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Numero do processo: 13710.001311/98-63
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: RESULTADO POSITIVO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL NÃO É
FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA.
Os Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial são oriundos de técnicas contábeis cujo escopo é a mensuração dos ativos pelos valores de prováveis benefícios econômicos futuros deles provenientes. Sendo o fato gerador do imposto de renda o efetivo, atual e incondicional aumento patrimonial, não se pode considerar o resultado positivo de equivalência patrimonial fato gerador do imposto de renda.
O contribuinte que utilizar da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial, em desrespeito aos seus requisitos legais, não usufruirá do benefício concedido pela legislação: a tributação, a título de ganho de capital, apenas dos valores que excederem o valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade, e,
portanto, tributará o ganho em função do custo de aquisição.
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS — Comprovada a procedência do crédito
tributário, é de se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte, e cancelar os lançamentos decorrentes do indeferimento indevido da compensação.
Numero da decisão: 1401-000.619
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, em DAR provimento ao recurso nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, DAR provimento quanto ao processo nº 13710.001311/9863 e por conexão, DAR provimento ao processo nº 18471.001926/200210; b) Em relação ao processo
nº 18471.001927/200256: b.1) por unanimidade de votos, DAR provimento em relação ao item 3 do TVF em função da conexão ao processo nº 13710.001311/9863; b.2) por maioria de votos, DAR provimento em relação ao item 2 do TVF (IRPJ e CSLL do ano calendário 1999), vencida a relatora e a Conselheira Viviane Vidal Wagner.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Karem Jurendini Dias
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Recorrida 8ª TURMA/DRJRIO DE JANEIRORJ RESULTADO POSITIVO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL NÃO É FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. Os Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial são oriundos de técnicas contábeis cujo escopo é a mensuração dos ativos pelos valores de prováveis benefícios econômicos futuros deles provenientes. Sendo o fato gerador do imposto de renda o efetivo, atual e incondicional aumento patrimonial, não se pode considerar o resultado positivo de equivalência patrimonial fato gerador do imposto de renda. O contribuinte que utilizar da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial, em desrespeito aos seus requisitos legais, não usufruirá do benefício concedido pela legislação: a tributação, a título de ganho de capital, apenas dos valores que excederem o valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade, e, portanto, tributará o ganho em função do custo de aquisição. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS — Comprovada a procedência do crédito tributário, é de se homologar a compensação efetuada pelo contribuinte, e cancelar os lançamentos decorrentes do indeferimento indevido da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, em DAR provimento ao recurso nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, DAR provimento quanto ao processo nº 13710.001311/9863 e por conexão, DAR provimento ao processo nº 18471.001926/200210; b) Em relação ao processo nº 18471.001927/200256: b.1) por unanimidade de votos, DAR provimento em relação ao item 3 do TVF em função da conexão ao processo nº 13710.001311/9863; b.2) por maioria de Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 2 2 votos, DAR provimento em relação ao item 2 do TVF (IRPJ e CSLL do ano calendário 1999), vencida a relatora e a Conselheira Viviane Vidal Wagner. . (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Roberto Armond Ferreira da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Os autos retornaram de diligência solicitada pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Resolução nº 10700.636, de fls. 305/310). Por economia processual, utilizome do relatório do acórdão que determinou a diligência, para esclarecer do que trata a questão. Trata o presente processo de pedido de compensação de débitos de IRPJ e de CSLL, anocalendário 1997, com créditos decorrentes de saldo negativo apurado por empresa incorporada pela Recorrente, anocalendário 1995. De acordo com o relatório da DRJ recorrida e as razões recursais do particular, os fatos envolvidos com o presente processo são os seguintes: 1) ao final do anobase de 1989, vigente ainda a correção monetária de balanço, a empresa Bradesco Turismo S/A Administração e Serviços (posteriormente incorporada pela Recorrente) apurara saldo devedor de correção monetária, deduzindo seu valor no cômputo dos tributos então devidos; 2) em meados de 1994, acreditando ter realizado dita dedução a menor, eis que a correção monetária fora calculada por índices que supostamente não refletiram a inflação real do período, o contribuinte (na época ainda Bradesco Turismo S/A) ingressou com ação ordinária e medida cautelar incidental visando a restituição do IRPJ e da CSLL supostamente recolhidos a maior (discussão do que se convencionou chamar de "expurgos do Plano Verão"); 3) em referida medida judicial a empresa obteve autorização liminar para compensar os valores supostamente recolhidos a maior, tendo então utilizado seu crédito subjudice para quitar valores devidos a titulo de antecipação de IRPJ e CSLL do ano de 1995; 4) no encerramento do ano de 1995 a empresa apurou saldo negativo — ou seja, o total devido no ajuste final do exercício era inferior aquilo que fora antecipado durante o período, seja via compensações autorizadas judicialmente, seja via recolhimento via DARF's; 5) o crédito relativo a esse saldo negativo apurado em 1995 veio a ser compensado com antecipações de IRPJ e de CSLL devidas pela mesma empresa em 1997; 6) no inicio de 1999 (fls. 121/139), o particular veio desistir das ações em que discutia os índices de correção monetária de 1989, valendose da anistia concedida pelo art. 17 da Lei 9.779/99 para recolher o que originariamente havia compensado com base em autorização judicial (antecipações de 1995); 7) em 2000 (fls. 172/174), a SRF responsável pela análise das compensações realizadas em 1997 (item 5 supra) solicitou diligências a fim de apurar a fidelidade do crédito, tendo então a autoridade designada concluído (fl. 175/178 e 191/193) que, haja vista a desistência da medida judicial, o direito creditório do particular correspondia apenas à parcela do saldo negativo de 1995 correspondente aos DARFs recolhidos (i.e., excluindo da Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 4 4 composição do crédito aquilo que originariamente se compensara com autorização judicial e oportunamente fora objeto de pagamento nos moldes da anistia da Lei 9.779/99); 8) paralelamente, foram lavrados os autos de infração 18471.001926/200210 e 18471.001927/200256, nos quais estão lançados os créditos tributários relativos àquelas antecipações de 1995 inicialmente compensadas com autorização judicial (item 3 retro); 9) no presente processo, seguiuse então a manifestação de fls. 208/210, de 30/09/2003, onde a Recorrente solicitou o julgamento em conjunto dos três procedimentos administrativos, haja vista a similitude dos fatos que os originaram. Juntouse, na oportunidade, as impugnações apresentadas aos Autos referidos (fls.215/234). Em 30/09/2004, a 8a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro julgou os 3 processos, tendo considerado afastado as razões de inconformidade do Recorrente no presente processo, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Anocalendário: 1995, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS — Comprovada a compensação indevida de tributos, por inexistência dos créditos tributários correspondentes, apurados incorretamente em período anterior, é de se manter o lançamento efetuado. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — Incomprovado o direito creditório pleiteado, indeferese a solicitação do contribuinte. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL Anocalendário: 1995, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE TRIBUTOS — Comprovada Apresenta a compensação indevida de tributos, por inexistência dos créditos tributários correspondentes, apurados incorretamente em período anterior, é de se manter o lançamento efetuado. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — lncomprovado o direito creditório pleiteado, indeferese a solicitação do contribuinte. Solicitação indeferida. Inconformada com a decisão supra, em 23/12/2004 a recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário dirigido a este Colegiado, reiterando suas razões de defesa já levantadas na impugnação, mormente no que se refere à impossibilidade de se excluir do cômputo do saldo negativo havido em 1995 as antecipações originalmente realizadas via compensação com base em autorização judicial e oportunamente substituídas por pagamentos fundados na anistia da Lei no 9.779/99. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 5 5 No voto do acórdão que determinou a diligência, o Conselheiro relator justificou que o processo ainda não tinha condições para o julgamento, pois (i) a solução do litígio neste processo está intimamente ligada à solução do litígio instaurado em dois outros processos que se encontravam em andamento (Processos Administrativos nºs. 18471.001926/220210 e 18471.001927/200256) e (ii) é fundamental que se verifique se o recolhimento que a recorrente diz ter feito com base na anistia da Lei 9.779/99, que indiretamente teria gerado o direito creditório controvertido, teria efetivamente liquidado o crédito tributário da União. Assim, decidiu aquela Câmara pela conversão do julgamento em diligência (Resolução nº 10700.636) para: Intimar a recorrente para que apresente a memória de cálculo do tributo recolhido com base na anistia concedida pela Lei 9.779/99, mostrando a suficiência do valor recolhido; Intimar a recorrente para que demonstre as compensações que realizou, a origem do direito creditório utilizado, os DARFs de recolhimentos, bem como o saldo negativo apurado; Requerer à autoridade administrativa encarregada da execução desta diligência para que fale sobre os documentos e demonstrativos preparado pela recorrente, especialmente sobre a suficiência do pagamento feito com base na anistia e o direito creditório postulado; Determinar a remessa a este Colegiado, para julgamento conjunto, dos Processos 18471.001927/200256 e 18471.001926/200210; e Concluída a diligência, dar ciência à recorrente para que, querendo, fale acerca de seu conteúdo. Intimado, o contribuinte apresentou os documentos solicitados às fls. 350/493. A fiscalização apresentou relatório de diligência às fls. 495/498, cujas conclusões abaixo reproduzimos: “Em cumprimento a essa determinação, informamos: 1) Intime a recorrente para que apresente a memória de cálculo do tributo recolhido com base na anistia concedida pela Lei n° 9.779199, mostrando a suficiência do valor recolhido. A recorrente foi intimada em 07/04/2009 (fls. 322 e 323) dos termos desta diligência, recebendo cópia da Resolução n° 107 00636. Apresentou os documentos e demonstrativos de fls. 350 a 493. A memória de cálculo apresentada, a respeito do tributo recolhido com base na anistia concedida pela Lei n° 9.779/99, encontrase As fls. 361 e 362; 2) Intime a recorrente para que demonstre as compensações que realizou, a origem do direito creditório utilizado, os DARFs de recolhimentos, bem como, o saldo negativo apurado. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 6 6 A origem do direito creditório, demonstrativo das compensações realizadas e o saldo negativo apurado pela recorrente encontramse as fls. 378 a 380, os Darf de recolhimentos às fls. 382 a 388 e os Darf dos pagamentos efetuados com a anistia As fls. 364 a 376; 3) Requeira à autoridade administrativa encarregada da execução desta diligencia para que fale sobre os documentos e demonstrativos preparados pela recorrente, especialmente sobre a suficiência do pagamento feito com base na anistia e o direito creditório postulado. Observamos, inicialmente, que o contribuinte não tem direito aos benefícios da anistia concedida pelo art. 17 da Lei n° 9.779/99. A lei concedia tais benefícios ao contribuinte que houvesse sido exonerado do pagamento de tributo por decisão judicial proferida com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que tivesse sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 0 contribuinte recorreu ao judiciário para questionar o índice de correção monetária de janeiro de 1989, determinado pelo art. 10 da Lei n° 7.730/89, conforme as petições de fls. 464 a 484 e 444 a 463. Por sua vez, a decisão judicial de que o contribuinte desistiu era a liminar obtida no Mandado de Segurança n° 95.03.0079594 (fl. 485). A concessão da liminar não foi fundamentada na inconstitucionalidade da Lei no 7.730/89. Porém, superada a questão do direito a anistia, se assim entender o Eg. Primeiro Conselho de Contribuintes, verificamos que os cálculos da recorrente nos demonstrativos de fls. 361 e 362, doc. n° 1 e 2, estão corretos. A Selic utilizada nos pagamentos com base no art. 17 da Lei n° 9.779/99 foi a correta, ou seja, 1,00% para o pagamento efetuado em 31/03/99, 4,33% para o pagamento efetuado em 30/04/99, 6,68% para o pagamento efetuado em 31/05/99, 8,70% para o pagamento efetuado em 30/06/99 e 10,37% para o pagamento efetuado em 31/07/99. Assim, verificamos que os pagamentos efetuados com base nos benefícios concedidos pelo art. 17 da Lei n° 9.779/99 são suficientes para quitar os débitos discriminados no doc. n° 1 (fl. 361). No entanto, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 1995 disponíveis para a compensação de estimativas no anocalendário de 1996, discriminados pelo recorrente no seu doc. no 15 (fl. 378), devem ser revistos, em vista de que os valores pagos com os beneficios da anistia concedida pela Lei n° 9.779/99 estavam subjudice por ocasião da compensação de débitos de estimativa do anocalendário de 1996 e, portanto, não eram líquidos e certos. Os valores dos créditos demonstrados pelo contribuinte A fl. 378, devem ser revistos da seguinte forma: Cálculo do saldo negativo de IRPJ de 1995 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 7 7 DISCRIMINAÇÃO VALOR IRPJ devido 164.944,78 Vale transporte () 4.041,90 IR retido na fonte () 1.363.078,10 IR pago por estimativa () 948.360,70 IRPJ A PAGAR 2.150.535,92 Demonstração do crédito final de IRPJ DISCRIMINAÇÃO VALOR Saldo negativo do período 2.150.535,92 Valor aproveitado na DIP) incorporação () 17.742,47 CRÉDITO FINAL 2.132.793,45 Cálculo do saldo negativo de CSLL de 1995 DISCRIMINAÇÃO VALOR CSLL devida 0,00 CSLL paga por estimativa () 342.141,25 CSLL A PAGAR 342.141,25 Demonstração do crédito final de CSLL DISCRIMINAÇÃO VALOR Saldo negativo do período 342.141,25 Valor aproveitado na DIP) incorporação () 5.902,44 CRÉDITO FINAL 336.238,81 (...) 5) Concluída a diligência, dê ciência à recorrente para que esta, querendo, fale acerca de seu conteúdo. Para atendimento dos itens 4 e 5 acima, propomos encaminhar este despacho para ciência do contribuinte, com prazo para manifestação, e, após, encaminhar o presente para julgamento, em conjunto com os processos n° 18471.001927/200256 e n° 18471.001926/200210. Após o relatório da diligência, o contribuinte, devidamente intimado, manifestouse as fls. 503/510, alegando que, quanto ao item 3 da diligência, a fiscalização Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 8 8 “emitiu juízo de valor a propósito da validade da opção da requerente de se valer das reduções de penalidades e encargos legais previstas na Lei n. 9779/99”, porém, “a questão da possibilidade de inclusão dos débitos discutidos nestes autos na referida anistia não é objeto da diligência, pois não foi suscitada pela 7ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes. Ademais, afirma que tal questão não foi suscitada nos autos, razão pela qual estaria preclusa. De qualquer forma, rebateu o contribuinte a alegação da fiscalização, citando o § 1º, inciso III, do artigo 17 da Lei nº 9.779//99, complementada pelo artigo 1º da IN SRF nº 26/99. Além de tais alegações, o contribuinte teceu considerações acerca dos pagamentos efetuados com base na Lei nº 9.779/99, que compôs o saldo negativo do ano calendário de 1995, utilizado na compensação de débito do anocalendário de 1996. O processo foi então distribuído para a 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, para julgamento em conjunto com os processos nº 18471.001927/200256 e n° 18471.001926/200210. Entretanto, conforme Despacho do relator, de fls. 526/529, o crédito relativo ao processo nº 18471.001927/200256 suplanta o limite de alçada daquele colegiado, razão pela qual, foi novamente distribuído, sendo remetido a esta 4ª Câmara. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 9 9 Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O presente julgamento envolve a análise em conjunto dos seguintes processos: Processo nº 1370.001311/9863: pedido de compensação de débitos de IRPJ e de CSLL, anobase 1997, com créditos decorrentes de saldo negativo apurado por empresa incorporada pela Recorrente, anobase 1995. Processo n° 18471.001927/200256: Auto de Infração que compreende os seguintes lançamentos de ofício: a) Auto de Infração do IRPJ: anocalendário 1997 (compensação indevida) e 1999 (glosa de despesas e adições não computadas) b) Auto de Infração da CSLL, anocalendário 1999 (glosa de despesas). Processo n° 18471.001926/200210: Auto de Infração de CSLL, decorrente de compensação indevida do anocalendário 1997. Verificase que no Processo Administrativo nº 18471.001927/200256, o auto de infração traz item estranho à questão da compensação, qual seja, IRPJ e CSLL incidentes sobre excesso na avaliação de investimento, relativos ao anocalendário de 1999, o qual também é objeto de Recurso Voluntário e será por último analisado. Passamos a analisar, primeiramente, o crédito informado no Processo Administrativo nº 1370.001311/9863. Inicialmente, o contribuinte havia informado os seguintes valores: R$ 3.204.188,16 (IRPJ) e R$ 455.776,14 (CSLL), relativos a saldo negativo do anocalendário de 1995. No entanto, na análise da compensação pleiteada, a fiscalização entendeu que o crédito a compensar seria, em verdade, R$ 2.586.865,16 (IRPJ) e R$ 407.824,05 (CSLL), sendo tais valores reconhecidos por meio de Parecer de fls. 90/94, conforme demonstração efetuada no Termo de Constatação Fiscal de fls. 175/179. Cumpre esclarecer, que o montante não reconhecido referese a “antecipações realizadas com créditos do Plano Verão – pagas em dinheiro posteriormente”, em relação aos quais “a fiscalizada não poderia compensar débitos utilizandose de matéria sub judice”. Ainda, esclareço que os referidos créditos foram utilizados para pagamento de débitos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 1997. Entretanto, tendo em vista o indeferimento de parcela do crédito relativo ao anocalendário de 1995, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (Processo nº 18471.001927/200256) e de CSLL (Processo nº 18471.001926/200210), decorrentes de compensação indevida. Desta forma, devese analisar se tem o contribuinte direito creditório relativo ao saldo negativo do anocalendário de 1995. Se este direito for reconhecido, a compensação Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 10 10 deve ser deferida e, consequentemente, o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL para cobrança de débitos do contribuinte do anocalendário de 1997 deve ser julgado improcedente. Com relação ao Processo nº 1370.001311/9863, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o indeferimento da compensação. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Em suma, as alegações do contribuinte se consubstanciam no seguinte: (i) Em meados de 1994, o contribuinte ingressou com ação ordinária e medida cautelar incidental visando a restituição do IRPJ e da CSLL supostamente recolhidos a maior (discussão do que se convencionou chamar de "expurgos do Plano Verão"). (ii) Na referida medida judicial a empresa obteve autorização liminar para compensar os valores supostamente recolhidos a maior, tendo então utilizado seu crédito subjudice para quitar valores devidos a titulo de antecipação de IRPJ e CSLL do ano de 1995. (iii) No encerramento do ano de 1995 a empresa apurou saldo negativo — ou seja, o total devido no ajuste final do exercício era inferior aquilo que fora antecipado durante o período, seja via compensações autorizadas judicialmente, seja via recolhimento por DARF's. (iv) O crédito relativo a esse saldo negativo apurado em 1995 veio a ser compensado com antecipações de IRPJ e de CSLL devidas pela mesma empresa em 1997; (v) No inicio de 1999, desistiu das ações em que discutia os índices de correção monetária de 1989, valendose da anistia concedida pelo art. 17 da Lei 9.779/99 para recolher o que originariamente havia compensado com base em autorização judicial (antecipações de 1995). É em razão da desistência dessa ação judicial que a Receita Federal excluiu da composição o crédito que originariamente se compensara com autorização judicial e oportunamente fora objeto de pagamento nos moldes da anistia da Lei 9.779/99. Segundo o contribuinte, tal alegação só seria válida se a Recorrente não tivesse efetuado o recolhimento dentro das condições estabelecidas pela Lei 9.779/99. Diante de tais recolhimentos, não se modifica a situação da Recorrente e, consequentemente, o saldo negativo apurado em 1995. Na diligência solicitada pela então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte (Resolução nº 10700.636), buscouse verificar a suficiência do valor recolhido nos moldes da Lei 9.779/99, demonstrandose o saldo efetivo em 1995. Foram juntados a memória de cálculo de fls, 361/362 e o saldo negativo apurado pela recorrente às fls. 378/380. Sobre os documentos juntados, alega a fiscalização: Observamos, inicialmente, que o contribuinte não tem direito aos benefícios da anistia concedida pelo art. 17 da Lei n° 9.779/99. A lei concedia tais benefícios ao contribuinte que houvesse sido exonerado do pagamento de tributo por decisão judicial proferida com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que tivesse sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O contribuinte recorreu ao judiciário para questionar o índice de correção monetária de janeiro de 1989, determinado Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 11 11 pelo art. 10 da Lei n° 7.730/89, conforme as petições de fls. 464 a 484 e 444 a 463. Por sua vez, a decisão judicial de que o contribuinte desistiu era a liminar obtida no Mandado de Segurança n° 95.03.0079594 (fl. 485). A concessão da liminar não foi fundamentada na inconstitucionalidade da Lei nº 7.730/89. O argumento da fiscalização é no sentido de que o contribuinte não faria jus à anistia prevista no artigo 17 da Lei nº 9.779/99: Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. No entanto, tem razão o contribuinte quando, referindose ao § 1º, inciso III do artigo 17 da referida lei, afirma que o disposto no caput restou estendido a todos os “processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União”. Ainda, o inciso II do § 1º, dispõe que o benefício estendese a “contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento (...)”. Em razão da extensão concedida no § 1º do artigo 17, entendo que o contribuinte se enquadra na anistia da Lei nº 9.779/99. De mais a mais, esta inclusão não é objeto da presente, porque não contestada em veículo próprio, razão pela qual não é de ser aceita a inovação fiscal tentada em diligência. Ainda, se a compensação efetuada na vigência de liminar foi à época válida, pois determinada pelo Poder Judiciário, de se verificar apenas se os pagamentos efetivamente substituíram as compensações no anocalendário de 1995. O pedido de compensação foi efetuado em 1998 (fls. 01), sendo que a liminar foi cassada somente em 25.06.1999. Em relação aos cálculos, verificase a conclusão da diligência: (...) verificamos que os cálculos da recorrente nos demonstrativos de fls. 361 e 362, doc. n° 1 e 2, estão corretos. A Selic utilizada nos pagamentos com base no art. 17 da Lei n° 9.779/99 foi a correta, ou seja, 1,00% para o pagamento efetuado em 31/03/99, 4,33% para o pagamento efetuado em 30/04/99, 6,68% para o pagamento efetuado em 31/05/99, 8,70% para o pagamento efetuado em 30/06/99 e 10,37% para o pagamento efetuado em 31/07/99. Assim, verificamos que os pagamentos efetuados com base nos benefícios concedidos pelo art. 17 da Lei n° 9.779/99 são suficientes para quitar os débitos discriminados no doc. n° 1 (fl. 361). Fl. 11DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 12 12 No entanto, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 1995 disponíveis para a compensação de estimativas no anocalendário de 1996, discriminados pelo recorrente no seu doc. no 15 (fl. 378), devem ser revistos, em vista de que os valores pagos com os benefícios da anistia concedida pela Lei n° 9.779/99 estavam subjudice por ocasião da compensação de débitos de estimativa do anocalendário de 1996 e, portanto, não eram líquidos e certos. A fiscalização entendeu que o valor das antecipações mensais corresponderia aos valores de R$ 948.360,70, ao invés de R$ 2.019.755,41 para o IRPJ; e de R$ 342.141,25, ao invés de R$ 461.678,58 para a CSLL. Quanto a esta questão, adoto o entendimento já exarado no acórdão que determinou a diligência, no sentido de que “as compensações feitas, desde que confirmadas, equivalem a pagamento de tributos e, portanto, se utilizadas para a quitação da antecipação de tributos compõem, efetivamente, o montante do saldo negativo”. Assim, uma vez que o contribuinte efetuou as compensações com base em autorização judicial e, posteriormente, os substituiu por pagamentos, com base na Lei nº 9.779/99; e afastado o argumento de que o contribuinte não poderia considerar os valores objeto de pagamento por meio da Lei nº 9.779/99; e, ainda que a fiscalização, na realização da diligência, não contesta matematicamente os cálculos efetuados pelo contribuinte, mas tão somente os exclui por não concordar com a imputação dos pagamentos, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte quanto à compensação efetuada nos autos do processo administrativo nº 1370.001311/9863, homologando o crédito relativo ao saldo negativo do anocalendário de 1995, nos valores de R$ 3.204.188,16 (IRPJ) e R$ 455.776,14 (CSLL), conforme demonstrativos de fls. 378. Retornando as premissas do início do presente voto, uma vez reconhecido o saldo negativo referente ao anocalendário de 1995, deve ser considerado extinto, ao menos no limite do crédito acima reconhecido, os débitos de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 1997, constituídos via lançamento de ofício, respectivamente, nos autos dos Processos Administrativos nºs. 18471.001927/200256 e 18471.001926/200210. No tocante ao processo administrativo nº 18471.001926/200210, o Auto de Infração contém apenas um único item, justamente o lançamento de CSLL, em decorrência de compensação indevida. No entanto, haja vista que o crédito foi devidamente reconhecido nos autos do processo administrativo nº 1370.001311/9863, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário interposto no processo nº 18471.001926/200210. Quanto ao processo administrativo nº 18471.001927/200256, o auto de infração contém as seguintes infrações: IRPJ 001 – Despesas Operacionais e encargos não necessários – fato gerador em 31/12/1999 002 – Adições não computadas na apuração do Lucro Real – fato gerador em 31/12/1999 003 – Compensação Indevida – fato gerador em 31/03/1997 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 13 13 CSLL 001 – Falta de Recolhimento de CSLL fato gerador em 31/12/1999 Quanto ao item 001 do lançamento de IRPJ, verifico que não há Recurso Voluntário, sendo certo que o contribuinte já efetuou o recolhimento do valor, conforme afirma as fls. 679, não sendo, portanto, objeto de julgamento. Quanto ao item 003, este deve seguir a mesma sorte do julgamento dos processos administrativos nºs. 1370.001311/9863 e 18471.001927/200256, ou seja, reconhecido o crédito relativo ao saldo negativo do anocalendário de 1995, deve ser extinto os débito com ele compensado, qual seja, o IRPJ “compensação indevida” cujo fato gerador ocorreu em 31/03/1997. Ao item 2 do auto de infração de IRPJ (Adições não computadas na apuração do Lucro Real) corresponde também o lançamento reflexo de CSLL, os quais tratam de objeto distinto do que julgado até o presente momento. Esclareço que o referido item também é objeto de Recurso Voluntário pelo contribuinte, razão pela qual deve ser analisado. Quanto à infração em comento, o acórdão que determinou a diligência, assim o relata: “Além da irregularidade relativa à compensação indevida, foi constatada variação monetária passiva lançada a maior, implicando no enquadramento nos artigos 249, I, 251, 229 e 300 do RIR199. A autoridade fiscalizadora também considerou irregular uma avaliação de investimento feito pela interessada com utilização indevida do método de equivalência patrimonial, implicando em excesso na avaliação do investimento, tributado com base no artigo 249, do RIR199. Em decorrência da lavratura do auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi lavrado auto de infração referente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido sobre a parcela referente à variação monetária passiva lançada a maior, estando a base legal para este lançamento regularmente citada, fl. 432, e quanto aos acréscimos, fl. 434. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal, do qual tomou ciência em 30/08/2002, a Interessada apresenta a impugnação de fl. 438/462, aceitando a tributação em relação às variações monetárias passivas. (...) No que se refere ao excesso na avaliação de investimento, apresenta argumentos para demonstrar que o Fisco interpretou equivocadamente os fatos que envolvem a questão. Ressalta que, apesar disso, o cerne da querela pode se resumir na avaliação quanto à obrigatoriedade ou não da autuada fazer a avaliação do investimento em sua controlada pelo método da equivalência patrimonial. Essa obrigatoriedade estaria demonstrada em primeiro lugar pelo fato da participação envolver uma controlada. Quanto à relevância do investimento, admite que não está caracterizada. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 14 14 Entretanto, registra que a interessada é controlada indiretamente pelo Banco Bradesco que, sendo instituição financeira, deve avaliar seus investimentos em controladas pelo método da equivalência patrimonial, conforme Instrução CVM n° 247/96. Registra ainda que mesmo se não fosse obrigada a utilizar o método da equivalência patrimonial, ainda assim não teria ocorrido a suposta irregularidade, pois a jurisprudência do Conselho de Contribuintes entende que o fato em exame não caracteriza reavaliação espontânea. Em âmbito recursal a Recorrente abandona a alegação já com muito fundamento rechaçada pela Delegacia de Julgamento, no sentido de que o investimento poderia ser considerado relevante e sujeito à avaliação pelo Método de Equivalência Patrimonial – MEP. A questão então cingese em concluir se a utilização do MEP iimplica em reavaliação do investimento e consequente tributação, ou se se aplica a neutralidade tributária. Tem razão o Parecer Normativo 10778, quando afirma que o procedimento de utilização indevida do MEP na avaliação de investimento não relevante pode implicar em repercussões fiscais, podendo até induzir a erro no cálculo do valor contábil para aferir o ganho de capital, quando da alienação ou liquidação de investimentos. Nesse sentido, o Conselheiro José Carlos Passuello, em brilhante voto no Acórdão nº 10515.708, sessão de 24/5/2006, aponta para duas possíveis consequências do cômputo indevido da participação contábil: a) O primeiro efeito diz respeito à adição ao valor do investimento de parcela superior ao efetivo acréscimo patrimonial reflexivo dos ganhos da investida, cujos efeitos são meramente contábeis; e b) O segundo diz respeito a exclusão a maior do resultado do exercício relativo a valores excluídos do lucro líquido na apuração do lucro real, o que distorcerá a apuração do resultado contábil quando da venda ou baixa da participação societária, produzindo consequentemente distorção no resultado tributável. Em razão desses dois efeitos, conclui o conselheiro que a imputação de ganho não tributado (lucros ou dividendos) produzirá receita não tributável, mas terá como contrapartida elevação no custo da participação societária que, quando da baixa ou alienação do investimento, representará custo dedutível. Diante dessas considerações, necessário se verificar se o suposto cômputo indevido dá ensejo à exigência de IRPJ e CSLL no momento da apropriação indevida (acréscimo do ativo de investimentos), ou então no momento em que o investimento é realizado por baixa ou alienação. É certo que não houve como afirmou a Recorrente, uma reavaliação ou nova avaliação formalmente refletida em laudo de avaliação, porém também é certo que a empresa procedeu a aumentos de seu patrimônio líquido e ao registro contábil do investimento a valores superiores àqueles legalmente permitidos para efeito, de um lado, de atribuição de custo e, doutro lado, de exclusão do lucro líquido. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 15 15 A sistemática de registro pelo valor patrimonial dos investimentos relevantes em coligadas e controladas foi concebida para produzir efeitos neutros no tributo (IRPJ e/ou CSLL) e assim se comporta sempre que o ajuste anual é feito pelo valor exato da variação patrimonial da participação ou por valor inferior a ela, porquanto a limitação na admissão da exclusão se faz aos estritos valores correspondentes ao ajuste legalmente permitido. Nesse sentido, o voto proferido no Acórdão nº 10515.708: É de se repetir que estamos diante de procedimentos que acresceram cumulativamente e com repetição o valor do investimento, fato que a recorrente em nenhum momento atacou. Se isso é a realidade processual, o procedimento continuado e repetitivo de manutenção de valor apropriado em excesso no registro contábil do investimento representa verdadeira nova avaliação de seu valor com evidentes efeitos fiscais. E, os efeitos fiscais se refletem diretamente na formação do lucro real, já que o acréscimo de valor do investimento tem como contrapartida um resultado que, ao ser excluído na formação do lucro real o reduz em igual valor. E não há qualquer previsão legal para tal exclusão, a qual deve se limitar ao resultado adequadamente apurado, não a eventuais excessos. Assim, sendo continuado o efeito contábil, que se repete ano a ano pela manutenção do excesso na conta do ativo permanente que representa o investimento, entendo ser possível considerálo como sendo representativo de aumento decorrente de avaliação espontânea. A continuidade e repetitividade se apresenta apoiada em lógica pela simples razão de que até o momento da fiscalização, ocorrida quase cinco anos depois do primeiro período alcançado pela fiscalização, a empresa não adotou qualquer providência para a regularização dos valores questionados — ao menos não há notícia disso nos autos. No sentido das conclusões acima exaradas, verifico que a Recorrente não ajustou os valores apropriados em excesso espontaneamente (antes da fiscalização), do que decorrem os efeitos fiscais tributados pela autoridade fiscal, pelo uso indevido do Método de Equivalência Patrimonial. Esclareço, contudo, que meu voto caminhou no sentido de entender tributável a avaliação do investimento no momento da sua apropriação e não da sua baixa ou alienação. Isto porque, na necessária coerência que devo manter com outros julgados, apesar de relativos a outras matérias (a exemplo das discussões travadas no âmbito das compensações), posicioneime sempre no sentido de que a fiscalização não pode retroagir no tempo para rever o que já foi homologado, salvo se dentro do prazo decadencial e por veículo hábil. Se assim é, o valor que será tomado como custo na alienação ou baixa do investimento, a meu ver, não pode ser discutido se não revista a própria declaração em que o custo foi apropriado, exatamente como faz agora o lançamento de ofício. Noutro giro, para aqueles que entendem possível a avaliação dos lançamentos contábeis ou outros efeitos fiscais gerados em momentos anteriores, coerentemente filiase a outra corrente jurisprudencial existente quanto a esta matéria, amplamente divulgada pela Recorrente. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 16 16 Por todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, mantendo apenas o lançamento relativo ao item 2 do Auto de Infração (Adições não computadas na apuração do Lucro Real) do processo administrativo 18471.001927/200256 e o reflexo da CSLL. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Voto Vencedor A controvérsia que fundamenta a discordância do voto da ilustre Relatora é restrita ao momento da tributação da contrapartida dos resultados da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial realizado de maneira equivocada. Demonstrouse na análise do presente processo que a Recorrente não fazia jus à possibilidade de avaliar seu investimento em controlada pelo valor do Patrimônio Líquido por não ter o requisito da relevância. De início, insta revisar o conceito da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial, para, em virtude dos conceitos traçados, verificar se é possível a tributação do resultado credor oriundo do simples ajuste contábil do investimento. A metodologia de avaliação de investimentos pela equivalência patrimonial tem por escopo demonstrar, na sociedade investidora, a variação patrimonial da sociedade investida, seja ela em virtude de lucros, prejuízos ou qualquer outro acréscimo/decréscimo em contas do Patrimônio Líquido (aumento/diminuição do Capital Social, constituição/reversão de Reservas de Capital, Ajustes a Valor Presente, etc.). Dessa forma, as demonstrações financeiras de investidora e investida permanecem em sincronia, refletindo os investimentos na controlada/coligada a valor de patrimônio líquido da investida. É importante ressaltar que o reflexo contábil oriundo da aplicação do método de equivalência patrimonial independe do fato de a investidora suportar os prejuízos gerados pelas sociedades investidas e da efetiva distribuição dos lucros – ou seja: o lançamento a título de Resultado Positivo (ou Negativo) do Método de Equivalência Patrimonial não pressupõe qualquer providência societária acerca da absorção dos prejuízos pela investidora ou distribuição dos lucros gerados. Portanto, me parece claro que os Resultados Positivos de Equivalência Patrimonial são oriundos de técnicas contábeis cujo escopo é a mensuração dos ativos pelos valores de prováveis benefícios econômicos futuros deles provenientes. Esse raciocínio fica evidente quando verificamos que as alterações na Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A), promovidas pela Lei nº 11.638/07, têm por objeto fornecer ao usuário da contabilidade a posição patrimonial e financeira real da entidade. Em função desse pressuposto, a mensuração dos elementos das demonstrações contábeis (ativos e passivos) passaram a ser feitas não apenas levando em consideração o custo histórico, mas a seleção de uma base específica de mensuração no intuito de que a contabilidade forneça dados confiáveis e relevantes para seus usuários. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 17 17 Confirase, a esse respeito, o Pronunciamento Conceitual Básico: Estrutura conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis1 emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis Mensuração dos Elementos das Demonstrações Contábeis 99. Mensuração é o processo que consiste em determinar os valores pelos quais os elementos das demonstrações contábeis devem ser reconhecidos e apresentados no balanço patrimonial e na demonstração do resultado. Esse processo envolve a seleção de uma base específica de mensuração. 100. Diversas bases de mensuração são empregadas em diferentes graus e em variadas combinações nas demonstrações contábeis. Essas bases incluem o seguinte: (a) Custo histórico. Os ativos são registrados pelos valores pagos ou a serem pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquirilos na data da aquisição, podendo ou não ser atualizados pela variação na capacidade geral de compra da moeda. Os passivos são registrados pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em algumas circunstâncias (por exemplo, imposto de renda), pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações, podendo também, em certas circunstâncias, ser atualizados monetariamente. (b) Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data do balanço. Os passivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data do balanço. (c) Valor realizável (valor de realização ou de liquidação). Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa que poderiam ser obtidos pela venda numa forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos seus valores de liquidação, isto é, pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, que se espera seriam pagos para liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da entidade. (d) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado, do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da entidade. Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado, do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da entidade. 1 Correlação às Normas Internacionais de Contabilidade − “Estrutura para a Preparação e a Apresentação das Demonstrações Contábeis” (Framework for the Preparation and Presentation of Financial Statements) − (IASB) Fl. 17DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 18 18 101. A base de mensuração mais comumente adotada pelas entidades na preparação de suas demonstrações contábeis é o custo histórico. Ele é normalmente combinado com outras bases de avaliação. Por exemplo, os estoques são geralmente mantidos pelo menor valor entre o custo e o valor líquido de realização, os títulos e ações negociáveis podem em determinadas circunstâncias ser mantidos a valor de mercado e os passivos decorrentes de pensões são mantidos pelo valor presente de tais benefícios no futuro. Além disso, em algumas circunstâncias entidades usam a base de custo corrente como uma resposta à incapacidade do modelo contábil de custo histórico enfrentar os efeitos das mudanças de preços dos ativos não monetários. Em vista do exposto, verifico que as alterações na contabilidade vão no sentido convergente à antiga metodologia de avaliação dos ativos por equivalência patrimonial, tanto que os princípios dessa metodologia não foram alterados pelas novas regras. Destarte, o reconhecimento dos resultados da investida na investidora tratase apenas de um critério contábil de mensuração dos investimentos a fim de que a contabilidade reflita os valores daqueles ativos pelo seu valor realizável. Não se pode considerar esse reflexo contábil de ajustes dos investimentos como renda passível de incidência tributária, devendo permanecer fora do âmbito da tributação, sob pena de contrariar o fato gerador do imposto sobre a renda. Admitir que ajustes decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial sejam tributáveis contraria o próprio fato gerador dos tributos incidentes sobre a renda, pois o simples ajuste contábil não pressupõe a geração de renda ou proventos de qualquer natureza, e, mesmo na hipótese de consideramos a geração de renda, a tributação afrontaria o art. 43 do CTN uma vez que não haveria a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Corrobora com a conclusão citadas as palavras do Professor Humberto Ávila, em sua obra Conceito de Renda e Compensação de Prejuízos Fiscais, que com habitual brilhantismo destrincha o conceito constitucional de renda2: Com efeito, o Código Tributário Nacional determina que o imposto sobre a renda incidirá sobre a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Disponibilidade econômica significa sua efetiva percepção em dinheiro ou em outros valores. Disponibilidade jurídica significa o direito incondicional, atual e efetivo de aferir a renda e de sobre ela dispor livremente. Falase em disponibilidade jurídica sobre a renda quando o sujeito passivo adquire o direito incondicional de perceber a renda e de sobre ela dispor livremente, embora não a tenha recebido. Quando isso ocorrer, e ele efetivamente dispuser do rendimento, haverá disponibilidade econômica, qualificada justamente pela possibilidade de trocar livremente um direito no mercado. 2 ÁVILA, Humbero. Conceito de renda e compensação de prejuízos fiscais. 1ª ed. Malheiros Editores. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 19 19 O decisivo é que para existir disponibilidade jurídica não pode haver qualquer condição ou obstáculo ao efetivo ingresso da renda no patrimônio do contribuinte. Se o “poder disposição” sobre a renda depender do implemento de uma condição, não há disponibilidade jurídica, na medida em que a renda ainda não ingressou no patrimônio do contribuinte. E sem o ingresso no patrimônio não há fato gerador do imposto sobre a renda, pois – como decidiu o STF – “renda é sempre um ganhou ou acréscimo patrimonial”. Mas não basta apenas a existência do poder de dispor. Esse poder deve ser exercido. Daí a obrigatoriedade de que a disponibilidade jurídica seja atual. Não sendo assim chegarseia ao resultado esdrúxulo de tributar, a título de imposto sobre a renda na modalidade de ganho de capital, um contribuinte pelo simples fato de que ele poderia vender um imóvel de que é proprietário e que dói objeto de valorização imobiliária, embora nunca tenha efetivamente exercido esse poder. Foi exatamente nesse sentido que o Tribunal Pleno do STF decidiu quando julgou a inconstitucionalidade da Lei 7.713/1988. Na ocasião ficou decidido que o mero auferimento de lucros pela sociedade não implica automático auferimento de renda pelos sócios. A decisão analisou precisamente o significado de “disponibilidade jurídica, asseverando, para esse efeito, que a disponibilidade só existe se houver direito incondicional ao auferimento da renda. Assim o voto condutor da decisão, da lavra do Min, Marco Aurélio: “Ora, a ordem jurídica revelanos que a aquisição da disponibilidade, quer econômica ou jurídica, dos lucros líquidos das pessoas jurídicas não ocorre, quanto ao sóciocotista e aos acionistas, na data da apuração, ou seja, do encerramento do períodobase. É que a legislação vigente –Lei n. 6.404, de 15.12.1976 – afasta a automaticidade indispensável a que se possa cogitar da aquisição da disponibilidade”. Esse precedente do Tribunal Pleno do STF traz repercussões importantes a respeito do conceito de renda. Isso porque trata da tributação de uma pessoa (o sócio) pelo simples fato de que outra pessoa (a sociedade) auferiu lucros. É precisamente o caso dos autos: tributação de uma pessoa (sociedade controladora) pelo simples fato de que outra pessoa (sociedade controlada) auferiu lucros. Nesse caso, porém, o STF entendeu que não há fato gerador do imposto de renda pelo contribuinte pelo simples fato de que a empresa, da qual é sócio, auferiu lucro, na medida em que não existem nem disponibilidade econômica (efetiva disposição do dinheiro) nem jurídica (direito incondicional de dispor do dinheiro). Qualquer outra hipótese de cobrança de imposto sobre a renda que não importe acréscimo patrimonial efetivo, incondicional e atual conduz à tributação por mera ficção. Ocorre, porém, que o STF rechaçou a possibilidade de criação de ficções sobre o fato gerador do imposto sobre a renda. Isso não fica claro apenas no julgamento da constitucionalidade da Lei n. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 20 20 7.713/1988, como também no julgamento a seguir referido: “Convém esclarecer, de início, que a Lei n. 4.506 de 30.11.64, foi tirada a lume anteriormente ao Código Tributário Nacional, Lei n. 5.172, de 25.10.1966, com vigência a partir de 1.1.1967. Não obstante isso, não me parece possível a afirmativa no sentido de que possa existir renda ou provento sem que haja acréscimo patrimonial, acréscimo patrimonial que ocorre mediante o ingresso ou auferimento de algo, a título oneroso. Não me parece, pois, que poderia o legislador, anteriormente ao Código Tributário Nacional, diante do que expressamente dispunha o art. 15, IV, da CF/1946, estabelecer, como renda, uma ficção legal. Todas essas decisões demonstram, de modo inequívoco, a proibição de tributação, a título de imposto de renda, da mera expectativa de ingresso de valores no patrimônio do contribuinte. Não ocorre o fato gerador do imposto de renda sem o efetivo, atual e incondicional aumento patrimonial. Após essas considerações, podese conceituar a hipótese de incidência do imposto sobre a renda: produto líquido (receita menos as despesas necessárias à manutenção da fonte produtora ou da existência digna do contribuinte) calculado durante o período de um ano. (Sem destaques no original) Ao analisar o trecho da obra do ilustre autor, fulminase qualquer dúvida acerca da possibilidade de tributação de resultados positivos de equivalência patrimonial, pelo fato de não haver efetivo, atual e incondicional aumento patrimonial, vez que tratase apenas de representação contábil da mensuração do investimento. Ressaltase, neste ponto, o precedente do Pleno do STF (RE 172.0581) que afastou a tributação de caso bastante semelhante ao dos presentes autos – a possibilidade de tributação do investidor pelo simples fato de a empresa investida auferir lucros. Nesse caso, o STF rechaçou a tributação, declarando a inconstitucionalidade da Lei que instituía a “distribuição automática de lucros” para fins de tributação da renda, sob o argumento da inexistência da disponibilidade econômica (efetiva disposição do dinheiro) ou jurídica (direito incondicional de dispor do dinheiro) . Por esses argumentos entendo pela impossibilidade da tributação do resultado positivo de equivalência patrimonial. Caso a empresa realize o ajuste de seus investimentos em confronto com a legislação tributária – ou seja, utilize do método de equivalência patrimonial em desobediência dos requisitos impostos (ser controladora ou coligada da empresa investida) – o efeito do descumprimento surgiria na apuração do ganho de capital. Isso porque, quando houver alienação do investimento (fato que se subsume à hipótese de incidência do imposto de renda, vez que se trata de efetivo, atual e incondicional aumento patrimonial), o resultado tributável será apurado com base no custo de aquisição – regra do art. 425 do RIR/99, em detrimento da regra estabelecida no art. 426 do RIR/99. Assim, o contribuinte que utilizar da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial, em desrespeito aos seus requisitos, não usufruirá do Fl. 20DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 13710.001311/9863 Acórdão n.º 140100.619 S1C4T1 Fl. 21 21 benefício concedido pela legislação: a tributação, a título de ganho de capital, apenas dos valores que excederem o valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade. E, portanto, tributará o ganho em função do custo de aquisição. Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Redator designado. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007002/91-76
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL FATURAMENTO - DECORRÊNCIA - Tratando-se
de lançamento reflexivo, a decisão proferida no
processo matriz è aplicável no julgamento do processo
decorrente devido à relação de causa e efeito
que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.022
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DULCE SILVEIRA AMBIENTAÇOES LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a i ntegrar o pre- sente julgado, Sala '4111111111111y05ç,e julho de 1995 atitt 05 SANTOSNTOS PAIVA - PRESIDENTE / URS j"NSEN - RELATORA VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FA SESSA0 DE: ZENDA NACIONAL, 07 JUL 1995 Participaram, aifida, do preseni,e julo.amento, os seguintes Conseinei- ro: Waidevan Alves de Oliveira, José Clóvis Alves, Maria Clélia de Andrade Figueired, César Gomes ,da Silva e josé Carlos Passuel- lo, MTNISTERIO DA FAZENDA 2. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Na. 10380/007,002/91-78 RECURSO Ne2.,: 82,964 ACORDA° 102-30.022 RECORRENTE : DULCE SILVEIRA AMBIENTAÇOES LTDA E. 1,1 A. I. Q. R I Q. Versa o presente processo do Auto de Tnfração, fls. 02 e anexos, contra DULCE SILVEIRA AMBIENTAÇOES LTDA, CGC Nn 07,297682/0001-95, iurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, formalizando a exi gência de FINSOCTAL FATURAMENTO, relativa ao exercício de 1989, no valor de Cr$ 31.418,66 e correspon- dentes acréscimos legais. O lançamento, com base no Artigo parágrafo lo do Decreto Lei No 1:940/92 e artigos 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSO- CIAL, aprovado pelo Decreto No 92:693/86 e artigo 28 da Lei No 7:738/83, decorreu de procedimento de fiscalização em que foram a pura- das irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando in- sufuciência na determinação da base de cálcu l o da Contribuieão, e lan- çado Im posto de Renda - Pessoa Jur-Tdica, conforme demonstrado no Pro- cesso No 103801006,999/91-83, Inconformada com a exi gência fiscal, a contribuinte, apresentou em 14/10/91, sua impugnação de fls, 10, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de ia Instância, de número 285/92, foi profe- rida às fls. 36/38, e, em consonância com o decidido no processo ma- triz, o lançamento foi julgado procedente , MINISTERIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3. PROCESSO IqQ_ 10380/007,002/91-76 ACORDA() Na, 102-30.022 Ciente da decisão singular em 26/06/92 (fls. 41), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 28/07/92, reiterando, em suas Razões, anexadas às fia, 4 2 , os argumentos formulado na fase ím- pugnatória. O recurso foi lido na integra em Plenário. - E o relatórior i I .._. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4. PROCESSO NL5. 10380/007,002/91-76 ACORDAO N-51 102-30,022 VQIQ Conselheira Ursula Hansen, Relatora: Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorren- te da que foi apurada no processo matriz de Nn 10380/006:999/91-83. Considerando que o recurso referente ao ImPosto de Ren- da Pessoa jurídica, ao ser a preciado por esta Câmara em sessão reali- zada em 29 de janeiro de 1993, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão Nn 102-27,8,07; Considerando que, nas Razõe d 4: recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que firmasse o acerto da decisão proferida, e. Considerando o princípio adotado neste Conselho de Con- tribuintes, de que o decidido no Processo matriz constitue relação de causa 6 efeito que v i ncula um ao outort Voto no sentido de negar-se Provimento ao recurso: Brasília - DF, 05 de julho de 1995. U‘PSTIÉ7krííen - Relatora. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.008311/2004-10
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. "INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE CABOS DE INFORMÁTICA E TELEFONES." CONSTRUÇÃO CIVIL E SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE ENGENHEIRO OU ASSEMELHADOS. LC 123, de 14/12/06. Reza o § 1°, inciso XIII, do artigo 17, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, que as vedações do dispositivo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente à "construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de empreitada" ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação. Também nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo".
