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Numero do processo: 10940.000445/2002-01
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: CONTRMUIÇÂO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1992 a 30/11/2001 PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 49• PREVALÊNCIA. LF11nP 8212/91. INAPLICABILIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a Seguridade Social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei ng 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4,e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4,aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase a tributos em que o lançamento, em princípio, j antecede o pagamento BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. LANÇAMENTO QUE NÃO A CONSIDERA. INSUBSISTÊNCIA. Até fevereiro de 1996 a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. C da LC n2 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ - REsp a2 144.708-RS - e CSRF), sendo a aliquota de 0,75%. Recurso provido
Numero da decisão: 201-80.914
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça

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Recorrente PARANATRATOR LTDA. Roo Go- Recorrida DRJ em Curitiba - PR ASSUNTO: CONTRMUIÇÂO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1992 a 30/11/2001 PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 49• PREVALÊNCIA. LF11nP 8212/91. INAPLICABILIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a Seguridade Social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei ng 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4,e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4,aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica- se a tributos em que o lançamento, em princípio, j antecede o pagamento. Niti • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORGiNAL •I Processo n.• 10940.0004452002-01 CCO2/C01 • Acórdão n.• 201-80.914 _f & ns. 363 mo SÍ: Da° Nue 53;391745 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. LANÇAMENTO QUE NÃO A CONSIDERA. INSUBSISTÊNCIA. Até fevereiro de 1996 a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. C da LC n2 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ - REsp a2 144.708-RS - e CSRF), sendo a aliquota de 0,75%. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência. 4 ' 04~ thib • SE 'A MARIA COELHO MAIWUra Presidente \-LA 01/44 CIPaldr. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. • Processo n.° 10940.000445/2002-01 AlF - SEGUNDO CONSEU-10 DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 • Acórdão n.° 201-80.914 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 364 Brasllia, / 1.292±-f. S:Wto Mat . Smpn 911745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II) contra o v. Acórdão DRJ/CTA 8.730, de 29/06/2005, constante de fls. 274/293 (vol. I), exarado pela 3' Turma da DRJ em Curitiba - PR, que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar procedente o lançamento original consubstanciado no auto de infração de PIS (MPF n° 0910400/00014/02), notificado em 06/08/2001 (fls. 70/95, vol. I), no valor total de R$ 167.469,82 (PIS: R$ 52.543,67; juros de mora: R$ 75.518,53; multa proporcional: R$ 39.407,62), que acusou a ora recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 31/03/92 a 31/12/95, em razão de suposta insuficiência de recolhimentos no período decorrentes de compensação autorizada por decisão judicial prolatada nos autos da Ação Ordinária tf 95.00114939-7, ajuizada pela contribuinte na la Vara da Justiça Federal de Curitiba, apurada com fulcro na base de cálculo extraída dos registros contábeis da empresa. Em razão desses fatos a d. Fiscalização acusa infringência aos arts. 1° e alínea "b", da LC ti° 7/70; e 1", parágrafo único, da LC n" 17/73; Titulo 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF rt° 142/82, considerando exigíveis a multa de 75% capitulada no art. 86, § 1", da Lei n°7.450/85; e art. 2' da Lei di 7.683/88, c/c o art. 49, inciso I, da Lei n° 8.218/91; art. 44, inciso I, da Lei ré/ 9.430/96; e art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n°5.172/66, bem como juros calculados à taxa Selic prevista no art. 61, § 3°, da Lei n°9,430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 274/293 (vol. I), da 3' Turma da DRJ em Curitiba - PR, houve por bem julgar procedente o lançamento original, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1992 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/08/1994 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: PRELIMINAR. PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO PRESCINDÍVEL. INCABIMENTO. Indefere-se a solicitação de perícia se a controvérsia reside em questão de direito, para cuja elucidação em nada contribui a prova pericial requerida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1992 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/08/1994 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: PREJUDICIAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao PIS decai em dez anos. RECOLHIMENTO INDEVIDO. NORMA INCONSTITUCIONAL. ATO $.0)4 JURÍDICO PERFEITO. INCABIMENTO. LPIL ME SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIG:NAL Processo n.• 10940.000445/2002-01 / COY2/C0 Acórdão n.° 201-80.914Fls. 365 Silvio 945.- Soa Mat: .4ispe 91746 Sá é ato jurídico perfeito aquele praticado segundo a lei válida vigente ao tempo de sua prática, não se cogitando, em razão disso, conferir validade aos atos que tenham sido praticados ao amparo de norma inconstitucional. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1992 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/08/1994 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: SEMESTR1IL1DADE. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS previsto, originariamente, para ser de seis meses. Lançamento Procedente". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II) oportunamente apresentadas e instruídas com a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fl. 323, vol. II) a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1 1 instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, eis que, dado ciência da autuação em 06/08/2001, não mais poderia ter sido efetuado o lançamento, cujo fato gerador supostamente teria ocorrido anteriormente a agosto de 1996, eis que os mesmos encontram-se extintos (§ 4do art. 150 e art. 156, inciso V, do CTN, e jurisprudência deste Conselho); b) a regularidade da conduta da recorrente na aplicação da semestralidade da base de cálculo do PIS; e c) a regularidade da exclusão dos créditos extemporâneos do ICMS da base de cálculo do PIS, por não constitu. faturamento ou receita. É o Relatório. Nu . .. .. Processo n.° 10940.000445/2002-01 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01• Acórdão n.° 201-80.914 CONFERE COM O ORiCMAL Fls. 3645 9BrBrasa,/ir i p. _ ia, 42- &avie S5 g / Sou Mat: Siape 91745 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser provido. De fato, inicialmente, verifico que a conclusão da r. decisão recorrida, quanto à questão da decadência, merece reforma, por não se conformar com o que dispõe a Lei Complementar e com a interpretação que lhes emprestam as jurisprudências judicial e administrativa. De fato, solidamente apoiado no principio constitucional da reserva da lei complementar, o Egrégio STJ recentemente proclamou que "as contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária" e, "por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146. III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos", razões pelas quais aquela Egrégia Corte Superior de Justiça expressamente reconheceu que "padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no AgRg no REsp n2 616.348-MG, Reg. n2 2003/0229004-0, em sessão de 14/12/2004, rel. Min. Teori Albino Zavascki, publ. in DTO de 14/02/2005, p. 144, e in RDDT vol. 115, p. 164), diferentemente do prazo qüinqüenal estabelecido na lei complementar (c-1'N, arts. 150, § 42, e 173). Na mesma ordem de idéias, já na interpretação dos dispositivos da lei complementar prevalente, aquela mesma Egrégia Corte Superior de Justiça recentemente esclareceu que as normas dos arts. 150, § 42, e 173, do CTN, "não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4° aplica-se exclusivamente aos tributos 'cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa s,- o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento". Assim, entende aquela Egrégia Corte que a aplicação concorrente dos arts. 150, § 42, e 173, a par de ser juridicamente insustentável e padecer de invencivel ilogicidade, apresenta-se como "solução (.) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica" (cf. Acórdão da 2! Turma do STJ no REsp n2 638.962-PR, rel. Min Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/2005 e na RDDT 121/238). Acolhendo e conformando-se com esses ensinamentos de inegável juridicidade, a jurisprudência deste Egrégio Conselho tem reiteradamente proclamado a inaplicabilidade do art. 45 da Lei n2 8.2123/91 invocado como fundamento da r. decisão recorrida, em razão do que dispõem as normas da Lei Complementar (art. 150, § 42, do CTN), como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: "DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: (.) a regra a ser seguida na contagem do prazo decadencial é a estabelecida no artigo 150, ,f 4°, do Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. Da mesma • ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BUINTES • CONFERE COM O ORCINAL Processo n.° 10940.000445/2002-01CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.914 Brunia. __/#4 O t c&7_ Fls. 367 lia ..0:53a . tape 91745 forma, os lançamentos das contribuições sociais que, por se revestirem de natureza tributária, sujeitam-se às regras instituídas por lei complementar (CT1V, por apressa previsão constitucional (artigos 146, III, 'b' e 149 da CF). Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso." (Acórdão ns 101-94.394, da 1! Câmara do 1° CC - Relator: Raul Pimentel publ. in DOU 1 - 28/01/2004, pág. 9, e in "Jurisprudência-IR" anexo ao Boi. 1013 n° 11/04) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - NATUREZA JURÍDICA TRIBUTÁRIA - PRAZO DE DECADÊNCIA DE 10 ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO - ART. 45 DA LEI 8.212/91, DIANTE DO ART. 150, § 4° DO CTN. CSLL de 1997. Preliminar. Decadência - CSLL - Inaplicabildiade do art. 45 da Lei 8.2123/91 frente às nonnas dispostas no art. 150, § 4° do CT1V. A partir da • Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídico-tributária, aplicando-se-lhes todos aos princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, 'b 9, e no CTN (arts. 150, § 4° e 173)." (cf. Acórdão n2 101-94.602 da I s Câmara do 12 CC/MF, publ. no DJ de 28/04/2005 e in RDDT 118/146) "CSLL - Decadência - Caracterização. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - DECADÊNCIA - CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL -ART. 150, § 4°- NÃO APLICAÇÃO DA LEI N°8.212/91. O prazo decadencial das contribuições é o previsto no art. 150, do CT/V, pois, em virtude de prescrição constitucional (art. 146, III), trata- se de matéria exclusiva de lei complementar, não podendo ser tocada por lei ordinária. No caso, até o exercício de 1996, pode-se falar em decadência (..). Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Octávio Campos Fischer (Relator). Designado o Conselheiro Natanael Martins para redigir o voto vencedor." (cf. Acórdão ns 107-07.049, da 7s Câmara do 1 2 CC, rel. Conselheiro Natanael Martins, publ. no DOU 1 de 10/12/2003, pág. 38, e in "Jurisprudência-1R" anexo ao Boi. 1013 n 2 1/04) Dos preceitos expostos, desde logo verifica-se que o auto de infração original, notificado em 06/08/2001 (fls. 91/102, vol. 1), jamais poderia abranger operações ocorridas no período de 03/92 a 12/95, sobre as quais já se achava extinto o direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário, nos expressos termos dos arts. 150, § 42, e 156, inciso V, do CTN, impondo- se a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamaram as jurisprudências administrativa e judicial retrocitadas. Se não bastasse, no mérito, a semestralidade da base de cálculo do PIS é matéria pacificada tanto na jurisprudência administrativa quanto na judicial, sendo certo que em recente decisão esta Colenda Câmara, por unanimidade de votos, deu integral provimento ao recurso do contribuinte para cancelar o lançamento ex-officio que não considerou a sernestralidade, aos fundamentos sintetizados na seguinte e elucidativa ementa: "PIS. SEMESTRALIDADE. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do VIU parágrafo único do art. 6° da LC n° 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção CW1/4-k- • ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM l) 0.StGINA1. Processo n.° 10940.000445/2002-01CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.914 BrasIlla, /2-008. Fls. 368 ssin$ .arbasa Mat: 91745 monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ - Resp n° 144.708-RS e CSRF), sendo a aliquota de 0,75% Recurso Provido." (cf. Acórdão n2 201-79.457, Recurso IP 125.824, Processo rt` 10940.001645/2001-92, em sessão de 30/06/2006, em nome de Falcão Auto Posto Ltda., rel. Conselheiro Gustavo Vieira de Melo Monteiro; no mesmo sentido cf. Acórdão CSRF/02-02.635 da r Turma da CSRF, no Recurso de Div. ri° 202-122694, Processo ne 10950.002565/2002-16, em sessão de 23/04/2007, rel. Conselheira Josefa Maria Coelho Marques) Ao desconsiderar a semestralidade na apuração de operações do período excogitado (31/03/92 a 31/12/95), é evidente que o lançamento desrespeita a base de cálculo legalmente prevista para o cálculo da contribuição, não havendo dúvida quanto à sua insubsistência. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II), reformando a r. Decisão de fls. 274/293 (vol. 1), da 3' Turma da DR.1 em Curitiba - PR, para proclamar a decadência e a extinção do direito de constituir o crédito tributário em relação às operações ocorridas no período de 03/92 a 12/95, nos expressos termos dos arts. 150, § 4, e 156, inciso V, do CTN, e, no mérito, julgar improcedente o lançamento, cancelando as exigências remanescentes nele contidas, por insubsistentes. É o meu voto. Sala as Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. 0/1/010t'agir FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA °d .o Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1

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Numero do processo: 16004.000340/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/06/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 4º, §2º, DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à norma tributária inscrita no §2º do art. 4º da Lei nº 10.666/2003 deixar a empresa de efetuar a inscrição dos seus contratados, sem vínculo empregatício, como segurados contribuintes individuais, no Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS. INFRAÇÃO. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. LEI Nº 3.470/58. Nos lançamentos de ofício, é de cinco dias úteis o prazo para a apresentação de documentos necessários ao procedimento fiscal, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, a teor do §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. LEI Nº 3.470/58. Nos lançamentos de ofício, é de cinco dias úteis o prazo para a apresentação de documentos necessários ao procedimento fiscal, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, a teor do §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 90; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 479          1  478  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16004.000340/2009­87  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2401­004.162  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de fevereiro de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  ­  AIOA CFL 99  Recorrente  FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA.  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 26/06/2009  AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 4º, §2º, DA LEI Nº 10.666/2003.  PROCEDÊNCIA.  Constitui  infração  à  norma  tributária  inscrita  no  §2º  do  art.  4º  da  Lei  nº  10.666/2003  deixar  a  empresa  de  efetuar  a  inscrição  dos  seus  contratados,  sem  vínculo  empregatício,  como  segurados  contribuintes  individuais,  no  Instituto Nacional do Seguro Social ­ INSS.  A inobservância de obrigação tributária acessória constitui­se fato gerador do  auto  de  infração,  convertendo­se  em  obrigação  principal  relativamente  à  penalidade pecuniária aplicada.  OBRIGAÇÕES ACESSORIAS. INFRAÇÃO. NATUREZA OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou do  responsável  e da efetividade, natureza  e  extensão  dos efeitos do ato. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é  condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza  de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.   INTIMAÇÃO  PARA  APRESENTAÇÃO  DE  DOCUMENTOS.  PRAZO.  LEI Nº 3.470/58.  Nos lançamentos de ofício, é de cinco dias úteis o prazo para a apresentação  de documentos necessários ao procedimento  fiscal, nas situações em que as  informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar  registrados  na  escrituração  contábil  ou  fiscal  do  sujeito  passivo,  ou  em  declarações apresentadas à administração  tributária, a  teor do §1º do art. 19  da Lei nº 3.470/58.  AUTO DE  INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO.  CERCEAMENTO DE DEFESA.  INEXISTÊNCIA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 40 /2 00 9- 87 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     2  Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento  tributário  cujo  Relatório  Fiscal  e  demais  relatórios  complementares  descrevem,  de  maneira  clara  e  precisa,  os  fatos  jurídicos  apurados,  os  procedimentos  de  Fiscalização,  a motivação  do  lançamento,  os  dispositivos  legais violados, a matéria  tributável e  seus acréscimos  legais, bem como os  fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  FASE  PREPARATÓRIA  DO  LANÇAMENTO.  NATUREZA  INQUISITIVA.  CONTRADITÓRIO  INEXISTENTE.  O  procedimento  administrativo  do  lançamento  é  inaugurado  por  uma  fase  preliminar,  oficiosa,  de  natureza  eminentemente  inquisitiva,  na  qual  a  autoridade  fiscal  promove  a  coleta  de  dados  e  informações,  examina  documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a  ocorrência  ou  não  de  fato  gerador  de  obrigação  tributária  aplicando­lhe  a  legislação tributária.   Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao  crivo  do  contraditório  nem  da  ampla  defesa,  direito  reservados  ao  sujeito  passivo  somente  após  a  ciência  do  lançamento,  com  o  oferecimento  de  impugnação,  quando  então  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  procedimento  fiscal.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM.  São  solidárias  as  pessoas  físicas  e/ou  jurídicas  que  realizam  conjuntamente  com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação  principal objeto do  lançamento, a  teor do  inciso  I do art. 124 do CTN, não  comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem.  FRAUDE.  Configura­se  fraude  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido  a  evitar  ou  diferir o seu pagamento.  SONEGAÇÃO  Qualifica­se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade  fazendária  a  respeito  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições  pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal  ou o crédito tributário correspondente.   LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ATO  ADMINISTRATIVO.  PRESUNÇÃO  DE  VERACIDADE  E  LEGALIDADE.  INVERSÃO  DO  ÔNUS DA PROVA.  Tendo  em  vista  o  consagrado  atributo  da  presunção  de  veracidade  que  caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é  espécie,  opera­se  a  inversão  do  encargo  probatório,  repousando  sobre  o  notificado  o  ônus  de  desconstituir  o  lançamento  ora  em  consumação.  Havendo  um  documento  público  com  presunção  de  veracidade  não  impugnado eficazmente pela parte  contrária, o desfecho há de ser em favor  desta presunção.  Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 480          3  DIREITO  PREVIDENCIÁRIO.  PRINCÍPIO  DA  PRIMAZIA  DA  REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.  Vigora  no Direito Previdenciário  o Princípio  da Primazia  da Realidade  dos  fatos  sobre  a  Forma  jurídica  dos  atos,  o  qual  propugna  que,  havendo  divergência  entre  a  realidade  das  condições  efetivamente  ajustadas  numa  determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a  realidade dos fatos.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  INCIDENTES  SOBRE  A  COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA  DO  ADQUIRENTE.  ART.  25  DA  LEI  Nº  8.212/91,  NA  REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001.  A  contribuição  do  empregador  rural  pessoa  física  e  do  segurado  especial  referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art.  12  desta  Lei,  destinada  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  das  prestações  por  acidente  do  trabalho,  é  de  2%  e  0,1%  da  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  da  sua  produção,  respectivamente,  nos  termos  do  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001.   A  empresa  adquirente,  consumidora  ou  consignatária  ou  a  cooperativa  são  obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91,  no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de  essas  operações  terem  sido  realizadas  diretamente  com  o  produtor  ou  com  intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91.  AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.   A  recusa  ou  sonegação  de  qualquer  documento  ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade  da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a  seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem­se motivo justo, bastante,  suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição  indireta  de  sua  base  de  cálculo,  a  contribuição  previdenciária  que  reputar  devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR­ LHE provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.        André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma.     Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     4  Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico  Lombardi  (Presidente  de  Turma),  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Cleberson  Alex  Friess,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Carlos  Henrique  de  Oliveira,  Theodoro  Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.      Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 481          5    Relatório  Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007  Data da lavratura do AIOP: 26/06/2009.  Data da Ciência do AIOP: 06/07/2009.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  de  Primeira  Instância  Administrativa  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP,  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelos  Sujeitos Passivos do crédito  tributário aviado no Auto de  Infração nº 37.229.634­3, CFL 99,  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  acessória  prevista  no  §  2º  do  art.  4º  da  Lei  nº  10.666/2003,  lavrado  em  desfavor  do  Recorrente  em  virtude  de  a  empresa  ter  deixado  de  inscrever,  no  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  os  Segurados  Contribuintes  Individuais  solicitados no item 2.11.6 do Termo de Constatação e Intimação n° 02, datado de 05/03/2009,  recebido  pela  empresa  em  09/03/2009,  conforme  AR  n°  11175993­4,  e  do  Termo  de  Constatação  e  Reintimação  n°  03,  datado  de  30/03/2009,  recebido  pela  empresa  em  01/04/2009,  conforme AR  n°  69233262­6  ,  conforme  descrito  no  Termo  de Constatação  de  Infração Fiscal, a fls. 20/24.  A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista nos artigos  92  e  102  ambos  da Lei  nº  8.212/91  c.c.  artigos  283,  caput  e  §3º,  e 373  do Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048,  de  06/05/1999,  elevada  em  três  vezes em razão de fraude  tributária,  conforme previsão assentada no  inciso  II do art. 290 do  Regulamento  da Previdência Social,  com valores  reajustados  conforme Portaria MPS/MF n°  48, de 12/02/2009, DOU de 13/02/2009, de acordo com o Relatório Fiscal da Multa aplicada a  fl. 17.  De  acordo  com  a  resenha  fiscal,  a  empresa  FRIGORIFICO  OUROESTE  LTDA,  apesar  de  formalmente  intimada  mediante  Termo  próprio,  deixou  de  inscrever,  no  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  os  Segurados  Contribuintes  Individuais  solicitados  no  item 2.11.6 do Termo de Constatação e Intimação n° 02, datado de 05/03/2009, recebido pela  empresa  em  09/03/2009,  conforme  AR  n°  11175993­4  ,  e  do  Termo  de  Constatação  e  Reintimação  n°  03,  datado  de  30/03/2009,  recebido  pela  empresa  em  01/04/2009,  conforme  AR n° 69233262­6.  No Termo de Constatação de Infração Fiscal do PAF 16004.000336/2009­19  são  transcritos  trechos  do  relatório  da  Polícia  Federal,  onde  são  expendidas  considerações  detalhadas  sobre  a  operacionalização  dos  procedimentos  efetuados,  discorrendo  sobre  a  operação "Grandes Lagos" e a existência de uma organização criminosa criada para fraudar a  administração tributária mediante a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para eximir os  verdadeiros  titulares  do  pagamento  de  tributos,  sendo  apresentadas,  dentre  tantas  outras,  as  seguintes informações:   ·  A  partir  de  denúncias  e  informações  de  órgãos  fiscalizadores  foi  deflagrada  a  operação  “Grandes  Lagos”,  identificando­se  situações  que,  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     6  em  tese,  são  caracterizadoras  de  crimes  de  sonegação,  tendo  sido  expedidos  pelo  Poder  Judiciário  mandados  de  busca  e  apreensão  e  de  prisão  preventiva,  sendo  determinada  a  instauração  de  inúmeras  ações  fiscais,  dentre  elas  junto  à  autuada,  pelo  fato  de  adquirir  notas  fiscais  “frias” de empresas “noteiras”, que efetuavam a venda de tais documentos  fiscais visando a fraudar a administração tributária.   ·  A  fraude  à  administração  tributária  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de  recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de  tributos.   ·  O  gado  era  comprado,  abatido  e  vendido  pelo  frigorífico  cliente  das  empresas  “noteiras”.  No  entanto,  aparentemente  a  compra  do  gado  e  comercialização  dos  produtos  do  abate  eram  feitos  pelas  “noteiras”  de  acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas  fiscais  “frias”  relativas  à  compra  do  gado  e  notas  também  “frias”  de  remessa  desse gado ao  frigorífico  (cliente da  “noteira”) para abate,  seguindo­se  a  emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que,  finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos.   ·  Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras”  foram  constituídas  com  o  único  propósito  de  emitir  notas  fiscais  ‘frias”  para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto  ao  fisco  e não despertar  suspeitas  sobre o verdadeiro  faturamento desses  “clientes”:  (a)  o  patrimônio  declarado  das  “noteiras”  é  insuficiente  para  suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos  declarados  do  sócio majoritário  da  “noteira”  e  as  receitas  declaradas  da  empresa  no  período;  (c)  a  movimentação  financeira  desse  sócio  majoritário  em  valores  muito  superiores  a  seus  rendimentos  declarados;  (d)  a  movimentação  de  contas  bancárias  da  citada  empresa  por  procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas –  “clientes”);  (e)  transcrição  de  declarações  de  inúmeros  produtores  rurais  no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”,  mas com seus “clientes”.     O Termo de Constatação de  Infração Fiscal do PAF 16004.000336/2009­19  prossegue informando que as empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda compõem o  "Núcleo  Ouroeste", estando todas constituídas em nome de "laranjas". Consta consignado no Termo de  Constatação de Infração Fiscal que:  ·  Na Continental  Ouroeste,  três  dos  sócios  não  têm  histórico  de  vínculos  empregatícios compatíveis com a condição de empresários.   ·  O  Frigorífico  Ouroeste  foi  iniciado  pelo  Sr.  José  Cabral  Muniz  e  seus  filhos,  e  posteriormente  foi  vendido  para  o  Sr.  José  Ribeiro  Junqueira  Neto, representado por seu procurador ­ Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira  ­ e para o Sr. Dorvalino Francisco de Souza.   Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 482          7  ·  A Continental Ouroeste foi constituída quando o Frigorífico Ouroeste teve  problemas  com  sua  inscrição  estadual.  Compõem  seu  quadro  societário  Antonio Martucci  e  Edson Garcia  de  Lima. O  primeiro  recebeu  o  valor  para  integralização de  sua parcela no  capital  social  da  empresa Produtos  da Fazenda Ltda, que formalmente pertence a Manoel dos Reis de Oliveira  e Sandra Amara Reis de Oliveira, mas de fato, pertence a Edson Garcia de  Lima e Dorvalino Francisco de Lima.   ·  É feita a análise dos depoimentos prestados pelos envolvidos; do contrato  de arrendamento pela Continental Ouroeste das instalações do Frigorífico  Ouroeste  em  10/09/2002,  e  da  utilização  de  créditos  do  ICMS  pela  Continental Ouroeste.   ·  Discorre­se novamente sobre depoimentos pessoais acerca dos rótulos dos  produtos comercializados (os produtos da Continental Ouroeste saíam com  o rótulo do Frigorífico Ouroeste) e das informações prestadas por clientes  e fornecedores, que indicam os verdadeiros responsáveis pela empresa e a  realização de operações fictícias para gerar créditos do ICMS.   ·  Constatou­se  a  existência  de  inúmeros  benefícios  diretos  e  indiretos  concedidos  aos  verdadeiros  sócios  do  empreendimento,  como  títulos  de  capitalização,  transferências  de  valores  mensais,  tendo  referidas  pessoas  recebido  o  tratamento  por  instituições  financeiras  como  sócios  dessas  empresas.   ·  Verificou­se  que  a  empresa  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  dívidas  da  Continental Ouroeste, sendo que esta nunca entregou DCTF, mas apenas  as DIPJ de 2002 e 2003, recolhendo os tributos por substituição tributária  no  período,  além  de  recolhimentos  parciais  de  contribuições  previdenciárias.   ·  Concluiu­se que a Continental Ouroeste  inexiste de fato, constituída com  fins  fraudulentos,  tendo  como  beneficiários  destas  operações  os  Srs.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson Garcia  de  Lima,  José Roberto  de  Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto.   ·  A  Continental  Ouroeste  foi  criada  para  que  estas  pessoas  ­  verdadeiros  sócios da Frigorífico Ouroeste  ­  não  tivessem seus nomes vinculados  ao  patrimônio da empresa.   ·  A SP Guarulhos sucedeu a Continental Ouroeste na fraude praticada.   ·  Consta  no  TCF  relato  pormenorizado  de  operações  bancárias  praticadas  pelos envolvidos, com o intuito de demonstrar­se a ligação entre eles, e da  situação de cada uma das pessoas físicas mencionadas e também daqueles  que se caracterizaram como colaboradores do esquema.   ·  Discorre­se  acerca  dos  depoimentos  das  pessoas  envolvidas  no  esquema  de  venda  de  notas  fiscais  e  informações  prestadas  por  clientes  e  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     8  fornecedores  que  atestam  que  as  operações  de  compra  do  gado  e  venda  dos produtos resultantes do abate, embora lastreadas com notas fiscais de  empresas  diversas  ("noteiras"),  eram  realizadas  com  pessoas  que  integravam o Núcleo Ouroeste, citando­se ainda que os próprios Dorvalino  e Edson admitiram a compra de notas de empresas "noteiras".   ·  A  fiscalização,  a  partir  de  documentos  aos  quais  teve  acesso  durante  os  trabalhos fiscais, apurou que as notas vendidas pelas "noteiras" traziam um  código de identificação de seu comprador, o qual possibilitou a apuração  dos valores relativos a operações dessa natureza.   ·  Que a empresa BR Fronteira também foi criada com o intuito de assumir a  responsabilidade pelas obrigações trabalhistas do grupo. A análise pessoal  das  pessoas  que  integram  seu  quadro  societário  demonstra  a  flagrante  incompatibilidade  de  sua  situação  econômica  e  a  condição  de  sócias  da  citada  empresa,  concluindo­se  tratarem­se  de  interpostas  pessoas  ("laranjas").   ·  Foram  encontrados  documentos  no  endereço  do  Frigorífico  Ouroeste  (cartões  de  ponto,  holerites,  PPRA  da  Continental  Ouroeste  e  da  BR  Fronteira),  que  comprovam  que  o  seu  controle  sobre  a  mão­de­obra,  assumindo os riscos da atividade econômica praticada, havendo também a  comprovação  de  que  os  trabalhadores  se  confundiam  em  relação  à  definição  da  empresa  para  a  qual  prestavam  serviços.  Existiam  trabalhadores  com  vínculos  formais  estabelecidos  com  as  diversas  empresas  envolvidas,  discorrendo­se  acerca  do  rodízio  dos  vínculos  empregatícios entre as empresas.   ·  A  utilização  de  documentos  fiscais  adquiridos  de  outras  empresas  para  ocultar  os  verdadeiros  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  caracteriza o dolo. São citados dispositivos do Código Civil e do Código  Tributário Nacional ­ CTN.   ·  Os  fatos  geradores  foram  considerados  como  do  Frigorífico  Ouroeste,  inclusive aqueles  relacionados a documentos  fiscais adquiridos de outras  empresas  ("noteiras");  aos  pagamentos  efetuados  aos  contribuintes  individuais, inclusive sócios de fato da autuada; e à interposição de mão­ de­obra em outras empresas.   ·  São descritos os valores tomados como base de cálculo das contribuições  lançadas,  com  o  detalhamento  das  aferições  indiretas  realizadas,  indicando­se  ainda  que  todos  os  levantamentos  foram  considerados  não  declarados  em GFIP, pois os  fatos geradores não constaram na GFIP do  real empregador, o Frigorífico Ouroeste.   ·  Foram examinados documentos apresentados pelo Frigorífico Ouroeste.   ·  A  empresa  Continental  Ouroeste  não  atendeu  à  intimação  fiscal  para  apresentação de documentos,  sendo a análise dos vínculos empregatícios  realizada  com  base  em  elementos  apreendidos  ­  Livros  de  Registro  de  Empregados  ­  confrontados  com  informações  do  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  ­  CNIS.  Foram  apreendidos  documentos  junto  às  empresas SP Guarulhos e BR Fronteira.   Fl. 486DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 483          9  ·  A fiscalização arrolou como devedores solidários do Frigorífico Ouroeste  as  empresas  interpostas  Continental  Ouroeste,  SP  Guarulhos  e  BR  Fronteira,  bem  como  os  beneficiários  pessoas  físicas  das  fraudes  perpetradas,  eis  que  presente  o  interesse  comum  nas  situações  que  constituíram  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias  ora  lançadas.  Assim, foram lavrados e encaminhados os respectivos Termos de Sujeição  Passiva lavrados, juntamente com cópias do Auto de Infração e seu Termo  de  Constatação  e  Infração  Fiscal,  expondo  que  os  demais  elementos  de  prova  ficam  franqueados  aos  devedores  solidários,  em  atendimento  à  ampla defesa e ao contraditório.     Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  Br  Fronteira,  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo  Frigorífico Ouroeste, nas competências 11/2005 a 13/2006, pois conforme declaração da sócia  Maria  Aparecida  na  Vara  de  Fernandópolis,  de  que  os  encargos  previdenciários  foram  recolhidos  pelo  Frigorífico  Ouroeste,  a  GPS  com  código  2003  (SIMPLES)  foi  considerada  como  2100  (empresas  em  geral)  (fls.  333,  337  e  340  ­  Volume  2  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19).  Os valores da GPS ­ Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da  interposta  SP  Guarulhos  foram  deduzidos  dos  créditos  apurados  contra  o  sujeito  passivo  Frigorífico Ouroeste, lançadas como CRED (créditos), nas competências 03/2006 e 13/2006.  Conforme discriminado nos Relatório RADA – Relação de Apropriação de  Documentos  Apresentados  e  RDA  –  Relação  de  Documentos  Apresentados  do  PAF  16004.000336/2009­19, os créditos de titularidade da empresa, decorrentes de recolhimentos à  Seguridade  Social,  foram  utilizados  para  abater,  prioritariamente,  as  Contribuições  Sociais  devidas pelos  segurados  empregados  e pelos Segurados Contribuintes  Individuais,  incidentes  sobre seus respectivos Salários de Contribuição ­ itens 11 e 1F ­ SEGURADO, do anexo DAD  ­  Discriminativo  Analítico  do  Débito.  Eventuais  saldos  foram  utilizados  para  abater  as  Contribuições Sociais devidas pela empresa – Itens 12, 13, 14 e 15 do Discriminativo Analítico  de Débito.  Em razão da existência de interesse comum na situação constitutiva dos fatos  geradores objeto do presente lançamento, o vertente Crédito Tributário houve por lançado, por  solidariedade  passiva,  nos  termos  do  inciso  I  do  art.  124  do  CTN,  também  em  face  das  seguintes  pessoas  adiante  arroladas,  conforme  Termos  de  Sujeição  Passiva  Solidária  a  fls.  26/56:  ·  Antonio Martucci;  ·  Edson Garcia de Lima;  ·  Dorvalino Francisco de Souza;  ·  José Roberto de Souza;  ·  Oswaldo Antonio Arantes;  Fl. 487DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     10  ·  Luiz Ronaldo Costa Junqueira;  ·  João Francisco Naves Junqueira;  ·  José Ribeiro Junqueira Neto;    Houve­se  também por  formalizada  a  competente Representação  Fiscal  para  Fins Penais.   Irresignado  com  a  autuação,  o  Autuado  apresentou  impugnação  administrativa em face do lançamento, a fls. 100/184.  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza e Oswaldo Antonio Arantes ofereceram impugnação em petição  conjunta a fls. 188/270.  Os demais devedores solidários não contestaram o lançamento.     A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  lavrou decisão  administrativa  textualizada no Acórdão nº 14­33.074 – 9ª Turma da  DRJ/RPO,  a  fls.  302/312,  julgando  improcedentes  as  impugnações  ofertadas  e  mantendo  o  crédito tributário em sua integralidade.  O Autuado e os demais Sujeitos Passivos foram cientificados da decisão de 1ª  Instância  no  dia  13/06/2011,  conforme  Cartas  de  Ciência  e  Avisos  de  Recebimento  a  fls.  331/362.  O  devedor  Principal  Frigorífico Ouroeste  ltda  interpôs Recurso Voluntário,  em petição a fls. 363/409.  Os  devedores  Solidários  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Oswaldo Antonio  Arantes  e  Antonio Martucci  interpuseram  Recurso Voluntário em petição conjunta a fls. 420/471.  Os demais devedores solidários não se manifestaram nos autos do processo.  Os Recorrentes alegam, em resumo:  ·  Nulidade por falta de clareza na autuação;   ·  Cerceamento  do  direito  de  defesa,  em  razão  do  prazo  exíguo  para  apresentação de documentos;  ·  Cerceamento do direito de defesa, por não ter tido acesso aos documentos  das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação;   ·  Que é indevido o lançamento a partir da desconsideração da personalidade  de outras empresas;   Fl. 488DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 484          11  ·  Que a Fiscalização não  logrou comprovar a existência dos requisitos dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários  das  empresas  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda. e  a Autuada;   ·  Que  a  Fiscalização  promoveu  o  lançamento  a  partir  dos  valores  consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIP dos quais Edson  Garcia  de Lima, Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Jose Roberto  de  Souza,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  não  tiveram  acesso,  não  foram partes, não foram intimados da relação processual, não figuram no  Polo  Passivo,  olvidando­se  que  as  pessoas  acima  não  podem  suportar  o  ônus  do  lançamento  de  tributos  de  interesse  de  outra  pessoa  jurídica,  sobretudo  por  não  terem  direito/dever  de  manterem  e  apresentarem  a  contabilidade de outrem;   ·  Que a autoridade lançadora imputou responsabilidade solidária às pessoas  de Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de  Souza,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  com  o  exclusivo  fundamento  de  que os mesmos  seriam,  em  tese,  procuradores,  sócios  ou  administradores de outra firma;   ·  Que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço  só  poderia  ocorrer  ante  a  verificação da  insuficiência do patrimônio da pessoa  jurídica e mediante  prévio  procedimento  judicial  de  cognição  com  decisão  transitada  em  julgado;     Ao fim, requerem o provimento do Recurso Voluntário.    Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 489DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     12    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  Os  Recursos  Voluntários  interpostos  pelo  devedor  Principal  Frigorífico  Ouroeste  ltda.  e  pelos  devedores  Solidários  Edson Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza, Oswaldo Antonio Arantes e Antonio Martucci são tempestivos.  Assim,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  dos  recursos  tempestivos, deles conheço.    2.  DAS PRELIMINARES  2.1.   DA NULIDADE  Alega o Recorrente nulidade por falta de clareza na autuação.  Não !  Merece ser destacado, inicialmente, que o lançamento tributário é constituído  por  uma  diversidade  de Termos, Relatórios  e Discriminativos,  sendo  certo  que  a  captação  e  compreensão  das  condições  de  contorno  que  individualizam  e  modelam  a  exação  exigida  decorrem  não  de  um  único  relatório,  mas,  sim,  da  interpretação  conjunta,  sistemática  e  teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da  legislação de regência, atividade essa que exige profissionais capacitados e com conhecimento  específico  sobre  o  tema,  como  assim  sói  ocorrer  em  toda  e  qualquer  área  da  atividade  governamental, econômica ou intelectual da era pós­moderna. A complexidade e o sinergismo  dos diversos ramos do conhecimento assim o exigem.  Dessarte, dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo  do  lançamento  há  que  ser  interpretado  e  digerido  com  o  olhar  clínico  que  o  seu  propósito  finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que  não  se  cometa  o  despropósito  de  se  atribuir  à  administração  tributária  uma  deficiência  que,  muita  vez,  não  é  da  parte  que  formaliza  e  redige  os  elementos  constitutivos  do  lançamento,  mas, sim, da capacidade de cognição de quem os analisa e interpreta.  Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de  cunho  eminentemente  jurídico,  nada mais  natural  e  exigível  que  os  termos  que  o  compõem  obedeçam  à  lógica  e  ao  jargão  jurídico.  Tal  característica,  logicamente,  não  o  invalida.  Ao  contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance.  Fosse  um  documento médico,  de  informática,  ou  de  engenharia,  exigíveis  seriam  os  jargões  médico, de TI ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico.   Fl. 490DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 485          13  Ao contrário da leitura empreendida pelo Recorrente, avulta dos autos que o  Auto de Infração em relevo houve­se por lavrado em perfeita consonância com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo a Autoridade Lançadora demonstrado, de  forma clara e precisa, as circunstâncias do caso concreto a evidenciar a efetiva ocorrência de  infração à Legislação Tributária, bem como a motivação da lavratura do Auto de Infração em  apreço.  Logo  de  plano  o  item  02  do  Relatório  Fiscal  da  Infração  detalha  todas  as  infrações cometidas pelo Autuado, assim como a fundamentação jurídica.  Na sequência, o Relatório Fiscal expõe  todas as  razões de  fato e de Direito  que formaram a convicção da Autoridade Fiscal acerca da ocorrência de violação à legislação  tributária,  bem  como  a  motivação  da  lavratura  do  vertente  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória, indicando, inclusive, a fundamentação legal.  Adiante,  a  Autoridade  Lançadora  expõe  a  memória  de  cálculo  da  multa  aplicada, bem assim como a fundamentação jurídica de regência.  Oportuno  lembrar  que  o Termo  de Constatação  de  Infração  Fiscal  do  PAF  16004.000336/2009­19  traz  a  lume  as  circunstâncias  motivadoras  da  deflagração  da  Ação  Fiscal da qual  resultou o Auto de  Infração em debate, sendo abordados o núcleo Ouroeste,  a  existência  de  interpostas  pessoas,  as  infrações  a  obrigações  tributárias,  a  constituição  de  empresas  em  nome  de  “laranjas”,  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  envolvidas,  e  a  descrição  detalhada de todas as demais constatações que desaguaram na percepção da efetiva existência  de  uma  organização  criminosa  criada  para  fraudar  a  administração  tributária  mediante  a  interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para eximir os verdadeiros titulares do pagamento  de tributos:  No caso em apreço, os relatórios fiscais que integram o presente lançamento  foram elaborados dentro do escopo especificamente desenhado adrede para cada deles, não se  afastando  nem  omitindo  as  informações  que  deles  se  esperam,  permitindo  ao  Autuado  a  perfeita  compreensão  dos  fundamentos  e  razões  da  autuação,  sendo­lhe  dessarte  garantido  o  exercício do contraditório e da ampla defesa.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  a  tipificação  da  obrigação  tributária  acessória  violada,  as  razões  de  fato  e de Direito  do  lançamento,  a motivação  da  lavratura  do Auto  de  Infração,  a  fundamentação  legal,  a Memória  de  Cálculo  e  a  composição  da multa  aplicada,  dentre outros, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição,  nos relatórios específicos.  O lançamento encontra­se revestido de todas as formalidades exigidas por lei,  dele  constando,  além  dos  relatórios  já  citados,  o  MPF,  TIPF,  TIF  e  TEPF,  dentre  outros,  havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso  do  presente  feito,  favorecendo,  assim,  a  contradita  dos  termos  do  lançamento  e  o  devido  processo legal.  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de  prejuízo  à  defesa  erguida  pelo  sujeito  passivo,  razão  pela  qual  impende  repelir  peremptoriamente a preliminar de nulidade tão veementemente sustentada pelo Recorrente.  Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     14  Por tais razões, rejeitamos a preliminar de nulidade.    2.2.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  O Recorrente alega cerceamento do seu direito de defesa, em razão do prazo  exíguo para apresentação de documentos;  Sem razão.    De  acordo  com  o  §1º  do  art.  19  da  Lei  nº  3.470/58,  nos  lançamentos  de  ofício, nas  situações em que as  informações e documentos  solicitados digam respeito a  fatos  que  devam  estar  registrados  na  escrituração  contábil  ou  fiscal  do  sujeito  passivo,  ou  em  declarações  apresentadas  à  administração  tributária,  o  prazo  para  a  apresentação  de  documentos necessários ao procedimento fiscal é de cinco dias úteis.  A  dilação  de  10  dias  assinalada  pela  Fiscalização  à  empresa  para  a  apresentação de sua escrituração contábil decorre ex lege, sendo­lhe concedido um prazo maior  do que aquele previsto no §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58, incluído pela Medida Provisória nº  2.158­35/2001.  Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958.  Art.  19. O processo de  lançamento de ofício  será  iniciado pela  intimação  ao  sujeito  passivo  para,  no  prazo  de  vinte  dias,  apresentar  as  informações  e  documentos  necessários  ao  procedimento  fiscal,  ou  efetuar  o  recolhimento  do  crédito  tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº  2.158­35/2001)   §1º  Nas  situações  em  que  as  informações  e  documentos  solicitados  digam  respeito  a  fatos  que  devam  estar  registrados  na  escrituração  contábil  ou  fiscal  do  sujeito  passivo,  ou  em  declarações apresentadas à administração  tributária, o prazo a  que  se  refere  o  caput  será  de  cinco  dias  úteis.  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 2.158­35/2001)   §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§  2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação  para  apresentar  documentos,  cuja  guarda  não  esteja  sob  a  responsabilidade  do  sujeito  passivo,  bem  assim  a  impossibilidade  material  de  seu  cumprimento.  (Incluído  pela  Medida Provisória nº 2.158­35/2001)     Com efeito, dada a potencial impossibilidade de se apurar, imediatamente, o  valor correspondente a cada operação a ser registrada na contabilidade, a  legislação tributária  concede um prazo de carência para que tais registros sejam lançados. Nessa toada, o §13º do  art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estipula que  os lançamentos contábeis referentes aos fatos geradores de todas as contribuições, o montante  das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, só serão exigidos  pela  fiscalização  após  noventa  dias  contados  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  das  contribuições,  devendo  tais  lançamentos  atender  ao  princípio  contábil  do  regime  de  competência,  além  de  registrar,  em  contas  individualizadas,  todos  os  fatos  geradores  de  Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 486          15  contribuições  previdenciárias  de  forma  a  identificar,  clara  e  precisamente,  as  rubricas  integrantes  e  não  integrantes  do  salário­de­contribuição,  bem  como  as  contribuições  descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa,  por obra de construção civil e por tomador de serviços.  Regulamento da Previdência Social   Art. 225. A empresa é também obrigada a:  (...)   II­ lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o  montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições da empresa e os totais recolhidos;   (...)  §13.  Os  lançamentos  de  que  trata  o  inciso  II  do  caput,  devidamente  escriturados  nos  livros  Diário  e  Razão,  serão  exigidos  pela  fiscalização  após  noventa  dias  contados  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  das  contribuições,  devendo,  obrigatoriamente:  I­ atender ao princípio contábil do regime de competência; e  II­  registrar,  em  contas  individualizadas,  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  de  forma  a  identificar,  clara  e  precisamente,  as  rubricas  integrantes  e não  integrantes  do  salário­de­contribuição,  bem  como  as  contribuições  descontadas  do  segurado,  as  da  empresa  e  os  totais  recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de  construção civil e por tomador de serviços.  §14.  A  empresa  deverá manter  à  disposição  da  fiscalização  os  códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas  utilizadas na  elaboração da  folha  de  pagamento,  bem  como os  utilizados na escrituração contábil.    Não se deslembre que o art. 33 da Lei nº 8.212/91 outorgou à Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  a  competência  para  planejar,  executar,  acompanhar  e  avaliar  as  atividades  relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das contribuições sociais previdenciárias, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de  examinar a contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a exibir todos os documentos e  livros  relacionados  com  tais  contribuições  sociais,  e  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).    §1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     16  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).    §2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).    Nessa  esteira,  o  art.  32  da  Lei  nº  8.212/91  determina  expressamente  que  a  empresa  é obrigada  a preparar  folhas de pagamento das  remunerações pagas ou  creditadas  a  todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão  competente  da  Seguridade  Social;  a  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos  e  a  declarar  à  Secretaria da Receita Federal  do Brasil, mediante GFIP,  todos os dados  relacionados  a  fatos  geradores,  base  de  cálculo  e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações  de  interesse  do  INSS,  devendo  os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento das tais obrigações instrumentais ficar arquivados na empresa, à disposição  da fiscalização, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir  os créditos tributários a eles relativos, ou que ocorra a prescrição dos créditos tributários  decorrentes das operações a que se refiram.  Código Tributário Nacional  Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação  quaisquer  disposições  legais  excludentes  ou  limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores,  ou  da  obrigação  destes de exibi­los.  Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações  a  que  se  refiram.    Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32. A empresa é também obrigada a:   I ­ preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou  creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com  os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da  Seguridade Social;   II  ­  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas as contribuições, o montante das quantias descontadas,  as contribuições da empresa e os totais recolhidos;   III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as  informações  cadastrais,  financeiras  e  contábeis  de  seu  interesse,  na  forma  por  ela  estabelecida,  bem  como  os  Fl. 494DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 487          17  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização;  (Redação  dada  pela Lei nº 11.941/2009)  IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil  e ao  Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço  – FGTS, na  forma, prazo e condições estabelecidos por esses  órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo  e  valores  devidos  da  contribuição  previdenciária  e  outras  informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do  FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009)  (...)  §11.  Os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento  das  obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na  empresa  durante  dez  anos,  à  disposição  da  fiscalização.  (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos)      Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da  Lei nº 9.430/96.  Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.  Guarda de Documentos  Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa  jurídica,  relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de  exercícios  futuros,  serão  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos tributários relativos a esses exercícios.    Outra não é a determinação contida no art. 4º do Decreto­Lei nº 486/69, que  dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis:  Decreto­Lei nº 486, de 3 de março de 1969.  Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  a  escrituração,  correspondência  e  demais  papéis  relativos  à  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial.     No mesmo norte também apontam as diretrizes fixadas no art. 126, II da Lei  Complementar nº 123/2006, que Instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa  de Pequeno Porte.  Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006  Art.  26.  As  microempresas  e  empresas  de  pequeno  porte  optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a:  (...)  II­  manter  em  boa  ordem  e  guarda  os  documentos  que  fundamentaram  a  apuração  dos  impostos  e  contribuições  devidos  e  o  cumprimento das  obrigações  acessórias  a  que  se  refere  o  art.  25  desta  Lei  Complementar  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações que lhes sejam pertinentes.  Fl. 495DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     18    Os  preceptivos  acima  destacados  não  se  atritam  com  as  disposições  encartadas no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Dec. 3000/99.  Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999  Conservação de Livros e Comprovantes  Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam  vir  a  modificar  sua  situação  patrimonial   §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de  livros,  fichas,  documentos  ou  papéis  de  interesse  da  escrituração,  a  pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação  do  local  de  seu  estabelecimento,  aviso  concernente  ao  fato  e  deste  dará  minuciosa  informação,  dentro  de  quarenta  e  oito  horas,  ao  órgão  competente  do  Registro  do  Comércio,  remetendo  cópia  da  comunicação  ao  órgão  da  Secretaria  da  Receita Federal de sua   §2º  A  legalização  de  novos  livros  ou  fichas  só  será  providenciada  depois  de  observado  o  disposto  no  parágrafo  anterior   §3º  Os  comprovantes  da  escrituração  da  pessoa  jurídica,  relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de  exercícios  futuros,  serão  conservados  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  os  créditos tributários relativos a esses exercícios.    No mesmo sentido apontam as normas cogentes do código civil:  Código civil de 2002   Art.  1.194.  O  empresário  e  a  sociedade  empresária  são  obrigados  a  conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e mais  papéis  concernentes  à  sua  atividade,  enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos  atos neles consignados.    Nessa  perspectiva,  deflui  dos  dispositivos  legais  suso  selecionados  que  a  empresa tem, por obrigação legal, que preparar folhas de pagamento das remunerações pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  de  acordo  com  os  padrões  e  normas  estabelecidos  pelo  órgão  competente  da  Seguridade  Social.  Tem  também  que  declarar  mensalmente  à Secretaria da Receita Federal  do Brasil  e  ao Conselho Curador do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  –  FGTS,  mediante  GFIP,  na  forma,  prazo  e  condições  estabelecidos por esses órgãos, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e  valores devidos da contribuição previdenciária e outras  informações de  interesse do  INSS ou  do Conselho Curador do FGTS e, igualmente, proceder à escrituração fiscal em títulos próprios  de  sua  contabilidade  de  todos  os  lançamentos  representativos  de  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  no  prazo  máximo  de  90  dias  contados  das  suas  ocorrências,  devendo  tais  documentos  fiscais  ser  arquivados  na  empresa,  mantidos  sob  sua  guarda,  à  disposição da fiscalização.  Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 488          19  O termo legal “a disposição da Fiscalização” implica que o Obrigado tenha  sob  sua  guarda  e  responsabilidade,  pronto  para  apresentação  imediata,  todos  os  documentos  assinalados na Legislação Tributária com tal desígnio, mesmo que em arquivo apartado, mas  de pronto acesso à verificação fiscal.  No  caso  em  tela,  a  empresa  foi  intimada  mediante  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  de  26/01/2009,  a  apresentar  os  livros  comerciais  e  fiscais,  sendo­lhe  assinalado o prazo de 10 dias corridos para a  apresentação de  tal documentação, a qual, nos  termos da Lei, deveria estar pronta e à disposição da Fiscalização.  Não  atendendo  à  intimação,  a  empresa  foi  novamente  intimada mediante  o  Termo  de  Intimação  Fiscal  nº  1,  a  apresentar  os  livros  fiscais  e  comerciais,  sendo­lhe  assinalado o prazo de 05 dias uteis para  exibir  tal documentação,  a qual, nos  termos da Lei,  deveria estar pronta e à disposição da Fiscalização.  