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Numero do processo: 10183.901713/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/2003
ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO A NATUREZA DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DO PAGAMENTO INFORMADO COMO ORIGEM DO INDÉBITO. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta os obstáculos operacionais A. retificação que permitiria a regularização espontânea do equivoco cometido.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da
compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.574
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provimento ao recurso voluntário e fez declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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INEXISTÊNCIA DO PAGAMENTO INFORMADO COMO ORIGEM DO INDÉBITO. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta os obstáculos operacionais A. retificação que permitiria a regularização espontânea do equivoco cometido. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANALISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que negou provime ao recurso voluntário e fez declaração de voto. Processo n°10183.901713/2008-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 427 VALMAR FO EC A PE MENEZES - Presidente. EV)tdCELI PE RA BE A - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva. 2 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 428 Relatório CONSTRUTORA ITAPUA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação veiculada na DCOMP n° 05574.65158.070804.1.3.04-7393, na medida em que o DARF ali indicado como origem do crédito não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata-se de manifestação de inconformidade (11s. 11/25), acompanhada de anexos (11s. 26/388), apresentada contra Despacho Decisório DRF Cuiabá N° de Rastreamento 775500097 de fls. 01/04, que não homologou a compensação formalizada por meio da declaração n° 05574.65158.070804.1.3.04-7393 06/10), sob o fundamento de inexistência do crédito indicado, no valor de R$ 31.616,76. Alegou a requerente ter compensado débitos de CSLL — Estimativa Mensal com saldo negativo do mesmo tributo, havendo, porém, erro formal quanto ao preenchimento da declaração, na qual equivocadamente foi indicado como origem do crédito o "pagamento indevido ou a maior", quando o correto seria "saldo negativo de CSLL". O mesmo equivoco foi cometido ao preencher as DCTF. crédito entretanto, malgrado o erro contido na declaração de compensação — Dcomp e DCTF, existiria e teria sido, segundo afirma a requerente, corrigido e submetido a autoridade administrativa. A origem do alegado crédito seria o montante dos saldos negativos da CSLL relacionados no Anexo XII— Planilha — Apuração Saldo Negativo (lls. 386/388). O débito que teria sido objeto do pedido de compensação, seria a estimativa de CSLL do período dezembro/2003, com vencimento em 31/12/2003, no valor original de R$ 3.648,55. No entanto, conforme fls. 03, os débitos de CSLL seriam: Cód. Receita Per. de Apur. Vencimento Valor (R$) 2484 30/04/2004 31/05/2004 642,27 2484 31/05/2004 30/06/2004 1.590,19 2484 30/06/2004 30/07/2004 1.416,09 TOTAL 3.648,55 Disse ainda que, em vão, tentou retificar a Dcomp, pois a autoridade nem sequer a examinou. Insistiu em afirmar que o crédito pleiteado existe, que houve erro formal, que agiu de boa-fé e que o direito de retificar a declaração é autorizado pela Instrução Normativa SRF n° 600/2005. Concluiu sustentando que a decisão impugnada fere o principio da razoabilidade. Citou precedentes do Conselho de Contribuintes. Ao final, pugnou sucessivamente pela homologação da compensação ou pelo acolhimento da declaração retificadora e, caso, não aceitos os pedidos anteriores, que lhe seja assegurado prazo de cinco anos, contados da decisão final, para utilização do crédito. 3 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 429 Juntou-se extrato de consulta ao sistema Comprot (fls. 390). A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Quanto ao exame da declaração retificadora, a DRJ falece competência para tanto, dado que a apreciação deve ser feita primeiramente pela unidade local, cabendo a este órgão de julgamento (DRJ) se manifestar em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito já proferida. Neste sentido é o parágrafo 9 ° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. • Quanto ao erro cometido no preenchimento da DCOMP, asseverou que ele não seria apenas de forma; ele é de conteúdo. Não houve apenas preenchimento incorreto. A requerente indicou como crédito um valor que como tal não existia. Quando se examinam os dados inseridos na Dcomp referentes ao tipo de crédito, a data de arrecadação e vencimento, ao valor do principal e por fim ao tributo, percebe-se claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. • De toda sorte, ainda que verídicas as assertivas conduzidas sob a justificativa de erro no preenchimento, a contribuinte, durante o interstício em que manteve sua espontaneidade e o direito de promover a retificação ou desistência das informações veiculadas na declaração correlata a lide, não observou a forma prevista na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005 (arts. 56 a 59), para comunicação das aparentes inconsistências narradas na manifestação de inconformidade. • Argumentou que a alteração da origem do crédito não se coaduna com a definição de inexatidão material firmada na norma para admissibilidade da retificação da Dcomp original, mas, sim, caracteriza inovação do pleito, pois a situação em questão, na verdade, exigia a realização da desistência da Dcomp de referência e a subsequente apresentação de nova declaração, tendo em conta a patente alteração do objeto da demanda original. E acrescentou: Sob este prisma, compete elucidar que a inexatidão material deve ser configurada de forma restrita, haja vista que se qualifica como determinado vicio na exteriorização do preenchimento da declaração que não implica em alteração do critério jurídico ou fático levado em conta no exame do pleito, assim como não alcança o âmbito cognitivo da autoridade administrativa, sendo, essencialmente, representado por erro notório aferível em caráter sumário. Assim, no presente caso, sendo inadmissível a possibilidade de retificação da declaração, o procedimento aplicável a hipótese insurgida na manifestação de inconformidade, caberia a contribuinte ter exercido a desistência da declaração, nos moldes do art. 62 do referido normativo legal, abaixo reproduzido, com observância dos prazos e formalidades nele fixado, visto que retrataria fica patente a ocorrência de erro formal essencial quanto à formulação da Declaração de Compensação, particularmente, no tocante à tipificação do crédito declarado, cuja inconsistência é questão insanável, pondo a mostra a falta de legitimidade da Dcomp analisada, assim como ensejando impedimento a apresentação de retificação: [art. 62 da Instrução Normativa SRF n° 600/2005] 4 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00374 Fl. 430 • Declarou, ainda, incongruente a controvérsia aventada com a acepção de protestar a retificação da tipificação do crédito declarado, pois após a lavratura e ciência do despacho decisório transfere-se el contribuinte o ónus probante objetivando sustentar suas alegações, e estas deveriam estar apoiadas em suportes fáticos que evidenciassem, de forma pormenorizada e cristalina, a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração, mediante apresentação de prova hábil e idônea devidamente conjugada coin a escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levados a registro no órgão competente, a época dos fatos. E acrescentou que: Neste ponto, deve-se registrar que a liquidez e a certeza do alegado saldo negativo de CSLL que comporia o crédito a favor da contribuinte, e que se referiria ao ano-calendário 2000, não restou demonstrada pela impugnante. A impugnante afirmou que o saldo negativo relativo ao ano-calendário 2000 seria no valor de R$ 17.932,33, mas com a observação "A retificar". Já na cópia da DIPJ/2001, as fls. 311, constou outro valor: CSLL a Pagar de R$ - 31.674,03, ou seja, a contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do alegado crédito. Além disso, pesquisa realizada junto aos sistemas de controle da RFB registrou a formalização de mais de vinte processos de compensação, sendo que além deste, os processos n° 10183.900831/2006- 30, 10183.900832/2006-84, 10183.900943/2008-52 e 10183.902953/2008- 22, igualmente se referem a compensação de CSLL. Ou seja, não é possível inferir se o montante do alegado saldo negativo de CSLL seria suficiente para amortizar a totalidade dos débitos de CSLL informados pela contribuinte nos inúmeros processos de compensação. • Destacou a necessidade de prova, também, da disponibilidade da importância reclamada, devendo apoiar-se em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. Firma ser imprescindível que os registros contábeis denotem se o crédito declarado não foi utilizado em compensações de períodos de apuração distintos da mesma contribuição ou tributações distintas, demonstrando a preexistência do direito patrimonial decorrente do pagamento indevido ou a maior do crédito tributário, assim como o correspondente aproveitamento contábil para fins de dedução de exigência fiscais análogas ou compensação de outros tributos no curso dos períodos supervenientes, observando-se as formalidades disciplinadas pela legislação de regência. • Frisou que estas provas deveriam ter acompanhado a manifestação de inconformidade e que o apoio de defesa pautado em meras alegações não tem a força de Verdade Material no âmbito do Decreto n° 70.235/72, haja vista o disposto em seus arts. 15 e 16, inciso III, §4° . Apontou, também, a necessária observância dos ditames fixados no art. 9°, ,¢ 1° do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), e firmou a preclusdo de a contribuinte comprovar o que atesta. • Discordou da existência de prática reiterada que dê respaldo () pretensão da requerente, pois decisões dos órgãos de jurisdição administrativas, como as apresentadas, somente assumem a condição de norma complementar, segundo o art. 100, inciso II, do mesmo código, apenas se houver lei lhes atribuindo eficácia normativa, o que no caso não existe. Demais disso, quase todas as decisões mencionadas se referem a retificação de declaração Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 431 de ajuste anual, que em vários aspectos diferem da declaração de compensação, o que desaconselha a utilização do mesmo entendimento por simples analogia, sem ponderar as peculiaridades que afastam as duas situações. • Por fim, no que toca à pretensão de interromper o prazo de decadência, recordou que as disposições que cuidam dessa matéria são de ordem pública, sujeitas ao principio da legalidade estrita, não podendo ser alteradas nem pelo contribuinte, nem pela autoridade administrativa. Cientificada da decisão de primeira instancia em 25/08/2010 (fl. 403), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 21/09/2010 (fls. 404/418), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Reitera a existência de erro formal, quando do preenchimento da PER/DCOMP, relatando que os recolhimentos mensais de estimativas superaram o valor devido a titulo de CSLL no encerramento do exercício, evidenciando recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Destaca que não houve defesa preliminar antes da não homologação das compensações, e que na DCOMP analisada fez-se constar no campo especifico informativo do "motivo" da compensa cão, pagamento indevido ou a maior, ao invés de "saldo negativo/IR/Contribuição Social. Menciona que a Autoridade, quando da verificação, determinou a apresentação da s DARF, por tratar-se de pagamento indevido ou a maior, mas tais guias não existiam o que, segundo o fisco, significa dizer que a recorrente não possuía quaisquer créditos a compensar. Este, porém, existe e foi apresentado à autoridade julgadora que nada fez. Entende que as decisões firmadas sob aparente "legalidade" não podem subsistir se os créditos realmente existem. Afirma que não pode o simples erro no preenchimento (erro formal) gerar tributo, como pretende a Autoridade Administrativa, mormente se quem preenche as declarações na maioria das vezes são pessoas leigas, que se confundem em meio a tantos códigos e termos que para um Auditor, ou Fiscal da Receita Federal não são iguais, mas que para um cidadão leigo as vezes são. Afirma que juntou prova de seu crédito no Anexo XII da manifestação de inconformidade, indicando que o saldo negativo de R$ 17.932,33, apurando no ano-calendário 2000, seria suficiente para liquidar a compensação de débitos de CSLL entre o 2° trimestre de 2003 e o 2° trimestre de 2004, restando ainda o saldo atualizado de R$ 15.543,05. Reportando-se aos anexos juntados à manifestação de inconformidade, destaca que utilizou na DCOMP em questão o crédito necessário para liquidação de R$ 3.289,30 em débitos de CSLL vencidos em 30/11/2003, 31/12/2003 e 31/01/2004; menciona o preenchimento de uma Declaração de Compensação manual, retificadora, alterando-se a origem do crédito utilizado, para: "Outros", detalhando "Saldo Negativo de CSLL, a qual não foi analisada pela autoridade administrativa; e novamente detalha os indébitos apurados para concluir que quando da entrada do exercício fiscal de 2004, havia um crédito acumulado pela empresa, de R$ 21.982,25, mais do que suficiente para a compensação efetuada no trimestre de 2004. 6 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 432 Refuta, assim, a afirmação de que houve erro de conteúdo, pois o crédito existe, está em valor corrente e houve, apenas, equivoco quando do lançamento da "origem" do crédito, pretendido a compensação. Defende a possibilidade de compensação do saldo negativo de CSLL apurado, reproduzindo doutrina e destacando decisões do Conselho de Contribuintes em favor da verdade material, na presença de erro no preenchimento de declaração ou de pedido. Aborda aspectos da verdade material e no ônus da prova no processo administrativo fiscal para afirmar que no âmbito tributário deve triunfar sempre a verdade material dos fatos, para se evitar exigências infundadas, e novamente se manifesta acerca do erro formal cometido no preenchimento da DCOMP. Complementa que na declaração retificadora não trouxe ao documento, informações complementares, que lhe permitiriam êxito na retificação da PER/DCOMP, e argumenta que observou as disposições da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, em especial seu art. 56, parágrafo único, pois pretendeufazer a retificação através de formulário em papel. Novamente reafirma que tal declaração não foi apreciada. Acrescenta que não pretendeu o reconhecimento de crédito em montante superior ao declarado; nem inclusão de novo débito, mas apenas corrigir a origem do crédito. Menciona decisão favorável em outro processo administrativo, de n° 10183.002220/2007-13, assim ementada: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Ano-calendário: 2005 Ementa: Pode ser admitida retificação de declaração de compensação quando comprovada a ocorrência de erro material. Os saldos negativos da CSLL poderão ser objeto de restituição/compensação a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao encerramento do período de apuração. Compensação Homologada. No referido processo administrativo, a autoridade administrativa da DRF/Cuiabd, constatando que o DARF indicado na DCOMP não correspondia a quaisquer das estimativas pagas e sim ao saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ do ano-calendário 2005, concluiu pela existência de erro de preenchimento e admitiu a retificação da DCOMP para caracterizar o crédito como sendo de saldo negativo de CSLL no ano-calendário 2005. 