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Numero do processo: 13888.720916/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Tributa-se como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetendo-se às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente.
AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente.
DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO.
É responsável pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, o sócio administrador que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN - Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o que restou caracterizado pela interposição de pessoa de forma fraudulenta, com a conseqüente ocultação de receitas e inconsistência na escrituração da contribuinte.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502 de 1964.
Numero da decisão: 1401-001.559
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributa-se como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetendo-se às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. É responsável pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, o sócio administrador que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN - Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o que restou caracterizado pela interposição de pessoa de forma fraudulenta, com a conseqüente ocultação de receitas e inconsistência na escrituração da contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502 de 1964.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. É responsável pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, o sócio administrador que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 09 16 /2 01 4- 05 Fl. 4303DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 68 2 de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o que restou caracterizado pela interposição de pessoa de forma fraudulenta, com a conseqüente ocultação de receitas e inconsistência na escrituração da contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 72 da Lei nº 4.502 de 1964. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetendose às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. AUTUAÇÃO REFLEXA: PIS, COFINS, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 4304DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 36049.348, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CuritibaPR. Adoto o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo auto de infração de IRPJ e seus reflexos (fls 3753 a 3791), apurado pelo Lucro Real, referente ao anocalendário 2010, no qual se verificaram os seguintes tributos: (...) 2. Cabe ressaltar que a ação fiscal originou dois processos: um referente a Depósitos Bancários de Origem não Comprovada, de n° 13888.720925/201498 e o presente processo relativo à Omissão de Receita da Atividade, de n° 13888.720916/201405. 3. O Termo de Constatação Fiscal (fls 3703 a 3752) e outros documentos constantes dos autos descrevem fatos que são relatados nos tópicos a seguir. Do Procedimento Fiscal 4. A ação fiscal iniciouse com a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls 0002 a 0004) na data de 10/05/2013, pela via postal, no qual a empresa foi instada a apresentar, no prazo de 20 dias, os seguintes documentos/esclarecimentos: • Livros Diário e Razão (formato ADE Cofis n° 15/2001); • Livro Registro de Apuração do ICMS; Livros Registro de Entradas e Saídas; Atos constitutivos da pessoa jurídica e posteriores alterações; Extratos bancários que deram origem à movimentação financeira no ano calendário 2010 das seguintes instituições financeiras: Banco Itaú S/A, Banco i radesco S/A e Unibanco S/A; Informar e esclarecer a relação entre a empresa e a contribuinte RENATA ^ SOUZA DA SILVA (CPF: 226.664.24804). Após apresentação de pedido para que o prazo fosse prorrogado por mais i5 dias (fl. 0005) e Termo de Reintimação (fls 0014 a 0016), cientificado em 05/06/2013, a fiscalizada apresentou, em 10/06/2013, apenas parte dos documentos. Juntamente com o atendimento parcial, a interessada solicitou mais 20 dias de prazo para a apresentação dos documentos não entregues, quais sejam, os extratos bancários e os esclarecimentos relacionados à Renata Souza da Silva. Fl. 4305DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 70 4 6. Em 20/06/2013, empresa foi cientificada de outro Termo de Reintimação (fls 0027 a 0029), com prazo de cinco dias, para a apresentação dos documentos faltantes (extratos bancários e esclarecimentos relacionados à Renata Souza da Silva). No vencimento do prazo dado em tal termo (25/06/2013), a fiscalizada apresentou novo pedido de prorrogação de prazo (fl. 0030). A referida prorrogação, de acordo com Termo de Ciência e Prosseguimento da Ação Fiscal (ciência em 01/07/2013 fls 0031 a 0032), foi considerada pela autoridade fiscal da seguinte forma: (i) em relação aos extratos bancários a prorrogação foi condicionada à apresentação de documento que comprovasse a solicitação dos mesmos junto aos bancos; e (ii) em relação aos esclarecimentos relacionados à Renata Souza da Silva a autoridade fiscal entendeu que não havia necessidade de prorrogação do prazo. Ademais, a empresa foi alertada da possibilidade de que, caso a intimação não fosse atendida, seria lavrada RMF Requisição para Informação sobre Movimentação Financeira nos termos da Lei Complementar n° 105/2001. 7. Como resposta, a contribuinte informou, através de expediente de 11/07/2013 (fl. 0033), que os extratos bancários foram solicitados verbalmente junto às instituições financeiras e que não localizou os documentos necessários para o envio das informações solicitadas. 8. Desse modo, diante da não apresentação dos extratos bancários por parte da empresa e tendo passado quase dois meses da primeira intimação (10/05/2013), a fiscalização lavrou as seguintes RMFs: 08.1.25.002013000200 referente ao Banco Bradesco S/A, 01.1.25.002013000196 referente ao Unibanco S/A e 08.1.25.002013000188 relativa ao Banco Itaú S/A (vide folhas 0068 a 0079). 9. Enquanto isso, durante a análise dos documentos até então apresentados pela interessada, a autoridade fiscal lavrou Termo de Constatação e Intimação (com ciência em 07/08/2013 fls 0034 e 0036), no qual foi constatado que os livros apresentados não estavam assinados pelo sócio responsável e nem registrados no órgão competente (Livro Registro de Apuração do ICMS, Livro Registro de Entradas e Livro Registro de Saídas). Para sanar tais irregularidades foi dado prazo de 10 dias. 10. Em 19/09/2013 a empresa foi cientificada de Termo de Intimação (fl. 0035 e 0037), no qual autoriza a retirada dos livros fiscais para regularização (que ocorreu em 30/09/2013 fl. 0039 e 0040) e intima a contribuinte a apresentar, no prazo de 10 dias, as notas fiscais de saída do anocalendário de 2010. Ao vencer o prazo do referido termo, a contribuinte apresentou solicitação (fl. 0042) para que as notas fiscais fossem entregues juntamente com os livros fiscais regularizados. Entretanto, afirma a autoridade fiscal que a contribuinte não atendeu ao referido termo. 11. Continuando com a ação fiscal, após diligência ao domicílio tributário da empresa, ocorrida em 17/10/2013, na qual constatouse que as atividades desenvolvidas pela mesma não ocorriam no local designado, a contribuinte foi contatada e em 24/10/2013 a autoridade fiscal foi recebida pelo seu advogado, Sr. Massuro Saito, que prestou poucos esclarecimentos sobre a atividade da empresa. Na ocasião, a empresa foi cientificada do Termo de Constatação e Intimação (fl. 0043), a prestar esclarecimentos sobre as operações comerciais da empresa (logística, armazenagem, etc). 12. Juntamente com o referido termo, a interessada foi intimada a apresentar esclarecimentos e documentos relativos às transações efetuadas com a AMBEV, notas fiscais de entrada relacionadas com tal empresa e nota fiscal de Fl. 4306DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 71 5 entrada n° 3765 da empresa Porto Feliz (fl. 0044). Como resposta a contribuinte apresenta expediente em 04/11/2013 (fls 0045 a 0046), no qual confirma sua localização e atividade (conforme contrato social e CNPJ) e diz que administrava resíduos industriais da AMBEV e que não localizou a nota fiscal n° 3765 da empresa Porto Feliz. No mesmo documento, solicita prorrogação de prazo (30 dias) para a entrega dos documentos e esclarecimentos objeto do Termo de Constatação e Intimação. 13. Posteriormente, a fiscalizada foi cientificada em 06/11/2013 de novo Termo de Constatação e Intimação (fls 0047 a 0049), o qual foi dado o prazo de 10 dias para a mesma apresentar os seguintes documentos/esclarecimentos: • Esclarecimentos sobre as operações comerciais da empresa (logística, armazenagem, etc); • Esclarecimentos e documentos sobre as transações comerciais com a empresa AMBEV; • Notas fiscais de entrada relacionados à AMBEV; • Nota fiscal de entrada n° 3765 referente à empresa Porto Feliz S/A; • Extratos bancários de Unibanco, Itaú e Bradesco; • Esclarecimentos sobre a relação da empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda e Renata Souza da Silva; • Notas fiscais de saída do ano de 2010. 14. Como resposta, a empresa entregou em 15/11/2013 expediente (fls 0050 a 0051) no qual solicita 30 dias de prorrogação de prazo para o atendimento do Termo de Constatação e Intimação. Além disso, informa que, em relação aos extratos bancários, aguarda posição das instituições financeiras e que não encontrou nenhuma relação com a pessoa de Renata Souza da Silva. 15. Na seqüência, em 18/12/2013, foi lavrado Termo de Continuidade da Ação Fiscal (fls 0056 a 0057), o qual, após três tentativas de entrega por parte dos Correios, retornou à autoridade fiscal com a indicação de "AUSENTE" como motivo da devolução. 16. Em 23/01/2014, foi emitido Termo de Intimação (fls 0058 a 0061), no qual a contribuinte é instada a apresentar, no prazo de 20 dias, documentos que comprovem os valores listados em planilha anexa ao referido termo. Da mesma forma que o termo anterior, este também retornou à fiscalização com a indicação de "AUSENTE" como motivo da devolução. Entretanto, em mais uma tentativa, a fiscalização logrou êxito e cientificou a empresa do Termo de Intimação em 27/02/2014 (fl. 0062). 17. Dias antes do vencimento do prazo dado na intimação de 27/02/2014, a interessada apresentou expediente (fl. 0063), em 18/03/2014, no qual solicita prorrogação do prazo para a apresentação dos documentos em 15 dias. 18. Tendo em vista o não atendimento da intimação, a fiscalização lavrou, em 21/03/2014, mais um Termo de Reintimação (fls 0064 a 0065), no qual a empresa é instada a apresentar, no prazo de cinco dias, documentos que comprovem Fl. 4307DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 72 6 os valores listados em planilha anexa ao Termo de Intimação emitido em 23/01/2014. Mais uma vez, não foi possível cientificar a interessada, pois, este termo também retornou à fiscalização com a indicação de "AUSENTE" como motivo da devolução. No entanto, em 07/04/2014, foi possível fazer a entrega do referido termo, conforme o Aviso de Recebimento de folha 0067. Independentemente desse episódio, a contribuinte protocolizou expediente (fl. 0066), em 02/04/2014, solicitando mais 20 dias de prazo para o atendimento da intimação em questão. 19. Por fim, em 16/04/2014, a interessada foi cientificada do Auto de Infração de IRPJ e seus reflexos (fls 3753 a 3791). Das Informações do Contrato Social 20. À época dos fatos, objeto de análise pela fiscalização, o quadro social da empresa era o seguinte: Roque Helio Bello Junior (CPF: 042.652.01814), com 47.500 quotas (95%) e Marcos Antonio Rainha (CPF:062.914.12829), com 2.500 quotas (5%). 21. Em 30/03/2012 ocorreu a saída do sócio Roque Helio Bello Junior e a entrada de João José Moretti (CPF: 028.010.46850), o qual ficou com a participação do sócio anterior, ou seja, 47.500 quotas (95%). 22. Outra alteração foi a de que o sócio Marcos Antonio Rainha, apesar de possuir apenas 5% das quotas da sociedade, passou a assinar isoladamente pela empresa no que tange a demissão de empregados, cheques, duplicatas, demandas perante repartição pública federal etc (fl. 0009). Da Relação com Renata Souza da Silva 23. Por meio de verificações efetuadas nos sistemas internos da RFB, foi constatado que a contribuinte RENATA SOUZA DA SILVA (CPF: 226.664.248 04) teve, no anocalendário de 2010, uma movimentação bancária superior ao declarado em DIRPF. 24. Tal constatação levou à abertura de procedimento fiscal (MPF: 08.1.25.00201300029) para a verificação da origem dos recursos. Em 24/01/2013, a Sra Renata teve ciência do referido procedimento pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls 3301 a 3302), na qual a mesma é instada a apresentar os extratos bancários junto ao Banco Bradesco S/A e documentos que comprovassem a origem dos recursos decorrentes da movimentação bancária, sendo lhe dado o prazo de 20 dias para tanto. 25. Pouco antes do fim do prazo para atendimento do termo, a Sra Renata protocolizou requerimento (fl. 3303) solicitando prorrogação do referido prazo em mais 20 dias. 26. Passado também o prazo da prorrogação, a autoridade fiscal lavrou Termo de Reintimação (fls 3304 a 3305), com ciência da Sra Renata em 04/03/2013, o qual reforça e dá novo prazo para o atendimento da intimação anterior. 27. Procedendo da mesma forma, a Sra Renata protocolizou novo expediente (fl. 3306), em 07/03/2013, no qual solicita mais 20 dias de prorrogação de prazo para o atendimento da intimação/reintimação. 28. Entretanto, de acordo com o Termo de Constatação e Ciência (fls 3307 a 3308 ciência em 18/03/2013), a autoridade fiscal não autoriza a prorrogação de prazo e cientifica a Sra Renata de que, em função do não atendimento da intimação, Fl. 4308DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 73 7 foi emitida RMF 08.1.25.002013000064 dirigida ao Banco Bradesco S/A, a fim de o mesmo fornecesse as informações bancárias necessárias para o andamento da ação fiscal. 29. Por fim, em 31/10/2013, a Sra Renata foi cientificada do Termo de Constatação e Intimação (fls 3309 a 3311), no qual informa as seguintes constatações, originadas das informações prestadas pelo Banco Bradesco S/A: • Existência de Procuração Pública, em poder do referido banco, na qual a Sra Renata Souza da Silva dá plenos poderes para movimentação de sua conta corrente junto àquela instituição financeira ao Sr. MARCOS ANTONIO RAINHA (CPF: 062.914.12829) folhas 3312 e 3313; • De acordo com o banco, na data da abertura da conta corrente em questão, a Sra Renata Souza da Silva era empregada da empresa RAINHA E BELLO COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA; • Durante o anocalendário de 2010 ocorreu a entrada de recursos na conta corrente na ordem de R$ 14.000.000,00, sendo que tal valor não foi declarado à RFB; 30. A autoridade fiscal também faz um alerta à Sra Renata de que a omissão de rendimentos é passível de representação ao Ministério Público Federal, pela caracterização de crime por sonegação fiscal ou outros crimes. Além disso, envia como anexos algumas cópias de cheques para sua verificação (fls 3314 a 3318). 31. Com essas constatações, a fiscalização intimou a Sra Renata a prestar os seguintes esclarecimentos: • Qual o motivo para a emissão da procuração pública em nome de MARCOS ANTONIO RAINHA; Qual a origem dos recursos movimentados na conta bancária; Em qual período a interessada trabalhou para a empresa RAINHA E BELLO COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA; 32. Apesar de regularmente intimada, a Sra Renata não se pronunciou. Da Procuração Pública 33. Conforme mencionado no tópico anterior, o Banco Bradesco S/A enviou cópia de Procuração Pública lavrada no 1° Cartório de Notas de Piracicaba (fls 3312 e 3313), ' a qual a contribuinte RENATA SOUZA DA SILVA constitui como procurador o Sr. MARCOS ANTONIO RAINHA (CPF: 062.914.12829) com "... os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de representala junto ao Banco Bradesco S/A, agência 24317, e aí livremente movimentar a conta corrente sob n° 227870; podendo depositar dinheiro e proceder suas retiradas, mediante recibos e cheques, solicitar saldos, extratos de contas e talões de cheques, retirar talões de cheques, cheques devolvidos, cartões magnéticos e respectiva senha, cadastrar e ou alterar senhas, emitir, endossar e sacar cheques, autorizar débitos..." etc. 34. A fim de esclarecer a relação entre a Sra Renata Souza da Silva e o Sr. Marcos Antonio Rainha, foi aberto procedimento de diligência para este último, o Fl. 4309DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 74 8 qual teve seu início formalizado pela ciência, em 06/05/2013, do Termo de Diligência Fiscal (fls 0356 a 0357). No referido termo, a fiscalização insta o contribuinte a apresentar documentos e esclarecimentos relativos ao relacionamento da Sra Renata Souza da Silva com a empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda, no prazo de 10 dias. 35. Como o contribuinte não se pronunciou, a autoridade fiscal lavrou novo Termo de Diligência Fiscal (fls 0358 a 0359), com ciência em 05/06/2013, reintimando o mesmo a atender ao termo anterior. 36. Em expediente protocolizado em 01/07/2013, o Sr Marcos informa que "não possui relação jurídica com o contribuinte citado no termo de diligência fiscal, não tendo assim informações ou documentos a apresentar" (fl. 0360). 37. Posteriormente, o contribuinte foi instado a apresentar documentos, esclarecimentos e informações sobre as atividades efetuadas pela empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda, no anocalendário de 2010, com recursos oriundos da conta bancária em nome de Renata Souza da Silva, através de outro Termo de Diligência Fiscal (fls 0364 a 0365), com ciência em 17/10/2013 e no prazo de 10 dias. 38. Como resposta, o Sr. Marcos protocolizou expediente em 11/11/2013 (fl. 0373), no qual o mesmo afirma que "Tal constatação não procede sendo infundada tal afirmação pois a simples verificação entre a assinatura do contribuinte constante na procuração juntada neste procedimento fiscal não tem qualquer semelhança coma que foi emitida nos cheques. Reitera o contribuinte como já informado em sua resposta datada de 01/07/2013 que não possui qualquer relação jurídica com a Sra. Renata Souza da Silva ". 39. Diante das afirmações do diligenciado e considerando que uma procuração pública outorgando plenos poderes para movimentar uma conta bancária pode ser considerada uma relação jurídica comprovada, a fiscalização lavrou novas RMFs (n°s 08.1.25.002013000382 e 08.1.25.002013000579) com o fim de obter os cartões de assinatura da conta corrente da Sra Renata Souza da Silva. Tais requisições foram atendidas pelo banco, conforme documentos de folhas 3697 a 3701, que, conforme entendimento da autoridade fiscal comprovou a total participação do Sr. Marcos Antonio Rainha na movimentação dos recursos da conta corrente da Sra Renata Souza da Silva. Das Informações Bancárias 40. Com as informações bancárias enviadas pelo Banco Bradesco S/A, a fiscalização procedeu a consolidação da movimentação e apurou cerca de R$ 14.000.000,00 em depósitos, os quais foram segregados em dois grupos: IDENTIFICADOS, nos quais no próprio lançamento consta a origem do recurso (nome, CPF, CNPJ) e NÃO IDENTIFICADOS, conforme abaixo: To lai íl<; varres depositados à tiíúilü {por gcupp) NÃO IDENTIFICADOS 11.657.271,27 IDENTIFICADO 2.483.834,10 Total 14.141.105,37 41. Ressaltase que além dos extratos bancários, a instituição financeira enviou um relatório com as informações relacionadas à emissão de ordens de pagamento, DOC, TED e outros documentos assemelhados e também a cópia de tais documentos. Fl. 4310DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 75 9 42. Utilizandose dos referidos relatórios, foi possível à fiscalização identificar um padrão na movimentação dos recursos, o qual foi denominado de "SAQUE NA CONTA SEGUIDO DE UM DEPÓSITO". 43. Tal ação refletese da seguinte forma: no extrato bancário do emitente consta o lançamento "CHEQUE COMPENSADO" e no extrato bancário do destinatário (recebedor) consta o lançamento "DEPÓSITO EM DINHEIRO O PRÓPRIO FAVORECIDO". Com isso, o ingresso de recursos em determinada conta bancária fica sem nenhuma identificação. No presente caso, a fiscalização detectou que o destinatário dos recursos é a conta bancária n° 0016240/P, da agência 2431 do Banco Bradesco S/A, ou seja, a conta bancária da empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. 44. Com essa constatação, a fiscalização lavrou nova RMF, de n° 08.1.25.002013000374), requisitando ao Banco Bradesco S/A copias e relatório de todos os cheques e/ou ordens de pagamento com a identificação do beneficiário, tendo em vista, que a RMF anterior requisitou apenas os documentos referentes à movimentação de valores acima de R$ 50.000,00. Das Diligências Relativas aos Depósitos na Conta da Sra Renata 45. A fim de verificar a origem da movimentação bancária da Sra Renata Souza da Silva, a fiscalização decidiu diligenciar alguns contribuintes que depositaram ou foram destinatários de recursos. 46. Nesse sentido, a empresa Comelit Comércio de Metais do Litoral Ltda (CNPJ: 69.076.164/000107) informou que recebeu uma TED no valor de R$ 120.000,00 da conta bancária de RENATA SOUZA DA SILVA no dia 03/09/2010 referente ao pagamento de vendas ao empresário individual ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA (CNPJ: 74.362.732/000168). Ressaltese que o Sr. Antonio Borges é pai do Sr. Marcos Antonio Rainha. 47. As empresas San Marino Ltda (CNPJ: 07.487.331/000147) e São Conrado Ltda (CNPJ: 07.557.486/000102) informaram que os produtos comprados eram "sucata de PET", tanto as compras de Renata Souza da Silva quanto às de Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. Outrossim, foi informado que uma pessoa de nome RENATA negociava os produtos com as referidas empresas. 48. A pessoa jurídica Polimam Comercial Ltda (CNPJ: 09.542.946/000154) informou que as notas fiscais referentes às compras de Renata Souza da Silva foram extraviadas, entretanto, apresentou as notas fiscais emitidas por Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. 49. A empresa MRM Plast Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda EPP (CNPJ: 08.614.466/000199) informou que os pagamentos eram relativos à quitação de compras de "sucata plástica para reciclagem". 50. Já a empresa Hidraseme Serviços Mecânicos Ltda (CNPJ: 61.240.800/000174) informou que um depósito no valor de R$ 117.000,00 em sua conta foi referente à venda de um equipamento para a empresa Zulmira Achitte Carreira & Filhos Ltda (CNPJ: 57.339.566/000160). Esta por sua vez afirmou que o depósito se referia a compra de material. Fl. 4311DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 76 10 51. Os Srs Roque Helio Bello Junior e Marcos Antonio Rainha, sócios da empresa fiscalizada, também foram diligenciados. O primeiro afirmou que trabalhava na área de "compras externas" e não participava da administração da empresa e em relação ao segundo a diligência está relatada no tópico "Da Procuração Pública". 52. Considerando tais diligências, a autoridade fiscal chegou às seguintes conclusões: (i) os recursos da conta corrente de RENATA SOUZA DA SILVA são originados da comercialização de produtos ligados à sucata; (ii) a empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda teve, em algum momento, ligações com as empresas diligenciadas; (iii) o Sr. Marcos Antonio Rainha, apesar de negar qualquer ligação com Renata Souza da Silva, assinou cheques mediante a utilização de procuração e transferiu recursos para conta bancária da empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. Da Contabilidade 53. No anocalendário 2010 a empresa apurou seus tributos pelo Lucro Real e as informações contábeis foram obtidas através do ECD (Sistema de Escrituração Contábil Digital), tendo sido foco da auditoria a conta 1.1.1.02.0004 Banco Bradesco, em função dos ingressos oriundos da conta bancária, do mesmo banco e agência, da Sra Renata Souza da Silva. 54. Nesse sentido, o registro contábil do ingresso de tais recursos na contabilidade da empresa era como "pagamento de uma venda realizada" e detalhava o lançamento com o número da conta e o nome do cliente, conforme exemplos a seguir: • O cheque no valor de R$ 69.660,00, da conta da Sra Renata Souza da Silva, com assinatura do Sr. Marcos Antonio Rainha, consta no extrato com a seguinte descrição: "CHEQUE DEP CONTA". No mesmo dia, no extrato bancário da empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda, consta um depósito no mesmo valor, com a descrição "DEPOSITO EM DINHEIRO", tendo sido registrado na contabilidade como "S/PAGTO DUPL. N° NF. 1829 CANDIDO MOTTA MR COM. DE PLÁSTICOS LTDA". Da mesma forma, no dia 25/02/2010, o cheque no valor de R$ 70.000,00 originado da conta bancária da Sra Renata Souza da Silva foi depositado como se dinheiro fosse na conta da fiscalizada. Entretanto, o lançamento contábil tem o histórico "S/PAGTO DUPL. NF N ° 1740 E 1743 R.R. METAIS LTDA". Das Diligências Visando Notas Fiscais 55. Foram diligenciadas também algumas empresas, as com maior número de notas fiscais emitidas pela fiscalizada, das quais a autoridade fiscal destacou o seguinte: a empresa Candido Mota MR Comercial de Plásticos Ltda (CNPJ: 10.827.477/000107) apresentou as notas fiscais e afirmou que realizou os pagamentos em cheque; a empresa Coletti Produtos Siderúrgicos Ltda (CNPJ: 04.870.680/000155) apresentou as notas fiscais que foram contabilizadas, mas não apresentadas pela fiscalizada. Já a empresa Porto Feliz Indústria de Papel Ltda (CNPJ: 50.334.614/000340) esclareceu que a nota fiscal solicitada (de n° 3765, de 20/05/2010) foi preenchida de forma equivocada, desse modo, o valor correto da nota fiscal é R$ 9.048,00 e não R$ 904.800,00. 56. Assim, a fiscalização concluiu que a empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda recebia os pagamentos, pelas vendas Fl. 4312DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 77 11 efetuadas, em cheque, mas não depositava em sua conta bancária e sim em local diverso, retornando os recursos conforme sua conveniência. Modus Operandi 57. A fiscalização selecionou débitos acima de R$ 100.000,00 (totalizando R$ 4.561.820,46) da conta da Sra Renata Souza da Silva a fim de exemplificar como a interessada atuava. 58. Como foi descrito anteriormente, a empresa emitia um cheque e o caixa do banco realizada duas operações simultâneas: saque e depósito. 59. Pela análise da fiscalização, foram identificados seis tipos de operações: • Depósito na conta da empresa contabilizado (quando o valor retornava à conta da empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda e era contabilizado); • Depósito na conta da empresa não contabilizado (entrada de recursos na conta da fiscalizada não contabilizada); • Depósitos em outras contas bancárias; • Pagamento de boletos (dinheiro depositado na conta da Sra Renata Souza da Silva aproveitado para a quitação de boletos); • Saque direto em dinheiro; • Pagamentos identificados. Considerando tais operações, a autoridade fiscal segregou os valores Período de 1Apuração Código de Receita Valor Original do Débito . . . Compensado Valor Utilizado do Saldo Negativo para a Compensação DEZ/19 99 2319 275.092,39 221.812,93 JUN/20 00 2319 1.330.267,62 1.003.521,14 Total 1.605.360,01 1.225.334,07 Da Apuração do Crédito Tributário 61. Conforme todos os documentos analisados, ficou caracterizado que a conta bancária mantida em nome de Renata Souza da Silva era utilizada para a movimentação de recursos da empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. 62. Nesse sentido, a fiscalização considerou que todos os recursos que transitaram pela referida conta corrente eram receitas de venda da empresa fiscalizada, porém, como parte dos recursos retornou à empresa e foi contabilizado, a autoridade fiscal atevese aos depósitos que permaneceram na conta bancária da Sra Renata Souza da Silva e não foram incluídos na apuração dos tributos. Fl. 4313DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 78 12 63. Segundo a fiscalização, o objetivo do Sr. Marcos Antonio Rainha, com a utilização de interposição de pessoa, era o de esconder as receitas de sua empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. 64. A interposição de pessoa de forma fraudulenta é todo ato em que uma pessoa, física ou jurídica, aparenta ser o responsável por uma operação ou empreendimento que não realizou, interpondose entre o Fisco e o real beneficiário, para ocultar o sujeito passivo. Dos Depósitos Bancários sem Registro na Contabilidade 65. Através do cruzamento das informações entre o extrato bancário e a contabilidade, foram identificados depósitos que não foram registrados na contabilidade. Regularmente intimada, conforme documentos de folhas 0058 a 0065, a empresa não apresentou nenhum documento que comprovasse a origem dos valores creditados nas contas bancárias, restando assim, caracterizada a hipótese do art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 66. Da mesma forma, em relação à movimentação da conta bancária em nome da Sra Renata Souza da Silva, foram encontrados valores que não foram contabilizados e, Da Qualificação da Multa de Ofício 67. De acordo com a fiscalização, o contribuinte assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir informações à tributação. Ao longo do procedimento fiscal, ficou comprovado que o contribuinte utilizouse de conta bancária de terceiro para movimentar recursos da própria empresa com o objetivo de omitir o total de valores recebidos. 68. Desse modo, tal situação revelou a conduta dolosa com o intuito de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza fraude, nos termos do art. 72 da Lei n° 4.502/64. 69. Com isso, a infração referente à omissão de receitas sujeitase à multa de ofício qualificada, de acordo com o previsto no art. 44, § 1°, da Lei 9.430/1996. Da Sujeição Passiva Solidária 70. A conduta dolosa do contribuinte em omitir receitas através da utilização de conta bancária de terceiro, estranho às operações, revela ações que configuram atos infracionais à lei, enquadrados no art. 135, III, do CTN. 71. Desse modo, entendeu a fiscalização que o sr MARCOS ANTONIO RAINHA é sujeito passivo solidário no presente auto de infração. Da Ciência e Impugnações 72. Em 16/04/2014, pela via postal (fl. 3792), foi dada ciência do auto de infração em questão à empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda, a qual, em 16/05/2014, protocolizou impugnação conforme documento de folhas 3796 a 3841. Fl. 4314DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 79 13 73. Da mesma forma, em 24/04/2014, pela via postal (fl. 3794), foi dada ciência do Termo de Sujeição Passiva Solidária (fl. 3702) ao Sr. Marcos Antonio Rainha, o qual, em 26/05/2014, protocolizou impugnação conforme documento de folhas 3952 a 4030. Impugnação Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda 74. A empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda, após a descrição dos fatos, suscita três hipóteses de nulidade das quais o presente processo padeceria. Nulidade Cerceamento do Direito de Defesa 75. A impugnante alega que a documentação contábil não foi juntada aos autos, impossibilitando o confronto dos valores supostamente omitidos e, com isso, ocasionando o cerceamento do direito de defesa da interessada. • "Aferindo toda documentação juntada aos autos, que supostamente fundamenta as infrações imputadas, verificase que a autoridade fiscal não anexou nenhum dos documentos referentes à contabilidade da Impugnante que foram apresentados no início do MPF, em especial dos livros Diário, Razão, Apuração de ICM, Entradas e Saídas, para fins de exata aferição dos montantes utilizados como base de cálculo para os lançamentos tributários ". • "Em verdade, o que se constata do processo eletrônico, sobretudo do Termo de Constatação Fiscal, é que a fiscalização apresenta diversos valores objeto da movimentação bancária de Renata Souza da Silva que supostamente teriam sido contabilizados pela Impugnante ou não, chegando aos somatórios constantes de fls. 12/13 do termo ". • "Todavia, afora os extratos bancários da Sra. Renata Souza da Silva adquiridos ilicitamente pela fiscalização, não há qualquer outro documento objeto do comparativo adotado pela autoridade administrativa, uma vez que a mesma não anexou sequer a documentação contábil apresentada pela Impugnante no curso do processo, o que inviabiliza qualquer aferição material dos valores apontados nos autos". • "Independentemente das demais alegações que serão abordadas, verificase equívoco crasso praticado pela autoridade fiscal na mensuração de eventuais infrações que entende imputável á Impugnante, em virtude da carência de prova substancial e imprescindível a balizar sua pretensão... " Para dar suporte ao seu entendimento, a interessada transcreve o art. 9° do Decreto n° 70.235/1972. • "No caso dos autos, a autoridade fiscal não se desincumbiu de instruir os autos com provas indispensáveis das infrações deduzidas, o que torna obscura e discricionária a apuração de eventual valor tributável, com evidente cerceamento do direito de defesa da Impugnante e violação expressa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional ".Para complementar suas argumentações, a contribuinte transcreve decisões de DRJ que, segundo ela, vão em direção de seu entendimento. • Ainda sobre o tema, a empresa afirma que "... se faz necessário o cancelamento integral das supostas infrações cometidas, pois destituídas de qualquer amparo probatório, estando portanto, eivadas de vício insanável diante de patente nulidade ". Nulidade Ausência de Intimação para Comprovação dos Depósitos Bancários Fl. 4315DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 80 14 76. Com relação a este assunto, a contribuinte alega que a fiscalização não a intimou a se pronunciar sobre a movimentação bancária em nome de Renata Souza da Silva. • "... verificase que a autoridade administrativa chegou á conclusão de que a titularidade da conta e todos os depósitos realizados seria da Impugnante e não da Sra. Renata Souza da Silva ". • "Tanto é que ao revés de autuar a Sra. Renata com eventual responsabilização solidária/subsidiária da Impugnante, preferiu atribuir responsabilidade exclusiva da mesma na qualidade de sujeita passiva das autuações, com base no §5°, do artigo 42, da Lei 9.430/96". • "Ocorre que se a conclusão foi de que os depósitos da conta em nome da Sra Renata eram TODOS de titularidade da Impugnante, sendo que supostamente parte teria sido contabilizada e outra parte não, a fiscalização deveria têla intimado para os fins exigidos pelo caput do mencionado artigo, ou seja, para eventual comprovação da • "No entanto, a autoridade administrativa em momento algum atendeu a determinação estatuída pelo artigo 42, da Lei n° 9.430/96, que exige a intimação prévia do contribuinte para fins de comparação dos depósitos ocorridos na conta em nome da Sra. Renata Souza, que supostamente seriam de sua titularidade ". • "Em verdade, a Impugnante tão somente tomou conhecimento dos fatos consumados nos presentes autos, com a intimação pessoal das autuações debatidas ". "... importa esclarecer que a única intimação da Impugnante para fins de aprovação de origem dos depósitos foi a de fls. 56/60 dos autos digitais, que estava estritamente vinculada às movimentações de contas de sua titularidade, objeto das autuações decorrentes de "depósitos bancários de origem não comprovada " constantes dos autos do processo administrativo n° 13888.720925/201498, não possuindo qualquer relação com os recursos movimentados na conta da Sra Renata, supostamente de titularidade da Impugnante". • "... tal conduta acarreta a nulidade da exigência pretendida, haja vista inicial violação ao princípio da legalidade, fae ao não atendimento ao dispositivo legal, sem olvidar a carência de aperfeiçoamento da presunção de omissão contida na norma, em virtude de desatenção à condição imperativa e balizadora da presunção legal". • "... para a caracterização do lançamento oriundo da omissão de receita por presunção legal, é indispensável a intimação do contribuinte, antes de qualquer autuação, para que venha a prestar esclarecimentos e/ou comprovar a origem dos depósitos eventualmente apurados pela autoridade, o que não ocorreu no caso em tela". • "... para a presunção de omissão de rendimentos oriunda de créditos em contas bancárias, a lei exige de forma expressa regular intimação prévia do contribuinte, o que não se concretizou na hipótese sob exame, eivando de nulidade todo o lançamento em debate". Fl. 4316DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 81 15 77. Para complementar suas argumentações, a contribuinte transcreve decisões do CARF que, segundo ela, vão na direção de seu entendimento, sendo destacada a Súmula n° 29 do CARF: Súmula CARF n° 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. 78. Finaliza suas alegações da seguinte forma: • "Diante de todos os argumentos e julgados colacionados, por mais esse fundamento, é de rigor asseverar que as autuações combatidas devem ser declaradas insubsistentes, por nulidade inconteste, haja vista carência intimação regular da Impugnante para comprovação da movimentação financeira supostamente de sua titularidade". Nulidade Quebra do Sigilo Bancário 79. Sobre esse assunto, a empresa inicia trazendo conceitos e entendimentos por parte da doutrina e da jurisprudência sobre o que seria o sigilo bancário. Nesse sentido, equipara o sigilo bancário aos direitos previstos nos incisos X (inviolabilidade da intimidade, da vida privada, honra e imagem) e XII (inviolabilidade da correspondência, comunicações telegráficas, dados e comunicações telefônicas) do art. 5° da Constituição da República. 80. Continua sua argumentação no sentido de que: • "... sigilo de dados de operações financeiras nada mais é que um desdobramento dos direitos à privacidade, liberdade, imagem e diversos outros assegurados pela Lei Maior, o que somente pode se levar à violação em casos extremos e com a devida tutela jurisdicional mediante fundamentação plausível, tal como expressamente previsto nos dispositivos citados ". • "Nesse sentido, a fim de resguardar os direitos individuais, a Constituição Federal de 1988 condicionou a quebra de sigilo bancário à prévia autorização judicial e, ainda, quando existirem fundadas suspeitas da existência de eventual delito praticado pelo sujeito da investigação, atribuindose verdadeira hipótese excepcional". • "Dessa forma, não é crível que na esfera administrativa a quebra de sigilo bancário seja adotada indiscriminadamente, sem qualquer fundamento e, nem ao menos atenda aos requisitos impostos ao próprio Poder Judiciário na violação excepcional, o que viola frontalmente direito assegurado da Impugnante, conforme adiante explanado ". 81. Sobre a nulidade propriamente dita, a interessada assevera que a autoridade fiscal realizou o presente lançamento de forma abusiva e discricionária, violando as garantias asseguradas no art. 5°, incisos X e XII da Constituição da República. 82. Dessa forma a empresa entende que: Fl. 4317DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 82 16 • "... todo o embasamento da presente autuação, se balizou na suposta existência de omissão de rendimentos objeto de depósitos bancários em nome da contribuinte Renata Souza da Silva, os quais supostamente seriam de titularidade da Impugnante ". • "Todavia, as informações bancárias que respaldam mencionada aferição pelo fisco, foram obtidas de forma lícita, haja vista que originaram de RMF emitida à instituição financeira, sem o devido processo legal e determinação/autorização judicial para tanto, conforme expressamente exigido no texto da Carta Magna". • "A regra geral da aplicação das garantias constitucionais não permite sua violação por simples ato discricionário do fisco, sob pena de relativização dos direitos conferidos aos cidadãos e renúncia a condição de estado democrático de direito ". • "Nem mesmo o dispositivo no artigo 145, §1°, da Constituição Federal justificaria a quebra indiscriminada do sigilo bancário, sob o pretexto de poder fiscalizatório da Receita Federal". • O "... aludido dispositivo, de fato, reconhece a possibilidade das autoridades fiscais, no âmbito de suas atribuições, identificar o patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte, desde que RESPEITADOS OS DIREITOS INDIVIDUAIS e nos termos da lei ". • "... até mesmo o texto constitucional que assegura o direito da autoridade tributária é expresso ao condicionar à prerrogativa de fiscalização, ao resguardo dos direitos individuais e nos termos da lei, sobretudo no tocante aos preceitos fundamentais contidos na Lei Maior, em especial da inviolabilidade do sigilo sem autorização judicial, preceituado no inciso XII, do artigo 5° ". 83. Após trazer entendimentos de doutrinadores, a empresa afirma que "... em hipótese alguma cabe a autoridade administrativa a solicitação de informações bancárias sigilosas dos contribuintes por ato discricionário, mormente sem autorização jurisdicional, como ocorreu no presente caso ". 84. Alega também que: • "E nem se alegue que a autorização para solicitação de informações às instituições financeiras adveio de expresso dispositivo da conjunção das Leis n°s 8.021/90, 9.311/96 e 10.174/2001 e Lei Complementar n° 105/2001, sob o pretexto do combate à evasão fiscal, uma vez que tais legislações padecem de inconstitucionalidade, por expressa violação às cláusulas pétreas anteriormente citadas". 85. A fim de firmar o convencimento sobre sua posição, a empresa traz mais entendimentos de doutrinadores e mais jurisprudência, entre elas, o Recurso Extraordinário n° 389.808/PR, no qual foi declarada, em decisão plenária do STF, a inconstitucionalidade da violação de dados bancários pela Receita Federal por esta se dar sem a devida autorização judicial. 86. Nesse sentido, a contribuinte assevera também que "... no atual contexto do processo administrativo federal a autoridade administrativa responsável pelos julgamentos é competente para análise das alegações de inconstitucionalidade de normas, quando as mesmas tenham sido declaradas inconstitucionais por decisão Fl. 4318DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 83 17 definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, a teor do inciso I, do §6°, do artigo 26A, do Decreto n° 70.235/72... ". • "Partindo dessa premissa e consoante decisão plenária demonstrada no RE n° 389.808/PR, que extirpou definitivamente a possibilidade de obtenção direta de informações bancárias por parte da Receita Federal, necessário se faz a sua aplicação por parte da autoridade administrativa competente...". 87. Ademais, a empresa menciona o artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, do qual se extrai a possibilidade da apreciação por aquela entidade de julgamento da inconstitucionalidade de normas. 88. E, assim, finaliza seus argumentos: • "Diante de todo o exposto, transparente a conduta abusiva da autoridade administrativa, que lavrou autos de infrações em desfavor da Impugnante (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), com base em documentos adquiridos de forma ilícita, face a violação expressa à Constituição Federal, mais especificamente quanto às garantias asseguradas pelo artigo 5°, incisos X e XII, sendo de rigor o cancelamento das exigências fiscais e todas as suas implicações e consectários ". Da Inexistência de Provas 89. Mais especificamente, neste tópico a interessada pugna pela inexistência de qualquer prova de que a movimentação bancária de Renata Souza da Silva seja de titularidade da impugnante. 90. Nesse sentido, "... por meio de RMF's emitidas ao Banco Bradesco, identificou a existência de uma procuração pública outorgada pela Sra. Renata ao Sr. Marcos Antonio Rainha, que é sócio da empresa Impugnante, com diversos poderes de representação, inclusive para movimentação bancária quando necessário ". • "Em verdade, conforme se verifica de todas as alegações constantes do termo de constatação fiscal, a partir do momento em que a autoridade tomou conhecimento da procuração em favor do sócio da Impugnante, essa já havia tomado seu equivocado posicionamento e conseqüente errônea conclusão que originou as autuações combatidas". • "Isto porque, a fiscalização passou a confrontar as contabilizações da Impugnante, sobretudo dos pagamentos realizados, com as supostas movimentações da conta bancária da Sra. Renata, conjecturando operações matemáticas com o objetivo de assemelhar os valores e atribuir responsabilidade inexistente sobre os recursos ingressados em conta de terceiro". • "Na prática, o auditor responsável pela fiscalização ficou somando pagamentos lançados na contabilidade da Impugnante, para TENTAR alcançar supostas cifras objeto de saque da Sra. Renata, o que, fato que fica evidente quando da análise do "ANEXO 1 " do termo de constatação fiscal". • "... os valores utilizados para consecução das atividades da Impugnante decorreram do seu objeto social e foram devidamente ofertados à tributação. Registrese que a Impugnante não movimentou qualquer quantia na conta de terceiros, incluindo a Sra. Renata". • "Não há como se presumir pela exclusiva coincidência e/ou similitude entre valor e datas, que os valores supostamente sacados da conta da Sra. Renata, Fl. 4319DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 84 18 foram "aproveitados" para os ingressos de recursos e pagamentos realizados no curso das atividades da Impugnante". • "Na realidade, diante da inexistência de qualquer prova concreta de que os valores movimentados pela Sra. Renata seriam de titularidade da Impugnante, a autoridade fiscal buscou fazer uma corelação entre as despesas da empresa e os saques bancários da mencionada contribuinte, sem, no entanto comprovar sequer por indícios a efetiva relação entre essas operações". • "Muito pelo contrário, todas as diligências realizadas no curso do procedimento fiscal apontam para o sentido contrário das conclusões adotadas, uma vez que as empresas (circularizadas) depositantes/pagantes dos valores ingressos na conta bancária da Sra. Renata, afirmaram expressamente a relação com essa pessoa e inexistência de vínculo desta para com a Impugnante". 