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Numero do processo: 10480.007093/95-45
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS FATURAMENTO – A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária.
Recurso Especial Negado.
Numero da decisão: CSRF/02-01.545
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara do Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Recorrida : 1 6 CÂMARA DO 2Q CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de : 26 de janeiro de 2004 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 PIS FATURAMENTO — A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a edição da Medida Provisória n° 1.212/95, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso Especial Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso de interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara do Superior de Recursos Fiscais, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ----_______ j)R1:6?-1R0- ESgrR-A PRESIDENTE , 51.,-, -".t.--". "go._ ,I1?•-•• 4ç, ,, (.<(,,,,,,,e_.i RENI UE PINHEIRO f R'RES RELATOR FORMALIZADO EM: 1 5 SET 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, OTACÍLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. 1 Processo n° :10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 Recurso n° :201-111968 Matéria : PIS/FATURAMENTO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : CALAM ALIMENTOS DA AMAZÔNIA LTDA RELATÓRIO Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/21, para formalização da exigência da contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, referente ao período de abril/1991 a fevereiro/1995. Da análise dos elementos constitutivos dos autos, manifestou-se o Delegado da Receita Federal de Julgamento em Recife pela procedência parcial da ação fiscal (fls. 141/147), declarando devida: 1) a cobrança do PIS nos moldes da Lei Complementar n2 07/70 e 17/73, diante da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis n 2.445/88 e 2.449/88; 2) a aplicação da multa de ofício, ao percentual de 50%, sobre os valores referentes ao período de abril/91 a junho/92, e, ao percentual de 75%, sobre os valores relativos ao período de julho/92 a fevereiro/95; 3) a imputação dos juros de mora a serem calculados sobre o tributo, por ocasião do pagamento, de acordo com a legislação vigente. Em sessão plenária de 08/11/2000, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes - por unanimidade de votos - decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos termos do Acórdão n 2 201- 74.112, assim ementado (fl. 84): "DEPÓSITO RECURSAL - O Conselho de Contribuintes não é órgão competente para analisar a constitucionalidade da norma que instituiu o depósito de 30% do valor da exigência fiscal, como pressuposto de admissibilidade do Recurso Voluntário. PERÍCIA. O pedido de produção de prova pericial deve preencher os requisitos previstos no artigo 16 do Decreto n2 70.235/72. Preliminares rejeitadas. PIS - DECISÃO JUDICIAL. LC n2 07/70. SEMESTRALIDADE. A ação fiscal deve obedecer os ditames da decisão judicial proferida que garante o recolhimento da contribuição, conforme determina a Lei Complementar n 2 07/70. TAXA SELIC. A cobrança da Taxa SELIC como juros de mora foi instituída por norma legal. MULTA DE OFÍCIO. Não existe cunho confiscatório na multa prevista no art. 44 da Lei n Q 9.430/96. Recurso voluntário parcialmente provido." # Insurgindo-se contra o julgado em epígrafe, o Procurador da Fazenda Nacional recorreu à instância especial - ao amparo artigo 32, inciso II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes - sob a alegação de 2 Processo n° : 10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 interpretação divergente da legislação tributária quanto ao entendimento firmado favoravelmente à tese de semestralidade do PIS (fls. 90/91) Segundo o recorrente, a interpretação adequada da regra inserta no artigo 6 2, parágrafo único, da Lei Complementar n2 07/70 está consignada no Acórdão n 2 202-11.990 - apresentado como paradigma às fls. 92/125 - cuja ementa se transcreve: "PIS - BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE RECOLHIMENTO - O fato gerador da Contribuição para o PIS é o exercício da atividade empresarial, ou seja, o conjunto de negócios ou operações que dá ensejo ao faturamento. O art. 6 Q da Lei Complementar n e 07/70 não se refere à base de cálculo, eis que o faturamento de um mês não é grandeza hábil para medir a atividade empresarial de seis meses depois. A melhor exegese deste dispositivo é no sentido de a lei regular prazo de recolhimento de tributo. Ocorre que a legislação posterior alterou tal prazo para recolhimento da Contribuição ao PIS (Leis r-P- 7.691/88, 8.019/90, 8.218/91 e 8.383/91). Não obedecidos os prazos ali previstos, legítima é a exigência da contribuição e consectários legais. Recurso negado." Em Despacho fundamentado com base na Informação de fls. 126/127, o Presidente da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o recurso especial interposto pelo Procurador-Representante da Fazenda Nacional, vez que devidamente revestido dos requisitos de admissibilidade exigidos pela Portaria MF n2 55/98: tempestividade do apelo, comprovação e demonstração da divergência argüida quanto ao entendimento firmado sobre a sistemática prevista no artigo 62, parágrafo único, da Lei Complementar n 2 07/70 (prazo de recolhimento x base de cálculo/semestralidade da contribuição ao PIS). Mediante o EDITAL SECAT/DRF-RECIFE n 2 81 (fl. 136), o contribuinte foi cientificado do Acórdão if 201-74.112 e do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, bem como do despacho da Câmara recorrida que admitiu o apelo. Não consta dos autos pronunciamento algum, por parte do sujeito passivo, contra a decisão consubstanciada no acórdão acima referido ou em resposta ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório.' 3 Processo n° : 10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 VOTO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do exame dos autos, constata-se que a questão do litígio versa sobre a semestralidade da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, prevista nas Leis Complementares n° 07/70 e 17/73, já que foram declarados inconstitucionais os dispositivos legais que introduziram modificações na sistemática de recolhimento da contribuição para o PIS, cujo efeito erga omnes foi determinado pela Resolução Senado n° 49/95. Esta questão foi magistralmente enfrentada pelo Conselheiro Natanael Martins, no voto proferido quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 11.004, originário da 79 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Rendendo homenagem ao brilhante pronunciamento do insigne relator, transcrevo excerto desse voto para fundamentar minha decisão: As autoridades administrativas, como visto no presente caso, promoveram o lançamento com base na Lei Complementar n° 07/70, justamente a que a reclamante traz à baila para demonstrar a impropriedade do ato administrativo levado a efeito. É que, na sistemática da Lei Complementar n° 07/70, a contribuição devida em cada mês, a teor do disposto no parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70, a seguir transcrito, deve ser calculada com base no faturamento verificado no sexto mês anterior: "Art. 6° - A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea "h" do artigo 3° será processada mensalmente a partir de 1° de julho de 1971. Parágrafo Único. A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente". (grifou-se). Não se trata, à evidência, como crê o Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC n.° 56/95, bem como a r. Decisão de fls. 110/113, de mera regra de prazo, mas, sim, de regra insita 1 4 Processo n° : 10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 na própria materialidade da hipótese da incidência, na medida em que estipula a própria base imponível da contribuição. Neste sentido é o pensamento de Mitsuo Narahashi, externado em estudo inédito que realizou pouco após a edição da Lei Complementar n.° 07/70: "Decorre, no texto acima transcrito, que a empresa não está recolhendo a contribuição de seis meses atrás. Recolhe a contribuição do próprio mês. A base de cálculo é que se reporta ao faturamento de seis meses atrás. O fato gerador (elemento temporal) ocorre no próprio mês em que se vence o prazo de recolhimento. Uma empresa que inicia suas atividades não tem débitos para com o PIS, com base no faturamento, durante os seis primeiros meses de atividade, ainda que já se tenha formado a base de cálculo dessa obrigação. Da mesma forma, uma empresa que encerra suas atividades agora, não recolherá a contribuição calculada sobre o faturamento dos últimos seis meses, pois, quando se completar o fato gerador, terá deixado de existir". Outro não é o entendimento de Carlos Mário Velloso, Ministro do Supremo Tribunal Federal: "... com a declaração de inconstitucionalidade desses dois decretos-leis, parece-me que o correto é considerar o faturamento ocorrido seis meses anteriores ao cálculo que vai ser pago. Exemplo, calcula-se hoje o que se vai pagar em outubro. Então, vamos apanhar o faturamento ocorrido seis messes anteriores a esta data" (Mesa de Debates do VIII Congresso Brasileiro de Direito Tributário, "in" Revista de Direito Tributário n.° 64, pg.149, Malheiros Editores). Geraldo Ataliba, de inesquecível memória, e J. A .Lima Gonçalves, em parecer inédito sobre a matéria, espancando qualquer dúvida ainda existente, asseveraram: "O PIS é obrigação tributária cujo nascimento ocorre mensalmente. O fato "faturar" é instantâneo e renova-se a cada mês, enquanto operante a empresa. A materialidade de sua hipótese de incidência é o ato de faturar", e a perspectiva dimensível desta materialidade — vale dizer, a base de cálculo do tributo — é o volume do faturamento. O período a ser considerado — por expressa disposição legal - para "medir" o referido faturamento, conforme já assinalado, é 5 Processo n° : 10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 mensal. Mas não é — e nem poderia ser — aleatoriamente escolhido pela intérprete ou aplicador da lei. A própria lei complementar n.° 7/70 determina que o faturamento a ser considerado, para a quantificação da obrigação tributária em questão, é o do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponível. "Dispõe o transcrito parágrafo único do artigo 6°: "A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente." Não há como tergiversar diante da clareza da previsão. Este é um caso em que — ex vi de explícita disposição legal — o autolançamento deve tomar em consideração não a base do próprio momento do nascimento da obrigação, mas, sim, a base de um momento diverso (e anterior). Ordinariamente, há coincidência entre os aspectos temporal (momento do nascimento da obrigação) e aspecto material. No caso, porém , o artigo 6° da Lei Complementar n.° 7/70 é explícito: a aplicação da alíquota legal (essência substancial do lançamento) far-se-á sobre base seis meses anterior, isso configura exceção (só possível porque legalmente estabelecida) à regra geral mencionada. A análise da seqüência de atos normativos editados à partir da Lei Complementar n.° 7/70, evidencia que nenhum deles.., com exceção dos já declarados inconstitucionais decretos-leis n° 2.445 e 2.449/88 — trata da definição da base de cálculo do PIS e respectivo lançamento (no caso, autolançamento) . Deveras, há disposição acerca (I) do prazo de recolhimento do tributo e (II) da correção monetária do débito tributário. Nada foi disposto, todavia, sobre a correção monetária da base de cálculo do tributo (faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do respectivo fato imponível). Consequentemente , esse é o único critério juridicamente aplicável." Se se tratasse de mera regra de prazo, a Lei Completar, à evidência, não usaria a expressão "a contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto com base no faturamento de fevereiro, e assim sucessivamente", mas simplesmente diria: "o prazo de 6 Processo n° : 10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 recolhimento da contribuição sobre o faturamento, devido mensalmente, será o último dia do sexto mês posterior". Com razão, pois, a jurisprudência da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, vem assim se expressando: Acórdão n.° 101-87.950: "PIS/FATURAMENTO CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDAS - Procede o lançamento ex-officio das contribuições não recolhidas, considerando-se na base de cálculo, todavia, o faturamento da empresa de seis meses atrás vez que as alterações introduzidas na Lei Complementar n.° 07/70 pelos Dec.-leis n.° 2.245/88 e 2.449/88 foram considerados inconstitucionais pelo Tribunal Excelso (RE- 148754-2)". Acórdão n.° 101-88.969 "PIS/ FATURAMENTO — Na forma do disposto na Lei Complementar n.° 07, de 07/09/70, e Lei Complementar n.° 17, de 12/12/73, a contribuição para o PIS/Faturamento, tem como fato gerador o faturamento e como base de cálculo o Faturamento de seis meses atrás, sendo apurado mediante a aplicação da aliquota de 0,75%. Alterações introduzidas pelos Decretos-Leis n.° 2.445/88 e 2.449/88, não acolhidas pelas Suprema Corte" Resta registrar que o STJ, através das 1 e 28 Turmas da 18 Seção de Direito Público já pacificou este entendimento. Merece ainda ser aqui citado o entendimento do conselheiro Jorge Almiro Freire sobre matéria idêntica a aqui em análise, externado no voto proferido quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 116.000, consubstanciado no acórdão 201-75.390: "E, neste último sentido, veio tornar-se consentânea a jurisprudência da CSRP e também do STJ. Assim, calcado nas decisões destas Cortes, dobrei-me à argumentação de que 1 O Acórdão n9 CSRF/02-0.871 1 também adotou o mesmo entendimento firmado pelo STJ Também nos RD nos 203-0293 e 203-0334, j em 09/02/2001, em sua maioria, a CSRF esposou o entendimento de que a base de cálculo do PIS refere-se ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador (Acórdãos ainda não formalizados) E o RD ri° 203-0.3000 (Processo e 11080001223/96-38), votado em Sessões de junho do comente ano, teve votação unânime nesse sentido 7 Processo n° : 10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 deve prevalecer a estrita legalidade, no sentido de resguardar a segurança jurídica do contribuinte, mesmo que para isso tenha-se como afrontada a melhor técnica tributária, a qual entende despropositada a disjunção de fato gerador e base de cálculo. É a aplicação do princípio da proporcionalidade, prevalecendo o direito que mais resguarde o ordenamento jurídico como um todo. E agora o Superior Tribunal de Justiça, através de sua Primeira Seção, 2 veio tornar pacífico o entendimento postulado pela recorrente, consoante depreende-se da ementa a seguir transcrita: 'TRIBUTÁRIO — PIS — SEMESTRALIDADE — BASE DE CÁLCULO — CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. O PIS semestral, estabelecido na LC 07/70, diferentemente do PIS REPIQUE — art. 39, letra "a" da mesma lei — tem como fato gerador o faturamento mensal. 2. Em benefício do contribuinte, estabeleceu o legislador como base de cálculo, entendendo-se como tal a base numérica sobre a qual incide a alíquota do tributo, o faturamento, de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador — art. 69, parágrafo único da LC 07/70. 3. A incidência da correção monetária, segundo posição jurisprudencial, só pode ser calculada a partir do fato gerador. 4. Corrigir-se a base de cálculo do PIS é prática que não se alinha à previsão da lei e à posição da jurisprudência. Recurso Especial improvido.' Portanto, até a edição da MP tf 1.212/95, convertida na Lei rf- 9.715/98, é de ser dado provimento ao recurso para que os cálculos sejam feitos considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, tendo como prazos de recolhimento aquele da lei (Leis n 7.691/88; 8.019/90; 8.218/91; 8.383/91; 8.850/94; 9.069/95 e MP n-Q 812/94) do momento da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, não há como negar que, até a entrada em vigor das alterações na legislação de regência do PIS, introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/1995, a base de cálculo dessa contribuição deve ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Resp no 144 708, Te! Ministra Eliana Calmon, j em 29/05/2001, acórdão não formalizado 8 Processo n° : 10840.007093/95-45 Acórdão n° : CSRF/02-01.545 Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões — DF, em 26 de janeiro de 2004 -,rtlog PINHEIRO TORRÉS 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10925.000845/2006-21
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO.
Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como uma condicionante à isenção do ITR.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-000.550
Decisão: por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho que negavam provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. RESERVA LEGAL RECONHECIDA EM LAUDO TÉCNICO E AVERBADA EM EXERCÍCIO IMEDIATAMENTE POSTERIOR ÀQUELE FISCALIZADO. DEFERIMENTO DA ISENÇÃO. Apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, essa não necessita ser feita em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, notadamente se anterior ao início da ação fiscal, não parece razoável arrostar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como uma condicionante à isenção do ITR. Recurso provido.
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Numero do processo: 10120.011949/2007-15
Data da sessão: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA
VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. É
de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias.
CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos
da jurisprudência deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em se tratando de caso de responsabilidade solidária, a Fazenda Nacional detém a prerrogativa de efetuar o lançamento na empresa tomadora de serviços, mesmo que ausente prévia fiscalização na empresa prestadora de serviços.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.194
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, com fundamento no artigo 173, I do CTN, vencidos os Conselheiros Rogério Lellis de Pinto e Cleusa Vieira de Souza, que votaram em aplicar o §4°, Art. 150 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: Lourenço Ferreira Do Prado
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da jurisprudência deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em se tratando de caso de responsabilidade solidária, a Fazenda Nacional detém a prerrogativa de efetuar o lançamento na empresa tomadora de serviços, mesmo que ausente prévia fiscalização na empresa prestadora de serviços. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros da 4a câmara / r turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, com fundamento no artigo 173, I do CTN, vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Cleusa Vieira de Souza, que votaram em aplicar o §4°, Art. 150 do CTN. No mérito, por unanimidade d- em negar provimento ao rec os termos do fl voto do relator. • - O OLIVEIRA - Presidente LO ÇO FERREIRA DO PRADO - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo 'veira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ctcu leira de Souza (Convocado) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Convocado). _ _ 2 Processo n°10120.011949/2007-15 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.194 El. 132 Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra a empresa recorrente por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD, referente ao período de 08/1998 a 12/1998, de acordo com Relatório Fiscal de fls. 33/36, retificado parcialmente pelo Relatório Fiscal Complementar de fis.67/68. Infere-se destes relatórios que foram objeto do lançamento as Contribuições Previdenciárias incidentes sobre a mão-de-obra incluída em notas fiscais de prestação de serviço emitidas pela empresa do ramo de construção civil acima identificada (Contratada), com base no instituto da responsabilidade solidária, em -que a Maia e Borba Ltda. apresenta-se - - na condição de contratante dos serviços, apuradas mediante ação fiscal realizada nesta última. O auditor fiscal responsável apurou um débito no valor de R$ 3.987,78 (Três mil, novecentos e oitenta e sete reais, setenta e oito centavos), cientificado ao contribuinte em 24/08/2004. A r. Decisão notificação julgou procedente o presente lançamento fiscal para declarar os sujeitos passivos devedores à Seguridade Social do crédito de R$ 3.987,78 (Três mil e novecentos e oitenta e sete mil reais e setenta e oito centavos. Irresignada, a empresa interpõe recurso voluntário de fls.114/125, alegando em síntese: 1-A necessidade da declaração de nulidade ou improcedência da NFLD, pois teria sido lavrada com base no instituto da solidariedade única e exclusivamente contra o responsável solidário, descaracterizando esse instituto jurídico e transformando-o em substituição tributária, procedimento sem respaldo na legislação previdenciária; 2- Alega que o instituto da solidariedade em matéria previdenciária é subsidiária e não substitutiva, devendo o crédito ser constituído em nome de todos os solidários, ao contrário do presente lançamento em que o responsável solidário foi transformado indevidamente em substituto tributário (art 128 do CTN). Portanto não se verificou a solidariedade tributária (art. 124, 11, do CTN), com derivação no art. 30, VI, da Lei n.8.212/9I, que fundamenta esta Notificação; 3- Discorre sobre o tema apontando a diferença fundamental entre o responsável solidário e o substituto tributário é que o primeiro assume solidária e subsidiariamente a responsabilidade pelo pagamento do tributo enquanto no segundo caso o contribuinte originário é afastado, assumindo o substituto a posição de único responsável pelo pagamento da obrigação, como ocorreu no presente caso; 4- Aduz que "para assim proceder, o INSS invoca o parágrafo único do art. 124, do CTN (até 1997 e o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/91, em sua parte final, ignorando que o beneficio de ordem se refere à fase final do procedimento: a cobrança do crédito definitivamente constituído, e não a sua fase miei., a • 'ção do crédito pelo lançamento."; -„ 3 5- Suscita a questão da ausência da empresa prestadora não incluída na NFLD, mas apenas cientificada da mesma não tendo essa ciência nenhum efeito jurídico, porque não tem o condão de 6 Afirma que o Parecer MPAS/CJ n.2.376/00 foi desrespeitado ao se constituir o crédito em nome somente do tomador dos serviços, com exclusão do prestador, legitimo contribuinte, porquanto os nomes de todos os responsáveis tributários deveriam constar na NFLD, e não apenas no relatório fiscal, como ocorreu; 7- Ainda, evidenciando a extrema precariedade da solidariedade previdenciária, a Autarquia não tem como controlar o pagamento ou o parcelamento quando efetuados pelo devedor originário, no sentido de aproveitar ao solidário, gerando bis in idem e desfigurando o instituto da solidariedade em um de seus fundamentos, já que o pagamento ifetuldo por um dos devedores não aproveita aos demais; 8-Que a cientificação ao contribuinte é um mero artificio que não caracteriza a solidariedade e não garante que o mesmo crédito não seja cobrado duas vezes, uma vez que a Autarquia não tem controle sobre isso, conforme aduzido; 9- Que "Ao excluir o contribuinte da NFLD o INSS impede também que seja possível ao tomador a ação regressiva e desobedece mais uma vez o Parecer acima citado"; 10-Que de acordo com a Lei Complementar n.73, de 10/02193, os pareceres aprovados por Ministros de Estado têm caráter normativo, com aplicação obrigatória na esfera administrativa dos órgãos e entidades vinculadas, não podendo assim prosperar qualquer notificação lavrada em desacordo com o Parecer MPAS/CJ n.2.376/00, sob pena de infração citada Lei Complementar; Processado o recurso sem contr azõ Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. krt‘ 4 Processo n° 10120.011949/2007-15 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.194 Fl. 133 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Embora a recorrente não levante no seu recurso a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário, por ser uma matéria de ordem pública, pode ser declarada de oficio em qualquer momento ou grau de jurisdição, assim, passo a análise desta matéria. O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode _ _ dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, em observância aquilo que disposto no artigo 146 III "h" da Constituição Federal, à unanimidade de votos, negou provimento aos Recursos Extraordinários n° 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, os quais concediam à Previdência Social o prazo de 10 (dez) anos para a constituição de seus créditos. Na mesma assentada, inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, o STF editou a Súmula Vinculante de n° 8, cujo teor ê o seguinte: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, em observância ao que disposto no artigo no art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004, as súmulas vinculantes, por serem de observância e aplicação obrigatória pelos entes da administração pública direta e indireta, devem ser aplicadas por este Eg. Conselho de Contribuintes, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Logo, inaplicável o prazo de 10 (dez) anos para a aferição da decadência no âmbito das contribuições previdenciárias, resta necessário, para a solução da demanda, a aplicação das normas legais relativas à decadência e constantes no Código Tributário Nacional, a saber, dentre os artigos 150, § 40 ou 173, I, diante da verificação, caso a caso, se tenha ou não havido dolo, fraude, simulação ou o recolhimento de parte dos valores das contribuições 1 sociais objeto da NFLD, conforme mansa e pacifica orientação desta Eg. Câmara. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, motivo pelo qual, em regra, devem observar o e art. 150, § 4° do CTN. Dessa forma, verificado o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção inscrita no art. 156, inciso VII do CTN, que condiciona o acerto do lançamento efetuado pelo contribuinte a ulterior homologação por parte de Fisco. Ao revés, caso não exista pagamento ou mesmo a parcialidade deste, não há o que ser homologado, motivo que enseja a incidência do disposto no art. 173, inciso I do CTN, hipótese na qual o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. No caso em tela se depreende dos autos que não houve recolhimento antecipado das contribuições objeto da NFLD, pois se trata do lançamento da integralidade das contribuições devidas, conforme se depreende do DAD — Discriminativo Analítico do Débito — parte integrante da NFLD e do présrio relatório fiscal, devendo ser aplicado, in casu, para efeitos de contagem do prazo decadencial, o art. 173, Ido CTN. Neste ínterim, deverão ser excluídas do lançamento as competências anteriores a 11/1998. Quanto ao mérito, já que em face da decadência reconhecida apenas resta do lançamento a competência de 12/98, tenho que as alegações contidas no recurso voluntário possuem ponto fulcral, qual seja, a necessidade de que o lançamento objeto da NFLD fosse realizado primeiramente em face da empresa prestadora do serviço, contribuinte principal da exação, sendo esta quem poderia comprovar, efetivamente, o adimplemento da obrigação tributária, tendo sido confundido o instituto da responsabilidade solidária com substituição tributária. Entretanto, conforme mansa e pacífica jurisprudência a respeito do tema, a tese não merece prosperar. Inicialmente cumpre enfatizar que a empresa prestadora dos serviços foi devidamente intimada do lançamento da presente NFLD, não tendo apresentado defesa ou mesmo recurso contra a decisão notificação. O lançamento efetuado com base nas notas fiscais de prestação de serviços o foi em consonância com aquilo que determina a legislação, mais especificadamente o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional e art. 37 da Lei 8.212/91, pois foi clara e precisamente demonstrada a ocorrência do fato gerador, garantindo ao contribuinte a perfeita compreensão do ônus que lhe foi imposto, podendo exercer, plenamente, como de fato o fez seu direito de defesa, não bastando que o mero inconformismo possa vir a anular o lançamento, sobretudo quando este se funda na premissa de interpretação equivocada do fiscal quanto aos institutos da solidariedade e substituição tributária. Ademais, certo é que a solidariedade tributária não constitui simples forma de eleição de responsável tributário, mas hipótese de garantia pelo adimplemento da obrigação tributária em favor do Fisco. Esta tem por objetivo precípuo garantir a arrecadação; sendo sua finalidade a de facilitar a satisfação dos interesses da Administração, permitindo a ação do Estado diretamente sobre quem melhor lhe aprouver, pautando-se, por óbvio, nos princípios da _ legalidade, eficiência, entre outros, inafastáveis da atuação estatal. • A figura da responsabilidade solidária, portanto ge no Direito Tributário com o único fim de resguardar o adimplemento do cré ' tário criando mecanismo para o Processo n° 10120.011949/2007-15 52-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.194 F1. 134 Estado indicar, com exclusividade, contra quem irá agir, não havendo que se falar em beneficio de ordem e nem em condições para o exercício desse direito não impostas pela lei. A legislação previdenciária, ao prever hipótese de solidariedade, impõe ao tomador de serviço, em seu artigo 31, §§ 1° e 4°, a obrigação de fiscalizar o recolhimento das contribuições previdenciárias pelo cedente, inclusive com a possibilidade de retenção do valor, exigindo do prestador do serviço cópia autenticada das guias quitadas e folha de pagamento, para que, então, possa elidir-se da responsabilidade tributária. •Confira-se: "Art. 31.0 contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e• admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 3° A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Incluído pela Lei n° 9.032, de 1995). § 40 Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Assim, tanto a tomadora quanto a cedente possuem a documentação • necessária para subsidiar a fiscalização pelos meios ordinários, o que somente não ocorrerá em caso do não cumprimento pela tomadora de serviço da obrigação acessória explicitamente disposta na norma supra em exigir do prestador a comprovação dos respectivos recolhimentos. Logo, verificada a ocorrência do fato gerador, fica o Fisco autorizado a proceder ao lançamento, constituindo o devido crédito tributário. Este crédito tributário pode ser constituído tanto em face do contribuinte, como do responsável tributário, porque ambo são solidários em relação a obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo únic do artigo 124 do Código Tributário Nacional, beneficio de ordem, a seguir: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade refe 'da n o não comporta beneficio de ordem." - - 7 Por fim, cumpre ressaltar que a tese aventada pelo contribuinte já foi alvo de varias discussões por esta 2a Seção, que já pacificou entendimento quanto ao assunto, inclusive, conforme se demonstra a seguir, a partir de precedentes cujo interessado era o próprio recorrente verbis: "Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/07/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o contratado pelas contribuições destinadas à Seguridade Social, nos termos do art 30, inciso VI da Lei n° 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLDARIA - APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR - DESNECESSIDADE - BENEFICIO DE ORDEM - INEXISTÊNCIA. Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador _ de serviços mesmo _ffl/C não haja apuração prévia no prestador de serviço. A responsabilidade solidária não comporta beneficio de ordem. Não havendo comprovação, por parte do tomador, de que o prestador efetivou os recolhimentos devidos, a autoridade fiscal poderá efetuar o lançamento contra qualquer um dos solidários. Recurso Voluntário Negado." (Rel. Cons. Ana Maria Bandeira, Recurso 241.473, sessão de 07/10/2008, Int. MAIA E BORBA LTDA)) "Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o contratado pelas contribuições destinadas à Seguridade Social, nos termos do art 30, inciso VI da Lei n°8.212/1991. Recurso Voluntário Negado (Rel. Cons. Ana Maria Bandeira, Recurso 247.030, sessão de 07/10/2008, Int. MAIA E BORBA LTDA)) Ante o exposto, voto no sentido de acolher de oficio da preliminar decadência para determinar a exclusão do lançamento das contribuições apuradas até a competência 11/1998, anteriores a 12/1998, com fundamento no artigo 173, I do CI'N e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2009 LO • - ÇO FERREIRA DO PRADO - Relator . _ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .111f QUARTA CÂIVIARA - SEGUNDA SEÇÃ..1.7-,d.," O Processo n°: 10120.011949/2007-15 Recurso n°: 159.489 TERMO DE INTIMAÇÃO - Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento - Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.194 Brasília, 12 de abril de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional ay MINISTÉRIO DA FAZENDACONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISQUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 10120.011949/2007-15 Recurso n": 159.489 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no- parágrafo 3° do artigo- 81 do-Regimento i I Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° : 02-00.194 i B asilia, de abril de 2010 I i, ELIAS S ,i PAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: I 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / , Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10950.007360/2008-12
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Período de apuração: 01/03/2004 a 06/12/2005
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. SUBFATURAMENTO. FRAUDE. CONCORRÊNCIA PARA A PRÁTICA DA INFRAÇÃO. FALTA DE PROVAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPORTADOR. Não se pode responsabilizar pela prática de subfaturamento o importador que promove regularmente, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outrem, quando não resta comprovada a sua participação na cotação de preços ou na intermediação comercial, de molde a concorrer para a formação ou ajuste do preço a ser pago pelas mercadorias importadas.
