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Numero do processo: 10880.900706/2006-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DECADÊNCIA. PRAZO DA LEI COMPLEMENTAR N° 118 —
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4 0, segunda parte, da LC 118/05, pelo Supremo Tribunal Federal, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de julho de 2005. Aplicação do artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo. Tempestiva a compensação em 08/09/2003 de crédito apurado em junho de 1998.
Numero da decisão: 1102-000.628
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara da Segunda Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para determinar o retorno dos autos a unidade de origem para análise do mérito, nos termos do relatório e voto que integram os presente julgado.
Nome do relator: João Carlos de Lima Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL DECADÊNCIA. PRAZO DA LEI COMPLEMENTAR N° 118 — Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4 0, segunda parte, da LC 118/05, pelo Supremo Tribunal Federal, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de julho de 2005. Aplicação do artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo. Tempestiva a compensação em 08/09/2003 de crédito apurado em junho de 1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário. ACORDAM os Membros da Primeira Camara da Segunda Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais,. por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para determinar o retorno dos autos a unidade de origem para análise do mérito, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. IVETE 1-AS -PESSOA MP TEIRO - Presidente JOÃO CARLOS DE I M IOR -Relator Processo n° 10880.900706/2006-62 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.628 Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Leonardo de Andrade Couto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, João Carlos de Lima Júnior, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Relatório Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada em 27 de agosto de 2008, contra Despacho Decisório que N AO HOMOLOGOU a compensação declarada pela Recorrente em 08 de setembro de 2003, objetivando a quitação de débitos relativos 5. IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte dos períodos de julho, agosto e dezembro de 2003 e débito de CSLL do mês de outubro de 2004, com créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ, tendo em vista a extinção do crédito informado para compensação do débito no PER/DCOMP, em razão da decadência, conforme trecho a seguir transcrito: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que na data de transmissão do PER/DCOMP con, demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 30/06/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 08/09/2003 Nesse sentido a Recorrente aduziu que o prazo para compensação só tem inicio após o decurso do prazo para homologação, e, portanto a compensação ora pleiteada é totalmente válida, conforme se extrai da sua manifestação a seguir transcrito: No presente caso, as retenções de Imposto de Renda se deram, no ano de 1997, sendo que, transcorridos 5 (cinco) anos, não foi a ora Requerente notificada de qualquer ato administrativo tendente a questionar os procedimentos por ela adotados, o que enseja, como visto na homologação tácita em 31/12/2002. Assim, aplicando-se as disposições acima expostas (artigos 150, §4 e 156, VII do Código Tributário Nacional), resta determinado que eventuais créditos tributários do ano-calendário de 1997 restaram homologados em 01/01/2003. Afora isso, a retenção na fonte sofrida pela empresa resultou na formação de saldo credor de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, gerando a possibilidade de compensá-lo com outros tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal. Todavia, tal crédito só póde ser passível de restituição e utilização para compensação quando de sua definitiva extinção, a qual se deu, como visto, pela homologação tácita dos procedimentos adotados pela Requerente em 01/01/2003. A partir dessas datas iniciou-se a possibilidade de restituir/compensar os valores a ela cabíveis. Processo n° 10880.900706/2006-62 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.628 Fl. 3 A Recorrente alegou que até a modificação do CTN pela LC 118/05 vigia o prazo de 5 anos para homologação acrescido de mais 5 anos para a restituição e/ou compensação do crédito tributário pelo contribuinte e que a nova interpretação s6 seria aplicável para os fatos geradores ocorridos após a entrada em vigor da referida LC 118/05. Assim, no presente caso a homologação do crédito ocorreu 31/12/2002 (após transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador), e que o Pedido de Compensação foi apresentado em 08/09/2003, sendo, portanto, pertinente e tempestivo o pedido de compensação da Recorrente. Em 21 de outubro de 2009 a DRJ em são Paulo indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, alegando em síntese que: 0 artigo 4° da LC 118/2005 previu expressamente a aplicação do artigo 3° para os fatos geradores pretéritos, devendo a autoridade administrativa aplicar a determinação legal vigente. Ademais as decisões proferidas em sede de Recurso Especial pelo E. Superior Tribunal de Justiça s6 se aplicam entre as partes. Todavia, ainda se assim não fosse a DRJ demonstrou que em 1998 a Recorrente optou pela apuração do IRPJ na sistemática trimestral. Assim o prazo para a Recorrente apresentar o PER/DCOMP utilizando-se do saldo negativo do IRPJ apurado em 30 de junho de 1998, iniciou-se em 1° de julho de 1998, encerrando-se em 30 de junho de 2003, razão pela qual o direito à restituição/compensação desse período estava decaído na data em que foi transmitido o PER/DCOMP, qual seja, em 8 de setembro de 2003. Ressaltou ainda que a determinação contida no inciso II do parágrafo 1° do art. 6°, da Lei n° 9.430/96, além de se referir a saldo do imposto apurado em 31 de dezembro, ou seja, pelos optantes pela apuração anual do lucro real, que não é o caso da Recorrente, definiu a data a partir de qual, se apurado, o saldo negativo poderia ser compensado, ou seja, somente a partir do mês de abril do ano subseqüente. Inconformada a Recorrente apresentou em 17/12/2009 seu Recurso Voluntário A. este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, repisando os argumentos aduzidos em sua manifestação de inconformidade, principalmente no que tange a contagem do prazo para homologação e restituição na sistemática do IRPJ pelo Lucro Real Anual. o Relatório. 3 Processo n° 10880.900706/2006-62 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.628 Fl. 4 Voto Conselheiro Joao Carlos de Lima Junior, Relator Versam os presentes autos sobre a discussão em rein -do ao prazo para homologação tácita dos tributos sujeitos a lançamento por homologação e o prazo para o contribuinte requerer a restituição e/ou compensação desse tributo homologado. No presente caso a Recorrente alegou que apresentou o PER/DCOMP tempestivamente em 08/09/2003, uma vez que o prazo para repetição ou compensação do indébito era de 10 anos, contados do seu fato gerador, conforme a aplicação combinada dos arts. 150, § 4 0, 156, VII, e 168,1, do CTN. Nesse sentido a Recorrente aduziu que a homologação tácita do crédito tributário referente ao IRPJ apurado em 30 de junho de 1998 ocorreu 31/12/2002, ou seja, após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, e que só após esse prazo, em 08/09/2003 a Recorrente requereu a compensação do crédito de IRPJ homologado para a quitação de débitos relativos à IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte dos períodos de julho, agosto e dezembro de 2003 e débito de CSLL do mês de outubro de 2004, portanto, dentro do prazo de 10 anos contados da ocorrência do fato-gerador, conforme a aplicação combinada dos arts. 150, § 4 0, 156, VII, e 168, I, do CTN. Essa era inclusive a posição pacificada na jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça. Todavia em 2005 foi promulgada a LC n° 118 que alterou o prazo para repetição de indébito de 10 anos a contar da ocorrência do fato gerador, para 5 anos a contar da data do pagamento indevido ou a maior, devendo ser aplicado inclusive aos casos pretéritos, nos termos do artigo 4° da referida lei. Ocorre que em 04/08/2011 o E. Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional o artigo 4° da LC 118/05, nos autos do Recurso Extraordinário n° 566621, julgado nos termos do § 3° do artigo 543-B, ou seja, com repercussão geral reconhecida, conforme ementa a seguir transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO — LEI INTERPRETATIVA — APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 — DESCABIMENTO — VIOLAÇÃO SEGURANÇA JURÍDICA — NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS — APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, sS' 4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenh /se auto- proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido j prazo de 4 Processo n° 10880.900706/2006-62 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.628 Fl. 5 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, eni verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação a autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto a sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso a Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. 0 prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tornassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 40, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3 0, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Mitt. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10-10-2011 PUBLIC 11-10-2011 EMENT VOL- 02605-02 PP-00273) Importante se faz esclarecer ainda que o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno deste E. Conselho Administrativo Fiscal- CARF, conforme publicado na Portaria n° 256 de 22 de junho de 2009, determinou que as decisões de mérito proferidas pelo E. Supremo Tribunal Federal nos termos do artigo 543-B do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas por este E. Conselho Administrativo Fiscal. Assim, tendo em vista o crédito utilizado, qual seja, IRPJ apurado em 30 de junho de 1998, foi compensado pela apresentação do PER/DCOMP em 08/09/2003, ou seja, antes da alteração do CTN pela LC n° 118/05, forçoso se faz concluirmos que assiste razão à Recorrente, visto que o pedido de compensação foi apresentado dentro do prazo legal de 10 anos a contar da ocorrência do fato gerador, em conformidade com o entendimento que restou pacificado pelo E. Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 566621 em 04/08/2011, de que a alteração introduzida pela LC n° 118/05 só se aplica aos fatos ocorridos após 09 de junho de 2005. 5 Processo n° 10880.900706/2006-62 81-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.628 Fl. 6 Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente, determinando o retorno dos autos a DRF competente para que essa analise o mérito do pedido de compensação pleiteada. Brasilia (DF), 24 de novembro d Z. 1 -----, JOÃO CARLOS D LI JUNIOR t como voto. 6
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Numero do processo: 10855.903053/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2004
DCOMP. ALTERAÇÃO DO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO.
É inadmissível a alteração de DCOMP para modificar o exercício de
apuração do saldo negativo de CSLL informado, quando a alegação de erro material no preenchimento da DCOMP surge posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada.
