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Numero do processo: 15586.000258/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2001 a 30/06/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA.
É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificá-los do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, 1) em relação ao recurso voluntário: por maioria de votos, declarar a decadência do crédito tributário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Em primeira votação, foram identificadas três teses: (a) nulidade da decisão da primeira instância e intimação dos responsáveis pessoa física (b) decadência do crédito tributário e (c) exclusão do polo passivo das pessoas físicas não intimadas no momento oportuno. Em primeira votação, manifestaram-se pela tese "b" os Conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior; pela tese "a" a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior; e pela tese "c" os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Fabio Piovesan Bozza; submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foi excluída a tese "c". Em nova votação, restou vencedora a tese "b", vencida a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, 1) em relação ao recurso voluntário: por maioria de votos, declarar a decadência do crédito tributário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Em primeira votação, foram identificadas três teses: (a) nulidade da decisão da primeira instância e intimação dos responsáveis pessoa física (b) decadência do crédito tributário e (c) exclusão do polo passivo das pessoas físicas não intimadas no momento oportuno. Em primeira votação, manifestaram se pela tese "b" os Conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior; pela tese "a" a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior; e pela tese "c" os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Fabio Piovesan Bozza; submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foi excluída a tese "c". AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 02 58 /2 00 8- 13 Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Em nova votação, restou vencedora a tese "b", vencida a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Luciana de Souza Espíndola Reis, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Ivacir Julio de Souza, Fabio Piovesan Bozza e Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.333 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recursos voluntários interpostos em face do Acórdão n.º 1222.686 da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Rio de Janeiro I, f. 19461988, que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o debcad nº 37.119.8461. De acordo com o relatório fiscal de fls. 120124, o AIOP trata de exigência da contribuição devida à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), e a contribuição devida ao SENAR, incidentes sobre a comercialização da produção rural da pessoa física, adquirida por Colina Verde Café Ltda, no período de 08/2001 a 06/2004, conforme notas fiscais de entrada relacionadas às fls. 125219, cujo recolhimento é de responsabilidade da empresa adquirente na condição de substituto tributário. Foram arrolados como sujeitos passivos do lançamento, na condição de contribuinte, Colina Verde Café Ltda, CNPJ 04.319.193/000107, e, na condição de responsáveis solidários integrantes de grupo econômico de fato, com base nos arts. 124, I, e 135, ambos do CTN, e art. 30, IX, da Lei 8.212/91, as seguintes pessoas jurídicas: a) Stuhr Agropecuária Ltda, CNPJ: 39.315.437/000150; b) Stuhr Armazéns Gerais Ltda, CNPJ: 35.958.321/000188; c) A & M Comércio Exportação e Importação Ltda, CNPJ: 03.581.039/000138; d) Agrimal Armazéns Gerais, CNPJ: 03.605.034/000106; e) Zanotti Armazéns Gerais Ltda, CNPJ: 05.335.134/000187; f) Primavera Armazéns Gerais Ltda, CNPJ: 04387.2721000147. A existência de grupo econômico de fato foi caracterizada com base nos elementos fáticojurídicos expostos no "Relatório Fiscal de Caracterização de Grupo Econômico", fls. 220343, e anexos, fls 345351. Colina Verde Café Ltda foi cientificada do lançamento em 05/03/2008, fls. 88, e não apresentou impugnação. Os responsáveis solidários impugnaram o lançamento, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: 1) A & M Comércio Exportação e Importação Ltda (fls. 406 e ss): a) invalidade do lançamento por ter deixado de identificar todos os responsáveis solidários no auto de infração, bem como deixou de intimálos para cumprir a exigência fiscal ou impugná la; b) decadência, considerando que a defendente não foi regularmente notificada do lançamento no prazo de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador; c) prescrição; d) no mérito, alega que a intermediação das compras da Colina Verde era feita por pessoa conhecida na região que detinha a confiança dos produtores rurais, mediante recebimento de comissões, cuja atividade não é incompatível com sua condição de funcionário da defendente, desde que não interferisse nos negócios da empregadora e não causasse prejuízos a ela. Acrescenta que no Estado do Espírito Santo, em regra, a intermediação da compra do café é feita por pessoas de confiança (amigo, família) dos produtores rurais, considerando a peculiar condição dos produtores rurais locais (redutos de imigrantes, alguns Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 não falam português fluentemente e caboclos), ademais, a intermediação é usual devido à deficiente infraestrutura para escoamento da produção (a maioria dos produtores rurais está situada no norte do Estado e a Colina Verde está situada no sul do Estado); e) afirma que foi Márcio [Moreira Bertulani] e não a impugnante pessoa jurídica quem outorgou a procuração e abriu a conta bancária, a qual não se obriga pelos atos do mandatário que exorbitarem os poderes conferidos em mandato; f) as pessoas físicas sócias da defendente venderam café à Colina Verde, conforme demonstram as notas fiscais juntadas ao processo 15586.000879/2007 161, obtendo créditos junto àquela empresa que foram liquidados mediante pagamentos a terceiros, no caso, aquisição de um veículo, empréstimo e aquisição de cotas em empresa; g) a responsabilidade está embasado em presunção simples, o que não é admitido pelo direito tributário; h) não ficou configurada fraude, sendo incabível a multa de 150%; i) a relação dos sócios da defendente com a Colina Verde é de mera intermediação de compra e venda, e, nessa condição, não exerceram administração ou representação desta, o que afasta a incidência dos art. 134 e 135 do CTN; j) a defendente não é a empresa adquirente da produção rural, de modo que não é sujeito passivo do lançamento; k) não há incidência da contribuição rural sobre as mercadoria destinadas à exportação. Requereu: 1) oitiva das testemunhas que prestaram informações durante o procedimento de fiscalização, solicitando que elas também sejam intimadas a apresentar sua escrita fiscal, quais sejam: Deusa Maria Belisario Malacarne, José Tarcísio Malacarne, Ivo Rodrigues de Arruda, representante legal da Limaq Linhares Máquinas Ltda e Toyota do Brasil Ltda; Ronaldo Hoffmann; 2) intimação das pessoas jurídicas que prestaram informações durante o procedimento fiscal para apresentarem as confirmações do negócio, e a relação dos beneficiários e dos valores pagos a título de comissão de corretagem; 3) análise das provas apresentadas no processo nº 15586/000879/200716; 4) reconhecimento da ineficácia do lançamento em face da defendente; 5) alternativamente, a redução da multa para 20%. Foram juntadas notas fiscais às fls. 455470. 2) Agrimal Armazéns Gerais Ltda (fls. 471515): repete, na íntegra, os argumentos da impugnação apresentada por A& M Comércio Exportação e Importação Ltda. Foram juntadas notas fiscais às fls. 531711. 3) Sthur Agropecuária Ltda (fls. 715731): a) invalidade da responsabilização tributária: a.1) cerceamento de defesa ocasionado pela ausência da juntada das notas fiscais arroladas no relatório fiscal, pela falta de demonstração do volume de vendas da Colina Verde informado à Receita Estadual, pela ausência, nos autos, das intimações aos depoentes e dos documentos contendo as respostas fornecidas por eles; a.2) incoerência da fiscalização da RFB, que, com base nos mesmos fatos, neste processo atribuiu a responsabilidade tributária às pessoas jurídicas arroladas no "Relatório Fiscal de Caracterização de Grupo Econômico", ao passo que, no processo nº 15586.000879/2007162 foi atribuída a responsabilidade tributária às pessoas físicas sócias daquelas empresas; a.3) ausência de motivo legal do lançamento, que não encontra respaldo nos citados arts. 25, I, e §§ 3º e 4º e art. 25A, todos da Lei 8.212/91; b) não ficou configurada a responsabilidade da impugnante, com base no art. 124, I, do CTN: não há informação da participação da impugnante em negócios da Colina Verde nem de que ela tenha obtido benefícios econômicos. As alegações e fatos estão associadas às pessoas físicas com sobrenome "Sthur", e, ainda assim, os valores envolvidos são insignificantes. Citando jurisprudência do STJ, afirma que a 1 Tratase de processo de exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrado em face de Colina Verde Café Ltda, na condição de contribuinte, e, na condição de responsáveis solidárias, diversas pessoas físicas, sócias das empresas que compõem o polo passivo do presente lançamento tributário. 2 ver nota acima. Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.334 5 solidariedade depende da demonstração da comunhão de interesses na situação correspondente ao fato gerador da obrigação tributária; c) a fiscalização não identificou o dispositivo legal infringido, ao deixar de apontar em qual inciso do art. 135 do CTN estaria inserida a suposta conduta da defendente, além disso, não demonstrou ter ocorrido dolo ou fraude por parte dos seus sócios; d) decadência do período até 02/2003, contado da ocorrência do fato gerador; e) a verdade é que Selenne Berger Sthur compôs o quadro social da impugnante momentaneamente (sóciacônjuge de Eduardo Sthur), e que Wanderley Sthur somente atuou como intermediador da compra e venda de café (corretor), recebendo comissões. Pediu a exclusão da defendente do polo passivo do lançamento. 4) Sthur Armazéns Gerais Ltda (fls. 960976): repete, na íntegra, as razões expostas na impugnação apresentada por Sthur Agropecuária Ltda, acrescentando que Sérgio Sthur sempre atuou na região como intermediador da compra e venda de café (corretor), recebendo comissões, cuja atividade foi reconhecida pela Receita Federal em fiscalização empreendida contra este contribuinte, conforme comprovam os documentos de fls. 12151243. 5) Zanotti Armazéns Gerais Ltda (fls. 12441266): a) alega ilegitimidade processual para fatos geradores anteriores a outubro de 2002, pois a empresa iniciou suas atividades somente a partir dessa data; b) decadência do período de 2001, 2002 e parte de 2003, considerando que foi intimada do lançamento em 15 de abril de 2008; c) invalidade da responsabilização tributária: c.1) não ficou demonstrado que a defendente se beneficiou das operação da Colina Verde; c.2) pede a reabertura do prazo de defesa, cujo prazo foi reduzido porque não recebeu, com a intimação, os termos do lançamento tributário, aos quais teve acesso após ter solicitado cópia dos autos na repartição da RFB; c.3) a suposta conduta infratora da recorrente não foi individualizada, apesar de terem sido imputadas condutas supostamente infratoras a seus sócios Theodoro Antonio Zanotti, e esposa; d) no mérito, alega que a responsabilização da defendente não tem respaldo legal ou fático, pois: d.1) não há prova de que José Carlos Ambrósio (empregado da defendente e procurador da Colina Verde) trabalhava para a defendente em período integral (44 horas semanais) nem que isso o impediria de intermediar compras de café; d.2) Thodoro Antonio Zanotti é produtor rural e Colina Verde Café é compradora de produtos agrícolas, de modo que não existe concorrência entre eles; d.3) o fato de José Carlos Ambrósio não ter declarado renda auferida ou não possuir bens registrados não comprova que ele deixou de aproveitar o dinheiro que lhe rendeu a intermediação de café; d.4) José Carlos Ambrósio não conhecia alguns cheques ou movimentações feitas na conta corrente em que era procurador em razão de haver outros titulares da conta (os sócios da Colina Verde Café Ltda); d.5) Ascendino Antonio Uliana afirmou que depositou na conta de Colina Verde Café crédito devido ao Sr. Theodoro Zanotti, realizando cessão de crédito, muito comum no comércio, ou seja, a impugnante, devedora de Colina Verde, solicitou a entrega do valor diretamente ao credor indicado; d.6) todos os cheques recebidos pelo produtor de Sr. Theodoro Zanotti pela venda de café à Colina Verde foram endossados ou simplesmente transferidos a terceiros, procedimento comum em suas atividades comerciais; d.7) a aplicação retroativa da lei 10.174/2001 afronta ao principio da segurança jurídica; e) ilegalidade e inconstitucionalidade da multa e dos juros aplicados com base na taxa Selic. Requer a reabertura do prazo de defesa, o reconhecimento da nulidade do lançamento, ou a exclusão da defendente do polo passivo do lançamento. 6) Primavera Armazéns Gerais Ltda (fls. 1267): repete os argumentos da impugnação apresentada por A& M Comércio Exportação e Importação Ltda, acrescentando os Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 seguintes pontos: a) invalidade da responsabilização tributária, pois o depósito de mercadorias para terceiros, objeto social da defendente, é atividade que não se enquadra na sujeição passiva do art. 30 da Lei 8.212/91; b) o fato de Alecsandro Gava ser empregado da defendente, e procurador da Colina Verde, atuando como intermediador na compra e venda do café para a Colina Verde, não conflita com os interesses da empregadora na sua atividade de armazenagem; c) Alecsandro Gava foi quem outorgou procuração e abriu conta bancária da Colina Verde, não a impugnante; d) são ineficazes as provas produzidas em desfavor dos sócios da defendente, Sérgio Valani, Ademar Valani e Josemar Echer Valani, pois baseadas em depoimentos colhidos sem contraditório, notas fiscais emitidas sem aceite, depósitos e transferências com base em depoimentos dos depositantes, não lastreadas por documentos; e) contesta as conclusões da fiscalização feita com base nos depoimentos de Alesandro Baloneck, Andressa, Sr. Berg, Desimar & Desimar, Enivaldo, Kleber Manzoli, Junal, dentre outros, e entende que a ela deve ser garantido o direito de verificar a escrita fiscal da empresa Moinho Petinho, que afirmou ter realizado negociação com o Sr. Ademar Valani; f) afirma que Josemar Echer Valani, sócio da defendente, é mero corretor de café, não podendo ser responsabilizado por atos de terceiros. Juntou notas fiscais, que foram anexadas às fls. 13371936. A DRJ acatou em parte as razões dos defendentes, excluindo do lançamento a parte atingida pela decadência, correspondente ao período de 08/2001 a 11/2002, e as contribuições devidas ao SENAR, sendo que a exclusão dessa última se deu com base no argumento de que não há respaldo no art. 30, IX , da Lei 8.212/91, para se exigir dos responsáveis tributários a contribuição destinada aos terceiros, de modo que foi determinada a realização de lançamento substitutivo dessa contribuição somente em face do contribuinte Colina Verde Café Ltda. Foram rejeitadas as demais alegações dos defendentes. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 30/06/2004 ADQUIRENTE SUBROGAÇÃO A empresa, na condição de adquirente do produto rural, é responsável pelo recolhimento das contribuições devidas pelos segurados produtor rural e segurado especial previstas no art. 25, incisos 1 e II da Lei n°8.212/91, ficando subrogada, para esse fim, nas obrigações destes segurados. CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO Se no exame da documentação apresentada pelas empresas, bem como através de outras informações obtidas a fiscalização constatar a formação de grupo econômico de fato, não há como negar a legitimidade do procedimento fiscal que arrolou as empresas componentes do grupo como sendo coresponsáveis pelo crédito lançado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da legislação previdenciária, nos termos do inciso IX do Artigo 30 da Lei n° 8.212/91. Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.335 7 CONTRIBUIÇÕES A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. No caso de responsabilidade solidária, não incidem contribuições a outras Entidades e Fundos Terceiros, de acordo com o art. 30, IX, Lei 8.212/91 de o art. 178, § 2°, I, da IN SRP n° 03/2005. TAXA SELIC A aplicação de juros equivalentes à taxa referencial SELIC decorre do artigo 34 da Lei n°. 8.212/91 que determina expressamente seu caráter irrelevável. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando esta se mostra prescindível. INDEFERIMENTO DE REABERTURA DE PRAZO DE DEFESA O artigo 15 do Decreto 70.235/72 determinam que o contribuinte tem o prazo de 30 (trinta dias) para apresentar defesa, prazo este que deverá ser aplicado pela Administração Pública, sob pena de afronta ao princípio da legalidade CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. Com a edição da Súmula Vinculante n° 08 do STF, de 12/06/2008, publicada no DOU n° 117 de 20/06/2008, que declarou inconstitucional o artigo 45 da Lei 8212/91, o prazo decadencial das contribuições sociais previdenciárias passou a ser regido pelo Código Tributário Nacional, ou seja, passou de 10 para 5 anos. Considerando que a fundamentação dos julgados que acarretaram a Súmula Vinculante n° 08 do STF encontrase no prazo de 5 anos estabelecido pelo Código Tributário Nacional para decadência de créditos tributários, tal prazo aplicase também as contribuições destinadas a outras entidades, haja vista a natureza tributária de tais contribuições. INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data da sua constituição definitiva, a qual ocorre somente após esgotaremse todos os recursos administrativos. INEXISTE NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PARA AUTORIDADE FISCAL OBTER INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. Não há necessidade de autorização Judicial para a Autoridade Fiscal utilizar informações bancárias obtidas junto às Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 instituições financeiras sem autorização judicial, nos termos da Lei Complementar 105/2001. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARAÇÃO EM PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. Não é cabível a declaração acerca da inconstitucionalidade de leis ou atos normativos em via de procedimento administrativo, pois, a teor do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, a atividade administrativa de lançamento é vinculada, não podendo a autoridade fiscal, por sua própria iniciativa, deixar de aplicar lei e ato normativo vigente. Lançamento Procedente em Parte Os sujeitos passivos foram cientificados do acórdão da DRJ nas datas abaixo mencionadas: Sujeito Passivo Data Intimação Ac. DRJ Meio Doc fls Obs Colina Verde Café Ltda 22/07/2009 edital 2012 A correspondência enviada anteriormente pelos correios foi devolvida pelo motivo "mudouse", fls. 2005 A & M Comércio Exportação e Importação Ltda 04/08/2009 edital 2017 A correspondência enviada anteriormente pelos correios foi devolvida pelo motivo "não procurado", fls. 2016 Agrimal Armazéns Gerais 04/08/2009 edital 2017 A correspondência enviada anteriormente pelos correios foi devolvida pelo motivo "não procurado", fls. 2014 Stuhr Agropecuária Ltda 27/04/2009 AR 2008 Stuhr Armazéns Gerais Ltda 04/05/2009 AR 2009 Zanotti Armazéns Gerais Ltda 29/04/2009 AR 2010 Primavera Armazéns Gerais Ltda 19/05/2009 AR 2011 Charles Paulo Bart 09/10/2009 AR 45 Inconformados com a manutenção parcial dos lançamentos tributários, impetraram recursos voluntários os seguintes sujeitos passivos: Sujeito Passivo Data Intimação Ac. DRJ Data Recurso Doc fls. A & M Comércio Exportação e Importação Ltda 04/08/2009 18/06/2009 22872307 Agrimal Armazéns Gerais 04/08/2009 18/06/2009 23092317 e 315 Stuhr Agropecuária Ltda 27/04/2009 25/05/2009 20412066 Stuhr Armazéns Gerais Ltda 04/05/2009 25/05/2009 20412066 Zanotti Armazéns Gerais Ltda 29/04/2009 25/05/2009 20192039 Primavera Armazéns Gerais Ltda 19/05/2009 18/06/2009 1739 Abaixo, o relato sintetizado das razões recursais: A& M Comércio Exportação e Importação Ltda, Agrimal Armazéns Gerais, Zanotti Armazéns Gerais Ltda e Primavera Armazéms Gerais Ltda reiteram, na íntegra, as razões da impugnação. Stuhr Armazéns Gerais Ltda e Sthur Agropecuária Ltda apresentaram recurso em conjunto, alegando, em síntese: Alega que a presente fiscalização está subordinada ao procedimento fiscal objeto do processo nº 15586.000879/200761, de modo que não é possível alterar os critérios jurídicos ali delineados quanto à responsabilidade tributária, que, naquele processo, é restrita a algumas pessoas físicas, dentre elas, os sócios das recorrentes Sérgio Stuhr, Selenne Stuhr e Roberval Stuhr. Isso porque, não é possível, com base nos mesmos fatos, atribuir responsabilidade tributária a pessoas diferentes. Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.336 9 Sustenta que o relatório fiscal não possui fundamentação fáticojurídica de caracterização de grupo econômico (art. 30, IX, da Lei 8.212/91), deixando de demonstrar o vínculo entre a recorrente e a Colina Verde Café Ltda, a ligação entre os atos praticados pelos sócios da recorrente, na condição de procuradores da Colina Verde Café Ltda, e as pessoas jurídicas de que são sócios, e não esclarece se a atuação dos mencionados procuradores beneficiou a recorrente. Ressalta que não há nenhum fato relacionado à Stuhr Armazéns Gerais Ltda. Afirma que o caso é de desconsideração de personalidade jurídica às avessas, a qual não encontra respaldo legal. Alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa, considerando que não foi informado, no relatório fiscal, qual inciso do art. 135 do CTN está embasada a responsabilidade tributária, acrescentando que nem esse dispositivo legal, nem o art. 124 do CTN têm pertinência com a atuação, além de entender que os mencionados dispositivos legais são incompatíveis, citando, a esse respeito, jurisprudência do STJ. Caso superadas as demais teses, deve a responsabilização das recorrentes se limitar aos valores transitados nas contas bancárias movimentadas por seus sócios, uma vez que a abrangência da responsabilidade do art. 124, I, do CTN, está adstrita às operações em que exista interesse comum. Argumenta que não há respaldo legal para se exigir a contribuição rural de armazém geral e que não há prova, nos autos, da ocorrência do fato gerador, pois não foram juntadas as notas fiscais que supostamente lhe dá suporte, tão pouco ficou demonstrada a informação quanto ao volume de vendas que a Colina Verde Café Ltda informou à Receita Estadual, entendendo que tais omissões cerceiam o direito de defesa das recorrentes. Esclarece que Sérgio Stuhr, ao contrário do afirmado pela fiscalização, é filho de George Stuhr e Edith Berta Stuhr e irmão de Lucimar Stuhr e Erasmo Stuhr, informando que este atua e sempre atuou na região de Itartana/ES e adjacências como intermediador da compra e venda de café (corretor). Pede o cancelamento do auto de infração ou a exclusão das recorrentes do polo passivo do lançamento, ou, alternativamente, que a responsabilidade tributária seja limitada ao suposto benefício/às movimentações registradas nas contas bancárias atribuídas a Sérgio Stuhr, Wanderley Stuhr e Selenne Berger Stuhr. Colina Verde Café Ltda não apresentou recurso. É o relatório. Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço dos recursos voluntários por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Sujeição Passiva. Identificação dos Responsáveis Tributários. Ciência Alguns pontos controvertidos do processo devem ser enfrentados preliminarmente, notadamente aqueles relativos à identidade dos responsáveis tributários que tiveram a relação jurídica de responsabilidade tributária declarada no lançamento e a necessidade de intimar todos os responsáveis tributários acerca do lançamento ou de sua condição de responsável tributário. A autoridade lançadora, no item 4 do relatório fiscal, fez menção a elementos fáticos caracterizadores de responsabilidade tributária em face de algumas pessoas, os quais foram apresentados no Relatório Fiscal de Caracterização de Grupo Econômico. No item 3 do Relatório Fiscal e no item 1 do Relatório Fiscal de Caracterização de Grupo Econômico, é possível identificar as sociedades empresárias que, segundo a fiscalização, formam um grupo econômico de fato com a contribuinte Colina Verde Café Ltda, e nessa condição respondem solidariamente pela obrigação tributária aqui tratada, com fulcro no art. 124, I, do CTN, e art. 30, IX da Lei 8.212/91. São elas: a) Stuhr Agropecuária Ltda, CNPJ: 39.315.437/000150; b) Stuhr Armazéns Gerais Ltda, CNPJ: 35.958.321/000188; c) A & M Comércio Exportação e Importação Ltda, CNPJ: 03.581.039/000138; d) Agrimal Armazéns Gerais, CNPJ: 03.605.034/000106; e) Zanotti Armazéns Gerais Ltda, CNPJ: 05.335.134/000187; f) Primavera Armazéns Gerais Ltda, CNPJ: 04387.2721000147. A responsabilidade tributária dessas pessoas jurídicas foi declarada no auto de infração, conforme termos de sujeição passiva de fls. 355372, dos quais os responsáveis foram devidamente cientificados. Entretanto, no item 3 do Relatório Fiscal de Caracterização de Grupo Econômico, fls. 335342, constatase que, além da imputação de responsabilidade às pessoas jurídicas mencionadas, foi declarada a responsabilidade tributária das pessoas físicas que, segundo a fiscalização, de fato administravam a contribuinte Colina Verde Café Ltda, com base no art. 135 do CTN, conforme exposto no trecho, abaixo transcrito, do referido relatório: 3 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Nos termos do inciso 1 do artigo 124 e artigo 135, todos do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 25/10/1966, são arrolados como responsáveis solidários todas as pessoas que praticaram atos de gestão, caracterizados pelo efetivo controle dos recursos movimentados nas diversas contas bancárias. Não serão arrolados como responsáveis solidários os procuradores cujas evidências e provas permitiram constatar não terem tido participação efetiva na movimentação de recursos. Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.337 11 Serão arroladas as pessoas jurídicas e seus sócios, nos casos em que ficou evidenciada que atos de gestão eram praticados no interior de sua sede. (grifei). ... CHARLE PAULO BART CPF 034.830.30760 Sócio Gerente da empresa Colina Verde Café Ltda, sua participação, além da cessão voluntária de seu nome para figurar como um dos sócios do empreendimento, salvo melhor juízo, provase pela assinatura em cheques sacados contra as seguintes contas: 8.857.443, Sanastes, agência Linhares; 8.164,709, Banestes, agência Santa Maria de Jetibá; 7.036X, Banco do Brasil, agência Santa Maria de Jetibá; e 7.3032, Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá. Conforme já foi mencionado no item 2.2.1, Charles não poderia ser o dono do empreendimento, entretanto, de alguma forma beneficiouse. A afirmação é corroborada pela evolução de sua conta bancária em 2002 e 2003 e o fato de ter adquirido um imóvel, embora provavelmente não seja registrado em seu nome no Registro de Imóveis. SÉRGIO STUHR — CPF 707.427.90720 Sócio Gerente da empresa Stuhr Armazéns Gerais Ltda , sua participação provase pelo controle sobre a conta 7.4276, da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá. Esse procurador assinava os cheques sacados contra a conta, muitos dos quais nominativos a ele próprio. Recursos dessa conta foram utilizados para pagar gastos particulares de Sérgio. Detalhes no item 2.4.3.13. SELENNE BERGER STUHR CPF 979.259.26791 Selenne é casada com Eduardo Stuhr, e são os pais de Wanderley e Sérgio. Selenne é Sócia Gerente da empresa Stuhr Agropecuária Ltda Constatouse que Eduardo Stuhr, esposo de Selenne,, recebeu quantias muito elevadas, bem superiores àquelas que poderiam ser representadas pelas supostas vendas realizadas para a Colina Verde (ver comentários sobre o depoente Eduardo Stuhr no item 24.3.12). As quantias recebidas seriam retiradas de lucros do empreendimento? Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 A participação de Selenne provase pelas assinaturas nos cheques da conta 7.3032 da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá (item 2.4.3.12). SÉRGIO VALANI CPF 031.557.50774 Controlou, com a participação de Ademar Valani, a conta 1.036 7, mantida na Cooperativa de Crédito Rural de Rio Bananal, apesar do procurador de direito ser Alecsandro Gava, e também a conta 18.0777, mantida no Bradesco, agência Linhares. Detalhes podem ser buscados nos itens 2.4.3.§ e 2.4.3.9. ADEMAR VALANI CPF 576.563.63734 Sócio Gerente da empresa Primavera Armazéns Gerais Ltda juntamente com Sérgio Valani, controlava a conta 1.0367, mantida na Cooperativa de Crédito Rural de Rio Bananal, apesar do procurador de direito ser Alecsandro Gava. Controlava também a conta 18.0777, mantida no Bradesco, agência Linhares. A afirmação tem por base: cópias de documentos enviados pela Moinho Petinho Indústria e Comércio Ltda, onde constam o nome Ademar e Adernar Valani em diversos comprovantes de depósitos (item 2.4.3.5); anotação Ademar X Vanessa no verso de um cheque emitido contra a conta 18.0777 (item 2.4.2.5); e assinatura de endosso no verso de cheque nominativo à Colina Verde, sacado contra a conta 1.0367 (item 2.4.3.9). Detalhes nos itens 2.4.3.5 e 2.4.3.9. JOSEMAR ECHER VALAN1 CPF 622.952.25787 Controlou a conta 3.3537, mantida na Coopertiva de Crédito Rural de Unhares. Sua participação pode ser comprovada, além do fato de ser procurador, pelos depoimentos. Detalhes no item 2.4.3.6. NARCISO AGRIZZI CPF 215.572.847/68 Sócio Gerente das empresas A & M Comércio Exportação e Importação Ltda e Agrimal Armazéns Gerais Ltda , controlava a movimentação da conta 13.7545, conforme se constata pelas anotações de confirmação para pagamento de cheques, apostadas no verso de diversos títulos. Pagamentos de cheques eram confirmados de dentro da A & M, fato provado pelas várias confirmações de cheques feitas no verso desses títulos, além da anotação manuscrita no cartão de autógrafo, onde consta o número do telefone da A& M, 3373 8300. Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.338 13 IDALINO AGRIZZI CPF 474.861.12787 Sócio da A & Me AGRIMAL. Recursos da conta 13.7545 pagaram despesas/investimentos particulares desse contribuinte. Detalhes no item 2.4.3.3. DOMINGOS SAVIO AGRIZZI CPF 756.639.37749 Sócio da A & M, empresa de onde partiam as ordens para confirmação de pagamentos de cheques sacados contra a conta 13.7545. Detalhes no item 2.4.3.3. THEODORO ANTÔNIO ZANOTTI CPF 911.768.24791 O contribuinte Theodoro Antônio Zanotti, conhecido pelo apelido de "Dorinho", Sócio Gerente da empresa Zanotti Armazéns Gerais Ltda juntamente com sua esposa, Leonor Andrade Seixas Zanotti, movimentavam recursos da conta 10.6860, mantida no Bradesco, agência Nova Venécia. A referida conta tinha como representante habilitado, José Carlos Ambrázio, exempregado do senhor Antônio Theodoro Zanotti, pai de Dorinho, e atualmente empregado de Theadoro. A afirmação tem por base as anotações registradas rio verso de diversos cheques e os depoimentos. Detalhes estão comentados no item 2.4.3.8. LEONOR ANDRADE SEIXAS ZANOTTI CPF 828.421.75700 Juntamente com seu esposo, Theodoro Antônio Zanotti, controlava a conta 106860, mantida no Bradesco, agência Nova Venécia, conforme comprova as anotações de "confirmação" apostada no verso de diversos cheques. Detalhes no item 2.4.3.8. Entretanto, não constam, dos autos, os termos de sujeição passiva emitidos em face dessas pessoas físicas, nem a prova de que tenham sido intimadas acerca da declaração de responsabilidade realizada juntamente com o lançamento. Responde solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, o administrador de fato da pessoa jurídica, o qual comete atos ilícitos no exercício da gerência da empresa, conforme previsão do art. 135, III, do CTN. A responsabilidade do administradorinfrator tem natureza de relação jurídica de garantia, que é distinta da relação jurídica decorrente da obrigação tributária, embora a ela seja vinculada. Deveras, o fato jurídico que dá nascimento à responsabilidade é ilícito, não sendo caso, portanto, de obrigação tributária em sentido estrito, por força do conceito contido no art. 3º do CTN. Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 14 Em razão disso, é possível que a responsabilidade do administrador seja declarada em momento diverso da constituição do crédito tributário. É o que ocorre quando a responsabilidade do administradorinfrator é declarada por autoridade judicial, no caso do instituto do redirecionamento da execução fiscal, ou pelo Procurador da Fazenda Nacional, ao incluir o nome do administrador na Certidão de Dívida Ativa (CDA). Essa questão é tratada com lucidez no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, em trecho a seguir reproduzido: 98. A possibilidade de ser declarada a responsabilidade do administrador em momento diverso da constituição do crédito tributário devido pelo contribuinte decorre de sua natureza de relação jurídica de garantia. Em razão dessa natureza, a obrigação do responsável, para existir, valer e produzir efeitos, precisa da existência, da validade e da eficácia da obrigação do contribuinte (pessoa jurídica). Diversamente, a obrigação do contribuinte, para existir, valer e produzir efeitos, não depende da existência, da validade e da eficácia da obrigação do responsável. Logo, o crédito tributário do contribuinte pode ser plenamente exigido independentemente de ser declarada ou não a responsabilidade do administrador. Em regra, o administrador atua no Processo Administrativo Fiscal (PAF) como terceiro interessado, sendo dispensável a sua intimação nessa fase processual, mas, quando a sua responsabilidade já tiver sido declarada na fase de constituição do crédito tributário, ele se reveste desde já da condição de sujeito passivo, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, que define que todo responsável é sujeito passivo tributário, e, nessa condição, é essencial a sua intimação para participar do PAF, conforme determina o inciso V do art. 10 do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Este entendimento é adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme consta da Portaria RFB nº 2284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados por seus agentes fiscais, quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Fl. 2345DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.339 15 Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Ao deixar de intimar todos os responsáveis tributários acerca da sua condição, a Administração Tributária incorreu em vício, por desatender aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, tornando inválidos os atos processuais praticados após o ato viciado, atingindo, por decorrência, o acórdão recorrido e atos posteriores, eis que o Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inciso II, confere nulidade às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Portanto, é inválida a decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância antes da intimação de todos os sujeitos passivos do lançamento, cujo defeito compromete a sua validade por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório e ao duplo grau de jurisdição. Diante dessa preliminar, deixo de conhecer do recurso de ofício, por incompatibilidade. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício e por conhecer do recurso voluntário para anular o Acórdão nº 1222.686 da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Rio de Janeiro I, cabendo, ao órgão julgador de primeira instância, proferir nova decisão após intimação de todos os responsáveis tributários assim declaradas no auto de infração. Luciana de Souza Espíndola Reis Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, Relatora designada. Com a devida licença da nobre Relatora da matéria, Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, embora o brilhante voto, ouso divergir do entendimento acerca da nulidade da decisão de primeira instância a fim de sanar a ausência de intimação dos responsáveis solidários declarados na NFLD NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO/ AUTO DE INFRAÇÃO. Conforme resta comprovado no Relatório Fiscal de Caracterização de Grupo Econômico de fls. 220 a 343, no item 3, fls. 335 a 342, restam caracterizados os Responsáveis Solidários, sendo declarada a responsabilidade tributária das pessoas físicas que proprietárias ou não de outras empresas, segundo a fiscalização, de fato administravam a contribuinte Colina Verde Café Ltda. Fl. 2346DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 16 Com base nos arts. 124 e 135 do CTN, em fls. 342 e 343, no item 4, o fiscal apresenta a Síntese, conforme exposto nos trechos, abaixo transcritos, do referido relatório: 3 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Nos termos do inciso I do artigo 124 e artigo 135, todos do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 25/10/1966, são arrolados como responsáveis solidários todas as pessoas que praticaram atos de gestão, caracterizados pelo efetivo controle dos recursos movimentados nas diversas contas bancárias. (grifos do original) [...] 4 – SÍNTESE Com base nas informações colhidas, sejam documentos, depoimento outros, podese fazer um resumo do empreendimento, desde o início de sua constituição, até o término das atividades. Se o planejamento dessa organização foi obra de uma só pessoa ou de várias, não o sabemos. Sabese, entretanto, que a "causa" foi abraçada por diversas, tendo algumas participado apenas com a cessão de seus nomes e dados cadastrais, outras, dela participaram ativamente promovendo atos de gestão. Duas pessoas de modesta situação econômica cedem seus nomes e dados pessoais para que sela confeccionado um contrato social, onde se constituía uma empresa a que se deu o nome Colina Verde Café Ltda. Realizados os procedimentos burocráticos, registro mercantil, registro no CNPJ da SRF, inscrição na SEFAES, a nova pessoa jurídica está apta a abrir contas bancárias e emitir notas fiscais. A "nova sociedade", composta por duas pessoas sem recursos, sem armazém para estocagem de produtos, sem sede, outorga poderes para diversas pessoas, algumas delas empresários da área de comercialização de café e outros produtos primários; outras, empregados de comerciantes desses produtos. Esses empresários do ramo de café, "concorrentes" da Colina Verde, com recursos, tradição no mercado, com armazém para estocagem, em vez de comercializarem o produto em seus nomes ou de suas empresas, obtendo o lucro do negócio, comercializam em nome da "concorrente". Compram produtos, estocam em seus armazéns, revende os produtos estocados o controlam contas bancárias. Em vez dos empreendedores operarem (emitir notas fiscais, movimentar contas, etc.) em nome das empresas constituídas em seus nomes, com sede, empregados, patrimônio, atuaram em nome de uma empresa desprovida de patrimônio, com sócios de direito também desprovidos de patrimônio. Fl. 2347DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.340 17 Essa forma de atuar, além de ocultar os verdadeiros empreendedores, constituiria uma forma de "blindagem" do patrimônio pessoal dos sócios de fato, caso a Fazenda Pública Federal um dia chegasse até a contribuinte, reclamando seus créditos. Com o encerramento desta ação fiscal, MPF 07.2.01.00.2008 000425, foi lavrado a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 37.119.846 1, Processo 15586.000258/200813. (grifos do original e apostos) Da análise do processo e do Relatório Fiscal e dos trechos acima transcritos verificase que não estamos diante da responsabilidade do administradorinfrator, que de acordo com o voto vencido teria natureza de relação jurídica de garantia, a qual seria distinta da relação jurídica decorrente da obrigação tributária. Estamos diante do fato de que a Colina Verde teria como sócios duas pessoas sem recursos, sem armazém para estocagem de produtos, sem sede, e os sócios da Colina Verde, que constam do contrato social, teriam outorgado poderes para diversas pessoas, algumas delas empresários da área de comercialização de café e outros produtos primários; outras, empregados de comerciantes desses produtos, sendo estas relacionadas como Responsáveis Solidárias e, foram estas que não foram devidamente cientificadas. Portanto, os fatos narrados no presente processo não tem similitude com os casos analisados pelo Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, ou seja dos sócios responsáveis. A própria nobre relatora vencida traz na fundamentação do seu voto a legislação que obriga, expressamente, que todos os responsáveis sejam devidamente notificados. Desse modo, sendo a responsabilidade solidária declarada na fase dos procedimentos preparatórios da constituição do crédito tributário, revestemse os responsáveis tributários da condição de sujeitos passivos da obrigação, nos termos do art. 121, parágrafo único, II, do CTN. A notificação de todos é condição essencial para a validade do lançamento, restandolhes abertas as vias administrativas para impugnar o ato, conforme determina o inciso V do art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 3º da Portaria RFB nº 2284, de 29 de novembro de 2010, sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa e contraditório e do devido processo legal. Dito isso, constatase que a questão posta nos autos se fixa em determinar qual o prazo para efetiva intimação da (s) contribuinte (s)/responsáveis, com o fito de se estabelecer o termo final do prazo decadencial. Nesse sentido, aliás, é de bom alvitre salientar que a lavratura da notificação fiscal/auto de infração, ou seja, a constituição do crédito tributário, darseá somente com a ciência do contribuinte nas formas constantes na legislação tributária, oportunidade em que a NFLD/AI passará a produzir seus efeitos legais. A propósito da matéria, cabe invocar os ensinamentos do renomado tributarista LEANDRO PAULSEN, em sua obra “DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 13ª edição, 2011, pág. 1059/1060, in verbis: “Motivação lançamento. Requisitos de regularidade formal. Fl. 2348DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 18 [...] Importa ressaltar, ainda, que o lançamento só terá eficácia após notificado ao sujeito passivo [...] Notificação. Condição de eficácia. A notificação ao sujeito passivo é condição para que o lançamento tenha eficácia. Trata – se de providência que aperfeiçoa o lançamento, demarcando, pois, a formalização do crédito pelo Fisco. O crédito devidamente notificado passa a ser exigível do contribuinte. Com a notificação o contribuinte é instado a pagar e se não o fizer nem apresentar impugnação, poderá sujeitarse à execução compulsória através de execução fiscal. [...] A notificação está para o lançamento como a publicação está para a lei [...]” (grifei) Ao deixar de intimar todos os responsáveis tributários acerca da sua condição, a Administração Tributária incorreu em vício o qual só pode ser sanado dentro do prazo decadencial. A Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso LV, traz a garantia expressa do exercício do contraditório e da ampla defesa, tanto no processo judicial quanto no administrativo. A efetiva comunicação à parte interessada de qualquer ato do processo afigura se imprescindível ao exercício do direito garantido constitucionalmente. Desse modo, é dever legal e constitucional da Administração Tributária de proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, decorridos mais de 15 (quinze) anos do fato gerador (01/08/2001 a 30/06/2004), eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Inexistindo a perempção para constituição definitiva do crédito tributário, estarseia autorizando que a conclusão do procedimento administrativo tributário perdurasse indefinitivamente. Nesse sentido, cabe transcrever, novamente, os brilhantes ensinamentos do Desembargador Federal Leandro Paulsen, através dos excertos dos comentários ao artigo 173 do Código Tributário Nacional, extraídos do Livro, "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência", 13ª edição, 2011, pag. 1262: Entendendo que o parágrafo único institui prazo de perempção para a constituição definitiva do crédito. "... a postulação de uma interpretação no sentido da inexistência de prazo para a conclusão do procedimento administrativo traz em si três consequências inaceitáveis, quais sejam: a) neutralização de toda a sistemática de prazos, pois estes poucos significariam, especialmente o de prescrição, se o processo administrativo pudesse demorar quinze ou vinte anos, ou mesmo indefinidamente; b) deixar a critério do credor (Fisco) a definição do momento em que tem início o prazo prescricional que correria contra ele próprio; e c) perenização das pendências, pois o contribuinte a rigor não saberia durante quanto tempo ainda poderlheia ser exigido um tributo relativamente a um fato gerador ocorrido no passado, o que atinge o princípio da segurança das relações jurídicas. Fl. 2349DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.000258/200813 Acórdão n.º 2301004.653 S2C3T1 Fl. 2.341 19 Cabe, ainda, neste sentido transcrever jurisprudência Administrativa, deste E. Conselho, que dentre várias reproduzo as ementas aos Acórdãos nº 9202003.106 da Câmara Superior e o de nº 2301004.372 desta Turma e da minha relatoria: Processo nº 35948.000475/200694 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.106 – 2ª Turma Sessão de 25 de março de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA Recorrente PHILIP MORRIS BRASIL S/A E OUTRO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/04/1998 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTIMAÇÃO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. VALIDADE. TERMO FINAL PRAZO DECADENCIAL. ÚLTIMO COOBRIGADO CIENTIFICADO. Com fulcro na legislação de regência, especialmente no artigo 34 da Portaria MPS nº 520/2004, a qual contemplava as regras no processo administrativo no âmbito do INSS, vigente à época, nos casos de atribuição de responsabilidade solidária do crédito previdenciário, considerarseá concretizada a intimação dos atos processuais na data do recebimento pelo último coobrigado, tanto para efeito dos prazos recursais, bem como para contagem do prazo decadencial, sendo aquele o seu termo final. [...] Recurso Especial provido. Processo nº 19563.000083/200774 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.372 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Fl. 2350DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 20 Matéria ARBITRAMENTO. COOPERATIVA DE TRABALHO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO EMPRESAS EM GERAL. Recorrente CLEAN SERVICE SERVIÇOS GERAIS LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido O crédito tributário constituise com o lançamento, e este, na hipótese de responsabilização solidária, reputase ocorrido quando da regular notificação ao último sujeito passivo da obrigação tributária coobrigado. Assim, por serem solidários, sem direito ao benefício de ordem, o direito de constituir definitivamente o crédito tributário é contado do fato gerador até a ciência do último responsável solidário, o que não ocorreu, de forma que o lançamento resta fulminado pela decadência. Por todo exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DAR LHE PROVIMENTO para, reconhecer a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário e em decorrência decretar a nulidade do lançamento. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 04/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digit almente em 04/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10120.731367/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2008, 2009
IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM ABERTURA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA.
