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Numero do processo: 16095.000304/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
IPI. COMPETÊNCIA.
Somente na hipótese de os fatos apurados no âmbito da fiscalização do IPI
terem dado origem à infração da legislação do imposto de renda é que se
configura a competência da 1ª Seção do Carf para apreciar o recurso relativo
ao IPI.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
IPI. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTAÇÃO.
A aplicação de multa qualificada exige a descrição e enquadramento legal
específicos da conduta do sujeito passivo quanto à subsunção à norma
ensejadora da qualificação da multa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber José da
Silva.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 IPI. COMPETÊNCIA. Somente na hipótese de os fatos apurados no âmbito da fiscalização do IPI terem dado origem à infração da legislação do imposto de renda é que se configura a competência da 1ª Seção do Carf para apreciar o recurso relativo ao IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 IPI. MULTA QUALIFICADA. FUNDAMENTAÇÃO. A aplicação de multa qualificada exige a descrição e enquadramento legal específicos da conduta do sujeito passivo quanto à subsunção à norma ensejadora da qualificação da multa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Walber José da Silva. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 1455 a 1481) apresentado em 13 de agosto de 2009 contra o Acórdão no 1424.184, de 21 de maio de 2009, da 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1398 a 1420), cientificado em 20 de julho de 2009, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de janeiro a dezembro de 2004, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São nulos somente os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 2004 FALTA DE LANÇAMENTO. VALORES DESTACADOS EM NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS. “CIRCULARIZAÇÃO” DE CLIENTES. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000304/200861 Acórdão n.º 330201.427 S3C3T2 Fl. 1.502 3 Procede a exigência do imposto destacado em notas fiscais de saídas emitidas pelo sujeito passivo, obtidas em procedimento de “circularização” de seus clientes, que não integraram a escrita fiscal. APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CRÉDITOS ALEGADOS NA IMPUGNAÇÃO. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de oficio, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. Cabível a qualificação da multa, quando evidenciado nos autos que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, dolosamente, o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 12 de junho de 2008, de acordo com o termo de fls. 1006 a 1011. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração, e respectivos demonstrativos, de fls. 1.012/1.021, que se prestou a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, assim como os respectivos juros de mora e multa de ofício, em razão da constatação da falta de recolhimento do imposto destacado em notas fiscais de saídas, conforme apurado em procedimento de “circularização de fornecedores” no âmbito do procedimento de fiscalização do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, cujo lançamento foi recepcionado pelo processo administrativo nº 16095.000307/200802, impugnado juntamente com o presente processo. [...] O lançamento do imposto fundouse nos seguintes artigos do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento do IPI RIPI/02): 34, inc. II, 122, 124, 125, inc. III, 127, 130, 200, inc. III e IV; como também no disposto no art. 9º da Lei nº 11.033/2004. A multa aplicada, por sua vez, foi aquela prescrita no art. 80, inc. II, da Lei nº 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96, “por crime contra a ordem tributária”. O procedimento de fiscalização, realizado sob a determinação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.11.002008 001423 (fl. 01), iniciouse com o objetivo de verificar o cumprimento de obrigações tributárias no âmbito do IRPJ. Posteriormente, por meio de MPF nº 08.1.11.002008001621 Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 (fl. 08), as verificações relativas ao IPI foram incluídas naquele procedimento. O processo principal, relativo ao IRPJ e tributação reflexa, é o de nº 16095.000307/200802, já julgado por esta 3ª Turma, conforme Acórdão de nº 1420.622, de 25/09/2008 (fls. 1372/1390). Referido procedimento de fiscalização, e as conclusões dele decorrentes, foram brevemente relatadas no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais de fls. 1.006/1.011, doravante denominado de TVF. Segundo o relato da autoridade fiscal no referido TVF, o procedimento de fiscalização iniciouse em 27/04/2007, com a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que determinou a sua realização, assim como do Termo de Início de Fiscalização, por meio do qual foi solicitada a apresentação dos livros Caixa ou Diário e Razão (Lucro Presumido), relativo ao ano de 2004; Registro de Saídas e Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência; talonários de notas fiscais (meses de janeiro e fevereiro, de 2004); cópia do Contrato Social e alterações; Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica do exercício de 2005 (DIPJ 2005). Em resposta a esta intimação inicial, a fiscalizada entregou parte do que foi solicitado, e informou que não pôde entregar as notas fiscais e os livros Caixa ou Diário e Razão, assim como o Registro de Saídas, porquanto estariam de posse do fisco estadual, em virtude de Regime Especial “ExOfficio” para cumprimento de obrigações fiscais, a que fora submetida após comunicar o extravio de livros e documentos fiscais que lhe foram furtados. A intimada anexou à sua correspondência, entregue em 15/05/2007, cópias do Boletim de Ocorrência relativo ao referido furto, datado de 12/04/2004, assim como da publicação do fato em três jornais, da comunicação do fato ao fisco estadual, datada de 21/05/2004, do referido Regime Especial, e de diversos protocolos de entrega de documentos relativos àquele regime. Todos estes documentos encontramse acostados ao citado processo do IRPJ. Em 19/07/2007, a fiscalizada apresentou Notificação do Fisco paulista acerca de seu protocolo de solicitação de documentos (livros Registro de Saídas e notas fiscais de saídas, do ano de 2004), informando que o pedido é insubsistente porquanto “os documentos não se encontram em poder do fisco, por não terem sido objetos de fiscalização ou de outro procedimento fiscal” (fl. 1.008). Posteriormente, a fiscalizada fora reintimada (momento em que se estendeu a solicitação de notas fiscais para todo o ano de 2004), por duas vezes a apresentar a documentação inicialmente solicitada (fls. 31/34), não tendo atendido às reintimações. A fiscalização apurou, então, a receita de vendas do ano de 2004 baseada em documentos fiscais (cópias de notas fiscais de saída, dos pedidos, das respectivas duplicatas e dos pagamentos) apresentados por seus clientes que informaram as suas compras em suas DIPJs 2005, em atendimento à solicitação fiscal, dentro Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000304/200861 Acórdão n.º 330201.427 S3C3T2 Fl. 1.503 5 do procedimento de “circularização de fornecedores”. Neste procedimento foram constatados destaques de IPI nas notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo, embora este não tenha informado apuração deste tributo na sua DIPJ 2005. A Tabela I do TVF (fl. 1.009) consolida as informações mensais dos débitos de IPI apurados conforme destaques nas referidas notas fiscais. Em 05/03/2008, a fiscalizada foi intimada (e posteriormente reintimada, fls. 35/37) a apresentar os livros Registros de Entrada, de Saída e de Apuração do IPI, relativas ao ano de 2004, em razão da inclusão do IPI no procedimento de fiscalização, assim como os demais documentos e livros até então não apresentados. E também não atendeu a estas intimações. Em face do não atendimento às intimações fiscais, foi lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização de fls. 38/39, nos termos do inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/96, “pela negativa não justificada de exibição dos livros e documentos em que assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado”. A autoridade fiscal procedeu, então, à elaboração de “Demonstrativo do IPI destacados em notas fiscais de saídas” (fls. 978/1.005), no qual encontramse relacionadas as informações constantes de todas as notas fiscais obtidas no procedimento de “circularização”. E estas informações foram posteriormente consolidadas conforme os respectivos períodos de apuração, nos termos da Tabela II do TVF (fl. 1.010), obtendose os montantes do imposto a ser lançado de ofício, com supedâneo no seguinte enquadramento legal: art. 34, inc. II, 122, 124, 125, inc. III, 127, 130, 200, inc. III e IV, todos do Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI – RIPI/02). O sujeito passivo foi pessoalmente cientificado da autuação (fl. 1.018), em 12/06/2008, tendo protocolado sua impugnação ao lançamento em 10/07/2008, conforme peça de fls. 1.024/1.050 e anexos arrolados na fl. 1.051, na qual, após relatar todo o procedimento da fiscalização, aduziu, em síntese: a) que se insurge contra o crédito tributário lançado, “tendo em vista o enquadramento do lançamento tributário com base na agravante da imposição da multa qualificada de 150%”; b) que “estava impossibilitada de fornecer seus controles fiscais às autoridades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), pois, parte dos documentos exigidos foram roubados, conforme consta do BO acostado à presente impugnação (Anexo 03). Quanto aos demais documentos, esses foram apresentados durante todo o ano de 2004, ao Posto Fiscal de Guarulhos – órgão integrante da Fazenda Pública do Estado de São Paulo”; c) que, em razão de Regime Especial Ex Officio da Fazenda Estadual de São Paulo, a qual está submetida desde 29/11/2004, Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 “é compelida a entregar, mensalmente, no quinto dia útil, diversos livros, documentos e arquivos magnéticos fiscais, que atestem as atividades promovidas pela Contribuinte no período de apuração anterior (Anexo 4)”; d) que “há que se reconhecer a dificuldade imposta ao atendimento simultâneo das obrigações acessórias, consistentes no envio dos registros fiscais as autoridades do Estado de São Paulo e as da Receita Federal do Brasil, uma vez que os documentos citados no parágrafo anterior eram retidos pelo órgão estadual, face a aplicação do Regime Especial ‘Ex Officio’ ”; e) que os documentos (notas fiscais de entrada e saída) estavam em poder do Posto Fiscal de Guarulhos e somente foram devolvidos em 04/07/2008. E o “Protocolo de devolução de livros e documentos fiscais” menciona o seguinte: “Essa notas fiscais estão custodiadas no Posto Fiscal de Guarulhos por força do regime especial a que está submetido o contribuinte” (Anexo 05); f) que se estivesse agindo de máfé, “com a intenção de omitir valores financeiros, jamais forneceria à Receita Federal as informações de que estava sob a fiscalização permanente da Fazenda Pública do Estado de São Paulo, bem como de que foi acometida por roubo em seu estabelecimento industrial”, o qual “denota a presença de fato alheio à sua vontade”. Assim sendo, “não é justo ou razoável que a imposição da multa de 150% recaia sobre a Contribuinte”, uma vez não caracterizado o dolo ou a tentativa de fraude; g) que “o documento proveniente do Posto Fiscal de Guarulhos (Anexo 5), não deixa margem para dúvidas de que as notas fiscais do ano de 2004 estavam retidas por força do Regime Especial”. E “a Autoridade Fazendária da Fazenda Pública do Estado de São Paulo consignou, claramente que estas notas fiscais estão custodiadas no Posto Fiscal de Guarulhos por força do regime especial a que está submetido o contribuinte”; h) que se percebe “a patente desorganização do órgão estadual ao responder, em 17/05/2007 para a Autuada que os documentos solicitados pelo contribuinte não se encontram em poder do fisco, por não terem sido objetos de fiscalização ou de outro procedimento fiscal (fls. 1.008 do presente processo). Contudo, importante mencionar que antes de sofrer a imposição do Regime Especial ‘ExOfficio’ do ICMS, a Contribuinte já era permanentemente fiscalizada pelo órgão arrecadador do Estado de São Paulo, sendo o Regime Especial mera conseqüência das inúmeras fiscalizações que sofrera”. Ou seja, “em momento algum a Contribuinte não zelou pela guarda e conservação de seus livros e documentos que ensejassem a imposição da multa qualificada de 150%”; i) que a base legal utilizada pelo autuante para qualificar a multa (art. 80 da Lei nº 4.502/64) foi revogada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/2007 que alterou, inclusive, o caput do referido dispositivo legal. E, por isso, “com base na Lei 4.502/64, o lançamento de ofício só poderia ser validado com a aplicação do Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000304/200861 Acórdão n.º 330201.427 S3C3T2 Fl. 1.504 7 percentual de 75% do valor que deixou de ser lançado ou recolhido, nos termos do caput do art. 80”. Ademais, como ficou provado que “não agiu de forma dolosa com o objetivo de retardar o conhecimento das informações por parte do Fisco”, já que sequer dispunha da informações por ele solicitadas, não estão presentes as hipóteses prescritas nos art. 71 a 73 da referida Lei nº 4.502/64, que se prestam a justificar a qualificação da multa; j) que a jurisprudência de algumas Delegacias de Julgamento “acordam no sentido de somente aplicar a multa de 150% quando verificada a presença do dolo na ação ou omissão do contribuinte”. Aplicável, à espécie, o disposto no art. 112, inc. IV, do CTN, consoante posicionamento do Egrégio Conselho de Contribuintes; k) que a multa aplicada, no patamar de 150%, “afigurase confiscatória”, violando o disposto no art. 150, inc. IV, da Constituição Federal. A este respeito, observase que o valor do tributo exigido no auto de infração é inferior ao valor da multa; l) que a “graduação da multa também deve obedecer a capacidade econômica do sujeito passivo, não por acaso, entre os direitos fundamentais do contribuinte, podemos visualizar o princípio da capacidade contributiva consagrado no § 1º do artigo 150 da Constituição Federal, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade da tributação”. Não pretende que se deixe “de aplicar a multa pelo descumprimento de obrigações tributárias, contudo, é forçoso reconhecer que a multa de 150% é por demais excessiva, o que compromete, de imediato, o desenvolvimento das atividades empresariais da Impugnante”. Sobre a impossibilidade de exigir multas confiscatórias, o STF “sufragou sua posição”, no julgamento da ADIn nº 551/RJ; m) que a imposição da multa qualificada “impede o regular exercício da atividade econômica da empresa”, violando o disposto no artigo 170 da Carta Magna. Portanto, “conveniente e de imperiosa redução da multa de 150%, para 20% do tributo exigido”; n) que o art. 200, incisos III e IV, permite o aproveitamento do crédito de IPI, “que, em decorrência das particularidades da Impugnante, ainda não fora apurado, já que as notas fiscais que autorizam o creditamento do imposto em comento estavam sob a fiscalização da Fazenda Estadual do Estado de São Paulo e somente foram liberadas em 04/07/2008”. A partir de então, procedeu aos cálculos dos créditos de IPI, conforme demonstrativo integrante da peça reclamatória (fl. 1.047), que apurou um montante total de créditos igual a R$ 230.886,28, para o ano de 2004, a partir das notas fiscais cujas cópias autenticadas compõem o Anexo 6. Neste caso, “o crédito tributário originalmente exigido no Auto de Infração, deve sofrer uma redução de R$ 231.105,28, passando a ser de R$ 969.774,54. Por conseqüência, a multa de ofício pleiteada nos Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 autos, também sofre sensível redução, motivo pelo qual se requer a NULIDADE do Auto de Infração por ausência real da matéria tributável consistente na falta do critério quantitativo do tributo devido”. Conclui a impugnante asseverando que não houve intenção dolosa que justificasse a lavratura do termo de embaraço à fiscalização e a decorrente aplicação da multa qualificada, e que o lançamento não observou os artigos 150, IV e 170, parágrafo único, da Constituição Federal, assim como o artigo 112 do CTN, “o que implica, por conseqüência, na invalidação do lançamento tributário por afronta ao disposto no artigo 142 do mesmo Código”. Requer, ao final, a decretação da nulidade dos lançamentos, “por desobediência aos comandos inseridos nos artigos supra mencionados”, ou, sucessivamente, a diminuição da multa aplicada “para a margem de 20% do montante do tributo exigido”. Requer, outrossim, “que o valor devido a título de IPI seja reduzido em virtude dos créditos apurados e comprovados por meio dos documentos fiscais juntados ao presente processo”. Protesta, por fim, pela “posterior juntada de outros documentos comprobatórios para provar os fatos alegados na presente impugnação”. O processo foi baixado em diligências nos termos do despacho de fls. 1325/1328, para o fim de comprovar o efetivo direito alegado pela impugnante acerca dos créditos de IPI destacados nos documentos fiscais por ela anexados, tendo em vista a prescrição contida no art. 191 do RIPI/2002, devendo a autoridade fiscal se manifestar sobre “o montante de créditos que deve ser considerado para dedução do imposto lançado de ofício, assegurandose que estes já não tenham sido utilizados, ou não voltem a ser utilizados, na escrita fiscal do contribuinte”. Em atendimento ao solicitado, a autoridade fiscal elaborou as planilhas de fls. 1334/1337, para fins de demonstrar a consolidação da apuração dos créditos de IPI que podem ser considerados na dedução do imposto lançado. Referida apuração excluiu dos créditos pleiteados aqueles relativos às aquisições de bens destinados ao ativo permanente e também de materiais de uso e consumo, conforme relatou a autoridade em sua informação fiscal de fls. 1338/1340. Na referida informação o autuante assinala que o lançamento dos valores de IPI destacados nas notas fiscais de saídas deuse em face de o contribuinte não ter declarado a apuração do IPI no período em questão, não tendo apresentado seus livros fiscais e contábeis em atenção a suas intimações fiscais. Informa a autoridade, outrossim, que não há registros de pedidos de restituição e compensação do contribuinte nos sistemas informatizados da Receita Federal. O sujeito passivo foi cientificado das diligências efetuadas bem como do despacho que as determinou (fl. 1344), tendo apresentado tempestiva manifestação acerca dos mesmos, nos seguintes termos: Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000304/200861 Acórdão n.