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Numero do processo: 17546.001005/2007-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/01/2005
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2302-001.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: ADRIANA SATO
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/01/2005 AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido.
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Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Adriana Sato Relator. EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17546.001005/200770 Acórdão n.º 2302001.791 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 27/12/2006 cuja ciência do Recorrente ocorreu em De acordo com o relatório Fiscal de fls.23/29, a presente notificação referese as contribuições destinadas à Seguridade Social, parte dos segurados, a parte da empresa, inclusive a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), incidentes sobre a remuneração da mão de obra utilizada em obra de construção civil. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a obra em questão tratase de 12 apartamentos em dois blocos de 06, com respectivas vagas de garagem, totalizando 1.108 m2 de área construída, localizada à Av. Monteiro Lobato esquina com Rua Euclides da Cunha Martins Fontes, L11, Q11, loteamento Jardim Acarú "B", Ubatuba — SP. A contabilidade da empresa foi desconsiderada como meio idôneo para registro da remuneração de seus segurados em razão de irregularidades apontadas no corpo do Relatório Fiscal. Por esse motivo, a remuneração da mãodeobra utilizada foi aferida com base no CUB, com base ARO emitido para regularização da obra. A planilha de fls. 27 demonstra a forma de obtenção da remuneração aferida. O Recorrente apresentou impugnação alegando que lançou em contas próprias e de forma discriminada todos os fatos geradores, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; que houve equivoco quando da realização da aferição indireta em razão do enquadramento da obra como H012Q, quando o correto seria H042B, já que a obra tem 2 pavimentos e que não foram aplicados os redutores de área em varandas e áreas de lazer descobertas. Anexa habitese e cópias de livro. Em razão dos documentos juntados na impugnação foi solicitada diligência fiscal para esclarecimentos acerca do enquadramento do imóvel como H022Q e acerca da aplicação dos redutores, se cabível. Em resposta à diligência solicitada, foi emitida a informação de fls. 485/486: que a desconsideração da contabilidade foi explicada no Relatório Fiscal da NFLD e amparada pelo artigo 33, §6°, da Lei 8.212/91 3 sendo o procedimento a ser aplicado neste caso; que o enquadramento do imóvel deve ser alterado para H042Q, conforme alega a empresa, mas esclarece que tal equivoco foi induzido pela própria empresa que declarou o enquadramento incorreto no DISO; que deve ser aplicado o redutor sobre as áreas que o comportam, conforme a legislação previdenciária. Com o projeto completo não apresenta explicitamente discriminadas estas áreas e por ocasião do DISO a empresa não solicitou tal recurso, Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 necessitouse elaboração de laudo técnico de profissional habilitado para tanto. Com base nos documentos de fls. 477/478, deve ser corrigida a área com direito a porcentagem de redução. Nesse item, o auditor elabora planilha na qual apresenta os valores discriminados no laudo técnico e os valores obtidos pela análise do projeto. que não será aplicado redutor para a área da piscina, uma vez que, intimada, a empresa não apresentou a área equivalente referente a construção da piscina, apresentando somente as áreas com porcentagem de redução, fls. 477; Conclui informando que o lançamento, após as alterações apresentadas, passa a ter os seguintes valores: Salário de contribuição: R$ 46.265,32 INSS: R$ 14.342,25 Outras Entidades: 2.683,39 Total: R$ 17.025,64 Após a informação fiscal o Recorrente apresentou manifestação alegando que a fiscalização não utilizou o laudo apresentado para aplicar os índices redutores. Em razão das divergências em relação as áreas, os autos foram encaminhados novamente à fiscalização manifestouse pela não utilização das metragens contidas no laudo em razão de o mesmo ter considerado como sujeita à aplicação do redutor área emparedada, o que contraria as normas aplicáveis. Intimada do resultado da diligência, a empresa manifestouse, às fls. 504/505, alegando que a área correta sujeita à aplicação do redutor é a área apontada no laudo do engenheiro, uma vez que o auditor fiscal não poderia ter considerado como parede uma divisória feita em elemento vazado. Reafirma ainda seus argumentos em relação à utilização do CUB e a desconsideração da contabilidade da empresa. A DRJ de Brasília julgou o lançamento procedente em parte, considerando para retificação do débito a proposta da informação fiscal de fls. 485/486. Inconformado o Recorrente apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a empresa contabilizou em livros próprios a obra e esses livros foram devidamente apresentados à fiscalização por ocasião da solicitação da CND; as divergências constantes nos livros foram meros equívocos que não demonstrando em nenhum momento interesse em prejudicar a apuração; não há que se falar em aferição em razão da contratação ter ocorrido na forma de empreitada global. É o Relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17546.001005/200770 Acórdão n.º 2302001.791 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Adriana Sato Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise das questões suscitadas. Razão não assiste ao Recorrente quando o mesmo através de suas alegações tenta justificar que seus erros não podem autorizar a aplicação da aferição indireta, haja vista que, independente de seus erros a contratação dos serviços ocorreu através de empreitada global. O procedimento fiscal está amparado no que prescreve o artigo 33 e seus parágrafos da Lei n.° 8.212/91, sendo que, compete à fiscalização da Previdência Social solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias. Na falta de apresentação de documentos, ou, se apresentados de forma deficiente, é permitido à fiscalização inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. No presente caso, a apresentação deficiente dos documentos solicitados para identificar de forma clara as contribuições sociais dos empregados e da empresa à terceiros, levou a fiscalização a proceder ao levantamento por aferição indireta, com base nos dados de que dispunha, qual sejam as notas fiscais apresentadas e a contabilidade do Recorrente. A aferição indireta dos valores levantados como salário para os segurados encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, e 6º da Lei n °8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título Fl. 552DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas” d “e” e “do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." A contribuição previdenciária é uma espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou auto lançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Seguridade Social, o AuditorFiscal da Previdência Social examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o AFPS deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. Apesar da documentação apresentada pelo Recorrente ser idônea a mesma é deficiente e impossibilitou a fiscalização de verificar de forma clara os respectivos recolhimentos. O fato da contabilidade ser deficiente não fez com que a fiscalização a desconsiderasse haja vista que foram utilizados para calcular a NFLD as notas fiscais apresentadas, não havendo qualquer ferimento ao Principio da Razoabilidade. A prerrogativa do INSS de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála Fl. 553DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 17546.001005/200770 Acórdão n.º 2302001.791 S2C3T2 Fl. 4 7 de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, e art. 33, §§ 3°e 6º da Lei n 8.212/91, conforme já citado em parágrafo anterior. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Adriana Sato Relator Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001044/2008-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A PROPOSTA DO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO COM O RESULTADO DO JULGAMENTO.
Apuradas inconsistências no Acórdão acolhem-se os embargos declaratórios, parcialmente, para lhe corrigir os registros contraditórios.
Numero da decisão: 1103-000.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 110300.552, sem efeitos infringentes
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A PROPOSTA DO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO COM O RESULTADO DO JULGAMENTO. Apuradas inconsistências no Acórdão acolhem-se os embargos declaratórios, parcialmente, para lhe corrigir os registros contraditórios.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 282 1 281 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.001044/200881 Recurso nº Embargos Acórdão nº 110300.710 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2012 Matéria IRPJ e CSLL Embargante Delegado da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo RS Interessado Alto Uruguai Diagnóstico po Imagem Ltda ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE A PROPOSTA DO VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO COM O RESULTADO DO JULGAMENTO. Apuradas inconsistências no Acórdão acolhemse os embargos declaratórios, parcialmente, para lhe corrigir os registros contraditórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 110300.552, sem efeitos infringentes documento assinado digitalmente MÁRIO SÉRGIO FERNANDES BARROSO – Presidente em exercício. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso e Hugo Correia Sotero Fl. 298DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.710 S1C1T3 Fl. 283 2 Relatório Na sessão de 19 de outubro de 2011 esta Terceira Turma Ordinária julgou o recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Santa MariaRS, a qual julgou procedentes os lançamentos efetuados em 28/05/2008 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Passo FundoRS com vistas a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), acrescidos de multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) e juros moratórios calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). O Acórdão nº 110300.552 foi assim ementado, fl. 261: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. O Delegado da Receita Federal em Passo FundoRS opõe embargos declaratórios em 19/03/2012, fl. 274, aduzindo a ocorrência de contradição entre a ementa do Acórdão nº 110300.552, que dá pelo provimento do recurso voluntário, e o voto do Relator, o qual enuncia provimento parcial do recurso. Ainda, propõe seja esclarecido se o auto de infração encontrase cancelado ou não. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.710 S1C1T3 Fl. 284 3 É o relatório. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes Conheço do recurso, vez que atendidos os pressupostos de admissibilidade. O auto de infração buscou duas exigências distintas: a) diferença de tributo entre a aplicação do percentual de presunção de lucro de 32% (trinta e dois por cento), afeta a prestação de serviços gerais, e aquela efetivamente utilizada pela contribuinte, de 8% (oito por cento), relativa a prestação de serviços hospitalares e b) tributos registrados na contabilidade mas não confessados/pagos. A primeira questão foi objeto do recurso voluntário, é dizer, somente a exigência fiscal correlata à diferença entre os percentuais de obtenção do lucro presumido constituiu matéria litigiosa, daí porque não cabe ao Acórdão esclarecer se o auto de infração encontrase cancelado ou não. No que diz respeito à contradição apontada, assiste razão ao Embargante. Com efeito, nada obstante o voto do relator tenha enunciado no penúltimo parágrafo que impunhase o afastamento da exigência, houve, efetivamente, por exprimir o provimento parcial do recurso, o que flagrantemente contraria aquela conclusão. Igual vício se observa na ementa, na parte destinada à CSLL, quando expõe, indevidamente, a subsistência deste tributo. À lume do exposto, acolho em parte os presentes embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 110300.552, sem efeitos infringentes do julgado na medida em que mantido o enunciado do Colegiado, e que passa a ser integrado dos seguintes registros: “Com tais razões voto pelo provimento do recurso” e na segunda parte da ementa “Não subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele” É como voto. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Relator Fl. 300DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 11030.001044/200881 Acórdão n.º 110300.710 S1C1T3 Fl. 285 4 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 30/07/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 10945.007128/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Sumula 1 do CARF). Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.939
