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Numero do processo: 10218.000377/2004-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA.. EXIGÊNCIA DE ADA. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 (Súmula CARF Nº 41). Recurso Provido
Numero da decisão: 2202-001.542
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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EXIGÊNCIA DE ADA. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 (Súmula CARF Nº 41). Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, MOISES CARVALHO PEREIRA, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/08, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício , 2000, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Nicobran", localizado no município de Cumaru do Norte PA, com área total de 23.353,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 3.134.8505, no valor de R$ 55.372,33 (cinqüenta e cinco mil trezentos e setenta e dois reais e trinta e três centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/09/2004, perfazendo um crédito tributário total de R$ 135.556,99 (cento e trinta e cinco mil quinhentos e cinqüenta e seis reais e noventa e nove centavos) No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2000 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 35, a fiscalização apurou a seguinte infração: a) exclusão, indevida, da tributação de 15.853,0 ha de área de utilização limitada. A exclusão indevida, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 35, tem origem na ausência de comprovação do Ato Declaratório Ambiental – ADA. O auto de infração foi postado no correio tendo o contribuinte tomado ciência em 07/10/2004, conforme AR de fl. 40. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 08/11/2004, a impugnação de fls. 41/91. A DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, entendeu que o lançamento está correto, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO:.. IMPOSTO SOBRE A : PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA.COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável' do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente Fl. 631DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.000377/200417 Acórdão n.º 220201.542 S2C2T2 Fl. 2 3 Insatisfeito, o interessado interpõe recurso tempestivo, reiterando os mesmo argumentos da impugnação. Adicionando os seguintes pontos: Preliminarmente. a inexistência de termo de início de fiscalização. Da habilitação de profissional de contabilidade; Da falta de demonstração do enquadramento legal e do cerceamento do direito de defesa; Do erro de capitulação da suposta infração Da inexistência de Provas Da inexatidão do termo de encerramento da fiscalização No mérito, da inexistência de área não tributada, preservação permanente e reserva legal; Do efeito confiscatório; Da afronta ao princípio da razoabilidade; Da inaplicabilidade da alíquota aplicada; Da inaplicabilidade da taxa selic; Do efeito confiscatório da multa; É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O lançamento foi fundamentado na ausência de comprovação do ADA no Exercício de 2000. A exigência do ADA como requisito para a exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR encontrase estabelecida no 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 43, de 1997, com redação da IN SRF nº 67, de 1997: Art 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, estabelecida em legislação infralegal, contrapõese ao princípio da reserva legal, posto que a desconsideração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, como tal, representam sua inclusão na área tributável pelo ITR. Assim, qualquer restrição à exclusão de áreas da tributação do ITR, por corresponder a aumento de tributo, deve ser instituída por lei, ex vi do inciso II combinado com o § 1º do art. 97 do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 633DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.000377/200417 Acórdão n.º 220201.542 S2C2T2 Fl. 3 5 (...) II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; (...) § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. Tanto é assim que o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17O na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Portanto, se a obrigação de apresentação do ADA foi instituída posteriormente por lei, não poderia o órgão de administração tributária antecipar tal exigência, que resulta majoração de tributo, por meio de instrução normativa. Esse posicionamento inclusive já se encontra sumulado no CARF: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000 (Súmula CARF Nº 41) Uma vez que o lançamento referese ao exercício de 2000, não há como manter a exigência fundamentada exclusivamente na não apresentação de ADA. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 634DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 30/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001385/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005
INEXISTÊNCIA DE PERÍODO DECAIDO. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. VALE TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
O vale transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, vez que não possui natureza salarial, estando de acordo com o §9º, artigo 28 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram pela integração ao Salário de Contribuição das verbas pagas referentes ao vale transporte com desconto parcial da participação do segurado. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros. Ausência: Mauro José Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005 INEXISTÊNCIA DE PERÍODO DECAIDO. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. VALE TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O vale transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, vez que não possui natureza salarial, estando de acordo com o §9º, artigo 28 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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Fatos Geradores Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELEGRAFOS Recorrida DRP EM BRASÍLIA DF Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2005 INEXISTÊNCIA DE PERÍODO DECAIDO. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. VALE TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, vez que não possui natureza salarial, estando de acordo com o §9º, artigo 28 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram pela integração ao Salário de Contribuição das verbas pagas referentes ao vale transporte com desconto parcial da participação do segurado. Declaração de voto: Bernadete de Oliveira Barros. Ausência: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva (ausente), Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11853.001385/200792 Acórdão n.º 2301002.295 S2C3T1 Fl. 93 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário apresentado pela EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS – ECT em face de decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada. 2. Segundo o relatório fiscal da infração, o fisco verificou “que a empresa em questão apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP, entre as competências Janeiro/2003 e Junho/2005 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias”. (fl. 10) 3. Ainda segundo a informação, “o vale transporte é custeado pelas empresas no que excede a 6% do salário base dos empregados. A ECT, além de pagar sua parte no custeio do vale transporte, paga também uma parcela da parte que caberia aos empregados. Essa parcela constitui beneficio tributável, sem, todavia, ter sido declarado pela empresa como tal”. (fl. 10) 4. A ementa da decisão atacada restou redigida nos termos que seguem: “APRESENTAR A EMPRESA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração capitulada no § 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91. AUTUAÇÃO PROCEDENTE.” (fl.52) 5. Ao apresentar seu recurso voluntário, o contribuinte aduziu, em síntese, os argumentos abaixo: a) preliminarmente, a inexigibilidade do depósito prévio no valor de 30%; b) inconstitucionalidade da cobrança da taxa SELIC; c) defende a recorrente ter havido a “prescrição” total do débito, tendo em vista que “tanto da ocorrência do seu fato gerador, quanto do primeiro dia do exercício seguinte à possibilidade da lavratura da notificação, transcorreram mais de 5 (cinco) anos”; d) nulidade do auto de infração tendo em vista que não foi observado o critério da dupla visita; e) no mérito, alega que “é errôneo o critério adotado no tocante à concessão do ValeTransporte, cujo cálculo vem sendo feito tomandose por base o mês integral e não proporcional aos dias efetivamente trabalhados”, bem como a ausência de suporte fático do auto de infração; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 f) por fim, o caráter confiscatório da notificação, tendo em vista que o montante apurado a título de juros e multa equiparamse ao valor principal do débito; 6. O processo foi encaminhado para a análise deste Conselho pela Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário, após verificar a tempestividade do recurso. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11853.001385/200792 Acórdão n.º 2301002.295 S2C3T1 Fl. 94 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 3. Muito embora o contribuinte alegue que “os créditos do período em alusão estão prescritos, pois, tanto da ocorrência do seu fato gerador, quanto do primeiro dia do exercício seguinte à possibilidade da lavratura da notificação, transcorreram mais de 5 (cinco) anos” (fl. 74), razão não lhe assiste. 4. Isso porque compulsando os autos, verificase que o contribuinte foi cientificado do auto de infração em 12/12/2006, referente às contribuições do período de 01/01/2003 a 30/06/2005, dessa forma, não há competência abrangida pela decadência, aplicandose a regra do artigo 173, I ou do artigo 150, §4º. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 5. Alega, ainda, a contribuinte que “a notificação não atendeu às regras e finalidade quanto ao procedimento administrativo fiscal, pois não realizou a dupla visita – com o objetivo de, precipuamente, orientar e instruir o notificado de modo a, em fase ulterior (após o deferimento de chance para sanar eventuais desconformidades), lavrar a notificação e a consequente punição por meio de multa” (fl. 79), motivo pelo qual o auto de infração deve ser declarado nulo. 6. Porém, razão não lhe assiste, tendo em vista que conforme pode ser verificado, o relatório fiscal foi lavrado por agente competente, no interesse público e de forma motivada, assim, é certo que cumpriu todos os requisitos dos atos administrativos. 7. E no que se refere à afirmativa da empresa de que é vedada a autuação fiscal em primeiro momento, segundo o critério legal da dupla visita, tal orientação encontra previsão legal na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT e aplicase apenas às autoridades competentes do Ministério do Trabalho, ou àquelas que exerçam funções delegadas, a quem compete a fiscalização do fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho, ou seja, a vedação aplicase apenas no que diz respeito às fiscalizações feitas no âmbito trabalhistas e não da Previdência Social. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 8. Além disso, o artigo 627 da CLT traz em suas alíneas os casos em que o critério da dupla visita deve ser observado, quais sejam: “a) quando ocorrer promulgação ou expedição de novas leis, regulamentos ou instruções ministeriais, sendo que, com relação exclusivamente a esses atos, será feita apenas a instrução dos responsáveis; b) em se realizando a primeira inspeção dos estabelecimentos ou dos locais de trabalho, recentemente inaugurados ou empreendidos.” 9. E a Instrução Normativa n.º 84/2010, que dispõe sobre a fiscalização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS e das Contribuições Sociais instituídas pela Lei Complementar n.º 110/2001, diz expressamente que nas inspeções nos locais de trabalho, feitas por Auditores Fiscais do Trabalho AFT, deverá ser observado o critério da dupla visita nas empresas devedoras, na forma do art. 627 da CLT, conforme disposto abaixo: “Art. 3º. (...) § 1º O AFT deverá observar o critério da dupla visita, na forma do art. 627 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, do art. 6º, § 3º, da Lei n.º 7.855, de 24 de outubro de 1989, e do art. 55, §1º, da Lei Complementar n.º 123, de 14 de dezembro de 2006.” 