geográfico possível. O Secretário-Geral é eleito pela Assembléia Geral, mediante recomendação do Conselho de Segurança. O pessoal do Secretariado é nomeado pelo Secretário-Geral, de acordo com regras estabelecidas pela Assembléia. Como funcionários internacionais, o Secretário-Geral e os demais componentes do Secretariado são responsáveis somente perante a Organização e gozam de certas imunidades." (grifei) E ainda Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (11a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): "Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário- geral, secretários-adjuntos, diret9res-gerais etc.). É o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades." (grifei) f 21 "MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: "ARTIGOVI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões. Gozam, em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais; b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas; c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; r 22 I ,MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária; f) no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais. O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização." Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta - e nem poderia constar - da relação de benefícios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Quanto à Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas da ONU, a restrição é ainda maior, concedendo-se aos peritos apenas o privilégio do laissez-passer, específico para as situações de trânsito: "ARTIGO 8° Laissez-Passer (...) 28a Seção Os pedidos de visto, nos casos em que são necessários, de funcionários das agências especializadas que possuam Laissez-Passer das Nações, Unidas, quando acompanhados de um certificado de que viajam a negócio de uma agência especializada, serão despachados com a possível rapidez. Outrossim, a essas pessoas se concederão facilidades para viagem rápida. I 23 ,MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 298 Seção Facilidades semelhantes às especificadas na 288 Seção serão concedidas aos peritos e a outras pessoas que, embora não possuam Laissez-Passer das Nações Unidas, tem um certificado que atesta estarem viajando a negócios de uma agência especializada. 30a Seção Os diretores executivos, os assistentes dos diretores executivos, os diretores de departamentos e outros funcionários de categoria não inferior à de chefe de departamento das agências especializadas, que viajam com Laissez-Passer das Nações Unidas a negócios das agências especializadas, terão facilidades de viagem idênticas às concedidas aos funcionários de categoria comparável das missões diplomáticas." (grifei) Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU e de suas Agências Especializadas, que goza de um conjunto de benefícios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses benefícios. Tal constatação é referendada pela melhor doutrina, aqui novamente representada por Celso D. de Albuquerque Mello, em seu "Curso de Direito Internacional Público" (11 a edição, Rio de Janeiro: Renovar, 1997, pp. 723 a 729): "Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários. Tal fenômeno fez com que os seus funcionários- aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio. Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente. (...) ( Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de r 24 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 modo permanente. Podemos defini-los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse - internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecida internacionalmente. (...) A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria organização internacional sem interferência dos Estados Membros. (...) o funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano. Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (...) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (...) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex.: a vencimentos). (...) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. ( ...) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários-adjuntos, diretores-gerais etc.). É o Secretário-Geral da' ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. t 25 "MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais'; b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórias e registro de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços; e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; f) facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes; g) direito de importar, livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os sub- secretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'." (grifei) No trecho abaixo, ainda recorrendo a Celso D. de Albuquerque Mello, verifica-se a perfeita distinção entre os funcionários internacionais e os técnicos a serviço da ONU e de suas Agências Especializadas, no que tange aos privilégios e imunidades: "Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades: a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais'; b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções'; c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis' para se comunicar com a ONU; e) facilidades de câmbio; f) quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos". (grifei) . Como se pode constatar, a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos - funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo - como identifica o conjunto de benefícios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos r 26 "MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Resta agora determinar a qual dos dois grupos pertenceria a contribuinte, a fim de verificar se ela faria ou não jus à isenção pleiteada, desta feita sob o ângulo das Convenções Internacionais. A resposta está evidente no Contrato de Serviço juntado aos autos às fls. 29 a 34, cujas cláusulas são claras no sentido de que a contribuinte é técnica a serviço da Agência, com vínculo contratual, e não funcionária estatutária, integrante de categoria que goze de privilégios e imunidades, a saber: "I. TERMOS DE REFERÊNCIA (a) O(A) Contratado(a) exercerá suas atividades no Projeto 914BRA59 DST - AIDS PRODOC - Fase 11 e tem os Termos de Referência anexados a este Contrato, sujeitando-se ao cumprimento das disposições inseridas no Anexo que, independentemente de transcrição, constitui parte integrante e indissociável deste Contrato, aditando, retificando ou ratificando o que aqui está disposto; (...) 11. VIGÊNCIA DO CONTRATO O presente Contrato entra em vigor na data de 02/01/2002 e terminará na data de 31/12/2002, sujeitando-se às condições do Artigo VII abaixo. Em hipótese nenhuma, este Contrato poderá ser considerado como automaticamente renovável. 111. REMUNERAÇÃO (...) A UNESCO não assegura ao Contratado cobertura de seguro de saúde nem aposentadoria nem para seus familiares, durante a vigência deste contrato. ;1 27 ,MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 O Contratado deverá estabelecer por conta própria estes seguros e a aposentadoria. V. ESTATUTO DO(A) CONTRATADO(A) Este estatuto é contratual. OCA)Contratado(a) não está submetido(a) ao Estatuto e Regulamento do Pessoal aplicado ao Pessoal Internacional da UNESCO nem à Convenção que rege os Privilégios e a Imunidade. (...) VI. DIREITOS E OBRIGAÇÕES DO(A) CONTRATADO(A) Os direitos e obrigações do(a) Contratado(a) estão estritamente limitados aos dispositivos e às condições do presente Contrato. Assim, o(a) Contratado(a) não poderá se prevalecer de nenhum benefício, pagamento, subsídio, indenização ou pensão por parte da UNESCO, exceção feita aos pagamentos expressamente previstos neste Contrato. OCA)Contratado(a) não poderá se prevalecer do presente Contrato para fins de isenção de impostos que poderão incidir sobre pagamentos recebidos a título do mesmo." (grifei) Destarte, fica demonstrado que a contribuinte não é funcionária internacional pertencente ao quadro estatutário da UNESCO, tampouco está submetida à Convenção que rege os privilégios e imunidades, portanto obviamente não tem direito à isenção pleiteada, estando os rendimentos por ela recebidos daquele Organismo Internacional efetivamente sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. Quanto às orientações emanadas da Secretaria da Receita Federal, trazidas à colação pela defesa, o acórdão recorrido bem ressalvou que não são aplicáveis à contribuinte, já que esta não é funcionária estatutária de Organismo Internacional, mas sim técnica a serviço com vínculo contratual. De toda a sorte, torna-se inócua a discussão acerca de tais orientações, uma vez que os atos citados já foram há muito superados. Com efeito, à época de ocorrência do fato gerador, conforme bem esclarece o acórdão de primeira instância, a orientação fornecida pela Instrução Normativa SRF nO.73, de 1998, 28 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 reiterada em sua essência na Instrução Normativa SRF nO.208, de 2002, que a sucedeu, era bem clara, a saber: "Art. 22. Os rendimentos percebidos de organismos internacionais situados no Brasil ou no exterior, por residentes no Brasil, estão sujeitos à tributação na forma do recolhimento mensal obrigatório (carnê-Ieão) e na Declaração de Ajuste Anual. ~ 1° Estão isentos os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas - ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - ALADI, situadas no Brasil, por funcionários aqui residentes, desde que seus nomes sejam relacionados e informados à Secretaria da Receita Federal por tais organismos, como integrantes das categorias por elas especificadas. ~ 2° A informação de que trata o ~ 1° será prestada conforme o modelo constante do Anexo IV e deverá conter o nome do organismo internacional, a relação dos funcionários abrangidos pela isenção e respectivos CPF. ~ 3° A informação de que trata este artigo deverá ser enviada até o último dia útil do mês de fevereiro do ano-calendário subseqüente ao do pagamento dos rendimentos à Divisão de Declarantes Domiciliados no Exterior - DIDEX, da Superintendência Regional da Receita Federal da 1a Região Fiscal." Ressalte-se que, no caso em apreço, sendo contratual o vínculo da contribuinte com a UNESCO, e encontrando-se ela fora do alcance da Convenção que rege os privilégios e imunidades - como consta claramente do citado Contrato de Serviço - obviamente que o seu nome jamais poderia figurar de eventual lista de categorias contempladas pela isenção, já que tais categorias são providas por funcionários estatutários, como estabelece a legislação de regência e reitera a melhor doutrina. A mesma orientação vem sendo exarada pelo menos desde o ano 2000, por meio da publicação "Perguntas e Respostas", cujo texto da edição de 2000, ano-calendário ~. I 29 I -MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 de 1999 (praticamente idêntico à do exercício de 2005, ano-calendário de 2004, constante do acórdão recorrido), a seguir se transcreve: "132. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, da ONU? Os rendimentos do funcionário do PNUD, da ONU, têm o seguinte tratamento: 1- funcionário estrangeiro Sobre os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, bem como os produzidos no exterior, não incide o imposto de renda brasileiro. É contribuinte do imposto de renda brasileiro, na condição de não-residente no Brasil, quanto aos rendimentos que tenham sido produzidos no País, tais como remuneração por serviços aqui prestados e por aplicação de capital em imóveis no País, pagos ou creditados por qualquer pessoa física elou jurídica, quer sejam estas residentes no Brasil ou não; se residentes, estão sujeitos à tributação exclusiva à alíquota de 15% ou 25%, conforme o caso. Se receber de fonte brasileira rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, caracteriza-se a condição de residente. 2 - funcionário brasileiro pertencente ao quadro do PNUD Os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções específicas nesse organismo, não se sujeitam ao imposto de renda brasileiro, desde que o nome do funcionário conste da relação entregue à SRF na forma do anexo IV da IN SRF nO.73/98. Quaisquer outros rendimentos percebidos, quer sejam pagos ou creditados por fontes nacionais ou estrangeiras, no Brasil ou no exterior, sujeitam-se à tributação. 