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Numero do processo: 11030.001827/2004-31
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ITR - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001 - IMPRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL -
AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2101-000.450
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto Relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11030.001827/2004-31 Recurso n° 336.781 Voluntário Acórdão n° 2101-00.450 — i a Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2010 Matéria ITR Recorrente ANTONIO CARLOS XAVIER DE QUADROS Recorrida TURMA/DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ITR - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATORIO AMBIENTAL - EXECICIO POSTERIOR A 2001 - IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, se tornou imprescindível a infolinação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL - • AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto / d'arelatora.„ MARCOS CÂNDIDÓ - Presidente 1.7 ; ji ,,L)L2 ,^à-r k: -• --ANA NELE "OLimPio -HOLAiN JJA-= Relatora EDITADO EM: u Q JUN 2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Silva, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de auto de infração referente a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 40.414,20, a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, referente ao exercício 2002, com supedâneo nos artigos 1 0, 70, 90, 10, 11 e 14 da Lei n°9.393, de 19/11/1996, nos seguintes moldes: i) Área de Preservação Permanente — 100,00 ha para 35,00 ha; ii) Área de Utilização Limitada —315,00 ha para 0,00 ha. 2. Em contraposição, foi apresentada a impugnação de fls. 36 a 50. 3. Submetida a lide a julgamento, os membros da i a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 2002 Ementa: ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. 2.X Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal, esta integrante da área de utilização limitada, da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ea — ADp ee rr aa dn ot er do ol 3mAMpoAstoo. 0 órgão conveniado. É também necessária a averbação da área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, no Cartórioo de Registro competente, até a data de. ocoTêndo fato g PERÍCIA. A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei 2 Processo n° 11030.001827/2004-31 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.450 F1. 2 processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. Lançamento Procedente 4. Intimado aos 16/08/2006, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário tempestivo (fls. 93 a 128). 5. No apelo interposto, o sujeito passivo apresenta, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: 1— tem a posse de 1.450,50 ha de terras rurais, nos quais existem 35,00 ha de Área de Preservação Permanente e 380,00 ha de Área de Reserva Legal, totalizando 425,00 ha de matas/floresta nativa, conforme Laudo Técnico de fls. 24 a 26; II — da área total, apenas 250,069076 ha estão matriculados e registrados em seu nome, sendo que os demais 1.200,430924 ha estão matriculados em nome de Sadi Sampaio de Quadros, seu falecido pai, de quem é o único herdeiro, por tal, vem declarando, como possuidor, desde o falecimento daquele; III — as áreas de floresta existentes na propriedade são compostas de mata nativa, que cresceu e se desenvolveu na época de formação do relevo da região, nunca tendo sido aproveitada para fins econômicos; IV — apresentou Ato Declaratório Ambiental (ADA) (fl. 17) e Laudo Técnico (fls. 24 a 26) firmado por profissional legalmente habilitado com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) do Conselho Regional de Engenharia (fl. 50); V — sem cabimento o argumento de não comprovação dos requisitos para isenção, em razão de ter o ADA sido protocolado no IBAMA aos 24/10/2002, fora do prazo estipulado na legislação, de seis meses contados da data final para entrega da declaração de ITR, e porque a Area de Reserva Legal não foi previamente averbada na Certidão da matrícula do imóvel até 01/01/2000; VI — o agente fiscal reconheceu a existência das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, vez que cita o Laudo Técnico, sem desconsiderá-las; VII — a Lei n° 9.393, de 1996, não faz qualquer exigência para exclusão das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal para exclusão na apuração do ITR, bastando a declaração do sujeito passivo, o que também faz o artigo 16, § 2°, da Lei n° 4.771, de 1965; VIII — as Instruções Normativas SRF nos 43, de 1997, 63, de 1997, 67, de 1997, 136, de 1998, 73, de 2000, 75, de 2000, 60, de 2001, e 256, de 2002, são normas de caráter interpretativo e apenas visam a aplicação da norma legal, sem criar direito novo, sendo que as Portarias do IBAMA têm a mesma natureza; IX — o fisco não comprovou a inexistência das Áreas de Preservação Peunanente e de Reserva Legal declaradas, como também que as declarações de ITR são inexatas, não podendo efetuar o lançamento de oficio; - 3 X — a prosperar o lançamento, devem ser excluídos os juros moratórios e multa de oficio, por indevidos, vez que devem se cobrado exclusivamente sobre o imposto lançado de forma suplementar. 6. Ao final, defende o provimento do recurso para o cancelamento do auto de infração guerreado. 7. Submetidos os autos a julgamento na Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, os membros do colegiado decidiram por diligência, com o escopo de que a autoridade preparadora determinasse ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) a verificação do imóvel objeto do auto de infração, vistoriando-o para, em parecer indicar, quais as áreas existentes de preservação permanente e de reserva legal. 8. Em resposta, o Escritório Regional de Passo Fundo (RS) do IBAMA apresentou o Relatório de Vistoria n° 16/09/ESREG/PSF, em que constam as seguintes informações: i) o imóvel rural denominado Fazenda Pinheirinho, com uma área total de 1.432,94588 ha, está matriculado no Oficio de Registro de Imóveis da Comarca de Carazinho (RS), sob n° 9.323, Livro n° 2 — Registro Geral, onde, conforme Termo de Declaração para Averbação de Área de Reserva Legal n° 001/2006 DEFAP/SEMA, consta a Averbação n° 26- 9.323, de 03/11/2006, com Área de Reserva Legal de 402,5615 ha; ii) no Memorial Descritivo consta como área total georeferenciada 1.438,7987 ha, sendo 1.432,94588 ha relativos à matricula n°9.323 e outros 17,00 ha referentes à matrícula n° 4.105, do Oficio de Registro de Imóveis da Comarca de Carazinho (RS), Livro n° 2 — Registro Geral; iii) sobre a primeira área foram destinados 347,4033 ha para Reserva Legal e 24,0642 de Área de Preservação Permanente, enquanto para a segunda área está determinada Reserva Legal de 55,1582 ha e 0,1568 ha de Área de Preservação Permanente; iv) com base nas vistorias realizadas no local, pode-se concluir que o imóvel rural Fazenda Pinheirinho possui de fato as Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente apresentadas na Averbação n° 26-9.323. 9. Após as providências adotadas, vieram os autos a julgamento nesse colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo 3°, III. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. 1 4 Processo n° 11030.001827/2004-31 82-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.450 Fl. 3 O objeto do presente processo é o auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel Fazenda Pinheirinho, localizada no município de Carazinho (RS), no exercício 2002, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do ITR, a título de: i) Área de Preservação Permanente — 100,00 ha para 35,00 ha, e ii) Área de Utilização Limitada —315,00 ha para 0,00 ha. A lavratura do auto de infração fez-se sob o argumento de que o sujeito passivo deixara de apresentar, para a Área de Preservação Permanente, o Ato Declaratório Ambiental (ADA), e, no que diz respeito à Área Utilização Limitada, o ADA e à falta da sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis competente. No tocante à obrigatoriedade do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tem-se que a sua exigência para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação peimanente, de utilização limitada, assim entendidas as áreas de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passíveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, somente se fez valer a partir da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, em seu artigo 17-0, em seu § 1°, que deu nova redação à Lei n° 6.938, de 31/01/1981, nos seguintes termos: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAM4 a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei e 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria. (-) ",5S. 1'. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Sob esse pórtico, somente a partir de 1° de janeiro de 2001, o sujeito passivo está obrigado a apresentar o ADA, para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente declarada pelo sujeito passivo, no cálculo da base do ITR. Na espécie, consta de fl. 19, Ato Declaratório Ambiental, expedido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), aos - 01/10/2002, portanto, em período posterior à ocorrência do fato gerador, mas, dentro dos seis meses peimitidos pela legislação tributária, contados a partir da data limite para entrega da declaração do ITR, que, para o exercício 2002, deu-se aos 30/09/2002, conforme artigo 3° da Instrução Nolinativa SRF n° 187, de 06/08/2002. Entretanto, embora o sujeito passivo houvesse declarado a Área de Preservação Peinanente no montante de 100,00 ha consta no ADA somente o valor de 35,00 ha, tomados pela fiscalização, não havendo o que ser reparado no lançamento. Passamos à analise da glosa da Área Utilização Limitada — Reserva Legal, pela falta de averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis competente. O mandamento que determinou a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 8°, do artigo 16 da Lei n°4.771, de 15/09/1965 - o chamado Código Florestal, pelo artigo 1 0 da Medida Provisória n°2.166-67, de 24/08/2001, litteris: 5 Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (--) ,55' 82 A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Conforme consta de fl. 287 verso, o sujeito passivo procedeu, aos 03/11/2006, a Averbação n° 26-9.323, à Matrícula n° 9.323, no Livro n° 2 — Registro Geral, do Oficio do Registro de Imóveis, da Comarca de Carazinho (RS), onde consta que o imóvel rural foi gravado com Área de Reserva Legal, com coordenadas UTM do polígono constante no projeto de treze remanescentes florestais, descritas no memorial descritivo, sendo vedada a alteração de sua destinação no caso de transmissão a qualquer título ou desmembramento da propriedade. Com efeito, na espécie, como se trata de lançamento referente ao exercício 2002, e a averbação à margem do registro do imóvel da Área de Reserva Legal somente se deu aos 03/11/2006, deve ser mantido o lançamento nessa parte. Por oportuno, cabe ressaltar que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo, vez que modifica o direito real sobre o imóvel, conforme determina o artigo 1.227 do Código Civil: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a L247), salvo os casos expressos neste Código. Ademais, que é uma peculiaridade da reserva legal a eleição, pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que será reservada para a proteção ambiental, por tal, somente se constitui reserva legal com a averbação daquela área no registro de imóveis, o que lhe revestirá dos efeitos contra terceiros. Assim, a Lei n° 4.771, de 15/09/1965, passou a exigir a averbação no registro público, o que implica que a sua utilização se submeta às limitações legais. Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB, de relatoria do Ministro Moreira Alves (DJ de 28/04/2000), em que se discutiam os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária, cuja ementa a seguir se transcreve: EMENTA: Mandado de Segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. No mérito, não fizeram os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo «is. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente 6 Processo n° 11030.001827/2004-31 S2.-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.450 Fl. 4 nos autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. Mandado de segurança indeferido. Em voto-vista, proferido naquele julgamento, o Ministro Sepúlveda Pertence assim se pronunciou: Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2 0 do art. 16 da Lei n° 4.771/65, não existe a reserva legal. Nessa mesma linha, o julgamento do Mandado de Segurança n° 23.370-2/GO, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, al de 28/04/2000, com a seguinte ementa: EMENTA: 1- Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal:A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, ITO,sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) II — Reforma agrária: desapropriação: vistoria e notificação. Ainda que na linha do entendimento majoritário do Tribunal, se empreste à notificação prévia da vistoria do imóvel expropriando, prevista no art. 2°, § 2°, da L 8.926/93, as galas de requisito de validade da expropriação subseqüente, não se trata de direito indisponível: não pode, pois, invocar a sua falta, o proprietário que, expressamente, consentiu que, sem ela, se iniciasse a vistoria. 7 Mandado de segurança indeferido. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF, como no julgamento do MS n° 28.156/DF, DJ de 02/03/2007. Sob esses entendimentos, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da incidência do ITR. Forte no exposto, somos por negar provimento ao recurso voluntário 9 apresentado. 7/\ Sala das Sessões, em 11 de março de 2010 e~c-Q, Àna Negrá 8
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Numero do processo: 10860.000646/95-46
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 201-04.849
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Luiza Helena Galante de Moraes
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Numero do processo: 11128.007908/2005-47
Data da sessão: Sat Jul 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 16/06/2004
RESSARCIMENTO, CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ENQUADRAMENTO EM EX TARIFÁRIO.
Não havendo prova do enquadramento do equipamento no Ex tarifário pretendido pelo contribuinte, deve ser negado o pedido de ressarcimento correspondente.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.527
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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E TRANSP. LTDA. DM SÃO PAULO Il/SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/06/2004 RESSARCIMENTO, CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. ENQUADRAMENTO EM EX TARIFÁRIO. Não havendo prova do enquadramento do equipamento no Ex tarifário pretendido pelo contribuinte, deve ser negado o pedido de ressarcimento correspondente, RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FORMALIZADO EM: 17 de agosto de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Márcia Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana Midori Migiyama (Suplente)„ Processo o" 1 1128 007908/2005-47 S3-C211 Acórdão o 3201-00.527 F 1 191 Relatório Adoto o relatório da decisâo de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo à Declaração de Importação de n" 04/0574302-0, registrada pelo importador em 16/06/04, oportunidade em que alega ter recolhido tributos a maior (no caso, contribuição PIS/PASEP), no montante de R$ 1.118,29 (hum mil, cento e dezoito reais e vinte e nove reais). Segue-se um breve histórico dos .flitos, conforme documentos nos autos Em 16/06/04 o interessado registrou Dl n" 04/0574302-0 (Fls. 10/13), parametrizado pelo Siscomex para o canal VERDE de conferência, com uma (mica adição, com II recolhido à aliquota de 14%, sem pleito quanto a qualquer EX-tarifário. Classificou a mercadoria no código NCM 8426.41.00 — (Máquinas e aparelhos autopropulsores, de pneumáticos), e, no campo "Descrição detalhada", assim a descreveu. Descrição detalhada da mercadoria —Na DI, originahnente: "GUINDASTE, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, PRÓPRIO PARA MOVIMENTA çÃo DE CONTAINER DE 20 E 40 PÉS (REACH STACKER), MODELO FERRARI BELOTTI 45,31, COMPLETO PORÉM PARCIALMENTE DESMONTADO PARA TRANSPORTE (CHASSIS NR. 5217/5218) " Em 29/11/05 —(fls 1) —apresentou Formulário.. Pedido de Cancelamento ou de retificação de declaração de importação e reconhecimento de direito creditório, pedindo restituição de R$ 1. 118,29 (contribuição PIS/PASEP) Alegou que o reconhecimento de direito creMório pleiteado decorria de retificação de DI n" 04/0574302-0, registrada em 16/06/04, onde teria recolhido a maior a receita código 5602 (contribuição PIS/PASEP), tudo confirme tabela abaixo, Isto porque, se tivesse pleiteado oportunamente o EX tarifário a que acreditava fazer jus, a aliquota do II seria reduzida, de 14% para 2%, com reflexos no cálculo da contribuição PIS/PASEP. TRIBUTO CÓDIGO RECOLHIDO DEVIDO A RESTITUIR CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP 5602 39,531,90 38.413,61 1.118,29 Posteriormente, em 22/06/06 (fls. 23), apresentou Pedido de Retificação de DI, aditamento, para alteração do o Imposto de Importação devido, de 14% para 2%, tendo em vista o Processo o" 11128 007908/2005-47 S3-C2T1 Acártfilo ri." 3201-00,527 Fl 192 enquadramento da mercadoria em EX tarifário amparado pelo disposto na Resolução n" 16, de 10 de junho de 2003, retificada pela Resolução n" 0.5, de 01 de março de de .2004, ambas da CAMEX. Tal EX não . fora pleiteado na ocasião, por motivos não esclarecidos Para . fins de adequar a descrição da mercadoria ao texto do EX tarifário pleiteado, solicitou retificação da mesma, que passaria De "GUINDASTE, AUTOPROPULSOR, SOBRE PNEUS, PRÓPRIO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CONTAINER DE 20 E 40 PÉS (REACH STACKER), MODELO FERRARI BELOTT1 4531, COMPLETO PORÉM PARCIALMENTE DESMONTADO PARA TRANSPORTE (CHASSIS NR. 5217/5.218)" Para Guindaste, autopropulsor sobre pneus, computadorizados, com capacidade de movimento tipo "caranguejo" e capacidade máxima de carga igual ou superior a 23 t, modelo Ferrar! Belotti 45.31, completo, porém parcialmente desmontado para transporte, chassi n" .5217/5.218. Eis o texto do E.À.' tarifário pleiteado pelo importador; Guindastes autopropulsores sobre pneus, computadorizados, com capacidade de movimento tipo "caranguejo" e capacidade máxima de carga igual ou superior a 23 t. Em diligência objetivando verificação das reais características da máquina importada, fbi relatado (pela autoridade administrativa) o seguinte (fis 119/120); "No local, fui inlbrmado que as empilhadeiras já não estavam mais operando naquele terminal, porém havia outras similares àquelas importadas pela Tomé Engenharia, ou seja, com as mesmas características técnicas e operacionais. Assim, por meio desta inspeção, concluiu-se que a mercadoria analisada não possui a característica de movimentação tipo "caranguejo", já que no eixo . frontal do bem não há possibilidade de direcional' as rodas para os lados direito nem esquerdo (v fotos fls. 107/108), impedindo, dessa .forma, o movimento na diagonal, o que é popularmente conhecido como movimento tipo "caranguejo". Portanto, diante desse contexto, não foram identificados todos os elementos. necessários para a caracterização do bem como o ex- tarifário proposto pelo importador Ás fls. 134/135 consta Parecer sobre o pedido, que serviu de base para o DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito, de lis 136/137, exarado em 09/06/08. O motivo do indefirimento foi a ausência de caracteiísticas exigidas do texto do EX para tal mercadoria, mais 842641.00 (BK) EX 005EX 005 3 Processo ri" 11128007908/2005-47 53-C211 Acórdão ri 3201-00.527 Fl. 193 especificamente a falta de capacidade de movimento tipo caranguejo". A base para a negativa . foi assim relatada. "Conforme a Informação COSI]' (DINOM) n°05, de 12/01/199.5, "um EX constante da NBM/SH (TIPI/TAB) é uma exceção tarifária atribuída a um produto com características precisas e determinadas, sendo destinado exchrsivamente para a mercadoria que preencha as características citadas, não podendo em nada se diferenciar da descrição nele efetuada". A seguir, relata-se o resultado da análise dos catálogos e das fotos anexadas aos autos, resultando na constatação de que o guindaste em comento tem o eixo frontal .fixo, o que não permitiria à máquina a capacidade de inOVilnent0 tipo "caranguejo" (onde todas as rodas são articuladas, permitindo seu movimento em todas as direções). Ciente do teor do despacho decisório de indefirimenw, e inconformado com o mesmo, o interessado apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 140/142, onde alega, basicamente, que. I - Não contesta a alegação de que o eixo frontal do guindaste é .fixo e as pontas do eixo traseiro articuladas, mas alega que a definição do movimento tipo "caranguejo" é diferente da acatada pela fiscalização, confirme Laudo do IPI elaborado para equipamento diferente do ora discutido, segundo o qual para ter tal movimento bastaria que um dos eixos traseiros fosse articulado; 2 - Protesta pela realização de perícia, para comprovação de que o guindaste é computadorizado e tem o movimento tipo "caranguejo". A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto. • Classificação de Mercadorias Data do fato gerador • 16/06/2004 ALÍQUOTA REDUZIDA. "EX" TARIFÁRIO A aplicação de alíquota reduzida somente se efetiva quando comprovada a perfeita correlação entre a mercadoria importada e a descrição do respectivo "ex" tarifário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERLCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente solução do litígio. Assunto.. Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador 16/06/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO A MAIOR, 4 Processo n" 11128.007908/2005-47 S3-C2T1 Acórdão n " 3201-00327 El 194 PELA NÃO UTILIZA çiro DE EAT TARIFÁRIO VIGENTE PARA A MERCADORIA IMPORTADA. Conforme art. 165 da Lei n" .5..17.2, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), cabe restituição de tributos recolhidas indevidamente ou a maior que o devido. Não caracterizado o recolhimento como indevido ou a maior que o devido, não cabe a restituição do mesmo ao sujeito passivo Solicitação indeferida O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado corno relator do presente recurso voluntário, na forma regimental.. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n" 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n°41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório, Processo n" 11128 007908/2005-47 S3-C2T1 Acórdão o 0 3201-00327 11 195 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. O mérito do recurso limita-se à possibilidade de enquadramento do guindaste importado pelo recorrente no "Ex" e, por conseqüência a restituição dos valores pagos indevidamente pela utilização da classificação fiscal pretensamente equivocada. Há urna preliminar de nulidade do auto de infração por incompetência do auditor fiscal responsável pela lavratura do mesmo para a avaliação do produto sem a assistência de técnico habilitado. Dentre as funções do auditor fiscal está a de fazer a classificação fiscal das mercadorias em procedimento aduaneiro e a necessidade de contratação de assistente técnico deve ser avaliada por este, observados os princípios legais que regem sua atividade e a administração pública em geral. Ao que se pode extrair dos autos, o exame de similaridade entre os equipamentos não requeria profundo conhecimento técnico, mas a simples observância das próprias regras de classificação fiscal, para o que o auditor fiscal está habilitado. Ademais, o pedido de perícia não atende os requisitos do artigo 16, IV do Decreto 70.235/72, Portanto, rejeito a preliminar argüida. No mérito, discute-se nestes autos se o equipamento em questão tem ou não a capacidade de movimentação tipo "caranguejo". Tendo o auto de infração, o despacho decisório e a decisão de primeira instância concordado que este equipamento não tem esta capacidade. Neste particular, é interessante a transcrição de parte do despacho decisório: A característica seguinte - CAPACIDADE DE MOVIMENTO TIPO 'CARANGUEJO" — não está presente nos equipamentos desta DI Senão vejamos: As informações e especificaçães técnicas contidas no catálogo de fls. 44 e 45 informam que o eixo dianteiro dos equipamentos não é articulado, portanto são .fixos; As pontas (direita e esquerda) do eixo frontal são totalmente diferentes das pontas (direita e esquerda) do eixo traseiro, que são articuladas e controladas através de pistões hidráulicos, tudo conforme as fotografias das fls. 114 a 118 Isto quer dizer que este produto pode deslocar-se para frenteou para trás em linhas retas ou em arcos, eventualmente 6 Processo n" 1 1128 007908/2005-47 S3-C2T I Acórdão n " 3201-00327 Fl. 196 completando uma circunferência.. Ele não consegue deslocar-se na transversal ou nas diagonais, rnovinientos necessários para que seja possível descrevê-lo e enquadrá-lo como lendo a capacidade de movimento tipo caranguejo,' conforme esclarecer o Ato Declaratório Executivo n" 63, de 28 de de4zembro de 2004, fls. 87, onde podemos ler . "Com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo)". O movimento tipo "caranguejo" exige, conforme fls. 81, a capacidade de direcional- todas as rodas para o mesmo lado, em outras palavras, o equipamento deveria apresentar os dois eixos (dianteiro e traseiro) articulados, o que não é o caso do guindaste FERRARI BELOTT1 45-31, objeto deste processo. O recorrente alega que o único laudo técnico existente nos autos, trazido em sua manifestação de inconformidade (fls. 143/159) conclui que o equipamento tem a capacidade de movimentação tipo caranguejo, contudo, nas conclusões daquele laudo consta o seguinte: Este parecer aplica-se somente ao equipamento em questão. Guindaste hidráulico DE111AG AC100, número de série 77017, chassi WMG520560)7000017 referente à DI 01/0378482-3. Como se vê, não se trata nem mesmo de equipamento da mesma marca, quanto mais do mesmo modelo, sendo imprestável para fazer prova nestes autos. Sendo o presente processo um pedido de ressarcimento, o ônus da prova recai sobre o contribuinte e este não trouxe aos autos qualquer elemento que contribua para gerar sequer dúvida quanto ao não enquadramento do equipamento em questão no Ex tarifário. Logo, VOTO por conhecer do recurso para negar-lhe provimento. ) 9.;- klee- " LtiO (jUi(Uteiuk. - MARCELO RIBEIRO NOGUEIRÀJ 7
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002318/2005-21
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001. SÚMULA CARF
Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42
da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte.