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Sumula 1 do CARF). Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10945.007128/200772 Acórdão n.º 140200.939 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório EDITORA GAZETA DO IGUACU LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre auto de infração (fl. 16), mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário total de R$ 7.886,93, referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativa aos quatro trimestres de 2002. O lançamento foi efetuado com fundamento nos dispositivos legais indicados no quadro 05 (“Descrição dos Fatos/Fundamentação”) do referido auto de infração. Cientificada do lançamento em 05/11/2007 (AR, fl. 45), a interessada, por meio de procurador (mandato de fl. 14), interpôs em 30/11/2007 a impugnação de fls. 01/12, instruída com os documentos de fls. 13/37, a seguir sintetizada. Informa que por meio da Informação Fiscal Secat/DRF/Foz n.º 0157/2006, foi excluída de ofício do Simples, com efeitos retroativos, alcançando todas as situações jurídicas ocorridas desde 1º de janeiro de 2002, pelo que foi intimada a elaborar e transmitir as DCTF em causa. Argumenta que desde de janeiro de 1999 até janeiro de 2005, quando solicitou sua exclusão, recolheu tributos e apresentou declarações com base na sistemática do SIMPLES, nos termos da Lei n.º 9.317, de 1996, sem qualquer oposição do fisco. Sustenta que a prévia e inequívoca adesão ao SIMPLES é condição necessária para dispensála da apresentação de DCTF, não podendo ser apenada com multa por atraso na entrega dessas declarações relativas ao anocalendário de 2002, conforme estabelecia o art. 3º, caput da IN SRF n.º 126, de 1998; cita, a propósito, ementas de julgados administrativos (fl. 05); diz que somente deveria apresentar DCTF a partir do 1º semestre do ano subseqüente ao da exclusão, ou seja, a partir do ano calendário de 2005. Diz que não se pode invocar para o caso a IN SRF n.º 255, de 2002, posto que é “legislação ulterior a fatos jurídicos já ocorridos”. Fala, também, que atendeu à intimação Secat n.º 153/2006, no que se refere à apresentação da DCTF 2002 como substitutiva da declaração anual simplificada, ou seja, entende que alegada infração (falta/atraso na entrega de DCTF) já teria sido objeto de notificação por parte do fisco, que teria concedido prazo para a apresentação da declaração, que foi cumprido fielmente, pelo que não poderia ser punida por algo que, notificada, cumpriu de maneira adequada e tempestiva. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10945.007128/200772 Acórdão n.º 140200.939 S1C4T2 Fl. 0 3 Diz que jamais teve intenção de não apresentar DCTF, ou apresentála em atraso, ou mesmo de não pagar tributos, o que mais uma vez corroboraria a irregularidade da autuação. Na seqüência, no item “Da Inaplicabilidade da Taxa Selic”, alega não ser cabível, no caso, a eventual exigência da taxa Selic no que diz respeito à cobrança de juros de mora. Por fim, requer o reconhecimento da improcedência do lançamento. À fl. 46, despacho do Secat/DRF/Foz do Iguaçu, atestando a tempestividade da impugnação. A decisão recorrida está assim ementada: SIMPLES. EXCLUSÃO. DCTF. APRESENTAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Os efeitos da exclusão do SIMPLES são produzidos a partir da data fixada na lei para cada uma das hipóteses cuja ocorrência obriga a exclusão, sujeitando o contribuinte ao cumprimento das obrigações daí provenientes. Impugnação improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido e, ao final, concluir e requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10945.007128/200772 Acórdão n.º 140200.939 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Tratase de exigência de multa por atraso na entrega da DCTF em face de exclusão retroativa do Simples. A recorrente contesta a exigência retroativa das DCTF e da multa por atraso. Todavia, a meu ver, os fundamentos da decisão recorrida não merece reparos nessa parte pelo que peço vênia para adotálos como razões de decidir. Outrossim, no recurso voluntário foi informado pelo próprio representante da contribuinte que a empresa ingressou com ação judicial para contestar a retroatividade da exclusão do Simples (verbis): “(...)E mais, ern 26 de julho de 2007 foi proposta pela Recorrente, no âmbito judicial, a Ação Ordinária no 2007.70.02.0054989, em trâmite perante a 2' Vara Federal da Subseção Judiciária de Foz do Iguaçu — Seção Judiciária do Paraná, visando a nulidade do Processo Administrativo Fiscal n° 10945.001633/200622 e, consequentemente, do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, bem como a nulidade dos efeitos retroativos do referido ato que se reportam a 1° de janeiro de 2002, uma vez que tal medida afronta os princípios constitucionais da irretroatividade, da segurança jurídica e ofende o artigo 146 do Código Tributário Nacional. A sentença, publicada na data de 28 de fevereiro de 2008, concedeu 'parcialmente procedente o pedido da Autora para que a exclusão do Simples gere efeitos a partir do dia 25 de outubro de 2006, nos termos da fundamentado", in verbis: (...)” Logo, nessa parte não cabe apreciação do litígio em face da concomitante ação judicial. Nesse sentido é a sumula 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000434/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 08/12/2007
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2302-001.605
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449/2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212/91.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 08/12/2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 91 1 90 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000434/200732 Recurso nº 001.605 Voluntário Acórdão nº 230201.605 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AI CFL 68 Recorrente MULTIPLA GESTÃO DE PESSOAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 08/12/2007 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449/2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212/91. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 92 3 Relatório Período de apuração: 05/2002 a 02/2007. Data de lavratura do Auto de Infração: 08/12/2007. Data da Ciência do Auto de Infração: 11/12/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de esta, por se declarar optante do SIMPLES, ter deixado de informar em GFIP a totalidade da remuneração paga aos segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhe houveram prestado serviços em cada mês, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 13/18. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Relata a Autoridade Lançadora que os valores não declarados pela empresa nas GFIP/GRFC foram apurados nos resumos das folhas de pagamento por ela apresentados. Assinala que tais valores de remuneração figuram como objeto de lançamento tributário no levantamento NDGValores Não Declarados em GFIP da NFLD 37.038.6345, lavrada na mesma ação fiscal. A multa aplicada corresponde a 100% do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, apurados pela fiscalização, consoante critério pormenorizado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa a fls. 14/18. Irresignado com a autuação, o autuado apresentou impugnação administrativa a fls. 23/27. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 35/41, julgando procedente em parte a autuação, fazendo excluir do lançamento os fatos geradores alcançados pela decadência, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, retificando, alfim, o valor do crédito previdenciário. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19/01/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 46. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 47/54, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que o Auto de Infração não cumpriu a determinação contida no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, eis que não juntou qualquer prova do ilícito tributário penalizado; • Que o trabalho fiscal não lhe deixou qualquer chance de encontrar falhas nos recolhimentos tachados de incompletos, pois, por mais que se esforçasse para conferir os cálculos lançados na exigência fiscal, eram frustradas suas tentativas. • Que o ônus da prova, exceto nos casos em que a lei especificamente o inverte em favor da administração, cabe ao fisco; Ao fim, requer a improcedência da exigência fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 19/01/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de fevereiro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS. Logo de plano mostrase relevante iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona se aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Neste comenos, digressionando superficialmente sobre os meios de prova admissíveis em direito, percebemos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da CF/88, concluise ser aceitável a utilização no processo administrativo ou judicial de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, nossas retinas são expostas ao preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Código de Processo Civil Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 94 7 Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou sem em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 95 9 EREsp 123.930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265.552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a falsidade dos assentamentos em realce. Diante desse quadro, tratandose o Auto de Infração ora em debate de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo. No caso específico, o Auto de Infração DebCad nº 37.038.6388 assentou expressamente que a empresa autuada deixou de inserir nas GFIP as remunerações de segurados empregados e segurados contribuintes individuais dispostas na tabela a fls. 14/18, conforme apurado nas folhas de pagamento da Recorrente, tornando desnecessária a sua Fl. 100DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 anexação aos autos do processo, eis que tais documentos de prova foram elaborados pela empresa, sob seu comando e responsabilidade, figurando as informações neles contidas como de inteiro conhecimento e domínio da autuada, fulgurando tal informação no Auto de Infração, ante a debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos, como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo este não adimplido pelo Recorrente. Nesse sentido, não concordando a empresa com os valores lançados, bastaria trazer à colação as copias das GFIP relativas às competências objeto da autuação e as respectivas folhas de pagamento, eis que foi a partir das informações contidas nestes documentos que a fiscalização apurou as diferenças relativas àqueles, conforme assim consignado no Relatório Fiscal da Infração a fl. 13. Mas assim não procedeu a empresa. O próprio Acórdão recorrido enfrentou de forma exemplar a questão posta em xeque pelo Impugnante, restando nele consignado que “o impugnante tem o total domínio dos fatos geradores e não impugnou especificadamente estes e, ainda, não fez provas contrárias aos fatos geradores lançados pela Autoridade Lançadora ...”. Contudo, nas oportunidades em que teve de se pronunciar, formalmente, nos autos, o Recorrente não honrou produzir as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações desprovidas de esteio em indício de prova material, as quais se mostraram insuficientes para afastar a fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração em debate e, assim, elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária, não obtendo sucesso, dessarte, em desincumbirse do encargo que lhe pesava e mostrava contrário. Nesse contexto, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 96 11 REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. Por tais razões, pautamos pelo não deferimento do pleito pretendido pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Urge ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou Fl. 102DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente, como assim demonstra acreditar o Recorrente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 97 13 §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 98 15 entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000434/200732 Acórdão n.º 230201.605 S2C3T2 Fl. 99 17 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 19515.003520/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
E incabível o lançamento de multa de ofício proporcional a tributo cuja exigibilidade já se encontrava suspensa por medida liminar à época da lavratura do auto de infração.
DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAMENTO. LEI 11.941/2009.
A desistência e renúncia ao direito, efetuado pelo contribuinte, quando ainda não existia trânsito em julgado no referido processo administrativo, faz com que o débito objeto de confissão por parte do contribuinte seja aquele constituído e informado por meio de Auto de Infração.
Numero da decisão: 1301-000.947
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, conhecer e negar
provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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INAPLICABILIDADE. E incabível o lançamento de multa de ofício proporcional a tributo cuja exigibilidade já se encontrava suspensa por medida liminar à época da lavratura do auto de infração. DESISTÊNCIA PARCIAL. PARCELAMENTO. LEI 11.941/2009. A desistência e renúncia ao direito, efetuado pelo contribuinte, quando ainda não existia trânsito em julgado no referido processo administrativo, faz com que o débito objeto de confissão por parte do contribuinte seja aquele constituído e informado por meio de Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso de oficio e não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Em face do procedimento de revisão da DIPJ/2002, a empresa acima qualificada foi autuada e cientificada, em 22/12/2005, a recolher o crédito tributário no valor de R$ 7.108.858,77, sendo R$ 2.919.209,42 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, R$ 2.189.407,06 a título de multa de ofício e o restante a título de juros de mora calculados até 30/11/2005. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 127 a 130, a contribuinte resguardada em Liminar concedida em sede de Medida Cautelar, processo n° 2005.03.00.0133640 (fls. 110 a 113) procedeu à compensação da Base de Cálculo Negativa de períodos base anteriores na apuração da CSLL superior a 30% do Lucro Líquido ajustado. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9o. do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972, o Auto de Infração de CSLL (fls. 98 e 99) com exigibilidade suspensa conforme art. 151, incisos II e IV, da Lei n° 5.172/1966. Cientificada da autuação, a interessada, por meio de seus procuradores (fl. 148), apresenta a impugnação protocolizada em 18/01/2006 (fls. 139 a 146), juntamente com a documentação acostada às fls. 147 a 169, na qual alega em síntese que: O presente auto de infração padece de nulidade na medida em que a autoridade administrativa fiscal deixou de observar o procedimento legal na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro da impugnante, violando o disposto nos §§ 4o e 6o do artigo 6o do Decretolei n° 1.598/77. Ocorre, que o auto de infração desconsiderou que a base de cálculo negativa compensada supostamente acima do limite permitido pelo legislação (30% do lucro tributável) constitui uma redução em períodos subseqüentes. Desta forma, sem apurar os efeitos desta base de cálculo negativa em períodos subseqüentes, de modo a apurar o saldo liquido eventualmente devido pelo contribuinte, o auto de infração viola o disposto nos §§ 4o e 6o do Decretolei n° 1.598/77. A multa aplicada deve ser cancelada, em virtude da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de decisão judicial proferida no processo n° 2005.03.00.0133640. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/SPI) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1621.699, de 08/06/2009 (fls. 186), julgando procedente em parte o lançamento efetuado, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO/CSLL Data do fato gerador: 31/12/2001 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade por decisão em ação judicial, prevista no art. 151 do Código Tributário Nacional, não impede o prosseguimento da lide no âmbito administrativo, no que se relacionar à matéria diferenciada, conforme o Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996. TRAVA LEGAL. POSTERGAÇÃO DO TRIBUTO. INOCORRÊNCIA. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003520/200515 Acórdão n.º 1301000.947 S1C3T1 Fl. 2 3 A compensação de bases negativas excedente à limitação legal não implica postergação de tributo, pois o valor pago em um determinado período não tem o condão de quitar o montante devido em período anterior. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. E incabível o lançamento de multa de ofício proporcional a tributo cuja exigibilidade já se encontrava suspensa por medida liminar à época da lavratura do auto de infração. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas RECURSO DE OFÍCIO O recurso necessário deve ser conhecido à vista de a exoneração do crédito tributário ter sido superior ao limite de alçada. A autoridade julgadora de primeira instância recorreu de oficio em razão de ter exonerado a multa de oficio aplicada. Entendeu a referida autoridade que, no caso vertente, no momento da ciência do auto de infração, dia 22/12/2005, a liminar que favorecia o impugnante estava em pleno vigor. Portanto, nos termos do artigo 63 da Lei n.° 9.430/1996, com a nova redação dada pelo artigo 70 da Medida Provisória n.° 2.15835, de 24/08/2001, combinado com o artigo 106, II, alínea "a", do CTN, a multa de ofício deve ser cancelada. Como visto a exoneração deuse em consonância com o disposto na legislação de regência, repisese: o artigo 63 da Lei n.° 9.430/1996, com a nova redação dada pelo artigo 70 da Medida Provisória n.° 2.15835, de 24/08/2001, determina que "na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício". O inciso V do artigo 151 do CTN, acrescido pela Lei Complementar n.° 104 de 10/01/2001 dispõe sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos casos de liminares concedidas em outras espécies de ações judiciais. Assim sendo, acompanhando a decisão de primeira instância, voto pela improcedência da multa de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Deixo de tomar conhecimento do recurso voluntário, haja vista que a contribuinte apresentou em 24/08/2009 (doc. de fls. . 230/232), expressa desistência do mesmo, conforme transcrevo a seguir: “SÃO PAULO ALPARGATAS S/A, requer, para efeito do que dispõe a Lei no. 11.941/09, a desistência total do recurso voluntário interposto em 24/08/2009. Declara, ainda, que renuncia a qualquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam o referido recurso. Com a edição do parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/09, a Requerente desistiu/renunciou ao direito em que se fundava o Recurso Voluntário por ela interposto, desejando quitar tão somente aquela parte do débito em que fora sucumbente na decisão da DRJ. Todavia, com relação à parcela referente à multa de ofício exonerada, a Requerente não renunciou ao seu direito, devendo os autos serem remetidos ao C. CARF para julgamento do Recurso de Ofício, onde será mantida a decisão prolatada em primeira instância administrativa, cancelandose definitivamente essa parte da cobrança. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003520/200515 Acórdão n.º 1301000.947 S1C3T1 Fl. 3 5 Lembra a Requerente, por oportuno, que desistiu da discussão para adesão ao parcelamento tão somente quanto ao débito denominado "principal" (CSLL ano calendário de 2001), permanecendo o debate em torno da multa lavrada, em função de Recurso de Ofício face à decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos (DRJ), que a cancelou. Em decorrência da adesão parcial aos termos da Lei n° 11.941/09, o processo foi desmembrado, sendo que o débito principal foi transferido para controle no Processo Administrativo n° 16151.000032/201182, remanescendo nos presentes autos a discussão em torno da multa acima aludida. Ocorre que, ao proceder à consolidação do débito no parcelamento, a Requerente viuse obrigada a parcelar também os valores exigidos a título de multa (conforme comprovante anexo), uma vez que tais montantes são indissociáveis do principal.” Por elucidativo trago à questão os artigos 9o. e 13 da Portaria Conjunta (RFB/PGFN) 2, de 2011, bem como o art. 78 da Portaria (MF) 256, de 2009 que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 9º Para a consolidação de modalidade de parcelamento ou de pagamento à vista com a utilização de crédito decorrente de Prejuízo Fiscal ou de Base de Cálculo Negativa de CSLL, nos períodos de que trata o art. 1º, o sujeito passivo deverá indicar: I os débitos a serem parcelados ou aqueles que foram pagos à vista; (...) § 2º A indicação dos débitos de que trata o inciso I do caput deverá ser efetuada por intermédio dos sítios da RFB ou da PGFN na Internet nos endereços mencionados no § 2º do art. 1º, ainda que o sujeito passivo tenha anteriormente prestado esta informação perante unidade da RFB ou da PGFN ou em razão do cumprimento do disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 29 de abril de 2010, e, sendo o caso, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 11, de 24 de junho de 2010. (...) Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º O sujeito passivo deverá selecionar débito com exigibilidade suspensa no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de cada modalidade, ainda que a desistência e a renúncia de que trata o caput sejam: I formalizadas pelo sujeito passivo após a apresentação das informações necessárias à consolidação; ou Fl. 321DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 II analisadas e acatadas pelo órgão ou autoridade competente, administrativo ou judicial, em momento posterior à apresentação das informações necessárias à consolidação. Portaria MF,. 256, de 2009: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Concluise, no caso, que o requerimento de desistência, aliada ao fato de que o processo administrativo só se conclui com o julgamento do último recurso possível apresentado por qualquer uma das partes, e/ou com o transcurso, in albis, do prazo recursal, conduzem a conclusão de que o débito, objeto de confissão por parte do contribuinte, é aquele constituído e informado por meio de Auto de Infração objeto da presente e, no caso, quando da desistência e renúncia ao direito, efetuado pelo contribuinte, ainda não existia trânsito em julgado no referido processo administrativo. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 322DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 05/ 07/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13898.000088/00-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.695
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em razão da ausência do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa tem cinco anos para homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, sob pena de que a homologação ocorra em face do fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em razão da ausência do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI relativo ao 2º trimestre de 2000, protocolado em 18/07/2000 (fl. 01), cumulado com pedidos de compensação protocolados em 18/07/2000, 15/08/2000 e 28/09/2000, conforme especificado na fl. 289. Por meio do Despacho Decisório DRF/JUN/SEORT s/nº de 05/10/2007 (fls. 293), escorado na informação fiscal (fls. 272/277) e no demonstrativo analítico de compensação (fls. 290/292), foi glosada uma parte do ressarcimento e homologadas parcialmente as compensações, restando em aberto um débito remanescente de R$ 4.954,21. A glosa efetuada no ressarcimento do saldo credor da escrita foi decorrente da inobservância do art. 15 da Lei nº 9.779/99, que determina a centralização da apuração do crédito presumido na matriz. A filial CNPJ 61.192.522/000208 apurou o crédito presumido relativo ao 1º trimestre de 2000 e transferiu o valor de R$ 105.973,52 para a matriz, que o escriturou no Livro de Registro e Apuração do IPI no 3º decêndio de junho de 2000. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 17/10/2007, conforme AR de fl. 299. Em sede de manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que seu direito ao crédito presumido independe da forma de apuração. A fiscalização não negou a existência do crédito, apenas não aceitou a forma com que foi apurado. Por meio do Acórdão nº 19.768, de 16 de julho de 2008, a 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto indeferiu a manifestação de inconformidade. Ficou decidido que a partir do advento do art. 15 da Lei nº 9.779/99 as filiais não podem apurar o crédito presumido e transferilo para a matriz. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 11/09/2008 (fl. 395), o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 400/423 em 09/10/2008, alegando, em síntese, que os pedidos de compensação, por estarem pendentes de apreciação quando do advento da Lei nº 10.637/2002 foram transformados em declarações de compensação desde a data de seus protocolos. Assim, desde a data dos protocolos as compensações declaradas extinguiram o crédito tributário compensado sob condição resolutiva de posterior homologação. Tendo em vista que o Despacho Decisório só foi notificado ao contribuinte em 2007, ocorreu a homologação tácita de todas as compensações objeto deste processo, a teor do art. 74, § § 4º e 5º da Lei nº 9.430/96. No mérito, reprisou os argumentos oferecidos na impugnação. Ao final requereu o provimento do seu recurso para que seja reconhecida a extinção do crédito tributário pela homologação tácita e, subsidiariamente, caso não se reconheça a homologação tácita, que seja reconhecido o direito aos créditos glosados e homologadas as compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou o contribuinte fato extintivo do direito da União não homologar as compensações. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13898.000088/0073 Acórdão n.º 3403001.695 S3C4T3 Fl. 2 3 O pedidos de compensação foram apresentados em 18/07/2000, 15/08/2000 e 28/09/2000, conforme especificado na fl. 289. O contribuinte tomou ciência do despacho que homologou parcialmente as compensações apenas em 17/10/2007, conforme AR de fl. 299. Assim, os pedidos de compensação estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002. Estes pedidos foram convertidos em declarações de compensação desde as datas dos respectivos protocolos, nos termos do art. 49, combinado com o art. 63, I, da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96. Ora, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/97, com as redações que lhe foram dadas pelas Leis nº 10.637/02 e pela Lei nº 10.833/03, estabelece que o prazo para a homologação da compensação declarada pelo contribuinte será de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, se a declaração de compensação mais recente neste processo foi protocolada em setembro de 2000 e o contribuinte só tomou ciência do Despacho Decisório de homologação parcial em outubro de 2007, é inequívoco que todas as compensações analisadas neste processo foram homologadas pelo fato extintivo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96. Verificada a extinção do crédito tributário pela homologação tácita das compensações, tornase desnecessária a análise do mérito da glosa efetuada no pedido de ressarcimento, mesmo porque o contribuinte não conseguirá aproveitar novamente o valor glosado em novas declarações de compensação, pois o programa não permite a transmissão de declaração que utilize crédito anterior a cinco anos da data da transmissão. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/08/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10166.012890/2004-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/1988 a 28/02/1996
INDÉBITO. REPETIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS.