91. Para ilustrar sua afirmação, a contribuinte cita o resultado das diligências nas empresas Comelit, Hidrasame, MRM Plast, Polimam, São Conrado e San Marino. 92. Assim, a empresa entende que: • "... todas as provas produzidas pela própria autoridade fiscal revelam a total independência nas operações da Sra. Renata em relação às comercializações da Impugnante, sem prejuízo da inexistência de qualquer vínculo entre as mesmas ". • "... na contramão de todos os elementos de prova, com base em presunções subjetivas e ilação equivocada, atribuiu responsabilidade principal à impugnante, haja vista ser supostamente a titular de TODA a movimentação bancária em nome da Sra. Renata, em total descompasso com a legislação sobre o tema". 93. Após transcrever o art. 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, a interessada afirma que "... a regra geral (caput) estatuída é de inverter o ônus probatório ao contribuinte que manteve movimentação bancária em contas de sua titularidade, que deverá apresentar a comprovação da origem dos recursos movimentados com documentação hábil e idônea". • "Na hipótese de carência de apresentação de provas, há uma presunção legal de que tais créditos em contas bancárias figuram como rendimento dos seus titulares, passíveis, portanto, de tributação". 94. Desse modo, a empresa revela seu ponto de vista da seguinte forma: "... para fins de autuação fiscal direta, no formato do §5°, do artigo 42, da Lei 9.430/96, não basta apenas a presunção em favor do fisco na hipótese de carência documental pelo contribuinte, mas exige a conduta ativa da autoridade administrativa na comprovação cabal de que as movimentações bancárias efetivamente pertençam ao terceiro envolvido, fato não corrente no caso em tela". • "Ademais, há necessidade de que a autoridade competente comprove de forma discriminada e individualizada a titularidade do terceiro em relação à movimentação bancária e não em caráter generalizado e discricionário". • "... nos autos em exame, com exceção das presunções arguidas pela autoridade fiscal, não há sequer uma prova efetiva de que os valores movimentados pela Sra. Renata tenham qualquer relação com os rendimentos/receitas da Impugnante ". Fl. 4320DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 85 19 95. Para subsídio de seu entendimento, a impugnante traz jurisprudência administrativa sobre o tema e continua suas alegações no seguinte sentido: • "Ainda, não bastasse a inexistência de prova de vínculo em relação a qualquer dos valores, destacase que a fiscalização, por supostamente ter interpretado haver relação entre a Sra. Renata e a Impugnante, atribuiu responsabilidade direta à mesma quanto à TODA movimentação bancária, sem qualquer discriminação ou individualização ". • "Fato que evidencia ainda mais a conduta arbitrária e ilegal da autoridade fiscal e leva ao descrédito das conclusões, é que além de ter atribuído indiscriminadamente responsabilidade à Impugnante relativa a todos os depósitos bancários em nome da Sra. Renata, asseverou que a integralidade da movimentação bancária se referiu à 'Receita da Atividade', igualmente sem qualquer elemento concreto de prova para tanto ". • "Nesse sentido, uma vez carente de qualquer comprovação concreta pela autoridade fiscal que os valores movimentados na conta da Sra. Renata, de fato pertenciam à Impugnante, ônus imposto ao fisco pelo §5°, do artigo 42, da Lei 9.430/96, demonstrase a >n, ubsistência das autuações combatidas, seja pela ilegitimidade passiva da I .pugnante ou pela ausência de materialidade que sustente as imputações em face da mesma, sendo de rigor a procedência da presente Impugnação e cancelamento das exigências fiscais e todos os demais consectarios decorrentes destas ". Do Afastamento da Multa Qualificada • "Tendo em vista que a qualificação da multa aplicada pela autoridade fiscal decorreu exclusivamente da suposta interposição de pessoa, fato já refutado no transcorrer desta peça, para fins de inexistência de preclusão, a Impugnante insurge se expressamente quanto aos fundamentos adotados na exasperação consumada". • "No caso vertente, não há como se afirmar com elementos de prova a prática dolosa suscitada nos autos, uma vez que o fiscal autuante não sustentou sua tese em qualquer fator concreto, mas tão somente em indícios baseados em 'contexto'". • "Em sendo assim, ausentes quaisquer elementos de prova que autorizem o agravamento da multa de ofício, haja vista total inconsistência dos critérios subjetivos e presunções utilizados pela fiscalização, é de rigor o afastamento da qualificação da multa de ofício". 96. Finalmente a impugnante conclui, requerendo a total procedência da impugnação para que os autos de infração sejam cancelados em função: • Das nulidades relativas ao cerceamento do direito de defesa, pela falta de juntada aos autos dos documentos contábeis; • Das nulidades referentes à falta de intimação da empresa para a comprovação dos depósitos efetuados na conta da Sra Renata; • Da ilicitude das provas obtidas pela violação do sigilo bancário; • Da carência de comprovação de que os valores movimentados na conta da Sra Renata de fato pertenciam à impugnante; e Fl. 4321DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 86 20 • Pela forma "açodada" que procedeu a autoridade fiscal ao apresentar os autos de infração no mesmo dia no qual vencia o prazo para atendimento de intimação; 97. Requer ainda o afastamento da multa qualificada aplicada pela fiscalização, pela ausência de elementos de prova que autorizem o agravamento da referida multa. Impugnação de Marcos Antonio Rainha 98. O contribuinte Marcos Antonio Rainha, após a descrição dos fatos, suscita quatro hipóteses de nulidade, que o presente processo padeceria, das quais três já foram abordadas pela empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. Nulidade Erro de Identificação do Sujeito Passivo 9 9. Entende o impugnante que o presente auto de infração padece de vício insanável de erro na identificação do sujeito passivo. Alega que, em momento algum, foi identificado como parte da ação fiscal. • "A responsabilização pessoal do Impugnante pretendida pelo fisco, consoante artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que constou somente de trecho do termo de constatação fiscal, impõe á autoridade administrativa que se faça constar a identificação passiva do mesmo nos autos de infrações lavrados, haja vista tratarse de redirecionamento da cobrança diretamente em face do suposto devedor pessoal, diferentemente do que ocorre nas responsabilidades subsidiárias e/ou solidárias ". • "Ocorre que, no presente caso, a lavratura dos autos de infrações discutidos fora procedida exclusivamente em face da pessoa jurídica autuada, sem qualquer resquício de informação quanto a eventuais sujeitos passivos responsáveis, o que torna inócua a busca de cobrança em face do Impugnante". 100. Após transcrever os artigos 9°, 10° e 11 do Decreto n° 70.235/72, que diz respeito à formalização do auto de infração ou da notificação de lançamento, à qualificação do autuado ou do notificado, o impugnante assevera que "... verificase com a documentação anexa que o Impugnante foi cientificado de sua autuação como responsável, por meio de 'Termo de sujeição passiva solidária', o qual continha como anexos os autos de infrações lavrados em face da pessoa jurídica autuada". 101. Assim, entende o contribuinte que o "... referido termo não representa nenhuma das hipóteses formais e necessárias de cientificação de sujeito passivo de obrigação tributária, previstas no artigo 9° retro citado, portanto, insuscetível de constituição de crédito tributário, afora o fato de que não contempla sequer os requisitos impostos pelos artigos 10° e 11° do Decreto n° 70.235, tampouco a norma cogente contida no artigo 142 do Código Tributário Nacional". Para corroborar seu entendimento, o interessado transcreve ementa de julgado da DRJ Campinas. 102. Assevera o contribuinte que a responsabilização do mesmo encontrase fundada no artigo 135, inciso III, do CTN, e, "Com base nisso, extraise que ainda que aludido termo tivesse o condão de impor a responsabilização solidária como objetivado pelo fisco, seria imprestável para atribuir responsabilidade pessoal em face do Impugnante, haja vista tratarse de instituto jurídico totalmente diverso da solidariedade prevista nos artigos 124 e 134 do Código Tributário Nacional" . Fl. 4322DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 87 21 • "Ora, se o legislador teve por intenção atribuir distinção entre as hipóteses de responsabilização solidária (arts. 124 e 134 do CTN) e pessoal (artigo 135 do CTN), não cabe á autoridade administrativa desvirtuar os institutos expressamente distinguidos pela norma revestida de legalidade, utilizandose de "Termo de sujeição passiva SOLIDARIA ", para atribuição de responsabilidade PESSOAL em face do Impugnante ". • "Ademais, ainda que a autuação estivesse lastreada nos autos de infrações que seguiram anexos, estes não seriam hábeis á imputação de responsabilidade em face do Impugnante, hava vista erro de identificação do sujeito passivo, pois inexistentes quaisquer informações do mesmo nas autuações impugnadas, que se formalizaram exclusivamente em face da pessoa jurídica, faltandolhes, assim, requisito obrigatório contido no inciso I, do artigo 10o, do Decreto 70.235/72... ". Na seqüência, o interessado trancreve ementa de julgado da DRJ Belém que, em sua visão, vai ao encontro de seu entendimento. • "Diante de todos esses argumentos, é de rigor o afastamento de responsabilidade do Impugnante, haja vista vícios insanáveis na constituição dos créditos exigidos em face do mesmo ". Tópicos já Abordados Pela Empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda 103. Ao analisar as impugnações apresentadas por Marcos Antonio Rainha e pela empresa Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda, constatei que alguns temas foram abordados de forma idêntica pelos interessados. São eles: • Nulidade Cerceamento do Direito de Defesa (fls 3799 a 3803 3964 a 3970); • Nulidade Ausência de Intimação para Comprovação dos Depósitos Bancários (fls 3803 a 3810 3970 a 3980); • Nulidade Quebra do Sigilo Bancário (fls 3810 a 3831 3980 a 4012); • Da Inexistência de Provas (fls 3831 a 3839 4012 a 4022); • Do Afastamento da Multa Qualificada (fls 3839 a 3840 4022 a 4024). 104. Por entender ser desnecessária a repetição dos mesmos argumentos, deixo de relatar mencionados temas. Do Mérito Impossibilidade de Responsabilização Pessoal do Impugnante 105. O interessado inicia suas considerações sobre o tema, transcrevendo o art. 135 do CTN e, a partir daí, discorre sobre sua interpretação do referido comando legal, conforme segue: • "Da leitura do mencionado artigo, extraise claramente que para efeito da responsabilização oponível com base nesta norma, necessária se faz a existência de conduta dolosa ativa por parte de diretores, gerentes ou representantes de empresas privadas, evidenciadas por meio de diligências e elementos concretos de provas que consubstanciem a ligação entre as pessoas físicas supostamente responsáveis e o fato ilícito originário da autuação ". Fl. 4323DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 88 22 • "No caso em comento, nos termos amplamente fundamentados, a fiscalização não se desincumbiu de comprovar que a movimentação bancária ocorrida nas contas da contribuinte Renata Souza da Silva tivesse relação direta com a empresa autuada, da qual o Impugnante é sócio, o que, igualmente afasta qualquer assertiva de prática de atos decorrentes de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". • "Isto porque, conforme consta do termo de constatação fiscal, o único fundamento para responsabilização do Impugnante foi a suposta interposição de pessoa praticada pela Rainha & Bello, fato devidamente rechaçado nesta peça ". • "O que se verifica no caso em comento é que de fato a fiscalização foi inerte neste sentido, pois atuou de forma passiva e genérica e não logrou êxito em comprovar a suposta relação da Rainha & Bello com os depósitos na conta da Sra. Renata, o que de plano afasta qualquer responsabilidade do Impugnante para com o objeto da autuação". • "Em razão disso, independentemente dos demais argumentos esposados nessa peça impugnatória, impõese o afastamento de quaisquer responsabilidade do Impugnante pela autuação promovida em face da empresa da qual é sócio, haja vista integral carência de elementos probatórios que comprovem a circunstância fática que ensejou na prática de conduta dolosa, consoante imposição trazida pelo artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional". 106. Por fim, o interessado requer a total procedência da impugnação, no sentido de que: • Os vícios insanáveis sejam reconhecidos, com o afastamento da imputação de responsabilidade ao impugnante pelos seguintes motivos: (i) impossibilidade de constituição do crédito tributário por meio do "Termo de sujeição passiva solidária"; (ii) imprestabilidade do referido termo; e (iii) ausência de requisito obrigatório dos autos de infração impugnados com relação à identificação do impugnante; • A responsabilidade do impugnante em relação à autuação da empresa Rainha & Bello seja afastada em função da carência de elementos que comprovem a relação entre a movimentação bancária da Sra Renata Souza da Silva com a referida pessoa jurídica; • Os autos de infração sejam cancelados pelos seguintes motivos: (a) inexistência de juntada ao processo dos documentos contábeis; (b) inexistência de intimação regular para a comprovação da origem da movimentação financeira da conta da Sra Renata Souza da Silva; (c) ilicitude das provas obtidas pela autoridade administrativa diante a violação do sigilo bancário; e (d) carência de comprovação de que os valores movimentados na conta da Sra Renata pertenciam à empresa Rainha & Bello; • O afastamento da multa qualificada aplicada pela fiscalização, pela ausência de elementos de prova que autorizem o agravamento da referida multa. 107. É o relatório. . Fl. 4324DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 89 23 A DRJ, por unanimidade de votos, MANTEVE OS LANÇAMENTOS, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO GERENTE. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO. É responsável pelos tributos exigidos da pessoa jurídica, o sócio administrador que tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, o que restou caracterizado pela interposição de pessoa de forma fraudulenta, com a conseqüente ocultação de receitas e inconsistência na escrituração da contribuinte. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 1996, restando demonstrado que o Irresignadas com a decisão de primeira instância, as Recorrentes (empresa fls. 4155/4.204) e Sr. Marcos Antonio Rainha (responsável solidário fls. 4234/4.280 ) interpuseram recursos voluntários a este CARF, repisando as razões já aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 4325DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 90 24 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recursos atendem as condições de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Preliminares de Nulidade A Recorrente enfileira uma série de nulidades de forma genérica e abstrata contra os autos de infração, porém boa parte delas, na essência é contra o mérito propriamente dito. Alega, por exemplo, que houve violação de diversos princípios, inclusive do sigilo bancário, que foi cerceado o seu direito de defesa etc. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através das substanciais peças impugnatórias e recursais acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados todos os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura: III a descrição do fato: IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Cabe aqui também destacar a distinção entre a fase inquisitória e a fase processual inaugurada com a apresentação da impugnação. São diferenciados os princípios constitucionais e legais aplicáveis em cada uma delas. É na fase processual que se há de assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa. Fl. 4326DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 91 25 Em relação às demais alegações, na verdade tratase de insurgência contra o mérito propriamente da autuação que serão deslindadas ao longo do voto. Também em nenhum momento de sua defesa, em apego a um formalismo excessivamente exacerbado demonstra o efeito prejuízo que teve no seu direito de defesa. Há que se ter em conta sempre que o ato processual apesar de ter forma e prazos previstos em lei, devendo ser aplicados, entretanto o principio da instrumentalidade das formas, o qual preza pelo efeito do ato em detrimento do apego ao formalismo exacerbado, torna o ato válido e eficaz de pleno direito. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitando se a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Ora, bem se viu que tais alegações de nulidades são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes. Tanto é que as Recorrentes não se deram nem ao trabalho de impugnarem, em sede de recurso voluntário, as contrarrazões levantadas pela DRJ contra as suas impugnações, limitandose a repetir literalmente os mesmos argumentos de defesa. Os Recorrentes, por exemplo, alegam que houve cerceamento do direito de defesa em função da falta da juntada ao presente processo dos livros contábeis, em especial os Livros Diário, Razão, Apuração de ICMS, Entradas e Saídas. Assim como foi muito bem explicitado pela decisão de piso, entendo que os livros Diário e Razão, assim como toda a contabilidade, permaneceram em poder da empresa e como a fiscalização se restringiu apenas à movimentação bancária. Logo a empresa estava de posse dos Livros Diário e Razão e teve total acesso ao presente processo e, desse modo, aos extratos bancários, improcedendo assim a sua alegação de cerceamento de defesa em relação à falta de juntada aos autos dos documentos referenciados pelos impugnantes. Alegam ainda os Recorrentes que, para que os depósitos da conta em nome da Sra Renata Souza da Silva fossem considerados como base de cálculo dos tributos, a fiscalização deveria intimar a empresa para que comprovasse a origem dos recursos utilizados nas operações, conforme prevê o caput do art. 42 da Lei n° 9.430/96, como a autoridade fiscal não o fez, os autos de infração seriam nulos. Outra situação erroneamente colocada pela Recorrentes, uma vez que ficou bem claro pela decisão de piso e não refutado pelas mesmas que a referida infração não foi baseada na presunção legal de omissão de receitas que diz respeito ao art. 42 da Lei n° 9.430/96, como quis fazer crer as Recorrentes. Essa autuação foi utilizada apenas para as receitas omitidas nas contas correntes da própria empresa e que fez parte de outro processo administrativo (13888.720925/201498). Na presente autuação, a fiscalização considerou que a conta corrente em nome de Renata Souza da Silva movimentou receitas relativas à atividade da empresa e lançou através de prova indireta, "Omissão de Receitas de Venda e Serviços", através de um farto conjunto probatório que será analisado mais adiante no mérito. Tal situação, que na verdade, como já se disse não passa de questão de mérito, ficou bem cristalino no Termo de Constatação Fiscal, em que a fiscalização produziu diversas diligências e circularizações de forma a provar que os depósitos efetuados na conta da Sra. Renata, relacionamse diretamente com a movimentação bancária da pessoa jurídica. Fl. 4327DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 92 26 A decisão de piso também de forma bem minuciosa demonstrou o acerto da fiscalização produzindo quadros demonstrativos cruzando dados da conta bancária da Sra Renata e da conta bancária da Empresa, demonstrativos estes não refutados pelos Recorrentes! Rejeitase, portanto, mais essa alegação de nulidade. Nulidade – Quebra do Sigilo Bancário – extrato bancário Pleiteia a nulidade do feito fiscal alegando que os meios utilizados para a apuração dos créditos tributários ferem o sigilo bancário do contribuinte, direito fundamental individual, haja vista a legislação inconstitucional utilizada para embasar a requisição de informação sobre movimentação financeira Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, por violação ao art. 5º, inciso X, da Constituição Federal, sendo objeto de apreciação das ações declaratórias de inconstitucionalidade. Alega, ainda, que a quebra do sigilo bancário deve ser buscada perante o Poder Judiciário Recordese, por oportuno, que a hipótese de nulidade dos atos processuais, entre os quais se incluem os autos de infração, está prevista no Decreto 70.235/72, em seu artigo 59, inciso I, e referese ao caso em que a lavratura tenha sido feita por pessoa incompetente ou de decisão com cerceamento do direito de defesa, o que, evidentemente, não é o caso. A autoridade administrativa cumpriu todos os preceitos da legislação em vigor, fazendo constar a perfeita descrição do fato e os dispositivos legais infringidos, obedecendo ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, como se verifica nos autos. Nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Receita Federal está autorizada a requisitar informações às instituições financeiras acerca da movimentação bancária dos contribuintes, independentemente de consentimento judicial, desde que, como no caso em tela, haja procedimento fiscal em curso e os exames sejam considerados indispensáveis. Nesse passo, aproveito a seguinte ementa, recolhida da jurisprudência do STJ, que reproduzo: “TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão Fl. 4328DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 93 27 judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3º da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6º dispõe: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a Jms – 21/12/05 contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido.” (Resp nº 685.708, DJ de 20.06.2005, Relator Ministro Luiz Fux). É importante enfatizar que a Corte Superior, no julgamento acima destacado, considerou válida a aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e 1º da Lei nº 10.174/2001 inclusive a fatos ocorridos no pretérito, o que nem mesmo é o caso dos autos, pois estamos tratando de fatos geradores posteriores a 2001. Ademais, alegações de inconstitucionalidade fogem à competência das instâncias administrativas, sendo matéria inclusive sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 4329DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 94 28 Outrossim, reiterese o que muito bem colocou a decisão de piso: 163. Não desconhecemos a decisão do STF ao julgar o Recurso Extraordinário de n° 389.808/PR sobre a impossibilidade da quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a devida autorização judicial. 164. Todavia, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou no difuso, neste caso a partir do momento e na hipótese de produzir efeitos "erga omnes " (na ocorrência de qualquer das situações previstas no ordenamento jurídico). 165. Como, na situação presente, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pela impugnante, no que se refere à requisição de informações sobre movimentação financeira junto às instituições, continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. 166. Não é permitida a extensão, na via administrativa, dos efeitos de decisão judicial, os quais são inter partes, vale dizer, se restringem às partes envolvidas. Assim, não havendo como entender que se há de aplicar, obrigatoriamente, ao caso em tela, o entendimento do STF mencionado pela interessada, visto não ter efeito erga omnes. Portanto, rejeito também esta preliminar de nulidade. Por fim, reitero em todos os seus termos as razões da decisão de piso que rejeitaram as preliminares de forma bastante detalhada e percuciente, motivo pelo qual adoto as também como razões complementares deste voto como se aqui estivessem todas reproduzidos. Outrossim, o tópico levantado pelo responsável tributário denominado "Nulidade Erro de Identificação do Sujeito Passivo" tratase na verdade de matéria que será tratada conjuntamente com o mérito. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade. MÉRITO Prova Fl. 4330DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 95 29 Os Recorrentes alegam que não foi apurada qualquer prova de que a movimentação bancária da Sra Renata Souza da Silva fosse da titularidade da empresa Rainha & Bello. Alegaram ainda que o cruzamento de dados entre a conta bancária e a contabilidade da empresa não passam de suposições, ou meras coincidências matemáticas com o objetivo de assemelhar os valores e tentar alcançar supostas cifras sacadas pela Sra Renata. Por fim, alegam que as diligências não comprovaram qualquer ligação das operações da fiscalizada com as da Sra Renata e a presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96 não foi caracterizada, pois a autoridade fiscal não comprovou de forma discriminada e individualizada a titularidade da empresa em relação à movimentação bancária. Ora, o que se vê é o contrário do que alegam os Recorrentes. As provas são robustas e com indícios fortes e convergentes, para se presumir a omissão de receitas. De fato, o fiscal se utilizou de prova indireta (presuntiva), mas não deixa de ser prova, desde que satisfaça a materialidade do que se quer provar através de fatos indiciários graves e convergentes com suficiente força probante. A prova de omissão de receitas não precisar ser necessariamente ser feita por presunção legal, como quer fazer crer a recorrente. A prova indireta (presuntiva) satisfaz plenamente o princípio da verdade material, pois a presunção humana é um dos meios de prova admitidos em direito, a teor do CPC: "Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa." O antigo CC (Lei n.° 3.071, de 1º de janeiro de 1916) era explícito a esse respeito: "Art. 136. Os atos jurídicos, a que se não impõe forma especial, poderão provarse mediante: (...) V presunção; VI exames e vistorias; VII arbitramento." (grifouse) Assim como o novo Código Civil: "Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: I confissão; Fl. 4331DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 96 30 II documento; III testemunha; IV presunção; V perícia." Sendo assim, a presunção é um meio válido de prova, pois prova, por definição, é a "demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta" (apud) De Plácido e Silva Vocabulário jurídico). Então passemos a delinear os termos dessa presunção. Consta no processo cópia de Procuração Pública lavrada no 1° Cartório de Notas de Piracicaba (fls 3312 e 3313), na qual a contribuinte RENATA SOUZA DA SILVA constitui como procurador o Sr. MARCOS ANTONIO RAINHA (CPF: 062.914.12829) com "... os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de representála junto ao Banco Bradesco S/A, agência 24317, e aí livremente movimentar a conta corrente sob n° 227870; podendo depositar dinheiro e proceder suas retiradas, mediante recibos e cheques, solicitar saldos, extratos de contas e talões de cheques, retirar talões de cheques, cheques devolvidos, cartões magnéticos e respectiva senha, cadastrar e ou alterar senhas, emitir, endossar e sacar cheques, autorizar débitos..." etc. As Recorrentes ficaram completamente silentes quanto ao motivo da referida procuração. Como não entender uma grande ligação aqui entre eles? A DRJ esclareceu que "é sabido que a instituição financeira, ao fazer os procedimentos para a inclusão do procurador na conta corrente da Sra Renata, verificou os documentos de identificação do procurador (Sr. Marcos Antonio Rainha) e atestou sua assinatura." Ainda em conjunto com a procuração estão os documento obtidos junto ao banco, que comprovam que a conta corrente da Sra Renata servia como intermediária da movimentação financeira da empresa. A DRJ conseguiu trazer vários exemplos concretos de transações não infirmadas pela Recorrente no sentido de demonstrar o seu modus operandis e a coincidência de datas e valores nos vários blocos de transações. Essa prova é no sentido de indicar que tudo que entrava na conta da Sr. Renata e transitava para a conta da empresa se tratava de recebimentos de duplicatas e pagamentos referente à atividade normal da empresa (venda de sucatas e resíduos industriais). Ou seja, 100% do que transitava pelas duas contas se tratava de recebimentos de receitas comerciais. Bem assim, as saídas financeiras da conta da Sr. Renata também tinham causa ligadas a pagamentos relativos à empresa autuada. É sabido que coincidências numéricas e matemáticas são possíveis, mas não em um conjunto muito grande de dados como aconteceu nesse caso e com coincidências a nível de centavos. Posso afirmar que seria probabilisticamente impossível se tratar de meras coincidências. Fl. 4332DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 97 31 A DRJ tomou como um dos exemplos o cheque n° 001.135 (fl. 3229), de 02/08/2010, no valor de R$ 153.754,00, que aparece na conta bancária da Sra Renata (Agência 24317, conta corrente 22.7870), à folha 3377. Valhome do seu exemplo elucidativo para demonstrar o modus operandi dos Recorrentes; Conforme verificações efetuadas pela fiscalização, o referido cheque teve como destinatário a conta corrente da pessoa jurídica, com o seguinte registro contábil (folha 3721): Segundo a contabilidade, o valor de R$ 153.754,00, oriundo da conta corrente da Sra Renata, tem sua real origem no recebimento de notas fiscais de venda. Desse modo, a contabilização do referido valor nada mais é do que uma "adaptação" da operação bancária realizada (fl. 3230), observe: Ademais, os valores em questão estão registrados no extrato bancário da empresa (Agência 24317, conta corrente 16.240/P), à folha 0128, na mesma data, da seguinte forma: Fl. 4333DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 98 32 Repisese que o esquema consistia em duas operações simultâneas: a primeira era a(o) emissão/desconto de cheque oriundo da conta em nome da Sra Renata (saque) e a segunda era o depósito em dinheiro na conta da pessoa jurídica, conforme a conveniência dos interessados. 220. Uma outra constatação que prova a confusão entre a movimentação bancária em nome de Renata Souza da Silva e as operações da empresa fiscalizada é a verificação de que vários cheques foram emitidos para pessoas do círculo empresarial da pessoa jurídica e do Sr. Marcos Antonio Rainha, veja: Cheques da movimentação bancária em nome da Sra Renata Data Cheque Valor Favorecido Folha 30/11/2009 000.258 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1743 09/12/2009 000.299 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1777 19/01/2010 000.453 R$ 4.109,65 Roque H.B. Júnior 1789 28/01/2010 000.491 R$ 1.000,00 Saito Advocacia 1779 28/01/2010 000.492 R$ 1.000,00 Saito Advocacia 1781 28/01/2010 000.493 R$ 1.000,00 Saito Advocacia 1833 28/01/2010 000.494 R$ 1.000,00 Saito Advocacia 1835 28/01/2010 000.495 R$ 1.000,00 Saito 1837 04/02/2010 000.528 R$ 1.000,00 Saito 1785 24/02/2010 000.360 R$ 4.500,00 Roque H.B. Júnior 1801 25/02/2010 000.361 R$ 4.500,00 Roque H.B. Júnior 1815 Fl. 4334DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 99 33 26/02/2010 000.362 R$ 4.000,00 Roque H.B. Júnior 1821 05/04/2010 000.744 R$ 4.984,00 Roque H.B. Júnior 1473 05/04/2010 000.743 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1491 07/06/2010 000.983 R$ 2.300,00 Marcos Aurelio Silva 1071 10/06/2010 000.993 R$ 1.000,00 Saito 1645 10/06/2010 000.994 R$ 1.000,00 Saito 1647 10/06/2010 000.995 R$ 1.000,00 Saito 1649 10/06/2010 000.996 R$ 1.000,00 Saito Advocacia 1657 10/06/2010 000.997 R$ 1.000,00 Saito Advocacia 1659 10/06/2010 000.998 R$ 1.000,00 Saito 1669 22/06/2010 001.037 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1069 22/06/2010 001.036 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1075 22/06/2010 001.038 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1093 01/07/2010 001.062 R$ 1.000,00 Saito 1705 06/07/2010 001.059 R$ 1.000,00 Saito 1059 06/07/2010 001.060 R$ 1.000,00 Saito 1061 07/07/2010 001.058 R$ 1.000,00 Saito 1689 05/08/2010 001.148 R$ 1.000,00 Saito 1557 05/08/2010 001.149 R$ 1.000,00 Saito 1559 05/08/2010 001.150 R$ 1.000,00 Saito 1561 05/08/2010 001.153 R$ 1.000,00 Saito 1711 16/08/2010 001.182 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1621 16/08/2010 001.183 R$ 4.999,00 Roque H.B. Júnior 1625 13/09/2010 001.263 R$ 15.000,00 Angela Irani Rainha 1727 05/10/2010 001.435 R$ 1.000,00 Roque H.B. Júnior 1579 (...) 222. São constatações que deixam clara a movimentação financeira da empresa por intermédio da conta corrente da Sra Renata Souza da Silva. 223. Também chamaram a atenção deste julgador os cheques oriundos das contas correntes de Renata Souza da Silva e de Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. Apesar de as assinaturas não coincidirem, que pode se explicado pela simples mudança no modo de assinar, veja se que o preenchimento dos cheques parecem ter sido efetuado pela mesma pessoa: Fl. 4335DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 100 34 Como se vê, contra tais fatos não pode haver justificativas e de fato não houve, a não ser argumentos vazios no sentido de dizer que fiscal se utilizou de presunções e coincidências numéricas. Porém, o que se vê são provas graves e convergentes nos sentido de deixar bastante clara que toda a movimentação financeira da empresa por intermédio da conta corrente da Sra Renata Souza da Silva tinham como origem receitas da atividade da empresa e, por isso, não há o emprego de nenhuma presunção legal em relação aos depósitos bancários. Foram movimentado em conta bancária de terceiro o valor de R$ 14.141.105,37, proveniente de receitas de suas atividades. A conclusão de que tais recursos tem origem nas atividades da pessoa jurídica se fundamenta ainda em vários outros aspectos que foi muito bem demonstrado também pela decisão de piso: 228. O primeiro vem das próprias operações efetuadas, na qual a empresa, na empresa e identificou tal valor como recebimento de clientes, conforme documento de fls 3730 a 3752. Ora, se 66% dos recursos são oriundos de receitas da atividade da empresa, por qual motivo os 34% restantes não seriam? 229. O segundo aspecto diz respeito à identificação de vários depósitos na conta corrente em nome da Sra Renata que estão vinculados à venda de material reciclável, ou seja, a mesma atividade exercida pela pessoa jurídica fiscalizada. Lembrando que, de acordo com o visto até agora, tais depósitos fazem parte dos 34% restantes, ou seja, que excedem aos R$ 9.323.847,87 considerados como identificados pela autoridade fiscal. O quadro abaixo demonstra alguns exemplos desses casos: Data Valor Origem Folhas Extrato Renata S.da Silv N.F. Cliente Data Folhas 04/01/2010 R$ 7.992,50 000.889 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 428 e 429 05/01/2010 3347 07/01/2010 R$ 110.000,00 Caso 1 VANESSA MASSUCATO RASERA 07/01/2010 3347 11/01/2010 R$ 45.794,36 MRM PLAST 377 11/01/2010 3347 11/01/2010 R$ 885,50 000.981 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 430 e 431 13/01/2010 3348 19/01/2010 R$ 47.808,00 MRM PLAST 377 19/01/2010 3348 20/01/2010 R$ 41.728,00 Caso 1 VANESSA MASSUCATO RASERA 20/01/2010 3349 26/01/2010 R$ 30.000,00 MRM PLAST 377 26/01/2010 3349 28/01/2010 R$ 6.176,00 MRM PLAST 377 28/01/2010 3350 04/02/2010 R$ 3.415,50 001.382 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 432 e 433 08/02/2010 3352 04/02/2010 R$ 3.070,50 001.166 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 527 e 528 08/02/2010 3352 06/02/2010 R$ 4.025,00 001.235 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 529 e 530 10/02/2010 3352 08/02/2010 R$ 129.822,83 Caso 1 VANESSA MASSUCATO RASERA 08/02/2010 3352 09/02/2010 R$ 2.691,00 001.440 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 434 e 435 10/02/2010 3352 24/02/2010 R$ 3.530,50 001.650 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 436 e 437 26/02/2010 3354 24/02/2010 R$ 1.759,50 001.481 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 531 e 532 26/02/2010 3354 03/03/2010 R$ 2.875,00 001.781 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 438 e 439 05/03/2010 3355 03/03/2010 R$ 3.231,50 001.623 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 533 e 534 05/03/2010 3355 10/03/2010 R$ 1.966,50 001.875 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 440 e 441 12/03/2010 3357 10/03/2010 R$ 1.840,00 001.732 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 535 e 536 12/03/2010 3356 17/03/2010 R$ 2.633,50 001.963 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 442 e 443 19/03/2010 3358 17/03/2010 R$ 1.552,50 001.860 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 537 e 538 19/03/2010 3358 05/04/2010 R$ 3.519,00 002.148 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 444 e 445 07/04/2010 3360 05/04/2010 R$ 2.932,50 002.133 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 539 e 540 07/04/2010 3360 07/04/2010 R$ 1.700,00 002.192 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 446 e 448 09/04/2010 3361 08/04/2010 R$ 1.130,00 002.214 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 447 e 448 09/04/2010 3361 07/04/2010 R$ 3.140,00 002.179 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 542 e 543 09/04/2010 3361 Fl. 4336DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 101 35 08/04/2010 R$ 4.400,00 002.200 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 541 e 543 09/04/2010 3361 08/04/2010 R$ 24.310,00 Caso 3 Poliman Comercial Ltda 08/04/2010 3361 12/04/2010 R$ 520,00 002.257 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 544 e 545 14/04/2010 3361 13/04/2010 R$ 1.320,00 002.266 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 449 e 450 15/04/2010 3362 13/04/2010 R$ 810,00 002.277 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 546 e 547 15/04/2010 3362 16/04/2010 R$ 2.978,50 002.315 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 451 e 453 20/04/2010 3362 19/04/2010 R$ 588,00 002.338 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 452 e 453 20/04/2010 3362 16/04/2010 R$ 3.783,50 002.340 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 548 e 549 20/04/2010 3362 20/04/2010 R$ 1.764,00 002.396 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 550 e 551 22/04/2010 3363 26/04/2010 R$ 630,00 002.391 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 454 e 455 27/04/2010 3363 26/04/2010 R$ 703,50 002.462 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 552 e 553 27/04/2010 3363 26/04/2010 R$ 661,50 002.467 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 554 e 555 28/04/2010 3364 27/04/2010 R$ 4.147,50 002.424 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 456 e 457 29/04/2010 3364 27/04/2010 R$ 2.572,50 002.492 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 556 e 557 29/04/2010 3364 28/04/2010 R$ 2.068,50 002.448 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 458 e 459 30/04/2010 3364 05/05/2010 R$ 934,50 002.633 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 558 e 559 07/05/2010 3365 10/05/2010 R$ 130.399,00 Caso 1 VANESSA MASSUCATO RASERA 10/05/2010 3366 19/05/2010 R$ 3.795,00 002.649 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 460 e 461 21/05/2010 3367 19/05/2010 R$ 2.760,00 002.841 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 560 e 561 21/05/2010 3367 27/05/2010 R$ 1.050,00 002.728 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 462 e 463 31/05/2010 3368 27/05/2010 R$ 1.249,50 002.970 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 562 e 563 31/05/2010 3368 31/05/2010 R$ 1.123,50 002.756 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 464 e 465 02/06/2010 3369 02/06/2010 '"R $ 1.152,00 002.802 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 466 e 467 07/06/2010 3369 04/06/2010 R$ 1.600,00 Caso 3 Poliman Comercial Ltda 04/06/2010 3369 07/06/2010 R$ 1.018,50 002.817 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 468 e 470 09/06/2010 3370 07/06/2010 R$ 1.092,00 002.823 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 469 e 470 09/06/2010 3370 08/06/2010 R$ 871,50 002.836 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 471 e 472 10/06/2010 3370 09/06/2010 R$ 6.662,50 002.855 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 473 e 474 11/06/2010 3370 14/06/2010 R$ 6.500,00 Caso 3 Poliman Comercial Ltda 14/06/2010 3371 . 8/06/2010 R$ 4.914,21 Caso 3 Poliman Comercial Ltda 18/06/2010 3372 24/06/2010 R$ 3.438,50 003.027 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 475 e 477 28/06/2010 3373 24/06/2010 R$ 6.487,50 003.028 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 476 e 477 28/06/2010 3373 24/06/2010 R$ 4.395,00 MRM PLAST 377 24/06/2010 3373 29/06/2010 R$ 1.644,50 003.070 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 478 e 479 01/07/2010 3374 01/07/2010 R$ 1.886,00 003.100 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 480 e 481 05/07/2010 3374 05/07/2010 R$ 1.426,00 003.125 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 482 e 483 07/07/2010 3374 06/07/2010 R$ 94.768,00 Caso 1 VANESSA MASSUCATO RASERA 06/07/2010 3374 06/07/2010 R$ 2.277,00 003.144 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 484 e 486 08/07/2010 3375 07/07/2010 R$ 4.887,50 003.156 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 485 e 486 08/07/2010 3375 06/07/2010 R$ 1.987,50 003.362 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 564 e 567 08/07/2010 3375 06/07/2010 R$ 1.058,00 003.367 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 565 e 567 08/07/2010 3375 07/07/2010 R$ 2.625,00 003.384 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 566 e 567 08/07/2010 3375 13/07/2010 R$ 966,00 003.208 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 487 e 488 15/07/2010 3375 16/07/2010 R$ 3.047,50 003.236 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 489 e 490 20/07/2010 3376 22/07/2010 R$ 1.311,00 003.304 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 491 e 492 26/07/2010 3376 27/07/2010 R$ 2.964,00 003.356 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 493 e 494 29/07/2010 3377 27/07/2010 R$ 6.305,00 003.588 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 568 e 569 29/07/2010 3377 28/07/2010 R$ 3.415,50 003.386 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 495 e 496 30/07/2010 3377 30/07/2010 R$ 128,00 Caso 3 Poliman Comercial Ltda 30/07/2010 3377 11/08/2010 R$ 20.160,00 001.592 TEKNOMAT COM E LOC DE CONTENTORES PLAST LTDA 05/08/2010 3378 17/08/2010 R$ 9.092,00 Caso 2 Auster Ind.e Com. de Papéis EIRELI ME 17/08/2010 3380 17/08/2010 R$ 4.550,00 003.618 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 497 e 498 19/08/2010 3381 17/08/2010 R$ 2.340,00 003.911 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 570 e 571 19/08/2010 3381 19/08/2010 R$ 3.277,50 003.951 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 572 e 573 23/08/2010 3381 30/08/2010 R$ 38.045,00 001.747 TEKNOMAT COM E LOC DE CONTENTORES PLAST LTDA 25/08/2010 3382 31/08/2010 R$ 142.204,13 Caso 1 VANESSA MASSUCATO RASERA 31/08/2010 3382 08/09/2010 R$ 3.991,00 003.855 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 499 e 500 10/09/2010 3383 08/09/2010 R$ 3.770,00 004.208 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 574 e 575 10/09/2010 3384 17/09/2010 R$ 3.583,75 Caso 1 VANESSA MASSUCATO RASERA 17/09/2010 3385 21/09/2010 R$ 4.628,00 004.022 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 501 e 502 23/09/2010 3385 28/09/2010 R$ 5.200,00 004.100 São Conrado Com.de Fibras Têxteis Ltda 503 e 504 30/09/2010 3386 28/09/2010 R$ 2.912,00 004.554 São Marino Com.de Fibras Têxteis Ltda 576 e 577 30/09/2010 3386 R$ 1.070.370,28 Caso 1 A Sra Vanessa Massucato Rasera (CPF 190.258.00874) é sócia da empresa MRM PLAST (CNPJ: 08.614.466/0001 99), vide folha 0386. Caso 2 A atividade principal da empresa Auster Ind.e Com. de Papéis EIRELI ME é a fabricação de produtos de papel, carto lina, papel cartão e papel ondulado para uso comercial e de escritório, exceto formulário contínuo (CNAE CNPJ). Caso 3 A empresa Poliman Comercial Ltda é adquirente de material reciclável (vide notas fiscais de fls 0400 a 00403). Vejase que todos os valores acima estão, de alguma forma, vinculados à venda de material reciclável, seja pelas notas fiscais emitidas ou pela condição dos adquirentes. Fl. 4337DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 102 36 232. Como os valores acima não tinham lastro em notas fiscais emitidas pela empresa, não havia como encaminhálos para integrar a conta corrente e a escrituação contábil da pessoa jurídica e, com isso, foram mantidos à margem da contabilidade. 