3 - Pessoa física não pertencente ao quadro efetivo Os rendimentos de técnico que presta serviço a esses organismos, sem vínculo empregatício, são tributados consoante disponha a legislação brasileira, quer seja residente no Brasil ou não. ~ 30 ~MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Atenção: (...) Para que os rendimentos do trabalho oriundos do exercício de funções específicas no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD, nas Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas - ONU, na Organização dos Estados Americanos - OEA e na Associação Latino-Americana de Integração - Aladi, situadas no Brasil, recebidos por funcionários aqui residentes, sejam considerados isentos, é necessário que seus nomes sejam relacionados e informados à SRF por tais organismos, como integrantes de suas categorias por elas especificadas. (...) 133. Qual é o tratamento tributário dos rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da ONU? Os rendimentos auferidos por funcionário das Agências Especializadas da Organização das Nações Unidas estão sujeitos ao mesmo tratamento tributário determinado para os servidores do PNUD . São Agências Especializadas da ONU: ( ...) - Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura - Unesco - Decreto nO.63.151, de 1968 (United Nations Educational,Scientific and Cultural Organization - Unesco." No que tange à jurisprudência Gudicial e administrativa) argüida pela contribuinte, esta também já se encontra superada, em face das mais recentes decisões proferidas, citando-se como exemplo as seguintes ementas: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - AÇÃO ORDINÁRIA - IRPF - VERBAS PAGAS A CONSULTOR (TÉCNICO) DO PNUD/ONU (PRESTAÇÃO DE SERViÇOS) - CARÁTER TRIBUTÁVEL - ISENÇÃO (CONVENÇÃO DE VIENA): INAPLlCABILlDADE - APELAÇÃO NÃO PROVIDA. r- 31 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 1 - CTN (art. 108, ~2°; e art. 111, I e 11): não se dispensa tributo ao sabor de equidade; e legislação que disponha sobre isenção reclama interpretação literal. 2 - Ainda que oriunda de atividade de relevância social manifesta, é tributável, à míngua de lei expressa noutro sentido, a remuneração paga em face da prestação de serviço de consultoria (técnico a serviço), decorrente de acordo de cooperação técníca entre a ONU/PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e o governo brasileiro, por meio da Agência Brasileira de Cooperação. 3 - Não se estende - consoante confessa o próprio PNUD - aos consultores a isenção tributária prevista na Convenção de Viena, destinada aos 'funcionários' (em sentido restrito) do corpo diplomático. 4 - O Decreto nO.27.784/50 estipula'dúplex tratamento tributário àqueles que prestem serviços a organismo internacional ou em projeto de cooperação técnica, conforme sejam 'funcionários' (no amplo sentido) ou, noutro caso, simples 'peritos' (consultores), não sendo aos segundos (situação da autora) assegurada isenção qualquer de renda. 5 - Inaplicável o Decreto 52.288/63 (restrito à Agência Internacional de Energia Atômica e às Agências Especializadas que enumera, não se incluindo o PNUD). 6 - Apelação não provida. 7 - Peças liberadas pelo Relator, em 05/06/2006, para publicação do acórdão." (Acórdão 2002.34.00.027370-4/DF, 78 Turma do TRF da 18 Região, DJ de 16/06/2006, p. 46) "IRPF - PNUD - ISENÇÃO - A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Secretário-Geral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. Recurso especial provido" (Acórdão CSRF/04-00.060, de 21/06/2005, da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) r 32 'MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 Uma vez demonstrado que os rendimentos em questão não são isentos de Imposto de Renda, resta perquirir sobre a responsabilidade pelo pagamento do tributo. No entender da contribuinte, dita responsabilidade seria da UNESCO, tese esta que não encontra amparo legal, conforme será demonstrado a seguir. Como já ficou assentado no presente voto, trata-se de rendimentos recebidos do exterior, cuja sistemática de tributação, no que tange ao pagamento antecipado do Imposto de Renda, difere da sistemática que rege os rendimentos do trabalho auferidos de fontes situadas no País. Com efeito, o Regulamento do Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto nO.3.000, de 1999, como base no art. 8° da Lei nO.7.713, de 1988, assim estabelece: "Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nO.7.713, de 1988, art. 8°, e Lei nO.9.430, de 1996, art. 24, S 2°, inciso IV): (...) 111 - os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; (...) Art. 109. Os rendimentos sujeitos à incidência mensal devem integrar a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o imposto pago será compensado com o apurado nessa declaração (Lei nO.9.250, de 1995, arts. 8°, inciso I, e 12, inciso IV). " Assim, na situação em apreço, a contribuinte estava obrigada a efetuar o recolhimento mensal denominado de "carnê-Ieão", sem prejuízo da tributação dos rendimentos por ocasião do ajuste anual.~ 33 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Claro está que a responsabilidade da contribuinte pelo pagamento do Imposto de Renda, inclusive no que tange ao recolhimento mensal, tem ligação direta com a imunidade tributária de que gozam os Organismos. Internacionais, muito bem abordada no acórdão de primeira instância e reiterada no presente voto. Corroborando esse entendimento, convém trazer à colação o Parecer nO.8, de 24/06/2005, exarado pela Advocacia Geral da União - AGU e aprovado pelo Sr. Presidente da República (DOU de 23/08/2005), a respeito de contribuições previdenciárias supostamente devidas por Organismos Internacionais. Na oportunidade, a AGU rechaçou por completo qualquer pretensão no sentido de exigir-se destes Organismos o cumprimento de obrigações tributárias ou previdenciárias. O citado ato, dentre outros fundamentos, cita as conclusões de parecer do Ministério das Relações Exteriores, elaborado a pedido do PNUD. A seguir serão transcritos trechos do Parecer da AGU, deveras elucidativos, já que externam o entendimento daquele órgão acerca da imunidade tributária dos Organismos Internacionais e das obrigações que recaem sobre os técnicos brasileiros a serviço destas entidades: "1. O Ministério das Relações Exteriores - MRE solicitou a esta Advocacia- Geral da União a análise da obrigação imposta pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS à Agência Brasileira de Cooperação/MRE e outros órgãos públicos federais referente à prestação mensal de informações sobre os valores pagos aos consultores técnicos contratados por organismos internacionais no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional, bem como das eventuais repercussões desses pagamentos em relação ao recolhimento de contribuições previdenciárias por parte dos mesmos, com o objetivo de conferir ao assunto tratamento uniforme em todo o Governo Federal. (...) 4. O Ministério das Relações Exteriores ainda encaminhou a esta Advocacia-Geral da União parecer jurídico encomendado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, programa da Organização das Nações Unidas - ONU responsável por parte das f 34 ,MINI$TÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 contratações de consultores destinados ao desempenho de atividades técnicas no âmbito dos acordos de cooperação internacional em análise. As conclusões do citado parecer são as seguintes: (...) Se o pagamento for efetuado pelo PNUD, à semelhança do que ocorre com a SRF, quem é obrigado a recolher o tributo, por conta própria, é o consultor técnico, porque além de não ser exigível de outrem o cumprimento da obrigação tributária (nem do PNUD, nem do órgão público), desconhecemos qualquer tipo de exoneração (imunidade, isenção, alíquota zero, etc.) que o exima de contribuir. Nessa medida o consultor técnico, na qualidade de contribuinte individual, só estará protegido pelos benefícios do RGPS se devidamente inscrito e se recolher, por conta própria, a contribuição social incidente nos pagamentos recebidos de organismo oficial internacional. (...) A fim de fazer com que o Consultor Técnico recolha os valores por eles devidos, pode ser inserida, ainda, disposição no contrato com o consultor técnico, de forma a deixar claro que este não está isento da contribuição social incidente nos pagamentos efetuados por organismos oficiais internacionais e que deve, portanto, inscrever-se no RGPS e contribuir para fazer jus aos benefícios da previdência. Suas contribuições devem ser recolhidas por conta própria, na esteira do que já vem adotando a SRF no que tange ao Imposto de Renda da pessoa física, bem como o que adota o próprio INSS, no caso de serviços prestados a missão diplomática ou repartição consular de carreira estrangeiras. (...) 7. Analisados todos esses argumentos, passo a me manifestar acerca do tema. (...) 24. Destarte, nota-se que a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, ao contrário das missões diplomáticas e repartições consulares de carreira estrangeiras, gozam, além de imunidade de execução absoluta, de imunidade de jurisdição. E a sua imunidade tributária também é r- I 35 I I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 sensivelmente mais ampla, pois não abrange apenas seus bens imóveis, suas importações, os valores referentes aos serviços oficiais que executam e os rendimentos de seus agentes, incluindo ainda o próprio ente, seus ativos, rendas e outros bens, à exceção das taxas cobradas em razão da prestação de serviços públicos. Registre-se ainda que não há qualquer ressalva à sua imunidade tributária em relação à Previdência Social do país que as recebem. 25. Logo, quando a Lei nO.8.212/91 (art. 15, par. ún.) equiparou, para fins previdenciários, as missões diplomáticas e repartições consulares de carreira estrangeiras a empresas, e não o fez em relação aos organismos internacionais, não foi por acaso, mas em respeito à diferença de privilégios e imunidades que as normas de Direito Internacional Público, às quais o Brasil aderiu, reservam a esses sujeitos. Enquanto as Convenções de Viena sobre. Relações Diplomáticas e Consulares expressamente prevêem que as missões e repartições que empregam nacionais do país acreditado, pessoas que nele possuam residência permanente ou que, em qualquer caso, não estejam cobertas por regime previdenciário diverso, devem contribuir para a Previdência Social deste país, responsabilizando-se pela cota patronal que a legislação local estabeleça, as Convenções sobre Privilégios e Imunidades dos organismos internacionais analisados conferem aos mesmos imunidade tributária ampla nessa seara, sem qualquer exceção quanto aos tributos previdenciários eventualmente existentes. 26. E não se diga que as Convenções sobre Privilégios e Imunidades dos organismos internacionais citados restringem sua imunidade tributária aos impostos propriamente ditos, e que as contribuições sociais, por serem espécie de tributo diversa, não estariam então cobertas. Uma análise dos textos das convenções, incluindo os seus originais em língua estrangeira, demonstra que as mesmas não tiveram essa preocupação técnica, até mesmo porque cada Estado membro possui definições sobre espécies de tributos distintas, e não seria possível compatibilizar toda essa diversidade em um único texto normativo com um mínimo de sistematicidade. (...) 27. Há que se esclarecer que, como 'o financiamento das organizações internacionais é realizado por meio de contribuições dos Estados-membros para os pagamentos das despesas da organização', 'a responsabilidade internacional das organizações possui um aspecto particular que é o de a responsabilidade repercutir nos seus Estados membros. r 36 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Assim sendo, se uma organização' for obrigada a pagar uma indenização, este pagamento será feito por contribuições dos Estados membros, uma vez que ela não tem independência financeira' (MELLO, Celso D. de Albuquerque. Op. cit., pp. 580 e 586). Mutatis mutandis, esse raciocínio se aplica também aos tributos devidos por essas organizações, o que justifica o tratamento distinto e extremamente favorável que as mesmas recebem em relação a sua imunidade tributária no Direito Internacional. 28. Vale ainda a menção ao que prevê o Código Tributário Nacional acerca das normas internacionais tributárias: Código Tributário Nacional Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. 