0 mesmo teria ocorrido nos processos administrativos n° 10183.720278/2007-34 e 10183.002218/2007-36. Entende que viola o principio da isonomia decisões totalmente divergentes em relação a casos de natureza idêntica, onde foram adotados procedimento idênticos, até porque, se tratam de empresas do mesmo grupo econômico. Transcreve ementas de outros julgados dos Conselhos de Contribuintes em seu favor, destaca o principio da razoabilidade e relata os prejuízos que experimentaria en) razão do errôneo preenchimento do campo "Origem do Crédito". 7 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 433 Cita doutrina para diferenciar erro de fato de erro de direito, e acrescenta outras referências a julgados dos Conselhos de Contribuintes, para concluir que o erro de fato não obsta qualquer hipótese de compensação do crédito tributário. Acrescenta que se a Autoridade Administrativa houvesse cruzado dos dados da PER/DCOMP, das DCTF, tanto quanto da DIPJ anexas ao Recurso Administrativo, poderia, ex officio, ter procedido a correção do malfadado equivoco. No inicio de seu recurso voluntário pede que este Colendo Conselho determine a remessa destes autos a autoridade recorrida, a fim de que a compensação requerida seja concretizada, e ao final de sua defesa, assim sintetiza seu pedido: a) Seja reconhecido o crédito da recorrente, determinando-se a homologação da compensação constante da PER/DCOMP e posterior Declaração de Compensação Ret(cadora, e corolário lógico, declarando esse Colendo Conselho extinto definitivamente o débito tributário nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional; a.1) Ou, alternativamente, seja considerada possível a retificação apresentada, por estar alterando apenas erro formal (de preenchimento), e que seja determinada a autoridade julgadora a nova análise do processo considerando as alterações introduzidas pelo pedido retificador desta PER/DCOMP. b) Em não sendo julgado procedente nenhum dos pedidos supra descritos, reconheça a possibilidade de utilização dos créditos de Saldo Negativo do Imposto de Renda e da Contribuição Social em períodos futuros, pelo prazo de 5 (cinco) anos da decisão definitiva, ou seja, que durante o processo administrativo ocorra a suspensão da prescrição conforme definido já na majoritária decisão deste órgão. c) Seja possibilitado a contribuinte fazer-se representar por seu procurador e advogado, quando da Sessão de Julgamento, para fins de sustentação oral, para tanto, intimando-se da data e hora a realizar-se. Aos autos digitalizados foi juntado despacho de outra Seção do CARF, no qual se declina da competência de julgamento deste processo em favor desta l a Seção. É o relatório. 8 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECLARA40 DE CO PER/DCOMP 2.4 24.747.925/0001-69 05574.65158.070404.1.3.04-7393 Dar f CSLL O Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 434 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Em 11/02/2004 a contribuinte apresentou DCOMP que recebeu o número 05574.65158.070804.1.3.04-7393, na qual apontou indébito no valor original de R$ 31.616,76, apurado em DARF recolhido sob código 2484, em 31/12/2003. Conforme reprodução da fl. 8 destes autos, esta informação é prestada na DCOMP nos seguintes termos: C) MINISARIO DA FAZENDA PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU RE ITU 9ID 01.Periodo de Apuração: 32/12/2003 CNPJ: 24.747.925/0001-69 Cddigo da Receita: 2484 N• da Referência: Data de Vencimento: 31/12/2003 Valor do Principal Valor da multa Valor dos Juros Valor Total do Darf Data de Arrecadação: 31/12/2003 31.616,76 0,00 0,00 31.616,76 Precede esta informação o preenchimento dos Dados Iniciais da DCOMP, nos quais a interessada fez constar o que segue: 9 Processo n° 10183.901713/2008-19 Si -CITI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 435 RF MINISTÉRIO DA FAZENDA PEDIDO DE RESSARCIMENTO Ott REST .41 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DECLARA00 DE am PER/DCOMP 1. 4 As 24.747.925/0001-69 05574.65158.070804.1.3.04-7393 Pâ. kt Dades Iniciais Nome Empresarial: CONSTRUTORA ITAPUA LTDA SegSencial: 001 N. do P8R/DCOMP: 05574.65158.070804.1.3.04-7393 Data de Criação: 07/08/2004 Data de Transmissão: 07/08/2004 PER/DCOMP Retificador: NÃO Optante Ref is: NÃO Data de Opção: Optante Paes: AO Data de Opção: Qualificação do Contribuinte: Outra Qualificação Pessoa juridica Extinta por Liquidação Voluntária: NÃO Tipo de Documento: Declaração de Compensação Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Crédito Oriundo de Ação Judicial: NÃO V' Processo Trat. Manual: Dai a interpretação de que a contribuinte teria utilizado, em compensação, crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL, apurado em DARF recolhido em 31/12/2003, e pertinente a fato gerador encerrado também em 31/12/2003, e ainda com vencimento nesta mesma data de 31/12/2003. De plano observa-se uma anormalidade nestes dados, ante a coincidência entre as datas do fato gerador, do recolhimento e do vencimento do tributo que teria gerado o indébito. Acrescente-se a isto o fato de a contribuinte ter procedido de forma semelhante em outra DCOMP apresentada nesta mesma data, e objeto do processo administrativo n° 10183.900943/2008-52, na qual se verificou a utilização de crédito originado de recolhimento de CSLL efetuado em 31/12/2003, e relativo a apuração de 31/12/2003, para quitação de débito da própria CSLL apurada em 31/12/2003. Naqueles autos, observou-se o que segue: Análise preliminar da DCOMP resultou no Termo de Intimação de fl. 59, do qual constou que o DARF indicado abaixo não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARE informados no PER/DCOMP conferem com os dados do DARE original. A data de arrecadação a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. Ao final, consigna-se na intimação que se houver qualquer divergência, solicita-se transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrário, compareça et unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação e o(s) DARE original(is), no prazo indicado. Dos termos da intimação já se vislumbra que a Receita Federal não cogitava da possibilidade de a contribuinte ter errado no preenchimento da DCOMP quanto et natureza do crédito. Implícito está que o erro a ser corrigido se verificaria, necessariamente, nas informações relativas ao DARE apontado como origem do crédito. Consulta às instruções de preenchimento do sistema PER/DCOMP na versão 2.2, aprovada pela Instrução Normativa SRF n° 625, de 20/02/2006, e disponível época da intimação, lavrada em 31/08/2006, confirmam que a contribuinte n 10 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 436 conseguiria transmitir DCOMP retificadora alterando a natureza do crédito informado na DCOMP original: Abertura de Novo Documento [...] Constam da ficha Novo Documento os seguintes campos de preenchimento: [...] 7) Tipo de Crédito: Campo no qual deverá ser selecionado o tipo de crédito objeto do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento, da Declaração de Compensação ou do Pedido de Cancelamento. OBS: No caso de Pedido de Cancelamento, Pedido Retificador ou Declaração Retificadora (conforme informado nas fichas Novo Documento e "Dados Iniciais"), deverá ser selecionado o mesmo tipo de crédito informado no documento original. (negrejou-se) JA nestes autos, não há noticia de que a contribuinte tenha sido intimada em razão da não localização do DARF. Mas, considerando-se que o mesmo erro aqui motivou a não-homologação da compensação, é provável que a referida intimação tenha ocorrido, mas sem sua juntada aos autos. Naqueles autos, a contribuinte também juntou DCOMP retificadora em formulário, apontando que o crédito veiculado na DCOMP n° 08172.18988.110204.1.3.04- 4284, corresponderia a saldo negativo de CSLL. Já aqui, embora referido na manifestação de inconformidade, este documento retificador não veio aos autos. De toda sorte, como não havia prova da apresentação daquele documento à Receita Federal, nenhum efeito produz a ausência de sua juntada nestes autos, mantendo-se o mesmo cenário abordado, nos seguintes termos, naqueles autos: E, embora a contribuinte não tenha apresentado o referido documento à Receita Federal, já que dele não consta o carimbo de recepção, releva observar que a Instrução Normativa SRF n° 600/2005 vedava a retificação mediante apresentação de DCOMP em formulário, quando a DCOMP original havia sido transmitida em meio eletrônico: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação A SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação A SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Assim, não se pode excluir a possibilidade de a contribuinte não ter retificado a DCOMP por entender que deveria tê-la transmitido em meio eletrônico, como exigido no referido ato normativo, e encontrar obstáculos operacionais para assim proceder. como exigido. De outro lado, se a referida retificação, ainda que em formulário, fosse apresentada a autoridade administrativa, na medida em que sua análise também seria feita pela DRF/Cuiabá, é possível que ela se conduzisse como expresso no despacho de • ório 11 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CIT1 Acórclfto n.° 1101-00.574 Fl. 437 de fls. 349/352, exarado em face de outro sujeito passivo por aquela unidade da Receita Federal. Do referido despacho, juntado por cópia pela interessada após a manifestação de inconformidade, extrai-se: Relatório 1. A interessada acima identificada transmitiu os PER/DCOMPs abaixo relacionados a fim de declarar a compensação de suposto direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de CSLL, código 2484, data de arrecadação 31/12/2005, valor [...] 2. Em 06/06/2007 protocolou declarações de compensação retificadoras em formulário (papel) alterando o tipo de crédito utilizado para saldo negativo de CSLL ano-calendário 2005 (fls. 01 a 37), sob a alegação de erro material no preenchimento das declarações. Acrescentou que não foi possível a apresentação das retificações via programa PER/DCOMP (fls. 02/03 e 38/39). [—} Fundamentos [...] Declarações Retificadoras 8. Todavia foram apresentadas declarações retificadoras (fls. 1 e 37) nas quais a interessada altera o tipo do suposto crédito para saldo negativo de CSLL ano calendário 2005 sob a alegação de erro de preenchimento. 9. Analisando os PER/DCOMPs constata-se que o valor do Darf relativo ao suposto pagamento indevido [...], não corresponde a quaisquer das estimativas pagas e sim ao saldo negativo de CSLL apurado na Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ [...] no ano-calendário 2005 [...]. Ademais, a data informada, 31/12/2005, também equivale ao ajuste anual. 10. Infere-se dessa forma que houve erro de preenchimento das declarações originais, podendo ser admitidas as declarações retificadoras a fim de considerar o suposto direito credit6rio como saldo negativo de CSLL ano calendário 2005, o qual passo a analisar. [...] De forma semelhante, no presente caso, a contribuinte vinculou sua compensação a indébito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, apurado em recolhimento de 31/12/2003, data na qual não houve qualquer recolhimento, e que inclusive também foi indicada, na DCOMP, como período de apuração do indébito, bem como período de apuração de um dos débitos que se pretendeu extinguir com a compensação. Tem razão a recorrente, portanto, quando afirma que o litígio prende-se, preliminarmente, a admissibilidade, ou não, da retificação do tipo de crédito informado na DCOMP. Incontroverso está que não houve pagamento indevido ou a maior em recolhimento de CSLL promovido em 31/12/2003, cumprindo avaliar se a contribuinte poderia, de fato, estar compensando, na DCOMP apresentada em 11/02/2004, saldo negativo de CSLL, e se a falta de apresentação de DCOMP retificadora impediria que ela assim procedesse. Mais ainda, observa-se que na DCOMP retificadora que não foi apresentada et Receita Federal, a contribuinte reporta-se ao crédito genericamente como saldo negativo de CSLL, sem especificar o período a que se refere. De outro lado, a compensação por ela promovida teve por objeto estimativas de CSLL do próprio ano-calendário 2003, apuradas em outubro, novembro e dezembro de 2003, indicio de que sua pretensão seria utilizar saldos negativos de CSLL de períodos anter res, 12 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 438 acumulados em 31/12/2003, e não, necessariamente, o saldo negativo do ano- calendário 2003, cuja formação dependeria das estimativas que estavam sendo quitadas naquela declaração de compensação. A contribuinte não junta cópia de sua escrituração comercial, na qual se poderia constatar a natureza do crédito utilizado. Em regra, a contabilidade expressa, eni contas representativas de direitos, os recolhimentos de estimativas promovidos durante o ano, bem como as retenções sofridas, e registra o confronto destas antecipações com o tributo determinado na apuração definitiva, evidenciando excedentes que têm a natureza de saldo negativo. Já o indébito decorrente de estimativas pagas a maior se apresenta de forma completamente distinta, bastando • mero confronto entre a obrigação inicialmente contabilizada, ou posteriormente retificada, e o pagamento efetuado. A interessada, porém, junta cópias de DIPJ, DCTF e DARFs relativos aos períodos de apuração de 2000 a 2003, além de planilha de controle do saldo negativo de CSLL desde o ano-calendário 2000. Da análise destes elementos é possível constatar os seguintes fatos: • No Anexo XXI destes autos não foi juntado o documento denominado Planilhas — Apuração Saldo Negativo Exercícios de 2003, 2002, 2001 e 2001, mas foi possível ter acesso a seu conteúdo por meio do processo administrativo n° 10183.901713/2008-19 N. 387), também distribuído a esta Relatora, nele observando-se que o crédito alegado pela recorrente inicia, em janeiro/2001, no valor de R$ 17.932,33, sem qualquer utilização ao longo de 2001 e 2002, mas apenas em agosto/2003 (R$ 3.534,87), outubro/2003 (R$ 5.314,09), fevereiro/2004 (R$ 3.289,30, valor utilizado na DCOMP aqui em análise) e março/2004 (R$ 3.648,55); • Na DIPJ ano-calendário 2000, que teria sido entregue em 18/06/2001 (11s. 296/331), está apontado saldo negativo de CSLL no valor de R$ 31.674,03, formado por estimativas apuradas sobre receita bruta, no valor total de R$ 37.550,84, confrontadas com CSLL devida na apuração anual de R$ 5.876,81; • Na DIPJ do ano-calendário 2001, que teria sido retificada em 17/06/2008 «is. 244/283), está apontada CSLL a pagar no valor de R$ 2.162,09, resultante do confronto entre a CSLL devida na apuração anual de R$ 20.666,24, e as estimativas apuradas com base na receita bruta em valores equivalentes aos DARF de fls. 284/295 (R$ 1.329,03, R$ 1.048,96, R$ 1.847,31, R$ 1.260,26, R$ 1.904,90, R$ 1.677,70, R$ 1.725,39, R$ 1.654,63, R$ 1.615,70, R$ 1.858,71, R$ 1.469,96, R$ 1.111,61), no valor total de R$ 18.504,15. Além dos DARF de recolhimento de