Numero da decisão: 2201-002.125
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a
preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte.
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SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A simples alegação de que os valores advêm de sua Declaração de Ajuste, não basta para afastar o ônus que a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, impõe ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 23 18 /2 00 5- 21 Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 05/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2000, 2001, 2002 e 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/12, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 617.900,13. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: ... argúi cerceamento do direito de defesa por falta de clareza na descrição do fato e da infração; quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; violação do princípio da irretroatividade da lei; e decadência quanto ao crédito relativo ao ano de 2000. No mérito, negou ter havido omissão de rendimentos. Disse que os valores depositados nas contas bancárias, e que deram causa ao lançamento, têm as seguintes origens: a) rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e de pessoas físicas como pagamento pela prestação de serviços; b) rendimentos recebidos como dirigente, sócio ou cotista de pessoa jurídica; c) movimentação financeira de pessoa jurídica que transitou pelas contas do impugnante; d) venda de imóveis e de veículos; Esclarecidas, pois, as origens dos valores depositados, restaria inaplicável o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430. Afirmou ainda o impugnante que os rendimentos já tinham sido oferecidos à tributação na declaração de ajuste, bem como já haviam sofrido desconto do imposto na fonte. A par desse fato, teria havido incorreta apuração do imposto, uma vez que não Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.002318/200521 Acórdão n.º 2201002.125 S2C2T1 Fl. 3 3 foram excluídos da base de cálculo os depósitos correspondentes às receitas pertencentes a pessoa jurídica; nem os valores correspondentes à distribuição de lucros e dividendos, que são isentos do Imposto de Renda; nem os rendimentos já constantes das declarações de ajuste tempestivamente apresentadas. Alegou a inconstitucionalidade do uso da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, porquanto teria ela finalidade remuneratória, além de extrapolar o limite fixado pelo art. 192, §3º, da Constituição Federal, cuja eficácia seria plena e a aplicabilidade imediata. Arguiu, por fim, o caráter confiscatório da multa. É excessivo o percentual de 75%, aplicado sobre o valor do imposto devido, considerando que não houve fraude ou sonegação fiscal, de modo que, sem prova de máfé, a multa não pode ser tão elevada, nem equivaler ao valor do tributo. Com esses fundamentos, pediu a anulação do auto de infração e a insubsistência do crédito tributário. A impugnação se fez acompanhar dos documentos de fls. 921 a 1.442. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: UTILIZAÇÃO DE DADOS RELATIVOS À CPMF. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTERIOR A JANEIRO DE 2001. POSSIBILIDADE. Tratandose de regra que amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa, é possível, nos termos do § 1º do art. 144 do CTN, a utilização de dados relativos à CPMF para lançamento de crédito tributário cujo fato gerador tenha ocorrido antes de janeiro de 2001. ACESSO À MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. DIREITO À PRIVACIDADE, INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS. VIOLAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. POSSIBILIDADE. SIGILO FISCAL. Não cabe, no âmbito do processo administrativo, o controle de constitucionalidade de leis. Ademais, considerando que não existem direitos absolutos, é possível, respeitado o critério da proporcionalidade, que alguns direitos cedam em favor de outros igualmente tutelados pelo ordenamento jurídico. Quanto aos dados relativos à movimentação financeira, antes protegidos pelo sigilo bancário, passam agora a ficar sob o sigilo fiscal. DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial do prazo de decadência do Imposto de Renda da pessoa física, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, é o momento em que se consuma o fato gerador, conforme disposto no art. 150, §4º, do CTN. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da razoabilidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda o tributo confiscatório. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, dada existência de previsão legal. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 10/07/2009 (fl. 1456), Gabriel Picolo Filho apresenta Recurso Voluntário em 24/07/2009 (fls. 1457/1467) e aditivo ao Recurso Voluntário (fls. 1472/1481), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, verbis: Recurso Voluntário Da decadência do crédito tributário Demonstrase, no próprio argumento do Sr. Auditor, a decadência do direito de constituição de eventual crédito tributário, pelo menos no que diz respeitos aos levantamentos do ano base de 2.000, considerandose princípios Constitucionais, de lei Federal e de Normas atinentes à espécie, especialmente tratados no Código Tributário Nacional, em seu Artigo 150, parágrafos primeiro e quarto. Nelas fica claro que o ora Defendente, por sua manifestação, reportase a vários aspectos sequer abordados na apreciação do Sr. Auditor. Sequer por ele apreciados ou mesmo considerados em sua manifestação que embasa o Auto de Infração ora impugnado e ora em grau de Recurso. Entre tais alegações, inclusive constantes das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física do ora Recorrente CPF n°. 016.534.46870 verificamse a distribuição de lucros de suas empresas... E esse procedimento não foi adotado em nenhum dos dois processos, seja no Auto de Infração de seu esposo, Sr. Gabriel Picolo Filho, seja neste ora também impugnado. Resulta daí, salvo melhor entendimento, efetivo cerceamento de defesa que macula intransponivelmente seu Auto de Infração assim como o de seu esposo. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.002318/200521 Acórdão n.º 2201002.125 S2C2T1 Fl. 4 5 Inexistente tal intimação desconstituirse a presunção legal de omissão de receita, por falta de comprovação da origem mediata... Do Sigilo Bancário As requisições, intimações e notificações realizadas pelo Sr. Auditor embora não façam menção expressa têm por fundamento a Lei Complementar n°. 105 de 10 de janeiro de 2.001 e seu respectivo Decreto regulamentador nº 3.724 10 de janeiro de 2.001. Compõem o Mandado de Procedimento Fiscal e conseqüente Auto de Infração, a análise dos rendimentos do Contribuinte e sua esposa, Sra. Carmem Ayres Picolo, tendo em vista os anos base de 2.000 a 2.003. Desrespeitouse, além dos princípios antes indicados, a irretroatividade de lei ou normas, posto que tais normas que, pretensamente, autorizariam a atitude do Sr. Auditor, foram promulgadas após a ocorrência dos atos averiguados. Princípio também amparado por outros Constitucionais, qual seja aqueles contidos nos Artigo Quinto, Inciso II e Artigo 150, Inciso I de nossa Constituição Federal. Do Mérito da alegada Infração Ora, a composição dessas informações demanda análise detida e adequado das Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda dos Contribuintes Envolvidos Cônjuges e, pois, a averiguação de que o Cônjuge Varão recebeu lucros e dividendos de suas empresas. Fato e situação não só não considerada pelo Sr. Auditor, como sequer por ele apreciada na forma como antes solicitado. O que se verificou é que o Cônjuge Varão, ora Recorrente, tem recursos mais que suficientes para amparar suas receitas, tanto assim que os declarou especificamente, tanto em Rendimentos não tributáveis, pois distribuição de lucro ou antecipação de lucros, como em rendimentos tributáveis. Apurouse o imposto pela movimentação bancária, esquecendo se de computar os valores de receitas declarados e adequadamente demonstrado nos anobase objeto da averiguação... Esqueceuse de computar as receitas já deduzidas de imposto, por tratarse de retenção pela fonte pagadora... Representa, o ora Impugnado Auto de Infração, por menos, Tributação Dupla, bis in idem! Ou seja, tributase, por vontade do Sr. Auditor, receita já tributada na origem, ou nas declarações apresentadas e formalmente em ordem! Sem dúvida existem rendimentos pessoais dos ora Impugnantes, mas todos eles constam das declarações apresentadas e não consideradas pelo Sr. Auditor. Assim, como existem valores Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 simplesmente transferidos de contas individuais do Cônjuge Varão ou de outras contas do Casal. Há que se considerar na eventualidade de aplicação de multa a que for mais benéfica para o contribuinte. Sequer houve qualquer forma de caracterização de fraude ou de atitude de caráter máfé dos Contribuintes, como definidas em princípios de lei federal. Em verdade com a aplicação da multa na forma com demonstra o Auto de Infração ora Impugnado, há gritante desrespeito a princípio de lei Federal, especialmente aquele constante do Artigo 150 do Código Tributário Nacional, em seu Inciso IV. Quanto a este aspecto, não há dúvida que caso prevaleça a Autuação, deverseá considerar os princípios contidos no artigo 112 do Código Tributário Nacional, assim como os princípios do artigo 42, parágrafo 30, inc. II da Lei n° 9.430/96, nos mesmos termos como essa E. Corte já decidiu anteriormente: IRPF Depósito Bancário Limites Legais O art. 42, § 3°, inc. II da Lei n° 9.430196 determina que deverão ser desconsiderados do lançamento os valores inferiores a R$ 12.000,00 (individualmente considerados) desde que a soma dos mesmos seja inferior a R$ 80.000,00. Os valores que se enquadrarem dentro dos referidos limites devem ser excluídos do lançamento. Recurso voluntário parcialmente provido. Aditivo ao Recurso Voluntário Todos os depósitos no anocalendário em debate são inferiores a RS 12.000,00, e o total não ultrapassa o valor de R$ 80.000,00. IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPOSITOS BANCARIOS EM CONTA CONJUNTA. Na hipótese de conta corrente mantida em conjunto, cujas informações dos contribuintes tenham sido apresentadas em separado e inexistindo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos presumidamente omitidos deverão ser imputados a cada titular; mediante divisão entre o total desses rendimentos pela quantidade de titulares. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZACÃO INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE — A Lei n° 10.174/ 2001, que deu nova redação §3° do art. 11 da Lei n° 9.311/96, permitindo o cruzamento de informações relativas à CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Por fim, o Recorrente requer que seja recebido o presente aditamento do Recurso Voluntário no sentido de considerar os argumentos nele expostos para afastar a tributação da omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada no auto de infração em debate, por ausência de base legal. Requer, outrossim, a juntada do incluso instrumento de mandato deixando consignado a ratificação do recurso voluntário Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.002318/200521 Acórdão n.º 2201002.125 S2C2T1 Fl. 5 7 tempestivamente interposto pelo próprio contribuinte, ora Recorrente. Por derradeiro requer que, mesmo em caso de improcedência do presente recurso, que seja declarada a insubsistência do arrolamento de bens exigido e efetivado pela autoridade fazendária "a quo", tendo em vista a decisão proferida na ADI nº 1976 pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, nesta segunda instância, na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, relativa aos anoscalendário de 2000 a 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão cumpre examinar, de antemão, as preliminares argüidas pela defesa. A primeira diz respeito à quebra do sigilo bancário, bem como violação do princípio da irretroatividade da lei; a segunda aduz decadência do crédito tributário e a última suscita cerceamento do direito de defesa. Quanto à alegação de quebra ilegal do sigilo bancário, cumpre registrar que seu afastamento se deu com base na Lei Complementar nº 105/2001, bem como no art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/1996 (redação dada pela Lei nº 10.174/2001). Em relação à violação do princípio da irretroatividade da lei, na quebra do sigilo bancário, invoco a Súmula CARF nº 35: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) Com efeito, as Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar 105, de 2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o recorrente foi intimado a fornecer seus extratos bancários, no entanto, não apresentou, razão pela qual não restou outra solução a fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Sobre a preliminar de sobrestamento arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes, penso que a mesma não deve ser acolhida, pois o caso em apreço não se subsume ao § 1º do art. 62A do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Ressaltese que de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em relação à decadência associada ao fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2000 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2001 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2005. Destarte, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 7 de dezembro de 2005 (fl. 889), o crédito tributário constituído pelo lançamento não havia sido atingido pela decadência. No que tange a alegação de cerceamento do direito de defesa, por suposta omissão cometida pela autoridade fiscal, quando da análise dos documentos apresentados pelo recorrente, reproduzo, de pronto, as observações da autoridade autuante, quando apreciou os documentos apresentados pelo Contribuinte (Termo de Verificação de Infração Fiscal – fl. 16): No intuito de comprovar tais alegações, foram apresentados pelo auditado, diversos Informes de Rendimentos com valores dos montantes recebidos no ano, contratos sociais, diversos recibos que não foram identificados/comprovados seus recebimentos através de depósitos/créditos nas contas bancárias do fiscalizado e inúmeras notas fiscais — Medicina do Trabalho Picolo S/C Ltda — que segundo o fiscalizado, foram creditadas nas contas bancárias de sua pessoa física, porém não houve identificação de um único crédito, confira fls. 497 a 885. Após análise dos documentos e justificativas/alegações apresentadas pelo fiscalizado, constatouse o não atendimento do requisito básico constantes dos TERMOS de Constatações e Intimações encaminhados ao contribuinte, qual seja: Comprovar com documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, os depósitos e ou créditos efetuados em suas contas bancárias. Do exposto, verificase que a autoridade lançadora analisou os documentos apresentados pelo suplicante, contudo, diante da falta de coincidência em datas e valores não foi possível a exclusão de qualquer valor. Deste modo, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. No mérito, a presente omissão de rendimentos está sendo exigida da pessoa física tendo em vista a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, com base na presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.002318/200521 Acórdão n.º 2201002.125 S2C2T1 Fl. 6 9 Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo da contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 tem como embasamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O entendimento foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral, “Processo Administrativo Fiscal” (Editora Saraiva, 1993, pág. 311): O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional1. Passando as questões pontuais de mérito, alega o suplicante que possui recursos suficientes informados em suas Declarações de Ajuste (rendimentos tributários declarados e lucros distribuídos) para justificar as origens dos depósitos não comprovados indicados pela fiscalização. Assevera, ainda, que todos os depósitos apurados são inferiores a RS 12.000,00, e o total não ultrapassa o valor de R$ 80.000,00. Por fim, questiona a multa de ofício imposta e reclama a aplicação do princípio contido no artigo 112, do Código Tributário Nacional. Pois bem, em que pese alegue o recorrente que possui recursos suficientes informados em suas Declarações de Ajuste para justificar as origens dos depósitos não comprovados, verifico, pois, que não foram encontrados nos extratos do contribuinte nenhum depósito que combinasse em datas, valores, histórico, etc., com os rendimentos tributários declarados e/ou lucros recebidos. 1 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 10 Aliás, em resposta a intimação da fiscal, o próprio contribuinte reconhece a impossibilidade de identificar os créditos aportados em seu movimento bancário. Vejase: Venho informar que todos os rendimentos acima, bem como a venda de bens foram depositados em contas correntes nas instituições financeiras não tendo como identificar um a um (fls. 457). Venho esclarecer que identificar, cada depósito/crédito tornase praticamente impossível visto que não guardei estes comprovantes. Falei com gerentes das agências bancárias e eles me informaram que não terá como identificar os depósitos em dinheiro, mesmo que encontre os comprovantes, somente depósitos em cheques poderão ser rastreados, para identificar o emitente deles, e isto levaria muito tempo (fls. 461). Cabe aqui lembrar, que o ônus da prova da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias é do contribuinte, e que, não havendo pelo menos uma razoável coincidência entre datas e valores, deve ele apresentar outros elementos de prova que permitam estabelecer uma relação entre as operações que alega terem ocorrido para comprovar a origem dos depósitos que pretende justificar. A alegação de que possui recursos suficientes informados em suas Declarações de Ajuste, tais como, venda da participação societária e/ou lucros distribuídos, no máximo comprovariam, em tese, que possuía recursos financeiros para depositar em sua conta pessoal, porém para efeito de afastar a presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o depósito há de ser comprovado documentalmente de forma individualizada. Consolidouse nesse sentido a jurisprudência desse Conselho. IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos. (Acórdão nº 10423276, de 25 62008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa). (grifei) Portanto, não há como considerar como comprovada a origem apenas com a indicação genérica da fonte do crédito. Registrese, por oportuno, que para que se reconheçam os lucros distribuídos informados em suas DIRPF’s como origens, é necessário à demonstração de que os depósitos são de fato oriundos da pessoa jurídica, caso contrário, a conclusão que se impõe é que os valores não transitaram pelas contas bancárias do suplicante. Ressaltese que a fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, nos seguintes montantes: R$ 280.637,20, 214.148,17, 153.122,99 e 350.243,03, relativamente aos anoscalendários de 2000, 2001, 2002 Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.002318/200521 Acórdão n.º 2201002.125 S2C2T1 Fl. 7 11 e 2003, respectivamente, portanto, não procede a alegação de que todos os depósitos apurados são inferiores a RS 12.000,00, e o total não ultrapassa o valor de R$ 80.000,00 (fls. 08/11). Destarte, em face da ausência de elementos fáticos de que não houve omissão de rendimentos, não há como acolher a alegação do contribuinte. Sobreleva anotar que quando o conjunto probatório é sólido e suficiente para a formação da convicção a autoridade julgadora é inaplicável o art. 112 do CTN Por fim, a exigência apurada pela autoridade fiscal ensejou a imposição da multa de ofício de 75%, na forma do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, penalidade esta que somente poderá ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei, conforme preceito do art. 97, VI, do CTN. Portanto, no caso em tela, não há previsão legal para dispensa ou redução da multa de ofício aplicada. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10820.000722/95-26
Data da sessão: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR - Recurso Especial Nulidade declarada de ofício. Notificação de
lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo
11 do Decreto n° 70.235172. A falta de indicação, na notificação de
lançamento, do cargo ou função e o número de matricula do AFTN
acarreta a nulidade do lançamento, por vício forma
Numero da decisão: CSRF/03-03.217
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiro Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará Declaração de Voto.
