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Numero do processo: 11330.001208/2007-13
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/12/1999
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.328
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • ,Iii,:, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11330.001208/2007-13 Recurso n° 264.143 Voluntário Acórdão n° 2301-01.328 — 3a Câmara / ia Turma Ordinária Sessão de 24 de março de 2010 Matéria DECADÊNCIA Recorrente TENGEL TECNICA DE ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3a Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se Atue no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência (do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 corresponde ao décimo tei eiro' sialá''o. \I ,{1 jn )W } JULIO CESAR EIRA GOMES — Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). i Relatório Adotou-se no julgamento do presente recurso o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Dessa forma, a solução que foi adotada no julgamento do recurso-padrão, abaixo discriminado, foi aplicada a este recurso e a todos os demais repetitivos, confoime divulgado através da pauta de julgamento: Relator(a): Julio Cesar Vieira Gomes No julgamento dos itens 58 (recurso-padrão) e 59 a 107 (demais recursos repetitivos) serét adotado o procedimento previsto na Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 DOU de 29/09/2009, tendo como idêntica questão de direito a aplicação da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008. 58 - Recurso: 241679 Tipo: RV Processo: 35564.001890/2006- 70 Recorrente: DROGARIA SÃO PAULO S/A Recorrida: SRP- SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Matéria: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). . O julgamento do recurso-padrão acima resultou o Acórdão n° 2301-01.309. É o relatório. Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Confrontando-se a data da ciência do lançamento, 01/06/2007, com os relatórios preparados pela fiscalização, contata-se que todo o período objeto do lançamento está integralmente alcançado pela decadência, independentemente da regra aplicável, artigo 173, I ou artigo 150, §4° do CTN; motivo pelo qual adoto a decisão proferida no recurso- padrão, conforme relatório acima. Assim, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Sala das Sesões, 1 n,24 de março de 2010. i I ) k ,, fa InU,, JULIO CESÃR I , _ ' A GOMES - Relator \ 2
score : 1.0
Numero do processo: 11971.000155/2003-36
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3101-000.191
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Corintho Oliveira Machado Relator EDITADO EM: 20/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11971.000155/200336 Resolução n.º 3101000.191 S3C1T1 Fl. 529 2 Relatório Adoto como parte de meu relato, o quanto reportado pelo decisum a quo: O contribuinte acima qualificado formalizou pedidos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, nos valores de R$ 1.535.010,08 e R$ 1.146.904,74, referentes aos 4º trimestre de 2002 e 1º trimestre de 2003, respectivamente, com fundamento no art. 11 da Lei n.º 9.779, de 1999, cumulado com pedidos de compensação, apresentados através de PER/DCOMPs. 2.No Termo de Informação Fiscal de fls. 247/274, a autoridade diligenciadora opinou pelo deferimento parcial do pleito, proposto nos valores de R$ 282.025,33 (4º trimestre de 2002) e R$ 103.590,76 (1º trimestre de 2003), depois de historiar a legislação aplicável e consignar as seguintes informações, aqui repisadas no que interessa ao deslinde do litígio: 2.1.A partir do 1º decêndio de 2002, constatouse o registro de valores significativos no Livro de Registro de Apuração do IPI – RAIPI, a título de crédito presumido, com base em CERTIFICADO DE HABILITAÇÃO MDIC/SDP/Nº 002/02 (fls. 205/206), que encontra fundamento no Decreto n.º 3.893, de 22 de agosto de 2001, e na Portaria MDIC/MF n.º 258, de 14 de outubro de 2001, e atinge fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 2002 até 31 de dezembro de 2010. A sua utilização condicionase ao cumprimento das cláusulas e condições constantes do Termo de Compromisso MDIC/SDP/N.º 002/02 (fls. 207/209). A sua base legal é a Lei n.º 9.440/97 (art. 1º, Inciso IX, e §1º, alínea “h”, e §14); 2.2.Com fulcro no §14 do referido diploma legal, editouse o Decreto n.º 3.893/2001, que, em seu art. 1º, previu que incentivo fiscal do crédito presumido, a título de ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS, poderia ser concedido até 31/12/2010 e no montante correspondente à aplicação do percentual de 7,30% sobre o faturamento decorrente da venda de produtos de fabricação própria. Mais adiante, em seu art. 6º, o mesmo diploma regulamentar previu que a forma pela qual se poderia efetivar o benefício seria a utilização do crédito presumido de IPI (inciso IX), determinando a sua escrituração no RAIPI; 2.3.O contribuinte formulou o pedido com base na Lei n.º 9.779/99, cujas formas de utilização estão previstas nos arts. 73 e 74 da Lei n.º 9.430/96, de modo que apenas o saldo credor acumulado, estimado em função da sobreposição dos valores de créditos relativos a aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos pelo contribuinte em relação aos valores de débitos pelas saídas, é que será passível de ressarcimento. Assim, o art. 11 da Lei n.º 9.779/99 somente pode servir de fundamento legal ao pedido de ressarcimento que inclua valores do saldo credor acumulado decorrente da acumulação desses créditos. Quanto ao crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.440/97, verifica se que os valores a este título compuseram indevidamente o montante apresentado nos pedidos de ressarcimento, porquanto inexiste previsão Fl. 2DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11971.000155/200336 Resolução n.º 3101000.191 S3C1T1 Fl. 530 3 para tal forma de utilização, uma vez que o referido diploma legal, que criou o benefício, nada mencionou acerca da possibilidade de serem ressarcidos valores do citado incentivo, limitandose o diploma regulamentar a estabelecer a forma pela qual se efetivaria o benefício. O Decreto n.º 3.893/2001 também não abriu tal possibilidade, resumindose a determinar que o crédito presumido seria escriturado no RAIPI, o mesmo sucedendo com o Regulamento do IPI de 1998 (RIPI/98); 2.4.O RIPI/2002, em capítulo especialmente dedicado ao setor automotivo, determinou, em seu art. 112, §4º, que o referido incentivo fiscal deve ser escriturado no RAIPI, sem nada prever acerca de outra possível utilização, como ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições federais. Em idêntico sentido, a Instrução Normativa – IN SRF n.º 210, de 30 de setembro de 2002, à época vigente, relacionava quais créditos poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie ou mesmo compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrativos pela SRF, não mencionando o crédito presumido instituído pela Lei n.º 9.440/97; 2.5.O fato de, após a edição da Lei n.º 9.440/97, ter sobrevindo o regime de substituição tributária, mediante suspensão obrigatória do IPI para as vendas, no mercado interno, de chassis, carrocerias, peças, partes, componentes e acessórios aos fabricantes de veículos, determinada pelo art. 5º da Medida Provisória (MP) n.º 1.916/99, convertida na Lei n.º 9.826/99, não autoriza a conclusão de que o benefício de crédito presumido só cumpriria a sua função se fosse reconhecido o direito ao ressarcimento dos respectivos valores, já que, com as saídas com suspensão obrigatória do IPI, pouco se teria a usufruir do benefício, uma vez que não haveria débitos do IPI a serem compensados com o crédito incentivado acumulado na escrita. Em primeiro lugar, a própria lei que regula o regime de substituição (suspensão) obrigatória prevê que a suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial. Em segundo, o fato de o contribuinte ter poucas saídas tributadas pelo IPI, uma vez que parcela significativa de sua produção sai com suspensão, é uma circunstância econômica, de mercado ou mesmo organizacional; 2.6.Se o legislador desejasse que o valor concedido a título de incentivo pudesse ser aproveitado para extinguir débitos de outros tributos, teria sido explícito, como o fez para o crédito de IPI a título de ressarcimento do PIS e da COFINS, da mesma forma assim poderia ter agido o Poder Executivo, ao regulamentar a forma pela qual o beneficiário poderia se utilizar do crédito em tela (cita ementas de decisões do Segundo Conselho de Contribuintes, sustentando o seu entendimento); 2.7.O contribuinte creditouse indevidamente de valores referentes ao IPI destacado nas entradas de mercadorias ou bens recebidos para demonstração, o que a legislação proíbe. Tais valores não são passíveis de ressarcimento nem de manutenção na escrita fiscal; 2.8.Em função da reversão à escrita fiscal de valores de crédito presumido que foram desconsiderados na apuração do saldo credor Fl. 3DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11971.000155/200336 Resolução n.º 3101000.191 S3C1T1 Fl. 531 4 passível de ressarcimento, foi necessário verificar a sua exatidão, conforme registrado pelo contribuinte, que, para tanto, foi intimado a demonstrar a base de cálculo de tais valores. Em resposta, o contribuinte apresentou demonstrativo, no qual constatados dois equívocos: primeiro, a inclusão indevida na base de cálculo, quando as contribuições e o crédito presumido eram calculados sobre o faturamento, de valores a título de devoluções de vendas e de vendas para o mercado externo, que são imunes à incidência das contribuições sociais; segundo, o Decreto n.º 5.710/2006 promoveu significativa mudança na metodologia de cálculo do crédito presumido, pois editado com vistas a corrigir distorções geradas pelo diploma anterior (Decreto n.