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Numero do processo: 11065.002873/2002-99
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL
Exercicio: 1998
MATÉRIA PRECLUSA - Questões não provocadas a
debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa
do procedimento administrativo, com a apresentação da petição
impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição
de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma
conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de
jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal
Numero da decisão: 1801-000.011
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Vinícius Barros Ottoni
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercicio: 1998 MATÉRIA PRECLUSA - Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal
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Recorrida 1" TURMA/DRI-SANTA MARIA/RS Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL Exercicio: 1998 Ementa: MATÉRIA PRECLUSA - Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, corn a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o pi esente julgado, //1 E PRAGA DE SOUZA - Presidente fn L,r1 MAR tos VINiCIUS BARROS OTTONI — Relator EDITADO EM: N ; 1 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antônio Praga (Presidente), Ana de Banos Fernandes e Marcos Vinícius Banos Ottoni (Relator). 7 ANT6N1 J 1O rocesso n" 11065.00287.3/2002-99 córdiin n' 1801-00.011 CC01/191 Fls 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário interposto por CBC Couros e Acabamentos Ltda., em face da lavratura do acórdão IV 18-6.780, pela 1" Turma da DRJ em Santa Maria/RS, o qual considerou o lançamento procedente em parte. Em 14/06/2002, o contribuinte foi intimado da lavratura do Auto de Infração ara exigência da CSLL, multa de lançamento de oficio e juros de mora, apurada com base nos dados da DCTF do terceiro trimestre . de 1997.. 0 mencionado lançamento decorreu da ausência de recolhimento de CS LL com base na estimativa mensal. Após ser cientificado da lavratura, o contribuinte apresentou Impugnação, por meio da qual asseverou que o débito em comento decorreu do preenchimento indevido da bIRPJ/98, que, por sua vez, teria gerado o preenchimento incorreto da DM' em questão. Aduz que tal DCTF foi retificada em 15/07/1999, conforme processo n" 11065.002006/99-51, por meio do qual foram regularizados os valores objeto do lançamento. A DRJ, após analisar os argumentos do impugnante, houve por bem julgar o lançamento parcialmente procedente, corn base em acórdão assim ementado: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Period() de apuração; 01/07/1997 a 30/09/1997 CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO FALTA DE . RECOLHIMENTO Manténz-se o lançamento de oficio para Ibrmular a exigência de contribuição não recolhida, quando o interessado não comprova a alegação de erro no preenchimento da DCTF, em que se fundamenta sua defesa. MULTA APLICA VEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mom." hresignada, a contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário asseverando que a decisão recorrida foi proferida corn base em defesa apresentada de forma equivocada pela empresa recorrente. Sustenta a contribuinte que a impugnação foi elaborada de maneira equivocada o abordar a tese de erro de preenchimento da DCTF, quando na verdade o que teria ocorrido seria o próprio pagamento da contribuição. Para tanto, apresenta DARE com o intuito de se 3 PIDCCSSO n" I 1065.002873/2002-99 Ackir(Rin n 0 1801-00.011 CC() 111.9 I Fls 3 comprovar que o tributo em questão fora pago exatamente no dia de seu vencimento, 29 de agosto de 1997. É o relatório.. rocesso II" 11065.002873/2002-99 c6rdrio o ' 1801-00,011 CCO1iT91 Fls 4 Voto Conselheiro MARCOS VINÍCIUS BARROS OrTONI, O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade, dentre as quais tempestividade. Portanto, dele tomo conhecimento. Entretanto, não há corno se analisar os argumentos ora apresentados posto que a matéria, completamente inédita nos presentes autos, encontra-se preclusa, urna vez que não tora levantada na peça de impugnação, a qual inaugurou a fase litigiosa do processo ádministrativo tributário. Assim dispõe o Decreto n° 70.235/72, o qual instituiu o Processo Administrativo Fiscal - PAF: "Ai f,. 17 - Considerar-se-ii não impugnada a niatória que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, admitindo -se a juntada prova documental durante a tramitação do processo, até a fase de lutem posição de recurso voluntário (Redação dada pelo art, 1" da Lei 7748/93) (grifamos). Art .31. - A decisão conterá relatório resumido do pi ocesso, Andamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bent como tis razões de deksa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, (Redação dada pelo al t. 1" da Lei 8,748/93).. Art. 33 - Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, coin ekito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão (grifamos)," Como se vê pela leitura do texto legal, o recurso, quando cabível, deve se restringir à decisão, pois questão não levantada na petição inicial tem-se como aceita pelo contribuinte. A obediência plena ao direito de defesa, prescrito no artigo 5", inciso LV cio Estatuto Politico, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal (art. 5", incisos LV e LIV da Constituição Federal). O Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, estabeleceu o cfluplo grau de jurisdição, na apreciação das provas e dos argumentos de defesa, evitando-se, destarte, que apenas uma instância aprecie determinada alegação de defesa. A inovação, corn argumentos não apresentados na petição inicial, quebra o duplo grau de jurisdição, sendo portanto contrário à norma legal exposta. A parte pode recorrer decisão mas, somente são revistos por esta Corte, argumentos já apreciados em primeira instância, salvo se originários de acontecimentos posteriores ao veredicto. 4 Processo 11065.002873/20(12-99 " 1801-00.011 CCOITT91 Fls 5 Por fim, cumpre registrar que o DARF apresentado em cópia pelo Contribuinte, porno suposto fato constitutivo de seu direito, já está sendo objeto de pedido de restituição erante a DRF em Novo Hamburgo, autuada sob o n, 11065_002842-99-SI. Com base em tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário_ MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.010558/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.519
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio césar Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio césar Alves Ramos, que negavam provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ que manteve despacho decisório da origem analisando Declaração de Compensação (DCOMP), onde reconhecido parcialmente o direito a crédito do PIS Faturamento nãocumulativo do 3º trimestre de 2005. Após ingressar com manifestação de inconformidade a empresa aderiu ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, permanecendo em litígio uma única glosa havida no indeferimento parcial, que corresponde ao item II.2.1 do despacho decisório da DRFB de Porto Alegre. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11080.010558/200671 Resolução n.º 3401000.519 S3C4T1 Fl. 171 2 Segundo o despacho decisório a contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes de recuperação de despesas. Considerou a DRFB que os valores contabilizados como recuperação de despesas integram o faturamento, inexistindo previsão para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição (ver item II.2.1 do despacho decisório). Após a desistência parcial da manifestação de inconformidade foi elaborado, pela DRFB, a planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS” (fl. 131), com duas colunas intituladas “Créd. Export.” e “Créd. Merc. Int. Comp.” e os respectivos valores em cada mês, subtotalizados pelos seguintes períodos: de jul/2004 a mar/2005, 2º trim/2005, 3º trim/2005 e 4º trim/2005. Depois de devolvido o processo pela DRJ, para ciência à contribuinte da planilha acima referida, em novo pronunciamento esta concordou com números apresentados pela DRFB, reiterando a parte da manifestação de inconformidade contra o item II.2.1 do despacho decisório. A 2ª Turma da DRJ manteve a glosa referente à recuperação de despesas, considerando que para excluíla da base de cálculo do PIS e Cofins seria necessária disposição expressa de lei, que no entanto inexiste no § 2º do art. 3° da Lei nº 9.718/1998 e § 3º do art. 1º das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003. Segundo o acórdão recorrido os citados parágrafos não comportam interpretação extensiva, que deve se dar nos termos do art. 111 do CTN. Também mencionou também o inc. III do art. 44 da Lei nº 4.506/64, base legal do inc. II do art. 392 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda), pelo qual as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões integram a receita bruta operacional, e ainda considerou o seguinte: Ressaltese, também, que a autuada não comprovou, por meio de documentação idônea, que os valores correspondentes às mencionadas recuperações subsumemse às hipóteses legais de exclusão das bases de cálculo das contribuições. Se entendeu ter havido incorreções, deveria apontálas uma a uma. As contraposições formuladas genericamente, desprovidas de elementos probatórios que lhes dêem suporte, não têm o condão de infirmar o lançamento. Além de tratar do mérito, como resumido acima, a DRJ rejeitou a alegação de cerceamento de direito de defesa e de ausência de lançamento. O recurso voluntário, tempestivo, insiste na improcedência da inclusão de recuperação de despesas na base de cálculo da Contribuição, argüindo preliminarmente, tal qual na manifestação de inconformidade, a necessidade de lançamento para exigência de débito no regime nãocumulativo. Argúi que a ausência de lançamento impossibilita a defesa cabível, com afronta ao inc. LV do art. 5º da Constituição Federal. Ainda em sede preliminar, afirma que pelo despacho decisório e planilha que o o acompanha não havia condições de compreender as receitas computadas fiscalização. Assevera ter sido prejudicada em sua defesa e que, apesar de concordar expressamente com os cálculos realizados pela fiscalização após o ingresso no parcelamento, mantém a oposição à glosa relativa à recuperação de despesas. Para a Recorrente a glosa em questão não foi devidamente motivada, pelo que requer “a nulidade do despacho decisório, especificamente no ‘item 2.1’” Fl. 386DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11080.010558/200671 Resolução n.º 3401000.519 S3C4T1 Fl. 172 3 No mérito, reitera que pela planilha juntada ao despacho decisório, resumindo os cálculos elaborados pela fiscalização, “não se consegue verificar quais as receitas consideradas como recuperação de despesas.” Questionando o julgado de primeira instância, no que considera que a empresa devia ter comprovado quais os valores de recuperações de despesas passíveis de exclusão da base de cálculo, indaga: “... como poderia a autuada fazer tal prova, se não pôde examinar quais seriam as receitas que originaram a glosa?” Argúi que a autoridade fiscal buscou ampliar a incidência do PIS e Cofins, ao interpretar que quantias recebidas pelo contribuinte, decorrentes de recuperação de despesas, configuram “receita” tributável. Para a Recorrente tal ingresso não é receita, mas “reembolso de custo despendido, como adiantamento, pelo contribuinte.”, que portanto não incorpora nenhum valor novo ao seu patrimônio, motivo pelo que não deve ser computado na base de cálculo do PIS e Cofins. Em prol da sua argumentação a contribuinte repudia a utilização da Lei nº 4.506/64, por ser específica do Imposto de Renda, e menciona a doutrina de Marcelo Knopfelmacher, citando o artigo ASPECTOS DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RECEITA NA EMENDA N° 20/98, bem como jurisprudência do TRF da 4ª Região e do STJ. Ao final requer a reforma o acórdão recorrido para: 1) Reconhecer a nulidade da glosa, por ausência de lançamento de ofício e por inexistência de comprovação das supostas irregularidades no item " 2 . 1 ". 2) No mérito, que seja afastada a glosa do "item 2 . 1 " , haja vista que a recuperação de despesas não se subsume ao conceito de receita e, por conseguinte, seja reconhecida a legitimidade do direito creditório pleiteado. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, não se encontra em condições de ser julgado por demandar esclarecimento quanto às despesas recuperadas pela contribuinte, e por isso consideradas pela fiscalização como receitas tributadas. Observo, primeiro, que nem a planilha que acompanha o despacho decisório nem aquela elaborada posteriormente pela DRFB, após o ingresso da contribuinte no parcelamento, discrimina as receitas tributadas (ou despesas recuperadas). Segundo, que a ora Recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alega inexistência de comprovação quanto à glosa que continua no litígio e corresponde ao item II.2.1 do despacho decisório, afirmando não ter compreendido quais as receitas recuperadas. E por último, que este Fl. 387DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11080.010558/200671 Resolução n.º 3401000.519 S3C4T1 Fl. 173 4 Colegiado tem divergências sobre o tema e poderá decidir o litígio considerando quais, exatamente, são as despesas recuperadas. Destarte, carece seja identificada a origem (ou origens) das receitas recuperadas cujos valores constam das colunas “Créd. Export.” e “Créd. Merc. Int. Comp.”, na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS” (fl. 131). Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para a DRFB informe, além da classificação contábil, a origem dos valores discriminados na planilha “VALORES IMPUGNADOS REFERENTES À RECUPERAÇÃO DE DESPESAS”, descrevendo, se necessário ou julgar conveniente, as operações que resultaram em tais valores. Do resultado da diligência deve ser dada ciência à Recorrente para, querendo, se pronunciar sobre o feito no prazo de trinta dias. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 388DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 24/07/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.017792/2003-54
Data da sessão: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano calendário 1993
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - INDENIZAÇÃO - PDV - As
verbas percebidas a titulo de incentivo à demissão voluntária,
quando esta integra programa geral de ajuste da empresa, não se
encontram incluídas no campo de incidência do Imposto de
Renda.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9304-00.045
Decisão: Acordam os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, ja o r unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS QUARTA TURMA Processo e 10680.017792/2003-54 Recurso n° 106-156.507 Especial do Procurador Matéria PDV/PIAV Acórdão n° 9304-00.045 Sessão de 02 de março de 2009 Recorrente Fazenda Nacional Interessado Edson Hortas Novaes Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano calendário 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - INDENIZAÇÃO - PDV - As verbas percebidas a titulo de incentivo à demissão voluntária, quando esta integra programa geral de ajuste da empresa, não se encontram incluídas no campo de incidência do Imposto de Renda. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ja o r unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO Vice-P sidente no exercício da Presidência ../ • E jraTi: • S PESSOA MONTEIRO Re $ tora FORMALIZADO EM: 25 MA 12009 Participaram do presente julgamento, às Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Gonçalo Bonet Allage, Nelson Mallmann, Gustavo Lian Haddad e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ausente justificadamente o Conselheiro Antonio Praga. Processo n° 10680.01779212003-54 CSRF/1'04 Acórdão n.° 9304-00.045 Fls. 2 Relatório Inconformada com o decidido através do Acórdão N° 106-16394, de 23/05/2007, fls.63/66, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que por unanimidade de votos negou provimento ao recurso, ingressa o Contribuinte com o Recurso Especial de fls. 72/78, dado seguimento nos termos do despacho de fls.117/120 O Acórdão está assim ementado: IRPF - VERBA DE PDV - NÃO CONFIGURAÇÃO DA SITUAÇÃO FA TICA - Não restando caracterizada situação compatível com Plano de Demissão Voluntária, não há que se falar em exclusão de verbas da base de cálculo do IRPF. Alega o recorrente ter o presente processo a mesma natureza de outros pertencentes a ex-empregados da Construtora Andrade Gutierrez desligados por opção, na vigência de plano de desligamento voluntário instituído pela referida empresa. Todavia as conclusões foram diferentes. Enquanto naqueles se afastou a decadência do direito de pedir do contribuinte e houve provimento ao recurso por considerar que os rendimentos foram percebidos em razão de adesão a PDV, o recorrido negou provimento ao recurso, ao argumento de que está demonstrado nos autos que o recorrente não aderiu ao PDV, por inexistência desse plano, aplicando-se ao exame da tempestividade do direito de pedir a restituição de pagamento indevido as regras fixadas no CTN. Em vasto arrazoado pede que em seu processo haja a mesma conclusão dos paradigmas oferecidos, os Acórdãos re 104-20502, 104-18.620, 104-18.103, 104-20.263, 104- 18.177, 104-19894, 102-44.769 e 104-48.551, .como relacionou nas evidências que demonstrariam se tratar de idêntica questão. A Fazenda Nacional oferece contra-razões às fls. 124/132, onde, em breve síntese, pede a manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Mit/ 2 Processo n° 10680.017792/2003-54 CSRF/T04 Acórdão n.°9304-00.045 Fls. 3 Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. O ceme da questão é ser definida a natureza dos rendimentos percebidos pelo Recorrente quando demitido da empresa Construtora Andrade Gutierrez S/A Isto porque o acórdão recorrido se baseou na informação textual da empresa de que não instituíra nenhuma forma de PDV/PDI, e por mera liberalidade, gratificara os empregados que tiveram seus vínculos empregatícios cessados, sendo que essas gratificações foram pagas diretamente pela empresa ou sob forma de pecúlio pago através da AGPREV — Sociedade de Previdência Privada. Esta a mesma situação verificada, por exemplo, no acórdão 102-44769, de 24/05/2007, que não foi objeto de contestação da Fazenda Nacional, conclusão com a qual me alinho a partir dos fundamentos expendidos no relatório e voto condutor daquele acórdão, os quais transcrevo por bem definirem a matéria dos autos, da lavra do i.ex-Conselheiro Dr.Naury Fragoso Tanaka: Retornando o processo à origem, foi negado o direito à restituição, por entender o representante dessa unidade que a verba em lide não decorreu de P13 1', Parecer SAORT n°13.884.192/2004, fls. 116 e 117. O contribuinte recorreu dessa decisão c a lide foi julgada pelo v. colegiado da 3' Turma da DRJ São Paulo II, que decidiu por manter o indeferimento ao pedido, com fundamento nos documentos trazidos ao processo pelo peticionário, que estariam a denotar que os pagamentos constituíram gratificações espontâneas, não revestidas de requisitos característicos de PDV, Acórdão n°17-15.307, de 29 de maio de 2006, fl. 193. Dessa decisão recorreu o contribuinte a esta E. Câmara, com protestos direcionados a diversos aspectos, mas todos com objeto no pedido pela prevalência das características indenizató rias da verba recebida pela perda do emprego. Em seguida e com observação da síntese, os argumentos em contrário à posição dominante no julgamento a quo: I. A decisão SESIT/EQIR n° 668/2000, de 04/02/00, conteve posicionamento no sentido de que referida verba decorria de PDV/PDI Nessa linha, entendeu o contribuinte que a lide restringiu-se apenas ao prazo decadencial 2. Afirmado que a empresa Andrade Gutierrez e coligadas estabeleceram uma Racionalização Organizacional, amplamente divulgada aos funcionários, que conteve: (a) prazo de 3 meses para adesão; (b) fórmula para indenizar, com parâmetros no tempo de çe 3 . • • Processo n° 10680.017792/2003-54 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.045 Fls. 4 serviço na empresa, na situação civil, no quantitativo de filhos, idade, função exercida, gravidez, etc. As indenizações foram pagas pela AG- PREV, na época, recém criada. A meta da empresa era o desligamento de cerca de 5% dos funcionários do grupo (que tinha por total, cerca de 20.000)e de 20% do pessoal administrativo. 