As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial, através de contrato de conta corrente com abertura de crédito rotativo, sujeitam-se à tributação pelo IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99.
ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE.
É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento na íntegra. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2008, 2009 IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM ABERTURA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial, através de contrato de conta corrente com abertura de crédito rotativo, sujeitam-se à tributação pelo IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento na íntegra. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM ABERTURA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial, através de contrato de conta corrente com abertura de crédito rotativo, sujeitamse à tributação pelo IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao patamar de 75%. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 13 67 /2 01 2- 16 Fl. 732DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 2 Neto, que deram provimento na íntegra. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) do Rio de Janeiro/RJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a concessão de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 1.492.059,87, sobre os quais ainda incidem juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Em síntese, no termo de constatação fiscal consta que: 1) O sujeito passivo em epígrafe é parte integrante de grupo econômico, compreendendo, entre outras, as seguintes empresas: a) Lessa Participações Ltda, CNPJ n° 01.632.675/000116; b) Cardiesel Ltda, CNPJ n° 23.338.197/000179; c) Uberlândia Caminhões e Ônibus Ltda, CNPJ n° 25.757.972/000156; d) Autosete Veículos e Peças Ltda, CNPJ n° 24.988.594/0001 59; e) Valadares Diesel Ltda, CNPJ n° 20.628.376/000152; f) Vadiesel Vale do Aço Diesel Ltda, CNPJ n° 23.949.811/000139; e g) VDL Fomento Mercantil Ltda, CNPJ n° 64.359.136/000175 2) Dentro do grupo econômico, as empresas firmaram entre si Fl. 733DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 112 3 Instrumentos Particulares de Contrato de Abertura de Crédito em Conta Corrente, com as seguintes características relevantes: a) prazo indeterminado de duração do contrato, permitida a rescisão unilateral mediante aviso com 30 dias de antecedência; e b) reciprocidade na concessão de crédito. 3) Encontrandose uma empresa com dificuldade de caixa para honrar os compromissos, e havendo disponibilidade em outra empresa, esta quita a obrigação daquela. A ora autuada registrou o mútuo em conta do ativo n° 12010102 CREDITOS DE COLIGADA E CONTROLADAS e respectivas subcontas por cada empresa contratada. 4) Configurado o fato gerador de IOF, não foi encontrado pagamento, nem DCTF informando débito do respectivo imposto, nem Dcomp, nem parcelamento. 5) A ora autuada firmou contrato de abertura de crédito em conta corrente com as seguintes empresas do mesmo grupo econômico (fls. 121 a 165): a) Uberlândia Caminhões e Ônibus Ltda, CNPJ n° 25.757.972/000156; b) VDL Administração e Participações Ltda, CNPJ n° 70.949.888/000199; c) Flávia Incorporadora de Imóveis Ltda, CNPJ n° 22.156.681/000114; d) LGL Participações Ltda, CNPJ n° 01.636.429/000132; e) Jota Lessa Participações Ltda, CNPJ n° 03.951.615/000191; f) OVF Participações Ltda, CNPJ n° 01.631.392/0001 50; g) Horizonte Têxtil Ltda, CNPJ n° 00.492.142/000113; h) Osaka Automóveis Ltda, CNPJ n° 02.702.798/000149; i) Calisto Diesel de Veículos Ltda, CNPJ n° 18.406.991/000172; j) Valadares Diesel Ltda, CNPJ n° 20.628.376/000152; k) Londrina Caminhões e Ônibus Ltda, CNPJ n° 09.474.755/000100; l) VDL Siderurgia Ltda, CNPJ n° 71.464.069/0001 14; m) Vadiesel Vale do Aço Diesel Ltda, CNPJ n° 23.949.811/000139; n) Lessa Administração e Participações Ltda, CNPJ n° 01.632.675/000116; o) VDL Fomento Mercantil Ltda, CNPJ n° 64.359.136/000175; e Fl. 734DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 4 p) Cardoso Caminhões e Ônibus Ltda, CNPJ n° 05.089.351/000184. 6) Durante os anoscalendário 2008 e 2009, o sujeito passivo em epígrafe concedeu empréstimos a empresas do mesmo grupo econômico, registrando os fatos na conta n° 12010102 CRÉDITOS DE COLIGADA E CONTROLADAS – e respectivas subcontas (fls. 176 a 325). 7) Por se tratar de empréstimos sem definição de prazo e de valor, a base de cálculo do IOF é o saldo devedor diário, inclusive nos dias não úteis, apurado mensalmente; a base de cálculo do adicional de IOF é o acréscimo diário do saldo devedor, também apurado mensalmente. APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 8) Pelos arquivos dos registros contábeis referentes ao ano calendário de 2008, entregues pela contribuinte em atendimento à intimação e os registros contábeis obtidos diretamente do Sped, com relação ao anocalendário de 2009 verificouse que empréstimos concedidos a empresas do mesmo grupo econômico foram lançados na conta nº 12010102 –CRÉDITO DE COIGADA E CONTROLADAS – e respectivas subcontas (fls. 176 a 325) 9) Com relação à documentação comprobatória das operações de empréstimo realizadas, o sujeito passivo restringiuse a apresentar os contratos de abertura de crédito em conta corrente, firmados com as demais pessoas jurídicas (fls. 121 a 165). No tocante à justificativa para falta de recolhimento do IOF, nada respondeu. 10) Por se tratar de empréstimos sem definição de prazo e de valor, a base de cálculo do IOF é o saldo devedor diário, inclusive nos dias não úteis, apurado mensalmente; a base de cálculo do adicional de IOF é o acréscimo diário do saldo devedor, também apurado mensalmente. 11) A partir do arquivo em meio magnético dos registros contábeis, segregamos as contas de mútuo, extraímos o balancete (fls. 176 e 234), reconstituímos o Razão de cada conta (fls. 177 a 325), e consolidamos os respectivos saldos diários (fls. 337 a 570). A partir de então, apuramos a somatória mensal dos saldos devedores diários, bem como os acréscimos diários dos saldos devedores. Aplicamos as respectivas alíquotas e chegamos aos valores originários do imposto devido, conforme Demonstrativo de Apuração do IOF (fls. 571 a 586). REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS E QUALIFICAÇÃO DA MULTA. 12) O sujeito passivo praticou o fato gerador do IOF durante todos os períodos mensais de apuração dos anoscalendário 2008 e 2009 e omitiu reiteradamente não só a informação em DCTF (fls. 335 e 336), mas também o recolhimento do imposto. 13) Tendo em vista que a manutenção da conduta, por longo período de tempo, exterioriza o dolo a inequívoca vontade de Fl. 735DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 113 5 fuga ao pagamento de imposto devido foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%). A qualificação da multa teve por base os artigos 44,§1 da Lei nº 9430/96; arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, art. 1º, I e II da Lei nº 4.729/65; art. 1º, I e II e art. 2º, I da Lei 8.137/90. A contribuinte foi cientificada pessoalmente em 23/11/2012 conforme fls. 607 e, irresignada, apresentou impugnação em 21/12/2012 (fls. 615/629) contendo, em síntese, as seguintres argumentações/requisições: a) Conforme se depreende no item 3 do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, o trabalho fiscal tomou como base para a apuração do IOF valores constantes dos registros contábeis da Impugnante, os quais, segundo o agente lançador, estariam diretamente vinculados aos Instrumentos Particulares de Abertura de Crédito em Conta Corrente celebrados entre a Impugnante e outras empresas do mesmo Grupo Econômico.; b) Neste particular, a fiscalização optou por enquadrar como mútuo toda a movimentação financeira entre a Impugnante e demais pessoas ligadas, ainda que a natureza da operação fosse diversa; c) Significa dizer que o agente lançador adotou um critério de mensuração do crédito tributário de todo equivocado e incoerente, na medida em que tributou aleatoriamente diversos valores sem ao menos ter aprofundado seus trabalhos de modo a caracterizálos como vinculados a um efetivo contrato de mútuo, em que pese a impugnante ter colocado a sua disposição todos os elementos de sua escrita fiscal/contábil solicitados durante o procedimento de fiscalização. d) Portanto, se denota a incerteza da fiscalização quanto à exatidão da matéria tributável, pelo que, consequentemente, tornase evidente que a mesma se utilizou, frisese, incorretamente, da presunção, para fins de validar o lançamento tributário sobre valores que não seriam passíveis de incidência do IOF. e) Isto porque, pelo exame dos valores discriminados nos Demonstrativos elaborados pela autoridade lançadora, não se torna possível verificar se ali foram incluídos, por exemplo, valores que poderão se referir a rubricas diversas, até mesmo a simples transferências entre contas correntes, ainda mais se levado em consideração o fato de que as operações fiscalizadas foram realizadas entre empresas ligadas, hipótese esta reconhecida pelo próprio agente lançador. f) Sem qualquer dúvida, a utilização exclusiva nos Demonstrativos elaborados pela fiscalização da expressão "acréscimos" é bastante genérica, não permitindo a devida individualização/discriminação que um efetivo trabalho fiscal deveria ensejar. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 6 g) O Conselho de Contribuintes ao examinar casos em que a Administração Fiscal pretendeu efetuar lançamentos tributários com base em fatos que não guardam estreita relação com o fato gerador que se desejava provar, ou em indícios e presunções destituídos de gravidade, precisão e coerência, sempre foi uníssono em cancelar tais lançamentos. Para tanto, afirma aquele Egrégio Conselho que meros indícios não sustentam legitimamente uma autuação fiscal (...) h) Por esta razão, pela simples análise do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IOF elaborado pela fiscalização, claramente se constata a imprecisão do trabalho fiscal quanto à exatidão da matéria tributável, pelo que, consequentemente, tornase evidente que o agente lançador se utilizou, frisese, incorretamente e exclusivamente de critério sem respaldo na legislação e na jurisprudência acerca da matéria. i) Mas não é só. O enquadramento legal constante da peça de lançamento, embora genérico, contempla a exigência com fulcro no artigo 3º, do Decreto n° 6.306/2007, que pela descrição de atos jurídicos entre empresas e/ou pessoas físicas, evidentemente está enquadrado no inciso III, do parágrafo 3o, que assim dispõe: (...) j) De pronto, verificase que o dispositivo supra se refere apenas às operações de mútuo. k) Ora a própria fiscalização efetivamente reconhece que os contratos celebrados pela Impugnante se deram na modalidade de conta corrente, o que ratifica o seu equívoco ao utilizar de enquadramento legal aplicável em hipótese diversa, ou seja, para os casos de contratos de mútuo. l) Segundo a definição da Enciclopédia Saraiva do Direito (pg. 264, Volume 19), a conta corrente é um contrato bilateral, gerando obrigações para ambas as partes que nele figuram, o que é distinto do mútuo que se configura como um contrato unilateral. m) Logo, no caso em tela, as operações pactuadas entre a Impugnante e as empresas ligadas foram formalizadas através de INSTRUMENTOS PARTICULARES DE CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA CORRENTE, e não operações de mútuo como incorretamente qualificadas pela fiscalização. n) A jurisprudência pacífica da Câmara Superior de Recursos Fiscais é contrária ao critério adotado pelo agente lançador nestes autos, vejase (...)." (CSRF 0105.472) o) Percebese, portanto, que o suporte do lançamento quedou inteiramente assentado em um procedimento carente de fundamentação, visto que pautado em premissa de todo equivocada, ao qualificar como "mútuo", operações que em verdade correspondem a "conta corrente". p) Deste modo, o auto de infração foi lavrado com base em entendimento subjetivo do fisco, carente de previsão legal, ainda mais se levado em consideração que, no caso da Impugnante, Fl. 737DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 114 7 não efetuado um correto exame dos elementos de prova por ela apresentados à fiscalização, o que acarreta em sua flagrante nulidade em virtude da violação aos princípios básicos que regem o Processo Administrativo Fiscal, dentre eles o da busca pela verdade material dos fatos, ou mesmo em sua improcedência, face à utilização de fundamentação inadequada ao caso examinado. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. q) ainda que se admitisse, para fins de argumentação, a procedência do lançamento do crédito tributário principal em discussão, a penalidade aplicada apenas seria cabível se comprovado o evidente intuito de fraude descrito nas normas acima. Sem qualquer dos três elementos (evidência do fato, o intuito e a fraude), não há que se falar em aplicação de multa qualificada. r) A fraude, como bem explicou Marco Aurélio Greco, é uma conduta típica prevista em lei e exige que exista, por parte do seu autor, a intenção de praticar ato que sabe ilícito. O contribuinte que atua com a intenção de fraudar, seja a fiscalização seja o Erário Público, tem o propósito específico de reduzir ou suprimir tributo mediante conduta ilícita, o que não restou comprovado ter sido praticado pela Impugnante. s) Portanto, não se pode aplicar a multa agravada de 150% se não se verificar no caso concreto o evidente intuito do contribuinte de cometer ato ilícito. Na acepção jurídica, que é a que aqui se busca, intuito, segundo De Plácido e Silva, é: "O que se quer, o que se deseja, o que se tem em vista, quando se faz alguma coisa. É o fim desejado, o objetivo pensado, ou o resultado querido. É a finalidade que se tem em mente, quando se pratica o ato ou se executa qualquer coisa." (in "Vocabulário Jurídico'*, vol. II, 8o . Ed., Rio de Janeiro: Forense, l.984. p. 51) t) O intuito a que se refere o legislador da Lei n° 4. 502/64 é o dolo, a vontade que tem o agente de realizar a conduta ilícita. Compreende o dolo dois elementos: um elemento cognitivo (conhecimento do fato que constitui a ação típica fraude, no caso) e um elemento volitivo (vontade de realizáia), sendo que em nenhuma destas hipóteses se enquadram as operações realizadas pela Impugnante e examinadas nestes autos. u) Os órgãos julgadores administrativos sempre reservaram a multa agravada de 150% apenas para casos em que haja a tentativa de enganar, esconder, iludir, como, por exemplo: emissão de "notas calçadas" (Ac. 1052.984); conta bancária fictícia (Ac. 10312.178); apresentação de documentos falsos (Ac. 10318.019); falsidade ideológica (Ac. CSRF/01 0.351); utilização de notas emitidas por empresa inexistente (Ac. 107 233); reiterado oferecimento à tributação de parcela ínfima dos rendimentos (Ac. 10194.111); subfaturamento (Ac. 1076.041). Fl. 738DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 8 Sobreveio então o Acórdão n. 1269.129, da 6ª Turma da DRJ/RJ, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008, 2009 CONTA CORRENTE ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. MÚTUO. FATO GERADOR DE IOF Os saldos devedores em contacorrente registrada no ativo daquele que concede os recursos são mútuos, sendo fato gerador do IOF que incidirá sobre o somatório mensal dos saldos devedores diários e do seu adicional calculado sobre o somatório dos acréscimos ao saldo devedor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A intenção em retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador enseja a qualificação da multa de ofício. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 679/723, repisando os argumentos trazidos quando da sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 27/10/2014, conforme AR de fls. 677 e apresentou em 19/11/2014 o recurso voluntário de fls. 679/723, conforme artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo, cumpre os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Passo, então, à análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, na mesma ordem em que elencados em sua peça dirigida ao CARF. 1. NULIDADE DO LANÇAMENTO EM VIRTUDE DA AFRONTA AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A Recorrente brada pela decretação de nulidade do lançamento tributário, uma vez que teriam ocorrido, no presente caso, os seguintes vícios: i) a fiscalização efetuou o lançamento sem uma prudente análise da escrita contábil e fiscal do contribuinte; ii) não foi verificado se o fato gerador do tributo efetivamente ocorreu; iii) a fiscalização baseouse tão somente em indícios; iv) o lançamento deve ser preciso, sem deixar qualquer margem de dúvida, sob pena de furtar o contribuinte do pleno contraditório e ampla defesa, o que não ocorreu. Sem razão a Recorrente, que não trouxe qualquer demonstração de todos os vícios que, genericamente, imputa ao trabalho da fiscalização. Quais valores foram “aleatoriamente” tributados? Em que parte o trabalho foi “incerto”? Ou seja, afirma existirem Fl. 739DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 115 9 supostos erros e nulidades, mas nem mesmo tenta demonstrálos. O contribuinte, portanto, não logrou êxito nesse processo de provar fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, do art. 36, da Lei nº 9.784/99 e do artigo 333 do Código de Processo Civil. De outro lado, analisando o TVF e o Demonstrativo de Apuração do IOF, verifico que a fiscalização se baseou nos documentos fiscais apresentados pelo próprio contribuinte (livros, contratos, etc.), deixando claro o entendimento de por que considerou ocorrido o fato gerador do IOF, sem o respectivo pagamento. Também foi bastante específico quanto ao método de apuração da base de cálculo, ao estipular que: Em 12/07/2012, o sujeito passivo apresentou resposta ao termo de início, anexando arquivo dos registros contábeis referentes ao anocalendário 2008, autenticado pelo código geral 48b117f1 a5080ec9152b7b4adf1473f2 (fls. 166 a 175 item 1 do Termo de Início e do Termo de Apresentação de Documentos). Os registros contábeis do anocalendário 2009 foram obtidos diretamente do Sped, mediante requisição a53a74754a724a35 a3726e57eab042a7, lavrada em 26/06/2012 (fls. 95 e 96). No exame da contabilidade, verificamos que o sujeito passivo lançou os empréstimos concedidos a empresas do mesmo grupo econômico, na conta nº 12010102 – CREDITOS DE COLIGADA E CONTROLADAS – e respectivas subcontas (fls. 176 a 325). (...) A partir do arquivo em meio magnético dos registros contábeis, segregamos as contas de mútuo, extraímos o balancete (fls. 176 e 234), reconstituímos o Razão de cada conta (fls. 177 a 325), e consolidamos os respectivos saldos diários (fls. 337 a 570). A partir de então, apuramos a somatória mensal dos saldos devedores diários, bem como os acréscimos diários dos saldos devedores. Aplicamos as respectivas alíquotas e chegamos aos valores originários do imposto devido, conforme Demonstrativo de Apuração do IOF (fls. 571 a 586). A DRJ, a seu turno, também analisou essas mesmas alegações apresentadas pelo Contribuinte e, ao efetuar a contraposição entre os documentos acostados aos autos e a metodologia citada pela fiscalização, demonstrou que é hialino o lançamento tributário quanto à apuração do crédito tributário devido, não havendo espaço para se falar imprecisão da autuação fiscal. Assim, afasto as preliminares de nulidade apresentadas pela Recorrente. 2. MÉRITO: IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO A Recorrente afirma que não ocorreu o fato gerador do IOF in casu. Isto porque os valores vinculados aos Instrumentos Particulares de Abertura de Crédito em Conta Corrente, firmados entre ela e as demais pessoas jurídicas do grupo econômico em que está inserida, no seu sentir, não se enquadram na hipótese de incidência traçada pela legislação para Fl. 740DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 10 o referido imposto, o mútuo, capaz de lhe atribuir a condição de responsável pelo pagamento do IOF. Vejamos a legislação sobre o fato gerador do IOF, utilizada como fundamento da autuação fiscal:1 Artigo 13 da Lei n. 9.779/99: Art. 13 As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador.(grifei) Artigos 2º, inciso I, alínea “a” e 3º, §3º, inciso III, do Decreto n. 6.306/2007: Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras; b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física Art. 3º O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (…) 1 Fato gerador: Lei nº 9.779/99, art. 13. Decreto nº 6.306/2007, art. 2º inciso I, alínea "c", art. 3º § 1º inciso I, § 3º incisos I e III. Responsabilidade pela retenção e recolhimento: Lei nº 9.779/99, art. 13, § 2º. Decreto nº 6.306/2007 art. 5º inciso III. Base de Cálculo: Decreto nº 6.306/2007 art. 7º inciso I alínea "a"; adicional: §§ 15 e 16. Alíquota: Lei nº 8.894/94 art. 1º parágrafo único. Decreto 6.306/2007 art. 7º inciso I alínea "a" número 1. Adicional: Decreto 6.306/2007 art. 7º § 15. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 116 11 § 3º A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos; II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). Diante dos supratranscritos mandamentos legais, a Recorrente afirma que os contratos que levaram ao lançamento tributário são contratos de contacorrente, cujo objeto é a centralização de caixas das empresas, com gestão unificada das disponibilidades, e não de mútuo. Assim, ao tributar tais valores pelo IOF, que só incide sobre os contratos de mútuo (contrato somente firmado com instituições financeiras, no seu entender), a Fiscalização estaria infringindo o princípio da legalidade, bem como indo na contramão do artigo 110 do CTN, haja vista que as partes têm liberdade de efetuar contratos atípicos (artigo 104 CC). A diferenciação entre contrato de mútuo e contrato de conta corrente de fato existe e é imprescindível para a aferição da legalidade das autuações fiscais para cobrança de IOF como a presente, tendo em vista os mandamentos dos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional.2 Porém, antes de entrar na minúcia das distinções entre os contratos em questão, vejamos as cláusulas do contrato firmado entre a Recorrente e uma das empresas do grupo econômico, que se encontra replicado, nos mesmíssimos termos, com relação a diversas outras empresas do mesmo grupo (fls. 121 a 165): INSTRUMENTO PARTICULAR DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA CORRENTE (...) CLÁUSULA PRIMEIRA: As partes abrem às outras crédito em Conta Corrente em montante equivalente a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) respeitadas, sempre as disponibilidade positivas de caixa da parte contratante que figurar como mutuante. Parágrafo único: As importâncias liberadas por conta do crédito ora aberto, serão contabilizadas em conta corrente especial, a qual registrará também as restituições parciais ou totais, as reutilizações e a atualização adiante contratada, de modo que 2 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias Fl. 742DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 12 todas as movimentações sejam contabilizadas na aludida conta corrente. CLÁUSULA SEGUNDA: É indeterminado o prazo de duração do presente contrato, podendo, todavia, ser rescindido por qualquer uma das partes contratantes mediante aviso nesse sentido com 30 (trinta) dias de antecedência. Parágrafo primeiro: vencido o prazo do aviso a parte contratante que tiver promovido a rescisão, liquidará o saldo devedor que porventura apresentar junto à outra parte contratante. Parágrafo segundo: o não cumprimento do disposto no parágrafo anterior implicará em juros moratórios de 1% (hum por cento) ao mês e multa de 20% (vinte por cento), calculada sobre o montante atualizado pela UFIR. Pela leitura do título, bem como das cláusulas estipuladas no instrumento legal, constatase que não se trata de simples contrato de conta corrente, mas sim “contrato de abertura de crédito em conta corrente”, o que faz toda a diferença para fins da tributação pelo IOF, como será demonstrado abaixo. Dessarte, temos um terceiro instituto a ser analisado para a solução do presente caso, a abertura de crédito, em contraposição ao contrato de conta corrente e ao contrato de mútuo. Pois bem. Enquanto nos contratos de conta corrente (artigo 4º, §2º, b, da Lei n. 7.357/1985 – "Lei do Cheque") as partes acordam efetuar remessas recíprocas de valores oriundos de quaisquer espécies de negócios jurídicos, com o que se objetiva a compensação entre créditos e débitos das partes, para, ao final do prazo contratual, verificarse a existência de saldo exigível; na abertura de crédito – a qual pode ser paralela ao contrato de conta corrente –, a parte assume a responsabilidade por eventual saque da outra parte, até certo montante previamente pactuado, exatamente como ocorre no contrato em questão (abertura de crédito de R$ 500.000,00). Nesse sentido, e já alcançando o estudo sobre a natureza dessas espécies de contrato realizado pela doutrina nacional, destaco a lição de Caio Mario da Silva Pereira: 3 Além das modalidades comuns de empréstimo por descontos de títulos à ordem, adquiriram grande incremento o contrato de financiamento, a abertura de crédito e a conta corrente. (...) Na abertura de crédito, o banco comprometese a acatar saques do devedor, até um montante estipulado como limite do crédito aberto, sujeitandose o mutuário ao pagamento e uma comissão percentual calculada sobre aquele limite, além dos juros computados sobre o débito efetivo.(...) Levando em consideração a concepção tradicional do mútuo como contrato real, a abertura de crédito é um contrato preliminar, promessa de mutuar, que se converte automaticamente em mútuo com o lançamento da quantia a crédito na conta do mutuário independentemente de têla sacado ou usado, bastando que fique ali à sua disposição. (...) Na conta corrente (que pode combinar com a abertura do crédito), as partes ajustam um movimento de débito e crédito, por lançamentos em conta, e podem estipular que os saldos 3 PEREIRA, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil – VOL. III – Contratos. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2007, 12ª ed, p 354 e 355 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 117 13 credores, para um ou para outro, vencerão juros. (...) A maior utilidade da conta corrente é produzir a compensação de créditos e débitos, dispensando reciprocamente os pagamentos diretos. (grifei) Com relação ao crédito rotativo, utilizado nos contratos entre a Recorrente e as demais empresas de seu grupo, a Professora Vera Helena de Melo Franco4 coloca que São linhas de crédito abertas com um determinado limite e que são utilizadas pelas empresas na medida de suas necessidades, ou mediante a apresentação de garantias. Pois bem. Apresentada a distinção inicial entre contrato de conta corrente e contrato de abertura de crédito – e sabendo que os instrumentos firmados entre a Recorrente e os integrantes de seu grupo econômico constitui o pacto integrado de ambas as espécies contratuais, o que é absolutamente corriqueiro no mundo empresarial, em que os agentes econômicos têm a liberdade de contratar em um só instrumento contratual diversas operações previstas na legislação civil como negócios jurídicos típicos –, já é possível concluir que as alegações do Recurso Voluntário, no afã de caracterizar o contrato como simples contrato de conta corrente, não merece guarida, justamente porque se trata, em verdade, de contrato de conta corrente com abertura de crédito. Insisto na citada distinção, pois, juridicamente, os contratos de abertura de crédito – contratos tipicamente bancários que passaram a ser utilizados fora das instituições financeiras, mas trazendo consigo as características que lhe são próprias naquela seara – nada mais são do que promessas de mútuo, como colocado no trecho acima, da obra de Caio Mario da Silva Pereira, e como também precisamente sintetiza Eduardo Salomão Neto:5 “O mero acordo de vontades entre as partes sobre o empréstimo não é suficiente para a formação do contrato de mútuo. Tal acordo é apenas promessa de mútuo, que recebe o nome de “abertura de crédito” na atividade bancária e tem o tratamento de contrato preliminar (artigos 462 a 466 do Código Civil. (...) Por meio do contrato de abertura de crédito, uma parte, dita creditante, comprometese a desembolsar recursos em favor de outra, designada creditada, gerando os desembolsos de crédito sujeito a remuneração financeira a ser paga em favor do creditante. (...) Não nos parece que o negócio de abertura de crédito possa se traduzir em outra prestação para o financiador que não o mútuo. (...) Visto o contrato preliminar como uma obrigação de fazer, que obriga apenas à celebração de outro contrato, parece ser figura que abrange perfeitamente a abertura de crédito. (...) Ainda com tudo isto, o melhor argumento a favor desta teoria nos parece vir do fato de que, considerado os futuros desembolsos o momento inicial da celebração do contrato de mútuo, aplicase à relação de crédito que venha a aparecer o regime jurídico do mútuo. Tal regime (bem como as adições a ele) foi elaborado com vistas ao equilíbrio das relações entre 4 FRANCO, Vera Helena de Mello. Contratos – Direito Civil e Empresarial, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012, 3ª ed., p. 158 5 SALOMÃO NETO, Eduardo. Direito Bancário. São Paulo: Atlas, 2014, 2ª ed.,p 197, 198 e 232 a 234 Fl. 744DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 14 prestadores e tomadores de recursos financeiros, não havendo sentido em desprezar essa experiência para considerar a abertura de crédito um novo instituto jurídico.” Fica claro, portanto, que os contratos firmados pela Recorrente e as empresas de seu grupo possuem titulação precisa: são contratos de conta corrente com abertura de crédito, uma vez que as partes se comprometem reciprocamente a despender certo valor de dinheiro previamente acordado, como crédito. Não se trata de simples equívoco, como alega a Recorrente, o fato de a palavra “mutuante” constar da Cláusula Primeira dos referidos contratos. Essa nomenclatura é absolutamente precisa para identificar a parte contratante, uma vez que o negócio jurídico representa uma promessa de mútuo, que, no caso, se concluiu, uma vez que o crédito realmente foi utilizado pelas mutuárias. Confirma a precisão com que o contrato foi sempre tratado internamente – como mútuo –, a forma com que eram contabilizados os valores que circulavam com base nos referidos contratos, como se observa no Livro Razão da Recorrente (fls. 176 e seguintes), em cuja conta do ativo n. 12010102 – CRÉDITOS DE COLIGADA E CONTROLADAS a palavra “mútuo” aparece nos históricos diversos dos lançamentos contábeis ali existentes. Os valores, portanto, eram entendidos contabilmente como “empréstimo” ou “mútuo” pelas empresas ligadas. Nesse sentido, é preciso lembrar a força probatória que possuem os livros e a escrituração contábil das empresas, conforme dispõem os artigos 378 e 379 do Código do Processo Civil (CPC),6 bem como o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99).7 Há presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis, que, caso mereçam reconsideração, caberia apresentação de prova nesse sentido pela parte interessada (Acórdão n. 3402002.862).8 Sobre a jurisprudência relativa ao tema, ressalto que o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar caso muito semelhante ao da Recorrente, julgou que a abertura de crédito em conta corrente é uma das formas de realização da “operação de crédito correspondente a mútuo”, prevista no artigo 13 da Lei n. 9.119/99,9 de modo que deve sim ensejar a tributação 6 Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 379. Os livros comerciais, que preencham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor no litígio entre comerciantes. 7 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º ). 8 O Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402002.862, identificou o relacionamento de tal força probatória dos livros com a distribuição do ônus da prova no processo administrativo fiscal, in verbis “Não é demais lembrar que a escrituração contábil goza da presunção de veracidade e legitimidade, a teor do que dispõe o art. 9º, §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.598/77. A presunção de veracidade e legitimidade dos registros contábeis opera em dois sentidos. Por um lado, cabe ao fisco o ônus de provar que os lançamentos efetuados não correspondem à realidade, caso pretenda decretar a imprestabilidade da escrituração para fins fiscais. E, de outro lado, cabe ao contribuinte, em caso de inexatidões ou erros eventualmente cometidos, produzir a prova do fato. Versando este processo sobre autos de infração, o ônus da prova das diferenças apuradas era do fisco. E o fisco se desincumbiu desse ônus, pois não contestou a veracidade e a legitimidade dos registros contábeis e declarações prestadas pelo contribuinte, baseando seu trabalho nos documentos produzidos pelo próprio fiscalizado. Sendo assim, cabe ao contribuinte o ônus da prova de comprovar que as diferenças não existem ou que estão incorretas, a teor do previsto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72.” 9 Não se olvida aqui que este dispositivo legal tem sua constitucionalidade contestada, perante o Supremo Tribunal Federal, no RE 590186/RS com repercussão geral reconhecida. Esse julgamento, contudo, ainda é pendente, de modo que o CARF deve aplica a lei em seus exatos dizeres (súmula CARF n. 2) até que sobrevenha eventual declaração de inconstitucionalidade por parte do Pretório Excelso. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 118 15 pelo IOF. Vale destacar o trecho do voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques, bem como a ementa atribuída ao Recurso Especial n. 1.239.101 – RJ: “Com efeito, o que a lei caracteriza como fato gerador do IOF é a ocorrência de ‘operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas’ e não a específica operação de mútuo. (...) Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam ser alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. É por esse motivo que o §1º, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. O contrato de abertura de crédito que a recorrente celebra estabelece que a controladora disponibiliza créditos às controladas, que poderão utilizálos total ou parcialmente. A remuneração do capital emprestado são os juros sobre o capital da controladora disponibilizado às controladas. Nesse sentido, não resta dúvida que as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas, com a previsão de concessão de crédito, são verdadeiras operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros, na medida em que, em todos os casos, é disponibilizado numerário de forma imediata para pagamento futuro a depender do saldo existente” Ementa: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. Recurso especial não provido. (grifei) De tudo isso, percebese que o problema a ser enfrentado não se esgota na discussão de existir ou não um contrato de conta corrente – com as características que lhe são particulares, tão bem desenvolvidas pela doutrina jurídica – entre a Recorrente e as demais empresas do grupo econômico. Sobre a impossibilidade de o IOF incidir indiscriminadamente sobre toda e qualquer transação abrigada pelo contrato de conta corrente, não há dúvida. A questão palpitante é, isto sim, o fato de a conta corrente ser utilizada para a concretização de empréstimos entre as empresas (pela abertura de crédito, por exemplo), o famigerado mútuo, Fl. 746DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 16 “empréstimo de coisas fungíveis” no qual “o mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade” (artigo 586 do Código Civil). Sobre a qualificação do mútuo, ressalto que o prazo pode ser livremente estipulado pelas partes, e que, como se trata de grupo empresarial, não há necessidade de estabelecimento de juros sobre os valores emprestados (artigos 591 e 592 do Código Civil).10 Nesse sentido, com a precisão com que sempre proferiu seus votos, o Conselheiro Natanael Martins, depois de acurada explanação sobre a natureza do contrato de conta corrente na doutrina de Fran Martins,11 Carvalho de Mendonça,12 Pontes de Miranda13, conclui justamente sobre a indispensabilidade de verificação dos negócios jurídicos operados através da conta corrente: IRPJ CORREÇÃO MONETÁRIA ART. 21 DO DL. 2.065/83 CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS CARACTERIZAÇÃO COMO MÚTUO IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO O mútuo, a teor do disposto no artigo 1256 do Código Civil, pressupõe o empréstimo de coisas fungíveis, não se caracterizando como tal a figura do contrato de conta corrente. (...) Assim, não teria o contrato de conta corrente o condão de modificar a causa jurídica das remessas individualmente consideradas, ocorrendo, apenas, espécie de paralisação de sua exigibilidade, ao menos até o encerramento da conta. O Conselho de Contribuintes, em reiterados acórdãos, tem exarado o entendimento de que o contacorrente e o mútuo são institutos jurídicos distintos, de modo que, casuisticamente, deve ser avaliada a origem das remessas que integram a conta corrente para que se possa discernir sua real natureza. Ocorre que, como já se disse, o contrato de conta corrente é, na verdade, contrato normativo, destinado a regular, apenas e tão 10 Art. 591. Destinandose o mútuo a fins econômicos, presumemse devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual. Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: I até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura; II de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; III do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível 11 " (...) é o contrato segundo o qual duas pessoas convencionam fazer remessas recíprocas de valores sejam bens, títulos ou dinheiro anotando os créditos daí resultantes em uma conta para posterior verificação do saldo exigível, mediante balanço" (Contratos e Obrigações Comerciais, Ed Forense, 14ª Edição, p. 397 e seguintes) 12 "a) O contrato de conta corrente 'supõe uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes'. Essas operações não se liquidam imediatamente e sim são anotadas nas contas, como partidas de débito e crédito. Ao final do prazo convencionado, ou no fim de um ano, se não houver período estabelecido, somamse as partidas de débito e as de crédito, verificandose o saldo. Esse será o resultado da diferença entre os débitos e os créditos. b) (..) c) Durante a vigência da conta corrente não pode um dos correntistas julgarse credor ou devedor, pois essa averiguação só se obterá no momento do encerramento da conta. As remessas constituem uma massa homogênea cujo resultado só será reconhecido pelas partes ao fazerse o balanço para a verificação final d) As remessas de cada correntista, perdendo a sua individualidade, unificamse na massa de débitos e de créditos, não podendo, assim, dar causa a ação particular sobre elas, nem ser objeto de execução." 