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.080
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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EXCLUSÃO. "INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE CABOS DE INFORMÁTICA E TELEFONES." CONSTRUÇÃO CIVIL E SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE ENGENHEIRO OU ASSEMELHADOS. LC 123, de 14/12/06. Reza o § 1°, inciso XIII, do artigo 17, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, que as vedações do dispositivo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente à "construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de empreitada" ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação. Também nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de 110 dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. /too • • • • e Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórdão n." 303-35.080 Fls. 275 . ' /A 4P1 ANELIS DAUDT PRIETO Presid nte TON IZ BARTOL Relator 111, Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Davi Machado Evangelista (Suplente). Ausente a Conselheira Nanci Gama. • 2 • • Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.080 Fls. 276 Relatório Trata-se de exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, baseada em Representação Administrativa, constante às fls. 03/05, que constatou, em diligência, situação de vedação/exclusão à opção Simples. Consta da Representação, em suma, que: (i) pelo exame do Contrato Social e suas Alterações, constatou-se que a empresa tem como objetivo social, desde a IV Alteração Contratual, registrada em 09/08/93 (fls. 14/16), atividade vedante à opção pelo Simples; • (ii) as Notas Fiscais de Serviços comprovam que a empresa desenvolveu atividades impeditivas à opção pelo Simples, tais como, obras de construção de redes de telefonia e serviços de manutenção de redes de telefonia. Acompanham a Representação, os documentos de fls. 07/72. Às fls. 133 consta o Ato Declaratório Executivo n° 16, de 14/06/2005, fundamentado em situação excludente, qual seja, execução de obra de construção civil e prestação de serviços profissionais de engenheiro ou assemelhados, com efeitos a partir de 01/01/2002. Inconformado com a exclusão, o contribuinte apresentou Impugnação às fls. 141/151, na qual alega, em suma, que: (i) a descrição da atividade econômica evidenciada não condiz com o que traz a L. 9.317/96, bem como a IN 355/03, em que a atividade econômica que desenquadra a Impugnante não tem referência no • capitulado artigo; (ii)a atividade empresarial de compra e venda de material telefônico e de informática, seus equipamentos e periféricos, manutenção de equipamentos de teelfonia e de informática, execução de rede telefônica, assessoria e representação comercial de produtos e telecomunicações, não é, pelo que se vê do contrato social e notas fiscais, condicionante de vedação e desenquadramento dos optantes pelo Simples e nada tem haver com prestação de serviços profissionais, cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida de engenheiro ou assemelhado; (iii) é o cúmulo confundir as atividades inerentes ao comércio, manutenção e instalação de cabiamentos de redes telefônicas e informática em estruturas já formadas em edificações, a qual é atividade profissional que não necessita de habilitação legalmente exigida com as atividades inerentes à engenharia ou assemelhados, as quais consubstanciam atividades profissionais legalmente regulamentadas; Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.080 Fls. 277 (iv) no caso, não se exerce atividade econômica que dependa de habilitação profissional legalmente exigida, nem mesmo se assemelha às atividades desenvolvidas por engenheiro; (v) a Lei 10.964/04 autorizou o enquadramento no regime simplcado, retroativamente à 1° de janeiro de 2004, e a atividade da Recorrente se enquadra na alínea V', ou seja, instalação e manutenção de cabos de informática, portanto, requer a nulidade do ato de exclusão e o reenquadramento no regime retroativamente a 10/01/02; (vi) o §2°, art. 4 0, da Lei n°10.964/04 autoriza que as empresas com as atividades econômicas ali relacionadas, que foram excluídas do Simples até 27/10/04, adquiram seu reenquadramento no regime; (vii) o art. 106, I "c", determina a retroatividade da lei mais favorável ao contribuinte e alcança não só penalidades de multa e juros, mas também qualquer descumprimento da legislação tributária; (viii) como em nenhum momento foi notificada da falta de aceite de seu pedido de enquadramento pela Receita Federal, é mais do que justo de de Direito declarar a existência da relação tributária no Simples, determinando a retificação de oficio do erro de fato ocorrido na entrega da DBE; (ix) a Impugnante entendeu que estava enquadrada no regime Simples, porém, a descrição da sua atividade econômica errônea, não poderá hoje, de forma retroativa, desenquadrá-la do regime simplificado; (x) como o contribuinte não recai em nenhuma das vedações do art. 9° da Lei n° 9.317/96, cabe declarar a existência da relação jurídica tributária da requerente com a União no Simples, de acordo com a atividade econômica efetivamente desempenhada. Diante do exposto, requer reconsideração de sua exclusão do Simples e cancelamento do ADE exarado. 1110 Anexos aos autos, documentos de fls. 152/246, dentre os quais, Contrato Social e Declaração de Imposto de Renda. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF), esta indeferiu a solicitação às fls. 248/252, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 Ementa: Exclusão do Simples — Serviço Auxiliar e Complementar da Construção Civil e Serviço Profissional de Engenheiro, ou Assemelhado — Atividades Vedadas. Serviços de instalação de rede telefônica, considerado com serviço auxiliar e complementar da Construção Civil, e a prestação de serviço . , . Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.080 Fls. 278 profissional de engenheiro, ou assemelhado, correspondem a atividades vedadas à opção pelo Simples. Efeitos da Exclusão A exclusão do Simples, surte efeito a partir de 1° de janeiro de 2002, pois a situação excludente ocorreu até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão foi efetuada a partir de 2002. Solicitação Indeferida." Ciente da decisão proferida à fl. 249/252, o contribuinte apresenta tempestivamente o Recurso Voluntário de fls. 261/271, no qual reitera os argumentos já apresentados e acrescenta que: a) a Lei 10.964/04 autoriza o enquadramento no regime Simples Federal, para as atividades econômicas exercidas pela empresa — • instalação e manutenção de cabos de informática e de telefones; b)foi cometido erro no preenchimento do documento de entrada do CNPJ, relativo a atividade econômica e código do CNAE-fiscal, pois as atividades desenvolvidas se restringem ao comércio, manutenção e instalação de cabeamentos de redes telefônicas e de informática em estruturas já formadas em edificaçães; c)o erro justificável baseia-se no disposto no ADI/SRF 16/02, pois foi demonstrada a intenção da empresa em aderir ao Simples, e a não objeção do fisco, não implicando em perda de arrecadação ao erário público, não sendo cabível portanto, o desenquadramento da empresa da opção; d) aguarda sanção o PLC 100/06 — "Supersimples", que permitirá o enquadramento dos contribuintes que exercem as atividades econômicas erroneamente atribuídas à empresa. 110 Diante das razões apresentadas, requer a nulidade e improcedência da decisão de primeira instância e de seus efeitos retroativos. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 06/11/2007, em um único volume, constando numeração até fl. 272, última e constam dois volumes. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. É o relatório. 5)è • , • . • Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.080 Fls. 279 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. Cinge-se a questão em exclusão de contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, baseado em Representação Administrativa, constante às fls. 03/05, que constatou situação de vedação/exclusão à opção Simples. A exclusão ocorreu por meio do Ato Declaratório Executivo n° 16, de 15/06/2005 (fls. 133), fundamentado em situação excludente, qual seja, execução de obra de • construção civil e prestação de serviços profissionais de engenheiro, com efeitos a partir de 01/01/2002. Assim, a controvérsia presente nos autos restringe-se à questão da atividade econômica exercida pelo contribuinte, se é, ou não, impeditiva para opção ao Simples. Diante disso, cumpre-nos analisar o objeto social da ora Recorrente, que afirma desempenhar as atividades de instalação e manutenção de cabos de informática e de telefones. Consta da Alteração do Contrato Social de fls. 29/33 (Cláusula Quarta), que o objetivo da sociedade é: " compra e venda de material telefônico, seus equipamentos e periféricos da área de informática, manutenção de equipamentos de telefonia, execução de rede telefônica e projetos assessoria e representação comercial de produtos e telecomunicações." E, segundo entendimento manifestado pela instância a quo, examinando-se os contratos e notas fiscais emitidas, verificou-se que a empresa realiza serviço auxiliar e complementar à construção civil (execução de redes telefônicas e projetos) e, "na pior das hipóteses realiza benfeitoria, uma melhoria da edificação. Além disso, entendeu que a Recorrente presta serviço profissional de "engenheiro" ou assemelhado ou outra profissão que dependa de habilitação profissional legalmente exigidaDesta forma, para o caso em questão, há que se observar, primeiramente, o que dispõe o art. 17, § 1°, XIII, da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, que a partir de 1° de julho de 2007, revogou l a Lei do Simples (Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996): "Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: 1 Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 89 — Ficam revogadas, a partir de 1° de julho de 2007, a Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei n°. 9.841, de 5 de outubro de 1999. 6 . . • Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórao n.° 303-35.080 Fls. 280 (. §1 0 As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exercem em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: (.) XIII — construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada; " (g.n) XIII, da dezembro de 1996. Outrossim, cumpre notar o que artigo 17, da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, que a partir de 10 de julho de 2007. revogou2 a Lei do Simples (Lei n°• 9.317, de 5 de dezembro de 1996): • "Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (..) sç .2 poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar. (Redação dada pela Lei Complementar n° 127, de 2007)." (g.n) Neste aspecto, importa esclarecer que, as atividades que o contribuinte afirma desempenhar, quanto àquelas constantes de seu contrato social e das notas fiscais constantes às fls. 56/63, não são vedadas pela Lei Complementar n°. 123/2006. Desta forma, analisando-se as atividades exercidas pela Recorrente entendo que as atividades exercidas pela Recorrente não se encontram dentre as impeditivas à opção pelo Simples, não sendo cabível sua exclusão em razão dos motivos aduzidos no ADE. No entanto, destaco que, mesmo que a Lei n° 9.317, de 05/12/1996, ainda estivesse em vigor, ao contrário da r. decisão recorrida, tenho o particular entendimento de que não há semelhança alguma entre a prestação de serviços de engenheiro ou técnico legalmente habilitado e as atividades exercidas pela Recorrente. No tocante à aplicação da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, ao presente caso, importa destacar, o que ela própria dispõe, em seu artigo 16, §40: "P° Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes 2 Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 89 — Ficam revogadas, a partir de 1° de julho de 2007, a Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei n°. 9.841, de 5 de outubro de 1999. 7 _ Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.080 Fls. 281 pelo regime tributário de que trata a Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar".(grifei) Note-se que a Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, dispôs que a opção pelo 'Simples Nacional' das ME (microempresas) e EPP (empresas de pequeno porte) será na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, para tratar dos aspectos tributário da Lei Geral do Simples. Com efeito, através da Resolução CGSN n°. 04, de 30/05/07, o mencionado Comitê Gestor, ao regulamentar a opção ao 'Simples Nacional', resolveu em seu artigo 18 que: "Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução." Pondero, neste ponto, que tal artigo, primeiramente, convalida a migração automática para o 'Simples Nacional', não havendo necessidade, neste sentido, de formalização expressa para a opção. Noutro aspecto, o dispositivo (in fine) ressalvou que só há migração automática caso não haja impedimento para tanto, mas advindos da nova lei. Entretanto, cumpre ainda notar o que dispõe o §1° da citada Resolução CGSN n°. 04, de 30/05/07, que diz respeito aos casos ainda não definitivamente julgados: "Art. 18. (.) §1 0 Para fins de opção tácita de que trata o caput, consideram-se regularmente optantes as ME e as EPP, inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°. 9.317/96, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva da esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto." Desta forma, o dispositivo em questão esclarece que também se consideram regularmente optantes aquelas empresas que se excluídas até 30/06/07, não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial, com relação ao recurso interposto. Por tudo isto, se conclui que a retroatividade está prevista na própria sistemática da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, e mesmo que assim não o fosse, o artigo 106, do Código Tributário Nacional (Lei n°. 5.172, de 25/10/1966) estipula que: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.) II — tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração;" • . .- • • Processo n° 10166.008311/2004-10 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.080 Fls. 282 E não se diga que não seria o caso da lei nova deixar de definir como 'infração', pois se a Lei n°. 9.317/96 discriminava atividades que vedavam a opção ao Simples, caso estas fossem exercidas por contribuinte optante, haveria, nesta hipótese, clara infração ao regime da Lei n°. .9.317/96. Portanto, se a lei nova não pune mais certo ato, que deixou de ser considerado como infração, também pelo artigo 106 do Código Tributário Nacional, ela retroage em beneficio do contribuinte, como no presente. No mais, não se pode deixar de considerar o estabelecido na Lei de Introdução ao Código Civil vigente (Lei n°. 4.657, de 04/09/1942), que dispõe em seu artigo 6° que: "Art. 6° A lei em vizor terá efeito imediato e zeral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada." Logo, tal qual prescreve a LICC, a chamada de 'lei de introdução às leis', uma • vez que dita princípios gerais sobre as normas de direito público e de direito privado (arts. 7° a 19), as normas têm efeito imediato e geral. Diante do exposto, uma vez que a atividade desenvolvida pela Recorrente não está dentre as eleitas pelo legislador como impeditiva de opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, conforme se comprova , bem como pelo disposto no artigo 17, §1°, inciso XIII e §2°, da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 2008 )2TON L BARTO? - Relator • 9
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Numero do processo: 19740.000688/2003-43
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998 PRELIMINAR. MPF. FALTA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO.
A prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal será controlada na internet, não sendo necessária a ciência pessoal da mesma. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITAS Ante a falta de documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos recursos que, posteriormente, foram remetidos pela Recorrente ao exterior e ocasionaram um passivo contábil, deve ser mantido o lançamento.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial de 05 (cinco) anos para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, em que o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o art. 173, inciso I, do
CTN.