º 3.893/2001), que previa metodologia de cálculo do incentivo incompatível com o regime vigente de apuração das contribuições. Seus efeitos devem retroagir ao início da efetiva aplicação pelo contribuinte do regime de incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Assim sendo, o cálculo do crédito presumido, com base no valor correspondente ao dobro das contribuições devidas terá vez, para o PIS, a partir de dezembro de 2002 e, para a COFINS, a partir de fevereiro de 2004. O contribuinte, mesmo após a entrada em vigor do Decreto n.º 5.710/2006, não promoveu o lançamento dos valores de incentivo consoante nova forma de cálculo, tampouco ajustes no saldo credor decorrentes dos efeitos retroativos do referido decreto. Foi necessário, então, chegar ao valor a ajustar na escrita fiscal, de forma a compensar eventuais diferenças a menor ou a maior no saldo credor acumulado até o último período de apuração da escrita reconstituída, que foi março de 2006, tendo em vista que este é o período de apuração imediatamente anterior à data de transmissão do PER (Pedido de Ressarcimento) relativo ao primeiro período não incluído neste procedimento fiscal. 3.Às fls. 275/276, a autoridade a quo deferiu em parte os pedidos de ressarcimento, nos valores propostos pela autoridade diligenciadora, bem como determinou a homologação das compensações, no limite do crédito reconhecido. 4.Irresignado, o contribuinte apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade (fls. 280/308), com as razões de defesa a seguir sintetizadas: 4.1.Face à sistemática da suspensão do IPI nas vendas efetuadas às montadoras de veículos, apresenta inevitável acúmulo de crédito de IPI na escrita fiscal. Atende à lógica de desenvolvimento do país, quanto ao benefício proposto pela Lei n.º 9.440/97, que a Lei n.º 9.430/97 (art. 74) assegure a compensação de créditos passíveis de ressarcimento ou de restituição; 4.2.Não há na lei elementos que façam conceituar o que são créditos passíveis de ressarcimento. As Instruções Normativas – IN da Secretaria da Receita Federal tentam definir a expressão “passível de ressarcimento”, sem exaurir o seu alcance. Nos dicionários jurídicos, o termo “ressarcimento” está ligado à idéia de indenização. No caso, está ligado à compensação dos prejuízos da empresa por manter as suas instalações na Região Nordeste; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11971.000155/200336 Resolução n.º 3101000.191 S3C1T1 Fl. 532 5 4.3.O art. 3º, inciso III, da IN SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, expressamente previu como passível de ressarcimento o saldo credor de IPI decorrente do crédito presumido, como ressarcimento do PIS e da COFINS, instituídos pela Medida Provisória – MP n.º 1.532/1996, convertida na Lei n.º 9.440, de 14 de março de 1997. O art. 12 da mesma IN permitiu a compensação entre quaisquer tributos e contribuições sob a administração da RFB. O art. 103, §1º, do Decreto 87.891/82 (RIPI/82) estabeleceu que, quando do confronto de débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte; 4.4.Não se pode sustentar a tese de que a IN SRF n.º 21/97 é inaplicável ao caso, em vista de sua revogação pela IN SRF n.º 210/97, pelo simples motivo de que uma Instrução Normativa não pode criar nem restringir direitos, mas apenas explicitálos (reproduz escólios doutrinários para fundamentar o seu entendimento); 4.5.Saber qual crédito é passível de ressarcimento é o ponto chave para decidir a presente demanda, diante do que dispõe o art. 74 da Lei n.º 9.430/97, o que é definido pelo art. 3º da IN SRF n.º 21/97. Não é porque a IN SRF n.º 210/2002 “deixou de homologar os créditos da Manifestante como aqueles passíveis de ressarcimento, de maneira explícita, da mesma forma como fazia a IN SRF n.º 21/97, que tais créditos deixaram de ser passíveis de ressarcimento”. A IN SRF n.º 210/2002 não é exaustiva quanto aos créditos passíveis de ressarcimento; 4.6.Numa interpretação teleológica da Lei n. 9.440/97, percebese que a sua finalidade é dar efetividade ao que dispõem os arts. 43 e 151 da Constituição Federal. A idéia central do Regime Automotivo é a desconcentração do setor automobilístico, concentrados nas Regiões Sul e Sudeste, realçando a perspectiva de crescimento econômico das Regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Ainda que não houvesse legislação permitindo a compensação do saldo credor de IPI, decorrente do acúmulo de crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.440/97, não se pode negar o benefício. O que o Fisco pretende é reconhecer o benefício como se servisse apenas para adornar a escrita fiscal da empresa; 4.7.As saídas de produtos da empresa se dão com suspensão do IPI, com o conseqüente acúmulo de saldo credor. O seu prejuízo pode ser vislumbrado sob diversos ângulos: em primeiro, o decorrente de propaganda enganosa do legislador; em segundo, o custo com a logística; em terceiro, o enriquecimento ilícito por parte do Fisco; 4.8.Não há na legislação o que seja ressarcimento, daí que se deve buscar o conceito adotado pela doutrina, “que, aliás, advém do direito privado” (art. 110 do CTN). No dicionário De Plácido e Silva, está ligado à idéia de reparação, indenização, “obrigação do Estado de fazer” (reproduz excerto doutrinário). No caso, aplicase à indenização como satisfação de reparar prejuízo, porque se trata de benefício para as empresas que se instalarem nas Regiões Norte, Nordeste e CentroOeste. Sem ele, não é viável manterse nas referidas regiões; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11971.000155/200336 Resolução n.º 3101000.191 S3C1T1 Fl. 533 6 4.9.Ainda por força do art, 108, inciso I, do CTN, é legítimo o pleito da empresa, pois, acaso não se concorde com as considerações anteriores, o máximo que se pode dizer é que existe uma lacuna na legislação, já que a lei apenas assegura a utilização dos créditos, mas se esquiva de dizer como. O objetivo do legislador, ao positivar as Leis n.º 9.363/96 e 9.440/97, foi o de que, em ambos os casos, fossem utilizados pelos beneficiados, de modo que as regras conferidas na primeira devem ser aplicadas ao benefício concedido pela segunda. A isonomia é outro elemento de integração no caso de lacuna, que pode se enquadrar tanto no inciso II, quanto no inciso III do art. 108 do CTN; 4.10.É de ser expurgada da exigência os juros à base da taxa Selic, vez que não pode ser utilizada como taxa de juros moratórios legais (reproduz excertos doutrinários para fundamentar o seu convencimento). O limite máximo de juros só pode ser de 1% (um por cento). A Lei n.º 9.065/95 conferiu à taxa Selic natureza remuneratória. Ademais, constitui verdadeiro anatocismo, ferindo o art. 253 do Código Comercial e o art. 4º da Lei 22.626/33. A Suprema Corte vedou a capitalização de juros, ainda que expressamente convencionada (Súmula 121). 5.Ao final, requer seja reconhecido o direito ao ressarcimento, via compensação, do saldo credor do IPI decorrente do acúmulo de créditos presumidos, instituído pela Lei n.º 9.440/97. Ainda, que, na dúvida, seja conferida a interpretação que lhe for mais favorável (art. 112 do CTN), bem como a juntada posterior de provas e a realização de perícia e diligência. A DRJ em RECIFE/PE considerou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N.º 9.440/97. UTILIZAÇÃO. REGISTRO NO RAIPI. A legislação previu que o benefício previsto na Lei n.º 9.440/97 somente poderia ser utilizado por meio de lançamento no Registro de Apuração do IPI (RAIPI), não havendo, assim, previsão legal para permitir outra forma de utilização (inteligência do art. 6º do Decreto n.º 3.893, de 22 de agosto de 2001). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/03/2003 PEDIDOS DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Desnecessários os pedidos de perícia quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11971.000155/200336 Resolução n.º 3101000.191 S3C1T1 Fl. 534 7 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no país, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de ilegalidade/ inconstitucionalidade de atos insertos no ordenamento jurídico. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 484 e seguintes, onde basicamente reafirma os argumentos apresentados em primeira instância, aduzindo a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Ao final pede a procedência do recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito presumido e, via de consequência, a homologação da compensação encetada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 11971.000155/200336 Resolução n.º 3101000.191 S3C1T1 Fl. 535 8 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. Analisando os documentos carreados ao contencioso, no mister do respectivo juízo de admissibilidade do recurso voluntário, notase a carência do carimbo de protocolização do recurso voluntário na peça de defesa, ou de qualquer outro documento que possibilite ao Colegiado aferir a tempestividade do apelo, em que pese haver despacho, fl. 527, dizendo ser protocolado o recurso voluntário em 29/12/2008, portanto tempestivo. Diante desse quadro, concluo ser necessário verificar esse fundamental pré requisito para a procedibilidade do recurso em pauta e voto pela conversão deste julgamento em diligência, para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente venha a trazer aos autos, a fim de ser verificado o atendimento, ou não, do prazo recursal, cópia legível do documento que ateste a protocolização do recurso voluntário em 29/12/2008, ou de outro documento que possibilite tal aferição. Após a efetivação da diligência, devolvamse os autos a esta Turma para julgamento. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 8DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 37299.011017/2005-17
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2401-000.136
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