10. Ainda sobre o tema, a Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, em seu artigo 55, determina a observância do critério da dupla visita para lavratura de autos de infração, “no que se refere aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental e de segurança”, não havendo qualquer menção à seara previdenciária. 11. Assim, mesmo que a empresa pudesse optar por participar do SIMPLES, ainda não se submeteria ao critério da dupla vista, posto que não há previsão de sua aplicação no que se refere a fiscalização tributária. 12. Além disso, o lançamento encontrase devidamente instruído e motivado conforme determinado pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99. 13. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscalizatório. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC 14. A recorrente afirma que aplicação da taxa SELIC é inconstitucional, porém, cumpre ressaltar que o presente caso tratase de um Auto de Infração, onde o montante da multa aplicada consiste no somatório de valores fixos, e não consta a incidência da taxa SELIC como alegado pelo recorrente. DO LANÇAMENTO 15. Conforme narrado no relatório fiscal, a empresa foi autuada tendo em vista que “apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social – GFIP, entre as competências Janeiro/2003 e Junho/2005 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11853.001385/200792 Acórdão n.º 2301002.295 S2C3T1 Fl. 95 7 com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias” e “somente o fato gerador específico relacionado ao valetransporte foi selecionado para constituição do crédito”. (fl. 10) 16. E sobre o assunto, a empresa aduz que “o desconto de 6%, referente ao ValeTransporte, deverá ser calculado proporcionalmente aos vales recebidos e aos dias efetivamente trabalhados, posto que a norma expressamente indica como base e cálculo o período a que se refere o salário base mensal do empregado”. (fl. 81) 17. Com a devida venia à tese fiscal, tenho por certo que tal pretensão não merece prosperar, vez que o simples fato de a empresa pagar, além de sua parte no custeio do vale transporte, uma parcela da parte que caberia aos empregados, tal circunstancia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba, transformandoa em outro tipo de rendimento sujeito ao pagamento da contribuição previdenciária. 18. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. 19. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) 20. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 21. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 22. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) 23. Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. 24. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11853.001385/200792 Acórdão n.º 2301002.295 S2C3T1 Fl. 96 9 aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. 1.1.1 Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” 1.1.2 (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) 25. Dito isso, verificase que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. CONCLUSÃO 26. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Declaração de Voto Permitome divergir do entendimento manifestado pelo Relator, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por dar provimento ao recurso por entender que a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória. Contudo, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. E o art. 28, § 9o, f, da Lei 8.212/91 exclui do salário de contribuição apenas a parcela concedida a título de valetransporte na forma da legislação própria, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que o pagamento da mencionada verba se dá em Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 desacordo com o que determina a Lei 7.418/85 e seu regulamento (Decreto 95.247/87), instituidora do valetransporte O art. 2o, da Lei 7.418/85 estabelece critérios para que a contribuição do empregador referente ao ValeTransporte não possua natureza salarial e não constitua base de incidência de contribuição previdenciária, e um deles é que ele seja concedido nas condições e limites definidos na referida Lei. E como a Lei limita em 6% a contrapartida do empregado no custeio do vale transporte, qualquer pagamento de verba intitulada de “valetransporte”que não observar tal limite possui natureza salarial, integrando, portanto, o salário de contribuição. Ou seja, a participação do empregado no custeio do valetransporte em percentual inferior aos 6% desnatura o caráter indenizatório da referida verba. Ela passa a ter caráter salarial, com todos os seus reflexos em férias, 13º salário etc. e, com isso, tornase fato gerador das contribuições previdenciárias. Em relação ao argumento de que merece destaque a mais recente redação do art. 458, § 2o, III, da CLT, atribuída pela Lei 10.243/01, que expressamente exclui do conceito de salário “a parcela relativa ao transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno em percurso servido ou não por transporte público”, cumpre observar que o art. 12, da CLT determina que “Os preceitos concernentes ao regime de seguro social são objeto de lei especial”. A Lei 8.212/91 é a lei especial que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio, e a Lei 7.418/85, é a lei especial que trata do valetransporte. O art. 458, § 2o, III, da CLT, com a redação dada pela Lei 10.243/01 não revogou os arts. 28, § 9o, f, da Lei 8.212/91, e o artigo 4o, parágrafo único da Lei 7.418/85, que continuam em vigor no nosso ordenamento jurídico. Dessa forma, não pode ser declarado insubsistente o lançamento tendo em vista as alterações trazidas pela Lei 10.243/01, pois, conforme disposto no art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil, “A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Cumpre esclarecer que a incompatibilidade de normas pertencente a um mesmo ordenamento jurídico e com mesmo âmbito de validade se denomina antinomia e, tradicionalmente, os critérios para solucionar a antinomia são três, o cronológico, o hierárquico e o da especialidade. O da especialidade ocorre entre duas normas, uma geral e uma especial, prevalecendo a específica apenas na parte da lei geral que é incompatível com a especial. Como explica Norberto Bobbio, no caso de antinomia normativa, havendo conflito entre o critério cronológico e o critério de especialidade, prevalece o último, dotado de maior força – por vezes visto como metacritério de solução de conflitos. A razão é simples e foi realçada, com propriedade, por José de Oliveira Ascensão: “o regime geral não toma em conta as circunstâncias particulares que justificaram justamente a emissão da lei especial. Por isso não será afetada em razão de o regime geral ter sido modificado”. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11853.001385/200792 Acórdão n.º 2301002.295 S2C3T1 Fl. 97 11 Não são raros os precedentes encontrados na jurisprudência que defendem a subsistência da lei especial anterior, mesmo após o advento de lei geral posterior. Conforme Vicente Ráo “se a lei não se declarar absoluta, devese inferir que o legislador pretendeu abolir, tãosomente, aquilo que, até então, vigorava como regra e, em conseqüência, com esta desaparecerão os seus corolários, mas continuarão a subsistir as exceções”. Não há, pois, presunção de revogação da lei especial anterior pela subseqüente aprovação de lei geral. Muito pelo contrário, adverte Carlos Maximiliano, “é mister que esse intuito (de revogação) decorra claramente do contexto”. Espínola e Espínola Filho seguem a mesma linha e enunciam, a partir de Saredo, a seguinte consideração: “no silêncio do legislador, deve presumirse que a lei nova pode conciliarse com a precedente”. Portanto entendo é que a revogação ou modificação de lei geral por especial ou de especial por geral não pode ser tácita, havendo de ser expressa do tipo "revogase o artigo tal, parágrafo tal da lei tal". VOTO por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04 /10/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO D E MORAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10675.000975/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 1994
Ementa: ART. 62-A REPRODUÇÃO DE REPERCUSSÃO GERAL LEADING
CASE RE 566621 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO
RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO
VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para
repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido.
Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por
lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à
Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se
a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo
de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede
iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio
legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 62-A do RICARF.
Numero da decisão: 2201-001.671
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para exame das demais questões objeto do pedido.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1994 Ementa: ART. 62-A REPRODUÇÃO DE REPERCUSSÃO GERAL LEADING CASE RE 566621 DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 62-A do RICARF.
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Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 62A do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa, para exame das demais questões objeto do pedido. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 11/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, EDUARDO TADEU FARAH, EIVANICE CANARIO DA SILVA (Suplente convocada), GUSTAVO LIAN HADDAD, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA. Ausente, justificadamente, a Conselheira RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado, em face do acórdão 0920.600 4' Turma da DRJ/JFA que negou provimento ao requerimento de fl.1 que solicitou a restituição do imposto de renda na fonte por ter sido retido indevidamente sobre indenização por ele recebido em virtude de seu desligamento da ex empregadora ocorrido em 23/11/1993, com fundamento na IN/SRF 165/1998. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10675.000975/200318 Acórdão n.º 2201001.671 S2C2T1 Fl. 2 3 Apreciando o pedido, o SEORT/DRF/Uber lândia proferiu despacho decisório de fls. para INDEFERILO ao fundamento de que o pedido foi formulado quando já decaído o direito do contribuinte para pleiteálo. Inconformado, o contribuinte protocolizou manifestação de fls.que foi julgada improcedente sob os mesmo argumentos do despacho decisório supra referido. É o Relatório do necessário. (assinado digitalmente) Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço. Esta turma vinha suspendendo o julgamento de casos semelhantes em razão do leading case RE 566621, que foi julgado no dia 04 de agosto de 2011, tendo sido publicado o acórdão em 11 de outubro de 2011, sendo certificado o transito em julgado somente em 27 de fevereiro de 2012. Nos termos do citado leading case o prazo para restituição é de dez anos para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in verbis: RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe195 DIVULG 1010 2011 PUBLIC 11102011 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Desta forma, não tendo sido expressamente homologado o pagamento, teve início o prazo prescricional em 31 de dezembro de 1998, encerrandose em 31 de dezembro de 2003, data posterior ao pedido de ressarcimento protocolado em 07 de abril de 2003. Diante do exposto, dou provimento ao recurso para afastar a decadência determinar o retorno dos autos à Autoridade Administrativa para que seja apreciada as demais questões constantes do pedido de restituição. É como voto. (assinado digitalmente) Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10675.000975/200318 Acórdão n.º 2201001.671 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10675.000975/200318 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.671. Brasília/DF, 22 de junho de 2012 ______________________________________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 76DF CARF MF Impresso em 21/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 1 1/08/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 13227.720133/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - RECURSO VOLUNTÁRIO - DECLARAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. O não conhecimento da Impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário às razões que consideram intempestiva a impugnação. Confirmada a intempestividade da Impugnação, nega-se provimento ao recurso.