A  empresa  foi  também  intimada,  mediante  o  Termo  de  Constatação  e  Intimação n° 02, recebido pelo AR N° 111759934 BR em 09/03/2009 por Flagner O. Polvero,  fls.  1085  do  PAF  16004.000336/2009­19,  onde  foram  remetidas  16  (dezesseis)  planilhas  contendo os  fatos geradores a serem declarados em GFIP, exclusão das GFIP das interpostas  Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda e SP GUARULHOS Distribuidora de  Carnes  e Derivados Ltda  e Retificação  das GFIP do  próprio Frigorífico Ouroeste  Ltda,  bem  como  efetuar  as  inscrições  dos  contribuintes  individuais,  informando  por  escrito  os  nomes  naturais dos quais constam apenas 'apelidos', exemplificativamente, Milin, CVL, Beto Caetano,  Paulão, Zequinha, Wando e outros.  Em 25 de Março de 2009 o contribuinte  respondeu,  fls. 320 a 321 do PAF  16004.000336/2009­19, que para atender o solicitado no Termo de Constatação e Intimação n°  02 de que necessita a prorrogação do prazo, no mínimo 30 (trinta) dias.   A  empresa  foi  intimada,  novamente,  mediante  o  Termo  de  Constatação  e  Reintimação  n°  03,  a  fls.  322/394  do  PAF  16004.000336/2009­19,  conforme  Aviso  de  Recebimento  n°  692332636 BR,  recebido  em  01/04/2009  pela  funcionária Eliana Gomes  de  Oliveira. Nada obstante, a empresa respondeu à intimação, tendo repetido as mesmas alegações  do TCR anterior, reiterando o pedido de prorrogação de mais 30 (trinta) dias, a fls. 395/396 do  PAF 16004.000336/2009­19.  Em  05  de  Maio  de  2009,  a  empresa  respondeu  (fls.  410/412  do  PAF  16004.000336/2009­19)  reiterando  as  mesmas  alegações  anteriores,  de  que  os  documentos  foram apreendidos e não tem como analisar o que julga devido pelo Frigorífico Ouroeste, não  aceitando as planilhas remetidas onde são identificados os fatos geradores.   A empresa foi, novamente, intimada, em 16/04/2009, mediante o TIF nº 04, a  fl. 53, a declarar em GFIP os valores da comercialização da produção rural conforme o livro  registro de entrada de mercadorias e GIA  ICMS,  relativos  às compras de bovinos para abate  CFOP  1.102  (compras  no  estado)  e  2.102  (compras  fora  do  estado),  sendo­lhe  concedido  o  prazo de 30 dias.  Uma  vez  mais,  mediante  o  TIF  nº  05  a  fl.  59,  a  empresa  foi  intimada  a  apresentar os apresentar Livros Diário n° 01 ­ volumes I e II, relativo ao período de janeiro a  fevereiro de 2007, com todas as formalidades legais (autenticação).  Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     20  A Administração Tributária deferiu a dilação de 30 dias de prazo, conforme  solicitado pelo Contribuinte, a contar do requerimento datado de 06 de abril de 2009. Portanto,  as intimações deveriam ter sido atendidas, totalmente, até a data de 06 de maio de 2009.  Não procede a alegação  recursal de que, para o  cumprimento da  intimação,  dependeria de documentos apreendidos pela policia federal.  Ao  que  tudo  indica,  tais  documentos  encontravam­se  sob  a  guarda  da  Recorrente, tanto assim que foram apresentados à Fiscalização os Livros Caixa 2006, Diário e  Razão  2007,  Fichas  Registro  de  Empregados,  Livro  Registro  de  Entrada  e  Saída  de  Mercadorias  2006/2007,  Boletins  de Abate  2006/2007, Notas  Fiscais  de  Entrada  e  Saída  de  Mercadorias  2006/2007,  Folhas  de  Pagamento  2007,  GFIP  2006/2007  e  GPS  2006/2007,  inexistindo nos autos qualquer elemento de prova de que os documentos exigidos, porém não  exibidos,  não  teriam  sido  apresentados  à  Fiscalização  em  razão  de  estarem  apreendidos  na  Policia Federal. Cadê o Termo de Apreensão consignando tais documentos ?  Dessarte,  restou  caracterizado  que  a  empresa,  apesar  de  formalmente  intimada mediante Termos próprios, objetivamente, deixou de apresentar os Livros Comerciais  e Fiscais  referente  ao  ano  calendário  2005,  e  apresentou  os Livros Fiscais  referentes  ao  ano  calendário  2006,  com  escrituração  diversa  da  realidade,  uma  vez  que  o  Livro  Caixa  não  apresentava toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, tampouco as remunerações  dos  segurados  empregados  e  dos  segurados  contribuintes  individuais  que  lhe  prestaram  serviços,  eis  que  foram  dissimuladamente  registrados  em  interpostas  empresas,  existentes  somente no papel.   Da  mesma  forma,  os  livros  fiscais  não  continham  o  registro  de  todas  as  compras e vendas de bovinos, as quais eram, também, realizadas através das citadas empresas  interpostas, inexistentes de fato.  Nessa  perspectiva,  a  sonegação/recusa  de  apresentação  dos  livros  de  2005,  assim  como  a  apresentação  deficiente  dos  livros  de  2006,  representaram  ofensa  à  obrigação  tributária acessória encartada nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, com redação dada  pela Lei nº 11.941/2009.  Conforme  demonstrado,  a  empresa  teve  tempo  suficiente,  até  demais,  para  apresentar  a  documentação  exigida,  a  qual,  por  disposição  de  lei  formal,  já  deveria  estar  escriturada, com as  formalidades exigidas pela Legislação Tributária,  e estar à disposição da  Fiscalização  já à data de  início da ação fiscal, beirando ao burlesco e à  litigância de má­fé a  alegação de cerceamento de defesa por suposta exiguidade de prazo para a sua apresentação.  Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa.    2.3.  DO CERCEAMENTO DE DEFESA  O Recorrente  alega  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  por  não  ter  tido  acesso aos documentos das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação.    Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal  é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício  de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou  Fl. 498DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 489          21  não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como  oficiosa  ou  não  contenciosa,  a  autoridade  administrativa  procede  à  coleta  de  informações,  dados e elementos de prova, à audita de testemunhas, ao exame de documentos, à auditagem  dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores  de obrigação tributária principal e/ou acessória.  Sublinhe­se  que,  tanto  as  provas  coletadas  diretamente  pela  fiscalização  quanto  àquelas  obtidas  por  intermédio  dos  trabalhos  complementares  de  investigação  não  se  submetem,  nesta  fase  do  procedimento,  ao  crivo  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  direito  constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento  processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento,  oportunidade  em  que  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  Processo Administrativo  Fiscal,  nos  termos  do  art.  14  do  Decreto  nº  70.235/72,  quando  então  o  contribuinte  tem  ao  seu  inteiro  dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.    Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Tal  compreensão  é  corroborada  pelos  termos  consignados  no  inciso LV do  art.  5º  da  Constituição  Federal  que  assegura  aos  litigantes,  nos  processos  judiciais  e  administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio  após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência  de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com  a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é  instaurada  a  fase  contraditória)  ou,  exercendo  o  direito  de  defesa  e  do  exercício  do  contraditório,  poderá  impugnar  o  lançamento,  instaurando  assim  a  fase  litigiosa  do  procedimento fiscal.  Constituição Federal de 1988   Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos)     Assim, ao ser dada a ciência do lançamento tributário ao Recorrente, também  lhe  são  fornecidos  todos  os  relatórios  integrantes  do  lançamento,  assim  como  o  conjunto  probatório,  que  demonstram  os  fatos  geradores  apurados,  os  tributos  devidos,  as  infrações  perpetradas, os fundamentos legais que fornecem esteio jurídico à Autuação, os procedimentos  Fl. 499DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     22  levados a efeito pela Fiscalização, as circunstâncias e motivação do lançamento, bem como as  demais condições de contorno atávicas à atuação fiscal.   Não se deve olvidar, outrossim, que, ao tomar ciência de eventual lançamento  tributário, o Autuado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo  a pagar ou  a parcelar o  que  lhe  está  sendo exigido, hipótese  em que não é  instaurada  a  fase  contraditória.  Ao  revés,  pode  ele,  também,  exercendo  o  seu  direito  de  defesa,  impugnar  o  lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração  em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a  descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a  determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de trinta dias,  bem  como  a  assinatura  da Autoridade  Lançadora  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Não  se  pode  perder  de  vista,  igualmente,  que  os  procedimentos  de  investigação levados a efeito na operação Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela  Polícia Federal, pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Fazenda Estadual  em São José do Rio Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales ­ 24ª  subseção Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e  jurídicas envolvidas, no período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à Secretaria  da Receita  Federal  e  à Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e  previdenciárias,  necessárias  à  constituição  dos  créditos,  tudo  em  fiel  consonância  com  as  disposições inscritas no art. 198 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos no art. 199, os  seguintes:  (Redação dada pela Lcp nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  Fl. 500DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 490          23  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  Lcp nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela Lcp nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela Lcp nº 104/2001)  III  –  parcelamento  ou  moratória.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104/2001)    Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de cerceamento de defesa tão veementemente erguida pelo Recorrente.  Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  questões  de  fato  e  de  Direito  referentes  a  matérias  substancialmente  alheias  ao  vertente  lançamento,  eis  que  em  seu  louvor,  no  processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas  exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de  1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72.    3.1.  DO PROCEDIMENTO FISCAL PARA APURAÇÃO DOS FATOS GERADORES     Em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos  fatos  que  chegaram  ao  seu  conhecimento  sobre  organizações  criminosas  estabelecidas  na  região de Jales ­ SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e  sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública.   Após  exaustiva  investigação,  houve­se  por  constituído  o  processo  judicial,  procedendo­se à representação ao Poder Judiciário para a expedição dos mandados de busca e  apreensão  em  locais  suspeitos  com  o  intuito  de  obter  provas  dos  ilícitos  praticados,  Fl. 501DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     24  deflagrando­se  a  operação  denominada  "GRANDES  LAGOS",  executada  pela  autoridade  policial federal, que apurou a existência de núcleos de empresa e pessoas físicas constituídos  com o objetivo de  sonegar  tributos  e  evitar demanda  judicial  de natureza  fiscal  e  trabalhista  mediante a criação de empresas "de  fachada”, cujos sócios eram arregimentados para serem,  no  jargão  policial,  "laranjas”,  de  modo  a  proteger  de  sequestros  nas  execuções  fiscais  o  patrimônio dos verdadeiros  sócios e das empresas  lícitas em seu nome  (plantas e  instalações  frigoríficas em São José do Rio Preto, Fernandópolis­SP e Campina Verde­MG), com uso de  dissimulados e precários contratos de arrendamento.   Em seguida, o Poder Judiciário Federal em Jales expediu ofícios requisitórios  ao Fisco (Receita Federal e Receita Previdenciária) para fiscalizar os contribuintes ­ as pessoas  jurídicas e físicas ­ envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de  busca e  retenção de documentos e arquivos magnéticos com  informações contábeis  e fiscais;  trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos.   A  fiscalização  previdenciária,  à  época,  ligada  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária, procedeu à retenção dos elementos colhidos na sede das empresas fiscalizadas,  através da lavratura de Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos ­ AGD.   Posteriormente, atendendo a solicitação do fisco federal, a Justiça Federal em  Jales expediu novos mandados de busca e apreensão, os quais foram executados em 2007. Na  sequência,  a  Justiça  Federal  –  24ª  Subseção  Judiciária  do  Estado  de  São  Paulo  ­  deferiu  a  quebra  do  sigilo  bancário  das  pessoas  físicas  e  jurídicas,  do  período  de  2002  a  2006,  determinando  às  instituições  financeiras  o  fornecimento  de  documentos  e  informações  solicitados pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto.   Os  procedimentos  de  investigação  levados  a  efeito  na  operação  Grandes  Lagos  foram  conduzidos  em  conjunto  pela  Polícia  Federal,  pela  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  e  pela  Secretaria  da  Fazenda  Estadual  em  São  José  do  Rio  Preto/SP,  sob  os  olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales  ­ 24ª subseção Judiciária de São Paulo,  que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no período de  2002  a  2006,  expediu  mandados  de  busca  e  apreensão  de  documentos  e  expediu  ofícios  requisitórios  à  Secretaria  da  Receita  Federal  e  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  para  fiscalizar  os  contribuintes  ­  as  pessoas  jurídicas  e  físicas  ­  envolvidas  no  esquema  de  sonegação,  dando  origem  aos  procedimentos  de  busca  e  retenção  de  documentos  e  arquivos  magnéticos  com  informações  contábeis  e  fiscais,  trabalhistas  e previdenciárias,  necessárias  à  constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no art. 198 do  CTN.  Assim,  a  denominada  "Operação  Grandes  Lagos",  deflagrada  pela  polícia  federal, por solicitação da Receita Federal, desbaratou uma organização criminosa criada para  fraudar a administração tributária, que vinha atuando na região de São José do Rio Preto havia  muitos  anos,  tendo  em  vista  que  seria  praticamente  impossível  para  a  Receita  Federal  identificar  todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, sem um trabalho de inteligência da  Polícia Federal, inclusive com interceptações telefônicas. Decorridos meses de investigação, a  Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, efetuou mais de uma centena de prisões e  procedeu  à  busca  e  apreensão  de  documentos  nas  empresas  envolvidas  na  fraude,  conforme  excerto do relatório da Polícia Federal adiante transcrito:  “Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS  vêm  recebendo  denúncias  de  um  mega­esquema  de  sonegação  fiscal  envolvendo  frigoríficos  estabelecidos  na  região  dos  Grandes Lagos, no  interior do Estado de São Paulo,  sobretudo  nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias,  o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos.   Fl. 502DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 491          25  A partir destas denúncias,  a Receita e o  INSS  iniciaram vários  procedimentos  fiscais  contra  várias  empresas  e  pessoas  físicas  ligadas  ao  esquema.  Finalizadas  as  fiscalizações,  foram  lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais.  No entanto, invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava  cobrar  os  tributos  devidos,  verificava  quem  nem  as  empresas,  nem  seus  sócios,  possuíam  qualquer  patrimônio  em  seu  nome  para honrá­las. No curso dos  trabalhos de fiscalização,  tanto a  Receita Federal quanto o INSS se depararam com evidências de  que  as  pessoas  que  constavam  do  quadro  societário  destas  empresas eram apenas "laranjas", que se reportavam a um nível  hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas  fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de  sonegar tributos.   Diante  da  dificuldade  de  comprovar  o  vínculo  entre  os  verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas"  para a prática de crimes contra a ordem tributária, e dadas as  evidências  da  existência  de  uma  verdadeira  organização  criminosa por  trás destas empresas,  no  final do ano de 2005 a  Receita  Federal  solicitou  formalmente  o  apoio  da  Polícia  Federal  em  Jales/SP,  para  que  as  investigações  fossem  aprofundadas,  de  modo  a  se  identificar  com  precisão  todo  o  esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à  julgamento pela Justiça”.    Após a deflagração da operação Grandes Lagos, houve determinação judicial  para  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  envolvidas  no  caso  fossem  fiscalizadas  pela  Receita  Federal  do Brasil, motivo  pelo  qual  houve­se  por  instituída  uma  equipe  especial  de  fiscalização  pela  Superintendência  Regional  da  Receita  Federal  da  8ª  Região  Fiscal  para  conduzir os trabalhos relativos à citada operação.  Por  isso,  houve­se  por  expedido  o  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  N°  08.1.07.00­2009­0034­0,  determinando  à  equipe  fiscal  nele  assinalada  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  relativas  às  Contribuições  Sociais  administradas  pela  RFB,  conforme determina o art. 2º da Lei n° 11.457/2007, e àquelas relativas a  terceiros, conforme  determina  o  artigo  3°  da  mesma  lei;  a  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a  segurados  empregados; A verificação do  cumprimento das obrigações previdenciárias  e para  outras entidades e fundos ­ rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados contribuintes  individuais;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  conciliação  GFIP;  A  verificação  do  cumprimento  das  obrigações  previdenciárias  e  para  outras  entidades  e  fundos  ­  comercialização  de  produtos  rurais  ­  contribuições  devidas  por  adquirente  na  condição  de  sub­rogado;  A  verificação  do  cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos ­ comercialização  de  produção  ­  contribuições  próprias  e  a  verificação  de  informações  econômico­fiscais  do  contribuinte,  por  determinação  Judicial  através  do  Ofício  076/2006­GAB­JCS­Processo  2006.61.24.001666­2 da 1ª Vara Federal de Jales.  Da  investigação  procedida  pela  Policia  federal,  em  conjunto  com  as  Secretarias da Receita Federal e de Fazenda Estadual restou configurada a existência de uma  grande organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, cujo  Fl. 503DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     26  modus  operandi  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas,  com  o  objetivo  de  eximir  os  titulares  de  fato  do  pagamento  de  tributos  e  contribuições  sociais.  As  pessoas  interpostas movimentaram grande quantia de recursos por meio da rede bancária, mediante a  abertura  de  contas  em  seus  nomes,  mas  movimentando  recursos  pertencentes  a  terceiros,  titulares de fato desses recursos.    Foram,  então,  determinadas  e  abertas  fiscalizações  nos  contribuintes:  FRIGORÍFICO  OUROESTE  LTDA.  e  CONTINENTAL  OUROESTE  CARNES  E  FRIO  LTDA, assim como diligências fiscais nas empresas SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE  CARNES E DERIVADOS LTDA  e COMERCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR  DE FRONTEIRA LTDA. E, também, diligências fiscais nas Pessoas Físicas relacionadas com  as suso citadas empresas: Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Dorvalino Francisco de Souza, José  Roberto de Souza, Edson Garcia de Lima, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, ,  João  Francisco  Naves  Junqueira,  e  José  Ribeiro  Junqueira  Neto  e  na  Vara  do  Trabalho  de  Fernandópolis/SP.  Foram  arroladas  nos  fatos  geradores  lançados  as  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  a  interposta  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  a  interposta/noteira Distribuidora de Carnes e Derivados S. Paulo Ltda.   Durante os trabalhos de auditoria foram detectadas como interposta empresa  do Frigorífico Ouroeste Ltda, além das empresas citadas acima, as empresas SP GUARULHOS  (aquisição  de  produtos  rurais  como  sub­rogado  e  mão­de­obra)  e  a  BR  FRONTEIRA  (fornecedora de mão­de­obra na atividade fim, a partir de Novembro de 2005).  A  Fiscalização  apurou  que  as  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  e  a  SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados Ltda compõem o Núcleo Ouroeste.   Todas essas empresas estão registradas em nome de "laranjas".   Formalmente,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  estava  em  nome  de  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  e  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira,  com  50%  de  participação cada uma no quadro societário da empresa; são "laranjas" do empreendimento.   A  contribuinte  Maria  de  Lourdes  Bazeia  de  Souza  é  mãe  do  Dorvalino  Francisco de Souza e José Roberto de Souza. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales  informa que assinou uma procuração para seu Dorvalino, para que o mesmo pudesse trabalhar.  Informa, ainda que nunca participou da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda e que pertence de  fato aos Srs. Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima (fls. 684 ­ Volume  IV /  Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ). No período declara apenas rendimento recebido do  INSS.  É  conhecida  na  cidade  de  Bálsamo  como  "Maria  da  Pamonha",  pois  possui  uma  pequena  barraca  na  feira  livre  da  cidade  que  vende  doces  derivados  de  milho.  Portanto,  a  contribuinte é mais uma interposta pessoa, “laranja”, do núcleo dos envolvidos na fraude do  Frigorífico Ouroeste Ltda.  A  contribuinte  Ana  Maria  Cecília  Podboy  Costa  Junqueira  constou  nos  quadros  societários da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda de 2003 até 2007. É esposa do Sr.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales disse que, a  pedido de seu cônjuge, por volta de 2003, assinou uma procuração para que o mesmo pudesse  investir  na  compra  de  um  frigorífico  em  Ouroeste­SP.  Que  desconhece  completamente  Fl. 504DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 492          27  qualquer  assunto  relacionado com a  empresa Frigorífico Ouroeste Ltda,  e que constou  como  sócio a pedido do cônjuge (fls. 685 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Declara,  no  período,  somente  rendimento  recebido  de  seu  sogro  João  Francisco  Naves  Junqueira  (fls.  2137  a  2155  ­  Volume  XI  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19  ).  Consta  no  sistema  CNIS  ­  Fonte  GFIP  vínculo  para  a  matrícula  11.528.00886/81 do empregador supra citado com admissão em 03/11/1998 (fls. 59 ­ Volume I  / Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Portanto,  a  contribuinte  é  mais  uma  interposta  pessoa  do  núcleo  dos  envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda.    A empresa Frigorífico Ouroeste Ltda foi iniciada pelo Srs. José Cabral Muniz  e Filhos em 26.01.1999, fls. 33 a 38 – Volume I  / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 .  Em 13.02.2002,  teria sido vendido o estabelecimento para o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto,  representado  pelo  seu  procurador  Sr.  Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  e  para  o  Sr. Dorvalino  Francisco de Souza, conforme cópia autenticada do Instrumento Particular de Compra e Venda  de  Imóvel  (terreno  e  prédio),  Instalações  Industriais,  Utensílios,  Máquinas  e  Ferramentas  entregues pela empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, ao Posto Fiscal da Secretaria  de Fazenda do Estado de São Paulo, em Fernandópolis (fls. 91 a 98 – Volume I/Anexo 1 do  PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em resposta a  intimação fiscal de 13.11.2005, o Sr. Dorvalino Francisco de  Souza confirmou que emitiu 06 cheques de R$ 30.000,00 informando que para fazer frente a  tal despesa  teria  tomado empréstimo com os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci  (fls. 1754 / 1759 – Volume IX/ Anexo1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em seu depoimento a Polícia Federal de  Jales,  em 05.10.2006, o Sr. Edson  Garcia de Lima declarou que "16% do Frigorífico Ouroeste lhe pertence, 34% pertencem ao  Sr. Dorvalino e os outros 50% ao Sr. Luiz Ronaldo" (fls. 646 – Volume IV/Anexo 1 do PAF  16004.000336/2009­19 ).  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  em  seu  depoimento  à  Polícias  Federal  de  Jales, declarou (fls. 677 – Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ) :  "...assim como  já afirmado acima, a  empresa pertence à genitora,  sendo que há cerca de 2 anos recebeu procuração de sua genitora  para  gerir  o  Frigorífico.  Que  cerca  de  uma  ano  e  meio,  o  interrogado  esteve  a  frente  dos  negócios  juntamente  com  o  seu  irmão José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima. Explicando,  50% da  empresa  pertencia  a  sua  genitora  e  50% pertence  a  Luiz  Ronaldo Junqueira. Havia uma sociedade civil entre o interrogado,  seu irmão José Roberto e Edson Garcia de Lima "     Conforme cláusula terceira do Instrumento Particular de Compra e Venda de  Imóveis (terreno e prédio), Instalações industriais, Utensílios, Máquina e Ferramentas, verifica­ se que os compradores tomaram posse do imóvel imediatamente.  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     28  A  Fiscalização  apurou  que  nenhum  dos  envolvidos,  compradores  e  vendedores, declaram tal situação ao Fisco Federal.   Em 08.04.2003, fizeram uma alteração contratual falsa, onde os vendedores,  José  Cabral Muniz,  Elisabete  Rascado Matos Muniz,  Flavia  Rascado Matos Muniz,  Camila  Matos Muniz  e  José Cabral Muniz  Júnior,  teriam  cedido  suas  cotas  no  Frigorífico Ouroeste  Ltda para Maria de Lourdes Bazeia de Souza (mãe do Dorvalino) e Ana Maria Cecília Podboy  Costa  Junqueira  (esposa  do  Sr.  Luiz  Ronaldo),  pelo  valor  de  R$  50.000,00  (fls.  27  a  32  – Volume I/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em suas declarações à Polícia Federal de Jales, as duas senhoras declararam  que  assinaram procurações,  com amplos  poderes,  para Dorvalino Francisco de Souza  e Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  respectivamente,  baseado  em  confiança  familiar  (fls.  684/685  –  Volume III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).  Em  18.05.2007,  foi  feita  outra  alteração  contratual  fraudulenta  onde  a  empresa tem como novos sócios Luiz Ronaldo Costa Junqueira (99%) e Edson Garcia de Lima  (1%). No mesmo instrumento, o capital social foi alterado para R$ 300.000,00 (fls. 2229/2232  –  Volume  XII  /  Anexo1  do  PAF  16004.000336/2009­19).  Tal  alteração  contratual  não  foi  aceita pelo Fisco estadual como alteração válida, já que os sócios não comprovaram condições  financeiras  para  tal  ato.  Esta  alteração  também  não  foi  realizada  junto  ao  CNPJ.  Aliás,  a  Fiscalização  apurou  que  uma  das  marcas  das  empresas  envolvidas  na  operação  é  o  total  descompasso entre as alterações contratuais na Junta Comercial, no Fisco Estadual e no CNPJ.  Com  base  nas  informações  colhidas,  a  Fiscalização  concluiu,  conforme  raciocínio desenvolvido no item 2.1. do Termo de Constatação de Infração Fiscal, que o quadro  societário verdadeiro da Frigorífico Ouroeste Ltda é o seguinte:  1­ José Ribeiro Junqueira Neto e/ou João Francisco Naves Junqueira ­ 50%  2­ José Roberto de Souza ­ 7,85 %   3­ Dorvalino Francisco de Souza ­ 16,44%   4­ Edson Garcia de Lima ­ 16,00%   5­ Antonio Martucci ­ 9,71 %     3.1.1.   DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA   A Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda  foi  constituída em 10.09.2002,  tendo como sócios os Srs. Antonio Martucci e Edson Garcia de Lima, com um capital de R$  70.000,00. Dos quais 99% foi  integralizado pelo Sr. Antonio Martucci  (R$ 69.300,00) e 1 %  pelo Sr. Edson Garcia de Lima (R$ 700,00).  Analisando  os  extratos  bancários  da  conta  do  Sr.  Antonio  Martucci,  a  Fiscalização apurou o recebimento de um TED enviado pela empresa Produtos da Fazenda, no  valor de R$ 69.370,00, no dia 13.09.2002. A integralização das cotas da empresa, acima citada,  feita  pelo  Sr.  Antonio  Martucci  deu­se,  também,  no  dia  13.09.2002,  através  do  cheque  nº  001606,  no  valor  de  R$  69.300,00.  Note­se  que  o  valor  recebido  é  exatamente  o  valor  da  integralização, acrescido da CPMF R$ 70,00 (R$ 69.300,00 x 0,038%).  Fl. 506DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 493          29  A empresa Produtos da Fazenda Ltda tem como sócios o Sr. MANOEL DOS  REIS  DE  OLIVEIRA  e  a  Sra.  SANDRA  AMARA  REIS  DE  OLIVEIRA,  estando  inativa  desde 2003. O  sócio Manoel  dos Reis  de Oliveira  é  conhecido  na  cidade  de Bálsamo  como  "DEDÉ  Carrinheiro",  pessoa  de  pouca  posse,  morador  em  casa  simples  da  COHAB  de  Bálsamo.  Atualmente  é  sócio  da  empresa  De  Souza  e  Lima  Ltda,  junto  com  a Mãe  do  Sr.  Edson Garcia  de  Lima.  A  empresa  pertence  de  fato  ao  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  e  ao  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Lima,  conforme  consta  em  seus  depoimentos  à  Polícia  Federal  de  Jales.   O  Sr.  Manoel  dos  Reis  de  Oliveira  é  interposta  pessoa  dos  citados  contribuintes.  Em  seu  depoimento  em  26.03.2008,  a  secretária  da  empresa,  Sra.  Angela  Cristina Veigas Longo, confirma que a empresa De Souza e Lima Ltda tem como objeto social  a  venda  de  Carne  desossada  no  atacado  e  pertence  ao  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  e  ao  Sr.  Dorvalino Francisco de Lima.  Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado  e o  informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste,  porém  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  interrogado para ser um dos  sócios "de direito" ao  lado de Edson  Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao  interrogado  com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia  de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com  50%". Que o  interrogado efetivamente pagou sua parte do  capital  social  a  Dorvalino  que  era  quem  havia  negociado  a  compra.  No  contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital  social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar  o  gado  em  pé,  o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor  rural era orientado a  fazer a nota de venda em nome da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".     Entretanto em seu depoimento ao Juízo da 3ª Vara de São José do Rio Preto,  em 05.12.2006, o Sr. Antonio Martucci afirmou:   "....Eu não recebi nada para emprestar o nome, eu só fiz isso porque  eu  era  amigo  do Dorvalino  na  época. Quando  eu  abatia  gado  no  Frigorífico  Ouroeste  a  nota  saia  do  produtor  para  o  Pereira  e  Pereira,  para  a  Basco,  para  onde  eles  determinassem,  era  o  frigorífico quem determinava em nome de quem sairia a nota, mas  eu  não  mexia  com  isso.  As  vezes  podia  ser  a  Distribuidora  São  Paulo ".   Em outro trecho diz:   "...  O  Frigorífico  Ouroeste  e  a  Continental  Ouroeste  ficavam  no  mesmo prédio, mas eu não sei a diferença entre elas. Eu sabia que  Fl. 507DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     30  tinha emprestado o nome para a Continental, mas eu não sabia que  também figurava como sócio do Frigorífico Ouroeste...".     Analisando os depoimentos acima, verifica­se que o contribuinte faltou com a  verdade em vários trechos, tendo em vista sua participação efetiva nas empresas envolvidas.     Em seu depoimento a Polícia Federal de Jales, o Sr, Edson Garcia de Lima,  quando perguntado a respeito de quais as empresas que lhe pertenciam, respondeu:  "1)  "De  direito" H4 Comercial  de Carnes  e Derivados  Ltda  e De  Souza  &  Lima  Ltda.  2)  "De  fato"  16%  do  Frigorífico  Ouroeste.  Também são proprietários "de fato" desta, Dorvalino (34%) e Luis  Ronaldo  (50%).  Esta  empresa  está  "de  direito"  em  nome  da  genitora do Dorvalino e da esposa do Luiz Ronaldo, senhora Maria  Cecília.  È  a  pessoa  que  efetivamente  administra  a  empresa  era  Oswaldo Antonio Arantes, porém compra de gado quem fazia era o  interrogado...."     Em seu interrogatório ao Juízo da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, o  Sr. Edson Garcia de Lima, declarou:   "...  A  Continental  foi  criada  para  abater  gado,  antes  de  nós  comprarmos o Frigorífico Ouroeste, nós a utilizamos entre 2002 e  2003,  embora  tenha  sido  utilizada  também depois, mas  em menor  escala,  pois nós adquirimos o Frigorífico Ouroeste. A Continental  foi criada para ser utilizada como Distribuidora para abater gado,  antes  de  nós  fecharmos  ela,  nós  levantamos  os  tributos  devidos  e  fizemos o parcelamento, nós estamos pagando o parcelamento...."     Analisando  os  dados  acima,  a  Fiscalização  constatou  que  o  contribuinte  Edson Garcia de Lima faltou com a verdade,  invertendo a ordem de abertura das empresas e  dizendo que teria fechado a empresa e estaria pagando os tributos devidos.   Não foram localizadas opções válidas pelos parcelamentos REFIS ou PAES,  apesar  de  constar  pagamento  de  R$  4.000,00  (R$  2.000,00  no mês  e  novembro/2006  e  R$  2.000,00 em Dezembro/2006) e R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 em janeiro/2007 e R$ 1.000,00 em  fevereiro/2007), com código de recolhimento do PAES. Tais recolhimentos ocorreram após a  ação da Polícia Federal de Jales­SP. Não antes.  O contribuinte Dorvalino Francisco de Souza, em seu interrogatório ao juízo  da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, declarou:   "  ....Eu e o Edson Garcia de Lima abrimos uma empresa chamada  Continental, mas como eu tinha restrição em meu nome, a empresa  ficou em nome do Edson (1%) e do Martucci (99%), mas o Martucci  ficou poucos meses. O Edson ia até o campo, compra gado em nome  da Continental e o frigorífico apenas abatia o gado, o Luiz Ronaldo  tinha 50% do frigorífico e não queria participar do negócio..." em  outro  trecho diz  "  ...Eu e o Edson exercíamos a administração do  Fl. 508DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 494          31  Frigorífico Ouroeste e da Continental. O Martucci praticamente só  cedeu o nome dele mesma para a empresa...."    Analisando as informações acima, a Fiscalização concluiu que o contribuinte  faltou com a verdade, informando que o Sr. Antonio Martucci teria ficado poucos meses e que  o Sr. Luis Ronaldo Costa Junqueira não participava dos negócios.  Tais  fatos  demonstram  quem,  de  fato,  são  os  proprietários  da  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Lima.    Em setembro/2002, o Frigorífico Ouroeste teria supostamente arrendado para  a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda teria as instalações industriais, utensílios,  máquinas e ferramentas. A cláusula quinta estatui que todas as benfeitorias que a arrendatária  fizesse ficariam incorporada ao imóvel, não sendo devida nenhuma indenização. Esta cláusula  é comum em todas as empresas envolvidas na operação, quando a arrendatária é uma empresa  inexistente  de  fato  (empresa  de  papel),  criada  com  objetivo  fraudar  as  administrações  tributárias,  e  o  verdadeiro  “dono  do  negócio”  é  o  arrendador,  de  maneira  que  todas  as  benfeitorias permanecem dom o dono do negócio, o Arrendador.  Nesta  data,  a  Continental  além  das  instalações  físicas,  assumiu  todos  os  empregados  do  Frigorífico  Ouroeste,  conforme  assim  revela  a  consulta  de  vínculos  empregatícios  do  trabalhador  do CNIS,  iniciando  o  "esquema  de  sonegação"  (  fls.  01/405  ­  Vol. I a III do Anexo 6 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Em janeiro de 2003, foi  realizada uma ampliação das instalações industriais  (acréscimo de 418 m2 no prédio, acréscimo de 448 m2 nos currais, construção de câmara fria e  aquisição  de  diversas  máquinas  e  utensílios),  tendo  despendido  um  valor  superior  a  R$  10  milhões  de  reais,  tudo  pago  com  créditos  acumulados  de  ICMS, muitos  dos  quais  frios  (fls.  1725/1747 ­ Volume IX / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ) Todas estas benfeitorias  foram acrescidas ao patrimônio do Frigorífico Ouroeste sem custo.   Consta,  também,  que  a  empresa  adquiriu  "Óleo  Diesel"  da  Petrobrás  Distribuidora  S/A,  no  período  de  09/2003  a  01/2005,  no  valor  de  R$  3.412.568,00  ou  2.970.000  litros  (fl.  1724  ­  Volume  IX/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19  ).  Considerando o  período  de 17 meses  ou  510  dias;  o  fato  de  o  frigorífico  ter  consumo deste  combustível apenas para o gerador (que é usado somente nas horas de picos e quando há falta  de energia elétrica); o consumo do motor do gerador de mais ou menos 80  litros por hora, o  diesel adquirido seria suficiente para produzir energia, 24 horas por dia, por 1.546 dias ou 51  meses (80 litros/h x 24hs = 1.920 litros ao dia), o que demonstra que tal combustível houve­se  por utilizado por outras empresas do esquema.  De tal exposição avulta que o crédito de ICMS foi utilizado em proveito do  Frigorífico Ouroeste Ltda e/ou seus sócios como benefício indireto.    Em 11.03.2003,  retira­se da  sociedade o Sr. Antonio Martucci e entra o Sr.  Oswaldo Antonio Arantes, que adquire as cotas daquele pelo mesmo valor da constituição, R$  Fl. 509DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     32  69.300,00 , pago através de cheque n° 000465, emitido pelo Sr. Oswaldo Antonio Arantes em  03.04.2003, Banco Bradesco,  agência Ouroeste/SP  (  fls.  102  ­ Volume  I  / Anexo 1  do PAF  16004.000336/2009­19).  Em  sua  declaração  a  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  contribuinte Sr. Oswaldo Antonio Arantes declarou:  "  ....salvo engano, no ano de 2003 o declarante  foi admitido como  empregado  da  empresa  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  sediada  na  cidade  de  Ouroeste/SP,  como  gerente  administrativo,  tendo  como  função precípua a manutenção do frigorífico, admissão e demissão  de  funcionários,  etc,  sendo  certo  que  quem  o  contratou  fora  os  senhores Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, os  quais  são  proprietários  da  mencionada  empresa;  QUE  percebia  uma  salário  de  R$  2.800,00;  QUE,  após  quatro  meses,  aproximadamente,  o  declarante  fora  demitido  da  ora  citada  empresa, porém lá permaneceu, no mesmo cargo e funções, sem   registro em sua CTPS...."     Em outro trecho diz:   "...QUE, o declarante no ano de 2003 para 2004, adquiriu parte da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda,  salvo  engano  70%, esta sediada na época na cidade de Ouroeste/SP, porém por  não  ter  sido  aceito  pela  Secretária  da  Fazenda  do Estado  de  São  Paulo, sob alegação de que não dispunha de bens, teve de devolver  essa  parte  para  o  seu  originário  proprietário,  Antonio  Martucci;  QUE esclarece  o  declarante  que  somente  permaneceu  como  sócio  proprietário  da  empresa  Continental  Ouroeste,  que  tinha  como  ramo o comércio de carne, por um período de no máximo um mês  Que,  o  dinheiro  que  o  interrogado  usou  para  adquirir  parte  da  sociedade da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, o  obteve  da  venda  de  terra  no  Estado  do  Mato  Grosso,  de  propriedade de seu sogro Sebastião Luiz Arantes, o qual reside com  o declarante...."    Analisando o extrato do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes, a fl. 141 do  PAF  16004.000336/2009­19  verifica­se  que  em  14.03.2003  ele  recebeu  uma  TED  de  uma  empresa sediada no Estado do Paraná chamada Taurus Comércio de Bovinos Ltda, no valor de  R$ 101.608,00.   Em  26.03.2003,  adquiriu  um  veículo  Renaut/Clio  RT  1.0  16V,  ano  de  fabricação  e modelo  2001,  branco,  placa DFH­0542,  no  valor  de R$  20.500,00  da  empresa  Andrade  &  Ortolan  Ltda,  veículo  este  registrado  em  nome  de  sua  esposa  (fls.  965/966  ­  Volume V/Anexo 1 e 1748/1753 ­ Volume IX/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Finalmente,  em  03.04.2003,  emite  o  cheque  nº  000465,  no  valor  de  R$  69.300,00  , para custear a suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr.  Antonio Martucci.   Em  resposta  a  intimação  para  comprovar  a  entrada  e  saída  de  valores  relevante em sua conta, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes, explica a fls. 1760 a 1766 ­ Volume  IX/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 :   a) "Que o depósito de R$ 101.608,00 refere­se ao  recebimento da  venda da pequena propriedade rural de meu sogro, Sebastião Luiz  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 495          33  Arantes, CPF  n°  288.476.288­49,  sediada  no município  de Gloria  D'Oeste  ­  MT;  b)  Que  o  valor  de  R$  20.500,00  refere­se  ao  levantamento de numerário a pedido de meu sogro; c) Que o valor  de R$ 69.300,00 refere­se ao  levantamento de numerário a pedido  de meu sogro."     Como se pode observar, o contribuinte não consegue explicar a origem e/ou  aplicação  dos  recursos  em  sua  conta,  ainda  se  atrapalha  com  relação  ao  valor  utilizado  para  suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr. Antonio Martucci.     Na Junta comercial, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes ingressou na sociedade  em 20.03.2003 e se retirou em 26.08.2004.   Analisando  os  vínculos  empregatícios,  a  Fiscalização  apurou  que  o  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes  foi  funcionário  do  Frigorífico  Ouroeste  de  01.08.2002  até  14.09.2002; Da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, de 15.09.2002 até 12.01.2003, como  segurado  empregado;  De  06/2003  até  10/2005  constou  como  contribuinte  individual  na  Continental Ouroeste, como sócio gerente, conforme GFIP ­ Base CNIS, com remuneração de  R$  1.500,00 mensais  ­  Categoria  11,  portanto  em  descompasso  com  o  que  consta  na  Junta  Comercial, com saída em 26.08.2004; De 01/11/2005 a 01/01/2007 foi registrado na função de  gerente  geral,  com salário de R$ 2.800,00 na  empresa Comércio de Carnes  e Representação  Rodrigues e Bastos Ltda, atual BR Fronteira.  A Fiscalização apurou que a BR Fronteira assumiu  formalmente a partir de  Novembro de 2005 todo o passivo trabalhista da Continental Ouroeste, conforme transferência  no  Livro  Registro  de  Empregados  de  n°  05,  fls.  303  ­  Vol.  II  /  Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19, e que no período de novembro/2005 a dezembro/2006 toda a mão de  obra da BR Fronteira trabalhou, com exclusividade, para o núcleo Ouroeste.  Após  a  operação  de  Policia  Federal,  ou  seja,  a  partir  de  Janeiro/2007,  o  Frigorífico  Ouroeste  assumiu  novamente  todos  esses  empregados  e  o  passivo  trabalhista  decorrente,  conforme Fichas Registro de Empregados,  tanto que  a data  de admissão,  seja no  Frigorífico Ouroeste, seja na Continental Ouroeste, é a data retroativa quando foram admitidos  na primeira vez, fato que pode ser confrontada com a GFIP de Janeiro de 2007, a fls. 805/820  do PAF 16004.000336/2009­19, e nos contratos de trabalho.   Em  seu  interrogatório  na  Polícia  Federal  o  Sr.  Oswaldo  também  disse  também:   "QUE, salvo engano no mês de março do corrente ano o declarante  foi admitido pela empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES BR  DE FRONTEIRA,  como gerente,  tendo  as mesmas  funções  que  na  empresa FRIGORIFICO OUROESTE LTDA, esclarece o declarante  que  continua  trabalhando  no  FRIGORIFICO  OUROESTE  LTDA,  porém registrado na empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES  BR  DE  FRONTEIRA,  esta  prestadora  de  serviços  à  empresa  FRIGORIFICO OUROESTE; QUE, o declarante não sabe informar  quem  possa  ser  seus  patrões,  porém  sabe  informar  que  continua  recebendo  ordens  dos  senhores  EDSON  GARCIA  DE  LIMA  e  DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.”   Fl. 511DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     34    De toda essa exposição dessai que os verdadeiros donos da BR Fronteira são,  também, os Srs. EDSON GARCIA DE LIMA e DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.    Em  20.03.2003,  foi  feita  uma  nova  alteração  contratual  na  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  retirando  da  sociedade  Edson  Garcia  de  Lima  e  admitindo  a Sra. Ângela Cristina Viegas Longo, CPF n°  274.259.978­94. Em  seu Termo de  declaração à Polícia Federal de Jales, em 18.10.20006, (fls. 644/645 ­ Volume III/Anexo 1 do  PAF 16004.000336/2009­19), a Sra. Angela Cristina Viegas Longo declarou:  "... A declarante  trabalhava na empresa De Souza e Lima em São  José do Rio Preto, exercendo a função de secretária, no período de  1997  a  2005.  A  declarante  afirma  que  essa  empresa  era  uma  distribuidora de carnes de propriedade de Edson Garcia de Lima e  Dorvalino  Francisco  de  Souza.  A  declarante  afirma  que  Edson  Garcia  de  Lima,  vulgo  "Edão",  pediu  seus  documentos  pessoais,  RG, CPF, comprovante de residência, para constar como sócia na  empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda no ano de 2003.  A declarante afirma que Edson Garcia de Lima,  vulgo  "Édão"  fez  esse pedido explicando que estava com problemas no nome dele e  não poderia mais constar como sócio dessa empresa. A declarante  aceitou  as  explicações  de Edson Garcia  de  Lima  e  entregou  seus  documentos  pessoais  para  constar  como  sócia  desse  frigorífico,  apenas para ajudar Edson Garcia de Lima. A declarante afirma que  Durvalino  Francisco  de  Souza  levou  a  alteração  contratual  do  frigorífico  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  para  ser  assinada  no  escritório,  sendo  de  fato  a  alteração  contratual  assinada  pela  declarante. A  declarante  afirma que  os  verdadeiros  proprietários  do  frigorífico  de  Ouroeste,  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  Luis  Ronaldo,  Roberto  e  Antonio  Martucci..."     Em declaração  prestada  na Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  em São  José  do  Rio  Preto/SP,  em  26.03.2008  (fls.  702  a  704  ­  Volume  III/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19  ),  a  Sra.  Ângela  Cristina  Viegas  Longo  confirmou  que,  para  ela,  as  empresas se confundiam, ou seja, uma existia somente no papel, e as citadas pessoas Dorvalino  Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  José Roberto de  Souza e Antonio Martucci eram os verdadeiros proprietários. Declarou ainda que as alterações  contratuais  com  relação  ao  objeto  social,  abertura  de  filial  de  31.05.2004  e  retirada  da  sociedade de 26.08.2004 não foi assinada pela declarante, sendo as assinaturas possivelmente  falsificadas.   Na alteração contratual de 26.08.2004, retirou­se da sociedade o Sr. Oswaldo  Antonio Arantes e a Sra. Angela Cristina Veigas Longo,  retornando os  sócios originais, Srs.  Edson  Garcia  de  Lima  e  Antonio  Martucci  (fls.  84/86  ­  Volume  I  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).   Em  05.01.2005,  retira­se  da  sociedade  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima  e  Antonio Martucci e são admitidos os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ( fls.  87 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Fl. 512DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 496          35  No Dossiê da empresa existente no Posto Fiscal da Secretária de Fazenda do  Estado  de  São  Paulo,  em  Fernandópolis,  consta  um  contrato  da  suposta  venda  da  empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (Os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci  vendendo para os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges), datado de 20.08.2004,  pelo  preço  de  R$  25.000,00  a  ser  pago  em  5  (cinco)  parcelas  mensais  e  sucessivas  de  R$  5.000,00 a partir de 20.09.2004, e 5 recibos de recebimento dos citados valores, fls. 110 a 117 ­  Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 .   Negócio da China, pois na época da venda, a empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  apresentava  um  faturamento  mensal  superior  a  R$  10.000.000,00  (dez  milhões de reais) (fls. 109 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )    Como  já  era  de  se  esperar,  Diligência  Fiscal  realizada  na  cidade  de  Uberlândia­MG,  os  contribuintes  Claudir  Brusnello  e  Mauricio  de  Lima  Borges  não  foram  localizados  nos  endereços  declarados  a SRF, muito menos  as  supostas  empresas  dos  citados  contribuintes, muitas inclusive, com endereços inexistentes.  Apurou­se,  igualmente,  que  os  citados  contribuintes  Claudir  Brusnello  e  Mauricio de Lima Borges não possuem capacidade financeira para tal empreendimento e não  apresentaram movimentação  financeira  no  período  (fls.  126  a 129  ­ Volume  I  / Anexo 1  do  PAF 16004.000336/2009­19 )  Em  10.05.2005,  foi  promovida  uma  alteração  do  endereço  da  empresa  de  Ouroeste­SP para Jundiaí/SP, e em 19.10.2005, de Jundiaí­SP para zona rural de Angico/TO.  Em diligência aos citados endereços, verificou­se a inexistência de ambos, sendo considerado  como alteração ilegal com objetivo de dificultar a fiscalização nos termos do Artigo 127, §2°  do CTN (fls. 130/138 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )    A  propriedade  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  pela  Frigorífico Ouroeste encontra­se plasmada até na rotulagem dos produtos daquela, eis que os  rótulos  dos  produtos  comercializados  pela  empresa  apresentavam  com  destaque  (em  letras  maiores) a palavra "Frigorífico Ouroeste " e em letras menores o nome da empresa Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda.  (fls.  1593/1596  ­  Volume  VIII  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).  Até  o  Médico  Veterinário  responsável,  Sr.  Cledson  Luis  Furtado,  era  empregado  do  Núcleo  Ouroeste  desde  30/08/2001(fls.  404  ­  Volume  III/Anexo  6  do  PAF  16004.000336/2009­19 )   Circularizando  alguns  clientes  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda  foram obtidos  informações que as pessoas que negociavam pela empresa eram os  funcionários do Sr. José Roberto de Souza, e ainda os Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Edson  Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Luiz Ronaldo. Destaque­se que o Sr. Edson  Garcia de Lima era o mais conhecido pelos pecuaristas da região. (fls. 208/642 ­ Volumes I a  III / Anexo 1, e fls. 01/329 ­ Vols. I e II / Anexo 7 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   A  Fiscalização  apurou  que  o  Núcleo  Ouroeste  também,  praticou  outras  fraudes, já que as respostas de vários supostos fornecedores de gado de outros estados foram no  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     36  sentido de que não comercializavam com o frigorífico em tela e muitos nem se dedicavam à  pecuária  de  corte.  Tal  fato  demonstra  que  as  respectivas  notas  de  entrada  não  refletiam  a  realidade dos  fatos,  tendo sido usadas para gerar créditos  fictícios de  ICMS  (fls. 1167/1309­  Volumes VI e VII / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).     Do  exame  das  contas  bancárias  da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios Ltda, a Fiscalização se deparou com vários títulos de capitalização, com pagamento até o  final do ano de 2005, cujos beneficiários eram os Srs. Luiz Ronaldo Costa  Junqueira, Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  demonstrando  que  o  núcleo  Ouroeste  mantinha o controle da empresa, mesmo após a suposta transferência da empresa para os Srs.  Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ocorrida em 08/2004 (fls. 1151/1166 ­ Volume  VI/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   O  cruzamento  de  informações  entre  as  contas  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda e as pessoas envolvidas (Dorvalino Francisco de Souza, Edson  Garcia de Lima, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes) revelou  uma  grande  quantidade  de  transferências  de  valores  mensais,  cujo  valor  médio  era  de  R$  5.000,00 cada. Em vários meses, há mais de uma transferência para mesma pessoa, conforme  abaixo demonstrado no item 2.4.1. a fls. 157/159 do PAF 16004.000336/2009­19.  Os  estabelecimentos  bancários  onde  os  envolvidos  acima  citados  possuíam  contas,  também  reconheciam  que  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda  era  deles. Em uma análise interna sobre a liberação de empréstimo ao Sr. Dorvalino Francisco de  Souza, em 16.02.2005, o gerente do Banco Nossa Caixa, agência de Bálsamo, declarou:  (fls.  893/894 ­ Volume V / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )   "  ...trata­se  de  um  cliente  c/exp.  Positiva  de  crédito,  c/c  desde  06/2003,  eh  sócio  prop.  do  Frigorifico  Continental,  De  Souza  e  Lima (Distr. de Carnes)..".     Em outra analise, agora para o Sr. Edson Garcia de Lima, em 14.03.2005, o  mesmo gerente disse: (fls. 902/904 ­ Volume V / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 )  "...Cujo  tomador  eh  sócio  prop.  do  Frigorífico  Continental  de  Ouroeste desta ag...”.     A Fiscalização apurou que a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda assumiu ao  menos  duas  dívidas  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  uma  no  valor  de  R$  736.290,13,  perante  o  Banco  Bradesco  S.A  e  a  outra,  da  empresa  de  factoring New  Suport  Factoring Ltda, decorrente de desconto de duplicatas, dando como garantia, hipoteca do imóvel  da  empresa  situado  em Ouroeste/SP,  tendo  como  solidários  fiadores Dorvalino Francisco  de  Souza,  Luiz  Ronaldo Costa  Junqueira,  José Roberto  de  Souza  e  Edson Garcia  de Uma  (fls.  1597/1723 ­ Volumes VIII e I X / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No caso da escritura pública de confissão de dívida com garantia de hipoteca  e outras avenças, data de 26.08.2005, consta como devedora a empresa Continental Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, representada pelos sócios, Oswaldo Antonio Arantes e a Ângela Cristina  Viegas Longo, com menção do contrato social com as alterações somente até 13.03.2003 (fls.  1606 a 1608 ­ Volume IX/Anexo I do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Fl. 514DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 497          37  Verifica­se  no  caso,  um  claro  ato  doloso  e  fraudulento,  já  que nesta  data  a  empresa já pertencia, de direito, aos Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges.  Embora a devedora fosse a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, quem  liquidou o débito junto ao Banco Bradesco e da empresa de factoring foi a Frigorífico Ouroeste  Ltda.    A Fiscalização também apurou que a empresa Continental Ouroeste Carnes e  Frios Ltda  nunca  entregou DCTF  ­ Declaração  de Débitos  e Créditos Tributários  Federais  à  SRF,  tendo  apresentado  apenas  as DIPJ  ­ Declaração  de  Informações Econômico­Fiscais  da  Pessoa Jurídica nos anos calendários 2002 e 2003 e, mesmo assim, só recolheu os tributos por  substituição  tributária  do  período  (fls.  1828/1942  ­  Volume  X  /  Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).  Com relação às contribuições previdenciárias foram efetuados recolhimentos  parciais, sendo que as diferenças a recolher encontram­se inclusas no presente lançamento.     Com  base  no  acima  relatado,  fica  evidente  que  a  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda nada mais é do que uma “empresa de fachada”,  inexistente de  fato,  aberta  e  utilizada  exclusivamente  para  fraudar  as  Administrações  Tributárias  Federal,  Estadual  e Trabalhista,  com atos  constitutivos  eivados  de  falsidade  ideológica,  sendo que  os  contribuintes  envolvidos  Sr.  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  Edson  Garcia  de  Lima,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Oswaldo  Antonio  Arantes,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto foram beneficiários  diretos/indiretamente da fraude.   Conclui­se,  portanto,  que  a  referida  empresa  foi  criada  para  existir  tão  somente  no  papel. Os  seus  verdadeiros  donos  (os  reais  sócios  do  Frigorífico Ouroeste  Ltda  acima  citados)  não  figuravam  em  seu  quadro  societário  não  porque  apresentavam  supostas  restrições de créditos (conforme declarações expressas a fls. 646/683 ­ Volume IV/Anexo 1 do  PAF 16004.000336/2009­19 ), mas porque apresentavam DIRPF incompatíveis com nível de  vida e renda e, principalmente, porque queriam permanecer ocultos perante os fiscos Federal e  estadual.  Dessarte,  como não desejavam ter seus nomes vinculados ao Patrimônio do  frigorífico,  criaram  uma  ficção  jurídica  consubstanciada  na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda, em nome de “laranjas”, para realizar o objeto social do frigorífico.   Merece  se  destacado  que  o  ADE  ­  Ato  Declaratório  Executivo  nº  66,  de  29.07.2008, a fls. 41/43 ­ Volume 1 / Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19, publicado no  DOU  ­  Diário  Oficial  da  União  n°  149,  de  05.08.2008,  declarou  a  INAPTIDÃO  da  pessoa  jurídica Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, com efeitos desde sua constituição.    3.1.2.   DA SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA   Fl. 515DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     38  Em relação à SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda o  quadro  não  é  diferente,  mudando­se  apenas  o  figurante,  mas  mantendo­se  inalterados  os  cenários e os protagonistas.   A  empresa  foi  constituída  em  01  de Março  de  2004  em  nomes  de  sócios  "laranja"  Sérgio  Aparecido  da  Fonseca  Alves,  Claudir  Luis  de  Siqueira  e  Rodrigo  Daniel  Andrade,  em  funcionamento  a  partir  de Maio/2005  para  a  continuação  da  fraude  até  então  praticada  pela  Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  sendo  que  as  cópias  dos  referidos  contratos constitutivos foram apreendidos no interior do Frigorífico Ouroeste ltda.   Visando  a  conferir  ares  de  legalidade  em  seus  negócios,  simulou­se  um  Contrato  de  Locação  Comercial  com  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  em  setembro/2005,  abarcando,  inclusive,  todos  os  equipamentos  e  ferramentas  para  funcionamento  de  um  frigorífico,  pagando­se  um  valor  fixo,  somado  a  outro  valor  por  cabeça  de  gado  abatido  no  local, tendo por fiador o próprio sócio Sérgio Aparecido da Fonseca Alves.  A  partir  de  seu  funcionamento,  o  esquema  fraudulento  se  valeu  do mesmo  "modus operandi" já utilizado pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, utilizando­se de  empresa vendedora de notas fiscais – a “NOTEIRA” Distribuidora S. Paulo, para fazer crer real  as atividades realizadas.   Com receitas em torno de R$ 18.300.000,00 em 2005, e de R$ 11.615.000,00  em 2006 (Fonte DIPJ), a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda contava  com apenas um empregado formalizado.   Convenhamos  que  com apenas  um  único  empregado  revela­se  inverossímil  que uma empresa possa ter uma movimentação financeira de 43 milhões de reais até 2006. Tal  inverossimilhança é corroborada pelo fato de tal empresa, após a deflagração da operação da  Polícia Federal  no  final de 2006,  ter  faturado,  tão  somente, R$ 21.695,00 em 2007, quando,  então, paralisou suas atividades.   A SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda não entregou  DCTF ­ Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em 2005, sendo que em 2006  entregou somente os dados cadastrais, sem declarar tributos; A empresa entregou DIPJ de 2005  e 2006,   A  Fiscalização  apurou  que  tal  "modus  operandi"  era  utilizado  por  todas  as  empresas envolvidas na fraude ­ operação grandes lagos.     Os  agentes  fiscais  constataram  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e Derivados Ltda mantinha  relacionamento  com diversos bancos,  quase uma dezena,  conforme relação das contas correntes apresentada a fl. 153 do PAF 16004.000336/2009­19.  Nos  livros  contas  correntes  apreendidos no  interior do Frigorífico Ouroeste  Ltda (itens 7.1, 7.2 e 7.3 do Termo de Busca e Apreensão da Policia Federal) constam diversos  pagamentos  a  fornecedores  de  gado,  assim  como  os  pagamentos  de  despesas  pessoais  e  retiradas  de  pro  labore  dos  sócios  de  fato  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza, José Roberto de Souza, e Luiz Ronaldo Costa Junqueira, bem como salários, férias, 13º  salário  e  salário  maternidade  dos  empregados  assalariados  e  dirigidos  pelo  Frigorífico  Ouroeste, mão­de­obra com vínculos formais registrados na empresa interposta BR Fronteira.     Fl. 516DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 498          39  Circularizando em diversos fornecedores de gado a Fiscalização comprovou  que os verdadeiros donos de fato da SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados  Ltda  são  os  mesmo  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  ou  seja,  Sr.  Edson,  Dorvalino,  conforme  respostas  aos Termos  de  Intimação  Fiscal  a  fls.  1150/1280  ­ Volumes VI  e VII/Anexo 3  do  PAF 16004.000336/2009­19.   Na  resposta  do  fornecedor  Marcos  Bassan  Gonçalves,  este  informa  que  o  recebimento da venda de bovinos efetuada a SP Guarulhos, com emissão da NF n° 1680,  foi  pago pelo cheque n° 10494 no valor de R$ 7.627,00, datado de 31 de Agosto de 2005, emitido  pela Continental Ouroeste — Banco Real — Ag. Mirassol, que pode ser confrontado com as  fls.  07­verso  do  Livro  conta  corrente  7.4  (apreendido),  o  que  comprova  a  ligação  entre  as  citadas empresas.  (documentos às fls. 1190/1199 e 1202­Volumes VI e VII/Anexo 3 do PAF  16004.000336/2009­19 ).   O  fornecedor  Luiz  C.  H.  Teles  remeteu,  juntamente  com  sua  resposta  referente à NF 2628, de 11/10/2005, da SP Guarulhos, as notas fiscais de produtor onde consta  como  local  de  abate  o  Frigorífico  Ouroeste,  bem  como  o  controle  de  pesagem  e  do  transportador, onde consta o logotipo e o nome do Frigorífico Ouroeste, o que mais uma vez  comprova quem detinha o controle do empreendimento (fls. 1203/1217­Volume VII/Anexo 3  do PAF 16004.000336/2009­19 ).     No Auto de Qualificação e Interrogatório de Dorival Pedro Belini na Policia  Federal de Jales/SP  (fls. 667­ Volume  III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ), quando  questionado  sobre  quais  as  empresas  de  Dorvalino  são  sediadas  em  São  Paulo  Capital,  o  interrogando respondeu:   “... é o dono as SP Guarulhos”.    No mesmo Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão efetuado pela Policia  Federal no interior do Frigorífico Ouroeste Ltda, foram apreendidos outros documentos da SP  Guarulhos,  tais como 2 cartões magnéticos, sendo um Empresarial da Nossa Caixa ag. 535 e  outro  do  Bradesco  Ag.  1760­4;  contratos  sociais;  talões  de  cheques  de  vários  bancos  e  agências, tais como ag. 0540­1 ­ Nossa Caixa ­ Vila Maceno em S. J. R. Preto, conta corrente  04.001570­6 e ag. 535­5 ­ conta 04.000393­3 ­ Ag. Ouroeste­SP.     Analisando  os  documentos  solicitados  via  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação Financeira, a Fiscalização constatou que quem movimentava as contas eram os  verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste  ltda,  fato que corrobora a compreensão de que SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda figurava como mais uma empresa de  fachada, utilizada para a execução dos interesses empresariais da Frigorífico Ouroeste Ltda e  de seus verdadeiros donos.    Fl. 517DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     40  Na data de 27 de Novembro de 2007, em diligência na Cidade de Guarulhos,  foram apreendidos diversos documentos da empresa, conforme Termo de Retenção a fl. 715­  Volume IV/Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19 .   No interrogatório na Polícia Federal o sócio de fato do Frigorífico Ouroeste,  Sr. Edson Garcia de Lima (fls. 646/648­Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ),  quando  questionado  acerca  das  negociações  envolvendo  notas  fiscais  frias,  esclarece  o  seguinte:   "eventualmente,  o  interrogado  comprava  gado  de  produtores  com  notas  fiscais  do MACAÚBA. O  interrogado  nunca  conversou  com  Macaúba,  pois  quem  efetivamente  comprava  as  notas  fiscais  era  DAVID  APARECIDO  BEZERRA,  a  mando  da  empresa  SP  GUARULHOS".     Questionado  acerca  desta  compra  de  notas  fiscais,  ele  afirma  que  a  SP  GUARULHOS pagava R$ 3,00 ou R$ 4,00 por cada cabeça de gado lançado em nota fiscal. A  despesa era por conta da SP GUARULHOS. David era quem ia até a empresa de MACAUBA  buscar as notas frias.   Como  amplamente  comprovado  a  SP  Guarulhos  pertence  de  fato  aos  verdadeiros  donos  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  David Aparecido  Bezerra  é  funcionário  da  EMPRESA De Souza Lima, também de propriedade de Edson e Dorvalino.  Macaúba,  ou  VALDER  ANTONIO  ALVES,  é  o  proprietário  da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  com  quem  Edson  Garcia  de  Lima  mantinha  contato  diariamente,  adquirindo notas frias, conforme comprovado pela Policia Federal.  O  Sr.  Edson  faltou  com  a  verdade,  portanto,  ao  afirmar  que  nunca  havia  conversado com o Macaúba.  Constata­se mais  uma  vez  que  os  verdadeiros  donos  tentam  se  esquivar  da  responsabilidade, tentando transferir para terceiros o ônus do empreendimento, seja para David  Aparecido  Bezerra,  seu  empregado  na  empresa  "De  Souza  Lima"  (propriedade  sua  e  Dorvalino), ou com relação ao 'laranja' Sérgio Aparecido da Fonseca Alves da SP Guarulhos.     Os boletins de abate eram emitidos em nome da SP Guarulhos, contudo nas  notas fiscais de produtor constam como local de abate o Frigorífico Ouroeste e a Continental  Ouroeste,  documentos  a  fls.  857/1057  ­  Volumes  V  e  VI  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19, fato este confirmado no relato do Sr. Edson Garcia de Lima na Policia  Federal, a fls. 647­Volume IV­Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 .   “O  gado  era  retirado  do  FRIGORÍFICO  OUROESTE  com  uma  nota fiscal do MACAUBA, em nome da empresa DISTRIBUIDORA  SAO  PAULO,  e  como  destinatária  a  empresa  SP  GUARULHOS.  Afirma o  seguinte:  "eu  comprava  notas  de MACAUBA,  porque  do  Oiapoque ao Chui todos compravam notas dele. A melhor coisa que  poderia acontecer seria se todos começassem a pagar os impostos".    Diante da quebra do sigilo bancário procedida pela Justiça Federal  de Jales/SP, foi requisitado ao Banco Nossa Caixa S/A, através da  RMF  Nº  08.1.07.00­2008­00147­5,  a  movimentação  das  contas  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 499          41  04.001.570­6  ­  ag.  0540­1  e  04.000.393­3  ­ag.  535.5,  da  empresa  SP  Guarulhos,  onde  se  verificam  que  os  reais  beneficiários  da  atividade  econômica  praticada  pela  SP  GUARULHOS  Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são os verdadeiros donos  do  Frigorífico  Ouroeste  ltda,  Edson  Garcia  de  Lima  e  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  conforme  ilustrado  na  tabela  a  157/159,  elaborada por amostragem.    Na  mesma  toada,  da  analise  das  fitas­detalhe  enviadas  pelo  Banco  Nossa  Caixa­  conta  nº  04­000393­3­  Ag.  535­5/Ouroeste­SP,  da  empresa  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda,  a  Fiscalização  apurou  diversos  pagamentos  debitados nessa conta, relativos aos meses Janeiro, Fevereiro e Abril de 2006, representativas  de despesas pessoais dos sócios Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, ou de  empresas do núcleo Ouroeste ligadas a tais pessoas, conforme ilustrado a fls. 161/163 do PAF  16004.000336/2009­19.   ·  Boletos  bancário  ­  cedente  Elétrica  Noroeste  Ltda  EPP,  tendo  como  sacado a S P Guarulhos, mas o endereço é do Frigorífico Ouroeste Ltda:  Rua Jose Maticoli CP 35 ­ Ouroeste  ­SP,  idem para o cedente Hermann  Ind. Maq.  Equipamentos.  Idem  para  R$  263,69  vencimento  20/04/2006,  idem para o  cedente Friomat valor R$ 1.300,10 vencimento 20/04/2006,  valor de R$ 3.466,75 vencimento e m 2 1 / 0 4 / 2 0 0 6 / Comosquímica,  Sandet Química cedente valor R$ 960,73 vencimento 24/04/2006; vide fls.  621  ,  622,  661  ,  675,  676,  685,  704,  706  ­  Volume  IV/Anexo  3  do PAF  16004.000336/2009­19.   ·  Boleto  bancário  de  pagto  de  assinatura  do  Jornal  Estadão,  tendo  como  sacado o sócio de fato Dorvalino Francisco de Souza ­ Rua Boa Vista 666  ­  S.  J.R.Preto,  local  onde  funcionava  um  escritório  do  Frigorífico  Ouroeste,  fato  este  confirmado por  produtores  rurais,  idem boleto Abril  S/A no valor de R$ 49,03, fls. 623 e 652 do PAF 16004.000336/2009­19;   ·  Fatura de energia elétrica da CPFL, e da Telefônica  fones 3264­1366 e  3564­1354,  sendo  estes  do Frigorífico Ouroeste  Ltda,  fls.  624  a  626  do  PAF  16004.000336/2009­19;  Boleto  bancário  valor  R$  372,00­  cedente  H4  Fomento  Comercial  Ltda,  como  sacado  a  Continental  Ouroeste  Carnes e Frios Ltda, fls. 627 do PAF 16004.000336/2009­19;   ·  Boleto  bancário  no  valor  de  R$  157,00  ­  cedente  Tracker  do  Brasil  e  sacado  a  empresa  De  Souza  Lima,  pertencente  aos  sócios  Dorvalino  e  Edson; idem para outro boleto com vencimento em 24/04/2006, fls. 630 e  672 do PAF 16004.000336/2009­19 ;   ·  Boleto  bancário  valor  R$  2.065,67  ­  cedente  Frigoestrela  e  sacado  a  empresa a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, idem para o boleto  de R$ 2.748,58 ­ cedente Lopesco Ltda, boleto valor R$ 3.947,22 ­ cedente  Viaplastic;  boleto  R$  620,00  vencimento  09/02/2006,  boleto  cedente  Desinsetizadora  Multipragas  valor  R$  450,00,  Cosmoquimíca  valor  R$  1.155,59 vencimento 14/02/2006, Oxijales valor de R$ 35,00 vencimento  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     42  20/04/2006, Arnaldo Passo NF 2180 no  valor  de R$ 360,00  vencimento  em 24/04/2006;  ·  Boleto  bancário  valor R$  238,58  ­  cedente Cirasa Riop Aut  e  sacado  a  empresa De Souza Lima, pertencente aos sócios Durvalino e Edson, idem  boleto R$  77,12  ­  cedente Pelatti,  vencimento  09/02/2006,  idem  cedente  Pirelli  valor  de  R$  660,00,  cedente  Facchini  valor  R$  5.190,00  vencimento 14/02/2006, valor R$ 596,70 vencimento 20/04/2006, Propaga  valor  de  R$  113,32  e  Cirasa  Riop  Aut  valor  de  R$  311,50,  vencimento  20/04/2006; Riocap valor R$ 563,50 vencimento em 24/04/2006, fls. 632,  646, 650, 662, 674, 702 e 707 do PAF 16004.000336/2009­19 ;   ·  Boleto bancário de R$ 693,43,  tendo como cedente o Itaú Seguros S/A e  sacado  o  sócio  de  fato  João  Francisco  Naves  Junqueira.  Idem  BV  Financeira no valor de R$ 2.566,42 , vencimento em 16/02/2006, fls. 634  e 683 do PAF 16004.000336/2009­19 ;   ·  Boleto  bancário  valor  R$  81,50  ­  cedente  Cirasa  Riop  Aut  e  sacado  a  empresa Transportadora Sulera Ltda, pertencente ao sócio José Roberto e  do  irmão  do  Dorvalino,  idem  cedente  Cirasa  Auto  Riop  valor  de  R$  396,50  vencimento  em  21/04/2006,  648  e  703  do  PAF  16004.000336/2009­19;   ·  Boleto  bancário  de  R$  452,21,  tendo  como  cedente  o  Posto  de  Modo  Trevo e  sacado o  sócio  de  fato Edson Garcia de Lima,  fls.  664 do PAF  16004.000336/2009­19;   ·  Fatura  de  energia  Elektro  vencimento  14/02/2006  no  valor  de  R$  33.470,53,  tendo  como  sacado  a Continental Ouroeste,  fls.  665  do PAF  16004.000336/2009­19;     No Livro Conta Corrente n° 7.1 ­ Banco Bradesco Ag. 1760­Ouroeste­SP c/c  nº 108904, movimentação bancária da empresa SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e  Derivados Ltda período de Outubro/2005 a Fevereiro/2006, solicitados via RMF n ° 2008­149­ 1, constam pagamentos de salários, férias e rescisões de contrato de trabalho de empregados do  Frigorífico Ouroeste Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de Carnes e  Representação BR de Fronteira Ltda, inclusive pagamento dos encargos sociais como INSS e  FGTS,  conforme  ilustrado  por  amostragem,  na  tabela  a  fls.  163/165  do  PAF  16004.000336/2009­19.    Com  relação  ao  cheque  n°  176,  no  valor  de  R$  27.953,96  ,  datado  de  05/12/2005,  relativo  ao  pagamento  do  13°  salário  –  1ª  parcela,  foi  solicitado  ao  Banco  Bradesco  a  relação  dos  beneficiários  de  tais  pagamentos,  sendo  confirmado  tratar­se  dos  empregados  do  Frigorífico Ouroeste,  com  vínculos  trabalhistas  registrados  na  interposta  BR  Fronteira. Tal  relação dos beneficiários pode ser confrontada com a Folha de Pagamento em  nome da interposta pessoa.  No Livro Conta Corrente N° 72 ­ Banco Nossa Caixa ­ Ag. 0540­Rio Preto­ SP,  CC  001570­6,  movimentação  bancária  da  empresa  SP  Guarulhos  no  período  de  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 500          43  setembro/2005  a  agosto/2006,  constam  diversos  pagamentos  de  comissões  e  fretes  a  contribuintes  individuais,  inclusive  retiradas  de  Pró­labore  dos  sócios  de  fato  do  Frigorífico  Ouroeste, Srs. Luis Ronaldo,  Jose Roberto, Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de  Souza (fls. 260/353 ­ Volume II / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No Livro Conta Corrente N° 7.3  ­ Banco Nossa Caixa  ­ Ag. Ouroeste, CC  000393­3, movimentação bancária da empresa SP Guarulhos no período de dezembro/2005 a  Setembro/2006 (fls. 354/395­Volume  II  / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19), constam  pagamentos de salários, férias e rescisões contratuais dos empregados que estavam trabalhando  para o Frigorífico Ouroeste Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de  Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, e a diversos contribuintes individuais, inclusive  retirada de pro labore dos sócios de fato do Frigorífico Ouroeste Ltda, conforme ilustrado, por  amostragem, na tabela a fls. 165/167.  Constam, também, pagamentos dos encargos FGTS ­ Fundo de Garantia por  Tempo  de  Serviços/GFIP  e  recolhimentos  da  retenção  da  contribuição  dos  segurados  empregados  ao  INSS,  através  da  GPS,  conforme  tabela  exemplificativa  a  fl.  167  do  PAF  16004.000336/2009­19,  assim  como  pagamentos  ao  contador  Wanderley  Graidzinski,  responsável pela remessa dos arquivos ao Fisco Estadual das movimentações de mercadorias ­  ICMS, o qual assina, ainda, como testemunha à alteração contratual de 25 de Julho de 2005, e  os Boletins de Abate como procurador.  De  todo  o  exposto,  conclui­se  que  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes e Derivados Ltda é uma empresa inexistente de fato, tratam­se, nada mais, do que uma  empresa  “de  fachada”,  Pessoa Jurídica de  "papel",  e  comprovadamente  interposta pessoa do  Grupo Ouroeste.  ISTO JÁ ESTÁ FICANDO MONÓTONO !!!    3.1.3.  DAS PESSOAS ENVOLVIDAS NA FRAUDE  O  trabalho  da  Fiscalização  foi  complementado  pela  intimação  pessoal  de  todos  os  contribuintes  envolvidos  no  esquema  fraudulento  desbaratado  pela  Policia  Federal,  sejam  aqueles  que  efetivamente  atuaram  no  grupo,  sejam  os  que  contribuíram  com  trabalho  e/ou capital.  De acordo com o relato fiscal, todos os envolvidos sempre estiveram ligados,  de alguma maneira, ao ramo de abate de bovinos e/ou comércio de carnes e subprodutos, sendo  também os mesmos, de fato, donos do Frigorífico Ouroeste Ltda.   Todos  os  contribuintes  ora  em  apreço  foram  intimados  para  prestar  esclarecimento  pessoal  sobre  sua  atuação  no  esquema  fraudulento,  mas  nenhum  deles  compareceu,  justificando que não eram obrigados a produzir provas contra  si  e que  todos os  esclarecimentos foram dados a Polícia Federal e a Justiça Federal.    3.1.3.1.  Dorvalino Francisco de Souza;   Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     44  Participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas empresas acima citadas.  Em  seu  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales  admitiu  que  administrava  efetivamente o Frigorífico Ouroeste Ltda com procuração Outorgada por sua Mãe em conjunto  com José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima.   Possui  participações  nas  empresas:  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, De Souza & Lima Ltda, H4 Comercial De Carnes e Derivados  Ltda.   Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas não chegaram a R$ 155.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 171  do  PAF  16004.000336/2009­19,  declarando  apenas,  sua  participação  na  empresa  De  Souza  Lima ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Dorvalino Francisco de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 260.000,00 nos  anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 171/173 do PAF 16004.000336/2009­ 19.  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido  Bezerra,  funcionário  de  Dorvalino,  documento  intitulado  "RETIRADA  DORVALINO",  no  qual  constam  despesas  do  contribuinte  do  período  de  16.01.2004  a  26.01.2005 (fls. 718 a 724 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados  com  cheques  da  conta  da  empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  no  Banco Nossa Caixa S/A,  demonstrando  claramente que  além dos  valores  acima  recebidos,  a  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais  como  despesas  de  Condomínio,  IPVA,  Plano  de  Saúde  e  outros  (fls.  719  a  724  ­  Volume  IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Nos livros conta corrente (numerados n° 7.1 a 7.4) apreendido no interior do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No mesmo livro conta corrente – 7.4 ­ a fl. 450 do PAF 16004.000336/2009­ 19 , consta pagamento de "Condomínio Panorama", através do cheque 11282 nominal, imóvel  cujo proprietário é o Sr. Dorvalino.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo Sr. Dorvalino Francisco  de  Souza,  no  período  de  janeiro/2004  a  julho/2005,  informando  o  valor  e  a  data  de  cada  transferência, bem como a origem de qual  agencia e conta bancária da Continental Ouroeste  ltda saíram os pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao B. Nossa Caixa, foi encaminhada cópias dos  documentos solicitados relativo a agência 0540 ­ Vila Maceno em S.J.R.Preto, conta corrente  04.001.570­6 pertencente a empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica  através  do  Fl. 522DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 501          45  cheque nº 686, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Pró­labore ao Sr. Dorvalino F. de  Souza, além de transferências de quase R$ 20.000,00 para sua conta pessoal.  Em  Diligência  na  empresa  Viagem.com  foram  constatadas  dezenas  de  passagem aérea em nome de Dorvalino Francisco de Souza  ­  ida  e volta S.J.R. PRETO  ­ S.  PAULO, pagas pela empresa SP Guarulhos, bem como pagamento de passagem também para  seu irmão Odécio (sócio da Transportadora Sulera Ltda).  No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada)';   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Não restam dúvidas, portanto, que Dorvalino Francisco de Souza participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam claro  que o Sr. Dorvalino Francisco  de Souza  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    3.1.3.2.  Edson Garcia de Lima:   O  contribuinte  Edson  Garcia  de  Lima  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental  Fl. 523DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     46  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, H­ 4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e De Souza & Lima Ltda.  Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admitiu que possui de direito  as empresas H­4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e a empresa De Souza & Lima Ltda e  de  fato  16 % do  Frigorífico Ouroeste  Ltda.  Participou  efetivamente  da  empresa Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tendo inclusive controle e gerência da mesma.   Apresentou DIRPF com rendas pouco expressivas nos exercícios de 2002 a  2007, que somadas não chegaram a R$ 168.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro  a fl. 179 do PAF 16004.000336/2009­19, declarando apenas, sua participação na empresa De  Souza Lima ltda.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Edson Garcia de Lima que ultrapassam a cifra de R$ 248.000,00 nos anos de  2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fl. 179 do PAF 16004.000336/2009­19.  Foi  também  apreendido  pela  Polícia  Federal  de  Jales,  na  casa  do  David  Aparecido Bezerra, funcionário de Dorvalino, documento intitulado "RETIRADA EDÃO", no  qual constam despesas do contribuinte do período de 16.01.2004 a 26.01.2005 (fls. 725/729 ­  Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   No  citado  documento,  constam  informações  que  os  pagamentos  foram  realizados  com  cheques  da  conta  da  empresa Continental Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  no  Banco Nossa Caixa S/A,  demonstrando  claramente que  além dos  valores  acima  recebidos,  a  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais  como  faculdade das  filhas Tatiana e Martina,  plano de  saúde,  além de outras  (fls.  726/729  ­  Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19 ).   Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   No mesmo livro conta corrente – 7.4 ­ a fl. 450 do PAF 16004.000336/2009­ 19, consta pagamento cheque n° 10996, o Imposto Sobre Serviço ­ ISS da De Souza & Lima  Ltda, outra empresa de sua propriedade.  Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Edson Garcia de Lima,  no período de  janeiro/2004 a  julho/2005,  informando o valor  e  a data de  cada  transferência,  bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste  ltda saíram os  pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias  dos  documentos  solicitados  relativo  a  agência  0540  ­  Vila  Maceno  em  S.J.R.Preto,  conta  corrente  04.001.570­6  pertencente  a  empresa  SP  Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica através do cheque nº 683, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Pró­labore ao Sr.  Edson Garcia de Lima, depositado em sua conta pessoal.  Conforme B. Bradesco ­ ag. 0063 ­ conta corrente 64228, titularidade da SP  GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, verifica­se transferência do valor de  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 502          47  R$ 10.000,00 em 01/03/2006, ch. 975, para sua conta pessoal no Banco Nossa Caixa ­ AG. 434  ­ c/c 010039797.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  Edson  Garcia  de  Lima  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Edson  Garcia  de  Lima  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.3.  José Roberto de Souza  O  contribuinte  José  Roberto  de  Souza,  irmão  de  Dorvalino  Francisco  de  Souza, participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas  acima.   Não  foi  ouvido  na  Polícia  Federal  de  Jales,  tendo  em  vista  não  estar  diretamente  ligado  às  empresas  investigadas  na  Operação  Grandes  Lagos.  Entretanto,  foi  localizado cheque pagando a sua parte da aquisição do Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002.  Segundo  depoimento  dos  demais  contribuintes  envolvidos,  Sr.  Dorvalino  Francisco de Souza e Antonio Martucci, José Roberto de Souza efetivamente contribuiu com  trabalho  e  capital  nos  objetos  sociais  da  empresa Continental Ouroeste Carnes  e Frios Ltda,  tornada inexistente de fato, e do Frigorífico Ouroeste Ltda.   Em  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales,  em  17.10.2006,  o  Sr.  Antonio  Martucci declarou:   "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado  e o  informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste,  porém  não  conseguiu  a  Inscrição  Estadual,  pois  precisa  de  dois  nomes  "bons"  para  figurarem  como  sócios.  Dorvalino  convidou  o  interrogado para ser um dos  sócios "de direito" ao  lado de Edson  Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao  interrogado  com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia  de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com  50%". Que o  interrogado efetivamente pagou sua parte do  capital  social  a  Dorvalino  que  era  quem  havia  negociado  a  compra.  No  contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital  social  e  Edson  Garcia  de  Lima  com  1%;  Que  a  empresa,  então,  começou  trabalhar  da  seguinte  forma:  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar  o  gado  em  pé,  o  qual  era  trazido  até  o  frigorífico  situado  em  Ouroeste/SP.  O  produtor  rural era orientado a  fazer a nota de venda em nome da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense  e  Distribuidora São Paulo".   Fl. 525DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     48    No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada);   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que  somadas  não  chegaram  a  R$  115.500,00  ,  conforme  ilustrado  no  quadro  a  fl.  185  do  PAF  16004.000336/2009­19.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte José Roberto de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 282.000,00 nos anos de  2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 185/187 do PAF 16004.000336/2009­19.  Nos  livros  conta  corrente  (numerados  n°  7.4)  apreendido  no  interior  do  Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore  do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária  na conta corrente 97073252 ­ Banco Real Ag. Mirassol­SP.   Na  planilha  a  fls.  693/702  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Edson Garcia de Lima,  no período de  janeiro/2004 a  julho/2005,  informando o valor  e  a data de  cada  transferência,  bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste  ltda saíram os  pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência.  Conforme RMF 2008.147­5 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias  dos  documentos  solicitados  relativo  a  agência  0540  ­  Vila  Maceno  em  S.J.R.Preto,  conta  corrente  04.001.570­6  pertencente  a  empresa  SP  Guarulhos  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  –  sucessora  na  Fraude,  em  continuação  a  Continental  Ouroeste,  onde  se  verifica através do cheque nº 918, de 08/05/2006, pagamento de Pró­labore ao Sr. José Roberto  de Souza, depositado em sua conta pessoal.  Não  restam  dúvidas,  portanto,  que  José  Roberto  de  Souza  participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  José  Roberto  de  Souza  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  Fl. 526DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 503          49  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.4.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira  O  contribuinte  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira,  participou  efetivamente  da  fraude,  estando  a  frente  da  administração  das  empresas  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda.   Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal em Jales, disse que comprou  50% do Frigorífico Ouroeste, mas por ter problema no "CPF" registrou em nome de sua esposa  e que não administrava o frigorífico e que raramente fazia retiradas.  Todavia,  a  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  retiradas  mensais  em  seu  nome através do Livro Conta Corrente­7.4, apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste, fls.  426  a  460  ­  Volume  III/  Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19,  mediante  cheques  de  pagamentos nominais a sua esposa Maria Cecília Podboy e/ou a seu pai João Francisco Naves  Ribeiro (cheque n° 10607, fls. 479 confrontada com fls. 438­verso do Livro n° 7.4 supra, e fls.  497/498 ­ Volume III/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19 )  A Fiscalização apurou que o citado contribuinte não possui conta bancária em  nome  próprio,  o  que  explica  os  cheques  nominais  a  seus  familiares,  e  apresenta DIRF  com  patrimônio de R$ 4.000,00 e rendimento exclusivamente pago pelo seu pai Sr. João Francisco  Naves Junqueira, conforme extrato a fl. 189 do PAF 16004.000336/2009­19 (fls. 2122/2136 ­  Volume XI/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19), somando nos seis exercícios de 2002 a  2007 pouco mais de R$ 70 mil.  Em seu interrogatório na Justiça Federal, afirmou que fez retiradas algumas  vezes devido ao prejuízo da empresa, contudo no livro conta corrente apreendido no interior do  Frigorífico Ouroeste em outubro de 2006,   Verificam­se retiradas mensais, no ano de 2005, do contribuinte na empresa  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, cheques 10606, 10607 e 10784.   Conforme documentos às  fls. 1154 a 1155 ­ Volume VI  / Anexo 1 do PAF  16004.000336/2009­19,  Luis  Ronaldo  Costa  Junqueira  recebeu  benefício  no  período  de  Novembro  de  2003  a  Julho  de  2005,  a  título  de  Capitalização,  valores  debitados  no  Banco  Bradesco  ­ Ag. Ouroeste  ­  conta  corrente 10770, da empresa Continental Ouroeste Carnes  e  Frios Ltda.  Em diligência na empresa Viagem.com foi constatado passagem aérea em seu  nome  ­  ida  e  volta  S.J.R.  PRETO  ­  S.  PAULO,  pagas  pela  empresa  SP  Guarulhos,  recibo  "TAM" emissão em 06 de Março de 2006.  Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina Viegas Longo, a declarante afirma "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de  Fl. 527DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     50  Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de  Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci".     No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do  Trabalho de Fernandópolis ­ Proc. 380/2007, consta que:  “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido  de  Ana  Lucia  Junqueira  Franco­proprietária  da  ora  reclamada),  Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­  proprietária  da  ora  reclamada),  Dorvalino  Francisco  de  Souza  (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza­ proprietária  da ora reclamada);   2. Que  foi  contrato  em Maio  de  2004  tendo  trabalhado  até  31  de  Janeiro de 2006';  3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham"  em  Guarulhos,  Ouroeste,  Fronteira,  cuidando  da  parte  de  funcionário  e  andamento  geral;  que  ia  para  todos  os  lugares  que  eles mandassem”.     Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira  recebeu  pro  labore  através  da  empresa  interposta SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, com cheques nominais  a esposa Maria Cecília P. Junqueira e seu pai João Francisco Naves Junqueira, conforme consta  no Livro controle conta corrente item 7.2 , apreendido no Frigorífico Ouroeste Ltda, Ag. Nossa  Caixa  SJRPreto  0540­1,  CC  04­001570­6,  fls.  260  a  353­  Volume  II/  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19, como exemplo as fls. 271 ch. 953, fls. 276 ch. 1305, fls. 287­verso ch.  1822, fls. 294­verso ch. 1827, fls. 301 ch. 2569, fls. 305 ch. 2570 e 2844, fls. 313­verso ch. 2 5  7 1 , fls. 322 chs. 3252 e 3255, fls. 324­verso ch. 3253, fls. 329­verso ch. 3254, fls. 342 chs.  4382  e  4383,  fls.  346  ch.  4385,  onde  aparece  anotado  o  nome  do  contribuinte  constando  a  retirada de Pró­labore.   Idem  para  o  livro  item  7.3  ­  Ag.  Nossa  Caixa  Ouroeste  535­5  conta  04­ 000393­3,  fls.  329 a 370­Volume  II  / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19,  fls.  337,  fls.  339­verso,  fls.  340­verso,  fls.  343,  fls.  344,  fls.  351  e  fls.  357  todas  do  PAF  16004.000336/2009­19,  onde  também  aparece  anotado  o  nome  do  contribuinte  constando  a  retirada de Pró­labore e pagamento de despesa.   Regularmente  intimado  na  pessoa  de  seu  procurador  em  26.03.2008,  não  respondeu a citada intimação.  Não restam dúvidas, portanto, que Luiz Ronaldo Costa Junqueira participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  tornada  inexistente  de  fato,  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  para  comercialização  de  carne  e  produtos  derivados, e a BR Fronteira com relação à mão­de­obra, sem pagamento dos tributos devidos.   As provas dos  autos deixam claro que o Sr. Luiz Ronaldo Costa  Junqueira  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.  Fl. 528DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 504          51    3.1.3.5.  Antonio Martucci  O  contribuinte  Antonio  Martucci  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo o nome e trabalho nas empresas acima, entretanto com uma participação menor da  administração dos negócios.   Em  seu  depoimento  à  Polícia  Federal  de  Jales  admite  que  possuir  participação tanto no Frigorífico Ouroeste Ltda quanto na empresa Continental Ouroeste Ltda,  na razão de 12,5%.   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  não chegaram a R$ 92.000,00 nos seis anos, conforme  ilustrado no quadro a  fl. 195 do PAF  16004.000336/2009­19.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Antonio Martucci que ultrapassam a cifra de R$ 41.000,00 nos anos de 2004 e  2005, conforme exposto na tabela a fls. 195 do PAF 16004.000336/2009­19.  Conforme RMF 2007.283­4 e 284­2, Banco Nossa Caixa e Bradesco, foram  solicitados e remetidos documentos relativos à movimentação bancária, onde se comprova os  valores  vindos  da  conta  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda.  Apesar  de  poucas  transferências,  o Sr. Antonio Martucci  admite que  junto  com o contribuinte  José Roberto de  Souza  adquiria de  150  a  200  cabeças  de  gado  por  semana  e  que os mesmo  eram  abatidos  e  comercializados  pelo  Frigorífico Ouroeste  Ltda,.  (fls.  655  ­ Volume  I V  / Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19).   Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela  Cristina Viegas Longo, a declarante afirma: "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de  Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de  Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci".   Portanto, está demonstrado que o contribuinte Antonio Martucci, participou  efetivamente  e  diretamente  da  fraude,  utilizando  a  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios Ltda, e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados  sem pagamento dos tributos devidos.   As  provas  dos  autos  deixam  claro  que  o  Sr.  Antonio  Martucci  tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.6.  Oswaldo Antonio Arantes  O  contribuinte Oswaldo Antonio Arantes  participou  diretamente  na  fraude,  fornecendo  tanto  capital  quanto  trabalho  nas  empresas  acima.  Era  pessoa  de  confiança  do  Fl. 529DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     52  grupo e exercia efetivamente administração dos negócios, como gerente geral. Sua participação  vai além de um simples empregado, mesmo que no cargo de gerente administrativo.   Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admite ter comprado a parte da  empresa Continental Ouroeste Ltda (99%) pertencente ao Sr. Antonio Martucci em 2003, pelo  mesmo valor da constituição, mas como não conseguiu alterar o quadro social junto ao Fisco  Estadual, foi devolvido pelo mesmo valor investido.   Ressalte­se  que  o  contribuinte,  mesmo  após  seu  desligamento  dos  quadros  sociais  da  empresa  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  continuou  se  apresentando  e  agindo  como  sócio  da  empresa,  chegando  a  firmar  Procuração  "AD  JUDICIA"  para  os  advogados representarem a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, no processo trabalhista  989/2004­8  na Vara  do Trabalho  de  Fernandópolis­SP,  reclamante Élcio Benato,  procuração  com  data  de  28  de  Novembro  de  2004,  portanto  posterior  a  sua  saída  conforme  alteração  contratual em Agosto de 2004 (fls. 84/88 ­ Volume 1/ Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­ 19).   Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas  ultrapassaram a cifra de R$ 167.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 197  do PAF 16004.000336/2009­19.  Analisando,  por  amostragem,  as  contas  bancárias  da  empresa  Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificam­se  transferências de valores para as contas correntes  do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes que ultrapassam a cifra de R$ 425.000,00 nos anos  de 2003 a 2006, conforme exposto na tabela a fls. 197/203 do PAF 16004.000336/2009­19.  Conforme  RMF  n°  2007.282­6  e  284­2,  285­0  e  286­9,  Bancos  Brasil  e  Bradesco, verifica­se os valores recebidos pelo contribuinte em tela são oriundos das contas da  Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda.  Conforme RMF n° 2008­149­1 (Banco Bradesco), fls. 116 a 119 ­ Volume I /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19,  verifica­se  valores  recebidos  pelo  contribuinte  oriundos das contas da SP Guarulhos (de novembro/2005 a março/2006), livro conta corrente  7.1,  7.2  e  7.3,  onde  constam  pagamento  de  salário,  férias  e  13°  salário,  através  de  cheques  nominais, que somam mais de R$ 300 mil, valores considerados como "plus salarial", pois na  folha de pagamento da BR Fronteira, está formalmente registrado como gerente como salário  de R$ 2.800,00.   Na  planilha  a  fls.  675/678  do  Vol.  IV  do  Anexo  II  do  PAF  16004.000336/2009­19  estão  relacionados  os  valores  recebidos  pelo  Sr.  Oswaldo  Antonio  Arantes,  no  período  de  fevereiro/2003  a  outubro/2005,  totalizando  mais  de  R$  400  mil,  informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta  bancária da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda saíram os pagamentos, complementado  por histórico resumida da transferência.  Com base no acima exposto, fica claro que o contribuinte em tela tinha uma  participação  maior  do  que  a  de  um  simples  empregado.  Tinha  poder  de  decisão,  agindo  e  obtendo  vantagens  financeiras  com  sua  conduta  em  benefício  do  Núcleo  Ouroeste  e  em  detrimento a Fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. Oswaldo Antonio Arantes tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  Fl. 530DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 505          53  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    3.1.3.7.  João Francisco Naves Junqueira  O contribuinte  João Francisco Naves  Junqueira  é pai do Srs. Luiz Ronaldo  Costa Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto. Possui conta corrente em conjunto com o Sr.  Luiz Ronaldo Costa Junqueira, conta esta que foi utilizada para pagamento de parte do valor  pago pelo Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002.  Foi  beneficiário  da  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  constando  diversas  transferências  de  valores  para  suas  contas  correntes,  documentos  requisitados  via  RMF  ­  Requisição  de Movimentação  Financeira  nº  148­3  de  2008,  fls.  461  a  466  do  PAF  16004.000336/2009­19,  ao  Banco  ABN  AMRO  REAL  S/A  ­  Ag.  Mirassol  783  ­  conta  97073252, pelos cheques nominais depositados em sua conta pessoal, cuja soma ultrapassa a  cifra de R$ 46 mil, em setembro e outubro de 2005, conforme discriminativo a fl. 205 do PAF  16004.000336/2009­19.  Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira de n° 288  ­ Banco HSBC, n° 289  ­ Banco Santander Brasil  e n° 290  ­ Banco do  Brasil  (fls. 44 a 50 ­ Vol. 1/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19),  restaram confirmados  outros recebimento pelo contribuinte vindos da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, que  somados  ultrapassam R$ 420 mil,  conforme planilha  complementar  dos  valores  recebidos,  a  fls. 697/698 do Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19.   Foi  beneficiário  da  interposta SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes  e  Derivados Ltda, conforme se comprova através dos cheques n. 1822 e 1825 da Nossa Caixa S.  J.  R.  Preto  /  Ag.  540­1  ­  c/c  04.001570­6,  ambos  no  valor  de  R$  5.000,00  e  datados  de  Dezembro de 2005, cheques 2570 e 2844 de Janeiro de 2006, cheque n. 3254 em Fevereiro,  cheques n.  4383 e 4385 em Março de 2006,  às  fls.  493, 499, 528, 610 e 616 Volumes  IV e  V/Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19,  sendo  parte  atribuído  ao  filho  Luis  Ronaldo,  conforme  constam  no  livro  item  7.2,  fls.  260  a  353  ­  Volume  II  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19.   Planilha  a  fls.  2161/2163  do  PAF  16004.000336/2009­19  informa,  igualmente, os valores recebidos por João Francisco Naves Junqueira, mediante transferências  bancarias / TED das empresas do núcleo Ouroeste totalizando em 2006 cerca de R$ 53.500,00.  De  todo o exposto,  resta evidente que o contribuinte participou diretamente  na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta em benefício  do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.   As provas dos autos deixam claro que o Sr. João Francisco Naves Junqueira  tinha  verdadeiro  interesse  jurídico  comum,  com  as  empresas  autuadas,  nas  situações  que  constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  circunstância que  implica  a  solidariedade  tributária pelo  adimplemento das  contribuições ora  lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN.    Fl. 531DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     54  3.1.3.8.  José Ribeiro Junqueira Neto  O contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto adquiriu 50% das instalações do  Frigorífico Ouroeste Ltda e m 2002, através de seu procurador Luiz Ronaldo Costa Junqueira,  Procuração esta outorgada em 30 de Janeiro de 2001, com poderes amplos e ilimitados.  Na  citada  aquisição,  os  cheques  discriminados  são  de  emissão  do  Luiz  Ronaldo da Costa Junqueira de uma conta conjunta com João Francisco Naves Junqueira, pai  de ambos.  Intimado  e  reintimado  para  esclarecer  tal  situação,  respondeu,  em  18.04.2008, que em 2002 outorgou procuração para seu irmão Luiz Ronaldo Costa Junqueira a  fim  de  que  adquirisse  as  instalações  industriais  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  visto  que  o  mesmo teria problema com seu CPF na época (fls. 2234/2243 ­ Volume XII/Anexo 1 do PAF  16004.000336/2009­19).  Contudo  a  procuração  apresentada  pelo  Sr.  Luis  Ronaldo  Costa  Junqueira em 2002, fls. 207 ­ Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19, é datada de  30 Janeiro de 2001, um ano antes da operação de compra das instalações, ocorrida em 2002.   Quanto à assinatura no contrato pelo Luis Ronaldo Costa Junqueira, o mesmo  o fez como procurador do contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto, assumindo este  todos os  encargos decorrentes do negócio jurídico.   Através  das  RMF  ­  Requisição  de  Informação  Sobre  Movimentação  Financeira de n° 288­9 (fls. 46 ­ Volume I/Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19) ­ Banco  HSBC Bank Brasil  S/A verifica­se  o  recebimento  através  da Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda  de  mais  de  R$  106  mil,  conforme  planilhas  valores  recebidos,  fls.  699/700  do  Volume  IV/Anexo 2  do PAF 16004.000336/2009­19,  assim  como  a  origem de  qual  agencia  bancaria vieram os valores creditados ao contribuinte.    No banco Nossa Caixa (RMF nº 147) verifica­se a transferência via TED de  R$  25.000,00  da  conta  corrente  04.001600  ­  ag.  n°  540,  de  titularidade  da  empresa  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  para  a  conta  pessoal  do  Sr.  José  Ribeiro Junqueira Neto ­ ag. 824 ­ conta corrente 646598, conforme exposto a fls. 1081/1082  do PAF 16004.000336/2009­19 .   Com  base  no  acima  exposto,  fica  claro  que  o  contribuinte  participou  diretamente na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta  em benefício do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública.  As provas dos autos deixam claro que o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto tinha  verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem  os  fatos  geradores  da  obrigação  principal  objeto  do  vertente Auto  de  Infração,  circunstância  que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor  do art. 124, I, do CTN.    Conforme  demonstrado,  as  pessoas  ora  abordadas  utilizaram­se  de  meio  fraudulento  para  se  ocultar  aos  olhos  do  Fisco,  simulando  uma  “inexistência”  de  relação  jurídica com as empresas autuadas. Tal “inexistência” de relação jurídica era apenas aparente,  eis que a relação jurídica de fato existente encontrava­se dissimulada pela criação de Pessoas  Jurídicas existentes somente no plano formal, presentes apenas no papel, que tudo aceita.  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 506          55  Ocorre, todavia, que a fraude e a simulação deixam sempre rastros e vestígios  que  as  denunciam.  Produzem  fatos,  atos  e  sintomas  que,  quando  conjugados  aos  fins  pretendidos,  e  as  circunstâncias  do  caso,  revelam o  caráter  fictício  ou  imaginário  de  um  ato  jurídico fraudulento ou simulado.  Em  razão de  tal  acobertamento,  tais defeitos da  vontade declarada  têm que  ser  provados  através  do  conjunto  de  indícios  e  evidências  que  as  operações  realizadas  na  execução de tais esquemas vão deixando pelo seu caminho. Assim, pelos meios admissíveis em  direito,  nomeadamente,  através  de  testemunhas,  documentos,  a  experiência,  os  resultados  alcançados,  etc.,  a  Fiscalização  reúne  os meios  de  prova  relativos  a  esses  fatos,  indícios  ou  circunstâncias,  e  o  Julgador,  apreciando­os  segundo  o  seu  livre  convencimento  e  prudente  critério,  conjugando­os  com  os  fins  pretendidos  pelo  Increpado,  forma  o  seu  juízo  de  convicção.  As  provas  constantes  dos  autos  são  eloquentes,  precisas  e  convergentes.  Eloquentes, porque  revelam, de maneira detalhada,  todo o mecanismo arquitetado pelos  seus  idealizadores  para  a  consecução  dos  fins  pretendidos,  consubstanciados  na  utilização  de  interpostas  pessoas,  constituídas  em  nome  de “laranjas”,  visando  a  encobrir  os  verdadeiros  donos  do  empreendimento  increpado,  em  detrimento  da  arrecadação  tributária;  Precisas,  porque delas avulta, de maneira inequívoca, a participação intensiva e essencial dessas pessoas  na condução dos negócios das empresas interpostas, na condução das operações representativas  de  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  e  na  direção  das  empresas  interpostas,  como  seus  verdadeiros  donos  e  controladores,  acobertados  por  “laranjas”,  bem  como  o  recebimento  dos  benefícios  decorrentes  do  empreendimento  pesquisado.  E  são  convergentes  porque todas as provas documentais, depoimentos, indícios e rastros conduzem a essa mesma  ilação.  Em resumo,  restou demonstrado que a Continental Ouroeste Carnes e Frios  Ltda  e  a  SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  são  empresas  interpostas,  existentes  tão  somente no papel,  e pertencem DE FATO ao Frigorífico Ouroeste  Ltda,  tendo  como  proprietários  Edson Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira,  José Ribeiro  Junqueira  Neto, Oswaldo Antonio Arantes  e  João Francisco Naves  Junqueira,  não obstante o  fato de  a  referida empresa ter sido aberta em nome de terceiras pessoas (interpostas/laranjas).   Também a empresa Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  foi utilizada no esquema fraudulento para intermediar a contratação irregular da mão de obra  empregada na atividade fim do Frigorífico Ouroeste Ltda.  Restou  cabalmente  demonstrado,  igualmente,  que  os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo  Costa  Junqueira,  José  Ribeiro  Junqueira  Neto,  Oswaldo  Antonio  Arantes  e  João  Francisco  Naves  Junqueira  foram  os  principais  beneficiários  das  fraudes  perpetradas  pela  fiscalizada,  fraude essa que tinha por objetivo a transferência de responsabilidade tributária para terceiros  que  não  tinham  relação  pessoal  e  direta  com  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  sendo  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  os  seus  reais  proprietários  os  verdadeiros  beneficiários econômicos da atividade empresarial empreendida pelo grupo,  já que o produto  da sonegação de tributos foi utilizado por eles para a aquisição de patrimônio, bem como para  pagamento de despesas pessoais.     Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     56  Do exame da documentação coligida aos autos pela  fiscalização, ante  todos  os elementos de prova então presentes, avulta existir entre as empresas autuadas, as interpostas  empresas  e  as  demais  pessoas  arroladas  pela  Fiscalização  –  Os  Srs.  Edson  Garcia  de  Lima,  Dorvalino  Francisco  de  Souza,  José  Roberto  de  Souza,  Antonio  Martucci,  Luiz  Ronaldo  Costa  Junqueira, José Ribeiro Junqueira Neto, Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco Naves Junqueira ­  não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico ostensivo,  haja  vista  que  todas  as  pessoas  físicas  e  jurídicas  arroladas  pela  fiscalização  envidaram  esforços  significativos na atividade empresarial  comum do grupo e na realização da situação  jurídica que  constitui  o  fato  gerador da obrigação principal objeto deste  lançamento,  e deles  auferiram benefícios econômicos de diversas espécies, de onde se extrai a solidariedade entre  eles por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN.  Nessas  circunstâncias,  são  solidárias  as  pessoas  que  realizaram  conjuntamente  a  situação  que  constitui  o  fato  gerador,  ou  as  que,  em  comum  com  outras  pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a  teor do inciso I do art. 124 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    Não procede, portanto, a alegação de que a autoridade  lançadora  imputou a  responsabilidade solidária com o exclusivo fundamento de que os Responsáveis Solidários em  apreço  tinham  procuração  lhes  outorgando  poderes  de  gestão  e  administração  das  empresas  Autuadas.  Restou  demonstrado  que  os  devedores  solidários  tinham  verdadeiros  interesses  jurídicos  comuns  na  situação  constitutiva  do  fato  gerador  das  Contribuições  Previdenciárias ora lançadas.   Não  procede  também  a  alegação  de  que  a  responsabilidade  solidaria  em  apreço só poderia ocorrer ante a verificação da insuficiência do patrimônio da pessoa jurídica e  mediante prévio procedimento judicial de cognição com decisão transitada em julgado.  Conforme  assinalado,  a  Responsabilidade  Solidária  consignada  no  presente  lançamento tem por fundamento jurídico de validade o preceito inscrito no inciso I do art. 124  do  CTN.  Nessa  prumada,  nos  termos  do  Parágrafo  Único  do  citado  dispositivo  legal,  tal  solidariedade tributária não comporta benefício de ordem, podendo o tributo devido ser exigido  de um, de alguns ou de todos os devedores solidários em conjunto.  Código Tributário Nacional   Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 507          57  Registre­se  que  a  eleição  do  Sujeito  Passivo  a  figurar  no  polo  devedor  da  relação jurídico­tributária é prerrogativa privativa da Autoridade Administrativa Fiscal, a teor  do art. 142 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido  o  procedimento  administrativo  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.    Conforme  expressamente  consignado  no  art.  121,  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  considera­se  Contribuinte  a  pessoa  obrigada  ao  pagamento  do  tributo  que  tenha  relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da exação.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.    No  caso  presente,  a  pletora  documental  presente  nos  autos  demonstra  que  quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo  ora lançado não eram as empresas “noteiras”, notadamente a Distribuidora de Carnes e Derivados  São Paulo Ltda, mas, sim, os clientes dessa empresa “noteira”, in casu, o Frigorífico Ouroeste Ltda e  os seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar  do recolhimento de tributos.  Da mesma  forma,  as  provas  aviadas  nos  autos  revelam  que  quem  detinha  a  relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora lançado não  eram as  interpostas empresas constituídas em nome de “laranjas”, existentes  tão somente no  papel, notadamente a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, mas, sim, as  pessoas  que  administravam,  dirigiam  e  controlavam  todas  as  operações  dessas  empresas,  in  casu,  o  Frigorífico Ouroeste Ltda e seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima  descrito para se esquivar do recolhimento de tributos.    Revela­se  improcedente,  igualmente,  a  alegação  de  que  “Ainda  que  as  Pessoas Físicas arroladas como devedoras  solidárias  fossem sócias das  empresas autuadas,  não seria o caso da pretendida responsabilização, pois ausentes os requisitos indispensáveis a  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     58  tanto,  sendo  a  mesma  de  natureza  subsidiária  (artigos  134  e  135  do  CTN)  e  quanto  à  responsabilidade pessoal,  limita­se aos  atos  praticados  comprovadamente  pelos  sócios,  com  excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos”.   Conforme  exaustivamente  demonstrado,  a  responsabilidade  dos  devedores  solidários  no  caso  em  apreço  não  se  fundamenta  em  suposta  responsabilidade  pessoal  dos  diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado por atos praticados  com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos assentados  nos artigos 134 e 135 do CTN, mas,  sim, pelo  interesse  comum na situação constitutiva dos  fatos geradores das Contribuições Previdenciárias ora lançadas, consoante inciso I do art. 124  do CTN.  Não  se  trata,  pois,  de hipótese de  responsabilidade subsidiária,  como assim  quer  fazer  crer  o  Recorrente,  mas,  sim,  de  Responsabilidade  Solidária,  a  qual  não  admite  qualquer benefício de ordem.    3.1.4.  DAS RECEITAS DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA   Do Relatório Eletrônico da Polícia Federal extrai­se que a Distribuidora São  Paulo  é  a principal  empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para  emissão de notas  fiscais  "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros ­  frigoríficos  e  "taxistas"  ­  que  desejam  ocultar  estas  operações  do  fisco  para  não  despertar  suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento.   Valder Antônio Alves (Macaúba) é o "cabeça" do esquema e o proprietário  de fato e de direito da Distribuidora São Paulo, com 99% de participação no quadro societário,  tendo amplo poder de decisão na empresa, contando com Maria dos Anjos de Medeiros como  seu braço­direito.   A  folha  de  antecedentes  criminais  de  Valder  Antônio  Alves  é  extensa:  foi  indiciado  em  oito  inquéritos  policiais  e  denunciado  em  dezesseis  processos  criminais,  respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de fogo, crime contra a  saúde pública, perigo para a vida ou saúde de outrem, além de cinco processos por sonegação  fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde pública e três vezes por crimes contra a  ordem tributária.   Luzia de Jesus Gonçalves: "Laranja" com participação mínima de apenas R$  10,00 na empresa, que permaneceu apenas cerca de um mês no quadro societário. Sua função  era apenas emprestar seu nome para que não fosse necessário registrar a empresa como firma  individual.   Cláudia  Regina  Barra  Moreno:  "Laranja"  que  substituiu  Luzia  de  Jesus  Gonçalves  na  Distribuidora  São  Paulo,  de  modo  que  permanecesse  viável  o  registro  da  distribuidora como uma sociedade limitada e não como uma firma individual. Cláudia chegou a  ter apenas R$ 1,00 de participação, mas o valor foi alterado para os atuais R$ 500,00. No curso  das  investigações  uma  funcionária  da  distribuidora  chegou  a  telefonar  para Cláudia  dizendo  que se seu nome permanecesse inscrito nos serviços de proteção de crédito, Valder iria retirá­la  da sociedade, colocando Vinícius dos Santos Vulpini em seu lugar.   Maria  dos  Anjos  de  Medeiros  (Nina),  "Gerente"  do  esquema,  é  o  braço­ direito  de  Valder  Antônio  Alves  na  Distribuidora  São  Paulo,  gozando  de  ascendência  em  relação aos demais funcionários. Flagrada em vários diálogos negociando notas fiscais "frias" e  Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 508          59  notas  fiscais  em  branco  da  distribuidora  para  vários  clientes  da  empresa.  Cuida  da  movimentação de valores da organização em contas bancárias de "laranjas".   Ana  Cláudia  Valente  Fioravante  é  "gerente"  da  organização  criminosa,  embora  subordinada  a  Maria  dos  Anjos  de Medeiros.  Flagrada  em  vários  diálogos  em  que  vende notas fiscais "frias" a clientes da Distribuidora São Paulo.   Monique de Medeiros Venda: Também atua como "gerente", ocupando uma  posição  subalterna  em  relação  a  Maria  dos  Anjos  de  Medeiros  e  a  Ana  Cláudia  Valente  Fioravante. Na verdade executa tarefas de execução e não de gerenciamento propriamente dito,  pois  comanda  os  negócios,  apenas  anota  pedidos  de  notas  fiscais  "frias"  dos  clientes  do  esquema.   Em  seu  depoimento  a  Polícia  Federal  de  Jales,  a  Ana  Claudia  Valente  Fioravante diz:   "... QUE perguntada qual é a atividade da distribuidora São Paulo  informou ser tirar nota'; QUE perguntada se esta atividade é licita  informou  que  achava  que  sim; QUE  perguntada  porque  achava  e  não  acha  mais,  respondeu  que  no  sábado  da  semana  passada  a  gerente  da  distribuidora,  NINA,  determinou  que  a  interroganda  levasse  para  sua  casa  as  notas  fiscais  em  branco  que  costumeiramente são preenchidas a posteriori por determinação de  VALDER;  QUE  perguntada  a  razão  pela  qual  deveria  levar  tais  documentos para sua residência informou ao que sabe seu patrão,  VALDER  obteve  informação  de  que  haveria  uma  fiscalização  na  distribuidora.."     Em suas declarações dadas na Delegacia da Receita Federal  do Brasil  ,  em  05.02.2007, a Ana Claudia Valente Fioravante disse ainda:   "...Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa,  foi  apresentada  uma  relação  à  declarante,  extraída  dos  arquivos  magnéticos  apreendidos  na  Distribuidora  São  Paulo,  na  qual  constam  os  códigos  dos  "clientes"  (compradores  de  notas)  da  Distribuidora São Paulo e dos frigoríficos onde eram realizados os  abates.  A  declarante  afirma,  categoricamente,  que  a  listagem  corresponde com a situação de fato, ou seja, os códigos constantes  da lista apresentada são os mesmos que ela utilizava na confecção  das notas fiscais na Distribuidora São Paulo, (grifo nosso)..."     Em outro trecho afirma:   "....Com  relação  ao  Código  36  (Dorvalino),  o  cliente  era  o  Frigorífico Ouroeste, de propriedade do Sr. Dorvalino. Neste caso,  a  declarante  afirma  que  confeccionava  todas  as  notas  fiscais  (entrada, saídas e remessa para abate) na Distribuidora São Paulo.  Recebia as informações do Frigorífico Ouroeste por fax....."     Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     60  Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  COMPRAS  de  R$  7.358.757,00  no  Ano  Calendário  de  2003  e  R$  22.056.508,02  no  Ano  Calendário de 2004, de R$ 25.373.884,00 no ano calendário de 2005, e de R$ 3.893.255,00 em  2006.   