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Elias Sampaio Freire – Presidente Cleusa Vieira de Souza Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração lavrado, em face da empresa em epígrafe, lavrado com fundamento no artigo 32, inciso IV e §§ 3º e 5º da Lei nº 8212/91, c/c os art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. De acordo com o relatório fiscal do Auto de Infração, A Empresa UNICEL SOROCABA LTDA intimada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, com cópia em anexo, comprovou a entrega na rede bancária da GFIP — Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados omissos quanto à remuneração ou retribuição paga aos contribuintes individuais (autônomos), infringindo o disposto no art.32, inciso IV, §5°, da Lei N° 8212/91, com redação acrescentada pela Lei N° 9.528/97. A Empresa UNICEL SOROCABA LTDA comprovou a entrega na rede bancária da GFIP com código de "Optante pelo Simples" nas competências de 06/2003 até 10/2004, entretanto, a empresa não comprovou ter o Termo de Opção, infringindo assim o disposto no art. 32, inciso IV, §5°, da Lei N°8212/91, com redação acrescentada pela Lei N° 9528/97. Informa o citado relatório que a Empresa alega ser Optante pelo Sistema Simplificado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, pelo fato de ter feito pedido de opção por meio postal, conforme aviso de recebimento, em 23/02/2001. Entretanto, a Secretaria da Receita Federal SRF, por meio de Termo de Intimação Fiscal N° Rastreamento 177163626, lavrado em 15/11/2003, intimou o contribuinte para apresentar Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF(s) relativas a todos os trimestres dos anos de 2001 e 2002. Diante disso, em 17/12/2003, a empresa enviou resposta à Delegacia da Receita Federal em Sorocaba declarando ser dispensada dessa apresentação, já que se considerava Optante do SIMPLES, pedindo assim a anulação do Termo acima citado. Posteriormente, em 29/01/2004, a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, através do, Comunicado/10855/SACAT/SICODEC/N° 174/04E, negou o pedido de anulação, i informando que continua pendência nos sistemas da SRF pela não entrega das DCTF(s). Novamente, em 11/02/2004, a Unicel Sorocaba Ltda reenviou resposta â Delegacia repetindo seus argumentos e pedindo revisão da anulação do Termo de Intimação Fiscal. Por fim, em consulta a Informação Cadastral, em anexo, tela CONSIMPLES, do sistema da Secretaria da Receita Providenciaria não consta o contribuinte como Optante pelo SIMPLES e, em acréscimo, constatase no site da SRF a situação de Não Optante pelo Simples. A multa foi aplicada, de acordo com o estabelecido no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8.212/91, na redação acrescentada pela Lei n° 9.528/97, combinado com o artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, no valor total de R$ 41.531,99 (quarenta e hum mil quinhentos e trinta e hum reais e noventa e nove centavos). Tempestivamente a Contribuinte apresentou sua impugnação, fls. 127/163, acompanhada dos documentos de fls. 46/105, em que solicita seja declarado nulo o lançamento fiscal. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Processo nº 37299011017200517 Resolução n.º 2401000.136 S2C4T1 Fl. 275 3 A Delegacia da Receita Previdenciária em Sorocaba, por meio da DecisãoNotificação nº 21.038.0/00166/2005, julgou procedente a autuação. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, conforme razões expendidas às fls. 126/142, em que, em preliminar, argúi a decadência de parte do lançamento conforme artigo 173, c/c o artigo 150 § 4º do CTN. Sustenta a tese de que tal exigência não pode prosperar, tendo em vista que decorreu de desconsideração da situação da Recorrente de optante pelo regime de tributação denominado Sistema Simplificado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das de Pequeno Porte SIMPLES, criado pela Lei n.° 9.317/96. Isto porque, conforme aduzido na Impugnação apresentada pela Recorrente, a qual ensejou a prolação da DecisãoNotificação DN nº 21.038.0/0166/2005, o Fisco Previdenciário não poderia jamais ter DESCONSIDERADO A OPÇÃO DA RECORRENTE PELO SIMPLES, e, com base em tal desconsideração, lavrar o Auto de Infração em comento posto que, apenas a Secretaria da Receita Federal, por despacho decisório, é que tem competência legal para declarar válida ou não a opção da Recorrente pelo SIMPLES. Esclarece que a Recorrente, por estar enquadrada como Empresa de Pequeno Porte, manifestou o seu interesse de aderir ao SIMPLES, enviando à Secretaria da Receita Federal SRF, via correio, com Aviso de Recebimento AR, os documentos necessários para tanto, efetuando, a partir de então, tanto a declaração como o recolhimento de seus tributos nos exatos moldes do referido sistema, permanecendo sempre em dia com suas obrigações tributárias. Destacou que jamais recebeu qualquer despacho decisório da Secretaria da Receita Federal referentemente ao indeferimento de sua opção pelo SIMPLES. Que o que recebeu foi um Termo de Intimação Fiscal (rastreamento n.° 177163626), emitido em 15/11/2003, pela Secretaria da Receita Federal — SRF, determinando que a Recorrente apresentasse suas Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTFs dos anos de 2001 e 2002. Assim, em resposta àquela Intimação, em 23/12/2003, a Recorrente protocolizou petição perante a SRF, esclarecendo estar desobrigada da apresentação de DCTFs em razão de ser optante do SIMPLES. Através do Comunicado n.° 10855/ SACAT/SICODEC/ n.° 174/04 E , a Recorrente tomou conhecimento da decisão proferida pela Secretaria da Receita Federal não acolhendo a alegação exposta na referida petição, acarretando, assim, a apresentação de nova manifestação, onde foram ratificados os termos daquela primeira, inclusive enfatizando ser a mesma optante do SIMPLES. E em assim sendo, o que temos, de fato, é que a Secretaria da Receita Federal ainda não apreciou referida petição e, muito menos, proferiu despacho decisório indeferindo a opção pelo SIMPLES efetuada pela Recorrente, permanecendo a questão, desta forma, ainda pendente de decisão final. Alega ainda, que além disso, o Sindicato das Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissionais no Estado de São Paulo SINDEL1VRE, do qual a Impetrante faz parte, possui sentença procedente proferida nos autos Mandado de Segurança Coletivo n.° 97.00086097, impetrado perante a Seção Judiciária de São Paulo em 04/04/1997, assegurando o direito de seus filiados de apurarem e recolherem seus tributos com base no SIMPLES Fl. 276DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA 4 Diante de tais fatos, mister seja reconhecido que o ato que ensejou a lavratura do Auto de Infração em comento carece de motivação, devendo ser cancelada qualquer medida decorrente do mesmo. Por fim, alega que o é validamente optante do SIMPLES, motivo não incorreu no alegado erro de preenchimento da GFIP quanto aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, não havendo, assim, qualquer irregularidade passível de punição que justifique a lavratura do indigitado Auto de Infração! Ao final requereu fosse acolhida a preliminar de decadência fosse declarada a decadência do direito de lançar parte dos valores, referentes ao anobase de s 1999 e aos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 2000. No mérito, que seja totalmente reformada a decisão recorrida, para que seja julgada totalmente improcedente o Auto de Infração nº 35.753.9443, uma vez que a Recorrente é optante pelo SIMPLES. A Delegacia da Receita Previdenciária em Sorocaba ofereceu contrarrazões, em que alega que após análise do documento de fls. 126/142 e das alegações apresentadas pela recorrente, à luz da legislação pertinente, concluise que o RECURSO não pode ser provido, pois, os elementos novos carreados aos autos não têm força probatória capaz de modificar a origem do débito levantado, assim como a decisão prolatada pela autoridade julgadora. A recorrente, apesar de insistir no argumento de que é optante pelo SIMPLES, não comprovou de forma cabal o alegado. Os documentos juntados, as fls. 150/194, corroboram o entendimento de que não é optante pelo SIMPLES, tanto que a Receita Federal, órgão competente para admitir a inclusão da contribuinte no Simples, indeferiu pleito da empresa quanto a dispensa de entrega de DCTF, dando a ela o tratamento exigido das empresas não admitidas no sistema. O aviso de recebimento apresentado, bem como as respostas ao Termo de Intimação para apresentação de DCTF, expedidos pela Receita Federal, não permitem firmar o entendimento de que a empresa é realmente optante, como também não comprovam a existência de litigio entre a recorrente e a Receita Federal, quanto ao enquadramento no Simples. Da mesma forma, a alegação de que teria assegurado o direito de apurar e recolher seus tributos com base no Simples, por força de decisão em Sentença proferida nos Autos de Mandado de Segurança Coletivo n° 97.00086097, em Ação Judicial impetrada perante a Seção Judiciária de São Paulo, em 04/04/1997, pelo Sindicato das Entidades Culturais, Recreativas, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissionais no Estado de São Paulo SINDELIVRE, do qual afirma fazer parte, conforme documento de fls. 340, não pode ser acolhida, uma vez que o documento apresentado, por si só, não comprova o alegado direito. Ademais, a recorrente não trouxe aos autos, nem mesmo a Decisão Judicial mencionada, assim como não comprovou a alegada filiação ao SINDELIVRE. A Recorrente apresenta aditamento ao recurso, em que alega, em síntese: Que conforme já amplamente aduzido e comprovado nos autos do processo em epígrafe, a recorrente fez a opção pelo SIMPLES nos termos do artigo 8° da lei n° 9.317/96. Que a prova da efetivação dessa opção é a cópia autenticada da guia de viso de Recebimento do Termo de Opção pelo Simples (acostada às fls. 186), referente ao requerimento postado pela recorrente em 23/02/2001 e recebido pelo funcionário da recorrida (matrícula nº 9116550). Fl. 277DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Processo nº 37299011017200517 Resolução n.