Numero da decisão: 1102-000.401
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior (Relator) e a Conselheira Silvana Rescigno
Guerra Barreto que desqualificavam a multa e, nessa conformidade reconheciam a decadência do PIS e da COFINS em relação às competências de janeiro de 1998 a novembro de 1998, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: João Carlos de Lima Júnior
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MPF. FALTA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. A prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal será controlada na internet, não sendo necessária a ciência pessoal da mesma. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITAS Ante a falta de documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos recursos que, posteriormente, foram remetidos pela Recorrente ao exterior e ocasionaram um passivo contábil, deve ser mantido o lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO O prazo decadencial de 05 (cinco) anos para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação, em que o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 88 /2 00 3- 43 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 3 2 que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro João Carlos de Lima Junior (Relator) e a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto que desqualificavam a multa e, nessa conformidade reconheciam a decadência do PIS e da COFINS em relação às competências de janeiro de 1998 a novembro de 1998, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Carlos de Lima Júnior Relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, Silvana Rescigno Guerra Barreto, e Manoel Mota Fonseca. Relatório Tratase de autos de infração relacionados à omissão de receita, caracterizada pela manutenção de passivo fictício no anocalendário de 1998, que gerou crédito tributário de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL no valor total de R$ 17.176.379,28 (dezessete milhões, cento e setenta e seis mil, trezentos e setenta e nove reais e vinte e oito centavos), incluindo juros e multa de 150%. Conforme se constata dos autos, a autoridade fazendária verificou um montante elevado de remessas para o exterior via CC5, feitas pela contribuinte no ano calendário fiscalizado. Diante destas movimentações a fiscalização, por meio de intimação realizada em 01.09.2003, requereu a apresentação de um demonstrativo contendo os lançamentos utilizados para escriturar as remessas de recursos para o exterior, bem como requereu que a contribuinte informasse o propósito e a origem de duas remessas para a empresa “Fonte Overseas Bank Ltda”. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 4 3 Após, o Fisco intimou novamente a empresa (em 09.10.2003) a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos recursos e a motivação para todas as remessas identificadas no ano de 1998. Em sua resposta, após, reiterados pedidos de dilação de prazo, a fiscalizada alegou que não estava obrigada a demonstrar a documentação fora do exercício de 1998. Disse a contribuinte, in verbis (fls. 20): “3.1 – Documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos enviados e 3.2 – Documentação hábil e idônea que explique a motivação dos mesmos. Gostaríamos de esclarecer que, considerando tratarse de procedimento fiscal voltado a apurar a regularidade fiscal do contribuinte MFFC, dentro do exercício fiscal de 1998, a obrigação desta signatária se restringe ao fornecimento da documentação competente vinculada às operações realizadas no período fiscalizado.” Diante da iminente decadência, a fiscalização realizou sucessivas intimações (05/12/2003; 12/12/2003; 17/12/2003; 19/12/2003) para apresentação de diversos documentos a justificar a origem dos recursos enviados, bem como os lançamentos contábeis nas contas caixa e banco do livro Razão de 1998. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 503 a 512), a empresa autuada realizou diversas operações como “intermediadora” de recursos, por meio das quais enviou valores para o exterior como mutuante e angariou recursos, também provenientes do exterior, como mutuária. Tais valores entraram no país em um determinado momento que a empresa não quis identificar. Destaquese aqui o resumo das operações realizadas pela contribuinte, segundo o “Termo de Verificação Fiscal”: “(1) Em um primeiro momento, a fiscalizada, na posição de mutuária, realiza contratos de mútuo, com uma ou mais empresas (citadas anteriormente). A fiscalizada se desfaz de um investimento da empresa mutuante, disponibilizando dinheiro em caixa e assumindo um passivo com a mesma. Débito da contaCaixa/Banco Crédito da contaPassivoEmpresa X (2) Em um segundo momento, a fiscalizada, na posição de mutuante, remete recursos, captados no mútuo anterior, para o exterior. Débito da contaPassivoEmpresa Y Crédito da contaCaixa/Banco (3) Em terceiro momento, a empresa Y, através da fiscalizada, se desfaz de algum ativo (renda fixa ou variável), disponibilizando dinheiro em caixa e, ao mesmo tempo, quitando o mútuo. Débito da contaCaixa/Banco Crédito da contaPassivoEmpresa Y (4) Por fim, a fiscalizada quita o seu passivo com a empresa X. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 5 4 Débito da contaPassivoEmpresa X Crédito da contaCaixa Banco” A autoridade fiscal informou que recebeu contratos de prestação de serviços (fls. 120/132) firmados pela Recorrente nos quais lhe foi autorizado administrar recursos no mercado de renda fixa ou variável e valores mobiliários em geral pertencentes às seguintes empresas com sede no exterior: Fletwood Trust Company S/A, Consultora Internacional Dueville S/A, Oak Lane Trading Limited e Sandcastle Investiments Corporation. Contudo, além destes contratos, referidas empresas firmaram diversos contratos de mútuo com a Recorrente, ora como mutuantes, ora como mutuárias (fls. 315/402). A fiscalização ressaltou que quase todos os contratos apresentados pela empresa não continham testemunhas ou registro público. No mais, nos referidos documentos não foi possível identificar a assinatura dos representantes legais das partes, os quais sequer foram individualizados. Ressaltou, ainda, que os demais documentos apresentados (notas de corretagem, recibos, aviso de lançamento) não continham nenhum detalhe que merecesse destaque, salvo o fato de que quase todos estavam em nome da fiscalizada. Esta, por sua vez, quando intimada sobre o assunto, justificou afirmando que as empresas detentoras dos ativos não possuíam registro na Receita Federal e, portanto, não poderiam fazer tais aplicações em nome próprio. Para o auditor fiscal, inobstante os contratos de mútuo apresentados estarem devidamente escriturados, não restou comprovada por meio hábil e idôneo a origem dos recursos utilizados, o que permitiu a presunção legal de omissão de receitas operacionais, em decorrência de passivo não comprovado. Assim, utilizandose como base de cálculo (fls. 511) as remessas realizadas ao exterior no ano calendário de 1998 cujos ingressos tiveram origem não comprovada, a fiscalização calculou o tributo que entendeu devido e sobre esses valores aplicou os juros e a multa qualificada de 150%, por entender que houve dolo tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador (art. 71 da Lei 4.502/64). O contribuinte, por sua vez, apresentou impugnação na qual pleiteou em preliminar a nulidade do auto por ausência de mandado de procedimento fiscal vigente no momento da lavratura do auto de infração, bem como em razão do procedimento adotado pela fiscalização que, diante da iminente decadência, baseouse em presunções não estipuladas em lei, sem sequer analisar cuidadosamente os diversos documentos e as complexas transações realizadas pelo contribuinte. Ademais, pleiteou a decadência de parte do crédito, cujo fato gerador ocorreu antes de 31.12.1998, nos termos definidos no artigo 150 do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, alegou que não houve omissão de receita e para tanto, explicou que a empresa pertence a um grupo financeiro que, no início da década de noventa, foi um dos operadores líderes da carteira de títulos e valores mobiliários, mantidos por residentes ou domiciliados no exterior, por meio dos quais estrangeiros adquiriram participações em companhias nacionais. Porém, em virtude da legislação vigente à época, tais investimentos restringiramse a companhias abertas, razão pela qual a empresa passou a receber recursos externos, para, em nome próprio, mas por conta e ordem de terceiros, investir no mercado de valores mobiliários. Afirmou também que tais operações foram registradas na contabilidade da empresa e declaradas ao Fisco. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 6 5 Justificou que os envios para o exterior no ano de 1998 foram mais expressivos em virtude dos resultados auferidos com privatizações de diversas empresas estatais. As remessas foram enviadas por meio de contratos de mútuo, conforme já dito alhures. Por tudo isso, reiterou a inexistência de omissão de receita e ressaltou que a conclusão fiscal derivou de um trabalho superficial da fiscalização que, diante da iminente decadência, não analisou as complexas operações da empresa. Finalmente, contestou a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% afirmando que em nenhum momento houve comprovação, por parte do Fisco, de que a Recorrente agiu com dolo, fraude ou sonegação fiscal, capaz de autorizar a aplicação da multa qualificada, de modo que o gravame se mostrou totalmente descabido. A Delegacia de Julgamento da Receita (DRJ) do Rio de Janeiro confirmou in tontum o lançamento fiscal, afastando a preliminar de nulidade, sob o argumento de que o contribuinte não precisa ser cientificado da prorrogação do mandado de procedimento fiscal, haja vista que referidas alterações são disponibilizadas na internet. Da mesma forma, não acolheu a outra nulidade de falta de previsão legal do lançamento perpetrado, sob o fundamento de que a infração foi devidamente tipificada, de modo que a descrição legal se mostrou em perfeita consonância com o tipo legal. Afastou também a decadência, sob o fundamento de que o passivo fictício, por estar relacionado a saldo existente no Balanço Patrimonial, só pode ter como fato gerador o dia 31.12.1998 (data do levantamento do balanço patrimonial), de modo que entre o fato gerador e a ciência do auto (26.12.2003) não se passaram mais de cinco anos. No mérito, a DRJ entendeu correta a autuação fiscal afirmando que os fatos existentes nos autos comprovam que: “o interessado lançou mão de recursos não – declarados, maquiados por uma série de contratos de mútuos”. (...) Reunindo assim a autuação veementes e convergentes indícios de que, sendo irreais os passivos, os recursos aplicados se originaram, ao final, do próprio interessado, titular dos documentos de créditos que compõem a base tributável, discriminada às fls. 513/515, voto pela procedência dos lançamentos impugnados.” Ressaltou por fim, que em relação ao mérito a Relatora Dra. Maria de Lourdes Marques Dias foi voto vencido, por entender que no presente caso não houve subsunção do fato descrito pela fiscalização (não comprovação de remessas) às hipóteses de presunção legal de omissão de receitas prevista no artigo 228 do RIR /1994, de modo que o lançamento deveria ser cancelado. Diante disto, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual, basicamente reiterou suas preliminares e seus argumentos de defesa de mérito. Este E. Conselho, na sessão realizada no dia 27.07.2006, em voto proferido pelo Douto Conselheiro Caio Marcos Cândido e diante das provas apresentadas pelo patrono da Contribuinte em plenário, houve por bem converter o julgamento em diligência, para que esta pudesse verificar a força probandi dos documentos juntados (fls. 794 a 898 e 901 a 943). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 7 6 Em resposta ao solicitado, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras – RJ lavrou termo de diligência fiscal (fls. 1488/1501), ocasião em que analisou toda a documentação e argumentos do contribuinte quanto aos recursos oriundos das empresas Sandcastle Investments Corporation, Oak Lane Trading Limited, Consultoria Internacional Dueville e Fletwood Trust Company. Nesta ocasião, concluiu o Sr. Fiscal, em linhas gerais, (i) que não restou comprovado que os valores depositados na conta da Recorrente são oriundos de remessas enviadas por seus clientes, eis que os depósitos efetuados não continham a identificação de quem os depositou; (ii) que não houve comprovação de que as ações negociadas pela Recorrente no mercado de balcão estivessem em seu nome, já que as empresas estrangeiras, proprietárias dos recursos, não podiam negociar ativos perante a bolsa por falta de CNPJ (tal prova poderia ser feita através de extratos emitidos pelas instituições financeiras custodiantes e cópia dos livros de ações das companhias investidas) e (iii) que não tem valor probatório relevante o controle extracontábil de transferência de cotas de participação em fundos de investimento registradas pelo próprio administrador dos fundos. Destaquese a conclusão final da diligência (fls. 1499/1500): “(...) Desta forma, este trabalho procurou fazer uma análise individual para cada uma das empresas envolvidas, onde foram solicitados esclarecimentos, cópias de documentos e confrontação dos documentos constantes dos autos com seu original. Ao final de cada análise, foram feitas algumas considerações a respeito das solicitações e de suas respostas. No decorrer da presente diligência, à diligenciada foi proporcionado todo o prazo possível para que pudesse produzir provas que entendesse necessárias. Inobstante, o que se viu foram argumentos protelatórios baseados em lançamentos contábeis não lastreados em documentos hábeis e idôneos, bem como esclarecimentos que deixaram de ser prestados, ou por dificuldade em conseguilos, ou pela alegação de que alguns documentos estariam protegidos pelo sigilo bancário, ou por conveniência/estratégia. Seja como for, a diligenciada ao administrar recursos de terceiros em nome próprio deveria ter mantido um rigoroso controle sobre todos os documentos envolvidos. (...) Ressaltase que art. 264 do RIR/99 dispõe que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos e operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Além disso, o parágrafo 3° do referido artigo reza que os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devem ser conservados até que opere a decadência do direito da Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 8 7 Enfim, atendendo ao despacho de fls. 950, cabe ao Fisco se pronunciar acerca do relatório produzido pela firma Bendoraytes Aizenman & Cia (Auditores Independentes) (fls. 901 a 945). Da análise do mesmo, verificase tratarse de documento extremamente superficial, que se preocupou apenas com os aspectos contábeis, não focando na efetiva comprovação das operações. Tratase, ainda, de documento impreciso. Explicase: no curso da auditoria verificouse que a remessa feita no dia 05/01/96 pela Sandcastle Investments Corporations teria sido no valor de R$ 681.800,00 (fls. 1251) e não R$ 585.400,00 como informado pela Bendoraytes, Aizenman & Cia (fls. 918). Em última análise, pode ser visto com um bom resumo, útil para entender a linha de defesa adotada pela diligenciada. (...)” Após ser intimado sobre o termo de diligência, o contribuinte apresentou manifestação, onde aduziu em síntese que a diligência teria extrapolado o seu limite de atuação, pois segundo o seu entendimento, a diligência tinha como único escopo a análise da força probanti dos documentos juntados aos autos. Porém, durante a diligência o contribuinte foi intimado a apresentar novos documentos, novas provas e novas informações. Além disso, contestou a atuação do agente fiscal que adentrou em questões que não lhe diziam respeito, fazendo juízo de valor de conduta dos diretores da contribuinte. Ressaltou que a autoridade responsável pela diligência (a mesma que efetuou o lançamento) viciou o auto em sua origem, por inovar na diligência, ao considerar como receitas as saídas de recursos remetidos pela Recorrente a investidores estrangeiros, presumindo tal fato sem respaldo em previsão legal. Arrolou jurisprudência deste E. Conselho confirmando sua tese, bem como afirmou que apesar de discordar com o enfoque da diligência, esforçouse para atender as intimações, juntando documentos e prestando informações, mesmo aquelas que poderiam ser obtidas junto ao Banco Central. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. Por preencher os requisitos de admissibilidade admito o Recurso Voluntário. Em preliminar, alegou a Recorrente que o MPF que deu suporte à fiscalização tinha validade somente até 19/12/2003 (fls. 02) e, inobstante ter sido prorrogado eletronicamente (fls. 01), não lhe foi dado ciência formal da continuação dos trabalhos nas intimações que se seguiram, nos termos do exigido no artigo 13, § 2º da Portaria SRF n.º 3007/2001. Desta forma, afirmou que são nulos por vício procedimental todos os atos posteriores a 19/12/2003, inclusive a lavratura do presente auto de infração que se deu em 26/12/2003. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 9 8 A prorrogação dos MPF é tratada pelo artigo 13 da Portaria SRF n.º 3.007/2002, que assim dispõe: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § I° A prorrogação de que trata o capta farseá por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7°, inciso VIII. § 2° Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Inobstante o disposto no parágrafo 2°, que dispõe que o AFRF deve cientificar o contribuinte da prorrogação do MPF no momento do primeiro ato de ofício praticado, entendo que o descumprimento da referida norma não tem o condão de invalidar o procedimento fiscal e de tornar nulo o lançamento dele decorrente. O MPF é um instrumento de controle criado pela Secretaria da Receita Federal para possibilitar o acompanhamento das atividades dos Auditores Fiscais, permitindo também ao contribuinte consultar se está sendo fiscalizado por agente competente, o tributo que está sendo objeto de verificação, os períodos englobados e o prazo para realização do procedimento fiscal. No presente caso, conforme alegado pela própria Recorrente, o MPF foi prorrogado eletronicamente (fls. 01), de modo que estava válido na data da lavratura do auto. Além disso, independentemente do referido acompanhamento remoto, é certo que, conforme se denota dos autos, a Recorrente tinha ciência do conteúdo da fiscalização que estava em andamento e de todos os atos praticados pelo AFRF responsável, sendolhe permitido participar de forma ativa em todo o seu curso. Assim, inexiste qualquer prejuízo face à ausência da ciência pessoal da prorrogação. Neste mesmo sentido, assim já se manifestou este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA AC. 1999 a 2003 PRELIMINAR – MPF – FALTA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO – a regulamentação do Mandado de Procedimento Fiscal estabelece que a prorrogação dos mesmos será controlada na internet, não sendo necessária a ciência pessoal das mesmas. (...) (Recurso n.º 144.022, 1ª Câmara do 1º CC, Relator Caio Marcos Cândido, sessão de 27/04/2006) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 10 9 PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – PRORROGAÇÃO – VALIDADE – A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de nºs 1265/1999, 3007/2001 e 1.468/2003. (...) (Recurso n.º 153.705, 1ª Câmara do 1º CC, Relator Paulo Roberto Cortez, sessão de 19/04/2007) Nº Recurso 132782 Número do Processo 13982.001173/200170 Turma 1ª Turma Contribuinte COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE Tipo do Recurso Recurso Voluntário Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 05/12/2005 Relator(a) Marcos Vinícius Neder de Lima Nº Acórdão CSRF/0105.330 Tributo / Matéria IRPF ação fiscal omis. de rendimentos PF/PJ e Exterior Decisão Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator), Victor Luís de Salles Freire, José Henrique Longo e Mário Junqueira Franco Júnior que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. Ementa recurso "ex officio" – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos arts 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar nº 105/2001 Lei 9.311/96, art. 11, § 3º, nova redação dada pelo art. 1º da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n º 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. Recurso especial negado. Desta forma, estando o MPF válido na data da lavratura do auto de infração, bem como sendo o AFRF competente e não havendo qualquer ofensa ao exercício do direito de defesa da Recorrente, não há que se falar em nulidade da autuação, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 11 10 Passo então à análise das questões de mérito. Inicialmente, alegou a Recorrente estar decaído o direito creditório ora pleiteado eis que houve o transcurso de lapso temporal superior a 05(cinco) anos entre a ocorrência dos fatos geradores relacionados ao anocalendário de 1.998 e a lavratura do auto de infração em 26/12/2003, nos termos do artigo 150, §4º do CTN. Em razão da análise da decadência estar relacionada à existência ou não de dolo, fraude ou simulação, o que pode alterar a contagem do prazo e o respectivo dispositivo legal a ser aplicado, este ponto será analisado mais adiante, juntamente com a questão da multa aplicada. Alegou a Recorrente inexistir qualquer omissão de receitas, pois todos os valores apurados pelo fisco como passivo fictício eram na verdade recursos externos recebidos de terceiros, com os quais adquiria papéis, em nome próprio, mas por conta e ordem daqueles. Afirmou também que tais operações eram registradas de maneira rigorosa na contabilidade da empresa e declaradas ao Fisco. Conforme se denota dos autos, através de diligências efetuadas pela Autoridade Fiscal, foram apuradas diversas remessas de valores elevados para o exterior, via CC5, no ano de 1.998, bem como a existência de significativo passivo contábil. Instada a demonstrar a origem dos valores que foram remetidos ao exterior, a Recorrente alegou serem esses advindos da prestação de serviço de “intermediação” junto ao mercado de capitais. Isto porque, firmou contratos com empresas estrangeiras, proibidas legalmente à época de atuar no mercado de valores mobiliários, para, em nome próprio, mas por conta e ordem de terceiros, efetuar e gerir investimentos. Além disso, alegou e trouxe aos autos diversos contratos de mútuos com as mesmas empresas nos quais ora é mutuante e ora é mutuária. Entretanto, inobstante a existência dos referidos contratos de mútuo e de prestação de serviços, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer comprovante de transferência de cotas, ações ou investimentos; ordem de pagamento ou cheque emitido pelos investidores ou mutuantes aptos a comprovar que estes valores tiveram como origem a remessa de ativos ou dinheiro feita por terceiros. Ademais, nem mesmo os boletos de câmbio apensados aos autos fazem correlação entre os “investidores” e a Recorrente. Assim, temse apenas contratos firmados pelas partes sem qualquer vinculação aos valores repassados à Recorrente. Ademais, a própria fiscalização ressaltou que quase todos os contratos apresentados pela Recorrente não apresentavam testemunhas ou registro público, além de não ser possível identificar a assinatura dos representantes legais das partes. Importante ressaltar que as remessas ao exterior foram justificadas pela Recorrente como sendo liquidação de passivos contábeis originários de operações de mútuos, os quais foram inicialmente efetuados para que a Máxima Factoring efetuasse investimentos no mercado interno por conta e ordem das mutuantes. Destaquese aqui o resumo dos lançamentos contábeis constantes do “Termo de Verificação Fiscal”: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 12 11 “(1) Em um primeiro momento, a fiscalizada, na posição de mutuária, realiza contratos de mútuo, com uma ou mais empresas (citadas anteriormente). A fiscalizada se desfaz de um investimento da empresa mutuante, disponibilizando dinheiro em caixa e assumindo um passivo com a mesma. Débito da contaCaixa/Banco Crédito da contaPassivoEmpresa X (2) Em um segundo momento, a fiscalizada, na posição de mutuante, remete recursos, captados no mútuo anterior, para o exterior. Débito da contaPassivoEmpresa Y Crédito da contaCaixa/Banco (3) Em terceiro momento, a empresa Y, através da fiscalizada, se desfaz de algum ativo (renda fixa ou variável), disponibilizando dinheiro em caixa e, ao mesmo tempo, quitando o mútuo. Débito da contaCaixa/Banco Crédito da contaPassivoEmpresa Y (4) Por fim, a fiscalizada quita o seu passivo com a empresa X. Débito da contaPassivoEmpresa X Crédito da contaCaixa Banco” Entretanto, a contabilidade da Recorrente não espelha suas alegações de defesa. Os passivos fictícios utilizados pelo Fisco para a autuação referemse a transações efetuadas com as empresas Fletwood Trust Company S/A e Oak Lane Trading Limited. Conforme se depreende do livro Razão de 1998 (fls. 223/229 e 236/238), não existia em 31/12/97 nenhum passivo da Recorrente para com as empresas estrangeiras o saldo do passivo era zero. Assim, pela análise da contabilidade ficou claro que a entrada de recursos, mesmo que para gestão de investimentos, não pode ser comprovada, demonstrando que, pelo contrário, o passivo foi aumentado durante o ano através da liquidação de investimentos e reduzido através das remessas de recursos. Desta forma, como não foi comprovada a origem dos passivos, não há como aceitar a argumentação de que as remessas sejam oriundas de devolução dos valores recebidos para gestão de investimentos. Mesmo após a realização de nova diligência fiscal, conforme determinado por este E. Conselho, não restou comprovada através de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos que, posteriormente, foram remetidos pela Recorrente ao exterior para liquidação de um suposto passivo contábil. Ademais, não merece guarida a alegação da Recorrente de que o AFRF extrapolou seu dever ao exigirlhe novos documentos, novas provas e novas informações, que não aqueles apresentados em plenário. Isto porque, o processo administrativo fiscal deve estar respaldado no princípio da verdade material e, para que este objetivo seja alcançado, nada impede o AFRF de solicitar novos esclarecimentos acerca da questão em análise. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 13 12 Diante do exposto, voto no sentido de se manter o lançamento fiscal quanto à omissão de receitas. Insurgiuse a Recorrente contra a multa qualificada que lhe foi aplicada pelo Fisco no percentual de 150% com base na presunção legal de omissão de receitas prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizada pela manutenção em seu passivo de obrigação não comprovada. Para que seja aplicada a multa qualificada de 150% deve restar evidenciada nos autos alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, senão vejamos: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. " Como se vê, para que seja aplicada a multa qualificada de 150% é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução do ato fraudulento, não bastando meros indícios de sua conduta ilícita. No presente caso, em que pese a Recorrente tenha mantido passivo de origem não comprovada em sua escrituração fiscal, todas as informações necessárias à constituição do crédito tributário estavam registradas nos seus livros contábeis e fiscais, os quais puderam ser analisados pelo agente fiscal e serviram de base ao presente lançamento. Ademais, inexiste nos autos comprovação de que a Recorrente agiu dolosamente alterando ou ocultando informações com o intuito de impedir ou retardar a tributação e, ressaltese, o evidente intuito de fraude não deve ser presumido e sim provado. Ora, se o Fisco presumiu a existência da omissão de receitas é porque não tinha prova de sua real existência, vez que o significado da palavra presumir é justamente “Entender, baseandose em certas probabilidades” (Dicionário Aurélio). Uma coisa é oposta a outra, ou temse prova da omissão de receita e então a fraude também está provada, ou temse indício da omissão com a consequente inversão do Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 14 13 ônus da prova e, ante a ausência de prova do contribuinte, não se tem prova da omissão e então a fraude também não está provada. Outrossim, diferentemente da omissão de receita, a legislação não autoriza a presunção de fraude, que deve ser provada e não presumida. Neste sentido, vale transcrever entendimento manifestado por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 10311.865: “(...), para começo de abordagem, é sabido que indícios, data vênia, apenas, não são suficientes para demonstrar a ocorrência concreta de figuras como a simulação, a fraude, a sonegação. Indícios, autorizam, quando muito, a presunção, assim mesmo, não para os tipos supra referidos. Admitemse as presunções, assim mesmo, quando expressamente previstas em lei, para se concluir no sentido de que a lei a acolhe como base suficiente para o lançamento. (...) Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem. (....)” Pelo exposto, restou mais do que comprovado que o Fisco não logrou êxito em demonstrar que a Recorrente agiu com o intuito de dolo, fraude ou simulação, para retardar ou obstar que o Fisco tomasse ciência do fato gerador tributável, nos termos dos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, única hipótese capaz de autorizar a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, razão pela qual voto pela desqualificação da multa aplicada. Por conseguinte, afastada a comprovação de que a Recorrente agiu com dolo, fraude ou simulação passo a análise da questão da decadência, pois como passaremos a demonstrar essa tem repercussão direta em relação a contagem do prazo decadencial. É sabido que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o artigo 150, § 4º do CTN dispõe que o prazo decadencial de 05 (cinco) anos tem início com a ocorrência do fato gerador, nos seguintes termos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (grifei) Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 15 14 Com relação ao IRPJ e à CSLL não merece prosperar a alegação da Recorrente de que estaria decaído o direito do Fisco, pois em que pese ter optado à época pela apuração do lucro real anual, pagando mensalmente referidos tributos por estimativa, é certo que o fato gerador neste caso somente ocorreu em 31/12/1998, de modo que não há que se falar em decadência. Por outro lado, no que tange às contribuições reflexas de PIS e COFINS, as quais são apuradas mensalmente, verificase que houve decadência parcial. Desta forma, considerandose que a lavratura do presente auto de infração se deu em 26/12/2003, estão decaídos os tributos PIS e COFINS das competências de 01/1998 a 11/1998, eis que decorridos mais de 05(cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a constituição definitiva do crédito tributário. Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade argüida e quanto ao mérito voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para afastar a multa qualificada no percentual de 150%, por falta de comprovação de que a Recorrente agiu com dolo, fraude e/ou simulação e, consequentemente reconhecer a decadência do PIS e da COFINS em relação às competências de janeiro de 1998 a novembro de 1998, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN, mantendo incólume o restante do lançamento. É como voto. Sala das sessões, 22 fevereiro de 2011. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Colhidos os votos em sessão, esta E. Turma entendeu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, em contrário ao entendimento do ilustre Conselheiro Relator, que em seu bem fundamentado voto, desqualificava a multa aplicada e, nessa conformidade, reconhecia a decadência parcial do PIS e da COFINS em relação aos fatos geradores de janeiro de 1998 a novembro de 1998. Em que pese, portanto, ser apenas esta a divergência a seguir exposta com relação ao erudito voto do i. Relator, peço vênia para expor algumas considerações a respeito da infração a que se convencionou chamar de “Passivo Fictício”, rótulo sob o qual foi procedida a autuação por omissão de receitas no presente caso, uma vez que havia pedido vistas deste processo exatamente para melhor analisar a legislação pertinente à matéria bem como a sua eventual caracterização ou não no caso concreto. Neste aspecto, observo que as considerações a seguir possuem mero caráter de “declaração de voto”, na medida em que convergem para a mesma conclusão a que chegou o i. Relator, que neste ponto foi acompanhado à unanimidade pelo colegiado. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 16 15 1. Caracterização do passivo fictício De início, registrese que a expressão “passivo fictício” sequer consta dos textos positivados em nosso ordenamento, tratandose portanto de denominação criada a partir de manifestações doutrinárias e jurisprudenciais, de sorte que diferentes interpretações podem ser feitas a seu respeito, motivo pelo qual exponho a seguir uma síntese do meu pensamento sobre o assunto, após algumas reflexões. Observo que, sob a denominação genérica de “passivo fictício” encontramse, fundamentalmente, duas situações de características muito distintas entre si, de modo a ensejar tratamentos também distintos em alguns aspectos. O primeiro tipo de “passivo fictício”, ou Tipo 1, consiste de um passivo legítimo, porém já pago – com recursos do assim chamado “Caixa 2” – mas cujo pagamento não foi escriturado (justamente porque os recursos utilizados para o pagamento eram escusos). Nestes casos, uma vez que o pagamento não foi escriturado, o valor da “dívida” permanece no passivo ao final do período de apuração, por ocasião da elaboração do balanço patrimonial. Neste tipo de “passivo fictício”, o momento da sua configuração passa a ser, então, a data do balanço patrimonial do final do período de apuração, até mesmo porque não se sabe ao certo quando foi feito o pagamento, já que este não foi escriturado. Por outro lado, se fosse possível saber a data em que foi feito tal pagamento, apesar de não estar ele escriturado, então esta data poderia também ser tomada como a do evento caracterizador da omissão de receita, neste caso, por falta de escrituração de pagamento efetuado. De se ressaltar que, em ambas as situações, há uma certa arbitrariedade na data tomada pela lei como a data do evento caracterizador da omissão, porque justamente trata se de uma presunção de omissão de receitas. Na verdade, a receita efetivamente omitida, a qual gerou os recursos, que foram mantidos à margem da escrituração, e que possibilitaram a realização do pagamento em questão, já se deu em período passado, quiçá tão distante que até já teria sido alcançado pela decadência. Contudo, por não se saber ao certo quando ela se deu, a lei elegeu como data da ocorrência do evento caracterizador da omissão de receitas, por presunção, a data do pagamento efetuado, num caso, ou a data do balanço, no outro. Ou seja, nestas hipóteses, em lugar de preocuparse com o efetivo ingresso dos recursos oriundos da receita omitida, a presunção legal privilegia datas que estão conectadas a evento posterior, qual seja, o da quitação das obrigações com a utilização daqueles recursos anteriormente auferidos e mantidos à margem da contabilidade. Já o segundo tipo de “passivo fictício”, ou Tipo 2, consiste de um passivo inexistente, ou, dito de outra forma, cuja existência não resta comprovada. Neste tipo de “passivo fictício”, o momento da sua configuração passa a ser o do registro contábil do passivo inexistente ou não comprovado. Isto porque o registro do passivo inexistente é mera contrapartida de um ingresso de recursos na contabilidade da empresa, sendo o “passivo fictício” a forma utilizada para não ofertar à tributação aquela receita. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 17 16 De se observar que este ingresso de recursos, “acobertado” pelo “passivo fictício”, pode tanto ser relativo a uma omissão de receitas ocorrida naquele exato momento (para não escriturar o ingresso como receita, a empresa o contabiliza como passivo) como pode ser relativo a um retorno à contabilidade oficial de valores correspondentes a uma omissão de receita efetivamente ocorrida no passado, em momento impreciso. De qualquer sorte, em ambas as situações, é evidente que é somente no momento do registro contábil do passivo inexistente que se torna visível, palpável, mensurável, a omissão de receitas perpetrada, motivo pelo qual esta deve ser a data considerada na autuação. Ou seja, nestas hipóteses, a presunção legal privilegia a data do registro do ingresso dos recursos oriundos da receita omitida, e não a data da posterior “quitação” da obrigação inexistente – que, aliás, pode ter, ou mesmo ainda não ter, ocorrido. Inclusive, no caso de ter ocorrido a referida “quitação”, observese que o balanço ao final do período de apuração não irá registrar nenhum valor relativo àquele passivo, posto que “quitado”, contudo, ainda assim, é inegável que restou caracterizada a omissão de receitas por “passivo fictício”. De se observar que o atual Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, assim como já o fazia o Regulamento anterior (RIR/94), trata os dois tipos sob um mesmo dispositivo, qual seja, o artigo 281, em que pese tenham eles bases legais distintas: o art. 12, § 2º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, no caso do “passivo fictício” Tipo 1, e o art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, no caso do “passivo fictício” Tipo 2. Concluindo a digressão, vêse, portanto, que há dois tipos de passivos que podem ser cunhados de “fictícios”, mas cada um deles possui características próprias e bem distintas das do outro. No primeiro caso, há uma operação comercial regular, que gerou um passivo legítimo, porém este passivo já foi pago, mas o pagamento não foi escriturado. No segundo caso, o passivo não existe ou não tem sua existência comprovada, e a sua “quitação” pode ou não ter sido escriturada, fato que, por sua vez, não influencia na sua caracterização. Por conta destas características, a data a ser tomada como a data de ocorrência do evento caracterizador da omissão de receitas, por presunção, também é distinta: no primeiro caso, tomase a data do balanço; no segundo, a data do registro contábil do passivo inexistente ou não comprovado. Dito isto, e retornando ao caso dos autos, tomemos o exemplo de uma operação à qual a fiscalização deu o tratamento de passivo fictício (não comprovado), no mês de fevereiro de 1998. Tratase do valor de R$ 1.833.224,81, que compôs parte da remessa ao exterior registrada sob o número 1998000236. Conforme a fiscalizada – vide quadro por ela elaborado às fls. 43 – este valor tem origem em contrato de mútuo efetuado com a OAK LANE. Vejamos como se deu a contabilização da operação, conforme lançamentos do diário e razão: Data Conta Nome da conta Histórico Valor 17/02 D 1.1.1.10.02.00000 CAIXA FILIAL RJ Crédito ref.liq.bolsa, pregão de 12.02.98 R$ 1.833.224,81 17/02 C 4.5.4.30.27.00001 OAK LANE Crédito ref.liq.bolsa, R$ 1.833.224,81 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 18 17 (Credores Diversos Passivo) pregão de 12.02.98 17/02 D 4.5.4.30.03.00007 STOCK MAXIMA Débito ref.crédito em C/C na Stock Maxima R$ 1.833.224,81 17/02 C 1.1.1.10.02.00000 CAIXA FILIAL RJ Débito ref.crédito em C/C na Stock Maxima R$ 1.833.224,81 Ou seja, o ingresso dos recursos na empresa teve como contrapartida o registro em conta passiva da OAK LANE, com esta empresa na posição de mutuante. Vejamos agora quais são os documentos que respaldam a referida operação, conforme a própria recorrente: seria a nota de corretagem da Stock Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, de número 59457, cuja cópia encontrase às fls. 681 a 683. Tratase de operação de venda à vista de diversas ações, tendo como data da operação o dia 12.02.98, e data da liquidação o dia 17.02.98, e como cliente a Maxima Factoring Fomento Comercial Ltda (a recorrente). Assim, restou caracterizada a ocorrência de passivo inexistente ou não comprovado, porque os recursos, ao contrário do que quer fazer crer o lançamento efetuado, de que seriam oriundos de mútuo contraído junto à OAK LANE, na verdade pertencem à própria recorrente, sendo ela a titular das ações vendidas por intermédio da Stock Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários. Conforme antes dito, para a configuração da omissão de receitas por passivo não comprovado, é irrelevante a posição da conta passiva no balanço de encerramento do período de apuração. No caso, inclusive, a conta passiva de OAK LANE, cujas cópias do razão encontramse de fls. 223 a 229, iniciou o ano de 1998 com saldo zero e encerrou o ano com o saldo de apenas R$ 43.053, 04. 2. Multa qualificada Feitas as considerações acima a respeito da configuração do passivo fictício no caso concreto, passo a seguir à análise específica da aplicação da multa qualificada ao caso, ponto em que restou vencido o i. Relator. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96, à época dos fatos, determinava que a multa qualificada, no percentual de 150%, seria aplicada nos casos de evidente intuito de fraude. O evidente intuito de fraude, por sua vez, possui um amplo conceito onde se inserem as condutas dolosas tipificadas como sonegação, fraude ou conluio, conforme previsto nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Assim, o dolo é elemento essencial à sua caracterização. Para a constatação da ocorrência de dolo, tanto em sua acepção penal, quanto aqui, como elemento subjetivo do tipo qualificado tributário, diz a mais balizada doutrina que é necessário verificar se havia, por parte do agente, a consciência (conhecimento do agente das Fl. 17DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 19 18 circunstâncias caracterizadoras do ilícito) e a vontade para a prática da conduta (positiva ou omissiva) contrária ao ordenamento. Em outras palavras, é preciso demonstrar que o agente previu e quis o resultado ilícito. Por outro lado, é certo que o elemento subjetivo dolo não há de ser extraído da mente do seu autor, mas sim das circunstâncias que envolvem os fatos a serem analisados, de modo que a sua prova também pode ser feita, aliás, como no mais das vezes o é, com base em indícios, desde que estes sejam precisos, graves e convergentes, de modo a não deixar dúvidas quanto à intenção do agente. Portanto, quer se trate de lançamento feito com a utilização de presunção legal, ou quer se trate de lançamento feito com amparo em provas diretas, a aplicação do percentual de multa de 150% tem suporte na caracterização inequívoca da intenção do agente em praticar o ilícito. Em uma autuação fiscal por “passivo fictício” da espécie que antes denominamos de “Tipo 2”, ou seja, passivo não comprovado, que é o caso dos autos, e que constitui omissão de receitas por presunção legal, podese vislumbrar duas situações hipotéticas bem distintas: a) uma, em que o passivo não foi comprovado simplesmente porque a empresa não logrou localizar os documentos que respaldaram a operação, e tampouco a fiscalização logrou provar que a operação de fato não ocorreu. Neste caso, a multa a ser aplicada é a de 75%; b) outra, em que o passivo não foi comprovado porque os documentos apresentados para respaldar a operação se revelaram ineficazes, seja porque inidôneos, seja porque a fiscalização reuniu evidências suficientes para demonstrar que os mesmos não correspondem à realidade das operações que foram praticadas. Nestas circunstâncias, a multa a ser aplicada é a de 150%. Voltando ao caso dos autos, vemos que as notas de corretagem, recibos e avisos de lançamento apresentados encontramse todos em nome da própria recorrente, e assim confirmam ser sua a titularidade dos ativos negociados, e não de terceiros. Por outro lado, a alegação da recorrente de que os recursos pertenceriam a terceiros não vem acompanhada de qualquer prova idônea desta afirmação, mas tão somente de declarações unilaterais e de contratos de prestação de serviços e contratos de mútuo apresentados. A fiscalização, por sua vez, reuniu um conjunto de indícios que demonstram que os referidos contratos de prestação de serviços e contratos de mútuo não reúnem condições mínimas que assegurem a sua oponibilidade perante o fisco. Senão vejamos: Os quatro mencionados contratos de prestação de serviços foram firmados por instrumentos particulares, e neles consta, na qualificação das pessoas jurídicas contratantes, tão somente a sua razão social, sendo que, em três deles, não há sequer referência à cidade onde se localizam. Algumas das características destes contratos foram assim resumidas pela autoridade fiscal: “1 Sandcastle Investiments Corporation (doravante, Sandcastle), representada por Ricardo Sabbá Geraldes contrato de prestação de serviços de Fl. 18DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 20 19 créditos mercantis, firmado em 20.11.1994, com prazo de duração ilimitado e rescisão sem ônus, a qualquer tempo (fls.120/122); 2 Oak Lane Trading Limited (doravante Oak Lane), representada por Michael A. Barth – contrato de prestação de serviços de administração de recursos financeiros, firmado em 16.11.1996, com prazo de duração ilimitado e rescisão sem ônus, a qualquer tempo (fls.123/125); 3 Fletwood Trust Company S/A (doravante Fletwood ou Flatwood), representada por Bernardi Bomsztein Richtenberg (apesar de o contrato ter sido assinado por Ricardo Sabbá Geraldes) contrato de prestação de serviços de administração de créditos mercantis, firmado em 30.06.1997, com prazo de duração ilimitado e rescisão sem ônus, a qualquer tempo (fls.126/128); 4 Consultora Internacional Dueville S.A (única , sublinhese, onde o contrato menciona pelo menos a cidade onde se localiza a contratante: Montevidéu), doravante Dueville, representada por Bernardo Bomsztein (embora incompleto, o nome parece ser o mesmo do representante legal de Fletwood, no item acima) contrato de prestação de serviços de registros e controle dos investimentos da contratada, firmado em 15.08.1996, pelo prazo de 02 anos, prorrogável automaticamente (fls.129/132).” Quanto aos contratos de mútuo, apresentados pela recorrente como sendo a origem imediata das remessas de dinheiro ao exterior, observou a fiscalização que também se tratam de instrumentos particulares, não levados a registro público, e tampouco subscritos por testemunhas (exceto, no que se refere à assinatura de testemunhas, os de fls. 363/366, 378/381 e 382/385). Além disto, nestes contratos, a pessoa jurídica estrangeira é qualificada tão somente pelo seu nome e pela cidade no exterior onde está localizada, sendo que sequer é identificado o nome do seu representante legal. A despeito disto, já havia observado também a autoridade julgadora a quo o seguinte: “De qualquer forma, a julgar pela semelhança com a assinatura aposta em um dos cinco contratos firmados com Fletwood, Ricardo Sabbá Geraldes (que, além de representante legal, figura como fiador da operação de empréstimo às fls.333/335) assina como representante legal pelas 04 (quatro) empresas estrangeiras.” Ora, todas estas evidências, aliadas ao fato de que os documentos que suportam as operações praticadas de negociação de ativos estão em nome da própria recorrente, conduzem à conclusão de que estes contratos não condizem com a realidade dos fatos ocorridos, e não podem ser oponíveis ao fisco, de sorte que representam de fato uma tentativa, por parte da recorrente, de maquiar ou ocultar a verdadeira origem dos recursos. Desta forma, entendo estar plenamente caracterizada a conduta dolosa por parte da recorrente, pelo que deve ser mantida a multa qualificada. 3. Decadência Com relação ao IRPJ e à CSLL, conforme já bem deixou consignado o i. Relator, não há que se falar em decadência, uma vez que o regime adotado pela recorrente é o Fl. 19DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 19740.000688/200343 Acórdão n.º 1102000.401 S1C1T2 Fl. 21 20 lucro real anual e o fato gerador destes tributos ocorreu, portanto, em 31/12/1998, de sorte que o lançamento foi efetuado antes de transcorrido cinco anos. Já com relação às contribuições PIS e COFINS, considerandose que, nos casos de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN, e que os fatos geradores mais antigos dizem respeito ao mês de janeiro de 1998, o termo final do prazo decadencial somente se daria em 31/12/2003, sendo que a ciência dos autos de infração ocorreu em 26/12/2003. Portanto, nenhum dos fatos geradores lançados se encontrava decaído. 4. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. João Otávio Oppermann Thomé – Redator Designado Fl. 20DF CARF MF Impresso em 12/12/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 10/12/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10980.723314/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. LANÇAMENTO DO CRÉDITO - Tratando o processo de crédito relativo a contribuições previdenciárias, exigíveis por decorrência da exclusão da empresa do sistema SIMPLES, o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário
MULTA IMPOSTA. APLICAÇÃO CORRETA - Considera-se correto o valor da multa que foi aplicada de acordo com a aplicação do art. 106, II, c do CTN, sendo a menos gravosa para o contribuinte.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA - Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração.