Foram  localizadas  grandes  quantidades  de  Notas  Fiscais,  com  valores  de  VENDAS  de  R$  10.224.336,85  no  Ano  Calendário  de  2003,  de  R$  21.607.292,85  no  Ano  Calendário de 2004, continuando essas vendas até Março de 2006.   Após  isso,  foram  intimados  alguns  clientes  e  fornecedores,  no  sentido  de  confirmar de quem realmente eles tinham comprado ou vendido produtos, e quem era a pessoa  de contato.   No  tocante  aos  fornecedores  (pecuaristas),  a  maioria  indica  como  compradores os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, sendo que alguns,  ainda,  indicaram  o  Sr. Antonio Martucci  e  o  Sr.  José Roberto  de Souza  (fls.  1310  a  1488  ­  Volumes VII e VIII/ Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19).  Quanto  aos  clientes,  as  pessoas  responsáveis,  apontadas,  são  os  Srs.  Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa  Junqueira e  José  Roberto  de  Souza  (fls.  1489  a  1543  ­  Volumes  VII  e  VIII/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­19).   Os  próprios  envolvidos,  Dorvalino  Francisco  de  Souza  e  Edson  Garcia  de  Lima, admitiram que compravam notas da Distribuidora São Paulo, sendo que um dos trechos  do seu depoimento à Polícia Federal de Jales, o Sr. Edson, admite (fls. 647 ­ Volume IV/Anexo  1 do PAF 16004.000336/2009­19):   "...eu comprava notas do Macaúba (Valder Antonio Alves), porque  do Oiapoque ao Chuí todos compravam notas dele..."     No Termo de Interrogatório no Juízo Federal da 3ª Vara de São José do Rio  Preto,  as  perguntas  formuladas  pelo  MM.  Juiz  ao  Sr.  EDSON  GARCIA  DE  LIMA,  ele  respondeu (fls. 652 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19):   "que eu me recorde, o frigorífico Ouroeste passou a abater carnes  para a SP Guarulhos o  início de 2005; usando nota da São Paulo  Distribuidora  foi  depois  em  2006,  para  levar  carne  para  Guarulhos”.     A Fiscalização apurou,  todavia, que, em 2005 era a Continental Ouroeste  e  não o Frigorífico Ouroeste que abatia gado para a SP Guarulhos. Ou seja, o próprio dono se  confunde quando fala das suas empresas, pois conforme Boletim de Abate n° 001/2006, datado  de 03 de Março de 2006 (assinado pelo sócio Luis Ronaldo como procurador), partir de então o  Frigorífico Ouroeste começou abater; com a SP Guarulhos usando as notas frias da São Paulo  Distribuidora a partir do ano de 2006.   O Sr. Antonio Martucci, em seu depoimento à Polícia Federal de Jales afirma  (fls. 655 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19):   "...  O  interrogado  e  José  Roberto  de  Souza  tinham  como  função  comprar o gado em pé, o qual era trazido até o frigorífico situado  Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 509          61  em Ouroeste­SP. O produtor rural era orientado a fazer a nota de  venda  em  nome  da  empresa  de  Macaúba  denominada  Norte  Riopretense e Distribuidora São Paulo, porém como local de abate  Frigorífico  Ouroeste.  Em  seguida,  a  carne  era  vendida  para  o  comércio  da  região com nota  fiscal da Distribuidora  São Paulo  e  Norte Riopretense. Quem ligava pedindo as notas a Macaúba era a  secretária  da  empresa  Gislaine.  A  Ouroeste  informava  Macaúba  acerca do comprador final, para fins de que este fizesse a respectiva  nota fiscal de venda em nome do mesmo..."    Quando  questionado  acerca  da  frequência  de  compra  de  notas  venda  disse  (fls. 655 ­ Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009­19):   ..."Toda  a  produção  seguia  este  procedimento,  sendo  que  o  interrogado  negociava  uma média  de  150  a  200  cabeças  de  gado  por  semana. Questionado acerca do abate  feito pelo outros sócios  se utilizando do esquema, afirma que Dorvalino e Edson Garcia de  Lima  faziam vendas mais especificamente para o comércio de São  José do Rio Preto, Guarulhos, Catanduva e Ourinhos. Eles abatiam  muito mais cabeça que o  interrogado com José Roberto de Souza,  pois abatiam uma média de 450 cabeças de gado por semana..."     Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal de Jales, o Sr. Luiz Ronaldo  Costa  Junqueira Declarou  (fls.  670/671  ­ Volume  IV/Anexo  1  do  PAF  16004.000336/2009­ 19):   "...  logo  que  ficou  sabendo  dos  fatos  em  apuração  procurou  por  Edson, vulgo "EDÂO", sendo que Dorvalino estava preso, e EDÃO  lhe  informou que  realmente,  as  vezes,  compraram notas  fiscais da  empresa  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO, empresa esta de propriedade da pessoa vulgo "Macaúba",  agora  sabendo  chamar  Valder  Antonio  Alves;  Que  o  declarante  nunca  teve  qualquer  negócio  com  "Macaúba";  Que,  esclarece  o  declarante que questionou "EDÃO" porque comprara notas  fiscais  da  empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES  E  DERIVADOS  SÃO  PAULO,  quando  lhe  informou  que  "tudo mundo  faz  isso"  na  falta  notas fiscais..."     Com base no acima exposto,  fica evidenciado que o frigorífico Ouroeste se  beneficiou  do  esquema  fraudulento  estruturado,  com  objetivo  de  comprar  e  vender  produtos  sem pagamento de tributos, em prejuízo da Fazenda Nacional.   Merece ser destacado que no dia 15/05/2008 foi publicado no Diário Oficial  da  União,  em  sua  Seção  1,  n°  92,  página  58,  o  Ato  Declaratório  Executivo  n°  53,  de  15/05/2008, em que o Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto declara  INAPTA a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica "Distribuidora de Carnes e Derivados S ã o  Paulo Ltda.", CNPJ n° 68.195.072/0001­75, com efeitos que valem a partir de 01/01/1999, o  que  torna  INIDÔNEOS  os  documentos  emitidos  pela  empresa  desde  então.  (fls.  04  e  05  ­  Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19).   Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     62  Também  houve  o  cancelamento  da  Inscrição  Estadual  do  contribuinte  no  Estado conforme processo nº 1000326­358725/2007, publicado no D.O.E ­ Diário Oficial do  Estado, de 20/10/2007 (fls. 118 a 211 ­ Vols. I e II / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19),  onde  o  Fisco  Estadual  faz  um  Relatório  minucioso  de  toda  fraude  realizada  e  as  pessoas  participante do esquema.     A  partir  dos  documentos  apreendidos  no  interior  do  Frigorífico  Ouroeste  Ltda, pela Policia Federal de Jales – SP foi possível comprovar como operava o esquema de  compras  de  notas  frias  pelo  núcleo Ouroeste,  na  época  como Continental Ouroeste,  onde  se  pagava a TAXA de R$ 4,00 reais por cabeça de bovino abatido e faturado pela Noteira, mais  um valor fixo de R$ 3.000,00 pelo custo operacional, a seguir demonstrado:   ·  Cotejando  as  Notas  Fiscais  de  Saída  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados São Paulo Ltda emitidas, vinculadas ao cliente CÓDIGO 36  ­  Dorvalino,  em  Setembro  e  Outubro  de  2005  (fls.  63  a  104  Volume  I  /  Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19);   ·  Com a Relação de notas de saída Rem. p/ Abate – Vend. 36 (fls. 59 a 62 ­  Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19);   ·  Com o controle em nome do Dorvalino ( fls. 54/57 ­ Volume I / Anexo 5  do PAF 16004.000336/2009­19),  comprova­se  como operava  o  esquema  de  compras  de  notas,  dos meses  Setembro  e Outubro  de  2005  (fls.  58  ­  Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19), a seguir:     Controle Setembro de 2005:   Foram abatidos 4730 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante  de R$ 18.920,00 que, somado à taxa de operação de R$ 3.000, 00 e a um crédito de R$ 330,00  decorrente de agosto/2005, dá um  total de R$ 22.250,00, conforme memoria de  cálculo a  fl.  235.  Do  total  apurado  no  mês  de  Setembro  foi  pago  com  o  cheque  do  Banco  Nossa  Caixa  nº  000068  ao  vulgo  "MACAUBA"/  Valder  Antonio  Alves,  dono  da  noteira  Distribuidora  São  Paulo,  cheque  da  ag.  434  ­  1  ­ Bálsamo  c/c  04.000.460­2  da  empresa  SP  Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00, pré­datado para 13 de Novembro de 2005, restando saldo  de R$ 7.250,00 para Outubro 2005 (fls. 58 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­ 19).  O  Referido  cheque  foi  solicitado  ao  banco  via  RMF  ­  Requisição  de  Movimentação  Financeira nº 2008­0243­9, fls. 27 a 39 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19)  onde  se  constata  que  foi  emitido  nominal  a  Leonardo  Joaquim  Derau  Alves,  irmão  do  MACAUBA (fls. 42/43 ­ Volume I/Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19).     Controle de Outubro 2005:   Foram abatidos 4170 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante  de  R$  16.752,00  que,  somado  à  taxa  de  operação  de  R$  3.000,  00  e  a  um  crédito  de  R$  7.250,00  decorrente  de  setembro/2005,  dá  um  total  de R$  27.002,00,  conforme memoria  de  cálculo a fl. 235 do PAF 16004.000336/2009­19.  Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 510          63  Foi pago com o cheque n. 000069 nominal a Distribuidora S. Paulo, cheque  da ag. 434­1 ­ Balsano c/c 04.000.460­2 da empresa SP Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00,  pré­datado  para  13  de  Dezembro  (fls.  40  /  41  ­  Volume  I  /  Anexo  5  do  PAF  16004.000336/2009­19).     O 'código 36' vinculado nas notas, conforme declaração firmada na Delegacia  da Receita Federal do Brasil por Ana Claudia Valente Fioravante ­ funcionária da Distribuidora  S. Paulo, "trata­se do Cliente Frigorífico Ouroeste ­ Dorvalino" (rodapé das Notas Fiscais a fls.  07/26 e 63/104 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19).   Nas  circularizações  complementares  realizadas  nos  Produtores  Rurais,  confirma­se  o  vínculo  ao  "Código  36  ­  Dorvalino  /cliente  Frigorífico  Ouroeste",  conforme  respostas dos produtores e pelas cópias solicitadas e remetidas por diversos pecuaristas (fls. 31,  33, 38, 42, 44, 46, 59, 61, 64, 68, 75, 89, 91, 93, 95, 109, 112, 114, 117, 123, 125 e outras ­  Volume I / Anexo 7 do PAF 16004.000336/2009­19).   As  vendas  realizadas  eram  com  notas  frias  da  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  São  Paulo  Ltda,  figurando  como  cliente  a  Continental  Ouroeste  (NF  32058)  e  demais  notas  a  SP  Guarulhos,  esta,  sucessora  na  fraude  em  continuação  a  Continental  Ouroeste, conforme controle a fls. 59/62 ­ Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009­19,  o  que  mais  uma  vez  comprova  a  interposição  dessas  empresas  com  o  real  beneficiário  Frigorífico Ouroeste Ltda.     Conforme cópias das notas  fiscais a  fls. 1281/1288­ Volume VII  / Anexo 3  do PAF 16004.000336/2009­19, em nome da Distribuidora São Paulo ­ CFOP 5101 ­ vendas,  destinadas a SP Guarulhos, verifica­se no centro da parte de baixo das notas a vinculação para  o Código "36 ­ Dorvalino" e a esquerda SPGUAR, relativas ao ano de 2006, com Certificado  Sanitário  assinado  pelo  médico  veterinário  Cledson  L.F.  Rezende,  com  registro  formal  na  interposta empresa BR Fronteira.   Com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Distribuidora de Carnes e  Derivados São Paulo Ltda, notas vinculadas ao cliente "36", e somente CFOP­ Código Fiscal  de Operações e Prestações de compra, a Fiscalização apurou os valores devidos, conforme RL  Relatório de Lançamentos ­ levantamento PR1 e PR5.  A Fiscalização constatou que todas as empresas da Operação Grandes Lagos  que  utilizavam  notas  fiscais  de  terceiras  empresas,  o  local  de  abate  era  um  dos  "códigos"  usados para identificar os frigoríficos usuários de tal documento.   O  esboço  a  fls.  133  ­  Volume  l/Anexo  5  do  PAF  16004.000336/2009­19  delineia  o modus  operandi  do  esquema  fraudulento,  revelando,  com  clareza,  que  a  empresa  “noteira”  apenas  emite  as  notas  fiscais  da  transação, mas  o  gado,  a  carne  e  o  dinheiro  são  movimentados pelo frigorífico que usa dos seus "serviços". Os clientes dos "noteiros" pagam  pelas notas  fiscais "frias" emitidas a ordem de quatro reais por cabeça de gado bovino e  três  reais por cabeça de gado suíno.   Fl. 541DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     64  As  interceptações  telefônicas  comprovam  que,  aos  clientes  mais  fiéis,  que  tem movimento maior  e  gozam  de maior  confiança  de Valder Antônio  Alves,  são  enviadas  caixas  de  formulários  contínuos  com  notas  fiscais  em  branco  de  suas  empresas,  que  são  preenchidas nas dependências das  empresas que  as  adquirem,  as quais  acertam o pagamento  pelos "serviços" de Valder posteriormente, dependendo do volume de gado negociado.   Para evitar a prisão dos  sócios por  sonegação  fiscal,  as  empresas do Grupo  dos  Noteiros  não  deixam  de  declarar  ao  fisco  os  tributos  incidentes  sobre  suas  operações  simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual ação do fisco ou da  Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens em seu nome.   Na verdade, este era o desejo de todos os envolvidos neste esquema,  isto é,  que os lançamentos tributários ocorressem todos contra a Distribuidora de Carnes e Derivados  São Paulo Ltda, pois esse foi o objetivo principal da sua criação, qual seja, o de suportar o ônus  advindo das operações fiscais de seus clientes.   Todavia,  graças  ao  trabalho  de  inteligência  da Policia Federal  e  ao  suporte  legal  da  Justiça  Federal,  que  possibilitou  a  busca  e  apreensão  de  documentos,  bem  como  a  quebra de sigilo bancário, e consequentemente gerou a deflagração de operações no âmbito dos  órgãos  fiscalizadores,  tanto  federal  como  estadual,  tornou­se  possível  estabelecer  a  cada  um  dos sonegadores a sua real participação no esquema, de forma a permitir alcançar os valores­ base relativos à aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, e consequentemente as  respectivas contribuições devidas à Seguridade Social.     3.1.5.  DAS  RECEITAS  DA  SP  GUARULHOS  DISTRIBUIDORA  DE  CARNES  E  DERIVADOS LTDA   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS,  transmitidas  pela  empresa  ao  Fisco  Estadual,  CFOP  ­  Código  Fiscal  de  Operações  e  Prestações de Saída­vendas (fls. 26/45­Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19) a  Fiscalização  apurou  receitas  no  ano  calendário  de  2005  no  valor R$  18.300.000,00  e  de R$  11.615.000,00  em  2006,  também  declaradas  nas  DIPJ  2005  e  2006  (fls.  67/72­Volume  I  /  Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19).   Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS ­  GIAS,  transmitidas  pela  empresa  ao  Fisco  Estadual,  CFOP  de  compra,  consta  no  ano  calendário de 2005 o valor R$ 17.023.000,00, e de R$ 11.170.000,00 em 2006 (fls. 46 a 66­ Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/2009­19).    3.1.6.   DA COMÉRCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR FRONTEIRA LTDA   A Fiscalização que a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda  se  tratava de empresa interposta, constituída para  fornecer somente mão­de­obra às empresas  do grupo Ouroeste, com o intuito de criar uma barreira entre os trabalhadores e os Frigoríficos  para fugir das obrigações trabalhistas e fiscais (fls. 01 a 328­Volumes I e II / Anexo 4 do PAF  16004.000336/2009­19).   Tal  empresa  funcionava,  anteriormente,  com  razão  social  de:  Comércio  de  Carnes e Derivados Rodrigues Bastos Ltda.  Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 511          65  A  Fiscalização  promoveu  Diligências  Fiscais  na  Rua  C  ­  Treze  nº  460  ­  Bairro Cristiano de Carvalho  ­  endereço original da empresa Com. Carnes Rodrigues Bastos  Ltda,  encontrando  funcionando  no  local  um  açougue,  contudo,  sem  relação  com  a  referida  empresa.   Efetuou­se  também  diligência  no  endereço  da  sócia  Sra.  Aparecida  Gonçalves Bastos Rodrigues ­ Av. L 9 n° 493 ­ Fundos ­ Bairro Los Angeles, porém não existe  a referida numeração, sendo o n° 379 o último numero da rua; vizinhos desconhecem a suposta  sócia.  Dentre os documentos apreendidos na Norte Riopretense Distribuidora Ltda  (outra empresa que vende notas frias) constam extratos de pagamentos ­ cópias de cheque para  Maria Aparecida, a título de Honorários e Pró­labore, sendo procurador da conta bancária o Sr.  Alberto  Pedro  da  Silva  Filho  ­  vulgo  "Beto  Beleza",  dono/controlador  da  filial  em  Sud  Menucci  da  Norte  Riopretense,  frigorífico  onde  abatia  gados,  de  onde  avulta  uma  intensa  interligação  entre  os  grupos  que  se  beneficiavam  do  esquema  fraudulento,  eis  que  ambos  usaram a BR Fronteira para fraudar o Fisco.  Explica­se  o  referido  pagamento  de  honorários,  pois  no  período  setembro/2004  a  março/2005,  todos  os  empregados  da  Rodrigues  e  Bastos  (BR  Fronteira)  estavam trabalhando, com exclusividade, para o tomador Norte Riopretense Distribuidora Ltda  ­ frigorífico Sud Menucci ­ S P  , conforme GFIP e Notas Fiscais de Prestação de Serviço n°  113 a 119 (fls. 139 a 146 ­ Volume I / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19), que apesar de  constar destaque de retenção de 11 % , não houve o recolhimento respectivo.  Apurou­se,  também,  o  pagamento  de  aluguel  de  sala  em  Barretos  correspondente ao endereço da Rodrigues e Bastos  (fls. 155 a 160  ­ Volume  I  / Anexo 4 do  PAF 16004.000336/2009­19).   Conclui­se que os valores declarados por Maria Aparecida como recebidos de  Pessoa Física, em sua declaração de Imposto de Renda, se referem a esses valores das cópias  de cheques citados acima, pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" ­ BR Fronteira.  Consta no relatório da Policia Federal que Alberto Pedro da Silva Filho (Beto  Beleza):  “E o  dono da  filial Norte Riopretense na  cidade  de Sud Menucci,  que  opera  de  fato,  sendo,  portanto,  o  "cabeça"  no  esquema.  Foi  indiciado  em  três  inquéritos  e  denunciado  em  quatro  processos  criminais. Respondeu por estelionato e perigo para a vida ou saúde  de outrem”    No depoimento de Maria Aparecida na Vara do Trabalho de Fernandópolis,  ela confirma que a empresa Br Fronteira, da qual é sócia, funciona unicamente como interposta  ­  'empresa de aluguel'  ­,  para  esconder os verdadeiros  empregadores,  com  intuito de  fraudar  direitos trabalhistas e sonegar impostos.   Conclui­se  que  a  sócia  não  possui  condições  financeiras  para  gerir  uma  empresa. É pessoa interposta do Grupo Ouroeste com relação ao período de Novembro de 2005  a Dezembro de 2006.   Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     66  Aparecida  Gonçalves  Bastos  Rodrigues  é  irmã  da  outra  sócia  Roseli  Gonçalves Bastos.  Diligência  realizada  na  Rua  14  nº  4120  ­  Bairro  Ibirapuera,  endereço  constante dos  dados  da Declaração  do DIRPF  exercício  de  2008 da outra  sócia  da  empresa,  Sra. Roseli Gonçalves Bastos, revelou que, no local, reside sua mãe, que nos informou que a  Roseli  reside  atualmente  na  Rua  12  nº  4041  ­  Fundos  no  mesmo  bairro,  e  trabalha  de  empregada  doméstica  para  Juliana  ­  Fone  17  ­  3325­1428  em Barretos. O Bairro  Ibirapuera  trata­se de um bairro popular, com casas bastante modestas.  No  citado  local  não  foi  encontrada  a  Sra.  Roseli,  porém  vizinhos  confirmaram que ela trabalha ali como empregada doméstica.   A  sócia  Roseli  apresentou  declaração  do  imposto  de  renda  de  2008  com  receita de R$ 6.970,00 recebidos de Pessoa Física. A sócia Aparecida apresentou declaração do  imposto de renda de 2008 com receita de R$ 4.470,00 recebidos de Pessoa Física.   Não foi localizada qualquer remuneração a título de pro labore declarada em  GFIP  vinculada  a  empresa  BR  Fronteira,  desde  sua  constituição.  Seus  vínculos  no  sistema  CNIS são sempre como empregada, sendo o último em uma empresa em Barretos com rescisão  em 24/03/2004, com salário em torno de R$ 500,00.  Assim  como  Aparecida,  sua  irmã  e  sócia,  deduz­se  que  os  rendimentos  declarados como recebidos de Pessoa Física no Imposto de Renda, se referem a remuneração  pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" ­ BR Fronteira.  Conclui­se  que  as  sócias  não  possuem  condições  financeiras  para  gerirem  uma  empresa,  sendo  pessoas  interpostas/colaboradoras  do  Grupo  Ouroeste  com  relação  ao  período de Novembro de 2005 a Dezembro de 2006.     Diligência  Fiscal  realizada  na  Av.  Minas  Gerais  50  ­  A,  cidade  de  Fronteira/MG ­ local atual do domicilio fiscal da BR Fronteira, revelou que no local funciona  um Posto de Gasolina do Sr. Reinaldo Gonçalves Chaves.  De acordo com o relato da filha do Sr. Reinaldo, uma das salas no local foi  alugada para uma pessoa que  se apresentou como proprietário da empresa Br Fronteira  (não  sabe  o  nome),  sem  contrato  de  locação,  tendo  sido  depositado  o  valor  combinado  na  conta  corrente do Sr. Reinaldo durante aproximadamente três meses, e que no local nunca funcionou  a suposta empresa, sendo que essa pessoa nunca mais apareceu no local. Ela informou que foi o  contador  Sr.  Osvaldo  ­  escritório  contábil  Contexp,  quem  apresentou  no  posto  a  referida  pessoa.   No endereço do escritório contábil CONTEXP situado na Avenida da Matriz  n.  103  ­ Fronteira – MG,  a Fiscalização  foi  atendida pelo Sr. Osvaldo que  informou que  foi  procurado por uma pessoa chamada "Júnior", com intenção de transferir uma empresa para a  cidade, e o contratou para efetuar o registro na Junta Comercial de Minas Gerais e Prefeitura  local.  Apresentou  uma  pasta  contendo  alguns  documentos  da  referida  empresa  e  que  essa  pessoa nunca mais retornou ao escritório.  Dentre tais documentos consta:   a)  3ª  alteração  do  contrato  social  da  empresa  Com.  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda  (fls.  105/106  ­ Anexo  4  do  PAF  16004.000336/2009­19),  onde  se  verifica  que  em  22/11/2005,  a  BR  Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 512          67  Fronteira alterou seu endereço para Fronteira­ MG à Av. Minas Gerais  nº 50 ­ A e razão social para Comércio de Carnes e Representação BR  de  Fronteira,  com  CNAE:  10.11/01  ­  Frigorífico  ­  abate  de  bovinos,  local onde funciona um Posto de Gasolina.   A  Fiscalização  apurou  que  na  mesma  data  (novembro/2005)  todos  os  vínculos  dos  empregados  da  Continental  Ouroeste  foram  transferidos  para a BR Fronteira. Portanto a alteração não foi mera coincidência. No  depoimento na Vara do Trabalho de Fernandópolis, como testemunha do  reclamante Sebastião G. Junior, a sócia Maria Aparecida declarou que a  mudança  do  endereço  para  Minas  Gerais  foi  a  pedido  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda.   b)  Cópias autenticadas de documentos pessoais das sócias;   c)  Bilhete onde consta  a pessoa de  contato que  alugou a  sala da empresa  em  Fronteira:  Sebastião  Gandolfi  Jr  ­  RG:  12.515.046  ­  CPF:  040.310.978­75 e endereço comercial a Rua Cel. Spinola de Castro 4900  ­ apto 152 ­ Ed. Panorama Center ­ Centro em São José do Rio Preto –  SP (fls. 109/Anexo IV do PAF 16004.000336/2009­19), sendo que este  apartamento pertence a Dorvalino, sócio de fato do Frigorífico Ouroeste  Ltda.     "Junior",  ou  Sebastião  Guandolfi  Junior,  gerente  de  compras  e  vendas  do  Frigorífico Ouroeste, trabalhou até 31.12.2006, com vínculos pela BR Fronteira (registrado em  01/10/2006). Este  impetrou na Vara de Trabalho de Fernandópolis  ação  trabalhista, Proc.  n°  380/2007 contra o Frigorífico Ouroeste,  tendo  sentença  favorável,  onde  a  justiça determinou  anotação do vínculo no período de 01/11/2004 a 31/12/2006, pelo tomador de serviço.   O contador em Fronteira  ­ MG, Sr. Osvaldo,  informou ainda que Sebastião  Gandolfi  Jr.  teria  uma  casa  /rancho  na  margem  do  Rio  Grande  onde  se  situa  a  Cidade  de  Fronteira/MG,  na  divisa  entre  os  Estados  de  São  Paulo  de Minas  Gerais,  e  que  conhecia  o  local, pois abastecia seu veículo no referido Posto de Gasolina em Fronteira/MG, daí alugou a  referida sala.     Através do Ofício DRF/SJR/SAFIS/N. 168, de 08 de Novembro de 2007, a  Receita  Federal  solicitou  ao  Posto  de  Fiscalização  de Minas Gerais  sobre  a  situação  da BR  Fronteira, sendo respondido que em diligência na Av. Minas Gerais n. 50 ­ Fronteira ­ MG ­  NÃO  foi  encontrada  a  empresa.  Em  consulta  ao  Sistema,  também  NÃO  foi  encontrada  inscrição  do  contribuinte  no  estado  de  Minas  Gerais  (fls.  110  a  113/Anexo  4  do  PAF  16004.000336/2009­19).   De  todo  o  exposto  avulta  que  a  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira  Ltda  nada mais  era  do  que  uma  interposta  empresa  da  Frigorífico  Ouroeste  Ltda,  integrada  ao  esquema  fraudulento  para  intermediar  a mão  de  obra  utilizada  na  execução  da  atividade fim da Autuada.  Senão, vejamos:  Em 01/09/2005 foi simulado um contrato de prestação de mão­de­obra entre  a  Rodrigues  Bastos  (atual  Br  Fronteira)  e  para  a  SP  Guarulhos,  a  fls.  681/683  do  PAF  Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     68  16004.000336/2009­19. Na mesma data, a SP Guarulhos firmou contrato de locação comercial,  equipamentos  e  ferramentas  com  o  Frigorífico  Ouroeste,  a  fls.  675/680  do  PAF  16004.000336/2009­19, destinado à exploração do ramo de frigorífico; Na sequência, em 30 de  outubro de 2005, a Br Fronteira firmou contrato de prestação de serviços gerais em frigorífico  com  a  Continental  Ouroeste,  para  fornecimento  de  mão­de­obra,  de  no  mínimo  120  trabalhadores,  para  o  período  de  01/11/2005  a  31/12/2007,  a  fls.  684/688  do  PAF  16004.000336/2009­19.   Conforme anotação no Livro Registro de Empregados de n° 05, a fls. 303 ­  Volume  II  /  Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19,  a  partir  de  01/11/2005  ocorreu  a  transferência de todos os empregados da Continental Ouroeste para a Br Fronteira, continuando  a prestação de serviço, sem interrupção, assumindo esta, assim,  todo o passivo  trabalhista da  Continental Ouroeste. Tal fato é confirmado também pelos Termos de Rescisão de contrato de  Trabalho, a fls. 114 a 138 ­ Volume I / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19).   Dessa "prestação de serviços" simulada e simultânea para a SP Guarulhos e  Continental Ouroeste, porém, de  fato, para o Frigorífico Ouroeste Ltda,  a Br Fronteira NÃO  emitiu qualquer nota fiscal, pois conforme talões retidos, a última nota emitida foi a de nº 119,  a  fls.  145  ­  Volume  I/Anexo  4  do  PAF  16004.000336/2009­19,  para  uma  outra  empresa  envolvida nas fraudes detectadas pela operação 'Grandes Lagos', a “noteira” Norte Riopretense,  nota fiscal datada de 31 de Março de 2005, o que comprova a simulação contratual.     A declaração prestada por Maria Aparecida, sócia da Br Fronteira, na Vara de  Fernandópolis, confirma a fraude:   “Que  os  empregados  contratados  eram  selecionados  pelo  Frigorífico Ouroeste;   Que os pagamentos da depoente eram realizados pelo gerente  Sr. Osvaldo Arantes;   Que  todas as obrigações  trabalhistas  e previdenciárias  eram  pagas pelo Frigorífico Ouroeste;   Que não conhece Fronteira e nem o Frigorífico Ouroeste;  Que o aluguel da sede da empresa em Fronteira também era  pago pelo Frigorífico;   O Sr. Osvaldo Arantes trazia todos os documentos em Barretos para  serem por ela assinados;   Que o Sr. Sebastião Gandolfi Júnior, apesar de estar registrado na  Br  Fronteira,  era  empregado  como  gerente  geral  do  Frigorífico  Ouroeste Ltda; o contrato teve vigência ate final de 2006;   Que  o  Frigorífico  Ouroeste  não  honrou  o  compromisso  mensal  assumido,  pelo  "aluguel  do  nome"  ,  não  efetuando  todos  os  pagamentos combinados, pagou somente os três primeiros meses.     Conclui­se  que  a Comércio  e Representações BR  de Fronteira  Ltda  é mais  uma Pessoa Jurídica INTERPOSTA do Frigorífico Ouroeste Ltda, para fornecimento irregular  de mão  de  obra  empregada  na  sua  atividade  fim,  formando­se  o  vínculo  diretamente  com  o  tomador do serviço, conforme Súmula nº 331, do TST.    3.1.7.   DO FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA   Fl. 546DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 513          69  Mediante Diligência Fiscal realizada no endereço onde funciona o Frigorífico  Ouroeste Ltda, a Fiscalização obteve diversos documentos das empresas interpostas envolvidas  no esquema em debate, comprovando, uma vez mais, que o Frigorífico Ouroeste detinha todo o  controle da mão­de­obra utilizada nas empresas do grupo e que assumia integralmente os riscos  da atividade econômica praticada:   ·  Cartões de ponto da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda período de  Julho de 2003 a Abril de 2005;   ·  Holerites de Janeiro a Outubro de 2005 da Continental Ouroeste;   ·  PPRA datado de 01/09/2003 e 06/2005 da Continental Ouroeste;   ·  Holerites  de  Novembro  de  2005  a  13º  salário  de  2006  da  Comercio  de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda;   ·  Cartões de ponto de Maio de 2005 a Dezembro de 2006 da Comercio de  Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda e 45 Termos de Rescisão  de Contrato de Trabalho;   ·  Cartões de ponto e rescisões do próprio Frigorífico Ouroeste Ltda.     Constata­se  que  os  Cartões  de  Pontos  estão  todos  em  nome  do  Frigorífico  Ouroeste,  constando  o  CNPJ  05.270.758/0001­63  da  Continental  Ouroeste,  porém  os  empregados  estão  com  vínculos  na  BR  Fronteira  conforme  se  comprova  pelos  recibos  de  pagamentos arrolados, por amostragem, a fls. 257/259.  A Fiscalização constatou que os empregados, e até outros profissionais que  trabalhavam  no  esquema  se  confundiam  para  qual  empresa  prestavam  serviço,  sendo  emblemáticos  os  Atestados  de  Saúde  Ocupacional,  assinados  pelo  Médico  do  Trabalho,  datados  de  2006,  nos  quais  consta  como  empregadora  a  Continental  Ouroeste,  porém  já  os  empregados  estavam  registrados  na  BR  Fronteira.  Também  comunicação  do  Técnico  de  Segurança do Trabalho, datada de 22 de 20 de Janeiro de 2006.  No Livro 7.1, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, que controla a  conta corrente n° 0890­4, do Banco Bradesco Ag. 1760­4 ­ Ouroeste, a Fiscalização apurou o  registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas competências outubro e  novembro/2005  a  funcionários  registrados  na Continental Ouroeste Carnes  e  Frios  Ltda  (até  competência  outubro/2005),  e  a  trabalhadores  já  registrados  na  Br  Fronteira  (desde  Novembro/2005)  conforme  ilustrado  a  fls.  109/113­Volume  I  /  Anexo  3  do  PAF  16004.000336/2009­19.  O mesmo ocorre em relação ao Livro 7.3, controle da conta corrente n° 04­ 000393­3, do Banco Nossa Caixa Ag. 535­5, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, a  Fiscalização apurou o registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas  competências  dezembro/2005  a  junho/2006  a  funcionários  já  registrados  na  Br  Fronteira,  conforme exposto a fls. 329/370 ­ Volume II / Anexo 4 do PAF 16004.000336/2009­19.  Fl. 547DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     70  A  Fiscalização  apurou  a  ocorrência  de  um  frenético  rodízio  dos  vínculos  trabalhistas,  conforme  extraído do banco de dados  corporativo  ­  telas RAIS e CNIS – Fonte  GFIP  /  Dados  do  Trabalhador:  Diversos  trabalhadores  foram  inicialmente  contratados  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda.  em  Agosto/2002  e  desligados  em  Setembro/2002.  Na  sequência,  foram recontratados pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (LRE a fls. 93/313 ­ Vols. I  e II / Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19) no dia posterior ao desligamento do Frigorífico  Ouroeste Ltda, permanecendo com vínculos no Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda até  Outubro/2005.   Em  Novembro/2005  os  mesmos  empregados  foram  transferidos  para  a  empresa Rodrigues Bastos, atual Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda,  permanecendo nesta empresa interposta até Dezembro/2006.   Merece  ser  citado  que,  nos  vínculos  com  a  empresa  Rodrigues  Bastos/Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  de  Fronteira  Ltda,  constam  como  data  de  admissão  a  mesma  que  consta  na  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  confirmando,  portanto, que a BR Fronteira assumiu todo o passivo trabalhista desses empregados, conforme  consta no Livro Registro de Empregados nº 05 da Continental Ouroeste,  a  fls. 303  ­ Vol.  I  /  Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009­19.   “Coincidentemente”, após a deflagração ação da Polícia Federal os vínculos  desses empregados retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando nas FRE ­ Fichas  Registro  de  Empregados  a  assunção  pelo  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  de  todo  o  passivo  trabalhista, desde suas admissões no Frigorífico Ouroeste em 2002, na Continental Ouroeste ou  na  Rodrigues  e  Bastos  /  BR  Fronteira  Ltda.  (fls.  703  a  781­Volume  IV/Anexo  2  do  PAF  16004.000336/2009­19 ).  Adite­se  que  em  2007  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  solicitou  à  Caixa  Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados que prestaram serviços  ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela GFIP da competência  Janeiro/2007, a fls. 805 a 820 do PAF 16004.000336/2009­19 , onde constam as reais datas de  admissão dos empregados pelo Frigorífico Ouroeste, confrontada com os contratos de trabalho,  a fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/2009­19.  Tais fatos demonstram, cabalmente, que os trabalhadores em questão sempre  estiveram na órbita de subordinação do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos,  sendo por estes remunerados, mesmo que por intermédio das interpostas pessoas acima citadas,  estando todos empenhados na execução da atividade fim da Autuada.   Tais  empregados  estão  todos  nominalmente  identificados  conforme  Livros  Registros de Empregados n° 01 a 05 da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a fls. 90 a  314 do Anexo 2, assim como na Folha de Pagamento da Comércio de Carnes e Representação  BR  Fronteira  Ltda,  de  Junho  a  Dezembro/2006  ­  Anexo  4,  fls.  163  a  328,  e  no Anexo  6  ­  Vínculos dos Trabalhadores, a fls. 01 a 405 ­ Vol. I a III do PAF 16004.000336/2009­19 .   Presentes, portanto, todos os requisitos essenciais caracterizadores da relação  de segurado empregado assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91.   Resta  comprovada,  portanto,  toda  a  simulação  empreendida pelas  empresas  integrantes  do  grupo  Ouroeste  nos  negócios  por  ela  praticados,  uma  vez  que  a  Continental  Ouroeste,  a  SP  Guarulhos  e  a  BR  Fronteira  apenas  aparentemente  figuravam  como  contribuinte,  acobertando  o  verdadeiro  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  o  'Frigorífico  Ouroeste  Ltda',  o  qual,  assumindo  de  fato  todos  os  riscos  da  atividade  econômica  com  Fl. 548DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 514          71  finalidade  lucrativa,  dirigia,  ordenava  e  administrava  toda  a prestação de  serviço de maneira  não eventual, assalariava os empregados a seu serviço, chegando a assumir, com a deflagração  da ação pela Policia Federal, todo o passivo trabalhista, previdenciário e fiscal referente a tais  trabalhadores,  estando  presentes  os  requisitos  que  os  qualificam  como  seus  empregados  –  subordinação jurídica, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade ­, conforme disposições  inscritas no art. 12 da Lei n° 8.212/91 e art. 3º da CLT, sendo nulo o vínculo fixado através das  interpostas empresas Br Fronteira e SP Guarulhos, conforme art. 9º da CLT.  Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  que  a  Fiscalização  não  teria  logrado  comprovar  a  existência  dos  requisitos  dos  vínculos  empregatícios  entre  os  funcionários  das  empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda.  e a Autuada.  A existência do vínculo laboral de empregado e do vínculo previdenciário de  segurado empregado houve por reconhecida e consignada pelas próprias empresas Continental  Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e  Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda ao registrarem tais  trabalhadores em  seus Livros de Registro de Empregados e em suas Folhas de Pagamento, da mesma forma, pela  declaração espontânea de tais segurados em suas GFIP.  A  declaração  em  GFIP  e  o  registro  nos  LRE  e  nas  Folhas  de  Pagamento  fazem prova de per se da efetiva existência das relações de emprego e do vínculo de segurado  empregado, circunstância que torna despicienda a demonstração por parte do Fisco.  De  outro  eito,  demonstrado  e  comprovado  que  tais  empresas  existiam  tão  somente no papel,  constituídas  em nome de “laranjas”,  se  configurando, nada mais,  do que  meras  empresas  interpostas  pelo Frigorífico Ouroeste  Ltda  com  o  sinistro  intuito  de  ocultar,  perante o Fisco, os verdadeiros beneficiários da atividade econômica praticada, com a intenção  de  eximir­se  dos  pagamentos  de  tributos  pelos  quais  seriam  responsáveis,  tais  vínculos  trabalhistas e previdenciários se consolidam na responsabilidade do verdadeiro empregador, eis  que, em realidade, todos esses trabalhadores envidam seus esforços na realização da atividade  fim da Autuada, a qual detém  todo o poder de chefia e de  comando de  acerca do que  fazer,  quem fazer,  como fazer, onde  fazer, quanto  fazer e quando  fazer,  além do poder de controle  sobre  o  serviço  realizado,  da  admissão  e  da  dispensa  dos  trabalhadores,  mesmo  sem  justa  causa.  Todos  trabalham,  efetivamente,  objetivando  atingir  as  metas  determinadas  pelos  verdadeiros  donos  do  empreendimento,  ordenados  pelas  normas  de  conduta  por  eles  impostas.  As  conclusões  pautadas  nos  parágrafos  precedentes  não  discrepam  das  vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual  impõe, na  contratação  de  trabalhadores  por  interposta  pessoa,  o  estabelecimento  de  vínculo  do  obreiro  diretamente com o contratante, tomador dos serviços.  Enunciado nº 331 do TST  Contrato de Prestação de Serviços ­ Legalidade  I  ­ A  contratação  de  trabalhadores  por  empresa  interposta  é  ilegal,  formando­se  o  vínculo  diretamente  com o  tomador  dos  serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de  03.01.1974). (grifos nossos)   Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     72  II  ­  A  contratação  irregular  de  trabalhador, mediante  empresa  interposta,  não  gera  vínculo  de  emprego  com  os  órgãos  da  administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II,  da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 ­ TST)  III  ­ Não  forma vínculo de emprego com o  tomador a contratação  de  serviços  de  vigilância  (Lei  nº  7.102,  de  20­06­1983),  de  conservação  e  limpeza,  bem  como  a  de  serviços  especializados  ligados  à  atividade­meio  do  tomador,  desde  que  inexistente  a  pessoalidade e a subordinação direta.  IV  ­  O  inadimplemento  das  obrigações  trabalhistas,  por  parte  do  empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos  serviços,  quanto  àquelas  obrigações,  inclusive  quanto  aos  órgãos  da  administração  direta,  das  autarquias,  das  fundações  públicas,  das empresas públicas e das  sociedades de economia mista, desde  que hajam participado da relação processual e constem também do  título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93).     Na realidade nua dos fatos, todos trabalham efetivamente buscando atingir os  objetivos  traçados  pelo Frigorífico Ouroeste  Ltda  e  pelos  seus  verdadeiros  donos,  de  acordo  com as diretrizes, normas de conduta e controles por eles idealizados, de onde dessai a essência  da subordinação jurídica.  Existindo  tais  empresas  interpostas  apenas  no  papel,  sendo  constituídas  em  nome de “laranjas”, deflui que toda a remuneração dos trabalhadores em apreço é debitada do  patrimônio  dos  verdadeiros  donos  do  empreendimento  ora  em  foco,  de  onde  avulta  a  onerosidade na prestação dos serviços à responsabilidade da Autuada.    Tais  trabalhadores  encontram­se  nominalmente  registrados  nas  Folhas  de  Pagamento e nos Livros de Registro de Empregados, além de terem sido declarados em GFIP,  inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na  ilação  de  que  tais  trabalhadores,  ao  seu  alvedrio  único,  exclusivo  e  próprio,  e  sem  qualquer  ingerência da empresa Autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o  qual  fora  contratado,  por  outro  trabalhador  qualquer,  mesmo  que  de  idêntica  capacitação,  circunstância  que  denota  a  natureza  intuitu  personae  da  relação  jurídica  materialmente  celebrada entre a Autuada e o trabalhador.    Avulta  das  circunstâncias  do  caso  que  o  risco  da  atividade  econômica  é  integral do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos os quais, além do encargo de  adquirir  animais  de  corte,  de  proceder  ao  abate  e  processamento  de  tais  semoventes,  captar  clientes no mercado para a comercialização de sua produção, contratar a emissão fraudulenta  de notas fiscais frias, ainda admite e remunera os trabalhadores responsáveis pela execução de  tais  serviços,  e  assume  em  seu  patrimônio  inercial  os  eventuais  prejuízos  decorrentes  da  atividade econômica.  Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Autuada se  revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual  ou  coletiva  que,  assumindo  os  riscos  da  atividade  econômica,  admite,  assalaria  e  dirige  a  prestação pessoal de serviço.  Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 515          73    Também não procede a alegação de que seria indevido o lançamento a partir  da desconsideração da personalidade de outras empresas.   Em  primeiro  lugar,  registre­se  que  no  presente  caso,  o  lançamento  não  se  fundamentou  em  suposta  desconsideração  de  personalidade  jurídica  das  interpostas  pessoas,  mas, tão somente, no princípio da realidade dos fatos sobre a formalidade dos atos.    Com  efeito,  a  atuação  fiscal  empreendida  no  presente  caso  encontra  lastro  jurídico  nas  disposições  encaixadas  no  Parágrafo  Único  do  art.  116  do  Código  Tributário  Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de  atos  e  negócios  jurídicos  praticados  com  o  fito  de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador  tributário.   Código Tributário Nacional ­CTN   Art.  116.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:  I ­ tratando­se de situação de fato, desde o momento em que o  se  verifiquem  as  circunstâncias  materiais  necessárias  a  que  produza  os  efeitos  que  normalmente  lhe  são  próprios;  (grifos  nossos)   II  ­  tratando­se  de  situação  jurídica,  desde  o momento  em  que  esteja  definitivamente  constituída,  nos  termos  de  direito  aplicável.  Parágrafo  único.  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo  ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em lei ordinária. (grifos nossos)     Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais  formais sejam  representativos  de  constituição  de  pessoas  jurídicas  em  nome  de  sócios  distintos  do  quadro  societário da Autuada, as provas dos autos revelam que tais sócios figuram, tão somente, como  “laranjas”  dos  verdadeiros  donos  do  empreendimento  fraudulento,  os  quais  detém  todo  o  poder de comando, ordenamento e controle das  atividades praticadas em cada  empresa,  e no  âmbito geral do grupo por elas constituído.   Muito  embora  os  assentamentos  contratuais  formais  apontem  para  a  celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os  serviços  contratados  foram  prestados  ao  Recorrente  subsumem­se  à  hipótese  genérica  e  abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis  que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado.  Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa  da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo ou a natureza dos elementos  Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     74  constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no  art. 9º do Decreto­Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de  pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação  dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratam­se de normas antielisivas, visando  ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma.  A  desconsideração  do  ato  ou  do  negócio  jurídico  praticado  visa  apenas  a  reaproximar  a  qualificação  jurídica  do  verdadeiro  conteúdo  material  do  ato  decorrente  do  desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária  com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendo­a coincidir  com a realidade substancial.  Investido  em  tal  poder,  o  Fisco  pode  prescindir  das  aparências  do  ato  simulado e determinar  a obrigação  tributária  segundo a  realidade oculta,  sem necessidade de  declarar a nulidade do ato  jurídico aparente ou de desconsiderar a personalidade  jurídica das  empresas envolvidas.  Merece  ser  destacado  que  a  jurisprudência  do  STJ  não  nega  auto  aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme  se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir:  “AREsp 323.808­SC  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 27/05/2013    EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  ART.  116,  PARÁGRAFO  ÚNICO,  DO  CTN.  INEXISTÊNCIA  DE  REGULAMENTAÇÃO.  AUTO­APLICABILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  211/STJ.  NÃO­ALEGAÇÃO  DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.    [...]  O  caso  da  empresa  de  vigilância  é  perfeitamente  análogo:  as  câmaras  são parte do  equipamento que  é utilizado pela  sociedade  Patrimonial  Segurança  Ltda.  para  a  prestação  do  serviço  de  segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de  movimento que sejam instaladas na residência do contratante ­ sem  que este as adquira ­ integram o custo do serviço. (situação diversa  ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência  de  titularidade  do  bem  ensejaria  a  incidência  do  ICMS.  Não  e,  entretanto, o caso).  Ao  destacar  do  valor  do  serviço  uma  quantia  correspondente  a  aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida  pelo  artigo  116,  parágrafo  único,  do Código  Tributário Nacional,  que dispõe:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo  ou  a  natureza  dos  elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os  procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.    Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 516          75  Com  razão,  assim,  a Procuradoria  do Município,  ao  afirmar  que:  "A  obrigação  da  apelada  consiste  em  prestar  um  serviço  de  vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação  de  'locação  de  equipamento  eletrônico'  dada  pela  apelada  uma  forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação  do serviço" (fl. 217).  Nesse  contexto,  merece  acolhida  o  recurso  para  se  julgar  improcedente a demanda.  [...]"    No  mesmo  sentido,  o  Agravo  Regimental  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins:     AgRg no REsp 1.070.292 ­ RS  Rel. Min. Humberto Martins  DJe: 23/11/2010    EMENTA:   TRIBUTÁRIO.  COMPLEMENTAÇÃO  DE  APOSENTADORIA  VINCENDA.  PERCEPÇÃO  PAGA  MEDIANTE  TRANSAÇÃO  EM  DEMANDA  TRABALHISTA.  VERBA  DE  NATUREZA  NÃO  INDENIZATÓRIA.  INCIDÊNCIA  DE  IMPOSTO  DE  RENDA.  POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO.    [...]    Note­se  que  o  montante  pago  teve  por  fim  o  cumprimento  de  prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve  ser  frisado  para  que  não  se  invoque  a  isenção  anteriormente  prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei  9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando  a  natureza  indenizatória  do  montante  pago,  nenhum  efeito  opera  para  o  fisco.  O  reconhecimento  da  natureza  indenizatória  de  determinada  verba  se  impõe  quando  for  possível  constatar  que  aquela  visava  à  recomposição  de  uma  perda  patrimonial,  e  não  pela  mera  denominação  de  indenizatória  (parágrafo  único  do  artigo  116  do  CTN:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou  a  natureza  dos  elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  observados  os  procedimentos  a  serem  estabelecidos  em  lei  ordinária).   Trata­se,  no  caso,  de  aplicação  da  Teoria  da  Interpretação  Econômica  do  Fato  Gerador.  A  hipótese  dos  autos  caracteriza  a  aquisição  de  disponibilidade  de  renda,  assim  entendido  o  produto  do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal  verba está sujeita à incidência de imposto de renda.   [...]  Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     76      Ainda,  nesse  sentido, REsp  nº  1.363.920  ­  SC  ­  Rel. Min.  Og  Fernandes, DJe:  24/10/2013.  Por  outro  viés,  ainda  que  se  admita  que  o  preceito  instalado  no  Parágrafo  Único  do  art.  116  do  CTN  demande  regulamentação  procedimental  via  lei  ordinária,  nada  impede  que  se  recorra  a  procedimentos  já  previstos  em  leis  ordinárias  já  integrantes  do  Ordenamento  Jurídico  Pátrio.  Trata­se  da  realização  de  um  princípio  jurídico  consistente  na  recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no  ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada  com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser  revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza.  A  realização  do  princípio  da  Recepção  das  Leis  permite  a  convivência  de  normas  jurídicas  vigentes  no Ordenamento  Jurídico  anterior  com o Direito  Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as  leis  do  Direito  anterior  que  não  se  chocam  com  o  Direito  atual  são  por  este  Direito  recepcionadas, eliminando­se, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura  legislativa.  Seria,  em  verdade,  ilógico  que  leis  anteriores,  cujo  conteúdo  permanece  inalterado  em  face  da  nova Ordem  Jurídica,  tivessem  que  ser  recriadas  para  continuarem  a  estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade.  Pela ótica de  tal  princípio,  quando  se  cria uma nova estrutura normativa,  o  conjunto de normas  jurídicas pré­existente, no que não conflite materialmente com o Direito  Anterior,  permanece  em  vigor  e  produzindo  os  efeitos  que  lhe  são  típicos,  sendo  automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua  elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o  sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro.   A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na  Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme  se depreende dos seguintes julgados:  REsp nº 1.427.949 ­ SC   Rel. Min. Mauro Campbell Marques  DJe: 02/04/2014    EMENTA:  PROCESSUAL  CIVIL.  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  AO  ART.  535,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  N.  284/STF.  PARCELAMENTO.  REFLS.  EXCLUSÃO.  SIMULAÇÃO.  EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI  N.  9.964/2000.  FUNDAMENTO  SUFICIENTE  INATACADO  (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO  (SÚMULA  N.  282/STF).  IMPOSSIBILIDADE  DE  REVISÃO  DE  MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A  QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC.    DECISÃO   [...]  Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato  de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos  Fl. 554DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 517          77  de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº  9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996.  Lícito  o  procedimento  de  inativação  do  CNPJ  das  empresas,  por  força  do  art.  81  da  Lei  nº  9.964/2000,  in  verbis  (e­STJ  fls.  9734/9739):    Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do  CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996,  diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único,  do Código Tributário Nacional.  Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a  Administração  Tributária  fundamentou  a  inaptidão  também  na  existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco:  não somente na simulação.  [...]  Ainda  que  se  considere  que,  no  caso  concreto,  incidiria  o  artigo  116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua  vez,  remete  a  procedimentos  estabelecidos  em  lei  ordinária,  tais  procedimentos  (relativos  à  declaração  de  inaptidão)  já  se  encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº  9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e  a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005.  [...]   (grifos nossos)     No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014.    No  caso  em  estudo,  mediante  os  procedimentos  estabelecidos  na  Lei  Ordinária nº 8.212/91,  foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios  jurídicos  praticados  pelos  atores  do  esquema  fraudulento  acima  descortinado,  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do  tributo ou a natureza dos elementos  constitutivos  da  obrigação  tributária,  mas  não  da  personalidade  jurídica  das  empresas  prestadoras.   Anote­se que na formalização do presente lançamento, houve­se por operada,  tão  somente,  a  desconsideração  substancial  dos  atos  simulados,  mas  não  a  desconstituição  formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas  autoriza  que  se  desconsidere,  para  fins  exclusivamente  de  constituição  do  crédito  previdenciário,  os  efeitos  jurídicos  dos  atos  simulados,  na  seara  previdenciária,  sem,  no  entanto, desconstituí­los.   Reitere­se  que  a  administração  tributária  federal  não  se  encontra  jungida  à  obtenção  prévia  de  declaração  administrativa  ou  judicial  definitiva  de  nulidade  de  atos  jurídicos  simulados  como  condição  de  procedibilidade  para  a  tributação  da  real  operação  ocorrida,  visto  que  os  atos  simulados  são  ineficazes  perante  o  Fisco,  conforme  dessai  do  preceito inscrito no art. 118 do CTN:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:  Fl. 555DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     78  I  – da  validade  jurídica dos atos  efetivamente praticados pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;   II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.    Por  tais  razões,  para  os  fins  exclusivos  do  presente  lançamento,  revela­se  desnecessária  a  declaração  judicial  de  nulidade  dos  atos  simulados,  assim  como  a  desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas.  No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui  que a relação jurídica real existente entre a Autuada e os segurados apurados pela fiscalização é  a  de  segurado  empregado,  circunstância  que  impinge  às  partes  dessa  relação  jurídica  a  obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado.    Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  que  “a  Fiscalização  promoveu  o  lançamento a partir dos valores consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIP dos  quais Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de Souza, Oswaldo  Antonio  Arantes  e  Antonio  Martucci  não  tiveram  acesso,  não  foram  partes,  não  foram  intimados da relação processual, não  figuram no Polo Passivo, olvidando­se que as pessoas  acima  não  podem  suportar  o  ônus  do  lançamento  de  tributos  de  interesse  de  outra  pessoa  jurídica, sobretudo por não terem direito/dever de manterem e apresentarem a contabilidade  de outrem”.  Conforme  acima  demonstrado,  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  e  seus  verdadeiros  donos  detinham  todo  o  poder  de  organização,  administração,  direção  e  controle  sobre  todas  as  operações  e  negócios  realizados  pelas  empresas  interpostas,  as  quais  foram  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  e  existentes  tão  somente  no  papel,  para  acobertar  os  verdadeiros responsáveis tributários pelas obrigações decorrentes das operações praticadas no  âmbito dos negócios pelo grupo econômico de fato ora em foco.  Tanto é assim que, após a deflagração da ação da Polícia Federal, os vínculos  dos segurados empregados em questão retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando  nas FRE ­ Fichas Registro de Empregados a assunção pelo Frigorífico Ouroeste Ltda de todo o  passivo  trabalhista,  desde  suas  admissões  no  Frigorífico  Ouroeste  em  2002,  na  Continental  Ouroeste ou na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira Ltda. (fls. 703 a 781­Volume IV/Anexo 2 do  PAF 16004.000336/2009­19).  Corrobora tal entendimento o fato de, em 2007, o Frigorífico Ouroeste Ltda  ter solicitado à Caixa Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados  que prestaram serviços ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela  GFIP  da  competência  Janeiro/2007,  a  fls.  805  a  820  do  PAF  16004.000336/2009­19,  onde  constam  as  reais  datas  de  admissão  dos  empregados  pelo  Frigorífico  Ouroeste,  confrontada  com os contratos de trabalho, a fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/2009­19.    Assim, com espeque no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, os efeitos dos  atos  jurídicos  simulados,  praticados  com  a  finalidade  de  dissimular  a  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo,  houveram­se  por  desconsiderados  pela  Autoridade  Administrativa  Fl. 556DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 518          79  responsável  pelo  lançamento,  restabelecendo­se  assim  a  conexão  do  fato  gerador  da  Contribuição Previdenciária ao seu verdadeiro responsável tributário, in casu, a Autuada.  Conforme se extrai dos fatos expostos anteriormente, o Frigorífico Ouroeste  Ltda  foi  a  titular  de  fato  de  todas  as  operações  de  aquisição  de  gado  de  produtores  rurais  pessoas  físicas,  realizadas  pelo  cliente  n°  36  da  lista  de  "vendedores"  da  Distribuidora  de  Carnes e Derivados São Paulo Ltda, como também por intermédio das interpostas pessoas SP  GUARULHOS  Distribuidora  de  Carnes  e  Derivados  Ltda  e  Continental  Ouroeste  Carnes  e  Frios  Ltda,  assim  bem  como  a  verdadeira  empregadora  dos  trabalhadores  registrados,  formalmente,  nos  LRE  das  empresas  interpostas  acima  citadas  e  na  Comércio  de  Carnes  e  Representação  BR  Fronteira  Ltda,  configurando­se  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  como  a  Contribuinte de fato dos tributos incidentes sobre tais fatos geradores.  Acontece  que  a  Fiscalização  apurou  que  o  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  não  declarou  em  suas GFIP  os  valores  referentes  à  aquisição  de  produtos  rurais  correspondentes  àqueles  acobertados  pelas  empresas  “noteiras”,  muito  menos  os  segurados  empregados  formalmente  registrados  em  empresas  interpostas  existentes  só  no  papel,  no  período  compreendido  no  presente  lançamento.  Na  mesma  toada,  também  a  sua  escrita  fiscal  não  registra tais operações comerciais e demais fatos geradores.  Nessas  circunstâncias,  a  apresentação  deficiente  de  qualquer  documento  ou  informação  assim  como  a  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  de  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  das  remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante,  suficiente  e  determinante  para  que  a  Fiscalização  inscreva  de  ofício  a  importância  reputada  como devida, mesmo que mediante a apuração, por aferição indireta, das bases de cálculo das  contribuições  previdenciárias  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário,  a  teor  do  permissivo  legal  encartado  nos  parágrafos  3º  e  6º  do  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art.  33.  