233. Assim, constatase que a interposição de pessoa não se restringiu à movimentação bancária da empresa na conta corrente da Sra Renata, ocorreu também a inclusão da Sra Renata na figura de operadora comercial da empresa, como pessoa interposta, tendo sido emitidas notas fiscais de entrada, por parte de clientes da pessoa jurídica fiscalizada, em nome da Sra Renata, relativas à venda de material reciclável (sucata de metal e de plástico) conforme documentos de fls 377, 428 a 504 e 527 a 577. (...) Consta dos autos que a fiscalização requisitou à instituição financeira cópia da totalidade dos documentos relativos à movimentação bancária da Sra Renata Souza da Silva, sendo instruído por todos os cheques emitidos, constatase que não há nenhum cheque assinado por Renata Souza da Silva. Todos foram assinados pelo Sr. Marcos Antonio Rainha, inclusive aqueles nos quais a favorecida era a Sra Renata. Patente está, portanto, a demonstração de que os recursos movimentados, de fato, não pertenciam à Sra Renata e sim à pessoa jurídica, na forma de receitas de sua atividade, ficando caracterizado o fato de que os referidos recursos tiveram origem em vendas de material reciclável, os quais foram recebidos pelos interessados através da conta em nome da Sra Renata que, por sua vez, teve toda a sua movimentação efetuada exclusivamente pelo Sr. Marcos Antonio Rainha. Em suas defesas, os interessados não lograram êxito em trazer algum elemento aos autos que pudesse desconstituir essa prova. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso nesse item também. Suposto Erro de Identificação do Sujeito Passivo O Sr. Marcos Antonio Rainha alegou em sua defesa erro de identificação do sujeito passivo. Cabe aqui esclarecer que foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da Recorrente (fl. 3702), por entender a autoridade fiscal que teria ficado caracterizada sua responsabilidade, nos termos do art. 135, III, do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 4338DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 103 37 E como ficou amplamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal e na decisão da DRJ, ao Sr. Marcos Antonio Rainha foi devidamente atribuído a responsabilidade tributária tal qual exige a Lei. A Recorrente contesta a responsabilidade a ele atribuída alegando, não ter sido identificado nos autos de infração como parte nas autuações e que a responsabilização pessoal do impugnante pretendida pelo fisco, consoante artigo 135, III, do CTN, impõe à autoridade administrativa que se faça constar a identificação passiva do mesmo nos autos de infração lavrados, haja vista tratarse de redirecionamento da cobrança diretamente em face do suposto devedor pessoal. Ora, o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional estabelece a responsabilidade tributária aos diretores, gerentes e administradores de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei. Tenho o entendimento há muito consolidado de que ainda que seja atribuída a responsabilidade pessoal àqueles discriminados no referido inciso do art. 135 do CTN, permanece incólume a responsabilidade da contribuinte autuada, não se desfigurando o dever jurídico daquelas pessoas elencadas no art. 135 que tenha agido com infração à lei, contrato social ou estatutos. Também tenho o entendimento de que a mera falta de recolhimento do tributo não constitui, por si só, a ilicitude visada pelo legislador, necessitandose a demonstração do dolo daquele a quem ela é atribuída. E isso foi tudo o que aconteceu com a situação do sóciogerente MARCOS ANTONIO RAINHA, único sócio com amplos poderes de gestão, como ficou amplamente demonstrada nos autos e na decisão de piso. A DRJ fundamenta muito bem a existência do dolo do sóciogerente, mas que passou a largo do recurso, pois a Recorrente faz ouvido de mercador às razões da DRJ e repete literalmente as mesmas razões da manifestação de inconformidade já combatidas pela DRJ. Os princípios da ampla defesa e do contraditório garantem ao defendente o direito de tomar conhecimento de tudo o que consta nos autos e de se manifestar a respeito, trazendo para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. Apesar desses princípios se caracterizarem como direitos dos contribuintes, estão implícitos nos mesmos, também deveres, de forma a regulamentar o processo para que chegue a um fim. Nesse passo, é inerente ao princípio do contraditório que o processo deva caminhar através de um caráter dialético que perpassa, se for o caso, as duas instâncias do Processo Administrativo Fiscal. Dessa forma, é imperioso, em acontecendo de a lide atingir a segunda instância, que se ofereçam razões ou contraargumentações claras e específicas contra não somente a manutenção do lançamento ou o indeferimento de solicitação, mas também levando em consideração, um mínimo que seja, o que ficou dito na decisão de primeira instância, Fl. 4339DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 104 38 mormente em se tratando de matéria probatória, como é o caso. Isso porque as contradições ou erros ainda por ventura existentes por ocasião da decisão de primeira instância devem ser apontadas especificamente para que a instância ad quem, tome conhecimento, e se for o caso, corrijaos e supereos pela sua atividade sintetizadora de órgão revisor. Dessa forma, em vista das explicações escorreitas da decisão de piso, em que não tenho nada a reparar e do que se colocou nos parágrafos anteriores, adoto como minhas razões de decidir os fundamentos utilizados pela decisão de piso onde deixou bem claro que a omissão de receita foi operacionalizada com a utilização de interposta pessoa (Conta corrente da Sra Renata (funcionária da empresa) e que também já foi abordado em tópico anterior. Eis o teor da decisão de piso: 199. No caso destes autos, conforme apuração da autoridade fiscal, a omissão de receita com base em movimentação bancária foi operacionalizada com a utilização de interposição de pessoa de forma fraudulenta, tanto é que levou à constituição do crédito tributário com a multa de ofício qualificada (150%). 200. Outrossim, e agora complementando o tópico "Nulidade Erro de Identificação do Sujeito Passivo" em relação à existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, verifico que a fiscalização, no "item 7" do Termo de Constatação Fiscal vinculou a solidarização do impugnante à utilização de conta bancária de terceiro, estranho às operações da empresa, vejamos: 7) DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A conduta dolosa do contribuinte em omitir receitas através da utilização de conta bancará de terceiro estranho às operações da empresas revela ações que configuram atos infracionais a lei. que foram tipificados pelo legislador através do art 135, III do Código Tributário Nacional, transcrito abaixo: "Art, 135. São pessoalmente responsáveis peios créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) / III os diretores, gerentes ou representantes de pessoasfjuridicas dè direito privado. 201. Nesse sentido, conforme já mencionado não há dúvida de que Marcos Antonio Rainha, como sóciogerente da empresa, tinha amplos poderes de gestão. Da mesma forma, o Sr. Marcos era procurador de Renata Souza Silva e tinha os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para representála perante o Banco Bradesco S/A, agência 24317, (fls 3312 e 3313). 202. Assim, a prática de infração à lei, no caso concreto, verificase na interposição de pessoa de forma fraudulenta e na ausência de escrituração correta das operações realizadas, fatos que podem efetivamente ser imputados ao sócio gerente da pessoa jurídica. 203. De acordo com o Dicionário Aurélio, "interpor" significa "pôr entre", já a fraude significa "máfé", representando todo artifício empregado com o fim de enganar uma pessoa e causarlhe prejuízo. Destarte, tomando como base o simples Fl. 4340DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 105 39 significado das palavras, é possível concluir que interposição fraudulenta é situação fática em que determinado ente fica numa posição de "intermediário" (no presente caso a Sra Renata), com o objetivo de esconder outro agente (a fiscalizada Rainha & Bello Comércio e Administração de Resíduos Industriais Ltda), causando prejuízo ao erário (no caso deixando de tributar parte da receita da atividade da empresa). 204. Conforme dito em tópico anterior (Nulidade Ausência de Intimação para Comprovação dos Depósitos Bancários) toda a operacionalização do esquema é de responsabilidade do Sr. Marcos Antonio Rainha, tendo em vista que este tinha totais e plenos poderes sobre a empresa e sobre a conta corrente em nome de Renata Souza da Silva. 205. Dessa forma, entendo que ficou caracterizada a sujeição passiva do Sr. Marcos Antonio Rainha e, assim sendo, deve ser mantido o Termo de Sujeição Passiva Solidária por ele impugnado. Pelo exposto, mantenho o termo de responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Marcos Antonio Rainha. Multa Qualificada A multa aplicada de 150% encontrase prevista no art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração efetuada pela Lei n° 11.488/2007. Os interessados alegam não ter ficado provado o dolo por parte da autoridade fiscal e que não movimentou qualquer valor relativo a rendimentos e/ou receitas na conta da Sra Renata Souza Silva. Como se demonstrou ao longo de todo o voto, tanto o dolo, ínsito à situação de interposta pessoa, quanto à movimentação da conta da Sra Renata pelos interessados foram bem comprovados, sendo despiciendo se gastar aqui mais tintas Assim, ficou comprovado que a empresa movimentou em conta bancária de terceiro a quantia de R$ 14.141.105,37, proveniente de receitas de suas atividades, que retornavam à conta da pessoa jurídica conforme a conveniência dos interessados, em função da necessidade ou não do caixa não ficar credor. Desse montante, a fiscalização entendeu que não havia sido entregue à tributação o valor de R$ 4.886.311,67. Não restam dúvidas que os fatos encontrados no presente processo ensejam a qualificação da multa, na medida em que cristalino estava a intenção proposital de se valer vendas sem emissão de nota fiscal e sonegar impostos, utilizandose do ardil de se interpor um terceiro em todo esse processo, descartandose assim qualquer possibilidade de se tratar de mero erro, ou de mero descuido, tratase, sim de fraude ao erário público. Por todo o exposto, mantenho a qualificação da multa. Fl. 4341DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.720916/201405 Acórdão n.º 1401001.559 S1C4T1 Fl. 106 40 Jurisprudência Judicial e Administrativa Com relação aos acórdãos administrativos, cumpre esclarecer que as decisões administrativas não tem efeito vinculante, ante a inexistência de lei que lhes atribua eficácia normativa (art. 100 do CTN). Tributação Reflexa Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade, nego provimento aos recursos, mantendo o Termo de Responsabilidade Tributária do Sr. Marcos Antonio Rainha (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 4342DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10469.730313/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010
ENTIDADE QUE SE AUTO ENQUADRA COMO BENEFICENTE. AUSÊNCIA DE CERTIFICAÇÃO. CERTIFICAÇÃO UMA VEZ REQUERIDA E INDEFERIDA POR AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO/COMPROVAÇAO DO REQUISITOS LEGAIS. EXIGÊNCIAS E REQUSITOS LEGAIS ESTABELECIDAS A VÁRIOS ANOS ATRÁS. INEXISTÊNCIA DE SURPRESA E AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA E RAZOABILIDADE. A ISENÇÃO/IMUNIDAE DEVE ATENDER AS EXIGÊNCIAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS. INEXISTE ISENÇÃO/IMUNIDADE TÁCITA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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Recorrente SOCIEDADE PROFESSOR HEITOR CARRILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 ENTIDADE QUE SE AUTO ENQUADRA COMO BENEFICENTE. AUSÊNCIA DE CERTIFICAÇÃO. CERTIFICAÇÃO UMA VEZ REQUERIDA E INDEFERIDA POR AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO/COMPROVAÇAO DO REQUISITOS LEGAIS. EXIGÊNCIAS E REQUSITOS LEGAIS ESTABELECIDAS A VÁRIOS ANOS ATRÁS. INEXISTÊNCIA DE SURPRESA E AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA E RAZOABILIDADE. A ISENÇÃO/IMUNIDAE DEVE ATENDER AS EXIGÊNCIAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS. INEXISTE ISENÇÃO/IMUNIDADE TÁCITA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 73 03 13 /2 01 2- 94 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 817 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 818 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 37.352.4048, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, e, ainda, a Diferença de Acréscimos Legais DAL devido ao recolhimento em atraso de Guia da Previdência Social – GPS, porém com o cálculo dos acréscimos legais a menor, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.352.4056, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, bem como Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.352.4064, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, e, ainda o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.352.4072, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 46 a 59, com período de apuração de 01/2008 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 71 e 72. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 13/11/2012, conforme AR, de fls. 549. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 553 a 567, recebida, em 11/12/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 553, estando acompanhada dos documentos, de fls. 568 a 647. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 649 a 653. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0253.589 8ª, Turma DRJ/BHE, em 19/02/2014, fls. 655 a 668. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 09/04/2014, conforme AR, de fls. 674. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 681 a 697, recebido, em 08/05/2014, conforme carimbo de recepção, de fls. 681, acompanhado dos documentos, de fls. 698 a 809. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Mérito. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 819 4 · que a recorrente é entidade reconhecidamente beneficente, desenvolvendo trabalhos sociais, possuindo certificado de utilidade pública federal, estadual e municipal, usufruindo a recorrente da isenção das cotas patronais por longo tempo desde a sua constituição; · que a SRFB destina a entidade por ato administrativo mercadorias nos termos da Portaria MF º 282/2011, bem como a recorrente desde a sua constituição vem informando a SRFB, quando da declaração de imposto de renda da entidade, (SIC) "que se trata de uma entidade aberta de previdência complementar sem fins lucrativos acobertada pela isenção tributária, conforme consta da DIPJ; · que a recorrente desde a sua fundação estava abarcada pela isenção das contribuições previdenciárias, sendo que a recorrente buscou se adequar a Lei 12.101/2009 que tratou do CEBAS e regulou a isenção, para tal a recorrente juntou todos os documentos em 11/05/2010 e protocolizou junto ao órgão competente o requerimento de concessão originária do certificado, mas o processo Nº 25000.077201/201214 (SIC), ainda, não foi analisado por morosidade da Administração Publica e assim mesmo sem CEBAS a isenção deve ser reconhecida; · que a recorrente encontrase aguardando a sua certificação originária de entidade beneficente, o que não ocorreu até o momento por culpa exclusiva da Administração Pública, porém a recorrente continua a manter seu perfil de entidade beneficente, ainda, que sem o CEBAS, bem como continua a fornecer e a prestar seus serviços aos necessitados, sendo que tacitamente a recorrente é reconhecida como entidade sem fins lucrativos pelo setor público e privado, o que configura sua isenção tributária, não podendo ser exigida da recorrente as contribuições previdenciárias e as multas decorrentes; · que a alteração legislativa que mencionou o CEBAS como requisito para a isenção, não trouxe nenhuma alteração no conceito de entidade beneficente, estando a recorrente inserida no conceito e assim abarcada pela isenção, em razão dos princípios constitucionais da segurança jurídica e da razoabilidade, não podendo a Administração gerar supresas aos administrados, bem como criar novos obstáculos às entidades filantrópica à obtenção da isenção, devendo a Administração observar o artigo 100, III, do CTN, cabendo, assim, o reconhecimento da isenção tributária da recorrente, até a julgamento da solicitação ao órgão competente; · Dos pedidos, requerimentos e esperanças: a) acolhimento do recurso para reformar a decisão de primeiro grau; b) que o lançamento seja julgado improcedente com exposição clara de seus fundamentos sejam afastados; c) reconhecimento da isenção tributária da recorrente até o julgamento da solicitação da certificação originário pela órgão competente. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 820 5 A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 811 a 813. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 813. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 814. É o Relatório. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 821 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetarão o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Julgamento conjunto. O presente PAF é composto por quatro autos de infrações distintos, sendo que três visam exigir as contribuições previdenciárias parte patronal e parte descontada dos segurados DEBCAD 37.352.4048; DEBCAD 37.352.4056; DEBCAD 37.352.4064, sendo que o quarto visa arrecadar as contribuições destinadas a outras entidades e fundos – terceiros DEBCAD 37.352.4072, todos lançados na mesma ação fiscal e integrantes desse processo e com teses recursais idênticas, razão pelas quais serão julgados em conjunto. Mérito. O fato da recorrente, segundo alega, ser entidade reconhecidamente beneficente, desenvolver trabalhos sociais e possuir os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal não a tornam por si só isenta/imune relativamente a contribuição social previdenciária patronal, uma vez que o artigo 195, parágrafo 7º, da CRFB/88 remetem tal direito as exigências e regras da lei. A destinação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB por ato administrativo de mercadorias apreendidas ou perdidas não implica em reconhecimento do direito a isenção/imunidade das contribuições sociais previdenciárias, pois ambos os institutos possuem requisitos e exigência distintas e diferenciadas, bem como a isenção/imunidade deve atender aos requisitos da lei de regência. Tão pouco o fato da recorrente em sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, fls. 624 a 644, AnoCalendário: 2011 e 2010 informar ser entidade filantrópica ou de assistência social; AnoCalendário: 2008 entidade aberta de Previdência Complementar; AnoCalendário: 2007 PJ em Geral; AnoCalendário: 2006 sem qualificação da PJ; AnoCalendário: 2005, 2004, 2003, 2001 filantrópica; Ano Calendário: 2002 inexiste campo de qualificação; AnoCalendário: 2000 Outras, a torna isenta. O reconhecimento da isenção/imunidade das contribuições sociais previdenciárias depende da comprovação por parte da entidade de um série de requisitos exigidos pela lei, requisitos esses que a entidade recorrente não comprovou junto ao órgão da Fl. 821DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 822 7 Seguridade Social, pois no Despacho Decisório SAORT ISENÇÃO 03/2010 processo 16707.005468/200839, fls. 119 a 121, a recorrente peticionara aquela isenção, mas como não comprovou os requisitos legais, teve o pedido negado. Aliás, o fato da recorrente ter solicitado ao Ministério da Saúde a concessão originária do certificado de isenção demonstra que ela não possuía tal certificação, pois do contrário nos termos da Lei 12.101/2009, uma vez que tal prevê a concessão ou a renovação e caso a recorrente fosse detentora de tal certificado teria requerido a renovação, aí sim caso a renovação fosse apresentada tempestivamente, ou seja, seis meses antes do vencimento do certificado anterior essa valeria até a expedição do novo. Todavia, no caso de certificação originária o direito a isenção só poderá ser exercido após a publicação da certificação da entidade, o que no caso da recorrente, ainda, não ocorreu, artigo 31, da Lei 12.101/2009, inexistindo direito de isenção/imunidade por parte da recorrente. A isenção/imunidade é algo que deve ser expressamente reconhecida ante a demonstração do preenchimento dos requisitos constitucionais e legais inexistindo isenção tácita. Equivocase a recorrente, não há supressa na alteração legislativa, pois a exigência de certificação para a fruição da isenção/imunidade existe de a muito tempo e assim não há inovação de exigência ou requisitos, tão apenas e somente ao longo do tempo o nome do documento foi sendo alterado e atualizado, assim como o órgão emissor e nada mais, basta ver o texto legal transcrito em vários períodos e redações. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Medida Provisória nº 446, de 2008). I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) Fl. 822DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 823 8 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Fl. 823DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 824 9 (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) § 6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) (o destaque é meu). Fl. 824DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 825 10 Inexiste, assim, supressa e portanto não há que se falar em violação a segurança jurídica e muito menos em violação à razoabilidade, uma vez que a entidade não preenche os requisitos da lei, que existem no mínimo desde 24/07/1991 data da Lei 8.212/91. As praticas reiteradas da Administração acaso existentes, o que aqui não se reconhece, não são aptas a afastaram a aplicação da lei exigida pelo texto constitucional, bem como pelo princípio da legalidade. Destarte, com os esclarecimentos acima afasto todos os pedidos da recorrente considerandoos improcedentes, tendo em vista a ausência de lastro jurídico. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 826 11 ANEXO AO ACÓRDÃO MPF E PRORROGAÇÕES Fl. 826DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10469.730313/201294 Acórdão n.º 2202003.124 S2C2T2 Fl. 827 12 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.720422/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/02/2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. VIOLAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. OS VALORES E BASES DE CÁLCULO ESTÃO DISCRIMINADOS DE FORMA CLARA, SIMPLES E OBJETIVA, NO REFISC. DEMAIS RELATÓRIOS DESNECESSÁRIOS, POIS CUIDA-SE DE AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INOVAÇÃO NA FASE RECURSAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA E DO TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APELLATUM. INCONSTITUCIONALIDADE CONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO INDIVIDUAL ABSOLUTO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CONSTITUÍDO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negou provimento.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente LUIZ CARLOS TONOLLI. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/02/2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. VIOLAÇÃO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. OS VALORES E BASES DE CÁLCULO ESTÃO DISCRIMINADOS DE FORMA CLARA, SIMPLES E OBJETIVA, NO REFISC. DEMAIS RELATÓRIOS DESNECESSÁRIOS, POIS CUIDASE DE AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INOVAÇÃO NA FASE RECURSAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PRECLUSÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA E DO TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APELLATUM. INCONSTITUCIONALIDADE CONHECIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA VEDAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO INDIVIDUAL ABSOLUTO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CONSTITUÍDO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negou provimento. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 04 22 /2 01 2- 19 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 216 2 Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 217 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA – DEBCAD 51.010.2980 CFL.55, relativo a receberem, diretores e demais membros da administração superior, importâncias indevidas de empresa em débito não garantido para com a União, conforme a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 52, com a redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, combinado com a Lei n. 4.357, de 16.07.64, art. 32., conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 06 a 22, com período de apuração de 01/2008 a 05/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 138 e 139. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 07/02/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 23. Consta, as folhas 151, Termo de Apensação (2), no qual está informado a juntada por anexação desse processo ao processo de nº 10920.720214/201210, ocorrido, em 16/02/2012. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 152 a 158, recebida, em 08/03/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 152, estando acompanhadas dos documentos, de fls. 159 a 185. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 186. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0252.643 6ª, Turma DRJ/BHE, em 16/01/2014, fls. 187 a 193. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 06/02/2014, conforme AR, de fls. 195. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 197 a 209, recebido, em 10/03/2014, conforme carimbo de recepção, de fls. 197, acompanhado do documento, de fls. 210. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Preliminares. · que a nulidade existente deriva da Constituição Federal e da lei aplicável ao PAF, cita a Lei 4.717/65, não podendo o contribuinte se defender de um suposta infração sem que os elementos que a fundamentem estejam claramente presentes, cita a Lei 9.784/99, aduzindo ser impossível fazer a defesa sem saber de forma clara a origem dos valores, bases de cálculo do imposto, pois no DD parte dos valores foram lançados de forma arbitrária, sem discriminação das operações ou prestações, sendo que um montante considerável Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 218 4 dos valores não possui justificativa legal ou contábil, o que prejudica a defesa, não constando nem mesmo do relatório fiscal de forma clara a origem dos valores que constituem os débitos, devendo, assim, ser reformada a decisão a quo e cancelado o lançamento; · que o agente lançador presumiu a ocorrência de infrações, pois não comprovou efetivamente suas origens, não havendo respaldo em documentos, sendo ônus do fisco provar a ocorrência da infração, não podendo a autoridade presumir a infração, devendo demonstrála de forma cabal, o que aqui não ocorreu, razão pela qual se requer a reforma da decisão de primeiro grau e o cancelamento da autuação; · que está ocorrendo dupla penalização pelo mesmo fato, pois se lavrou o AI 51.010.2883, em face da empresa e o AI 51.010.2980 em face do sócio Luiz Carlos Tonolli, quando um só deveria ser penalizado ou caso se queira penalizar ambos isso deveria ocorrer pela metade do valor para cada, pois do contrário a União estará exigindo 100% de multa, isto é, 50% para cada, sendo que a lei fixa em 50% no total, havendo exacerbação indevida, requerse a reforma do acórdão recorrido com o cancelamento da infração ou sua redução para R$ 41.202, 43; Mérito. · que o julgador singular a quo não apreciou um dos principais fundamentos da defesa, pois não se achou competente, suscitando a vedação do artigo 26A, do Decreto 70.235/72, sendo possível ao CARF pronunciarse quanto à legalidade/constitucionalidade de leis e atos normativos; · que o artigo 32, §1º, II, da Lei 4.357/64 faz incidir uma sanção sobre conduta eminentemente privada, violando a livre iniciativa e o direito de propriedade, cabendo aos sócios decidir sobre a distribuição dos lucros artigo 1.071, do CC, sendo o lucro o objetivo empresarial e a participação do sócio nesse decorrência da integralização do capital social, estando o Estado extrapolando seu poder de intervenção ao proibir a distribuição, violando a ordem econômica, a livre iniciativa e disposição dos bens; · que proibir a distribuição dos lucros de empresas com débitos não garantidos com a União é meio oblíquo de cobrar tributos e esse só pode se dar mediante a competente execução fiscal, representando cobrança indireta e desvio de finalidade, o que é vedado pelas súmulas 70, 323, 547 do STF, ocorrendo ainda violação ao princípio da proporcionalidade, devendo a multa em razão da distribuição de lucros ser excluída; · que débitos não garantidos são aqueles definitivamente constituídos e que não estejam com a exigibilidade suspensa ou aqueles em execução fiscal sem penhora, sendo que o débito é aquele Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 219 5 devidamente formalizado pelo lançamento, não havendo vedação a distribuição quando o contribuinte reversa bens suficientes para satisfazer a obrigação, art. 185, parágrafo único, do CTN, considerando que existia valor a respaldar o crédito, não houve infração; · que o período da distribuição dos lucros e da apuração da infração são divergentes, pois a distribuição ocorreu entre 03/02/2009 a 26/02/2010 e o período da infração foi fixado entre 05/01/2009 a 30/09/2010, ou seja, o período penalizado e maior que o da distribuição, ocorrendo majoração no valor da infração em razão da inclusão de débitos fora do período da distribuição de lucros; · que diversas despesas não relacionadas a distribuição de lucros foram incluídas de forma indevida no cálculo deste em um importe aproximado de R$ 13.000,00, devendo ser a autuação ser declarada nula, o que se requer; · que sobre o prólabore já incidiu contribuição não podendo o fisco ora considerar o pagamento como prólabore e ora como distribuição de lucros para aumentar a arrecadação; · Dos pedidos e requerimentos: a) conhecimento e provimento do recurso; b) reforma da decisão a quo; c) cancelamento do auto de infração em razão das preliminares; d) ou no mérito: cancelamento integral da autuação; e) caso não cancelado, sua redução para R$ 41.202,43. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Não consta encaminhamento dos autos ao CARF/MF. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 11/09/2014, Lote 09. Os autos principais a que esse está apensado com mais dois outros autos foram a julgamento na sessão de março/2015, conforme se pode verificar na ata daquela assentada. Todavia, relativamente, a esse auto promovi sua devolução sem o julgamento do mérito recursal, Despacho de Devolução, de fls. 212, pois o arquivo que capturei do sistema, encerravase no AR, de fls. 195, ou seja, na comunicação do resultado do julgamento de primeiro grau ao contribuinte, isto é, não havia peça recursal nesses autos. Assim sendo, entendi que na ausência da peça recursal, não houve interesse por parte do contribuinte em recorrer da decisão a quo. No entanto, o Chefe da Secretaria da 3ª Câmara, após receber os processos para as demais providências, alertoume via email que a peça recursal encontrase no arquivo, no sistema eprocesso, as fls. 197 a 210. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 220 6 Desta forma, realizei uma verificação e comparação entre o arquivo que capturei no sistema eprocesso, em 07/10/2014 e o que constava, do mesmo sistema, na data do julgamento do processo principal e constatei que, em 19/02/2015, foram recebidos documentos que tiveram sua juntada solicitada, em 10/03/2014, sendo que esses constituem exatamente a peça recursal do contribuinte. Tal situação ocorreu, pois capturei inicialmente o arquivo do processo antes de baixar os documentos que estavam pendentes de recepção. Verificada a falha supramencionada o Despacho de Devolução nº 2803034, de 12 de março de 2015, fica sem efeito, ou seja, é nulo, razão pela qual passo ao julgamento do mérito recursal, conforme peça apresentada. É o Relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 221 7 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Esclarecimentos Iniciais. A norma aplicável ao PAF é o Decreto 70.235/72, o qual materialmente é uma lei, veja a decisão sobre o assunto. DECRETO N.° 70.235/1972 STATUS LEGAL O Tribunal Federal de Recursos, através da AMS 106.747DF, estabeleceu que o Decreto n.° 70.235/1972 tem status de Lei. O voto proferido pelo eminente Ministro limar Galvão, no referido julgamento, resume a posição adotada por aquela Corte: "Cabe, aqui, portanto, a reprodução dos argumentos que foram por mim expendidos na AMS 106.307 DF, onde a questão da competência do Presidente da República para editar normas de processo foi assim enfocada: "O Decreto lei n.° 822, de 05/09/69, editado pelos Ministros Militares, com base nos Atos Institucionais n.os 5 e 12, delegou, em seu artigo 2.° (fl. 12), ao Poder Executivo, competência para regular o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Achavase o País sob o império de duas ordens jurídicas: uma constitucional e outra institucional. Ambas co exístíam, cada qual operando em seu setor próprio. Entre os poderes atribuídos ao Presidente da República pelo Ato Institucional n.° 5, de 13/12/68, encontravase o de legislar em todas as suas matérias, decretado que fosse o recesso parlamentar (art. 2.°, § 1.°), medida que se concretizou com o Ato Complementar n.° 38, de 13/12/68. No exercício dessas atribuições legislativas, editaram os Ministros Militares, 05/09/69 (quando investidos temporariamente da função de Presidente da República, por força do Ato Institucional n.° 12, de 31/08/69), o Decretolei n.° 822 que, em seu art. 2.°, delegou ao Poder Executivo a competência para regular o processo Fl. 221DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 222 8 administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Em 17 de outubro de 1969, as mesmas autoridades promulgaram a Emenda Constitucional n.° 01, que entrou em vigor no dia 30 do mesmo mês. Em seu art. 181, III, a aludida emenda aprovou e excluiu de apreciação judicial, entre outros atos, os de natureza legislativa expedidos com base nos atos institucionais e complementares indicados no item 1. Vale dizer que, conquanto haja a nova Constituição vedado a delegação de atribuições (artigo 6.°, parágrafo único) e reservado á lei federal toda a matéria de Direito Processual e de Direito Financeiro (art. 18, § 1.°), permaneceu, como se viu, com plena vigência o Decreto lei n.° 822, de 1969. Invocando a delegação contida neste diploma legal, baixou o Presidente da República, em 06/03/72, o Decreto n.° 70.235, (...)" As outras leis, embora importantes textos de nosso ordenamento jurídico não se aplicam ao julgamento administrativo das contendas fiscais é isso já foi dito pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ observese o excerto. EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE Fl. 222DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 223 9 ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o Fl. 223DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 224 10 prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). Em toda a sua peça recursal a recorrente está enganada em dizer que o julgamento na DRJ foi singular/monocrático, basta ler a lei sobre o matéria e o próprio acórdão para ver que isso não corresponde a realidade dos autos. Decreto 70.235/72 Art. 25. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (grifei). Acórdão. Assinado Digitalmente Osmar Pereira Costa – Relator Assinado Digitalmente Ricardo José Avelino de Paiva. – Presidente substituto Participou ainda do presente julgamento: Marta Souza Bacelar. Ausências justificadas de Izabel Costa Xavier de Barros e Dileia Marly Thomaz Siuves Tavares. Do corpo do acórdão acima transcrito verificase a participação do Relator, do Presidente e de um outro membro da turma com a ausência justificada de outros dois membros. Assim o julgamento não pode ser considerado singular, como quer fazer crer a recorrente em sua peça recursal. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 225 11 Delimitação da Lide. A tese arguida em preliminar de dupla imputação com exigência de crédito de cem por cento e não de cinquenta por cento não admite discussão na via recursal, haja vista que não foi posta a apreciação no primeiro grau, conforme demonstrado a seguir. Tal conduta implica que a recorrente inovou na tese jurídica na fase recursal, pois o que alegado na peça vestibular de segundo grau, não foi suscitado em primeiro grau. A uma, porque tal matéria não foi questionada em primeiro grau e assim em relação a ela aplicamse os artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235/72, pois considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. A duas, por que o conhecimento dessa matéria implicaria supressão de instância. EMEN: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. 1. EXECUÇÃO DA PENA. SUPERVENIENTE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. PRETENSÃO DE REDUÇÃO DOS DIAS REMIDOS PERDIDOS. INTERESSE PROCESSUAL NO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RECONHECIMENTO. 2. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PERDA DOS DIAS REMIDOS. PLEITO DE APLICAÇÃO DA LEI Nº 12.433/11. ÓBICE À ANÁLISE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Tendo em conta que ainda persiste o interesse da parte agravante no conhecimento dos embargos de declaração opostos contra acórdão desta eg. Quinta Turma, merece reforma o decisum monocrático que os julgou prejudicados, com a submissão deles ao Órgão Colegiado. 2. O pleito de apreciação da questão referente à revogação dos dias remidos à luz da Lei nº 12.433/11 não foi deduzido na inicial do writ, tampouco enfrentado pelo Tribunal de origem no acórdão do recurso de agravo em execução, tratandose, a um só tempo, de inovação recursal, que impede o conhecimento da matéria neste momento processual, tendo em vista o advento da preclusão consumativa e também de supressão de instância. 3. Agravo regimental provido para, afastada a ausência de interesse, rejeitar os embargos de declaração, com a observação de que caberá à Primeira Instância examinar a questão relativa à retroação benéfica da nova lei. ..EMEN: (AGRHC 201101494878, MOURA RIBEIRO, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:11/12/2013 ..DTPB:.) Ementa: HABEAS CORPUS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INOCORRÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 38 DA LEI 8.038/90. IMPETRAÇÃO CONTRA ALEGADA DEMORA DO STJ PARA PROCEDER AO JULGAMENTO DE HC. INEXISTÊNCIA. INOVAÇÃO RECURSAL. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 226 12 IMPOSSIBILIDADE. 1. Não há falar em ofensa ao princípio da colegialidade, já que a viabilidade do julgamento por decisão monocrática do relator se legitima quando se tratar de pedido manifestamente intempestivo, incabível ou, improcedente ou ainda, que contrariar, nas questões predominantemente de direito, Súmula do respectivo Tribunal (art. 38 da Lei 8.038/1990). Ademais, eventual nulidade da decisão monocrática fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo interno. 2. O art. 5º, LXXVIII, da CF assegura, nos âmbitos judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Duração razoável é o processo que se desenvolve regularmente, consideradas, ainda, a natureza e a complexidade da causa, bem como a quantidade de demandas em trâmite no órgão judicial. Nessa perspectiva, o exíguo período de tempo que o recurso aguarda julgamento no STJ (agosto de 2014) afasta qualquer alegação de constrangimento ilegal. 3. As alegações de mérito não podem ser conhecidas, já que (a) não foram enfrentadas definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça, dando azo ao óbice da supressão de instância; e (b) só foram suscitadas em sede de agravo regimental, constituindo indevida inovação recursal. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.(HCAgR 125068, TEORI ZAVASCKI, STF.) (destaquei). A três, por que não ocorre a devolutividade da matéria, pois tal não foi levada ao conhecimento do julgador a quo, violando o princípio do tantum devolutum quantum apellatum. EMEN: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PERÍODO DE 2002 A 2006. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. O efeito devolutivo expresso nos arts. 505 e 515 do CPC consagra o princípio do tantum devolutum quantum appellatum, que consiste em transferir ao tribunal ad quem todo o exame da matéria impugnada. Se a apelação for total, a devolução será total. Se parcial, parcial será a devolução. Assim, o tribunal fica adstrito apenas ao que foi impugnado no recurso. 3. A alegada violação dos arts. 168, inciso I, e 6º, inciso XIV, da Lei n. 7.713/88, não foi sequer citada nas razões de apelação. Logo, não foi devolvida ao Tribunal de origem, não podendo ser apreciada também em recurso especial por tratarse de inovação recursal. Agravo regimental improvido. ..EMEN:(AGRESP 201402621001, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:21/11/2014 ..DTPB:.) CARF Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 227 13 IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o despacho decisório que apresenta motivação e fundamentação adequada da decisão proferida. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA. É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância na recorrida. Recurso Voluntário Negado. PRO: 10280.900644/201034. Acórdão 3102001.880. Rel. Jose Fernandes do Nascimento. Data 12/08/2013. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DILIGÊNCIA. INFORMAÇÃO FISCAL COM NATUREZA DE RÉPLICA. PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEZ DIAS. ART. 44 DA LEI Nº 9.784/99. A lei tributária apenas prevê a devolução de prazo ao sujeito passivo para impugnação quando, e tão somente quando, em razão de exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões das quais resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exação lançada, hipóteses em será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, contemplando tal agravamento da exigência, se for o caso, reabrindose o prazo de impugnação no concernente à matéria agravada. Inexistindo em razão da diligência qualquer agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, em atenção ao princípio constitucional da transparência, da informação fiscal deve ser dada ciência ao sujeito passivo, assinalandose o prazo de dez dias para se manifestar nos autos, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/99. GPS. RETIFICAÇÃO. DESDOBRAMENTO EM DOIS DOCUMENTOS OU ALTERAÇÃO DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Serão indeferidos pedidos de retificação que versem sobre desdobramento de GPS em dois ou mais documentos ou sobre alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito lançado de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição do débito, a teor do art. 4º da IN RFB nº 1.265/2012. RELAÇÃO Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 228 14 DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte PROC: 36624.000679/200641. Acórdão: 2302002.993. Rel. Arlindo da Costa e Silva. Data 31/03/2014. (os destaques foram feitos por mim). Preliminares. A recorrente alega que parte dos valores lançados no DD em montante considerável não tem identificada de forma clara e precisa sua origem, mas não aponta em que competências e quais os valores não se pode conhecer a origem, fazendo alegação genérica. No presente caso não há que se falar em falta de clareza e precisão dos valores constantes do DD, uma vez que tal relatório não é parte integrante desses autos, pois o presente PAF cuida de Auto de Infração de Obrigação Acessória, ou seja, de descumprimento de dever instrumental, não sendo o relatório DD parte integrante deste tipo de auto. Contudo, todos os valores e procedimentos aritméticos para determinação dos valores calculados e determinados estão discriminados no REFISC, de fls. 06 a 22. Desta forma, não há que se falar em cerceamento de defesa, violação ao contraditório ou não observação do devido processo legal, sendo a preliminar desprovida de fundamentos e juridicidade razão pela qual deve ser rejeitada. Novamente, a recorrente faz alegação genérica não informando ou não apresentando qual a infração o agente fiscal não teria demonstrada, pois como bem disse a recorrente foram aplicados treze autos de infração na ação fiscal empreendida no contribuinte. Todavia, no presente auto está claro que a infração é a distribuição de lucros a sócio pela empresa, quando ela empresa está em débito não garantido com a seguridade social. Assim, as duas preliminares devem ser rejeitadas. Mérito. O julgador de primeiro grau não apreciou as questões de inconstitucionalidade, pois a esfera administrativa não detém tal competência, inclusive, esse órgão julgador de segundo grau, também, não detém essa competência. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 229 15 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciário exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 230 16 PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 231 17 O Supremo Tribunal Federal – STF em diversas ocasiões já declarou que não existe direitos absolutos, inclusive, os fundamentais, observese a transcrição. Nesta trilha, vale destacar que o direito ao próprio corpo não é absoluto ou ilimitado. Por vezes a incolumidade corporal deve ceder espaço a um interesse preponderante, como no caso da vacinação, em nome da saúde pública. Na disciplina civil da família o corpo é, por vezes, objeto de direitos. Estou em que o princípio da intangibilidade do corpo humano, que protege um interesse privado, deve dar lugar ao direito à identidade, que salvaguardar, em última análise, um interesse também público... Lembro o impetrante que não existe lei que obrigue a realizar o exame. Haveria, assim, afronta ao artigo 5º II da CF. Chega a afirmar que sua recusa pode ser interpretada, conforme dispõe o art. 343 §2º do CPC, como uma confissão (fls. 6). Mas não me parece, ante a ordem jurídica da república neste final de século, que isso frustre a legitimidade vontade do juízo de apurar a vontade real. A lei nº 8.069/90 veda qualquer restrição ao reconhecimento do estado de filiação e é certo que a recusa significará uma restrição a tal reconhecimento. O sacrifício imposto à integridade física do paciente é risível quando confrontado com o interesse do investigante, bem assim a certeza que a prova pericial pode proporcionar ao magistrado. Habeas Corpus nº 71373. Relator Ministro FRANCISCO RESEK. Brasília, Julgado em: 10/11/1994. D.J. 22.11.1996. Desta forma, o que deve prevalecer o direito do sócio ao lucro ou o direito do Estado e por fim de toda uma sociedade em receber o seu tributo e assim promover a satisfação e interesse de todo um corpo social, qual seja os trabalhadores e seus dependentes. O Estado não está usando meio oblíquo de cobrança, mas apenas dizendo que não existe lucro a distribuir, pois a apuração do resultado do exercício só ocorre com o fechamento de todas as contas de despesas e receitas e se há despesas tributárias em aberto, por óbvio essas não foram pagas e o suposto lucro está superestimado, sendo que a lei veda o exercício irregular de um direito é o que diz o artigo transcrito. Lei 10.406/2002. Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Todavia, a questão do lançamento não pode passar despercebida, pois o agente fiscal lançador em seu REFISC, fls. 08 a 12, conforme a seguir exposto deixou claro que verificou a existência do débito, por meio da contabilidade nas contas de passivo 2140200010 e 210700300 INSS A RECOLHER. Ocorre que nos termos do artigo 142, caput, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 33, parágrafo 7º, da Lei 8.212/91 a constituição do crédito se dá apenas por meio de notificação de lançamento, de auto de infração, e de confissão de valores devidos e não recolhidos. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10920.720422/201219 Acórdão n.º 2202003.177 S2C2T2 Fl. 232 18 A questão da dedução da base de cálculo de diversas despesas de valores pagos a título de prólabore foi esclarecida pela DRJ em seu acórdão e tal alegação foi afastada por aquele órgão, veja a passagem. Quanto aos argumentos de que foram incluídos nos valores apurados pela Fiscalização como distribuição de lucros, valores pagos a títulos de reembolsos de despesas e de prolabore, não há como acolher, pois não foram carreados aos autos documentos para comprovar suas alegações. Ademais, apenas para argumentar, mesmo que fosse comprovado que o valor de R$13.000,00, alegado pela impugnante corresponderia de fato a reembolso de despesas, tal importância não modificaria o valor da penalidade aplicada, isto porque o valor apurado como distribuição de lucros R$192.978,68 menos R$13.000,00, daria R$179.978,68, e como a multa corresponde a 50% desse valor, ou seja, R$89.989,34, limitada a 50% do débito para com a União que é de R$164.809,74, a multa a ser aplicada seria a mesma, ou seja, R$82.404,87. Não havendo, assim reparo a fazer. Posto isto, tendo em vista que a base do lançamento não encontra respaldo na lei, pois não há notícia da existência de crédito constituído em face do contribuinte no período da distribuição do lucro ou do lançamento e de que tal crédito não esteja com a exigibilidade suspensa e nem garantido, não há débito que vedasse a distribuição do lucro no momento de sua efetivação. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento para reconhecer a improcedência do AI 51.010.2980 – CFL.55. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 11030.721683/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 01/12/2010