VALORAÇÃO ADUANEIRA. PRESUNÇÃO DE FRAUDE. FALTA DE PROVAS.ARBITRAMENTO EXCEPCIONAL. REQUISITOS
A adoção, por parte do Fisco, de valoração aduaneira diversa da declaração como preço da transação na importação de mercadorias, depende de prova, alicerce fático e motivação para rejeição da sequência de cada um dos métodos de valoração previsto no acordo GATT, sob pena de afronta direta os princípios da legalidade.
Numero da decisão: 3201-000.799
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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SUBFATURAMENTO. FRAUDE. CONCORRÊNCIA PARA A PRÁTICA DA INFRAÇÃO. FALTA DE PROVAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPORTADOR. Não se pode responsabilizar pela prática de subfaturamento o importador que promove regularmente, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outrem, quando não resta comprovada a sua participação na cotação de preços ou na intermediação comercial, de molde a concorrer para a formação ou ajuste do preço a ser pago pelas mercadorias importadas. VALORAÇÃO ADUANEIRA. PRESUNÇÃO DE FRAUDE. FALTA DE PROVAS.ARBITRAMENTO EXCEPCIONAL. REQUISITOS A adoção, por parte do Fisco, de valoração aduaneira diversa da declaração como preço da transação na importação de mercadorias, depende de prova, alicerce fático e motivação para rejeição da sequência de cada um dos métodos de valoração previsto no acordo GATT, sob pena de afronta direta os princípios da legalidade. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Winderley Morais Pereira, Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida. Ausentes justificadamente Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Maris Gudiño. Relatório A DRJ de Florianópolis recorre de ofício a este Conselho, tendo em vista recurso de ofício, nos termos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 81) lavrado contra a empresa em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário, no valor total de R$ 8.485.997,11 (oito milhões quatrocentos e oitenta e cinco mil, novecentos e noventa e sete reais e onze centavos), referente à falta de recolhimento de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e PIS/Pasep incidentes na importação, acrescidos de multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios, além de multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão de subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Segundo relata a fiscalização às fls. 82 a 99, em procedimento de revisão do valor aduaneiro referente à mercadoria denominada compact disc recorder (CDR), constante de diversas declarações de importação (DI) registradas pelo contribuinte entre 01/03/2004 e 06/12/2005 (planilha de fls. 84/85), o importador foi intimado (fls. 105 a 107) a fornecer cópia integral das DI e, bem assim, documentos que instruíram os respectivos despachos, além de cópia do contrato social e alterações, livros fiscais, onde conste a escrituração das operações relativas às mercadorias importadas, e notas fiscais de entrada e de eventual saída dessas mercadorias. Neste passo, aduz a fiscalização ter o contribuinte atendido apenas em parte a solicitação, alegando que, à exceção das DI n.ºs 04/01884052 (adição 001) e 04/02039925 (adição 001), as demais declarações de importação não lhe pertenciam (fls. 108/109). Não obstante isso, as autoridades autuantes prosseguiram com o procedimento revisional e recusaram os Fl. 415DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.007360/200812 Acórdão n.º 3201000.799 S3C2T1 Fl. 2 3 valores declarados, desclassificando o primeiro método de valoração aduaneira tendo em vista que os valores declarados pelo importador não cobriam o custo mínimo de fabricação do produto que havia sido informado pela Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF), tendo por base cálculos elaborados pela PHILIPS INTELECTUAL PROPERTY & STANDARDS. Prossegue a fiscalização relatando ter encaminhado ao importador o Termo de Desclassificação de Método de Valoração Aduaneira de fls. 150 e 151, pelo qual noticiou ao interessado a impossibilidade de aplicação do primeiro método de valoração aduaneira para verificar o valor aplicável às importações fiscalizadas, dado que o custo total de fabricação de uma unidade dos CDR importados oscilava entre quatorze e quinze centavos de dólar, ao passo que os valores unitários declarados pelo importador variavam entre cinco e onze centavos de dólar. No citado termo, noticiou ainda o Fisco a concessão do prazo de quinze dias para que o interessado apresentasse contestação aos motivos da desclassificação do método do valor aduaneiro aplicado nas importações em relevo ou apresentasse informações e elementos que fundamentassem a aplicação dos métodos substitutivos, observada a ordem seqüencial, aduzindo, ainda, que o contribuinte poderia apresentar também demonstração contábil do valor aduaneiro aplicável segundo o método do valor de revenda (art. 5º do AVA). Na seqüência, após ter sido concedido por duas vezes a prorrogação do prazo estipulado no referido termo (fls. 153 e 157), o importador apresentou contrarrazões à desclassificação dos valores declarados nas importações sob apreço (fls. 159 a 166), que, todavia, por terem sido encaminhadas fora dos prazos sucessivamente concedidos, não foram apreciadas pela fiscalização. Em razão disso, tendo em vista que os valores de transação declarados pelo importador situavamse abaixo do custo mínimo de fabricação de um CDR, informado pela PHILIPS, considerando neste custo o preço da matéria prima utilizada, royalties de licenciamento devidos ao detentor da patente (no caso, a PHILIPS), além do custo de fabricação e margem de lucro, concluíram as autoridades autuantes pela ocorrência de simulação e subfaturamento praticados pelo importador com o intuito de subtrair os tributos incidentes nas importações fiscalizadas. No mencionado Relatório de Fiscalização, esclarecem, ainda, as autoridades autuantes que, não obstante o Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT) estabelecer que, na impossibilidade de ser adotado o valor de transação, devem ser aplicados os métodos substitutivos de valoração, referidas autoridades optaram por “arbitrar a incidência dos tributos insuficientemente recolhidos, valendose do valor do custo mínimo apurado”, com fulcro no princípio da razoabilidade e na disposição legal contida no art. 88 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Regularmente cientificado em 28/01/2009, por AR (fl. 332), o contribuinte irresignado apresentou, em 27/02/2009, os documentos de fls. 382 a 392 e a impugnação de fls. 336 a 381, onde, em síntese: Alega que registrou a importação de CD virgens graváveis, ao preço efetivamente praticado de US$ 0,05 a US$ 0,07, através das DI n.ºs 04/01884052 e 04/02039925, mas nunca registrou as demais DI apontadas pela fiscalização, já que não constam de seus arquivos e contabilidade, pelo que entende estar equivocado o resultado da pesquisa feita pelas autoridades autuantes no sistema DW; Relativamente às duas únicas declarações de importação que reconhece ter registrado, alega ter atuado como mero prestador de serviços, eis que tais operações constituíram importações que realizou por conta e ordem terceiros, devidamente informadas à fiscalização aduaneira, havendo, inclusive, apresentado previamente ao Fisco o contrato que regeu suas relações com o adquirente das mercadorias; Alega que, em uma operação por conta e ordem de terceiros, o adquirente e o fornecedor das mercadorias são os agentes que detém o controle da operação, ajustando preços de mercadoria, prazos de pagamento, realizando o fechamento de câmbio e emitindo a documentação necessária ao despacho de importação, em razão de que aduz ter atuado apenas como mandatário, sendolhe impossível, portanto, praticar o delito de subfaturamento apontado pelo Fisco, pois não ajusta preço de mercadorias nem emite faturas comerciais, pelo que argüi a sua ilegitimidade passiva na presente autuação; Cita as disposições contidas nos artigos 136 e 137 do Código Tributário Nacional (CTN), que tratam da responsabilidade tributária por infrações, para argumentar que só é passível de punição a pessoa que praticou as infrações à lei penal ou tributária, ao que aduz que, na condição de mandatário do terceiro adquirente e porque as infrações apuradas são conceituadas como crime ou contravenção, não pode ser penalizado, eis que nacionalizou as mercadorias importadas no exercício regular de mandato que lhe fora outorgado por quem de direito; A par disso, alega também que, na hipótese dos autos, a responsabilidade é pessoal ao agente, ao que indaga quem, neste caso, teria praticado as condutas dolosas, se a empresa mandatária ou a empresa adquirente das cargas, que sequer figura no Auto de Infração; Neste passo, cita também as disposições contidas nos artigos 94 e 95 do DecretoLei n.º 37, de 1966, defluindo deste último dois requisitos que devem, necessariamente, estar presentes para que se possa estabelecer a responsabilidade, quais sejam, o concurso para a prática da infração e o benefício colimado com a sua prática, ao que alega que, além de não ter participado de qualquer negociação de preço nas importações em referência, tampouco o subfaturamento lhe beneficiaria, pois quanto maior o valor aduaneiro, maior é o ICMS incidente na operação e maior, portanto, seria o benefício que auferiria com a postergação de 80% do ICMS por quarenta e oito meses, benefício esse que é conferido pela legislação estadual; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.007360/200812 Acórdão n.º 3201000.799 S3C2T1 Fl. 3 5 Ademais disso, cita ainda as disposições contidas no artigo 64 da Lei n.º 4.502, de 1964, e artigos 3º, 100, 121 e 124 do CTN, para sustentar que a empresa mandatária não pode responder pela infração eventualmente cometida pela empresa mandante, ao que acrescenta as alegativas segundo as quais a determinação normativa veiculada pela IN SRF 225, de 2002, impõe que, em uma importação realizada por conta e ordem de terceiro, a prestadora de serviços não aja com ingerência sobre os negócios, além do que, nas cláusulas 9.1 e seguintes do contrato de prestação de serviço, o adquirente assume o ônus de negociar, providenciar documentos e todas as responsabilidades daí decorrentes, sendo que apenas realizou os despachos aduaneiros, sem nunca ter entrado em contato com os fornecedores externos; Quanto ao mérito, argüi a nulidade absoluta do Auto de Infração por inobservância dos procedimentos de valoração estabelecidos pelo AVA GATT, incorrendo a fiscalização no cerceamento de seu direito de defesa, pois, não sendo possível utilizar o primeiro método de valoração, devem ser utilizados os demais métodos previstos no Acordo, respeitandose rigorosamente a sua ordem de aplicação, ao passo que, no caso dos autos, após ter considerado fictício o valor de transação declarado, com base em documento que não se reveste da qualidade de um laudo pericial, criou um novo método de valoração, olvidando que, em sede do direito administrativo, só é permitido fazer o que a lei expressamente determina; Nesta linha, aduz que, não sendo possível aplicarse o primeiro método de valoração, deve se passar de um método a outro, desde que provada a impossibilidade da respectiva aplicação, ao que reclama que a equivocada utilização do método valorativo resulta na apuração de uma base de cálculo errada e, conseqüentemente, de multa com valor irreal, acrescentando, ainda, que as importações em tela foram licenciadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, sendo de se presumir a validade do preço declarado; Em outro plano, argumenta que as importações foram realizadas em face de uma operação de compra e venda, inexistindo vinculação entre importador e fabricante, pelo que entende que o valor de transação só pode ser afastado ante a ocorrência de alguma das hipóteses restritivas elencadas no art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT), sendo que nenhuma dessas hipóteses se refere a divergência entre o valor declarado e o valor apurado por empresa multinacional, sem competência para realizar exame de valoração; Neste passo, reclama que as autoridades autuantes, além de não justificarem o descarte dos seis métodos de valoração previstos no AVAGATT, separou a matériaprima principal utilizada na confecção da mercadoria, cotou seu preço médio no mercado, considerou ainda os preços das matériasprimas apurados pela PHILLIPS, somou todas essas parcelas e encontrou um valor para as mercadorias que chamou de valor aduaneiro, sem que tal metodologia esteja prevista no Acordo de Valoração; Fl. 418DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Alega que o método de valoração utilizado pelo Fisco não traduz o método do valor computado (5º método) previsto no Acordo, pois o valor computado tem por base os custos reais de produção incorridos pelo fabricante, e não custos médios de mercado apurados pela PHILLIPS e pela fiscalização aduaneira, em razão de que argüi a nulidade do processo de valoração do qual resultaram os lançamentos ora atacados, vistos que métodos valorativos não são de livre escolha do Fisco, havendo de ser respeitada uma ordem de aplicação que é obrigatória; Reclama também que há uma incompatibilidade entre o procedimento previsto no Acordo de Valoração Aduaneira e as disposições veiculadas pelos artigos 86 e 88 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, no tocante ao descarte do primeiro método de valoração, ao que lança críticas às citadas normas da MP, por entender que, além de tais normas serem redundantes e violarem o AVA, impuseram maior ônus ao próprio Fisco que, para aplicálas, deve comprovar a prática de fraude, sonegação ou conluio, de molde a que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação; Nessa mesma linha, evoca a disposição contida no art. 98 do CTN, para sustentar que as normas do Acordo de Valoração devem ser observadas pelas que lhes sobrevenham em nosso ordenamento jurídico, e cita ementas de decisões prolatadas pela 2a. Instância Administrativa, que veiculam o entendimento segundo o qual a ocorrência de subfaturamento não se presume, havendo de ser comprovada no processo; Contesta a aplicação da multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores dos tributos e contribuições exigidos, ao argumento de que, por ter agido como mandatária do adquirente das mercadorias importadas, o conluio, se é que existiu, ocorreu apenas entre o adquirente e o fornecedor das mercadorias estrangeiras; Em outro plano, reclama que o feito ora guerreado violou o princípio que veda o bis in idem, sendo aplicadas multa por declaração inexata e em face de subfaturamento sobre a mesma conduta, além do que foi aplicada multa equivalente a 100% do valor aduaneiro, o que é a mesma coisa que aplicar o perdimento das mercadorias, pois, o correto seria aplicar 100% exclusivamente sobre a diferença do Imposto de Importação a recolher, não sendo tampouco cabível, no presente caso, a aplicação da multa de 100% sobre a diferença entre o valor declarado e arbitrado, com fulcro no art. 70 da Lei n.º 10.833, de 2003; Finalmente, em face do exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado, ou, no caso de não ser julgado nulo ou improcedente o feito em sua totalidade, que sejam cobrados apenas os impostos que eventualmente deixaram de ser recolhidos, exonerando o sujeito passivo das penalidades que lhe foram infligidas.” O pleito foi deferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.111, de 10/09/2010, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/03/2004 a 06/12/2005 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.007360/200812 Acórdão n.