13 "Pontes de Miranda, em seu Tratado de Direito Privado (Ed. BookSeller, § 4.615 e seguintes), ressalta a normatividade do contrato de conta corrente, haja vista que se destina a regular o tratamento a ser conferido a remessas, de diversas origens, efetuadas entre as partes contratantes." (trecho retirado do próprio voto citado) Fl. 747DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 119 17 somente, o tratamento a ser dados a cada uma das remessas, não interferindo em suas respectivas causas. Nesse contexto, um contrato de conta corrente poderia, entre suas remessas, conter adiantamentos ou reembolsos de despesas, dívidas ou adiantamentos comerciais, remessas para gestão unificada de caixa e, até mesmo, mútuos, sem que, pelo fato de serem escrituradas em conta corrente se desvinculassem de suas origens. In casu, resta comprovado que o contrato de conta corrente compreende remessas decorrentes de duplicatas recebidas pela interligada em nome da Recorrente, como também despesas a pagar pela Recorrente à interligada, liquidandose o saldo apurado ao final de cada mês. Ou seja, os valores lançados na conta corrente em análise não caracterizam contra to de mútuo, de modo que não se deve pretender seja aplicado à hipótese o DecretoLei n° 2.065/83." Corroborando esse entendimento, confirase a ementa do Acórdão n° 10180.803, da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "IRPJ — Negócios de mútuo. A contacorrente relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar negócio de mútuo. Há que se investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento, separando aquelas que realmente espelhem mútuo." (Recurso n° 132.337, Sétima Câmara, Acórdão n° 10706.903, Rei. Natanael Martins) Ainda sobre a importância da aferição da natureza das transações para fins de solução de casos como este, registro o trecho do voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão n. 3102002.318: É indubitável que o contrato de conta corrente e de mútuo são distintos, porém, a meu ver, esta não é questão relevante para o deslinde da controvérsia, mas sim a natureza das transações financeiras que a recorrente realizou com as demais empresas do grupo, isto é, se tais operações representavam, na essência, uma operação de mútuo financeiro ou uma mera operação de conta corrente. Ratificando tudo quanto exposto, a doutrina especializada de Antônio da Silva Cabral14 traz a seguinte lição da obra de Pontes de Miranda: “5.6 – MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE PONTES DE MIRANDA (Tratado, cit., LXII, pág. 120) 14 Negócios de Mútuo entre Empresas do Mesmo Grupo”. In. Direito Tributário Atual n. 10, p. 2855 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 18 ‘Os negócios jurídicos de que resultam os créditos e os débitos são estranhos à conta corrente, que a eles apenas se refere, para os submeter à escrituração específica.’ Este é um aspecto para o qual tanto o Fisco quanto os contribuintes não vêm atentando, querendo aquele se computem juros e correção monetária sobre quantias escrituradas em conta corrente só porque estão em conta corrente, como se esta conta representasse um mútuo em si mesmo. Esquecemse de que o importante é a análise do negócio jurídico que deu motivo ao lançamento em conta corrente. É um erro, freqüentemente encontrado na escrituração de empresas e em atos normativos do Fisco, encararse a conta corrente como se esta representasse uma dação recíproca de empréstimo, quando o importante seria analisaremse os negócios jurídicos que motivaram os débitos ou créditos em conta corrente. Nem há que se calcular correção monetária e juros sobre determinada quantia escriturada em conta corrente justamente porque, enquanto existir a conta corrente nenhum dos contratantes poderá exigir a obrigação do outro. Tal só ocorrerá quando a conta corrente for fechada. O que é exigível é, repitase, o saldo da conta corrente. In casu, existe a operação de crédito correspondente a mútuo pela abertura de crédito entre os contratantes, que gerou a disponibilidade de recursos para as empresas relacionadas à Recorrente, a qual, portanto, configura como responsável tributária pelo recolhimento do IOF (artigo 5º, inciso III do Decreto n. 6.306/2007). Esse foi o negócio jurídico que gerou os débitos e créditos contabilizados na conta corrente contábil da Recorrente e é tal negócio jurídico – e não a conta corrente contratual em si – que determina a existência de operação de crédito correspondente ao mútuo. Outrossim, o presente lançamento tributário não aplica as alíquotas do IOF sobre o total contratado como abertura do crédito em conta corrente, mas sim sobre o saldo da conta corrente, que é o quantum exigível, nos precisos termos delimitados pela mais abalizada doutrina e pela legislação do IOF. É preciso reiterar que a Recorrente não logrou êxito em comprovar que quaisquer dos lançamentos no livro razão, empréstimos a ensejar a cobrança de IOF em consonância com as disposições dos contratos entre as empresas do grupo, não o são. Assim não deu motivo para solicitação de qualquer diligência ou perícia para uma eventual discriminação dos lançamentos contábeis, verificando sua origem e natureza jurídica. Cabe a defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, como já destacado alhures. Fica assim claro porque não se pode utilizar a ratio firmada pelo CARF no Acórdão n. 340200.472 no presente caso. Lá julgouse inexistir mútuo em contrato de conta corrente em que havia adiantamento de recursos a fornecedor de serviços regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução de serviço. O mesmo se diga em relação ao Acórdão n. 0105.472, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que analisou contrato de conta corrente cujos saldos eram compostos por valores de cobrança de duplicatas sacadas pela empresa, decorrentes da prestação de serviços comuns às empresas ligadas. Na realidade, a jurisprudência do CARF vem caminhando no sentido aqui descrito a respeito da incidência de IOF sobre as operações de mútuo ocorridas através de contacorrente (Acórdão n. 3403003.415 Processo n. 16682.720582/201202; Acórdão n. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 120 19 3301002.282 – Processo n. 16682.721207/201191; Acórdão n. 3301001.520 – Processo n. 10680.016007/200851; Acórdão n. 340200270 – Processo n. 10920.000809/200798; Acórdão n. 20402386 – Processo n. 10675.003563/200241; Acórdão n. 3302000.616 – Processo n. 10980.002141/200717), da qual destaco em especial a ementa do Acórdão n. 3302002.264, de 20 de agosto de 2013 (Processo n. 10480.722140/201011). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando atendeu às disposições do art. 10 do citado decreto e não houve transgressão alguma ao devido processo legal. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. MÚTUO, SEM PRAZO, DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. BASE DE CÁLCULO. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio de contacorrente, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês LANÇAMENTO. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE ERROS NA CONTABILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo sido o lançamento fundamentado nos registros contábeis da autuada, cabe a esta comprovar a inexatidão destes registros, e, quando não logra fazê o, deve ser mantida a autuação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Recurso Voluntário Negado Por fim, saliento que o voto vencedor do Conselheiro Luiz Roberto Domingo, no Acórdão n. 3101001.094, citado pela Recorrente como fundamento para seu Fl. 750DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 20 direito, tratava de questão diversa, qual seja, o exercício da atividade de gestão de recursos que é característica de holdings, controladoras de grupos econômicos – inexistente no presente caso –,15 sendo que ali não ocorria a problemática da abertura de crédito em conta corrente. Dessa forma, restou demonstrado que a Recorrente realizou operações de créditos correspondentes a mútuo que, para todos os efeitos, enquadramse como empréstimos efetuados a outras pessoas jurídicas de seu grupo empresarial. Tais operações sujeitamse à tributação pelo IOF. 3. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA A APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA Por fim, cumpre analisar a questão colocada pela Recorrente sobre a qualificação da multa em 150%. Alega a Recorrente que a fiscalização aplicou a multa qualificada pelo fato de o contribuinte ter omitido, reiteradamente, a informação em DCTF do IOF devido em função dos fatos geradores ocorridos em todos os meses dos anoscalendários de 2008 e 2009, bem como pelo fato de o contribuinte não ter recolhido os respectivos valores a título do imposto. Efetivamente, no TFV consta que pelo simples fato de não terem sido declarados em DCTF e pagos os respectivos montantes de IOF, a autoridade fiscal aplicou a multa de 150%. Esta, portanto, não pode subsistir. De fato, é tranquila a jurisprudência deste Conselho sobre a necessidade de demonstração da conduta dolosa do contribuinte pela Fiscalização, quando da lavratura do auto de infração, para fins de subsunção aos tipos previstos pelos artigos os artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64 (sonegação fiscal e fraude). Vale dizer, a ação ou omissão dolosa “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente” ou, ainda, “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, deve ser cabalmente provada pelo Fisco no momento do lançamento tributário. Não há dolo presumido. A fraude ou sonegação tem que ser comprovada. Contudo, nada próximo da comprovação de condutas fraudulentas, objetivando a sonegação do IOF se encontra nestes autos. Entendo que não está provado que houve a intenção de praticar o ilícito, afinal o contribuinte não falsificou ou adulterou informações, tentando ludibriar o fisco, por exemplo. Era o entendimento da Recorrente que os contratos não se sujeitavam à incidência do IOF, por isso não efetuou as declarações e recolhimentos. Nos seus documentos fiscais, contudo, as informações estão límpidas, nada tendo sido omitido da Fiscalização de forma fraudulenta. 15 O objeto social da Recorrente é “o comércio atacadista, varejista, importação e exportação de veículos, caminhões e ônibus, suas partes, peças e acessórios, pneus e câmaras, a revenda de combustíveis, de lubrificantes e derivados de petróleo, produtos de manutenção e limpeza, a prestação de serviços de oficina e mecânica e também o comércio de equipamentos periféricos de informática e telecomunicações, suprimentos e acessórios para informática, utilitários aplicativos em ambientes operacionais, aluguel de hardware e desenvolvimento de sistema.” Fl. 751DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 121 21 Assim, a simples ausência de recolhimento não pode ser entendida como motivo para qualificação da multa. Ao caso se aplica, isto sim, o que dispõe o artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Concluo, portanto, ser indevida a qualificação da penalidade aplicada à Recorrente, a qual deve ser reduzida para o patamar de 75%. 4. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para reduzir a multa formalizada no auto de infração para o patamar de 75%. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Trata a presente autuação acerca da incidência de IOF sobre remessas entre empresas coligadas com fundamento em contratos de conta corrente estabelecidos entre as partes, sob o fundamento de que tais remessas haviam se dado a título de mútuo. A questão controvertida nesse processo é a existência ou não de dissimulação decorrente da utilização de um contrato de conta corrente para realização de operações de mútuo sem o pagamento o IOF. Antes de entrar na questão propriamente da suposta dissumulação e do atendimento ou não aos requisitos do contrato típico de conta corrente mercantil, cabe enfrentar questões prejudiciais. 1. Da Relação entre o Direito Privado e o Direito Tributário Fl. 752DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 22 Tema dos mais relevantes, que põe em contraste a ideia de uma unidade do sistema jurídico e a coexistência de subsistemas correlacionados (mas com sistemáticas que lhe são peculiares por refletirem suas igualmente próprias finalidades.), é a relação entre o Direito Tributário e o Direito Privado. Tratase de preocupação antiga, visto que remete ao Precis de Droit Financier (1906) de MyrbachRheinfeld, cuja obra defendia à época pela inaplicabilidade das normas de Direito Privado para reger relações de Direito Financeiro (incluindo aí o tributário), mas que mantém sua atualidade (e prejudicialidade) em uma infinidade de discussões atuais. Como lembra Alcides Jorge Costa (Direito Tributário e Direito Privado. In Direito Tributário Estudos em Homenagem a Ruy Barbosa Nogueira. São Paulo: Dialética, 1984. P.222), as relações entre o Direito Tributário e o Direito Privado é multifacetada, com um foco maior na subordinação ou não do daquele aos conceitos e institutos deste, que por sua vez comportaria, no plano teórico: i) a recepção expressa dos conceitos de direito privado; ii) uma recepção implícita; iii) uma alteração implícita de conceitos do direito privado; e iv) uma aplicação analógica das normas de direito privado. É fato inconteste que a legislação tributária faz diversas remissões ao Direito Privado, todavia, o que causa discussão é a pergunta acerca de o que é salário, serviço, mútuo etc., e se a resposta do Direito a esta pergunta é privatista ou não isso nos situa entre duas hipóteses limites de trabalho: ou i) o empréstimo de expressões é o mais restrito possível, não passando de uma remissão meramente terminológica; ou ii) o emprego da terminologia privatista implica uma assunção substancial do objeto em matéria fiscal (PUJOL, Jean. L'application du Droit Privé en Matière Fiscale. Paris: Librairie Générale de Droit et de Jurisprudence, 1987. P.23). No mesmo sentido, enfrentou Humberto Ávila (Eficácia do Novo Código Civil na Legislação Tributária. In: GRUPPENMACHER, Betina. (Org.). Direito Tributário e o Novo Código Civil. São Paulo: Quartier Latin, 2004, p.6465) a discussão sobre tratarse de uma remissão meramente terminológica ou conceitual, posicionandose pela segunda opção, haja vista que carecia de sentido lógico referirse a uma figura jusprivatística de forma arbitrária, sem qualquer propósito linguístico. Naturalmente, o Direito Tributário possui fonte essencialmente legislativa, de modo que é natural que se busque prescrições textuais que indiquem a solução para essa questão. Tradicionalmente a remissão é imediata aos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Parecenos, todavia, que os dispositivos normalmente tratados de forma unitária tratam de coisas distintas. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 122 23 O artigo 110 encontrase embrincado a uma questão vertical, ligada à hierarquia da Constituição e à impossibilidade da lei alterar dispositivos dela através de alteração de institutos e formas do direito privado a que as competências tributárias fazem remissão. Seria um dispositivo despiciendo em um sistema jurídico com o funcionamento são, mas que no Brasil assume o papel cada vez mais relevante de lembrar a todos o óbvio. A respeito disso, inclusive, o Supremo Tribunal Federal possui jurisprudência consolidada acerca da necessária observância dos conceitos pressupostos pelo Constituinte no momento de positivação das regras de competência (Ex. RE nº 150.7641, RE nº 117.8876, RE nº 203.0759 etc.), cujo entendimento encontra lúcida formulação no voto do Min. Marco Aurélio Mello no RE nº 166.7729, ao rechaçar a contribuição cobrada sobre a remuneração dos autônomos: O conteúdo político de uma Constituição não é conducente ao desprezo do sentido vernacular das palavras, muito menos ao do técnico, considerados institutos consagrados pelo Direito. Toda ciência pressupõe a adoção de escorreita linguagem, possuindo os institutos, as expressões e os vocábulos que a revelam conceito estabelecido com a passagem do tempo, quer por força de estudos acadêmicos quer, no caso do Direito, pela atuação dos Pretórios. Por outro lado, o art.109 traz uma questão horizontal, a respeito da forma que o Direito Privado se relaciona com o Direito Tributário nos demais conceitos e institutos que são utilizados em normas tributárias infraconstitucionais, especialmente para determinar quais os efeitos tributários a que elas estarão sujeitas. Mais do que isso, é preciso determinar se a utilização de "conceitos impregnados pelo Direito Civil" (zivilrechtliche vorgeprägte Begriffe) implica a possibilidade da sua alteração pelo legislador tributário tese da flexibilidade ou ele deve acatar o conceito existente e somente lhe determinar as consequências tributárias tese da rigidez (Cf. CREZELIUS, Georg. Steuerrechtliche Rechtsanwendung und allgemeine Rechtsordnung. Berlin: Neue Wirtschaftsbriefe, 1983. P.180). Nesse sentido, devemos buscar subsídios no Direito Positivo para fundamentar a opção por um ou outro. Em primeiro lugar, verificase que a Constituição Brasileira optou, ao tratar do Direito Tributário, pela previsão expressa de diversas regras de competência, que, em razão da sua eficácia de trincheira entrenchment (SCHAUER, Frederick. Playing by the Rules. Oxford: Clarendon Press, 2002. P.42) dão maior rigidez e certeza ao conjunto normativo, evitando que poderes e obrigações surjam exclusivamente de princípios constitucionais, dando um timbre de segurança e previsibilidade ao subsistema constitucional tributário que, por força da hierarquia. No âmbito do CTN, calha remeter a dois artigos pouco mencionados nesta discussão, o art.114 e 116: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 24 Ora, é aristotélica a lição de que as condições necessárias e suficientes para que um objeto seja determinado como algo são o conteúdo desse conceito! É dizer, na dicção do artigo mencionado, que falar em fato gerador é pressupor a existência de um conceito ao qual ele vai se subsumir, com elementos determinados. Fica evidente que o CTN reconhece a existência de conceitos nas hipóteses de incidências tributárias que devem ser observados no momento da aplicação, sob pena de restar sem sentido a dicção do artigo supramencionado. Em mesmo sentido, o art.116 é categórico: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (grifos nossos) Ora, ao incluir determinado ato ou negócio jurídico no antecedente de uma norma tributária abstrata e geral, o legislador não abarca a totalidade do fenômeno, o fato bruto (rohe Tatsachen), mas sim fatos institucionais (WEINBERGER, Ota. Fatti e Descrizione di fatti Riflessioni logicometodologiche su un problema fondamentale delle scienze sociali. In. LA TORRE, Maximo. Il Diritto come Instituizione. Milano: Giuffrè, 1990. P.95113) seja à partir de uma institucionalização dos fatos brutos, quando delimita positivamente "as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios", seja à partir de convenções humanas normativamente instauradas, caso em que o fato se verificará quando "definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável". Há, pois, uma necessidade intrínseca ao Direito que tais fatos tenham alguma determinação prática seja ela normativa ou não anterior à sua utilização nas hipóteses de incidência tributárias. Em se tratando das situações jurídicas, remetese a um "direito aplicável" que, a nosso ver, nada mais é do que o Direito Privado que impõe a sua observância não por razões de unidade conceitual necessária que a nosso ver pode ser elidida pela construção de conceitos próprios no âmbito tributário (como se fez com o conceito de faturamento, com a Lei das S.A. e o DecretoLei 2397/67) mas por uma unidade conceitual decorrente do grau de elaboração do Direito Privado quando da tomada de consciência da autonomia do Direito Tributário (VANONI, Ezio. Natureza e Interpretação das leis tributárias. Trad. Rubens Gomes de Sousa. Rio de Janeiro: Edições Financeiras, 1932. p.167). Não se trata de uma vinculação necessária, mas apriorística, desde que não sobrevenha uma previsão específica de sentido na seara tributária. Corroborando essa conclusão, a Lei Complementar 95/98, versando expressamente sobre a redação de textos legais, traz relevantes subsídios interpretativos, a exemplo de seu art.11: Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: I para a obtenção de clareza: a) usar as palavras e as expressões em seu sentido comum, salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese Fl. 755DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 123 25 em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando; Além disso, sob uma análise estrutural do Código Tributário, a própria previsão da figura da simulação, evidenciando uma discrepância entre o declarado e o efetivamente realizado para justificar a revisão do lançamento e outras consequências legais, já traz pressuposta a assunção de uma estrutura de Direito Privado que, por conta de um vício (se de vontade ou de causa é outra discussão) deve ser desconsiderado para fins tributários mas ainda assim, um prius lógico deste instituto é a consideração da forma de Direito Privado, ainda que vicidada. Resta clara, portanto, a necessidade de observância, via de regra, dos conceitos de Direito Privado na interpretação das hipóteses de incidência tributária. Todavia, entendemos necessário acrescentar uma segunda camada de considerações, haja vista que o que foi dito acima o foi com vistas apenas à interpretação do Direito Tributário o que seria suficiente em um pensamento estritamente subsuntivo e conceitual, mas que não se sustenta diante das teorias hermenêuticas atuais. Em rigor, a aplicação do Direito não consiste apenas em interpretar normas. A interpretação da lei (Gesetzauslegung) e a valoração dos fatos (Sachverhaltsbeurteilung) são dois aspectos do mesmo problema hermenêutico, haja vista que no processo aplicativo os elementos fático e jurídico atuam reciprocamente um sobre o outro tanto a interpretação da norma quanto a qualificação dos fatos fazem parte do processo de compreensão do sentido da norma e sua projeção sobre os casos concretos (NOVOA, César García. La Cláusula Antielusiva en la Nueva Ley General Tributaria. Madrid: Marcial Pons, 2004. P.209211). Podemos entender como qualificação, o conjunto de operações que se realizam, por parte dos aplicadores do Direito, com a finalidade de analizar desde o ponto de vista jurídico aquelas circunstâncias do mundo real que podem ser incluídas nas hipóteses da normas (SANCHÍS, Luís Prieto. Ideologia e Interpretación Juridica. Madrid: Tecnos, 1987. P.88). A distinção é relevante pois a incidência tributária passa pela determinação do conteúdo normativo da hipótese interpretação e pela análise dos fatos concretos ocorridos e da sua pertinência ou não àquela hipótese qualificação. A respeito dela, deve a Administração Pública respeitar as formas adotadas pelo Contribuinte sempre que estiverem de acordo com o regramento específico da situação jurídica que se incorre, respeitando os elementos que compõem o conceito adotado na hipótese de incidência. Da mesma forma que a interpretação das normas, o CTN traz disposições específicas acerca da qualificação dos fatos, a exemplo do art.108, §1º: Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; (...) Fl. 756DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 26 § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Não se pode utilizar de juízos de semelhança entre fatos, negócios ou atos para exigir o tributo é dizer, a legislação veda que o aplicador do Direito Tributário, ao se deparar com um caso que esteja fora da hipótese de incidência, se baseie em elementos desse fato que tenham semelhança com elementos de outro fato (este presente em uma hipótese de tributação) para que determine a sua tributabilidade (a exemplo do caso que erroneamente se pretenda tributar indenização por danos materiais como se renda fosse, estendendo por analogia a hipótese do IR, considerando apenas o elemento de aquisição de disponibilidade, mas não o do acréscimo patrimonial). Não é à toa que o art.150, I da Constituição Federal determina que a exigência do tributo está condicionada a Lei que o estabelece, que tem como consectário lógico o dever de conformidade da tributação com o "fato gerador", desenvolvido em festejado trabalho de Gerd Rothmann, que reflete uma faceta principiológica da legalidade na disposição de que a lei não pode deixar ao critério da administração a diferenciação objetiva, devendo ela própria prever, na maior medida, possível, os aspectos necessários à configuração do fato gerador, não bastando ao legislador autorizar, de forma ampla, vaga, genérica ou indeterminada, a criação do tributo, mas cabendo a ele descrever a situação que lhe dará causa (ROTHMANN, Gerd Willi. O Princípio da Legalidade Tributária. In. DÓRIA, A.R.S.; ROTHMANN, G.W. Temas Fundamentais do Direito Tributário Atual. Belém: Cejup, 1983. P.9099). E ao determinar, através do art.109, que a a definição, conteúdo e alcance dos institutos, conceitos e formas de Direito Privado deverão ser aqueles que naquele ramo lhe são atribuídos, ressalvados os efeitos tributários que decorrem das regras tributárias, o legislador optou por vedar a possibilidade de requalificação de atos e negócios jurídicos sob um filtro finalístico a exemplo da malfadada interpretação econômica do Direito Tributário. Nesse ponto, concordamos com as lições de García Novoa, ao sustentar que somente o desrespeito aos dois dispositivos acima citados somente pode se dar quando a Administração é dotada de autênticos poderes extraordinários para, por exemplo, requalificar, interpretar as normas de acordo com sua finalidade econômica ou aplicar o tributo por analogia, ou, em geral, para desconsiderar atos ou negócios realizados com fins de elusão fiscal (NOVOA, Ob.Cit., p.211.) É o que se dá, por exemplo, com o parágrafo único do art.116 do CTN, que prevê expressamente, digase a possibilidade de requalificação de atos ou negócios jurídicos com finalidade dissimulatória. O caráter excepcional da prática de requalificação ou de analogia fica mais expresso ainda na cláusula "salvo disposição de lei em contrário" no caput do art.116 do CTN, que evidencia a primazia ao regime de Direito Privado na constituição dos fatos geradores. Pois bem, parecenos que há uma clara primazia dos conceitos e formas de Direito Privado na definição, conteúdo e alcance das hipóteses de incidência e dos fatos geradores, salvos nas exceções previstas expressamente por lei. 2. Do Contrato de Conta Corrente seus elementos e requisitos Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 124 27 O primeiro cuidado a ser dispensado quando se examina a espécie contratual contacorrente reside em definir as suas características básicas e, mais ainda, o seu fundamento no Direito Positivo. Em primeiro lugar, cumpre esclarecer um equívoco que parece comprometer grande parte das decisões do CARF e de outros órgãos decisórios que enfrentam a questão: o contrato de Conta Corrente NÃO É UM CONTRATO ATÍPICO. O Código Comercial de 1850 já tratava desse contrato em seus arts.253, 254, 432 e 445, referindose expressa e nominalmente a ele: Art. 253 É proibido contar juros de juros; esta proibição não compreende a acumulação de juros vencidos aos saldos liquidados em conta corrente de ano a ano. Art. 254 Não serão admissíveis em juízo contas de capital com juros, em que estes senão acharem reciprocamente lançados sobre as parcelas do débito e crédito das mesmas contas. Art. 432 As verbas creditadas ao devedor em conta corrente assinada pelo credor, ou nos livros comerciais deste (artigo nº. 23), fazem presumir o pagamento, ainda que a dívida fosse contraída por escritura pública ou particular. Art. 445 As dívidas provadas por contas correntes dadas e aceitas, ou por contas de vendas de comerciante a comerciante presumidas líquidas (artigo nº. 219), prescrevem no fim de 4 (quatro) anos da sua data. E sobre tais dispositivos já escrevera Augusto Teixeira de Freitas: O art.254 do Código do Comércio também referese unicamente às contas correntes, pois que só nestas há contagem de juros recíprocos. (...) Toda conta não é uma conta corrente. Uma coisa é conta simples e outra é conta corrente. Esta última corre, isto é, vai reciprocamente demonstrando as parcelas de débito e crédito, sem compensação de umas com as outras; para no fim do ano, ou de outro período, fazerse, então a liquidação ou compensação total. (Aditamentos ao Código de Comércio, Rio de Janeiro, vol.1, 1878. P.618) Ainda que se objete que a lei retrocitada foi revogada pelo Código Civil atual, há que se acatar a validade e vigência da Lei do Cheque (Lei 7.357/1985), que em seu art.4º, §2º, b, traz a previsão expressa dessa forma contratual, inclusive é feliz em contrastar expressamente a contacorrente contratual da contacorrente bancária, afastando incautos que pretendam uma identificação entre figuras positivamente distintas: Art . 4º O emitente deve ter fundos disponíveis em poder do sacado e estar autorizado a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato expresso ou tácito. A infração desses preceitos não prejudica a validade do título como cheque. (...) § 2º Consideramse fundos disponíveis: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 28 a) os créditos constantes de contacorrente bancária não subordinados a termo; b) o saldo exigível de contacorrente contratual; Essa lei expressase de maneira clara, ressaltando a caraterística principal desse contrato, que é a exigibilidade do saldo na liquidação da conta, ao dispor no §2º do art.4º que se considera fundo disponível o saldo exigível de conta corrente contratual. Além disso, alegar a ausência de disposições expressas sobre seu regime jurídico é uma afirmação de todo equivocada, como bem apontou Fran Martins (Ob.Cit., p.367 368), ao apontar a existência de regulação no art.4º do Decreto nº 22.626/33 (a chamada Lei da Usura), revogado por Decreto de 25/04/1991, mas revigorado em seguida, por Decreto de 29/11/1991, estando vigente atualmente, in verbis: "É proibido contar juros de juros: esta proibição não compreende a acumulação dos juros vencidos aos saldos liquidados em conta corrente de ano a ano." Poderseia argumentar que nunca um texto legislativo trouxe expresso as minúcias do regime jurídico do contrato em comento mas isto não é suficiente (além de ser equivocado, como demonstramos nos parágrafos anteriores) para negar a tipicidade do mesmo haja vista que uma peculiaridade do Direito Comercial e Civil é o caráter de fonte que assumem os "usos e costumes", inclusive positivado no art.113 do atual Código Civil ao tratar da parte geral dos Negócios Jurídicos (Art.113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé e os usos do lugar de sua celebração.). A previsão típica do contrato na Lei de Cheque, complementado pelos dispositivos mencionados e os usos e costumes de sua prática longínqua, desde o Tribunal de Comércio da Corte no Brasil, lhe dá o timbre de um CONTRATO TÍPICO com elementos necessários para a sua caracterização que devem, por força do art.109 do Código Tributário Nacional, serem observados no momento de qualificação dos fatos geradores. É dizer, uma vez que a Lei de Cheque traz nomeadamente o contrato de contacorrente, tornao típico o nome traz consigo a prática e a convenção sobre ele. Todos os usos e costumes relacionados àquela espécie de contrato são recepcionados pela remissão expressa e nominal que a supramencionada lei traz. Ainda que, ad argumentandum, se ponha alguma dúvida sobre a tipicidade desse contrato pela sua menção expressa na legislação vigente, é forçoso reconhecer que se trata de um contrato socialmente típico, expressão do costume e dos fatos sobre o Direito positivo, como bem colocado por Pedro Pais de Vasconcelos: Na sua generalidade, os tipos contratuais legais foram construídos sobre os correspondentes tipos extralegais, sobre práticas contratuais que já eram típicas na sociedade. Estes tipos, que são tipos normativos, quando contrapostos aos tipos legais, que são tipos jurídicos estruturais, podem designar se adequadamente por “tipos sociais” (Contratos Atípicos 2 ed.. Coimbra: Almedina, 2009. P.61) É dizer, não obstante desprovido de regulação legal específica, é típico do ponto de vista social, devendo ter seu regime jurídico respeitado, conforme as lições da melhor doutrina, a exemplo de Emilio Betti (Teoria Generale del Negozio Giuridico, 2ªed. Edizioni Scientifiche Italiane: Nápole, 1994. P.192 e ss.), Vincenzo Roppo (Il contratto, In Trattato di Diritto Privato. Milão: Giuffré, 2001. P.423 e ss. ) e, no Brasil, Antônio Junqueira de Azevedo (Novos Estudos e Pareceres de Direito Privado. São Paulo: Saraiva, 2009. P.136 e ss.) Fl. 759DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 125 29 Uma vez ultrapassada a questão da tipicidade que imediatamente conduz à obrigatoriedade da Administração Tributária observar seus elementos típicos devese tratar aqui das suas características principais. Em definições de consagradas autores brasileiros e estrangeiros fica evidente que não se trata de uma invenção recente, mas de uma forma contratual historicamente consolidada: Conta corrente é o contrato segundo o qual duas pessoas convencionam fazer remessas recíprocas de valores sejam bens, títulos ou dinheiro , anotando os créditos daí resultantes em uma conta para posterior verificação do saldo exigível, mediante balanço. (...) As remessas são as operações praticadas pelos correntistas para alimentar a conta. Podem constar essas remessas de dinheiro, bens ou títulos de crédito; deverão, sempre, ter um valor determinado, para que possam servir de base aos lançamentos que são feitos na conta. (MARTINS, Fran. Contratos e Obrigações Comerciais, 16ªed. Rio de Janeiro: Forense, 2010. P.366) No mesmo sentido é a lição de Gianinni, expoente italiano do tema, e Paulo de Lacerda, comercialista brasileiro responsável pela obra maior acerca do contrato de conta corrente: "[o contrato de conta corrente é] um contrato pelo qual duas pessoas convêm em concederse crédito recíproco a respeito de operações realizadas entre si e por igual duração de tempo de modo a que, ao fim do prazo, a diferença entre as duas somas de crédito represente um crédito exigível" (GIANINNI, Torquato. I contratti di conto corrente. Firenze, 1895. P.59) O nome do contrato é contacorrente, a qual abrese quando se estabelece entre os correntistas ou correspondentes, alimentase pelas recíprocas remessas a debito e credito, formando no exercício do contrato as sucessivas parcellas, verbas, artigos ou lançamentos das partidas de deve e haver; sujeitase a encerramentos, balanços ou liquidações periódicos, para de tempos a tempos ser acertada a mesma contacorrente e extrahindose o saldo periódico a se levar ao seguinte período de contacorrente, até o fechamento ou encerramento final quando, feito o balanço definitivo, se apurar o saldo final possível de pronunciase contra um qualquer dos dois correntistas e portanto a favor do outro. (LACERDA, Paulo de. Do Contrato de ContaCorrente, Editor Jacinto Ribeiro, 2ª edição, 1928, P.24 25) Em um esforço sistematizador, e recorrendo às lições de J. X. Carvalho de Mendonça, Waldirio Bulgarelli (Contratos Mercantis, 4ªed. São Paulo: Atlas, 1987. P.555) e Fran Martins (Ob.cit., P.369370) trazem uma sistematização das características desse contrato: 1) O contrato de conta corrente supõe uma série de operações sucessivas e recíprocas entre as partes. Essas operações são anotadas nas contas, como partidas de débito e de crédito, e somente ao final do prazo convencionado, ou com a manifestação de uma das partes, se não houver período estabelecido, somamse as partidas de débito e as de crédito, verificandose o saldo final. 2) Só entram na conta corrente os créditos resultantes das operações a elas Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 30 destinadas. 3) Durante a vigência da conta corrente não pode um dos correntistas julgarse credor ou devedor, pois esse status só lhe será atribuídos após o encerramento da conta. 4) Enquanto vigente o contrato, as remessas constituem uma massa homogênea cujo resultado só pode ser conhecido com o balanço final, destacandose a indivisibilidade e unidade das remessas. 5) Em razão da perda da individualidade das remessas, não podem dar causa a ação particular sobre elas, nem ser objeto de execução. Prosseguindo na caracterização desta espécie contratual, é preciso classificá la nas categorias tradicionais do Direito Privado: I) Tratase de um contrato bilateral, com obrigações recíprocas para as partes que nele se vinculam, devendo cada um dos contraentes fazer crédito ao outro pelas remessas a que procederem. II) É contrato oneroso, por envolver vantagens econômicas para ambos os contratantes. Frise que o contrato tem essa natureza não porque a conta corrente faz decorrer juros recíprocas, pois estes podem ser excluídos contratualmente (Cf. LACERDA. Ob.Cit., p.111; e GIANINNI, ob.cit., §10º), mas pela concessão de crédito recíproco. III) É contrato comutativo, pela reciprocidade de obrigações; IV) É contrato consensual, formandose pelo simples consentimento das partes sobre esta última característica precisamos dedicar mais alguma análise. Paulo de Lacerda faz extenso histórico da discussão sobre o conteúdo desse contrato, que pretendemos resumir brevemente aqui (Ob. Cit., p.113 e ss.). Durante o séc.XIX, especialmente pela lavra de Delamarre e Lepoitvin, o contrato de conta corrente era definido como um contrato real, exigindo para sua perfeição a realização de pelo menos a primeira remessa. Essa afirmação, todavia, sofreu inúmeras críticas da doutrina e da jurisprudência, vindo a ser abandonada universalmente. O equívoco da consideração como contrato real está em colocar em antítese a convenção de conta corrente com a própria conta corrente, quando, em rigor, pouco importa as características individuais da remessa, vez que remetida através da convenção, ele perde sua individualidade. Não apenas isso, fosse o contrato real, o estorno da primeira remessa por qualquer motivo que seja implicaria a rescisão do contrato, o que não se verifica, pela possibilidade de outras remessas posteriores permanecerem. Enfim, em perfeita síntese, Paulo de Lacerda (ob.cit., p.121) pontua que os contratos em regra são consensuais, sendo reais apenas aqueles em que se obriga a parte a dar retorno ao mesmo objeto que recebe, ou outro da mesma espécie o que não acontece com o contrato de conta corrente, pois a intenção das partes está em criar uma massa homogênea das transações recíprocas, para gozar das vantagens que daí resultam. A perda da existência autônoma e distinta das remessas que descaracteriza o contrato como real é inclusive reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal: CONTACORRENTE Contrato Indivisibilidade Análise das suas remessas Discussão pretendida de algumas operações que o alimentaram, para arguir a sua prescrição Inadimissibilidade. Nos contratos de contacorrente não há que esmiuçar a natureza das operações originárias para verificar a prescrição de cada Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 126 31 lançamento porque as remessas lançadas na conta perdem a sua existência autônoma e distinta. (Rec. Extr. nº 12.941SC. Ac. unânime da 1ª Turma Rel. Min. Barros Barreto, julgado em 05/07/1948) O fato das remessas se iniciarem imediatamente após o contrato é mera contingência, haja vista que enquanto permanecer válido o contrato a conta corrente será válido meio para as remessas. Em síntese: o seu ponto central é a convenção, e não a tradição. Sobre a temporalidade do contrato, as partes podem convencionar um prazo de duração, mas Gianinni (Ob.cit., §87) observa que um limite convencional de tempo é coisa supérflua em contratos de contacorrente, frisando que é pouco usado na verdade, poucas vezes se apresentará uma hipótese do contrato de conta corrente com prazo determinado, sendo facultado aos correntistas romper o contrato quando quiserem. Além disso, não há obrigatoriedade de realização de balanços provisórios mas podendo ser estipulado contratualmente dentro de prazos determinados sendo essencial à forma contratual apenas o balanço definitivo, quando da sua extinção (Cf. LACERDA, Paulo M. de. Ob.Cit. P.267271). O que também não impede que o saldo apurado em uma liquidação periódica seja transportado para nova conta ou seja logo pago, a critério da estipulação dos contratantes. Um último ponto essencial à sua caracterização diz respeito à forma de sua contabilização, que demanda uma atenção especial. A escrituração se faz nos mesmos moldes da conta corrente contábil, não devendo ser confundidos o contrato e a sua escrituração (MARTINS, ob.cit., p.367). Sobre a escrituração contábil do contrato de contacorrente, é feita como qualquer contacorrente, mas há distinção entre a contacorrente de contrato e a mera conta corrente derivada apenas de procedimento escritural, como veremos logo abaixo. Não obstante, face ao regime jurídico próprio do contrato de conta corrente, impõese que a escrituração derivada dele seja feita à parte de outras contascorrentes meramente contábeis, assim como se impõe a sua separação em relação a outros débitos e créditos das duas partes envolvidas no contrato, débitos e créditos estes que não estejam abrangidos pelo contrato, segundo suas disposições quanto ao seu objeto. Cremos ter elucidado aqui a natureza jurídica do contrato de conta corrente e suas características essenciais. Cabe fazer um contraste com a figura que consideram sua próxima, o mútuo. 