Numero da decisão: 2301-009.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Honorio Albuquerque de Brito (suplente convocado), Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Honorio Albuquerque de Brito (suplente convocado), Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-24T15:19:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-24T15:19:22Z; Last-Modified: 2021-09-24T15:19:22Z; dcterms:modified: 2021-09-24T15:19:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-24T15:19:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-24T15:19:22Z; meta:save-date: 2021-09-24T15:19:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-24T15:19:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-24T15:19:22Z; created: 2021-09-24T15:19:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-09-24T15:19:22Z; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-24T15:19:22Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.723314/2010-21 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-009.463 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de setembro de 2021 Recorrente ES - COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS HIDRAULICOS EIRELI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. LANÇAMENTO DO CRÉDITO - Tratando o processo de crédito relativo a contribuições previdenciárias, exigíveis por decorrência da exclusão da empresa do sistema SIMPLES, o foro adequado para discussão acerca dessa exclusão é o respectivo processo instaurado para esse fim. Descabe em sede de processo de lançamento fiscal de crédito tributário MULTA IMPOSTA. APLICAÇÃO CORRETA - Considera-se correto o valor da multa que foi aplicada de acordo com a aplicação do art. 106, II, “c” do CTN, sendo a menos gravosa para o contribuinte. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA - Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Honorio Albuquerque de Brito (suplente convocado), Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 33 14 /2 01 0- 21 Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.463 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723314/2010-21 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, no montante de R$102.035,40 (cento e dois mil e trinta e cinco reais e quarenta centavos), consolidado em 20/09/2010, foi lavrado em 20/09/2010, para constituição do crédito previdenciário (parte patronal, inclusive para o custeio das prestações decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa proveniente dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT), previsto no art. 22, I, II e III, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, incidente sobre as remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à empresa supra identificada, no período de 07/2007 a 12/2008, inclusive 13º salário. Consta dos autos que a empresa foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 318, de 28 de junho de 2010, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, cópia fl. 51, com efeitos a partir de 01/07/2007, passando a ser exigíveis as contribuições previdenciárias patronais previstas nos dispositivos legais acima mencionados. Extrai-se do Ato Declaratório Executivo que a exclusão se deu por ter o sujeito passivo apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissões relativas aos segurados empregados que lhe prestaram serviços. Tal omissão originou-se do confronto entre as fichas de registro de empregados e as GFIP apresentadas na ação fiscal. A empresa foi cientificada deste AI em 13/10/2010 (AR de fl. 53). Em 10/11/2010, ingressou com impugnação tempestiva, por instrumento de fl. 223 a 236, alegando em síntese o que segue: a) o Ato Declaratório não pode prosperar em razão da empresa ter efetuado as declarações com base nas folhas de pagamento e recolhido os valores devidos, além disso, consta no site da Receita Federal do Brasil que a opção ao Simples Nacional permanece desde 01/07/2007; b) as informações foram apresentadas antes do procedimento de ofício ou de qualquer irregularidade apontada pela fiscalização, conforme comprovam documentos anexados nos Autos de Infração (DEBCAD nº 37.298.46222, 37.1936.7515, 37.298.4606, 37.298.4649 e 37.298.4630) lavrados contra o contribuinte, via de conseqüência, não existem as irregularidades apontadas oriundas do confronto das folhas de pagamento com as GFIP, tendo a empresa regularizada sua situação com o fisco; c) o fato de a empresa ter confessado e recolhido o tributo com os acréscimos legais antes da fiscalização se configura em denúncia espontânea art. 138 do CTN), por isso a autuação e a multa se tornaram indevidas; d) caso haja outro entendimento em relação à denúncia espontânea, a multa deve ser aplicada de acordo com o artigo 32ª da Lei nº8.212/91 conforme decisões prolatadas pelos Tribunais; Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.463 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723314/2010-21 e) não pode ser penalizada pela não declaração dos fatos geradores das contribuições previdenciárias em face de tais fatos constarem das GFIP e os valores terem sido pagos, portanto, inexistem divergências ou omissões; f) que o direito a ampla defesa restou cerceado, já que primeiro foi penalizado com a exclusão do regime de tributação com pesadas multas para, após, abrir prazo de defesa para o contribuinte. Pede o cancelamento da exclusão do Simples Nacional e das multas impostas nos Auto de Infração emitidos pela fiscalização; g) a exclusão do micro e pequenas empresas do Simples Nacional com a imposição pelo lucro presumido ou real violam o princípio constitucional da capacidade contributiva, sendo mais uma manobra inconstitucional do governo; h) caso seja excluída do Simples Nacional com opção obrigatória por outro sistema mais oneroso ocasionará um grande problema social à empresa com encerramento das atividades e demissão de funcionários. Por fim, pede acolhimento das razões apresentadas, declarando regular a situação da empresa, com revogação da exclusão do Simples Nacional e da multa exigida. Requer a produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ Curitiba, na análise da impugnação manifesta o seu entendimento no seguinte sentido: => salienta a Impugnante que houve ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que primeiro foi penalizado com o Ato Declaratório de exclusão do Simples Nacional e pesadas multas para depois lhe ser oportunizado o direito à impugnação administrativa. Não tem razão o sujeito passivo em seus argumentos. É mais do que sabido que a constituição do crédito tributário é atividade plenamente vinculada e OBRIGATÓRIA, sob pena de responsabilidade funcional do servidor que, tendo notícia da ocorrência do fato gerador da obrigação e do descumprimento da obrigação tributária de recolher o crédito decorrente, deixe de constituí-la pelo lançamento (art. 142, § único – CTN). Por isto, a possibilidade de lançamento das contribuições devidas pela empresa em função de sua exclusão do SIMPLES decorre mesmo de previsão expressa no artigo 16, da Lei 9.317, de 1996. Assim, excluída a empresa do SIMPLES, os tributos que antes vinham sendo recolhidos na sistemática do programa devem ser recolhidos pela sistemática aplicável às demais empresas não incluídas no sistema. E já sabendo o Fisco, de antemão, da ocorrência dos respectivos fatos geradores daqueles tributos, resta-lhe obrigatória à constituição dos créditos por meio do lançamento fiscal. Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.463 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723314/2010-21 O procedimento fiscal do qual resultou o presente lançamento não acarretou qualquer ofensa ao devido processo legal e ao contraditório e à ampla defesa uma vez que o ato de exclusão do SIMPLES Nacional assegurou ao contribuinte o direito à manifestação de inconformidade, a qual, inclusive, já foi julgada nesta 7ª Turma da DRJ/CTA, cujo acórdão°, indeferiu a solicitação de revisão do ADE, para manter o ato de exclusão. Pois bem, um dos efeitos da exclusão é que passam a ser devida a contribuição previdenciárias patronais, previstas no art. 22 da Lei 8.212, de 1991, e as contribuições para entidades e fundos denominados “terceiros”, incidentes sobre a folha de salário dos trabalhadores (empregados) que prestam serviços à empresa, a partir da data em que forem fixados os efeitos da exclusão. E já sabendo o Fisco, de antemão, da ocorrência dos respectivos fatos geradores daqueles tributos e não tendo a empresa providenciado a regularização de sua situação mediante o recolhimento das contribuições devidas pelas empresas em geral, resta-lhe obrigatória à constituição dos créditos por meio do lançamento fiscal. Neste ponto, verifico que o impugnante anexou ao presente, a título de impugnação, o mesmo texto da manifestação de inconformidade apresentada contra o ato de exclusão (processo nº 10980.721918/201033). Ocorre que a discussão acerca dos motivos que conduziram à exclusão do sistema nem é cabível neste processo de lançamento fiscal de crédito tributário. É certo que a constituição do crédito é decorrente da exclusão, no entanto, discussão a este respeito deve ser levantada exclusivamente no âmbito do processo respectivo, de onde decorreria a confirmação dos atos ou a sua eventual revogação. No presente caso, a autuada interpôs a sua manifestação de inconformidade, a qual já foi julgada em primeira instância improcedente, com o fim de manter a exclusão do sistema. Portanto, conforme se vê, a discussão cabível acerca dessa questão já foi travada no processo apropriado. A retomada desse tema neste processo configuraria prorrogação do prazo de impugnação do ADE, providência esta que não encontra suporte legal no Decreto 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal. Por esta razão, descabe neste foro reexame da matéria já analisada por esta Turma e atendimento ao pedido apresentado pela impugnação, de cancelamento do processo de exclusão. Já por outro lado, não existem nos autos qualquer outra contraposição relativa ao lançamento ou guia de recolhimento (GPS) anexada com as contribuições devidas. Sendo assim, não há outra decisão a tomar neste processo que não seja pela procedência do crédito tributário lançado. Resta, por fim, a alegação posta pela defesa em relação à multa aplicada. Os esclarecimentos feitos pelo Senhor Auditor Fiscal estão no relatório de fl. 47. Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.463 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723314/2010-21 Como noticiado anteriormente, em face das alterações introduzidas na Lei 8.212, de 1991 pela Medida Provisória 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, bem como considerando o disposto no inciso II, “c”, do artigo 106 do CTN, foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (multa por descumprimento de obrigação acessória referente a GFIP, prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, § 5o, acrescentado pela Lei 9.528, de 1997, somada à multa de mora de 24% sobre as contribuições devidas, prevista no artigo 35, II, “a”, da Lei 8.212, de 1991) com a imposta pela legislação superveniente (multa de ofício de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996). Portanto, resultou menos gravosa a multa de ofício de 75% estabelecida no artigo 35ª da legislação atual para as competências 08/2007 a 11/2007 e 04/2008 a 05/2008, e a multa de mora de 24% da legislação anterior para as demais competências. Tais penalidades impostas foram, portanto, a que se mostraram mais benéficas por ocasião da lavratura da autuação. Ademais, o artigo 32ª da Lei de Custeio não tem aplicabilidade nos casos de lançamento de ofício. Entretanto, conforme Portaria PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009, uma vez que os valores de multas sofrem variação até o pagamento ou parcelamento do débito, o cálculo da multa mais benéfica, para as competências anteriores à edição da MP 449/2008 (até 11/2008), resultante da comparação das multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores com a penalidade imposta pela legislação superveniente, deve ser procedido oportunamente pelo setor próprio da circunscrição da impugnante, no momento do pagamento, do parcelamento ou do ajuizamento do crédito, emitindo-se, se for o caso, o adequado ato decorrente da revisão de ofício. No que tange ao pedido genérico de produção de provas, indefere-se, de pronto, em razão da preclusão e do evidente intuito protelatório do pedido. Se a Impugnante dispunha de provas documentais em sua sede, deveria tê-las apresentado com a defesa, eis que a prova documental deve instruir a impugnação (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 15), precluindo o direito de a Impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo hipóteses restritas não presentes no caso em tela (Decreto n° 70.235, de 1972, art 16, § 4°). Isto posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Em sede de Recurso Voluntário a contribuinte segue sustentando os mesmos argumentos trazidos em sede de impugnação. O processo foi analisado por essa turma do CARF, a qual entendeu que da simples análise dos documentos acostados ao presente auto de infração nº 37.298.4606, percebe-se facilmente que o lançamento decorreu da exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL, através do processo nº 10980.721918/201033, o que ensejou a apuração das contribuições previdenciárias e de multa por descumprimento de obrigações tributárias ocorridas nos períodos posteriores aos efeitos da sua exclusão. Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.463 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723314/2010-21 Diante desse cenário, converteu-se o julgamento em diligência para que fosse verificado o julgamento do processo administrativo que analisa a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL pois, caso o recurso voluntário nele interposto pelo contribuinte seja provido, prejudicado estará o lançamento realizado nos autos do processo em exame. Foi juntado aos autos deste processo as decisões dos processos que analisaram a exclusão do Simples Nacional. Foi negado provimento ao Recurso manejado pelo contribuinte e foi mantida a exclusão . É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Merece salientar, de início, que lide decorre de não recolhimento das contribuições previdenciárias relativas a contribuição patronal e SAT/RAT, previsto no art. 22, I, II e III, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à aludida empresa, correspondente ao período de 07/2007 a 12/2008, incluindo o 13º salário dos respectivos anos, tudo conforme o Relatório Fiscal. A despeito do argumento de ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, ratifico o entendimento de que o lançamento das contribuições devidas pela empresa em função de sua exclusão do SIMPLES decorre de previsão legal expressa no artigo 16, da Lei 9.317, de 1996. Ou seja, excluída a empresa do SIMPLES, os tributos que antes vinham sendo recolhidos na sistemática do programa devem ser recolhidos pela sistemática aplicável às demais empresas não incluídas no sistema. E já sabendo o Fisco, de antemão, da ocorrência dos respectivos fatos geradores daqueles tributos, resta-lhe obrigatória à constituição dos créditos por meio do lançamento fiscal. Quanto a multa aplicada, como explanado anteriormente, em face das alterações introduzidas na Lei 8.212, de 1991 pela Medida Provisória 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, bem como considerando o disposto no inciso II, “c”, do artigo 106 do CTN, foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (multa por descumprimento de obrigação acessória referente a GFIP, prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, § 5o, acrescentado pela Lei 9.528, de 1997, somada à multa de mora de 24% sobre as contribuições devidas, prevista no artigo 35, II, “a”, da Lei 8.212, de 1991) com a imposta pela legislação superveniente (multa de ofício de 75% sobre os valores das contribuições devidas, conforme o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996). Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.463 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.723314/2010-21 Portanto, resultou menos gravosa a multa de ofício de 75% estabelecida no artigo 35ª da legislação atual para as competências 08/2007 a 11/2007 e 04/2008 a 05/2008, e a multa de mora de 24% da legislação anterior para as demais competências. Tais penalidades impostas foram, portanto, a que se mostraram mais benéficas por ocasião da lavratura da autuação. Ademais, o artigo 32ª da Lei de Custeio não tem aplicabilidade nos casos de lançamento de ofício. Entretanto, conforme Portaria PGFN/RFB n° 14, de 04/12/2009, uma vez que os valores de multas sofrem variação até o pagamento ou parcelamento do débito, o cálculo da multa mais benéfica, para as competências anteriores à edição da MP 449/2008 (até 11/2008), resultante da comparação das multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores com a penalidade imposta pela legislação superveniente, deve ser procedido oportunamente pelo setor próprio da circunscrição da impugnante, no momento do pagamento, do parcelamento ou do ajuizamento do crédito, emitindo-se, se for o caso, o adequado ato decorrente da revisão de ofício. No que tange ao pedido genérico de produção de provas, também ratifico o entendimento de que deve ser indeferido posto que se a Impugnante dispunha de provas documentais em sua sede, deveria tê-las apresentado com a defesa, eis que a prova documental deve instruir a impugnação (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 15), precluindo o direito de a Impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo hipóteses restritas não presentes no caso em tela (Decreto n° 70.235, de 1972, art 16, § 4°). Desta feita, entendo que deve ser NEGADO provimento ao Recurso Voluntário e ser mantido o lançamento fiscal na sua integralidade, pelos motivos acima explanados. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (documento assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13888.910752/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.299
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, cujo fundamento foi a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte aduziu ser fornecedor da pessoa jurídica CATERPILLAR BRASIL LTDA., detentora de Ato Declaratório Executivo – ADE homologatório do RECOF, o que lhe confere a suspensão do IPI, PIS/Pasep e Cofins sobre as compras nacionais, mas que, por equívoco, não excluíra as vendas correspondentes da apuração das contribuições em comento, o que ensejou indébito objeto de compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 10 75 2/ 20 12 -3 6 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13888.910752/201236 Resolução nº 3401001.299 S3C4T1 Fl. 3 2 Ocorre que, também por lapso, não providenciou a retificação prévia da DCTF e DACON, o que motivou a não homologação da compensação aviada. Na oportunidade, demonstrou a apuração do recolhimento a maior, defendeu o direito à repetição da quantia indevida, a impossibilidade de simples erro no cumprimento de obrigações acessórias obstaculizar o seu exercício, invocou a ausência de prejuízo ao erário, a prevalência da verdade material e a vedação ao enriquecimento ilícito. Foram juntados comprovantes de arrecadação, PERDCOMP, notas fiscais de saída e DCTF. A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não fora juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O recurso voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do PN Cosit nº 02/2015; e, por fim, ratificou as alegações já deduzidas com reafirmação do direito pleiteado. Foram anexados a esta peça o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA., admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.275, de 24 de outubro de 2017, proferida no julgamento do processo 13888.910728/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.275: "O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Registro, inicialmente, que a singela retificação de declaração, isoladamente considerada, da mesma forma que não ampara o direito à restituição de indébito, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. Fixada a premissa, observo que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13888.910752/201236 Resolução nº 3401001.299 S3C4T1 Fl. 4 3 Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração cabal dos argumentos deduzidos, através de documentação hábil suficiente a amparálos. Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as expectativas do julgador administrativo. É inconteste que, tratandose de restituição de tributos, é do contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de tal sorte que deveria haver uma prova mínima das razões aventadas, não sendo suficiente a tal desiderato a mera juntada de declarações retificadoras, pois, como adrede exposto, não amparam direito à restituição de tributo pago indevidamente. No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos autos, ainda na manifestação de inconformidade, cópias das notas fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e, por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, com discriminação dos documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram a base de cálculo daquelas exações. Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo traga, de imediato, toda a documentação, que reputa o julgador necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de predição. Nessa toada, à luz dos termos do despacho decisório eletrônico, parecialhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos cálculos e as notas fiscais respectivas, agregandose, após decisão de primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas. Poderseia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental complementar, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, pois validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em situações como a deste processo, onde há um robusto princípio de prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito postulado. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13888.910752/201236 Resolução nº 3401001.299 S3C4T1 Fl. 5 4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias), para, querendo, manifestarse acerca das conclusões. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001966/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que seja sobrestado o julgamento, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que seja sobrestado o julgamento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