Numero da decisão: 1301-000.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004 DCOMP. ALTERAÇÃO DO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É inadmissível a alteração de DCOMP para modificar o exercício de apuração do saldo negativo de CSLL informado, quando a alegação de erro material no preenchimento da DCOMP surge posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 168 1 167 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.903053/200842 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.723 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2011 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente ATH PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004 DCOMP. ALTERAÇÃO DO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO DO SALDO NEGATIVO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É inadmissível a alteração de DCOMP para modificar o exercício de apuração do saldo negativo de CSLL informado, quando a alegação de erro material no preenchimento da DCOMP surge posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903053/200842 Acórdão n.º 130100.723 S1C3T1 Fl. 169 2 Relatório ATH PARTICIPAÇÕES LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1233.125, de 09/09/2010, da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro I / RJ, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: 1. No dia 14.03.2005, a interessada transmitiu para a Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP 42030.48704.140305.1.3.030039 (fls. 1/3) e, no dia quatorze seguinte, transmitiu o 26240.93644.140405.1.3.033564 (apenas citado no despacho decisório). No primeiro, informou possuir crédito original de R$ 169.137,63 na data da transmissão, oriundo do saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) do exercício de 2004, do qual foram consumidos R$ 98.398,97 na compensação de débitos fiscais próprios; no segundo, informou o restante do crédito original (R$ 70.736,66), com o qual compensou outros dos seus débitos fiscais. 2. As compensações declaradas não foram homologadas porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela DRF/SOROCABA/SP (fls. 4), constatouse que, na respectiva DIPJ, ao invés do saldo negativo informado, havia saldo positivo de contribuição social. 3. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos: § 1º do art. 6º, artigos 28 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e art. 5º da Instrução Normativa nº 600, de 2005. 4. Cientificada do despacho decisório em 20.08.2008 (fls. 7), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade com ele no dia cinco do mês seguinte (fls. 8 e 9). Alegou, em síntese: 4.1. que ambos os PER/DCOMP continham erro material, pois o crédito a que faz jus é referente ao anocalendário de 2004, conforme consta na sua respectiva DIPJ (fls. 36), e não ao exercício de 2004 (anocalendário de 2003), como foi informado; e 4.2. que, por isso, procedeu à retificação dos PER/DCOMP transmitidos (fls. 116/132), fundamentada nos artigos 57 e 58 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. A 6ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I / RJ analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1233.125, de 09/09/2010 (fls. 145/148), consideroua improcedente com a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DO PEDIDO. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903053/200842 Acórdão n.º 130100.723 S1C3T1 Fl. 170 3 Não é legítimo alterar o período de origem do crédito pretendido, com a apresentação da manifestação de inconformidade. Ciente da decisão de primeira instância em 20/10/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 153, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 10/11/2010 conforme carimbo de recepção à folha 154. No recurso interposto (fls. 154/157), a interessada reafirma que teria havido erro material no preenchimento dos PER/DCOMP, nos quais teria feito constar tratarse de crédito decorrente de saldo negativo da CSLL no exercício 2004 (anocalendário 2003), quando o correto seria informar exercício 2005 (anocalendário 2004). Sustenta que “o direito à retificação de erro material de preenchimento de documento fiscal pode e deve ser aceito a qualquer tempo, dentro do período não prescrito, sob pena de ocasionar prejuízo inconcebível ao contribuinte e enriquecimento sem causa do Fisco”. A recorrente se reporta aos argumentos do voto vencido na decisão recorrida, e aduz que o voto vencedor se ateve a aspectos meramente formais, que teriam impedido a análise do mérito do caso. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e o reconhecimento da correção das compensações tributárias em análise. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. O ponto principal da lide é a possibilidade, ou não, do contribuinte retificar a DCOMP após a não homologação da compensação declarada. No caso vertente, o contribuinte alega a ocorrência de erro de fato quando do preenchimento da DCOMP, na qual constou que a origem do crédito seria o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2003, em vez de 2004, como seria supostamente o correto. Devese ressaltar, inicialmente, que a compensação em matéria tributária regese por disposições específicas, a saber, o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903053/200842 Acórdão n.º 130100.723 S1C3T1 Fl. 171 4 montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em cumprimento da faculdade outorgada pelo supracitado art. 170 do CTN, foi promulgada a Lei nº 9.430/1996, cujo artigo 74 tinha, originalmente, a redação abaixo: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (DOU de 31/12/2002), alterou essa redação, que passou a ser a seguinte: Artigo 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Observese, no parágrafo 5º, a autorização expressa, já prevista no CTN, para que a então Secretaria da Receita Federal disciplinasse as disposições acerca da compensação tributária e do instrumento declaratório recém criado. Pouco tempo depois, a Declaração de Compensação daria lugar ao instrumento eletrônico intitulado PER/DCOMP. Alterações legislativas supervenientes modificaram a numeração dos parágrafos, sempre mantendo a autorização dada ao órgão administrativo para disciplinar a matéria (atualmente, parágrafo 14). Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903053/200842 Acórdão n.º 130100.723 S1C3T1 Fl. 172 5 As condições e garantias para a compensação tributária podem ser estipuladas diretamente por lei, ou, por delegação, pela autoridade administrativa. De se observar que as instruções normativas que tratam da DCOMP somente admitem sua retificação enquanto ainda pendentes de decisão administrativa1, o que não foi o caso. Ainda sobre a retificação de declarações, considero pertinente a análise do art. 147 do CTN, abaixo transcrito. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Considero que o artigo acima transcrito não é diretamente aplicável ao caso sob análise, visto que a DCOMP não se presta ao lançamento de tributo. Ao contrário, prestase à extinção de crédito tributário pela via da compensação. No entanto, seu parágrafo primeiro traz disposições sobre a retificação de declarações que bem podem orientar a decisão a ser tomada. Senão vejamos. Na hipótese de redução ou exclusão de tributos, o texto legal impõe restrições à retificação da declaração com base na qual a autoridade administrativa haverá de efetuar o lançamento. Isso tendo em vista a proteção ao crédito tributário, interesse indisponível, como cediço. Por considerar que a compensação, modalidade de extinção do crédito tributário, deve ser tratada com o mesmo cuidado que a redução e a exclusão de tributos, entendo correta a aplicação das mesmas restrições à retificação da DCOMP. A propósito, assim leciona Leandro Paulsen2: Aplicação por analogia aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse a lançamento por homologação vinculados a obrigações acessórias de prestar declarações ao Fisco e que não há dispositivo no CTN cuidando especificamente da retificação de tais declarações, o § 1º do art. 147 tem sido bastante invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar suas declarações livremente, com eficácia imediata, e, a contrario sensu, a partir de quando o contribuinte não pode exigir do Fisco que, independentemente de apreciação dos erros e equívocos da declaração originariamente prestada, considere as retificações. [...]. 1 Artigos 56 e 57, respectivamente, das Instruções Normativas nº 460/2004 e nº 600/2005. 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 9ª Ed. Revista e atualizada. Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2007, pág. 955. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903053/200842 Acórdão n.º 130100.723 S1C3T1 Fl. 173 6 Inicialmente, a retificação deve estar fundamentada em erro comprovado. A recorrente alega erro de fato. Necessário, pois, antes de tudo, estabelecer que o erro de fato pode ser acidental ou substancial, conforme seu poder de influir ou não na validade do ato jurídico. Ensina a doutrina que é acidental o erro sobre as qualidades secundárias da coisa ou pessoas envolvidas numa relação jurídica, sem mostrarse fator determinante da manifestação de vontade. Como exemplos, mencionese, em uma declaração de compensação, nome empresarial com grafia errada, ou ainda, erro no telefone do responsável pelo preenchimento. Todavia, o erro é substancial quando vulnera a manifestação de vontade do declarante. O engano, aí, é quanto à própria substância do ato, com relevância para o direito. No caso de uma DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um débito e de um crédito que se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial. E não se alegue que poderia ser identificado e corrigido de ofício, conforme dispõe o § 2º do art. 147 do CTN. Não se trata de lapso manifesto, que seria identificável de pronto, podendo ser corrigido de ofício ou a requerimento, nos termos do art. 32 do Decreto nº 70.235/1972. Não haveria modo de identificar à primeira vista que o contribuinte pretendia compensar créditos do anocalendário 2004, ao invés do anocalendário 2003, conforme constava de sua DCOMP. Indo além da questão do erro, e sem entrar no mérito de estar ou não comprovado no caso concreto, nos termos do art. 147 a retificação de declaração somente é admitida antes de notificado o lançamento. No âmbito da DCOMP, esse lapso temporal deve ser entendido como aquele compreendido entre o momento da apresentação da declaração, quando a compensação produz seus efeitos de extinguir o crédito tributário, embora sob condição resolutória, até aquele em que a autoridade administrativa toma conhecimento da compensação declarada e expressamente a não homologa. A partir desse momento, implementada negativamente a condição resolutória, cessam os efeitos da compensação, inclusive retroativamente, e o crédito tributário que se pretendia extinto ressurge. Também a partir desse momento se torna impossível a retificação da declaração de compensação. Fazendo um paralelo com o lançamento tributário, a retificação de DCOMP após a decisão denegatória da compensação equivaleria a alterar um lançamento após a decisão de primeira instância para afastar os motivos que conduziram a sua desconstituição, vale dizer, a alterar o critério jurídico do lançamento, procedimento pacificamente vedado desde a súmula nº 227 do extinto TFR3. Mesmo admitindo tratarse de erro substancial, sua retificação significaria algo como alterar o “critério jurídico da compensação”, ou seja, alterar sua própria essência. A alteração do anocalendário de origem dos créditos, na forma pretendida pela interessada, equivale a trazer um outro crédito, de origem distinta daquele originalmente proposto. É exatamente a origem do crédito que constitui sua essência. Apenas após identificada a origem é que se podem analisar os requisitos de liquidez e certeza, nos quais o valor está inserido. Nesse sentido caminha a jurisprudência administrativa, a exemplo das decisões cuja ementa a seguir se transcreve: 3 Súmula nº 227 do TFR A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento. (DJ 24/11/1986 p.23.012) RTFR nº 155. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903053/200842 Acórdão n.º 130100.723 S1C3T1 Fl. 174 7 IRPJ — COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE PIS E COFINS —RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — Incabível a retificação da Declaração de Compensação, Dcomp, quando já existir decisão administrativa que analisou pedido anteriormente formulado. (Ac. 10809.604, de 17/04/2008, processo 10675.000103/200180, Redator Designado Cons. Nelson Lósso Filho) DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. (Ac. 10517.130, de 13/08/2008, processo 13807.003132/200491, Relator Cons. Waldir Veiga Rocha) DCOMP. RETIFICAÇÃO. A manifestação de inconformidade e o recurso não são meios adequados para retificação de Declaração de Compensação. Ademais, a partir da Lei nº 11.051/2004, que deu nova redação. ao inciso "V" do § 32 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, não poderá ser objeto de Dcomp, débito de compensação não homologada. (Ac. 20179.356, de 28/06/2006, processo 11020.003177/200305, Relator Cons. Maurício Taveira e Silva). Nessa linha de raciocínio, entendo correta a decisão a quo, posto que a alteração do ano de apuração do saldo negativo pretendido como crédito corresponde, de fato, a nova declaração, com o mesmo débito sendo apresentado em confrontação com crédito diverso, a ser objeto de nova análise, em processo distinto do anterior. Observese que o requisito temporal é que se mostrou decisivo para o deslinde da questão. Houvesse sido a DCOMP retificada antes da manifestação da autoridade administrativa, não haveria qualquer problema, já que a retificação, quando admitida (grifei) é tida por “automática”, substituindo integralmente a original, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.189, de 23/08/2001 (grifo não consta do original): Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Após cientificada a interessada da decisão que negou homologação à compensação, no entanto, a retificação da DCOMP deixa de ser admissível, conforme demonstrado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.903053/200842 Acórdão n.º 130100.723 S1C3T1 Fl. 175 8 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 25/10/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15374.001021/2003-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:1988
RESTITUIÇÃO. PRAZO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL.
