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Numero do processo: 35226.004260/2005-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 01/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF.
0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante IV 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212 de 1991.
Nesse sentido, como houve recolhimento parcial de contribuições,
encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, uma vez que só houve a constituição definitiva do credito em 17 de novembro de 2005, enquanto o crédito é referente a contribuições previdenciárias com
fatos geradores ocorridos de janeiro de 1995 a dezembro de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-000.812
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Marco Andre Ramos Vieira, Liege Lacroix Thomasi que entenderam pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Thiago D’Ávila Melo Fernandes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 01/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante IV 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212 de 1991. Nesse sentido, como houve recolhimento parcial de contribuições, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, uma vez que só houve a constituição definitiva do credito em 17 de novembro de 2005, enquanto o crédito é referente a contribuições previdenciárias com fatos geradores ocorridos de janeiro de 1995 a dezembro de 1998. Recurso Voluntário Provido.
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PRAZO DECADENC1AL. CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante IV 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n " 8.212 de 1991. Nesse sentido, como houve recolhimento parcial de contribuições, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4' do CTN, todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, urna vez que só houve a constituição definitiva do credito em 17 de novembro de 2005, enquanto o crédito é referente a contribuições previdencidrias com fatos geradores ocorridos de janeiro de 1995 a dezembro de 1998. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Camara / 2' Turma Ordinária da Se unda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos term do relatorio e voto que integram o presente julgado. Acompanharam pelas conclusões os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Marco Andre Ramos Vieira, Lie Lacroix Thomasi que entenderam pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN. 441.> ,„ ANE, ' • 7,S VIEIRA - Presidente. 6- THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo Costa e Silva, Thiago D'Avila Melo Fernandes e Marco André Ramos Vieira (presidente). Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 371/384) contra o Acórdão n° 08-12.239 emitido pela 5' Turma da DRJ-FORTALEZA/CE, de -fls. 358/363, que indeferiu a defesa administrativa apresentada pelo Contribuinte, julgando subsistente o lançamento tributário formulado. Corno demonstra o Relatório Fiscal de fls. 37/42, a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD — DEBCAD n° 35.796.148-0, lavrada pela fiscalização contra a Recorrente, refere-se a contribuições devidas A Seguridade Social relativa à parte patronal, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes de riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas a estagiários em desacordo a Lei n° 6.494/77, as quais totalizam um valor correspondente a R$ 73.044,14 (setenta e três mil e quarenta e quatro reais e quatorze centavos), consolidado em 17/11/2005, relativas As competências de janeiro de 01/1995 a 12/1998. Inconformada com a autuação, a Recorrente apresentou defesa tempestiva às fls. 346/352. A 5' Turma da DRJ em Fortaleza/CE emitiu o Acórdão n" 08-12.239 de fls. 358/363, julgando o lançamento PROCEDENTE, em todos os seus termos, vejamos: 08-12.239 EMENTA: NOTIFICA ÇÁO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ESTAGIÁRIOS. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Sobre as remunerações pagas ci estagiários em desacordo com a Lei que dispõe sobre os estágios de estudantes de estabelecimento de ensino superior e ensino profissionalizante do 2" Grau e Supletivo incidem contribuições previdenciárias. Period° de apuração: : 01/01/1995 a 31/12/1998 A écorrente se insurgiu contra o acórdão emitido pelo órgão administrativo, por meio de Recurs Voluntário residente As fls. 371/384 dos autos, alegando em síntese: 2 Processo n°35226.004260/2005-15 S2-C3T2 Acórdão n." 2302-00.812 Fl. 389 a) A decadência das contribuições lançadas através da presente NFLD, por força da decretação da inconstitucionalidade dos Arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal; b) Inexistência de vinculo empregaticio entre o Tribunal de Contas do Estado e os estagiários/mirins, que de ensejo a obrigação de recolhimento de contribuições previdencidrias; c) A inexistência de dispositivo na Lei n" 8.212/91 que inclua o estagiário como segurado obrigatório da Previdência Social, exceto nos casos de prestação de serviços em desacordo corn a Lei 6.494/77; d) Ausência de documentação que ateste a relação empregaticia entre os estagiários e o Tribunal de Contas do Estado; o sucinto relatório. Voto Conselheiro THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES, Relator 1. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Como se aduz da simples vista das fls. 368 dos autos, a Recorrente foi intimada do Acórdão em 13 de dezembro de 2007 e interpôs o Recurso no dia 10 de janeiro de 2008 (v. ils. 387). Sendo assim, atestada está a tempestividade do recurso interposto. Frente a tempestividade do recurso, dele tomo conhecimento atribuindo-lhe o efeito suspensivo da decisão de primeira instância, consoante determinação contida no art. 33 do Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Assim sendo, impõe-se a análise do presente Recurso Voluntário, corn relação às questões ventiladas, sendo vejamos. 2. DA QUESTÃO PRELIMINAR 2.1. DA DECADÊNCIA 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante n" 8, aprovada em sessão realizada em 12 de junho de 2008, re onheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, nos termos que se vos guem: 3 Súmula Vinculante le 8 - 'São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Alem disso, foi estatuído no art. 103-A da Constituição Federal, que as súmulas vinculantes são de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário, quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la de imediato. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sita publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, be m ? como proceder (i sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Seguindo o posicionamento consolidado na Suprema Corte, o legislativo federal revogou os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 por meio da Lei Complementar n° 128 de 19 de dezembro de 2008. Sendo assim, afastada por inconstitucionalidade a eficácia das nonnas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n 0 8.212 e posteriormente revogadas as suas disposições pela LC n° 128/2008, devem ser aplicadas as regras relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional - CTN e nas demais leis de regência. Uma vez que as contribuições previdencidrias são tributos sujeitos a lançamento por homologação, a Doutrina e a Jurisprudência pátrias são unânimes em preceituar que se aplica a regra do art. 150, § 4" do CTN (e não a do art. 173, I do mesmo diploma) para o cômputo da decadência, qual seja, prazo de 5 anos a contar da data do fato gerador, desde que tenha ocorrido algum pagamento antecipado (ainda que parcial): Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 0 antigo Conselho de Contribuintes e a Camara Superior de Recursos Fiscais possuem diversas decisões no sentido firmado neste voto. Nesse âmbito, podemos citar, a titulo exemplificativo, os seguintes julgamentos da CSRF: Processo 10980.010992/99-45, la Câmara, j. 15.10.2002, rel. Maria Goretti de Bulhões Carvalho; e Processo 10680.004198/2001-31, la Câmara, rel. Maria Goretti de Bulhões Carvalho, j. 16.02.2004. No mesmo sentido consolidou-se o posicionamento do STJ (v.g. REsp 1024092/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2008, DJe 04.09.2008). Traçadas essas premissas, e de bom alvitre salientar que a hipótese vertente trata de contribuições previ encidrias, tributos sujeitos a lançamento por homologação e que houve recolhimento par al de algumas contribuições, aplicando-se, portanto, a regra do art. 150, § 4" do CTN, pe,k qual o prazo decadencial de 5 anos deve ser computado a partir da ocorrência do fato ge ador dos tributos. 4 Nib 6 .-( Processo n°35226.004260/2005-15 S2-C3T2 Acórdilo n.° 2302-00.812 Fl. 390 Sendo assim, uma vez que os créditos referentes A presente autuação restaram consolidados apenas em 15 de dezembro de 2006, mas dizem respeito a contribuições destinadas A Previdência Social referentes As competências de janeiro de 1996 a dezembro de 1998, impõe-se a decretação da decadência TOTAL do débito, uma vez que transcorreram mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador dos tributos mencionados, nos termos do art. 150, § 4" do CTN. 3. CONCLUSÃO: Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência e DAR-LHE PROVIMENTO INTEGRAL, reconhecendo a caducidade de todas as contribuições previdencidrias objeto do lançamento fiscal, desconstituindo o lançamento tributário. É como voto. Sala das Sessões, em 09 de fevereiro de 2011 THIAGO D'AVILA MELO FERNANDES 5
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001924/2005-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Estando os atos administrativos precursores do lançamento revestidos de suas
formalidades essenciais não há que se falar em nulidade do procedimento
fiscal.
DCTF ENTREGUES DEPOIS DE INICIADO O PROCEDIMENTO
FISCAL. PRAZO DE SESSENTA DIAS. TRANSCURSO.
ESPONTANEIDADE. RETROATIVIDADE.