Nome do relator: Marcia Regina Machado Melare
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TERCEIRA TURMA s. Processo n° : 10820.000722195-26 - Recurso n° : RD/201-0.382 Matéria : ITR Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : PRIMEIRA CÂMARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'Interessado : TAXASHI HA-RA Sessão de : 20 DE AGOSTO DE 2001 Acórdão n° : CSRF103.03.217 ITR - Recurso Especial Nulidade declarada de ofício. Notificação de lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235172. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matricula do AFTN acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiro Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. O Conselheiro Henrique Prado Megda fará Declaração de Voto. ›ri ON PEREIRA RODR1GUES • PRESIDENTE --------------- MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ RELATORA FORMALIZADO -EM: 25 FEV 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NILTON LUIZ BARTOLl. Processo- ri° : M20-.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão -n° : CSRF/03.-03.217 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : TAKASHI HARA RELATO-R-10 Contra o Acórdão proferido pela C. Primeira Câmara do Segundo Conselho de ~4~ -que, Por ~idade, deu provimento ao fecurso voluntário interposto pelo recorrente, reduzindo o valor do VTN tributado para R$ 171.694,21 em conformidade com Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte, foi apresentado o presente Recurso Especial, com fundamento no artigo 32, inciso 11, da Portaria IVIF 55198, pela Procuradoria-Gerat , dafazenda Nacional. Aduz a douta PGFN que o Laudo de Avaliação apresentado pelo contribuinte não pode ser aceito, por não obedecer aos requisitos constantes das Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABTN, e especialmente porque não se fez acompanhar da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, exigido peta Lei 6.496/77. O V. Acórdão guerreado, por maioria de votos, entendeu de modo diverso, -conforme sua ,ementa , -ora transcrita , aceitando a prova apresentada -como v lida e eficaz para autorizar a redução do VTN do imóvel: 111TR/94 - Provando o contribuinte, com base em Laudo Técnico idôneo que o Valor da Terra Nua (Vi-N) base do seu lançamento do ITR de sua propriedade, incorreto, deve o lançamento ser retificado com os valores constantes do Laudo, a teor do art. 3°, § 4° da Lei n. 8.847194 - Recurso voluntário a que se dá provimento. Preenchidos os requisitos legais, foi determinado o processamento do fecurso. É o Relatório. 1 2 7 Processo n° : /0820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão n° : CSRF/03.03.217 VOTO Conselheira MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, Relatora: Preliminarmente, verifico que na notificação de lançamento de fts., emda por sistema eletitnioa, não consta a ~ação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do agente fiscal do tesouro nacional autuante. Desta forma, considerando o disposto no artigo 6o., inciso 1 e 11 da Instrução Normativa SRF n. 094, de 24 de dezembro de 1997, que determina seja declarada a nulidade do lançamento que houver sido constituído em desacordo com o disposto no artigo 5° da mesma Instrução Normativa; Considerando que o artigo 5° da instrução Normativa da SRF n. 94/97, em seu inciso VI, determina que no ~mento deve -constar, obrigatoriamente, o nome , o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; Considerando que o parágrafo único do artigo 11 do Decreto n. 70.235/72 somente dispensa a assinatura do AFTN autuante quando o lançamento se der por processo eletrônico, exigindo, porém, a indicação do cargo ou função e o número de sua matrícula; Considerando, ainda, que o 1° Conselho de Contribuintes, através de decisões publicadas, já houve por bem decretar a ~idade do ~Mo -que não observe as regras do Decreto 70,235/72, conforme ementa transcrita; 44 -NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - NULIDADE DE LANÇAMENTO - É nulo o lançamento cuja notificação não contém todos os pressupostos- legais- contidos- no- artigo- 11 da Decreto 70235/1972 ( Aplicação do disposto no artigo 6° da IN SRF 54/1997). 41 ( Acórdão n°108.06.420, de 21.02.2001) 3 1 Processo n° : t0820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão n° CSRF/03.-03217 E tendo em vista que a notificação de lançamento do ITR apresentada nos autos não preenche ce reqx~ legais, espedalmente por faltar na mesma a indicação do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN autuante, VOTO no sentido de ser declarada, de ofício, a -NULIDADE DO LANCAMENTO DE FLS., relativo ao ITR impugnado, com base nos dispositivos ; constantes da legislação tributária já referidos. 1 Sala das Sessões-DF, 20 de agosto de 2001.. MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ 1 1 4 Processo n° : /0820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão n° : CSRF/03.03.217 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : TAKASH1 FIARA DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro HENRIQUE PRADO IVIEGDA Data vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheira Relatar na clue toca a declaração da nulidade da Notcação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5 0, inciso VI, e 6°, da IN SRF no 94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: 1 - nacionais ... ti - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditoria Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicilio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, -fixando prazo para atendimento da solicitação. Art. 4° Se da revisão de que trata a art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de -ofício, mediante lavratura de -auto de infra*. Processo n° : 10820.000722195-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão n° : CSRF/03.03.217 Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: - o nome, o cargo, o número 8e matricula e a -assinatura do AFTN autuante; A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - 'Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se trata de Notificação de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, 'fica evidenciada a inadequação da aplicação da 'IN SRF n° 94197 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Noti~es de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. O art. 11, do Decreto Tf 70.235172, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: 6 Processo n° :10820.000722/95-26 Recurso no : RD/201-0.382 Acórdão n° : CSRFI03.03.217 - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Iii - a disposição regar infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso 1, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso 11, por sua vez, impedhia o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de ~mento -da Lei n° 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso rfr, este possibilita o estabeleciinento do contraditório e a ampla defesa, razão peia -qual MO pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que eras dizem respeito ao ',chefe -do órgão expedidor ou -de -outro seividor autorizado", a não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. C cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa'incompetente. 7 Processo ne : 10820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão : CSRFI03.03.217 Já o lançamento do 1TR é um procedimento massilicado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande tiriiwarso de contribuintes. Assim, toma-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes estas características identificam com mais -eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não'são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário_ Além disso, nas Notificações do 1TR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do -/TR personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto ri° 70.235172, com as alterações da Lei n° 8.748193. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: - os atose termos lavrados por pessoa incompetente; 11 - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Processo n° : 10820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão n° : CSRF103.03.217 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui-se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes, A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declarada de oficio pela Douta Conselheira Relatara, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto n° 70.235172, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de oficio traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso II, da Lei n° 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: li - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." 9 Processo n° :10820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão : CSRF/03.03.217 É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir o ato inquinado, desta vez. certamente adotando todos os procedimentos elenwdos no art. 11 do Decreto n° 70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do casO, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o- que conduiiria certamente a um novo lançamento, com a repetição de todo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc.- Principalmente-para aqueles que -já -foram-vitoriosos -errr-primeira- instância, e vêm 4iscutit. no Conselho de Conthbuintes a-peflas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, -assim se -expressa -o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 1° da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento corno: io Processo n° : 10820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão 110 : CSRF/03.03217 t a verificação da ocorrência do fato gerador 2. a determinação da matéria ~lavei: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário lar- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art 11, do Decreto 7.0.235172, o que a notificação -de tançamerrto, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matricule, prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235172 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subsequente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos 11 Processo n° : 10820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão n° : CSRFI03.03.217 requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em teia, "Notificação de Lançamento do- ITR", até- 31/12/981 por se- •tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9° do Decreto 70235172, ela não se refere a um só imposto. Ela abarca, além do 1TR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a segi.grite destinação. 60% para os Sindicatos da -categoria, 15% para as federações estaduais que_ as abarcam. para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAQ) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e ~ria cia' remuneração cios trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento cio ITR pnamove a arrecadação destinada ao SENAR -que é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural; que objetiva o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Por se balar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às 12 Processo n° : 10820.000722/95-26 Recurso n° : RD/201-0.382 Acórdão TI° : CSRF/03.03.217 arrecadações, quando apenas uma deras apresentar irregularidade ou sofrer outras ~e' s, podendo iffedir o prosseguimento do recolhimento das ~s. Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto na art. 142 -do CTN, ,que lista os procedimentos para consti~ do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas legais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sala das Sessões-DF, em 20 de agosto de 2001. FIENR1OU -DO MEGDA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13884.723267/2012-64
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/12/2008
JULGAMENTO CONJUNTO DE PROCESSOS CONEXOS.
Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008 e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2008
TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO
A existência de Tratado para Evitar Bitributação, entre o Brasil e outro Estado não impede a autuação de lucros provenientes do exterior, provenientes desse Estado, pois a partir da fração dos lucros da controlada no exterior a que a controladora no Brasil tem direito, antes de descontado o imposto pago naquele Estado, efetua-se a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela controladora no Brasil; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduz-se o valor do imposto pago pela controlada no exterior; dessa forma, a controlada, é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL.
RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA.
A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária.
METODO DA EQUIVALENCIA PATRIMONIAL - MEP
O MEP é uma imposição da legislação brasileira, que somente obriga a pessoa jurídica residente no Brasil a realizar sua escrituração contábil observando o MEP; portanto, cabe à controladora brasileira o trabalho de realizar a consolidação dos resultados do grupo empresarial, levando em conta os lucros obtidos tanto pelas controladas diretas quanto pelas indiretas.
CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DO IRPJ
Descabe a adição à base de cálculo do IRPJ, do valor apurado de ofício de CSLL não registrada como custo ou despesa.
LUCRO CONTROLADAS. CONSOLIDAÇÃO.
Descabe a adição de custo do produto vendido proveniente de parte relacionada, se a correspondente receita da parte relacionada não foi excluída.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-001.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora.
Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755.
Apensar ao presente o processo nº 13884.723115/2012-61
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarou-se impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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Os julgamentos do processo que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2008 e do que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL relativos ao mesmo período de apuração, só fazem sentido se concomitantes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO A existência de Tratado para Evitar Bitributação, entre o Brasil e outro Estado não impede a autuação de lucros provenientes do exterior, provenientes desse Estado, pois a partir da fração dos lucros da controlada no exterior a que a controladora no Brasil tem direito, antes de descontado o imposto pago naquele Estado, efetuase a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela controladora no Brasil; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduzse o valor do imposto pago pela controlada no exterior; dessa forma, a controlada, é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL. RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. METODO DA EQUIVALENCIA PATRIMONIAL MEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 32 67 /2 01 2- 64 Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 3 2 O MEP é uma imposição da legislação brasileira, que somente obriga a pessoa jurídica residente no Brasil a realizar sua escrituração contábil observando o MEP; portanto, cabe à controladora brasileira o trabalho de realizar a consolidação dos resultados do grupo empresarial, levando em conta os lucros obtidos tanto pelas controladas diretas quanto pelas indiretas. CSLL. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DO IRPJ Descabe a adição à base de cálculo do IRPJ, do valor apurado de ofício de CSLL não registrada como custo ou despesa. LUCRO CONTROLADAS. CONSOLIDAÇÃO. Descabe a adição de custo do produto vendido proveniente de parte relacionada, se a correspondente receita da parte relacionada não foi excluída. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Roberto Quiroga, OAB/SP 83.755. Apensar ao presente o processo nº 13884.723115/201261 (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarouse impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo de autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$7.380.890,45 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$2.445.651,88, págs. 992/1.003, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, e relativos ao anocalendário 2008; as infração autuada foi: Adições não computadas no Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 4 3 lucro real; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Relatório Fiscal de págs. 1.005/1.009. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro DRJ/RJ1 no Acórdão nº 1261.261 8ª Turma da DRJ/SPO, em 12 de novembro de 2013, que considerou a impugnação procedente em parte: afastou o lançamento de IRPJ e manteve o de CSLL e respectivos multa de ofício e juros de mora; as ementas esclarecem as razões: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2008 LUCRO. CONTROLADA INDIRETA. TRIBUTAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. Ressalvados os casos em que demonstrada a ocorrência de planejamento tributário inoponível ao Fisco, os resultados fiscais das controladas indiretas devem ser consolidados no resultado da controlada direta, conforme determina o parágrafo 6º do artigo 1º da IN SRF n.º 213/2002. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/1996. 3. A DRJ/RJ1 recorreu de ofício ao CARF. 4. Cientificado em 19/11/2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário de págs. 1.293/1.327, em 18/12/2013, tempestivo, resumido a seguir. 5. Que consta do Relatório de Revisão Interna de DIPJ ("Relatório Fiscal") e Relatório Fiscal Auto de Infração ("Relatório AI"), que a Recorrente teria deixado de oferecer à tributação: a. > R$ 15.586.962,83 de lucros auferidos no exterior pela controlada direta Embraer Aviation Europe ("EAE"), sediada na França; b. > R$ 13.178.422,02, de lucros auferidos no exterior pelas controladas da Embraer Spain Holding ("ESH"), sediada na Espanha as quais são, portanto, controladas indiretas da Recorrente, situadas em diversos países; e c. > R$ 2.445.651,88 de CSLL sobre os lucros auferidos no exterior adicionados de ofício pela Fiscalização, considerado como indedutível da base de cálculo do IRPJ. d. > e que a fiscalização identificou que R$ 1.591.475,01 foram adicionado em excesso, de lucros auferidos no exterior pela controlada Embraer Aircraft Holding (EAH), dos Estados Unidos, o que admitiu a dedução desse valor das bases de cálculo apuradas pela fiscalização. 6. Aponta que a adição dos lucros auferidos no exterior pelas controladas diretas e indiretas não resultou em IRPJ a pagar, mas apenas reduziu o seu saldo negativo de IRPJ, o que Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 5 4 levou à não homologação de parte dos créditos pleiteados pela Recorrente, ou seja, um único procedimento fiscalizatório resultou (i) na lavratura dos autos de infração que deram origem ao presente processo, bem como na (ii) não homologação parcial de compensações realizadas pela Recorrente. 7. Apresenta organograma à pág. 1.295 demonstrando as controladas: a. direta Embraer Aviation Europe SAS Holding (subsidiária) EAE à qual estão ligadas as controladas indiretas i. Embraer Aviation International SAS ii. Embraer Europe SARL b. direta Embraer Spain Holding Co SL (subsidiária) ESH à qual estão ligadas as controladas indiretas: i. ECC Investment Switzerland, AG 1. ECCInsurance Switzerland, AG 2. Embraer Finance Ltd a. Embraer Merco S/a EMS ii. ECC Leasing Co Ltd iii. Air Holding SG PS SA 1. OGMA a. Listral Estruturas Aeronauticas S/A iv. Harbin Embraer Aircraft Ind Co Ltd (JV Embraer AVIC II) v. EPH SGPG S/A 1. Embraer Estruturas Metálicas S/A 2. Embraer Estruturas de Compósitos S/A 8. Relata os argumentos que fundamentaram o Acórdão da DRJ/RJ1: a. sobre os lucros no exterior pelas controladas da ESH Espanha, R$13.178.422,02, em relação aos quais exonerou o lançamento; b. sobre os lucros no exterior pela controlada direta da EAE França, R$15.586.962,83, em relação aos quais manteve o lançamento; c. sobre a adição da CSLL apurada sobre os lucros auferidos no exterior, adicionados de ofício (R$2.445.651,88), que cancelou; d. duplicidade da cobrança do IRPJ, reconhecida. 9. Argumenta que a parcela do crédito tributário referente à CSLL sobre os lucros no exterior pela controlada direta da EAE França, R$15.586.962,83, mantida, também deve ser cancelada, porque: a) inexiste previsão do Método de Equivalência PatrimonialMEP nas legislações da Espanha e da França; b) foi incorreto o procedimento adotado pela fiscalização na consideração dos lucros auferidos pelas controladas indiretas; não tributação dos lucros auferidos pela controlada em países signatários de tratados contra bitributação; inconstitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 violação aos conceitos de renda e lucro; ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Método de Equivalência Patrimonial (MEP) nas legislações da Espanha e da França Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 6 5 10. Argumenta que, segundo o art. 6o da IN SRF n° 213, de 2002, nas demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicilio". 11. Porém as legislações espanhola e francesa possuem normas de cunho comercial que definem a forma de elaboração das demonstrações financeiras em seus territórios, mas nenhuma delas prevê a obrigação de as empresas ali sediadas adotarem o Método de Equivalência Patrimonial (MEP); ou seja, as legislações comerciais dos países onde estão domiciliadas a ESH e a EAE permitem que estas avaliem seus investimentos com base no custo de aquisição e, consequentemente, sem o reconhecimento resultados apurados por suas subsidiárias estrangeiras antes da efetiva distribuição dos lucros; o que evidencia que os lucros auferidos no exterior que devem ser adicionados à base de cálculo do IRPJ e da CSLL da Recorrente no anocalendário de 2008 são apenas aqueles contabilizados pelas suas controladas diretas, ou seja, R$ 21.380.107,35 da ESH e R$ 2.040.992,99 da EAE, sendo indevida a adição dos lucros auferidos pelas suas controladas indiretas; na ausência de previsão legal para reflexo dos lucros auferidos por controladas indiretas em sua controlada direta por intermédio do MEP, concluise que tais montantes só deverão ser consolidados na controlada direta quando efetivamente disponibilizados a esta última. 