Numero da decisão: 1202-000.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Brassaroto Fenali ME Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO VOLUNTÁRIO DECLARAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. O não conhecimento da Impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário às razões que consideram intempestiva a impugnação. Confirmada a intempestividade da Impugnação, negase provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Luiz Tadeu Matozinhos Machado e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13227.720133/201073 Acórdão n.º 1202000.738 S1C2T2 Fl. 1.099 2 Relatório Trata se de Autos de Infração referentes aos anos calendário de 2006 e 2007, com lançamentos de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, INSS, todos incluídos no Simples, assim como de multa qualificada. Quanto ao ano calendário de 2006, a Recorrente foi autuada pelas seguintes infrações: (i) Multa pela falta de comunicação da exclusão do Simples: Durante o ano calendário, se a empresa ultrapassar o limite máximo permitido para a opção pelo Simples é obrigatória a sua autoexclusão mediante comunicação à Secretaria da Receita Federal até o último dia útil do mês de janeiro do ano calendário subsequente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, sob pena de multa disciplinada no artigo 21 da Lei nº 9.317/1996; (ii) Omissão de receitas – receitas informadas à SEFIN/RO e não declaradas à RFBSIMPLES: Da análise da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2006, verificouse que a empresa declarou ter auferido receita bruta no montante de R$ 202.722,13. Todavia, as informações prestadas pela SEFIN/RO, extraídas das GIAMs (guia de informação e apuração mensal) apresentadas pelo Contribuinte, revelaram que no período de 01/2006 a 12/2006, a mesma auferiu receita superior àquela declarada da Receita Federal pelas “vendas de mercadorias adquiridas de terceiro” no montante de R$ 26.066.225,83; (iii) Omissão de receitas – Insuficiência de recolhimento – SIMPLES – ano calendário de 2006: Constatouse, ainda, que a empresa efetuou recolhimento insuficiente relativo aos impostos/contribuições sociais incidentes sobre as receitas informadas na Declaração Simplificada de 2006. Quanto ao anocalendário de 2007, a Recorrente foi autuada pelas seguintes infrações: (i) Receita operacional omitida – revenda de mercadorias: Tomando então como base os valores declarados à Secretaria Estadual de Finanças de Rondônia, foi possível reconstruir a receita bruta auferida pelo sujeito passivo no período de janeiro a dezembro de 2007. A análise da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2007, do período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e da Declaração anual do Simples Nacional do anocalendário 2007, período de 01/07/2007 a 31/12/2007, mostra que a empresa declarou ter auferido receita bruta no montante de R$ 367.810,72. Todavia as informações prestadas pelo SEFIN/RO, extraídas das GIAMs apresentadas pelo contribuinte, revelaram que no período de 01/2007 a 12/2007, a mesma auferiu receita bem superior àquela declarada à Receita Federal pelas “Vendas de mercadorias adquiridas de terceiro” no montante de R$ 34.704.088,94; (ii) Receitas operacionais – Revenda de Mercadorias: No ano calendário de 2007, o contribuinte apresentou, para período de 01/01/2007 a Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13227.720133/201073 Acórdão n.º 1202000.738 S1C2T2 Fl. 1.100 3 30/06/2007, a Declaração Anual Simplificada de Pessoa Jurídica e para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, a Declaração Anual do Simples Nacional, discriminando a receita bruta auferida mensalmente e o crédito tributário devido de acordo com o SIMPLES e o Simples Nacional, respectivamente. No entanto, conforme demonstrado anteriormente, o sujeito passivo já não tinha mais direito de optar pelo SIMPLES, devendo fazer sua declaração de Imposto de Renda pelo Lucro Real ou optar pelo Lucro Presumido e recolher os demais tributos por suas regras gerais. Nesse caso, como o sujeito passivo injustificadamente não apresentou os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, necessários para a determinação do lucro real, a apuração deverá ser feita por meio do lucro arbitrado, utilizando como base para o lançamento dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) o valor declarado; (iii) Multa qualificada – 150%: A justificativa para qualificar e agravar a multa reside no fato de o sujeito passivo recusarse injustificadamente a apresentar todos os documentos solicitados pela fiscalização e por ter transmitido “PJSI – Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – SIMPLES” e “Declaração anual do Simples Nacional” com receitas muito inferiores àquelas efetivamente recebidas. Para o anocalendários de 2006, de uma receita total de R$ 26.066.225,83 o contribuinte declarou R$ 367.810,72, o que representa apenas 0,78%, correspondente a R$ 202.722,13. Para o ano calendário de 2007, o valor declarado R$ 367.810,72 representa apenas 1,06% da receita total de R$ 34.704.088,94. Assim, temos um conjunto de condutas, cujo objetivo não pode ser outro senão àquelas tendentes a retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstância materiais, assim como das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, via AR, no dia 04/10/2010, conforme consta à folha 564, não apresentou impugnação no prazo regulamentar e não recolheu o valor referente ao crédito tributário consubstanciado nos autos. Consequentemente, foi lavrado Termo de Revelia (fls. 806). Informado de que suas impugnações apresentadas em 04/11/2010 e 08/11/2010 (fls. 568 e seguintes) estariam intempestivas, foi intimado a recolher os créditos tributários apurados no prazo de 30 dias (fls. 1.017) mas não o fez. Os autos foram enviados para julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), a qual não conheceu da impugnação por ter sido intempestiva, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006,2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13227.720133/201073 Acórdão n.º 1202000.738 S1C2T2 Fl. 1.101 4 A tempestividade é requisito indispensável da impugnação, assim, não deve ser conhecida a impugnação apresentada fora do prazo de trinta dias a contar da ciência do lançamento, consequentemente, não é instaurado o contencioso, na forma do art. 14 do Decreto 70.235/72. CIÊNCIA VIA POSTAL. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Caracteriza a ciência da autuação por via postal o recebimento da correspondência no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, comprovado com o Aviso de Recebimento – AR. É intempestiva a impugnação apresentada ao órgão preparador após 30 (trinta) dias contados da data em que for feita a intimação da exigência. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, os quais somente serão considerados se a repartição encontrar se em dia de expediente normal. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, o que segue: (i) Os Autos de Infração em conjunto com o AR não foram recepcionados regularmente em mão própria da Recorrente, visto que a correspondência teria sido entregue em outro endereço, em outro Município e fora do domicílio eleito pelo sujeito passivo; (ii) Se vislumbra o cerceamento de defesa e a nulidade de todos os atos praticados pela administração tributária, visto que não teria constado a assinatura da representante legal da empresa ou de seu gerente ou de um dos sócios da empresa, bem como o local e data em que fora tornado válido a presente notificação; (iii) Houve erro cometido pelos servidores da 1ª Delegacia da Receita Federal do Brasil em JI Paraná, pois teriam induzido a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém a erro formal e material. (iv) Pede que não se olvide a existência da teoria da aparência, segundo a qual é válida a citação realizada na pessoa que se identifica como representante legal da empresa, pois nesse caso a Recorrente não sabe identificar a pessoa que assinou o AR; (v) Teriam sido violados os princípios do contraditório e da ampla defesa. Por fim, requer seja devolvido o prazo para interposição dos recursos do processo administrativo, com vistas a evitar nulidade absoluta do crédito tributário e do próprio lançamento, por falta de amparo legal, por vício formal e material e cerceamento de defesa. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13227.720133/201073 Acórdão n.º 1202000.738 S1C2T2 Fl. 1.102 5 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de recurso voluntário interposto por C. Brassaroto Fenali ME contra a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), que não conheceu a impugnação apresentada pelo Recorrente, pois esta teria sido apresentada intempestivamente. Diante da declaração de intempestividade exarada no acórdão de primeira instância, fica restringida ao julgador de segunda instância a apreciação da matéria discutida no recurso voluntário apenas no que consiste à intempestividade, conforme entendimento deste E. Conselho: Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 1995 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA PRECLUSÃO PROCESSUAL A declaração de intempestividade da impugnação, pelo Acórdão de primeira instância, restringe a matéria a ser examinada no âmbito do recurso voluntário à contrariedade oferecida a essa declaração. Confirmada a intempestividade da Impugnação, negase provimento ao recurso. Recurso Voluntário Negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10421991 do Processo 137020002930051, Data: 20/10/2006). (não grifado no original) Dessa forma, passo a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente no que consiste à tempestividade da impugnação apresentada. I – DA PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente requer seja declarada a nulidade de todos os atos praticados pela administração tributária, sob a alegação de não constar no AR assinatura do representante legal da empresa, bem como o local e data do recebimento. Primeiramente, cumpre esclarecer que a Recorrente foi intimada por via postal, com aviso de recebimento, conforme estabelece o artigo 23, II e §2º, II do Decreto 70.235/72, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13227.720133/201073 Acórdão n.º 1202000.738 S1C2T2 Fl. 1.103 6 Via de regra, “o aviso de recebimento assinado pelo destinatário da intimação é a prova da ciência e fica em poder da repartição fiscal que enviou a correspondência e este deve ser juntado ao processo quando retorna dos Correios” (NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ, Maria Teresa Martinez em Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, p. 357, Editora Dialética, 2010). É considerada válida a intimação via postal quando esta se dá no domicílio fiscal eleito pelo próprio contribuinte e é assinada pelo representante legal ou pessoa que se identifica como tal, ou até mesmo qualquer que seja a pessoa que receba os documentos. Isto porque a jurisprudência administrativa, no que concerne à intimação por via postal, é pacífica no sentido de se considerar válida a notificação que chega ao endereço do domicílio tributário eleito pelo contribuinte e constante dos cadastros da Receita Federal do Brasil, mesmo que a assinatura do recebimento não seja do intimado, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: PAF CIÊNCIA POR VIA POSTAL (AR) ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO SÚMULA 1º CC nº 9 IMPROCEDÊNCIA É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS ART. 42 DA LEI 9.430/96 CARACTERIZAÇÃO Demonstrado pela fiscalização a ocorrência de movimentação financeira mantida a margem, por força do disposto no art. 42 da Lei 9.430/96 temse por estabelecida a presunção de omissão de receitas. CSLL/ PIS E COFINS DECORRÊNCIA Aos lançamentos decorrentes de IRPJ, na medida em que não haja nenhuma questão diversa, aplicase a mesma decisão proferida no dito lançamento matriz. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO APLICAÇÃO EM VIRTUDE DE LEI LEGITIMIDADE SÚMULA 1ºCC Nº 2 O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10709028 do Processo 15586000305200578, Data: 23/05/2007).(não grifado no original) Dessa forma, não merece prosperar a alegação da Recorrente de que padecem de nulidade todos os atos procedimentais da administração tributária, pois desconhece a pessoa que tomou ciência das autuações, visto que conforme se demonstrará adiante a intimação foi efetuada no domicílio fiscal da mesma, sendo irrelevante a pessoa que teria assinado o Aviso de Recebimento (AR). Ademais, na peça impugnatória a Recorrente não arguiu a nulidade dos atos praticados pela administração tributária e acabou por protocolar posteriormente um aditivo à impugnação requerendo que fosse considerada a data de 06/10/2010 para efeitos de contagem do prazo, e apenas em sede de Recurso Voluntário veio a arguir a nulidade. Assim, caso existisse essa irregularidade no procedimento a Recorrente de pronto teria tomado conhecimento e já em sede de preliminar de impugnação arguiria a nulidade. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13227.720133/201073 Acórdão n.º 1202000.738 S1C2T2 Fl. 1.104 7 Dessa forma, considerando não ter havido qualquer erro no procedimento fiscalizatório, rejeito a preliminar de nulidade. II – DO ENDEREÇO DA ENTREGA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Quanto ao endereço da entrega dos Autos de Infração, a Recorrente alega que a correspondência contendo os documentos foi entregue em Município diferente do domicílio fiscal por ela eleito, pois teria sido entregue no Município de Rolim de Moura/RO, conforme consta do Aviso de Recebimento (AR) às fls. 564. Porém, ao analisar referido AR anexado às fls. 564, verificase que o endereço destinatário é o mesmo que consta no Termo de Início de Fiscalização (fls. 5), qual seja, Av. Capitão Silvio, 111, Sala C, Centro, Município de São Miguel do Guaporé/RO, de modo que não se verifica nenhum equívoco quanto ao endereço em que os documentos foram enviados já que esse é considerado o domicílio fiscal da Recorrente. Dessa forma, não prospera o argumento da Recorrente de que os documentos teriam sido enviados para endereço alheio ao seu domicílio fiscal. Considerando que não houve nenhum equívoco na intimação da Recorrente, passo a analisar a tempestividade da impugnação. III DA TEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO O Decreto 70.235/72 estabelece regras de contagem do prazo para a interposição dos recursos em sede de processo administrativo. Vale destacar o artigo 5º e 15, a seguir transcritos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (não grifado no original). Verificase nos documentos trazidos aos autos que a Recorrente foi cientificada da autuação no dia 04/10/2010 (segunda feira), conforme AR de fls. 564 e 805, contandose o primeiro dia do prazo na terça feira (05/10/2010), dia de expediente normal na Delegacia da Receita Federal do Brasil. Dessa forma, temse que o prazo fatal escoaria em 03/11/2010 (quartafeira). Porém, foram apresentadas duas impugnações uma no dia 04/11/2010 e outra no dia 08/11/2010, de modo que resta inequívoca a intempestividade dessas impugnações. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 13227.720133/201073 Acórdão n.º 1202000.738 S1C2T2 Fl. 1.105 8 Conforme já demonstrado acima, diante de uma decisão que reconhece a intempestividade da impugnação, caso seja interposto recurso voluntário pelo contribuinte cabe ao julgador de segunda instância apreciar somente acerca dessa matéria. Para confirmar esse entendimento, trago alguns julgados deste E. Conselho: NORMAS PROCESSUAIS RECURSO VOLUNTÁRIO DECLARAÇÃO DE INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. O não conhecimento da impugnação apresentada pelo contribuinte limita o objeto do Recurso Voluntário às razões que consideram intempestiva a impugnação. A matéria não apreciada pelo órgão julgador de primeira instância em face de intempestividade da impugnação implica a não devolução da matéria ao Colegiado, instância ad quem. RECURSO NÃO CONHECIDO. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30131589 do Processo 13603001907200219, Data: 02/12/2004) IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. A Impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa no que pertine ao Processo Administrativo Fiscal, nem suspende a exigibilidade do crédito tributário. O princípio do duplo grau de jurisdição não obriga a instância superior a conhecer do recurso porventura interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. (Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 30237744 do Processo 10825001404200321, Data: 21/06/2006).(Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10707117 do Processo 153740021899917, Data: 17/04/2003) Portanto, diante de todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente Geraldo Valentim Neto Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 03/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 15/05/201 2 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por GERALDO VALENTIM NETO
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000250/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11020.000670/2003-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/11/2001 a 31/12/2001
DESISTÊNCIA DO VOLUNTÁRIO. FIM DO LITÍGIO.
A desistência do recurso voluntário encerra o litígio, pelo que não se conhece da peça recursal.
Numero da decisão: 3401-001.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em face da desistência pelo contribuinte.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em face da desistência pelo contribuinte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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INDUSTRIA E COMÉRCIO Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/11/2001 a 31/12/2001 DESISTÊNCIA DO VOLUNTÁRIO. FIM DO LITÍGIO. A desistência do recurso voluntário encerra o litígio, pelo que não se conhece da peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário em face da desistência pelo contribuinte. Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de retorno de diligência determinada por este Colegiado em 30/04/2010 (nos mesmos termos de uma resolução anterior, de 20/10/2004), após recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve auto de infração do IPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 06 70 /2 00 3- 65 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11020.000670/200365 Acórdão n.º 3401001.904 S3C4T1 Fl. 557 2 A diligência foi determina visando aguardar a decisão final no processo nº 13016.000339/200259, recurso voluntário nº 230461. Como o presente lançamento devese ao indeferimento de compensações pleiteadas e os valores lançados e discriminados à fl. 05 (na numeração original, à caneta) coincidem com valores de débitos informados em dois pedidos de compensação vinculados àquele processo, havia a dependência do crédito tributário aqui contestado. Se confirmado o indeferimento naquele, cabia analisar os outros argumentos da recorrente. Do contrário, cabia reformar o lançamento do presente processo, na medida da decisão final no de nº 13016.000339/200259. Depois de cientificado da diligência em 10/05/2012 (fls. 536/537 na numeração à caneta, equivalentes às fls. 544/545 na numeração tipográfica, esta adotada no escaneamento), em 21/05/2012 o contribuinte protocolou a petição de fl. 546, requerendo “a juntada da petição protocolizada em 01/03/2010, informando a desistência do recurso interposto nos autos do processo administrativo nº 11020.000670/200365.” Na petição acima referida, com data de 26/02/2010 e protocolada em 01/03/2010 (fl. 548), o contribuinte afirma ser parcial a desistência, renunciando “a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso, exceto sobre a aplicação da multa de 75%”. A primeira instância, nos termos do acórdão de fls. 164/171, julgou o lançamento procedente em parte, tendo convertido a multa de ofício em multa de mora. Na Impugnação e no Recurso Voluntário o contribuinte insurgese contra a multa, afirmando que a penalidade é ilegal e confiscatória. Nos termos do pedido ao final da peça recursal, requer “seja declarada a ilegalidade das multas aplicadas, tendo em vista o caráter confiscatório da mesma, pois a empresa autuada declarou valores em DCTF de forma espontânea, não devendo ser penalizada.” (fl. 257 na numeração à caneta). É o relatório, elaborado a partir dos autos digitalizados. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do processo administrativo fiscal, mas não deve ser conhecido em face da desistência. Como relatado, em 21/05/2012 o contribuinte protocolou a petição de fl. 546, requerendo “a juntada da petição protocolizada em 01/03/2010, informando a desistência do recurso interposto nos autos do processo administrativo nº 11020.000670/200365.” Na petição protocolada em 01/03/2010, com data de 26/02/2010 (ver fl. 548), o contribuinte afirma ser parcial a desistência, renunciando “a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso, exceto sobre a aplicação da multa de 75%”. Parece esquecer, ao falar em desistência parcial e com exceção, tãosomente, da insurgência contra “a aplicação da multa de 75%”, que a penalidade de ofício já havia sido reduzida pela DRJ ao percentual da multa de mora. Do provimento parcial à Impugnação reduzindo a multa não há remessa de ofício porque o total da penalidade lançada (antes da Fl. 562DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11020.000670/200365 Acórdão n.º 3401001.904 S3C4T1 Fl. 558 3 redução ao percentual de multa de mora) é igual a R$ 979.906,20, montante inferior ao limite de alçada que, atualmente, correspondente a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Além de ter não permanecido a multa de ofício no percentual de 75%, a Notificação nº 2/126/12/ARF/Soroc/BGS, de 07/05/2012 (fl. 536 na numeração à caneta), ao cientificar o contribuinte da Resolução nº 340100.035, informa ter sido “constata a inclusão do presente processo no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009”. O contribuinte, por sua vez, na petição de 21/05/2012 diz da “desistência do recurso” (não mais utiliza a expressão “parcial”, como havia escrito em 01/03/2010) e se refere ao “Recibo de Consolidação de Parcelamento de Dívidas Não Parceladas Anteriormente” (fl. 546). À vista dos pronunciamentos do contribuinte e do parcelamento referidos, parece certo que houve a desistência total ao Recurso Voluntário, sendo que, de todo modo, a multa de ofício – única matéria em relação a qual não teria havido renúncia, se considerada apenas a petição de 26/02/2010, protocolada em 01/03/2010 – não remanesceu, após o julgamento da DRJ. Pelo exposto, em face da desistência não conheço da peça recursal. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 563DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004986/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2005
CONSÓRCIO DE EMPRESAS. RATEIO DAS RECEITAS E DESPESAS.