O direito de postular a restituição deve ser exercido no prazo de cinco anos contado da publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu os efeitos da lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. No caso concreto, o pedido foi protocolizado após este lapso temporal.
Numero da decisão: 1401-000.642
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1679; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 84 1 83 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001021/200322 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140100.642 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TRANSPORTES FINK S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1988 RESTITUIÇÃO. PRAZO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL. O direito de postular a restituição deve ser exercido no prazo de cinco anos contado da publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu os efeitos da lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. No caso concreto, o pedido foi protocolizado após este lapso temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 85 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de CSLL recolhida em dezembro de 1988, protocolizado em 16/06/03 (fls.01/08), tendo por base a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal do artigo 8º da Lei nº 7.689/88. De acordo com o Despacho Decisório (fls.27/29), cientificado ao contribuinte em 21/05/04 (fl.30), o pleito foi indeferido sob o fundamento de que “O prazo para que o contribuinte possa pleitear restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da extinção do crédito tributário”. Em primeira instância tal decisão foi mantida, tendo o acórdão nº 11.583, de 30/08/06, recebido a seguinte ementa (fls.47/53): IRPJ. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO. OCORRÊNCIA. A pessoa jurídica tem o prazo de cinco anos, contado a partir da data do fato gerador para apresentar o pedido de restituição/compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior. Caso contrário, se o pedido for posterior deve ser declarada a decadência da respectiva pretensão. No Recurso Voluntário (fls.58/71) alegase em síntese: a) o prazo para a contagem do direito à restituição contarseia “a partir da Resolução do Senado Federal, ato administrativo, ou medida provisória que suspender a cobrança, quando houver”; b) apenas com a Medida Provisória n º 1.62136, de 12/06/98, é que teria sido autorizado a exercer o direito à restituição, conforme o seu art.18, §2º; c) de acordo com o princípio da segurança jurídica, as decisões administrativas deveriam guardar consonância com as judiciais; d) haveria necessidade de o valor a ser restituído ser corrigido monetariamente, “sob pena de incorrer a Administração em locupletamento ilícito, ofendendo ao princípio da moralidade administrativa (art.37 da CF) e ao princípio da supremacia do interesse público”. É o que importa relatar. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 86 3 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele se toma conhecimento. Como visto no relatório, requerse a restituição de recolhimento de CSLL, efetivado em dezembro de 1998, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal do artigo 8º da Lei nº 7.689/88: Art.8º A contribuição social será devida a partir do resultado apurado no períodobase a ser encerrado em 31 de dezembro de 1988. Consulta ao sítio eletrônico do STF, do qual não se extrai o resultado do julgamento liminar, possibilita verificar que o julgamento final da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 15 pelo Plenário deuse apenas em 14/06/2007, com publicação do acórdão em 31/08/2007. Relativamente ao aludido dispositivo legal, assim dispôs a ementa do julgado: “(...) IV. ADIn: L. 7.689/88, que instituiu contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, resultante da transformação em lei da Medida Provisória 22, de 1988. 1. Não conhecimento, quanto ao art. 8º, dada a invalidade do dispositivo, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal, em processo de controle difuso (RE 146.733), e cujos efeitos foram suspensos pelo Senado Federal, por meio da Resolução 11/1995. (...)” A Resolução nº 11 do Senado Federal, que suspendeu a execução do art.8º da Lei nº 7.689/89 e que motivou o não conhecimento da Ação Direta de Inconstitucionalidade quanto ao ponto, haja vista a retirada daquele dispositivo do cenário jurídico, foi publicada no Diário Oficial da União em 12/04/95. Feitos esses esclarecimentos iniciais, passemos à análise de qual prazo aplica se ao pleito de restituição, objeto da controvérsia. Dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 87 4 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ..... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (destaquei) Em se tratando de recolhimento que se mostrou indevido em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, da qual resultou a suspensão pelo Senado Federal dos efeitos de dispositivo de lei, entendo que o prazo deve ser contado exatamente da publicação da Resolução que conferiu efeitos erga omnes à decisão inter partes proferida pelo STF. É a partir da publicação, lastreada em decisão de inconstitucionalidade, que valores até então recolhidos com base na legislação vigente passaram a não mais ter base legal. A lei que veiculou a hipótese de incidência foi concebida com o vício da inconstitucionalidade. Neste sentido, podem ser mencionadas algumas decisões administrativas que fixam o início da contagem do prazo para se pleitear restituição a partir do reconhecimento erga omnes da inconstitucionalidade da exigência: PIS. RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA PEDIDO. TERMO INICIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL Nº 49, DE 1995. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. (CSRF, 2ª Turma, Acórdão CSRF/0202.785, de 03/07/07) “RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO — TERMO INICIAL DO PRAZO PARA RESTITUIR — RESOLUÇÃO DO SENADO FEDERAL N °82/96 — ILL — SOCIEDADE ANÔNIMA — O termo inicial do prazo para se requerer a restituição ou compensação de tributo declarado inconstitucional pelo STF em controle difuso, é a data da edição da resolução do Senado Federal que retira o dispositivo inconstitucional do sistema jurídico (...)” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão CSRF/0104.908, de 12/04/04) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 88 5 DECADÊNCIA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão CSRF/0103.239, de 19/03/01) “IMPOSTO SOBRE O LUCRO LIQUIDO PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INICIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data da publicação de ato da administração tributária que reconhece caráter indevido de exação tributária. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Assim, não tendo transcorrido entre a data da publicação da Resolução n°. 82 do Senado Federal e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (...)” (1ºCC, 4ª Câmara, Acórdão nº 10422.823, de 08/11/07) Especificamente com relação à matéria versada nos autos: CSLL INCONSTITUCIONALIDADE RESTITUIÇÃO É de cinco anos o prazo para requerer restituição/compensação, contados: a) nos casos de controle concentrado, após o trânsito em julgado da decisão do STF; b) na hipótese de controle difuso, a partir da publicação da Resolução do Senado Federal. (1ºCC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10321.040, de 19/09/02) REPETIÇÃO DE INDÉBITO PRAZO DECADENCIAL CSLL TERMO INICIAL EXERCÍCIO DE 1989 Tratandose de tributo ou contribuição, exigida por força de lei cuja execução tenha sido suspensa por Resolução do Senado Federal, o termo inicial do prazo de cinco anos, para pleitear a sua restituição ou compensação, é a data da publicação da Resolução. (1ºCC, 5ª Câmara, Acórdão nº 10514.116, de 14/05/03) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 89 6 No voto condutor do Acórdão CSRF nº 0103.239, cuja ementa foi acima reproduzida, mencionouse entendimento da antiga Secretaria da Receita Federal – Parecer COSIT nº 58/98, que aqui, dada a pertinência da abordagem, vale à pena ser reproduzido: "25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável: que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes da lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26. Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos "erga omnes”, que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição do ato específico do Secretário da Receita Federal (hipótese do Decreto n° 2.346/1997, art. 4°). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade de lei por meio de ADIN, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF”. (destaquei) Sendo assim, no caso concreto poderia o contribuinte ter requerido a restituição até cinco anos após a publicação da Resolução nº 11 do Senado Federal, em 12/04/1995, o que não ocorreu, vez que o pedido foi formalizado apenas em 2003. Quanto à alegação do recorrente de que estaria impedido de pleitear a restituição por força do art.17, §2º, da Medida Provisória nº 1.244 e sucessivas reedições, bem como em razão do art.18, §2º, da Medida Provisória nº 1.62135, não pode ser acolhida, vez que tais dispositivos não impedem o acesso à Administração, tampouco ao Judiciário, o que representaria um verdadeiro disparate à luz do art.5º, incisos XXXIV e XXXV da Constituição Federal: Art.5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: ..... XXXIV – são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; ..... Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 90 7 XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Na realidade, expõem um entendimento que com a edição nº 36 da Medida Provisória nº 1.621 restou mais claro, no sentido de que a Administração não procederia ex officio à restituição de quantias pagas com base no artigo 8º da Lei nº 7.689/88, o que não implica dizer que antes a opção pela repetição estava vedada. Vejamos as redações de tais Medidas Provisórias: MP nº 1.244, de 14/12/1995 Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: I à contribuição de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, incidente sobre o resultado apurado no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988; ..... § 2º O disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas. MP nº 1.62135, de 13/05/1998 Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: I à contribuição de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, incidente sobre o resultado apurado no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988; ..... § 2º O disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas. MP nº 1.62136, de 10/06/1998 Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: I à contribuição de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1983, incidente sobre o resultado apurado no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1988; ..... 2º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantias pagas. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 91 8 Ainda que não constasse a expressão “ex officio” nas MP nº 1.244 e 1.621 35, nada impedia, à luz dos dispositivos constitucionais supracitados, que o contribuinte exercesse o seu direito de petição. Tendo sido o pedido de restituição protocolizado após o prazo legal não há solução a ser conferida à controvérsia senão indeferilo. A propósito da correção monetária do valor supostamente recolhido de forma indevida, por óbvio tal pretensão resta prejudicada em virtude da não apreciação, por extemporâneo, do pedido de restituição. Com relação às decisões mencionadas no recurso voluntário, apenas produzem efeitos perante as partes envolvidas. Cabe ainda observar, nesse contexto, que não se desconhece que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando da apreciação do REsp 1002932/SP, representativo da controvérsia sob o rito estabelecido no art.543C do CPC, estabeleceu a seguinte contagem com relação ao prazo para a repetição do indébito, no caso de lançamentos por homologação, levandose em consideração a Lei Complementar nº 118/05: (a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir de sua vigência (09/06/2005), o prazo é de cinco anos a contar da data do recolhimento indevido; (b) quanto aos pagamentos anteriores a 09/06/2005, permanece o entendimento daquela Corte de que o prazo é de dez anos, contado da data do fato gerador, porém limitado a cinco anos a contar da vigência da nova lei. Com a preocupação de se manter uma sintonia entre as decisões administrativas e aquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, tudo com vistas à concretizar o princípio da segurança jurídica, alterouse o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, publicada no DOU em 22 de dezembro de 2010) para a inserção do seguinte dispositivo em seu Anexo II: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. A reprodução obrigatória das decisões proferidas pelo STJ e STF, na sistemática dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, exige a definitividade, o que não é o caso do REsp nº 1002932/SP. Cabe dizer que após a publicação do acórdão em 18/12/09 e interposição de Recurso Extraordinário, o VicePresidente do Superior Tribunal de Justiça determinou o sobrestamento em 12/03/2010: Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 92 9 “Nos termos do artigo 543B, §1º, do Código de Processo Civil, determino o sobrestamento do recurso extraordinário até o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do RE nº 561.9087, RS.” Apesar disso, importa notar que a decisão proferida pelo STJ e o reconhecimento da repercussão geral pelo STF não se enquadram na hipótese do art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. E simples é a razão. De acordo com a sistemática de apuração e pagamento definida no anocalendário 1998, a CSLL não estava submetida a lançamento por homologação, o que veio a acontecer com a edição da Lei nº 8.383/91. Firme é a jurisprudência a respeito: “CSLL DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO 1) A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que tem a natureza de tributo, antes do advento da Lei n° 8.383, de 30/12/91, a exemplo do Imposto de Renda, estava sujeita a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. (...) A partir do anocalendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da referida lei, o contribuinte passou a ter a obrigação de pagar o imposto e a contribuição, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, cabendolhe então verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante do tributo devido, se desse procedimento houvesse tributo a ser pago (...)” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão CSRF/0105.137, de 29/11/04) “Preliminar de decadência A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei 8383/91, o IRPJ e a CSLL sujeitamse a lançamento por homologação (...)” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº CSRF/01 04.582, de 10/06/03) “(...) DECADÊNCIA — A partir do anocalendário de 1992, por força do disposto nos artigos 38 e 44 da Lei n° 8.383, de 1991, o IRPJ e a CSLL passaram a ser considerados tributos sujeitos ao lançamento na modalidade intitulada de homologação (...)” (1ºCC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10322.245, de 25/01/06) Assim, considerandose que a CSLL passou a ser sujeita a lançamento por homologação apenas com o advento da Lei nº 8.383/91, não há se falar em sobrestamento do julgamento do recurso voluntário. No Recurso Extraordinário nº 561.9087/RS, em que foi reconhecida pelo STF a repercussão geral, discutese especificamente a inconstitucionalidade do art.4º, parte final, da Lei Complementar nº 118/2005, conforme esclarece a respectiva ementa: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 15374.001021/200322 Acórdão n.º 140100.642 S1C4T1 Fl. 93 10 TRIBUTO – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – REPERCUSSÃO GERAL – ADMISSÃO. Surge com repercussão geral controvérsia sobre a inconstitucionalidade, declarada na origem, da expressão “observado, quanto ao artigo 3º, o disposto no art.106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional”, constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005. Por sua vez, o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/05, não custa lembrar, é voltado a tributos sujeitos a lançamento por homologação: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 13894.001017/2005-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1999
MULTA ISOLADA.