12. Assim, impossível que a Recorrente reconheça os lucros das suas controladas indiretas, tendo em vista que estes valores não foram efetivamente disponibilizados às suas controladas diretas (ESH e EAE) e tampouco poderiam estar refletidos nestas pelo MEP, na medida em que nas legislações comerciais dos países onde estão sediadas a ESH e a EAE não existe previsão que as obrigue a adoção deste método. 13. Portanto, a lavratura dos autos de infração originários do presente processo está completamente equivocada, razão pela qual se requer que este E. Conselho (i) cancele integralmente os referidos autos de infração em face da iliquidez e incerteza dos lançamentos; ou, subsidiariamente, (ii) reconheça a necessidade de reapuração do IRPJ e da CSLL para desconsiderar os efeitos da adição dos lucros auferidos pelas controladas indiretas indevidamente e adicionados ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL, por um lapso, pela Recorrente, procedimento que resultou em uma antecipação do oferecimento de tais valores à tributação. Incorreto o procedimento adotado pela fiscalização na consideração dos lucros auferidos pelas controladas indiretas 14. Que adicionou ao lucro real do anobase de 2008, o lucro apurado no balanço consolidado da controlada direta na Espanha, a ESH, R$ 256.286.116,21; e demonstrou à fiscalização que este valor foi fruto de um equívoco, sendo o montante correto a ser adicionado de R$ 164.079.397,21, portanto, adicionou R$ 92.206.719,00 (fls. 937 e 947) a maior; mas sua argumentação não foi aceita Autoridade Fiscal disse que a Recorrente deveria ter adicionado R$ 269.464.538,24, e lançou de ofício os tributos supostamente incidentes sobre a parcela de R$ 13.178.422,02, que corresponde à diferença entre o montante apurado pela fiscalização (R$ 269.464.538,24) e o valor que a Recorrente havia adicionado (R$ 256.286.116,21). 15. Que a Turma Julgadora exonerou a cobrança de R$ 13.178.422,02, por entender que o parágrafo 6º do art. 1º da IN/SRF n° 213/2002 determina a consolidação dos resultados na controlada direta; mas olvidouse que tal determinação implica não apenas na exoneração do valor adicionado pela Fiscalização, mas também no reconhecimento de que o valor a ser Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 7 6 tributado pela Recorrente no Brasil a título de lucros auferidos no exterior seria de apenas R$ 164.079.397,21. 16. Por isso, requer ao CARF que reconheça a correção da decisão da DRJ, com a consequente consideração da base o cálculo consolidada dos lucros auferidos no exterior pela ESH e suas controladas apresentadas pela Recorrente durante o procedimento fiscalizatório o que levará, consequentemente, ao cancelamento do crédito tributário mantido pela Delegacia de Julgamento tendo em vista a adição a maior no montante de R$ 92.206.719.00. 17. Apresenta planilha fiscal de cálculo à pág. 1.301, para explicar que os valores da coluna "ELIMINAÇÃO PTE RELACIONADAS" se trata de exclusões que devem ser feitas para fins de elaboração das demonstrações financeiras consolidadas (art. 250 da Lei das SA's e Pronunciamento Técnico CPC nº 36, Manual FIPECAFI, saldos e transações intersociedades), sem validade para fins fiscais e refaz a planilha à pág. 1.303 e conclui que, com isso, não se teria mais um valor a adicionar de R$ 13.178.422,02, como pretendido pela Autoridade Fiscal, e sim um valor adicionado a maior de R$ 83.445.67935; chegarseia a um lucro "oriundo do exterior" de R$ 172.840.436,86 e, confrontandose com o quanto já foi adicionado pela Recorrente (R$ 256.286.679,35), concluise pela existência de um crédito no valor de R$ 83.445.679,35; que somado ao valor de R$ 1.591.475.01 que diz respeito à subsidiária americana EAH (reconhecido pela Fiscalização) e diminuído da parcela dos lucros da francesa EAE, supostamente não oferecidos à tributação, de RS 15.586.962,83. perfaz um crédito para a Recorrente de RS 69.450.191,53 de lucros no exterior adicionados a maior, alternativa que também leva a conclusão de que as autuações combatidas nestes autos são indevidas. Não tributação dos lucros auferidos pela controlada em países signatários de tratados contra bitributação 18. Argumenta contra a tributação de lucros de controladas residentes em Países que possuem tratados com o Brasil, para evitar bitributação, mantidos pela DRJ, ao argumento de que o país sede da controladora está autorizado a cobrar a diferença entre o tributo devido em seu território e aquele pago no da controlada; que tal entendimento é errado e desrespeita o compromisso assumidos pelo Estado brasileiro; cita o tributarista alemão Klaus Vogel (VOGEL, Klaus. Double Taxation Conventions. 3. ed. Londres: Kluwer Law International, 1997, p. 27), de que as convenções para evitar a dupla tributação funcionam como uma máscara, que deve ser colocada sobre o direito interno. Assim, apenas os dispositivos do direito interno que continuarem visíveis (por encontraremse exatamente abaixo dos buracos da máscara) são aplicáveis; os demais, não. 19. Sobre convenção entre o Brasil e a França, aplicase tanto ao IRPJ, por previsão expressa, quanto à CSLL, por aplicação do § 2º do art. II da Convenção: "Artigo VII 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado (...)"; e se possuir estabelecimento no outro Estado, os respectivos lucros serão tributados naquele; e destaca que as controladas na França não são estabelecimento permanentes da Recorrente, nem possuem estabelecimentos permanentes no Brasil e os seus lucros devem ser tributados na França; transcreve Acórdãos do CARF; aduz que se admitido que os lucros auferidos por essas controladas fossem enquadrados, alternativamente, no artigo X da Convenção, que trata de dividendos, verificase que é inaplicável pois esse artigo X trata de dividendos efetivamente pagos e não a dividendos presumidamente imputados aos sócios ou acionistas. 20. Sobre convenção entre o Brasil e a Espanha, também se aplica ao IRPj e à CSLL, por força do parágrafo 4º do artigo 2º da Convenção, de forma análoga à descrita para a França; Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 8 7 Portanto, tanto para os lucros auferidos, quanto para os dividendos distribuídos, o Brasil está proibido pela Convenção BrasilEspanha de pretender qualquer tipo de tributação da controlada sediada neste País; tendo em vista a impossibilidade de tributação, no Brasil, dos referidos valores, deve ser reconhecido a adição a maior pela Recorrente dos lucros auferidos no exterior, com o que deverá ser cancelado integralmente o presente lançamento. 21. Sobre convenção entre o Brasil e a China, em relação à controlada ali domiciliada, e que foi tributada a título de resultado de equivalência patrimonial positiva, o Tratado se aplica tanto ao IRPJ quanto à CSLL, devido ao parágrafo 2º do artigo 2º, de forma análoga à descrita para a França e Espanha; assim, tendo em vista a impossibilidade de tributação, no Brasil, dos referidos valores, deve ser reconhecido a adição a maior pela Recorrente dos lucros auferidos no exterior, com o que deverá ser cancelado integralmente o presente lançamento. 22. Sobre convenção entre o Brasil e Portugal, em relação às controladas indiretas ali domiciliada, e que foram tributadas a título de resultado de equivalência patrimonial positiva, o Tratado se aplica tanto ao IRPJ quanto à CSLL, conforme determina o Protocolo do Tratado, de forma análoga à descrita para a França e Espanha; assim, tendo em vista a impossibilidade de tributação, no Brasil, dos referidos valores, deve ser reconhecido a adição a maior pela Recorrente dos lucros auferidos no exterior, com o que deverá ser cancelado integralmente o presente lançamento. Inconstitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 violação aos conceitos de renda e lucro 23. Requer a aplicação dos princípios constitucionais que norteiam a tributação (e não que o CARF declare a inconstitucionalidade do artigo), pois a referida Medida Provisória, ao pretender tributar pelo IRPJ e pela CSLL algo que não representa efetivo acréscimo patrimonial, acabou por afrontar tanto o conceito de renda, previsto no art. 43 do Código Tributário Nacional CTN, quanto o conceito de lucro, insculpido no art. 195 da Constituição Federal, pois a mera apuração do lucro líquido pela coligada ou controlada no exterior não acarreta, obviamente, a imediata possibilidade, para a coligada ou controladora, no Brasil, de dispor da renda de forma efetiva e atual; como consequência da ficção criada pelo art. 74 da MP n° 2.15835/01, ofende o princípio da capacidade contributiva (artigo 145, parágrafo Io da CF, de 1988), pois alcança renda ainda não disponibilizada ao contribuinte, e o princípio de não exigência de tributo confiscatório (artigo 150, IV da CF de 1988), pois, nessa circunstância, o tributo passa a incidir sobre o patrimônio do contribuinte e não sobre os acréscimos patrimoniais. Ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa 24. Assevera ser ilegal a cobrança dado que o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, pois prevê cobrança de juros de mora com base na taxa Selic e remete ao art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 que, por sua vez, estabelece a aplicação de tais acréscimos apenas sobre os tributos e não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa, que é penalidade pecuniária em face de infração, e tributo é definido no art. 3º do CTN e não constitui sanção de ato ilícito. 25. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, págs. 1.366/1.415, apresentou Contrarrazões ao Recurso do contribuinte, de que se destacam as seguintes considerações. Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 9 8 Contrarrazões ao Recurso Voluntário e Razões ao Recurso de Ofício. 26. Primeiramente apresenta as Contrarrazões ao recurso voluntário à infração de indevida exclusão do lucro real e da base de cálculo da CSLL, dos lucros obtidos por intermédio da controlada domiciliada na França Embraer Aviation Europe EAE, lançamento este mantido pelo acórdão recorrido; que os argumentos da Recorrente de que: (a) que não se aplica o Método da Equivalência PatrimonialMEP nas empresas sediadas na França; (b) os valores tributados com fundamento no art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, correspondem ao lucro da controlada no exterior (EAE), e não da empresa brasileira autuada (Embraer SA); (c) o art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, viola o § 1º do art. 7º do Tratado para evitar dupla tributação firmado entre o Brasil e a França. No entanto, conforme será demonstrado, não podem prevalecer as pretensões da contribuinte. 27. Acerca do MEP, explica que não é possível impor a aplicação do MEP a pessoa jurídica residente em país estrangeiro, porém a legislação brasileira determina que as pessoas jurídicas (brasileiras), que detenham investimentos relevantes em controladas ou coligadas diretas ou indiretas, estão obrigadas a avaliálos pelo MEP; visa avaliar o valor do investimento detido pela controladora, considerados todos os lucros auferidos na cadeia de pessoas jurídicas que compõem o grupo empresarial. 28. E que a recorrente, equivocadamente, acredita que a consolidação dos resultados auferidos por controladas diretas e indiretas residentes no exterior deve ser feito pela controlada direta no caso, a EAE. Conforme já explicitado, o MEP é uma imposição da legislação brasileira, que somente obriga a pessoa jurídica residente no Brasil a realizar sua escrituração contábil observando o MEP; portanto, cabe à controladora brasileira o trabalho de realizar a consolidação dos resultados do grupo empresarial, levando em conta os lucros obtidos tanto pelas controladas diretas quanto pelas indiretas. Implica dizer que, mesmo que a legislação francesa não exija que a EAE utilize o MEP, isso não afeta a obrigação da sua controladora residente no Brasil registrar e oferecer à tributação os resultados auferidos por intermédio das pessoas jurídicas controladas pela empresa francesa. Com efeito, essa é a consequência da aplicação do MEP, isto é, determinar o resultado auferido por todo o grupo empresarial, que deve ser vislumbrado como uma unidade econômica. 29. Sobre a aplicabilidade do art. 74 da MP nº 2.158, de 2001, às controladas diretas e indiretas, destaca que a redação do dispositivo não faz qualquer limitação quanto ao conceito de pessoa jurídica controlada, referindose a "controlada ou coligada no exterior", e estas são conceituadas pelo § 2º do art. 243 da Lei das SA's, que abrange tanto a noção de domínio direto quanto indireto, assim como o art. 1.098 do Código Civil; assim o art. 74 da MP nº 158, de 2001, tem aplicação em caráter geral, sem diferenciar entre a modalidade direta ou indireta, além de que objetiva implementar a tributação universal da renda das pessoas jurídicas e, ao mesmo tempo, evitar o diferimento por tempo indeterminado da renda auferida por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. 30. Aceitar a aplicação do dispositivo somente para as controladas diretas significaria esvaziar o sentido da norma, porque bastaria constituir pessoas jurídicas intermediárias controladas diretas entre a controladora brasileira e a subsidiária que concentra a produção de riqueza que figuraria como controlada indireta. Diante disso, é fundamental para concretizar a finalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, que a sua aplicação atinja controladas diretas e indiretas situadas no exterior. Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 10 9 31. Tratase de uma regra que permite fixar um marco para a disponibilização de lucros e, com isso, sua inclusão na apuração do IRPJ e da CSLL da controladora ou coligada residente no Brasil. Esse é o núcleo da norma e é a partir dele que devem ser extraídos os efeitos tributários; para fins da incidência do IRPJ e da CSLL, a legislação brasileira criou uma presunção absoluta de que os lucros foram disponibilizados aos sócios brasileiros na data de sua apuração no balanço da controlada ou coligada residente no exterior; então, no momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras. Assim, perde força a argumentação da contribuinte de que ainda não teria havido a disponibilização dos lucros para a controlada direta situada na França EAE e, por isso, não poderiam ser tributados os lucros auferidos por intermédio das controladas indiretas. Com efeito, para fins do disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, basta a apuração do resultado no balanço da controlada seja ela direta ou indireta para que se considerem disponibilizados os lucros para a controladora residente no Brasil, considerados de forma individualizada, inciso 1 do art. 16 da Leí nº 9.430, de 1996, c/c os incisos I e II do § 2o do art. 25 da Leí n° 9.249, de 1995. 32. Sobre a tributação dos lucros auferidos por intermédio da controlada na França, aponta semelhança com o caso Eagle: empresa brasileira que possuía estrutura societária semelhante com a da Recorrente e, em relação à qual entendeuse, no Acórdão nº 10197.070 que o art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, poderia servir de fundamento para que, na apuração do IRPJ e da CSLL da Eagle, fossem incluídos os resultados auferidos por intermédio de sua controlada indireta residente no Uruguai, responsável pelo resultado operacional do grupo que concentrava os lucros do grupo, sendo que a controlada direta se situava na Espanha, e que havia sido interposta, sem motivo negocial, visando atrair a incidência do tratado Brasil Espanha. 33. Identifica que o resultado prático do planejamento tributário elaborado pela contribuinte, é que não haveria tributação no Brasil, nem na França que somente existiria no momento da efetiva distribuição dos resultados auferidos pelas subsidiárias. Isso demonstra o abuso e o desvirtuamento da finalidade do Tratado BrasilFrança, dado que a Convenção que serviria para evitar a dupla tributação sobre a renda e a evasão fiscal, passa a fundamentar uma situação na qual o grupo empresarial não será tributado em nenhum dos Estados Contratantes. Portanto, nada impede que seja adotado o mesmo entendimento firmado no "caso EAGLE" ao julgamento do presente processo administrativo. 34. Sobre a acusação da Recorrente de que o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 viola os arts. 7º e 10 do Tratado BrasilFrança, pois se está a tributar os lucros da EAE domiciliada na França e não da Embraer S/A, no Brasil, aponta que o dispositivo atacado consiste em norma voltada para a disciplina das CFCs, seja pela interpretação gramatical, pois disciplina os elementos que devem compor a base de cálculo do IRPJ e CSLL, lucros obtidos por intermédio das controladas e coligadas no exterior e estabelece uma presunção absoluta quanto ao momento da disponibilização destes lucros para a controladora ou coligada brasileira; seja pela interpretação histórica, pois editada quando a atenção dos principais países estava voltada para as práticas de concorrência fiscal internacional prejudicial e se desenvolveram parâmetros e modelos a fim de eliminar condutas prejudiciais à tributação internacional e o Brasil adotou as normas CFC, para fins de incidência tributária, visando combater a elisão fiscal; e pela interpretação finalística, pois o objetivo do art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, foi implementar a tributação universal da renda das pessoas jurídicas e, ao mesmo tempo, evitar o Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 11 10 diferimento por tempo indeterminado da renda auferida por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. 35. Ambas as normas, o art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, e o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, objetivam efetivar a tributação em bases universais e coibir o diferimento indeterminado dos rendimentos produzidos no exterior por meio de controladas ou coligadas; cita voto no SRF no ADI 2.588. 36. Ainda no que tange à acusação que o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 viola os arts. 7º e 10 do Tratado BrasilFrança, argumenta que, em se tratando de norma CFC, é de sua essência o tratamento das controladas ou coligadas no exterior como pessoa jurídicas distintas da controladora ou coligada residente no Brasil e é direcionada às últimas; constitui apenas uma técnica de tributação, visando apenas incluir na apuração do tributo devido pela empresa residente no Brasil, os resultados obtidos por esta por intermédio da subsidiária estrangeira, fixando a data da disponibilização dos lucros à sócia brasileira; referese à parcela que caberia à sócia brasileira do lucro apurado pela subsidiária no exterior, aproximandose da concepção de dividendos, no caso, dividendo ficto, ou dividendo atribuído (§§ 37 a 39 dos comentários OCDE ao art. 10 da Convençãomodelo); em síntese, não visa tributar o lucro da pessoa jurídica residente em outro país; o que conduz à interpretação sistemática da IN SRF nº 213, de 2002, que regulamentou o dispositivo; assim o § 7º do art. 1º explicita que é tributado o lucro disponibilizado pela controlada coligada no exterior, o que equivale a dividendos distribuídos por presunção legal; e os tributos pagos no exterior serão utilizados para a compensação do tributo a ser pago no Brasil, calculado sobre o lucro distribuído, pelo valor bruto, na proporção de participação da empresa brasileira; cita Acórdão nº 110100.365 do CARF. 37. A exigência de IRPJ e CSLL sobre a parcela do lucro atribuído à controladora ou coligada brasileira não viola o Tratado BrasilFrança, para evitar dupla tributação sobre a renda, porque tem por objeto os lucros da empresa brasileira, sócia da empresa no exterior e a norma CFC não viola o propósito do tratado, segundo entendimento da OCDE, que reconhece que o modelo das regras CFC varia entre os países, mas que o traço comum desse tipo de regra é a tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação à renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras, característica presente no art. 74 da MP n° 2.158 35/2001, e não há limite para o direito de um Estado Contratante tributar seus próprios residentes, dessa forma não viola o art. 7º do Tratado. 38. Quanto ao art. 10, relativo à tributação de dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante, sendo dividendos todos os rendimentos provenientes de direitos de participação nos lucros da sociedade; a tributação do montante integral dos lucros, antes do desconto do imposto pago no país da fonte, é simples técnica de arrecadação, que consiste em tributar o bruto e deduzir, do tributo apurado, o imposto pago no país da controlada. Essa foi a técnica instituída na legislação brasileira devidamente explicitada no § 7o do art. Io da IN SRF n° 213, de 2002. Os lucros auferidos por meio da ESE e disponibilizados segundo o art. 74 da MP 2.158, de 2001, enquadramse no conceito de dividendos presumidos, que atrai a incidência do Artigo 10 do Tratado; cita Acórdãos nº 10808.865 e nº 10517.382, do então 1º Conselho de Contribuintes e nº 110100.365 do CARF. 39. Sobre a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, diz que defensores da tese da inaplicabilidade de juros sobre a multa salientam a menção do legislador no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a débitos de tributos e contribuições, diferentemente de legislação Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 12 11 anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei n° 2.323, de 1987, e Lei n° 8.218, de 1991) e em interpretação supostamente literal, defendem que apenas o valor de tributos e contribuições submeterseia aos juros moratórios e a multa de ofício não sofreria a incidência de juros de mora; porém, a interpretação literal não pode ignorar o termo "decorrentes" antes de "tributos e contribuições; quanto às finalidades da lei, as multas possuem finalidades punitiva e educativa, concretizadas mediante uma expressão pecuniária e afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar essas finalidades, dado que, no decurso do procedimento administrativo e eventual judicial, a multa perderia valor sem a aplicação dos juros moratórios; por isso, o crédito tributário, constituído dos impostos e contribuições e respectivas multas de ofício, que fazem parte de um todo, deve ser uniformemente corrigido nos termos da legislação; transcreve jurisprudência. 