estimativas citados, há um recolhimento complementar do principal de R$ 630,33, com acréscimos moratórios; • Na DIPJ do ano-calendário 2002, que teria sido retificada em 17/06/2008 «is. 181/232), está apontado saldo negativo de CSLL no valor de R$ 4.990,11, resultante do confronto entre a CSLL devida na apuração anual de R$ 14.722,28 e as estimativas apuradas com base na receita bruta em valores equivalentes aos DARF de fls. 233/243 (R$ 2.341,79, R$ 1.479,32, R$ 1.080,44, R$ 1.202,08, R$ 1.451,47, R$ 1.072,11, R$ 1.242,45, R$ 1.960,03, R$ 1.400,44, R$ 2.552,68, R$ 2.280,37, R$ 1.649,20), no valor total de R$ 19.712,39; • Na DIPJ do ano-calendário 2003, que teria sido retificada em 17/06/2008, complementada com a reprodução dos elementos juntados à fl. 207 do processo administrativo n° 10183.901713/2008-19, também distribuído a esta Relatora, está apontado saldo negativo de R$ 2.639,04, resultante do confronto entre a CSLL devida na apuração anual de R$ 12.627,87 e as estimativas apuradas com base na receita bruta em valores equivalentes aos débitos informados nas DCTF juntadas às fls. 106/179 (I ° trimestre: R$ 972,25, R$ 1.378,64 e R$ 777,78, vinculadas a Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 439 pagamento; 2° trimestre: R$ 1.076,78, R$ 1.139,22, R$ 1.318,87, sem vinculação a qualquer crédito; 3° trimestre: R$ 821,05, R$ 1.290,53 e R$ 3,202,51, compensadas mediante DCOMP; e 4° trimestre: R$ 1.444,52, R$ 1.068,07 e R$ 776,72, compensadas mediante DCOMP), no valor total de R$ 15.266,91. De plano constata-se que a maior parte das DIPJ apresentadas pela recorrente foi transmitida após a emissão do despacho decisório que não homologou as compensações, em 09/05/2008. De outro lado, nos sistemas informatizados da Receita Federal constata-se nas D1PJ apresentadas nos períodos referidos as seguintes informações: • Na DIPJ ano-calendário 2000, entregue originalmente em 18/06/2001 e processada sob n° 0448845, a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 31.674,03, sem retificação posterior; • Na DIPJ do ano-calendário 2001, entregue originalmente em 07/06/2002 e processada sob n°0432789, a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 29.511,94, em razão da dedução de um valor maior de estimativas, no montante total de R$ 50.178,18, em face de CSLL devida na apuração anual de R$ 20.666,24, idêntica ao informado na retificadora; • Na DIPJ do ano-calendário 2002, entregue originalmente em 26/06/2003 e processada sob n° 0727947, a apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 34.502,03, em razão da dedução de um valor maior de estimativas, no montante total de R$ 49.224,31, em face de CSLL devida na apuração anual de R$ 14.722,28, idêntica ao informado na retificadora; • Na DIPJ do ano-calendário 2003, entregue originalmente em 23/06/2004 e processada sob n° 0615028, a apuração de saldo negativo de R$ 31.616,76, em razão da dedução de um valor maior de estimativas, no montante total de R$ 44.244,63, em face de CSLL devida na apuração anual de R$ 12.627,87, idêntica ao informado na retificadora. Com exceção da DIPJ do ano-calendário 2001, que não foi retificada, nos demais períodos observa-se que o saldo negativo de CSLL informado nas DIPJ originais era maior que o constante das DIPJ retificadoras, sendo que no ano-calendário 2002 a retificação evidenciou saldo apagar. Todavia, a redução promovida com as retificadoras não decorreu de alteração da CSLL devida na apuração anual, mas, sim, da redução das estimativas devidas no ano-calendário. Talvez a contribuinte tenha, de fato, apurado estimativas maiores que as constantes nas DIPJ retificadoras, e até utilizado o saldo negativo apurado no ano-calendário 2000 para liquidá-las. Porém, se assim procedeu, apenas transmudaria o saldo negativo do ano-calendário 2000 em saldo negativo do ano-calendário no qual utilizou o crédito para liquidar as estimativas subseqüentes, as quais continuariam a superar a CSLL devida na apuração anual. De outro lado, se esta lido foi a razão das retificações procedidas em 17/06/2008, o fato é que, comparando-se os recolhimentos de estimativas de CSLL comprovados nos anos-calendário 2000 e 2002 com a CSLL devida na apuração anual (informada pelo mesmo valor nas DIPJ original e retificadora), há evidências concretas de saldos negativos apurados, minimamente, nos valores de R$ 31.674,03 • R$ 4.990,11, entremeados pela apuração, no máximo, de CSLL a pagar no ano- calendário 2001 de R$ 2.162,09. Recorde-se, por oportuno, que um dos fundamentos adotados pela autoridade julgadora para não admitir a compensação promovida pela contribuinte foi a existência de outros processos de compensação, alguns dos quais, inclusive, tratando especificamente de indébitos de CSLL (processos administrativos n° 10183.900831/2006-30, 10183.900832/2006-84, 10183.901713/2008-19 e Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 440 10183.902953/2008-22). Todavia, os sistemas informatizados da Receita Federal apontam as seguintes compensações de indébitos de CSLL, estando destacadas em negrito aquelas submetidas à apreciação desta Relatora: PER/DCOMP CRÉDITO TOTAL DÉBITO TOTAL DATA PROCESSO OU DCOMP ORIGEM TIPO CRÉDITO TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE ARREC 16159.03921.140803.1.3.04-1863 3.534,87 3.534,87 14 08'2003 10183.9008312006-30 Pg. Indev,a Maior CS!.!. 30 06 2003 31.07,2003 25417.78997.241003.1.3.04-7490 5.314,09 5.314.09 24 102003 10183.900832'2006-84 Pg. lndev a Minor CAL 30 09 2003 30 092003 08172.19968.110204.1.3.04-4264 3.289,30 3.289,30 11/02/2004 10183.900943/2008-52 Pg. Inder/a Maior ('ILL 31/12/2003 31/12/2003 05574.65158.070804.1.3.04-7393 31.616,76 3.648,55 07/08/2004 16183.901713/2008-19 Pg. Indev/a Maior CSLL 31/12/2003 31/12/2003 12679.60061.121104.1.3.04-6961 30.468,62 30.861,67 11112004 10/83.9029532008-22 Pg. Indev/a Maior CAI. 31 12.2003 31 12 2003 09740.79310.041005.1.3.04-5578 72.899,86 19.280,33 04/02005 10183.900085'20/0-6/ Pg. Indeva Mator (WI.!. 31 12 , 2004 31/2 2004 07322.90830.060406.1.3.04-0530 58.290,61 21.499,16 06 04'2006 10183.900088'2010-02 Pg. Indeita Minor CS1.1 30 06 2005 30 06 2005 35322.30220.021007.1.3.03-2563 39.393,30 4.564,26 02, 102007 07170.66645.031108.1.7.03-7838 Saida Negaiivo csa EXERCICIO 2005 07170.66645.031108.1.7.03-7838 72.899,86 31.118,43 03 11/2008 07170.66645.031108.1.7.03-7838 Saldo Negativo esa EXERCICIO 2005 17358.55706.031108.1.7.03-7863 72.899,86 2.158,96 03 112008 07170.66645.031108.1.7.03-7838 Saldo Negativo CAL EXERCICIO 2005 10950.99073.200309.1.3.03-3961 97242,34 7.633,73 20 032009 10950.99073.200309.1.3.03-3961 Saldo Negativo (WI!. EXERCICIO 2009 23578 55263.140409.1.3.03-8212 97.242,34 6.992,11 14 042009 10950.99073.200309 1.3.03-3961 Saldo Negativo csu EVERCICIO 2009 08135.66292.210509.1.3.03-9692 97.242,34 23.235,44 211052009 10950 99073.200309 1.3 03-3961 Saldo Negativo (w.f., EXERCICIO 2009 42016.52080.240609.1.3.03-2841 97.242,34 8.139,50 24 062009 10950.99073.200309.1.3.03-3961 Saldo Negativo CSI.I. EXERCICIO 2009 10155.38657.090709.1.3.03-0507 97.242,34 805,52 09 07'2009 10950.99073.200309.1.3.03-3961 Saldo Negativo CAL EXERCICIO 2009 31881.97155.140809.1.3.03-3749 97.242,34 3.319,58 14 082009 10950.99073.200309.1.3.03-3961 Saida Negativo raj, EALRCICIO 2009 35369.88071.071009.1.3.03-7592 97.242,34 14.458,65 07,102009 10950.99073.200309 1.3.03-3961 Saldo Negativo rat, EXERCICIO 2009 31642.38182.210510.1.3.03-8703 97.242,34 40.734,90 2E05,2010 10950.99073.200309 1.3 03-3961 Saldo Negativo cal, EXERCICIO 2009 Somados os débitos que a contribuinte pretendeu liquidar com indébitos apurados até 31/12/2003 obtém-se o total de R$ 46.648,48, inferior ao montante formado pelos valores originais dos saldos negativos informados nas DIPJ, antes referidas, nos valores de R$ 31.674,03 e R$ 4.990,11 ern 2000 e 2001, entremeados pela apuração de CSLL a pagar no ano-calendário 2001 de R$ 2.162,09, e seguidos do saldo negativo originalmente informado para o ano-calendário 2003 de R$ 31.616,76, valor este, inclusive, apontado como pagamento indevido ou a maior de CSLL em 31/12/2003, na DCOMP n° 05574.65158.070804.1.3.04-7393 (processo administrativo n°10183.901713/2008-19, distribuído a esta Relatora). Neste contexto, é razoável admitir que a contribuinte tenha, de fato, utilizado saldo negativo de CSLL acumulado desde o ano-calendário 2000, para liquidar as estimativas de CSLL apuradas a partir do 2o trimestre/2003, como informado no Anexo XXI de sua defesa (ao qual se teve acesso por meio do processo administrativo n°10183.901713/2008-19, fl. 387). Assim, cabe aqui afastar a não-homologação da compensação, que teve por referência a indicação equivocada pelo sujeito passivo, em DCOMP, de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior verificado em DARF, e não de saldo negativo. Porém, para afirmar a homologação da compensação, é necessária a prova da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado, mas sob sua real natureza de saldo negativo. De fato, a desconstituição do único fundamento da decisão — impossibilidade de compensação de indébito cujo DARF não foi confirmado nos sistemas informatizados da Receita Federal — é insuficiente para concluir pela integridade da formação do crédito, dado que as análises da autoridade administrativa foram prejudicadas pela informação equivocada da natureza do indébito pela interessada. Superado este obstáculo, necessária se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. 15 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-C IT1 Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 441 Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, a apuração de CSLL nos mesmos termos expressos em suas DIPJ, e a disponibilidade do indébito, mediante prova de que não se valeu dele em outras compensações com ou sem pedido, de forma que o crédito assim confirmado possa ser confrontado com os débitos compensados e verificada a sua suficiência para extinção destes. Registre-se, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte lido for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve-lhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitando-lhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de saldo negativo de CSLL apurado a partir do ano-calendário 2000, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos a jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Cabe distinguir, apenas, que a compensação aqui tratada tem por referência o crédito de R$ 31.616,76, supostamente de pagamento indevido ou a maior de 31/12/2003, mas apontado como saldo negativo de CSLL na DIPJ original apresentada para o ano-calendário 2003. Tal valor foi reduzido na retificadora apresentada após a emissão do despacho decisório de não-homologação da compensação, mas apenas em razão da dedução de um valor menor de estimativas, eventualmente porque desconsideradas as estimativas quitadas com saldos negativos apurados desde o ano-calendário 2000, como antes aventado. Logo, a determinação do saldo negativo de CSLL em 2003 possivelmente estará influenciada pelos saldos negativos alegados pela interessada desde o ano-calendário 2000. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de saldo negativo de CSLL apurado a partir o ano-calendário 2000, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos A. jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em com nsação. C&6- WÁ‘s ELI PEREIRA BESSA 16 Processo n° 10183.901713/2008-19 Si -CITI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 442 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Conforme o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, a declaração de compensação se submete ao exame da Receita Federal (expresso ou tácito por decurso de prazo). Além disso, o § 14 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, atribui competência a própria Receita para disciplinar a compensação prevista no artigo. Portanto, as declarações de compensação devem considerar as regras administrativas postas pela Receita, no que tange ao direito material, que sujaz à declaração, e forma de declarar o exercício deste direito. Assim, não basta que materialmente o contribuinte tenha direito a restituição ou a compensação, é preciso que ele siga corretamente a formalidade imposta pela Receita. Se uma declaração de compensação não atende a forma, a administração não homologará a compensação declarada e o contribuinte deve fazer uma nova declaração, se quiser aproveitar seu crédito. Se a Receita não homologa uma determinada declaração de compensação, o faz em razão do seu conteúdo e a única alegação de defesa do contribuinte é de que sua declaração não retratou exatamente o direito que tem, esta alegação consiste em admitir que violou a forma imposta legalmente e em pretender desobedecer As consequencias legais violação das formalidades. Conforme relatório, o contribuinte declarou a compensação de forma errada. Ou seja, o modo como formalizou o seu pedido não corresponde Aquele que se infere de sua defesa. Em resumo, no caso em julgamento, o contribuinte insistiu em uma declaração errada, sem retificar a declaração e discutindo a negativa no presente processo administrativo. Ainda, conforme a relatora, o contribuinte não conseguiria retificar sua declaração, pois para a adequação do pedido seria preciso alterar a natureza do crédito informado na Dcomp original. Isso apenas confirma que a declaração do contribuinte estava errada, na medida em que não retratava o direito declarado. De qualquer modo, se não é possível ao contribuinte retificar sua declaração, por vedação da legislação posta pela Receita, então ele deve acatar a negativa da compensação originalmente declarada e, se quiser, deve apresentar uma nova Dcomp, nos termos da legislação. Se disso resulta algum ônus financerio para o contribuinte (por exemplo, os encargos morat6rios do débito erroneamente declarados compensados na declaração original), isso decorre de seu próprio erro. 17 Processo n° 10183.901713/2008-19 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.574 Fl. 443 Não cabe à Administração evitar prejuízo ao contribuinte que agiu em desacordo com a legislação, abrindo mão das formalidades legalmente estabelecidas pelo Fisco. Tais formalidades decorrem da legislação e são postas em razão da racionalização administração tributária. Frise-se ainda que o contribuinte teve longo tempo e muitas oportunidades para se adequar a legislação. Se ele prefere insistir no erro na esperança de que a Administração, no curso do processo administrativo, decidisse favoravelmente ao seu pleito, ele deve arcar com o ônus de ver seu direito de repetir decaído, além daquele ônus decorrente de seu erro na declaração de compensação. Noutro giro, a busca do direito material deve respeitar as formas. Neste aspecto, destaque-se a importância que o sistema jurídico dá as formalidades, como garantidoras do próprio direito material. Por tais razões, voto pela improcedência do recurso voluntário. Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro 18
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002989/2003-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Exercício: 2002
EXCLUSÃO POR ATIVIDADE VEDADA. PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA OU AUDIOVISUAL. A opção pelo Simples é vedada às pessoas jurídicas dedicadas à atividade de produção cinematográfica ou audiovisual até 31 de dezembro de 2009.