29. Ou seja, em matéria de Direito Tributário, o Direito positivo brasileiro resolveu dar primazia aos tratados e convenções internacionais em face das normas internas, que são revogadas ou modificadas pelo Direito Internacional, mas não têm o condão de tornar inaplicáveis as normas internacionais, ainda que lhes sejam posteriores, salvo, por óbvio, se o ato internacional tiver sido regularmente denunciado. 30. Por tudo que se expôs, é de se concluir que não pode subsistir o Parecer CJ/NQ 3.050/2003, editado pelo Ministério da Previdência Social, que concluiu que os organismos internacionais, no caso de contratação de consultores no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional com a Administração Federal, equiparam-se a empresas e devem recolher a contribuição previdenciária a cargo destas. Ocorre que o citado Parecer fez uma analogia entre a situação dos Estados estrangeiros e a dos organismos internacionais não autorizada pelá Lei nO.8.212/91 (art. 15, par. ún.) e nem pelas normas de Direito Internacional aplicáveis à espécie, conforme fartamente demonstrado acima. 31. Inclusive os precedentes jurisprudenciais que fundamentam o citado Parecer do Ministério da Previdência Social, do Supremo Tribunal Federal, tratam apenas de questões que envolvem Estados estrangeiros, e não organismos internacionais. E a constatação de que as normas internacionais sobre privilégios e imunidades aplicáveis às missões e repartições de Estados estrangeiros são diversas das que se dirigem aos organismos internacionais, até mesmo porque aquelas não possuem sequer personalidade jurídica própria, pois integram o Estado acreditante, sendo este o verdadeiro sujeito de Direito Internacional, o qual não se beneficia de f 37 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 nenhuma norma internacional positivada que lhe confira imunidade de jurisdição, confere a certeza de que os organismos internacionais seriam tratados de forma distinta pelo STF, pois estes possuem formalmente essa imunidade. 32. Nesse sentido, a imunidade de jurisdição interna dos organismos internacionais prevista nas Convenções citadas tornaria inviável qualquer intenção do Governo brasileiro de, unilateralmente, atribuir- lhes responsabilidade tributária passiva quanto à Previdência Social do Brasil através de uma interpretação diversa dessas normas, pois isso demandaria, em última análise, a provocação da Corte Internacional de Justiça (...) 37. Como os organismos internacionais contratantes não se equiparam a empresas, a norma acima não se aplica aos mesmos; e como os pagamentos da remuneração dos consultores contratados são feitos diretamente pelo organismo internacional, não há como o órgão ou ente público fazer a retenção da contribuição a cargo do contribuinte individual para repassá-Ia à Previdência Social. Essa retenção também não pode ser feita considerando os valores que a União ou suas entidades devem repassar aos organismos internacionais a título de financiamento total ou parcial do acordo de cooperação internacional, não sendo possível qualquer analogia com a situação das empresas prestadoras de serviço, por ausência de norma legal expressa que determine essa responsabilidade para o caso em apreço, nos termos do artigo 128 do CTN. (...) 51. Diante de tudo o que se expôs, pode-se concluir que: - nas contratações de consultores técnicos efetuadas pelos organismos internacionais, nos termos do Decreto nO.5.151/2004, no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional firmados com a Administração Pública Federal, a obrigação do organismo internacional se limita a exigir do futuro contratado, no momento de sua contratação, a comprovação de sua inscrição na Previdência Social, devendo o contratado, contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social, recolher espontaneamente suas contribuições, cabendo ainda ao órgão ou ente federal informar à Previdência, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, os valores pagos a esses consultores no exercício anterior;" (grifei) ~ 38 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 A contribuinte traz ainda à colação o Termo de Conciliação exarado nos autos do Processo nO.1.044, de 2001, que tramitou na 15a Vara do Trabalho de Brasília/DF (fls. 81 a 84). Embora ela própria reconheça que dito termo não obriga o Organismo Internacional a recolher o Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos, argumenta que a ação "demonstra, pelo menos, que há uma situação não amparada por lei na contratação de seus profissionais, que laboram em absoluto estado de subordinação e com vínculo empregatício e institucional, razão de reconhecer-se descabida a autuação da contribuinte, ora Recorrente" (fls. 121). Ora, se alguma ilegalidade existe na contratação de profissionais pelos Organismos Internacionais, como assevera a contribuinte, as eventuais repercussões seriam no máximo de natureza trabalhista/previdenciária, sem qualquer ligação com a incidência do Imposto de Renda, portanto não se vislumbra a utilidade de tal argumento no caso ora analisado. Ainda assim, interessante notar que o Parecer nO. 8, de 24/06/2005, exarado pela Advocacia Geral da União - AGU e aprovado pelo Sr. Presidente da República (DOU de 23/08/2005), transcrito linhas atrás, aborda o citado Termo de Conciliação, demonstrando total sintonia com o entendimento esposado no presente voto. Confira-se: "48. Por fim, vale a lembrança de que o Ministério Público do Trabalho ajuizou contra a União a Reclamatória nO. 1.044/2001, que tramitou na 15a Vara do Trabalho de Brasília/DF, e na qual se celebrou termo de conciliação com as seguintes cláusulas: . Cláusula Primeira - Serão contratados ou nomeados pela União Federal os profissionais requeridos para execução de projetos de cooperação técnica internacional em funções nas quais seja ínsita a presença da subordinação jurídica para o seu desempenho. Parágrafo Primeiro - Nos projetos de cooperação técnica internacional implementados através de acordos internacionais, os quais ostentem funções de caráter de permanência para a sua execução, a contratação ou nomeação será por tempo indeterminado, devendo o cargo ou o emprego público ser provido por certame público, a teor do art. 37, 11, da Constituição. Parágrafo Segundo - Nos projetos em que seja requerido pessoa para exercer funções temporárias, será admitida contratação temporária disciplinada pela Lei 8.745/93, comprometendo-se a União Federal a f 39 MINI~TÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041 .000688/2005-79 104-22.099 promover a alteração legislativa necessária para viabilizar juridicamente tais contratações. Parágrafo Terceiro - Fica facultada a alocação de servidores ou empregados públicos na execução dos projetos temporários a título de contrapartida nacional. Cláusula Segunda - As funções meramente auxiliares, tais como de conservação, limpeza, segurança, vigilância, transportes, informática, copeiragem, recepção, reprografia, telecomunicações e manutenção de prédios, equipamentos e instalações, consoante Decreto nO. 2.271, de 7/7/1997 e outras que não estejam vinculadas diretamente com as finalidades das ações de cooperação internacional poderão ser terceirizadas, mediante a contrataç~o de empresas de prestação de serviços idôneas, sendo terminantemente vedada a contratação de cooperativas de mão-de-obra para atividades que demandem a prestação de trabalho subordinado. Cláusula Terceira - A cláusula primeira não se aplica para a contratação de profissionais que atuem prestando consultoria técnica nos projetos de cooperação internacional, assim definidos como os profissionais de nível superior, titulados através de cursos de pós-graduação (especialização, mestrado ou doutorado) em matérias ligadas aos projetos nos quais sejam consultores e desde que laborem sem nenhuma característica de subordinação jurídica e em absoluto estado de autonomia e em caráter temporário, hipótese em que restará excluída a presença do vínculo empregatício ou institucional. Parágrafo único - Excepcionalmente será admitida a contratação de consultor técnico que não preencha o requisito de escolaridade mínima definido no caput desta cláusula, desde que o profissional tenha notório e reconhecido conhecimento na área a ser desenvolvida no projeto de cooperação técnica internacional. 49. Esse mesmo termo de conciliação estabeleceu prazos para o cumprimento de suas cláusulas, os quais foram repactuados. E a obrigação de ordem legislativa assumida pela União já foi cumprida, como visto, com as alterações promovidas na Lei nO. 8.745/93, pela Lei nO. 10.667/2003, quando então passou a ser permitida a contratação temporária de pessoal diretamente pela Administração Pública Federal para atuação nos acordos de cooperação técnica internacional nas hipóteses em que haja a subordinação desses profissionais para com o órgão ou entidade federal. f- 40 MINI.TÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 50. Por certo, excepcionalmente, para as contratações solicitadas por órgão ou ente federal aos organismos internacionais após a edição da Lei nO. 10.667, publicada em 15.05.2003, e que venham a ser efetivadas por estes com supedâneo no Decreto nO. 5.151/2004, ou mesmo no Decreto nO. 3.751/2001, que precedeu aquele, mas nas quais a fiscalização previdenciária demonstre a existência de subordinação entre a pessoa contratada e a Administração Pública Federal, estando caracterizada a relação prevista no artigo 2º, VI, " h" da Lei nO. 8.745/93, e não aquela disciplinada pelos referidos Decretos, deve-se considerar incidentes as disposições da Lei nO.8.745/2003, inclusive quanto as suas conseqüências previdenciárias acima expostas, lastreadas na Lei nO.8.647/93. 51. Diante de tudo o que se expôs, pode-se concluir que: - nas contratações de consultores técnicos efetuadas pelos organismos internacionais, nos termos do Decreto nO.5.151/2004, no âmbito de acordos de cooperação técnica internacional firmados com a Administração Pública Federal, a obrigação do organismo internacional se limita a exigir do futuro contratado, no momento de sua contratação, a comprovação de sua inscrição na Previdência Social, devendo o contratado, contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social, recolher espontaneamente suas contribuições, cabendo ainda ao órgão ou ente federal informar à Previdência, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, os valores pagos a esses consultores no exercício anterior; - nas contratações de pessoal temporário efetuadas diretamente pela Administração Federal, nos termos da Lei nO. 8.745/93, para atuação, mediante subordinação, nos acordos de cooperação técnica internacional, o contratado filia-se ao Regime Geral de Previdência Social na qualidade de segurado empregado, devendo o órgão ou ente público contratante adimplir com as obrigações previdenciárias que são próprias a essa situação." De todo o exposto, conclui-se que os rendimentos objeto da autuação não são isentos de Imposto de Renda, seja pelo art. 5° da Lei nO.4.506, de 1964, seja pelas Convenções Internacionais que regem a matéria, seja pelas instruções emanadas da Secretaria da Receita Federal, seja pelo Parecer nO.8, de 24/06/2005, da Advocacia Geral da Uni30- AGU"t 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. Acórdão nO. 14041.000688/2005-79 104-22.099 Finalmente, quanto à multa isolada, relativa ao carnê-Ieão, entendo não ser devida concomitantemente com a multa de ofício, conforme a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MUL TA ISOLADA E MULTA DE OFíCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso 111, do S 1°, do art. 44, da Lei nO.9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e 11, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado." (Acórdão CSRF/01-04.987, de 15/06/2004) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnê-Ieão (ar. 44, S 1°, inciso 111, da Lei nO. 9.430, de 1996), exigida concomitantemente com a multa de ofício. Sala das Sessões - DF, em 06 de dezembro de 2006 42 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033 00000034 00000035 00000036 00000037 00000038 00000039 00000040 00000041 00000042
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Numero do processo: 13888.002746/2003-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN.