40. Não há dúvidas, segundo a dicção do art. 161 do CTN, do acréscimo de juros de mora sobre o crédito não adimplido no vencimento. Uma simples análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Contrarrazões ao recurso de ofício 41. Advoga a necessidade de manutenção do lançamento relativo à exigência de IRPJ, cancelado pela DRJ, que entendeu que os valores de IRPJ lançados neste processo também serviram para reduzir o saldo negativo que está sendo debatido no processo administrativo nº 13884.723115/201261, tendo concluído que, se mantida a autuação, haveria duplicidade de exigência. 42. Considera que a autoridade fiscal agiu corretamente nos dois processos: quando constatou que a contribuinte deixou de oferecer valores à tributação, diminuindo indevidamente a base de cálculo do IRPJ, estava no dever legal de realizar o lançamento; ao analisar o pedido de compensação da contribuinte, que tinha por base os valores de saldo negativo de IRPJ, identificou que havia glosas a serem feitas no saldo negativo de IRPJ eestava obrigada legalmente a realizar os ajustes. 43. O fundamento usado para cancelar a autuação de IRPJ foi a suposta dupla tributação da contribuinte, pela exigência no Auto de Infração e pela redução do saldo negativo de IRPJ; no entanto, enquanto não terminados os dois processos administrativos, não haverá certeza se a contribuinte será efetivamente onerada em duplicidade: se o resultado do processo administrativo n° 13884.723115/201261 for ser favorável à contribuinte, implicaria o restabelecimento de toda a base negativa de IRPJ. Como a recorrente interpôs recursos em ambos os processos administrativos, que serão submetidos ao CARF, é possível que o julgamento do recurso favoreça a contribuinte no tocante ao saldo negativo do IRPJ; assim, a autuação do IRPJ concomitantemente à redução do saldo negativo de IRPJ somente se consolidará como dupla tributação depois de encerrada as discussões nos dois processos administrativos. Por essa razão, deve ser reformada a decisão proferida pela DRJ/RJ1, para que seja restabelecido o lançamento referente ao IRPJ. Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 13 12 1 Processos nº 13884.723115/201261 e 13884.723267/2012.64. Julgamento conjunto. 44. Ambos tratam do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário 2008, no mesmo procedimento de revisão da DIPJ 2009/2008. 45. Por isso, os julgamentos dos processo nº 13884.723115/201261, que trata das PER/Dcomp que requerem crédito de SN IRPJ apurado em 31/12/2008, e nº 13884.723267/2012.64, que trata de lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL apurados em 31/12/2008, só fazem sentido se concomitantes. 46. A RFB disciplinou o procedimento na Portaria RFB nº 354, de 11 de março de 2016: Art. 3° Os autos serão juntados por apensação nos seguintes casos: (...) III indeferimento de pedido de ressarcimento ou não homologação de DCOMP e o lançamento de ofício deles decorrentes. § 1° No caso de que trata o inciso III do caput, o processo principal ao qual devem ser apensados os demais será: I o que contiver os autos de infração, se houver; ou (...) § 2° A apensação, na hipótese a que se refere o inciso III do caput, deve ser efetuada: I depois do decurso do prazo de contestação dos autos de infração e dos despachos decisórios e envolverá todos os processos para os quais tenham sido apresentadas impugnações e manifestações de inconformidade, observado o disposto no § 18 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e II na unidade da RFB em que estiverem todos os processos, se a fase processual em que se encontrarem permitir. 47. O procedimento de apensação implica em que ambos processos receberão julgamentos em Acórdãos distintos, porém concomitantes, a fim de evitar duplicidade ou decisões conflitantes. 48. No caso, os processos não se encontram apensados, quando deveriam ter sido, porém nada obsta que o julgamento se processe como se o fossem. 1.1 TRIBUTAÇÃO DE LUCROS NO EXTERIOR 49. O art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995, dispõe que o lucro das empresas residentes no Brasil será também composto pelos resultados auferidos no exterior, com base no princípio da tributação em bases universais. Dessa forma, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior passaram a integrar o lucro real das pessoas jurídicas brasileiras. 50. O art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, autorizado pela a Lei Complementar nº 104/2001, que acrescentou os §§ 1º e 2º ao art. 43 Código Tributário Nacional CTN, define o elemento temporal do fato gerador, ou seja, o momento em que se consideram disponibilizados os lucros para as controladoras ou coligadas brasileiras, o que não está em discussão neste caso. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 14 13 51. O objeto da Lei n° 9.249, de 1995, e do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não é o lucro de empresa estrangeira, mas os lucros da sociedade controladora sediada no Brasil. Significa que o enfoque da legislação nacional foi delimitar o conceito de lucro real, incluindo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa brasileira a parcela de lucros auferidos no exterior por intermédio de suas controladas ou coligadas. 52. A acusação de que o art. 74 afrontaria o artigo 7º das Convenções decorre do errôneo entendimento, expressamente rechaçado pelo STF, de que a tributação incidiria sobre lucros da controlada estrangeira, o que não é correto. Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. (Vide ADI nº 2588, 2001). (Grifouse) 53. O Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, decidiu em 10/04/2013 (Publicado em 10/02/2014), com efeito erga omnes e vinculante, na ADI 2588 / DF Distrito Federal, Ação Direta De Inconstitucionalidade: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013. 54. Do teor do texto transcrito, se extrai que o STF acolheu com eficácia erga omnes e efeito vinculante, que a empresa brasileira deve ser tributada pelo IRPJ e pela CSLL sobre os lucros e outros resultados de empresas controladas e coligadas situadas no exterior ou seja, claro está que a legislação brasileira sobre tributação de resultados obtidos no exterior é dirigida à empresa brasileira os resultados auferidos por esta, no exterior são objeto de tributação na empresa residente no Brasil. 1.2 MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL MEP 55. A Lei das SA's determina que as participações detidas pela empresa, no capital de controladas e coligadas sejam avaliados pelo Método da Equivalência Patrimonial MEP, art. 248; o art. 25, § 2º, I da Lei nº 9.249, de 1995, que a apuração de lucros nas controladas no exterior seja segundo as normas da legislação brasileira; também, legislação tributária Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 15 14 determina expressamente que os resultados das filiais, sucursais, controladas e coligadas situadas no exterior sejam considerados de forma individualizada.isso é o que preceitua o inciso I do art. 16 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c os incisos I e II do § 2o do art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995. 56. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, Lei das SA's. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 57. Lei nº 9.430, de 1996: Art. 16. Sem prejuízo do disposto nos arts. 25, 26 e 27 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. os lucros auferidos por filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, serão: I considerados de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada; 58. Lei n° 9.249, de 1995: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 2o Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; 59. E a IN SRF nº 213, de 2006, determina a consolidação dos resultados das controladas indiretas, na controlada direta. 60. Porém, não há contradição; o termo "consolidação" presente no § 6º do art. 14 da IN SRF nº 213, de 2002, significa demonstrar no balanço os resultados auferidos por outras sociedades ou entidades de que participa a pessoa jurídica controlada, ainda que essa participação seja indireta; referese à consolidação dos lucros, na proporção de participação detida no patrimônio das controladas, avaliado pelo MEP 61. Acerca do MEP, a legislação brasileira determina que as pessoas jurídicas (brasileiras), que detenham investimentos relevantes em controladas ou coligadas diretas ou Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 16 15 indiretas, estão obrigadas a avaliálos pelo MEP; visa avaliar o valor do investimento detido pela controladora, considerados todos os lucros auferidos na cadeia de pessoas jurídicas que compõem o grupo empresarial. 62. O MEP é uma imposição da legislação brasileira, que somente obriga a pessoa jurídica residente no Brasil a realizar sua escrituração contábil observando o MEP; portanto, cabe à controladora brasileira o trabalho de realizar a consolidação dos resultados do grupo empresarial, levando em conta os lucros obtidos tanto pelas controladas diretas quanto pelas indiretas. Implica dizer que, mesmo que a legislação francesa não exija que a EAE utilize o MEP, isso não afeta a obrigação da sua controladora residente no Brasil registrar e oferecer à tributação os resultados auferidos por intermédio das pessoas jurídicas controladas pela empresa francesa. Com efeito, essa é a consequência da aplicação do MEP, isto é, determinar o resultado auferido por todo o grupo empresarial, que deve ser vislumbrado como uma unidade econômica. 1.3 TRATADO INTERNACIONAL OU ACORDO PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO. 63. A IN SRF nº 213, de 2002, que regulamentou os arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; os arts. 16 e 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; o art. 1º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; no art. 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000; e os arts. 34 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determina no §7º do art. 1º: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem.”. Significa que, no momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil – na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras e, apurados o IRPJ e CSLL devidos no Brasil, se realmente houve pagamento de tributo no exterior, será considerado para fins de compensação com o tributo a ser pago no Brasil. 64. O art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, expressamente reconhece o direito à compensação do imposto pago no exterior até o montante devido, no Brasil, a título de IRPJ e CSLL. Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. 65. Dessa maneira, a renda auferida por intermédio das controladas residentes no exterior não será tributada mais de uma vez, basta que apresente o comprovante dos tributos pagos no país estrangeiro. Com isso, restará afastada a indesejada dupla tributação. 66. Portanto, fica claro que o Tratado para Evitar Bitributação, entre Espanha e Brasil, não impede a tributação de resultado da ESH e respectivas controladas: Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 17 16 a. a partir da fração dos lucros da controlada ESH, a que a controladora tem direito (neste caso 100%) , antes de descontado o imposto pago no exterior, efetuase a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela Autuada; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduzse o valor do imposto pago pelas controladas direta e indiretas no exterior. 67. Dessa forma, a controlada, na Espanha é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago na Espanha (e nos países das controladas indiretas, que são as controladas da ESH, por sua vez) até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL, referente aos lucros das controladas no exterior (diretas e indiretas). 1.4 RESULTADOS DE CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. 68. Os rendimentos ou ganhos de capital auferidos por coligadas e controladas da controlada direta no exterior deverão ser consolidados por esta última, que é controlada direta da empresa no Brasil, o que foi reconhecido pela DRJ/RJ1: Desta forma, a regra contida no § 6º do artigo 1º da IN SRF nº 213/2002, segundo a qual os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada no exterior mantenha participação societária, devem ser consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil deve ser obedecida. A consolidação na controlada direta dos resultados das controladas indiretas é regra que até pode ser afastada, desde que se demonstre que estas não operavam efetivamente, servindo tão somente para fins de economia fiscal 69. A IN SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, tendo em vista o disposto no Código Tributário Nacional CTN e as leis referentes à tributação de lucros oriundos do exterior, determinou: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1º Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (...) § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 18 17 (...) Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (,,,) § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. (...) § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. (...) § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (...) § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo ano calendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anos Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 19 18 calendário subseqüentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 17. O cálculo referido no § 16 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. 70. O § 6º do art. 14 supra determina claramente que os lucros das controladas indiretas deveriam ter sido consolidados na controlada direta ESH, na Espanha. 71. Também é claro o § 2º do art. 1º, de que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, sujeitos à incidência do IRPJ e CSLL, de que trata a legislação que a IN regulamenta, são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 72. De onde se depreende que a ESH deveria consolidar os resultados de suas respectivas controladas e oferecer à tributação na Espanha; e os resultados da ESH auferidos pela Autuada devem compor o seu lucro real. 73. Dessa forma, mediante consolidação vertical, tanto os resultados próprios da controlada direta ESH, com os resultados das controladas indiretas, compõem os resultados que a Autuada auferiu do exterior que esta deve adicionar ao lucro real. 74. Conforme texto do Acórdão DRJ/RJ1 transcrito, caso comprovado que a ESH foi interposta apenas com finalidade de excluir da tributação os lucros das respectivas controladas (que se caracterizam como controladas indiretas da Recorrente), os lucros dessas indiretas devem ser considerados como se a ESH não existisse. 75. Porém há dois aspectos a considerar: a. de fato, conforme concluiu a DRJ/RJ1, não há elementos suficientes para caracterizar interposição fraudulenta da ESH, porque a Recorrente adicionou ao lucro real, os lucros das controladas indiretas (controladas pela ESH), tendo o autuante apenas apurado valores adicionais omitidos; embora tenha sido identificado que a ESH tratase de holding pura, não mantendo atividades operacionais que são das respectivas controladas. b. mesmo tendo sido constituida a ESH, não significa que os lucros das indiretas consolidados na ESH e por meio desta auferidos pela Recorrente no Brasil, sejam isentos: o IRPJ e CSLL adicionais que sejam apurados sobre tais lucros no Brasil, poderão ser exigidos; reiterese o exposto no item Tratado Internacional ou Acordo para Evitar Bitributação, deste voto: "Dessa maneira, a renda auferida por intermédio das controladas residentes no exterior não será tributada mais de uma vez, basta que apresente o comprovante dos tributos pagos no país estrangeiro. Com isso, restará afastada a indesejada dupla tributação. Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 20 19 Portanto, fica claro que o Tratado para Evitar Bitributação, entre Espanha e Brasil, não impede a tributação de resultado da ESH e respectivas controladas: a partir da fração dos lucros da controlada ESH, a que a controladora tem direito (neste caso 100%) , antes de descontado o imposto pago no exterior, efetuase a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela Autuada; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduzse o valor do imposto pago pelas controladas direta e indiretas no exterior. Dessa forma, a controlada, na Espanha é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago na Espanha (e nos países das controladas indiretas, que são as controladas da ESH, por sua vez) até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL, referente aos lucros das controladas no exterior (diretas e indiretas)." 76. Em síntese, este voto discorda da motivação pela DRJ/RJ1 em cancelar a exigência de IRPJ e CSLL apurados sobre os lucros das controladas da ESH, situadas em outros países, ao considerar que tais lucros, consolidados na controlada direta da Recorrente, ESH, estariam fora da tributação da Recorrente, no Brasil. 1.5 VERIFICAÇÃO SE A CONTROLADA DIRETA ESH CUMPRIU A DETERMINAÇÃO DE CONSOLIDAR OS RESULTADOS DAS RESPECTIVAS CONTROLADAS EM TERCEIROS PAÍSES (CONTROLADAS INDIRETAS DA AUTUADA) . 77. O agente fiscal certificouse de que a Embraer Spain Holding ESH tratavase de uma holding pura, sem atividades operacionais próprias; isto é, os resultados que consolidaria seriam os das suas respectivas controladas (controladas indiretas da Recorrente), pág. 961: — x)Pelo balanço acima da Embraer Spain em seu Ativo verificase apenas a existência de investimentos nas controladas e na demonstração de resultados apenas receitas de participações (financeiras), não se observa no balanço e nos resultados, despesas com empregados, bens móveis e instalações operacionais). 78. Conforme o relatório de Revisão Interna de DIPJ com revisão de Ofício, págs. 953/990, verificou que a recorrente adicionou lucros de controladas no exterior, porém ao efetuar a verificação constatou valores não adicionados, que incluiu, revisou os valores dos impostos pagos no exterior e constatou que a taxa de conversão de moeda estrangeira para a moeda nacional estava incorreta e esclareceu: — OS LUCROS FORAM ADICIONADOS POR CONTROLADA INDIRETAS — OS LUCROS FORAM CALCULADOS CONFORME A % DE PARTICIPAÇÃO. — A MOEDA UTILIZADA FOI O EURO, CONFORME FOI ELAABORADO O BALANÇO CONSOLIDADO (FLS) — O TOTAL DA COLUNA RECEITAS CONFERE COM O VALOR DO BALANÇO CONSOLIDADO (FLS) Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 21 20 — FORAM EXCLUÍDOS PARA APURAR O LUCRO INDIVIDUAL DE CADA CONTROLADA INDIRETA DA EMBRAER A ELIMINAÇÕES DE OPERAÇÕES COM PARTES RELACIONADOS, TAIS ELIMINAÇÕES SOMENTE SE UTILIZAM NA TÉCNICA DE CONSOLIDAÇÃO. — FICARAM ASSIM AJUSTADOS OS LUCROS DE CADA PARTICIPAÇÃO INDIRETA DA EMBRAER BRASIL, NAS EMPRESAS DEPENDENTES DA EMBRAER SPAIN, NA % DE PARTICIPAÇÃO DA EMBRAER BRASIL. 79. Planilha: Relatório Revisão Interna de DIPJ Revisão de Ofício Coligadas e Subsidiárias: 11) Lucros no exterior adic ao Lucro Real adicionados pelo contribuinte Agente fiscal: Correção lucro adic a maior/menor Explicação IR pago no Exterior conforme compro vantes, pág. 1.251 (1.170) % part Pag ext x % part EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH 8.294.687,43 1.591.475,01 13.061.024,45 100% 13.061.024,45 EMBRAER AVIATION EUROPE EAE 55.046.323,87 15.586.964,55 Euro (21.812.852 16.999.312 = 4.813.540)* 3,23815R$/Euro, valor a menor reconhecido pela Recorrente, pág. 955 14.781.494,43 100% 14.781.494,43 EMBRAER CREDIT LTD ECL 1.810.962,52 EMBRAER OVERSEAS 5.180.791,30 EMBRAER ASIAN PACIFIC 509.587,00 EMBRAER SPAIN (*) HOLDING ESH 256.286.116,21 13.178.421,03 5.553.325,43 45% e 51% 2.776.248,25 EMBRAER REPRE SENTATION LLC ERL 58.961.179,55 Total 386.089.647,88 27.173.910,57 33.395.844,31 30.618.767,13 (*) Lucros e impostos pagos no exterior das controladas da ESH pág. 1.184 pág. 1.184 pág. 1.184 pág. 1.203 Rel rev Int Rev. Ofício (*) EMBRAER SPAIN HOLDING ESH + controladas país part % valor do lucro a adicionar no LALURR$ Diferença não adicionada 12) pagto IR no exterior pagto ext x % particip EMBRAER SPAIN HOLDING ESH 21.380.107,35 Air Holdings SGPS Portugal 70% 6.027.400,91 ECC Leasing e Co Irlanda 100% 38.068.569,23 ECC Inv Switrzeland Suíça 100% 0,00 ECC Insurance & Finance Ilhas Cayman 100% 0,00 Embraer Finance Ltda Ilhas Cayman 100% 174.102.909,91 OGMA Ind Era Portugal Portugal 45% 7.843.203,65 932.461,93 419.607,87 Harbin Embraer Co Ltd China 51% 16.552.623,10 4.620.863,50 2.356.640,39 Embraer Merco AS Uruguai 100% 104.735,83 Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 22 21 Listral S/A Portugal 45% 5.384.987,27 EPH Portugal 100% 0,00 E Operacional SM S/A Portugal 100% 0,00 Ec Estruturas S/A Portugal 100% 0,00 Total 269.464.537,25 13.178.421,03 5.553.325,43 2.776.248,25 80. Verificase, que o contribuinte, compensou R$4.483.509,49 de CSLL com imposto pago no exterior, pág. 670, linha 69 da Ficha 17 Cálculo da CSLL; e compensou R$23.042.499,19 de IR pago no exterior, compensados na Ficha 12A Cálculo do IR sobre o Lucro real, linha 13, pág. 941, e que compuseram a apuração do Saldo Negativo de IRPJ que reivindicou nas PER DComp: a. porém, conforme Ficha 09 A Demonstração do Lucro Real, págs. 662/663, apurou R$0,00 de lucro real, portanto R$0,00 de IRPJ devido assim, não estava autorizada a compensar IRPJ pago no exterior, pois este só poderia ser aproveitado na compensação de IRPJ apurado no Brasil sobre os respectivos lucros de cada controlada no exterior, sem previsão para compor SN a ser utilizado na compensação de outros tributos; b. como já visto, os §§ 15, 16 e 17 do art. 14 da IN SRF nº 213, de 2002, assim determinam. c. Portanto, correta a conclusão no Acórdão DRJ/BHE nº 0247.798, sintetizada nas ementas: IMPOSTO DE RENDA PAGO NO EXTERIOR. VALOR EXCEDENTE AO LIMITE COMPENSÁVEL NO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS FEDERAIS O saldo do imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente poderá ser compensado com a contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) mediante regras específicas. Não há previsão legal para compensação de eventual saldo ainda remanescente com outros tributos e contribuições federais, nos moldes do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COMPENSAÇÃO EM PERÍODOS POSTERIORES O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo,somente poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. 