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Numero do processo: 10580.022796/99-44
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 1995
LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITE.
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula CARF nº 3).
Numero da decisão: 1802-000.975
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelso Kichel
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Recorrente RIOMAR CENTROS COMERCIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 LUCRO REAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. LIMITE. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa (Súmula CARF nº 3). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 79/91 contra decisão monocrática da DRJ/Salvador (fls. 61/75) que julgou procedente, em parte, o auto de infração do IRPJ do ano calendário 1995, mantendo a infração compensação de prejuízo com inobservância da trava de 30%, porém afastando a infração falta de realização do lucro inflacionário. Quanto aos fatos: Em procedimento de revisão interna de declaração, foi lavrado auto de infração do IRPJ em 17/12/1999 (fls. 01/07), imputando as seguintes infrações: a) lucro inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório de 10%; b) compensação de prejuízo fiscal sem observância da trava de 30% do lucro líquido ajustado (Lucro Real antes das compensações). Crédito tributário lançado de ofício no valor de R$ 408.058,52 (data da lavratura do auto de infração), assim discriminado: imposto, R$ 155.350,26; multa de ofício de 75%, R$ 116.512,69; juros de mora (calculados até 31/12/1999), R$ 136.195,57. A contribuinte tomou ciência do auto de infração do IRPJ pessoalmente, por intermédio de seu representante legal, em 21/12/1999 (fl. 01), apresentando impugnação em 17/01/2000 de fls. 47/53, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do auto de infração do IRPJ pela imputação de infrações equivocadas: Lucro Inflacionário: que apresentou duas declarações do IRPJ: a) a primeira, relativa ao período de janeiro a outubro/1995 (situação especial), em face de cisão parcial, quando ofereceu à tributação 7,76% do lucro inflacionário acumulado, equivalente R$ 430.012,00; b) a segunda, do período novembro a dezembro/1995, quando ofereceu à tributação o complemento da realização mínima obrigatória de 10%, ou seja, R$ 82.401,00. Que, entretanto, a fiscalização olvidou a primeira declaração. Juntou cópias das declarações e do LALUR. Compensação de prejuízo sem observância da trava de 30% (Lei nº 8.981/95, art. 42): Que, com fulcro no art. 6º do DL nº 1598/77, tem direito adquirido de compensar integralmente os prejuízos fiscais gerados até 31/12/1994, com os resultados de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.022796/9944 Acórdão n.º 1802000.975 S1TE02 Fl. 2 3 anos seguintes, sem a limitação imposta pela novel legislação, a qual deve valer, tãosomente, para os prejuízos fiscais gerados sob sua égide; Com base nessas razões, a contribuinte pediu o arquivamento do auto de infração, alegando nulidade do lançamento fiscal; que, em relação ao lucro inflacionário, foi imputada infração de fato inexistente, e, por último, quanto a compensação de prejuízo fiscal com inobservância da trava de 30%, foi apurada infração com base em lei inconstitucional. A decisão a quo acolheu, em parte, as razões da contribuinte, afastando a infração atinente ao lucro inflacionário, porém manteve a infração “compensação de prejuízos fiscais com inobservância do limite de 30%”, reduzindo, por conseguinte, o montante do principal do IRPJ de R$ 155.350,26 para R$ 18.243,07, bem assim a multa de ofício e os juros de mora, cuja ementa desse decisum transcrevo, a seguir (fls.41/42): (...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O afastamento da aplicabilidade de lei ou ato normativo pelos órgãos judicantes, singulares ou coletivos, da Administração Fazenddria, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: NULIDADE. Somente são nulos os autos de infração lavrados por pessoa incompetente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. A pessoa jurídica deverá considerar realizado em cada ano calendário, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário acumulado. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda poderá ser reduzido em, no máximo, 30%. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 (...) Exoneração de crédito tributário: na parte conclusiva do voto condutor do Acordão (fl. 74), consta, de forma expressa, que, por conta do afastamento da infração atinente ao lucro inflacionário, foi exonerado a título de principal do IRPJ R$ 137.107,19, nos seguintes termos: (...) CONCLUSÃO 52. No uso da competência atribuida pelo artigo 25, inciso I, alínea "a", do Decreto n.° 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1° da Lei n.° 8.748, de 1993, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento de que trata o Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 01 a 07), no valor de R$ 18.243,07 (dezoito mil, duzentos e quarenta e três reais e sete centavos), conforme quadro demonstrativo abaixo, acrescido das cominagões legais cabíveis: Espécie Fato gerador/ Vencimento Valot total Valor não impugnado Valor Exonerado Impugnado Mantido IRPJ 1995 29/03/1996 155.350,26 137.107,19 18.243,07 (...) Ciente dessa decisão em 09/11/2001 – sextafeira (fl. 75), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/12/2001 de fls. 79/91, juntando ainda os documentos de fls.92/110, cujas razões, em síntese, são as seguintes: pela inaplicabilidade da legislação que limita em 30% a compensação do Lucro Real com prejuízos fiscais (arts. 42 e 58 da Lei 8.981/95 e arts. 12, 15 e 16 da Lei 9.065/95), pois: (i) fere o principio constitucional da anterioridade; (ii) há a desconfiguração da base de cálculo do imposto; (iii) afronta cabalmente o principio da capacidade contributiva; e (iv) configura tal situação verdadeiro empréstimo compulsório. O Recurso Voluntário foi considerado inicialmente deserto, não foi dado seguimento, pois a recorrente não fez o depósito de 30% da exigência fiscal com base na decisão recorrida e não arrolou bens e direitos do patrimônio, classificados no ativo permanente, implicando cobrança imediata do crédito tributário, conforme despacho de 27/03/2002 da DRJ/Salvador (fl.111). Em 09/07/2002, em face do não pagamento do débito, houve a remessa dos autos para PFN para fins inscrição em dívida ativa, conforme despacho da DRF/Salvador (fl. 122). Despacho e Termo de Inscrição em Dívida Ativa pela PFN (fls. 123/125). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.022796/9944 Acórdão n.º 1802000.975 S1TE02 Fl. 3 5 Por liminar obtida em Mandado de Segurança pela contribuinte, a exigibilidade do crédito tributário inscrito em dívida ativa foi suspensa em razão de ordem judicial – 10ª Vara Federal de Salvador/BA (fls.134/143). Em razão de sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança – 10ª Vara Federal de Salvador/BA, os autos do processo foram restituídos à RFB, a fim de ser dado cumprimento à decisão judicial: “deverá a DRF proceder à notificação formal ao impetrante da decisão administrativa que julgou deserto o recurso administrativo”, conforme despacho de 18/03/2003 (fl. 144). A recorrente tomou ciência, em 03/04/2003, de que seu Recurso Voluntário fora declarado deserto (fls. 145/146). Os autos retornaram para PFN em 23/04/2003 (fl. 144). Execução judicial do crédito tributário inscrito em dívida ativa em 10/07/2003 – 20ª Vara Federal de Salvador/BA (fls. 148/149). Responder exceção de preexecutividade (fls.160). Decisão transitada em julgado no dia 19/08/2009 em favor da contribuinte, proferida nos autos da Apelação Cível nº 2002.33.00.0254459/BA – TRF/1ª Região (rejeição dos Embargos da Fazenda Nacional), onde determinouse o processamento do recurso administrativo apresentado pelo contribuinte, pois: "É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo" (fls. 162/170). A PFN, na Bahia, Setor de Serviço da Dívida, em face da decisão judicial definitiva citada acima em favor da contribuinte e observado o disposto no Parecer PGFN/CDA Nº 1539/2008 que trata da repercussão do pronunciamento do STF na ADI 19767 (declaração de inconstitucionalidade do art. 32 da Lei nº 10.522/2002 que exigia arrolamento prévio de bens como condição objetiva para processamento do Recurso Voluntário), concluiu que não houve prescrição do direito de revisão do despacho de deserção do recurso, pois a contribuinte se insurgiu judicialmente de forma tempestiva, determinando no despacho fundamentado de 14/09/2009 (fls. 174/175): a) o cancelamento da inscrição do débito em dívida ativa, por ausência de exigibilidade do crédito pendência de recurso administrativo com efeito suspensivo; b) desistência da PFN, em juízo, da ação de execução fiscal; c) devolução dos autos à RFB, para encaminhamento, em seguida, ao CARF para análise do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. A lide versa acerca da exigência de crédito tributário do anocalendário 1995, por intermédio de auto de infração do IRPJ, em face da infração imputada: compensação de prejuízo fiscal sem observância da trava de 30% do lucro líquido ajustado (Lucro Real antes das compensações). Vale dizer, o excesso de compensação de prejuízo fiscal, implicou redução, indevida, do Lucro Real e do imposto. Por isso, da exigência do imposto com multa de ofício de 75% e juros de mora. A recorrente, em suas razões do recurso, alegou que a exigência não pode prosperar, pois teria direito adquirido a aproveitamento ou compensação do prejuízo fiscal acumulado até 31/12/1994 com o Lucro Real de períodos de apuração seguintes sem a trava de 30% sobre o lucro líquido ajustado; que o art. 42 da Lei nº 8.981/95 seria inconstitucional. No mérito, não procede a irresignação da recorrente. Neste Egrégio Conselho Administrativo, é entendimento pacífico que incide, sim, a trava de 30% (trinta por cento) na compensação do lucro líquido ajustado (lucro real antes das compensações) com prejuízos fiscais, cuja matéria, por ser pacífica, encontrase sumulada, consoante Súmula CARF nº 03: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Se alguma dúvida, eventualmente pudesse existir, quanto à constitucionalidade dessa limitação, o Supremo Tribunal Federal pôs fim à discussão. A matéria, no mérito, foi enfrentada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em 25/03/2009, quando, por maioria, negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE 344994PR) ajuizado contra decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, que julgou constitucionais os artigos 42 e 58 da Lei 8981/95. Os dispositivos limitaram a 30% a compensação dos prejuízos acumulados em anosbase anteriores, para fins de cálculo do imposto de renda sobre o lucro das empresas. Segundo o Pleno do STF: que a norma, no caso, trata de um abatimento dos prejuízos verificados pela empresa; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.022796/9944 Acórdão n.º 1802000.975 S1TE02 Fl. 4 7 que se trata, na verdade, de um “favor fiscal” e, como benefício, se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante, no exercício fiscal do aproveitamento do crédito, que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido; que, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do imposto de renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados para esse benefício pela legislação que regia os exercícios anteriores (não há regime jurídico adquirido para compensação de prejuízos); que essa norma não trata de qualquer alteração de base de cálculo do tributo. Exatamente, por isso, não há quebra dos princípios da irretroatividade ou do direito adquirido, até porque a Lei nº 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência; que a lei trata de deduções, “cuja projeção, para exercícios futuros, foi autorizada, e autorizada nos termos da lei, que poderá naturalmente, ampliar ou reduzir a proporção desse aproveitamento”. A propósito, transcrevo a ementa da decisão do Pleno do STF (RE 344.994 PR), Sessão de 25/03/2009, Relator Min. Marco Aurélio: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS A E B, E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Portanto, a aplicação da trava de 30% na compensação de lucro real com prejuízo fiscal é constitucional, independentemente da época que o prejuízo fiscal foi gerado, se antes ou depois da Lei nº 8.981/95. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 18050.001240/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO EM DINHEIRO DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
Para o caso concreto, entendo que o alimentação fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do art. 28, “c” da lei, ou seja c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril
de 1976; O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa forneceu alimentação em dinheiro, portanto em desconformidade com a lei Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento.
Não existe na Lei 6321/91, previsão para o fornecimento de alimentação em dinheiro.
Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringem-se
a regular a relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos atinjam o conceito de salário de contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.171
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO EM DINHEIRO DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Para o caso concreto, entendo que o alimentação fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do art. 28, “c” da lei, ou seja c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando a empresa forneceu alimentação em dinheiro, portanto em desconformidade com a lei Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Não existe na Lei 6321/91, previsão para o fornecimento de alimentação em dinheiro. Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringem-se a regular a relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos atinjam o conceito de salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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Não existe na Lei 6321/91, previsão para o fornecimento de alimentação em dinheiro. Os efeitos dos acordos e convenções coletivas restringemse a regular a relação trabalhista, salvo quando por expressa previsão legal seus efeitos atinjam o conceito de salário de contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.001240/200948 Acórdão n.º 240102.171 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.196.1084, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa destinada a terceiros Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 21 a 24 as contribuições de terceiros lançados neste AI são referentes as competência de 01/2004 a 12/2004, e foram apurados com base na folha de pagamento onde são registrados os valores pagos aos empregos, em dinheiro, sob o titulo de ajuda de alimentação cuja rubrica não foi oferecida a tributação. É oportuno informar que essas Bases de Cálculos descritas acima não foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP. Este fato, também ensejou Auto de Infração de Obrigação Principal — AIOP 37.196.1092. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/01/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 85 a 90, onde alegou em síntese. Afirma que, para efeito de incidência previdencidria, os valores pagos pela empresa a titulo de ajuda alimentação não constituem remuneração, pelos argumentos declinados a seguir: a) consta na convenção coletiva de trabalho previsão expressa de não incidência de contribuição previdencidria sobre tal parcela. b) colaciona jurisprudência do TRT 3' Regido, que decide pela não incidência do INSS sobre ajuda alimentação definida em convenção coletiva. Insta salientar que foi anexada as fls. 77/81 nova impugnação protocolizada em 16/07/2009, na qual, em síntese, requer, com relação à multa cominada, seja aplicada a redação da Lei 11.941, de 2009, por se tratar de legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme preceitua o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, fls. 85 a 86. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 91 a 94 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: a verba paga não constitui salário de contribuição considerando a expressa previsão em acordo ou convenção trabalhista que descreve sua natureza indenizatória. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.001240/200948 Acórdão n.º 240102.171 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 180. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 121DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, bem como quais as modalidades de pagamento, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Portanto, não existe dentre as possibilidades de fornecimento de alimentação de acordo com o PAT, o pagamento em dinheiro. Sendo assim, o pagamento realizado encontrase em dissonância com os preceitos legais, razão porque constitui salário de contribuição. O fato de existir previsão em acordo ou convenção coletiva não interfere na natureza da verba para efeitos previdenciários, posto que a exclusão da base de cálculo encontrase descrita no art. 28, § 9º da lei 8212/91, sendo que o descumprimento dos preceitos ali descritos faz nascer o dever de incluir ditos valores na base de cálculo de contribuição previdenciária. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 122DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18050.001240/200948 Acórdão n.º 240102.171 S2C4T1 Fl. 4 7 Fl. 123DF CARF MF Emitido em 22/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000606/2004-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES.
A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor.
Embora o art. 132 refira-se aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição,
compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boa-fé não pode amparar a sucessora se o sócio administrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da
sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF).