CONTRIBUIÇÃO DE AGENTE POLITICOS PREFEITOS E VICE, RECONHECIMENTO DE INCONCTITUCIONALIDADE PELO STF. RESTITUIÇÃO RECONHECIDA JUDIALMENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO INDEVIDO, EXIGÊNCIA CONTIDA NO TÍTULO JUDICIAL. SITUAÇÃO QUE SE DEIXOU DE COMPROVAR. GLOSA DE COMPENSAÇÃO QUE SE FEZ EM RAZÃO DA INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO INDEVIDO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à inconstitucionalidade da multa isolada e à base de cálculo da multa, por preclusão; na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente MUNICÍPIO DE PONTÃO PREFEITURA MUNICIPAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 01/12/2010 CONTRIBUIÇÃO DE AGENTE POLITICOS PREFEITOS E VICE, RECONHECIMENTO DE INCONCTITUCIONALIDADE PELO STF. RESTITUIÇÃO RECONHECIDA JUDIALMENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO INDEVIDO, EXIGÊNCIA CONTIDA NO TÍTULO JUDICIAL. SITUAÇÃO QUE SE DEIXOU DE COMPROVAR. GLOSA DE COMPENSAÇÃO QUE SE FEZ EM RAZÃO DA INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à inconstitucionalidade da multa isolada e à base de cálculo da multa, por preclusão; na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 16 83 /2 01 2- 43 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 440 2 Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 441 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 51.029.3492, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da glosa de compensação indevida, bem como do lançamento da diferença de SAT/RAT, devido a remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, mas que foram recolhidas a menor pelo sujeito passivo, assim como o Auto de Infração de Multa Isolada – AIMI DEBCAD 51.029.3506, tendo em vista a declaração e realização de compensação indevida, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 21 a 29, com período de apuração de 01/2009 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 31 e 32. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 24/09/2012, conforme Folha de Rosto dos Autos de Infrações, fls. 03 e 13. Consta, as fls. 129, Termo de Apensação (1), o qual informa a juntada por apensação a esse processo do processo 11030.721684/201298, ocorrida, em 03/10/2012. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 133 a 145, recebida, em 23/10/2012, estando acompanhada dos documentos, de fls. 146 a 156. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 164. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1265.991 13ª, Turma DRJ/RJ1, em 26/05/2014, fls. 166 a 177. A impugnação foi considerada procedente em parte e o crédito decorrente do DEBCAD 51.029.3506 que exige a multa isolada foi considerado improcedente e o sujeito passiva foi exonerado dessa autuação. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 06/06/2014, conforme AR, de fls. 182. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 184 a 194, recebida, em 18/06/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada, de fls. 183, acompanhado dos documentos, de fls. 195 a 434. ®Contudo, não admitem discussão e não serão sumariadas as alegações em decorrência da Ação Judicial 2004.71.004.0023513, pois o que nela decidido não cabe discussão, na via asdministrativa. ®Ficarão fora da discussão nesse contencioso administrativo as restituições realizadas pelos processos 37098.003281/200624 e 11030.001411/200766, pois há prova inequívoca nos autos, que tal restituição foi realizada na forma que solicitada pelo contribuinte, nos processos próprios. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 442 4 ®Também, ficará fora da discussão desse contencioso a contratação do escritório de Advocacia Tobias Advogado Associados, pois é matéria fora do contencioso, interessando apenas ao contratante e ao contratado, e não ao fisco, assim como as duas anteriores, implicando em inovação recursal. ®As questões referente aos DEBCAD's 37.368.3120, 37.368.3138, também, estão fora dessa discussão, pois incluídos em PAF próprio não contestado pelo contribuinte, assim aplicandose o os artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235/72, bem como a tese da inovação e do divórcio ideológico. ®Aplicase ao DEBCAD 51.029.3506, a tese da ausência de interesse recursal, pois a DRJ em sua decisão exonerou o contribuinte dessa autuação. As razões recursais que comportam discussão estão a seguir sumariadas. Mérito. · que a compensação do período de 2005 a 2011 foi realizada com base na sentença judicial, transitada em julgado, mas não nos termos da portaria MPS 133/2006 e IN/MPS/SRP 15/2006, tendo sido apresentados todos os comprovantes de pagamento; · que o controle interno promoveu um levantamento dos valores recolhidos indevidamente e com base nisso é possível fazer um comparativo entre débito e crédito; · que de acordo como os cálculos elaborados pelo controle interno as compensações realizadas até 02/2010 tinham respaldo judicial e administrativo; · que os honorários advocatícios foram objeto da compensação, pois pertencem ao Município e não ao advogado; · que a receita reconheceu que glosou compensações desde agosto/2007, mas a sentença autorizou compensar valores recolhidos desde 10/1997, justificando a receita seu ato pela falta de apresentação da sentença por parte do município; · Dos pedidos e requerimentos: a) que as compensações efetuadas até 02/2010 sejam declaradas legítimas; b) que nos termos dos cálculos elaborados pela controladoria do município as compensações realizada até 02/2010 possuem respaldo judicial e administrativo, sendo execução de sentença; c) que o auto de infração 51.029.3492 seja considerado insubsistente; d) que sejam refeitos os cálculos dos autos de infrações DEBCAD 37.368.3120, 37.368.3138; e) que cópia dos presentes autos sejam remetidos ao MPF para apuração dos ilícitos praticados pelo escritório de advocacia. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 443 5 A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 436. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 06/11/2014, Lote 05, fls. 437. É o Relatório. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 444 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF foi constituído originalmente com dois lançamentos DEBCAD 51.029.3492 e DEBCAD 51.029.3506, porém a DRJ em seu acórdão de primeiro grau exonerou o contribuinte em relação ao crédito DEBCAD 51.029.3506. Logo, apenas, o crédito DEBCAD 51.029.3492 faz parte dos presentes autos e comporta julgamento. Não admitem discussão e não foram sumariadas as alegações em decorrência da Ação Judicial 2004.71.004.0023513, pois o que nela decidido não cabe discussão, na via administrativa, artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 c/c o artigo 126, §3º, da Lei 8.212/91 e da Súmula 01, do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ficou fora da discussão nesse contencioso administrativo as restituições realizadas pelos processos 37098.003281/200624 e 11030.001411/200766, pois há prova inequívoca nos autos, que tal restituição foi realizada na forma que solicitada pelo contribuinte, tendo sido tais restituições objetos de processos próprios e específicos. Também, está fora da discussão desse contencioso a contratação do escritório de Advocacia Tobias Advogado Associados, pois é matéria que não interessa ao fisco federal, pois relação jurídica entre contratante e contratado, e assim está fora do contencioso. A recorrente inovou na tese jurídica na fase recursal, em relação aos DEBCAD's 37.368.3120, 37.368.3138, pois o que alegado na peça vestibular de segundo grau, não foi suscitado em primeiro grau. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 445 7 A uma, porque tal matéria não foi questionada em primeiro grau e assim em relação a ela aplicase os artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235/72, pois considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. A duas, por que o conhecimento dessa matéria implicaria supressão de instância. EMEN: AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. PENAL E PROCESSUAL PENAL. 1. EXECUÇÃO DA PENA. SUPERVENIENTE SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. PRETENSÃO DE REDUÇÃO DOS DIAS REMIDOS PERDIDOS. INTERESSE PROCESSUAL NO JULGAMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. RECONHECIMENTO. 2. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PERDA DOS DIAS REMIDOS. PLEITO DE APLICAÇÃO DA LEI Nº 12.433/11. ÓBICE À ANÁLISE EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INOVAÇÃO RECURSAL E SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Tendo em conta que ainda persiste o interesse da parte agravante no conhecimento dos embargos de declaração opostos contra acórdão desta eg. Quinta Turma, merece reforma o decisum monocrático que os julgou prejudicados, com a submissão deles ao Órgão Colegiado. 2. O pleito de apreciação da questão referente à revogação dos dias remidos à luz da Lei nº 12.433/11 não foi deduzido na inicial do writ, tampouco enfrentado pelo Tribunal de origem no acórdão do recurso de agravo em execução, tratandose, a um só tempo, de inovação recursal, que impede o conhecimento da matéria neste momento processual, tendo em vista o advento da preclusão consumativa e também de supressão de instância. 3. Agravo regimental provido para, afastada a ausência de interesse, rejeitar os embargos de declaração, com a observação de que caberá à Primeira Instância examinar a questão relativa à retroação benéfica da nova lei. ..EMEN: (AGRHC 201101494878, MOURA RIBEIRO, STJ QUINTA TURMA, DJE DATA:11/12/2013 ..DTPB:.) Ementa: HABEAS CORPUS. OFENSA AO PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. INOCORRÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 38 DA LEI 8.038/90. IMPETRAÇÃO CONTRA ALEGADA DEMORA DO STJ PARA PROCEDER AO JULGAMENTO DE HC. INEXISTÊNCIA. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Não há falar em ofensa ao princípio da colegialidade, já que a viabilidade do julgamento por decisão monocrática do relator se legitima quando se tratar de pedido manifestamente intempestivo, incabível ou, improcedente ou ainda, que contrariar, nas questões predominantemente de direito, Súmula do respectivo Tribunal (art. 38 da Lei 8.038/1990). Ademais, eventual nulidade da decisão monocrática fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo interno. 2. O art. 5º, LXXVIII, Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 446 8 da CF assegura, nos âmbitos judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Duração razoável é o processo que se desenvolve regularmente, consideradas, ainda, a natureza e a complexidade da causa, bem como a quantidade de demandas em trâmite no órgão judicial. Nessa perspectiva, o exíguo período de tempo que o recurso aguarda julgamento no STJ (agosto de 2014) afasta qualquer alegação de constrangimento ilegal. 3. As alegações de mérito não podem ser conhecidas, já que (a) não foram enfrentadas definitivamente pelo Superior Tribunal de Justiça, dando azo ao óbice da supressão de instância; e (b) só foram suscitadas em sede de agravo regimental, constituindo indevida inovação recursal. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.(HCAgR 125068, TEORI ZAVASCKI, STF.) (destaquei). A três, por que não ocorre a devolutividade da matéria, pois tal não foi levada do conhecimento do julgador a quo, violando o princípio do tantum devolutum quantum apellatum. EMEN: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. PERÍODO DE 2002 A 2006. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. O efeito devolutivo expresso nos arts. 505 e 515 do CPC consagra o princípio do tantum devolutum quantum appellatum, que consiste em transferir ao tribunal ad quem todo o exame da matéria impugnada. Se a apelação for total, a devolução será total. Se parcial, parcial será a devolução. Assim, o tribunal fica adstrito apenas ao que foi impugnado no recurso. 3. A alegada violação dos arts. 168, inciso I, e 6º, inciso XIV, da Lei n. 7.713/88, não foi sequer citada nas razões de apelação. Logo, não foi devolvida ao Tribunal de origem, não podendo ser apreciada também em recurso especial por tratarse de inovação recursal. Agravo regimental improvido. ..EMEN:(AGRESP 201402621001, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:21/11/2014 ..DTPB:.) CARF Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONTESTAÇÃO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o regra da preclusão, se a matéria não foi contestada na fase de impugnação ou de manifestação de inconformidade, o recorrente não poderá mais fazêlo em sede recursal, sob pena de supressão de instância e inovação dos fundamentos do julgado recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO E Fl. 446DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 447 9 FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o despacho decisório que apresenta motivação e fundamentação adequada da decisão proferida. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DECISÃO DEFINITIVA. É considerada definitiva, na esfera administrativa, a parte da decisão de primeira instância na recorrida. Recurso Voluntário Negado. PRO: 10280.900644/201034. Acórdão 3102001.880. Rel. Jose Fernandes do Nascimento. Data 12/08/2013. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DILIGÊNCIA. INFORMAÇÃO FISCAL COM NATUREZA DE RÉPLICA. PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DEZ DIAS. ART. 44 DA LEI Nº 9.784/99. A lei tributária apenas prevê a devolução de prazo ao sujeito passivo para impugnação quando, e tão somente quando, em razão de exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões das quais resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exação lançada, hipóteses em será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, contemplando tal agravamento da exigência, se for o caso, reabrindose o prazo de impugnação no concernente à matéria agravada. Inexistindo em razão da diligência qualquer agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal do tributo lançado, em atenção ao princípio constitucional da transparência, da informação fiscal deve ser dada ciência ao sujeito passivo, assinalandose o prazo de dez dias para se manifestar nos autos, a teor do art. 44 da Lei nº 9.784/99. GPS. RETIFICAÇÃO. DESDOBRAMENTO EM DOIS DOCUMENTOS OU ALTERAÇÃO DE COMPETÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Serão indeferidos pedidos de retificação que versem sobre desdobramento de GPS em dois ou mais documentos ou sobre alteração de campos de GPS referentes a competências incluídas em débito lançado de ofício, cujo pagamento tenha ocorrido em data anterior à constituição do débito, a teor do art. 4º da IN RFB nº 1.265/2012. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no Fl. 447DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 448 10 inciso III do art. 135 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte PROC: 36624.000679/200641. Acórdão: 2302002.993. Rel. Arlindo da Costa e Silva. Data 31/03/2014. (os destaques foram feitos por mim). As questões referente aos DEBCAD's 37.368.3120, 37.368.3138, também, estão fora dessa discussão, pois incluídos em PAF próprio não contestado pelo contribuinte, assim aplicandose o os artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235/72, no processo próprio, bem como nesse a tese da inovação, acima transcrita, e, ainda, a do divórcio ideológico, que abaixo colaciono. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) (realcei). No tocante ao DEBCAD 51.029.3506, falta ao contribuinte recorrente interesse recursal, uma vez que a decisão de primeiro grau lhe foi favorável, estando ausente uma das condições da ação. Por fim, restou considerado excluído do presente contencioso a questão da diferença SAT/RAT, pois não contestado pelo contribuinte, aplicandose os artigos 14, 15 e 17, do Decreto 70.235/72. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 449 11 Mérito. Foi demonstrado nos autos que a municipalidade obteve sentença judicial favorável ao seu pleito de restituição e que essa sentença fixa o período de restituição entre as datas de 30/10/1997 até a data de ajuizamento da ação, conforme transcrição abaixo. Também, é ausente de dúvidas para mim que a decisão judicial de forma objetiva diz que a parte ré se abstenha de praticar qualquer ato que impeça a parte autora de exercer o seu direito a compensação, observese o excerto da decisão judicial. Assim sendo, com os esclarecimentos acima entendo que a negativa de compensação pela não retificação das GFIP's, ainda, que exigidas pelas normas administrativas não sobrepõe a determinação judicial. Aplico esse mesmo raciocínio para a suposta prescrição do direito a restituição, uma vez que a sentença fixou o período no qual pode haver compensação, desde que tenha havido efetivamente o recolhimento indevido de contribuição previdenciária. Todavia, não é menos correto afirmar que a sentença judicial favorável ao município, deferiu a compensação de valores indevidamente recolhidos sobre a folha de salários (cota patronal), no que se refere aos valores pagos aos exercentes de mandato eletivo, é o que o trecho da decisão judicial transcrita diz. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 450 12 Contudo, da observação do que dito pela fiscalização nos trechos de seu REFISC fica evidente que o município não fez comprovação da origem do crédito, ou seja, de que eles decorrem de contribuições recolhidas indevidamente. Não fosse isso suficiente o próprio judiciário no processo de execução de sentença contra a fazenda pública nº 2004.71.04.0023513/RS, acostado, as fls. 411, destes autos, é claro em dizer que o município está promovendo execução em excesso e que a parte executada pode defender os seus direitos, foi isso que o fisco fez e nada mais, veja o que o judiciário disse. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11030.721683/201243 Acórdão n.º 2202003.180 S2C2T2 Fl. 451 13 Assim sendo, entendo que não há suporte para acatar os pedidos do recorrente. O pedido de envio de cópia desses autos ao MPF não é matéria a ser resolvida no contencioso administrativo e nem isso é função do fisco federal, pois cuida de relação jurídica civil entre a municipalidade contratante e o escritório contratado, o que ao meu ver não justifica o envio de cópia deste ao MPF, aplicandose aqui o artigo 116, VI e XII, da Lei 8.112/1990. Ademais, o fiscal lançador promoveu a expedição da respectiva Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, que aguarda os trâmites legais. Eventuais prejuízos da municipalidade com a contratação deste ao aquele prestador de serviços é de responsabilidade exclusiva do ente municipal e cabe a esse buscar as vias adequadas para se ressarcir ou resguardar seus direitos e interesses. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso em relação à inconstitucionalidade da multa isolada e à base de cálculo da multa, por preclusão; para na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19396.720018/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (Relator), Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Quanto ao mérito, tributação do reembolso de despesas, pelo voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida votou pelas conclusões.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Rosaldo Trevisan - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 LANÇAMENTO/DECISÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, os defeitos que inquinam o lançamento e a decisão administrativa são a lavratura ou expedição por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte, bem assim, a inobservância dos requisitos mínimos relacionados naquele diploma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 REEMBOLSO DE DESPESAS/RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Os valores oriundos de reembolso de despesas/recuperação de custos devem ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, por se qualificarem como receita, segundo a acepção ampla atribuída pelo art. 1º, in fine, da Lei nº 10.637/02. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 18 /2 01 4- 67Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial para afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl (Relator), Eloy Eros da Silva Nogueira e Fenelon Moscoso de Almeida. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Quanto ao mérito, tributação do reembolso de despesas, pelo voto de qualidade, negar provimento, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida votou pelas conclusões. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Rosaldo Trevisan Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração de PIS/Pasep não cumulativo, período de apuração janeiro/2009 a julho/2010, sobre os valores recebidos do exterior a título de reembolso de despesas, decorrentes de contratos de manutenção e operação de embarcações utilizadas na exploração de petróleo. A decisão recorrida, com base na descrição dos fatos da autuação e na exposição da impugnação, narra os fatos objeto de autuação da seguinte forma: “(...) as concessionárias envolvidas nas operações de exploração e produção de jazidas de petróleo e gás – leiase, no caso, Petrobras e a OGX – contratariam diversos fornecedores de equipamentos, materiais e serviços, entre os quais a impugnante, esta quanto aos serviços de sondagens, perfurações, avaliações, completação e workover. Referido modelo de contratação seria o da contratação bipartida, consistindo na celebração, com pessoas jurídicas diversas, de dois contratos distintos. As embarcações seriam afretadas diretamente pelas concessionárias através de contratos de afretamento firmados com empresas domiciliadas no exterior; as concessionárias, paralelamente, contratariam empresas sediadas no país para a realização dos serviços de sondagens, perfurações, avaliações, completação e workover, em cujos contratos a contribuinte restaria designada para promover a importação das precitadas embarcações, bem como das partes, peças, ferramentas e equipamentos destinados à manutenção, reparo e operação das mesmas no país, em conformidade com o Decreto n. 4.543, de Fl. 3182DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 3401003.035 S3C4T1 Fl. 11 3 2002, bem como a IN RFB n. 844, de 2008, e a IN RFB n. 1.415, de 2013. A contribuinte, então, anteciparia custos e despesas em benefício das empresas estrangeiras afretadoras contratadas pelas concessionárias locais, pois, uma vez domiciliadas no exterior, encontrarseiam obrigadas a contratála para o cumprimento da obrigação assumida com as concessionárias. Tais despesas, porém, não se confundiriam com aquelas incorridas pela contribuinte para a execução dos contratos de prestação de serviços firmados com as concessionárias. Precitados adiantamentos, reembolsados pelas empresas estrangeiras através de remessas periódicas acobertadas por contratos de câmbio registrados e aprovados pelo Banco Central do Brasil, é que teriam sido pela autoridade fiscal consideradas receitas decorrentes da prestação de serviços no país às concessionárias locais." Em impugnação o contribuinte sustentou, preliminarmente, a nulidade da autuação pela ausência de comprovação do dolo, fraude ou simulação para desconsideração dos negócios jurídicos praticados; necessidade de prova da dissimulação; e, decadência parcial do lançamento, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN. No mérito, defendeu a não incidência da contribuição sobre reembolso de despesas/recuperação de custos, por representar mero ingresso de caixa e argumentou, alternativamente, que tais verbas representariam exportação de serviços, eis que as empresas destinatárias estariam domiciliadas no exterior, e nesta condição não sofreriam a incidência do PIS/Pasep, por força do art. 5º, II da Lei nº 10.637/02; e, por fim, o descabimento dos juros de mora sobre a multa de ofício. A DRJ Belém/PA acolheu parcialmente a impugnação mediante decisão assim ementada: PAF. ATOS ADMINISTRATIVOS. NULIDADE. HIPÓTESES. As hipóteses de nulidade encontramse no art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972. Consoante tal dispositivo, são nulos, além dos atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O art. 60 do mesmo Decreto esclarece que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 não importarão em nulidade, e, salvo se o sujeito passivo lhes houver dado causa, serão sanadas quando resultarem em prejuízo para este, ou quando não influírem na solução do litígio. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A Contribuição para o PIS/Pasep incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Somente se faz autorizada a exclusão de receitas da respectiva base de cálculo submetida à alíquota positiva quando resulte cabalmente demonstrado que foram satisfeitas as disposições normativas estabelecidas à espécie. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN 4 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Em recurso voluntário o contribuinte arguiu a nulidade da decisão de primeiro grau administrativo, por não enfrentar todas as razões de defesa e por promover mudança de critério jurídico do lançamento em relação à exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Na seqüência, repisou os argumentos preliminares (à exceção da decadência parcial do lançamento) e meritórios já deduzidos na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. No tocante às nulidades suscitadas, principio pelos supostos vícios da decisão sob vergasta. Aduz a recorrente que o seu defeito residiria no não enfrentamento de todos os fundamentos postos na impugnação, que, por seu turno, foram também renovados nesta oportunidade recursal e serão examinados mais adiante. Após rever a decisão de piso concluo pela improcedência da alegação, haja vista que houve, sim, debate acerca do tema “nulidade do lançamento” naquela assentada, argumentando os julgadores a quo que em processo administrativo fiscal, à luz do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, apenas são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que, a contrario senso, significa dizer que qualquer outro pretenso vício do lançamento não o conspurca. Noutra senda, tenho que não invalida o ato decisório a ausência de exame pormenorizado de todas as alegações do recorrente, desde que haja enfrentamento e decisão fundamentada acerca das questões postas, como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 1.339.767SP, julgado sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil: Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 3401003.035 S3C4T1 Fl. 12 5 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. ART. 3º, §2º, III, DA LEI N. 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO/RECEITA BRUTA PARA CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PREÇO DE VENDA AO CONSUMIDOR. IMPOSSIBILIDADE DE SE UTILIZAR A DIFERENÇA ENTRE AQUELE E O VALOR FIXADO PELA MONTADORA/FABRICANTE (MARGEM DE LUCRO). 1. O Poder Judiciário não está obrigado a emitir expresso juízo de valor a respeito de todas as teses e artigos de lei invocados pelas partes, bastando para fundamentar o decidido fazer uso de argumentação adequada, ainda que não espelhe qualquer das teses invocadas. 2. As empresas concessionárias de veículos, em relação aos veículos novos, devem recolher PIS e COFINS na forma dos arts. 2º e 3º, da Lei n. 9.718/98, ou seja, sobre a receita bruta/faturamento (compreendendo o valor da venda do veículo ao consumidor) e não sobre a diferença entre o valor de aquisição do veículo junto à fabricante concedente e o valor da venda ao consumidor (margem de lucro). Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no AREsp. n. 67.356/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 24.04.2012; REsp. n. 465.822/RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006; REsp n. 382.680/SC, Segunda Turma, Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, DJ de 5.12.2005; AgRg no REsp n. 538.258/RS, Primeira Turma, relatora Ministra Denise Arruda, DJ de 3.10.2005; REsp n. 739.201/RS, Primeira Turma, relator Ministro José Delgado, DJ de 13.6.2005. 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008” (grifado) Da mesma forma, não vislumbro qualquer alteração de critério jurídico adotado, pela DRJ, quanto à exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, pois se limitou aquela a julgar ponto controvertido deduzido pelo próprio recorrente em impugnação, oportunidade que apenas infirmou a ocorrência desta situação no lançamento, mas que, se existente, estaria devidamente respaldada pela legislação tributária. Dessarte, a multa de ofício calculada no auto de infração incidiu tãosomente sobre os valores históricos do tributo e o contribuinte, valendose do princípio processual da eventualidade, dada a possibilidade real de posteriormente vir a ocorrer, precaveuse e a contestou. A DRJ, por seu turno, conhecendo da matéria, asseverou não se verificar tal situação no processo, porém, se ocorrente, estaria consoante o direito posto. Portanto, não vejo inovação alguma nos critérios jurídicos adotados pelo lançamento e tampouco vilipêndio às disposições do art. 146 do Código Tributário Nacional. Quanto às nulidades do lançamento, invocadas desde a impugnação, melhor sorte não se reserva ao recorrente. Segundo o contribuinte, o lançamento seria defeituoso por ausência de comprovação do dolo, fraude ou simulação para a desconsideração dos negócios jurídicos por ele praticados. No entanto, neste tópico recursal se restringiu a explanar, do ponto de vista Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN 6 teórico e doutrinário, o dever da Administração Pública motivar os atos administrativos por ela exarados. Ainda encartado neste tema, afirmou que a fiscalização não se desincumbiu de provar a dissimulação, como etapa necessária à desconsideração do negócio jurídico. Contudo, em leitura do contexto de autuação não vislumbrei onde as autoridades fiscais autuantes tenham laborado para desqualificar ou de qualquer forma desconsiderar qualquer negócio ou operação que a recorrente tenha realizado. Essa conclusão equivocada, digase do contribuinte talvez esteja amparada no longo “Relatório de Fiscalização”, que, no entanto, a par da argumentação carreada, apenas dessumiu que não foram oferecidos à tributação do PIS/Pasep os valores percebidos das empresas estrangeiras a título de “reembolso de despesas”, como é possível extrair da seguinte passagem do aludido relatório: “35. Em virtude da natureza evidenciada pelos registros contábeis, os recursos recebidos do exterior pela fiscalizada deveriam ter sido oferecidos à tributação do PIS e da Cofins, posto que os "reembolsos de despesas" decorrentes de pagamentos efetuados por conta e ordem das proprietárias das embarcações se destinaram tãosomente a cobrir as despesas e os custos necessários à consecução de obrigações previstas em contratos firmados com a Petrobrás, configurandose assim em subvenção para custeio e/ou recuperação de custo/despesas. (...) 38. Considerando toda a exposição anterior, bem assim que a documentação coligida durante o procedimento fiscal comprova a matéria de fato no que tange à não adição à base de cálculo do PIS/Pasep dos recursos recebidos do exterior a título de "reembolso de despesas", mediante depósito bancário realizado em conta corrente de titularidade do contribuinte, procedeuse à lavratura de auto de infração, com o propósito de constituir o crédito tributário relativo ao PIS e à Cofins incidentes sobre as receitas oriundas de subvenções para custeio/recuperação de custos – definidas pelo valor das Notas de Débito discriminadas nas planilhas abaixo reproduzidas –, nos termos do art. 392 do RIR/99, além dos acréscimos legais devidos.” (destaques no original) O entendimento da fiscalização que tais reembolsos representariam receita operacional da recorrente, como cobertura dos custos necessários à consecução de suas obrigações perante os contratos firmados com as concessionárias (Petrobrás e OGX), antes de ser uma acusação de dissimulação e conseqüente desconsideração de negócio jurídico, como afirma o recorrente, é claramente uma inferência do modus operandi adotado entre os intervenientes para operacionalizar a importação das embarcações e respectivas aquisições de peças de reposição, para emprego na exploração petrolífera. Como dito, em momento algum a autuação insinuou ou afirmou que tenha havido procedimento doloso, fraudulento ou mesmo simulado praticado pelo contribuinte em relação às operações lançadas, de maneira que se mostra infundada a nulidade aventada. Ultrapassadas as preliminares, passo ao mérito. Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 3401003.035 S3C4T1 Fl. 13 7 Nessa toada, o cerne de debate recai na incidência do PIS/Pasep não cumulativo sobre os reembolsos de despesas/recuperação de custos, no caso vertente, consistentes na reposição, pelas afretadoras estrangeiras, dos valores despendidos pela autuada na manutenção e outros custos vinculados à operação das embarcações afretadas pelas concessionárias (Petrobrás e OGX) exploradoras de blocos petrolíferos, que na concepção do recorrente configurariam singelo ingresso de caixa, não caracterizável como “receita”. Por conveniente, transcrevo o art. 1º da Lei nº 10.637/2002, que define a base de cálculo da contribuição: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN 8 no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeitos).” Nessa toada, compõem a base de cálculo da contribuição, nas letras do preceptivo, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o que revela a amplidão do conceito de receita almejado pela norma, encontrandose as exclusões taxativamente relacionadas no texto. Poderseia então afirmar que a pretensão do recorrente esbarraria na ausência de previsão legal, como decidido no Acórdão 330101.428, exarado em 24/04/2012, verbis: “Ao contrário do entendimento da recorrente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, não prevê a exclusão das receitas decorrentes de recuperação das despesas da base de cálculo da Cofins. Segundo este diploma legal, a base de cálculo desta contribuição é a receita total auferida pela pessoa jurídica com as exclusões expressamente elencadas, assim dispondo: (...) Conforme se verifica deste dispositivo legal, as receitas decorrentes de recuperação de despesas não estão elencadas dentro daquelas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins.” De minha parte, entendo que o conceito de receita lá mencionado melhor se ajusta ao conceito normalmente admitido em contabilidade, consoante o qual se qualificaria como tal quaisquer valores recebidos e/ou a receber que aumentem os ativos ou reduzam os passivos, oriundos do exercício das atividades da pessoa jurídica, podendo ser citado como exemplos as receitas ativas com vendas, prestação de serviços, juros ativos, receitas com aluguéis, etc., e dentre os valores redutores das obrigações, os descontos obtidos e as variações cambiais ativas verificadas em contas passivas. Este é o conceito amplo de “receitas” adotado pelo International accouting Standards Board1, através do Framework for the preparation and presentation of Financial Statements2. No Brasil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, por intermédio do Pronunciamento Técnico CPC 30, assim expõe o conceito de “receita”: “A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada 1 Organização internacional sem fins lucrativos responsável pela formulação e validação de pronunciamentos internacionais na área de contabilidade. Consulta em http://pt. wikipedia.org, dia 06/03/2015. 2 Descrição dos conceitos básicos que devem ser respeitados na preparação e apresentação das demonstrações financeiras internacionais. Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 3401003.035 S3C4T1 Fl. 14 9 de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade.” Nesta linha intelectiva, irrefragável reconhecer que os reembolsos de despesas e as recuperações de custos são considerados, no momento de sua percepção, receitas e, por conseqüência, submetemse à tributação pelo PIS/Pasep nãocumulativo. Outrossim, não se diga que tais verbas poderiam ser, por analogia, equiparadas às reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, estabelecidas no art. 1º, § 3º, V, “b”, porquanto, tratandose as exclusões de exceção à norma geral de tributação, segundo as regras hermenêuticas, devem ser interpretadas restritivamente. De outra banda e, até certo ponto, contrariando ao seu raciocínio, o próprio recorrente, no período lançado janeiro/2009 a julho/2010 , registrou estes valores em conta de receita, denominada “Receitas de Custos Intercompanhia”, inclusive, quando do registro das respectivas despesas, apropriouse de créditos da não cumulatividade, como destaca o relatório de autuação fiscal: “Em sentido oposto, não ofereceu à tributação do PIS e da Cofins os recursos recebidos do exterior, decisão contraditória quando se constata que a fiscalizada se apropriou de créditos vinculados aos custos e insumos debitados na ‘Conta a Receber Intercompanhia”, que totalizaram R$ 1.024.671,77 (um milhão, vinte e quatro mil, seiscentos e setenta e um reais, setenta e sete centavos) e R$ 4.719.700,29 (quatro milhões, setecentos e dezenove mil, setecentos reais, vinte e nove centavos), respectivamente, nos anoscalendário de 2009 e 2010.” (destaques no original) Também não merece acolhida o argumento que aludidas verbas estariam resguardadas da tributação por força do art. 5º, II da Lei nº 10.637/2002, que afasta a incidência relativa às receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, com pagamento em moeda conversível, justamente porque não se tratam as operações de prestação de serviço, como, aliás, reiteradamente aduziu o recorrente, que as qualificou de reembolso de custos pela antecipação de pagamentos realizados no Brasil em proveito das afretadoras estrangeiras. Ou seja, o recorrente não presta serviço algum àquelas empresas, segundo a ótica tributária das contribuições em comento, razão pela qual não se lhe aplica o tratamento jurídico reclamado. Por derradeiro, relativamente à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício consubstanciada no auto de infração, também não merece censura a decisão recorrida. Com efeito, a teor do art. 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos decorrentes de tributos administrados pela RFB serão atualizados pela taxa SELIC, sendo que o emprego da expressão “débitos decorrentes”, a meu sentir, açambarca os consectários vinculados aos tributos, no caso específico, a multa de ofício aplicada, cuja constituição ocorre juntamente com a formalização do crédito tributário correspondente ao tributo, mediante lavratura do competente auto de infração ou mesmo notificação de lançamento. Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN 10 Este raciocínio está alinhado à teleologia do Código Tributário Nacional, quando dispõe, em seu art. 113, § 1º, que a obrigação principal tem como objeto, além da quitação do tributo, o pagamento de penalidade pecuniária, da qual, s.m.j., é espécie a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96; estabelecendo, ainda, que o crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta (art. 139), finalizando, no art. 161, que não liquidado – o crédito – na data aprazada, deve ser acrescido dos juros moratórios. Logo, cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do lançamento. Neste ponto, cumpre anotar que, enquanto não estiver formalizada através de lançamento, por ser a penalidade em questão multa de ofício oriunda de um procedimento de fiscalização, um ato administrativo específico, não cabe sua atualização monetária, tanto assim que no instrumento de constituição (auto de infração ou notificação de lançamento) a multa incide exclusivamente sobre o valor histórico do tributo conjuntamente lançado, limitandose os juros moratórios à atualização desta parcela. Entretanto, após a formalização do lançamento, tributo e penalidade passam a compor o crédito tributário integral, devendo este montante submeterse à fluência da taxa SELIC a partir de então. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator designado Com a devida vênia, venho a divergir do relator especificamente no que se refere à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, matéria suscitada já na instância de piso, sem acolhida da DRJ (conforme fl. 3064).3 Sustenta a recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre os valores referentes a multa, no lançamento de ofício (fls. 3148 a 3152). Em relação a juros de mora sobre a multa de ofício, tenho sustentado reiteradamente, com acolhida, que não há incidência, em diversos acórdãos, como o de no 3403002.367, do qual se extrai a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) 3 Todos os números de folhas indicados neste voto vencedor são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 3401003.035 S3C4T1 Fl. 15 11 Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN 12 “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob o risco de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a incidência dos juros de mora sobre os valores referentes a multas, na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Rosaldo Trevisan Fl. 3192DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10930.907085/2011-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/05/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 85 /2 01 1- 72 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 90), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.485, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 20532.29718.300605.1.2.048140, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472335). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 522,80, referente ao pagamento efetuado em 15/05/2002, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 23.190,60. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 30/04/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907085/201172 Acórdão n.º 3802004.162 S3TE02 Fl. 92 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/05/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 90), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907085/201172 Acórdão n.º 3802004.162 S3TE02 Fl. 93 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907085/201172 Acórdão n.º 3802004.162 S3TE02 Fl. 94 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001948/2003-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: Simples. Impedimento.