º 330201.427 S3C3T2 Fl. 1.505 9 a) “o Termo de Embaraço à fiscalização foi lavrado sem o conhecimento de que os documentos exigidos pelo Fisco Federal estavam em poder das Autoridades Fazendárias Estaduais, visto que tal fato só restou inequivocamente comprovado pela Contribuinte no momento da Impugnação com a juntada do Protocolo de Devolução Livros e Documentos Fiscais (fls. 1.133); b) “posteriormente ao Termo de Embaraço, a Contribuinte demonstrou nos autos os vultosos documentos contábeis que estavam em poder do Fisco Estadual e serviram de base para que a Autoridade Fazendária Federal procedesse à revisão do imposto lançado de ofício”; c) como o Fisco Federal “admite como verdadeiro o direito creditório proveniente daquelas notas fiscais que estavam sob a guarda do Fisco Estadual”, reconhece, também, que não houve intenção dolosa da fiscalizada em não exibir os documentos. Em face disto, há que se também rever a multa lançada no patamar de 150%; d) “neste momento, a Contribuinte concorda com o aproveitamento do crédito no valor de R$ 224.165,32 (fls. 1.337). Por outro lado, como a documentação fiscal estava em poder das Autoridades Estaduais, a Contribuinte ainda pretende juntar ao processo dados adicionais que atestam a possibilidade dos créditos em valores superiores aos apontados pelo AFRFB”. Conclui a requerente pedindo pelo deferimento de posterior “juntada de novos documentos comprobatórios para a comprovação da existência direito ao crédito e quaisquer outros documentos necessários a provar os fatos narrados na Impugnação”. Requer, ademais, a redução do percentual da multa lançada, para 75%. " No recurso, a Interessada inicia esclarecendo que a ação fiscal seguiuse à do imposto de renda, objeto do processo administrativo n. 16095.000307/200802 e que a DRJ manteve a qualificação da multa por maioria de votos. Preliminarmente, requereu que o recurso fosse julgado pela 1ª Seção do Carf, com base no art. 6º do Ricarf. No mérito, contestou a qualificação da multa, alegando que o dispositivo capitulado teria sido revogado e afirmou que a DRJ pretendeu alterar a capitulação legal após a lavratura do auto de infração. Ademais, alegou que a Fiscalização não fundamentou a conduta da Interessada nas hipóteses dos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502, de 1964, e que o acórdão de primeira instância, no voto do relator, considerou que, “muito embora tenha apontado o fundamento legal que determina a exigência do percentual majorado, como se viu, no processo administrativo o autuante não justificou a exigência pela conduta dolosa da fiscalizada. Até porque, e entendo que isto é bastante relevante na analise, O AUTUANTE NÃO APLICOU A MULTA QUALIFICADA NO LANÇAMENTO DO IRPJ que motivou o lançamento decorrente do IPI. (sic. fls. 1411)” Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Na sequência, citou entendimentos que reforçariam suas argumentações, requereu a aplicação do princípio constitucional da proporcionalidade e citou entendimento jurisprudencial. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. São apenas duas as matérias suscitadas no recurso: a competência da primeira Seção do Carf e a desqualificação da multa de ofício. Quanto à primeira matéria, de acordo com a Fiscalização, a relação entre os dois processos (IRPJ e IPI) é a seguinte: Diante da negativa de exibição de Livros por parte do contribuinte, embora tenha sido intimado e reintimado reiteradas vezes, esta fiscalização apurou a receita de vendas, para o tributo IRPJ, do período sob exame, baseado nos documentos fiscais (cópia das notas fiscais de saída, dos pedidos, das respectivas duplicatas e dos pagamentos) apresentados por seus clientes que informaram as suas compras efetuadas do sujeito passivo em suas declarações de rendimentos, DIPJ 2005/2004, em atendimento a solicitação do fisco, dentro do procedimento de "circularização de fornecedores". Durante o exame das referidas Notas Fiscais de Saída, foram constatados que o contribuinte efetuou destaques do IPI, conforme demonstra a tabela I abaixo, embora o mesmo tenha informado em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica DIPJ 2005/2004, que não apurou o imposto no período. A primeira instância considerou o seguinte: Não se deve olvidar, ademais, que a presente autuação cingiuse à exigência do IPI destacado nos documentos fiscais emitidos pelo próprio sujeito passivo e por ele não oferecidos à tributação. Portanto, temse que ambos os autos de infração tiveram origem remota na chamada “circularização” de notas fiscais, procedimento que representa a coleta de segundas vias de notas fiscais junto aos adquirentes de produtos. Das notas fiscais encontradas, a Fiscalização apurou a receita para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e constatou o destaque de IPI que se verificou não lançado e não pago. Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000304/200861 Acórdão n.º 330201.427 S3C3T2 Fl. 1.506 11 As notas fiscais, portanto, são a origem de ambos os procedimentos, mas informações distintas, constantes das mesmas notas, permitiram a apuração da base de cálculo de cada tributo (IRPJ e IPI). O Regimento Interno do Carf dispõe o seguinte, conforme destacado pela Recorrente: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: [...] IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. São duas questões distintas. No caso da primeira, tratase de definição de competência; já, no caso da segunda, tratase da reunião de recursos de competência de uma mesma Seção para serem julgados conjuntamente. Portanto, o art. 6º não se aplica ao caso. Quanto ao art. 2º, IV, conforme dispositivo citado acima, para que a competência seja da 1ª Seção, é preciso que os fatos que tenham lastreado a exigência do IPI sejam os mesmos que tenham configurado a prática de infração à legislação do IRPJ. No caso dos autos, a infração à legislação do IRPJ baseouse na omissão de receitas, provada em tese pelas vias das notas fiscais obtidas dos adquirentes de produtos da Interessada. O auto de infração do IPI decorreu da comprovação de fatos geradores pela constatação de lançamento de IPI nas mesmas notas fiscais. A prova material, portanto, foi a mesma: as notas fiscais. Entretanto, os fatos (omissão de receitas e falta de escrituração de IPI lançado em nota fiscal) são distintos. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 12 Além disso, no âmbito do presente recurso, a matéria discutida não tem relação alguma com a do processo do imposto de renda, uma vez que, naquele, não foi lavrada multa qualificada. Dessa forma, do julgamento do recurso relativo ao imposto de renda não se aproveitaria nada para o do relativo ao IPI. Assim, a competência é da 3ª Seção do Carf. Quanto à matéria objeto do recurso, cabe razão à Interessada. A Fiscalização aplicou a qualificação da multa por entender ter ocorrido “crime contra a ordem tributária”. Os crimes contra a ordem tributária estão descritos nos arts. 1º e 2º da Lei n. 8.137, de 1990. Do que consta dos autos, sabese que a Interessada emitiu as notas fiscais, que permitiram a apuração dos tributos devidos, deixando de escriturar o IPI no livro de apuração e negandose a apresentálas à Fiscalização. Podese deduzir que a hipótese de crime contra a ordem tributária seria a do art. 2º, II, da referida lei, uma vez que, em tese, a Interessada teria cobrado o IPI dos clientes e não o teria recolhido aos cofres públicos. Mas a conduta teria que ter sido descrita pela Fiscalização no auto de infração, que não justificou a qualificação. Ademais, a premissa assumida desde o auto de infração de que a prática de crime contra a ordem tributária (Lei n. 8.137, de 1990) ensejaria a qualificação da multa não é a prevista na lei. É que, para efeito de qualificação da multa, o inciso II do art. 80 da Lei n. 4.502, de 1964, previa a configuração de “infração qualificada”. O art. 68, § 2º, da referida lei dispõe que “São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio”, condutas descritas nos arts. 71 a 73. Por isso a Primeira Instância fez as seguintes considerações: Quanto à ausência do dolo, o argumento da impugnante não merece prosperar, diante de sua irregular conduta, que agiu com intenção de impedir ou retardar, dolosamente, o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência dos fatos geradores, quando destacou IPI em notas fiscais, entretanto não informou a apuração deste tributo na sua DIPJ 2005, pelo contrário, respondeu a pergunta: "Apuração e Informações de IPI no Período" com um "NÃO", na ficha 1 de sua declaração (fl. 21), informação que manteve em suas declarações posteriores (fls. 1.393/1396), não prestando assim, nenhuma informação de contribuinte de IPI. Além de informar negativamente informações de IPI em sua DIPJ, não declarou referido imposto em sua DCTF e tampouco recolheu o IPI destacado. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16095.000304/200861 Acórdão n.º 330201.427 S3C3T2 Fl. 1.507 13 Assim, a Primeira Instância fez constar do acórdão a descrição do fato considerado como “infração qualificada” prevista em lei, o que não foi feito no auto de infração, que, genericamente, fez referência a “crime contra a ordem tributária” e não às condutas que ensejariam a multa agravada. O art. 39 do Decreto n. 7.574, de 2011, exige, em seu inciso IV, que o auto de infração contenha “a disposição legal infringida e a penalidade aplicável”. No presente caso, sequer houve descrição da conduta para o agravamento da multa. Dessa forma, no auto de infração não houve descrição adequada e suficiente da motivação que ensejaria a qualificação da multa. À vista do exposto, voto por considerar esta Turma Julgadora competente para apreciar a matéria e, quanto ao mérito do recurso, voto por lhe dar provimento, para reduzir a multa aplicada à de 75%. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11610.002493/00-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 30/09/1990 a 31/10/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-001.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/1990 a 31/10/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do pagamento, conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/09/1990 a 31/10/1995 PIS. PRESCRIÇÃO. RESOLUÇÃO DO SENADO. O prazo prescricional para pleitear restituição da contribuição ao PIS recolhida indevidamente nos termos dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988, é de 05 (cinco) anos contados a partir da Resolução do Senado que suspendeu a vigência dos referidos decretosleis julgados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A PGFN interpôs Recurso Especial a esta CSRF alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito decorrente de pagamento indevido é atribuído ao sujeito passivo e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo,começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, apresentado em 29/09/2000, relativo aos pagamentos efetuados a maior no período de apuração de setembro de 1990 a outubro de 1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Na mesma toada, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11610.002493/0042 Acórdão n.º 930301.852 CSRFT3 Fl. 213 3 pagamentos e pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Assim, visto que a interessada protocolizou seu pedido de restituição em 29/09/2000, somente os pagamentos efetuados anteriormente a 10 anos dessa data estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco, inexistindo qualquer período alcançado pela prescrição. Ante o exposto voto pelo não provimento do recurso interposto pela PGFN, mantendose, na íntegra, a decisão da instância a quo Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/05/2 012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13839.002495/2007-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/09/2005 a 31/07/2006, 01/02/2007 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/09/2005 a 31/07/2006, 01/02/2007 a 31/03/2007
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.195
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/09/2005 a 31/07/2006, 01/02/2007 a 31/03/2007 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.002495/200785 Acórdão n.º 240102.195 S2C4T1 Fl. 137 3 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 37.033.2300, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências 01/97 a 13/97 • 02/98 a 10/98 12/00 e 13/00 • 13/04 • 09/05 a 13/05 01/06 a 07/06 e • 02/07 e 03/07.Os fatos geradores utilizados nesta NFLD são as diferenças das remunerações que integram a base de cálculo da Previdência Social, declaradas em GFIP, e extraídas das folhas de pagamento, pagas aos empregados da empresa e aos contribuintes individuais (administradores/autônomos) que prestaram serviço à empresa. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 03/07/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/07/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 44 a 62. A Decisão de 1ª instância confirmou a procedência parcial do lançamento, pela aplicação da decadência quinquenal, fls. 80 a 96. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 100 a 119. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. A multa imputada na NFLD é ilegal em razão da confissão espontânea do débito efetuada pela Impugnante, por ocasião da entrega da GFIP. 2. De igual forma, os juros aplicados na exigência fiscal, também padecem e vícios, pois estão calculados com base na taxa Selic, cuja utilização em matéria tributária é imprópria, já que a referida taxa destinase tão somente a transações financeiras reguladas pelo Banco Central. 3. O aspecto objetivo da infração fiscal é a mora, sendolhe cabível a correspondente penalidade, qual seja, a multa de mora "ou" os juros de mora, sendo tal duplicidade de penalidade incompatível com o sistema constitucional vigente. 4. A autuação fiscal também se equivocou quando da designação do montante da multa a ser cobrada da Impugnante, vez que mesmo sendo indevida, a agente fiscal arbitrou um valor abusivo, totalmente elevado, afrontando o determinado na legislação fiscal. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 5. A multa imposta pelo INSS à pessoa que tenha expressado a vontade de pagar seus tributos representa verdadeiro confisco e enriquecimento ilícito do INSS em detrimento ao contribuinte. 6. Inaplicabilidade dos juros superiores a 1% ao mês 7. Ainda que haja previsão legal expressa para a exigência dos juros equivalentes à taxa SELIC, a pretensão contida na autuação fiscal é flagrantemente ilegítima e inconstitucional, devendo prevalecer, "in casu", a incidência dos juros à razão de 1% ao mês, conforme previsão contida no parágrafo primeiro do artigo 161 do CTN. Transcreve julgados. 8. Requer o recálculo da NFLD, para que seja afastada a multa moratória, bem como a incidência de juros superior ao percentual de 1% ao mês em conformidade com as disposições contidas no artigo 161 do CTN. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. É o Relatório. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.002495/200785 Acórdão n.º 240102.195 S2C4T1 Fl. 138 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 174. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito observase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e consequente concordância com os termos da NFLD. O recorrente não contestou nenhum dos fatos geradores extraídos do seu próprio documento GFIP, resumindose a alegar a ilegalidade dos juros e multa aplicados, configurando seu caráter confiscatório. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a Decisão de 1 instância. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.002495/200785 Acórdão n.º 240102.195 S2C4T1 Fl. 139 7 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) No que tange a argüição de inconstitucionalidade/ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a aplicação de juros e multa pelo falta de recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, a aplicação da taxa SELIC e da multa moratória, tem respaldo na legislação previdenciária, não podendo a autoridade fiscal deixar de aplicálas. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13839.002495/200785 Acórdão n.º 240102.195 S2C4T1 Fl. 140 9 Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG ou em lançamentos contábeis, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da referida Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 06/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10830.003825/2001-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1997, 1998, 1999
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula n. 2 do CARF).
LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE
IMEDIATA.
Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, nos termos da Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente.”
UTILIZAÇÃO DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO EM CONJUNTO COM OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PARA FINS DE APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO.
Como é cediço, as técnicas de apuração de omissão de rendimentos com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada e acréscimo patrimonial a descoberto são previstas, expressamente, pela legislação pátria, não havendo que se falar em descabimento de sua utilização conjunta. Nesse sentido, enquanto a primeira baseia-seem uma apuração fundada em renda auferida, esta última tem por fundamento a renda consumida pelo contribuinte sem lastro patrimonial.
IRPF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
O imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, nos termos da Súmula n.º 38 deste CARF.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la.
A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos.
Hipótese em que a Recorrente não desconstituiu a presunção.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE
APURAÇÃO.
De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo
patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
CONSIDERAÇÃO DE CHEQUES OMITIDOS, SEM VINCULAÇÃO A UMA EFETIVA DESPESA, COMO DISPÊNDIOS EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante previsto pela Súmula n. 67 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, “Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.”
IRPF. UTILIZAÇÃO CONJUNTA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO COM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSÁRIA CONSIDERAÇÃO, NA ORIGEM DOS RECURSOS, DOS VALORES CONSIDERADOS COMO OMITIDOS NO ANO-CALENDÁRIO DE 1997.