Numero da decisão: 9101-001.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LIONE COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA. (atual denominação da MG Master Ltda. — sucessora da RK Sports Ltda.). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de ofício, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. Embora o art. 132 refirase aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 estabelece que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. PRINCÍPIO DA BOA FÉ. O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócioadministrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos Lima Junior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Karem Jureidini Dias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo, acompanharam o relator por suas conclusões. ﴾documento assinado digitalmente﴿ Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, contra o acórdão nº 10808.524, de 20/10/2005 (fls. 582/598), proferido pela Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade decidiu rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores do PIS e da COFINS e os juros incidentes sobre estas contribuições até agosto de 1998 exigidos de ofício e cancelar a multa lançada de ofício. A recorrente tomou ciência do acórdão em 09/10/2006 (fls. 600), tendo interposto o recurso especial (fls. 601/619), com fundamento no art. 32, inc. I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e do art. 5º, inc. I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos aprovados pela Portaria MF nº 55, de 12/03/1998. Insurgese a recorrente contra a decisão do acórdão recorrido que deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento a multa de ofício qualificada aplicada (150%), com base no entendimento de que a incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. A Fazenda Nacional, ora recorrente, alega em síntese: a) que a decisão que decidiu pela exclusão da multa de ofício violou o art. 129 do CTN, pois o art. 132 do mesmo código deve ser aplicado observandose aquele dispositivo; b) que “o art. 129 menciona que nos casos de sucessão regrados na Seção II, os sucessores serão responsáveis pelo crédito tributário e não somente pelo tributo em espécie”; c) que “o art. 132 se encontra dentro da Seção II e, portanto, não se pode interpretar a expressão “tributos" nele mencionada apenas como o tributo em espécie, mas como todo o crédito tributário numa interpretação sistemática com o art. 129”; d) que “no presente caso, não se faz presente os valores que se busca proteger com a interpretação restritiva do art. 132 do CTN. A autuada não goza de boafé, pois os seus sócios são quase todos os mesmos que compunham o quadro social da sucedida, autora do ilícito fiscal”; e) que “a administração da sucedida fora realizada pelo mesmo sóciogerente da sucessora o Sr. SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO que autorizava a utilização de vários artifícios para ocultar a ocorrência do fato gerador das obrigações tributárias, conforme apurados pela autoridade fiscal”; f) que “em que pese a MGMASTER LTDA e a ZIK SPORTS LTDA sejam pessoas jurídicas distintas, com CNPJ diferente, ambas integram o mesmo grupo econômico, cujo órgão de direção foi o mesmo que praticou o ilícito fiscal em 1998”; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000606/200429 Acórdão n.º 910101.129 CSRFT1 Fl. 2 3 g) que, “o afastamento da multa punitiva é razoável quando a aplicação desta configurarse uma situação de injustiça, pois atentatória do princípio esculpido no art. 5Q, XLV da CF/88 e à boafé objetiva, mas não pode servir àquele que praticou o delito apenas porque mudou de nome”; h) que “não é razoável admitir a exclusão de responsabilidade por multas nos casos de sucessão, incorporação, transformação e cisão das pessoas jurídicas compostas pelos mesmos sócios das empresas sucedidas, incorporadas, transformadas e cindidas, a fim de que não assistamos a perpetração de fraudes sob um aparente consentimento da lei”; i) que “não procede o argumento de que a desconsideração da sucessão seria forma de aplicar o parágrafo único do art. 116 do CTN a despeito de sua regulamentação”; j) que restou caracterizada a existência de dolo por parte da contribuinte, ensejando a aplicação da multa qualificada prevista no inc. II do art. 44 da Lei 9.430/96. A recorrente cita jurisprudência do STJ em abono à sua tese. Ao final a recorrente propugna que seja restabelecida a multa de 150% para todos os autos de infração. O presidente da 8ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de contribuintes admitiu o recurso especial por que se trata de decisão não unânime e entender que ficou demonstrado em tese que a decisão recorrida seria contrária à lei e à evidência das provas contidas nos autos. A autuada, ora recorrida, foi cientificada do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional e apresentou suas contrarrazões (doc. a fs. 674/699), as quais protestam pela manutenção da decisão, sustentando em síntese: a) que “o CTN, em seu art. 132, é claro ao afirmar que a responsabilidade tributária das sucessoras referese apenas aos tributos e não às multas, principalmente as de natureza punitiva”; b) que “a mencionada "interpretação sistemática", pretendida pela Recorrente, caracterizase como verdadeira inovação legislativa, que não é permitida no âmbito tributário em vista ao princípio da Estrita Legalidade (art. 150, II, CF/88 e art. 97 do CTN)”; c) que nas “razões do Recurso combatido, notase claramente a intenção da Fazenda Nacional de ampliar o texto do art. 132 do CTN, acrescentando às suas disposições vocábulo que o legislador não pretendeu expressar, ou seja, substituir a palavra "tributos" pela expressão "crédito tributário", que, indiscutivelmente, não se equivalem”; e) que “o legislador ao editar a Lei n° 5.172/66 (CTN) sabia exatamente a distinção entre tributo e crédito tributário, bem como as diferenças entre principal e multa, não podendo o julgador administrativo imaginar que, no caso do art. 132, ele teria se equivocado ao constar somente a responsabilidade por sucessão com relação aos tributos”; f) que “no que se refere aos precedentes do STJ apontados no Recurso ora contrarazoado, verificase que, em ambos os casos, o entendimento que prevalece é o de que a responsabilidade só existe quando as multas que já integravam o passivo da pessoa jurídica, ou seja, foram aplicadas antes da incorporação de forma a serem conhecidas pelos novos administradores da empresa, o que não ocorreu no caso em comento”; g) que “em matéria tributária não há espaço para suposta "interpretação sistemática" ou "buscando possível intenção do legislador" (que na verdade são meras tentativas de inovar no ordenamento jurídicotributário), pelo que todas as considerações Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 postas neste sentido não podem convalidar possível manuseio da legislação ao bel prazer do Fisco”; h) que “não há autorização legal para desconsideração de atos e negócios jurídicos validamente realizados. E, se este fosse o caso, certamente a Recorrida tem o direito de defesa contra tal argumento, de maneira que este aspecto teria que estar ventilado no auto de infração e peças conseqüentes; i) que “o que se verifica nos autos é que a Fazenda Nacional, ao mesmo tempo em que defende a malsinada "aplicação sistemática" do art. 132 do CTN, pretende, indiretamente, desconsiderar a sucessão ocorrida no presente caso, aventando, de forma equivocada, a possibilidade de um suposto ato simulado, sem realizar qualquer prova dessa suposição. A verdade é que a Recorrente nem mesmo chega a afirmar expressamente que a incorporação foi um ato simulado e nem poderia, pois para que essa afirmação fosse sequer cogitada, seria indispensável sua comprovação inequívoca, fato inexistente nos autos”; j) que “em momento algum o Fisco se opôs ao procedimento de incorporação do qual participou a Empresa Autuada, mesmo podendo fazêlo, conforme determina expressamente a legislação de regência (Lei n° 6.404/76), sendo que não lhe cabe, somente agora, alegar a imaginada simulação na transformação societária em comento, a fim de tentar justificar a responsabilidade por sucessão da Recorrida no que se refere à multa de ofício aplicada na sucedida”; k) que “mesmo que se considerasse cabível a multa de oficio, hipótese levantada apenas por amor ao debate, ela teria que ser aplicada no montante mínimo permitido em lei”; l) que “no caso dos autos, não restou COMPROVADA quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação dos Recorrentes tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação”. m) que “não há que se falar em imposição de penalidade, ainda mais em sua forma agravada, eis que o trabalho fiscal foi concluído após a adesão da Recorrente ao PAES” e que” a confissão e o parcelamento de débitos são condutas que, inequivocamente, excluem qualquer possibilidade de ocorrência dos requisitos para aplicação da qualificação de multa tributária”. A recorrida faz citação da doutrina e de jurisprudência da Câmara Superior de Recurso Fiscais em reforço às suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido, nos termos do art. 4º da Portaria MF nº 256 de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. A questão a ser solucionada versa sobre a possibilidade de cobrança, da empresa incorporadora (sucessora), de multa qualificada (150%) aplicada sobre os tributos lançados em face da omissão de rendimentos apurada pela fiscalização sobre operações realizadas pela empresa incorporada. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000606/200429 Acórdão n.º 910101.129 CSRFT1 Fl. 3 5 O acórdão recorrido adota o posicionamento, de que a incorporadora responde apenas pelos os tributos devidos pela sucedida. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa, na parte que interessa ao presente recurso: MULTA DE OFÍCIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO A incorporadora somente responde pelos tributos devidos pelo sucedido. O que alcança a todos os fatos jurídicos tributários (fato gerador) verificados até a data da sucessão, ainda que a existência do débito tributário venha a ser apurada após aquela data. Art. 132 CTN. A recorrente argumenta que a decisão que excluiu a penalidade contraria a lei; mais precisamente o art. 129 do CTN. Sustenta que a interpretação do art. 132 não pode ser feita de forma isolada, desconsiderando o disposto no art. 129, que integra a mesma Seção II do código, que trata da responsabilidade dos sucessores. Tal interpretação estaria em consonância com a jurisprudência do STJ. Por outro lado a recorrida sustenta que a decisão recorrida se alinha à jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No seu entendimento a expressão “tributos” contida no art. 132, excluiria uma interpretação sistemática no sentido de ampliar o seu alcance e abranger as multas, como pretende a recorrente. Alega ainda que a jurisprudência citada pela recorrente abrangeria apenas os casos em que a multa punitiva já havia sido lançada antes da sucessão e já integrando o patrimônio da incorporada sendo, portanto, de conhecimento da incorporadora na data do ato de incorporação. Tratase, portanto, de examinar se a decisão recorrida afronta os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores. Passo, então, a examinar os argumentos da recorrida à luz dos elementos do processo, da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial. Esta questão tem sido bastante discutida sejam no âmbito doutrinário, seja no campo jurisprudencial. Na esfera administrativa, conforme aponta a recorrida em suas contrarrazões, existem várias decisões da Câmara Superior Fiscal que a responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 132 do CTN, restringese aos tributos não pagos pela sucedida, e que a responsabilidade pela multa fiscal somente se dá quando ela tiver sido lançada antes do ato sucessório, tratandoa, neste caso, como um passivo assumido pela sucessora. É o caso dos acórdãos da CSRF indicados pela recorrida em seu contraarrazoado (Acórdão CSRF/01 04.408 e CSRF/0104.406, ambos proferidos no ano de 2003) Em que pesem os sólidos argumentos contidos nos referidos acórdãos da CSRF, lastreado tanto na doutrina quanto na jurisprudência, não se pode olvidar que a jurisprudência é dinâmica e sofre alterações ao longo dos anos. O argumento central da tese abrigada no acórdão recorrido é de que o artigo 132 do CTN prevê apenas a responsabilidade da sucessora pelos tributos, o que excluiria, portanto as multas, pois estas estão fora do conceito de tributo “strictu sensu”. Tal premissa, no entanto já vem mitigada por ressalvas feitas na própria jurisprudência que encampa esta tese. A primeira delas é de que se admite a responsabilidade pelas multas se estas já tiverem sido lançadas antes do ato sucessório, na medida em que estariam incorporadas ao patrimônio (mais propriamente ao passivo) da empresa sucedida, sendo, portanto, do conhecimento da sucessora (incorporadora, no presente caso). Também há Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 muito que a jurisprudência admite que a multa de mora, por ter caráter indenizatório e não punitivo, também é da responsabilidade da sucessora. Essa interpretação mitigada do artigo 132 revela que a exegese correta, como sói ocorrer com toda norma jurídica, não pode ser feita de forma literal, nem isolada do restante do ordenamento. A interpretação sistemática não representa inovação legislativa, nem tampouco afronta o princípio da estrita legalidade, como alega a recorrida, mas sim representa uma dos mais eficazes e utilizados métodos hermenêuticos. Neste diapasão não há como deixar de fazer uma análise sistemática das normas que tratam da responsabilidade tributária dos sucessores no CTN, contidas na Seção II do Capítulo V. Podese começar pelo próprio art. 132, numa leitura mais acurada do caput e de seu parágrafo único, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. (grifei) Como se vê, o caput do art. 132 trata da responsabilidade da pessoa jurídica não apenas no caso em que esta resulte de incorporação de outra, mas também nos casos de fusão ou transformação da pessoa jurídica. A lei nº 6.404/1976, que rege as sociedades anônimas define o que vem a ser cada uma dessas modalidades, nestes termos: Art. 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Art. 228. A fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações. Como se vê na definição legal, apenas nos casos de fusão ou incorporação ocorre a extinção de uma ou mais sociedades sendo sucedida por apenas uma delas (no caso de incorporação) ou por uma nova sociedade (no caso de fusão). Na transformação não há dissolução ou liquidação da sociedade, mas a mera transformação de seu tipo societário (de sociedade por quotas de responsabilidade limitada para sociedade anônima, por exemplo). Nesse caso não há, pelo menos em princípio, alteração do quadro societário, embora a lei ressalve o direito do sócio dissidente retirarse da sociedade; nem tampouco das atividades desenvolvidas. Ou seja, a pessoa jurídica não sofre qualquer interrupção ou alteração na exploração de suas atividades. Não seria razoável a interpretação de que a pessoa jurídica que promoveu alteração de seu tipo societário tivesse a sua responsabilidade tributária até a data da transformação, limitada aos tributos devidos, com exclusão das penalidades pelas infrações tributárias de qualquer natureza que houverem sido cometidas. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000606/200429 Acórdão n.º 910101.129 CSRFT1 Fl. 4 7 Não obstante o art. 132 alberga todas essas situações, sempre se referindo à responsabilidade dos “sucessores” pelos “tributos” devidos pela pessoa jurídica até a data do ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção. O mesmo se pode dizer da interpretação do parágrafo único do mesmo dispositivo quanto à responsabilidade do sócio que, extinta a pessoa jurídica, dá continuidade à exploração da atividade sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual, ficar limitada aos tributos, com exclusão das penalidades. Em linha similar de sustentação, Gelson Amaro de Souza (Responsabilidade Tributária e Legitimidade Passiva na Execução Fiscal, 2ª ed., rev., atual. e amp. – Ribeirão Preto, SP: Nacional de Direito Livraria e Editora, 2001), leciona que: O responsável por sucessão responde pelas obrigações tributárias deixadas pelo sucedido em toda sua extensão, sem exclusão alguma. O legislador, ao disciplinar a matéria da sucessão em seus arts. 131 a 133, especificamente, não fez nenhuma exclusão, como o fez para os casos do art. 134, do mesmo CTN. O parágrafo único do art. 134 exclui as responsabilidades em relação às multas de caráter pecuniário. Mas essa exclusão se restringe única e exclusivamente aos casos do art. 134 e não se aplica em hipóteses outras, que não as ali tratadas. A adequada interpretação do disposto no art. 132 do CTN passa, sem dúvida alguma, pela observância do que dispõe o art. 129 do mesmo código. O dispositivo em questão é a moldura sob a qual devem ser aplicados os demais dispositivos da seção que trata da responsabilidade dos sucessores, nestes termos: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (grifei) O dispositivo se refere expressamente não apenas à responsabilidade dos sucessores “por igual aos créditos tributários” , como também determina a sua aplicação (por igual) a quaisquer créditos tributários, sejam eles “definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos”, apenas com a ressalva de que sejam “relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data” O código não diferencia, portanto, a responsabilidade do sucessor sobre os créditos tributários, sejam eles constituídos antes, em curso de constituição ou posteriormente à data ato de transformação, fusão, incorporação ou extinção da pessoa jurídica. Assim, não abriga critério que permita excluir da responsabilidade as multas aplicadas após a data do ato de sucessão, conforme entendeu o acórdão recorrido. Esta interpretação está em consonância com a jurisprudência mais recente do Superior Tribunal de Justiça, que, sob a égide da Constituição Federal de 1.988, se não vejamos como dispõe a ementa do RESP. Nº 959389 –RS, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 959.389 RS (2007/01316981) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 159 DO CC DE 1916. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. MULTA Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 8 TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. 1. Não se conhece do recurso especial se a matéria suscitada não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, em virtude da falta do requisito do prequestionamento. Súmula 282 e 356/STF 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original) 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3°, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos. (grifo constante do original) 4. Recurso Especial conhecido em parte e não provido (Acórdão proferido em 07/052009 – Relator Ministro Castro Meira) Na mesma linha já havia sido proferido o Acórdão nº 1.017.186 SC, in verbis: RECURSO ESPECIAL N° 1.017.186 SC (2007/03039743) RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DO AUTOS. A empresa recorrida interpôs agravo de instrumento com a finalidade de suspender a exigibilidade dos autos de infração lavrados contra a empresa a qual sucedeu. Alegou a ausência responsabilidade pelo pagamento das multas e, também, decadência dos referidos créditos. O Tribunal a quo acolheu o primeiro argumento, julgando prejudicado o segundo. 1. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. (grifo não consta do original). 2. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1° do art. 113 do CTN). (grifo não consta do original). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000606/200429 Acórdão n.º 910101.129 CSRFT1 Fl. 5 9 3. Tendo em vista que a alegação de decadência não foi analisada em razão do acolhimento da nãoresponsabilidade tributária da empresa recorrida, determinase o retorno do autos para que seja analisado o fundamento tido por prejudicado. 4. Recurso especial provido em parte. (Acórdão proferido em 11/03/2008 – Relator Ministro Castro Meira) Com se extrai dos acórdãos a responsabilidade tributária do sucessor abrange não apenas o tributo, como quaisquer tipo de penalidades pecuniárias na medida em que ambos decorrem da obrigação principal, fundamentandose nos artigos 139 e no §1º do art. 113 do CTN, in verbis: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113 (...). § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, sendo parte integrante do crédito tributário, não há porque se cogitar da exclusão da responsabilidade do sucessor pela multa, seja ela de mora ou de ofício, independente do momento da constituição do crédito. A única diferença entre as multas de mora e de ofício é a postura do sujeito passivo perante o Fisco. Se ele reconhece sua omissão ou inadimplência e declara/paga o tributo correspondente antes de qualquer ação do Fisco deve apenas a multa de mora. Por outro lado, a multa de ofício é uma penalidade mais gravosa na medida em que o Fisco necessitou movimentar a sua máquina fiscalizadora para efetuar o lançamento dos tributos que foram sonegados aos cofres públicos pelo sujeito passivo. Trata se, portanto, de responsabilidade objetiva, que tem como pressuposto a inadimplência ou a omissão do sujeito passivo ao declarar/recolher o tributo, que é verificada no caso concreto, conforme dispõe o art. 136 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifei) Embora a multa fiscal seja uma penalidade, tem caráter eminentemente patrimonial, não sendo aplicável o princípio do direito penal inserto no art. 5º, inciso XLV da CF/88, segundo o qual a pena não pode passar da pessoa do infrator. Assim, decidiu o Supremo Tribunal Federal no RE. 83.613SP, de 20/08/1976, e precedentes: RE 74.851, RE 59.883 e RE 77.187SP. Lembro, ainda, que, se no passado com base no aludido dispositivo constitucional alguns negavam a possibilidade de habilitação de créditos relativos a multa tributária no processo de falência (sob o argumento de que iria onerar os credores e não o infrator), hoje, a multa tributária está expressamente prevista, no art. 83, inciso VII, da Lei de Falência (Lei no 11.101/05) entre os créditos passíveis de habilitação. Arrematando, entendo que a multa de ofício aplicada pela autoridade fiscal por infração praticada pelo contribuinte à lei tributária, não possui caráter de pessoalidade, típica das penas criminais, mas ostenta caráter econômico e integra o passivo patrimonial das pessoas jurídicas, sendo, assim, transferível para o sucessor, da mesma forma que os demais elementos do passivo. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 10 Poderseia argumentar que a multa qualificada, como a aplicada no caso sub examine, revestese preponderantemente de elementos do direito penal, na medida em que a exasperação da multa de ofício é aplicada, com base no inc. II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 diante da constatação do evidente intuito de fraude, nos termos definidos pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste caso, além da responsabilidade objetiva pela falta de declaração/recolhimento do tributo devido pelo sujeito passivo, concorre para a sua aplicação (da multa qualificada) a conduta subjetiva, caracterizada pela ação ou omissão dolosa do contribuinte com intuito de suprimir ou reduzir o tributo devido. Ora, no caso das pessoas jurídicas a caracterização da conduta dolosa que justifica a majoração da multa de ofício depende essencialmente da ação ou omissão dos seus administradores, que ao fim e ao cabo são os responsáveis pela sua gestão e os beneficiários dos seus resultados. Tal conduta é reprovada não apenas pela legislação tributária, que o faz por intermédio da exasperação da multa de ofício, mas também pela legislação penal, que a tipifica como crime (arts. 1º e 2º da Lei 8.137/1990). Assim, a pessoa jurídica sofre o agravamento da penalidade de cunho patrimonial, enquanto que o dirigente responsável pela conduta dolosa está sujeito às sanções criminais. Nesse contexto, poderseia questionar se a exasperação da multa, originada da ação ou omissão dos administradores da pessoa jurídica sucedida devesse passar à responsabilidade da pessoa jurídica sucessora. Uma vez mais entendo que a penalização mais gravosa deva ser transferida para a sucessora, na medida em que a multa de ofício qualificada integra o crédito tributário apurado e decorre igualmente da legislação tributária. Já a responsabilidade penal ou criminal do dirigente jamais poderá ser estendida ou transferida aos dirigentes da pessoa jurídica sucessora em face da aplicação do princípio da não transferência da pena, previsto no art. 5o, inc. XLV, da CF/88. Ainda que pudesse se admitir que a exasperação da multa lançada de ofício não devesse ser transferida aos sucessores, em homenagem ao princípio da boafé, este entendimento não poderia ser aplicado ao presente caso. As razões relatadas pela fiscalização no seu Termo de Verificação (fls. 25/37) para justificar a imposição da multa qualificada, também transcritas na peça recursal, demonstram que a empresa sucessora é composta basicamente pelos mesmos sócios da empresa incorporada, sendo que ambas sempre foram administradas com exclusividade pelo Fl. 10DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000606/200429 Acórdão n.º 910101.129 CSRFT1 Fl. 6 11 mesmo sóciogerente. É oportuno transcrever os principais pontos do item 67 do Termo de Verificação de Infração, para a perfeita compreensão dos fatos: 67. Caracterizam o evidente intuito de fraude a que aludem os artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64, os seguintes fatos, em conjunto com tudo o que já foi exposto neste Termo: "a) as omissões de receitas verificadas ocorreram de forma generalizada na empresa MG MASTER LTDA., bem como já ocorriam as omissões nas empresas que a mesma incorporou e continuaram a ocorrer após as incorporações, como comprovam os envelopes de Fechamento de Caixa e os relatórios existentes no aplicativo SISPAC, constantes da documentação retida/apreendida, de acordo com o Termo de Retenção, a que se refere o item 2, e anexados ao presente processo; b) filiais que iniciaram suas atividades em 1998 também já contabilizavam, desde o primeiro dia de funcionamento, valores de receitas de vendas inferiores às reais; c) as omissões não ocorreram de forma isolada ou esparsa, mas sim de forma continuada e geral, na medida em que ocorreram não só em alguns dias, mas diariamente, não apenas em alguns meses, mas em todos os meses do anocalendário de 1998, que ora está sendo analisado, e também não apenas em uma loja, mas em todas que já existiam, nas que entravam em funcionamento e também nas que foram incorporadas, todas sob a administração do Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, que era sócio das incorporadas e continua como sócio quotista, representante legal e dirigente exclusivo da MG MASTER LTDA; d) as omissões não foram em decorrência de erros de escrituração e sim decorrentes da sistemática contabilização de valores de receitas de vendas inferiores aos efetivamente ocorrido; (...) g) existe uma limitação à emissão de notas ou cupons fiscais no dia, em função do procedimento de controle e cotas, de tal forma que a utilização dos emissores de cupom fiscal (ECF) fica restrita ao valor previamente determinado pelo próprio sócio administrador, Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, conforme constatado nos documentos juntados às folhas 218 a 220 do anexo 1 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA (...); Assim, do quadro social da incorporada, figurava na sua composição SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO e ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM, já a empresa incorporadora MG Master Ltda, após a 17ª alteração contratual, mediante a qual incorporou outras 11 empresas além da sucedida RK Sports Ltda., passou a apresentar o seguinte quadro societário: SEBASTIÃO VICENTE BOMFIM FILHO (85%); ISABEL MARIA DE MELO BOMFIM (3%); e GLORIA MARIA DE MELO BONFIM BURGER (12%). Fl. 11DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 12 Ora, o sóciogerente de ambas as empresas (sucessora e sucedida), Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho é único responsável pelas ações e omissões que ensejaram a aplicação da multa qualificada e detentor de 85% do capital social da incorporadora, não pode alegar em seu proveito o desconhecimento de como operava a empresa incorporada e eventuais riscos ocultos na operação de incorporação. Não pode, portanto, opor a boa fé para justificar o afastamento da multa qualificada neste caso. Segundo Roque Antonio Carrazza, em seu Curso de Direito Constitucional, 16a ed, p. 379, o princípio da boafé também impera no Direito Tributário e leciona: “De fato, ele irradia efeitos tanto sobre o Fisco quanto sobre o contribuinte, exigindo que ambos respeitem as conveniências e interesses do outro e não incorram em contradição com sua própria conduta, na qual confia a outra parte (proibição de venire contra factum próprio).” (grifei) É oportuno registrar que não está mais em discussão neste processo a qualificação da multa, em face da ação dolosa do sujeito passivo, conforme sintetizado na ementa do acórdão recorrido, in verbis: “MULTA QUALIFICADA Verificada a omissão de receitas de forma reiterada e planejada, com controles mantidos à margem da contabilidade, tipificada se encontra a hipótese de incidência do artigo 1o inciso 1o da Lei 8137/1990 sendo aplicável a multa do inciso segundo do artigo 44 da Lei 9430/1996.” É oportuno registrar que o conjunto probatório da conduta dolosa da contribuinte a ensejar a aplicação da multa qualificada é robusto e não foi contestado pela Turma a quo, tanto que ela afastou a aplicação da regra decadencial do art. 150, § 4º, para, então calcular o prazo decadencial com base no disposto no art. 173, I, todos do CTN, justamente por estar configurado o dolo que, à luz da jurisprudência dominante do CARF à época, era necessário para deslocar o termo a quo do prazo decadencial do direito do Fisco lançar os tributos em tela para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser feito o lançamento. Assim, uma vez superada a interpretação dada pela Turma a quo ao disposto no art. 132 do CTN, há que se restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. Além disso, não há como justificar a exclusão da exasperação da multa de ofício no presente caso, sem ferir o princípio da boafé, pois a ninguém é dado o direito de se beneficiar da própria torpeza (neminem auditur propriam turpitudinem allegans). Não bastassem todas as considerações já expendidas, entendo que o presente caso amoldase à perfeição ao conteúdo da Súmula nº 47 do CARF, in verbis: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Finalmente, julgo importante registrar que a tese de desconsideração de ato ou negócio jurídico, prevista no art. 116 do CTN, vislumbrada pelo relator do acórdão vencedor da matéria ora em discussão, como o fundamento indireto da imposição da multa à sucessora, não consta da fundamentação legal, nem das razões da fiscalização para atribuir tal responsabilidade à sucessora, ora autuada. Também não vejo razões para a sua invocação no presente caso. Deste modo considero irrelevante a discussão se tal dispositivo seria ou não aplicável ao presente caso e se o dispositivo em questão estaria ou não em condições de aplicabilidade ou dependeria de sua regulamentação. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 10680.000606/200429 Acórdão n.º 910101.129 CSRFT1 Fl. 7 13 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial para restabelecer a cobrança da multa de ofício qualificada (150%) sobre os créditos tributários, nos termos do lançamento efetuado. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 11065.900982/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996
PIS RESTITUIÇÃO
/ COMPENSAÇÃO INCONSTUTUCIONALIDADE
DA LEI 9517/98 MP
1212/95.