Numero da decisão: 9101-001.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA OU AUDIOVISUAL. A opção pelo Simples é vedada às pessoas jurídicas dedicadas à atividade de produção cinematográfica ou audiovisual até 31 de dezembro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora Fl. 133DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11060.002989/200359 Acórdão n.º 9101001014 CSRFT1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso especial em face de acórdão no 30334.553, prolatado pela antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em procedimento decorrente de solicitação de revisão da exclusão da opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. A exclusão se deu pelo Ato Declaratório de Exclusão DRF/STM nº 455.299, de 07/08/2003 (fls.07), com fundamento no exercício de atividade vedada, correspondente a “outras atividades relacionadas a produção de filmes e fitas de vídeos”. Caracterizouse a situação excludente prevista no art. 9o, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, pela semelhança com a atividade de direção ou produção de espetáculos. A Câmara a quo, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO. Comprovado que a recorrente é uma sociedade empresária que se dedica exclusivamente a um pequeno negócio no ramo de meras filmagens inerentes a atividade de produção de eventos e festividades para divulgação da criação publicitária de terceiros, prestados por profissionais de nível médio que independem de habilitação profissional legalmente exigida, ou assemelhados, e que este ramo não se confunde de modo algum com o de "diretor ou produtor de espetáculos e publicitário", sendo essas atividades exercidas pela recorrente, perfeitamente permitidas pela legislação vigente aplicável á espécie, é de se reconsiderar o ADE que a excluiu do sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das microempresas e das empresas de pequeno porte simples. Inconformada, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpõe recurso especial com fulcro no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais vigente à época, alegando divergência jurisprudencial e apresentando paradigmas que decidiram em sentido oposto, entendendo que o exercício de atividade de produção de filmes e vídeos impede a opção pelo Simples. Pede a reforma do acórdão, alegando que, por desenvolver atividade de produção de vídeos, o contribuinte não pode ser enquadrado no Simples em razão da vedação contida no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Em contrarrazões, o contribuinte pede a manutenção no Simples por se dedicar unicamente a um pequeno negócio no ramo de filmagens que independe de serviços de profissionais como diretor ou produtor de espetáculos ou publicitário. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, conheço do recurso e passo a analisálo. Vale frisar, inicialmente, que a análise das situações de enquadramento na sistemática do Simples deve sempre se pautar nos parâmetros definidos pela Constituição Federal de 1988, em seus arts. 170, inciso IX, e 179, ao estabelecer um tratamento não isonômico às micro e pequenas empresas, dado seu caráter fundamental no desenvolvimento da economia brasileira. Acrescentese, ainda, o incentivo à produção cultural e a facilitação do acesso à cultura buscado pelo constituinte com a inclusão dos arts. 215 e 216 na Constituição Federal. Todavia, a forma de tributação das micro e pequenas empresas, assim como a das demais pessoas jurídicas, deve observar o princípio da legalidade, consoante as regras estabelecidas na legislação tributária federal. A Lei nº 9.317/96, atualmente revogada pela Lei Complementar nº 123, de 14.12.2006, estabelecia as regras determinantes ao enquadramento no Simples até a entrada em vigor desta última. No que pertine ao litígio em exame, fundado na possibilidade ou não de enquadramento da pessoa jurídica na sistemática do Simples, interessam os seguintes dispositivos da Lei nº 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) [...] Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º;[...] Fl. 136DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11060.002989/200359 Acórdão n.º 9101001014 CSRFT1 Fl. 3 5 Notese que a restrição à inclusão no Simples para as atividades de empresário, diretor ou produtor de espetáculos ou assemelhados davase de forma genérica, sem exceções. Sendo ônus do contribuinte demonstrar a inexistência da causa da exclusão do Simples, nisso não logrou êxito. Compulsandose os autos, verificase que o objetivo social, conforme dispõe a cláusula terceira do seu contrato social (fls.02), contempla as atividades de “produções artísticas, filmes e eventos”. Posteriormente, o contribuinte promove a alteração do contrato (fls. 51) para prever que a atividade principal passará de “produções artísticas, filmes e eventos para filmagem para vídeos e eventos e divulgação da criação publicitária de terceiros”. Não apresentou qualquer nota fiscal dos serviços efetivamente prestados. Depreendese disso que o acórdão recorrido pautouse exclusivamente na previsão constante do contrato social após a alteração. Em não havendo regra específica que permita a opção pela sistemática do Simples, e havendo regra geral que a proíba, não cabe a este julgador administrativo interpretar de outra forma a situação apresentada nos autos. O próprio legislador incumbiuse de dar uma solução ao caso. Como já adiantado, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei complementar nº 123, de 14.12.2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, e atualmente assim dispõe: Art.17.Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] §1o As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades referidas nos §§5oB a 5oE do art. 18 desta Lei Complementar, ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo. [...] §5oB.Sem prejuízo do disposto no §1o do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: [...] XV produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais, sua exibição ou apresentação, inclusive no caso de música, literatura, artes cênicas, artes visuais, cinematográficas e audiovisuais. (Incluído pela Lei Complementar nº 133, de 2009). (Produção de efeito) Fl. 137DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 6 Notese que a Lei Complementar nº 133, de 28.12.2009, publicada no DOU em 29.12.2009, veio alterar a Lei Complementar nº 123, de 2006, especificamente para modificar o enquadramento das atividades de produções cinematográficas, audiovisuais, artísticas e culturais no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Quanto à produção de efeitos, vale o que dispõe a LC nº 133, de 2009: Art. 3o Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do mês seguinte à sua publicação oficial. Assim, a possibilidade de adotar a sistemática do Simples Nacional iniciouse apenas a partir de 1º de janeiro de 2010 para as empresas que se dedicam a produções cinematográficas ou audiovisuais, como é o caso sob análise. Em outras palavras, até 31 de dezembro de 2009, não havia possibilidade dessas empresas optarem pela sistemática do Simples, seja o Federal ou o Nacional. Há quem entenda que a permissão para a opção pela sistemática do Simples Nacional poderia retroagir, nos termos do art. 106 do CTN. Embora respeitando tal posição, dela não compartilho. A vedação a uma determinada forma de tributação, ao meu ver, não pode ser equiparada a uma penalidade pelo cometimento de infração tributária, onde se encaixaria a norma excepcional da retroatividade. Se assim desejasse, o legislador o teria disciplinado explicitamente. A interpretação conferida ao caso fazse, obviamente, sem prejuízo de poder o contribuinte solicitar sua inclusão na sistemática do Simples Nacional a partir de 1º de janeiro de 2010. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a exclusão do Simples conforme determinada no ADE DRF/STM nº 455.299/2003. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 138DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 20/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10660.003491/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2003
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE
LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO
EDUCAÇÃO. GLOSAS
INDEVIDAS. DECADÊNCIA EM PARTE DO LANÇAMENTO.
OCORRÊNCIA.
1. Se os valores referentes ao Salário Educação foram integramente os
deduzidos não há que se falar em recolhimento, situação que muda
completamente a interpretação no caso da aplicação das regras de decadência
vigentes.
2. Assim, quando da apuração do devido, deve ser adotada a regra
constante do inciso I do art. 173 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). As competências dezembro
de 2000 e anteriores foram fulminadas pela decadência, observada a regra do inciso I do art.
173 do CTN. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra,
quanto a decadência da competência 12/2000.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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Obrigação Acessória Recorrente METALURGICA ROCHA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/10/2007 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. IMPRECISÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL . O erro no enquadramento legal da conduta imputada leva a insubsistência do auto lavrado. Com a criação da Receita Federal do Brasil, através da lei 11.457, de 16.03.2007, a falta de apresentação dos arquivos digitais, de acordo com os leiautes previstos pela Administração Tributária, constitui falta punível conforme a Lei n. 8.218, de 29.08.91, art. 12, I, parágrafo único. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). assinado digitalmente Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000553/200775 Acórdão n.º 280301.223 S2TE03 Fl. 74 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000553/200775 Acórdão n.º 280301.223 S2TE03 Fl. 75 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária conforme disposto no relatório fiscal, que transcrevo em parte. A fiscalizada foi intimada, através dos Termo de Inicio da Ação Fiscal TIAF emitido em 17/09/07 ( cópia em anexo). a apresentar informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor ã época de ocorrência dos fatos geradores ; Até a presente data, não foram apresentados os arquivos digitais solicitados contendo informações das folhas de pagamentos e da contabilidade. 2 A não apresentação de informações em meio digital, a partir de 09/05/2003, constitui infração a Lei n° 8.212, de 24.07.91. art. 32. III e da Lei 10.666 de 08/05/03 , art. 8°, combinado com o art. 225, inciso III e parágrafo 22 ( acrescentado pela Lei 4.729 de 09/06/03) do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/99 A DecisãoNotificação – fls 59 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: • Parcialmente referido acórdão verificou que a Recorrente dentro dos limites de que dispunha, apresentou toda a documentação solicitada pelo agente fiscal, sendo certo que destes documentos apresentados o mesmo, pode sem embargo, concluir o seu trabalho. • Toda a suposta diferença ora apontada pela Autoridade Fiscal, foi apurada nos elementos apresentados pela Recorrente, livros contábeis, folhas de pagamentos, arquivos magnéticos etc. • Não procede por fim a afirmação que a Recorrente não atendeu a fiscalização conforme notificada pela TlAF Termo de Inicio de Ação Fiscal datado de 17/09/07, pois se assim fosse, o trabalho fiscal não teria sido concluído. • Requer seja o presente RECURSO julgado procedente, com a conseqüente insubsistência do AI Debcad n° 37.094.6561. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000553/200775 Acórdão n.º 280301.223 S2TE03 Fl. 76 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra Segundo o relatório fiscal, a conduta incorrida se refere a falta de apresentação dos arquivos digitais referentes às escriturações contábeis, de acordo com o leiaute estabelecido no Manual de Arquivos Digitais MANAD. Tenho que a conduta descrita melhor se amolda na previsão da Lei n. 8.218, de 29.08.91, art.11, parágrafos 3º. e 4º., com redação da MP n. 2.158, de 24.08.01, com multa calculada sobre a receita bruta do contribuinte. Vejamos os textos envolvidos. A multa aplicada foi fundamentada no art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.3.048/99, que transcrevo. Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores:(Nova Redação pelo Decreto nº 4.862 de 21/10/2003 DOU DE 22/10/2003) ... II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: ... b) deixar a empresa de apresentar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, ou os esclarecimentos necessários à fiscalização; Com a edição da lei 11.457, de 16.03.2007, a Secretaria da Receita Previdenciária foi extinta e a Secretaria da Receita Federal passou a se denominar Secretaria da Receita Federal do Brasil, absorvendo as atividades relativas a tributação, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias, além da área responsável pela fiscalização das mesmas. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000553/200775 Acórdão n.º 280301.223 S2TE03 Fl. 77 5 Diante do novo quadro normativo, temos que se aplica, à fiscalização da Receita Federal do Brasil, o que previsto na lei 8.218/91, que versa sobre Impostos e Contribuições Federais, senão vejamos: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) ... § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (...) Do confronto das normas postas, concluímos que a previsão da lei 8.218/91 melhor se amolda na conduta incorrida, pois se refere especificamente aos arquivos digitais em desacordo com as normas da Receita Federal, o que não ocorre nos termos genéricos do art. 283, II, “b” do Regulamento da Previdência Social – RPS, que se refere a “documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis”, respeitando assim o princípio da especialidade. Dessarte, havendo indevido enquadramento legal da conduta incorrida, o recurso interposto deve ser provido. CONCLUSÃO Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16095.000553/200775 Acórdão n.º 280301.223 S2TE03 Fl. 78 6 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10680.006395/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RENDIMENTO DO FISCALIZADO COMPATÍVEL COM O MONTANTE DA DESPESA GLOSADA. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO RATIFICADA PELOS PROFISSIONAIS PRESTADORES. DESPESAS NÃO EXAGERADAS.