O ônus de apresentar provas da liquidez e certeza de créditos financeiros
compensados com débitos tributários, mediante Declaração de Compensação,
é do contribuinte.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação
(Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro
declarado.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1988 a 28/02/1996 INDÉBITO. REPETIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS. O ônus de apresentar provas da liquidez e certeza de créditos financeiros compensados com débitos tributários, mediante Declaração de Compensação, é do contribuinte. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Brasília que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que homologou, em parte, as compensações dos débitos tributários vencidos, declarados nas Declarações de Compensação (Dcomps) em discussão, com crédito financeiro cujo direito à repetição foi reconhecido à recorrente, por meio da decisão judicial transitada em julgado na data de 19/12/2003 nos autos do mandado de segurança nº 1999.34.00.0056177. O reconhecimento parcial do crédito financeiro declarado e, consequentemente da homologação parcial, decorreu da falta de apresentação dos documentos necessários à apuração da liquidez e certeza daquele crédito, tendo em vista que, nas DIPJs apresentadas, para os anos calendários de 1988 e 1989, não há quadro demonstrativo da receita operacional bruta (base de cálculo do PIS) e, ainda, intimada, a recorrente não apresentou os documentos necessários à apuração dos indébitos referentes àqueles períodos. Também, para o período de julho a setembro de 1995, não foi atendida à intimação para apresentar os documentos, conforme Despacho Decisório às fls. 1.076/1.084. Inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 1.150/1.157), insistindo na homologação total das compensações dos débitos tributários declarados, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “Não se pode admitir a alegação constante do item 15 do Despacho, onde se alega que a Manifestante quando intimada no Processo 10166.005333/9991, apresentou apenas planilhas da comprovação da base de cálculo do PIS do ano calendário de 1989 a 1995, informando não ter mais em seus arquivos a documentação solicitada; Além do fato de ter enviado toda a documentação solicitada pela Receita, vale lembrar que a própria Administração Federal dispõe em seu sistema a comprovação da base de cálculo, fato gerador e pagamento do PIS, porque informado em todas as DIPJ. Mesmo porque o crédito pleiteado está informado em Darf; Daí, tem direito à restituição dos valores do PIS recolhidos a maior no período de outubro/88 a setembro/95, conforme Pedido de Habilitação de Crédito no valor de R$ 3.161.166,79 (Processo nº 10166.0063331/200537); (...).” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, sob o fundamente de que a recorrente não comprovou a liquidez e certeza dos indébitos reclamados para aqueles períodos, mantendo a decisão da DRF, conforme Acórdão nº 03042.872, datado de 28/04/2011, às fls. 1.181/1.184, sob as seguintes ementas: “Compensação – Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.012890/200403 Acórdão n.º 330101.517 S3C3T1 Fl. 1.218 3 A manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação enquadraseno disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (1.196/1.204), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue, na íntegra, as compensações dos débitos tributários declarados, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, ou seja, que não procede a alegação da DRF de que não apresentou toda a documentação necessária à comprovação da liquidez e certeza do valor reclamado para o período de outubro/88 a setembro/95, ressaltando que a própria Administração Federal dispõe, em seu sistema, da comprovação da base de cálculo, fato gerador do PIS e de seu pagamento, para aquele período, porque foram declaradas em todas as DIPJs e, ainda, que o crédito pleiteado está informado em Darf; assim, tem direito à restituição/compensação dos valores do PIS recolhidos a maior naquele período, conforme Pedido de Habilitação de Crédito, no valor de R$ 3.161.166,79 (Processo nº 10166.006331/200537). É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A questão de mérito se restringe a provas, ou seja, à comprovação da liquidez e certeza do crédito financeiro declarado nas Dcomps em discussão. A legislação cível e tributária assim dispõe quanto a provas de direito constitutivo: a) Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil): “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...).” b) Decreto nº 70.235, de 06/03/1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...); III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.” c) Lei nº 9.784, 29/01/1999: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. (...). Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Art. 40. Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.” Conforme demonstrado nos autos, mais especificamente no despacho decisório e na decisão recorrida, nas DIPJs dos anos calendários de 1988, 1989 e 1995 não constou quadro demonstrativo da receita operacional bruta o que impossibilitou à autoridade administrativa competente de apurar as bases de cálculo da contribuição para o PIS e, Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10166.012890/200403 Acórdão n.º 330101.517 S3C3T1 Fl. 1.219 5 conseqüentemente, o valor da contribuição devida e o pagamento indevido e/ ou maior, efetuado nos termos dos Decretos Leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, em relação ao valor devido nos termos das LCs nº 07, de 07/09/1970, e nº 17, de 12/12/1973. A LC nº 07, de 07/09/1970, assim dispunha quanto à base de cálculo do PIS: “Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: (...); b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (...); 4) no exercício de 1974 e subseqüentes, 0,50%;” Posteriormente, a LC nº 17, de 12/12/1973, alterou esse percentual: Art. 1 A parcela destinada ao Fundo de Participação do Programa de Integração Social, relativa à contribuição com recursos próprios da empresa, de que trata o ART.3, letra ‘b’, da Lei Complementar número 7, de 7 de setembro de 1970, é acrescida de um adicional a partir do exercício financeiro de 1975. Parágrafo único. O adicional de que trata este artigo será calculado com base no faturamento da empresa, como segue: (...); b) no exercício de 1976 e subseqüentes 0,25%.” Ora, de acordo com os dispositivos legais citados e transcritos, o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito financeiro declarado nas Dcomps é da recorrente. Sem os documentos solicitados, a autoridade administrativa competente não tem como apurar os indébitos reclamados, ou seja, a liquidez e certeza dos créditos financeiros declarados. Conforme demonstrado e provados nos autos, como a recorrente não apresentou as provas necessárias à apuração dos indébitos, quando da apresentação das Dcomps, e que as DIPJs dos anos calendários de 1988, 1989 e 1995, apresentadas à Receita Federal, não continham o quadro demonstrativo da receita bruta operacional (base de cálculo do PIS), intimada a apresentar a comprovar as bases de cálculos da contribuição, demonstrando a receita operacional bruta mensal, não atendeu à intimação. Já a alegação de que os darf poderiam suprir a apresentação dos demonstrativos de apuração da receita operacional bruta mensal é equivocada porque estes documentos não contêm a base de calculo do PIS, imprescindível para apurar o valor da contribuição paga, nos termos dos Decretos Leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, recolhida pela recorrente, e para se apurar o valor da contribuição devida, nos termos das LCs nº 07, de 1970, e nº 17, de 1973, e, conseqüentemente, os indébitos, ou seja, as diferenças entre os valores recolhidos e os efetivamente devidos. Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Assim, demonstrado que intimada, a recorrente não apresentou as provas de seu direito constitutivo, quanto à liquidez e certeza da integralidade dos créditos financeiros declarados nas Dcomps e que os documentos (DIPJs) em poder da Receita Federal não continham os dados (receita bruta operacional mensal) imprescindíveis ao cálculo dos indébitos, não há que se falar em repetição/compensação de crédito financeiro suplementar. Quanto à homologação da compensação dos débitos declarados nas Dcomps em discussão e não homologadas pela autoridade administrativa competente e mantida pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à liquidez e certeza dos créditos financeiros declarados. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não faz jus à repetição do crédito financeira suplementar reclamado nesta fase recursal. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao presente recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 36696.000308/2004-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.176
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11618.001805/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS REJEITADOS POR MOTIVOS FORMAIS. REQUISITOS IMPLEMENTADOS NA VIA RECURSAL.
Tendo sido os recibos rejeitados apenas por motivos formais, estes superados na via recursal, deve-se deferir o direito a dedução das despesas médicas consubstanciadas nos recibos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.102
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica consubstanciada pelos recibos emitidos pela profissional Eliane Maria de Araújo, no montante de R$ 7.600,00.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS REJEITADOS POR MOTIVOS FORMAIS. REQUISITOS IMPLEMENTADOS NA VIA RECURSAL. Tendo sido os recibos rejeitados apenas por motivos formais, estes superados na via recursal, deve-se deferir o direito a dedução das despesas médicas consubstanciadas nos recibos. Recurso provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica consubstanciada pelos recibos emitidos pela profissional Eliane Maria de Araújo, no montante de R$ 7.600,00.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.001805/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210202.102 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ NONATO FERNANDES SPINELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS REJEITADOS POR MOTIVOS FORMAIS. REQUISITOS IMPLEMENTADOS NA VIA RECURSAL. Tendo sido os recibos rejeitados apenas por motivos formais, estes superados na via recursal, devese deferir o direito a dedução das despesas médicas consubstanciadas nos recibos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica consubstanciada pelos recibos emitidos pela profissional Eliane Maria de Araújo, no montante de R$ 7.600,00. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte JOSÉ NONATO FERNANDES SPINELLI, CPF/MF nº 070.224.50463, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 02/04/2007, notificação de lançamento, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do ano calendário 2003. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 5.974,11 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.480,58 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesa médica, com a motivação que segue (fl. 08): Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 21.724,04, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução." "Foi aceito o valor de R$ 627,78 referente à UNIMED. O valor de R$ 874,04 não foi considerado, porque se referente (sic) a despesa com o cônjuge que apresentou declaração em separado. As demais deduções, apesar da entrega de recibos, foram glosados por falta de comprovação do efetivo pagamento conforme exigido no 2º ºTermo de Intimação Fiscal e falta de identificação do(s) beneficiário(s) do tratamento em alguns ". Assim, houve a glosa de despesas médicas oriundas dos serviços prestados pelos prestadores Carlos Roberto Campelo dos Santos (R$ 4.700,00), Eliane Maria de Araújo (R$ 7.600,00), Jeane Brito Gomes Pereira (R$ 8.550,00) e Unimed João Pessoa (R$ 874,04). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 6ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1130.498, de 22 de julho de 2010. A decisão acima assim se posicionou sobre cada uma das glosas (fl. 89): UNIMED JOÃO PESSOA Do valor total declarado, a fiscalização aceitou como dedução o montante de R$ 627,78, sendo a diferença (R$ 874,04) glosada e acatada, expressamente, pelo Impugnante. Logo, deve permanecer a glosa de R$ 874,04. ELIANE MARIA DE ARAÚJO Constam Recibos de prestação de serviços fisioterápicos e declaração, todos emitidos pela profissional, totalizando o valor de R$ 7.600,00. Os referidos recibos e a declaração não apresentam o endereço da prestação dos serviços. Como os documentos não preenchem os requisitos de admissibilidade Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11618.001805/200713 Acórdão n.º 210202.102 S2C1T2 Fl. 2 3 estabelecidos pela Lei n° 9.250/95, concluise pelo não acatamento dos mesmos e conseqüente manutenção da glosa respectiva. JEANE BRITO GOMES PEREIRA Constam Recibos de prestação de serviços odontológicos e declaração, todos emitidos pela profissional, totalizando o valor de R$ 8.505,00. Os referidos recibos e a declaração não apresentam irregularidades. Como os documentos preenchem os requisitos de admissibilidade estabelecidos pela Lei n° 9.250/95, concluise pelo acatamento dos mesmos e conseqüente restabelecimento da dedução respectiva no valor de RS 8.505,00. CARLOS ROBERTO CAMPELO DOS SANTOS Constam Recibos de prestação de serviços, todos emitidos pela profissional, totalizando o valor de R$ 4,700.00. Os referidos recibos não apresentam irregularidades. Como os documentos preenchem os requisitos de admissibilidade estabelecidos pela Lei n° 9.250/95, concluise pelo acatamento dos mesmos e conseqüente restabelecimento da dedução respectiva no valor de RS 4.700,00. Em síntese, deve ser restabelecida a dedução de R$ 13.205,00, por ser de direito. (grifos do original) O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 19/03/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/04/2011. No voluntário, o recorrente pugna pelo restabelecimento da despesa com a prestadora Eliane Maria de Araújo, trazendo declaração ratificadora da prestação do serviço (fl. 96). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 19/03/2011, sábado, e interpôs o recurso voluntário em 14/04/2011 (fl. 94), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 19/04/2011, terçafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Como a decisão recorrida, para manter a glosa com a despesa médica oriunda da prestação de serviço da psicóloga Eliane Maria de Araújo, se fiou apenas na ausência do endereço nos recibos e na declaração que confirmara a prestação outrora apresentada, o que Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 vulneraria os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95, vêse que a nova declaração ratificadora (fl. 96) supera o óbice apontado, devendo, assim, a despesa ser restabelecida. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa médica consubstanciada pelos recibos emitidos pela profissional Eliane Maria de Araújo, no montante de R$ 7.600,00. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10768.002973/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE - CARTA DE COBRANÇA - AÇÃO JUDICIAL - CABIMENTO É cabível a Manifestação de Inconformidade quando o contribuinte obtém a instauração do procedimento administrativo por meio de decisão judicial proferida em mandado de segurança. AÇÃO ORDINÁRIA DECLARATÓRIA - POSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO IMEDIATA NA VIA ADMINISTRATIVA - RECURSO REPETITIVO DO STJ De acordo com o posicionamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça - STJ - consubstanciado no Recurso Repetitivo nº 1.114.404, é possível ao contribuinte “proceder à compensação de valores com base em uma decisão proferida nos autos de uma ação ordinária declaratória”. É de se reconhecer, portanto, o caráter executório da decisão judicial proferida nos autos de ação ordinária declaratória, por ser este entendimento de observação obrigatória por este tribunal administrativo nos termos da inteligência do artigo 62-A do Regimento Interno - RICARF. MATÉRIA CONCOMITANTE - IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE - SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial - Súmula CARF nº 1. In casu, a matéria referente à possibilidade de o trânsito em julgado material ser utilizado para se proceder à compensação de créditos tributários foi levado ao judiciário, para análise nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.51.01.0172407,
submetendo a sorte deste processo administrativo à
mesma daquele processo judicial.