Excesso de Receita de Pessoa Jurídica da Qual Participe Sócio Detentor de Percentual Superior a 10% do Capital.
Efeitos
Na vigência da Medida Provisória 2.158, de 24 de agosto de 2001, a exclusão motivada pelo excesso de receita de pessoa jurídica de que participe sócio com mais de 10% do capital gera efeitos a partir do mês subseqüente àquele em que se caracteriza o excesso.
Alteração do Quadro Societário. Formalidade Essencial.
A alteração do quadro societário somente produz efeitos com relação a terceiros se cumprida formalidade essencial.
Princípio da Irretroatividade. Ausência de Violação.
Não configura violação ao princípio da irretroatividade a aplicação de lei vigente em data anterior ao fato.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 303-35.150
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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Numero do processo: 10768.011183/2002-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.297
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: José Henrique Mauri - Redator designado, Ad Hoc
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE FININVEST S/A NEGÓCIOS DE VAREJO) Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes dos autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. Henrique Pinheiro Torres - Presidente José Henrique Mauri - Redator designado, Ad Hoc Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 10768.011183/2002-41 Resolução nº 3101-000.297 S3-C1T1 Fl. 4 2 Relatório Pela clareza das informações, adoto o relatório componente da decisão recorrida, às fls. 110/111 dos autos, o qual transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 08 a 14, lavrado pela antiga Defic/Rio de Janeiro em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondente à Contribuição para Programa de Integração Social – PIS (códigos 8002 e 8205) referente aos meses 07/1997 a 11/1997, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 969.126,79, concernente à citada Contribuição (R$ 369.282,47), à multa de ofício de 75% (R$ 276.961,85) e aos juros de mora calculados até 31/06/2002 (R$ 342.882,47). 2. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 09, do “ANEXO Ia - RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF”, às fls. 10/11, e do “ANEXO III - DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR”, à fl. 12, que: 2.1 O presente Auto de Infração originou-se da realização de Auditoria Interna na DCTF referente aos 3º e 4º Trimestres do ano- calendário 1997, conforme IN SRF nºs 045/98 e 077/98; e 2.2 A irregularidade constatada no crédito vinculado informado nessa DCTF diz respeito à falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme “Anexo III 'DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR". 3. Os dispositivos legais infringidos constam do “Quadro 10” da “Descrição dos fatos e enquadramento legal”, à fl. 09 do Auto de Infração. 4. Cientificada em 11/06/2002 (fl. 56), a Interessada, inconformada, apresentou, em 08/07/2002, a impugnação de fls. 02 a 07, na qual alega, em síntese, que: 4.1 O Auto de Infração deverá ser julgado improcedente, posto que envolve valores já recolhidos, conforme comprovam os Darf anexos; e 4.2 A multa de ofício lançada é descabida, por incidir sobre crédito espontaneamente confessado, cujo inadimplemento enseja a aplicação de multa específica de 20%, unicamente multa de mora. 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. Foram por mim anexadas pesquisas efetuadas no sistema de informação da RFB: GERENCIAL DA DCTF (fls. 80 a 102).” A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II, ao apreciar as razões aduzidas na impugnação, deferiu parcialmente o pleito da Contribuinte, conforme Acórdão 13-38.656, assim ementada: Fl. 285DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 10768.011183/2002-41 Resolução nº 3101-000.297 S3-C1T1 Fl. 5 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 30/11/1997 DECLARAÇÃO INEXATA. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. Até a edição da MP nº 135/2003, eram objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento não comprovado, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Regularmente cientificada do acórdão de 1ª instância, a Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário perante este Eg. Conselho, arguindo, em síntese: 1. Na data da lavratura do auto de infração, os débitos de PIS relativos ao período de julho a novembro de 1997 já estavam extintos pelo pagamento. 2. A recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 96.0015382-5 (doe. 03) com objetivo de ver reconhecido o direito de recolher o PIS conforme as normas contidas na Lei Complementar n° 07/70 (modalidade PIS Repique) e não de acordo com as regras impostas pela Medida Provisória n° 1.212/95 (modalidade PIS Operacional). 3. Que, em face de Apelação por parte da União a decisão judicial foi reformada e a segurança denegada, transitando em julgado. Por conta disso, a recorrente efetuou o recolhimento do PIS na modalidade operacional 4. Considerando que a recorrente efetuou os recolhimentos de PIS do período de julho a novembro de 1997 na modalidade PIS Operacional, nos termos da decisão final transitada em julgado, e, por outro lado, considerando que em 1997 foram efetuados recolhimentos a título de PIS Repique, nos termos da liminar, tem-se que os recolhimentos a título de PIS-Repique se tornaram indevidos e, como tal, passíveis de compensação pela recorrente. 5. Todavia, para que a recorrente pudesse utilizar tais créditos, alterou os códigos de recolhimento de 8205 e 8002 para 8109 e 2362, respectivamente, quitando, assim, débitos de períodos posteriores, conforme informado na DCTF de 1998. conforme demonstrado nos quadros demonstrativos à fl. 125. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 10768.011183/2002-41 Resolução nº 3101-000.297 S3-C1T1 Fl. 6 4 6. Que para quitar os débitos de PIS Operacional relativos ao período de julho a novembro de 1997, houve recolhimento em DARF, bem como a utilização de crédito de recolhimento de PIS-Repique de períodos anteriores (que não o período de julho a novembro de 1997), conforme demonstrado pelos documentos anexos 7. Resta devidamente comprovado que os débitos ora autuados foram efetivamente extintos pelo pagamento, nos termos do art. 156, I do Código Tributário Nacional, razão pela qual a presente autuação é totalmente improcedente. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa. O processo foi distribuído a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri – redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 283, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF 1 , aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiu-me o Presidente da Turma a formalizar a Resolução 3101-000.297, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos regulamentares de admissão e por conter matéria de competência deste Conselho. A questão sob discussão refere-se à desconexão entre os fatos jurídicos objeto do lançamento e os levantamentos contábeis realizados pela Recorrente, bem como as retificações de suas declarações e compensações que comprovariam a extinção dos débitos exigidos. Em que pese a documentação e argumentos trazidos pela Recorrente em sua Impugnação, a DRJ julgou procedente em Parte sua impugnação, exonerando-a da multa de ofício motivado pela retroatividade benigna. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 287DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI Processo nº 10768.011183/2002-41 Resolução nº 3101-000.297 S3-C1T1 Fl. 7 5 O PIS e a COFINS são espécie de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e portanto, jungido às regras previstas no art. 150, §§ 1º a 4º do CTN, segundo as quais, compreende como atividade do Contribuinte de apurar o montante do tributo devido e efetuar o recolhimento antecipado, ficando o crédito extinto sob condição resolutória de ulterior homologação. Para estes casos, o crédito tributário propriamente dito (pré)constitui-se com a formalização da obrigação tributária mediante a apuração e entrega pelo sujeito passivo, da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais – DCTF, cujo efeito é a confissão de dívida feita pelo Contribuinte, conforme §1º do artigo 5º do Decreto-Lei nº 2.124/84. No caso ora apreciado, a recorrente alega que os tributos exigidos já foram devidamente liquidados. O equívoco por parte da fiscalização teria ocorrido em face de utilização de decisões judiciais que, num primeiro momento, fora favorável ao contribuinte e na seqûencia ouve reversão da decisão em prol da União. Com isso, a contribuinte teria efetivado os ajustes contábeis para se adequar à decisão judicial, contudo todos os tributos fora regularmente pagos, conforme fez juntar ao Recurso Voluntário documentos e planilhas que, a seu ver, comprovam o regular cumprimento de suas obrigações. Face as alegações expostas pela Recorrente, assim como, em observância ao conjunto probatório apresentado, sobretudo, ao princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento deste processo em DILIGÊNCIA à DRF de origem, no sentido de que: 1. Verifique a consistência dos documentos de fls. 173/206 e planilha de fl. 215, quanto serem suficientes à efetiva regularização dos créditos exigidos por meio do Auto de Infração formalizado no presente processo. 2. Manifeste-se quanto ao alegado pelo contribuinte nos itens 10, 11 e 12 da peça recursória, fls. 124/125. 3. apresentar outras informações que entenda relevante para o deslinde do litígio. Posteriormente, após facultar à Recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para esta Câmara. São essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. José Henrique Mauri – Redator ad hoc Fl. 288DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/09/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI
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Numero do processo: 10880.013805/00-28
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1995 PRAZO DECADENCIAL/PRESCRICIONAL DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 - SP, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.
Numero da decisão: 9900-000.377
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito, nos termos
do voto do Relator
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: José Ricardo da Silva – Relator
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IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118, DE 2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORES A 09/06/2005. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICABILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 38 05 /0 0- 28 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10880.013805/0028 Acórdão n.º 9100000.377 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório O contribuinte em epígrafe apresentou em 08 de setembro de 2000, o Pedido de Restituição de fls. 02, do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre a remuneração recebida a título de PDV, conforme Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho datado de 31 de maio de 1995. Após ter sido rejeitado o pedido pela repartição de origem, bem como pela DRJ/São PauloSP, nos termos do Acórdão nº 4.595, de 10 de outubro de 2003, a colenda Quarta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes acolheu o pleito do contribuinte, cuja decisão foi confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o Recurso Extraordinário de fls. 118/129, contra a mencionada decisão proferida pela Quarta Turma da CSRF que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional no Acórdão nº 930400.041, de 02/03/2009, afastando a decadência do direito de pleitear a restituição do imposto de renda retido na fonte sobre valores recebidos em face de adesão a Programa de Desligamento Voluntário, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1995 RESTITUIÇÃO TERMO INICIAL PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO Contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ALCANCE Considerando a Administração, em 06 de janeiro de 1999, data da publicação da Instrução Normativa n°. 165, indevida a tributação dos valores percebidos em face de adesão a Programas de Desligamento Voluntário, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Recurso especial negado. O entendimento da colenda Quarta Turma da CSRF que rejeitou a preliminar de decadência suscitada pela PFN foi no sentido de que o direito subjetivo da contribuinte de postular a repetição de indébito pago nasceu a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998. Cientificada da referida decisão em 26 de novembro de 2009, e com ela não se conformando, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 tendo apresentado como acórdãoparadigma a decisão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF proferida no Acórdão nº 930300.090, assim ementado: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido." (Acórdão 9303 00.080) Os argumentos apresentados pela Douta PFN, em resumo, são os seguintes: a) o processo tratava de pedido de restituição de Finsocial, período de apuração compreendido entre setembro de 1989 e março de 1992. A pretensão foi indeferida pela DRF de Marília, com base na decadência. A contribuinte, por sua vez, defendia que o termo inicial para tal contagem era a data da publicação da Medida Provisória n. 1.110/95, ato normativo que reconheceu o caráter indevido da cobrança do FINSOCIAL; b) ao final, o julgamento realizado pela eg. Terceira Turma da CSRF acolheu a tese da decadência, contada da data da extinção do crédito tributário pelo pagamento indevido; c) a exegese do art. 168 do CTN não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 168 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário — aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda — data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165; d) devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5; e) com a edição da Lei Complementar n 9 118, de 09/02/2005, cujo artigo 39 deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10880.013805/0028 Acórdão n.º 9100000.377 CSRFPL Fl. 4 5 caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1 9, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar; f) Exatamente neste aspecto reside a semelhança entre o julgado paradigma e o julgado ora recorrido, que trata de recolhimento de tributo posteriormente considerado inexigível pela Receita Federal; g) a presente questão de pedido de restituição de valores referentes a Imposto de Renda Retido na Fonte, em razão de indenização pelo Programa de Desligamento VoluntárioPDV. A DRF e DRJ indeferiram o pleito da requerente, considerando ter se operado o prazo prescricional do art. 168, I, do CTN, para o exercício do direito de restituição de parte do período indicado. Com a devida vênia, a União entende que deve ser restabelecida a decisão da unidade de origem. De fato, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN; h) assim, ao contrário do quanto sustentado pelo acórdão impugnado, o direito subjetivo do contribuinte à restituição do indébito surgiu desde o pagamento dos valores tidos por indevidos nos termos dos arts. 165, I, 168, I e 156, I, todos do CTN. O Recurso Extraordinário foi admitido pelo Presidente Substituto do CARF, despacho às fls. 166/167, o sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls.173/190. É o relatório Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e foi admitido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A questão colocada para apreciação deste Tribunal Administrativo diz respeito a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear indébito tributário. A decisão recorrida entendeu, que contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. Considerando a Administração, em 06 de janeiro de 1999, data da publicação da Instrução Normativa n°. 165, indevida a tributação dos valores percebidos em face de adesão a Programas de Desligamento Voluntário, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. Por outro lado, a Fazenda Nacional entende que o acórdão recorrido diverge frontalmente da jurisprudência mantida pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – acórdão CSRF/930300.090, já que neste se entendeu que o dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. É de se observar, ainda, a possibilidade de aplicação retroativa dos efeitos da Lei Complementar 118, de 2005, sendo aplicável ao presente caso a prescrição decenal. O entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a par das ações de repetição de indébito propostas pelo contribuinte que têm por objeto os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é no sentido de considerar que o prazo prescricional (de 05 anos) acrescidos de 05 anos para a homologação expressa ou tácita dos tributos sujeitos a este tipo de lançamento. Com isso, se aplica a teoria dos "cinco anos mais cinco". Como visto, a discussão inicial versa sobre o prazo extintivo para repetição do indébito tributário. Ou seja, qual seria o prazo decadencial do direito de se pleitear o indébito tributário. Ora, assim como a Fazenda esbarra numa limitação temporal para exercer seus direitos de constituição e cobrança do crédito tributário, o contribuinte também está adstrito à observância de um prazo para reaver aquilo que pagou indevidamente ao Fisco, a título de tributos. Mas se faz necessário salientar, que embora o pagamento seja a forma mais natural para extinguir o crédito tributário, outras formas extintivas, tais como a compensação e a conversão do depósito em renda, por exemplo, podem dar ensejo à repetição. Assim, dispõe o art. 165, do Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 198DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10880.013805/0028 Acórdão n.º 9100000.377 CSRFPL Fl. 5 7 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II – erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No tocante ao prazo para o exercício do direito de repetição, consideremos os dispositivos que tratam do tema: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art. 3º da LC nº 118, de 2005) II – na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Desta forma, em regra, terá o prazo de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário (que em regra se dá com o pagamento) para pleitear a repetição. Mas devemos destacar que o art. 168, II, trata da hipótese do ter recolhido valores a título de pagamento de tributos, em virtude de alguma decisão administrativa ou judicial impositiva de pagamento. Nesse sentido, devese contar o prazo para o pedido de restituição da anulação, reforma, revogação ou rescisão de referida decisão. A questão da contagem do prazo de cinco anos, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, já foi objeto de grande controvérsia na jurisprudência e na doutrina durante algum tempo. Hoje, parece que a questão já está pacificada, tendo em vista o advento da Lei Complementar nº 118, de 2005. Conforme já exposto, nos lançamentos por homologação, a Fazenda possui o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento antecipado realizado pelo sujeito passivo. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 O prazo para pleitear a repetição de tributos indevidamente pagos, inclusive aqueles sujeitos ao lançamento por homologação, é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, de acordo com os termos do art. 168, I. Ocorre que o art. 156, do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre as causas extintivas do crédito tributário, ao tratar da extinção dos créditos constituídos por lançamento por homologação fala em “pagamento antecipado e homologação do lançamento”. Dessa forma, questionavase: os cinco anos previstos pelo art. 168 deveriam ser contados do pagamento antecipado ou da homologação de referido pagamento que, na prática, se dá sempre de forma tácita, após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação tributária? A “tese dos cinco mais cinco”, consagrada pela Primeira Seção do STJ ERESP nº 435.835/SC, de 24/03/2004 , fundouse justamente nessa questão. Necessário salientar, que referida tese vigorou no STJ por quase uma década e veio a ser abandonada somente com o advento do art. 3º, da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005,segundo o qual: Art. 3º. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Assim, com referida lei, que entrou em vigor após cento e vinte dias da data de sua publicação, em 09/06/2005, o prazo de cinco anos para repetição seria contado a partir do pagamento antecipado, tido por indevido. A controvérsia, contudo, não foi totalmente dirimida. Restaram dúvidas ainda quanto aos pagamentos realizados anteriormente à vigência da lei complementar, já que o art.4º tentou conferir natureza interpretativa à norma contida no art. 3º, objetivando que sua aplicação se desse a fatos e atos pretéritos. Confirase: Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. De acordo com os termos do art. 4º, portanto, o art. 3º deveria aplicarse retroativamente, de modo que os pagamentos antecipados tidos por indevidos, realizados antes de 09/06/2005, constituiriam termo inicial para a contagem do prazo prescricional de repetição de indébito. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça, em Argüição de Inconstitucionalidade suscitada em virtude da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 482.090, declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º, da Lei Complementar nº 118, de 2005, entendendo que a norma do art. 3º, na pretensão de “interpretar o enunciado do art. 168, I, c/c art. 156, VII, do Código Tributário Nacional, além de ter conferido sentido e alcance diversos do atribuído pelo Tribunal que detém a atribuição constitucional de interpretação das leis federais, também inovou no plano normativo. Assim, ao dispor o art. 4º da Lei Complementar nº 118, de 2005, que a norma do art. 3º possuiria natureza interpretativa e, portanto, se aplicaria a situações Fl. 200DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10880.013805/0028 Acórdão n.º 9100000.377 CSRFPL Fl. 6 9 pretéritas, violou os princípios da autonomia e independência dos poderes e da garantia ao direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada. A consequência da declaração da inconstitucionalidade de parte da norma contida no art. 4º, da Lei Complementar nº 118, de 2005, foi a seguinte: como referido diploma legal entrou em vigor em cento e vinte dias, contados da data de sua publicação, que se deu em 09/02/2005, somente a partir de 09/06/2005, as datas dos recolhimentos realizados a título de pagamento de tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, passaram a constituir o termo a quo do prazo quinquenal para o pedido de repetição de indébito. Antes de 09/06/2005, o termo a quo para a contagem do prazo prescricional de dez anos (cinco mais cinco), para repetição de valores recolhidos a título de pagamento de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, continuaria a ser o momento da ocorrência do fato gerador. Entretanto, com todas as vênias necessárias, entendo que continuar esta discussão neste Tribunal Administrativo seria improdutivo, diante do fato que, em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos Fl. 201DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a incidência de imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de decisão judicial é um destes temas. O Superior Tribunal de Justiça firmou posicionamento, em 25 de novembro de 2009, através da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, no julgamento do REsp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), concluiu que, “em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco”, cuja ementa se transcreve: RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/02600019) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Fl. 202DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10880.013805/0028 Acórdão n.º 9100000.377 CSRFPL Fl. 7 11 Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). (...). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de Documento: 7442536 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/12/2009 Página 3 de 4 Superior Tribunal de Justiça decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (Data do Julgamento: 25 de novembro de 2009). Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto, o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme as transcrições abaixo: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 12 Processual civil. Tributário. Controvérsia acerca do prazo prescricional para se pleitear a repetição do indébito, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Aplicação da tese dos “cinco mais cinco”. Orientação firmada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC. Recurso especial provido. (...) 2. Assiste razão à recorrente. Acerca do termo inicial para contagem do prazo prescricional, o Código Tributário Nacional, em seu art. 168, I, estabelece: “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I – nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (…)“. O art. 165, I, possui o seguinte teor: “O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I – cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…)“. Já o art. 156 prevê a seguinte modalidade de extinção do crédito tributário: “VII – o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; (…)“. Confirase, ainda, a redação do caput do art. 150 e a de seus §§ 1º e 4º: (…) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A Corte Especial, ao julgar a Arguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736/PE (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 27.8.2007), sintetizou a interpretação conferida por este Tribunal aos dispositivos legais acima, interpretação que deverá ser observada em relação às situações ocorridas até a vigência Fl. 204DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10880.013805/0028 Acórdão n.º 9100000.377 CSRFPL Fl. 8 13 da Lei Complementar 118/2005, conforme consta do seguinte trecho da ementa do citado precedente: “Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador.” Ao declarar a inconstitucionalidade da expressão “observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional” , constante do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, a Corte Especial ressalvou: “(…) com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.” Por fim, na assentada do dia 25 de novembro de 2009, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, utilizandose da nova metodologia de julgamento de recursos repetitivos, prevista no art. 543C do CPC, analisou caso análogo ao dos autos, no Resp 1.002.932/SP (Rel. Min. Luiz Fux), concluindo que, “em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco” . 3. À vista do exposto, com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, dou provimento ao recurso especial (Data do Julgamento:, 18 de dezembro de 2009. RE no RECURSO ESPECIAL Nº 1.002.932 SP (2007/0260001 DECISÃO). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 14 No julgamento do RE n.º 566.621/RS (Tribunal Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 11/10/2011), submetido ao regime da repercussão geral, o e. Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/05, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, nos termos da seguinte ementa: "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a Documento: 21907449 Despacho / Decisão Site certificado DJe: 14/05/2012 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 10880.013805/0028 Acórdão n.º 9100000.377 CSRFPL Fl. 9 15 Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Recurso extraordinário desprovido (Data do Julgamento: 30 de abril de 2012. Como visto, a jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que, com o advento da Lei Complementar nº 118, de 2005, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09/06/05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Resta claro, que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou a matéria por ocasião do julgamento do RESP nº 1.002.932/SP, o qual foi submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do CPC, pelo qual a decisão tem o efeito de impedir na origem (2ª instância) a interposição de recursos especiais que estejam em confronto com o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça. Na presente situação, resta claro, que o requerente protocolou Pedido de Restituição de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, datado de 08/09/2001, onde declarou os possíveis indébitos tributários, relativo ao anocalendário de 1995. Assim sendo, o requerente cumpriu os requisitos exigidos pela jurisprudência de regência de que a teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.002.932 – SP, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar nº 118, de 2005, qual seja 09/06/2005, o prazo decadencial/prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito tributário, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua se observando a tese dos “cinco mais cinco”, porém, o prazo para a interposição da ação de repetição do indébito ficará limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Neste contexto, não assiste razão a Fazenda Nacional para questionar a decadência do direito de pleitear a restituição do indébito tributário solicitado no presente processo. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 16 provimento ao Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para enfrentamento do mérito. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/10/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 15586.000879/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa:
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO TRAZIDA POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. APRECIAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE.