RESTABELECIMENTO DAS DESPESAS. A dedutibilidade de despesas
médicas é uma questão tormentosa no âmbito da tributação federal, porém não se pode simplesmente renegar a despesa médica do declarante, apenas se fiando na ausência de comprovação do efetivo pagamento ou da prestação do serviço com documentário médico, que sequer constam especificamente como exigência na legislação do imposto de renda, mormente quando o contribuinte tomador do serviço apresenta os recibos pertinentes, tem renda
compatível com a despesa assumida, a despesa não é exagerada e os
profissionais prestadores ratificam a prestação do serviço, tudo isso aliado à ausência de investigação por parte da fiscalização da situação pessoal de cada prestador, não havendo, na espécie, qualquer indício que desabone as declarações ratificadoras da prestação dos serviços.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.454
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RENDIMENTO DO FISCALIZADO COMPATÍVEL COM O MONTANTE DA DESPESA GLOSADA. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO RATIFICADA PELOS PROFISSIONAIS PRESTADORES. DESPESAS NÃO EXAGERADAS. RESTABELECIMENTO DAS DESPESAS. A dedutibilidade de despesas médicas é uma questão tormentosa no âmbito da tributação federal, porém não se pode simplesmente renegar a despesa médica do declarante, apenas se fiando na ausência de comprovação do efetivo pagamento ou da prestação do serviço com documentário médico, que sequer constam especificamente como exigência na legislação do imposto de renda, mormente quando o contribuinte tomador do serviço apresenta os recibos pertinentes, tem renda compatível com a despesa assumida, a despesa não é exagerada e os profissionais prestadores ratificam a prestação do serviço, tudo isso aliado à ausência de investigação por parte da fiscalização da situação pessoal de cada prestador, não havendo, na espécie, qualquer indício que desabone as declarações ratificadoras da prestação dos serviços. Recurso provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.006395/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102001.454 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de agosto de 2011 Matéria IRPF DESPESAS MÉDICAS Recorrente LUIZ ROBERTO FELIPE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. RENDIMENTO DO FISCALIZADO COMPATÍVEL COM O MONTANTE DA DESPESA GLOSADA. PRESTAÇÃO DO SERVIÇO RATIFICADA PELOS PROFISSIONAIS PRESTADORES. DESPESAS NÃO EXAGERADAS. RESTABELECIMENTO DAS DESPESAS. A dedutibilidade de despesas médicas é uma questão tormentosa no âmbito da tributação federal, porém não se pode simplesmente renegar a despesa médica do declarante, apenas se fiando na ausência de comprovação do efetivo pagamento ou da prestação do serviço com documentário médico, que sequer constam especificamente como exigência na legislação do imposto de renda, mormente quando o contribuinte tomador do serviço apresenta os recibos pertinentes, tem renda compatível com a despesa assumida, a despesa não é exagerada e os profissionais prestadores ratificam a prestação do serviço, tudo isso aliado à ausência de investigação por parte da fiscalização da situação pessoal de cada prestador, não havendo, na espécie, qualquer indício que desabone as declarações ratificadoras da prestação dos serviços. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 EDITADO EM: 09/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte LUIZ ROBERTO FELIPE, CPF/MF nº 638.239.42700, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 21/03/2007, auto de infração (fls. 08 e seguintes), com ciência postal em 08/05/2007 (fl. 33). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 5.633,38 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.225,03 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesas médicas, no ano calendário 2002, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fl. 9), verbis: Dedução indevida a título de despesas médicas, no valor de R$20.240,00. A DIRPF apresentada pelo contribuinte incidiu em malha fiscal, parâmetro despesas médicas. O declarante foi intimado a apresentar os recibos e/ou notas fiscais de prestação de serviços, extratos de pagamentos a planos de saúde, referentes a todas as despesas relacionadas em sua DIRPF e a comprovar os efetivos pagamentos das despesas realizadas com os prestadores de serviços Marcos Haroldo Costa e Angela Maria de Mello Almeida. Com base no art. 73 do decreto 3000/99 e atualizações, onde se acha explicitado que deduções exageradas estão sujeitas à efetiva comprovação, a juízo da autoridade lançadora e que, nos termos do acórdão CSRF/01 1.458/92, DOU de 19/01/95, para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculação dos efetivos pagamentos, foram eleitas como provas dos efetivos pagamentos das despesas médicas declaradas, as cópias de microfilmagens dos cheques emitidos ou então extratos bancários que relacionassem as compensações dos cheques ou das retiradas necessárias aos pagamentos, com compatibilidade de datas e valores em relação aos recibos emitidos pelos prestadores de serviços. Em atendimento à intimação, o declarante apresentou apenas os recibos expedidos pelos profissionais acima nominados e declaração de cada um, informando o valor recebido, o tipo de serviço prestado e para quem foram prestados os serviços. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.006395/200781 Acórdão n.º 2102001.454 S2C1T2 Fl. 2 3 Nenhum outro comprovante, nem cópias de microfilmagens de cheques ou extrato bancário, foi disponibilizado visando atestar a efetividade dos pagamentos declarados. Isto posto, por falta de comprovação da efetividade dos pagamentos, nos termos da intimação expedida, não foram acatados como dedução a titulo de despesas médicas os valores relacionados na declaração do contribuinte, como pagos à psicóloga Angela Maria de Mello Almeida, na importância de R$18.220,00 e ao cirurgião dentista Marcos Haroldo Costa, na importância de R$2.265,00, perfazendo o total de R$20.240,00. Foi acatado o valor da despesa declarada referente a UNIMED BH, no valor de R$5.057,38, conforme documento apresentado. Compulsando os autos, vêemse os recibos e declarações dos profissionais contestados (fls. 14 a 21), sendo que a profissional Angela Maria de Mello Almeida asseverou que prestou serviços psicoterápicos ao fiscalizado e seus dependentes, tendo ofertado os rendimentos recebidos à tributação (fl. 15), e a DIRPF auditada (fls. 28 a 31), na qual consta rendimentos tributáveis de R$ 167.780,99 (e rendimentos de outras naturezas de R$ 2.803,05) e despesas médicas de R$ 25.542,38, estas em sua maior parte glosadas (foram acatadas apenas um montante de R$ 5.057,38 – fl. 10). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 8ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0228.820, de 29 de setembro de 2010 (fls. 43 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 10/11/2010 (fl. 49). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 06/12/2010 (fl. 50). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que apresentou os documentos pertinentes para fazer jus à dedução das despesas médicas, tendo os prestadores oferecidos os rendimentos pagos pelo tomador recorrente à tributação, como constou nas declarações apresentadas, o que impede, por si só, que a Receita Federal tribute em duplicidade tais valores. Ademais, não há qualquer exigência legal de que tais pagamentos sejam feitos em cheques ou transferência bancária, até porque ele também é profissional da área de saúde e normalmente recebe valores em espécie, assim pagando suas despesas, que, na hipótese vertente, não são exageradas, até porque não há como definir tal conceito para caso, lembrando que não há teto de dedução de despesa médica na legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Fl. 65DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/11/2010 (fl. 49), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 06/12/2010 (fl. 50), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 10/12/2010, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Como tenho tido oportunidade de asseverar em julgados anteriores (Acórdãos nºs 2102001.351, 2102001.356 e 2102001.366, sessão de 09 de junho de 2011; Acórdão nº 210201.055, sessão de 09 de fevereiro de 2011; Acórdão nº 210200.824, sessão de 20 de agosto de 2010; acórdão nº 210200.697, sessão de 18 de junho de 2010), entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: § as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; § houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie; § o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, aqui no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; § houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; § houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie. Nas hipóteses acima, a autoridade fiscal pode e deve intimar o contribuinte a comprovar o pagamento da despesa, com documentação bancária, ou mesmo a efetiva prestação do serviço com documentário médico (receitas, cópias de exames etc.). Especificamente, no caso de profissionais para os quais tenha sido emitida a súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, a jurisprudência administrativa, inclusive, autoriza a glosa e a exasperação da multa de ofício para o percentual de 150% sobre o imposto lançado (Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício). Entretanto, não me parece que quaisquer das hipóteses acima estejam presentes nestes autos. Primeiramente, apesar da despesa com a psicóloga Angela Maria de Mello Almeida ser expressiva individualmente, vêse que há clara compatibilidade entre as despesas glosadas e os rendimentos do fiscalizado, ou seja, ele tinha condições para fazer frente ao dispêndio. Em segundo lugar, os prestadores de serviço (psicóloga Angela Maria de Mello Almeida e o odontólogo Marcos Haroldo Costa) confirmaram a realização do trabalho, robustecendo a prova constante dos recibos, sendo que a psicóloga informou que declarou o Fl. 66DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10680.006395/200781 Acórdão n.º 2102001.454 S2C1T2 Fl. 3 5 montante percebido em seu imposto de renda (fl. 15), declaração que não foi rechaçada até o presente momento. Ordinariamente, os recibos médicos fazem a prova bastante das despesas que podem ser deduzidas na declaração do contribuinte, podendo tal presunção ser desconstituída nas hipóteses antes citadas. Caso não haja qualquer das hipóteses acima, inviável não acatar a dedutibilidade a partir dos meros recibos, sob pena de imputarse, em abstrato, exigências não previstas em lei, quais sejam, que o contribuinte comprove o efetivo pagamento ou demonstre com outras provas a prestação do serviço. A legislação, como se pode ver pelo art. 8º, § 2º, I a V, da Lei nº 9.250/96 c/c o art. 46 da IN SRF nº 15/2001, somente exige, como regra, a apresentação dos recibos médicos para tanto. Insistese que a autoridade autuante não poderia simplesmente arrostar os recibos apresentados, sem qualquer das situações antes descritas, ou sem aprofundar a investigação em desfavor dos prestadores do serviço, simplesmente se fiando na ausência de comprovação bancária da despesa, sob pena de criar, em abstrato, uma exigência não prevista em lei. A hipótese concreta, como já explanado, poderia dar substrato ao procedimento, porém nada há de inaudito ou desarrazoado no caso em comento, pois se viu um dispêndio global com despesas médicas de R$ 25.542,38, em absoluta harmonia com os rendimentos ofertados à tributação (na declaração de ajuste anual auditada do fiscalizado constam os valores de R$ 167.780,99, R$ 253,46 e R$ 2.549,59, como rendimentos tributáveis, isentos/nãotributáveis e sujeitos à tributação definitiva/exclusiva, respectivamente). Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 67DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 13886.000374/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006
PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI.