º 3201000.799 S3C2T1 Fl. 4 7 IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. SUBFATURAMENTO. FRAUDE. CONDUTA DOLOSA. CONCORRÊNCIA PARA A PRÁTICA DA INFRAÇÃO. FALTA DE PROVAS. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPORTADOR. É incabível responsabilizar pela prática de subfaturamento o importador que promove regularmente, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outrem, quando não resta comprovada a sua participação na cotação de preços ou na intermediação comercial, de molde a concorrer para a formação ou ajuste do preço a ser pago pelas mercadorias importadas. VALORAÇÃO ADUANEIRA. CRITÉRIO PARA DESCARACTERIZAR O PRIMEIRO MÉTODO. PRESUNÇÃO DE PREÇO MÍNIMO. INOBSERVÂNCIA DOS DEMAIS MÉTODOS SUBSTITUTIVOS. PRESUNÇÃO DE FRAUDE. INOBSERVÂNCIA DA ORDEM SEQÜENCIAL PARA OS CRITÉRIOS DE ARBITRAMENTO. LANÇAMENTO EM DESCOMPASSO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. É incabível o lançamento de impostos e contribuições sociais incidentes na importação quando nem o procedimento de arbitramento do valor aduaneiro segue o que determinam as normas legais aplicáveis, nem as razões que motivaram a adoção deste procedimento pela fiscalização encontram respaldo suficiente nas provas dos autos. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado. O julgamento foi pela improcedência dos lançamentos. A DRJ recorreu de ofício a este Conselho, tendo em vista recurso de ofício, nos termos do art. 34, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim Versa o presente de auto de infração para exigência de II, de IPI , Cofins e PIS/Pasep incidentes na importação, acrescidos de multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros, bem como a multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão de subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A DRJ recorre de ofício, tendo em vista declarar improcedente o lançamento, em razão da falta de prova da participação da empresa no cometimento da fraude cogitada pela fiscalização, bem a não comprovação do subfaturamento alegado. Passemos a alguns fatos em destaque: • Foi realizado procedimento de revisão do valor aduaneiro referente à mercadoria denominada compact disc recorder (CDR), constante de diversas declarações de importação (DI) registradas pelo contribuinte entre 01/03/2004 e 06/12/2005. Importador intimado a apresentar diversos documentos. • A fiscalização argumenta ter o contribuinte atendido apenas em parte a solicitação, alegando que, à exceção das DI n.ºs 04/01884052 (adição 001) e 04/02039925 (adição 001), as demais declarações de importação não lhe pertenciam. A fiscalização recusou os valores declarados, desclassificando o primeiro método de valoração aduaneira tendo em vista que os valores declarados pelo importador não cobriam o custo mínimo de fabricação do produto que havia sido informado pela Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF), tendo por base cálculos elaborados pela PHILIPS INTELECTUAL PROPERTY & STANDARDS. • Foi encaminhado ao importador o Termo de Desclassificação de Método de Valoração Aduaneira, e comunicado a impossibilidade de aplicação do primeiro método de valoração aduaneira, tendo em vista que o custo total de fabricação de uma unidade dos CDR importados oscilava entre quatorze e quinze centavos de dólar, ao passo que os valores unitários declarados pelo importador variavam entre cinco e onze centavos de dólar. • No citado termo, informa o Fisco prazo para contestar aos motivos da desclassificação do método do valor aduaneiro aplicado nas importações em relevo ou apresentasse informações e elementos que fundamentassem a aplicação dos métodos substitutivos, observada a ordem seqüencial, aduzindo, ainda, que o contribuinte poderia apresentar também demonstração contábil do valor aduaneiro aplicável segundo o método do valor de revenda (art. 5º do AVA). • O importador apresentou contrarrazões à desclassificação dos valores declarados nas importações sob apreço, que, todavia, por terem sido encaminhadas fora dos prazos sucessivamente concedidos, não foram apreciadas pela fiscalização. • Tendo em vista que os valores de transação declarados pelo importador situavamse abaixo do custo mínimo de fabricação de um CDR, informado pela PHILIPS, considerando neste custo o preço da matéria prima utilizada, royalties de licenciamento devidos ao detentor da patente (no caso, a PHILIPS), além do custo de fabricação e margem de lucro, concluiu a fiscalização pela ocorrência de simulação e subfaturamento praticados pelo importador com o intuito de subtrair os tributos incidentes nas importações fiscalizadas. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.007360/200812 Acórdão n.º 3201000.799 S3C2T1 Fl. 5 9 • A fiscalização esclarece, ainda, que, não obstante o Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT) estabelecer que, na impossibilidade de ser adotado o valor de transação, devem ser aplicados os métodos substitutivos de valoração, referidas autoridades optaram por “arbitrar a incidência dos tributos insuficientemente recolhidos, valendose do valor do custo mínimo apurado”, com fulcro no princípio da razoabilidade e na disposição legal contida no art. 88 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001. • Empresa alega que registrou a importação de CD virgens graváveis, ao preço efetivamente praticado de US$ 0,05 a US$ 0,07, através das DI n.ºs 04/01884052 e 04/02039925, mas nunca registrou as demais DI apontadas pela fiscalização, • Não merece guarida a alegação acima, pois as DI encontramse colacionadas nos autos e tendo a empresa como importadora, • Empresa rebate a nulidade absoluta do Auto de Infração por inobservância dos procedimentos de valoração estabelecidos pelo AVA GATT, incorrendo a fiscalização no cerceamento de seu direito de defesa, pois, não sendo possível utilizar o primeiro método de valoração, devem ser utilizados os demais métodos previstos no Acordo, respeitandose rigorosamente a sua ordem de aplicação, ao passo que, no caso dos autos, após ter considerado fictício o valor de transação declarado, com base em documento que não se reveste da qualidade de um laudo pericial, criou um novo método de valoração, • Reclama que fiscalização não justificou o descarte dos seis métodos de valoração previstos no AVAGATT, separou a matériaprima principal utilizada na confecção da mercadoria, cotou seu preço médio no mercado, considerou ainda os preços das matériasprimas apurados pela PHILLIPS, somou todas essas parcelas e encontrou um valor para as mercadorias que chamou de valor aduaneiro, sem que tal metodologia esteja prevista no Acordo de Valoração; • Alega, ainda, que o método de valoração utilizado pela fiscalização não traduz o método do valor computado, ou seja, 5º método, pois o valor computado tem por base os custos reais de produção incorridos pelo fabricante, e não custos médios de mercado apurados pela PHILLIPS. Feitas essas considerações acima, deve ser acolhida, inicialmente, a questão da ilegitimidade passiva da empresa quanto à infração de subfaturamento. A Instrução Normativa SRF nº 225, de 2002, expõe: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial.(grifei). Ou seja, o importador por conta e ordem de terceiro pode, ou não, realizar a cotação de preços e a intermediação comercial e, portanto, pode, ou não, concorrer para a formação ou ajuste do preço a ser pago pelas mercadorias importadas. Para configurar a hipótese acima, o que demarcaria seriam os termos do contrato firmado entre este agente e o terceiro adquirente, em razão de que considero que, em se tratando de fraude de natureza cambial (subfaturamento). Pois, constitui ônus da fiscalização comprovar a participação do importador no cometimento da infração que lhe está sendo imputada, quer em face do acordo firmado no referido contrato, quer por meio de outros elementos de prova que demonstrem a efetiva participação do importador na conduta infracional. Os termos do Regulamento de Câmbio de Importação, que foi instituído pelo Banco Central do Brasil através da Circular 3.231, de 03/04/2004, a contratação do câmbio, na modalidade de importação por conta e ordem de terceiro, pode ser realizada tanto pelo importador quanto pelo adquirente da mercadoria importada por sua conta e ordem, a teor do que se encontra previsto na alínea “f” do item 3 do Capítulo 6 do Título 2, in litteris: 3. É permitida a contratação de câmbio por pessoa diversa do importador indicado na correspondente Declaração de Importação, nas seguintes situações: (...) f) importação realizada por conta e ordem de terceiro, situação em que a operação de câmbio pode ser contratada pelo adquirente da mercadoria indicado na DI. Percebese que a fiscalização deixou de solicitar expressamente ao importador a apresentação do contrato firmado entre este e os adquirentes das mercadorias importadas. Ainda que o referido contrato deva estar entre os documentos necessários à instrução do despacho aduaneiro em uma importação por conta e ordem de terceiro, fato é também que, tendo sido apresentados pelo importador apenas os conhecimentos de embarque e as faturas comerciais que instruíram o despacho de duas DI. No Relatório de Fiscalização não consta qualquer menção à hipótese de que as importações em causa, diversamente da forma como foram registradas, não foram realizadas por conta e ordem dos terceiros adquirentes da mercadorias, em razão de que considero improcedentes os lançamentos da multa qualificada, proporcional a 150% do valor dos tributos e contribuições exigidos, e da multa por infração administrativa ao controle das importações, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado para as importações em comento, em virtude da falta de prova da participação da empresa no cometimento da fraude apontada pela fiscalização. Quanto ao subfaturamento, a fiscalização comparou os valores unitários de transação declarados nas importações de discos óticos do tipo CDR com o valor que seria Fl. 423DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.007360/200812 Acórdão n.º 3201000.799 S3C2T1 Fl. 6 11 equivalente ao custo mínimo de fabricação de um CDR, segundo informação obtida junto à Associação Protetora dos Direitos Intelectuais Fonográficos (APDIF), conforme cálculos elaborados pela PHILLIPS INTELECTUAL PROPERTY & STANDARDS. Percebese que na composição do referido custo, verificase que foram considerados pela empresa holandesa um custo médio relativo aos materiais empregados na fabricação de um CDR, gastos com eletricidade e com mão de obra, depreciação de linha de produção, gastos com controle ambiental e royalties de licenciamento devidos a PHILLIPS e outros detentores de patentes. A fiscalização projetou uma margem de lucro de 50% sobre os custos de fabricação, arbitrou um preço mínimo aceitável entre quatorze e dezenove centavos de dólar e, a um só tempo, descartou, não só o valor de transação declarado pelo importador, mas também todos os demais métodos de valoração substitutivos, por ter considerado que a divergência entre o valor declarado pelo importador e o referido preço mínimo arbitrado comprovaria a existência de simulação nas operações comerciais de importação, praticada com o intuito de subtrair tributos incidentes sobre o comércio exterior. Pois bem, a Valoração Aduaneira é um procedimento que tem por objetivo, determinar o valor das mercadorias importadas. Quando as alíquotas a serem aplicadas são do tipo ad valorem, a determinação do valor aduaneiro da mercadoria é essencial para a determinação do tributo exigível pelo produto importado. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro, que consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. O Acordo prevê que a valoração aduaneira deve, salvo circunstâncias bem definidas, se basear no preço efetivo de mercadorias a valorar, que figuram geralmente na fatura. Esse preço, depois de ajustado para levar em conta certos elementos enumerados no art. 8º, é igual ao valor transacionado que constitui a base primeira para determinação do valor aduaneiro, conforme definido no Acordo. Uma vez que não exista valor de transação (1º método) ou que este não possa ser aceito para fins de valoração aduaneira em função determinadas circunstâncias, o Acordo prevê cinco outros métodos de valoração aduaneira que devem ser aplicados na ordem hierárquica prescrita, constituindo ao todo seis métodos. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor. Nesses casos a autoridade aduaneira poderá solicitar informações à administração aduaneira do país exportador, inclusive o fornecimento do valor declarado na exportação da mercadoria; e quando as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. Portanto, na atividade de verificação e adoção de novo valor aduaneiro por parte da fiscalização, deveriam ser realizados dois procedimentos diferentes, porém em conjunto: • a descaracterização do valor de transação declarado pelo importador, mediante prova; Fl. 424DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 • a determinação do correto valor aduaneiro nos termos dos Decretos 92.930/86 e 1.355/94; Para aplicação do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio/GATT94, em especial os artigos 1º e 8º, a fiscalização pode valerse de cinco hipóteses que, uma vez comprovadas, descaracterizam o valor de transação declarado pelo importador: • fraude na documentação apresentada; • vinculação entre o importador e o exportador que tenha influência no preço; • quando houver restrições à cessão ou à utilização das mercadorias pelo comprador que afetem substancialmente o valor das mercadorias; • quando o vendedor se beneficie de parte da revenda ou quando a venda estiver sujeita a contraprestações ou condições; • valor de transação não ajustado mediante o disposto no artigo 8º, quando necessário; A opinião consultiva 2.1 do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Aduanas esclarece o seguinte, quando descaracteriza um valor mais baixo: OPINIÃO CONSULTIVA 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo. A opinião consultiva acima consta no Anexo Único da IN SRF nº 318, de 4 de abril de 2003, dentre as diretrizes a serem observadas pela autoridade administrativa na apuração do valor aduaneiro de mercadorias importadas, a teor do disposto no art. 1º da citada norma complementar, nos termos: Art. 1º Na apuração do valor aduaneiro serão observadas as Decisões 3.1, 4.1 e 6.1 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC); o parágrafo 8.3 das Questões e Interesses Relacionados à Implementação do Artigo VII do GATT de 1994, emanado da IV Conferência Ministerial da OMC; e as Notas Explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Fl. 425DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10950.007360/200812 Acórdão n.