A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância
da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase
retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse
prazo. Havendo sido apresentadas DCTF no curso da ação fiscal,
consideramse
confessados os débitos declarados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-000.993
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Estando os atos administrativos precursores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. DCTF ENTREGUES DEPOIS DE INICIADO O PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO DE SESSENTA DIAS. TRANSCURSO. ESPONTANEIDADE. RETROATIVIDADE. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Havendo sido apresentadas DCTF no curso da ação fiscal, consideramse confessados os débitos declarados. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.001924/200579 Recurso nº 174.685 Voluntário Acórdão nº 330200.993 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria Cofins Recorrente RANGEL E FARIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Estando os atos administrativos precursores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. DCTF ENTREGUES DEPOIS DE INICIADO O PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO DE SESSENTA DIAS. TRANSCURSO. ESPONTANEIDADE. RETROATIVIDADE. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Havendo sido apresentadas DCTF no curso da ação fiscal, consideramse confessados os débitos declarados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.001924/200579 Acórdão n.º 330200.993 S3C3T2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 244 a 249) apresentado em 11 de setembro de 2008 contra o Acórdão no 1122.896, de 30 de junho de 2008, da 2ª Turma da DRJ/REC (fls. 227 a 236), cientificado em 11 de agosto de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 PARCELAMENTO. EXCLUSÕES. São excluídos do lançamento os valores de tributos que tenham sido objeto de pedido de parcelamento, anteriormente ao início do procedimento fiscal, bem como os pagamentos efetuados de forma espontânea. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE. DCTF ENTREGUES DEPOIS DE INICIADO O PROCEDIMENTO FISCAL. Excluise a espontaneidade da contribuinte quando as declarações obrigatórias (DCTF) são apresentadas após o início do procedimento fiscal, sob intimação, ficando a autuada, nestes casos, sujeita à multa de ofício. MULTA CONFISCATÓRIA. NÃO OCORRÊNCIA. O instituto do confisco, constitucionalmente posto, importa em prejuízos exorbitantes para toda a sociedade, não ocorre com infrações à legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo como imputar o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.001924/200579 Acórdão n.º 330200.993 S3C3T2 Fl. 3 3 caráter confiscatório à penalidade aplicada de conformidade com a legislação regente da espécie. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA. EFEITOS. Não havendo contestação expressa dos fatos apontados, pressupõese a concordância da impugnante em relação à parte não impugnada, o que implica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 08 de março de 2005, de acordo com o termo de fls. 13 a 15. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 2. Segundo a autoridade autuante, o procedimento fiscal é decorrente da Falta de Recolhimento da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, com base na DIPJ e DCTF. 3. Devidamente cientificada e inconformada, a contribuinte apresentou peça impugnatória (fl. 194/215), por seu procurador, instrumento procuratório anexo (fl. 220), e cópias de documentos (fls. 221/223), requerendo a improcedência do auto de infração, albergado nas seguintes razões de defesa: 3.1. inclusão dos débitos correspondentes ao ano de 2002 no PAES. Impossibilidade de autuação, em 05/08/2003, nos termos do art. 151, VI, do CTN, antes do início da ação fiscal, a Impugnante realizou confissão dos débitos existentes no Parcelamento Especial PAES, referente a todos os débitos do ano de 2002 e janeiro de 2003, encontrandose rigorosamente em dia em relação ao pagamento. Diante disso, é evidente a nulidade da presente autuação; 3.2. retorno à espontaneidade do contribuinte em virtude de haver sido ultrapassado o limite temporal de 60 dias para o fim da fiscalização, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/72, no art. 7º, § 2º. Ocorre que o Fiscal apenas efetuou a lavratura do auto de infração no dia 04.03.2005, mais de um ano após o início da fiscalização, em 19.02.2004; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.001924/200579 Acórdão n.º 330200.993 S3C3T2 Fl. 4 4 3.3. nesse diapasão, a Impugnante realizou, de forma espontânea, as declarações de todos os débitos apurados em 14.03.2005, referentes aos anos de 2002 e 2003, o que permitiria a exclusão da multa arbitrada pelo auditor; 3.4. créditos tributários declarados em DCTF e não recolhidos aos cofres públicos não podem ser objeto de lançamento de ofício, devendo ser encaminhados diretamente para cobrança executiva com inscrição em dívida ativa. Em completo desacordo com as instruções da própria RF, o fiscal autuante efetuou o lançamento sobre créditos tributários já declarados em DCTF, exigindo além disso, multa de ofício e juros de mora. Entendimento seguido pelo Conselho de Contribuintes e nossos Tribunais Superiores; 3.5. segundo a Nota Conjunta COSIT/COFIS/COSAR nº 535/97, a própria Receita Federal reconhece descaber o lançamento de ofício em relação aos créditos tributários já lançados em DCTF e determina, caso já efetuado o lançamento, que a autoridade preparadora elimine a eventual duplicidade de cobrança, suspendendose o registro no contacorrente, até que seja cancelada a exigência constante do processo; 3.6. calculando a cobrança de multa moratória e juros de mora, nos termos do disposto no art. 13 da Lei nº 9.065/95 e legislação da multa de mora, a ora Impugnante realizou a integral quitação do débito, através de Pedidos de Compensação de créditos federais, adimplindo completamente com a sua obrigação tributária, não havendo portanto, nada mais a ser recolhido; 3.7. antes da lavratura do auto de infração impugnado, a Defendente realizou a entrega das DCTF com os valores dos débitos existentes em seu nome perante a Receita Federal referente ao ano de 2003 e em seguida, em 11.01.2005, realizou a total quitação dos mesmos através dos seguintes Pedidos de Compensação. Portanto, não existe mais nenhuma obrigação a ser adimplida, em relação ao ano de 2003; 3.8. no caso presente, o contribuinte quitou todos os débitos antes da lavratura do auto de infração, o que impõe que seja concedida a redução de 50%, como consta na intimação, o que não foi analisado pelo autuante; 3.9. ilegalidade da aplicação da multa com caráter confiscatório e de aplicabilidade inconstitucional, requer que a multa aplicada seja reduzida ao percentual de 20%, a incidir sobre o valor do débito original; 3.10. caso não seja revogado o presente auto de infração, requer: • a exclusão dos valores correspondentes ao crédito tributário referente ao ano de 2002 e janeiro/2003, posto que, já se encontram inseridos no PAES, bem como a exclusão dos valores do ano de 2003 que foram devidamente quitados, antes da Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.001924/200579 Acórdão n.º 330200.993 S3C3T2 Fl. 5 5 lavratura do auto de infração, através de compensação de crédito tributário; • a exclusão do valor da multa de ofício, face à declaração espontânea da Impugnante, que se caracteriza como confissão do débito, impedindo a aplicação da multa. Caso não seja atendido, requer a redução de 50% da multa de ofício, consoante demonstrado ou a diminuição da citada multa por ter caráter confiscatório. Conforme ementa anteriormente reproduzida, a DRJ excluiu da autuação os valores parcelados relativos ao ano de 2002, pelas seguintes razões: Consultando o sistema PAES, telas anexas (fls. 225/226), verificase que, realmente o contribuinte solicitou pedido de parcelamento em 31/07/2003, que foi consolidado em 05/08/2003, antes do início do procedimento fiscal, em 19/02/2004, conforme Termo de início (fl. 17), referente ao ano de 2002, não tendo sido encontrado valor parcelado do mês janeiro/2003. Cumpre observar que a contribuinte solicitando parcelamento de débito relacionado ao presente lançamento, representa confissão de dívida, consoante § 5º do art. 11 da Lei nº 10.522/2002, e o fez de forma espontânea, devendo pois, serem os valores parcelados excluídos dos valores devidos, apurados no lançamento. Em 11 de setembro de 2008, a Interessada apresentou, no processo no 19647.015593/200805, a “manifestação de inconformidade” de fls. 244 a 249, dirigida ao presente processo e contra a decisão que indeferiu a impugnação. Segundo a Interessada, na ação fiscal existiriam atos que teriam ultrapassado o prazo de sessenta dias previsto no Decreto no 70.235, de 1972, razão pela qual teria recuperado a espontaneidade. Ademais, alegou que “não existe legislação vigente que exclua ou proíba um contribuinte .de quitar seus débitos através de compensação feita , pelo PER/Dcomp, mesmo esses débitos sendo apurados após um procedimento fiscal e auto de infração.” Dessa forma, os valores teriam sido quitados, sendo devida a multa de mora e não a de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No recurso apresentado, a Interessada pretende ser acatada a alegação de recuperação de espontaneidade e de quitação dos débitos. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.001924/200579 Acórdão n.º 330200.993 S3C3T2 Fl. 6 6 A primeira alegação, conforme explicado pela primeira instância, não se refere à hipótese de nulidade, uma vez que se o contribuinte houvesse recuperado a espontaneidade, o auto de infração seria improcedente e não nulo. Entretanto, para que houvesse a caracterização da recuperação da espontaneidade, após a expiração eventual do prazo de sessenta dias, a Interessada teria que agir, confessando o débito e efetuando o recolhimento, nos termos do art. 138 do CTN, antes de receber outro termo da fiscalização sobre a continuidade da ação fiscal. Alegou a Interessada, na impugnação, haver apresentado as DCTF e realizado a “total quitação” dos valores por meio de pedidos de compensação apresentados em 11 de maio de 2005. Nesse contexto, é importante esclarecer que a espontaneidade pode caracterizarse em dois níveis diferentes: para efeito do procedimento espontânea de confessar débitos e para o efeito do procedimento espontâneo de confessar e quitar os débitos. O disposto no art. 138 do CTN, como já esclarecido, referese a uma espontaneidade “total”, em que o contribuinte confessa a dívida e a quita imediatamente. Dessa forma, como já esclarecido, a apresentação de DCTF desacompanhada do pagamento não caracteriza tal nível de espontaneidade, uma vez que a multa de mora é devida no caso. Já a espontaneidade a que se refere o Decreto no 70.235, de 1972, diz respeito à possibilidade de o contribuinte confessar a dívida, independentemente do pagamento. Dessa forma, estando sob ação fiscal, não poderá apresentar DCTF, nem efetuar os pagamentos com os acréscimos próprios do recolhimento espontâneo. Portanto, o procedimento adotado pela Interessada, de primeiramente apresentar DCTF e posteriormente quitar os débitos, não caracteriza a denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, conforme entendimento pacífico do STJ, consolidado na Súmula no 360, abaixo reproduzida: Súmula 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Isso por que as compensações foram apresentadas em maio, posteriormente à lavratura do auto de infração, ao contrário do alegado pela Interessada. Segundo os documentos constantes dos autos, as declarações foram transmitidas em 28 de maio de 2004 (fls. 47, 48, 49 e 50), com saldo a pagar, após termo de reintimação de 13 de maio. Dessa forma, sob ação fiscal e com termo de intimação recentemente lavrado, a Interessada simplesmente apresentou DCTF declarando ao Fisco deverlhe valores que não foram pagos. Tal procedimento não representou denúncia espontânea. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.001924/200579 Acórdão n.