3. Contrato de Conta Corrente e Mútuo Contrastes O primeiro cuidado que se deve ter ao contrastar o Contrato de Conta Corrente e o de Mútuo é observar que ambos são contratos típicos, como cuidamos de demonstrar cabalmente no tópico anterior. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 32 Esta distinção não é necessária apenas para verificação das possíveis incidências tributárias sobre a movimentação econômica e financeira decorrente do contrato, mas principalmente, e até mesmo antes daquelas, para que as partes possam ser exigidas no cumprimento das suas obrigações e possam exercer os seus direitos de acordo com a efetiva natureza jurídica do contrato. O Mútuo é contrato tipificado pelo Código Civil, regulado pelos artigos 586 a 592, e consistindo no empréstimo de bens fungíveis, como o dinheiro, para serem restituídos ao mutuante na mesma quantidade, gênero e qualidade. Calha trazer a definição legal de mútuo, qual seja: “Art. 586 O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.” Da essência desse contrato, portanto, são os seguintes elementos que lhe dão conformação e existência como tal: 1) empréstimo de coisa fungível; 2) obrigação do mutuário restituir ao mutuante o mesmo que dele recebeu, no mesmo gênero, na mesma qualidade e na mesma quantidade. Tratando sobre as características do Mútuo, Waldirio Bulgarelli (Ob. Cit., p.562)) aponta que se trata de um contrato: I) Unilateral, pois uma vez aperfeiçoado, gera obrigações para apenas uma das partes, o mutuário, que deverá devolver a coisa, e se for o caso, acrescido de juros. II) Oneroso ou Gratuito, a depender da previsão de juros, os quais, quando o mútuo tenha fins econômicos, presumemse devidos, e também podem ser objeto de fixação contratual, desde que no limite legal (SELIC), além de ser permitida a capitalização anual (art. 406 e 591). III) Temporário, pela necessidade de previsão temporal para a restituição da coisa emprestada. IV) Real, pois implica a entrega da coisa para o uso do mutuário, transferindose a sua propriedade. Por meio do contrato de mútuo, a propriedade dos bens é transferida ao mutuário. Na verdade, o mútuo, embora contratado, somente se aperfeiçoa se houver a efetiva entrega dos bens mutuados, sendo por isso classificado como contrato real. Após a transferência dos bens, o mutuário pode utilizálos como quiser, eis que, sendo proprietário, pode deles dispor, usando e gozando deles como lhe aprouver (Código Civil, art. 1228). Todavia, ele passa a ser responsável pelos prejuízos que os bens possam sofrer, exatamente porque fica com a propriedade daqueles que recebeu, mas, em contrapartida, tem a obrigação de devolver outros do mesmo gênero, da mesma qualidade e na mesma quantidade. Vejase de pronto, de cotejo entre as características, que é evidente a distinção entre os dois contratos, o que se pode demonstrar com a tabela abaixo: Critério de classificação Contrato de Conta Corrente Contrato de Mútuo Quanto a positivação Típico Típico Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 127 33 Quanto à natureza do contrato Convencional Real Quanto ao objeto do contrato Abertura de conta corrente para débitos e créditos recíprocos, para liquidação posterior. Empréstimo de coisa determinada e fungível, mediante devolução posterior. Quanto à natureza da tradições entre as partes Indivisíveis, devendo ser tratadas como uma massa homogênea Divisíveis e individualizadas, com tratamento próprio para cada transação Quanto ao aspecto subjetivo da obrigação Bilateral Unilateral Quanto à dimensão econômica Oneroso ou Gratuito Oneroso ou Gratuito Quanto ao aspecto subjetivo As partes assumem natureza de credor e devedor após a liquidação da conta corrente As partes são mutuante e mutuário desde a tradição do bem Quanto à cobrança de juros Somente após a liquidação Imediatamente após a tradição Quanto ao tempo do contrato Temporário ou Tempo Indeterminado Temporário Parece estar clara a distinção entre as duas figuras. No contrato de conta corrente não se faz um mútuo nem se abre um crédito, mas se determina o destino de créditos futuros entre dois sujeitos, adotando uma conta na qual vão sendo lançados débitos e créditos que se excluem mutuamente e cujo saldo só é exigível quando se dá o vencimento do contrato ou mediante extinção voluntária deste. Não discrepa disso Antônio da Silva Cabral (“Negócios de Mútuo entre Empresas do Mesmo Grupo”. In. Direito Tributário Atual nº10, p. 2855.), jurista que integrou os quadros da SRF e foi por vários anos presidente da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes e, como tal, membro da Câmara Superior de Recursos Fiscais, notabilizandose por seu rigor técnico e por sua cultura jurídica, ao enfrentar o tema à partir das lições de Pontes de Miranda, o maior civilista brasileiro: “5.6 – MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE PONTES DE MIRANDA (Tratado, cit., LXII, pág. 120) forneceu a seguinte definição: ‘Contrato de conta corrente é o contrato pelo qual os figurantes se vinculam a que se lancem e se anotem, em conta, os créditos e Fl. 764DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 34 débitos de cada um para com o outro, só se podendo exigir o saldo ao se fechar a conta.’ Pela definição logo se percebe não existir possibilidade de se confundir mútuo com contrato de conta corrente, como também não existe qualquer identidade entre mútuo e abertura de crédito. Estamos diante de três espécies de acordos que de maneira alguma se confundem, embora, na contabilidade, o contrato de abertura de crédito se exteriorize mediante conta corrente. O contrato de conta corrente não envolve em si nenhum acordo para empréstimo de dinheiro. A promessa, neste caso, está, apenas, em se escriturarem os créditos decorrentes de operações em que os contratantes sejam titulares. No contrato de conta corrente não se faz um mútuo nem se abre um crédito, mas se convenciona o que fazer com créditos passados, presentes e futuros. Nessa conta vão sendo lançados débitos e créditos que se excluem mutuamente e o saldo da conta só é exigível quando se dá o vencimento do contrato de conta corrente, (...) ‘Do contrato de conta corrente não se irradiam relações jurídicas creditícias (que são relações jurídicas obrigatórias entre os figurantes), mas apenas o dever de lançar e anotar os créditos de um e de outro, e, para o outro figurante, o de aterse a esses lançamentos e anotações.’ Mais adiante haveria de escrever: ‘Os negócios jurídicos de que resultam os créditos e os débitos são estranhos à conta corrente, que a eles apenas se refere, para os submeter à escrituração específica.’ Este é um aspecto para o qual tanto o Fisco quanto os contribuintes não vêm atentando, querendo aquele se computem juros e correção monetária sobre quantias escrituradas em conta corrente só porque estão em conta corrente, como se esta conta representasse um mútuo em si mesmo. Esquecemse de que o importante é a análise do negócio jurídico que deu motivo ao lançamento em conta corrente. É um erro, freqüentemente encontrado na escrituração de empresas e em atos normativos do Fisco, encararse a conta corrente como se esta representasse uma dação recíproca de empréstimo, quando o importante seria analisaremse os negócios jurídicos que motivaram os débitos ou créditos em conta corrente. Nem há que se calcular correção monetária e juros sobre determinada quantia escriturada em conta corrente justamente porque, enquanto existir a conta corrente nenhum dos contratantes poderá exigir a obrigação do outro. Tal só ocorrerá quando a conta corrente for fechada. O que é exigível é, repitase, o saldo da conta corrente. O que domina, pois, o contrato de conta corrente é o princípio da reciprocidade: ao mesmo tempo em que se lança um crédito, temse que considerar o que a débito existe, de modo a sempre se apurar um saldo, não se podendo lançar uma quantia simplesmente como mútuo, sem se atentar para o fato de que essa conta supõe relação débitocrédito. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 128 35 Além do mais, o contrato de conta corrente é consensual, enquanto o contrato de mútuo é real. Não há, pois, como se tomar um pelo outro. Em homenagem à sabedoria do Mestre, transcrevo o que disse PONTES DE MIRANDA (Tratado de Direito Privado, 3ª. ed., 1984, vol. LXII, pág. 132): ‘MÚTUO E CONTRATO DE CONTA CORRENTE – O que mais caracteriza o contrato de conta corrente é que as prestações prometidas são atividades computísticas e contabilísticas. Não há mútuo, nem promessa de mútuo. Quando se fecha a conta corrente ocorre o reconhecimento é que se estabelece nova relação jurídica, pois os créditos constantes dos saldos expedientes, sobre os quais se pode convencionar fluírem juros, são créditos com pretensões paralisadas, por sua função meramente contábil. A falta de atenção de muitos juristas à exterioridade, em relação aos créditos entrados, do conteúdo e da função do contrato de conta corrente, levou ao desespero, a ponto de ter um jurista francês afirmado haver sujeito (ente moral) na conta corrente. Não há, tãopouco, abertura recíproca de crédito, porque os créditos entrados ficam sem pretensão eficaz e sem ação eficaz, mesmo no que se refere aos saldosexpedientes. (...) A idênticas conclusões chegou Paulo M. de Lacerda (Ob.cit., p.109 e ss.), em sua obra nunca suficientemente citada nas discussões sobre o Contrato de Conta Corrente: É da substância do mútuo que o mutuário se obrigue a dar ao mutuante outro tanto ‘in genere’ do que recebeu; de maneira que imediatamente após a realização do contrato, perfeito e acabado pela entrega do objeto fungível cuja propriedade passa do mutuante para o mutuário, começa a existir dívida certa a cargo de devedor certo, que é o mutuário. A obrigação assumida pelo mutuário é de dar no significado jurídico técnico da palavra. Sem a tradição do objeto não ha mútuo, pois este contrato é real: ‘Re contrahitur obligatio, velut mutui datione’, dizia Gaio no seu Commentario II, 90. Fungível deve ser o objeto do mútuo, que se numera, pesa ou mede, ‘qualis est pecunia numerata, vinum, oleum, frumentum, aes, argentum, aurum’; pois é da essência do contrato que essas coisas sejam emprestadas para serem consumidas. Devem elas ser fungíveis pela sua mesma natureza, ou pelo modo que as partes as consideram. A propriedade do objeto deve passar do mutuante para o mutuário, como explicava Paulo, no Digesto, liv. XII, tit .I, fragmento 2 §2: ‘Appellata est autem mutui datio ab eo, quod de meo tuum fit: et ideo si non fiat tuum, non nascitur obligatio’. Ora, na contacorrente não há dívida enquanto a conta corre. O aparecimento do saldo, única dívida que a contacorrente Fl. 766DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 36 pode produzir, é eventual, não certo, e como se não pode ao menos juridicamente determinar desde logo contra quem resultará, o devedor, se houver dívida, não é certo desde logo, porém incerto. Dupla incerteza na contacorrente: a dívida, que pode vir ou não vir, e a do devedor que, caso futuramente haja dívida, tanto pode ser um como outro correntista. No mútuo a certeza é desde logo dupla: a divida é certa, o devedor é certo. Quando as partes formam o contrato de mútuo já imediatamente sabem que o mutuante há de entregar ao mutuário um determinado objeto fungível, transferindolhe a propriedade, que o mutuário, findo o prazo concedido para gozar do beneficio, deve dar por sua vez ao mutuante outro objeto do mesmo gênero. Na contacorrente as partes não sabem de antemão precisamente quais os objetos que se remeterão reciprocamente, e cujos valores nela entrarão como verbas componentes. A distinção entre objetos fungíveis e infungíveis é supérflua; pois na contacorrente entram somente valores, e estes, em sendo depósitos, não pertencerão juridicamente a ela, embora materialmente anotados no respectivo quadro gráfico, uma vez que a remessa feita e recebida funde no todo indivisível da contacorrente o respectivo valor, coisa esta incompatível com o depósito regular. Igualmente não pesa ao recipiente a obrigação de dar outro tanto do mesmo gênero. Ele tem apenas a faculdade de remeter também; mas não coisa de gênero certo, idéia que se não aplica ao valor. (...) na contacorrente não há dívida a que se possa aplicar uma cláusula que torne exigíveis as suas parcelas, uma a uma, no fim de certo tempo. Enquanto a contacorrente há tão somente obrigação para cada um dos correntistas de se debitar pelos valores das remessas recebidas. Se as verbas fossem suscetíveis de sujeitarse à clausula semelhante, burlada ficaria a intenção das partes e nada mais significaria o encerramento da conta corrente, quando esta na verdade se teria composto de créditos independentes uns dos outros, com vencimentos seus, e por conseguinte inscritos na contacorrente como inscritos estariam em qualquer outra conta ou quadro computístico de transações efetuadas. Tirarseia, portanto, à contacorrente o caráter contratual; ficaria ela reduzida a mero sistema computístico, e muito menos estaríamos em face a um contrato ‘sui generis’. A verdadeira intenção das partes, porém é reunir as operações numa só massa homogênea, deixar de lado todos os característicos, efeitos e conseqüências especiais de cada uma das transações, e liquidar todas por junto depois de findo o tempo do contrato. Isto exclui a idéia de obrigação exigível ou exeqüível. A única obrigação é a de creditar e debitar; a única dívida a do saldo, findo o contrato ou, segundo for a vontade das partes, no fim de períodos determinados.” Aderem às lições supra também José Xavier Carvalho de Mendonça (“Tratado de Direito Comercial Brasileiro”, Livraria Editora Freitas Bastos, 1934, vol. VI, Livro IV, Parte II, p.352); Caio Mário da Silva Pereira (“Instituições de Direito Civil”, Editora Fl. 767DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 129 37 Forense, 7aed., p. 368); e Fran Martins (”Comentários ao Código Civil”, Editora Forense, 5ª ed., p. 483 e 490). Parece restar derrocada qualquer dúvida que possa haver sobre as diferenças e semelhanças entre o mútuo e a conta corrente, com a conclusão de que se tratam de figuras absolutamente diversas. Podese passar agora, com segurança, à discussão dos reflexos tributários deste contrato. 4. Da Inaplicabilidade do art.13 da Lei 9.779/99 aos contratos de conta corrente O título deste tópico decorre da norma de incidência do IOF e a pretensão fiscal de fazêla incidir sobre os contratos de conta corrente, suficientemente descritos anteriormente, pelo que repetimos o seu teor: “Art. 13 As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras.” Ora, como já insistentemente demonstrado, o contrato de contacorrente não é contrato de mútuo, pelo contrário, guardam diversas diferenças e tampouco é operação de crédito correspondente a mútuo, como as diferenças entre eles já evidenciam. Para ser semelhante a mútuo, teria que ter o mesmo núcleo, a mesma natureza, divergindo apenas em aspectos acidentais o que não se verifica no cotejo que fizemos na tabela supra. Como falamos no primeiro tópico, é dever imposto por força do art.109 do CTN que se respeitem os conceitos, institutos e formas de Direito Privado no momento de interpretar normas tributárias e qualificar fatos geradores, cabendo à lei tributária apenas lhe atribuírem efeitos característicos de normas desta jaez, sem alterarlhes as condições e características. Em exemplo irá elucidar isto. O Direito Privado traz uma figura negocial X, atribuindolhe as características A, B e C (X = A,B,C). O Direito Tributário, ao utilizar esse X em uma hipótese de incidência, sujeita a consideração dos elementos caracterizadores desse negócio a dois níveis de aplicação, de modo que diante de um Fato Y, com a presença da característica A (Y = A), as seguintes situações podem ocorrer: I) Em um primeiro nível (interpretação), o aplicador da norma tributária pode considerar que: I.a) X = A,B,C nesse caso, ele respeita integralmente a regra de Direito Privado na configuração da hipótese de incidência; Fl. 768DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 38 I.b) X = Ø caso em que o intérprete desconsidera inteiramente o conceito do Direito Privado, construindo um novo conceito dentro do Direito Tributário; e I.c) X = A e/ou B e/ou C caso em que ele transforma um conceito de Direito Privado em um tipo, tratando seus elementos característicos como renunciáveis para fins de adequação à hipótese. II) Em um segundo nível (qualificação), o aplicador irá analisar o caso concreto para qualificálo normativamente: II.a.) (X = A,B,C) ≠ (Y=A) o aplicador reconhece que para a caracterização de um fato Y como o conceito X, é preciso que todos os elementos estejam presentes. II.b) X é semelhante a Y o aplicador reconhece a divergência entre os critérios de X e o elemento de Y, mas entende que a característica A é o suficiente para que Y seja tratado como X, à partir de um juízo de semelhança. II.c) F(X = Y) O aplicador entende que sob o critério jurídico Y não possui as características de X, mas entendeos como semelhantes à partir da aplicação de um"filtro" F, que passa a tratar tanto a hipótese quanto o fato gerador sob outro ponto de vista, como o econômico. Analisando as hipóteses possíveis à luz da posição assumida no item 1, verificase que a possibilidade I.b só é possível nos casos em que há legislação tributária expressa dando uma definição própria pra determinada figura, já o I.c se afigura de difícil aplicação no caso concreto, por se estar tratando de figuras típicas, nominadas, com regime jurídico bem delimitado. Resta, por exclusão e por força da literalidade do art.109 do CTN, a opção de acatar as características do conceito no âmbito privado. A nível de qualificação, as hipóteses II.b e II.c correspondem, respectivamente, à utilização de analogia e à interpretação econômica, ambas vedadas no Direito Tributário brasileiro para que se exija tributo. Resta ao aplicador negar a qualificação de um fato ao conceito quando não tenha consigo as demais características. Isto é, quando por exemplo uma norma de lei tributária determinar certo tratamento aos contratos de mútuo, ela somente se aplicará aos negócios jurídicos que, de acordo com a lei civil, sejam efetivamente enquadrados como mútuo. Já quando se tratar de outra espécie de contrato, ainda que inominada, não será ela abarcada pela norma da lei tributária relativa aos mútuos, salvo se essa mesma lei, por uma regra expressa, também der a esta outra espécie de contrato o mesmo tratamento prescrito para os mútuos. No caso concreto, digase desde logo que não há disposição legal estendendo a norma do art. 13 da Lei n. 9.779 a outras espécies de contrato que não sejam mútuos. E não se pode olvidar que, além do art. 109, o CTN prescreve no art. 116, inciso II, que tratandose de situação jurídica, considerase realizado o fato gerador no momento em que esteja definitivamente constituída a operação, nos termos de direito aplicável. O fato gerador do IOF somente ocorre quando a situação jurídica de crédito decorrente de mútuo estiver completa de acordo com o direito aplicável, o qual é o previsto nos art. 1.256 e seguintes do Código Civil. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 130 39 Isso nada mais é do que consectário do princípio da legalidade, limitação constitucional ao poder de tributar prevista no art. 150, inciso I, da Constituição e no art. 97 do CTN, e tem preciosa descrição no art. 114 desse mesmo código, quando diz: "Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.”. Já percorremos esta senda anteriormente: condições necessárias e suficientes para a ocorrência de algo correspondem exatamente ao conceito disto, aos seus elementos caracterizadores, que devem ser buscados no Direito Privado. Portanto, se a lei tributária se refere a mútuo, e não estende a disposição referida a mútuo para outras espécies contratuais nominadas, a situação necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador descrito nessa lei é exclusivamente a de contrato de mútuo segundo o Direito Privado, e não haverá a situação necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador quando de outro contrato se tratar. Senão, vejamos o art. 63, I do CTN: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; Podese ver que é elemento essencial das operações de crédito tributáveis por IOF que a efetivação da operação se dê pela entrega total ou parcial do montante ou a sua colocação à disposição noutros termos, exige que a operação tenha natureza real, caracterizada pela tradição, o que largamente discrepa do contrato de conta corrente, de natureza convencional,, determinando que os créditos e débitos recíprocos dos contratantes serão registrados em uma conta contábil especial, para balanço e liquidação posterior, somente à partir daí se caracterizando relação creditícia no caso de se verificar que um é credor do outro. É de obviedade exuberante a impossibilidade de aproximar o conceito de mútuo e operação de crédito ao de conta corrente: basta verificar que as remessas feitas na conta corrente não caracterizam um ou outro contratante como credor e devedor, o que é essencial às operações de crédito, e mais, é plenamente possível que ao fim do contrato, com a liquidação da conta corrente, não haja débitos ou créditos, de modo que em momento algum qualquer dos contratantes teve direito subjetivo patrimonial oponível ao outro. Basta que se compulse o art. 64 do CTN para verificar a procedência da crítica feita acima: Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros; Ao escolher a base de cálculo, opta pelo montante da obrigação. Ora, no caso das remessas de conta corrente não há qualquer obrigação, que só será eventual e acidentalmente verificada após a liquidação da conta não haveria como adequar a operação à base de cálculo eleita pelo CTN. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 40 A mera remessa de valores no bojo de uma conta corrente não pode ser equiparada à entrega da coisa do mútuo, pois divergem largamente em seu regime jurídico salvo se considere possível interpretar economicamente a remessa e a entrega, para considerar apenas o montante econômico transladado, hipótese esta em que poderíamos certamente pôr fogo em todos os livros de Direito Tributário e toda a jurisprudência de nossas Cortes Superiores, usando a Constituição Federal como estopa para acender essa fogueira. Para haver mútuo não é suficiente haver a entrega de dinheiro, mas, sim, é necessário que esta seja acompanhada da obrigação da pessoa que a recebe de devolver a mesma quantidade de dinheiro na data aprazada, ou, na falta de prazo contratual, na data legal. Para haver remessa em conta corrente também não é suficiente a entrega de dinheiro, é preciso que essa remessa seja integrada a uma massa homogênea e indivisível de créditos e débitos, sem qualquer exigibilidade, e desvinculada das condições e operações que originaram a remessa, dependendo de liquidação posterior com ou sem prazo determinado para a apuração do saldo final. Querer equiparar entrega de dinheiro no mútuo à remessa em conta corrente é equiparar o tratamento jurídico tributário das duas pela simples semelhança de envolver movimentação de montantes economicamente apreciáveis. Tributar com base em juízo de semelhança nada mais é do que tributar com base em analogia (LARENZ, Karl. Metodologia da Ciência do Direito, 6ªed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2012. P.540541), conduta vedada expressamente pelo art. 108, §1º do CTN: "O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.". Outra leitura possível do art.13 da Lei 9.779/99, posto que igualmente desprovida de juridicidade, é interpretar o termo "As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros " como uma cláusula indeterminada, aberta, para permitir abranger qualquer espécie de remessa de dinheiro entre pessoas jurídicas e/ou físicas. Tal leitura viola frontalmente o dever de conformidade da tributação com o "fato gerador", consectário da legalidade tributário apontado por Gerd Rothmann, que reflete uma faceta principiológica da legalidade na disposição de que a lei não pode deixar ao critério da administração a diferenciação objetiva, devendo ela própria prever, na maior medida, possível, os aspectos necessários à configuração do fato gerador, não bastando ao legislador autorizar, de forma ampla, vaga, genérica ou indeterminada, a criação do tributo, mas cabendo a ele descrever a situação que lhe dará causa (ROTHMANN, Ob.Cit.. P.9099). Por força do próprio art.97, III do CTN, é dever da lei definir o fato gerador, isto é, darlhe significado, determinação, de modo que não coaduna com esse dispositivo, tampouco com a legalidade tributária, a utilização de expressões vagas ou indeterminadas na definição das hipóteses de incidência. O absurdo da assunção de tal interpretação é patente: estarseia incluindo na hipótese de incidência do IOF também pagamentos, doações e quaisquer remessas de dinheiro, independente da sua causa e regime jurídico. Igualmente patente é a ilegalidade do Ato Declaratório nº07/99, no qual o Secretário da Receita Federal declara: 1. No caso de mútuo entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sem prazo, realizado por meio de conta corrente, o Imposto sobre Operações de Crédito Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Fl. 771DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 131 41 devido nos termos do art. 13 da Lei No 9.779, de 19 de janeiro de 1999: a) incide somente em relação aos recursos entregues ou colocados à disposição do mutuário a partir de 1o de janeiro de 1999; b) será calculado e cobrado no primeiro dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, relativamente a cada valor entregue ou colocado à disposição do mutuário durante o mês, e recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente; c) os encargos debitados ao mutuário serão computados na base de cálculo do IOF a partir do dia subseqüente ao término do período a que se referirem. Ao equiparar o contrato de conta corrente ao de mútuo, ambos contratos típicos e largamente distintos, o Ato Declaratório anda ao largo das restrições que deve ter, inaugurando no ordenamento nova hipótese de incidência do IOF, ao arrepio da lei e da própria Constituição. Não causa espécie que a jurisprudência de Conselho reconhecera essa distinção claramente. Neste sentido, para exemplificar cito o acórdão n. 10180803, de 21.11.1990, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, cuja ementa diz: “IRPJ – Negócios de mútuo. A contacorrente relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar negócio de mútuo. Há que se investigar a natureza jurídica de cada operação objeto do lançamento, separando aquelas que realmente espelhem mútuo.” Na mesma linha, mas aludindo à gestão de recursos de empresas coligadas (gestão de caixa), foi o acórdão n. 10177901, de 15.8.1988, no qual se lê: “IRPJ – NEGÓCIOS DE MÚTUO – ART. 21 DO DECRETO LEI N. 2065/83. A CONTACORRENTE CONTÁBIL. A conta corrente contábil relativa a operações entre coligadas, interligadas, controladoras e controladas, não é, em si mesma, bastante para caracterizar ‘negócios de mútuo’. Há que investigar a natureza jurídica de cada operação objeto de lançamento na contacorrente, separando aquelas que, realmente, espelham o mútuo. Ademais, a evidência de que a recorrente era uma espécie de gestora de negócios com outorga das coirmãs afasta a hipótese do art. 21 do Decretolei n. 2065/83.” Também o acórdão n. 10707173, de 11.6.2003, que aludiu expressamente ao contrato de contacorrente, diferentemente de outros casos que giraram em torno da conta corrente meramente contábil, embora sempre no mesmo sentido: “IRPJ – CORREÇÃO MONETÁRIA – ART. 21 DO DL. 2065/83 – CONTA CORRENTE ENTRE EMPRESAS – CARACTERIZAÇÃO COMO MÚTUO – IMPROCEDÊNCIA DO Fl. 772DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 42 LANÇAMENTO – O mútuo, a teor do disposto no artigo 1256 do Código Civil, pressupõe o empréstimo de coisas fungíveis, não se caracterizando como tal a figura do contrato de conta corrente, mormente quando originado de operações mercantis.” E também o acórdão n. 10195392, de 22.2.2006, que fez o contraste entre mútuo e conta corrente, com os seguintes dizeres: “NEGÓCIOS DE MÚTUO – Os negócios de mútuo não se confundem com o da contacorrente ou qualquer movimentação financeira existente entre empresas ligadas que acuse débito ou crédito, ao teor do disposto no art. 1256 do antigo Código Civil Brasileiro e do art. 247 do Código Comercial Brasileiro.” Por fim, mais recentemente, há o Acórdão 3101001.094, julgado em 04.07.2013, no qual se reconhece também a distinção entre os dois contratos e a possibilidade da conta corrente ser utilizada para gestão de caixa: IOF. RECURSOS DA CONTROLADA EM CONTA DA CONTROLADORA. CONTA CORRENTE. RAZÃO DE SER DA HOLDING. Os recursos financeiros das empresas controladas que circulam nas contas da controladora não constituem de forma automática a caracterização de mútuo, pois dentre as atividades da empresa controladora de grupo econômico está a gestão de recursos, por meio de contacorrente, não podendo o Fisco constituir uma realidade que a lei expressamente não preveja. Recurso Voluntário Provido Tratase, pois, de um contraste que antiguíssimo, que apenas por um descuido técnico sofreu o lapso que verificamos atualmente. Desse modo, não restam dúvidas que o Contrato de Conta Corrente não pode ser admitido na hipótese de incidência do IOF prevista no art.13 da Lei 9.779/99, por se tratarem de contratos típicos e absolutamente distintos entre si. Estabelecido o regime jurídico do contrato de conta corrente e a clara inadmissibilidade da sua tributação por meio do IOF, resta agora analisar os elementos do caso concreto. 5. Do Caso Concreto Na análise do caso, partiremos nossa análise do Termo de Verificação Fiscal de fls. 587 a 593, para verificar os fundamentos da atuação. Nele, o auditor consignou: EMPRÉSTIMO CONCEDIDO PARA PESSOAS LIGADAS Dentro do grupo econômico, as empresas firmaram entre si Instrumentos Particulares de Contrato de Abertura de Crédito em Conta Corrente, com as seguintes características relevantes: a) prazo indeterminado de duração do contrato, permitida a rescisão unilateral mediante aviso com 30 dias de antecedência; e b) reciprocidade na concessão de crédito. Encontrandose uma empresa com dificuldade de caixa para honrar os compromissos, e havendo disponibilidade em outra Fl. 773DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 132 43 empresa, esta quita a obrigação da outra. A ora autuada registrou o mútuo em conta do ativo nº 12010102 – CREDITOS DE COLIGADA E CONTROLADAS – e respectivas subcontas. Configurado o fato gerador de IOF, não foi encontrado pagamento, nem DCTF informando débito do respectivo imposto, nem Dcomp, nem parcelamento. 5) RAZÕES DO LANÇAMENTO O mútuo concedido a empresas coligadas e controladas constitui fato gerador do IOF; e a legislação tributária confere ao mutuante o dever de reter e recolher o imposto incidente sobre as operações que realizar. (...) Por se tratar de empréstimos sem definição de prazo e de valor, a base de cálculo do IOF é o saldo devedor diário, inclusive nos dias não úteis, apurado mensalmente; a base de cálculo do adicional de IOF é o acréscimo diário do saldo devedor, também apurado mensalmente. Verificase de pronto que o Auditor reconhece a existência de Contratos de Conta Corrente, apontando elemento típicos dessa forma contratual, inclusive elementos contábeis também característicos dessa modalidade de negócios, qual seja, o registro em conta corrente própria para cada coligada com quem mantém o contrato. Além disso, o Auditor equipara as remessas entre as empresas a "empréstimos sem definição de prazo e de valor". Ora, repisemos o conceito de mútuo do Código Civil: "Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade." a sua natureza real e seus caracteres típicos são incompatíveis com empréstimos sem definição de prazo e de valor! Tãosó pela fundamentação do termo de verificação fiscal, evidenciase uma confusão clara entre o que é um mútuo, além de ressaltar elementos nos contratos da Recorrente que nada tem a ver com elementos típicos de um contrato desta natureza, para ao final chegar à conclusão de que se trata de mútuo e, portanto, sujeito à incidência de IOF. É preciso verificar as materialidades mais a fundo, analisando os contratos assinados e a movimentação contábil de remessas nas contas correntes. A primeira cláusula dos contratos tem o seguinte teor: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 44 Há a estipulação de que as transações entre as duas empresas poderão ser contabilizadas em conta corrente até o limite de R$ 500.000,00, com a previsão de registro em conta corrente própria que agregue as partidas de débito e crédito. A cláusula seguinte traz o conteúdo abaixo: Estipulase que o prazo do contrato seja indeterminado, com a possibilidade de rescisão por aviso de uma das partes, e que após a rescisão deverá ocorrer a liquidação, inclusive com a previsão expressa de que os juros correrão apenas da liquidação, e não de cada uma das remessas. Ora, contratualmente falando, não há qualquer dúvida de que se trate de um contrato de conta corrente, presentes os elementos típicos, desde da convenção acerca da abertura de uma conta corrente, até a adoção de prazo indeterminado (extremamente comum nessa espécie de contrato, conforme lição de Gianinni e Lacerda), com a previsão de liquidação ao final, para definir quem será credor e devedor, e somente à partir daí contandose juros. De outro giro, o contrato não guarda qualquer semelhança com um contrato de mútuo, não carreando qualquer de seus elementos essenciais: i) não há coisa fungível e determinada sendo emprestada; ii) não há prazo de restituição; iii) não há previsão de contagem de juros à partir da entrega do valor ou bem. E mais, tratandose de mútuo, sequer haveria necessidade de liquidação, vez que o objeto do mútuo deve ser determinado contratualmente para viabilizar a sua restituição por coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Aprofundando a análise fática, certamente devemos descer às minúcias operativas, à partir da análise da contabilidade das empresas. Analisando minuciosamente a documentação contábil de fls. 176 a 325, verificase que o registro das contas correntes apresenta tanto débitos quanto créditos, o que demonstra que há a movimentação recíproca entre a Recorrente e suas coligadas. O fato de ocasionalmente alguns (uma minoria, digase) dos lançamentos serem registrados como "mútuo" não faz com que a remessa assuma automaticamente natureza de mútuo! Como diria Michel de Montaigne, "il y a le nom et la chose; le nom, c'est une voix qui remerque et signifie la chose; le nom, ce n'est pas une partie de la chose ny de la substance, c'est une piece estrangere joincte à la chose, et hors d'elle" (Em tradução livre: Há o nome e há a coisa, o nome é uma voz que representa e significa a coisa; o nome não é uma parte da coisa nem sua substância, é uma peça estrangeira ligada à coisa, mas fora dela). Não basta a simples menção na partida contábil a um mútuo para que a operação se materialize instantaneamente sobretudo quando as evidências contratuais demonstram o contrário, tratarse de remessas operados no bojo de um contrato de conta corrente. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10120.731367/201216 Acórdão n.º 3402003.019 S3C4T2 Fl. 133 45 Verificase, pois, tratarse de contratos de conta corrente regularmente realizados, utilizandose de documentos contratuais com cláusulas características desse tipo de operação. Caso pretendase aqui falar em dissimulação, é preciso que três coisas sejam lembradas. Em primeiro lugar, o parágrafo único do art.116 do CTN, instrumento próprio para requalificação de fatos decorrentes de dissimulação, está carente de regulamentação legal para que seja procedimentalizado, impedindo a sua realização: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Além disso, o Fiscal não trouxe em sua motivação do ato qualquer referência ou indício de que houvera simulação ou dissimulação, figuras de Direito Civil que demandam um ônus probatório acerca de um vício de causa ou de vontade (a depender da assunção de uma teoria voluntarista ou causalista da simulação), o que não ocorre de forma alguma. Em terceiro lugar, tratase de um contrato típico e que, se realizado em plena consonância com o direito privado e seus requisitos, deve ser respeitado pelo Direito Tributário, independente dos seus efeitos implicarem na redução do tributo a ser pago, mas por força do art.109 do CTN. O que há, em rigor hermenêutico, é pura e simples analogia na qualificação dos fatos verificados no fiscalização, procedimento este vedado para que se dê a exigência de tributo não previsto em lei, como de resto já foi devidamente explorado. Desse modo, pelas razões acima delineadas, dou PROVIMENTO INTEGRAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para excluir a incidência de IOF sobre contratos de conta corrente. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 0/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 13811.000088/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PERC/FINOR. ANO-CALENDÁRIO 2005 - DIPJ/2006. TEMPESTIVIDADE. DECADÊNCIA. ARTIGO 168 CTN.
O prazo decadencial do direito de formular o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) tem inicio na data da entrega da DIRPJ e termina no quinto ano subseqüente, conforme artigo 168 do CTN.
Retornem-se os autos à Unidade Local para que se faça a análise do mérito do pedido do contribuinte.