º 3201000.799 S3C2T1 Fl. 7 13 Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA), constantes do Anexo a esta Instrução Normativa. Observase que o preço declarado pelo importador ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo suficiente para rejeitar este preço, nos termos do AVAGATT e das normas complementares que o disciplinam, então, da mesma forma, preço inferior em relação àquele que a fiscalização apenas presume ser o mínimo aceitável, com base em um custo mínimo de fabricação também estimado, a meu ver, não é motivo aceitável para descartar o valor de transação declarado pelo importador e, tampouco, constitui prova de subfaturamento. Relevante, lembrar que a própria fiscalização, ao lavrar o Termo de Desclassificação de Método de Valoração Aduaneira, solicitou a empresa informações que fundamentassem a valoração aduaneira através de um dos métodos substitutivos do valor de transação, em vez de proceder ao arbitramento do preço das mercadorias, conforme determinam as disposições contidas no art. 88 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, abaixo transcritas in litteris: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Com base neste dispositivo, percebese que através dos métodos estabelecidos pelo legislador para que o arbitramento se dê, mesmo, nos casos em que haja fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação. No caput do artigo há ainda a expressa ordem para observância da sequência em que estão dispostos os métodos de arbitramento. Vale registrar que fiscalização sequer informou a razão pela qual, ao descartar o primeiro método de valoração, deixou de aplicar os segundo e o terceiro métodos substitutivos, respeitantes ao valor aduaneiro de mercadorias importadas idênticas ou similares, deixando que a empresa fornecesse essas informações. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Enfim, não consta dos autos qualquer justificativa para a rejeição dos critérios precedentes (MP 2.15835, de 2001, I e II, “a”), antes que fosse arbitrado o preço com base no critério de razoabilidade (MP 2.15835, de 2001, II, “b”). Por todo, o exposto, fraude é um ato ilícito grave, sob o ponto de vista jurídicotributário, para fins de aplicação de presunção, onde há total necessidade de comprovação. Compulsando os autos, noto a ausência de qualquer comprovação efetiva que a empresa tenha agido mediante fraude. A doutrina, assim, dispõe: (Tomé, Fabiana Del Padre. A Prova no Direito Tributário) Obviamente, a enunciação do fato jurídico posto no antecedente da norma individual e concreta precisa realizarse em conformidade com as regras do sistema, observando forma e conteúdo normativamente prescritos, Os princípios da legalidade e da tipicidade na esfera da tributação, por exemplo, exigem que as relações obrigacionais e sancionatórias sejam desencadeadas apenas se efetivamente verificados os fatos conotativamente descritos nas correspondentes hipóteses normativas, razão pela qual se faz imprescindível que tantos os atos de lançamento e de aplicação de penalidades como as decisões proferidas no curso de processos administrativos tributários sejam pautados em provas. Destarte, não merece reparo decisão a quo. Pelo exposto e por tudo o mais que do processo consta, nego provimento ao recurso de ofício. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10320.720079/2007-12
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
Ementa
SUJEIÇÃO PASSIVA, POSSUIDOR A QUALQUER TITULO.
Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade.
NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA
Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
Comprovando-se tratar de área de preservação permanente legalmente estabelecida, correta a exclusão dessa área da base de cálculo para efeito de apuração do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR.Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 2802-001.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da redatora designada. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Redator ad hoc
(Acórdão formalizado extemporaneamente. A redatora designada não mais integra o CARF)
EDITADO EM: 17/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano (Suplente convocada), e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro German Alejandro San Martin
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 Ementa SUJEIÇÃO PASSIVA, POSSUIDOR A QUALQUER TITULO. Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovando-se tratar de área de preservação permanente legalmente estabelecida, correta a exclusão dessa área da base de cálculo para efeito de apuração do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR.Recurso Voluntário provido
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Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovandose tratar de área de preservação permanente legalmente estabelecida, correta a exclusão dessa área da base de cálculo para efeito de apuração do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR.Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da redatora designada. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 00 79 /2 00 7- 12 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Redator ad hoc (Acórdão formalizado extemporaneamente. A redatora designada não mais integra o CARF) EDITADO EM: 17/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano (Suplente convocada), e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro German Alejandro San Martin Relatório AGRO PECUÁRIA E INDUSTRIAL SERRA GRANDE LTDA, recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural —ITR (fls. 01/06), no valor de R$ 64.550,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Cabeceira dos Porcos", cadastrado na RFB sob o n° 4.119.8050, com área declarada de 8.070,0 ha, localizado no Município de Mirador MA.O lançamento decorre das seguintes alterações efetuadas de oficio na DITR apresentada: · Exclusão, indevida, da tributação de 8.070,0 ha de Área de preservação permanente; Fundamentos: ausência de comprovação de Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado no Ibama dentro do prazo legal. · Alteração do Valor da Terra Nua declarado não comprovado Fundamentos: Falta de comprovação do valor declarado. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância o seguinte: I que as informações prestadas pela contribuinte não foram sequer analisadas pelos Auditores Fiscais da RFB tornando o crédito tributário inexigível, em violação aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 20 3 II que o imóvel encontrase encravado no Parque Estadual do Mirador, no estado do Maranhão, criado pelo Decreto n° 7.641, de 04/07/1980; III que as áreas englobadas pela dimensão do Parque são consideradas unidades de conservação integrantes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC, criado pela Lei Federal n°9.985/2000; IV que os SNUC são compostos de Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável, conforme consta do art. 7° da Lei Federal n° 9.985/2000; V que o imóvel em questão possui Laudo de Avaliação bem como possui o Ato Declaratório Ambiental ADA; VI que por se tratar de área encravada em Parque Estadual, portanto, Unidade de Proteção Integral por determinação da Lei Federal 9.985/2000, a sua comprovação é feita tão somente pela apresentação do ato do Poder Público, o Decreto n° 7.641/80; VII que o valor da terra nua tributável é obtido mediante a multiplicação do valor da terra nua pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel. No caso em espécie o imóvel não possui área tributável já que a totalidade da área encontrase inserida no Parque Estadual de Mirador. Não havendo área tributável, o valor da terra nua tributável é igual a 0 (zero); VIII que o Decreto 7.641/80, no art. 7°, veda o uso direto das áreas englobadas pelo Parque Estadual do Mirador, do que se conclui que a impugnante não detém a posse do imóvel e também não poderá dele dispor não sendo, portanto, responsável tributário pelo recolhimento do ITR; IX transcreve ementas de decisões administrativas. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n°. 1126.115, de 07 de maio de 2009, que se encontra às fls. 115 a 126, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL 1TR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de Áreas declaradas como de preservação permanente da Área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O Valor da Terra Nua VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 1 2de janeiro do ano a que se referir a DITR. Lançamento Procedente em Parte Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 20/06/2009 (vide AR de fl.131), a contribuinte apresentou, em 12/07/2009, tempestivamente, o recurso de fls, 132/144, no qual, após breve relato dos fatos, dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas: a) “No caso em tela, verificase que a lançamento do crédito tributário relativo ao ITR do exercício de 2003 do imóvel rural cadastro sob o NIRF n. 4.119.8050 denominado "Cabeceira dos Porcos", bem como os atos administrativos dele decorrentes, são NULOS, pois o Recorrente foi visivelmente preterido no exercício pleno de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, posto que os documentos apresentados em atendimento a intimação fiscal, não foram analisados e nem mesmos juntados ao processo administrativo..” b) “...concluise, portanto, que o imposto ora exigido não é devido pelo recorrente, posto que a totalidade da área em questão configurase ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE devendo, portanto, ser excluída da área tributável e, por conseqüência, excluída da base de cálculo do ITR, que, no presente caso, será igual à zero; · O ADA foi tempestivamente protocolado no IBAMA em 12.11.2002, portanto, dentro do prazo estipulado pela legislação, então em vigor, para o protocolo de tal documento (seis meses após a entrega da declaração do ITR). c) “...que seja considerado o Valor da Terra Nua (VTN) igual a zero (0), com a aplicação da alíquota de 0,45%.conforme declarado no DIAT/ITR/2004 do imóvel Cabeceira dos Porcos, pois a propriedade tem o seu valor substancialmente reduzido em razão de se encontrar englobado no Parque Nacional do Mirador/MA, portanto, inviabiliza qualquer possível empreendimento econômico ou exploração para fins rurais. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 21 5 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes LeiteRelatora O recurso de fls. 132 a 144 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fls. 131 protocolo de recepção aposto à fls.132. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O objeto do auto de infração é a cobrança de valores auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (1TR), referente ao imóvel rural FAZENDA CABECEIRA DOS PORCOS, localizado no município de Mirador (MA), no exercício 2003, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, nos seguintes moldes: i) Área de Preservação Permanente 8.070,0 ha para 0,00 ha, ii) Valor da Terra Nua (VTN) R$ 35.000,00 para R$ 322.300,00. Em preliminar, alega a recorrente: · Ilegitimidade do sujeito passivo, vez que não detém a posse do imóvel, pois o imóvel encontrase encravado no Parque Estadual do Mirador, no Estado do Maranhão, criado pelo Decreto n° 7.641, de 04/07/1980. Destarte, não é o responsável tributário pelo recolhimento do ITR relativo a este imóvel; · Nulidade do Lançamento – Cerceamento do direito de defesa Rejeito de plano a preliminar de nulidade do lançamento, por entender que procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto nº. 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto nº. 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº. 8.748/93: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida pelo recorrente, com o argumento de que notificação de lançamento não foi lavrada dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº. 70.235, de 1972, ou seja, que a sua lavratura foi efetuada de forma a prejudicar a ampla defesa. Ressalto que a Notificação de Lançamento, foi lavrado tendo por base os valores constantes em documentos oficiais, onde consta de forma clara a existência das áreas glosadas, que são partes integrantes dos autos, sendo que o mesmo, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte, cuja ciência foi por AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Assim, não há falar em cerceamento do direito de defesa quanto ao procedimento fiscal, pois foram asseguradas ao Contribuinte amplas condições para manifestar sua inconformidade com a autuação, com a impugnação e o recurso, que ora se examina. Rejeito, pois, preliminarmente, a argüição de nulidade do lançamento. 1) Ilegitimidade do sujeito passivo Conforme disposto no artigo 113, § 1°, do Código Tributário Nacional (CTN), a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador. E, em se tratando do ITR, o fato gerador está definido no artigo da Lei nº.9393, de 19/12/2006, verbis: Art. 1º . O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1" de janeiro de cada ano. (destaques da transcrição) Assim, o fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural, em 1º de janeiro de cada ano. É sabido que o contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR "é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 22 7 qualquer título" (art. 41 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996). A Instrução Normativa SRF nº. 73, de l8 de julho de 2000, esclarece ainda que (grifei): Art. 4° Contribuinte do 1TR é I — o proprietário de imóvel rural; II— o titular do domínio útil; III— o possuidor por usufruto; e IV— o possuidor a qualquer titulo. § 1º É titular do domínio útil aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. § 2º Para efeito do ITR, é possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel. I — com justo título e boafé, 11— sem oposição, independentemente de Justa título e boafé, 111— por ocupação autorizada, ou não, pelo Poder Público; ou IV — por promessa ou compromisso particular de compra e venda. Assim, o fato de que o contribuinte tenha o imóvel totalmente em Área do Parque Mirador, não tem o condão de afastar o recorrente do pólo passivo da obrigação tributária. Isso porque, independentemente de o contribuinte ser a legítimo proprietário do imóvel rural em questão, ficou demonstrado que ele era possuidor a qualquer título do mesmo, ainda que de forma irregular, à época do fato gerador (01/01/2004), explorandoo economicamente e, portanto, nos termos da legislação que rege a matéria, ele era o contribuinte do ITR. Destarte, rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva. Quanto ao mérito, o cerne da questão diz respeito à tempestividade ou não do ADA como condição para a isenção das áreas de preservação permanente e à alteração do VTN. No tocante a matéria de mérito concordo com o entendimento exposto no voto condutor do acórdão recorrido e peço vênia a relatora Maria Teresa Silveira Malta de Alencar para transcrever trecho de seu voto proferido , acórdão 1126.116, in verbis: Área de Preservação Permanente 28.1. Para o exercício de 2003, o prazo se expirou em 30/03/2004, ou seja,seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2003, que foi 30/09/2003. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 28.2.No presente caso a impugnante apresentou copia bastante ilegível de Ato Declaratório Ambiental — ADA datado de 12/11/2002, protocolado no Ibama sem condições de verificação da data do protocolo por completamente ilegível (significa ausente na copia), fl. 25. Esta relatora proferiu voto, em Sessão de 20 de dezembro de 2007, no processo 10320.003027/200516, da ora Impugnante relativo a auto de infração decorrente da D1TR/2001, que tomou o n° de Acórdão 1122.069. A peça impugnatória dos autos do processo retro referido foi apresentada em 23/03/2006. Consta na fl. 112 (do referido processo) no item 16.2 do Acórdão: "No presente caso o contribuinte não apresentou Ato Declaratório Ambiental — ADA". Assim, apesar de datado de 12/11/2002, por não constar a data do protocolo no Ibama e por todo o retro narrado esta relatora não aceita a copia do ADA por falta da data do protocolo no Ibama, conseqüentemente a Impugnante não faz jus it redução do valor a pagar do ITR. 29.0 prazo para apresentação de ADA protocolado no Ibama jamais deixou de existir. Tanto é assim que o Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição em um único instrumento — inclusive a Medida Provisória n° 2.16667/2001, assim dispõe, em seu art. 10: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 – Código Florestal, arts. 2°c 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, art. I°); II de reserva legal (Lei no 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º.); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei n°9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº. 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei no 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº. 9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II. alínea " b" ); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § inciso II, alínea " c" ). § 2°A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 23 9 § 3º. Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA,protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAN1A, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 5º, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n°10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR.” (negritei e grifei). 30.Afirma a Impugnante que estando a totalidade da Área do imóvel dentro do Parque Estadual do Mirador esta o contribuinte desobrigado de apresentar o ADA . 31 .Estando a totalidade da Área do imóvel dentro do Parque Estadual do Mirador, fica comprovada ser Área de preservação ambiental porém não existe nenhuma norma que desobrigue o contribuinte do ITR de protocolar o ADA no Ibama caso a mesma esteja situada em Parque de Área de proteção ambiental. Esclareço que é exatamente os contribuintes do ITR cuja propriedade rural tenha Área (seja parcial ou total) de proteção ambiental (da qual faz parte a Área de preservação permanente) que são obrigados a apresentar o ADA protocolado no Ibama dentro do prazo legal para que possa usufruir do beneficio fiscal, ou seja, possa considerar a Área de proteção ambiental como dedutível da Área tributável. 32.Assim sendo, restando não cumprida a exigência de protocolização tempestiva do ADA, para fins de dedução do ITR das áreas nele constantes, deve ser mantida a glosa da Área de preservação permanente, e sua conseqüente reclassificação como Área tributável. Valor da Terra Nua 33.Alega a Impugnante que o valor da terra nua tributável é obtido mediante a multiplicação do valor da terra nua pelo quociente entre a área tributável e a Área total do imóvel. No caso em espécie o imóvel não possui Área tributável já que a totalidade da área encontrase inserida no Parque Estadual de Mirador. Não havendo Área tributável, o valor da terra nua tributável é igual a 0 (zero) . 34.0 § 2° do art. 8º da Lei n° 9.393, de 1996, determina que o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a DITR, e será considerado auto avaliação da terra nua a preço de mercado. Art. 8° 0 contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. §1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua – VTN correspondente ao § 2° 0 VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em I' de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerada autoavaliação da terra nua preço de mercado. (...) 35. No mesmo diploma legal acima o art. 10, § 1º. inciso I, determina o que se considera VTN para os efeitos de apuração do ITR: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VIN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias: b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas 36 .Ainda na Lei 9.393, de 1996, o art. 10, § 1°,inciso III, determina o que se considera VTN para os efeitos de apuração do ITR: III VTN, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do FIN pelo quociente entre a área tributável e a área total; 37.Cabe esclarecer que, para efeito do ITR, terra nua é o imóvel por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com sua superfície e a respectiva mata nativa, floresta natural e pastagem natural. Vale dizer, o Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. 38 .Em caso de informações constantes da Declaração do ITR consideradas inexatas ou incorretas, a RFB solicita esclarecimentos e comprovações das informações declaradas. Foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, a Impugnante foi intimada pelo Termo de Intimação Fiscal, fls. 12/13, a prestar os esclarecimentos e apresentar Laudo de Avaliação do VTN. Apenas quando o contribuinte não atende a intimação ou, atendendo,presta informações inexatas, incorretas ou fraudulentas a RFB considera o VTN levando em consideração informações sobre pregos de terras, constantes do Sistema de Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 24 11 Pregos de Terra (SIPT) aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, publicada no Diário Oficial da Unido de 07/06/2002. 1É exatamente o que determina o art. 14 da Lei n° 9.393/1996 que assim dispõe: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do D1AT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...)” 39. Em atendimento ao dispositivo legal supracitado, e com o objetivo de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do ITR, foi editada a Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, publicada no Diário Oficial da União de 07/06/2002, que aprovou o Sistema de Preços de Terra (SIPT). Vale salientar que os valores fornecidos á. Receita Federal tomam sempre por base as peculiaridades de cada um dos municípios pesquisados, tais como: limitação do crédito rural, custos e exigências; crise econômica e social na regido; instabilidade climática nos municípios localizados na região semiárida, aumentando consideravelmente os riscos das atividades agropecuárias; baixos preços dos produtos agrícolas e elevados custos dos insumos; possível acidez do solo; etc.. 40.1n casu, verificase o VTN médio/há fixado para o município de Mirador, microrregião Chapada do Alto Itapecuru MA para o exercício de 2003 foi de 15,00 R$/ha. que, multiplicado pela Área total do imóvel declarada, (que é a mesma considerada pelo autuado), 8.070,0 ha. resultou em um VTN de R$ 121.050,00. 41.Vêse, portanto, que o procedimento administrativo que precedeu a fixação do VTN para o exercício de 2003 foi realizado com absoluta observância da legislação de regência. 42.A Impugnante afirma que o o valor da terra nua tributável é igual a 0 (zero) . Entretanto apresenta Laudo de Vistoria, fls. 26/45, elaborado em 2007, cujo objetivo foi levantar a situação dos imóveis denominados "Fazenda Cabeceira dos Porcos", para determinar o valor da terra nua — VTN fl. 31, onde consta que o VTN é de 4,34 R$/ha., que multiplicado pela área total do imóvel 8.070,0 ha. corresponde ao VTN de R$ 35.000,13, fl. 44. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 43. Tendo o autuante intimado o contribuinte para apresentação de Laudo de Avaliação do Imóvel conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT alertando que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra — SIPT da RFB, e tendo a Impugnante apresentado o Laudo de Avaliação de fls. 26/45,entendo deva ser considerado o VTN constante do Laudo de Avaliação, fl. 44.” Como se vê, a autoridade a quo manteve a glosa da Área de Preservação permanente sob o fundamento de que o contribuinte apresentou copia bastante ilegível de Ato Declaratório Ambiental — ADA datado de 12/11/2002, protocolado no Ibama sem condições de verificação da data do protocolo por completamente ilegível (significa ausente na copia), fl.25 e acatou as informações veiculadas em laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo o que justifica o VTN de 4,34 R$/ha., que multiplicado pela área total do imóvel 8.070,0 ha. corresponde ao VTN de R$ 35.000,13, fl. 44 Assim, a controvérsia reside exatamente na tempestividade do ADA, cópia fls. .143 e a alteração do VTN. Nessas condições, penso que concluiu acertadamente a decisão de primeira instância visto que analisando o ADA apresentado, não vislumbrei NA CÓPIA APRESENTADA a data de protocolo no IBAMA . Elemento essencial para a solução do litígio. Ressalto que, no caso em pauta, o ônus da prova documental é da contribuinte autuada, a qual caberia apresentar cópia legível que demonstre claramente a data em que o ADA foi protocolado. Ocorre que a interessada limitouse a reapresentar o documento ilegível. Destarte, entendo que o documento apresentado (fls.143) não preenche os requisitos previstos na legislação acima transcrita, sendo inábil para o propósito pretendido pelo recorrente, razão pela qual devese manter a glosa efetuado. Quanto ao VTN, embora o valor considerado pela autoridade de primeira instância seja o constante no laudo apresentado pele contribuinte , percebo que o autuado solicita que seja considerado o Valor da Terra Nua (VTN) no montante de R$ 35,000,00 (trinta e cinco mil reais) conforme declarado no DIAT/ITR/2004do imóvel Cabeceira dos Porcos, pois a propriedade tem o seu valor substancialmente reduzido em razão de se encontrar englobado no Parque Nacional do Mirador/MA, portanto, inviabiliza qualquer possível empreendimento econômico ou exploração para fins rurais. Consequentemente, que o valor da terra nua tributável seja considerado igual a zero (0), com a aplicação da alíquota de 0,45%. Entendo que a simples correção do valor de aquisição, como pretende a recorrente, não serve para fins de determinação do VTN, uma vez que o art., 8º, §2º, da Lei nº. 9,393, de 1996, determina que o VTN "refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado". Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares suscitadas pela recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 25 13 Sala das Sessões, 30 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Voto Vencedor Conselheiro JORGE CLAUDIO CARDOSO, Redator designado. Concordo com a ilustre relatora quanto à rejeição das preliminares argüidas, mas peço vênia para discordar do voto proferido no tocante à área de preservação permanente e, via de conseqüência, ao valor tributável mantido pela decisão de primeira instância. Primeiramente, registro que em face desta recorrente foram lavrados 04 (quatro) notificações de lançamentos relativos ao Imposto Territorial Rural, como a seguir relacionados. APP DRJ Proc. n° Fazenda Exercício declarada, autuada por falta de comprovação VTN Vlr. Imposto Mantido (R$) 10320.720064/200746 Cabeceira dos Porcos 2003 6.990,00 10320.720079/200712 Cabeceira dos Porcos 2004 6.990,00 10320.720095/200705 Cabeceira dos Porcos 2005 8.070,00 R$ 4,34/ ha ==> R$ 35.000,00 6.990,00 10320.720080/200739 Canastra 2004 14.107,00 56.500,00 11.290,00 Pelo voto da primeira instância, observo que a mesma considerou o lançamento procedente em parte, acatando o valor da terra nua informado no laudo de avaliação juntado pela impugnante (R$ 4,34/há), resultando, no entanto, ainda, em valor tributável (fl. 112) em decorrência da manutenção da área declarada como de preservação permanente na área total. O cerne do litígio gravita em torno da área de preservação permanente, que passo a analisar. A Delegacia de Julgamento ao proferir o voto declarou: “28.2.No presente caso a impugnante apresentou copia bastante ilegível de Ato Declaratório Ambiental — ADA datado de 12/11/2002 protocolado no Ibama sem condições de verificação da data do protocolo por completamente ilegível (significa ausente na copia), fl. 25. Esta relatora proferiu voto, em Sessão de 20 de dezembro de 2007, no processo 10320.003027/200516, da ora Impugnante relativo a auto de infração decorrente da Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 D1TR/2001, que tomou o n° de Acórdão 1122.069. A peça impugnatória dos autos do processo retro referido foi apresentada em 23/03/2006. Consta na fl. 112 (do referido processo)” no item 16.2 do Acórdão: "No presente caso o contribuinte não apresentou Ato Declaratório Ambiental — ADA". Assim, apesar de datado de 12/11/2002, por não constar a data do protocolo no lbama e por todo o retro narrado esta relatora não aceita a copia do ADA por falta da data do protocolo no Ibama, conseqüentemente a Impugnante não faz jus it redução do valor a pagar do ITR.” (grifei) Considerando que a lide gravita sobre a questão de área de preservação permanente, vale transcrever os dispositivos do Código Florestal Lei nº 4.771, de 1965 : “Artigo 1º .... §2oPara os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº. 2.16667, de 2001) (Vide Decreto nº. 5.975, de 2006) II área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 2 de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 26 15 c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: . a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. ... A Lei n° 9.393, de 19/12/1996, ao dispor sobre a base de cálculo do ITR, determina que para se calcular a área tributável devese subtrair da área total do imóvel as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme alínea “a” do inciso II do artigo 10 da referida lei, Ocorre que a obrigatoriedade da utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR , para os exercícios a partir de 2001, foi estabelecida pela Lei n° 10.165, de 2.000 ao incluir o artigo 17O na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, in verbis: “Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” (grifei) Analisando os dispositivos, verifico que algumas áreas de preservação permanente, já restam de pronto definidas, desde que enquadradas nas situações legalmente determinadas, ficando, por exemplo, as do artigo 3º do Código Florestal a serem fixadas e conhecidas através de ato do poder público. Desta feita, comprovandose tratar de área de preservação permanente definida pelo artigo 2° do código (margens de rios, chapadas etc..), a utilização do ADA para redução da base de cálculo não é obrigatória. Dos autos, verificase à fl. 49, Declaração do Gerente Adjunto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, afirmando que os imóveis denominados “Canastra, Brejo dos Porcos e Cabeceira dos Porcos” estão inseridos nos limites do Parque Estadual do Mirador, unidade de conservação de Proteção Integral. E, de acordo com a cópia juntada aos autos do Diário Oficial do Estado do Maranhão, tal parque foi criado pelo Decreto n 7641, de 04/06/1980. Além disso, considero que a apresentação do ADA, datado de 12/11/2012, com indicação do número de processamento no órgão ambiental também vem a corroborar a comprovação exigida, mesmo o ADA não sendo a base para a redução do ITR, nos termos do artigo 17O já transcrito. Por todo o exposto, considerando comprovada a área de preservação permanente, o lançamento deve ser cancelado, restando prejudicada a discussão sobre o valor da terra nua. Conclusão Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 27 17 Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso interposto (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 167DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720079/200712 Acórdão n.º 2802001.228 S2TE02 Fl. 28 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão em epígrafe. Brasília/DF, 17 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13116.000975/2004-14
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À LEI.