O STF declarou a inconstitucionalidade de parte do art. 18 da Lei 9517/98, no
tocante à retroatividade de seus efeitos até outubro de 1995. A jurisprudência
pacificou o entendimento que as alterações referentes ao PIS adquiriram
validade em 01 de março de 1996, após o transcurso de 90 dias da publicação
da MP 1212/95. Após esta data, o PIS tornouse
devido nos termos da
Medida Provisória 1212/95.
DECADÊNCIA SÚMULA
STF RECONHECIMENTO
DE OFÍCIO EM
REVISÃO DE LANÇAMENTO INADMISSIBILIDADE
DO RECURSO
VOLUNTÁRIO.
Não havendo controvérsia nos autos, pois a autoridade fiscal reconheceu de
ofício a extinção do crédito tributário objeto dos autos, em vista da ocorrência
da decadência, é inadmissível Recurso Voluntário. Cancelada a cobrança nos
sistemas da Receita Federal, os autos devem ser encaminhados para
arquivamento.
Numero da decisão: 3302-001.359
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
voluntário, nos termos do voto da relatora.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996 PIS RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO INCONSTUTUCIONALIDADE DA LEI 9517/98 MP 1212/95. O STF declarou a inconstitucionalidade de parte do art. 18 da Lei 9517/98, no tocante à retroatividade de seus efeitos até outubro de 1995. A jurisprudência pacificou o entendimento que as alterações referentes ao PIS adquiriram validade em 01 de março de 1996, após o transcurso de 90 dias da publicação da MP 1212/95. Após esta data, o PIS tornouse devido nos termos da Medida Provisória 1212/95. DECADÊNCIA SÚMULA STF RECONHECIMENTO DE OFÍCIO EM REVISÃO DE LANÇAMENTO INADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não havendo controvérsia nos autos, pois a autoridade fiscal reconheceu de ofício a extinção do crédito tributário objeto dos autos, em vista da ocorrência da decadência, é inadmissível Recurso Voluntário. Cancelada a cobrança nos sistemas da Receita Federal, os autos devem ser encaminhados para arquivamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 79DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.900982/200869 Acórdão n.º 330201.359 S3C3T2 Fl. 80 2 WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fls. 29/33) de débito de CSLL relativa ao 2º Trimestre de 1997, com DARF de PIS, relativo à competência 11/1996. A DCOMP foi apresentada em 22/01/2004. O despacho decisório (fls. 01) não homologou a compensação pretendida, consignando que não teria sido confirmada a existência do crédito utilizado na compensação, e consolidou o valor a ser pago pelo contribuinte, relativo à CSLL que teria deixado de ser paga. Em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 02/10) a Recorrente alega que o crédito referese a parcela de PIS que foi paga com base em receita de terceiros, indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição apurada em relação à competência 11/1996. A análise da DRJ (fls. 41/41verso) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a não homologação da compensação, por considerar que não há nos autos prova da liquidez e certeza do crédito, inclusive porque as alegações da Recorrente referemse à legislação que sequer estava vigente à época do fato gerador que teria originado o crédito. Adicionalmente, fez consignar que expiraria em 05 anos o prazo para a Recorrente pleitear a restituição de pagamento indevido ou a maior, e que tal prazo, portanto, teria expirado antes de 2004 (data da DCOMP), em se tratando de crédito supostamente gerado em 1996. Na seqüência, foi emitido o Parecer DRF/NHO/Seort nº 36/2010 (fls. 42/43), no qual, por meio de revisão de ofício, reconheceu a decadência do direito do Fisco em lançar o crédito de CSLL, devida no 2º Trimestre de 1997 (com base na Súmula nº 08 do STF) – objeto dos autos. Após o encaminhamento do Parecer à Seort, foi proferido Despacho Decisório (fls. 44), que acatou as conclusões do Parecer e determinou que fossem Fl. 80DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.900982/200869 Acórdão n.º 330201.359 S3C3T2 Fl. 81 3 tomadas as providências operacionais cabíveis, no sistema de cobranças, bem como o arquivamento do processo. A Recorrente foi intimada do Parecer DRF/NHO/Seort e do Acórdão da DRJ. Não há evidências, nos autos, de que cópia do Despacho Decisório tenha sido enviada para ciência do contribuinte. Em seguida a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 47/80) em que apresenta alegações relativas à existência e liquidez do crédito utilizado na compensação que foi objeto destes autos. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O Recurso é tempestivo, e atende aos pressupostos de inadmissibilidade, razão pela qual dele conheço. Em primeiro lugar é imperioso esclarecer que após a decisão da DRJ consta dos autos Despacho Decisório, em revisão do lançamento, que reconhece a ocorrência da decadência (e extinção) do crédito tributário objeto dos autos. Não há evidência nos autos de que a Recorrente tenha recebido cópia do Despacho Decisório em questão, neste sentido, é possível que não tenha tomado conhecimento da extinção do débito tratado nos autos, bem como da determinação de adequação dos sistemas de cobrança e posterior arquivamento do processo. É necessário registrar e reiterar que o débito que se pretendia extinguir por meio da compensação em apreço já não existia no momento da compensação, em virtude da ocorrência do instituto da decadência. De toda forma, uma vez reconhecido que o débito objeto do processo – derivado da DCOMP cuja compensação não foi homologada – foi extinto por ocasião da decadência do direito do Fisco em promover o lançamento, o consequente cancelamento da cobrança e a determinação de arquivamento do processo, resolvem de forma definitiva a questão do débito discutido nos presentes autos. Todavia, o Recurso Voluntário apresentado, a meu ver, mesmo após o mencionado Despacho Decisório que reconheceu a extinção do débito tributário, deve ser analisado. Isto porque o contribuinte, como se verifica do exposto nos termos do recurso, entende que possui direito ao crédito tributário. Ou seja, ainda que não exista mais o débito, uma vez que a premissa é que existe o crédito, devese analisar o direito do contribuinte à restituição do tributo. Passo, portanto, a analisar o crédito. Inicialmente, afasto a prescrição do direito da Recorrente, em vista da aplicação da Lei Complementar nº 118/05 e da interpretação trazida pela decisão do Supremo Fl. 81DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.900982/200869 Acórdão n.º 330201.359 S3C3T2 Fl. 82 4 Tribunal Federal proferida nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice que, ao analisar a natureza e as determinações contidas na mencionada Lei decidiu que o prazo para a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação recolhidos a maior ou indevidamente é de 10 anos para os pedidos protocolados até 08/06/2005, a saber: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.900982/200869 Acórdão n.º 330201.359 S3C3T2 Fl. 83 5 Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005, devese aplicar o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores, o prazo de 5 anos. No caso em análise, a competência do crédito é de 11/1996, enquanto a DCOMP foi apresentada em 22/01/2004. Logo, a respeitado o prazo prescricional de 10 anos (5+ 5) para a apresentação do pedido de restituição/compensação da Recorrente. Todavia em relação ao mérito, mesma sorte não assiste à Recorrente. Dos termos analisados nos Recurso Voluntário, a Recorrente entende que realizou pagamento indevido de PIS no mês de 11/1996 em razão da inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 1212/95. Conforme esclarecido nos autos, a Recorrente alega em seu favor a ocorrência de suposta vacatio legis em face da declaração de inconstitucionalidade da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995" constante no art. 18 da Lei n° 9.715/98 (conversão da Medida Provisória nº 1.212/95), exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Ocorre que o entendimento da Recorrente a respeito dos efeitos da citada declaração de inconstitucionalidade, está equivocado. Vejamos. A Ação Direta de Inconstitucionalidade 14170 e a respectiva declaração de inconstitucionalidade dela resultante, atingiu somente o dispositivo que tratava dos efeitos retroativos das disposições constantes da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98, que pretendia a aplicação de suas disposições aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/10/95. É pacífico em nossos tribunais superiores que a decisão do STF conferiu validade e aplicabilidade à Medida Provisória nº 1.212/95 após transcorrido o prazo de 90 dias de sua publicação. É o que verificamos da análise do julgamento do Recurso Especial 329.691, pelo Superior Tribunal de Justiça, no qual foi relator o Ministro Luiz Fux, e cuja publicação da decisão se deu em 29/04/2002, verbis: “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. COBRANÇA DO PIS. ALTERAÇÃO DA ALÍQUOTA E BASE DE CÁLCULO. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. MEDIDA PROVISÓRIA 1212/95 E SUCESSIVAS REEDIÇÕES. CONSTITUCIONALIDADE. PRAZO NONAGESIMAL. A Lei Complementar nº 07/70 tem status de lei ordinária, podendo ser alterada por medida provisória, que tem força de lei. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento de que medida provisória é instrumento legislativo passível de reedição e idôneo para instituir e modificar tributos. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.900982/200869 Acórdão n.º 330201.359 S3C3T2 Fl. 84 6 O prazo de noventa dias de que trata o § 6º, do art. 195, da CF deve ser contado a partir da publicação da primeira edição da Medida Provisória 1212/95, hoje convertida na Lei nº 9715/98. Recurso improvido.” Portanto, é incorreto o entendimento da Recorrente, de que não existiria previsão legal para a cobrança do PIS no período de novembro/96. A jurisprudência reconheceu, e consolidou, a constitucionalidade das alterações normativas estabelecidas pela Medida Provisória nº 1.212/95, com única ressalva em relação à data de início de sua validade – em razão da decisão do STJ – que foi firmada em 01/03/1996. Exatamente neste sentido estão as deste Conselho, dentre as quais apontamos, verbis: “(...) PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 03/96, MP N° 1.212, DE 28/11/95. REEDIÇÕES, LEI N° 9.715, DE 25/11/98. EFEITOS. Consoante jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, medida provisória afinal convertida em lei após reedições tem eficácia preservada desde a sua primeira edição, pelo que a MP n° 1,212, de 28/11/95, convertida após medições na Lei n° 9.715, de 25/11/98, ao dispor sobre a Contribuição para o PIS Faturamento aplicase aos períodos de apuração a partir de março de 1996, com obediência à anterioridade nonagesimal própria das contribuições para a Seguridade Social, estatuída no art. 195, § 6º, da Constituição Federal. Recurso negado.” (CARF 3a. Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.969 em 27/08/2010, DOU em 05/01/2011) “(...) PIS. ALÍQUOTA. LC 7/70. VIGÊNCIA MP 1212/95. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. IMPROCEDÊNCIA. A Medida Provisória 1.212/95, convalidada na Lei n°. 9.718/98, deve obediência ao Princípio da Noventena. Tendo sido publicada em 29.11.1995, somente passou a produzir efeitos a partir de 1° de Março de 1996. Inexiste vacatio legis em relação às competências 10/95 à 02/96, pois a Lei Complementar 7/70 operou eficácia até (e inclusive) a competência 02/96.” (CARF – 3º Seção – 1ª Turma Especial, Acórdão 380100.376, DOU de 16/03/2010) Portanto, o valor recolhido, referente ao recolhimento do período de novembro de 1996 está inserido no período de vigência da MP 1.212/95, inexistindo, portanto, o crédito pleiteado. Não existe direito algum à restituição deste valor, uma vez que devidamente cobrado nos termos da legislação vigente sobre a matéria. Fl. 84DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.900982/200869 Acórdão n.º 330201.359 S3C3T2 Fl. 85 7 Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, por não reconhecer o direito ao crédito pleiteado. No que se refere à parte que discute o débito, deixo de conhecer as alegações trazidas tendo em vista a extinção reconhecida pelo Despacho Decisório (fls. 44), que determinou, ainda, o arquivamento dos autos. Em cumprimento à decisão administrativa, determino seja providenciada a baixa do débito no sistema da Secretaria da Receita Federal, sendo o processo remetido ao arquivo. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 85DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11077.000155/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COFINS E PIS IMPORTAÇÃO
Data do fato gerador: 30/09/2008, 01/10/2008, 02/10/2008
COFINS IMPORTAÇÃO E PISIMPORTAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. FATO GERADOR.