3. Afirmado que a matéria já foi objeto de análise nesta instância conforme julgados 104-18620; 104-19894, 104-20263, 104-20502. Também na Justiça teria a matéria sido julgada no processo 1998.38.00.004916-5/MG, no TRF 40 Região. A primeira questão tem por objeto o julgamento do pedido na análise inicial efetivada na unidade de origem, oportunidade em que o julgador afirmou pela espécie da referida verba pertencer ao conjunto daquelas decorrentes de PDV/PDL Apesar de constar dessa decisão que o processo tinha por fundamento um pedido de restituição de verba da espécie decorrente de PDV/PDI, a conclusão não poderia sobrepor-se à questão preliminar, preponderante e em razão da qual o processo tramitou até o retorno para análise do teor da petição. Essa posição conteve manifestação indevida porque a prevalência da ineficácia em função da decadência implicou em desconhecimento da matéria que integrava o pedido, motivo para que não se decidisse a seu respeito até que a ineficácia restasse definitiva ou fosse levantada. Logo, o protesto decorre de interpretação irrelevante da defesa. Outra questão a decidir neste processo diz respeito à natureza da verba paga pela AG-PREV em decorrência da demissão desta pessoa da Empresa Aerotáxi Man. Pampulha Ltda — ATP, sem justa causa, em 2 de abril de 1993, conforme Termo de Rescisão de Contrato de Trabalhodl. 20. - Consta declaração prestada pela ATP no sentido de que houve o pagamento parcelado da importância de CR$ 5.078.042,87 pela AG- PREV, sob a forma de pecúlio, à pessoa deste contribuinte, por motivo da RACIONALIZAÇÃO ORGANIZACIONAL do quadro de pessoal. Essa declaração foi assinada por Geraldo Gonçalves Pereira Filho, C.S. Recursos Humanos da Construtora Andrade Gutierrez S/A. Explica-se: a declaração conteve identificação no cabeçalho da empresa ATP, mas foi assinada por funcionário da Construtora A Gutierrez SA, em 12 de maio de 1999. Em 25 de julho de 2003, foi juntada declaração da ATP à SRF, de 15 de março de 1999, pela mesma pessoa identificada no parágrafo anterior, no sentido de que a empresa ATP não efetuou PDV/PDI, nem pagou verbas rescisórias especiais aos empregados despedidos; que esta havia pago gratificação especial por mera liberalidade e extra- legal a funcionário distinto desta pessoa. O contribuinte juntou ao recurso dirigido à I' Instância, cópia do programa de Racionalização Organizacional — Administração do Pessoal Excedente - da empresa Construtora Andrade Gutierrez S/A, e / 4 Processo n° 10680.017792/2003-54 CSRF/T04 Acórdão n.° 9304-00.045 Fls. 5 • neste é possível verificar que parte dele foi dirigida aos funcionários de nível superior e executivos e parte aos funcionários operacionais, de nível médio; ainda, que foram dados 2 (dois) salários adicionais para aqueles que se desligassem até 30 de abril de 1993, e 1 salário adicional, para os havidos no período de 1° a 14 de maio desse ano, fl. 129, entre outras vantagens. O primeiro requisito para dirimir a questão é verificar se o programa de Racionalização Organizacional — Administração do Pessoal Excedente - da empresa Construtora Andrade Gutierrez S/A albergou a verba paga e objeto deste litígio. Não há dúvida quanto à fonte pagadora dessa verba, considerados a declaração prestada pela Central de Serviços de Recursos Humanos, da empresa, Il. 21, o relacionamento entre a empresa e a AG- PREV e o informe anual juntado à fl. 5. Resta, então, individualizar a natureza "da verba: se tributável, não tributável, ou tributável, mas isenta. A quebra do vínculo empregatício por iniciativa unilateral do empregador gera um prejuízo ao funcionário, de difícil reposição: a perda do emprego e da fonte de recursos necessários ao sustento. Assim, quando essa atitude ocorre e tem por objeto o enxugamento do quadro de funcionários para fins de adequar a empresa à realidade econômica, a gratificação para que haja a adesão de funcionários à saída espontánea constitui uma indenização parcial pela perda do emprego, interpretação já admitida nos julgados do Poder Judiciário. As dispensas havidas em função da racionalização organizacional aplicada na empresa Construtora Andrade Gutierrez SA e coligadas tiveram por objeto a eliminação de pessoal considerado excedente no conjunto produtivo, após análise efetivada por equipe de estudos. Não se restringiram a apenas esta pessoa, mas a um grupo delas considerado excedente ao conjunto tido como essencial à sobrevivência no mercado. O ajuste da empresa à realidade econômica significa aquisição de compatibilidade do desenvolvimento de suas atividades ao cumprimento do objeto a que vinculada, de acordo com o nível da demanda existente, seja por adequação de local, seja por redução de custos, com foco no cenário construído nas previsões de futuro, em curto médio e longo prazos. Decorre dessa realidade, que as demissões havidas por meio da referida racionalização, independente do título, e de acordo com os documentos que instruem este processo, tiveram por objeto essa finalidade e por esse motivo, incentivadas por meio de gratificação especial a ser paga pela AG- PREV, sob a forma de pecúlio. Observe- se que a rescisão contratual constou como demissão sem justa causa, o que combina com a situação expendida pela defesa. Os julgados indicados como jurisprudência pela defesa têm por fundamento situações idênticas a deste contribuinte, nos quais a fonte pagadora é a empresa Construtora Andrade Gutierrez SA e os recursos 5 • - . . • Processo n° 10680.017792/2003 -54 CMU1-04 Acórdão ri.° 9304-00.045 Fls6 interpostos tiveram provimento nesta instância'. Por esse motivo, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para considerar como rendimentos não tributáveis o valor equivalente a 108.536,63 UFIR, constante do Informe de Rendimentos, fl. 5. Assim, dou provimento ao recurso, para que seja restituída a importância pleiteada às fls.01, devidamente corrigida.a partir da data da retenção, pela Ufir. até 31/12/1995 e pela SELIC, a partir de 01/01/1996. Sala d. essões, em 02 de março de 2009. j ,•00. bdal.quias 1 - soa Monteiro. Pesquisa no site dos Conselhos de Contribuintes, http://www.conselhos.fazenda.gov.br , opção "Informações Processuais / Conselho = "Primeiro"; Pesquisa por "Processo"; Argumento: "Número do processo indicado pela defesa"; 18h39, de 16 de maio de 2007. 6 Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10680.004963/2004-66
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
COFINS. ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS
As fundações de direito privado têm isenção da Cofins sobre as receitas de suas atividades próprias, inconfundível aquela com a imunidade de contribuições sociais da seguridade social. As receitas correspondentes aos recursos recebidos e a receber para o desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG são receitas de atividade própria da recorrente, e, pois, isentas da Cofins, independentemente de haver caráter contraprestacional.
"PIS E COF1NS TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART 3.º DA LEI 9.718/98 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM COMPOSIÇÃO PLENARIA, NO JULGAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS APLICAÇÃO DO ART 1°, DECRETO 2.346/97 A Lei n. 9.718/98, ao determinar a tributação das receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I da CF/88, que, à época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. Irrelevância da Emenda Constitucional n. 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vicio insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97.
Numero da decisão: 1103-000.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, declarar a decadência para fatos geradores até 31/03/1999, e para excluir da base de cálculo da Cofins os valores relativos a receitas financeiras. Por maioria, afastar as receitas próprias conforme voto do redator designado, vencidos os conselheiros relator e Eduardo Martins Neiva Monteiro. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata fará o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício e relator
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 COFINS. ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS As fundações de direito privado têm isenção da Cofins sobre as receitas de suas atividades próprias, inconfundível aquela com a imunidade de contribuições sociais da seguridade social. As receitas correspondentes aos recursos recebidos e a receber para o desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG são receitas de atividade própria da recorrente, e, pois, isentas da Cofins, independentemente de haver caráter contraprestacional. "PIS E COF1NS TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART 3.º DA LEI 9.718/98 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM COMPOSIÇÃO PLENARIA, NO JULGAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS APLICAÇÃO DO ART 1°, DECRETO 2.346/97 A Lei n. 9.718/98, ao determinar a tributação das receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I da CF/88, que, à época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. Irrelevância da Emenda Constitucional n. 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vicio insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97.
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ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS As fundações de direito privado têm isenção da Cofins sobre as receitas de suas atividades próprias, inconfundível aquela com a imunidade de contribuições sociais da seguridade social. As receitas correspondentes aos recursos recebidos e a receber para o desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG são receitas de atividade própria da recorrente, e, pois, isentas da Cofins, independentemente de haver caráter contraprestacional. "PIS E COF1NS — TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS — INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART 3.º DA LEI 9.718/98 DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, EM COMPOSIÇÃO PLENARIA, NO JULGAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS — APLICAÇÃO DO ART 1°, DECRETO 2.346/97 — A Lei n. 9.718/98, ao determinar a tributação das receitas não incluídas no conceito de faturamento, como as receitas financeiras, pelo PIS e pela COFINS, contrariou o art. 195, I da CF/88, que, à época, autorizava a incidência das contribuições apenas sobre o faturamento. Irrelevância da Emenda Constitucional n. 20/1998. Lei inconstitucional é lei absolutamente nula, e nulidade absoluta é vicio insanável, não passível de convalidação. Tese acolhida pelo Supremo Tribunal Federal, em composição plenária, no julgamento dos RE 390.840/MG e 346.084/PR, de observância obrigatória pelos órgãos do Executivo, a teor do disposto no art. 1° do Decreto 2.346/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 49 63 /2 00 4- 66 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 3 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, declarar a decadência para fatos geradores até 31/03/1999, e para excluir da base de cálculo da Cofins os valores relativos a receitas financeiras. Por maioria, afastar as receitas próprias conforme voto do redator designado, vencidos os conselheiros relator e Eduardo Martins Neiva Monteiro. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata fará o voto vencedor. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Contra a contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 19/23, o qual exige a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de R$ 3.234.169,81, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 23/04/2004. O Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 127, de 11 de novembro de 2003 (objeto do processo administrativo fiscal de nº 10680.007360/200335), suspendeu a imunidade da contribuinte prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 1988. O referido Ato Declaratório e o respectivo Despacho Decisório prolatado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/BHE constam das fls. 56/79. Para melhor instruir o presente processo administrativo fiscal, foram juntadas as fls. 220/270. Tais peças referemse à publicação no DOU da Portaria DRJ/BHE nº 38, de 04 de outubro de 2004; ao Termo de Constatação e Notificação Fiscal – TCNF; à impugnação contra o referido Termo; ao Acórdão DRJ/BHE nº 07.183, de 10 de novembro de 2004. Da descrição dos fatos. Na descrição dos fatos, relatou a Fiscalização que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foi constatado que a Fiscalizada não apurou nem declarou a COFINS sobre as receitas apuradas. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 42/46. Eis os principais pontos que a Fiscalização aborda no TVF. A Fundação Christiano Ottoni (FCO) declarou que é uma entidade fundacional, de direito privado, de cunho educacional, sem fins lucrativos, de apoio às Fl. 602DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 4 3 atividades de ensino, pesquisa e extensão da UFMG, mais especificamente da Escola de Engenharia, devidamente registrada no Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia. Afirma a FCO que não é detentora do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, eis que não exerce a filantropia nos moldes definidos no Decreto nº 3.048, de 1999, de forma que recolhe todos encargos patronais e contribuições previstas em lei. Constatou a Fiscalização, após longa análise, que a FCO, apesar de se considerar uma entidade isenta, não preenchia todos os requisitos legais para se beneficiar da isenção do IRPJ, ou seja, a Lei nº 4.506, de 1964, e Lei nº 9.532, de 1997, não estavam sendo atendidas na sua totalidade. Suspensa a imunidade da FCO, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 127, de 11 de novembro de 2003, a Fiscalização passou a considerála como uma pessoa jurídica comercial, sujeita aos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, na forma da lei, para os anoscalendário de 1999 a 2002. E, ainda, sujeita à COFINS, para os anoscalendário de 1997 a 2002. A base de cálculo da COFINS, nos anoscalendário de 1997 a 2001 e no primeiro trimestre de 2002, está composta pelos valores referentes às vendas de serviços, informados pela própria contribuinte, nas planilhas denominadas, “Demonstrativo Mensal das Receitas Apuradas”, constante das fls. 122/126, 166/167 e 184, do Anexo I. A partir de fevereiro de 1999, integram também as bases de cálculo os valores correspondentes às receitas financeiras, conforme balancetes mensais do ano de 1999 (fls. 30/143, do Anexo “02”). As importâncias lançadas como receitas financeiras para os anos de 2000, 2001 e 1º semestre de 2002, correspondem aos valores definidos nos balancetes trimestrais destes períodos, os quais estão sendo lançados pela Fiscalização no terceiro mês do trimestre correspondente. Para o 2º semestre de 2002, a Fiscalizada apresentou os balancetes mensais, os quais encontramse anexos às fls. 364/447, sendo então lançados os valores efetivos correspondentes às receitas financeiras. Das bases de cálculo estão sendo diminuídos os valores referentes às vendas canceladas, tendo em vista os valores registrados nos balancetes na conta denominada “CANCELANTOS”. Na apuração da COFINS, foram considerados os valores recolhidos pela contribuinte, no código de receita “2172”, nos períodos compreendidos entre 01/01/1997 a 14/07/1999, último recolhimento efetuado para esta contribuição, conforme consta do sistema “SINAL”. Da impugnação. Tendo sido dele notificado, em 23/04/2004, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 24/05/2004, mediante o instrumento de fls. 165/176. Adiante compendiamse suas razões. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 5 4 Inicialmente, destaca que, além das razões aventadas contra a expedição do Ato Declaratório nº 127, de 2003, há outras mais que obstam a pretensão do Fisco. Não incidência da COFINS a partir de fevereiro de 1999. Assevera, com fulcro no art. 14, X, combinado com o art. 13, VIII, ambos da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reproduzindo disposições da MP nº 1.8586, de 1999, que tem direito subjetivo à isenção da COFINS sobre suas receitas. Sustenta, assim, que a partir de fevereiro de 1999 as exigências a título de COFINS são indevidas, não havendo como prosperar a pretensão fiscal. Da decadência do crédito relativo aos meses de janeiro a março de 1999. Substancialmente, defendendo que o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, invade competência lei complementar, alega que as exigências fiscais no período compreendido entre janeiro de 1997 e março de 1999 já foram atingidas pela decadência, uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu em 23/04/2004, devendo prevalecer a regra do § 4º, do art. 150, do CTN. Nesse sentido, a impugnante cita jurisprudência e acórdão do Conselho de Contribuintes. Sucessivamente: da não incidência da COFINS sobre receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. Citando disposições da Lei nº 9.718, de 1998, aduz que ingressos registrados como receitas por força de regras contábeis, mas que não são de titularidade daquele que as recebe, posto que recebidas por conta de terceiros, devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS. Defendendo sua tese, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes. Alega que somente as suas receitas próprias são passíveis de incidência da COFINS. Para se delimitar com clareza as suas próprias receitas, distinguindoas das receitas da Escola de Engenharia, é imperioso um esclarecimento mais detido do que vem a ser e como atua uma fundação de apoio, nos termos da Lei nº 8.958, de 1994. Sem a exata compreensão do relacionamento existente entre as Instituições Federais de Ensino – IFES e as Fundações de Apoio, afigurase impossível alcançar o seu relevante papel educacional. As Fundações de Apoio são entidades regidas pelo direito privado, que visam a proporcionar um mínimo de agilidade e autonomia às atividades universitárias como um todo, captando e gerindo recursos em prol do ensino, da pesquisa e da extensão universitárias. O desempenho das finalidades estatutárias da FCO fazse principalmente por meio da celebração de convênios, contratos, ajustes e acordos, através dos quais a Fundação passa a ser a interface da Escola de Engenharia da UFMG com os órgãos de fomento e a comunidade em geral. Dentro dessa filosofia, a defendente tem firmado convênios com as mais Fl. 604DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 6 5 variadas entidades governamentais, tais como FINEP, FAPEMIG, CNPQ, CAPES, entre inúmeras outras. Através desse mecanismo é que a FCO recebe recursos necessários ao desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG. Ou seja, os recursos diretamente ingressados no caixa da Fundação a ela não pertencem integralmente. São recursos da UFMG, nos moldes concebidos pela Lei nº 8.958, de 1994, competindo à Fundação promover a sua gestão, adquirindo bens e serviços, e, ao término de cada projeto, prestar contas à UFMG da gestão financeira executada. A prestação de contas enseja, ainda, a devolução de eventual saldo remanescente do Projeto ao caixa da UFMG, fato que fortalece ainda mais o entendimento de que o recurso ingressado na Fundação a ela não pertence, não podendo, por conseguinte, ser entendido como faturamento ou servir de base de cálculo para apuração da COFINS. Salienta que vigoram no âmbito interno da UFMG, a Resolução nº 10/95, do Conselho Universitário, e a Resolução nº 03/2000, da Congregação da Escola de Engenharia, sendo certo que estes instrumentos normativos disciplinam e mostram, fundamentalmente, que a Fundação gere recursos de terceiros (no caso a UFMG), não sendo racional entender com seu todo e qualquer montante que ingressa ao seu caixa. Em verdade, o trabalho fiscal ignorou cabalmente o fato de ser a impugnante mera gestora de recursos públicos. As referidas receitas restringemse àquelas contabilizadas nos balancetes da administração da fundação, nos centros de custo 01.001 (documentos em anexo). Ou seja, as receitas da FCO são as decorrentes de sua remuneração pela administração dos recursos públicos e de terceiros relacionados aos projetos por ela administrados. Entretanto, a Fiscalização computou, na apuração do suposto lucro, também os valores registrados nos balancetes, nos centros de custo 02.001 a 16.013 e 22.001 a 36.004, como se dissessem respeito a receitas e despesas próprias da entidade. Assim, é que o valor das supostas receitas de prestação de serviços, ponto de partida para apuração do resultado do exercício, restou majorado, demandando ajustes, segundo as planilhas em anexo (doc. nº 04 a 09), que apresentam as receitas decorrentes do pagamento da “taxa de administração”. Por outro lado, mesmo que superada a tese de que as receitas da impugnante restringemse às relativas à administração dos recursos públicos, ainda assim, os valores da receita e do lucro apurados pela Fiscalização são superiores aos que se poderiam inferir dos registros contidos nos balancetes integrados da administração e dos projetos (documentos nº 10 a 15). Ao final, pede a impugnante pela procedência da presente defesa. Sucessivamente, pede sejam consideradas, na apuração da base de cálculo da exação, somente as receitas de sua titularidade. A 2.