º 2401000.136 S2C4T1 Fl. 276 5 Desse modo, a opção da recorrente pelo SIMPLES ocorreu plenamente, através da entrega do DBE, bem corno do FCPJ através de disquete para a Secretaria da Receita Federal. Também demonstra a opção realizada pela recorrente o fato de que ela, desde então, vem recolhendo os tributos federais incluídos no SIMPLES de acordo com este regime especial. Vem cumprindo pontualmente as obrigações acessórias pertinentes a esse regime — fato este não impugnado pela recorrida até então. Ocorre que até a presente data não houve qualquer despacho decisório indeferindo a opção da recorrente pelo SIMPLES ou a excluindo deste regime. Nesta senda, não há como se admitir os efeitos desta exclusão — se é que ela realmente existiu —, enquanto dela não for o contribuinte regularmente intimado e, portanto, sem ter sido oportunizado o contraditório. Aduz que é importante informar que o sindicato integrado pela recorrente, ingressou com o Mandado de Segurança nº 97.00086097, na 22a Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo/SP como objeto a concessão de ordem judicial que permitisse o direito de seus associados se inscreverem no SIMPLES. Cuja segurança foi concedida. (juntou aos autos os documentos de fls. 240 a 261. Informa que atualmente os autos encontramse aguardando julgamento da Apelação interposta pela União Federal, na Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Traz à colação excertos de casos semelhantes julgados por este Conselho: "Indevida a exclusão do contribuinte da Sistemática do SIMPLES, através de Ato Declaratório de Exclusão inexistente. "SIMPLES EXCLUSÃO PROCESSUAL NULIDADE. É nula a exclusão do Simples que não segue as formalidades legais, previstas no Art. 15, § 3°, da Lei n" 9.317/96, com as alterações da Lei n° 9.732/98. PROCESSO QUE SE ANULA AB IN1T10." "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES deve observar o prescrito na lei quanto à forma, devendo ser motivado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o embasaram, consoante o art. 50 da Lei n." 9.784/99. Caso contrário, é ato que deve ser declarado nulo, ex vi do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. “Opção pelo SIMPLES deve observar o prescrito na lei quanto à forma, devendo ser motivado com a demonstração dos fundamentos e dos atos jurídicos que o embasaram. Caso contrário, é ato que deve ser declarado nulo" Fl. 278DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA 6 SIMPLES NULIDADE VICIO DE FORMA — É nulo o ato administrativo eivado, já que deve observar o prescrito na lei quanto à forma,devendo ser motivado com a demonstração dos fundamentos e dos fatos jurídicos que o embasaram. Inobservados os requisitos formais, há de ser considerado nulo, não acarretando nenhum efeito. "A falta de ciência do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES impede o inicio dos seus efeitos, devendo• a Recorrente permanecer no SIMPLES desde a datado inicio do efeito de sua opção pelo sistema. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE." Requer o aditamento ao Recurso Protocolizado sob o n. 37299.011017/200517, em 22 de dezembro de 2005, de modo a julgar totalmente improcedente o Auto de Infração nº 35.753.9451. È o relatório. Fl. 279DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Error! Reference source not found. Fls. 280 ___________ VOTO Conselheira, Cleusa Vieira de Souza, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado em face da empresa em epígrafe, com fundamento no artigo 32, inciso IV e §§ 3º e 5º da Lei nº 8212/91, c/c os art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Isto porque, segundo o relatório fiscal do Auto de Infração, a Empresa UNICEL SOROCABA LTDA comprovou a entrega na rede bancária da GFIP com código de "Optante pelo Simples", entretanto, não comprovou ter o Termo de Opção. Conforme relatado, a tese principal do presente recurso é a de que a recorrente fez a opção pelo SIMPLES nos termos do artigo 8° da lei n° 9.317/96. Que a prova da efetivação dessa opção é a cópia autenticada da guia de viso de Recebimento do Termo de Opção pelo Simples (acostada às fls. 330), referente ao requerimento postado pela recorrente em 23/02/2001 e recebido pelo funcionário da recorrida (matrícula ti.° 9116550). Contudo, não se pode afirmar que a opção da recorrente pelo SIMPLES tenha ocorrido plenamente, seja através da entrega do DBE, ou do FCPJ através de disquete para a Secretaria da Receita Federal. Por outro lado, tende a demonstrar a opção realizada pela recorrente o fato de que ela, desde então, vem recolhendo os tributos federais incluídos no SIMPLES de acordo com este regime especial, vem cumprindo pontualmente as obrigações acessórias pertinentes a esse regime — fato este não impugnado pela recorrida até então. A Secretaria de Receita Previdenciária, por seu turno alega que apesar de a recorrente insistir no argumento de que é optante pelo SIMPLES, não comprovou de forma cabal o alegado. Os documentos juntados, as fls. 329/338, corroboram o entendimento de que não é optante pelo SIMPLES, tanto que a Receita Federal, órgão competente para admitir a inclusão da contribuinte no Simples, indeferiu pleito da empresa quanto a dispensa de entrega de DCTF, dando a ela o tratamento exigido das empresas não admitidas no sistema. O aviso de recebimento apresentado, bem como as respostas ao Termo de Intimação para apresentação de DCTF, expedidos pela Receita Federal, não permitem firmar o entendimento de que a empresa é realmente optante, como também não comprovam a existência de litigio entre a recorrente e a Receita Federal, quanto ao enquadramento no Simples. Nesse sentido, não se pode ter a convicção do indeferimento da Opção pelo Simples, uma vez que esta foi, de fato, formalizada e demonstrada nos autos, nos termos do artigo 8º da 9.317/96, que determina: Art. 8° a opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de Fl. 280DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA 8 pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda – CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: I´ especificação dos impostos, dos quais pé contribuinte (IPI, ICMS OU ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). É de se ver portanto, que a opção ao citado regime é ato unilateral do contribuinte. É certo que este ato fica pendente de aprovação que se dará com a convalidação feita pela Receita Federal que irá verificar se realmente o contribuinte preenche todas as condições para estar no referido regime. Porém, no pressente caso, se não houve uma convalidação formal, posto que a opção não consta do sistema, também não consta dos autos qualquer despacho decisório indeferindo a opção da recorrente pelo SIMPLES ou a excluindo deste regime, conforme determinação do § 6º do mesmo artigo determina que “o indeferimento da opção pelo SIMPLES', mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeterseá ao rito processual do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Quanto ao argumento de que Sentença proferida nos Autos de Mandado de Segurança Coletivo n° 97.00086097, em Ação Judicial impetrada perante a Seção Judiciária de São Paulo, em 04/04/1997, pelo SINDELIVRE, do qual afirma fazer parte, não pode ser acolhida, uma vez que o documento apresentado, por si só, não comprova o alegado direito. A recorrente não trouxe aos autos, nem mesmo a Decisão Judicial mencionada, assim como não comprovou a alegada filiação ao, referido sindicato. Nesse ponto, não lhe confiro razão, pois conforme se verifica dos documentos de fls. 381 a 395, a Recorrente, de fato, é associada do referido SINDELIVRE e que este impetrou Mandado de Segurança nº 97.00086097, na 22a Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo/SP como objeto a concessão de ordem judicial que permitisse o direito de seus associados se inscreverem no SIMPLES. Cuja segurança foi concedida. Entretanto, consta dos autos a informação de que tal decisão foi objeto de apelação que ainda se encontra tramitando, por outra, não há a informação da conclusão do citado feito.Além disso, por si só não comprova sua inclusão no referido sistema, uma vez que tal decisão garante apenas o direito de as empresas se inscreverem no SIMPLES. O entendimento majoritário dessa Turma de Julgamento é o de que os recursos contra as penalidades por descumprimento de obrigação acessória que guardem conexão com processos de exigência das obrigações principais devem aguardar o desfecho desses. Nesse sentido, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, retornando o processo para a origem até que se resolvam em definitivo as lides relativas às NFLD acima referidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. Cleusa Vieira de Souza. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Processo nº 37299011017200517 Resolução n.º 2401000.136 S2C4T1 Fl. 278 9 Fl. 282DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 22/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, 16/03/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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Numero do processo: 17546.000684/2007-60
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/01/2010 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.844
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara 1ªTurma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos.
Ressalta-se que a data da ciência do lançamento e o período de ocorrência dos fatos geradores sào aqueles constantes dos autos, sendo de nenhum efeito a indicação na ementa: "Data do fato gerador: 25/01/2011 .