Não sendo constatada infração à legislação tributária, o rateio das receitas e das despesas do consórcio deve ser conforme as estipulações do contrato devidamente registrado no órgão competente.
Hipótese configurada nos autos.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO EM VALOR SUPERIOR AO LUCRO PRESUMIDO.
É isenta de tributação a parcela do lucro, distribuído aos sócios, que exceda a base tributável apurada no regime do lucro presumido, desde que se tome por base a escrituração comercial.
Na hipótese, o lucro distribuído aos sócios, que excedeu ao lucro presumido, está de acordo com o lucro líquido apurado na contabilidade.
Numero da decisão: 2101-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2005 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. RATEIO DAS RECEITAS E DESPESAS. Não sendo constatada infração à legislação tributária, o rateio das receitas e das despesas do consórcio deve ser conforme as estipulações do contrato devidamente registrado no órgão competente. Hipótese configurada nos autos. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO EM VALOR SUPERIOR AO LUCRO PRESUMIDO. É isenta de tributação a parcela do lucro, distribuído aos sócios, que exceda a base tributável apurada no regime do lucro presumido, desde que se tome por base a escrituração comercial. Na hipótese, o lucro distribuído aos sócios, que excedeu ao lucro presumido, está de acordo com o lucro líquido apurado na contabilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
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RATEIO DAS RECEITAS E DESPESAS. Não sendo constatada infração à legislação tributária, o rateio das receitas e das despesas do consórcio deve ser conforme as estipulações do contrato devidamente registrado no órgão competente. Hipótese configurada nos autos. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO EM VALOR SUPERIOR AO LUCRO PRESUMIDO. É isenta de tributação a parcela do lucro, distribuído aos sócios, que exceda a base tributável apurada no regime do lucro presumido, desde que se tome por base a escrituração comercial. Na hipótese, o lucro distribuído aos sócios, que excedeu ao lucro presumido, está de acordo com o lucro líquido apurado na contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 49 86 /2 00 9- 61 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurada falta de recolhimento de Imposto sobre a Renda na Fonte em decorrência de pagamento sem causa ou operação não comprovada (fls. 213 a 223). Em 23.12.2009, a autuada apresentou impugnação (fls. 174 a 193), na qual esclareceu que, em 2004, distribuiu aos seus sócios lucros decorrentes do contrato de Consórcio firmado entre ela e a empresa Jandira de Investimentos Imobiliários SPE Ltda., denominado "Consórcio Jandira". Afirma que, no cálculo do lucro a ser distribuído, a Fiscalização entendeu que a fiscalizada havia deixado de incorporar as despesas referentes à sua parte do Consórcio Jandira, promovendo o lançamento por essa irregularidade. Todavia, ponderou, o Contrato de Consórcio previu expressamente que tais gastos seriam suportados pela outra consorciada, a empresa Jandira de Investimentos Imobiliários SPE Ltda. Protestando pela juntada posterior de documentos, pediu, ao final, fosse cancelado o Auto de Infração, ante a sua nulidade e, caso não acolhido este pedido, fosse afastada a aplicação da taxa Selic na atualização dos valores devidos. A 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro 1 (RJ) julgou o lançamento procedente, por meio do Acórdão n.º 1240.250, de 6 de setembro de 2011, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. RATEIO DAS RECEITAS E DESPESAS. ENCARGOS DIFERENCIADOS. Admitese rateio diferenciado de receitas e despesas de um consórcio de empresas cuja finalidade seja a realização de um empreendimento imobiliário e cujo contrato responsabilize um dos consorciados pela entrega do terreno e o outro pelos custos de construção, comercialização e administração. A livre forma de pactuar, desde que não fique caracterizada a transferência disfarçada de lucros entre as empresas, está prevista na legislação comercial e na legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.004986/200961 Acórdão n.º 2101002.161 S2C1T1 Fl. 3 3 DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO EM VALOR SUPERIOR AO LUCRO PRESUMIDO. DEMONSTRAÇÃO CONTÁBIL. É isenta de tributação a parcela do lucro apurado com base na escrituração comercial distribuída aos sócios que exceda à base tributável apurada no regime do lucro presumido. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado De sua decisão, a DRJ no Rio de Janeiro 1 recorreu de ofício. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Decreto n.º 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o recurso de ofício: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. [...] A Portaria MF n.º 3, de 2008, determina, em seu artigo 1.º, que o Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Tendo em vista que o crédito de IRRF lançado no presente processo é da ordem de R$ 1.910.101,64, temse que o Recurso de Ofício atende aos os requisitos do Decreto nº 70.235, de 1972, motivo pelo qual dele conheço. 1. Da autuação Fl. 488DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal às fls. 219 e seguintes, a Fiscalização verificou que a autuada (i) conta com a participação de dois sócios: Castlecor S/A, sediada no Uruguai, com 99,99% das quotas sociais e Elenice Aparecida Henrique, com 0,01%; (ii) apresentou a DIPJ do anocalendário 2004 com base no lucro presumido e (iii) manteve escrituração contábil regular. Apurou ainda que, nos meses de janeiro a dezembro de 2004, conforme valores escriturados no Livro Razão do período de 01.01.2004 a 31.12.2004, contas 21835 e 21841, transcritas no Livro Diário n° 07, distribuiu aos sócios lucro no valor de R$ 11.145.031,16. Com base nas informações contidas na DIPJ, a Fiscalização constatou que, aplicando os percentuais sobre a Receita Bruta, a interessada apurou Lucro Presumido anual de R$ 5.782.882,71. Intimada a comprovar a origem dos valores pagos aos sócios a título de lucros distribuídos, a fiscalizada apresentou contabilidade e balancetes demonstrando um lucro apurado de R$ 15.066.085,69. Da análise dos documentos apresentados, a Fiscalização concluiu que: “1. De acordo ,com os balancetes apresentados, um empreendimento contribuiu para a composição dos lucros, apurados; 2. Para a construção da obra JANDIRA, em andamento no ano fiscalizado, constituiuse, em 8 de outubro de 2001, o consórcio denominado "Consórcio Jandira", tendo como consorciadas as empresas: Castlecor Empreendimentos Imobiliários Ltda (designada Proprietária) e Jandira de Investimentos Imobiliários SPE Ltda (designada Construtora); 3. Nomeouse a Jandira de Investimentos Imobiliários SPE Ltda (Construtora), nos termos do contrato, líder do consórcio; 4. Com relação à participação de cada consorciada, em termos de partilha da receita dos empreendimentos, estabeleceu se que a Proprietária receberia 33,50% da receita bruta do empreendimento e à Construtora, caberia (sic) os restantes 66,50%; 5. Quanto à contribuição de cada uma delas, a participação da Proprietária se daria mediante "a entrega dos terrenos descritos neste instrumento, para que sobre eles possam ser desenvolvidos os Empreendimentos Imobiliários: e dos custos decorrentes das vendas, sejam eles referentes à promoção de vendas, propaganda, comissão a título de corretagem, aqueles relativos à cobrança, lançamentos contábeis, serviços administrativos, enfim, todos aqueles que, por sua natureza, direta ou indiretamente, se relacionam com a comercialização e administração do Empreendimento, não sendo devida qualquer contribuição para o pagamento dos custos de construção e quaisquer outros que se relacionem com a construção das unidades do Empreendimento."; 6. A prestação da Construtora "será sua obrigação, com relação a 100% (cem por cento) dos custos, diretos e/ou indiretos, da construção e de todas as despesas a ela inerentes."; 7. Ou seja, além da entrega dos terrenos, a Proprietária é responsável pelos custos decorrentes da comercialização e Fl. 489DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.004986/200961 Acórdão n.º 2101002.161 S2C1T1 Fl. 4 5 administração do empreendimento. A Construtora é responsável por 100% das despesas relativas à construção.” Na apuração.do Lucro Líquido da fiscalizada, no anocalendário de 2004, em relação à obra do Consórcio Jandira, a Fiscalização concluiu que havia faltado apropriar 33,50% do total das despesas do consórcio, no valor equivalente a R$ 9.389.487,79, eis que, de acordo com. os artigos 2° e 3°, da Instrução Normativa RFB n° 834, de 2008, receitas e custos relativos à atividade dos consórcios devem ser apropriados proporcionalmente à sua participação no empreendimento. Sendo assim, recalculadas as despesas concernentes à participação do contribuinte no consórcio, conforme as regras determinadas naquela Instrução Normativa, a Fiscalização apurou que, do valor de R$ 11.145.031,16, distribuído aos sócios, apenas R$ 5.676.597,90 corresponderiam ao lucro líquido. A Fiscalização também consignou que não havia lucros acumulados de anos anteriores na contabilidade da pessoa jurídica, que justificassem a distribuição de lucros e dividendos aos sócios sem a incidência de imposto de renda na fonte. Sendo assim, com fundamento na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil n.º 834, de 2008, que disciplina os procedimentos fiscais dispensados aos consórcios constituídos nos termos dos artigos 278 e 279 da Lei n.º 6.404, de 1976, e legislação especificada, foi lavrado o Auto de Infração às fls. 213 a 223. 2. Da impugnação Na impugnação, a defendente alegou que mantém escrituração contábil regular e, no exercício 2005, optou pela tributação com base no lucro presumido, tendo apurado, nessa modalidade, lucro de R$ 3.236.201,44. Conforme escrituração de seu Livro Razão e transcrição em seu Livro Diário n.