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Sobrestamento do julgamento Recorrente PEREIRA RODRIGUES COMÉRCIO DE ARTIGO DO VESTUÁRIO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, para que seja sobrestado o julgamento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 01 96 6/ 20 10 -5 1 Fl. 891DF CARF MF Processo nº 11516.001966/201051 Resolução nº 2401000.569 S2C4T1 Fl. 892 2 RELATÓRIO Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), cujo dispositivo julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0729.260 (fls. 766/785): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2009 Auto de Infração nº 37.215.4492 de 30/06/2010 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA COMO EMPRESA NORMAL. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior, sendo legal a exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte estava indevidamente incluído no sistema. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPUGNAÇÃO. O recurso em processo de exclusão do sujeito passivo do sistema SIMPLES não impede o regular andamento do processo de lançamento das contribuições sociais previstas na legislação previdenciária. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse suficientemente claros e foi assegurado o conhecimento dos atos processuais ao contribuinte que exerceu o seu direito de resposta. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 11516.001966/201051 Resolução nº 2401000.569 S2C4T1 Fl. 893 3 Aplicase, para as contribuições previdenciárias, o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional, a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal, a qual declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91. MULTA. JUROS SELIC. Contribuições sociais não recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas à multa e aos juros equivalentes à taxa referencial do SELIC, ambos de caráter irrelevável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 2. Extraise do Relatório Fiscal, acostado às fls. 111/115, que a fiscalização lavrou o Auto de Infração (AI) nº 37.215.4492, relativo ao período de 01/2005 a 11/2009, com exigência das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. O AI nº 37.215.4492 está juntado às fls. 2/110. 2.1 Os fatos geradores e as bases de cálculos correspondem às remunerações pagas e/ou creditadas pela empresa aos seus segurados empregados e contribuintes individuais, identificados em folhas de pagamento e na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). 2.2 As contribuições patronais não foram declaradas em GFIP, porquanto a empresa informou no campo próprio do documento a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal) ou Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), conforme a competência do fato gerador. 3. Resultado do mesmo procedimento fiscal, há vinculação deste processo, por reflexo, com o Processo nº 11516.001967/201003, referente ao lançamento das contribuições devidas a terceiros. 4. O lançamento do crédito tributário foi efetivado, segundo a fiscalização, em decorrência da exclusão do sujeito passivo do Simples Federal e do Simples Nacional, respectivamente, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 24 e 25, ambos de 9 de abril de 2010 (fls. 372/375). 4.1 Os ADE´s nº 24/2010 e 25/2010 fazem parte do Processo nº 11516.000620/201035. 5. Cientificado da autuação, em 30/6/2010, às fls. 2, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 153/206). 6. Intimada da decisão de piso por via postal em 17/9/2012, segundo fls. 791/793, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 15/10/2012 (fls. 794/836). 6.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito contra a decisão de piso que julgou procedente apenas em parte a sua impugnação: Fl. 893DF CARF MF Processo nº 11516.001966/201051 Resolução nº 2401000.569 S2C4T1 Fl. 894 4 (i) nulidade do auto de infração, por vício formal, por inobservância das formalidades legais, em especial dos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, o que implica cerceamento de defesa; (ii) além da impossibilidade de atribuição de efeitos retroativos, a exclusão do Simples Federal e Simples Nacional é indevida; (iii) a apresentação pela recorrente de manifestação de inconformidade específica contra a exclusão do Simples Federal e Nacional, conforme ADE´s nº 24 e 25/2010, tem efeito suspensivo e obsta a prática de todo e qualquer ato administrativo de constituição de crédito tributário de obrigação principal e/ou acessória, até a decisão final naqueles processos; (iv) ilegalidade da exigência de juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic); (v) impossibilidade de aplicação, no mesmo procedimento fiscal, das multas de mora, de ofício e isolada, cujo efeito confiscatório é vedado pelos princípios constitucionais tributários. É o relatório. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 11516.001966/201051 Resolução nº 2401000.569 S2C4T1 Fl. 895 5 VOTO Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 7. Há questão prejudicial ao julgamento deste processo administrativo no estado em que se encontra. 8. É que o lançamento do crédito tributário sob exame foi formalizado em razão da prévia exclusão do sujeito passivo, com produção de efeitos para o passado, do Simples Federal e do Simples Nacional (Processo nº 11516.000620/201035). 8.1 Naquele processo estão sendo examinados os fundamentos fáticos e jurídicos que motivaram a exclusão dos regimes tributários diferenciados. O julgamento do crédito tributário necessita aguardar a decisão, de mesma instância, vinculada ao Processo nº 11516.000620/201035, visto que a exclusão dos regimes é pressuposto da autoridade fiscal para o lançamento de ofício. 9. Tendo em vista a especialização por matéria, inexiste ainda julgamento no âmbito das Turmas da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do recurso voluntário interposto pelo contribuinte no Processo nº 11516.000620/201035 (art. 2º, inciso V, do Anexo II do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e alterações). 10. Ao tratar os autos em apreço de um processo decorrente de outro principal, aplicase, ao caso, o comando previsto no § 5º do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do Carf, abaixo reproduzido: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: (...) II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (...) Fl. 895DF CARF MF Processo nº 11516.001966/201051 Resolução nº 2401000.569 S2C4T1 Fl. 896 6 11. Logo, identificado que os autos são decorrentes de processo principal, o qual se encontra no Carf para julgamento por outra Seção, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar: (i) a vinculação aos autos, no eProcesso, do processo principal nº 11516.000620/201035, que trata da exclusão do Simples Federal e Simples Nacional; e (ii) o sobrestamento do julgamento deste processo no âmbito da própria 4ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho, até a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. 12. Após julgado, no âmbito da 1ª Seção, o processo principal nº 11516.000620/201035, com formalização do respectivo acórdão de recurso voluntário, a Secretaria da 4ª Câmara da 2ª Seção providenciará o retorno destes autos ao relator para análise e inclusão em pauta de julgamento. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 896DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.995292/2011-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1001-000.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta ateste a idoneidade da documentação anexada, intime a recorrente a apresentar outras provas, se entender necessárias, da tributação dos rendimentos, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais, inclusive do recebimento dos valores líquidos, para confirmar a existência do crédito.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-09-13T19:26:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-09-13T19:26:27Z; Last-Modified: 2021-09-13T19:26:27Z; dcterms:modified: 2021-09-13T19:26:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-09-13T19:26:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-09-13T19:26:27Z; meta:save-date: 2021-09-13T19:26:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-09-13T19:26:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-09-13T19:26:27Z; created: 2021-09-13T19:26:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-09-13T19:26:27Z; pdf:charsPerPage: 2434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-09-13T19:26:27Z | Conteúdo => 00 SS11--TTEE0011 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10880.995292/2011-17 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 1001-000.540 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 03 de setembro de 2021 AAssssuunnttoo IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ RReeccoorrrreennttee BANCO DE DADOS DE SAO PAULO LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta ateste a idoneidade da documentação anexada, intime a recorrente a apresentar outras provas, se entender necessárias, da tributação dos rendimentos, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais, inclusive do recebimento dos valores líquidos, para confirmar a existência do crédito. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 16-83.191 da 5ª Turma da DRJ/SPO que julgou procedente, em parte, a manifestação de inconformidade, apresentada pela ora recorrente, contra o Despacho Decisório - DD (fl.19), que homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 20454.51242.200407.1.3.02-6171, posto que não confirmadas parte das retenções na fonte.. Em sua Manifestação de Inconformidade (MI), a ora recorrente alegou em síntese a inobservância ao princípio da verdade material posto que não teve a oportunidade de apresentar a documentação pertinente e que o despacho seria nulo posto que: Em conclusão, a decisão guerreada é nula, posto que não atendeu o primado da verdade material ao deixar de explanar cabalmente o que embasou a glosa parcial do crédito do imposto de renda, assim, não resta alternativa, senão cancelar o despacho guerreado e determinar que o processo baixe para o domicílio tributário da Manifestante para as diligências fiscais necessárias para a exata aferição do crédito do IRRF. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 95 29 2/ 20 11 -1 7 Fl. 514DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.540 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.995292/2011-17 Alega, também, que a fiscalização deveria tê-la intimado a apresentar a documentação pertinente e que, diante da quantidade de clientes, faz os controles contábeis e fiscais que atestam cabalmente a retenção dos tributos. Assim: 61. A Manifestante apresenta nesta ocasião, o Razão de IR Retido na Fonte, o qual demonstra a totalidade dos valores faturados neste período junto aos valores retidos na Fonte. 62. A exemplo destes valores estão os clientes inscritos nos CNPJs n°s 00.811.990/0001-48, 00.861.626/0001-92, 01.354.636/0001-02, 05.302.032/0001-65, 29.527.413/0001-00, 61.082.178/ 0001-13, 68.972.645/0001-20. 63. Neste sentido, verifica-se que os valores informados na DCOMP foram devidamente Retidos na Fonte. 64. No contexto, verifica-se que, em relação a cada cliente, a Manifestante tem como comprovar em sua contabilidade o recebimento do valor da fatura pelo valor líquido, com a retenção dos tributos incidentes pelas fontes pagadoras. 65. Para tanto, a Manifestante traz a baila: • O total das faturas recebidas, demonstrando individual e mensalmente o valor do IRRF descontado e, portanto, considerado na PER/DCOMP; • Cópia do registro contábil comprovando o recebimento das faturas pelo valor líquido por conta da retenção dos valores a título de IRRF. 66. Diante do que foi exposto, a fiscalização deverá, em nome do primado da verdade material dos fatos, analisar cabalmente toda a documentação ora juntada pela Manifestante, pois tais documentos - aptos e idôneos - são suficientes para provar a existência da totalidade do crédito do IRRF utilizado no PER/DCOMP n° 20454.51242.200407.1.3.02-6171. 67. Depois de analisados os documentos apresentados pela Manifestante, não restará saída senão deferir integralmente o crédito do IRRF utilizado, homologando todas as compensações havidas. 68. É o que se requer como medida de direito. 69. A prova dos autos (registros contábeis e controles internos) atestam à saciedade a retenção do imposto de renda na fonte e o seu oferecimento à tributação, entretanto, caso remanesçam dúvidas, a Manifestante requer a intimação das fontes pagadoras para apresentação dos respectivos informes de rendimentos. 70. Como anteriormente referido, a Manifestante possui diversos clientes, fazendo o controle financeiro e contábil sobre os valores recebidos e, assim de todas as retenções dos tributos incidentes, entretanto não pode ser simplesmente responsabilizada pela falta de cumprimento de uma obrigação acessória de competência de seus clientes. 71. Diante desses fatos, a Manifestante, coerentemente, elaborou e mantém controles operacionais e contábeis que têm sido uma forma confiável de manter sempre em ordem o recebimento das faturas, e assim a identificação das retenções efetuadas. 72. Tanto é assim que a documentação contábil comprova (fatura a fatura) cada, recebimento líquido, calculando, corretamente, todas as retenções dos tributos. 73. Cabe rememorar que a responsabilidade pelo pagamento do imposto de renda é da fonte pagadora, ocorre que, muito embora assim seja, o despacho proferido sequer cita se apreciou as DIRFs supostamente apresentadas pelas fontes pagadoras. 74. Ora, caso haja divergência nas DIRFs, estas deveriam ser sanadas pela Receita Federal do Brasil e as fontes pagadoras, a Manifestante somente deveria ser intimada para Fl. 515DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.540 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.995292/2011-17 apresentar a contraprova, ou seja, informes de rendimentos ou outros documentos (registros contábeis) para a comprovação de seu crédito do referido imposto, caso as divergências persistissem. 75. Meras suposições e indícios não podem invalidar o crédito do IRRF a que possui direito a Manifestante. Isso seria um absurdo. 76. A verdade é que a Manifestante não pode ser punida pelo fato de as fontes pagadoras não terem fornecido os informes de rendimentos, pois, a ausência de cumprimento de obrigações acessórias de responsabilidade da fonte pagadora não é fato gerador de obrigação tributária do IRRF já retido (conforme comprovação documental ora colacionada). 77. Ou seja, havendo outro meio de prova, tal qual a documentação fiscal e contábil ora coligida aos autos, não há sentido em manter a glosa do imposto por cruzamento de PER f DCOMP com DIPJ ou por ausência de DIRF. Não há nexo causal. 78. Sendo assim, caso a documentação contábil e registros internos não bastem como meio de prova do crédito do IRRF, requer a Manifestante a intimação das fontes pagadoras para comprovar a retenção do IRRF e assim apresentar os informes de rendimentos, para que não remanesça qualquer dúvida sobre a legitimidade do crédito do imposto a que a Manifestante faz jus. Em síntese, a DRJ rejeita a nulidade do ato por conta do fato de terem sido colocados à disposição da ora recorrente todos os elementos necessários á preparação de sua defesa, não se aplicando o disposto nos artigos 59 e 60, do Decreto 70.235/72. Rejeitou também a diligência alegando ser do contribuinte o ônus da prova, segundo o CPC e que a intimação fiscal para esclarecimentos é, na verdade, uma faculdade atribuída à autoridade administrativa (cita a IN SRF 210/2002 e alterações posteriores). Quanto às provas, a DRJ alega o art. 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72, que determina que estas devam ser apresentadas na impugnação e, quanto à realização de perícias e/ou diligências estas devem obedecer o que dispõe o art. 18, do mesmo diploma. Cita os art. 272 e 837 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 que tratam da escrituração dos rendimentos e das retenções e que: Em relação ao IRRF informado no PER/DCOMP analisado e não confirmado nos sistemas da RFB, o meio probatório adequado para comprovar a retenção do imposto/contribuição incidente sobre rendimentos pagos ou creditados é o Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados, a teor dos seguintes dispositivos: ... Não se olvida que a responsabilidade pela apresentação da DIRF e fornecimento do "Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e do Imposto de Renda Retido na Fonte" é da fonte pagadora, a teor dos artigos 929 e 942 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/99. Porém, o contribuinte tem o dever de exigir da fonte pagadora o Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados, cuja obrigação de fornecimento é prevista nas normas de regência (art. 733 do RIR/99), ou em caso de a própria empresa beneficiada efetuar o recolhimento do IRRF, é necessária a apresentação dos DARF de recolhimento do tributo. Frise-se que documentos da própria emissão do contribuinte não fazem prova a seu favor, havendo-se que recorrer às empresas participantes da transação para confirmação dos valores constantes das faturas e/ou notas fiscais. Fl. 516DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1001-000.540 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.995292/2011-17 Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e que as Notas Fiscais - NF emitidas pelo contribuinte, bem como seus registros contábeis não podem ser admitidos para fins de comprovação da retenção incidente sobre os pagamentos recebidos. Em seguida conclui: Não obstante, verifica-se no relatório "DIRF - Resumo do Beneficiário", elaborado com dados extraídos dos arquivos eletrônicos da RFB, através do sistema DW-DIRF, que no ano calendário de 2003 a requerente auferiu rendimentos sobre serviços prestados (cód. 1708) no montante de R$ 3.507.542,81, com a incidência de IRRF no valor de R$ 52.030,16. Observa-se, ainda, na ficha 06A da DIPJ/2004 que os rendimentos oferecidos à tributação a titulo de prestação de serviços (R$ 3.689.148,40) possibilitam a compensação da retenção utilizada na formação do saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário de 2003. Assim apesar de os valores de retenção relacionados pelo contribuinte no PER/DCOMP não coincidir de forma exata com os montantes informados na DIRF pela fonte pagadora dos rendimentos, em atenção ao princípio da verdade material é possível validar, para fins de formação do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2003, a totalidade da retenção confirmada em DIRF. ... Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade interposta pela interessada para confirmar o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003 no valor de R$ 52.030,16 e, reconhecer a disponibilidade da diferença de crédito de R$ 14.464,92, para fins de compensação do saldo devedor vinculado ao presente processo. A recorrente foi cientificada em 08/08/2018 (fl.462) e apresentou o seu recurso voluntário em 06/09/2018 (fls. 464). Em seu Recurso Voluntário (RV) a recorrente alega que os documentos juntados aos autos não foram levados em consideração pela DRJ. Em síntese argumenta (já trazidos em sede de MI) que obrigação de emissão dos informes de rendimentos é da fonte pagadora, mas, nada impede que outros documentos sirvam para este fim e cita jurisprudência administrativa (respostas à consultas). Afirma que, embora não tenha recebido todos os informes de rendimentos, que obrigatoriamente deveriam ter sido entregues pelas fontes pagadoras, comprovou cabalmente a legitimidade de seu crédito com os seguintes documentos: Registros Contábeis e Livro Razão, os quais demonstram o recebimento da transação comercial com desconto do imposto de renda na fonte (fls. 25 a 351), cita decisões deste CARF. Após o reconhecimento parcial do crédito, consoante decisão da DRJ, restou em discussão o valor de R$12.736,17. Adicionalmente, argumenta, que se dedicou às situações em que houve a glosa das retenções e que, assim, com a análise dos documentos colacionados nos autos, somados aos valores constantes no sistema DW, o crédito da Recorrente é até superior ao utilizado e apresenta uma tabela indicando o valor pendente de homologação, comprovado por outros documentos, totalizando o valor de R$41.575,05. Transcrevo, adiante, o restante de suas alegações: Fl. 517DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1001-000.540 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.995292/2011-17 35. Necessário lembrar que o Despacho Decisório já havia reconhecido o montante de R$ 37.565,24, os quais, somados aos R$ 41.575,05 aqui demonstrados, totalizam o crédito de IRRF da Recorrente de R$ 79.140,29. 36. Neste diapasão, seria possível a Recorrente utilizar-se de R$ 79.140,29 relativos ao IRRF do ano-calendário de 2003, mas utilizou-se somente de R$ 64.766,33. 37. Pois bem, a Recorrente apresentou junto de sua Manifestação de Inconformidade, às fls. 25 a 350, o Razão de IR Retido na Fonte, o qual demonstra a totalidade dos valores faturados neste período junto aos valores retidos na fonte. No entanto, essa documentação foi totalmente ignorada pela D. DRJ – São Paulo. 38. A título exemplificativo, confira-se a documentação colacionada aos autos relativas ao CNPJ nº 01.289.53010001-64, cujo valor da Nota Fiscal foi de R$26.295,00 e a retenção foi de R$ 394.43. Apresenta o razão da conta para fazer a prova dos dados acima e de outros, também, reafirmando que: 41. Dessa forma, em que pese a não disponibilização de informes de rendimento por parte dos clientes da Recorrente, diante da documentação apresentada, que comprovam a existência de crédito de todas as compensações não reconhecidas, a RFB não poderia se furtar a sua análise, como ocorreu no presente caso concreto. 42. Isso porque a escrituração contábil demonstra cabalmente a existência dos créditos não reconhecidos pela D. DRJ de São Paulo, não merecendo persistir o indeferimento das compensações aqui discutidas. Cita decisão deste CARF e reafirma o pedido para que a documentação seja examinada em observância ao princípio da verdade material e cita decisões administrativas não vinculantes. Entende que, caso remanesçam dúvidas, que as fontes pagadoras sejam intimadas a apresentar os informes e por último requer: 67. Diante do exposto, com a efetiva comprovação de IRRF no montante de R$ 79.140,29, a Recorrente protesta pelo reconhecimento do referido valor que comprova a legitimidade do crédito tributário. 68. E, por fim, tendo em vista as razões aduzidas, requer o provimento do presente Recurso Voluntário, para: a) a declaração de nulidade do v. acordão, em razão do não atendimento do primado da verdade material e por conta da insuficiência da motivação para a glosa do crédito do IRPJ retido na fonte; b) a realização de diligências para análise dos documentos juntados nos autos (fls. 25 a 350) e o cruzamento de informações com as supostas DIRFs entregues pelas fontes pagadoras, com os devidos documentos que forem necessários para a aferição da veracidade do crédito, buscando a fiscalização a verdade dos fatos, para cobrar eventuais diferenças da contribuição somente se, depois de analisadas todas as provas documentais, remanescer dúvida sobre o crédito glosado; c) consideração como PROVA de toda documentação juntada aos autos, que demonstram cabalmente o direito creditório da Recorrente, referente às compensações não homologadas; d) o acolhimento integral das retenções na fonte, tendo em vista que foram oferecidas à tributação pela Recorrente, conforme sua documentação fiscal e contábil; e) Seja mantida a decisão a quo em relação ao reconhecimento das do saldo negativo de R$ 52.030,16. Fl. 518DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1001-000.540 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.995292/2011-17 69. A Recorrente protesta, ainda, pela análise dos documentos necessários à aferição da legitimidade do crédito tributário, requerendo, desde já, a realização de diligências para apuração da veracidade da contribuição compensada. 70. Requer, ainda, que eventuais erros nas obrigações acessórias da Recorrente (PER/DCOMPs e DIPJ, por exemplo) sejam reconhecidos de ofício por este Eg. CARF, não prejudicando o acatamento do crédito do IR retido na fonte devidamente comprovada nos autos. 71. Ou seja, por todos os motivos acima é que deve ser dado integral provimento ao RECURSO VOLUNTÁRIO da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. Em relação aos argumentos da recorrente, reconheço que, de fato, a Súmula CARF 143 dispõe que: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim, a prova da retenção, de fato, não se dá somente com a apresentação dos informes de rendimentos, entretanto, por outro lado a Súmula CARF 80 dispõe que: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Vê-se que as condições para dedução exigem a comprovação da retenção e a tributação da correspondente receita. Esta tem sido a orientação adotada por este CARF. Consoante o artigo 967, do atual Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2018 (aprovado pelo Decreto 9.580/2018) Art. 967. A escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, de acordo com a sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Em respeito aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, que norteiam o processo administrativo fiscal, entendo não haver óbice para a apresentação de provas em qualquer fase do processo, contrariamente ao afirmado pela DRJ, como se pode observar da decisão, da 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, no seguinte julgado: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidencia-se que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Fl. 519DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1001-000.540 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.995292/2011-17 (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) Assim, são aceitas as provas apresentadas e juntadas ao processo, em qualquer fase do julgamento, como a jurisprudência deste CARF tem se mostrado favorável ao respeito aos princípios da verdade material, da razoabilidade e do formalismo moderado. Por outro lado, o direito ao crédito, consoante o artigo 170, do CTN, está condicionado à prova da sua liquidez e certeza. Assim sendo, e com supedâneo no art. 18, do Decreto nº 70.235/72, entendo que a diligência é medida necessária para a confirmação das informações mencionadas. Portanto, proponho a conversão do julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta ateste a idoneidade da documentação anexada, intime a recorrente a apresentar outras provas, se entender necessárias, da tributação dos rendimentos, mediante a apresentação de documentos contábeis e fiscais, inclusive do recebimento dos valores líquidos, para confirmar a existência do crédito. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 520DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10935.901780/2016-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço.
CRÉDITO PRESUMIDO. PARCERIA RURAL. PESSOA FÍSICA.
Os valores pagos pela pessoa jurídica ao produtor rural integrado em decorrência da prestação de serviços de engorda de aves para abate correspondem à remuneração paga à pessoa física, não gerando o direito a crédito presumido no sistema da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins.