Numero da decisão: 1402-002.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a tempestividade do PERC e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PERC/FINOR. ANOCALENDÁRIO 2005 DIPJ/2006. TEMPESTIVIDADE. DECADÊNCIA. ARTIGO 168 CTN. O prazo decadencial do direito de formular o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) tem inicio na data da entrega da DIRPJ e termina no quinto ano subseqüente, conforme artigo 168 do CTN. Retornemse os autos à Unidade Local para que se faça a análise do mérito do pedido do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a tempestividade do PERC e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para apreciação do mérito do pedido. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Gilberto Baptista, Roberto Silva Junior, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 00 88 /2 00 9- 11 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13811.000088/200911 Acórdão n.º 1402002.217 S1C4T2 Fl. 618 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário (fl.380/389) interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (fls.371/374) que ao julgar a manifestação de inconformidade de fls.78/86, manteve o r. Despacho de indeferimento (fl.76) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fls.1/2). Segundo o Extrato de Aplicações Financeiras que foi recebido pela Recorrente em 21/12/2007, cujas cópias estão anexas aos autos às fls.368/369, o direito ao incentivo fiscal não foi reconhecido por dois motivos: 01 Redução do valor da opção acima do limite legal. 12 Contribuinte com pendências junto ao INSS. Descordando com o motivos do indeferimento, a Recorrente apresentou o PERC em 11/01/2009 (fl. 01), e o r. Despacho Decisório/Parecer (fls. 76) o indeferiu por entender ser intempestivo de acordo com o parágrafo 5º do artigo 15º do DecretoLei 1.376/74, com redação dada pelo DecretoLei 1.752/79. Segundo consta no r. Despacho Decisório, o prazo para apresentação do PERC se expirou em 30/09/2008. Inconformada com a r. decisão, em 28/05/2009, a Recorrente apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade fls. 78/86, alegando o seguinte: Alega que de uma leitura mais cuidadosa do parágrafo 5º, do artigo 15º, não se pode concluir que se trata de prazo decadencial para o exercício do direito do contribuinte de pleitear a revisão dos valores dos incentivos fiscais, mas tão somente de prazo para reversão dos “valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas”, tal qual diz expressamente o mencionado dispositivo; Afirma não haver norma específica fixando o prazo para a interposição do PERC, de sorte que deve ser aplicada a regra geral de decadência estabelecida no artigo 168 do Código Tributário Nacional, entendimento esse adotado pelo então Conselho de Contribuintes; Aduz que aplicandose a norma contida no artigo 168 CTN, concluise que a Requerente, na verdade, dispõe do prazo de cinco anos contados a partir do exercício da opção pelo FINOR, não procedendo, portanto, o entendimento da Fiscalização de intempestividade do pedido; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13811.000088/200911 Acórdão n.º 1402002.217 S1C4T2 Fl. 619 3 Quanto ao primeiro motivo apontado pela Fiscalização para negar o incentivo, relativo a opção de valor acima do limite legal, relata que houve um erro no preenchimento da documentação fiscal e que o montante que ultrapassou é mínimo. Afirma não ser verídica a ocorrência relativa a pendência no INSS e apresenta certidões relativas a aprovação de concurso para promoção/propaganda da Caixa Econômica, e que para extrair tais certidões relativas a promoções é necessário no mínimo ter as Certidões Positiva com Efeito de Negativa ou Certidão Negativa o que comprovaria a regularidade da Recorrente. A DRJ de São Paulo proferiu v. acórdão, mantendo o r. Despacho Decisório em seus termos, analisando apenas a intempestividade do PERC, deixando de julgar os outros argumentos de defesa relativos ao mérito. (fls. 371/374) Em seguida, inconformada com a r. decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando praticamente as mesmas alegações da manifestação de inconformidade (fls 380/389). As fls. 398 destes autos, há relato de que em relação ao IRPJ/2006 foi lavrado Auto de Infração, formalizado através do processo administrativo n° 19515.000591/201023, por infração relativa a “FUNDOS DE INVESTIMENTOS FINOR, FINAM, FUNRES APLICAÇÃO EXCESSO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO”. Foi apurado imposto de renda recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR. A cópia do acórdão de fls. 371/374 deste processo foi juntada no processo n° 19515.000591/201023 e o resultado deste julgamento foi mencionado no Acórdão da DRJ/SPOI proferido naquele processo. O contribuinte teve ciência em 13/09/10 e em 08/10/10 apresentou recurso voluntário nos dois processos. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13811.000088/200911 Acórdão n.º 1402002.217 S1C4T2 Fl. 620 4 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, cumpre ressaltar que o Recurso Voluntário é tempestivo e está dotado de todos os pressupostos legais de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Conforme o relatório, tratase de recurso da decisão de primeiro grau que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC/FINOR, relativo ao anocalendário 2005, sob o argumento de intempestividade. A manifestação de inconformidade, rejeitada pela decisão recorrida, foi motivada pelo indeferimento do pedido do contribuinte, através do Despacho/Parecer de fls. 76, sob a alegação de que tal pedido era intempestivo, visto que apresentado em 11/01/2009, quando o prazo limite era a data de 30/09/2008. O tema ora examinado já foi apreciado diversas vezes por este E. CARF/MF, onde predominou o entendimento de que o prazo do art. 168 do CTN é o que melhor se harmoniza aos casos de PERC. Segundo esta linha de raciocínio, que passo a adotar, de fato, o uso da analogia na interpretação da lei tributária não pode resultar em prejuízo ao direito da Recorrente e, na falta de norma expressa na fixação do termo inicial para Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, deve ser respeitado o prazo qüinqüenal previsto para o pedido de restituição ou compensação de tributos (Ac. 10320.784; 10320.902; 10321.095 e 10706.774). Neste sentido, vejamos a título exemplificativo algumas ementas de v. acórdão que analisaram a matéria, conforme a seguir transcrito: IRPJ PERC PEDIDO DE REVISÃO PRAZO Inexistindo prazo específico para se pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela SRF, não é cabível o recurso à analogia para restringir o direito do contribuinte a apreciação de seu pedido de revisão do indeferimento, devendose tomar por base a regra geral do artigo 168 do Código Tributário Nacional. IRPJ INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC Inexistindo prazo específico para se pleitear a emissão de extrato de aplicações em incentivos fiscais, aplicase por analogia, norma que permita adequada solução do litígio. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13811.000088/200911 Acórdão n.º 1402002.217 S1C4T2 Fl. 621 5 (Acórdão nº 1302001.543, processo administrativo nº 13770.000618/200602, pela 1ª turma da 3ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento. Relator: Hélio Eduardo de Paiva Araújo) NORMAS PROCESSUAIS – APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS DE IRPJ – PERC – PEDIDO DE REVISÃO DO PRAZO Inexistindo prazo específico para se pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela SRF, não é cabível o recurso à analogia para restringir o direito do contribuinte a apreciação do seu pedido de revisão do indeferimento, devendo se tomar por base a regra geral do artigo 168 do Código Tributário Nacional. Recurso Especial Provido (Acórdão nº 0105.255, processo administrativo nº 13811,002998/19933, pela 1ª turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Relator: Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima) IRPJ – INCENTIVOS FISCAIS – PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – PERC – DECADÊNCIA Inexistindo prazo específico para se pleitear a emissão de extrato de aplicações em incentivos fiscais, aplicase por analogia, norma que permita adequada solução do litígio. Recurso provido para considerar tempestivo o Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Recurso Provido. (Acórdão nº 10809.493, processo administrativo nº 13805.007884/199814, pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator: Conselheiro Candido Rodrigues Neuber) CERTIFICADOS DE INCENTIVOS FISCAIS – PEDIDO DE REVISÃO – PERC Em prestígio ao princípio da legalidade, na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal da decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre prazo do direito do fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear seus direitos, ressalvandose à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. Recurso voluntário provido. (Acórdão nº 10322.885, processo administrativo nº 13893.000202/200428, pela 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Relator: Conselheiro Marcio Machado Caldeira) IRPJ – EMISSÃO DE CERTIFICADOS DE INCENTIVOS FISCAIS – PEDIDO DE REVISÃO Em prestígio ao princípio da legalidade, na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear tais direitos, ressalvandose à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. (...) (Acórdão nº 10195.248, proferido nos autos do processo nº 10140.00037377/200394, Relatora: Conselheira Sandra Maria Faroni). Acrescese a jurisprudência acima colacionada, o fato de estarmos diante da análise de uma perda da pretensão do contribuinte de solicitar a revisão de aplicação em incentivos fiscais, cujo direito deve ser exercido durante certo período, o que sem dúvidas, nos remete ao conceito do instituto da decadência. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13811.000088/200911 Acórdão n.º 1402002.217 S1C4T2 Fl. 622 6 E ao se falar em decadência, não podemos nos afastar da norma constitucional que diz que apenas lei complementar pode dispor sobre decadência em matéria de direito tributário, conforme estabelece o artigo 146, III, ‘b’ da CF, e por isso qualquer outra norma, que não seja lei complementar, não poderá disciplinar essa matéria. Assim, entendo que o prazo decadencial do direito de discutir a opção pela aplicação em incentivos fiscais, quando devidamente formalizada, tem início na data da entrega da DIRPJ, e termina no quinto ano subseqüente, conforme prevê o artigo 168 do CTN. Em relação a indicação nos autos (fls.398) de que existe o processo n.° 19515.000591/201023 relativo ao Auto de Infração, apesar de a Recorrente nada ter alegado, entendo aquele processo não impede o julgamento deste em epígrafe, que deve seguir seu curso normal. Desta forma, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para declarar o PERC tempestivo, reformando o v. acórdão "a quo" e, para que se evite supressão de instância, retornemse os autos à Unidade Local para que se analise o restante das alegações referente ao mérito. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
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Numero do processo: 15760.000003/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 01/02/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - ENQUADRAMENTO
A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE - Classificação nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, em cada estabelecimento distinto da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.155
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento. Designado o Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA para redigir o voto vencedor.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Márcio Henrique Sales Parada - Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 01/02/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE - ENQUADRAMENTO A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE - Classificação nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho - GILRAT. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, em cada estabelecimento distinto da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT/RAT ATIVIDADE PREPONDERANTE ENQUADRAMENTO A atividade econômica principal exercida pelo contribuinte à época dos fatos geradores, conforme a classificação CNAE Classificação nacional de Atividades Econômicas, deve ser considerada para a correta a apuração das alíquotas de contribuição a cargo da empresa para o financiamento do beneficio concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT. Considerase preponderante a atividade que ocupa, em cada estabelecimento distinto da empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 76 0. 00 00 03 /2 00 8- 84 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO (Relator), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento. Designado o Conselheiro MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA para redigir o voto vencedor. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Márcio Henrique Sales Parada Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 411 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 341 a 351, apresentado contra Acórdão nº 1620.235 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, fls. 326 a 335, que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.089.0612, no montante original de R$ 72.992,12 retificado para R$ 50,10 após apropriação de GPS recolhida pela Recorrente. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 30 a 41, o lançamento se refere a contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à contribuições de Empresa, incidentes sobre valores pagos aos segurados contribuintes individuais e diferença de contribuições SAT/GILRAT Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados, relativos a pagamento de "Programa de estimulo ao Aumento de Produtividade", na modalidade de Top Premium e Premium Card, advindos de contratos de prestação de serviço estabelecido com as empresas Incentive House e Sim Incentive. Outrossim, a Recorrente recolheu os valores referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre os prêmios pagos, conforme GPS – Guia da Previdência Social, às fls. 159, que foi apropriada, às fls. 160, restando um valor de R$ 24,41 (valor principal) referente à diferença de 1 % de alíquota SAT/RAT. Observase no Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5, que o código CNAE cadastrado nos sistemas da Receita Federal é o CNAE: 31607, o qual corresponde uma alíquota de 3%. Ademais, o lançamento referente à diferença de alíquota SAT/RAT (com valor principal de R$ 24,41) se refere às competências 01/2004 a 11/2004. Acerca da diferença de alíquota SAT/RAT, o Relatório Fiscal às fls. 34, assim expõe a fundamentação da diferença de alíquota SAT/RAT sendo cobrada: 15. Em relação à Filial de Gravataí, foram apresentadas as relações dos beneficiários, e tratavase de empregados da própria Delphi que estavam recebendo o beneficio, motivo pelo qual foram apurados como Salário de Contribuição de Segurados Empregados, cujo débito foi reconhecido pela empresa, e recolhido durante a ação fiscal, excetuandose 1% de SAT/GILRAT, apurado como diferença, uma vez que a empresa recolheu apenas 2%. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09396101F00, às fls. 21 a 22. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 07, é de 09/2001 a 02/2005. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.09.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº SE403621058BR, às fls. 154. A Recorrente apresentou Impugnação, tempestiva, às fls. 162 a 177, com Anexos às fls. 178 a 318, na qual, segundo o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 326 a 335: 2.3. No mérito alega que a cobrança é improcedente e que sempre apurou a alíquota do SAT de acordo com sua atividade preponderante, nos exatos termos do art. 202 do Decreto n° 3.048/99. 2.4. Ao contrario do sustentado pelo Sr. Fiscal, a atividade preponderante da empresa, considerandose todos os seus estabelecimentos, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não 'fabricação de material elétrico para veículos, exceto bateria cadastrada no CNAE sob n° 3160 700, a qual está enquadrada no grau de risco máximo (3%). 2.5. É importante destacar a diferenciação entre montagem de chicotes elétricos e fabricação de materiais elétricos. 2.6. Para comprovar que a atividade preponderante da empresa é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores e não a fabricação de peças elétricas, anexa Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas — IPT, que descreve o processo produtivo da Impugnante. 2.7. 0 Parecer e seus anexos comprovam que as atividades preponderantes (85%) dos quatro estabelecimentos citados são montagens mecânicas com uso de mãodeobra, estando, portanto, classificadas no grau de risco médio, cuja alíquota é de 2%. 2.8. A empresa possui 6.900 empregados e os quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer possuem por sua vez, 5.648 empregados que, considerando o índice de 85% destacado no Parecer, tem aproximadamente 4.800 empregados que exercem a atividade de montagem para a composição do chicote, e não de fabricação de materiais elétricos. 2.9. A única unidade que fabrica os componentes elétricos é a fábrica situada em Jambeiro SP, a qual possui somente 200 empregados no setor operacional. 2.10. 0 CNAE que enquadra de maneira mais especifica a atividade preponderante da empresa é o de n° 34.490502 (fabricação de peças e acessórios para veículos automotores, não classificados em outra subclasse), conforme demonstrativo de atividades expedido pelo CONCLA (doc. anexo), ao qual é aplicada a aliquota de 2%. 2.11. Por se tratar de tributo feito por meio de auto lançamento, com base em apuração mensal da atividade preponderante, de acordo com o RPS, e não vinculado a questões ligadas a Receita Federal, o que deve ser considerado é a atividade preponderante de fato realizada, e não aquela cadastrada na Receita Federal. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 412 5 2.12. 0 critério de aferição da atividade preponderante no caso de empresas que realizem atividades econômicas distintas, excluindo as chamadas 'atividadesmeio', é ilegal e inconstitucional. 2.13. 0 entendimento é defendido administrativamente pela Orientação Normativa 2/97. Ainda assim, nos Anexos à Impugnação, a empresa apresenta cópia autenticada do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, às fls. 198 a 318. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 326 a 335, conforme Ementa do Acórdão nº 1620.235 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I SP, a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 28/02/2005 SAT. LEGALIDADE. Para a empresa, em cuja atividade preponderante o risco seja considerado grave, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, é de 3%. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. JUNTADA DE DOCUMENTOS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, quando não atendidas as exigências da norma que rege o contencioso administrativo fiscal. Lançamento Procedente Acordam os membros da 13' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. À Delegacia de circunscrição do contribuinte, para que seja dada ciência deste Acórdão e para que o intime para pagamento do crédito mantido, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 126 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, c/c §1° do artigo 305 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 3.048, de 6 maio de 1999, na redação dada pelo Decreto n°4.729, de 9 de junho de 2003. Sala de Sessões, em 27 de janeiro de 2009. Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 341 a 351, onde alega, em apertada síntese: (i) Da atividade preponderante da empresa Conforme já mencionado, a decisão recorrida sustenta que a atividade preponderante da empresa é aquela que, nas competências abrangidas pela autuação, estava descrita no código 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos, exceto Baterias), correspondente ao grau de risco 3, com alíquota de 3%. Primeiramente, contudo, notese que é absurda a tentativa da fiscalização de tentar enquadrar a atividade preponderante da empresa como sendo de fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos! Isto porque, conforme já explanado na defesa que foi apresentada pela recorrente, a empresa não fabrica fios, cabos, ou nenhuma espécie de material elétrico, mas faz, tão somente, a montagem de fios já acabados! Conforme restou esclarecido na defesa apresentada, o chicote elétrico é somente um conjunto de fios ou cabos elétricos, entrelaçados e/ou amarrados entre si, que são utilizados para fazer a conexão elétrica de partes especificas dos automóveis (suas luzes de sinalização, cd players, etc.). Tais fios são amarrados uns aos outros, e a extremidade destes cabos recebem conectores. Resta claro, portanto, que a montagem de chicotes elétricos não envolve a fabricação de fios ou cabos elétricos, e que, portanto, a classificação de CNAE atribuída pelo v. acórdão é incorreta. 0 que a empresa faz é somente MONTAR os fios e cabos elétricos, que já vêm prontos para a Recorrente, amarrandoos uns aos outros e aos conectores das extremidades. (ii) Do parecer técnico do IPT A fim de comprovar suas alegações, a Recorrente anexou um Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT, órgão técnico altamente respeitado na área de pesquisas tecnológicas, o qual constatou, após análise detalhada dos principais estabelecimentos fabris da Delphi, que a atividade preponderante desta última, de forma globalizada, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não a fabricação de pegas elétricas. Para a elaboração do Parecer Técnico foram analisados os principais estabelecimentos industriais da Recorrente, quais sejam: Paraisópolis (001201); Itabirito (00302); Espírito Santo do Pinhal (001031); e São José dos Pinhais (001465). Além disso, foram feitas reuniões com técnicos responsáveis pela fabricação de chicotes elétricos, análise do fluxograma de fabricação de chicotes nas unidades supra mencionadas, visita e estudo da fábrica da Delphi considerada a mais completa na Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 413 7 fabricação de chicotes elétricos, dentre outras atividades descritas na metodologia do parecer em comento. Sendo assim, a conclusão a que chegaram os especialistas técnicos foi a seguinte: "As atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...).""Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." (iii) Parecer Técnico do IPT – Quantitativo de empregados na atividade preponderante Além disso, conforme exposto no corpo do Parecer já anexado defesa que foi apresentada pela ora Recorrente, "Os dados dos Anexos 7 e 8, relativos às fábricas Delphi em Paraisópolis, Itabirito, Espírito Santo do Pinhal e São José dos Pinhais bem como os seus certificados ISO/TS e OHSAS mostram que a maioria das atividades exercidas são para montagens de chicotes e conforme consta do fluxograma de processo, grupo 800 da operação (Anexo 3), estas chegam a atingir 85% das atividades.". Desta forma, restou comprovado que a atividade preponderante (85%) dos quatro estabelecimentos citados da Recorrente é a montagem de chicotes elétricos com uso de mão de obra, estando, portanto, classificado no grau de risco médio, cuja aliquota é de 2%. E importante esclarecer, ainda, que a Recorrente, considerando todos os seus estabelecimentos, possui aproximadamente 6.900 empregados. Destes, 5.648 trabalham em algum dos quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer do IPT e, considerando o índice de 85% destacado acima, aproximadamente 4.800 empregados da Delphi exercem atividades de montagem, e não de fabricação de materiais elétricos. Desse modo, considerando que 4.800 empregados da Delphi realizam atividade de montagem de chicotes elétricos, e que tal número corresponde a 69,5% de todos os funcionários que trabalham para a empresa, então resta claro que essa é a atividade preponderante da Recorrente, fato este inclusive reconhecido pelo próprio acórdão guerreado, conforme se verifica na transcrição abaixo: "Dos autos, depreendese que a Impugnante exerce apenas uma atividade econômica, a fabricação de chicotes elétricos, que chega a atingir 85% das atividades, e que conforme introdução Fl. 416DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 do Parecer Técnico elaborado pelo IPT era executada pelas próprias montadoras de veículos e passou a ser executada pela Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda., empresa independente das montadoras, passando essa atividade a ser preponderantes em suas fábricas." (iv) Da correta classificação do CNAE Primeiramente, é importante ressaltar que não existe um cadastro especifico que corresponda 6 exata atividade da empresa, qual seja: a montagem de chicotes elétricos. Sendo assim, é necessário buscar, dentre os cadastros de atividades relacionadas pelo CNAE no Decreto 3.048/99, aquela que mais se aproxima da realidade da empresa. Nesse contexto, não merece ser acolhida a classificação 31607 00, que se encontra na seção D (Indústria de Transformação), Divisão 31 (Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos), Classe 31607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos Exceto Baterias). (...) Tanto é inadequada a aplicação da aliquota de 3% à atividade preponderante da empresa que, de acordo com o Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, que revogou o anexo V do Decreto 3.048/99 e trouxe nova relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco, a própria classificação 3160700 (agora sob o número 29450/00) foi considerada como sendo de risco médio!!! Neste sentido, inexistindo classificação exata quanto à atividade preponderante da empresa, a classificação mais adequada para o presente caso é justamente o CNAE 34495, que compreende a "Fabricação de outras pegas e acessórios para veículos automotores não especificados anteriormente" (ao qual é aplicada a alíquota de 2%)., Nem se diga, como fez o v. acórdão recorrido, que esta subclasse não pode ser aplicada, pois sua nota explicativa informa que não engloba materiais elétricos. Isto porque, conforme amplamente demonstrado (inclusive por meio de Laudo do IPT), a empresa não fabrica materiais elétricos. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.109, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fiscal que lavrou a NFLD se manifeste acerca dos pontos relacionados ao período 01/2000 a 07/2005: (1) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) quais são as atividades exercidas no estabelecimento e a respectiva Classificação do Código CNAE, (b) e qual o quantitativo de empregados alocados nessas atividades? Fl. 417DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 414 9 (2) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) qual a atividade preponderante, (b) com seu Código de Classificação CNAE e (c) o número de empregados alocados nesta atividade preponderante, considerandose preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados; (3) qual a correta classificação da atividade preponderante da empresa no código CNAE; Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 381 a 404, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, nestes termos em síntese: É de se ressaltar que a NFLD objeto deste processo, que tinha valor originário de R$ 72.992,12, ficou reduzida a R$ 50,10, após apropriação de GPS – Guia da Previdência Social recolhidas pelo Recorrente, fato ainda relevante é que os valores a título de SAT/GILRAT exigidos na NFLD deste processo, envolve só o estabelecimento 00.857.758/001384, pois no tocante aos estabelecimentos 00.857.758/000140 e 00.857.758/001546 as verbas ali exigidas se referem a rubricas de "autônomos", onde não foram cobradas quaisquer diferenças de alíquotas SAT/GILRAT. A despeito da quantia irrisória envolvida, bem como se referir a um só estabelecimento, a BAIXA EM DILIGÊNCIA não levou em conta tal fato, posto que focou questões de princípios. Assim, por amor à verdade dos fatos e em obediência ao proposto por este Conselho, é que procedemos à análise mencionada. Ainda deve se salientar que as diferenças de SAT/GILRAT exigidas nesta NFLD, levou em conta o critério da atividade preponderante da empresa, conforme estabelecia a legislação então vigente. Isto posto, passamos a descrever os critérios da atividade preponderante da empresa, bem como a atividade preponderante em cada estabelecimento, critérios esses exarados na manifestação da baixa em diligência da NFLD nº 37.017.0121, (...) Assim, vêse de maneira clara e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para Veículos, exceto Baterias, na amostra acima, representa quase a totalidade, ou seja, 77% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 23% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos (31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias)). Importante salientar que no dito “Quadro Demonstrativo”, a Recorrente afirma com todas as letras que “durante o período fiscalizado, todos os estabelecimentos da empresa possuíam como atividade preponderante a fabricação de chicotes Fl. 418DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 elétricos e outras peças para veículos automotores, exceto o estabelecimento situado em São Caetano do Sul, que possui como atividade preponderante serviços administrativos.” (Grifo nosso) Ressaltese ainda que no mesmo relatório a Recorrente enfatiza textualmente que: “De acordo com o laudo do IPT, juntado aos autos, embora houvesse a informação de que o CNAE seria, à época, o 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias”, esta classificação era equivocada, na medida em que a fabricação de chicotes envolve, tão somente, a montagem de cabos já produzidos, não havendo qualquer processo de fabricação de material elétrico. Conclui o IPT, portanto, que o CNAE que mais se aproxima da atividade preponderante exercida pela empresa é o CNAE 34.495 (Fabricação de Peças e Acessórios para Veículos Automotores”. Notase que tanto o laudo do IPT quanto a conclusão do “Quadro Demonstrativo” omitem a descrição completa do CNAE 34.495 cuja descrição originária é: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE. (grifo nosso). Tal omissão é de importância capital para o deslinde da questão aqui tratada e já sobejamente demonstrada neste processo; ora, FABRICAÇÃO DE CHICOTE, não é peça de METAL, mas é fundamentalmente uma peça de fabricação elétrica, portanto, jamais comporta um enquadramento como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL, conforme ousa e insiste em se enquadrar a Recorrente. Mesmo que a Recorrente insista em dizer que não fabrica os cabos elétricos que vão formar o CHICOTE, fato é que, o CHICOTE não é produto de METAL; é essencialmente produto final classificado como material elétrico. Portanto completamente equivocada tanto a conclusão do laudo do IPT quando do relatório do “Quadro Demonstrativo”. Se o laudo IPT demonstrou que a Recorrente não fabrica os cabos elétricos que compõem o CHICOTE, por outra não demonstrou em nenhum momento de sua conclusão que o CHICOTE é PEÇA DE METAL. Assim sendo, constitui verdadeira afronta ao bom senso a conclusão do referido laudo do IPT. (...) Ora, o chicote como produto acabado da DELPHI não é de METAL mas sim produto eminentemente de material elétrico. O fato da empresa asseverar que os materiais elétricos já chegam prontos/acabados, nas fábricas, não desconstitui o fato de que o chamado CHICOTE, produto acabado da empresa, é composição de material elétrico/eletrônico, e portanto tal auto enquadramento jamais poderia se dar como "PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL", conforme pretende. Sendo o CHICOTE, produto acabado primordial da empresa, mesmo que se admita por um instante a montagem do produto a partir de fios e cabos comprados de terceiros, essa montagem (que é uma das modalidades das atividades da indústria) jamais se enquadraria como produto de METAL, fato esse que Fl. 419DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 415 11 desautoriza meridianamente a sua pretendida classificação naquele CNAE. Ora, o produto de maior relevância da empresa, o CHICOTE, é de conhecimento universal como sendo um produto eminentemente de composição elétrica, jamais como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL. Em nenhum momento se disse que a empresa fabrica ou fabricou fios ou cabos elétricos, mas que fabrica sem sombra de dúvidas os CHICOTES de composição predominantemente elétrico Para corroborar o erro do auto enquadramento da empresa na escolha do CNAE, basta tão somente que analisemos a classificação geral e a específica do código do CNAE por ela escolhido. (...) Assim sendo, por mais técnico e idôneo que seja um parecer, este não pode suplantar a norma legal, não tem a competência de mudar aquilo que a lei estabeleceu como classificação de atividades sinônimas. A conclusão da empresa as fls. 473 que assevera "in verbis": "Por fim é importante destacar que o Parecer do IPT analisa as atividades da empresa desde a fundação desta (separação da GM) o que ocorreu em 1999, restando, portanto, comprovada que a atividade da empresa de MONTAGEM MECÂNICA COM USO DE MÃO DE OBRA sempre foi a atividade preponderante da empresa". Tal assertiva por parte da Defendente é incabível sob todos os aspectos, porquanto a montagem de um chicote, que nada mais é do que fabricação de produto acabado de partes e peças eminentemente elétricas, não pode ser considerado como produto acabado de composição METÁLICA, daí errônea e equivocada a auto classificação promovida pela empresa. Para que se chegue a estas óbvias conclusões não é necessário visita aos estabelecimentos da empresa, conforme alega no penúltimo parágrafo das fls. 473 do processo. Isto posto, ratificamos "in totum" os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 FABRICAÇÃO DE MATERIAL ELÉTRICO PARA VEÍCULOS EXCLUSIVE BATERIAS”. (...) Da mesma maneira, vêse com clareza meridiana e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias (CNAE usado no levantamento de débito, e que representa o CNAE real da empresa, na maioria dos seus estabelecimentos), na amostra acima, representa, 69% Fl. 420DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 31% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos. No caso em tela, foi aplicado o percentual da atividade preponderante que era de 3%, em razão da legislação então vigente à época, que considerava a alíquota SAT/GILRAT da atividade preponderante da empresa e não do estabelecimento. É mister ainda que se diga que no tocante à NFLD nº 37.089.061 2, a mesma se refere a levantamento de SAT/GILRAT Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho relativo ao CNPJ: 00.857.758/001384, e, levandose em conta estritamente a atividade preponderante do estabelecimento seu CNAE – Código Nacional de Atividade Econômica é 34495 cujo SAT/GILRAT Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho é de 2%; entretanto, como já enfatizado, a fiscalização utilizou o critério da atividade preponderante da empresa, em obediência ao princípio da estrita legalidade, então vigente à época. Assim sendo, entendemos ter suprido todas as informações e questionamentos acima suscitados pelo CARF, conseqüentemente, encaminhamos a presente manifestação à apreciação e julgamento daquela Corte Administrativa Intimado, o contribuinte não apresenta Manifestação acerca da Resolução de Diligência. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 416 13 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Como primeira questão preliminar, abordase a necessidade de Diligência Fiscal. (a) DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Analisemos. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 30 a 41, o lançamento se refere a contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à contribuições de Empresa, incidentes sobre valores pagos aos segurados contribuintes individuais e diferença de contribuições SAT/GILRAT Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados, relativos a pagamento de "Programa de estimulo ao Aumento de Produtividade", na modalidade de Top Premium e Premium Card, advindos de contratos de prestação de serviço estabelecido com as empresas Incentive House e Sim Incentive. Outrossim, a Recorrente recolheu os valores referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre os prêmios pagos, conforme GPS – Guia da Previdência Social, às fls. 159, que foi apropriada, às fls. 160, restando um valor de R$ 24,41 (valor principal) referente à diferença de 1 % de alíquota SAT/RAT. Observase no Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5, que o código CNAE cadastrado nos sistemas da Receita Federal é o CNAE: 31607, o qual corresponde uma alíquota de 3%. Ademais, o lançamento referente à diferença de alíquota SAT/RAT (com valor principal de R$ 24,41) se refere às competências 01/2004 a 11/2004. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 Acerca da diferença de alíquota SAT/RAT, o Relatório Fiscal às fls. 34, assim expõe a fundamentação da diferença de alíquota SAT/RAT sendo cobrada: Desta forma, a AuditoriaFiscal fez o lançamento da diferença de alíquota SAT/GILRAT em função do código CNAE 31607 (corresponde uma alíquota de 3%) que estava cadastrado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, vide Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5. Entretanto, o Relatório Fiscal, às fls. 30 a 41, e Anexos às fls. 42 a 154, não fez prova material de que a atividade preponderante do sujeito passivo de fato se encontrava no Código CNAE 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos exceto Baterias), correspondente ao grau de risco 3, com aliquota de 3%. Por outro lado, nos Anexos à Impugnação, a empresa apresenta cópia autenticada do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, às fls. 198 a 318. Deste modo, a Recorrente apresenta prova técnica na forma de um Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT que constatou, após análise detalhada dos principais estabelecimentos fabris da Delphi, que a atividade preponderante desta última, de forma globalizada, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não a fabricação de pegas elétricas, às fls. 207 a 208: "As atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...).""Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." A partir do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, a Recorrente aduz que, considerando todos os estabelecimentos, possui um total aproximado de 6.900 empregados, sendo que 5.648 trabalham em algum dos quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer do IPT e aproximadamente 4.800 empregados da Delphi exercem atividades de montagem, e não de fabricação de materiais elétricos. Desse modo, considerando que 4.800 empregados da Delphi realizam atividade de montagem de chicotes elétricos, e que tal número corresponde a 69,5% de todos os funcionários que trabalham para a empresa, então resta claro que essa é a atividade preponderante da Recorrente. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.109, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fiscal que lavrou a NFLD se manifeste acerca dos pontos relacionados ao período 01/2000 a 07/2005: (1) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) quais são as atividades exercidas no estabelecimento e a respectiva Classificação do Código CNAE, (b) e qual o quantitativo de empregados alocados nessas atividades? Fl. 423DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 417 15 (2) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) qual a atividade preponderante, (b) com seu Código de Classificação CNAE e (c) o número de empregados alocados nesta atividade preponderante, considerandose preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados; (3) qual a correta classificação da atividade preponderante da empresa no código CNAE; Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 381 a 404, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal. Desta forma, em um primeiro momento, considerandose os princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como o disposto no art. 28, Lei 9784/1999, surge a prejudicial de se intimar o contribuinte da Diligência Fiscal realizada e da determinada neste presente julgado, bem como se abrir prazo para Manifestação do sujeito passivo. Lei 9784/1999 Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Em um segundo momento, em que pese a detalhada e bem fundamentada Manifestação Fiscal já exarada pela Autoridade Fiscal em atendimento à solicitação de Diligência Fiscal anterior do CARF, para que esta Colenda 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF possa proferir uma decisão se faz necessário que a Unidade da Receita Federal do Brasil faça uma análise contraditória e conclusiva acerca do Parecer Técnico 10.453301 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT, demonstrando, fundamentadamente, o motivo da discordância do Laudo do IPT que concluiu às fls. 207 a 208: "as atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...).""Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." (a.1) DOS DEBATES ACERCA DA DILIGÊNCIA FISCAL Esta Colenda Turma de Julgamento considerou superar a necessidade de Diligência, posto que, em debate oral, o Colegiado deliberou pela continuação do julgamento com fundamento no princípio da celeridade processual e também pelo fato da questão controvertida já ter sido examinada em sede de anterior Diligência Fiscal. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Portanto, em função dos debates ocorridos, passo a me filiar ao posicionamento da maioria. Desta forma, passemos ao exame das demais Questões Preliminares e ao exame do Mérito. (b) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a Terceiros. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.089.0612 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.089.0612) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 425DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 418 17 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.089.0612, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (c) Da decadência Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 30 a 41, o lançamento se refere a contribuições devidas ao Fundo de Regime Geral de Previdência Social e não recolhidas na sua totalidade em épocas próprias, correspondentes à contribuições de Empresa, incidentes sobre valores pagos aos segurados contribuintes individuais e diferença de contribuições SAT/GILRAT Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados, relativos a pagamento de "Programa de estimulo ao Aumento de Produtividade", na modalidade de Top Premium e Premium Card, advindos de contratos de prestação de serviço estabelecido com as empresas Incentive House e Sim Incentive. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito DSD, às fls. 07, é de 09/2001 a 02/2005. Outrossim, a Recorrente recolheu os valores referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre os prêmios pagos, conforme GPS – Guia da Previdência Social, às fls. 159, que foi apropriada, às fls. 160, restando um valor de R$ 24,41 (valor principal) referente à diferença de 1 % de alíquota SAT/RAT. Observase no Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5, que o código CNAE cadastrado nos sistemas da Receita Federal é o CNAE: 31607, o qual Fl. 427DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 419 19 corresponde uma alíquota de 3%. Ademais, o lançamento referente à diferença de alíquota SAT/RAT (com valor principal de R$ 24,41) se refere às competências 01/2004 a 11/2004. O período restante do débito, então, é de 01/2004 a 11/2004. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.09.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº SE403621058BR, às fls. 154. Desta forma, não ocorre a hipótese de decadência. DO MÉRITO (i) Da atividade preponderante da empresa Conforme já mencionado, a decisão recorrida sustenta que a atividade preponderante da empresa é aquela que, nas competências abrangidas pela autuação, estava descrita no código 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos, exceto Baterias), correspondente ao grau de risco 3, com aliquota de 3%. Primeiramente, contudo, notese que é absurda a tentativa da fiscalização de tentar enquadrar a atividade preponderante da empresa como sendo de fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos! Isto porque, conforme já explanado na defesa que foi apresentada pela recorrente, a empresa não fabrica fios, cabos, ou nenhuma espécie de material elétrico, mas faz, tão somente, a montagem de fios já acabados! Conforme restou esclarecido na defesa apresentada, o chicote elétrico é somente um conjunto de fios ou cabos elétricos, entrelaçados e/ou amarrados entre si, que são utilizados para fazer a conexão elétrica de partes especificas dos automóveis (suas luzes de sinalização, cd players, etc.). Tais fios são amarrados uns aos outros, e a extremidade destes cabos recebem conectores. Resta claro, portanto, que a montagem de chicotes elétricos não envolve a fabricação de fios ou cabos elétricos, e que, portanto, a classificação de CNAE atribuída pelo v. acórdão é incorreta. 0 que a empresa faz é somente MONTAR os fios e cabos elétricos, que já vêm prontos para a Recorrente, amarrandoos uns aos outros e aos conectores das extremidades. (ii) Do parecer técnico do IPT A fim de comprovar suas alegações, a Recorrente anexou um Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT, órgão técnico altamente respeitado na área Fl. 428DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 de pesquisas tecnológicas, o qual constatou, após análise detalhada dos principais estabelecimentos fabris da Delphi, que a atividade preponderante desta última, de forma globalizada, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não a fabricação de pegas elétricas. Para a elaboração do Parecer Técnico foram analisados os principais estabelecimentos industriais da Recorrente, quais sejam: Paraisópolis (001201); Itabirito (00302); Espírito Santo do Pinhal (001031); e São José dos Pinhais (001465). Além disso, foram feitas reuniões com técnicos responsáveis pela fabricação de chicotes elétricos, análise do fluxograma de fabricação de chicotes nas unidades supra mencionadas, visita e estudo da fábrica da Delphi considerada a mais completa na fabricação de chicotes elétricos, dentre outras atividades descritas na metodologia do parecer em comento. Sendo assim, a conclusão a que chegaram os especialistas técnicos foi a seguinte: "As atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...)