1.6 QUANTIFICAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COMPENSÁVEL. 81. Superada a questão do quantum que poderia ser compensado no anocalendário 2008, que se concluiu ser limitado pelo valor do IRPJ e CSLL calculado no Brasil sobre os lucros no exterior, passase à quantificação do valor compensável. 82. O autuante refez a apuração do IRPJ e CSLL devidos depois de adicionados os lucros no exterior listados na coluna "Correção lucro adic a maior/menor" da tabela supra: Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 23 22 R$15.586.964,55 da EAE e R$13.178.421,03 da ESH e revisou os valores de IRPJ e CSLL efetivamente devidos e os valor de imposto pagos no exterior passíveis de aproveitamento na compensação do IR devido: d. págs. 1.212/1.214 CSLL DIPJ, Ficha 17, pág. 669 Agente Fiscal BASE CALCULO CSLL 81.698.339,22 81.698.339,22 Exclusão EAH pleiteada pela empresa a acatada pelo Agente Fiscal 1.591.475,01 Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) + ESH 28.765.384,85 BASE DE CÁLCULO DA CSLL Ajustada (fonte DIPJ) 108.872.249,06 CSLL DEVIDA 7.352.850,53 9.798.502,42 IMPOSTO PAGO EXTERIOR DEDUZIDO 4.483.509,69 4.483.509,69 CSLL RETIDA FONTE 1.054.099,12 1.054.099,12 ESTIMATIVA PAGA 1.094.223,09 1.094.223,09 CSLL A PAGAR 721.018,63 3.166.670,72 Diferença 2.445.651,89 Concluindo que a empresa apurou R$2.445.651,89 de CSLL a menor que devia. e. pág. 1.212/1.214 IRPJ DIPJ Ficha 12 A, pág. 941 Agente Fiscal LUCRO REAL (fonte: DIPJ) 0,00 0,00 (+) CSLL a maior apurada 2.445.651,89 (+) Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) ESH * 27.173.910,57 LUCRO REAL AJUSTADO 29.619.562,46 IRPJ DEVIDO 0,00 7.380.890,62 IR PGO EXTERIOR 23.042.499,19 13.433.534,79 IRRF 30.559.727,39 30.559.727,39 IRRF órgãos públicos 4.768.861,47 4.768.861,47 IRPJ a pagar 58.371.088,05 41.381.233,03 * 28.765.384,85 () 1.591.475,01 83. O contribuinte discorda da adição dos R$2.445.651,89 de CSLL e do valor de IR pago no exterior compensado, que o Agente Fiscal reduziu a R$13.433.534,79. 1.7 IR PAGO NO EXTERIOR PASSÍVEL DE COMPENSAR O IR DEVIDO NO BRASIL. ACÓRDÃO DRJ/BHE. NÃO SE TRATA DE INOVAÇÃO. 84. No processo nº 13884.723115/2012,61, conexo ao presente, o Acórdão DRJ/BHE divergiu da interpretação dada à legislação no Despacho DecisórioDD da DRF: f. o DD apurou o imposto pago no exterior compensável com IRPJ devido no Brasil calculado sobre os lucros no exterior adicionados, e mesmo que a controladora sediada no Brasil tenha apurado lucro real igual a zero, deduziu o Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 24 23 imposto pago no exterior, da mesma forma como deduziu o IRRF aqui no Brasil, na apuração do SN IRPJ, cujo valor é discutido pelo contribuinte; g. a DRJ decidiu com base na legislação vigente, §§15, 16, 17 do art. 14 da IN SRF nº 213, de 2002, que, em tendo a controladora sediada no Brasil, apurado lucro real zero, descabe qualquer dedução relativa a compensação de imposto pago no exterior, pois apenas é admitida a dedução do IRRF aqui no Brasil, e apurou que o SN IRPJ corretamente apurado é de R$35.328.588,86, menor que o do DD revisado de ofício. Deduções do IR R$ IRRF por órgãos públicos, no Brasil 4.768.861,47 IRRF no Brasil 30.559.727,39 SN IRPJ 31/12/2008 35.328.588,86 2. O contribuinte acusou que a DRJ inovou ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade, com base em premissa diferente da do DD e que, tendo o DD admitido que o imposto no exterior poderia ser compensado, legitimou o emprego do tributo incidente no exterior na composição do saldo negativo; não se trata porém de inovação, mas da obediência à legislação por aquela instância julgadora relativamente à matéria em litígio, evidenciando erro na aplicação pelo DD, o que é prerrogativa e obrigação do julgador, não sendo motivo de invalidade do Acórdão DRJ. 85. De fato, o litígio administrativo passa por várias instâncias, com vistas a aumentar a segurança da decisão final, conferindo ao contribuinte direito de contrapor fatos, documentos e argumentos contra o Despacho Decisório emanado da Delegacia de jurisdição e contra a DRJ, perante o CARF; nestas etapas, as várias instâncias julgadoras examinam a matéria eventuais divergências de interpretação ainda podem ser levadas à discussão perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. 1.7.1 Imposto pago no exterior. Planilha do contribuinte. 86. À pág. 944, o contribuinte apresentou sua planilha de cálculo, na qual demonstra os valores de IR pago no exterior pelas controladas que compensou: h. R$23.042.499,19, como parcela na composição do SN IRPJ 31/12/2008, Ficha 12A. Cálculo do IR sobre o Lucro Real, pág. 941; i. R$4.483.509,49, na compensação da CSLL devida apurada na DIPJ, pág. 670. 87. Utilizou, portanto, R$27.526.008,68. 88. Analisandose a planilha do contribuinte, verificase que informou impostos recolhidos no exterior apenas para a EAH, EAE e ESH: Controlada no exterior Lucro Imposto pago no exterior IR devido (25%) CSLL devida (9%) IRPJ devido compensado CSLL devida compensada EAH 8.294.687,43 16.440.367,75 2.073.671,86 746.521,87 2.073.671,86 746.521,87 EAE 55.046.323,87 17.307.416,31 13.761.580,97 4.954.169,15 13.761.580,97 3.545.835,34 ESH 256.286.116,21 5.323,867,41 64.071.529,0523.065.750,46 5.323,867,41 0,00 Total 39.071.651,47 79.906.781,8828.766.441,48 21.159.120,24 4.292.357,21 IRRF pelas controladas da 2.074.531,22 1.883.378,95 191.152,27 Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 25 24 ESH Total geral 41.146.182,69 23.042.499,19 4.483.509,49 EAH: A totalidade foi utilizada para compensar o IRPJ devido e a CSLL devida, no Brasil EAE: Compensou o valor devido de IRPJ; e o saldo na compensação de parte da CSLL ESH: Consumiu todo imposto pago no exterior para compensar parte do IRPJ devido. 1.7.2 Imposto pago no exterior. Planilha fiscal. Relatório Revisão Interna de DIPJ Revisão de Ofício, págs. Coligadas e Subsidiárias: 11) Lucros no exterior adic ao Lucro Real adicionados pelo contribuinte Agente fiscal: Correção lucro adic a maior/menor IR pago no Exterior conforme compro vantes, pág. 1.251 (1.170) % part Pag ext x % part EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH 8.294.687,43 1.591.475,01 13.061.024,45 100% 13.061.024,45 EMBRAER AVIATION EUROPE EAE 55.046.323,87 15.586.964,55 14.781.494,43 100% 14.781.494,43 EMBRAER SPAIN HOLDING ESH 256.286.116,21 13.178.421,03 5.553.325,43 45% e 51% 2.776.248,25 Total 27.173.910,57 33.395.844,31 30.618.767,13 89. Temse primeiramente, que o valor do imposto pago no exterior, verificado com os comprovantes, reduziuse a R$33.395.844,31 e, considerada a proporção de participação no capital, reduziuse a R$30.618.767,13. 90. O contribuinte não contestou esta conclusão, portanto, este é o valor a ser considerado como pago, em 2008. 1.7.3 Imposto pago no exterior, compensável. 1.7.3.1.1 Lucro da controlada ESH. 91. Uma vez que, neste voto, não se concorda com a DRJ/RJ1, sobre a tributação dos lucros das controladas indiretas, cujos valores foram consolidados na Embraer Spain Holding ESH, primeiramente, cabe analisar o questionamento da Recorrente sobre o valor dos lucros da ESH, de que foi incorreto o procedimento quanto ao lucro auferido pela controladas indiretas, porque somou, aos lucros auferidos individualmente pelas controladas da ESH, as parcelas relativas às exclusões que devem ser feitas para fins de elaboração das demonstrações financeiras consolidadas, o que demonstra na planilha de pág. 1.026, onde demonstra que, pelo certo, foi oferecido à tributação valor a maior de R$83.445.679,35, que somado aos R$ 1.591.475,01, que dizem respeito à subsidiária americana EAH (que foi reconhecido pelo Agente Fiscal) e diminuído da parcela dos lucros da francesa EAE, não oferecidos à tributação, de R$ 15.586.962,83, perfaz um crédito para a Recorrente de R$ 69.450.191,53 de lucros no exterior adicionados a maior. 92. Na planilha à pág. 1.108, anexada com a impugnação, há anotação manual de que o valor R$28.273.257,76, adicionado aos lucros da Embraer Finance Ltda EFL1, controlada da ESH, tratase Custo do Produto Vendido CPV, e às págs. 945/946, na coluna da EFL1 consta a Demonstração de Resultados desta (e das demais controladas da ESH): Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 26 25 EFL1 Vendas Brutas 70.284.855,75 Custo do Produto Vendido 81.344.785,45 Outros 53.071.527,67 Partes relacionadas 28.273.257,78 Despesas operacionais 3.950.371,37 Receitas/despesas financeiras 40.503.209,12 Lucro 25.492.908,05 93. O contribuinte alega que os valores "Partes relacionadas", são as parcelas relativas às exclusões que devem ser feitas para fins de elaboração das demonstrações financeiras consolidadas. 94. Na planilha fiscal, pág.1.174/1.175 os valores de CPV de 'Partes relacionadas" foram adicionados aos lucros das empresas Embraer Finance Ltda, Ogma Ind Aer Portugal, Listral S/A e EPH; o agente fiscal explicou, pág. 976: – FORAM EXCLUIDOS PARA APURAR O LUCRO INDIVIDUAL DE CADA CONTROLADA INDIRETA DA EMBRAER A ELIMINAÇÕES DE OPERAÇÕES COM PARTES RELACIONADOS, TAIS ELIMINAÇÕES SOMENTE SE UTILIZAM NA TÉCNICA DE CONSOLIDAÇÃO. 95. O agente Fiscal consolidou os lucros de cada controlada da ESH nesta última, portanto, as exclusões de custos de "Partes relacionadas" visando a consolidação, deveriam ser feitas contra as contrapartidas correspondentes das "Parte relacionadas"; por exemplo, se o valor do CPV "Partes relacionadas" da Embraer Finance Ltda for diminuído de R$28.273.257,78, aumentando o lucro desta, este valor deveria ser deduzido da receita da "Parte relacionada" correspondente o que não está demonstrado; cabe destacar que a IN SRF nº 213, de 2002, determina que a apuração dos impostos a compensar deve ser individual por controlada, por isso, deve ser calculado sobre o lucro individual de cada uma delas. 96. Assim, a planilha de pág. 1.175, relativa à ESH, não procede; e os valores da planilha de págs. 1.174/1.175, devem ser os da pág. 1.026: Planilha pág. 1.276 do processo (1.195) Lucro individual Part % Lucro % R$3,23815/Euro ESH 21.380.107,35 Air Holdings SGPS 6.027.400,91 ECC Leasing Co 38.068.569,23 ECC Inv Switzerland 0,00 ECC Insurance & Fin sem alteração sem alter sem alteração 0,00 Embraer Finance Ltda 25.492.908,08 100% 25.492.908,08 82.549.860,30 Ogma Ind Era Portugal 5.342.079,00 45% 2.403.935,55 7.784.303,90 Harbin Embraer Co 16.552.623,10 Embraer merco AS sem alteração sem alter sem alteração 104.736,83 Listral S/A 255.863,00 45% 115.138,35 372.835,25 EPH 13.025,98 100% 13.025,98 0,00 Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 27 26 E Operacional SM S/A 0,00 EC Estruturas sem alteração sem alter sem alteração 0,00 Total 172.840.436,87 97. A planilha supra evidencia que foi adicionado ao lucro, pela recorrente, valor a maior de R$83.445.679,34, resultante da diferença entre R$256.286.116,21 de lucros da ESH que adicionou e o valor de R$172.840.436,87, da tabela supra. 1.7.4 Equívocos do Agente Fiscal apontados no recurso voluntário. 98. Foram refeitos os cálculos, porém, cabe comentar sobre a planilha fiscal apurada na revisão de ofício, pág. 1.275 (1.194), em relação à qual o contribuinte apontou erros. 99. Tem razão o litigante, não só nas discrepâncias que apontou, pois as incongruências a invalidam: a. a diferença entre a coluna 6 lucro depois da adição e a coluna 5 lucro antes da adição, corresponde ao dobro dos valores dos lucros no exterior da coluna 3; b. não está esclarecida a origem dos valores de ambas colunas 5 e 6; c. Na coluna 7, apura IR sobre lucro negativo da empresa EAE, em relação à qual deixou de adicionar o valor de R$15.586.962,83, reconhecido como omitido pela Recorrente. 100. Cabe portanto, refazer os cálculos. 1.7.5 Imposto pago no exterior, compensável. 101. Seguindo a orientação dada pela IN SRF nº 213, de 2002, revisamse os cálculos, conforme a seguir, considerando que a controladora no Brasil não apurou lucro real: DIPJ Acórdão Soma Ficha 09ALL antes do IRPJ 665.486.695,17 Lucros no exterior, linha 08 EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH 8.294.687,43 1.591.475,01 6.703.212,42 EMBRAER AVIATION EUROPE EAE 55.046.323,87 15.586.964,55 70.633.288,42 EMBRAER CREDIT LTD ECL 1.810.962,52 1.810.962,52 EMBRAER OVERSEAS 5.180.791,30 5.180.791,30 EMBRAER ASIAN PACIFIC 509.587,00 509.587,00 EMBRAER SPAIN HOLDING ESH 256.286.116,21 83.445.679,34 172.840.436,87 EMBRAER REPRESENTATION LLC ERL 58.961.179,55 58.961.179,55 Total lucro exterior 386.089.647,88 69.450.189,80 316.639.458,08 Apuração dos impostos pagos no exterior compensáveis no Brasil empresa EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH EMBRAER AVIATION EUROPE EAE EMBRAER CREDIT LTD ECL EMBRAER OVERSEAS EMBRAER ASIAN PACIFIC EMBRAER SPAIN HOLDING ESH EMBRAER REPRE SENTATION LLC ERL Lucro no exterior 6.703.212,42 70.633.288,42 1.810.962,52 5.180.791,30 509.587,00 172.840.436,87 58.961.179,55 IR 15% +AIR 1.651.803,11 17.634.322,11 428.740,63 1.271.197,83 103.396,75 43.186.109,22 14.716.294,89 Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 28 27 IR pago no exterior 13.061.024,45 14.781.494,43 2.776.248,25 Lucro Real 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Ficha 09A, linha 08, Lucros disp no exterior 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 Lucro Real antes dos lucros externos 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 386.089.647,89 Lucro Real + lucros externos 379.386.435,47 315.456.359,47 384.278.685,37 380.908.856,59 385.580.060,89 213.249.211,02 327.128.468,34 Imposto no exterior compensável = o menor valor entre "IR 15%+AIR" e "IR pago no exterior" 1.651.803,11 14.781.494,43 0,00 0,00 0,00 2.776.248,25 0,00 102. Verificase que a Recorrente apurou lucro real zero, sendo que tinha adicionado R$386.089.647,89 de lucros recebidos do exterior; assim, excluídos estes, verificase que o lucro real antes da adição era prejuízo fiscal no mesmo valor; e somados os lucros do exterior revisados, individualmente, por cada controlada, mesmo assim apurase prejuízo fiscal. 103. A IN SRF nº 213, de 2002 determina que, o valor compensável é apurada pela diferença entre o que é devido de IRPJ depois da adição e antes da adição neste caso, ambos resultam que não há IRPJ devido. 104. Por isso, nenhum imposto pago no exterior poderá ser compensado como a empresa não apura IRPJ a pagar, não há o que compensar. 105. Por outro lado, a IN SRF nº 215, de 2002, nos §§ 15, 17 e 17 do art. 4º, autoriza que o valor do tributo pago sobre os lucros no exterior, oferecidos à tributação no Brasil, mas que não possam ser compensados no respectivo anocalendário, porque a pessoa jurídica no Brasil não apurou lucro real positivo, podem ser compensados com o que for devido nos anos calendário subsequentes, e serão calculados pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional (AIR), ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. 106. No caso, conforme a tabela supra, os valores compensáveis nos anoscalendário seguintes são: d. EAH R$1.651.803,11 e. EAE R$14.781.494,43 f. ESH R$2.776.248,25. 1.7.6 Dedução de imposto pago no exterior, do lucro real igual a zero e apuração de saldo negativo de IRPJ. 3. Não há previsão nem autorização na legislação, para que imposto pago no exterior seja compensado com outros tributos que não o IRPJ e CSLL calculados sobre os lucros no exterior do mesmo período ou de períodos de apuração subsequentes. Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 29 28 1.8 APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL DEPOIS DE ADICIONADOS/EXCLUÍDOS LUCROS NO EXTERIOR LISTADOS NA COLUNA "CORREÇÃO LUCRO ADIC A MAIOR/MENOR" 1.8.1 Adição CSLL devida adicional apurada. 107. O contribuinte aponta impossibilidade de adição da CSLL no valor de R$2.445.651,88, à base de cálculo do IRPJ, pois tal adição só se justifica se a CSLL ter sido previamente deduzida como custo ou despesa, na apuração do lucro líquido, o que não ocorre quando se está diante de tributos lançados de ofício, os quais não foram previamente deduzidos pelos contribuinte autuados porque sequer haviam sido apurados, afinal. 108. Segundo a legislação, algumas adições devem ser realizadas somente na apuração da base de cálculo do IRPJ : Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996: Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo. 109. Contudo o valor da CSLL apurado de ofício, não foi registrado como custo ou despesa a justificar a adição à base de cálculo do IRPJ. 110. A apuração do IRPJ e CSLL devidos depois de adicionados os lucros no exterior listados na coluna "Correção lucro adic a maior/menor": () R$ 1.591.475,01 da EAH e adição dos R$15.586.964,55 da EAE e R$83.445.679,34 da ESH, passa a ser. DIPJ Ficha 12A, pág. 947 (941) Acórdão DIPJ, Ficha 17, pág. 675 (669) Acórdão Lucro real 0,00 0,00 Base de cálculo CSLL 81.698.339,22 81.698.339,22 Exclusão EAH pleiteada pela empresa a acatada pelo Agente Fiscal 1.591.475,01 Exclusão EAH pleiteada pela empresa a acatada pelo Agente Fiscal 1.591.475,01 Exclusão ESH, valor a maior 83.445.679,34 Exclusão ESH, valor a maior () 83.445.679,34 Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) 15.586.964,55 Adição dos lucros da EAE (admitido pela empresa) 15.586.964,55 Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 30 29 Lucro real 0,00 69.450.189,80 Base de cálculo da CSLL Ajustada 12.248.149,42 IRPJ apurado 0,00 0,00 CSLL apurada 7.352.850,53 1.102.333,45 () IRPJ exterior compensação 23.042.499,19 0,00 Imposto pago no exterior compensação 4.483.509,69 0,00 () IRRF 30.559.727,39 30.559.727,39 confirmado pela Revisão, pág. 1.258 (1.177) CSLL retida Fonte 1.054.099,12 1.054.099,12 () IRRF órgãos públicos 4.768.861,47 4.768.861,47 idem) Estimativa paga 1.094.223,09 1.094.223,09 IR a pagar (SN IRPJ) 58.371.088,05 35.328.588,86 CSLL a pagar 721.018,63 1.045.988,76 1.9 CONCLUSÃO 111. A correta apuração resulta em SN IRPJ de 31/12/2008, no valor de R$35.328.588,86 (confirmando a conclusão da DRJ) e de SN CSLL no valor de R$1.045.988,76. 112. O DD reconheceu R$41.381.233,19 de crédito de SN IRPJ, portanto R$ 6.052.644,33 a maior do que o contribuinte teria direito. 113. Verificase que os impostos recolhidos no exterior não podem ser utilizados na compensação do IRPJ no anocalendário 2008; e tampouco para compensar a CSLL deste ano, confirmando a conclusão da DRJ. 114. Apuraramse valores de impostos no exterior a serem registrado na parte B do LALUR, para compensação nos anoscalendário seguintes: a. EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH R$1.651.803,11 b. EMBRAER AVIATION EUROPE EAE R$14.781.494,43 c. EMBRAER SPAIN HOLDING ESH R$2.776.248,25. 115. Porém o contribuinte consumiu nas compensações indevidas R$27.526.008,68 e o DD reconheceu R$17.917.044,48, para compensações do IRPJ e da CSLL, o que reduz os valores a serem registrados na LALUR, para: d. EMBRAER AIRCRAFT HOLDING EAH R$(1.651.803,11 () 359.301,80= 1.292.501,31) e. EMBRAER AVIATION EUROPE EAE R$(14.781.494,43 () 14.781.494,43=0,00) f. EMBRAER SPAIN HOLDING ESH R$(2.776.248,25 () 2.776.248,25=0,00). Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 13884.723267/201264 Acórdão n.º 1201001.560 S1C2T1 Fl. 31 30 1.10 LANÇAMENTO FISCAL. IRPJ. 116. Na revisão da DIPJ contatase que foram apurados R$35.328.588,86 de Saldo Negativo de IRPJ e nenhum valor de IRPJ devido. 117. À vista do exposto, cabe negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento do lançamento de IRPJ, pelas conclusões. 1.11 LANÇAMENTO FISCAL. CSLL. 118. A revisão efetuada neste voto, apontou valor devido de CSLL inferior ao que foi objeto da autuação fiscal, porém, consideradas as deduções de retenções na fonte e estimativas mensais recolhidas, foi apurado Saldo Negativo de CSLL. 119. A redução de SN CSLL é uma forma de lançamento fiscal e a exigência de R$2.445.651,89, acrescida de multa de ofício e juros de mora deve ser cancelada. 1.12 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. 120. Haja vista terem sido exoneradas as exigências fiscais e respectivas multas de ofício e juros de mora, tornase prescindível a discussão sobre o tema, neste processo. Voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário e negar provimento em parte ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Relator Eva Maria Los Relator Fl. 1509DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.002674/2005-07
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/01/2005
AÇÃO JUDICIAL E CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Como a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade administrativa sua discussão em juízo não substituía, à época do fato gerador, o lançamento, que deveria ser efetuado como medida preventiva da decadência.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.574
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, negar provimento pelo voto de
qualidade, nos termo do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencidos Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudiño.
Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Designada para redigir o voto vencedor.
Matéria: Cofins - Ação Fiscal - Importação
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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CAA_ ral Marcondes Armando - Presi Judith Do Marcelo Ribeiro Nogueira - Rela'tot. f<'\ S3-C2T1 Fl. 103 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10711.002674/2005-07 Recurso n° 341.696 Voluntário Acórdão no 3201-00.574 — 2 Câmara / la Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria PIS/COFINS IMPORTAÇÃO Recorrente MtIER MEDICAL CENTER S/C LTDA. Recorrida DRJ FLORIANÓPOLIS/SC ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2005 AÇÃO JUDICIAL E CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Como a constituição do crédito tributário é de competência privativa da autoridade administrativa sua discussão em juizo não substituia, à época do fato gerador, o lançamento, que deveria ser efetuado como medida preventiva da decadência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, negar provimento pelo voto de qualidade, nos termo do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos Marcelo Ribeiro Nogueira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudifio. Conselheira Mércia Heleno Trajano D'Amorim Designada para redigir o voto vencedor. ercia Helena Tr D'gnonm - Redator Designado. Processo n° 10711.002674/2005-07 S3-C2T1 AcOrcido n.° 3201-00.574 Fl. 104 Editado Em: 28/02/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Do Amaral Marcondes Armando, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudifio E Luciano Lopes De Almeida Moraes. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para a constituição da exigência do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação, relativamente a operação processada por meio da Declaração de Importação (DI) n" 05/0100972-2, registrada em 31/01/2005, perfazendo um crédito tributário total no valor de R$ 14.348,66, conforme termo de encerramento defl. 12. Conforme se depreende dos autos, a autuação em tela se originou da ausência do recolhimento das mencionadas contribuições por parte da importadora, tendo em vista a autorização judicial para que se efetuasse o depósito integral do montante dos tributos questionados, deferida no âmbito do Mandado de Segurança n°2004.51.01.19076-7. A contribuinte impetrou referida ação judicial por entender que a cobrança das contribuições em tela, nos termos da Lei n° 10.865/2004, é inconstitucional. Cientificada da autuação, a interessada protocolizou a impugnação de fls. 29 a 33, alegando, em síntese, que: - o depósito integral das contribuições sub judice, efetuado no prazo legal previsto para o seu recolhimento, suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, impedindo, por conseguinte, a cobrança dos juros de mora; - a impossibilidade da imposição dos juros moratórios é respaldada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, reproduzida as fls. 30 a 32; - no cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, utilizou-se indevidamente a aliquota do ICMS no percentual de 16%, quando a aliquota própria é de 15%, a teor do art. 14, inciso IV da Lei Estadual n°2.657/1996. 0 Despacho Decisório de fl. 50, exarado pelo Inspetor da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro, em 31/08/2005, fundamentando-se no Parecer Conclusivo Secat n° 122/05, elaborado pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário daquela unidade aduaneira, as fls. 48 e 49, decidiu 2 Processo n° 10711.002674/2005-07 53-C2T1 Acórdão n. ° 3201-00.574 Fl. 105 pelo não conhecimento da impugnação apresentada quanto a contestação da autuada contra a COFINS e o PIS/PASEP lançados nos Autos de Infra cão constantes do presente processo, declarando, por conseguinte, a definitividade da exigência em tela, em virtude do disposto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n°3, de 14/02/1996, alertando, porém, para o fato de que sua exigibilidade encontra-se suspensa, de acordo com o art. 151, inciso II do Código Tributário Nacional (CTIV), por força da decisão proferida pelo Juizo da 9" Vara Federal do Rio de Janeiro, nos autos do Mandado de Segurança n° 2004.51.01.19076-7. A unidade de origem, assentada nas disposições contidas nos arts. 14 a 32 do Decreto n° 70.235/1972, na Portaria MF n" 416/2000 e na Portaria SRF n°1.465/2003, e tendo em vista que a autuada impugnou matérias que não são discutidas na Ação Ordinária V 2004.51.01.19076-7, encaminhou o processo a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a fim de que tais assuntos sejam apreciados. A decisão recorrida julgou parcialmente procedente o lançamento, afastando a cobrança dos juros de mora, diante da existência de depósito integral do montante lançado. 0 contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator. 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Durante anos houve debate sobre a necessidade e dever do Poder Público lançar valores depositados para prevenir a decadência. Naqueles tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando o contribuinte efetua o depósito integral do débito, restou pacificada no Superior Tribunal de Justiça a desnecessidade de constituição do crédito por meio do lançamento, uma vez que o contribuinte já teria feito a apuração e o recolhimento/depósito do valor devido. 3 Processo 10711.002674/2005-07 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.574 Fl. 106 Este entendimento surgiu com o precedente da Primeira Seção (EREsp 898.992/PR, relator Ministro Castro Meira, DJU de 27/08/07), cuja ementa é a seguinte: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA Coin o depósito do montante integral tem-se verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4°, do CTN. Urna vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de oficio das importâncias depositadas. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independentemente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente a conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equipara-se ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sent lançamento de oficio pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do deposito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7", ed. P. 1277). Embargos de divergência não providos. Assim, o depósito integral do montante do tributo, efetuado pelo contribuinte, além de suspender a exigibilidade do crédito tributário, toma desnecessária a constituição do crédito pelo lançamento. Isto porque aquela Corte Superior entendeu que o depósito corresponde a urn lançamento tácito, porque o sujeito passivo procede ao cálculo do tributo e coloca o montante correspondente em dinheiro à disposição do Fisco. Desta forma, o lançamento só será necessário quando o depósito não for integral. Este entendimento permanece inalterado, conforme se verifica das ementas abaixo: 4 Processo n° 10711.002674/2005-07 S3 -C2T1 Acórdão n.° 3201-00.574 Fl. 107 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO ART. 544 E 545, DO CPC. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. MANDANDO DE SEGURANÇA QUESTIONANDO A LEGALIDADE DO IRPJ. DEPÓSITOS EFETUADOS A FIM DE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUPERVENIENTE IMPROCEDÊNCIA DA DEMANDA. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA QUANTO AO DIREITO DE LANÇAR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO QUE EQUIVALE AO PAGAMENTO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. 1. 0 depósito efetuado por ocasião do questionamento judicial do tributo suspende a exigibilidade do mesmo, enquanto perdurar contenda, ex vi do art. 151, IL do CTN e, por forca do seu desígnio, implica lançamento tácito no montante exato do quantum depositado, conjurando eventual alegação de decadência do direito de constituir o crédito tributário. 2. Julgado improcedente o pedido da empresa e em havendo depósito, torna-se desnecessária a constituição do crédito tributário no qüinqüênio legal, não restando consumada a prescrição ou a decadência. 3. A sucumbência no mandado de segurança acarreta, consectariamente, a conversão dos depósitos outrora efetivados, em renda da UNIÃO, extinguindo o crédito tributário consoante o dictamem do art. 156, VI, do CTN, restando desnecessário o lançamento por conta do próprio provimento judicial. (Precedentes: AgRg no Ag 1163962/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 06/10/2009, DJe 15/10/2009; AgRg nos EREsp 1037202/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 27/05/2009, Dje 21/08/2009; REsp 1037202/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 09/09/2008, DJe 24/09/2008; REsp 757.311/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 13/05/2008, Dje 18/06/2008.) 4. Nesse sentido, a doutrina clássica do tema, verbis: No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, a decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente a conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, 5 Processo n° 10711.002674/2005-07 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.574 Fl. 108 equipara-se ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de oficio pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito. (PAULSEIV, Leandro, Direito Tributário, Sao Paulo, Livraria do Advogado, 7" ed, p. 1227). 4. Inexiste ofensa do artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, mercê de o magistrado não estar obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1211443 / RJ, l a . Turma do STJ, relator Ministro Luiz Fux, Dje 20/04/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL. DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO. I. Não cabe a esta Corte analisar afronta a dispositivo constitucional, nem mesmo para fins de prequestionaniento, sob pena de usurpar-se da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção desta Corte possui entendimento pacifico no sentido de que "no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com vistas à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste nos moldes do que dispõe o art. 150 e parágrafos do CTN. Isso porque verifica a ocorrência do fato gerador, calcula o montante devido e, ern vez de efetuar o pagamento, deposita a quantia aferida, a fim de impugnar a cobrança da exação. Assim, o crédito tributário é constituído por meio da declaração do sujeito passivo, não havendo falar em decadência do direito do Fisco de lançar, caracterizando-se, com a inércia da autoridade fazendária apenas a homologação tácita da apuração anteriormente realizada. Não há, portanto, necessidade de ato formal de lançamento por parte da autoridade administrativa quanto aos valores depositados." (EREsp 686.479/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, DJ 22.9.2008). 3. Nesse sentido, destaco, também, os seguintes julgados: AgRg nos EREsp 1.037.202/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ 21.8.2009, EDcl nos EREsp 464.343/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, DJ 3.3.2008, EREsp 615.303/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Rei. p/ Acórcla o Ministra Denise Arruda, Primeira Seção, DJ 15.10.2007. 6 Processo n° 10711.002674/2005-07 S3 -C2T1 Acórdão n.° 3201 -00.574 Fl. 109 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1163962 / SP, 2°. Turma do STJ, relator Min. Mauro Campbell Marques, Dje 15/10/2009). Desta forma, adotando a jurisprudência acima como fundamento para meu decidir, VOTO por conhecer do recurso para dar-lhe provimento para declarar nulo o lançamento para prevenir a decadência j$AMARCELO RIBEIRO NOGUI toLeD Voto Vencedor Conselheira Mercia Helena Trajano D'Amorim, Relatora. A interessada contesta a autuação alegando que a mesma deve ser desconstituida, pois a exigibilidade está suspensa por força de depósito judicial, logo a constituição do crédito se torna indevida. Analisemos, portanto, quanto a possibilidade e necessidade de efetuar o lançamento de crédito tributário discutido em Juizo. A constituição do crédito tributário, destinada a prevenir a decadência está prevista no art. 63 da Lei n° 9.430/96 que dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de oficio. § 1° 0 disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (grifei) Esclareça-se, por oportuno, que referido questionamento já se encontrava pacificado na jurisprudência do STJ, no sentido de que instrumentos jurídicos de eficácia equivalente (mandado de segurança) não tinham o condão de impedir a constituição do credito tributário preventivo da decadência. Nesse sentido, transcrevo trecho de um dos numerosos acórdãos que trata do tema: Acórdão RESP 75075/RJ; RECURSO ESPECIAL1995/0048411- 0. Fonte: DJ DATA:14/04/2003 PG:00206 Relator: Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS (1094) 7 Processo n° 10711.002674/2005-07 S3 -C2T1 Acórclão n.° 3201-00.574 Fl. 110 Ementa: TRIBUTÁRIO — MANDADO DE SEGURANÇA — MEDIDA LIMINAR — RECURSO ADMINISTRATIVO — LANÇAMENTO — EFETIVAÇÃO DE NOVOS LANÇAMENTOS — POSSIBILIDADE — CTIV, ARTS, 151, I E III, E 173 — PRECEDENTES. - A concessão da segurança requerida suspende a exigibilidade do crédito tributário, mas não tent o condão de impedir a formação do titulo executivo pelo lançamento, paralisando apenas a execução do crédito controvertido. - Recurso especial conhecido e provido. Data da Decisão: 25/02/2003 Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Ademais, não existia, à época da referida constituição de crédito tributário qualquer norma instituindo o chamado "lançamento judicial", nem legislação afirmando que a discussão judicial substituia o lançamento ou interrompia os efeitos da decadência, ao contrário, ocorreram inúmeros casos que mesmo diante de decisão judicial transitada em julgado a favor da Fazenda Nacional o crédito tributário já estava decaído por ausência do seu lançamento. Dai a orientação interna da RFB no sentido de que a autoridade fiscal sempre efetue o lançamento preventivo da decadência nos casos que o contribuinte resolva discuti-lo judicialmente. Exceção a essa regra somente surgiu muito recentemente, com a edição da Medida Provisória n° 449, publicada no DOU em 04.12.2008, que em seu art. 49, dispõe que prescinde do lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência (art. 63 da Lei n° 9.430/96), o crédito tributário relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso II do art. 151 do CTN, ou seja, no caso de existência de depósito judicial. Em suma, a autoridade fiscal estava obrigada a efetuar o presente lançamento devido ao fato de a constituição do crédito tributário, além de ser de sua competência privativa, figura atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Portanto, nenhuma violação à lei ou desobediência ao Poder Judiciário ocorreu no caso em tela porque a constituição do crédito tributário pelo lançamento, isoladamente, não é definitiva, ou seja, não se pode extrair dele o titulo executivo extrajudicial (art. 585, VII do CPC c/c art. 2°, § 3°, da Lei n° 6.830/80). Nos casos em que a matéria está sendo discutida em sede de Poder Judiciário, sua constituição somente é definitiva acaso a decisão seja favorável à Fazenda Pública (Unido). Dos atos legais acima transcritos temos que o crédito tributário em apreço deveria, à época, obrigatoriamente ser constituído. Constituído o crédito tributário através do competente auto de infração, a sua exigibilidade é que poderia ser suspensa de acordo com o art. 151 do CTN (Lei n° 5.172/1966), como inclusive mencionou a autuada em sua defesa: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I- moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; 8 Processo n° 10711.002674/2005-07 53-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.574 Fl. 111 IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V - a concessiio de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de civil° judicial; VI - o parcelamento. Parágrafo Único. 0 disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo cr&lito seja suspenso, ou dela conseqüentes. (grifei) Portanto, preenchidos os requisitos elencados no art. 151 do CTN (Lei n° 5.172/1966), a exigibilidade do crédito tributário constituído através do presente auto de infração estará suspensa enquanto perdurar sua condição suspensiva, como é o caso do depósito judicial e da concessão de medida liminar ou de tutela antecipada. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. $26-myti ercia Helena Trai ano D'Amorim 9
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Numero do processo: 11030.002378/2007-91
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional aplica-se aos casos de constituição de crédito tributário e não para discussão sobre eventual suspensão de imunidade do contribuinte.
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. SUBSTITUIÇÃO DO CONTRATO DE ALUGUEL POR COMODATO. CONTINUIDADE DO PAGAMENTO DOS ALUGUERES. Se apesar da substituição de contrato de locação por contrato de comodato o comodatário continua a pagar valores a título de aluguel ao comodante, que os recebe sem ressalva, é de considerar-se a continuidade do contrato de locação em atenção à verdadeira vontade das partes, na forma do art. 112 do Código Civil, não se configurando distribuição de receitas, aplicação indevida de recursos fora de seu objeto ou qualquer tipo de fraude.
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. OBJETIVOS RELIGIOSOS. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. DESTINAÇÃO DE IMÓVEL PARA USO DE PÁROCO. A aquisição de casa paroquial pela entidade sem fins lucrativos que atua com atividades educacionais religiosas para servir de moradia ao pároco que for designado para atender a sua freguesia não configura aplicação de recursos fora de sua atividade, não sendo possível a suspensão de sua imunidade por este fato.
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENÇÃO DA IMUNIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE CONTABILIDADE DE SÓCIO DE DIRIGENTE. ATIVIDADE NORMAL E NECESSÁRIA. PREÇO DE MERCADO. A contratação de empresa de contabilidade é necessária para qualquer sociedade. Não configura distribuição indevida de recursos a contratação, a valores de mercado, de escritório de contabilidade pertencente à dirigente da entidade, para prestar serviços necessários e normais à manutenção do fonte.
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADES RELIGIOSAS. CONTRATAÇÃO DE PLANO DE SAÚDE PARA FUNCIONÁRIOS, DIRIGENTES, FAMILIARES E PÁROCO. Tratando-se despesa normal e necessária ao desenvolvimento de qualquer sociedade, o pagamento de plano de saúde a funcionários, dirigentes e, no caso de entidade recorrente que se dedica a atividades educativas religiosas, ao pároco, não configura desvio ou concessão de benefício algum a dirigente nem autoriza a suspensão da imunidade. Precedente do CARF, acórdão n° 101-95.343.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1201-000.550
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em AFASTAR a preliminar de decadência suscitada de ofício, vencido o conselheiro Régis Magalhães Soares de Queiroz que a acatava. Designado o conselheiro Antônio Carlos Guidoni para redação do voto vencedor quanto a esta matéria. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário para manter a imtmJdade relativa ao período de 1997 a 2002, nos termos do relatório e voto que integrarp o p/esentc julgado.
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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ementa_s : DECADÊNCIA. O prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional aplica-se aos casos de constituição de crédito tributário e não para discussão sobre eventual suspensão de imunidade do contribuinte. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. SUBSTITUIÇÃO DO CONTRATO DE ALUGUEL POR COMODATO. CONTINUIDADE DO PAGAMENTO DOS ALUGUERES. Se apesar da substituição de contrato de locação por contrato de comodato o comodatário continua a pagar valores a título de aluguel ao comodante, que os recebe sem ressalva, é de considerar-se a continuidade do contrato de locação em atenção à verdadeira vontade das partes, na forma do art. 112 do Código Civil, não se configurando distribuição de receitas, aplicação indevida de recursos fora de seu objeto ou qualquer tipo de fraude. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. OBJETIVOS RELIGIOSOS. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. DESTINAÇÃO DE IMÓVEL PARA USO DE PÁROCO. A aquisição de casa paroquial pela entidade sem fins lucrativos que atua com atividades educacionais religiosas para servir de moradia ao pároco que for designado para atender a sua freguesia não configura aplicação de recursos fora de sua atividade, não sendo possível a suspensão de sua imunidade por este fato. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENÇÃO DA IMUNIDADE. CONTRATAÇÃO DE EMPRESA DE CONTABILIDADE DE SÓCIO DE DIRIGENTE. ATIVIDADE NORMAL E NECESSÁRIA. PREÇO DE MERCADO. A contratação de empresa de contabilidade é necessária para qualquer sociedade. Não configura distribuição indevida de recursos a contratação, a valores de mercado, de escritório de contabilidade pertencente à dirigente da entidade, para prestar serviços necessários e normais à manutenção do fonte. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADES RELIGIOSAS. CONTRATAÇÃO DE PLANO DE SAÚDE PARA FUNCIONÁRIOS, DIRIGENTES, FAMILIARES E PÁROCO. Tratando-se despesa normal e necessária ao desenvolvimento de qualquer sociedade, o pagamento de plano de saúde a funcionários, dirigentes e, no caso de entidade recorrente que se dedica a atividades educativas religiosas, ao pároco, não configura desvio ou concessão de benefício algum a dirigente nem autoriza a suspensão da imunidade. Precedente do CARF, acórdão n° 101-95.343. Recurso provido.