Ao  Instituto Nacional  do  Seguro  Social  –  INSS  compete  arrecadar,  fiscalizar,  lançar  e  normatizar  o  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘a’,  ‘b’  e  ‘c’  do  parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes  a  título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF  compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  ‘d’  e  ‘e’  do  parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera  de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as  sanções  previstas  legalmente.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.256/2001).  §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro Social­INSS e  do  Departamento  da  Receita  Federal­DRF  o  exame  da  contabilidade  da  empresa,  não  prevalecendo  para  esse  efeito  o  disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados  a  empresa  e  o  segurado  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações solicitados.  (...)  §3º Ocorrendo  recusa  ou  sonegação  de qualquer  documento  ou  informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional  Fl. 557DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     80  do Seguro Social­INSS e o Departamento da Receita Federal­DRF  podem,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  inscrever  de  ofício  importância  que  reputarem  devida,  cabendo  à  empresa  ou  ao  segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos)   (...)  §6º  Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos  nossos)     Assim,  considerando  todo  o  conjunto  probatório  carreado  ao  presente  processo,  restou demonstrado que o vertente Auto de  Infração de Obrigação Principal não se  houve  por  lavrado  apenas  com  base  em  indícios,  suposições  ou  presunções.  A  fiscalização  demonstrou,  mediante  minucioso  procedimento  investigativo,  em  conjunto  com  a  Policia  Federal,  e  sob  os  olhares  da  Justiça  Federal,  a  ocorrência  material  dos  fatos  jurígenos  tributários que integram o vertente lançamento, não logrando o Recorrente produzir os meios  de prova hábeis a desconstituí­lo.  Não procede, igualmente, a alegação de que não houve fraude tributária.    A  fraude  se  manifesta  na  volitiva  e  consciente  utilização  de  empresas  “noteiras”,  que  realizavam  em  seu  nome  e  sob  sua  responsabilidade  tributária,  sob  o  falso  manto de legalidade, e mediante uma taxa proporcional à operação dissimulada, as operações  de  terceiros  de  compra  e  venda de  produção  rural,  e movimentavam em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  impedir,  total  ou  parcialmente,  na  seara  da  responsabilidade  dos  titulares  de  fato  das  citadas  operações  comerciais  a  ocorrência  do  fato  gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a  evitar o seu pagamento.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.  Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto  devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     A  fraude  tributária  se  consuma,  portanto,  com  o  emprego  de  ardis  e  estratagemas visando a ludibriar o Fisco, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a  evitar ou diferir o seu pagamento.   Fossem  tais  operações  formalmente  registradas  sob  a  responsabilidade  tributária da Autuada, como materialmente, de fato, eram, esta teria que arcar com os encargos  previdenciários  incidentes  sobre  a  comercialização da produção  rural. De outro  canto,  sendo  tais  operações  registradas  sob  a  responsabilidade  tributária  de  empresas  noteiras,  as  quais  foram constituídas como sociedades por cotas de responsabilidade limitada, com capital social  irrisório,  e cujos  sócios nenhum bem possuíam em seus nomes,  a execução  fiscal  do  crédito  Fl. 558DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 519          81  correspondente mostra­se  improfícua,  como por  diversas  vezes  assim  se mostrou,  resultando  em flagrante prejuízo patrimonial para Fisco, que não conseguiu, por inúmeras vezes, realizar o  seu crédito tributário.  Reforça  a  compreensão  acerca da  existência  de  fraude  o  fato  de  a  empresa  “noteira”  cobrar  uma  taxa  pela  emissão  da  nota  fiscal  “fria”,  proporcional  à  operação  dissimulada, e ser constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada,  mediante a utilização de sócio “laranja” com participação ínfima no capital social, o qual, por  sua vez, também se revelava irrisório em comparação à movimentação financeira registrada, e  que  tais  sócios  não  possuíam  qualquer  bem  patrimonial  em  seus  nomes,  de  maneira  que  qualquer execução fiscal ajuizada pelo Fisco se revelava improfícuo, em razão da ausência de  patrimônio para honrar o crédito tributário reclamado.  A  fraude  se  encontra  presente,  igualmente,  no  ato  de  criação  de  Pessoas  Jurídicas  fictícias,  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  objetivando  ocultar  dos  olhares  do  Fisco  as  pessoas  efetivamente  responsáveis  pelas  operações  empresariais  realizadas  pelo  empreendimento fraudulento ora em tela, frustrando, assim, o adimplemento das Contribuições  Previdenciárias devidas à Seguridade Social.  Tal  conduta  consistia  na  interposição  de  pessoas  físicas  e  jurídicas  que  movimentavam  em  seus  nomes  grande  quantia  de  recursos,  com  o  propósito  de  eximir  os  titulares de fato do pagamento de tributos.  Mediante  tais  condutas,  a Autuada  e  seus  verdadeiros  donos  ardilosamente  omitiram fatos geradores de contribuições previdenciárias da contabilidade e das GFIP de sua  responsabilidade  tributária,  ao  mesmo  tempo  em  que  promoveram  prejuízo  patrimonial  ao  erário, que não conseguiu realizar o seu crédito.  Nestes  casos,  apenas  mediante  a  deflagração  de  procedimento  formal  de  investigação policial e de Fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tiveram condições  a Policia Federal e a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos  geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável.    A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar das  empresas  noteiras  para  assumir,  aparentemente,  a  titularidade  e  responsabilidade  das  suas  operações  de  comercialização  de  produção  rural,  e  ao  atribuir  às  empresas  interpostas,  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  a  responsabilidade  pelas  operações  atávicas  à  sua  atividade  empresarial,  a  Autuada  não  efetuou  qualquer  declaração  desses  Fatos  Jurígenos  Tributários  nos  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  tampouco  em  suas  GFIP,  excluindo  dessarte  da Administração  Fazendária  o  conhecimento  a  respeito  da  ocorrência  desses  fatos  geradores de contribuições previdenciárias.  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964   Art.  71.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   Fl. 559DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     82  II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.     Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.     Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  duas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.     Assim, estando as empresas “noteiras” e os seus “clientes”, dentre as quais, a  Autuada,  assim  como  as  interpostas  Pessoas  Jurídicas, mancomunadas  no  fim  específico  de  fraudar  a  Administração  Tributária  e  de  sonegar  tributos,  caracterizada  também  se  revela  a  existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64.  Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os  elementos  objetivos  e  subjetivos  qualificadores  da  fraude,  da  sonegação  e  do  conluio,  nos  termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.   Mas não é só. Há mais !!!  O caso em  tela  também é  representativo de  simulação. Aqui, o ato  jurídico  real é deliberadamente dissimulado, recebendo a maquiagem de um ato aparente legal, a fim de  representar  externamente  perante  terceiros,  in  casu,  o  Fisco,  uma  outra  realidade  que  não  aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum  resultado econômico favorável.   Na  definição  de  Clóvis  Beviláqua,  citado  por  Silvio  Rodrigues  (in Direito  Civil ­ Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma  declaração  enganosa  da  vontade,  visando  a  produzir  efeito  diverso  do  ostensivamente  indicado”.  Segundo  Orlando  Gomes  (in  Introdução  ao  Estudo  do  Direito,  7a.  ed.,  Rio  de  Janeiro  :  Forense,  1983,  p.  374),  ocorre  a  simulação  quando  "em  um  negócio  jurídico  se  verifica  intencional  divergência  entre  a  vontade  real  e  a  vontade  declarada,  com  o  fim  de  enganar terceiros".   A  simulação,  em  resumo,  consubstancia­se numa deformação voluntária do  ato  jurídico  com  o  intuito  de  fugir  à  disciplina  normal  prevista  em  lei,  consistente  num  desacordo  intencional  entre  a  vontade  interna  das  partes,  efetivamente  pretendida,  e  a  formalmente declarada no ato simulado.  O  ato  jurídico  simulado  ostenta  formalmente  uma  aparência  diversa  do  efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade,  não intencionam nem desejam.   A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico,  considera  serem  simulados  e  passíveis  de  desconsideração  pelo  Fisco  os  atos  e  os  negócios  jurídicos  praticados  pelas  partes  com  a  intenção  de  enganar,  ocultar,  iludir,  dificultar  ou  até  mesmo tornar impossível a atuação fiscal.  Fl. 560DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 520          83  A  simulação,  portanto,  traduz­se  pela  falta  de  correspondência  entre  o  ato  praticado  e  o  formalizado,  encerrando  uma  declaração  enganosa  visando  a  produzir  efeito  diverso do fato ocorrido.  No  caso  presente,  a  empresa  “noteira”  emitia,  em  seu  nome,  notas  fiscais  “frias” de comercialização de produção rural, com ilusória aparência de legalidade, encobrindo  dissimuladamente os  reais  titulares da operação mercantil  realizada, com o sinistro  intuito de  excluir  destes  a  responsabilidade  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  decorrentes de tais operações, e causando ao Fisco um prejuízo patrimonial correspondente às  contribuições devidas, eis que o esquema fraudulento houve­se por idealizado e concebido com  a  constituição  de  empresas  noteiras  sob  a  forma  de  sociedade  por  cotas  de  responsabilidade  limitada, com capital social  irrisório, e com nenhum bem em nome dos  sócios, circunstância  que implica fracasso a qualquer tentativa de execução fiscal do crédito tributário devido.   O dolo na conduta se manifesta, precisamente, pelo fato de a empresa noteira  assumir  em  seu  nome  e  responsabilidade  a  titularidade  das  operações  de  terceiros  e  estes  terceiros,  além de pagarem uma taxa pela emissão das notas “frias” proporcional à operação  dissimulada, também não registrarem tais operações em sua contabilidade, tampouco em suas  GFIP.  A  simulação  também  está  presente  na  criação  de  Pessoas  Jurídicas  constituídas  em  nome  de  “laranjas”,  pessoas  que  não  ostentavam  qualquer  relação  com  a  atividade  desenvolvida  pela  empresa,  tampouco  possuíam  conhecimento  técnico  para  tanto,  sendo  certo  que  tais  empresas  interpostas  existiam,  tão  somente,  no  papel,  uma  vez  que  as  operações supostamente por elas praticadas eram realizadas, de fato, pelos verdadeiros donos  da Autuada e de todo o empreendimento fraudulento.  Às  empresas  interpostas  era  atribuída,  tão  apenas,  a  responsabilidade  tributária  pelos  atos  jurídicos  praticados  em  seu  nome,  por  terceiras  pessoas,  no  interesse  exclusivo destas.  Resta  cabalmente  demonstrado  que  os  fatos  geradores  de  Contribuições  Previdenciárias  ora  em  debate,  aparentemente,  mas  só  aparentemente,  atribuídos  simuladamente à Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, à SP GUARULHOS Distribuidora  de Carnes e Derivados Ltda e à Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, de  fato ocorreram na órbita de responsabilidade  tributária do Frigorífico Ouroeste Ltda, o  real e  efetivo empregador dos trabalhadores ora em trato.  Tais  empresas  interpostas  nada  mais  eram  do  que  meras  marionetes,  sem  animus próprio  e  sem  existência  de  fato,  controladas  exclusivamente pelas mãos  habilidosas  dos verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste Ltda, que dirigiam todas as operações por elas  simuladamente  realizadas,  administravam  o  empreendimento,  assalariavam  os  trabalhadores  envolvidos  nas  atividades  empresariais  do  “Núcleo  Ouroeste”,  e  auferiam  os  lucros  provenientes do esquema fraudulento ora desfraldado.  Nesse contexto, sendo na realidade nua dos fatos o Frigorífico Ouroeste Ltda  a  pessoa  que  efetivamente  tinha  relação  direta  e  pessoal  com a  situação  constitutiva  do  fato  gerador ora em apreciação, a Autuada deveria NECESSARIAMENTE, por força de lei formal,  ter inscrito na Autarquia Previdenciária Federal todos os Segurados Contribuintes Individuais  que  prestaram  serviços,  efetivamente,  à  empresa,  no  período  de  apuração,  caso  estes  não  estivessem ainda lá inscritos.  Fl. 561DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     84  Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003.  Art.  4o  Fica  a  empresa  obrigada  a  arrecadar  a  contribuição  do  segurado  contribuinte  individual  a  seu  serviço,  descontando­a  da  respectiva  remuneração,  e  a  recolher  o  valor  arrecadado  juntamente  com a contribuição a  seu  cargo até o dia dois do mês  seguinte ao da competência.  §1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social  dos  seus  associados  como  contribuinte  individual  e  recolherão  o  valor  arrecadado  até  o  dia  quinze  do  mês  seguinte  ao  de  competência a que se referir.  §2o A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a  efetuar  a  inscrição  no  Instituto Nacional  do  Seguro Social  ­  INSS  dos  seus  cooperados  e  contratados,  respectivamente,  como  contribuintes individuais, se ainda não inscritos.   §3o O disposto neste artigo não se aplica ao contribuinte individual,  quando contratado por outro  contribuinte  individual equiparado a  empresa  ou  por  produtor  rural  pessoa  física  ou  por  missão  diplomática  e  repartição consular de  carreira  estrangeiras, e nem  ao brasileiro civil que  trabalha no exterior para organismo oficial  internacional do qual o Brasil é membro efetivo.    Visando  a  se  verificar,  nos  bancos  de  dados  da  Administração  Tributária  Federal, se os trabalhadores que prestaram serviços sem vínculo empregatício às empresas do  Núcleo Ouroeste” estavam  inscritos como Segurados Contribuintes  Individuais na Autarquia  Previdenciária Federal, a Frigorífico Ouroeste Ltda foi formalmente intimada, mediante Termo  Próprio, a prestar esclarecimentos à Fiscalização, acerca dos nomes naturais dos prestadores de  serviço  sem  vínculo  empregatício,  eis  que  estes  estavam  registrados  nos  documentos  das  empresas  do  grupo  apenas  pelos  seus  apelidos,  por  exemplo,  Milin,  CVL,  Beto  Caetano,  Paulão, Zequinha, Wando e outros.  Todavia, apesar de formalmente intimada mediante Termo próprio, a empresa  Frigorífico  Ouroeste  Ltda  deixou  de  prestar  informações  cadastrais  e  esclarecimentos  necessários a Fiscalização, ou seja, deixou de prestar declaração por escrito dos nomes naturais  completos  dos  contribuintes  individuais  constantes  dos  livros  conta  correntes,  onde  constam  apenas  os  'apelidos',  impossibilitando  assim  identificar  se  os  segurados  contribuintes  individuais prestadores de serviço estavam inscritos ou não na Previdência Social.  Tal omissão motivou a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória  nº 37.201.578­6, CFL 35, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.000338/2009­16,  lavrado  na  mesma  ação  fiscal,  por  infração  ao  disposto  no  Art.  32,  inciso  III,  da  Lei  nº  8.212/1991, combinado com o Art. 225, inciso I e §9°, do Regulamento da Previdência Social  – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99.   Nessa vertente,  não  tendo a Autuada demonstrado, mediante documentação  idônea, que os trabalhadores que prestaram serviços sem vínculo empregatício às empresas do  Núcleo Ouroeste”  estavam  devidamente  inscritas  como  Segurados  Contribuintes  Individuais  na  Autarquia  Previdenciária  Federal,  a  Fiscalização  lavrou  o  presente  Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória por violação objetiva da obrigação acessória prevista no §2º do art. 4º da  Lei nº 10.666, de 08 de maio de 2003.  Desse  modo,  as  alegações  do  Recorrente  esbarram  no  óbice  “nemo  potest  venire  contra  factum  proprium”,  locução  de  origem  canônica  que  expressa  o  ideal  de  que  Fl. 562DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 521          85  ninguém pode se beneficiar das consequências decorrentes da própria  torpeza, consagrado no  art. 243 do Código de Processo Civil e no art. 973 do Código Civil.  Não  se  mostra  demasiado  enaltecer  que  o  dever  jurídico  de  inscrever  na  Autarquia  Previdenciária  Federal,  na  qualidade  de  Segurado  Contribuinte  Individual,  o  trabalhador  que  lhe  presta  serviços  sem  vínculo  empregatício,  não  se  revela  como  uma  faculdade  da  empresa, mas,  sim,  uma obrigação  tributária  a  ela  imposta  diretamente,  com  a  força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o  trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana.  Diante dos aludidos dispositivos, exsurge, como decorrência lógica que, tanto  a  obrigação  acessória  ora  infringida  quanto  a  penalidade  pecuniária  associada  ao  seu  descumprimento  objetivo,  encontram­se,  de  fato,  prevista  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade  Social, cumprindo assim as formalidades exigidas pelo Código Tributário Nacional, no âmbito  de competência que lhe foi outorgado pela Carta Magna Brasileira, sendo, por conseguinte, de  observância obrigatória pelo sujeito passivo.  Mostra­se digno de realce, no presente caso, que o lançamento tributário da  obrigação  principal  associada  ao  vertente  Auto  de  Infração  figura  como  objeto  do  Auto  de  Infração de Obrigação Principal nº 37.201.576­0, lavrado na mesma ação fiscal e debatido no  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  16004.000336/2009­19,  o  qual  foi  julgado  integralmente  procedente por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF.  Diante  desse  quadro,  havendo  sido  reconhecido,  por  esta  mesma  Turma  Julgadora  a  procedência  do  lançamento  das  obrigações  tributárias  principais  referentes  aos  fatos  geradores  tratados  neste  auto  de  infração,  não  há  mais  como  se  esquivar  do  reconhecimento da procedência do lançamento que ora se debate, eis que a empresa deveria ter  prestado  à  Fiscalização  todos  os  esclarecimentos  por  ela  formalmente  solicitados,  mediante  Termo  próprio,  eis  que  condizentes  aos  segurados  obrigatórios  do  Regime  Geral  de  Previdência Social que lhe prestaram serviços em cada mês­competência.  No caso  específico dos  autos,  restou demonstrado que a Autuada  agiu  com  dolo, mediante conduta fraudulenta visando a frustrar a arrecadação de tributos, fatos esses que  se consubstanciam em circunstância agravante da infração, prevista no inciso II do art. 290 do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99,  o  que  implica  a  majoração da penalidade cominada em 03 (três) vezes, em atenção ao disposto no inciso II do  art. 292 do Regulamento da Previdência Social.  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99   Art.  290.  Constituem  circunstâncias  agravantes  da  infração,  das  quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator:  I ­ tentado subornar servidor dos órgãos competentes;  II ­ agido com dolo, fraude ou má­fé;  III ­ desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização;  IV ­ obstado a ação da fiscalização; ou  V ­ incorrido em reincidência.  Parágrafo  único.  Caracteriza  reincidência  a  prática  de  nova  infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por  seu  sucessor,  dentro  de  cinco  anos  da  data  em  que  se  tornar  irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do  Fl. 563DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     86  pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à  autuação anterior.  (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de  fevereiro de 2007)    Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma:  I ­ na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos  estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e  288, conforme o caso;  II ­ as agravantes dos incisos I e II do art. 290 elevam a multa em  três vezes;  III ­ as agravantes dos incisos  III e IV do art. 290 elevam a multa  em duas vezes;  IV ­ a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes  a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em  caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores  máximos  estabelecidos  no  caput  dos  arts.  283  e  286,  conforme  o  caso; e  Parágrafo único. Na aplicação da multa a que se refere o art. 288,  aplicar­se­á apenas as agravantes  referidas nos  incisos  III a V do  art. 290, as quais elevam a multa em duas vezes.    Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada,  o art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social aviou norma tributária sancionatória, prevendo  a  punição  do  obrigado,  em  caso  de  infração  de  qualquer  dispositivo  da  Lei  nº  8.212/91,  na  modulação  fixada  no  §3º  do  art.  283  do RPS,  aprovado  pelo Dec.  n°  3048/99,  com  valores  atualizados conforme mecanismo fixado no art. 102 da Lei de Custeio da Seguridade Social.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  sujeita  o  responsável,  conforme a  gravidade  da  infração,  a multa  variável  de Cr$ 100.000,00  (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00  (dez  milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento.    Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada  da  Previdência  Social.  (Redação  dada  pela  Medida  Provisória nº 2.187­13, de 2001).    Regulamento da Previdência Social   Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e  8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a  qual  não  haja  penalidade  expressamente  cominada  neste  Regulamento,  fica o  responsável  sujeito a multa variável de R$  636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$  63.617,35  (sessenta  e  três  mil,  seiscentos  e  dezessete  reais  e  trinta  e  cinco  centavos),  conforme  a  gravidade  da  infração,  aplicando­se­lhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com  os  seguintes  valores:  (Redação  dada  pelo  Decreto  nº  4.862/2003)  Fl. 564DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 522          87  (...)  §3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais  não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à  multa  de  R$  636,17  (seiscentos  e  trinta  e  seis  reais  e  dezessete  centavos).    Art.  373.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  referidos  neste  Regulamento,  exceto  aqueles  referidos  no  art.  288,  são  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da previdência social.    É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente  capaz  de  manter  sua  Moeda  Corrente  a  salvo  da  corrosão  imposta  pela  inflação.  Ante  a  iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto  legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de  tal ocorrência.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  102.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  nesta  Lei  serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da Previdência Social.  (Redação dada pela Medida  Provisória nº 2.187­13/2001).  §1º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  às  penalidades  previstas  no  art.  32­A  desta  Lei.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941/2009).    Revela­se auspicioso salientar que o CTN não  inclui em sua reserva legal a  atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais  não  se  qualificam,  por  expressa  disposição  legal,  como  majoração  de  tributos.  Nessa  perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito  por  qualquer  outro  instrumento  normativo  aquilatado  no  conceito  de  legislação  tributária  estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52,  e do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  Fl. 565DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     88  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  § 1º Equipara­se à majoração do  tributo a modificação da sua  base de cálculo, que importe em torná­lo mais oneroso.  § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto  no  inciso  II  deste  artigo,  a  atualização  do  valor  monetário  da  respectiva base de cálculo.    Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  II ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição  administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;  III  ­  as  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas;  IV ­ os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o  Distrito Federal e os Municípios.  Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.    Na  hipótese  ora  tratada,  os  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo  Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no  exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição  Federal.  Constituição Federal de 1988   Art.  87.  Os  Ministros  de  Estado  serão  escolhidos  dentre  brasileiros  maiores  de  vinte  e  um  anos  e  no  exercício  dos  direitos políticos.  Parágrafo  único.  Compete  ao  Ministro  de  Estado,  além  de  outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:  (...)  II  ­  expedir  instruções  para  a  execução  das  leis,  decretos  e  regulamentos;    Nesse contexto, em 13 de fevereiro de 2009 foi publicada no Diário Oficial  da  União  a  Portaria  MPS/MF  nº  48,  de  12/02/2009,  que  atualizou  o  valor  mínimo  da  penalidade pecuniária previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, I, do Regulamento da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Dec.  nº  3.048/99,  equivalente  a  R$  1.329,18  (um  mil,  trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos).  PORTARIA MPS/MF nº 48, de 12/02/2009  Art. 8º A partir de 1º de fevereiro de 2009:    (...)  V  ­  o  valor  da  multa  pela  infração  a  qualquer  dispositivo  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  para  a  qual  não  haja  Fl. 566DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/2009­87  Acórdão n.º 2401­004.162  S2­C4T1  Fl. 523          89  penalidade  expressamente  cominada  (art.  283),  varia,  conforme  a  gravidade da  infração, de R$ 1.329,18  (um mil  trezentos e  vinte e  nove reais e dezoito centavos) a R$ 132.916,84 (cento e trinta e dois  mil novecentos e dezesseis reais e oitenta e quatro centavos);  VI  ­  o  valor  da  multa  indicada  no  inciso  II  do  art.  283  do  Regulamento  da  Previdência  Social  é  de  R$  13.291,66  (treze  mil  duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos);    Merece  ser  citado  que,  das  disposições  insculpidas  no  §3º  do  art.  113  do  codex  tributário, emerge a natureza objetiva do Auto de Infração de Obrigação Acessória, na  medida  em que  o  simples  fato  da  inobservância  da  obrigação  acessória  é  condição  bastante,  suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal,  relativamente à penalidade pecuniária.   Tal compreensão caminha no mesmo compasso das disposições expressas no  art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações  à  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade,  natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter  objetivo e independente da imputação em realce.   Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.    Dessarte, a caracterização da infração à Legislação Tributária ora em relevo  se concretiza com a mera não inscrição pela empresa, no Instituto Nacional do Seguro Social,  como Segurado Contribuinte Individual, de trabalhador não inscrito na Previdência Social que  presta lhe serviço sem vínculo empregatício.  Por  outro  viés,  o  valor  da  penalidade  imposta  por  intermédio  do  presente  Auto  de  Infração  é  único  e  indivisível,  sendo  despiciendo  para  a  sua  caracterização  e  imputação  o  número  de  infrações  cometidas,  se  contentando  a  lei  para  a  sua  consumação  definitiva a ocorrência objetiva de uma única omissão de inscrição no  INSS, como Segurado  Contribuinte Individual, de trabalhador não inscrito na Previdência Social que presta serviço à  empresa sem vínculo empregatício.  Como resultado, subsiste inabalada a obrigação tributária principal objeto do  Auto de Infração em apreço.  Procedente,  portanto,  o  lançamento  tributário  levado  ora  a  cabo  pela  Autoridade Fiscal Fazendária.    4.   CONCLUSÃO:  Fl. 567DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI     90  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  NEGAR­LHE PROVIMENTO.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                               Fl. 568DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI

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Numero do processo: 11634.000186/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. O presente processo trata do aproveitamento indevido de créditos de Cofins, o que resultou em um auto de infração diferente, e para períodos de apuração distintos. O pedido não procede e o presente julgamento não deve ser sobrestado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A opção pelo lucro presumido foi correta e não influiu na autuação. VENDAS CANCELADAS. As vendas canceladas foram consideradas pela fiscalização na base de cálculo do tributo lançado. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. GLOSA DE CRÉDITOS. INIDONEIDADE DO VENDEDOR. A recorrente deixou de apresentar elementos que pudessem comprovar a efetividade da aquisição das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas. Também deixou de comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõe-se a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes a taxa Selic por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2206; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2.281          1 2.280  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11634.000186/2009­11  Recurso nº  .   Voluntário  Acórdão nº  3301­003.010  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  22 de junho de 2016  Matéria  Cofins Insuficiência de Recolhimento e Aproveitamento de Créditos   Recorrente  SOMOPAR SOCIEDADE MOVELEIRA PARANAENSE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007  SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO.  O presente processo trata do aproveitamento indevido de créditos de Cofins,  o que resultou em um auto de infração diferente, e para períodos de apuração  distintos.  O  pedido  não  procede  e  o  presente  julgamento  não  deve  ser  sobrestado.  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.  Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  quando  o  auto  de  infração  preenche  os  requisitos  legais,  o  processo  administrativo  proporciona  plenas  condições  à  interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação  às  determinações  contidas  no  art.  142  do  CTN  ou  nos  artigos  10  e  59  do  Decreto 70.235, de 1972.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007  OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO.  A opção pelo lucro presumido foi correta e não influiu na autuação.  VENDAS CANCELADAS.  As  vendas  canceladas  foram  consideradas  pela  fiscalização  na  base  de  cálculo do tributo lançado.  INCIDÊNCIA  NÃO­CUMULATIVA.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  GLOSA  DE CRÉDITOS. INIDONEIDADE DO VENDEDOR.  A  recorrente  deixou  de  apresentar  elementos  que  pudessem  comprovar  a  efetividade da aquisição das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 86 /2 00 9- 11 Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.282          2 Também  deixou  de  comprovar  a  efetivação  do  pagamento  do  preço  respectivo.  EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.  Caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  impõe­se  a  aplicação  de  multa  qualificada.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.   Aplicam­se  juros  de  mora  por  percentuais  equivalentes  a  taxa  Selic  por  expressa previsão legal.  Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.   Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Relator.                          Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.283          3     Relatório  Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi  lavrado o auto de infração de fls. 2064/2073, que exige o recolhimento de R$ 2.204.733,24 a  título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e R$ 3.307.099,80 de  multa  de  ofício  (de  150%),  nos  termos  da  fundamentação  legal  listada  à  fl.  2069,  além  dos  encargos legais.  A autuação, cientificada em 04/05/2009 (fl. 2075), que se refere aos períodos  de apuração 01/2006 a 05/2007 e 08/2007 a 12/2007, ocorreu devido à  falta/insuficiência de  recolhimento  da  Cofins  (conforme  detalhado  no  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  de  Ação Fiscal TVEAF, de fls. 2038/2063) e foi efetuada com base nos dispositivos legais listados  à fl. 2073.   Segundo o TVEAF, os valores informados como receita nas DIPJ de 2004 a  2007  não  coincidem  com  os  informados  na GIA/ICMS,  sendo  também  incompatível  com  a  movimentação  financeira  apurada.  No  TVEAF  consta,  ainda,  que  foram  apuradas  inconsistências no preenchimento do Dacon e que inúmeras notas  fiscais,  tidas como eivadas  de falsidade, foram glosadas, resultando em aproveitamento indevido de créditos.  Quanto  as  aquisições  representadas  pelas  notas  fiscais,  consta  que  a  contribuinte, intimada a comprovar os respectivos pagamentos, limitou­se a afirmar que estes  teriam sido feitos em espécie (a planilha de fls. 2053/2054 indica as aquisições desconsideradas  no  procedimento).  Noutro  subitem,  há  a  informação  de  que  teria  havido  aproveitamento  indevido de créditos por parte da contribuinte quando da indicação das “outras operações” na  linha 13 da ficha 16 A do Dacon, implicando, com isso, a reconstituição da apuração das bases  de  cálculo  da Cofins  nos  anos­calendário  analisados  (a  planilha  de  fls.  2060/2061  indica  os  valores a pagar remanescentes após a reconstituição).   À  fl.  2061,  consta que houve a  aplicação da multa de 150% em virtude  da  apuração da prática dos atos previstos nos art. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964.  Em  01/06/2009,  a  interessada,  por  meio  de  procurador  (procuração  à  fl.  2158),  interpôs  a  impugnação  de  fls.  2076/2135,  instruída  com  os  documentos  de  fls.  2136/2159  (cópia  de  documentos  pessoais  do  procurador,  cópia  do  cartão  CNPJ,  cópia  de  relatório do Serasa, cópia de jurisprudência do Conselho de Contribuintes, cópia de extratos de  consultas  cadastrais  junto  à  Prefeitura  do  Município  de  Londrina  e  ao  Estado  do  Paraná,  extratos de consulta a sistema da CEF relativamente as empresas Pedro do Carmo Madeiras e  Construmotta Construção Civil Ltda., cópia de certidão da Junta Comercial do Paraná, relativa  as  empresas  Construmotta  Construção  Civil  Ltda.  e  Pedro  do  Carmo Madeiras  e  cópias  de  folhas do Diário Oficial do Estado do Paraná), cujo teor será sintetizado a seguir.  Primeiramente,  após  relato  sucinto  dos  fatos,  diz  (no  item  ­  Do Domicílio  Fiscal ­ Sede da Matriz) que como os arts. 985 a 987 do RIR/1.999 não foram revogados deve  ser declarado nulo o lançamento já que a autoridade competente no caso seria o Delegado da  Receita Federal em São Paulo.  Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.284          4 No  item  seguinte  (Da  Ilegal  Opção  pelo  Lucro  Presumido)  alega  que  fez  ilegal  opção  pelo  lucro  presumido  nos  anos­calendário  de  2004  e  2005,  porquanto  obteve  receita operacional de, respectivamente, R$ 48.120.356,67 e R$ 66.011.022,75, acima do limite  de  R$  48.000.000,00  para  enquadramento  no  lucro  presumido;  que  tal  opção  não  pode  prosperar e nem a autoridade lançadora pode referendar tal atitude.   Transcreve  trechos do TVEAF e  conclui  que o  lançamento  respectivo deve  ser  cancelado,  já  que  a  opção  pelo  lucro  presumido  e  a  manutenção  dessa  opção,  está  em  desacordo com a legislação. Esclarece, ainda, que apresentou declarações retificadoras quando  readquiriu  sua  espontaneidade,  conforme  art.  7°,  111,  §  2°,  do Decreto  n°  70.235,  de  1972,  razão  pela  qual  requer  seja  determinada  a  exclusão  das  penalidades  e,  uma  vez  existentes  valores confessados, seja declarado nulo o lançamento fiscal. Para tanto, ampara­se no disposto  no art. 2º da Lei n" 9.784, de 1999. Na seqüência, alega nulidade do auto de infração em litígio  em face da quebra do sigilo bancário sem autorização  judicial e que o sigilo bancário é uma  garantia individual que só pode ser violada em casos graves e com autorização judicial.  No  subitem VI,  diz  que  observou  a  IN  SRF  n°  93,  de  1997,  excluindo  da  receita bruta o valor das vendas canceladas.  Questiona,  no  subitem  VII,  se  a  autuação  é  demonstração  de  opinião  particular  do  Auditor.  Diz  que  opiniões  pessoais  não  deveriam  constar  do  procedimento.  Transcreve  jurisprudência.  Discorre,  no  subitem  VII.1  (Da  Declaração  de  lnidoneidade  do  Contribuinte­Fornecedor)  sobre  as  compras  efetuadas. Diz que  tem o direito de  escriturar os  seus créditos independentemente da situação empresarial e fiscal dos fornecedores. Alerta que  se há algum tributo pendente, cabe ao Fisco cobrá­lo da vendedora das mercadorias.   Diz,  também,  que  “o  Fisco  não  pode,  a  pretexto  de  suposta  irregularidade  praticada  por uma  empresa  fornecedora,  no  caso  a  Impugnante,  transferir  a  responsabilidade  tributária; ao menos que comprove fraude, que não pode ser presumido.”   Destaca o princípio da boa fé, cita e transcreve doutrina e jurisprudência e diz  que o art. 353 do RIPI/2002 não foi revogado e que a auditoria deveria demonstrar quais itens  teriam sido desconsiderados.  A  seguir,  no  subitem VII.2  (Da Relação Comercial  entre Empresas)  afirma  que  as  operações  comerciais  existiram  em  sua  plenitude,  que  os  pagamentos  encontram­se  escriturados em seu caixa e que tais lançamentos não foram analisados na auditoria. Esclarece  que  as  empresas  existem  e  estão  em  plena  atividade  comercial.  Insiste  na  nulidade  do  lançamento  e  alerta  que  os  contratos  foram  firmados  em  moeda  nacional,  portanto,  as  operações  envolveram  pagamento  em  dinheiro.  Questiona  a  interpretação  fiscal  que  lança  dúvidas sobre as operações e apresenta legislação correlata que prevê o pagamento em dinheiro  de impostos.   Transcreve  jurisprudência  e  aduz  que  a  auditoria  errou  em  não  observar  o  disposto na legislação acerca da declaração de inidoneidade das empresas fornecedoras.  Pondera,  adicionalmente,  que  segundo  a  legislação  somente  a  empresa  irregular deve ser considerada inidônea, no entanto, como as empresas em questão não tiveram  a  sua  situação  declarada  irregular  pelo  fisco,  não  haveria  como  desconsiderar  as  operações.  Pede o cancelamento do auto de infração.   Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.285          5 Noutro subitem (VIII ­ Da Entrega do Auto de Infração) afirma que é nula a  intimação  via  postal  “uma vez  cientificado  o  proprietário  desde  o  primeiro  procedimento  de  oficio” e, como consequência, nula também a autuação. Transcreve jurisprudência a respeito.  No  subitem  IX  (Da Diligência)  questiona  as  diligências  efetuadas. Diz  que  não se tornaram públicas, violando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Fala, também, que  a “autuação baseada em suposta inidoneidade de documentos, decorrente de processo a que a  autuada não teve acesso” resulta de simples presunção, portanto, não pode ser permitida.  Sobre  a multa  aplicada,  diz  que  tem  caráter  confiscatório  (subitem X  f Da  Multa Confiscatória), por ser extremamente elevada e desarrazoada. Aduz que o STJ e o STF  já decidiram pela inconstitucionalidade da aplicação da multa confiscatória.  A  seguir,  no  subitem Xl  (Da  Selic)  afirma  que  a  aplicação  da  taxa  Selic  é  ilegal e inconstitucional. Discorre sobre o tema e pede o cancelamento da exigência.  Ressalta,  na  sequência  (subitem  Xll  ­  Considerações  Diversas),  que  em  momento  algum  deixou  de  atender  às  intimações  da  fiscalização,  pois  todos  os  livros  e  documentos  solicitados  foram  apresentados,  sendo  que  problemas  técnicos  e  humanos  ocasionaram  a  demora  na  entrega  dos  relatórios.  Como  prova  da  capacidade  econômica  financeira  de  honrar  os  pagamentos  das  notas  de  compras,  apresenta Relatório  Sintético  das  Contas Duplicatas a Receber, Duplicatas Descontadas e Empréstimos e Financiamentos.  Relata,  ainda,  que  em pesquisa  efetuada no Serasa  constatou  que  os  sócios  das  empresas  atacadas  constituíram  várias  empresas,  após  e  durante  as  vendas  para  a  impugnante,  e  estas  empresas  encontram­se  ativas  até  a  data  de  hoje.  Diz,  também,  que  os  valores  dos  insumos  glosados  devem  ser  restabelecidos  em  sua  íntegra,  pois  não  possuía  à  época poderes fiscalizatórios e nem poderia ter acesso a órgãos de fiscalização para obtenção  de informações acerca da regularidade fiscal das empresas Construmotta e Pedro do Carmo.  Aduz  que  o  fato  de  a  declaração  de  inidoneidade  ser  publicada  após  a  lavratura do auto de  infração afronta diretamente o primado da segurança  jurídica e que não  tem  o  contribuinte  a  obrigação  de  recolher  o  tributo  aproveitado  em  operações  comprovadamente realizadas e acobertadas à época, por notas fiscais não declaradas inidôneas  pelo  fisco.  Conclui,  afirmando  que  ato  declaratório  de  inidoneidade  da  empresa  somente  produz efeitos após sua publicação.  Quanto  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  (subitem XIII),  alega  que  o  Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1” do art. 3° da Lei n” 9.781 (sic),  de  1998,  que  instituiu  nova  base  de  cálculo  de  incidência  de  PIS  e  Cofins.  Afirma  que  os  valores  tributados  como  receita  omitida  pela  glosa  de  custos,  para  o  Pis  e Cofins,  embutem  outras  receitas  isentas  e  alíquotas  consideradas  inconstitucionais,  bem  como,  em  total  desrespeito à legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins.  Entende  ser  absurda  a  glosa  dos  créditos  de material  de  consumo,  sanepar,  equipamentos  de  segurança,  comissão  sobre  vendas,  verbas  de  propaganda,  aluguel  de  sistemas, Serasa, despesas de produção e aquisição de vale transporte, pois tais despesas estão  representadas por notas fiscais devidamente pagas e registradas na contabilidade.  Ao  final  (subitem  XIV),  requer  que  a  impugnação  seja  recebida  e  que  as  prejudiciais  sejam  acolhidas,  declarando­se  nula  a  sanção  imposta.  Pede,  também,  que,  caso  Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.286          6 seja  necessário  apreciar  o  mérito,  que  se  decida  pela  improcedência  da  autuação,  determinando­se o cancelamento do auto de infração c da imposição de multa e de juros Selic.  Na  hipótese  de  entendimento  diverso,  requer,  subsidiariamente,  o  reconhecimento do  caráter de  confiscabilidade da multa aplicada,  para  assim declarar nula  a  sua aplicação, o restabelecimento dos insumos adquiridos das empresas “atacadas existentes e  demais  creditamentos”  e  a  concessão  de  prazo  para  a  juntada  de  novos  documentos  pela  impossibilidade de fazê­lo neste ato, nos termos do art. 20 da Lei n” 10.941, de 2001.  Por derradeiro,  protesta  provar o  alegado por  todos os meios  admitidos  em  direito.  A DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência, conforme  sintetiza a ementa do acórdão a seguir reproduzida:  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Período  de  apuração:  01/01/2006  a  31/05/2007,  01/08/2007  a  31/12/2007  NULIDADE. PRESSUPOSTOS.  Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.  COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO.  É  atribuição  do  Auditor­Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil  constituir  o  crédito  Tributário  mediante  lançamento  consubstanciado  em  auto  de  infração,  sendo  válido  o  procedimento  ainda  que  realizado  por  servidor  competente  de  jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo,  pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga  a competência da autoridade que dela primeiro conhecer.  VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL.  É  válida  a  ciência  postal  do  lançamento  fiscal,  porquanto,  conforme  legislação  de  regência,  os  meios  de  intimação  previstos não estão sujeitos a ordem de preferência.  APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO.  A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se  fundamentar e que comprovem as alegações de defesa.  Assunto: Cofins  Período  de  apuração:  01/01/2006  a  31/05/2007,  01/08/2007  a  31/12/2007  COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  INDEVIDO  DE CRÉDITOS. GLOSA.  Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.287          7 O  desconto  indevido  de  créditos  na  apuração  da  Cofins  não­ cumulativa,  autoriza  a  glosa  e  a  tributação  dos  valores  correspondentes.  EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.  Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõe­se a aplicação  de multa qualificada.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.   Aplicam­se  juros  de  mora  por  percentuais  equivalentes  a  taxa  Selic por expressa previsão legal.  Impugnação Improcedente.  A  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  onde  repete  os  argumentos  da  impugnação, inclusive o pedido para que o processo seja sobrestado até o julgamento do auto  de  infração  de  IRPJ  e CSSL,  lavrado  no  processo  11634.000182/2009­25,  que  está  sorteado  para a relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, da 1ª Seção de Julgamento.  É o relatório.                                  Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.288          8     Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator.  O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido.  Trata­se de auto de infração de fls. 2064/2073, que exige o recolhimento de  Cofins com multa de ofício de 150%.  A autuação se refere aos períodos de apuração 01/2006 a 05/2007 e 08/2007 a  12/2007, e ocorreu devido à falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins.  Segundo a fiscalização, os valores informados como receita nas DIPJ de 2006  a 2007 não coincidem com os informados na GIA/ICMS, sendo também incompatível com a  movimentação financeira apurada.   No  TVEAF  consta,  ainda,  que  foram  apuradas  inconsistências  no  preenchimento do Dacon e que inúmeras notas fiscais, tidas falsas, foram glosadas, resultando  em aproveitamento indevido de créditos.  Portanto, toda a base tributável foi recalculada, com a exclusão dos créditos  indevidamente aproveitados, e houve o lançamento da Cofins devida.   1) Pedido de Sobrestamento do Processo:  A Recorrente  solicitou  que  o  processo  seja  sobrestado  até o  julgamento  do  auto de infração de IRPJ, CSSL, PIS e Cofins lavrado no processo 11634.000182/2009­25, que  está sorteado para a relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, da 1ª Seção de  Julgamento.  Apesar  do  processo  11634.000182/2009­25  ter  fatos  semelhantes  aos  do  presente processo, entendo que os julgamentos não são conexos.  No processo Nº 11634.000182/2009­25, o auto de  infração de Contribuição  para Financiamento da Seguridade Social — Cofins exige o recolhimento de R$ 3.100.204,81 a  título de contribuição e R$ 4.650.307,16 de multa de lançamento de ofício de 150%, prevista  no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 44,  II, da Lei no 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais, para os períodos de janeiro de 2004  a dezembro 2005.  O lançamento, com fundamento nos arts. 2º, II e parágrafo único, 31, 10, 22 e  51  do Decreto  no  4.524,  de  2002,  refere­se  à  receita  escriturada  e  não  declarada  nos  anos­ calendário de 2004 e 2005.  Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.289          9 Já  o  presente  processo  trata  de  insuficiência  de  recolhimentos  e  aproveitamento  indevido  de  créditos  de Cofins,  o  que  resultou  em um auto  de  infração  para  períodos de apuração diferentes: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007.  Logo, entendo que o pedido não procede e o presente  julgamento não deve  ser sobrestado.  2) Nulidade:  Em várias oportunidades, a recorrente defende a nulidade do lançamento.  Reclama  que  a  competência  para  a  fiscalização  e  lançamento  seria  do  Delegado  da  Receita  Federal  em  São  Paulo,  que  apresentou  declarações  retificadoras  em  13/03/2009,  quando  teria  readquirido  a  espontaneidade,  que  outro  MPF  deveria  ter  sido  solicitado  após  a  reaquisição  da  espontaneidade,  que  houve  quebra  do  sigilo  bancário  sem  autorização judicial e que é nula a ciência do auto de infração por via postal, pois, tendo sido  dado  ciência  pessoal  ao  proprietário  desde  o  primeiro  procedimento  de  ofício,  a  intimação  postal somente poderia ser feita quando a parte se recusasse a receber a intimação.  Não concordo com as alegações da recorrente.   Não  há  que  se  cogitar  de  nulidade  quando  o  auto  de  infração  preenche  os  requisitos  legais,  o  processo  administrativo  proporciona  plenas  condições  à  interessada  de  contestar o  lançamento  e  inexiste qualquer  indício de violação  às determinações  contidas no  art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.  Em  relação à alegação específica de que haveria nulidade no procedimento  fiscal pelo fato de, ao expirar o prazo de 60 dias contados da ciência, em 07/01/2009, do Termo  de  Intimação Fiscal Nº  3  (fls.  1925­ 1926),  apresentou DCTF  retificadoras. Aduz que  só  foi  comunicada  do  prosseguimento  dos  trabalhos  em  16/03/2009  (Intimação  Fiscal  nº  04  ­  fls.  186/187), quando  já estava com sua espontaneidade  readquirida. Pede,  ainda, a exclusão das  penalidades  e  diz  que  outro  procedimento  deveria  ter  sido  iniciado,  com  novo mandado  de  procedimento fiscal.  Como  bem  dito  no  acórdão  recorrido,  o  simples  esgotamento  do  prazo  previsto no § 2° do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972, não acarreta a nulidade do auto de  infração.  Apenas  proporciona  ao  sujeito  passivo  a  condição  de  ter  restabelecida  a  espontaneidade que lhe dá o direito de liquidar o crédito tributário sem o acréscimo da multa de  ofício.   No caso concreto, no entanto, verifica­se que nenhum pagamento de Cofins  foi  realizado  no  período,  tampouco  débitos  dessa  contribuição  foram  confessados  nas  declarações retificadoras apresentadas para os trimestres em tela  Logo, se nenhum débito de Cofins foi espontaneamente pago ou confessado  pela  autuada  em  13/03/2009,  nenhum  reparo  nesse  sentido  cabe  ser  efetuado  no  presente  lançamento.  Em  relação  à  alegação  de  que  com  a  reaquisição  da  espontaneidade  outro  procedimento  fiscal  deveria  ter  sido  solicitado,  mediante  emissão  de  novo  Mandado  de  Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.290          10 Procedimento  Fiscal,  cabe  destacar  que  o  prazo  de  execução  do MPF  utilizado  somente  se  esgotou em 1° de julho de 2009 (fl. 21 ).   Portanto,  o  prazo  de  execução  do  MPF  se  esgotou  em  data  posterior  ao  lançamento.   Em relação à alegação de nulidade em face da quebra do sigilo bancário sem  autorização  judicial,  cabe destacar que o  lançamento  fiscal  em  tela não  foi  fundamentado na  movimentação bancária detectada com base em extratos bancários.  Assim,  não  assiste  qualquer  razão  à  recorrente  nas  suas  alegações  de  nulidade.  3) Opção Pelo Lucro Presumido em 2004 e 2005:  A recorrente alega que fez equivocada opção pelo lucro presumido em 2004 e  2005 em face de haver excedido o limite de R$ 48.000.000.00 de receita bruta, razão pela qual  deveria  ter  sido  tributada  com  base  no  lucro  real,  tal  corno  ocorreu  em  relação  aos  anos­ calendário de 2006 e 2007.   Alega  que,  se  fosse  tributada  corretamente,  poderia  ter  os  seus  créditos  de  PIS/Cofins  transferidos  de  2004  e  2005  para  2006  e  2007.  Assim,  isso  poderia  alterar  o  presente lançamento.  Entretanto,  tanto  o  acórdão  recorrido,  quanto  o  processo  Nº  11634.000182/2009­25 já demonstraram que isso não ocorreu.  O  acórdão  de  1ª  instância  do  processo  Nº  11634.000182/2009­25,  já  transcrito no acórdão recorrido, resolve a controvérsia:  (...)  Considerando  que  o  IPI  não  integra  o  valor  da  receita  bruta,  conforme  disposto  no  parágrafo  único  do  art.  279  do  RIR  de  1999  (impostos  não  cumulativos)  cobrados.  destacadamente  do  comprador ou contratante dos quais o  vendedor dos bens ou o  prestador dos serviços seja mero depositário, verifica­se que foi  apurada  receita  bruta  no  montante  de,  respectivamente,  R$  45.024.276, 74 e R$ 61.431.605, 96 nos anos­calendário de 2004  e 2005.  Por conseguinte.  tendo em vista que não pode optar pelo  lucro  presumido  a  pessoa  jurídica  cuja  receita  bruta  tenha  sido  superior  a  48.000.000,00  no  anocalendário  anterior.  conforme  previsto no art. 13 da Lei n" 9.718. de 27 de novembro de 1998.  com a redação dada pela Lei nº 10.627. de 30 de dezembro de  2002, verifica­se que a interessada ficou impedida de optar por  esse regime apenas no ano­calendário de 2006, período em que  sofreu tributação com base no lucro real.  Desta  forma,  não  se  constata  irregularidade  alguma  na  autuação  com  base  no  lucro  presumido  sobre  a  receita  bruta  escriturada  em  livros  fiscais  e  não  declarada  dos  anos­ calendários de 2004 e 2005.  Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.291          11 Portanto não assiste razão à recorrente nessa matéria.  4) Vendas Canceladas e Devolução de Vendas:  A  recorrente  alega  que  as  suas  vendas  canceladas  foram  indevidamente  incluídas na base de cálculo da Cofins.  No autos verifica­se que a recorrente adotou em sua contabilidade, na conta  3.2.l.l0.000l, a denominação “vendas canceladas” para referir­se, na realidade, às operações de  devolução de vendas.   Já a fiscalização apurou a Cofins não­cumulativa com base nas informações  prestadas nos Dacon de fls. 08/l53, e também na contabilidade, excluiu da presente apuração  valores  relativos  às devoluções de vendas  informadas  como ocorridas  em  todos os meses de  2006 e 2007.  Assim, todos os ajustes necessários já foram efetuados no lançamento.  Portanto, não assiste razão à recorrente nessa matéria.  5) Créditos Glosados por Inidoneidade do Vendedor:  Houve glosa de créditos da apuração da Cofins não­cumulativa dos valores  relativos as notas fiscais apreendidas pela fiscalização no valor de R$ 22.079.839,94 nos anos  de 2006 e 2007.   Tais  notas  fiscais  foram  emitidas  pelas  empresas  Construmotta  Construção  Civil Ltda. e Pedro do Carmo ­ Madeira.   Nesse  ponto,  transcrevo  partes  de  interesse  do  acórdão  recorrido  por  dar  suporte fático a solução da controvérsia:  Conforme  esclarecido  às  fls.  2050/2051  (item  4  do  TVEAF),  a  interessada  foi  intimada,  em  07/01/2009  (fls.  1925/1926),  a  apresentar  diversos  elementos  que  pudessem  comprovar  a  efetividade  da  aquisição  das  mercadorias  descritas  nas  notas  fiscais  emitidas  em  nome  das  empresas  Construmotta  Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo ­ Madeira.   Contudo,  após  solicitar  prorrogação  de  prazo  (fl.  1927),  a  fiscalizada  respondeu,  em  18/02/2009  (fl.  1928),  que  os  pagamentos  foram  'feitos  em  espécie,  por  meio  do  caixa,  conforme  conta  razão  11°  2.1.4.10.1719,  e  que  as mercadorias  foram transportadas pelas empresas vendedoras e entregues na  sede da compradora, sendo que não lhe foi entregue nenhum tipo  de  documento  de  transporte  além  das  notas  fiscais  de  compra.  Também requereu prazo adicional de 30 dias para apresentar os  livros Registro de Controle de Produção e do Estoque  (modelo  3) e de Registro de Inventário das filiais 0002 e 0003, porquanto,  segundo  consta,  necessitava  finalizar  os  ajustes  necessários  a  melhor compreensão e identificação das operações. `  Cabe  destacar,  de  plano,  que  qualquer  operação  realizada  em  moeda corrente nacional é evidentemente  legal, pois não existe  Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.292          12 norma que obrigue a efetivação do pagamento por intermédio de  uma  instituição  financeira.  Porem,  o  pagamento  de  elevadas  importâncias  em  moeda  corrente,  como  no  caso  vertente,_no  montante de R$ 14.900.430,72 no ano­calendário de 2006 e de  R$ 7.179.409,22 no de 2007, não é normalmente assim realizado  justamente  pela  dificuldade  de  comprovação  da  operação  e,  obviamente, por razões de segurança.  No caso dos autos, a inidoneidade da documentação emitida em  nome  das  empresas  Construmotta  Construção  Civil  Ltda.  e  Pedro  do  Carmo  ­  Madeira  foi  fartamente  comprovada  pela  fiscalização, de cujas verificações destaca­se:  a)  em  diligência  efetuada  no  domicílio  fiscal  das  empresas  Construmotta  Construção  Civil  Ltda.  e  Pedro  do  Carmo  z  Madeira, ambas  localizadas no mesmo endereço ­ na Rua Dom  Aquino  n°  16,  Jardim  Recanto  Colonial,  Londrina/PR  ­  a  fiscalização constatou que atualmente funciona a empresa Ciclo  Real  Comércio  de  Madeiras  Ltda  (a  Desmanchão  da  Construção)  e  nele  encontrou  apenas  restos  de  materiais  de  demolição (fotos de fls. 1865/1867);  b) na mesma diligência  foi coletado depoimento da Sra. Eliane  Silva de Lima, proprietária de floricultura instalada na Rua Dom  Aquino, 15, desde 2005  (fls.  1868/1869) que afirmou nunca  ter  funcionado  estabelecimento  comercial  algum  na  Rua  Dom  Aquino, '16 (fls. 1.870/ 1871.);  c) em consulta efetuada junto à Secretaria de Estado da Fazenda  do Estado do Paraná, verificou­se que inexistem as Autorizações  para  Impressão  de  Documentos  Fiscais­IDF  informadas  nas  notas  fiscais  inidôneas  (fls.  1914/1.919),  tendo  a  empresa  que  seria  responsável  pela  impressão  dos  talonários  dessas  notas  fiscais  ­ N.  Azevedo  de Oliveira & Cia.  Ltda.  ­  informado  que  desconhece a procedência dessas AIDF (fls. 1883/1889);  d) Ezilaine Pereira Barros  (fl. 1897), que seria uma das  sócias  da  empresa  Construmotta  Construção  Civil  Ltda,  compareceu  em 18/02/2009 na DRF/Londrina c declarou não ser sócia dessa  empresa e que não conhece essa empresa e nem o outro sócio,  Markson Flávio Campos Motta (fls.‹1897/1901.), diz que perdeu  seus documentos em 2002 (possivelmente utilizados na abertura  da empresa) e que solicitou, em 13/10/2008, à Receita Federal,  nos  autos  do  processo  110930.005390/2008­22,  a  anulação  da  inscrição  no  cadastro  do  CNPJ  (fl.  1900).  Ao  que  cotista,  a  fiscalização dirigiu›se ao domicilio fiscal de Ezilaine e constatou  tratar›se  de  residência  “muito  humilde”,  incompatível  com  a  situação  de  sócia  de  empresa  com  grande  movimentação  comercial; .  