São devidas a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS incidentes na importação, na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo, independentemente de o importador aproveitar seus valores como crédito para abatimento de saídas posteriores tributadas pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS incidentes sobre a receita ou o faturamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.372
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararam-se impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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AUTO DE INFRAÇÃO. FATO GERADOR. São devidas a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS incidentes na importação, na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo, independentemente de o importador aproveitar seus valores como crédito para abatimento de saídas posteriores tributadas pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela COFINS incidentes sobre a receita ou o faturamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declararamse impedidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior. José Luiz Novo Rossari Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Antonio Spolador Junior e Paulo Sergio Celani. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Relatório Para fins de resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. “Trata o processo dos autos de infração lavrados para a constituição das contribuições COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, acrescidas dos juros de mora calculados até 31.07.2009, incidentes nas operações de importação das mercadorias submetidas a despacho pelas Declarações de Importação (DI) juntadas às fls. 49 a 138, constituindo o crédito tributário de R$ 86.917,15 (fls. 01 a 30). Esclarece a autoridade lançadora que a autuada obteve o deferimento da antecipação dos efeitos da tutela pleiteada na ação judicial impetrada na 13ª Vara da Subseção Judiciária em São Paulo – Capital, processada sob nº 2004.61.00.0332672 (fls. 31 a 48), em que se discute a exigibilidade das contribuições Cofins importação e Pis/Pasep importação na forma como estatuída na Lei nº 10.865/04, deixando, por conseguinte, de recolher os valores a elas referentes. Nesse sentido, considerando que as DI foram desembaraçadas nessa condição em atendimento à decisão judicial exarada em 04.05.2005 (fl. 46), cujo trânsito em julgado ainda não havia ocorrido, o fisco procedeu à lavratura dos autos de infração em comento com o objetivo de prevenir o crédito tributário dos efeitos da decadência, consoante reza o artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Intimada da exação em tela, em 05.08.2009, a autuada apresentou impugnação de fls. 139 a 142, instruída com os documentos de fls. 143 a 158, para alegar que as mercadorias importadas pelas DI em comento foram desembaraçadas sem o recolhimento do Pis/Pasep e da Cofins incidentes nas respectivas operações de importação tendo em vista a antecipação dos efeitos da tutela que afastou a exigência tributária fundada na Lei nº 10.865, de 30.04.2004, concedida nos autos da ação ordinária nº 2004.61.00.0332672. Salienta que a ação foi julgada procedente pelo Juízo a quo que declarou a inexistência da relação jurídica que a obrigue ao recolhimento das referidas contribuições na medida que referido Juízo negou a aplicação da norma instituída pela Lei nº 10.865/04. Discorre sobre a sistemática da nãocumulatividade presente no artigo 15 da Lei nº 10.865/04, afirmando, por conseguinte, que os valores acaso despendidos pelo importador a título de Pis/Pasep importação e de Cofins importação necessariamente deveriam ser descontados do montante posteriormente recolhido a título de Pis/Pasep faturamento e Cofins faturamento, como uma resultante do confronto do saldo devedor e/ou credor de conta gráfica contida na escritura contábilfiscal. Por fim, aduz que por haver recolhido integralmente as contribuições Pis/Pasep faturamento e Cofins faturamento nas operações comerciais que sucederam respectivas importações, ou seja, em decorrência das saídas para o mercado interno dos produtos importados, sua exigência representa pagamento em duplicidade, pois não utilizou os créditos decorrentes da cobrança do Pis/Pasep importação e da Cofins importação que por ventura fazia jus. Nesse sentido, pede sejam declarados nulos os autos de infração ora impugnados..” A impugnação foi considerada improcedente unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11077.000155/200915 Acórdão n.º 3202000.372 S3C2T2 Fl. 195 3 “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2008, 01/10/2008, 02/10/2008 AÇÃO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO. REPERCUSSÃO DIRETA E DEPENDENTE. FATO SUPERVENIENTE. Em face do princípio constitucional de unicidade de jurisdição, a existência de impugnação em que se discute matéria cujo objeto, além de idêntico, tem repercussão direta no resultado da ação judicial movida também pela impugnante importa em renúncia às instâncias administrativas, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido no âmbito do poder judiciário. A alegação embasada em suposta circunstância ou evento superveniente e incerto, em face de decisão judicial não transitada em julgado, não tem o condão de instaurar o litígio administrativo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual afirma e solicita o seguinte: i) não discutiu na impugnação, nem discute no recurso, a exigibilidade em si da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, incidentes na importação, mas, sim, que a exigência tratarseia de mera antecipação de caixa, pois os valores recolhidos a título destas contribuições poderiam ser abatidos em operações supervenientes, com fundamento na sua nãocumulatividade; ii) que, em consequência do nãorecolhimento, com amparo em ação judicial, das contribuições na importação, deixou de utilizálas como crédito em operações subseqüentes em que as contribuições foram recolhidas sobre o faturamento; iii) que a subsistência do auto de infração atacado implicaria duplicidade da exigência; iv) pede que seja reconhecida a necessidade de verificação da utilização do crédito do PIS/Pasep e COFINS importação, quando do recolhimento do PIS/Pasep e da COFINS sobre o faturamento, a fim de afastar a dupla exigência, inexistindo concomitância entre esta questão e a matéria em discussão na esfera judiciária. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Conheço o recurso, por ser tempestivo, atender aos demais requisitos formais de admissibilidade e ser da competência da 3a. Seção de Julgamento. O auto de infração que deu origem a este processo, formalizado por autoridade competente, atende ao que determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Concessão de medida judicial que suspenda determinada exação tributária não afasta o caráter vinculativo e a obrigatoriedade do lançamento, logo não impede sua formalização, entendimento que levou o CARF a editar a seguinte súmula: “Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração” Por outro lado, tendo em vista o princípio da unidade de jurisdição firmado constitucionalmente, as decisões judiciais prevalecem sobre as administrativas, o que motivou o CARF a editar sua súmula de número 1, cujo enunciado é o seguinte: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Estas primeiras considerações evidenciam que o auto de infração dever ser formalizado, não obstante exista medida judicial suspendendo exigibilidade do tributo, e não pode ser julgado nesta esfera administrativa em relação à matéria que seja concomitante com ação judicial proposta pelo sujeito passivo. Assim, não cabe às turmas de julgamento do CARF sequer conhecer recurso voluntário que tenha por objetivo combater a lavratura de auto de infração, cuja matéria seja a mesma discutida na via judicial. Isto é exatamente o que ocorre com relação à exigência, no presente caso, da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, incidentes, com base na Lei n.º 10.865/2004, nas importações de mercadorias promovidas pela ora recorrente, descritas nas Declarações de Importação discriminadas no auto de infração, pois esta matéria foi também submetida à justiça federal. Reconhecendo isto, vale dizer, reconhecendo a existência de concomitância entre a matéria do auto de infração e a discutida judicialmente, a recorrente assevera que não está a discutir a exigibilidade das contribuições, nem a pedir o afastamento da Lei n.º 10.865/2004, que as instituiu. Pretende, apenas, que este órgão colegiado discuta sobre a necessidade de verificação da utilização do crédito das referidas contribuições, incidentes na importação, quando do recolhimento das mesmas contribuições incidentes sobre o faturamento, a fim de afastar suposta dupla exigência. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11077.000155/200915 Acórdão n.º 3202000.372 S3C2T2 Fl. 196 5 Quanto a isto, repitase que o auto de infração foi lavrado para exigência de contribuições incidentes em operações de importação, as quais não se confundem com as contribuições incidentes sobre a receita ou o faturamento. A diferença entre estas contribuições se evidencia ao se identificarem os critérios material e temporal e a base de cálculo de suas regras matrizes de incidência. Para tanto, vejamos o que diz a Lei n.º 10.865/2004, com grifos meus: “Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o.” “Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou ... § 1o Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideramse entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. ... Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; ... Parágrafo único. O disposto no inciso I do caput deste artigo aplicase, inclusive, no caso de despacho para consumo de bens importados sob regime suspensivo de tributação do imposto de importação.” “Art. 7o A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3o desta Lei; ou ...” Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Verificase que, no caso da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, incidentes na importação, o elemento material é importar bens do exterior, o temporal é a data da entrada de bens estrangeiros no território nacional, assim considerada a data do registro da declaração de importação para os bens submetidos ao regime comum de importação, e a base de cálculo é o valor aduaneiro. Estes elementos estão de acordo com os critérios da regra matriz de incidência, ensinados por Paulo de Barros Carvalho (Direito Tributário, linguagem e método, 3a. ed. 2009. SP. Noeses, pp. 799/800), que, para as contribuições incidentes sobre as importações de bens, são os seguintes: critério material, importar bens do exterior; critério temporal, a data da entrada de bens estrangeiros no território nacional; base de cálculo, elemento do critério quantitativo, o valor aduaneiro. O Professor Paulo de Barros Carvalho, na mesma obra, enuncia os seguintes critérios para as contribuições sobre a receita ou o faturamento: critério material, auferir receita ou faturamento; critério temporal, momento em que a receita ou o faturamento são auferidos; e base de cálculo, parte do critério quantitativo, o montante da receita ou do faturamento auferidos. E, como sabemos, ocorrido no mundo concreto aquilo que está previsto na hipótese de incidência como necessário e suficiente para a imposição tributária, esta tem lugar. No caso, promovida a entrada no território nacional de bens do exterior, em especial, registradas as declarações de importação de bens sob o regime comum de importação, incidem a contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS, devidas pelo importador, independentemente de qualquer outra operação superveniente que este importador possa realizar. Isto não se altera pelo fato de a Lei permitir ao importador creditarse dos valores recolhidos na importação para fins de reduzir o quanto devido em suas operações de saídas internas. Vale dizer, a nãocumulatividade destas contribuições não tem o condão de alterar os elementos da incidência em relação às contribuições sociais exigidas na importação de bens do exterior. A nãocumulatividade também não transforma um recolhimento tributário em mera antecipação de caixa, seja no caso das contribuições não cumulativas, seja nos casos de outros tributos não cumulativos, como o IPI e o ICMS. Especificamente em relação às contribuições em discussão, diz o parágrafo 1o. do artigo 15 da Lei n.º 10.865/2004, que “o direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei”. Esta é a sequência lógica da nãocumulatividade: aquilo que é pago em um primeiro momento pode ser abatido de débitos de operações posteriores. Assim, todos os argumentos da recorrente com vistas a demonstrar uma suposta repercussão dos pagamentos efetuados em operações supervenientes sobre a exigência formalizada neste processo não merecem acolhida. Por todo o exposto, especialmente, por entender que não cabe, nesta instância, verificar a utilização do crédito do PIS/Pasep e COFINS importação, quando do Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11077.000155/200915 Acórdão n.º 3202000.372 S3C2T2 Fl. 197 7 recolhimento do PIS/Pasep e da COFINS sobre o faturamento, a fim de afastar a exigência formalizada no auto de infração combatido, voto por negar provimento ao recurso.voluntário. Paulo Sergio Celani Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002455/2005-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela internet.
Numero da decisão: 9101-000.931
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales eiro de Queiroz que negava provimento ao recurso
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Multa por atraso. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TRECXON TREINAMENTO CONSULTORIA E SERVICOS S/C LTDA Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005 Ementa: A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo prorrogado pela Receita Federal em razão de problemas técnicos no sistema de transmissão pela internet. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco de Sales eiro de Queiroz que negava provimento ao recurso. Ci io Marcos Cândido— P residente Viviane Vidal Wagner - Relatora '1 0 til! ?011 Participaram da sessao y e julgamento os conselheiros: Caio Marcos Cândido, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão que deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF - MULTA POR ATRASO NA ENTREGA - CONGESTIONAMENTO DE DADOS NO SITE DA RECEITA FEDERAL - RECONHECIMENTO ATRAVÉS DE ATO DECLARA TORIO EXECUTIVO - AUSENCIA DE COMPROVAÇÃO DE CESSAMENTO DA IMPOSSIBILIDADE DE TRANSMISSÃO DAS DECLARAÇÕES VIA INTEFINET. Unia vez que a própria Receita Federal, através do Ato 4111 Declaratório Executivo SRF n°24, de 08.04.2005, reconhecera a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos para a i recepção e transmissão de declarações, toma-se não devida a multa haja vista que coin relação ci data imposta como limítrofe para a entrega, nada há que comprove que posteriormente a esta não havia mais a impossibilidade de transmissão das declarações via internet. 0 Auto de Infração eletrônico foi lavrado para a cobrança de multa referente ao atraso na entrega de DCTF do quarto trimestre de 2004, lançada pelo seu valor mínimo. A Camara a quo deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer tempestiva a entrega da DCTF, considerando ter sido comprovada a impossibilidade de sua transmissão no prazo legal. Inconformada, a Fazenda Nacional, interpôs o presente recurso especial de divergência, apresentando paradigma que decidiu em sentido contrário, in verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÃ RIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA .POSSIBILIDADE. 0 atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. Em contran-azdes, defende o contribuinte a manutenção do acórdão recorrido. E o relatório. 2 Processo n° 10950.002455/2005-05 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00931 Fl. 2 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, relatora Presentes os pressupostos recursais, o recurso é de ser conhecido. A discussão cinge-se à validade ou não do auto de infração de imposição de multa por atraso na entrega de DCTF entregue após a data da prorrogação definida no Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 8 de abril de 2005, que estabeleceu, ipsis litteris: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4" trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. 0 voto condutor do acórdão recorrido sustenta que a própria Receita Federal reconheceu a ocorrência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos de recepção e transmissão de declarações e, embora tenha prorrogado o prazo de entrega para 18.02.2005, nada comprova que naquela data haviam cessado tais problemas. Esse argumento, no meu entender, não merece prosperar. Como já decidiu esta colenda Primeira Turma da CSRF na sessão de fevereiro de 2011, a prorrogação do prazo da entrega da DCTF do 4° trimestre de 2004 não teve força de torná-lo indefinido. Posso acrescentar: ainda que a publicação do ato tenha se dado quase dois meses após o ocorrido, não se subsume disso o alargamento do prazo até a data de sua publicação. A publicidade serve para dar eficácia ao ato que se publica, o qual passa a conferir efeitos a terceiros. No caso do ADE, passou a ter eficácia a regra nele prevista, sendo consideradas tempestivas as DCTF entregues nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005. Poderia ter sido estendida a prorrogação até o final do mês ou até a data da publicação do ato, mas a autoridade que o editou, discricionariamente, não o fez. A Secretaria da Receita Federal é o órgão competente para estabelecer o prazo de entrega da DCTF, conforme dispõe a Lei n° 10.426, de 2002, que alterou a sistemática de apuração da multa devida pelo atraso na entrega de declarações, in verbis: Art. r0 sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não-apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á eis seguintes multas: [..] (destaquei) Com fundamento no disposto no art. 50 do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, e no art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 255, em 11 de dezembro de 2002, dispondo sobre a forma e o prazo de entrega da DCTF, verbis: Da Forma de Apresentação Art. 4o A DCTF será apresentada em nzeio magnético, mediante a utilização de programa gerador de declaração, disponível na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Do Local e do Prazo de Entrega Art. So A DCTF deverá ser apresentada até o último dia &a da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. (destaquei) A regra geral no ordenamento jurídico brasileiro é que, na impossibilidade material de cumprimento do prazo na data fatal, prorroga-se o mesmo para o primeiro dia útil seguinte. No caso sob análise, o contribuinte ficou impossibilitado de entregar a DCTF do 4° trimestre de 2004 dentro do prazo previsto na legislação, assim como os demais que deixaram para cumprir a obrigação acessória no último dia do prazo, em razão de problemas técnicos no sistema eletrônico disponível para a transmissão de declarações. O próprio órgão competente reconheceu o problema e considerou entregues no prazo as declarações enviadas pela internet até o dia 18 de fevereiro de 2005, resguardando o direito daqueles que insistiram na entrega logo após a pane. Sendo Onus do contribuinte, não restou demonstrado nos autos a impossibilidade de entrega nos dias subsequentes. Por dedução lógica, tal prova nem seria possível, visto que a maioria dos contribuintes em idêntica situação conseguiu apresentar a declaração naquele período, ficando exonerada da multa. No presente caso, apenas vários dias após o fim do prazo original, o contribuinte enviou sua declaração pela interne, extrapolando o prazo prorrogado pelo ADE SRF n° 24/2005. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Viviane Vidal Wagner 4
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002955/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP.
INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. DESATENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
O pagamento do Vale Transporte em dinheiro, por desatender a legislação que rege a matéria, sofre incidência de contribuições previdenciárias.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à
penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA NO TEMPO. NORMA VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES.
Via de regra, aplica-se a legislação tributária vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, todavia, ocorre a aplicação retroativa nos casos em que a
nova lei preveja multa mais branda.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 APURAÇÃO FISCAL EFETUADA COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA FISCALIZADA. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DECORRENTE DE INCLUSÃO NA APURAÇÃO DE SEGURADOS DE EMPRESA DIVERSA. FALTA DE
COMPROVAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO.
Tendo a apuração fiscal tomado como base a documentação fornecida pela empresa fiscalizada, somente é cabível a alegação de ilegitimidade passiva, por motivo de inclusão na base de cálculo de segurados de empresa diversa, se restar comprovado nos autos o equívoco ocorrido no lançamento, mediante a juntada de documentos idôneos.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO FISCAL.