º 07, afirma ter distribuído lucros a seus sócios na importância total de R$ 11.145.031,16, em virtude de ter apurado lucro de R$ 15.066.085,69, resultado este, inclusive, decorrente do contrato de Consórcio firmado entre ela e a empresa Jandira de Investimentos Imobiliários SPE Ltda., denominado "Consórcio Jandira", para implantação de empreendimento imobiliário, a expressarse na incorporação e construção de edifícios residenciais. Argumentou que, no contrato de consórcio, os direitos e as obrigações entre as consorciadas ficaram assim estipulados: 1. Direitos: (i) Castlecor: recebimento de 33,5% do valor bruto geral da receita das vendas do empreendimento (item II6.1 do Contrato de Consórcio). (ii) Jandira de Investimentos: recebimento de 66,5% do valor bruto geral da receita das vendas do empreendimento (item II6.1 do Contrato de Consórcio). 2. Obrigações: Fl. 490DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 (i) Castlecor: entrega de imóvel descrito no item 12 do Contrato de Consórcio, para que sobre ele fosse desenvolvido o empreendimento imobiliário objeto do consórcio (item II7.1 do Contrato de Consórcio). (ii) Jandira de Investimentos: obrigação em arcar com 100% dos custos, diretos e/ou indiretos, da construção e de todas as despesas a ela inerentes, bem como os custos decorrentes das vendas, sejam eles referentes à promoção de vendas, propaganda, comissão a título de corretagem, aqueles relativos à cobrança, lançamentos contábeis, serviços administrativos, ou seja, todas aquelas que, por sua natureza, direta ou indiretamente, se relacionem com comercialização e administração das unidades do empreendimento (item II7.2 do Contrato de Consórcio). Diante disso, ponderou que não estaria sujeita a nenhum custo ou despesa do empreendimento, devendo somente fornecer o terreno onde se realizaria a empreitada. Sendo assim, a exigência feita no auto de infração, que se pauta na Instrução Normativa RFB nº 834, de 2008, violaria o seu direito, uma vez que exigiu, em seu resultado, a apropriação de despesas que não são de sua responsabilidade. Ademais, a autuação feita não poderia ter se baseado na referida Instrução Normativa, tal como ocorreu, eis que, ao tempo dos fatos, anocalendário 2004, tal ato normativo sequer havia sido editado. Por fim, tendo em vista que o Contrato de Consórcio expressamente a desonera de qualquer custo ou despesa (item II7.1) e igualmente, de forma taxativa, prevê que 100% dos custos e despesas sejam arcados pela empresa Construtora Jandira de Investimento Imobiliário (item II7.2), a impugnante não poderia apropriar em sua contabilidade custos e despesas que não foram sequer suportados por ela, mas sim pela outra consorciada. Tendo em vista que: (i) com base no artigo 10 da Lei n.º 9.249, de 1995 e no artigo 48 da Instrução Normativa da SRF n.º 93, de 1997, a pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido poderá distribuir lucros, de forma isenta do imposto sobre a renda, a seus sócios, com base no resultado efetivamente apurado, desde que devidamente escriturado contabilmente; (ii) tendo comprovado perante a Fiscalização, ter apurado lucro de R$ 15.066.085,69, oriundos do Consórcio Jandira, e (iii) não havendo abatimento do lucro apurado por apropriação de custos e despesas do Consórcio Jandira, conclui que a distribuição de lucros foi feita com a devida observância dos dispositivos legais mencionados. Por essa razão, não haveria IRRF a ser recolhido. 3. Da decisão recorrida Na decisão que considerou procedente a impugnação, a DRJ ponderou que a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 834, de 2008, invocada pela Fiscalização como fundamento para o lançamento, por ser uma norma complementar (inciso I, do art. 100, do CTN), poderia ser aplicada retroativamente, desde que não impusesse ao contribuinte ônus não previsto, na época. No caso, o artigo 3º da citada norma determinava que as receitas, custos e despesas deveriam ser proporcionalizados de acordo com a participação de cada consorciado, conforme o contrato. Logo, se foi pactuado que, na constituição do consórcio, a interessada entregaria o terreno para construção do empreendimento imobiliário e a empresa Jandira de Investimentos Imobiliários SPE Ltda arcaria com os custos e despesas de construção, comercialização e administração, não havia como incumbir a interessada de tais encargos. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.004986/200961 Acórdão n.º 2101002.161 S2C1T1 Fl. 5 7 Também foi salientado na decisão recorrida que a Lei n.º 6.404, de 1976, que prevê a livre forma de pactuar a partilha das receitas, das despesas, dos resultados e das responsabilidades e não estabelece que receitas e despesas serão rateadas na mesma proporção, foi atendida pelo consórcio. 3. Do não provimento ao recurso de ofício O Auto de Infração constante do presente processo originouse da constatação de que teria havido distribuição, aos sócios, de lucros excedentes ao lucro líquido do período, após o imposto sobre a renda, sem a devida retenção do imposto sobre a renda na fonte. A Fiscalização entendeu, em síntese, que, no cômputo do lucro a ser distribuído, a interessada não havia descontado as despesas concernentes à comercialização e administração do empreendimento objeto do Consórcio Jandira, na qual a pessoa jurídica participou como “proprietária”. Examinando o Contrato de Consórcio às fls. 227 e seguintes, temse que a participação da “proprietária” na partilha da receita do empreendimento ficou acertada entre as partes conforme o item II6.1, que assim prescreveu: “(i) A PROPRIETÁRIA receberá 33,5% (trinta e três e meio por cento) da receita bruta do empreendimento, auferida com as vendas das unidades habitacionais, ou seja, 33,5% (trinta e três e meio por cento) sobre o valor bruto geral da receita das vendas (V.G.V.) do empreendimento, bem como todo e qualquer outro valor acrescido aos recebimentos de vendas, ou deles provenientes, a qualquer título (juros, multas, atualizações monetárias, prêmios, etc); [...]” No tocante às obrigações e responsabilidades das consorciadas, o Contrato de Consórcio assim dispõe: “II7.1. A PROPRIETÁRIA participará, em razão do disposto anteriormente, única e exclusivamente mediante a entrega do imóvel objeto da incorporação descrita no item 12 retro, para que sobre ele possa ser desenvolvido o empreendimento imobiliário acima citado, não sendo devida qualquer contribuição para o pagamento dos custos de construção, administração, vendas, propaganda, corretagem, cobrança, serviços contábeis e administrativos, e quaisquer outros que se relacionem com a construção, financiamentos, administração e comercialização das unidades do empreendimento.” (g.n.) Depreendese, do texto transcrito, que a “proprietária”, mediante a entrega do terreno objeto da incorporação, identificado no contrato, deve receber 33,5% da receita bruta do empreendimento, auferida com as vendas das unidades habitacionais nele construídas, sem que tenha de suportar os custos de construção, administração, vendas, propaganda, corretagem, cobrança, serviços contábeis e administrativos, e quaisquer outros que se relacionem com a construção, financiamentos, administração e comercialização das unidades do empreendimento. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Todavia, a Fiscalização entendeu que, além da entrega do terreno, a “proprietária” seria responsável pelos custos decorrentes da comercialização e administração do empreendimento, ficando a Construtora encarregada de suportar 100% das despesas relativas à construção (vide item 7 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 220) e, com base nos artigos 2.º e 3.º da Instrução Normativa da RFB n.º 834, de 2008, apurou que, no cômputo do lucro líquido da fiscalizada, no anocalendário fiscalizado, faltou apropriar 33,50% do total das despesas do consórcio, no valor equivalente a R$ 9.389.487,79. Entendemos que o argumento da Fiscalização não procede. É que, mesmo que a invocada Instrução Normativa já estivesse em vigor na época dos fatos, a norma veiculada pelo caput do seu artigo 3.º não poderia fundamentar o lançamento, eis que aquele dispositivo normativo dispõe que cada pessoa jurídica participante do consórcio deverá apropriar suas receitas, custos e despesas incorridos, proporcionalmente à sua participação no empreendimento, conforme documento arquivado no órgão de registro. E, conforme visto acima, o Contrato de Consórcio registrado na JUCESP não prevê que a “proprietária” deveria incorrer em custos ou despesas referentes à construção, administração, vendas, propaganda, corretagem, cobrança, serviços contábeis e administrativos, e quaisquer outros que se relacionem com a construção, financiamentos, administração e comercialização das unidades do empreendimento. Desse modo, não é possível imputar à “proprietária” custos ou despesas que ela, conforme o contrato do consórcio devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP, (NIRE 35.500.033.667), não tenha acordado suportar e não tenha, de fato, suportado, eis que não se configurou infração à legislação tributária. Salientase, ainda, que também a Lei n.º 6.404, de 1976, que dispõe sobre as sociedades por ações, na regulação dos consórcios, nos artigos 278 e 279, não faz restrição à forma de repartição dos seus custos e despesas. Sendo assim, nos casos em que inexiste constatação de descumprimento da legislação tributária, não cabe à Fiscalização determinar proporção do rateio dos custos e despesas do consórcio diversa daquela prevista no contrato. Por outro lado, o artigo 10, da Lei n.º 9.249, de 1995, dispõe que os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. De acordo com a contabilidade da empresa, no anocalendário 2004, foram distribuídos aos sócios lucros de R$ 11.145.031,16, sendo R$ 11.143.264,91 para a Castlecor S/A e R$ 1.766,25 para Elenice Aparecida Henrique (Contas 21835 e 21841 do Livro Razão do período de 1.1.2004 a 31.12.2004, fls. 94). O lucro líquido do anocalendário 2004 foi de R$ 15.066.085,69 (vide Demonstrativo do Resultado, às fls. 324), sendo que, conforme se constata do Demonstrativo de Lucros Acumulados (fls. 326), a empresa tinha para distribuir, no primeiro trimestre de 2004, lucros acumulados de R$ 6.887.663,85. No segundo trimestre, auferiu lucros de R$ 2.025.184,51; no terceiro, R$ 2.232.182,80. O total de lucros auferidos até o terceiro trimestre de 2004, que poderia ter sido distribuído aos sócios, foi de R$ 11.145.031,16. Tendo em vista terem sido distribuídos, no anocalendário 2004 (em novembro e dezembro), lucros acumulados mais lucros referentes aos três primeiros trimestres Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19515.004986/200961 Acórdão n.º 2101002.161 S2C1T1 Fl. 6 9 no exato montante de R$ 11.145.031,16, não se constatou o excesso na distribuição de lucros apurado pela Fiscalização. Sendo assim, o lançamento perpetrado por meio do Auto de Infração constante deste processo não encontra fundamento legal, razão pela qual correta está a decisão recorrida. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 19/ 04/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13706.000539/00-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/1988 a 31/05/1994