A ausência de apreciação de argumentação trazida aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 1301-001.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ALEGAÇÃO TRAZIDA POR MEIO DE PEÇA IMPUGNATÓRIA. APRECIAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. A ausência de apreciação de argumentação trazida aos autos por meio de interposição de peça impugnatória implica nulidade da decisão exarada, eis que presentes circunstâncias reveladoras de cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decretar a nulidade da decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 79 /2 00 7- 16 Fl. 13568DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.569 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2001 a 2004, formalizadas a partir da constatação de omissão de receitas. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos fatos apurados e da defesa inicial apresentada pela fiscalizada. Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe em 20/11/2007. Foi constituído crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita contábil e fiscal do contribuinte, no valor total de R$ 16.021.969,65, já incluídos a multa de oficio de 150% e os juros de mora. 2. Cumpre fazer uma pequena qualificação dos fatos apurados pela fiscalização, os quais serão minuciosamente explicitados no voto. A autoridade autuante apurou que Charles Paulo Bart, pessoa de modesta capacidade econômica, de um momento para o outro, "salta" da condição de assalariado, com baixa remuneração, para a condição de empresário. 3. Afirma ainda que "juntamente com outro empregado dos Stuhr, constituem uma empresa, com capital social bem baixo para a atividade econômica que pretende desenvolver, sem sede [...] e sem local para armazenagem dos produtos". 4. A partir desse momento, uma empresa que possui dois sócios sem patrimônio, que não possui sede e sem local para estocar seus produtos passam a concorrer com diversos empresários com patrimônio, com sede, com tradição e com local para estocar seus produtos. 5. Mas não foi só isso. Tal sociedade nomeia como procuradores seus ex patrões (Wanderley Stuhr e Selenne Berg Stuhr) e vários outros empresários do ramo para representar a sociedade em suas respectivas áreas de atuação, ou seja, nomeia seus próprios concorrentes para representar a Colina Verde Café. Os concorrentes da Colina Verde aceitam a incumbência e passam a realizar negócios ora para si e suas empresas, ora para sua concorrente. 6. Além de nomear os empresários, nomeia também empregados de empresas ou pessoas ligadas à atividade de comercialização de café para, na qualidade de procuradores, representarem a Colina Verde Café em suas regiões, realizando negócios concorrentes com os de seus patrões, e tudo sob os olhares complacentes dos empregadores. 7. A empresa iniciante (sua primeira compra foi realizada em 21/08/2001) aufere em pouco tempo um alto faturamento. No seu primeiro ano, isto é, em menos de cinco meses, vende mais de sete milhões e meio de reais, como demonstra as Fl. 13569DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.570 3 notas fiscais emitidas, e possui mais de treze milhões depositados nas suas contas bancárias. 8. Informa que a empresa, que possuía apenas três empregados, comprava e vendia toneladas de produtos, e auferiu nos primeiros trinta e seis meses de atividade, lucro líquido no valor de R$ 5.526.860,03, sem considerar os depósitos bancários. 9. Observa que o contribuinte não registrou suas contas bancárias no Livro Caixa, referentes aos anoscalendário de 2001 a 2003, e que o contribuinte não possuía o Livro Caixa, referente ao anocalendário de 2004. As várias contas bancárias receberam créditos superiores a R$ 72.000.000,00, durante os anos de 2001 a 2004. Ademais, inúmeras receitas oriundas de venda de mercadorias não foram oferecidas à tributação. 10. É importante ainda frisar que as informações e documentos referentes às contas bancárias do contribuinte foram solicitados às instituições financeiras com fundamento na Lei Complementar n° 105/2001, Decreto n° 3.724/2001 e Portaria SRF n° 180/2001. 11. A fiscalização demonstra que o contribuinte informou à Secretaria Estadual de Fazenda valores de receita muitos superiores aos declarados à Receita Federal do Brasil (RFB), conforme Quadro 3 da fl. 10.441, mais um indício do dolo do contribuinte. 12. A despeito da imensa movimentação bancária e dos valores declarados ao Fisco estadual, o contribuinte declarou à RFB receita bruta anual de R$ 81.520,76, em relação ao anocalendário de 2001, e de R$ 164.887,61, no que se refere ao ano calendário de 2002. Não foram entregues as declarações referentes aos anos calendário de 2003 e 2004. 13. Mediante DCTF foram confessados tributos no valor de R$ 10.511,76, durante os anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. 14. Foram recolhidos, no mesmo período, tributos federais no valor R$ 5.963,56. 15. Tais fatos originaram os autos de infração abaixo discriminados. 16. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 06, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizados totalizaram o montante a pagar de R$ 3.701.250,26, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ PIS CSLL COFINS Tributo 293.744,86 110.868,12 184.211,76 511.699,45 Multa 440.617,27 166.302,12 276.317,61 767.549,11 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente 17. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: Fl. 13570DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.571 4 17.1 O valor da infração apurada decorre da diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários efetivos e a soma mensal das receitas de vendas. 17.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL. 17.3 Os fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS, ocorreram entre maio do anocalendário de 2001 e dezembro do ano calendário de 2003. 17.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 18. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 07, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizados totalizaram o montante a pagar de R$ 191.319,26, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ PIS CSLL COFINS Tributo 14.907,47 6.729,03 11.180,61 31.057,22 Multa 22.361,19 10.093,52 16.770,90 46.585,82 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente 19. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 19.1 O valor da infração apurada decorre da diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários efetivos e a soma mensal das receitas de vendas. 19.2 Foram consideradas as regras do Lucro Arbitrado, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois não foi apresentado o Livro Caixa. 19.3 Os fatos geradores do IRPJ, da CSLL, da contribuição para o PIS e da COFINS, ocorreram entre janeiro do anocalendário de 2004 e setembro do ano calendário de 2004. 19.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 20. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 08, que foi lavrado auto de infração de IRPJ, que depois de formalizado totalizou o montante a pagar de R$ 3.450.783,91, já incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 21. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 21.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 21.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo do IRPJ. Fl. 13571DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.572 5 21.3 Os fatos geradores identificados alcançam o terceiro trimestre do ano calendário de 2001 até o quarto trimestre do anocalendário de 2003. 21.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 22. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 09, que foi lavrado auto de infração de CSLL, que depois de formalizado totalizou o montante a pagar de R$ 1.965.351,75, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 23. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 23.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 23.2 Foram consideradas as regras do Lucro Presumido, para efeito de cálculo da CSLL. 23.3 Os fatos geradores identificados alcançam o terceiro trimestre do ano calendário de 2001 até o quarto trimestre do anocalendário de 2003. 23.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 24. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 10, que foram lavrados autos de infração, que depois de formalizado totalizaram o montante a recolher de R$ 134.745,64, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de ofício qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007, como abaixo se demonstra: IRPJ CSLL Tributo 27.886,10 16.950,21 Multa 41.829,15 25.425,31 Juros de Mora calculados de acordo com a legislação pertinente. 25. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo dos autos de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 25.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 25.2 Foram consideradas as regras do Lucro Arbitrado, para efeito de cálculo da CSLL. 25.3 Os fatos geradores identificados alcançam o primeiro trimestre do ano calendário de 2004 até o terceiro trimestre do anocalendário de 2004. 25.4 A fundamentação legal consta dos autos de infração. Fl. 13572DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.573 6 26. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 11, que foi lavrado auto de infração da contribuição para o PIS, o qual depois de formalizado totalizou o valor a pagar de R$ 1.171.516,48, incluídos os valores devidos a titulo de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 27. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 27.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 27.2 Os fatos geradores identificados ocorreram entre agosto de 2001 e agosto de 2004. 27.3 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 28. Consta, no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 12, que foi lavrado auto de infração da COFINS, o qual depois de formalizado totalizou o valor a pagar de R$ 5.407.002,35, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de oficio qualificada e de juros de mora calculados até 31/10/2007. 29. A autoridade fiscal, além de relacionar a infração apurada no corpo do auto de infração, pormenorizoua no Relatório Final de Fiscalização ora em anexo, no qual relata o resultado da auditoria fiscal: 29.1 O valor da infração apurada decorre da diferença entre o imposto apurado pela fiscalização durante o procedimento de auditoria fiscal, em função das notas fiscais emitidas, e o imposto declarado/pago pelo contribuinte. 29.2 Os fatos geradores identificados ocorreram entre agosto de 2001 e agosto de 2004. 29.3 A fundamentação legal consta dos autos de infração. 30. A autoridade autuante lavrou ainda os Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 01 a 15 em decorrência dos fatos descritos no Relatório Final de Fiscalização. Em verdade, nos termos dos artigos 124, inciso I, e 135, do Código Tributário Nacional, restou consignado que foram arrolados como responsáveis solidários todas as pessoas que praticaram atos de gestão, caracterizados pelo efetivo controle dos recursos financeiros movimentados nas diversas contas bancárias, entre outros indícios. Relacionamse abaixo as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis tributárias solidárias pelo crédito tributário constituído: Charle Paulo Bart CPF 034.830.30760 Wanderley Stuhr CPF 841.208.86700 Sérgio Stuhr CPF 707.427.90720 Selenne Berger Stuhr CPF 979.259.26791 Sergio Valani CPF 031.557.50774 Ademar Valani CPF 576.563.63734 Fl. 13573DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.574 7 Josemar Echer Valani CPF 622.952.25787 A&M Com. Exp. Imp. Ltda. CNPJ 03.581.039/000138 Narciso Agrizzi CPF 215.572.84768 Idalino Agrizzi CPF 474.861.12787 Domingos Savio Agrizzi CPF 756.639.37749 Antônio Tadeu Calmon CPF 526.062.28715 Theodoro Antônio Zanotti CPF 911.768.24791 Leonor Andrade Seixas Zanotti CPF 828.421.75700 José lido Henrique Fiorott CPF 912.719.24749 JMB Corretora de Café Ltda. CNPJ 03.451.581/000176 Silvino Faria Júnior CPF 769.418.68791 Josildo Schwambach Machado CPF 466.084.60678 31. O contribuinte, que foi cientificado dos citados autos de infração em 27/11/2007 (fl. 10.645), apresentou impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.876 a 10.897). Alega, em apertada síntese, o que segue abaixo: 31.1 Alega que, em 15 de setembro de 2006, optou pelo Parcelamento Excepcional, previsto na Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, a qual permitia a inclusão de débitos cujo vencimento fosse até 31 de dezembro de 2005. 31.2 Portanto, denunciou espontaneamente todos os débitos fiscais, beneficiandose de um prazo longo de parcelamento e da redução dos encargos moratórios, conforme previsto no § 6°, art. 1° da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. 31.3 Afirma que apesar de ter tomado conhecimento dessa opção, o Auditor Fiscal não a citou no termo de encerramento da fiscalização, talvez por ter ciência que a opção tomaria inútil o trabalho produzido. 31.4 Conclui dizendo que a opção pelo parcelamento excepcional e os pagamentos demonstram a intenção do contribuinte em regularizar os débitos fiscais, evitando o prolongamento das atividades do AuditorFiscal, já que, feita a denúncia espontânea, conforme os ditames da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, bastaria uma simples conferência para a averiguação do valor devido, aplicandose a redução das multas e juros devidos. 31.5 Reclama que ocorreu a quebra do seu sigilo bancário, durante a realização do procedimento fiscal, sem a necessária autorização judicial. Indica jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 31.6 Assim, o AuditorFiscal utilizou provas obtidas ilicitamente, para efeito de apuração do IRPJ a recolher. Acontece que o artigo 5°, inciso LVI, da Constituição Federal de 1988 não considera admissível, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Fl. 13574DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.575 8 31.7 Como os autos de infração foram lavrados com fulcro em provas obtidas de maneira ilícita, requer o contribuinte que se reconheça a nulidade da autuação. 31.8 Logo em seguida, assevera que com suporte nas provas obtidas ilicitamente, várias pessoas foram intimadas a prestar esclarecimentos, causando injusto e ilegal constrangimento. 31.9 Essa atitude da autoridade autuante, além de violar o direito ao sigilo bancário, viola também o direito à intimidade do contribuinte, assim como outros direitos reconhecidos pelo artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal de 1988, como a vida privada, a honra e a imagem do contribuinte. 31.10 Alega que todas as provas obtidas de maneira ilícita contaminam outros elementos probatórios oriundos direta ou indiretamente das informações obtidas pela quebra do sigilo bancário. 31.11 Portanto, os atos praticados após a quebra do sigilo bancário são nulos de pleno direito, pois são provas ilícitas e não podem servir para embasar qualquer ato tendente a lançar crédito tributário. 31.12 Afirma que o art. 11, § 3°, da Lei n° 9.311/1996, em sua primitiva redação, vedava que as informações bancárias fossem usadas para constituição de outros créditos tributários. 31.13 Defende que a invocação da regra do art. 144, § 1°, do Código Tributário Nacional, que dispõe que seja aplicada ao lançamento a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização não pode ser utilizada, pois o julgador não pode aplicar a norma formal, de índole procedimental, constante do art. 144, parágrafo 1°, do CTN, quando se depara com outra norma de direito material, veiculada pelo “caput” do mesmo artigo. 31.14 Aplicandose este dispositivo à espécie, apresenta o impugnante a seguinte interpretação: tratandose de situações pretéritas, a lei vigente, à data da ocorrência do fato gerador, é a norma de direito material que vedava o emprego dos informes bancários para a constituição de outros créditos tributários, quer dizer, a norma de renúncia ao exercício do poder impositivo, que assegurava aos contribuintes da CPMF o direito de não ser fiscalizado com fundamento nas informações relativas à respectiva movimentação financeira, assegurandolhe plena indenidade fiscal relativa ao Imposto de Renda. 31.15 Alega, por fim, que o auto de infração não pode ser convalidado, já que efetuado com suporte em depósitos bancários identificados nas contas correntes da impugnante, que não podem ser considerados como renda para efeito de tributação, em função do conceito de renda ditado pela Constituição Federal de 1988 e pelo CTN. Cita jurisprudência judicial e do Conselho de Contribuintes. 31.16 Reclama do uso de presunções e ficções no direito tributário. 31.17 Entende que em decorrência do principio da verdade material, a Administração Pública não pode ficar adstrita ao que as partes demonstram no procedimento, devendo sempre buscar a verdade substancial. Aliás, a tributação de 100% das entradas do impugnante é, além de empiricamente impossível, imoral. 31.18 Solicita, por fim, a declaração de improcedência da autuação. 32. O responsável solidário Sr. Charles Paulo Bart, que tomou ciência dos autos de infração em 27/11/2007 (fl. 10.645), apresentou impugnação em Fl. 13575DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.576 9 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.898 a 10.905). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 32.1 Alega que, em 15 de setembro de 2006, optou pelo Parcelamento Excepcional, previsto na Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, a qual permitia a inclusão de débitos cujo vencimento fosse até 31 de dezembro de 2005. 32.2 Portanto, denunciou espontaneamente todos os débitos fiscais, beneficiandose de um prazo longo de parcelamento e da redução dos encargos moratórios, conforme previsto no § 6°, art. 1° da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006. 32.3 Afirma que apesar de ter tomado conhecimento dessa opção, o Auditor Fiscal não a citou no termo de encerramento da fiscalização, talvez por ter ciência que a opção tornaria inútil o trabalho produzido. 32.4 Conclui que a opção pelo citado parcelamento excepcional e os pagamentos demonstram a intenção do contribuinte em regularizar os débitos fiscais, evitando o prolongamento das atividades do AuditorFiscal, já que, feita a denúncia espontânea, conforme os ditames da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, bastaria uma simples conferência para a averiguação do valor devido, aplicandose a redução das multas e juros devidos. 32.5 Diz que não foi instado a se manifestar durante o procedimento de fiscalização, o que ataca os direitos ao contraditório e à ampla defesa. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 32.6 Garante que não foi intimado a fornecer esclarecimentos sobre seu modo de administrar a empresa ou sobre as atividades que esta desenvolvia. Afirma que as conclusões alcançadas pela fiscalização basearamse apenas em depoimentos alheios e investigações superficiais. 32.7 Ademais, diz que as conclusões alcançadas estão suportadas por alguns indícios, sem nenhum aprofundamento técnico e sem nenhum parecer de especialistas no tema. 32.8 Afirma, em seguida, que enxergar no simples inadimplemento de tributos o caráter de infração à lei, para fins de aplicabilidade do art. 135 do CTN é um delírio fiscal, que exige a comprovação do excesso de poder, infração à lei, contrato social ou estatutos. 32.9 A seu ver, o simples inadimplemento de tributos acarreta apenas a responsabilidade solidária pelo tributo, nos termos do art. 134 do CTN. 32.10 Garante que adentrar ao patrimônio do administrador, sem que reste devidamente provada a conduta dolosa ou fraudulenta de seu sóciogerente ou diretor, seria uma injustiça desmedida, já que, em geral, não se comunica o patrimônio do sócio com o da sociedade. 32.11 Argumenta que é notório que os administradores de sociedades, além dos deveres previstos no contrato social ou nos estatutos, possui também deveres legais expressos e implícitos, previstos na legislação que disciplina as várias espécies de sociedade (Código Comercial, Lei das Sociedades Anônimas, Lei das Sociedades Limitadas). 32.12 É justamente a infração dos deveres mencionados que se refere à expressão infração de lei, contida na norma codificada, quando do mesmo ato Fl. 13576DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.577 10 resultam relações jurídicas diversas: uma, entre o administrador e a sociedade e/ou terceiros (relação jurídica comercial); outra, entre o administrador e o Fisco federal (relação jurídica tributária), da qual se acha excluída a sociedade, face à responsabilidade pessoal do administrador. 32.13 Requer, ao final, que seja declarada insubsistente a condução de solidariedade imputada a ele. 33. O responsável solidário Sergio Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.832), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 10.908 a 10.944). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 33.1 De imediato, assevera que não é filho de Selenne Berger Stuhr e irmão de Wanderley Stuhr, pois seus pais são George Stuhr e Edith Berta Haase Stuhr, e seus únicos irmãos são Erasmo Stuhr e Lucimar Stuhr, circunstância que demonstra um dos inúmeros equívocos e a superficialidade do procedimento de fiscalização. 33.2 Salienta que atua na intermediação da compra e venda de café na pequena região composta pelos municípios vizinhos de Itarana e Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo. 33.3 A corretagem de café continua sendo a atividade desempenhada em paralelo ao seu pequeno cultivo agrícola. A condição de corretor é bastante reconhecida pelos habitantes dos citados municípios. 33.4 Por um lado, é conhecido pelos micros e pequenos produtores de café da região. De outro lado, é visto como o contato de compradores de café, ou dos intermediadores que atuam nos nomes deles. 33.5 Assim, quando é acionado, se coloca em atividade para formar os lotes, ou seja, as partidas substanciais de café. A atividade de corretagem é bem mais atrativa que a compra e venda de café, já que nela não se opera com capital próprio, e sequer se expõe aos vários riscos de mercado (variações de cotação do produto, oferta e procura, etc). 33.6 Para obter o ganho propiciado pela corretagem é que aceitou a proposta da empresa Colina Verde Café Ltda. de repartir a comissão auferida pelas intermediações de café. Ao invés do 1% que vez ou outra o impugnante prontamente emplacava em determinada intermediação, ele garantiria, com exclusividade, 0,5% frente aos produtores e outros 0,5% frente à. Mencionada empresa por cada negócio intermediado, incidindo tal percentual sobre o valor envolvido nas transações. 33.7 Aduz que sua ocupação era, assim, a de trabalhar em cima das partidas de café que interessavam à Colina Verde Café Ltda., no andamento de compor os lotes do produto efetivando a seleção deste a partir do recebimento das pequenas quantidades disponibilizadas pelos produtores. 33.8 A Colina Verde Café Ltda. percebia os lotes de café formados a partir dos esforços do impugnante, documentados por notas fiscais de produtor, a exemplo do que informado as fls. 10572, 10574 e 10607 (como é o costume no Espírito Santo), e disponibilizava o valor para os pagamentos correspondentes ao produto em duas fases (como também é de costume no Espírito Santo), isto é, um valor substancial depois da entrega e o valor restante depois de verificadas as compatibilidades dos cafés negociados com as quantidades e as qualidades que nortearam as respectivas transações. Fl. 13577DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.578 11 33.9 Afirma ainda que recebia o valor devido em razão da partida de café para o qual contribuíra, e pagava a cada um dos produtores que haviam auxiliado na composição do lote negociado, ainda que este houvesse sido documentado apenas por uma nota fiscal, ou a alguém que havia representado os produtores na transação, para posterior repasse aos credores respectivos. 33.10 Para dar maior agilidade as transações, e evitar assim custos com pessoal e instalações, a Colina Verde Café deferiu ao impugnante, por meio de procuração outorgada em agosto de 2001 (fl. 435), a assinatura de cheques da conta corrente n° 7.4276, aberta pela empresa na Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, a fim de que este pagasse os produtores e descontasse as comissões que lhe eram devidas. 33.11 Cabe salientar que vez ou outra os produtores de café preferiam receber os pagamentos que lhes eram devidos, ou parte deles, em alimentos, em sacaria de luta, em adubos, em defensivos agrícolas, em arame ou outros artigos relacionados com o cultivo agrícola. As informações coletadas às fls. 10.567, 10.570 e 10.609, em verdade, conotam exatamente isso, e não aquisições de produtos pelo próprio impugnante, a despeito do que feito nas referidas peças do relatório de fiscalização. 33.12 Diz ainda que quando os pagamentos eram realizados mediante a entrega de produtos, realizava aquisições dos respectivos artigos e pagava com cheque da citada conta corrente. Após receber os produtos, entregavalhes para os produtores como pagamentos do café por eles fornecido para a empresa. 33.13 A condição de procurador da Colina Verde Café, no que se refere à conta n° 7.4276, da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, foi distorcida e notoriamente superdimensionada, a seu juízo, pois o relatório de fiscalização afirma que o impugnante teria praticado atos de gestão da empresa. 33.14 Em síntese: na ótica da fiscalização, qualquer que tenha sido o negócio celebrado pela Colina Verde Café, teria o impugnante de suportar o seu respectivo reflexo tributário. Frisa que a responsabilidade imputada cobre toda e qualquer operação atribuída à Colina Verde Café, não obstante a fiscalização tente caracterizar a cogestão da empresa por meio da assinatura de cheques de apenas uma das dezoito contas bancárias por ela mantidas. 33.15 Ademais, alega que se buscou incutir responsabilidade irrestrita ao impugnante por operações realizadas em período que sequer seria possível atribuir a ele a qualidade de gestor, uma vez que segundo a fiscalização ele só teria alçado tal condição por força da assinatura de cheques da contacorrente frisada. 33.16 Destaca que de acordo com o relatório da fiscalização a abertura da referida contacorrente ocorreu em 20/08/2001 e que o cartão de autógrafo condizente com a aludida conta, subscrito pelo impugnante e reproduzido no relatório da fiscalização, entretanto, assinala que sua confecção se deu apenas na data de 15/08/2002. 33.17 Tal circunstância denota, a seu ver, uma notável inconsistência nas colocações feitas no relatório da fiscalização relacionadas com o período em que o impugnante procedeu a assinatura de cheques da aludida conta, sobretudo ao se constatar que os seus exemplares, anexados ao presente processo, indicam datas coincidentes sempre, e apenas, com os anos de 2002 e de 2003. 33.18 Assegura que não ha qualquer cheque relativo aos anos de 2001 e 2004 juntado ao presente processo, embora o relatório da fiscalização justifique e Fl. 13578DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.579 12 fundamente a responsabilidade tributária atribuída ao impugnante no fato deste haver procedido à assinatura de tais documentos no período de 2001 a 2004. 33.19 Aduz, com base nos fatos expostos, que é impossível cogitar de responsabilidade do impugnante por gestão da autuada, pois a prova demonstra que a gestão da pessoa jurídica não coube ao impugnante; além de assinaturas de cheques isoladamente tomados não serem indício suficiente para se concluir que o subscritor era realmente gerente da sociedade. 33.20 Nota que todas as evidências coletadas pela fiscalização apontam no sentido de que o impugnante jamais praticou atos de gestão. Basta considerar que segundo apurado pela fiscalização, o trato com os contadores da empresa era feito pela pessoa de Charles Paulo Bart, bem como a efetivação de negócios, a abertura de contas bancárias e a contratação de pessoas para trabalhar em favor da empresa. 33.21 Salienta ainda que de acordo com registro feito no relatório de fiscalização, três contascorrentes da autuada: n° 7.036X, mantida no Banco do Brasil S/A, n° 4900, da Caixa Econômica Federal, ambas de Santa Maria de Jetibá, e n° 10.6607, do Banco Bradesco S/A, em Vitória, movimentavam cifras relacionadas à transações de produtos importados, bem como com transferências internacionais de valores. 33.22 Acontece que, a seu juízo, seu nome não foi associado a nenhuma das referidas contas, como também a diversas outras titularizadas pela empresa em instituições financeiras estabelecidas no Espírito Santo. Não obstante toda a cobrança tributária disparada contra a autuada seja também direcionada contra o impugnante, sob o fundamento de responsabilidade tributária radicada em atos de gestão da referida empresa. Assevera ainda que seu nome também não foi vinculado a nenhuma das pessoas fundamentais à caracterização do ilícito fiscal pela fiscalização. 33.23 Aduz o contribuinte que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de ofício, mais especificamente a parte do crédito tributário vinculado aos fatos geradores ocorridos entre abril e novembro de 2001, com fulcro no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 33.24 Entende ainda que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 33.25 Ademais, a suposição de omissão de receitas não configura, por si só, fraude, como disposto na Sumula n° 14, do 1° Conselho de Contribuintes, o que afasta qualquer possibilidade de aplicação da norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 33.26 Afirma que ainda que se considere a apuração trimestral adotada nos autos de infração atacados, é inevitável admitir a decadência parcial do crédito tributário, especificamente no que respeita aos fatos geradores ocorridos entre abril e setembro do anocalendário 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 33.27 Garante, mais adiante, que não praticou atos de gestão no que diz respeito à empresa Colina Verde Café. Alega que o ônus da prova da ocorrência de Fl. 13579DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.580 13 atos de gerência compete ao Fisco, já que não se pode simplesmente presumir que alguém execute providências em nome de certa pessoa jurídica. 33.28 Ademais, assegura que o Fisco não pode se limitar a demonstrar o exercício de qualquer gerência, e sim a que se refira especificamente à apuração e ao atendimento de tributos por parte da pessoa jurídica. Isto porque a gerência que causa responsabilidade tributária para o administrador é a condizente aos assuntos fiscais da pessoa jurídica. Outrossim: apenas a gerência que subverta, com artifícios escusos, o pagamento de tributos, e não a que meramente deixe de satisfazêlos. Cita doutrina e jurisprudência judicial. 33.29 Aduz que não é possível incutir responsabilidade tributária àquele que jamais teve qualquer ligação com a administração, e especialmente com as apurações e com os pagamentos de tributos da Colina Verde Café Ltda. 33.30 Defende que não se pode perder de vista que a fiscalização não constatou um único cheque assinado pelo impugnante nos anos de 2001 e 2004, conquanto tenha insistido em incutir responsabilidade tributária a ele justamente por conta de tal fato, isto é, subscrever cheques, independentemente do período em que verificou que tal fato se sucedera. 33.31 Por este ângulo, o que se chamou de indício do fato tido como sustentáculo da responsabilidade tributária do impugnante foi obtido pela fiscalização a partir de uma amostragem que representa menos de 3% (três por cento) de toda a dimensão da circunstância averiguada, qual seja, a assinatura de cheques da Colina Verde Café Ltda. 33.32 Afirma que era impossível apurar e pagar tributos relacionados a todos os negócios efetivados pela empresa, pois seu nome não foi de qualquer modo associado a qualquer outra movimentação financeira, senão ao trânsito de valores constatado na conta n° 74276. Diz que as pessoas jurídicas têm, por força legal, de promover as apurações e os pagamentos de IRPJ, de CSLL, de PIS e de COFINS de forma centralizada, ainda que suas atividades alastremse por várias localidades. 33.33 Aduz que tal fator assinala para a impossibilidade material de se aventar qualquer ato de gestão fiscal, já que lhe era impossível apurar e pagar tributos relacionados com fatos que escapavam totalmente ao seu conhecimento, quer por dizerem respeito a negócios estranhos à. sua atuação e ao objeto social da empresa, quer por se referirem ao trânsito de valores em contas bancárias, nas quais não possui qualquer tipo de controle. 33.34 Garante que nos autos não existe qualquer elemento de prova que assinale que ele conhecia todos os negócios realizados pela empresa autuada, como também todo o trânsito de valores em instituições financeiras. 33.35 Sobre a inocorrência de conluio, afirma que não há prova desta circunstância. Observa que não existe nos autos evidência de que as pessoas cogitadas no relatório da fiscalização estavam ligadas por laços econômicos ou negociais. 33.36 Informa ainda que seu nome apenas foi vinculado às pessoas de Selenne Berger Stuhr e Wanderley Stuhr, e mesmo assim equivocadamente, já que foi associado a eles como se fosse, respectivamente, filho e irmão deles, e não sobrinho e primo, como de fato é. Fl. 13580DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.581 14 33.37 Entende que conluio é impensável no caso retratado nesses autos, fator que inclusive elide a imputação da multa de oficio qualificada aplicada pelo fisco em razão dos lançamentos expedidos. 33.38 Sobre a ausência de prova do proveito do impugnante a partir do trânsito de valores registrado na conta n° 7.4276, diz que o único proveito que o impugnante extraiu dos valores que circularam pela citada conta consistiu em comissões pactuadas pela intermediação de negociações baseadas em café. O relatório da fiscalização, todavia, tenta fazer crer que a assinatura de cheques da conta referida na verdade representaria indício de que ele se aproveitava dos respectivos valores em caráter particular. 33.39 Questiona as conclusões alcançadas pela fiscalização asseverando que não houve averiguação sobre a sua verdadeira relação com a autuada; que não se procedeu ao mínimo levantamento de como se deu as negociações com café no Espírito Santo, e especialmente em Santa Maria de Jetibá e em Itarana; que as apurações centradas em cheques emitidos foram parciais, e tomaram em consideração menos de 3% dos cheques emitidos pela autuada no período de setembro de 2001 a agosto de 2004; que o beneficio pessoal do impugnante teria sido caracterizado a partir de esclarecimentos prestados por três fornecedores, sem aprofundamento a respeito da questão, e, finalmente, que se ignorou por completo levantamentos anteriores realizados pela própria Receita Federal, que concluíram que o impugnante atuava nos citados municípios como corretor de café. 33.40 Alerta que o suposto beneficio pessoal extraído pelo impugnante limita se ao pagamento feito à empresa SR Eletrônica Telecomunicações Ltda. Nada estranhável para quem carreava vários negócios com café para a autuada, a fim de deles extrair comissão. Garante ainda que o valor pago à SR Eletrônica e Telecomunicações Ltda. representava parte de comissão devida pela autuada ao impugnante. Salienta que o pagamento com cheque da empresa foi devidamente autorizado por seu gestor, conforme se comprova pela declaração anexa. 33.41 Declara que os valores pagos à Buaiz S/A Indústria e Comércio e Profértil Produtos Químicos e Fertilizantes Ltda., como também à Festipar Sudeste Adubos e Corretivos Agrícolas Ltda., nada mais traduziram senão que contrapartidas de aquisições de alimentos e insumos relacionados com o cultivo agrícola, que a autuada procedeu para com eles realizar pagamentos de cafés comprados frente a produtores. 33.42 Requer o cancelamento da responsabilidade tributária que lhe foi imputada; o cancelamento da multa de 150% aplicada; o redimensionamento da responsabilidade tributária que lhe foi incutida à apuração de tributos promovida exclusivamente com base na movimentação da conta n° 74276 da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá.; a produção de outros elementos de prova no curso da análise das suas defesas; realização de sustentação oral. 34. A responsável solidária Sra. Selenne Berger Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.831), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.010 a 11.062). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 34.1 De imediato, declara que possui 65 anos e que sua profissão é zelar e cuidar da rotina diária de seu lar. Afirma ainda que, em decorrência da idade avançada, não possui as características necessárias para gerir uma empresa milionária. Fl. 13581DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.582 15 34.2 Relembra que a Colina Verde Café Ltda. iniciou suas atividades em 22 de fevereiro de 2001 e também que foi legalmente constituída por Charles Paulo Bart e por Jailton Gomes Pereira. 34.3 Afirma ainda que foi atribuída a responsabilidade solidária a Charles Paulo Bart por todo o crédito tributário constituído, e que o Relatório Final de fiscalização tenta fazer crer, de modo equivocado, que ele não possuiria capacidade econômica para integralizar o capital social da empresa e que não seria titular de fato do empreendimento. 34.4 Questiona, em decorrência do que foi dito acima, como pode um sócio de direito, que em verdade não seria sócio de fato, ser responsabilizado solidariamente por todo o débito? 34.5 Alega que a fiscalização pouco ou nada descobriu sobre quem seria o verdadeiro titular de fato da empresa em comento. Sem saber apontar quem seria o verdadeiro titular de fato da Colina Verde Café Ltda. a fiscalização passa então a sugerir que a empresa não seria gerada por uma pessoa ou um grupo coeso, mas por diversas pessoas sem qualquer ligação ou vinculo, que haviam recebido procuração pública a permitir, inclusive, a abertura de conta bancária e sua respectiva movimentação. 34.6 Aduz que a fiscalização sabe que ser procurador não significar ser gestor e muito menos ser titular da empresa, e que uma conta bancária pode ser aberta por um procurador e ser movimentada por outra pessoa. 34.7 Declara, logo em seguida, que a autoridade fiscal entendeu que a impugnante era gestora e responsável pela empresa porque teria assinado alguns cheques da conta n° 7.3032, a qual é uma das dezoito contas abertas em nome da citada empresa. 34.8 Nada mais há nas 209 páginas do Relatório Final da fiscalização, que já não esteja exposto na conclusão citada logo acima, circunstância que torna insustentável a atribuição de responsabilidade tributária à impugnante. 34.9 Aduz a responsável que parte do crédito tributário constituído está extinto por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, mais precisamente a parte do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e entre janeiro e novembro do ano calendário de 2002, com fundamento no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 34.10 Alega que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 34.11 Entende que ainda que se aplique a norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional urge reconhecer a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 34.12 Alega que não se preocupou a autoridade fiscal em trazer à baila o que se entende por gestor/administrador ou mesmo controlador de sociedade empresária. Fl. 13582DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.583 16 34.13 Afirma ainda que esta matéria foi tratada com superficialidade, de forma totalmente pressuposta, o que não se admite para a confecção de um ato vinculado. Assevera ainda que muito embora o conceito de gestor/administrador esteja pressuposto no direito tributário (Código Tributário Nacional), sobre o mesmo, conseguemse maiores lições no seio do direito civil e direito comercial. Daí ser indispensável, para se alcançar a real amplitude conceitual do instituto, fazer a interação entre os ramos de direito acima mencionados. 34.14 O fundamento jurídico para trazer os conceitos do direito privado e os aplicar se encontra nos artigos 109 e 110 Código Tributário Nacional. A redação dos dispositivos é clara: se nem mesmo a lei pode alterar a definição dos conceitos e formas de direito privado, que dirá a fiscalização. 34.15 Nesse caso, a responsabilidade incutida à impugnante decorreu da aplicação do disposto no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Percebese que a própria lei tributária utilizase da expressão "diretores, gerentes ou representantes" para tipificar responsabilidades a essas pessoas, tratandoos, entretanto, de maneira préconcebida. 34.16 Isso porque, a definição do conceito de "diretores, gerentes ou representantes" pertence ao direito privado e lá deve ser averiguada, conforme já mencionado. Cita as lições de Rubens Requião e de Maria Rita Ferragut. 34.17 Em seguida, enumera as funções pertencentes exclusivamente ao acionista controlador, que equivale, a seu juízo, ao sóciogerente da empresa limitada, tal como disposto na Lei n° 6.404/1976. Faz referência ainda a certas decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região sobre o tema em estudo. 34.18 Com fulcro no exposto acima, conclui que simples movimentação de conta bancária não constitui fato suficiente para imputar responsabilidade tributária a quem a realiza, visto que não significa gestão. 34.19 Diz ainda que o recolhimento de tributos de uma pessoa jurídica deve ser feito de forma centralizada pela pessoa jurídica, por total imposição do Fisco, pois é sabido que tributo não é recolhido pela pessoa que supostamente assine por essa ou aquela conta, mas pela administração central da empresa. 34.20 A movimentação de uma conta bancária, atribuída na ação fiscal à impugnante, não pode sequer ser considerada "gestão financeira", haja vista a pessoa jurídica autuada dispor de dezoito contas bancárias, conforma apurado na ação fiscal retratada nestes autos. 34.21 Enfatizase, com isso, que o motivo de fato, ou seja, a gestão da empresa, tido como pressuposto da imputação de responsabilidade tributária ao impugnante não se apresenta configurado na situação em exame. 34.22 Requer que se reconheça que a ora impugnante não é responsável pelo crédito tributário constituído. 34.23 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 34.24 Informa que nenhum dos trinta contribuintes selecionados e que receberam intimação para apresentação de esclarecimentos citou a impugnante, seja como compradora, seja como intermediadora de café. Fl. 13583DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.584 17 34.25 Constou, da relação de pessoas intimadas, o nome da própria impugnante, tendo em vista a existência de 04 (quatro) créditos em sua conta bancária provenientes da empresa Colina Verde Café, totalizando R$ 39.000,00 (trinta e nove mil reais). 34.26 Esse fato foi esclarecido pela impugnante, a qual colaborou com a fiscalização, informando e provando que a operação referiase à venda de café e gengibre e que os créditos em sua conta ocorreram em função do bloqueio da conta de Wanderley, seu filho. 34.27 Acontece que o AuditorFiscal simplesmente desconsiderou as alegações e os documentos apresentados. Indica jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre a suposta necessidade do Fisco diligenciar para comprovar as alegações dos contribuintes. 34.28 Cita inúmeros fatos os quais demonstrariam que Charles Paulo Bart era efetivamente o gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. 34.29 Informa, logo em seguida, que Marcelo Santos Machado não foi responsabilizado pelo crédito tributário cobrado, embora estivesse em situação semelhante à impugnante, qual seja, apenas assinava os cheques para a empresa Colina Verde Café Ltda. 34.30 Portanto, além de dar tratamento favorável ao Sr. Marcelo Santos Machado, a fiscalização não respeitou o Estado Democrático de Direito e violou o direito ao devido processo legal substancial e formal e o princípio da verdade material ao responsabilizar a impugnante sem os devidos elementos de prova. 34.31 Versa sobre o dever do Fisco de comprovar os fatos previstos na lei como necessários para o surgimento do fato gerador do tributo. Outrossim, diz que a autoridade fiscal não comprovou que a impugnante era administradora da empresa autuada. 