ª Turma DRJ/BHE decidiu por meio do acórdão n.º 7185, ementa: “Ementa: CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. ISENÇÃO. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 7 6 Somente serão isentas das contribuições para seguridade social as entidades beneficentes que, além de atenderem aos demais requisitos legais (inclusive o de não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados), forem portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. Somente serão imunes das contribuições para a Seguridade Social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos da lei. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. A lei determina que o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. Conforme a legislação de regência, o faturamento a ser tributado pela COFINS será composto pela totalidade das receitas auferidas, inclusive as financeiras e aquelas decorrentes da prestação de serviços de consultoria.” Irresignada com a decisão retro a contribuinte lançou mão do presente recurso voluntário, oportunidade em que reiterou os argumentos expendidos por ocasião de sua impugnação. Adicionou, contudo, a inconstitucionalidade do § 1.º do art. 3.º da Lei n.º9.718, de 1998, pelo pleno do STF. Além de solicitar o envio destes autos à 8.ª Câmara do 1.º Conselho de Contribuintes. A quarta câmara do extinto Segundo Conselho dos Contribuintes decidiu, (ementa): “COFINS. COMPETÊNCIA. REGIMENTO INTERNO. Nas hipóteses em que o lançamento de Cofins esteja lastreado no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente tributação do IRPJ, a competência para sua análise é do Primeiro Conselho de Contribuintes. Inteligência do art. 20, inciso I, alínea "d" do Regimento Interno.” Fl. 606DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 8 7 Voto Vencido Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA Atacando o lançamento, a contribuinte alega que, ao tempo da lavratura do auto de infração, os créditos existentes até março de 1999, estavam extintos pela decadência, haja vista que a ciência da autuação deuse em 23/04/2004, devendo prevalecer o art. 150, § 4º, do CTN. Conforme confirmado já no acórdão da DRJ, a contribuinte realizou pagamentos a título de COFINS, de janeiro de 1997 até junho de 1999. Desse modo, a partir de julho de 1999, a regra a ser observada para a contagem do prazo de decadência é a do art. 173, inciso I, do CTN, e não a do art. 150, § 4º, do mesmo Código. Por outro lado, nos meses anteriores a julho de 1999, vale, antão o comando do art. 150, § 4º, do CTN. Dessa forma, para como o lançamento foi cientificado em 23/04/2004, estão decaídos valores lançados de Cofins com fatos geradores até 31/03/1999. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS O art. 14, X, da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, isentou da COFINS as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação e de assistência social. Inferese, pois, que não compõem a base de cálculo da COFINS apenas as receitas típicas dessas entidades, relacionadas com contribuições, doações e recursos assemelhados, voluntários ou estatutários, recebidas dos seus associados, mantenedores ou colaboradores, visando à manutenção da entidade, sem caráter contraprestacional direto. Dessa forma, além das vendas de mercadorias, sujeitamse à incidência dessa contribuição todas as demais receitas, como, por exemplo, aquelas decorrentes de prestação de serviços de consultoria. Então, seguindo as determinações da Lei nº 9.718, de 1998, a Fiscalização promoveu a apuração das bases de cálculo da COFINS, conforme indicam os demonstrativos de fls. 50/55. Nesse sentido, nos anoscalendário de 1997 a 2001 e no primeiro trimestre de 2002, foram considerados os valores referentes às vendas de serviços, informados pela própria contribuinte, nas planilhas denominadas, “Demonstrativo Mensal das Receitas Apuradas”, constante das fls. 122/126, 166/167 e 184, do Anexo I. Até aqui nada a reparar no lançamento. Notase, ainda, que o Fisco diminuiu das bases de cálculo apuradas, em cada período, os valores referentes às vendas canceladas, conforme indicado nos balancetes, na conta denominada “CANCELAMENTOS” Fl. 607DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 9 8 Desse modo, uma vez que as apurações das bases de cálculo espelham fielmente os balancetes apresentados pela própria contribuinte, não se aceitam os outros demonstrativos apresentados pela defesa (documentos nº 10 a 15, fls.120/251, do Anexo “03” e Anexos “04” e “05”). Como já dito, a FCO é uma empresa comercial que presta serviços, ainda que relevantes do ponto de vista da extensão e pesquisa atreladas às instituições federais de ensino. Ocorre que o fato de a FCO ser legalmente uma fundação de apoio ligada a uma instituição federal de ensino não a descaracteriza como uma empresa prestadora de serviços, que, normalmente, compete com outras do mesmo ramo. Notese que, por essas prestações de serviços, ela tem o dever de emitir os respectivos documentos fiscais. E o preço cobrado representará o seu faturamento, a ser normalmente tributado pela COFINS conforme determina a legislação em vigor. Dessa forma, o faturamento da FCO a ser tributado pela COFINS, conforme a legislação de regência, será composto pela totalidade das receitas auferidas, e não apenas uma parte delas, em razão de uma taxa de administração ou de repasses decorrentes de normas internas da universidade. É preciso lembrar que quem, juridicamente, presta os serviços é a FCO, e não a UFMG. A despeito do que sustenta a recorrente, a titularidade das receitas contabilizadas é, sim, da FCO. Esta instituição é quem se compromete, por contrato, a prestar os serviços de consultoria, cobrando o preço estipulado e emitindo os respectivos documentos fiscais. Adicionalmente, no que se refere às contribuições para a seguridade social (dentre elas estão incluídas a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), a Constituição Federal de 1988, no seu art. 195, § 7°, tornou as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei isentas das contribuições para a seguridade social, “in verbis”. “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Trata o preceito constitucional de uma imunidade, apesar de utilizarse da expressão "são isentas", uma vez que o mesmo veda o nascimento da obrigação, já que atendidas às exigências legais não poderá o legislador infraconstitucional tributálas. Por sua vez, especificamente em relação à COFINS, o legislador infraconstitucional repetiu o texto constitucional, à luz do inciso III, do art. 6º, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Desse modo, ficam isentas dessa contribuição as entidades beneficentes de assistência social desde que atendam às exigências estabelecidas em lei. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 10 9 Regulamentando esses requisitos, a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, assim dispõe, no seu art. 55, “in verbis”: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18711, de 28/06/01); III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a criança, adolescentes, idosos e portadores de deficiência (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98, porém já estava em vigor desde a MP nº 1.729, de 02/12/98. A aplicabilidade deste inciso encontrase suspensa em face de liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal STF, na ADIN 2.0285, de 14/07/99, referendada pelo plenário em 11/11/99); IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (...)” Verificase, também, que, para ser isenta das contribuições para seguridade social, é vedado à entidade beneficente de assistência social remunerar, a qualquer título, os seus dirigentes (Lei nº 8.212, de 1991, art. 55, IV). E, como já abordado nos autos do processo nº 10680.007360/200335, a FCO desobedece a esse requisito legal. Observese que desde o acórdão da DRJ concluiuse que a Fundação Christiano Ottoni não faz jus à imunidade de que trata o art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988, seja porque é uma entidade fundacional, de direito privado, prestadora de serviços, com intuito meramente mercantilista, mesmo sendo legalmente uma fundação apoio ligada a uma instituição federal de ensino; seja porque, ao remunerar seus dirigentes pelos serviços prestados, não cumpriu, objetivamente, a um dos requisitos legais exigidos para tanto (para gozo dessa imunidade, a legislação proíbe que a entidade de educação e assistência social remunere, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados). Por fim, a FCO não pode ser caracterizada como instituição beneficente de assistência social, não possuindo, por isso, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, a que alude o art. 55, II, da Lei nº 8.212, de 1991. DAS RECEITAS FINANCEIRAS Fl. 609DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 11 10 A partir de fevereiro de 1999, integraram também as bases de cálculo os valores correspondentes às receitas financeiras, conforme balancetes mensais do ano de 1999 (fls. 30/143, do Anexo “02”). As importâncias lançadas como receitas financeiras para os anos de 2000, 2001 e 1º semestre de 2002, correspondem aos valores definidos nos balancetes trimestrais destes períodos, os quais foram lançados pela Fiscalização no terceiro mês do trimestre correspondente. Para o 2º semestre de 2002, a Fiscalizada apresentou os balancetes mensais, os quais se encontram anexos às fls. 364/447, sendo então lançados os valores efetivos correspondentes às receitas financeiras. Pois bem, quanto à questão das receitas financeiras, ou seja, o alargamento da base de cálculo da Cofins, o STF já declarou a inconstitucionalidade do § 1.º do art. 3.º da Lei n.º9.718, de 1998. Dessa forma, devem ser afastadas as receitas financeiras incluídas conforme acima transcritos tendo em vista ter o STF fixado sua interpretação, primando por sua inconstitucionalidade. Em face do exposto, voto por declarar a decadência para fatos geradores até 31/03/1999, e para excluir da base de cálculo da Cofins os valores relativos a receitas financeiras. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 610DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata, Redator Designado Peço vênia ao ilustre relator, para dissentir no que toca à questão das receitas da recorrente relativas ao desenvolvimento de projetos da Escola de Engenharia da UFMG. Na apreciação do recurso voluntário referente ao IRPJ, assentouse a conclusão de que não resultou comprovado que a receita própria da recorrente seria somente o que foi por ela denominado de “taxa de administração”. Vale dizer, na ocasião, não resultou comprovado que os valores lançados em sua contabilidade a débito em conta de resultado não seriam despesas e que os valores, em sua totalidade, lançados a crédito em conta de resultado não seriam receitas, de modo que somente o líquido entre os valores lançados nas contas de resultado fossem receitas da recorrente. Como processo decorrente daquele, a este feito é aplicável a mesma conclusão. Por outro lado, não se pode dizer que as receitas supradescritas não sejam decorrentes das atividades próprias da recorrente. E a recorrente é uma fundação de direito privado. O art. 13, VIII, da MP 2.158/01 prevê as fundações de direito privado e as fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público, como entes sujeitos ao PIS com base na folha de salários. Não entro aqui na discussão se fundações públicas em sentido próprio são só as de caráter autárquico, i.e., as que tem capacidade jurídica de direito público a este regime se submetendo, não divisando tal caráter as simplesmente mantidas pelo Poder Público. Ainda que comungue com tal entendimento, a norma legal claramente deu extensão maior às fundações públicas alcançadas pelo regime do PIS sobre a folha de salários. E é indiscutível que esse regime foi estabelecido também para as fundações de direito privado. A questão, pois, não é se a recorrente desfruta de imunidade de impostos (hipótese em que há igualmente sujeição ao PIS sobre a folha de salários – art. 13, II, da MP 2.158/01), tampouco se ela é imune de contribuições sociais da seguridade social. Basta, tout court, que ela seja fundação de direito privado, para que as receitas de suas atividades próprias não sejam tributáveis com a Cofins. Neste último caso, a não incidência qualificada é por isenção, conforme o art. 14, X, da MP 2.158/01. Este prevê a isenção das receitas das atividades próprias dos entes compreendidos no art. 13 da mesma medida provisória. É o caso da recorrente, que tipifica o art. 13, VIII, da MP 2.158/01. Como disse, se não ficou comprovado que os valores lançados a débito nas contas de resultado da recorrente correspondentes aos repasses feitos à UFMG não são Fl. 611DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004963/200466 Acórdão n.º 1103000.778 S1C1T3 Fl. 13 12 despesas, e, pois, que os valores integrais lançados a crédito nas contas de resultado não são receita, não se pode dizer, por outro lado, que essa integralidade dos valores lançados a crédito em conta de resultado como receitas não sejam consequentes às suas atividades próprias. É da máxima evidência de que os recursos recebidos e a receber para o desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG cuidam de receitas próprias da recorrente. Isso, independentemente de tais receitas terem ou não caráter contraprestacional. O pressuposto de fato da norma isentiva são as receitas relativas às atividades próprias das entidades alcançadas pelo art. 13 da MP 2.158/01. Nesse passo, o art. 47, § 2º, da IN SRF 247/02 restringiu o suposto de fato da isenção onde a lei não o fez. Sob essa ordem de considerações, dou provimento ao recurso para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas correspondentes aos recursos recebidos e a receber para o desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG. É o meu voto. Sala das Sessões, em 7 de novembro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 612DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 10882.003252/2002-36
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
Insumos Empregados em Produtos Imunes. Limites ao Creditamento Com exceção das aquisições de insumos empregados em produtos industrializados destinados à exportação, os dispêndios com insumos de produtos imunes não geram créditos de IPI passíveis de ressarcimento ou compensação. Arguição de Inconstitucionalidade O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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LIMITES AO CREDITAMENTO Com exceção das aquisições de insumos empregados em produtos industrializados destinados à exportação, os dispêndios com insumos de produtos imunes não geram créditos de IPI passíveis de ressarcimento ou compensação. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 32 52 /2 00 2- 36 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 195 2 Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no período em destaque, com base na Lei n° 9.779/99, a fim de ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. A fiscalização apurou que parte dos créditos escriturados se referiam a insumos aplicados tanto na industrialização de produtos de alíquota zero, como em produtos não tributado pelo imposto (Livros e Listas Telefônicas), assim os saldos credores foram recalculados com a exclusão proporcional dos insumos empregados na produção do produto NT. Diante disso, foi exarado o Despacho Decisório da autoridade competente reconhecendo parcialmente o direito creditório e homologando em parte as compensações. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando preliminarmente que, pelo disposto no § 4° do art. 150 do CTN os débitos do PIS e COFINS estariam prescritos. No mérito, em síntese argúi que tem direito ao crédito por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3°, II, da Constituição Federal; além disso, por serem seus produtos imunes, nos termos da CF/88, seu direito estaria garantido no art. 10, § 4°, da IN SRF n° 33/99. Encerrou solicitando o integral deferimento do pedido. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO N/T. Inexiste direito de crédito pela entrada de insumos para fabricação de produtos que estão fora do campo de incidência do imposto, pois neste caso o IPI deve ser contabilizado como custo. Devidamente intimado, comparece requerente ao processo para, em sede de recurso voluntário, reiterar suas alegações acerca do cabimento dos créditos pleiteados e acrescentar suas ponderações acerca da inaplicabilidade do Ato Declaratório Interpretativo nº 05, de 2006 ao presente litígio. Essencialmente, argumenta que o Ato Declaratório representaria uma inovação no ordenamento jurídico, que não poderia ser aplicada retroativamente e que seria hierarquicamente inferior à Lei nº 9.779, de 1999, ao Regulamento do IPI e à Instrução Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 196 3 Normativa nº 33, de 1999, que garantiriam o direito ao crédito não reconhecido pela autoridade de jurisdição. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Analiso separadamente cada um dos aspectos sobre os quais entendo caber a este Colegiado se manifestar: 1 Alcance do Art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999: Compete a este Colegiado, em primeiro lugar, demarcar o alcance do art. 11 da Lei nº 9779, de 1999, que passou a admitir expressamente que os créditos, básicos ou decorrentes de incentivo, pudessem ser utilizados para efeito de compensação ou ressarcimento. Confirase: Art.11.O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Segundo defende a recorrente, em face do princípio constitucional da não cumulatividade, tal comando seria meramente exemplificativo. Sinteticamente, a expressão “inclusive” não poderia ser interpretada como “exclusivamente”. Com a devida licença, não acompanho tal raciocínio. Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que a possibilidade de ressarcimento ou compensação de créditos que não puderam ser aproveitados para o cálculo do IPI devido na saída, embora relevante para fins de desoneração do processo produtivo, não guarda relação com o princípio da nãocumulatividade, gizado na Constituição Federal de 1988. Para chegar a essa conclusão, tomo emprestadas as considerações do i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim1 (original destacado): Relativamente à questão do alcance do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e do princípio da nãocumulatividade, é consenso na doutrina 1 Voto condutor do Acórdão 20217.262, de 23/08/2006, unânime. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 197 4 que este princípio pode ser introduzido no sistema tributário de um determinado país por meio das técnicas do valor agregado ou da dedução do imposto. Na técnica do valor agregado, originária do direito francês, subtraise do valor da operação posterior o valor da anterior. É o que se conhece como dedução na base. Na técnica da dedução do imposto, subtraise do imposto devido na operação posterior o imposto que foi pago na operação anterior. No sistema tributário brasileiro, o constituinte, ao delimitar as competências tributárias das entidades federadas, consignou, no art. 153 da CF/1988, que "(...) Compete à União instituir impostos sobre (...) IV produtos industrializados (...) § 3° O imposto previsto no inciso IV (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...)". (grifei) Conforme se pode verificar, o IPI não é imposto incidente sobre o valor agregado, pois a Constituição claramente optou pela técnica da dedução do imposto, onde a única garantia assegurada ao contribuinte é que o imposto devido a cada operação seja deduzido do que foi pago na operação anterior, silenciando o dispositivo quanto à existência de eventual saldo credor e seu ressarcimento. A primeira disposição infraconstitucional sobre o saldo credor aparece no art. 49 do CTN, que se encontra vazado nos seguintes termos: "Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo, verificado em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes." (destaquei) Três constatações imediatas surgem da análise deste dispositivo. A primeira é que pelo, ..."dispondo a lei” consta da cabeça do artigo, podese concluir que o princípio da nãocumulatividade tem como destinatário certo o legislador ordinário e não o aplicador da lei. A segunda é que créditos de IPI devem ser utilizados apenas para abatimento dos débitos do mesmo imposto. E a terceira constatação é que o legislador não se referiu ao ressarcimento do saldo credor, determinando apenas e tãosomente a transferência deste saldo para os períodos seguintes. Portanto, no direito constitucional brasileiro o conteúdo do princípio da nãocumulatividade não tem a mesma amplitude que a recorrente pretendeu lhe dar no recurso, uma vez que ele não obriga o legislador ordinário a conceder o ressarcimento dos créditos de IPI e nem pode ser aplicado diretamente pela Administração Tributária, posto que endereçado ao legislador. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 198 5 No direito constitucional vigente o princípio da não cumulatividade só garante aos contribuintes dois direitos, a saber: 1) que o legislador ordinário elabore a lei do imposto de modo a garantir o direito de crédito em relação ao IPI que foi pago nas entradas de insumos; e 2) que esta lei garanta o direito de deduzir do IPI devido pelas saídas o imposto que foi pago nas entradas. Observese que, à luz do princípio da nãocumulatividade, da forma como colocado na Constituição brasileira, o crédito de IPI tem a natureza de um crédito meramente escritural, pois o constituinte garantiu apenas a transferência do saldo credor para o período seguinte, em vez do ressarcimento em dinheiro. Desse modo, e considerando que o silêncio das normas superiores em relação ao ressarcimento em dinheiro não impedia a União de concedêlo por meio de incentivo fiscal, foi que a legislação ordinária criou os chamados créditos incentivados. Tratandose de uma exceção à regra geral, a interpretação dos comandos que tratem do tema deve seguir as balizas próprias do direito excepcional. Com relação à caracterização do que se insere no campo do direito excepcional e à sua interpretação, extremamente lúcida é a lição de Carlos Maximiliano2: 270 Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. (destaquei) Como é possível concluir, a hipótese que se discute nos autos, com efeito, inserese perfeitamente na lição do Hermeneuta. Consequentemente, sua aplicação não pode desbordar das hipóteses taxativamente enumeradas na norma que a instituiu, independentemente da aplicabilidade ou não da regra consignada no art. 111 do Código Tributário Nacional3. Nessa linha, faço coro o i. Conselheiro Winderley Morais Pereira que, no voto condutor do Acórdão 310201.4104, sintetizou: 2 Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro. Forense, 2009, 19ª ed., p. 183. 3 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 4 Julgado em 21/03/2012, por voto de qualidade. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 199 6 Entendo não assistir razão ao recurso. O artigo em questão determina que o crédito do IPI, pago nas aquisições de insumos, beneficia as empresas, mesmo quando derem saída a produtos industrializados isentos ou com alíquota zero, o que não se aplica a Recorrente, pois, os insumos glosados pela Fiscalização são utilizados na industrialização de produtos imunes em razão do art. 150, inciso III, alínea “d” da Constituição Federal. Quanto a alegação que o art. 1º, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 33/99 permitiria a utilização de créditos na industrialização de produtos imunes, constatase que a previsão constante do art. 1º da IN deverá ser interpretada em conjunto com as definições legais. O artigo da Instrução Normativa está assim redigido. "Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999." Em que pese as alegações do Recurso, não pode ser atribuído a este ato normativo o condão de criar incentivos fiscais, ou possibilidade de utilização de créditos, que não estão previstos em lei. A análise sistêmica em relação a todo o conjunto normativo que disciplina a matéria, não permite a utilização de créditos para industrialização do produtos imunes em caráter geral, mas, exclusivamente naquelas imunidades em razão da exportação de produtos, conforme determina o art. 1º, inciso II, da Lei 8.402/92. In verbis. " Art. 1° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: ... II manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5° do DecretoLei n° 491, de 5 de março de 1969;" Igualmente descabida, imagino, é a interpretação no sentido de que o § 2º do art. 195 do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI) daria respaldo à pretensão da recorrente. Confirase sua redação: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 200 7 2º (Lei nº 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). § 2º O saldo credor de que trata o § 1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). De fato, o texto não trata da apuração ou manutenção de créditos, limitase a disciplinar a sua utilização, qualquer que seja a sua origem: insumos empregados em produtos tributados, isentos ou imunes. Assim, sendo certo que a possibilidade de se utilizar créditos decorrentes da aquisição insumos empregados em produtos imunes é, com efeito, restrita aos casos de imunidade conferida a produtos industrializados destinados à exportação, única expressamente prevista em ato com força de lei, não vejo como extrair do dispositivo a exegese almejada pela recorrente. 2 Efeitos do Ato Declaratório Interpretativo nº 05/06 Mais uma vez assumindo a premissa de que, com exceção dos destinados à exportação, a legislação de regência nunca autorizou a utilização de créditos nas hipóteses em que o contribuinte dá saída a produtos imunes, não vejo como reconhecer a alegada ilegalidade do ADI SRF nº 05, de 2006. Tal ato, com efeito, não fez mais do que externar a interpretação da Administração Tributária acerca da legislação vigente. Não criou ou alterou o disciplinamento da matéria. Por outro lado, vejo como igualmente descabida, com a devida licença, a pretensão de ver discutida, no presente processo, a inconstitucionalidade do ato. Como é cediço, a matéria é alvo da Súmula CARF nº 2 e por força do art. 72 do Regimento Interno do CARF5, sua aplicação é obrigatória. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3 Mudança de Entendimento do Fisco Finalmente, na esteira do abordado nos itens precedentes, não vislumbro, na espécie, hipótese de aplicação do parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional, assim redigido: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: 5 Artigo 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 201 8 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Com efeito, a aplicação do dispositivo pressuporia o reconhecimento de que o Regulamento do IPI ou a Instrução Normativa 33/99 teriam o conteúdo defendido pela recorrente e que, em razão de ato posterior, tal interpretação teria sido afastada. Da mesma forma, não é inaplicável, na espécie, o art. 146 do CTN6, que protege o sujeito passivo contra mudança de “critério jurídico” ou qualquer outro mecanismo voltado para a proteção da segurança jurídica. Ora, se, como já exposto anteriormente, a meu ver, as normas complementares nunca tiveram esse alcance, não vejo como reconhecer que o sujeito passivo seguiu eventual orientação emanada de tais atos, nem muito menos que tal orientação teria sido reformada. 4 Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 6 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10882.003252/200236 Acórdão n.º 3102001.506 S3C1T2 Fl. 202 9 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 4/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10580.010891/00-83
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997
COFINS - IMUNIDADE - MANUTENÇÃO - INSUBSISTÊNCIA DOS LANÇAMENTOS
Mantida a imunidade da instituição, consequentemente, os lançamentos de ofício decorrentes de ato que anteriormente decretara a sua suspensão, devem ser cancelados.
Numero da decisão: 9101-001.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora.
EDITADO EM: 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Ponto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Ponto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora. EDITADO EM: 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Ponto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 08 91 /0 0- 83 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7°, inciso I (acórdão não unânime), do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra o Acórdão n° 10708.784, proferido pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O processo trata de Auto de Infração para a exigência de COFINS relativa aos meses de janeiro de 1995 a dezembro de 1997 (fls. 06/15), decorrente de suposta suspensão de imunidade. Esclarece o Termo de Verificação Fiscal (fls. 16) que, “conforme demonstrado no Termo de Suspensão de Imunidade para o anocalendário. 1995, lavrada pela fiscalização, a entidade não cumpriu as exigências legais para o efetivo gozo do benefício fiscal em questão, deixando de atender ao disposto nos incisos I e II do artigo acima mencionado, tendo o Delegado da Receita Federal, após apreciar a impugnação à Notificação de Suspensão referida, expedido ato declaratório suspensivo do benefício, nos termos da Lei 9.430/96, consubstanciado no Parecer nº 533/2000PJ, razão pela qual procedemos à lavratura do respectivo auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, referente ao ano calendário de 1995, em consonância com o artigo 32, parágrafo 6° da lei mencionada, por tratarse de imposto abarcado pela imunidade constitucional definida no artigo 150, inciso VI, alínea "c" da nossa Carta Magna”. Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o qual julgou o lançamento procedente em parte. Sobrevieram, então, Recurso de Ofício, Recurso Voluntário e o Acórdão n° 10708.784, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso e, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício. A decisão restou assim ementada: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO – IMUNIDADE – ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 14 DO CTN SUSPENSÃO – IMPROCEDÊNCIA DO ATO – A suspensão de imunidade de instituição de educação, medida excepcional, somente subsiste para efeitos de permissão de tributação se provado se e enquanto vigente as suas causas determinantes , ofensa ao art. 14 do CTN. COFINS – IMUNIDADE – MANUTENÇÃO INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO – Mantida a imunidade da instituição, consequentemente, o lançamento de ofício, decorrentes de atos que anteriormente decretara a sua suspensão, deve ser declarado insubsistente. Entendeu o acórdão ora recorrido que, uma vez que por meio do Acórdão n° 10708.773 (Processo Administrativo n° 10580.019491/9919) e do acórdão 10708.774 (Processo Administrativo nº 10580.018456/9982), restabeleceuse a imunidade anteriormente suspensa, o julgamento do Recurso no presente processo restou prejudicado, razão pela qual decretouse a insubsistência do lançamento. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial (fls. 754/770), no qual argumenta, preliminarmente, pela ausência de fundamentos para anulação integral do auto de infração – os processos administrativos mencionados não possuem nexo causal com o presente Fl. 903DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10580.010891/0083 Acórdão n.º 9101001.407 CSRFT1 Fl. 3 3 processo, não havendo motivação adequada da decisão. No mérito, alega que a contribuinte não se enquadra na hipótese legal de imunidade previdenciária, já que é remunerada por mensalidade, não se caracterizando como entidade de assistência social; as instituições de educação diferenciamse das entidades de assistência social, não sendo automaticamente imunes; inobservância dos requisitos para se enquadrar na “isenção” de entidade beneficente de assistência social, prevista no artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Em Despacho de fls. 779/780, foi dado seguimento ao Recurso Especial. O contribuinte apresentou suas ContraRazões ao Recurso Especial as fls. 782/793. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi objeto de despacho de admissibilidade e a ele foi dado seguimento. Primeiramente, cumpre consignar que no processo administrativo nº 10580.018456/9982, discutiuse a suspensão da imunidade da contribuinte para o ano calendário de 1995, conforme se extrai do acórdão nº 10708.774. O referido acórdão deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para restabelecer a imunidade. Mencionado acórdão foi proferido em 2006, não tendo sido interposto Recurso Especial. Já no Processo Administrativo 10580.019491/9919, discutiuse a suspensão da imunidade da Recorrente para os anoscalendário de 1996 e 1997. No referido processo, em sessão 31/08/2010, foi julgado o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, em face de acórdão que manteve a imunidade da recorrente. O acórdão nº 910100.687, desta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, entendeu por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo, portanto, a imunidade. A decisão restou assim ementada: Ementa: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE. ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 14 DO CTN. A suspensão de imunidade de instituição de educação, medida excepcional, somente subsiste para efeitos de permissão de tributação se provada ofensa à norma prescrita no artigo 14 do Código Tributário Nacional. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. IMPROCEDÊNCIA. A suspensão de imunidade de instituição de educação, para que seja eficaz, deve estar calcada em sólidas provas do desvio de finalidade de que trata o artigo. 14 do Código Tributário Nacional, não se prestando como tais, a acusação de despesas contabilizadas que poderiam ser tomadas como indedutíveis, mas que não representam distribuição de qualquer parcela do patrimônio ou de rendas da entidade. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 Desta forma, a imunidade da contribuinte restou mantida para os anos calendário de 1995, 1996 e 1997. O presente processo trata de Auto de Infração para a exigência de COFINS relativa aos meses de janeiro de 1995 a dezembro de 1997, justamente os anoscalendário para os quais há decisão, com trânsito em julgado, mantendo a imunidade da contribuinte. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional repisa os argumentos já apreciados no processo de suspensão da imunidade (PA nº 10580.019491/9919 e nº 105800.018456/9982) e aduz na fundamentação a acusação de que a contribuinte não seria instituição beneficente de assistência social, bem como que em razão de receber remuneração, não se enquadra no artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Quanto aos argumentos já apreciados no processo de suspensão de imunidade, adoto as mesmas razões de decidir daqueles processos, nos quais restou mantida a imunidade da contribuinte. Sobre este aspecto, diversamente do que alega a d. Fazenda Nacional, os processos administrativos possuem absoluto nexo de causalidade com o presente processo, porquanto tratam exatamente dos mesmos anoscalendários para os quais, suspensa a imunidade, foram efetivados os respectivos lançamentos de ofício de COFINS. De fato, apesar de argumentar que determinadas exigências legais não estariam sendo atendidas para o gozo da imunidade, o Termo de Verificação Fiscal fundamenta o lançamento no Parecer nº 533/2000, que deu origem à suspensão de imunidade discutida nos processos nº 10580.018456/9982 e nº 10580.019491/9919. Assim, a decisão proferida naqueles processos de suspensão de imunidade é causa prejudicial deste. Ademais, tratase, como dito, dos mesmos anoscalendário, não sendo possível que se profiram decisões contraditórias. Portanto, decretada a insubsistência daqueles processos de suspensão da imunidade, deve ser negado provimento ao Recurso Especial da d. Procuradoria neste processo. Ainda que assim não fosse, apesar de descabidas nesse processo, porquanto já preclusa a discussão, também não prospera o Recurso Especial da d. Procuradoria quando repisa as alegações do TVF, sem evidenciar a contrariedade à prova analisada no acórdão recorrido, no sentido de que a entidade apresentou uma série de relatórios de atividades de assistência social, inscrição regular no CNAS, além de certificados de fins filantrópicos federal e estadual. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de cancelar o auto de infração objeto do presente processo. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Fl. 905DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10580.010891/0083 Acórdão n.º 9101001.407 CSRFT1 Fl. 4 5 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10320.720064/2007-46
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
Ementa
SUJEIÇÃO PASSIVA, POSSUIDOR A QUALQUER TITULO.
Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade.
NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA
Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO
Comprovando-se tratar de área de preservação permanente legalmente estabelecida, correta a exclusão dessa área da base de cálculo para efeito de apuração do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR.Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 2802-001.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da redatora designada. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Redator ad hoc
(Acórdão formalizado extemporaneamente. A redatora designada não mais integra o CARF)
EDITADO EM: 17/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano (Suplente convocada), e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro German Alejandro San Martin
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 Ementa SUJEIÇÃO PASSIVA, POSSUIDOR A QUALQUER TITULO. Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovando-se tratar de área de preservação permanente legalmente estabelecida, correta a exclusão dessa área da base de cálculo para efeito de apuração do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR.Recurso Voluntário provido
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Comprovado nos autos que o contribuinte detinha a posse do imóvel rural à época do fato gerador, é ele o sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na qualidade de possuidor a qualquer título, sendo irrelevante a existência de documento legítimo de propriedade. NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Comprovandose tratar de área de preservação permanente legalmente estabelecida, correta a exclusão dessa área da base de cálculo para efeito de apuração do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR.Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto da redatora designada. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 00 64 /2 00 7- 46 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Redator ad hoc (Acórdão formalizado extemporaneamente. A redatora designada não mais integra o CARF) EDITADO EM: 17/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano (Suplente convocada), e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro German Alejandro San Martin Relatório AGRO PECUÁRIA E INDUSTRIAL SERRA GRANDE LTDA, recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Trata –se de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR (fls. 01/06), no valor de R$ 24.200,00, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Cabeceira dos Porcos", cadastrado na RFB sob o n° 4.119.8050, com área declarada de 8.070,0 ha. localizado no Município de Mirador MA.. O lançamento decorre das seguintes alterações efetuadas de oficio na DITR apresentada: · Exclusão, indevida, da tributação de 8.070,0 ha de Área de preservação permanente; Fundamentos: ausência de comprovação de Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado no Ibama dentro do prazo legal. · Alteração do Valor da Terra Nua declarado não comprovado Fundamentos: Falta de comprovação do valor declarado. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância o seguinte: I que as informações prestadas pela contribuinte não foram sequer analisadas pelos Auditores Fiscais da RFB tornando o crédito tributário inexigível, em violação aos princípios da legalidade, do contraditório e da ampla defesa; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 20 3 II que o imóvel encontrase encravado no Parque Estadual do Mirador, no estado do Maranhão, criado pelo Decreto n° 7.641, de 04/07/1980; III que as áreas englobadas pela dimensão do Parque são consideradas unidades de conservação integrantes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC, criado pela Lei Federal n°9.985/2000; IV que os SNUC são compostos de Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável, conforme consta do art. 7° da Lei Federal n° 9.985/2000; V que o imóvel em questão possui Laudo de Avaliação bem como possui o Ato Declaratório Ambiental ADA; VI que por se tratar de área encravada em Parque Estadual, portanto, Unidade de Proteção Integral por determinação da Lei Federal 9.985/2000, a sua comprovação é feita tão somente pela apresentação do ato do Poder Público, o Decreto n° 7.641/80; VII que o valor da terra nua tributável é obtido mediante a multiplicação do valor da terra nua pelo quociente entre a área tributável e a área total do imóvel. No caso em espécie o imóvel não possui área tributável já que a totalidade da área encontrase inserida no Parque Estadual de Mirador. Não havendo área tributável, o valor da terra nua tributável é igual a 0 (zero); VIII que o Decreto 7.641/80, no art. 7°, veda o uso direto das áreas englobadas pelo Parque Estadual do Mirador, do que se conclui que a impugnante não detém a posse do imóvel e também não poderá dele dispor não sendo, portanto, responsável tributário pelo recolhimento do ITR; IX transcreve ementas de decisões administrativas. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n°. 1126.11, de 07 de maio de 2009, que se encontra às fls. 100 a 113, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL 1TR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de Áreas declaradas como de preservação permanente da Área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. VALOR DA TERRA NUA. COMPROVAÇÃO. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O Valor da Terra Nua VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 12de janeiro do ano a que se referir a DITR. Lançamento Procedente em Cientificada do Acórdão de primeira instância, em 20/06/2009 (vide AR de fl.116), a contribuinte apresentou, em 17/07/2009, tempestivamente, o recurso de fls, 117/130, no qual, após breve relato dos fatos, dos fatos, expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas: a) “No caso em tela, verificase que a lançamento do crédito tributário relativo ao ITR do exercício de 2003 do imóvel rural cadastro sob o NIRF n. 4.119.8050 denominado "Cabeceira dos Porcos", bem como os atos administrativos dele decorrentes, são NULOS, pois o Recorrente foi visivelmente preterido no exercício pleno de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, posto que os documentos apresentados em atendimento a intimação fiscal, não foram analisados e nem mesmos juntados ao processo administrativo..” b) “...concluise, portanto, que o imposto ora exigido não é devido pelo recorrente, posto que a totalidade da área em questão configurase ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE devendo, portanto, ser excluída da área tributável e, por conseqüência, excluída da base de cálculo do ITR, que, no presente caso, será igual à zero; · O ADA foi tempestivamente protocolado no IBAMA em 12.11.2002, portanto, dentro do prazo estipulado pela legislação, então em vigor, para o protocolo de tal documento (seis meses após a entrega da declaração do ITR). c) “...que seja considerado o Valor da Terra Nua (VTN) no montante de R$ 15,000,00 (quinze mil reais) conforme declarado no DIAT/ITR/2003 do imóvel Cabeceira dos Porcos, pois a propriedade tem o seu valor substancialmente reduzido em razão de se encontrar englobado no Parque Nacional do Mirador/MA, portanto, inviabiliza qualquer possível empreendimento econômico ou exploração para fins rurais. Consequentemente, que o valor da terra nua tributável seja considerado igual a zero (0), com a aplicação da alíquota de 0,45%. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 21 5 Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes LeiteRelatora O recurso de fls. 116 a 130 é tempestivo, consoante o cotejo do AR – Aviso de Recebimento de fl. 116 protocolo de recepção aposto à fls.117. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O objeto do auto de infração é a cobrança de valores auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (1TR), referente ao imóvel rural FAZENDA CABECEIRA DOS PORCOS, localizado no município de Mirador (MA), no exercício 2003, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, nos seguintes moldes: i) Área de Preservação Permanente 8.070,0 ha para 0,00 ha, ii) Valor da Terra Nua (VTN) R$ 15.000,00 para R$ 121.050,00. Em preliminar, alega a recorrente: · Ilegitimidade do sujeito passivo, vez que não detém a posse do imóvel, pois o imóvel encontrase encravado no Parque Estadual do Mirador, no Estado do Maranhão, criado pelo Decreto n° 7.641, de 04/07/1980. Destarte, não é o responsável tributário pelo recolhimento do ITR relativo a este imóvel; · Nulidade do Lançamento – Cerceamento do direito de defesa Rejeito de plano a preliminar de nulidade do lançamento, por entender que procedimento fiscal realizado pelo agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto nº. 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto nº. 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei nº. 8.748/93: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida pelo recorrente, com o argumento de que notificação de lançamento não foi lavrada dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº. 70.235, de 1972, ou seja, que a sua lavratura foi efetuada de forma a prejudicar a ampla defesa. Ressalto que a Notificação de Lançamento, foi lavrado tendo por base os valores constantes em documentos oficiais, onde consta de forma clara a existência das áreas glosadas, que são partes integrantes dos autos, sendo que o mesmo, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte, cuja ciência foi por AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Assim, não há falar em cerceamento do direito de defesa quanto ao procedimento fiscal, pois foram asseguradas ao Contribuinte amplas condições para manifestar sua inconformidade com a autuação, com a impugnação e o recurso, que ora se examina. Rejeito, pois, preliminarmente, a argüição de nulidade do lançamento. 1) Ilegitimidade do sujeito passivo Conforme disposto no artigo 113, § 1°, do Código Tributário Nacional (CTN), a obrigação tributária surge com a ocorrência do fato gerador. E, em se tratando do ITR, o fato gerador está definido no artigo da Lei nº.9393, de 19/12/2006, verbis: Art. 1º . O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1" de janeiro de cada ano. (destaques da transcrição) Assim, o fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural, em 1º de janeiro de cada ano. É sabido que o contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR "é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a Fl. 142DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 22 7 qualquer título" (art. 41 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996). A Instrução Normativa SRF nº. 73, de l8 de julho de 2000, esclarece ainda que (grifei): Art. 4° Contribuinte do 1TR é I — o proprietário de imóvel rural; II— o titular do domínio útil; III— o possuidor por usufruto; e IV— o possuidor a qualquer titulo. § 1º É titular do domínio útil aquele que adquiriu o imóvel rural por enfiteuse ou aforamento. § 2º Para efeito do ITR, é possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel. I — com justo título e boafé, 11— sem oposição, independentemente de Justa título e boafé, 111— por ocupação autorizada, ou não, pelo Poder Público; ou IV — por promessa ou compromisso particular de compra e venda. Assim, o fato de que o contribuinte tenha o imóvel totalmente em Área do Parque Mirador, não tem o condão de afastar o recorrente do pólo passivo da obrigação tributária. Isso porque, independentemente de o contribuinte ser a legítimo proprietário do imóvel rural em questão, ficou demonstrado que ele era possuidor a qualquer título do mesmo, ainda que de forma irregular, à época do fato gerador (01/01/2003), explorandoo economicamente e, portanto, nos termos da legislação que rege a matéria, ele era o contribuinte do ITR. Destarte, rejeitase a preliminar de ilegitimidade passiva. Quanto ao mérito, o cerne da questão diz respeito à tempestividade ou não do ADA como condição para a isenção das áreas de preservação permanente e à alteração do VTN. No tocante a matéria de mérito concordo com o entendimento exposto no voto condutor do acórdão recorrido e peço vênia a relatora Maria Teresa Silveira Malta de Alencar para transcrever trecho de seu voto proferido , acórdão 1126.116, in verbis: Área de Preservação Permanente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 28.1. Para o exercício de 2003, o prazo se expirou em 30/03/2004, ou seja,seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2003, que foi 30/09/2003. 28.2.No presente caso a impugnante apresentou copia bastante ilegível de Ato Declaratório Ambiental — ADA datado de 12/11/2002, protocolado no Ibama sem condições de verificação da data do protocolo por completamente ilegível (significa ausente na copia), fl. 25. Esta relatora proferiu voto, em Sessão de 20 de dezembro de 2007, no processo 10320.003027/200516, da ora Impugnante relativo a auto de infração decorrente da D1TR/2001, que tomou o n° de Acórdão 1122.069. A peça impugnatória dos autos do processo retro referido foi apresentada em 23/03/2006. Consta na fl. 112 (do referido processo) no item 16.2 do Acórdão: "No presente caso o contribuinte não apresentou Ato Declaratório Ambiental — ADA". Assim, apesar de datado de 12/11/2002, por não constar a data do protocolo no Ibama e por todo o retro narrado esta relatora não aceita a copia do ADA por falta da data do protocolo no Ibama, conseqüentemente a Impugnante não faz jus it redução do valor a pagar do ITR. 29.0 prazo para apresentação de ADA protocolado no Ibama jamais deixou de existir. Tanto é assim que o Decreto n° 4.382, de 19/09/2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do ITR (Regulamento do ITR), e que consolidou toda a base legal deste tributo que se encontrava em vigência à data de sua edição em um único instrumento — inclusive a Medida Provisória n° 2.16667/2001 , assim dispõe, em seu art. 10: "Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 – Código Florestal, arts. 2°c 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, art. I°); II de reserva legal (Lei no 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n°2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º.); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei n°9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº. 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei no 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória n°2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº. 9.393, de 1996, art. 10, § 1°, inciso II. alínea " b" ); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § inciso II, alínea " c" ). Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 23 9 § 2°A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — DITR § 3º. Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA,protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAN1A, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 5º, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n°10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR.” (negritei e grifei). 30.Afirma a Impugnante que estando a totalidade da Área do imóvel dentro do Parque Estadual do Mirador esta o contribuinte desobrigado de apresentar o ADA . 31 .Estando a totalidade da Área do imóvel dentro do Parque Estadual do Mirador, fica comprovada ser Área de preservação ambiental porém não existe nenhuma norma que desobrigue o contribuinte do ITR de protocolar o ADA no Ibama caso a mesma esteja situada em Parque de Área de proteção ambiental. Esclareço que é exatamente os contribuintes do ITR cuja propriedade rural tenha Área (seja parcial ou total) de proteção ambiental (da qual faz parte a Área de preservação permanente) que são obrigados a apresentar o ADA protocolado no Ibama dentro do prazo legal para que possa usufruir do beneficio fiscal, ou seja, possa considerar a Área de proteção ambiental como dedutível da Área tributável. 32.Assim sendo, restando não cumprida a exigência de protocolização tempestiva do ADA, para fins de dedução do ITR das áreas nele constantes, deve ser mantida a glosa da Área de preservação permanente, e sua conseqüente reclassificação como Área tributável. Valor da Terra Nua 33.Alega a Impugnante que o valor da terra nua tributável é obtido mediante a multiplicação do valor da terra nua pelo quociente entre a área tributável e a Área total do imóvel. No caso em espécie o imóvel não possui Área tributável já que a totalidade da área encontrase inserida no Parque Estadual de Mirador. Não havendo Área tributável, o valor da terra nua tributável é igual a 0 (zero) . 34.0 § 2° do art. 8º da Lei n° 9.393, de 1996, determina que o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir a DITR, e será considerado auto avaliação da terra nua a preço de mercado. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Art. 8° 0 contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. §1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua – VTN correspondente ao § 2° 0 VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerada autoavaliação da terra nua preço de mercado. (...) 35. No mesmo diploma legal acima o art. 10, § 1º. inciso I, determina o que se considera VTN para os efeitos de apuração do ITR: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VIN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias: b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas 36 .Ainda na Lei 9.393, de 1996, o art. 10, § 1°,inciso III, determina o que se considera VTN para os efeitos de apuração do ITR: III VTN, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do FIN pelo quociente entre a área tributável e a área total; 37.Cabe esclarecer que, para efeito do ITR, terra nua é o imóvel por natureza ou acessão natural, compreendendo o solo com sua superfície e a respectiva mata nativa, floresta natural e pastagem natural. Vale dizer, o Valor da Terra Nua (VTN) é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. 38 .Em caso de informações constantes da Declaração do ITR consideradas inexatas ou incorretas, a RFB solicita esclarecimentos e comprovações das informações declaradas. Foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, a Impugnante foi intimada pelo Termo de Intimação Fiscal, fls. 12/13, a prestar os esclarecimentos e apresentar Laudo de Avaliação do VTN. Apenas quando o contribuinte não atende a intimação ou, atendendo,presta informações inexatas, incorretas ou Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 24 11 fraudulentas a RFB considera o VTN levando em consideração informações sobre pregos de terras, constantes do Sistema de Pregos de Terra (SIPT) aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, publicada no Diário Oficial da Unido de 07/06/2002. 1É exatamente o que determina o art. 14 da Lei n° 9.393/1996 que assim dispõe: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do D1AT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1°, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...)” 