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Especial do Procurador Parcialmente Provido
Numero da decisão: 9303-001.896
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1988 a 31/05/1994 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Especial do Procurador Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 31/01/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário. Eis a emenda do acórdão recorrido: Relator: Henrique Pinheiro Torres Acórdão 20403512 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1988 a 31/05/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo de decadência/prescrição para requererse restituição/compensação de valores referentes a indébitos referentes à legislação em que, em sede de controle incidental, o STF declarou inconstitucional, começa a fluir para todos os contribuintes a partir do momento em que a decisão do Excelso Tribunal passou a ter efeitos erga omnes, in casu, 10 de outubro de 1995, data de publicação da resolução do Senado da República que suspendeu a execução do diploma legal inquinado de nconstitucionalidade.RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A PGFN interpôs Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo,começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição da Contribuição para o Finsocial, apresentado em 22/06/1999, relativo aos pagamentos efetuados a maior no período de apuração de outubro de 1988 a maio de 1994. A recorrente tem razão, em parte, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.000539/0082 Acórdão n.º 930301.896 CSRFT3 Fl. 134 3 tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 22/06/1999, somente os pagamentos efetuados anteriormente a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação às competências de outubro de 1988 a maio de 1989. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco, inexistindo qualquer período alcançado pela prescrição. Ante o exposto voto pelo provimento parcial do recurso interposto pela PGFN, declarando prescrito o direito à repetição em relação às competências de outubro de 1988 a maio de 1989. No tocante às demais competências a recorrida faz jus ao direito creditório ora pleiteado a ser apurado pelo órgão competente. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 11020.720634/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente.
Numero da decisão: 2201-001.682
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira Franca, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira Franca, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Fl. 246DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/05), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 231.165,50, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Violeta”, localizado no município de São Francisco de Paula/RS. A fiscalização glosou a área declarada como de reserva legal (810,0 ha) e alterou o Valor de Terra Nua (VTN) declarado de R$ 717.249,00 para R$ 1.756.148,63. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... argumentou, em suma, que a Lei n.º 9.393/1996 é taxativa ao dispor em seu artigo 10 que a reserva legal não compõe a área tributável do imóvel e não prevê requisitos para a exclusão dessa área da base de cálculo do imposto, e que a exigência de averbação da reserva legal contida na Lei n.º 4.771/1965, Código Florestal, não tem a finalidade de constituíla e sim de conferir publicidade a esse ônus que recai sobre o imóvel, como forma de conferir efeito erga omnes à limitação do direito de propriedade representada pela reserva legal. Transcreveu acórdãos de Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais para ilustrar seu entendimento. Ao final, informou que refez os cálculos do tributo com base no Valor da Terra Nua apurado no lançamento de ofício e que efetuou o recolhimento da diferença que entende ser devida, restando a impugnação apenas com relação à isenção da área de reserva legal. Acompanharam a impugnação os documentos de fls. 146 a 158. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ÁREA DE RESERVA LEGAL. TRIBUTAÇÃO. Considerase de reserva legal a área devidamente averbada como tal à margem da matrícula do imóvel, à época do respectivo fato gerador. Lançamento Procedente Intimada da decisão de primeira instância em 17/03/2009 (fl. 168), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 09/04/2009 (fls. 169 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Fl. 247DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.720634/200745 Acórdão n.º 2201001.682 S2C2T1 Fl. 2 3 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou a área de reserva legal (810,0 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 717.249,00 para R$ 1.756.148,63, com base no Sistema de Preços de Terra (SIPT). De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, fls. 02/03, entendeu a autoridade fiscal que para o reconhecimento da isenção sobre a área de reserva legal é necessário que “... as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador”. Além do mais, em relação ao VTN “... após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado”. Em sua peça recursal alega a suplicante que é desnecessária a averbação da reserva legal a margem da matrícula do imóvel, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR. Assevera, ainda, que “... refez o cálculo do tributo e apurou a diferença obtida entre o Valor da Terra Nua inicialmente declarado e aquele apresentado quando do cumprimento da intimação efetuada. Assim, procedeu ao recolhimento do valor do tributo considerando o valor principal, acrescido de juros e multa...”. Pois bem, quando a área de reserva legal o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996 determina: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Todavia, para fazer jus à redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Fl. 248DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Assim, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Neste sentido, não há como considerar o Termo de Declaração de fl. 50, datado de 12 de setembro de 2006, pois na data do fato gerador a referida área não estava devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Esse entendimento encontra se assentado no Supremo Tribunal Federal, consoante à ementa destacada (Mandado de Segurança n° 22.688/PB): Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls. 73verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. (grifei) Mandado de segurança indeferido Transcrevese, outrossim, voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence proferido no julgado supra que afirma que sem a averbação não existe reserva legal. Vejase o seguinte excerto: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (....) A reserva legal não é uma abstração matemática... Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada Fl. 249DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 11020.720634/200745 Acórdão n.º 2201001.682 S2C2T1 Fl. 3 5 a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2 do art. 16 da lei nº 4.771/1965 não existe reserva legal. (grifei) Portanto, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Nessa conformidade, a área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente e antes da ocorrência do fato gerador, o que não ocorreu no presente caso. Por fim, informa a recorrente que apurou e recolheu a diferença de imposto relativo ao Valor da Terra Nua, conforme DARF de fl. 148. Assim, deverá a autoridade administrativa verificar a autenticidade do pagamento informado pela suplicante de forma a considerálo quando da execução do acórdão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 250DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000220/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.112
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora analise os argumentos do recurso voluntário, informando, em especial: I qual Código de Atividade Econômica do contribuinte (CNAE/CAE) foi utilizado para o período do lançamento fiscal; II se foi observado a atividade preponderante na forma da lei; III – se foi aplicada a alíquota de 3% utilizando a legislação em vigor no período do lançamento fiscal, ratificando ou não a alíquota utilizada para o GILRAT; IV apresentar demais informações que entender necessárias. O contribuinte deve ser cientificado para oferecer contrarrazões se desejar. Ao final os autos deverão ser encaminhados para julgamento.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora analise os argumentos do recurso voluntário, informando, em especial: I qual Código de Atividade Econômica do contribuinte (CNAE/CAE) foi utilizado para o período do lançamento fiscal; II se foi observado a atividade preponderante na forma da lei; III – se foi aplicada a alíquota de 3% utilizando a legislação em vigor no período do lançamento fiscal, ratificando ou não a alíquota utilizada para o GILRAT; IV apresentar demais informações que entender necessárias. O contribuinte deve ser cientificado para oferecer contrarrazões se desejar. Ao final os autos deverão ser encaminhados para julgamento.
