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Numero do processo: 10940.000445/2002-01
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: CONTRMUIÇÂO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1992 a 30/11/2001
PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI
COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 49• PREVALÊNCIA.
LF11nP 8212/91. INAPLICABILIDADE.
As contribuições sociais, inclusive as destinadas a
financiar a Seguridade Social (CF, art. 195), têm
natureza tributária e estão submetidas ao princípio da
reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da
CF/88), cuja competência abrange as matérias de
prescrição e decadência tributárias, compreendida
nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos
prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente
reconheceu que padece de inconstitucionalidade
formal o art. 45 da Lei ng 8.212/91, que fixou em dez
anos o prazo de decadência para o lançamento das
contribuições sociais, em desacordo com o disposto na
lei complementar.
DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173.
APLICAÇÃO EXCLUDENTE.
As normas dos arts. 150, § 4,e 173, do CTN, não são
de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes
são reciprocamente excludentes, tendo em vista a
diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação:
o art. 150, § 4,aplica-se exclusivamente aos tributos
cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de
antecipar o pagamento sem prévio exame da
autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase
a tributos em que o lançamento, em princípio, j
antecede o pagamento BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE.
LANÇAMENTO QUE NÃO A CONSIDERA.
INSUBSISTÊNCIA.
Até fevereiro de 1996 a base de cálculo do PIS, nos
termos do parágrafo único do art. C da LC n2 7/70,
corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao
da ocorrência do fato gerador, sem correção
monetária até a data do respectivo vencimento
(Primeira Seção do STJ - REsp a2 144.708-RS - e
CSRF), sendo a aliquota de 0,75%.
Recurso provido
Numero da decisão: 201-80.914
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D´Eça
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ementa_s : CONTRMUIÇÂO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1992 a 30/11/2001 PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 49• PREVALÊNCIA. LF11nP 8212/91. INAPLICABILIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a Seguridade Social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei ng 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4,e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4,aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplicase a tributos em que o lançamento, em princípio, j antecede o pagamento BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. LANÇAMENTO QUE NÃO A CONSIDERA. INSUBSISTÊNCIA. Até fevereiro de 1996 a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. C da LC n2 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ - REsp a2 144.708-RS - e CSRF), sendo a aliquota de 0,75%. Recurso provido
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Recorrente PARANATRATOR LTDA. Roo Go- Recorrida DRJ em Curitiba - PR ASSUNTO: CONTRMUIÇÂO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1992 a 30/11/2001 PIS. DECADÊNCIA. RESERVA DE LEI COMPLEMENTAR CTN, ART. 150, § 49• PREVALÊNCIA. LF11nP 8212/91. INAPLICABILIDADE. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a Seguridade Social (CF, art. 195), têm natureza tributária e estão submetidas ao princípio da reserva de lei complementar (art. 146, III, b, da CF/88), cuja competência abrange as matérias de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos, em razão do que o Egrégio STJ expressamente reconheceu que padece de inconstitucionalidade formal o art. 45 da Lei ng 8.212/91, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, em desacordo com o disposto na lei complementar. DECADÊNCIA. CTN, ARTS. 150, § 42, E 173. APLICAÇÃO EXCLUDENTE. As normas dos arts. 150, § 4,e 173, do CTN, não são de aplicação cumulativa ou concorrente, mas antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4,aplica-se exclusivamente aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa; o art. 173, ao revés, aplica- se a tributos em que o lançamento, em princípio, j antecede o pagamento. Niti • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORGiNAL •I Processo n.• 10940.0004452002-01 CCO2/C01 • Acórdão n.• 201-80.914 _f & ns. 363 mo SÍ: Da° Nue 53;391745 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. LANÇAMENTO QUE NÃO A CONSIDERA. INSUBSISTÊNCIA. Até fevereiro de 1996 a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. C da LC n2 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ - REsp a2 144.708-RS - e CSRF), sendo a aliquota de 0,75%. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência. 4 ' 04~ thib • SE 'A MARIA COELHO MAIWUra Presidente \-LA 01/44 CIPaldr. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Antônio Ricardo Accioly Campos. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. • Processo n.° 10940.000445/2002-01 AlF - SEGUNDO CONSEU-10 DE CONTRIBUINTES CCO2/C01 • Acórdão n.° 201-80.914 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 364 Brasllia, / 1.292±-f. S:Wto Mat . Smpn 911745 Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II) contra o v. Acórdão DRJ/CTA 8.730, de 29/06/2005, constante de fls. 274/293 (vol. I), exarado pela 3' Turma da DRJ em Curitiba - PR, que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar procedente o lançamento original consubstanciado no auto de infração de PIS (MPF n° 0910400/00014/02), notificado em 06/08/2001 (fls. 70/95, vol. I), no valor total de R$ 167.469,82 (PIS: R$ 52.543,67; juros de mora: R$ 75.518,53; multa proporcional: R$ 39.407,62), que acusou a ora recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 31/03/92 a 31/12/95, em razão de suposta insuficiência de recolhimentos no período decorrentes de compensação autorizada por decisão judicial prolatada nos autos da Ação Ordinária tf 95.00114939-7, ajuizada pela contribuinte na la Vara da Justiça Federal de Curitiba, apurada com fulcro na base de cálculo extraída dos registros contábeis da empresa. Em razão desses fatos a d. Fiscalização acusa infringência aos arts. 1° e alínea "b", da LC ti° 7/70; e 1", parágrafo único, da LC n" 17/73; Titulo 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF rt° 142/82, considerando exigíveis a multa de 75% capitulada no art. 86, § 1", da Lei n°7.450/85; e art. 2' da Lei di 7.683/88, c/c o art. 49, inciso I, da Lei n° 8.218/91; art. 44, inciso I, da Lei ré/ 9.430/96; e art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei n°5.172/66, bem como juros calculados à taxa Selic prevista no art. 61, § 3°, da Lei n°9,430/96. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. Decisão de fls. 274/293 (vol. I), da 3' Turma da DRJ em Curitiba - PR, houve por bem julgar procedente o lançamento original, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1992 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/08/1994 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: PRELIMINAR. PEDIDO DE PERÍCIA. REALIZAÇÃO PRESCINDÍVEL. INCABIMENTO. Indefere-se a solicitação de perícia se a controvérsia reside em questão de direito, para cuja elucidação em nada contribui a prova pericial requerida. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1992 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/08/1994 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: PREJUDICIAL. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao PIS decai em dez anos. RECOLHIMENTO INDEVIDO. NORMA INCONSTITUCIONAL. ATO $.0)4 JURÍDICO PERFEITO. INCABIMENTO. LPIL ME SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIG:NAL Processo n.• 10940.000445/2002-01 / COY2/C0 Acórdão n.° 201-80.914Fls. 365 Silvio 945.- Soa Mat: .4ispe 91746 Sá é ato jurídico perfeito aquele praticado segundo a lei válida vigente ao tempo de sua prática, não se cogitando, em razão disso, conferir validade aos atos que tenham sido praticados ao amparo de norma inconstitucional. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1992 a 30/04/1994, 01/06/1994 a 30/06/1994, 01/08/1994 a 30/09/1995, 01/11/1995 a 31/12/1995 Ementa: SEMESTR1IL1DADE. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS previsto, originariamente, para ser de seis meses. Lançamento Procedente". Em suas razões de recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II) oportunamente apresentadas e instruídas com a Relação de Bens e Direitos para Arrolamento (fl. 323, vol. II) a ora recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1 1 instância na parte em que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, eis que, dado ciência da autuação em 06/08/2001, não mais poderia ter sido efetuado o lançamento, cujo fato gerador supostamente teria ocorrido anteriormente a agosto de 1996, eis que os mesmos encontram-se extintos (§ 4do art. 150 e art. 156, inciso V, do CTN, e jurisprudência deste Conselho); b) a regularidade da conduta da recorrente na aplicação da semestralidade da base de cálculo do PIS; e c) a regularidade da exclusão dos créditos extemporâneos do ICMS da base de cálculo do PIS, por não constitu. faturamento ou receita. É o Relatório. Nu . .. .. Processo n.° 10940.000445/2002-01 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/C01• Acórdão n.° 201-80.914 CONFERE COM O ORiCMAL Fls. 3645 9BrBrasa,/ir i p. _ ia, 42- &avie S5 g / Sou Mat: Siape 91745 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II) reúne as condições de admissibilidade e, no mérito, merece ser provido. De fato, inicialmente, verifico que a conclusão da r. decisão recorrida, quanto à questão da decadência, merece reforma, por não se conformar com o que dispõe a Lei Complementar e com a interpretação que lhes emprestam as jurisprudências judicial e administrativa. De fato, solidamente apoiado no principio constitucional da reserva da lei complementar, o Egrégio STJ recentemente proclamou que "as contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária" e, "por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146. III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos", razões pelas quais aquela Egrégia Corte Superior de Justiça expressamente reconheceu que "padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social" (cf. Acórdão da 1 2 Turma do STJ no AgRg no REsp n2 616.348-MG, Reg. n2 2003/0229004-0, em sessão de 14/12/2004, rel. Min. Teori Albino Zavascki, publ. in DTO de 14/02/2005, p. 144, e in RDDT vol. 115, p. 164), diferentemente do prazo qüinqüenal estabelecido na lei complementar (c-1'N, arts. 150, § 42, e 173). Na mesma ordem de idéias, já na interpretação dos dispositivos da lei complementar prevalente, aquela mesma Egrégia Corte Superior de Justiça recentemente esclareceu que as normas dos arts. 150, § 42, e 173, do CTN, "não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4° aplica-se exclusivamente aos tributos 'cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa s,- o art. 173, ao revés, aplica-se tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento". Assim, entende aquela Egrégia Corte que a aplicação concorrente dos arts. 150, § 42, e 173, a par de ser juridicamente insustentável e padecer de invencivel ilogicidade, apresenta-se como "solução (.) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica" (cf. Acórdão da 2! Turma do STJ no REsp n2 638.962-PR, rel. Min Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/2005 e na RDDT 121/238). Acolhendo e conformando-se com esses ensinamentos de inegável juridicidade, a jurisprudência deste Egrégio Conselho tem reiteradamente proclamado a inaplicabilidade do art. 45 da Lei n2 8.2123/91 invocado como fundamento da r. decisão recorrida, em razão do que dispõem as normas da Lei Complementar (art. 150, § 42, do CTN), como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: "DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO: (.) a regra a ser seguida na contagem do prazo decadencial é a estabelecida no artigo 150, ,f 4°, do Código Tributário Nacional, que é de 5 (cinco) anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador. Da mesma • ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BUINTES • CONFERE COM O ORCINAL Processo n.° 10940.000445/2002-01CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.914 Brunia. __/#4 O t c&7_ Fls. 367 lia ..0:53a . tape 91745 forma, os lançamentos das contribuições sociais que, por se revestirem de natureza tributária, sujeitam-se às regras instituídas por lei complementar (CT1V, por apressa previsão constitucional (artigos 146, III, 'b' e 149 da CF). Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso." (Acórdão ns 101-94.394, da 1! Câmara do 1° CC - Relator: Raul Pimentel publ. in DOU 1 - 28/01/2004, pág. 9, e in "Jurisprudência-IR" anexo ao Boi. 1013 n° 11/04) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - NATUREZA JURÍDICA TRIBUTÁRIA - PRAZO DE DECADÊNCIA DE 10 ANOS PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO - ART. 45 DA LEI 8.212/91, DIANTE DO ART. 150, § 4° DO CTN. CSLL de 1997. Preliminar. Decadência - CSLL - Inaplicabildiade do art. 45 da Lei 8.2123/91 frente às nonnas dispostas no art. 150, § 4° do CT1V. A partir da • Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais voltaram a ter natureza jurídico-tributária, aplicando-se-lhes todos aos princípios tributários previstos na Constituição (art. 146, III, 'b 9, e no CTN (arts. 150, § 4° e 173)." (cf. Acórdão n2 101-94.602 da I s Câmara do 12 CC/MF, publ. no DJ de 28/04/2005 e in RDDT 118/146) "CSLL - Decadência - Caracterização. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO - DECADÊNCIA - CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL -ART. 150, § 4°- NÃO APLICAÇÃO DA LEI N°8.212/91. O prazo decadencial das contribuições é o previsto no art. 150, do CT/V, pois, em virtude de prescrição constitucional (art. 146, III), trata- se de matéria exclusiva de lei complementar, não podendo ser tocada por lei ordinária. No caso, até o exercício de 1996, pode-se falar em decadência (..). Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Octávio Campos Fischer (Relator). Designado o Conselheiro Natanael Martins para redigir o voto vencedor." (cf. Acórdão ns 107-07.049, da 7s Câmara do 1 2 CC, rel. Conselheiro Natanael Martins, publ. no DOU 1 de 10/12/2003, pág. 38, e in "Jurisprudência-1R" anexo ao Boi. 1013 n 2 1/04) Dos preceitos expostos, desde logo verifica-se que o auto de infração original, notificado em 06/08/2001 (fls. 91/102, vol. 1), jamais poderia abranger operações ocorridas no período de 03/92 a 12/95, sobre as quais já se achava extinto o direito de a Fazenda Pública proceder ao lançamento, por se ter consumado o prazo decadencial e a conseqüente extinção do crédito tributário, nos expressos termos dos arts. 150, § 42, e 156, inciso V, do CTN, impondo- se a exclusão das referidas operações do lançamento, tal como já proclamaram as jurisprudências administrativa e judicial retrocitadas. Se não bastasse, no mérito, a semestralidade da base de cálculo do PIS é matéria pacificada tanto na jurisprudência administrativa quanto na judicial, sendo certo que em recente decisão esta Colenda Câmara, por unanimidade de votos, deu integral provimento ao recurso do contribuinte para cancelar o lançamento ex-officio que não considerou a sernestralidade, aos fundamentos sintetizados na seguinte e elucidativa ementa: "PIS. SEMESTRALIDADE. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do VIU parágrafo único do art. 6° da LC n° 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção CW1/4-k- • ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COM l) 0.StGINA1. Processo n.° 10940.000445/2002-01CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.914 BrasIlla, /2-008. Fls. 368 ssin$ .arbasa Mat: 91745 monetária até a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STJ - Resp n° 144.708-RS e CSRF), sendo a aliquota de 0,75% Recurso Provido." (cf. Acórdão n2 201-79.457, Recurso IP 125.824, Processo rt` 10940.001645/2001-92, em sessão de 30/06/2006, em nome de Falcão Auto Posto Ltda., rel. Conselheiro Gustavo Vieira de Melo Monteiro; no mesmo sentido cf. Acórdão CSRF/02-02.635 da r Turma da CSRF, no Recurso de Div. ri° 202-122694, Processo ne 10950.002565/2002-16, em sessão de 23/04/2007, rel. Conselheira Josefa Maria Coelho Marques) Ao desconsiderar a semestralidade na apuração de operações do período excogitado (31/03/92 a 31/12/95), é evidente que o lançamento desrespeita a base de cálculo legalmente prevista para o cálculo da contribuição, não havendo dúvida quanto à sua insubsistência. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (fls. 306/319, vol. II), reformando a r. Decisão de fls. 274/293 (vol. 1), da 3' Turma da DR.1 em Curitiba - PR, para proclamar a decadência e a extinção do direito de constituir o crédito tributário em relação às operações ocorridas no período de 03/92 a 12/95, nos expressos termos dos arts. 150, § 4, e 156, inciso V, do CTN, e, no mérito, julgar improcedente o lançamento, cancelando as exigências remanescentes nele contidas, por insubsistentes. É o meu voto. Sala as Sessões, em 13 de fevereiro de 2008. 0/1/010t'agir FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA °d .o Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1
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Numero do processo: 16004.000340/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/06/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 4º, §2º, DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA.
Constitui infração à norma tributária inscrita no §2º do art. 4º da Lei nº 10.666/2003 deixar a empresa de efetuar a inscrição dos seus contratados, sem vínculo empregatício, como segurados contribuintes individuais, no Instituto Nacional do Seguro Social - INSS.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
OBRIGAÇÕES ACESSORIAS. INFRAÇÃO. NATUREZA OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. LEI Nº 3.470/58.
Nos lançamentos de ofício, é de cinco dias úteis o prazo para a apresentação de documentos necessários ao procedimento fiscal, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, a teor do §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58.
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM.
São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem.
FRAUDE.
Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
SONEGAÇÃO
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.
Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001.
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91.
AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/06/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 4º, §2º, DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à norma tributária inscrita no §2º do art. 4º da Lei nº 10.666/2003 deixar a empresa de efetuar a inscrição dos seus contratados, sem vínculo empregatício, como segurados contribuintes individuais, no Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui-se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS. INFRAÇÃO. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. LEI Nº 3.470/58. Nos lançamentos de ofício, é de cinco dias úteis o prazo para a apresentação de documentos necessários ao procedimento fiscal, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, a teor do §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/06/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. AI CFL 99. ART. 4º, §2º, DA LEI Nº 10.666/2003. PROCEDÊNCIA. Constitui infração à norma tributária inscrita no §2º do art. 4º da Lei nº 10.666/2003 deixar a empresa de efetuar a inscrição dos seus contratados, sem vínculo empregatício, como segurados contribuintes individuais, no Instituto Nacional do Seguro Social INSS. A inobservância de obrigação tributária acessória constituise fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSORIAS. INFRAÇÃO. NATUREZA OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO. LEI Nº 3.470/58. Nos lançamentos de ofício, é de cinco dias úteis o prazo para a apresentação de documentos necessários ao procedimento fiscal, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, a teor do §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58. AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 40 /2 00 9- 87 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Não incorre em cerceamento do direito de defesa do Autuado o lançamento tributário cujo Relatório Fiscal e demais relatórios complementares descrevem, de maneira clara e precisa, os fatos jurídicos apurados, os procedimentos de Fiscalização, a motivação do lançamento, os dispositivos legais violados, a matéria tributável e seus acréscimos legais, bem como os fundamentos legais que lhe dão esteio jurídico. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE JURÍDICO COMUM. São solidárias as pessoas físicas e/ou jurídicas que realizam conjuntamente com o devedor principal a situação que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto do lançamento, a teor do inciso I do art. 124 do CTN, não comportando tal solidariedade qualquer benefício de ordem. FRAUDE. Configurase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 480 3 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, a teor do inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituemse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 481 5 Relatório Período de apuração: 01/05/2005 a 28/02/2007 Data da lavratura do AIOP: 26/06/2009. Data da Ciência do AIOP: 06/07/2009. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelos Sujeitos Passivos do crédito tributário aviado no Auto de Infração nº 37.229.6343, CFL 99, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no § 2º do art. 4º da Lei nº 10.666/2003, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de a empresa ter deixado de inscrever, no Instituto Nacional do Seguro Social, os Segurados Contribuintes Individuais solicitados no item 2.11.6 do Termo de Constatação e Intimação n° 02, datado de 05/03/2009, recebido pela empresa em 09/03/2009, conforme AR n° 111759934, e do Termo de Constatação e Reintimação n° 03, datado de 30/03/2009, recebido pela empresa em 01/04/2009, conforme AR n° 692332626 , conforme descrito no Termo de Constatação de Infração Fiscal, a fls. 20/24. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista nos artigos 92 e 102 ambos da Lei nº 8.212/91 c.c. artigos 283, caput e §3º, e 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, elevada em três vezes em razão de fraude tributária, conforme previsão assentada no inciso II do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, com valores reajustados conforme Portaria MPS/MF n° 48, de 12/02/2009, DOU de 13/02/2009, de acordo com o Relatório Fiscal da Multa aplicada a fl. 17. De acordo com a resenha fiscal, a empresa FRIGORIFICO OUROESTE LTDA, apesar de formalmente intimada mediante Termo próprio, deixou de inscrever, no Instituto Nacional do Seguro Social, os Segurados Contribuintes Individuais solicitados no item 2.11.6 do Termo de Constatação e Intimação n° 02, datado de 05/03/2009, recebido pela empresa em 09/03/2009, conforme AR n° 111759934 , e do Termo de Constatação e Reintimação n° 03, datado de 30/03/2009, recebido pela empresa em 01/04/2009, conforme AR n° 692332626. No Termo de Constatação de Infração Fiscal do PAF 16004.000336/200919 são transcritos trechos do relatório da Polícia Federal, onde são expendidas considerações detalhadas sobre a operacionalização dos procedimentos efetuados, discorrendo sobre a operação "Grandes Lagos" e a existência de uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária mediante a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para eximir os verdadeiros titulares do pagamento de tributos, sendo apresentadas, dentre tantas outras, as seguintes informações: · A partir de denúncias e informações de órgãos fiscalizadores foi deflagrada a operação “Grandes Lagos”, identificandose situações que, Fl. 483DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 em tese, são caracterizadoras de crimes de sonegação, tendo sido expedidos pelo Poder Judiciário mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva, sendo determinada a instauração de inúmeras ações fiscais, dentre elas junto à autuada, pelo fato de adquirir notas fiscais “frias” de empresas “noteiras”, que efetuavam a venda de tais documentos fiscais visando a fraudar a administração tributária. · A fraude à administração tributária consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. · O gado era comprado, abatido e vendido pelo frigorífico cliente das empresas “noteiras”. No entanto, aparentemente a compra do gado e comercialização dos produtos do abate eram feitos pelas “noteiras” de acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas fiscais “frias” relativas à compra do gado e notas também “frias” de remessa desse gado ao frigorífico (cliente da “noteira”) para abate, seguindose a emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que, finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos. · Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras” foram constituídas com o único propósito de emitir notas fiscais ‘frias” para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto ao fisco e não despertar suspeitas sobre o verdadeiro faturamento desses “clientes”: (a) o patrimônio declarado das “noteiras” é insuficiente para suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos declarados do sócio majoritário da “noteira” e as receitas declaradas da empresa no período; (c) a movimentação financeira desse sócio majoritário em valores muito superiores a seus rendimentos declarados; (d) a movimentação de contas bancárias da citada empresa por procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas – “clientes”); (e) transcrição de declarações de inúmeros produtores rurais no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”, mas com seus “clientes”. O Termo de Constatação de Infração Fiscal do PAF 16004.000336/200919 prossegue informando que as empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda compõem o "Núcleo Ouroeste", estando todas constituídas em nome de "laranjas". Consta consignado no Termo de Constatação de Infração Fiscal que: · Na Continental Ouroeste, três dos sócios não têm histórico de vínculos empregatícios compatíveis com a condição de empresários. · O Frigorífico Ouroeste foi iniciado pelo Sr. José Cabral Muniz e seus filhos, e posteriormente foi vendido para o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto, representado por seu procurador Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira e para o Sr. Dorvalino Francisco de Souza. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 482 7 · A Continental Ouroeste foi constituída quando o Frigorífico Ouroeste teve problemas com sua inscrição estadual. Compõem seu quadro societário Antonio Martucci e Edson Garcia de Lima. O primeiro recebeu o valor para integralização de sua parcela no capital social da empresa Produtos da Fazenda Ltda, que formalmente pertence a Manoel dos Reis de Oliveira e Sandra Amara Reis de Oliveira, mas de fato, pertence a Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Lima. · É feita a análise dos depoimentos prestados pelos envolvidos; do contrato de arrendamento pela Continental Ouroeste das instalações do Frigorífico Ouroeste em 10/09/2002, e da utilização de créditos do ICMS pela Continental Ouroeste. · Discorrese novamente sobre depoimentos pessoais acerca dos rótulos dos produtos comercializados (os produtos da Continental Ouroeste saíam com o rótulo do Frigorífico Ouroeste) e das informações prestadas por clientes e fornecedores, que indicam os verdadeiros responsáveis pela empresa e a realização de operações fictícias para gerar créditos do ICMS. · Constatouse a existência de inúmeros benefícios diretos e indiretos concedidos aos verdadeiros sócios do empreendimento, como títulos de capitalização, transferências de valores mensais, tendo referidas pessoas recebido o tratamento por instituições financeiras como sócios dessas empresas. · Verificouse que a empresa Frigorífico Ouroeste assumiu dívidas da Continental Ouroeste, sendo que esta nunca entregou DCTF, mas apenas as DIPJ de 2002 e 2003, recolhendo os tributos por substituição tributária no período, além de recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias. · Concluiuse que a Continental Ouroeste inexiste de fato, constituída com fins fraudulentos, tendo como beneficiários destas operações os Srs. Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto. · A Continental Ouroeste foi criada para que estas pessoas verdadeiros sócios da Frigorífico Ouroeste não tivessem seus nomes vinculados ao patrimônio da empresa. · A SP Guarulhos sucedeu a Continental Ouroeste na fraude praticada. · Consta no TCF relato pormenorizado de operações bancárias praticadas pelos envolvidos, com o intuito de demonstrarse a ligação entre eles, e da situação de cada uma das pessoas físicas mencionadas e também daqueles que se caracterizaram como colaboradores do esquema. · Discorrese acerca dos depoimentos das pessoas envolvidas no esquema de venda de notas fiscais e informações prestadas por clientes e Fl. 485DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 fornecedores que atestam que as operações de compra do gado e venda dos produtos resultantes do abate, embora lastreadas com notas fiscais de empresas diversas ("noteiras"), eram realizadas com pessoas que integravam o Núcleo Ouroeste, citandose ainda que os próprios Dorvalino e Edson admitiram a compra de notas de empresas "noteiras". · A fiscalização, a partir de documentos aos quais teve acesso durante os trabalhos fiscais, apurou que as notas vendidas pelas "noteiras" traziam um código de identificação de seu comprador, o qual possibilitou a apuração dos valores relativos a operações dessa natureza. · Que a empresa BR Fronteira também foi criada com o intuito de assumir a responsabilidade pelas obrigações trabalhistas do grupo. A análise pessoal das pessoas que integram seu quadro societário demonstra a flagrante incompatibilidade de sua situação econômica e a condição de sócias da citada empresa, concluindose trataremse de interpostas pessoas ("laranjas"). · Foram encontrados documentos no endereço do Frigorífico Ouroeste (cartões de ponto, holerites, PPRA da Continental Ouroeste e da BR Fronteira), que comprovam que o seu controle sobre a mãodeobra, assumindo os riscos da atividade econômica praticada, havendo também a comprovação de que os trabalhadores se confundiam em relação à definição da empresa para a qual prestavam serviços. Existiam trabalhadores com vínculos formais estabelecidos com as diversas empresas envolvidas, discorrendose acerca do rodízio dos vínculos empregatícios entre as empresas. · A utilização de documentos fiscais adquiridos de outras empresas para ocultar os verdadeiros beneficiários da atividade econômica praticada caracteriza o dolo. São citados dispositivos do Código Civil e do Código Tributário Nacional CTN. · Os fatos geradores foram considerados como do Frigorífico Ouroeste, inclusive aqueles relacionados a documentos fiscais adquiridos de outras empresas ("noteiras"); aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, inclusive sócios de fato da autuada; e à interposição de mão deobra em outras empresas. · São descritos os valores tomados como base de cálculo das contribuições lançadas, com o detalhamento das aferições indiretas realizadas, indicandose ainda que todos os levantamentos foram considerados não declarados em GFIP, pois os fatos geradores não constaram na GFIP do real empregador, o Frigorífico Ouroeste. · Foram examinados documentos apresentados pelo Frigorífico Ouroeste. · A empresa Continental Ouroeste não atendeu à intimação fiscal para apresentação de documentos, sendo a análise dos vínculos empregatícios realizada com base em elementos apreendidos Livros de Registro de Empregados confrontados com informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS. Foram apreendidos documentos junto às empresas SP Guarulhos e BR Fronteira. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 483 9 · A fiscalização arrolou como devedores solidários do Frigorífico Ouroeste as empresas interpostas Continental Ouroeste, SP Guarulhos e BR Fronteira, bem como os beneficiários pessoas físicas das fraudes perpetradas, eis que presente o interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias ora lançadas. Assim, foram lavrados e encaminhados os respectivos Termos de Sujeição Passiva lavrados, juntamente com cópias do Auto de Infração e seu Termo de Constatação e Infração Fiscal, expondo que os demais elementos de prova ficam franqueados aos devedores solidários, em atendimento à ampla defesa e ao contraditório. Os valores da GPS Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da interposta Br Fronteira, foram deduzidos dos créditos apurados contra o sujeito passivo Frigorífico Ouroeste, nas competências 11/2005 a 13/2006, pois conforme declaração da sócia Maria Aparecida na Vara de Fernandópolis, de que os encargos previdenciários foram recolhidos pelo Frigorífico Ouroeste, a GPS com código 2003 (SIMPLES) foi considerada como 2100 (empresas em geral) (fls. 333, 337 e 340 Volume 2 / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919). Os valores da GPS Guia da Previdência Social pagas em nome e CNPJ da interposta SP Guarulhos foram deduzidos dos créditos apurados contra o sujeito passivo Frigorífico Ouroeste, lançadas como CRED (créditos), nas competências 03/2006 e 13/2006. Conforme discriminado nos Relatório RADA – Relação de Apropriação de Documentos Apresentados e RDA – Relação de Documentos Apresentados do PAF 16004.000336/200919, os créditos de titularidade da empresa, decorrentes de recolhimentos à Seguridade Social, foram utilizados para abater, prioritariamente, as Contribuições Sociais devidas pelos segurados empregados e pelos Segurados Contribuintes Individuais, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição itens 11 e 1F SEGURADO, do anexo DAD Discriminativo Analítico do Débito. Eventuais saldos foram utilizados para abater as Contribuições Sociais devidas pela empresa – Itens 12, 13, 14 e 15 do Discriminativo Analítico de Débito. Em razão da existência de interesse comum na situação constitutiva dos fatos geradores objeto do presente lançamento, o vertente Crédito Tributário houve por lançado, por solidariedade passiva, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, também em face das seguintes pessoas adiante arroladas, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária a fls. 26/56: · Antonio Martucci; · Edson Garcia de Lima; · Dorvalino Francisco de Souza; · José Roberto de Souza; · Oswaldo Antonio Arantes; Fl. 487DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 · Luiz Ronaldo Costa Junqueira; · João Francisco Naves Junqueira; · José Ribeiro Junqueira Neto; Houvese também por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignado com a autuação, o Autuado apresentou impugnação administrativa em face do lançamento, a fls. 100/184. Os devedores Solidários Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza e Oswaldo Antonio Arantes ofereceram impugnação em petição conjunta a fls. 188/270. Os demais devedores solidários não contestaram o lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1433.074 – 9ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 302/312, julgando improcedentes as impugnações ofertadas e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Autuado e os demais Sujeitos Passivos foram cientificados da decisão de 1ª Instância no dia 13/06/2011, conforme Cartas de Ciência e Avisos de Recebimento a fls. 331/362. O devedor Principal Frigorífico Ouroeste ltda interpôs Recurso Voluntário, em petição a fls. 363/409. Os devedores Solidários Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Oswaldo Antonio Arantes e Antonio Martucci interpuseram Recurso Voluntário em petição conjunta a fls. 420/471. Os demais devedores solidários não se manifestaram nos autos do processo. Os Recorrentes alegam, em resumo: · Nulidade por falta de clareza na autuação; · Cerceamento do direito de defesa, em razão do prazo exíguo para apresentação de documentos; · Cerceamento do direito de defesa, por não ter tido acesso aos documentos das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação; · Que é indevido o lançamento a partir da desconsideração da personalidade de outras empresas; Fl. 488DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 484 11 · Que a Fiscalização não logrou comprovar a existência dos requisitos dos vínculos empregatícios entre os funcionários das empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda. e a Autuada; · Que a Fiscalização promoveu o lançamento a partir dos valores consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIP dos quais Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de Souza, Oswaldo Antonio Arantes e Antonio Martucci não tiveram acesso, não foram partes, não foram intimados da relação processual, não figuram no Polo Passivo, olvidandose que as pessoas acima não podem suportar o ônus do lançamento de tributos de interesse de outra pessoa jurídica, sobretudo por não terem direito/dever de manterem e apresentarem a contabilidade de outrem; · Que a autoridade lançadora imputou responsabilidade solidária às pessoas de Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de Souza, Oswaldo Antonio Arantes e Antonio Martucci com o exclusivo fundamento de que os mesmos seriam, em tese, procuradores, sócios ou administradores de outra firma; · Que a responsabilidade solidaria em apreço só poderia ocorrer ante a verificação da insuficiência do patrimônio da pessoa jurídica e mediante prévio procedimento judicial de cognição com decisão transitada em julgado; Ao fim, requerem o provimento do Recurso Voluntário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Os Recursos Voluntários interpostos pelo devedor Principal Frigorífico Ouroeste ltda. e pelos devedores Solidários Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Oswaldo Antonio Arantes e Antonio Martucci são tempestivos. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade dos recursos tempestivos, deles conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA NULIDADE Alega o Recorrente nulidade por falta de clareza na autuação. Não ! Merece ser destacado, inicialmente, que o lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Termos, Relatórios e Discriminativos, sendo certo que a captação e compreensão das condições de contorno que individualizam e modelam a exação exigida decorrem não de um único relatório, mas, sim, da interpretação conjunta, sistemática e teleológica de todos os documentos que integram o lançamento de ofício, apreciados à luz da legislação de regência, atividade essa que exige profissionais capacitados e com conhecimento específico sobre o tema, como assim sói ocorrer em toda e qualquer área da atividade governamental, econômica ou intelectual da era pósmoderna. A complexidade e o sinergismo dos diversos ramos do conhecimento assim o exigem. Dessarte, dada à complexidade do procedimento, cada elemento constitutivo do lançamento há que ser interpretado e digerido com o olhar clínico que o seu propósito finalístico assim demanda, e com o conhecimento técnico que a atividade assim exige, para que não se cometa o despropósito de se atribuir à administração tributária uma deficiência que, muita vez, não é da parte que formaliza e redige os elementos constitutivos do lançamento, mas, sim, da capacidade de cognição de quem os analisa e interpreta. Com efeito, por se tratar o lançamento de um procedimento administrativo de cunho eminentemente jurídico, nada mais natural e exigível que os termos que o compõem obedeçam à lógica e ao jargão jurídico. Tal característica, logicamente, não o invalida. Ao contrário, lhe confere a precisão terminológica adequada à sua perfeita compreensão e alcance. Fosse um documento médico, de informática, ou de engenharia, exigíveis seriam os jargões médico, de TI ou de engenharia, respectivamente, não o jurídico. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 485 13 Ao contrário da leitura empreendida pelo Recorrente, avulta dos autos que o Auto de Infração em relevo houvese por lavrado em perfeita consonância com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo a Autoridade Lançadora demonstrado, de forma clara e precisa, as circunstâncias do caso concreto a evidenciar a efetiva ocorrência de infração à Legislação Tributária, bem como a motivação da lavratura do Auto de Infração em apreço. Logo de plano o item 02 do Relatório Fiscal da Infração detalha todas as infrações cometidas pelo Autuado, assim como a fundamentação jurídica. Na sequência, o Relatório Fiscal expõe todas as razões de fato e de Direito que formaram a convicção da Autoridade Fiscal acerca da ocorrência de violação à legislação tributária, bem como a motivação da lavratura do vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória, indicando, inclusive, a fundamentação legal. Adiante, a Autoridade Lançadora expõe a memória de cálculo da multa aplicada, bem assim como a fundamentação jurídica de regência. Oportuno lembrar que o Termo de Constatação de Infração Fiscal do PAF 16004.000336/200919 traz a lume as circunstâncias motivadoras da deflagração da Ação Fiscal da qual resultou o Auto de Infração em debate, sendo abordados o núcleo Ouroeste, a existência de interpostas pessoas, as infrações a obrigações tributárias, a constituição de empresas em nome de “laranjas”, as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, e a descrição detalhada de todas as demais constatações que desaguaram na percepção da efetiva existência de uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária mediante a interposição de pessoas, físicas e jurídicas, para eximir os verdadeiros titulares do pagamento de tributos: No caso em apreço, os relatórios fiscais que integram o presente lançamento foram elaborados dentro do escopo especificamente desenhado adrede para cada deles, não se afastando nem omitindo as informações que deles se esperam, permitindo ao Autuado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe dessarte garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária acessória violada, as razões de fato e de Direito do lançamento, a motivação da lavratura do Auto de Infração, a fundamentação legal, a Memória de Cálculo e a composição da multa aplicada, dentre outros, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição, nos relatórios específicos. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, o MPF, TIPF, TIF e TEPF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, favorecendo, assim, a contradita dos termos do lançamento e o devido processo legal. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de prejuízo à defesa erguida pelo sujeito passivo, razão pela qual impende repelir peremptoriamente a preliminar de nulidade tão veementemente sustentada pelo Recorrente. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Por tais razões, rejeitamos a preliminar de nulidade. 2.2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega cerceamento do seu direito de defesa, em razão do prazo exíguo para apresentação de documentos; Sem razão. De acordo com o §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58, nos lançamentos de ofício, nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo para a apresentação de documentos necessários ao procedimento fiscal é de cinco dias úteis. A dilação de 10 dias assinalada pela Fiscalização à empresa para a apresentação de sua escrituração contábil decorre ex lege, sendolhe concedido um prazo maior do que aquele previsto no §1º do art. 19 da Lei nº 3.470/58, incluído pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958. Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001) §1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835/2001) §2º Não enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835/2001) Com efeito, dada a potencial impossibilidade de se apurar, imediatamente, o valor correspondente a cada operação a ser registrada na contabilidade, a legislação tributária concede um prazo de carência para que tais registros sejam lançados. Nessa toada, o §13º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estipula que os lançamentos contábeis referentes aos fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, só serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo tais lançamentos atender ao princípio contábil do regime de competência, além de registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 486 15 contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Regulamento da Previdência Social Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. §14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Não se deslembre que o art. 33 da Lei nº 8.212/91 outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a exibir todos os documentos e livros relacionados com tais contribuições sociais, e a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Nessa esteira, o art. 32 da Lei nº 8.212/91 determina expressamente que a empresa é obrigada a preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos e a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante GFIP, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, devendo os documentos comprobatórios do cumprimento das tais obrigações instrumentais ficar arquivados na empresa, à disposição da fiscalização, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários a eles relativos, ou que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Código Tributário Nacional Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os Fl. 494DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 487 17 esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Da regra matriz acima revisitada defluem as normas assentadas no art. 37 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Outra não é a determinação contida no art. 4º do DecretoLei nº 486/69, que dispõe sobre a escrituração e livros mercantis, ad litteris et verbis: DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Art. 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No mesmo norte também apontam as diretrizes fixadas no art. 126, II da Lei Complementar nº 123/2006, que Instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: (...) II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 Os preceptivos acima destacados não se atritam com as disposições encartadas no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Dec. 3000/99. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Conservação de Livros e Comprovantes Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. No mesmo sentido apontam as normas cogentes do código civil: Código civil de 2002 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Nessa perspectiva, deflui dos dispositivos legais suso selecionados que a empresa tem, por obrigação legal, que preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Tem também que declarar mensalmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, mediante GFIP, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, todos os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS e, igualmente, proceder à escrituração fiscal em títulos próprios de sua contabilidade de todos os lançamentos representativos de fatos geradores das contribuições previdenciárias, no prazo máximo de 90 dias contados das suas ocorrências, devendo tais documentos fiscais ser arquivados na empresa, mantidos sob sua guarda, à disposição da fiscalização. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 488 19 O termo legal “a disposição da Fiscalização” implica que o Obrigado tenha sob sua guarda e responsabilidade, pronto para apresentação imediata, todos os documentos assinalados na Legislação Tributária com tal desígnio, mesmo que em arquivo apartado, mas de pronto acesso à verificação fiscal. No caso em tela, a empresa foi intimada mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal de 26/01/2009, a apresentar os livros comerciais e fiscais, sendolhe assinalado o prazo de 10 dias corridos para a apresentação de tal documentação, a qual, nos termos da Lei, deveria estar pronta e à disposição da Fiscalização. Não atendendo à intimação, a empresa foi novamente intimada mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 1, a apresentar os livros fiscais e comerciais, sendolhe assinalado o prazo de 05 dias uteis para exibir tal documentação, a qual, nos termos da Lei, deveria estar pronta e à disposição da Fiscalização. A empresa foi também intimada, mediante o Termo de Constatação e Intimação n° 02, recebido pelo AR N° 111759934 BR em 09/03/2009 por Flagner O. Polvero, fls. 1085 do PAF 16004.000336/200919, onde foram remetidas 16 (dezesseis) planilhas contendo os fatos geradores a serem declarados em GFIP, exclusão das GFIP das interpostas Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda e SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e Retificação das GFIP do próprio Frigorífico Ouroeste Ltda, bem como efetuar as inscrições dos contribuintes individuais, informando por escrito os nomes naturais dos quais constam apenas 'apelidos', exemplificativamente, Milin, CVL, Beto Caetano, Paulão, Zequinha, Wando e outros. Em 25 de Março de 2009 o contribuinte respondeu, fls. 320 a 321 do PAF 16004.000336/200919, que para atender o solicitado no Termo de Constatação e Intimação n° 02 de que necessita a prorrogação do prazo, no mínimo 30 (trinta) dias. A empresa foi intimada, novamente, mediante o Termo de Constatação e Reintimação n° 03, a fls. 322/394 do PAF 16004.000336/200919, conforme Aviso de Recebimento n° 692332636 BR, recebido em 01/04/2009 pela funcionária Eliana Gomes de Oliveira. Nada obstante, a empresa respondeu à intimação, tendo repetido as mesmas alegações do TCR anterior, reiterando o pedido de prorrogação de mais 30 (trinta) dias, a fls. 395/396 do PAF 16004.000336/200919. Em 05 de Maio de 2009, a empresa respondeu (fls. 410/412 do PAF 16004.000336/200919) reiterando as mesmas alegações anteriores, de que os documentos foram apreendidos e não tem como analisar o que julga devido pelo Frigorífico Ouroeste, não aceitando as planilhas remetidas onde são identificados os fatos geradores. A empresa foi, novamente, intimada, em 16/04/2009, mediante o TIF nº 04, a fl. 53, a declarar em GFIP os valores da comercialização da produção rural conforme o livro registro de entrada de mercadorias e GIA ICMS, relativos às compras de bovinos para abate CFOP 1.102 (compras no estado) e 2.102 (compras fora do estado), sendolhe concedido o prazo de 30 dias. Uma vez mais, mediante o TIF nº 05 a fl. 59, a empresa foi intimada a apresentar os apresentar Livros Diário n° 01 volumes I e II, relativo ao período de janeiro a fevereiro de 2007, com todas as formalidades legais (autenticação). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 A Administração Tributária deferiu a dilação de 30 dias de prazo, conforme solicitado pelo Contribuinte, a contar do requerimento datado de 06 de abril de 2009. Portanto, as intimações deveriam ter sido atendidas, totalmente, até a data de 06 de maio de 2009. Não procede a alegação recursal de que, para o cumprimento da intimação, dependeria de documentos apreendidos pela policia federal. Ao que tudo indica, tais documentos encontravamse sob a guarda da Recorrente, tanto assim que foram apresentados à Fiscalização os Livros Caixa 2006, Diário e Razão 2007, Fichas Registro de Empregados, Livro Registro de Entrada e Saída de Mercadorias 2006/2007, Boletins de Abate 2006/2007, Notas Fiscais de Entrada e Saída de Mercadorias 2006/2007, Folhas de Pagamento 2007, GFIP 2006/2007 e GPS 2006/2007, inexistindo nos autos qualquer elemento de prova de que os documentos exigidos, porém não exibidos, não teriam sido apresentados à Fiscalização em razão de estarem apreendidos na Policia Federal. Cadê o Termo de Apreensão consignando tais documentos ? Dessarte, restou caracterizado que a empresa, apesar de formalmente intimada mediante Termos próprios, objetivamente, deixou de apresentar os Livros Comerciais e Fiscais referente ao ano calendário 2005, e apresentou os Livros Fiscais referentes ao ano calendário 2006, com escrituração diversa da realidade, uma vez que o Livro Caixa não apresentava toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, tampouco as remunerações dos segurados empregados e dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, eis que foram dissimuladamente registrados em interpostas empresas, existentes somente no papel. Da mesma forma, os livros fiscais não continham o registro de todas as compras e vendas de bovinos, as quais eram, também, realizadas através das citadas empresas interpostas, inexistentes de fato. Nessa perspectiva, a sonegação/recusa de apresentação dos livros de 2005, assim como a apresentação deficiente dos livros de 2006, representaram ofensa à obrigação tributária acessória encartada nos §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Conforme demonstrado, a empresa teve tempo suficiente, até demais, para apresentar a documentação exigida, a qual, por disposição de lei formal, já deveria estar escriturada, com as formalidades exigidas pela Legislação Tributária, e estar à disposição da Fiscalização já à data de início da ação fiscal, beirando ao burlesco e à litigância de máfé a alegação de cerceamento de defesa por suposta exiguidade de prazo para a sua apresentação. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa. 2.3. DO CERCEAMENTO DE DEFESA O Recorrente alega cerceamento do seu direito de defesa, por não ter tido acesso aos documentos das empresas que se apresentavam como instrumento de sonegação. Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou Fl. 498DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 489 21 não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa ou não contenciosa, a autoridade administrativa procede à coleta de informações, dados e elementos de prova, à audita de testemunhas, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal que assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é instaurada a fase contraditória) ou, exercendo o direito de defesa e do exercício do contraditório, poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Assim, ao ser dada a ciência do lançamento tributário ao Recorrente, também lhe são fornecidos todos os relatórios integrantes do lançamento, assim como o conjunto probatório, que demonstram os fatos geradores apurados, os tributos devidos, as infrações perpetradas, os fundamentos legais que fornecem esteio jurídico à Autuação, os procedimentos Fl. 499DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 levados a efeito pela Fiscalização, as circunstâncias e motivação do lançamento, bem como as demais condições de contorno atávicas à atuação fiscal. Não se deve olvidar, outrossim, que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o Autuado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido, hipótese em que não é instaurada a fase contraditória. Ao revés, pode ele, também, exercendo o seu direito de defesa, impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura da Autoridade Lançadora e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Não se pode perder de vista, igualmente, que os procedimentos de investigação levados a efeito na operação Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela Polícia Federal, pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Fazenda Estadual em São José do Rio Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales 24ª subseção Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de documentos e expediu ofícios requisitórios à Secretaria da Receita Federal e à Secretaria da Receita Previdenciária para fiscalizar os contribuintes as pessoas jurídicas e físicas envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de documentos e arquivos magnéticos com informações contábeis e fiscais, trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no art. 198 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104/2001) §1o Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: (Redação dada pela Lcp nº 104/2001) I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) §2o O intercâmbio de informação sigilosa, no âmbito da Administração Pública, será realizado mediante processo regularmente instaurado, e a entrega será feita pessoalmente à autoridade solicitante, mediante recibo, que formalize a Fl. 500DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 490 23 transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) §3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104/2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) II – inscrições na Dívida Ativa da Fazenda Pública; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) III – parcelamento ou moratória. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa tão veementemente erguida pelo Recorrente. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de cerceamento de defesa. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DO PROCEDIMENTO FISCAL PARA APURAÇÃO DOS FATOS GERADORES Em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos fatos que chegaram ao seu conhecimento sobre organizações criminosas estabelecidas na região de Jales SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública. Após exaustiva investigação, houvese por constituído o processo judicial, procedendose à representação ao Poder Judiciário para a expedição dos mandados de busca e apreensão em locais suspeitos com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados, Fl. 501DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 deflagrandose a operação denominada "GRANDES LAGOS", executada pela autoridade policial federal, que apurou a existência de núcleos de empresa e pessoas físicas constituídos com o objetivo de sonegar tributos e evitar demanda judicial de natureza fiscal e trabalhista mediante a criação de empresas "de fachada”, cujos sócios eram arregimentados para serem, no jargão policial, "laranjas”, de modo a proteger de sequestros nas execuções fiscais o patrimônio dos verdadeiros sócios e das empresas lícitas em seu nome (plantas e instalações frigoríficas em São José do Rio Preto, FernandópolisSP e Campina VerdeMG), com uso de dissimulados e precários contratos de arrendamento. Em seguida, o Poder Judiciário Federal em Jales expediu ofícios requisitórios ao Fisco (Receita Federal e Receita Previdenciária) para fiscalizar os contribuintes as pessoas jurídicas e físicas envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de documentos e arquivos magnéticos com informações contábeis e fiscais; trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos. A fiscalização previdenciária, à época, ligada à Secretaria da Receita Previdenciária, procedeu à retenção dos elementos colhidos na sede das empresas fiscalizadas, através da lavratura de Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos AGD. Posteriormente, atendendo a solicitação do fisco federal, a Justiça Federal em Jales expediu novos mandados de busca e apreensão, os quais foram executados em 2007. Na sequência, a Justiça Federal – 24ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas, do período de 2002 a 2006, determinando às instituições financeiras o fornecimento de documentos e informações solicitados pela Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto. Os procedimentos de investigação levados a efeito na operação Grandes Lagos foram conduzidos em conjunto pela Polícia Federal, pela Secretaria da Receita Previdenciária e pela Secretaria da Fazenda Estadual em São José do Rio Preto/SP, sob os olhares da Justiça Federal – 1ª Vara Federal de Jales 24ª subseção Judiciária de São Paulo, que deferiu a quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, no período de 2002 a 2006, expediu mandados de busca e apreensão de documentos e expediu ofícios requisitórios à Secretaria da Receita Federal e à Secretaria da Receita Previdenciária para fiscalizar os contribuintes as pessoas jurídicas e físicas envolvidas no esquema de sonegação, dando origem aos procedimentos de busca e retenção de documentos e arquivos magnéticos com informações contábeis e fiscais, trabalhistas e previdenciárias, necessárias à constituição dos créditos, tudo em fiel consonância com as disposições inscritas no art. 198 do CTN. Assim, a denominada "Operação Grandes Lagos", deflagrada pela polícia federal, por solicitação da Receita Federal, desbaratou uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, que vinha atuando na região de São José do Rio Preto havia muitos anos, tendo em vista que seria praticamente impossível para a Receita Federal identificar todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, sem um trabalho de inteligência da Polícia Federal, inclusive com interceptações telefônicas. Decorridos meses de investigação, a Polícia Federal, com autorização da Justiça Federal, efetuou mais de uma centena de prisões e procedeu à busca e apreensão de documentos nas empresas envolvidas na fraude, conforme excerto do relatório da Polícia Federal adiante transcrito: “Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS vêm recebendo denúncias de um megaesquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, sobretudo nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias, o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 491 25 A partir destas denúncias, a Receita e o INSS iniciaram vários procedimentos fiscais contra várias empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema. Finalizadas as fiscalizações, foram lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais. No entanto, invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava cobrar os tributos devidos, verificava quem nem as empresas, nem seus sócios, possuíam qualquer patrimônio em seu nome para honrálas. No curso dos trabalhos de fiscalização, tanto a Receita Federal quanto o INSS se depararam com evidências de que as pessoas que constavam do quadro societário destas empresas eram apenas "laranjas", que se reportavam a um nível hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de sonegar tributos. Diante da dificuldade de comprovar o vínculo entre os verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas" para a prática de crimes contra a ordem tributária, e dadas as evidências da existência de uma verdadeira organização criminosa por trás destas empresas, no final do ano de 2005 a Receita Federal solicitou formalmente o apoio da Polícia Federal em Jales/SP, para que as investigações fossem aprofundadas, de modo a se identificar com precisão todo o esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à julgamento pela Justiça”. Após a deflagração da operação Grandes Lagos, houve determinação judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas no caso fossem fiscalizadas pela Receita Federal do Brasil, motivo pelo qual houvese por instituída uma equipe especial de fiscalização pela Superintendência Regional da Receita Federal da 8ª Região Fiscal para conduzir os trabalhos relativos à citada operação. Por isso, houvese por expedido o Mandado de Procedimento Fiscal N° 08.1.07.00200900340, determinando à equipe fiscal nele assinalada a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela RFB, conforme determina o art. 2º da Lei n° 11.457/2007, e àquelas relativas a terceiros, conforme determina o artigo 3° da mesma lei; a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados empregados; A verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos rendimentos pagos, devidos ou creditados a segurados contribuintes individuais; A verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos conciliação GFIP; A verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos comercialização de produtos rurais contribuições devidas por adquirente na condição de subrogado; A verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias e para outras entidades e fundos comercialização de produção contribuições próprias e a verificação de informações econômicofiscais do contribuinte, por determinação Judicial através do Ofício 076/2006GABJCSProcesso 2006.61.24.0016662 da 1ª Vara Federal de Jales. Da investigação procedida pela Policia federal, em conjunto com as Secretarias da Receita Federal e de Fazenda Estadual restou configurada a existência de uma grande organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, cujo Fl. 503DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 modus operandi consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos e contribuições sociais. As pessoas interpostas movimentaram grande quantia de recursos por meio da rede bancária, mediante a abertura de contas em seus nomes, mas movimentando recursos pertencentes a terceiros, titulares de fato desses recursos. Foram, então, determinadas e abertas fiscalizações nos contribuintes: FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA. e CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIO LTDA, assim como diligências fiscais nas empresas SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA e COMERCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR DE FRONTEIRA LTDA. E, também, diligências fiscais nas Pessoas Físicas relacionadas com as suso citadas empresas: Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Edson Garcia de Lima, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, , João Francisco Naves Junqueira, e José Ribeiro Junqueira Neto e na Vara do Trabalho de Fernandópolis/SP. Foram arroladas nos fatos geradores lançados as empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, a interposta empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e a interposta/noteira Distribuidora de Carnes e Derivados S. Paulo Ltda. Durante os trabalhos de auditoria foram detectadas como interposta empresa do Frigorífico Ouroeste Ltda, além das empresas citadas acima, as empresas SP GUARULHOS (aquisição de produtos rurais como subrogado e mãodeobra) e a BR FRONTEIRA (fornecedora de mãodeobra na atividade fim, a partir de Novembro de 2005). A Fiscalização apurou que as empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda compõem o Núcleo Ouroeste. Todas essas empresas estão registradas em nome de "laranjas". Formalmente, o Frigorífico Ouroeste Ltda estava em nome de Maria de Lourdes Bazeia de Souza e Ana Maria Cecília Podboy Costa Junqueira, com 50% de participação cada uma no quadro societário da empresa; são "laranjas" do empreendimento. A contribuinte Maria de Lourdes Bazeia de Souza é mãe do Dorvalino Francisco de Souza e José Roberto de Souza. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales informa que assinou uma procuração para seu Dorvalino, para que o mesmo pudesse trabalhar. Informa, ainda que nunca participou da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda e que pertence de fato aos Srs. Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima (fls. 684 Volume IV / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). No período declara apenas rendimento recebido do INSS. É conhecida na cidade de Bálsamo como "Maria da Pamonha", pois possui uma pequena barraca na feira livre da cidade que vende doces derivados de milho. Portanto, a contribuinte é mais uma interposta pessoa, “laranja”, do núcleo dos envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda. A contribuinte Ana Maria Cecília Podboy Costa Junqueira constou nos quadros societários da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda de 2003 até 2007. É esposa do Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira. Em seu esclarecimento a Polícia Federal de Jales disse que, a pedido de seu cônjuge, por volta de 2003, assinou uma procuração para que o mesmo pudesse investir na compra de um frigorífico em OuroesteSP. Que desconhece completamente Fl. 504DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 492 27 qualquer assunto relacionado com a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda, e que constou como sócio a pedido do cônjuge (fls. 685 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Declara, no período, somente rendimento recebido de seu sogro João Francisco Naves Junqueira (fls. 2137 a 2155 Volume XI / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Consta no sistema CNIS Fonte GFIP vínculo para a matrícula 11.528.00886/81 do empregador supra citado com admissão em 03/11/1998 (fls. 59 Volume I / Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919 ). Portanto, a contribuinte é mais uma interposta pessoa do núcleo dos envolvidos na fraude do Frigorífico Ouroeste Ltda. A empresa Frigorífico Ouroeste Ltda foi iniciada pelo Srs. José Cabral Muniz e Filhos em 26.01.1999, fls. 33 a 38 – Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 . Em 13.02.2002, teria sido vendido o estabelecimento para o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto, representado pelo seu procurador Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira, e para o Sr. Dorvalino Francisco de Souza, conforme cópia autenticada do Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóvel (terreno e prédio), Instalações Industriais, Utensílios, Máquinas e Ferramentas entregues pela empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, ao Posto Fiscal da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, em Fernandópolis (fls. 91 a 98 – Volume I/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Em resposta a intimação fiscal de 13.11.2005, o Sr. Dorvalino Francisco de Souza confirmou que emitiu 06 cheques de R$ 30.000,00 informando que para fazer frente a tal despesa teria tomado empréstimo com os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci (fls. 1754 / 1759 – Volume IX/ Anexo1 do PAF 16004.000336/200919 ). Em seu depoimento a Polícia Federal de Jales, em 05.10.2006, o Sr. Edson Garcia de Lima declarou que "16% do Frigorífico Ouroeste lhe pertence, 34% pertencem ao Sr. Dorvalino e os outros 50% ao Sr. Luiz Ronaldo" (fls. 646 – Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Dorvalino Francisco de Souza, em seu depoimento à Polícias Federal de Jales, declarou (fls. 677 – Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ) : "...assim como já afirmado acima, a empresa pertence à genitora, sendo que há cerca de 2 anos recebeu procuração de sua genitora para gerir o Frigorífico. Que cerca de uma ano e meio, o interrogado esteve a frente dos negócios juntamente com o seu irmão José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima. Explicando, 50% da empresa pertencia a sua genitora e 50% pertence a Luiz Ronaldo Junqueira. Havia uma sociedade civil entre o interrogado, seu irmão José Roberto e Edson Garcia de Lima " Conforme cláusula terceira do Instrumento Particular de Compra e Venda de Imóveis (terreno e prédio), Instalações industriais, Utensílios, Máquina e Ferramentas, verifica se que os compradores tomaram posse do imóvel imediatamente. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 A Fiscalização apurou que nenhum dos envolvidos, compradores e vendedores, declaram tal situação ao Fisco Federal. Em 08.04.2003, fizeram uma alteração contratual falsa, onde os vendedores, José Cabral Muniz, Elisabete Rascado Matos Muniz, Flavia Rascado Matos Muniz, Camila Matos Muniz e José Cabral Muniz Júnior, teriam cedido suas cotas no Frigorífico Ouroeste Ltda para Maria de Lourdes Bazeia de Souza (mãe do Dorvalino) e Ana Maria Cecília Podboy Costa Junqueira (esposa do Sr. Luiz Ronaldo), pelo valor de R$ 50.000,00 (fls. 27 a 32 – Volume I/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Em suas declarações à Polícia Federal de Jales, as duas senhoras declararam que assinaram procurações, com amplos poderes, para Dorvalino Francisco de Souza e Luiz Ronaldo Costa Junqueira, respectivamente, baseado em confiança familiar (fls. 684/685 – Volume III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Em 18.05.2007, foi feita outra alteração contratual fraudulenta onde a empresa tem como novos sócios Luiz Ronaldo Costa Junqueira (99%) e Edson Garcia de Lima (1%). No mesmo instrumento, o capital social foi alterado para R$ 300.000,00 (fls. 2229/2232 – Volume XII / Anexo1 do PAF 16004.000336/200919). Tal alteração contratual não foi aceita pelo Fisco estadual como alteração válida, já que os sócios não comprovaram condições financeiras para tal ato. Esta alteração também não foi realizada junto ao CNPJ. Aliás, a Fiscalização apurou que uma das marcas das empresas envolvidas na operação é o total descompasso entre as alterações contratuais na Junta Comercial, no Fisco Estadual e no CNPJ. Com base nas informações colhidas, a Fiscalização concluiu, conforme raciocínio desenvolvido no item 2.1. do Termo de Constatação de Infração Fiscal, que o quadro societário verdadeiro da Frigorífico Ouroeste Ltda é o seguinte: 1 José Ribeiro Junqueira Neto e/ou João Francisco Naves Junqueira 50% 2 José Roberto de Souza 7,85 % 3 Dorvalino Francisco de Souza 16,44% 4 Edson Garcia de Lima 16,00% 5 Antonio Martucci 9,71 % 3.1.1. DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA A Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda foi constituída em 10.09.2002, tendo como sócios os Srs. Antonio Martucci e Edson Garcia de Lima, com um capital de R$ 70.000,00. Dos quais 99% foi integralizado pelo Sr. Antonio Martucci (R$ 69.300,00) e 1 % pelo Sr. Edson Garcia de Lima (R$ 700,00). Analisando os extratos bancários da conta do Sr. Antonio Martucci, a Fiscalização apurou o recebimento de um TED enviado pela empresa Produtos da Fazenda, no valor de R$ 69.370,00, no dia 13.09.2002. A integralização das cotas da empresa, acima citada, feita pelo Sr. Antonio Martucci deuse, também, no dia 13.09.2002, através do cheque nº 001606, no valor de R$ 69.300,00. Notese que o valor recebido é exatamente o valor da integralização, acrescido da CPMF R$ 70,00 (R$ 69.300,00 x 0,038%). Fl. 506DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 493 29 A empresa Produtos da Fazenda Ltda tem como sócios o Sr. MANOEL DOS REIS DE OLIVEIRA e a Sra. SANDRA AMARA REIS DE OLIVEIRA, estando inativa desde 2003. O sócio Manoel dos Reis de Oliveira é conhecido na cidade de Bálsamo como "DEDÉ Carrinheiro", pessoa de pouca posse, morador em casa simples da COHAB de Bálsamo. Atualmente é sócio da empresa De Souza e Lima Ltda, junto com a Mãe do Sr. Edson Garcia de Lima. A empresa pertence de fato ao Sr. Edson Garcia de Lima e ao Sr. Dorvalino Francisco de Lima, conforme consta em seus depoimentos à Polícia Federal de Jales. O Sr. Manoel dos Reis de Oliveira é interposta pessoa dos citados contribuintes. Em seu depoimento em 26.03.2008, a secretária da empresa, Sra. Angela Cristina Veigas Longo, confirma que a empresa De Souza e Lima Ltda tem como objeto social a venda de Carne desossada no atacado e pertence ao Sr. Edson Garcia de Lima e ao Sr. Dorvalino Francisco de Lima. Em depoimento à Polícia Federal de Jales, em 17.10.2006, o Sr. Antonio Martucci declarou: "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado e o informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste, porém não conseguiu a Inscrição Estadual, pois precisa de dois nomes "bons" para figurarem como sócios. Dorvalino convidou o interrogado para ser um dos sócios "de direito" ao lado de Edson Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao interrogado com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com 50%". Que o interrogado efetivamente pagou sua parte do capital social a Dorvalino que era quem havia negociado a compra. No contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital social e Edson Garcia de Lima com 1%; Que a empresa, então, começou trabalhar da seguinte forma: O interrogado e José Roberto de Souza tinham como função comprar o gado em pé, o qual era trazido até o frigorífico situado em Ouroeste/SP. O produtor rural era orientado a fazer a nota de venda em nome da empresa de Macaúba denominada Norte Riopretense e Distribuidora São Paulo". Entretanto em seu depoimento ao Juízo da 3ª Vara de São José do Rio Preto, em 05.12.2006, o Sr. Antonio Martucci afirmou: "....Eu não recebi nada para emprestar o nome, eu só fiz isso porque eu era amigo do Dorvalino na época. Quando eu abatia gado no Frigorífico Ouroeste a nota saia do produtor para o Pereira e Pereira, para a Basco, para onde eles determinassem, era o frigorífico quem determinava em nome de quem sairia a nota, mas eu não mexia com isso. As vezes podia ser a Distribuidora São Paulo ". Em outro trecho diz: "... O Frigorífico Ouroeste e a Continental Ouroeste ficavam no mesmo prédio, mas eu não sei a diferença entre elas. Eu sabia que Fl. 507DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 30 tinha emprestado o nome para a Continental, mas eu não sabia que também figurava como sócio do Frigorífico Ouroeste...". Analisando os depoimentos acima, verificase que o contribuinte faltou com a verdade em vários trechos, tendo em vista sua participação efetiva nas empresas envolvidas. Em seu depoimento a Polícia Federal de Jales, o Sr, Edson Garcia de Lima, quando perguntado a respeito de quais as empresas que lhe pertenciam, respondeu: "1) "De direito" H4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e De Souza & Lima Ltda. 2) "De fato" 16% do Frigorífico Ouroeste. Também são proprietários "de fato" desta, Dorvalino (34%) e Luis Ronaldo (50%). Esta empresa está "de direito" em nome da genitora do Dorvalino e da esposa do Luiz Ronaldo, senhora Maria Cecília. È a pessoa que efetivamente administra a empresa era Oswaldo Antonio Arantes, porém compra de gado quem fazia era o interrogado...." Em seu interrogatório ao Juízo da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, o Sr. Edson Garcia de Lima, declarou: "... A Continental foi criada para abater gado, antes de nós comprarmos o Frigorífico Ouroeste, nós a utilizamos entre 2002 e 2003, embora tenha sido utilizada também depois, mas em menor escala, pois nós adquirimos o Frigorífico Ouroeste. A Continental foi criada para ser utilizada como Distribuidora para abater gado, antes de nós fecharmos ela, nós levantamos os tributos devidos e fizemos o parcelamento, nós estamos pagando o parcelamento...." Analisando os dados acima, a Fiscalização constatou que o contribuinte Edson Garcia de Lima faltou com a verdade, invertendo a ordem de abertura das empresas e dizendo que teria fechado a empresa e estaria pagando os tributos devidos. Não foram localizadas opções válidas pelos parcelamentos REFIS ou PAES, apesar de constar pagamento de R$ 4.000,00 (R$ 2.000,00 no mês e novembro/2006 e R$ 2.000,00 em Dezembro/2006) e R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 em janeiro/2007 e R$ 1.000,00 em fevereiro/2007), com código de recolhimento do PAES. Tais recolhimentos ocorreram após a ação da Polícia Federal de JalesSP. Não antes. O contribuinte Dorvalino Francisco de Souza, em seu interrogatório ao juízo da 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, declarou: " ....Eu e o Edson Garcia de Lima abrimos uma empresa chamada Continental, mas como eu tinha restrição em meu nome, a empresa ficou em nome do Edson (1%) e do Martucci (99%), mas o Martucci ficou poucos meses. O Edson ia até o campo, compra gado em nome da Continental e o frigorífico apenas abatia o gado, o Luiz Ronaldo tinha 50% do frigorífico e não queria participar do negócio..." em outro trecho diz " ...Eu e o Edson exercíamos a administração do Fl. 508DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 494 31 Frigorífico Ouroeste e da Continental. O Martucci praticamente só cedeu o nome dele mesma para a empresa...." Analisando as informações acima, a Fiscalização concluiu que o contribuinte faltou com a verdade, informando que o Sr. Antonio Martucci teria ficado poucos meses e que o Sr. Luis Ronaldo Costa Junqueira não participava dos negócios. Tais fatos demonstram quem, de fato, são os proprietários da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Lima. Em setembro/2002, o Frigorífico Ouroeste teria supostamente arrendado para a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda teria as instalações industriais, utensílios, máquinas e ferramentas. A cláusula quinta estatui que todas as benfeitorias que a arrendatária fizesse ficariam incorporada ao imóvel, não sendo devida nenhuma indenização. Esta cláusula é comum em todas as empresas envolvidas na operação, quando a arrendatária é uma empresa inexistente de fato (empresa de papel), criada com objetivo fraudar as administrações tributárias, e o verdadeiro “dono do negócio” é o arrendador, de maneira que todas as benfeitorias permanecem dom o dono do negócio, o Arrendador. Nesta data, a Continental além das instalações físicas, assumiu todos os empregados do Frigorífico Ouroeste, conforme assim revela a consulta de vínculos empregatícios do trabalhador do CNIS, iniciando o "esquema de sonegação" ( fls. 01/405 Vol. I a III do Anexo 6 do PAF 16004.000336/200919 ). Em janeiro de 2003, foi realizada uma ampliação das instalações industriais (acréscimo de 418 m2 no prédio, acréscimo de 448 m2 nos currais, construção de câmara fria e aquisição de diversas máquinas e utensílios), tendo despendido um valor superior a R$ 10 milhões de reais, tudo pago com créditos acumulados de ICMS, muitos dos quais frios (fls. 1725/1747 Volume IX / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ) Todas estas benfeitorias foram acrescidas ao patrimônio do Frigorífico Ouroeste sem custo. Consta, também, que a empresa adquiriu "Óleo Diesel" da Petrobrás Distribuidora S/A, no período de 09/2003 a 01/2005, no valor de R$ 3.412.568,00 ou 2.970.000 litros (fl. 1724 Volume IX/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Considerando o período de 17 meses ou 510 dias; o fato de o frigorífico ter consumo deste combustível apenas para o gerador (que é usado somente nas horas de picos e quando há falta de energia elétrica); o consumo do motor do gerador de mais ou menos 80 litros por hora, o diesel adquirido seria suficiente para produzir energia, 24 horas por dia, por 1.546 dias ou 51 meses (80 litros/h x 24hs = 1.920 litros ao dia), o que demonstra que tal combustível houvese por utilizado por outras empresas do esquema. De tal exposição avulta que o crédito de ICMS foi utilizado em proveito do Frigorífico Ouroeste Ltda e/ou seus sócios como benefício indireto. Em 11.03.2003, retirase da sociedade o Sr. Antonio Martucci e entra o Sr. Oswaldo Antonio Arantes, que adquire as cotas daquele pelo mesmo valor da constituição, R$ Fl. 509DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 32 69.300,00 , pago através de cheque n° 000465, emitido pelo Sr. Oswaldo Antonio Arantes em 03.04.2003, Banco Bradesco, agência Ouroeste/SP ( fls. 102 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919). Em sua declaração a Polícia Federal de Jales, em 17.10.2006, o contribuinte Sr. Oswaldo Antonio Arantes declarou: " ....salvo engano, no ano de 2003 o declarante foi admitido como empregado da empresa Frigorífico Ouroeste Ltda, sediada na cidade de Ouroeste/SP, como gerente administrativo, tendo como função precípua a manutenção do frigorífico, admissão e demissão de funcionários, etc, sendo certo que quem o contratou fora os senhores Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, os quais são proprietários da mencionada empresa; QUE percebia uma salário de R$ 2.800,00; QUE, após quatro meses, aproximadamente, o declarante fora demitido da ora citada empresa, porém lá permaneceu, no mesmo cargo e funções, sem registro em sua CTPS...." Em outro trecho diz: "...QUE, o declarante no ano de 2003 para 2004, adquiriu parte da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, salvo engano 70%, esta sediada na época na cidade de Ouroeste/SP, porém por não ter sido aceito pela Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo, sob alegação de que não dispunha de bens, teve de devolver essa parte para o seu originário proprietário, Antonio Martucci; QUE esclarece o declarante que somente permaneceu como sócio proprietário da empresa Continental Ouroeste, que tinha como ramo o comércio de carne, por um período de no máximo um mês Que, o dinheiro que o interrogado usou para adquirir parte da sociedade da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, o obteve da venda de terra no Estado do Mato Grosso, de propriedade de seu sogro Sebastião Luiz Arantes, o qual reside com o declarante...." Analisando o extrato do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes, a fl. 141 do PAF 16004.000336/200919 verificase que em 14.03.2003 ele recebeu uma TED de uma empresa sediada no Estado do Paraná chamada Taurus Comércio de Bovinos Ltda, no valor de R$ 101.608,00. Em 26.03.2003, adquiriu um veículo Renaut/Clio RT 1.0 16V, ano de fabricação e modelo 2001, branco, placa DFH0542, no valor de R$ 20.500,00 da empresa Andrade & Ortolan Ltda, veículo este registrado em nome de sua esposa (fls. 965/966 Volume V/Anexo 1 e 1748/1753 Volume IX/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Finalmente, em 03.04.2003, emite o cheque nº 000465, no valor de R$ 69.300,00 , para custear a suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr. Antonio Martucci. Em resposta a intimação para comprovar a entrada e saída de valores relevante em sua conta, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes, explica a fls. 1760 a 1766 Volume IX/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 : a) "Que o depósito de R$ 101.608,00 referese ao recebimento da venda da pequena propriedade rural de meu sogro, Sebastião Luiz Fl. 510DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 495 33 Arantes, CPF n° 288.476.28849, sediada no município de Gloria D'Oeste MT; b) Que o valor de R$ 20.500,00 referese ao levantamento de numerário a pedido de meu sogro; c) Que o valor de R$ 69.300,00 referese ao levantamento de numerário a pedido de meu sogro." Como se pode observar, o contribuinte não consegue explicar a origem e/ou aplicação dos recursos em sua conta, ainda se atrapalha com relação ao valor utilizado para suposta compra das cotas da empresa Continental Ouroeste do Sr. Antonio Martucci. Na Junta comercial, o Sr. Oswaldo Antonio Arantes ingressou na sociedade em 20.03.2003 e se retirou em 26.08.2004. Analisando os vínculos empregatícios, a Fiscalização apurou que o Sr. Oswaldo Antonio Arantes foi funcionário do Frigorífico Ouroeste de 01.08.2002 até 14.09.2002; Da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, de 15.09.2002 até 12.01.2003, como segurado empregado; De 06/2003 até 10/2005 constou como contribuinte individual na Continental Ouroeste, como sócio gerente, conforme GFIP Base CNIS, com remuneração de R$ 1.500,00 mensais Categoria 11, portanto em descompasso com o que consta na Junta Comercial, com saída em 26.08.2004; De 01/11/2005 a 01/01/2007 foi registrado na função de gerente geral, com salário de R$ 2.800,00 na empresa Comércio de Carnes e Representação Rodrigues e Bastos Ltda, atual BR Fronteira. A Fiscalização apurou que a BR Fronteira assumiu formalmente a partir de Novembro de 2005 todo o passivo trabalhista da Continental Ouroeste, conforme transferência no Livro Registro de Empregados de n° 05, fls. 303 Vol. II / Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919, e que no período de novembro/2005 a dezembro/2006 toda a mão de obra da BR Fronteira trabalhou, com exclusividade, para o núcleo Ouroeste. Após a operação de Policia Federal, ou seja, a partir de Janeiro/2007, o Frigorífico Ouroeste assumiu novamente todos esses empregados e o passivo trabalhista decorrente, conforme Fichas Registro de Empregados, tanto que a data de admissão, seja no Frigorífico Ouroeste, seja na Continental Ouroeste, é a data retroativa quando foram admitidos na primeira vez, fato que pode ser confrontada com a GFIP de Janeiro de 2007, a fls. 805/820 do PAF 16004.000336/200919, e nos contratos de trabalho. Em seu interrogatório na Polícia Federal o Sr. Oswaldo também disse também: "QUE, salvo engano no mês de março do corrente ano o declarante foi admitido pela empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES BR DE FRONTEIRA, como gerente, tendo as mesmas funções que na empresa FRIGORIFICO OUROESTE LTDA, esclarece o declarante que continua trabalhando no FRIGORIFICO OUROESTE LTDA, porém registrado na empresa COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES BR DE FRONTEIRA, esta prestadora de serviços à empresa FRIGORIFICO OUROESTE; QUE, o declarante não sabe informar quem possa ser seus patrões, porém sabe informar que continua recebendo ordens dos senhores EDSON GARCIA DE LIMA e DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA.” Fl. 511DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 34 De toda essa exposição dessai que os verdadeiros donos da BR Fronteira são, também, os Srs. EDSON GARCIA DE LIMA e DORVALINO FRANCISCO DE SOUZA. Em 20.03.2003, foi feita uma nova alteração contratual na empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, retirando da sociedade Edson Garcia de Lima e admitindo a Sra. Ângela Cristina Viegas Longo, CPF n° 274.259.97894. Em seu Termo de declaração à Polícia Federal de Jales, em 18.10.20006, (fls. 644/645 Volume III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919), a Sra. Angela Cristina Viegas Longo declarou: "... A declarante trabalhava na empresa De Souza e Lima em São José do Rio Preto, exercendo a função de secretária, no período de 1997 a 2005. A declarante afirma que essa empresa era uma distribuidora de carnes de propriedade de Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza. A declarante afirma que Edson Garcia de Lima, vulgo "Edão", pediu seus documentos pessoais, RG, CPF, comprovante de residência, para constar como sócia na empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda no ano de 2003. A declarante afirma que Edson Garcia de Lima, vulgo "Édão" fez esse pedido explicando que estava com problemas no nome dele e não poderia mais constar como sócio dessa empresa. A declarante aceitou as explicações de Edson Garcia de Lima e entregou seus documentos