Como se sabe, muito embora seja cabível a utilização conjunta de ambas as técnicas de apuração do imposto, faz-se mister a consideração na origem dos recursos, no tocante ao ano-calendário
de 1998, dos valores considerados como rendimento omitido em 1997. Não sendo considerados como origem, acaba-se por tributar em duplicidade referidos valores, o que não se pode admitir.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.445
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar o item 001 do auto de infração, “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO”. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Cleber Renato de Oliveira – OABSP
250115.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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QUEBRA. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula n. 2 do CARF). LEI 10.174/01 E LEI COMPLEMENTAR N. 105/2001. APLICABILIDADE IMEDIATA. Nos termos do artigo 144, §1º., do CTN, “aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros.” Assim, nos termos da Súmula CARF n. 35, “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” UTILIZAÇÃO DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO EM CONJUNTO COM OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PARA FINS DE APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CABIMENTO. Como é cediço, as técnicas de apuração de omissão de rendimentos com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada e acréscimo patrimonial a descoberto são previstas, expressamente, pela legislação pátria, não havendo que se falar em descabimento de sua utilização conjunta. Nesse sentido, enquanto a primeira baseiase em uma apuração fundada em renda Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 350 2 auferida, esta última tem por fundamento a renda consumida pelo contribuinte sem lastro patrimonial. IRPF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. O imposto sobre a renda de pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário, nos termos da Súmula n.º 38 deste CARF. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos. Hipótese em que a Recorrente não desconstituiu a presunção. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar que o referido acréscimo patrimonial encontra justificativa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CONSIDERAÇÃO DE CHEQUES OMITIDOS, SEM VINCULAÇÃO A UMA EFETIVA DESPESA, COMO DISPÊNDIOS EFETUADOS PELO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. Consoante previsto pela Súmula n. 67 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, “Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.” IRPF. UTILIZAÇÃO CONJUNTA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO COM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSÁRIA CONSIDERAÇÃO, NA ORIGEM DOS RECURSOS, DOS VALORES CONSIDERADOS COMO OMITIDOS NO ANOCALENDÁRIO DE 1997. Como se sabe, muito embora seja cabível a utilização conjunta de ambas as técnicas de apuração do imposto, fazse mister a consideração na origem dos recursos, no tocante ao anocalendário de 1998, dos valores considerados como rendimento omitido em 1997. Não sendo considerados como origem, acabase por tributar em duplicidade referidos valores, o que não se pode admitir. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 351 3 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar o item 001 do auto de infração, “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO”. Acompanhou o julgamento o patrono do contribuinte, Dr. Cleber Renato de Oliveira – OAB SP 250115. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em 5 de setembro de 2008 (fl. 324) contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 298/317) que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 244/246, lavrado em 24 de maio de 2001, em decorrência de omissão de rendimentos em virtude de (i) acréscimo patrimonial a descoberto e (ii) depósitos bancários de origem não comprovada, verificada nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996, 1997, 1998 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 352 4 Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extingue se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ANOSCALENDÁRIO 1996 e 1998. Tributamse, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, que serão computados na determinação da base de cálculo anual do tributo. Em consonância com o disposto no artigo 2° da Lei 7.713/1988, a partir do anocalendário de 1989, para fins de determinação de omissão de rendimentos por análise da variação patrimonial, as alterações devem ser levantadas mensalmente e confrontadas com os rendimentos do respectivo mês. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ANOCALENDÁRIO 1997. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Lançamento Procedente (fls. 298/299). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 324/346), basicamente repisando os argumentos ventilados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, alega o Recorrente, em breve síntese, que: (i) teria havido nulidade na lavratura do auto de infração em referência, eis que, segundo argúi, não haveria nos autos “a forma pela qual o Fisco obteve os extratos bancários de titularidade do Contribuinte”, (ii) seria nulo o auto de infração, igualmente, em virtude da impossibilidade de utilização de dois métodos distintos de apuração do tributo devido, a saber, o acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos bancários de origem não comprovada em uma mesma fiscalização; (iii) estariam alcançados pela decadência os acréscimos patrimoniais a descoberto apurados entre janeiro e abril de 1996; (iv) os depósitos bancários seriam insuficientes para amparar presunção de renda do contribuinte; (v) no tocante aos valores ingressados em conta corrente do contribuinte no anocalendário de 1997, não haveria omissão de rendimentos, eis Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 353 5 que se originariam de depósitos efetuados pelo próprio contribuinte, para cobertura de cheque especial utilizado pelo Recorrente; (vi) no tocante ao acréscimo patrimonial a descoberto, não seria cabível a apuração mensal, tendo em vista que o imposto de renda seria anual; (vii) incabível a inclusão como dispêndio de cheques emitidos pelo contribuinte, sem que houvesse comprovação da efetividade dos gastos, especialmente no que concerne aqueles emitidos sem a indicação do beneficiário; (viii) não haveria como se considerar na rubrica dos dispêndios os recursos em espécie informados pelo contribuinte em sua declaração; (ix) deveria ter sido considerado, como origem, o empréstimo declarado pelo contribuinte; e, por fim, (x) os valores apontados como depósitos bancários de origem não comprovada deveriam ter sido deslocados como origem de recursos no início do anocalendário de 1998, o que não teria sido observado pela fiscalização. No tocante à alegação de nulidade do procedimento fiscal em virtude da impossibilidade de obtenção das informações bancárias do contribuinte, cumpre ressaltar que, ao contrário do quanto destacado pelo Recorrente, com o advento da Lei n.º 10.174/2001, acompanhada, igualmente, da Lei Complementar n.º 105/2001, passouse a admitir, inclusive com eficácia retroativa, a utilização, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, dos dados referentes às contas bancárias dos contribuintes para o fim específico de conferir subsídios às fiscalizações relativas ao recolhimento dos tributos por ela administrados, e, bem assim, como fundamento para a lavratura de eventuais autos de infração. Por esta razão, sendo certo que o lançamento tributário foi realizado em 28/05/2001, isto é, meses após a edição dos normativos em referência, em especial do disposto pela Lei n.º 10.174/01, de janeiro do mesmo ano, não se afigura, no caso vertente, qualquer nulidade apta a censurar a fiscalização. Vale ressaltar, outrossim, no tocante à utilização dos referidos procedimentos com efeito retroativo, de maneira a alcançar fatos geradores realizados anteriormente, que é entendimento assente deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consagrado na Súmula CARF n.º 35, na esteira do que estatui o art. 144, §1º, do CTN, que a utilização de técnicas procedimentais, cujo escopo é possibilitar um maior leque de opções para a fiscalização, como é o caso das leis referidas pelo Recorrente, é permitida no que toca aos rendimentos auferidos anteriormente à sua vigência, respeitado, no entanto, o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário. Confirase: Súmula CARF nº 35: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente.” Por esta razão, assim, inexiste a apontada nulidade no presente auto de infração, cumprindo repisar, outrossim, que as instâncias administrativas são incompetentes para analisar a constitucionalidade ou legalidade de qualquer lei ou norma administrativa, de acordo com o disposto pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72 e, igualmente, em razão da Súmula n. 2 deste CARF. Se tudo isso não bastasse, necessário se faz esclarecer que os extratos bancários apresentados pela fiscalização são da conta corrente mantida pelo Recorrente no Banco Bradesco, cujos recursos seriam da Drogaria Zago de Itapira Ltda. Por esse motivo, os valores nela depositados não foram considerados pela fiscalização (conforme Termo de Constatação, fl. 272 dos autos), devendose, portanto, rejeitar a preliminar suscitada. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 354 6 No tocante à alegação do contribuinte de que seria nulo o auto de infração por utilizar, em uma mesma apuração fiscal, dois métodos de presunção de renda distintos, a saber, o acréscimo patrimonial a descoberto, em conjunto com os depósitos bancários de origem não comprovada, verificase não assistir razão ao Recorrente. De fato, consoante será analisado, mais detidamente, a seguir, referidas técnicas de apuração de renda são complementares; a primeira, acréscimo patrimonial a descoberto, fundase no art. 3º, §1º, da Lei n.º 7.713/88 e estabelece um liame entre os gastos efetuados pelo contribuinte e a respectiva renda declarada, e a segunda técnica, fundase em valores auferidos pelo contribuinte em suas contas bancárias, totalmente incompatíveis com a renda por ele declarada. É dizer, a primeira fundase em renda consumida e o segunda, em renda auferida. Como será visto a seguir, no entanto, a utilização conjunta das referidas técnicas exige, do fiscalizador, a consideração da renda omitida como origem de recursos. No que tange à decadência alegada, entendo não assistir razão ao Recorrente. Com efeito, como tenho me manifestado, entendo que é aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4º., do CTN, pois, à regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Todavia, o fato gerador do imposto de renda é complexivo e se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada anocalendário, tal como enunciado constante da Súmula 38 deste CARF, in verbis: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” Sendo assim, no que se refere ao fato gerador correspondente ao ano calendário de 1996, que, portanto, se aperfeiçoou em 31/12/1996, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31/12/2001. Tendo o lançamento sido notificado em 28/05/2001 (fl. 244), resta patente a inocorrência da decadência. Relativamente à alegação de acordo com a qual não seria legítimo presumir se a renda com base em extratos que demonstram movimentação bancária, entendo que é igualmente desprovida de fundamento. Nesse sentido, cumpre trazer à colação o estatuído pelo artigo 42 da Lei 9.430/96, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 355 7 Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, provase especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. Este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 356 8 intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) É preciso asseverar, por oportuno, que tanto o Decreto 70.235/72, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), consubstanciada na Súmula n.º 2, são claros ao impedirem a análise de inconstitucionalidade de normas, razão pela qual desde já reconheço a improcedência das alegações do Recorrente. Passandose à análise da origem dos recursos depositados, afirma o contribuinte que referido montante seria decorrente de depósitos efetuados pelo próprio, para cobertura de saques de cheque especial, que, segundo alega, poderiam ser cobertos no prazo de 10 dias. Consoante asseverado, no entanto, cumpre ao contribuinte, ao impugnar o auto de infração, nas hipóteses em que demonstrada a existência de depósitos em valores superiores aos limites estabelecidos pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/96, demonstrar, coincidindo valores e datas, a origem dos depósitos efetuados e, bem assim, a natureza dos recursos, de maneira a demonstrar a correta tributação dos valores, ou, igualmente, a não incidência ou isenção do imposto no tocante à espécie. No presente caso, contudo, limitouse o contribuinte a alegar que os valores depositados seriam decorrentes da cobertura de dispêndios realizados dentro do limite do cheque especial, deixando de comprovar, oportunamente, qual a origem dos valores depositados em sua conta corrente. Além disso, ainda que, de fato, a assertiva fosse verdadeira, o que não se pode demonstrar em virtude da ausência de documentos comprobatórios, ainda assim deveria ter o contribuinte provado a natureza dos recursos depositados, não sendo crível, portanto, que os valores retirados sejam idênticos àqueles depositados, posteriormente, pelo contribuinte. Por esta razão, seja em razão da ausência de elementos probatórios das assertivas, seja, ainda, em virtude da falta de comprovação da natureza dos recursos depositados, não merece guarida a alegação do contribuinte, devendose manter o auto de infração no tocante à omissão de rendimentos decorrente de depósitos realizados no ano calendário de 1997. Quanto à alegação de incorreção do procedimento fiscalizatório no tocante aos acréscimos patrimoniais a descoberto, entendo que, igualmente, não merece prosperar. De fato, a presunção legal de omissão de receita que fundamentou a autuação, como cediço, não decorre de arbítrio da autoridade fazendária, mas da própria lei. Tratase, portanto, de presunção legal instituída pelo legislador ordinário, na Lei Federal n.º 7.713/88. Confirase: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 357 9 “Art. 3º. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados.” Em consonância com o preceito legal citado, o Regulamento do Imposto sobre a Renda, editado pelo Decreto n.º 3.000/99, assim dispõe: “Art. 55. São também tributáveis (...): XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...).” É preciso destacar, inclusive, ao contrário da afirmação de que a apuração do acréscimo patrimonial deveria ter sido feita anualmente, que este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na esteira do quanto disposto pelo art. 55 do RIR/99, já consolidou entendimento no sentido de ser curial a apuração em demonstrativo mensal dos acréscimos patrimoniais, consoante se infere dos seguintes precedentes: “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIO DE APURAÇÃO A partir do ano calendário de 1989, a omissão de rendimentos revelada através de "Acréscimo Patrimonial a Descoberto", deve ser apurada mensalmente nos exatos termos do art. 2º. da Lei nº. 7.713, de 1988.” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso de Divergência, Acórdão CSRF/0400.415, relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, sessão de 12/12/2006). “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Sujeitase à tributação, por caracterizar omissão de rendimentos, o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em Análise da Evolução Patrimonial Mensal, não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª. Câmara, Recurso Voluntário nº. 139.458, relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 25/01/2007). “IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL APURAÇÃO MENSAL Tendo o imposto de renda tributação à medida em que os rendimentos vão sendo percebidos deve o fisco, em seu trabalho de análise da atividade do contribuinte, voltarse para o exato momento da ocorrência dos fatos a fim de imputar obediência ao princípio constitucional tributário da isonomia. Destarte, necessária a análise mensal da evolução patrimonial, sem a qual restaria, também, maculada a determinação legal da formação do fato gerador.” Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 358 10 (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 127.683, relator designado Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 22/02/2002) Vejase, por oportuno, que não se trata de alterar o aspecto temporal da hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A interpretação e, bem assim, a aplicação do comando legal em sua inteireza demandam do aplicador a observância de preceitos contidos em outros diplomas legais. Nesse sentido, fazse necessário compatibilizar os dispositivos com a Lei 8.134/1990, que assim dispõe: “Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11.” “Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na fonte durante o anobase, correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art. 10)”. A regra, portanto, é de que o imposto é apurado anualmente. Antes da declaração anual, por força da alteração legislativa ocorrida com o advento da Lei Federal 7.713/88, o sujeito passivo passou a ter o dever de antecipar o seu recolhimento. Entretanto, como se sabe, tal antecipação não é definitiva, a não ser nos casos expressamente previstos em lei, como, por exemplo, no caso do ganho de capital em decorrência da alienação de bens ou direitos, tal como previsto no art. 21 da Lei 8.981/95. Por estas razões, pois, resta descabida a assertiva do Recorrente, sendo certo, portanto, que a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser feita considerandose a origem e dispêndios do contribuinte mês a mês. No entanto, muito embora escorreito o procedimento da fiscalização no tocante a este aspecto, cumpre asseverar que o cálculo dos dispêndios para inclusão nas planilhas de variação patrimonial do contribuinte não pode levar em consideração, simplesmente, cheques emitidos pelo Recorrente sem que se tenha comprovado, de fato, a real ocorrência das despesas, especialmente nas hipóteses, como a presente, em que se levou em consideração, no referido cálculo, também os saldos das respectivas contas correntes, relativas aos cheques emitidos. Assim, tenho para mim que assiste razão ao Recorrente no tocante a este aspecto, sendo descabida, destarte, a contabilização como dispêndio de valores contidos em cheques emitidos pelo contribuinte, apurados na “Planilha 4M” (fl. 115) sem que tenha sido comprovada, efetivamente, a despesa por este realizada. A este respeito, confirase o seguinte precedente: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Exercício. 1999, 2000 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 359 11 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO FLUXO FINANCEIRO INCLUSÃO DE SAQUES BANCÁRIOS COMO DISPÊNDIOS/APLICAÇÕES CHEQUES EMITIDOS Os saques bancários, representados através de cheques compensados e/ou descontados, quando não for comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Mero indício de que foram consumidos não conduz à alocação dos mesmos a titulo de dispêndio ou aplicação, no fluxo de caixa, com objetivo de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Cabe à fiscalização aprofundar seu poder investigatório a fim de demonstrar que os cheques emitidos representam efetivamente gastos suportados pelo contribuinte. Recurso Voluntário provido. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção, Recurso Voluntário n.º 163.801, 10/03/2010) Com relação ao aspecto em referência, vale destacar que foi recentemente editada súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor ora se reproduz: Súmula CARF nº 67: “Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.” Por estas razões, portanto, devese excluir das planilhas relativas à variação patrimonial do contribuinte os valores incluídos como dispêndios na rubrica “14 – DISPÊNDIOS EFETIVOS (CF. PLANILHA 4M)” (fls. 117/120), o que, como se percebe ao refazer os cálculos, exclui a presunção de acréscimo patrimonial a descoberto no ano calendário de 1996. No tocante ao anocalendário de 1998, por sua vez, verificase, igualmente, o equívoco na apuração realizada pela fiscalização, tal como apontado pelo contribuinte. De fato, consoante afirmado anteriormente, não obstante ser possível a utilização conjunta, na fiscalização, das técnicas de presunção decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada e, bem assim, de acréscimos patrimoniais a descoberto, cumpre ao auditorfiscal, na apuração do imposto, para evitar duplicidade de tributação, considerar como origem dos recursos os valores que, igualmente, considerou como rendimento omitido do contribuinte. Nesse sentido, portanto, deveria a fiscalização, ao elaborar a planilha de evolução patrimonial do Recorrente, considerar como origem de recursos, provenientes do ano calendário de 1997, os rendimentos apurados em decorrência de depósitos sem origem comprovada, no valor de R$ 176.198,73. Considerandose, destarte, como origem dos recursos os valores decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada, observase que cai por terra o lançamento tributário referente ao anocalendário de 1998, restando prejudicadas, portanto, as demais alegações do contribuinte in casu. Ainda que assim não fosse, cumpre frisar que, no tocante ao anocalendário de 1998, também devem ser excluídos das planilhas relativas à variação patrimonial do Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.003825/200156 Acórdão n.º 210101.445 S2C1T1 Fl. 360 12 contribuinte os valores incluídos como dispêndios na rubrica “14 – DISPÊNDIOS EFETIVOS (CF. PLANILHA 5M)”. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para cancelar o item 001 do auto de infração, “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO”. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 12DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/02/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13855.000965/2003-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/1994
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF.
De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se
de pedido de restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contando-se da data do pagamento indevido.
NORMAS DO DIREITO PROCESSUAL. NECESSIDADE RETORNO PROCESSO À DRF DE ORIGEM. ENFRENTAMENTO DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO.