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Numero do processo: 10235.002720/2007-94
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2004
Ementa:
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma
conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1302-000.580
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, não conhecer do recurso por perempção.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 Ementa: PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, não conhecer do recurso por perempção. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.371 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, André Ricardo Lemes da Silva, Irineu Bianchi, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.372 3 Relatório ROSE MARY PEREIRA VASCONCELOS, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de impostos e contribuições devidos no âmbito do SIMPLES, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: a) omissão de receitas, caracterizada por pagamentos não escriturados; e b) insuficiência de recolhimentos. Transcrevo, a seguir, relato feito em primeira instância acerca dos argumentos expendidos pela contribuinte na peça impugnatória, bem como sobre os incidentes que antecederam a decisão prolatada na referida instância. ... 4. Cientificada do conteúdo dos autos de infração em 18/12/2007, conforme AR de fl. 1118, a autuada apresentou Impugnação de fls. 1124/1161, em que apresenta, em resumo, os seguintes protestos: a) a fiscalizada não foi regularmente intimada a se manifestar acerca das notas fiscais emitidas em seu nome por Cimento Poty S. A. Em que pese a diligência da autoridade fiscal, entendemos que a fiscalizada teve preterido seu direito de defesa uma vez que não foi devidamente notificada acerca das notas fiscais e outros documentos obtidos junto à empresa Cimento Poty S/A que, supostamente, foram remetidas à mesma. A autuada não sabe, até agora, que mercadorias são essas, quando foram vendidas, para quem e nem para onde foram entregues. b) E isto dificulta, sobremaneira, a defesa da autuada, uma vez que sabe apenas que a fiscalização obteve uma relação de notas, mas não tem maiores detalhes de tais operações. As descrições dos fatos são singelas e não esclarecem, por exemplo, os números das notas fiscais, datas de emissão, mercadorias contidas nas mesmas, endereço para entrega, quem recebeu, etc. Trata apenas de montantes mensais, sem a menor condição de oferecer à acusada as condições necessárias a uma plena defesa. O termo de encerramento, que poderia prestarse a esses esclarecimentos, dizendo das circunstâncias do trabalho fiscal, diz absolutamente nada. c) a fiscalização não logrou comprovar que as mercadorias vendidas por Cimento Poty S.A. foram adquiridas pela Impugnante. O fornecedor teria informado ser impossível apresentar as cópias dos documentos relativos às entregas das Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.373 4 mercadorias vendidas à fiscalizada, como conhecimentos de carga ou transporte, manifestos etc.., com a indicação inequívoca do destino da mercadoria, haja vista que estes documentos ficam em poder do cliente (fiscalizado); d) A impugnante vem impugnar quaisquer documentos, apontamentos, demonstrativos, ou quaisquer outros elementos por ventura inseridos no processo, quando de sua constituição, dos quais o contribuinte não teve conhecimento até esta data. Digase que tal inserção, realizada unilateral e exclusivamente pela fiscalização da Fazenda com absoluta exclusão participativa da impugnante, consoante o consagrado princípio de ampla defesa nos processos administrativos, incluído com oportunidade na carta de 88, limita essa defesa indispensável, nulificando todos os atos praticados e as conclusões pretensamente alcançadas, que respaldam aquelas peças, por corolário também nulas, representadas pelos autos de infração. e) a fiscalização não comprovou que os pagamentos foram feitos com recursos da autuada. A autuada desconhece a lista de títulos recebidos por Cimento Poty S.A., pelas compras de cimento, totalizando R$ 3.329.261,64. f) O legislador definiu com bastante objetividade e clarividência, no artigo 40 da Lei 9.430/96, que a caracterização da infração como omissão de receita se dava tão unicamente pela falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica. Isso significa dizer que a simples falta de escrituração de um documento, por si só, não ensejará o lançamento de oficio por omissão de pagamentos, a menos que haja a prova efetiva desse pagamento. Em outras palavras, significa dizer, então, que omissão de pagamentos não é a mesma coisa que omissão de escrituração ou omissão de compras. g) Esta última infração, por exemplo, uma vez detectada numa ação fiscal, condicionaria a autoridade fiscal a proceder à recomposição do Caixa da empresa, para a necessária averiguação da existência de um provável saldo Credor de Caixa. h) a descrição dos fatos referentes à insuficiência de pagamentos está incompleta. i) Ainda que a autoridade fiscal houvesse provado a entrega da mercadoria à autuada e que o respectivo pagamento foi suportado pela mesma, e dizemos isto apenas como ponto de argumentação, a mesma não logrou comprovar que houve a necessária falta de escrituração desses pagamentos, suficiente para enquadrar a suposta situação fática aos ditames do art. 40 da Lei 9.430196. j) A autoridade fiscal tentou evidenciar que a fiscalizada cometera um ilícito fiscal pela falta de escrituração de pagamentos efetuados no anocalendário 2003. E para comprovar sua tese valese exatamente do fato da não apresentação do livro caixa. Parecenos um paradoxo. Se o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.374 5 fiscal não viu o livro caixa, então como pôde deduzir que os pagamentos não estavam ali escriturados? E nem vamos dizer que estavam, pois, como dissemos alhures, a autuada não fez pagamentos nos montantes alegados pela fiscalização. Dizemos aqui que a fiscalização deveria PROVAR O FATO ALEGADO, OU seja, a falta de escrituração dos pagamentos. Não podendo proválo ele dessumiu, ou seja, deduziu, inferiu, MAS NÃO PROVOU! k) Assim, mesmo que ficasse provada a irregularidade praticada pela empresa, em não declarar a totalidade de suas compras, o lançamento não se afiguraria correto, visto que não há conformidade dos fatos apurados com a previsão legal de omissão de receita identificada por pagamentos não escriturados. 1) Ao se basear numa suposição, uma vez que não provou efetivamente a não escrituração dos pagamentos o lançamento afastouse do dispositivo legal (art. 40 da Lei nº 9.430/96), quando este determina a tributação dos pagamentos efetuados e não registrados. m) A peça acusatória não juntou as folhas do Livro Diário ou Livro Caixa onde teria ocorrido a falta do registro dos pagamentos, apenas apresenta a relação dos mesmos, e a alegação de que não foram contabilizados. Ou seja, o Sr. AuditorFiscal da Receita Federal constatou, por via oblíqua, a falta ou atraso da escrituração necessária à permanência da autuada no regime SIMPLES. Deveria, portanto, de acordo com a legislação tributária de regência, proceder ao arbitramento do lucro da pessoa jurídica, desde que a empresa não regularizasse a sua situação mediante intimação específica concedendolhe prazo para tanto, o que não foi feito até o momento. n) Feita a mera transcrição dos valores de planilhas fornecidas por terceiros para os demonstrativos de base de cálculo do SIMPLES, a impugnante passou a adotar o regime de competência mesmo sem estar obrigada, reconhecendo as receitas auferidas e ainda não recebidas, corno o Agente pretendeu. 5. Reclama a Impugnante sobre a falta de ciência dos elementos juntados aos autos, referidos na Descrição dos Fatos, e que tem o fim de comprovar a falta de escrituração de pagamentos efetuados, quais sejam: a lista de títulos recebidos por Cimento Poty S. A. pelas compras de cimento, totalizando R$ 3.329.261,64 (fls. 1008/1029), e as cópias das notas fiscais anexadas aos autos. 6. A DRJ Belém, através do Despacho de fls. 1169/1170, solicitou à Unidade de Origem a realização de diligência, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235 de 1972, modificado pela Lei n° 8.748 de 09/12/93 e do artigo 10 da Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, do Ministro de Estado da Fazenda, a fim de que: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.375 6 a) Desse ciência à autuada do próprio Despacho, dos elementos juntados aos autos, referidos na Descrição dos Fatos, e que tem o fim de comprovar a falta de escrituração de pagamentos efetuados (quais sejam: a lista de títulos recebidos por Cimento Poty S. A., pelas compras de cimento, totalizando R$ 3.329.261,64 (fls. 1008/1029) e as cópias das notas fiscais anexadas aos autos), concedendolhe prazo para manifestação; b) Desse ciência das razões da autuação por insuficiência por falta de recolhimento; 7. A Unidade de Origem, em resposta, apresentou Relatório de Diligência (fls. 1183/1184) em que informa que: a) um procurador da autuada compareceu na DRF/Macapá e recebeu cópia das notas fiscais emitidas pela Cimento Poty S. A. e dos respectivos documentos alusivos aos pagamentos das mesmas (fls. 1180); b) os valores informados pela referida pessoa jurídica na sua PJSI 2004 como SIMPLES DEVIDO, fls. 18 a 29, sofreram majoração, mercê da "acumulação" da receita bruta mensal declarada (PJSI 2004) com a apurada pela Fiscalização (infração n. 1), daí porquê da infração n. 2: "INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO". 8. Cientificada do Relatório de Diligência (fls. 1183/1184) a autuada apresentou termo de fls. 1188/1202 em que alega, em resumo: a) a DRJ atestou que a autuada não foi apresentada às notas fiscais em qualquer fase do trabalho fiscal, e que houve cerceamento do direito de defesa. Logo, o auto seria nulo desde o início. b) a autuada protesta pela ilegalidade de qualquer documento juntado ao processo sem o seu conhecimento durante o trabalho fiscal que culminou com a lavratura do auto de infração. c) a autuada reafirma as razões apresentadas na impugnação. d) a autuada afirma que faz juntada de seu extrato bancário do ano de 2004 para por fim a qualquer dúvida acerca dos pagamentos e ainda sobre o montante de suas operações naquele ano. e) com a ordem da DRJ Belém para que fosse efetuada diligência a fim de dar conhecimento à impugnante de elementos que a mesma não dispunha quando de sua defesa e, ao mesmo tempo, fosse dado novo prazo para impugnação, entendemos que a ciência do auto de infração se deslocou para 30/08/2008, causando a decadência parcial da autuação. 9. Tendose em vista que no curso do procedimento de fiscalização foi verificado que no ano calendário 2003 o valor da receita bruta auferida foi superior a R$ 120.000,00 (limite para microempresa), a saber R$ 3.329.261,84, segundo despacho de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.376 7 fl. 1209, restou configurada a hipótese do art. 14, I, da Lei 9.317/96, ensejadora da exclusão da pessoa jurídica do Simples, materializada através do Ato Declaratório n. 18, de 28/12/2007, fl. 1284. 10. A contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 1290//1293), contra a decisão inserta no Ato Declaratório n. 18, de 28/12/2007, fl. 1284, na qual reclama, em resumo: a) o auto de infração foi devidamente impugnado; b) a contribuinte não poderia comunicar o excesso de receita, tendose em vista que este não ocorreu; c) protesta por todos os meios de prova admitidos no processo administrativo. A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0112.462, de 10 de novembro de 2008, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. LANÇAMENTO Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador; da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido; identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. SIMPLES.EXCLUSÃO. EFEITOS. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite legal estabelecido. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.321/1.366, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória, quais sejam: cerceamento do direito de defesa; decadência em razão do deslocamento da data de ciência dos autos de infração; ausência de comprovação das aquisições; ausência de comprovação dos pagamentos; ausência de caracterização da omissão de receitas; impossibilidade de lançamento na sistemática do SIMPLES em razão da falta do LIVRO CAIXA; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.377 8 nulidade em virtude da falta de descrição dos fatos (INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO); impossibilidade de exclusão do SIMPLES face à não ocorrência de excesso de receita É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.378 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Analisando os elementos reunidos ao processo, constato: a) que a Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 27 de novembro de 2008 (quintafeira), conforme aviso de recebimento de fls. 1.320; b) que às fls. 1.321 consta peça recursal interposta pela contribuinte, datada de 29 de dezembro de 2008, cujo registro de recepção indica a data de 30 de dezembro de 2008; Assim, temos que a contribuinte foi cientificada da decisão de primeiro grau em 27 de novembro de 2008, uma quintafeira, sendo a data fatal para a interposição do recurso voluntário o dia 29 de dezembro de 2008, vez que o encerramento do prazo só pode se dá, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 5º do Decreto nº. 70.235/72, em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (27 de dezembro de 2008, data do encerramento do prazo, foi um sábado). Como visto, a contribuinte ingressou com recurso voluntário em 30 de dezembro de 2008. Nesse diapasão, consoante as disposições do Decreto nº. 70.235, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, temos que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. ... Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ... O prazo para interposição do recurso venceu no dia 29 de dezembro de 2008, segundafeira, sendo, portanto, o recurso apresentado em 30 de dezembro do mesmo ano, intempestivo, e, nos termos do artigo 42 acima transcrito, a decisão prolatada em primeira instância passou a ser definitiva. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso, por perempto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10235.002720/200794 Acórdão n.º 130200.580 S1C3T2 Fl. 1.379 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13839.001093/2005-00
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIR O INDÉBITO.
É de cinco anos contados da data do pagamento o prazo para repetir indébito decorrente de pagamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação.
(Inteligência da Lei Complemenatar n° 118, de 2005).
DISTRIBUIDORES E COMERCIANTES VAREJISTAS DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS DE PETRÓLEO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. FATO GERADOR PRESUMIDO.
A constituição assegura a restituição dos valores retidos de PIS e Cofins pelas refinarias, no regime de substituição tributária, apenas na hipótese de não se realizar o fato gerador presumido.
Numero da decisão: 2202-000.029
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIR O INDÉBITO. É de cinco anos contados da data do pagamento o prazo para repetir indébito decorrente de pagamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Inteligência da Lei Complemenatar n° 118, de 2005). DISTRIBUIDORES E COMERCIANTES VAREJISTAS DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS DE PETRÓLEO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. FATO GERADOR PRESUMIDO. A constituição assegura a restituição dos valores retidos de PIS e Cofins pelas refinarias, no regime de substituição tributária, apenas na hipótese de não se realizar o fato gerador presumido.
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Recorrente AUTO POSTO SALESCO LTDA. Recorrida DRJ em CAMPINASSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1996 a 30/06/1996 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIR O INDÉBITO. É de cinco anos contados da data do pagamento o prazo para repetir indébito decorrente de pagamento de tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Inteligência da Lei Complemenatar n° 118, de 2005). DISTRIBUIDORES E COMERCIANTES VAREJISTAS DE COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS DE PETRÓLEO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO. FATO GERADOR PRESUMIDO. A constituição assegura a restituição dos valores retidos de PIS e Cofins pelas refinarias, no regime de substituição tributária, apenas na hipótese de não se realizar o fato gerador presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos – PresidenteSubstituto Sílvia de Brito Oliveira – Redatora Designada Ad Hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Julio César Alves Ramos, Rodrigo Bernardes Raimundo de Carvalho, Ali Zraik Junior, Sílvia de Brito Oliveira, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 10 93 /2 00 5- 00 Fl. 887DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0819.10586.SDBR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Tranchesi Ortiz, Evandro Francisco Silva Araújo (Suplente), Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O PresidenteSubstituto à época do julgamento assina o Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de pedido de restituição cumulado com pedidos e/ou declarações de compensação de créditos decorrentes de pagamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) do período de junho de 1996 a junho de 2000. Aduziu a contribuinte que os valores dessas contribuições, cujo fato gerador éa compra de combustível para revenda ao consumidor final, têm sido debitados de forma indevida,sem o aproveitamento do crédito pela contribuinte, fato que proporcionou o direito ao crédito para compensação com tributos da mesma espécie. A Delegacia da Receita Federal em JundiaiSP considerou não formulado o pedido de restituição, por não estar conforme os artigos 3°, § 1°, e 76 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 460, de 2004, e não homologou as compensações dos débitos, sob a fundamentação de que, nos termos do artigo 150, § 7°, da Constituição Federal, a restituição de valores pagos no regime de substituição tributária somente ocorre caso não se realize o fato gerador presumido e o recolhimento do tributo, pelo subsituto tributário, é feito no montante determinado na lei, e extingue o crédito tributário com a ocorrência do fato gerador presumido, sendo irrelevante, para fins de determinação dos valores devidos, o fato de o varejista praticar preço inferior ao estabelecido como parâmetro legal à quantificação do débito, na hipótese de fato gerador presumido. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CampinasSP (DRJ/CPS) também não homologou as compensações pretendidas, ensejando a interposição de recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para pleitear a restituição é decenal, pois a extinção do crédito tributário ocorre com sua homologação tácita, com o transcurso do prazo quinquenal contado da data do fato gerador; II – é cabível a rstituição, pois a base de cálculo estimada não pode ser superior ao preço efetivamente praticado, sob pena de enriquecimento ilícito da União; e III – ao permitir a "Substituição Tributária para a frente", o poder constituinte derivado condicionou sua prática a que, em não se realizando a operação ou fosse ela realizada por valor inferior ao estimado, fosse restituida imediata e preferencialmente a quantia paga em excesso. Ao final, a recorrente solicitou o provimento do seu recurso para modificar a decisão da DRJ/CPS e reconhecer seus créditos e, consequentemente, homologar as compensações pretendidas. É o relatório. Fl. 888DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0819.10586.SDBR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13839.001093/200500 Acórdão n.º 2202000.029 S2C2T2 Fl. 883 3 Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, redatora designada ad hoc Inicialmente, cumpre registrar que, tendo sido designada ad hoc para formalização do voto proferido na sessão de 04 de março de 2009 pelo relator original, na ausência de outro registro oficial das questões debatidas na então Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conto com parcas memórias para expor as razões de outrora decidir daquele colegiado, de acordo com o relato dos fatos processuais feito por aquele relator. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e seu julgamento estava inserto nas esfera de competências regimentais daquela Segunda Seção, por isso ele foi conhecido. Preliminarmente, enfrentouse a decadência do direito de pleitear a restituição e foi lembrado que, na hipótese de tributo sujeito ao lançamento por homologação, era pacífica a orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que a extinção do crédito tributário somente se operaria com a homologação tácita do lançamento e, assim, na hipótese de homologação tácita, que ocorre com o decurso do prazo de cinco anos da data do fato gerador, o prazo decadencial seria de dez anos da ocorrência do fato gerador. Tal orientação, porque firmada no pressuposto de que decorreria cinco anos para a homologação do lançamento e, depois, mais cinco para o exercício do direito de pleitear a restituição, ficou conhecida, no meio jurídicotributário, como a tese dos cinco mais cinco. Todavia, com o advento da Lei Complementar n° 118, de 09 de fevereiro de 2005, cujo art. 3° fixou, para efeito de interpretação do art. 168, inc. I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), a extinção do crédito tribuário, no caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, na data do pagamento antecipado referido no seu art. 150, § 1°, não mais se poderia adotar a orientação do STJ, pois, embora a cláusula de vigência da mencionada Lei Complementar tenha emprestado vigor à lei somente a partir do 120° dia da sua publicação, ressalvou o caráter interpretativo do seu art. 3°, o que, com efeito, impõe a observância do art. 106, inc. I, do CTN, para aplicálo aos fatos pretéritos. Dessa forma, por força do disposto na Lei Complementar n° 118, de 2005, verificado que o pedido da contribuinte fora protocolizado em 08 de junho de 2005, concluiu se que foram atingidos pela decadência do direito de requerer o indébito os recolhimentos realizados até 07 de junho de 2000. Quanto ao mérito, foi lembrado que o art. 150, § 7°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993, ao autorizar a insituição do regime de substituição tributária, mediante lei, assegurou a restituição a imediata e preferencial restituição da quantia paga apenas na hipótese de nãorealização do fato gerador presumido, conforme constatase com a mera leitura do dispositivo referido constitucional que transcrevese: Fl. 889DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0819.10586.SDBR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Art. 150. (...) § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Com essa autorização constitucional, a Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, tratou de atribuir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição para o PIS e da Cofins devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo (substituído) às refinarias de petróleo (substituto tributário) e, ao mesmo tempo, estabelecer a base de cálculo das contribuições para possibilitar o recolhimento pelo substituto tributário. Ao estabelecer essa base de cálculo, a lei integroua, exclusivamente, com o quádruplo do preço de venda do substituto tributário. Portanto, não havendo, na formulação da base de cálculo, nenhuma variável que guarde relação com o preço praticado pelos contribuintes substituídos ou com a receita da venda dos produtos em questão, o que efetivamente ocorreu foi a presunção da ocorrência do fato gerador, que implica, necessariamente, a fixação legal de uma base de cálculo para possibilitar ao substituto efetuar a retenção (obrigação de cobrar) do valor devido por seus substituídos. Dessa forma, foi instituído um novo regime para cobrança da contribuição para o PIS e da Cofins dos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis, que ficou conhecido como substituição tributária para frente, que, na prática, transferiu ao substituto tributário a obrigação de cobrar (reter) e recolher as referidas contribuições e, relativamente à vendas desses combustíveis pelos substituídos, impôs outra base de cálculo, sem nenhuma vinculação com essas vendas. Com essas considerações, concluiuse que há positivação para a retenção e para apuração do valor dos tributos a ser retido e para repetição do indébito na hipótese de não se realizar o fato gerador presumido, mas nenhuma disposição legal há que determine a restituição de diferença verificada entre os valores retidos das contribuições e os valores apurados após a efetiva ocorrência do fato gerador. Por essas razões, negouse provimento ao recurso voluntário. Em 29 de abril de 2013 Sílvia de Brito Oliveira Redatora designada ad hoc Fl. 890DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0819.10586.SDBR. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA em 29/04/2013 20:25:26. Documento autenticado digitalmente por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA em 29/04/2013. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 24/06/2013 e SILVIA DE BRITO OLIVEIRA em 29/04/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.0819.10586.SDBR Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 58B57B2AE6C036F1E8C05193F0082C241885255D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13839.001093/2005-00. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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