Havendo nos autos existência de pagamento - ainda que parcial - do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerando-se o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9202-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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Decadência. Recorrente Fazenda Nacional Interessado Omir José Lourenço ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo nos autos existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerandose o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 27 46 /2 00 3- 12 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente). Relatório Tratase de Recuso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão de nº 210100.890, haja vista auto de infração lavrado pela constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimentos, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. O acórdão ora recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito a lançamento por homologação, portanto, com prazo decadencial de cinco anos contado do fato gerador, conforme prevê o § 4 o do art. 150 do CTN. No caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, considerase que o fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Preliminar de decadência acolhida. Recurso provido. Segundo o Colegiado a quo ao caso concreto aplicase a regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN, haja vista estarmos diante de lançamento sujeito a modalidade de homologação. Cumprindo os requisitos, a Fazenda Nacional em seu recurso insurgese contra o acórdão proferido, alegando que o mesmo diverge da jurisprudência mantida por este Conselho e pelo Superior Tribunal de Justiça, sobre o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação, quando não houver recolhimento antecipado do imposto. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 783DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.002746/200312 Acórdão n.º 9202003.976 CSRFT2 Fl. 3 3 Como citado no relatório a Fazenda Nacional interpôs recurso contra o acórdão que, por unanimidade, entendeu ser aplicado ao caso o art. 150, §4º do CTN. Para o Recorrente o acórdão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, §4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado. Neste aspecto, entendo que os argumentos do Procurador devem ser acolhidos e aqui transcrevo o posicionamento da Doutora Christiane Mendonça, no artigo intitulado "Decadência e Prescrição em Matéria Tributária", publicado livro Curso de Especialização em Direito Tributário: estudos analíticos em homenagem a Paulo de Barros Carvalho, editora Forense: Nos lançamentos por homologação o prazo de cinco anos é contado da data da ocorrência do fato gerador, art. 150, §4º. Ocorre que quando o contribuinte não cumpre o seu dever de produzir a norma individual e concreta e de pagar tributo, compete à autoridade administrativa, segundo art. 149, IV do CTN efetuar o lançamento de ofício. Dessa forma, consideramos apressada a afirmação genérica que sempre que for lançamento por homologação o prazo será contado a partir da ocorrência do fato gerador, pois não é sempre, dependerá se houve ou não pagamento antecipado. Caso não haja o pagamento antecipado, não há o que se homologar e, portanto, caberá ao Fisco promover o lançamento de ofício, submetendose ao prazo do art. 173, I do CTN. Nesse sentido, explica Sacha Colmon Navarro Coelho: "A solução do dia primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado aplicase ainda aos impostos sujeitos a homologação do pagamento na hipótese de não ter ocorrido pagamento antecipado... Se tal não houve, não há o que se homologar." Também a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no mesmo sentido de que na hipótese de ausência de pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário segue a regra do art. 173, I do CTN, contandose os cinco a anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora, não há nos autos provas de que o Recorrido tenha efetuado o pagamento do imposto nem mesmo de forma parcial, fato não contestado e que se comprova pela Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário 1998, (fls. 175). Assim, no presente caso, mesmo sendo o imposto em sua essência classificado como de "lançamento por homologação", o que ocorreu de fato foi que o lançamento se deu de ofício, após a realização do trabalho de fiscalização. Portanto, se não há pagamento a ser homologado, não há que se falar em aplicação do art. 150, §4º do CTN. Tal entendimento foi recentemente ratificado pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula nº 555 do , a qual dispõe: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para melhor compreensão da súmula, vale citar parte de alguns dos votos preferidos pelos Ministros nos acórdãos paradigmas que lhe deram origem: "[...] o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito [...]" (AgRg no Ag 1407622 PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/09/2011, DJe 26/09/2011) "[...] o STJ firmou orientação de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não há o pagamento antecipado, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é aquele estabelecido no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. [...]" (AgRg no AREsp 246013 SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/03/2013, DJe 14/03/2013) "[...] De acordo com a jurisprudência consolidada do STJ, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 150, § 4°, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte realiza o respectivo pagamento parcial antecipado, sem que se constate a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. À luz do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido realizado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, inexistindo declaração prévia do débito. [...]" (AgRg no AREsp 252942 PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/06/2013, DJe 12/06/2013) "[...] em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que não ocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...]" (AgRg no REsp 1074191 MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/03/2010, DJe 16/03/2010) No presente caso, entretanto, houve sim a declaração com pagamento do imposto, embora parcial, fato comprovado pelo "demonstrativo de apuração" de fls. 194. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.002746/200312 Acórdão n.º 9202003.976 CSRFT2 Fl. 4 5 Logo, diante da existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerandose o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador, ou seja, 31 de dezembro de 1998. Tendo a contribuinte sido notificada do lançamento em 05/01/2004, devese reconhecer a decadência do lançamento. Diante do exposto nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional, mantendo a decadência do lançamento com base no art. 150, §4º do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do imposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 786DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13016.000479/00-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 201-00.692
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso etc diligência.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo t'..)nselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso etc diligência. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2007. • Josefa i'vlaria Coelho Marques f‘, Presidente t ( I - , - 1 k k I Fab'iola CasSidno Keramidas Relatora Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Ivan Allegretti (Suplente) e Gileno Gurjão Barreto. • 1 & iN ME - SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES Ministério da Fazenda CONFERE COI..I O ORIGINAL o (S' o 7 --.- Segundo Conselho de Contribuinte Brasilia, , , Processo e : 13016.000479/00-11 Recurso n2 : 130.953 2g CC-'.IF Fl. S;Ivo Mat.: Stapo 91745 Recorrente : SCA INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI instituído pela Medida Provisória n2 948, de 23103/1995, posteriormente convertida na Lei n 2 9.363, de 13/12/1996, referente ao segundo trimestre do ano-calendário de 2000, conforme pedido de fl. 1, no valor de R$ 71.151,47. 0 pedido foi protocolado em 13/11/2000 e, cumulativamente. a recorrente solicitou a compensação do crédito pretendido corn débitos próprios, conforme pedido de fl. 2. Para fim de comprovar seu direito ao crédito, a recorrente apresentou copias das principais peças dos processos (Açã:.) Ordinária n2 89.001401 0-8/96.04.04862-7 e Mandado de Segurança n2 1999.71.07.002750-0), por . riaeio dos quais a recórrente discute a Lei n 2 9.779/99 e a possibilidade de creditamento nas entradas de insumos tributados à aliquota zero. isentos e não tributados. Ao analisar os documentos apresentados. é possível constatar que . a Ação Ordinária ("AO" - fls. 35/49), primeiro remédio judicial utilizado pela contribuinte, consiste em ação declaratória e anulatória, apresern.ada em 05/10/89, por meio da qual a recorrente requer: (i) a declaração, por sentença, do direito de se creditar da aliquota do IPI nas operações isentas ou tributadas à aliquota zero; e (ii) a posterior anulação do respectivo auto de infração (n 2 13016.000025/89-27). Nesta ação a r0001 rente obteve decisões de primeira e segunda instâncias favoráveis (fl. 60). Já o Mandado de Segurança ("MS - - tis. 76/95) foi impetrado em 02/06/99 com a intenção de viabilizar à recorrente o exercício imediato do seu direito à compensação dos créditos obtidos com as decisões favoráveis (AO acima citada), sem que com tal procedimento sofresse qualquer restrição por parte do Fisco; requereu, ainda, o acréscimo de correção monetária. Apesar de o objeto desta ação ser a compensação - o mérito estaria decidido na AO as decisões analisaram novamente a existência ou não do direito da recorrente, sendo certo que nesta ação - também a despeito da AO - a recorrente incluiu os créditos decorrentes de insumos não tributados. A liminar e a sentença foram indeferidas (ti. 109), mas o acórdão (ti. 114), proferido em 11/12/2000, reformou as decisões ate então proferidas e deferiu o pedido da recorrente. Importa registrar que a Uni5o Federal apresentou Recurso Extraordinário, todavia, este foi recebido com efeito suspensiyo, sendo mantida, portanto, a decisão do tribunal. A DRF em Caxias do Sul - RS elaborou Relatório de Verificação Fiscal de fls. 120 e 121, no qual propôs o indeferimento do pleito de ressarcimento, com base na alegação de que a integralidade do valor do cr& -iit.a teria sido compensado de oficio corn débitos da recorrente, surgidos após a reconstituição da escrita fiscal, do 3 2 decéndio de julho ao 3 2 decêndio de agosto de 2000. Necessário esclarecer que a recomposição da escrita fiscal foi realizada em virtude de a Fiscalização ter desconsiderado a possibilidade de a recorrente poder creditar-se das entradas de insumos submetidos à aliquota zero, à isenção ou não tributados. O Senhor Delegado da DRF em Caxias do Sul - RS acolheu a proposição e indeferiu o pleito, conforme Despacho Decisório de fl. 122, tendo indeferido o aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aplicação da Lei n2 9.363/96, em vista da ausência de trânsito em julgado no processo que discute a Lei n 2 9.779/99. MF - SEGUNDO CONSFI..1-10 Ministério da Fazenda Bras1i. 03 CC-\ 1F FL Segundo Conselho de Contribuintes Processo n' : 13016.000479/00-11 Recurso n" : 130.953 Em 16/04/2000 a recorrente protocolou sua manifestação de inconformidade 131/141), apresentando sua irresigilação contra o indeferimento de seu pedido, nos seguintes termos: arbcsa Mat: Siape 91745 a) inicialmente aponta um equivoco que entende tenha sido cometido na análise de seu pedido, na medida em que sup-5e que a DRF considerou que a origem do crédito em apreço é coincidente com a do crédito objeto do Processo Administrativo n 2 13016.000364/00- 08; e b) adicionalmente, opõe contra o indeferimento de seu pleito de ressarcimento de crédito presumido de IPI, previsto na Lei n 2 9.363/96, discorrendo sobre o Decreto n2 2.637/2001, as Instruções Normativas n 2s 21/97, 33/99 e 38/97, e o'art. 11 da Lei n2 9.779/99. Entende que seu direito é decorrência lógica da simples aplicação das normas legais e infralecmis e, por isso, não poderia ser indeferido. Por meio do Acórdão n2 4.236, proferido em 22/06/2005, Lis. 257/260, a DR.T em Santa Maria - RS manteve o Despacho Decisório, a saber: "Assunto: Imposto sobre Produtos IndustrialLudos - JPf Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Ementa: CREDITO PRESUMIDO DE I PI Correto o Defpcicho Decisório que indeferiu o ressarcimento de crédito presumido totalmente absorvido na compensação do imposto incidente em operações internas. Solicitação Indeferida". A citada decisão reiterou o fato de que: (i) a recorrente teria se equivocado em realizar a compensação, uma vez que as decisões judiciais ainda não transitaram em julgado; (ii) a compensação de oficio foi corretamente realizada, uma vez que a escrita fiscal teve que ser refeita pela inexistência dos créditos pleiteados; (iii) realizada a compensação de oficio , não sobraram créditos a serem restituidos; (iv) não há qualquer relação entre o processo ora em análise - ressarcimento de crédito presumido de IPI - e o Procc;sso n 9- 13016.000364/00-08, no qual se pleiteia o ressarcimento de créditos básicos de IPI, razão pela qual a matéria não foi sequer conhecida. Aos 11/08/2005, indignada com a citada decisão. a recorrente apresentou recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (i) a recorrente possui duas ações judiciais que the reconhecem o direito ao aproveitamento do crédito de IPI nas entradas isentas, sujeitas à aliquota zero e não tributadas; (ii) o crédito é escritural e, portanto, não se sujeita às limitações impostas pelo art. 170-A do Código Tributário Nacional - CTN; e (iii) a decisão que jul2a procedente o mandado de segurança retroage até o momento da propositura da ay -do, razão pela qual a conta gráfica da empresa deve ser refeita. É o relatório. 3 Sivi rbCS Mat: Siape 91745 CC-NIF Fl. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo nil : 13016.000479/00-11 Recurso n 2 : 130.953 MF - SEG1l^;90 CC.'N'317. 1..1-V..-‘ tFE Crs.q■ITRI3UINTES VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA FABIOLA CASSIANO KERAIvIIDAS As alegações trazidas aos autos, bem como as decisões proferidas, estão confusas e não permitem que esta julgadora chegue a uma conclusão sobre o assunto. Inicialmente, a recorrente pleiteia o ressarcimento de créditos base de IPI, com 'fulcro na Lei n2 9.363/96, e fundamenta seu pedido em ações judiciais, nas quais discute possibilidade de creditamento de IPI na entrada de insumos adquiridos à aliquota zero. rift() tributados ou isentos. . Ao analisar o pleito da recorrente a Fiscalização entendeu pela impossibilidade de utilização do credito decorrente da ação judicial, urna vez que esta ainda nãb transitou em julgado. Na esteira da decisão da Ficrnli790n, a Colenrin Turrrti Julgadora de primeira instii:icia administrativa indeferiu a utilização dos créditos, ante a pendência do processo judicial. Ao apresentar sua defesa a recorrente alegou ter sido prejudicada. emurazã 6,! DRF ter considerado que a origem do credito em apreço é coincidente com a do crédito objeta do Processo Administrativo n 2 13016.000364/00-08. Registra-se que não há menção deste processo nas decisões administrativas. O Acórdão recorrido mantém o posicionamento de que a ação jUdicial ainda não transitou em julgado e distingue o processo citado pela recorrente (n 2 13016.000364/00-08) corn o ora analisado, por ser crédito básico e este crédito presumido. Desta forma, por entender imprescindível para o deslinde da questão auns esclarecimentos, determino a conversão do presente julgamento em diligência, a fim de que, remetidos estes autos ao órgão competente, sejam analisados os documentos constantes no processo administrativo e prestadas as seguintes informações: (i) quais são os créditos compensados neste processo? Créditos base (Lei n 2 9.363/96, Portaria MI n-2 38/97) ou créditos decorrentes da entrada de insumos não tributados, isentos ou tributados à a.liquota zero? (ii) Existe relação entre o objeto do pedido de ressarcimento e os objetos das. ações judiciais (Ação Ordinária n2 89.0014010-8/96.04.04862-7 e Mandado de Segurança n 2, 1999.71.07.002750-0)? Se sim, qual? (iii) Do que se trata o Processo Administrativo n 2 13016.000364/00-08? Ha alguma relação entre os objetos dos processos? Após o cumprimento da diligencia, retornem-se os autos para julgamento. Sala clas Sessões, em 20 de junho de 2007. /. . . ; • FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS *‘T 4