O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei nº 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Numero da decisão: 2302-001.298
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa que entendeu tratar-se de parcela não integrante do salário de contribuição.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei nº 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
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Recorrente GUARDA MUNICIPAL DE AMERICANA Recorrida DRJ BRASÍLIA DF ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 PROGRAMA ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAT PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO QUANDO PAGA EM DESACORDO COM A LEI. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa que entendeu tratarse de parcela não integrante do salário decontribuição. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausente momentaneamente o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000374/200733 Acórdão n.º 230201.298 S2C3T2 Fl. 117 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados e da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinadas aos Terceiros. Segundo a fiscalização houve o pagamento de alimentação em desacordo com a legislação do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador; conforme relatório fiscal às fls. 38 a 39. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pelo contribuinte, fls. 53 a 63. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento confirmou a procedência do lançamento, fls. 81 a 87. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 100 a 112. Em síntese o recorrente alega o seguinte: a) O relatório fiscal deixou de identificar os fatos geradores; b) Deve ser reconhecida a nulidade da presente NFLD; c) Houve ofensa ao princípio da legalidade; d) A adesão ao PAT gera efeitos por prazo indeterminado; e) A verba paga não possui natureza salarial; f) Não pode ser aplicada a taxa Selic; g) Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 115. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto ao argumento recursal de que a NFLD deve ser declarada nula; pois não haveria discriminação clara dos fatos geradores; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 38 a 39; a forma para se apurar o quantum devido, por competência encontrase às fls. 04 a 10. Os valores foram apurados nos livros contábeis, que são registros elaborados pela própria recorrente. No relatório de lançamentos, às fls. 15 a 18, estão discriminados todos os fatos geradores. Assim, não procede o argumento da recorrente de que não há clareza quanto aos fatos geradores. A questão controversa reside no ponto de as verbas pagas a título de alimentação in natura sem inscrição no PAT para o período não decadente integrarem ou não a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000374/200733 Acórdão n.º 230201.298 S2C3T2 Fl. 118 5 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000374/200733 Acórdão n.º 230201.298 S2C3T2 Fl. 119 7 de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Como se verifica, a única previsão expressa em lei para exclusão da verba alimentação paga in natura da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei n ° 8.212/1991. Para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. No presente caso, a recorrente não fez prova de estar inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Não sendo uma mera formalidade como alegado pela recorrente. A exigência de recadastramento foi retomada por meio da Portaria n.° 66, de 19/12/2003, do Ministério do Trabalho e Emprego — MTE, segundo a qual a empresa, sob pena de cancelamento automático do registro ou inscrição, deveria terse recadastrado no programa, no período entre 01 de março a 30 de maio de 2004, o que não restou comprovado nos presentes autos. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 As entidades públicas se sujeitam às normas do RGPS editadas pela União em relação aos servidores não amparados pelo Regime Próprio. A verba alimentação paga in natura possui natureza remuneratória. Ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento para o período não decadente. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13886.000374/200733 Acórdão n.º 230201.298 S2C3T2 Fl. 120 9 Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento nos termos em que foi lavrado. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10725.001033/2004-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
VALOR ESCRITURADO X VALOR DECLARADO/PAGO.
Constatadas divergências entre a escrituração e os valores declarados/pagos pelo contribuinte, é cabível o lançamento de ofício para a constituição do respectivo crédito tributário.
RECOLHIMENTOS A TÍTULO DE SIMPLES. APROVEITAMENTO DO
PERCENTUAL RELATIVO À CSLL.
Considerando que os recolhimentos a título de SIMPLES representam
unificação de diversos tributos devidos no período de apuração, ou, como o próprio nome indica, um mero Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições, deve ser aproveitada apenas a parcela relativa à CSLL.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
NORMAS VEICULADAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado ao órgãos de
julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26-A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2).
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE
No lançamento de ofício, há previsão legal (art.44, I, da Lei nº 9.430/96) para a aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento).
Numero da decisão: 1401-000.644
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte de abater, dos créditos tributários relacionados ao ano-calendário 2003, os valores atinentes apenas à CSLL
relacionada aos recolhimentos efetuados a título de Simples, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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Constatadas divergências entre a escrituração e os valores declarados/pagos pelo contribuinte, é cabível o lançamento de ofício para a constituição do respectivo crédito tributário. RECOLHIMENTOS A TÍTULO DE SIMPLES. APROVEITAMENTO DO PERCENTUAL RELATIVO À CSLL. Considerando que os recolhimentos a título de SIMPLES representam unificação de diversos tributos devidos no período de apuração, ou, como o próprio nome indica, um mero Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições, deve ser aproveitada apenas a parcela relativa à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 NORMAS VEICULADAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado ao órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 231 2 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE No lançamento de ofício, há previsão legal (art.44, I, da Lei nº 9.430/96) para a aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte de abater, dos créditos tributários relacionados ao anocalendário 2003, os valores atinentes apenas à CSLL relacionada aos recolhimentos efetuados a título de Simples, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de auto de infração de CSLL (fatos geradores 03/1999 a 12/2003), com incidência de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75% (fls.98/106), cientificado ao sujeito passivo em 19/11/2004 (fl.98). De acordo com Termo de Verificação Fiscal (fls.96/97), os valores declarados em DCTF divergiriam daqueles apurados pela fiscalização a partir das receitas escrituradas pelo contribuinte. In verbis: “Nosso trabalho voltado principalmente para comprovar a adequação dos valores apresentados nas DCTF indicou diversas diferenças entre nossos cálculos, realizados a partir das receitas escrituradas no Livro Razão (fls.45/73) e os valores declarados pelo contribuinte (fls.10/39). Planilhas com as divergências apuradas foram encaminhadas para possíveis justificativas do contribuinte através da Intimação Fiscal de 01/06/04 (fls.74/90). Em resposta de 17/06/04 (fls.91), complementada em 23/06/04 (fls.94) após nova intimação (fls.92/93), o contribuinte fez referências às contas de receita por nós utilizadas na apuração, apresentando os seguintes comentários adicionais: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 232 3 A receita relativa à prestação de serviços de R$13.126,24 por nós incluída em 06/99 foi lançada pelo mesmo em 05/99. Considerando a trimestralidade na apuração tal fato não altera os cálculos realizados com relação ao IRPJ e à CSLL; O valor lançado como Outras Receitas em 03/99 de R$10.653,00 representa recuperação de ICMS contido nas contas de luz e telefone. Considerando que tais contas correspondem a períodos tributados pelo Lucro Presumido os valores apurados por esta fiscalização foram mantidos. Informa que para o anocalendário de 2003 foram efetuados recolhimentos com base no Sistema Simplificado de Tributação SIMPLES cujo ingresso foi solicitado em 01/03 estando o processo administrativo em fase de recurso. Objetivando evitar possíveis penalidades o contribuinte entregou sua declaração para o período pelo Lucro Presumido com os valores zerados. Considerando que o contribuinte ingressou efetivamente no SIMPLES apenas em 01/04 (fl.40) as receitas apuradas foram tributadas pelo Lucro Presumido. Caso o contribuinte entenda que os recolhimentos feitos foram indevidos deverá solicitar a restituição das importâncias pagas ou mesmo sua compensação.” Em primeira instância, o lançamento foi considerado procedente pela DRJ – Rio de Janeiro I, tendo o acórdão nº 1214.222, de 25/05/07, recebido a seguinte ementa (fls.185/189): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NEGAÇÃO GERAL. O Decreto 70.235/1972 atribui ao sujeito passivo, no art 16, inciso III, o ônus de apontar justificadamente e comprovar as razões e fatos que oponha ao ato administrativo formalizado. A ausência de tais providências implicam a anuência tácita com os métodos e valores que embasaram a autuação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo vigente. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário. Alega, em síntese (fls.198/214): estaria desobrigado de arrolar bens para ter acesso à instância superior; à época da ocorrência dos fatos geradores estaria enquadrado no SIMPLES, motivo pelo qual a tributação haveria de ser realizada com base em tal regime; os valores já recolhidos a título de SIMPLES deveriam ter sido considerados pela fiscalização; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 233 4 inconstitucionais seriam a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC. Violariam o princípio da vedação ao confisco. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele se toma conhecimento. Quanto à necessidade de arrolamento, tal questão, além de não ser objeto da lide, restou prejudicada pelo conhecimento do recurso voluntário. No que concerne ao enquadramento no SIMPLES, a consulta realizada no sistema CNPJ indica que a opção foi manifestada apenas a partir de 01/01/2004 (fl.40). Como complemento à fundamentação de que tal fato não interfere na presente autuação, que se reporta a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1999 a 2003, vale à pena reproduzir as razões de decidir constantes da decisão a quo, aqui adotadas: “Além de argumentações de defesas genéricas, relativas a inconstitucionalidade, a interessada limitase a alegar que o crédito tributário referente ao ano de 2003 deveria ter sido calculado com base no Regime de Tributação Simplificado, já que sua inclusão a partir deste ano teria sido requerida mediante petição que é objeto do processo 10725000096/200345. Não obstante a alegação apresentada, constatase, conforme cópias juntadas aos autos às fls.183/184, que o pedido formulado no processo 10725000096/200345 foi indeferido através do Acórdão DRJ RJOI 4900 de 17/03/2004, não havendo sido interposto recurso ao Conselho de Contribuintes. Por outro lado, consta dos arquivos eletrônicos da Receita Federal, conforme registro de fls.40, que a interessada ingressou no Simples tão somente a partir de 01/01/2004. Não procede, portanto, a afirmação de que o lançamento tributário referente ao ano de 2003 deveria ter sido realizado mediante adoção do SIMPLES.” O sujeito passivo ainda sustenta que os recolhimentos de SIMPLES abaixo relacionados, relativos ao anocalendário 2003 (fls.171/176), deveriam ser aproveitados para reduzir as exigências formalizadas no auto de infração: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 234 5 PA Data de arrecadação Receita indicada no DARF (R$) Percentual Valor do principal (R$) Folha 31/01/2003 10/02/2003 43.970,00 5,40 2.374,38 171 28/02/2003 11/03/2003 50.839,36 5,40 2.745,32 171 31/03/2003 10/04/2003 52.817,22 5,40 2.852,12 172 30/04/2003 12/05/2003 35.505,77 5,40 1.917,31 172 31/05/2003 10/06/2003 40.679,40 5,40 2.196,68 173 30/06/2003 09/07/2003 37.021,71 5,80 2.147,25 173 31/08/2003 12/09/2003 29.594,61 5,80 1.716,48 174 30/09/2003 10/10/2003 32.138,32 6,20 1.992,57 174 31/10/2003 10/11/2003 29.911,87 6,20 1.854,53 175 30/11/2003 10/12/2003 33.439,26 6,20 2.073,23 175 31/12/2003 12/01/2004 29.707,00 6,20 1.841,83 176 Aqui, não se desconhecem decisões administrativas no sentido de impedir tal aproveitamento (v.g., acórdãos nº 10807.169, de 17/10/02; nº 10808.520, de 20/10/05; nº 10515.721, de 24/05/06). Entretanto, considerando que os recolhimentos a título de SIMPLES representam na realidade unificação do recolhimento de diversos tributos devidos no período de apuração, calculados a partir da receita do contribuinte, ou, como o próprio nome indica, um Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições, inexiste razão para em tese não serem aproveitados, como comumente ocorre em situações análogas, quando o pagamento não é integral e a autuação reportase tãosomente à diferença. Tal procedimento constituise em acerto de contas entre o valor devido e a parcela já recolhida. A propósito, dispunha a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, redação à época dos recolhimentos: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2°, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. §1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; ..... Art.5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 235 6 I para a microempresa, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); b) de R$60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); c) de R$90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento); d) de R$120.000,01 (cento e vinte mil reais e um centavo) a R$240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento);(Incluído pela Lei nº 11.307, de 2006) II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: a) até R$240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais): 5,4% (cinco inteiros e quatro décimos por cento); b) de R$240.000,01 (duzentos e quarenta mil reais e um centavo) a R$360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais): 5,8% (cinco inteiros e oito décimos por cento); c) de R$360.000,01 (trezentos e sessenta mil reais e um centavo) a R$480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais): 6,2% (seis inteiros e dois décimos por cento); ..... Art. 23. Os valores pagos pelas pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES corresponderão a: ..... II no caso de empresa de pequeno porte: a) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "a” do inciso II do art. 5º: 1 0,13% (treze centésimos por cento), relativo ao IRPJ; 2 0,13% (treze centésimos por cento), relativo ao PIS/PASEP; 3 1% (um por cento), relativo à CSLL; 4 2% (dois por cento), relativos à COFINS; 5 2,14% (dois inteiros e quatorze centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea "f” do § 1º do art. 3º. b) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "b" do inciso II do art. 5º: 1 0,26% (vinte e seis centésimos por cento), relativo ao IRPJ; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 236 7 2 0,26% (vinte e seis centésimos por cento), relativo ao PIS/PASEP; 3 1% (um por cento), relativo à CSLL; 4 2% (dois por cento), relativos à COFINS; 5 2,28% (dois inteiros e vinte e oito centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1º do art. 3º. c) em relação à faixa de receita bruta de que trata a alínea "c" do inciso II do art. 5º: 1 0,39% (trinta e nove centésimos por cento), relativo ao IRPJ; 2 0,39% (trinta e nove centésimos por cento), relativo ao PIS/PASEP; 3 1% (um por cento), relativo à CSLL; 4 2% (dois por cento), relativos à COFINS; 5 2,42% (dois inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), relativos às contribuições de que trata a alínea "f" do § 1º do art. 3º. (destaquei) Assim, considerando os percentuais aplicados pelo contribuinte, concluise à luz dos dispositivos legais supracitados que os recolhimentos foram efetuados sob a condição de empresa de pequeno porte e que, invariavelmente, a CSLL correspondeu a um por cento da receita bruta mensal. Em síntese: PA Data de arrecadação Receita indicada no DARF (R$) Parcela relativa à CSLL (R$) 31/01/2003 10/02/2003 43.970,00 439,70 28/02/2003 11/03/2003 50.839,36 508,39 31/03/2003 10/04/2003 52.817,22 528,17 30/04/2003 12/05/2003 35.505,77 355,05 31/05/2003 10/06/2003 40.679,40 406,79 30/06/2003 09/07/2003 37.021,71 370,21 31/08/2003 12/09/2003 29.594,61 295,94 30/09/2003 10/10/2003 32.138,32 321,38 31/10/2003 10/11/2003 29.911,87 299,11 30/11/2003 10/12/2003 33.439,26 334,39 31/12/2003 12/01/2004 29.707,00 297,07 Total 4.156,20 Podem ser mencionadas, à guisa de exemplo, as seguintes decisões que prestigiam a interpretação de se possibilitar o aproveitamento, no caso dos autos, parcial, dos recolhimentos a título de SIMPLES: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 237 8 “(...) RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Por se tratar o Simples de uma forma simplificada e unificado de pagamento de impostos e contribuições, que mantêm identidade com os tributos correspondentes, deve ser reconhecido o direito à contribuinte, em face da exclusão do Simples, de compensar, no presente lançamento, os valores já recolhidos sob aquela sistemática. (CARF, 1ªSJ, 1ª Turma Especial, Acórdão nº 1801 00.064, de 24/08/09, Rel. Marcos Vinicius Barros Ottoni) “(...) COMPENSAÇÃO DARF/SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10516.664, de 13/09/07, Rel. Waldir Veiga Rocha) “(...) SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES. EXCLUSÃO DO "SIMPLES” POR MEIO DE ATO DECLARATÓRIO. TRATAMENTO A SER DADO AOS PAGAMENTOS FEITOS NA MODALIDADE EXCLUÍDA — Cabível a compensação de valores pagos indevidamente na modalidade do SIMPLES, com valores mantidos nos lançamentos realizados (...)” (1ºCC, 7ª Câmara, Acórdão nº 10708.356, de 10/11/2005, Rel. Nilton Pêss) SIMPLES VALORES PAGOS — Na hipótese de lançamento de impostos e contribuições sob o regime de tributação aplicável às empresas em geral em razão da exclusão do Simples, devem ser consideradas as parcelas dos valores pagos sob a égide deste sistema simplificado, que apresentarem a mesma natureza jurídica dos créditos lançados. Tal providência, já adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau, não implica compensação, mas apenas reconhecimento de efetivo pagamento realizado antes do procedimento fiscal. Assim, as parcelas relativas a tributos diversos daqueles que compõem o objeto da autuação não dão azo a afastar o crédito lançado. (1ºCC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323.504, de 26/06/08, Rel. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes) As alegações de defesa relacionadas à inconstitucionalidade da multa de ofício e dos juros de mora, previstos em lei, não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, nos termos do que dispõe o Decreto nº 70.235/72, entendimento este já consolidado no CARF: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10725.001033/200497 Acórdão n.º 140100.644 S1C4T1 Fl. 238 9 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mencionese, ainda, o seguinte enunciado, de aplicação obrigatória: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ressaltese, ainda, que há a necessidade de os recolhimentos de SIMPLES, referentes ao anocalendário 2003, para fins de aproveitamento nos termos acima, serem confirmados nos sistemas de arrecadação da Receita Federal do Brasil, procedimento a ser realizado quando da execução do acórdão. Assim, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito do contribuinte de abater, dos créditos tributários relacionados ao anocalendário 2003, os valores atinentes apenas à CSLL relacionada aos recolhimentos efetuados a título de SIMPLES. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 35402.000102/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO STF.