39. Em atendimento ao dispositivo legal supracitado, e com o objetivo de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do ITR, foi editada a Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, publicada no Diário Oficial da União de 07/06/2002, que aprovou o Sistema de Preços de Terra (SIPT). Vale salientar que os valores fornecidos á. Receita Federal tomam sempre por base as peculiaridades de cada um dos municípios pesquisados, tais como: limitação do crédito rural, custos e exigências; crise econômica e social na regido; instabilidade climática nos municípios localizados na região semiárida, aumentando consideravelmente os riscos das atividades agropecuárias; baixos preços dos produtos agrícolas e elevados custos dos insumos; possível acidez do solo; etc.. 40.1n casu, verificase o VTN médio/há fixado para o município de Mirador, microrregião Chapada do Alto Itapecuru MA para o exercício de 2003 foi de 15,00 R$/ha. que, multiplicado pela Área total do imóvel declarada, (que é a mesma considerada pelo autuado), 8.070,0 ha. resultou em um VTN de R$ 121.050,00. 41.Vêse, portanto, que o procedimento administrativo que precedeu a fixação do VTN para o exercício de 2003 foi realizado com absoluta observância da legislação de regência. 42.A Impugnante afirma que o o valor da terra nua tributável é igual a 0 (zero) . Entretanto apresenta Laudo de Vistoria, fls. 26/45, elaborado em 2007, cujo objetivo foi levantar a situação dos imóveis denominados "Fazenda Cabeceira dos Porcos", para determinar o valor da terra nua — VTN fl. 31, onde consta que o VTN é de 4,34 R$/ha., que multiplicado pela área total do imóvel 8.070,0 ha. corresponde ao VTN de R$ 35.000,13, fl. 44. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 43. Tendo o autuante intimado o contribuinte para apresentação de Laudo de Avaliação do Imóvel conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT alertando que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra — SIPT da RFB, e tendo a Impugnante apresentado o Laudo de Avaliação de fls. 26/45,entendo deva ser considerado o VTN constante do Laudo de Avaliação, fl. 44.” Como se vê, a autoridade a quo manteve a glosa da Área de Preservação permanente sob o fundamento de que o contribuinte apresentou copia bastante ilegível de Ato Declaratório Ambiental — ADA datado de 12/11/2002, protocolado no Ibama sem condições de verificação da data do protocolo por completamente ilegível (significa ausente na copia), fl.25 e acatou as informações veiculadas em laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo o que justifica o VTN de 4,34 R$/ha., que multiplicado pela área total do imóvel 8.070,0 ha. corresponde ao VTN de R$ 35.000,13, fl. 44 Assim, a controvérsia reside exatamente na tempestividade do ADA, cópia fls. .132 e a alteração do VTN. Nessas condições, penso que concluiu acertadamente a decisão de primeira instância visto que analisando o ADA apresentado, não vislumbrei NA CÓPIA APRESENTADA a data de protocolo no IBAMA . Elemento essencial para a solução do litígio. Ressalto que, no caso em pauta, o ônus da prova documental é da contribuinte autuada, a qual caberia apresentar cópia legível que demonstre claramente a data em que o ADA foi protocolado. Ocorre que a interessada limitouse a reapresentar o documento ilegível. Destarte, entendo que o documento apresentado ( fls.132.) não preenche os requisitos previstos na legislação acima transcrita, sendo inábil para o propósito pretendido pelo recorrente, razão pela qual devese manter a glosa efetuado. Quanto ao VTN, embora o valor considerado pela autoridade de primeira instância seja o constante no laudo apresentado pele contribuinte , percebo que o autuado solicita que seja considerado o Valor da Terra Nua (VTN) no montante de R$ 15,000,00 (quinze mil reais) conforme declarado no DIAT/ITR/2003 do imóvel Cabeceira dos Porcos, pois a propriedade tem o seu valor substancialmente reduzido em razão de se encontrar englobado no Parque Nacional do Mirador/MA, portanto, inviabiliza qualquer possível empreendimento econômico ou exploração para fins rurais. Consequentemente, que o valor da terra nua tributável seja considerado igual a zero (0), com a aplicação da alíquota de 0,45%. Entendo que a simples correção do valor de aquisição, como pretende a recorrente, não serve para fins de determinação do VTN, uma vez que o art., 8º, §2º, da Lei nº. 9,393, de 1996, determina que o VTN "refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado". Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares suscitadas pela recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, 30 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 25 13 Dayse Fernandes Leite – Relatora Voto Vencedor Conselheiro JORGE CLAUDIO CARDOSO, Redator designado. Concordo com a ilustre relatora quanto à rejeição das preliminares argüidas, mas peço vênia para discordar do voto proferido no tocante à área de preservação permanente e, via de conseqüência, ao valor tributável mantido pela decisão de primeira instância. Primeiramente, registro que em face desta recorrente foram lavrados 04 (quatro) notificações de lançamentos relativos ao Imposto Territorial Rural, como a seguir relacionados. APP DRJ Proc. n° Fazenda Exercício declarada, autuada por falta de comprovação VTN Vlr. Imposto Mantido (R$) 10320.720064/200746 Cabeceira dos Porcos 2003 6.990,00 10320.720079/200712 Cabeceira dos Porcos 2004 6.990,00 10320.720095/200705 Cabeceira dos Porcos 2005 8.070,00 R$ 4,34/ ha ==> R$ 35.000,00 6.990,00 10320.720080/200739 Canastra 2004 14.107,00 56.500,00 11.290,00 Pelo voto da primeira instância, observo que a mesma considerou o lançamento procedente em parte, acatando o valor da terra nua informado no laudo de avaliação juntado pela impugnante (R$ 4,34/há), resultando, no entanto, ainda, em valor tributável (fl. 112) em decorrência da manutenção da área declarada como de preservação permanente na área total. O cerne do litígio gravita em torno da área de preservação permanente, que passo a analisar. A Delegacia de Julgamento ao proferir o voto declarou: “28.2.No presente caso a impugnante apresentou copia bastante ilegível de Ato Declaratório Ambiental — ADA datado de 12/11/2002 protocolado no Ibama sem condições de verificação da data do protocolo por completamente ilegível (significa ausente na copia), fl. 25. Esta relatora proferiu voto, em Sessão de 20 de dezembro de 2007, no processo 10320.003027/200516, da ora Impugnante relativo a auto de infração decorrente da D1TR/2001, que tomou o n° de Acórdão 1122.069. A peça impugnatória dos autos do processo retro referido foi apresentada em 23/03/2006. Consta na fl. 112 (do referido processo)” no item 16.2 do Acórdão: "No presente caso o Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 contribuinte não apresentou Ato Declaratório Ambiental — ADA". Assim, apesar de datado de 12/11/2002, por não constar a data do protocolo no lbama e por todo o retro narrado esta relatora não aceita a copia do ADA por falta da data do protocolo no Ibama, conseqüentemente a Impugnante não faz jus it redução do valor a pagar do ITR.” (grifei) Considerando que a lide gravita sobre a questão de área de preservação permanente, vale transcrever os dispositivos do Código Florestal Lei nº 4.771, de 1965 : “Artigo 1º .... §2oPara os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº. 2.16667, de 2001) (Vide Decreto nº. 5.975, de 2006) II área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 2 de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 26 15 d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei nº. 7.803 de 18.7.1989) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: . a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 ... A Lei n° 9.393, de 19/12/1996, ao dispor sobre a base de cálculo do ITR, determina que para se calcular a área tributável devese subtrair da área total do imóvel as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme alínea “a” do inciso II do artigo 10 da referida lei, Ocorre que a obrigatoriedade da utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR , para os exercícios a partir de 2001, foi estabelecida pela Lei n° 10.165, de 2.000 ao incluir o artigo 17O na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, in verbis: “Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” (grifei) Analisando os dispositivos, verifico que algumas áreas de preservação permanente, já restam de pronto definidas, desde que enquadradas nas situações legalmente determinadas, ficando, por exemplo, as do artigo 3º do Código Florestal a serem fixadas e conhecidas através de ato do poder público. Desta feita, comprovandose tratar de área de preservação permanente definida pelo artigo 2° do código (margens de rios, chapadas etc..), a utilização do ADA para redução da base de cálculo não é obrigatória. Dos autos, verificase à fl. 49, Declaração do Gerente Adjunto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, afirmando que os imóveis denominados “Canastra, Brejo dos Porcos e Cabeceira dos Porcos” estão inseridos nos limites do Parque Estadual do Mirador, unidade de conservação de Proteção Integral. E, de acordo com a cópia juntada aos autos do Diário Oficial do Estado do Maranhão, tal parque foi criado pelo Decreto n 7641, de 04/06/1980. Além disso, considero que a apresentação do ADA, datado de 12/11/2012, com indicação do número de processamento no órgão ambiental também vem a corroborar a comprovação exigida, mesmo o ADA não sendo a base para a redução do ITR, nos termos do artigo 17O já transcrito. Por todo o exposto, considerando comprovada a área de preservação permanente, o lançamento deve ser cancelado, restando prejudicada a discussão sobre o valor da terra nua. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso interposto (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 152DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10320.720064/200746 Acórdão n.º 2802001.227 S2TE02 Fl. 27 17 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão em epígrafe. Brasília/DF, 17 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 154DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005547/2007-14
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTO APRESENTADO NA FASE DE IMPUGNAÇÃO EM RELAÇÃO AO QUAL A DRJ NÃO APONTA QUALQUER VÍCIO. GLOSA RESTABELECIDA. DEDUÇÃO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO, EM RAZÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO EXTRAJUDICIAL. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DA DECISÃO HOMOLOGATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA.
Não tendo a DRJ apontado quaisquer vícios no comprovante de despesa médica apresentado pelo Contribuinte em fase de impugnação, deve se manter o valor deduzido. Impossível a dedução de despesas de instrução de alimentando, ao fundamento de que se deram em virtude de decisão judicial homologatória de acordo extrajudicial, quando os pagamentos em questão foram efetuados em data anterior à decisão homologatória.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-001.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$ 6.380,00 (seis mil, trezentos e oitenta reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTO APRESENTADO NA FASE DE IMPUGNAÇÃO EM RELAÇÃO AO QUAL A DRJ NÃO APONTA QUALQUER VÍCIO. GLOSA RESTABELECIDA. DEDUÇÃO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO, EM RAZÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO EXTRAJUDICIAL. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DA DECISÃO HOMOLOGATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA. Não tendo a DRJ apontado quaisquer vícios no comprovante de despesa médica apresentado pelo Contribuinte em fase de impugnação, deve se manter o valor deduzido. Impossível a dedução de despesas de instrução de alimentando, ao fundamento de que se deram em virtude de decisão judicial homologatória de acordo extrajudicial, quando os pagamentos em questão foram efetuados em data anterior à decisão homologatória. Recurso provido em parte.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DOCUMENTO APRESENTADO NA FASE DE IMPUGNAÇÃO EM RELAÇÃO AO QUAL A DRJ NÃO APONTA QUALQUER VÍCIO. GLOSA RESTABELECIDA. DEDUÇÃO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO DE ALIMENTANDO, EM RAZÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DE ACORDO EXTRAJUDICIAL. PAGAMENTOS EFETUADOS ANTES DA DECISÃO HOMOLOGATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. GLOSA MANTIDA. Não tendo a DRJ apontado quaisquer vícios no comprovante de despesa médica apresentado pelo Contribuinte em fase de impugnação, deve se manter o valor deduzido. Impossível a dedução de despesas de instrução de alimentando, ao fundamento de que se deram em virtude de decisão judicial homologatória de acordo extrajudicial, quando os pagamentos em questão foram efetuados em data anterior à decisão homologatória. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$ 6.380,00 (seis mil, trezentos e oitenta reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 55 47 /2 00 7- 14 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Notificação de lançamento (fls. 05/09) relativa a Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, em razão da revisão de declaração de ajuste anual do exercício de 2005, anocalendário 2004, sendo que, em decorrência do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, foram glosados os valores relativos às seguintes deduções, por falta de comprovação: dependente, despesas médicas, instrução e pensão Alimentícia Judicial, tendo ainda se constatado omissão de rendimentos tributáveis. Cientificado (fl.92), o contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls.01 e ss.), aduzindo que não foi intimado para apresentar os documentos, conforme consta do auto de infração, motivo pelo qual pugna pela nulidade do lançamento. Demais disso, afirma ter havido equívoco em sua declaração no que tange à dependente Clarice Ana Lanzarini, com a qual mantém união estável desde 1999, visto que a mesma apresentou declaração de ajuste anual em separado, com os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, e pagou os respectivos impostos, conforme documentos em anexo. Em seguida alega que trouxe os comprovantes com médicos e dentistas no valor total de R$ 8.825 e o plano de saúde junto à UNIMED, no valor de R$ 6.380,00, o que equivale ao total de R$ 15.205,08.,08. Cita e anexa aos autos os processos de separação judicial e posterior divórcio, onde constam as suas obrigações de pagar pensão judicial à exesposa e ao filho do casal, bem como os documentos com as alterações dos valores destas pensões, devidamente homologadas judicialmente (fls. 56/86). Alega ainda que, através do acordo judicial, conforme documentos de nºs. 79 e 80, devidamente homologados, conforme documento de nº. 82, assumiu a obrigação de pagar, além da pensão, a Faculdade do filho, o que se encontra comprovado pelo documento de nº 29 e 30, em anexo. Por fim, argumenta que são corretos somente os lançamentos de ofício da dedução indevida com dependente e da omissão de rendimentos recebidos da Fundação Universidade do Vale do Itajaí; que os rendimentos tributáveis passaram a ser de R$ 283.428,28, as deduções em R$ 169.194,08, restando como base de cálculo o valor de R$ 114.234,20, com o imposto devido de R$ 26.337,50; que, considerando o IRRF de R$ 28.775,00, resultaria no imposto a restituir de R$ 2.437,50. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10909.005547/200714 Acórdão n.º 2802001.893 S2TE02 Fl. 143 3 Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/FNS, em sessão realizada no dia 07/08/2009, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, excluindose do lançamento os rendimentos percebidos pela dependente informada na DIRPF, Clarice Ana Lanzarini, em razão da prova de ter apresentado declaração em separado, glosandose a dedução com a respectiva dependente, matéria não impugnada pelo contribuinte; restabelecem se deduções de despesas médicas no valor de R$ 8.825,08, mantendose a glosa de R$ 6380,00, informados como pagos a UNIMED, por falta de comprovação; mantemse também a glosa de R$ 6532,70, referentes a despesas com instrução de Gilberto Gomes de Oliveira Junior, de vez que o contribuinte, em divórcio, não manteve a guarda do referido filho e o acordo extrajudicial que lhe impôs tal pagamento, somente foi homologado em 31/03/2005, não alcançando o anocalendário sob exame; também se restabelecem deduções com pensões alimentícias no valor de R$ 122.747,00, nos termos dos comprovantes trazidos aos autos; bem como afirma não haver nulidade em eventual falta de notificação do contribuinte em data anterior à autuação, de vez que a legislação autoriza o lançamento de ofício e o contraditório, nesse caso, se exerce a posteriori. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.100, o contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário, a fl. 101, atacando a decisão exarada pela DRJ, voltando a apresentar documento relativo a pagamentos efetuados a UNIMED, alegadamente já juntos aos autos pelo contribuinte; alegando que a homologação judicial de acordo de divórcio e pensão alimentícia retroage a data da celebração do referido acordo, razão pela qual seriam dedutíveis as despesas de instrução relativas a seu filho, pagas nos termos do acordo trazido aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, no que diz respeito a glosa de despesas médicas e de despesas com instrução de alimentando. De fato, o comprovante de rendimentos pagos e retenção de imposto de renda na fonte de fl.26, portanto, junto aos autos antes da decisão da DRJ, contém expresso registro do valor de R$ 6380,00, pago à UNIMED. Como a DRJ deixou de apreciar tal comprovante, quanto a este aspecto, limitandose a afirmar, incorretamente, a ausência nos autos de comprovante do respectivo pagamento, não cabe aqui adentrar a verificação de o documento em questão atender ou não às exigências do RIR/99 para dedução de despesas médicas, sob pena de inovar nos fundamentos da decisão da DRJ quanto à manutenção da autuação nesse particular. Isto posto, comprovada pelo documento de fl.26 a glosa em questão deve ser restabelecida. Quanto às alegações que faz o recorrente no que tange aos efeitos retroativos da decisão judicial de homologação de alteração de acordo alimentício, a alegação genérica de que os tribunais tem reconhecido tais efeitos retroativos, sem juntarse aos autos uma única decisão judicial neste sentido, muito menos recurso repetitivo que vincularia a decisão deste Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 CARF, não deve prosperar. Sobretudo quando a Lei no. 9250, art.8o, §3o, referese a “despesas médicas e de educação de alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente”. Ora, como poderiam as mensalidades de ensino superior do alimentando ser pagas em virtude, isto é, em razão, por força, de acordo homologado judicialmente, antes da existência da decisão homologatória. A toda evidência, a redação da Lei no. 9250, neste particular está a exigir que somente os pagamentos efetuados a partir da homologação do acordo sejam considerados dedutíveis. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso para restabelecer deduções de despesas médicas no valor de R$ 6380,00, pago à UNIMED, nos termos do comprovante de fl. 26. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10909.005547/200714 Acórdão n.º 2802001.893 S2TE02 Fl. 144 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 18 de dezembro de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.005970/2007-99
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO.