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720944/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2102-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF)
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 21/11/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF) Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF) Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra o contribuinte era epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios 2005/2006, anocalendário de 2004/2005, por AFRF da DRF/Manaus/AM. A ciência do lançamento ocorreu em 26/06/2009, fl.03. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 94 4/ 20 09 -7 8 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.720944/200978 Resolução nº 2102000.159 S2C1T2 Fl. 3 2 Imposto 209.483,86 Juros de Mora (cálculo até 29/05/2009) 104.892,09 Multa Proporcional (passível de redução) 157.112,88 Total do Crédito Tributário 471.488,83 De acordo com o Auto de Infração, fls.02/21, os motivos da autuação foram: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 21/01/2009, fls.46/47. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Belém, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação, cabendo ao contribuinte o pagamento do imposto de renda no valor de R$103.443,61, a ser acrescido dos devidos encargos legais. Inconformado, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 192 a 199. No Auto de Infração, fl. 09, na Descrição dos Fatos da Infração Depósitos Bancários, a autoridade fiscal fez constar o seguinte: No item 1 de seus esclarecimentos apresentados em 17/09/2C08, o contribuinte informa que não dispõe dos extratos de conta e assim não poderia apresentálos. Desta forma, 19/09/2008 foi emitida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF 02.2.01.002008001410, em anexo, ao único banco identificado que o contribuinte tenha mantido contacorrente e/ou poupança no período, ou seja, ao Banco do Brasil, tendo o banco encaminhado os extratos bancários conforme sua correspondência datada de 11/11/2008, em anexo. Em razão das providências a serem tomadas, este relato é o suficiente. Voto Declarase a tempestividade, unia vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentai*. Antes enfrentar a questão, verificase que a controvérsia tributária gira em tomo de informações extraídas de extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, com base em RMF expedida pela auditoria no curso do procedimento de fiscalização, e que o recorrente solicita a anulação do lançamento devido, ente outras questões, a ausência de ordem judicial para a quebra de sigilo bancário. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10283.720944/200978 Resolução nº 2102000.159 S2C1T2 Fl. 4 3 A matéria foi levada à apreciação, em caráter difuso, pela Suprema Corte Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema. nos seguintes termos: Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art 6o da Lei Complementar n° 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 Relator o Min. Ricardo Lewandowski. O tema está enquadrado na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). com sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. E, nesse aspecto, se faz necessário observar a possibilidade de apreciação da matéria em face do disposto no art. 62A, caput e § Io. do Anexo ü. do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). que determina o sobrestamento do julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC): As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § Io. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Diante do exposto, voto para sobrestar o presente recurso até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, nos termos do disposto pelos artigos 62A. §§1° e 2o, do RICARF. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723589/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Marcela Brasil de Araujo Nogueira (Suplente Convocada), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .7 23 58 9/ 20 14 -5 9 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.723589/201459 Resolução nº 2202000.679 S2C2T2 Fl. 207 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13819.723589/201459, em face do acórdão nº 1538.818, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), no qual os membros daquele colegiado entenderam julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, que assim relatou os fatos: Tratase de Notificação de Lançamento (NL), correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao anocalendário de 2011, reduzindo o valor a restituir de R$ 59.012,81, declarado pelo sujeito passivo, para R$ 8.911,11. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes da Notificação de Lançamento (NL) e do contido nos autos eletrônicos, a redução do imposto de renda a restituir foi efetuada em razão de constatação de dedução indevida, de acordo com informações declaradas pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), por falta de comprovação, a título de despesas médicas, com glosa do valor de R$ 182.188,00, porque a prestadora de serviço declarada Clínica de Repouso Parque Julieta Ltda está enquadrada no Cadastro Nacional de Atividades Econômicas como “Atividades de assistência psicossocial e à saúde a portadores de distúrbios psíquicos, deficiência mental e dependência química”, não estando inscrita no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. O contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento (NL) em 17/11/2014 e apresentou manifestação de inconformidade em 10/12/2014, alegando, em síntese, que o valor glosado se refere a despesas médicas e que a ausência do CNES não retira o caráter de estabelecimento de saúde. Foi peticionada a prioridade de tramitação processual de que trata o art. 71, § 3º, da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso) e art. 69A, inciso I, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. É o relatório. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 190/196. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.723589/201459 Resolução nº 2202000.679 S2C2T2 Fl. 208 3 O recurso voluntário de fls. 190/196 foi apresentado em 10/07/2015, conforme se verifica pelo protocolo de fl. 190. No presente caso, a ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 09/06/2015, conforme fl. 188. Assim, considerandose que a contribuinte tomou ciência do resultado do acórdão ora recorrido em 09/06/2015 (terçafeira), iniciase o prazo recursal em 10/06/2015 (quartafeira), tendo por término 09/07/2015 (quintafeira). Não sendo feriado nacional em nenhuma das datas referidas, temse que o recurso voluntário apresentado em 10/07/2015 seria intempestivo e, portanto, não deveria ser conhecido. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindo se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ... Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Todavia, ocorre que na data de 09/07/2015 é feriado no Estado de São Paulo (Feriado da Revolução Constitucionalista de 1932, conforme Lei Estadual (SP) nº 9.497/97) e a contribuinte é residente no Estado de São Paulo, na cidade de São Bernardo do Campo (fl. 188), tendo protocolizado o recurso voluntário em São PauloSP, no CAC de Santo Amaro (fl. 190). Porém, o despacho de encaminhamento de fl. 204 assim refere: "Tendo em vista a apresentação de recurso voluntário, sendo ele perempto e estando devidamente formalizado, encaminho o presente processo ao CARF." grifouse. Assim, diante da incerteza quanto se houve ou não expediente normal na Unidade da Receita Federal do Brasil de origem (São Bernardo do Campo), necessária a conversão em diligência. Ante o exposto, encaminho meu voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de origem informe se o dia 9 de julho de 2015 foi feriado local (estadual ou municipal) e se não houve expediente normal na repartição, o que transferiria o prazo final de apresentação do recurso para 10 de julho de 2015. Realizada a diligência, intimese a contribuinte para, querendo, se manifestar no prazo legal. Após,retornem os autos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13819.723589/201459 Resolução nº 2202000.679 S2C2T2 Fl. 209 4 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 21/06/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720300/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador.
Numero da decisão: 2201-003.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201-002.314, de 23/01/2014, alterar a decisão original para "afastar a incidência do ITR sobre a área de 965,70 ha a título de preservação permanente". Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento aos Embargos.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindo-lhes efeitos infringentes. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador.
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ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Acolhemse os embargos declaratórios para sanar eventuais vícios verificados no Acórdão, atribuindolhes efeitos infringentes. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201002.314, de 23/01/2014, alterar a decisão original para "afastar a incidência do ITR sobre a área de 965,70 ha a título de preservação permanente". Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento aos Embargos. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 03 00 /2 00 8- 73 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz e Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado, tempestivamente, pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2201002.314, de 23/01/2014. A autoridade fiscal apurou, entre outras infrações, que o Contribuinte não comprovou a averbação da área declarada de reserva legal (utilização limitada). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS manteve o lançamento, relativamente à área de reserva legal, alegando que “No caso, conforme cópia da matricula constante dos autos, a averbação da área de reserva legal ocorreu em 1° de outubro de 2007 bem como o ADA também foi protocolizado na mesma data. Ou seja, ambos são intempestivos para o exercício 2006”. (fl. 177) Por sua vez, a 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deu provimento parcial ao recurso para “... acatar 1.169,20 hectares como ARL Área de Reserva Legal e 965,70 hectares como APP Área de Preservação Permanente...”. Contudo, alega a Fazenda Nacional que o voto condutor do Acórdão n° 2201 002.314, de 23/01/2014, apoiouse em uma premissa equivocada, qual seja, de que a área reserva legal de 1.169,20 ha encontravase averbada no Cartório de Registro Geral de Imóveis antes da ocorrência do fato gerador. Assevera ainda a Embargante que “... o presente processo administrativo fiscal referese ao ITR 2006 e a área em análise apenas foi averbada em 1º de outubro de 2007, conforme se pode observar da leitura dos documentos de fls. 58/63”. Relativamente à área de reserva legal, o voto condutor do Acórdão nº 2201 002.314, de 23/01/2014, consignou à fl. 338 que “No caso em apreço, há averbado no Registro Geral de Imóveis a título de reserva legal a área de 1.169,20 ha, sendo que a referida averbação é anterior à ocorrência do fato gerador”. Em razão da controvérsia, a presidente da 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 360/361, acolheu os aclaratórios para submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pela Fazenda Nacional. É o Relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator Os embargos são tempestivos e reúne os requisitos de admissibilidade. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13161.720300/200873 Acórdão n.º 2201003.027 S2C2T1 Fl. 3 3 Como se pode verificar da leitura do relatório, a Conselheira Nathália Mesquita Ceia considerou que havia averbação da área de reserva legal de 1.169,20 ha, anterior à ocorrência do fato gerador e, consequentemente, deuse provimento ao recurso do contribuinte nesta parte. Pois bem, no que diz respeito à necessidade de averbação da área de reserva legal, compete deixar assentado que o § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/1965 Código Florestal, com a redação dada pela MP nº 2.16667/2001, determina seu registro à margem da inscrição de matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Pelo que se vê, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Portanto, a área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. Entretanto, analisando detidamente os autos, verificase que a averbação da área de reserva legal ocorreu em 1° de outubro de 2007, conforme se extrai da cópia do Livro nº 2 do Serviço Registral de Imóveis da Comarca de Batayporã/MS (fls. 58/63). Assim, como se trata de lançamento relativo ao exercício 2006, a averbação ocorreu posteriormente à ocorrência do fato gerador. Dessarte, como a averbação da área de reserva legal junto ao CRI competente foi intempestiva, o contribuinte não poderá se beneficiar da isenção. Ante a todo o exposto, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a contradição apontada no Acórdão nº 2201002.314, de 23/01/2014, alterar a decisão original para "afastar a incidência do ITR sobre a área de 965,70 ha a título de preservação permanente". Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 367DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720709/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Para comprovação de depósitos bancários, somente podem ser considerados documentos hábeis e idôneos, sem duplicidade, que justifiquem a origem dos recursos depositados na conta do contribuinte.
SIGILO FISCAL DE TERCEIROS.
O fiscalizado não é parte interessada para arguir sigilo fiscal de terceiros. No caso dos autos, a quebra de sigilo fiscal de terceiro é questionada pelo contribuinte tendo em vista justificar a nulidade do lançamento.
MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação do contrato de mútuo requer não somente documento firmado à época do fato, mas também a comprovação da transferência dos valores objeto do mútuo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Carlos Alexandre Tortato acompanharam a Relatora pelas conclusões. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto sobre o ganho de capital apurado na permuta efetuada com vistas à aquisição das cotas da sociedade Sicebras Participações Ltda.