Afasta-se a aplicação do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991 tendo em vista a sua inconstitucionalidade reconhecida na Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-001.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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Afastase a aplicação do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991 tendo em vista a sua inconstitucionalidade reconhecida na Súmula Vinculante n° 08 do Egrégio STF. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Unimed Jaboticabal Cooperativa de Trabalho Médico foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de fls. 01/67, objetivando a cobrança de contribuições sociais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período de 05/1996 a 09/1997. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20500.675, que se encontra às fls. 435/446 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/05/1996 a 30/1 1/1999. Ementa: DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, conforme previsto no art. 45 da Lei nº 8212, de 24/07/1991. O Fisco tem o direito e o dever de, antes de extinto o crédito tributário, lançar e cobrar as importâncias consideradas devidas, referentes a período já fiscalizado, decorrentes de fatos apurados posteriormente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia— SELIC para títulos federais. CONTRIBUIÇÃO PARA O 1NCRA. SAT É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência A lei n° 8212/91, em seu art. 22, II, "a" a "c", define a hipótese de incidência, a base de cálculo, a alíquota, o sujeito ativo e o sujeito passivo do SAT, satisfazendo o principio da reserva legal, previsto no art. 97 do CTN. COOPERATIVA DE TRABALHO. A empresa que contratar cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho tem que Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35402.000102/200761 Acórdão n.º 920201.566 CSRFT2 Fl. 2 3 arcar com as contribuições previdenciárias na forma do art. 22, inciso IV da Lei n° 8212. Recurso Voluntário Negado” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de decadência e, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 06/11/2008 (AR de fls. 450) a Recorrente interpôs recurso especial às fls. 453/456, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n°s CSRF/0303.723 e CSRF/0105.203, no tocante à necessidade de lei complementar para tratar de decadência, tendo as decisões apontadas como paradigma aplicado o prazo de decadência constantes do CTN no lugar da regra do artigo 45 da lei nº 8.212/1991. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 151/2009, de 02/04/2009 (fls. 462/464). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Recorrente em 12/05/2009, a Procuradoria da Fazenda Nacional deixou de apresentar contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Recorrente preenche os pressupostos de admissibilidade, tendo sido feita a devida comprovação da divergência como constatado no r. despacho de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A discussão sobre a aplicação para as contribuições previdenciárias do prazo de 5 anos (artigos 150, § 4º, ou 173, do CTN) ou de 10 anos (artigo 45 da lei nº 8.212/1991) é bastante conhecida deste E. Colegiado. Ocorre que, após muitas discussões sobre as regras de decadência aplicáveis às contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os REs nºs 5562.664, 559.882 e 560.626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita. "Súmula n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Por força do disposto no artigo 103A da Constituição Federal deve este Colegiado aplicar a citada súmula ao presente caso para afastar a aplicação do artigo 45 da lei nº 8.212/1991. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Passo, a seguir a examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 do CTN para verificação da ocorrência da decadência ou o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, o que em termos práticos postergaria o início do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existëncia de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35402.000102/200761 Acórdão n.º 920201.566 CSRFT2 Fl. 3 5 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No caso em exame, considerando que o fato gerador das contribuições objeto de autuação se deu em no período de 01/05/1996 a 30/11/1999 e a ciência da Recorrente se deu em 03/10/2006, é desnecessário o confronto entre o §4º do art. 150 do CTN e o art. 173, inciso I, do CTN, na medida em que por ambas as teses terão transcorridos mais de 5 anos entre o início da contagem do prazo decadencial e a data de ciência. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para reconhecer a decadência das contribuições previdenciárias objeto do lançamento. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10855.903421/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
DIREITO CREDITóRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas.
Numero da decisão: 1301-000.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903421/200852 Acórdão n.º 1301000.721 S1C3T1 Fl. 2 3 Por bem relatar os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido. “Trata o presente processo de compensações efetuadas nas declarações de compensação (DCOMPs): 34911.90702.281103.1.3.027860 e 06787.18410.171203.1.3.028727. 0 crédito pleiteado referese a saldo negativo de IRPJ, anocalendário de 2000, exercício de 2001. Conforme Despacho Decisório de fl. 03, o direito creditório não foi reconhecido, e as referidas declarações de compensação não foram homologadas com base no fundamento assim exposto: “não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito é de R$ 116.785,59. Valor do saldo negativo informado na DIPJ é de R$ 87.322,86" Cientificada em 04/11/2008 (fl. 06), o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 07/09, impugnando parcialmente o Despacho Decisório proferido pela autoridade a quo, alegando, em síntese, o seguinte: que cometeu equivoco na elaboração dos PER/DCOMP, já que foi requerido em duplicidade o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001. que, reconhecendo o engano cometido, procedeu, em 28/11/2008, o recolhimento dos valores compensados indevidamente na PER/DCOMP n° 34911.90702.281103.1.3.027860, transmitida em 28/11/2003. que, posteriormente, requereu novamente o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001 na PER/DCOMP n° 06787.18410.171203.1.3.028727, transmitida em 17 de dezembro de 2003. que, considerando que existe o crédito referente ao saldo negativo de IRPJ referente ao exercício de 2001, declarado na DIPJ, no valor de R$ 87.322,86, entende que procedeu corretamente as compensações dos impostos declarados no PER/DCOMP n° 06787.18410.171203.1.3.028727. A autoridade julgadora de primeira instancia decidiu a matéria por meio do acórdão DRJ/RJI 1233.771, de 20/10/2010 (fls.113), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÕES. NÃO HOMOLOGADAS. PARTE NÃO IMPUGNADA. DÉBITOS COMPENSADOS. PAGAMENTO. NÃO HÁ LITÍGIO. 0 Despacho Decisório proferido pela autoridade a quo não reconheceu o direito credit6rio pleiteado e não homologou as compensações efetuadas. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 0 interessado não impugna parte dos débitos compensados e efetua o pagamento. As matérias não impugnadas pelo interessado não integram o litígio, não tendo sido instaurado o contraditório em relação a elas. DIREITO CREDITóRIO. REQUERIMENTO EM DUPLICIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Uma vez que o interessado requereu o crédito em duplicidade, é na 1a. Dcomp que deve ser comprovada a sua liquidez e certeza, sendo o crédito pleiteado na 2a Dcomp indevido, em razão de preclusão consumativa. DIREITO CREDITóRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto A Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não devem ser homologadas as compensações efetuadas. É o relatório. Passo ao voto. Voto Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903421/200852 Acórdão n.º 1301000.721 S1C3T1 Fl. 3 5 Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto no relatório duas foram as razões que nortearam a decisão do julgamento em primeira instância: (I) após Despacho Decisório houve a tentativa de cancelamento da Dcomp com demonstrativo de crédito no valor de R$ 116.785,59 enquanto na DIPJ o valor do saldo negativo informado é de R$ 87.322,86, (II) não há prova, nos autos, da liquidez e certeza do crédito pleiteado. No recurso apresentado a interessada renova as argumentações trazidas anteriormente, aduzindo que: “0 v. acórdão é muito claro ao demonstrar o erro da RECORRENTE, bem como ao indicar o que esta deveria ter feito, no entanto não esclarece o que deve ser feito para sanar o problema, tendo em vista que reconhece o pagamento realizado visando quitar o debito da primeira DCOMP, mas também considera que a DCOMP é existente, valida e eficaz e assim entendese que comprovada a existência do crédito, a compensação tornarseá valida e, portanto chegase a conclusão de que o débito foi pago em duplicidade caso os valores pagos não sejam aceitos para então quitar débitos da segunda DCOMP. É compreensível a afirmação de que resta vedado o cancelamento de declaração de compensação, após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade competente, no entanto o pagamento realizado pela RECORRENTE não pode ser simplesmente ignorado sob pena de enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Nacional. De maneira que, tendo sido a primeira DCOMP considerada válida e eficaz e comprovada e demonstrada a existência do crédito possível de ser utilizado para compensar tributos oriundos das receitas sobre as quais incidiram retenções de IRRFs oferecidas à tributação, bem como considerando que pagamento foi realizado para quitar os mesmos tributos ou a primeira DCOMP devera surtir efeito e quitar o débito em questão, ou os valores pagos deverão ser considerados para tal pagamento e o crédito pleiteado para compensação deverá ser novamente aproveitável, sendo que a segunda DCOMP poderá ser homologada e também surtir o devido efeito, certo é que o que não se pode aceitar é que nem o crédito ora comprovado e nem o pagamento realizado sirvam para quitar débitos tributários da RECORRENTE. Requer, ao final, sejam apreciados os documentos ora juntados.” No caso vertente, a contribuinte alega a ocorrência de erro quando do preenchimento da DCOMP original, transmitida em 28/11/2003, bem como na DIPJ do ano calendário de 2000. Esse erro, afirma, somente foi constatado quando da ciência da não homologação da DCOMP, em 04/11/2008. Uma segunda Dcomp foi transmitida (em duplicidade) em 17/12/2003. Após a ciência da decisão que negou homologação à compensação (04/11/2008), efetuou o recolhimento dos débitos declarados na primeira Dcomp, pretendendo, desta maneira, seu cancelamento. No entanto, tal procedimento deixa de ser admissível, pois após a decisão denegatória da compensação equivaleria a alterar um lançamento após decisão de primeira instância para afastar os motivos que conduziram a sua desconstituição, vale dizer, a alterar o critério jurídico do lançamento, procedimento pacificamente vedado desde a súmula Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 n° 227 do extinto TRF. Mesmo admitindo tratarse de erro substancial, sua retificação significaria algo como alterar o "critério jurídico da compensação", ou seja, alterar sua própria essência. Desta maneira, tornase irrelevante se o contribuinte possuía ou não créditos ainda não utilizados apurados no anocalendário 2000. É que a forma de utilização desses créditos, se existentes, deve obedecer aos procedimentos legais, ou seja, apresentação de PER/DCOMP tempestivamente e dentro das hipóteses legalmente admitidas, e não, como aqui se pretendeu, após a decisão denegatória da compensação originalmente declarada, pagar os débitos e, pretender compensação com outra Dcomp apresentada em duplicidade. Ao meu ver, andou bem a autoridade de primeira instancia, assentando em seu voto a seguinte argumentação: “Impende ressaltar que, o fato de o interessado efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados na DCOMP n°34911.90702.281103.1.3.027860, não tem o condão de tornar esta DCOMP sem efeito. Os débitos pagos pelo interessado não fazem parte da lide. Porém, a referida DCOMP existe, é valida e é eficaz. Para tornála sem efeito, o interessado deveria têla cancelado, mas não o fez. Descabe, como já mencionado acima, cancelar esta DCOMP, após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade a quo competente.” Além do que a Decisão de primeira instância está muito bem detalhada e fundamentada tendo deixado muito claro o porquê da negativa do crédito objeto do recurso voluntário, tanto que nesse a própria Recorrente reconhece que cometeu erro, só que pede seja o mesmo relevado para a consideração do crédito, o que não é possível. A compensação, por ser forma de extinção do crédito tributário, consoante art. 156, inciso II, do CTN, exige a certeza e liquidez dos créditos a compensar, bem como prova efetiva de sua realização, o que só reforça o ônus da contribuinte de provar os fatos extintivos do direito do Fisco. Por derradeiro, importante ressaltar que, a declaração não é a única forma de comprovar a retenção e as fontes que retiveram o imposto, outros documentos probatórios poderiam ser juntados pela Recorrente, a qual também deveria ter promovido a retificação da declaração se errou; mas o processo administrativo de compensação/restituição não é a via correta para a retificação de declaração, neste processo se analisa o que foi lançado nas declarações e a documentação que dá suporte ao lançado. Procedendo a análise da documentação apresentada pela Recorrente chego a conclusão que a mesma não foi suficiente para acolher a pretensão do crédito como pretendido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903421/200852 Acórdão n.º 1301000.721 S1C3T1 Fl. 4 7 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 10/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000015/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL PARA ARBITRAMENTO DE TRIBUTO. DESCRIÇÃO CLARA E SUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A falta de indicação do dispositivo legal para arbitramento de tributo não resulta, por si só, a nulidade do lançamento quando a descrição dos fatos é detalhadamente suficiente para assegurar o exercício do direito de defesa.