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10280.720364/2008-20
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2202-000.137
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo – Relator. Participaram do presente julgamento os Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes Fl. 195DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10280.720364/200820 Resolução n.º 220200.137 S2C2T2 Fl. 196 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 179/185) interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ de Belém/PA (fls. 162/193), que decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação apresentada (fls. 113/120) contra o Auto de Infração (fl. 105/108) lavrado em face do Recorrente. O procedimento de verificação do cumprimento de obrigações tributárias referente ao IRPF, anocalendário 2003, apurou a omissão de rendimentos, advinda da não comprovação da origem de valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras. O contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil, idônea e suficiente, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A notificação da lavratura do auto de infração fora dotada do fundamento abaixo transcrito: “Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Do Auto de Infração, o contribuinte apresentou impugnação juntando declarações (fls. 122/154) que, segundo ele, seriam suficientes à comprovação da origem dos depósitos em sua conta bancária e do repasse de tais valores para terceiros. Alegou, em síntese que: a) são inválidos os atos praticados após a primeira prorrogação do MPF, inclusive o Auto de Infração, pois somente ao término do procedimento fiscal lhe foi apresentado o documento “Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal”, que deveria lhe ter sido apresentado quando do primeiro ato de ofício praticado, após cada prorrogação; b) a origem dos depósitos bancários foram comprovadas por meio de 31 cópias autenticadas de declarações de terceiros, nas quais os declarantes afirmam que o contribuinte é vendedor autônomo de produtos ou gados daqueles declarantes e que recebe comissão pelas vendas efetuadas. Os próprios declarantes afirmam que recebiam o valor das vendas através de cheques bancários de emissão do vendedor autônomo, ora impugnante, estando demonstrada a origem dos valores; c) o valor de R$ 2.885.653,99, que consta no Auto de Infração, corresponde à soma de todas as vendas apontadas nas declarações, abatido o valor de todas as comissões a que o recorrente fazia jus (R$ 3.026.278,00 – R$ 140.624,01 = R$ 2.885.653,99; d) o pagamento das vendas realizadas ocorria era feito grande parte em dinheiro, sendo o restante pago através de cheques de emissão de compradores. Os valores recebidos pelo recorrente eram posteriormente repassados aos donos dos produtos vendidos; e Fl. 196DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10280.720364/200820 Resolução n.º 220200.137 S2C2T2 Fl. 197 3 e) a multa de 75% é inconstitucional em razão do seu efeito consficatório, e a aplicação da taxa SELIC é ilegal. A impugnação foi julgada improcedente (fls. 162/193), tendo a DRJ entendido que: a) quanto ao “Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal”, o contribuinte recebeu o Termo de Inicio de Fiscalização (fl. 08), e o Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 02), em 06/02/2007 (fl. 08). Para acompanhar as posteriores prorrogações, o interessado poderia ter acessado a portal da Receita Federal na internet, utilizando o número do Código do Procedimento Fiscal, para obter informações sobre a validade do MPF, conforme instruções na parte final do Mandado de Procedimento Fiscal; b) presunção legal da omissão de rendimentos está estabelecida em lei, dispensando a autoridade lançadora de produzir outras provas'; c) or insuficiência de prova, não consegue o impugnante ilidir a ação fiscal, pois as alegações só ganham força se devidamente comprovadas, ainda mais no caso concreto, em que a presunção legal exige a comprovação individualizada da origem de cada depósito bancário a ser justificado. Em outras palavras, seria necessário demonstrar vinculo entre a atividade comercial e cada um dos respectivos depósitos bancários. Nesta senda, as declarações das empresas ganhariam consistências se devidamente acompanhadas de provas para lastreá las, tais como as notas fiscais e principalmente os livros fiscais; e d) o que diz respeito ao "efeito de confisco da multa pretendida", temse que o debate sobre qual critério ou percentual seria seguro para que a multa de oficio não afete o direito de propriedade, seja adequada, proporcional e não confiscatória, não será feita neste voto, pois este Órgão Julgador não tem competência para afastar normas presumidamente constitucionais. Não conformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 180/185), sob os seguintes fundamentos: a) as 31 declarações apresentadas pelos clientes do recorrente provam sua condição de corretor autônomo e confirmam o fato de que ele recebia, em nome dos declarantes, os valores transitaram em sua conta bancária, posteriormente aos mesmos transferidos; b) não há necessidade de que as declarações especifiquem os valores individuais de cada venda, pois a norma disposta no § 3º do art. 42 da Lei 9.430/96, apenas, regula de que forma deve a autoridade lançadora analisar os créditos, para fins de excluir do lançamento determinados valores; c) o auto de infração é nulo, visto que a lei exige, para efeitos de determinação da receita omitida, que os créditos sejam analisados individualizadamente pela autoridade lançadora e tal procedimento não ocorreu; d) as Declarações firmadas pelos clientes do recorrente comprovam que pelo menos R$2.885.653,99 dos valores transitados pela conta do recorrente pertenciam a terceiros, para os quais foram devidamente repassados. Isso revela a existência de interposição Fl. 197DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10280.720364/200820 Resolução n.º 220200.137 S2C2T2 Fl. 198 4 de pessoa, contra quem deveria ser concretizada a imposição tributária; nos termos do §5°, do art. 42, da Lei 9.430/96. É o relatório. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10280.720364/200820 Resolução n.º 220200.137 S2C2T2 Fl. 199 5 VOTO Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O Recorrente alega que trabalha na intermediação de venda de produtos e animais (gado) de terceiros, para quem grande parte dos valores depositados na sua conta é transferida. Para comprovar o alegado, o Recorrente juntou 31 Declarações firmadas pelos seus clientes, tanto pessoas jurídicas (20 declarações), quanto pessoas físicas (10 declarações). Essas declarações preconizam, em síntese, que: a) o recorrente é corretor autônomo, pois vende produtos de propriedade das pessoas jurídicas e físicas declarantes; b) o recorrente recebe um percentual sobre o total das vendas realizadas; c) o recebimento do valor das vendas é, geralmente, realizado através de cheques bancários; d) das vendas realizadas a terceiros, pelo recorrente, são emitidos recibos (pelos proprietários pessoas físicas) e notas fiscais (pelos proprietários pessoas jurídicas); e) os valores totais recebidos são os constantes das declarações, para cada pessoas física e jurídica, no anocalendário de 2003. Verificando o somatório dos valores discriminados pelas Declarações, temse o montante de R$ 3.026.278,00 (três milhões, vinte e seis mil, duzentos e setenta e oito reais), sendo que o recorrente assevera que é titular de apenas R$ 140.624,01 (cento e quarenta mil, seiscentos e vinte e quatro reais, e um centavo) desse valor, parcela por ele retida a título de comissão. Consequentemente, o valor de R$ 2.885.653,99 (dois milhões, oitocentos e oitenta e cinco mil, seiscentos e cinqüenta e três reais) teria sido, segundo suas alegações, devidamente repassado para as pessoas físicas e jurídicas por ele intermediadas. As Declarações juntadas pelo Recorrente, firmadas por terceiros, configuram indícios da veracidade das suas alegações. Dessa forma, entendo como prudente a conversão do o presente julgamento em diligência, no âmbito da qual:: 1) sejam intimadas as pessoas físicas emitentes das declarações acostadas pelo Recorrente (fls. 129/137, 139 e 152) para que as mesmas juntem aos autos os recibos por ela referidos em suas Declarações ou outro documento idôneo que comprove o recebimento, por elas, dos valores repassados pelo Recorrente; 2) sejam intimadas as pessoas jurídicas emitentes das declarações acostadas pelo Recorrente (fls. 122/128, 138 e 140/151) para que as mesmas juntem aos autos as Notas Fiscais preconizadas nas suas Declarações ou outros documentos comprobatórios idôneos que atestem as respectivas vendas de Fl. 199DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10280.720364/200820 Resolução n.º 220200.137 S2C2T2 Fl. 200 6 mercadorias a terceiros, tais como cópias autenticadas dos Livros de Saída e/ou outros Livros Fiscais. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 200DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 36624.003294/2004-73
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1992 a 01/01/1995
DECADÊNCIA - O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.328
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no CTN, acatar a preliminar de decadência do período a *e se -fere o lançamento para provimento do recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO , • Processo n° 36624.003294/2004-73 Recurso n° 152.052 Voluntário Acórdão n° 2301-00.328 — 3a Câmara/is Turma Ordinária Sessão de 01 de _halo de 2009 Matéria Cessão de Mão de Obra: Responsabilidade Solidária. Empresas em Geral Recorrente RÁDIO E TELEVISÃO BANDEIRANTES LTDA. Recorrida DRP/SÃO PAULO - OESTE/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1992 a 01/01/1995 DECADÊNCIA - O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. kik\ ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento no CTN, acatar a preliminar de decadência do período a *e se -fere o lançamento para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. JULIO R t IEIRA GOM President ...0e41111u1711./... M. 1 0EL Co LHO ARRUDA J IOR elator Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°36624.003294/2004-73 82-C311 Acórdão n.° 2301-00328 Fl. 405 Relatório Trata-se de NFLD lavrada em 27/05/2004, referente às contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte do segurado, da empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O débito refere-se às competências de 01/07/1992 a 01/01/1995, a ciência do lançamento em 02/06/2004. Importa dizer que o presente lançamento se refere a ato substitutivo da NFLD n. 35.435.781-6, lavrada em 05/03/2002 [fl. 28], e anulada por meio da DN sob o n. 21.003.0/0013/2002, de 17/01/2003. A Rádio e Televisão Bandeirantes apresentou impugnação tempestiva ao lançamento (fls.117/150) e apresentou adendo a sua impugnação (fls.206/252) em decorrência do novel Relatório Fiscal (fls.209/230). A DN n. 21.003.0/0219/2007 (fls.283/300) julgou o lançamento Inconformada com a decisão, a Rádio e Televisão Bandeirantes interpôs recurso (fis.311/349), alegando, em síntese: A Recorrente foi dispensada do depósito recursal em decorrência de decisão no Mandado de Segurança que tramitou perante a 20 a Vara Federal de São Paulo; Nulidade da NFLD por inexistência de fundamentação legal; Dever do INSS em chamar a prestadora e não somente a tomadora de serviço; Inexistência de solidariedade, ante a não caracterização de cessão de mão de obra; Ausência de diligencias às empresas prestadoras de serviço; A fiscalização ignorou as provas documentais e indeferiu a prova pericial; Utilização indevida do procedimento de aferição indireta; Decadência; Crime de prevaricação; Crime de excesso de exação por manter indevidamente a contribuição previdenciária (SAT) da Recorrente; É o relatório. (\\ Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares suscitadas. DA QUESTÃO PRELIMINAR - Decadência É cediço que o Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula Vinculante n g 8, do STF, verbis: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4° do art. 2° da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n°8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556664, ret Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 1219/1986; RE 138.284, rel. Mm. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n" 1.569/1997, art. 5", parágrafo único Lei n" 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, 111 Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n°117, de 20/06/2008, Seção 1, pág. 1) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n9 8.212/91 não há como se acolher o entendimento da Fiscalização que o direito de constituir o crédito é de 10 [dez] anos. Hoje, a discussão cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado pela regra do art. 150, 40 ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Caracteriza-se o lançamento da Contribuição como da modalidade de "lançamento por homologação", que é aquele cuja legislação atribui ao sujeito passivo a 4 Processo n°36624.003294/2004-73 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00328 Fl. 406 obrigação de, ocorrido o fato gerador, identificar a matéria tributável, apurar o imposto devido e efetuar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa. Ciente, pois, dessa informação, dispõe o Fisco do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador para exercer seu poder de controle. É o que preceitua o art. 150, § 4°, do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Sobre o assunto, tomo a liberdade de transcrever parte do voto prolatado pelo Conselheiro Urgel Pereira Lopes, relator designado no Acórdão CSRF/01-0.370, que acolho por inteiro, onde analisando exaustivamente a matéria sobre decadência, assim se pronunciou: (..) Em conclusão : a) nos impostos que comportam lançamento por homologação a exigibilidade do tributo independe de prévio lançamento; b) o pagamento do tributo, por iniciativa do contribuinte, mas em obediência a comando legal, extingue o crédito, embora sob condição resolutória de ulterior homologação; c) transcorrido cinco anos a contar do fato gerador, o ato jurídico administrativo da homologação expressa não pode mais ser revisto pela fisco, ficando o sujeito passivo inteiramente liberado; d) de igual modo, transcorrido o qüinqüênio sem que o fisco se tenha manifestado, dá-se a homologação tácita, com definitiva liberação do sujeito passivo, na linha de pensamento de SOUTO MAIOR BORGES, que acolho por inteiro; e) as conclusões de "c" e "d" acima aplicam-se (ressalvando os casos de dolo, fraude ou simulação) às seguintes situações jurídicas (1) o sujeito passivo paga integralmente o tributo devido; (II) o sujeito passivo paga tributo integralmente devido; (III) o sujeito passivo paga o tributo com insuficiência; (IV) o sujeito passivo paga o tributo maior que o devido; (V) o sujeito passivo não paga o tributo devido; )) em todas essas hipóteses o que se homologa é a atividade prévia do sujeito passivo. Em casos de o contribuinte não haver pago o tributo devido, dir-se-ia que não há atividade a homologar. Todavia, a construção de SOUTO MAIOR BORGES, compatibilizando, excelentemente, a coexistência de procedimento e ato jurídico administrativo no lançamento, à luz do ordenamento jurídico vigente, deixou clara a existência de uma ficção legal na homologação tácita, porque nela o legislador pôs na lei a idéia de que, se toma o que não é como se fosse, expediente de técnica jurídica da ficção legal. Se a homologação é ato de controle da atividade do contribuinte, quando se dá a homologação tácita, deve-se considerar que, também por ficção legal, deu-se por realizada a atividade tacitamente homologada." Ainda sobre a mesma matéria, trago à colação, o Acórdão n° 108-04.974, de 17/03/98, prolatado pelo ilustre Conselheiro JOSÉ ANTONIO MINATEL, cujas conclusões acolho e, reproduzo, em parte : Impende conhecermos a estrutura do nosso sistema tributário e o contexto em que foi produzida a Lei 5.172/66 (CTÃO, que faz as vezes da lei complementar prevista no art. 146 da atual Constituição. Historicamente, quase a totalidade dos impostos requeriam procedimentos prévios da administra çâo pública (lançamento), para que pudessem ser cobrados, exigindo-se, então, dos sujeitos passivos a apresentação dos elementos indispensáveis para a realização daquela atividade. A regra era o crédito tributário ser lançado, com base nas informações contidas na declaração apresentada pelo sujeito passivo. Confirma esse entendimento o comando inserto no artigo 147 do ON, que inaugura a seção intitulada "Modalidades de Lançamento" estando ali previsto, como regra, o que a doutrina convencionou chamar de "lançamento por declaração" Ato contínuo, ao lado da regra geral, previu o legislador um outro instrumento à disposição da administração tributária (art. 149), antevendo a possibilidade de a declaração não ser prestada (inciso II), de negar-se o sujeito passivo a prestar os esclarecimentos (inciso da declaração conter erros, falsidades ou omissões (inciso I10, e outras situações ali arroladas que pudessem inviabilizar o lançamento via declaração, hipóteses em que agiria o sujeito ativo, de forma direta, ou de oficio para formalizar a constituição do seu crédito tributário, dai o consenso doutrinário no chamado lançamento direto, ou de oficio. Não obstante estar fixada a regra para formalização dos créditos tributários, ante a vislumbrada incapacidade de se lançar, previamente, a tempo e hora, todos os tributos, deixou em aberto o CTN a possibilidade de a legislação, de qualquer tributo, atribuir "... ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" (art. 150), deslocando a atividade de conhecimento dos fatos para um momento posterior ao do fixado para cumprimento da obrigação, agora já nascida por disposição da lei. Por se tratar de verificação a posteriori, convencionou-se chamar essa atividade de homologação, encontrando a doutrina ali mais uma modalidade de lançamento — lançamento por homologação. Claro está que essa última norma se constituía em exceção, mas que, por praticidade, comodismo da administração, complexidade da economia, ou agilidade na arrecadação, o que 6 Processo n° 36624.003294/2004-73 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00328 Fl. 407 era exceção virou regra, e de há bom tempo, quase todos os tributos passaram a ser exigidos nessa sistemática, ou seja, as suas leis reguladoras exigem o "... pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa". Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos sujeitos passivos — lançamento por declaração, hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame prévio do sujeito ativo — lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declara-se a existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Essa digressão é fundamental para deslinde da questão que se apresenta, uma vez que o CTN fixou períodos de tempo diferenciados para essa atividade da administração tributária. Se a regra era o lançamento por declaração, que pressupunha atividade prévia do sujeito ativo, determinou o art. 173 do código, que o prazo qüinqüenal teria inicio a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" imaginando um tempo hábil para que as informações pudessem ser compulsadas e, com base nelas, preparado o lançamento. Essa a regra da decadência. De outra parte, sendo exceção o recolhimento antecipado, fixou o CTN, também, regra excepcional de tempo para a prática dos atos da administração tributária, onde os mesmos 5 anos já não mais dependem de uma carência inicial para o início da contagem, uma vez que não se exige a prática de atos administrativos prévios. Ocorrido o fato gerador, já nascepara o sujeito passivo a obrigação de apurar e liquidar o tributo, sem qualquer participacão do sujeito ativo que, de outra parte, já tem o direito de investizar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo a cada fato gerador, independente de qualquer informação ser-lhe prestada. "(grifo nosso) É o que está expresso no parágrafo 4°, do artigo 150, do CTN; in verbis: "Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador: expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entendo que, desde o advento do Decreto-lei 1.967/82, se encaixa nesta regra a atual sistemática de arrecadação do imposto de renda das empresas, onde a legislação atribui às pessoas jurídicas o dever de antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, impondo, inclusive, ao sujeito passivo o dever de efetuar o cálculo e apuração do tributo e/ou contribuição, dai a denominação de "auto-lançamento." Registro que a referência ao formulário é apenas reforço de argumentação, porque é a lei que cria o tributo que deve qualificar a sistemática do seu lançamento, e não o padrão dos seus formulários adotados. Refuto, também, o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação de pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo Fisco decorre da insuficiência de recolhimentos, o procedimento fiscal não mais estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sempre sujeito à regra geral de decadência do art. 173 do C77V. (grifo nosso) Nada mais falacioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define que "o lançamento por homologação opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa". O que é passível de ser ou não homologada é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da administração tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a 'contrário senste, não homologado o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao "conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado", na linguagem do próprio C77V." Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 40 do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude 8 Processo n°36624.003294/2004-73 82-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.328 Fl. 408 ou simulação (CTN, art. 150, § 4 2), o que não se tem noticia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Como dito no relatório, trata-se de lançamento substitutivo, tendo o anulado sido lavrado em 05/03/2002 [fl. 28]. Apesar de inexistir nos autos informação quanto a data de ciência pela Pessoa Jurídica interessada e sem analisar a natureza do vício - se formal ou material - vislumbro que o crédito está decadente. Tal entendimento aplica-se mesmo para aqueles Conselheiros que consideram o dies a quo aquele do art. 173, do CTN. Por todo o exposto, acato a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 01 d- 1 o de 201' NOE ' OELHO ARRUDA JUNIOR - Rela r 9
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Numero do processo: 13603.002156/2007-62
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF.