." "Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." (iii) Parecer Técnico do IPT – Quantitativo de empregados na atividade preponderante Além disso, conforme exposto no corpo do Parecer já anexado defesa que foi apresentada pela ora Recorrente, "Os dados dos Anexos 7 e 8, relativos às fábricas Delphi em Paraisópolis, Itabirito, Espírito Santo do Pinhal e São José dos Pinhais bem como os seus certificados ISO/TS e OHSAS mostram que a maioria das atividades exercidas são para montagens de chicotes e conforme consta do fluxograma de processo, grupo 800 da operação (Anexo 3), estas chegam a atingir 85% das atividades.". Desta forma, restou comprovado que a atividade preponderante (85%) dos quatro estabelecimentos citados da Recorrente é a montagem de chicotes elétricos com uso de mão de obra, estando, portanto, classificado no grau de risco médio, cuja aliquota é de 2%. E importante esclarecer, ainda, que a Recorrente, considerando todos os seus estabelecimentos, possui aproximadamente 6.900 empregados. Destes, 5.648 trabalham em algum dos quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer do IPT e, Fl. 429DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 420 21 considerando o índice de 85% destacado acima, aproximadamente 4.800 empregados da Delphi exercem atividades de montagem, e não de fabricação de materiais elétricos. Desse modo, considerando que 4.800 empregados da Delphi realizam atividade de montagem de chicotes elétricos, e que tal número corresponde a 69,5% de todos os funcionários que trabalham para a empresa, então resta claro que essa é a atividade preponderante da Recorrente, fato este inclusive reconhecido pelo próprio acórdão guerreado, conforme se verifica na transcrição abaixo: "Dos autos, depreendese que a Impugnante exerce apenas uma atividade econômica, a fabricação de chicotes elétricos, que chega a atingir 85% das atividades, e que conforme introdução do Parecer Técnico elaborado pelo IPT era executada pelas próprias montadoras de veículos e passou a ser executada pela Delphi Automotive Systems do Brasil Ltda., empresa independente das montadoras, passando essa atividade a ser preponderantes em suas fábricas." Analisemos conjuntamente os tópicos (i), (ii) e (iii). Da cobrança do SAT/GILRAT A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao SAT: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 O Regulamento da Previdência Social, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: (Decreto n°3.048/1999) Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, Fl. 431DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 421 23 vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, assentou a constitucionalidade da contribuição para o SAT incidente sobre o total das remunerações pagas aos empregados e trabalhadores avulsos: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4°; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4°; art. 154, II; art. 5°, II; art. 150,I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, 1 Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I(STF — RE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Processo 343446 – SC Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Decisão 20/03/2003. Tribunal Pleno. Relator MM. Carlos Venoso. DJ 04/04/2003). Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Da atividade preponderante da empresa. De plano, devemos considerar que a atividade preponderante da empresa deve ser determinada em cada estabelecimento distinto da mesma, conforme o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, de observância obrigatória pelo Colegiado nos termos do art. 62, § 1º, c do RICARF: Ato Declaratório PGFN nº 11/2011 “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.109, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fiscal que lavrou a NFLD se manifeste acerca dos pontos relacionados ao período 01/2000 a 07/2005: (1) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) quais são as atividades exercidas no estabelecimento e a respectiva Classificação do Código CNAE, (b) e qual o quantitativo de empregados alocados nessas atividades? (2) – em cada estabelecimento da Recorrente: (a) qual a atividade preponderante, (b) com seu Código de Classificação CNAE e (c) o número de empregados alocados nesta atividade preponderante, considerandose preponderante a atividade que ocupa o maior número de segurados empregados; Fl. 433DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 422 25 (3) qual a correta classificação da atividade preponderante da empresa no código CNAE; Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 381 a 404, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, nestes termos em síntese: É de se ressaltar que a NFLD objeto deste processo, que tinha valor originário de R$ 72.992,12, ficou reduzida a R$ 50,10, após apropriação de GPS – Guia da Previdência Social recolhidas pelo Recorrente, fato ainda relevante é que os valores a título de SAT/GILRAT exigidos na NFLD deste processo, envolve só o estabelecimento 00.857.758/001384, pois no tocante aos estabelecimentos 00.857.758/000140 e 00.857.758/001546 as verbas ali exigidas se referem a rubricas de "autônomos", onde não foram cobradas quaisquer diferenças de alíquotas SAT/GILRAT. A despeito da quantia irrisória envolvida, bem como se referir a um só estabelecimento, a BAIXA EM DILIGÊNCIA não levou em conta tal fato, posto que focou questões de princípios. Assim, por amor à verdade dos fatos e em obediência ao proposto por este Conselho, é que procedemos à análise mencionada. Ainda deve se salientar que as diferenças de SAT/GILRAT exigidas nesta NFLD, levou em conta o critério da atividade preponderante da empresa, conforme estabelecia a legislação então vigente. Isto posto, passamos a descrever os critérios da atividade preponderante da empresa, bem como a atividade preponderante em cada estabelecimento, critérios esses exarados na manifestação da baixa em diligência da NFLD nº 37.017.0121, (...) Assim, vêse de maneira clara e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para Veículos, exceto Baterias, na amostra acima, representa quase a totalidade, ou seja, 77% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 23% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos (31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias)). Importante salientar que no dito “Quadro Demonstrativo”, a Recorrente afirma com todas as letras que “durante o período fiscalizado, todos os estabelecimentos da empresa possuíam como atividade preponderante a fabricação de chicotes elétricos e outras peças para veículos automotores, exceto o estabelecimento situado em São Caetano do Sul, que possui como atividade preponderante serviços administrativos.” (Grifo nosso) Ressaltese ainda que no mesmo relatório a Recorrente enfatiza textualmente que: “De acordo com o laudo do IPT, juntado aos autos, embora houvesse a informação de que o CNAE seria, à Fl. 434DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 época, o 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias”, esta classificação era equivocada, na medida em que a fabricação de chicotes envolve, tão somente, a montagem de cabos já produzidos, não havendo qualquer processo de fabricação de material elétrico. Conclui o IPT, portanto, que o CNAE que mais se aproxima da atividade preponderante exercida pela empresa é o CNAE 34.495 (Fabricação de Peças e Acessórios para Veículos Automotores”. Notase que tanto o laudo do IPT quanto a conclusão do “Quadro Demonstrativo” omitem a descrição completa do CNAE 34.495 cuja descrição originária é: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMOTORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE. (grifo nosso). Tal omissão é de importância capital para o deslinde da questão aqui tratada e já sobejamente demonstrada neste processo; ora, FABRICAÇÃO DE CHICOTE, não é peça de METAL, mas é fundamentalmente uma peça de fabricação elétrica, portanto, jamais comporta um enquadramento como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL, conforme ousa e insiste em se enquadrar a Recorrente. Mesmo que a Recorrente insista em dizer que não fabrica os cabos elétricos que vão formar o CHICOTE, fato é que, o CHICOTE não é produto de METAL; é essencialmente produto final classificado como material elétrico. Portanto completamente equivocada tanto a conclusão do laudo do IPT quando do relatório do “Quadro Demonstrativo”. Se o laudo IPT demonstrou que a Recorrente não fabrica os cabos elétricos que compõem o CHICOTE, por outra não demonstrou em nenhum momento de sua conclusão que o CHICOTE é PEÇA DE METAL. Assim sendo, constitui verdadeira afronta ao bom senso a conclusão do referido laudo do IPT. (...) Ora, o chicote como produto acabado da DELPHI não é de METAL mas sim produto eminentemente de material elétrico. O fato da empresa asseverar que os materiais elétricos já chegam prontos/acabados, nas fábricas, não desconstitui o fato de que o chamado CHICOTE, produto acabado da empresa, é composição de material elétrico/eletrônico, e portanto tal auto enquadramento jamais poderia se dar como "PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL", conforme pretende. Sendo o CHICOTE, produto acabado primordial da empresa, mesmo que se admita por um instante a montagem do produto a partir de fios e cabos comprados de terceiros, essa montagem (que é uma das modalidades das atividades da indústria) jamais se enquadraria como produto de METAL, fato esse que desautoriza meridianamente a sua pretendida classificação naquele CNAE. Ora, o produto de maior relevância da empresa, o CHICOTE, é de conhecimento universal como sendo um produto eminentemente de composição elétrica, jamais como PEÇA OU ACESSÓRIO DE METAL. Em nenhum momento se disse que a empresa fabrica ou fabricou fios ou cabos elétricos, mas que Fl. 435DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 423 27 fabrica sem sombra de dúvidas os CHICOTES de composição predominantemente elétrico Para corroborar o erro do auto enquadramento da empresa na escolha do CNAE, basta tão somente que analisemos a classificação geral e a específica do código do CNAE por ela escolhido. (...) Assim sendo, por mais técnico e idôneo que seja um parecer, este não pode suplantar a norma legal, não tem a competência de mudar aquilo que a lei estabeleceu como classificação de atividades sinônimas. A conclusão da empresa as fls. 473 que assevera "in verbis": "Por fim é importante destacar que o Parecer do IPT analisa as atividades da empresa desde a fundação desta (separação da GM) o que ocorreu em 1999, restando, portanto, comprovada que a atividade da empresa de MONTAGEM MECÂNICA COM USO DE MÃO DE OBRA sempre foi a atividade preponderante da empresa". Tal assertiva por parte da Defendente é incabível sob todos os aspectos, porquanto a montagem de um chicote, que nada mais é do que fabricação de produto acabado de partes e peças eminentemente elétricas, não pode ser considerado como produto acabado de composição METÁLICA, daí errônea e equivocada a auto classificação promovida pela empresa. Para que se chegue a estas óbvias conclusões não é necessário visita aos estabelecimentos da empresa, conforme alega no penúltimo parágrafo das fls. 473 do processo. Isto posto, ratificamos "in totum" os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 FABRICAÇÃO DE MATERIAL ELÉTRICO PARA VEÍCULOS EXCLUSIVE BATERIAS”. (...) Da mesma maneira, vêse com clareza meridiana e insofismável que a quantidade de empregados alocados na fabricação de chicotes CNAE 31.607 Fabricação de Material Elétrico para veículos, exceto baterias (CNAE usado no levantamento de débito, e que representa o CNAE real da empresa, na maioria dos seus estabelecimentos), na amostra acima, representa, 69% dos empregados da empresa, labutam na fabricação de chicotes elétricos, enquanto somente 31% dos empregados não trabalham na atividade de fabricação de chicotes elétricos. No caso em tela, foi aplicado o percentual da atividade preponderante que era de 3%, em razão da legislação então vigente à época, que considerava a alíquota SAT/GILRAT da atividade preponderante da empresa e não do estabelecimento. É Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 28 mister ainda que se diga que no tocante à NFLD nº 37.089.061 2, a mesma se refere a levantamento de SAT/GILRAT Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho relativo ao CNPJ: 00.857.758/001384, e, levandose em conta estritamente a atividade preponderante do estabelecimento seu CNAE – Código Nacional de Atividade Econômica é 34495 cujo SAT/GILRAT Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho é de 2%; entretanto, como já enfatizado, a fiscalização utilizou o critério da atividade preponderante da empresa, em obediência ao princípio da estrita legalidade, então vigente à época. Assim sendo, entendemos ter suprido todas as informações e questionamentos acima suscitados pelo CARF, conseqüentemente, encaminhamos a presente manifestação à apreciação e julgamento daquela Corte Administrativa Observase no Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5, que o código CNAE cadastrado nos sistemas da Receita Federal é o CNAE 31607, o qual corresponde uma alíquota de 3%. Ademais, o lançamento referente à diferença de alíquota SAT/RAT (com valor principal de R$ 24,41) se refere às competências 01/2004 a 11/2004. Acerca da diferença de alíquota SAT/RAT, o Relatório Fiscal às fls. 34, assim expõe a fundamentação da diferença de alíquota SAT/RAT sendo cobrada: 15. Em relação à Filial de Gravataí, foram apresentadas as relações dos beneficiários, e tratavase de empregados da própria Delphi que estavam recebendo o beneficio, motivo pelo qual foram apurados como Salário de Contribuição de Segurados Empregados, cujo débito foi reconhecido pela empresa, e recolhido durante a ação fiscal, excetuandose 1% de SAT/GILRAT, apurado como diferença, uma vez que a empresa recolheu apenas 2%. Desta forma, a AuditoriaFiscal fez o lançamento da diferença de alíquota SAT/GILRAT em função do código CNAE 31607 (corresponde uma alíquota de 3%) que estava cadastrado nos sistemas da Receita Federal do Brasil, vide Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 5. Entretanto, o Relatório Fiscal, às fls. 30 a 41, e Anexos às fls. 42 a 154, não fez prova material de que a atividade preponderante do sujeito passivo de fato se encontrava no Código CNAE 31.607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos exceto Baterias), correspondente ao grau de risco 3, com alíquota de 3%. Por outro lado, nos Anexos à Impugnação, a empresa apresenta cópia autenticada do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, às fls. 198 a 318. Deste modo, a Recorrente apresenta prova técnica na forma de um Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT que constatou, após análise detalhada dos principais estabelecimentos fabris da Delphi, que a atividade preponderante desta última, de forma globalizada, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não a fabricação de pegas elétricas: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 424 29 "As atividades desenvolvidas na fabricação de chicotes elétricos apresentam características que se evidenciam como operações de montagens, (...)." "Com base nas avaliações das atividades acima resumidas, e nas análises realizadas nas documentações e informações recebidas, é parecer do IPT que as operações desenvolvidas pela Delphi Automotive Systems, nas fábricas de Paraisópolis MG, Itabirito MG, Espírito Santo do Pinhal SP, São José dos Pinhais PR, são atividades onde predominam as montagens mecânicas com uso intensivo de mão de obra. Estas atividades preponderantes têm "risco" igual ou menos que as outras atividades de montagem da indústria automotiva que são classificadas com o risco de grau 2." Por outro lado, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 381 a 404, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, de forma a ratificar os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 Fabricação de material elétrico para veículos exclusive baterias”. No entanto, a partir do Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, a Recorrente aduz que, considerando todos os estabelecimentos, possui um total aproximado de 6.900 empregados, sendo que 5.648 trabalham em algum dos quatro estabelecimentos analisados pelo Parecer do IPT e aproximadamente 4.800 empregados da Delphi exercem atividades de montagem, e não de fabricação de materiais elétricos. Desse modo, considerando que 4.800 empregados da Delphi realizam atividade de montagem de chicotes elétricos, e que tal número corresponde a 69,5% de todos os funcionários que trabalham para a empresa, então resta claro que essa é a atividade preponderante da Recorrente. Portanto, em que pese a detalhada e fundamentada Manifestação da AuditoriaFiscal, considero que ter restado comprovado pelo Parecer Técnico nº 10 453 301, de maio/2006, do IPT que a atividade preponderante da Recorrente é a atividade de montagem de chicotes elétricos. (iv) Da correta classificação do CNAE Primeiramente, é importante ressaltar que não existe um cadastro especifico que corresponda 6 exata atividade da empresa, qual seja: a montagem de chicotes elétricos. Sendo assim, é necessário buscar, dentre os cadastros de atividades relacionadas pelo CNAE no Decreto 3.048/99, aquela que mais se aproxima da realidade da empresa. Nesse contexto, não merece ser acolhida a classificação 31607 00, que se encontra na seção D (Indústria de Transformação), Divisão 31 (Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos), Classe 31607 (Fabricação de Material Elétrico para Veículos Exceto Baterias). Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 30 (...) Tanto é inadequada a aplicação da aliquota de 3% à atividade preponderante da empresa que, de acordo com o Decreto 6.042, de 12 de fevereiro de 2007, que revogou o anexo V do Decreto 3.048/99 e trouxe nova relação de atividades preponderantes e correspondentes graus de risco, a própria classificação 3160700 (agora sob o número 29450/00) foi considerada como sendo de risco médio!!! Neste sentido, inexistindo classificação exata quanto à atividade preponderante da empresa, a classificação mais adequada para o presente caso é justamente o CNAE 34495, que compreende a "Fabricação de outras pegas e acessórios para veículos automotores não especificados anteriormente" (ao qual é aplicada a aliquota de 2%)., Nem se diga, como fez o v. acórdão recorrido, que esta subclasse não pode ser aplicada, pois sua nota explicativa informa que não engloba materiais elétricos. Isto porque, conforme amplamente demonstrado (inclusive por meio de Laudo do IPT), a empresa não fabrica materiais elétricos. Analisemos. Diante da conclusão de que a atividade preponderante da Recorrente é a atividade de montagem de chicotes elétricos, resta se determinar qual a classificação adequada do código CNAE para a empresa. A Recorrente argumenta que inexistindo classificação exata quanto à atividade preponderante da empresa, a classificação mais adequada para o presente caso é justamente o CNAE 34.495, que compreende a “Fabricação de peças e acessórios de metal para veículos automotores não classificados em outra classe" (alíquota de 2%) no período objeto deste lançamento, qual seja, 01/2004 a 11/2004. Por outro lado, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou a Manifestação Fiscal acerca da Diligência Fiscal, às fls. 381 a 404, determinada pelo CARF, mantendo na íntegra o lançamento fiscal, de forma a ratificar os termos e conclusões do Relatório Fiscal as fls. 408 a 436 no tocante a classificação da atividade econômica da empresa no CNAE 31.607 Fabricação de material elétrico para veículos exclusive baterias”. Entretanto, o Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, acostado aos autos pelo contribuinte, demonstra que a empresa não fabrica fios, cabos, ou nenhuma espécie de material elétrico, mas faz, tão somente, a montagem de fios já acabados, o seja, montagem de chicotes elétricos. De forma que, conforme o Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, o chicote elétrico é somente um conjunto de fios ou cabos elétricos, entrelaçados e/ou amarrados entre si, que são utilizados para fazer a conexão elétrica de partes especificas dos automóveis, ensejando que a montagem de chicotes elétricos não envolve a fabricação de fios ou cabos elétricos pois a empresa somente monta os fios e cabos elétricos, os quais chegam prontos para a produção, amarrandoos uns aos outros e aos conectores das extremidades. Então, a atividade preponderante do contribuinte amoldase à montagem de fios e cabos elétricos, e não à sua fabricação. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 425 31 Diante do exposto, em que pese a Manifestação Fiscal emanada da Autoridade Fiscal, em função dos argumentos fundamentados emanados das provas técnicas produzidas pela Recorrente, vide Parecer Técnico nº 10 453301, de maio/2006, do IPT, considero correto o enquadramento da Recorrente no código CNAE 34.495 (Fabricação de peças e acessórios de metal para veículos automotores não classificados em outra classe alíquota de 2%), no período objeto deste lançamento, qual seja, 01/2004 a 11/2004. Demais argumentos. Em função do decidido nos tópicos acima, pelo provimento total ao recurso, por falta de objeto, não iremos apreciar os demais argumentos do Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para reconhecer o enquadramento da Recorrente no código CNAE 34.495 (Fabricação de peças e acessórios de metal para veículos automotores não classificados em outra classe alíquota de 2%), no período 01/2004 a 11/2004, com isso excluindose o lançamento referente à diferença de contribuições SAT/GILRAT. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 440DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 32 Voto Vencedor Márcio Henrique Sales Parada Redator designado A par do muito bem traçado voto do ilustre Conselheiro relator, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, divirjo em relação ao ponto nodal da questão de mérito, no seguinte sentido, que discorro a seguir. A questão repousa na diferença de 1% nas alíquotas de recolhimento, como colhese do relatório e voto do relator: ... cujo débito foi reconhecido pela empresa, e recolhido durante a ação fiscal, excetuandose 1% de SAT/GILRAT, apurado como diferença, uma vez que a empresa recolheu apenas 2%.(grifei) Entende a Recorrente que: Ao contrario do sustentado pelo Sr. Fiscal, a atividade preponderante da empresa, considerandose todos os seus estabelecimentos, é a montagem de chicotes elétricos para veículos automotores, e não 'fabricação de material elétrico para veículos, exceto bateria cadastrada no CNAE sob n° 3160 700, a qual está enquadrada no grau de risco máximo (3%). 2.5. É importante destacar a diferenciação entre montagem de chicotes elétricos e fabricação de materiais elétricos. ANEXA: Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas — IPT, que descreve o processo produtivo da Impugnante Conforme restou esclarecido na defesa apresentada, o chicote elétrico é somente um conjunto de fios ou cabos elétricos, entrelaçados e/ou amarrados entre si, que são utilizados para fazer a conexão elétrica de partes especificas dos automóveis (suas luzes de sinalização, cd players, etc.). Tais fios são amarrados uns aos outros, e a extremidade destes cabos recebem conectores. O debate reside não em ser a grande parte da mão de obra empregada na produção de chicotes elétricos para veículos, mas sim se o chicote elétrico é um produto novo, fabricado e de característica elétrica ou se tratase apenas de um produto resultante de operação de montagem, a partir de fios elétricos, "amarrados entre si", com a colocação de conectores nas extremidades. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15760.000003/200884 Acórdão n.º 2202003.155 S2C2T2 Fl. 426 33 Quanto a uma classificação específica no CNAE para chicotes elétricos para veículos, noto convergência de que não há. Transcrevo do voto do Relator: Diante da conclusão de que a atividade preponderante da Recorrente é a atividade de montagem de chicotes elétricos, resta se determinar qual a classificação adequada do código CNAE para a empresa. A Recorrente argumenta que inexistindo classificação exata quanto à atividade preponderante da empresa, a classificação mais adequada para o presente caso é justamente o CNAE 34.495... Em pesquisa no sítio do IBGE, verifico que materiais elétricos para veículos têm tratamento diferenciado, mas vejamos (www.cnae.ibge.gov.br) que o código 27333/00 que trata de fabricação de fios, cabos e condutores elétricos compreende chicotes elétricos, apesar da ressalva "exceto para veículos" e também: A fabricação de fios, cabos, barramentos, cordoalhas e outros condutores elétricos isolados; fios telefônicos; fios coaxiais e fios magnéticos para enrolamento de motores, bobinas, transformadores, etc.e a fabricação de cabos de fibra ótica compostos de fibras recobertas individualmente com material isolante. Ocorre que "Chicote Elétrico" é um conjunto de cabos condutores e conectores para gerenciar o suprimento de energia elétrica e também a transferência de informações dos dispositivos periféricos ao produto final e integrar os sistemas de veículos automotores, máquinas e equipamentos. Chicotes elétricos são complexos e demandam uma grande experiência na mão de obra manual e equipamentos específicos para montagem e atendimento as normas técnicas. Qualidade e funcionalidade são fatores importantes na produção de chicotes elétricos, pois são utilizados em funções de produção e segurança, como controlar os dispositivos de avanço e parada de uma colheitadeira de cana de açúcar, por exemplo. Chamo a atenção para o ponto destacado na informação fiscal sobre a completa descrição do CNAE a que chegou a conclusão do laudo técnico apresentado. Alega o Auditor Fiscal que foi omitida a classificação completa do CNAE 34.495, cuja descrição originária é: FABRICAÇÃO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS DE METAL PARA VEÍCULOS AUTOMORES NÃO CLASSIFICADOS EM OUTRA CLASSE (grifo nosso), dizendo que mesmo que a Recorrente insista em dizer que não fabrica os cabos elétricos que vão formar o chicote, fato é que o chicote não é produto de metal. A análise da RFB considerou desnecessário ir à fábrica. Baseouse, em princípio, na questão do enquadramento "peças de metal". Insta concordar que o chicote feito a partir de uma seqüência ordenada e sistematizada de cabos elétricos, não é uma peça de metal para veículos. Minha divergência em relação ao voto do relator, portanto, se concentra na operação industrial que redunda no objeto "chicote elétrico" e sua independência em relação a uma mera "junção de fios elétricos". Fl. 442DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 34 Pensando na indústria moderna, pouca coisa seria então considerada fabricação, uma vez que a diversificação de atividades faz com que produtos eletrônicos sejam oriundos de uma junção de peças fabricadas previamente. Entretanto, não são uma mera "montagem" de componentes, mas um arranjamento altamente técnico dos mesmos, que resulta em um produto com características próprias e funções complexas e específicas, como são os chicotes elétricos aqui em caso. Enfim, concluo que um chicote elétrico não é um simples emaranhado de fios elétricos, ou uma "montagem", é um produto novo, que surge a partir de uma operação que requer conhecimento e treinamento específico, e aplicação diferenciada dos simples fios que o compõem. Assim, não se "monta" um chicote elétrico, mas se "fabrica" um chicote elétrico para uso em veículos, como demonstram a divisão, categoria, grupo, classe e subclasse da atividade econômica, conforme acima citado, e, indubitavelmente, como já concluiu o Auditor Fiscal, não é uma peça de metal, mas um material elétrico diverso. (cnae.ibge.gov.br/?option=com_cnae&view=atividades&Itemid=6160&chave=chicotes+elétric os+exceto+para+veículos&tipo=cnae&chave=chicotes+elétricos+exceto+para+veículos&versa o_classe=7.0.0&versao_subclasse=, pesquisa em 16/02/2016) Código Descrição CNAE 27333 CHICOTES ELÉTRICOS, EXCETO PARA VEÍCULOS; FABRICAÇÃO DE Dessa feita, entendo que está correta a classificação correspondente ao grau de risco 3, com alíquota de 3%, como feito pela fiscalização. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 443DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por MARCIO HE NRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11080.007425/88-65
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 16 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IPI ESTIMULO A EXPORTAÇÃO,. Influencia dos
instintos importados sob regime de drawback na apuração do valor do incentivou não haverá qualquer redução do premio o valor CIF dos insumos importados representar até 25^ do valor FOB liquido da exportação respectiva,, vedado o cálculo sobre o valor total da GE,, se incluem outros bens;; se o valor CIF dos componentes importados sob drawback representar mais de 25Vv; do valor FOB liquido da expor ta cá o respectiva,, sobre a parcela excedente aos 25% não poderá haver incentivo,, Pedido de reconsideração negado Vistos relatados e discutidos os presentes
Numero da decisão: 201-69.288
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao pedido de reconsideração.
Nome do relator: Selma Santos Salomão Wolszak
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Numero do processo: 10074.721241/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/06/2010
INCLUSÃO NO VALOR ADUANEIRO DE CUSTOS OU GASTOS COM CARGA, DESCARGA E MANUSEIO DE CARGA NO LOCAL DE CHEGADA.
Está na Lei a exigibilidade de se adicionar ao preço da mercadoria no local de embarque os gastos, ou os custos relacionados às atividades de carga, descarga e manuseio imediato da carga no local de chegada no território nacional. Não há exceção para os casos de terminais próprios, ou de exclusividade para os terminais públicos.
MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. CONDIÇÕES PARA SUA APLICAÇÃO.
A multa se aplica mesmo em situações em que não se dá diferença entre o tributo e o devido. A sua aplicação depende da demonstração de que a falta da informação, ou a sua incorreção ou incompletude, poderia afetar a determinação do controle aduaneiro apropriado.
Numero da decisão: 3401-003.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto, sendo que o Conselheiro Rosaldo Trevisan acompanhou pelas conclusões, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, que dava provimento integral. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira declarou sua suspeição e impedimento. Acompanhou o julgamento o Advogado Dr. Breno Kingma, OAB/RJ n.º 120.882.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da SIlva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Está na Lei a exigibilidade de se adicionar ao preço da mercadoria no local de embarque os gastos, ou os custos relacionados às atividades de carga, descarga e manuseio imediato da carga no local de chegada no território nacional. Não há exceção para os casos de terminais próprios, ou de exclusividade para os terminais públicos. MULTA POR DECLARAÇÃO INEXATA. CONDIÇÕES PARA SUA APLICAÇÃO. A multa se aplica mesmo em situações em que não se dá diferença entre o tributo e o devido. A sua aplicação depende da demonstração de que a falta da informação, ou a sua incorreção ou incompletude, poderia afetar a determinação do controle aduaneiro apropriado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto, sendo que o Conselheiro Rosaldo Trevisan acompanhou pelas conclusões, vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, que dava provimento integral. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira declarou sua suspeição e impedimento. Acompanhou o julgamento o Advogado Dr. Breno Kingma, OAB/RJ n.º 120.882. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 12 41 /2 01 4- 90 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da SIlva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo cuida de auto de infração que constitui e exige PIS Importação, COFINS Importação, multa de ofício e juros de mora sobre esses tributos, e, também, a multa (1% sobre o valor aduaneiro) prevista no artigo 84 caput da MP n. 2.15835/2001, c/c § 1º do art. 69 da Lei n. 10.833/2003, para informação inexata prestada em Declaração de Importação. Em procedimento de revisão aduaneira das importações realizadas entre junho de 2010 e abril de 2013, a fiscalização constatou que, nas adições da mercadoria "carvão de coqueira (hulha betuminosa)" NCM 2701.12.00, no campo de ajustes do valor aduaneiro, o importador não informou os valores referentes às atividades de carga, descarga e movimentação (capatazia) no local de chegada proveniente do exterior. Uma parte dessas importações se deu sob o regime de drawback (com tributos suspensos), e outra sob o regime de importação para consumo. A falta da inclusão desses valores reduziu a base de cálculo dos tributos incidentes na importação. A autoridade fiscal autuou apenas as importações sob regime de consumo (excluídas as de Drawback). Tendo em vista que as alíquotas do Imposto de Importação e do IPI vinculado é zero, o tributo devido se restringiu ao PIS e à COFINS. A autoridade fiscal concluiu que a falta dessas informações, que ajustariam o valor aduaneiro infringiu a legislação aduaneira que estabelece a sua obrigatoriedade e implicou em impacto na determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Para a mercadoria em questão, essa penalidade foi aplicada sobre todas as importações, tanto recebidas no regime de drawback, quanto as no regime de importação consumo. Os Respeitáveis Julgadores da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em 24 de setembro de 2014, consideraram improcedente a impugnação e mantiveram integralmente o crédito tributário exigido. O Acórdão n. 16.61.782 ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/06/2010 Importação de "carvão de coqueira (hulha betuminosa)" NCM 2701.12.00. Não inclusão do carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas no valor aduaneiro. A descarga e o manuseio entram no valor aduaneiro, pois são despesas relacionadas ao transporte destinado ao porto ou local de importação. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.721241/201490 Acórdão n.º 3401003.140 S3C4T1 Fl. 3 3 Multa proporcional ao valor aduaneiro procedente. A fiscalização do valor aduaneiro é pressuposto indispensável do controle aduaneiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio do qual traz suas razões por que o auto de infração não pode prosperar. Em resumo: · Há decisão do STJ (REsp n.º 1.239.625, Rel. Min. Benedito Gonçalves, 1ª Turma, DJ de 04/22/2014) afastando a obrigatoriedade da inclusão dos gastos de carga e descarga no porto de chegada. Na palavras do contribuinte: Segundo o STJ, devem ser incluídos no valor aduaneiro apenas as despesas com carga, descaída e manuseio incorridas pelo importador até a chegada do navio no porto alfandegado, o que não inclui as despesas, ainda que da mesma natureza, incorridas já no território nacional, isto é, após a chegada do navio no porto de destino. · A fiscalização pretende tributar a Recorrente com base em analogia, já que tenta equiparar custos de gestão e manutenção das diversas atividades praticadas em terminal portuário próprio (tanto importações, quanto exportações, além das movimentações de bens para uso e consumo, destinados ao ativo fixo etc.) aos gastos com a contratação de carga, descarga e manuseio, que são típicos de portos públicos; · Não existe qualquer previsão normativa que determine a inclusão, no valor aduaneiro dos bens importados por terminal próprio, de custos com depreciação, manutenção de equipamentos, energia elétrica, combustíveis etc; · Como consequência lógica, também não existe qualquer previsão normativa que indique quais custos incorridos com terminal portuário próprio devem ser incluídos no valor aduaneiro dos bens importados desembaraçados por tal terminal; · Ainda nessa esteira, não existe qualquer previsão normativa que discipline o critério de rateio dos custos mensalmente incorridos com terminal próprio, de modo a serem "alocados" ao valor aduaneiro de cada bem importado; e · A apuração do suposto valor aduaneiro, realizada pela fiscalização, incluiu a totalidade dos custos incorridos pela Recorrente na gestão, manutenção e operação do terminal portuário, sem qualquer correlação entre eles e as atividades de carga, descarga e manuseio (foram inseridos, por exemplo, custos com energia elétrica, água, combustíveis, serviços de limpeza e de manutenção de equipamentos etc). · è ináplicável a multa por informação inexata da declaração de importação por que (a) não houve a omissão da informação relativa a gastos com carga/ descarga / e manuseio por que não se incorreu em tais gastos; (b) essas informações não influem na determinação do controle aduaneiro apropriado; ( c) essas informações não afetaram de nenhum modo o controle aduaneiro efetivamente aplciado às importações (considerando que as importações foram submetidas ao canal amarelo, e exame documental, portanto, receberam o controle aduaneiro); (d) o fato não se enquadra na hipótese infracional; (e) a multa é desproporcional (R$ 17.134.152,41, enquanto os tibutos com multa de ofício soma R$ Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 237.264,74). (f) Cita julgados administrativos desconstituíndo a aplicação da multa. (g) a multa tem natureza punitiva e objetivo de coibir fraude, o que não se deu no caso, nem foi aventado pela autoridade fiscal; (h) há falta de lógica da multa ser determinada sobre o valor aduaneiro, e não sobre a diferença no valor aduaneiro resultante da informação inexata (dá exemplos para ilustrar seu argumento). · é ilegítima a aplicação dessa multa sobre as importações submetidas ao regime de drawback, pois a suposta alteração do valor aduaneiro não gerou a obrigação de qualquer recolhimento adicional; · essa multa se apoiou em custo médio mensal rateado por Kg que considerou apenas o peso das mercadorias sob o regime de importação para consumo, sem incluir as de Drawback, mas, ao final, ao calcular o valor da multa, esse rateio multiplicou os pesos das mercadorias do regime Drawback. Portanto o cálculo foi equivocado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da SIlva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Sobre a inclusão dos valores referentes a atividades de cargas, descargas e manuseio de porto próprio. A contribuinte alega, em resumo, que não existe qualquer previsão normativa que indique quais custos incorridos com terminal portuário próprio devem ser incluídos no valor aduaneiro dos bens importados desembaraçados por tal terminal; que determine a inclusão, no valor aduaneiro dos bens importados por terminal próprio, de custos com depreciação, manutenção de equipamentos, energia elétrica, combustíveis etc ; que discipline o critério de rateio dos custos mensalmente incorridos com terminal próprio, de modo a serem "alocados" ao valor aduaneiro de cada bem importado ; em analogia, já que tenta equiparar custos de gestão e manutenção das diversas atividades praticadas em terminal portuário próprio (tanto importações, quanto exportações, além das movimentações de bens para uso e consumo, destinados ao ativo fixo etc.) aos gastos com a contratação de carga, descarga e manuseio, que são típicos de portos públicos A contribuinte, com suas considerações, interpreta ou sugere que as normas aduaneiras fixaram um limite temporal para a inclusão dos gastos em discussão na referida base de cálculo: a chegada ao porto ou local de importação. E que os gastos ocorridos após o atracamento do navio no porto não se incluem no valor aduaneiro, pois a legislação de regência Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.721241/201490 Acórdão n.º 3401003.140 S3C4T1 Fl. 4 5 não permite a inclusão dos gastos com carga, descarga e manuseio até o desembaraço aduaneiro, o que daria azo à inclusão dessas despesas ocorridas no território nacional, mas até a chegada da embarcação no porto, e, além disso, que a lei não faz referência a custo, motivo pelo qual a mencionada IN n° 327/03 é totalmente ilegal, não podendo ser utilizada como parâmetro para validar o lançamento fiscal ora combatido." Pareceme que a razão não socorre a contribuinte neste aspecto. A legislação informa que devem ser adicionadas ao valor aduaneiro as despesas ou os custos de carga e descarga e manuseio imediatos da cargas no local de chegada no território aduaneiro: Regulamento Aduaneiro: Art. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto n° 1.355, de 1994): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e Não há dúvida de que, no porto ou aeroporto de chegada no país de destino, as operações de movimentação da carga dentro da embarcação, as de desembarque dessas cargas de dentro da embarcação e as de movimentação imediata das cargas desembarcadas devem ser consideradas como associadas ao transporte dos bens importados. Estar associada ao transporte não significa que tenham sido realizadas pelo próprio transportador internacional, ou conexas aos frete internacional. Essa condição de estar associada também não depende da INCOTERM adotada ou das cláusulas de frete. A lógica é simples. Na verdade, para ser considerada chegada no porto ou local de desembarque, não basta a embarcação ter ingressado em espaço ou território brasileiro; não basta a embarcação ter chegado ao local de desembarque; não basta ter atracado no local; não basta ter colocado a carga no navio em condições de dele ser retirada. não basta ter levantada a carga do piso da embarcação e levála ao cais. Não basta a atracação da embarcação para que a carga esteja em condições de ser considerada [realmente] entregue no território de destino. São necessárias as providências para: (i) localizar e manusear a carga dentro da embarcação atracada e posicionála pronta para ser retirada de dentro da embarcação. (ii) para alcançar e retirar da embarcação essas cargas para serem depositadas no piso do caís ou espaço imediato e provisório de descarga; (iii) manusear a carga recém retiradas da embarcação para que elas possam ser posicionadas no espaço onde podem ser consideradas definitivamente desembarcadas. Somente então, a mercadoria chegou ao porto ou aeroporto de destino. O corte temporal invocado por alguns não é a atracação da embarcação, mas quando a carga foi completa e efetivamente posta no piso do território em condições de ser movimentada consoante as determinações da autoridade alfandegária e os interesses dos responsáveis pela Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 carga. Este é o sentido da previsão de acrescentar os gastos com carga, descarga e manuseio ao valor aduaneiro, além do custo de seguro e do transporte, "até o porto ou local de importação". No caso em discussão, as despesas ou os custos de descarga e manuseio dessas cargas no escopo imediato desse desembarque (exemplo ilustrativo: movimentação da mercadoria através de esteiras, para conduzir a carga de dentro da embarcação até o silo, local próprio para recepcionar a mercadoria, respeitadas a sua natureza e características de segurança e acondicionamento) devem ser incluídas no valor aduaneiro, independente de quem tenha arcado com esse ônus. A significação da expressão "até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado" não pode ser obtida sem uma compreensão das condições de operação logística do local de chegada e desembarque, face às características do produto importado (ex.: se granel, se carga comum, etc) e do transporte ((a) tipo de embalamento para transporte [ex.: container; pallets, etc]; (b) se se trata de carga consolidada em conhecimento master). A significação dessa expressão não deve ser obtida sem que se leve em conta o conjunto normativo que compõe a legislação que disciplina a matéria. Nesse âmbito, esposo o entendimento exposto pela autoridade de lançamento e mantido pelo Julgadores de 1º piso, que transcrevo a seguir. IV.3) Orientações da Organização Mundial das Aduanas (OMA) A partir da entrada em vigor do Acordo de Valoração Aduaneira, muitas questões passaram a ser suscitadas, tendo em vista a dificuldade na interpretação dos termos utilizados na redação daquele. Começaram a surgir as orientações da Organização Mundial das Aduanas e os países passaram a internalizálas. No Brasil, a mais recente internalização se deu com a Instrução Normativa SRF 318/2003. Especificamente sobre a inclusão das parcelas de carga, descarga e manuseio, a citada IN internalizou o "Comentário 7.1", a saber: "COMENTÁRIO 7.1 TRATAMENTO APLICÁVEL ÀS DESPESAS DE ARMAZENAGEM E DESPESAS CONEXAS NO CONTEXTO DO ARTIGO 1 I. Considerações gerais 1) 0 tratamento aplicável às despesas de armazenagem, para fins de valoração aduaneira, exige que se determine tanto a natureza exata das despesas, como também o lugar e por quem são incorridas. 2) 0 presente comentário parte da suposição de que as transações em questão atendem os requisitos do Artigo 1.1 do Acordo. Caso contrário, o Artigo 1 não poderia ser aplicado, devendo ser utilizado um dos demais métodos previstos no Acordo, observada a ordem hierárquica nele estabelecida. 3) 0 comentário abrange somente a armazenagem propriamente dita e as despesas relacionadas com a movimentação das mercadorias para dentro e para fora do local de armazenagem. Não compreende outras atividades como, por exemplo, limpeza, seleção ou troca de embalagem ou vasilhame que podem ser efetuadas em um armazém ou entreposto. 4) Não há que se fazer distinção alguma entre os locais de armazenamento comuns e os depósitos aduaneiros onde as mercadorias são armazenadas sob controle aduaneiro em locais designados para esse fim, sem que devam ser Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.721241/201490 Acórdão n.º 3401003.140 S3C4T1 Fl. 5 7 pagos os direitos e impostos incidentes na importação. O tratamento aplicável a valoração das despesas de armazenagem é o mesmo em ambos os casos. 5) Em relação a armazenagem, as situações que podem suscitar um problema de valoração são, notadamente, as seguintes: § as mercadorias estão armazenadas no exterior, no momento da venda para exportação para o país de Importação; § as mercadorias são armazenadas no exterior após a sua compra, porém antes da sua exportação para o país de importação; § as mercadorias são armazenadas no país de Importação antes do seu despacho para consumo; § as mercadorias são armazenadas temporariamente por razões inerentes ao seu transporte. 6) O tratamento aplicável as despesas Incorridas nessas situações é examinado nas partes II a V a seguir. 7) Ainda que a lista de situações não seja exaustiva, os exemplos servem para ilustrar os princípios gerais que regem o tratamento aplicável as despesas de armazenagem e despesas conexas. Obviamente, cada caso deverá ser examinado individualmente, tendo em conta as circunstâncias que lhe sejam próprias. II. As mercadorias estão armazenadas no exterior no momento da venda para exportação para o país de importação. III. As mercadorias são armazenadas no exterior após a sua compra, porém antes da sua exportação para o país de importação. IV. As mercadorias são armazenadas no país de importação antes do seu despacho para consumo 14) Exemplo O comprador A, no país de importação I, adquire mercadorias do vendedor B. Na chegada das mercadorias no local de importação, o comprador A as armazena, por conta própria, em um depósito aduaneiro, até o início do seu programa de produção, cujo objetivo é transformar as mercadorias importadas em outros produtos. Decorridos três meses, o comprador A apresenta a declaração de importação para consumo e paga as despesas de armazenagem. 15) A Nota ao Artigo 1 estabelece que o preço efetivamente pago ou a pagar é o pagamento total efetuado ou a efetuar pelo comprador ao vendedor, ou em benefício deste, pelas mercadorias importadas. Dispõe igualmente que os custos das atividades empreendidas pelo comprador, por conta própria, salvo aquelas para as quais deva ser efetuado um ajuste conforme o disposto no Artigo 8, não devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar. 16) As despesas incorridas pelo comprador após a compra não podem ser consideradas como pagamentos efetuados direta ou indiretamente ao vendedor, ou em benefício deste; por conseguinte, não fazem parte do preço efetivamente pago ou a pagar. Por outro lado, estas despesas representam atividades empreendidas pelo comprador, por conta própria; os custos dessas atividades devem ser acrescidos ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas somente quando o Artigo 8 previr um ajuste a esse título. Neste exemplo, não existe disposição alguma a esse respeito e as despesas de armazenagem não fazem parte do valor aduaneiro. V. As mercadorias são armazenadas temporariamente por razões inerentes ao seu transporte 17) Exemplos Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 a) o importador I compra mercadorias exfactory no país de exportação. As despesas de armazenagem são incorridas no local de exportação até a chegada do navio transportador. b) na importação, um intervalo de tempo decorre entre a descarga das mercadorias e a apresentação da declaração de importação. Durante esse período, as mercadorias são armazenadas sob controle aduaneiro, incorrendo, por conseguinte, em despesas de armazenagem. 