Recurso especial provido
Numero da decisão: 9202-001.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a nulidade declarada no acórdão vergastado e determinar o retorno dos à Câmara recorrida para examinar as demais matérias trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Junior
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005 FALTA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL PARA ARBITRAMENTO DE TRIBUTO. DESCRIÇÃO CLARA E SUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A falta de indicação do dispositivo legal para arbitramento de tributo não resulta, por si só, a nulidade do lançamento quando a descrição dos fatos é detalhadamente suficiente para assegurar o exercício do direito de defesa. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar a nulidade declarada no acórdão vergastado e determinar o retorno dos à Câmara recorrida para examinar as demais matérias trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fulcro no art. 7º, incisos I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. Na decisão recorrida, Acórdão nº 20501.415, de 02/12/2008, consta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2000 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSIDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 14485.000015/200761 Acórdão n.º 920201.568 CSRFT2 Fl. 2.504 3 AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamento legal é vicio formal insanável que toma nulo o lançamento. Processo anulado A notificação referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte para os segurados empregados no período de 01/2000 a 12/2005. O órgão fazendário recorre sob o fundamento de que houve, na decisão não unânime, violação à legislação tributária, especificamente, os artigos 10, 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, uma vez ter sido declarada a nulidade do auto de infração sem a comprovação do prejuízo, ao argumento de vício formal insanável. Assevera a Fazenda Nacional, em síntese, que: a) o aresto merece reforma, visto que a legislação tributária de regência da matéria foi violada, precisamente, os arts. 11, 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72; b) com base no previsto nos arts. 59 e 60 da Lei n° 70.235/72, uma notificação e demais termos de um processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente, ou quando resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; c) sobre a matéria, a jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais firmou orientação no sentido de que "não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo" (Recurso: 203112.290, segunda turma, sessão de 25 de abril de 2006,. Acórdão CSRF/0202.301); d) o voto vencedor foi impreciso, pois não evidenciou o fundamento legal da anulação; e) como previsto no art. 59 do Decreto 70.235/72, há apenas dois casos de nulidade: despachos lavrados por pessoa incompetente e decisões proferidas por autoridades incompetentes. Irregularidades diferentes dessas podem, portanto, ser sanadas caso importem em prejuízo para o sujeito passivo, não importando em nulidade do lançamento; f) a ausência de fundamento legal é circunstância que pode plenamente ser regularizada por relatório complementar, do qual será cientificado o sujeito passivo, não havendo que se falar em qualquer prejuízo ao amplo direito de defesa; g) ademais, a jurisprudência da Câmara Superior, conforme citação às fls. 2.421/2422, possui entendimento que se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante defesa, abrangendo ambas preliminares e razões de mérito, o que mostra incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa. Confirmase que devem prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Regularmente intimado do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o contribuinte não apresentou contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Junior , Relator Inicialmente, registro que, embora o recurso interposto não esteja previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, atualmente vigente, por se tratar de acórdão exarado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, conforme previsão do artigo 40 do atual RICARF, foi processado de acordo com rito previsto no Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007. Uma vez atendidos os pressupostos para admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. A questão controvertida posta à apreciação diz respeito à declaração de nulidade do lançamento em decorrência da ausência da expressa fundamentação legal do arbitramento procedido. No tocante à matéria nulidade, há de ser observada a consistente e consolidada jurisprudência deste Conselho de que não há prejuízo à defesa quando os fatos narrados e documentados nos autos amoldamse às disposições legais, bem como presentes no conjunto de relatórios fornecidos ao contribuinte. Dessa forma, ao declarar a nulidade, deverá a autoridade julgadora descrever os motivos que caracterizaram o prejuízo à defesa. Nesse sentido, devemos observar que as normas atinentes ao Processo Administrativo Fiscal devem ser analisadas e interpretadas em seu conjunto, isto é, sistematicamente. Especificamente, os requisitos estabelecidos pelos artigo 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, e que tratam da elaboração do auto de infração e da notificação, em matéria de nulidades, devem ser interpretados à luz do que dispõe o artigo 59 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 14485.000015/200761 Acórdão n.º 920201.568 CSRFT2 Fl. 2.505 5 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Tenho que a nulidade nas hipóteses dos incisos I e II (primeira parte) do artigo 59 é verificada no auto de infração na parte em que não se cumpriu o artigo 10 inciso VI, e a hipótese no inciso II (parte final), prejuízo à defesa, é verificada nos demais elementos exigidos nos incisos do artigo 10 (I ao V). Daí, no caso sob exame, concluo que a ausência da disposição legal infringida pode conduzir à nulidade do processo quando demonstrado o prejuízo à defesa e só nessa hipótese. Como o relatório fiscal foi muito mais detalhado do que o conteúdo do artigo 33, §3° da Lei n° 8.212/91, não se cogita de preterição do direito de defesa. Em verdade, a falta de indicação de dispositivo legal por si só não prejudicou a defesa. Por exemplo, no relatório fiscal à fl. 50/51, a autoridade lançadora informa qual é o fato gerador da notificação. No caso, o que determinou a lavratura da notificação foi o fato de a empresa ter pago em dinheiro o vale transporte devido a seus empregados, contrariando a legislação, especificamente a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, que estabelece a não incidência do vale transporte nos casos em que esta parcela for paga de acordo com a legislação regente. Por sua vez, o art. 5º do Decreto nº 95.247, de 17/11/1987, que regulamentou a Lei nº 7.419, de 1985, que instituiu o vale transporte, veda, taxativamente, que o empregador pague o vale transporte em espécie. Tais informações constam do relatório fiscal e em nenhum momento o contribuinte deixou de tomar conhecimento acerca do fato jurídico que se lhe estava sendo imputado. Mais adiante, à fl. 52/53, a autoridade fiscal informa quais alíquotas foram aplicadas ao lançamento e quais as fontes de onde foram extraídos os valores para fins de cálculo da contribuição. Especificamente, em relação à parte que deveria ter sido descontada dos segurados empregados, motivo justificador da nulidade declarada pelo órgão a quo, verificase que foi informada a necessidade de aplicação da alíquota de 8% a título de aferição, tendo em vista a impossibilidade de individualização dos valores creditados a cada segurado empregado no período. Feitas essas considerações, concluise que não foi omitida qualquer informação em relação ao procedimento fiscal, inexistindo, portanto, qualquer razão para afirmarse que houve cerceamento de defesa em relação ao lançamento. Acrescento que em nenhum momento o contribuinte deixou de compreender o que lhe estava sendo imputado a título de fato gerador da obrigação considerada descumprida, pelo contrário, em seu entendimento efetuou o pagamento, pois entendeu que a rubrica tem natureza indenizatória, daí não se constituir em fato gerador, transcrevo trecho da argumentação do contribuinte, fls. 2334 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 A Recorrente é empresa privada que se dedica à prestação de serviços de mão de obra de auxiliares administrativos, auxiliares de portaria, limpeza, mão de obra em geral, conforme os documentos societários juntados em anexo. No último dia 30 de junho foi lavrada contra a Recorrente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em epígrafe, constituindo o crédito tributário relativo à contribuição previdenciária devida pela empresa, à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (SAT) e às contribuições devidas ao Salário Educação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA, dos períodos de janeiro de 2000 a dezembro de 2005, que supostamente deveriam incidir sobre os valores de vale transporte pagos aos seus empregados em dinheiro. De fato, durante este período a Recorrente pagou o vale transporte aos seus empregados em dinheiro, conforme determinavam os acordos coletivos firmados entre o Sindicato dos Trabalhadores e o Sindicato Patronal, o SINDICOM Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação no Estado de São Paulo. E no entendimento exclusivo da Fiscalização, o pagamento destes valores em dinheiro, faz com que estes assumam natureza remuneratória e sejam incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Todavia, em que pese os argumentos despendidos, fato é que a legislação pertinente não veda a possibilidade do pagamento do vale transporte em dinheiro, e a forma na qual ele é concedido, não altera a sua natureza INDÉNIZATÓRIA, razões pelas quais insubsistente é a presente notificação fiscal, como se verá a seguir.” Dessa forma, constato que na decisão recorrida, conforme argüido pela Fazenda Nacional, houve contrariedade à lei no tocante à declaração de nulidade promovida pelo órgão julgador, na medida em que o lançamento em momento algum omitiu informação relacionada ao modo como foi calculada a contribuição previdenciária que deveria ter sido descontada dos segurados empregados, bem como deixou de informar quais eram os fatos geradores que justificavam a notificação, a saber, o pagamento em espécie do vale transporte devido aos empregados. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO da FAZENDA NACIONAL, tendo em vista a não ocorrência do prejuízo à defesa, devendo os autos retornarem à Câmara a quo para análise do mérito. Francisco Assis de Oliveira Junior (Assinado digitalmente) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 14485.000015/200761 Acórdão n.º 920201.568 CSRFT2 Fl. 2.506 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Assinado digitalmente em 17/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 19/05/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 10530.002091/2007-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 13/06/2007
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA.
RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Numero da decisão: 2302-001.243
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a retroatividade benigna da Medida Provisória nº 449 de 2008, excluindo a responsabilidade do dirigente de órgão público.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/06/2007 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI Nº 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
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Recorrente JOSE RAMIRO FERREIRA FILHO Recorrida DRJ SALVADOR BA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/06/2007 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a retroatividade benigna da Medida Provisória n º 449 de 2008, excluindo a responsabilidade do dirigente de órgão público. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.002091/200768 Acórdão n.º 230201.243 S2C3T2 Fl. 161 3 Relatório Referese o presente a auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude de na condição de dirigente de órgão público, não ter entregue as GFIP referentes às competências dezembro de 2002 a fevereiro de 2004, fls. 08 a 14. O autuado apresentou defesa administrativa na forma das fls. 43 a 57. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador proferiu a decisão de fls. 98 a 106, confirmando a autuação. O recorrente não concordando com a decisão emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 115 a 129. Não foram apresentadas contrarazões. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 97; pressuposto superado passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b” do CTN. A Medida Provisória n º 449, ao revogar o art. 41 da Lei n º 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o prefeito municipal na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo em função justamente da MP n º 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10530.002091/200768 Acórdão n.º 230201.243 S2C3T2 Fl. 162 5 Além do mais, a MP n º 449 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o Chefe do Executivo por meio de Medida Provisória, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juízo de valor. Confirmando o entendimento acima, houve a publicação do art. 12 da Lei n ° 12.024 de 2009 que anistiou os dirigentes públicos quanto às penalidades com base no art. 41 da Lei n ° 8.212, nestas palavras: Art. 12. São anistiados os agentes públicos e os dirigentes de órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a quem foram impostas penalidades pecuniárias pessoais, até a data de publicação desta Lei, com base no art. 41 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso do notificado para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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