º 330200.993 S3C3T2 Fl. 7 7 Também não representou, à época, ação espontânea para efeito do que dispõe o Decreto no 70.235, de 1972, uma vez que havia um termo lavrado recentemente. Entretanto, segundo a Interessada, o termo de 25 de novembro de 2004 (fl. 30 a 32) teria extrapolado o prazo de sessenta dias. Na realidade, o termo de fl. 30 é de devolução de documentos e o de fl. 31 é de intimação e ocorreu em 08 de setembro (fl. 32). O termo de fl. 34 foi de 25 de novembro. Portanto, transcorreu um prazo maior do que sessenta dias entre estes dois termos, o que leva a considerar se tal fato não implicaria o que se poderia chamar de “recuperação retroativa de espontaneidade”. Conforme o próprio entendimento da Administração, o transcurso de prazo maior do que sessenta dias implica “recuperação da espontaneidade”, o que implica a descaracterização do início do procedimento fiscal. Vale dizer, uma vez transcorrido o prazo, tudo se passa, daquele momento em diante, como se ainda não se houvesse iniciado a ação fiscal. Temse, portanto, que o próximo ato de ofício da autoridade fiscal representa o novo início do procedimento. Dessa forma, esse reinício da ação fiscal ocorre considerando se todos os atos praticados pelo sujeito passivo até então. No caso dos autos, a Interessada havia apresentado as DCTF, que passaram a representar confissão de dívida. Portanto, era incabível a lavratura do auto de infração. Entretanto, embora não se trate de matéria que faz parte do presente litígio, devese frisar, conforme entendimento do STJ já citado, que a multa de mora é devida, pelo fato de a Interessada ter efetuado as compensações posteriormente ao reinício do procedimento fiscal. E, de fato, não existe impedimento para apresentação de pedido ou declaração de compensação após o início da ação fiscal ou da lavratura do auto de infração. Dessa forma, voto por dar provimento ao recurso voluntário, em razão de ter sido lavrado auto de infração sobre débitos já anteriormente confessados por meio de DCTF. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.001924/200579 Acórdão n.º 330200.993 S3C3T2 Fl. 8 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 35308.000023/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/07/1999
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Fatos Geradores Recorrente EMUT EMPRESA MUNICIPAL DE TRANSPORTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/1999, 01/07/1999 a 31/07/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35308.000023/200648 Acórdão n.º 230200.823 S2C3T2 Fl. 76 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 01/1999 a 05/1999 e 07/1999, a remuneração dos segurados que exerciam a função de controladores de tráfego. O auto de infração foi lavrado e cientificado ao contribuinte em 11/10/2005. O autuado não apresentou defesa e DecisãoNotificação de fls. 45/47, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo arguindo o cerceamento de defesa por não ter sido informada qual a conduta infringida e a ausência de vínculo empregatício para os segurados nas competências de 06/1999 e 08/1999 a 05/2000. Por fim, requer o cancelamento da multa aplicada. A DRP ofereceu as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. Acórdão da 04ª CaJ do CRPS , fls. 67/68, converteu o julgamento em diligência para que fosse informado o desfecho das notificações conexas. O Fisco informa à fl.74, que as notificações estão em cobrança pela Procuradoria , uma vez que não houve nem apresentação de impugnação. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente é de se salientar que o auto de infração compreende as competências de 01/1999 a 05/1999 e 07/1999, não sendo procedentes as alegações da recorrente quanto ao período de 06/1999, 08/1999 a 05/2000, já que não fazem parte desta autuação. Como a lavratura do auto de infração se deu em 11/10/2005, deve ser examinada de ofício questão de ordem pública como a decadência. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35308.000023/200648 Acórdão n.º 230200.823 S2C3T2 Fl. 77 5 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, por se tratar de auto de infração, onde não há hipótese de recolhimento antecipado, aplicase o artigo 173, I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Pelo exposto, voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 26/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 19515.000706/2004-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de
transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário,
salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. PAGAMENTO.
Nos casos de Declaração de Ajuste Anual, apresentada em conjunto, o saldo de imposto a pagar ali apurado aproveita a ambos declarantes para fins de caracterização da antecipação do pagamento a que se reporta o art. 150, §4º, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.436
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. PAGAMENTO. Nos casos de Declaração de Ajuste Anual, apresentada em conjunto, o saldo de imposto a pagar ali apurado aproveita a ambos declarantes para fins de caracterização da antecipação do pagamento a que se reporta o art. 150, §4º, do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000706/200431 Acórdão n.º 210201.436 S2C1T2 Fl. 798 2 EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra JUSSARA GAUDIO COMAZZETTO foi lavrado Auto de Infração, fls. 641/645, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1998, exercício 1999, no valor total de R$ 618.317,34, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação, fls. 630/640, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 653/662, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1727.052, de 26/08/2008, fls. 666/686. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 10/11/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 693, a contribuinte apresentou, em 09/12/2008, recurso voluntário, fls. 694/790, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Nulidade do julgamento de primeira instância, em razão da decisão ter sido proferida sem que fosse obedecido o quorum mínimo estabelecido na legislação. Nulidade do lançamento em razão de irregularidades verificadas em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Prorrogação sem a devida comunicação ao contribuinte e abertura de novo MPF sob a responsabilidade do mesmo AuditorFiscal responsável pelo procedimento fiscal encerrado por decurso de prazo. Decadência – O crédito tributário exigido no Auto de Infração já se encontrava alcançado pela decadência na data do lançamento. Afirma que houve pagamento, conforme apurado na DAA apresentada em conjunto com o cônjuge. Irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000706/200431 Acórdão n.º 210201.436 S2C1T2 Fl. 799 3 Para efeito de IRPF, não havendo renda que demonstre de maneira insofismável acréscimo patrimonial, não há que se instituir ou pretender a cobrança do imposto. Os depósitos bancários realizados em contacorrente da recorrente tratamse de créditos de terceiros (propriedade), posto que seu cônjuge, o Sr. João Luiz Garcia Comazzetto, como administrador regularmente inscrito no Conselho Regional de Administração de São Paulo sob n° 11.458, presta serviços e realiza a intermediação de negócios, conforme documentos coligidos aos autos. Requer a realização de diligência, no sentido de apurar e se validar a movimentação bancária dos créditos de terceiros, comprovandose o seu destino final. Faz a indicação de perito. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000706/200431 Acórdão n.º 210201.436 S2C1T2 Fl. 800 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de Auto de Infração que imputa à contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujos fatos geradores ocorrem no anocalendário 1998, exercício 1999. No recurso, a contribuinte argúi que, na data do lançamento, o crédito tributário exigido no Auto de Infração já estaria alcançado pelo instituto da decadência, acrescentado que, no caso, a contagem do prazo decadencial se dá nos moldes do disposto no art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Para a análise da questão, devese observar o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000706/200431 Acórdão n.º 210201.436 S2C1T2 Fl. 801 5 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, a contribuinte argúi que houve o pagamento antecipado, dado que na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 1999, anocalendário 1998, apresentada em conjunto com seu cônjuge, apurouse saldo de imposto a pagar. De fato, observase da DAA, fls. 52/55, que o contribuinte João Luiz Garcia Comazzetto, cônjuge da contribuinte, informou os bens e direitos de propriedade da recorrente e a indicou como sua dependente. Portanto, temse que a mencionada DAA foi apresentada em conjunto, a despeito de o cônjuge da recorrente ter deixado de assinalar a quadrícula denominada “declaração em conjunto”. Temse, portanto, na DAA dois declarantes. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.000706/200431 Acórdão n.º 210201.436 S2C1T2 Fl. 802 6 Pois muito bem. Na referida DAA apurouse saldo de imposto a pagar no valor de R$ 6.341,09, decorrente dos rendimentos recebidos de pessoas físicas oferecidos à tributação. Destaquese que não se pode afirmar que tais rendimentos foram recebidos pelo marido ou pela mulher. Assim, a conclusão que se impõe é de que, tratandose de DAA em conjunto, o imposto ali apurado aproveita a qualquer dos dois, de sorte que ocorreu a antecipação do pagamento. Devese, portanto, aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no art. 150, § 4º, do CTN, conforme entendimento acima transcrito. Tratase de fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 1998 que somente se completaram em 31/12/1998, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2003. Como a contribuinte somente foi cientificada do Auto de Infração em 29/04/2004, Aviso de Recebimento (AR), fls. 647, temse que o crédito tributário exigido no Auto de Infração se encontrava fulminado pelo instituto da decadência na data do lançamento. Nessa conformidade, tornase desnecessária a análise das demais argumentações apresentadas pela contribuinte no recurso. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10070.000155/2004-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa: IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de rendimentos os pagamentos efetuados a médicos dentistas, psicólogos e outros profissionais de saúde. Comprovado o pagamento, como documentos hábeis e idôneos, admite-se
a dedução da despesa.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.000