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora analise os argumentos do recurso voluntário, informando, em especial: I qual Código de Atividade Econômica do contribuinte (CNAE/CAE) foi utilizado para o período do lançamento fiscal; II se foi observado a atividade preponderante na forma da lei; III – se foi aplicada a alíquota de 3% utilizando a legislação em vigor no período do lançamento fiscal, ratificando ou não a alíquota utilizada para o GILRAT; IV apresentar demais informações que entender necessárias. O contribuinte deve ser cientificado para oferecer contrarrazões se desejar. Ao final os autos deverão ser encaminhados para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Osmar Pereira Costa. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000220/200968 Resolução n.º 2803000.112 S2TE03 Fl. 189 2 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, por intermédio do auto de infração DEBCAD 37.213.5854/2009, correspondente às contribuições destinadas à Previdência Social a cargo da empresa, inclusive as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados assim como as contribuições previdenciárias (cota patronal) incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais (carreteiros), no período de 01/2005 a 12/2005. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa enquadrouse indevidamente como Produtora Rural Pessoa Jurídica, informando na GFIP Guia de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social o código FPAS 604, quando sua atividade conforme contrato social e alterações; Notas Fiscais de Prestação de Serviços e documentos contábeis é Prestadora de Mão de Obra Rural e o seu enquadramento correto é no código FPAS 787. O lançamento é composto dos seguintes levantamentos: levantamento FP (folha de pagamento): referente à remuneração dos segurados empregados; levantamento Zl [transferido do levantamento FP (75%)]: aplicação da multa mais benéfica; levantamento FRE (frete pago a trans. rodoviário): referente aos valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais – Carreteiros; levantamento Z2 [transferido do levantamento FRE (75%)]: aplicação da multa mais benéfica; As contribuições devidas pela empresa, relativas à parte dos segurados empregados, foram efetuadas na época própria. Serviram de base para os levantamentos FP e Zl os resumos das folhas de pagamento cópias anexas e o livro Diário nº 02. Serviram de base para os levantamentos FRE e Z2, a relação emitida e apresentada pela empresa, denominada de 'Relação de cheques avulsos emitidos', cópia anexa. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 27/07/2009 (fl. 01), apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000220/200968 Resolução n.º 2803000.112 S2TE03 Fl. 190 3 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão em 12/04/2011, fl. 170, inconformado interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: deve ser respeitado o princípio do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa; não se trata de empresa rural prestadora de serviços, mas de empresa rural predominantemente produtora, que também presta serviços. O recorrente prestase ao preparo do solo para o cultivo, ao corte de canadeaçucar plantada e ao transporte enquanto matéria prima até o estabelecimento responsável pela industrialização. Assim, sua ligação é com a produção agrícola da canadeaçucar, sendo pessoa jurídica produtora rural, FPAS 604. A Constituição Federal, art. 150, não faz diferenciação entre produtores rurais pessoa física e jurídica; a impossibilidade de desqualificação das atividades do recorrente, nos termos do art. 971 da Lei 10.406/2002 (Código Civil Brasileiro). Não pode o recorrente constrangesse à desqualificação de seus atributos; com o enquadramento no FPAS 604, o recorrente não procedeu ao recolhimento da alíquota RAT (riscos ambientais do trabalho) por está desobrigado de tal conduta; considerandose que a autuação fiscal se deu em 2009, sob a égide do decreto 6.402/2007, deveria ter sido aplicado para CNAE 01610/99, alíquota de 1% (risco leve), por ser mais benéfica; fazse necessário afastar os juros sobre a multa aplicada. A taxa selic tem aplicação ilegítima; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal e da multa imposta. É o relatório. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000220/200968 Resolução n.º 2803000.112 S2TE03 Fl. 191 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, fl. 187, e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. ALÍQUOTA GILRAT/SAT/RAT O contribuinte questiona que a autuação fiscal se deu em 2009, sob a égide do Decreto 6.402/2007, assim, deveria ter sido aplicado para CNAE 01610/99, alíquota de 1% (risco leve), por ser mais benéfica. Não consta do relatório fiscal, fls. 55/58, o procedimento utilizado pela fiscalização para a aplicação de 3% (três por cento) a título de GILRAT (risco ambiental do trabalho), como segue: RELATÓRIO DO AUTO DE INFRAÇÃO Al N° 37.213.5854. EMPRESA : Ajuste Serviços Gerais da Lavoura Ltda. CNPJ: 57.709.149/000161 ENDEREÇO: Rua Ângelo Pgnata, 263 CEP 14177160 Sertãozinho SP 1 INTRODUÇÃO 1.1 Este relatório é integrante do Auto de Infração n.° 37.213.585 4, referente às contribuições devidas e não recolhidas à Seguridade Social incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados correspondentes à parte patronal, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT e contribuições incidentes sobre valores pagos/creditados a segurados Contribuintes Individuais Carreteiros. 1.2 A Empresa enquadrouse indevidamente como Produtora Rural Pessoa Jurídica, informando na GFIP Guia de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social o código FPAS 604, quando sua atividade conforme contrato social e alterações; Notas Fiscais de Prestação de Serviços e documentos contábeis é Prestadora de Mão de Obra Rural e o seu enquadramento correto é no código FPAS 787. 2 D O S LEVANTAMENTOS (...) 2.1 O levantamento denominado FP FOLHA DE PAGAMENTO, competências 02 e 05 a 12/2005, referese a remuneração dos segurados empregados, sobre a qual incide a contribuição Patronal que no presente caso é de: 20% devido a Seguridade Social e mais 3% devido ao GILRAT. 2.2 O levantamento denominado Z1 Transferido do Lev FP (75%) nas competências 01 e 04/2005, referese a remuneração dos Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000220/200968 Resolução n.º 2803000.112 S2TE03 Fl. 192 5 segurados empregados, sobre a qual incide a contribuição Patronal que no presente caso é de: 20% devido a Seguridade Social e mais 3% devido ao GILRAT. (...) 2.3. O levantamento denominado FRE FRETE PAGO A TRANS RODOVIÁRIO (...) 2.4 O levantamento denominado Z2 Transferido do Lev FRE (75%) da mesma maneira é um desmembramento do levantamento FRE, (...) 3 DO PERÍODO DE LANÇAMENTO DO DÉBITO Os lançamentos envolvem o período fiscalizado de 01 a 12/2005. 4 ELEMENTOS EXAMINADOS 4.1 Foram examinados os seguintes elementos na ação fiscal: Folhas e recibos de pagamentos de salários; Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social G F I P ; Recibos de pagamento de autônomos; Guias da Previdência Social GPS Livro Diário de n. 2 relativo ao período de 01 a 12/2005; Razão do mesmo período; Contrato Social e alterações (cópias anexas). (...) Sertãozinho, 27/de julho de 2009. Nelson Cazarotti AFRFB matr. 0933238 Consta do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ do contribuinte Código de Atividade Econômica – CAE principal: 01.61099 e secundária: 01.61001 e 01.61003, como segue: REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO57.709.149/0001 61MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA23/12/1987 NOME EMPRESARIALAJUSTE SERVICOS GERAIS DE LAVOURA LTDA. TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA)AJUSTE CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL01.61099 Atividades de apoio à agricultura não especificadas anteriormente Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15956.000220/200968 Resolução n.º 2803000.112 S2TE03 Fl. 193 6 CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS01.61001 Serviço de pulverização e controle de pragas agrícolas01.61003 Serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA2240 SOCIEDADE SIMPLES LIMITADA LOGRADOUROR ANGELO PIGNATA NÚMERO263 COMPLEMENTO CEP14.177160 BAIRRO/DISTRITOP.RES.F.PASCHOAL MUNICÍPIOSERTAOZINHO UFSP SITUAÇÃO CADASTRALATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL03/11/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL******** É dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos e de respeitar o princípio da verdade material e o princípio do contraditório e ampla defesa de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição Federal do Brasil, bem como, determinar a produção de provas indispensáveis à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em converte o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora analise os argumentos do recurso voluntário, informando, em especial: I qual Código de Atividade Econômica do contribuinte (CNAE/CAE) foi utilizado para o período do lançamento fiscal; II se foi observado a atividade preponderante na forma da lei; III – se foi aplicada a alíquota de 3% utilizando a legislação em vigor no período do lançamento fiscal, ratificando ou não a alíquota utilizada para o GILRAT; IV apresentar demais informações que entender necessárias. O contribuinte deve ser cientificado para oferecer contrarrazões se desejar. Ao final os autos deverão ser encaminhados para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/ 06/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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