As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem. a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade
exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o inicio da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 173, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Aplicabilidade ao caso da Súmula Vinculante nº 08 do Egrégio STF,
Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos ocorridos até a competência 11/2001, inclusive.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.108
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para acolher a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 11/2001. Vencido o conselheiro Francisco
Assis de Oliveira Junior. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Julio César Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem. a expedição de lançamento de oficio, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4' e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Para o inicio da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A regra do artigo 17:3, inciso I, do CTN, é aplicável, exclusivamente, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Aplicabilidade ao caso da Súmula Vinculante n r" 08 do Egrégio STF, Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos ocorridos até a competência 11/2001, inclusive. Recurso especial provido, L Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n' 13603 002156/2007-62 Ae6rdào " 9202-01.108 CSRF-T2 Fl 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para acolher a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até 11/2001. Vencido o conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Julio César Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire e Carlos Apito Fritas Barreto, Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Carlos Alberto ‘FrWtás Barreto 4- Presidente Gonçalo Bonefl Allage Relator\ EDITADO EM: 04 NOV 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Francisco de Assis Oliveira Junior., Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Em face de Esab S.A. Indústria e Comércio, CNPJ n° 29.799.921/0001-48, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 37.028200-0 (fls. 01-175), para a exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre vaJores pagos pela empresa a seus empregados a titulo de abono de férias, diferença de abono de férias, abono único e especial e abono excepcional, além de contribuição da empresa apurada sobre valores pagos ao contribuinte individual Sr, Ernesto Eduardo Aciar, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 01/1999 e 01/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 04/12/2006 (fls. 202). A Delegacia da Receita Federal do Brasil — Previdenciária em Belo Horizonte (MG) considerou o lançamento procedente (fls. 449-453). Apreciando o recurso voluntário interposto pela contribuinte, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 206-00.780, que se encontra às fis, 506-523, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração,' 01/01/1999 a 31/01/2005 SALÁRIO INDIRETO, PRÊMIO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, Nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei n" 8 212/91, c/c artigo 457, áç 1 0, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, Processo n" 1360,3 002156/2007-62 Acórdão n " 9202-01,108 CSRF-T2 Fl 3 devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada, independente da denominação dada pelo contribuinte. ABONOS. AUSÊNCL4 DE PREVISÃO LEGAL, HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Após o advento do Decreto 3 265/99, somente as importâncias pagas aos empregados a titulo de abonos desvinculados expres.sanzen(e por lei do salário, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme preceitua o ar( 214, § 9", alínea 7", do RPS. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser lançado, nos moldes do artigo 4.5, da Lei n" 8.212/91. NORMAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO, Com lidero no artigo 29, do Decreto n" 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2", do artigo 38, da Lei n" 9,784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n" 70,23.5/72. Recurso Voluntário Negado. A decisão recorrida acordou "I) por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; II) por maioria de votos em rejeitar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lenis Pinto, Daniel Ayres Kalume Reis e 1?yeardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relatar); e III) por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor, na parte referente à preliminar de decadência suscitada, a Conselheira Ana Maria Bandeira." Em face deste acórdão a contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 529- 531), que restaram rejeitados (fls. 536-538) e, na seqüência, interpôs recurso especial de divergência às fis. 542-555, acompanhado dos documentos de fis. 556-592, onde alegou, em apertada síntese, que: a) Em seu recurso voluntário demonstrou a ocorrência de decadência sobre os créditos tributários relativos aos períodos fiscalizados dentro do ano- calendário 1999 até outubro de 2001, pois o lançamento só foi realizado em dezembro de 2006, em contrariedade ao prazo decadencial estabelecido pelo Código Tributário Nacional, seja em seu artigo 156, seja em seu artigo 17.3; b) A decisão recorrida aplicou ao caso a regra prevista no artigo 45 da Lei n° 8112/91; 3 Processo n' 13603,002156/2007-62 CSRF- 1- 2 Acórdiio n 9202-01,108 Fl 4 c) Em momento posterior ao julgamento, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n° 8, declarando a inconstitucionalidade dos prazos decadencial e prescricional estabelecidos pelo artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pugnando pela aplicabilidade do CTN em relação à matéria; d) Com o objetivo de demonstrar o dissídio jurisprudencial, traz, inclusive por cópias, os acórdãos n' s 2301-00,156 e 205-01.360; e) Além disso, as verbas pagas a título de abono de férias não possuem natureza salarial, tornando inviável a incidência de contribuições previdenciárias; f) Em sentido diametralmente oposto à decisão recorrida, a COSIT manifestou-se quanto à natureza das referidas verbas, que não podem ser consideradas como renda, muito menos têm natureza salarial, pois possuem natureza indenizatória; g) Requer o provimento do recurso para que seja reconhecida a decadência do lançamento. Por intermédio do Despacho n° 2400-16/2010 (fls. 594-596), o recurso restou admitido unicamente com relação à decadência, pois a empresa sequer apresentou acórdão paradigma quanto ao abono de férias, Intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 599-621, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, em razão da ausência de demonstração fundamentada da divergência. Quanto ao mérito, pugnou pela aplicação ao caso da regra prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois o contribuinte não efetuou antecipações de pagamento, É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido, mas apenas com relação à decadência, conforme a detalhada análise feita pelo Presidente da Câmara recorrida através do despacho de fls. 594- 596, De início, devo ressaltar que, sob minha ótica, a preliminar quanto à impossibilidade de conhecimento do recurso, suscitada pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, não merece prosperar. Entendo que houve a demonstração fundamentada da divergência quanto à decadência, na medida em que a recorrente transcreveu excedas da decisão de segunda instância e dos acórdãos apontados como paradigma, anexados aos autos por cópia, exatapete nos termos disciplinados pelo Regimento Interno do CARF, 4 Processo n" 13603 002156/2007-6' Acórdão n 9202-01,108 CSRF-T2 19 5 Além disso, tenho como evidente o prequestionarnento da matéria "decadência", que foi discutida no julgado recorrido. Superada esta questão, reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência suscitada pelo sujeito passivo e no mérito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. A insurgência da recorrente que chega à apreciação deste Colegiado está relacionada à decadência, sendo que os fatos gerados envolvidos nesta demanda referem-se às competências compreendidas entre 01/1999 e 01/2005, enquanto a ciência da NFLD se deu em 04/12/2006. Eis a matéria em litígio. Penso, por força do que dispõe o artigo 103-A da Constituição Federal', que não se pode deixar de aplicar ao caso o Enunciado da Súmula Vinculante n° 08, do Egrégio Supremo Tribunal Federal — STF, segundo o qual "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei n° L569/1977 e os artigos 45 e 4.5 da Lei n° 8..212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário", de modo que a decisão recorrida deve ser reformada com relação à decadência. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias em apreço são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração das suas base de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de oficio pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipa,- o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Art 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficiai, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei 5 Processo no 13603,002156/2007-62 Acórdão n.' 9202-01.108 CSI2F-12 F1 6 § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que se exige, no caso em tela, contribuições previdenciárias para fatos ocorridos entre as competências 01/1999 e 01/2005 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 04/12/2006 (fls. 202), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento quanto aos fatos verificados até a competência 11/2001. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, Entendo que para o inicio da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante A homologação é da atividade e não do pagamento. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da contribuinte, para considerar improcedente a NFLD em apreço relativamente aos fatos ocorridos até a competência 11/2001, em razão da decadência, 6
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004742/2004-67
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL-ADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula n o 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratando-se as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.570
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA. EXERCÍCIO ANTERIOR A 2001. DESNECESSIDADE. SÚMULA. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.393/1996, c/c Súmula no 41 do CARF, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de reserva legal e/ou preservação permanente até o exercício 2000, inclusive. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 13/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório ELVIDIO ELOI WEISHEIMER, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 06/12/2004, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Gameleira”, localizado no município de Lagoa Grande/MG, cadastrado na RFB sob o nº 57013101, conforme peça inaugural do feito, às fls. 22/29, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03.20.807/2007, às fls. 1.451/1.461, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 3ª Câmara, em 16/10/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30335.730, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Exercício: 2000 Área de Preservação Permanente Antes do início da vigência do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002, descabe a glosa das áreas de preservação permanente fundamentada exclusivamente em atraso no formalização de peddo de Ato Declaratório Ambiental. Área de Reserva Legal. Momento da Constituição Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10675.004742/200467 Acórdão n.º 920201.570 CSRFT2 Fl. 1.609 3 Antes da demarcação e correspondente averbação à margem da matrícula do imóvel, não há que se falar em Área de Reserva Legal. Precedentes do STF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 1.528/1.544, com arrimo no artigo 7º, inciso II, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30236.278, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Em defesa de sua pretensão, tece comentários a propósito do conceito e finalidade da “Preservação Permanente”, traçando histórico da legislação que regulamenta a matéria, defendendo que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte preservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que o contribuinte procedeu tempestivamente a protocolização do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, necessidade do requerimento atempado do ADA relativamente às áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho nº 2100 /2009, às fls. 1.559/1.560. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Instado se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, 1.565/1.578, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Igualmente, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 1.580/1.590, insurgindose contra a decisão recorrida relativamente à área de reserva legal, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada no que tange aos requisitos de admissibilidade, o que ensejou o não conhecimento de sua peça recursal nos termos do Despacho n° 2100 0224/2010, às fls. 1.605/1.606, ratificado pelo Despacho de fls. 1.607, da lavra do ilustre Presidente da CSRF, em face de reexame de admissibilidade necessário. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30236.278, ora adotado como paradigma, impõe que a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, depende de prévio protocolo do requerimento do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro dos seis meses subseqüentes à entrega da DITR, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Sustenta, ainda, a PFN que ao desconsiderar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para efeito da benesse isentiva a Câmara recorrida contrariou as normas insertas no Código Florestal Nacional (Lei nº 4.771/65 e atualizações), bem como as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a respeito da exigência do requerimento atempado do Ato Declaratório Ambiental – ADA relativamente às áreas de preservação permanente, dentro do prazo legal, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10675.004742/200467 Acórdão n.º 920201.570 CSRFT2 Fl. 1.610 5 Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa de áreas de preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Entrementes, afora entendimento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal, o que se vislumbra na hipótese dos autos (exercício 2000). Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, contemplando o tema e rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda nos presentes autos, senão vejamos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por derradeiro, no que tange às determinações inseridas nas Instruções Normativas nºs 43 e 67, de 1997, esteios do entendimento da Fazenda Nacional, uma vez demonstrado que a legislação tributária específica, vigente à época, não condiciona a isenção em comento à protocolização tempestiva do ADA, não podem aludidas normas complementares/secundárias, por sua própria natureza, inovar, suplantar e/ou cingir os ditames contidos nas leis regulamentadas. Perfunctória leitura do artigo 100, inciso I, do Códex Tributário, fulmina de uma vez por todas a pretensão fiscal, senão vejamos: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas;[...] Na esteira desse entendimento, cabe invocar os ensinamentos do renomado doutrinador Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, na obra “Comentários ao Código Tributário Nacional”, volume 2, coord. Ives Gandra da Silva Martins, Editora Saraiva, 1998, págs. 40/41, que ao tratar do artigo 100 do Código Tributário Nacional, assim preleciona: “ Atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. São as instruções ministeriais, as portarias ministeriais e atos Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 10675.004742/200467 Acórdão n.º 920201.570 CSRFT2 Fl. 1.611 7 expedidos pelos chefes de órgãos ou repartições; as instruções normativas expedidas pelo Secretário da Receita Federal; as circulares e demais atos normativos internos da Administração Pública, que são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam previstas na lei ou no decreto dela decorrente. Também não vinculam o Poder Judiciário, que não está obrigado a acatar a interpretação dada pelas autoridades públicas através de tais atos normativos.” Outro não é o entendimento do eminente jurista Leandro Paulsen, ao comentar o Código Tributário Nacional, adotando posicionamento do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: “Vinculação absoluta dos atos normativos à lei. “... As instruções normativas editadas por órgão competente da administração tributária, constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis, tratados, convenções internacionais, ou decretos presidenciais, de que devem constituir normas complementares. Essas instruções nada mais são, em sua configuração jurídico formal, do que provimentos executivos cuja normatividade está diretamente subordinada aos atos de natureza primária, como as leis e as medidas provisórias a que se vinculam por um claro nexo de acessoriedade e de dependência. Se a instrução normativa, editada com fundamento no art. 100, I, do Código Tributário Nacional, vem a positivar em seu texto, em decorrência de má interpretação de lei ou medida provisória, uma exegese que possa romper a hierarquia normativa que deve manter com estes atos primários, viciarseá de ilegalidade...” (STF, Plenário, AGRADI 365/DF, rel. Min. Celso de Mello, nov/1990)” (DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 5ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2003, pág. 740) Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela então 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Assinado digitalmente) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 18/05/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014551/2004-34
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002
Ementa: CSLL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO IPI LANÇADO
DE OFÍCIO. O IPI apurado em procedimento de oficio e que, portanto, não foi repassado ao comprador, é dedutível na base de cálculo da CSLL, ainda que tenha sido incluído no REFIS.
Numero da decisão: 9101-000.636
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: CSLL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO IPI LANÇADO DE OFÍCIO. O IPI apurado em procedimento de oficio e que, portanto, não foi repassado ao comprador, é dedutível na base de cálculo da CSLL, ainda que tenha sido incluído no REFIS.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T22:58:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T22:58:02Z; Last-Modified: 2010-09-01T22:58:03Z; dcterms:modified: 2010-09-01T22:58:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:47b5b298-d429-4fdd-a9ae-b08fc59cb69d; Last-Save-Date: 2010-09-01T22:58:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T22:58:03Z; meta:save-date: 2010-09-01T22:58:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T22:58:03Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T22:58:02Z; created: 2010-09-01T22:58:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-09-01T22:58:02Z; pdf:charsPerPage: 1309; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T22:58:02Z | Conteúdo => CSRF-T1 Ft 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA • = CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10680.014551/2004-34 Recurso n" 147.642 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-00.636 — P Turma Sessão de 06 de julho de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIL/LL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADSON ELETROMETALÚRGICA LTDA. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2001, 2002 Ementa: CSLL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO IPI LANÇADO DE OFÍCIO. O IPI apurado em procedimento de oficio e que, portanto, não foi repassado ao comprador, é dedutível na base de cálculo da CSLL, ainda que tenha sido incluído no REFIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiad o por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos tei os do relatório e voto que integram o presente julgado. CARLOS ALBE EITAS B RRETO Presidente. ru...w\àz LEONARDO DE AN RADE CO TO - Relator. EDITADO EM: 1 7 Ar 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto. 1 Relatório Trata o presente de recurso especial (fls. 225/231) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 105-15.959 (fls. 214/221) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo e admitiu a dedução do IPI lançado de oficio, na base de cálculo da CSLL. Sustenta a recorrente, em síntese, que a decisão foi contrária às provas dos autos, pois não teria ficado demonstrado que a interessada tenha assumido o ônus referente ao IPI, Além disso, a decisão também estaria contrária à lei, tendo em vista a inexistência de dispositivo legal autorizando a dedução do IPI na base de cálculo da CSLL. Em contrarrazões (fls. 239/243), a interessada afirma que assumiu o ônus do IPI pois, se o tributo foi apurado em auto de infração, não haveria como ter repassado esse valor para o cliente. É o Relatório. a2 2 Processo ri 10680 014551/2004-34 CSRF-T1 Acórdão o 9101-00.636 Fl 2 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Após a decisão de segunda instância, e com a não admissibilidade do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, a lide concentrou-se na questão da possibilidade de dedução do IPI na base de cálculo da CSLL. Sob essa ótica, importa deixar claro o alcance da decisão recorrida. O acórdão questionado acolheu parcialmente o recurso voluntário para reconhecer o direito à dedução, na base de cálculo da CSLL, apenas do IPI objeto do lançamento de oficio e, ainda, somente do principal. O relator deixou claro que a multa lançada seria indedutível. Assim, não se justifica a argüição da Fazenda Nacional contra a impossibilidade de dedução das multas decorrentes de infrações fiscais. Em relação ao ônus do tributo lançado de oficio, parece-me que assiste razão ao sujeito passivo. As autuações em questão envolveram diferenças de alíquota do IPI, entre a utilizada pela interessada em suas transações comerciais e aquela que seria correta. Quanto ao valor do imposto constante da nota fiscal, correspondente à alíquota efetivamente utilizada, sem dúvida que foi repassado ao comprador e não haveria corno ser deduzido pelo vendedor que se constitui em mero depositário do tributo. Entretanto, o imposto correspondente à diferença de alíquota não foi repassado pelo simples fato de que não foi objeto de operação comercial regular, mas sim de auto de infração. Penso que caberia à recorrente demonstrar que a autuada não assumiu o ônus do tributo em questão. Na ausência de indício nesse sentido, não vislumbro que a decisão tenha sido contrária a qualquer evidência de prova. Em relação à suposta contrariedade à lei, o recurso também não merece melhor sorte. Já foi esclarecido que a multa imputada não foi considerada dedutível pela decisão recorrida. No que se refere ao principal lançado de oficio, a dedução enquadra-se no art. 344 do RIR/ 99, transcrito no bojo do recurso. Ratifica-se que nessa situação o vendedor não foi mero depositário do tributo, o que inibiria a dedução. Restaria avaliar o fato dos valores em discussão terem sido incluídos no REFIS. O dispositivo que impede a dedução de tributos com exigibilidade suspensa é o § 1 0, do art. 41, da Lei n° 8,981/95, matriz legal do § 1°, do .344, do RIR/ 99. A norma em questão faz menção aos casos de suspensão previstos nos incisos II, III e IV ,do art. 151, do CTN. Quando da edição da Lei n° 8.981/95, o art. 151 do CTN ainda não continha os incisos V e VI, trazidos pela Lei Complementar n° 104/2001. RL2 3 O inciso VI, do art, 151 do CTN, estabelece que o parcelamento também é caso de suspensão de exigibilidade do crédito tributário. Assim, poderia ser argüido que os débitos incluídos no REF IS estariam na condição de suspensos e, portanto, indedutiveis Duas circunstâncias vão de encontro a tal arguição. A primeira delas é o fato da norma que estabelece restrições à dedução de tributos com exigibilidade suspensa não mencionar o inciso VI, do art. 150, do CTN. Mesmo avaliando tal fato sob o aspecto temporal, o legislador poderia, se fosse relevante, alterar a § 1°, do art. 41, da Lei n°8.981/95, para incluir o parcelamento como inibidor da dedução. A outra circunstância é o fato da adesão ao REFIS implicar em confissão irretratável da dívida parcelada e renúncia ao direito em questão. Nesse caso, deixa de existir o caráter de provisoriedade inerente aos tributos sujeitos aos demais casos de suspensão de exigibilidade, com fator de inibição da dedução. Do exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e manter a dedução acatada pela decisão recorrida. Registre-se que essa dedução abrange EXCLUSIVAMENTE o IPI cobrado nos autos de infração. Os demais valores incluídos no REFIS, inclusive o IPI declarado, não podem ser deduzidos, et,1 LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Relator 4
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Numero do processo: 35366.002737/2004-34
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01104/1997
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.208
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01104/1997 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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