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução, como despesa médica, de R$ 1.449,00. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de rendimentos os pagamentos efetuados a médicos dentistas, psicólogos e outros profissionais de saúde. Comprovado o pagamento, como documentos hábeis e idôneos, admitese a dedução da despesa. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução, como despesa médica, de R$ 1.449,00. Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 18/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França Fl. 51DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório EUNICE SANTOS FERREIRA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRIO DE JANEIRO/RJ II (fls. 15) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 02/03, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2003, anocalendário 2002, no valor de R$ 830,07, tendo sido alterado o resultado apurado na declaração de R$ 99,62 para R$ 929,69. Foi glosado o valor declarado como despesa com instrução (R$ 5.533,79), alterandose o imposto devido de R$ 804,13 para R$ 1.634,20, que subtraído do imposto retido na fonte, resultou no saldo de imposto a pagar de R$ 929,69. A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual afirmou que o valor de R$ 5.533,79, declarado como despesa de instrução, referese a despesas médicas, “conforme lançamento no quadro 7 (sete) do formulário IRRF...”. A DRJRIO DE JANEIRO/RJ II julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que a Contribuinte não comprovou que o valor lançado com despesas de instrução referemse, de fato, a despesas médicas, apesar de reconhecer que, como alegado, na relação dos pagamentos e doações efetuados os valores estão informados nos códigos 03 e 04. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 22/01/2008 (fls. 18v) e, em 20/02/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 20 no qual reafirma a alegação da impugnação e que, quanto à comprovação das despesas médicas, não mais tem os recibos originais, dos quais se desfez após cinco anos da entrega da declaração; que apresenta algumas cópias, do “que foi possível conseguir”. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, a matéria em discussão referese à comprovação de valores deduzidos na DIRPF/2003 como despesas com instrução. A Recorrente afirma que os valores referemse, de fato, a despesas médicas. Examinando o quadro 7 – Pagamentos e Doações Efetuados, da DIRPF/2003 da Contribuinte verificase que, de fato, foram informados nos códigos 03 e 04, que se referem a despesas médicas, pagamentos em valor igual a 5.533,79, que é o mesmo valor deduzido como despesa com instrução. Portanto, é lícito concluir que houve erro de fato e que, realmente, os valores referemse a despesas médicas. Resta, portanto, verificar a comprovação da despesa médica. Sob a alegação de que não dispõe mais dos documentos originais a Recorrente apresenta apenas alguns Fl. 52DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10070.000155/200416 Acórdão n.º 220101.000 S2C2T1 Fl. 2 3 documentos, que não são os originais. Afirma que se desfez dos documentos após cinco anos e que não foi intimada a apresentálos e, portanto, não se sentiu no dever de conservar os tais documentos em sua guarda. A alegação não procede porque, se é verdade que, em regra, os documentos comprobatórios dos valores declarados só devem ser guardados por 05 anos, que é o período no qual o Fisco poder proceder à revisão da declaração, havendo processo fiscal em curso, é dever do contribuinte comprovar os fatos alegados e, portanto, a Recorrente, neste caso, deveria ter apresentado os tais documentos já na impugnação. Dito isto, podese concluir, de plano, que não há como admitir a dedução em relação às despesas para as quais não foram apresentados documentos comprobatórios. Passo a examinar os documentos, então, os documentos. Pois bem, às fls. 22 consta declaração, emitida por Adelmir Soares Barreto (psicólogo), informando que recebeu da ora Recorrente, no ano de 2002, R$ 600,00 referente a tratamento psicológico da dependente Paula Santos Ferreira. Verificase que o valor do recibo e o CPF do declarante coincidem com o que foi informado na DIRPF. Portanto, acato o documento como prova da despesa. Às fls. 23 consta declaração de Paulo Roberto Chaves Ferreira atestando que recebeu da ora Recorrente R$ 2.394,11 referente a reembolso de valor que este teria pago (descontado no contracheque) referente a plano de saúde de suas filhas. O que se extrai do teor da declaração é que o Declarante pagou o plano de saúde, mas não comprova que a ora Recorrente arcou com o ônus deste pagamento. Neste ponto, a declaração referese a acordo particular o que não se presta para comprovar a alegação. Não há como acolher, portanto, esta dedução. Às fls. 27/26 a Recorrente apresenta cópias de contracheques nos quais estariam descontados, em cada um, valores que, segundo anotação feita no primeiro deles, referirseiam a plano de assistência médica dos servidores públicos do Rio de Janeiro. Ocorre que não há comprovação de que estes valores realmente referemse a pagamentos de tal plano bem como não é possível se identificar, a partir destes elementos, que se trata dos mesmos valores informados na declaração. Portanto, também não há como acolher a referida dedução. Às fls. 37 e 38 constam cópias de dois recibos, nos valores de R$ 180,00 e R$ 319,00, que teriam sido emitidos por Adriana Ribeiro Souza (odontóloga). Observo que o valor correspondente à soma dos dois recibos coincide, com pequena diferença de R$ 1,00, com o valor declarado, bem como coincide o CPF da declarante. Assim, penso que deve ser considerada comprovada a despesa no valor de R$ 419,00. Da mesma forma, às fls. 39 a 42 constam cópias de 03 recibos, que totalizam 350,00, emitidos por Napoleão Teixeira Leão Júnior (médico) referente a tratamentos da própria recorrente e de sua filha. Pelo mesmo critério acima, devese considerar comprovada a despesa. Finalmente, às fls. 43 e 44 contam duas cópias de notas fiscais emitidas por MAMMA CLÍNICA MÉDICA S/C LTDA., ambas nos valores de R$ 40,00. Ocorre que nada foi informado na DIRPF referente a pagamento à tal Clínica, conforme CPF e CNPJ informados. Portanto, não há como acolher a dedução. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Assim, em conclusão, considerado os documentos apresentados pela Recorrente e, com base nas considerações acima, penso que deve ser restabelecida parcialmente a dedução, como despesa médica, no valor de R$ 1.449,00. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução, como despesa médica, de R$ 1.449,00. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 54DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 31/03/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000220/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2005
DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
Numero da decisão: 2301-001.969
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN as
contribuições apuradas até a competência 02/2001, anteriores a 03/2001, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em aplicar a regra decadencial por rubrica lançada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela
Recorrente, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2005 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN as contribuições apuradas até a competência 02/2001, anteriores a 03/2001, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em aplicar a regra decadencial por rubrica lançada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/12/2005 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN as contribuições apuradas até a competência 02/2001, anteriores a 03/2001, nos termos do voto do Redator designado. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em aplicar a regra decadencial por rubrica lançada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10552.000220/200725 Acórdão n.º 230101.969 S2C3T1 Fl. 622 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à do contribuinte individual, à da empresa, incidente sobre a remuneração dos segurados a seu serviço, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls.142 a 147), o fato gerador da contribuição lançada é: a) pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais, não incluídos em folha de pagamento, apurados na contabilidade (levantamento CTB); b) pagamentos de aluguéis, condomínios, impostos, clubes, seguros de veículos próprios, passagens e hospedagens para familiares, entre outros, efetuados a segurados contribuintes individuais (sócios gerentes) e não incluídos em folha de pagamento, apurados na contabilidade, considerados salários indiretos pela fiscalização (levantamento CTS); c) pagamentos feitos aos sócios, incluídos em folha (levantamento FP1); d) pagamentos efetuados por meio da folha de pagamento da diretoria, incluindo o Sr. Moacir Puertas (levantamento FP3); e) pagamentos efetuados a Calixto Nicolas Armas Pfirter, não incluídos em folhas de pagamentos, extraídos da contabilidade e referentes a aluguéis, compra de bens, honorários, condomínios, impostos, despesas com seguros de veículos próprios, passagens e hospedagens para familiares e despesas diversas (levantamento RD1); f) pagamentos efetuados a Moacyr Negro Puerta, não incluídos em folhas de pagamentos, extraídos da contabilidade e referentes a aluguéis, compra de bens, honorários, condomínios, impostos, despesas com seguros de veículos próprios, passagens e hospedagens para familiares e despesas diversas (levantamento RD2); g) pagamentos efetuados a Luís Ruperto Jimenez Vargas, não incluídos em folhas de pagamentos, extraídos da contabilidade e referentes a aluguéis, compra de bens, honorários, condomínios, impostos, telefone, luz, lubrificante, despesas diversas (levantamento RD4); h) pagamentos de remunerações nas folhas de pagamentos a empregados da empresa a título de salários com recolhimentos das contribuições previdenciárias em montante menor do que o devido, nos meses de dez/1999, abr/2000, abr/2001 e set/2001, relativo ao estabelecimento /000357 (levantamento FP2); A autoridade informa que a empresa pagou remuneração para o diretor Moacir Puerta, no período de Agosto/99 a Dezembro/02, e efetuou os recolhimentos ao INSS com a alíquota de 15% sobre as remunerações pagas, sendo que, por não estar esse diretor Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 designado em contrato ou ato paralelo para administrar a sociedade, ele foi considerado segurado empregado pela fiscalização, para efeito de recolhimentos das contribuições previdenciárias. A recorrente impugnou o débito e a Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 12.774, da 8a Turma da DRJ/POA (fls. 564 a 573), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (579), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, alega inexigibilidade do depósito prévio e informa que efetuou o pagamento parcial das contribuições lançadas por meio dos levantamentos CTB (competências 05/1999, 09/1999 e 04/2003), F1 (competências 08/2002, 04/2003 e 05/2003), FP3 (competências 04/2001 a 12/2002) e FP2 (comp. 01/2002). Em preliminar, alega decadência relativamente às contribuições lançadas em competências compreendidas no período de 01/1999 a 03/2001, e que é inaplicável a taxa SELIC como taxa de juros dos créditos previdenciários. No mérito, tenta demonstrar que o pagamento pela empresa de aluguel da sua diretoria não consiste em remuneração indireta, posto que a moradia foi fornecida para o sócio dirigente como forma de possibilitar a prestação do serviço, visto a sua transferência de local distante. Sustenta que, com fundamento no art. 28, §. 9o , letra "m", da Lei 8212/91, não integram o salário de contribuição os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante de sua residência, sendo este o caso da empresa autuada. Destaca que, neste particular, a defesa apresentada se fundamenta no §. 9o , letra "m", do artigo 28, assim compreendido os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, e não na alínea "g" de Ajuda de Custo, invocada pela Turma Julgadora para impor a procedência do lançamento. Traz o conceito de despesas operacionais para reforçar seu inconformismo com a cobrança de contribuições sobre as despesas efetuadas com o pagamento de impostos, despesas indedutíveis, despesas com clube, seguro de veículos, passagens e hospedagens para si e familiares, argumentando que tais despesas, em verdade, constituem despesas operacionais, não se confundindo, pois, com o prólabore dos sócios dirigentes ou remuneração dos diretores. Discorre sobre cada despesa tentando demonstrar a improcedência do lançamento, alegando que não incide contribuição previdenciária sobre pagamento de impostos ou sobre as despesas indedutíveis, por serem despesas operacionais, com caráter de ressarcimento, e nem sobre despesas de clube, pelo seu nítido caráter de verba de representação. Em relação às despesas com Seguro de Veículo Próprio, entende que restou comprovado, pelos documentos juntados, que tratase de despesas para o uso profissional, já que os seguros pagos dizem respeito a veículos da Recorrente, e não de uso próprio, conforme referido pelo Fiscal, o que restou demonstramos através da Relação dos Veículos do Grupo Dana Brasil e Relação de Bens do Sistema de Imobilizados, e não considerado pela Turma Julgadora, além de também possuírem natureza de despesa operacional, que consiste numa verba de representação para os sócios. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10552.000220/200725 Acórdão n.