Não se instaura o contencioso fiscal para as matérias que não tenham sido expressamente impugnadas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.190
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de ilegitimidade passiva; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. DESATENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do Vale Transporte em dinheiro, por desatender a legislação que rege a matéria, sofre incidência de contribuições previdenciárias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA NO TEMPO. NORMA VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. Via de regra, aplica-se a legislação tributária vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, todavia, ocorre a aplicação retroativa nos casos em que a nova lei preveja multa mais branda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 APURAÇÃO FISCAL EFETUADA COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA FISCALIZADA. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DECORRENTE DE INCLUSÃO NA APURAÇÃO DE SEGURADOS DE EMPRESA DIVERSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Tendo a apuração fiscal tomado como base a documentação fornecida pela empresa fiscalizada, somente é cabível a alegação de ilegitimidade passiva, por motivo de inclusão na base de cálculo de segurados de empresa diversa, se restar comprovado nos autos o equívoco ocorrido no lançamento, mediante a juntada de documentos idôneos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO FISCAL. Não se instaura o contencioso fiscal para as matérias que não tenham sido expressamente impugnadas. Recurso Voluntário Negado
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO. DESATENDIMENTO DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. O pagamento do ValeTransporte em dinheiro, por desatender a legislação que rege a matéria, sofre incidência de contribuições previdenciárias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA NO TEMPO. NORMA VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. Via de regra, aplicase a legislação tributária vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, todavia, ocorre a aplicação retroativa nos casos em que a nova lei preveja multa mais branda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2004 Fl. 350DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 APURAÇÃO FISCAL EFETUADA COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA FISCALIZADA. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DECORRENTE DE INCLUSÃO NA APURAÇÃO DE SEGURADOS DE EMPRESA DIVERSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Tendo a apuração fiscal tomado como base a documentação fornecida pela empresa fiscalizada, somente é cabível a alegação de ilegitimidade passiva, por motivo de inclusão na base de cálculo de segurados de empresa diversa, se restar comprovado nos autos o equívoco ocorrido no lançamento, mediante a juntada de documentos idôneos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO FISCAL. Não se instaura o contencioso fiscal para as matérias que não tenham sido expressamente impugnadas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de ilegitimidade passiva; II) rejeitar a argüição de decadência; e III) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 351DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002955/200976 Acórdão n.º 240102.190 S2C4T1 Fl. 351 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima identificada contra acórdão da Delegacia de Julgamento – DRJ em São Paulo I, fls. 216/235, a qual declarou procedente o lançamento consignado no Auto de Infração – AI n.º 37.211.1890. O crédito em epígrafe referese a multa decorrente do descumprimento pela empresa da obrigação de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições sociais. De acordo com o Fisco foram omitidos os valores pagos em dinheiro em substituição ao vale transporte, remuneração de contribuintes individuais (autônomos e diretores), bem como pagamento de bônus em 02/2004 e pagamentos de processos trabalhistas. No recurso, fls. 241/275, a empresa, em apertada síntese, alegou que: a) o crédito está parcialmente alcançado pela decadência; b) apesar do órgão a quo haver afirmado que há matérias não controvertidas que não foram objeto de impugnação, a recorrente questionou todos os pontos do AI; c) adotou e comprovou todos os procedimentos exigidos em lei para o fornecimento do valetransporte, excluindo a parcela de 6% (seis por cento) já descontada do salário do empregado; d) o valetransporte, independentemente de ser pago em pecúnia, não possui natureza salarial, por esse motivo, não pode sofrer incidência de contribuições previdenciárias; e) o Decreto n.º 4.840/2003 reconhece que não integra a remuneração do empregado o valetransporte, ainda que pago em dinheiro; f) a mesma determinação foi estampada na MP n.º 280/2006; g) não cometeu qualquer ilícito, posto que o pagamento do valetransporte em dinheiro estava previsto em Dissídio Coletivo de Trabalho; h) se inexistiu ilícito, não há como se impor uma sanção; i) o valetransporte foi disponibilizado para custeio do deslocamento dos trabalhadores, portanto, a incidência de contribuições sobre o mesmo é uma afronta ao art. 195, I., “a”, da Constituição Federal; j) a Convenção ou o Acordo Coletivo de trabalho configurase em verdadeira fonte do direito laboral, portanto, o procedimento adotado pela recorrente encontrase em total sintonia com as regras a que estava obrigado; k) havendo desconto da parte do empregado para custeio do valetransporte, a jurisprudência pátria é uníssona no sentido da não tributação da verba; Fl. 352DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 l) também a jurisprudência do STJ tem reconhecido que somente incidem contribuições sobre verbas que caracterizam retribuição pelo trabalho; m) a multa de mora não pode ser aplicada, posto que arrimada em legislação já revogada; n) a recorrente não pode ser responsabilizada pelo recolhimento de contribuições sobre valores pagos a diretores de outra empresa, no caso a TAM S.A.; Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ, de modo que crédito tributário seja declarado improcedente. Posteriormente, o sujeito passivo, alegando a ocorrência de fato novo, acostou decisão do STF no RE n.º 478.410/SP, na qual, em Sessão Plenária, o Pretório Excelso reconheceu, por maioria, a não incidência de contribuições sobre o valor pago em pecúnia ao empregado a título de vale transporte. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002955/200976 Acórdão n.º 240102.190 S2C4T1 Fl. 352 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o Fisco passouse a aplicar às contribuições sociais a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional – CTN. Esse posicionamento da Corte Maior trouxe impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interferiu também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 31/07/2009, pelo critério acima, o período da autuação, 01/2004 a 08/2004, ainda não estava alcançado pela decadência. Da existência de matéria não controvertida Verificase dos termos do recurso que a empresa somente se contrapôs a incidência de contribuições sobre os valores relativos ao valetransporte, não tendo se insurgido contra as outras parcelas cuja omissão na GFIP também deu ensejo ao presente AI, Fl. 354DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 como é o caso dos pagamento a contribuintes individuais, aos valores decorrentes de reclamatórias trabalhistas e o pagamento de bônus. Nesse sentido, para essas matérias que não foram objeto de impugnação/recurso a lavratura deve ser considerada procedente. Foi exatamente a essa conclusão que chegou o órgão recorrido ao afirmar: "Ressaltase que as matérias não expressamente questionadas não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, aplicável às contribuições previdenciárias a partir do dia 01 de abril de 2008, nos termos do artigo 25 da Lei n° 11.457/2007: Decreto 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)." De fato, não posso deixar de dar razão à DRJ, posto que a empresa questionou a inclusão em GFIP apenas do valetransporte pago em pecúnia, não se instaurando o contencioso em relação às demais materias. Da incidência de contribuições sobre o vale transporte pago em dinheiro A principal matéria recursal referese à impossibilidade da incidência de contribuições sobre o fornecimento de valetransporte feito em pecúnia. Argumenta a recorrente que a verba não teria natureza salarial, além de que, a vedação ao pagamento da mesma em dinheiro houvera sido veiculada por decreto, o qual encontrase revogado. De fato, a Lei n.º 7.418/1985 afasta a natureza salarial da verba, bem como dispões sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre a mesma: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; b) não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço; c) não se configura como rendimento tributável do trabalhador. Do dispositivo encimado, podese extrair que a contribuição do empregador para o valetransporte, que corresponde ao valor da despesa que exceder a 6% do salário base do empregado, quando concedido nas condições e limites estabelecidos na própria Lei, não é considerada salário, nem sofre incidência de contribuições previdenciárias. Não tenho dúvida de que uma das condições constantes na Lei n.º 7.418/1985 é que seu pagamento seja efetuado mediante o fornecimento de tíquetes (passes). Eis o que dispõe o art. 4.º da Lei em questão: Fl. 355DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002955/200976 Acórdão n.º 240102.190 S2C4T1 Fl. 353 7 Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. Vêse do dispositivo, que a forma de pagamento do benefício escolhida pelo legislador foi a aquisição dos tíquetes. Em consonância com essa determinação legal, o Decreto n.º 95.247/1987, em seu art. 5.º dispôs acerca da forma de pagamento da verba nos seguintes termos: Art. 5° É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. Para mim, a regulamentação acima não representa em absoluto extrapolação aos limites da Lei, mas um disciplinamento quanto à regra legal relativa à forma de fornecimento do benefício. Se a Lei já estabelecia o modo de pagamento da verba mediante o fornecimento dos tíquetes, o regulamento apenas vedou que a disponibilização fosse efetuada de outra maneira. Assim, não devo acolher a tese de que independentemente da forma de pagamento o valetransporte tem natureza de indenização, posto que a própria Lei instituidora do benefício já deixou traçados os contornos para o seu pagamento e o Decreto regulamentador explicitamente proibiu o seu pagamento em pecúnia, respeitada a exceção prevista no parágrafo único do art. 5.º . Outra argumentação que não deve ser aceita é a de que o inciso IX do § 1.º do art. 2.º do Decreto n.º 4.840/2003 teria revogado tacitamente o art. 5.º do Decreto n.º 95.247/1987. Cabe esclarecer como ponto inicial dessa discussão que o Decreto n.º 4.840/2003 foi editado visando à regulamentação da Medida Provisória n.º 130/2007, convertida na Lei n.º 10.820/2003, a qual dispõe sobre a autorização para desconto de prestações em folha de pagamento, e dá outras providências. O art. 3.º do Decreto n.º 4.840/2003 estabelece o limite da “remuneração disponível” que poderá ser objeto de consignação para fins de amortização de contratos de mútuo. A citada “remuneração disponível” corresponde à “remuneração básica” após a dedução de algumas parcelas, a exemplo de contribuição previdenciária, imposto de renda e pensão alimentícia. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 É especificamente da “remuneração básica” que trata o inciso IX do § 1.º do art. 2.º do Decreto n.º 4.840/2003, ao dispor: Art.2oPara os fins deste Decreto, considerase: (...) 1oPara os fins deste Decreto, considerase remuneração básica a soma das parcelas pagas ou creditadas mensalmente em dinheiro ao empregado, excluídas: (...) IX auxíliotransporte, mesmo se pago em dinheiro; e (...)(grifei) Verificase que não há como se interpretar que o dispositivo acima teria revogado o art. 5.º do Decreto n.º 95.247/1987, posto que trata de matéria diversa. Sobre essa questão não custa trazer à baila o que dispõe a Lei de Introdução ao Código Civil, DecretoLei n.º 4.657/1942, em seu art. 2.º, § 1.º : § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. No caso sob comento, não se verifica a existência de quaisquer das hipóteses acima, não havendo, portanto, o que se falar em revogação do dispositivo regulamentar que veda o pagamento do valetransporte em dinheiro. A recorrente invoca também para sustentar a sua tese a MP 280/2006. Esse normativo não há de se aplicar à espécie, uma vez que editado após a ocorrência dos fatos geradores em discussão. É essa a inteligência do art. 105 do CTN, in verbis: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Com relação à previsão contida na Convenção Coletiva de Trabalho, menciona pela Impugnante, onde consta que o pagamento do valetransporte deve ser feito em pecúnia, cabe lembrar que os termos das normas coletivas de trabalho somente obrigam as partes, respeitado o direito de terceiros, pelo que, obviamente, não tem força de se contrapor às disposições de lei que tratam da incidência de contribuição previdenciária. Nesse sentido, como bem se afirmou na decisão recorrida, não poderia uma Convenção Coletiva de Trabalho alterar os efeitos da Lei n. 8.212/1991, que cuida do custeio da Seguridade Social. Analisandose a referida Lei na parte que trata especificamente dessa verba, temse: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 357DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002955/200976 Acórdão n.º 240102.190 S2C4T1 Fl. 354 9 (...). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;(grifei) (...) Já tendo concluído que o pagamento pela empresa do valetransporte em dinheiro violou a lei que rege o fornecimento desse benefício, sou forçado a concluir que sobre a verba deva incidir contribuições sociais, não merecendo reforma o acórdão guerreado. Acerca das decisões judiciais colacionadas pela recorrente, devo ressaltar que as mesmas fazem coisa julgada apenas entre as partes litigantes, não sendo válido invocálas para alterar a situação jurídica de terceiros, conforme o disposto na Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil . CPC), art. 472. Ressalvo a decisão do STF no bojo do RE n.478.410/SP que, por força do inciso I do parágrafo único art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n.º 256/2009 e alterações, poderia ser aplicada a essa situação. Vejamos o dispositivo citado: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) Ocorre que apenas as decisões plenárias definitivas do STF vinculam o CARF, o que não é o caso ainda do citado RE, haja vista a ocorrência de interposição de embargos declaratórios pela Fazenda Nacional, os quais ainda aguardam julgamento. Assim, não sendo definitiva a decisão no RE n.º 478.410/SP, não tem a mesma efeito vinculante para os julgamentos do CARF. Da ilegitimidade passivo quanto à verba para a diretores de outra empresa Alega a recorrente que foram incluídas na apuração verbas pagas pela empresa TAM S.A., não lhe podendo ser exigido o recolhimento das contribuições incidentes sobre tais valores. Para comprovar sua afirmação a empresa acostou GFIP e GPS da empresa TAM S.A. Não devo acolher esse argumento. É que os dados para apuração fiscal foram coletados de documentos apresentados pela própria autuada, especificamente na relação de pagamentos de valetransporte. Não restou comprovado nos autos que o Fisco tenha obtido valores de base de cálculo em documentação apresentada por outra empresa. Sequer a empresa trouxe à colação as relações de pagamentos de valetransporte nas quais se comprovasse que tais pessoas não estavam incluídas. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Por essas considerações, deixo também de acatar a alegação de que a base tributável do lançamento estaria incorreta, pelo fato de terem sido incluídas remunerações pagas por empresa diversa. Da aplicação da multa Regra geral aplicase a legislação tributária vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, todavia, sobrevindo legislação mais benéfica, essa deve retroagir em favor do contribuinte. É o que dispõe o art. 106, II, “c”, do CTN. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 359DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002955/200976 Acórdão n.º 240102.190 S2C4T1 Fl. 355 11 a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. O Fisco, conforme delineado no Relatório da Aplicação da Multa, fls 12/13, fez o comparativo entre a multa conforme a legislação em vigor quando da ocorrência da infração e a que atualmente encontrase vigente. Esse demonstrativo encontrase no anexo VII do AI. Dessa forma a fixação da multa se deu com base no inciso IV, § 5° do art. 32 da Lei 8.212/91 (100% da contribuição não declarada, limitada ao teto legal) mais a multa de mora do inciso I do art. 35 da Lei 8.212/91 (24% sobre a contribuição não recolhida e não declarada em GFIP, presente nos Autos de Infração 37.211.1793 e 37.211.1807), eis que a soma destas multas é menos gravosa do que a soma da multa de ofício do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% sobre a contribuição não recolhida e não declarada) com a multa do art. 32 A, I, da Lei n.º 8.212/1991 (R$ 20,00 por grupo de dez informações incorretas, aplicada para as contribuições não declaradas, mas recolhidas). Assim, descabe a afirmação da recorrente de que a multa não poderia ser aplicada por estar arrimada em legislação já revogada. Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de ilegitimidade passiva e a arguição de decadência, e, no mérito, pelo desprovimento do recurso, Kleber Ferreira de Araújo I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 360DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000394/2004-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1998
Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A,
do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-001.743
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1525; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 287 1 286 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13558.000394/200483 Recurso nº 160.380 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.743 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2011 Matéria IRPF. DECADÊNCIA. Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado CÉASR ROMULO RODRIGUES ASSIS Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 Ementa: IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Fl. 292DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hofmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonett Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 293DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13558.000394/200483 Acórdão n.º 920201.743 CSRFT2 Fl. 288 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls.0225, interposto pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0220, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para reconhecer que a decadência fulminou o lançamento. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DA OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO – PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4 0, DO CTN RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu inicio na data do fato gerador, na forma do art. 150, § 4°, do CTN, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para reconhecer que a decadência fulminou o lançamento, nos termos do voto do Relator. Presente o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Conselheiro convocado). Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Apresenta paradigmas que decidiram pela aplicação do I, Art. 173 do CTN; 2. Para a Recorrente, como não há pagamento demonstrado nos autos, não há como aplicar a regra prevista no § 4º, Art. 150 do CTN; Fl. 294DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 3. Pelo exposto, a PGFN requer seja conhecido o recurso e que o acórdão seja reformado. Por despacho, fls. 0290, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões, fls. 0286. É o Relatório. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13558.000394/200483 Acórdão n.º 920201.743 CSRFT2 Fl. 289 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O presente recurso possui seu fundamento no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Como esclarecimento, o lançamento trata de omissão de rendimentos de IRPF decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. O acórdão recorrido decidiu pelo reconhecimento da decadência, por entender que nos casos de lançamento por homologação, independentemente de haver ou não pagamento, a contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no 150, § 4°, do CTN, exceto se houver comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando então se aplica o estabelecido no art. 173, I, do CTN. Já a PGFN, fundamentada no paradigma apresentado, defende que o direito de a Fazenda Pública constituir de oficio o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I), pois os rendimentos omitidos não foram objeto de pagamento antecipado, não estão abrangidos pelo lançamento por homologação (art. 150, § 4°, do CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V, do art. 156, do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Caso não haja recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Ressaltese que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito à decadência dos tributos temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 297DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13558.000394/200483 Acórdão n.º 920201.743 CSRFT2 Fl. 290 7 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que o pagamento antecipado é que define qual regra decadencial aplicar. Ocorrendo pagamento parcial antecipado, aplicase o disposto no § 4º, Art. 150 do CTN. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Conseqüentemente, como há pagamento antecipado aplicase o disposto no § 4º, Art. 150 do CTN. Ressaltese que há no lançamento fiscal, fls. 006, informação elaborada pelo Fisco, onde se considera pagamento parcial de imposto. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido negar provimento ao recurso especial da nobre Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Fl. 299DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10245.003680/2008-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. FALTA DA OMPROVAÇÃO DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. MATÉRIA NÃO DISCUTIDA. LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Não tendo sido questionada, especificamente, no recurso voluntário, a infração de omissão de receitas, caracterizada por suprimento de numerário não comprovado, não se aprecia referida matéria, e em conseqüência, devem ser mantidos os lançamentos do IRPJ e também os dele decorrentes (CSLL, PIS e COFINS).
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano calendário:2003, 2004, 2005, 2007
PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. PRESUNÇÕES LEGAIS.
Rejeita-se a preliminar de nulidade de desconsideração indevida de negócios jurídicos, uma vez que os lançamentos foram fundamentados em presunções legais, cujo ônus da prova é do sujeito passivo.
PRELIMINAR DE NULIDADE. DOCUMENTOS INIDÔNEOS.
Do disposto no caput do art. 217 do RIR/99, se depreende que existem outras hipóteses de inidoneidade de documentos, ou seja, não são apenas considerados inidôneos os documentos emitidos por pessoas jurídicas cuja inscrição no CNPJ seja considerada inapta, pois podem existir outras hipóteses de inidoneidade, mesmo em relação a empresas que estejam com a inscrição no CNPJ ativa. Preliminar de nulidade rejeitada.
LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. De acordo com o § 1º do art. 61 da Lei 8.981/95, a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. REDUÇÃO DE SALDO DE CAIXA.
Não se pode manter o lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte, por pagamento sem causa ou operação não comprovada, caracterizado pela diferença de saldo de caixa ocorrida entre o período de 01.01.2006 a 31.07.2007, por não se ter qualquer informação relativa aos pagamentos, não sendo cabível a aplicação da presunção legal do art. 61 da Lei 8.981/95.
PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Tendo o sujeito passivo se utilizado de notas fiscais que não correspondem à realidade dos fatos, certo é que o dolo está caracterizado. Consequentemente, a multa de 150% que incidiu sobre a infração relativa à não comprovação da prestação de serviços escriturados e do efetivo repasse dos valores, deve ser mantida.
Numero da decisão: 1402-000.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o IRRF relativo à infração de redução de saldo de caixa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. FALTA DA OMPROVAÇÃO DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. MATÉRIA NÃO DISCUTIDA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Não tendo sido questionada, especificamente, no recurso voluntário, a infração de omissão de receitas, caracterizada por suprimento de numerário não comprovado, não se aprecia referida matéria, e em conseqüência, devem ser mantidos os lançamentos do IRPJ e também os dele decorrentes (CSLL, PIS e COFINS). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2003, 2004, 2005, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. PRESUNÇÕES LEGAIS. Rejeita-se a preliminar de nulidade de desconsideração indevida de negócios jurídicos, uma vez que os lançamentos foram fundamentados em presunções legais, cujo ônus da prova é do sujeito passivo. PRELIMINAR DE NULIDADE. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Do disposto no caput do art. 217 do RIR/99, se depreende que existem outras hipóteses de inidoneidade de documentos, ou seja, não são apenas considerados inidôneos os documentos emitidos por pessoas jurídicas cuja inscrição no CNPJ seja considerada inapta, pois podem existir outras hipóteses de inidoneidade, mesmo em relação a empresas que estejam com a inscrição no CNPJ ativa. Preliminar de nulidade rejeitada. LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. De acordo com o § 1º do art. 61 da Lei 8.981/95, a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. REDUÇÃO DE SALDO DE CAIXA. Não se pode manter o lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte, por pagamento sem causa ou operação não comprovada, caracterizado pela diferença de saldo de caixa ocorrida entre o período de 01.01.2006 a 31.07.2007, por não se ter qualquer informação relativa aos pagamentos, não sendo cabível a aplicação da presunção legal do art. 61 da Lei 8.981/95. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Tendo o sujeito passivo se utilizado de notas fiscais que não correspondem à realidade dos fatos, certo é que o dolo está caracterizado. Consequentemente, a multa de 150% que incidiu sobre a infração relativa à não comprovação da prestação de serviços escriturados e do efetivo repasse dos valores, deve ser mantida.