O recurso especial privativo da Fazenda Nacional, interposto em face de acórdão cuja decisão se deu por maioria de votos, para ser admitido depende da indicação de contrariedade à lei. Não satisfaz tal requisito a indicação de contrariedade a dispositivo de Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.014
Decisão: ACORDAM os membro do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À LEI. O recurso especial privativo da Fazenda Nacional, interposto em face de acórdão cuja decisão se deu por maioria de votos, para ser admitido depende da indicação de contrariedade à lei. Não satisfaz tal requisito a indicação de contrariedade a dispositivo de Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso especial não conhecido.
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MINISTÉRIO DA FAZENDA . '- • v.-. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13116.000975/2004-14 Recurso n° 303-134.281 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.014 — 2'' Turma Sessão de 17 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NELSON SCHNEIDER Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À LEI. O recurso especial privativo da Fazenda Nacional, interposto em face de acórdão cuja decisão se deu por maioria de votos, para ser admitido depende da indicação de contrariedade à lei. Não satisfaz tal requisito a indicação de contrariedade a dispositivo de Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes a , tos. ACORDAM os membro do colegiado, •,or unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. .J 4 4 , CARLOS ALBER 1 F' ITAS B • ", Tb-TN- .idente i ,, 4, affiN 4 CAIO • ' COS CAND 11 O —,Relator , EDITADO EM SE - 109 (,----- , 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 303-34.005, exarado na sessão de julgamento de 20 de janeiro de 2007, por entender que tal decisão contrariou dispositivo legal. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso I do art. 5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época da interposição do recurso. Hodiernamente, a Portaria MF n° 259, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão que unificou os antigos Conselhos de Contribuintes e a CSRF, não mais prevê tal recurso, no entanto, transitoriamente estabeleceu, em seu art. 4 0, regra que acolhe os recursos especiais interpostos com base no dispositivo supracitado, desde que a sessão de julgamento em que tenha sido exarado o acórdão recorrido seja anterior a 1° de julho de 2009, o que se deu no caso presente. Despacho em que se admite o recurso às fls. 193/195. Recurso da Fazenda Nacional às fls. 179/191. O contribuinte apresentou contra-razões às fls. 205/209. 7.1<1 É o relatório. Passo ao voto. iefir 2 Processo n° 13116.000975/2004-14 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.014 Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial tempestivo. Decisão não unânime. Sessão de Julgamento ocorrida antes de 1° de julho de 2009. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a imputada contrariedade à dispositivo legal. Às folhas 191, a Fazenda Nacional após longo arrazoado resume a alegado contrariedade: 20. Concluindo, ao não acolher os argumentos acima, o v. acórdão ora recorrido ofendeu o art. 10, §. 4 da IN/SRF n° 43/1997, com redação do art.1°, III da IN/SRF n° 67/1997. O recurso privativo da Fazenda Nacional previsto no inciso I do art. 50 do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, deve satisfazer duas condições básicas para ser admitido: 1) combater acórdão contrário aos interesses da Fazenda Nacional resultante de decisão não-unânime; e 2) contrariar lei ou à evidência da prova. No presente caso apenas a primeira condição restou satisfeita. A segunda, não. Texto de Instrução Normativa da SRF não se confunde com lei. É texto regulamentador, compondo a legislação tributária, mas lei não é. Sendo assim, a indicação da contrariedade de dispositivo de IN não satisfaz o requisito essencial para interposição do recurso especial ora analisado. • - lo exposto, não conheço do recurso es. ia 'nterposto. 0.0 Caio arcos Condido - Relatoi 3
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001688/2001-25
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2000
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.
Recurso especial provido
Numero da decisão: CSRF/02-03.603
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) pelo voto de qualidade, DAR provimento ao recurso especial, quanto à matéria "incidência de juros a taxa Selic sobre o valor do ressarcimento". Vencidos os Conselheiros Leonardo Siade Manzan (Relator), Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior (Substituto convocado), Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Antônio Carlos Guidoni Filho. Designado para redigia o voto vencedor o Conselheiro Antônio Carlos Atulim.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Leonardo Siade Manzan
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/03/2000 a 30/06/2000 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso especial provido
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Numero do processo: 10120.006432/2006-15
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE.
Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de utilização limitada/reserva legal de 754,47 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de utilização limitada/reserva legal de 754,47 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
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COMUNICAÇÃO TEMPESTIVA AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO DE TERMO DE RESPONSABILIDADE. Cabe excluir da tributação do ITR a área de utilização limitada/reserva legal reconhecida em do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade florestal, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de utilização limitada/reserva legal de 754,47 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 64 32 /2 00 6- 15 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 143 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BSA/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte interessado foi lavrado, em 22/09/2006, o Auto de Infração/anexos de fls. 01 e 32/38, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 103.990,42, a titulo de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2002, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados ate 31/08/2006, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Corumbá" (NIRF 2.387.450 3), localizado no município de Ipameri — GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2002 incidentes em malha valor (Formulários de fls. 05/06), iniciouse com a intimações de fls. 08 e 09, recepcionadas em endereços distintos, em 21/02/2006 ("AR" de fls. 10) e em 20/02/2006 ("AR" de fls. 11), exigindose a apresentação de cópia autenticada da Certidão ou da Matricula atualizada do Cartório de Registro de Imóveis competente; do Ato Declaratório Ambiental, alem de outros documentos e esclarecimentos, por escrito, visando a elucidar os dados contidos na mencionada declaração de ITR (DITR). Em atendimento, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 13, acompanhada dos documentos de fls. 14/18. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e da documentação apresentada pelo interessado, a autoridade fiscal resolveu lavrar o presente auto de infração, glosando integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente e como utilização limitada, respectivamente, com 844,4 ha e 758,4 ha, com conseqüentes aumentos das áreas tributável e aproveitável do imóvel, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, apurando imposto suplementar de R$ 42.660,99, conforme demonstrativo de fls. 35. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de oficio e dos juros de mora, encontramse descritos às folhas 33/34 e 36. Após tomar ciência do lançamento, em 29/09/2006 (As fls. 39), o interessado, através de advogado e procurador legalmente constituído (As fls. 53), protocolou, em 25/10/2006, a Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 144 3 impugnação de fls. 42/52. Apoiada nos documentos de fls. 58/60, 61, 62/63, 64/68, 70/86, 87 e 88/89, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • faz um breve relato dos fatos e das alterações efetuadas pelo autuante; por falta de comprovação da protocolização tempestiva do ADA, junto ao IBAMA/GO; • como muito bem fundamentado pelo Auto de Infração, a área de 758,4 ha encontrase averbada à margem da inscrição da matricula n° 2.592 do CRI de Ipameri — GO, conforme revela a Av6Mat.2.592, gravada à margem da matricula do imóvel em 16/04/1999; • invocando e transcrevendo o disposto no art. 10, § 1°, inciso I e II, da Lei 9.393/96, além do disposto no art. 16 da Lei n° 4.771/1965, diz que, diversamente dos fundamentos do AI, para exclusão da área de reserva legal, não há em que se falar em desacordo com a legislação, porquanto o termo de responsabilidade do IBAMA encontrase devidamente registrado à margem da matricula do imóvel, atendendo, assim, plenamente o disposto no art. 10, II, "a", da Lei n° 9.393/96; • descreve as áreas de preservação permanente á luz do art. 2° da Lei no 4.771/1965. Em síntese, são aquelas florestas e demais formas de vegetação naturais na qual não é permitida a supressão da vegetação e que independem de qualquer registro à margem da matricula da propriedade agrícola para sua exclusão do valor da área tributável do imóvel; • não obstante a desnecessidade de qualquer registro junto à matricula do imóvel, o Impugnante está apresentando Laudo Agronômico realizado por Engenheiro Agrônomo, inscrito no CREA sob n° 506039950, que se refere à. data do fato gerador do imposto, acompanhado de ART, devidamente registrada no CREA, atendendo às normas das ABNT, demonstrando os métodos e fontes de pesquisas levantadas para comprovação das áreas de preservação permanente; • havendo dúvida quanto à área de preservação permanente, não é a autoridade fiscal a competente para tal verificação, mas sim o IBAMA; • o processo tributário está jungido ao principio da verdade real, aliás, havendo diversas decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes dando pela revisão do lançamento fiscal, quando da apresentação de laudo com reconhecida capacitação técnica, corno, de fato, ocorre neste caso, citando os seguintes acórdãos: (Acórdão 20173.746, Relator Sérgio Gomes Velloso; Acórdão 20173.527, Relator Sérgio Gomes Velloso e Acórdão 203 05.127, Relator Mauro Wasilewski); • é sabido e vedado aos entes competentes instituir ou majorar tributos sem lei que o estabeleça. Tratase do conhecido principio da legalidade estabelecido na Constituição Federal de Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 145 4 1988, mais especificamente no seu art. 150, inciso I, e previsto no art. 97 do CTN; • se a Lei no 9.393/1996, não prevê em seu texto qualquer norma relativa à apresentação de ADA, jamais poderia Instrução Normativa da SRF nº 256/02, prever situação diferente, quando mais estabelecendo prazo para sua apresentação; • em situação análoga à tratada neste processo, decidiu o Terceiro Conselho de Contribuintes, que a falta de apresentação do ADA, bem como sua apresentação fora do prazo estabelecido pela IN/SRF n" 256/2002, não gera qualquer conseqüência para o contribuinte, pois, previsão de tal jaez frente A. legislação do imposto (ex vi, Lei 9.393/96), fere flagrantemente o principio da legalidade; citando, a favor da sua tese, parte do voto condutor do Acórdão 30330.482, de 16/10/2002, Conselheira Dra.Anelise Daudt Prieto; e, nesse mesmo sentido, Acórdão 30330.603, Relator Irineu Bianchi • a IN/SRF n° 256/02 não serve de suporte para a manutenção do lançamento fiscal, pois, tal IN da Receita Federal é totalmente ilegal, seja pela ausência de previsão legal (Lei n° 9.393/96), seja porque contraria aos artigos 3° e 9' do CTN, não se limitando a explicitar a lei, mas ao revés, inovando no ordenamento jurídico, criando obrigação, e ainda mais grave, uma obrigação tributária; citando a favor da sua tese, parte do voto proferido no Acórdão 30236.527 da 2ª Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, e por fim, requer seja acatada a presente impugnação para, ao final, determinar o cancelamento do crédito tributário exigido.” O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 105/112, que restou assim ementado: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela fiscalização c observada a legislação de regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Regularmente cientificado daquele acórdão em 04/03/2008 (fl. 117), o interessado, representado por seu advogado (fl. 53), interpôs recurso voluntário de fls. 120/137, em 25/03/2008. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 146 5 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento cuida de glosa da área de preservação permanente (844,4 ha) e da área de utilização limitada/reserva legal (758,4 ha) pelo fato de o contribuinte não ter comprovado a protocolização tempestiva do ADA junto ao IBAMA. N que se refere à necessidade de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da área tributável do imóvel, vale fazer uma recapitulação de parte da legislação referente ao ADA. Sua exigência, inicialmente, foi estabelecida no §4º, art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 43, de 08 de maio de 1997, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1º de setembro de 1997: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...) II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...)” (Grifos acrescidos). O Ibama, por sua vez, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 147 6 Posteriormente, a Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, alterou a redação do §1º, art. 17O, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, determinando a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) O § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, por sua vez, apenas estabelece que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: “§ 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (grifos acrescidos) Observese que o modelo do ADA não sofreu alteração desde a edição da Portaria Ibama nº 162, de 1997, até o advento da IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a mencionada Portaria e estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural DITR, que tenham informado: I a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do lTR; e II a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996; Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 148 7 (...) Art 7º O declarante deverá apresentar o ADA em uma das modalidades que segue: I pela apresentação por meio eletrônico ADAWeb; II pela apresentação do formulário padrão conforme anexo I. (...) Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras.” (Grifos acrescidos) Finalmente, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA , deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 149 8 Art. 9º. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber.” (Grifos acrescidos) Diante da legislação acima transcrita, que inclusive avança no tempo além do exercício em exame, verificase que a partir do exercício 2001 a Lei estabeleceu a utilização do ADA como um dos requisitos para que algumas áreas não sejam tributadas pelo ITR. Entre tais áreas, sempre previstas na legislação, se incluem as de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico), de Preservação Permanente ou, mais recentemente, as de Servidão Florestal ou Ambiental (prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente), as Coberta por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração (Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006) ou as Alagadas para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público (Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008). Inferese que essa foi a forma escolhida pela Administração Pública para evitar distorções e assegurar que a exclusão do crédito tributário está em consonância com a realidade material do imóvel. Importante destacar que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 150 9 Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (grifos acrescidos) Ora, para o exercício em questão, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido na IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, art. 9º, § 3º, incs. I e II, sendo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR. Não obstante as considerações acima, não se pode esquecer que o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, no exame do caso concreto, se o principal fundamento do lançamento foi a protocolização intempestiva do ADA, como aqui se verifica, se faz necessário investigar se o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de interesse ecológico incluídas na DITR e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Na espécie, verificase que consta da matrícula do imóvel (nº 2952), às fls. 21/27, a averbação, em 16/04/1999, do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado em 21/12/1998 (fls. 14/15), segundo o qual a área de 754,47 ha ficou gravada como de utilização limitada, não podendo nela, ser feito qualquer tipo de exploração sem autorização do IBAMA. Da análise dos requisitos para isenção do ITR, especificamente a comunicação tempestiva a órgão de fiscalização ambiental e averbação na matrícula do imóvel da referida área, cabe computar a área a área de 754,47 ha como área de utilização limitada/reserva legal, excluindoa, desse modo, da área tributável pelo ITR no exercício em exame. Salientese que nada há nos autos que comprove a comunicação a órgão de fiscalização ambiental acerca da existência da Área de Preservação Permanente informada na DITR em tela. Portanto, a correspondente glosa é de ser mantida. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a área de utilização limitada/reserva legal de 754,47 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10120.006432/200615 Acórdão n.º 2801002.784 S2TE01 Fl. 151 10 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/12/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 35462.001612/2003-18
Data da sessão: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração 01/02/1991 a 31/0511998
PEDIDO DE REVISÃO. As decisões poderão ser revistas quando violarem literal disposição de lei ou decreto; divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento
favorável; ou for constatado vicio insanável.
Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-000.345
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração 01/02/1991 a 31/0511998 PEDIDO DE REVISÃO. As decisões poderão ser revistas quando violarem literal disposição de lei ou decreto; divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; ou for constatado vicio insanável. Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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As decisões poderão ser revistas quando violarem literal disposição de lei ou decreto; divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; ou for constatado vicio insanável. Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / r Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. O OLIVEIRA Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). 2 Processo n° 35462.001612/2003-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.345 - E. 586 Relatório Trata-se de Pedido de Revisão apresentado contra Decisão da Segunda Câmara de Julgamento (CAD, do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que anulou decisão anteriormente proferida e negou provimento ao recurso da recorrente, fls. 0506 a 0509. Após a decisão, a recorrente protocolou Pedido de Revisão de Acórdão, fls. 0516 a 0519, onde alega, em síntese, que: A matéria já foi analisada por três vezes pelo CRPS, sendo duas favoráveis à recorrente; Esse fato é urna aberração ao Principio da Segurança Jurídica; A matéria refere-se a prêmio por aposentadoria; Ressalte-se que houve falsa premissa no julgado, pois o prêmio não foi desenhado para estimular a permanência no emprego; O prêmio era concedido para que os segurados se desligassem da recorrente; Pelo que, configurado o equivoco exarado na decisão, requer a recorrente a revisão do Acórdão, para reconhecer o recurso interposto. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0524. A Presidência da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, decidiu negar seguimento ao pedido de revisão, fls. 0537. A recorrente obteve liminar para que a autoridade coatora dê seguimento ao recurso de revisão de acórdão para deliberação da Quinta Câmara, para que julgue como entender de direito, seja quanto à admissibilidade, seja quanto ao mérito. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0583. É o relatório. • 3 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Primeiramente, cabe esclarecer que há determinação que se aplica ao caso. PORTARIA MF 147, DE 25/06/2007: Art. 5° Ficam instaladas a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes. § 1 0 No prazo de 30 (trinta) dias da data da publicação desta Portaria, os processos administrativo-fiscais referentes às contribuições de que tratam os arts. 2° e 3' da Lei n° 11.457/2007 que se encontrarem no Conselho de Recursos da Previdência Social serão encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e distribuídos por sorteio para a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, ou, se cabível, à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ,¢ 2° Aplica-se o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RCRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n.o 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no N .', nos processos administrativo-fiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. Como o Recurso de revisão foi interposto antes da expedição da Portaria, portanto, antes do término final do prazo fixado no § 1°, Art. 5°, Portaria MF 147/2007, devemos analisar a questão na forma determinada pelo Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS). Destarte, nos exatos termos do art. 60, da Portaria MPS n.° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de pedido de revisão é medida extraordinária. Portaria MPS 88/2004: Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de oficio ou a pedido, suas decisões quando: I — violarem literal disposição de lei ou decreto; II — divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do Advogado-Geral da União, na forma da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; III - depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV— for constatado vicio instintiva 4 Processo n° 35462.001612/2003-18 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00345 Fl. 587 § I° Considera-se vicio insanável, entre outros: 1— o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; 11— a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III— o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV — a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. '•' § 70 Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. ---- § 9° O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de oficio o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricional. A admissibilidade do pedido de revisão somente é admitida nos casos do Acórdão do CRPS divergir de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do Advogado-Geral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável. In casu, o acórdão revisado anulou o lançamento por entender, em síntese, que: Ocorreu violação a dispositivo legal, pois a decisão foi contrária ao Art. 28, Lei 8212/1991; As parcelas fazem parte da remuneração, pois não são indenizatórias e não se assemelham a plano de demissão voluntária, já que é concedida somente aos segurados que se aposentam; Pelo exposto, conheceu do pedido de revisão, anulou o acórdão e neg u provimento ao recurso. A recorrente apresenta recurso de revisão repetindo suas alegações, já analisadas pelo acórdão. Portanto, há simples rediscussão da matéria já apreciada, fato que não está consignado nas hipótese que permitem a revisão da decisão tomada e impossibilita o processamento do pedido de revisão, nos tennos do determinado no Art. 60, da Portaria MPS 88/2004. 5 Assim, voto pelo não conhecimento do recurso. CONCLUSÃO • Em razão do exposto, Voto pelo não conhecimento do recurso, nos termos do voto. Sala das Sessõ m de dezembro de 2009 AR h, ar CIL EIRA—Relator ( e MINISTÉRIO DA FAZENDA S Aw ig; CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35462.001612/2003-18 Recurso n°: 142.428 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.345 Brasi :a, 02 e fevereiro de 2010 ELIA '• 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência. / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002175/2002-11
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2000
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO
IMPGUNADA. PRECLUSÃO.
Torna-se definitiva decisão não especificamente impugnada, por força da preclusão.
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-18.664
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao
recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fábia Regina Freitas, OAB/DF n2 14.389, advogada da recorrente.
Nome do relator: GUSTAVO KELLY ALENCAR
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Recorrente BUDDEMEYER S/A Recorrida DRJ em Porto Alegre - RS Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - ri:g Exercício: 2000 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPGUNADA. PRECLUSÃO. Torna-se definitiva decisão não especificamente impugnada, por força da preclusão. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONJRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Esteve presqiÇie ao julgamento a Dra. Fábia Regina Freitas, OAB/DF n2 14.389, advogada da recorrent . MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ANT NIO CARLOS A LIM CONFERE COM O ORIGINAL .., Presidente aneama ji 03 ite na.,l g.. _, __ Celma Marta de Albuque Mat. Slape 94442 G O .,U?ALENCAR Rel or Pa rti aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente), Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López. i. Processo n.° 13976.000209/00-61CCO2/CO2 Acórdão n.°202-18.664 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasilla. fie /S.a—\ Celma Maria de Albinia% Fls. 2 MM. Siape 94442 Relatório . "O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 16 de dezembro de 1996, para ressarcir o valor da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins, incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao terceiro trimestre de 2000, no valor de R$ 46.169,44, conforme Pedido de Ressarcimento da fl. 01, apresentado em 14 de novembro de 2000. Consta, na fl. 155, pedido de compensação. 2. O pedido foi decidido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC, fls. 269/273, em 06 de dezembro de 2004, com ciência do interessado em 13 de dezembro de 2004, fl. 273, que indeferiu o pedido de ressarcimento, não homologando, conseqüentemente, o pedido de compensação, pelos motivos relatados a seguir: 2.1 As correções e explicações apresentadas pelo interessado não foram realizadas de forma que permitisse a identificação do valor requerido. 2.2 O procedimento adotado pelo contribuinte, no que respeita ao Demonstrativo do Crédito Presumido, contido na DCTF apresentada para o trimestre em questão, estava em desacordo com o disposto nas Instruções Normativas SRF n e's. 23, de 13 de março de 1997, e 103, de 30 de dezembro de 1997, visto que na declaração original constava que a apuração do crédito presumido foi efetuada "sem custo integrado" (fls. 08 a 11), e nas declarações reaficadoras a apuração foi efetuada 'com base no sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração comercial'. A legislação antes referida não admite a mudança de critério de apuração dentro de um mesmo ano-calendário. Consta a informação de que, no sistema de consulta da SRF, inexiste DCTF entregue sem custo integrado para o período. 2.3 O contribuinte, ao efetuar a 2° retificação, alterou os custos de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, bem como os valores da receita operacional bruta, majorando a base de cálculo e o pedido inicial, para R$ 60.081,54, sem juntada de expressa informação da alteração dos custos de produção. 2.4 Do exame dos documentos juntados aos autos, concluiu-se que o contribuinte modificou sua pretensão inicial, baseada na Portaria MF n° 38/97, por uma pretensão mista, auxiliada nas disposições da Instrução Normativa SRF n° 69/2001 e Lei n° 10.276, de 11 de setembro de 2001, que previa tal entendimento somente para os fatos ocorridos a partir do 4° trimestre de 2001. 2.5 Tal conclusão apóia-se em procedimentos adotados pelo interessado em outros processos de ressarcimento, onde foram incluídos, na apuração do crédito presumido, gastos com energia elétrica, combustíveis e prestação de serviços. Segundo o entendimento da DRF/Joinville, o Parecer Normativo COSIT SRF n° 65, de 31 de outubro de 1979, define que não há amparo legal para o \\)t\JÇ\ MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 13976.000209/0041CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.664 Brasília ad °3 / OX FIL 3 Colma Maria de Albuque Mat Siape 94442 aproveitamento de tais produtos, não sendo relevante, porém, o questionamento neste processo, em face das outras situações levantadas. 3. Discordando do indeferimento do seu pedido de ressarcimento, o requerente apresentou, no prazo legal, manifestação de inconformidade, em 27 de dezembro de 2004, fis. 274 a 285, alegando, em síntese o seguinte: 3.1 Inicialmente, diz o interessado que, no inicio do exercício de 2001, observou que poderia, além dos créditos requeridos anteriormente, se creditar inclusive do ICMS inserido no custo dos produtos utilizados no cálculo do crédito presumido, bem como os créditos relativos às aquisições de energia elétrica, consumo de maravalha, combustíveis, lubrificantes e serviços de industrialização por encomenda. Essa a razão da retificação do pedido de ressarcimento original 3.2 Prosseguindo, diz que não houve modcação na metodologia de apuração vigente para o período pleiteado, e que tanto o pedido inicial quanto o complementar foram realizados com base no que preconizava a Lei n°9.363/96. 3.3 Diz que a conclusão de que teria alterado o critério de apuração do crédito dentro do mesmo ano-calendário não merece prosperar, posto que sempre efetuou seus cálculos através do método do custo coordenado e integrado. 3.4 No seguimento, diz que, ao contrário do entendimento do Agente Fiscal, as aquisições de energia elétrica, maravalha, combustíveis, lubrificantes e serviços de industrialização por encomenda podem ser enquadradas legalmente na base de cálculo do crédito presumido, visto que o próprio legislador admitiu, com a publicação da MP n°2202/01, a inclusão de tais produtos na base de cálculo, visto que são fundamentais para a elaboração e confecção dos produtos finais das indústrias/empresas. 3.5 Afirma que os serviços de industrialização, assim como os lubrificantes, combustíveis e energia elétrica foram comparados aos produtos intermediários, uma vez que estes são os insumos que uma empresa compra de outra para elaboração dos produtos de sua especialidade. Destaca que o produto maravalha também se caracteriza como material intermediário, por tratar-se de serragem consumida em decorrência do seu processo produtivo. 3.6 Ao final, requer seja determinado o deferimento do crédito integral de IPI requerido, a homologação do pedido de compensação, bem como a atualização do valor requerido pela taxa SELIC" Remetidos os autos à DRJ em Porto Alegre - RS, foi o indeferimento mantido, pelo fundamento de que a contribuinte não cumpre as determinações regulamentares acerca do crédito presumido, no tocante ao cumprimento de obrigações acessórias, escrituração de livros, controle integrado de custos etc., tomando impossível a apreciação de sua pretensão. Tal decisão restou assim ementada: "C.) Processo n.°13976.000209/00-61 CCO2CO2 Acórdão n.°202-18.664 Fls. 4 Crédito Presumido de IPI - A não observância do disposto na legislação vigente, bem como a não apresentação de informações indispensáveis ao exame do pleito, ensejam o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito presumido do IN. Solicitação indeferida Apresenta a contribuinte recurso voluntário defendendo o direito à utilização de créditos relativos a lubrificantes, combustíveis, energia elétrica, serviços de industrialização por encomenda e maravalha; defende a possibilidade de utilização dos créditos antes referidos anteriormente à MP 2202/2001, e por fim defende a aplicação da taxa Selic na correção de seus créditos. S‘ É o Relatório. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasília eibt Oa / er_ _j___ Celma Maria de Albuque MM. Siape 94442 r.142114" \r\ M ... Processo n.* 13976.000209/00-61 CCO2/CO2 Acórdão n." 202-18.664 Fls. $ Voto Conselheiro GUSTAVO KELLY ALENCAR, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, do recurso conheço. A contribuinte recorre discutindo sobre as matérias de mérito de seu pedido, a saber, creditamento de lubrificantes, combustíveis, energia elétrica, serviços de industrialização por encomenda e maravalha; defende a possibilidade de utilização dos créditos antes referidos anteriormente à MP 2202/2001, e por fim defende a aplicação da taxa Selic na correção de seus créditos; outrossim, nada fala sobre a real motivação do indeferimento de seu pedido, qual seja, o descumprimento das obrigações acessórias pertinentes. Assim, tenho que as questões do indeferimento, que configuram matéria prejudicial ao exame de mérito, que sequer foi apreciado, tornaram-se definitivas na esfera administrativa, por força da preclusão consumativa e lógica. Por tal, nego provimento ao recurso. il (11., a das Sessões 13 de dezembro de 2007. G A O Y NCAR " - SEGUNDO Fr:ti:g Ot CONTRIBUINTES Braellia,S/S21._/ (Si_ Colma Maria de Albuquept, Mat. Siape 94442 \ \ Page 1 _0049800.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050000.PDF Page 1 _0050100.PDF Page 1
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