34.32 Requer que a responsabilidade imputada seja limitada, ao menos, ao crédito tributário apurado exclusivamente a partir da movimentação da conta n° 7.3032, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES. 34.33 Informa que o cartão de autógrafos foi providenciado somente no dia 28/08/2001. Dessa maneira, não é possível imputar responsabilidade quanto a débitos anteriores a essa data, como pretendem os autos de infração lavrados, que discutem débitos a partir de janeiro de 2001. 34.34 Sobre a ilegalidade e a inaplicabilidade da multa de oficio ou sua obrigatória redução em relação a impugnante, nota, de plano, que aos autos de infração questionados foi adicionada a multa qualificada. 34.35 No entanto, diante dos fatos narrados e que comprovam, a seu juízo, a não responsabilidade pelo recolhimento da exação exigida, clama pela anulação da responsabilidade pelo recolhimento da multa em referência, visto que não pode permanecer cobrança de valor de multa quando for desconstituído o débito do valor principal. 34.36 Clama, caso se entenda devido o valor do principal, pela redução da multa aplicada, visto que, numa análise sistêmica da legislação, é possível a redução integral ou parcial do valor total da multa, caso inexistente a prova do conluio. No máximo podese dizer que por culpa o impugnante viuse inserida no rol de pessoas que se dizem devedoras do débito questionado. Não se pode falar em dolo por parte Fl. 13584DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.585 18 da Sra. Selenne Stuhr no ato de assinar os cheques apontados no Relatório Final do Fisco. 34.37 Em outras palavras, defende que não se caracterizou o intuito de fraudar o Fisco, pelos atos que ora se atribui à impugnante. Nesse sentido, o presente caso não se enquadra em hipótese prevista nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. 34.38 Não restando comprovada a fraude, requer a redução da multa para 75%. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 34.39 Requer, ao final, a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada posterior de documentos; bem como o cancelamento da responsabilidade tributária; ou sua redução proporcional ao crédito tributário correspondente aos valores movimentados na conta n° 7.3032, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES, e a anulação e ou redução da multa 35. O responsável solidário Sr. Wanderley Stuhr, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.833), apresentou impugnação em 31/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.073 a 11.120). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 35.1 Relembra que a empresa Colina Verde Café Ltda. iniciou suas atividades em 22 de fevereiro de 2001 e também que foi legalmente constituída por Charles Paulo Bart e por Jailton Gomes Pereira. 35.2 Assevera que o aprofundamento das investigações sobre Charles Paulo Bart ratificou que, não só de direito, mas de fato, o mesmo era o gestor da empresa fiscalizada, tanto que a ele foi atribuída a responsabilidade tributária solidária por todo o crédito tributário constituído. 35.3 Declara que, embora outras pessoas físicas e jurídicas tenham sido apontadas como responsáveis solidárias por suposta administração e gestão da empresa autuada, somente em relação a Charles Paulo Bart restou constatado incremento patrimonial no período vinculado com a movimentação financeira. 35.4 Aduz que a fiscalização pouco ou nada descobriu sobre quem seria o verdadeiro titular de fato da empresa em comento. Sem saber apontar quem seria o verdadeiro titular de fato da Colina Verde Café Ltda. a fiscalização passa então a sugerir que a empresa não seria gerada por uma pessoa ou um grupo coeso (conluio de pessoas), mas por diversas pessoas (18 no total) sem qualquer ligação ou vínculo, que haviam recebido procuração pública a permitir, inclusive, a abertura de conta bancária e sua respectiva movimentação. 35.5 Alega que a fiscalização sabe que ser procurador não significa ser gestor e muito menos ser titular da empresa, e que uma conta bancária pode ser aberta por um procurador e ser movimentada por outra pessoa. 35.6 Declara, logo em seguida, que a autoridade fiscal entendeu que o impugnante era gestor e responsável pela empresa porque teria assinado cheques de três contas, em um universo de dezoito contas abertas em nome da empresa. 35.7 Assinala que, em relação às contas n° 8.164.709, do Banestes, e n° 7.3032, da Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá, que a fiscalização o excluiu da emissão de qualquer cheque, embora afirme que o impugnante poderia ter participado na movimentação dessas contas. Fl. 13585DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.586 19 35.8 Ademais, diz que o impugnante não foi citado por nenhum dos contribuintes intimados, como também não o foi em diversas contas titularizadas pela empresa em instituições financeiras estabelecidas no Espírito Santo. 35.9 Nada mais há nas 209 páginas do Relatório Final da fiscalização, que já não esteja exposto na conclusão citada logo acima, circunstância que torna insustentável a atribuição de responsabilidade tributária à impugnante, visto que não foi caracterizada a realização de nenhum ato material de gerência da referida sociedade. 35.10 Aduz que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, mais precisamente o crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 e entre janeiro e novembro do anocalendário de 2002, com fulcro no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 35.11 Entende ainda que como o crédito tributário exigido nos autos de infração decorre de apuração baseada em depósitos bancários, não há como se contar o prazo decadencial de outra maneira sendo mensalmente, em razão do disposto na norma inserta no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. 35.12 Entende que ainda que se aplique a norma do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional urge reconhecer a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio do crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 35.13 Afirma que não se preocupou a autoridade fiscal em trazer à baila o que se entende por gestor/administrador ou mesmo controlador de sociedade empresária. Pugna que a matéria foi tratada com superficialidade, o que não se admite para a confecção de um ato vinculado. 35.14 Aduz que embora o conceito de gestor, isto é, de administrador esteja pressuposto no direito tributário (Código Tributário Nacional), sobre o mesmo, conseguemse maiores lições no seio do direito civil e direito comercial. Daí ser indispensável, a seu ver, para se alcançar a real amplitude conceitual do instituto, fazer a interação entre os ramos de direito acima mencionados. 35.15 O fundamento jurídico para trazer os conceitos do direito privado e os aplicar se encontra nos artigos 109 e 110 Código Tributário Nacional. A redação dos dispositivos é clara: se nem mesmo a lei pode alterar a definição dos conceitos e formas de direito privado, também não pode a fiscalização. 35.16 No caso em julgamento a responsabilidade decorreu da aplicação da norma inserta no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. 35.17 Percebase que a lei utilizase da expressão "diretores, gerentes ou representantes" para tipificar responsabilidades a essas pessoas, tratandoos, entretanto, de maneira préconcebida. Isso porque, a definição do conceito de "diretores, gerentes ou representantes" pertence ao direito privado e lá deve ser averiguada, conforme já mencionado. 35.18 Cita as lições de Rubens Requião e de Maria Rita Ferragut. Logo em seguida, lista as funções pertencentes ao acionista controlador, que equivale, a seu ver, ao sóciogerente da empresa limitada, tal como disposto na Lei n° 6.404/1976. Fl. 13586DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.587 20 Faz referência ainda a certas decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 5ª Região sobre o tema em estudo. 35.19 Com fulcro no exposto acima, conclui que simples movimentação de conta bancária não constitui fato suficiente para imputar responsabilidade tributária de quem a realiza, visto que não significa gestão. 35.20 Aliás, a movimentação de três contas bancárias não pode sequer ser considerada "gestão financeira", já que a pessoa jurídica autuada dispunha de dezoito contas bancárias, conforma apurado na ação fiscal. 35.21 Enfatizase, com isso, que o motivo de fato, ou seja, a gestão da empresa, tida como pressuposto da imputação de responsabilidade tributária ao impugnante não se apresenta configurado na situação em exame. 35.22 Reafirma que é acusado de ter movimentado apenas as contas n° 4004, n° 7.036X e n° 4900, uma vez que, com relação às contas n° 8.164.709 e n° 7.302 32, por inexistir cheque ou outra coisa que o valha, a movimentação da referida conta não pode ser atribuída ao impugnante. 35.23 Diz que a fiscalização concluiu que a mera assinatura de cheques não equivale a ato de gestão empresarial. Mesmo assim, passou por cima de todas as gritantes evidências para responsabilizar o impugnante. 35.24 A contradição é flagrante e irremediavelmente leva à anulação dos autos de infração quanto a ora impugnante. 35.25 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 35.26 Sobre a conta n° 4004 da Caixa Econômica Federal, diz que a fiscalização o acusa somente de ter participado na emissão de cheques. Afirma que a fiscalização não demonstra, com base na movimentação bancária, quais seriam os atos de gestão praticados pelo impugnante. 35.27 Sobre a conta n° 7.036X do Banco do Brasil S/A, aduz que a fiscalização informa que a conta foi movimentada nos anos de 2001 a 2004, entretanto, com créditos efetivos de pequena importância somente nos anos de 2001 a 2002. 35.28 Diz ainda que a fiscalização o acusa apenas de ter participado na emissão de alguns cheques, embora o cartão de autógrafos tenha sido extraviado e não consta dos autos do presente processo. 35.29 Destarte, a fiscalização não demonstra, a seu juízo, com fulcro na movimentação bancária, quais seriam os atos de gestão praticados. 35.30 Em relação aos inúmeros depoimentos prestados à fiscalização, observa que apenas em um deles foi mencionado o nome do impugnante e que tal referência trata de um contato feito com o impugnante, no curso de uma operação comercial, da qual resultou o crédito de R$ 10.277,00. 35.31 Acontece que não constaria nos autos qual seria o título e o motivo do contato, ou seja, nada foi explicado pela fiscalização. 35.32 Entende ser indevido considerálo como gestor ou administrador da empresa em função de uma operação comercial no valor de R$ 10.277,00, considerando que a citada empresa movimentou a quantia de R$ 6.954.563,42. Fl. 13587DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.588 21 35.33 Por último, garante que a fiscalização não demonstrou qualquer incremento patrimonial no que tange ao período de 2001 a 2004, como fez com Charles Paulo Bart. 35.34 Sobre a conta n° 4900, informa que os depósitos em dinheiro ocorreram apenas no ano de 2002 e soma o valor de R$ 160.846,46. 35.35 Em relação aos inúmeros depoimentos prestados à fiscalização, observa que todos afirmaram desconhecer a empresa autuada e que o nome do impugnante não foi citado. 35.36 Desta forma, não existe nos autos qualquer indício da condição do impugnante de gestor/administrador da referida empresa, até porque assinar cheques não é sinônimo de gestão empresarial. 35.37 Sobre as contas n° 7.3032 e n° 8.164.709, nota que a fiscalização assinala apenas que o impugnante pode ter participado da movimentação dessas contas, mas não garante que o impugnante assinou cheques referentes às contas bancárias. 35.38 Aduz que um último artifício manejado pelo Fisco com o intuito de configurar a gestão/administração de toda a empresa ao impugnante foi tentar atribuir a Jailton e Charles a qualidade de empregados do mesmo. 35.39 Informa que a citação do impugnante como patrão de Jailton e Charles ocorreu nos depoimentos prestados por Nilton Gomes Pereira (pai de Jailton), Patrícia Aparecida de Ávila (exesposa de Jailton) e Vera Lúcia Jacob (mãe de Jai1ton). 35.40 Observa que os dois primeiros depoimentos foram prestados por parentes de Jailton (pai e mãe), os quais, por força do Código de Processo Civil, são impedidos de prestar depoimentos (art. 405, § 2°, inciso I), visto que é de conhecimento comum que pais tem interesse afetivo e emocional na proteção dos filhos. 35.41 E foi justamente nesses dois depoimentos que a fiscalização parece ter baseado sua conclusão. Pois o terceiro depoimento, único prestado por pessoa não impedida de acordo com a lei processual não confirma o que foi dito nos depoimentos anteriores. 35.42 A mãe de Jailton disse, primeiramente, que Jailton trabalhou na loja de Roverbal Stuhr (pessoa que não é nem mesmo foi citado no relatório como responsável tributário). Já o Pai de Jailton disse que o mesmo trabalhou na filial da Stuhr Agropecuária. Acontece que a exesposa nada disse sobre para quem jailton trabalhava. 35.43 Assim sendo, o depoimento da única pessoa não impedida de prestar declarações em nenhum momento vincula o autuado como responsável tributário JaiIton a Wanderley Stuhr, quiçá na qualidade de empregado. 35.44 E ainda, o pai de Jailton diz que quem pagou a passagem de seu filho para a Itália foi Wanderley Stuhr enquanto que a exesposa de Jailton disse que quem pagou sua passagem foi Charles Paulo com cheques do Banestes. 35.45 Em relação a Charles Paulo Bart, os pais de Jailton sustentam que ele é empregado de Wanderley Stuhr. Porém, a exesposa de Jailton disse: que sabe ser Charles Paulo Bart empregado de Wanderley Stuhr ou que trabalha com ele. Fl. 13588DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.589 22 35.46 Novamente, a única pessoa que não estava impedida legalmente de depor sobre o assunto mostrou não saber se Charles trabalhava com ou para o impugnante. 35.47 Essas observações já demonstram que, com base unicamente nas declarações prestadas, é impossível atribuir a Wanderley Stuhr o controle ou o domínio sobre as pessoas de Jailton e Charles, que dirá sobre a empresa Colina Verde Café Ltda. e suas respectivas contas. 35.48 Cita inúmeros fatos os quais demonstrariam que Charles Paulo Bart era efetivamente o gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. 35.49 Ainda que assim não fosse, o fisco não se desincumbiu de provar a suposta administração de fato pelo impugnante, fugindo à busca da verdade material do ocorrido. 35.50 Requer que a responsabilidade fique limitada ao crédito tributário apurado exclusivamente a partir da movimentação da conta 7.063X do Banco do Brasil da agência de Santa Maria de Jetibá. 35.51 Frisa que não há nem mesmo que se cogitar quanto à conta 4004 e 490 0, ambas da Caixa Econômica Federal, porque o movimento de numerário nessa conta foi ínfimo se comparado com qualquer outra conta. 35.52 Ainda que não sejam acatados pela autoridade julgadora fiscal os argumentos expendidos nos capítulos anteriores diz o impugnante que a data da ocorrência do primeiro crédito na conta corrente n° 7.036X, somente se deu no dia 28/08/2001. 35.53 Dessa forma, não há que falar em imputação de responsabilidade ao impugnante quanto a débitos anteriores a essa data, como pretendem os autos de infração lavrados, que discutem débitos a partir de janeiro de 2001. 35.54 Pugna que o dolo necessário para aplicar a multa de 150% não foi devidamente comprovado. 35.55 Requer, por fim, a produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive a juntada posterior provas documentais; o cancelamento da responsabilidade tributária; ou sua redução proporcional ao crédito tributário correspondente aos valores movimentados na conta n° 7.3032, da Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá/ES, bem como a anulação e ou redução da multa. 36. O responsável solidário José Ildo Henrique Fiorott, que tomou ciência dos autos de infração em 30/11/2007 (fl. 10.839), apresentou impugnação em 02/01/2008, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.135 a 11.173). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 36.1 Com supedâneo na interpretação dos arts. 124 e 135 do CTN, aduz que nem todos os que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal são responsáveis solidários, assim como também nem todos os mandatários são responsáveis solidários. 36.2 Presume que a autoridade fiscal, ao lhe imputar responsabilidade por ter movimentado uma conta corrente da empresa fiscalizada por meio de instrumento procuratório, assim o fez com supedâneo no inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 13589DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.590 23 36.3 A titulo de exemplo, afirma que em uma empresa que tenha por objeto social a venda de bens, não só os sócios, mas todos os empregados têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal de variados tributos. Também os familiares que dependem financeiramente de tais sócios ou de tais empregados teria, a seu ver, interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação de tais tributos. Nem por isso admitirseia como responsáveis solidários todos os empregados e seus familiares. 36.4 Assevera ainda que nem todos os mandatários serão responsáveis pelo crédito tributário do contribuinte mandante, até porque a simples outorga de procuração é um ato licito, previsto em lei. A titulo de exemplo, lembra que não será responsável o advogado contratado pela empresa para defender seus interesses, não obstante fato inequívoco de que o advogado é um mandatário. 36.5 Alega que algo mais é preciso para se atribuir a responsabilidade a terceiros, seja pelo disposto no art. 124, inciso I, seja pelo disposto no art. 135, inciso II, ambos do Codex tributário, que deve ser o liame obrigacional que se cria entre o fisco e o terceiro em razão do poder de gestão que venha a exercer o terceiro, seja na condição de interessado (art. 124, inciso I), seja na condição de mandatário (art. 135, inciso II). 36.6 Por esse motivo que o Fisco tentou imputar a responsabilidade a todas as pessoas a quem a empresa Colina Verde Café outorgou procurações mediante a afirmação de que todas tinham poderes para agir em nome da citada empresa, ou seja, poderes de gestão, inclusive para a movimentação de contas correntes. 36.7 Afirma que os poderes outorgados por meio da procuração citada eram restritos à representação da empresa perante instituições financeiras, isto é, ao impugnante não foram outorgados poderes de gestão da empresa fiscalizada, diferentemente do que se observa da procuração outorgada a outro mandatário, cujos poderes eram amplos e irrestritos. 36.8 Alega que o AuditorFiscal reconheceu que os procuradores que só assinavam cheques e movimentavam contas correntes não tinham poderes de gestão, tanto é que não arrolou como responsáveis solidários os procuradores cujas evidências permitiram constatar que a participação limitouse à cessão de seus nomes e assinaturas de cheques. 36.9 Assegura que não pode ser responsabilizado porque apenas cedeu seu nome e assinou, como outros procuradores. 36.10 Informa que o AuditorFiscal notificou pessoas físicas e jurídicas beneficiárias de cheques referentes à conta corrente supostamente movimentada pelo impugnante, e que ninguém declarou ter realizado operações com ele, mas sim com terceiras pessoas. Tais depoimentos corroboram a ausência de poder de gestão pelo impugnante sob as atividades da Colina Verde Café. 36.11 Indica a Lei das Sociedades por Ações, que deve, a seu juízo, ser observada por expressa disposição dos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional, a qual define gestão da sociedade como a prática dos atos necessários ao funcionamento regular da sociedade, o que não se pode presumir quanto ao impugnante. 36.12 Aduz que o art. 42, §5°, da Lei 9.430/1996 dispõe que se provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos omitidos ou Fl. 13590DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.591 24 receita deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou investimento, devendo ser diretamente autuado o próprio terceiro e não a pessoa interposta. 36.13 Com base no exposto, diz que caso os créditos na conta corrente supostamente movimentada pelo impugnante lhe pertencessem, não poderia ter sido considerado responsável, visto que deveria ter sido o próprio autuado pelos créditos realizados naquela conta corrente especifica. Portanto, como o AuditorFiscal, não agiu dessa forma, é porque julgou que não pertencia ao impugnante os valores creditados em tal conta corrente. 36.14 Entende que, como procurador, somente responde pelos atos que efetivamente praticou. Ademais, os princípios da individualização da pena, da isonomia e da proporcionalidade, vigentes no ordenamento jurídico brasileiro, determinam que cada pessoa somente pode ser apenada pelos atos ilegais que pratica, na exata proporção de suas infrações. 36.15 Por fim, cita o art. 124 do Código Tributário Nacional e o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que determinariam, a seu juízo, que o infrator só pode ser responsabilizado na medida de sua participação. 36.16 Relembra que em decorrência da procuração que recebera, teria movimentado unicamente recursos da conta corrente n° 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares. Assim sendo, sua responsabilização decorreria de sua atuação como procurador de Colina Verde Café, que teria movimentado uma conta corrente da mencionada empresa. 36.17 Diz que é possível que uma pessoa, de forma unilateral, outorgue poderes a terceiros, denominados procuradores, sem a anuência destes, o que não poderá trazer qualquer responsabilidade a estes procuradores, se estes não vierem a atuar nessa qualidade. Logo, o procurador não pode ser responsável pelos atos do outorgante, simplesmente por ter sido seu procurador, pois, em caso contrário, pessoas poderiam vir a ser responsabilizadas simplesmente por lhes terem sido outorgado poderes, sem ao menos exercêlos e, até mesmo, sem ter ciência dessa condição de procuradores. 36.18 Assim, se os procuradores não podem ser responsabilizados se não vierem a exercer os poderes que lhes foram outorgados, somente poderão ser responsabilizados pelos atos que efetivamente praticarem. Da mesma forma, as pessoas mencionadas no art. 135 do CTN só podem ser responsabilizadas pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes dos próprios atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Cita decisão judicial sobre a matéria. 36.19 Entende ainda que considerando o principio da individualização da pena não há previsão legal ou constitucional para a sua responsabilização solidária por todo o crédito lançado, decorrente não só da movimentação da conta n° 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares, como também da movimentação de contas de terceiros e por terceiros, sem a sua participação. 36.20 Cita ainda outros princípios, como o principio da isonomia, da proporcionalidade ou razoabilidade, garantias constitucionais do administrado, e o art. 124, inciso I, do CTN, para dizer que não restam resquícios de dúvidas de que, ainda que se admita a responsabilidade solidária, esta não poderá ser em relação a todo o crédito lançado, mas apenas ao crédito decorrente dos recursos da conta corrente que supostamente teria movimentado. Fl. 13591DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.592 25 36.21 Ao tratar do art. 42, § 6°, da Lei n° 9.430/1996, verifica que, na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. 36.22 Assim, com muito maior razão, se várias são as contas correntes cujos recursos movimentados deram origem à totalidade do crédito lançado, cada procurador não pode vir a ser responsabilizado pela totalidade do credito, mas apenas nos limites de sua participação, isto é, pelo crédito decorrente da conta que supostamente movimentou. 36.23 Por fim, o próprio §5° do art. 42 também estaria a revelar que a responsabilidade do impugnante seria limitada à única conta que supostamente teria movimentado. E isso porque, de acordo com o §5°, quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. 36.24 Requer a sua exclusão da condição de responsável, ou, ao menos, a restrição da responsabilidade ao crédito tributário derivado da conta bancária por ele controlada. 37. Os responsáveis solidários Sr. Theodoro Antonio Zanotti e Sra. Leonor Andrade Seixas Zanotti, que tomaram ciência dos autos de infração mediante edital de 05/12/2007 (fls. 10.852 e 10.854), apresentaram impugnação em 27/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.849 a 11.877). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 37.1 Asseguram que parte do crédito tributário constituído está extinta por força da decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento de oficio, em especial o crédito tributário imbricado com os fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2001e 2002, com fulcro nos arts. 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 37.2 Asseveram, em segundo lugar, que a possibilidade de imposição de responsabilidade passiva tributária deve estar devidamente acompanhada da descrição da conduta e também da delimitação, qualitativa e quantitativa, do ônus suportável por causa dessas ações. 37.3 No presente caso, o crédito tributário foi imposto genericamente a inúmeras pessoas físicas e jurídicas. No houve assim a adequada delimitação das condutas e do ônus tributário respectivo. 37.4 Asseveram que a delimitação da conduta humana é essencial para a responsabilização, seja civil, penal ou tributária, e que a imputação do ônus da conduta ilícita deve vir circunscrita à atividade consciente do sujeito ativo, seja lícita ou ilícita, culposa ou dolosa. Pugnam que agir de modo diferente, no mínimo, impede o direito de defesa. 37.5 No caso dos recorrentes, aduzem que o Fisco tenta provar que o produtor rural Theodoro Antonio Zanotti era gestor da empresa Colina Verde Café Ltda. em todo o estado do Espírito Santo, de modo a lhe atribuir toda a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído. Assim sendo, uma relação comercial normal entre produtor e adquirente de produtos agrícolas de alguns milhares de reais passou a uma obrigação tributária de milhões de reais. Fl. 13592DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.593 26 37.6 A autoridade fiscal impôs responsabilidade tributária de forma tão genérica que os recorrentes foram envolvidos com eventos muito distantes e totalmente alheios a sua atividade no município de Nova Venância ES, como o suposto fato de a Colina Verdade Café ter sido usada para a transferência ilegal de valores provenientes do exterior. 37.7 Portanto, a atuação seria nula por inviabilizar a defesa e impor gravame evidentemente excessivo aos recorrentes. 37.8 Sobre o suposto esquema de sonegação relatado pela fiscalização, dizem que a realidade construída pela fiscalização em desfavor dos recorrentes baseouse em duas evidências: o vínculo empregatício entre o Sr. José Carlos e os recorrentes e o fato dele ser procurador da Colina Verde Café; e meia dúzia de cheques da Colina Verde recebidos como pagamento pela venda de café por Theodoro Zanotti e que por ele foram endossados. 37.9 O depoimento do Sr. José Carlos Ambrósio traz aspectos que afastam a responsabilidade dos recorrentes sobre as operações de Colina Verde Café. O depoimento evidenciou que existiu apenas uma relação entre o Sr. José Carlos, a empresa Colina Verde Café e seu sócio o Sr. Charles Paulo Bart e que, pela atividade única de intermediação na compra de café de produtores rurais, o depoente recebia um percentual de 1, 5%. Nada mais pode ser extraído desse depoimento, apesar das conclusões estapafúrdias da fiscalização. 37.10 Afirmam ainda que as subjetividades contidas nas afirmações da autoridade fiscal retiram delas toda a validade. A fiscalização especulou que o depoente estava nervoso em depor perante autoridades fiscais e supôs que esse nervosismo decorreu do fato de que o depoente tentava afastar o envolvimento de outras pessoas além dele e do Sr. Charles. Questionam se tal estado de ânimo não poderia decorrer do simples fato de estar sendo instado por uma autoridade pública? 37.11 Alegam ainda que a fiscalização apenas especula que o depoente tentava passar que as negociações que envolviam a Colina Verde Café estavam restritas a ele, a Charles e ao produtor. 37.12 Afirma que a fiscalização apenas supôs certos fatos, porque não há nenhuma prova daquilo que a fiscalização sugere. Aduz que não se pode condenar ninguém com fundamento em especulações de natureza subjetiva, pois são necessárias provas contundentes para suprimir o patrimônio alheio, haja vista o art. 5°, inciso LIV, da Constituição Federal de 1988. 37.13 Entendem que a primeira premissa usada pela fiscalização, isto é, o vinculo empregatício, nada prova a não ser o próprio vínculo. Foi preciso muito esforço imaginativo para construir a realidade sugerida no relatório. 37.14 Atacam outras supostas especulações da fiscalização, surgidas a partir do depoimento, com a finalidade de demonstrar que o Sr. José Carlos Ambrósio poderia trabalhar para a Colina Verde Café. 37.15 Defendem que os endossos de cheques feito pelos impugnantes é procedimento normal e que nada prova. 37.16 Aduzem que o lançamento tributário está calcado na violação de sigilo bancário, sem a adequada autorização judicial, o que gera a sua nulidade, diante da violação de vários princípios constitucionais, como a irretroatividade. Fl. 13593DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.594 27 37.17 Com outras palavras, a autuação está baseada na movimentação financeira do contribuinte, a qual foi conseguida por meio do procedimento previsto na Lei n° 10.174/2001 e na Lei Complementar n° 105/2001. Tais leis são inconstitucionais, visto que não respeitam o principio da irretroatividade e da segurança jurídica. 37.18 Alegam que o auto de infração é nulo por utilizar provas ilícitas, mas precisamente as informações oriundas do pagamento da CPMF. 37.19 Enumera os princípios e as regras constitucionais atacadas pela aplicação da Taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora. 37.20 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 38. O responsável solidário Sr. Josildo Schwambach Machado, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.834), apresentou impugnação em 28/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 11.949 a 11.984). Alega, em síntese, o que segue: 38.1 De plano, aduz que o crédito tributário constituído imbricado com os fatos geradores verificados nos anoscalendário de 2001 e 2002 está extinto por força da decadência, haja vista o que determina o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 38.2 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, já que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes. 38.3 Assevera, em seguida, que possui aproximadamente seiscentos clientes, entre produtores, compradores e vendedores de café, amealhados nos 19 (dezenove) anos em que trabalha com no mercado de corretagem de café. 38.4 Informa que durante muito tempo, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio de apresentação de procurações, e não por intermédio de depósito bancário, a depender da opção do vendedor. 38.5 Não nega que tenha intermediado operações de compra e venda de café da Colina Verde, assim como inúmeros outros corretores. Mas daí a se estabelecer a sua ligação a um esquema de sonegação fiscal, como foi declinado no relatório final de fiscalização, diz que vai uma distância abissal. 38.6 Frisa que a autoridade fiscal sustenta que o impugnante teria sido nominalmente mencionado por depoentes beneficiários de cheques, como fonte dos cheques emitidos. Tratase, contudo, de assertiva que contradiz o próprio Relatório Final de Fiscalização. 38.7 O item 2.4.3.16 do relatório final de fiscalização é o único tópico onde há menção ao nome do impugnante, ainda assim, de maneira indireta, sem relacionálo com qualquer atividade da Colina Verde ou por seus procuradores. 38.8 Pugna ainda que palmilhando esse tópico do citado relatório, verificase que a autoridade fiscal declarou que o Sr. Marcelo Santos Machado, a partir de 19/09/2001, apresentouse como procurador da Colina Verde junto agência do Banco Bradesco, situada no Palácio do Café, para movimentar a conta n° 10.6607. Fl. 13594DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.595 28 38.9 Alega que em nenhum dos cheques emitidos pelo Marcelo Santos Machado se encontra qualquer anotação que indique o impugnante como sendo a pessoa responsável pela confirmação da emissão dos cheques, o que já põe por terra a afirmação, lançada na conclusão do relatório final de fiscalização, de que o impugnante teria sido nominalmente citado por depoentes beneficiários de cheques como fonte dos cheques emitidos. 38.10 A única referência nos autos ao impugnante é a de que seria sócio da JMB, juntamente com o Sr. Silvino. Desta forma, não existem elementos que possam identificar o impugnante como responsável pela movimentação bancária da conta mantida pela Colina Verde, ou que possam ligar o impugnante à Colina Verde ou aos seus sócios, ou, por fim, que indiquem que o impugnante foi o responsável pela constituição do Sr. Marcelo como procurador da Colina Verde. 38.11 Todas as pessoas que responderam à intimação fiscal e citaram o nome do impugnante informaram que receberam os cheques em decorrência de operação de compra e venda de café. Todas essas operações foram realizadas no contexto da intermediação de negócios, como expressão legítima e inerente ao exercício da corretagem. 38.12 Declara que a única vantagem que auferiu da empresa Colina Verde foram as comissões recebidas pelas corretagens realizadas. Afirma que existem inúmeros outros corretores como ele. 38.13 Destaca que nos anos de 2001 a 2004 não experimentou qualquer evolução a descoberto do seu patrimônio, tampouco apresentou inconsistências em sua situação fiscal, muito menos movimentações financeiras suspeitas em sua conta bancária que pudessem ser encaradas como indícios da prática de ilícitos tributários. 38.14 Em breve resumo, conclui que não teve qualquer participação na abertura da conta bancária da Colina Verde junto a agência do Banco Bradesco situada no Palácio do Café (conta n° 10.6607); que a empresa JMB não atuava com exclusividade na intermediação dos negócios realizados pela Colina Verde no mercado de café; que fez corretagens em favor da Colina Verde, assim como inúmeros outros corretores; que jamais representou de fato a Colina Verde, nem atuou no seu interesse fora das atividades específicas de corretagem de café; que não ordenou que o Sr. Marcelo, empregado da JMB, atuasse como procurador da Colina Verde Café; que não teve qualquer participação nas atividades do Sr. Celso, apontado como empregado da JMB, sem registro na CTPS; em relação aos negócios da Colina Verde; que não há qualquer indício de irregularidades na vida patrimonial, fiscal e financeira do impugnante nos anos de 2001 a 2004; que desde o início de 2004 o impugnante não exerce mais a administração da JMB, tendo se desligado, formalmente, da sociedade neste ano. 38.15 Questiona a fundamentação legal citada pela autoridade fiscal, isto é, os arts. 124, inciso I, e art. 135 do Código Tributário Nacional. A seu ver, nem o art. 124, inciso I, nem o art. 135, tratam da responsabilidade solidária de todas as pessoas que praticaram atos de gestão e tampouco podem ser aplicados em conjunto. 38.16 Diz ser impossível aplicar a regra de responsabilidade prevista no art. 124, inciso I, do CTN, ao caso concreto, pois não se pode falar na existência de "interesse comum" que entrelace o impugnante à Colina Verde Café. 38.17 Disserta sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao presente caso. Sobre o art. 135 do CTN, afirma que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo Fl. 13595DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.596 29 exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, conclui que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. 38.18 Requer a realização de diligência e de perícia. Decerto, solicita que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e apresentar a escrita fiscal. Afirma que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Cita doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 38.19 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 39. O responsável solidário A & M Comércio, Exportação e Importação Ltda., por intermédio de seus sócios, também responsáveis solidários, Narciso Agrizzi, Idalino Agrizzi e Domingos Sávio Agrizzi, que tomaram ciência dos autos de infração lavrados em 29/11/2007 (fl. 10.835), apresentou impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.016 a 12.060). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 39.1 Preliminarmente, alegam os impugnantes a nulidade dos autos de infração. Fundamentam seu pedido com fundamento no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação dos presentes impugnantes na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála no prazo legal. 39.2 Em seguida, aduzem que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anos calendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 39.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuintes. 39.4 Afirmam os contribuintes que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indicam, alem de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do seu entendimento. 39.5 Asseveram ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 39.6 Solicitam também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor dos impugnantes, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 39.7 Alegam, em seguida, que foi outorgada procuração e aberta conta bancária pelo Sr. Mário, mas não pelos presentes impugnantes. Afirmam ainda que a simples outorga de procuração não corresponde a gestão de negócios. 39.8 Asseguram que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. Fl. 13596DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.597 30 39.9 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a título de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 39.10 Garantem que realizaram operações de comércio com a Colina Verde Café, por meio das quais receberam títulos de crédito. Por outro lado, informam que realizaram negócios com terceiros, quando repassaram os títulos de créditos mencionados. Garantem ainda que não existe qualquer ilegalidade nessas operações. 39.11 Os impugnantes jamais tiveram o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comércio. A mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 39.12 Os impugnantes trabalham no comércio de grãos, mas jamais praticaram atos de gestão ou obtiveram qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), pois se não auferiam lucro, não possuíam qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou de seu mandatário. 39.13 Quanto ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduzem que é fácil notar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. 39.14 Informam que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 39.15 Dissertam sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso. Sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirmam que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, concluem que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. 39.16 Pugnam que a responsabilidade dos impugnantes, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta n° 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou seja, que não lhes sejam imputada responsabilidade por atos de terceiros. 39.17 Questionam o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicitam que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pedem que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 39.18 Requerem a realização de diligência e de perícia. Decerto, solicitam que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e apresentar a escrita fiscal. Afirmam que a oitiva testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Citam doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 39.19 Requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 39.20 Requerem a sua exclusão da condição de responsável. Fl. 13597DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.598 31 40. O responsável solidário Antonio Tadeu Calmon, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.830), apresentou impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.148 a 12.185). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 40.1 Preliminarmente, pugna o impugnante pela nulidade dos autos de infração. Fundamenta o pedido com base no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação do presente impugnante na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugná la no prazo legal. 40.2 Em seguida, aduz que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anos calendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 40.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuinte. 40.4 Aduz ainda o contribuinte que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para vencimento da obrigação tributária. Indica, além de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do seu entendimento. 40.5 Assevera ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 40.6 Solicita também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor do impugnante, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 40.7 Assegura que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. 40.8 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a titulo de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 40.9 Afirma que jamais teve o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comércio. Diz ainda que a mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 40.10 Informa que trabalha no comércio de grãos, mas jamais praticou atos de gestão ou obteve qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois se não auferia lucro, não possuía qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou de seu mandatário. 40.11 Em relação ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduz que é fácil observar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. Fl. 13598DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.599 32 40.12 Informa ainda que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 40.13 Disserta sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso concreto. 40.14 Já sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirma que são dois os requisitos para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, conclui que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído ao impugnante. 40.15 Pugna que a responsabilidade do impugnante, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta n° 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou, com outras palavras, que não lhe seja imputada responsabilidade por atos de terceiros. 40.16 Questiona ainda o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicita que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pede que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 40.17 Requer a realização de diligência. Decerto, solicita que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e para apresentar a escrita fiscal. Afirma ainda que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Cita doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 40.18 Requer a produção de todas as provas admitidas em direito. 40.19 Requer a sua exclusão da condição de responsável. 41. Já os responsáveis solidários Ademar Valani, Sérgio Valani e Josemar Echar Valani, que tomaram ciência dos autos de infração mediante edital de 05/12/2007 (fls. 10.848, 10.849 e 10.850), apresentaram impugnação em 26/12/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.193 a 12.240). Alegam, em síntese, o que segue abaixo: 41.1 Preliminarmente, pugnam pela nulidade dos autos de infração. Fundamentam o pedido com base no art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, visto que não houve a autuação dos presentes impugnantes na lavratura dos autos de infração e tampouco a devida intimação para cumprirem a exigência fiscal ou impugnálas no prazo legal. 41.2 Em seguida, aduzem que parte do crédito tributário constituído, mais precisamente a parte imbricada com os fatos geradores verificados nos anos calendário de 2001 e 2002, está extinta por força da decadência, haja vista o que dispõe o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 41.3 Tal raciocínio se aplica ao lançamento de IRPJ, bem como das contribuições sociais, visto que o art. 45 da Lei n° 8.212/1991 é inconstitucional. Cita jurisprudência, mais especificamente do Conselho de Contribuinte. 