A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos
envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte.
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as
disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do
CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do
fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT
É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considera-se
preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.
MATÉRIA OBJETO DE ATO DECLARATÓRIO DA PROCURADORIA GERAL
DA FAZENDA NACIONAL DISPENSANDO A CONTESTAÇÃO JUDICIAL. ART. 19 DA LEI 10.522/2002 QUE NÃO VINCULA O CARF.
Ato da PGFN que dispensa a contestação de matérias em virtude de
jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela
autoridade lançadora. Ademais, o ato não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que diz respeito ao direito processual tributário.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).Não há que se falar na
aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991
Numero da decisão: 2301-002.669
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento na questão do cálculo do SAT por estabelecimento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em rejeitar a preliminar referente à equívocos no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO. A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. MATÉRIA OBJETO DE ATO DECLARATÓRIO DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL DISPENSANDO A CONTESTAÇÃO JUDICIAL. ART. 19 DA LEI 10.522/2002 QUE NÃO VINCULA O CARF. Ato da PGFN que dispensa a contestação de matérias em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o ato não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que diz respeito ao direito processual tributário. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento na questão do cálculo do SAT por estabelecimento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em rejeitar a preliminar referente à equívocos no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
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VÍCIOS QUE NÃO ACARRETAM A NULIDADE DO LANÇAMENTO. A existência de quaisquer vícios em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. MATÉRIA OBJETO DE ATO DECLARATÓRIO DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL DISPENSANDO A CONTESTAÇÃO JUDICIAL. ART. 19 DA LEI 10.522/2002 QUE NÃO VINCULA O CARF. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 2 2 Ato da PGFN que dispensa a contestação de matérias em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o ato não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que diz respeito ao direito processual tributário. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, no que tange à decadência, devido a aplicação da regra expressa no I, Art. 173 do CTN, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, nos termos do voto do Redator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; b) em negar provimento na questão do cálculo do SAT por estabelecimento, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em rejeitar a preliminar referente à equívocos no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redator designado: Mauro José Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 3 3 Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 4 4 . Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de nº 37.109.4720, lavrado em face de COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL LAR, da qual foi notificado em 05/10/2007, em virtude de ter deixado a Recorrente de proceder com o regular recolhimento das contribuições sociais sobre as remunerações pagas, aos segurados empregados, destinadas ao financiamento do beneficio previsto nos art. 57 e 58 da Lei 8.213/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Afirma o Relatório Fiscal (fls. 1283 e seguintes) que a sociedade é composta por sua matriz (sede) e filiais, assim observada a própria estrutura do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica onde existe um mesmo número identificador denominado raiz (no caso específico: 77.752.293) e cada filial é adicionada em números sequenciais, conforme a data de propositura de sua abertura. Aduz ainda o Relato que a Recorrente é constituída sob a forma de cooperativa de produtores rurais, com disciplina pela Lei n°. 5.464, de 16 de dezembro de 1971 (lei que definiu a política nacional de cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas), possui praticamente 70 estabelecimentos atuando em diversas áreas. Para fins de regularização, foi imputado à Recorrente o pagamento do valor de R$ 1.015.515,25 (um milhão, quinze mil, quinhentos e quinze reais e vinte e cinco centavos) Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação (fls. 1433 e seguintes), no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: DECADÊNCIA. REGULARIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALÍQUOTA SAT. As contribuições previdenciárias estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito administrativo e não têm o condão de tornar nulo o lançamento. A contribuição para o SAT está de acordo com o ordenamento jurídico em vigor e a alíquota aplicável é graduada de acordo com o grau de risco da atividade preponderante da empresa. Lançamento Procedente Insatisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário (fls. 1509 e seguintes), alegando em suma: a) A nulidade da ação fiscal por falta de Mandado de Procedimento Fiscal regular; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 5 5 b) A improcedência do crédito tributário, vez que o grau de risco deve ser apurado em cada estabelecimento da empresa, isto é, considerandose individualmente cada CNPJ; c) Que seja reconhecida, em caráter sucessivo, na hipótese de vir a ser mantido o lançamento, requer seja declarada a decadência de todas as parcelas cujos fatos geradores ocorreram no período de Janeiro/2001 a Outubro/2002. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da nulidade do MPF Alega a Recorrente que a autuação em comento é nula, uma vez que o segundo MPF foi expedido fora do prazo previsto e em favor do mesmo auditor fiscal especificado no MPF anterior. Meu entendimento, já expresso em diversos precedentes acerca do instrumento em comento (Mandado de Procedimento Fiscal), é o de que a instauração do procedimento de fiscalização e a ciência da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal são exigências da Legislação fiscal e servem ao princípio maior que rege a administração, que é a segurança jurídica do ato administrativo lançado contra o contribuinte. Assim, a complementação do MPF segue igual rito e formalidade, devendo servir para informar que o sujeito passivo continua sob ação fiscal, bem como para avalizar o procedimento final que é o lançamento de crédito ou a emissão de auto de infração. Neste diapasão, se a legislação determina que um novo MPF expedido após expirado um mandado anterior seja dirigido a outro auditor fiscal, então esta exigência integra a validade da própria atividade fiscal, considerando o caráter formal de que se revestem os atos administrativos. Diante do caso em comento, entendo que o presente lançamento não está revestido de todas as formalidades essenciais para que se considere que houve a regularidade do procedimento administrativo que originou a lavratura do auto, visto que não observou as condições e os limites impostos pela legislação em vigência que se consubstanciam em requisitos de eficácia do mesmo. Frisese, porque importante, que não se trata de mero formalismo, mas sim de garantir ao contribuinte a legitimidade do procedimento adotado pelo fisco para a feitura de lançamento, visto que o MPF também instrumento de controle da atividade de fiscalização. Esse foi o posicionamento adotado no julgamento do Recurso n.º 147.388, cujo relator foi o nosso Presidente, Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, in verbis: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 7 7 nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo Anulado. Dessa maneira, o processo deveria ser anulado porquanto o vício no MPF tolhe o início, ou, no caso, a seqüência do procedimento fiscalizatório. Entretanto, esta Turma vem reiteradamente superando os óbices encontrados nos MPF’s, sob o fundamento de que apenas se trata de instrumento de planejamento, controle e acompanhamento da ação fiscal, de modo que, sob a ótica do contribuinte, serve tão somente para darlhe ciência do início do procedimento fiscal. Diante do posicionamento da maioria da Turma de que não há validade nos MPF’s, passo ao exame dos demais pontos suscitados pelo recorrente. Da Decadência Tendo sido argüida, em via recursal, a decadência dos débitos compreendidos no presente lançamento, constatase que parcela deles foi atingida pelo inegável decurso do prazo decadencial previsto em lei para a cobrança de valores relativos às contribuições previdenciárias. No caso em apreço, quando da autuação, o prazo de decadência de que gozava o INSS para constituir seus créditos era de 10 (dez) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/1991. Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 8 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 9 9 (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 10 10 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso dos autos, verificase que a contribuição lançada referese às contribuições sociais patronais incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e destinadas ao financiamento do benefício previsto nos artigos. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Depreendese dos autos, a partir da análise das folhas como um todo, que a Recorrente efetuou o pagamento de algumas das contribuições devidas à Seguridade Social, o que afasta, de início, um dos pressupostos para aplicação do art. 173 do CTN. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 05/10/2007, envolvendo as competências de 01/01/2001 a 31/12/2006, encontramse decaídos os períodos até 09/2002, isto é, anteriores 10/2002. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 11 11 Do Mérito Do recolhimento do SAT por estabelecimento individual No que pertine à forma de recolhimento das contribuições relativas aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho (SAT), cabe destacar que, anteriormente, o enquadramento na referida contribuição era feito levandose em consideração todos os estabelecimentos da empresa, de modo que a alíquota referente ao SAT seria única. Se, por exemplo, houvesse um único estabelecimento com risco grave, tendo 300 empregados, e outros cinco estabelecimentos com risco leve, tendo, cada um, 30 empregados cada, o SAT seria calculado sobre a remuneração de todos os 450 empregados. Nesse sentido, o presente lançamento está exigindo a diferença de alíquota do SAT/GIILRALT no percentual de 1% a partir da competência de Janeiro/2001, por entender que o grade risco da atividade deve ser apurado considerando a empresa em seu todo. , como se confere da transcrição do item 13, do Relatório Fiscal. Todavia, o entendimento mais recente acerca do tema firmouse no sentido de que o enquadramento do SAT é realizado de forma individual, considerandose cada CNPJ das empresas submetidas à fiscalização. É o que se depreende da ementa de julgado oriundo do Superior Tribunal de Justiça – STJ colacionada abaixo: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. DECISÃO QUE ASSEGURA A TRIBUTAÇÃO NOS MOLDES PREVISTOS NA SÚMULA N. 351 DO STJ. INEXISTÊNCIA DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO. VIOLAÇÃO À SÚMULA N. 7 AFASTADA. 1. A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante, quando houver apenas um registro. Súmula n. 351 do STJ. 2. Decisão que não reduziu a alíquota da contribuição devida, mas apenas assegurou ao contribuinte o direito de ser tributado da forma estatuída por esta Corte. Inexistência de violação à Súmula n. 7 do STJ. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AGRESP 724347, Rel.: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA, Julgado em: 03/12/2009, DJe: 16/12/2009) (Grifo meu) É tão pacífico o referido entendimento, que o Superior Tribunal de Justiça STJ já editou súmula acerca do tema: Alíquota de Contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. STJ Súmula nº 351 11/06/2008 DJe 19/06/2008 Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 12 12 Seguindo dita orientação, o Ato Declaratório nº 11/2011, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, publicado no Diário Oficial da União em 15/12/2011, consolidou, na esfera fiscal, o já pacífico entendimento de que nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, a verificação deve ser feito de forma individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, sendo, desnecessárias, portanto, maiores digressões a respeito. Este entendimento já consolidado veio apenas confirmar a autonomia e individualidade das filiais em relação à matriz, sobretudo quando possuem contabilidades distintas e CNPJ’S individualizados. Destarte, deve ser considerado, neste ponto, procedente o Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, vez que as contribuições relativas ao SAT devem ser recolhidas levandose em consideração cada estabelecimento de forma individualizada. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 13 13 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 14 14 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 15 15 Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de reconhecer a decadência das competências referentes aos Fl. 15DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 16 16 períodos até 09/2002, isto é, anteriores 10/2002, reconheço e determino também serem as contribuições devidas ao SAT calculadas de forma individualizada considerandose a alíquota para cada estabelecimento em separado, como para determinar que sejam cotejadas as multas previstas no art. 35 em sua redação atual e anterior da Lei 8.212/91, aplicandose a que seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de março de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 16DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 17 17 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado: Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Do MPF como simples instrumento de controle administrativo interno O contribuinte alega nulidade do lançamento devido a irregularidades nas emissões do MPF, o que nos remete às exigências para a validade do auto de infração que o Decreto 70.235 de 06/03/1972 prescreve: "Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I A qualificação do autuado; II O local , a data e a hora da lavratura; III A descrição do fato; IV A disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V A determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI A assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Ainda no mesmo diploma legal ficaram estabelecidos os casos de nulidade: "Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo." Da leitura acima, concluise que a nulidade do auto de infração poderá ser declarada no caso de não constar, ou constar de modo errôneo no mesmo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito à defesa. No entanto, no caso em tela observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade. Esclareçase que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, atualmente disciplinado pela Portaria SRF nº 11.371, de 2007, é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições Fl. 17DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 18 18 administrados pela Secretaria da Receita Federal. Mandado este que consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais (fiscalização, diligência, etc.) tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Diante de todo o exposto, descabe a preliminar de nulidade do lançamento com base em suposta incompetência da autoridade autuante, não tendo ocorrido também, de igual modo, o suposto cerceamento de defesa previsto no art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. O entendimento acima expresso é corroborado pela sentença proferida em sede de mandado de segurança, pelo juiz Ivan Velasco Nascimento, da 8ª Vara Federal, segundo a qual a norma administrativa que disciplinava o MPF à época, Portaria SRF nº 1.265, de 1999, “é colidente com outras normas tributárias que ocupam patamares mais elevados”, afirmando ainda que: “Não há dúvida de que a exigência de prévia emissão do MPF_E, para que o auditor possa cumprir o seu dever, ante a constatação da ocorrência de fato típico, é medida de efeito concreto que hostiliza o disposto no artigo 95 da Lei n° 4.502/94 c/c artigo 9º do DecretoLei 1.024/69 e cerceia o direito e dever, líquido e certo, do auditor executor da fiscalização”. ... pode e deve agir imediatamente, sob pena de colocar em risco os interesses da Fazenda Nacional e arcar com os rigores da lei”. A prof. Maria Sylvia Zanella di Prieto, em parecer solicitado pelo Sindicato Nacional dos AuditoresFiscais da Receita Federal, também, é taxativa sobre a questão da competência: A competência para realizar o ato administrativo do lançamento tributário é do AuditorFiscal da Receita Federal, em razão de sua investidura no cargo, cujas atribuições são definidas em lei. Essa competência não pode ser condicionada ou limitada por portaria administrativa. O AuditorFiscal da Receita Federal pode exercer as suas atribuições independentemente da emissão de Mandado de Procedimento Fiscal ou quando este esteja com prazo de validade vencido, sem que isto caracterize incompetência ou vício de nulidade que possa ser declarado pelas autoridades incumbidas do julgamento nos processos de contencioso administrativo. (grifei) Neste contexto, vale transcrever, ainda, trecho de artigo de nossa lavra, publicado na revista “Tributação em revista”, ano 9, nº 37, fls. 15 e 16: “Interpretar o Mandado de Procedimento Fiscal como instrumento que concede competência ao auditorfiscal para realizar a fiscalização equivale a afirmar que os lançamentos lavrados por auditorfiscal que não possua tal instrumento é ato administrativo lavrado por servidor incompetente, o que acarretaria a nulidade, conforme estatuído pelo art. 59 do Decreto 70.235/72, com as alterações da Lei 8.748/93”. Ressaltese que a falta de Mandado de Procedimento Fiscal tanto pode advir do fato de este não ter sido emitido como da extinção de instrumento anteriormente emitido, na hipótese de ultrapassado o prazo de conclusão da fiscalização (120 dias) Fl. 18DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 19 19 sem que tenha havido sua prorrogação, nos termos do art.15, inciso II, da Portaria 3.007/2001. A gênese normativa da competência é a lei, o que afasta tal interpretação, uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento criado inicialmente por portaria e, posteriormente, previsto em decreto. Não há dúvida, portanto, que o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo da fiscalização.” ... A competência para o lançamento tributário que possui o auditorfiscal da Receita Federal tem origem, como não poderia deixar de ser, na lei.” Transcrevese, ainda, outras ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverência o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN.(1º Conselho de Contribuinte, Sétima Câmara, Acórdão 10706820 em 16/10/2002, Relator Conselheiro Luiz Martins Valero) MPF.MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais Fl. 19DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 20 20 do agente que o praticou.(1º Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, Acórdão 10706797 em 18/09/2002, Relator Conselheiro Neicyr de Almeida) PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.