Restando afastada a prescrição acolhida na decisão inaugural, a qual prejudicou o enfrentamento do mérito da demanda posta nos autos, impõe-se remeter o processo à DRF de origem para que sejam analisadas as demais questões suscitadas pela contribuinte, mormente em relação à efetiva existência do indébito pretendido.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.948
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência dos pedidos entre 15/05/93 e 30/06/94.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data do pagamento indevido. NORMAS DO DIREITO PROCESSUAL. NECESSIDADE RETORNO PROCESSO À DRF DE ORIGEM. ENFRENTAMENTO DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO. Restando afastada a prescrição acolhida na decisão inaugural, a qual prejudicou o enfrentamento do mérito da demanda posta nos autos, impõese remeter o processo à DRF de origem para que sejam analisadas as demais questões suscitadas pela contribuinte, mormente em relação à efetiva existência do indébito pretendido. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência dos pedidos entre 15/05/93 e 30/06/94. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 24/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório MAGAZINE LUIZA S/A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, em 15/05/2003, que teria sido indevidamente pago em razão da aplicação equivocada da lei tributária na parte concernente à conversão em UFIR, em relação ao período de 01/01/1993 a 30/06/1994, conforme Petição Inicial, às fls. 01/22, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, Acórdão nº 1414.656/2007, às fls. 381/384, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 5ª Turma Especial, em 19/03/2009, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 380500.009, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF ANOCALENDÁRIO: 1993 e 1994 RESTITUIÇÃO, DECADÊNCIA. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago a maior e sujeito ao lançamento por homologação deve ser aquele previsto no art. 168, I, do Código Tributário Nacional, qual seja, 05 (cinco) anos contados da data do pagamento indevido. Recurso negado.” Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 13855.000965/200344 Acórdão n.º 920201.948 CSRFT2 Fl. 509 3 Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 441/469, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o decisum atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 20212.976 e 20303.564, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Sustenta que o entendimento inserido nos Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que o pedido de restituição para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação tem prazo de 10 (dez) anos, contados da data do recolhimento do tributo indevido, na linha da jurisprudência do STJ, ao contrário do que restou decidido pelo julgado recorrido. Contrapõese ao Acórdão atacado, aduzindo para tanto que, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando não homologada a atividade do contribuinte expressamente, ocorrerá tacitamente após 05 (cinco) anos do fato gerador, extinguindo o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, oportunidade em que passará a contar o prazo decadencial de mais 05 (cinco) anos para pleitear a repetição da contribuição paga a maior ou indevidamente, com esteio no artigo 168 do CTN. Assevera que referida tese é a majoritária nos Tribunais Superiores, consoante se infere dos julgados transcritos em sua peça recursal, mesmo após a edição da Lei Complementar n° 118, que teve parte do seu artigo 4° declarado inconstitucional, mais precisamente no que tange à determinação da aplicação retroativa de referido Diploma Legal. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, relativamente ao pretenso indébito, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora guerreado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, prazo prescricional para pedido de restituição de indébito, conforme Despacho nº 21010420/2010, de fl. 482. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 485/489, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL 4 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Segundo Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado nos Acórdãos nºs 20212.976 e 20303.564, ora adotados como paradigmas, oferece proteção ao pleito da contribuinte, uma vez admitir o prazo decadencial de 10 (dez) anos para requerer a restituição de indébitos, sobretudo tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, conforme jurisprudência judicial majoritária. Sustenta, ainda, que na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a atividade do contribuinte quando não homologada expressamente, o será tacitamente, após o decurso do prazo de 05 (cinco) anos do fato gerador do tributo, extinguindo o crédito tributário na forma do artigo 156, inciso VII, do CTN, momento em que passará a fluir o prazo de 05 (cinco) anos para o requerimento da restituição/compensação de tributo pago a maior ou indevidamente, o que se vislumbra no caso vertente. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito do prazo para repetição de indébitos tributários, sobretudo após a edição da Lei Complementar n° 118/2005, lastro do entendimento do Acórdão recorrido, corroborado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento em parte, por se encontrar em consonância com a jurisprudência consolidada no âmbito do Judiciário, especialmente Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Art.165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 13855.000965/200344 Acórdão n.º 920201.948 CSRFT2 Fl. 510 5 “Art.168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” Na hipótese dos autos, não se pode inferir com a segurança que o caso exige existir, de fato, o indébito pretendido, uma vez que o mérito do pedido da contribuinte sequer fora analisado em razão do reconhecimento da prescrição do direito de requerer restituição dos tributos pretensamente indevidos. Nesse sentido, a discussão centrase tão somente no prazo prescricional para a contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido lapso temporal. A Câmara recorrida e, bem assim, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricional/decadencial em comento é a data do pagamento do tributo indevido, se extinguindo 05 (cinco) anos após. Por sua vez, a contribuinte, pretende seja adotado o prazo decenal, lastreado na tese dos 5 + 5, mormente em face da jurisprudência pacificada no Judiciário, entendimento que merece prosperar, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, referido tema vem sendo objeto de inúmeras discussões no Judiciário, o qual já se manifestou das mais diversas formas, sobretudo após a edição da Lei Complementar nº 118, que em seus artigos 3o e 4o, assim prescreveu: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Escorado nos dispositivos legais encimados, a Procuradoria reforça sua tese, mormente com arrimo no artigo 4º, que estabelece a retroatividade de aludidas determinações. Em face da edição da Lei Complementar nº 118/2005, inúmeras foram as discussões que permearam o Judiciário, especialmente no que tange a constitucionalidade do disposto na parte final do artigo 4º, relativamente à retroatividade daquela norma. Após muitas disceptações a propósito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os preceitos inscritos na parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, encontramse maculados por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL 6 consoante se infere da ementa do Acórdão exarado nos autos do Recurso Especial nº 1.002.932/SP, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 13855.000965/200344 Acórdão n.º 920201.948 CSRFT2 Fl. 511 7 prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” ” (STJ – 1a Seção – Resp n° 1.002.932/SP – Relator Ministro Luiz Fux, Julgado em 25/11/2009) Conforme se depreende da ementa acima transcrita, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da Lei Complementar n° 118, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes da LC 118/2005 – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos 5 + 5 , a contar do pagamento indevido, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal, rechaçou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência de aludido Diploma Legal. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL 8 JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL Processo nº 13855.000965/200344 Acórdão n.º 920201.948 CSRFT2 Fl. 512 9 Recurso extraordinário desprovido.” Como se observa do julgado acima ementado, o Supremo Tribunal Federal, ao contemplar a matéria, corroborou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, ressalvando, porém, seu entendimento no sentido de que referido Diploma Legal somente poderá ser aplicado às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso vertente, a contribuinte protocolizou pedido de restituição/compensação do Imposto Sobre o Lucro Líquido – ILL, em 15/05/2003, relativamente a recolhimentos efetuados no período de 01/01/1993 a 30/06/1994. Diante deste cenário, em face da jurisprudência consolidada no âmbito dos Tribunais Superiores, tendo a contribuinte apresentado seu requerimento em 15/05/2003, antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, encontramse dentro do prazo decenal os pagamentos indevidos realizados no período de 15/05/1993 a 30/06/1994, impondo seja mantida a prescrição tão somente para os recolhimentos efetuados anteriormente à 15/05/1993, seja qual for o posicionamento a ser adotado, do STF ou STJ, impondo seja reformado em parte o Acórdão recorrido. Mister, ainda, registrar que, afastada em parte a prescrição do direito de pedido de restituição de indébito, prejudicial da análise do mérito, deve o processo ser remetido à DRF de origem para enfrentamento do mérito em relação ao período não alcançado pela prescrição, sob pena de supressão de instância, uma vez que aludida matéria não fora contemplada pela Câmara recorrida. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a prescrição do direito de repetição do indébito relativamente ao período de 15/05/1993 a 30/06/1994, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE M AGALHAES DE OL
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Numero do processo: 10380.720510/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do IRPJ.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 3201-000.987
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1ª Seção, nos termos do
voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à Primeira Seção julgar tema referente a lançamentos decorrentes de exclusão do IRPJ. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, declinar a competência para a 1ª Seção, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 12/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado o auto de infração do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, fls. 02/15, no valor total de R$ 30.918,45, incluindo encargos legais. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/06, foram apuradas as infrações a seguir descritas. 1) Falta de Recolhimento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos/Valores Mobiliários. O contribuinte, equiparado legalmente a uma instituição financeira individual, deixou de recolher o Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, incidente sobre as operações de desconto de títulos de crédito que realizou durante os anos calendário 2003, 2004 e 2005, conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal que acompanha e integra o presente auto de infração, fls. 16/46. Enquadramento Legal: arts. 1º, I, a, 3º, § 4º, I, 5º, I, 7º, II, 10, III, todos do Decreto nº 4.494/2002. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 24/11/2008, apresentou o contribuinte impugnação em 09/12/2008, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. DOS FATOS O contribuinte ora impugnante foi equiparado à pessoa jurídica, na condição de instituição financeira, razão porque foi promovida sua inscrição de ofício no CNPJ. Em virtude da suposta falta de documentação fiscal e contábil, foi arbitrado o lucro com base na receita bruta calculada a partir dos depósitos registrados em sua conta bancária. Pela diferença aritmética entre o total de créditos líquidos registrados em cada mÊs nas contas bancárias do fiscalizado e a receita bruta calculada, apurouse o valor do crédito concedido pelo contribuinte aos seus clientes em cada mês do período fiscalizado. Com a multiplicação do número de dias pela alíquota diária do IOF (0,0041%), obtiveramse alíquotas a serem aplicadas sobre os valores mensais do crédito concedido pelo fiscalizado. Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.720510/200899 Acórdão n.º 3201000.987 S3C2T1 Fl. 2 3 Da aplicação das alíquotas sobre os valores mensais do crédito concedido pelo fiscalizado, apuraramse os valores mensais do IOF supostamente devido. Ocorre que, o Agente Fiscal não fez a melhor aplicação do direito ao caso concreto, posto que, ao efetuar o levantamento impugnado, não identificou, com clareza e precisão, os elementos essenciais à constituição do pretenso crédito tributário, em especial no que tange à identificação do contribuinte, in casu, instituição financeira, quando na realidade se tratava de atividade de factoring, além de ter aplicado a multa de 150% com base em norma que determina a aplicação da multa de 50%. Vale ainda ressaltar que parte dos valores cobrados, constantes dos Autos de Infração ora impugnados, referem se a valores sobre os quais já se operou a decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento tributário, motivo pelo qual referidos lançamentos foram perfectibilizados ao arrepio das normas que regulamentam a matéria. Ao final, será provada a absoluta nulidade do Auto de Infração ora impugnado pelas razões constantes das preliminares de ausência de elementos essenciais, bem como pelas razões apontadas quanto ao mérito que ensejarão a sua total IMPROCEDÊNCIA, desde já requerida. DAS NULIDADES DA AÇÃO FISCAL Preliminarmente Da Nulidade Absoluta do Lançamento Fiscal por Descumprimento ao Art. 142 do CTN Equiparação do Contribuinte à Instituição Financeira Quando Pratica Atividade de Fomento Mercantil (FACTORING) Ao efetuar o levantamento fiscal, o Auditor Fiscal incorreu em graves equívocos, que culminam na total improcedência do presente lançamento, na medida em que: o contribuinte foi equiparado à instituição financeira quando pratica atividade de empresa de factoring; foi aplicada multa não constante na legislação indicada pelo Auditor Fiscal. O agente fiscal procedeu lançamento nulo ao descumprir a norma do art. 142 do CTN. Destarte, embora o Auditor Fiscal tenha equiparado o impugnante a instituição financeira, verifica se que esse procedimento encontra se totalmente desprovido de validade jurídica, na medida em que o próprio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda firmou orientação através do Processo nº 16707.001572/2003 40 no sentido de que a prática de atos de Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 comércio de forma reiterada concernente a troca de cheques caracteriza a atividade de factoring. Ademais, as instituições financeiras dependem de autorização do Banco Central do Brasil, razão pela qual ressai totalmente insubsistente a caracterização do impugnante como instituição financeira. Com efeito, não foi identificado com clareza e precisão o sujeito passivo da obrigação tributária, o que fulmina de vício insanável o presente lançamento. Nesse sentido a defesa transcreve ementa de acórdãos do Conselho de Contribuintes. Indicação de Base de Cálculo em Desconformidade com os Documentos da Impugnante O Auto de Infração lavrado contra o impugnante utilizou base de cálculo diversa da indicada por ocasião da resposta à diligência perfectibilizada pelo Fisco Federal, em total incompatibilidade com o princípio da verdade material albergado pela administração. De acordo com o Termo de Intimação VI, foi determinado ao contribuinte que informasse qual a parcela de cada um dos "Totais Líquidos" mensais apontados nos demonstrativos que constitui a sua receita mensal efetiva (lucro financeiro por ele auferido nas operações mensais). Apenas no caso de o contribuinte não informar e comprovar as taxas (percentuais) que devem ser aplicadas sobre os créditos líquidos para a obtenção de suas receitas efetivas mensais, estas serão consideradas iguais à soma dos "Totais Líquidos" mensais de cada uma das contas mencionadas no item 1 do termo de intimação. Neste caso o lucro será calculado mediante a aplicação do percentual de arbitramento de 45% sobre a soma dos "Totais Líquidos" mensais apurados nos demonstrativos. Em resposta à intimação, o contribuinte informou que "em atendimento ao item 6 do Termo de Intimação Fiscal VI, encaminho lhe em anexo 177 borderôs de operações de trocas de cheques efetuadas durante os anos de 2003, 2004 e 2005, em que figuram as taxas percentuais aplicadas que representam as receitas por mim efetivamente auferidas em cada uma delas". Desta forma, diante das informações prestadas pelo contribuinte, não poderia o Fisco arbitrar o lucro mediante a aplicação do percentual de arbitramento de 45% sobre a soma dos "Totais Líquidos" mensais apurados nos demonstrativos, na medida em que o objetivo do Agente Fiscal em proceder a intimação objetivando as informações acerca das receitas efetivas mensais, foi justamente obter a verdade material dos fatos ocorridos e, assim, calcular os tributos com base na efetiva receita do contribuinte. Caso não fosse esse o objetivo, restaria totalmente inócua referida intimação para esclarecimentos do contribuinte. Desta forma restou contrariado o art. 142 do Código Tributário Nacional, além de contrariar de forma clara o princípio da verdade material, através da qual deve ser pautado o lançamento fiscal que somente poderá ser formalizado com a Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.720510/200899 Acórdão n.º 3201000.987 S3C2T1 Fl. 3 5 prova segura a cargo de quem alega, e não exclusivamente com base em apenas alguns dados que não constatem de forma clara a verdade material almejada no processo administrativo. Realmente, no presente caso, haveria que ser levado em consideração toda a documentação em poder do impugnante, na medida em que o próprio fiscal diligenciou. com tal objetivo, intimando o para apresentar elementos que serviriam de supedâneo à aplicação do tributo devido. Imperioso se faz ainda trazer à colação que o art. 37 da Constituição Federal determina que a Administração Pública deve se pautar pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, além de outros. Com efeito, é induvidoso que a defesa ao Erário deve ser feita de tal forma que a atividade fiscal busque sempre a verdade material dos fatos ocorridos, consultando arquivos, requerendo documentos ou chamando o contribuinte para prestar esclarecimentos, a fim de que não incorra em fiscalização arbitrária. Conforme restou sobejamente demonstrado, o Agente Público ao proceder o presente lançamento, sem a observância de todos critérios atinentes ao mesmo (art. 142 do CTN), agiu de forma absolutamente contrária aos princípios básicos que devem pautar os atos da administração, em virtude da total falta de eficiência na apuração dos fatos ensejadores do lançamento, contrariando desta forma os princípios da moralidade administrativa, da legalidade, além da razoabilidade jurídica, do interesse público e da segurança jurídica. Do Erro na Aplicação da Multa No tocante à aplicação da multa, verifica se que o item VIII do Termo de Verificação Fiscal que trata “Da Qualificação da Multa de Oficio”, assevera que "a multa aplicada nos lançamentos de oficio a que se refere o presente termo de verificação fiscal foi de 150% dos tributos e contribuições incidentes sobre os rendimentos tributáveis omitidos pelo autuado, conforme previsto no inciso 11 do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto no 3.000/1999) e no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996." Verifica se que a Lei que institui a penalidade aplicável não determina em seu inciso II do art. 44 a aplicação de multa de 150%, mas tão somente a multa de 50% o que consubstancia um grave erro no presente lançamento. Destarte, a Lei nº 9.784/99 que regula o processo administrativo no âmbito Federal, reiterando o mandamento constitucional contido no art. 37 da CF/88, asseverou que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de I atuação conforme a lei e o Direito; Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 6 II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de oficio, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Sobre o assunto, a defesa transcreve ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Sendo assim, em face do equívoco relativamente a atividade do sujeito passivo, bem como na indicação da legislação aplicável, ressai totalmente insubsistente o presente lançamento em face da nulidade absoluta do mesmo. Da Decadência do Direito de Lançar Nobre Julgador, o Fisco jamais poderia proceder o lançamento em tela, na medida em que já havia decaído o seu direito de constituir os valores referentes aos fatos geradores anteriores a 04/11/2003. Com efeito, conforme se pode observar do presente auto de infração, foi lavrado o lançamento contra a empresa impugnante Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.720510/200899 Acórdão n.