18) As despesas dessa natureza, decorrentes da armazenagem temporária das mercadorias durante o transporte, devem ser consideradas como custos associados ao transporte das mercadorias. Portanto, devem ser tratadas em conformidade com o disposto no Artigo 8.2 b) do Acordo ou, se incorridas após a importação, conforme a Nota ao Artigo 1 que dispõe iue o custo de transporte após a importação não deve ser incluído no valor 'aduaneiro, desde que esteja destacado do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas." Da leitura do Comentário 7.1, extraise que a Organização Mundial das Aduanas define duas situações de armazenagem de carga no território do país importador: i) a que decorre de uma opção do importador em mantêlas armazenadas dentro de um depósito aduaneiro até que decida promover o despacho para consumo. No caso brasileiro, tratase, por exemplo, do regime de entreposto aduaneiro, em que o importador pode deixar a mercadoria armazenada por até três anos à espera do momento que julgar adequado para fins de despacho para consumo. Tal regime é regulamentado pela IN SRF 241/2002, e o tratamento dos custos de armazenagem consta no item IV do Comentário, não sendo eles incluídos no valor aduaneiro; e ii) a que decorre da necessidade de se descarregarem os bens importados, tendo em vista que o veículo transportador não pode ficar aguardando que cada importador registre a respectiva Declaração de Importação. Neste caso, a descarga e o armazenamento são caracterizados como atividades "temporárias" feitas "durante o transporte". Por isso, devem ser considerados como custos associados ao transporte das mercadorias e incluídos no valor aduaneiro, como indica a primeira parte do item 18 acima. Cabe frisar: conforme o item 18, as despesas de armazenagem ocorrem "durante o transporte" e, portanto, "devem ser consideradas como custos associados ao transporte das mercadorias". Ora, se a armazenagem ocorre "durante o transporte", é claro que a descarga e o manuseio dos bens também são assim caracterizados, já que ocorrem antes da citada armazenagem. E nem se queira invocar a interpretação puramente léxica. Afinal, um tratado internacional deve ser interpretado conforme as regras da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, promulgada no Brasil pelo Decreto 7.030/2009, a qual dispõe (grifos meus): Artigo 31 Regra Geral de Interpretação 1. Um tratado deve ser interpretado de boa fé segundo o sentido comum atribuível aos termos do tratado em seu contexto e à luz de seu objetivo e finalidade. 2. Para os fins de interpretação de um tratado, o contexto compreenderá, além do texto, seu preâmbulo e anexos: a) qualquer acordo relativo ao tratado e feito entre todas as partes em conexão com a conclusão do tratado; b) qualquer instrumento estabelecido por uma ou várias partes em conexão com a conclusão do tratado e aceito pelas outras partes como Instrumento relativo ao tratado. 3. Serão levados em consideração, juntamente com o contexto: a) qualquer acordo posterior entre as partes relativo à interpretação do tratado ou à aplicação de suas disposições; b) qualquer prática seguida posteriormente na aplicação do tratado, pela qual se estabeleça o acordo das partes relativo à sua interpretação; Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.721241/201490 Acórdão n.º 3401003.140 S3C4T1 Fl. 6 9 Considerandose que o Comentário 7.1, ora analisado, é Interpretativo do Acordo de valoração Aduaneira, aplicase o art. 31, § 3, alínea "a". A interpretação dos termos de um acordo internacional independe do uso firmado nas línguas latina, anglosaxônica ou de qualquer outra raiz linguística, mesmo porque cada país poderia interpretar o acordo a seu próprio juízo, desvirtuando o objetivo de harmonização próprio dos tratados internacionais. Sendo assim, é inequívoca e obrigatória a interpretação de que a armazenagem (e, consequentemente, a descarga e o manuseio) faz parte do valor aduaneiro. O Comentário 7.1 inclui no valor aduaneiro as despesas de armazenagem, pois a expressão "até o porto ou local de importação" está vinculada ao transporte e não à carga, descarga e manuseio. A alínea b do artigo 8o não deve ser interpretada como "carga, descarga e manuseio, ocorridos até o porto ou local de importação", mas "carga, descarga e manuseio, associados ao transporte ocorrido até o porto ou local de importação." O que ocorre "até a chegada" é o transporte, não havendo tal limitação à carga, descarga e manuseio. É esse o entendimento na OMA, que acabou por desaguar no Comentário 7.1. Como se vê, não pode permanecer qualquer dúvida de que as atividades de carga, descarga e manuseio imediato da carga no local de chegada do exterior devem ser identificados e computados na determinação do valor aduaneiro. Não faz diferença quem tenha arcado com o ônus dessas atividades (se o importador ou terceiro); não faz diferença quem seja o sujeito que realiza essas atividades (se o o transportador, se o depositário, se a infraestrutura portuária, se o próprio importador). Essa prescrição normativa deve ser de aplicação universal, pois ela está regulando o tratamento aduaneiro para a transposição da fronteira econômica a partir de um acordo internacional inspirado pelo livre comércio e pelo igualdade das condições entre as nações. Para tanto, não tem guarida a interpretação de que somente gastos, em sentido estrito, deveriam ser obrigatoriamente incluídos no valor aduaneiro, enquanto os custos, se as atividades tiverem sido realizadas pelo próprio importador, não deveriam ser incluídos no valor aduaneiro. Estarseia privilegiando uns em detrimento de outros; privilegiarseia os possuidores de terminais em detrimento dos que dependessem dos serviços de terceiros. O vocábulo gastos constante nessa norma quer compreender os dispêndios e os custos decorrentes das atividades de carga, descarga e manuseio. Ela, no contexto do Acordo Internacional, não se circunscreve à noção de despesas, como se pretende. Por exemplo, podemos verificar que no ítem seguinte dessa prescrição legal, há a obrigação de adicionar ao valor aduaneiro os "custos de seguro". Essa expressão não quer se restringir aos custos que o importador teve com as suas providencias internas com seguro; nem quer se referir aos custos da seguradora para prestar serviços. Não há dúvidas de que ele se refere ou ao preço pago à seguradora (despesas para quem pagou) ou aos custos (se o próprio interessado arcou com as providências com seguro) Por essas razões entendo que não pode ser acolhida discussão semântica para o vocábulo "gastos", pretendida por alguns. O sentido da previsão normativa é conferir um tratamento igualitário na determinação do valor aduaneiro. As atividades de carga, descarga e manuseio, realizadas por uma pessoa jurídica, um ente organizacional, demandam recursos diretos e indiretos, que podem ser considerados, através de uma lógica e sistema de controle, ou custos diretos ou custos indiretos. Nesse cômputo entram a gestão, mão de obra, manutenção dos equipamentos, Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 materiais, energia elétrica, água, combustíveis, itens de uso e consumo, aluguel de equipamentos, serviços de limpeza, depreciação, etc. A teoria da contabilidade de custos proporciona diretrizes e inteligência suficientes para lidar com essa diversidade de oferecer condições para a gestão dos custos e para subsidiar a fixação do preço e decidir as margens de retorno. Na ausência dessa contabilidade de custos, perfeitamente plausível que se trabalhe com médias mensais de custos para se aferir os valores relacionados às atividades de carga, descarga e manuseio. Faço notar que ao contribuinte foi solicitado apresentar sua própria apuração dos valores relacionados a essas atividades. Mas apesar de intimado, o contribuinte não trouxe seus cálculos e dados. Sendo assim, nada mais restou à autoridade fiscal que, a partir dos dados gerais obtidos até então, encontrar um modo de calcular os custos que deveriam ser adicionados ao valor aduaneiro. Nesse âmbito, considero correto o entendimento exposto pelos Julgadores de 1º piso para justificar o procedimento da autoridade fiscal que transcrevo. Esse procedimento é possível através do arbitramento, procedimento esse autorizado pelo artigo 148 do Código Tributário Nacional: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (grifo e negrito nossos) Ao não informar os gastos de capatazia no campo da Dl próprio intitulado "acréscimo", o valor da mercadoria ficou incorreto, alterando indevidamente a base de dados da Receita Federal utilizada nas análises estatísticas de comércio exterior e no controle aduaneiro. Com base nessa omissão, a fiscalização se valeu do artigo 148 do Código Tributário Nacional para atender o disposto no artigo 8°, item 2, alínea b) do AVA. Com essas considerações refuto as alegações da contribuinte,principalmente as de que faltaria base em lei, faltaria norma, e faltariam critérios, para calcular e exigir a inclusão no valor aduaneiro dos gastos ou dos custos com as atividades de carga, descarga e manuseio imediatos da carga; ou que elas se aplicariam somente se fossem terminais não próprios. Refuto, ainda, a alegação de que se estaria tributando por analogia. Como vimos, a base da exigência reside em Lei, e a ela concorrem os dispositivos normativos que a disciplinam e esclarecem, todos identificados no auto de infração e no julgado de 1º piso. Com essas considerações exponho o entendimento de que o acordo internacional não autoriza a inclusão de toda e quaisquer despesas ou custos com carga, descarga e manuseio da carga, após sua chegada, mas tão somente aqueles necessários para que Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.721241/201490 Acórdão n.º 3401003.140 S3C4T1 Fl. 7 11 a carga esteja em condições de ser realmente considerada entregue, como já detalhado anteriormente. Por isso, defendo que o entendimento da decisão do STJ no REsp 1.239.625 não se aplica ao caso discutido neste processo administrativo, ao contrário do que alega o contribuinte. Concluo propondo a este Colegiado a legalidade e a correção da exigência fiscal, e o não acolhimento do recurso voluntário quanto a esta matéria. Sobre a inexigibilidade da multa por declaração inexata quando se trata de regime drawback ou não há diferença tributária resultante da informação inexata. O contribuinte argumenta que essa multa não poderia ser aplicada sobre as mercadorias importadas sob o regime de drawback, pois elas estavam com tributação suspensa, e a falta da informação somente alcançou as importações feitas pelo regime de destinação ao consumo em que há recolhimento de tributos.. A meu ver, não procede a alegação da recorrente, por que a hipótese prevista na Lei é de que a multa é aplicável quando a informação omitida ou incorreta ou insuficiente afetar a determinação do controle aduaneiro apropriado. Essa previsão legal não faz qualquer referencia a ser aplicada somente quando houve recolhimento de tributos a menor. O escopo de sua destinação é maior do que somente o tributário. Por isso, proponho o não acolhimento do recurso voluntário neste aspecto. Sobre a desproporcionalidade da multa por declaração inexata. E sobre a ilegalidade da apuração da multa sobre o valor aduaneiro. O contribuinte cita decisões do STF e argumenta: Adicionalmente a todo o exposto, cabe ainda ressaltar a falta de proporcionalidade e razoabilidade na aplicação da multa isolada; Isso porque, conforme já se destacou, a mesma suposta conduta equivocada da Recorrente, que gerou um débito tributário de R$ 237.264,74, já considerada a multa de ofício e a atualização pela SELIC, motivou a aplicação de multa isolada correspondente a R$ 17.134.152,41. Ora, o suposto equívoco alegado pela fiscalização sequer gerou alteração nos procedimentos de controle aduaneiro, além de não ter gerado diferença alguma de tributos a recolher em relação à grande maioria das importações, que se sujeitaram ao regime de drawback. Dessa forma, resta inequívoca a total desproporção entre a suposta conduta da Recorrente, suas conseqüências e a correspondente penalidade aplicada. Argumenta ainda falta lógica a multa ser calculada sobre o valor aduaneiro, e não sobre a diferença de valor aduaneiro resultante da informação inexata. Apresenta exemplos para ilustrar suas considerações. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 Inconteste que a autoridade fiscal agiu consoante a prescrição estabelecida na Lei. A identificação dos fatos e a consequente determinação do quantum devido obedeceu essa prescrição e seguiu os procedimentos também definidos em Lei, abrindo espaço para o exercício da ampla defesa e do contraditório. Não caberia à autoridade fiscal decidir sobre a razoabilidade desses valores ou a razoabilidade do procedimento. De onde infiro que não podem ser acolhidas as argumentações da recorrente de que a autuação possa ser prejudicada em sua gênese por desproporcionalidade ou irrazoabilidade. Ou que houve ilegalidade no procedimento. Proponho a este colegiado não se dar acolhimento ao recurso voluntário nestas alegações e nestes aspectos. Sobre a inadequação entre a tipicidade e o susposto equivoco do contribuinte. sobre o cabimento ou não da multa por declaração inexata ao caso. O contribuinte alega que não houve fraude ou dolo, e que, tendo a multa natureza punitiva destinada a coibir as fraudes , a falta de sua ocorrência (o auto de infração não aponta desta direção) demonstra a inadequação da penalidade ao caso. Cita a exposição de motivos da legislação que criou a pena para fortalecer seus argumentos. Pareceme que a multa em questão não perquire a ocorrência de fraude ou dolo. Basta ler o seu texto para se verificar que a infração estabelece menos requisitos para sua constatação: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) Ill quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributaria, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. O contido na exposição de motivos não tem o condão de trazer ao texto da lei um requisito não escrito. Por isso, entendo que essa alegação da recorrente não pode prosperar. Não falta ao caso a comprovação de fraude ou dolo para sua subsunção à hipótese legal. Entretanto, penso que os fatos fixados na autuação não lograram demonstrar e comprovar que houve prejuízo em termos de se determinar o procedimento de controle aduaneiro apropriado. Vejamos, brevemente, as bases da autoridade fiscal para justificar essa exigência: VIII) DA MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.721241/201490 Acórdão n.º 3401003.140 S3C4T1 Fl. 8 13 Em consequência da omissão da informação referente aos gastos relativos aos serviços de descarga e manuseio dos bens importados, em nenhuma das importações objeto desta fiscalização, no campo "acréscimo" da DI, foram informados os valores "gastos" referentes à descarga e manuseio (capatazia). Tal conduta está em desacordo ao estabelecido na Instrução Normativa n° 680/2006, que disciplina o despacho aduaneiro de importação, estabelecendo que este será processado com base em declaração formulada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), pelo importador. A Norma elenca em seu anexo, as diversas informações que devem ser prestadas na DI, entre elas, estabelece no item 44.2, os "Acréscimos", com indicação no próprio sítio da SRF de utilização do código específico para carga, descarga e manuseio. .... Assim, conforme visto, há campo próprio e específico na DI para informar os gastos com descarga e manuseio (Capatazia). A informação correta destes valores é de extrema importância, já que, conforme anteriormente relatado, há previsão legal para que os gastos relativos à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada ao porto de descarga integrem o valor aduaneiro (art.77, inciso II, do Decreto 6.759/2009); e o valor aduaneiro constitui a base de cálculo do imposto de importação (art.75 do Decreto 6.759/2009). Em que pese o fato de o contribuinte utilizar terminal próprio para desembarque, os custos com descarga e manuseio deveriam integrar o valor aduaneiro. Estes valores deveriam ter sido informados no campo específico da DI, conforme disciplinado pela IN 680/06 já comentada anteriormente. Ao não informar os gastos de capatazia no campo da DI próprio intitulado "acréscimo", o valor da mercadoria ficou incorreto, alterando indevidamente a base de dados da Receita Federal utilizada nas análises estatísticas de comércio exterior e no controle aduaneiro. A correta informação permitiria a realização automática (pelo próprio sistema SISCOMEX) da tarefa de comparação dos preços declarados com os preços constantes da base de dados da Receita Federal, para produtos semelhantes, o que poderia acarretar o direcionamento das declarações de importação para um controle fiscal mais rigoroso, por exemplo, a instauração de um procedimento especial de fiscalização ou a seleção automática das declarações para um canal de conferência (exame documental, conferência física, exame de valor, etc). GRIFOS ACRESCIDOS Primeiramente, entendo que a obrigatoriedade de se prestar o dado não significa automaticamente que ele vai afetar a determinação do procedimento aduaneiro apropriado. O dado pode ser de informação obrigatória, mas não causar o impacto sobre a escolha do procedimento de controle aduaneiro. Ademais, discordo da afirmação da autoridade fiscal que ocorreu informação incorreta. Se fosse o caso de uma informação incorreta, como ela propõe no auto de infração, estaríamos, sim, diante de um fato que poderia ter prejudicado a determinação do procedimento aduaneiro apropriado. Ocorre que estamos diante de uma situação em que não se deu qualquer informação, ou seja, houve omissão de dados. A falta do dado, no campo pré determinado, é uma informação importante para a inteligência do sistema SISCOMEX, e razão suficiente para determinar a adoção de um procedimento de controle apropriado. Se o valor aduaneiro deve ser Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 14 resultante da soma do preço da mercadoria no local do embarque, com o valor despendido com o transporte, com o valor de carga, descarga e manuseio, mais os custos do seguro, a falta de qualquer um deles é motivo suficiente para indicar à autoridade fiscal o exame documental, para que se verifique o correto preenchimento da declaração de importação. Ao contrário do que explicou a autoridade fiscal, a falta de um desses dados geraria um valor aduaneiro que poderia justificar a indicação de exame documental, uma vez cotejado com os dados da base do SISCOMEX para importações comparáveis e em que não houve essa omissão.. Portanto, concluo propondo a este colegiado o afastamento da multa por declaração inexata por que o fato não demonstrou a ocorrência do prejuízo à determinação do procedimento aduaneiro apropriado. Sobre o erro na forma de apuração da multa a partir de um custo médio mensal que não considerou o peso das mercadorias submetidas a drawback. Penso que não se poderia obter um índice de custo médio mensal rateado por Kg sem se incluir todas as mercadorias processadas pelo Terminal. Portanto, não estaria correto não incluir as mercadorias desembaraçadas no regime drawback na apuração desse índice. Ocorre que essa matéria me parece prejudicada face à proposição de desconstituir a multa por declaração inexata pelas razões exposta neste voto. Caso ela não fosse aprovada, entendo que seria o caso de converter o julgamento em diligência para a autoridade fiscal corrigir o erro de cálculo, e incluir na determinação do indice do custo médio mensal por Kg todas as mercadorias processadas no terminal, sem exceção. Conclusão. Proponho dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos desse voto. Conselheiro Eloy Eros da SIlva Nogueira Relator Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10074.721241/201490 Acórdão n.º 3401003.140 S3C4T1 Fl. 9 15 Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 01/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 29/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 13841.000176/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da não-cumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal.
AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA-FÉ.
As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boa-fé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato.
Numero da decisão: 3401-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOAFÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. O direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, afastar, por unanimidade, a preliminar de intempestividade do recurso, levantada de ofício em julgamento; acordam, eles, indeferir por maioria de votos o conhecimento de documentos apresentados pela contribuinte extemporaneamente, vencido o Conselheiro Waltamir Barreiros. No mérito, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 01 76 /2 00 6- 13 Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Este processo se refere a pedido de ressarcimento/declaração de compensação de créditos da Contribuição para o PIS do período de apuração 4° trimestre de 2005, no valor de R$ 246.497,41. A contribuinte atua como comercial exportadora de café. A unidade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou eventuais compensações declaradas com entendimento de que se lhe imporia o disposto no art. 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 (aplicável à Contribuição para o PIS/Pasep por determinação do art. 15, III desta lei)., qual seja, a vedação de apuração de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora. Os julgadores a quo antes de apreciarem a manifestação de inconformidade, requereram diligência, para que a autoridade administrativa "se manifestasse quanto às aquisições promovidas pela interessada, relatando se de fato eram todas compras para comercialização, ou se haviam também compras com fins específicos de exportação, detalhando os valores". Da diligência, desdobrada em auditoria e fiscalização, resultou a constatação "que a requerente apropriouse de créditos "fictos decorrentes da compra de café beneficiado de empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo e região de Manhuaçu MG (Operação Broca), ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: (...)" A autoridade fiscal e a administrativa relatam que a contribuinte operou através "da interposição de empresas fictícias para geração de créditos da nãocumulatividade, que consistia em simular uma aquisição de pessoa jurídica (que gera crédito), quando na realidade tratavase de aquisição de pessoa física (que não gera crédito)." E que constataram que os créditos pretendidos foram gerados a partir de aquisições junto 38 fornecedores com situação de inscrição cadastral no CNPJ incompatível (baixada, inapta ou suspensa por inexistência de fato). Ao final e em síntese, a unidade administrativa de jurisdição recalculou os valores informados pela contribuinte, após glosar os valores creditados relativos às aquisições de produtores rurais e empresas inexistentes de fato (art. 43, § 1°, III, da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011), listadas no item 5 da informação fiscal, demonstrando os valores não aceitos no Anexo I Glosa de crédito. Como resultado, propôs a existência de um crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 121.639,33. Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000176/200613 Acórdão n.º 3401003.041 S3C4T1 Fl. 3 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte contestou apresentando as razões por que pediu a reversão das glosas e das decisões, resumidas a seguir, cujo texto aproveito do relatório do acórdão de 1ª instância pela sua clareza e objetividade: Em sua peça, alegou que o trabalho fiscal concluiu, em claro juízo de valor e com suposições díspares das provas documentais produzidas e reconhecidas pela fiscalização, pela impossibilidade da boafé da contribuinte, e conseqüente glosa de créditos. No entanto, não pode prevalecer o simples entendimento do Auditor Fiscal, baseado em presunções e suposições, sem previsão legal e indevidas. Argumentou nunca ter sido intimada a manifestarse sobre as operações "Broca e Robusta", não podendo agora, dez anos após os pedidos que remontam a 2002, imputar a ela qualquer responsabilidade pela regularidade de empresas alvo dessas operações. Tal procedimento representaria claro cerceamento de defesa. Acrescentou que suas operações com fornecedores foram regulares, amparadas por documentação fiscal hábil, "existem consultas SINTEGRA para uma grande maioria dessas empresas, até porque as declarações de inaptidão desses fornecedores da Costa Café, como relatado nos autos, são, na grande maioria, através de processos dos anos de 2008 e 2009, demonstrando que à época dos negócios com a Requerente, tais empresas encontravamse em situação de regularidade perante o Fisco." O trabalho fiscal teria ainda constatado a existência física das operações, tanto pela remessa e recebimento do café, como pela sua efetiva exportação comprovada por informações do SISCOMEX. Também os comprovantes de pagamento (TED) dariam sustentação às operações. Reclamou estar sendo imensamente prejudicada, por se tratar de adquirente de boa fé, requerendo a aplicação, por analogia, de decisão do STJ em matéria de credito do ICMS, na qual entendeuse que "não pode o contribuinte, adquirente de boafé, de empresa posteriormente declarada inidônea, ser prejudicado com a glosa ou estorno dos créditos". Transcreveu ementa do julgado, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. Aduziu que sua ausência de dolo e desconhecimento da situação dos fornecedores pode ser comprovada, ainda, pelo fato de não ter havido "nenhum benefício financeiro à Recorrente", pois os cafés "sempre foram adquiridos com equivalência de preços"; se houvesse conluio seu, "certamente haveria que existir algum tipo de benefício, como por exemplo, um preço mais vantajoso em relação aos demais e isso não ocorreu." No tocante à aplicação do disposto no art. 43 da Instrução Normativa RFB n° 1.183/2011, a fiscalização teria deixado de observar as disposições de seu § 3°, que autoriza a glosa apenas em relação a documentos fiscais emitidos a partir da data do Ato Declaratório Executivo de inaptidão, e veda a glosa no caso de comprovação do pagamento do preço e do recebimento das mercadorias, o que se deu no seu caso. Ao final, requereu o acolhimento de seus argumentos e o cancelamento das glosas, reiterando as alegações de sua manifestação de inconformidade original, inclusive quanto à correção de seus créditos pela taxa Selic. Solicitou ainda que a Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 homologação das compensações seja realizada considerando suas datas, caso os créditos não sejam atualizados, e não com atualização dos débitos até a data de conclusão do processo. Os julgadores de primeiro piso não acolheram as preliminares postas pela contribuinte pelas seguintes razões: 1. cerceamento de defesa pela falta de clareza na motivação entenderam os julgadores que não procedem as alegações de nulidade, pois: (1º) o texto do despacho decisório não prejudicou, muito menos inviabilizou o direito de defesa da interessada, tanto que ela apresentou seu recurso atacando a motivação do indeferimento de seu pleito. (2º) a descrição dos fatos pela fiscalização foi extremamente minuciosa, e a contestação da contribuinte demonstra que ela compreendeu plenamente as razões das glosas. 2. cerceamento de defesa pela imputação de responsabilidade por irregularidades de outras empresas que a contribuinte não teve oportunidade de conhecer e se manifestar entenderam os julgadores que não houve tal imputação, mas, sim a constatação de que a contribuinte apurou crédito em operações com tais empresas, e que ela estaria tendo oportunidade de se manifestar, tendo em vista que ela procurou utilizar esses créditos. 3. mudança da decisão da autoridade administrativa entenderam que não constitui ilegalidade a mudança apontada: a autoridade com competência delegada para apreciar o pleito teve entendimento distinto das decisões de outra DRF e de seu antecessor no cargo, uma vez que "decisões anteriores de outro órgão da Receita Federal, ou ainda do mesmo órgão, terem sido em sentido diverso à presente, não vinculam decisões subseqüentes, mormente quando se passa a adotar novo entendimento em relação em determinado assunto". No mérito, o colegiado de 1º piso, concluiu que ficou caracterizado e demonstrado que: 1. as aquisições de produtos a que se refere o § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, adquiridos de pessoas físicas, não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, condição necessária para tal creditamento. Glosa esta que a contribuinte não logrou afastar e que acabou por não contestar em seu recurso dirigido à DRJ, passando a ser matéria não impugnada, ou seja, incontroversa. 2. "a contribuinte tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato, que teriam servido apenas para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em operações que, na realidade, não gerariam crédito." 3. há "farto conjunto probatório carreado aos autos demonstra claramente a existência de uma rede de empresas de fachada, cuja única razão de ser era fornecer notas fiscais para amparar tais vendas como se de pessoas jurídicas fossem, num esquema de triangulação perfeitamente demonstrado na informação fiscal. Cabe aqui frisar o que observou a fiscalização, que "neste período não houve nenhum recolhimento de Tributos ou Contribuições efetuados à Receita Federal por parte destas empresas". Assim, os mecanismos da nãocumulatividade das contribuições, que deveriam servir, entre outros, para desonerar as exportações, acabam por se Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000176/200613 Acórdão n.º 3401003.041 S3C4T1 Fl. 4 5 converter em fonte de receitas ilícitas de contribuintes (créditos passíveis de ressarcimento); isto porque, não havendo recolhimento das contribuições, seja pelas pessoas físicas que se utilizaram das empresas de fachada, seja por essas próprias empresas, não haveria tributo a ser desonerado." 4. insustentável a alegação de boa fé pela inexistência de benefício para a contribuinte de tal procedimento por que, na visão dos julgadores, maior benefício não poderia a contribuinte querer "do que um crédito de PIS e Cofins no montante de mais de R$ 9 milhões em dois anos, referentes a tais aquisições". 5. ficou comprovada a inexistência de fato das empresas listadas pela autoridade fiscal em suas glosas, a teor do disposto no art. 41 da mesma Instrução Normativa; 6. "restou comprovado que as aquisições originalmente não foram realizadas das empresas de fachada, por absoluta incapacidade operacional das mesmas, nem sequer é necessário provar que tais compras foram, de fato, de pessoas físicas. Por se tratar de crédito reclamado pela contribuinte, caberia a ela fazer a prova da aquisição junto a pessoas jurídicas." 7. a procedência da decisão administrativa que considerou ilegítimas as notas fiscais emitidas pelas empresas em datas anteriores à de sua decretação como inexistentes de fato, pois, a condição desses "documentos referentes aos créditos do presente processo serem anteriores à expedição dos ADEs, não os tornam legítimos. Isso significa que o contrário à restrição imposta ao § 1°, III desse artigo (impossibilidade de utilização dos documentos considerados inidôneos para apuração de créditos) não é verdadeiro; isto é, não é porque os documentos fiscais não se enquadram no § 3°, I, nem porque houve a comprovação prevista no § 5°, que os créditos devam ser aceitos obrigatoriamente." Entendeu, ainda, o colegiado de 1º piso que não caberia a aplicação dos julgados do STJ indicados pela contribuinte por que suas conclusões não infirmam o entendimento aqui esposado, porquanto têm sempre como premissa a boa fé do adquirente, o que não restou configurada no presente. Negaram, por falta de previsão legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Ao final, consideraram corretas as glosas feitas pelas autoridades fiscais e administrativas e parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório passível de ressarcimento no valor de R$ 121.639,33 e homologar as eventuais compensações declaradas até o limite desse crédito. O Acórdão n.º 1441.156 proferido em 28/03/2013 pela respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto ficou assim ementado: Acórdão 1441.156 4a Turma da DRJ/RPO Sessão de 28 de março de 2013 Interessado Costa Café Comércio Exp Imp Ltda. Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 CNPJ/CPF 54.122.775/000169 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Período de apuração: CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Os créditos presumidos da nãocumulatividade, referentes às aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, são passíveis de apuração apenas pelas pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas em determinados capítulos e códigos da NCM, e que sejam destinados à alimentação humana ou animal. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS "DE FACHADA". CRÉDITOS. BOA FÉ. As aquisições de mercadorias de pessoas jurídicas que não disponham de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, que se reputam inexistentes de fato, só geram direito a crédito quando comprovada a boafé do adquirente. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou cada um dos argumentos referentes ao mérito da lide constante da manifestação de inconformidade, já resumidos anteriormente neste voto. E acrescenta ela, neste recurso voluntário, razão que contesta o entendimento firmado pelo colegiado a quo, in verbis: Vejase que a Fiscalização deixou de observar dois dispositivos [do artigo 43 da IN RFB n. 1.183, de 2011] que, por si só, autorizam a procedência da presente Manifestação de Inconformidade [sic], com a improcedência da "glosa" e a manutenção dos créditos. O § 3° do referido artigo dispõe que os efeitos do caput somente se aplicam a partir da data da publicação do ADE, ou seja, no caso do presente processo, somente poderá ser observada tal disposição, caso seja comprovada a publicação do processo de ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE em relação aos fornecedores cujos créditos foram glosados, se os mesmos tiverem sido publicados anteriormente ao 1° trimestre de 2005, período de apuração dos créditos, o que realmente não aconteceu, os ADE's são de 2009 e 2010. Por outro lado, ainda que houvesse tal declaração, o disposto no § 5° ampara totalmente a manutenção dos créditos em relação a tais fornecedores, uma vez que restou comprovado pela própria Fiscalização, através de provas materiais (documentos solicitados e encaminhados), o pagamento do preço e o recebimento dos bens, não podendo surtir efeitos em relação à Recorrente, a disposição do caput do mencionado Art. 43 da IN 1.183/2011. Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000176/200613 Acórdão n.º 3401003.041 S3C4T1 Fl. 5 7 Neste ponto, argumenta o V. Acórdão, em entendimento equivocado, que o § 4° simplesmente anula os efeitos do mandamento do § 3°, já que diz não legitimar os documentos inidôneos emitidos anteriormente às datas do § 3°. Com efeito, é equivocado o entendimento do N. Julgador, pois o teor do mencionado § 4° diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. A corroborar a intenção do legislador, resguardando a boafé do contribuinte, vem o § 5°, que não deixa dúvidas quanto à não incidência dos efeitos do § 1°, do mesmo art. 43 da IN 1.183/2011, em relação à Recorrente, diante da prova, confirmada pela própria fiscalização, do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Quanto a tal dispositivo, não ousou o Nobre Julgador a fundamentar seu entendimento sobre sua não aplicação, como fez com o disposto no § 3°, I, do Art. 43, da IN 1.183/2011 que disse ter sido afastado pela disposição do § 4°, já que não há como afastar a aplicação do contido no § 5°, diante da comprovação pela própria fiscalização dos seus requisitos. Assim, não devem prevalecer as glosas levadas a efeito pela fiscalização, devendo ser reformado o Acórdão no sentido de afastálas, reconhecendo à recorrente a manutenção do direito de crédito. A contribuinte retoma a solicitação de correção do valor a ser ressarcido, sublinhando que já se passaram mais de 8 anos desde o período de apuração do crédito e que o valor deve ser corrigido para superar tal demora. Aponta jurisprudência. Adiciona pedido ao CARF para que seja disciplinado o conjunto de reflexos da eventual decisão de manutenção das glosas, nos seguintes termos: Por fim, na eventual possibilidade de improcedência do presente Recurso, com a consequente manutenção das "glosas" dos créditos lançadas na manifestação fiscal, imperioso que seus reflexos sejam excluídos dos resultados dos períodos de apuração respectivos. É que tais créditos foram incluídos na apuração do resultado, certamente influenciando no lucro do período e na consequente incidência dos tributos decorrentes dessas receitas, especialmente o IRPJ e CSLL, cujos valores foram objeto de compensação neste mesmo PERDCOMP, sendo que, deverá ser determinada, na apuração de eventual saldo devedor não compensado, por insuficiência de créditos, a exclusão dos reflexos desses créditos glosados na apuração de tais tributos. Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 Este processo ingressou para a apreciação desta turma na sessão de 09 de dezembro de 2015, tendo o relator pronunciado seu voto, mas não houve o julgamento por força de pedido de vistas. Em 22 de dezembro de 2015 a contribuinte trouxe aos autos nova manifestação de informações, para a qual pede que seja conhecida pelos Julgadores deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade (há uma procuração, assinada em 30/09/2008 pelo sócio administrador outorgando poderes para o signatário do recurso representar a contribuinte junto à Delegacia da Receita Federal em Limeira SP, às fls. 207, o que considero suprir a instrução deste recurso voluntário). Preliminares A contribuinte não protesta preliminares em seu recurso voluntário. Percorri com vagar as manifestações da contribuinte e não encontrei, da sua parte, contestação com relação à glosa das aquisições de produtos junto a pessoas físicas que a contribuinte pretendia se enquadrar na hipótese do § 5° do art. 3° da Lei n° 10.833 e § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637. Pareceme correto o entendimento esposado pelas autoridades fiscal e administrativa e pelos julgadores de 1ª instância que as operações em tela não dão direito a crédito para a interessada, na medida em que a contribuinte não produz mercadorias, ela é apenas intermediária para comercializar (confirmado por seu objeto social). Ser produtora é condição necessária para o creditamento previsto nesses dispositivos legais. Concluo que essa glosa, além de procedente, é matéria incontroversa nesses autos. Mérito A informação fiscal que dá os fundamentos das decisões recorridas demonstra que a contribuinte, entre janeiro de 2004 e dezembro de 2005, teve mais de 50% das suas aquisições de cafe proveniente de 38 empresas inexistentes de fato, das quais 29 têm sede na cidade de Munhuaçu (MG) e foram coincidentemente criadas a partir de 2002 (depois da entrada em vigor das Leis de PIS e Cofins Lei 10637/2002 e 10.833/2003). Que, nesses 24 meses, delas teria comprado mais de 34.000.000 kg de café, e despendido mais de R$ 99.000.000,00 (noventa e nove milhões de reais), que justificariam a geração de créditos superior a R$ 9.000.000,00 (nove milhões de reais). Ainda de acordo com esse Termo Fiscal, os dados demonstrariam que as operações desse período implicaram em movimentação financeira superior a R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de reais). Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000176/200613 Acórdão n.º 3401003.041 S3C4T1 Fl. 6 9 Apoiandome nos dados que constam deste processo, pareceme que os montantes sublinhados por esses números superlativos vêm acompanhado do fato que a contribuinte não manteve com essas empresas um ou outro contato eventual, casual, mas uma relação continuada, recorrente, sustentada em uma confiança recíproca e de encontro de interesses. Não se trata, ademais, da história de uma ou outra empresa inexistente de fato, mas de 38 empresas que se tornam importantes fornecedoras basicamente no mesmo período, das quais, a maior parte criada justamente a partir de 2002. Ainda com base nessas informações, podemos ver que essas 38 empresas atuam com as mesmas práticas suspeitas, mas elas não estão acidentalmente localizadas na mesma região, no mesmo período. Elas estão relacionadas entre si também por um elo comum: são todas fornecedoras da mesma empresa, no caso a contribuinte. As práticas dessas empresas inexistentes de fato se articulam e se encontram na contribuinte. Esse quadro recebe substância de dados documentais e de constatações obtidas em diligências. Ele reúne evidências e provas para que se caracterize que houve um modo de agir ao longo de todo esse período, dotado de uma racionalidade e capaz de proporcionar benefício à contribuinte, no caso, o creditamento de PIS e COFINS exportação. E a contribuinte efetivamente solicitou esse benefício, confirmando a materialidade do empreendimento desenhado por esse quadro. O conjunto da descrição desse cenário fragiliza completamente os argumentos da contribuinte ter sido uma compradora que agiu em boa fé. E as argumentações da contribuinte não lograram afirmar a sua boa fé no caso. A meu ver, correto foi entendimento dos julgadores de 1º piso de que a jurisprudência citada pela contribuinte não se aplica ao caso. Essas empresas inexistentes de fato nada recolheram de tributos federais, ou recolheram um parcelas mínima, face os valores movimentados com suas supostas comercializações. Essas empresas não comprovaram capacidade e instalações para as operações e a movimentação das quantidades de café. Não tinham efetivamente um estabelecimento ou uma sede para dar lastro e referência à confiança normalmente encontrada nesse nível de negociação continuada. O café negociado provinha, de fato, de produtores rurais pessoas físicas. A contribuinte não conseguiu desconstituir as evidências e as provas levantadas pela fiscalização, e também não conseguiu desconstituir a conclusão das autoridades fiscal e administrativa, e dos julgadores de primeiro piso, de que a contribuinte "tentou se beneficiar de um esquema fraudulento de aquisição de café de produtores rurais (pessoas físicas), com a intermediação de empresas de fachada, inexistentes de fato", e que elas "teriam servido para fornecer as notas fiscais que dariam suporte ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins." A meu sentir, o direito a creditamento previsto nas Leis 10.637/2002 e n. 10.833/2003 tem como pressuposto que as operações que lhe poderia dar origem devem estar sendo realizadas por pessoas jurídicas existentes de fato e de direito, e não por pessoas inexistentes de fato. Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 A recorrente alega que é equivocado o entendimento dos julgadores que não consideraram capazes de provar a efetividade as notas fiscais emitidas pelas empresas fornecedoras para operações anteriores à declaração de sua inaptidão ou inexistência de fato. No ponto de vista da recorrente, o § 4° do artigo 43 da IN RFB n. 1.183/2011 diz respeito à legitimidade dos documentos do próprio contribuinte declarado inapto e, não, dos efeitos desses documentos em relação ao terceiro interessado, cujo direito vem resguardado pelo § 3°, que delimita a data (da publicação do ADE), para a validade do Caput do Art. 43. E que o § 5° desse artigo define que a não incidência dos efeitos do § 1°, diante da prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens. Art. 43 da IN 1.183/2011: "Art. 43. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta. § 1° Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: I deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), e da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2° Considerase terceiro interessado, para fins deste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3° O disposto neste artigo aplicase em relação aos documentos emitidos: I a partir da data de publicação do ADE a que se refere: a) o art. 38, no caso de pessoa jurídica omissa de declarações e demonstrativos; e b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica não localizada; II desde a data de ocorrência do fato, no caso de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, a que se refere o art. 40. § 4° A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3°. § 5° O disposto no § 1° não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6° A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5° sujeitase ao pagamento do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), na forma do art. 61 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos." (grifamos). Contudo, não esposo o entendimento proposto pela recorrente. Minha leitura desses dispositivos normativos é que o § 4º citado explica que a declaração de inaptidão não Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13841.000176/200613 Acórdão n.º 3401003.041 S3C4T1 Fl. 7 11 implica em legitimidade dos documentos emitidos anteriormente. E esse é o caso em discussão neste processo: as empresas tiveram sua inaptidão declarada em certa data, mas os dados indicam que sua inexistência de fato era anterior a essa declaração de inaptidão. De fato, elas não compareceram à Receita Federal para provar em contrário, nem contestaram o ato declaratório. Diante do quadro conhecido pelas evidências e provas trazidas pela auditoria fiscal, carecem de legitimidade as notas fiscais emitidas em seu nome. A contribuinte não provou que de fato realizou as operações com as empresas glosadas. As notas fiscais e as comprovações de pagamento e de transporte, a meu ver, não conseguem superar as evidências e provas que (a) subtraem totalmente a legitimidade desses documentos e (b) demonstram a centralidade da contribuinte no modo de operação desse grupo de empresas de fachada e não testemunham sua boa fé. Sendo essas empresas inexistentes de fato, as operações não foram realizadas efetivamente com elas. E uma constatação como essa afasta o § 5º deste artigo 43, que beneficiaria o terceiro interessado. Por isso, concluo propondo que seja mantida decisão do colegiado de 1ª instância nesse ponto. Proponho ainda que seja negado, por força do proibitivo legal, o pedido de correção do valor passível de ressarcimento. Registro ainda, consoante decisão firmada pelos Conselheiros, que: (a) não cabe a este órgão colegiado se manifestar sobre o pedido da contribuinte que consta do seu recurso voluntário quanto aos reflexos do IRPJ e do CSLL; (b) não tomar conhecimento da manifestação da contribuinte apresentada em 22/12/2015. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 29/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 29/ 03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 27/03/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001453/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000, 2002, 2003
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE JÁ DECLARADA PELO STF. Receita com deságio obtido na aquisição de créditos fiscais de terceiros, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor do direito adquirido, não se inclui no conceito de faturamento previsto na legislação de regência, conforme definido pelo STF.