A contagem da decadência do direito da Fazenda de constituir a multa isolada é feita do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que seu lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), ainda que reduzida ao percentual de 20%, por força da retroatividade benigna.
Numero da decisão: 1302-000.742
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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A contagem da decadência do direito da Fazenda de constituir a multa isolada é feita do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que seu lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), ainda que reduzida ao percentual de 20%, por força da retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Declarouse impedida de votar a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13894.001017/200521 Acórdão n.º 130200.742 S1C3T2 Fl. 139 2 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13894.001017/200521 Acórdão n.º 130200.742 S1C3T2 Fl. 140 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/CPS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1999 DCTF. Revisão Interna. Débitos Declarados. Decadência. Prescrição. Multa de Ofício. Denúncia Espontânea. Multa de mora. A declaração dos débitos em DCTF constitui confissão da dívida. Por conseguinte, desde o momento da apresentação da DCTF, o crédito tributário já se encontra formalizado não havendo porque se falar em decadência. Também descabe falar de prescrição se a exigência de multa de ofício isolada foi notificada ao contribuinte antes do decurso do prazo de cinco anos contados da DCTF retificadora que apontou o débito, recolhido sem multa de mora. SÚMULA Nº 360Superior Tribunal de Justiça (STJ): “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/08/08. “Art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. MP nº 303/2006. MP nº 351/2006. Lei nº 11.488/2007. Parecer PGFN/CDA/CAT/Nº 2.237/2006. O art. 14a da Lei nº 11.488/2006 afastou a incidência da multa de ofício nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória, de modo que deve ser aplicado, retroativamente, tratandose de ato não definitivamente julgado, consoante o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. De qualquer forma, deverá ser cobrada a multa de mora faltante, calculada na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96, até o percentual máximo de 20%, inclusive na forma do art. 43 da Lei nº 9.430/96. A retroatividade benigna supramencionada se aplica a todos os créditos tributários ainda na extintos, devendo a Secretaria da Receita Federal do Brasil alterar os valores em cobrança administrativa, que haja impugnação administrativa definitivamente julgada ou não, e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional retificar as Certidões de Dívida Ativa em cobrança administrativa ou judicial, que haja ação judicial do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13894.001017/200521 Acórdão n.º 130200.742 S1C3T2 Fl. 141 4 devedor ou não, não havendo se falar em nulidade da certidão da dívida ativa” (Parecer PGFN/CAT/CDA Nº 795/2008). Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase de exigência de multa de ofício isolada – R$ 12.156,83 – como decorrência de auditoria interna da DCTF/1999, ocasião em que se constatou o recolhimento da CSLL 4º trimesdtre/99 fora de prazo e sem o acréscimo de multa de mora. Por seu procurador, o contribuinte, após esclarecer que “beneficiandose da denúncia espontânea, ... procedeu a retificação de sua DCTF fazendo constar o pagamento por si efetuado”, alega, em síntese: A decadência do feito, “tendo em vista que a lavratura do AIIM em comento ocorreu apenas em 9.9.2005, ou seja, mais de 5 (...) anos após a ocorrência dos respectivos fatos geradores” ou “a prescrição em relação ao débito ora combatido vez que não foi objeto de cobrança executiva, nem mesmo inscrito em dívida ativa da União no prazo previsto na legislação”. “qualquer multa cobrada em relação à denúncia espontânea indicada no presente processo administrativo não merece prevalecer, uma vez que configura evidente ofensa ao art. 138 do CTN”. Ao final, pleiteia: Subsidiariamente, acaso não acolhidos os pedidos supra,a Requerente requer seja retificado o Auto de Infração nº ..., tendo em vista o impacto da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 98.00293663 ... Na sequência, apresenta petição de fl. 92, por meio da qual pleiteia “a juntada da anexa decisão recentemente proferida em caso análogo ao presente (...), a qual extinguiu a multa isolada de 75% em face da nova redação dada ao art. 44, da Lei 9.430/96, pelas MP 303/06 e 351/07”. Às fls. 93/96, cópia do Ac´rodão 1612.241 – 8ª Turma da DRJ/SPOI. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos expendidos na impugnação, ressaltando, em síntese, que: a) operouse a decadência do direito do fisco de constituir a multa de mora. A CSLL é tributo por homologação e o recolhimento é feito antecipadamente, independentemente de manifestação prévia do sujeito ativo, conforme art. 150, CTN. E o §4º deste artigo estipula o prazo de 5 anos para a Fazenda constituir o crédito tributário, a contar do fato gerador. Como o débito é relativo ao anobase de 1999, a fiscalização não poderia mais se pronunciar acerca deste débito quando o fez, em 09/09/2005, tendose operado a homologação tácita dos lançamentos efetuados e a conseqüente extinção do crédito tributário respectivo (art. 156, V, CTN). b) não há falar em prescrição no caso, pois o executivo fiscal não foi também promovido no prazo de 05 anos, a contar do fato gerador. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13894.001017/200521 Acórdão n.º 130200.742 S1C3T2 Fl. 142 5 c) ao contrário do que falou a autoridade julgadora, não há que se falar na aplicação da Súmula nº 360 do STJ ao caso. Isso porque a CSLL é tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, e, assim, não o pagamento mas apenas a homologação, tácita ou expressa, tem o condão de constituir o crédito tributário. Assim, aplicase a denúncia espontânea ao caso, pois a multa moratória tem caráter sancionatório/punitivo. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13894.001017/200521 Acórdão n.º 130200.742 S1C3T2 Fl. 143 6 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. O débito de CSLL (R$16.209,10) em testilha se refere ao período de apuração de 1999, cujo vencimento se deu em 31/01/2000, sendo pago em 31/07/2001 sem o acréscimo da multa de mora, mas tão somente dos juros moratórios. Tal débito já havia sido declarado na DCTF prestada em 11/02/2000, declarado extinto por compensação com créditos discutidos no processo judicial nº 980026632 1 (fl.44). Todavia, na DCTF retificadora, prestada em 25/05/2004, o débito foi extinto por pagamento (fl.48), tendo por base o Darf recolhido (fl.46). O auto de infração foi notificado à contribuinte em 07/10/2005 (fl. 41). O valor autuado foi reduzido pela DRJ para o percentual de 20%, calculado de acordo com o art. 61 da Lei nº 9.430/96, atendendo à retroatividade benigna e ao Parecer PGFN/CAT/CDA nº 795/2008, tendo em vista que o art. 14 da Lei nº 11.488/2007 extinguiu a penalidade de ofício no percentual de 75% para o caso de recolhimento após o prazo sem o acréscimo de multa de mora. A recorrente alega a decadência do direito do fisco, vez que o fato gerador é de 1999. Vejamos. O fato que dá ensejo à aplicação da multa de mora é o pagamento feito em atraso, sem acréscimo da multa de mora, o que se verificou em 31/07/2001. Em tese, aplicandose o cálculo do art. 61 da Lei nº 9.430/96, terseia como o dies a quo o dia 01/02/2000, posto que o vencimento se deu em 31/01/2000. Assim, a partir de 01/04/2000 a multa já seria integralmente exigível no percentual de 20%, observandose a retroatividade benigna. Todavia, verificase que ao tempo do pagamento e até o momento da retificação da DCTF relativa ao 4º trimestre de 1999 em 25/05/2004 tal recolhimento constituíase em mero indébito, pois o crédito tributário já estava com sua extinção vinculada a uma compensação, conforme declarado pelo contribuinte em sua DCTF original. Desta forma, é somente a partir de 25/05/2004 que o débito tributário vencido em 31/01/2000 passa a estar vinculado a pagamento. E somente nesta oportunidade é que o pagamento originalmente feito, ao se vincular ao débito de CSLL, pode ser aferido em sua integralidade, aí se constatando ser ele inferior ao montante devido, ausente a multa de mora. Isso não quer dizer que a falta da multa de mora não pudesse ser aferida antes e cobrada. Ocorre que, como mencionei, o pagamento anteriormente à prestação da DCTF Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13894.001017/200521 Acórdão n.º 130200.742 S1C3T2 Fl. 144 7 retificadora aparece tão somente como mero indébito. E na presença de um indébito, é evidente que não iria a Administração ocuparse em cobrar outro, relativo à multa de mora. É o ato do contribuinte de substituir a declaração anteriormente prestada por outra, na qual vincula o mesmo débito agora não mais a uma compensação, mas a um pagamento feito a destempo que autoriza a Administração a cobrar a multa não recolhida. Nas palavras de Paulo de Barros Carvalho1 Essa atividade de formalização dos eventos e das relações em linguagem é confiada, algumas vezes, à autoridade fiscal e outras, ao próprio particular (sujeito passivo). Formalizar significa construir as normas individuais e concretas, que apresentam em seu conseqüente o vínculo obrigacional, ora atribuído ao contribuinte, ora ao Fisco. No caso do ICMS, por exemplo, a construção das normas individuais e concretas que apresentam em seu conseqüente o vínculo obrigacional tributário e o liame de direto ao crédito é atribuída, em caráter originário, ao contribuinte, devendo essas regras jurídicas individuais e concretas constar de um documento especificamente determinado pela legislação, e que consiste numa redução sumular; num resumo objetivo daquele tecido de linguagem, mais amplo e abrangente, constante dos talonários de notas fiscais, livros e outros feitos jurídicocontábeis. No caso vertente, o documento que promove esta redução sumular é a DCTF, confiada integralmente à produção do sujeito passivo. Assim, entendo que o lançamento da multa não poderia ter sido feito antes de 26/05/2004, o que desloca o dies a quo da contagem decadencial para 01/01/2005, vez que o lançamento da multa isolada somente pode ser feito de ofício, sendo a contagem, então, regulada pelo art. 173, I, do CTN. Neste sentido, como a penalidade foi notificada em 07/10/2005 verifico que estava dentro do período de tempo hábil para ser lançada. Relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a questão já se encontra pacificada na jurisprudência do STJ, com a edição da Súmula nº 360, a qual, ao contrário do que alega a recorrente, aplicase aos tributos cujo lançamento se dá por homologação, senão vejamos seu teor: SÚMULA N. 360 STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008. 1 Paulo de Barros Carvalho, Direito Tributário, linguagem e método, 3ª ed, 2009, Editora Noeses, fl.944. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13894.001017/200521 Acórdão n.º 130200.742 S1C3T2 Fl. 145 8 Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 19 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/12/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 12/12/2011 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000679/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2008
Ementa: ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA.
Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei nº 9.532 de 1997, considerar-se-á
não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso essa não seja efetuada, considerar-se-ão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal.
PRINCÍPIOS JURÍDICOS. PROPORCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS.
Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais,
cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário
Numero da decisão: 2302-001.529
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2008 Ementa: ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei nº 9.532 de 1997, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso essa não seja efetuada, considerar-se-ão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. PRINCÍPIOS JURÍDICOS. PROPORCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário
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Recorrente FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DUQUE DE CAXIAS Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO RJ Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/07/2008 Ementa: ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE IMPUGNADA. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. O sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso essa não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. PRINCÍPIOS JURÍDICOS. PROPORCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA MULTA. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Eduardo Augusto Marcondes de Freitas. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15563.000679/200985 Acórdão n.º 230201.529 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto valores correspondentes aos acréscimos legais uma vez que o entidade não teria recolhido as contribuições no prazo legal, conforme relatório fiscal às fls. 15 a 18. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela entidade estatal, fls. 27 a 31. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento confirmou a procedência do lançamento, fls. 58 a 63. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela autuada, fls. 67 a 74. Em síntese alega o seguinte: • Não merece ser autuada em função de cumprir relevante função social; • Requer aplicação do princípio da proporcionalidade; Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 77. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. O fato de a autuada cumprir função social é irrelevante para afastar a multa. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. O prazo para recolhimento das contribuições previdenciárias está previsto no art. 30 da Lei n º 8.212 de 1991. Para os fatos geradores abrangidos na presente notificação o prazo das contribuições vencia no dia dois de cada mês. Não recolhendo no dia previsto em lei, o contribuinte terá que arcar com os acréscimos legais previstos em lei. No caso os juros aplicados estão previstos no art. 34 da Lei n º 8.212. Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. A recorrente limitase a transcrever uma série de dispositivos constitucionais e legais sem realizar qualquer subsunção à situação fática encontrada pela fiscalização. Conforme expressamente previsto no art. 17 do Decreto n º 70.235 na redação conferida pela Lei n º 9.532 de 1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. De acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A redação do art. 17 do Decreto n º 70.235 retrata o disposto no art. 302 do CPC, nestas palavras: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 15563.000679/200985 Acórdão n.º 230201.529 S2C3T2 Fl. 3 5 Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Desse modo, analisando em conjunto o Decreto n º 70.235 e o CPC, o sujeito passivo tem o ônus da impugnação específica, e caso esta não seja efetuada, considerarseão verdadeiros os fatos apontados pela fiscalização federal. Além de gerar a preclusão processual, não podendo ser alegada a matéria em grau de recurso, em função da exigência prevista no art. 16, inciso III do Decreto n º 70.235. No mesmo sentido é do disposto no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, em que se proíbe à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. A multa moratória já foi aplicada no percentual correto, não cabendo retroatividade. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/12/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10410.007261/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
INCRA
A cobrança da contribuição de 0,2% destinada ao INCRA está prevista em lei, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente MPF ELETRÔNICO
A ciência pelo sujeito passivo, do MPF emitido exclusivamente por meio eletrônico, se dará por intermédio da internet no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, com o código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se
mostra mais benéfico ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Fl. 361DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 362DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007261/200848 Acórdão n.º 230201.397 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente Auto de Infração de Obrigações Principais lavrado em 22/09/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 23/09/2008, de contribuições relativas ao INCRA, incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados nas competências de 01/2003 a 12/2005. O relatório fiscal de fls. 41/44, diz que a empresa ingressou com ação judicial MS 2005.80000035947, na 3ª Vara da Justiça Federal de Alagoas, para se eximir do recolhimento da exação. Às fls. 147/148, dos autos consta despacho emitido pelo fisco determinando o cumprimento de sentença relativa ao Mandado de Segurança referido, para que sejam arquivados os autos de infração que contenham a contribuição julgada indevida pela justiça no percentual de 2,5%, ressaltando que a contribuição de 02%, continua sendo devida. Às fls. 169/170, consta revisão de ofício para retirar a contribuição de 2,5% A notificada apresenta defesa à autuação e Acórdão de fls. 305/312, pugna pela procedência parcial do crédito lançado para que sejam retirados os valores relativos a alíquota de 2,5% e as competências até 08/2003, inclusive, em vista da decadência qüinqüenal. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso onde argúi em síntese: a) que o lançamento é nulo porque o Mandado de Procedimento Fiscal é irregular por não observar as formalidades expostas na legislação; b) que a alíquota de 0,2% deve ser revogada pela superveniência da Emenda Constitucional n.º 33, de 11/12/2001, não estando prevista a contribuição sobre a folha de salário para o INCRA; c) que deve ser observada a retroatividade benigna da multa. Requer a anulação ou reforma da decisão recorrida para anular total, ou parcialmente a autuação. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Não vislumbro a tese de nulidade da autuação exposta pela recorrente, porquanto não há qualquer irregularidade na expedição e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal é ato administrativo que tem a função de dar partida ao procedimento fiscal, atribuindo condições de procedibilidade ao agente do fisco competente para o exercício da auditoria fiscal, sendo, por conseguinte, ato preparatório e indispensável à produção de atos subseqüentes, como é exemplo o lançamento. Além dessa precípua finalidade, cumpre com a nobre missão de objetividade e transparência nos atos da Administração Pública, na medida em que dá conhecimento ao sujeito passivo dos elementos objetivos que foram priorizados pela Administração Tributária para início do procedimento de investigação, ao mesmo tempo em que exterioriza o conteúdo da ordem transmitida ao servidor subordinado, delimitando os quadrantes priorizados para a sua atuação. À época da autuação, a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) era disciplinada pela Portaria RFB n.º 11.371, de 12/12/2007, que traz no seu artigo 4º, que o MPF é emitido exclusivamente de forma eletrônica, sendo que a ciência, pelo sujeito passivo, se dará pela internet no sítio da Receita Federal do Brasil, com a utilização de código de acesso que vem consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Art. 42 O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nQ 70.235. de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9 9.532. de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Portanto, o parágrafo único do artigo 4º da Portaria RFB n.º 11.371/2007, acima transcrito, é claro ao estabelecer que a ciência do MPF, emitido exclusivamente por meio eletrônico, pelo sujeito passivo se dará por intermédio da internet no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, com o código de acesso consignado no termo que formalizar o Fl. 364DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007261/200848 Acórdão n.º 230201.397 S2C3T2 Fl. 3 5 início do procedimento fiscal. Como se trata de ordem dirigida ao AuditorFiscal, não é entregue ao contribuinte e tampouco juntado a eventuais processos de débito. Assim, o TIAF – Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 41/42, do processo consignou o código de acesso a internet e foi devidamente assinado pelo representante do sujeito passivo, formalizando o início do procedimento fiscal em 11/02/2008, não cabendo a alegação de falta de cientificação como quer a recorrente. Quanto às sucessivas prorrogações do MPF, tenho que foram todas efetuadas de acordo com o disposto na legislação vigente, artigo 9º da já citada Portaria RFB n.º 11.371/2007: Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Ao contrário do que alega a recorrente, o MPF pode ser prorrogado tantas vezes quanto necessário, observada em cada prorrogação o prazo máximo de sessenta dias, conforme artigos 11 e 12 da PT RFB n.º 11.371/2007. Notase que no caso em tela, ocorreu a prorrogação e não a emissão de um novo MPF, por isso a dispensa da necessidade de ser designado outro Auditor Fiscal. Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: 1 cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Da mesma forma, é inócua a assertiva da recorrente de que não poderiam ser abarcados pelo MPF períodos objetos de refiscalização, eis que tal fato não ocorreu, não há qualquer menção nos autos que o procedimento fiscal trata de refiscalização. Do Mérito Após o cumprimento da sentença proferida na ação judicial e exclusão dos lançamentos relativos a alíquota de 2,5% arrecada para o INCRA, e das competências decadentes, o lançamento restante referese à contribuição de 0,2% para a mencionada entidade, incidente sobre a remuneração dos segurados empregados nas competências de 09/2003 a 12/2005, e que não foi excluída pela sentença Fl. 365DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta Fl. 366DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007261/200848 Acórdão n.º 230201.397 S2C3T2 Fl. 4 7 neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Por derradeiro, reitero que sentença judicial, cuja cópia consta das folhas 151/158, mantém a contribuição de 0,2% para o INCRA. Quanto à multa, a recorrente requer que seja aplicada a retroatividade benigna exposta no artigo 106 do Código Tributário Nacional para fazer incidir alterações introduzidas pela MP nº 449/2008. Todavia, é de se notar que o benefício da retroatividade benigna contido na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado sempre que uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. No caso em tela, à época do fatos geradores, pelo não recolhimento em época própria do tributo devido, a legislação previdenciária previa a aplicação de multa moratória,conforme disposto pelo 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99. A MP n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2008, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no saco da presente notificação fiscal de lançamento de débito –NFLD, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10410.007261/200848 Acórdão n.º 230201.397 S2C3T2 Fl. 5 9 II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e do lançamento traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Por todo o exposto, Fl. 369DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 370DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002435/2004-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/1999