pessoais para constar como sócia desse frigorífico, apenas para ajudar Edson Garcia de Lima. A declarante afirma que Durvalino Francisco de Souza levou a alteração contratual do frigorífico Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda para ser assinada no escritório, sendo de fato a alteração contratual assinada pela declarante. A declarante afirma que os verdadeiros proprietários do frigorífico de Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci..." Em declaração prestada na Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP, em 26.03.2008 (fls. 702 a 704 Volume III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ), a Sra. Ângela Cristina Viegas Longo confirmou que, para ela, as empresas se confundiam, ou seja, uma existia somente no papel, e as citadas pessoas Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, José Roberto de Souza e Antonio Martucci eram os verdadeiros proprietários. Declarou ainda que as alterações contratuais com relação ao objeto social, abertura de filial de 31.05.2004 e retirada da sociedade de 26.08.2004 não foi assinada pela declarante, sendo as assinaturas possivelmente falsificadas. Na alteração contratual de 26.08.2004, retirouse da sociedade o Sr. Oswaldo Antonio Arantes e a Sra. Angela Cristina Veigas Longo, retornando os sócios originais, Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci (fls. 84/86 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Em 05.01.2005, retirase da sociedade os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci e são admitidos os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ( fls. 87 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Fl. 512DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 496 35 No Dossiê da empresa existente no Posto Fiscal da Secretária de Fazenda do Estado de São Paulo, em Fernandópolis, consta um contrato da suposta venda da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (Os Srs. Edson Garcia de Lima e Antonio Martucci vendendo para os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges), datado de 20.08.2004, pelo preço de R$ 25.000,00 a ser pago em 5 (cinco) parcelas mensais e sucessivas de R$ 5.000,00 a partir de 20.09.2004, e 5 recibos de recebimento dos citados valores, fls. 110 a 117 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 . Negócio da China, pois na época da venda, a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda apresentava um faturamento mensal superior a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) (fls. 109 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ) Como já era de se esperar, Diligência Fiscal realizada na cidade de UberlândiaMG, os contribuintes Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges não foram localizados nos endereços declarados a SRF, muito menos as supostas empresas dos citados contribuintes, muitas inclusive, com endereços inexistentes. Apurouse, igualmente, que os citados contribuintes Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges não possuem capacidade financeira para tal empreendimento e não apresentaram movimentação financeira no período (fls. 126 a 129 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ) Em 10.05.2005, foi promovida uma alteração do endereço da empresa de OuroesteSP para Jundiaí/SP, e em 19.10.2005, de JundiaíSP para zona rural de Angico/TO. Em diligência aos citados endereços, verificouse a inexistência de ambos, sendo considerado como alteração ilegal com objetivo de dificultar a fiscalização nos termos do Artigo 127, §2° do CTN (fls. 130/138 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ) A propriedade da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pela Frigorífico Ouroeste encontrase plasmada até na rotulagem dos produtos daquela, eis que os rótulos dos produtos comercializados pela empresa apresentavam com destaque (em letras maiores) a palavra "Frigorífico Ouroeste " e em letras menores o nome da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. (fls. 1593/1596 Volume VIII / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Até o Médico Veterinário responsável, Sr. Cledson Luis Furtado, era empregado do Núcleo Ouroeste desde 30/08/2001(fls. 404 Volume III/Anexo 6 do PAF 16004.000336/200919 ) Circularizando alguns clientes da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda foram obtidos informações que as pessoas que negociavam pela empresa eram os funcionários do Sr. José Roberto de Souza, e ainda os Srs. Oswaldo Antonio Arantes, Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Luiz Ronaldo. Destaquese que o Sr. Edson Garcia de Lima era o mais conhecido pelos pecuaristas da região. (fls. 208/642 Volumes I a III / Anexo 1, e fls. 01/329 Vols. I e II / Anexo 7 do PAF 16004.000336/200919 ). A Fiscalização apurou que o Núcleo Ouroeste também, praticou outras fraudes, já que as respostas de vários supostos fornecedores de gado de outros estados foram no Fl. 513DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 36 sentido de que não comercializavam com o frigorífico em tela e muitos nem se dedicavam à pecuária de corte. Tal fato demonstra que as respectivas notas de entrada não refletiam a realidade dos fatos, tendo sido usadas para gerar créditos fictícios de ICMS (fls. 1167/1309 Volumes VI e VII / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Do exame das contas bancárias da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a Fiscalização se deparou com vários títulos de capitalização, com pagamento até o final do ano de 2005, cujos beneficiários eram os Srs. Luiz Ronaldo Costa Junqueira, Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, demonstrando que o núcleo Ouroeste mantinha o controle da empresa, mesmo após a suposta transferência da empresa para os Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges ocorrida em 08/2004 (fls. 1151/1166 Volume VI/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). O cruzamento de informações entre as contas da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e as pessoas envolvidas (Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes) revelou uma grande quantidade de transferências de valores mensais, cujo valor médio era de R$ 5.000,00 cada. Em vários meses, há mais de uma transferência para mesma pessoa, conforme abaixo demonstrado no item 2.4.1. a fls. 157/159 do PAF 16004.000336/200919. Os estabelecimentos bancários onde os envolvidos acima citados possuíam contas, também reconheciam que a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda era deles. Em uma análise interna sobre a liberação de empréstimo ao Sr. Dorvalino Francisco de Souza, em 16.02.2005, o gerente do Banco Nossa Caixa, agência de Bálsamo, declarou: (fls. 893/894 Volume V / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ) " ...tratase de um cliente c/exp. Positiva de crédito, c/c desde 06/2003, eh sócio prop. do Frigorifico Continental, De Souza e Lima (Distr. de Carnes)..". Em outra analise, agora para o Sr. Edson Garcia de Lima, em 14.03.2005, o mesmo gerente disse: (fls. 902/904 Volume V / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ) "...Cujo tomador eh sócio prop. do Frigorífico Continental de Ouroeste desta ag...”. A Fiscalização apurou que a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda assumiu ao menos duas dívidas da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, uma no valor de R$ 736.290,13, perante o Banco Bradesco S.A e a outra, da empresa de factoring New Suport Factoring Ltda, decorrente de desconto de duplicatas, dando como garantia, hipoteca do imóvel da empresa situado em Ouroeste/SP, tendo como solidários fiadores Dorvalino Francisco de Souza, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, José Roberto de Souza e Edson Garcia de Uma (fls. 1597/1723 Volumes VIII e I X / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). No caso da escritura pública de confissão de dívida com garantia de hipoteca e outras avenças, data de 26.08.2005, consta como devedora a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, representada pelos sócios, Oswaldo Antonio Arantes e a Ângela Cristina Viegas Longo, com menção do contrato social com as alterações somente até 13.03.2003 (fls. 1606 a 1608 Volume IX/Anexo I do PAF 16004.000336/200919 ). Fl. 514DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 497 37 Verificase no caso, um claro ato doloso e fraudulento, já que nesta data a empresa já pertencia, de direito, aos Srs. Claudir Brusnello e Mauricio de Lima Borges. Embora a devedora fosse a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, quem liquidou o débito junto ao Banco Bradesco e da empresa de factoring foi a Frigorífico Ouroeste Ltda. A Fiscalização também apurou que a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda nunca entregou DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais à SRF, tendo apresentado apenas as DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica nos anos calendários 2002 e 2003 e, mesmo assim, só recolheu os tributos por substituição tributária do período (fls. 1828/1942 Volume X / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Com relação às contribuições previdenciárias foram efetuados recolhimentos parciais, sendo que as diferenças a recolher encontramse inclusas no presente lançamento. Com base no acima relatado, fica evidente que a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda nada mais é do que uma “empresa de fachada”, inexistente de fato, aberta e utilizada exclusivamente para fraudar as Administrações Tributárias Federal, Estadual e Trabalhista, com atos constitutivos eivados de falsidade ideológica, sendo que os contribuintes envolvidos Sr. Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Oswaldo Antonio Arantes, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, João Francisco Naves Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto foram beneficiários diretos/indiretamente da fraude. Concluise, portanto, que a referida empresa foi criada para existir tão somente no papel. Os seus verdadeiros donos (os reais sócios do Frigorífico Ouroeste Ltda acima citados) não figuravam em seu quadro societário não porque apresentavam supostas restrições de créditos (conforme declarações expressas a fls. 646/683 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ), mas porque apresentavam DIRPF incompatíveis com nível de vida e renda e, principalmente, porque queriam permanecer ocultos perante os fiscos Federal e estadual. Dessarte, como não desejavam ter seus nomes vinculados ao Patrimônio do frigorífico, criaram uma ficção jurídica consubstanciada na Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, em nome de “laranjas”, para realizar o objeto social do frigorífico. Merece se destacado que o ADE Ato Declaratório Executivo nº 66, de 29.07.2008, a fls. 41/43 Volume 1 / Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919, publicado no DOU Diário Oficial da União n° 149, de 05.08.2008, declarou a INAPTIDÃO da pessoa jurídica Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, com efeitos desde sua constituição. 3.1.2. DA SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA Fl. 515DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 38 Em relação à SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda o quadro não é diferente, mudandose apenas o figurante, mas mantendose inalterados os cenários e os protagonistas. A empresa foi constituída em 01 de Março de 2004 em nomes de sócios "laranja" Sérgio Aparecido da Fonseca Alves, Claudir Luis de Siqueira e Rodrigo Daniel Andrade, em funcionamento a partir de Maio/2005 para a continuação da fraude até então praticada pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, sendo que as cópias dos referidos contratos constitutivos foram apreendidos no interior do Frigorífico Ouroeste ltda. Visando a conferir ares de legalidade em seus negócios, simulouse um Contrato de Locação Comercial com o Frigorífico Ouroeste Ltda, em setembro/2005, abarcando, inclusive, todos os equipamentos e ferramentas para funcionamento de um frigorífico, pagandose um valor fixo, somado a outro valor por cabeça de gado abatido no local, tendo por fiador o próprio sócio Sérgio Aparecido da Fonseca Alves. A partir de seu funcionamento, o esquema fraudulento se valeu do mesmo "modus operandi" já utilizado pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, utilizandose de empresa vendedora de notas fiscais – a “NOTEIRA” Distribuidora S. Paulo, para fazer crer real as atividades realizadas. Com receitas em torno de R$ 18.300.000,00 em 2005, e de R$ 11.615.000,00 em 2006 (Fonte DIPJ), a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda contava com apenas um empregado formalizado. Convenhamos que com apenas um único empregado revelase inverossímil que uma empresa possa ter uma movimentação financeira de 43 milhões de reais até 2006. Tal inverossimilhança é corroborada pelo fato de tal empresa, após a deflagração da operação da Polícia Federal no final de 2006, ter faturado, tão somente, R$ 21.695,00 em 2007, quando, então, paralisou suas atividades. A SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda não entregou DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais em 2005, sendo que em 2006 entregou somente os dados cadastrais, sem declarar tributos; A empresa entregou DIPJ de 2005 e 2006, A Fiscalização apurou que tal "modus operandi" era utilizado por todas as empresas envolvidas na fraude operação grandes lagos. Os agentes fiscais constataram que a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda mantinha relacionamento com diversos bancos, quase uma dezena, conforme relação das contas correntes apresentada a fl. 153 do PAF 16004.000336/200919. Nos livros contas correntes apreendidos no interior do Frigorífico Ouroeste Ltda (itens 7.1, 7.2 e 7.3 do Termo de Busca e Apreensão da Policia Federal) constam diversos pagamentos a fornecedores de gado, assim como os pagamentos de despesas pessoais e retiradas de pro labore dos sócios de fato Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, e Luiz Ronaldo Costa Junqueira, bem como salários, férias, 13º salário e salário maternidade dos empregados assalariados e dirigidos pelo Frigorífico Ouroeste, mãodeobra com vínculos formais registrados na empresa interposta BR Fronteira. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 498 39 Circularizando em diversos fornecedores de gado a Fiscalização comprovou que os verdadeiros donos de fato da SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são os mesmo do Frigorífico Ouroeste Ltda, ou seja, Sr. Edson, Dorvalino, conforme respostas aos Termos de Intimação Fiscal a fls. 1150/1280 Volumes VI e VII/Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919. Na resposta do fornecedor Marcos Bassan Gonçalves, este informa que o recebimento da venda de bovinos efetuada a SP Guarulhos, com emissão da NF n° 1680, foi pago pelo cheque n° 10494 no valor de R$ 7.627,00, datado de 31 de Agosto de 2005, emitido pela Continental Ouroeste — Banco Real — Ag. Mirassol, que pode ser confrontado com as fls. 07verso do Livro conta corrente 7.4 (apreendido), o que comprova a ligação entre as citadas empresas. (documentos às fls. 1190/1199 e 1202Volumes VI e VII/Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919 ). O fornecedor Luiz C. H. Teles remeteu, juntamente com sua resposta referente à NF 2628, de 11/10/2005, da SP Guarulhos, as notas fiscais de produtor onde consta como local de abate o Frigorífico Ouroeste, bem como o controle de pesagem e do transportador, onde consta o logotipo e o nome do Frigorífico Ouroeste, o que mais uma vez comprova quem detinha o controle do empreendimento (fls. 1203/1217Volume VII/Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919 ). No Auto de Qualificação e Interrogatório de Dorival Pedro Belini na Policia Federal de Jales/SP (fls. 667 Volume III/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ), quando questionado sobre quais as empresas de Dorvalino são sediadas em São Paulo Capital, o interrogando respondeu: “... é o dono as SP Guarulhos”. No mesmo Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão efetuado pela Policia Federal no interior do Frigorífico Ouroeste Ltda, foram apreendidos outros documentos da SP Guarulhos, tais como 2 cartões magnéticos, sendo um Empresarial da Nossa Caixa ag. 535 e outro do Bradesco Ag. 17604; contratos sociais; talões de cheques de vários bancos e agências, tais como ag. 05401 Nossa Caixa Vila Maceno em S. J. R. Preto, conta corrente 04.0015706 e ag. 5355 conta 04.0003933 Ag. OuroesteSP. Analisando os documentos solicitados via RMF Requisição de Movimentação Financeira, a Fiscalização constatou que quem movimentava as contas eram os verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste ltda, fato que corrobora a compreensão de que SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda figurava como mais uma empresa de fachada, utilizada para a execução dos interesses empresariais da Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 40 Na data de 27 de Novembro de 2007, em diligência na Cidade de Guarulhos, foram apreendidos diversos documentos da empresa, conforme Termo de Retenção a fl. 715 Volume IV/Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919 . No interrogatório na Polícia Federal o sócio de fato do Frigorífico Ouroeste, Sr. Edson Garcia de Lima (fls. 646/648Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ), quando questionado acerca das negociações envolvendo notas fiscais frias, esclarece o seguinte: "eventualmente, o interrogado comprava gado de produtores com notas fiscais do MACAÚBA. O interrogado nunca conversou com Macaúba, pois quem efetivamente comprava as notas fiscais era DAVID APARECIDO BEZERRA, a mando da empresa SP GUARULHOS". Questionado acerca desta compra de notas fiscais, ele afirma que a SP GUARULHOS pagava R$ 3,00 ou R$ 4,00 por cada cabeça de gado lançado em nota fiscal. A despesa era por conta da SP GUARULHOS. David era quem ia até a empresa de MACAUBA buscar as notas frias. Como amplamente comprovado a SP Guarulhos pertence de fato aos verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste Ltda. David Aparecido Bezerra é funcionário da EMPRESA De Souza Lima, também de propriedade de Edson e Dorvalino. Macaúba, ou VALDER ANTONIO ALVES, é o proprietário da noteira Distribuidora São Paulo, com quem Edson Garcia de Lima mantinha contato diariamente, adquirindo notas frias, conforme comprovado pela Policia Federal. O Sr. Edson faltou com a verdade, portanto, ao afirmar que nunca havia conversado com o Macaúba. Constatase mais uma vez que os verdadeiros donos tentam se esquivar da responsabilidade, tentando transferir para terceiros o ônus do empreendimento, seja para David Aparecido Bezerra, seu empregado na empresa "De Souza Lima" (propriedade sua e Dorvalino), ou com relação ao 'laranja' Sérgio Aparecido da Fonseca Alves da SP Guarulhos. Os boletins de abate eram emitidos em nome da SP Guarulhos, contudo nas notas fiscais de produtor constam como local de abate o Frigorífico Ouroeste e a Continental Ouroeste, documentos a fls. 857/1057 Volumes V e VI / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919, fato este confirmado no relato do Sr. Edson Garcia de Lima na Policia Federal, a fls. 647Volume IVAnexo 1 do PAF 16004.000336/200919 . “O gado era retirado do FRIGORÍFICO OUROESTE com uma nota fiscal do MACAUBA, em nome da empresa DISTRIBUIDORA SAO PAULO, e como destinatária a empresa SP GUARULHOS. Afirma o seguinte: "eu comprava notas de MACAUBA, porque do Oiapoque ao Chui todos compravam notas dele. A melhor coisa que poderia acontecer seria se todos começassem a pagar os impostos". Diante da quebra do sigilo bancário procedida pela Justiça Federal de Jales/SP, foi requisitado ao Banco Nossa Caixa S/A, através da RMF Nº 08.1.07.002008001475, a movimentação das contas Fl. 518DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 499 41 04.001.5706 ag. 05401 e 04.000.3933 ag. 535.5, da empresa SP Guarulhos, onde se verificam que os reais beneficiários da atividade econômica praticada pela SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são os verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste ltda, Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, conforme ilustrado na tabela a 157/159, elaborada por amostragem. Na mesma toada, da analise das fitasdetalhe enviadas pelo Banco Nossa Caixa conta nº 040003933 Ag. 5355/OuroesteSP, da empresa SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, a Fiscalização apurou diversos pagamentos debitados nessa conta, relativos aos meses Janeiro, Fevereiro e Abril de 2006, representativas de despesas pessoais dos sócios Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, ou de empresas do núcleo Ouroeste ligadas a tais pessoas, conforme ilustrado a fls. 161/163 do PAF 16004.000336/200919. · Boletos bancário cedente Elétrica Noroeste Ltda EPP, tendo como sacado a S P Guarulhos, mas o endereço é do Frigorífico Ouroeste Ltda: Rua Jose Maticoli CP 35 Ouroeste SP, idem para o cedente Hermann Ind. Maq. Equipamentos. Idem para R$ 263,69 vencimento 20/04/2006, idem para o cedente Friomat valor R$ 1.300,10 vencimento 20/04/2006, valor de R$ 3.466,75 vencimento e m 2 1 / 0 4 / 2 0 0 6 / Comosquímica, Sandet Química cedente valor R$ 960,73 vencimento 24/04/2006; vide fls. 621 , 622, 661 , 675, 676, 685, 704, 706 Volume IV/Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919. · Boleto bancário de pagto de assinatura do Jornal Estadão, tendo como sacado o sócio de fato Dorvalino Francisco de Souza Rua Boa Vista 666 S. J.R.Preto, local onde funcionava um escritório do Frigorífico Ouroeste, fato este confirmado por produtores rurais, idem boleto Abril S/A no valor de R$ 49,03, fls. 623 e 652 do PAF 16004.000336/200919; · Fatura de energia elétrica da CPFL, e da Telefônica fones 32641366 e 35641354, sendo estes do Frigorífico Ouroeste Ltda, fls. 624 a 626 do PAF 16004.000336/200919; Boleto bancário valor R$ 372,00 cedente H4 Fomento Comercial Ltda, como sacado a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, fls. 627 do PAF 16004.000336/200919; · Boleto bancário no valor de R$ 157,00 cedente Tracker do Brasil e sacado a empresa De Souza Lima, pertencente aos sócios Dorvalino e Edson; idem para outro boleto com vencimento em 24/04/2006, fls. 630 e 672 do PAF 16004.000336/200919 ; · Boleto bancário valor R$ 2.065,67 cedente Frigoestrela e sacado a empresa a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, idem para o boleto de R$ 2.748,58 cedente Lopesco Ltda, boleto valor R$ 3.947,22 cedente Viaplastic; boleto R$ 620,00 vencimento 09/02/2006, boleto cedente Desinsetizadora Multipragas valor R$ 450,00, Cosmoquimíca valor R$ 1.155,59 vencimento 14/02/2006, Oxijales valor de R$ 35,00 vencimento Fl. 519DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 42 20/04/2006, Arnaldo Passo NF 2180 no valor de R$ 360,00 vencimento em 24/04/2006; · Boleto bancário valor R$ 238,58 cedente Cirasa Riop Aut e sacado a empresa De Souza Lima, pertencente aos sócios Durvalino e Edson, idem boleto R$ 77,12 cedente Pelatti, vencimento 09/02/2006, idem cedente Pirelli valor de R$ 660,00, cedente Facchini valor R$ 5.190,00 vencimento 14/02/2006, valor R$ 596,70 vencimento 20/04/2006, Propaga valor de R$ 113,32 e Cirasa Riop Aut valor de R$ 311,50, vencimento 20/04/2006; Riocap valor R$ 563,50 vencimento em 24/04/2006, fls. 632, 646, 650, 662, 674, 702 e 707 do PAF 16004.000336/200919 ; · Boleto bancário de R$ 693,43, tendo como cedente o Itaú Seguros S/A e sacado o sócio de fato João Francisco Naves Junqueira. Idem BV Financeira no valor de R$ 2.566,42 , vencimento em 16/02/2006, fls. 634 e 683 do PAF 16004.000336/200919 ; · Boleto bancário valor R$ 81,50 cedente Cirasa Riop Aut e sacado a empresa Transportadora Sulera Ltda, pertencente ao sócio José Roberto e do irmão do Dorvalino, idem cedente Cirasa Auto Riop valor de R$ 396,50 vencimento em 21/04/2006, 648 e 703 do PAF 16004.000336/200919; · Boleto bancário de R$ 452,21, tendo como cedente o Posto de Modo Trevo e sacado o sócio de fato Edson Garcia de Lima, fls. 664 do PAF 16004.000336/200919; · Fatura de energia Elektro vencimento 14/02/2006 no valor de R$ 33.470,53, tendo como sacado a Continental Ouroeste, fls. 665 do PAF 16004.000336/200919; No Livro Conta Corrente n° 7.1 Banco Bradesco Ag. 1760OuroesteSP c/c nº 108904, movimentação bancária da empresa SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda período de Outubro/2005 a Fevereiro/2006, solicitados via RMF n ° 2008149 1, constam pagamentos de salários, férias e rescisões de contrato de trabalho de empregados do Frigorífico Ouroeste Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, inclusive pagamento dos encargos sociais como INSS e FGTS, conforme ilustrado por amostragem, na tabela a fls. 163/165 do PAF 16004.000336/200919. Com relação ao cheque n° 176, no valor de R$ 27.953,96 , datado de 05/12/2005, relativo ao pagamento do 13° salário – 1ª parcela, foi solicitado ao Banco Bradesco a relação dos beneficiários de tais pagamentos, sendo confirmado tratarse dos empregados do Frigorífico Ouroeste, com vínculos trabalhistas registrados na interposta BR Fronteira. Tal relação dos beneficiários pode ser confrontada com a Folha de Pagamento em nome da interposta pessoa. No Livro Conta Corrente N° 72 Banco Nossa Caixa Ag. 0540Rio Preto SP, CC 0015706, movimentação bancária da empresa SP Guarulhos no período de Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 500 43 setembro/2005 a agosto/2006, constam diversos pagamentos de comissões e fretes a contribuintes individuais, inclusive retiradas de Prólabore dos sócios de fato do Frigorífico Ouroeste, Srs. Luis Ronaldo, Jose Roberto, Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza (fls. 260/353 Volume II / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919 ). No Livro Conta Corrente N° 7.3 Banco Nossa Caixa Ag. Ouroeste, CC 0003933, movimentação bancária da empresa SP Guarulhos no período de dezembro/2005 a Setembro/2006 (fls. 354/395Volume II / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919), constam pagamentos de salários, férias e rescisões contratuais dos empregados que estavam trabalhando para o Frigorífico Ouroeste Ltda, porém com registro formalizado na interposta Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, e a diversos contribuintes individuais, inclusive retirada de pro labore dos sócios de fato do Frigorífico Ouroeste Ltda, conforme ilustrado, por amostragem, na tabela a fls. 165/167. Constam, também, pagamentos dos encargos FGTS Fundo de Garantia por Tempo de Serviços/GFIP e recolhimentos da retenção da contribuição dos segurados empregados ao INSS, através da GPS, conforme tabela exemplificativa a fl. 167 do PAF 16004.000336/200919, assim como pagamentos ao contador Wanderley Graidzinski, responsável pela remessa dos arquivos ao Fisco Estadual das movimentações de mercadorias ICMS, o qual assina, ainda, como testemunha à alteração contratual de 25 de Julho de 2005, e os Boletins de Abate como procurador. De todo o exposto, concluise que a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda é uma empresa inexistente de fato, tratamse, nada mais, do que uma empresa “de fachada”, Pessoa Jurídica de "papel", e comprovadamente interposta pessoa do Grupo Ouroeste. ISTO JÁ ESTÁ FICANDO MONÓTONO !!! 3.1.3. DAS PESSOAS ENVOLVIDAS NA FRAUDE O trabalho da Fiscalização foi complementado pela intimação pessoal de todos os contribuintes envolvidos no esquema fraudulento desbaratado pela Policia Federal, sejam aqueles que efetivamente atuaram no grupo, sejam os que contribuíram com trabalho e/ou capital. De acordo com o relato fiscal, todos os envolvidos sempre estiveram ligados, de alguma maneira, ao ramo de abate de bovinos e/ou comércio de carnes e subprodutos, sendo também os mesmos, de fato, donos do Frigorífico Ouroeste Ltda. Todos os contribuintes ora em apreço foram intimados para prestar esclarecimento pessoal sobre sua atuação no esquema fraudulento, mas nenhum deles compareceu, justificando que não eram obrigados a produzir provas contra si e que todos os esclarecimentos foram dados a Polícia Federal e a Justiça Federal. 3.1.3.1. Dorvalino Francisco de Souza; Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 44 Participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas acima citadas. Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admitiu que administrava efetivamente o Frigorífico Ouroeste Ltda com procuração Outorgada por sua Mãe em conjunto com José Roberto de Souza e Edson Garcia de Lima. Possui participações nas empresas: Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, De Souza & Lima Ltda, H4 Comercial De Carnes e Derivados Ltda. Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que somadas não chegaram a R$ 155.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 171 do PAF 16004.000336/200919, declarando apenas, sua participação na empresa De Souza Lima ltda. Analisando, por amostragem, as contas bancárias da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificamse transferências de valores para as contas correntes do contribuinte Dorvalino Francisco de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 260.000,00 nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 171/173 do PAF 16004.000336/2009 19. Foi também apreendido pela Polícia Federal de Jales, na casa do David Aparecido Bezerra, funcionário de Dorvalino, documento intitulado "RETIRADA DORVALINO", no qual constam despesas do contribuinte do período de 16.01.2004 a 26.01.2005 (fls. 718 a 724 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). No citado documento, constam informações que os pagamentos foram realizados com cheques da conta da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, no Banco Nossa Caixa S/A, demonstrando claramente que além dos valores acima recebidos, a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais como despesas de Condomínio, IPVA, Plano de Saúde e outros (fls. 719 a 724 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Nos livros conta corrente (numerados n° 7.1 a 7.4) apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária na conta corrente 97073252 Banco Real Ag. MirassolSP. No mesmo livro conta corrente – 7.4 a fl. 450 do PAF 16004.000336/2009 19 , consta pagamento de "Condomínio Panorama", através do cheque 11282 nominal, imóvel cujo proprietário é o Sr. Dorvalino. Na planilha a fls. 693/702 do Vol. IV do Anexo II do PAF 16004.000336/200919 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Dorvalino Francisco de Souza, no período de janeiro/2004 a julho/2005, informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste ltda saíram os pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência. Conforme RMF 2008.1475 ao B. Nossa Caixa, foi encaminhada cópias dos documentos solicitados relativo a agência 0540 Vila Maceno em S.J.R.Preto, conta corrente 04.001.5706 pertencente a empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda – sucessora na Fraude, em continuação a Continental Ouroeste, onde se verifica através do Fl. 522DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 501 45 cheque nº 686, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Prólabore ao Sr. Dorvalino F. de Souza, além de transferências de quase R$ 20.000,00 para sua conta pessoal. Em Diligência na empresa Viagem.com foram constatadas dezenas de passagem aérea em nome de Dorvalino Francisco de Souza ida e volta S.J.R. PRETO S. PAULO, pagas pela empresa SP Guarulhos, bem como pagamento de passagem também para seu irmão Odécio (sócio da Transportadora Sulera Ltda). No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do Trabalho de Fernandópolis Proc. 380/2007, consta que: “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido de Ana Lucia Junqueira Francoproprietária da ora reclamada), Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza proprietária da ora reclamada), Dorvalino Francisco de Souza (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza proprietária da ora reclamada)'; 2. Que foi contrato em Maio de 2004 tendo trabalhado até 31 de Janeiro de 2006'; 3. que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham" em Guarulhos, Ouroeste, Fronteira, cuidando da parte de funcionário e andamento geral; que ia para todos os lugares que eles mandassem”. Não restam dúvidas, portanto, que Dorvalino Francisco de Souza participou efetivamente e diretamente da fraude, utilizando a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados, e a BR Fronteira com relação à mãodeobra, sem pagamento dos tributos devidos. As provas dos autos deixam claro que o Sr. Dorvalino Francisco de Souza tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. Código Tributário Nacional Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 3.1.3.2. Edson Garcia de Lima: O contribuinte Edson Garcia de Lima participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, Continental Fl. 523DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 46 Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, H 4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e De Souza & Lima Ltda. Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admitiu que possui de direito as empresas H4 Comercial de Carnes e Derivados Ltda e a empresa De Souza & Lima Ltda e de fato 16 % do Frigorífico Ouroeste Ltda. Participou efetivamente da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tendo inclusive controle e gerência da mesma. Apresentou DIRPF com rendas pouco expressivas nos exercícios de 2002 a 2007, que somadas não chegaram a R$ 168.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 179 do PAF 16004.000336/200919, declarando apenas, sua participação na empresa De Souza Lima ltda. Analisando, por amostragem, as contas bancárias da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificamse transferências de valores para as contas correntes do contribuinte Edson Garcia de Lima que ultrapassam a cifra de R$ 248.000,00 nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fl. 179 do PAF 16004.000336/200919. Foi também apreendido pela Polícia Federal de Jales, na casa do David Aparecido Bezerra, funcionário de Dorvalino, documento intitulado "RETIRADA EDÃO", no qual constam despesas do contribuinte do período de 16.01.2004 a 26.01.2005 (fls. 725/729 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). No citado documento, constam informações que os pagamentos foram realizados com cheques da conta da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, no Banco Nossa Caixa S/A, demonstrando claramente que além dos valores acima recebidos, a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda pagava várias despesas pessoais do contribuinte, tais como faculdade das filhas Tatiana e Martina, plano de saúde, além de outras (fls. 726/729 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919 ). Nos livros conta corrente (numerados n° 7.4) apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária na conta corrente 97073252 Banco Real Ag. MirassolSP. No mesmo livro conta corrente – 7.4 a fl. 450 do PAF 16004.000336/2009 19, consta pagamento cheque n° 10996, o Imposto Sobre Serviço ISS da De Souza & Lima Ltda, outra empresa de sua propriedade. Na planilha a fls. 693/702 do Vol. IV do Anexo II do PAF 16004.000336/200919 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Edson Garcia de Lima, no período de janeiro/2004 a julho/2005, informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste ltda saíram os pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência. Conforme RMF 2008.1475 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias dos documentos solicitados relativo a agência 0540 Vila Maceno em S.J.R.Preto, conta corrente 04.001.5706 pertencente a empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda – sucessora na Fraude, em continuação a Continental Ouroeste, onde se verifica através do cheque nº 683, de 29 de Setembro de 2005, pagamento de Prólabore ao Sr. Edson Garcia de Lima, depositado em sua conta pessoal. Conforme B. Bradesco ag. 0063 conta corrente 64228, titularidade da SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, verificase transferência do valor de Fl. 524DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 502 47 R$ 10.000,00 em 01/03/2006, ch. 975, para sua conta pessoal no Banco Nossa Caixa AG. 434 c/c 010039797. Não restam dúvidas, portanto, que Edson Garcia de Lima participou efetivamente e diretamente da fraude, utilizando a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados, e a BR Fronteira com relação à mãodeobra, sem pagamento dos tributos devidos. As provas dos autos deixam claro que o Sr. Edson Garcia de Lima tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. 3.1.3.3. José Roberto de Souza O contribuinte José Roberto de Souza, irmão de Dorvalino Francisco de Souza, participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas acima. Não foi ouvido na Polícia Federal de Jales, tendo em vista não estar diretamente ligado às empresas investigadas na Operação Grandes Lagos. Entretanto, foi localizado cheque pagando a sua parte da aquisição do Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002. Segundo depoimento dos demais contribuintes envolvidos, Sr. Dorvalino Francisco de Souza e Antonio Martucci, José Roberto de Souza efetivamente contribuiu com trabalho e capital nos objetos sociais da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, e do Frigorífico Ouroeste Ltda. Em depoimento à Polícia Federal de Jales, em 17.10.2006, o Sr. Antonio Martucci declarou: "...por volta de 2002, Dorvalino foi até a residência do interrogado e o informou que havia comprado do Frigorífico Ouroeste, porém não conseguiu a Inscrição Estadual, pois precisa de dois nomes "bons" para figurarem como sócios. Dorvalino convidou o interrogado para ser um dos sócios "de direito" ao lado de Edson Garcia de Lima. Efetivamente a empresa pertencia ao interrogado com 12,5%, a José Roberto de Souza com 12,5%, a Edson Garcia de Lima com 12,5%, a Dorvalino com 12,5% e Luis Ronaldo com 50%". Que o interrogado efetivamente pagou sua parte do capital social a Dorvalino que era quem havia negociado a compra. No contrato social, porém, constava o interrogado com 99% do capital social e Edson Garcia de Lima com 1%; Que a empresa, então, começou trabalhar da seguinte forma: O interrogado e José Roberto de Souza tinham como função comprar o gado em pé, o qual era trazido até o frigorífico situado em Ouroeste/SP. O produtor rural era orientado a fazer a nota de venda em nome da empresa de Macaúba denominada Norte Riopretense e Distribuidora São Paulo". Fl. 525DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 48 No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do Trabalho de Fernandópolis Proc. 380/2007, consta que: “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido de Ana Lucia Junqueira Francoproprietária da ora reclamada), Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza proprietária da ora reclamada), Dorvalino Francisco de Souza (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza proprietária da ora reclamada); 2. Que foi contrato em Maio de 2004 tendo trabalhado até 31 de Janeiro de 2006'; 3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham" em Guarulhos, Ouroeste, Fronteira, cuidando da parte de funcionário e andamento geral; que ia para todos os lugares que eles mandassem”. Apresentou DIRPF com rendas irrisórias nos exercícios de 2002 a 2007, que somadas não chegaram a R$ 115.500,00 , conforme ilustrado no quadro a fl. 185 do PAF 16004.000336/200919. Analisando, por amostragem, as contas bancárias da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificamse transferências de valores para as contas correntes do contribuinte José Roberto de Souza que ultrapassam a cifra de R$ 282.000,00 nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 185/187 do PAF 16004.000336/200919. Nos livros conta corrente (numerados n° 7.4) apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste em 05 de Outubro de 2006, constam registros de retiradas de Pro labore do citado sócio gerente, através da empresa Continental Ouroeste ltda, movimentação bancária na conta corrente 97073252 Banco Real Ag. MirassolSP. Na planilha a fls. 693/702 do Vol. IV do Anexo II do PAF 16004.000336/200919 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Edson Garcia de Lima, no período de janeiro/2004 a julho/2005, informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste ltda saíram os pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência. Conforme RMF 2008.1475 ao Banco Nossa Caixa, foi encaminhada cópias dos documentos solicitados relativo a agência 0540 Vila Maceno em S.J.R.Preto, conta corrente 04.001.5706 pertencente a empresa SP Guarulhos Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda – sucessora na Fraude, em continuação a Continental Ouroeste, onde se verifica através do cheque nº 918, de 08/05/2006, pagamento de Prólabore ao Sr. José Roberto de Souza, depositado em sua conta pessoal. Não restam dúvidas, portanto, que José Roberto de Souza participou efetivamente e diretamente da fraude, utilizando a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados, e a BR Fronteira com relação à mãodeobra, sem pagamento dos tributos devidos. As provas dos autos deixam claro que o Sr. José Roberto de Souza tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem Fl. 526DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 503 49 os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. 3.1.3.4. Luiz Ronaldo Costa Junqueira O contribuinte Luiz Ronaldo Costa Junqueira, participou efetivamente da fraude, estando a frente da administração das empresas Frigorífico Ouroeste Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal em Jales, disse que comprou 50% do Frigorífico Ouroeste, mas por ter problema no "CPF" registrou em nome de sua esposa e que não administrava o frigorífico e que raramente fazia retiradas. Todavia, a Fiscalização apurou a ocorrência de retiradas mensais em seu nome através do Livro Conta Corrente7.4, apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste, fls. 426 a 460 Volume III/ Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919, mediante cheques de pagamentos nominais a sua esposa Maria Cecília Podboy e/ou a seu pai João Francisco Naves Ribeiro (cheque n° 10607, fls. 479 confrontada com fls. 438verso do Livro n° 7.4 supra, e fls. 497/498 Volume III/Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919 ) A Fiscalização apurou que o citado contribuinte não possui conta bancária em nome próprio, o que explica os cheques nominais a seus familiares, e apresenta DIRF com patrimônio de R$ 4.000,00 e rendimento exclusivamente pago pelo seu pai Sr. João Francisco Naves Junqueira, conforme extrato a fl. 189 do PAF 16004.000336/200919 (fls. 2122/2136 Volume XI/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919), somando nos seis exercícios de 2002 a 2007 pouco mais de R$ 70 mil. Em seu interrogatório na Justiça Federal, afirmou que fez retiradas algumas vezes devido ao prejuízo da empresa, contudo no livro conta corrente apreendido no interior do Frigorífico Ouroeste em outubro de 2006, Verificamse retiradas mensais, no ano de 2005, do contribuinte na empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, cheques 10606, 10607 e 10784. Conforme documentos às fls. 1154 a 1155 Volume VI / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919, Luis Ronaldo Costa Junqueira recebeu benefício no período de Novembro de 2003 a Julho de 2005, a título de Capitalização, valores debitados no Banco Bradesco Ag. Ouroeste conta corrente 10770, da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Em diligência na empresa Viagem.com foi constatado passagem aérea em seu nome ida e volta S.J.R. PRETO S. PAULO, pagas pela empresa SP Guarulhos, recibo "TAM" emissão em 06 de Março de 2006. Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela Cristina Viegas Longo, a declarante afirma "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de Fl. 527DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 50 Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci". No depoimento prestado pelo reclamante Sebastião Pereira Junior na Vara do Trabalho de Fernandópolis Proc. 380/2007, consta que: “1. Que foi contratado por Luis Ronaldo Junqueira Franco (marido de Ana Lucia Junqueira Francoproprietária da ora reclamada), Jose Roberto de Souza (filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza proprietária da ora reclamada), Dorvalino Francisco de Souza (também filho de Maria de Lourdes Bazeia de Souza proprietária da ora reclamada); 2. Que foi contrato em Maio de 2004 tendo trabalhado até 31 de Janeiro de 2006'; 3. Que o depoente era gerente "olhando as firmas que eles tinham" em Guarulhos, Ouroeste, Fronteira, cuidando da parte de funcionário e andamento geral; que ia para todos os lugares que eles mandassem”. Luiz Ronaldo Costa Junqueira recebeu pro labore através da empresa interposta SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, com cheques nominais a esposa Maria Cecília P. Junqueira e seu pai João Francisco Naves Junqueira, conforme consta no Livro controle conta corrente item 7.2 , apreendido no Frigorífico Ouroeste Ltda, Ag. Nossa Caixa SJRPreto 05401, CC 040015706, fls. 260 a 353 Volume II/ Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919, como exemplo as fls. 271 ch. 953, fls. 276 ch. 1305, fls. 287verso ch. 1822, fls. 294verso ch. 1827, fls. 301 ch. 2569, fls. 305 ch. 2570 e 2844, fls. 313verso ch. 2 5 7 1 , fls. 322 chs. 3252 e 3255, fls. 324verso ch. 3253, fls. 329verso ch. 3254, fls. 342 chs. 4382 e 4383, fls. 346 ch. 4385, onde aparece anotado o nome do contribuinte constando a retirada de Prólabore. Idem para o livro item 7.3 Ag. Nossa Caixa Ouroeste 5355 conta 04 0003933, fls. 329 a 370Volume II / Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919, fls. 337, fls. 339verso, fls. 340verso, fls. 343, fls. 344, fls. 351 e fls. 357 todas do PAF 16004.000336/200919, onde também aparece anotado o nome do contribuinte constando a retirada de Prólabore e pagamento de despesa. Regularmente intimado na pessoa de seu procurador em 26.03.2008, não respondeu a citada intimação. Não restam dúvidas, portanto, que Luiz Ronaldo Costa Junqueira participou efetivamente e diretamente da fraude, utilizando a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, tornada inexistente de fato, a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados, e a BR Fronteira com relação à mãodeobra, sem pagamento dos tributos devidos. As provas dos autos deixam claro que o Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 504 51 3.1.3.5. Antonio Martucci O contribuinte Antonio Martucci participou diretamente na fraude, fornecendo o nome e trabalho nas empresas acima, entretanto com uma participação menor da administração dos negócios. Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admite que possuir participação tanto no Frigorífico Ouroeste Ltda quanto na empresa Continental Ouroeste Ltda, na razão de 12,5%. Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas não chegaram a R$ 92.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 195 do PAF 16004.000336/200919. Analisando, por amostragem, as contas bancárias da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificamse transferências de valores para as contas correntes do contribuinte Antonio Martucci que ultrapassam a cifra de R$ 41.000,00 nos anos de 2004 e 2005, conforme exposto na tabela a fls. 195 do PAF 16004.000336/200919. Conforme RMF 2007.2834 e 2842, Banco Nossa Caixa e Bradesco, foram solicitados e remetidos documentos relativos à movimentação bancária, onde se comprova os valores vindos da conta da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Apesar de poucas transferências, o Sr. Antonio Martucci admite que junto com o contribuinte José Roberto de Souza adquiria de 150 a 200 cabeças de gado por semana e que os mesmo eram abatidos e comercializados pelo Frigorífico Ouroeste Ltda,. (fls. 655 Volume I V / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919). Em Termo de Declarações prestadas a Polícia Federal em Jales, por Ângela Cristina Viegas Longo, a declarante afirma: "que os verdadeiros proprietários do frigorífico de Ouroeste, Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, na época eram Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luis Ronaldo, Roberto e Antonio Martucci". Portanto, está demonstrado que o contribuinte Antonio Martucci, participou efetivamente e diretamente da fraude, utilizando a empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, e o Frigorífico Ouroeste Ltda para comercialização de carne e produtos derivados sem pagamento dos tributos devidos. As provas dos autos deixam claro que o Sr. Antonio Martucci tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. 3.1.3.6. Oswaldo Antonio Arantes O contribuinte Oswaldo Antonio Arantes participou diretamente na fraude, fornecendo tanto capital quanto trabalho nas empresas acima. Era pessoa de confiança do Fl. 529DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 52 grupo e exercia efetivamente administração dos negócios, como gerente geral. Sua participação vai além de um simples empregado, mesmo que no cargo de gerente administrativo. Em seu depoimento à Polícia Federal de Jales admite ter comprado a parte da empresa Continental Ouroeste Ltda (99%) pertencente ao Sr. Antonio Martucci em 2003, pelo mesmo valor da constituição, mas como não conseguiu alterar o quadro social junto ao Fisco Estadual, foi devolvido pelo mesmo valor investido. Ressaltese que o contribuinte, mesmo após seu desligamento dos quadros sociais da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, continuou se apresentando e agindo como sócio da empresa, chegando a firmar Procuração "AD JUDICIA" para os advogados representarem a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, no processo trabalhista 989/20048 na Vara do Trabalho de FernandópolisSP, reclamante Élcio Benato, procuração com data de 28 de Novembro de 2004, portanto posterior a sua saída conforme alteração contratual em Agosto de 2004 (fls. 84/88 Volume 1/ Anexo 2 do PAF 16004.000336/2009 19). Apresentou DIRPF com rendas que, nos exercícios de 2002 a 2007, somadas ultrapassaram a cifra de R$ 167.000,00 nos seis anos, conforme ilustrado no quadro a fl. 197 do PAF 16004.000336/200919. Analisando, por amostragem, as contas bancárias da empresa Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, verificamse transferências de valores para as contas correntes do contribuinte Oswaldo Antonio Arantes que ultrapassam a cifra de R$ 425.000,00 nos anos de 2003 a 2006, conforme exposto na tabela a fls. 197/203 do PAF 16004.000336/200919. Conforme RMF n° 2007.2826 e 2842, 2850 e 2869, Bancos Brasil e Bradesco, verificase os valores recebidos pelo contribuinte em tela são oriundos das contas da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda. Conforme RMF n° 20081491 (Banco Bradesco), fls. 116 a 119 Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919, verificase valores recebidos pelo contribuinte oriundos das contas da SP Guarulhos (de novembro/2005 a março/2006), livro conta corrente 7.1, 7.2 e 7.3, onde constam pagamento de salário, férias e 13° salário, através de cheques nominais, que somam mais de R$ 300 mil, valores considerados como "plus salarial", pois na folha de pagamento da BR Fronteira, está formalmente registrado como gerente como salário de R$ 2.800,00. Na planilha a fls. 675/678 do Vol. IV do Anexo II do PAF 16004.000336/200919 estão relacionados os valores recebidos pelo Sr. Oswaldo Antonio Arantes, no período de fevereiro/2003 a outubro/2005, totalizando mais de R$ 400 mil, informando o valor e a data de cada transferência, bem como a origem de qual agencia e conta bancária da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda saíram os pagamentos, complementado por histórico resumida da transferência. Com base no acima exposto, fica claro que o contribuinte em tela tinha uma participação maior do que a de um simples empregado. Tinha poder de decisão, agindo e obtendo vantagens financeiras com sua conduta em benefício do Núcleo Ouroeste e em detrimento a Fazenda Pública. As provas dos autos deixam claro que o Sr. Oswaldo Antonio Arantes tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância Fl. 530DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 505 53 que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. 3.1.3.7. João Francisco Naves Junqueira O contribuinte João Francisco Naves Junqueira é pai do Srs. Luiz Ronaldo Costa Junqueira e José Ribeiro Junqueira Neto. Possui conta corrente em conjunto com o Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira, conta esta que foi utilizada para pagamento de parte do valor pago pelo Frigorífico Ouroeste Ltda em 2002. Foi beneficiário da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, constando diversas transferências de valores para suas contas correntes, documentos requisitados via RMF Requisição de Movimentação Financeira nº 1483 de 2008, fls. 461 a 466 do PAF 16004.000336/200919, ao Banco ABN AMRO REAL S/A Ag. Mirassol 783 conta 97073252, pelos cheques nominais depositados em sua conta pessoal, cuja soma ultrapassa a cifra de R$ 46 mil, em setembro e outubro de 2005, conforme discriminativo a fl. 205 do PAF 16004.000336/200919. Através das RMF Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira de n° 288 Banco HSBC, n° 289 Banco Santander Brasil e n° 290 Banco do Brasil (fls. 44 a 50 Vol. 1/Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919), restaram confirmados outros recebimento pelo contribuinte vindos da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, que somados ultrapassam R$ 420 mil, conforme planilha complementar dos valores recebidos, a fls. 697/698 do Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919. Foi beneficiário da interposta SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda, conforme se comprova através dos cheques n. 1822 e 1825 da Nossa Caixa S. J. R. Preto / Ag. 5401 c/c 04.0015706, ambos no valor de R$ 5.000,00 e datados de Dezembro de 2005, cheques 2570 e 2844 de Janeiro de 2006, cheque n. 3254 em Fevereiro, cheques n. 4383 e 4385 em Março de 2006, às fls. 493, 499, 528, 610 e 616 Volumes IV e V/Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919, sendo parte atribuído ao filho Luis Ronaldo, conforme constam no livro item 7.2, fls. 260 a 353 Volume II / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919. Planilha a fls. 2161/2163 do PAF 16004.000336/200919 informa, igualmente, os valores recebidos por João Francisco Naves Junqueira, mediante transferências bancarias / TED das empresas do núcleo Ouroeste totalizando em 2006 cerca de R$ 53.500,00. De todo o exposto, resta evidente que o contribuinte participou diretamente na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta em benefício do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública. As provas dos autos deixam claro que o Sr. João Francisco Naves Junqueira tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 54 3.1.3.8. José Ribeiro Junqueira Neto O contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto adquiriu 50% das instalações do Frigorífico Ouroeste Ltda e m 2002, através de seu procurador Luiz Ronaldo Costa Junqueira, Procuração esta outorgada em 30 de Janeiro de 2001, com poderes amplos e ilimitados. Na citada aquisição, os cheques discriminados são de emissão do Luiz Ronaldo da Costa Junqueira de uma conta conjunta com João Francisco Naves Junqueira, pai de ambos. Intimado e reintimado para esclarecer tal situação, respondeu, em 18.04.2008, que em 2002 outorgou procuração para seu irmão Luiz Ronaldo Costa Junqueira a fim de que adquirisse as instalações industriais do Frigorífico Ouroeste Ltda, visto que o mesmo teria problema com seu CPF na época (fls. 2234/2243 Volume XII/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919). Contudo a procuração apresentada pelo Sr. Luis Ronaldo Costa Junqueira em 2002, fls. 207 Volume I / Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919, é datada de 30 Janeiro de 2001, um ano antes da operação de compra das instalações, ocorrida em 2002. Quanto à assinatura no contrato pelo Luis Ronaldo Costa Junqueira, o mesmo o fez como procurador do contribuinte José Ribeiro Junqueira Neto, assumindo este todos os encargos decorrentes do negócio jurídico. Através das RMF Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira de n° 2889 (fls. 46 Volume I/Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919) Banco HSBC Bank Brasil S/A verificase o recebimento através da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda de mais de R$ 106 mil, conforme planilhas valores recebidos, fls. 699/700 do Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919, assim como a origem de qual agencia bancaria vieram os valores creditados ao contribuinte. No banco Nossa Caixa (RMF nº 147) verificase a transferência via TED de R$ 25.000,00 da conta corrente 04.001600 ag. n° 540, de titularidade da empresa SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda para a conta pessoal do Sr. José Ribeiro Junqueira Neto ag. 824 conta corrente 646598, conforme exposto a fls. 1081/1082 do PAF 16004.000336/200919 . Com base no acima exposto, fica claro que o contribuinte participou diretamente na fraude, fornecendo capital e recebendo vantagens financeiras com sua conduta em benefício do Núcleo Ouroeste, em detrimento da fazenda Pública. As provas dos autos deixam claro que o Sr. José Ribeiro Junqueira Neto tinha verdadeiro interesse jurídico comum, com as empresas autuadas, nas situações que constituem os fatos geradores da obrigação principal objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que implica a solidariedade tributária pelo adimplemento das contribuições ora lançadas, a teor do art. 124, I, do CTN. Conforme demonstrado, as pessoas ora abordadas utilizaramse de meio fraudulento para se ocultar aos olhos do Fisco, simulando uma “inexistência” de relação jurídica com as empresas autuadas. Tal “inexistência” de relação jurídica era apenas aparente, eis que a relação jurídica de fato existente encontravase dissimulada pela criação de Pessoas Jurídicas existentes somente no plano formal, presentes apenas no papel, que tudo aceita. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 506 55 Ocorre, todavia, que a fraude e a simulação deixam sempre rastros e vestígios que as denunciam. Produzem fatos, atos e sintomas que, quando conjugados aos fins pretendidos, e as circunstâncias do caso, revelam o caráter fictício ou imaginário de um ato jurídico fraudulento ou simulado. Em razão de tal acobertamento, tais defeitos da vontade declarada têm que ser provados através do conjunto de indícios e evidências que as operações realizadas na execução de tais esquemas vão deixando pelo seu caminho. Assim, pelos meios admissíveis em direito, nomeadamente, através de testemunhas, documentos, a experiência, os resultados alcançados, etc., a Fiscalização reúne os meios de prova relativos a esses fatos, indícios ou circunstâncias, e o Julgador, apreciandoos segundo o seu livre convencimento e prudente critério, conjugandoos com os fins pretendidos pelo Increpado, forma o seu juízo de convicção. As provas constantes dos autos são eloquentes, precisas e convergentes. Eloquentes, porque revelam, de maneira detalhada, todo o mecanismo arquitetado pelos seus idealizadores para a consecução dos fins pretendidos, consubstanciados na utilização de interpostas pessoas, constituídas em nome de “laranjas”, visando a encobrir os verdadeiros donos do empreendimento increpado, em detrimento da arrecadação tributária; Precisas, porque delas avulta, de maneira inequívoca, a participação intensiva e essencial dessas pessoas na condução dos negócios das empresas interpostas, na condução das operações representativas de fatos geradores de contribuições previdenciárias e na direção das empresas interpostas, como seus verdadeiros donos e controladores, acobertados por “laranjas”, bem como o recebimento dos benefícios decorrentes do empreendimento pesquisado. E são convergentes porque todas as provas documentais, depoimentos, indícios e rastros conduzem a essa mesma ilação. Em resumo, restou demonstrado que a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda e a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda são empresas interpostas, existentes tão somente no papel, e pertencem DE FATO ao Frigorífico Ouroeste Ltda, tendo como proprietários Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, José Ribeiro Junqueira Neto, Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco Naves Junqueira, não obstante o fato de a referida empresa ter sido aberta em nome de terceiras pessoas (interpostas/laranjas). Também a empresa Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda foi utilizada no esquema fraudulento para intermediar a contratação irregular da mão de obra empregada na atividade fim do Frigorífico Ouroeste Ltda. Restou cabalmente demonstrado, igualmente, que os Srs. Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, José Ribeiro Junqueira Neto, Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco Naves Junqueira foram os principais beneficiários das fraudes perpetradas pela fiscalizada, fraude essa que tinha por objetivo a transferência de responsabilidade tributária para terceiros que não tinham relação pessoal e direta com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sendo o Frigorífico Ouroeste Ltda e os seus reais proprietários os verdadeiros beneficiários econômicos da atividade empresarial empreendida pelo grupo, já que o produto da sonegação de tributos foi utilizado por eles para a aquisição de patrimônio, bem como para pagamento de despesas pessoais. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 56 Do exame da documentação coligida aos autos pela fiscalização, ante todos os elementos de prova então presentes, avulta existir entre as empresas autuadas, as interpostas empresas e as demais pessoas arroladas pela Fiscalização – Os Srs. Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, José Roberto de Souza, Antonio Martucci, Luiz Ronaldo Costa Junqueira, José Ribeiro Junqueira Neto, Oswaldo Antonio Arantes e João Francisco Naves Junqueira não apenas um mero interesse econômico, mas, com precisão, um interesse jurídico ostensivo, haja vista que todas as pessoas físicas e jurídicas arroladas pela fiscalização envidaram esforços significativos na atividade empresarial comum do grupo e na realização da situação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação principal objeto deste lançamento, e deles auferiram benefícios econômicos de diversas espécies, de onde se extrai a solidariedade entre eles por força do preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN. Nessas circunstâncias, são solidárias as pessoas que realizaram conjuntamente a situação que constitui o fato gerador, ou as que, em comum com outras pessoas, possuam relação econômica com o ato, fato ou negócio que deu origem à tributação, a teor do inciso I do art. 124 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Não procede, portanto, a alegação de que a autoridade lançadora imputou a responsabilidade solidária com o exclusivo fundamento de que os Responsáveis Solidários em apreço tinham procuração lhes outorgando poderes de gestão e administração das empresas Autuadas. Restou demonstrado que os devedores solidários tinham verdadeiros interesses jurídicos comuns na situação constitutiva do fato gerador das Contribuições Previdenciárias ora lançadas. Não procede também a alegação de que a responsabilidade solidaria em apreço só poderia ocorrer ante a verificação da insuficiência do patrimônio da pessoa jurídica e mediante prévio procedimento judicial de cognição com decisão transitada em julgado. Conforme assinalado, a Responsabilidade Solidária consignada no presente lançamento tem por fundamento jurídico de validade o preceito inscrito no inciso I do art. 124 do CTN. Nessa prumada, nos termos do Parágrafo Único do citado dispositivo legal, tal solidariedade tributária não comporta benefício de ordem, podendo o tributo devido ser exigido de um, de alguns ou de todos os devedores solidários em conjunto. Código Tributário Nacional Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 507 57 Registrese que a eleição do Sujeito Passivo a figurar no polo devedor da relação jurídicotributária é prerrogativa privativa da Autoridade Administrativa Fiscal, a teor do art. 142 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Conforme expressamente consignado no art. 121, I, do Código Tributário Nacional, considerase Contribuinte a pessoa obrigada ao pagamento do tributo que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da exação. Código Tributário Nacional CTN Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. No caso presente, a pletora documental presente nos autos demonstra que quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora lançado não eram as empresas “noteiras”, notadamente a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, mas, sim, os clientes dessa empresa “noteira”, in casu, o Frigorífico Ouroeste Ltda e os seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar do recolhimento de tributos. Da mesma forma, as provas aviadas nos autos revelam que quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora lançado não eram as interpostas empresas constituídas em nome de “laranjas”, existentes tão somente no papel, notadamente a Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, mas, sim, as pessoas que administravam, dirigiam e controlavam todas as operações dessas empresas, in casu, o Frigorífico Ouroeste Ltda e seus verdadeiros donos, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar do recolhimento de tributos. Revelase improcedente, igualmente, a alegação de que “Ainda que as Pessoas Físicas arroladas como devedoras solidárias fossem sócias das empresas autuadas, não seria o caso da pretendida responsabilização, pois ausentes os requisitos indispensáveis a Fl. 535DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 58 tanto, sendo a mesma de natureza subsidiária (artigos 134 e 135 do CTN) e quanto à responsabilidade pessoal, limitase aos atos praticados comprovadamente pelos sócios, com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos”. Conforme exaustivamente demonstrado, a responsabilidade dos devedores solidários no caso em apreço não se fundamenta em suposta responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos assentados nos artigos 134 e 135 do CTN, mas, sim, pelo interesse comum na situação constitutiva dos fatos geradores das Contribuições Previdenciárias ora lançadas, consoante inciso I do art. 124 do CTN. Não se trata, pois, de hipótese de responsabilidade subsidiária, como assim quer fazer crer o Recorrente, mas, sim, de Responsabilidade Solidária, a qual não admite qualquer benefício de ordem. 3.1.4. DAS RECEITAS DA CONTINENTAL OUROESTE CARNES E FRIOS LTDA Do Relatório Eletrônico da Polícia Federal extraise que a Distribuidora São Paulo é a principal empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para emissão de notas fiscais "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros frigoríficos e "taxistas" que desejam ocultar estas operações do fisco para não despertar suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento. Valder Antônio Alves (Macaúba) é o "cabeça" do esquema e o proprietário de fato e de direito da Distribuidora São Paulo, com 99% de participação no quadro societário, tendo amplo poder de decisão na empresa, contando com Maria dos Anjos de Medeiros como seu braçodireito. A folha de antecedentes criminais de Valder Antônio Alves é extensa: foi indiciado em oito inquéritos policiais e denunciado em dezesseis processos criminais, respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de fogo, crime contra a saúde pública, perigo para a vida ou saúde de outrem, além de cinco processos por sonegação fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde pública e três vezes por crimes contra a ordem tributária. Luzia de Jesus Gonçalves: "Laranja" com participação mínima de apenas R$ 10,00 na empresa, que permaneceu apenas cerca de um mês no quadro societário. Sua função era apenas emprestar seu nome para que não fosse necessário registrar a empresa como firma individual. Cláudia Regina Barra Moreno: "Laranja" que substituiu Luzia de Jesus Gonçalves na Distribuidora São Paulo, de modo que permanecesse viável o registro da distribuidora como uma sociedade limitada e não como uma firma individual. Cláudia chegou a ter apenas R$ 1,00 de participação, mas o valor foi alterado para os atuais R$ 500,00. No curso das investigações uma funcionária da distribuidora chegou a telefonar para Cláudia dizendo que se seu nome permanecesse inscrito nos serviços de proteção de crédito, Valder iria retirála da sociedade, colocando Vinícius dos Santos Vulpini em seu lugar. Maria dos Anjos de Medeiros (Nina), "Gerente" do esquema, é o braço direito de Valder Antônio Alves na Distribuidora São Paulo, gozando de ascendência em relação aos demais funcionários. Flagrada em vários diálogos negociando notas fiscais "frias" e Fl. 536DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 508 59 notas fiscais em branco da distribuidora para vários clientes da empresa. Cuida da movimentação de valores da organização em contas bancárias de "laranjas". Ana Cláudia Valente Fioravante é "gerente" da organização criminosa, embora subordinada a Maria dos Anjos de Medeiros. Flagrada em vários diálogos em que vende notas fiscais "frias" a clientes da Distribuidora São Paulo. Monique de Medeiros Venda: Também atua como "gerente", ocupando uma posição subalterna em relação a Maria dos Anjos de Medeiros e a Ana Cláudia Valente Fioravante. Na verdade executa tarefas de execução e não de gerenciamento propriamente dito, pois comanda os negócios, apenas anota pedidos de notas fiscais "frias" dos clientes do esquema. Em seu depoimento a Polícia Federal de Jales, a Ana Claudia Valente Fioravante diz: "... QUE perguntada qual é a atividade da distribuidora São Paulo informou ser tirar nota'; QUE perguntada se esta atividade é licita informou que achava que sim; QUE perguntada porque achava e não acha mais, respondeu que no sábado da semana passada a gerente da distribuidora, NINA, determinou que a interroganda levasse para sua casa as notas fiscais em branco que costumeiramente são preenchidas a posteriori por determinação de VALDER; QUE perguntada a razão pela qual deveria levar tais documentos para sua residência informou ao que sabe seu patrão, VALDER obteve informação de que haveria uma fiscalização na distribuidora.." Em suas declarações dadas na Delegacia da Receita Federal do Brasil , em 05.02.2007, a Ana Claudia Valente Fioravante disse ainda: "...Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa, foi apresentada uma relação à declarante, extraída dos arquivos magnéticos apreendidos na Distribuidora São Paulo, na qual constam os códigos dos "clientes" (compradores de notas) da Distribuidora São Paulo e dos frigoríficos onde eram realizados os abates. A declarante afirma, categoricamente, que a listagem corresponde com a situação de fato, ou seja, os códigos constantes da lista apresentada são os mesmos que ela utilizava na confecção das notas fiscais na Distribuidora São Paulo, (grifo nosso)..." Em outro trecho afirma: "....Com relação ao Código 36 (Dorvalino), o cliente era o Frigorífico Ouroeste, de propriedade do Sr. Dorvalino. Neste caso, a declarante afirma que confeccionava todas as notas fiscais (entrada, saídas e remessa para abate) na Distribuidora São Paulo. Recebia as informações do Frigorífico Ouroeste por fax....." Fl. 537DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 60 Foram localizadas grandes quantidades de Notas Fiscais, com valores de COMPRAS de R$ 7.358.757,00 no Ano Calendário de 2003 e R$ 22.056.508,02 no Ano Calendário de 2004, de R$ 25.373.884,00 no ano calendário de 2005, e de R$ 3.893.255,00 em 2006. Foram localizadas grandes quantidades de Notas Fiscais, com valores de VENDAS de R$ 10.224.336,85 no Ano Calendário de 2003, de R$ 21.607.292,85 no Ano Calendário de 2004, continuando essas vendas até Março de 2006. Após isso, foram intimados alguns clientes e fornecedores, no sentido de confirmar de quem realmente eles tinham comprado ou vendido produtos, e quem era a pessoa de contato. No tocante aos fornecedores (pecuaristas), a maioria indica como compradores os Srs. Edson Garcia de Lima e Dorvalino Francisco de Souza, sendo que alguns, ainda, indicaram o Sr. Antonio Martucci e o Sr. José Roberto de Souza (fls. 1310 a 1488 Volumes VII e VIII/ Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919). Quanto aos clientes, as pessoas responsáveis, apontadas, são os Srs. Dorvalino Francisco de Souza, Edson Garcia de Lima, Luiz Ronaldo Costa Junqueira e José Roberto de Souza (fls. 1489 a 1543 Volumes VII e VIII/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919). Os próprios envolvidos, Dorvalino Francisco de Souza e Edson Garcia de Lima, admitiram que compravam notas da Distribuidora São Paulo, sendo que um dos trechos do seu depoimento à Polícia Federal de Jales, o Sr. Edson, admite (fls. 647 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919): "...eu comprava notas do Macaúba (Valder Antonio Alves), porque do Oiapoque ao Chuí todos compravam notas dele..." No Termo de Interrogatório no Juízo Federal da 3ª Vara de São José do Rio Preto, as perguntas formuladas pelo MM. Juiz ao Sr. EDSON GARCIA DE LIMA, ele respondeu (fls. 652 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919): "que eu me recorde, o frigorífico Ouroeste passou a abater carnes para a SP Guarulhos o início de 2005; usando nota da São Paulo Distribuidora foi depois em 2006, para levar carne para Guarulhos”. A Fiscalização apurou, todavia, que, em 2005 era a Continental Ouroeste e não o Frigorífico Ouroeste que abatia gado para a SP Guarulhos. Ou seja, o próprio dono se confunde quando fala das suas empresas, pois conforme Boletim de Abate n° 001/2006, datado de 03 de Março de 2006 (assinado pelo sócio Luis Ronaldo como procurador), partir de então o Frigorífico Ouroeste começou abater; com a SP Guarulhos usando as notas frias da São Paulo Distribuidora a partir do ano de 2006. O Sr. Antonio Martucci, em seu depoimento à Polícia Federal de Jales afirma (fls. 655 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919): "... O interrogado e José Roberto de Souza tinham como função comprar o gado em pé, o qual era trazido até o frigorífico situado Fl. 538DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 509 61 em OuroesteSP. O produtor rural era orientado a fazer a nota de venda em nome da empresa de Macaúba denominada Norte Riopretense e Distribuidora São Paulo, porém como local de abate Frigorífico Ouroeste. Em seguida, a carne era vendida para o comércio da região com nota fiscal da Distribuidora São Paulo e Norte Riopretense. Quem ligava pedindo as notas a Macaúba era a secretária da empresa Gislaine. A Ouroeste informava Macaúba acerca do comprador final, para fins de que este fizesse a respectiva nota fiscal de venda em nome do mesmo..." Quando questionado acerca da frequência de compra de notas venda disse (fls. 655 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/200919): ..."Toda a produção seguia este procedimento, sendo que o interrogado negociava uma média de 150 a 200 cabeças de gado por semana. Questionado acerca do abate feito pelo outros sócios se utilizando do esquema, afirma que Dorvalino e Edson Garcia de Lima faziam vendas mais especificamente para o comércio de São José do Rio Preto, Guarulhos, Catanduva e Ourinhos. Eles abatiam muito mais cabeça que o interrogado com José Roberto de Souza, pois abatiam uma média de 450 cabeças de gado por semana..." Em seu Termo de Declaração a Polícia Federal de Jales, o Sr. Luiz Ronaldo Costa Junqueira Declarou (fls. 670/671 Volume IV/Anexo 1 do PAF 16004.000336/2009 19): "... logo que ficou sabendo dos fatos em apuração procurou por Edson, vulgo "EDÂO", sendo que Dorvalino estava preso, e EDÃO lhe informou que realmente, as vezes, compraram notas fiscais da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO, empresa esta de propriedade da pessoa vulgo "Macaúba", agora sabendo chamar Valder Antonio Alves; Que o declarante nunca teve qualquer negócio com "Macaúba"; Que, esclarece o declarante que questionou "EDÃO" porque comprara notas fiscais da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO, quando lhe informou que "tudo mundo faz isso" na falta notas fiscais..." Com base no acima exposto, fica evidenciado que o frigorífico Ouroeste se beneficiou do esquema fraudulento estruturado, com objetivo de comprar e vender produtos sem pagamento de tributos, em prejuízo da Fazenda Nacional. Merece ser destacado que no dia 15/05/2008 foi publicado no Diário Oficial da União, em sua Seção 1, n° 92, página 58, o Ato Declaratório Executivo n° 53, de 15/05/2008, em que o Delegado da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto declara INAPTA a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica "Distribuidora de Carnes e Derivados S ã o Paulo Ltda.", CNPJ n° 68.195.072/000175, com efeitos que valem a partir de 01/01/1999, o que torna INIDÔNEOS os documentos emitidos pela empresa desde então. (fls. 04 e 05 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919). Fl. 539DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 62 Também houve o cancelamento da Inscrição Estadual do contribuinte no Estado conforme processo nº 1000326358725/2007, publicado no D.O.E Diário Oficial do Estado, de 20/10/2007 (fls. 118 a 211 Vols. I e II / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919), onde o Fisco Estadual faz um Relatório minucioso de toda fraude realizada e as pessoas participante do esquema. A partir dos documentos apreendidos no interior do Frigorífico Ouroeste Ltda, pela Policia Federal de Jales – SP foi possível comprovar como operava o esquema de compras de notas frias pelo núcleo Ouroeste, na época como Continental Ouroeste, onde se pagava a TAXA de R$ 4,00 reais por cabeça de bovino abatido e faturado pela Noteira, mais um valor fixo de R$ 3.000,00 pelo custo operacional, a seguir demonstrado: · Cotejando as Notas Fiscais de Saída da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda emitidas, vinculadas ao cliente CÓDIGO 36 Dorvalino, em Setembro e Outubro de 2005 (fls. 63 a 104 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919); · Com a Relação de notas de saída Rem. p/ Abate – Vend. 36 (fls. 59 a 62 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919); · Com o controle em nome do Dorvalino ( fls. 54/57 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919), comprovase como operava o esquema de compras de notas, dos meses Setembro e Outubro de 2005 (fls. 58 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919), a seguir: Controle Setembro de 2005: Foram abatidos 4730 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante de R$ 18.920,00 que, somado à taxa de operação de R$ 3.000, 00 e a um crédito de R$ 330,00 decorrente de agosto/2005, dá um total de R$ 22.250,00, conforme memoria de cálculo a fl. 235. Do total apurado no mês de Setembro foi pago com o cheque do Banco Nossa Caixa nº 000068 ao vulgo "MACAUBA"/ Valder Antonio Alves, dono da noteira Distribuidora São Paulo, cheque da ag. 434 1 Bálsamo c/c 04.000.4602 da empresa SP Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00, prédatado para 13 de Novembro de 2005, restando saldo de R$ 7.250,00 para Outubro 2005 (fls. 58 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/2009 19). O Referido cheque foi solicitado ao banco via RMF Requisição de Movimentação Financeira nº 200802439, fls. 27 a 39 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919) onde se constata que foi emitido nominal a Leonardo Joaquim Derau Alves, irmão do MACAUBA (fls. 42/43 Volume I/Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919). Controle de Outubro 2005: Foram abatidos 4170 bovinos. A R$ 4,00 por cabeça, resulta num montante de R$ 16.752,00 que, somado à taxa de operação de R$ 3.000, 00 e a um crédito de R$ 7.250,00 decorrente de setembro/2005, dá um total de R$ 27.002,00, conforme memoria de cálculo a fl. 235 do PAF 16004.000336/200919. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 510 63 Foi pago com o cheque n. 000069 nominal a Distribuidora S. Paulo, cheque da ag. 4341 Balsano c/c 04.000.4602 da empresa SP Guarulhos, no valor de R$ 15.000,00, prédatado para 13 de Dezembro (fls. 40 / 41 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919). O 'código 36' vinculado nas notas, conforme declaração firmada na Delegacia da Receita Federal do Brasil por Ana Claudia Valente Fioravante funcionária da Distribuidora S. Paulo, "tratase do Cliente Frigorífico Ouroeste Dorvalino" (rodapé das Notas Fiscais a fls. 07/26 e 63/104 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919). Nas circularizações complementares realizadas nos Produtores Rurais, confirmase o vínculo ao "Código 36 Dorvalino /cliente Frigorífico Ouroeste", conforme respostas dos produtores e pelas cópias solicitadas e remetidas por diversos pecuaristas (fls. 31, 33, 38, 42, 44, 46, 59, 61, 64, 68, 75, 89, 91, 93, 95, 109, 112, 114, 117, 123, 125 e outras Volume I / Anexo 7 do PAF 16004.000336/200919). As vendas realizadas eram com notas frias da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, figurando como cliente a Continental Ouroeste (NF 32058) e demais notas a SP Guarulhos, esta, sucessora na fraude em continuação a Continental Ouroeste, conforme controle a fls. 59/62 Volume I / Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919, o que mais uma vez comprova a interposição dessas empresas com o real beneficiário Frigorífico Ouroeste Ltda. Conforme cópias das notas fiscais a fls. 1281/1288 Volume VII / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919, em nome da Distribuidora São Paulo CFOP 5101 vendas, destinadas a SP Guarulhos, verificase no centro da parte de baixo das notas a vinculação para o Código "36 Dorvalino" e a esquerda SPGUAR, relativas ao ano de 2006, com Certificado Sanitário assinado pelo médico veterinário Cledson L.F. Rezende, com registro formal na interposta empresa BR Fronteira. Com base nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, notas vinculadas ao cliente "36", e somente CFOP Código Fiscal de Operações e Prestações de compra, a Fiscalização apurou os valores devidos, conforme RL Relatório de Lançamentos levantamento PR1 e PR5. A Fiscalização constatou que todas as empresas da Operação Grandes Lagos que utilizavam notas fiscais de terceiras empresas, o local de abate era um dos "códigos" usados para identificar os frigoríficos usuários de tal documento. O esboço a fls. 133 Volume l/Anexo 5 do PAF 16004.000336/200919 delineia o modus operandi do esquema fraudulento, revelando, com clareza, que a empresa “noteira” apenas emite as notas fiscais da transação, mas o gado, a carne e o dinheiro são movimentados pelo frigorífico que usa dos seus "serviços". Os clientes dos "noteiros" pagam pelas notas fiscais "frias" emitidas a ordem de quatro reais por cabeça de gado bovino e três reais por cabeça de gado suíno. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 64 As interceptações telefônicas comprovam que, aos clientes mais fiéis, que tem movimento maior e gozam de maior confiança de Valder Antônio Alves, são enviadas caixas de formulários contínuos com notas fiscais em branco de suas empresas, que são preenchidas nas dependências das empresas que as adquirem, as quais acertam o pagamento pelos "serviços" de Valder posteriormente, dependendo do volume de gado negociado. Para evitar a prisão dos sócios por sonegação fiscal, as empresas do Grupo dos Noteiros não deixam de declarar ao fisco os tributos incidentes sobre suas operações simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual ação do fisco ou da Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens em seu nome. Na verdade, este era o desejo de todos os envolvidos neste esquema, isto é, que os lançamentos tributários ocorressem todos contra a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, pois esse foi o objetivo principal da sua criação, qual seja, o de suportar o ônus advindo das operações fiscais de seus clientes. Todavia, graças ao trabalho de inteligência da Policia Federal e ao suporte legal da Justiça Federal, que possibilitou a busca e apreensão de documentos, bem como a quebra de sigilo bancário, e consequentemente gerou a deflagração de operações no âmbito dos órgãos fiscalizadores, tanto federal como estadual, tornouse possível estabelecer a cada um dos sonegadores a sua real participação no esquema, de forma a permitir alcançar os valores base relativos à aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, e consequentemente as respectivas contribuições devidas à Seguridade Social. 3.1.5. DAS RECEITAS DA SP GUARULHOS DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS GIAS, transmitidas pela empresa ao Fisco Estadual, CFOP Código Fiscal de Operações e Prestações de Saídavendas (fls. 26/45Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919) a Fiscalização apurou receitas no ano calendário de 2005 no valor R$ 18.300.000,00 e de R$ 11.615.000,00 em 2006, também declaradas nas DIPJ 2005 e 2006 (fls. 67/72Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919). Com base nas Informações das Guias de Informação e Apuração do ICMS GIAS, transmitidas pela empresa ao Fisco Estadual, CFOP de compra, consta no ano calendário de 2005 o valor R$ 17.023.000,00, e de R$ 11.170.000,00 em 2006 (fls. 46 a 66 Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919). 3.1.6. DA COMÉRCIO DE CARNES E REPRESENTAÇÃO BR FRONTEIRA LTDA A Fiscalização que a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda se tratava de empresa interposta, constituída para fornecer somente mãodeobra às empresas do grupo Ouroeste, com o intuito de criar uma barreira entre os trabalhadores e os Frigoríficos para fugir das obrigações trabalhistas e fiscais (fls. 01 a 328Volumes I e II / Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919). Tal empresa funcionava, anteriormente, com razão social de: Comércio de Carnes e Derivados Rodrigues Bastos Ltda. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 511 65 A Fiscalização promoveu Diligências Fiscais na Rua C Treze nº 460 Bairro Cristiano de Carvalho endereço original da empresa Com. Carnes Rodrigues Bastos Ltda, encontrando funcionando no local um açougue, contudo, sem relação com a referida empresa. Efetuouse também diligência no endereço da sócia Sra. Aparecida Gonçalves Bastos Rodrigues Av. L 9 n° 493 Fundos Bairro Los Angeles, porém não existe a referida numeração, sendo o n° 379 o último numero da rua; vizinhos desconhecem a suposta sócia. Dentre os documentos apreendidos na Norte Riopretense Distribuidora Ltda (outra empresa que vende notas frias) constam extratos de pagamentos cópias de cheque para Maria Aparecida, a título de Honorários e Prólabore, sendo procurador da conta bancária o Sr. Alberto Pedro da Silva Filho vulgo "Beto Beleza", dono/controlador da filial em Sud Menucci da Norte Riopretense, frigorífico onde abatia gados, de onde avulta uma intensa interligação entre os grupos que se beneficiavam do esquema fraudulento, eis que ambos usaram a BR Fronteira para fraudar o Fisco. Explicase o referido pagamento de honorários, pois no período setembro/2004 a março/2005, todos os empregados da Rodrigues e Bastos (BR Fronteira) estavam trabalhando, com exclusividade, para o tomador Norte Riopretense Distribuidora Ltda frigorífico Sud Menucci S P , conforme GFIP e Notas Fiscais de Prestação de Serviço n° 113 a 119 (fls. 139 a 146 Volume I / Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919), que apesar de constar destaque de retenção de 11 % , não houve o recolhimento respectivo. Apurouse, também, o pagamento de aluguel de sala em Barretos correspondente ao endereço da Rodrigues e Bastos (fls. 155 a 160 Volume I / Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919). Concluise que os valores declarados por Maria Aparecida como recebidos de Pessoa Física, em sua declaração de Imposto de Renda, se referem a esses valores das cópias de cheques citados acima, pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" BR Fronteira. Consta no relatório da Policia Federal que Alberto Pedro da Silva Filho (Beto Beleza): “E o dono da filial Norte Riopretense na cidade de Sud Menucci, que opera de fato, sendo, portanto, o "cabeça" no esquema. Foi indiciado em três inquéritos e denunciado em quatro processos criminais. Respondeu por estelionato e perigo para a vida ou saúde de outrem” No depoimento de Maria Aparecida na Vara do Trabalho de Fernandópolis, ela confirma que a empresa Br Fronteira, da qual é sócia, funciona unicamente como interposta 'empresa de aluguel' , para esconder os verdadeiros empregadores, com intuito de fraudar direitos trabalhistas e sonegar impostos. Concluise que a sócia não possui condições financeiras para gerir uma empresa. É pessoa interposta do Grupo Ouroeste com relação ao período de Novembro de 2005 a Dezembro de 2006. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 66 Aparecida Gonçalves Bastos Rodrigues é irmã da outra sócia Roseli Gonçalves Bastos. Diligência realizada na Rua 14 nº 4120 Bairro Ibirapuera, endereço constante dos dados da Declaração do DIRPF exercício de 2008 da outra sócia da empresa, Sra. Roseli Gonçalves Bastos, revelou que, no local, reside sua mãe, que nos informou que a Roseli reside atualmente na Rua 12 nº 4041 Fundos no mesmo bairro, e trabalha de empregada doméstica para Juliana Fone 17 33251428 em Barretos. O Bairro Ibirapuera tratase de um bairro popular, com casas bastante modestas. No citado local não foi encontrada a Sra. Roseli, porém vizinhos confirmaram que ela trabalha ali como empregada doméstica. A sócia Roseli apresentou declaração do imposto de renda de 2008 com receita de R$ 6.970,00 recebidos de Pessoa Física. A sócia Aparecida apresentou declaração do imposto de renda de 2008 com receita de R$ 4.470,00 recebidos de Pessoa Física. Não foi localizada qualquer remuneração a título de pro labore declarada em GFIP vinculada a empresa BR Fronteira, desde sua constituição. Seus vínculos no sistema CNIS são sempre como empregada, sendo o último em uma empresa em Barretos com rescisão em 24/03/2004, com salário em torno de R$ 500,00. Assim como Aparecida, sua irmã e sócia, deduzse que os rendimentos declarados como recebidos de Pessoa Física no Imposto de Renda, se referem a remuneração pelo "aluguel de seu nome" na "empresa de papel" BR Fronteira. Concluise que as sócias não possuem condições financeiras para gerirem uma empresa, sendo pessoas interpostas/colaboradoras do Grupo Ouroeste com relação ao período de Novembro de 2005 a Dezembro de 2006. Diligência Fiscal realizada na Av. Minas Gerais 50 A, cidade de Fronteira/MG local atual do domicilio fiscal da BR Fronteira, revelou que no local funciona um Posto de Gasolina do Sr. Reinaldo Gonçalves Chaves. De acordo com o relato da filha do Sr. Reinaldo, uma das salas no local foi alugada para uma pessoa que se apresentou como proprietário da empresa Br Fronteira (não sabe o nome), sem contrato de locação, tendo sido depositado o valor combinado na conta corrente do Sr. Reinaldo durante aproximadamente três meses, e que no local nunca funcionou a suposta empresa, sendo que essa pessoa nunca mais apareceu no local. Ela informou que foi o contador Sr. Osvaldo escritório contábil Contexp, quem apresentou no posto a referida pessoa. No endereço do escritório contábil CONTEXP situado na Avenida da Matriz n. 103 Fronteira – MG, a Fiscalização foi atendida pelo Sr. Osvaldo que informou que foi procurado por uma pessoa chamada "Júnior", com intenção de transferir uma empresa para a cidade, e o contratou para efetuar o registro na Junta Comercial de Minas Gerais e Prefeitura local. Apresentou uma pasta contendo alguns documentos da referida empresa e que essa pessoa nunca mais retornou ao escritório. Dentre tais documentos consta: a) 3ª alteração do contrato social da empresa Com. de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda (fls. 105/106 Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919), onde se verifica que em 22/11/2005, a BR Fl. 544DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 512 67 Fronteira alterou seu endereço para Fronteira MG à Av. Minas Gerais nº 50 A e razão social para Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira, com CNAE: 10.11/01 Frigorífico abate de bovinos, local onde funciona um Posto de Gasolina. A Fiscalização apurou que na mesma data (novembro/2005) todos os vínculos dos empregados da Continental Ouroeste foram transferidos para a BR Fronteira. Portanto a alteração não foi mera coincidência. No depoimento na Vara do Trabalho de Fernandópolis, como testemunha do reclamante Sebastião G. Junior, a sócia Maria Aparecida declarou que a mudança do endereço para Minas Gerais foi a pedido do Frigorífico Ouroeste Ltda. b) Cópias autenticadas de documentos pessoais das sócias; c) Bilhete onde consta a pessoa de contato que alugou a sala da empresa em Fronteira: Sebastião Gandolfi Jr RG: 12.515.046 CPF: 040.310.97875 e endereço comercial a Rua Cel. Spinola de Castro 4900 apto 152 Ed. Panorama Center Centro em São José do Rio Preto – SP (fls. 109/Anexo IV do PAF 16004.000336/200919), sendo que este apartamento pertence a Dorvalino, sócio de fato do Frigorífico Ouroeste Ltda. "Junior", ou Sebastião Guandolfi Junior, gerente de compras e vendas do Frigorífico Ouroeste, trabalhou até 31.12.2006, com vínculos pela BR Fronteira (registrado em 01/10/2006). Este impetrou na Vara de Trabalho de Fernandópolis ação trabalhista, Proc. n° 380/2007 contra o Frigorífico Ouroeste, tendo sentença favorável, onde a justiça determinou anotação do vínculo no período de 01/11/2004 a 31/12/2006, pelo tomador de serviço. O contador em Fronteira MG, Sr. Osvaldo, informou ainda que Sebastião Gandolfi Jr. teria uma casa /rancho na margem do Rio Grande onde se situa a Cidade de Fronteira/MG, na divisa entre os Estados de São Paulo de Minas Gerais, e que conhecia o local, pois abastecia seu veículo no referido Posto de Gasolina em Fronteira/MG, daí alugou a referida sala. Através do Ofício DRF/SJR/SAFIS/N. 168, de 08 de Novembro de 2007, a Receita Federal solicitou ao Posto de Fiscalização de Minas Gerais sobre a situação da BR Fronteira, sendo respondido que em diligência na Av. Minas Gerais n. 50 Fronteira MG NÃO foi encontrada a empresa. Em consulta ao Sistema, também NÃO foi encontrada inscrição do contribuinte no estado de Minas Gerais (fls. 110 a 113/Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919). De todo o exposto avulta que a Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda nada mais era do que uma interposta empresa da Frigorífico Ouroeste Ltda, integrada ao esquema fraudulento para intermediar a mão de obra utilizada na execução da atividade fim da Autuada. Senão, vejamos: Em 01/09/2005 foi simulado um contrato de prestação de mãodeobra entre a Rodrigues Bastos (atual Br Fronteira) e para a SP Guarulhos, a fls. 681/683 do PAF Fl. 545DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 68 16004.000336/200919. Na mesma data, a SP Guarulhos firmou contrato de locação comercial, equipamentos e ferramentas com o Frigorífico Ouroeste, a fls. 675/680 do PAF 16004.000336/200919, destinado à exploração do ramo de frigorífico; Na sequência, em 30 de outubro de 2005, a Br Fronteira firmou contrato de prestação de serviços gerais em frigorífico com a Continental Ouroeste, para fornecimento de mãodeobra, de no mínimo 120 trabalhadores, para o período de 01/11/2005 a 31/12/2007, a fls. 684/688 do PAF 16004.000336/200919. Conforme anotação no Livro Registro de Empregados de n° 05, a fls. 303 Volume II / Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919, a partir de 01/11/2005 ocorreu a transferência de todos os empregados da Continental Ouroeste para a Br Fronteira, continuando a prestação de serviço, sem interrupção, assumindo esta, assim, todo o passivo trabalhista da Continental Ouroeste. Tal fato é confirmado também pelos Termos de Rescisão de contrato de Trabalho, a fls. 114 a 138 Volume I / Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919). Dessa "prestação de serviços" simulada e simultânea para a SP Guarulhos e Continental Ouroeste, porém, de fato, para o Frigorífico Ouroeste Ltda, a Br Fronteira NÃO emitiu qualquer nota fiscal, pois conforme talões retidos, a última nota emitida foi a de nº 119, a fls. 145 Volume I/Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919, para uma outra empresa envolvida nas fraudes detectadas pela operação 'Grandes Lagos', a “noteira” Norte Riopretense, nota fiscal datada de 31 de Março de 2005, o que comprova a simulação contratual. A declaração prestada por Maria Aparecida, sócia da Br Fronteira, na Vara de Fernandópolis, confirma a fraude: “Que os empregados contratados eram selecionados pelo Frigorífico Ouroeste; Que os pagamentos da depoente eram realizados pelo gerente Sr. Osvaldo Arantes; Que todas as obrigações trabalhistas e previdenciárias eram pagas pelo Frigorífico Ouroeste; Que não conhece Fronteira e nem o Frigorífico Ouroeste; Que o aluguel da sede da empresa em Fronteira também era pago pelo Frigorífico; O Sr. Osvaldo Arantes trazia todos os documentos em Barretos para serem por ela assinados; Que o Sr. Sebastião Gandolfi Júnior, apesar de estar registrado na Br Fronteira, era empregado como gerente geral do Frigorífico Ouroeste Ltda; o contrato teve vigência ate final de 2006; Que o Frigorífico Ouroeste não honrou o compromisso mensal assumido, pelo "aluguel do nome" , não efetuando todos os pagamentos combinados, pagou somente os três primeiros meses. Concluise que a Comércio e Representações BR de Fronteira Ltda é mais uma Pessoa Jurídica INTERPOSTA do Frigorífico Ouroeste Ltda, para fornecimento irregular de mão de obra empregada na sua atividade fim, formandose o vínculo diretamente com o tomador do serviço, conforme Súmula nº 331, do TST. 3.1.7. DO FRIGORÍFICO OUROESTE LTDA Fl. 546DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 513 69 Mediante Diligência Fiscal realizada no endereço onde funciona o Frigorífico Ouroeste Ltda, a Fiscalização obteve diversos documentos das empresas interpostas envolvidas no esquema em debate, comprovando, uma vez mais, que o Frigorífico Ouroeste detinha todo o controle da mãodeobra utilizada nas empresas do grupo e que assumia integralmente os riscos da atividade econômica praticada: · Cartões de ponto da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda período de Julho de 2003 a Abril de 2005; · Holerites de Janeiro a Outubro de 2005 da Continental Ouroeste; · PPRA datado de 01/09/2003 e 06/2005 da Continental Ouroeste; · Holerites de Novembro de 2005 a 13º salário de 2006 da Comercio de Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda; · Cartões de ponto de Maio de 2005 a Dezembro de 2006 da Comercio de Carnes de Representação BR de Fronteira Ltda e 45 Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho; · Cartões de ponto e rescisões do próprio Frigorífico Ouroeste Ltda. Constatase que os Cartões de Pontos estão todos em nome do Frigorífico Ouroeste, constando o CNPJ 05.270.758/000163 da Continental Ouroeste, porém os empregados estão com vínculos na BR Fronteira conforme se comprova pelos recibos de pagamentos arrolados, por amostragem, a fls. 257/259. A Fiscalização constatou que os empregados, e até outros profissionais que trabalhavam no esquema se confundiam para qual empresa prestavam serviço, sendo emblemáticos os Atestados de Saúde Ocupacional, assinados pelo Médico do Trabalho, datados de 2006, nos quais consta como empregadora a Continental Ouroeste, porém já os empregados estavam registrados na BR Fronteira. Também comunicação do Técnico de Segurança do Trabalho, datada de 22 de 20 de Janeiro de 2006. No Livro 7.1, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, que controla a conta corrente n° 08904, do Banco Bradesco Ag. 17604 Ouroeste, a Fiscalização apurou o registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas competências outubro e novembro/2005 a funcionários registrados na Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (até competência outubro/2005), e a trabalhadores já registrados na Br Fronteira (desde Novembro/2005) conforme ilustrado a fls. 109/113Volume I / Anexo 3 do PAF 16004.000336/200919. O mesmo ocorre em relação ao Livro 7.3, controle da conta corrente n° 04 0003933, do Banco Nossa Caixa Ag. 5355, pertencente à interposta empresa SP Guarulhos, a Fiscalização apurou o registro de pagamento de férias e rescisões de contrato de trabalho nas competências dezembro/2005 a junho/2006 a funcionários já registrados na Br Fronteira, conforme exposto a fls. 329/370 Volume II / Anexo 4 do PAF 16004.000336/200919. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 70 A Fiscalização apurou a ocorrência de um frenético rodízio dos vínculos trabalhistas, conforme extraído do banco de dados corporativo telas RAIS e CNIS – Fonte GFIP / Dados do Trabalhador: Diversos trabalhadores foram inicialmente contratados pelo Frigorífico Ouroeste Ltda. em Agosto/2002 e desligados em Setembro/2002. Na sequência, foram recontratados pela Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda (LRE a fls. 93/313 Vols. I e II / Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919) no dia posterior ao desligamento do Frigorífico Ouroeste Ltda, permanecendo com vínculos no Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda até Outubro/2005. Em Novembro/2005 os mesmos empregados foram transferidos para a empresa Rodrigues Bastos, atual Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, permanecendo nesta empresa interposta até Dezembro/2006. Merece ser citado que, nos vínculos com a empresa Rodrigues Bastos/Comércio de Carnes e Representação BR de Fronteira Ltda, constam como data de admissão a mesma que consta na Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, confirmando, portanto, que a BR Fronteira assumiu todo o passivo trabalhista desses empregados, conforme consta no Livro Registro de Empregados nº 05 da Continental Ouroeste, a fls. 303 Vol. I / Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919. “Coincidentemente”, após a deflagração ação da Polícia Federal os vínculos desses empregados retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando nas FRE Fichas Registro de Empregados a assunção pelo Frigorífico Ouroeste Ltda de todo o passivo trabalhista, desde suas admissões no Frigorífico Ouroeste em 2002, na Continental Ouroeste ou na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira Ltda. (fls. 703 a 781Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919 ). Aditese que em 2007 o Frigorífico Ouroeste Ltda solicitou à Caixa Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados que prestaram serviços ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela GFIP da competência Janeiro/2007, a fls. 805 a 820 do PAF 16004.000336/200919 , onde constam as reais datas de admissão dos empregados pelo Frigorífico Ouroeste, confrontada com os contratos de trabalho, a fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/200919. Tais fatos demonstram, cabalmente, que os trabalhadores em questão sempre estiveram na órbita de subordinação do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos, sendo por estes remunerados, mesmo que por intermédio das interpostas pessoas acima citadas, estando todos empenhados na execução da atividade fim da Autuada. Tais empregados estão todos nominalmente identificados conforme Livros Registros de Empregados n° 01 a 05 da Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, a fls. 90 a 314 do Anexo 2, assim como na Folha de Pagamento da Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, de Junho a Dezembro/2006 Anexo 4, fls. 163 a 328, e no Anexo 6 Vínculos dos Trabalhadores, a fls. 01 a 405 Vol. I a III do PAF 16004.000336/200919 . Presentes, portanto, todos os requisitos essenciais caracterizadores da relação de segurado empregado assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Resta comprovada, portanto, toda a simulação empreendida pelas empresas integrantes do grupo Ouroeste nos negócios por ela praticados, uma vez que a Continental Ouroeste, a SP Guarulhos e a BR Fronteira apenas aparentemente figuravam como contribuinte, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária o 'Frigorífico Ouroeste Ltda', o qual, assumindo de fato todos os riscos da atividade econômica com Fl. 548DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 514 71 finalidade lucrativa, dirigia, ordenava e administrava toda a prestação de serviço de maneira não eventual, assalariava os empregados a seu serviço, chegando a assumir, com a deflagração da ação pela Policia Federal, todo o passivo trabalhista, previdenciário e fiscal referente a tais trabalhadores, estando presentes os requisitos que os qualificam como seus empregados – subordinação jurídica, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade , conforme disposições inscritas no art. 12 da Lei n° 8.212/91 e art. 3º da CLT, sendo nulo o vínculo fixado através das interpostas empresas Br Fronteira e SP Guarulhos, conforme art. 9º da CLT. Não procede, portanto, a alegação de que a Fiscalização não teria logrado comprovar a existência dos requisitos dos vínculos empregatícios entre os funcionários das empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda., SP Guarulhos Ltda. e BR Fronteira Ltda. e a Autuada. A existência do vínculo laboral de empregado e do vínculo previdenciário de segurado empregado houve por reconhecida e consignada pelas próprias empresas Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda ao registrarem tais trabalhadores em seus Livros de Registro de Empregados e em suas Folhas de Pagamento, da mesma forma, pela declaração espontânea de tais segurados em suas GFIP. A declaração em GFIP e o registro nos LRE e nas Folhas de Pagamento fazem prova de per se da efetiva existência das relações de emprego e do vínculo de segurado empregado, circunstância que torna despicienda a demonstração por parte do Fisco. De outro eito, demonstrado e comprovado que tais empresas existiam tão somente no papel, constituídas em nome de “laranjas”, se configurando, nada mais, do que meras empresas interpostas pelo Frigorífico Ouroeste Ltda com o sinistro intuito de ocultar, perante o Fisco, os verdadeiros beneficiários da atividade econômica praticada, com a intenção de eximirse dos pagamentos de tributos pelos quais seriam responsáveis, tais vínculos trabalhistas e previdenciários se consolidam na responsabilidade do verdadeiro empregador, eis que, em realidade, todos esses trabalhadores envidam seus esforços na realização da atividade fim da Autuada, a qual detém todo o poder de chefia e de comando de acerca do que fazer, quem fazer, como fazer, onde fazer, quanto fazer e quando fazer, além do poder de controle sobre o serviço realizado, da admissão e da dispensa dos trabalhadores, mesmo sem justa causa. Todos trabalham, efetivamente, objetivando atingir as metas determinadas pelos verdadeiros donos do empreendimento, ordenados pelas normas de conduta por eles impostas. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) Fl. 549DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 72 II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). Na realidade nua dos fatos, todos trabalham efetivamente buscando atingir os objetivos traçados pelo Frigorífico Ouroeste Ltda e pelos seus verdadeiros donos, de acordo com as diretrizes, normas de conduta e controles por eles idealizados, de onde dessai a essência da subordinação jurídica. Existindo tais empresas interpostas apenas no papel, sendo constituídas em nome de “laranjas”, deflui que toda a remuneração dos trabalhadores em apreço é debitada do patrimônio dos verdadeiros donos do empreendimento ora em foco, de onde avulta a onerosidade na prestação dos serviços à responsabilidade da Autuada. Tais trabalhadores encontramse nominalmente registrados nas Folhas de Pagamento e nos Livros de Registro de Empregados, além de terem sido declarados em GFIP, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa Autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação, circunstância que denota a natureza intuitu personae da relação jurídica materialmente celebrada entre a Autuada e o trabalhador. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral do Frigorífico Ouroeste Ltda e de seus verdadeiros donos os quais, além do encargo de adquirir animais de corte, de proceder ao abate e processamento de tais semoventes, captar clientes no mercado para a comercialização de sua produção, contratar a emissão fraudulenta de notas fiscais frias, ainda admite e remunera os trabalhadores responsáveis pela execução de tais serviços, e assume em seu patrimônio inercial os eventuais prejuízos decorrentes da atividade econômica. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da Autuada se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 515 73 Também não procede a alegação de que seria indevido o lançamento a partir da desconsideração da personalidade de outras empresas. Em primeiro lugar, registrese que no presente caso, o lançamento não se fundamentou em suposta desconsideração de personalidade jurídica das interpostas pessoas, mas, tão somente, no princípio da realidade dos fatos sobre a formalidade dos atos. Com efeito, a atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais sejam representativos de constituição de pessoas jurídicas em nome de sócios distintos do quadro societário da Autuada, as provas dos autos revelam que tais sócios figuram, tão somente, como “laranjas” dos verdadeiros donos do empreendimento fraudulento, os quais detém todo o poder de comando, ordenamento e controle das atividades praticadas em cada empresa, e no âmbito geral do grupo por elas constituído. Muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos Fl. 551DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 74 constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente ou de desconsiderar a personalidade jurídica das empresas envolvidas. Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 516 75 Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Fl. 553DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 76 Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFLS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos Fl. 554DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 517 77 de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls. 9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 78 I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados, assim como a desconsideração da personalidade jurídica das empresas envolvidas. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre a Autuada e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Não procede, portanto, a alegação de que “a Fiscalização promoveu o lançamento a partir dos valores consignados em Folhas de Pagamentos, extratos e GFIP dos quais Edson Garcia de Lima, Dorvalino Francisco de Souza, Jose Roberto de Souza, Oswaldo Antonio Arantes e Antonio Martucci não tiveram acesso, não foram partes, não foram intimados da relação processual, não figuram no Polo Passivo, olvidandose que as pessoas acima não podem suportar o ônus do lançamento de tributos de interesse de outra pessoa jurídica, sobretudo por não terem direito/dever de manterem e apresentarem a contabilidade de outrem”. Conforme acima demonstrado, o Frigorífico Ouroeste Ltda e seus verdadeiros donos detinham todo o poder de organização, administração, direção e controle sobre todas as operações e negócios realizados pelas empresas interpostas, as quais foram constituídas em nome de “laranjas”, e existentes tão somente no papel, para acobertar os verdadeiros responsáveis tributários pelas obrigações decorrentes das operações praticadas no âmbito dos negócios pelo grupo econômico de fato ora em foco. Tanto é assim que, após a deflagração da ação da Polícia Federal, os vínculos dos segurados empregados em questão retornaram para o Frigorífico Ouroeste Ltda, constando nas FRE Fichas Registro de Empregados a assunção pelo Frigorífico Ouroeste Ltda de todo o passivo trabalhista, desde suas admissões no Frigorífico Ouroeste em 2002, na Continental Ouroeste ou na Rodrigues e Bastos / BR Fronteira Ltda. (fls. 703 a 781Volume IV/Anexo 2 do PAF 16004.000336/200919). Corrobora tal entendimento o fato de, em 2007, o Frigorífico Ouroeste Ltda ter solicitado à Caixa Econômica Federal a UNICIDADE DO FGTS de todos os empregados que prestaram serviços ao Grupo Ouroeste desde 2002, fato este que pode ser comprovado pela GFIP da competência Janeiro/2007, a fls. 805 a 820 do PAF 16004.000336/200919, onde constam as reais datas de admissão dos empregados pelo Frigorífico Ouroeste, confrontada com os contratos de trabalho, a fls. 791 a 804 do PAF 16004.000336/200919. Assim, com espeque no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, os efeitos dos atos jurídicos simulados, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo, houveramse por desconsiderados pela Autoridade Administrativa Fl. 556DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 518 79 responsável pelo lançamento, restabelecendose assim a conexão do fato gerador da Contribuição Previdenciária ao seu verdadeiro responsável tributário, in casu, a Autuada. Conforme se extrai dos fatos expostos anteriormente, o Frigorífico Ouroeste Ltda foi a titular de fato de todas as operações de aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, realizadas pelo cliente n° 36 da lista de "vendedores" da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, como também por intermédio das interpostas pessoas SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, assim bem como a verdadeira empregadora dos trabalhadores registrados, formalmente, nos LRE das empresas interpostas acima citadas e na Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, configurandose o Frigorífico Ouroeste Ltda como a Contribuinte de fato dos tributos incidentes sobre tais fatos geradores. Acontece que a Fiscalização apurou que o Frigorífico Ouroeste Ltda não declarou em suas GFIP os valores referentes à aquisição de produtos rurais correspondentes àqueles acobertados pelas empresas “noteiras”, muito menos os segurados empregados formalmente registrados em empresas interpostas existentes só no papel, no período compreendido no presente lançamento. Na mesma toada, também a sua escrita fiscal não registra tais operações comerciais e demais fatos geradores. Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que a Fiscalização inscreva de ofício a importância reputada como devida, mesmo que mediante a apuração, por aferição indireta, das bases de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional Fl. 557DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 80 do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Assim, considerando todo o conjunto probatório carreado ao presente processo, restou demonstrado que o vertente Auto de Infração de Obrigação Principal não se houve por lavrado apenas com base em indícios, suposições ou presunções. A fiscalização demonstrou, mediante minucioso procedimento investigativo, em conjunto com a Policia Federal, e sob os olhares da Justiça Federal, a ocorrência material dos fatos jurígenos tributários que integram o vertente lançamento, não logrando o Recorrente produzir os meios de prova hábeis a desconstituílo. Não procede, igualmente, a alegação de que não houve fraude tributária. A fraude se manifesta na volitiva e consciente utilização de empresas “noteiras”, que realizavam em seu nome e sob sua responsabilidade tributária, sob o falso manto de legalidade, e mediante uma taxa proporcional à operação dissimulada, as operações de terceiros de compra e venda de produção rural, e movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de impedir, total ou parcialmente, na seara da responsabilidade dos titulares de fato das citadas operações comerciais a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude tributária se consuma, portanto, com o emprego de ardis e estratagemas visando a ludibriar o Fisco, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Fossem tais operações formalmente registradas sob a responsabilidade tributária da Autuada, como materialmente, de fato, eram, esta teria que arcar com os encargos previdenciários incidentes sobre a comercialização da produção rural. De outro canto, sendo tais operações registradas sob a responsabilidade tributária de empresas noteiras, as quais foram constituídas como sociedades por cotas de responsabilidade limitada, com capital social irrisório, e cujos sócios nenhum bem possuíam em seus nomes, a execução fiscal do crédito Fl. 558DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 519 81 correspondente mostrase improfícua, como por diversas vezes assim se mostrou, resultando em flagrante prejuízo patrimonial para Fisco, que não conseguiu, por inúmeras vezes, realizar o seu crédito tributário. Reforça a compreensão acerca da existência de fraude o fato de a empresa “noteira” cobrar uma taxa pela emissão da nota fiscal “fria”, proporcional à operação dissimulada, e ser constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, mediante a utilização de sócio “laranja” com participação ínfima no capital social, o qual, por sua vez, também se revelava irrisório em comparação à movimentação financeira registrada, e que tais sócios não possuíam qualquer bem patrimonial em seus nomes, de maneira que qualquer execução fiscal ajuizada pelo Fisco se revelava improfícuo, em razão da ausência de patrimônio para honrar o crédito tributário reclamado. A fraude se encontra presente, igualmente, no ato de criação de Pessoas Jurídicas fictícias, constituídas em nome de “laranjas”, objetivando ocultar dos olhares do Fisco as pessoas efetivamente responsáveis pelas operações empresariais realizadas pelo empreendimento fraudulento ora em tela, frustrando, assim, o adimplemento das Contribuições Previdenciárias devidas à Seguridade Social. Tal conduta consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. Mediante tais condutas, a Autuada e seus verdadeiros donos ardilosamente omitiram fatos geradores de contribuições previdenciárias da contabilidade e das GFIP de sua responsabilidade tributária, ao mesmo tempo em que promoveram prejuízo patrimonial ao erário, que não conseguiu realizar o seu crédito. Nestes casos, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de investigação policial e de Fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tiveram condições a Policia Federal e a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar das empresas noteiras para assumir, aparentemente, a titularidade e responsabilidade das suas operações de comercialização de produção rural, e ao atribuir às empresas interpostas, constituídas em nome de “laranjas”, a responsabilidade pelas operações atávicas à sua atividade empresarial, a Autuada não efetuou qualquer declaração desses Fatos Jurígenos Tributários nos títulos próprios de sua contabilidade, tampouco em suas GFIP, excluindo dessarte da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da ocorrência desses fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 559DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 82 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Assim, estando as empresas “noteiras” e os seus “clientes”, dentre as quais, a Autuada, assim como as interpostas Pessoas Jurídicas, mancomunadas no fim específico de fraudar a Administração Tributária e de sonegar tributos, caracterizada também se revela a existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude, da sonegação e do conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Mas não é só. Há mais !!! O caso em tela também é representativo de simulação. Aqui, o ato jurídico real é deliberadamente dissimulado, recebendo a maquiagem de um ato aparente legal, a fim de representar externamente perante terceiros, in casu, o Fisco, uma outra realidade que não aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum resultado econômico favorável. Na definição de Clóvis Beviláqua, citado por Silvio Rodrigues (in Direito Civil Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado”. Segundo Orlando Gomes (in Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro : Forense, 1983, p. 374), ocorre a simulação quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros". A simulação, em resumo, consubstanciase numa deformação voluntária do ato jurídico com o intuito de fugir à disciplina normal prevista em lei, consistente num desacordo intencional entre a vontade interna das partes, efetivamente pretendida, e a formalmente declarada no ato simulado. O ato jurídico simulado ostenta formalmente uma aparência diversa do efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade, não intencionam nem desejam. A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico, considera serem simulados e passíveis de desconsideração pelo Fisco os atos e os negócios jurídicos praticados pelas partes com a intenção de enganar, ocultar, iludir, dificultar ou até mesmo tornar impossível a atuação fiscal. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 520 83 A simulação, portanto, traduzse pela falta de correspondência entre o ato praticado e o formalizado, encerrando uma declaração enganosa visando a produzir efeito diverso do fato ocorrido. No caso presente, a empresa “noteira” emitia, em seu nome, notas fiscais “frias” de comercialização de produção rural, com ilusória aparência de legalidade, encobrindo dissimuladamente os reais titulares da operação mercantil realizada, com o sinistro intuito de excluir destes a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes de tais operações, e causando ao Fisco um prejuízo patrimonial correspondente às contribuições devidas, eis que o esquema fraudulento houvese por idealizado e concebido com a constituição de empresas noteiras sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, com capital social irrisório, e com nenhum bem em nome dos sócios, circunstância que implica fracasso a qualquer tentativa de execução fiscal do crédito tributário devido. O dolo na conduta se manifesta, precisamente, pelo fato de a empresa noteira assumir em seu nome e responsabilidade a titularidade das operações de terceiros e estes terceiros, além de pagarem uma taxa pela emissão das notas “frias” proporcional à operação dissimulada, também não registrarem tais operações em sua contabilidade, tampouco em suas GFIP. A simulação também está presente na criação de Pessoas Jurídicas constituídas em nome de “laranjas”, pessoas que não ostentavam qualquer relação com a atividade desenvolvida pela empresa, tampouco possuíam conhecimento técnico para tanto, sendo certo que tais empresas interpostas existiam, tão somente, no papel, uma vez que as operações supostamente por elas praticadas eram realizadas, de fato, pelos verdadeiros donos da Autuada e de todo o empreendimento fraudulento. Às empresas interpostas era atribuída, tão apenas, a responsabilidade tributária pelos atos jurídicos praticados em seu nome, por terceiras pessoas, no interesse exclusivo destas. Resta cabalmente demonstrado que os fatos geradores de Contribuições Previdenciárias ora em debate, aparentemente, mas só aparentemente, atribuídos simuladamente à Continental Ouroeste Carnes e Frios Ltda, à SP GUARULHOS Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e à Comércio de Carnes e Representação BR Fronteira Ltda, de fato ocorreram na órbita de responsabilidade tributária do Frigorífico Ouroeste Ltda, o real e efetivo empregador dos trabalhadores ora em trato. Tais empresas interpostas nada mais eram do que meras marionetes, sem animus próprio e sem existência de fato, controladas exclusivamente pelas mãos habilidosas dos verdadeiros donos do Frigorífico Ouroeste Ltda, que dirigiam todas as operações por elas simuladamente realizadas, administravam o empreendimento, assalariavam os trabalhadores envolvidos nas atividades empresariais do “Núcleo Ouroeste”, e auferiam os lucros provenientes do esquema fraudulento ora desfraldado. Nesse contexto, sendo na realidade nua dos fatos o Frigorífico Ouroeste Ltda a pessoa que efetivamente tinha relação direta e pessoal com a situação constitutiva do fato gerador ora em apreciação, a Autuada deveria NECESSARIAMENTE, por força de lei formal, ter inscrito na Autarquia Previdenciária Federal todos os Segurados Contribuintes Individuais que prestaram serviços, efetivamente, à empresa, no período de apuração, caso estes não estivessem ainda lá inscritos. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 84 Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003. Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. §1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir. §2o A cooperativa de trabalho e a pessoa jurídica são obrigadas a efetuar a inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS dos seus cooperados e contratados, respectivamente, como contribuintes individuais, se ainda não inscritos. §3o O disposto neste artigo não se aplica ao contribuinte individual, quando contratado por outro contribuinte individual equiparado a empresa ou por produtor rural pessoa física ou por missão diplomática e repartição consular de carreira estrangeiras, e nem ao brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo. Visando a se verificar, nos bancos de dados da Administração Tributária Federal, se os trabalhadores que prestaram serviços sem vínculo empregatício às empresas do Núcleo Ouroeste” estavam inscritos como Segurados Contribuintes Individuais na Autarquia Previdenciária Federal, a Frigorífico Ouroeste Ltda foi formalmente intimada, mediante Termo Próprio, a prestar esclarecimentos à Fiscalização, acerca dos nomes naturais dos prestadores de serviço sem vínculo empregatício, eis que estes estavam registrados nos documentos das empresas do grupo apenas pelos seus apelidos, por exemplo, Milin, CVL, Beto Caetano, Paulão, Zequinha, Wando e outros. Todavia, apesar de formalmente intimada mediante Termo próprio, a empresa Frigorífico Ouroeste Ltda deixou de prestar informações cadastrais e esclarecimentos necessários a Fiscalização, ou seja, deixou de prestar declaração por escrito dos nomes naturais completos dos contribuintes individuais constantes dos livros conta correntes, onde constam apenas os 'apelidos', impossibilitando assim identificar se os segurados contribuintes individuais prestadores de serviço estavam inscritos ou não na Previdência Social. Tal omissão motivou a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.201.5786, CFL 35, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 16004.000338/200916, lavrado na mesma ação fiscal, por infração ao disposto no Art. 32, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, combinado com o Art. 225, inciso I e §9°, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99. Nessa vertente, não tendo a Autuada demonstrado, mediante documentação idônea, que os trabalhadores que prestaram serviços sem vínculo empregatício às empresas do Núcleo Ouroeste” estavam devidamente inscritas como Segurados Contribuintes Individuais na Autarquia Previdenciária Federal, a Fiscalização lavrou o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória por violação objetiva da obrigação acessória prevista no §2º do art. 4º da Lei nº 10.666, de 08 de maio de 2003. Desse modo, as alegações do Recorrente esbarram no óbice “nemo potest venire contra factum proprium”, locução de origem canônica que expressa o ideal de que Fl. 562DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 521 85 ninguém pode se beneficiar das consequências decorrentes da própria torpeza, consagrado no art. 243 do Código de Processo Civil e no art. 973 do Código Civil. Não se mostra demasiado enaltecer que o dever jurídico de inscrever na Autarquia Previdenciária Federal, na qualidade de Segurado Contribuinte Individual, o trabalhador que lhe presta serviços sem vínculo empregatício, não se revela como uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Diante dos aludidos dispositivos, exsurge, como decorrência lógica que, tanto a obrigação acessória ora infringida quanto a penalidade pecuniária associada ao seu descumprimento objetivo, encontramse, de fato, prevista na Lei de Custeio da Seguridade Social, cumprindo assim as formalidades exigidas pelo Código Tributário Nacional, no âmbito de competência que lhe foi outorgado pela Carta Magna Brasileira, sendo, por conseguinte, de observância obrigatória pelo sujeito passivo. Mostrase digno de realce, no presente caso, que o lançamento tributário da obrigação principal associada ao vertente Auto de Infração figura como objeto do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.5760, lavrado na mesma ação fiscal e debatido no Processo Administrativo Fiscal nº 16004.000336/200919, o qual foi julgado integralmente procedente por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF. Diante desse quadro, havendo sido reconhecido, por esta mesma Turma Julgadora a procedência do lançamento das obrigações tributárias principais referentes aos fatos geradores tratados neste auto de infração, não há mais como se esquivar do reconhecimento da procedência do lançamento que ora se debate, eis que a empresa deveria ter prestado à Fiscalização todos os esclarecimentos por ela formalmente solicitados, mediante Termo próprio, eis que condizentes aos segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social que lhe prestaram serviços em cada mêscompetência. No caso específico dos autos, restou demonstrado que a Autuada agiu com dolo, mediante conduta fraudulenta visando a frustrar a arrecadação de tributos, fatos esses que se consubstanciam em circunstância agravante da infração, prevista no inciso II do art. 290 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o que implica a majoração da penalidade cominada em 03 (três) vezes, em atenção ao disposto no inciso II do art. 292 do Regulamento da Previdência Social. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do Fl. 563DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 86 pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 1º de fevereiro de 2007) Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; II as agravantes dos incisos I e II do art. 290 elevam a multa em três vezes; III as agravantes dos incisos III e IV do art. 290 elevam a multa em duas vezes; IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Parágrafo único. Na aplicação da multa a que se refere o art. 288, aplicarseá apenas as agravantes referidas nos incisos III a V do art. 290, as quais elevam a multa em duas vezes. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social aviou norma tributária sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de infração de qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, na modulação fixada no §3º do art. 283 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, com valores atualizados conforme mecanismo fixado no art. 102 da Lei de Custeio da Seguridade Social. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Regulamento da Previdência Social Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862/2003) Fl. 564DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 522 87 (...) §3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713/2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; Fl. 565DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 88 VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 13 de fevereiro de 2009 foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria MPS/MF nº 48, de 12/02/2009, que atualizou o valor mínimo da penalidade pecuniária previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, I, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, equivalente a R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). PORTARIA MPS/MF nº 48, de 12/02/2009 Art. 8º A partir de 1º de fevereiro de 2009: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social, para a qual não haja Fl. 566DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16004.000340/200987 Acórdão n.º 2401004.162 S2C4T1 Fl. 523 89 penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos) a R$ 132.916,84 (cento e trinta e dois mil novecentos e dezesseis reais e oitenta e quatro centavos); VI o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social é de R$ 13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos); Merece ser citado que, das disposições insculpidas no §3º do art. 113 do codex tributário, emerge a natureza objetiva do Auto de Infração de Obrigação Acessória, na medida em que o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Tal compreensão caminha no mesmo compasso das disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, a caracterização da infração à Legislação Tributária ora em relevo se concretiza com a mera não inscrição pela empresa, no Instituto Nacional do Seguro Social, como Segurado Contribuinte Individual, de trabalhador não inscrito na Previdência Social que presta lhe serviço sem vínculo empregatício. Por outro viés, o valor da penalidade imposta por intermédio do presente Auto de Infração é único e indivisível, sendo despiciendo para a sua caracterização e imputação o número de infrações cometidas, se contentando a lei para a sua consumação definitiva a ocorrência objetiva de uma única omissão de inscrição no INSS, como Segurado Contribuinte Individual, de trabalhador não inscrito na Previdência Social que presta serviço à empresa sem vínculo empregatício. Como resultado, subsiste inabalada a obrigação tributária principal objeto do Auto de Infração em apreço. Procedente, portanto, o lançamento tributário levado ora a cabo pela Autoridade Fiscal Fazendária. 4. CONCLUSÃO: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 90 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 11634.000186/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007
SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO.
O presente processo trata do aproveitamento indevido de créditos de Cofins, o que resultou em um auto de infração diferente, e para períodos de apuração distintos. O pedido não procede e o presente julgamento não deve ser sobrestado.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007
OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO.
A opção pelo lucro presumido foi correta e não influiu na autuação.
VENDAS CANCELADAS.
As vendas canceladas foram consideradas pela fiscalização na base de cálculo do tributo lançado.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. GLOSA DE CRÉDITOS. INIDONEIDADE DO VENDEDOR.
A recorrente deixou de apresentar elementos que pudessem comprovar a efetividade da aquisição das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas. Também deixou de comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo.
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.
Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõe-se a aplicação de multa qualificada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes a taxa Selic por expressa previsão legal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. O presente processo trata do aproveitamento indevido de créditos de Cofins, o que resultou em um auto de infração diferente, e para períodos de apuração distintos. O pedido não procede e o presente julgamento não deve ser sobrestado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A opção pelo lucro presumido foi correta e não influiu na autuação. VENDAS CANCELADAS. As vendas canceladas foram consideradas pela fiscalização na base de cálculo do tributo lançado. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. GLOSA DE CRÉDITOS. INIDONEIDADE DO VENDEDOR. A recorrente deixou de apresentar elementos que pudessem comprovar a efetividade da aquisição das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas. Também deixou de comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõe-se a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicam-se juros de mora por percentuais equivalentes a taxa Selic por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Negado
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Voluntário Acórdão nº 3301003.010 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2016 Matéria Cofins Insuficiência de Recolhimento e Aproveitamento de Créditos Recorrente SOMOPAR SOCIEDADE MOVELEIRA PARANAENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. O presente processo trata do aproveitamento indevido de créditos de Cofins, o que resultou em um auto de infração diferente, e para períodos de apuração distintos. O pedido não procede e o presente julgamento não deve ser sobrestado. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. A opção pelo lucro presumido foi correta e não influiu na autuação. VENDAS CANCELADAS. As vendas canceladas foram consideradas pela fiscalização na base de cálculo do tributo lançado. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. GLOSA DE CRÉDITOS. INIDONEIDADE DO VENDEDOR. A recorrente deixou de apresentar elementos que pudessem comprovar a efetividade da aquisição das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 86 /2 00 9- 11 Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.282 2 Também deixou de comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõese a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes a taxa Selic por expressa previsão legal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.283 3 Relatório Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foi lavrado o auto de infração de fls. 2064/2073, que exige o recolhimento de R$ 2.204.733,24 a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e R$ 3.307.099,80 de multa de ofício (de 150%), nos termos da fundamentação legal listada à fl. 2069, além dos encargos legais. A autuação, cientificada em 04/05/2009 (fl. 2075), que se refere aos períodos de apuração 01/2006 a 05/2007 e 08/2007 a 12/2007, ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da Cofins (conforme detalhado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal TVEAF, de fls. 2038/2063) e foi efetuada com base nos dispositivos legais listados à fl. 2073. Segundo o TVEAF, os valores informados como receita nas DIPJ de 2004 a 2007 não coincidem com os informados na GIA/ICMS, sendo também incompatível com a movimentação financeira apurada. No TVEAF consta, ainda, que foram apuradas inconsistências no preenchimento do Dacon e que inúmeras notas fiscais, tidas como eivadas de falsidade, foram glosadas, resultando em aproveitamento indevido de créditos. Quanto as aquisições representadas pelas notas fiscais, consta que a contribuinte, intimada a comprovar os respectivos pagamentos, limitouse a afirmar que estes teriam sido feitos em espécie (a planilha de fls. 2053/2054 indica as aquisições desconsideradas no procedimento). Noutro subitem, há a informação de que teria havido aproveitamento indevido de créditos por parte da contribuinte quando da indicação das “outras operações” na linha 13 da ficha 16 A do Dacon, implicando, com isso, a reconstituição da apuração das bases de cálculo da Cofins nos anoscalendário analisados (a planilha de fls. 2060/2061 indica os valores a pagar remanescentes após a reconstituição). À fl. 2061, consta que houve a aplicação da multa de 150% em virtude da apuração da prática dos atos previstos nos art. 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Em 01/06/2009, a interessada, por meio de procurador (procuração à fl. 2158), interpôs a impugnação de fls. 2076/2135, instruída com os documentos de fls. 2136/2159 (cópia de documentos pessoais do procurador, cópia do cartão CNPJ, cópia de relatório do Serasa, cópia de jurisprudência do Conselho de Contribuintes, cópia de extratos de consultas cadastrais junto à Prefeitura do Município de Londrina e ao Estado do Paraná, extratos de consulta a sistema da CEF relativamente as empresas Pedro do Carmo Madeiras e Construmotta Construção Civil Ltda., cópia de certidão da Junta Comercial do Paraná, relativa as empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeiras e cópias de folhas do Diário Oficial do Estado do Paraná), cujo teor será sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, diz (no item Do Domicílio Fiscal Sede da Matriz) que como os arts. 985 a 987 do RIR/1.999 não foram revogados deve ser declarado nulo o lançamento já que a autoridade competente no caso seria o Delegado da Receita Federal em São Paulo. Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.284 4 No item seguinte (Da Ilegal Opção pelo Lucro Presumido) alega que fez ilegal opção pelo lucro presumido nos anoscalendário de 2004 e 2005, porquanto obteve receita operacional de, respectivamente, R$ 48.120.356,67 e R$ 66.011.022,75, acima do limite de R$ 48.000.000,00 para enquadramento no lucro presumido; que tal opção não pode prosperar e nem a autoridade lançadora pode referendar tal atitude. Transcreve trechos do TVEAF e conclui que o lançamento respectivo deve ser cancelado, já que a opção pelo lucro presumido e a manutenção dessa opção, está em desacordo com a legislação. Esclarece, ainda, que apresentou declarações retificadoras quando readquiriu sua espontaneidade, conforme art. 7°, 111, § 2°, do Decreto n° 70.235, de 1972, razão pela qual requer seja determinada a exclusão das penalidades e, uma vez existentes valores confessados, seja declarado nulo o lançamento fiscal. Para tanto, amparase no disposto no art. 2º da Lei n" 9.784, de 1999. Na seqüência, alega nulidade do auto de infração em litígio em face da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e que o sigilo bancário é uma garantia individual que só pode ser violada em casos graves e com autorização judicial. No subitem VI, diz que observou a IN SRF n° 93, de 1997, excluindo da receita bruta o valor das vendas canceladas. Questiona, no subitem VII, se a autuação é demonstração de opinião particular do Auditor. Diz que opiniões pessoais não deveriam constar do procedimento. Transcreve jurisprudência. Discorre, no subitem VII.1 (Da Declaração de lnidoneidade do ContribuinteFornecedor) sobre as compras efetuadas. Diz que tem o direito de escriturar os seus créditos independentemente da situação empresarial e fiscal dos fornecedores. Alerta que se há algum tributo pendente, cabe ao Fisco cobrálo da vendedora das mercadorias. Diz, também, que “o Fisco não pode, a pretexto de suposta irregularidade praticada por uma empresa fornecedora, no caso a Impugnante, transferir a responsabilidade tributária; ao menos que comprove fraude, que não pode ser presumido.” Destaca o princípio da boa fé, cita e transcreve doutrina e jurisprudência e diz que o art. 353 do RIPI/2002 não foi revogado e que a auditoria deveria demonstrar quais itens teriam sido desconsiderados. A seguir, no subitem VII.2 (Da Relação Comercial entre Empresas) afirma que as operações comerciais existiram em sua plenitude, que os pagamentos encontramse escriturados em seu caixa e que tais lançamentos não foram analisados na auditoria. Esclarece que as empresas existem e estão em plena atividade comercial. Insiste na nulidade do lançamento e alerta que os contratos foram firmados em moeda nacional, portanto, as operações envolveram pagamento em dinheiro. Questiona a interpretação fiscal que lança dúvidas sobre as operações e apresenta legislação correlata que prevê o pagamento em dinheiro de impostos. Transcreve jurisprudência e aduz que a auditoria errou em não observar o disposto na legislação acerca da declaração de inidoneidade das empresas fornecedoras. Pondera, adicionalmente, que segundo a legislação somente a empresa irregular deve ser considerada inidônea, no entanto, como as empresas em questão não tiveram a sua situação declarada irregular pelo fisco, não haveria como desconsiderar as operações. Pede o cancelamento do auto de infração. Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.285 5 Noutro subitem (VIII Da Entrega do Auto de Infração) afirma que é nula a intimação via postal “uma vez cientificado o proprietário desde o primeiro procedimento de oficio” e, como consequência, nula também a autuação. Transcreve jurisprudência a respeito. No subitem IX (Da Diligência) questiona as diligências efetuadas. Diz que não se tornaram públicas, violando, assim, o contraditório e a ampla defesa. Fala, também, que a “autuação baseada em suposta inidoneidade de documentos, decorrente de processo a que a autuada não teve acesso” resulta de simples presunção, portanto, não pode ser permitida. Sobre a multa aplicada, diz que tem caráter confiscatório (subitem X f Da Multa Confiscatória), por ser extremamente elevada e desarrazoada. Aduz que o STJ e o STF já decidiram pela inconstitucionalidade da aplicação da multa confiscatória. A seguir, no subitem Xl (Da Selic) afirma que a aplicação da taxa Selic é ilegal e inconstitucional. Discorre sobre o tema e pede o cancelamento da exigência. Ressalta, na sequência (subitem Xll Considerações Diversas), que em momento algum deixou de atender às intimações da fiscalização, pois todos os livros e documentos solicitados foram apresentados, sendo que problemas técnicos e humanos ocasionaram a demora na entrega dos relatórios. Como prova da capacidade econômica financeira de honrar os pagamentos das notas de compras, apresenta Relatório Sintético das Contas Duplicatas a Receber, Duplicatas Descontadas e Empréstimos e Financiamentos. Relata, ainda, que em pesquisa efetuada no Serasa constatou que os sócios das empresas atacadas constituíram várias empresas, após e durante as vendas para a impugnante, e estas empresas encontramse ativas até a data de hoje. Diz, também, que os valores dos insumos glosados devem ser restabelecidos em sua íntegra, pois não possuía à época poderes fiscalizatórios e nem poderia ter acesso a órgãos de fiscalização para obtenção de informações acerca da regularidade fiscal das empresas Construmotta e Pedro do Carmo. Aduz que o fato de a declaração de inidoneidade ser publicada após a lavratura do auto de infração afronta diretamente o primado da segurança jurídica e que não tem o contribuinte a obrigação de recolher o tributo aproveitado em operações comprovadamente realizadas e acobertadas à época, por notas fiscais não declaradas inidôneas pelo fisco. Conclui, afirmando que ato declaratório de inidoneidade da empresa somente produz efeitos após sua publicação. Quanto a base de cálculo do PIS e da Cofins (subitem XIII), alega que o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1” do art. 3° da Lei n” 9.781 (sic), de 1998, que instituiu nova base de cálculo de incidência de PIS e Cofins. Afirma que os valores tributados como receita omitida pela glosa de custos, para o Pis e Cofins, embutem outras receitas isentas e alíquotas consideradas inconstitucionais, bem como, em total desrespeito à legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins. Entende ser absurda a glosa dos créditos de material de consumo, sanepar, equipamentos de segurança, comissão sobre vendas, verbas de propaganda, aluguel de sistemas, Serasa, despesas de produção e aquisição de vale transporte, pois tais despesas estão representadas por notas fiscais devidamente pagas e registradas na contabilidade. Ao final (subitem XIV), requer que a impugnação seja recebida e que as prejudiciais sejam acolhidas, declarandose nula a sanção imposta. Pede, também, que, caso Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.286 6 seja necessário apreciar o mérito, que se decida pela improcedência da autuação, determinandose o cancelamento do auto de infração c da imposição de multa e de juros Selic. Na hipótese de entendimento diverso, requer, subsidiariamente, o reconhecimento do caráter de confiscabilidade da multa aplicada, para assim declarar nula a sua aplicação, o restabelecimento dos insumos adquiridos das empresas “atacadas existentes e demais creditamentos” e a concessão de prazo para a juntada de novos documentos pela impossibilidade de fazêlo neste ato, nos termos do art. 20 da Lei n” 10.941, de 2001. Por derradeiro, protesta provar o alegado por todos os meios admitidos em direito. A DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo a exigência, conforme sintetiza a ementa do acórdão a seguir reproduzida: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. COMPETÊNCIA PARA LANÇAMENTO. É atribuição do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil constituir o crédito Tributário mediante lançamento consubstanciado em auto de infração, sendo válido o procedimento ainda que realizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. VALIDADE DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência postal do lançamento fiscal, porquanto, conforme legislação de regência, os meios de intimação previstos não estão sujeitos a ordem de preferência. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. Assunto: Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESCONTO INDEVIDO DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.287 7 O desconto indevido de créditos na apuração da Cofins não cumulativa, autoriza a glosa e a tributação dos valores correspondentes. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraude, impõese a aplicação de multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes a taxa Selic por expressa previsão legal. Impugnação Improcedente. A Recorrente interpôs recurso voluntário onde repete os argumentos da impugnação, inclusive o pedido para que o processo seja sobrestado até o julgamento do auto de infração de IRPJ e CSSL, lavrado no processo 11634.000182/200925, que está sorteado para a relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, da 1ª Seção de Julgamento. É o relatório. Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.288 8 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Tratase de auto de infração de fls. 2064/2073, que exige o recolhimento de Cofins com multa de ofício de 150%. A autuação se refere aos períodos de apuração 01/2006 a 05/2007 e 08/2007 a 12/2007, e ocorreu devido à falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins. Segundo a fiscalização, os valores informados como receita nas DIPJ de 2006 a 2007 não coincidem com os informados na GIA/ICMS, sendo também incompatível com a movimentação financeira apurada. No TVEAF consta, ainda, que foram apuradas inconsistências no preenchimento do Dacon e que inúmeras notas fiscais, tidas falsas, foram glosadas, resultando em aproveitamento indevido de créditos. Portanto, toda a base tributável foi recalculada, com a exclusão dos créditos indevidamente aproveitados, e houve o lançamento da Cofins devida. 1) Pedido de Sobrestamento do Processo: A Recorrente solicitou que o processo seja sobrestado até o julgamento do auto de infração de IRPJ, CSSL, PIS e Cofins lavrado no processo 11634.000182/200925, que está sorteado para a relatoria do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, da 1ª Seção de Julgamento. Apesar do processo 11634.000182/200925 ter fatos semelhantes aos do presente processo, entendo que os julgamentos não são conexos. No processo Nº 11634.000182/200925, o auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins exige o recolhimento de R$ 3.100.204,81 a título de contribuição e R$ 4.650.307,16 de multa de lançamento de ofício de 150%, prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e art. 44, II, da Lei no 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais, para os períodos de janeiro de 2004 a dezembro 2005. O lançamento, com fundamento nos arts. 2º, II e parágrafo único, 31, 10, 22 e 51 do Decreto no 4.524, de 2002, referese à receita escriturada e não declarada nos anos calendário de 2004 e 2005. Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.289 9 Já o presente processo trata de insuficiência de recolhimentos e aproveitamento indevido de créditos de Cofins, o que resultou em um auto de infração para períodos de apuração diferentes: 01/01/2006 a 31/05/2007, 01/08/2007 a 31/12/2007. Logo, entendo que o pedido não procede e o presente julgamento não deve ser sobrestado. 2) Nulidade: Em várias oportunidades, a recorrente defende a nulidade do lançamento. Reclama que a competência para a fiscalização e lançamento seria do Delegado da Receita Federal em São Paulo, que apresentou declarações retificadoras em 13/03/2009, quando teria readquirido a espontaneidade, que outro MPF deveria ter sido solicitado após a reaquisição da espontaneidade, que houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e que é nula a ciência do auto de infração por via postal, pois, tendo sido dado ciência pessoal ao proprietário desde o primeiro procedimento de ofício, a intimação postal somente poderia ser feita quando a parte se recusasse a receber a intimação. Não concordo com as alegações da recorrente. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. Em relação à alegação específica de que haveria nulidade no procedimento fiscal pelo fato de, ao expirar o prazo de 60 dias contados da ciência, em 07/01/2009, do Termo de Intimação Fiscal Nº 3 (fls. 1925 1926), apresentou DCTF retificadoras. Aduz que só foi comunicada do prosseguimento dos trabalhos em 16/03/2009 (Intimação Fiscal nº 04 fls. 186/187), quando já estava com sua espontaneidade readquirida. Pede, ainda, a exclusão das penalidades e diz que outro procedimento deveria ter sido iniciado, com novo mandado de procedimento fiscal. Como bem dito no acórdão recorrido, o simples esgotamento do prazo previsto no § 2° do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972, não acarreta a nulidade do auto de infração. Apenas proporciona ao sujeito passivo a condição de ter restabelecida a espontaneidade que lhe dá o direito de liquidar o crédito tributário sem o acréscimo da multa de ofício. No caso concreto, no entanto, verificase que nenhum pagamento de Cofins foi realizado no período, tampouco débitos dessa contribuição foram confessados nas declarações retificadoras apresentadas para os trimestres em tela Logo, se nenhum débito de Cofins foi espontaneamente pago ou confessado pela autuada em 13/03/2009, nenhum reparo nesse sentido cabe ser efetuado no presente lançamento. Em relação à alegação de que com a reaquisição da espontaneidade outro procedimento fiscal deveria ter sido solicitado, mediante emissão de novo Mandado de Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.290 10 Procedimento Fiscal, cabe destacar que o prazo de execução do MPF utilizado somente se esgotou em 1° de julho de 2009 (fl. 21 ). Portanto, o prazo de execução do MPF se esgotou em data posterior ao lançamento. Em relação à alegação de nulidade em face da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, cabe destacar que o lançamento fiscal em tela não foi fundamentado na movimentação bancária detectada com base em extratos bancários. Assim, não assiste qualquer razão à recorrente nas suas alegações de nulidade. 3) Opção Pelo Lucro Presumido em 2004 e 2005: A recorrente alega que fez equivocada opção pelo lucro presumido em 2004 e 2005 em face de haver excedido o limite de R$ 48.000.000.00 de receita bruta, razão pela qual deveria ter sido tributada com base no lucro real, tal corno ocorreu em relação aos anos calendário de 2006 e 2007. Alega que, se fosse tributada corretamente, poderia ter os seus créditos de PIS/Cofins transferidos de 2004 e 2005 para 2006 e 2007. Assim, isso poderia alterar o presente lançamento. Entretanto, tanto o acórdão recorrido, quanto o processo Nº 11634.000182/200925 já demonstraram que isso não ocorreu. O acórdão de 1ª instância do processo Nº 11634.000182/200925, já transcrito no acórdão recorrido, resolve a controvérsia: (...) Considerando que o IPI não integra o valor da receita bruta, conforme disposto no parágrafo único do art. 279 do RIR de 1999 (impostos não cumulativos) cobrados. destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário, verificase que foi apurada receita bruta no montante de, respectivamente, R$ 45.024.276, 74 e R$ 61.431.605, 96 nos anoscalendário de 2004 e 2005. Por conseguinte. tendo em vista que não pode optar pelo lucro presumido a pessoa jurídica cuja receita bruta tenha sido superior a 48.000.000,00 no anocalendário anterior. conforme previsto no art. 13 da Lei n" 9.718. de 27 de novembro de 1998. com a redação dada pela Lei nº 10.627. de 30 de dezembro de 2002, verificase que a interessada ficou impedida de optar por esse regime apenas no anocalendário de 2006, período em que sofreu tributação com base no lucro real. Desta forma, não se constata irregularidade alguma na autuação com base no lucro presumido sobre a receita bruta escriturada em livros fiscais e não declarada dos anos calendários de 2004 e 2005. Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.291 11 Portanto não assiste razão à recorrente nessa matéria. 4) Vendas Canceladas e Devolução de Vendas: A recorrente alega que as suas vendas canceladas foram indevidamente incluídas na base de cálculo da Cofins. No autos verificase que a recorrente adotou em sua contabilidade, na conta 3.2.l.l0.000l, a denominação “vendas canceladas” para referirse, na realidade, às operações de devolução de vendas. Já a fiscalização apurou a Cofins nãocumulativa com base nas informações prestadas nos Dacon de fls. 08/l53, e também na contabilidade, excluiu da presente apuração valores relativos às devoluções de vendas informadas como ocorridas em todos os meses de 2006 e 2007. Assim, todos os ajustes necessários já foram efetuados no lançamento. Portanto, não assiste razão à recorrente nessa matéria. 5) Créditos Glosados por Inidoneidade do Vendedor: Houve glosa de créditos da apuração da Cofins nãocumulativa dos valores relativos as notas fiscais apreendidas pela fiscalização no valor de R$ 22.079.839,94 nos anos de 2006 e 2007. Tais notas fiscais foram emitidas pelas empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira. Nesse ponto, transcrevo partes de interesse do acórdão recorrido por dar suporte fático a solução da controvérsia: Conforme esclarecido às fls. 2050/2051 (item 4 do TVEAF), a interessada foi intimada, em 07/01/2009 (fls. 1925/1926), a apresentar diversos elementos que pudessem comprovar a efetividade da aquisição das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas em nome das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira. Contudo, após solicitar prorrogação de prazo (fl. 1927), a fiscalizada respondeu, em 18/02/2009 (fl. 1928), que os pagamentos foram 'feitos em espécie, por meio do caixa, conforme conta razão 11° 2.1.4.10.1719, e que as mercadorias foram transportadas pelas empresas vendedoras e entregues na sede da compradora, sendo que não lhe foi entregue nenhum tipo de documento de transporte além das notas fiscais de compra. Também requereu prazo adicional de 30 dias para apresentar os livros Registro de Controle de Produção e do Estoque (modelo 3) e de Registro de Inventário das filiais 0002 e 0003, porquanto, segundo consta, necessitava finalizar os ajustes necessários a melhor compreensão e identificação das operações. ` Cabe destacar, de plano, que qualquer operação realizada em moeda corrente nacional é evidentemente legal, pois não existe Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.292 12 norma que obrigue a efetivação do pagamento por intermédio de uma instituição financeira. Porem, o pagamento de elevadas importâncias em moeda corrente, como no caso vertente,_no montante de R$ 14.900.430,72 no anocalendário de 2006 e de R$ 7.179.409,22 no de 2007, não é normalmente assim realizado justamente pela dificuldade de comprovação da operação e, obviamente, por razões de segurança. No caso dos autos, a inidoneidade da documentação emitida em nome das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira foi fartamente comprovada pela fiscalização, de cujas verificações destacase: a) em diligência efetuada no domicílio fiscal das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo z Madeira, ambas localizadas no mesmo endereço na Rua Dom Aquino n° 16, Jardim Recanto Colonial, Londrina/PR a fiscalização constatou que atualmente funciona a empresa Ciclo Real Comércio de Madeiras Ltda (a Desmanchão da Construção) e nele encontrou apenas restos de materiais de demolição (fotos de fls. 1865/1867); b) na mesma diligência foi coletado depoimento da Sra. Eliane Silva de Lima, proprietária de floricultura instalada na Rua Dom Aquino, 15, desde 2005 (fls. 1868/1869) que afirmou nunca ter funcionado estabelecimento comercial algum na Rua Dom Aquino, '16 (fls. 1.870/ 1871.); c) em consulta efetuada junto à Secretaria de Estado da Fazenda do Estado do Paraná, verificouse que inexistem as Autorizações para Impressão de Documentos FiscaisIDF informadas nas notas fiscais inidôneas (fls. 1914/1.919), tendo a empresa que seria responsável pela impressão dos talonários dessas notas fiscais N. Azevedo de Oliveira & Cia. Ltda. informado que desconhece a procedência dessas AIDF (fls. 1883/1889); d) Ezilaine Pereira Barros (fl. 1897), que seria uma das sócias da empresa Construmotta Construção Civil Ltda, compareceu em 18/02/2009 na DRF/Londrina c declarou não ser sócia dessa empresa e que não conhece essa empresa e nem o outro sócio, Markson Flávio Campos Motta (fls.‹1897/1901.), diz que perdeu seus documentos em 2002 (possivelmente utilizados na abertura da empresa) e que solicitou, em 13/10/2008, à Receita Federal, nos autos do processo 110930.005390/200822, a anulação da inscrição no cadastro do CNPJ (fl. 1900). Ao que cotista, a fiscalização dirigiu›se ao domicilio fiscal de Ezilaine e constatou tratar›se de residência “muito humilde”, incompatível com a situação de sócia de empresa com grande movimentação comercial; . e) a autoridade fiscal compareceu ao domicilio fiscal de Markson Flávio Campos Motta, o outro sócio da Construmotta Construção Civil Ltda. (fls. 1906/1907) e também encontrou uma residência muito humilde, onde foi atendida pelo atual morador, Cláudio da Silva; que informou desconhecer o paradeiro do antigo morador; Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.293 13 i) O contabilista responsável pela abertura da Construmotta Construção Civil Ltda., Eduardo Milan Teixeira, (fls. 1908/1909) compareceu à DRF/Londrina, em 03/03/2009, e declarou que não teve contato pessoal com os sócios da empresa, que os documentos necessários à abertura da empresa foram entregues diretamente no escritório por Vicente Taveira (sócio da empresa Ciclo Real Comercio de Madeiras Ltda ME), que desconhece o local onde teria funcionado a empresa e que após algum tempo cessou a entrega de documentos fiscais/contábeis, assim como o pagamento dos honorários; g) a empresa Ciclo Real Comércio de Madeiras Ltda. foi intimada em 14/02/2009 e reintimada em 27/02/2009 a prestar diversas informações que ajudassem a confirmar, ou não, a real existência daqueles fornecedores (fls. 1.864/1877), mas não se manifestou a respeito; h) o suposto sócio da empresa Pedro Carmo Madeira, Pedro do Carmo, não foi localizado em face de haver informado rios cadastros da SRF (fl. 1921) que seu domicílio fiscal também era Rua Dom Aquino, 16 (mesmo da empresa); i) o contabilista responsável pela abertura da empresa Pedro do Carmo Madeira, Júlio Alves Batista, declarou (fls. 1922/1924) ter efetuado a abertura da empresa e para ela prestado serviços durante aproximadamente 2 meses, serviços estes suspensos em razão de falta de pagamento, não tendo tido após esse período mais contato com a empresa ou seu representante. À vista da existência de inúmeras notas fiscais envolvendo grande quantidade de mercadorias (chapa compensada e madeira), todas movimentadas do município de Londrina/PR para o município de Arapongas/PR, sem as especificações do transporte, a fiscalização procedeu aos ajustes dos créditos de Cofins e a reconstituição da apuração das bases de cálculo da Cofins dos anos›calendário 2006/2007. Diante da constatação de que as empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira inexistiam de fato, caberia à interessada comprovar documentalmente as respectivas operações. Sobre o assumo, é oportuno atentar para o que dispõem os arts. 251, 264, 276 c 923 do RIR de 1999: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita ii tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decretolei rt” 1.598, de 1977, art. 7º.). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte. os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem conto os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n° 2.534l, de 29 de novembro de 1954, art. 2º., e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.294 14 Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º.). Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração. na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 923 (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9º). Art. 923, A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos contábeis segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art 9º, § lº). A escrituração contábil não constitui prova, por si mesma, dos fatos nela registrados, mas tãosomente quando lastreada em documentação hábil e idônea que comprove de forma inquestionável os fatos registrados. Cabe à contribuinte manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das operações que alteraram sua situação patrimonial. Inequívoca é, portanto, sua obrigação em comprovar a aquisição dos insumos utilizados no processo produtivo, assim como os pagamentos correspondentes para comprovar a efetividade da operação. Ao identificar vícios na documentação apresentada pela contribuinte como suporte das aquisições por ela contabilizadas, a autoridade fiscal não admitiu tais notas fiscais como prova e concedeu ã contribuinte a oportunidade de apresentar novos elementos. Porém, desprezando tais circunstâncias, a contribuinte não envidou qualquer esforço para apresentação da comprovação dos pagamentos ou do efetivo ingresso das mercadorias constantes das notas fiscais, elementos estes que militariam em favor de sua boafé. A contribuinte, alegando boafé, alegou desconhecer as irregularidades fiscais das empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira, especialmente ante a ausência de declaração de nulidade da inscrição no CNPJ. No entanto, em momento algum a autoridade fiscal vinculou o desconto dos créditos correspondentes às aquisições de bens que seriam utilizados como insumos, ã regularidade fiscal dos fornecedores, pois o aproveitamento desses créditos sempre e vê condicionado a comprovação documental regular, como todas as demais operações que afetam o patrimônio do contribuinte. O desconto do credito na apuração da Cofins nãocumulativa devida no período seria admitido se o documento, mesmo emitido por empresa considerada inidônea ou inapta, estivesse Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.295 15 acompanhado da prova do efetivo pagamento e do recebimento dos bens ou serviços, o que não ocorreu. A questão presente cingese à existência ou não de comprovação das aquisições dos insumos descritos nas notas 'fiscais emitidas pela empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira. Neste sentido, não se esta imputando à contribuinte a obrigação de conhecer a regularidade fiscal de seus fornecedores, mas tão somente o ônus de provar que as transações comerciais de fato ocorreram. Reiterese que aqui também inexiste qualquer inversão do ônus da prova, mas sim omissão do contribuinte em comprovar a efetividade das aquisições dos insumos constantes das notas fiscais em análise. Desconstituída a eficácia do documento, resta não provada a operação se outros elementos não são apresentados pela interessada. Com relação a declaração de inaptidão, assim dispõe o art. 82 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 82. Alem das demais hipóteses de inidoneidade de documento previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Mesmo que as empresas Construmotta Construção Civil Ltda. e Pedro do Carmo Madeira ainda não tivessem a época sido consideradas ou declaradas inaptas, os indícios que evidenciam a inidoneidade dos documentos fiscais embasaram o posterior registro dessa condição no cadastro do CNPJ. Dessa forma, como a interessada deixou de comprovar a efetivação do pagamento do preço respectivo (salientando que a singela alegação de que todos os pagamentos, num montante de cerca de R$ 22.000.000,00, teriam sido realizados em espécie, não pode ser acolhida sem prova) e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, deve subsistir a glosa promovida pela fiscalização. Considerando o farto conteúdo probatório dos autos e o que foi transcrito, concordo inteiramente com o acórdão recorrido. 6) Multa Qualificada de 150%: Foi aplicada multa qualificada de 150% em consequência da fiscalização ter entendido que houve evidente atuação dolosa com o intuito de fraudar o Fisco. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.296 16 Nos autos restou fartamente caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa ao utilizar documentação inidônea de maneira fraudulenta para a comprovação de créditos passíveis de desconto da apuração da Cofins nãocumulativa. Também se utilizou de despesas não passíveis de crédito da contribuição, por falta de previsão legal. A fundamentação da multa está na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput deste artigo será duplicado nos casas previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4502 de 30 de novembro de 1964 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os art. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, estabelecem que: Art. 7I. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária. I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. sua natureza ou circunstanciais materiais: II das condições pessoais de contribuinte suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o credito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do falo gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, destinado o reduzir o montante do imposto devido, ou a 'evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre ditas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Portanto, também não assiste razão à recorrente nessa matéria. 7) Correção do Débito Pela Taxa Selic: A recorrente contesta a correção dos débitos pela taxa Selic. Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.297 17 No que se refere aos juros moratórios, registrese que sua cobrança em percentual equivalente à variação da taxa Selic para títulos federais, em se tratando de tributos e contribuições, observa norma inserida no CTN: Art, 161. O crédito não integralmente pago na vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas' nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não disser de modo diverso os juros de mora são calculados a taxa de 1% (um por cento) ao mês. Logo, por expressa disposição legal, e em consonância com o CTN como está expresso no art. 61, § 3°, da Lei n.° 9.430, de 1996, foram definidos, para cobrança de juros de mora, percentuais equivalentes a taxa referencial Selic. A recorrente também questiona a constitucionalidade da utilização da taxa Selic como juros de mora: A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não assiste razão à recorrente nessa matéria. 8) A Base de Cálculo da Cofins: A recorrente alega que o STF declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1° do art. 3° da Lei nº 9.718/98, que instituiu nova base de cálculo de incidência de PIS e Cofins. Afirma que os valores tributados como receita omitida pela glosa de custos, para o PIS e Cofins, embutem outras receitas isentas e alíquotas consideradas inconstitucionais, “bem como vai em total desrespeito à legislação da nãocumulatividade do Pis e da Cofins.” Entende ser absurda a glosa dos créditos de material de consumo, sanepar, equipamentos de segurança, comissão sobre vendas, verbas de propaganda, aluguel de sistemas, Serasa, despesas de produção e aquisição de vale transporte, pois tais despesas estão representadas por notas fiscais devidamente pagas e registradas na contabilidade. Como bem dito no acórdão recorrido, no presente lançamento não houve tributação de “receitas omitidas pela glosa dos custos.” Houve, em respeito a legislação que disciplina a nãocumulatividade da Cofins, e em decorrência do aproveitamento indevido de créditos, de bens utilizados como insumos e de outras operações com direito a crédito, a mera reconstituição da apuração das bases de cálculo da Cofins. No que tange ao contido no § 1° do art. 3° da Lei n” 9.718, de 1998, é importante esclarecer que sua inconstitucionalidade em nada afeta o lançamento, já que, como se constata, foi utilizado como base de cálculo o efetivo faturamento da empresa. Portanto, entendo que as glosas efetuadas pela fiscalização foram corretas. Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 11634.000186/200911 Acórdão n.º 3301003.010 S3C3T1 Fl. 2.298 18 Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 11 /07/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05/08/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 10980.721787/2013-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012
Súmula CARF nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012
Súmula CARF nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3402-003.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido.
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(KRAFT FOODS BRASIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2011 a 30/09/2012 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Antônio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 17 87 /2 01 3- 37 Fl. 4477DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/201337 Acórdão n.º 3402003.073 S3C4T2 Fl. 1.835 2 Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de lançamento de ofício de PIS e COFINS para o efeito de prevenir a decadência da Fazenda Nacional. No Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 832/840) a fiscalização informa que verificou no sítio da Justiça Federal do Paraná que o contribuinte entrou com ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, na qual solicitou ver assegurado o aproveitamento dos créditos de PIS e de COFINS "sobre todas quaisquer aquisições de bens, direitos ou serviços, sem as limitações impostas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo em vista a restrição à tomada de crédito no regime não cumulativo de referidas contribuições". Informou, também, que a 1ª Turma do TRF4, em 19/11/2011, deu provimento parcial à apelação da autora, uma vez ter sucumbido no juízo monocrático, entendendo que o critério que se mostra consentâneo com a noção de receita é o adotado pela legislação do imposto de renda, sendo insumos os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a sua manutenção ou seu aprimoramento, podendo integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção. Como na data do lançamento entendeu a fiscalização que a discussão do tema ainda não estava totalmente finalizada, glosou os valores informados na DACON referente à rubrica "outras operações com direito a crédito" (mercado interno e externo), e refazendo os cálculos chegou ao valor da exigência inserta nestes autos. Porém, sem aplicação de multa de ofício "conforme determina o art. 63 da Lei 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 70 da MP nº 2.158/2001". Impugnado o lançamento (fls. 989/1012), a DRJ Belo Horizonte não conheceu da mesma pela concomitância de objetos entre a matéria controvertida no Judiciário e a da exação. Não resignada com a r. decisão, a empresa interpôs recurso voluntário (fls. 1195/1207), onde pede, em suma, que seja decreta a nulidade da decisão recorrida por sequer ter apreciado seus argumentos impugnatórios, "sem levar em conta aos créditos que a Recorrente tem o direito sem a necessidade de decisão judicial sobre o tema". Decreta a nulidade daquela, entende que os autos devem os autos retornar "ao juízo de primeira instância para que seja regularmente analisada a impugnação ao auto de infração com a necessária apreciação de todos os argumentos suscitados pela contribuinte". Após discorrer sobre o mérito, pede a baixa do processo para apurar os créditos de PIS e COFINS que teria direito. Fl. 4478DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/201337 Acórdão n.º 3402003.073 S3C4T2 Fl. 1.836 3 Em 14/05/2014, a 2ª TO da 4ª Câmara desta Terceira Seção, baixou o processo em diligência (fls. 1213/1217), nos seguintes termos: Portanto, antes de analisar quaisquer aspectos constantes dos autos, devese verificar qual o destino que tenha sido dado à dita Ação Ordinária e se as matérias colocadas à apreciação do Poder Judiciário se confundem com as matérias ora discutidas. Dessa forma, entendo que para que possa haver o julgamento do mérito deste processo, necessariamente deverseá trazer aos autos cópia integral do processo judicial, pois que preciso avaliar a concomitância e o estágio atual do feito judicial. Ante o exposto, entendo que o julgamento do processo deve ser convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora acoste à estes autos cópia integral do processo judicial nº 500655681.2010.404.7000, sendo que após tomadas as providências requeridas, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Foram juntados aos autos extrato do processo judicial (fls. 1219/1221), petição inicial da ação judicial ( fls. 1222/1263), e outras (fls. 4169 e segs). Às fls. 4432/4433, informação fiscal, de 26/09/2013, a qual, em síntese, dá conta que autora ajuizou ação ordinária, objetivando (fl. 4206) a declaração do direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS sobre toda e qualquer aquisição de bens, direitos ou serviços, sem as limitações impostas pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, com fundamento no princípio constitucional da não cumulatividade plena, nos termos do art. 195, § 12, da CF. Sucessivamente, postulou a declaração do direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS sobre a aquisição de bens, direitos ou serviços classificados como custos de produção e despesas necessárias, conforme os arts. 290 e 299 do RIR, afastandose as ilegais restrições do conceito de insumo dispostas nas Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e 404/2004. Informa, ainda, que o aresto do TRF4 que havia acolhido parcialmente seu pedido, foi declarado nulo em função de questão de ordem ventilada pela União (fls. 4131/4158), sendo que em 13/09/2013 foram acolhidos os embargos da autora, mas negado provimento da União (fls. 4216/4225), não havendo ainda coisa julgada. A ementa, quanto ao mérito do Acórdão da 1ª Turma do TRF4, de 11/09/2013, Apelação Cível 500655681.2010.404.7000/PR, foi vazada nos seguintes termos: Fl. 4479DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/201337 Acórdão n.º 3402003.073 S3C4T2 Fl. 1.837 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Sem reparos à r. decisão. Emerge do relatado e dos termos da diligência, que dúvida não há que o objeto da discussão judicial abrange os insumos glosados. Em assim sendo, o recurso não deve ser conhecido ante os termos da Sumula 01 do CARF, que tem o seguinte enunciado: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto, não conheço do recurso. assinado digitalmente Fl. 4480DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10980.721787/201337 Acórdão n.º 3402003.073 S3C4T2 Fl. 1.838 5 Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 4481DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 19515.722975/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). EMPREGADOS. PROGRAMA DE METAS DE ACORDO COM A LEI.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em conformidade com as diretrizes fixadas pela Lei 10.101/2000, não integra o salário de contribuição.
O acordo deve conter regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e o programa de metas precisa ser aferível. Caso haja resultado que interessa às partes pode ser utilizado percentual sobre o faturamento bruto, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PERFORMANCE. DESEMPENHO DE ATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA.
Somente o nome da verba não caracteriza a remuneração decorrente do trabalho, é necessário observar a natureza da verba paga.
Fisco não caracterizou o suposto adicional de performance como substituto ou complemento da remuneração dos empregados e, portanto, não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela.
ADICIONAL AO DIRETOR-GERENTE. PERCENTUAIS SOBRE HONORÁRIOS LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição.
Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de adicional sobre negócios a Diretor-Gerente, pelo fato de tal parcela não integrar a natureza da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), configurando evidente gratificação ou comissão sobre negócios.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo-se apenas o adicional do Diretor-Gerente. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos, que davam provimento integral ao recurso voluntário. O conselheiro Marcelo Oliveira apresentará Declaração de voto.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). EMPREGADOS. PROGRAMA DE METAS DE ACORDO COM A LEI. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em conformidade com as diretrizes fixadas pela Lei 10.101/2000, não integra o salário de contribuição. O acordo deve conter regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e o programa de metas precisa ser aferível. Caso haja resultado que interessa às partes pode ser utilizado percentual sobre o faturamento bruto, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PERFORMANCE. DESEMPENHO DE ATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. Somente o nome da verba não caracteriza a remuneração decorrente do trabalho, é necessário observar a natureza da verba paga. Fisco não caracterizou o suposto adicional de performance como substituto ou complemento da remuneração dos empregados e, portanto, não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. ADICIONAL AO DIRETOR-GERENTE. PERCENTUAIS SOBRE HONORÁRIOS LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de adicional sobre negócios a Diretor-Gerente, pelo fato de tal parcela não integrar a natureza da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), configurando evidente gratificação ou comissão sobre negócios. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EMPREGADOS. PROGRAMA DE METAS DE ACORDO COM A LEI. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em conformidade com as diretrizes fixadas pela Lei 10.101/2000, não integra o salário de contribuição. O acordo deve conter regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e o programa de metas precisa ser aferível. Caso haja resultado que interessa às partes pode ser utilizado percentual sobre o faturamento bruto, desde que passe no teste das regras claras e objetivas e esteja previsto no acordo. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). PERFORMANCE. DESEMPENHO DE ATIVIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. Somente o nome da verba não caracteriza a remuneração decorrente do trabalho, é necessário observar a natureza da verba paga. Fisco não caracterizou o suposto adicional de performance como substituto ou complemento da remuneração dos empregados e, portanto, não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. ADICIONAL AO DIRETORGERENTE. PERCENTUAIS SOBRE HONORÁRIOS LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. A parcela paga aos empregados a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as diretrizes fixadas pela legislação pertinente, integra o salário de contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 29 75 /2 01 3- 43 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 2 Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de adicional sobre negócios a DiretorGerente, pelo fato de tal parcela não integrar a natureza da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), configurando evidente gratificação ou comissão sobre negócios. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, mantendose apenas o adicional do DiretorGerente. Vencidos os conselheiros Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos, que davam provimento integral ao recurso voluntário. O conselheiro Marcelo Oliveira apresentará Declaração de voto. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social, incluindo o adicional de financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e riscos ambientais do trabalho (Auto de Infração DEBCAD 37.146.0034) e as contribuições devidas aos Terceiros FNDE Salário educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE (Auto de Infração DEBCAD 37.146.0042), incidente sobre remunerações de segurados empregados, no período relativo às competências 06 e 12/2009. O Relatório Fiscal informa que os fatos geradores das contribuições lançadas decorrem das remunerações pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a legislação (Lei 10.101/2000). Esse Relatório Fiscal informa, ainda, que: 1. nos Acordos de 2008 e 2009 há a indicação da ausência de participação do Sindicato nas reuniões para a Discussão do Plano, o que ocorreu foi anuência em momento posterior, nas atas de ambos ficou anotado o texto: “(...) o representante do Sindicato informou que não poderia comparecer. Ficou assim acordado que as regras dos planos serão encaminhadas à entidade”; 2. o pagamento do PLR ocorreu mediante Avaliação de Desempenho Pessoal levandose em consideração fatores individuais e coletivos de acordo com as regras especificadas no Anexo 1, Anexo 2 e Anexo 3 dos Planos 2008, 2009 e Aditivo 2008 e demonstram que a empresa utilizouse de Avaliações de Desempenho com Propostas de Julgamentos subjetivos através de Apreciações, Conceitos e Consensos, ou seja, pessoas expressando opiniões segundo critérios de conveniência, contrariando as normas preconizadas na Lei 10.101/00; 3. nos acordos de 2008 e 2009, Anexo 1, há outra evidência de ausência de atendimento ao preconizado na Lei 10.101/00. A empresa oferece com caráter de “bônus” aos Gerentes e Consultores, especificados no Anexo, o Adicional de Performance em função da margem bruta da empresa em relação ao orçamento; 4. a empresa, em 01/07/2008, criou o cargo de DiretorGerente, nomeado de VP VicePresidente, e através de um Aditivo ao Acordo de 2008 ofereceu um adicional com base nos Honorários Líquidos oriundos de projetos, variável entre 3% a 7%, com exclusão dos demais empregados desta remuneração variável, demonstração evidente de tratarse de Bonificação a ocupantes do cargo criado. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 4 Passo a passo, o Relatório Fiscal concluiu nos seguintes termos: “A Lei n° 10101/00 determina que nos instrumentos originários da negociação entre empregados, sindicato e empresa devem constar regras CLARAS E OBJETIVAS quanto à fixação dos DIREITOS SUBSTANTIVOS (quais serão os benefícios), da PARTICIPAÇÃO (o quanto deve contribuir individualmente, cada empregado, perante o coletivo) e das REGRAS ADJETIVAS (quais são as metas a cumprir individualmente perante o todo). Para tanto a empresa deveria utilizarse de mecanismos de aferição com critérios e condições OBJETIVAS de índices de produtividade ou lucratividade e programa de metas e resultados. Os planos verificados apresentam distorções nas fixações dos Direitos, nas atribuições de Participações e nas Regras Adjetivas, a empresa criou situações a parte do legalmente determinado e, desta forma, apuramos os valores pagos ou creditados na Folha de Pagamento, no período de 2009; sob o Título de Participação Resultados, e efetuamos o Levantamento PR.” A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 10/12/2013 (fls. 01 e 706). A autuada apresentou impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: 1. houve a assistência do sindicato nos Acordos de PLR de 2008 e 2009; 2. o maior equívoco cometido pela fiscalização em seu relatório é o representado na afirmação de que os Acordos de PLR da Impugnante não possuiria regras claras e objetivas, pois teria se utilizado de avaliações de desempenho com julgamentos subjetivos, através de apreciações, conceitos e consensos, aplica critérios de conveniência. Contudo, as alegações da fiscalização não refletem realidade e a melhor interpretação da Lei n° 10.101/00; 3. o Fisco criou um critério ausente da Lei 10.101/2000, para criticar os planos de PLR da empresa, aduzindo que os limites da participação dos empregados foram determinados em escalas, com desproporcionalidade, como se tal fato fosse proibido e assim pudesse descaracterizar a participação negociada entre empresa e empregados, devidamente assistido pele Sindicato. Nesse aspecto informa que os empregados empresa foram divididos em grupos homogêneos, de acordo com a senioridade, exatamente porque a exigência de competências aumenta de acordo com o cargo do empregado avaliado (considerando sua responsabilidade e inclusive os riscos que assume perante os clientes); 4. com relação aos adicionais de performance, registra que esses "Adicionais" da PLR visam, em linha com o espírito do que foi negociado pelas partes, a balancear a avaliação da colaboração dos profissionais do mais alto gabarito da empresa, caso dos Gerentes, Consultores e especialmente Diretor Gerente, que além das metas Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 4 5 qualitativas precisam ser avaliados pela geração de negócios e atração de clientes. É por este motivo que, em acordo com as partes (empresa, empregados e Sindicato) na forma da lei, a empresa estabeleceu metas de rentabilidade pelos novos projetos que tais profissionais foram capazes de atrair e gerir no período de apuração. Em resumo, além da avaliação qualitativa de suas competências, tais empregados também foram avaliados, matematicamente, pela geração de negócios e clientes, pois a função por eles exercida permitia a eleição de tal fator como determinante na definição da parcela de PLR; 5. no caso do Adicional de Performance, as regras e critérios eram bastante claros e se amoldavam perfeitamente à Lei 10.101/2000. No caso do Aditivo ao Acordo de 2008, é bastante lógico que a criação de um cargo de Diretor Gerente (equivalente a VicePresidente), dada a responsabilidade de seus ocupantes com o negócio da impugnante, gerasse a estipulação de regras específicas para a participação nos resultados. E as regras, acordadas entre a empresa, empregados e com a anuência do representante do Sindicato, também eram bastante claras e, até mesmo matemáticas; 6. em resumo, o Diretor Gerente teria direito a uma participação nos resultados equivalente a: (i) 3% dos honorários líquidos dos projetos em que trabalhar na consultoria ao cliente; (ii) 4% dos honorários líquidos dos projetos que tiver vendido para os clientes, mas não trabalhado diretamente; e (iii) 7% dos honorários líquidos dos projetos que tenha vendido e trabalhado na consultoria ao cliente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto/SP – por meio do Acórdão 1450.287 da 16a Turma da DRJ/RPO (fls. 1049/1093) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, e concluiu pelo afastamento dos seguintes argumentos apontados pela fiscalização: (i) ausência de participação do Sindicato nas negociações; (ii) ausência de regras claras e objetivas; (iii) injustificada desproporcionalidade entre os valores distribuídos aos empregados; e (iv) responsabilidade tributária. Restando ementado da seguinte maneira: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. ATUAÇÃO SINDICAL REMOTA E POSTERIOR À PACTUAÇÃO. ADOÇÃO DOS EXPEDIENTES NECESSÁRIOS À PARTICIPAÇÃO EFETIVA DO ENTE SINDICAL. Não infringe a legislação de regência os pagamentos realizados a título de participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa sem a atuação do sindicato contemporaneamente à reunião de pactuação, desde que o contribuinte tenha adotado os meios adequados a comunicar previamente o sindicato a se fazer presente na reunião, e este tenha optado pelo acompanhamento Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 6 remoto e análise posterior do termo ajustado após sua pactuação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOS SEGURADOS. ISONOMIA. A avaliação de desempenho individual e em equipe constituise em critério válido à aferição da qualidade e produtividade dos segurados empregados, ausente outro critério mais adequado à verificação do merecimento dos mesmos, no que tange à empresa cuja atividade é a prestação de serviços estratégicos. A legislação da Participação nos Lucros e Resultados não exige estrita observância da isonomia em relação a segurados que se encontrem em situações concretas diferenciadas, havendo que se observar o regime de remuneração por competências como fato justificador do tratamento distinto entre segurados que se encontrem em situações diversas pela complexidade dos cargos que ocupam. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE METAS A SEREM ATINGIDOS. Não configura participação nos lucros e resultados, mas sim remuneração variável, sujeita a tributação, os valores pagos por força de avaliação de desempenho dos segurados, enquanto fruto de seu próprio trabalho normal, sem que se tenha a previsão de metas para a empresa, seja a título de lucro ou resultado. A perfeita integração capitaltrabalho pressupõe que haja a previsão de um resultado a ser atingido tanto pelos segurados como pela empresa, como forma de motivação ao incremento da atividade empresária e à remuneração dos segurados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DE GERENTES. ADICIONAL DE PERFORMANCE. DISSOCIAÇÃO DO RESULTADO DA EMPRESA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de adicional de performance a diretores e gerentes, quando tal adicional se encontra desvinculado de metas a serem atingidas ou é pago, ainda que com redução, no caso de redução do faturamento da empresa. Hipótese na qual não se configura a natureza da Participação nos Lucros e Resultados pela ausência de vinculação da avaliação de desempenho a fatores que justifiquem tratamento diferenciado em relação a determinados segurados. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DE DIRETOR GERENTE. PERCENTUAIS SOBRE HONORÁRIOS LÍQUIDOS DE NEGÓCIOS. INCIDÊNCIA. Incidem contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de adicional sobre negócios a Diretor Gerente, pelo fato de tal parcela não integrar a natureza da Participação nos Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 5 7 Lucros e Resultados, configurando evidente comissão sobre negócios. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. DISTINÇÃO DE PERSONALIDADE. A permanência dos sócios no Relatório de Vínculos não atribui, por si só, responsabilidade alguma aos mesmos, mas indica quais as pessoas físicas que compõe o quadro societário da sociedade empresária. É perfeita a distinção que se faz entre a pessoa jurídica empresária e os sócios que, mediante acordo de vontades, a constituem. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIAS DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO. CRIME MATERIAL. SOBRESTAMENTO DA REPRESENTAÇÃO ATÉ EXAURIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento carecem de competência no tocante ao cabimento material ou não da Representação Fiscal Para Fins Penais. Nos delitos materiais, como a sonegação de contribuição previdenciária, o prosseguimento da Representação Fiscal Para Fins Penais depende do exaurimento da instância administrativa, da qual resulte a constituição definitiva do crédito tributário. Até este momento, embora lavrada, fica acostada aos autos do processo administrativo tributário, aguardando seu desfecho. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação, frisando que: 1. a autuação fiscal nada dispôs acerca de estabelecimento de meta pela empresa, sendo que esta seria uma das razões para a manutenção do crédito pela DRJ; e 2. com relação aos adicionais de performance, o argumento de que os adicionais pagos aos gerentes e diretores tratariam de bônus por função ou de negócios em favor da empresa não pode prosperar na mediada em que: (i) a Lei 10.101/2000 não veda a adoção de metas exclusivamente individuais, ao revés, permite a adoção de qualquer meta que almeje o incremento da produtividade; (ii) a adoção de critérios distintos por cargo não contraria a Lei 10.101/2000, pois foi objeto de negociação entre as partes; e (iii) é lógico e racional atribuir uma parcela maior de PLR aos seus empregados envolvidos diretamente com a geração dos resultados almejados. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 8 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DO PROGRAMA DE METAS No Relatório Fiscal, o Fisco concluiu que a empresa deveria se utilizar de mecanismos de aferição com critérios e condições objetivas de índices de produtividade ou lucratividade e programas de metas e resultados, nos seguintes termos: “A Lei n° 10101/00 determina que nos instrumentos originários da negociação entre empregados, sindicato e empresa devem constar regras CLARAS E OBJETIVAS quanto à fixação dos DIREITOS SUBSTANTIVOS (quais serão os benefícios), da PARTICIPAÇÃO (o quanto deve contribuir individualmente, cada empregado, perante o coletivo) e das REGRAS ADJETIVAS (quais são as metas a cumprir individualmente perante o todo). Para tanto a empresa deveria utilizarse de mecanismos de aferição com critérios e condições OBJETIVAS de índices de produtividade ou lucratividade e programa de metas e resultados.” A delegacia de primeira instância afastou os argumentos apontados pela fiscalização de: (i) ausência de participação do Sindicato nas negociações; (ii) ausência de regras claras e objetivas; (iii) injustificada desproporcionalidade entre os valores distribuídos aos empregados; e (iv) responsabilidade tributária. Restando ementado, no que interessa, da seguinte maneira: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. ATUAÇÃO SINDICAL REMOTA E POSTERIOR À PACTUAÇÃO. ADOÇÃO DOS EXPEDIENTES NECESSÁRIOS À PARTICIPAÇÃO EFETIVA DO ENTE SINDICAL. Não infringe a legislação de regência os pagamentos realizados a título de participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa sem a atuação do sindicato contemporaneamente à reunião de pactuação, desde que o contribuinte tenha adotado os meios adequados a comunicar previamente o sindicato a se fazer presente na reunião, e este tenha optado pelo acompanhamento remoto e análise posterior do termo ajustado após sua pactuação. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 10 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DOS SEGURADOS. ISONOMIA. A avaliação de desempenho individual e em equipe constituise em critério válido à aferição da qualidade e produtividade dos segurados empregados, ausente outro critério mais adequado à verificação do merecimento dos mesmos, no que tange à empresa cuja atividade é a prestação de serviços estratégicos. A legislação da Participação nos Lucros e Resultados não exige estrita observância da isonomia em relação a segurados que se encontrem em situações concretas diferenciadas, havendo que se observar o regime de remuneração por competências como fato justificador do tratamento distinto entre segurados que se encontrem em situações diversas pela complexidade dos cargos que ocupam. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DE METAS A SEREM ATINGIDOS. Não configura participação nos lucros e resultados, mas sim remuneração variável, sujeita a tributação, os valores pagos por força de avaliação de desempenho dos segurados, enquanto fruto de seu próprio trabalho normal, sem que se tenha a previsão de metas para a empresa, seja a título de lucro ou resultado. A perfeita integração capitaltrabalho pressupõe que haja a previsão de um resultado a ser atingido tanto pelos segurados como pela empresa, como forma de motivação ao incremento da atividade empresária e à remuneração dos segurados. (...)” Desse contexto, extraise que o motivo para a manutenção da PLR como verba integrante do salário de contribuição seria a ausência de metas a serem atingidas, seja a título de lucro ou resultado. A Recorrente afirma que, na cláusula 3a do Termo de Participação dos Empregados nos Resultados, anos 2008 e 2009 (fls. 154/157 e 630/633), ficou estabelecida a meta a ser alcançada, pois existiria a previsão de um limite máximo geral de distribuição da participação relativo ao percentual de 70% do faturamento bruto da empresa. Neste particular, entendo que assiste razão a Recorrente, pois a Lei 10.101/2000 permite a criação pelas partes (sindicatos ou comissões envolvidas e empregadores) de diversos tipos de programas de metas, de acordo com a atividade de cada empresa e segmento de produção, podendo abarcar inclusive o lucro ou determinado resultado, sendo que o faturamento poderia ser um resultado pretendido pela partes. E, no caso dos autos, é forçoso afirmar que a cláusula 3a do Termo de Participação dos Empregados nos Resultados, anos 2008 e 2009, continha um índice de produtividade ou lucratividade e programa de metas de desempenho individual, levandose em consideração fatores individuais e coletivos, conforme regras do Anexo 1 e de acordo com o modelo descritivo de avaliação dos Anexos 2 e 3 dos Termos ora citados, bem como continha a previsão de um resultado submetido ao limite máximo geral de distribuição da PLR ao percentual de 70% do faturamento bruto da empresa. Vejamos trechos do Termo de PLR para o ano de 2009 (fls. 154/157): Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 7 11 “CLAÚSULA 2ª REGRAS GERAIS As regras aqui definidas foram fruto da livre negociação entre a BAIN e a COMISSÃO, sendo claras e objetivas, acessíveis a todos os participantes, facilitando o controle e acompanhamento por parte dos mesmos. A participação dos EMPREGADOS nos resultados da BAIN está condicionada às suas respectivas avaliações, de acordo com os fatores especificados nas cláusulas abaixo, os quais levam em consideração as competências que os EMPREGADOS devem possuir e desenvolver para melhorar os resultados da BAIN como um todo bem como os resultados da empresa. (...) CLÁUSULA 3ª AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E REGRAS DE APURAÇÃO DO PPR Todos os EMPREGADOS serão avaliados de acordo com seu desempenho pessoal, levandose em consideração fatores individuais e coletivos, consoante as regras especificadas no Anexo 1 e de acordo com o modelo de formulário e descritivo de avaliação constantes dos Anexos 2 e 3. Os valores bases de participação por nível são de ciência dos EMPREGADOS, conforme divulgado na época de sua admissão e nas comunicações individuais feitas ao final de cada ano, que passam a integrar o presente Termo para todos os fins de direito. O cálculo do valor a ser pago levará em conta os critérios para a avaliação de desempenho individual e os resultados da empresa, conforme as regras estabelecidas no anexo 1. Esses valores de participação nos resultados, informados aos EMPREGADOS, poderá ser revisados mediante a superação das metas estabelecidas no Anexo 1 e conforme as regras ali definidas. Fica, porém, estabelecido um limite geral de distribuição da participação relativa ao ano de 2009, qual seja, 70% do faturamento bruto da empresa.” O ANEXO 1 do Termo da PLR (fls. 158/161) enumera as seguintes informações sobre a avaliação de desempenho: “1) Os critérios para avaliação de desempenho correspondentes a cada nível são: 1. Adição de valor no Projeto 2. Qualidade da interação/comunicação com o cliente 3a. Qualidade do trabalho em equipe no projeto/cliente 3b. Trabalho em equipe para a empresa Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 12 2) Nos formulários específicos de avaliação de desempenho (Anexos 2 e 3), estão descritos os critérios e os conceitos atribuíveis aos empregados. 3) Nas avaliações de desempenho, poderá ser atribuído aos empregados um dos seguintes conceitos: · CO (constantemente acima da média); · FE (frequentemente acima da média); · SC (atinge a média); · IC (inconsistentemente abaixo da média); e · NM (não atinge a média). Os aspectos relacionados ao trabalho em equipe, além dos pontos elencados nos formulários que dizem respeito principalmente ao item 3a., incluem uma dimensão do item 3b., que diz respeito à contribuição para a empresa. Estes aspectos serão avaliados levando em consideração o nível de apoio dado ao desenvolvimento da empresa nas seguintes áreas: Desenvolvimento de Cliente Desenvolvimento de Prática Recrutamento Administração do escritório Relações Públicas/Atividades de Marketing ... omissis ... 5) O percentual de participação atribuído será uma função do percentual de avaliação para cada critério (de 0% a 150%, de acordo com a tabela abaixo), de acordo com os pesos acima especificados. O percentual de avaliação será aferido de acordo com o desempenho de cada empregado e calculado (também de acordo com os conceitos e percentuais da tabela abaixo) pelo grupo dos Diretores com a ajuda dos Gerentes, no caso de Consultores, Associados e Administrativos, e somente pelo grupo dos Diretores, no caso dos Gerentes. ... omissis ... 6) O percentual de avaliação dos Diretores e Diretores Gerentes bem como o valor da Participação será estabelecido pelo Diretor Geral Mundial, assistido pelo Comitê Mundial de Remuneração e pelos Diretores responsáveis pelo escritório de São Paulo, conforme processo descrito no Anexo 3.” No mesmo passo, o ANEXO 2 (fls. 162/163) traz os modelos de formulário de avaliação de desempenho dos gerentes, consultores, consultores associados e administrativos. “Tópico: “Estrutura do trabalho” Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 8 13 Quesitos: Assume a liderança; Gera hipótese efetiva e demonstra faro para valor; Planeja e gerencia processos eficientemente, baseado em answerfirst approach. Tópico: “Análise de alta qualidade” Quesitos: Demonstra conhecimento e aplicação das ferramentas da Bain; Executa análise competentemente. Tópico: “Criação de soluções” Quesitos: Atinge status de especialista; Entende o quadro como um todo; Recomenda soluções realistas, baseadas na visão do negócio. Tópico: “Cliente/Comunicação” – “Relacionamento com o cliente” Quesitos: Entende o cliente; Constrói relacionamentos fortes, colaborativos com o cliente; Conquista a confiança e a credibilidade do cliente. Tópico: “Cliente/Comunicação” – “Comunicação efetiva” Quesitos: Comunica visão do negócios (conteúdo); Prepara apresentações de alto impacto (CFR); Participa efetivamente nas reuniões; Entrega apresentações eficazes (estilo). Tópico: “Equipe” – “Equipe de trabalho” Quesitos: Gerencia o tempo eficientemente; facilita a comunicação entre o grupo; Alavanca o tempo e as habilidades dos supervisores. Tópico: “Equipe” – “Desenvolvimento profissional” Quesitos: Utiliza e ministra treinamento e desenvolvimento eficientemente; Utiliza e ministra feedback eficaz; Motiva subordinados diretos. Tópico: “Equipe” – “Princípios operacionais” O ANEXO 3 (fls. 164/165) informa o processo de avaliação de desempenho dos Diretores. Descreve: “O processo de Avaliação de desempenho dos Diretores é um processo extenso envolvendo o Diretor Geral Mundial, o Diretor responsável pelo escritório de São Paulo , os Assessores e o Comitê Mundial de Remuneração. Anualmente, todo Diretor deve completar e submeter para o Diretor responsável pelo escritório de São Paulo e ao Diretor Geral Mundial um Formulário de AutoAvaliação e um Formulário de Avaliação do relacionamento e do impacto do trabalho conduzido com cada cliente significativo. O Diretor Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 14 mais Sênior precisa submeter para o Diretor Geral Mundial e os revisores “terceiros” do Comitê Mundial de Remuneração uma avaliação que inclua as seguintes informações: os resultados do escritório de São Paulo abrangendo receitas e lucratividade do cliente, qualidade, relacionamento e impacto do nosso trabalho junto aos clientes, avaliações de desempenho individual e por equipe para cada Diretor. Além disso, um revisor “terceiro” deve se reunir com cada Diretor para discutir sua auto avaliação. O Diretor mais Sênior de São Paulo e o revisor “terceiro” devem discutir as respectivas avaliações e chegar num consenso a ser submetido para o Diretor Geral Mundial e o Comitê Mundial de Remuneração. O Diretor Geral Mundial e o Comitê Mundial de Remuneração determinam uma avaliação de desempenho consensual para cada Diretor conforme as seguintes métricas: Qualidade dos resultados do trabalho junto ao cliente e qualidade dos relacionamentos com o cliente (isto é, relacionamento com o CEO vc. com o Presidente da Divisão, múltiplos relacionamentos durante o ano, referência e lucratividade do cliente); ∙ Desenvolvimento e monitoramento pessoal; ∙ Valores da equipe; ∙ Contribuições individuais; ∙ Contribuições com a área (Indústria ou Prática); e, ∙ Resultado do escritório. No caso de Diretores Financeiro e Administrativo, serão os dois Diretores mais seniores do escritório a determinar a avaliação de desempenho levando em conta o resultado do escritório, a qualidade dos controles e sistemas administrativos e financeiros do escritório e a contribuição dos Diretores Financeiro e Administrativo na gestão do escritório. O percentual de Participação nos Resultados atribuído é uma função da avaliação com base em cada um dos critérios conforme determinado pelo Diretor Geral Mundial e pelo Comitê Mundial de Remuneração, e resulta no valor final da Participação nos Resultados que é informada ao escritório local anualmente.” Percebese, também, que o § 1º do art. 2o da Lei 10.101/2000 preconiza que as regras estampadas na concessão da PLR deverão ser claras e objetivas, além de facultar determinados critérios e condições para sua concessão. Assim, o rol veiculado nesse § 1º possui natureza exemplificativa e não taxativa ou exaustiva, já que o legislador utilizou a expressão “podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições”. Lei 10.101/2000: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 9 15 I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Ao estabelecer “entre outros” (artigo 2°, §1° Lei 10.101/2000), podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Percebese que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificálos. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa decorrente de seu faturamento. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro, ou nas suas receitas, que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. Como a Lei 10.101/2000 não faz previsões de metas individualizadas ou coletivas, entendo que, diante desse silêncio, a PLR poderá ser realizada de foram geral, por setores ou por cargos ou ainda de forma individualizada, variando conforme entendimento das partes envolvidas e desde que haja um fundamento para incentivar a produtividade e seja consubstanciado em regras claras e objetivas estipuladas no acordo. Assim, o programa de metas poderá ser coletivo ou individual, podendo englobar lucros ou resultado, este, no caso dos autos, consubstanciado pelo faturamento da Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 16 empresa ou outro resultado qualquer, desde que seja desvencilhado do conceito de salário, prêmio ou gratificação. Em nenhum momento o Fisco afirma ou encaminha que os valores foram pagos sem a observância do faturamento da empresa. Pelo contrário, os documentos juntados aos autos apontam que os valores pagos a título de PLR estariam limitados a 70% do faturamento bruto da Recorrente, decorrente de sua receita bruta, e observando a sua produtividade e a rentabilidade. Concluise que, após a avaliação dos fatores individuais e coletivos, conforme regras do Anexo 1 e de acordo com o modelo descritivo de avaliação dos Anexos 2 e 3 dos Termos de Participação, a previsão de um limite máximo geral de distribuição da PLR ao percentual de 70% do faturamento bruto da empresa configura um programa de metas nos moldes do inciso II do § 1º do art. 2o da Lei 10.101/2000. E nem poderia o Fisco criar metas específicas para o caso concreto, especialmente em sede de decisão de primeira instância, sob pena de violação ao princípio da legalidade (art. 37, caput, e art. 150, I, ambos da CF/1988). DO ADICIONAL DE PERFORMANCE O Relatório Fiscal aponta que a empresa oferece o adicional de performance em função da sua margem bruta em relação ao orçamento, com caráter de “bônus” aos Gerentes e Consultores, especificados no Anexo 1, nos seguintes termos: “Nos acordos de 2008 e 2009, Anexo 1, há outra evidência de ausência de atendimento ao preconizado na Lei nº 10.101/00. A empresa oferece com caráter de “bônus” aos Gerentes e Consultores, especificados no Anexo, o Adicional de Performance em função da margem bruta da empresa em relação ao orçamento.” (g.n.) A delegacia de primeira instância afirma que o Adicional de Performance configura mera remuneração sujeita à incidência de contribuições previdenciárias e não está inserido na natureza da PLR, pelos seguintes motivos: “Em primeiro lugar, referido adicional não conta com a previsão de metas específicas a serem atingidas. Ao revés, prevê até mesmo seu pagamento com redução no caso, por exemplo, da margem bruta da empresa ficar entre 5 a 20% abaixo do orçamento, apesar do item 08 estabelecer que “o valor base resultante da avaliação individual” “poderá ser majorado ou diminuído”, “se a Margem Bruta da empresa antes do pagamento das Participações, for maior que o orçamento”. Ou seja, mesmo no caso da margem ser inferior ao orçamento, em percentual acima de 20% o adicional é pago, porém com redução, o que revela que não se trata de uma participação efetiva nos lucros ou resultados, mas uma bonificação absolutamente desvinculada desta finalidade. Além disso, a expressão “orçamento” tal qual posta no item 08 do ANEXO 1, indica que a mesma consiste no saldo residual decorrente da seguinte operação: LUCRO BRUTO = RECEITAS BRUTAS – IMPOSTOS – SALÁRIOS – DESPESAS. Ora, este tipo de operação não se coaduna à natureza da PLR, pois pressupõe, como já visto, o mero faturamento da empresa, sem a previsão de qualquer meta específica a ser atingida pelo Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 10 17 contribuinte, diante da qual se possa aquilatar da efetiva contribuição dos Gerentes. Além disso, o tratamento diferenciado a Gerentes, por força do adicional de performance não se legitima diante do argumento de tratamento desigual de pessoas que se situem em realidades desiguais. Isto porque não há qualquer fator justificativo do tratamento desigual, capaz de amparar o tratamento desigual, que pode, frisese, implicar em pagamentos majorados ou reduzidos da suposta parcela de participação.” Neste particular, o termo performance significa “realização, feito, façanha ou desempenho de uma determinada atividade”. Como se constata da Lei 10.101/2000, não há regras detalhadas em seus dispositivos sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados, podendo os sindicatos envolvidos ou as comissões (artigo 2º, §1º, da Lei 10.101/2000) fixarem diversos critérios e condições para a concessão da PLR, dentro de seu âmbito de liberdade. Nesse sentido, o inciso I do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000 permite inclusive que a condição para a concessão da PLR seja apenas o aumento da lucratividade da empresa ou outro índice de produtividade e, ao registra entre outros critérios e condições, pareceme que abarca também a margem bruta em relação ao orçamento da empresa, desde que não tenha caráter de substituição da remuneração dos empregados (art. 3o da Lei 10.101/2000). No caso dos autos, entendo que o Fisco não caracterizou o adicional de performance como elemento de substituição da remuneração nem caracterizou o descumprimento dos requisitos da Lei 10.101/2000, pois não demonstrou de forma concreta a situação fática do fato gerador (elemento material), não sendo suficiente a imputação genérica ou abstrata do fato. Além disso, aparentemente, o Fisco extraiu a incidência da contribuição previdenciária apenas da leitura isolada do item 08 do Anexo 1 do termo de PLR relativo ao ano de 2009, que assim prevê: “8) O valor base resultante da avaliação individual conforme critérios descritos acima, os quais forma informados aos empregados na época da admissão e/ou nas comunicações individuais feitas ao final de cada ano, poderá ser majorado ou diminuído, somente nos casos de Gerentes*, e CTLs C5 a C8, conforme tabela abaixo e de acordo com o resultado da avaliação individual, se a Margem Bruta da empresa antes do pagamento das Participações, for maior que o orçamento, considerando lucro bruto em R$ calculado como as receitas brutas menos impostos, menos salários e despesas: (...)” Nesse passo, o fato de estabelecer metas diferenciadas para gerentes e consultores, isso por si só, não descaracteriza a PLR, pois não seria adequado, ou mesmo isonômico, estabelecer metas iguais para aqueles que, em função do seu cargo, terão mais responsabilidade pelo resultado da empresa do que outros funcionários, desde que reste comprovada a participação do sindicato no estabelecimento das regras previstas nos acordos, que foi o caso dos autos. Dessa forma, o simples fato de haver no plano e metas diferenciadas de acordo com o cargo do segurado não está em desacordo com a Lei 10.101/2000. Com isso, entendo que o Fisco não caracterizou o suposto adicional de performance como substituto ou complemento da remuneração dos empregados e, portanto, Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 18 não está em desacordo com a legislação, motivo da não incidência da contribuição previdenciária sobre essa parcela. DO ADICIONAL AO DIRETORGERENTE O Relatório Fiscal aponta que a empresa oferece um adicional ao Diretor Gerente com base nos honorários líquidos oriundos dos projetos, variável de 3% a 7%, nos seguintes termos: “A empresa, em 01/07/2008, criou o cargo de DiretorGerente, nomeado de VP VicePresidente, e através de um Aditivo ao Acordo de 2008 ofereceu um adicional com base nos Honorários Líquidos oriundos de projetos, variável entre 3% a 7%, com exclusão dos demais empregados desta remuneração variável, demonstração evidente de tratarse de Bonificação a ocupantes do cargo criado.” Inicialmente, cumpre esclarecer que – conforme o disposto no art. 28, alínea “j”, § 9º, da Lei 8.212/1991 – é isenta de contribuição previdenciária apenas a verba decorrente de participação nos lucros ou resultados da empresa que fora paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei 10.101/2000. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9°. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; (g.n.) Nesse sentido, a Lei 10.101/2000 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/1991 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Portanto, para não integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, o pagamento a título de PRL deve seguir o que determina a Lei 10.101/2000: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 11 19 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. (...) § 2o. É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Em termos gerais, o pagamento de PLR deve atender cumulativamente aos seguintes requisitos: 1. deve ter sido objeto de negociação entre a empresa e seus empregados. Tal negociação pode ser feita através de acordo celebrado por uma comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou por convenção ou acordo coletivo; 2. os instrumentos de negociação devem conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos de participação, como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; 3. a concessão da participação nos lucros ou resultados não pode substituir ou complementar a remuneração devida a qualquer empregado; 4. o instrumento de acordo celebrado deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; 5. a periodicidade mínima para pagamento deve ser de um semestre e no máximo duas vezes no mesmo ano. O aditivo firmado em 01/07/2008 (fls. 666/667) previa a concessão ao DiretorGerente de uma verba intitulada de adicional no valor da participação nos resultados, definido em função dos honorários líquidos oriundos de projetos, nos seguintes termos: “A partir de 1º de julho de 2008 foi criado um novo cargo na empresa chamado Diretor Gerente com atribuições distintas das de Gerentes e Diretores e, portanto, com um sistema de participação nos resultados diferenciado. ... omissis ... Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 20 Um adicional no valor da participação nos resultados será definido em função dos honorários líquidos oriundos de projetos, a saber: até 3% sobre os honorários obtidos em projetos nos quais o Diretor Gerente tenha atuado somente como Diretor Gerente do projeto, até 4% sobre os honorários obtidos em projetos nos quais o Diretor Gerente tenha sido responsável pela venda do projeto, e ainda até 7% no caso de terem sido contempladas as duas situações descritas anteriormente.” (g.n.) No caso em comento, entendo que esse adicional concedido ao Diretor Gerente configura uma remuneração tributável nos mesmos moldes de uma gratificação ou comissão, pois o adicional está imbricado diretamente com os honorários percebidos pelo segurado, a teor do art. 3o da Lei 10.101/2000. Além disso, tal adicional não configura uma programa de meta ou índice produtividade ou lucratividade, mas sim um instrumento aleatório de majoração do salário do DiretorGerente e em desacordo com as regras previstas no § 1º do art. 2o da Lei 10.101/2000. Dessa forma, é forçoso concluir que a verba intitulada pela Recorrente de adicional no valor da participação nos resultados, variável de 3 a 7%, é flagrantemente uma gratificação ou comissão atrelada a uma produtividade sem aferição de metas, e, por consectário lógico, configurase como remuneração vinculada ao salário, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 201, §111 da Constituição Federal de 1988. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A distribuição dos lucros ou resultados (PLR) exige o alcance de metas, e estas devem ser cumpridas pelos empregados para que façam jus ao recebimento de participação nos lucros ou resultados, fato este não evidenciado na concessão desse adicional ao GerenteDiretor. Com isso, a Recorrente também descumpriu a regra prevista no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, já que o instrumento de negociação coletiva deve constar, entre outras: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. É oportuno lembrar que não é a instituição de um plano de pagamento – tal como o previsto em Acordo Coletivo de Trabalho, ou qualquer outro tipo de acordo assinado com os sindicatos –, referente ao pagamento de verbas a títulos de participação nos lucros, que irá lhe retirar o seu caráter remuneratório (art. 123 do CTN). Pelo contrário, é importante a estreita observância à legislação que, neste caso, irá afastála da incidência tributária. 1 Artigo 201, §11, CF/1988: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 12 21 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Diante do exposto – seja pelo descumprimento do art. 3º da Lei 10.101/2000 (adicional configurado como uma gratificação ou comissão), seja pelo descumprimento do §1º do art. 2º dessa Lei (não comprovação de atingimento de metas) –, os valores pagos a título de adicional ao DiretorGerente devem integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer que sejam excluídos os fatos geradores da PLR decorrentes da suposta ausência meta específica a título de lucros ou resultado e do suposto adicional de performance, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 22 Declaração de Voto Marcelo Oliveira Relator Com todo respeito ao nobre e competente relator, divirjo de sua conclusão quanto à incidência de contribuição sobre o adicional do DiretorGerente. Para o nobre relator, conforme acima, deve ser tributado o adicional pelo seguinte motivo, como consta da conclusão de seu voto: "Diante do exposto – seja pelo descumprimento do art. 3º da Lei 10.101/2000 adicional configurado como uma gratificação ou comissão), seja pelo descumprimento do §1º do art. 2º dessa Lei (não comprovação de atingimento de metas) –, os valores pagos a título de adicional ao DiretorGerente devem integrar o salário de contribuição, nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei 8.212/1991, não estando enquadrados na excludente do § 9o, alínea “j”, deste mesmo artigo, bem como do artigo 214, § 9°, “X” e § 10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999." Já para o relatório fiscal (RF), acusação sobre descumprimento de obrigação tributária principal, há a seguinte fundamentação para a exigência do tributo: 3 A empresa em 01/07/2008 criou o cargo de Diretor Gerente, nomeado de VP VicePresidente, e através de um Aditivo ao Acordo de 2008 ofereceu um adicional com base nos Honorários Líquidos oriundos de projetos, variável entre 3% a 7%, com exclusão dos demais empregados desta remuneração variável, demonstração evidente de tratarse de Bonificação a ocupantes do cargo criado. Do exposto concluise: A Lei 10101/00 determina que nos instrumentos originários da negociação entre empregados, sindicato e empresa devem constar regras CLARAS E OBJETIVAS quanto à fixação dos DIREITOS SUBSTANTIVOS (quais serão os benefícios), da PARTICIPAÇÃO (o quanto deve contribuir individualmente, cada empregado, perante o coletivo) e das REGRAS ADJETIVAS (quais são as metas a cumprir individualmente perante o todo). Para tanto a empresa deveria utilizarse de mecanismos de aferição com critérios e condições OBJETIVAS de índices de produtividade ou lucratividade e programa de metas e resultados Os planos verificados apresentam distorções nas fixações dos Direitos, nas atribuições de Participações e nas Regras Adjetivas, a empresa criou situações a parte do legalmente determinado c. desta forma, apuramos os valores pagos ou creditados na Folha de Pagamento, no período de 2009, sob o Título de Participação Resultados, e efetuamos o Levantamento PR. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19515.722975/201343 Acórdão n.º 2402005.116 S2C4T2 Fl. 13 23 Portanto, a empresa no ano de 2009 distribui Participação nos Lucros e. Resultados aos Empregados em desconformidade ao determinado na lei 10.101 / 2000 e os valores consolidados neste Auto de Infração referemse as remunerações pagas e não consideradas pela empresa como fato gerador previdenciário e não declaradas nas GFIPs cujo valores trbutáveis foram apurados com base nos valores nominais; retirados das Folhas de Pagamentos, rubrica 1023, apresentados pelo..sujeito passivo...nos Arquivas..Digitais no formado do Manual de Arquivos Digitais (MANAD) os quais foram confrontados; com as guias de recolhimento e GFIPs." Em nosso entender, o Fisco justificou, fundamentou a tributação pela não extensividade a todos os segurados a serviço da empresa. Repetimos o motivo fiscal: 3 A empresa em 01/07/2008 criou o cargo de Diretor Gerente, nomeado de VP VicePresidente, e através de um Aditivo ao Acordo de 2008 ofereceu um adicional com base nos Honorários Líquidos oriundos de projetos, variável entre 3% a 7%, com exclusão dos demais empregados desta remuneração variável, demonstração evidente de tratarse de Bonificação a ocupantes do cargo criado. Ora, não há, em lugar algum da Lei 10.101/2000, da Lei 8.212/1991 ou do Decreto 3048/1999 a obrigatoriedade de que pagamentos de PLR sejam extensivos a todos os segurados. Essa obrigatoriedade há em outras verbas, mas não nas verbas oriundas de PLR. Se o legislador não criou essa condicionante, não há como a Administração Tributária criála, pois irá ferir o Princípio da Legalidade. Não é demais lembrar que as pessoas (física e jurídicas) possuem o direito de realizar todos atos que não são vedados em Lei. Já a administração pública só pode realizar atos que estão previstos em Lei. Essa premissa administrativa é, inclusive, ressaltada para a Administração Tributária, no CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA 24 Claro que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não só para constituir a exigência, mas também para não exigila. Ou seja, o Fisco só deve fazer o que está em Lei. Portanto, com todo respeito ao relator, por não existir condicionante para a verba paga a título de PLR seja estendida a todos os segurados e por ser essa a motivação da acusação, dou provimento ao recurso, neste ponto. Destaco que não cabe ao julgador, em respeito ao devido processo legal, fundamentar, agora, acusação que deveria estar fundamentada desde o início do processo, por isso deixo de fazêlo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/04/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10932.000187/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.966