º 230101.969 S2C3T1 Fl. 623 5 Assevera que não há como considerar como base de contribuição as passagens aéreas pagas de seus dirigentes Hugo Ferreira e Paulo Born e para familiares dos mesmos, já que não integram a remuneração os valores correspondentes aos transportes, conforme alínea “m”, do § 9, do art. 28, da Lei previdenciária. Argumenta que os valores pagos aos sócios e diretores não se enquadram no conceito de ganhos habituais, mormente porque além de estarem amparados no próprio par. 9o, do art. 28, alínea "m", "r" e "s" da Lei 8.212/91, contêm natureza de ressarcimento pelo trabalho e não para o trabalho. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Preliminarmente, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10552.000220/200725 Acórdão n.º 230101.969 S2C3T1 Fl. 624 7 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. A NFLD foi consolidada em 30/03/2006, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 31/03/2006, conforme fl. 01, do processo. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 Constatase que, por qualquer regra do CTN, o levantamento RD4 encontra se totalmente decadente. Verificase que houve recolhimento antecipado das contribuições lançadas por meio dos levantamentos FP1, FP2 e FP3, pois tratase de diferença de contribuições, confessadas por meio de GFIP e não recolhidas em época própria. Dessa forma, para esses levantamentos aplicase a regra prevista no § 4º do art. 150 do CTN, citado acima, estando decadente as contribuições lançadas de 01/99 a 02/2001. Os levantamentos relativos a remuneração indireta, para os quais não houve recolhimento antecipado, já que a empresa não considerava tais valores como remuneração, ou os relativos a pagamentos de contribuintes individuais, que a empresa reconhece que deixou de recolher a contribuição devida, verificase que não houve adiantamento do tributo, tratandose, portanto, de lançamento de ofício, caso em que se aplica o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Em que pese o entendimento desta Conselheira de que, para a competência 12/2000, o tributo poderia ter sido recolhido em 01/2001, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2002, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima, deixo de aplicálo tendo em vista o disposto no art. 62A, do Regimento deste CARF, que obriga a todos os Conselheiros reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ, julgados na sistemática do art. 543C.. Dessa forma, considerando o exposto acima, para os levantamentos CTB, CTS, RD1 e RD2, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados até a competência 12/2000, inclusive. Portanto, reconheço a decadência de parte do débito, nos termos expostos acima. A recorrente insurgese, ainda, contra aplicação da taxa Selic. Porém, tal matéria já é objeto de súmula do Conselho Pleno do CSRF : Súmula nº 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. È oportuno lembrar que as súmulas do Pleno do CSRF são de observância obrigatória pelos membros do CARF, conforme estabelecido no artigo 72, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10552.000220/200725 Acórdão n.º 230101.969 S2C3T1 Fl. 625 9 No mérito, a recorrente tenta demonstrar que o pagamento pela empresa das despesas de seus diretores, como aluguel, condomínios, impostos, clubes, seguros de veículos próprios, passagens e hospedagens para familiares, entre outros, não possui caráter remuneratório. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 incisos I e III da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades...” e “a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) O § 2º, do art. 458, da CLT, assim dispõe sobre os salário pagos “in natura”: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado....”. Não resta dúvida de que nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza “remuneração indireta” e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salárioutilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Na doutrina, há várias correntes; porém, a de maior aplicação dispõe que a regra geral é, se o trabalhador paga pela utilidade, essa não constitui remuneração. Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio ou for fornecida gratuitamente, então integrará a remuneração para todos os efeitos legais. A CF menciona “os ganhos habituais”, ou seja, todos os ganhos de cunho remuneratório, sejam eles em dinheiro ou utilidades. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do segurado ao não precisar custear a sua própria moradia, seguros de seus automóveis, clubes, passagens e hospedagens de seus familiares etc. Além do mais, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. Mesmo as parcelas não integrantes, como alimentação e transporte, devem ser fornecidas de acordo com a legislação que as instituiu; caso contrário, integrarão o salário decontribuição. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 No presente caso, não resta dúvida que os valores despendidos pela empresa para custear as despesas dos segurados apontados pela fiscalização não estão incluídas nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. A recorrente alega que o pagamento pela empresa de aluguel da sua diretoria não consiste em remuneração indireta, posto que a moradia foi fornecida para o sóciodirigente como forma de possibilitar a prestação do serviço, visto a sua transferência de local distante, e fundamenta o seu entendimento no art. 28, §. 9o , letra "m", da Lei 8212/91, Contudo, a alínea “m”, do citado § 9º, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, exclui do salário de contribuição apenas a habitação fornecida pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência. Ora, a própria recorrente afirma que o segurado foi transferido para o Brasil. Portanto, no momento da ocorrência do fato gerador, a residência do diretor era no local para onde se deu a transferência. Observase, também, que os documentos que a empresa alega que comprovam a transferência dos diretores é de 05/01/99 (fls. 258), e o débito se refere ao período de 12/00 a 12/05, considerando a decadência prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Ou seja, quase seis anos após as suas transferências, os segurados continuavam recebendo auxílio para trabalhar em localidade distante de sua residência. Contudo, entendo que, no período objeto do lançamento, a residência dos segurados já não era mais distante do local de seu trabalho, e o pagamento das suas despesas com moradia pela empresa constitui fato gerador da contribuição previdenciária, devendo o valor correspondente integrar a base de cálculo da contribuição social. A recorrente não se conforma com a cobrança de contribuições sobre as despesas efetuadas com o pagamento de impostos, despesas indedutíveis, despesas com clube, seguro de veículos, passagens e hospedagens para si e familiares, argumentando que tais despesas, em verdade, constituem despesas operacionais, não se confundindo, pois, com o pró labore dos sócios dirigentes ou remuneração dos diretores. Entende que não incide contribuição previdenciária sobre pagamento de impostos ou sobre as despesas indedutíveis, por serem despesas operacionais, com caráter de ressarcimento, e nem sobre despesas de clube, pelo seu nítido caráter de verba de representação. Todavia, esse entendimento não possui amparo legal já que a empresa não comprovou, nos autos, que se trata de ressarcimento. Dessa forma, o valor relativo ao custeio pela empresa, em favor de seus dirigentes, das despesas enumeradas acima, integra o salário de contribuição pelo fato de essas despesas não estarem incluídas nas hipóteses legais de isenção previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Em relação às despesas com Seguro de Veículo Próprio, a notificada entende que restou comprovado, por meio da Relação dos Veículos do Grupo Dana Brasil e Relação de Bens do Sistema de Imobilizados juntados, que tratase de despesas para o uso profissional, já que os seguros pagos dizem respeito a veículos da Recorrente, e não de uso próprio, conforme referido pelo Fiscal. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10552.000220/200725 Acórdão n.º 230101.969 S2C3T1 Fl. 626 11 Entretanto, como bem esclarecido pelo Relator do Acórdão recorrido, os documentos trazidos pela recorrente são informativos produzidos por ela própria. A empresa não apresentou os Certificados de Propriedade de Veículos ou declarações de imposto de renda para provar o alegado. Assim, ao constatar o pagamento dos seguros dos veículos próprios, a fiscalização lançou a contribuição devida, incidente sobre o valor correspondente, tendo em vista que a empresa não demonstrou que se tratavam de veículos de propriedade da empresa, e não dos seus diretores. A recorrente sustenta que não há como considerar como base de contribuição as passagens aéreas pagas de seus dirigentes Hugo Ferreira e Paulo Born e para familiares dos mesmos, já que não integram a remuneração os valores correspondentes aos transportes, conforme alínea “m”, do § 9, do art. 28, da Lei previdenciária. Contudo, o citado dispositivo legal exclui da base de cálculo da contribuição o transporte fornecido pela empresa a seu empregado, o que não é o caso em tela, já que restou consignado, no Relatório Fiscal, que as contribuições lançadas se referem a pagamento de hospedagem e transporte aos familiares dos diretores. A notificada argumenta que os valores pagos aos sócios e diretores não se enquadram no conceito de ganhos habituais, mormente porque além de estarem amparados no próprio par. 9o, do art. 28, alínea "m", "r" e "s" da Lei 8.212/91, contêm natureza de ressarcimento pelo trabalho e não para o trabalho. Mais uma vez a recorrente se limita a alegar, sem comprovar por meio de documentos. A alínea “r”, citada, exclui do salário de contribuição o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços, e a alínea “s” exclui o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado. A empresa em nenhum momento comprova que as despesas seriam para ressarcir ou corresponderiam a gastos com vestuários ou equipamentos utilizados no local do trabalho e para a prestação de serviços. Resta claro, portanto, que o custeio dessas despesas dos segurados pela empresa não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso, e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para acatar parcialmente a preliminar de decadência e excluir do lançamento os valores correspondentes ao período de 01/1999 a 11/2000, inclusive, para os levantamentos CTB, CTS, RD1, RD2 e RD4, e ao período de 01/1999 a 02/2001, para os levantamentos FP1, FP2 e FP3. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Marcelo Oliveira Redator designado Com todo respeito ao trabalho da nobre Relatora, discordo de seu voto no que tange à decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10552.000220/200725 Acórdão n.º 230101.969 S2C3T1 Fl. 627 13 Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. No período do lançamento, que importa para a definição de qual regra utilizar, foram considerados recolhimentos a homologar, fls. 0126 a 0127. O lançamento por homologação implica pagamento pelo sujeito passivo antes de qualquer atividade ou notificação por parte da fazenda (pagamento antecipado). Feito esse pagamento, compete à Administração homologálo ou recusar a homologação. No caso de recusa da homologação, o Fisco deverá lançar, de ofício, como no presente processo, a diferença correspondente ao tributo que deixou de ser pago antecipadamente e os juros e penalidades cabíveis. Esse lançamento de ofício está expressamente determinado no Código Tributário Nacional (CTN): CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I. quando a lei assim o determine; Lei 8.212/1991: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Existe a possibilidade da Fazenda não se manifestar prontamente quanto ao pagamento efetuado antecipadamente pelo sujeito passivo. Este, evidentemente, não poderia Fl. 13DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 permanecer indefinidamente à mercê da potencial manifestação do Fisco. Por isso, o CTN estabelece que, salvo prazo diverso previsto em lei, considerase feita a homologação e definitivamente extinto o crédito em cinco anos, contados do fato gerador. Esta extinção do crédito pela inércia da fazenda é denominada homologação tácita e sua principal conseqüência é impossibilitar a fazenda de rever de ofício o pagamento feito pelo sujeito passivo. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Essa definição, sobre a aplicação da regara decadencial acima, possui amparo em decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Vemos, portanto, que, no caso do lançamento por homologação, não ocorre exatamente decadência do direito de realizar essa modalidade de lançamento. O que ocorre é a extinção definitiva do crédito pelo instituto da homologação tácita a qual tem como conseqüência indireta a extinção do direito de rever de ofício o lançamento. Em síntese, a homologação tácita acarreta a decadência do direito da Fazenda realizar o lançamento de ofício Fl. 14DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 10552.000220/200725 Acórdão n.º 230101.969 S2C3T1 Fl. 628 15 relativo à diferença de eventual tributo que tenha deixado de ser pago e aos acréscimos legais a essa diferença. No presente processo, há apuração de contribuições no período compreendido entre as competências 01/1999 a 12/2005, e o lançamento foi efetuado em 03/2006. Portanto, devem ser excluídas do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2001, anteriores a 03/2001, pois os recolhimentos que ocorreram nessas competências já estão homologados, segundo a legislação citada acima. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, acato, parcialmente, a preliminar, para, devido a regra decadencial aplicada, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2001, anteriores a 03/2001, na forma do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Fl. 15DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/08/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Numero do processo: 10245.900335/2009-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 31/12/2004
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO.
Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação.
Decisão Anulada
Numero da decisão: 1101-000.556
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
ANULAR a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 31/12/2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. Nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade, a omissão relativa à alegação de retificação da DIPJ antes da entrega de Declaração de Compensação. Decisão Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 63 2 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 01573.49697.110906.1.7.040101, na qual foi utilizado crédito de R$ 281,28, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 31/01/2005 e relativo à apuração de 31/12/2004. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 31/12/2004. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 32/34) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 64 3 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 41 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 42/55 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 65 4 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 66 5 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 67 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, a apuração de CSLL em valor inferior à soma dos três recolhimentos de R$ 12.603,61, dos quais o primeiro foi confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 01573.49697.110906.1.7.04 0101. Embora não tenha juntado à sua defesa cópia da referida DIPJ, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou da declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1288756, a apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 36.278,39, bem como que três recolhimentos foram efetuados no valor de R$ 12.603,61, sendo a 2a e a 3a quotas acrescidas de juros e registradas sob nos 4039738352 e 4039978942. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor total de R$ 1.532,44. Contudo, na análise das demais compensações promovidas pela contribuinte com créditos de mesma natureza, observouse que este indébito já foi integralmente consumido na DCOMP nº 22134.27941.290906.1.7.041771 (processo administrativo nº 10245.900219/200938), retificadora de declaração originalmente apresentada em 15/08/2005. Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 68 7 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Nas demais compensações de créditos de IRPJ e CSLL, cujas informações coletadas junto aos sistemas da Receita Federal confirmaram as alegações da recorrente, esta Relatora assim se manifestou: Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 69 8 Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 70 9 dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 71 10 Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 72 11 DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 73 12 Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Aqui porém, os fatos alegados pela recorrente não autorizam a homologação da compensação declarada originalmente em 30/11/2005, na medida em que o indébito de CSLL, evidenciado no recolhimento de R$ 12.603,61, relativo ao fato gerador de 31/12/2004, já foi integralmente consumido em compensação anterior, objeto da DCOMP nº 22134.27941.290906.1.7.041771 (processo administrativo nº 10245.900219/200938), originalmente apresentada em 15/08/2005. Por estas razões, não sendo possível aplicar o art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, adotase, aqui, os fundamentos de decidir do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, antes transcritos, de modo que o presente voto é, também, por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900335/200957 Acórdão n.º 110100.556 S1C1T1 Fl. 74 13 Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10865.000395/2004-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 75%.
A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.219
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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PERCENTUAL DE 75%. A multa aplicável no lançamento de ofício prevista na legislação tributária é de 75%, por descumprimento à obrigação principal instituída em norma legal. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Fl. 177DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10865.000395/200466 Acórdão n.º 210201.219 S2C1T2 Fl. 173 2 Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 25/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra VINICIUS ANTONIO PELISSARI PONCIO foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 34.801,41, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação de Irregularidade, fls. 90/91, foram: (i ) omissão de rendimentos percebidos nos autos do processo de Reclamação Trabalhista nº 537/91, da Vara do Trabalho de Araras (SP), por conta de valores atribuídos a Valdi Antonio Pôncio (genitor do contribuinte, falecido em 13/05/1997, fls. 31/32), já deduzidos os honorários advocatícios (Nov/99 – R$ 50.698,26 e Dez/99 – R$ 9.475,91) e (ii) pensão civil (12 meses de R$ 613,83). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 97/111, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.138, de 08/12/2008, fls. 122/130, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 06/01/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 131, o contribuinte apresentou, em 30/01/2009, recurso voluntário, fls. 132/170, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Decadência mensal. Art. 42, § 1º da Lei nº 9.430/96 – O art. 42, § 1º, da Lei nº 9430/96 é incisivo ao dispor que o “valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira”. Portanto, dúvida não resta que o fato gerador do Imposto sobre a renda de pessoa física para fins de tributação quando da existência de omissão de rendimentos lançada por presunção com base em extratos bancários será o mês em que houver o crédito pela instituição financeira. Assim, os períodos entre 31/01/1999 a 30/04/1999 estão decaídos. Obtenção de prova ilícita por ofensa aos princípios constitucionais da irretroatividade e do sigilo – O art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, bastando Fl. 178DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10865.000395/200466 Acórdão n.º 210201.219 S2C1T2 Fl. 174 3 a vontade do agente público, ainda que motivada e fundamentada, vai de encontro com o posicionamento atual do Supremo Tribunal Federal, razão pela qual não pode ser admitido em nosso ordenamento jurídico, sob pena de violar o artigo 59, incisos X e XII, da Constituição da República. Somente a apuração de crimes justifica o afastamento, por ordem judicial, do sigilo bancário. A presunção adotada no auto de infração O auto de infração encontrase fundamentado tãosomente em mera presunção, eis que, simplesmente, parte de meros extratos bancários. Do direito A tributação se dá por fato concreto. A aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica a que se reporta o artigo 43 do Código Tributário Nacional, deve ser efetiva, plenamente demonstrada pela fiscalização. Não há margem jurídica para a tributação em mera presunção. Das multas aplicadas As multas aplicadas, no auto de infração, ofendem aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5º, inciso LIV) e da proibição do confisco (art. 150, inciso IV), previstos na Constituição Federal. Dos juros – A incidência da taxa Selic sobre o suposto débito apontado no auto também não encontra respaldo jurídico. É o Relatório. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10865.000395/200466 Acórdão n.º 210201.219 S2C1T2 Fl. 175 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, vale observar que o lançamento cuida de omissão de rendimentos percebidos em razão de processo de Reclamação Trabalhista nº 537/91, da Vara do Trabalho de Araras (SP), impetrada pelo genitor do contribuinte e de omissão de pensão civil, recebida do INSS. No recurso, a defesa não se pronuncia contra tais infrações, trazendo, contudo, alegações que somente se harmonizam com a infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Assim, considerando que tais alegações não se coadunam com as infrações imputadas ao contribuinte, este voto não se pronunciará sobre as mesmas. No mais, as únicas alegações formuladas pela defesa que se coadunam com a imposição fiscal imposta ao contribuinte são aquelas que se reportam a multa de ofício e aos juros de mora, sendo certo que o contribuinte não traz alegações quanto ao mérito das infrações a ele imputadas, ou seja, o recorrente não se opõe às infrações, limitando suas queixas aos acréscimos legais (multa e juros de mora). Sobre a multa de ofício, o recorrente afirma que o percentual de 75% exigido no Auto de Infração ofende aos princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco. O percentual de 75% da multa de ofício foi aplicado no presente caso conforme disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal verificou que o contribuinte omitiu rendimentos, deixando, conseqüentemente, de recolher o imposto de renda correspondente, sujeitandose, portanto, à imposição da multa de 75%. Por outro lado, insta frisar que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme inferese da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Fl. 180DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 10865.000395/200466 Acórdão n.º 210201.219 S2C1T2 Fl. 176 5 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que também não será neste voto apreciada a alegação do recorrente de ofensa aos princípios constitucionais de proporcionalidade e de não confisco. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste colegiado, conforme súmula nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que cristaliza o entendimento de que é legítima a sua aplicação: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 181DF CARF MF Emitido em 01/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 27/04/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003507/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/11/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30.
Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.968
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/11/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/11/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 30. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, I da Lei n° 8212/91 c/c art. 225, I, e §9° do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Thiago d’Avila Melo Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Relatório Período de apuração MPF: janeiro/1997 a março/2007. Data da lavratura da Auto de Infração: 27/11/2007. Data da ciência do Auto de Infração : 28/11/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de incluir nas suas folhas de pagamento relativas às competências de 10/2003 a 03/2007 segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 31/34. CFL 30 Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048 de 06/05/1999, em seu valor mínimo, atualizado pela Portaria MPS nº 142 de 11/04/2007, de R$ 1.195,13 (Um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 26. Irresignado com a autuação, o autuado apresentou impugnação administrativa, a fls. 35/38. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa a fls. 55/58 julgando procedente a autuação em destaque e mantendo o crédito previdenciário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da Decisão acima referida em 19/08/2008, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 61. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 63/65, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o segurado Itamir de Oliveira não é empregado da empresa, mas mero preposto e despachante autônomo. Aduz que o registro foi efetuado para atender a uma exigência do Departamento de Identificação e Registros Diversos da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, e que, após cumprido o atendimento da exigência, tal registro seria baixado, o quê, por um descuido, não aconteceu. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10820.003507/200708 Acórdão n.º 230200.968 S2C3T2 Fl. 74 3 Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 19/08/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares, passamos à análise do mérito. 2. DO MÉRITO. Cumpre assentar, de plano, que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA MOTIVAÇÃO Alega o Recorrente que o segurado Itamir de Oliveira não é empregado da empresa, mas mero preposto e despachante autônomo. Aduz que o registro foi efetuado unicamente para atender a uma exigência do Departamento de Identificação e Registros Diversos da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, e que, após cumprido o atendimento da exigência, tal registro seria baixado, o quê, por um descuido, não aconteceu. As ponderações expendidas pelo Recorrente não possuem força suficiente para elidir o lançamento tributário que ora se opera. Os registros formais constantes no Livro de Registro de Empregados nº 01, a fl. 16, revelam que o Sr. Itamir de Oliveira foi admitido em 1º de outubro de 2003, para desempenhar a função de auxiliar, no horário de trabalho de 08:00 as 18:00 horas, percebendo o salário mensal de R$ 397,00. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 De outro eito, a Consulta de Vínculos Empregatícios do Trabalhador efetuada no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS registra a existência de vínculo CLT entre o Sr. Itamir de Oliveira e a empresa recorrente, a contar de 1º/10/2003, ainda sem registro de rescisão ou transferência. Em reforço à pletora documental acima referida, corrobora nas conclusões o fato de a Autoridade Lançadora ter comprovado in loco a presença ostensiva na empresa do segurado em apreço, todos os dias visitados pela fiscalização. O assentamento no Livro de Registro de Empregados LRE configurase como obrigação do empregador, por força dos artigos 41 e 42 da CLT, in verbis: Consolidação das Leis do Trabalho Art. 41 Em todas as atividades será obrigatório para o empregador o registro dos respectivos trabalhadores, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico, conforme instruções a serem expedidas pelo Ministério do Trabalho. (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) Parágrafo único Além da qualificação civil ou profissional de cada trabalhador, deverão ser anotados todos os dados relativos à sua admissão no emprego, duração e efetividade do trabalho, a férias, acidentes e demais circunstâncias que interessem à proteção do trabalhador. (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) Art. 42 Os documentos de que trata o art. 41 serão autenticados pelas Delegacias Regionais do Trabalho, por outros órgãos autorizados ou pelo Fiscal do Trabalho, vedada a cobrança de qualquer emolumento. (Redação dada pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989) (Revogada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Não é demasia enaltecer que o registro dessas informações no LRE não figura como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação Legal. Não se deve perder de vista, igualmente, que o preenchimento dos livros acima referidos com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10820.003507/200708 Acórdão n.º 230200.968 S2C3T2 Fl. 75 5 é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. No caso vertente, o agente fiscal apurou, em documentos idôneos, provas contundentes da existência formal de vínculo laboral entre segurado obrigatório do RGPS e a empresa Recorrente. Malgrado a existência do referido liame empregatício, o segurado em questão não integrou as folhas de pagamento da empresa no período de apuração. A conduta perpetrada nesses moldes pelo Recorrente configurou violação à obrigação acessória prevista no art. 32, I da Lei nº 8.212/91 o qual, dada a sua importância ao deslinde da questão, rogamos vênia para transcrevêlo integralmente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Nesse painel, a mera inobservância objetiva da obrigação tributária acessória acima aventada implica a imposição da penalidade correspondente, in casu, a multa cominada nos artigos 283, I, ‘a’ e 373 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. PORTARIA Nº 142, DE 11 DE ABRIL DE 2007 Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); Como resultado, subsiste inabalada a autuação destacada no Auto de Infração em apreço, a qual não demanda reparos. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001446/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 0 lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena
validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto ti.° 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa.
AÇÃO JUDICIAL. São tributáveis os valores percebidos acumuladamente, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Por se
tratar de atividade vinculada A. lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade e os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários nela previstos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.990
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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C io Marcos Cândido Presidente José Raiinuid'‘ Tosta Santos - Relator Editado em: 10.11.2011 S2-C IT! Fl. 152 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13851.001446/2004-14 Recurso n° Voluntário Acórdão le 2101-00.990 — V Câmara / la Turma OrdinAria Sessão de 10 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente ONEIDE CARVALHO PINTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 0 lançamento contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto ti.° 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa. AÇÃO JUDICIAL. São tributáveis os valores percebidos acumuladamente, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Por se tratar de atividade vinculada A. lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade e os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários nela previstos. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as Participaram do julgamento os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda , Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes, Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos e Gonçalo Bonet Allage. Relatório 0 recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 17-29.752 - 4a Turma da DRJ/SPOII (fl. 93), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo brgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o auto de infração de fis. 30 a 31, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do ano-calendário 2002, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 31.650,08, dos quais, R$ 15.753,37 são exigidos a titulo de imposto suplementar, R$ 11.815,02 correspondem a multa de oficio passive l de redução e R$ 4.081,69 correspondem a juros de mora calculados até 11/2004. Consta da descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 31 que foram constatadas as seguintes infrações: - omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vinculo empregaticio, correspondente As diferenças de numerários apurados na liquidação da sentença nos autos da ação ordinária n.° 1626/83, 1' Vara e Oficio da Fazenda Pública, sendo o total bruto recebido de R$ 103.263,74, do qual, descontados os honorários advocaticios no valor de R$ 18.117,30, remanesce os rendimentos tributáveis no valor de R$ 85.146,44; - glosa do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 12.247,71, em virtude de o recolhimento ter sido efetuado por intermédio da GARE, que é o documento oficial de recolhimento de tributo do governo do Estado de São Paulo, quando deveria ter sido efetuado, obrigatoriamente, em DARF, documento de arrecadação da Receita Federal, por se tratar de imposto de renda retido na fonte. Da forma como foi realizado o recolhimento, não podemos reconhecer como sendo nem imposto retido na fonte e nem imposto complementar (mensalão). 0 enquadramento legal encontra-se a mesma ti. 31. Cientificada do lançamento em 30/11/2004 (cópia do AR a fl. 59), a contribuinte apresentou, em 22/12/2004, a impugnação de fls. 01/27, por intermédio de procurador (confira instrumento de procuração a fl. 28), instruída pelos documentos de fls. 35/55, alegando, em síntese, que: - o recolhimento levado a efeito por meio de GARE é regular, válido, eficaz e encontra previsão constitucional no inciso I, do art. 157 da CF/88; - no ano de 1983, um grupo de policiais militares (oficiais reformados) ingressou com ação judicial de indenização contra o Estado de São Paulo a fim de perceberem diferenças salariais (processo 1.626/83 — i a Vara da Fazenda Pública), sendo que a ação foi julgada procedente. O cônjuge da defendente veio a falecer, razão pela qual passou a mesma, na qualidade de pensionista, a ter o direito ao recebimento do montante apurado na liquidação da sentença; - no ano de 2002, os valores foram pagos A defendente, sendo que no momento do pagamento o Estado de São Paulo exigiu que fosse feita a retenção e nessa oportunidade foi informado pela Fazenda Estadual que nos termos da Portaria Conjunta CAT/CECI-1, de 18/03/2003, a guia correta para tal recolhimento era a GARE (Guia de Arrecadação Estadual), por meio do Código 031-0 — IR RETIDO NA FONTE; - o inciso I, do art. 157 da Constituição Federal determina que pertencem aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda c 2 Processo n° 13851.001446/2004-14 S2-CIT1 Acórdilo n.