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial para excluir as importâncias que não sejam decorrentes de venda de mercadorias, prestação de serviços ou venda, de mercadorias e prestação de serviços.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1" do art. 3" da Lei n" 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para excluir as importâncias que não sejam decorrentes de venda de mercadorias, prestação de serviços ou,. :venda , de mercadorias e prestação de serviços. EDITADO EM: 30/03/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Beatriz Veríssimo de Sena, Gilson Macedo Roscnburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martinez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 25 de abril de 2007, a Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes julgou o recurso voluntário n° 136.922, oportunidade em que por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso. Vencidos dois conselheiros que deram provimento em relação as demais receitas (alargamento da base de calculo). A ementa dessa decisão (AC. 20312.014) está assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social co/Ins Período de aplicação: 31/01/1999 a 31/12/1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO • FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MÁ TERIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. REJEIÇÃO. Não resta caracterizada a preterição do direito de defesa, a suscitar nulidade do lançamento. quando o auto de infração atende ao disposto 110 art. 10 do Decreto n° 70.235/72, identilica a matéria tributada e contém a linulamentação legal correlata. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MA TERIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Alegações de inconstitucionalidade, incluindo suposto carciter confiscatório da multa de oficio, constituem-se em matéria que não pode ser apreciada no ônibito deste Processo Administrativo Fiscal, sendo da competência exclusiva do Poder Judiciário. COFINS. LANÇAMENTO. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DECLARADOS OU PAGOS E OS DA ESCRITA. CONTÁBIL PROCEDÊNCIA. Mantém-se o lançamento apurado coin base em diferenças entre os valores declarados ao Fisco ou pago e aqueles constantes da escrita contábil, quando o contribuinte, apesar de intimado a explicar Mis diferenças, não as justifica. JUROS DE DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Nos termos do art. 161, ,sç 1", do CTN, apenas se a lei não dispuser de modo diverso os juros de mora serão calculados à taxa c/c .1% ao 171C3S, pelo que é legitimo o emprego da taxa Selic corno juros moratórios, a teor cio art. 13 da Lei n'9.065/95. Recurso negado. Cientificada desse acórdão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso especial de divergência, requerendo a sua reforma para que seja reconhecida a decadência qüinqüenal e sejam também excluídas da base de cálculo da COFINS os valores de outras 2 Processo n° 10882.002435/2004-04 CSRF-T3 Acórd5o n.° 9303-01.247 Fl. 587 receitas que não sejam decorrentes de vendas de mercadorias e de serviços e/ ou de serviços, alegando divergência com outras decisões dos Conselhos de Contribuintes. Por meio do Despacho de n° 038, fls. 559/561, o recurso foi parcialmente admitido apenas quanto ao alargamento da base de cálculo, eis que a decadência teria ficado prejudicado por não ser matéria tratada na decisão recorrida. A Unido, por meio de seu D. Procurador, cientificado da decisão, apresenta contrarrazões. Pede a manutenção da decisão recorrida. o relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martinez López, Relatora Conforme relatado, por meio do Despacho de n" 038, fls. n" 559/561, o recurso foi parcialmente admitido apenas quanto ao alargamento da base de cálculo (inconstitucionalidade do § I" do art. 3" da Lei. n° 9.718, de 1998), eis que a decadência teria ficado prejudicado por não ser matéria tratada na decisão recorrida. Passo à análise. Segundo o relato constante do Termo de Verificação Fiscal, a base de cálculo da contribuição foi a constante das folhas do livro Razão da empresa e se refere à venda dc mercadorias e/ou produtos e de "demais receitas". Com efeito, antes do advento da Lei n°9.718/98, as contribuições, por conta das disposições da Medida Provisória IV 1.212/95, sucessivamente reeditada e afinal convertida na Lei n. 9.715/98, incidia sobre o faturamento, assim definido como a receita de venda de mercadorias, prestação de serviços ou venda de mercadorias e prestação de serviços. Corn o advento da Lei n°9.718/98, a base de cálculo da referida contribuição foi ampliada, e passou a incidir sobre qualquer receita (receita bruta), mesmo aquelas que não se enquadram no conceito de faturamento: Lei n°9.718/98: "Art. 2". As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu fitturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3". 0 .faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde receita bruta da pessoa jurídica. 3 ssç 1". Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." Quanto A inclusão na base de cálculo de receitas outras estranhas A atividade da empresa, em razão da recente sentença proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n°9.718/98, entendo serem pertinentes as alegações da contribuinte tanto nas contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional como nas razões do Recurso Especial que interpôs. Tal entendimento encontra-se referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Supremo Tribunal Federal — STF, relativo ao artigo 3", § 1°, da Lei n° 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. 0 RE 390840/MG, apreciado na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal de 09/11/2005, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, foi julgado e decidido consoante a seguinte ementa: CONS TITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE' ARTIGO 3", § 1", DA LEI N" 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N" 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. 0 sistema jurídico brasileiro 11a0 contempla a figura da C017Stitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e .formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o principio da realidade, considerados os elementos tribtuários. CONTRIBUICA -0 • SOCIAL - PIS RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO ,yS' 1" DO ARTIGO 3" DA LEI N" 9.718/98. A jurisprudjncia do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n" 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturatnento como .S1116/fin/CM', jungindo-as venda de mercadorias, ele serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § I" do artigo 3" da Lei n" 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e c/a classificação contábil aclotada. Portanto, o art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98, ao prever a tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento pelo PIS e pela Cofins, contrariou o art. 195, 1, da CF/88, que somente autorizava a tributação de receitas que se enquadrassem no conceito de faturamento, isto 6, somente aquelas decorrentes da venda de mercadorias, prestação de serviços ou venda de mercadorias e prestação de serviços. Voltando aos autos, percebe-se que inexiste detalhamento da conta "demais receitas" motivo pela qual, dou provimento ao recurso apenas para excluir as importâncias que não sejam decorrentes da venda de mercadorias, prestação de serviços ou venda de mercadorias e prestação de serviços. CONCLUSÃO 4 Processo IV 10882.002435 12004-04 CS R F-T3 Acórdão n.° 9303-01.247 Fl. 588 Em razão do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da contribuinte de forma a excluir as importâncias que não sejam decorrentes da venda de mercadorias, prestação de serviços ou venda de mercadorias e prestação de serviços. Maria Teres artinez LOpez 5
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000804/2006-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA
MPF CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e os acórdãos apontados como paradigmas analisaram situações fáticas distintas (MPF para tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal e MPF para as contribuições previdenciárias), cujos procedimentos fiscais eram disciplinados por legislações diversas. A divergência que permite o conhecimento do recurso especial pressupõe a
existência de teses diversas na interpretação dos mesmos dispositivos legais, o que não ocorre no caso em apreço.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente à comprovação da divergência jurisprudencial.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA MPF CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e os acórdãos apontados como paradigmas analisaram situações fáticas distintas (MPF para tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal e MPF para as contribuições previdenciárias), cujos procedimentos fiscais eram disciplinados por legislações diversas. A divergência que permite o conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de teses diversas na interpretação dos mesmos dispositivos legais, o que não ocorre no caso em apreço. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente à comprovação da divergência jurisprudencial. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de SGS do Brasil Ltda foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de fls. 01/05, objetivando a exigência de contribuição previdenciária imputada à Contribuinte em decorrência da aplicação da responsabilidade solidária instituída pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/1991, pela contratação de serviços com cessão de mãodeobra. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20500.454, que se encontra às fls. 147/152e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1995 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO — NOVO LANÇAMENTO FISCAL. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO FALTA DOS ELEMENTOS NECESSÁRIOS. MPF, TIAD e TEAF. Havendo nova ação fiscal, é imprescindível a lavratura de novos documentos fiscais: MPF, TIAD e TEAF. O lançamento que visa substituir o anterior por vicio formal, não está dispensado da observância das formalidades necessárias para constituição do crédito previdenciário. Processo Anulado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, anulou o lançamento. Intimada pessoalmente do acórdão em 06/08/2008 (fls. 153) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 157/174, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nºs 20400.810, 30133.436, 10707.532, 201 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.000804/200630 Acórdão n.º 920201.596 CSRFT2 Fl. 2 3 73.952, 10614.181 e CSRF0203112.290 no tocante à função do MPF no processo administrativo fiscal e os efeitos e conseqüências de sua ausência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 205 607/2008 (fls. 272/276). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 280/284. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente passo ao exame de admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como relatado anteriormente, a decisão proferida pelo v. acórdão foi unânime, tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentado recurso especial de divergência, nos termos do artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno desta Câmara Superior. Para comprovar o entendimento divergente que lhe aproveitaria a Procuradoria da Fazenda Nacional trouxe os acórdãos n°s 20400.810, 30133.436, 107 07.532, 20173.952, 10614.181 e CSRF0203112.290, cujas ementas transcrevo abaixo: "NORMAS PROCESSUAIS MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL E JUROS DE MORA. Incabível a incidência dos moratórios quando o sujeito passivo deposita em juízo o montante integral do crédito litigado, no prazo de vencimento do tributo. Recurso parcialmente provido" (Acórdão n° 20400810, da 6ª Câmara do 2ª C.C.) "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Ementa: ITR. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. PRELIMINAR DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ausência da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF não gera nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal, vez tratarse de mero elemento de controle administrativo, não causando, por si só, prejuízo à defesa do contribuinte. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 ITR. TERRAS SUEMERSA. Não incide ITR sobre as terras submersas utilizadas como reservatórios para usinas hidrelétricas. ITR. ÁREAS CIRCUNDANTES DOS RESERVATÓRIOS PARA USINAS HIDRELÉTRICAS. As áreas que circundam os reservatórios e suas ilhas são áreas de preservação permanente, isentas de ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" (Acórdão de n°30133.436, da 1ª Câmara do 3º C.C.) "TRATADO BRASILPORTUGAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO (ART. 10) TRIBUTAÇÃO DE DIVIDENDOS POSSIBILIDADE A PARTIR DA LEI Nº 9.532/97 (ART. 1º). Pelo art. 10 do Tratado Internacional BrasilPortugal (Decreto Legislativo nº 59/71 e Decreto nº 69.393/71) autorizavase que os dividendos da sociedade residente na Ilha da Madeira pagos à sociedade no Brasil poderiam ser tributados pelo Brasil, o que, entretanto, somente passou a ocorrer com o advento da Lei nº 9.532/97 (art. 1) sobre os fatos ocorridos a partir de 1998, em razão dos princípios da anterioridade e da irretroatividade. Assim, a exigência fiscal não pode levar em consideração os dividendos gerados até 1997, inclusive. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A inexistência de MPF ou erros na elaboração, emissão ou cumprimento de Mandado de Procedimento Fiscal não provocam nulidade do Lançamento de Ofício e da Autuação, pois o art. 142 do CTN não pode ter sua validade ou aplicação condicionada por normas infralegais. TAXA SELIC — VALIDADE. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes firmouse no sentido de que a aplicação da Taxa SELIC encontra respaldo legal e constitucional." (Acórdão de nº 10707.532, da 7ª Câmara do 1º C.C.) “NORMAS PROCESSUAIS — CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. IPI — MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DECRÉDITO A mera falta de lançamento do imposto nas notas fiscais respectivas, é suporte fático suficiente para a aplicação da multa de lançamento de oficio, mesmo nos casos em que o período de apuração apresente saldo credor na escrita fiscal.” (Acórdão de nº 203112290, da CSRF). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO DESCRIÇÃO DOS FATOS Não há que se Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.000804/200630 Acórdão n.º 920201.596 CSRFT2 Fl. 3 5 falar em falta de descrição dos fatos que deram origem ao lançamento se o Relatório de Ação Fiscal, parte integrante do auto de infração, descreve exaustivamente todas os fatos que culminaram na autuação, nele sendo indicadas, detalhadamente, todas as providências adotadas na ação fiscal, com a elaboração de demonstrativos em que são enumeradas e quantificadas todas as ocorrências verificadas relacionadas às situações que deram origem ao fato gerador da obrigação tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. FASE DE APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO INAPLICABILIDADE DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Somente com a apresentação da impugnação tempestiva, o sujeito passivo formaliza a existência da lide tributária no âmbito administrativo e transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal, passando a assistir ao contribuinte as garantias constitucionais e legais do devido processo legal. PROVAS Tendo sido a ação fiscal desenvolvida no sentido de trazer aos autos os elementos de prova suficientes para demarcar o ilícito fiscal, com a anexação de cópias de documentos que comprovam as situações descritas no Relatório de Ação Fiscal e com a apresentação de demonstrativos, onde consta a indicação do documento que lhe deu suporte, com a referência à folha do processo em que se encontra, incabível a alegação de que o lançamento se deu por dedução subjetiva da autoridade fiscal. OBSERVAÇÕES ACERCA DA CONDUTA DO FISCALIZADO – As referências da autoridade fiscal à conduta do fiscalizado, no sentido de que sua intenção seria burlar o fisco, em nada influíram para o desfecho da autuação, vez que não lhe foram irrogadas penalidades majoradas por tal fato. IRPF ALEGAÇÃO DE CONFISCO Não há que se falar em confisco se o auto de infração se deu em plena conformidade com os dispositivos legais trazidos à colação e ali enumerados, que respaldam a tributação das quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO MÚTUO A contratação de empréstimo entre particulares despida de comprovação da transferência do correspondente numerário, ainda que constante das declarações de ajuste anuais dos contratantes apresentadas a destempo e após o início do Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 procedimento de ofício, não constitui origem para eventuais aplicações. ABRANGÊNCIA DA APURAÇÃO Tributamse, mensalmente, os acréscimos patrimoniais a descoberto que evidenciam renda auferida e não declarada, desde que o levantamento tenha, comprovadamente, abrangido todos os acréscimos e decréscimos no patrimônio do contribuinte. ALCANCE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS AO FISCO EM DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS A entrega de declaração não é capaz de inibir a ação fiscal, pois, não estando a Administração Tributária adstrita apenas às informações prestadas pelos contribuintes, cabelhe a averiguação dos dados informados para a aferição do cumprimento das obrigações tributárias, podendo a autoridade fiscal ter se utilizado das informações sobre as aquisições de bens e direitos trazidas nas declarações entregues, para compor a evolução patrimonial do sujeito passivo, ainda mais quando este, em resposta a termo de intimação emitido pela autoridade fiscal, afirma aceitar e confirmar todas as aplicações realizadas. Recurso negado.” (Acórdão nº 10614.181 da 6ª Câmara do 2º C.C.) “PIS BASE DE CÁLCULO Para decretação de nulidade do lançamento é imprescindível a demonstração de prejuízo para a defesa, o que inocorreu na espécie. 2 Matéria idêntica a litigada no Poder Judiciário não pode ser conhecida pelos órgãos administrativos. 3 A base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador (Precedentes do STJ REsp 240.938/RS e CSRF Acórdão n 2 02087). Recurso voluntário não conhecido quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, e provido parcialmente nos demais aspectos.” (Acórdão 20173.952 da 1ª Câmara do 2º C.C.) Entendo, no entanto, não restar configurada a divergência na medida em que as decisões analisam situações fáticas e aplicação de legislação distinta, como já reconhecido por esta C. Câmara Superior em diversas outras oportunidades. Como se verifica das ementas acima transcritas os acórdãos apontados como paradigma rejeitaram a preliminar de nulidade do lançamento por vícios quanto ao MPF, em casos nos quais os autos de infração envolviam tributos administrado pela então Secretaria da Receita Federal (atual Receita Federal do Brasil). No caso do v. acórdão recorrido o voto condutor analisou a aplicação à hipótese do Decreto nº 3.969/2001, que regula exclusivamente o planejamento, fiscalização e cobrança de contribuições previdenciárias, como se verifica do seguinte trecho do voto condutor: “Não consta em ato normativo hipótese de emissão do MPF sem que haja necessidade de ser intimado o sujeito passivo. Conforme disposição expressa no art. 40 do Decreto n 3.969, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35464.000804/200630 Acórdão n.º 920201.596 CSRFT2 Fl. 4 7 deverá ser dada ciência do MPF ao sujeito passivo, sendo, portanto, norma cogente para o Auditor Fiscal. Art. 40 O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pelos órgãos competentes, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Além do mais, o art. 19 do Decreto n 3.969 exige que o MPF seja emitido em três vias, uma das quais deve ser dada ao sujeito passivo. Art. 19. Os MPFs de que trata este Decreto serão emitidos em três vias, que terão as seguintes destinaçães: I sujeito passivo; II processo administrativo fiscal, quando instaurado,. III arquivo da unidade regional previdenciária do domicílio do sujeito passivo. Desse modo, resta evidenciado o erro do procedimento fiscal. Sendo assim, há que ser considerada urna nova ação fiscal. Para urna nova fiscalização destinada à lavratura de lançamento tem que ser emitidos novos documentos: TIAD e TEAF, sendo inserviveis os emitidos para outra ação fiscal.” Resta claro, portanto, que o v. acórdão recorrido e os paradigmas trataram de situações fáticas relativas a diferentes tributos e normatizações aplicáveis ao MPF específicas para cada um deles. Entendo, dessa forma, que os paradigmas colacionados aos autos não se prestam a demonstrar a divergência de teses necessária ao conhecimento do recurso especial. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 01/08/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11618.001129/2003-54
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2000, 2001
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CURSO DO PROCESSO FISCAL.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33)
Numero da decisão: 1801-000.840
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000, 2001 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CURSO DO PROCESSO FISCAL. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33)
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CURSO DO PROCESSO FISCAL. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Súmula CARF nº 33) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Jaci de Assis Junior, Edgar Silva Vidal, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0814.951/09 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza/CE, fls. 283 e seguintes, que manteve em parte a autuação sofrida, consubstanciada no Auto de Infração lavrado para a exigência fiscal de CSLL relativa Fl. 340DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 aos quatro trimestres de 1999 e 1º e 4º trimestres de 2000 – fls. 05 a 13, perfazendo o total de R$ 453.374,69, incluídos os juros e a multa de ofício regular pertinentes. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “Conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, fl 7, o lançamento decorreu do levantamento de diferenças apuradas entre os valores declarados e aqueles escriturados pela empresa para os fatos geradores de 31/03/1999, 30/06/1999, 30/09/1999, 31/12/1999, 31/03/2000 e 31/12/2000. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 19/05/2003, fls 187, o contribuinte apresentou impugnação em 18.06.2003, fls 199/207, alegando, dentre outros assuntos, o que se segue: A autoridade administrativa, ao apurar o crédito tributário lançado, teria deixado de observar o procedimento realizado pela empresa relativo à compensação da CSLL com 1/3 da Cofíns, prevista no art. 8% §1% da Lei n° 9.718/98. Como justificativa, teria aquela autoridade argumentado que o crédito utilizado para a compensação a que se refere a norma citada deveria originarse de Cofíns "efetivamente paga", o que não viria a ser o caso presente. A Cofíns do período teria sido paga mediante compensação, devidamente informada na DIPJ. Por fim, o contribuinte pugnou pela improcedência do lançamento e, subsidiariamente, pela realização de perícia e pela aplicação da multa moratória, em vez da multa de ofício, já que a autuação levou em conta dados informados nas declarações prestadas pelo contribuinte (DIPJ e DCTF). Diligência solicitada às fls. 231/233, com o objetivo de verificar a "regularidade da compensação efetuada pelo contribuinte para quitação dos débitos da Cofíns relativos aos quatro trimestres do anocalendário de 1999". Aquela turma antes de se pronunciar sobre o litígio, converteu o julgamento na realização de diligências, consoante Resolução nº 1.003/07, de fls. 231 e ss, objetivando que a fiscalização verificasse junto à contabilidade da recorrente as compensações efetuadas para quitação da Cofins, relativas aos quatro trimestres de 1999, e, posteriormente, à compensação permitida pela norma tributária com a CSLL do mesmo período, nos limites estabelecidos. Em resposta à diligência solicitada, a autoridade designada ao feito apresentou a Informação Fiscal de fls. 275 a 278, concluindo que restou, para o anocalendário de 1999, os valores a recolher, a título de CSLL, de R$ 341,76 e R$ 24.758,04, para os 1º e 4º trimestres, respectivamente. Observo que nos outros dois trimestres, 2º e 3º de 1999, houve base de cálculo negativa de CSLL nos valores de R$ 26.547,38 e 33.648,31, respectivamente. Oportunizado o contraditório à interessada, manifestouse pelo cancelamento do crédito tributário por não haver a autoridade fiscal observado a compensação da base negativa de CSLL apurada nos períodos anteriores com o saldo a pagar de CSLL apurado no 4º trimestre de 1999 – fls. 280 e 281. O votocondutor do aresto assim fundamentouse: “O impugnante aduziu que os valores utilizados para a quitação da Cofíns, que se dera por meio de, compensação, não poderiam ser desconsiderados do montante Fl. 341DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.001129/200354 Acórdão n.