e)  a  autoridade  fiscal  compareceu  ao  domicilio  fiscal  de  Markson Flávio Campos Motta,  o outro  sócio da Construmotta  Construção Civil Ltda. (fls. 1906/1907) e também encontrou uma  residência muito humilde, onde foi atendida pelo atual morador,  Cláudio  da  Silva;  que  informou  desconhecer  o  paradeiro  do  antigo morador;  Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.293          13 i)  O  contabilista  responsável  pela  abertura  da  Construmotta  Construção  Civil  Ltda.,  Eduardo  Milan  Teixeira,  (fls.  1908/1909)  compareceu  à  DRF/Londrina,  em  03/03/2009,  e  declarou  que  não  teve  contato  pessoal  com  os  sócios  da  empresa, que os documentos necessários à abertura da empresa  foram  entregues  diretamente  no  escritório  por  Vicente  Taveira  (sócio da empresa Ciclo Real Comercio de Madeiras Ltda ME),  que desconhece o  local onde  teria  funcionado a empresa e que  após  algum  tempo  cessou  a  entrega  de  documentos  fiscais/contábeis, assim como o pagamento dos honorários;  g)  a  empresa  Ciclo  Real  Comércio  de  Madeiras  Ltda.  foi  intimada  em 14/02/2009  e  reintimada em 27/02/2009 a  prestar  diversas informações que ajudassem a confirmar, ou não, a real  existência  daqueles  fornecedores  (fls.  1.864/1877),  mas  não  se  manifestou a respeito;  h) o  suposto  sócio da empresa Pedro Carmo  ­ Madeira, Pedro  do Carmo,  não  foi  localizado  em  face de  haver  informado  rios  cadastros da SRF (fl. 1921) que seu domicílio fiscal também era  Rua Dom Aquino, 16 (mesmo da empresa);  i) o contabilista responsável pela abertura da empresa Pedro do  Carmo ­ Madeira, Júlio Alves Batista, declarou (fls. 1922/1924)  ter efetuado a abertura da empresa e para ela prestado serviços  durante aproximadamente 2 meses, serviços estes suspensos em  razão de  falta de pagamento, não  tendo  tido após esse período  mais contato com a empresa ou seu representante.  À  vista  da  existência  de  inúmeras  notas  fiscais  envolvendo  grande  quantidade  de  mercadorias  (chapa  compensada  e  madeira),  todas  movimentadas  do  município  de  Londrina/PR  para  o  município  de  Arapongas/PR,  sem  as  especificações  do  transporte,  a  fiscalização procedeu  aos  ajustes  dos  créditos  de  Cofins  e a  reconstituição da apuração das bases de cálculo da  Cofins dos anos›calendário 2006/2007.  Diante  da  constatação  de  que  as  empresas  Construmotta  Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira inexistiam de  fato,  caberia  à  interessada  comprovar  documentalmente  as  respectivas operações.   Sobre o assumo, é oportuno atentar para o que dispõem os arts.  251, 264, 276 c 923 do RIR de 1999:  Art.  251.  A  pessoa  jurídica  sujeita  ii  tributação  com  base  no  lucro  real  deve  manter  escrituração  com  observância  das  leis  comerciais e fiscais (Decreto­lei rt” 1.598, de 1977, art. 7º.).  Parágrafo  único.  A  escrituração  deverá  abranger  todas  as  operações  do  contribuinte.  os  resultados  apurados  em  suas  atividades  no  território  nacional,  bem  conto  os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior  (Lei  n°  2.534l, de 29 de novembro de 1954, art. 2º.,  e Lei nº 9.249, de  1995, art. 25).  Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.294          14 Art.  264.  A  pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem  ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto­Lei  nº 486, de 1969, art. 4º.).  Art.  276.  A  determinação  do  lucro  real  pelo  contribuinte  está  sujeita  à  verificação  pela  autoridade  tributária,  com  base  no  exame  de  livros  e  documentos  de  sua  escrituração.  na  escrituração  de  outros  contribuintes,  em  informação  ou  esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer  outro  elemento  de  prova,  observado  o  disposto  no  art.  923  (Decreto­Lei n° 1.598, de 1977, art. 9º).  Art.  923,  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  contábeis  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  preceitos  legais  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art 9º, § lº).   A  escrituração contábil  não constitui  prova, por  si mesma, dos  fatos  nela  registrados,  mas  tão­somente  quando  lastreada  em  documentação  hábil  e  idônea  que  comprove  de  forma  inquestionável os  fatos  registrados. Cabe à contribuinte manter  sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos  os  documentos  necessários  à  comprovação  das  operações  que  alteraram sua situação patrimonial. Inequívoca é, portanto, sua  obrigação em comprovar a aquisição dos insumos utilizados no  processo produtivo, assim como os pagamentos correspondentes  para comprovar a efetividade da operação.  Ao  identificar  vícios  na  documentação  apresentada  pela  contribuinte como suporte das aquisições por ela contabilizadas,  a autoridade  fiscal não admitiu  tais notas  fiscais como prova e  concedeu  ã  contribuinte  a  oportunidade  de  apresentar  novos  elementos.  Porém,  desprezando  tais  circunstâncias,  a  contribuinte não envidou qualquer esforço para apresentação da  comprovação  dos  pagamentos  ou  do  efetivo  ingresso  das  mercadorias  constantes  das  notas  fiscais,  elementos  estes  que  militariam em favor de sua boa­fé.  A  contribuinte,  alegando  boa­fé,  alegou  desconhecer  as  irregularidades  fiscais  das  empresas  Construmotta  Construção  Civil Ltda.  e Pedro do Carmo  ­ Madeira,  especialmente ante a  ausência de declaração de nulidade da inscrição no CNPJ.  No  entanto,  em momento  algum  a  autoridade  fiscal  vinculou  o  desconto dos créditos correspondentes às aquisições de bens que  seriam  utilizados  como  insumos,  ã  regularidade  fiscal  dos  fornecedores, pois o aproveitamento desses créditos sempre e vê  condicionado a comprovação documental regular, como todas as  demais  operações  que  afetam  o  patrimônio  do  contribuinte.  O  desconto  do  credito  na  apuração  da  Cofins  não­cumulativa  devida  no  período  seria  admitido  se  o  documento,  mesmo  emitido  por  empresa  considerada  inidônea  ou  inapta,  estivesse  Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.295          15 acompanhado da prova do efetivo pagamento e do recebimento  dos bens ou serviços, o que não ocorreu.   A questão presente cinge­se à existência ou não de comprovação  das aquisições dos insumos descritos nas notas 'fiscais emitidas  pela empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do  Carmo  ­  Madeira.  Neste  sentido,  não  se  esta  imputando  à  contribuinte  a  obrigação  de  conhecer  a  regularidade  fiscal  de  seus  fornecedores,  mas  tão  somente  o  ônus  de  provar  que  as  transações comerciais de fato ocorreram.  Reitere­se que aqui  também  inexiste qualquer  inversão do ônus  da  prova,  mas  sim  omissão  do  contribuinte  em  comprovar  a  efetividade  das  aquisições  dos  insumos  constantes  das  notas  fiscais em análise. Desconstituída a eficácia do documento, resta  não  provada  a  operação  se  outros  elementos  não  são  apresentados pela interessada.  Com relação a declaração de  inaptidão, assim dispõe o art. 82  da Lei n° 9.430, de 1996:  Art.  82.  Alem  das  demais  hipóteses  de  inidoneidade  de  documento  previstos  na  legislação,  não  produzirá  efeitos  tributários  em  favor  de  terceiros  interessados  o  documento  emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de  Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta.   Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  aos  casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o  tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do  preço  respectivo  e  o  recebimento  dos  bens,  direitos  e  mercadorias ou utilização dos serviços.   Mesmo que as empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e  Pedro  do  Carmo  ­  Madeira  ainda  não  tivessem  a  época  sido  consideradas ou declaradas inaptas, os indícios que evidenciam  a  inidoneidade  dos  documentos  fiscais  embasaram  o  posterior  registro dessa condição no cadastro do CNPJ.   Dessa  forma,  como  a  interessada  deixou  de  comprovar  a  efetivação do pagamento do preço respectivo (salientando que a  singela alegação de que todos os pagamentos, num montante de  cerca  de  R$  22.000.000,00,  teriam  sido  realizados  em  espécie,  não  pode  ser  acolhida  sem  prova)  e  o  recebimento  dos  bens,  direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, deve subsistir  a glosa promovida pela fiscalização.  Considerando  o  farto  conteúdo  probatório  dos  autos  e  o  que  foi  transcrito,  concordo inteiramente com o acórdão recorrido.  6) Multa Qualificada de 150%:  Foi aplicada multa qualificada de 150% em consequência da fiscalização ter  entendido que houve evidente atuação dolosa com o intuito de fraudar o Fisco.  Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.296          16 Nos autos restou fartamente caracterizado que a interessada agiu de maneira  dolosa  ao  utilizar  documentação  inidônea  de  maneira  fraudulenta  para  a  comprovação  de  créditos passíveis de desconto da apuração da Cofins não­cumulativa.  Também se utilizou de despesas não passíveis de crédito da contribuição, por  falta de previsão legal.  A fundamentação da multa está na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de oficio,  serão aplicadas as  seguintes multas:  1  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;   II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:   (...)   § 1º O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste  artigo será duplicado nos casas previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei nº 4502 de 30 de novembro de 1964  independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.   Os art. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, estabelecem que:   Art.  7I.  Sonegação  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária.  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal. sua natureza ou circunstanciais materiais:  II ­ das condições pessoais de contribuinte suscetíveis de afetar a  obrigação  tributária  principal  ou  o  credito  tributário  correspondente.  Art.  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do falo  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, destinado o reduzir  o  montante  do  imposto  devido,  ou  a  'evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.  Art.  73. Conluio  é  o  ajuste  doloso  entre  ditas  ou mais  pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no  artigo 71 e 72.  Portanto, também não assiste razão à recorrente nessa matéria.  7) Correção do Débito Pela Taxa Selic:  A recorrente contesta a correção dos débitos pela taxa Selic.  Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.297          17 No  que  se  refere  aos  juros  moratórios,  registre­se  que  sua  cobrança  em  percentual equivalente à variação da taxa Selic para títulos federais, em se tratando de tributos  e contribuições, observa norma inserida no CTN:  Art, 161. O crédito não  integralmente pago na vencimento será  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas' nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a  lei  não disser de modo diverso os  juros de mora  são  calculados a taxa de 1% (um por cento) ao mês.   Logo, por expressa disposição legal, e em consonância com o CTN como está  expresso no art. 61, § 3°, da Lei n.° 9.430, de 1996, foram definidos, para cobrança de juros de  mora, percentuais equivalentes a taxa referencial Selic.  A  recorrente  também  questiona  a  constitucionalidade  da  utilização  da  taxa  Selic como juros de mora:  A matéria é sumulada pelo CARF:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto, não assiste razão à recorrente nessa matéria.  8) A Base de Cálculo da Cofins:  A recorrente alega que o STF declarou a inconstitucionalidade do parágrafo  1°  do  art.  3°  da  Lei  nº  9.718/98,  que  instituiu  nova  base  de  cálculo  de  incidência  de  PIS  e  Cofins. Afirma que os valores tributados como receita omitida pela glosa de custos, para o PIS  e  Cofins,  embutem  outras  receitas  isentas  e  alíquotas  consideradas  inconstitucionais,  “bem  como vai em total desrespeito à legislação da não­cumulatividade do Pis e da Cofins.”   Entende  ser  absurda  a  glosa  dos  créditos  de material  de  consumo,  sanepar,  equipamentos  de  segurança,  comissão  sobre  vendas,  verbas  de  propaganda,  aluguel  de  sistemas, Serasa, despesas de produção e aquisição de vale transporte, pois tais despesas estão  representadas por notas fiscais devidamente pagas e registradas na contabilidade.  Como  bem  dito  no  acórdão  recorrido,  no  presente  lançamento  não  houve  tributação de “receitas omitidas pela glosa dos custos.”   Houve,  em  respeito  a  legislação  que  disciplina  a  não­cumulatividade  da  Cofins,  e  em  decorrência  do  aproveitamento  indevido  de  créditos,  de  bens  utilizados  como  insumos  e de  outras  operações  com direito  a  crédito,  a mera  reconstituição  da  apuração  das  bases de cálculo da Cofins.   No  que  tange  ao  contido  no  §  1°  do  art.  3°  da  Lei  n”  9.718,  de  1998,  é  importante esclarecer que sua inconstitucionalidade em nada afeta o lançamento, já que, como  se constata, foi utilizado como base de cálculo o efetivo faturamento da empresa.  Portanto, entendo que as glosas efetuadas pela fiscalização foram corretas.  Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/2009­11  Acórdão n.º 3301­003.010  S3­C3T1  Fl. 2.298          18 Conclusão  Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Relator    assinado digitalmente                   Luiz Augusto do Couto Chagas                                Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL

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Numero do processo: 10980.721787/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3402-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 1.834          1 1.833  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.721787/2013­37  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­003.073  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  18 de maio de 2016  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS  Recorrente  MONDELEZ BRASIL LTDA. (KRAFT FOODS BRASIL LTDA.)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012  Súmula CARF nº 1  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012  Súmula CARF nº 1   Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial.  Recurso não conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso.    Antônio Carlos Atulim ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 17 87 /2 01 3- 37 Fl. 4477DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/2013­37  Acórdão n.º 3402­003.073  S3­C4T2  Fl. 1.835          2   Jorge Olmiro Lock Freire ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de  Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos  Augusto Daniel Neto.     Relatório  Trata­se de lançamento de ofício de PIS e COFINS para o efeito de prevenir  a decadência da Fazenda Nacional.   No  Termo  de Verificação  e  Encerramento  da  Ação  Fiscal  (fls.  832/840)  a  fiscalização  informa  que  verificou  no  sítio  da  Justiça  Federal  do  Paraná  que  o  contribuinte  entrou com ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, na qual solicitou ver assegurado o  aproveitamento dos créditos de PIS e de COFINS "sobre todas quaisquer aquisições de bens,  direitos  ou  serviços,  sem  as  limitações  impostas  pelas  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003,  tendo  em  vista  a  restrição  à  tomada  de  crédito  no  regime  não  cumulativo  de  referidas  contribuições". Informou, também, que a 1ª Turma do TRF4, em 19/11/2011, deu provimento  parcial à apelação da autora, uma vez ter sucumbido no juízo monocrático, entendendo que o  critério  que  se  mostra  consentâneo  com  a  noção  de  receita  é  o  adotado  pela  legislação  do  imposto  de  renda,  sendo  insumos  os  gastos  que,  ligados  inseparavelmente  aos  elementos  produtivos, proporcionam a sua manutenção ou seu aprimoramento, podendo integrar as etapas  que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores desde que seja imprescindível  para o funcionamento do fator de produção.   Como na data do lançamento entendeu a fiscalização que a discussão do tema  ainda não estava  totalmente  finalizada, glosou os valores  informados na DACON referente à  rubrica "outras operações  com direito  a crédito"  (mercado  interno e  externo),  e  refazendo os  cálculos chegou ao valor da exigência inserta nestes autos. Porém, sem aplicação de multa de  ofício "conforme determina o art. 63 da Lei 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 70 da MP  nº 2.158/2001".  Impugnado  o  lançamento  (fls.  989/1012),  a  DRJ  Belo  Horizonte  não  conheceu da mesma pela concomitância de objetos entre a matéria controvertida no Judiciário  e  a  da  exação.  Não  resignada  com  a  r.  decisão,  a  empresa  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  1195/1207), onde pede, em suma, que seja decreta a nulidade da decisão recorrida por sequer  ter  apreciado  seus  argumentos  impugnatórios,  "sem  levar  em  conta  aos  créditos  que  a  Recorrente  tem  o  direito  sem  a  necessidade  de  decisão  judicial  sobre  o  tema".  Decreta  a  nulidade daquela, entende que os autos devem os autos retornar "ao juízo de primeira instância  para  que  seja  regularmente  analisada  a  impugnação  ao  auto  de  infração  com  a  necessária  apreciação  de  todos  os  argumentos  suscitados  pela  contribuinte".  Após  discorrer  sobre  o  mérito, pede a baixa do processo para apurar os créditos de PIS e COFINS que teria direito.  Fl. 4478DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/2013­37  Acórdão n.º 3402­003.073  S3­C4T2  Fl. 1.836          3 Em  14/05/2014,  a  2ª  TO  da  4ª  Câmara  desta  Terceira  Seção,  baixou  o  processo em diligência (fls. 1213/1217), nos seguintes termos:  Portanto,  antes  de  analisar  quaisquer  aspectos  constantes  dos  autos, deve­se verificar qual o destino que tenha sido dado à dita  Ação  Ordinária  e  se  as  matérias  colocadas  à  apreciação  do  Poder Judiciário se confundem com as matérias ora discutidas.  Dessa forma, entendo que para que possa haver o julgamento do  mérito  deste  processo,  necessariamente  dever­se­á  trazer  aos  autos  cópia  integral  do  processo  judicial,  pois  que  preciso  avaliar a concomitância e o estágio atual do feito judicial.  Ante o exposto, entendo que o julgamento do processo deve ser  convertido  em  diligência,  para  que  a  Autoridade  Preparadora  acoste  à  estes  autos  cópia  integral  do  processo  judicial  nº  500655681.2010.404.7000,  sendo  que  após  tomadas  as  providências  requeridas,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF para prosseguimento do rito processual.  Foram  juntados  aos  autos  extrato  do  processo  judicial  (fls.  1219/1221),  petição inicial da ação judicial ( fls. 1222/1263), e outras (fls. 4169 e segs). Às fls. 4432/4433,  informação  fiscal,  de  26/09/2013,  a  qual,  em  síntese,  dá  conta  que  autora  ajuizou  ação  ordinária, objetivando (fl. 4206) a declaração do direito ao aproveitamento dos créditos de PIS  e  COFINS  sobre  toda  e  qualquer  aquisição  de  bens,  direitos  ou  serviços,  sem  as  limitações  impostas  pelas  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2002,  com  fundamento  no  princípio  constitucional  da  não  cumulatividade  plena,  nos  termos  do  art.  195,  §  12,  da  CF.  Sucessivamente,  postulou  a  declaração  do  direito  ao  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS sobre a aquisição de bens, direitos ou serviços classificados como custos de produção  e despesas necessárias, conforme os arts. 290 e 299 do RIR, afastando­se as ilegais restrições  do conceito de insumo dispostas nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004.   Informa,  ainda, que o  aresto do TRF4 que havia  acolhido parcialmente  seu  pedido,  foi  declarado  nulo  em  função  de  questão  de  ordem  ventilada  pela  União  (fls.  4131/4158),  sendo  que  em  13/09/2013  foram  acolhidos  os  embargos  da  autora, mas  negado  provimento da União (fls. 4216/4225), não havendo ainda coisa julgada.   A  ementa,  quanto  ao  mérito  do  Acórdão  da  1ª  Turma  do  TRF4,  de  11/09/2013, Apelação Cível 5006556­81.2010.404.7000/PR, foi vazada nos seguintes termos:  Fl. 4479DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/2013­37  Acórdão n.º 3402­003.073  S3­C4T2  Fl. 1.837          4   É o relatório.  Voto             Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator.  Sem reparos à r. decisão.  Emerge  do  relatado  e  dos  termos  da  diligência,  que  dúvida  não  há  que  o  objeto da discussão judicial abrange os insumos glosados. Em assim sendo, o recurso não deve  ser conhecido ante os termos da Sumula 01 do CARF, que tem o seguinte enunciado:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Em face do exposto, não conheço do recurso.   assinado digitalmente  Fl. 4480DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/2013­37  Acórdão n.º 3402­003.073  S3­C4T2  Fl. 1.838          5 Jorge Olmiro Lock Freire                            Fl. 4481DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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6362013 #
Numero do processo: 19515.722975/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). EMPREGADOS. PROGRAMA DE METAS DE ACORDO COM A LEI. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em conformidade com as diretrizes fixadas pela Lei 10.101/2000, não integra o salário de contribuição. O acordo deve conter regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e o programa de metas precisa ser aferível. Caso haja resultado que interessa às partes pode ser utilizado percentual sobre o faturamento bruto, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PERFORMANCE. DESEMPENHO DE ATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. Somente o nome da verba não caracteriza a remuneração decorrente do trabalho, é necessário observar a natureza da verba paga. Fisco não caracterizou o suposto adicional de performance como substituto ou complemento da remuneração dos empregados e, portanto, não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. ADICIONAL AO DIRETOR-GERENTE. PERCENTUAIS SOBRE HONORÁRIOS LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de adicional sobre negócios a Diretor-Gerente, pelo fato de tal parcela não integrar a natureza da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), configurando evidente gratificação ou comissão sobre negócios. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo-se apenas o adicional do Diretor-Gerente. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos, que davam provimento integral ao recurso voluntário. O conselheiro Marcelo Oliveira apresentará Declaração de voto. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-04-14T20:02:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-04-14T20:02:15Z; Last-Modified: 2016-04-14T20:02:15Z; dcterms:modified: 2016-04-14T20:02:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:820b5ac3-a6b8-48fb-a841-66794636007c; Last-Save-Date: 2016-04-14T20:02:15Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-04-14T20:02:15Z; meta:save-date: 2016-04-14T20:02:15Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-04-14T20:02:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-04-14T20:02:15Z; created: 2016-04-14T20:02:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2016-04-14T20:02:15Z; pdf:charsPerPage: 2287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-04-14T20:02:15Z | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.722975/2013­43  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­005.116  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de março de 2016  Matéria  SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS  (PLR)  Recorrente  BAIN BRASIL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  (PLR).  EMPREGADOS. PROGRAMA DE METAS DE ACORDO COM A LEI.  A  parcela  paga  aos  empregados  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados, em conformidade com as diretrizes fixadas pela Lei 10.101/2000,  não integra o salário de contribuição.  O acordo deve conter  regras claras e objetivas,  ou seja,  regras  inequívocas,  fáceis  de  entender  pelo  empregado  e  o  programa  de  metas  precisa  ser  aferível.  Caso  haja  resultado  que  interessa  às  partes  pode  ser  utilizado  percentual  sobre  o  faturamento  bruto,  desde  que  passe  no  teste  das  regras  claras e objetivas e esteja previsto no acordo.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS  (PLR).  PERFORMANCE. DESEMPENHO DE ATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA.  Somente  o  nome  da  verba  não  caracteriza  a  remuneração  decorrente  do  trabalho, é necessário observar a natureza da verba paga.  Fisco não caracterizou o  suposto  adicional de performance  como  substituto  ou  complemento  da  remuneração  dos  empregados  e,  portanto,  não  está  em  desacordo  com  a  legislação,  motivo  da  não  incidência  da  contribuição  previdenciária sobre essa parcela.  ADICIONAL  AO  DIRETOR­GERENTE.  PERCENTUAIS  SOBRE  HONORÁRIOS LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. DESACORDO COM A LEI.  INCIDÊNCIA.  A  parcela  paga  aos  empregados  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente,  integra o salário de contribuição.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 75 /2 01 3- 43 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     2  Incidem  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  adicional  sobre  negócios  a  Diretor­Gerente,  pelo  fato  de  tal  parcela  não  integrar  a  natureza  da  Participação  nos  Lucros  e  Resultados  (PLR),  configurando evidente gratificação ou comissão sobre negócios.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial ao recurso voluntário, mantendo­se apenas o adicional do Diretor­Gerente. Vencidos os  conselheiros Marcelo Oliveira,  João Victor Ribeiro Aldinucci  e Natanael Vieira  dos  Santos,  que  davam  provimento  integral  ao  recurso  voluntário.  O  conselheiro  Marcelo  Oliveira  apresentará Declaração de voto.    Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se  de  lançamento  fiscal  decorrente  do  descumprimento  de  obrigação  tributária principal,  referente às  contribuições  sociais previdenciárias devidas pela  empresa  à  Seguridade Social, incluindo o adicional de financiamento dos benefícios concedidos em razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  e  riscos  ambientais  do  trabalho  (Auto  de  Infração  DEBCAD  37.146.003­4)  e  as  contribuições  devidas  aos  Terceiros  FNDE  Salário­ educação,  INCRA,  SENAC,  SESC  e  SEBRAE  (Auto  de  Infração DEBCAD  37.146.004­2),  incidente sobre remunerações de segurados empregados, no período relativo às competências  06 e 12/2009.  O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores das contribuições lançadas  decorrem das remunerações pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em  desacordo com a legislação (Lei 10.101/2000).  Esse Relatório Fiscal informa, ainda, que:  1.  nos  Acordos  de  2008  e  2009  há  a  indicação  da  ausência  de  participação do Sindicato nas  reuniões para a Discussão do Plano, o  que  ocorreu  foi  anuência  em momento  posterior,  nas  atas  de  ambos  ficou anotado o texto: “(...) o representante do Sindicato informou que  não  poderia  comparecer.  Ficou  assim  acordado  que  as  regras  dos  planos serão encaminhadas à entidade”;  2.  o  pagamento  do  PLR  ocorreu  mediante  Avaliação  de  Desempenho  Pessoal levando­se em consideração fatores individuais e coletivos de  acordo com as regras especificadas no Anexo 1, Anexo 2 e Anexo 3  dos Planos 2008, 2009 e Aditivo 2008 e demonstram que a empresa  utilizou­se  de  Avaliações  de  Desempenho  com  Propostas  de  Julgamentos  subjetivos  através  de  Apreciações,  Conceitos  e  Consensos,  ou  seja,  pessoas  expressando  opiniões  segundo  critérios  de  conveniência,  contrariando  as  normas  preconizadas  na  Lei  10.101/00;  3.  nos acordos de 2008 e 2009, Anexo 1, há outra evidência de ausência  de atendimento ao preconizado na Lei 10.101/00. A empresa oferece  com caráter de “bônus” aos Gerentes e Consultores, especificados no  Anexo, o Adicional de Performance em  função da margem bruta da  empresa em relação ao orçamento;  4.  a  empresa,  em  01/07/2008,  criou  o  cargo  de  Diretor­Gerente,  nomeado de VP ­ Vice­Presidente, e através de um Aditivo ao Acordo  de  2008  ofereceu  um  adicional  com  base  nos  Honorários  Líquidos  oriundos  de  projetos,  variável  entre  3%  a  7%,  com  exclusão  dos  demais  empregados  desta  remuneração  variável,  demonstração  evidente de tratar­se de Bonificação a ocupantes do cargo criado.  Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     4  Passo a passo, o Relatório Fiscal concluiu nos seguintes termos:  “A Lei n° 10101/00 determina que nos instrumentos originários  da  negociação  entre  empregados,  sindicato  e  empresa  devem  constar  regras  CLARAS  E  OBJETIVAS  quanto  à  fixação  dos  DIREITOS  SUBSTANTIVOS  (quais  serão  os  benefícios),  da  PARTICIPAÇÃO  (o  quanto  deve  contribuir  individualmente,  cada empregado, perante o coletivo) e das REGRAS ADJETIVAS  (quais são as metas a cumprir individualmente perante o todo).  Para  tanto  a  empresa  deveria  utilizar­se  de  mecanismos  de  aferição  com  critérios  e  condições  OBJETIVAS  de  índices  de  produtividade  ou  lucratividade  e  programa  de  metas  e  resultados.  Os  planos  verificados  apresentam  distorções  nas  fixações  dos  Direitos,  nas  atribuições  de  Participações  e  nas  Regras  Adjetivas,  a  empresa  criou  situações  a  parte  do  legalmente  determinado  e,  desta  forma,  apuramos  os  valores  pagos  ou  creditados na Folha de Pagamento,  no período de 2009;  sob o  Título de Participação Resultados, e efetuamos o Levantamento  PR.”  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 10/12/2013 (fls.  01 e 706).  A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que:  1.  houve a assistência do sindicato nos Acordos de PLR de 2008 e 2009;  2.  o  maior  equívoco  cometido  pela  fiscalização  em  seu  relatório  é  o  representado na afirmação de que os Acordos de PLR da Impugnante  não  possuiria  regras  claras  e  objetivas,  pois  teria  se  utilizado  de  avaliações  de  desempenho  com  julgamentos  subjetivos,  através  de  apreciações,  conceitos  e  consensos,  aplica  critérios de conveniência.  Contudo,  as  alegações  da  fiscalização  não  refletem  realidade  e  a  melhor interpretação da Lei n° 10.101/00;  3.  o Fisco criou um critério ausente da Lei 10.101/2000, para criticar os  planos de PLR da  empresa,  aduzindo que os  limites da participação  dos  empregados  foram  determinados  em  escalas,  com  desproporcionalidade, como se tal fato fosse proibido e assim pudesse  descaracterizar a participação negociada entre empresa e empregados,  devidamente  assistido  pele Sindicato. Nesse  aspecto  informa que  os  empregados  empresa  foram  divididos  em  grupos  homogêneos,  de  acordo  com  a  senioridade,  exatamente  porque  a  exigência  de  competências aumenta de acordo com o cargo do empregado avaliado  (considerando sua responsabilidade e inclusive os  riscos que assume  perante os clientes);  4.  com  relação  aos  adicionais  de  performance,  registra  que  esses  "Adicionais"  da  PLR  visam,  em  linha  com  o  espírito  do  que  foi  negociado  pelas  partes,  a  balancear  a  avaliação  da  colaboração  dos  profissionais  do  mais  alto  gabarito  da  empresa,  caso  dos  Gerentes,  Consultores  e  especialmente  Diretor  Gerente,  que  além  das  metas  Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 4          5  qualitativas precisam ser avaliados pela geração de negócios e atração  de clientes. É por este motivo que, em acordo com as partes (empresa,  empregados e Sindicato) na forma da lei, a empresa estabeleceu metas  de  rentabilidade  pelos  novos  projetos  que  tais  profissionais  foram  capazes de atrair e gerir no período de apuração. Em resumo, além da  avaliação qualitativa de suas competências,  tais empregados também  foram  avaliados,  matematicamente,  pela  geração  de  negócios  e  clientes, pois a função por eles exercida permitia a eleição de tal fator  como determinante na definição da parcela de PLR;  5.  no  caso  do  Adicional  de  Performance,  as  regras  e  critérios  eram  bastante claros e se amoldavam perfeitamente à Lei 10.101/2000. No  caso do Aditivo ao Acordo de 2008, é bastante lógico que a criação de  um cargo de Diretor Gerente (equivalente a Vice­Presidente), dada a  responsabilidade  de  seus  ocupantes  com  o  negócio  da  impugnante,  gerasse  a  estipulação  de  regras  específicas  para  a  participação  nos  resultados. E as regras, acordadas entre a empresa, empregados e com  a  anuência  do  representante  do  Sindicato,  também  eram  bastante  claras e, até mesmo matemáticas;  6.  em  resumo,  o  Diretor  Gerente  teria  direito  a  uma  participação  nos  resultados equivalente a: (i) 3% dos honorários líquidos dos projetos  em  que  trabalhar  na  consultoria  ao  cliente;  (ii)  4%  dos  honorários  líquidos  dos  projetos  que  tiver  vendido  para  os  clientes,  mas  não  trabalhado  diretamente;  e  (iii)  7%  dos  honorários  líquidos  dos  projetos que tenha vendido e trabalhado na consultoria ao cliente.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão  Preto/SP  –  por meio  do  Acórdão  14­50.287  da  16a  Turma  da  DRJ/RPO  (fls.  1049/1093)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, e concluiu pelo afastamento dos  seguintes argumentos apontados pela fiscalização: (i) ausência de participação do Sindicato nas  negociações; (ii) ausência de regras claras e objetivas; (iii) injustificada desproporcionalidade  entre  os  valores  distribuídos  aos  empregados;  e  (iv)  responsabilidade  tributária.  Restando  ementado da seguinte maneira:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009  PREVIDENCIÁRIO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. ATUAÇÃO  SINDICAL  REMOTA  E  POSTERIOR  À  PACTUAÇÃO.  ADOÇÃO  DOS  EXPEDIENTES  NECESSÁRIOS  À  PARTICIPAÇÃO EFETIVA DO ENTE SINDICAL.  Não infringe a legislação de regência os pagamentos realizados  a título de participação dos empregados nos lucros e resultados  da empresa sem a atuação do sindicato contemporaneamente à  reunião de pactuação, desde que o contribuinte tenha adotado os  meios adequados a comunicar previamente o sindicato a se fazer  presente na reunião, e este tenha optado pelo acompanhamento  Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     6  remoto  e  análise  posterior  do  termo  ajustado  após  sua  pactuação.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AVALIAÇÃO  DE DESEMPENHO DOS SEGURADOS. ISONOMIA.  A avaliação de desempenho  individual e em equipe constitui­se  em critério  válido à aferição da qualidade  e produtividade dos  segurados empregados, ausente outro critério mais adequado à  verificação do merecimento dos mesmos, no que tange à empresa  cuja atividade é a prestação de serviços estratégicos.  A legislação da Participação nos Lucros e Resultados não exige  estrita observância da isonomia em relação a segurados que se  encontrem em situações concretas diferenciadas, havendo que se  observar o regime de remuneração por competências como fato  justificador  do  tratamento  distinto  entre  segurados  que  se  encontrem em situações diversas pela complexidade dos cargos  que ocupam.  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS.  AUSÊNCIA  DE PREVISÃO DE METAS A SEREM ATINGIDOS.  Não  configura  participação  nos  lucros  e  resultados,  mas  sim  remuneração variável, sujeita a tributação, os valores pagos por  força  de  avaliação  de  desempenho  dos  segurados,  enquanto  fruto  de  seu  próprio  trabalho  normal,  sem  que  se  tenha  a  previsão  de  metas  para  a  empresa,  seja  a  título  de  lucro  ou  resultado.  A  perfeita  integração  capital­trabalho  pressupõe  que  haja  a  previsão  de  um  resultado  a  ser  atingido  tanto  pelos  segurados  como pela empresa, como forma de motivação ao incremento da  atividade empresária e à remuneração dos segurados.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  DE  GERENTES.  ADICIONAL  DE  PERFORMANCE.  DISSOCIAÇÃO DO RESULTADO DA EMPRESA. INCIDÊNCIA  DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a  título  de  adicional  de  performance  a  diretores  e  gerentes,  quando tal adicional se encontra desvinculado de metas a serem  atingidas ou é pago, ainda que com redução, no caso de redução  do faturamento da empresa.  Hipótese  na  qual  não  se  configura  a  natureza  da Participação  nos  Lucros  e  Resultados  pela  ausência  de  vinculação  da  avaliação  de  desempenho  a  fatores  que  justifiquem  tratamento  diferenciado em relação a determinados segurados.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS  DE  DIRETOR  GERENTE.  PERCENTUAIS  SOBRE HONORÁRIOS  LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. INCIDÊNCIA.  Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a  título de  adicional  sobre  negócios  a Diretor Gerente,  pelo  fato  de  tal  parcela  não  integrar  a  natureza  da  Participação  nos  Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 5          7  Lucros  e  Resultados,  configurando  evidente  comissão  sobre  negócios.  RESPONSABILIDADE  DOS  SÓCIOS.  RELATÓRIO  DE  VÍNCULOS. DISTINÇÃO DE PERSONALIDADE.  A permanência dos sócios no Relatório de Vínculos não atribui,  por  si  só,  responsabilidade  alguma  aos  mesmos,  mas  indica  quais  as  pessoas  físicas  que  compõe  o  quadro  societário  da  sociedade empresária.  É  perfeita  a  distinção  que  se  faz  entre  a  pessoa  jurídica  empresária  e  os  sócios  que,  mediante  acordo  de  vontades,  a  constituem.  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS.  COMPETÊNCIAS  DAS  DELEGACIAS  DE  JULGAMENTO.  CRIME  MATERIAL.  SOBRESTAMENTO  DA  REPRESENTAÇÃO  ATÉ  EXAURIMENTO  DA  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA.  As  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  carecem  de  competência  no  tocante  ao  cabimento  material  ou  não da Representação Fiscal Para Fins Penais.  Nos  delitos  materiais,  como  a  sonegação  de  contribuição  previdenciária, o prosseguimento da Representação Fiscal Para  Fins  Penais  depende  do  exaurimento  da  instância  administrativa,  da  qual  resulte  a  constituição  definitiva  do  crédito  tributário.  Até  este  momento,  embora  lavrada,  fica  acostada  aos  autos  do  processo  administrativo  tributário,  aguardando seu desfecho.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.”  A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo  pela  obrigatoriedade  do  recolhimento  dos  valores  lançados  e  no  mais  efetua  repetição  das  alegações da peça de impugnação, frisando que:  1.  a autuação fiscal nada dispôs acerca de estabelecimento de meta pela  empresa, sendo que esta seria uma das  razões para a manutenção do  crédito pela DRJ; e  2.  com  relação  aos  adicionais  de  performance,  o  argumento  de  que  os  adicionais  pagos  aos  gerentes  e  diretores  tratariam  de  bônus  por  função  ou  de  negócios  em  favor  da  empresa  não  pode  prosperar  na  mediada em que:  (i)  a Lei 10.101/2000 não veda a adoção de metas  exclusivamente  individuais,  ao  revés,  permite  a  adoção  de  qualquer  meta  que  almeje  o  incremento  da  produtividade;  (ii)  a  adoção  de  critérios distintos por cargo não contraria a Lei 10.101/2000, pois foi  objeto de negociação entre as partes; e (iii) é lógico e racional atribuir  uma  parcela  maior  de  PLR  aos  seus  empregados  envolvidos  diretamente com a geração dos resultados almejados.  Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     8  A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  em São  Paulo/SP  informa  que  o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  CARF  para  processamento  e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 6          9    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  DO PROGRAMA DE METAS  No Relatório  Fiscal,  o  Fisco  concluiu  que  a  empresa  deveria  se  utilizar  de  mecanismos  de  aferição  com  critérios  e  condições  objetivas  de  índices  de  produtividade  ou  lucratividade e programas de metas e resultados, nos seguintes termos:  “A Lei n° 10101/00 determina que nos instrumentos originários  da  negociação  entre  empregados,  sindicato  e  empresa  devem  constar  regras  CLARAS  E  OBJETIVAS  quanto  à  fixação  dos  DIREITOS  SUBSTANTIVOS  (quais  serão  os  benefícios),  da  PARTICIPAÇÃO  (o  quanto  deve  contribuir  individualmente,  cada empregado, perante o coletivo) e das REGRAS ADJETIVAS  (quais são as metas a cumprir individualmente perante o todo).  Para  tanto  a  empresa  deveria  utilizar­se  de  mecanismos  de  aferição  com  critérios  e  condições OBJETIVAS  de  índices  de  produtividade  ou  lucratividade  e  programa  de  metas  e  resultados.”  A  delegacia  de  primeira  instância  afastou  os  argumentos  apontados  pela  fiscalização  de:  (i)  ausência  de  participação  do  Sindicato  nas  negociações;  (ii)  ausência  de  regras claras e objetivas;  (iii)  injustificada desproporcionalidade  entre os valores distribuídos  aos  empregados;  e  (iv)  responsabilidade  tributária. Restando  ementado,  no  que  interessa,  da  seguinte maneira:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009  PREVIDENCIÁRIO.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  OU  RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. ATUAÇÃO  SINDICAL  REMOTA  E  POSTERIOR  À  PACTUAÇÃO.  ADOÇÃO  DOS  EXPEDIENTES  NECESSÁRIOS  À  PARTICIPAÇÃO EFETIVA DO ENTE SINDICAL.  Não infringe a legislação de regência os pagamentos realizados  a título de participação dos empregados nos lucros e resultados  da empresa sem a atuação do sindicato contemporaneamente à  reunião de pactuação, desde que o contribuinte tenha adotado os  meios adequados a comunicar previamente o sindicato a se fazer  presente na reunião, e este tenha optado pelo acompanhamento  remoto  e  análise  posterior  do  termo  ajustado  após  sua  pactuação.  Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     10  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AVALIAÇÃO  DE DESEMPENHO DOS SEGURADOS. ISONOMIA.  A avaliação de desempenho  individual e em equipe constitui­se  em critério  válido à aferição da qualidade  e produtividade dos  segurados empregados, ausente outro critério mais adequado à  verificação do merecimento dos mesmos, no que tange à empresa  cuja atividade é a prestação de serviços estratégicos.  A legislação da Participação nos Lucros e Resultados não exige  estrita observância da isonomia em relação a segurados que se  encontrem em situações concretas diferenciadas, havendo que se  observar o regime de remuneração por competências como fato  justificador  do  tratamento  distinto  entre  segurados  que  se  encontrem em situações diversas pela complexidade dos cargos  que ocupam.  PARTICIPAÇÃO  NOS  LUCROS  E  RESULTADOS.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  DE  METAS  A  SEREM  ATINGIDOS.  Não  configura  participação  nos  lucros  e  resultados, mas  sim  remuneração variável, sujeita a tributação, os valores pagos por  força  de  avaliação  de  desempenho  dos  segurados,  enquanto  fruto  de  seu  próprio  trabalho  normal,  sem  que  se  tenha  a  previsão  de  metas  para  a  empresa,  seja  a  título  de  lucro  ou  resultado.  A  perfeita  integração  capital­trabalho  pressupõe  que  haja  a  previsão  de  um  resultado  a  ser  atingido  tanto  pelos  segurados  como pela empresa, como forma de motivação ao incremento da  atividade empresária e à remuneração dos segurados. (...)”  Desse  contexto,  extrai­se  que  o  motivo  para  a  manutenção  da  PLR  como  verba integrante do salário de contribuição seria a ausência de metas a serem atingidas, seja a  título de lucro ou resultado.  A  Recorrente  afirma  que,  na  cláusula  3a  do  Termo  de  Participação  dos  Empregados nos Resultados, anos 2008 e 2009 (fls. 154/157 e 630/633), ficou estabelecida a  meta a ser alcançada, pois existiria a previsão de um  limite máximo geral  de distribuição da  participação relativo ao percentual de 70% do faturamento bruto da empresa.  Neste  particular,  entendo  que  assiste  razão  a  Recorrente,  pois  a  Lei  10.101/2000  permite  a  criação  pelas  partes  (sindicatos  ou  comissões  envolvidas  e  empregadores) de diversos tipos de programas de metas, de acordo com a atividade de cada  empresa e segmento de produção, podendo abarcar inclusive o lucro ou determinado resultado,  sendo que o faturamento poderia ser um resultado pretendido pela partes.  E,  no  caso  dos  autos,  é  forçoso  afirmar  que  a  cláusula  3a  do  Termo  de  Participação  dos  Empregados  nos  Resultados,  anos  2008  e  2009,  continha  um  índice  de  produtividade ou lucratividade e programa de metas de desempenho individual, levando­se em  consideração fatores individuais e coletivos, conforme regras do Anexo 1 e de acordo com o  modelo descritivo de avaliação dos Anexos 2 e 3 dos Termos ora citados, bem como continha a  previsão  de  um  resultado  submetido  ao  limite  máximo  geral  de  distribuição  da  PLR  ao  percentual de 70% do faturamento bruto da empresa.  Vejamos trechos do Termo de PLR para o ano de 2009 (fls. 154/157):  Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 7          11  “CLAÚSULA 2ª ­ REGRAS GERAIS  As regras aqui definidas foram fruto da livre negociação entre a  BAIN  e  a  COMISSÃO,  sendo  claras  e  objetivas,  acessíveis  a  todos os participantes, facilitando o controle e acompanhamento  por parte dos mesmos.  A participação dos EMPREGADOS nos resultados da BAIN está  condicionada às suas respectivas avaliações, de acordo com os  fatores  especificados  nas  cláusulas  abaixo,  os  quais  levam  em  consideração  as  competências  que  os  EMPREGADOS  devem  possuir  e  desenvolver  para  melhorar  os  resultados  da  BAIN  como um todo bem como os resultados da empresa.  (...)  CLÁUSULA 3ª  ­ AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E REGRAS  DE APURAÇÃO DO PPR  Todos  os  EMPREGADOS  serão  avaliados  de  acordo  com  seu  desempenho  pessoal,  levando­se  em  consideração  fatores  individuais  e  coletivos,  consoante  as  regras  especificadas  no  Anexo 1 e de acordo com o modelo de formulário e descritivo de  avaliação constantes dos Anexos 2 e 3.  Os  valores  bases  de  participação  por  nível  são  de  ciência  dos  EMPREGADOS, conforme divulgado na época de sua admissão  e nas comunicações individuais feitas ao final de cada ano, que  passam a integrar o presente Termo para todos os fins de direito.  O cálculo do valor a ser pago levará em conta os critérios para  a  avaliação  de  desempenho  individual  e  os  resultados  da  empresa, conforme as regras estabelecidas no anexo 1.  Esses  valores  de  participação  nos  resultados,  informados  aos  EMPREGADOS, poderá ser revisados mediante a superação das  metas  estabelecidas  no  Anexo  1  e  conforme  as  regras  ali  definidas.  Fica,  porém,  estabelecido  um  limite  geral  de  distribuição  da  participação  relativa  ao  ano  de  2009,  qual  seja,  70%  do  faturamento bruto da empresa.”  O  ANEXO  1  do  Termo  da  PLR  (fls.  158/161)  enumera  as  seguintes  informações sobre a avaliação de desempenho:  “1) Os critérios para avaliação de desempenho correspondentes  a cada nível são:  1. Adição de valor no Projeto  2. Qualidade da interação/comunicação com o cliente  3a. Qualidade do trabalho em equipe no projeto/cliente  3b. Trabalho em equipe para a empresa  Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     12  2)  Nos  formulários  específicos  de  avaliação  de  desempenho  (Anexos  2  e  3),  estão  descritos  os  critérios  e  os  conceitos  atribuíveis aos empregados.  3)  Nas  avaliações  de  desempenho,  poderá  ser  atribuído  aos  empregados um dos seguintes conceitos:  ·  CO (constantemente acima da média);  ·  FE (frequentemente acima da média);  ·  SC (atinge a média);  ·  IC (inconsistentemente abaixo da média); e  ·  NM (não atinge a média).  Os  aspectos  relacionados  ao  trabalho  em  equipe,  além  dos  pontos  elencados  nos  formulários  que  dizem  respeito  principalmente ao item 3a.,  incluem uma dimensão do item 3b.,  que diz  respeito à contribuição para a empresa. Estes aspectos  serão avaliados levando em consideração o nível de apoio dado  ao desenvolvimento da empresa nas seguintes áreas:  ­ Desenvolvimento de Cliente  ­ Desenvolvimento de Prática  ­ Recrutamento  ­ Administração do escritório  ­ Relações Públicas/Atividades de Marketing  ... omissis ...  5) O  percentual  de  participação  atribuído  será  uma  função  do  percentual de avaliação para  cada critério  (de 0% a 150%, de  acordo  com  a  tabela  abaixo),  de  acordo  com  os  pesos  acima  especificados. O percentual de avaliação será aferido de acordo  com o desempenho de cada empregado e calculado (também de  acordo  com  os  conceitos  e  percentuais  da  tabela  abaixo)  pelo  grupo  dos  Diretores  com  a  ajuda  dos  Gerentes,  no  caso  de  Consultores, Associados e Administrativos, e somente pelo grupo  dos Diretores, no caso dos Gerentes.  ... omissis ...  6) O percentual de avaliação dos Diretores e Diretores Gerentes  bem  como  o  valor  da  Participação  será  estabelecido  pelo  Diretor  Geral  Mundial,  assistido  pelo  Comitê  Mundial  de  Remuneração e pelos Diretores  responsáveis pelo  escritório de  São Paulo, conforme processo descrito no Anexo 3.”  No mesmo passo, o ANEXO 2 (fls. 162/163) traz os modelos de formulário  de  avaliação  de  desempenho  dos  gerentes,  consultores,  consultores  associados  e  administrativos.  “Tópico: “Estrutura do trabalho”  Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 8          13  Quesitos: Assume a liderança; Gera hipótese efetiva e demonstra  faro  para  valor;  Planeja  e  gerencia  processos  eficientemente,  baseado em answer­first approach.  Tópico: “Análise de alta qualidade”  Quesitos: Demonstra conhecimento e aplicação das ferramentas  da Bain;  Executa análise competentemente.  Tópico: “Criação de soluções”  Quesitos: Atinge status de especialista; Entende o quadro como  um todo;  Recomenda soluções realistas, baseadas na visão do negócio.  Tópico:  “Cliente/Comunicação”  –  “Relacionamento  com  o  cliente”  Quesitos:  Entende  o  cliente;  Constrói  relacionamentos  fortes,  colaborativos  com  o  cliente;  Conquista  a  confiança  e  a  credibilidade do cliente.  Tópico: “Cliente/Comunicação” – “Comunicação efetiva”  Quesitos:  Comunica  visão  do  negócios  (conteúdo);  Prepara  apresentações  de  alto  impacto  (CFR);  Participa  efetivamente  nas reuniões; Entrega apresentações eficazes (estilo).  Tópico: “Equipe” – “Equipe de trabalho”  Quesitos:  Gerencia  o  tempo  eficientemente;  facilita  a  comunicação entre o grupo; Alavanca o tempo e as habilidades  dos supervisores.  Tópico: “Equipe” – “Desenvolvimento profissional”  Quesitos:  Utiliza  e  ministra  treinamento  e  desenvolvimento  eficientemente;  Utiliza  e  ministra  feedback  eficaz;  Motiva  subordinados diretos.  Tópico: “Equipe” – “Princípios operacionais”  O ANEXO 3 (fls. 164/165) informa o processo de avaliação de desempenho  dos Diretores. Descreve:  “O  processo  de  Avaliação  de  desempenho  dos  Diretores  é  um  processo extenso envolvendo o Diretor Geral Mundial, o Diretor  responsável  pelo  escritório  de  São  Paulo  ,  os  Assessores  e  o  Comitê Mundial de Remuneração.  Anualmente,  todo  Diretor  deve  completar  e  submeter  para  o  Diretor  responsável  pelo  escritório  de  São  Paulo  e  ao Diretor  Geral  Mundial  um  Formulário  de  Auto­Avaliação  e  um  Formulário  de  Avaliação  do  relacionamento  e  do  impacto  do  trabalho  conduzido  com  cada  cliente  significativo.  O  Diretor  Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     14  mais Sênior precisa submeter para o Diretor Geral Mundial e os  revisores “terceiros” do Comitê Mundial de Remuneração uma  avaliação que inclua as seguintes informações: os resultados do  escritório de São Paulo abrangendo receitas e  lucratividade do  cliente, qualidade, relacionamento e  impacto do nosso  trabalho  junto  aos  clientes,  avaliações  de  desempenho  individual  e  por  equipe  para  cada  Diretor.  Além  disso,  um  revisor  “terceiro”  deve  se  reunir  com  cada  Diretor  para  discutir  sua  auto­ avaliação.  O  Diretor  mais  Sênior  de  São  Paulo  e  o  revisor  “terceiro”  devem  discutir  as  respectivas  avaliações  e  chegar  num consenso a ser submetido para o Diretor Geral Mundial e o  Comitê Mundial de Remuneração.  O Diretor Geral Mundial e o Comitê Mundial de Remuneração  determinam  uma  avaliação  de  desempenho  consensual  para  cada Diretor conforme as seguintes métricas:  Qualidade  dos  resultados  do  trabalho  junto  ao  cliente  e  qualidade  dos  relacionamentos  com  o  cliente  (isto  é,  relacionamento  com  o  CEO  vc.  com  o  Presidente  da  Divisão,  múltiplos  relacionamentos  durante  o  ano,  referência  e  lucratividade do cliente);  ∙ Desenvolvimento e monitoramento pessoal;  ∙ Valores da equipe;  ∙ Contribuições individuais;  ∙ Contribuições com a área (Indústria ou Prática); e,  ∙ Resultado do escritório.  No caso de Diretores Financeiro e Administrativo, serão os dois  Diretores mais  seniores do  escritório a determinar a avaliação  de  desempenho  levando  em  conta  o  resultado  do  escritório,  a  qualidade dos controles e sistemas administrativos e financeiros  do  escritório  e  a  contribuição  dos  Diretores  Financeiro  e  Administrativo na gestão do escritório.  O  percentual  de  Participação  nos  Resultados  atribuído  é  uma  função  da  avaliação  com  base  em  cada  um  dos  critérios  conforme  determinado  pelo  Diretor  Geral  Mundial  e  pelo  Comitê  Mundial  de  Remuneração,  e  resulta  no  valor  final  da  Participação nos Resultados que é informada ao escritório local  anualmente.”  Percebe­se, também, que o § 1º do art. 2o da Lei 10.101/2000 preconiza que  as  regras  estampadas  na  concessão  da  PLR  deverão  ser  claras  e  objetivas,  além  de  facultar  determinados  critérios  e  condições  para  sua  concessão.  Assim,  o  rol  veiculado  nesse  §  1º  possui  natureza  exemplificativa  e  não  taxativa  ou  exaustiva,  já  que  o  legislador  utilizou  a  expressão “podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições”.  Lei 10.101/2000:  Art.  2º. A participação nos  lucros ou  resultados  será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 9          15  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1º.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Ao  estabelecer  “entre  outros”  (artigo  2°,  §1°  Lei  10.101/2000),  podem  ser  considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas  de metas  e  resultados mantidos  pela  empresa.  Percebe­se que  no  instrumento  de  negociação  deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício,  o legislador cuidou apenas de exemplificá­los.  Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de  proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas  na  lei  sobre  os  critérios  e  as  características  dos  acordos  a  serem  celebrados.  Os  sindicatos  envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e  condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador  foi  impedir que critérios ou  condições  subjetivos obstassem a participação dos  trabalhadores  nos  lucros  ou  resultados.  As  regras  devem  ser  claras  e  objetivas  para  que  os  critérios  e  condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa  ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos  lucros.  Nesse  sentido, o  artigo 2º, §1º,  I da  lei possibilita  inclusive que  a condição  para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa  decorrente de seu faturamento. Comprovando­se no Demonstrativo de Resultados do Exercício  Financeiro,  ou  nas  suas  receitas,  que  foi  alcançada  esta meta,  que  existe  acordo  coletivo  ou  comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação  nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa.  Como  a  Lei  10.101/2000  não  faz  previsões  de  metas  individualizadas  ou  coletivas, entendo que, diante desse silêncio, a PLR poderá ser  realizada de foram geral, por  setores ou por cargos ou ainda de forma individualizada, variando conforme entendimento das  partes  envolvidas  e  desde  que  haja  um  fundamento  para  incentivar  a  produtividade  e  seja  consubstanciado em regras claras e objetivas estipuladas no acordo.  Assim,  o  programa  de  metas  poderá  ser  coletivo  ou  individual,  podendo  englobar  lucros  ou  resultado,  este,  no  caso  dos  autos,  consubstanciado  pelo  faturamento  da  Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     16  empresa  ou  outro  resultado  qualquer,  desde  que  seja  desvencilhado  do  conceito  de  salário,  prêmio ou gratificação.  Em  nenhum momento  o  Fisco  afirma  ou  encaminha  que  os  valores  foram  pagos sem a observância do faturamento da empresa. Pelo contrário, os documentos juntados  aos  autos  apontam  que  os  valores  pagos  a  título  de  PLR  estariam  limitados  a  70%  do  faturamento  bruto  da  Recorrente,  decorrente  de  sua  receita  bruta,  e  observando  a  sua  produtividade e a rentabilidade.  Conclui­se  que,  após  a  avaliação  dos  fatores  individuais  e  coletivos,  conforme regras do Anexo 1 e de acordo com o modelo descritivo de avaliação dos Anexos 2 e  3 dos Termos de Participação, a previsão de um limite máximo geral de distribuição da PLR ao  percentual  de  70%  do  faturamento  bruto  da  empresa  configura  um  programa  de metas  nos  moldes do inciso II do § 1º do art. 2o da Lei 10.101/2000. E nem poderia o Fisco criar metas  específicas para o caso concreto, especialmente em sede de decisão de primeira instância, sob  pena de violação ao princípio da legalidade (art. 37, caput, e art. 150, I, ambos da CF/1988).  DO ADICIONAL DE PERFORMANCE  O Relatório Fiscal aponta que a empresa oferece o adicional de performance  em  função  da  sua  margem  bruta  em  relação  ao  orçamento,  com  caráter  de  “bônus”  aos  Gerentes e Consultores, especificados no Anexo 1, nos seguintes termos:  “Nos acordos de 2008 e 2009, Anexo 1,  há outra  evidência de  ausência de atendimento ao preconizado na Lei nº 10.101/00. A  empresa  oferece  com  caráter  de  “bônus”  aos  Gerentes  e  Consultores,  especificados  no  Anexo,  o  Adicional  de  Performance  em  função  da  margem  bruta  da  empresa  em  relação ao orçamento.” (g.n.)  A  delegacia  de  primeira  instância  afirma  que  o  Adicional  de  Performance  configura mera  remuneração  sujeita  à  incidência  de  contribuições  previdenciárias  e  não  está  inserido na natureza da PLR, pelos seguintes motivos:  “Em  primeiro  lugar,  referido  adicional  não  conta  com  a  previsão de metas específicas a serem atingidas. Ao revés, prevê  até mesmo seu pagamento com redução no caso, por exemplo, da  margem  bruta  da  empresa  ficar  entre  5  a  20%  abaixo  do  orçamento,  apesar  do  item  08  estabelecer  que  “o  valor  base  resultante  da  avaliação  individual”  “poderá  ser  majorado  ou  diminuído”,  “se  a  Margem  Bruta  da  empresa  antes  do  pagamento das Participações,  for maior que o orçamento”. Ou  seja, mesmo no caso da margem ser  inferior ao orçamento, em  percentual  acima  de  20%  o  adicional  é  pago,  porém  com  redução,  o  que  revela  que  não  se  trata  de  uma  participação  efetiva  nos  lucros  ou  resultados,  mas  uma  bonificação  absolutamente desvinculada desta finalidade.  Além disso, a expressão “orçamento” tal qual posta no item 08  do  ANEXO  1,  indica  que  a  mesma  consiste  no  saldo  residual  decorrente da seguinte operação: LUCRO BRUTO = RECEITAS  BRUTAS  –  IMPOSTOS  –  SALÁRIOS  –  DESPESAS.  Ora,  este  tipo  de  operação  não  se  coaduna  à  natureza  da  PLR,  pois  pressupõe, como já visto, o mero faturamento da empresa, sem a  previsão  de  qualquer  meta  específica  a  ser  atingida  pelo  Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 10          17  contribuinte,  diante  da  qual  se  possa  aquilatar  da  efetiva  contribuição dos Gerentes.  Além disso, o  tratamento diferenciado a Gerentes, por  força do  adicional  de  performance não  se  legitima diante  do argumento  de  tratamento desigual de pessoas que se  situem em realidades  desiguais.  