GASTOS COM O TRANSPORTE DE FRANGOS PARA ABATE CRIADOS NO SISTEMA DE PARCERIA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Ainda que exista uma corrente exegética no sentido de que fretes sobre bens que não foram objeto de tributação sejam aptos a gerar créditos, qual seja a teoria da autonomia entre os fretes e os bens transportados ela é expressamente refutada por parte deste Colegiado, e o direito aos créditos sobre os fretes dos frangos terminados é indevido por um motivo prévio, qual seja o de que tais aves nunca saíram da esfera de propriedade da Cooperativa, razão pela qual não poderiam ser por ela comprados, operação que também não se subsume ao conceito de entrega, entendimento este consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3302-011.360
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Votaram pelas conclusões os conselheiros Vinicius Guimarães, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard e Gilson Macedo Rosenburg Filho que não entenderam pela autonomia dos fretes em relação aos bens transportados. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.357, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.901769/2016-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço. CRÉDITO PRESUMIDO. PARCERIA RURAL. PESSOA FÍSICA. Os valores pagos pela pessoa jurídica ao produtor rural integrado em decorrência da prestação de serviços de engorda de aves para abate correspondem à remuneração paga à pessoa física, não gerando o direito a crédito presumido no sistema da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. GASTOS COM O TRANSPORTE DE FRANGOS PARA ABATE CRIADOS NO SISTEMA DE PARCERIA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que exista uma corrente exegética no sentido de que fretes sobre bens que não foram objeto de tributação sejam aptos a gerar créditos, qual seja a teoria da autonomia entre os fretes e os bens transportados ela é expressamente refutada por parte deste Colegiado, e o direito aos créditos sobre os fretes dos frangos terminados é indevido por um motivo prévio, qual seja o de que tais aves nunca saíram da esfera de propriedade da Cooperativa, razão pela qual não poderiam ser por ela comprados, operação que também não se subsume ao conceito de entrega, entendimento este consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Votaram pelas conclusões os conselheiros Vinicius Guimarães, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard e Gilson Macedo Rosenburg Filho que não entenderam pela autonomia dos fretes em relação aos bens transportados. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.357, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.901769/2016-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
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CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço. CRÉDITO PRESUMIDO. PARCERIA RURAL. PESSOA FÍSICA. Os valores pagos pela pessoa jurídica ao produtor rural integrado em decorrência da prestação de serviços de engorda de aves para abate correspondem à remuneração paga à pessoa física, não gerando o direito a crédito presumido no sistema da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. GASTOS COM O TRANSPORTE DE FRANGOS PARA ABATE CRIADOS NO SISTEMA DE PARCERIA. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que exista uma corrente exegética no sentido de que fretes sobre bens que não foram objeto de tributação sejam aptos a gerar créditos, qual seja a “teoria da autonomia entre os fretes e os bens transportados” ela é expressamente refutada por parte deste Colegiado, e o direito aos créditos sobre os fretes dos “frangos terminados” é indevido por um motivo prévio, qual seja o de que tais aves nunca saíram da esfera de propriedade da Cooperativa, razão pela qual não poderiam ser por ela comprados, operação que também não se subsume ao conceito de “entrega”, entendimento este consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Votaram pelas conclusões os conselheiros Vinicius Guimarães, Jorge Lima Abud, Larissa Nunes Girard e Gilson Macedo Rosenburg Filho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 17 80 /2 01 6- 95 Fl. 243DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901780/2016-95 que não entenderam pela autonomia dos fretes em relação aos “bens” transportados. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.357, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10935.901769/2016-25, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Larissa Nunes Girard, Walker Araujo, Vinícius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de processo administrativo fiscal no bojo do qual discutem-se créditos pretendidos pela Recorrente, Cooperativa agroindustrial. Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do deferimento parcial de pedido de ressarcimento de créditos de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) não cumulativo proveniente de operações no mercado externo. Na manifestação apresentada, a contribuinte discorre sobre a origem dos créditos e sobre o conceito de insumo. Aduz que o referido conceito foi ampliado pelo CARF e que de acordo com as leis que regulam o PIS e a Cofins não cumulativos, os contribuintes têm direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. A seguir, no tópico “Fretes sobre Compras”, discorre sobre as glosas efetuadas. Aduz que o frete de compra integra o próprio custo de aquisição dos insumos. Adiciona que o procedimento de apurar a base de cálculo conforme o rateio proporcional foi efetuado pela fiscalização em relação aos créditos sobre fretes de compras que também foram glosados. Na seqüência, disserta sobre as operações em contrato de parceria. Esclarece que, ao contrário do considerado pela fiscalização, o valor do frango recebido é somente em relação ao valor devido ao cooperado pelos custos absorvidos pelo cooperado, além do seu lucro. E ainda, o art. 55 da Lei nº 12.350/10 não estabelece direito ao crédito apenas na aquisição, mas também em relação ao frango vivo RECEBIDO do cooperado. Fl. 244DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901780/2016-95 Informa que o valor dos bens recebidos de cooperado é o valor das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte no processo de fiscalização, onde não há inclusão dos insumos fornecidos pela cooperativa no regime de parceria. Ao final, requer o recebimento da manifestação e o seu integral provimento. Sucessivamente, requer a conversão do julgamento em diligência e, também, a realização de perícia. Pede, ainda, que se considere a possibilidade de juntada de todas as informações necessárias à fiel comprovação do seu direito. Como resultado da análise do processo pela DRJ restou decidido: Que conforme estabelecido no Parecer Normativo Cosit RFB n.° 5, de 2018, que produz efeitos vinculantes no âmbito da RFB, o conceito de insumos, para fins de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica. Que o critério da essencialidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit RFB n.° 5, de 2018, requer que o bem ou serviço creditado constitua elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pela contribuinte; já o critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção do sujeito passivo. Que na tese acordada pelo STJ, o conceito de insumos abrange os bens e serviços que compõem o processo de produção dos bens destinados à venda, tanto os que são essenciais a tais atividades, quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal, razão pela qual os equipamentos de proteção individual e o material de limpeza, por serem utilizados na atividade empresarial da contribuinte, ainda que indiretamente, geram o crédito de PIS/Pasep e de Cofins, no regime da não cumulatividade. Que o frete contratado e suportado pela Cooperativa para o transporte de frangos para abate criados no sistema de parceria, entre os estabelecimentos do cooperado e da Cooperativa, não gera direito a crédito da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Que é correta a reclassificação do CST pela fiscalização quando restar comprovado que a vinculação entre os gastos com fretes e os mercados que foram informados pela contribuinte está em desacordo com a vinculação que foi apurada durante o procedimento. Que os valores pagos pela pessoa jurídica ao produtor rural integrado em decorrência da prestação de serviços de engorda de aves para abate correspondem à remuneração paga à pessoa física, não gerando o direito a crédito presumido no sistema da não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Cumpre relatar que a parte do crédito reconhecido foi inferior ao limite de alçada do Recurso de Ofício. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual submete a questão a este Colegiado. Fl. 245DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901780/2016-95 É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, ressalvando que acompanhei pelas conclusões a decisão consagrada no colegiado, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. 1. Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual deve ser conhecido. 2. Mérito. Não havendo preliminares é de se adentrar no mérito recursal, que resume-se a dois capítulos, quais sejam os “fretes sobre as compras de frangos terminados” e a inclusão do valor dos “frangos terminados” no cálculo do crédito presumido das contribuições parafiscais. 2.1. Fretes sobre “compras” de frangos vivos denominados “frangos terminados”. Neste momento é importante destacar que o Acórdão sob exame já foi lavrado levando- se em consideração a novel interpretação acerca da definição do conceito de insumos, bem como do Parecer Cosit/RFB n. 05. A Recorrente insurge-se contra o Acórdão recorrido que manteve a glosa dos créditos sobre os custos com serviços utilizados como insumos. O Acórdão em questão entendeu que os “frangos preparados” e transportados dos “parceiros” para a Recorrente na verdade não foram adquiridos, pois nunca saíram da esfera jurídica da Cooperativa, que simplesmente os entregou para que os cooperados, seguindo estritas ordens técnicas e utilizando rações e remédios fornecidos pela Recorrente, os engordasse. Segundo esta teoria não haveria compra e venda, mas tão somente “movimentação de insumos”, que a DRJ entendeu não ser vinculado diretamente a mercadorias adquiridas ou operação de venda. A questão relativa aos fretes sobre as “compras” foi adequadamente analisada no Relatório de fls. 83/97, constante do processo administrativo nº 10935.722238/2017-59. A legislação não prevê o aproveitamento de créditos de PIS e de Cofins sobre fretes (mesmo que tributados) vinculados à aquisição de mercadorias, contudo, a RFB, por meio de sua Coordenação Geral de Tributação, manifestou entendimento de que tal crédito é possível quando esses fretes estão agregados ao custo de aquisição de mercadorias passíveis de creditamento. O que está sob análise, no entanto, é o custo de frete sobre as operações registradas pela contribuinte como sendo relativas à aquisição de aves para abate (frangos vivos). O que ficou claro na análise fiscal, contudo, é que não houve aquisição de frangos vivos, pois, conforme contratos de parceria celebrados entre a cooperativa e os seus cooperados (pessoas físicas), esses frangos sempre foram de propriedade da cooperativa. Em outras palavras: a compra desses frangos, Fl. 246DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901780/2016-95 pela cooperativa, não seria possível, afinal, conforme contratos firmados com seus cooperados, esses frangos já lhe pertenciam. E mesmo que tais aves não lhe pertencessem, o crédito a ser lançado não seria o básico, como considerado pela contribuinte, mas o presumido pois, nessa condição, tais aves teriam sido adquiridas de pessoas físicas. Em suma, a operação realizada denota uma simples movimentação de insumos e mercadorias entre a cooperativa e seus cooperados e não uma operação de compra e venda e o fato de tais movimentações terem gerado despesas com fretes, mesmo que tributados, não autoriza a utilização dos valores correspondentes para a geração de créditos de PIS e de Cofins no regime da não cumulatividade. A contribuinte cita o inc. II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e lembra que os créditos relativos a serviços utilizados também podem ser descontados, contudo, não se considera que tais serviços de fretes foram utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, já que não estão vinculados diretamente nem a mercadorias adquiridas nem a operações de venda. Correto, portanto, o procedimento fiscal. Para o deslinde da controvérsia inicialmente é necessário investigar a natureza jurídica da relação existente entre a Cooperativa Recorrente e os Cooperados. Esta questão já se encontra pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para quem tanto suínos como os “frangos preparados” do caso concreto “RECEBIDOS” pela Cooperativa Recorrente dos seus “PARCEIROS” nunca deixaram de ser da cooperativa, tendo sido entregues a terceiros para engorda, como uma prestação de serviços, verbis CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço. (Acórdão unânime n. 9303-008.069 proferido em 20.02.2019.) Partindo-se desta premissa é de se concordar com o Acórdão atacado no sentido de que não há frete na aquisição de mercadorias eis que não se pode adquirir o que é seu, no caso da Cooperativa Recorrente, que foi confiado a terceiros para que prestassem um serviço. Não sendo frete de aquisição, por ser bem próprio enviado para prestação de serviços, trata-se de uma movimentação de produtos semi elaborados para uma etapa do processo produtivo, como também apontou a decisão atacada e já transcrita. A citada decisão negou a concessão de créditos sobre o frete como “movimentação de insumos” sob o argumento de que “não se considera que tais serviços de fretes foram utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, já que não estão vinculados diretamente nem a mercadorias adquiridas nem a operações de venda. Correto, portanto, o procedimento fiscal.” Neste momento cumpre destacar que em se tratando de processo administrativo por meio do qual a contribuinte busca o exercício de um direito, a ele cumpre trazer aos autos todos os elementos necessários à comprovação da liquidez e certeza deste direito pleiteado, sob risco de indeferimento. No caso concreto a Recorrente teceu sues argumentos e alegações no sentido de que o seu crédito decorreria do frete de aquisições de matérias primas, no caso frangos terminados, o que factualmente não se comprovou, pelas razões já expostas. Também não se comprovou que a despesa com o transporte dos “frangos terminados” trata-se de movimentação de produtos semi-elaborados. Fl. 247DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901780/2016-95 Sintetica e conclusivamente, a Recorrente pleiteia a apuração de créditos sobre o valor pago a título de fretes pelo transporte dos frangos engordados pelos cooperados, sob o entendimento de que os frangos seriam “matérias primas” para a sua produção. Ainda que exista uma corrente exegética no sentido de que fretes sobre bens que não foram objeto de tributação sejam aptos a gerar créditos, qual seja a “teoria da autonomia entre os fretes e os bens transportados” ela é expressamente refutada por parte deste Colegiado, e o direito aos créditos sobre os fretes dos “frangos terminados” é indevido por um motivo prévio, qual seja o de que tais aves nunca saíram da esfera de propriedade da Cooperativa, razão pela qual não poderiam ser por ela comprados, cuja operação também não se subsume ao conceito de “entrega”, entendimento este consolidado na Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2.2. Crédito presumido de contribuições na compra de frango na proporção da receitas de exportação. O presente processo discute a utilização dos “frangos vivos” resultantes de contratos com “parceiros” para o cálculo do crédito presumido, eis que a Recorrente sustenta RECEBER “frangos terminados” dos cooperados parceiros e que tal fato se subsumiria ao artigo 55 da Lei nº 12.350/2010: Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: (grifos nossos) I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (grifos nossos) II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. A fiscalização, no seu Relatório de Ação Fiscal, no que foi acompanhado pela DRJ, aponta que neste caso não há uma verdadeira compra e venda de “frangos vivos” ditos “frangos terminados”, mas sim um “serviço de terminação ou engorda” de frangos, prestado por quem recebe pintos de um dia’, ração, custos de transporte dos pintos custo de recolhimento dos ‘frangos terminados’, bem como assistência técnica e logística operacional, sendo o parceiro-produtor responsável pela estrutura física (aviários), mão- de-obra, energia elétrica e manutenção. A Recorrente, por sua vez, alega que “o valor do frango recebido é somente em relação ao valor devido ao cooperado pelos custos absorvidos pelo cooperado, além do seu lucro. Afirma ainda que o art. 55 da Lei nº 12.350/10 não estabeleceria direito ao crédito apenas na aquisição, mas também em relação ao frango vivo RECEBIDO de cooperado. Existe uma nota fiscal de Retorno de Remessa de integração, emitida no valor dos insumos remetidos pela cooperativa para a produção, a qual não é incluída na base de cálculo do crédito presumido. E existe outra nota fiscal de compra de frango vivo, emitida pelo valor da remuneração ao cooperado, sobre a qual a cooperativa apurou o crédito presumido, e cuja relação de notas fiscais consta no processo de fiscalização. Fl. 248DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901780/2016-95 A base de cálculo do crédito previsto no inciso III do art. 55 da Lei nº 12.350/2010 é o valor dos bens classificados nas posições 01.03 RECEBIDO de cooperado pessoa física. No caso, o valor dos bens recebidos de cooperado é o valor das notas fiscais apresentadas pelo contribuinte no processo de fiscalização, onde não há inclusão dos insumos fornecidos pela cooperativa no regime de parceria. Os documentos fiscais citados, acrescido de controle de acerto de lotes com o produtor fazem parte do conjunto probatório que se acosta para que não pairem dúvidas sobre a legitimidade do direito creditório A Recorrente insurge-se contra a interpretação adotada pela DRF e seguida pela DRJ no sentido de que não existiria crédito presumido na compra de frango por parte da cooperativa, uma vez que entendeu que pelo contrato de parceria firmado entre a Recorrente (cooperativa) e os cooperados, o frango sempre teria sido da cooperativa Recorrente. A Recorrente alega que entrega o produto (pinto) ao cooperado, que o prepara e entrega de volta à Cooperativa, mediante remuneração, que é feita em forma de uma “cota parte” que por sua vez também tem natureza jurídica questionável, pois não pode ser vendida a terceiros, mas tão somente para a cooperativa. Assim, em relação à alegação de que os frangos são recebidos e a lei menciona os produtos recebidos, a DRJ entende que, partindo-se da premissa de que as aves nunca deixaram de sair da esfera de propriedade da Cooperativa, o que ela recebe não é “um produto ‘produzido’ pelo cooperado”, mas sim o resultado de uma prestação de serviços, no caso, de engorda. Efetivamente os “frangos terminados” não são produzidos pelo cooperado, que se limita a engordar o pinto que lhe é “entregue” pela Recorrente, que é remunerada para tanto. Desta forma adoto e transcrevo o entendimento esposado pela DRJ quando da análise do caso: Como já ressaltado, apesar de ter sido atribuído um “valor” às aves remetidas pelos cooperados para a Cooperativa, esse valor não decorre da aquisição dessas aves (e nem poderia pois elas já pertencem à Cooperativa). Isso fica muito claro quando se analisa o contrato de parceria. O que o cooperado recebe em decorrência desse contrato é o resultado dos serviços que foram prestados para a Cooperativa e o pagamento por esses serviços, como se sabe, não gera crédito presumido de PIS ou de Cofins no regime da não cumulatividade para a Cooperativa. Assim, como as aves não foram adquiridas de pessoas físicas e nem recebidas em decorrência da produção de cooperado pessoa física não é aplicável, ao caso, o disposto no inc. III do art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010. Mantém-se, pois, o procedimento fiscal. Firme nestes entendimentos, voto por negar provimento a este capítulo recursal. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.360 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10935.901780/2016-95 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.915898/2013-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MATERIAIS DE LIMPEZA. EMBALAGENS PARA PROTEÇÃO.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os materiais de limpeza, desinfecção e higienização e embalagens utilizadas para transporte interno de produtos fabricados e/ou embalagens para proteção da mercadoria - produtos alimentícios.
Numero da decisão: 9303-011.620
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.616, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.915900/2013-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MATERIAIS DE LIMPEZA. EMBALAGENS PARA PROTEÇÃO. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os materiais de limpeza, desinfecção e higienização e embalagens utilizadas para transporte interno de produtos fabricados e/ou embalagens para proteção da mercadoria - produtos alimentícios.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.616, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.915900/2013-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
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CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. MATERIAIS DE LIMPEZA. EMBALAGENS PARA PROTEÇÃO. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os materiais de limpeza, desinfecção e higienização e embalagens utilizadas para transporte interno de produtos fabricados e/ou embalagens para proteção da mercadoria - produtos alimentícios. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-011.616, de 21 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.915900/2013-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada) e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 98 /2 01 3- 31 Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, suscitando divergência em relação ao direito ao crédito das contribuições sobre as embalagens para transporte de produtos acabados. Em despacho foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, requerendo o não conhecimento do recurso ou, caso assim não se entenda, o seu desprovimento. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deva ser conhecido, eis que atendidos os requisitos do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade constante em despacho de admissibilidade, eis: “[...] A decisão recorrida, ao interpretar o REsp nº 1.221.170/PR e o Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018, concluiu que os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, os produtos para Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 tratamento às águas residuais do processo produtivo, os reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte subsumiam-se no conceito de insumo adotado naqueles diplomas, haja vista a sua relação de essencialidade para com o processo produtivo de pessoas jurídicas atuantes no ramo alimentício. Por essa razão, reverteu as glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre os respectivos custos. O Acórdão indicado como paradigma n° 9303-008.212 está assim ementado: Assinto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. GASTOS COM INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. O direito ao crédito da Cofins sobre insumos e outros gastos deve estar vinculado à necessidade do gasto para a produção do bem ou serviço vendido. No caso, deve ser afastada a glosa do crédito sobre gastos com indumentárias. Por outro lado, deve ser restabelecida a glosa do crédito sobre gastos com (a) energia elétrica e armazenagem de períodos anteriores e (b) embalagens para transporte. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. LEI N° 10.925/2004. O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2°, da Lei 10.833/2003 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída, e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. Também interpretando o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018, e também contemplando processo produtivo de industria alimentícia, entendeu que as embalagens para transporte de produtos acabados não podem ser considerados insumos. Cotejo dos arestos confrontados Perfeitamente configurado o dissídio jurisprudencial, porquanto, analisando circunstâncias fáticas idênticas e interpretando a mesma legislação, os arestos paragonados chegaram a decisões opostas.” Considerando o acórdão recorrido e o paradigma tratarem de indústria de alimentos e contemplarem a discussão de mesmo item, independentemente do material empregado em cada um deles, entendo que restou comprovada a divergência. Sendo assim, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, vê-se que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, torna-se necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frise-se tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403-002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não-cumulativo, não se restringe aos conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vê-se que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vê-se que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo - o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, peço vênia, para transcrever o impecável voto do Ministro Humberto Gomes de Barros quando da apreciação de Agravo Regimental em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional - Resp 382.736-SC (2001/0155744-8) - que nos faz refletir sobre a responsabilidade de se criar e defender durante um certo tempo jurisprudência favorável ou desfavorável ao sujeito passivo (Grifos Meus): "MINISTRO HUMBERTO GOMES DE BARROS: O fundamento da pretensão revocatória da Súmula é o de que o Supremo Tribunal Federal teria declarado que a Lei Complementar no 70/91, embora formalmente complementar, substancialmente, seria lei ordinária, suscetível de revogação sem o quorum especial, necessário à criação de nova lei complementar. O tema é a âncora - como está na moda dizer - daqueles que entendem que a nossa Súmula foi infeliz. Colaborei na formação da Súmula. Continuo, data vênia, convicto de que agimos acertadamente, ao sumular o Meditei sobre o tema, e consolidei minha certeza de que o tema é de nossa alçada. O próprio Supremo Tribunal Federal proclamou que o conflito entre lei ordinária e lei complementar trava-se no plano da infraconstitucionalidade. Trago comigo o Agravo no Recurso Extraordinário no 274.362, no qual, o Supremo Tribunal Federal, não conheceu recurso extraordinário envolvendo conflito entre normas de lei complementar e de lei ordinária. Então, a competência é nossa. Recurso Especial no 221.710/RJ, em que o STJ indicou o rumo do Poder Judiciário brasileiro: Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 Meu entendimento assenta-se na ementa felicíssima do Recurso "A Lei Complementar no 70/91, em seu art. 6o, inc. II, isentou da COFINS, as sociedades civis de prestação de serviços de que trata o art. 1o do Decreto-lei no 2.397, de 22 de dezembro de 1987, estabelecendo como condições somente aquelas decorrentes da natureza jurídica das referidas sociedades. - A isenção concedida pela Lei Complementar no 70/91 não pode ser revogada pela Lei no 9.430/96, lei ordinária, em obediência ao princípio da hierarquia das leis.não afeta a isenção concedida pelo art. 6o, II da L.C. 70/91. Entre os requisitos elencados como pressupostos ao gozo do benefício não está inserido o tipo de regime tributário adotado pela sociedade para recolhimento do Imposto de Renda." A orientação partiu da Segunda Turma. O acórdão foi lavrado pelo Sr. - A opção pelo regime tributário instituído pela Lei no 8.541/92 Ministro Francisco Peçanha Martins. Dele participaram o Ministro-Relator, a Ministra Eliana Calmon e os Ministros Franciulli Netto, Laurita Vaz e Paulo Medina. Para mim, essa é a orientação definitiva a ser seguida pelos tribunais e pelos contribuintes. Outra razão, que adoto como fundamento de voto, finca-se na natureza do Superior Tribunal de Justiça. Quando digo que não podemos tomar lição, não podemos confessar que a tomamos. Quando chegamos ao Tribunal e assinamos o termo de posse, assumimos, sem nenhuma vaidade, o compromisso de que somos notáveis conhecedores do Direito, que temos notável saber jurídico. Saber jurídico não é conhecer livros escritos por outros. Saber jurídico a que se refere a CF é a sabedoria que a vida nos dá. A sabedoria gerada no estudo e na experiência nos tornou condutores da jurisprudência nacional. Somos condutores e não podemos vacilar. Assim faz o STF. Nos últimos tempos, entretanto, temos demonstrado profunda e constante insegurança. Vejam a situação em que nos encontramos: se perguntarem a algum dos integrantes desta Seção, especializada em Direito Tributário, qual é o termo inicial para a prescrição da ação de repetição de indébito nos casos de empréstimo compulsório sobre aquisição de veículo ou combustível, cada um haverá de dizer que não sabe, apesar de já existirem dezenas, até centenas, de precedentes. Há dez anos que o Tribunal vem afirmando que o prazo é decenal (cinco mais cinco anos). Hoje, ninguém sabe mais. Dizíamos, até pouco tempo, que cabia mandado de segurança para determinar que o TDA fosse corrigido. De repente, começamos a dizer o contrário. Dizíamos que éramos competentes para julgar a questão da anistia. Repentinamente, dizemos que já não somos competentes e que sentimos muito. O Superior Tribunal de Justiça existe e foi criado para dizer o que é a lei infraconstitucional. Ele foi concebido como condutor dos tribunais e dos cidadãos. Bem por isso, a Corte Especial proclamou que: "PROCESSUAL - STJ - JURISPRUDÊNCIA - NECESSIDADE O Superior Tribunal de Justiça foi concebido para um escopo sabor das convicções pessoais, estaremos prestando um desserviço a nossas instituições. Se nós – os integrantes da Corte – não observarmos as decisões que ajudamos Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 a formar, estaremos dando sinal, para que os demais órgãos judiciários façam o mesmo. Estou certo de que, em acontecendo isso, perde sentido a existência de nossa Corte. Melhor será extingui-la." (AEREsp 228432). Dissemos sempre que sociedade de prestação de serviço não paga a contribuição. Essas sociedades, confiando na Súmula no 276 do Superior Tribunal de Justiça, programaram-se para não pagar esse tributo. Crentes na súmula elas fizeram gastos maiores, e planejaram suas vidas de determinada forma. Fizeram seu projeto de viabilidade econômica com base nessa decisão. De repente, vem o STJ e diz o contrário: esqueçam o que eu disse; agora vão pagar com multa, correção monetária etc., porque nós, o Superior Tribunal de Justiça, tomamos a lição de um mestre e esse mestre nos disse que estávamos errados. Por isso, voltamos atrás. Nós somos os condutores, e eu - Ministro de um Tribunal cujas decisões os próprios Ministros não respeitam - sinto-me, triste. Como contribuinte, que também sou, mergulho em insegurança, como um passageiro daquele vôo trágico em que o piloto que se perdeu no meio da noite em cima da Selva Amazônica: ele virava para a esquerda, dobrava para a direita e os passageiros sem nada saber, até que eles de repente descobriram que estavam perdidos: O avião com o Superior Tribunal de Justiça está extremamente perdido. Agora estamos a rever uma Súmula que fixamos há menos de um trimestre. Agora dizemos que está errada, porque alguém nos deu uma lição dizendo que essa Súmula não devia ter sido feita assim. Nas praias de Turismo, pelo mundo afora, existe um brinquedo em que uma enorme bóia, cheia de pessoas é arrastada por uma lancha. A função do piloto dessa lancha é fazer derrubar as pessoas montadas no dorso da bóia. Para tanto, a lancha desloca-se em linha reta e, de repente, descreve curvas de quase noventa graus. O jogo só termina, quando todos os passageiros da bóia estão dentro do mar. Pois bem, o STJ parece ter assumido o papel do piloto dessa lancha. Nosso papel tem sido derrubar os jurisdicionados. Peço venia para acompanhar o Ministro Peçanha Martins. Com essas considerações e louvando-me nesse precedente da lavra do Sr. Ministro Francisco Peçanha Martins, peço vênia ao eminente Ministro-Relator para aderir à divergência." Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, tem-se que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vê-se, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomando-o por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, vê-se que a não cumulatividade relaciona-se ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vê-se que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite- se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, pode-se concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frise-se que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II - utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicando-se os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vê-se claro, portanto, que não poder-se-ia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendo-se da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinados à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, pode-se concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 - Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 - Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Torna-se necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins não-cumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Quanto às embalagens para transporte, entendemos que as embalagens são essenciais e pertinentes à atividade do sujeito passivo, eis que são utilizadas para proteger a mercadoria – produtos alimentícios. Tal entendimento já é o atualmente adotado por nossa turma; o que recordo o acórdão 9303-011.371: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9303-011.620 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10880.915898/2013-31 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. RECONHECIMENTO DE DIREITO AO CRÉDITO. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Nessa linha, deve-se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os materiais de limpeza, desinfecção e higienização e embalagens utilizadas para transporte interno de produtos fabricados e/ou embalagens para proteção da mercadoria que se trata de produtos alimentícios.” Em vista do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Redator Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital
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