Andre Luis Marsico Lombardi - Presidente
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier, Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Para comprovação de depósitos bancários, somente podem ser considerados documentos hábeis e idôneos, sem duplicidade, que justifiquem a origem dos recursos depositados na conta do contribuinte. SIGILO FISCAL DE TERCEIROS. O fiscalizado não é parte interessada para arguir sigilo fiscal de terceiros. No caso dos autos, a quebra de sigilo fiscal de terceiro é questionada pelo contribuinte tendo em vista justificar a nulidade do lançamento. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação do contrato de mútuo requer não somente documento firmado à época do fato, mas também a comprovação da transferência dos valores objeto do mútuo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Carlos Alexandre Tortato acompanharam a Relatora pelas conclusões. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto sobre o ganho de capital apurado na permuta efetuada com vistas à aquisição das cotas da sociedade Sicebras Participações Ltda. Andre Luis Marsico Lombardi - Presidente Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier, Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
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COMPROVAÇÃO. Para comprovação de depósitos bancários, somente podem ser considerados documentos hábeis e idôneos, sem duplicidade, que justifiquem a origem dos recursos depositados na conta do contribuinte. SIGILO FISCAL DE TERCEIROS. O fiscalizado não é parte interessada para arguir sigilo fiscal de terceiros. No caso dos autos, a quebra de sigilo fiscal de terceiro é questionada pelo contribuinte tendo em vista justificar a nulidade do lançamento. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação do contrato de mútuo requer não somente documento firmado à época do fato, mas também a comprovação da transferência dos valores objeto do mútuo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 09 /2 01 1- 14 Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira e Carlos Alexandre Tortato acompanharam a Relatora pelas conclusões. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto sobre o ganho de capital apurado na permuta efetuada com vistas à aquisição das cotas da sociedade Sicebras Participações Ltda. Andre Luis Marsico Lombardi Presidente Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier, Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário em face da decisão proferida no Acórdão 1640.967 15a. Turma da DRJ/SP1, que considerou improcedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário lançado através deste processo. A autuação trata de acréscimo patrimonial a descoberto, ganho de capital na alienação de bens e direitos, depósitos bancários de origem não comprovada, e multa isolada pela falta de recolhimento de IRPF devido a título de carnêleão. Termo de Verificação Fiscal às fls. 918/935. O lançamento tributário contém as seguintes constatações: 1 – Ganho de Capital: a) de R$ 11.324.500,00, na permuta efetuada com vistas à aquisição das cotas da sociedade Sicebras Participações Ltda.; b) de R$ 35.000,00, na alienação de embarcação; 2 – Omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada no valor de R$ 2.602.839,83, assim identificados: a) Transf. Eluba no valor de R$ 382.713,12; b) Depósitos sem identificação de origem ou depositante no valor de R$ 1.183.762,59; c) Crédito de operação de câmbio no valor de R$ 566.364,12; d) Empréstimo de pessoas físicas no valor de R$ 470.000,00. 3 – Acréscimo patrimonial a descoberto, decorrente da constatação de inconformidade entre as origens e aplicações, no mês de janeiro de 2006, no valor de R$ 12.748.305,41. O Acórdão recorrido está assim ementado. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex ofício, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. Constatado que o procedimento fiscal foi realizado com estrita observância das normas de regência, tendo sido os atos e termos lavrados por servidor competente e respeitado o direito de defesa do contribuinte, fica afastada a hipótese de nulidade do lançamento. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 4 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. São indispensáveis para a aceitação de mútuo a efetiva comprovação da transferência do numerário envolvido na operação. O fato de que a lei civil não exige forma especial para a celebração dos contratos de mútuos não é justificativa capaz de eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações pois a relação entre Fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. GANHO DE CAPITAL. PERMUTA. A permuta configura uma das hipóteses de alienação legalmente previstas e encontrase sujeita à apuração de ganho de capital, caso haja diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. A alienação de embarcação por valor superior ao seu custo de aquisição, configura ganho de capital que deve ser oferecido à tributação. A ciência ao acórdão recorrido deuse em 16/10/2012 e o Recurso Voluntário foi interposto em 16/11/2012. O contribuinte repisa as razões apresentadas na impugnação conforme a seguir. 1. Apesar da tempestividade da impugnação, a cópia do processo eletrônico ilegível teria prejudicado a defesa no processo. O conhecimento inequívoco e na íntegra de todos os documentos acostados aos autos restou prejudicada. O processo contém folhas grafadas com caneta marcatexto que prejudica a leitura, e folhas invertidas que dificultam a leitura na íntegra, além de folhas com marca d´água que encobrem texto ou número. Os atendentes dos CAC´s recusaram o pedido de extração de cópia em papel, que no caso deste processo, são 1050 páginas. Entende que o prazo de defesa deve ser devolvido para o contribuinte. 2. A intimação por edital é nula por não preencher os requisitos do art. 23, par. 1o. I, II, III do Decreto 70235/72. Por consequência, também o Auto de Infração, o Termo de Verificação Fiscal e o Aditamento. O edital não foi publicado na imprensa oficial e nem em local franqueado ao público, conforme determina a legislação antes citada. Não existe na Capital/SP, dependência da RFB franqueada ao público. Qualquer cidadão que pretender ingressar em qualquer dependência da RFB será barrado pelo segurança, indagado a apresentar justificativa de comparecimento. Se não apresentar, não passa pela porta de entrada. 3. O Mandado de procedimento fiscal teria sido extinto em 03/07/2009. Não foi prorrogado, apesar de constar no rodapé do mesmo, 13 prorrogações, sendo a última em 22/11/201l. Contudo, deveria ter sido emitido termo de prorrogação, obrigatoriamente, e deveria ter permanecido à disposição para consulta eletrônica. Desta forma, o auto de infração Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 4 5 de 20/07/2011 e os outros documentos estão corrompidos, eivados de ilegalidade e nulos. Assim, o lançamento e também o aditamento deverão ser revistos de ofício e a nulidade apontada. 4. Argumenta também que o MPFF não foi subscrito por autoridade competente , por isso, está viciado, tornando nulo o lançamento dele decorrente. Nessa esteira de argumentação, também seriam nulas as requisições de movimentação financeira para os bancos Unibanco, Itaú e Bradesco. As RMF´s foram emitidas em decorrência do não atendimento do edital 172/2010 (fl. 428), do qual o contribuinte não tomou conhecimento. Também alega a nulidade do edital 174/2010 (fl. 425). Entende que não teria sido intimado conforme determina o art. 4, par. 2 do Decreto 3.724/2001. 5. As informações solicitadas em RMF, sem intimação prévia ao contribuinte, eram prescindíveis e, portanto, não preenchem os requisitos de legalidade previstos no art. 6 da LC 105/2001, além de outros dispositivos legais. Considera que o lançamento é nulo em decorrência desse fato. 6. Invoca a nulidade do lançamento por inexistência de intimação do correntista. Teria atendido todas as intimações, apresentado documentos, extratos bancários, livros fiscais,etc.. Contudo as informações que dependiam de terceiros poderiam ser supridas pelo poder de polícia da RFB, com base na lei. As contas bancárias, sem exceção tinham como cotitular a sra. Maria Lucia Monteiro Rodrigues, CPF 641.216.58868, que não foi intimada para esclarecimentos. Assim conforme Súmula CARF n. 29, a autuação com base em depósitos bancários cujo cotitular não fora intimado, deve ser considerada nula. 7. A utilização de prova emprestada em procedimento fiscal tem limitação de lei. Neste processo, foi utilizada a prova do procedimento fiscal relativo à Vicente de Noce, CPF 047.196.38872 (fl. 925). O sigilo de terceiro, estranho à fiscalização, foi quebrado sob o pretexto de prova emprestada. Tal prova é ilícita e não deve ser admitida no processo e o lançamento que nela se apoiou deve ser anulado. A utilização de "prova emprestada" constitui se em abuso de direito, pois o AFRFB excedeu a competência exercida por prerrogativa de função. Logo esse meio de prova é ilícito e inadmissível no processo. 8. Nulidade do lançamento por inépcia de formalidade. O julgador de primeira instância não rebateu os questionamentos da impugnação, relativamente à incontroversa nulidade. A descrição dos fatos não contém a base de cálculo e não contém o montante do tributo, contrapondo a fundamentação específica que dê base ao enquadramento legal. Ocorre que na descrição dos fatos há somente menção de tipos legais, sem a instrução dos elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, tornando inválida a autuação. Há que se provar o nexo causal dos tipos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração e do aditamento, o que não ocorreu e tampouco foi fundamentado. 9. Argumenta que inconstitucionalidade não se confunde com ação de inconstitucionalidade. Ação de ilegalidade de norma não se confunde com alegação de aplicação ou não de norma. A questão é aplicar a Constituição (que está acima da lei), em vez da lei, em cada caso, tendo em vista a superioridade Constitucional. 10. O procedimento dito inquisitivo não exclui a ampla defesa e o contraditório. Qualquer restrição de direito do contribuinte, desde o procedimento fiscal, caracteriza cerceamento do direito de defesa. Também alega que a técnica de "amostragem" Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 6 utilizada pela autoridade fiscal caracteriza o cerceamento de defesa na fase da fiscalização inquisitiva. 11. Entende que não infringiu nenhum dispositivo legal vinculado às multas. A multa aplicada no auto de infração deve ser afastada por conta da alteração do art. 44, I da lei 9430/96, pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 e da MP 303/2006. De acordo com o Parecer PGFN/CDA DE 30/08/2008, não deve persistir a multa moratória, aplicada neste processo. Cita a Súmula CARF n. 25, legislação e jurisprudência deste Conselho. 12. A comprovação nos contratos bancários e de mútuos e demais documentos dos autos excluem o lançamento a título de acréscimo patrimonial a descoberto. 13. No caso do ganho de capital pela venda da embarcação, ocorreu atualização da monetária do valor do bem, com o índice de inflação, além das despesas de manutenção, e não há ganho de capital na alienação, conforme fl. 1005. 14. Os depósitos bancários estão comprovados com contrato de câmbio e com extrato bancário, conforme docs. fls. 831/835, 838/842, 1006/1008. 15. O Termo de Verificação Fiscal é ilegal, desconexo, sem forma e sem figuras jurídicas. 16. As quotas da Marelupar foram integralizadas em moeda corrente nacional pelo valor de R$ 13.800.000,00 e apresentou como provas a cópia do instrumento particular de constituição da sociedade e suas alterações. 17. O contribuinte esclarece que a sociedade empresária Voluntas Participações Ltda., CNPJ 07.483.493/000107, elevou o capital social por intermédio da sócia Marelupar. Esta, por sua vez, aumentou o capital por meio de mútuos, conforme comprovado nos autos: mútuo com a sociedade Marelupar (fls. 155/156, 230/231), mútuo com a sociedade Probel (161/162, 286/287), mútuo com a sociedade Ben Sonno (fls. 159/160, 239/240). O mútuo é comprovado mediante notas fiscais de ativos. As TED´s dos mútuos estão às fls. 215/220, 221/237, 288/289, 318/357, 371/418, 793/807. Os mútuos foram todos confirmados. 18. O processo contém documentos comprovando que não houve aumento nem ganho de capital. O aumento de capital de R$ 11.324.500,00 está equivocado pois não considerou o contrato de mútuo do contribuinte com a Marelupar Participações Ltda. em 31/01/2006 (fls. 155/156). 19. Com relação aos mútuos com Driwa e Antonio Carlos Penha Afonso, demonstrou a origem nos autos. O fato de não ter honrado o compromisso de pagamento do mútuo não o descaracteriza. 20. Não há ganho de capital em realização de aumento de quotas sociais vinculadas às dívidas, originárias de mútuo, porque no período não houve resultado positivo de ganho auferido. Como o resultado foi negativo, não houve ganho de capital. 