° 2101-00.990 Fl. 153 provento de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer titulo, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem; - a receita decorrente da retenção do IR na fonte pertence constitucionalmente ao Estado quando de pagamento feito por esse. Assim, nada mais natural e eficaz do que tal valor ser dirigido diretamente aos seus cofres. Portanto, o recolhimento por meio de guia GARE se revela correto, indicado, eficiência e legal; - destarte, o auto de infração impugnado é totalmente inidôneo, irrito e levado a,efeito de forma totalmente equivocada, razão pela qual deve ser tornado nulo por parte dessa Douta Autoridade Julgadora; - argumenta que deve ser aplicada a teoria da substância sobre a forma — a comprovação da regularidade em busca da real essência do mandamento constitucional; - alega ainda a inocorrência de riqueza passível de tributação pelo imposto de renda. Sobre verba indenizatória não incide o I.R.. 0 valor percebido pela defendente se refere A ação indenizatória. Na indenização o equilíbrio patrimonial se restabelece dai porque não se pode falar em riqueza nova (renda ou provento). Na indenização, o beneficiário não aufere qualquer ganho que permita adição patrimonial, mas apenas e tão somente recompõe uma situação que devia ter existido se o evento danoso não tivesse ocorrido no mundo fenomdnico; - da ausência dos elementos caracterizadores da ocorrência do fato jurídico tributário (fato gerador) — da maneira como constou o lançamento do débito, não ficou demonstrada a ocorrência do fato jurídico tributário, além de ter impossibilitado ao contribuinte total compreensão dos motivos que levaram ao lançamento do débito, cerceando o seu direito de defesa; transcreve doutrina; - da prevalência da verdade material — cita José Artur Lima Gonçalves e Geraldo Ataliba, para concluir que não se pode aceitar que o Sr. Fiscal tenha simplesmente aduzido que a guia de recolhimento foi utilizada de forma indevida, sem perquirir e se aprofundar na questão analisada e não observou que tais valores se referiam a verba indenizatória que não sofre a incidência do Imposto de Renda; - da segurança jurídica — tipicidade e moralidade administrativa — resta evidenciado que o lançamento tributário, fundado em auto de infração inegavelmente nulo, afronta, preceito e garantias fundamentais da segurança jurídica, da legalidade e da legalidade estrita, tipicidade tributária e moralidade administrativa; - o dever de prova encargo exclusivo do Fisco — compete exclusivamente ao Fisco o ônus de desconstituir a veracidade do procedimento adotado pelo contribuinte, conforme preconiza o art. 11 da Lei Federal 8.383/91. Aludido encargo se prende ao fato de que não se é possível aplicar mera presunção para promover o lançamento do tributo; - da multa fiscal — vedação ao confisco — quebra da proporcionalidade e razoabilidade e capacidade contributiva - salta aos olhos o montante exagerado exigido a titulo de multa. Ainda que a sentido jurídico da multa seja justamente punir o infrator, tem-se a razoabilidade e a proporcionalidade devem permear sua fixação, sob pena de incorrer em afronta a tais princípios e aos da vedação ao confisco, capacidade contributiva e propriedade. Transcreve doutrinas e julgados do STF; - relativo à multa, em caso de não decretação da nulidade de todo o AIIM, deve ser fixada em patamar relativo a 20%; - inaplicabilidade da taxa SELIC — inconstitucionalidade e quebra da segurança jurídica, da legalidade estrita e tipicidade tributária — a utilização da Taxa SELIC para fins tributários (juros moratórios) afronta o principio da reserva legal, na medida que não existe qualquer previsão legislativa que autorize o poder público a empregar a Taxa Selic com efeitos moratórios para atualização de indébitos fiscais. Transcreve doutrina, decisão do Superior Tribunal de Justiça, sentença da 13' Vara Federal de Sao Paulo, - pede a supressão da taxa SELIC 3 como parâmetro para atualização monetária, ante os fundamentos demonstrados, bem como sua nítida natureza de representar um bis in idem, porquanto, por estar disposto coin base moratoria (juros e atualização), promove dupla incidancia em relação à multa fixada no AIIM; - protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, sem qualquer exclusão; - e por fim, requer que toda a notificação ou intimação seja encaminhada ao endereço dos procuradores da Defendente. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau restabeleceu o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 12.247,71, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE 1 RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF. Ano-calendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa . nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. INDENIZA ÇOES RECEBIDAS. ISENÇÃO. As verbas recebidas em decorrência de ação trabalhista são classificadas como rendimentos do trabalho assalariado, não se sujeitando ao imposto de renda apenas os rendimentos relacionados no art. 6° da Lei n° 7.713, de 1988; quaisquer outros rendimentos, não importando a denominação a eles dada, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação. GLOSA. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Comprovado pela contribuinte o recolhimento do imposto de renda na fonte cabe restabelecer sua dedução, nos mesmos termos em que pleiteada na declaração de ajuste. MULTA DE OFICIO. CARÁTER CONFISCA TÓRIO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, não sendo caracterizado confisco, conforme previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal. ARGÜIÇÃO DE DESRESPEITO, PELA LEI QUE INSTITUIU A MULTA DE OFÍCIO, DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA RAZOABIL IDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DA CAPACIDADE 4 Processo n° 13851.001446/2004-14 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.990 Fl. 154 CONTRIBUTIVA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE ADMINISTRATIVA. A análise de argumentos de desrespeito a princípios constitucionais não pode ser levada a efeito em sede administrativa. Refoge à competência da autoridade administrativa a apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de oficio, revista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de oficio, não podendo a autoridade administrativa furtar-se à sua aplicação. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei; não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento qfastar sua aplicação. DECISÕES JUDICIAIS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação em relação a qualquer outra ocorrência sendo àquela objeto da decisão. DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada quando da interposição da impugnação, ensejando indeferimento, o pedido de produção de prova formulado sem observância dos requisitos legais exigidos. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO PROCURADOR. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Lançamento Procedente. Em seu apelo ao CARF, as fls. 114/132, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Orgao julgador a quo, na parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheiro JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator 0 recurso atende os requisitos de admissibilidade. 5 Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. As preliminares de nulidade do lançamento e de cerceamento do direito de defesa foram rejeitadas com fundamentos que estão em total consonância com a jurisprudência deste Colegiado. Com efeito, não ha que se falar em nulidade do lançamento em exame, As fls. 30/34, pois este contém todos os requisitos legais para sua plena validade e eficácia, conforme dispõe o artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, de modo a proporcionar ao autuado seu regular exercício do direito de defesa, e também não ocorreram os pressupostos elencados no artigo 59 do mesmo diploma legal, a conspurcar de nulidade o Auto de Infração. Por outro lado, a recorrente não apresentou nenhum elemento de prova que pudesse infirmar a natureza tributável do valor auferido em ação judicial. Não adianta apelar para o prevalência do principio da verdade material, pois ela também depende do esforço da parte interessada. A regra geral impõe a tributação de valores recebidos em ação judicial, consoante determina os artigos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, a seguir transcritos: Art.54. Silo tributáveis os valores percebidos, em dinheiro, a titulo de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n2 7.713, de 1988, art. 32, §12). Art. 55. Silo também tributáveis (Lei n 2 4.506, de 1964, art. 26, Lei n 2 7.713, de 1988, art. 32, §42, e Lei n2 9.430, de 1996, arts. 24, §22, inciso IV, e 70, §32, inciso I): VI- as importâncias recebidas a titulo de juros e indenizações por lucros cessantes; Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualizavao monetária (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). (grifei) Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n 2 7.713, de 1988, art. 12). A responsabilidade por infrações A legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato — é o que dispõe o artigo 136 do CTN. A redução indevida do recolhimento, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, é causa para a aplicação da multa de oficio em seu percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento), e não há previsão na legislação tributária para o lançamento da multa de oficio no percentual de 20%.: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 6 Processo n° 13851.001446/2004-14 S2-C1T1 Actirclão n.n 2101-00.990 Fl. 155 - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese cio inciso seguinte; - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de .fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. sç 1' As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Enfim, por se tratar de atividade vinculada 6, lei, deve a fiscalização aplicar a penalidade e os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários nela previstos. Com efeito, o legislador ao elaborar as leis tributárias deve fazer com que estas dêem vigor aos princípios constitucionais da vedação confisco, capacidade contributiva, razoabilidade e proporcionalidade. Portanto, falece competência ao Orgão administrativo para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido é a Sumula CARF n° 2: 0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que tange à cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, após inúmeros debates a respeito de sua legalidade e constitucionalidade, e consoante pacifica jurisprudência que se firmou a respeito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou as seguintes Sumulas: Súmula CARF n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria. Súmula CARF n° 4: A partir de 1" de abril de 1995, os juros morató rios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Em face ao exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. JOSÉ RAIIÚ$b14PSTA SANTOS 7
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