º 180100.840 S1TE01 Fl. 328 3 efetivamente pago, a título daquela contribuição, para os períodos em análise, haja vista que tal modalidade de extinção do crédito tributário (compensação) constituir seia em efetivo pagamento, o que estaria, portanto, subsumida à letra do comando normativo inserto no art. 8o, §1° da Lei h° 9.718/98, que autorizava a compensação de 1/3 da Cofíns efetivamente paga com a CSLL devida. Nesse ponto, cabe esclarecer, inicialmente, que tal possibilidade de compensação, referida nos §§ 1o ao 4o do supracitado art. 8o da Lei n° 9.718/98, teria efeito, apenas, para o anocalendário de 1999, posto que revogada a partir de 1o de janeiro de 2000 pelo art. 35, III, da Medida Provisória 1.85810, de 26 de outubro de 1999, cuja redação consta do art. 93, III, da Medida Provisória 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O art. 8.° da Lei n° 9.718/98, que elevou para 3% a alíquota da Cofíns, estabeleceu em seus §§ 1o ao 4o que a pessoa jurídica poderia compensar, com a CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da Cofíns efetivamente paga, calculada em conformidade com o estabelecido no mesmo dispositivo, como segue: Art. 8o Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. § 1o A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2o A compensação referida no § 1o: 1 somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3o Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüente. [...] A informação fiscal resultante da diligência dá conta de que o crédito compensado com a Cofíns constituise de pagamento a maior realizado a título do extinto Finsocial. Por sua vez, o direito de compensar essa diferença foi reconhecido ao contribuinte judicialmente, sendo que, posteriormente, a compensação foi implementada pela própria Fiscalização no mesmo procedimento fiscal que deu origem ao auto de infração em exame, quando foram geradas as planilhas de fls 269/271. Como se verifica, a natureza do crédito compensado com a Cofins (recolhimento a maior) e a forma de efetivação da compensação (observância das formalidades previstas na IN SRF 21/1997) qualificam a compensação como um efetivo pagamento da Cofins, para o fim estipulado no §1° do art. 8.° da Lei n° 9.718/98. Imbuído dessa convicção, a informação fiscal produziu a seguinte tabela demonstrativa da compensação da CSLL com o crédito relativo a "1/3 da Cofins efetivamente paga": Fl. 342DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [tabela de valores] Restaram, portanto, saldos a pagar a título de CSLL, relativamente aos primeiro e quarto trimestres de 1999, porquanto insuficiente o crédito oriundo da "Cofins efetivamente paga", e relativamente aos primeiro e quarto trimestres de 2000, porquanto essa sistemática de compensação já não mais vigia em 1.° de janeiro de 2000. No entanto, ao manifestarse acerca da informação fiscal, o impugnante pretendeu que se compensasse os saldos negativos relativos aos segundo e terceiro trimestres de 1999 com os débitos remanescentes concernentes aos outros trimestres. Tal pretensão avultase, todavia, juridicamente inviável, em virtude de expressa e inequívoca dicção legal contida no inc. I do § 2o do art. 8.° da Lei n° 9.718/98 (retrotranscrito), que apenas admitia a compensação em relação à Cofíns correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta. Dessa forma, eventual saldo do crédito relativo a "1/3 da Cofíns" não pode ser aproveitado para compensação com débitos de CSLL com fatos geradores não correspondentes aos fatos geradores da Cofíns efetivamente paga.” Resolveu ainda a turma julgadora exonerar a contribuinte da multa de ofício aplicada pela seguinte razão: “Quanto à exigência da multa de ofício (75%), o contribuinte deve ser dela exonerado, tendo em vista que a legislação tributária (art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com a redação dada pela Lei n.° 11.051/2004) deixou de cominar tal penalidade para infração relativa à nãohomologação de compensação declarada pelo contribuinte, desde que não configurada a hipótese de fraude ou sonegação fiscal, o que não é o caso (art 106, inc. II, "c", do CTN).” Desta forma, restou a ser apreciado em sede recursal os valores de CSLL não recolhidas/declaradas em DCTF, acrescidos de encargos moratórios: Período de apuração Valor da CSLL (R$) 1.° Trimestre de 1999 341,76 4.° Trimestre de 1999 24.758,04 1.° Trimestre de 2000 113,42 4.° Trimestre de 2000 8.622,55 Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 295 e ss argüindo que apresentou DIPJ retificadoras para os anoscalendários de 1999 e 2000 e, consoante comprovam estas DIPJ/01 e 00, não há saldo de CSLL a pagar para nenhum dos trimestres dos respectivos anoscalendários. Anexa ao recurso pesquisas demonstrando as datas de entrega das referidas DIPJ com a anotação “liberadas” e cópias das mesmas – fls. 314 a 325. Observo que a DIPJ/01 retificadora foi emitida via internet em 02/06/06 e a DIPJ/00 retificadora foi emitida em 17/06/05. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11618.001129/200354 Acórdão n.º 180100.840 S1TE01 Fl. 329 5 Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pretende cancelar o lançamento tributário consubstanciado às fls. 05 a 12 com a apresentação de DIPJ retificadoras pelas quais informa novos valores a título de CSLL. O lançamento tributário foi regularmente formalizado e a empresa foi devidamente cientificada em 19/05/03. Para desconstituir o ato administrativo de lançamento, ou modificálo, por gozar da presunção de legitimidade, somente uma decisão posterior prolatada pelos órgãos administrativos judicantes é hábil, nos termos dos artigos 42, 43, 44 e 45 do Decreto nº 70.235/72 que disciplina o processo administrativo fiscal – PAF, ou por sentença favorável obtida junto ao Poder Judiciário. A apresentação de declarações pelo contribuinte após a abertura do procedimento fiscal não tem este condão. Ademais, as DIPJ possuem caráter meramente informativo e não possuem natureza constitutiva. O entendimento da recorrente não encontra guarida neste órgão colegiado de segunda instância. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Afastada a possibilidade de serem consideradas as informações veiculadas nas DIPJ retificadoras apresentadas pela recorrente em 17/06/05 (DIPJ/00) e 02/06/06 (DIPJ/01), portanto após o início do procedimento fiscal deflagrado em 18/07/02 (fls.14 e 15), adoto as demais razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Voto em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 344DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 20/01/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001213/2005-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF
Período de apuração: 04/08/1999 a 12/01/2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO.
A decadência do direito de lançar os créditos referentes à CPMF extingue 5 após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do CTN.
Numero da decisão: 9303-001.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciar a questão de mérito da parte não decaída. Vencidos os
Conselheiros Júlio Cesar Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que consideravam decaídos o período até dezembro/1999.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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LANÇAMENTO. A decadência do direito de lançar os créditos referentes à CPMF extingue 5 após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do voto do Relator, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciar a questão de mérito da parte não decaída. Vencidos os Conselheiros Júlio Cesar Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que consideravam decaídos o período até dezembro/1999. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 20/09/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Maurício Rabelo de Albuquerque Silva , Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes que deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, declarando decaído o débito inserido no Auto de Infração, objeto do presente processo. Não houve a análise do mérito, mas tão somente da decadência, questão que foi levantada de ofício pela relatora da instância a quo. Assim não há porque se fazer um relatório pormenorizado dos fatos. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Foi analisada somente a questão da decadência, por se tratar de matéria de ordem pública, apesar de não ter sido suscitada pela recorrente. Assim, não se fez a análise do mérito, a não ser de sua prejudicial, que é o prazo decadencial. Portanto se este colegiado der provimento ao Recurso interposto pela fazenda nacional, os autos deverão retornar para a Câmara de origem para que seja analisado o mérito. Caso se mantenha a decisão pela decadência a decisão se torna definitiva. De qualquer forma a análise meritória não será feita nesse momento, Por esse colegiado. Em que pese a decisão recorrida trazer em sua ementa apenas a referência da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91, a questão posta é meramente acerca do termo inicial do prazo decadencial da CPMF. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.001213/200552 Acórdão n.º 930301.645 CSRFT3 Fl. 111 3 Neste caso se aplicou no acórdão , como termo inicial o art. 150, par. 4º do CTN, mesmo não havendo pagamento do tributo. Como sabemos, o CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10830.001213/200552 Acórdão n.º 930301.645 CSRFT3 Fl. 112 5 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Com a devida vênia, não há como concordar com a decisão exarada pela instância a quo, cujo excerto principal reproduzimos abaixo. No presente caso, não há registro de que tenha havido pagamentos nos períodos lançados, exceto aquele apresentado pelo sujeito passivo, tanto em sua impugnação, como no recurso voluntário, o qual se traduz na própria questão de mérito do presente lançamento. No entanto, entendo ser cabível a aplicação do disposto no artigo 150, § 4° do CTN, independentemente de ter havido, ou não, recolhimentos, considerando que o relatório que deu origem ao lançamento consta como entregue à RFB em 27/06/2001 (fl. 14), estando, portanto, a Fiscalização apta a efetuar a constituição do crédito desde aquela data, vindo a fazê lo, porém, apenas em 2005. Tendo em vista que a ciência do lançamento se deu em 28/03/2005 (fl. 12), constatase a ocorrência da decadência do Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 direito de a Fazenda constituir o crédito tributário relativo a todos os períodos lançados, encontrandose o referido direito extinto em gosto de 2004 e, sucessivamente, até janeiro de 2005, respectivamente a cada mês, anteriormente, portanto, à ciência do auto de infração. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, considerandose indevida a presente exigência, em razão da decadência do direito de lançar. Feita a explanação conceitual, passemos agora a análise detalhada do caso in concreto. No caso em tela não houve qualquer tipo de pagamento. Aplicarseá dessa forma o preceituado no art. 173, I do CTN. O período de apuração vai de 04/08/1999 a 12/01/2000. Com efeito o prazo decadencial da parte relativa ao ano de 1999, expira em 31 de dezembro de 2004. Em relação a parte do débito cujos fatos jurígenos ocorreram em 2000, o prazo para o fisco proceder ao lançamento expirase em 31 de dezembro de 2005. A ciência do lançamento se deu em 28/03/2005. Portando encontrase decaído o direito da fazenda de lançar todos os valores relativos ao ano de 1999, neste caso, o período compreendidos entre 04/08/1999 a 30/11/1999. Em contra partida não se encontra o prazo decadencial expirado para o período compreendido entre 01/12/1999 e 12/01/2000. Dessa forma, dou provimento parcial ao recurso da procuradora. Os autos devem retornar a instancia a quo , para que seja decidida a questão do mérito da parte não decaída. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/02/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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