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 87 /2 00 9- 21 Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/200921 Acórdão n.º 2201002.966 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas, Acórdão 0539.407 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Constam deste processo os seguintes Autos de Infração, cujo período de apuração vai de 11/2004 a 01/2007: Segue abaixo a descrição do Auto de Infração nº 10932.000187/200921, sendo que os outros dois processos estão sendo analisados em acórdãos separadamente: COMPROT nº 10932.000187/200921 (AIOP DEBCAD nº 37.227.381 5) – contribuição patronal Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal, se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e não recolhidas em época própria, tendo sido o crédito lançado por aferição indireta, no período de 11/2004 a 01/2007, no valor consolidado de R$11.421.750,80 (Onze milhões, quatrocentos e vinte e um mil, setecentos e cinqüenta reais, e oitenta centavos), em 04/06/2009, referindose ao levantamento “240 – Obra240”. Esclarece ainda o Relatório Fiscal o seguinte: Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Tratase de fiscalização de obra de construção civil, relacionado à serviços contínuos de conservação de Drenagem, Desassoreamento, Limpeza e Capinação de córregos, desobstrução de Bocas de Lobo, recuperação de áreas deterioradas, muros de arrimo, pavimentação e outros correlatos e serviços contínuos de execução de Redes de água e esgoto, com fornecimento de equipamentos, materiais e mão de obra, realizado pela empresa Emparsanco S/A, através do contrato entre a mesma e a SEMASA Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André. Informa a fiscalização ter havido vários termos de intimação para a apresentação de documentos sem sucesso, e conclui que: (...) pelo fato da empresa não escriturar em títulos próprios e ou em contas individualizadas as obras realizadas, conforme demonstram as Contas nºs 2.01.01.01.06.0001; 3.01.01.01.01.0001 e 3.01.01.01.01.0003, dos Livros Razão apresentados (xerox em anexo amostragem) foi emitido o AI AutodeInfração 37.227.3653. 4.6. Desta forma não restou à fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na Construção desta Obra conforme comandos do art. 33 § 6º da Lei 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e suas alterações: (...) Enfim, o Relatório complementa: 5. Para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na execução desta obra foi realizado a aferição indireta pelas notas fiscais de serviço emitidas pela empresa e por estar especificado no Contrato a previsão de fornecimento de Material foi aplicada a alíquota de 20% sobre as Notas Fiscais, conforme determina o § 1º do Art. 601 da IN 03, de 14 de julho de 2005 e suas alterações (...) (...) Os cálculos do Salário de Contribuição devido e o período de lançamento do crédito estão discriminados no ANEXO I e no anexo Relatório de Lançamento RL. 6. As alíquotas aplicadas constam do anexo "Discriminativo Analítico do Débito DAD". 7. Foram considerados e abatidos os recolhimentos vinculados à obra, constantes no Sistema de Contacorrente/DATAPREV, demonstrado no anexo RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. A fiscalização elaborou a seguinte planilha com os Autos de Infração emitidos nesta ação fiscal: ... O contribuinte contestou o lançamento fazendo um resumo inicial da autuação, e alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/200921 Acórdão n.º 2201002.966 S2C2T1 Fl. 4 5 Do Direito Preliminar Descrevendo a atividade administrativa, a impugnante ressalta a importância do princípio da Verdade Material. Afirma que mantém um sistema eletrônico de escrituração contábil em conformidade com os Princípios de Contabilidade geralmente aceitos e que se encontra interligado com os demais setores da empresa, escriturando as transações que impliquem em mudança da situação patrimonial no mesmo instante nos livros mercantis (Razão e Diário). Assim, o Setor de Pessoal ao elaborar mensalmente a folha de salários promove respectivamente o cálculo dos encargos previdenciários incidentes e de responsabilidade da empregadora, bem como promove a retenção dos encargos relativos à parte dos Segurados Empregados por obra realizada ou serviço prestado. Ou seja, há um controle analítico de salários e respectivos encargos previdenciários de forma individualizada dos funcionários utilizados em cada obra realizada pela impugnante, bem como das verbas previdenciárias obrigatórias a serem recolhidas e também dos valores retidos dos empregados incidentes para cada obra, que são carreados aos cofres da União. Posteriormente ao fechamento do controle analítico individualizado por obra descrito no parágrafo anterior, bem como o cálculo das verbas previdenciárias incidentes, o setor encarregado de elaborar a folha reúne todos aqueles dados individualizados por obra, os lança na folha de salários e respectivos encargos previdenciários. E, ato contínuo, lança na escrita mercantil (contas 2.01.01.01.06.00020, j) de forma individualizada, possuindo, também, controles contábeis para identificar a composição do valor total lançado na escrituração mercantil. Outrossim, a decisão de optar pela forma de apuração por aferição indireta foi incorreta e precipitada, uma vez que a servidora ao promover a exegese do artigo 32, inciso II da Lei n°. 8.212/91 desconheceu a diferença entre os conceitos de contabilidade e escritura fiscal. O termo contabilidade descrito no inciso II, do artigo 32 da Lei n. 8.212/91, deve ser interpretado como os registros analíticos onde a impugnante promove o cálculo das folhas de salário e respectivos encargos previdenciános por obra (de sua responsabilidade, como os retidos dos empregados) em obediência ao determinado naquele dispositivo legal. E segue argumentando: Assim se a Auditora Fiscal houvesse promovido o confronto: a) dos encargos previdenciários lançados nos registros analíticos por obra com a folha teria apurado que há entre os mesmos correlação e consistência; b) do resumo da folha de salários e respectivos encargos previdenciários com os registros contábeis, também teria apurado que há entre os mesmos correlação e consistência e que a impugnante tem perfeitas condições e controles contábeis e analíticos para provar que o valor dos encargos previdenciários Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 apurados por ocasião da lavratura da folha de pagamento encontrase devidamente lançado nos registros mercantis; c) E o mais importante, se a Auditora houvesse consultado a conta correta (que é a de número 2.01.01.01.06.0002, e não a conta 2.01.01.01.06.0001, teria visualizado os valores descritos nas alíneas acima. Da mesma forma, alega que não menos importante de se frisar é que a Servidora Fiscal lavrou entre o início do procedimento em 26/09/07 até a lavratura do auto em 19/06/09 apenas três termos: no dia 26/09/07, em 20/03/08 e em 09/02/09, solicitando no primeiro termo a apresentação de todos os documentos relativos às obras executadas, e nos demais a apresentação da contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra. Assim, embora a Auditora Fiscal tenha afirmado que a empresa não apresentou a contabilidade por centro de custo/obra, em momento algum intimou e externou à empresa a sua dúvida, ou solicitou justificativas por não visualizar na contabilidade o determinado na Lei n° 8.212/91, sendo que o setor de folha de pagamento elabora os registros contábeis e os lança na escrituração mercantil, na conta 2.01.01.01.06.0002 Salários e Encargos a Pagar. Assim, se tivesse feito a distinção entre contabilidade e escrituração mercantil teria percebido que a empresa possui contabilidade por centro de custo/obra e que a lança em sua escrita mercantil (Livros Diário e Razão). Ao se analisar o Discriminativo Analítico do Débito – DAD percebese que a fiscalização não abateu do valor lançado no Auto o montante já recolhido das verbas previdenciárias de que trata o mesmo. Assim, mesmo que o arbitramento fosse cabível, o que não o é, também se encontra incorreto o valor lançado. Na sequência, alega ainda o seguinte: TAMBÉM COMPETE DESTACAR NESSA FASE PRELIMINAR QUE A SERVIDORA FISCAL UTILIZOU COMO VALOR TRIBUTÁVEL PARA ARBITRAMENTO, A NOTA FISCAL DE N°. 002851 DE 26/01/2005, NO VALOR DE R$ 89.905.618,00 (OITENTA E NOVE MILHÕES NOVECENTOS E CINCO MIL SEISCENTOS E DEZOITO REAIS), SENDO QUE A MESMA FOI CANCELADA POR ESTAR INCORRETO O SEU VALOR, TENDO SIDO EMITIDA A NOTA FISCAL DE N°. 002852 NA MESMA DATA NO VALOR RETIFICADO DE R$ 899.056,18 (OITOCENTOS E NOVENTA E NOVE MIL CINQUENTA E SEIS REAIS E DEZOITO CENTAVOS). Propugna ao final que a forma de aferição indireta adotada seja tornada insubsistente, pois a apuração das contribuições foi promovida conforme a legislação que regula a matéria. MÉRITO No mérito, informa a impugnante que celebrou contrato com o SEMASA Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André, e abriu em seu setor de folha de pagamento o registro contábil de número 240, doravante chamado de “Obra 240”. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/200921 Acórdão n.º 2201002.966 S2C2T1 Fl. 5 7 A impugnante mantém em seus sistemas de folha de pagamento o controle por centro de custo/obra das verbas previdenciárias incidentes sobre os valores pagos os seus empregados e que compõem a base de cálculo daquelas exações. Ao final de cada mês ou período de apuração, é calculado o valor das verbas previdenciárias por centro de custo/obra e emitido o relatório genérico de eventos, onde se demonstra por obra ou centro de custo o montante das verbas previdenciárias incidentes por obra. Informa ainda que: (...) Após proceder ao cálculo de forma individualizada ou por centro de custo/obra, o Setor de Folha de Pagamento inclui em um único valor todos aqueles valores calculados individualmente e os lança no Resumo Geral da Folha de pagamento e ato contínuo e os lança sob a rubrica "Base INSS Empresa", (conforme se depreende do disposto no Resumo da Folha de Pagamento). Após o Setor de Folha de Pagamento promover o cálculo das verbas descritas no item anterior, a impugnante escritura no livro razão o valor total a recolher na conta 2.01.01.01.06.00020 Salários e Encargos a Pagar na rubrica "Valor INSS Empresa Mês". Assim a rubrica Valor INSS Empresa lançada na conta 2.01.01.01.06.0002 Salários e Encargos a Pagar, reflete o total de todas as verbas previdenciárias e trabalhistas apuradas no mês e o Setor de Pessoal elabora e possui os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil, bem como possui controle de todos os valores lançados na rubrica Valor INSS Empresa Mês. (...) As diferenças entre o valor constante no resumo da folha de pagamentos com o valor da rubrica Valor INSS Empresa Mês são objeto de conciliações. A seguir é feita uma demonstração por meio de planilhas das verbas previdenciárias que foram objeto do lançamento, inclusive do sistema S e Salário Educação, embora este Auto de Infração não se reporte a essas contribuições, e anexados vários documentos de sua contabilidade, folhas de pagamento e relatórios genéricos de eventos por centro de custo obra, a fim de comprovar que possui controle por centro de custo/obra das contribuições previdenciárias, que a somatória por centro de custo confere com o resumo da folha de pagamento e que o valor da folha de pagamento é escriturado nos seus livros contábeis. Segue dizendo que: Tão importante quanto provar que promovemos a apuração das verbas previdenciárias por centro de custo e que os mesmos Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 encontramse lançados na escrituração mercantil é demonstrar que os valores apuradas forma declarados nas GFIP apresentadas. Igualmente, devese informar que o valor relativo aos terceiros (parte da empresa e retido dos mesmos) não foi informado em GFIP durante alguns meses, por isso nas planilhas abaixo sempre aparecerá a diferença da não informação destes em GFIP, bem como, os mesmos foram recolhidos com a adição do um percentual de relativo á contribuição prevista no artigo 68 da Instrução normativa SRP n° 03/2005. Após a elaboração de várias planilhas demonstrativas desta argumentação a impugnante conclui ter ficado demonstrada a insubsistência da ação fiscal, e requer a suspensão da exigência pela apresentação da impugnação, juntando aos autos vários documentos como cópias do Livro Razão, de resumos das folhas de pagamento, do resumo analítico por obra/centro de custo, GFIP’s e GPS’s. Em vista das alegações e demonstrativos apresentados nos três processos, bem como dos documentos a eles juntados, esta 8ª Turma de Julgamento emitiu a Resolução nº 2692, em 11/11/2009, para que a fiscalização se manifestasse quanto a determinados questionamentos. A fiscalização, em resposta ao que lhe foi solicitado, em síntese, assim se pronunciou: 1) Da análise prévia Preliminarmente, informamos que este termo de constatação se refere a todos os processos que foram gerados por meio da fiscalização de MPF 0811900.2008.00092, listados abaixo: ... 2) Da documentação apresentada pelo contribuinte na impugnação Em sua defesa, o contribuinte apresentou, além do relatório de impugnação, os seguintes documentos, além de outros: a)composição contábil b)razão contábil da conta 2.01.01.01.06.0002 INSS A RECOLHER c)resumo da folha O ponto mais importante a destacar, que embasará a defesa deste auto de infração e de todos os outros, é que, ao analisarmos CONJUNTAMENTE todos os processos originados desta fiscalização, verificamos que todos estes documentos listados acima, apresentados como meio de prova pelo contribuinte, SÃO SEMPRE OS MESMOS, apresentando sempre os mesmos valores, e estes valores apresentados de FORMA GLOBAL, ou seja, totalizados para a empresa como um todo e nunca de forma individualizada, para cada obra de construção civil, logicamente quando comparamos a mesma competência. (...) Além do mais, quanto a folha de pagamento, o contribuinte apresentou apenas o RESUMO GERAL DA EMPRESA e não a folha de pagamento por centro de custo. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/200921 Acórdão n.º 2201002.966 S2C2T1 Fl. 6 9 3) Do mérito (...) Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa. Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91. (...) Portanto, analisando esta parte da defesa, chegamos a conclusão que o documento que o contribuinte chama de "relatório genérico de eventos por centro de custo obra" é o mesmo que, em seus anexos, nomeia de "composição contábil". (...) Ora, o contribuinte alega que, sendo este o relatório genérico de eventos por centro de custo obra, seria neste documento que "se demonstra por obra ou centro de custo o montante das verbas providenciarias incidentes por obra:" Porém isto não se comprova. (...) (...) Ora, se este relatório, como disse o próprio contribuinte em sua defesa, se presta para que "se demonstre por obra ou centro de custo o montante das verbas previdenciárias incidentes por obra:", como é que faz sentido que este relatório contenha os mesmos valores para diferentes obras de construção civil? Se realmente este relatório gerencial demonstrasse a contabilização do montante das verbas previdenciárias individualizadas por obra, deveríamos observar valores diferentes em suas tabelas, a não ser que houvesse enorme coincidência, o que não deve ser o caso. O mesmo se pode falar da alegação que o contribuinte diz que apresenta "os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil". Se estes registros contábeis a que se refere o contribuinte são aqueles demonstrados no quadro acima, na parte de CONTABILIDADE, de maneira alguma estes registros estão individualizados por obra de construção civil, conforme explicitado acima. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 4) Da conclusão Portanto, diante de todos estes fatos explicitados neste termo de constatação, e em resposta à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, 8a. Turma, decidimos pela manutenção integral dos autos de infração referentes à fiscalização de MPF 0811900.2008.00092. Após um breve relato sobre a situação processual a impugnante apresentou suas contrarazões, conforme resumidamente descrito abaixo: A impugnante inicia sua argumentação dizendo o seguinte: Nos parágrafos seguintes, demonstraremos que o Termo de Constatação Fiscal objeto da presente contrarazões encontrase em desconformidade com a realidade dos fatos, bem como cerceou o Direito de Defesa do Contribuinte, pois a impugnante não participou do mesmo, sendo somente cientificada das conclusões do agente fiscal, sem poder apresentar provas que demonstrem que a aferição indireta foi incorreta. A seguir argumenta que no primeiro tópico da Constatação Fiscal, a fiscalização em sua Análise Prévia apenas descreveu a causa de pedir que resultou na exigência dos créditos previdenciários impugnados, não promovendo qualquer análise ou juízo sobre os fatos. No tópico sobre a documentação apresentada pelo contribuinte na impugnação tece os seguintes comentários: No tópico "Da análise prévia" o agente fiscal lista 52 (cinqüenta e dois) processos que têm como causa de pedir a aferição indireta como forma de apuração de contribuição previdenciária. Cada processo corresponde a uma obra realizada por Emparsanco S/A. Conforme descrito no parágrafo anterior e omitido pelo agente fiscal em seu Termo de Constatação Fiscal, cada um dos 52 (cinqüenta e dois) processos corresponde a uma obra e mensalmente era elaborada uma folha de pagamento individualizada por empreitada com a descrição de todos os trabalhadores envolvidos e respectivas verbas sujeitas à contribuição previdenciária para cada uma. Após elaborar diversas folhas de pagamento analíticas para cada obra realizada, calculandose as verbas previdenciárias incidentes sobre os valores descritos em cada um daqueles documentos era feita a compilação em um único documento chamado folha de pagamento do mês, cujos valores eram escriturados no Livro Razão, inclusive na conta “2.01.01.06.002 – INSS A RECOLHER”. Ante o exposto, concluise que no Livro Razão há somente o lançamento total de todas as verbas previdenciárias apuradas no mês, porém existem controles analíticos elaborados pelo setor de folha de pagamento que demonstram os valores pagos a cada trabalhador para cada obra realiza a e as contribuições Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/200921 Acórdão n.º 2201002.966 S2C2T1 Fl. 7 11 previdenciárias apuradas para cada empreitada realizada por Emparsanco S/A para todos os meses do ano. Digno de nota é que a requisição da DRJ CAMPINAS foi para que fossem realizadas diligências para cada auto de infração, ou seja, há um pedido de diligência para cada processo e não "CONJUNTAMENTE" como mencionado no Segundo parágrafo do tópico e acima transladado. No Terceiro parágrafo do tópico, o agente fiscal descreve que há repetições do resumo da folha de pagamento, citando os meses de março e junho de 2005 como exemplo. Tal fato ocorreu pelo fato da aferição indireta haver ocorrido por obra realizada, ou seja, cada processo corresponde a uma empreitada diversa da constante em outro, e considerando que: a) Utilizando a título de exemplo os meses de março e junho de 2005 citados pelo agente fiscal, houve diversas obras realizadas no curso daqueles períodos e não somente aquela em que houve a aferição indireta; b) A aferição indireta ocorreu por obra e não para os meses do ano, como inadvertidamente menciona o agente fiscal, justificando se assim a repetição dos documentos apresentados, pois para cada mês há diversas empreitadas; O que o servidor fiscal não menciona é que o resumo da folha de pagamento dos meses em que houve a aferição indireta está acompanhado do resumo analítico da folha da obra em que ocorreu a aferição indireta, o qual é parte integrante do valor descrito no resumo da folha, a qual confere com os registros contábeis. E mesmo que o resumo analítico por obra não estivesse anexado ao processo, o que não é verdade, caso o servidor fiscal houvesse dado ciência à impugnante que estava realizado a presente diligência teria lhe sido demonstrado de forma didática e clara que a aferição indireta não era cabível. Conclui que se a fiscalização houvesse analisado processo a processo constataria que a impugnante tem controles analíticos que possibilitam a visualização das contribuições previdenciárias por obra escriturada no livro contábil. Do mérito À conclusão da fiscalização na diligência de que o contribuinte em nenhum momento da defesa conseguiu provar a contabilização em títulos próprios por obra de construção civil dos fatos geradores de contribuição previdenciária, a impugnante argumenta que esta conclusão está em desconformidade com o meio probatório acostado aos autos, tendo a fiscalização agido contra princípios constitucionais e do direito administrativo, afrontando o seu direito de defesa. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 Afirma a impugnante que o Princípio da Ampla Defesa determina a obrigatoriedade de se observar a ordem natural do processo, de modo que a defesa de manifeste sempre em último lugar, e da participação do sujeito passivo na realização das perícias e diligências. Argumenta ainda que a fiscalização não promoveu a correta análise da documentação acostada aos autos, pois se assim o tivesse feito teria lido na peça impugnatória que há uma folha analítica por obra realizada, que compõem um resumo com todas as obras realizadas. Repete que: o resumo analítico acostado aos autos descreve todas as verbas sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias e seu respectivo cálculo, o resumo da folha é o somatório das verbas pagas aos trabalhadores e descreve todas as contribuições dos montantes pagos, os valores descritos no resumo das folhas são escriturados no Livro Razão e lançados em GFIP. Alega que o servidor fiscal não teve o trabalho de fazer a análise individual dos 52 processos, que agiu em desacordo com a verdade material, não a buscando, e analisando incorretamente os documentos que lhe foram apresentados. Conduziu o procedimento de diligência sem a ciência e participação da impugnante, impediu o acesso da impugnante ao procedimento impossibilitando que demonstrasse que possui controles que possibilitam a identificação das verbas pagas aos trabalhadores por obra, e que ao afirmar que os documentos acostados ao processo não demonstram as verbas previdenciárias e valores pagos por obra sem a ciência e participação da impugnante feriu também o princípio da acessibilidade aos elementos do expediente, da ampla instrução probatória, e determinações da Lei nº 9.784/1999. Enfim, alega a impugnante que na sua conclusão a fiscalização comete outro equívoco, pois arvorouse na atribuição de julgador ao decidir pela manutenção integral dos autos de infração, quando não fez o que lhe foi determinado, ou seja, analisar os 52 processos. Agindo em desconformidade com o Processo Administrativo Fiscal eivou de nulidade todo o procedimento, pois cerceou o direito do contribuinte em produzir provas, esclarecer dúvidas, e eventualmente oferecer outros elementos probantes. Requer ao final a nulidade das conclusões realizadas no curso do procedimento administrativo de diligência por cerceamento do seu direito de defesa, o retorno dos autos à DRF para realizar nova diligência, desta vez com a participação da impugnante, e que a DRJ acate esses pedidos em observância aos princípios que regem o procedimento administrativo, possibilitando à impugnante demonstrar que a aferição indireta foi prematura e incorreta. Enfim, o processo retornou a esta DRJ para julgamento Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/200921 Acórdão n.º 2201002.966 S2C2T1 Fl. 8 13 Foi dada ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, sendo a disponibilização em 29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012. A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013. O processo foi encaminhado para a PGFN em 06/05/2013. Em 05/08/2013 o contribuinte protocolizou recurso voluntário. Em setembro de 2013, o processo retornou para a fase administrativa para apreciação do recurso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · A forma de intimação foi alterada de meio papel para digital sem ciência e anuência prévia do contribuinte. · Não se comprovou a afetiva intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · O processo foi indevidamente encaminhado para inscrição em dívida ativa. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. · Requer o cancelamento da inscrição em dívida ativa e retorno ao trâmite administrativo. O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico – DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. – Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/0000108 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 – De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC. – Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl.1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na fl.1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013. É o relatório. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000187/200921 Acórdão n.º 2201002.966 S2C2T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. Em diligência ficou comprovado que a recorrente realizou a opção pelo DTE. Foi dada ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, sendo a disponibilização em 29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012. PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10932.000187/200921 INTERESSADO: EMPARSANCO S/A DESTINATÁRIO: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 29/11/2012 Data da ciência por decurso de prazo: 14/12/2012 Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013. PROCESSO/PROCEDIMENTO: 10932.000187/200921 INTERESSADO: EMPARSANCO S/A TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 01/03/2013 10:09h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento O recurso voluntário foi protocolizado junto à Receita Federal em 05/08/2013. O prazo legal para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. O intervalo de tempo entre a ciência por decurso de prazo da decisão de primeira instância (14/12/2012) e a interposição do recurso (05/08/2013) em muito extrapolou o prazo legal. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 8/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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Numero do processo: 11968.000796/2009-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/10/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.711
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/10/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 07 96 /2 00 9- 35 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 477 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.840. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 477DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 478 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 478DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 479 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 480 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 480DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 481 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 481DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 482 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 483 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 483DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 484 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 485 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 485DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 486 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 486DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000796/200935 Acórdão n.º 9303003.711 CSRF‐T3 Fl. 487 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 487DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10120.721457/2012-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
VÍCIO MATERIAL. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA.
Demonstrada a existência de fatos distintos que levaram à correta capitulação legal para incidência da penalidade aplicada, inexiste vício material que implique nulidade do lançamento.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Demonstrada a existência de fatos distintos que levaram à correta capitulação legal para incidência da penalidade aplicada, inexiste vício material que implique nulidade do lançamento. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 57 /2 01 2- 91 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Trata o presente processo de autos de infração AI, às efls. 03 a 99, cientificados ao contribuinte em 28/02/2012, com relatório fiscal às efls. 102 a 116. Os créditos correspondentes foram consolidados em 27/02/2012 para as competências janeiro de 2009 a julho de 2010, e, resumidamente, estão abaixo descritos: DEBCAD Nº DESCRIÇÃO eFLS. VALOR CORRIGIDO 51.009.6484 Multa por apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas, anteriormente à ação fiscal. (CFL 78) 03 3.785,00 51.009.6492 Contribuições da empresa, incidente sobre os pagamentos efetuados a segurados e não declarados em GFIP. 04 a 37 1.469.620,18 51.009.6506 Contribuições descontadas dos segurados, não repassados à Previdência Social e nem declarados em GFIP. 38 a 67 629.954,60 51.019.3218 Contribuição destinada a terceiros (INCRA, SESC e SEBRAE). 68 a 97 308.801,60 51.019.3226 Multa por deixar de exibir documentos ou livros, ou apresentá los com omissão de informação ou falsidade desta. (CFL 38) 98 16.170,98 51.019.3234 Multa por apresentar arquivos ou sistemas em meio digital, com omissões ou informações incorretas sobre registros negociais, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal. (CFL 22) 99 70.536,24 TOTAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 2.498.868,60 A contribuinte, que é uma sociedade privada que presta serviços educacionais, apresentou uma impugnação para cada AI, às efls. 528 a 563, contestando o auto de infração. A 6ª Turma da DRJ/SDR considerou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, conforme disposto no acórdão n° 1533.267 de 29/08/2013, às efls. 619 a 631. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 669 a 682, no qual argui, em apertada síntese: Fl. 832DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 4 3 · pela nulidade dos AI por vícios formais, devido à falta de descrição dos fatos e enquadramento legal, além de clareza e precisão nas informações que foram, inclusive, apresentadas em documentos deles apartados; · cerceamento do direito de defesa em face do volume e das obscuridades nas apurações dos débitos do contribuinte; · não ser clara a separação das condutas vinculadas à múltiplas penalidades aplicadas em momentos distintos no tempo; · em face da incorreta descrição dos fatos e fundamentos legais, também a representação fiscal para fins penais está eivada de cerceamento de defesa. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 18/03/2014, resultando no acórdão 2302003.038, às efls. 707 a 736, que tem a seguinte ementa: LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. RELATÓRIOS FISCAIS. FINS ESPECÍFICOS. LEITURA E INTERPRETAÇÃO CONJUNTA. O lançamento tributário é constituído por uma diversidade de Relatórios, Termos e Discriminativos, os quais devem ser compulsados em seu conjunto, e de cuja sinergia emergem as condições de contorno específicas do crédito tributário em constituição. LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa, tampouco em nulidade, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a motivação da autuação, bem como a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados, favorecendo o contraditório e a ampla defesa. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes de sonegação de contribuição previdenciária, tipificados no art. 337A do Código Penal Brasileiro, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 5 4 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INOBSERVÂNCIA DOS PADRÕES ESTIPULADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A apresentação da documentação contábil em formato digital em desacordo com os padrões estipulados pela SRFB enseja infração ao disposto no art. 32, III, da Lei 8.212/91, É nulo o lançamento quando se verifica vício material de caráter insanável, relacionado à fundamentação legal da autuação e ao cálculo da multa aplicada, quando impedirem o conhecimento pelo contribuinte da sua conduta faltosa e da obrigação descumprida. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3 ªCÂMARA/2ª SEJUL/CARF /MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, exclusivamente, para excluir do lançamento o Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 51.019.3234 (CFL 22), anulado por vício material, vencidos o Conselheiro Relator e o Conselheiro André Luís Mársico Lombardi. Quanto à natureza do vício, por maioria de votos, foi declarado como material, vencidos o Conselheiro Relator e a Conselheira Liege Lacroix Thomasi, que entenderam ser o vício de natureza formal. O Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes fará o voto divergente quanto ao Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 51.019.3234 (CFL 22). RE da Fazenda Irresignada, em 15/07/2014, a Procuradoria da Fazenda interpôs recurso especial de divergência RE, às efls. 738 a 754, com o qual busca afastar as vertentes de supostas irregularidades que inquinassem o AI DEBCAD nº 51.019.3234 (CFL 22) de nulidade. Primeiramente, traz como paradigmas para divergência os acórdãos: nº 1401 000.894 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF e nº 1802001.296 da 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. A divergência nos referidos paradigmas seria no sentido de que, não ficando demonstrado prejuízo à defesa, a mera capitulação errônea não seria motivo suficiente para a anulação dos autos de infração. Em segunda vertente, busca demonstrar que a falta de correta fundamentação legal é de ser tratada como vício formal. Para isso indica como paradigma para divergência os acórdãos: nº 240200098 e nº 2402002.632, ambos da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. O Presidente da Segunda Seção de Julgamento do CARF proferiu o despacho de efls. 763 a 770, em 07/08/2015, pelo qual deu seguimento ao RE. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 6 5 A contribuinte recebeu intimação nº 1072/2015 (efl. 788) para ciência do acórdão do recurso voluntário e do RE da Fazenda em 16/12/2015 (efl. 804), sem que se manifestasse sobre ambos nos prazos regimentais. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Dos cinco auto de infração deste processo, o acórdão recorrido inquinou de nulo por vício material tão somente aquele relativo à aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 22), DEBCAD nº 51.019.3234. Assim, o que se discute é a existência do referido vício, conforme defendido pelo redator designado para o voto vencedor. O procurador da Fazenda, em resumo, procura demonstrar que a incorreta base legal é um vício formal, mas não reconhece a nulidade associada aos paradigmas que trazem tal interpretação, pois outros paradigmas afirmam que a correta descrição dos fatos que permita a defesa do contribuinte afastaria a nulidade. A base legal posta no relatório fiscal para a infração é o art. 12, inciso II da Lei nº 8.218 de 29/08/1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835 de 24/08/2001, conforme abaixo reproduzido: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. ... Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; ... (Grifos na Transcrição). Fl. 835DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 7 6 O redator do voto vencedor afirma que a capitulação correta seria o art. 33 da Lei 8.212/1991, legislação utilizada no procedimento para solicitar os arquivos no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF. Essa norma dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 1º É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Sendo esse artigo extraído da Lei de Custeio da Previdência Social, a penalidade pelo seu descumprimento também ali estaria prevista, nos arts. 92 e 102, por inexistência de outra penalidade que lhe seja expressamente cominada. Havendo norma específica para tratar da matéria, não poderia outra norma incidir sobre o mesmo fato sob pena de bis in idem. Por essa razão o redator entendeu que o inciso II do art. 12 da Lei 8.218/1991, não poderia disciplinar a mesma matéria, por ser lei anterior ao art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, que tem a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, e ser lei geral, não específica para contribuições da previdência social. Por isso, no seu entendimento haveria duas normas que disciplinariam a matéria e o conflito se resolveria pela adoção de uma das duas para incidir ao fato. A partir disso, efetua sua analise, para demonstrar que a Lei 8.218/1991 não seria aplicável às contribuições previdenciárias, e conclui que a norma descrita no relatório fiscal e aplicada no AI não seria adequada ao fato descrito. Depois disso, procura demonstrar que o fato ocorrido não estaria descrito de forma suficientemente clara para permitir que se conclua que sua ocorrência corresponde à do fato descrito na regramatriz. Dessa forma, não atenderia aos requisitos do art. 142 do CTN e padeceria de vício material. Com a devida vênia, discordo do posicionamento do acórdão recorrido. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 8 7 Há duas normas definido obrigações e penalidades distintas, conforme a seguir é esclarecido. (a) A obrigação prevista no § 2º do art. 33 da Lei 8.212/1991, que obriga a empresa a exibir determinados documentos. Pelo que está disposto no item 10.1 do relatório fiscal, à efl. 110, instada a fazêlo em Termo de Intimação Fiscal nº 1 (à efl. 474), ela deixou de atendêlo em alguma medida1. Para essa infração é prevista a multa, do art. 92 do mesmo diploma legal, lançada no AI DEBCAD nº 51.019.3226 (CFL 38) . Salientese que esse fato ensejou multa e sobre isso não há discussão no presente Recurso Especial. (b) A obrigação prevista no art. 11 da Lei nº 8.218/1991, que obriga as empresas que utilizem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar seus negócios a disponibilizarem tais registros em meio digital para a Receita Federal, pelo prazo decadencial da legislação tributária. Relativamente a essa obrigação, o item 11.1 do relatório fiscal, à efl. 112, informa que a contribuinte não apresentou a folha de pagamento em meio digital do período de 10/2008 a 05/2009, para todos os estabelecimentos e de todo o período fiscalizado para o estabelecimento 06.187.233/00474. Para esse outro fato omissivo implicou a penalidade definida no inciso II do art. 12 da mesma Lei (CFL 22). Os artigos infringidos no caso do AI DEBCAD nº 51.019.3234 têm a seguinte redação: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: 1 Livro Caixa ou os Livros Diário e Razão e as folhas de pagamento do estabelecimento 06.187.233/000474. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 9 8 I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. Reparase que o Auto de Infração que a decisão recorrida pretendeu anular tinha a correta descrição da obrigação infringida, conforme se pode ler à efl. 99: "Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção, conforme previsto na Lei n. 8.218, de 29.08.91, art.ll, parágrafos 3. e 4., com redação da MP n. 2.158" A ocorrência do fato não foi negada pelo redator do voto, que apenas entendeu que o referido fato não se subsumiria à norma aplicada, mas a outra, que inclusive, em decorrência da ação fiscal, já estava incidindo sobre fatos distintos, no AI DEBCAD nº 51.019.3226. Por essas razões, diferentemente do relator do voto condutor do acórdão ora recorrido, vejo no caso concreto dois fatos diversos sobre os quais incidiriam duas leis: um fato é a conduta de deixar de apresentar documentação que não seja em formatação específica, mediante intimação pra fazêlo; outro fato é a conduta de deixar de manter à disposição do fisco sistemas eletrônicos ou arquivos digitais, quando a empresa utiliza tais formas de registro. Apesar de ambas as condutas acima terem em comum a característica de serem descumprimentos de obrigações da mesma semelhante, qual seja, disponibilizar informações ao fisco, não são idênticas, porque tratase de informações específicas, descritas em dispositivos legais diferentes e para cujos descumprimentos há previsão legal de multas específicas. Portanto, afastase assim o argumento de idem sobre o qual houvesse um eventual bis. Irrelevante aqui entrar na discussão sobre o conflito de leis, disciplinado pela Lei de Introdução às Normas Gerais de Direito, porque conforme já esclarecido acima não há conflito. Com efeito, somente haveria conflito se estivéssemos diante de duas leis tratando do mesmo fato, o que não ocorre no caso concreto. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 10 9 Ademais, não pode o agente da administração deixar de aplicar a legislação vigente e válida à época dos fatos quando esta incide sobre fatos distintos, ainda que semelhantes: falta de apresentação de documentos em geral (livro Caixa ou livros Diário e Razão, bem como folhas de pagamento) e falta de apresentação de documentos em formato digital específico (folhas de pagamento em formato digital). Ora se a lei assim o determina há que se cumprir a intimação, mesmo que os dados constantes em ambos sejam, em parte, idênticos. Assim, ao se aplicar penalidades distintas a fatos distintos, com a indicação da legislação aplicável no relatório fiscal correspondente, como ocorrido no AI DEBCAD nº 51.019.3234, não se está deixando de lado nenhuma formalidade que possa ser tomada como erro do lançamento para que este seja inquinado de nulidade, muito menos vício material conforme disposto no acórdão recorrido. Como as demais questões analisadas no acórdão foram pela manutenção do lançamento, é de se dar provimento ao recurso especial para afastar a nulidade arguida de ofício e manter o créditos tributário lançado também no AI DEBCAD nº 51.019.3234. Conclusão Dessarte, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora da Fazenda Nacional para darlhe provimento e afastar a nulidade do auto de infração, mantendo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 839DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10120.721457/201291 Acórdão n.º 9202004.013 CSRFT2 Fl. 11 10 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/06/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 11516.003902/2010-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-003.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 39 02 /2 01 0- 94 Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pelo Contribuinte, relativo ao Acórdão nº 2202002.267, de 16/04/2013, que por unanimidade de votos, decidiu dar provimento parcial ao recurso, para excluir da omissão de rendimentos de aluguéis os valores de R$246.329,50, R$214.992,11 e R$ 295.546,42, nos anos calendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, e afastar a qualificação da multa de ofício reduzindo a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral, o representante legal do contribuinte, Dr. Anderson Jacob Moreira Suzin, inscrito na OAB/SC sob o no 14344. O contribuinte foi cientificado pessoalmente em 25/06/2013 (fls. 1.416) e interpôs embargos de declaração, tempestivos, em 01/07/2013. os Embargos de Declaração foram apresentados com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em seu embargos, o contribuinte indica que teria ocorrido contradição na medida em que se afastou o arbitramento por ilegalidade e, ao mesmo tempo, mantevese a exigência de forma indireta, com base nas Notas Fiscais do Produtor Rural (NFP). Entende que tendo o arbitramento sido declarado nulo, todos os créditos tributário dele decorrentes deverão ser cancelados. Reitera que seu pedido seria para afastar o arbitramento, tendo por conseqüência lógica o cancelamento da exigência apurada. Desse modo, argumenta que a turma deveria ter se pronunciado sobre a perspectiva de verdadeira alteração da base de cálculo arbitrada, a qual foi afastada e, num mesmo ato decisório foi restabelecida por via indireta. Quando analisada a admissibilidade dos embargos, assim entendeu o Conselheiro que fez a referida admissibilidade: Notase que o embargante questiona como ao se reconhecer a ilegalidade do arbitramento, ao invés de afastálo totalmente, cancelase os rendimentos de aluguel calculados por meio de critério de ofício, no mesmo ato decisório, e acaba por mantêlo por via indireta ao substituir parte da base de cálculo com fundamento numa apuração direta. Devese reconhecer que da leitura do voto da recorrente existe uma aparente omissão e contradição. Existe uma situação fática que não ficou clara nos autos, que pode despertar divergência de entendimentos. Isto posto, entendo, portanto, que os embargos devem ser acolhidos no que toca a apreciação da matéria se a invalidação do arbitramento, comprometeria o lançamento, ou se seria possível a realização de ajuste nos termos propostos pelo voto condutor do acórdão embargado. Isto posto, acolho parcialmente os presentes Embargos de Declaração do Contribuinte, propondo a reapreciação da Turma Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 2202003.466 S2C2T2 Fl. 1.438 3 de julgamento nos termos propostos pelo embargante. O processo deve retornar a turma de julgamento para apreciação do embargos do contribuinte. Portanto, foram os embargos do contribuinte encaminhados para julgamento, sendo sorteado a este Relator, a fim de verificar se há contradição e/ou omissão no acórdão embargado, devendo ser apreciado por esta Turma a matéria se a invalidação do arbitramento, comprometeria o lançamento, ou se seria possível a realização de ajuste nos termos propostos pelo voto condutor do acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Aduz o contribuinte que, ao se reconhecer a ilegalidade do arbitramento, ao invés de afastálo totalmente, cancelase os rendimentos de aluguel calculados por meio de critério de ofício, no mesmo ato decisório, porém acaba por mantêlo por via indireta ao substituir parte da base de cálculo com fundamento numa apuração direta. Uma vez reconhecida a ilegalidade do arbitramento, entendeu a 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF, quando do julgamento do acórdão embargado, por não cancelar a autuação quanto a este ponto, nem por cancelar a exigência tributária, entendendo os Conselheiros julgadores por retificar o lançamento através da nova base de cálculo. Ao meu entender, não existe omissão ou contradição no acórdão recorrido, existe somente inconformidade do contribuinte com o resultado do julgamento. Transcrevo trecho do voto: Ressaltese que os valores declarados pelo contribuinte foram aceitos para o milho, no presente lançamento, e para a soja no lançamento do anocalendário 2005, consubstanciado nos autos de outro processo (vide Termo de Verificação Fiscal cuja cópia foi acostado pelo interessado às fls. 470 a 492). Ademais, a fiscalização utilizou dados de município diverso ao da propriedade rural. Caberia a fiscalização demonstrar imprestabilidade das Notas Fiscais do Produtor apresentadas pela contribuinte, o que não ocorreu. Entendo, assim, que devem ser restabelecidos os valores informados pelo contribuinte nas Notas Fiscais do Produtor Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 para fins de apuração da omissão de rendimentos recebidos a título de arrendamento. E mais adiante: Como se percebe, pelas Notas Fiscais do Produtor (venda) emitidas pelo contribuinte ele vendeu 108.460 kg de soja a mais do que declarou ter recebido, havendo a fiscalização demonstrado que tais produtos foram recebidos em função do arrendamento. A referência feita pela fiscalização à Nota Fiscal do Produtor (compra) no 015423 foi para justificar a data do recebimento do produto, e conseqüentemente, a data do recebimento do aluguel. As Notas Fiscais do Produtor nos 15424 a 15427, são notas de saída (venda) e não de entrada, que atestam a venda de 108.406 kg de soja à Bunge Alimentos, em valor superior à notas de entrada apresentadas à fiscalização. Da mesma, forma, para fins de apuração do valor recebido em decorrência do arrendamento, em 01/08/2008, há que considerar o preço da saca de R$25,00, consignado na Nota Fiscal do Produtor no 015423. Destarte, considerandose os valores consignados nas Notas Fiscais do Produtor (entrada), há que se retificar os valores lançados excluindose as diferenças abaixo apontadas: Por sua vez, a parte dispositiva do acórdão foi: Diante do exposto, voto por DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir omissão de rendimentos apurada os valores de R$246.329,50, R$214.992,11 e R$295.546,42, nos anoscalendário 2006, 2007 e 2008, respectivamente, e afastar a qualificação da multa de ofício reduzindoa ao percentual de 75%. Percebese, claramente, que não há omissão ou contradição no acórdão, não merecendo quaisquer reparos ou explanações. Busca, em verdade, a contribuinte, rediscutir o mérito, pois não se conformou com a retificação da base de cálculo, pleiteando que seja cancelada a exigência fiscal com o cancelamento do auto, todavia, a rediscussão da matéria é incabível em sede de embargos de declaração. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11516.003902/201094 Acórdão n.º 2202003.466 S2C2T2 Fl. 1.439 5 Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 19515.000439/2008-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO
Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria, quando não resta comprovado procedimento tendente a prejudicar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que as provas trazidas aos autos são insuficientes para comprovação do dolo.
Aplicável ao caso a Súmula CARF n° 25.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 28/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DESCABIMENTO Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria, quando não resta comprovado procedimento tendente a prejudicar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador. Hipótese em que as provas trazidas aos autos são insuficientes para comprovação do dolo. Aplicável ao caso a Súmula CARF n° 25. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 39 /2 00 8- 26 Fl. 5236DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 28/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão 2102002.849, proferido pela 2a Turma da 1a Câmara da 2a Seção do CARF, que: (a) por unanimidade de votos cancelou a multa isolada lançada e (b) por maioria de votos, desqualificou a multa de oficio sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. A seguir, encontramse reproduzidos os termos da ementa e decisão do acórdão recorrido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE.DA NOTIFICAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para que seja válida a notificação por edital, basta a demonstração de que foi improfícua a tentativa de notificação por apenas um dos meios ordinários (notificação pessoal ou postal ou por meio eletrônico), sem ordem de preferência. Considerase efetuada a notificação 15 (quinze) dias após a afixação ou publicação do edital, que, por sua vez, pode ser feita no endereço da administração tributária na internet, em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, ou uma única vez, em órgão da imprensa oficial local, também sem ordem de preferência. DECADÊNCIA. Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. Fl. 5237DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 9202003.934 CSRFT2 Fl. 8 3 O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES DO EXTERIOR Correto o lançamento por arbitramento com base nos elementos de que dispõe a autoridade fiscal, quando sejam omissos os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, notadamente quando os rendimentos omitidos decorrem de pratica atividade irregular à margem do Sistema Financeiro Nacional que funciona sem os registros documentais próprios das atividades regulares. SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº9.430/ 96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. CABIMENTO Presente a intenção de deixar de cumprir a obrigação tributária, a falta deve ser punida de ofício com a penalidade de maior ônus financeiro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO Cabe desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no Brasil, em conta própria. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: 1) por unanimidade de votos, cancelar a multa isolada (Infração 003) e 2) por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada (Infração 002). Vencidos os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho (Relator) e José Raimundo Tosta Santos, que mantinham a qualificação. Fl. 5238DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS 4 Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Alice Grecchi. 3) por voto de qualidade, manter a multa de ofício qualificada sobre a infração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior (Infração 001). Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira lima, Ewan Teles Aguiar e Núbia Matos Moura, que desqualificavam a multa. Para fins de esclarecimento, cumpre referir que, originalmente, foi constituído auto de infração, para exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física e acréscimos legais, em face de duas infrações identificadas: (a) rendimentos recebidos do exterior, no âmbito da operação denominada "Beacon Hill" e (b) rendimentos recebidos no país, por depósitos bancários de origem não comprovada. Ambas as infrações foram objeto de lançamento de ofício do tributo, com multa qualificada, por dolo, além do lançamento de multa isolada, por falta de recolhimento da antecipação mensal (carnêleão). Tendo sido impugnado o lançamento, a autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que foi apreciado pela 2ª Turma da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF e que resultou na já referida decisão, ora recorrida. Insurgese, a Fazenda Nacional, contra a desqualificação da multa de ofício sobre a infração de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, requerendo que o acórdão recorrido seja reformado para restabelecimento da multa de R$ 150% sobre todo o crédito tributário. Alegando divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos 20309.098 e 101 96.757, argumentando que "A magnitude da diferença em relação ao declarado afasta qualquer possibilidade de erro, revelando a conduta intencional do contribuinte de deixar de oferecer tal numerário à tributação e justifica a aplicação da multa qualificada " e, adicionalmente, que houve reiteração da conduta. Na análise de admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o então Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção do CARF, entendeu estar comprovada a divergência, com relação ao primeiro paradigma, porque, no caso do segundo paradigma, foi determinante para o lançamento o fato de que o contribuinte havia mantido valores à margem da contabilidade, o que não pode ser exigido de pessoas físicas. Contra o acórdão 2102002.849, o sujeito passivo também apresentou Recurso Especial de divergência, juntamente com suas contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Entretanto, o Recurso Especial do Sujeito Passivo não foi admitido, nos termos de despacho de Admissibilidade do então Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, devidamente confirmado por despacho do Sr. Presidente do CARF. Em sede de contrarrazões, o contribuinte alega, inicialmente, ausência de pré questionamento, divergências fáticas entre o recorrido e o paradigma e, até mesmo a aplicação de súmula, o que impediria o conhecimento. Argumenta que os paradigmas dizem respeito à pessoa jurídica, enquanto o acórdão recorrido trata do caso de pessoa física. Em seguida, no mérito, defende a impossibilidade de qualificação da multa no caso, por não ter sido comprovada a conduta dolosa específica do contribuinte, apenas o fato de as contas correntes e os correspondentes valores não constarem da Declaração Anual de Ajuste do IRPF. É o relatório. Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 9202003.934 CSRFT2 Fl. 9 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Especificamente ao conhecimento, é mister esclarecer que se encontra a seguir. (1) A condição de prequestionamento não se aplica à Fazenda Nacional, por expressa determinação regimental. (2) As diferenças fáticas existentes entre os casos enfrentados nos acórdãos paradigma e recorrido não são relevantes para a análise da questão da multa qualificada. Com efeito, em ambos os casos, houve diferença de magnitude alta entre o valor declarado e o valor do tributo devido. Entretanto, no recorrido, a multa foi reduzida para o percentual de 75%, enquanto no paradigma, a multa qualificada foi mantida. (3) Não foi aplicada súmula pelo colegiado recorrido. Na verdade, a súmula 34 teria sido aplicada a contrario senso, ou seja, o colegiado entendeu que não seria o caso de aplicação dessa súmula. Portanto, por esses motivos, entendo estar devidamente comprovada a divergência e, assim, conheço do recurso. No mérito, este colegiado tem o entendimento, já há muito pacífico, de que a qualificação da multa, por dolo, demanda uma conduta, um facere, do sujeito passivo, que tenha o condão de dificultar o acesso da Autoridade Tributária ao fato gerador. Antes de concluir, é absolutamente necessário esclarecer que, no auto de infração objeto do presente processo, houve duas infrações distintas com lançamento de tributo devido: (a) omissão de rendimentos do exterior, no âmbito da operação denominada "Beacon Hill", com utilização de procedimentos destinados à levar recursos para o exterior ou trazer recursos ao Brasil, sem conhecimento das autoridades cambiais e fiscais; e (b) omissão de rendimentos por depósitos bancários para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não logrou comprovar a origem. A qualificação da multa de ofício, por dolo, no caso da primeira infração, acima, foi mantida pelo colegiado a quo e não foi objeto de Recurso Especial admitido. Consequentemente, é definitiva no âmbito administrativo e não está em discussão no presente julgamento. Apenas se discute aqui a qualificação da multa relativa à segunda infração. Constato que, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 2.290), a qualificação da multa relativa ao tributo decorrente da omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não identificada, foi genérica, não tendo sido imputada ao sujeito passivo conduta específica tendente à dificultar a verificação do fato gerador, mas apenas a ausência de Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS 6 informação das contas correntes bancárias e sua movimentação na Declaração Anual de Ajuste do IRPF: “A se ver dos rendimentos insertos em suas declarações de ajuste anual dos exercícios 2003 e 2004, anoscalendário 2002 e 2003, os valores apurados não foram submetidos à tributação. Por conseqüência será objeto de lançamento de oficio para formalização do imposto devido acrescido dos juros de mora e da multa de oficio no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada em decorrência das circunstâncias que qualificaram a infração, já que a omissão de rendimentos por si só ensejaria a aplicação da multa normal de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96; com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, porém se considerar as peculiaridades em que a infração foi apurada, sobretudo em relação conduta do fiscalizado quanto ao ilícito praticado, porquanto a omissão de rendimentos foi apurada sem que o mesmo tivesse efetuado, nas suas declarações de ajuste anual, qualquer registro das contas e das operações constatadas por esta auditoria, o que caracteriza o intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 e, portanto, imprime à infração apurada o caráter de multa mais gravosa.” (Grifos na Transcrição) Sendo esse o caso, exclusivamente para a multa referente à infração de omissão de rendimentos recebido no país, lançada por presunção de depósitos bancários de origem não comprovada, não há que haver qualificação, devendo ser reduzida ao percentual normal de 75%. Nesse sentido, faço referência à jurisprudência deste colegiado. ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2002,2003,2004,2005 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA ESPECÍFICA. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). Recurso Especial do Procurador negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Por fim, considerando que a constatação de divergência material entre os valores declarado e devido não seja comprovação suficiente de dolo, entendo ser aplicável ao caso a súmula CARF 25: Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 19515.000439/200826 Acórdão n.º 9202003.934 CSRFT2 Fl. 10 7 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5242DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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