21. Com relação às quotas da Sicebras, pelo valor de R$ 1.663.000,00, teria ocorrido permuta integral de quotas que possuía na sociedade Prodal, conforme contrato de permuta juntado aos autos. 22. A movimentação financeira de R$ 763.000,00 está de acordo com a lei e provado nos autos com contratos, recibos e extratos bancários. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 5 7 23. O auditor teria exigido livro de mútuos das pessoas jurídicas mutuantes, o que não existe e a exigência é ilegal. Ademais o contribuinte não é responsável pelo não registro dos mútuos de responsabilidade dos mutuantes. Essa justificativa também vale para o esclarecimento dos valores R$ 2.431.034,50 e R$ 6.826.420,00. 24. O contribuinte ora é mutuário, ora é mutuante e não existe falta de clareza nisso como alegado pela autoridade fiscal. 25. No caso da operação de câmbio o contribuinte recebeu o registro de remessa do valor correspondente da moeda para investimento, que não prosperou e retornou como contrato de câmbio e não existe ilegalidade nisso. Cita documentos fls. 831/835. 26. A natureza do crédito de R$ 740.000,00 da Leardi foi confirmada e provada. Não lançou na DIRPF por erro, o que não justifica o lançamento. 27. Os créditos de R$ 553.324,90 (BRADESCO), R$1.097.114,93(UNIBANCO) e R$ 42.000,00 e R$ 910.000,00 (ITAUBANK), tiveram as origens comprovadas nos autos. 28. Entende que contrato de empréstimo de mútuo admite a forma livre e não pode ser desconsiderado só porque não apresenta alguma particularidade, como por exemplo, prazo e forma de pagamento, etc. 29. Não se pode ter ganho de capital em valor oriundo de mútuo. 30. Não se pode falar em constatação de R$ 12.748.305,41 como fato gerador de imposto de renda, pois não existe previsão legal que sustente o lançamento. Tal valor está desconexo com o demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e não tem sustentação legal. Em suma, o contribuinte contesta a autuação, informando que, ou não tem base legal, ou que as provas que anulariam o lançamento encontramse nos autos. Em documento posterior ao Recurso, o contribuinte solicita intimação postal (para endereço que informa) quando da distribuição para relatoria do processo e também da designação da sessão de julgamento. É o relatório. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 8 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O recorrente apresenta novamente várias preliminares já devidamente analisadas no acórdão de impugnação e que não necessitariam ser novamente discutidas por questão de economia processual. São elas: nulidade do processo, nulidade de intimação por edital, falta da informação sobre a fundamentação legal dos dispositivos infringidos, aspectos formais do MPF e da RMF, e sobre o direito de defesa na fase inquisitória, que precede o lançamento fiscal. Não há o que se reparar no acórdão a quo, visto que o posicionamento lá expresso está em consonância com o ordenamento jurídico brasileiro. Contudo, a seguir estão expressos alguns esclarecimentos adicionais sobre as argumentações preliminares do contribuinte. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM O contribuinte entendeu, incorretamente, que a análise dos documentos por ele entregues teria sido feita de forma aleatória, o que efetivamente não ocorreu. O que se esclarece no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (efl. 946) é que o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda Pessoa Física foi verificado por amostragem. Isso porque, pelo princípio da economia, seria muito dispendioso a análise completa de todas as obrigações tributárias do contribuinte para todos os fatos geradores passíveis de lançamento (i.e. ainda não fulminados pela decadência). Tendo em vista principalmente a limitação de recursos, há necessidade de se otimizar os trabalhos fiscais com objetivo de aumentar a presença fiscal, que é alcançada com a utilização de inteligência fiscal, verificando o cumprimento das obrigações tributárias por amostragem, de formas a aumentar o tamanho da amostra de contribuintes investigados a cada ano. A expressão "verificação por amostragem" referese ao planejamento dos trabalhos fiscais que, em nenhum momento visa prejudicar ou beneficiar um contribuinte, mas sim toda a sociedade, uma vez que a presença fiscal é um dos instrumentos para se buscar a justiça fiscal. INTIMAÇÃO POR EDITAL Conforme o Termo de Verificação Fiscal, o contribuinte atendeu parcialmente a intimação de 29/06/2010 a respeito de explicações/documentação sobre empréstimos e depósitos bancários. Assim, em 13/09/2010, foi expedida reintimação que, entretanto, fora devolvida com a indicação dos correios de que <mudouse>. Tendo em vista a continuidade dos trabalhos, foi então providenciada a intimação através do Edital 174/2010, afixado em 22/09/2101 e desafixado em 08/10/2010, nas dependências franqueadas ao público da DRF de domicílio do contribuinte (em conformidade com o par. 1. do art. 23 do Decreto 70.235/72). Considerando que, mesmo após a publicação do edital não houve atendimento à solicitação do fisco, em 28/10/2010 foi emitida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) endereçada aos bancos Unibanco, Itaubank e Bradesco. Observo que o contribuinte, por não providenciar a atualização de endereço junto à RFB e por não atender a intimação fiscal, retardou os trabalhos de fiscalização em 4 meses. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 6 9 PROVA EMPRESTADA É, no mínimo, estranho o argumento relativo à prova emprestada trazido no recurso voluntário, uma vez que o próprio contribuinte, em resposta à intimação de 28/01/2011 que questionava os créditos realizados nas contas bancárias, informou (efl.681) que ".. informações e os documentos relacionados ao IRPF exercício 2007, ano calendário 2006, são similares às informações e os documentos do IRPF exercício 2007, ano calendário 2006, do sr. Vicente de Nace, CPF 047.196.38872..". Assim, entendo que foi o próprio contribuinte que sugeriu a utilização dos dados relativos ao CPF 047.196.38872 como resposta a questionamentos do processo fiscal. Adicionalmente, entendo que não seria o recorrente o interessado em questionar a quebra do sigilo. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES O recorrente argumenta que a descrição dos fatos não contém a base de cálculo nem o montante do tributo. Não assiste razão ao contribuinte, pois o auto de infração às efls.936/946 contém as infrações, discriminando valores e dispositivos legais infringidos. O Termo de Verificação Fiscal integra o auto de infração para explicar mais detalhes sobre os fatos que culminaram com o lançamento tributário. MULTAS As multas de ofício lançadas decorrem de lei (art. 44 da 9.430/96), a qual a autoridade fiscal está vinculada. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 10 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Importante ressaltar que, independentemente das argumentações do contribuinte, este Conselho é vinculado ao poder Executivo e não tem jurisdição constitucional. Desta forma, não pode se manifestar sobre ilegalidade de lei ou ato normativo sob o argumento de inconstitucionalidade. Nesse sentido, a Súmula CARF n. 2 a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Passo a análise dos questionamentos relativos ao mérito. 1) acréscimo patrimonial a descoberto mês janeiro/2006 R$ 12.718.305,41; A planilha relativa ao acréscimo patrimonial a descoberto está à efl.935. A autoridade fiscal explica todas as entradas na planilha das efls. 932 e 933. Assim, não assiste razão ao contribuinte sobre o Termo de Verificação Fiscal estar desconexo. Tudo está devidamente explicado e o lançamento decorre de disposição legal relativamente ao aumento patrimonial, conforme efl. 923, transcrito a seguir: Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 7 11 Ocorrendo descompasso entre as disponibilidades do fiscalizado e seus dispêndios e aplicações de recursos, presumese a existência de disponibilidade jurídica ou econômica de proventos de qualquer natureza fato gerador do imposto sobre a renda, a teor do disposto no art. 43, inciso II da Lei 5.172/66, e artigo 3o. parágrafo 1o. da Lei 7.713/88, caracterizado pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O recorrente efetuou duas importantes alterações de capital nas empresas em que era sócio em 2006: i. adquiriu cotas da Sicebras Participações que será tratado no item 2.a, e ii. aumentou o capital da empresa Voluntas que depois seria utilizado para a aquisição da sociedade Marelupar Participações Ltda., no valor de R$ 13.800.000,00, tratado a seguir. O ingresso do recorrente como sócio na empresa VOLUNTAS através do aporte de R$ 13.800.000,00, ocorreu em 02/01/2006, integralizado em moeda nacional cujos valores teriam sido obtidos mediante contratos de mútuos. Tais contratos de mútuo não foram comprovados, e tampouco a entrega dos recursos (documentos bancários e contábeis que identifiquem perfeitamente o empréstimo). A autoridade fiscal considerou o valor do aumento na empresa Voluntas em 02/01/2006 como aplicação de recursos, na planilha de evolução patrimonial da efl. 935, o que resultou num acréscimo patrimonial a descoberto, no mês janeiro/2006, no valor de R$ 12.718.305,41. Posteriormente, em 09/01/2006 (informação obtida através de prova emprestada, indicada pelo recorrente no decorrer do processo), o contribuinte transfere 13.800.000 quotas que detinha na sociedade Voluntas Participações Ltda., para a empresa Marelupar. Conforme o relatório fiscal, o aumento do capital da empresa Marelupar teria sido formalizado na 1a. alteração do contrato social. Dessa forma teria ocorrido a transferência da Voluntas para a Marelupar. Conforme efl. 313, o recorrente tenta justificar a formação do capital da MARELUPAR (total de R$27.601.500,00) conforme segue: 1. O contribuinte declarou 50% das quotas no IR/2007. 2. O aporte de capital corresponde à transferência dos direitos da empresa Voluntas Participações Ltda., com aquisição de 69% do capital da Probel, 23.462.069, a outra parte, de 18% das quotas dos sócios vendedores da Probel, o pagamento foi feito diretamente sócios vendedores da Probel. 3. A parte correspondente do contribuinte foi feito o pagamento direto aos sócios vendedores no montante de 2.431.034,50. 4. A diferença do aporte de capital foi realizada pelo outro sócio, com pagamento direto aos sócios vendedores. Os demais mútuos do termo de intimação fiscal de 29/06/2010, não ocorreram de forma tradicional, ou seja, não teria existido nenhuma efetiva transferência de recursos na conta bancária do contribuinte, nem entrega física de dinheiro direta ao contribuinte. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 12 Com relação aos empréstimos/mútuos há que se ressaltar que o próprio contribuinte declara que não houve transferência de numerário, apenas assunção de dívidas (efls. 314). O contribuinte esclareceu que "cada empresa mutuante assumiu dívidas e pagamentos com terceiros (sócios vendedores da Probel para a Marelupar), terceiros esses que foram as aquisições das empresas, por sua vez, o mutuário contribuinte assumiu o pagamento da dívida, dívida essa assumida por cada empresa mutuante". Os contratos de mútuo não possuem qualquer registro em cartório, nem mesmo reconhecimento de firmas. Tratam tais contratos de valores significativos e que, em situação normal, demandariam mais cuidado por parte dos mutuantes na elaboração do instrumento garantidor. Entretanto isso não ocorreu. As provas de que esses mútuos teriam efetivamente existido são frágeis e insuficientes. Mais ainda, divergências entre valores declarados por mutuários e mutuantes (constatado através de diligências da autoridade fiscal) foram detectadas, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal à efl. 926, sendo mais um dos motivos pelos quais não foram aceitos como comprovantes legais hábeis e idôneos da disponibilidade financeira do recorrente. A seguir estão explicitadas as análises relativas aos contratos de mútuo anexados ao processo: (A) R$ 2.050.000,00 31/01/2006 mutuante: MARELUPAR (B) R$ 5.689.901,56 31/12/2005 mutuante: BELSONNO (antes Veneza Espumas Ltda.) efl. 215 (C) R$ 2.663.000,00 31/12/2006 mutuante: PROBEL S.A. referência à venda do ativo imobilizado, aonde foram anexados documentos telas de sistema às efls. 281 Em relação ao empréstimo da MARELUPAR (item A acima), apesar do contrato de mútuo ser de R$ 2.050.000,00, o saldo demonstrado em nov/2006 é de R$ 6.826.410,00, que é o mesmo que consta em dívidas e ônus reais na DIRPF. Na efl. 315 o contribuinte explica as transferências de valores, envolvendo Orlando Gonsalez Urbano e José Ramos Vieira que seriam antigos sócios da Probel (duas transferências no valor de R$ 1.215.517,25). Com essas transferências, feitas pela Marelupar em seu nome para aqueles sócios, ficaria o contribuinte com a dívida com a Marelupar sob a forma de mútuo. Adicionando a isso, consta do conjunto de operações de 30/01/2006 (efl. 315) um mútuo passivo referente ao aporte de capital Marelupar (neste caso não teria ocorrido transferência bancária), que, juntamente com as operações abaixo, restaria ainda um mútuo passivo de R$ 2.050.000,00. O contribuinte apresenta explicação similar para o valor de R$ 4.776.420,00 datado de 30/11/2006 (item B acima), que teria resultado de três transferências bancárias feitas pela Sicebras, tendo como beneficiária a Belsonno, no valor de R$ 9.552.840,26 (uma dessas transferências é para o BNDES em nome da Belsonno), sendo que a parte do contribuinte seria de R$ 4.776.420,00. Assim, somandose os valores dos itens A e B, resultaria no mútuo de R$ 6.826.240,00 informados na DIRPF. De acordo com o contribuinte, o mútuo com a Belsonno (efl. 316) acontece da seguinte forma:a empresa Belsonno envia para a empresa Voluntas o valor de R$ 14.500.000,00 como aporte de capital para Marelupar, sendo R$ 8.750.000,00 relativo á participação do contribuinte. Em 15/08/2006, o contribuinte envia R$ 1.994.916,00 para o BNDES em nome da Belsonno. (Pela segunda vez a Belsonno tem dívidas com o BNDES quitadas por terceiros). Observo ainda que na efl. 349 esse mesmo valor entra na conta do contribuinte através de TED e sai como pagamento ao BNDES (conta Bradesco 736 da ag. 1838). Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 8 13 Apesar do valor no contrato de mútuo com a empresa Belsonno Colchões Ltda., o demonstrativo de dezembro de 2006 é de que o saldo seria de R$ 6.015.265,30, que, conforme o Termo à fl. 743, acrescentado o mútuo da empresa Veneza Espumas no valor de R$ 1.891.854,38, totalizaria R$ 7.907.119,68. Relativamente à operações com a PROBEL S.A. (item C acima) consta que seriam dívidas da PRODAL com a compra de equipamentos, como aporte de capital no total de R$ 5.326.229,23, no qual 50% (R$ 2.663.000,00) seria o mútuo passivo do fiscalizado com a Probel. O recorrente apresentou uma folha do razão analítico (lançamento de 01/12/2006) de R$ 1.663.000,00 e outro de "ajuste de mútuo" em 29/12/2006, de R$ 1.000.000,00. Os três mútuos teriam como forma de comprovação contratos cujas características foram analisadas anteriormente e cópias dos livros razão constantes dos autos. A autoridade fiscal examinou os livros razão apresentados e concluiu que somente se referem à pessoa jurídica Belsonno e que não elucidam e comprovam o fluxo financeiro dos referidos contratos de mútuo. A argumentação do recorrente é confusa e não esclarece adequadamente a origem dos recursos. A autoridade fiscal, numa tentativa de esclarecer os fatos, solicitou ao recorrente um livro de registro de mútuos, que não foi apresentado e cuja exigência foi considerada ilegal pelo contribuinte. 2) ganho de capital na alienação de bens e direitos R$ 11.259.500,00 a) R$ 11.324.500,00 permuta efetuada para a aquisição de cotas da sociedade Sicebras Participações Ltda. Com referência à permuta de quotas entre Prodal Metalurgia Ltda e Sicebras Part Ltda, (questionamento à fl. 743), o valor por sócio seria de R$1.500.500,00, entretanto, consta como ativo da Sicebras saldo de R$ 25.650.000,00 em conta bancária, confirmado por cópia do extrato de conta da empresa no Banco Itaú. Entendo indiscutível o ganho de capital relativamente à permuta da participação de R$ 1500.500,00 na Prodal Metalurgia pela participação no valor de R$ 12.825.000,00 na empresa Sicebras Participações Ltda., com um ganho de R$ 11.324.500,00. Os rendimentos e ganhos de capital experimentados pelos contribuintes devem ser oferecidos à tributação conforme preceitua a Lei 7.713/88. No caso a permuta é uma das formas em que ocorre a incidência do imposto, conforme o parágrafo 3o. art. 3o. do mesmo dispositivo legal. b) R$ 35.000,00 alienação de embarcação; Nada há para se acrescentar à decisão a quo sobre o ganho de capital na venda da embarcação/lancha. Equivocado o entendimento do contribuinte sobre o tratamento a ser dado aos valores gastos com manutenção da embarcação. Tais gastos não aumentam o valor inicial de aquisição do bem, pois são consideradas despesas. Através da informação na DIRPF do comprador à fl. 1916, confirmase o valor da venda da embarcação pelo montante de R$ 250.000,00. Assim, correto o entendimento da autoridade fiscal sobre a tributação do ganho de capital auferido com a venda da embarcação. Conforme o art. 17, par. 2 da lei 9.249/95, os bens adquiridos após 31/12/1995 não podem ser atualizados monetariamente. Apenas melhorias que acrescentem valor ao bem poderiam ser somadas ao valor de aquisição, o que não foi comprovado com documentação hábil e idônea. 3) depósitos bancários de origem não comprovada R$ 2.602.839,83 Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 14 Depósitos bancários cujas origens/justificativas não foram devidamente comprovados pelo contribuinte são tributados conforme art. 42 da Lei 9.430/96, tendo em vista que se presume a omissão de receita. Ou seja, o contribuinte recebeu rendimentos, não declarou ao fisco e nem tampouco ofereceu à tributação. A decisão a quo esclareceu que a comprovação de origem de um depósito bancário referese à "apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não". Os depósitos bancários não comprovados estão listados na efl. 928, resumidos a seguir. Observo que, no recurso voluntário o contribuinte se limita a informar que as origens desses valores estariam comprovados nos autos. A seguir analiso algumas das informações sobre a origem dos valores Bradesco : R$ 553.324,90 (sendo R$ 382.713,12 transf. ELUBA) Unibanco : R$ 1.097.114,93 (sendo R$ 566.364,12 oper. Câmbio) Itaubank : R$ 952.400,00 (sendo R$ 470.000,00 empréstimo) a) Transferência da empresa Eluba (R$ 382.713,12) O recorrente apresentou folhas do livro razão da empresa em que é sócio Elubra Empreendimentos Imobiliários Ltda. para comprovar a origem desses depósitos. O que não ficou claro é o motivo dos depósitos feitos por aquela empresa na conta bancária do recorrente. Entendo que para fazer prova a favor do contribuinte os livros fiscais Diário e Razão deveriam ter sido produzidos conforme definido pelo art. 258 do Decreto 3000/1999, a seguir transcrito: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 9 15 Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente.(grifei) Desta forma, a documentação contábil/fiscal apresentada pelo recorrente, além de incompleta, carece das formalidades legais, e não pode ser considerada. b) Depósitos sem identificação de origem ou depositante R$ 1.183.762,59, considerados como de origem não comprovada/justificada pois o recurso voluntário apenas argumenta de forma geral que as provas estão nos autos, sem indicálas. c) Empréstimo R$ 470.000,00 O contribuinte justifica a origem deste depósito em conta corrente tendo em vista um contrato de mútuo. A comprovação/justificação da origem dos valores, no caso de mútuo, deve ser feita com documentação hábil e idônea. Por exemplo, no caso do empréstimo de Learde Engenharia, no valor de R$ 470.000,00, foram apresentados cópia do cheque (efl. 839) e um contrato de mútuo que relaciona os cheques dados ao recorrente: R$ 10.000,00 27/10/2006 e R$ 470.000,00 16/11/2006. Apesar do valor ter sido creditado na conta bancária do recorrente, e da apresentação do contrato de mútuo, não se pode afirmar que os valores depositados na conta bancária tenham sido objeto/decorrência do mútuo, vez que o contrato não possui qualquer autenticação/registro oficial comprovando a data em que teria sido produzido. Para produzir efeitos contra terceiros (no caso, o fisco), tal contrato deveria ter alguma indicação oficial da data em que fora produzido, como por exemplo, o registro em cartório. d) No caso do valor de R$ 566.364,12 o recorrente informa ser resultado de uma operação de câmbio que não teria se concretizado. Apresenta dois extratos bancários, um de 08/03 com um débito no valor de R$ 574.255,00 (com o histórico: débito de operações de câmbio) e um de 22/dezembro (efl. 828)com um crédito de R$ 566.364,12 relacionado a um contrato de câmbio de compra datado de 22/12/2006, envolvendo US$ 263.695,00 (efl. 833). Contudo, exceto pela proximidade dos valores, nos autos não existe documentação probatória que estabeleça a conexão entre o valor debitado no extrato à efl. 832 (08/03/2006) e o contrato de câmbio de compra, entre o Unibanco e o fiscalizado (vendedor) de 22/12/2006. Em decorrência do recebimento de valores do exterior, o recorrente também fora autuado pelo não recolhimento do imposto de renda na fonte, conforme art. 42, inc. II, da Lei 9.430/96, no valor de R$ 77.623,77. A autuação com base em depósitos bancários não comprovados deve ser questionada de maneira a propiciar ao intimado responder de forma individualizada, sob pena de cerceamento de defesa, o que foi feito pela autoridade fiscal (par. 3o. art. 42 da Lei 9430/96). Desta forma, o contribuinte pode apresentar as justificativas individualizadas capazes de afastar a tributação sobre os depósitos bancários. Observo que a intimação de efls. 671 e seguintes individualiza os depósitos lançados nas cc 736/731897 da ag. 18381 do Banco Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO 16 Bradesco, e as contas 80.1307.10 e 10.3630.82 do ItauBank (BankBoston). A resposta ao Termo de Intimação sobre os depósitos bancários está nas efls. 750890. Contudo, no Recurso Voluntário, o recorrente não individualiza as justificativa/origens dos valores lançados, limitandose a informar que está tudo documentado nos autos. O contribuinte pugna pela nulidade da autuação baseada em depósitos bancários porque a cotitular da conta bancária sra. Maria Lúcia Monteiro Rodrigues não fora intimada para justificar a origem dos recursos depositados na conta. Contudo, o próprio contribuinte, em resposta à intimação (efls 749752 e 845), assume "inteiramente a responsabilidade pelos valores creditados" nas contas bancárias. Ainda mais, no documento de efl. 845, reforça a responsabilidade e também identifica contas no Banco Bradesco ag. 1838, cc 736/73.1896, e no Banco Itaubank as contas 80.1307.10 e 10.3630.82. Desta forma, não pode o mesmo argumentar nulidade do lançamento pelo fato de que a cotitular não teria sido intimada para prestar esclarecimentos sobre a origem dos valores nas contas bancárias. As argumentações do contribuinte se reportam a situações que carecem de provas fáticas, pelo menos para consubstanciar o apelo para o princípio da verdade material. Os alegados empréstimos não estão comprovados e as explicações do contribuinte são de difícil entendimento, pois envolvem exercícios de engenharia fiscal temporal sem provas, que se baseiam na palavra do contribuinte, de que teriam existidos mútuos sem a devida transferência dos recursos e inclusive, sem o pagamento dos mesmos. Por tudo que foi exposto, voto por afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO Processo nº 19515.720709/201114 Acórdão n.º 2401004.262 S2C4T1 Fl. 10 17 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Acompanhei a i. relatora no julgamento do processo pelas conclusões, porém apresento declaração de voto a fim de explicitar, rapidamente, os motivos para julgar improcedente o recurso voluntário no tocante ao ganho de capital obtido na permuta de quotas, por razões distintas da apresentadas no r. voto da conselheira relatora. Em que pese o meu entendimento pessoal de que o momento da permuta de quotas de participação societária não represente, em regra, ganho de capital passível de tributação, no presente caso a operação realizada apresenta traços que vão além de uma permuta tradicional. Como visto das operações realizadas, a empresa Sicebras Part. Ltda. foi constituída e possuía um único ativo: conta bancária com saldo de R$ 25.650.000,00. Quando o recorrente realiza a permuta de suas quotas na Prodal Metalurgia Ltda. com as quotas daquela empresa, nitidamente o que está recebendo é o montante depositado em conta bancária em nome da empresa Sicebras. Não são apresentados documentos hábeis a comprovar o valor dessas empresas, tampouco a operação se sustenta como uma legítima permuta de quotas de participação societária onde um sócio de uma determinada empresa substitui as ações de sua empresa, a preço de custo, pelas de outra, visando futuros ganhos No caso presente, os atos se mostraram atípicos, bem como a empresa Sicebras se apresentou simplesmente como uma "cash company", ou seja, foi criada única e exclusivamente com o intuito de se transferir o dinheiro para o Sr. Ernesto Rodrigues, disfarçandose esta operação por meio de uma permuta de quotas. Neste contexto, não vislumbro no presente caso uma natural operação de permuta de quotas, que não enseja o ganho de capital, já que os elementos de defesa trazidos pelo contribuinte recorrente não são minimamente suficientes para afastar as conclusões apresentadas pela autoridade fiscal e mantidas por este colegiado. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 14/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 09/06/ 2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/06/2016 por MARIA CLECI COTI MARTI NS, Assinado digitalmente em 08/06/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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