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. LANÇAMENTO ORIGINAL.
Deve ser mantido o lançamento original quando constatado que o crédito tributário encontra-se formalizado em dois lançamentos.
Numero da decisão: 3201-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a exigência em relação ao período de apuração de 01/2000 a 12/2000. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Elias Fernandes Eufrásio, que também davam provimento quanto ao período de apuração de 12/2002.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, procurador Andrey José Teffner Fraga OAB/SC 32.747
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Presidente-Substituto.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto - Redator para o voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto (Presidente-substituto), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Elias Fernandes Eufrasio..
Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 454 1 453 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.001453/200531 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.158 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria PIS Recorrente CREMER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2000, 2002, 2003 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE JÁ DECLARADA PELO STF. Receita com deságio obtido na aquisição de créditos fiscais de terceiros, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor do direito adquirido, não se inclui no conceito de faturamento previsto na legislação de regência, conforme definido pelo STF. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. LANÇAMENTO ORIGINAL. Deve ser mantido o lançamento original quando constatado que o crédito tributário encontrase formalizado em dois lançamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a exigência em relação ao período de apuração de 01/2000 a 12/2000. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Elias Fernandes Eufrásio, que também davam provimento quanto ao período de apuração de 12/2002. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Fez sustentação oral, pela Recorrente, procurador Andrey José Teffner Fraga OAB/SC 32.747 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 53 /2 00 5- 31 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 2 Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator para o voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto (Presidentesubstituto), Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Elias Fernandes Eufrasio.. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Por se tratar de processo com retorno de diligência, transcrevo o Relatório constante da Resolução redigida por este CARF (fls. 359 e seguintes): Tratase o presente processo de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (fls. 90/ss), para a cobrança da Contribuição para o PIS, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 908.266,98, em decorrência dos seguintes fatos: (i) ganhos decorrentes da aquisição de créditos fiscais, com deságio, utilizados para amortização de multas e juros incluídos em parcelamento (REFIS), que a empresa deixou de incluir na base de cálculo do PIS; (ii) diferença do PIS apurada entre os valores declarados, em DCTF, e os valores apurados na escrituração fiscal no contribuinte, para os períodos 12/2002, 03/2003 e 04/2003. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis : DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação de Infração (fls. 90/97), constatouse que a mesma adquiriu de terceiros créditos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, sendo que os deságios obtidos nas operações de cessão de crédito não integraram a base de cálculo da contribuição PIS nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998. 2. Ademais, no cotejo entre os valores constantes da Declaração de Créditos e Débitos (DCTF) e os valores Fl. 455DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 455 3 escriturados, a fiscalização constatou que não foram declarados débitos de PIS nos meses de 12/2002, 03/2003 e 04/2003 conforme discriminado às fls. 95/96. 3. Em razão da falta apurada, o sujeito passivo foi cientificado, em 30/06/2005, do seguinte auto de infração: 3.1. Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 98/100): Crédito tributário no valor total de R$ 908.266,98 (novecentos e oito mil, duzentos e sessenta e seis reais e noventa e oito centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora calculados até 31/05/2005, com enquadramento legal descrito às fls. 99/100. DA IMPUGNAÇÃO 4. Inconformada com a referida autuação, a empresa, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 105/120, acompanhada dos documentos de fls. 121/131, alegando em síntese que: 4.1. O auto de infração não deve prosperar. 4.2. O procedimento fiscal contém vícios insanáveis, uma vez que o Mandado de Procedimento fiscal, criado com a finalidade de evitar extrapolações e para atender ao Decreto nº 70.235/1972, não observou os requisitos da Portaria SRF nº 3.007/2001, devendo o auto de infração ser anulado conforme exposto às fls. 105/109. 4.3. A alteração da base de cálculo do PIS determinada pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998 é inconstitucional (fls. 109/112). 4.4. O deságio obtido na aquisição de créditos fiscais e bases negativas de terceiros para amortização de multa e juros incluídos no REFIS não é receita tributável (fls. 112/115). 4.5. No entanto, ainda, que se admitisse a suposta receita, a mesma não poderia ter sido considerada integralmente na data da aquisição dos créditos, tendo em vista o aproveitamento parcelado destes créditos. Só poderia haver tributação de forma diferida pro rata tempore, ou seja, a tributação ocorreria somente nos períodos base em que foram efetivamente aproveitados os créditos (fls. 114/115). 4.6. No tocante aos valores apurados em 12/2002, 03/2003 e 04/2003, houve um lapso na época, não sendo os valores declarados em DCTF, porém, foram informados nas DIPJ e DACON conforme cópias anexas (doc. 03 e 04). Além disso, os valores encontramse parcelados ou compensados de acordo com o exposto às fls. 115/116. 4.7. A falta de informações em DCTF não pode dar origem à obrigação tributária de pagar o tributo quando os Fl. 456DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 4 valores devidos já haviam sido compensados e/ou parcelados. Neste caso, quando muito, caberia uma multa pelo descumprimento de obrigação acessória. 4.8. Não pode prevalecer a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios. Ademais, referida taxa não tem suporte legal e não respeita o limite constitucional de 12% ao ano previsto no art. 192, § 3º da Constituição. Destarte, os juros devem ser reduzidos à alíquota de 1% ao mês (fls. 116/118). 4.9. A multa de 75% é extremamente confiscatória, ilegal e inconstitucional, devendo ser excluída (fls. 118/120). 4.10. Diante do exposto, requer o cancelamento do lançamento e a extinção do crédito tributário. Na hipótese de manutenção, solicita o recálculo a fim de considerar a incidência do tributo proporcional à amortização das parcelas do REFIS. E, de qualquer forma, que sejam excluídas as parcelas relativas à multa e aos juros moratórios, limitando estes últimos em 1% ao mês. 5. É o relatório. devendo o auto de infração ser anulado conforme exposto às fls. 105/109. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo– I, julgou procedente em parte o lançamento efetuado, proferindo o Acórdão 1621.015 (fls. 276/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2000, 2002, 2003 BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei nº 9.718 de 27/11/1998, a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES JUDICIAIS. A Lei nº 9.718/1998 constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro; eventuais decisões do Poder Judiciário acerca do alargamento da base de cálculo do PIS, proferidas incidentalmente, beneficiam apenas as partes das respectivas ações. REFIS. PREJUÍZOS FISCAIS. BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. TERCEIROS. AQUISIÇÃO. DESÁGIO. RECEITA. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 456 5 O deságio, obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL de terceiros para liquidação de multas e juros moratórios no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS, constitui receita que integra a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. FATO GERADOR. O fato gerador da Contribuição para o Programa de Integração PIS ocorre no momento em que a receita é auferida pelo sujeito passivo, independentemente, de quando sejam utilizados os recursos a ela vinculados. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. MULTA DE OFÍCIO. CAPITULAÇÃO LEGAL. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de confisco. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2002, 2003 DIPJ. DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON têm caráter meramente informativo, ou seja, não têm natureza de confissão de dívida, portanto, não constituem o crédito tributário. DCTF. DCOMP. NATUREZA JURÍDICA. Atualmente, os débitos informados espontaneamente em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e/ou em DCOMP Declaração de Compensação constituem confissão de dívida e, portanto, são instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos mesmos. PAES. DÉBITOS. INCLUSÃO. DCTF. OBRIGATORIEDADE. A inclusão de débitos no Parcelamento Especial PAES, instituído pela Lei nº 10.684/2003, passíveis de declaração em DCTF a que o sujeito passivo a ela obrigado se encontrava omisso, somente poderia ser feita por intermédio desta declaração desde que entregue até 28/11/2003. Fl. 458DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 6 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO OBJETO DE DCOMP. Comprovada a formalização de Declaração de Compensação DCOMP antes do início do procedimento de fiscalização, envolvendo os mesmos débitos, afastase o crédito tributário constituído de ofício. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:2000, 2002, 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto nº 70.235/1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento administrativo interno de planejamento e controle da atividade fiscal, não tendo implicação sobre a competência da autoridade fiscal. A eventual falta de emissão ou descumprimento de seus requisitos regulamentares não acarretam a nulidade do lançamento. MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. As normas que regulam o Mandado de Procedimento Fiscal autorizam a fiscalização a levar a efeito as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. A DRJ – São Paulo exonerou a empresa da cobrança de parte dos créditos lançados relativos ao item (ii) diferença do PIS apurada entre os valores declarados, em DCTF, e os valores apurados na escrituração fiscal no contribuinte, por já estarem confessados através de DCOMP, mais especificamente para os períodos 03/2003 e 04/2003, nos seguintes termos: 59. Destarte, constatase que, de fato, os débitos apurados pela fiscalização, no período de 03/2003 e 04/2003, ainda que não declarados em DCTF ou pagos, já haviam sido confessados por meio de DCOMP, sendo, assim, indevido o lançamento fiscal das contribuições relativas a estes fatos geradores (03/2003 e 04/2003). Consequentemente, indevida também as respectivas multas de ofício. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 457 7 A recorrente foi regularmente cientificada do Acórdão em 30/04/2009 (fl. 310). Foi interposto Recurso Voluntário (fls. 311/ss) em 02/06/2009, portanto, tempestivamente. A interessada, reitera argumentos já trazidos na Impugnação, aduzindo, em apertada síntese que: questiona a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS prevista na Lei 9.718/98; afirma que obteve decisão judicial favorável quanto ao alargamento da base de cálculo da contribuição, prevista na Lei 9.718/98, nos autos do RE No. 324.6674 (cópia anexa); no tocante aos valores cobrados (e mantidos pela DRJ São Paulo) relativo ao período 12/2002, reafirma que embora não tenham sido declarados em DCTF, foram informados na DIPJ e na DACON; Por fim, requer o provimento do Recurso Voluntário. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator em 01/10/2010, na forma regimental. É o relatório. Em primeira análise, essa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, houve por bem converter o processo em diligência, nos seguintes termos: Discutese nos autos lançamento relativo ao PIS. Em relação especificamente ao lançamento de PIS da competência de 12/2002, a recorrente informa já haver quitado o referido débito. Entretanto, da análise dos autos, não é possível confirmar esta informação. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se a competência de 12 de 2002 de PIS já está quitada. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Em diligência realizada, a Autoridade Fiscal concluiu: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 8 Concedida vista à Recorrente, essa discordou da conclusão fiscal, reafirmando a quitação integral do valor pertinente à competência de 12/2002. A PGFN também se manifestou, anuindo com a conclusão fiscal. Após, os autos foram remetidos a este CARF e, considerando que o Relator original do feito não mais integra este órgão, foram a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário do contribuinte (fls. 315/320) está adstrito a dois únicos tópicos, quais sejam: (i) "do alargamento da base de cálculo do PIS" e (ii) "valores relativos a 12/2002". Desse modo, passase à análise dos referidos tópicos. Alargamento da base de cálculo do PIS 9.718/98 Defende a Recorrente a ilegitimidade do lançamento fiscal que incluiu na base de cálculo da contribuição ao PIS o "deságio, obtido na aquisição de créditos fiscais de terceiros, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor do direito adquirido", por entender ser esta parcela acréscimo patrimonial e, portanto, receita tributável. Informa que possui provimento judicial favorável ao afastamento do alargamento da base de cálculo do PIS previsto na Lei nº 9.718/98. Muito embora em primeira sessão de julgamento os então integrantes dessa Turma tenham concluído pela necessidade de conversão do feito em diligência, a matéria relativa ao alargamento da base de cálculo foi enfrentada pelo Relator originário, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, nos seguintes termos (fls. 365/367): (i) Alargamento da base de cálculo do PIS, prevista na Lei 9.718/98. Cabimento ou não da incidência da contribuição sobre os ganhos decorrentes da aquisição de créditos fiscais, com deságio, utilizados para amortização de multas e juros incluídos em parcelamento (REFIS). Neste item assiste razão à recorrente. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 458 9 O artigo 62 do Regimento Interno do Carf (Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009), dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 10 Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC nº 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF (cf. Acórdão da 1ª Turma do STJ no REsp nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/2006, rel. Min. Teori Albino Zavascki, publ. in DJU de 15/05/2006, pág. 186). Fl. 463DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 459 11 Como o presente lançamento ocorreu em função da não inclusão na base de cálculo do PIS dos “ganhos” em decorrência de deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros por valor inferior àquele utilizado para liquidação de multas e juros de débitos incluídos no REFIS, entendo, que a presente discussão está inserida no contexto do alargamento da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. No caso concreto em litígio, entendo que não deve incidir contribuição para o PIS sobre os citados “ganhos” em decorrência de deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros, por trataremse de receitas não operacionais, em face da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo pela Lei nº 9.718, de 1998, já declarada pelo Pleno do STF. Ademais, o contribuinte informa que obteve decisão judicial favorável quanto à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição prevista na Lei 9.718/98, nos autos do RE No. 324.6674 (fls 324/340). Com efeito, aliome integralmente às razões de decidir já despendidas pelo Relator originário, tornandoas parte integrante do presente voto, conforme transcrito. Ressalto que o citado artigo 62 do Regimento Interno do CARF aprovado pela já revogada Portaria MF nº 256, de 2009, possui redação similar no atual RICARF aprovado pela Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da Advocacia Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 464DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 12 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, nesse aspecto, voto por acolher o Recurso Voluntário para afastar a indevida inclusão do "deságio obtido na aquisição de créditos fiscais de terceiros, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor do direito adquirido" na base de cálculo da contribuição ao PIS. Valores relativos a 12/2002 É nesse aspecto do Recurso Voluntário que reside a maior controvérsia instaurada no presente processo administrativo e sobre a qual se debruçou a diligência solicitada. Essa Turma julgadora assim se posicionou sobre a necessidade de diligência fiscal: Em relação especificamente ao lançamento de PIS da competência de 12/2002, a recorrente informa já haver quitado o referido débito. Entretanto, da análise dos autos, não é possível confirmar esta informação. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se a competência de 12 de 2002 de PIS já está quitada. Após longo arrazoado acerca de normas procedimentais da Receita Federal do Brasil (fls. 390/399), a Autoridade Preparadora apresentou a seguinte conclusão: Ao longo de todo arrazoado, o que se verifica é que a Autoridade Fiscal se limitou a afirmar, em síntese, que o débito relativo à competência dezembro de 2002, que o contribuinte alega ter quitado diz respeito à novo débito livremente confessado pelo contribuinte, que seria diverso daquele objeto de lançamento de ofício. Vejase: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 460 13 (...) (...) (...) Fl. 466DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 14 Em síntese, pelo raciocínio fiscal, temse a seguinte situação. · O contribuinte foi intimado do início do procedimento fiscal em 06/01/2005 (fl. 3) e, da lavratura do Auto de Infração, em 30/06/2005 (fl. 100). · Nesse Auto de Infração, foi constituído crédito tributário relativo ao PIS, período de apuração dezembro de 2002, no valor principal de R$125.566,97 (fl. 102), do qual o contribuinte foi cientificado em 30 de junho de 2005. · O contribuinte, em 29 de julho de 2005, por meio da DCTF retificadora nº 000.100.2005.22116708, entregue em 29 de julho de 2005, constituiu o valor de R$128.661,16 a título de contribuição ao PIS, período de apuração dezembro de 2002 (item 4 do Relatório Fiscal, fl. 390) Diante desses fatos e datas, entendeu a Fiscalização que o contribuinte, ao declarar, em 29/07/2005, tributo devido em período que já se encontrava sob fiscalização, acabou por constituir novo débito diverso daquele objeto do lançamento de ofício. Assim sendo, o contribuinte ficou na seguinte situação. Relativamente à contribuição PIS devido no período de apuração dezembro de 2002, possui dois lançamentos distintos: (i) lançamento de ofício no valor de R$125.566,97, formalizado por meio do Auto de Infração ora em exame; e (ii) autolançamento no valor de R$128.661,16, constituído por DCTF retificadora transmitida em 29/07/2005. Como, de acordo com o entendimento da Fiscalização, uma vez tendo sido o contribuinte notificado do início do procedimento fiscal e ciente da lavratura do Auto de Infração em 30/06/2002, qualquer novo débito declarado por meio de "autolançamento", relativamente ao período fiscalizado, deve ser entendido como se novo débito fosse. Acrescentase que, de acordo com o resultado da diligência fiscal, o "novo" débito no valor R$128.661,16, constituído por DCTF retificadora transmitida em 29/07/2005, "ao que tudo indica, foram parcelados no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. a, tendo como base legal o artigo 9º da Medida Provisória 303, de 29 de junho de 2006." (fl. 390, item 8). Nesse aspecto, ressai aspecto de fundamental importância para a compreensão dos fatos. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 461 15 O Mandado de Procedimento Fiscal do qual foi cientificado o contribuinte e sua posterior complementação, abrangiam tãosomente o período de 01/2000 a 12/2000, conforme os seguintes documentos acostados aos autos, conforme se verifica dos seguintes documentos acostados aos autos · 06/01/2005 (fl. 3): Contribuinte intimado do MPF relativo do IRPJ, períodos 01/2000 a 12/2000; · 30/06/2005 (fl. 4): Contribuinte intimado do MPF Complementar, alterado para inclusão do PIS e da COFINS, período 01/2000 a 12/2000; Ou seja, durante todo o curso da ação fiscal, em que o contribuinte prontamente apresentou todas as informações, documentos e esclarecimentos solicitados pelo Fisco, acreditou estar sendo fiscalizada apenas no que se refere ao período compreendido entre 01/2000 a 12/2000. Importante destacar que a boafé do contribuinte é clara. Todos os documentos solicitados pela Fiscalização foram apresentados dentro do prazo concedido, sem qualquer pedido de prorrogação e sem que a Fiscalização tenha necessitado reiterar qualquer solicitação. Assim, apenas com a intimação acerca da lavratura do auto de infração, é que foi informado ao contribuinte a existência de débito de PIS apurado em dezembro de 2002, conforme DIPJ e DACON apresentadas pelo próprio contribuinte, sem a respectiva DCTF. E, identificando o equívoco, o contribuinte prontamente promoveu a transmissão da DCTF faltante, de modo a compreender aquele débito que já havia sido declarado em DIPJ e DACON e objeto de lançamento de ofício por meio de Auto de Infração. Com efeito, uma vez existente o lançamento de ofício (Auto de Infração), seria despiciendo o "autolançamento" por meio da DCTF, levado a efeito pelo contribuinte. Todavia, o fato de o contribuinte ter transmitido a DCTF, por evidente erro, não pode, em absoluto, se converter em nova obrigação tributária, sob pena de frontal ofensa ao artigo 142 do CTN. Ademais, admitir a existência de um novo débito de PIS para um mesmo período de apuração já submetido ao lançamento de ofício, seria o mesmo que invalidar o próprio Auto de Infração, pois estarseia também admitindo que aquela base de cálculo apurada pela Fiscalização com base nos registros contábeis e DIPJ e DACON do contribuinte estaria incorreta. A DIPJ e a DACON do contribuinte, ainda que não possam ser consideradas como confissão de dívida, refletem os registros contábeis do contribuinte. E, é cediço, os registros contábeis fazem prova a favor do contribuinte, apenas podendo ser ilididos por meio de provas em sentido contrário, no caso, provas a serem produzidas pela Fiscalização. Desse modo, entendo que a justificativa apresentada na diligência fiscal para fundamentar a manutenção do lançamento fiscal relativamente ao PIS apurado em dezembro de 2002 é superficial e irrazoável, além de atentatória aos preceitos da ampla defesa, contraditório e segurança jurídica. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO 16 Se o contribuinte não foi cientificado de que o período de apuração de dezembro de 2002 também estaria sob fiscalização, não pôde apresentar qualquer esclarecimento ou documentos comprobatórios do seu direito, o que configura flagrante cerceamento ao seu direito de defesa. Não obstante, após surpreendido pelo lançamento de ofício, cuidou de apresentar os devidos esclarecimentos na primeira oportunidade que lhe foi dada, ou seja, quando da apresentação da impugnação ao Auto de Infração. E, tendo assim procedido, seria dever da Autoridade Fiscal analisar os documentos e informações solicitados, inclusive e principalmente no que diz respeito ao fato de o contribuinte, por erro, ter efetuado o "auto lançamento" de um crédito tributário já constituído por meio do lançamento de ofício. Diante do exposto, entendo que, uma vez comprovado que o autolançamento no valor de R$128.661,16, realizado pelo contribuinte por meio da transmissão de DCTF retificadora, nada mais é do que o lançamento em duplicidade do débito no valor de R$125.566,97, formalizado por meio do Auto de Infração com base nos registros contábeis, DIPJ e DACON do contribuinte, e, uma vez admitido pela diligência fiscal, que aquele "novo" débito no valor R$128.661,16, "ao que tudo indica, foram parcelados no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. a, tendo como base legal o artigo 9º da Medida Provisória 303, de 29 de junho de 2006." (fl. 390, item 8), o presente Auto de Infração deve ser cancelado. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, anulando o lançamento fiscal (i) pela impossibilidade manutenção do lançamento relativamente ao período compreendido entre 01/2000 e 12/2000 e (ii) ante a comprovação de pagamento do valor lançado na competência 12/2002. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Inicialmente, esclarecese que a divergência desta turma restringese na definição de, em existindo duplicidade de lançamento, qual o lançamento deve ser cancelado. Entendo, em que pese os argumentos expostos pela nobre relatora, que o presente auto de infração, por ter sido constituído em data anterior à apresentação da DCTF pela recorrente, não pode ser considerado como em duplicidade, posto que, no momento em que o crédito tributário foi constituído, inexistia um prévio lançamento. Se existe algum lançamento a ser cancelado por duplicidade, este é o segundo lançamento, e não o lançamento original. Desta forma, deve se negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a autuação. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 469DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201002.158 S3C2T1 Fl. 462 17 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 12 /05/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS ALBERTO NA SCIMENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 12326.002666/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. PENSÃO DE INTERDITADO.
São isentos os rendimentos percebidos pelo contribuinte a título de pensão temporária estatutária por motivo de incapacidade civil.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ISENÇÃO. PENSÃO DE INTERDITADO. São isentos os rendimentos percebidos pelo contribuinte a título de pensão temporária estatutária por motivo de incapacidade civil. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 26 66 /2 01 0- 99 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada notificação de lançamento de fls. 09/11, relativo a Imposto de Renda de Pessoa Física, anocalendário 2008, para apurar crédito tributário no valor de R$ 260.051,61. Foi constatada omissão de rendimentos das fontes pagadoras: Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 601.430,20 e do Ministério da Justiça no valor de R$33.940,80. Inconformada, a curadora do interessado alega que desde 2000 ele apresentava manifestações compatíveis com a Doença de Parkinson e que a pensão recebida pelo Departamento de Policia Federal não sofre desconto de imposto de renda por conta da isenção por moléstia grave. Ao final, solicita revisão do lançamento, uma vez que os laudos apresentados comprovam o alegado e que faz jus à restituição. Em 10 de outubro de 2011, foi solicitada prioridade na tramitação do processo com base no Estatuto do Idoso (fl. 50). A Turma de Primeira Instância julgou parcialmente procedente a impugnação, com fundamentos de decidir nos excertos abaixo transcritos: 0 lançamento menciona duas fontes pagadoras.Quanto ao valor de R$33.940,80 recebido do Ministério da Justiça verificase de acordo com o comprovante de rendimentos de fl.20 que o interessado recebe pensão temporária desde fevereiro de 2005. Com relação ao valor de R$601.430,20 recebido da Caixa Econômica Federal foram apresentados os documentos de f1.15 que não identificam a natureza dos valores recebidos, portanto não podem ser considerados isentos. Quanto ao segundo requisito, ficou comprovado o acometimento de moléstia grave no ano de 2008, conforme Parecer Médico n°2539 do Ministério da Justiça, assinado por três médicos em 21 de maio de 2009 e Laudo Médico assinado em 27 de abril de 2009 por três médicos da Unidade Docente —Assistencial de Psiquiatria do HUPE/UERJ. A ciência do Acórdão 1337.757 2ª Turma da DRJ/RJ2, ocorreu em 13/07/2013, mediante Aviso de Recebimento AR (fl. 70). Sobreveio recurso voluntário em 24/07/13 (fls. 73/74), acompanhada de documentos (fls.75/102). Em apertada síntese o recorrente (através de curadora), afirma que o valor de R$ 601,430,20 é proveniente da ação que pleiteou direito à pensão de seu pai. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 12326.002666/201099 Acórdão n.º 2301004.662 S2C3T1 Fl. 109 3 No Auto de Infração foram constatadas duas omissões de rendimentos das fontes pagadoras: Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 601.430,20 e do Ministério da Justiça no valor de R$33.940,80. No que tange a segunda omissão, no valor de R$ 33.940,80, recebido do Ministério da Justiça, a DRJ entendeu que se trata de proventos de pensão temporária que o contribuinte recebe desde 2005. Ainda, entendeu a Turma Julgadora que o recorrente é portador de moléstia grave e que, portanto, esses rendimentos de pensão são isentos. Sendo assim, a controvérsia cingese a omissão de rendimentos da Fonte Pagadora Caixa Econômica Federal no valor de R$ 601.430,20, ante a falta de convencimento da Turma Julgadora quando a natureza do valor percebido pelo contribuinte. Tendo em vista que restou reconhecida a existência de moléstia grave isentiva para o contribuinte no ano do fato gerador, demonstrase desnecessária análise quanto a esse ponto. Passo a analisar os documentos acostados pelo recorrente em sua peça recursal. Os documentos trazidos são cópias do processo judicial em que o autor (contribuinte), postulou direito à pensão estatutária deixada por seu pai, Ernesto Pietro de Paula, pagando os atrasados a partir de 20/08/1996, data em que foi decretada sua interdição. Da fl. 88, colaciono dispositivo da sentença na Apelação Cível nº 2001.02.01.0226497. [...] Isto posto, acolhendo os fundamentos do elevado Parecer da Nobre Procuradoria Regional da República, Dra. VALERIA GAUDÊNCIO FERNANDES COHEN, dou provimento ao recurso do Autor, reformando integralmente a r. sentença a quo, para condenar a UNIÃO FEDERAL a habilitar o Autor, em concorrência com sua meiairmã DANUZIA CARLA VELLOSO DE CASTRO PIETRO, a 50% (cinquenta por cento) da pensão estatutária deixada por seu pai, ERNESTO PIETRO DE PAULA, pagandolhe os atrasados a partir de 20 de agosto de 1996, data da sentença que decretou sua interdição, e honorários advocatícios que arbitro em 10 ( dez por cento) na forma do art. 20, § 3º, do CPC do valor do quantum a ser apurado na oportunidade da liquidação do julgado, tudo devidamente corrigido, consoante previsão contida na Lei nº 6.899, de 208/4/81 e Decreto nº 86.649, de 25/11/81, que a regulamentou, aplicandose os índices utilizados no Foro Federal na atualização dos precatórios, acrescidos de juros moratórios de 6% ao ano, a partir da citação. Desta decisão houve interposição de recurso especial pela União Federal e pela meiairmã, não sendo conhecido o da União e conhecido e negado provimento ao da meia irmã Danúzia Carla Velloso de Castro Pietro (fl. 92). Consta às fls. 94/99 os trâmites administrativos necessários para inclusão do contribuinte como beneficiário temporário da pensão e pagamento dos valores atrasados. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 À fl. 101 consta tela do Tribunal Regional Federal da 2º Região, em que contém informações do processo, natureza da despesa, requerente, beneficiário, valor do benefício e demais informações processuais. Por fim, à fl. 102 há um COMPROVANTE DE LEVANTAMENTO JUDICIAL, no valor de R$601.430,20. Resta comprovado, portanto, que o valor R$601.430,20, tratase de proventos de pensão recebidos em atraso a contar de 20 de agosto de 1996, data da sentença que decretou sua interdição e, estando o contribuinte acometido de moléstia grave reconhecida, deve ser cancelado o lançamento por se tratar de rendimentos isentos. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 111DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 14485.000390/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, em virtude do reconhecimento da decadência, nos termos do voto do Relator.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, em virtude do reconhecimento da decadência, nos termos do voto do Relator. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 03 90 /2 00 7- 10 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 14485.000390/200710 Acórdão n.º 2401004.227 S2C4T1 Fl. 681 3 Relatório Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998. Data da lavratura da NFLD: 26/04/2007. Data da Ciência da NFLD: 04/05/2007. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP que julgou procedente o lançamento tributário formalizado mediante a NFLD nº 37.063.9812, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 57/71. De acordo com o Relatório Fiscal, o crédito lançado mediante o vertente Processo Administrativo Fiscal visa a complementar a NFLD n° 35.787.5702, de 17/12/2004, nos termos da DecisãoNotificação n° 21.404.4/547/2006, de 11/09/2006, a fls. 245/289, que excluiu do lançamento aviado na NFLD acima indicada as Contribuições Previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, em razão de a Fiscalização ter utilizado no procedimento de aferição indireta a alíquota de 7,82%, por entender o órgão julgador que a alíquota correta seria 8,00%. Os lançamentos decorreram do arbitramento das contribuições devidas pela empresa Autuada, devidas por solidariedade com o prestador de serviços executados mediante cessão de mão de obra WORK VISION TRABALHO TEMPORÁRIO LTDA, em razão de a empresa tomadora ter deixado de comprovar a correspondente elisão da responsabilidade solidária, nos termos dos parágrafos 3° e 4° do artigo 31 da Lei n° 8.212/91, vigente à época dos fatos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 87/191. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1615.077 13ª Turma da DRJ/sp1, a fls. 329/361, julgando procedente o lançamento, e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 21/07/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 375. A empresa prestadora de serviços foi intimada mediante edital a fl. 377. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 501/631, alegando, dentre outros, a Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/07/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 20/08/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 14485.000390/200710 Acórdão n.º 2401004.227 S2C4T1 Fl. 682 5 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do Fl. 686DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 14485.000390/200710 Acórdão n.º 2401004.227 S2C4T1 Fl. 683 7 art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste subscritor mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. Assim delimitadas as nuances substanciais do lançamento em questão, nesse específico particular, sendo de 01/01/1997 a 31/12/1998 o período de apuração do crédito tributário e tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado na NFLD em debate no dia 04/05/2007, os efeitos o lançamento em tela alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2001, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2001, inclusive, bem como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo ano calendário. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontravam extintas pela decadência todas as obrigações tributárias objeto da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, nos termos do art. 173, I, do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos nas competências do período de apuração, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 14485.000390/200710 Acórdão n.º 2401004.227 S2C4T1 Fl. 684 9 Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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