(1º conselho de contribuintes, Sexta Câmara, Acórdão 10612941 em 16/10/2002, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Os vícios verificados em desatendimento às normas relativas ao Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de invalidar um lançamento constituído nos moldes do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. In casu, sequer vício existiu porque as Verificações Obrigatórias podem ocorrer, também, na hipótese em que não haja tributo ou contribuição declarado ou recolhido. NORMAS PROCESSUAIS FALTA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO – INEXISTÊNCIA – A Portaria SRF nº 1.265, de 1999, que instituiu o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, em virtude do princípio da legalidade (CF, art. 5º, inc. II) e da hierarquia das leis, não se sobrepõe às disposições do Código Tributário Nacional CTN, às do Decreto nº 70.235, de 1972 , em especial às dos arts. 7º e 59, que versam, respectivamente, sobre o início do procedimento fiscal e sobre as hipóteses de nulidade do lançamento. NORMAS PROCESSUAIS INOCORRÊNCIA DE NULIDADE – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF, primordialmente, prestase como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte , que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. O MPF sozinho não é suficiente para demarcar o início do procedimento fiscal, o que reforça o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas com O MPF, não teria como efeito tornar inválido os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributários apurados . A prorrogação após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. Acórdão CSRF/0202.543 de 22/01/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. O MPF é mero Fl. 20DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 21 21 instrumento de controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não acarreta a nulidade do lançamento. Considerando as lições doutrinárias e a jurisprudência administrativa, bem como respeitando as normas que validamente regem a matéria, expressamos nossa conclusão de que o Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento.1 Apresentada nossa posição em relação à ausência de causa para nulidade do lançamento por vício de competência nos casos lançamento não precedidos de MPF ou que foram precedidos de MPF com algum vício de emissão ou prorrogação, passamos a enfrentar a segunda possibilidade de causa para nulidade do ato administrativo de lançamento: vício de forma ou vício por ausência de formalidades essenciais. Entre os que defendem a existência de vício de forma encontramos o ilustre Conselheiro dessa Turma, Leonardo Henrique Pires Lopes, que se manifestou nesse sentido no voto que proferiu na ocasião do julgamento do recurso 268.580. O Conselheiro concluiu que “o MPF é elemento imprescindível (formalidade essencial) a validade do ato de fiscalização, que precede a constituição do crédito tributário”. No mesmo sentido, a exAuditora Mary Elbe entendeu que o MPF “adquiriu status de um instrumento e uma formalidade essencial, indispensável para que o lançamento, como produto final do procedimento fiscal, seja executado e considerado válido”. No raciocínio de ambos os juristas encontramos duas premissas: o veículo normativo que institui o MPF seria apto a instituir uma formalidade essencial para o lançamento e os procedimentos de fiscalização são imprescindíveis para o ato administrativo do lançamento. Veremos que ambas as premissas devem ser afastadas. Já dissemos que a Constituição Federal, no art. 146, inciso III, alínea “b”, exige que as normas gerais sobre o lançamento sejam estabelecidas em Lei Complementar, sendo que os arts. 142 a 150 do CTN exercem tal função. Especialmente no art. 142 não encontramos a exigência de uma formalidade essencial que pudesse ser equiparada ao MPF. 1 Cf. SILVA, op. cit., (nota Error! Bookmark not defined.), p. 17. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 22 22 Ou seja, não há previsão no CTN para a existência de uma formalidade essencial para o lançamento similar ao MPF. Considerando que o MPF foi instituído por Decreto, fácil concluir que seu “status” de formalidade essencial – se é que existe foilhe concedido por norma infra legal que não estava autorizada para tanto pelo texto constitucional. Quanto ao lançamento ser, necessariamente, precedido por procedimento inquisitorial investigatório, Paulo de Barros Carvalho já foi categórico em assentar que “o procedimento não é da essência do lançamento, que pode consubstanciar ato isolado, independente de qualquer outro.”2 Além de tal lição doutrinária, podemos observar que inúmeros lançamentos são realizados sem que qualquer procedimento investigatório seja realizado em situações nas quais a autoridade lançadora dispõe de todos os elementos para, em estrita obediência aos ditames do art., 142 do CTN, “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível” . No campo da lógica simples já podemos descaracterizar a natureza de formalidade essencial do MPF, pois o que é essencial não se dispensa, existe em todos os casos, está sempre presente, o que não constitui a realidade do MPF. E a realidade dos fatos está fundada em norma infra legal, pois, a Portaria MPS/SRP N° 3.031/2005, publicada em 22/12/2005, dispensou a emissão de MPF em várias situações, in verbis: “Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I relativo à análise interna e regularização de divergências entre GFIP e GPS, objeto de cobrança automática pelos sistemas informatizados da Previdência Social, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação; II destinado, exclusivamente, à aplicação de multa por não atendimento à intimação efetuada por AFPS em procedimento de diligência, realizado mediante a utilização de MPFD ou MPFEx.” Ainda que fosse admitido o status de formalidade essencial ao MPF, esta seria uma exigência para o procedimento inquisitorial de investigação e não para o ato administrativo do lançamento que pode, como vimos, prescindir de um prévio trabalho investigativo. Assim, concluímos que o Mandado de Procedimento Fiscal diz respeito ao procedimento inquisitorial de investigação fiscal e não ao ato administrativo do lançamento em 2 CARVALHO, op. cit., (nota Error! Bookmark not defined.), p. 2634. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 23 23 si, não possuindo, outrossim, status de formalidade essencial capaz de causar nulidade por vício formal no referido ato administrativo. Por fim, há aqueles, como a exAuditorFiscal, Mary Elbe,3 que entendem que o MPF é um instrumento garantidor do contraditório e da ampla defesa, ou mesmo outros, como o Conselheiro Leonardo no voto do recurso 268.580, que entendem a existência do MPF como corolário da segurança jurídica. Como é cediço não podemos falar em contraditório e ampla defesa na fase que antecede a conclusão do lançamento, pois os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois concluído o lançamento e instalado o litígio administrativo com a apresentação da impugnação é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido, já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Assim também a mesma argüição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu.(Acórdão 10193425) Quanto à segurança jurídica, Leandro Paulsen4 conclui que são cinco os seus possíveis conteúdos: (i) certeza do direito; (ii) intangibilidade das posições jurídicas; (iii) estabilidade das situações jurídicas;(iv) confiança no tráfego jurídico; e (v) tutela jurisdicional. Considerando que o conteúdo de certeza do direito diz respeito ao conhecimento do direito vigente e aplicável aos casos, de modo que as pessoas possam orientar suas condutas conforme os efeitos jurídicos estabelecidos, buscando determinado resultado jurídico ou evitando conseqüência indesejada, podemos admitir sua relação com a existência do MPF. No entanto, todas as normas a serem consideradas na aplicação da segurança jurídica devem ter sido validamente inseridas no ordenamento jurídico e estarem em plena vigência. Nesse sentido, 3 Cf. QUEIROZ, op. cit., (nota ), p. 62. 4 Cf. PAULSEN, Leandro. Segurança jurídica, certeza do direito e tributação: a concretização da certeza quanto à instituição de tributos através das garantias da legalidade, da irretroatividade e da anterioridade. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2006, p. 165. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 24 24 Ricardo Lobo Torres,5 citando Tipke, afirma que a segurança jurídica é a segurança da regra. Assim, tendo sido demonstrado que não há qualquer regra validamente inserida no ordenamento jurídico que atribua o efeito de nulidade aos eventuais vícios relacionados ao MPF, não há qualquer violação à segurança jurídica a conclusão de que vícios quanto ao instrumento administrativo não geram efeitos na relação fisco x contribuinte. Por oportuno, não podíamos concluir nossa manifestação sem enfrentar a questão de que a existência do MPF pode contribuir para diminuir os eventuais desvios de conduta das autoridades fiscais e o aparecimento de golpistas particulares que atuariam como falsos AuditoresFiscais. A eventual função de auxílio ao combate a tais ilícitos que o MPF pode exercer não legitima, de per si e em afronta ao direito positivo, a consideração de que ocorreria nulidade quando da existência de quaisquer vícios quanto a tal instrumento de controle administrativo. Em apoio a nossa posição, tomamos, mais uma vez, as seguras lições da administrativista Maria Sylvia Zanella Di Pietro sobre o assunto. Afirmou a professora em parecer no qual considerou os efeitos da existência do MPF: “Os desvios de conduta, sempre possíveis de ocorrer, pela omissão no exercício das atribuições próprias do cargo, devem ser objeto de apuração e aplicação das sanções cabíveis. Não podem, contudo, levar a adoção ou imposição de medidas normativas contrárias à lei(...).” 6 Por todo o exposto, concluímos que a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco x contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos envolvidos, mas, insistimos, sem afetar a relação jurídica fisco x contribuinte. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). 5 Cf. TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. II; Valores e princípios constitucionais tributários. Rio de Janeiro: Renovar, 2005, p. 173. 6 Cf. DI PIETRO, op. cit., (nota Error! Bookmark not defined.), p. 50. Fl. 24DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 25 25 Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria Fl. 25DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 26 26 constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 26DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 27 27 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 28 28 O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, Fl. 28DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 29 29 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da Fl. 29DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 30 30 decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma Fl. 30DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 31 31 interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 32 32 desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Não contam dos autos quaisquer pagamentos feitos pela recorrente em relação aos fatos geradores considerados pela fiscalização, logo é de ser aplicada a regra decadencial do art. 173, I do CTN. Assim, estão atingidos pela caducidade os fatos geradores até 11/2001. Contribuição para financiamento do SAT Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei no. 8.212/1991, alterada pela Lei no. 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... II para o financiamento do beneficio previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no. 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei n°9.732, de 11/12/98) a) I% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigente à época dos fatos, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou Fl. 32DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 33 33 creditada a qualquer titulo, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1° As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2° O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3° Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4° A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5° O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, Fl. 33DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 34 34 incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto n°4.729/2003). ... Quanto ao argumento de ilegalidade de o Decreto definir os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repelese tal argüição na medida em que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça já assentou jurisprudência no sentido da legalidade da fixação da alíquota por meio de Decreto. Transcrevemos um Acórdão nesse sentido: “REsp. 386.028RS, D.J. 17.11.2003, Rel. Min. Castro Meira ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO. SAT. GRAU DE RISCO. 1. É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. 2. Recurso Especial parcialmente conhecido e improvido." Estabelecida a legalidade da definição dos graus de risco por meio de Decreto, restanos definir outro ponto que é suscitado sobre o assunto: o grau de risco deve ser aferido por estabelecimento ou na totalidade da empresa? A controvérsia, a despeito da explícita referência do art. 22, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c”, bem do art. 202 do Decreto 3.048/99 a atividade preponderante da empresa – e não do estabelecimento , é alimentada pela existência da Súmula 351 do STJ que tem o seguinte conteúdo: “A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Para compreendermos os fundamentos do surgimento de tal súmula, pesquisamos os precedentes que ensejaram a sua origem. Notamos que em todos eles há uma cadeia de citações de decisões que acabam por ter como origem comum Acórdãos do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) que se referiam ao regime jurídico da referida exação antes da edição da Lei 8.212/91, especialmente a Lei 6.367/76 e o Decreto 83.081/79. Verificamos que o art. 15 da Lei 6.367/76 transferiu para o poder regulamentar a competência de classificar os três graus de risco segundo “ a atual experiência de risco”, in verbis: Fl. 34DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 35 35 Art. 15. O custeio dos encargos decorrentes desta lei será atendido pelas atuais contribuições previdenciárias a cargo da União, da empresa e do segurado, com um acréscimo, a cargo exclusivo da empresa, das seguintes percentagens do valor da folha de salário de contribuição dos segurados de que trata o Art. 1º: I 0,4% (quatro décimos por cento) para a empresa em cuja atividade o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II 1,2% (um e dois décimos por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado médio; III 2,5% (dois e meio por cento) para a empresa em cuja atividade esse risco seja considerado grave. § 1º O acréscimo de que trata este artigo será recolhido juntamente com as demais contribuições arrecadadas pelo INPS. § 2º O Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) classificará os três graus de risco em tabela própria organizada de acordo com a atual experiência de risco, na qual as empresas serão automaticamente enquadradas, segundo a natureza da respectiva atividade Exercendo sua função regulamentadora, o Decreto 83.081/79 trazia textualmente como parâmetro para a definição do grau de risco a separação por CGC, conforme pode ser observado em seu art. 40, a seguir reproduzido: Art. 40. Para os efeitos do artigo 38, a empresa se enquadrará na tabela do Anexo I em relação a cada estabelecimento como tal caracterizado pelo Cadastro Geral de Contribuintes CGC do Ministério da Fazenda. § 1º Quando a empresa ou o estabelecimento com CGC próprio, que a ela se equipara, exercer mais de uma atividade, o enquadramento se fará em função da atividade preponderante. § 2º Para os efeitos do § 1º, considerase atividade preponderante a que ocupa o maior número de segurados. Seguindo tais dispositivos, o TFR assentou entendimento de que era o CGC de cada estabelecimento que determinava o grau de risco das empresas, sendo que, existindo um único CGC, deverseia apurar a atividade preponderante. Fácil notar que nenhum esforço hermenêutico foi necessário para tanto, pois o então Decreto regulamentador já previa que a classificação seria feita por estabelecimento com CGC próprio. Ocorre que o regime jurídico da contribuição para financiamento do Seguro de Acidente do Trabalho foi modificado com a entrada em vigor da Lei 8.212/91. A nova lei, além de ampliar a destinação dos recursos da contribuição para o financiamento de todos os benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, faz referência à atividade preponderante em seu art. 22. Por seu turno, o Decreto 3.048/99, ao exercer a função regulamentadora, não trouxe mais como critério a separação por CGC ou CNPJ, tendo preferido explicitar seu conceito de atividade preponderante em toda a empresa. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10935.005970/200799 Acórdão n.º 2301002.669 S2C3T1 Fl. 36 36 Logo, com a mudança do regime jurídico, restaram superados os fundamentos da jurisprudência do antigo TFR e, por conseqüência, os fundamentos jurídicos que ensejaram o surgimento da Súmula 351 do STJ, posto que toda a argumentação dos Ministros do STJ nos precedentes da referida súmula amparamse nas superadas decisões do TFR. Mesmo reconhecendo a necessidade de ser preservada a segurança jurídica que as súmulas ajudam a concretizar, não podemos assumir que as decisões judiciais prevaleçam sobre as leis que lhe são posteriores. Modificada a lei que dava fundamento à Súmula, e não tendo esta força vinculante, desaparece sua força como instrumento que viabiliza a segurança jurídica. Por mais que entendamos que o grau de risco a que os trabalhadores estão expostos é melhor avaliado por atividade ou por estabelecimento, com o atual regime jurídico aplicável ao assunto, estaríamos decidindo em ofensa à legislação e, portanto, com desprestígio da segurança jurídica, se tomássemos como critério o estabelecimento ou a atividade dentro de um mesmo estabelecimento. Se o Decreto 3.048/99 regulamentou o grau de risco sem extrapolar os limites do poder regulamentar, como entendemos ser o caso, suas determinações sobre o assunto devem ser acatadas. Assim, a atividade preponderante é aquela que, na empresa, ocupa o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, em consonância com o §3º do art. 202 do Decreto 3.048/99. Definida a atividade preponderante, a alíquota aplicável na incidência da contribuição será definida pela consulta à tabela do Anexo V do mesmo Decreto. A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.120/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.. No entanto, aquele parecer não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o parecer não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que, fora de dúvida, diz respeito ao direito processual tributário. Pelas razões acima aventadas, continuamos com o resultado da interpretação da legislação, no campo do direito material tributário, que conclui pela apuração da alíquota do SAT pela atividade preponderante da empresa, independentemente desta possuir vários estabelecimentos. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 02/07/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado d igitalmente em 07/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10680.018498/2003-60
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1999
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MATÉRIA OBJETO DE SÚMULA VINCULANTE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso extraordinário cuja matéria é objeto de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso extraordinário em relação a matéria não questionada pela recorrente.
Recurso Extraordinário Não Conhecido.
Numero da decisão: 9900-000.178
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1999 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MATÉRIA OBJETO DE SÚMULA VINCULANTE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso extraordinário cuja matéria é objeto de Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso extraordinário em relação a matéria não questionada pela recorrente. Recurso Extraordinário Não Conhecido.
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