Isto  porque  não  há  qualquer  fator  justificativo  do  tratamento  desigual,  capaz  de  amparar  o  tratamento  desigual,  que  pode,  frise­se,  implicar  em  pagamentos  majorados  ou  reduzidos da suposta parcela de participação.”  Neste particular, o termo performance significa “realização, feito, façanha ou  desempenho de uma determinada atividade”.  Como  se  constata  da  Lei  10.101/2000,  não  há  regras  detalhadas  em  seus  dispositivos sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, podendo os  sindicatos  envolvidos  ou  as  comissões  (artigo  2º,  §1º,  da Lei  10.101/2000)  fixarem diversos  critérios  e  condições  para  a  concessão  da  PLR,  dentro  de  seu  âmbito  de  liberdade.  Nesse  sentido, o inciso I do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000 permite inclusive que a condição para a  concessão  da  PLR  seja  apenas  o  aumento  da  lucratividade  da  empresa  ou  outro  índice  de  produtividade e, ao registra entre outros critérios e condições, parece­me que abarca também  a  margem  bruta  em  relação  ao  orçamento  da  empresa,  desde  que  não  tenha  caráter  de  substituição da remuneração dos empregados (art. 3o da Lei 10.101/2000).  No  caso  dos  autos,  entendo  que  o  Fisco  não  caracterizou  o  adicional  de  performance  como  elemento  de  substituição  da  remuneração  nem  caracterizou  o  descumprimento dos requisitos da Lei 10.101/2000, pois não demonstrou de forma concreta a  situação fática do fato gerador (elemento material), não sendo suficiente a imputação genérica  ou  abstrata do  fato. Além disso,  aparentemente,  o Fisco  extraiu  a  incidência da  contribuição  previdenciária apenas da leitura isolada do item 08 do Anexo 1 do termo de PLR relativo ao  ano de 2009, que assim prevê:  “8)  O  valor  base  resultante  da  avaliação  individual  conforme  critérios  descritos  acima,  os  quais  forma  informados  aos  empregados  na  época  da  admissão  e/ou  nas  comunicações  individuais feitas ao final de cada ano, poderá ser majorado ou  diminuído,  somente  nos  casos  de  Gerentes*,  e  CTLs  C5  a  C8,  conforme  tabela  abaixo  e  de  acordo  com  o  resultado  da  avaliação  individual, se a Margem Bruta da empresa antes do  pagamento  das  Participações,  for  maior  que  o  orçamento,  considerando  lucro  bruto  em  R$  calculado  como  as  receitas  brutas menos impostos, menos salários e despesas: (...)”  Nesse  passo,  o  fato  de  estabelecer  metas  diferenciadas  para  gerentes  e  consultores,  isso  por  si  só,  não  descaracteriza  a  PLR,  pois  não  seria  adequado,  ou  mesmo  isonômico,  estabelecer  metas  iguais  para  aqueles  que,  em  função  do  seu  cargo,  terão  mais  responsabilidade  pelo  resultado  da  empresa  do  que  outros  funcionários,  desde  que  reste  comprovada a participação do sindicato no estabelecimento das  regras previstas nos acordos,  que foi o caso dos autos. Dessa forma, o simples fato de haver no plano e metas diferenciadas  de acordo com o cargo do segurado não está em desacordo com a Lei 10.101/2000.  Com  isso,  entendo  que  o  Fisco  não  caracterizou  o  suposto  adicional  de  performance  como  substituto  ou  complemento  da  remuneração  dos  empregados  e,  portanto,  Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     18  não  está  em  desacordo  com  a  legislação,  motivo  da  não  incidência  da  contribuição  previdenciária sobre essa parcela.  DO ADICIONAL AO DIRETOR­GERENTE  O Relatório  Fiscal  aponta  que  a  empresa  oferece  um  adicional  ao Diretor­ Gerente  com  base  nos  honorários  líquidos  oriundos  dos  projetos,  variável  de  3%  a  7%,  nos  seguintes termos:  “A empresa, em 01/07/2008, criou o cargo de Diretor­Gerente,  nomeado  de  VP  ­  Vice­Presidente,  e  através  de  um Aditivo  ao  Acordo  de  2008  ofereceu  um  adicional  com  base  nos  Honorários Líquidos oriundos de projetos, variável entre 3% a  7%,  com  exclusão  dos  demais  empregados  desta  remuneração  variável,  demonstração  evidente  de  tratar­se  de  Bonificação  a  ocupantes do cargo criado.”  Inicialmente, cumpre esclarecer que – conforme o disposto no art. 28, alínea  “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente  de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com  a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000.  Lei 8.212/1991:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição: (...)  § 9°. Não integram o salário­de­contribuição para os fins desta  Lei, exclusivamente:  (...)  j) a participação nos  lucros ou resultados da empresa, quando  paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.)  Nesse sentido, a Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do  PRL  e  a  Lei  8.212/1991  determina  que  apenas  não  integra  o  salário  de  contribuição  a  participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica.  Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o  pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000:  Art.  2º. A participação nos  lucros ou  resultados  será objeto de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I ­ comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II ­ convenção ou acordo coletivo.  §  1º.  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 11          19  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I  ­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II  ­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Art.  3º A  participação  de  que  trata  o  art.  2º  não  substitui  ou  complementa a remuneração devida a qualquer empregado.  (...)  §  2o.  É  vedado  o  pagamento  de  qualquer  antecipação  ou  distribuição  de  valores  a  título  de  participação  nos  lucros  ou  resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre  civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.  Em  termos  gerais,  o pagamento de PLR deve  atender  cumulativamente  aos  seguintes requisitos:  1.  deve  ter  sido  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados.  Tal  negociação  pode  ser  feita  através  de  acordo  celebrado  por  uma  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante  indicado  pelo  sindicato  da  respectiva  categoria, ou por convenção ou acordo coletivo;  2.  os instrumentos de negociação devem conter regras claras e objetivas  quanto  à  fixação  dos  direitos  de  participação,  como  índice  de  produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de  metas, resultados e prazos, pactuados previamente;  3.  a  concessão  da  participação  nos  lucros  ou  resultados  não  pode  substituir  ou  complementar  a  remuneração  devida  a  qualquer  empregado;  4.  o  instrumento de acordo celebrado deverá  ser arquivado na entidade  sindical dos trabalhadores;  5.  a periodicidade mínima para pagamento deve ser de um semestre e no  máximo duas vezes no mesmo ano.  O  aditivo  firmado  em  01/07/2008  (fls.  666/667)  previa  a  concessão  ao  Diretor­Gerente de uma verba intitulada de adicional no valor da participação nos resultados,  definido em função dos honorários líquidos oriundos de projetos, nos seguintes termos:  “A partir  de  1º  de  julho  de  2008  foi  criado  um novo  cargo  na  empresa chamado Diretor Gerente com atribuições distintas das  de  Gerentes  e  Diretores  e,  portanto,  com  um  sistema  de  participação nos resultados diferenciado.  ... omissis ...  Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     20  Um  adicional  no  valor  da  participação  nos  resultados  será  definido  em  função  dos  honorários  líquidos  oriundos  de  projetos,  a  saber:  até  3%  sobre  os  honorários  obtidos  em  projetos nos quais o Diretor Gerente tenha atuado somente como  Diretor Gerente do projeto, até 4% sobre os honorários obtidos  em projetos nos quais o Diretor Gerente tenha sido responsável  pela  venda  do  projeto,  e  ainda  até  7%  no  caso  de  terem  sido  contempladas as duas situações descritas anteriormente.” (g.n.)  No  caso  em  comento,  entendo  que  esse  adicional  concedido  ao  Diretor­ Gerente  configura  uma  remuneração  tributável  nos  mesmos moldes  de  uma  gratificação  ou  comissão,  pois  o  adicional  está  imbricado  diretamente  com  os  honorários  percebidos  pelo  segurado,  a  teor do  art.  3o  da Lei 10.101/2000. Além disso,  tal  adicional não  configura uma  programa de meta ou índice produtividade ou lucratividade, mas sim um instrumento aleatório  de majoração do salário do Diretor­Gerente e em desacordo com as regras previstas no § 1º do  art. 2o da Lei 10.101/2000.  Dessa  forma,  é  forçoso  concluir  que  a  verba  intitulada  pela  Recorrente  de  adicional no valor da participação nos  resultados,  variável de 3  a 7%,  é  flagrantemente uma  gratificação  ou  comissão  atrelada  a  uma  produtividade  sem  aferição  de  metas,  e,  por  consectário lógico, configura­se como remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28,  inciso I, da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 201, §111 da Constituição Federal de 1988.  Lei 8.212/1991:  Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  I  ­  para  o  empregado  e  trabalhador  avulso:  a  remuneração  auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade  dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título,  durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que  seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob  a  forma  de  utilidades  e  os  adiantamentos  decorrentes  de  reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo  à  disposição  do  empregador  ou  tomador  de  serviços  nos  termos  da  lei  ou  do  contrato  ou,  ainda,  de  convenção  ou  acordo  coletivo  de  trabalho  ou  sentença  normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  A distribuição  dos  lucros  ou  resultados  (PLR)  exige  o  alcance  de metas,  e  estas  devem  ser  cumpridas  pelos  empregados  para  que  façam  jus  ao  recebimento  de  participação nos lucros ou resultados, fato este não evidenciado na concessão desse adicional  ao Gerente­Diretor. Com isso, a Recorrente também descumpriu a regra prevista no §1º do art.  2º da Lei 10.101/2000, já que o instrumento de negociação coletiva deve constar, entre outras:  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  e  programas  de  metas,  resultados e prazos, pactuados previamente.  É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento – tal  como o previsto em Acordo Coletivo de Trabalho, ou qualquer outro tipo de acordo assinado  com os sindicatos –, referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros, que  irá  lhe  retirar  o  seu  caráter  remuneratório  (art.  123  do CTN).  Pelo  contrário,  é  importante  a  estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastá­la da incidência tributária.                                                              1 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário  para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.  Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 12          21  Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN):  Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias correspondentes.  Diante do exposto – seja pelo descumprimento do art. 3º da Lei 10.101/2000  (adicional configurado como uma gratificação ou comissão), seja pelo descumprimento do §1º  do art. 2º dessa Lei (não comprovação de atingimento de metas) –, os valores pagos a título de  adicional ao Diretor­Gerente devem integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28,  inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste  mesmo  artigo,  bem  como  do  artigo  214,  §  9°,  “X”  e  §  10  do  Regulamento  da  Previdência  Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de CONHECER  e DAR PROVIMENTO PARCIAL  ao  recurso voluntário, para reconhecer que sejam excluídos os fatos geradores da PLR decorrentes  da suposta ausência meta específica a  título de  lucros ou resultado e do suposto adicional de  performance, nos termos do voto.    Ronaldo de Lima Macedo.              Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     22    Declaração de Voto  Marcelo Oliveira ­ Relator  Com  todo  respeito  ao  nobre  e  competente  relator,  divirjo  de  sua  conclusão  quanto à incidência de contribuição sobre o adicional do Diretor­Gerente.   Para  o  nobre  relator,  conforme  acima,  deve  ser  tributado  o  adicional  pelo  seguinte motivo, como consta da conclusão de seu voto:  "Diante do exposto – seja pelo descumprimento do art. 3º da Lei  10.101/2000  adicional  configurado  como  uma  gratificação  ou  comissão), seja pelo descumprimento do §1º do art. 2º dessa Lei  (não comprovação de atingimento de metas) –, os valores pagos  a  título  de  adicional  ao  Diretor­Gerente  devem  integrar  o  salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei  8.212/1991,  não  estando  enquadrados  na  excludente  do  §  9o,  alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°,  “X”  e  §  10  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo Decreto 3.048/1999."  Já para o relatório fiscal (RF), acusação sobre descumprimento de obrigação  tributária principal, há a seguinte fundamentação para a exigência do tributo:  3­  A  empresa  em  01/07/2008  criou  o  cargo  de  Diretor­ Gerente,  nomeado  de  VP­  Vice­Presidente,  e  através  de  um  Aditivo ao Acordo de 2008 ofereceu um adicional com base nos  Honorários Líquidos oriundos de projetos, variável entre 3% a  7%, com exclusão dos demais empregados desta  remuneração  variável,  demonstração  evidente  de  tratar­se  de Bonificação  a  ocupantes do cargo criado.  Do exposto conclui­se:  A Lei  10101/00  determina  que  nos  instrumentos  originários  da  negociação  entre  empregados,  sindicato  e  empresa  devem  constar  regras  CLARAS  E  OBJETIVAS  quanto  à  fixação  dos  DIREITOS  SUBSTANTIVOS  (quais  serão  os  benefícios),  da  PARTICIPAÇÃO  (o  quanto  deve  contribuir  individualmente,  cada empregado, perante o coletivo) e das REGRAS ADJETIVAS  (quais são as metas a cumprir individualmente perante o todo).  Para  tanto  a  empresa  deveria  utilizar­se  de  mecanismos  de  aferição  com  critérios  e  condições  OBJETIVAS  de  índices  de  produtividade ou lucratividade e programa de metas e resultados   Os  planos  verificados  apresentam  distorções  nas  fixações  dos  Direitos,  nas  atribuições  de  Participações  e  nas  Regras  Adjetivas,  a  empresa  criou  situações  a  parte  do  legalmente  determinado  c.  desta  forma,  apuramos  os  valores  pagos  ou  creditados na Folha de Pagamento,  no período de 2009,  sob o  Título de Participação Resultados, e efetuamos o Levantamento  PR.  Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/2013­43  Acórdão n.º 2402­005.116  S2­C4T2  Fl. 13          23  Portanto, a empresa no ano de 2009 distribui Participação nos  Lucros  e.  Resultados  aos  Empregados  em  desconformidade  ao  determinado na lei 10.101 / 2000 e os valores consolidados neste  Auto  de  Infração  referem­se  as  remunerações  pagas  e  não  consideradas pela  empresa  como  fato gerador previdenciário e  não  declaradas  nas  GFIPs  cujo  valores  trbutáveis  foram  apurados com base nos valores nominais; retirados das Folhas  de  Pagamentos,  rubrica  1023,  apresentados  pelo..sujeito  passivo...nos  Arquivas..Digitais  no  formado  do  Manual  de  Arquivos Digitais  (MANAD) os quais  foram confrontados;  com  as guias de recolhimento e GFIPs."  Em  nosso  entender,  o  Fisco  justificou,  fundamentou  a  tributação  pela  não  extensividade a todos os segurados a serviço da empresa.  Repetimos o motivo fiscal:  3­  A  empresa  em  01/07/2008  criou  o  cargo  de  Diretor­ Gerente,  nomeado  de  VP­  Vice­Presidente,  e  através  de  um  Aditivo ao Acordo de 2008 ofereceu um adicional com base nos  Honorários Líquidos oriundos de projetos,  variável entre 3% a  7%,  com  exclusão  dos  demais  empregados  desta  remuneração variável, demonstração evidente de tratar­se de  Bonificação a ocupantes do cargo criado.  Ora, não há, em  lugar algum da Lei 10.101/2000, da Lei 8.212/1991 ou do  Decreto 3048/1999 a obrigatoriedade de que pagamentos de PLR sejam extensivos a todos os  segurados. Essa obrigatoriedade há em outras verbas, mas não nas verbas oriundas de PLR.  Se o legislador não criou essa condicionante, não há como a Administração  Tributária criá­la, pois irá ferir o Princípio da Legalidade.  Não é demais lembrar que as pessoas (física e jurídicas) possuem o direito de  realizar  todos  atos que não  são vedados  em Lei.  Já  a administração pública  só pode  realizar  atos que estão previstos em Lei.  Essa  premissa  administrativa  é,  inclusive,  ressaltada  para  a  Administração  Tributária, no CTN:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.      Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional.  Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA     24  Claro que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória,  sob pena de responsabilidade funcional, não só para constituir a exigência, mas também para  não exigi­la. Ou seja, o Fisco só deve fazer o que está em Lei.  Portanto,  com  todo  respeito  ao  relator,  por não  existir  condicionante para  a  verba paga a título de PLR seja estendida a todos os segurados e por ser essa a motivação da  acusação, dou provimento ao recurso, neste ponto.  Destaco  que  não  cabe  ao  julgador,  em  respeito  ao  devido  processo  legal,  fundamentar, agora, acusação que deveria estar fundamentada desde o início do processo, por  isso deixo de fazê­lo.  CONCLUSÃO:  Em  razão  do  exposto,  voto  em  dar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto.    Marcelo Oliveira.  Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA

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Numero do processo: 10932.000187/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2007 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1378; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10932.000187/2009­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­002.966  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  8 de março de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  EMPARSANCO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2007  INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO  Da  decisão  de  primeira  instância  cabe  recurso  dentro  dos  trinta  dias  seguintes  à  ciência  da  decisão.  Recurso  protocolizado  em  prazo  superior  não  será  conhecido.   Recurso Voluntário Não Conhecido  Crédito Tributário Mantido        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  não  conhecer do recurso, por intempestivo.      Assinado digitalmente  Carlos Alberto Mees Stringari   Relator    Assinado digitalmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 87 /2 00 9- 21 Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   2 Eduardo Tadeu Farah   Presidente Substituto    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah  (Presidente Substituto), Carlos Henrique  de Oliveira  (Suplente Convocado),  Ivete Malaquias  Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto  Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia  Lustosa Da Cruz.  Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/2009­21  Acórdão n.º 2201­002.966  S2­C2T1  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  Campinas,  Acórdão  05­39.407  da  8ª  Turma, que julgou a impugnação improcedente.  O  lançamento  e  a  impugnação  foram  assim  relatadas  no  julgamento  de  primeira instância:    Constam  deste  processo  os  seguintes  Autos  de  Infração,  cujo  período de apuração vai de 11/2004 a 01/2007:        Segue  abaixo  a  descrição  do  Auto  de  Infração  nº  10932.000187/2009­21,  sendo  que  os  outros  dois  processos  estão sendo analisados em acórdãos separadamente:  COMPROT  nº  10932.000187/2009­21  (AIOP  DEBCAD  nº  37.227.381­  5)  –  contribuição  patronal  Trata­se  de  crédito  lançado pela  fiscalização contra a  empresa acima  identificada,  que, de acordo com o Relatório Fiscal, se refere a contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  à  parte  da  empresa  e  às  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos  riscos ambientais do  trabalho e não  recolhidas  em época própria,  tendo  sido o  crédito  lançado por  aferição  indireta,  no  período  de  11/2004  a  01/2007,  no  valor  consolidado de R$11.421.750,80  (Onze milhões, quatrocentos e  vinte e um mil, setecentos e cinqüenta reais, e oitenta centavos),  em 04/06/2009, referindo­se ao levantamento “240 – Obra240”.  Esclarece ainda o Relatório Fiscal o seguinte:  Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   4 Trata­se de fiscalização de obra de construção civil, relacionado  à  serviços  contínuos  de  conservação  de  Drenagem,  Desassoreamento,  Limpeza  e  Capinação  de  córregos,  desobstrução  de  Bocas  de  Lobo,  recuperação  de  áreas  deterioradas,  muros  de  arrimo,  pavimentação  e  outros  correlatos e serviços contínuos de execução de Redes de água e  esgoto, com  fornecimento de equipamentos, materiais e mão de  obra,  realizado  pela  empresa  Emparsanco  S/A,  através  do  contrato  entre  a  mesma  e  a  SEMASA  ­  Serviço  Municipal  de  Saneamento Ambiental de Santo André.  Informa  a  fiscalização  ter  havido  vários  termos  de  intimação  para a apresentação de documentos sem sucesso, e conclui que:  (...) pelo fato da empresa não escriturar em títulos próprios e ou  em  contas  individualizadas  as  obras  realizadas,  conforme  demonstram  as  Contas  nºs  2.01.01.01.06.0001;  3.01.01.01.01.0001  e  3.01.01.01.01.0003,  dos  Livros  Razão  apresentados (xerox em anexo ­ amostragem) foi emitido o AI ­  Auto­de­Infração ­37.227.365­3.  4.6.  Desta  forma  não  restou  à  fiscalização  outra  alternativa  senão  proceder  à  aferição  indireta  para  o  cálculo  das  contribuições previdenciárias devidas na Construção desta Obra  conforme comandos do art. 33 § 6º da Lei 8.212/91 e do art. 473  da IN 03/2005 e suas alterações: (...)  Enfim, o Relatório complementa:  5. Para o cálculo das  contribuições  previdenciárias devidas na  execução desta obra foi realizado a aferição indireta pelas notas  fiscais de serviço emitidas pela empresa e por estar especificado  no Contrato a previsão de fornecimento de Material foi aplicada  a alíquota de 20% sobre as Notas Fiscais, conforme determina o  §  1º  do  Art.  601  da  IN  03,  de  14  de  julho  de  2005  e  suas  alterações (...)  (...)  Os  cálculos  do  Salário  de Contribuição  devido  e  o  período  de  lançamento  do  crédito  estão  discriminados  no  ANEXO  I  e  no  anexo Relatório de Lançamento ­ RL.  6.  As  alíquotas  aplicadas  constam  do  anexo  "Discriminativo  Analítico do Débito ­ DAD".  7. Foram considerados e abatidos os recolhimentos vinculados à  obra,  constantes  no  Sistema  de  Conta­corrente/DATAPREV,  demonstrado  no  anexo  RADA  ­  Relatório  de  Apropriação  de  Documentos Apresentados.  A  fiscalização  elaborou a  seguinte  planilha  com  os Autos  de Infração emitidos nesta ação fiscal:  ...  O  contribuinte  contestou  o  lançamento  fazendo  um  resumo  inicial da autuação, e alegando, em síntese, o seguinte:  Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/2009­21  Acórdão n.º 2201­002.966  S2­C2T1  Fl. 4          5 Do Direito Preliminar Descrevendo a atividade administrativa,  a  impugnante  ressalta  a  importância  do  princípio  da  Verdade  Material.  Afirma  que  mantém  um  sistema  eletrônico  de  escrituração  contábil  em  conformidade  com  os  Princípios  de  Contabilidade geralmente aceitos e que se encontra interligado  com  os  demais  setores  da  empresa,  escriturando  as  transações  que  impliquem em mudança da situação patrimonial no mesmo  instante nos livros mercantis (Razão e Diário). Assim, o Setor de  Pessoal  ao  elaborar mensalmente  a  folha  de  salários  promove  respectivamente  o  cálculo  dos  encargos  previdenciários  incidentes  e  de  responsabilidade  da  empregadora,  bem  como  promove  a  retenção  dos  encargos  relativos  à  parte  dos  Segurados Empregados por obra realizada ou serviço prestado.  Ou  seja,  há  um  controle  analítico  de  salários  e  respectivos  encargos  previdenciários  de  forma  individualizada  dos  funcionários utilizados em cada obra realizada pela impugnante,  bem  como  das  verbas  previdenciárias  obrigatórias  a  serem  recolhidas  e  também  dos  valores  retidos  dos  empregados  incidentes  para  cada  obra,  que  são  carreados  aos  cofres  da  União.  Posteriormente  ao  fechamento  do  controle  analítico  individualizado  por  obra  descrito  no  parágrafo  anterior,  bem  como  o  cálculo  das  verbas  previdenciárias  incidentes,  o  setor  encarregado  de  elaborar  a  folha  reúne  todos  aqueles  dados  individualizados  por  obra,  os  lança  na  folha  de  salários  e  respectivos encargos previdenciários. E, ato contínuo,  lança na  escrita  mercantil  (contas  2.01.01.01.06.00020,  j)  de  forma  individualizada,  possuindo,  também,  controles  contábeis  para  identificar a composição do valor total lançado na escrituração  mercantil.  Outrossim,  a  decisão  de  optar  pela  forma  de  apuração  por  aferição  indireta  foi  incorreta  e  precipitada,  uma  vez  que  a  servidora ao promover a exegese do artigo 32,  inciso II da Lei  n°.  8.212/91  desconheceu  a  diferença  entre  os  conceitos  de  contabilidade e escritura  fiscal. O  termo contabilidade descrito  no  inciso  II,  do  artigo  32  da  Lei  n.  8.212/91,  deve  ser  interpretado  como  os  registros  analíticos  onde  a  impugnante  promove o cálculo das  folhas de salário e respectivos encargos  previdenciános  por  obra  (de  sua  responsabilidade,  como  os  retidos dos empregados) em obediência ao determinado naquele  dispositivo legal. E segue argumentando:  Assim se a Auditora Fiscal houvesse promovido o confronto:  a)  dos  encargos  previdenciários  lançados  nos  registros  analíticos  por obra  com a  folha  teria  apurado que há  entre  os  mesmos correlação e consistência;  b)  do  resumo  da  folha  de  salários  e  respectivos  encargos  previdenciários  com  os  registros  contábeis,  também  teria  apurado que há entre os mesmos correlação e consistência e que  a  impugnante  tem  perfeitas  condições  e  controles  contábeis  e  analíticos para provar que o valor dos encargos previdenciários  Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   6 apurados  por  ocasião  da  lavratura  da  folha  de  pagamento  encontra­se devidamente lançado nos registros mercantis;  c)  E  o  mais  importante,  se  a  Auditora  houvesse  consultado  a  conta  correta  (que  é  a  de  número  2.01.01.01.06.0002,  e  não  a  conta 2.01.01.01.06.0001,  teria visualizado os valores descritos  nas alíneas acima.  Da mesma forma, alega que não menos importante de se frisar é  que a Servidora Fiscal lavrou entre o início do procedimento em  26/09/07  até  a  lavratura  do  auto  em  19/06/09  apenas  três  termos: no dia 26/09/07, em 20/03/08 e em 09/02/09, solicitando  no  primeiro  termo  a  apresentação  de  todos  os  documentos  relativos às obras  executadas, e nos demais a apresentação da  contabilidade  por  Centro  de  Custo/individualizada  por  obra.  Assim, embora a Auditora Fiscal tenha afirmado que a empresa  não  apresentou  a  contabilidade  por  centro  de  custo/obra,  em  momento algum intimou e externou à empresa a sua dúvida, ou  solicitou  justificativas  por  não  visualizar  na  contabilidade  o  determinado na Lei n° 8.212/91,  sendo que o  setor de  folha de  pagamento  elabora  os  registros  contábeis  e  os  lança  na  escrituração mercantil, na conta 2.01.01.01.06.0002 ­ Salários e  Encargos  a  Pagar.  Assim,  se  tivesse  feito  a  distinção  entre  contabilidade  e  escrituração  mercantil  teria  percebido  que  a  empresa possui  contabilidade por  centro de custo/obra e que a  lança em sua escrita mercantil (Livros Diário e Razão).  Ao  se  analisar  o  Discriminativo  Analítico  do  Débito  –  DAD  percebe­se  que  a  fiscalização  não  abateu  do  valor  lançado  no  Auto o montante já recolhido das verbas previdenciárias de que  trata o mesmo. Assim, mesmo que o arbitramento fosse cabível, o  que não o é, também se encontra incorreto o valor lançado.  Na sequência, alega ainda o seguinte:  TAMBÉM COMPETE DESTACAR NESSA FASE PRELIMINAR  QUE  A  SERVIDORA  FISCAL  UTILIZOU  COMO  VALOR  TRIBUTÁVEL  PARA  ARBITRAMENTO,  A  NOTA  FISCAL  DE  N°.  002851 DE  26/01/2005, NO VALOR DE R$  89.905.618,00  (OITENTA E NOVE MILHÕES NOVECENTOS E CINCO MIL  SEISCENTOS  E  DEZOITO  REAIS),  SENDO  QUE  A  MESMA  FOI CANCELADA POR ESTAR  INCORRETO O SEU VALOR,  TENDO SIDO EMITIDA A NOTA FISCAL DE N°.  002852 NA  MESMA  DATA  NO  VALOR  RETIFICADO  DE  R$  899.056,18  (OITOCENTOS  E  NOVENTA  E  NOVE  MIL  CINQUENTA  E  SEIS REAIS E DEZOITO CENTAVOS).  Propugna  ao  final  que  a  forma  de  aferição  indireta  adotada  seja  tornada  insubsistente,  pois  a  apuração  das  contribuições  foi  promovida  conforme  a  legislação  que  regula a matéria.  MÉRITO No mérito,  informa  a  impugnante  que  celebrou  contrato  com  o  SEMASA  ­  Serviço  Municipal  de  Saneamento  Ambiental  de  Santo  André,  e  abriu  em  seu  setor de folha de pagamento o registro contábil de número  240, doravante chamado de “Obra 240”.  Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/2009­21  Acórdão n.º 2201­002.966  S2­C2T1  Fl. 5          7 A  impugnante  mantém  em  seus  sistemas  de  folha  de  pagamento o controle por centro de custo/obra das verbas  previdenciárias  incidentes  sobre  os  valores  pagos  os  seus  empregados  e  que  compõem  a  base  de  cálculo  daquelas  exações. Ao  final de cada mês ou período de apuração,  é  calculado o valor das verbas previdenciárias por centro de  custo/obra e emitido o relatório genérico de eventos, onde  se demonstra por obra ou centro de custo o montante das  verbas previdenciárias incidentes por obra.  Informa ainda que:  (...) Após proceder ao  cálculo de  forma  individualizada ou por  centro de custo/obra, o Setor de Folha de Pagamento inclui em  um único valor todos aqueles valores calculados individualmente  e  os  lança  no  Resumo  Geral  da  Folha  de  pagamento  e  ato  contínuo  e  os  lança  sob  a  rubrica  "Base  INSS  Empresa",  (conforme  se  depreende  do  disposto  no  Resumo  da  Folha  de  Pagamento).  Após  o  Setor  de  Folha  de  Pagamento  promover  o  cálculo  das  verbas  descritas  no  item  anterior,  a  impugnante  escritura  no  livro razão o valor total a recolher na conta 2.01.01.01.06.00020  ­ Salários e Encargos a Pagar na rubrica "Valor INSS Empresa  Mês".  Assim  a  rubrica  Valor  INSS  Empresa  lançada  na  conta  2.01.01.01.06.0002 ­ Salários e Encargos a Pagar, reflete o total  de  todas  as  verbas  previdenciárias  e  trabalhistas  apuradas  no  mês e o Setor de Pessoal elabora e possui os registros contábeis  que  individualizam  os  montantes  lançados  na  escrituração  mercantil,  bem  como  possui  controle  de  todos  os  valores  lançados na rubrica Valor INSS Empresa Mês.  (...)  As  diferenças  entre  o  valor  constante  no  resumo  da  folha  de  pagamentos  com  o  valor  da  rubrica  Valor  INSS  Empresa Mês  são objeto de conciliações.  A  seguir  é  feita  uma  demonstração  por  meio  de  planilhas  das  verbas  previdenciárias  que  foram  objeto  do  lançamento,  inclusive do sistema S e Salário Educação, embora este Auto de  Infração não se reporte a essas contribuições, e anexados vários  documentos  de  sua  contabilidade,  folhas  de  pagamento  e  relatórios genéricos de eventos por centro de custo obra, a  fim  de comprovar que possui controle por centro de custo/obra das  contribuições  previdenciárias,  que  a  somatória  por  centro  de  custo confere com o resumo da folha de pagamento e que o valor  da folha de pagamento é escriturado nos seus livros contábeis.  Segue dizendo que:  Tão importante quanto provar que promovemos a apuração das  verbas  previdenciárias  por  centro  de  custo  e  que  os  mesmos  Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   8 encontram­se  lançados  na  escrituração mercantil  é demonstrar  que  os  valores  apuradas  forma  declarados  nas  GFIP  apresentadas.  Igualmente, deve­se  informar que o valor  relativo aos  terceiros  (parte  da  empresa  e  retido  dos mesmos) não  foi  informado  em  GFIP  durante  alguns  meses,  por  isso  nas  planilhas  abaixo  sempre  aparecerá  a  diferença  da  não  informação  destes  em  GFIP, bem como, os mesmos foram recolhidos com a adição do  um percentual  de  relativo á  contribuição  prevista  no  artigo  68  da Instrução normativa SRP n° 03/2005.  Após  a  elaboração  de  várias  planilhas  demonstrativas  desta  argumentação  a  impugnante  conclui  ter  ficado  demonstrada  a  insubsistência da ação fiscal, e requer a suspensão da exigência  pela  apresentação  da  impugnação,  juntando  aos  autos  vários  documentos como cópias do Livro Razão, de resumos das folhas  de  pagamento,  do  resumo  analítico  por  obra/centro  de  custo,  GFIP’s e GPS’s.  Em vista das alegações e demonstrativos apresentados nos  três  processos,  bem  como  dos  documentos  a  eles  juntados,  esta  8ª  Turma  de  Julgamento  emitiu  a  Resolução  nº  2692,  em  11/11/2009,  para  que  a  fiscalização  se  manifestasse  quanto  a  determinados questionamentos.  A fiscalização, em resposta ao que lhe foi solicitado, em síntese,  assim se pronunciou:  1)  Da  análise  prévia  Preliminarmente,  informamos  que  este  termo de constatação se refere a  todos os processos que  foram  gerados por meio da fiscalização de MPF 0811900.2008.00092,  listados abaixo:  ...  2)  Da  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  na  impugnação Em sua defesa, o contribuinte apresentou, além do  relatório  de  impugnação,  os  seguintes  documentos,  além  de  outros:  a)composição  contábil  b)razão  contábil  da  conta  2.01.01.01.06.0002  ­  INSS A RECOLHER c)resumo da  folha O  ponto mais importante a destacar, que embasará a defesa deste  auto  de  infração  e  de  todos  os  outros,  é  que,  ao  analisarmos  CONJUNTAMENTE  todos  os  processos  originados  desta  fiscalização,  verificamos  que  todos  estes  documentos  listados  acima, apresentados como meio de prova pelo contribuinte, SÃO  SEMPRE  OS  MESMOS,  apresentando  sempre  os  mesmos  valores,  e  estes  valores  apresentados  de FORMA GLOBAL,  ou  seja, totalizados para a empresa como um todo e nunca de forma  individualizada, para cada obra de construção civil, logicamente  quando comparamos a mesma competência.  (...)  Além  do  mais,  quanto  a  folha  de  pagamento,  o  contribuinte  apresentou apenas o RESUMO GERAL DA EMPRESA e não a  folha de pagamento por centro de custo.  Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/2009­21  Acórdão n.º 2201­002.966  S2­C2T1  Fl. 6          9 3) Do mérito  (...)  Ora,  se  a  empresa  possui  controles  analíticos  de  salários,  se  possui  controles  contábeis  para  identificação  individual  dos  lançamentos  dos  encargos  previdenciários,  isto  não  foi  demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na  documentação  anexada  como  meio  de  prova,  nesta  fase  de  defesa administrativa.  Todos  os  documentos  apresentados  nesta  fase  se  referem  a  VALORES  GLOBAIS,  como  o  resumo  da  folha  de  pagamento  GERAL  e  os  tais  relatórios  de  composição  contábil,  como  detalharemos mais abaixo.  Portanto,  em  nenhum  momento  desta  defesa,  o  contribuinte  conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra  de  construção  civil,  dos  fatos  geradores  previdenciários,  conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.  (...)  Portanto,  analisando  esta  parte  da  defesa,  chegamos  a  conclusão  que  o  documento  que  o  contribuinte  chama  de  "relatório  genérico  de  eventos  por  centro  de  custo  obra"  é  o  mesmo que, em seus anexos, nomeia de "composição contábil".  (...)  Ora, o contribuinte alega que, sendo este o relatório genérico de  eventos por centro de custo obra, seria neste documento que "se  demonstra  por  obra  ou  centro  de  custo  o montante  das  verbas  providenciarias incidentes por obra:"  Porém isto não se comprova. (...)  (...)  Ora, se este relatório, como disse o próprio contribuinte em sua  defesa, se presta para que "se demonstre por obra ou centro de  custo  o  montante  das  verbas  previdenciárias  incidentes  por  obra:",  como  é  que  faz  sentido  que  este  relatório  contenha  os  mesmos  valores  para  diferentes  obras  de  construção  civil?  Se  realmente este relatório gerencial demonstrasse a contabilização  do  montante  das  verbas  previdenciárias  individualizadas  por  obra, deveríamos observar valores diferentes em suas tabelas, a  não ser que houvesse enorme coincidência, o que não deve ser o  caso.  O mesmo se pode  falar da alegação que o contribuinte diz que  apresenta  "os  registros  contábeis  que  individualizam  os  montantes  lançados  na  escrituração  mercantil".  Se  estes  registros  contábeis  a  que  se  refere  o  contribuinte  são  aqueles  demonstrados no quadro acima, na parte de CONTABILIDADE,  de  maneira  alguma  estes  registros  estão  individualizados  por  obra de construção civil, conforme explicitado acima.  Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   10 4)  Da  conclusão  Portanto,  diante  de  todos  estes  fatos  explicitados  neste  termo  de  constatação,  e  em  resposta  à  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Campinas,  8a.  Turma,  decidimos  pela manutenção  integral  dos  autos  de  infração  referentes  à  fiscalização  de  MPF  0811900.2008.00092.  Após um breve relato sobre a situação processual a impugnante  apresentou  suas  contra­razões,  conforme  resumidamente  descrito abaixo:  A impugnante inicia sua argumentação dizendo o seguinte:  Nos  parágrafos  seguintes,  demonstraremos  que  o  Termo  de  Constatação Fiscal objeto da presente contra­razões encontra­se  em  desconformidade  com  a  realidade  dos  fatos,  bem  como  cerceou o Direito de Defesa do Contribuinte, pois a impugnante  não  participou  do  mesmo,  sendo  somente  cientificada  das  conclusões  do  agente  fiscal,  sem  poder  apresentar  provas  que  demonstrem que a aferição indireta foi incorreta.  A  seguir  argumenta  que  no  primeiro  tópico  da  Constatação  Fiscal, a fiscalização em sua Análise Prévia apenas descreveu a  causa  de  pedir  que  resultou  na  exigência  dos  créditos  previdenciários  impugnados,  não promovendo qualquer análise  ou juízo sobre os fatos.  No  tópico sobre a documentação apresentada pelo contribuinte  na impugnação tece os seguintes comentários:  No  tópico  "Da  análise  prévia"  o  agente  fiscal  lista  52  (cinqüenta e dois)  processos que têm como causa de pedir a aferição indireta como  forma  de  apuração  de  contribuição  previdenciária.  Cada  processo  corresponde  a  uma  obra  realizada  por  Emparsanco  S/A.  Conforme descrito no parágrafo anterior e omitido pelo agente  fiscal  em  seu  Termo  de  Constatação  Fiscal,  cada  um  dos  52  (cinqüenta  e  dois)  processos  corresponde  a  uma  obra  e  mensalmente  era  elaborada  uma  folha  de  pagamento  individualizada  por  empreitada  com  a  descrição  de  todos  os  trabalhadores  envolvidos  e  respectivas  verbas  sujeitas  à  contribuição previdenciária para cada uma.  Após  elaborar  diversas  folhas  de  pagamento  analíticas  para  cada  obra  realizada,  calculando­se  as  verbas  previdenciárias  incidentes  sobre  os  valores  descritos  em  cada  um  daqueles  documentos  era  feita  a  compilação  em  um  único  documento  chamado  folha  de  pagamento  do  mês,  cujos  valores  eram  escriturados no Livro Razão, inclusive na conta “2.01.01.06.002  – INSS A RECOLHER”.  Ante  o  exposto,  conclui­se  que  no  Livro  Razão  há  somente  o  lançamento total de todas as verbas previdenciárias apuradas no  mês,  porém  existem  controles  analíticos  elaborados  pelo  setor  de folha de pagamento que demonstram os valores pagos a cada  trabalhador  para  cada  obra  realiza  a  e  as  contribuições  Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/2009­21  Acórdão n.º 2201­002.966  S2­C2T1  Fl. 7          11 previdenciárias  apuradas  para  cada  empreitada  realizada  por  Emparsanco S/A para todos os meses do ano.  Digno de nota é que a  requisição da DRJ CAMPINAS  foi para  que fossem realizadas diligências para cada auto de infração, ou  seja,  há  um  pedido  de  diligência  para  cada  processo  e  não  "CONJUNTAMENTE"  como  mencionado  no  ­  Segundo  parágrafo do tópico e acima transladado.  No Terceiro  parágrafo  do  tópico, o agente  fiscal  descreve  que  há  repetições  do  resumo  da  folha  de  pagamento,  citando  os  meses de março e junho de 2005 como exemplo.  Tal  fato  ocorreu  pelo  fato  da  aferição  indireta  haver  ocorrido  por  obra  realizada,  ou  seja,  cada processo  corresponde  a uma  empreitada diversa da constante em outro, e considerando que:  a) Utilizando a título de exemplo os meses de março e junho de  2005 citados pelo agente fiscal, houve diversas obras realizadas  no curso daqueles períodos e não somente aquela em que houve  a aferição indireta;  b) A aferição indireta ocorreu por obra e não para os meses do  ano,  como  inadvertidamente  menciona  o  agente  fiscal,  justificando ­ se assim a repetição dos documentos apresentados,  pois para cada mês há diversas empreitadas;  O que o servidor fiscal não menciona é que o resumo da folha de  pagamento  dos  meses  em  que  houve  a  aferição  indireta  está  acompanhado  do  resumo  analítico  da  folha  da  obra  em  que  ocorreu  a  aferição  indireta,  o  qual  é  parte  integrante  do  valor  descrito  no  resumo  da  folha,  a  qual  confere  com  os  registros  contábeis.  E mesmo que o resumo analítico por obra não estivesse anexado  ao  processo,  o  que  não  é  verdade,  caso  o  servidor  fiscal  houvesse  dado  ciência  à  impugnante  que  estava  realizado  a  presente diligência teria lhe sido demonstrado de forma didática  e clara que a aferição indireta não era cabível.  Conclui que se a fiscalização houvesse analisado processo  a  processo  constataria  que  a  impugnante  tem  controles  analíticos  que  possibilitam  a  visualização  das  contribuições previdenciárias por obra escriturada no livro  contábil.  Do mérito À conclusão da fiscalização na diligência de que  o  contribuinte  em  nenhum  momento  da  defesa  conseguiu  provar  a  contabilização  em  títulos  próprios  por  obra  de  construção  civil  dos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária,  a  impugnante  argumenta  que  esta  conclusão está em desconformidade com o meio probatório  acostado  aos  autos,  tendo  a  fiscalização  agido  contra  princípios  constitucionais  e  do  direito  administrativo,  afrontando o seu direito de defesa.  Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   12 Afirma  a  impugnante  que  o  Princípio  da  Ampla  Defesa  determina  a  obrigatoriedade  de  se  observar  a  ordem  natural  do  processo,  de  modo  que  a  defesa  de  manifeste  sempre  em  último  lugar,  e  da  participação  do  sujeito  passivo na realização das perícias e diligências.  Argumenta  ainda  que  a  fiscalização  não  promoveu  a  correta análise da documentação acostada aos autos, pois  se assim o tivesse feito teria lido na peça impugnatória que  há  uma  folha  analítica  por  obra  realizada,  que  compõem  um resumo com todas as obras realizadas.  Repete  que:  o  resumo  analítico  acostado  aos  autos  descreve  todas  as  verbas  sujeitas  à  incidência  das  contribuições  previdenciárias  e  seu  respectivo  cálculo,  o  resumo  da  folha  é  o  somatório  das  verbas  pagas  aos  trabalhadores  e  descreve  todas  as  contribuições  dos  montantes pagos, os valores descritos no resumo das folhas  são escriturados no Livro Razão e lançados em GFIP.  Alega que o servidor fiscal não teve o trabalho de fazer a análise  individual  dos  52  processos,  que  agiu  em  desacordo  com  a  verdade material, não a buscando, e analisando incorretamente  os  documentos  que  lhe  foram  apresentados.  Conduziu  o  procedimento  de  diligência  sem  a  ciência  e  participação  da  impugnante,  impediu  o  acesso  da  impugnante  ao  procedimento  impossibilitando  que  demonstrasse  que  possui  controles  que  possibilitam a identificação das verbas pagas aos trabalhadores  por  obra,  e  que  ao  afirmar  que  os  documentos  acostados  ao  processo  não  demonstram  as  verbas  previdenciárias  e  valores  pagos por obra sem a ciência e participação da impugnante feriu  também  o  princípio  da  acessibilidade  aos  elementos  do  expediente,  da ampla  instrução probatória,  e determinações da  Lei nº 9.784/1999.  Enfim, alega a impugnante que na sua conclusão a fiscalização  comete  outro  equívoco,  pois  arvorou­se  na  atribuição  de  julgador  ao  decidir  pela  manutenção  integral  dos  autos  de  infração,  quando  não  fez  o  que  lhe  foi  determinado,  ou  seja,  analisar os 52 processos.  Agindo  em  desconformidade  com  o  Processo  Administrativo  Fiscal  eivou  de  nulidade  todo  o  procedimento,  pois  cerceou  o  direito do contribuinte em produzir provas, esclarecer dúvidas, e  eventualmente oferecer outros elementos probantes.  Requer  ao  final a  nulidade  das  conclusões  realizadas  no  curso  do  procedimento  administrativo  de  diligência  por  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  o  retorno  dos  autos  à  DRF  para  realizar  nova  diligência,  desta  vez  com  a  participação  da  impugnante,  e  que  a  DRJ  acate  esses  pedidos  em  observância  aos  princípios  que  regem  o  procedimento  administrativo,  possibilitando à impugnante demonstrar que a aferição indireta  foi prematura e incorreta.  Enfim, o processo retornou a esta DRJ para julgamento  Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/2009­21  Acórdão n.º 2201­002.966  S2­C2T1  Fl. 8          13   Foi dada ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na  Caixa  Postal,  Modulo  eCAC  do  Site  da  Receita  Federal,  sendo  a  disponibilização  em  29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012.  A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013.  O processo foi encaminhado para a PGFN em 06/05/2013.  Em 05/08/2013 o contribuinte protocolizou recurso voluntário.  Em  setembro  de  2013,  o  processo  retornou  para  a  fase  administrativa  para  apreciação do recurso.  Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde  alega/questiona, em síntese:  · Tempestividade. Admissibilidade do recurso.  · A  forma  de  intimação  foi  alterada  de  meio  papel  para  digital  sem  ciência e anuência prévia do contribuinte.  · Não se comprovou a afetiva intimação do resultado do julgamento de  primeira instância.  · O processo foi indevidamente encaminhado para inscrição em dívida  ativa.  · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação.  · Requer  o  cancelamento  da  inscrição  em  dívida  ativa  e  retorno  ao  trâmite administrativo.    O  processo  baixou  em  diligência  para  comprovar  a  opção  do  contribuinte  pelo  Domicílio  Tributário  Eletrônico  –  DTE,  apresentar  as  normas  e  condições  de  sua  utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal.   A  DERAT/SP  informou  que  a  empresa  realizou  a  opção  pelo  DTE  em  13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE  na Caixa Postal do e­CAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita  Federal em 05/08/2013.    – Conforme  fl.  1368  foi  solicitada  Apuração  Especial  pelo  SERPRO,  cujo  resultado  encontra­se  nas  fls.  1369­1373  e  comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001­08 (NI  logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012  e no dia 27/08/2012.  Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   14 – De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a  tela  na  fl.  1365  com  as  orientações  sobre  o  funcionamento  do  DTE na Caixa Postal do e­CAC.  – Considerando­se na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a  menção  ao  recebimento  dos  documentos  naquela  data,  cujo  carimbo está na fl.1262 (primeira do Recurso Voluntário), além  da  Tela  do Histórico  de  eventos  no  SICOB,  na  fl.1374  (campo  data do Evento ­ Recurso Voluntário), compreende­se que a data  de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal  foi  em 05/08/2013.    É o relatório.  Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/2009­21  Acórdão n.º 2201­002.966  S2­C2T1  Fl. 9          15     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O  recurso  foi  interposto  intempestivamente,  o  que  impede  a  sua  admissibilidade.  Em diligência ficou comprovado que a recorrente realizou a opção pelo DTE.   Foi dada ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na  Caixa  Postal,  Modulo  eCAC  do  Site  da  Receita  Federal,  sendo  a  disponibilização  em  29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012.    PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10932.000187/200921  INTERESSADO: EMPARSANCO S/A DESTINATÁRIO:  TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO   Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados  abaixo,  por  decurso  de  prazo  de  15  dias  a  contar  da  disponibilização  destes  documentos  através  da  Caixa  Postal,  Modulo eCAC do Site da Receita Federal.  Data da disponibilização na Caixa Postal: 29/11/2012   Data da ciência por decurso de prazo: 14/12/2012   Acórdão de Impugnação   Intimação de Resultado de Julgamento    A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013.    PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10932.000187/200921   INTERESSADO: EMPARSANCO S/A   TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO   O  Contribuinte  tomou  conhecimento  do  teor  dos  documentos  relacionados abaixo, na data 01/03/2013 10:09h, pela abertura  dos  arquivos  correspondentes  no  link  Processo  Digital,  no  Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH   16 Centro  Virtual  de  Atendimento  ao  Contribuinte  (Portal  eCAC)  através da opção Consulta Comunicados/Intimações.  Acórdão de Impugnação   Intimação de Resultado de Julgamento    O  recurso  voluntário  foi  protocolizado  junto  à  Receita  Federal  em  05/08/2013.  O prazo legal para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias.  O  intervalo  de  tempo  entre  a  ciência  por  decurso  de  prazo  da  decisão  de  primeira instância (14/12/2012) e a interposição do recurso (05/08/2013) em muito extrapolou  o prazo legal.    CONCLUSÃO    Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua  intempestividade.  Assinado digitalmente  Carlos Alberto Mees Stringari                                 Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH

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6386809 #
Numero do processo: 11968.000796/2009-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2008 a 31/10/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.711
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF‐T3  Fl. 476          1 475  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11968.000796/2009­35  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­003.711  –  3ª Turma   Sessão de  26 de abril de 2016  Matéria  Denuncia espontânea ­ multa por atraso na prestação de informações sobre  veículo ou carga nele transportada  Recorrente  ALIANCA NAVEGACAO E LOGISTICA LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/09/2008 a 31/10/2008  PENALIDADE  ADMINISTRATIVA.  MULTA  POR  ATRASO  NA  ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.  A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do  Decreto­lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o  excludente  de  responsabilidade  da  denúncia  espontânea,  não  se  aplica  nos  casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos  fixados pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  prestação  de  informações  à  administração aduaneira.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.       Acordam  os  membros  do  Colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César  Alves  Ramos,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Vanessa  Marini  Cecconello  e  Maria  Teresa  Martínez López, que davam provimento.     CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente e Relator  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres,  Tatiana Midori  Migiyama,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Gilson Macedo     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 07 96 /2 00 9- 35 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 477          2 Rosenburg  Filho,  Érika  Costa  Camargos  Autran,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Vanessa Marini  Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).    Relatório  Trata­se de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do DL 37, de 1966,  cuja  redação  foi alterada pela Lei 10.833, de  2003.  Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário,  nos termos do Acórdão 3801­004.840. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado  a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento.   Após  tomar  ciência  do  mencionado  acórdão,  a  Contribuinte  apresentou  recurso  especial  suscitando  divergência  quanto  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decreto­lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei  12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.    Voto             Carlos Alberto Freitas Barreto, relator  Este  processo  foi  julgado  na  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­003.552, de  26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/2006­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio  nos  termos  regimentais,  o  inteiro  teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303­003.552):  "O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele tomo conhecimento.  Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e  paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL  37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na  Fl. 477DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 478          3 Lei  12.350,  de  20/12/2010).  Além  disso,  ambos  citaram  expressamente  as  alterações  promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do Decreto­Lei 37/66, que trata  da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos  confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à  possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não  há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial.  A  matéria  devolvida  a  este  Colegiado  cinge­se,  exclusivamente,  à  possibilidade  de  aplicar  a  denúncia  espontânea,  após  a  alteração  promovida  pela  Lei  12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre  veículo ou carga nele transportada.  Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o  cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental  de  prestar  informação.  Aplicando­se  o  entendimento  defendido  pela  Recorrente,  os  prazos  estipulados  pela  legislação  aduaneira,  para  prestar  informações  à  RFB,  poderiam  ser  descumpridos pelo  sujeito passivo  sem punição,  tendo como única condição que  a prestação  das  informações  seja  efetuada  antes  do  início  de  ação  fiscal.  Ou  seja,  os  prazos  para  a  apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos  fatais, como é a regra na legislação tributária.   Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicar­se à solução do  presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802­ 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos:  "O  Recorrente  alega  ainda  que  as  informações  sobre  o  embarque  foram  prestadas  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Portanto,  nos  termos  do  art.  138,  caput,  do  Código  Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em  razão da caracterização da denúncia espontânea:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com a infração.  A aplicabilidade da denúncia  espontânea às “obrigações  acessórias”  é  sustentada  por  parte  da  doutrina  com  base  na  expressão “se  for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do  CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito  Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho:  'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido,  resta  induvidoso  que  a  exclusão  da  responsabilidade  tanto  se  Fl. 478DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 479          4 refere  a  infrações  das  quais  decorra  o  não  pagamento  do  tributo  como  a  infrações  meramente  formais,  vale  dizer,  infrações  das  quais  não  decorra  o  não  pagamento  do  tributo.  Inadimplemento  de  obrigações  tributárias  meramente acessórias' 1.  'A  expressão  ‘se  for  o  caso’  explica­se  em  face  de  que  algumas  infrações,  por  implicarem  desrespeito  a  obrigações  acessórias,  não  acarretam,  diretamente,  nenhuma  falta  de  pagamento  de  tributo,  embora  sejam  também  puníveis,  porque  a  responsabilidade  não  pressupõe,  necessariamente,  dano  (art.  136).  Outras  infrações,  porém,  de  um modo  ou  de  outro,  resultam  em  falta  de  pagamento.  Em  relação  a  estas  é  que  o  Código  reclama o pagamento' 2.  'Se  quisesse  excluir  uma  ou  outra,  teria  adjetivado  a  palavra  infração  ou  teria  dito  que  a  denúncia  espontânea  elidiria  a  responsabilidade  pela  prática  de  infração  à  obrigação principal  excluindo a  assessória,  ou vice­versa.  Ora,  onde  o  legislador  não  distingue  não  é  lícito  ao  intérprete  distinguir  segundo  cediço  princípio  de  hermenêutica' 3  Essa  interpretação,  porém,  não  foi  acolhida  pela  Jurisprudência,  consoante  se  depreende  dos  seguintes  julgados  do Superior Tribunal de Justiça:  'TRIBUTÁRIO.  MULTA MORATÓRIA.  ART.  138  DO  CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE  RENDIMENTOS.  1.  O  STJ  possui  entendimento  de  que  a  denúncia  espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente  do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os  efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações  acessórias autônomas.  2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos  EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin.  DJe 10/05/2013).'  (...)  A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais,  conforme Súmula CARF nº  49:  'A  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na                                                              1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss.  2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437.  3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995,  p. 105­106.  Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 480          5 entrega de declaração',  que  foi  fruto de  reiterados  julgados do  Câmara Superior de Recursos Fiscais (...).  A  discussão,  entretanto,  foi  reaberta  em  face  da  nova  redação  do  art.  102  do Decreto­Lei  nº  37/1966,  decorrente  do  art. 40 da Lei nº 12.350/2010:  Art.  102.  A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  imposto  e  dos  acréscimos,  excluirá  a  imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988).  § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da  mercadoria;  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)  b)  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  2º  A  denúncia  espontânea  exclui  a  aplicação  de  penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades  aplicáveis  na  hipótese  de  mercadoria  sujeita  a  pena  de  perdimento.  (Redação  dada  pela Lei nº 12.350, de 2010).   (...)  De  fato,  a  Lei  nº  12.350/2010  resultou  da  conversão  da  Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de  motivos  desta,  seu  objetivo  foi  'deixar  claro'  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  aplica­se  a  todas  as  penalidades  pecuniárias,  inclusive  multas  isoladas  vinculadas  ao  descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende  da leitura da exposição de motivos:  '40.  