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SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. FALTA DA COMPROVAÇÃO DA ENTREGA E DA ORIGEM DOS RECURSOS. MATÉRIA NÃO DISCUTIDA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Não tendo sido questionada, especificamente, no recurso voluntário, a infração de omissão de receitas, caracterizada por suprimento de numerário não comprovado, não se aprecia referida matéria, e em conseqüência, devem ser mantidos os lançamentos do IRPJ e também os dele decorrentes (CSLL, PIS e COFINS). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS. PRESUNÇÕES LEGAIS. Rejeitase a preliminar de nulidade de desconsideração indevida de negócios jurídicos, uma vez que os lançamentos foram fundamentados em presunções legais, cujo ônus da prova é do sujeito passivo. PRELIMINAR DE NULIDADE. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. Do disposto no caput do art. 217 do RIR/99, se depreende que existem outras hipóteses de inidoneidade de documentos, ou seja, não são apenas considerados inidôneos os documentos emitidos por pessoas jurídicas cuja inscrição no CNPJ seja considerada inapta, pois podem existir outras hipóteses de inidoneidade, mesmo em relação a empresas que estejam com a inscrição no CNPJ ativa. Preliminar de nulidade rejeitada. LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. De acordo com o § 1º do art. 61 da Lei 8.981/95, a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, aplicase, também, aos pagamentos efetuados Fl. 686DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 2 2 ou aos recursos entregues a terceiros contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. LANÇAMENTO. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. REDUÇÃO DE SALDO DE CAIXA. Não se pode manter o lançamento relativo ao imposto de renda retido na fonte, por pagamento sem causa ou operação não comprovada, caracterizado pela diferença de saldo de caixa ocorrida entre o período de 01.01.2006 a 31.07.2007, por não se ter qualquer informação relativa aos pagamentos, não sendo cabível a aplicação da presunção legal do art. 61 da Lei 8.981/95. PENALIDADE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Tendo o sujeito passivo se utilizado de notas fiscais que não correspondem à realidade dos fatos, certo é que o dolo está caracterizado. Consequentemente, a multa de 150% que incidiu sobre a infração relativa à não comprovação da prestação de serviços escriturados e do efetivo repasse dos valores, deve ser mantida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o IRRF relativo à infração de redução de saldo de caixa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 687DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que considerou os lançamentos do IRRF (anoscalendário 2003 a 2005 e 2007) e de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS (anoscalendário 2005 e 2006) procedentes. No Termo de Verificação Fiscal consta que a fiscalização foi determinada pelo Ministério Público e nele se encontra a informação de que a fiscalizada é uma das 98 empresas que apresentam ligação com o “empreendimento WALTER VOGEL”, o qual, segundo a fiscalização, tem sobre si indícios de existência de um esquema de recepção de recursos do exterior, integrado por dezenas de sociedades pertencentes ao grupo, inclusive a autuada, cujo objetivo era darlhe um caráter legal, sendo que o Sr. Walter Vogel consta ou constou como sócio de 98 empresas, sendo ainda, procurador no Brasil dos investidores/credores estrangeiros que aportavam recursos originários de paraísos fiscais em tais empresas, e pela existência de indícios de um esquema de recepção de recursos do exterior, lavagem de dinheiro, desencadeouse em 18.08.2006, a operação EXODUS, realizada em ação conjunta com a Polícia Federal e Ministério Público Federal. Segundo informação do Banco Central, os recursos originários do exterior e recebidos pelas 98 empresas do grupo, totalizavam US$ 41.774.273,34, dos quais US$ 32.280.605,28 ingressaram sob a forma de empréstimos e US$ 9.493.668,06, sob a forma de investimentos diretos no Brasil, como participações societárias. Algumas das empresas agiam na captação de recursos externos oriundos de paraísos fiscais, que embora tenham ingressado no Brasil legalmente, possuem origem duvidosa. Outras, intermediavam a movimentação de recursos no país, e um reduzido número de empresas recepcionavam o capital de todas as empresas do grupo. Essas 98 empresas, via de regra, eram formadas inicialmente, com pequeno capital social, pelo Sr. Walter Vogel ou uma das pessoas relacionadas ao grupo, tendo o(s) outro(s) sócio(s) características de interpostas pessoas, os quais eram substituídos pelos supostos investidores estrangeiros, seja pessoa física ou jurídica. Os sócios estrangeiros, em sua maioria, têm seu domicílio na Suíça e em paraísos fiscais, e desses lugares enviavam para o Brasil, os valores sob título de integralização/aumento de capital, e como empréstimos. O endereço indicado como sede de quase todas as empresas domiciliadas no exterior é “TRUST HOUSE 112, BONADIE STREET, EM KINGSTON/SAINT VICENT. Os investidores estrangeiros passaram a injetar recursos nas empresas do grupo, tanto a título de integralização de capital, como de empréstimos, e, com o ingresso desses valores houve a necessidade de criarem mais empresas no Brasil ligadas ao grupo para que dessem suporte contábil e fiscal à circulação dos montantes que ingressavam por meio de operações diversas, e que geralmente findavam na contabilidade da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda, que é a centralizadora da distribuição dos lucros aos sócios residentes no Brasil. A susposta circulação dos recursos entre as empresas do grupo, ocorreu quase que em sua totalidade, em espécie, com pouquíssimas operações realizadas com a utilização do sistema financeiro nacional. Em relação aos empréstimos às empresas do empreendimento, estes foram comumente contratados sob condições especiais de pagamento de juros por parte do credor, conforme informações prestadas pelo Banco Central e pela própria contribuinte. Fl. 688DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 4 4 Conforme análise da movimentação bancária e dos registros contábeis e fiscais dos livros apresentados pelas empresas, verificouse a inexistência de operacionalidade no que tange às suas finalidades constituídas em estatuto. Das 25 empresas do grupo que se encontravam sob procedimento fiscal, poucas apresentam registros contábeis e documentos que indiquem a efetiva realização de operações ligadas a seu objeto social. Constatouse que um aporte de recursos originários do exterior (paraísos fiscais), sendo que dias depois ou no próprio dia, há saques da conta bancária em montantes correspondentes aos recursos ingressados do exterior efetuados pelos respectivos sócios, e os valores sacados são registrados contabilmente na conta caixa. Em seguida há um contrato de prestação de serviços e/ou a compra de imóveis rurais, em sua grande maioria pactuados com empresas do próprio grupo, ou investimentos com integralização de capital em espécie em empresas ligadas ao grupo, sendo o saldo das operações mantido em caixa (espécie) ao longo dos anos analisados. Observa a fiscalização, que por menos zeloso que fosse o qualquer investidor, jamais destinaria seus recursos a gestores que os mantêm em espécie, sem qualquer finalidade, com penas de desvalorizações monetárias, e como é o caso, sujeitos aos riscos cambiais. Verificase a estratégia que os gestores do empreendimento adotam, sem causa justificada, em retirar os recursos dos controles dos órgãos competentes do sistema financeiro nacional. Das poucas empresas que distribuíam lucros no período, nenhuma delas remeteu dividendos aos seus acionistas estrangeiros, reforçando mais uma vez, os indícios que pairam sobre os “investidores internacionais com sede em paraísos fiscais”, como se pode verificar nos registros contábeis da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda, “alma” das operações do grupo. Nem todas as 98 empresas ligadas ao Sr. Walter Vogel obtiveram os recursos iniciais oriundos do exterior; nesses casos eram realizadas transações com empresas do grupo, as quais normalmente se constituíam em adiantamentos para futuras prestações de serviços, venda de propriedade rural, venda de gado, venda de mudas de acácias e contratos de mútuo entre os sócios nacionais. Assim, era possível contabilmente fazer circular o dinheiro obtido com os sócios estrangeiros, praticamente sem custo e sem contrapartida junto àqueles. Inexiste a comprovação da efetividade das transações entre as empresas do grupo localizadas no Brasil. Os repasses monetários em razão das causas contabilizadas não se comprovam, visto que quase todas as transações efetuadas foram informadas como ocorridas em espécie, existindo somente os registros contábeis que dão suporte ao caixa da empresa, constando como documentação comprobatória apenas recibos e escrituras, documentos nos quais encontrouse o Sr. Walter Vogel, ou outra pessoa ligada ao grupo, como representante de ambas as partes. Observouse que, embora a maior parte das empresas apresente atividades ligadas ao ramo agroflorestal e afins ao seu objeto social, o que torna a expectativa do retorno do empreendimento de longa duração, são comuns as substituições de sócios, que desistem do negócio, quando teoricamente, os respectivos projetos florestais ainda estão no início de sua implantação. Tal substituição ocorre predominantemente de duas formas: (i) cessão de crédito no exterior entre investidores estrangeiros, (ii) migração dos sócios com seu capital, para novas/outras empresas, com redução do capital social, ou até mesmo, extinção das empresas receptoras do capital estrangeiro. Fl. 689DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 5 5 Destaca a fiscalização que é de difícil compreensão que todos os sócios minoritários que capitalizaram os seus recursos e se retiraram das sociedades não obtiveram qualquer acréscimo patrimonial, mesmo após um período considerável de tempo. Ainda que em menor quantidade, existem empresas do grupo que tem como atividade fim a compra e venda de imóveis e incorporação, as quais em sua grande maioria, desde a constituição, realizam pouquíssimas operações deste tipo, e quando o fazem, geralmente têm como a outra parte uma empresa ligada diretamente ou indiretamente ao Sr. Walter Vogel. Nessas empresas também são realizadas mudanças no quadro societário ainda no início das atividades. A contabilidade das empresas vinculadas ao Sr. Walter Vogel, quase em sua totalidade, fica sob a responsabilidade do escritório Pontual Assessoria Contábil e Despachante, que tem como sócios, os srs. Maclison Leandro Carvalho das Chagas, Geraldo João da Silva (que tem ou teve participação em outras empresas do grupo, sendo excluído da sociedade Pontual em 02.07.2007) e Herika Maria Costa das Chagas (incluída em 02.07.2007). os serviços de assessoria e despachante, junto ao Banco Central, para as empresas do grupo que receberam recursos do exterior, eram realizados quase que em sua totalidade pela empresa Pontual Despachante de Imóveis, que tem como sócios, o sr. Veronildo da Silva Holanda e Kerdileine das Chagas Holanda (incluída em 10.05.2007). Decorrente da operação EXODUS foi executado mandado de busca e apreensão, restando recolhido à sede da Polícia Federal em Boa Vista/Roraima documentos fiscais e contábeis das empresas do grupo, sendo que todos já haviam sido devolvidos conforme informado em ofício da Polícia Federal e certidão anexa, emitida em 20.08.2007. No caso concreto, consta no TVF, em relação às infrações apuradas o seguinte: As infrações apuradas neste procedimento fiscal tiveram por base o fato de que a comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a forma inequívoca de uma dada situação de fato, uma vez que o modo de operação do empreendimento envolvendo o sócio Walter Vogel e, muitas vezes o seu filho Michael Patrick Vogel, tem como conduta praticar ações entre as empresas, formando uma verdadeira teia de negócios, que confundem e ocultam sua verdadeira intenção, tornando muito complexa a fiscalização pelos órgãos competentes para tal, com conseqüente dificuldade para evidenciar os ilícitos. Por tudo que já foi exposto desde a data de constituição da empresa, depreendese que a fiscalizada não foi criada, assim como não realiza atividades, com a finalidade de produzir riquezas para o negócio, gerando receitas operacionais, ao contrário, seu foco era dar suporte contábil às transações efetuadas pelo empreendimento comandado pelo Sr. Walter Vogel, pelas quais os recursos originários do exterior, mais especificamente de local considerado pela legislação tributária como paraíso fiscal, eram repassados as demais empresas vinculadas, através de negócios jurídicos realizados sob forma Fl. 690DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 6 6 incomum, que não guardam relação entre a declaração contida no ato realizado e os efeitos sobre os caixas das empresas, existindo indício forte de vontade diversa do que fora declarado. Para demonstrar o acima exposto é que toda a análise da escrituração da empresa desde o ano de 2000 até 2005, por ser este o último ano para o qual houve entrega de livros fiscais pelo contribuinte, foi descrita neste relatório de forma minuciosa, buscando comprovar a maneira como as empresas do grupo Walter Vogel do exterior, mantendoos apenas registrados nos caixas das empresas, ora repassandoos para algumas empresas do grupo no Brasil, mas quase sempre apenas de forma escritural, contábil, não comprovando a efetividade da entrega dos recursos e a ligação das operações contabilizadas. Pela nossa análise o valor escriturado como saldo de caixa em 2005, teve sua origem basicamente em recursos dos sócios diretos e indiretos, principalmente estrangeiro, entretanto os valores foram destinados para o quê o contribuinte não apresenta a causa e o beneficiário. Não é possível conceber que durante procedimento fiscal a empresa adote medidas para diminuir radicalmente seu caixa e sob o manto do arbitramento do lucro, o qual não apura, não apresente as operações ocorridas, com os respectivos valores e documentos hábeis e idôneos que os comprove, e quando o faz, apresenta cópias de documentos eivados de suspeita de inveracidade, visto a falta de comprovação financeira, além do que, na maioria das vezes, apenas o sócio Walter Vogel assinavaos representando todas as partes, e quando assim não ocorria, assinava outra pessoa ligada a uma das empresas constituídas para dar suporte ao esquema de circulação de dinheiro vindo exterior. Feitas estas considerações, passaremos a individualizar as infrações apuradas: A partir daqui, passamos a descrever as infrações com base nos autos de infração e com base no TVF. a) Suprimento de numerário Lançamentos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS: a autuada omitiu receitas da atividade, apurada com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa pelos sócios Walter Vogel e Michael Patrick Vogel, em razão de falta de efetividade da entrega e da origem dos recursos (art. 282 do RIR/99); o lançamento foi efetuado com base no lucro presumido, e os fatos geradores ocorreram em 30.09.2005 e 31.12.2006; foi aplicada a multa de ofício de 75%. A empresa foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea, dos lançamentos escriturados na conta caixa relativos a aumento de capital, em 23.09.2005, no valor de R$ 361.767,99 e em 18.10.2006, no valor de R$ 362.267,99. Foram apresentadas a 5ª e a 6ªalteração contratual da sociedade Zafir Silvopastoril Ltda. Ressalta a fiscalização que não foi apresentado qualquer comprovante externo à sociedade de que efetivamente houve transferência financeira do sócio para a sociedade. b) Lançamento de IRRF – enquadramento legal: art. 674, § 1º do RIR/99, art. 61, §§ 1º a 3º, da Lei 8.981/95, com reajustamento de base de cálculo: Fl. 691DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 7 7 b1) Decorrente da não comprovação da prestação de serviços escriturados e do efetivo repasse dos valores; os fatos geradores ocorreram de 31.10.2003 a 31.12.2004 e foi aplicada a multa de ofício de 150%; tratase de 3 pagamentos em 2003, tidos como efetuados à empresa Pinho & Santos Ltda EPP e 4 pagamentos tidos como efetuados para Ouro Verde Florestal Ltda, em 2004; com base em diligências (Anexo IV) constatouse que não houve a efetiva prestação de serviços, bem como, não foram comprovados os repasses dos recursos em referência pelos supostos serviços prestados em relação à empresa Pinho & Santos Ltda EPP; quanto aos pagamentos de 2004, a pessoa jurídica que se diz prestadora de serviços tem como sócios o Sr. Walter Vogel e seu filho, e a pessoa jurídica Ouro Verde Agrosilvopastoril, sendo que as pessoas citadas ou são ou foram sócias da autuada, e que esta tem participação na empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril; a Ouro Verde Florestal, como quase todas as empresas do grupo Walter Vogel tem seu domicílio fiscal na Rua Botão de Ouro nº 190, Pricumã, Boa VistaRR,. (V.1.1.) b2) Pagamentos sem causa ou operação não comprovada (pagamento escriturado como integralização de capital): lançamento decorrente da não comprovação do efetivo trânsito dos valores relativos a operações de integralização de capital; fatos geradores ocorridos em 27.07.2004, 02.01.2005 e 01.11.2005; foi aplicada a multa de ofício de 75%; são eles: (i) integralização de capital na empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril, no valor de R$ 308.520,60, em 01.11.2005: foi apresentada a cópia da 19ª alteração contratual da sociedade mencionada, de 30.09.2005 e registrado na Junta Comercial em 10.10.2005, as datas do documento contábil não correspondem ao documento e ao registro na Junta, carece a transação de comprovação pela falta de trânsito do valor por instituição financeira, não sendo aceitável para comprovar a operação documentos produzidos pelo próprio contribuinte; (ii) integralização de capital na empresa Pérola Branca Cerealista, no valor de R$ 792.000,00, de 02.01.2005: foi apresentada à fiscalização cópia do contrato social dessa empresa, constituída em 02.02.2004, fls. 142 a 145, documento insuficiente para comprovar a efetiva transferência de numerário de uma empresa para outra, além da suposta integralização ter ocorrido onze meses antes do lançamento contábil; (iii) aquisição de contas da empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril, no valor de R$ 99.000,00, em 23.07.2004: a autuada informa que a transação de fato não ocorreu, o que caracteriza pagamento sem causa. V.1.2 b3) Lançamento sem causa ou operação não comprovada: não comprovação da efetiva entrega dos valores à empresa mutuaria relativos a contrato de mútuo; fato gerador ocorrido em 16.08.2004; foi aplicada multa de ofício de 75%; contrato de mútuo celebrado com a Imobiliária Siripê Ltda, no valor de R$ 3.500.000,00, em 16.08.2004, pelo prazo de um ano; a autuada apresentou apenas cópia do contrato celebrado, entre as partes (fls. 132/135), no qual o sr. Walter Vogel assina tanto pela empresa credora como pela mutuaria, ambas empresas ligadas, com sede no mesmo endereço. Acusa a fiscalização que não há registro de transferência ou depósito bancários para justificar a transferência de tão grande monta, caracterizando a não comprovação da efetiva entrega destes valores à Imobiliária Siripê Ltda, sendo o valor registrado a crédito da conta caixa, como pagamento sem causa; em relação ao contrato, o mesmo pressupõe o empréstimo pelo prazo de um ano, sem cobrança de juros, e até o ano de 2006, o suposto empréstimo não havia sido quitado. V.1.3 b4) Pagamentos sem causa ou de operação não comprovada – redução do saldo de caixa: lançamento decorrente da não comprovação das saídas de caixa ocorridas no período de 01.01.2006 a 31.07.2007; fato gerador de 31.07.2007; foi aplicada a multa de ofício de 75%. A fiscalizada informa que o saldo, em espécie, de seu caixa, em 31.07.2007, é de R$ 81.017,55, o qual comparado aos R$ 5.006.159,39, escriturado no Balanço Patrimonial Fl. 692DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 8 8 escriturado, transcrito no livro Diário do anocalendário de 2005, indica saída de caixa nesse período de R$ 4.925.141,84, sendo necessário que o contribuinte apresentasse toda a documentação hábil e idônea que comprovasse o beneficiário e a causa do pagamento, não sendo a alegação de que fez o uso de seu direito de buscar o arbitramento do lucro, que é inexistente, justificativa valida para a não apresentação dos documentos. V.1.4. A multa foi qualificada, em relação a uma das infrações (não comprovação da prestação de serviços escriturados e do efetivo repasse dos valores): Ao analisarmos toda as operações da empresa, desde a sua constituição, em 1999, até fevereiro de 2006, última data de balancete apresentada pelo contribuinte, constatamos que os negócios registrados na contabilidade da mesma eram realizados de forma simulada, tendo por fim ocultar a sua verdadeira intenção de regularizar recursos provenientes do exterior, possibilitando seu repasse aos sócios domiciliados no Brasil. (...) Portanto, devido à constatação na escritura contábil de que a conduta do contribuinte está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio como descrito nos artigos 71,72 e 73 da Lei no 4.502/64 comprovada pela utilização de documentos inidôneos que caracterizam o evidente intuito de fraude por parte da empresa, a multa de oficio será QUALIFICADA conforme prevista no artigo 44 inciso I, § 1°, da Lei no 9.430/96. Ademais pela legislação que rege os recursos ingressados no País, sob a modalidade de empréstimo ou investimento, determina que estes tipos de recursos vindos do exterior devem ser aplicados em atividade econômica, de acordo com a Lei 4.131 de 03 de setembro de 1962, art. 1 0 que dispõe: (...) O contribuinte fiscalizado apegouse ao instituto do arbitramento não apresentando demais documentos ou livros fiscais e contábeis solicitados a partir de 2006, e não deve prosperar o seu argumento de defesa de que "ao optar pelo lucro arbitrado, já se auto penalizou pela não apresentação de planilhas, contabilidade ou outros documentos...", e se assim fosse, seria possível ao contribuinte fiscalizado fazer uso de recurso de origem estrangeira, advindo de país com sede em paraíso fiscal, como bem entendesse, sem a devida prestação de informação aos órgãos fiscalizadores, ademais como já relatado não existem receitas apuradas em 2006, conforme DIPJ 2007 (Anexo I, fls. 133 a 138) o lucro arbitrado nos quatro trimestres é zero. A Turma Julgadora proferiu acórdão contendo as seguintes ementas: PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. Fl. 693DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 9 9 A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, por expressa previsão legal, que não autoriza a concessão administrativa de prazo diverso. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. Os suprimentos de numerário feitos por sócios, a título de integralização de capital em moeda corrente, quando não comprovada a origem do numerário e a efetividade da entrega, autorizam a presunção de que se originaram de recursos da pessoa jurídica, proveniente de omissão de receitas. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA É legítimo o lançamento decorrente da constatação de diminuição ou inexistência do saldo de caixa, sem a devida comprovação da operação ou causa dos pagamentos, e o decorrente da não apresentação de documentação consistente relacionada a negócio jurídico inexistente. A ciência da decisão à contribuinte foi dada em 28.07.2009, e o recurso voluntário foi apresentado em 10.08.2009. No recurso, a contribuinte argumenta: a) Nulidade parcial do auto de infração: violação do art. 142 c/c art. 116, § único, do CTN: (i) Afirma que o art. 116 do CTN nunca foi regulamentado por lei ordinária, de modo que a autoridade administrativa não poderia desconsiderar os negócios jurídicos, que por qualquer motivo, dissimulem a causa do pagamento pelo impugnante; que embora a autoridade fiscal não tenha admitido expressamente, nisso se resumiria o procedimento fiscal, e que a palavra simulação foi repetida, várias vezes; (ii) se o valor do saldo de caixa, em 31.12.2007, foi simulado, a única forma de retirarlhe a veste da legalidade é desconsiderandoo, e não havendo procedimento que confira à autoridade administrativa poderes para desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo o auto de infração nulo; (iii) pede a exclusão dos lançamentos identificados nos subitens V.1.2, V.1.3 e V.1.4 do TVF (fls. 20/22); b) Nulidade parcial do auto de infração: Violação do art. 142 do CTN c/c o art. 48 da IN/RFB, 748/2007: (i) não teria sido obedecido o art. 48 da IN, que prevê que é inidôneo o documento fiscal emitido por pessoa jurídica, que já tenha sido declarada inapta pela SRF, assim, até sua ocorrência, deve produzir efeitos tributários, não podendo a RFB inverter o ônus probatório em desfavor do contribuinte, tomador de serviços; (ii) entende que somente seria obrigado a provar a efetividade de prestação de serviços ou o fornecimento dos Fl. 694DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 10 10 bens, quando previamente declarada a inaptidão da pessoa jurídica; (iii) a autoridade administrativa não declarou a inaptidão das pessoas jurídicas Pinho & Santos Ltda e Ouro Verde Florestal Ltda e que a diligência fiscal serviu para reunir, precariamente, elementos que de acordo com a autoridade administrativa provam que as pessoas jurídicas não possuíam condições de prestar serviços ou fornecer bens para a autuada; (iv) não havendo declaração de inaptidão destas pessoa jurídicas, os documentos fiscais produziram efeitos tributários e fazem prova dos pagamentos; (v) pede a exclusão do lançamento do subitem V.1.1 do TVF (fls. 20); c) Improcedência do auto de infração – justificativa dos pagamentos: (i) A autoridade administrativa invoca o art. 61 da Lei 8.981/95, para praticar o lançamento do IRRF sobre os pagamentos descritos nos subitens V.1.2 e V.1.3 do TVF e que a jurisprudência administrativa tem se consolidado no sentido que compete à autoridade administrativa fazer a prova de que a operação não teve a causa, afastandose a presunção em seu favor (acórdão 101 96513 e 10709144); (ii) que o CARF já decidiu que a simulação deve ser provada pela autoridade administrativa, sob pena de nulidade do auto de infração (recurso 120394) e que o art. 61 da Lei 8.981/95 não desobriga a autoridade administrativa de seu munus de investigar a ocorrência do fato gerador do tributo, conforme o art. 142 do CTN; (iii) pede a insubsistência dos lançamentos descritos nos subitens V.1.2 e V.1.3 do TVF; d) Improcedência do auto de infração Mútuo 16.08.2004: (i) o contrato de mútuo faria prova cabal da contratação do empréstimo com a pessoa jurídica Imobiliária Siripê Ltda, (ii) além desse documento, foi juntado aos autos a escrituração contábil onde está identificada a operação de empréstimo, e a escrituração não foi desclassificada, sendo prova hábil e idônea; e) Improcedência do auto de infração Integralização de capital social – Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda, 01.11.2005: (i) a alteração do contrato social da Ouro Verde registrada na Junta Comercial, faz prova do fato econômico, conforme art. 1º, I, da Lei 8.934/94, uma vez que o registro público dos atos jurídicos praticados pelas empresas mercantis lhes conferiria eficácia; f) Improcedência do auto de infração Integralização de capital social – Sociedade Pérola Branca Cerealista – 02.01.2005: idêntico raciocínio se aplicaria à referida operação, pois foi apresentada a cópia de alteração do contrato social desta pessoa jurídica, regularmente arquivada na Junta Comercial de Roraima; g) Improcedência do auto de infração redução do saldo de caixa entre 01.01.2006 e 31.07.2007: (i) já foi afirmado que o Sr. Walter Vogel sujeitouse a investigação da Polícia Federal, na operação identificada como EXODUS, e nem todos os documentos devolvidos relativos à busca e apreensão, foram devolvidos; (ii) diante disso, várias notas fiscais e recibos, deixaram de compor a contabilidade da empresa de 01.03.2006 até 18.08.2006 e, por conseguinte, diminuir e até zerar seu saldo de caixa; (iii) como as autoridades fiscais já conduziam procedimento de fiscalização conta a empresa autuada, sabiam que a única forma de materializar um suposto desvio penaltributário, caracterizado pelos relevantes numerários de caixa, seria dificultando seu acesso aos papéis e documentos apreendidos; e que se até à data anterior à realização da operação EXODUS e dos efetivos cumprimentos dos mandados de busca e apreensão, a empresa atendeu a todas as intimações apresentadas; (iv) para afastar a possibilidade de cerceamento de defesa provocado pela administração pública, a recorrente solicitou formalmente, em 09.11.2007, ao Departamento de Polícia Federal, explicações quanto às retenção ou extravio de documentos, porém até à data de Fl. 695DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 11 11 conclusão da impugnação não recebeu quaisquer informações que os ajudasse a restabelecer os controles internos, e por conseguinte, identificar o beneficiário dos pagamentos; (v) pede a improcedência do lançamento descrito no subitem V.1.4 do TVF, pois o conjunto das ações realizadas pelo fisco demonstraria que a redução do saldo de caixa se deu por motivo de força maior, ao qual ela não pôde resistir. g) da multa agravada: (i) Cita jurisprudência do CARF para concluir que a multa agravada se justifica apenas quando provado o dolo específico e reitera o já afirmado em sua impugnação, (ii) diz que embora a autoridade administrativa afirme, ela não demonstra o embaraço da autuada à fiscalização, e que ao contrário, atendeu a todas as requisições da autoridade administrativa, e a única que não atendeu, o fez respaldado em lei, porque a autoridade administrativa não tinha competência para exigir a apresentação de valores em espécie, (iii) se a autoridade administrativa não logrou êxito em demonstrar o dolo específico da autuada, ela não pode ser punida com o agravamento da multa. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamentos do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em razão da infração de omissão de receitas, caracterizada pela integralização de capital, sem comprovação da efetiva entrega dos recursos à empresa e origem dos mesmos, em que foi exigida a multa de ofício de 75%; bem como lançamento de IRRF, por diversas razões, com aplicação de multa de ofício de 150% e 75%, conforme a infração. Consta no TVF que o empreendimento envolvendo o sócio Walter Vogel e seu filho Michael Patrick Vogel pratica ações entre as empresas, formando uma verdadeira teia de negócios, que confundem e ocultam sua verdadeira intenção. O sujeito passivo argüi a nulidade parcial dos autos de infração, por suposta violação do art. 142, c/c art. 116, § único do CTN, porque este último artigo nunca foi regulamentado por lei ordinária, de forma que a autoridade fiscal não poderia desconsiderar os negócios jurídicos. Ocorre que o lançamento não foi fundamentado no art. 116, § único do CTN, pois não houve desconstituição de negócios jurídicos. Os lançamentos foram fundamentados em presunções legais, conforme se verá adiante. Rejeitase a preliminar argüida. Quanto ao argumento de nulidade parcial do auto de infração por suposta violação ao art. 142 do CTN c/c art. 48 da IN/RFB 748/2007, porque não teria sido obedecido o art. 48 da IN, que prevê que é inidôneo o documento fiscal emitido por pessoa jurídica, que já tenha sido declarada inapta, transcrevo o art. 217 do RIR/99: Fl. 696DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 12 12 Art. 217. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta (Lei nº 9.430/96, art. 82). Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços (Lei nº. 9.430, de 1996, art. 82, parágrafo único). Assim, do disposto no caput do art. 217 do RIR/99, se depreende que existem outras hipóteses de inidoneidade de documentos, ou seja, não são apenas considerados inidôneos os documentos emitidos por pessoas jurídicas cuja inscrição no CNPJ seja considerada inapta, pois podem existir outras hipóteses de inidoneidade, mesmo em relação a empresas que estejam com a inscrição no CNPJ ativa. Verificase ainda, que segundo o parágrafo único desse artigo, o caput não se aplica, quando o tomador de serviços comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo e a utilização dos serviços. Ou seja, mesmo que a pessoa jurídica tenha sua inscrição no CNPJ sido declarada inapta, ainda assim, comprovado o efetivo pagamento e a utilização dos serviços, os documentos podem produzir efeitos tributários. Em relação ao mérito, da comprovação se verá logo adiante. Portanto, essa preliminar deve ser rejeitada. As infrações relativas a pagamento sem causa, com exigência do IRRF, foram fundamentadas no art. 61 da Lei 8.981/95. Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. De acordo com o § 1º , a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Fl. 697DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 13 13 Para a aplicação dessa presunção legal há de ser necessário que tenha ocorrido um pagamento. Vejamos as palavras da fiscalização contidas no Termo de Verificação Fiscal: A análise da comprovação foi efetuada em cada evento, com os elementos característicos à operação praticada, e nos casos em que ficou evidenciado a falta de idoneidade do documento apresentado como comprovante, e havendo o lançamento contábil, ou não, do pagamento da obrigação, quer por caixa, quer por banco ou outra forma, houve a apuração de ofício do crédito tributário decorrente do fato gerador do Imposto de Renda na Fonte, pagamento sem causa, pela empresa ora fiscalizada, com base no artigo 61, §1 0 da Lei no 8.981 de 20 de janeiro de 1995, in verbis: Da jurisprudência, trago o seguinte acórdão: Acórdão 10517.017, de 28.05.2008 (Wilson Fernandes Guimarães relator do voto vencido, mas vencedor nessa parte) IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA — No comando estampado pelo art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, a presunção legal não está nos pagamentos efetuados, que deverão estar devidamente comprovados, mas, sim, no pressuposto de que os valores pagos deveriam ter sido submetidos à incidência na fonte. Para fins de aplicação da norma em comento, pouco importa que os valores tenham sido contabilizados ou não, pois, o que autoriza a sua aplicação é inexistência de causa ou a ausência de identificação do beneficiário. Da ementa acima transcrita, extraise que a presunção de que trata o art. 61 da lei 8.981/95, não está nos pagamentos efetuados, que deverão estar comprovados, mas sim, no pressuposto de que os valores pagos deveriam ter sido submetidos à incidência na fonte. A fiscalização não está duvidando de que os pagamentos foram realizados, mas acusa o sujeito passivo de falta de comprovação da respectiva causa. Alega a recorrente que a fiscalização é que tem de provar que o pagamento não teve a causa, ocorre que a contribuinte foi intimada a provar a causa, apresentando a mesma, documentos que no entendimento da fiscalização não são suficientes para provar que os recursos foram utilizados nessas causas. Perguntase: Teria a fiscalização de provar que a causa foi outra? Não, pois o que o § 1º do art. 61 da Lei 8.981/95 determina, é que a falta de comprovação da operação ou a sua causa, fica sujeito à incidência na fonte. Para a aplicação desse dispositivo legal, não é necessário que a fiscalização prove a existência de simulação, alegada pela autuada. Essa preliminar deve ser rejeitada. Por se tratar de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. Em relação à infração, v.1.1, relativa à acusação de pagamento sem causa, decorrente da não comprovação da prestação de serviços escriturados e do efetivo repasse dos valores (fatos geradores de 31.10.2003 a 31.12.2004), os pagamentos de 2003 foram Fl. 698DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 14 14 contabilizados como efetuados à empresa Pinho & Santos Ltda. EPP e os 4 pagamentos de 2004 foram contabilizados como efetuados para Ouro Verde Florestal Ltda. Os valores de 2003 são: R$ 53.879,51, de 31.10.2003, R$ 53.631,60, de 30.11.2003 e R$ 53.799,00 de 30.12.2003. Verificase no Razão analítico, lançamentos a crédito da conta caixa, com o histórico “Pago n/data ref.serviços prestados na preparação do solo, adubação e plantio, cfme. NF. 0000XX”, tendo como contrapartida a conta investimentos, cultivo da acácia (fl. 40 do anexo I). – 37, 38, 43. Os valores de 2004 (líquidos) são:R$ 45.451,91, de 30.09.2004, R$ 46.387,24, de 30.10.2004, R$ 70.574,09, de 30.11.2004 e R$ 90.551,27, de 31.12.2004. Verificase no Razão analítico, lançamentos a crédito da conta caixa, com o histórico, “Pago n/data ref. a serv. Prestados, conf. NF 0000X”, tendo como contrapartida a conta investimentos – cultivo de acácia (fl. 55 do anexo I). Acusa a fiscalização que não houve a efetiva prestação de serviços e que não foram comprovados os repasses dos recursos pelos supostos serviços prestados em relação à empresa Pinho & Santos Ltda, e que quanto aos pagamentos tidos como efetuados à outra empresa, a pessoa jurídica que seria a prestadora de serviços tem como sócios o Sr. Walter Vogel, seu filho e a pessoa jurídica Ouro Verde Agrosilvopastoril, sendo que as pessoas citadas ou são ou foram sócias da autuada, e que a autuada tem participação na empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril, sendo sua sócia. Às fls. 02/13, do anexo IV, estão contidas em relatório, as razões pelas quais a fiscalização concluiu que os pagamentos efetuados não se destinaram à contratação dos serviços prestados pela Pinho e Santos Ltda. EPP, tampouco comprovouse a efetiva prestação dos serviços. Transcrevo trecho do relatório de diligência realizada na empresa Pinho & Santos Ltda.: Nenhum dos depósitos relatados acima se aproximam, em data e valor, dos supostos recebimentos pelos serviços prestados. Em resposta a nossa intimação de 13 de nov/2007, afirma que os serviços são contratados em regime de empreitada, onde não há formalidade escrita, sendo os pagamentos ocorridos contra a prestação de serviços ou antecipadamente, de acordo com a necessidade. Afirma, na mesma resposta, que a quitação para os serviços prestados "davase através da emissão de notas fiscais. Alguns clientes exigiam os recibos de quitação das importâncias pagas". Não houve, desta forma, a comprovação dos serviços prestados tampouco se corroborou a entrega dos recursos (pagamentos) pelos mesmos. Analisandose o movimento contábil da empresa e sua escrituração, temos que os maiores desembolsos da empresa correspondem à folha de pagamento e gastos com manutenção de veículos (inclusive combustíveis). Também o intimamos no dia 28 de nov/2007 a apresentar a relação de bens automotores no período entre os AC 2003 a 2006, ao qual apresenta a propriedade de 4 tratores. Fl. 699DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 15 15 Adicionalmente ao exposto, não há despesas com serviços essenciais de atividade operacional em qualquer empresa, tais como energia elétrica, saneamento básico e telefone Concluímos que não houve a comprovação dos repasses dos recursos em referência aos supostos serviços prestados pela Pinho e Santos Ltda. EPP, tampouco comprovouse a efetiva prestação dos serviços. Devese tributar as empresas Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda., Zafir Agrosilvopastoril Ltda. e Tipiti Agrosilvopastoril Ltda. mediante repasse de recursos sem a identificação do beneficiário. (...) Considerandose todas as informações coletadas, ressaltamos que: (...) Devidamente intimado, manifestou os recebimentos pelos supostos serviços prestados somente pela emissão de NF, sem comproválos efetivamente; alegou, ainda, que alguns clientes exigiam recibos. Todos os recebimentos ocorreram em espécie; Os sócios não apresentam bens, rendimentos declarados ou movimentação financeira que apresente razoabilidade com a propriedade de uma empresa que faturou receitas da ordem de R$812.479,50 (AC 2003), R$713.848,80 (AC 2004) e R$434.216,82 (AC 2005). Às fls. 197/198 do anexo IV, estão contidas as razões pelas quais a fiscalização concluiu que os pagamentos efetuados não se destinaram à contratação dos serviços prestados pela Ouro Verde Florestal, tampouco comprovouse a efetiva prestação dos serviços.Transcrevo trecho do relatório de diligência realizada nessa empresa: Identificamos que todas as notas fiscais emitidas pela Ouro Verde Florestal Ltda. para Zafir Silvopastoril Ltda. , no ano de 2004, têm descrição semelhante referindose a prestação de serviços, apresentandose sob a seguinte discriminação: 'Serviços prestados de construção de corredores antifogo, combate a pragas, formigas e ao fogo, desbastamento da plantação e sustentação de árvores" (fls. 125 a 131) . No quadro abaixo, apresentamos todas as notas fiscais emitidas pela Ouro Verde Florestal no ano de 2004, as quais se destinavam a empresas interligadas, que têm ou tiveram o Sr. , Walter Vogel como um dos sócio. (...) Dos pagamentos contabilizados como efetuados pela fiscalizada Zafir Silvopastoril Ltda., no decorrer de 2004, ditos em referência a serviços prestados, constatamos a existência de escrituração de quatro lançamentos, todos eles tendo como prestador a empresa Ouro Verde Florestal Ltda., os quais se encontram acima discriminados (NF 1, 2, 3 e 7); Fl. 700DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 16 16 Das partes figurantes como prestador e tomador do serviço, fica evidente a existência de forte interligação. As empresas Ouro Verde Florestal e Zafir Silvopastoril são pessoas jurídicas que têm o mesmo domicilio fiscal na Rua Botão de Ouro no 190, Pricum5, Boa Vista/RR, têm como sócios as mesmas pessoas físicas WALTER VOGEL e MICHAEL PATRICK VOGEL, têm o escritório Pontual Assessoria Contábil e Despachante, CNPJ 02.948.003/0001 como responsável pelas suas contabilidades. A Ouro Verde Florestal além da 02 citadas pessoas físicas possui ainda como sócio (telas CNPJ ás folhas 132 a 140), a pessoa jurídica OURO VERDE AGROSILVOPASTORIL, sendo relevante salientar que o seu