41.4 Aduzem ainda os responsáveis que o crédito tributário constituído está prescrito, visto que já se passaram mais de cinco anos da data estipulada para Fl. 13599DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.600 33 vencimento da obrigação tributária. Indicam, além de decisões judiciais, o art. 173 do Código Tributário Nacional, como base legal do entendimento. 41.5 Asseveram ainda que, em decorrência das inúmeras dificuldades do comércio local de café, é costume que um funcionário de uma certa empresa produtora de café comercialize o produto produzido por empresa produtora de café diversa, auferindo assim pequenos lucros. 41.6 Solicitam também que se dê uma interpretação mais favorável da legislação em favor dos responsáveis, com fulcro nos arts. 112, inciso II, e 172, inciso V, do Código Tributário Nacional, em razão das peculiaridades do caso em comento. 41.7 Alegam, em seguida, que foi outorgada procuração e aberta conta bancária pelo Sr. Alecsandro, mas não pelos presentes impugnantes. Afirmam que a simples outorga de procuração não corresponde à gestão de negócios. 41.8 Asseguram que o mandante responde sim pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitam os poderes conferidos. 41.9 Ademais, como a presente autuação decorre de conta bancária, devese expurgar todos os valores a título de empréstimos, de juros, taxas, etc., não sendo possível arbitrar qualquer lucro não considerando tais valores. 41.10 Os impugnantes jamais tiveram o intuito de praticar qualquer crime, tendo apenas praticado atos de comercio. A mera presunção de omissão de receitas não acarreta, por si só, a aplicação da multa qualificada, já que não configura a intenção de fraude, e a caracterização de ilícito penal. 41.11 Os impugnantes trabalham no comércio de grãos, mas jamais praticaram atos de gestão ou obtiveram qualquer lucro, o que impede a aplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional, pois se não auferiam lucro, não possuíam qualquer interesse nos atos da Colina Verde ou seu mandatário. 41.12 Quanto ao art. 135 do Código Tributário Nacional, aduzem que é fácil notar que sua aplicação depende da comprovação da ilegalidade ou do excesso de poderes, o que não ocorreu no caso ora posto em julgamento. 41.13 Informam que nos anos de 2000 a 2003, era prática comum no mercado de café que alguns pagamentos se realizassem por intermédio da apresentação de procurações, a depender da opção do vendedor. 41.14 Dissertam sobre a norma inserta no art. 134 do Código Tributário Nacional, conquanto não tenha sido aplicado ao caso. Já sobre o art. 135 do Código Tributário Nacional, afirmam que são dois os requisitos indispensáveis para sua aplicação: efetivo exercício da administração ou representação da sociedade e a infração de lei, contrato social e estatutos. Por fim, concluem que tais pressupostos não se verificam no presente caso, o que impede a imputação de responsabilidade pelo crédito tributário constituído aos impugnantes. 41.15 Pugnam que a responsabilidade dos impugnantes, ao menos, seja limitada ao crédito tributário derivado das operações realizadas na conta nº 13.475, do Banco do Brasil S/A, ou seja, que não lhes sejam imputada responsabilidade por atos de terceiros. Fl. 13600DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.601 34 41.16 Questionam o arbitramento do lucro feito pela fiscalização e solicitam que seja apurado o lucro de acordo com as regras do lucro real, já que procedeu à entrega da escrita contábil. Pedem que eventual mora decorrente de inadimplemento de tributos federias seja penalizada apenas em 20%, na forma do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996. 41.17 Requerem a realização de diligência. Decerto, solicitam que algumas pessoas sejam intimadas para prestar esclarecimentos e para apresentar a escrita fiscal. Afirmam ainda que a oitiva de testemunha deve ser admitida no processo administrativo fiscal como meio de prova. Citam doutrina e o art. 418, inciso II, do Código de Processo Civil como fundamentos do pedido. 41.18 Requerem a produção de todas as provas admitidas em direito. 41.19 Requerem a sua exclusão da condição de responsável. 42 O responsável solidário Sr. Silvino Faria Júnior, que tomou ciência dos autos de infração em 29/11/2007 (fl. 10.835), apresentou impugnação em 03/01/2008, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 12.254 a 12.268). Alega, em síntese, o que segue abaixo: 42.1 Alega que a fiscalização fundamentou suas alegações com base em declarações prestadas e em fatos circunstanciais, inexistindo, porém, prova documental que ligue tais fatos ao impugnante. 42.2 Outrossim, a autoridade fiscal não individualizou as condutas do impugnante, para fins de imputação de responsabilidade tributária solidária. 42.3 A despeito da individualização de condutas, pretendeu o autuante, genérica e abstratamente, reportar os fatos descritos no item 2.4.3.16 do auto de infração como sendo descritivo de sua conduta, diferentemente dos demais responsáveis que tiveram a necessária individualização, o que causa estranheza e reflete a fragilidade da autuação. 42.4 Aduz que à luz da legislação vigente, não há sujeição passiva quando o terceiro é mero prestador de serviços contratado da empresa autuada, ou seja, corretor de café, nem tampouco permite que o mesmo seja apontado como gestor de fato da referida empresa. 42.5 Contata que o auto de infração, mais se assemelha a um inquérito policial de que a um lançamento tributário lavrado de oficio pela fiscalização tributária. Isso porque a autoridade fiscal figurou mais como um acusador de condutas do que como agente técnico apurador de tributos. 42.6 Aduz que a fiscalização transpôs a sua função e determinou até as intenções volitivas de cada responsável, baseandose em diretrizes íntimas e desprovidas da prova real necessária. 42.7 Diz que, citando as páginas 144 e 145 do auto de infração, nunca movimentou conta corrente da empresa Colina Verde, nem tampouco assinava documentos relacionados às operações comerciais, nem mesmo cheques. 42.8 Ademais, assevera que ele não se encontra relacionado no rol das pessoas responsáveis em liberar valores para saque em conta corrente do banco Bradesco, descaracterizando sua imputação como gestor da empresa. Fl. 13601DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.602 35 42.9 Informa ainda que era sócio da empresa que prestava serviços de corretagem de café, não tendo qualquer envolvimento a titulo de gestor com a empresa Colina Verde Café. 42.10 Declara que no depoimento do Marcelo Santos Machado, restou devidamente provado que não teve a participação do impugnante na indicação do mandatário da empresa Colina Verde Café. 42.11 Estranha o fato da fiscalização não ter questionado acerca do exsócio do impugnante, Sr. Josildo Schwambach Machado, ter envolvimento com o depoente na designação de mandatário. Questiona qual seria a razão. 42.12 Afirma que o depoente, o Sr. Marcelo Santos Machado, mantinha estreitos laços com o exsócio do impugnante, como comprova o fato do mesmo trabalhar até hoje junto à empresa GRV Corretora de Café Ltda. de propriedade de Josildo Schwambach Machado. 42.13 Referese a outro fato que mostra a inexistência de participação do impugnante, mais precisamente à declaração feita pelo depoente Marcelo Santos, ou seja, que recebia valores do Sr. Charles Paulo Bart como troca de favor pela movimentação na conta corrente da empresa Colina Verde junto ao Bradesco. Frisa também que o depoente nunca afirmou ter recebido qualquer benefício do impugnante. 42.14 Diferentemente do ex sócio da JMB, o Sr. Josildo Schwambach Machado, que continuou a manter relações laborais com o depoente Marcelo Santos, o impugnante nunca bonificou o referido depoente com favores além dos decorrentes da relação laboral mantida na JMB. 42.15 Vale registrar que não era o impugnante que mantinha o controle da empresa JMB. O ex sócio era o responsável perante o CNPJ da referida empresa, assumindo essa condição inclusive nas DIPJ da empresa JMB, o que denota sua condição preponderantemente de participação gerencial. 42.16 Observa que nem a funcionária da Agência do Banco Bradesco S/A ouvida nos autos, Fábia Mara Correa, mencionou qualquer participação do impugnante no gerenciamento e utilização da conta corrente. 42.17 Aduz que o comando decorrente do CTN informa a pessoalidade como primeiro pressuposto na responsabilização de terceiros. Em segunda etapa, estabelece a condição que enseja a respectiva responsabilidade, isto é, a conduta praticada pelo terceiro resultante de atos excessivos na gestão empresarial ou infracionários e violadores da lei ou instrumento da constituição da empresa. 42.18 Vislumbra a existência de classificação da responsabilidade sob o aspecto intencional: responsabilidade objetiva ou subjetiva. Pela configuração da conduta do terceiro responsável pretendida pelo legislador tributário, tratase de responsabilidade subjetiva a qual determina a necessária configuração da intenção do representante empresarial. 42.19 Alega ainda que a inadimplência não pode, por si só, pressupor a intenção infracional da evasão fiscal. Entende que devem restar configurados os atos praticados com excessos de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 42.20 Assegura que exercia tãosomente a atividade de corretagem de café, não possuindo qualquer outra vinculação com a empresa autuada Colina Verde Café. Fl. 13602DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.603 36 42.21 Percebe que as alegações da autoridade autuante foram pautadas tão somente em depoimentos de outras pessoas também responsabilizadas pela exação. Tais pessoas teriam, a seu juízo, o desejo de se esquivar de seus atos e responsabilidades. 42.22 Portanto, não diz que há nenhum outro vínculo documental que ligue o impugnante ao esquema descrito pela fiscalização. Contudo, demonstram efetivamente que atuou como corretar de café. 42.23 Requer a sua exclusão da condição de responsável. A 7ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído, recorreu de ofício a este Colegiado administrativo. O referido julgado foi assim ementado: PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA DEPOIS DA IMPUGNAÇÃO. A produção de prova documental deve ser realizada na fase de impugnação. Decerto, a aceitação posterior de documentos só poderá ocorrer se for devidamente observada uma das hipóteses previstas no art. 16, §4°, do Decreto n° 70.235/1972. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência, bem como de perícia, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL. A adesão ao parcelamento excepcional de que trata a MP n° 303, de 2006, produz efeitos legais somente em relação aos débitos efetivamente incluídos na opção, observado o cumprimento das formalidades e dos prazos estabelecidos na legislação de regência. PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Comprovado que o auto de infração foi formalizado com obediência a todos os requisitos previstos em lei e que não se verificam nos autos nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, descabem as alegações do interessado. DIREITOS AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. A oportunidade de exercitar o direito ao contraditório e à ampla defesa se abre a partir da ciência do auto de infração, com a possibilidade de apresentação de impugnação ao lançamento. Até então, a ação fiscal é procedimento inquisitório. IRPJ. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a formalização do crédito tributário é determinado aplicandose a regra geral prevista no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Fl. 13603DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.604 37 A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos contados da data da sua constituição definitiva, a qual ocorre somente após esgotaremse todos os recursos administrativos. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DESNECESSIDADE. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui mera transferência à administração tributária, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações, até porque assim dispõe a legislação sobre o tema. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGATORIEDADE DO LIVRO CAIXA ARBITRAMENTO DO LUCRO. Todo contribuinte que opta por apurar o Imposto de Renda com base no lucro presumido, se não mantiver escrituração comercial, deverá ter o Livro Caixa, no qual esteja escriturada a movimentação financeira, inclusive bancária. Portanto, se o Livro Caixa não é disponibilizado a fiscalização, cabe o arbitramento do lucro. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS. As notas fiscais emitidas fazem prova da realização do negócio jurídico e são hábeis para dar suporte à apuração das receitas auferidas. SÓCIO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovado por farta documentação nos autos que os sócios que figuram no quadro social do interessado são interpostas pessoas ("laranjas") e que quem administra, movimentando, inclusive, recursos em contas bancárias, são terceiras pessoas, estas, para os efeitos previstos no artigo 135, inciso III, do CTN, são sócias de fato do interessado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem, com fulcro no que determina o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional Lei n° 5.172 de 1966, pessoalmente pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. JUROS MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. A Lei n° 9.065/1995 e os demais dispositivos legais que estabelecem a aplicação de juros morat6rios com base na Taxa Selic, em relação aos débitos não pagos até o vencimento, foram inseridos legitimamente no ordenamento jurídico Fl. 13604DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.605 38 nacional. Portanto, não compete aos órgãos administrativos questionar sua aplicação. MULTA DE MORA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa moratória é devida sempre que o contribuinte procede ao pagamento do tributo espontaneamente, mas de forma extemporânea. Quando há necessidade do lançamento de oficio, é devida a multa de 75% ou de 150%, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação fornecida pela Lei n° 11.488/2007. MULTA QUALIFICADA DE 150%. (CENTO E CINQÜENTA POR CENTO). A ocultação de volumosa movimentação de recursos financeiros de origem não comprovada efetuada em diversas contas bancárias; a não declaração, na DIPJ, das receitas de vendas auferidas, e/ou a declaração de receitas de vendas irrisórias comparativamente aos recursos depositados; a utilização de notas fiscais de terceiros e de notas fiscais frias, são condutas dolosas adotadas pelo autuado, cujo quadro social é composto por interpostas pessoas ("laranja"), que evidenciam o intuito fraudulento, sendo cabível, desta maneira, a aplicação de multa qualificada de 150%. O recurso de ofício interposto pela Turma Julgadora de primeira instância decorreu do reconhecimento de caducidade do direito de a Fazenda constituir créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 2001, ex vi do disposto no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. Inconformados com a manutenção parcial dos lançamentos tributários, impetraram recurso voluntário: Leonora Andrade Seixas Zanotti (fls. 12.496/12.528); Sérgio Stuhr, Selenne Berger Stuhr e Wanderley Stuhr (fls. 12.529/12.637); Ademar Valani, Sérgio Valani e Josemar Valani (fls. 12.765/12.819); Theodoro Antônio Zanotti (fls. 12.820/12.852); José Ildo Henrique Fiorotti (fls. 12.855/12.895); Silvino Faria Junior (fls. 12.896/12.903); Josildo Schwambach Machado (fls. 12.905/12.941; Antônio Tadeu Calmon (fls. 12.942/12.993); e A & M Comércio, Exportação e Importação Ltda., juntamente com Narciso Agrizzi, Idalino Agrizzi e Domingos Sávio Agrizzi. Theodoro Antônio Zanotti e Leonor Andrade Seixas aditaram razões aos recursos por meio dos documentos de fls. 13.038/13.049 e 13.051/13.059. Em que pese o protesto de alguns pela decretação da nulidade da decisão exarada em primeira instância sob o pressuposto de ausência de enfrentamento da totalidade dos questionamentos trazidos pelas peças iniciais de defesa, os recursos voluntários apresentados, em apertada síntese, alinhamse à linha argumentativa das impugnações apresentadas anteriormente. O presente processo teve o seu julgamento sobrestado, conforme Resolução nº 1301000.059 desta Primeira Turma (sessão de 12 de junho de 2012). Contudo, diante da revogação dos parágrafos 1º e 2º do art. 61A do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado pela Portaria MF nº 545/2003, normas que serviram de lastro para o sobrestamento acima referenciado, foi possível dar prosseguimento à apreciação da lide. Fl. 13605DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.606 39 Em uma segunda apreciação, esta Primeira Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1301000.194, de 08 de abril de 2014, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem se pronunciasse sobre a documentação comprobatória da ciência da decisão de primeira instância por parte do Sr. CHARLES PAULO BART, ou, se fosse o caso, cientificasse o referido senhor do ato decisório em questão, oportunizando prazo para eventual interposição de recurso voluntário. Por meio de despacho, a Delegacia da Receita Federal em Vitória consignou: Em atendimento à resolução nº 1301000.194 do CARF/MF/DF foi providenciada intimação ao responsável solidário CHARLES PAULO BART cientificandoo do Acórdão DRJ/RJ1 nº 1221.389. Decorrido o prazo legal, sem manifestação do interessado, encaminhese este processo ao CARF/MF/DF para prosseguimento. É o Relatório. Fl. 13606DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.607 40 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães A lide a ser enfrentada no presente processo decorre da formalização, por parte da autoridade fiscal, de exigências relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativamente aos anos de 2001 a 2004. Os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL do período de 2001 a 2003 foram efetuados com base no regime do LUCRO PRESUMIDO. Relativamente ao ano de 2004, a apuração das bases de cálculo de referidos tributos foi efetuada com base no LUCRO ARBITRADO. Assim, temos: i) fls. 10.646/10.686, autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, fatos geradores ocorridos no período de 30/06/2001 a 31/12/2003, em que os montantes tributáveis foram determinados com base na diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários e as receitas de vendas registradas em notas fiscais e nos LIVROS CAIXA, sendo os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL efetuados com base no LUCRO PRESUMIDO; ii) fls. 10.687/10.710, autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, fatos geradores ocorridos no período de 31/03/2004 a 30/09/2004, em que os montantes tributáveis foram determinados com base na diferença positiva entre a soma mensal dos depósitos bancários e as receitas de vendas registradas em notas fiscais e nos LIVROS CAIXA, sendo os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL efetuados com base no LUCRO ARBITRADO; iii) fls. 10.711/10.738, autos de infração de PIS e COFINS, fatos geradores ocorridos no período de 31/08/2001 a 31/08/2004, em que os montantes tributáveis foram determinados com base na imputação de FALTA DE DECLARAÇÃO/DECLARAÇÃO A MENOR, sendo as bases de cálculo das exações representadas pela diferença entre a receita apurada com base nas notas fiscais de saída/Livro Caixa e as receitas de exportação comprovadas; iv) fls. 10.739/10.758, autos de infração de IRPJ e CSLL, fatos geradores ocorridos no período de 30/09/2001 a 31/12/2003, em que os montantes tributáveis foram determinados com base na diferença entre o imposto e a contribuição apurados com nas notas fiscais de saída/Livro Caixa e o que foi declarado ou pago, sendo os lançamentos tributários efetuados com base no LUCRO PRESUMIDO; e v) fls. 10.759/10.771, autos de infração de IRPJ e CSLL, fatos geradores ocorridos no período de 31/03/2004 a 30/09/2004, em que os montantes tributáveis foram Fl. 13607DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.608 41 determinados com base nas notas fiscais de saída, sendo os lançamentos tributários efetuados com base no LUCRO ARBITRADO. A autoridade fiscal, identificando conduta dolosa na prática das infrações, aplicou multa qualificada de 150%. A autoridade fiscal consignou no corpo dos autos de infração lavrados que a INTIMAÇÃO para o cumprimento das exigências ou para impugnálas era extensiva aos seguintes responsáveis tributários: CHARLES PAULO BART; WANDERLEY STUHR; SÉRGIO STUHR; SELENNE BERGER STUHR; SÉRGIO VALANI; ADEMAR VALANI; JOSEMAR ECHER VALANI; A&M COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA.; NARCISO AGRIZZI; IDALINO AGRIZZI; DOMINGOS SÁVIO AGRIZZI; ANTÔNIO TADEU CALMON; THEODORO ANTÔNIO ZANOTTI; LEONOR ANDRADE SEIXAS ZANOTTI; JOSÉ ILDO HENRIQUE FIOROTT; J M B CORRETORA DE CAFÉ LTDA.; SILVINO FARIA JÚNIOR e JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO. A ciência dos autos de infração em 27 de novembro de 2007, foi assinada pelo Sr. CHARLES PAULO BART, identificado como sócio gerente da fiscalizada. Às fls. 10.791/10.826, constam TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA em nome das seguintes pessoas: 1. WANDERLEY STUHR 2. SÉRGIO STUHR 3. SELENNE BERGER STUHR 4. SÉRGIO VALANI 5. ADEMAR VALANI 6. JOSEMAR ECHER VALANI 7. NARCISO AGRIZZI 8. DOMINGOS SÁVIO AGRIZZI 9. IDALINO AGRIZZI 10. ANTÔNIO TADEU CALMON 11. THEODORO ANTÔNIO ZANOTTI 12. LEONOR ANDRADE SEIXAS ZANOTTI 13. JOSÉ ILDO HENRIQUE FIOROTT 14. SILVINO FARIA JÚNIOR 15. JOSILDO SCHWAMBANCH MACHADO Fl. 13608DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.609 42 16. A & M COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA 17. JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA Extraise da decisão de primeira instância que os autos de infração foram impugnados pelas seguintes pessoas: 1. COLINA VERDE CAFÉ LTDA (a fiscalizada) 2. CHARLES PAULO BART 3. SÉRGIO STUHR 4. SELENNE BERGUER STUHR 5. WANDERLEY STUHR 6. JOSÉ ILDO HENRIQUE FIOROTT 7. THEODORO ANTÔNIO ZANOTTI 8. LEONOR ANDRADE SEIXAS ZANOTTI 9. JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO 10. A & M COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA 11. NARCISO AGRIZZI 12. IDALINO AGRIZZI 13. DOMINGOS SÁVIO AGRIZZI 14. ANTÔNIO TADEU CALMON 15. ADEMAR VALANI 16. SÉRGIO VALANI 17. JOSEMAR ECHER VALANI 18. SILVINO FARIA JÚNIOR Abaixo, quadro indicativo da ciência da decisão de primeiro grau e da impetração do recurso voluntário dos apontados como sujeito passivo das obrigações tributárias formalizadas. NOME CIÊNCIA DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA FLS. RECURSO VOLUNTÁRIO FLS. COLINA VERDE CAFÉ LTDA 16/12/2008 12.493 NÃO LOCALIZADO Fl. 13609DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.610 43 ´CHARLES PAULO BART NÃO LOCALIZADA NÃO LOCALIZADO SÉRGIO STUHR 19/11/2008 12.477 16/12/2008 12.529/12.637 SELLENE BERGER STUHR 19/11/2008 12.478 16/12/2008 12.529/12.637 WANDERLEY STUHR 16/12/2008 12.493 16/12/2008 12.529/12.637 JOSÉ ILDO HENRIQUE FIOROTT 19/11/2008 12.483/VERSO 15/12/2008 12.855/12.895 THEODORO ANTÔNIO ZANOTTI NÃO LOCALIZADA 18/12/2008 12.820/12.852 ADITAMENTOS 13.038/13.049 13.051/13.059 LEONOR ANDRADE SEIXAS ZANOTTI 19/11/2008 12.474/VERSO 18/12/2008 12.496/12.528 ADITAMENTOS 3.038/13.049 13.051/13.059 JOSILDO SCHWAMBACH MACHADO 19/11/2008 12.486 19/12/2008 12.905/12.941 A&M COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA 20/11/2008 12.492 10/12/2008 12.994/13.036 NARCISO AGRIZZI 19/11/2008 12.483 10/12/2008 12.994/13.036 IDALINO AGRIZZI 21/11/2008 12.489 10/12/2008 12.994/13.036 DOMINGOS SÁVIO AGRIZZI 24/11/2008 12.488 10/12/2008 12.994/13.036 ANTÔNIO TADEU CALMON 19/11/2008 12.490 12/12/2008 12.942/12.993 ADEMAR VALANI 26/11/2008 12.480 10/12/2008 12.765/12.819 SÉRGIO VALANI 26/11/2008 12.479 10/12/2008 12.765/12.819 JOSEMAR ECHER VALANI 27/11/2008 12.482 10/12/2008 12.765/12.819 SILVINO FARIA JÚNIO 19/11/2008 12.485/VERSO 19/12/2008 12.896/12.903 JMB CORRETORA DE CAFÉ LTDA 19/11/2008 12.491 NÃO LOCALIZADO Fl. 13610DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.611 44 Embora não tenha sido localizado nos autos o Termo de Sujeição Passiva correspondente, às fls. 10.898/10.905 consta IMPUGNAÇÃO interposta pelo Sr. CHARLES PAULO BART. Relativamente a tal responsabilidade tributária, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinala: [...] DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CHARLES PAULO BART. 156. A fiscalização imputou responsabilidade tributária solidária ao sócio Sr. Charles Paulo Bart. Ao final do Relatório Final da Fiscalização, a autoridade fiscal fornece a seguinte síntese dos fatos apurados, os quais suportam a autuação: Sua participação, além da cessão voluntária de seu nome para figurar como um dos sócios do empreendimento, salvo melhor juízo, provase pela assinatura em cheques sacados contra as seguintes contas: 8.857.443, Banestes, agência Linhares; 8.164.709, Banestes, agencia Santa Maria de Jetibá; 7.036x, Banco do Brasil, agência Santa Maria de Jetibá; e 7.3032, Cooperativa Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá. Conforme já foi mencionado mo item 2.2.1, Charles não poderia ser o dono do empreendimento, entretanto, de alguma forma beneficiouse. A afirmação é corroborada pela evolução patrimonial de sua conta bancária em 2002 e 2003 e o fato de ter adquirido um imóvel, embora provavelmente não seja registrado em seu nome no Registro de Imóveis. 157. Percebese, de imediato, que a autoridade fiscal não imputou responsabilidade ao sócio em função de mera inadimplência de tributos, como quer fazer crer o impugnante. 158. Com efeito, as conclusões alcançadas pela autoridade fiscal, oriundas de extenso e profundo trabalho de investigação, demonstram, em primeiro lugar, que Charles Paulo Bart e Jailton Gomes Pereira constam do contrato social da empresa Colina Verde Café, registrado na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo em 22/02/2001. 159. Constatouse, também, que a sede da empresa informada no contrato social, em verdade, pertencia à empresa Jeticar Auto Center Ltda, a qual funcionava no local há dez anos. A inexistência da sede da empresa foi confirmada por meio de diligência fiscal. 160. A atividade econômica declarada foi comercialização de café, de cacau, de fumo e de cereais. Contudo, constatouse que a empresa comercializou diversos outros produtos, de alto valor agregado, que tinham em comum apenas o fato de serem de origem estrangeira. 161. Apurouse também que a empresa Colina Verde Café concretizou transferências internacionais de valores, remetidas por brasileiros residentes no Fl. 13611DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.612 45 exterior, e realizou diversas transferências bancárias para centenas de beneficiários, conforme se constata pela análise dos extratos bancários do contribuinte autuado. 162. Já para demonstrar que a capacidade econômica dos sócios era incompatível com o empreendimento, foram realizadas diligências fiscais para descobrir informações sobre Charles Paulo Bart e Jailton Gomes Pereira. 163. Apurouse que Charles Paulo Bart foi trabalhador assalariado de março de 1992 a março de 2000, com um breve intervalo sem vínculo empregatício, haja vista as informações do sistema CAGED (fl. 10.445). Durante esse período, o sócio recebeu rendimentos modestos, de acordo com o sistema RATS (fls. 10.446). Aduz a autoridade fiscal que Charles Paulo Bart possuiu vínculo empregatício, durante cinco anos, com uma das empresas da família Stuhr. 164. Contatouse ainda que Charles Paulo Bart declarava rendimentos modestos nas DIRPF, insuficientes até para justificar a sua participação no capital social na empresa Colina Verde Café, no valor de R$ 90.000,00 (fls. 10.446 a 10449). 165. Foram acostadas aos autos informações sobre o carro do sócio, um Monza SL/E, ano 1985, e do imóvel onde residia, localizado em um bairro simples de classe média baixa de Santa Maria de Jetibá (fls. 10.450 a 10452). 166. Foi elaborada planilha, por meio da qual se demonstra qual seria o valor da parte do lucro que teria direito Charles Paulo Bart caso fosse realmente sócio da empresa, ou seja, R$ 4.974.174,00. Assevera a fiscalização que tal valor é incompatível com os bens possuídos por Charles Paulo Bart (fl. 10.452 e 10.453). 167. Conclui a autoridade fiscal afirmando que as constatações, documentos e dados apresentados fazem prova da completa incapacidade de Charles Paulo Bart para integralizar os R$ 90.000,00 de sua suposta participação no capital social, e que ele não foi o titular de fato do empreendimento em comento. 168. Em relação ao sócio Jailton Gomes Pereira, apurouse que percebia rendimentos muito modestos, oriundos do trabalho assalariado, de acordo com o sistema RAIS (fls. 10.453). Constatouse ainda que o sócio mantinha vínculos empregatícios com outras empresas, durante o período de tempo em que a empresa fiscalizada desenvolvia as atividades sociais. 169. Apurouse também que o sócio em foco não realizou operação imobiliária, não possuiu veiculo automotor e apresentou modesta movimentação financeira, durante o período fiscalizado. 170. Informa a fiscalização que a mãe, o pai e a exesposa de Jailton Gomes Pereira prestaram diversas informações sobre o diligenciado (fls. 10.455 a 10.458). Corroboram, em apertada síntese, que os sócios da Colina Verde Café trabalhavam para determinadas empresas da família Stuhr, que a situação econômica e financeira de Jailton Gomes Pereira era modesta e que o mesmo foi trabalhar na Itália. 171. Aduz a autoridade fiscal que a parte do lucro que supostamente cabia a Jai1ton Gomes Pereira era incompatível com os bens que possuía. 172. Ao final, afirma que Charles Paulo Bart e Jailton Gomes Pereira eram incapazes de integralizar as quotas que supostamente possuíam no capital social da empresa fiscalizada e que não possuíam patrimônio proporcional ao lucro apurado. Em resumo, não eram os titulares de fato do empreendimento em comento. Fl. 13612DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.613 46 173. Sobre as atividades da empresa restou comprovado que embora tenha comprado toneladas de produtos, de centenas de produtores rurais, e tenha revendido para um grupo aproximado de sessenta clientes, nunca possuiu estabelecimentos capazes de comportar essas mercadorias comercializadas. 174. Informa a autoridade fiscal que os produtos, a julgar pelas notas fiscais, ficavam armazenados em determinados armazéns gerais de propriedade de procuradores, ou patrões de procuradores, da Colina Verde Café. 175. Consta que a primeira nota fiscal emitida data de 21/08/2001 e que a última nota fiscal emitida data de 12/08/2004. 176. Apurouse que foram lavradas várias procurações públicas, outorgando poderes para dezoito pessoas agirem em nome da Colina Verde Café, inclusive permitindo abertura de contas bancárias e sua movimentação. Todas essas mencionadas procurações foram lavradas no serviço notarial de Santa Maria de Jetibá (fls. 10.462 a 10.464). 177. Inúmeros procuradores são pessoas ligadas à comercialização de café, seja na qualidade de empresário, seja como empregado de empresas ou pessoas ligadas a essa área. Ademais, a autoridade fiscal frisa que foram abertas diversas contas bancárias, movimentadas, em sua maioria, por procuradores ou patrões de procuradores da empresa autuada (fls. 10.464 e 10.465). 178. Por meio dessas contas bancárias, os sócios de fato da Colina Verde compravam e vendiam café, além de praticarem inúmeras outras operações comerciais, isoladamente ou em conjunto com Charles Paulo Bart. Ademais, os citados procuradores disponibilizavam toda a estrutura necessária para o funcionamento da sociedade, como depósitos para armazenagem do café negociado. 179. Em razão de todos os indícios apresentados pela fiscalização, resta claro, a meu ver, que os sócios de direito Charles Paulo Bart e Jailton Gomes Pereira figuraram no contrato social da empresa Colina Verde Café para impedir que fossem conhecidos os verdadeiros sócios da sociedade, visto que a incompatibilidade entre as operações comerciais desenvolvidas pela empresa e o patrimônio, bem como as demais condições socioeconômicas, das citadas pessoas físicas, é flagrante. 180. Mas não é só. O Sr. Charles Paulo Bart foi responsabilizado solidariamente pelo crédito tributário constituído porque além de ceder voluntariamente seu nome para constituir a sociedade em comento, movimentou, como já frisado, determinadas contas bancárias, as quais permaneceram a margem da escrita contábil e fiscal da empresa. As operações vinculadas a tais contas bancárias ocorreram sob a orientação de pessoas alheias ao contrato social da empresa, isto é, dos terceiros abaixo relacionados, gerando benefícios diretos a todos os envolvidos. 181. Antes de analisar a participação de cada sócio de fato na gestão da Colina Verde Café, é interessante fazer uma breve síntese dos fatos apurados durante o procedimento fiscal. 182. A fiscalização faz uma breve qualificação dos fatos apurados. Alega que o sócio Charles Paulo Bart, pessoa de modesta situação econômica, de um momento para o outro, salta da condição de assalariado, com baixa remuneração, para a condição de empresário. Fl. 13613DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.614 47 183. Afirma ainda que "juntamente com outro empregado dos Stuhr, constituem uma empresa, com capital social bem abaixo para a atividade econômica que pretende desenvolver, sem sede [...] e sem local para armazenagem dos produtos". 184. A partir desse momento, uma empresa que possui dois sócios sem patrimônio, que não possui sede e sem local para estocar seus produtos passam a concorrer com diversos empresários com patrimônio, com sede, com tradição e com local para estocar seus produtos. 185. Mas não é s6 isso. Tal sociedade nomeia como procuradores seus ex patrões (Wanderley Suthr e Selenne Berg Stuhr) e vários outros empresários do ramo para representar a sociedade em suas respectivas áreas de atuação, ou seja, nomeia seus próprios concorrentes para representar a Colina Verde Café. Os concorrentes da Colina Verde aceitam a incumbência e passam a realizar negócios ora para si e suas empresas, ora para sua concorrente. 186. Além de nomear os empresários, nomeia também empregados de empresas ou pessoas ligadas A. atividade de comercialização de café para, na qualidade de procuradores, representarem a Colina Verde em suas regiões, realizando negócios concorrentes com os de seus patrões, e tudo sob os olhares complacentes dos empregadores. 187. A empresa iniciante (sua primeira compra foi realizada em 21/08/2001) aufere em pouco tempo um alto faturamento. No seu primeiro ano, ou seja, em menos de cinco meses, vende mais de sete milhões e meio de reais, como demonstra as notas fiscais emitidas, e possui mais de treze milhões depositados nas suas contas bancárias. 188. Informa que a empresa, que possuía apenas três empregados, comprava e vendia toneladas de produtos, auferiu nos primeiros trinta e seis meses de atividade, lucro líquido no valor de R$ 5.526.860,03, sem considerar os depósitos bancários. Portanto, teve lucratividade de 5.526%. 189. A despeito da exorbitante lucratividade, o contribuinte encerrou suas atividades. Sugere o Fisco que o negócio tenha continuado sob o nome V & F Comercio de Café Ltda, empresa constituída por um empregado da Colina Verde Café e um cunhado de Charles Paulo Bart, mais um provável caso de simulação do quadro social. 190. Elabora ainda um organograma que demonstra as relações dos procuradores ou seus patrões com o mercado de café (fl. 10.468). 191. Por meio dos indícios trazidos aos autos, resta claro, a meu juízo, que a empresa Colina Verde Café possuía, de fato, diversos sócios ocultos, espalhados pelo Espírito Santo, os quais praticaram inúmeras operações comerciais em nome da empresa e em beneficio próprio. Ademais, possuíam o controle financeiro e administrativo da empresa, o que configura a gestão da sociedade, como se passa a demonstrar. 192. Devese reprisar que os autos de infração foram lavrados corretamente contra a empresa Colina Verde Café. Afinal, todos as contas bancárias e os recursos financeiros a elas vinculadas pertenciam a esta empresa. Em outros termos, a interposição de terceiros ocorreu apenas na formulação do quadro social da empresa autuada, visto que os sócios de fato não constavam no quadro social. Fl. 13614DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.615 48 193. Com efeito, a fiscalização não afirma que a Colina Verde Café não existiu e que os sócios de fato agiam isoladamente, unicamente em beneficio próprio. Decerto, foi apurado que inúmeras pessoas planejaram a abertura da empresa, que colocaram pessoas sem condições econômicas para figurarem no respectivo contrato social e que, por intermédio das indigitadas procurações, geriram a sociedade. 194. Destarte, podese adiantar que a responsabilidade dos sócios alcança todos os créditos tributários constituídos, visto que a atuação dos sócios de fato começa na abertura da sociedade, passa pela abertura das contas bancárias, pelo controle e administração dos recursos financeiros, pela realização de operações comerciais, indo até o encerramento das atividades. Inequivocamente, não é possível vincular o inicio da responsabilidade solidária a abertura das contas, ou a assinatura de cheques, pois estes são indícios que juntos com diversos outros indícios comprovam que as pessoas listadas eram sócias de fato da empresa Colina Verde Café. No RELATÓRIO FINAL DE FISCALIZAÇÃO, a autoridade autuante assinalou (fls. 10.633/10.634): [...] 5 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Nos termos do inciso I do artigo 124 e artigo 135, todos do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 25/10/1966, são arrolados como responsáveis solidários todas as pessoas que praticaram atos de gestão, caracterizados pelo efetivo controle dos recursos movimentados nas diversas contas bancárias. Serão arroladas as pessoas jurídicas e seus sócios, nos casos em que ficou evidenciada que atos de gestão eram praticados no interior de sua sede. Não será arrolado como responsável solidário o "sócio" Jailton Gomes Pereira. Pesa a seu favor o fato do vínculo empregatício, além da ausência de qualquer sinal de que ele tenha sido beneficiado pelo empreendimento. O sócio Charles, apesar de não ser um dos principais beneficiários, será arrolado, tendo em vista sua participação. CHARLE PAULO BART CPF 034.830.30760 [...] Em que pese, portanto, a ausência do Termo de Responsabilidade Tributária, não me parece restar dúvida de que o Sr. CHARLES PAULO BART foi incluído no pólo passivo das obrigações tributárias formalizadas. Perscrutando os autos, entretanto, não foi localizado documento capaz de indicar que o Sr. CHARLES PAULO BART havia sido devidamente cientificado da decisão de primeira instância, motivo pelo qual o julgamento foi convertido em diligência para que a unidade administrativa de origem tomasse providências nesse sentido (Resolução nº.1301 000.194, de 08 de abril de 2014). Fl. 13615DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.616 49 Promovida a ciência, a Delegacia da Receita Federal em Vitória, ao promover o encaminhamento do processo a este Colegiado, esclarece que, decorrido o prazo legal, não houve manifestação do CHARLES PAULO BART. Apreciando os recursos voluntários interpostos pelos apontados como responsáveis tributários, constato que o Sr. JOSÉ ILDO HENRIQUE FIOROTT, em sua peça de defesa, assinalou: Ao compulsar os autos desse processo administrativo verificarseá na peça de impugnação protocolada pelo ora recorrente um item de n. "IV", que fora denominado "Da Responsabilidade Limitada aos atos praticados pelo ora Impugnante, no qual se explicita a realidade dos fatos e se requer, se for o caso, seja imputada responsabilidade ao senhor José Ildo Henrique Fiorott, APENAS (e somente!) pelos supostos débitos decorrentes dos atos que teria praticado por meio do instrumento procuratório que lhe foi conferido. Ou seja, NÃO poderia (nem deveria!) a Receita Federal do Brasil atribuir responsabilidade total dos imputados débitos da Colina Verde Café Ltda. ao recorrente, que nem sócio da empresa era e, ainda, somente praticava atos através de uma procuração (dentre outras várias, outorgadas aos demais procuradores citados nessa ação fiscal). Entrementes, ao decidir a questão, a DRJ manifestouse SOMENTE assim: ... Percebase que em momento algum a decisão traz manifestação sobre o argumento da responsabilidade LIMITADA do recorrente. Em NENHUM dos parágrafos destacados (276 a 281), na parte da decisão que serviu de enfrentamento aos pontos colocados pela impugnante (ora recorrente), podese encontrar a análise da questão referente à responsabilidade de forma limitada do peticionário. ... Tal contorno dado à decisão, pelo julgador de primeira instância, acaba por esmurrar frontalmente o direito de defesa do recorrente, garantido pelo inciso LV, do artigo 5° da Constituição Federal. Resta nítida a OMISSÃO do decisum, configurando, assim, ofensa frontal ao inciso II, do artigo 59, do Decreto 70.235 de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal federal e dispõe de forma cristalina que: [...] Como assinalado pelo Recorrente, o ato decisório recorrido cuidou da apreciação de suas razões de defesa nos itens 276 a 281, abaixo transcritos. [...] 276. A autoridade fiscal imputou responsabilidade tributária solidária ao Sr. José lido Henrique Fiorott. Ao final do Relatório Final da Fiscalização, a fiscalização constrói a seguinte síntese dos fatos apurados, os quais suportam a autuação: Movimentou recursos da conta 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares. Fl. 13616DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.617 50 277. No item 2.4.3.7, do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, foi afirmado que a conta n° 3.8822, da Cooperativa de Crédito Rural de Linhares, aberta em 19/07/2002, tinha como responsável José Ildo Henrique Fiorott, conforme cartão de autógrafo, ficha de abertura de conta e cheques emitidos (fl. 10.496). 278. Por meio dos vários depoimentos colhidos durante o curso do procedimento de auditoria fiscal, observase ainda que a conta bancária foi usada para receber recursos oriundos de compras feitas pela Colina Verde Café. 279. O impugnante, na sua impugnação, foi incapaz de esclarecer seus vínculos com a Colina Verde Café e seus sócios de direito, e porque inúmeras operações foram realizadas por meio da conta bancária aberta na Cooperativa de Crédito Rural de Linhares. 280. Observase também que a conta bancária não foi objeto de contabilização, o que levou a um completo descontrole. Em outras palavras, não existe um suporte documental das entradas e saídas de recursos financeiros, o que bem demonstra que a conta bancária citada foi utilizada para negócios espúrios, realizados dolosamente com o fito de ocultálos do Fisco, gerando a sonegação de tributos. 281. A meu juízo, o impugnante possuía poderes na gestão da empresa Colina Verde Café, ainda que limitados a determinado território do Espírito Santo. Esses poderes de gestão foram reconhecidos na procuração outorgada e foram utilizados na abertura de conta corrente e na realização, por meio dessa conta, de operações comerciais, entre elas, de compra de café para a empresa autuada. A meu ver, em convergência com o alegado pela Recorrente, não cuidou o ato decisório recorrido de apreciar a questão da limitação da responsabilidade suscitada na peça de defesa. Embora comungue do entendimento de que a decisão não precisa, necessariamente, analisar cada um dos argumentos expendidos na peça de defesa, penso que, no caso que ora se aprecia, é vital o pronunciamento da autoridade julgadora acerca da extensão da responsabilidade imputada ao Recorrente, importando em cerceamento do direito de defesa a ausência de manifestação sobre a matéria em referência. Assim, considerado o exposto, conduzo meu voto no sentido de ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA para que outra seja emitida, apreciandose, desta vez, as alegações constantes no item IV da impugnação interposta pelo indicado como responsável tributário JOSÉ ILDO HENRIQUE FIOROTT. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 13617DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 15586.000879/200716 Acórdão n.º 1301001.939 S1C3T1 Fl. 13.618 51 Fl. 13618DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 3/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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