º 3201000.987 S3C2T1 Fl. 4 7 em 18/11/2008, relativamente ao IOF, concernentes aos fatos geradores de 2003, 2004 e 2005. No entanto, verifica se que o Agente Fiscal procedeu o lançamento de valores indevidos, face a ocorrência da decadência do direito de a Fazenda de proceder qualquer lançamento referente a competências anteriores a novembro de 2003, conforme será demonstrado a seguir. Com efeito, mister se faz esclarecer que como o fisco não efetuou no prazo de (05) cinco anos a sua atividade privativa de lançamento contados da ocorrência do fato gerador, decaiu o seu direito de constituir o crédito tributário, e por conseguinte de exigir parte do tributo em tela. Sobreleva notar que os tributos objeto do presente lançamento são daquelas exações sujeitas ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN), motivo pelo qual em novembro de 2008, decaiu o direito do fisco de efetuar qualquer lançamento referente a tributo cujo fato gerador ocorreu nos cinco anos anteriores a data do lançamento. Mister se faz esclarecer que o prazo decadencial para a perfectibilização do lançamento não se interrompe nem ao menos se suspende, não podendo a autoridade fiscal deixar de constituir o crédito tributário, sob pena de não poder mais cobrá lo, como ocorreu no presente caso. A defesa transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO Caso não sejam consideradas as preliminares acima suscitadas, e que por si rendem ensejo a anulação dos Autos de Infração, imperioso se faz desde logo esclarecer que o mesmo é totalmente insubsistente, tendo em vista que o lançamento foi perfectibilizado em total desconformidade com a ordem jurídica pátria. Inicialmente, necessário aduzir que o Auditor Fiscal equiparou o contribuinte a uma instituição financeira, principalmente pelo fato de que a empresa de factoring recebe o título pro soluto e, assim, assume o risco do negócio, não podendo voltar se contra a empresa faturizada caso o sacado não pague o título em seu vencimento, diferente das operações de crédito, como são as operações bancárias, em que o cedente se responsabiliza pela existência da dívida no momento da cessão. Alega ainda o Fiscal que os créditos cuja negociação é admitida em operações de factoring são única e exclusivamente os que resultam de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, devendo para tanto ocorrer uma assessoria creditícia, mercadológica, gestão de negócios, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber e compras de Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 8 direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. No entanto, referidos argumentos não resistem a um estudo mais profundo e a uma análise pormenorizada das informações contidas nos autos. Notoriamente, no tocante a responsabilidade do endossante, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já firmou orientação no sentido de que as leis reguladoras não criaram exceções quando prevêem a responsabilidade do endossante quanto ao pagamento do cheque (Recurso Especial nº 820.672 DF 2006/0033681 3) Percebe se assim que o argumento utilizado pelo Auditor Fiscal não tem o condão de descaracterizar a natureza jurídica do tipo de operação perfectibulizada pelo impugnante que, in casu, é atividade de factoring. Desta forma, embora o Auditor Fiscal tenha destacado no item II "Das Informações Prestadas Pelo Fiscalizado", a afirmativa feita pelo impugnante no sentido de que os cheques são endossados pelo cliente no verso e que a responsabilidade do pagamento dos cheque é do cliente e não do emitente, referida afirmativa não inibe qualquer caracterização da atividade de factoring, em razão do que determina a Lei nº 7.357/85 em seu art. 21 que determina: "salvo estipulação em contrário, o endossante garante o pagamento", razão pela qual, segundo o STJ (Resp nº 820.672) quem endossa garante o pagamento do cheque seja o endossatário quem for. A Lei não faz exceções e não cabe criar exceções à margem da Lei. Ademais, conforme o próprio Auditor Fiscal afirmou no item VI do Termo de Verificação Fiscal, as instituições financeiras dependem de autorização do Banco Central do Brasil, razão pela qual o contribuinte impugnante jamais poderia ter sido caracterizado como instituição financeira, em virtude da falta de autorização do Banco Central. De outro lado, a atividade de factoring não mantém qualquer relação com o Banco Central, porquanto, não se inclui no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. Relativamente a alegativa de que os créditos negociados em operações de factoring são os que resultam de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, devendo para tanto ocorrer uma assessoria creditícia, mercadológica, gestão de negócios, seleção de riscos, vale esclarecer que, conquanto tenha sido ressaltado pelo Fiscal a alegativa do impugnante no item 7 da sua resposta no sentido de que não havia prestado outros serviços aos clientes além dos descontos de cheques, tal afirmativa não leva a conclusão a que chegou o agente do fisco, de que não houve a prestação de serviços de assessoria mercadológica, já que tal fato é decorrente da própria atividade de factoring, não sendo possível assim se imaginar a prática de uma atividade desvinculada da outra donde resulta clarividenciado que não se pode analisar a resposta do impugnante de forma isolada, mas sim em consonância com o conjunto probatório constante no presente Processo Administrativo, o qual demonstra que foi prestado o serviço de Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.720510/200899 Acórdão n.º 3201000.987 S3C2T1 Fl. 5 9 gestão financeira de negócios, com a devida assessoria mercadológica, seleção de riscos, a fim de que as operações de factoring fossem realizadas de uma forma mais segura possível, tanto para o faturizador, como para o faturizado. Portanto, resulta evidente que a interpretação correta a ser dada a resposta do impugnante, é que durante o período fiscalizado, ele praticou exclusivamente atividade de factoring com todos os consectários intrinsecamente ligados a tais atividades, dentre eles, os serviços relativos à análise do mercado, não se afigurando lógico que nos dias atuais, qualquer cidadão realize operações que envolvam importâncias elevadas sem o apoio profissional para tanto. Ademais, verifica se que os créditos negociados são resultantes de vendas mercantis, tanto que por ocasião das informações prestadas por terceiros diligenciados restaram constatadas as operações comerciais objeto dos créditos negociados, senão vejamos alguns exemplos: Diligenciada: Isaíra Gomes Lopes Informações Prestadas: "... efetivamente fez operações de faturização (factoring) com a pessoa de Rodrigo Cesar Alves de Sousa, mediante a troca (venda) de cheques de clientes, no ano de 2004 e 2005, conforme relação encaminhada por essa fiscalização". Diligenciada: Leonardo Ary Dallolio Informações Prestadas: " ... reconheço como títulos recebidos por mim em transações comerciais particulares os cheques n. 737105 e 000007, com valores de R$ 2.050,00 e R$ 2.750,00, respectivamente, que efetuei operações de factoring com o Sr. Rodrigo César Alves de Sousa com os cheques acima descritos". Diligenciada: RT Comércio de Automóveis Ltda Informações Prestadas: " ... efetuou no ano de 2005 operações de faturização com o contribuinte Rodrigo César Alves de Sousa, inscrito no CPF/MF sob o nº 749.101.593 04, representadas pelos títulos discriminados no Termo de Diligência Fiscal 1, nas datas ali indicadas .....”. Diligenciada: Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga Informações Prestadas: " ... recebeu o montante de R$ 26.301,00, através do DOC C 084142, de titularidade do Sr. Rodrigo César Alves de Sousa (CPF 749.101.593 04), para a quitação dos títulos a seguir constituídos em face da empresa J Cemin e Filhos Ltda (CNPJ 03.574.671/0001 54), em razão do fornecimento de produtos da intimada à referida empresa." Diligenciada: Usina São José S/A Informações Prestadas: "os depósitos relacionados acima referemse à antecipação de numerários (M) por conta de Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 10 pedidos de vendas de álcool etílico hidratado combustível, a favor de Garra Distribuidora de Combustível Ltda" Diligenciada: Yara Brasil Fertilizantes S/A Informações Prestadas: "esse valor depositado na conta da empresa intimada... se refere a um pagamento relativo a compra de fertilizantes efetuada por Meria Regina de Moraes Machado Ferrari..." Ressai assim configurado que o postulante prestou assessoria mercadológica, com gestão de créditos e seleção de riscos para que fossem perfectibilizadas as operações de factoring com os diligenciados, ressaltando de forma clara através das informações prestadas que os créditos negociados são resultantes de vendas mercantis. Ainda que não fossem consideradas as operações de factoring efetuada pelo impugnante, o que se diz apenas a título de argumentação em virtude das informações prestadas pelas pessoas diligenciadas, a defesa ainda traz à colação que o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda firmou orientação no sentido de que a prática de atos de comércio de forma reiterada concernente a troca de cheques caracteriza a atividade de factoring. Conforme se constata das decisões administrativas, a pessoa jurídica que pratica reiteradamente atos de comércio concernentes a troca de cheques, ressai caracterizada a atividade de factoring, razão pela qual as razões que ensejaram a caracterização do postulante como instituição financeira são totalmente insubsistentes, configurando desta feita, imposição tributária contra sujeito passivo totalmente indevido, na medida em as atividades por ele exercidas se caracterizam de forma clara, como atividades de factoring, o que ocasiona a nulidade absoluta do lançamento. DO PEDIDO Ex positis, requer o IMPUGNANTE, inicialmente, seja declarada a nulidade do presente Auto de Infração, em face das preliminares anteriormente argüidas. No mérito, caso não seja de logo acatada a nulidade do presente Auto de Infração acima apontada, roga a essa Delegacia de Julgamento, que seja declarada a improcedência total do Auto de Infração em tela. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, especialmente, perícia, juntada posterior de novos documentos, e tudo o mais que se fizer necessário para elidir prova em contrário. Consignada a necessidade de perícia desde já requerida, razão pela qual foram elaborados QUESITOS, conforme segue: FORMULAÇÃO DE QUESITOS 1. Em face do Termo de Intimação Fiscal VI que em seu item 6 requer informações ao contribuinte no sentido de verificar as Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.720510/200899 Acórdão n.º 3201000.987 S3C2T1 Fl. 6 11 efetivas receitas mensais para aplicação dos tributos devidos, e em virtude da resposta do contribuinte indicando as taxas percentuais aplicadas, as quais representam as efetivas receitas auferidas em cada mês, pergunta se: foram desconsideradas as informações prestadas pelo contribuinte, sem que fosse buscada a verdade material dos fatos ocorridos? 2. Conforme jurisprudência já pacificada no âmbito do CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA, com relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Pergunta se: Foram incluídos no lançamento valores relativos a fatos geradores anteriores a 04/11/2003, os quais já estariam atingidos pela decadência? 3. Diante das informações prestadas por terceiros, pergunta se: Foi levado em consideração que os créditos obtidos através de operação de factoring foram objeto de operações comerciais ou de prestação de serviços? Caso seja realizado perícia, indica como assistente técnico do perito o Contador, Ricardo Fidelis da Cunha, CPF 028.686.928 42, CRC RS sob nº 122.542 CE. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FOR n.º 15.142, de 31/03/2009: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, inicia se a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA. A capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO LANÇAMENTO. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 12 Anocalendário: 2003, 2004, 2005 FACTORING. CARACTERIZAÇÃO. A atividade de factoring requer a continuidade e a conjugação das seguintes subatividades: assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber; e compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A simples operação de compra de cheques não é suficiente para caracterizar o contrato de fomento mercantil. A atividade de fomento mercantil não se confunde com o contrato de mútuo celebrado pelas instituições financeiras, pois os pressupostos básicos da operação de factoring são a prestação de serviços e a compra a vista de créditos mercantis, não ocorrendo desconto, nem antecipação de recursos. BASE DE CÁLCULO. VALORES FORNECIDOS PELO SUJEITO PASSIVO. Tendo o lançamento se baseado em valores fornecidos pelo próprio contribuinte, e não tendo a defesa apontado elementos que inquinassem sua veracidade, insubsistentes se tornam as alegações de desrespeito ao princípio da verdade material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004, 2005 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em acórdãos do Conselho de Contribuintes ou de decisões do Poder Judiciário não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido para realização de perícia quando estão presentes nos autos os elementos necessários para formação da convicção do julgador. Lançamento Procedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.720510/200899 Acórdão n.º 3201000.987 S3C2T1 Fl. 7 13 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Contra a recorrente foi lavrado auto de infração de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários – IOF, incluindo encargos legais, em face da prática de atividades de desconto de títulos de crédito que realizou durante os anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Como bem descreve o Termo de Relatório fiscal, o presente lançamento se deu por decorrência de um relativo à IRPF: O contribuinte Rodrigo César Alves de Sousa, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda CPF sob n° 749.101.59304, foi selecionado para fiscalização do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF dos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 ern razão da incompatibilidade verificada entre, de um lado, a movimentação financeira registrada em seu nome na rede bancária nacional naqueles anos, e, de outro, à falta de entrega das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF dos exercícios 2004 e 2006, bem como a entrega da DIRPF do exercício de 2005 sem quaisquer rendimentos declarados, conforme abaixo discriminado (...) Em face desta situação, foi equiparado à pessoa jurídica, tendo sofrido lançamento a título de IRPJ e outros tributos. O referente ao IRPJ inclusive já foi julgado nesta Corte, nestes termos, processo n.º 10380.018369/200861: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Ementa:DECADÊNCIA.Nos casos em que há pagamento, ainda que parcial, sem a existência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial iniciase no dia seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Nas hipóteses em que não há pagamento, o prazo decadencial conta se na forma do artigo 173, I, do CTN, situação em que o primeiro dia do exercício seguinte, na esteira do entendimento do STJ, em recurso repetitivo, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível.No caso dos autos, não houve pagamento antecipado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos no decorrer do ano calendário de 2003, o prazo decadencial iniciou em 01 de janeiro de 2004. Assim, quando do lançamento realizado em 07/11/2008, não havia créditos extintos pela decadência. ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES. EQUIPARAÇÃO DA PESSOA INDIVIDUAL À PESSOA JURÍDICA. NULIDADE INEXISTENTE.Salvo as exceções previstas no § 2º, do artigo 150, do Regulamento do Imposto de Renda, à luz do § 1º, II, Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 14 deste artigo, devem ser consideradas pessoas jurídicas e tributada como tal as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços.O auto de infração seria nulo se a autoridade fiscal, em tendo constatado que o contribuinte exercia, de modo habitual, atividade de troca de cheques, não o tivesse equiparado à pessoa jurídica, conforme determina o artigo 150, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda. ERRO NA APURAÇÃO DO PERCENTUAL DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE INEXISTENTE.O erro na base de cálculo da exigência do imposto não causa nulidade do lançamento. Nos casos em que a autoridade fiscal aplica base de cálculo diversa daquela prevista em lei, não cabe à segunda instância decretar a nulidade do lançamento, mas sim corrigir a base de cálculo, não podendo, contudo, agravar a situação da exigência fiscal. ATIVIDADE DE TROCA DE CHEQUES “PRÉ DATADOS”.ATIVIDADE INFORMAL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA. BASE DE CÁLCULO DE 32%.Para efeitos do artigo 17, da Lei nº 4.595, de 1964, deve ser compreendida por instituição financeira aquela que tem atribuições para captar dinheiro no mercado para fins de depósitos, remunerados ou não, fazer aplicações, conceder empréstimos, ou realizar intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, sendo que, no caso de recursos de terceiros, deve, na data aprazada para o resgate, proceder a devolução.Não se pode confundir a captação e a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, que são atividades privativas das instituições financeiras, com a troca de cheques “prédatados” realizada, de forma informal, por pessoas físicas e jurídicas.O ato de trocar cheques “precatados”, por pessoa física ou jurídica, que exerce esta atividade de maneira informal, não importa em coletar dinheiro no mercado, intermediar aplicação de recursos e, tampouco, na custódia de valor de propriedade de outrem.Quando uma instituição financeira capta e aplica recursos de terceiros, ela fica obrigada a restituir. Nos casos em que a pessoa física ou jurídica troca cheques “precatados”, com deságio, não se está diante de atividade equiparada à instituição financeira, até porque estas não recebem cheques “precatados”.A lei, os costumes e a jurisprudência são fontes do direito. No momento em que os costumes e a jurisprudência passam a admitir fatos não definidos em lei, desde que lícitos, ao intérprete cabe analisar a norma com os olhos do homem do seu tempo, e não com a visão da época em que a lei foi elaborada para ser aplicada em realidade não imaginada pelo legislador de então.Na Lei nº 7.357, de 1985, não está previsto a figura do cheque “precatado”. O recebimento de cheque por instituição financeira, importa na sua imediata apresentação para compensação. Em sendo ordem de pagamento à vista, o cheque “precatado” sequer poderia ser admitido por empresas de factoring, para desconto futuro.Admitida como prática normal a troca de cheques “precatados” por pessoas que exercem tais atividades de maneira informal, a base de cálculo nestas Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.720510/200899 Acórdão n.º 3201000.987 S3C2T1 Fl. 8 15 atividades, por se assemelharem às atividades de factoring, é de 32%, não havendo razões para aplicação de base de cálculo de 45%, cabível somente às instituições financeiras. MULTA QUALIFICADA. TROCA DE CHEQUES DE MANEIRA HABITUAL E CONTÍNUA EM NOME PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE SITUAÇÃO QUE JUSTIFIQUE A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 14 DO CARF.A omissão de receita pela não declaração de rendimentos justifica o lançamento com multa de 75%. O sujeito passivo que, de maneira informal, realiza troca de cheques, usando para tal suas próprias contas bancárias, não está agindo, de forma dolosa, com a intenção de sonegar tributo.Nos casos em que o sujeito passivo exerce de forma profissional a troca de cheques, o fato de tal atividade ter se estendido por mais de um ano, sem ser declarada, não caracteriza situação que justifique a qualificadora da multa.Recurso provido em parte.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Segundo o Regimento Interno do CARF, em caso de lançamentos decorrentes de IRPJ, a competência é da 1ª Seção: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 16 VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Como entendo que no presente caso a competência é da 1º Sessão do Conselho de Contribuintes, deve os autos ser para lá remetidos para julgamento, já que não vislumbro possibilidade de análise por esta Seção da discussão em debate. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos e endereçálos à competente 1º Sessão do Conselho de Contribuintes para julgamento. Sala de sessões, 23 de maio de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 13839.902445/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PIS/PASEP
Ano-calendário: 1998
PRAZO. RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa.
Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer
a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitar-se à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.465
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em consequência da decisão proferida pelo STF (RE 566.621), resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 José Luiz Novo Rossari – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de PER/DCOMP Eletrônico – Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – número 27863.18763.021006.1.7.044316, com data de transmissão em 02/10/2006 (fls. 23/ss), onde a empresa solicita a compensação de débitos da COFINS (período: outubro/2004, valor atualizado de R$ 1.161,12) com créditos de PIS (período: 30/12/1998; vencimento: 15/01/1999, valor original do DARF: R$ 825,01) supostamente pagos indevidamente ou a maior. A citada PER/DCOMP foi apresentada em substituição ao PER/DCOMP Eletrônico No. 26435.76314.171104.1.3.040774, data da transmissão: 17/11/2004 (fl. 9), que já havia sido indeferido pela DRFJundiaí, sem que o Recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade. A DRF – Jundiaí (SP), por meio do DESPACHO DECISÓRIO, datado de 12/08/2008 (fl. 19) indeferiu o pedido da Recorrente. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01/ss) contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo em epígrafe. Registrese, que a Recorrente informa em sua Manifestação de Inconformidade que em 02/10/2006 e 03/10/2006 transmitiu PER/DCOMP's para substituir as PER/DCOMP's anteriormente transmitidas em 29/06/2004, 15/07/2004, 30/07/2004, 13/08/2004, 27/08/2004, 13/09/2004, 30/09/2004, 18/10/2004, 29/10/2004, 17/11/2004, 09/12/2004 e 15/12/2004, uma vez que as mesmas apresentavam irregularidades (ver demonstrativos apresentados às folhas 01 a 03). Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto crédito de PIS oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 603,20. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13839.902445/200881 Acórdão n.º 3202000.465 S3C2T2 Fl. 63 3 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO, a compensação declarada.” Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Em 2006 recebeu intimação da RFB para sanar divergências constatadas na DCOMP, e procedeu à retificação da declaração. Não obstante ter sanado as divergências, recebeu em 2008 o Despacho Decisório de não homologação da compensação; • Amparam seu direito à compensação o art. 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/2006, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e ainda a IN SRF 210/02, de 30/09/2002, IN SRF 320, de 11/04/2003, e seguindo o principio "Vacatio Legis" RE 232.8963 Pará — STF (11.03.99) e ADIN 1417— STF (Acórdão Publicado em 23/03/01); • Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial somente começa a correr após decorridos cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco anos. No mesmo sentido, é o art. 150, §4° do Código tributário Nacional, e artigos 3° e 10° do Decretolei n° 2.052/83. Assim, considerando que o pedido não cogita de indébito datado de mais de dez anos, restam repudiadas as assertivas concernentes à decadência do direito à restituição. É o relatório”. A 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 0531.704 (fls. 33/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/1998 COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 Contra o reconhecimento do direito creditório subjacente à declaração de compensação corre o prazo decadencial de cinco anos contado da data do pagamento. PIS. BASE LEGAL. A exigência da Contribuição ao PIS passou a ser regulada pela Medida Provisória n° 1.212, de 1995, a partir de março/1996, e pela Lei n° 9.718, de 1998, a partir de fevereiro/1999. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 17/01/2011 (fls. 36/37). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 10/02/2011 (fls. 38/ss), onde além dos argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade, quanto ao prazo para restituição dos tributos pagos a maior ou indevidamente, faz extensa argumentação sobre a inconstitucionalidade dos Decretos Leis 2.445/88 e 2.449/88 (0,65% do faturamento do mês anterior) e valores efetivamente devidos nos termos da Lei Complementar 07/70 (0,75 sobre o faturamento do sexto mês anterior). Por fim, requer o provimento do Recurso Voluntário para o fim de reformar o acórdão da DRJ – Campinas (SP). É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Ab initio, antes de adentrarmos na análise do direito ao crédito pleiteado pela Recorrente (direito à restituição do tributo), devemos verificar a questão relativa ao prazo legal previsto para ser formulado o pedido de restituição de tributos. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, ambos do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como a COFINS e o PIS, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Esclareçase, ainda, que o prazo previsto no art. 168, I, do CTN, representa prazo prescricional, mas que se aplica, também, ao pedido administrativo, de forma que, esgotado o prazo para apresentação da ação de repetição de indébito, também se esgota o prazo do pedido administrativo. Neste diapasão, com o intuito de dirimir as controvérsias existentes quanto ao momento em que ocorreria a extinção do crédito tributário, o próprio legislador, na tentativa de Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13839.902445/200881 Acórdão n.º 3202000.465 S3C2T2 Fl. 64 5 interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. Entretanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatado pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso do vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos relativos a esta matéria. Em consequência da decisão proferida no RE 566.621, resta obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que mutatis mutandis, devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados até 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150/CTN. No caso em tela, como os alegados recolhimentos indevidos ou a maior referemse ao período de apuração de 31/12/1998 (vencimento em 15/01/1999), e o pedido de restituição foi formalizado através do PER/DCOMP número 27863.18763.021006.1.7.044316, com data de transmissão em 02/10/2006 (fls. 23/ss), concluise que já ocorreu a prescrição em relação ao período solicitado, considerandose o prazo de 5 anos estipulado pelo STF para os pedidos formulados após 09/06/2005. Quanto ao PER/DCOMP número 26435.76314.171104.1.3.040774 (“substituído”), uma vez que o mesmo foi indeferido sem que a Recorrente apresentasse Manifestação de Inconformidade, entendo que o objeto do seu pedido restou extinto por perempção, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto No. 70.235/72. Destarte, diante de tudo o que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 08/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10980.010670/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.065
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-03-30T23:57:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-03-30T23:57:39Z; Last-Modified: 2010-03-30T23:57:39Z; dcterms:modified: 2010-03-30T23:57:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-03-30T23:57:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-03-30T23:57:39Z; meta:save-date: 2010-03-30T23:57:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-03-30T23:57:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-03-30T23:57:39Z; created: 2010-03-30T23:57:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-03-30T23:57:39Z; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-03-30T23:57:39Z | Conteúdo => S2-C4TI Fl. 139 MINISTÉRIO DA FAZENDA EEE • E : 1 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CL • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO E Processo n° 10980.010670/2007-86 Recurso n° 163.270 Voluntário Acórdão n° 2401-01.065 — 4' Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA Recorrida DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, §4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. E ELIAS SAMPA FREIRE - Presidente 1 1 direkkaa.. — IIRYCARDO H Ni lil E MAGALHAE DE OLIVEIRA — Relator I Participaram, do presente jul;.: en . , os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souz., , ame Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. , 2 Processo n° 10980.010670/2007-86 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01065 Fl. 140 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS DECADÉNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciétrios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n" 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE 's n es 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4" ou 173, do CTN). É o relatório. 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2', § 2' Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 265466 (165466), Processo: n° 35301.004061/2007-11, Recorrente: KOBE ELIJA VEÍCULOS LTDA, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.015. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessõe m 24 de fevereiro de 2010 i .. Á mit ..à RYCARDO HE4 • IQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator !K.H) 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA :ft,;5•CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10980.010670/2007-86 Recurso n°: 163270 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) • Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 240 1-0 L065 Brasili. 12 de março de 2010 ELIAS SA AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10980.013109/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas
médicas, e indica os elementos que deve conter. Restabelecese
as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$6.631,05.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter. Restabelecese as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A legislação tributária estabelece os documentos hábeis para comprovação das despesas médicas, e indica os elementos que deve conter. Restabelecese as despesas médicas comprovadas por documentos que atendem às exigências legais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$6.631,05. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0632.041, proferido pela 4ª Turma da DRJ Curitiba (fl. 32), que, por unanimidade de votos, considerou procedente a parte impugnada da notificação de lançamento às fls. 03/05. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 04 e 04verso a fiscalização apurou dedução indevida a titulo de despesas médicas no montante de R$10.737,36 e dedução indevida de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 800,00. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, além de restrita às hipóteses previstas em lei, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso dos recursos e dos serviços contratados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO DEFINITIVO. Considerase como nãoimpugnada a matéria da autuação com a qual o contribuinte expressamente concorda, motivo pelo qual tornase definitivo o lançamento efetuado referente a matéria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, à fl. 47, o recorrente pede a reconsideração dos valores glosados da Sra. Eliane Maria Moreira Hauer, Plano de Saúde — Extra Club — VIP — Sul América, no valor de R$6.631,05 e R$61,80, cujo pagamento das despesas médico hospitalares e odontológicas foi determinado no processo de separação judicial, conforme documentos juntados. Requer também seja restabelecida o valor de R$1.050,00 da Clínica Ortodôntica Eros Petrelli SC, tendo em vista que a falha foi da Clínica, que não informou o tratamento do dependente Juliano Maia Hauer. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme já assentado neste Colegiado, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados, conforme dispõe o artigo 80 do RIR/99: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.013109/200830 Acórdão n.º 2101001.545 S2C1T1 Fl. 72 3 psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, inciso 11, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei n2 9.250, de 1995, art. 82, §22): 1 aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Pais, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. §2°Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. §3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. §4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. §5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial. ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei n°9.250, de 1995, art. 8º, §3º). Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, determina que: Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Do exame das peças processuais, verificase que o documento à fl. 03 comprova a despesa com o plano de saúde, em nome de Eliane Maria Moreira Hauer, única beneficiária participante da apólice 77854. Este documento informa expressamente a despesa efetivamente paga à Sul América Seguro Saúde S/A, CNPJ nº 86.878.4691000143, no montante de R$6.631,05, em favor da alimentanda/pensionista Eliane Maria Moreira Hauer, sendo, portanto, dedutível da DIRPF do anocalendário de 2005, por força da homologação por sentença (fl. 68) do pedido de separação judicial às fls. 60/66, que dispõe no item 5.2: Pagará o cônjuge varão, igualmente, todas as despesas que eventualmente tiverem os filhos e a esposa com assistência odontológica ou médicohospitalar. Os demais documentos trazidos aos autos (certidões às fls. 10/11, mandado à fl. 58 e ratificação do pedido de separação à fl. 67) robustecem o conjunto probatório favorável às alegações do sujeito passivo. Sobre a vigência de referido acordo até o anocalendário de que trata o lançamento em exame, aventado somente na decisão recorrida, penso que tal ônus deve recair sobre quem o aproveita. É ônus do contribuinte provar o fato constitutivo do seu direito. Ao fisco cabe provar os fatos impeditivos, modificativos ou extintivos desse direito. Em relação às despesas médicas de R$61,80 e R$1.050,00, não foram apresentados elementos de prova para dar suporte à dedução pleiteada e suprir a falha apontada no lançamento e decisão de primeiro grau. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$6.631,05. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.013544/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Período de apuração: 04/01/2006 a 20/09/2006
OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR.
A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de
operações de comércio exterior de terceiros acobertando os reais
intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez
por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser
inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais).
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei
nº.11.488/2007, aplica-se o artigo 33, retroativamente, em face
do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário
Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade
de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3201-000.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim fará declaração de voto.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/01/2006 a 20/09/2006 OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros acobertando os reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº.11.488/2007, aplica-se o artigo 33, retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim fará declaração de voto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1996; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.013544/201031 Recurso nº 907.793 Voluntário Acórdão nº 320100.846 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2012 Matéria IMPORTAÇAO.CESSAO DE NOME Recorrente K&K COMERCIAL IMPORTADORA DE CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 04/01/2006 a 20/09/2006 Ementa: OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE :COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros acobertando os reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº.11.488/2007, aplicase o artigo 33, retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, posto que à época das importações vigorava a penalidade de 100% do valor da operação em substituição à pena de perdimento. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim fará declaração de voto. [assinado digitalmente] Fl. 864DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente. [assinado digitalmente] Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora [assinado digitalmente] NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 07/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudiño, Adriene Miranda, Luciano Lopes de Almeida Moraes, ausente justificadamento o Conselheiro Marcelo Nogueira. Relatório A interessada foi autuada em face da infração capitulada no artigo 727 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 6.759/2009), o qual retrata o art. 33 da Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007, em razão de haver cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, ficando sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Consta que em 2006, apesar de não declarar em qualquer momento outra empresa como adquirente nos documentos de importação, direcionou 29,57% do valor importado para as empresas COMBEK, LUX, MM, POLOKIN E YIDA. Constatouse que: as datas das notas fiscais que dão suporte as supostas vendas coincidem ou são muito próximas às das respectivas notas de entrada, demonstrando que as mercadorias não permaneceram no estoque da recorrente. a recorrente teve prejuízo nas operações comerciais com essas empresas da ordem de 4,91%. as mercadorias foram enviadas diretamente do Porto do Rio de Janeiro para o endereço das clientes. os livros contábeis não se coadunam com a movimentação bancária, podendo ser identificadas entradas de valor relativas a cobranças em datas muito próximas às de liquidações de contratos de câmbio. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 2 3 A interessada apresentou impugnação de fls. 46 a 57, alegando, em síntese, que: os fatos não se relacionam com as normas de sanção. não há lei que impeça os seus atos, principalmente no período da presente fiscalização. as normas citadas e utilizadas para o lançamento são posteriores aos fatos da acusação. a retroatividade das normas é possível para beneficiar o contribuinte. caso não seja anulado o auto, o valor real é de R$ 32.567,05. A DRJ apreciou os fatos e concluiu que o processo administrativo fiscal foi respeitado e com direito ao contraditório necessário. Manteve o auto de infração. Salientou que os motivos que animam o importador a executar a atividade de importação pertencem a sua esfera privada mas, para os fins da fiscalização aduaneira, devem ser perquiridos. Especialmente se apresentam as características desta operações que analisamos. Dentre as diversas motivações para as operações de importação, é curial destacar a atividade mercantil — buscase no mercado externo mercadorias que são demandadas pelo mercado nacional, pelo que a empresa efetua sua importação visando à revenda ou à industrialização e posterior revenda. Portanto, em suma, o importador é, via de regra, empresa que adquire mercadorias no exterior a fim de comercializálas no mercado interno, com o lucro ou remuneração do capital compatíveis com as expectativas do mercado para cada setor econômico. Enfim tece um pequeno comentário sobre as modalidades de importação. Percebese acima que o adquirente é a mesma pessoa que, no caso geral, figura como importador. Portanto, tratase a importação por conta e ordem de terceiro de intermediação efetuada por empresa especializada no comércio exterior, contratada pelo adquirente, que é o real comprador — e destinatário — das mercadorias (Medida Provisória n 2.158 35/2001, artigo 80, e Instrução Normativa SRF n 2 225/2002, artigos 12 a 42). Do exposto, fica claro que a importação por conta e ordem é um serviço prestado pelo importador (empresa responsável pela promoção do despacho aduaneiro de importação, mediante o registro da declaração de importação em seu nome) ao adquirente (empresa destinatária e real comprador das mercadorias), sendo que o importador se sujeita a requisitos específicos. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Destacase, também, que a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos aduaneiros é do importador, no registro da declaração de importação, mas que os tributos internos — aqueles incidentes em qualquer comercialização de mercadorias, sejam estrangeiras ou nacionais, no mercado interno — são da responsabilidade do adquirente, ao revendêlas. Outrossim, o adquirente é contribuinte do imposto sobre produtos industrializados, incidente sobre a revenda da mercadoria importada no mercado interno, por equiparação a estabelecimento industrial, conforme artigo 79 da Medida Provisória n2 2.158 35/2001 combinado com o artigo 22 , inciso II, da Lei n 2 4.502/1964: Por outro lado, também deve ser examinada com cuidado a participação no negócio de compra e venda de intermediários que, embora presentes no negócio, não substituem os legítimos comprador e vendedor. Nesse sentido, destacase que na hipótese de a operação tratar se de importação para revenda a encomendante predeterminado, objeto dos artigos 11 a 14 da Lei n2 11.281, de 20/02/2006, o encomendante é, de fato, o comprador final. Essa observação encontra relevância em face da grande proximidade entre os conceitos de importação por conta e ordem e importação por encomenda, as quais podem ser utilizadas, por exemplo, para escamotear a vinculação entre comprador e vendedor, a fim de evitar a incidência das disposições do artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT/1994, também chamado de Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), promulgado juntamente com o Acordo Constitutivo da OMC (Decreto n2 1.355/1994), no tocante à aceitabilidade do método do valor de transação. A importação na modalidade "revenda a encomendante predeterminado" deve observar os requisitos da Instrução Normativa SRF n2 634, de 24/03/2006, dos quais se destaca a necessidade de habilitação de importador e encomendante perante a Receita Federal, consistindo na vinculação prévia entre as pessoas jurídicas para a realização das operações contratadas. Outrossim, na hipótese de os recursos financeiros empregados serem fornecidos pelo encomendante, a operação presumese "por conta e ordem" do encomendante — artigo l2, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n 634/2006 combinado com o artigo 11, Lei n 2 11.281/2006 e com o artigo 27 da Lei n 2 10.637/2002. Assim, a partir de 2006, com a edição da lei 11.281, a importação por conta e ordem de terceiro, que originalmente albergava tanto o caso de o adquirente fornecer os recursos empregados na operação, quanto o caso de tais recursos serem oriundos do importador, foi dividida em duas modalidades distintas: a importação por conta e ordem, propriamente dita, em que os recursos provêm de terceiro, e a importação por encomenda, na qual o importador entra no negócio com recursos próprios. A interposição fraudulenta. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 3 5 No segundo semestre de 2002 foram editados atos normativos destinados a tipificar a infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros", punível com a pena de perdimento das mercadorias (DecretoLei n 1.455/1976, com redação dada pela Medida Provisória n2 66/2002, convertida na Lei n2 10.637/2002), bem como instituir e desenvolver um programa de fiscalização específico — Instrução Normativa SRF n2 228/2002 — sem prejuízo da atuação ex officio das unidades da SRF de despacho aduaneiro ou de fiscalização aduaneira pósdesembaraço. Observase que a infração, doravante chamada tão somente de "interposição fraudulenta", inclusive já mencionada no texto da Instrução Normativa SRF n2 225/2002, caracterizase pela ocultação do verdadeiro importador de mercadorias estrangeiras, conforme definição constante do DecretoLei n2 1.455/1976 (artigo 23, inciso V e § 22 , com redação dada pela Lei n 2 10.637/2002). Outrossim, o artigo 27 da Lei n2 10.637/2002 dispõe que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste". Ou seja, a utilização de empresas interpostas para a realização de importações destinadas a terceiros passou a ser conduta punida com a pena de perdimento das mercadorias importadas, bem como a ocultação decorre da não informação do responsável pela operação, terceiro a quem se destinam mercadorias e que pode fornecer, ou não, os recursos empregados. Segundo Aurélio Buarque de Holanda, interposição de pessoa representa a "simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado num ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar". Não obstante essa modalidade de simulação, na forma mais grosseira, estar normalmente ligada a empresas cujo quadro societário seria formado por "laranjas", como se denominam esses sócios que muitas vezes desconhecem sua condição de "empresários" ou até mesmo já faleceram, essa não é a única hipótese em que a mesma se configura. Podese entender que essa modalidade de simulação se configura quando uma pessoa, física ou jurídica, apresentase como responsável por uma operação que não realizou, se interpondo entre determinada parte (no caso a aduana) e outra (no caso, o verdadeiro adquirente responsável pela promoção da entrada da mercadoria no território nacional). Recordese, no propósito de entender a definição acima, que o importador é obrigado a consignar na declaração de importação o número de inscrição da empresa adquirente (real comprador ou responsável pela operação) no CNPJ, consoante (i) a Medida Fl. 868DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Provisória n2 2.15835/2001, artigo 80, e Instrução Normativa SRF n2 225/2002, artigo 3*, para o caso de importação por conta e ordem de terceiro, e (ii) a Lei n2 11.281/2006, artigo 11, e Instrução Normativa SRF n2 634/2006, artigo 32 , para a importação para revenda a encomendante predeterminado. Outrossim, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior presumem a interposição fraudulenta, ex vi do Decreto Lei n 1.455/1976, artigo 23, § 2°. O exame dos dispositivos legais citados acima revela que: (i) a importação por conta e ordem de terceiro é "presumida" se realizada mediante utilização de recursos de terceiro (Lei n 10.637/2002, artigo 27); e (ii) também é "presumida" a interposição fraudulenta se não comprovada a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior (DecretoLei n 2 1.455/1976, artigo 23, § 22). indubitavelmente, tratase de importação por conta e ordem de terceiro. Porém, o exposto aplicase à importação por conta de terceiro em sentido amplo, gênero que, a partir de 2006, dividese em duas espécies, conforme tratado no tópico anterior: a importação por conta de terceiro propriamente dita (i) e a importação para revenda a encomendante predeterminado (ii). Do caráter extrafiscal da infração e do direito aduaneiro. A princípio, podese argumentar que a tipificação da infração de interposição fraudulenta seja desnecessária, posto que se os direitos aduaneiros incidentes na importação forem pagos, o Erário não estará prejudicado. Engano. Evidentemente, a ocultação do verdadeiro adquirente de mercadorias estrangeiras é atividade meio que protege outras bastante lucrativas e compensadoras. Assim, enumeramse alguns possíveis objetivos almejados pelos infratores: (i) em caso de lançamento de crédito tributário decorrente de conferência ou de revisão aduaneira, o patrimônio do verdadeiro importador é protegido da execução fiscal; (ii) crimes como a contrafação, o contrabando ,óu o descaminho são imputados ao importador ostensivo, não ao verdadeiro promotor da importação, cuja identidade é ocultada; (iii) após o desembaraço aduaneiro as mercadorias são introduzidas no mercado interno à margem da legalidade e, conseqüentemente, sem a emissão de notas fiscais e o recolhimento dos tributos internos (IPI, ICMS, PIS, COFINS, imposto de renda etc.); (iv) o adquirente perde a condição de contribuinte do IPI por equiparação a estabelecimento industrial; (v) lavagem de dinheiro. Compete destacar que o tipo em tela visa à punição da ocultação do real adquirente e o meio empregado para essa ocultação é a prestação de informações inverídicas à Receita Federal, no Fl. 869DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 4 7 registro da declaração de importação, acompanhada, ou não, do fornecimento de recursos financeiros por parte do adquirente, que não declara qualquer relação jurídica com o importador ou com a operação de importação. Ou seja, a despeito de o adquirente das mercadorias ser o responsável pela negociação comercial com o exportador e a ele se destinarem mercadorias importadas, não figura na declaração de importação nem como importador, nem como adquirente das mercadorias, importadas por sua conta e ordem ou por encomenda (após a lei 11.281/06). Destarte, a caracterização da infração não requer a indicação de qual o beneficio auferido pelo adquirente ocultado, mas apenas a demonstração de que houve a interposição fraudulenta. Observase que a caracterização da importação por conta e ordem de terceiro ou por encomenda não decorre apenas da obediência por parte do importador e do terceiro aos requisitos das Instruções Normativas SRF n 225/2002 e 634/2006, que pode ser definida como caracterização formal, mas também da realidade material, qual seja, da presença de simulação, em que o importador declara ser também o real comprador ou responsável pela operação (adquirente), sem observância das normas estampadas nas instruções normativas 225/2002 ou 634/2006. No caso de a importação ser materialmente destinada a terceiro, fato ocultado à fiscalização aduaneira, mediante a prestação de informação falsa na declaração de importação, configurase a infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, com base no DecretoLei n 1.455/1976, artigo 23, incisos IV e V, combinado com o Decretp^Lei n 37/1966, artigo 105, inciso VI. E se a mercadoria importada, passível de ser objeto da pena de perdimento prevista no decretolei 1.455/1976, houver sido consumida ou não for localizada, a pena de perdimento aplicável convertese em pena de multa. Noutras palavras, a pena aplicável em abstrato para as infrações capituladas no artigo 23 do decretolei 1.455/1976 deixa de ser o perdimento e passa a ser a multa. Em face das características da infração em apreço, que prescinde da demonstração de benefício auferido pelos infratores, notase o marcante caráter extrafiscal que, outrossim, informa o próprio direito aduaneiro. Não se deve confundir o direito aduaneiro com o tributário, na sua porção regulatória dos tributos sobre o comércio exterior, posto que as relações jurídicas compreendidas no primeiro são de natureza administrativa, e, no que tange aos impostos, marcadas pela extrafiscalidade. Da sujeição passiva. Sobre a sujeição passiva tributária, dispõe o Código Tributário Nacional que: Fl. 870DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. " "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Ou seja, a pessoa obrigada ao pagamento de penalidade pecuniária é considerada sujeito passivo de obrigação principal. Chamase "contribuinte" aquele que possua "relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador". A leitura do artigo 121 implica a conclusão de que para o CTN o "infrator" é também "contribuinte", se possuir "relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador". Além disso, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena pecuniária, são todos responsáveis solidários, por possuírem interesse jurídico comum no ilícito que dá azo à penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Em complemento às disposições do Código Tributário Nacional, o DecretoLei n2 37/1966 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras: "Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1 O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2 Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 871DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 5 9 II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veiculo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria; V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. " (grifei) Nos termos do decretolei 37/1966, comete infração toda a pessoa física ou jurídica que, por ação ou omissão, voluntária ou involuntária, não observe norma estabelecida no decretolei, em seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Segundo tais normas é, portanto, imputável a infração em tela a importador e adquirente da mercadoria importada, pois ambos atuam conjuntamente. Nesse sentido já decidiu o Terceiro Conselho de Contribuintes (acórdão 30238170, de 8/11/2006): "IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária,/m operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas. (...) RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." Com efeito, há elementos no processo que demonstram que a operação foi realizada por conta e ordem dos reais adquirentes, informação que foi omitida nas declarações apresentadas e que não se encontravam estampadas nos Fl. 872DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 documentos apresentados no despacho de importação, que informavam como adquirente pessoa jurídica diversa daquela que efetivamente realizou o negócio. A fiscalização apurou para o ano de 2006 que a interessada, apesar de não declarar em qualquer momento outra empresa como adquirente nos documentos de importação, direcionou 29,57% do valor importado para as empresas COMBEK, LUX, MM, POLOKIN E YIDA, que as datas das notas fiscais coincidem ou são muito próximas às das respectivas notas de entrada, demonstrando que as mercadorias não permaneceram no estoque da interessada. Além disso, o percentual de lucro da interessada foi de 0,06% sem considerar o valor referente ao Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante (caso considerado seria prejuízo de 4,91%. Não bastasse, as mercadorias foram enviadas diretamente do Porto do Rio de Janeiro para o endereço das clientes. E ainda que os livros contáveis não se coadunam com a movimentação bancária, podendo ser identificadas entradas de valor relativas a cobranças em datas muito próximas às de liquidações de contratos de câmbio. No presente, são diversos elementos de prova. Não pode a interessada negar que ocultava os reais adquirentes das importações de mercadorias. Podemos concluir que houve ocultação dos reais adquirentes na medida em que a interessada recebia pelas importações antecipadamente, promovendoas para terceiros, não sendo as mercadorias adquiridas efetivamente pela interessada. O artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 trouxe nova disciplina a respeito da infração em comento: "Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996." Segundo esse dispositivo, foi criada penalidade nos casos de interposição fraudulenta: multa de 10% do valor da operação, aplicada ao importador ou exportador ostensivo (o interveniente em cujo nome é realizada a importação ou a exportação). A infração tipificada no artigo 33 supra — cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários — corresponde, materialmente, à tipificação da interposição fraudulenta, prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n 1.455/1976: Fl. 873DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 6 11 "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". A importação destinada a terceiro oculto, real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (decretolei 1.455/1976, artigo 23, V) e ao interveniente ostensivo, aquele em cujo nome é realizada a operação (aquele que "cede o nome"), é aplicável a multa de 10% do valor da operação (lei 11.488/2007, artigo 33, caput). " Quanto ao parágrafo único dó artigo 33 — "À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n 2 9.430, de 27 de dezembro de 1996" —, tratase de norma explicativa destinada a afastar a imputação de inidoneidade da empresa que meramente "cede o nome". Por outro lado, se além de "ceder o nome", a empresa importadora ou exportadora não comprovar a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida sua inidoneidade, a ensejar a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, por força da presunção estampada no parágrafo l 2 do artigo 81 da Lei n 2 9.430/1996. A fim de corroborar o entendimento supra, fazse mister observar que o discutido artigo 33 decorre do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 351/2007 (PLV 13/2007), de autoria do Deputado Federal Odair Cunha, apresentado em 25/4/2007. Consta do discurso do deputado (disponível em http://www.camara.gov.br/internet/sitaqweb/discursodireto.asp?n uSessao=084.1.53.O) a seguinte referência ao texto do artigo 33, originalmente o artigo 35 do projeto de lei: "Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. " É evidente que a intenção do parlamentar com a inclusão desse artigo foi a de "adequar" a multa aplicável no caso da cessão de nome e, por outro lado, "adequar" também as hipóteses legais para a inaptidão de inscrição no CNPJ. Em função dos presentes argumentos, refutase a tese de que o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 tenha substituído a pena de inaptidão da inscrição no CNPJ pela multa de 10%, aplicável à empresa que cede o nome, cumulativa à imputabilidade, em co autoria, da pena de perdimento, ou de sua conversão em multa, pois isto, em primeiro lugar, configuraria reprovável "bis in idem", vedado tanto pela ordem constitucional quanto pela lei aduaneira (DecretoLei n 2 37/1966). Fl. 874DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 Em segundo lugar, tal interpretação ensejaria a conclusão íncorreta, de que a pena de inaptidão da inscrição no CNPJ seria decorrente da mera interposição de pessoa, ao passo que esse fato, tão somente, jamais foi contemplado pelo tipo infracional. Conforme visto acima, a pena da inaptidão destina se a sancionar a empresa inidônea, a qual, no caso das operações de comércio exterior, é assim presumida apenas na hipótese de não comprovação da origem do capital empregado. O artigo 33 da lei 11.488 retrata infração específica de "interposição", imputável apenas ao importador/exportador ostensivo, de sorte que este é parte ilegítima para sofrer a imputação da infração de "interposição" prevista no DecretoLei n 2 1.455/1976. O auto de infração versa sobre importações realizadas no período de 2006. Embora as infrações imputadas sejam anteriores à edição da Lei nº 11.488/2007, aplicase o artigo 33 retroativamente, em face do disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Quanto à alegação de que o valor real é de R$ 32.567,05, não se aplica tendo em vista que o art. 33 da Lei 11488 prevê o valor mínimo de R$ 5.000,00 por operação acobertada, o que perfaz o valor constante do auto de infração. O art. 112 do Código Tributário Nacional não se aplica em benefício da interessada por não haver dúvida quanto ao fato imputado. Voto pela procedência do lançamento. Encaminhese à repartição de origem para ciência do sujeito passivo e demais providências cabíveis. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário da decisão trasladada acima, no qual aduz, em apertada síntese, o que segue: O texto da lei é claro: Lei ne11.488/07 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, Fl. 875DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 7 13 para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), {grifamos) Não existe no texto da lei "POR OPERAÇÃO ACOBERTADA", mas sim, "do valor da operação acobertada". Há, portanto, erro na interpretação dos fatos e da aplicabilidade da norma. Logo, se devido, a base de cálculo da autuação é de R$ R$ 325.670,50, ou seja, o valor a recolher é no valor de R$ 32.567,05 (TRINTA E DOIS MIL, QUINHENTOS E SESSENTA E SETE REAIS E CINCO CENTAVOS). Se há falha no texto da lei, não cabe ao d. auditor fiscal interpretar de forma menos benéfico ao autuado. Importante frisar, que a empresa Recorrente, no caso em tela, é acusada de ceder o nome, em nenhum momento, foi questionada a sua capacidade financeira, consequentemente não se coloca em dúvida a origem dos recursos e a sua disponibilidade para operar no comércio exterior. Logo, a Recorrente não é alcançada pelas hipóteses definidas no artigo 81 da Lei n° 9.430/96 com as posteriores alterações, nem é alcançada pela Lei n° 11.488/07. Portanto, inaplicável a retroatividade, que por sua peculiaridade, é menos benéfica. Não há norma que obrigue a aplicação de uma margem mínima de lucro Entrega direito aos clientes, se na presunção fiscal a RFB questiona a margem de lucro, por quais razões uma economia de custos no transporte é questionável? Para aumentar o prejuízo? Não há vedação legal. Pagamentos próximos aos fechamentos de câmbio. Não há vedação legal. É o relatório. Voto Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 876DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Aprecio o recurso voluntário interposto em nome de K&K comercial importadora e exportadora de calçados, em boa forma. Passo ao mérito. Inicio minha considerações com a lição do ilustre professor Heleno Taveira Torres (Direito tributário e direito privado: autonomia privada simulação elusão tributária. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 3089), citada, com oportunidade no voto condutor a quo: ' "Todo negócio simulado é, na sua estrutura, um negócio perfeito. É possível que venhamos a identificar um vício de função sobre o comportamento dos sujeitos, não obstante sua correção lógica. Nesse diapasão, entendia Betti que a simulação consistiria numa discrepância entre a causa típica do negócio aparente e a intenção prática perseguida in concreto. Assim, podese perfeitamente encontrar funções ilícitas no exercício de autonomia privada, numa flagrante incompatibilidade com a causa. Partindo de tal formulação, baseada na divergência de causas, e ajeitandoa segundo uma visão normativista, temos que a presença de duas normas jurídicas, postas pelas partes, com causas que se anulam no seu propósito negocial (simulação relativa), ou mesmo a formulação de um negócio sem causa (simulação absoluta) prestamse perfeitamente como medida para a definição do que se pretende atribuir para o conceito de simulação. Assim, a relação simulatória regese por duas normas jurídicas distintas, a que cria o negócio simulado (i) e aquela que estabelece o pacto simulatório' (ii), variando segundo a modalidade de composição do ato simulado." Verificando as condições fáticas das operações entre 4 de janeiro de 2006 e 20 de setembro de 2006, envolvendo as empresas mencionadas, uma dessas salta a vista de qualquer observador, afeto ou não ao mundo dos negócios: foram realizadas com prejuízos ao importador. Por si só tal fato já me permite presumir que há interesse de outro nessas operações ou não perdurariam por tanto tempo, por razoes econômicas. De fato, não há vedação legal para operações comerciais com prejuízo. Não é de se esperar que a lei ou outro ato normativo venha tratar de situações absolutamente esdrúxulas e anormais no âmbito do comércio. A autoridade autuante não definiu como infração operar no comércio exterior com prejuízo, mas dentro de uma lógica comercial aceitável, indicou como indício de operação irregular tal fato e associandoo com os demais a seguir apontados concluiu pela existência de um importador real que estaria de fato acobertado nas operações de importação. Robustecem a conclusão de que houve interposição de pessoa de forma fraudulenta o fato apontado pela fiscalização de que as datas das notas fiscais que dão suporte as supostas vendas – notas fiscais de saída do estabelecimento importador coincidem ou são muito próximas às das respectivas notas de entrada nos estabelecimentos compradores, demonstrando que as mercadorias não permaneceram no estoque da recorrente, minimamente enquanto estivessem sendo entabulados negócios no mercado interno. Novamente, erra o Recorrente que pretende entender que o fato apenado teria sido transitar a mercadoria diretamente do armazém de despacho de importação para as Fl. 877DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 8 15 empresas ocultadas ou fazer tal transferência de mercadoria em data muito próxima do desembaraço. Essa não é uma presunção, mas constatação da fiscalização, vez que as mercadorias foram enviadas diretamente do Porto do Rio de Janeiro para o endereço das clientes. Por último, os livros contábeis das empresa K&K não se coadunam com a movimentação bancária, podendo ser identificadas entradas de valor relativas a cobranças em datas muito próximas às de liquidações de contratos de câmbio. Não posso também deixar de considerar as informações sobre as vinculações do grupo WW , entre cujas empresas estão as envolvidas nas operações comerciais que deram origem a este auto de infração. Sem dúvida os negócios familiares podem se desenvolver ao abrigo da lei, não havendo na opinião desta relatora, qualquer necessário espírito espúrio unicamente pelo fato de serem sócios irmãos, cunhados e amigos próximos os operadores das empresas que se criam a partir de interesses compartilhados. Entretanto, o funcionamento desses grupos negociais, se realizados legalmente, obedecem estritamente os ditames legais, valendose tão só das oportunidades de mercado, como por exemplo as relacionadas com representações comerciais, ganho relacionado ao tamanho econômico e financeiro do grupo, planejamento operacional e logístico, planejamento tributário e financeiro. No presente caso estamos diante de omissão de informação comercial obrigatória, o nome do real comprador das mercadorias, fato que deixa as operações marcadas por ilegalidade óbvia, sancionável, como foi, na forma prevista. Para melhor esclarecimento do ocorrido, julgo interessante transcrever partes da motivação do auto de infração, ao meu sentir, muito bem argumentado: Inicialmente, importa reproduzir os fatos que motivaram a instauração da presente ação fiscal. Por intermédio do PAF 10711.000247/200748, a Alfândega do Porto do Rio de Janeiro apontou, em 2007, indícios de ocultação da origem dos recursos utilizados nas operações da empresa K&K, representando a esta Inspetoria para verificação da conveniência de fiscalização de seus estabelecimentos (fls. 34 do Anexo I). O interesse na análise das operações da K&K pela Alfândega decorreu dos seguintes fatos: a) o registro da marca das mercadorias importadas pela K&K (Luxcel) foi realizado, no Brasil, pela W & W COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (W&W), em 2004 (fl. 38 do Anexo I), e esta cedeu, sem qualquer ônus, os direitos da marca àquela empresa, conforme contrato juntado aos autos (fls. 5153), o qual foi firmado no curso da referida investigação; b) a K&K realizava as importações e repassava as mercadorias a outras empresas, cujos sócios se identificam com os da própria Fl. 878DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 cessionária dos direitos da marca (W&W). A relação de empresas com as quais a K&K mantinha relações no período, bem como as vinculações entre seus quadros societários, procuradores e endereços, seguem ilustradas no ponto 3 deste Relatório; c) da análise dessas transações efetuadas pela K&K no período, não foi verificado lucro, ou seja, as vendas, quando computados os tributos e as respectivas despesa acessórias, geravam prejuízo à empresa conforme detalhado no ponto 5 deste Relatório. Em decorrência disso, foi realizado procedimento visando à verificação de interposição fraudulenta nos moldes da Instrução Normativa SRF n° 228/02, ao término do qual foi proposta a inaptidão do CNPJ da empresa por meio do PAF 10314.006023/2007 22 (fls. 261276 do Anexo II), haja vista não ter sido comprovada a fonte de recursos aplicados nas transações de comércio exterior. Em grau de recurso administrativo, a empresa obteve a reversão da inaptidão ao comprovar sua capacidade econômica para a execução das operações (fls. 357361 do mesmo Anexo). Nesse sentido, opinouse fosse averiguada a ocorrência de ocultação do real adquirente mediante cessão de nome da K&K aos seus clientes conforme disposto na Lei 11.488/07. Diante do exposto, foi aberto, nesta Inspetoria, o Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD) n° 08155002010 008705, de 06/08/10, a fim de buscar os elementos necessários para verificação da cessão do nome da K&K nas operações de comércio exterior no exercício de 2006. Com base nesse MPF, em 18/08/10, foi realizada diligência no endereço da empresa cadastrado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, a qual restou frustrada por não haver, no local, pessoa para receber a intimação. Por conseguinte, foi enviado, na mesma data via correio, o Termo de Início de Ação Fiscal n° 162/10 para o endereço da sede da K&K e os dos sócios, intimandoos a apresentar os documentos necessários à realização do procedimento fiscal, cujo representante da empresa compareceu nesta IRF para a entrega dos documentos solicitados. A fim de obter informações acerca das atividades da K&K, em 30 de agosto, foram intimadas, via postal, ainda, as empresas mencionadas na alínea "a" do item 3 deste Relatório, obtendose o respectivo aviso de recebimento de todas à exceção da empresa YIDA COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. A documentação solicitada foi entregue pelo contador (em comum) das empresas. Em 10 de setembro, o procurador da empresa compareceu nesta Inspetoria a fim de solicitar prorrogação de prazo por mais trinta dias para apresentação da documentação, a qual foi deferida. Da análise de tal documentação, em conjunto com a entregue em decorrência dos Termos de Intimação Fiscal (TIF) realizadas no curso dos PAF's supramencionados (a exemplo, TIF's de fls. 80 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 9 17 81 e 172173 do Anexo I e fls. 56 do Anexo II), que restou em guarda desta Inspetoria, foi possível concluir o seguinte: 3. DOS INTERVENIENTES De forma a identificar a interligação entre a K&K, a cessionária (W&W) e as empresas com as quais aquela comercializava as mercadorias importadas, foram analisados os documentos e sistemas supramencionados, observandose o seguinte: a) há confusão de sócios e procuradores da cessionária e das principais empresas adquirentes das mercadorias importadas pela K&K, conforme segue enumerado no quadro abaixo com base nas informações do PAF 10711.000247/200748 (Anexo I): Empresa Sócios Procuradores Folha(s) W&W (cessionária)* (06.001.831/000164) Lu Jinglin (1) Lu Feng (3) 7 e 54 Wu Hefang(2) Wang Shengyao (4) Wang Ronggen (5) Tang Xuezhen (6) COMBEK COMÉRCIO DE ARMARINHOS LTDA. (07.405.477/000104) COMBEK Yu Haiwu 140 Wang Ensheng – irmão de (4) LUX COMÉRCIO DE PAPELARIA LTDA. (07.468.534/000196) LUX Wang Shengyao (4) 135 e 150 Wu Hefang (2) Lu Jinglin (sócia desde 11/07) (1 informação obtida no sistema CNPJ)** MM BOLSAS E ACESSÓRIOS LTDA. (07.457.298/000102) MM Wang Ronggen (5) 141 Tang Xuezhen (6) POLOKIN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA. (05.078.470/000191) – sócios cônjuges POLOKIN Wang Shengyao (4) 137e151 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 Lu Feng*** (3) YIDA COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (03.682.394/000101) YIDA Wang Ronggen (5) 142 e 148 Tang Xuezhen (6) * a W&W celebrou contrato de cessão dos direitos da marca Luxcel com a K&K, no curso da fiscalização realizada pela Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, sem qualquer ônus a esta (fis. 5153 do Anexo I). ** constante do Anexo IV deste Relatório. *** filha de (2) f l . 134 e responsável pela pagina da internet da YIDA (fl. 152 do Anexo I). b) os endereços informados para as empresas, de acordo com as informações do PAF 10711.000247/200748 (Anexo I), todos na cidade de São Paulo, se identificam ou se assemelham conforme enumeração a seguir: Empresa Endereço da empresa Folha(s) K & K (importadora) Rua Diamante Preto, 865 (1) 95 e 170 Endereço da filial: Rua Diamante Preto, 841 (2) 170 W & W (cessionária) Rua Luis Pinto, 160, Vila Carrão (3) 47 Filial: Rua Julio Parigot, 860 (4) 47 Endereço antigo: Rua Diamante Preto, 841 (2) 54 LUX Rua Julio Parigot, 880 vizinho ao (4) 150 MM Rua Julio Parigot, 860 (4) informação obtida no sistema CNPJ* POLOKIN Rua Julio Parigot, 842 vizinho ao (4) 151 YIDA Rua Forte do Rio Branco, 140 148 Endereços antigos: Rua Julio Parigot, 826 vizinho ao (4) e Rua Luis Pinto, 160 (3) 148 * constante do Anexo IV deste Relatório. c) os endereços informados para os sócios, de acordo com as informações do PAF 10711.000247/200748 (Anexo I), também se igualam ou se aproximam conforme enumeração a seguir (todos nesta capital): Fl. 881DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 10 19 Empresa Sócios Endereço particular dos sócios Folha(s) K & K (importadora) Yi Yixin Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 141, bl. D (1) 146 Zou Aiying Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 141, bl. D (1) 170 W & W (cessionária) Lu Jinglin Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2 ) 145 Wu Hefang COMFJEK Yu Haiwu Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 141, bl. D (1) 144 Wang Ensheng Rua Vilela, 709, ap. 175 (3) 139 LUX Wang Shengyao Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 138 Wu Hefang Lu Jinglin (sócia desde 11/07) Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 145 Empresa Sócios Endereço particular dos sócios Folha(s) MM Wang Ronggen Rua Vilela, 709, ap. 177 vizinho ao (3) 143 Tang Xuezhen POLOKIN Wang Shengyao Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 138 Lu Feng** Rua Professor Pedreira de Freitas, 372, ap. 221, bl. D (2) 136 YIDA Wang Ronggen Rua Vilela, 709, ap. 177 vizinho ao (3) 143 Tang Xuezhen Fl. 882DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 Diante do exposto, inferese o alto grau de conexão entre as empresas intervenientes nas operações. Em suma, verificase que o quadro societário e os endereços (tanto das empresas, quanto dos sócios) das clientes da K&K coincidem com os da cessionária W&W. o que demonstra a interligação entre as empresas conforme se demonstrará na seqüência. Nesse mesmo sentido, foram observadas, ainda, conexões entre a K&K e as empresas Fluxo Comércio de Calçados Ltda. (CNPJ 06.993.077/000196) e Kelo Comercial Ltda. (CNPJ 05.363.321/000174), cujo sócio coincidente das duas últimas (sr. Chen Jian, conforme informação obtida nos sistemas dessa Receita Anexo IV) era procurador da K&K (PAF 10711.000247/200748 , fl. 170 do Anexo I). Relativamente às notas fiscais de saída da K&K para tais estabelecimentos, não se verificou, contudo, uma relação direta das mercadorias ali discriminadas com as das Dls registradas. Todavia, no que tange à sua contabilização, inúmeras notas deixaram de ser escrituradas na K&K, o que sugere a sonegação dos tributos internos cabíveis nas operações. Em face disso, será feita representação à Delegacia de Fiscalização desta Receita Federal que jurisdiciona a empresa para as providências cabíveis. ..................................................................................................... 6. DA PENALIDADE E ENQUADRAMENTO LEGAL De acordo com o relatado, para as importações realizadas pela K&K para a cadeia de empresas da W&W, configurase a infração de cessão de nome para a realização de importações no interesse de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários conforme previsto no art. 33 da Lei n° 11.488/07 que segue: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cabe ressaltar que o novo Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/09, esclareceu o significado da expressão "valor da operação" em seu art. 727 (g.n.): Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei n° 11.488, de 2007, art. 33, caput). Fl. 883DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 11 21 §1° A multa de que trata o caput não poderá ser Inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei n° 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2° Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3° A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. No art. 2o do DecretoLei n° 37/66 (com redação dada pelo DecretoLei n°2.472/88), temse a definição da base de cálculo do imposto de importação (g.n.): Art. 2o A base de cálculo do imposto [de importação] é: (...) II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 7o do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT. E o Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro/02) assim determinou (g.n.): Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 1994): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II. Em face do disposto acima, entendo pela aplicação da multa relativa à cessão de nome nas importações destinadas à cadeia de empresas da W&W. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 Identificada a infração, a penalidade, as operações envolvidas e os devidos enquadramentos legais, é necessário demonstrar e apurar o valor do crédito tributário envolvido nas situações de irregularidade apresentadas. Com esse fim, segue, na tabela abaixo, a relação de Dl's e os respectivos demonstrativos de cálculo que serviram de base para a apuração da multa em questão (de acordo com os valores extraídos do sistema DW Aduaneiro), a qual totaliza R$95.000,00: Voltando a Heleno Torres, com citação do qual iniciei minha argumentação, estou convencida de que se trata de operação de importação onde o pacto e o negócio simulado permitiu o exercício de transação à margem dos ditames legais, ainda que perfeito e primário o negócio privado. Ao encobrir os verdadeiros donos do capital, e as associações negociais feitas ficaram protegidas da fiscalização tributaria as empresas do grupo W&W, por motivos que não são de interesse nesta lide. Quanto ao cálculo da multa, entendo que andou corretamente a administração tributária que estabeleceu 10% do valor de cada operação conforme estabelece a norma de regência. Por todo exposto, faço meus os termos do voto a quo, e nego provimento ao recurso interposto. [assinado digitalmente] Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando Relatora. Declaração de Voto Mércia Helena Trajano D’Amorim Com todo respeito, quero fazer o devido registro e considerações, tendo em vista, discordar de parte de texto da decisão de primeira instância, quando precisamente dispõe, nos termos: “A infração tipificada no artigo 33 supra — cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários — corresponde, materialmente, à tipificação da interposição fraudulenta, prevista no artigo 23, inciso V, do DecretoLei n 1.455/1976: "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Entendo que a infração considerada como dano ao Erário está disposta no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 12 23 “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.” (negritei) A pena prevista para a infração é o perdimento das mercadorias importadas, conforme parágrafo 1º do mesmo artigo, assim descrito: “§ 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.” Tendo em vista que as mercadorias importadas não são localizadas, por terem sido consumidas ou revendidas, exigese a multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme determinado no parágrafo 3º do mesmo artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, nos seguintes termos: “§ 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.” Ainda, tendo em vista incapacidade financeira, verificandose que os pagamentos dos custos das importações são realizados com recursos financeiros de terceiros, sem os quais a interessada não poderia cumprir com suas obrigações de importadora. Assim, a fiscalização observa a presunção legal da caracterização de interposição fraudulenta de terceiros, tendo por fundamento a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, como disposto no § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, in verbis: “§ 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.” (negritei) Pois bem, a alegação de que a penalidade pela infração que em tese teria cometido é aquela prevista na Lei nº 11.488/2007, pois a interposição fraudulenta presumida pela fiscalização devido à não comprovação da origem dos recursos empregados no comércio exterior, significa a cessão do nome a terceiros, que, conforme a norma legal citada, tem como penalidade uma multa de 10% do valor da mercadoria, é interpretação equivocada. O artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, prescreve: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com Fl. 886DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (negritei) Por sua vez. O artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, estabelece: “Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976.” (negritei) O parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, já transcrito, dispõe que, para o caso previsto no caput do artigo, qual seja, a exigência da multa de 10 % do valor da operação acobertada da pessoa jurídica pela irregular cessão do nome em operações de comércio exterior, não se aplica o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, que, determina a declaração de inaptidão nos casos de não comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Observase que antes da edição da Lei nº 11.488/2007, nos casos em que não se comprovasse a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se fosse o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, haveria que se declarar a pessoa Fl. 887DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.013544/201031 Acórdão n.º 320100.846 S3C2T1 Fl. 13 25 jurídica inapta. Essa previsão incluía, inclusive, a hipótese do § 2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, como disposto no § 4º do artigo 81 da Lei nº 9.430/1996. Com a edição da Lei nº 11.488/2007, em razão do contido no parágrafo único de seu artigo 33, não mais se aplica o disposto no artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, não mais se declara inapta a pessoa jurídica naquelas situações que especifica. A Lei nº 11.488/2007 trouxe nova previsão relativamente à penalidade de caráter administrativo, para não mais se declarar a infratora inapta e sim, dela exigir multa equivalente a dez por cento do valor da operação acobertada. A multa capitulada no § 3º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976, por sua vez, é exigida quando as mercadorias sujeitas à pena de perdimento, prevista em seu § 1º, em virtude da caracterização de dano ao Erário, não mais estão disponíveis, por não serem localizadas ou terem sido consumidas. Insisto, o dano ao erário será punido com a pena de perdimento das mercadorias que, no entanto, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A pena pecuniária prevista no art. 33 da Lei n° Lei n° 11.488, de 2007 veio apenas substituir a pena nãopecuniária de declaração de inaptidão e não a pena de perdimento. De se notar que a pena de perdimento tem natureza diversa da declaração de inaptidão antes prevista. Enquanto aquela tem como objeto a pessoa jurídica, esta é de controle aduaneiro, incidindo sobre as mercadorias importadas em situação irregular, portanto perfeitamente aplicáveis simultaneamente. A Lei nº 11.488/2007, ao mesmo tempo em que determinou a não aplicação da inaptidão à pessoa jurídica infratora, previu a exigência de multa pecuniária. Essa substituição de penalidade em nada altera sua natureza e, portanto, fica mantida a possibilidade de sua exigência simultânea com a pena de perdimento, que, notese, não foi revogada em nenhum momento, ainda que essa pena tenha sido convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Verificase, portanto, que o parágrafo único do art. 33 da Lei 11.488/07 podese compreender que a penalidade de 10% do valor aduaneiro, aplicada à pessoa que ceder seu nome para acobertar os reais intervenientes nas operações aduaneiras, foi instituída para substituir a pena não pecuniária de inaptidão do CNPJ, que antes era aplicável por força do art. 81 da Lei n.º 9.430/96 c/c art. 34, III e 41, III, da IN SRF n.º 568/2005. Mércia Helena Trajano D’Amorim Fl. 888DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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