quadro societário, em 2004, encontravase formado por MICHAEL PATRICK VOGEL, WALTER VOGEL (excluído em 13/10/2006) e pelas pessoas jurídica ZAFIR SILVOPASTORIL LTDA (empresa objeto do procedimento fiscal) e pela SMARAGD INVESTMENT LTD, esta última empresa comercial estrangeira que tem sede em Trust House, no 112, Bonadie Street, em Kingstow/Saint Vicent, local considerado pela legislação brasileira como paraíso fiscal. Para melhor visualização apresentamos o quadro abaixo: Analisando as declarações DIPJ 2005 Declaração de Informações EconômicoFiscais da ,Pessoa Jurídica e as DCTF Declaração de Débitos e Créditos tributários Federais – da empresa Ouro Verde Florestal, referentes ao anocalendário 2004, constatamos que elas foram, inicialmente, apresentadas zeradas, portanto sendo informado a inexistência de receitas para o ano 2004 (fls. 141 a 170 e 176 a 179). Posteriormente as DCTF do 3o e 4o trimestres de 2004 foram retificadas pelo contribuinte. Correlacionado a este fato, sabese que o Sr. Walter Vogel tomou ciência em 15 de agosto de 2005 do inicio do procedimento fiscal de diligência na empresa Zafir Silvopastoril Ltda., por meio do MPFD no 02.6.01.002005001420 (volume 1, fls. 02), sendo intimado a apresentar documentos e livros contábeis referentes aos anoscalendário 1999 a 2004 (volume 1, fls. 09). Nos livros de 2004 da Zafir, mais especificamente em sua conta caixa, encontravamse registrados os valores em espécie repassados à empresa Ouro Verde Florestal, contabilizados sob o argumento de que seriam por prestação de serviço, fato este conhecido pelo escritório contábil Pontual Assessoria Contábil e Despachante, representado pelo Sr. Madison Leandro de Carvalho, visto ser o responsável pela elaboração da contabilidade tanto da empresa Zafir quanto da Ouro Verde Florestal; desta forma, somente após a ciência do procedimento fiscal, foram promovidas alterações nas DCTF do 3 0 e 40 trimestres de 2004 da OuroVerde Florestal, sendo confessados a apuração de tributos correlacionados com os valores ditos recebidos da empresa Zafir Silvopastoril Ltda., o que poderia reforçar a aparência de efetividade dos lançamentos contábeis contidos nos livros contábeis de 2004. Outro ponto relevante a ser analisado, em relação aos pagamentos da Zafir à Ouro Verde Florestal, encontrase na Fl. 701DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 17 17 origem do recurso, uma vez que a totalidade dos valores ingressados na empresa Zafir Silvopastoril tiveram origem em pessoa jurídica estrangeira, cuja sede encontrase em local considerado pela legislação brasileira como paraíso fiscal, existindo, portanto, forte indicio de utilização de artifícios contábeis para que os recursos estrangeiros pudessem circular livremente em nosso pais, para fins diversos, passando às mãos dos sócios destas empresas, mais especificamente Walter Wogel e Michael Patrick Vogel. Isto posto, em razão da fortíssima interligação entre as empresas Ouro Verde Florestal Ltda., Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda. e a Zafir Silvpopastoril Ltda., resumindo o comando aos senhores Walter Vogel e Michael Patrick Vogel, da forma como os pagamentos 'foram dito efetuados, sem nenhuma comprovação pela empresa Zafir Silvopastotil Ltda., pela falta de evidência da efetividade da operação, chegamos a conclusão de que o montante correspondente ao registro dos pagamentos das notas fiscais sob no 00001, 00002, 00003 e 00007, nos valores respectivamente de R$ 45.451,91, R$ 46.387,24, R$ 70.574,09 e R$ 90.551,27 ocorreram, mas não se destinaram a pagamento pela prestação de serviço realizada pela Ouro Verde Florestal, constituindose portanto em pagamento sem causa e por operação não comprovada, dando causa, a apuração do Imposto de Renda na Fonte IRRF, Pagamento sem causa, pela empresa ora fiscalizada, com base no artigo 61, §10 da Lei no 8.981 de 20 de janeiro de 1995, in verbis: (...) Do exposto, do conjunto dos elementos acima transcritos, concluímos que foram efetuados os pagamentos confirmados pelos seus registros contábeis que indicam crédito na conta caixa, mas, a causa do pagamento não se deu em razão de contratação de serviços. Observese que em nenhum momento a empresa alegou que não ocorreu o pagamento. Consequentemente, correto o lançamento fundamentado no art. 61 da Lei 8.981/95. Em relação à infração, v.1.2, relativa a pagamento escriturado como contrato de mútuo, no valor de R$ 3,5 milhões, de 16.08.2004, que teria sido celebrado com a Imobiliária Siripê Ltda., pelo prazo de um ano. Alega o sujeito passivo que o contrato de mútuo faria prova cabal da contratação do empréstimo com a pessoa jurídica Imobiliária Siripê Ltda., e que além desse documento, foi juntado aos autos a escrituração contábil onde está identificada a operação de empréstimo, e não tendo sido a escrituração desclassificada, seria prova hábil e idônea. Verificase no Razão analítico, lançamento, de 16.08.2004, a crédito da conta caixa (anexo I fls. 52), com o histórico “pago n/data ref. a mútuo, conforme contrato” a débito da conta. A contrapartida se deu a crédito da conta empréstimos a sociedades coligadas, Imobiliária Siripê Ltda, com o histórico “pago n/data ref. a mútuo, conforme contrato”. A fiscalização afirmou o seguinte: • O contribuinte apresentou apenas cópia do contrato celebrado entre as partes (fls. 132 e 133), no qual o Sr. Walter Vogel assina Fl. 702DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 18 18 representando tanto a empresa credora quanto a mutuária, ambas empresas ligadas, com sede no mesmo endereço. Não há registro de transferência ou depósito bancário para justificar transferência de tão grande monta, sendo assim, resta não comprovada a efetiva entrega destes valores à Imobiliária Siripê, sendo o valor contabilizado a crédito da conta caixa considerado como um pagamento sem causa. • Com relação ao suposto contrato, o mesmo pressupõe o empréstimo dessa quantia pelo período de um ano, sem cobrança de juros, estabelecendo juros moratórios de apenas 1% ao ano. Verificando a contabilidade do contribuinte foi constatado que até o ano de 2006, o suposto empréstimo não foi quitado. Do trecho transcrito observase que a fiscalização considerou valor contabilizado a crédito da conta caixa, como um pagamento sem causa, e observou que não há registro de transferência ou depósito bancário para justificar transferência de tão grande monta. Conforme se verifica, a contribuinte apresentou como prova, uma cópia de contrato, no qual o Sr. Walter Vogel assina como representante tanto da empresa credora como da mutuária, ambas empresas ligadas e com sede no mesmo endereço. Tampouco foi apresentada a prova da transferência ou depósito bancário de valor tão expressivo. No recurso, a contribuinte não apresenta nenhuma prova que refute a acusação fiscal. Tendo o sujeito passivo registrado um pagamento mediante lançamento a crédito da conta caixa, concordo com a fiscalização de que ocorreu um pagamento, mas que a documentação apresentada não é hábil para fazer a comprovação da causa e tampouco para comprovar a efetiva entrega dos recursos. Cabe à recorrente fazer a prova da causa do pagamento e de que a operação foi concretizada, o que de fato, não logrou comprovar. Em relação à infração do item v.1.3, tratase da acusação de pagamento sem causa, em razão dos pagamentos terem sido escriturados como integralização de capital em duas empresas e à aquisição de cotas da sociedade Ouro Verde Agrosilvopastoril, esta no valor de R$ 99.000,00, em 23.07.2004. Um dos pagamentos se refere à integralização de capital na empresa Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda., no valor de R$ 308.520,60, em 01.11.2005. a) Verificase no Razão Analítico lançamento a crédito da conta caixa, nesse valor, com o histórico: “Pago a Ouro Verde Agrosilvopastoril pela aquisição de 308.520,60 cotas capital ...” A contrapartida se deu por lançamento a débito da conta participação em outras empresas – Ouro Verde Agrosilvopastoril Ltda.”, com o mesmo histórico. b) Como prova desse pagamento foi apresentado cópia da 19ª alteração cadastral da sociedade mencionada, onde consta a citada integralização. Ressalva a fiscalização que o documento foi elaborado em 30/09/2005 e registrado na Junta Comercial em 10/10/2005, e que as datas do lançamento contábil não correspondem à data da elaboração do contrato e nem à data de registro na Junta Comercial, e que além disso, não houve comprovação da efetividade da integralização de capital, não sendo aceitável para a comprovação, a utilização de documentos produzidos pelo próprio contribuinte. Fl. 703DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 19 19 c) Alega a recorrente que faz prova a seu favor, a alteração do contrato social da Ouro Verde registrada na Junta Comercial, faz prova do fato econômico, conforme art. 1º, I, da Lei 8.934/94, uma vez que o registro público dos atos jurídicos praticados pelas empresas mercantis lhes conferiria eficácia. O outro pagamento diz respeito à integralização de capital na empresa Sociedade Pérola Branca Cerealista Ltda., no valor de R$ 792 mil, em 02.01.2005. a) O histórico do lançamento a crédito da conta caixa é “vlr. Ref. a lançamento que ora regularizamos pois não contabilização em 02.02.2004, pela participação nas quotas de capital da empresa Pérola Branca ...” e a contrapartida se deu por lançamento a débito da conta participação em outras empresas – Pérola Branca Cerealista Ltda., que tem o mesmo histórico. b) A autuada apresentou para comprovação do pagamento cópia do contrato social da empresa mencionada, constituída em 02.02.2004, documento que foi considerado insuficiente para comprovar a efetiva transferência de numerário de uma empresa para outra, sendo que a suposta integralização teria ocorrido onze meses antes do lançamento contábil. c) Alega a recorrente que raciocínio idêntico se aplicaria a esta operação, pois foi apresentada a cópia de alteração do contrato social dessa pessoa jurídica, regularmente arquivada na Junta Comercial de Roraima. Tendo havido o registro dos pagamentos, mediante lançamento a crédito na conta caixa, o registro público da alteração contratual, por si só, não faz prova da causa do pagamento, e tampouco, faz prova de que os recursos efetivamente ingressaram nessas empresas, consequentemente, cabível o lançamento. O terceiro pagamento referese à aquisição de cotas da sociedade Ouro Verde Agrosilvopastoril, no valor de R$ 99.000,00, em 23.07.2004, sendo que, segundo a fiscalização, a autuada informou que de fato a operação não ocorreu. A recorrente, não se manifestou sobre esse item do lançamento. Os lançamentos contábeis são semelhantes aos anteriores. Neste caso, a contribuinte embora tenha registrado lançamento a crédito da conta caixa, concorda que a operação de aquisição de cotas da sociedade Ouro Verde Agrosilvopastoril, de fato não ocorreu, ou seja, a causa não foi essa ou o beneficiário foi outro. Portanto, deve ser mantido esse item do lançamento, que corresponde ao item V.1.3, do termo de verificação fiscal. Uma das outras infrações diz respeito à acusação de que o sujeito passivo efetuou pagamentos sem causa ou de operação não comprovada das saídas de caixa, ocorridas no período de 01.01.2006 a 31.07.2007, caracterizado pela redução do saldo de caixa, sem apresentação da respectiva documentação que comprovasse o beneficiário e a causa do pagamento (v.1.4) Para a apuração dos “pagamentos”, no valor de R$ 4.925.141,84, a fiscalização tomou o valor registrado na conta caixa, em 31.12.2005, no valor de R$ 5.006.159,39, escriturado no Balanço Patrimonial e comparado com o saldo em 31.07.2007, de R$ 81.017,55, informado pelo sujeito passivo. Fl. 704DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10245.003680/200860 Acórdão n.º 140200.820 S1C4T2 Fl. 20 20 Não é possível manter esse item do lançamento, pois, neste caso, não se tem qualquer informação relativa aos pagamentos, não sendo cabível a aplicação da presunção legal do art. 61 da Lei 8.981/95. Em relação à acusação fiscal de omissão de receitas caracterizada por omissão de receitas da atividade, apurada com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa pelos sócios Walter Vogel (23/09/2005, R$ 361.767,99) e seu filho (18/10/2006, R$ 362.267,99), em razão da falta da comprovação da efetividade da entrega e da origem dos recursos, a mesma está fundamentada no art. 282 do RIR/99. Sobre essa infração, a recorrente não trouxe aos autos nenhum argumento específico. Assim, tratase de matéria que não deve ser apreciada. Consequentemente, a correspondente exigência e as dela decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), devem ser mantidas. Sobre a multa de 150%, que somente foi aplicada em relação à infração de pagamentos sem causa (falta de comprovação dos serviços tidos como prestados), embora a contribuinte não tenha discutido a qualificação na impugnação, sendo matéria de ordem pública, devese apreciar a matéria. A contribuinte argumenta, em síntese, que a imposição dessa multa se justifica somente quando provado o dolo específico. No caso, a contribuinte utilizouse de notas fiscais tidas como emitidas pelos prestadores de serviço, cuja efetividade da prestação de serviços e repasse dos recursos não foram comprovados. Tendo o sujeito passivo se utilizado de notas fiscais que não correspondem à realidade dos fatos, certo é que o dolo está caracterizado. Consequentemente, a multa de 150% deve ser mantida. Do exposto, oriento meu voto para rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento o IRRF relativo à infração de redução de saldo de caixa. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 705DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 13984.000076/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES.
São tributáveis na Declaração de Ajuste do titular os rendimentos recebidos por seus dependentes. De forma análoga, é permitida a dedução das despesas com os mesmos, desde que estas sejam devidamente demonstradas e comprovadas.
Numero da decisão: 2102-001.621
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR DEPENDENTES. São tributáveis na Declaração de Ajuste do titular os rendimentos recebidos por seus dependentes. De forma análoga, é permitida a dedução das despesas com os mesmos, desde que estas sejam devidamente demonstradas e comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 05/01/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03/06 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos totais de R$ 20.608,38 recebidos de pessoas jurídicas no Exercício 2005. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2, por meio da qual informou que já apresentara Solicitação de Revisão do Lançamento – SRL, a qual fora indeferida. Alegou que a inclusão dos seus filhos como dependentes só o prejudicaria, uma vez estaria desobrigado a declarar. Alega ainda que haveria falha no sistema, que puxa automaticamente os dependentes do ano anterior, e também o fato de ser leigo no assunto, e não conferiu item por item da relação salva de dependentes. Entende que tais argumentos são reforçados pelo fato de não ter relacionado despesas de INSS e muito menos com instrução. Afirma ainda que seus filhos tentaram apresentar suas declarações de isento, quando descobriram que haviam sido incluídos na sua, como dependentes. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em Florianópolis decidiram pela manutenção parcial do lançamento. Mantiveram a omissão apontada, mas reconheceram o direito do Recorrente de deduzir a contribuição previdenciária paga por seus filhos. Deixaram de considerar qualquer outra dedução pela falta de provas. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 27/28, por meio do qual alegou, verbis: De acordo com decisão da 5ª turma da DREFNS onde apresentou recurso e teve reconhecido a inclusão indevida e não por mi fé (para obter desconto no imposto de renda) dos dois filhos quando ao preencher sua declaração O automaticamente o sistema salvou os dois na nova declaração, foi de entendimento da turma de recurso que se incluído os rendimentos também teria direito aos descontos lançando despesas de INSS dos dependentes e esta turma de recurso alterou os valores de lançamento diminuindo assim o imposto, porém não era o objetivo do requerente, pois se assim fosse deveriam ser abatidos as despesas de faculdade dos dois filhos (dependentes) o que novamente levaria a novo calculo, porém o que o contribuinte quer e que seja retirado como requereu de inicio de sua declaração os dois filhos incluidos por erro, ou seja, o sistema salvou automático o que é uma falha, e seja considerado o fato de que os mesmos não são seus dependentes pois o declarante no ano discutido é isento considerando seus parcos recursos recebidos. Novamente vem o contribuinte apelar para que seja aceito seu recurso e que seja levado em conta o principio da economia, pois inconformado com a decisão e se por ventura novamente for negado seu direito ao pleito não restara outra alternativa senão questionar na Justiça tal decisão, o que acarretaria despesas tanto para o contribuinte como também para o erário Público, deseja também que considerado o fato de que o contribuinte não é devedor e muito pelo contrário e cumpridor de seus deveres Fl. 47DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 13984.000076/200735 Acórdão n.º 210201.621 S2C1T2 Fl. 39 3 pagando sempre seus impostos e portanto merecedor de consideração pretendida. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 19.11.2010, como atesta o AR de fls. 26. O Recurso Voluntário foi interposto em 16.12.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Tratase de lançamento por meio do qual foi imputada ao Recorrente a omissão de rendimentos auferidos por seus dois filhos, incluídos como dependentes em sua DIRPF 2005. Eis o entendimento da decisão recorrida no que diz respeito à omissão em si: Esclarecese, que como os filhos do contribuinte não apresentaram declaração em separado, ainda que não obrigados, a relação de dependência com o contribuinte configurouse por todo o anocalendário 2004, devendo os rendimentos por eles recebidos serem acrescidos aos rendimentos da contribuinte para fins de tributação. Assim, agiu com acerto a fiscalização em tributar os rendimentos recebidos pelos dependentes na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte. Quanto às deduções pleiteadas, foram elas negadas por falta de comprovação de seus valores, salvo quanto à contribuição previdenciária dos dependentes, verbis: Em sede de impugnação o interessado apresentou apenas os Comprovantes de Rendimentos dos dependentes, anexados aos autos às 1112, restando comprovado que faz jus a dedução da contribuição à Previdência Oficial dos seus dependentes, no montante de R$ 1.834,22. O Recorrente alega, em resumo, que foi “sistema” da Receita que salvou seus filhos como dependentes (da forma como foram declarados no ano anterior), e que esta não seria sua intenção, pois não pretendia declarar os filhos como dependentes no Exercício 2005 – como fizeram em relação a 2004. Alega que não pode ser penalizado por não ter feito a revisão dos dados de sua declaração e não ter percebido que os filhos lá constavam como seus dependentes. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 Com efeito, as informações prestadas por qualquer contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual são de sua inteira e exclusiva responsabilidade. Não pode um contribuinte se esquivar da obrigação tributária ao argumento de que prestou informações equivocadas em sua DIRPF, mormente porque sua alteração após o início da ação fiscal não produz os efeitos que lhe são usuais. É o que prevê o enunciado nº 33 da Súmula deste CARF, verbis: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Isto significa que a opção feita pelo contribuinte ao apresentar sua Declaração de Ajuste Anual – no sentido de incluir seus filhos como dependentes – acaba por se tornar definitiva, pois não poderá ser alterada após o lançamento de ofício (como ocorreu na hipótese em exame). Há que se ressaltar, inclusive, que apesar de os rendimentos recebidos por seus filhos terem sido somados aos seus e assim terem sido tributados, o Recorrente também se beneficiou com a dedução dos dois filhos como dependentes seus. Ademais, como bem salientado na decisão recorrida (cf. trecho acima transcrito), caberia ao Recorrente ter trazido aos autos a documentação comprobatória das despesas dedutíveis havidas por seus filhos (despesas médicas, escolares, etc.). Não tendo ele trazido estas provas, não há como incluir qualquer outra dedução na apuração do imposto, salvo aquelas já consideradas pela decisão recorrida. Pelas razões já expostas, não merece acolhida a pretensão principal do Recorrente, qual seja, a de excluir seus filhos como dependentes em sua declaração para que os mesmos apresentassem declaração em separado (considerando principalmente que eles não o fizeram). Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora Fl. 49DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 05/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
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