A  proposta  de  alteração  do  §  2º  do  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  visa  a  afastar  dúvidas  e  divergência  interpretativas  quanto  à  aplicabilidade  do  instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão  da  imposição  de  determinadas  penalidades,  para  as  quais  não  se  tem  posicionamento  doutrinário  claro  sobre  sua  natureza.  [...]  43. Fundamentalmente,  o Linha Azul é um procedimento  simplificado  que  propicia  às  empresas  habilitadas  um  menor percentual de seleção para os canais de verificação  amarelo  e  vermelho  e  conferência  aduaneira  das  declarações  selecionadas  realizada  prioritariamente,  Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 481          6 inclusive  com  compromisso  de  tempo máximo  para  essa  conferência  estipulado.  Esse  procedimento  segue  a  orientação  internacional  de  Operadores  Econômicos  Autorizados  OEA,  ou  seja,  de  credenciamento  de  operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio  exterior com menores entraves burocráticos.  44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha  Azul  inclui  a  realização,  previamente  à  adesão,  de  uma  auditoria de controles  internos para autoavaliação de seus  controles  e  procedimentos  aduaneiros,  referente,  no  mínimo,  aos  quatro  últimos  semestres  civis.  O  objetivo  dessa  autoavaliação  é  induzir  a  empresa  a  verificar  o  cumprimento  da  legislação  aduaneira  (controles  administrativos  e  fiscais),  com  reflexo  na  garantia  da  regularidade  dos  registros  aduaneiros  e  do  recolhimento  dos  tributos devidos. Exige­se,  sempre que a auditoria de  controles  internos  aponte  irregularidades,  que  sejam  apresentados  documentos  que  comprovem  o  seu  saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a  sua solução.  45.  No  caso  específico,  o  que  se  tem  verificado  é  que,  durante  o  processo  de  auditoria,  as  empresas  têm  constatado  reiterados erros  em declarações de  importação  registradas  e  desembaraçadas  no  canal  verde  de  conferência e, como forma de sanear a irregularidade para  cumprimento  do  programa,  apresentado  a  relação  desses  erros  na  unidade  de  jurisdição  e  adotado  as  respectivas  providências para a retificação das declarações aduaneiras.  46.  Todavia,  ao  adotar  essa  providência,  mesmo  que  a  empresa  não  tenha  que  recolher  quaisquer  tributos,  ela  pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por  cento  sobre  o  valor  aduaneiro  da  mercadoria  (multa  isolada),  disciplinada  no  art.  711  do  Regulamento  Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais  erros e adotado as providências para a sua regularização, o  que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul.  47.  A  proposta  de  alteração  objetiva  deixar  claro  que  o  instituto  da  denúncia  espontânea  alcança  todas  as  penalidades  pecuniárias,  aí  incluídas  as  chamadas multas  isoladas, pois nos parece  incoerente haver a possibilidade  de  se  aplicar  o  instituto  da  denúncia  espontânea  para  penalidades vinculadas ao não­pagamento de tributo, que é  a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para  multas  isoladas,  vinculadas  ao  descumprimento  de  obrigação  acessória.'  (EMI  nº  111/MF/MP/ME/MCT/  MDIC/MT).  Todavia,  cumpre  considerar  que,  nas  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais,  o  sujeito  passivo  está  Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 482          7 vinculado  a  um  fazer  ou  não­fazer,  sem  expressão  econômica,  destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4.  Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção  de  escrituração  fiscal  regular,  da  descrição  adequada  do  bem  importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal,  bem  como  da  apresentação  de  informações  para  a  Fazenda  Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em  razão disso, na aplicação do art. 102 do Decreto­Lei nº 37/1966,  deve­se analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada.  Isso  porque  nem  todas  as  infrações  pelo  descumprimento  de  deveres  instrumentais  são  compatíveis  com  a  denúncia  espontânea,  como  é  o  caso  das  infrações  caracterizadas  pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito passivo.  Essa  importante  distinção  foi  evidenciada  em  voto  do  eminente  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  no  Acórdão 3102­00.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013:  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa  instituídas  na  legislação  aduaneira.  Nesta  última,  incluída  todas  as  obrigações  acessórias  ou  deveres  instrumentais  (segundo  alguns)  que  tenham  por  objeto  as  prestações  positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse fiscalização das operações de comércio exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo, comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia espontânea, é condição necessária que a infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação  à  fiscalização  pelo  infrator.  Em  outras  palavras,  é  requisito  essencial  da  excludente  de  responsabilidade  em  apreço  que  a  infração  seja  denunciável.  No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o  disposto  no  retrotranscrito  preceito  legal,  as  impossibilidades  de  aplicação  dos  efeitos  da  denúncia  espontânea  podem  decorrer  de  circunstância  de  ordem  lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica).  No  caso  de  impedimento  legal,  é  o  próprio  ordenamento  jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir determinado  tipo de  infração do alcance do efeito  excludente  da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme                                                              4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277­349.  Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 483          8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art.  102.  A  impossibilidade  de  natureza  lógica  ou  racional  ocorre  quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação espontânea da  infração. São dessa modalidade  as  infrações que  têm por objeto as condutas extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais  tipos de  infração, a denúncia espontânea não  tem o condão  de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo.  Compõem essa última modalidade  toda  infração que  tem o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  acessória  (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo  ou  transcurso  do  tempo  como  elemento  essencial  da  tipificação da infração.  São dessa última modalidade todas as infrações que têm no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação  legalmente  estabelecida.  A  título  de  exemplo,  pode  ser  citada  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja  que,  na  hipótese  da  infração  em  apreço,  o  núcleo  do  tipo  é deixar de prestar  informação  sobre  a  carga no prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente  que  materializa  a  infração,  ao  passo  que  na  segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente  obrigação  acessória. Nesta  última hipótese, se a informação for prestada antes do início  do  procedimento  fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se e a respectiva penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria  de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que o mesmo  fato  configurasse  a  denúncia  espontânea  da  correspondente  infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação,  o  que  se  admite apenas para argumentar, o cometimento da infração,  em  hipótese  alguma,  resultaria  na  cobrança  da  multa  sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea  da  respectiva  infração.  Em  consequência,  ainda  que  comprovada  a  infração,  a multa  aplicada seria  sempre  inexigível,  em  face  Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 484          9 da  exclusão  da  responsabilidade  do  infrator  pela  denúncia  espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso  jurídico, uma espécie de  revogação  da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática,  a  sanção  estabelecida  para  a  penalidade  não  poderá  ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade  punitiva para a prática de infração desse jaez.  Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações  caracterizadas pelo  fazer ou não­fazer extemporâneo do sujeito  passivo  implicaria  o  esvaziamento  do  dever  instrumental,  que  poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito  passivo.  Exegese  dessa  natureza  comprometeria  toda  a  funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário.  Destaca­se,  nesse  sentido,  a  doutrina  de  Yoshiaki  Ichihara:  'Caso  se  entenda  que  o  descumprimento  de  dever  instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem  o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá  mais  infração  da  obrigação  acessória.  Seria,  a  rigor,  uma  verdadeira  anistia,  que  somente poderá  ser  concedida por  lei específica.  Exemplificando,  uma  empresa  que  deixou  de  registrar  e  escriturar  livros  fiscais,  com  a  denúncia  espontânea  da  infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a  aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5.  Entende­se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138  do CTN  e  art. 102  do Decreto­Lei  n°  37/1966)  não alcança  as  penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental  caracterizado  pelo  atraso  na  prestação  de  informação  à  administração aduaneira.  (...)"  O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os  tributos a fazê­lo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas  pelo fisco, que recebe o que deveria  ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do  contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo  das obrigações  tributárias. Porém,  a  responsabilidade pelo  cometimento das  infrações  restará  afastada  apenas  com  o  reconhecimento  e  cumprimento  da  obrigação,  preservando  assim  a  higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência.  De  fato,  a  jurisprudência  dominante  em  nossos  tribunais  não  admite  a  configuração  da  denúncia  espontânea  ante  a  prática  de  determinados  atos,  que  representam                                                              5  ICHIHARA,  Yoshiaki.  Sanções  tributárias  ­  questões  sugeridas.  In:  MACHADO,  Hugo  de  Brito  (coord.).  Sanções administrativas tributárias. São Paulo: Dialética­ICET, 2004, p. 502.  Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 485          10 infrações à  legislação  tributária. Várias são as decisões no sentido da  inaplicabilidade do art.  138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias.  Vejamos:   “DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA.  INAPLICABILIDADE.  1.  Inaplicável  o  instituto  da  denúncia  espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do  descumprimento  de  obrigação  acessória.”  (STJ,  2ª  T.  AgRg no  Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09)  No  mesmo  sentido  do  entendimento  ora  defendido,  manifestou­se  recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da  ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos:   EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.  3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.   [...]Voto.  [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.   A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:   [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.   [...]  (BRASIL.  TRF4.  2ª  Turma.  Apelação  Cível  nº  5005999­ 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013)  (grifo acrescido)  Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 486          11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF  da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 ­ A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário  Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia,  não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida  antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010.  A  intransigência  em  matéria  de  controles  administrativos  aduaneiros  se  justifica,  muito  mais  do  que  pela  questão  tributário­financeira,  pela  questão  da  defesa  do  Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se  faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro.  Muitas vezes, a administração  tributária prioriza a arrecadação de  tributos e  não  enfatiza  as  razões  dos  controles  não  tributários  ou  aduaneiros.  Assim,  pode  ficar  a  impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário,  mas essa é uma falsa observação.  Cabe  a  administração  aduaneira  cumprir  as  decisões  dos  demais  órgãos  do  Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à  defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São  atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários  à excelência do trabalho de fiscalização.  Ao  fazer  o  julgamento,  especialmente  por  que  não  há  tantos  julgadores  especializados em nuances do comércio internacional, passa­se ao largo dos verdadeiros delitos  que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta  de pagamento de impostos.  Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de  aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV,  alínea  "e",  do  DL  37,  de  1966,  alcança,  indistintamente,  a  exigência  dessa  penalidade  nas  diversas  situações nas quais  é  aplicada,  tais  como:  atraso na prestação de  informações  sobre  mercadoria  embarcada,  sobre  atracação  de  embarcação,  sobre  vinculação  de  manifesto  de  carga, etc.   Afastada  a  aplicação  da  denúncia  espontânea,  e  diante  de  recurso  do  contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado  que  deve  ser  aplicado  aos  demais  processos  vinculados  ao  julgamento  deste,  na  sistemática  prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos).  À  luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada."    Aplicando­se  as  razões  de  decidir,  o  voto  e  o  resultado  do  processo  paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do  RICARF,  nega­se  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pelo  sujeito  passivo,  por  Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/2009­35  Acórdão n.º 9303­003.711  CSRF‐T3  Fl. 487          12 considerar  inaplicável  a  denúncia  espontânea  como  excludente  da  multa  pelo  atraso  na  prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada.    CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO                              Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10120.721457/2012-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 VÍCIO MATERIAL. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Demonstrada a existência de fatos distintos que levaram à correta capitulação legal para incidência da penalidade aplicada, inexiste vício material que implique nulidade do lançamento. Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10120.721457/2012­91  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­004.013  –  2ª Turma   Sessão de  12 de maio de 2016  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciárias  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  SERVICOS EDUCACIONAIS MR LTDA    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010  VÍCIO  MATERIAL.  ERRO  NA  CAPITULAÇÃO  LEGAL.  INEXISTÊNCIA.  Demonstrada a existência de fatos distintos que levaram à correta capitulação  legal  para  incidência  da  penalidade  aplicada,  inexiste  vício  material  que  implique nulidade do lançamento.  Recurso especial provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  dar  provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia  da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que  negaram provimento ao recurso.    (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 57 /2 01 2- 91 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 3          2   EDITADO EM: 20/05/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Relatório    Trata  o  presente  processo  de  autos  de  infração  ­  AI,  às  e­fls.  03  a  99,  cientificados  ao  contribuinte  em  28/02/2012,  com  relatório  fiscal  às  e­fls.  102  a  116.  Os  créditos correspondentes  foram consolidados em 27/02/2012 para as competências  janeiro de  2009 a julho de 2010, e, resumidamente, estão abaixo descritos:  DEBCAD Nº  DESCRIÇÃO  e­FLS.  VALOR  CORRIGIDO  51.009.648­4  Multa por apresentação de GFIP com informações incorretas ou  omissas, anteriormente à ação fiscal. (CFL 78)  03  3.785,00  51.009.649­2  Contribuições  da  empresa,  incidente  sobre  os  pagamentos  efetuados a segurados e não declarados em GFIP.  04 a 37  1.469.620,18  51.009.650­6  Contribuições  descontadas  dos  segurados,  não  repassados  à  Previdência Social e nem declarados em GFIP.  38 a 67  629.954,60  51.019.321­8  Contribuição destinada a terceiros (INCRA, SESC e SEBRAE).  68 a 97  308.801,60  51.019.322­6  Multa por deixar de exibir documentos ou  livros, ou apresentá­ los com omissão de informação ou falsidade desta. (CFL 38)   98  16.170,98  51.019.323­4  Multa por apresentar arquivos ou sistemas em meio digital, com  omissões  ou  informações  incorretas  sobre  registros  negociais,  livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. (CFL 22)  99  70.536,24  TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO   2.498.868,60  A  contribuinte,  que  é  uma  sociedade  privada  que  presta  serviços  educacionais, apresentou uma impugnação para cada AI, às e­fls. 528 a 563, contestando o auto  de  infração.  A  6ª  Turma  da  DRJ/SDR  considerou  improcedente  a  impugnação,  por  unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 15­33.267 de 29/08/2013, às e­fls. 619  a 631.   Inconformada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário,  às  e­fls.  669  a  682, no qual argui, em apertada síntese:   Fl. 832DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 4          3 · pela  nulidade  dos  AI  por  vícios  formais,  devido  à  falta  de  descrição  dos  fatos  e  enquadramento  legal,  além  de  clareza  e  precisão  nas  informações  que  foram, inclusive, apresentadas em documentos deles  apartados;  · cerceamento do direito de defesa em face do volume  e  das  obscuridades  nas  apurações  dos  débitos  do  contribuinte;   · não ser clara a separação das condutas vinculadas à  múltiplas  penalidades  aplicadas  em  momentos  distintos no tempo;  · em  face  da  incorreta  descrição  dos  fatos  e  fundamentos  legais,  também  a  representação  fiscal  para  fins  penais  está  eivada  de  cerceamento  de  defesa.  O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da  Segunda Seção de Julgamento em 18/03/2014,  resultando no acórdão 2302­003.038, às e­fls.  707 a 736, que tem a seguinte ementa:  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  RELATÓRIOS  FISCAIS.  FINS  ESPECÍFICOS. LEITURA E INTERPRETAÇÃO CONJUNTA.  O  lançamento  tributário  é  constituído  por  uma  diversidade  de  Relatórios,  Termos  e  Discriminativos,  os  quais  devem  ser  compulsados  em  seu  conjunto,  e  de  cuja  sinergia  emergem  as  condições  de  contorno  específicas  do  crédito  tributário  em  constituição.  LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.  INEXISTÊNCIA.  Não incorre em cerceamento do direito de defesa, tampouco em  nulidade,  o  lançamento  tributário  cujos  relatórios  típicos,  incluindo  o  Relatório  Fiscal  e  seus  anexos,  descreverem  de  forma clara, discriminada e detalhada a motivação da autuação,  bem  como  a  natureza  e  origem  de  todos  os  fatos  geradores  lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes  devidos,  as  deduções  e  créditos  considerados  em  favor  do  contribuinte,  assim  como,  os  fundamentos  legais  que  lhe  dão  amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos  tributos lançados, favorecendo o contraditório e a ampla defesa.  RFFP. CABIMENTO.  A  representação  fiscal  para  fins  penais  relativa  aos  crimes  de  sonegação  de  contribuição  previdenciária,  tipificados  no  art.  337A  do  Código  Penal  Brasileiro,  será  encaminhada  ao  Ministério  Público  após  proferida  a  decisão  final,  na  esfera  administrativa,  sobre  a  exigência  fiscal  do  crédito  tributário  correspondente.  Fl. 833DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 5          4 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS  CONTÁBEIS  EM  MEIO  DIGITAL.  INOBSERVÂNCIA  DOS  PADRÕES  ESTIPULADOS PELA  SECRETARIA DA  RECEITA  FEDERAL DO BRASIL.  A apresentação da documentação contábil em formato digital em  desacordo  com  os  padrões  estipulados  pela  SRFB  enseja  infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91,   É nulo o lançamento quando se verifica vício material de caráter  insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao  cálculo  da  multa  aplicada,  quando  impedirem  o  conhecimento  pelo  contribuinte  da  sua  conduta  faltosa  e  da  obrigação  descumprida.  Recurso Voluntário Provido em Parte  O acórdão teve o seguinte teor:  ACORDAM os membros da 2ª TO/3 ªCÂMARA/2ª SEJUL/CARF  /MF/DF,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso voluntário, exclusivamente, para excluir do lançamento  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  DEBCAD  nº  51.019.3234  (CFL  22),  anulado  por  vício  material,  vencidos  o  Conselheiro  Relator  e  o  Conselheiro  André  Luís  Mársico  Lombardi. Quanto à natureza do vício, por maioria de votos, foi  declarado  como  material,  vencidos  o  Conselheiro  Relator  e  a  Conselheira Liege Lacroix Thomasi, que entenderam ser o vício  de  natureza  formal.  O  Conselheiro  Leonardo  Henrique  Pires  Lopes  fará  o  voto  divergente  quanto  ao  Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória DEBCAD nº 51.019.3234 (CFL 22).  RE da Fazenda  Irresignada,  em  15/07/2014,  a  Procuradoria  da  Fazenda  interpôs  recurso  especial  de  divergência  ­  RE,  às  e­fls.  738  a  754,  com  o  qual  busca  afastar  as  vertentes  de  supostas  irregularidades  que  inquinassem  o  AI  DEBCAD  nº  51.019.3234  (CFL  22)  de  nulidade.   Primeiramente, traz como paradigmas para divergência os acórdãos: nº 1401­ 000.894 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF e nº 1802­001.296 da 2ª  Turma  Especial  da  2ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  do  CARF.  A  divergência  nos  referidos  paradigmas  seria  no  sentido  de  que,  não  ficando  demonstrado  prejuízo  à  defesa,  a  mera capitulação errônea não seria motivo suficiente para a anulação dos autos de infração.   Em segunda vertente, busca demonstrar que a falta de correta fundamentação  legal é de ser tratada como vício formal. Para isso indica como paradigma para divergência os  acórdãos: nº 2402­00098 e nº 2402­002.632,  ambos  da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da  Segunda Seção de Julgamento.  O Presidente da Segunda Seção de Julgamento do CARF proferiu o despacho  de e­fls. 763 a 770, em 07/08/2015, pelo qual deu seguimento ao RE.  Fl. 834DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 6          5 A  contribuinte  recebeu  intimação  nº  1072/2015  (e­fl.  788)  para  ciência  do  acórdão  do  recurso  voluntário  e  do  RE  da  Fazenda  em  16/12/2015  (e­fl.  804),  sem  que  se  manifestasse sobre ambos nos prazos regimentais.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  Dos cinco auto de  infração deste processo, o acórdão recorrido  inquinou de  nulo por vício material tão somente aquele relativo à aplicação da multa por descumprimento  de  obrigação  acessória  (CFL  22),  DEBCAD  nº  51.019.323­4.  Assim,  o  que  se  discute  é  a  existência do referido vício, conforme defendido pelo redator designado para o voto vencedor.  O  procurador  da  Fazenda,  em  resumo,  procura  demonstrar  que  a  incorreta  base  legal  é  um  vício  formal,  mas  não  reconhece  a  nulidade  associada  aos  paradigmas  que  trazem tal interpretação, pois outros paradigmas afirmam que a correta descrição dos fatos que  permita a defesa do contribuinte afastaria a nulidade.  A base legal posta no relatório fiscal para a infração é o art. 12, inciso II da  Lei  nº  8.218  de  29/08/1991,  com  a  redação  dada  pela  Medida  Provisória  nº  2.158­35  de  24/08/2001, conforme abaixo reproduzido:  Art.11.  As  pessoas  jurídicas  que  utilizarem  sistemas  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  negócios  e  atividades  econômicas  ou  financeiras,  escriturar  livros  ou  elaborar  documentos  de  natureza  contábil  ou  fiscal,  ficam  obrigadas  a  manter,  à  disposição  da  Secretaria  da  Receita  Federal, os  respectivos arquivos digitais e  sistemas, pelo prazo  decadencial previsto na legislação tributária.  ...  Art.  12  ­  A  inobservância  do  disposto  no  artigo  precedente  acarretará a imposição das seguintes penalidades:  I ­ multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa  jurídica  no  período,  aos  que  não  atenderem  à  forma  em  que  devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos;  II­  multa  de  cinco  por  cento  sobre  o  valor  da  operação  correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente  as  informações solicitadas,  limitada a um por cento da receita  bruta da pessoa jurídica no período;  ...  (Grifos na Transcrição).  Fl. 835DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 7          6 O redator do voto vencedor afirma que a capitulação correta seria o art. 33 da  Lei 8.212/1991,  legislação utilizada no procedimento para  solicitar os arquivos no Termo de  Início de Procedimento Fiscal ­TIPF. Essa norma dispõe:  Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.  § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições devidas a outras entidades e fundos.  §  2º  A  empresa,  o  segurado  da  Previdência  Social,  o  serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou  extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.  § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível, lançar de ofício a importância devida.  Sendo  esse  artigo  extraído  da  Lei  de  Custeio  da  Previdência  Social,  a  penalidade  pelo  seu  descumprimento  também  ali  estaria  prevista,  nos  arts.  92  e  102,  por  inexistência  de  outra  penalidade  que  lhe  seja  expressamente  cominada.  Havendo  norma  específica para tratar da matéria, não poderia outra norma incidir sobre o mesmo fato sob pena  de bis in idem.  Por  essa  razão  o  redator  entendeu  que  o  inciso  II  do  art.  12  da  Lei  8.218/1991, não poderia disciplinar a mesma matéria, por ser lei anterior ao art. 33 da Lei n°  8.212, de 1991, que tem a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, e ser lei geral, não específica  para contribuições da previdência  social. Por  isso, no seu entendimento haveria duas normas  que disciplinariam a matéria e o conflito se resolveria pela adoção de uma das duas para incidir  ao fato.  A partir disso, efetua sua analise, para demonstrar que a Lei 8.218/1991 não  seria  aplicável  às  contribuições  previdenciárias,  e  conclui  que  a  norma  descrita  no  relatório  fiscal e aplicada no AI não seria adequada ao fato descrito.  Depois disso, procura demonstrar que o fato ocorrido não estaria descrito de  forma suficientemente clara para permitir que se conclua que sua ocorrência corresponde à do  fato descrito na regra­matriz. Dessa forma, não atenderia aos requisitos do art. 142 do CTN e  padeceria de vício material.  Com a devida vênia, discordo do posicionamento do acórdão recorrido.  Fl. 836DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 8          7 Há  duas  normas  definido  obrigações  e  penalidades  distintas,  conforme  a  seguir é esclarecido.  (a) A obrigação prevista no § 2º do art. 33 da Lei 8.212/1991, que obriga a  empresa  a exibir determinados documentos. Pelo que está disposto no  item 10.1 do  relatório  fiscal, à e­fl. 110, instada a fazê­lo em Termo de Intimação Fiscal nº 1 (à e­fl. 474), ela deixou  de atendê­lo em alguma medida1. Para essa infração é prevista a multa, do art. 92 do mesmo  diploma legal, lançada no AI DEBCAD nº 51.019.322­6 (CFL 38) . Saliente­se que esse fato  ensejou multa e sobre isso não há discussão no presente Recurso Especial.   (b)  A  obrigação  prevista  no  art.  11  da  Lei  nº  8.218/1991,  que  obriga  as  empresas  que  utilizem  sistemas  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  seus  negócios a disponibilizarem tais  registros em meio digital para a Receita Federal, pelo prazo  decadencial da  legislação  tributária. Relativamente a essa obrigação, o  item 11.1 do relatório  fiscal, à e­fl. 112,  informa que a contribuinte não apresentou a  folha de pagamento em meio  digital do período de 10/2008 a 05/2009, para todos os estabelecimentos e de todo o período  fiscalizado para o estabelecimento 06.187.233/004­74. Para esse outro fato omissivo implicou  a penalidade definida no inciso II do art. 12 da mesma Lei (CFL 22).   Os  artigos  infringidos  no  caso  do  AI  DEBCAD  nº  51.019.323­4  têm  a  seguinte redação:  Art. 11.  As  pessoas  jurídicas  que  utilizarem  sistemas  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  negócios  e  atividades  econômicas  ou  financeiras,  escriturar  livros  ou  elaborar  documentos  de  natureza  contábil  ou  fiscal,  ficam  obrigadas  a  manter,  à  disposição  da  Secretaria  da  Receita  Federal, os  respectivos arquivos digitais e  sistemas, pelo prazo  decadencial previsto na legislação tributária.    § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo  inferior  ao  previsto  no caput deste  artigo,  que  poderá  ser  diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica.    § 2º  Ficam  dispensadas  do  cumprimento  da  obrigação  de  que  trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES,  de  que  trata  a  Lei  nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996.    § 3º  A  Secretaria  da  Receita  Federal  expedirá  os  atos  necessários  para  estabelecer  a  forma  e  o  prazo  em  que  os  arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados.  § 4º Os  atos  a  que  se  refere  o  §  3o poderão  ser  expedidos  por  autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal.  Art.  12  ­  A  inobservância  do  disposto  no  artigo  precedente  acarretará a imposição das seguintes penalidades:                                                              1 Livro Caixa ou os Livros Diário e Razão e as folhas de pagamento do estabelecimento 06.187.233/0004­74.  Fl. 837DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 9          8 I ­ multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa  jurídica  no  período,  aos  que  não  atenderem  à  forma  em  que  devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos;  II ­ multa  de  cinco  por  cento  sobre  o  valor  da  operação  correspondente,  aos que omitirem ou prestarem incorretamente  as  informações  solicitadas,  limitada  a  um  por  cento  da  receita  bruta da pessoa jurídica no período;   III ­ multa  equivalente  a  dois  centésimos  por  cento  por  dia  de  atraso,  calculada  sobre  a  receita  bruta  da  pessoa  jurídica  no  período,  até  o  máximo  de  um  por  cento  dessa,  aos  que  não  cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos  e sistemas.   Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a  que se refere este artigo compreende o ano­calendário em que as  operações foram realizadas.   Repara­se que o Auto de  Infração que a decisão  recorrida pretendeu anular  tinha a correta descrição da obrigação infringida, conforme se pode ler à e­fl. 99:   "Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio  digital  correspondentes  aos  registros  de  seus  negócios  e  atividades  econômicas ou financeiras,  livros ou documentos de natureza contábil  e fiscal com omissão ou incorreção, conforme previsto na Lei n. 8.218,  de 29.08.91, art.ll, parágrafos 3. e 4., com redação da MP n. 2.158"  A  ocorrência  do  fato  não  foi  negada  pelo  redator  do  voto,  que  apenas  entendeu que o referido fato não se subsumiria à norma aplicada, mas a outra, que inclusive,  em  decorrência  da  ação  fiscal,  já  estava  incidindo  sobre  fatos  distintos,  no AI DEBCAD nº  51.019.322­6.  Por essas razões, diferentemente do relator do voto condutor do acórdão ora  recorrido, vejo no caso concreto dois fatos diversos sobre os quais incidiriam duas leis:  ­ um fato é a conduta de deixar de apresentar documentação que não seja em  formatação específica, mediante intimação pra fazê­lo;   ­ outro  fato é a conduta de deixar de manter à disposição do  fisco sistemas  eletrônicos ou arquivos digitais, quando a empresa utiliza tais formas de registro.   Apesar  de  ambas  as  condutas  acima  terem  em  comum  a  característica  de  serem  descumprimentos  de  obrigações  da  mesma  semelhante,  qual  seja,  disponibilizar  informações ao fisco, não são  idênticas, porque  trata­se de informações específicas, descritas  em  dispositivos  legais  diferentes  e  para  cujos  descumprimentos  há  previsão  legal  de multas  específicas. Portanto, afasta­se assim o argumento de idem sobre o qual houvesse um eventual  bis.  Irrelevante aqui entrar na discussão sobre o conflito de leis, disciplinado pela  Lei de Introdução às Normas Gerais de Direito, porque ­ conforme já esclarecido acima ­ não  há conflito. Com efeito, somente haveria conflito se estivéssemos diante de duas leis tratando  do mesmo fato, o que não ocorre no caso concreto.  Fl. 838DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 10          9 Ademais, não pode o agente da administração deixar de aplicar a  legislação  vigente  e  válida  à  época  dos  fatos  quando  esta  incide  sobre  fatos  distintos,  ainda  que  semelhantes:  falta  de  apresentação  de  documentos  em  geral  (livro  Caixa  ou  livros  Diário  e  Razão,  bem como  folhas  de  pagamento)  e  falta  de  apresentação  de  documentos  em  formato  digital específico (folhas de pagamento em formato digital). Ora se a lei assim o determina há  que  se  cumprir  a  intimação,  mesmo  que  os  dados  constantes  em  ambos  sejam,  em  parte,  idênticos.   Assim, ao se aplicar penalidades distintas a  fatos distintos, com a  indicação  da  legislação aplicável no relatório  fiscal correspondente, como ocorrido no AI DEBCAD nº  51.019.323­4, não se está deixando de lado nenhuma formalidade que possa ser tomada como  erro  do  lançamento  para  que  este  seja  inquinado  de  nulidade,  muito  menos  vício  material  conforme disposto no acórdão recorrido.  Como as demais questões analisadas no acórdão foram pela manutenção do  lançamento,  é  de  se  dar  provimento  ao  recurso  especial  para  afastar  a  nulidade  arguida  de  ofício e manter o créditos tributário lançado também no AI DEBCAD nº 51.019.323­4.  Conclusão  Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da  Procuradora  da  Fazenda  Nacional  para  dar­lhe  provimento  e  afastar  a  nulidade  do  auto  de  infração, mantendo o crédito tributário lançado.    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos    Fl. 839DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/2012­91  Acórdão n.º 9202­004.013  CSRF­T2  Fl. 11          10                           Fl. 840DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS

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Numero do processo: 11516.003902/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 1.437          1 1.436  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.003902/2010­94  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2202­003.466  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de junho de 2016  Matéria  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Recorrente  AGAMENON LEMOS DE ALMEIDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2006, 2007, 2008  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  ALEGAÇÃO  DE  OMISSÃO  CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.   Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade,  omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido  ponto sobre o qual deveria pronunciar­se a  turma. Não havendo no acórdão  embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os  declaratórios.  Embargos Rejeitados      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os  embargos de declaração.     (assinado digitalmente)  Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marco  Aurélio  de  Oliveira  Barbosa  (Presidente), Martin  da  Silva  Gesto, Márcio  Henrique  Sales  Parada,  Júnia     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 02 /2 01 0- 94 Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA   2 Roberta  Gouveia  Sampaio,  Dílson  Jatahy  Fonseca  Neto  e  Rosemary  Figueiroa  Augusto  (Suplente Convocada).    Relatório     Trata­se de Embargos de Declaração apresentado pelo Contribuinte, relativo  ao  Acórdão  nº  2202­002.267,  de  16/04/2013,  que  por  unanimidade  de  votos,  decidiu  dar  provimento parcial ao recurso, para excluir da omissão de rendimentos de aluguéis os valores  de  R$246.329,50,  R$214.992,11  e  R$  295.546,42,  nos  anos  calendário  2006,  2007  e  2008,  respectivamente, e afastar a qualificação da multa de ofício reduzindo a ao percentual de 75%.  Fez sustentação oral, o representante legal do contribuinte, Dr. Anderson Jacob Moreira Suzin,  inscrito na OAB/SC sob o no 14344.   O  contribuinte  foi  cientificado  pessoalmente  em  25/06/2013  (fls.  1.416)  e  interpôs  embargos  de  declaração,  tempestivos,  em  01/07/2013.  os  Embargos  de  Declaração  foram  apresentados  com  fundamento  no  artigo  65  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.   Em  seu  embargos,  o  contribuinte  indica  que  teria  ocorrido  contradição  na  medida  em  que  se  afastou  o  arbitramento  por  ilegalidade  e,  ao  mesmo  tempo,  manteve­se  a  exigência de forma indireta, com base nas Notas Fiscais do Produtor Rural (NFP).   Entende  que  tendo  o  arbitramento  sido  declarado  nulo,  todos  os  créditos  tributário  dele  decorrentes  deverão  ser  cancelados.  Reitera  que  seu  pedido  seria  para  afastar  o  arbitramento,  tendo  por  conseqüência  lógica o cancelamento  da exigência  apurada. Desse modo,  argumenta que a turma deveria  ter se pronunciado sobre a perspectiva de verdadeira alteração da  base de cálculo arbitrada, a qual foi afastada e, num mesmo ato decisório foi restabelecida por via  indireta.  Quando  analisada  a  admissibilidade  dos  embargos,  assim  entendeu  o  Conselheiro que fez a referida admissibilidade:  Nota­se  que  o  embargante  questiona  como  ao  se  reconhecer  a  ilegalidade  do  arbitramento,  ao  invés  de  afastá­lo  totalmente,  cancela­se  os  rendimentos  de  aluguel  calculados  por  meio  de  critério de ofício, no mesmo ato decisório, e acaba por mantê­lo  por  via  indireta  ao  substituir  parte  da  base  de  cálculo  com  fundamento numa apuração direta.  Deve­se  reconhecer que da  leitura do voto da recorrente existe  uma aparente omissão e contradição. Existe uma situação fática  que não ficou clara nos autos, que pode despertar divergência de  entendimentos.   Isto  posto,  entendo,  portanto,  que  os  embargos  devem  ser  acolhidos no que toca a apreciação da matéria se a invalidação  do  arbitramento,  comprometeria  o  lançamento,  ou  se  seria  possível  a  realização de  ajuste  nos  termos  propostos  pelo  voto  condutor do acórdão embargado.   Isto  posto,  acolho  parcialmente  os  presentes  Embargos  de  Declaração do Contribuinte, propondo a reapreciação da Turma  Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11516.003902/2010­94  Acórdão n.º 2202­003.466  S2­C2T2  Fl. 1.438          3 de  julgamento  nos  termos  propostos  pelo  embargante.  O  processo deve retornar a  turma de  julgamento para apreciação  do embargos do contribuinte.  Portanto, foram os embargos do contribuinte encaminhados para julgamento,  sendo  sorteado a  este Relator,  a  fim de verificar  se há  contradição  e/ou  omissão no  acórdão  embargado, devendo ser apreciado por esta Turma a matéria se a invalidação do arbitramento,  comprometeria o lançamento, ou se seria possível a realização de ajuste nos termos propostos  pelo voto condutor do acórdão embargado.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Martin da Silva Gesto ­ Relator  Os embargos  foram apresentados dentro do prazo  legal,  reunindo, ainda, os  demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Aduz o contribuinte que, ao se reconhecer a  ilegalidade do arbitramento, ao  invés  de  afastá­lo  totalmente,  cancela­se  os  rendimentos  de  aluguel  calculados  por meio  de  critério  de  ofício,  no  mesmo  ato  decisório,  porém  acaba  por  mantê­lo  por  via  indireta  ao  substituir parte da base de cálculo com fundamento numa apuração direta.  Uma  vez  reconhecida  a  ilegalidade  do  arbitramento,  entendeu  a  2a.  Turma  Ordinária  da  2a.  Câmara  da  2a.  Seção  de  Julgamento  do  CARF,  quando  do  julgamento  do  acórdão  embargado,  por  não  cancelar  a  autuação  quanto  a  este  ponto,  nem  por  cancelar  a  exigência tributária, entendendo os Conselheiros julgadores por retificar o lançamento através  da nova base de cálculo.   Ao meu  entender,  não  existe  omissão  ou  contradição  no  acórdão  recorrido,  existe somente inconformidade do contribuinte com o resultado do julgamento.  Transcrevo trecho do voto:  Ressalte­se  que  os  valores  declarados  pelo  contribuinte  foram  aceitos para o milho, no presente lançamento, e para a soja no  lançamento do ano­calendário 2005, consubstanciado nos autos  de outro processo (vide Termo de Verificação Fiscal cuja cópia  foi  acostado  pelo  interessado  às  fls.  470  a  492).  Ademais,  a  fiscalização  utilizou  dados  de  município  diverso  ao  da  propriedade rural.  Caberia  a  fiscalização  demonstrar  imprestabilidade  das  Notas  Fiscais  do Produtor  apresentadas  pela  contribuinte,  o  que  não  ocorreu.  Entendo,  assim,  que  devem  ser  restabelecidos  os  valores  informados  pelo  contribuinte  nas  Notas  Fiscais  do  Produtor  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA   4 para  fins  de  apuração  da  omissão  de  rendimentos  recebidos  a  título de arrendamento.  E mais adiante:  Como  se  percebe,  pelas  Notas  Fiscais  do  Produtor  (venda)  emitidas pelo contribuinte ele vendeu 108.460 kg de soja a mais  do  que  declarou  ter  recebido,  havendo  a  fiscalização  demonstrado  que  tais  produtos  foram  recebidos  em  função  do  arrendamento. A referência feita pela fiscalização à Nota Fiscal  do  Produtor  (compra)  no  015423  foi  para  justificar  a  data  do  recebimento  do  produto,  e  conseqüentemente,  a  data  do  recebimento do aluguel. As Notas Fiscais do Produtor nos 15424  a  15427,  são  notas  de  saída  (venda)  e  não  de  entrada,  que  atestam a  venda de 108.406 kg de  soja à Bunge Alimentos, em  valor superior à notas de entrada apresentadas à fiscalização.  Da mesma,  forma, para fins de apuração do valor recebido em  decorrência do arrendamento, em 01/08/2008, há que considerar  o  preço  da  saca  de  R$25,00,  consignado  na  Nota  Fiscal  do  Produtor no 015423.   Destarte,  considerando­se  os  valores  consignados  nas  Notas  Fiscais  do  Produtor  (entrada),  há  que  se  retificar  os  valores  lançados excluindo­se as diferenças abaixo apontadas:    Por sua vez, a parte dispositiva do acórdão foi:  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso,  para  excluir  omissão  de  rendimentos  apurada  os  valores  de  R$246.329,50,  R$214.992,11  e  R$295.546,42,  nos  anos­calendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, e afastar a  qualificação  da  multa  de  ofício  reduzindo­a  ao  percentual  de  75%.  Percebe­se, claramente, que não há omissão ou contradição no acórdão, não  merecendo quaisquer reparos ou explanações.   Busca, em verdade, a contribuinte, rediscutir o mérito, pois não se conformou  com a retificação da base de cálculo, pleiteando que seja cancelada a exigência  fiscal com o  cancelamento do auto,  todavia, a rediscussão da matéria é  incabível em sede de embargos de  declaração.  Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração.  (assinado digitalmente)  Martin da Silva Gesto ­ Relator  Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11516.003902/2010­94  Acórdão n.º 2202­003.466  S2­C2T2  Fl. 1.439          5                             Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA

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Numero do processo: 19515.000439/2008-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria, quando não resta comprovado procedimento tendente a prejudicar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que as provas trazidas aos autos são insuficientes para comprovação do dolo. Aplicável ao caso a Súmula CARF n° 25. Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 28/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1500; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 7          1 6  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  19515.000439/2008­26  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­003.934  –  2ª Turma   Sessão de  14 de abril de 2016  Matéria  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL   Interessado  RICHARD ANDREW DE MOL VAN OTTERLOO    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2003, 2004  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO  Cabe  desqualificar  a  multa  de  ofício  sobre  a  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  no  Brasil,  em  conta  própria, quando não resta comprovado procedimento tendente a prejudicar o  conhecimento,  por  parte  da  autoridade  tributária,  da  ocorrência  do  fato  gerador. Hipótese em que as provas trazidas aos autos são insuficientes para  comprovação do dolo.  Aplicável ao caso a Súmula CARF n° 25.  Recurso especial negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 39 /2 00 8- 26 Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS   2   (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator  EDITADO EM: 28/04/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da  Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  contra  o  acórdão  2102­002.849, proferido pela 2a Turma da 1a Câmara da 2a Seção do CARF, que: (a) por unanimidade  de votos cancelou a multa isolada lançada e (b) por maioria de votos, desqualificou a multa de oficio  sobre  a  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada. A seguir, encontram­se reproduzidos os termos da ementa e decisão do acórdão recorrido.  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício:  2003,  2004  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NOTIFICAÇÃO  POR  EDITAL.  NULIDADE.DA  NOTIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Para  que  seja  válida  a  notificação  por  edital,  basta  a  demonstração  de  que  foi  improfícua  a  tentativa  de  notificação  por  apenas  um  dos  meios  ordinários  (notificação  pessoal  ou  postal  ou  por  meio  eletrônico),  sem  ordem  de  preferência.  Considera­se  efetuada  a  notificação  15  (quinze)  dias  após  a  afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita  no  endereço  da  administração  tributária  na  internet,  em  dependência,  franqueada ao público,  do órgão encarregado da  intimação,  ou  uma  única  vez,  em  órgão  da  imprensa  oficial  local, também sem ordem de preferência.  DECADÊNCIA.  Conforme  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  para  a  hipótese  de  inocorrência  de  dolo,  fraude  ou  simulação,  a  existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas  do  art.  150,  §  4º,  do  CTN;  já  a  inexistência  do  pagamento  antecipado, para o art. 173, I, do CTN.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF).  INSTRUMENTO DE CONTROLE.  Fl. 5237DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 19515.000439/2008­26  Acórdão n.º 9202­003.934  CSRF­T2  Fl. 8          3 O MPF constitui­se  em  elemento  de  controle  da  administração  tributária,  disciplinado  por  ato  administrativo.  A  eventual  inobservância da norma infra­legal não pode gerar nulidades no  âmbito do processo administrativo.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES DO  EXTERIOR  Correto  o  lançamento  por  arbitramento  com  base  nos elementos de que dispõe a autoridade  fiscal, quando sejam  omissos  os  esclarecimentos  prestados  pelo  sujeito  passivo,  notadamente  quando  os  rendimentos  omitidos  decorrem  de  pratica  atividade  irregular  à  margem  do  Sistema  Financeiro  Nacional  que  funciona  sem  os  registros  documentais  próprios  das atividades regulares.  SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art.  42 da  Lei  Nº9.430/  96  dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo  da  renda  representada  pelos  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada.  MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.  IMPOSSIBILIDADE.  A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a  multa  de  ofício.  Precedentes  da  2ª  Câmara  e  da  Câmara  Superior de Recursos Fiscais.  MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO Presente a  intenção  de  deixar  de  cumprir  a  obrigação  tributária,  a  falta  deve  ser  punida  de  ofício  com  a  penalidade  de  maior  ônus  financeiro.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO Cabe  desqualificar a multa de ofício  sobre a  infração de omissão de  rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em  conta própria.  SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos,  no  período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.  Recurso  Voluntário  Provido  em  Parte  Vistos,  relatados  e  discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  dar  provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos:  1) por unanimidade de votos, cancelar a multa isolada (Infração  003) e 2) por maioria de votos,  desqualificar a multa de ofício  sobre  a  infração  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  sem  origem  comprovada  (Infração  002).  Vencidos os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho (Relator) e  José  Raimundo  Tosta  Santos,  que  mantinham  a  qualificação.  Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS   4 Designada  para  redigir  o  voto  vencedor  a  Conselheira  Alice  Grecchi.  3) por  voto  de qualidade, manter  a multa  de  ofício qualificada  sobre a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes  no  exterior  (Infração  001).  Vencidos  os  Conselheiros  Carlos  André  Rodrigues  Pereira  lima,  Ewan  Teles  Aguiar  e  Núbia  Matos Moura, que desqualificavam a multa.  Para fins de esclarecimento, cumpre referir que, originalmente, foi constituído auto  de infração, para exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física e acréscimos legais, em face de  duas infrações identificadas: (a) rendimentos recebidos do exterior, no âmbito da operação denominada  "Beacon Hill" e (b) rendimentos recebidos no país, por depósitos bancários de origem não comprovada.  Ambas as infrações foram objeto de lançamento de ofício do tributo, com multa qualificada, por dolo,  além do lançamento de multa isolada, por falta de recolhimento da antecipação mensal (carnê­leão).  Tendo sido  impugnado o  lançamento, a autoridade  julgadora de primeira  instância  julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado.  Irresignado,  o  contribuinte  interpôs Recurso Voluntário,  que  foi  apreciado  pela  2ª  Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF e que resultou na já referida decisão, ora recorrida.  Insurge­se, a Fazenda Nacional, contra a desqualificação da multa de ofício sobre a  infração  de  omissão  de  rendimentos  por  depósitos  bancários  de  origem não  comprovada,  requerendo  que  o  acórdão  recorrido  seja  reformado  para  restabelecimento  da  multa  de  R$  150%  sobre  todo  o  crédito  tributário. Alegando divergência  jurisprudencial em relação aos acórdãos 203­09.098 e 101­ 96.757, argumentando que "A magnitude da diferença em relação ao declarado afasta qualquer  possibilidade de erro,  revelando a conduta  intencional do  contribuinte de deixar de oferecer  tal  numerário à tributação e justifica a aplicação da multa qualificada " e, adicionalmente, que houve  reiteração da conduta.  Na  análise  de  admissibilidade  do Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  o  então  Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção do CARF, entendeu estar comprovada a divergência, com  relação  ao  primeiro  paradigma,  porque,  no  caso  do  segundo  paradigma,  foi  determinante  para  o  lançamento o fato de que o contribuinte havia mantido valores à margem da contabilidade, o que não  pode ser exigido de pessoas físicas.  Contra  o  acórdão  2102­002.849,  o  sujeito  passivo  também  apresentou  Recurso  Especial de divergência, juntamente com suas contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.  Entretanto,  o  Recurso  Especial  do  Sujeito  Passivo  não  foi  admitido,  nos  termos  de  despacho  de  Admissibilidade do então Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, devidamente confirmado por  despacho do Sr. Presidente do CARF.  Em  sede  de  contrarrazões,  o  contribuinte  alega,  inicialmente,  ausência  de  pré­ questionamento,  divergências  fáticas  entre  o  recorrido  e  o  paradigma  e,  até  mesmo  a  aplicação  de  súmula,  o  que  impediria  o  conhecimento.  Argumenta  que  os  paradigmas  dizem  respeito  à  pessoa  jurídica, enquanto o acórdão recorrido trata do caso de pessoa física. Em seguida, no mérito, defende a  impossibilidade  de  qualificação  da  multa  no  caso,  por  não  ter  sido  comprovada  a  conduta  dolosa  específica  do  contribuinte,  apenas  o  fato  de  as  contas  correntes  e  os  correspondentes  valores  não  constarem da Declaração Anual de Ajuste do IRPF.  É o relatório.  Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 19515.000439/2008­26  Acórdão n.º 9202­003.934  CSRF­T2  Fl. 9          5   Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator  Pelo  que  consta  no  processo,  o  recurso  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  e,  portanto,  dele  conheço.  Especificamente  ao  conhecimento,  é  mister  esclarecer que se encontra a seguir.  (1) A condição de prequestionamento não se aplica à Fazenda Nacional, por  expressa determinação regimental.  (2) As diferenças  fáticas existentes entre os  casos enfrentados nos acórdãos  paradigma e recorrido não são relevantes para a análise da questão da multa qualificada. Com  efeito, em ambos os casos, houve diferença de magnitude alta entre o valor declarado e o valor  do  tributo  devido.  Entretanto,  no  recorrido,  a multa  foi  reduzida  para  o  percentual  de  75%,  enquanto no paradigma, a multa qualificada foi mantida.   (3) Não foi aplicada súmula pelo colegiado recorrido. Na verdade, a súmula  34 teria sido aplicada a contrario senso, ou seja, o colegiado entendeu que não seria o caso de  aplicação dessa súmula.   Portanto,  por  esses  motivos,  entendo  estar  devidamente  comprovada  a  divergência e, assim, conheço do recurso.  No mérito, este colegiado tem o entendimento, já há muito pacífico, de que a  qualificação  da  multa,  por  dolo,  demanda  uma  conduta,  um  facere,  do  sujeito  passivo,  que  tenha o condão de dificultar o acesso da Autoridade Tributária ao fato gerador.  Antes  de  concluir,  é  absolutamente  necessário  esclarecer  que,  no  auto  de  infração objeto do presente processo, houve duas infrações distintas com lançamento de tributo  devido:  (a) omissão de rendimentos do exterior, no âmbito da operação denominada  "Beacon Hill", com utilização de procedimentos destinados à levar recursos para o exterior ou  trazer recursos ao Brasil, sem conhecimento das autoridades cambiais e fiscais; e  (b)  omissão  de  rendimentos  por  depósitos  bancários  para  os  quais  o  contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem.  A  qualificação  da multa  de  ofício,  por  dolo,  no  caso  da  primeira  infração,  acima,  foi  mantida  pelo  colegiado  a  quo  e  não  foi  objeto  de  Recurso  Especial  admitido.  Consequentemente, é definitiva no âmbito administrativo e não está em discussão no presente  julgamento. Apenas se discute aqui a qualificação da multa relativa à segunda infração.  Constato que, no Termo de Verificação Fiscal  (fl. 2.290),  a qualificação da  multa  relativa  ao  tributo  decorrente  da  omissão  de  rendimentos  por  depósitos  bancários  de  origem  não  identificada,  foi  genérica,  não  tendo  sido  imputada  ao  sujeito  passivo  conduta  específica  tendente  à  dificultar  a  verificação  do  fato  gerador,  mas  apenas  a  ausência  de  Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS   6 informação das contas correntes bancárias e sua movimentação na Declaração Anual de Ajuste  do IRPF:  “A  se  ver  dos  rendimentos  insertos  em  suas  declarações  de  ajuste anual dos exercícios 2003 e 2004, anos­calendário 2002 e  2003, os valores apurados não foram submetidos à tributação.  Por  conseqüência  será  objeto  de  lançamento  de  oficio  para  formalização do imposto devido acrescido dos juros de mora e  da multa  de  oficio  no  percentual  de  150%  (cento  e  cinqüenta  por  cento),  aplicada  em  decorrência  das  circunstâncias  que  qualificaram a infração, já que a omissão de rendimentos por si  só  ensejaria  a  aplicação  da  multa  normal  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento),  nos  termos  do  art.  44,  inciso  I,  da  Lei  n°9.430/96;  com alterações  introduzidas pelo art.  14 da Lei n°  11.488,  de  15/06/2007,  porém  se  considerar  as  peculiaridades  em que a infração foi apurada, sobretudo em relação conduta do  fiscalizado quanto ao ilícito praticado, porquanto a omissão de  rendimentos  foi  apurada  sem  que  o  mesmo  tivesse  efetuado,  nas  suas  declarações  de  ajuste  anual,  qualquer  registro  das  contas  e  das  operações  constatadas  por  esta  auditoria,  o  que  caracteriza o intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73  da  Lei  n°  4.502/64  e,  portanto,  imprime  à  infração  apurada  o  caráter de multa mais gravosa.”  (Grifos na Transcrição)  Sendo  esse  o  caso,  exclusivamente  para  a  multa  referente  à  infração  de  omissão  de  rendimentos  recebido  no  país,  lançada  por  presunção  de  depósitos  bancários  de  origem não  comprovada,  não  há que  haver  qualificação,  devendo  ser  reduzida  ao  percentual  normal de 75%.  Nesse sentido, faço referência à jurisprudência deste colegiado.  ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA­ IRPF   Exercício:2002,2003,2004,2005   MULTA  QUALIFICADA.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA.   A  simples  apuração  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos,  por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo  necessária  a  comprovação  do  evidente  intuito  de  fraude  do  sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).   Recurso Especial do Procurador negado   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.  Por  fim,  considerando  que  a  constatação  de  divergência  material  entre  os  valores declarado e devido não seja comprovação suficiente de dolo, entendo ser aplicável ao  caso a súmula CARF 25:  Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 19515.000439/2008­26  Acórdão n.º 9202­003.934  CSRF­T2  Fl. 10          7 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou  de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa  de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses  dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.  Pelo  exposto,  voto no  sentido de negar provimento  ao Recurso Especial  da  Fazenda Nacional.    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                                Fl. 5242DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS

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