IN/SRF nº 600/05 PEDIDO
DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO EXIGÊNCIAS
IMPOSSIBILIDADE
DE CERCEAMENTO DO DIREITO
DO CONTRIBUINTE
A Instrução Normativa nº 600/05 pretende única e exclusivamente viabilizar
o procedimento de restituição/ressarcimento/compensação da melhor forma
possível, para isso exige determinados documentos do contribuinte que sejam
suficientes para se comprovar a legitimidade e existência do crédito. Com sua
característica de complementar as demais normas tributárias, as regras
veiculadas pela IN foram realizadas filtrar os pedidos, evitar as fraudes e
atender a grande maioria dos contribuintes. Todavia, não pode ser utilizada
para cercear o direito do contribuinte, uma vez que os atos administrativos
tem a função de regulamentar os dispositivos legais, sem inovar o
ordenamento jurídico ou restringir a norma que regulamenta. Restrição desta
monta (direito de compensar) não pode ser realizada por intermédio de
Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário cuja
normatividade está diretamente subordinada à lei. Desta forma, apesar de a
IN 600/05 não ser ilegal, a sua utilização com a finalidade de restringir o
direito do contribuinte faz com que atente contra os termos da Lei nº
9.730/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto em relação à matéria submetida ao Poder Judiciário, para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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AÇÃO ORDINÁRIA DECLARATÓRIA POSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO IMEDIATA NA VIA ADMINISTRATIVA RECURSO REPETITIVO DO STJ De acordo com o posicionamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça STJ consubstanciado no Recurso Repetitivo nº 1.114.404, é possível ao contribuinte “proceder à compensação de valores com base em uma decisão proferida nos autos de uma ação ordinária declaratória”. É de se reconhecer, portanto, o caráter executório da decisão judicial proferida nos autos de ação ordinária declaratória, por ser este entendimento de observação obrigatória por este tribunal administrativo nos termos da inteligência do artigo 62A do Regimento Interno RICARF. MATÉRIA CONCOMITANTE IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Súmula CARF nº 1. In casu, a matéria referente à possibilidade de o trânsito em julgado material ser utilizado para se proceder à compensação de créditos tributários foi levado ao judiciário, para análise nos autos do Mandado de Segurança nº Fl. 441DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 2007.51.01.0172407, submetendo a sorte deste processo administrativo à mesma daquele processo judicial. IN/SRF nº 600/05 PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO EXIGÊNCIAS IMPOSSIBILIDADE DE CERCEAMENTO DO DIREITO DO CONTRIBUINTE A Instrução Normativa nº 600/05 pretende única e exclusivamente viabilizar o procedimento de restituição/ressarcimento/compensação da melhor forma possível, para isso exige determinados documentos do contribuinte que sejam suficientes para se comprovar a legitimidade e existência do crédito. Com sua característica de complementar as demais normas tributárias, as regras veiculadas pela IN foram realizadas filtrar os pedidos, evitar as fraudes e atender a grande maioria dos contribuintes. Todavia, não pode ser utilizada para cercear o direito do contribuinte, uma vez que os atos administrativos tem a função de regulamentar os dispositivos legais, sem inovar o ordenamento jurídico ou restringir a norma que regulamenta. Restrição desta monta (direito de compensar) não pode ser realizada por intermédio de Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário cuja normatividade está diretamente subordinada à lei. Desta forma, apesar de a IN 600/05 não ser ilegal, a sua utilização com a finalidade de restringir o direito do contribuinte faz com que atente contra os termos da Lei nº 9.730/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto em relação à matéria submetida ao Poder Judiciário, para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Designada a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral: Breno Ladeira Kingma Orlando OAB/RJ 120882. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Redatora Designada. EDITADO EM: 05/06/2012 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 439 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação em papel apresentada pela empresa COMPANHIA VALE DO RIO DOCE, no dia 04/07/2007 (fl. 14). Na referida declaração a empresa declara a origem do crédito utilizado na compensação como sendo OUTROS TRANSITADO EM JULGADO CONF. PROC JUDICIAL 9900103386 E HABILITADO JUNTO A RECEITA FEDERAL SOB O Nº 10768.001918/200732. A Derat/RJ qualificou a compensação efetuada pela interessada como “não declarada” e, consequentemente, não efetuou a sua homologação sob o argumento de que a decisão judicial não havia transitado em julgado e que não ocorreu habilitação de crédito no processo nº 10768.001918/200732, conforme determina o art. 74, § 12, da Lei nº 9.430/96, c/c art. 51 da IN SRF nº 600/2005. Ciente desta decisão, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade e esta, por força no disposto no § 13, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, foi recebida como recurso hierárquico e o débito encaminhado para cobrança executiva. Executado judicialmente o débito, a empresa interessada ingressou com o Mandado de Segurança nº 2007.51.01.0172407, com o objetivo de, nas suas palavras: assegurar o direito liquido e certo de a Autora interpor recurso administrativo de manifestação de inconformidade em face de decisão administrativa que, equivocadamente, considerou as compensações efetuadas como "não declaradas", sob o fundamento de que a decisão judicial em que se lastreavam os créditos não haveria transitado em julgado (art. 74, § 12, II, 'd' da Lei 9.430/96). [...] Destaquese que o mandado de segurança visa, portanto, a suspensão da exigibilidade do crédito para que não tivesse execução fiscal ajuizada em nome da Autora, eis que um dos efeitos decorrentes da possibilidade de se apresentar a manifestação de inconformidade, como se sabe, é a garantia da suspensão da exigibilidade do crédito tributário nele discutido, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. O Juiz da 26ª Vara Federal deferiu a liminar para suspender a exigibilidade dos créditos tributários, objeto do recurso administrativo, nos seguintes termos: Assim é que defiro a medida liminar para que a autoridade impetrada receba o recurso administrativo de manifestação de inconformidade da impetrante nos efeitos suspensivo e devolutivo, ficando suspensa a exigibilidade do crédito e a multa aplicada. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Ao prolatar a sentença, o MM. Juízo do feito cassou a liminar anteriormente deferida e denegou a segurança. A empresa interpôs recurso de apelação, com pedido de recebimento no duplo efeito para restaurar os efeitos da medida liminar cassada. Antes de o Juiz analisar o pedido da interessada, esta ingressou com a Medida Cautelar Inominada nº 2007.02.01.014146 9 perante o TRF2 pleiteando a concessão de liminar para, entre outras coisas: Restaurar os efeitos da decisão que concedeu a liminar no mandado de segurança n° 2007.51.01.0172407 (processo principal), determinadose a devida apreciação da manifestação de inconformidade interposta nos autos do processo administrativo n° 10768002973/200740, suspendendo da exigibilidade do crédito em questão. A liminar pleiteada foi concedida nos seguintes termos: Concedo medida liminar para restabelecer a eficácia da liminar concedida no mandado de segurança 2007.51.01,0172407, com suspensão da exigibilidade do crédito respectivo e suas naturais conseqüências, até a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo n° 10768002973/200740. Por força e em cumprimento à referida decisão, a autoridade impetrada suspendeu a exigibilidade do crédito tributário e encaminhou a manifestação de inconformidade da recorrente para apreciação da DRJ no Rio de Janeiro e esta indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1318.819, de 31/01/2008, que tem a seguinte ementa: Ação Declaratória. Efeito Compensatório. Vedado. Decisão judicial de natureza meramente declaratória não qualifica imediatamente o sujeito passivo como possuidor de crédito compensável perante a Fazenda Nacional, pois, ação declaratória não pode ter caráter condenatório. Instrução Normativa. Ilegalidade. A instância administrativa não possui competência para declarar ilegalidade de Instrução Normativa. Ciente desta decisão no dia 08/04/2008, a empresa interessada ingressou, no dia 07/05/2008, com o recurso voluntário de fls. 229/250, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 a decisão liminar proferida pelo TRF2 nos autos da medida cautelar continua vigente, impondo a suspensão do crédito tributário e o regular curso do presente processo administrativo, permitindo que o recurso voluntário seja interposto e julgado pelo CARF; 2 a declaração de inconstitucionalidade de lei que ampliou ou majorou tributo gera, automaticamente, o dever jurídico de repetição de indébito e, consequentemente, dar ensejo à compensação de débitos, posto que tem força suficiente para desconstituir todas as relações jurídicas que surgiram do dispositivo legal declarado inconstitucional. É o caso dos autos. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 440 5 3 o pedido de compensação foi formulado após o trânsito em julgado da decisão que reconheceu o seu crédito; 4 efetuou o Pedido de Habilitação a que se refere a IN SRF nº 600/2005 (Processo nº 10768.001918/200732) e a RFB ainda não o apreciou; 5 há consolidado entendimento jurisprudencial no sentido de que o art. 51 da IN SRF nº 600/2005 transbordou seus limites regulamentares, inovando, ilegitimamente, no mundo do direito. Devese aplicar prioritariamente a Lei e afastar o obstáculo ilegal criado pelo referido art. 51 da IN SRF nº 600/2005. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O “recurso voluntário” foi apresentado tempestivamente e, pelas razões que passo a expor, dele não conheço. Como relatado, trata o presente processo de Declaração de Compensação, em papel, apresentada pela recorrente no mês julho de 2007, na qual declara à RFB que efetuou a compensação de débitos seus com créditos reconhecidos em decisão judicial transitada em julgado, proferida no Mandado de Segurança nº 9900103386. A autoridade da RFB apreciou a declaração da empresa para considerar “não declaradas” as compensações realizadas pela recorrente porque não ocorreu o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o crédito pleiteado, conforme determina o art. 74, § 12, inciso II, alínea “d”, da Lei nº 9.430/96, e, ainda, porque o pedido de habilitação do crédito formulado pela recorrente não foi acompanhado dos documentos exigidos no art. 51, § 1º, da IN SRF nº 600/2005, abaixo reproduzidos. Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei). Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei). [...] § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei). IN SRF nº 600/2005: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. (grifei). Fl. 446DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 441 7 Esta decisão de considerar não declarada a compensação não submetese ao rito do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72) por expressa determinação contida no § 13, do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (acima reproduzido), podendo ser, no entanto, objeto de recurso hierárquico. Por esta razão (§ 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96), o débito da recorrente foi inscrito em dívida ativa da União e objeto de execução judicial. A empresa impetrou mandado de segurança pleiteando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação efetuada e a apreciação de sua manifestação de inconformidade. Concedida a liminar, a mesma restou cassada quando da prolação da sentença de mérito que denegou a segurança. Apresentado o recurso pela interessada, solicitando os efeitos suspensivo e devolutivo, o Juízo do feito não se manifestou e a recorrente ingressou com Medida Cautelar Inominada perante o TRF2, solicitando, liminarmente, o restabelecimento dos efeitos da liminar concedida no mandado de segurança e o julgamento de sua manifestação de inconformidade. O pleito da recorrente foi atendido nos seguintes termos: Concedo medida liminar para restabelecer a eficácia da liminar concedida no mandado de segurança 2007.51.01,0172407, com suspensão da exigibilidade do crédito respectivo e suas naturais conseqüências, até a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo n° 10768002973/200740. (grifei). Portanto, os efeitos da liminar concedida pelo TRF2 subsistem até a apreciação da manifestação de inconformidade. Não foi determinado, na referida decisão, que a manifestação de inconformidade fosse processada pelas regras do Decreto nº 70.235/72. Portanto, ao contrário do sustentado pela interessada, os efeitos da decisão liminar concedida na medida cautelar inominada não alcança este Colegiado e nem determina o julgamento do recurso voluntário apresentado no dia 07/05/2008. Mais ainda, a matéria decidida pela autoridade local da RFB (compensação não declarada), objeto do litígio, não se submete às regras do Decreto nº 70.235/72, por expressa determinação da Lei nº 9.430/96, art. 74, § 13, acima reproduzido, não havendo previsão legal para o seu recebimento, processamento e julgamento por parte deste CARF. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do “recurso voluntário” interposto pela recorrente, sem prejuízo do mesmo ser apreciado como recurso hierárquico. Vencido nesta preliminar, passo ao exame do mérito. Antes de adentrar no mérito da lide, devo esclarecer que a mesma está restrita à matéria decidida pela autoridade competente da RFB, em face da declaração de compensação apresentada pela recorrente. E a autoridade da RFB decidiu, com fulcro no § 12, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, considerar não declarada a compensação realizada pela recorrente porque o crédito utilizado decorre de decisão judicial não transitada em julgado (a lide continua), embora algumas questões não seja objeto de recurso, em sentido amplo, e outras estão pendentes de julgamento. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Esta matéria, incluindo o alcance da decisão judicial proferida em ação declaratória, foi levado à discussão no âmbito do Poder Judiciário, como bem disse a decisão recorrida, nos seguintes termos: Ora, das preliminares levantadas pela Unidade a quo, no relatório acima sintetizadas, uma já está fora do alcance deste julgamento, pois levada a apreciação do Poder Judiciário (MS n° 2007.51.01.0172407, 26ª VF/RJ & MCI n° 2007.02.01.0141469). Referese à questão da existência, ou não, do transito em julgado de parte da demanda judicial, que diz respeito à declaração de inexistência de relação jurídico tributário no tocante à ampliação da base de cálculo do PIS e Cofins promovidas pela Lei n° 9.718/98. A sentença de mérito de 1ª instancia, exarada nos autos do MS n° 2007.51.01.0172407, 26ª VF/RJ, entendeu não ter havido o transito em julgado daquela parte, consoante orientação do E. STJ, que mantém entendimento no sentido de não ser possível fracionar a referida qualidade. No entanto, medida liminar concedida em sede de 2ª instancia impõe, por enquanto, a superação desta controvérsia (MCI n° 2007.02.01.0141469). Por força do disposto na Súmula CARF nº 1, abaixo reproduzida, este Colegiado está impedido de apreciar esta matéria, ficando a administração sujeita ao que for decido no Mandado de Segurança impetrado pela recorrente. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Apenas para restabelecer a verdade, devo assinalar que, de fato, no voto condutor do acórdão recorrido o julgador admite, corretamente, que o pedido de restituição e/ou compensação pode ser feito com base em “provimento judicial obtido no âmbito da ação declaratória anterior”. Não disse com isto o julgador que o pedido de restituição e/ou compensação pudesse ser feito antes do trânsito em julgado da decisão proferida na ação declaratória, como quer dar a entender a recorrente. Portanto, não há nenhuma concordância ou conformidade da decisão recorrida com os argumentos da recorrente, neste particular. Quanto à exigência de prévia habilitação de crédito, nos termos do art. 51, da IN SRF n° 600/05, não vejo a ilegalidade alegada, pois referida norma conformase aos limites do art. 74, da Lei nº 9.430/96, que no seu § 14 autoriza a SRF a complementar o disciplinamento dos institutos da restituição e da compensação: § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto afixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (incluído Lei n° 11.051/04) Mais ainda, o exigido no referido dispositivo regulamentar é somente o necessário para a autoridade confirmar que: Fl. 448DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 442 9 I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV – foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V – na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Sem estas informações não é possível presumir a existência de crédito a favor do contribuinte. Portanto, não vejo óbice algum no direito do contribuinte de executar administrativamente seu crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado (inclusive em ação declaratória) e, portanto, ilegalidade no referido dispositivo regulamentar. Por fim, registrese que a autoridade da RFB não efetuou procedimentos administrativos tendente a verificar se o valor do crédito utilizado nas compensações estava ou não de acordo com a sentença proferida na ação declaratória nº 9900103386. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Voto Vencedor Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tomei vista destes autos para melhorar me inteirar acerca das questões fáticas que parecem absolutamente relevantes para o deslinde da questão. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 Conforme relatado, tratase de compensação de crédito tributário (PIS e COFINS) com débitos federais, sendo o crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições (faturamento para totalidade de receitas) prevista no artigo 3º, da Lei nº 9.718/98. A declaração de inconstitucionalidade foi obtida nos autos da ação ordinária declaratória nº 99.00103386/RJ, e no momento da compensação estava com decisão favorável à inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo e desfavorável em relação à alegação da majoração da alíquota. A questão da alíquota ainda estava sendo debatida por meio de recurso específico. É em razão desta situação fática que o imbróglio da presente ação administrativa começou. Com base nesta decisão definitiva, mas ainda não transitada em julgado formalmente, a Recorrente apresentou pedido de habilitação do crédito de PIS e COFINS perante a Receita Federal e procedeu, antes mesmo da decisão deste processo de habilitação, à compensação aproximada de 424 Milhões de reais (valor histórico). Pronto. É isso. A partir daí começaram as conseqüências deste ato. Em virtude de estar impedido de apresentar a DComp eletrônica, a Recorrente solicitou a compensação em papel, indicando como origem do crédito o processo judicial, informando que houve o trânsito em julgado material (apresentou uma certidão do Supremo Tribunal Federal – STF neste sentido) e que foi apresentado o pedido de habilitação do crédito. Todavia, os agentes administrativos entenderam que o requisitos da habilitação do crédito não foram atendidos, e negaram a habilitação do crédito pleiteada pelas seguintes razões: (i) não houve trânsito em julgado; (ii) decisão de ação ordinária declaratória não pode ser executada imediatamente; (iii) não foi apresentada certidão de objeto e pé expedida pela Justiça de Primeiro Grau, assim como não houve desistência da execução de sentença. Em razão de a administração tributária ter considerado a inocorrência de trânsito em julgado, surgiu a subsunção da situação fática da Recorrente ao §13 e à alínea ‘d’ do §12, ambos do artigo 74, da Lei nº 9.430/96. Tal subsunção fez com que as compensações realizadas pela Recorrente fossem consideradas como não homologadas e, portanto, à margem dos processo administrativo fiscal, que consiste na apresentação de recursos administrativos com efeito suspensivo (manifestação de inconformidade/recurso voluntário). Na intenção de conseguir acesso à via administrativa recursal, a Recorrente impetrou mandado de segurança (nº 2007.51.01.0172407), tendo obtido liminar favorável ao seu pleito, a qual depois de cassada, foi mantida pela decisão proferida na Medida Cautelar nº 007.02.01.0141469. Pelo que consta dos autos, até o presente momento a Recorrente tem decisão favorável ao seu pleito. Nos autos do mandado de segurança a Recorrente discorreu sobre a existência do trânsito em julgado – mesmo que material – o que por si só afastaria o impedimento à via administrativa recursal, afastando a aplicação dos §§13 e 12 da Lei nº Fl. 450DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 443 11 9.730/96. Isto é, o fato de ter ocorrido o trânsito em julgado afastaria o entendimento de não homologação da compensação e concederia, automaticamente à Recorrente, o direito à apresentação de manifestação de inconformidade. Para autorizar a Recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade o magistrado teria, obrigatoriamente, que reconhecer a ocorrência do trânsito em julgado. Em vista da determinação judicial, a manifestação de inconformidade da Recorrente foi conhecida e julgada pela competente Delegacia de Julgamento (fls. 218 e segs. Vol. II). A decisão administrativa deixou de analisar a questão atinente à existência do trânsito em julgado, sob o fundamento de a questão ter sido levada ao judiciário; e no mais manteve o posicionamento do Despacho Decisório, concluindo por negar o direito da Recorrente à compensação dos créditos tributários. Estamos julgando o recurso voluntário interposto pela Recorrente contra a mencionada decisão da DRJ. O ilustre Conselheiro Relator trouxe à discussão, em sede de preliminar, a impossibilidade de aceitarmos o recurso apresentado pela Recorrente, fundamentando seu entendimento no fato de que o Mandado de Segurança nº 2007.51.01.0172407 teria autorizado apenas a interposição de manifestação de inconformidade. Na seqüência, completa que outra impossibilidade de conhecimento do recurso seria que a “matéria objeto do litígio não se submete às regras do Decreto nº 70.235/72, por expressa determinação da Lei nº 9.430/96, art. 74, § 13, acima reproduzido, não havendo previsão legal para o seu recebimento, processamento e julgamento por parte deste CARF.” Caso vencido na preliminar, o ilustre relator indefere o pleito da Recorrente afastando a matéria concomitante (registro que o relator inclui como matéria concomitante o alcance da ação ordinária declaratória) e considerando legal a limitação imposta pelo artio 51 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal – IN SRF – nº 600/05, por conformar se aos limites do art. 74, da Lei nº 9.430/96, que no seu § 14 autoriza a SRF a complementar o disciplinamento dos institutos da restituição e da compensação”. Apresentado o resumo acima, entendo que as questões que devem ser analisadas são: (i) Preliminarmente: Interpretação da Decisão do Mandado de Segurança nº 2007.51.01.017240 7 e possibilidade de apresentação do Recurso Voluntário. (ii) No Mérito: Ocorrência do Trânsito em Julgado; Fl. 451DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 Possibilidade de Execução da Decisão Proferida em Ação Ordinária Declaratória; Restrição Imposta pela Instrução Normativa/SRF nº 600/05. Passo a analisar cada item isoladamente para melhor compreensão dos assuntos tratados no processo em discussão. I. PRELIMINARMENTE Em sede de preliminar, pareceme que são dois assuntos para análise. Primeiro, qual o objeto da decisão proferida no Mandado de Segurança nº 2007.51.01.017240 7? Após analisar detidamente as peças dos autos, bem como os documentos anexos ao memorial disponibilizados eletronicamente pela Secretaria da Câmara, tenho que concordar com o ilustre Conselheiro Relator. Realmente, as decisões proferidas no mandado de segurança, bem como o pleito do contribuinte, foram circunscritas à Manifestação de Inconformidade. Este fato fica claro, inclusive, pela breve análise dos documentos, verbis: MS 2007.51.01.0172407 – trecho da inicial “Com efeito, o objeto do presente mandamus restringese a demonstração de que os créditos compensados tem, efetivamente, origem em decisão judicial transitada em julgado, razão pela qual a atribuição da situação de "não declaradas". As compensações efetuadas configuram ato manifestamente coator. Desse modo, pretendese, tão somente, o reconhecimento de que é admissivel a apresentação de manifestação de inconformidade, em seu efeito suspensivo e devolutivo, contra a decisão administrativa que, equivocadamente, considerou a compensação como não declarada, bem como é inaplicável a multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento).” (destaquei) Trecho da medida liminar proferida no MS: “Assim é que defiro a medida liminar para que a autoridade impetrada receba o recurso administrativo de manifestação de inconformidade da impetrante nos efeitos suspensivo c devolutivo, ficando suspensa a exigibilidade do credito e a multa aplicada.” ( destaquei). MC 2007.02.01.0141469 – Trecho da medida liminar Fl. 452DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 444 13 “Parece assim, em um primeiro exame, que a alínea "d" do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96 pretendia evitar justamente a realização de compensação sem que o tema estivesse definitivamente julgado pelo Poder Judiciário. Pois bem, chame a rosa de margarida, pouco importa, mas o que temos aqui é uma questão definitivamente julgada, em relação a qual nenhum órgão da Justiça pode reexaminar, pela ausência de meio impugnativo a ser utilizado para modificar decisão da Suprema Corte. Cabe ao juiz dar a adequada interpretação da norma, buscando a real vontade do legislador, evitandose assim soluções que venham a agredir o bom senso e a lógica. A situação de risco é evidente em função da iminente ameaça de estar a autora sujeita a uma constrição, aparentemente indevida, de aproximadamente seiscentos e quarenta milhões de reais, com eventual auxilio da força policial. Isto posto, (...) 2. Concedo medida liminar para restabelecer a eficácia da liminar concedida no mandado de segurança 2007.51.01,0172407, com suspensão da exigibilidade do crédito respectivo e suas naturais conseqüências até a apreciação da manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo n° 10768002973/200740. (...)” (destaquei) Ante os fatos apresentados, pareceme claro que a decisão do Mandado de Segurança, per si, não permite à Recorrente a apresentação de Recurso Voluntário, assim como não obriga o julgadores deste conselho a receber o recurso interposto. Todavia, a questão não é simples como parece. A decisão realmente não foi direcionada a este Conselho, entretanto, a pertinência do recurso administrativo inferese, indissociável, do resultado daquele processo judicial. Isto porque, conforme se verifica do teor do mandamus, bem como das decisões judiciais, a conclusão de cabimento da manifestação de inconformidade foi causada pela consideração de inaplicação, in casu, da limitação imposta pelos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96. E, ao afastar a subsunção do tipo legal, automaticamente a decisão legal acabou por restaurar ao contribuinte o direito ao contraditório administrativo, posto que afastou o dispositivo que impedia o acesso à via recursal. Ao meu sentir, outro entendimento seria negar a própria decisão judicial. Hoje, pelo que consta dos autos e dos memoriais, vigora decisão favorável ao contribuinte, no sentido de que à época da compensação existia trânsito em julgado. A existência de trânsito em julgado, por sua vez, afasta a restrição imposta pelos §§12 e 13 da Lei nº 9.430/962. Logo, 2 Trecho já citado da decisão proferida nos autos da Medida Cautelar: "“Parece assim, em um primeiro exame, que a alínea "d" do § 12 do art. 74 da Lei 9.430/96 pretendia evitar justamente a realização de compensação sem que o tema estivesse definitivamente julgado pelo Poder Judiciário. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 14 apesar de a decisão do mandado de segurança não se aplicar diretamente à interposição do recurso, gera efeitos sobre este, na medida em que afasta a restrição de seu cabimento. Ante as considerações expostas, ouso divergir do voto do d. Conselheiro relator, com as vênias costumeiras, para o fim de conhecer do recurso voluntário apresentado, avançando na análise das questões de mérito. II. NO MÉRITO Assim como mencionado, em relação ao mérito concluo que devem ser analisados os seguintes aspectos: Ocorrência do Trânsito em Julgado; Possibilidade de Execução da Decisão Proferida em Ação Ordinária Declaratória; Restrição Imposta pela Instrução Normativa/SRF nº 600/05. Em relação à ocorrência do trânsito em julgado, a despeito do posicionamento pessoal desta Julgadora, que partilha da doutrina tradicional sobre o assunto em tela, fato é que a questão está sob crivo do judiciário. A simples análise dos processos judiciais, bem como das decisões proferidas é suficiente para esta conclusão. Para ilustrar, cito passagem bem humorada da decisão proferida nos autos da Medida Cautelar nº 2007.02.01.0141469, verbis: “Pois bem, chame a rosa de margarida, pouco importa, mas o que temos aqui é uma questão definitivamente julgada, em relação a qual nenhum órgão da Justiça pode reexaminar, pela ausência de meio impugnativo a ser utilizado para modificar decisão da Suprema Corte.” Em vista da conscientização de concomitância, acompanho o voto do ilustre Conselheiro Relator que deixou de analisar a questão em vista de aplicação da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Outra matéria trazida à discussão referese à possibilidade de o contribuinte executar na via administrativa, por meio da compensação, uma decisão judicial proferida em ação ordinária meramente declaratória. Os d. julgadores de primeira instância administrativa entenderam que isso não era possível, sendo imprescindível que o processo judicial pretendesse a repetição do indébito, bem como a condenação da Fazenda Nacional à restituição dos valores indevidamente recolhidos. O emérito Conselheiro Relator entendeu que a questão está vinculada ao processo judicial em que se discute a ocorrência (ou não) do trânsito em julgado material/parcial, tratandose, portanto, de matéria concomitante e, por isso mesmo, que não pode ser analisada neste processo administrativo. Da verificação que fiz dos documentos acostados, não tive a mesma percepção que o d. Relator. Pareceme que se trata de questão desvinculada da matéria levada ao judiciário. Nos autos dos processos judiciais o contribuinte pretende comprovar que a Pois bem, chame a rosa de margarida, pouco importa, mas o que temos aqui é uma questão definitivamente julgada, em relação a qual nenhum órgão da Justiça pode reexaminar, pela ausência de meio impugnativo a ser utilizado para modificar decisão da Suprema Corte." Vêse, claramente, a menção à aplicação e análise da alínea 'd, do §12, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 445 15 matéria atinente ao alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS já teria transitado em julgado no momento da declaração da compensação. Aqui discutese se, mesmo transcorrido em julgado, a decisão teria a força executória pretendida pela Recorrente. A meu ver são dois momentos distintos e devem ser desta forma considerados, razão pela qual afasto a concomitância neste particular. Todavia, ainda que esteja afastada a concomitância, a matéria não pode ser analisada livremente por esta julgadora. De fato, assim como informado pela Recorrente em seus memoriais, a matéria em discussão, possibilidade de proceder à compensação de valores com base em uma decisão proferida nos autos de uma ação ordinária declaratória, foi objeto de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça – STJ, Recurso Especial nº 1.114.404, restando no site do tribunal da seguinte forma resumido: “Recurso especial oriundo do TRF da 3ª Região, no qual o particular alega contrariedade ao art. 165, I, do CTN, art. 66, §2º, da Lei n. 8.383/97, e art. 890, §2º, do Decreto nº 3.000/99; bem como a faculdade de o contribuinte, que detém crédito contra a Fazenda Pública por tributo indevidamente pago, optar pela restituição via precatório ou compensação, conforme previsão legal do ente tributante.” O Acórdão do mencionado recurso restou da seguinte forma ementado, a saber: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO POR VIA DE PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR. FACULDADE DO CREDOR. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1."A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido" (REsp n. 614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki). 2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito. Precedentes da Primeira Seção: REsp.796.064 RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22.10.2008; EREsp. Nº 502.618 RS, Primeira Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 8.6.2005; EREsp. N. 609.266 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 23.8.2006. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 16 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” (Resp 1.114.404 – destaquei) Não resta dúvidas que a decisão se aplica ao caso em análise, conforme se denota de trecho do voto proferido, verbis: “‘A respeito da posição suso defendida, transcrevo as lúcidas lições do Ministro Teori Albino Zavascki, quando do julgamento do REsp n. 614.577/SC. In verbis : [...] no atual estágio do sistema do processo civil brasileiro, não há como insistir no dogma de que as sentenças declaratórias jamais têm eficácia executiva. Há sentenças, como a de que trata a espécie, em que a atividade cognitiva está completa, já que houve juízo de certeza a respeito de todos os elementos da norma jurídica individualizada. Nenhum resíduo persiste a ensejar nova ação de conhecimento. Estão definidos os sujeitos ativo e passivo, a prestação, a exigibilidade, enfim, todos os elementos próprios do título executivo. Em casos tais, não teria sentido algum – mas, ao contrário, afrontaria princípios constitucionais e processuais básicos – submeter as partes a um novo, desnecessário e inútil processo de conhecimento.’ ” – destaquei. Ocorre que o artigo 62A obriga os conselheiros do CARF a aplicar as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ – na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, exatamente o caso dos autos. “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (destaquei) Desta forma, independente da opinião desta julgadora quanto ao mérito discutido, ou quanto ao dispositivo regimental, fato é que existente a norma, deve ser cumprida. Assim, aplico a interpretação do STJ para o fim de afastar a restrição imposto pelos julgadores administrativos de primeira instância, concluindo que a Recorrente estava correta ao executar a decisão obtida nos autos da ação ordinária declaratória. Por fim, resta analisar as restrições impostas pela Instrução Normativa (IN/SRF) nº 600/05. Conforme denotam os documentos, as restrições da IN/SRF nº 600/05 decorreram da inexistência de prévia habilitação do crédito, o que ocorreu pela (i) não comprovação do trânsito em julgado; (ii) não apresentação da certidão de objeto e pé expedida pela Justiça de Primeiro Grau; (iii) não comprovação de desistência da execução de sentença. A contribuinte alega em sua defesa a inconstitucionalidade da IN/SRF 600/05. Não concordo com a tese de forma genérica. No meu entender, a IN 600/05, ao requerer a habilitação do crédito com a apresentação prévia de documentos pretende única e Fl. 456DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 446 17 exclusivamente viabilizar o procedimento de restituição/ressarcimento/compensação da melhor forma possível. Concordo com a decisão de primeira instância quando diz: “O mencionado dispositivo (IN SRF n°600, de 28/12/05, no art. 51), justamente, disciplinou no sentido legalmente autorizado, criando normas meramente procedimentais, que visam segurança e rapidez para o próprio contribuinte, pois impedem que terceiros usufruam indevidamente do seu alegado crédito, e já resolve previamente pendências que poderiam postergar a homologação de futuras DCOMP.” No mesmo pensar, sigo a linha defendida pelo d. Relator em seu voto, quando conclui: “Sem estas informações não é possível presumir a existência de crédito a favor do contribuinte. Portanto, não vejo óbice algum no direito do contribuinte de executar administrativamente seu crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado (inclusive em ação declaratória) e, portanto, ilegalidade no referido dispositivo regulamentar.” A IN/SRF 600/05 não é, per si, inconstitucional. Foi realizada para filtrar os pedidos, evitar as fraudes e atender a grande maioria dos contribuintes. Entretanto, e é aqui que caminho em outra direção, a questão sob análise pareceme excepcional e deve ser desta forma encarada, sob pena, agora sim, de incorrerse em uma inconstitucional restrição ao direito da contribuinte. A mencionada Instrução Normativa3 impõe para o aproveitamento do crédito tributário obtido judicialmente pela via da compensação, a prévia habilitação do crédito, onde serão checados alguns requisitos comprobatórios da habilitação do credor ao crédito pleiteado. 3 Créditos Reconhecidos por Decisão Judicial "Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 18 A intenção da norma é clara, que o agente administrativo tenha documentos suficientes para concluir acerca da legitimidade do crédito tributário. Exatamente por isso o §2º do artigo 51, da mencionada IN 600/05, define que constatada a legitimidade do credor, bem como de seu direito ao crédito, este deverá ser deferido, verbis: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV – foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V – na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. § 4º No prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da protocolização do pedido ou da regularização de pendências de que trata o § 3º, será proferido despacho decisório sobre o pedido de habilitação do crédito. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I não forem atendidos os requisitos constantes nos incisos I a V do § 2º; ou II as pendências a que se refere o § 3º não forem regularizadas no prazo nele previsto. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento." Fl. 458DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 447 19 “§ 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV – foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V – na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução.” – destaquei. Nos termos esclarecidos, a decisão de primeira instância administrativa entendeu pela inexistência da prévia habilitação do crédito com base nos seguintes critérios objetivos exigidos pela norma (i) não comprovação do trânsito em julgado; (ii) não apresentação da certidão de objeto e pé expedida pela Justiça de Primeiro Grau; (iii) não comprovação de desistência da execução de sentença. Começamos pela análise da inexistência de comprovação do trânsito em julgado da decisão judicial. A autoridade fazendária interpretou que o documento apresentado pela Recorrente, ainda que se tratasse de certidão assinada por Ministro do Supremo Tribunal Federal, não representava o necessário trânsito em julgado. A verdade é que o documento não tinha a feição esperada, aquela que se aplicava a todos os 99% dos demais casos, razão pela qual negouse o seu efeito. Não se tratava de trânsito em julgado formal, mas da declaração de trânsito em julgado material. A questão é: o fato de a certidão de trânsito em julgado ser diferente daquela esperada, faz com que não tenha os necessários efeitos? Entendo que não. Os efeitos da certidão depende de outras variáveis, atualmente, da decisão que será proferida nos autos do mandado de segurança nº 2007.51.01.0172407. Não é possível, na interpretação desta julgadora, que o documento seja simplesmente ignorado pelas autoridades administrativas. Passemos a análise do segundo requisito indicado como empecilho à habilitação do crédito, a não apresentação da certidão de objeto e pé expedida pela Justiça Federal de Primeiro Grau. Qual é a justificativa da necessidade deste documento? Não é instruir o pedido com todo o histórico do processo judicial? Permitir que a autoridade administrativa consiga formar convicção nos termos do § 2º, art. 51, da Instrução Normativa nº 600/05? Logo, na hipótese de o contribuinte – em caráter excepcional não estar apto a apresentar tal documento, não porque não queira, mas, como no caso, porque o processo não se encontra na primeira instância, não se admitiria que a certidão seja expedida pela 2ª Instância Judicial? Ou que se apresente as peças processuais referentes ao processo? Pareceme que, se obtido o resultado necessário – que é comprovar o direito do contribuinte – é possível a apresentação de outro documento que não a certidão emitida pelo órgão de primeira instância judicial. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 20 No caso em apreço, conforme comprovado pela Requerente no memorial apresentado, que peço vênia para que seja juntado aos autos, ante a impossibilidade de emitir a mencionada certidão, a Recorrente solicitou judicialmente ao Supremo Tribunal Federal a expedição de carta de sentença com a finalidade de apresentála para a Secretaria da Receita Federal. Com o êxito de sua solicitação, apresentou a documentação à Receita em substituição da certidão regulamente exigida. No decorrer do processo administrativo, o agente fiscal diz que tais documentos foram apresentados, mas menciona como se fossem algumas peças processuais apenas, entendo que talvez por isso tenha concluído que os documentos não eram suficientes. Ao meu sentir, deixar de receber ou dar a devida validade para um documento – carta de sentença – expedido pelo Supremo Tribunal Federal não é aceitável. Até porque, é sabido que uma carta de sentença tem que ter todas as principais peças do processo sentenciado. A substituição do meio (certidão de objeto e pé/carta de sentença) para o alcance da informação, a meu ver, é absolutamente plausível. Outra negativa que fundamentou a não habilitação do crédito, foi a comprovação de desistência da execução de sentença. Particularmente, entendo estar com razão a Recorrente quando alega, em sua defesa, que em ação ordinária declaratória não há execução de sentença pela via judicial, sendo despicienda a desistência de uma execução impossível (independente da posição apresentada pelo STJ em sede de recurso repetitivo). Ademais, se fosse para seguir ao pé da letra os termos da IN 600/05, que é o que se está fazendo in casu, para justificar o indeferimento do pedido de habilitação do crédito, seria forçoso admitir que a exigência não se aplica à hipótese em tela: “IN 600/05 Art. 51 ......................... §2º................................ V – na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução.” – destaquei. Mais uma vez tratase de questão excepcional. Entendo a imediata negativa da fiscalização, é que normalmente as ações não são meramente declaratórias, então em 99% dos casos a exigência se aplica. Todavia, o fato de só ser declaratória, não impede o contribuinte de proceder à compensação dos seus créditos (conforme já citado Resp analisado na forma de Recurso Repetitivo 1.114.404). Ademais, em vista da exigência administrativa, a Recorrente apresentou, em petição de 29/05/07, desistência de qualquer espécie de execução judicial dos créditos fiscais objeto da ação judicial. E em 04/06/07, obteve sentença homologando esta desistência, razão pela qual, ainda que desnecessário, entendo atendido o dispositivo normativo. Ou seja, apesar da confusão realizada no âmbito administrativo, as providências tomadas pela Recorrente no âmbito judicial tornaram possível o recebimento do seu pedido de habilitação de crédito. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 448 21 A questão é que, a meu sentir, as exigências da administração pública foram atendidas. Apenas a aplicação literal e expressa dos dispositivos da IN/SRF 600/05 é que impediriam, da forma pretendida, o procedimento de habilitação do crédito pela Recorrente. Por outro giro, a interpretação restritiva da IN/SRF 600/05 acaba, sim, por limitar o direito da Recorrente e, consequentemente, atenta contra a legalidade e constitucionalidade dos dispositivos que normatiza, afrontando, neste sentido, os limites estabelecidos pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96. No que se refere à compensação terse realizado antes do término do procedimento de habilitação do crédito, em primeiro lugar é necessário lembrar que os documentos podem ser apresentados durante o processo de habilitação e que o pedido, ainda que deferido, não tem o condão de homologar a compensação, o que espanca qualquer dúvida sobre a sua natureza de procedimento de instrução, a saber: “IN 600/05 Art. 51 ........................... § 3º Constatada irregularidade ou insuficiência de informações nos documentos a que se referem os incisos I a V do § 1º, o requerente será intimado a regularizar as pendências no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data de ciência da intimação. (...) § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento.” – destaquei. Pareceme por demais cristalino que o procedimento de habilitação pretende verificar a legitimidade do crédito pretendido e, consequentemente, facilitar a análise da autoridade administrativa que vai acompanhar o aproveitamento do crédito (o processo de representação). No pedido de habilitação o contribuinte, conforme atestam os próprios termos da IN 600/05, não terá seu crédito homologado ou deferido. Não é nesta seara que o crédito será decidido, tratase apenas de procedimento de instrução para posterior utilização do crédito. Importante lembrar que a lei não exige que o contribuinte aguarde o término e deferimento do pedido de habilitação para compensar seu crédito, assim como não insere tal questão dentre os itens penalizados com o entendimento de “compensação não declarada”. Por outro giro, os atos administrativos tem a função de regulamentar os dispositivos legais, sem inovar o ordenamento jurídico ou restringir a norma que regulamenta. Restrição desta monta (direito de compensar) não pode ser realizada por intermédio de Instrução Normativa, espécie jurídica de caráter secundário cuja normatividade está diretamente subordinada à lei. A função das instruções normativas no sistema tributário é complementar as demais normas, para fim de adequação aos fatos concretos. Este caráter de complementaridade está previsto no próprio Código Tributário Nacional CTN no artigo 96, combinado com o inciso I, do artigo 100, a saber: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 22 “Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. ... Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo.” (destaquei) E, se a Instrução Normativa é norma complementar, significa que não pode inovar o ordenamento jurídico, menos ainda restringir direito do contribuinte. Neste raciocínio, o fato de contribuinte ter realizado a compensação antes do término do procedimento de habilitação do crédito, não pode ser suficiente para que a compensação seja considerada com não declarada. Ademais, é de meu entendimento que tal procedimento (compensação antes do término do processo de pedido de habilitação) trouxe o risco da operação para a contribuinte, sendo que entendo que a sorte da compensação está vinculada, imprescindivelmente, à sorte da habilitação do seu crédito a qual, por sua vez, está vinculada ao resultado do mandado de segurança nº 2007.51.01.0172407. Ressalto que com isso não valido procedimentos que estejam em desacordo com as Instruções Normativas da Receita Federal, apenas pondero que cada caso deve ser analisado com a parcimônia necessária de sua especificidade, para que se permita a justa aplicação dos dispositivos normativos à realidade dos fatos e, consequentemente, à totalidade dos contribuintes. É preciso ainda registrar que, pelo que consta dos autos, não houve análise do crédito para fim de quantificação dos valores envolvidos. Tal análise também não está sendo realizada nesta decisão. Aqui avaliei apenas os aspectos teóricos que impediam o procedimento de compensação. Na hipótese de o direito ao crédito tornarse definitivo, as autoridades administrativas competentes deverão analisar o alcance e os efeitos da decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária declaratória nº 99.00103386, bem como o cálculo dos valores e aplicação dos índices de correção monetária. Ante o exposto, (i) DEIXO DE CONHECER acerca da ocorrência do trânsito em julgado, em vista da concomitância da matéria com o mandado de segurança nº Fl. 462DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 449 23 2007.51.01.0172407; (ii) CONHEÇO (ii.a.) da possibilidade de execução da decisão proferida em ação ordinária declaratória, entendendo pelo provimento da alegação por aplicação ao caso da decisão proferida em recurso repetitivo (STJ Resp 1.114.404); (ii.b.) e afastar as exigências apresentadas pela Receita Federal, quais sejam: (a) não apresentação da certidão de objeto e pé expedida pela Justiça de Primeiro Grau; (b) não comprovação de desistência da execução de sentença; por entender que foram devidamente atendidas pela Recorrente com a apresentação da carta de sentença expedida pelo Supremo Tribunal Federal; e a petição apresentada em 29/05/07, conjugada com a sentença de 04/06/07. Reitero, ainda, a conclusão pelo PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO uma vez que os critérios de cálculo do crédito ainda não foram analisados (quantificação e alcance da decisão judicial) lembrando que, na hipótese de ser proferida decisão contrária nos autos do mandado de segurança nº 2007.51.01.0172407, as compensações deverão ser consideradas como não homologadas. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Declaração de Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Pedi vistas dos presentes autos para analisar as questões específicas das quais trato abaixo, uma vez que delas divergia do E. Relator. Em relação ao conhecimento ao recurso, ainda que ao Mandado de Segurança tenha sido impetrado apenas para dar seguimento à manifestação de inconformidade, entendo que, tendo a Delegacia de Julgamento dela tomado conhecimento e a julgado desfavoravelmente à Interessada, daí nasce o direito de recurso. Primeiramente por que a manifestação de inconformidade faz as vezes da impugnação de lançamento, à vista do disposto no art. 74, §§ 9º a 11, da Lei n. 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n. 10.833, de 2003. Ademais, o Decreto n. 70.235, de 1972, art. 14, determina que “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, o que significa que, apresentada a manifestação de inconformidade e recebida ela como tal, instaurase o litígio administrativo, que segue o rito do referido Decreto, conforme previsto no §11 do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, anteriormente citada. Por fim, dispõe o Regimento Interno do Carf (anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), em seu art. 1º, que “Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância [...]”, o que confere a competência para apreciar o recurso apresentado nos autos, cuja apresentação é um direito subjetivo da Interessada decorrente na denegação parcial ou total da manifestação de inconformidade. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 24 Portanto, considero que o recurso tenha que ser conhecido, com as restrições das Súmulas Carf n. 1 e 2 (Portaria Carf n. 106, de 2009): Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse contexto, a renúncia, no presente caso, ocorreu apenas em relação ao trânsito em julgado material do processo em que se discutia o crédito, para efeito da possibilidade de compensação. Dessa forma, fazem parte do mérito do presente processo administrativo e, portanto, do recurso, as questões da possibilidade de compensação diante de ação declaratória e da aplicação do art. 51 da IN RFB n. 600, de 2005, que exige a apresentação de habilitação prévia de créditos reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado e seu deferimento, obedecido o prazo de trinta dias para a autoridade administrativa exarar a decisão. Quanto à primeira questão, deriva de que normalmente se considera existir ação “meramente” declaratória, que não produziria efeito condenatório algum e serviria apenas para esclarecer questão de direito na vigência de relação jurídica ainda não exaurida. Entretanto, o STJ sumulou o direito de requerer administrativamente o indébito reconhecido em ação declaratória: Súmula 461/STJ: O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. Tal súmula decorreu do julgamento do recurso repetitivo no REsp n. 1.114.404/MG pela Primeira Seção do STJ, sendo de aplicação obrigatória no âmbito do Carf, à vista do disposto no art. 62A do Regimento Interno. Quanto à IN RFB n. 600, de 2005, que estabeleceu a obrigatoriedade da habilitação prévia de créditos reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado e, além disso, condicionou a possibilidade de apresentação de declaração de compensação ao deferimento da homologação no prazo de trinta dias, tratase de condição e, além disso, de restrição de direito não previsto em lei. A Lei n. 9.430, de 1996, art. 74, não condiciona a apresentação de declaração de compensação, que é um direito potestativo do contribuinte, à prévia habilitação de créditos. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10768.002973/200740 Acórdão n.º 330201.479 S3C3T2 Fl. 450 25 A instituição de tal providência, em si só, não representa ilegalidade, uma vez que se trata de medida de controle necessário ao Fisco para analisar o mérito das declarações de compensação que serão apresentadas pelo contribuinte. Entretanto, o condicionamento a que o contribuinte espere até que a autoridade fiscal julgue a habilitação representa restrição temporal de direito não prevista em lei e, portanto, não pode ser reconhecida como legítima. De fato, como consequência da não espera do prazo de trinta dias ou da decisão da autoridade fiscal, terseia, como no caso dos autos, que a declaração de compensação fosse não homologada simplesmente pelo fato de não ter havido a espera, o que é claramente ilegal à vista das disposições do art. 74 citado. Na realidade, nem mesmo o indeferimento da habilitação poderia impedir o contribuinte de apresentar as declarações de compensação, embora permitisse que a autoridade fiscal as indeferisse sumariamente, mas com direito ao processo administrativo, nos termos do já citado artigo. Se existe o direito de apresentar manifestação de inconformidade, dele decorre o direito de discutir o mérito do pedido e, portanto, a liquidez e certeza do crédito, independentemente do deferimento da habilitação prévia. Do contrário, concluirseia que a instrução normativa teria criado uma limitação ao direito de contraditório previsto constitucionalmente. Portanto, no âmbito do presente recurso, podem ser discutidas as questões previstas no art. 51 da IN RFB n. 600, de 2005, abaixo elencadas. No caso dos autos, discutese se a falta de apresentação de certidão do inteiro teor do processo (certidão de objeto e pé) poderia ser substituída por certidão do trânsito em julgado. A Interessada alegou que seria impossível apresentar a certidão de inteiro teor à vista da necessidade de baixa do processo à seção de origem. De fato, a referida certidão seria necessária para efeito do que dispõe o § 2º do citado artigo: § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no polo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV – foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e V – na hipótese de ação de repetição de indébito, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução Fl. 465DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 26 do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Analisando o que consta dos autos, podese tranquilamente analisar cada um dos itens acima mencionados, ainda que não tenha sido apresentada a certidão de inteiro teor. Não se pode olvidar que a prova por meio especial somente pode decorrer de previsão expressa de lei, o que não é o caso em questão. Dessa forma, todos os meios de prova (para que se cheguem às conclusões do citado § 2º) podem ser admitidos, não sendo possível negar o reconhecimento do direito. Finalmente, quanto à desistência da ação de execução e aos honorários advocatícios desta ação, a maior parte das disposições do inciso V acima somente poderia ser aplicada ao caso em que o contribuinte houvesse apresentado a ação de execução. No caso de não apresentação da ação, teria que haver a renúncia à sua apresentação, o que seria cabível no caso dos autos, uma vez que, conforme esclarecido anteriormente, a ação declaratória poderia originar uma ação de execução, com evidente necessidade de prévia liquidação. Entretanto, tal providência foi tomada pela Interessada, ainda que posteriormente à habilitação. Como se trata de aspecto relativo à boafé processual, não há impedimento para que as compensações apresentadas administrativamente sejam reconhecidas como idôneas. Com essas considerações e com as vênias de costume, voto por acompanhar a divergência. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 466DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 06/0 6/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Ass inado digitalmente em 05/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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